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Numero do processo: 19647.009419/2006-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE DO LANÇAMENTO.
É nulo o lançamento feito na pessoa física do contribuinte quando esta, para fins tributários, deve ser equiparada à pessoa jurídica. Inteligência artigo 150, II, do Decreto n° 3000, de 1999 e do artigo 41, § 1°, b, da Lei n° 4.506, de 1964.
Identificando-se que os valores creditados nas contas bancárias do contribuinte são decorrentes do exercício da atividade de comércio de tecidos e confecção de roupas, exercida de forma habitual, cabe à fiscalização, independentemente de alegação do fiscalizado, atribuir CNPJ ao sujeito passivo e arbitrar o valor do lucro omitido.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, que votou por dar provimento parcial ao recurso, e Andrea Brose Adolfo e Ivacir Julio de Souza, que votaram pela nulidade do lançamento por vício formal.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: Relator
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SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento feito na pessoa física do contribuinte quando esta, para fins tributários, deve ser equiparada à pessoa jurídica. Inteligência artigo 150, II, do Decreto n° 3000, de 1999 e do artigo 41, § 1°, b, da Lei n° 4.506, de 1964. 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Vencidos os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis, que votou por dar provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 94 19 /2 00 6- 53 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 parcial ao recurso, e Andrea Brose Adolfo e Ivacir Julio de Souza, que votaram pela nulidade do lançamento por vício formal. João Bellini Júnior Presidente. Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/REC, nº 1125.141, constante em fls. 422/450 (pdf): Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 06/14, inclusive demonstrativos), mediante o qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF (suplementar) no valor de R$ 1.684.570,61, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 29/09/2006, relativamente ao exercício de 2003, ano calendário de 2002. Cabe registrar que o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE CARNÊLEÃO (fls.11/12), o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO — IRPF (fls.13) e o DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA (fls.14), o TERMO DE ENCERRAMENTO (fls.280), o RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL (fls.260/279), bem como todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos mencionados no Auto de Infração dele fazem parte integrante como se nele transcritos estivessem. O crédito tributário alcançou o montante de R$ 3.917.054,64. 2. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls.08/10), foram detectadas as infrações adiante especificadas, encontrando se nele descritos os respectivos enquadramentos legais. 2.1. Compensação indevida de imposto complementar (mensalão) e/ou carnêleão deduzido(s) indevidamente na Declaração de Ajuste Anual Simplificada — DIRPF 2003. 2.2. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Segundo a AuditoraFiscal autuante, esta infração caracterizouse "(...) por valores creditados, no anocalendário 2002, em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal de fls.260 a 279 (...)." Fl. 599DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19647.009419/200653 Acórdão n.º 2301004.519 S2C3T1 Fl. 539 3 2.3. Falta de recolhimento do imposto de renda da pessoa física devido a titulo de carne leão, sujeitando o contribuinte à multa isolada sobre o referido imposto devido e não recolhido. 3. No RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL, a AuditoraFiscal autuante relata os fatos adiante resumidos, relativamente às infrações detectadas. 3.1. O contribuinte sob fiscalização manteve, no anocalendário 2002, movimentação financeira total de R$ 6.112.528,49, consoante informações prestadas à Receita Federal pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, HSBC BANK BRASIL S/A e BANCO BRADESCO S/A. 3.2. O valor de RS 28.350,00 informado na DIRPF 2003 sujeitam o contribuinte ao imposto de renda mensal obrigatório (carnêleão, código de receita 0190). Embora naquela declaração haja sido compensado R$ 749,90 a titulo de carnêleão e/ou imposto complementar (mensalão), não há registro, nos sistemas da Receita Federal, dessa espécie de recolhimento. Há, por outro lado, nove (09) recolhimentos a titulo de mensalão no valor individual de R$ 74,99 (código de receita 0246). 3.3. Relata as diversas intimações enviadas ao contribuinte, a partir do Termo de Inicio de Fiscalização (este, às fls.24/25) e respectivas respostas, inclusive os documentos a elas anexados. Transcreve, ainda, as informações nelas prestadas pelo contribuinte, relativamente i) às contas usadas para sua movimentação pessoal (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, agência 2346, conta n° 001.34539; e HSBC BANK BRASIL S/A, agência 0286, conta n° 1331083) e ii) à conta usada para sua movimentação comercial relativa a tecidos e confecções (BANCO BRADESCO S/A, agência 32018, conta n° 486.7688). Acrescentou, ainda, que o contribuinte afirmara que, por praticar o comércio informalmente, não dispunha de documentação comprobatória das origens dos depósitos, mas que estava buscando contato com pessoas com as quais se relacionara, com o fim de fornecer outros elementos que venham a atender a solicitação. 3.4. Ao elaborar os demonstrativos intitulados DEPÓSITOS A COMPROVAR A ORIGEM (fls.131/180), i) não incluiu créditos objeto de estorno na mesma data e em igual valor e ii) subtraiu dos créditos os lançamentos a débito correspondentes a cheques depositados devolvidos, o que ocorreu apenas na conta mantida no BRADESCO. O referido demonstrativo foi encaminhado ao contribuinte mediante o Termo de Intimação Fiscal datado de 09/03/2005 e recebido em 14103/2005 (fls.181), para que apresentasse documentação hábil e idônea, comprobatória das origens dos recursos ali relacionados. Em resposta à citada intimação, o contribuinte encaminhou correspondência, porém sem qualquer documentação. 3.5. Ao analisar as correspondências enviadas à Fiscalização pelo contribuinte, identifica contradição atinente ao uso das contas bancárias, dado que ora as distingue — uso pessoal e uso comercial , ora não as distingue, como, por exemplo, ao afirmar, em 13/04/2005, às fls.184, item 7, Fl. 600DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 que "(...) não teria sido de nenhuma outra atividade além do meu comércio informal que decorreram os depósitos e saques nas minhas contas bancárias." 3.6. Explicita a solicitação para que o contribuinte esclareça os rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, mês a mês, conforme sua DIRPF 2003, bem assim, a apresentar, se for o caso, documentação comprobatória das deduções mensais e Documentos de Arrecadação de Receitas Federais — Darf relativos a recolhimentos efetuados a títulos de carnêleão e mensalão. Analisa resposta apresentada pelo contribuinte e respectiva documentação, na qual se encontra um demonstrativo (fls.195) que vem a ser, na realidade, um fluxo financeiro, não solicitado pela Fiscalização, uma vez que despiciendo no contexto do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações, e contendo as inconsistências que descreve. 3.7. Menciona outras intimações feitas e respectivas respostas do contribuinte, inclusive a alegação da existência de empréstimos entre a sua pessoa física e a sua atividade empresária. A esse respeito, afirma o contribuinte (fls.236) : "No entanto, analisando as duas contas correntes bancárias que mantinha naquele ano [HSBC e Bradesco, consoante antes citara], não identifico coincidência de valores de tais depósitos como advindo de uma conta para outra; ou seja, apesar da verdade, logicismo e obviedade das explicações aqui declinadas, dada a informalidade com que eram realizados os atos negociais, não tenho como demonstrar documentalmente as origens de tais depósitos." Nesse ponto, a autuante esclarece não ter constatado qualquer transferência de valores entre as contas correntes mantidas pelo contribuinte. 3.8. Acrescenta que, mesmo alertado, por diversas vezes, para o fato de que a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada caracteriza presunção legal relativa a omissão de rendimentos, o contribuinte limitouse, mais uma vez, a alegar desenvolver atividades comerciais mediante uso de conta bancária de sua titularidade, sem, contudo, apresentar qualquer documentação comprobatória. Ressalta que não faltaram ao contribuinte tempo e oportunidade para apresentar provas de suas alegações, dados os reiterados termos de intimação para que assim procedesse, "(...) inclusive facultando a comprovação de vínculo de depósitos bancários ao suposto comércio por elementos que não notas fiscais de venda (relação indicando os adquirentes das mercadorias, as mercadorias vendidas e os valores recebidos; comprovantes de depósito; declaração de adquirentes de mercadorias, etc ) (fls.188 e 189— item 5)." 3.9. Ao final, conclui descrevendo as infrações detectadas no curso da ação fiscal, as quais já foram mencionadas no item 2 deste Relatório. 4. Regularmente cientificado do lançamento em 27/10/2006 (fls.283), o contribuinte autuado apresentou, em 27/11/2006, impugnação (fls.2847/308), acompanhada de documentos (fls.309/393), que vêm a ser i) cópias da autuação e seus demonstrativos, ii) documentário em vídeo, iii) declarações firmadas por pessoas físicas e cópias de seus documentos de identificação, iii) cópias de matérias jornalísticas atinentes ao denominado "Pólo de confecção do Agreste". Por meio dessa peça de defesa alega, em síntese, o que adiante se relata. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19647.009419/200653 Acórdão n.º 2301004.519 S2C3T1 Fl. 540 5 4.1. Argüi preliminar de nulidade do lançamento, por entender estar eivado de ilegalidade e de vícios formais. Primeiramente, alega a ilegalidade do procedimento administrativo em razão da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, transcrevendo decisões judiciais e vasta doutrina. Ao depois, alega erro na forma de determinação do sujeito passivo, da matéria tributável e do quantum debeatur, que considera vícios insanáveis de forma. 4.2. Após descrever, resumidamente, os esclarecimentos prestados em resposta às intimações fiscais, afirma : "Assim, demonstrado que os créditos bancários não tinham origem declarada, mas eram oriundos do comércio informal, é induvidoso que o exercício habitual de atividade comercial por parte das pessoas físicas traz como conseqüência a sua caracterização como empresas individuais equiparadas às pessoas jurídicas pela legislação tributária, de acordo com o comando contido no inciso II do parágrafo 1° do artigo 150 do Regulamento do Imposto de Renda (...). A auditora fiscal sendo sabedora de que o contribuinte não possuía outra atividade de profissão legalmente habilitada (sic), eis que sequer possui formação superior, tem a conclusão de que outra não poderia ser a origem dos créditos (e débitos) bancários senão frutos de atos do comércio, como declinou o fiscalizado." 4.3. Acrescenta que a mencionada atividade informal que exerce é de todos conhecida, segundo declarações prestadas por pessoas da sociedade local e matérias jornalísticas que anexou à impugnação. Reitera que os recursos em questão originamse da atividade comercial, mas que, a teor do art. 150 do RIR/99, deveria ter sido enquadrado como pessoa jurídica, consoante dispõe o art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 200, de 2002, que reproduz. Deveria a autuante ter formalizado a exigência fiscal contra a pessoa jurídica, mesmo que não regularmente constituída. Admite, ainda, que fosse, na qualidade de titular dessa nova pessoa jurídica, nomeado responsável pelo crédito tributário. Lembra o disposto pelo art. 121 do CTN e pelo art. 214 do RIR199. Transcreve diversas decisões administrativas que entende favoráveis à sua tese. 4.4. Aduz que não se furta a ser tributado, mas que "(...) não deve tanto quanto está sendo cobrado." E, também, que : "(...) em cumprimento ao que determina a norma tributária, somente caberia se tributar tais presunções legais, como pessoa jurídica por equiparação da (sic) empresa individual, pela prática do comércio efetuada pelo contribuinte. E o que exige fazer o inciso II do parágrafo 10 do artigo 150 do Regulamento do Imposto de Renda; e a autoridade tributária, por vinculação à lei, não poderia fazer diferente." 4.5. Requer a aplicação do art. 112 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN). 4.6. Reclama da aplicação de multas e juros em valores que constituem confisco, em desrespeito à proibição constitucional relativa à tributação confiscatória. No que se refere à multa, reproduz parcialmente o art. 52 da Lei n° 9.298, de 1996. Quanto aos juros de mora, defende que somente Fl. 602DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 caberia aplicar à taxa de 1% ao mês, conforme estipula o § 1° do art.161 do CTN. 4.7. Ao final, pelas razões que expôs, requer seja cancelado o débito fiscal ora discutido. A Turma de Primeira Instância, julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Como nos casos de presunção legal o ônus da prova é do contribuinte, cabelhe comprovar a origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É licito à autoridade fiscal, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPLEMENTAR E FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. EFEITOS. Não apresentada contestação expressa quanto a itens da autuação, pressupõese a concordância do impugnante, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19647.009419/200653 Acórdão n.º 2301004.519 S2C3T1 Fl. 541 7 MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não aos juros de mora e às multas de oficio, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente" O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1125.141 da 2ª Turma da DRJ/REC em 24/03/2009 (fl. 457 pdf). Sobreveio Recurso Voluntário em 20/04/2009 (fls. 459/485 pdf), no qual, o contribuinte alegou em suma, comprovação da atividade comercial desenvolvida e nulidade da autuação por erro na determinação do sujeito passivo. Por meio da Resolução nº 2102000.045, fora sobrestado o julgamento do recurso, face a controvérsia acerca da quebra de sigilo bancário, Tema 225 do STF, o qual está pendente de julgamento em sede de Repercussão Geral. Considerando que o relator da Resolução supracitada não compõe mais este E. Colegiado, os autos foram redistribuídos e sorteados a esta relatora. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Inicialmente, cabe tecer considerações sobre o sobrestamento do julgamento face à controvérsia relativa à quebra do sigilo bancário do contribuinte por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. A possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II, do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 102/2001 autorizar a referida disposição expressamente: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas, informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Confirase: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." Da leitura do referido dispositivo, resta claro que havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável pela autoridade administrativa competente, sendo certo que tal entendimento é reforçado pelo disposto no art. 4º, § 8º, do Decreto nº 3.724, de 2001, abaixo transcrito: Art.4o Poderão requisitar as informações referidas no §5o do art. 2oas autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007) (...) §8o A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19647.009419/200653 Acórdão n.º 2301004.519 S2C3T1 Fl. 542 9 Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento foi procedida dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC nº 105/2001, encontra se vigente e eficaz. Cabe apenas destacar que atualmente a matéria está no Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o presente Egrégio Conselho Administrativo já se manifestaram quanto à legalidade da utilização do dispositivo supracitado. Logo, nao há que se falar em quebra do sigilo bancário do contribuinte. Não obstante, sustenta o recorrente ter apresentado "provas convergentes e elementos contundentes de que exercia comércio em nome próprio e que a conta de sua titularidade no Bradesco era utilizada para sua movimentação financeira". Segue o recurso alegando que: "[... ] o ora Recorrente atuava, à época dos fatos, como vendedor de artigos têxteis para comerciantes do pólo de confecções do agreste. Nesse sentido, adquiria tecidos e roupas de confecções e os revendia para os participantes da chamada "Feira da Sulanca", efetuando ainda por vezes venda para consumidor final. A atuação comercial do ora Recorrente deflagrase pelo próprio volume de operações constantes dos extratos de movimentações financeiras de conta corrente de sua exclusiva titularidade e destacada para referido fim, qual seja, a Conta Corrente n°486.7688, agência n° 32018 aberta junto ao Banco Bradesco S/A. [...] Ora, a quantidade de cheques depositados, devolvidos e emitidos registrada nos mencionados extratos é incompatível com as atividades de uma pessoa física, denotando, em verdade, típica movimentação comercial. Cumpre asseverar que a atuação comercial do Recorrente junto aos vendedores ambulantes do pólo de confecções do agreste restou também comprovada pelas declarações acostadas aos autos do processo por meio do "anexo 4" e "anexo 5" da impugnação. Por meio das mencionadas declarações, parceiros comerciais confirmam as negociações travadas com o ora Recorrente para fins de aquisição de roupas e tecidos ao longo do ano de 2002 para venda na "Feira da Sulanca" Em suma, argumenta o recorrente que o mesmo desenvolvia atividade comercial junto à vendedores ambulantes do pólo de confecções do agreste, e que desta atividade resultaram os recursos que transitaram por suas contas bancárias fiscalizadas. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Para corroborar suas alegações, acostou o recorrente declarações de pessoas próximas, as quais, atestam que o mesmo "exercia o comércio 'em grosso' de confecções e tecidos nas 'Feiras da Sulanca', das cidades de Caruaru, Sta Cruz do Capibaribe e Toritama, fornecendo produtos para os feirantes, e com o qual negociei durante o ano de 2002, adquirindo produtos para vender nas citadas feiras, através de operações em consignação, sendo efetuado os pagamentos conforme as vendas realizadas." e que "o Sr. Glauber da Fonseca Araújo, detentor do CPF n° 963.631.18468 é meu conhecido e amigo; e que sempre trabalhou no ramo de venda de tecidos e confecções na região das feiras da sulanca, no agreste de Pernambuco." Dá análise em conjunto da documentação acostada pelo recorrente e suas alegações, verificase que de fato, é expressivo o número de cheques devolvidos movimentados nas contas bancárias fiscalizadas (fls. 37/101 e 139/187), os quais representam quase 50% da movimentação do contribuinte e são nominais à fabricas de tecidos em valores altos, o que evidencia verossimilhança nas alegações do recorrente, uma vez que é incomum uma pessoa física adquirir para consumo próprio quantidade e valores altos de tecidos. Assim, além dos cheques devolvidos, as declarações acostadas pelo recorrente, evidenciam o exercício da atividade econômica de natureza civil, com o fim especulativo de lucro, de modo que a autuação deveria terse efetivado nos termos do art. 150, inciso II, do Decreto 3.000. In verbis: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: [...] II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); Assim, identificada a origem dos recursos, à luz do artigo 42, § 2º, da Lei n° 9.430, de 1996, caberia à fiscalização atribuir CNPJ à fiscalizada e arbitrar o lucro nos termos do artigo 529 e seguintes do RIR. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Decreto nº 3.000/1999: Fl. 607DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19647.009419/200653 Acórdão n.º 2301004.519 S2C3T1 Fl. 543 11 Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Reconhecida a improcedência da exigência contida no auto de infração, caracterizada pela omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, de forma que, resta prejudicado os demais argumentos trazidos nas razões recursais. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR e no mérito DAR PROVIMENTO ao Recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 608DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 11516.000041/00-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998
PAF. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL RECEBIDA POR TERCEIRO SEM VÍNCULO COM O CONTRIBUINTE. INEFICÁCIA.
Revela-se ineficaz a intimação endereçada ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo recebida por policial militar que fazia a segurança externa da residência, vale dizer, por terceira pessoa sem qualquer vínculo com o contribuinte, seja de parentesco, seja de relação empregatícia doméstica, seja de relação empregatícia condominial, mormente quando as circunstâncias fáticas evidenciadas nos autos indiquem que o destinatário da missiva dela não tomou conhecimento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis as omissões de rendimentos consubstanciadas em acréscimos patrimoniais a descoberto apurados mensalmente, quando tais acréscimos não são justificados por rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
ALTERAÇÃO CONTRATUAL REALIZADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se mostra razoável que o contribuinte se desvencilhe de sua obrigação de pagar o imposto de renda mediante simples alteração contratual realizada após a ocorrência do fato gerador e após a constituição do crédito tributário, porquanto a aceitação desta prática inviabilizaria as atividades da Administração Tributária, que ficaria totalmente fragilizada diante da possibilidade de que seus créditos fossem cancelados a qualquer momento, ao talante do contribuinte.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Somente é justificável o deferimento de perícia cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revela-se prescindível a perícia acerca de matéria que poderia ter sido elucidada pelo próprio contribuinte mediante a simples juntada de documentos.
Preliminar de Nulidade do Lançamento Rejeitada
Pedido de Perícia Indeferido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos, quanto ao conhecimento do recurso, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1995, 1996, 1997, 1998 PAF. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL RECEBIDA POR TERCEIRO SEM VÍNCULO COM O CONTRIBUINTE. INEFICÁCIA. Revela-se ineficaz a intimação endereçada ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo recebida por policial militar que fazia a segurança externa da residência, vale dizer, por terceira pessoa sem qualquer vínculo com o contribuinte, seja de parentesco, seja de relação empregatícia doméstica, seja de relação empregatícia condominial, mormente quando as circunstâncias fáticas evidenciadas nos autos indiquem que o destinatário da missiva dela não tomou conhecimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as omissões de rendimentos consubstanciadas em acréscimos patrimoniais a descoberto apurados mensalmente, quando tais acréscimos não são justificados por rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ALTERAÇÃO CONTRATUAL REALIZADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se mostra razoável que o contribuinte se desvencilhe de sua obrigação de pagar o imposto de renda mediante simples alteração contratual realizada após a ocorrência do fato gerador e após a constituição do crédito tributário, porquanto a aceitação desta prática inviabilizaria as atividades da Administração Tributária, que ficaria totalmente fragilizada diante da possibilidade de que seus créditos fossem cancelados a qualquer momento, ao talante do contribuinte. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Somente é justificável o deferimento de perícia cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revela-se prescindível a perícia acerca de matéria que poderia ter sido elucidada pelo próprio contribuinte mediante a simples juntada de documentos. Preliminar de Nulidade do Lançamento Rejeitada Pedido de Perícia Indeferido Recurso Voluntário Negado
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INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL RECEBIDA POR TERCEIRO SEM VÍNCULO COM O CONTRIBUINTE. INEFICÁCIA. Revelase ineficaz a intimação endereçada ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo recebida por policial militar que fazia a segurança externa da residência, vale dizer, por terceira pessoa sem qualquer vínculo com o contribuinte, seja de parentesco, seja de relação empregatícia doméstica, seja de relação empregatícia condominial, mormente quando as circunstâncias fáticas evidenciadas nos autos indiquem que o destinatário da missiva dela não tomou conhecimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as omissões de rendimentos consubstanciadas em acréscimos patrimoniais a descoberto apurados mensalmente, quando tais acréscimos não são justificados por rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ALTERAÇÃO CONTRATUAL REALIZADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se mostra razoável que o contribuinte se desvencilhe de sua obrigação de pagar o imposto de renda mediante simples alteração contratual realizada após a ocorrência do fato gerador e após a constituição do crédito tributário, porquanto a aceitação desta prática inviabilizaria as atividades da Administração Tributária, que ficaria totalmente fragilizada diante da possibilidade de que seus créditos fossem cancelados a qualquer momento, ao talante do contribuinte. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 00 41 /0 0- 59 Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.118 2 Somente é justificável o deferimento de perícia cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revelase prescindível a perícia acerca de matéria que poderia ter sido elucidada pelo próprio contribuinte mediante a simples juntada de documentos. Preliminar de Nulidade do Lançamento Rejeitada Pedido de Perícia Indeferido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos, quanto ao conhecimento do recurso, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH, CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração AI relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 401.839,57, incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do AI revela que a Autoridade Lançadora apurou as seguintes infrações nos anoscalendário de 1994, 1995, 1996 e 1997: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; Acréscimo patrimonial a descoberto; Despesas médicas deduzidas indevidamente. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.119 3 Após ser intimado o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 400/442, por meio da qual alegou, em síntese: PRELIMINARMENTE Nulidade do lançamento A Autoridade Fiscal, embora sabedora de que se tratava de alienação de investimentos, em nenhum momento tributou como tal. Tais alienações diferem dos demais rendimentos, porquanto tributadas exclusivamente na fonte, fato este não considerado pela Autoridade lançadora. O ganho de capital a que se refere o artigo 117 do RIR/1999 se sujeita a incidência do imposto de renda sob a forma de tributação definitiva, devendo o cálculo e o pagamento do imposto ser efetuado em separado dos demais rendimentos tributáveis recebidos no mês, quaisquer que sejam. O imposto assim apurado não é compensável na declaração de ajuste anual. Todos os documentos foram colocados à disposição da Autoridade Fiscal. O Recorrente não se furtou a esconder nenhum documento. Muito pelo contrário: apresentou os documentos solicitados e outros não solicitados que comprovam as transferências de quotas, o que, por si só, já é motivo de nulidade do lançamento. Decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário Em se tratando de lançamento sujeito a homologação nunca poderia a Fazenda Pública, em 12 de janeiro de 2000, constituir crédito relativo a fato gerador ocorrido em 1994. Por isso mesmo é que o lançamento tributário aqui discutido perdeu os requisitos necessários para a sua manutenção, que é a presença da liquidez e da certeza de que tem que gozar todo título público. MÉRITO Anocalendário de 1994 A Autoridade Fiscal lançou valores mês a mês, de fevereiro a dezembro, considerandoos como acréscimo patrimonial a descoberto. No entanto, não foram considerados os valores recebidos da Empresa Trirradial Veículos e Peças Ltda., no importe de Cr$ 3.330.000,00, no dia 20 de abril de 1994, conforme bem demonstra a cópia anexada do LivroRazão da referida empresa. Anocalendário de 1995 A Autoridade Fiscal deixou de considerar, talvez por falta de apresentação de documentos, os valores recebidos da empresa Trirradial, no mês de maio de 1995, no montante de R$ 15.441,48, e de R$ 11.113,66 recebidos no mês de junho do mesmo ano, como bem demonstra cópia do Razão contábil. Logo, considerando os valores de maio em diante não há mais que se falar em patrimônio a descoberto. Anocalendário de 1996 Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.120 4 A Autoridade Fiscal considerou como omissão de receitas a importância de R$ 54.950,00, alegando tratarse de compra de camioneta cuja Nota Fiscal de compra, datada de 30 de agosto de 1996, teria sido à vista. O fato é que, muito embora a referida Nota Fiscal diga que o pagamento seria à vista, o que aconteceria numa sextafeira, o pagamento somente veio a ocorrer no dia 02 de setembro, ou seja, na segundafeira seguinte, conforme mostram os lançamentos contábeis efetuados no mês de setembro de 1996 pela empresa Trirradial (registro no Diário Contábil nº 17, do ano de 1996, páginas 11, 18 e 182). O pagamento desta compra, efetuado no dia 02 de setembro de 1996, está registrado na contabilidade da empresa Trirradial, lançado a crédito de Eduardo Pinho Moreira, conforme bem demonstra o lançamento contábil efetuado à folha 11, no valor de R$ 56.123,94. Subtraindose os valores pagos a título de seguro ao Banco Bamerindus S/A, no valor de R$ 723,94, lançado à folha 18, além do valor de R$ 450,00 referente à comissão recebida pela Trirradial, conforme lançamento contábil transcrito à folha 182, sobra montante para liquidar o preço da camioneta no valor exato de R$ 54.950,00, que lhe fora debitado anteriormente pela Nota Fiscal de venda da camioneta. Logo, não há que se falar em acréscimo patrimonial a descoberto no mês de agosto de 1996, visto que o pagamento da camioneta somente ocorreu em 02 de setembro de 1997, quando o Contribuinte já tinha caixa para fazer tal aquisição. Ainda no ano de 1996, no mês de dezembro, a Autoridade Fiscal considerou como omissão de receita a importância de CR$ 80.000,00, sob a seguinte alegação: “Na 20ª alteração contratual (fls. 162), consta uma integralização de capital de R$ 80.000,00, que teria sido efetuada em imóvel (terreno). No entanto, o contribuinte afirma que o terreno foi diretamente adquirido pela Trirradial (fls. 305 a 306). Em virtude disto, esta integralização também está sendo considerada em dinheiro, pois não foi comprovada a propriedade do terreno supostamente utilizado para a integralização de capital”. Primeiramente é de se afirmar que, se o ato social que aumentou o Capital Social reza que o aumento de capital realizouse com a integralização de um imóvel, que inclusive encontrase devidamente qualificado na 20ª Alteração Contratual, com o n° de matrícula do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis, não pode a Autoridade Fiscal, a seu bel prazer, considerar que tal aumento de capital se deu em moeda corrente nacional, por simples presunção. Tal imóvel foi adquirido diretamente pela empresa Trirradial em 6 (seis) parcelas de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), conforme Contrato de Compromisso de Compra e Venda, as quais não foram pagas e estão sendo ajuizadas no Processo Judicial n° 023.98.0480879, na 1ª Vara Cível da Capital. Com isto, fica descaracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto e, portanto, fica provado que o Declarante não dispôs de tais recursos para o referido aumento de capital: primeiro porque o referido imóvel utilizado no aumento do capital social não lhe pertencia e segundo porque dito imóvel foi adquirido diretamente pela empresa Trirradial, que por sua vez também não pagou a dívida, tanto assim que a dívida para com a Engeplan Terraplanagem Saneamento e Urbanismo Ltda. está ajuizada. Mesmo que o imóvel tivesse sido adquirido pelo contribuinte e utilizado para aumento de capital, porém comprovado o seu não pagamento, não teria efeito tributário, Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.121 5 pois o imóvel não esta pago e ficaria também descaracterizado o acréscimo patrimonial a descoberto. A prova da aquisição por parte da Empresa Trirradial, deste terreno, encontrase na cópia do Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda, ora anexado à impugnação. No contrato de compra e venda, assinado pela Trirradial e pela Engeplan, encontrase toda a qualificação identificando claramente que o imóvel adquirido pela Empresa Trirradial é o mesmo que está sendo executado e o mesmo que foi utilizado indevidamente pelos sócios da Trirradial para o aumento de capital inserido na 20ª Alteração Contratual. Tanto é verdade o alegado que quem está sendo executado judicialmente como avalistas do título executivo são os sócios da empresa Trirradial, Srs. Henrique de Bastos Malta e Jaime Lorenzette, conforme consta do Processo Judicial que tramita na 1ª Vara Cível do Foro da Capital, em que o Exequente é Engeplan Terraplanagem Saneamento e Urbanismo Ltda e Executados Henrique Bastos Malta e outro, execução esta representada por 6 (seis) Notas Promissórias no valor de R$ 40.000,00 cada uma, totalizando R$ 240.000,00. Anocalendário de 1997 Primeiramente é de se afirmar que o contribuinte não vendeu suas quotas para a Sra. Maria de Lourdes, conforme dispõe a 22ª Alteração Contratual, e nem como está inserido no Termo de Cessão de Quotas, mais sim ao Sr. Gervásio José da Silva, conforme dispõe a rerratificação feita na 24ª Alteração Contratual, ora anexada. Somente agora os sócios verificaram os erros cometidos na 22ª e na 23ª alterações contratuais. Na tentativa de acertar um erro, cometeuse outro erro que somente agora se regulariza. Fator determinante para provar que esta transação não ocorreu como afirmado pela Autoridade Fiscal é a declaração assinada pelo Sr Gervásio José da Silva e pela Sra. Maria de Lourdes da Silva, afirmando os termos do negócio realizado, conforme declaração anexa. Outro fator a ser considerado é a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física acostada aos autos às fls. 24/27, sendo que à fl. 24 demonstrase claramente, no item 12, a baixa da participação do contribuinte na empresa Trirradial, no ano de 1997. Da análise da fl. 27 verificase que o contribuinte preencheu o demonstrativo de ganho de capital. No quadro 07 aparece como adquirente o Sr. Gervásio José da Silva, o que prova que as vendas dos investimentos foram efetuadas efetivamente para ele. Portanto, até mesmo a declaração do IRPF coadunase com as afirmações de que a operação deuse entre o Sr. Eduardo Pinho Moreira e o Sr. Gervásio José da Silva. A verdade é que o valor da operação foi de R$ 620.000,00, cuja venda foi efetuada nas condições estabelecidas na 24ª Alteração Contratual, ora anexada, a qual, por sua vez, veio rerratificar os equívocos cometidos nas 22ª e 23ª alterações contratuais. Conforme pode ser verificado na 24ª Alteração Contratual, o contribuinte transferiu suas 821 quotas de capital, no valor de unitário de R$ 1.000,00 cada, que detinha na Empresa Trirradial Veículos e Peças Ltda., para o Sr. Gervásio José da Silva, pelo preço ajustado de R$ 620.000,00, que seriam pagos nas seguintes condições: Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.122 6 a) Representando o valor de R$ 280.000,00, seriam cedidos todos os direitos do Contrato de Compromisso de Compra e Venda celebrado entre o Sr. Gervásio José da Silva e a construtora ACCR Construções Ltda., relativo a um apartamento em construção na Rua Rafael Bandeira, em Florianópolis, mais a quantia de R$ 20.000,00, os quais seriam pagos posteriormente, em moeda corrente nacional; b) R$ 220.000,00 seriam pagos em 10 (dez) parcelas consecutivas de R$ 22.000,00, com o vencimento da primeira na data da assinatura do Termo de Confissão de Dívida, mais nove parcelas restantes, representadas por Notas Promissárias no valor de R$ 22.000,00 cada uma; c) R$ 100.000,00 seriam pagos em 3 (três) parcelas iguais anuais, corrigidas pelo índice da poupança, vencendose a primeira no dia 31 de março de 1998. Em relação ao item “a” os valores considerados como omissão de Receitas não condizem com a realidade dos fatos, uma vez que o apartamento que seria para liquidar parte das quotas de capital vendidas pelo contribuinte ao Sr. Gervásio não lhe foi entregue pela Construtora ACCR Construções Ltda. O crédito da vendedora encontrase ajuizado na 3ª Vara Cível da Capital, conforme Processo n° 023.98.0363465, o que prova que o contribuinte nada recebeu dos R$ 300.000,00, muito embora a cessão de quotas assinada no dia 31 de julho de 1997 diga diferente. O contribuinte realmente vendeu suas quotas, porém não as recebeu. Tudo está muito bem demonstrado na 24ª Alteração Contratual, que tratou da rerratificação da 22ª Alteração Contratual e que veio exatamente para corrigir as distorções. O Processo n° 023.98.0363465 comprova que tais valores não foram recebidos. Do total de dez parcelas referidas no item “b”, quatro já foram recebidas e oferecidas à tributação como ganho de capital, conforme demonstra a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano base de 1997, exercício 1998, ficando as demais parcelas pendentes de pagamentos, cuja execução tramita na 2ª Vara Cível da Capital (processo n° 023.98.0230457), conforme faz prova cópia ora anexada. Assim, mais uma vez ficou provado que o contribuindo vendeu suas quotas, porém não as recebeu, não podendo ser penalizado a pagar um imposto por uma receita ainda não recebida. Em relação ao item "c", a composição está representada por três Notas Promissórias no valor de R$ 33.333,33. Desta parte da negociação o contribuinte não recebeu nenhuma das parcelas, estando as três notas promissórias sendo executadas no Processo nº 023.98.0231623, na 6ª Vara Cível da Capital, ora acostadas aos autos. Assim, os R$ 320.000,00 que constam como se empréstimos fossem, nada mais são do que os valores oriundos da venda de quotas de capital efetuadas para o Sr. Gervásio José da Silva, ainda não recebidas e, portanto, não alcançadas pela tributação. Ainda com relação ao anocalendário de 1997, os valores que constam como empréstimos à empresa Trirradial, no importe de R$ 70.000,00, nada mais são do que créditos que o contribuinte têm junto à mesma empresa, decorrentes de rendimentos a título de prólabore, ainda não recebidos e, portanto, não alcançados pela tributação, nos termos do artigo 43 do RIR/1999. Estes valores a receber referentes a prólabore de meses anteriores estão representados por duas Notas Promissórias no valor de R$ 35.000,00 cada uma, que não foram Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.123 7 cumpridas e que, por isto mesmo, estão sendo motivo de execuções por parte do contribuinte. Para provar o supra alegado junta declarações prestadas pela própria empresa Trirradial. O contribuinte apresenta também comprovantes de pagamentos de despesas médicas efetuados no ano de 1994, representados pelos dois recibos, bem como comprovantes de pagamentos de despesas médicas efetuadas em 1997, representados por recibos de pagamentos efetuados à Unimed. Ao final, requereu fosse julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração relativo ao Processo n° 11516.000041/0059, pelos fatos e fundamentos apresentados na peça impugnatória. O lançamento foi julgado procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 998/1.022 deste processo digital. Entenderam os julgadores da instância de piso por: a) declarar decaído o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1994; b) cancelar as glosas de despesas médicas relativas ao ano calendário de 1997; e c) manter o restante do crédito tributário lançado. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 17/01/2007 (fl. 1.027). Em face da não apresentação de recurso voluntário, a Unidade de origem emitiu o Termo de Perempção de fl. 1.029 e encaminhou o processo à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional PSFN em Criciúma, para inscrição do débito em dívida ativa da União (Termo de Inscrição às fls. 1.034/1.037). Após receber o aviso de cobrança, o Interessado peticionou junto à PSFN em Criciúma alegando que não havia sido intimado regularmente da decisão de 1ª instância administrativa. Ato contínuo, a Procuradoria remeteu o processo à Agência da Receita Federal ARF em Criciúma para apreciação da alegação do contribuinte. A ARF em Criciúma, por sua vez, solicitou o cancelamento ou a suspensão da inscrição em dívida ativa e recebeu, em 26/04/2007, o recurso voluntário de fls. 1.055/1.088, encaminhandoo a este Conselho. Na peça recursal o Interessado reitera os argumentos expendidos na peça impugnatória e aduz, em complemento, que: PRELIMINARMENTE Vício da intimação e tempestividade do recurso Nunca teve acesso à intimação e, portanto, não teve ciência da decisão da Delegacia de Julgamento, haja vista que o servidor dos correios entregou a correspondência a um Policial Militar, que não possuía relação alguma com o destinatário e que não poderia sequer recebêla em seu nome, muito menos assinar o Aviso de Recebimento. MÉRITO Anocalendário de 1995 A fundamentação exposta na decisão de piso não merece prosperar, pois a contabilidade goza de veracidade, de fé pública, foi devidamente registrada no órgão competente Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC, e todos os documentos Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.124 8 contábeis estão devidamente assinados pelo contador e pela responsável legal da empresa e, até que se prove em contrario, demonstram a realidade dos fatos. A contabilidade não pode ser utilizada somente quando a Autoridade fiscal assim estabelecer, sendo imprópria a determinação de obtenção de outro meio de prova se, nos livros contábeis, devidamente registrados, encontramse a exposição dos fatos ocorridos e, por conseqüência, a sua veracidade. Anocalendário de 1996 O julgador não aceitou os documentos apresentados pelo Recorrente e, mais uma vez, desconsiderou toda a contabilidade da empresa Trirradial. Ademais, em nenhum momento do relatório fiscal foi citada que a contabilidade da empresa Trirradial continha vícios insanáveis e por este motivo seria desconsiderada para fins de apresentação como prova dos fatos ocorridos. A presunção simples de que a contabilidade da empresa Trirradial carece de veracidade não pode ser motivo para manter o lançamento de ofício, pois seria necessário que o fiscal demonstrasse que a contabilidade não possuía, à época, os requisitos de veracidade e de fé pública. Anocalendário de 1997 Está claro que jamais poderia a autoridade fiscal lançar com base em receitas inexistentes, visto que os valores tomados como base de calculo, comprovadamente, estão totalmente fora da realidade, recheados de vícios, sem comprovação e, portanto, totalmente ilegais para autorizar dita pretensão fiscal. O lançamento não está documentado com a materialidade concreta e efetiva de uma possível ilegalidade por parte do contribuinte. Pelo contrário: o que se demonstrou foi que a Autoridade fiscal errou quando quis tributar os rendimentos de capital como rendimentos normais, quando a própria legislação diz claramente que dito ganho de capital não se confunde com rendimento normal, uma vez que deve ser calculado o tributo com se fosse à vista, porém seu recolhimento vai ocorrer por regime de caixa, ou seja, na medida em que forem sendo efetivamente recebidos. No presente caso o Recorrente aceita que, equivocadamente, em alguns períodos, acabou por considerar como rendimento tributável o valor líquido recebido das fontes, tanto que em relação a tais fatos não apresenta nenhuma impugnação e concorda em recolher diferenças de tributos. Porém, em relação aos demais itens, é absolutamente improcedente a exigência fiscal. PEDIDO Ao final, requer: a) seja declarada nula a intimação efetuada equivocadamente, bem como, por via de consequência, seja declarado nulo o Termo de Perempção de fl. 1.029 do processo digital, restaurando o prazo recursal; Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.125 9 b) seja recebido, processado e julgado o presente recurso voluntário, por tempestivo; c) seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração, pelos fatos e fundamentos esposados nas preliminares; d) a realização de perícia para confirmação dos registros contábeis da empresa Trirradial e para apuração dos valores apresentados pela autoridade fiscal; e) caso não seja julgado nulo, seja cancelado o presente auto de infração, pelas razões e fundamentos apresentados pelo Recorrente relativamente ao mérito da controvérsia. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Cingese a controvérsia às preliminares suscitadas pelo Recorrente e à infração de acréscimo patrimonial a descoberto nos anoscalendário de 1995 a 1997, uma vez que a decisão recorrida reconheceu a decadência do direito de o Fisco constituir crédito tributário relativo ao anocalendário de 1994 e cancelou as glosas de despesas médicas referentes ao anocalendário de 1997. Em relação à infração de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica o Recorrente “concorda em recolher tais diferenças de tributos” (fls. 1.087/1088). PRELIMINARES Preliminar de conhecimento do recurso O Interessado aduz, inicialmente, que nunca teve acesso à intimação e, portanto, não teve ciência da decisão da Delegacia de Julgamento, uma vez que o servidor dos correios entregou a correspondência a um Policial Militar que não possuía relação alguma com o destinatário e que não poderia sequer recebêla em seu nome, muito menos assinar o Aviso de Recebimento. O aviso de recebimento de fls. 1.027/1.028 evidencia que houve duas tentativas infrutíferas de ciência da decisão recorrida ao contribuinte e que na terceira ocorreu o recebimento da intimação por parte do Sr. André de Andrade, em 17/01/2007. O recurso voluntário (fls. 1.055/1.088) foi protocolizado em 26/04/2007, de modo que, a princípio, revelase como intempestivo. O Recorrente alega que ao receber o Aviso de Cobrança requereu vista dos autos e verificou que o aviso de recebimento fora assinado por André de Andrade, pessoa desconhecida. Foi, então, averiguar quem seria tal cidadão e constatou tratarse de Soldado da Polícia Militar que, por ordem da Secretaria Executiva da Casa Militar, encontravase fazendo a segurança externa de sua residência. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.126 10 A segurança externa de sua casa teria sido determinada pelo Comando da Polícia Militar, em virtude de assalto ocorrido em 17/10/2006, cujo Boletim de Ocorrência anexa aos autos deste processo (fls. 1.047/1.048). Procurado, o Sr. André de Andrade prestou a declaração de fl. 1.045, nos seguintes termos: Eu, ANDRÉ DE ANDRADE, brasileiro, casado, Policial Militar, residente e domiciliado na R. Princesa Isabel, n° 1383, B. Presidente Vargas, Içara/SC, DECLARO, para os devidos fins, que em data de 17 de Janeiro de 2007, por ordem do Comando do 9º Batalhão da Polícia Militar em Criciúma, me encontrava fazendo a segurança externa na Residência do Sr. Eduardo Pinho Moreira, localizada na rua Mário Brígido, n° 50, neste município de Criciúma. Declaro ainda que, na mesma data, recebi, sem qualquer autorização ou determinação para tal, correspondência com Aviso de Recebimento, assinando o documento a mim apresentado pelo funcionário do correio. Declaro também que não entreguei tal correspondência a ninguém na casa, deixando apenas embaixo da porta da garagem, não sabendo seu teor nem o destino que foi dado. O Interessado afirma que a correspondência nunca chegou às suas mãos, uma vez que, embaixo do portão da garagem, ficou a carta exposta a intempéries, bem como ao acesso de pessoas da calçada, e, muito provavelmente, foi extraviada ou subtraída. Eis aí, Ilustres Conselheiros, a primeira questão apresentada no recurso voluntário que deve ser enfrentada por esta Turma de julgamento: a intimação, na forma em que realizada, deve ser considerada efetivada ou deve ser considerada desprovida de eficácia? A questão posta, em meu entendimento, não se subsume ao entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 9, cuja observância, nos termos do art. 72 do Anexo II do novel Regimento Interno do CARF, é obrigatória aos membros deste Conselho. Evidenciase, no caso concreto, ausência de similitude entre a questão aqui discutida e a que é objeto da referida súmula. A Súmula CARF nº 9 está descrita nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Tratase do que a doutrina convencionou chamar intimação indireta que, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco, consubstancia “uma legítima projeção da teoria da aparência, pela qual se reputa juridicamente relevante a crença naquilo que parece ser, ainda quando na realidade possa não ser o que parece” (Instituições de Direito Processual Civil, Vol. III, 6ª edição, Malheiros, pág. 421). Referida técnica de relativização fundamentase, no processo administrativo fiscal, pelo reconhecimento de que a exigência de se intimar tão somente o sujeito passivo abre amplo espaço para burlas e engodos do contribuinte que pretenda furtarse à intimação, dificultando o trabalho do Fisco. Assim, um dos principais motivos da relativização é Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.127 11 justamente o de contornar as dificuldades voluntariamente opostas pelo sujeito passivo à sua cientificação quanto à existência de uma exação fiscal. O processo em julgamento, a meu ver, foge ao padrão em que este Conselho tem, usualmente, reconhecido a aplicação da Súmula CARF nº 9. É que embora a notificação tenha sido endereçada ao domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, a mesma foi recebida por terceira pessoa sem qualquer vínculo com o Interessado, seja de parentesco, seja decorrente de relação empregatícia doméstica, seja decorrente de relação empregatícia condominial (como, por exemplo, o porteiro de um edifício). E com uma agravante: o recebedor era funcionário público (policial militar) que fazia a segurança externa da residência do contribuinte e que não tinha autorização (e nem poderia ter) para receber qualquer documento em nome do Recorrente, fato admitido pela declaração firmada pelo chefe da Secretaria Executiva da Casa Militar do Estado de Santa Catarina (declaração à fl. 1.046). Em outras palavras: a presunção de validade de ciência do contribuinte, estampada na Súmula CARF nº 9, não deve ser reconhecida quando inexiste qualquer relação entre quem recebeu a correspondência entregue pelos Correios e o seu destinatário, vale dizer, o contribuinte ao qual foi dirigido o ato de intimação. De conseguinte, a entrega da notificação postal à pessoa sem nenhum vínculo com o contribuinte não faz presumir a sua efetiva intimação, mormente quando as circunstâncias fáticas evidenciadas nos autos indiquem que o destinatário da missiva realmente dela não tomou conhecimento. Não se está, aqui, a negar a aplicação da Súmula CARF nº 9, tampouco a incentivar o afastamento da teoria da aparência. Definitivamente não é isso. É que o caso concreto contém uma particularidade revelada pelo fato de que a intimação foi entregue a pessoa totalmente estranha ao relacionamento do contribuinte. Embora a tempestividade do recurso voluntário deva ser aferida mediante critérios rígidos, não se mostra razoável, neste caso concreto, negar a admissibilidade recursal. Afinal, o objetivo do processo administrativo é o controle da legalidade, mediante a obtenção de uma decisão de mérito justa e efetiva. É importante lembrar, ainda, que no processo administrativo o princípio da boafé objetiva deve ser colocado em primeiro plano (Lei nº 9.784/1999, art. 2º, parágrafo único, IV e art. 4º, II). Referido princípio apresenta diversas funções, entre as quais se destaca o dever de informação e de colaboração, dentre outros. Na espécie, o contribuinte atendeu a todas às intimações realizadas pela Autoridade lançadora (que não foram poucas), apresentando todos os documentos solicitados, impugnou o lançamento tempestivamente e não há, nos autos, qualquer evidência de que tentou se furtar ao recebimento da intimação da decisão de 1ª instância. Demais disso, ao tomar conhecimento de que o débito havia sido inscrito em dívida ativa peticionou imediatamente à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional PSFN em Criciúma para que remetesse o processo à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para análise dos documentos apresentados e devolução do prazo recursal. A RFB, por seu turno, admitiu a subida do recurso para análise da (in) tempestividade do mesmo. À evidência, o caso aqui tratado não se subsume ao conteúdo da Súmula CARF nº 9, haja vista que uma coisa é o recebimento da notificação postal, no domicílio eleito pelo contribuinte, por pessoa que, de alguma forma, com ele se relaciona, e outra coisa muito diferente é o recebimento por terceira pessoa que prestava serviço de segurança externa em sua residência e que não possuía qualquer vínculo com o Recorrente. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.128 12 Pois bem. O processo foi inscrito em dívida ativa em 02/04/2007 (fl. 1.033). Após receber o Aviso de Cobrança de Dívida Ativa da União, o Interessado peticionou, em 25/04/2007 (fl. 1.038), junto à PSFN em Criciúma alegando que não havia sido intimado regularmente da decisão de 1ª instância administrativa e requerendo a devolução do processo à RFB. Não consta dos autos a data do Aviso de Cobrança, sendo certo apenas que o Interessado tomou conhecimento da cobrança, e, em decorrência, da decisão de 1ª instância, no período entre 02/04/2007 a 25/04/2007. O recurso foi apresentado em 26/04/2007 (fl. 1055). No contexto acima delineado, voto por conhecer do recurso. Preliminar de nulidade do lançamento Ainda em sede de preliminar o Recorrente defende a nulidade do lançamento argumentando que a Autoridade Fiscal, embora sabedora de que se tratava de alienação de investimentos, em nenhum momento os tributou como tal. Segundo o Interessado, o ganho de capital se sujeita a incidência do imposto de renda sob a forma de tributação definitiva, devendo o cálculo e o pagamento do imposto ser efetuado em separado dos demais rendimentos tributáveis, não sendo compensável na declaração de ajuste anual. Assim, comprovada a transferência das quotas, a nulidade do lançamento seria medida necessária. Sem razão o Recorrente. É que a Autoridade lançadora não tributou ganhos decorrentes da alienação de quotas de capital. O objeto do presente Auto de Infração é o acréscimo patrimonial a descoberto, hipótese de tributação regida por legislação própria, desvinculada da legislação que regula o ganho de capital. Sobre este ponto, oportunos são os seguintes fundamentos extraídos da decisão recorrida, que utilizo como razões de decidir: E importante ressaltar que a tributação decorrente do ganho de capital ocorre apenas quando há diferença positiva entre o valor de alienação dos bens ou direitos em relação a seu custo de aquisição, e incide sobre essa diferença positiva. Já o acréscimo patrimonial a descoberto independe dessa aferição, pois ele ocorre quando o contribuinte não comprova, por meio de documentos hábeis e idôneos, já ter declarado rendimentos que se revelam a partir do confronto entre os recebimentos de recursos e os dispêndios feitos, mês a mês, seja a que título for. Restando comprovado que o contribuinte aplicou recursos (dispêndios) em valores superiores aos recursos que possuía (declarados), resta configurada a omissão de rendimentos. No caso dos autos, a autoridade lançadora promoveu o confronto entre os recebimentos e as aplicações de recursos do interessado nos anoscalendário 1994 a 1997. Os acréscimos patrimoniais correspondentes a rendimentos não declarados foram tributados, como prevê o § 1º do art. 3º da Lei n° 7.713/88, não havendo nenhuma mácula nesse procedimento. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.129 13 MÉRITO Anocalendário de 1995 Alega o Recorrente que a Autoridade fiscal deixou de considerar, nos meses de maio e junho de 1995, os valores recebidos da empresa Trirradial Veículos e Peças Ltda. (no mês de maio R$ 15.441,48 e no mês de junho R$ 11.114,46), conforme demonstraria a cópia do Razão contábil acostada aos autos em fls. 340/341. A folha do Razão apresentada (fl. 341), no entanto, indica que houve reembolsos de valores de empréstimo efetuados em 11 (onze) pagamentos no montante total de R$ 26.555,94 (R$ 15.441,48 + R$ 11.114,46), no período de 01/01/1995 a 30/06/1995, sem especificar os meses a que se referem tais pagamentos. A informação de que 6 (seis) pagamentos foram efetuados no mês de maio (R$ 15.441,48) e 5 (cinco) no mês de junho (R$ 11.114,46) foi escrita a mão na folha do Livro Razão, não se podendo afirmar, com certeza absoluta, a quais meses se referem os 11 pagamentos. A Autoridade lançadora intimou o Interessado a “apresentar os comprovantes de todas as transações relativas a empréstimos e devoluções entre o contribuinte e a empresa Trirradial Veículos e Peças Ltda.” (fl. 283). O Recorrente apresentou tão somente a solitária folha do LivroRazão onde constam os reembolsos de empréstimos para o período de 01/01/1995 a 30/06/1995. Também foi intimado o representante legal da empresa Trirradial Veículos e Peças Ltda. para informar as datas e valores de todos os pagamentos efetuados ao Recorrente com especificação da natureza dos pagamentos (fl. 364), haja vista que a empresa se encontrava com as atividades paralisadas. Contudo, a intimação foi em vão, porquanto não atendida pelo intimado. Na infração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, como se sabe, as sobras de recursos dos meses anteriores são aproveitadas nos meses seguintes, dentro do mesmo ano calendário. Assim, a apuração deve ser feita a partir de fluxo financeiro que considere, mês a mês, as receitas e despesas para, a partir daí, verificar em que meses ocorreram os acréscimos, sendo despropositado imputar a dois meses os recebimentos referentes a seis meses do ano calendário. Observo, ainda em relação ao anocalendário de 1995, que não se trata de afastar a presunção de veracidade que milita a favor dos livros contábeis devidamente registrados, mas sim de ausência de comprovação de que todos os valores escriturados no Razão, a título de reembolso, foram efetivamente realizados nos meses de maio e junho de 1995. Os comprovantes dos lançamentos efetuados na escrituração contábil, a teor do que dispõe o parágrafo único do art. 195 do Código Tributário Nacional – CTN, devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários das operações a que se refiram. No entanto, o Interessado não apresentou qualquer documento que comprovasse que os valores lançados no LivroRazão se referiam apenas aos dois meses. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.130 14 Nesse contexto, entendo que não merece prosperar a alegação do Recorrente de que todos os reembolsos de valores de empréstimo constantes da folha do Livrorazão referemse aos meses de maio e junho de 1995. Anocalendário de 1996 Mês de agosto Aquisição de Camioneta A Autoridade lançadora considerou como dispêndio, no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial do Anocalendário de 1996” (fl. 383), o valor de R$ 54.950,00, relativo à compra de uma camioneta cuja nota fiscal fora emitida em 30/08/1996 (fl. 116). Aduz o Interessado que, muito embora a nota fiscal de compra diga que o pagamento seria feito à vista, o que aconteceria no dia 30 de agosto de 1996 (sextafeira), o pagamento somente veio a ocorrer no dia 02 de setembro de 1996 (segundafeira), conforme demonstra os lançamentos contábeis efetuados pela empresa Trirradial no LivroDiário nº 17 do ano de 1996, páginas 11, 18 e 182 (fls. 453/ 461). Para comprovar a sua alegação, o Recorrente descreve as seguintes operações contábeis escrituradas no LivroDiário da empresa Trirradial: a) Na página 4 (fl. 455) do LivroDiário de n° 17, no dia 02 de setembro de 1996, a empresa debitou o contribuinte na Conta 2.1.3.04.007, no valor de R$ 54.950,00, e creditou a conta que havia sido debitada, quando da venda da Camioneta. b) Na página 11 (fl. 456), a Trirradial recebeu do contribuinte a importância de R$ 56.123,94, os quais foram debitados na conta Banco 1.1.1.02.001 e creditado a conta do contribuinte, ora Recorrente, de nº 2.1.3.04.007. Sobre este fato junta declaração da empresa Trirradial confirmando a operação. c) Na página 18 (457), a Trirradial debitou o contribuinte na conta 2.1.3.04.007 e creditou a conta 1.1.1.02.001, no valor de R$ 723,94, referentes a despesas com seguro e outras despesas. d) Na página 182 (fl. 460), do mesmo livro contábil, a Trirradial debitou o Contribuinte na conta 2.1.3.04.007 e creditou a conta de receitas n° 50.3.3.1.01.006, no valor de R$ 450,00, referentes a comissão recebida pela intermediação na venda da camioneta. A primeira observação a se fazer é que o Interessado não juntou aos autos a folha do Livro Diário em que escriturada a operação de venda do veículo, realizada em 30/08/1996, tampouco o Plano de Contas que evidenciasse a identificação gramatical de cada uma das contas envolvidas. Nada obstante, a contabilidade é uma ciência universal, dela podendo se extrair conclusões a partir das operações nela escrituradas. Sabese que os planos de contas utilizam a codificação numérica atribuindo às contas do ativo o prefixo “1” e às contas do passivo o prefixo “2”. Assim, podese afirmar que toda vez que se encontra uma conta cujo número se inicie por 1 ela é do ativo. Se iniciada pelo número dois, tratase de conta do passivo. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.131 15 A conta creditada referente ao lançamento contábil da letra “a” possui o número 1.1.2.13.003, o que evidencia, a partir do histórico nela descrito, que o pagamento realizado em 30/08/1996, no valor de R$ 54.950,00, foi contabilizado em conta do ativo da empresa Trirradial. Embora elementar, não custa lembrar que os “direitos” são escriturados em conta do ativo. O segundo número “1” indica tratarse de conta do ativo circulante. Logo, a conclusão a que se chega é que o pagamento foi realizado, em agosto, a débito da conta do ativo circulante 1.1.2.13.003. Por isso mesmo é que ela foi creditada, em 02/09/1996, com o seguinte histórico: “Valor que se transfere n/data p/efeito de compensação” (fl. 455). A conta debitada tem o número 2.1.3.04.007, revelandose como conta do passivo, onde são escrituradas as “obrigações” da empresa. Vale advertir que nas contas do passivo as obrigações são escrituradas a crédito e a quitação delas a débito. O Recorrente alega que a Trirradial recebeu do contribuinte a importância de R$ 56.123,94 (lançamento contábil da letra “b”), os quais teriam sido creditados na conta 2.1.3.04.007. À evidência, os recebimentos (direitos) não são escriturados a crédito de conta do passivo, mas sim a débito de conta do ativo. O próprio histórico do lançamento, embora confuso, demonstra que tal valor não foi recebido do contribuinte, senão que representa uma obrigação da empresa (R$ 56.123,94) para com a fabricante do veículo: “Recbto da fábrica em c.c. cfe AVC/56123 do Banco Bamerindus S/A”. O lançamento da letra “c” evidencia a quitação de uma obrigação da empresa, cujo histórico é descrito como sendo “Pgtos Diversos cfe Rec/352746” e que o Interessado alega ser despesas de seguro (R$ 723,94). Por meio do lançamento da letra “d” a empresa contabiliza, a crédito de conta de receita, o “Valor comissão recebida ref. a alienação camioneta” (R$ 450,00), que foi subtraído da obrigação da empresa para com a fabricante do veículo (R$ 56.123,94). Assim, a conta de número 2.1.3.04.007, que o Recorrente alega ser “conta do contribuinte”, nada mais é do que conta representativa de obrigações da empresa (conta do passivo), cuja escrituração nela efetuada pode ser assim ilustrada: DÉBITO CRÉDITO 1) 54.950,00 2) 56.123,94 3) 723,94 4) 450,00 56.123,94 56.123,94 Observo, por oportuno, que a declaração apresentada pela empresa Trirradial, referente ao lançamento de letra “b”, está em total desalinho com o histórico do lançamento Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.132 16 efetuado no LivroDiário. Demais disso, a declaração (fl. 462), datada de 10/02/2000, foi firmada pelo Sr. Jaime Lorenzetti, suposto representante da empresa. A denominação de “suposto representante” decorre do fato de que em 29/09/1999 o Sr. Jaime Lorenzetti havia informado à Fiscalização “que o representante legal da empresa TRIRRADIAL VEÍCULOS E PEÇAS LTDA – CNPJ 80.161.540/000196 é o Sr. GERVÁSIO JOSÉ DA SILVA CPF Nº 145.500.67934, que assumiu a empresa desde 08/08/97, na qualidade de sócio Administrativo e Financeiro” (fl. 367). Registro ainda, por importante, que não são os documentos fiscais que devem se adequar à escrituração contábil. Pelo contrário: é a escrituração que deve espelhar, por meio de lançamentos contábeis, as transações evidenciadas pelos documentos fiscais, no caso, pela nota fiscal de fl. 116. Anoto, por fim, que o Interessado deveria ter juntado aos autos o Livro Diário com a escrituração do dia 30/08/1996 (sextafeira), e não a escrituração do dia 02/09/1996 (segundafeira), escrituração esta que se inaugura justamente com um lançamento de transferência entre contas exatamente no valor da nota fiscal da venda da camioneta, que fora emitida em 30/08/1996. Nesse cenário, entendo que deve ser mantido o dispêndio considerado no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial do Anocalendário de 1996” (fl. 383), no mês de agosto, no valor de R$ 54.950,00. Mês de dezembro Integralização de Capital Ainda com referência ao anocalendário de 1996 o Recorrente alega que se o ato que aumentou o capital social da empresa Trirradial realizouse com a integralização de um imóvel, que inclusive encontrase devidamente qualificado na 20ª Alteração Contratual, com o n° de matrícula de registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis, não pode a Autoridade Fiscal considerar que tal aumento de capital se deu em moeda corrente nacional, por simples presunção. Segundo o Interessado a documentação anexada aos autos demonstra que tal imóvel foi adquirido diretamente pela empresa Trirradial em 6 (seis) parcelas de R$ 40.000,00, as quais não foram pagas e estão sendo executadas no Processo Judicial n° 023.98.0480879, na 1ª Vara Cível da Capital. Com isto, estaria provado que não dispôs de tais recursos para o referido aumento de capital. Primeiro porque o referido imóvel não lhe pertencia e segundo porque foi adquirido diretamente pela empresa Trirradial, que não pagou a dívida, tanto assim que a dívida está sendo executada pela Engeplan Terraplanagem Saneamento e Urbanismo Ltda. A prova da aquisição do terreno por parte da empresa Trirradial seria o Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda anexado às fls. 463/464 dos autos. No contrato assinado pela Trirradial e pela Engeplan encontrarseia toda a qualificação, identificando claramente que o imóvel adquirido pela empresa Trirradial é o mesmo que está sendo executado e o mesmo que foi utilizado indevidamente pelos sócios da Trirradial para o aumento de Capital inserido na 20ª Alteração Contratual. A “Escritura Pública de Compra e Venda” de fls. 342/344 e a matrícula nº 40.897 do Registro de Imóveis da Comarca de São José/SC (fl. 345) evidenciam que o terreno, Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.133 17 de fato, foi adquirido pela Trirradial da empresa Engeplan. Sobre este ponto concordam o Interessado e a Autoridade lançadora. A divergência se revela em face das informações contidas na 20ª Alteração Contratual da empresa Trirradial (fls. 173/174), datada de 09/12/1996, que aumentou o capital da empresa Trirradial em R$ 240.000,00 (R$ 80.000,00 para cada sócio), mediante a suposta incorporação do mencionado terreno. A pergunta que se faz é a seguinte: se o terreno foi adquirido pela empresa e o aumento do capital da mesma empresa resultou em aumento da participação societária de cada um dos sócios, os recursos aportados na aquisição do terreno são provenientes de qual fonte? O aumento na participação societária de cada sócio leva a conclusão, óbvia, de que os recursos despendidos na aquisição do terreno são provenientes dos próprios sócios. Daí o entendimento da Autoridade lançadora no sentido de que teria ocorrido a aplicação de recursos por parte do Interessado na integralização do capital na empresa. O Recorrente aduz que a compra do terreno pela empresa Trirradial foi feita com pagamento em parcelas, conforme “Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda” de fls. 463/464, por meio de notas promissórias inadimplidas (fls. 465/468), que passaram a ser objeto de processo de execução judicial. Assim, de acordo com o Interessado, não teria ocorrido o dispêndio correspondente à aquisição do terreno, nem por parte dos sócios, nem por parte da empresa. Este fato não é suficiente para desfazer a realidade evidenciada pelo aumento no número de cotas do Interessado no capital social da empresa. Na 20ª alteração contratual (fls. 173/174), ocorrida em 09/12/1996, está claro que o número de quotas de capital que o Recorrente possuía saltou de 741, correspondentes a R$ 741.000,00, para 821, correspondentes a R$ 821.000,00, confirmando o dispêndio na aquisição das cotas. A mesma quantidade de quotas, que constava da 20ª alteração contratual (R$ 821.000,00), foi alienada em 31/07/1997, quando o Recorrente se retirou da sociedade (“22ª Alteração Contratual da Firma Trirradial Veículos e Peças Ltda.”, às fls. 179/181). Ademais, o Interessado não é parte nem no “Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda” (fls. 463/464) celebrado pela Engeplan e Trirradial e nem na execução movida pela Engeplan em face dos Sr. Henrique de Bastos Malta e do Sr. Jaime Lorenzetti, exsócios do Recorrente, o que demonstra que tais situações jurídicas em nada interferiram no aumento de sua participação no capital da empresa. O fato real é que a participação do Interessado no capital social da empresa aumentou em dezembro de 1996, o que restou confirmado pela alienação posterior pelo valor acrescido com a integralização do capital da Trirradial. Nesse contexto, em que o número de quotas do Interessado e o respectivo valor no capital social da empresa aumentaram em R$ 80.000,00 por ocasião da 20ª Alteração Contratual, no mês de dezembro de 1996, sendo objeto de alienação posterior pelo seu valor nominal (R$ 821.000,00 821 cotas que o Recorrente possuía na empresa a partir de dezembro de 1996), resta configurada a aplicação de recursos na integralização de capital, não merecendo, nesse ponto, qualquer reparo o lançamento fiscal. Anocalendário de 1997 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.134 18 Alienação societária da empresa Trirradial A Autoridade lançadora se baseou na 22ª Alteração Contratual (fls. 179/181) e no “Termo de Cessão de Quotas” de fls. 204/205 para considerar, como origem de recursos no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial do AnoCalendário de 1997” (fl. 384), no mês de julho, o valor de R$ 300.000,00 relativos à retirada do Interessado da empresa Trirradial, mediante a cessão de suas quotas para a Sra. Maria de Lourdes Silva. O Interessado, de sua vez, afirma que não vendeu suas quotas na empresa Trirradial para a Sra. Maria de Lourdes, conforme consta da 22ª Alteração Contratual (fls. 179/181), e nem como está inserido no Termo de Cessão de Quotas (fls. 204/205), mais sim para o Sr. Gervásio José da Silva, conforme dispõe a rerratificação feita na 24ª Alteração Contratual (fls. 507/511). Segundo o Recorrente os erros cometidos nas 22ª e 23ª alterações contratuais somente foram constatados tempos depois, motivo da rerratificação levada a cabo na 24ª Alteração Contratual. Para reforçar as suas alegações, junta aos autos declaração firmada por Gervásio José da Silva e Maria de Lourdes da Silva (fls. 512/513), datada de 10/02/2000, por meio da qual informam ter ocorrido erro na 22ª Alteração Contratual da empresa Trirradial, datada de 31/07/1997. Nessa declaração também é informado que no momento em que perceberam o erro, os sócios procuraram corrigilo, por meio da 23ª Alteração contratual, de 08/08/1997, “já que na alteração anterior ela não deveria constar como cessionária titular, mas sim apenas como procuradora, ou representante legal, do Primeiro Declarante”. Consta na referida declaração, ainda, que “Ao constatar o erro supra, ao invés de fazer uma rerratificação da alteração contratual pertinente, alterando o nome da adquirente das quotas de capital para Gervásio José da Silva, foi realizada nova alteração contratual, a de n° 23 na data de 08 de agosto de 1997”. Pela 23ª Alteração Contratual a Sra. Maria de Lourdes da Silva cedeu as cotas que teriam sido indevidamente transferidas para seu nome, ao Sr. Gervásio José da Silva. Registro, de início, por relevante, que a 24ª Alteração Contratual (fls. 507/511) da empresa Trirradial está datada de 14/02/2000, com registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC em 17/02/2000. Significa dizer o valor de R$ 300.000,00 considerados como origem de recursos pela Autoridade lançadora não poderia ser outro, uma vez que a 24ª Alteração Contratual foi realizada após a lavratura do presente Auto de Infração, que ocorreu em 12/01/2000, e após a intimação do contribuinte, que se deu em 19/01/2000. Mas ainda que se admitisse a existência de erros a justificar a 24ª Alteração Contratual, ocorrida no período de impugnação do crédito tributário lançado, outros fatos evidenciados nos autos demonstram, a meu ver, a procedência desta parte do lançamento fiscal. Na 22ª Alteração Contratual (fls. 179/181), datada de 31/07/1997, o Sr. Eduardo Pinho Moreira, ora Recorrente, se retira da sociedade e transfere, à Sra. Maria de Lourdes Silva, as suas quotas de capital na empresa Trirradial (suposto 1º erro). No “Termo de Cessão de Quotas” (fls. 204/205), datado de 31/07/1997, o Sr. Eduardo Pinho Moreira assina como cedente e a Sra. Maria de Lourdes Silva como cessionária (suposto 2º erro). O Sr. Gervásio José da Silva figura, no referido “Termo”, como fiador da Sra. Maria de Lourdes Silva (suposto 3º erro). Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.135 19 No “Termo de Confissão de Dívida” de fls. 200/202, datado de 31/07/1997, no valor de R$ 70.000,00, com pagamento previsto em duas parcelas, em favor do Interessado, consta como devedora a empresa Trirradial, representada por seus diretores Jaime Lorenzetti, Henrique de Bastos Malta e Maria de Lourdes da Silva (suposto 4º erro). Não há menção sobre a circunstância motivadora da dívida. O “Termo de Confissão de Dívida” é assinado pela Sra. Maria de Lourdes Silva, na condição de devedora, em conjunto com os outros dois diretores, e o Sr. Gervásio José da Silva figura como fiador, desta feita, da empresa Trirradial (suposto 5º erro). O que explicaria a assinatura da Sra. Maria de Lourdes Silva como diretora no “Termo de Confissão de Dívida” assumido pela empresa Trirradial e a do Sr Gervásio José da Silva como fiador da dívida? Na 23ª Alteração Contratual (fls. 183/185) a Sra. Maria de Lourdes Silva se retira da sociedade e transfere, ao Sr. Gervásio José da Silva, as suas quotas de capital na empresa Trirradial (suposto 6º erro). Diante de tantos supostos erros, remanescem as seguintes indagações: teriam todos se equivocado, o Interessado, os demais sócios, a Sra. Maria de Lourdes da Silva e o Sr. Gervásio José da Silva? Como seria possível que essas pessoas, a maioria delas com formação em nível superior (médico, advogado, economista, e empresários), firmassem documentos de transferência de quotas societárias e assinassem instrumentos de dívidas da sociedade sem que nenhum deles soubesse de suas reais condições? Quaisquer que sejam as respostas, a inserção do Sr. Gervásio José da Silva, na condição de adquirente de 821 quotas da empresa Trirradial, revelada por uma única página da declaração de ganho de capital acostada aos autos em fl. 29, não tem o condão, em meu entendimento, de convalidar tantos supostos erros, sendo mais provável que se erro existe é o evidenciado na referida folha 29. Demais disso, seria natural que a declaração de ganho de capital tivesse sido juntada em sua inteireza, e não por meio de um fragmento de declaração. Registro, por fim, que causa estranheza o fato de a data registrada na única página do formulário de ganho de capital (fl. 29) estar grafada, no campo “Data da Alienação”, da seguinte forma: 3107/19/97. A princípio, a data no formulário deveria estar grafada como 31/07/1997. Mas este pequeno detalhe não interfere em meu entendimento de que, para fins fiscais, a 24ª Alteração Contratual não tem o condão de corrigir tantos supostos erros nas operações societárias da empresa Trirradial (este ponto será melhor explorado em capítulo a frente), motivo pelo qual penso que deve prevalecer o valor de R$ 300.000,00 registrados como origem de recursos no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial no Ano calendário de 1997” (fl. 384), no mês de julho, relativos à retirada do Interessado da empresa, mediante a cessão de suas quotas para a Sra. Maria de Lourdes Silva. Empréstimos concedidos a Gervásio José da Silva Aduz o Recorrente que os R$ 320.000,00 que constam no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial no Anocalendário de 1997”, como empréstimos, nada mais são do que valores oriundos da venda de quotas de capital efetuadas ao Sr. Gervásio José da Silva, ainda não recebidos e, portanto, não alcançadas pela tributação enquanto não recebidos, pena de se ferir o fato gerador do imposto de renda, que prevê a tributação das pessoas físicas pelo regime de caixa. Assim, não poderia a Autoridade fiscal considerar como empréstimo uma venda cujo recebimento ainda não aconteceu. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.136 20 Observo, todavia, que nos Termos de Confissão de Dívida de fls. 191/194 (R$ 220.000,00) e de fls. 196/198 (R$ 100.000,00) não há qualquer referência de que a dívida ali reconhecida se refira a vendas de quotas de capital da empresa Trirradial, o que sugere a seguinte reflexão: porque não consta dos Termos de Confissão de Dívida, cujos valores não se pode desprezar, o motivo que originou a dívida, vale dizer, o objeto que viabilizou o acordo de confissão? De se notar, ainda, por oportuno, que o fato de o devedor, assim como seus fiadores, não terem honrado as dívidas não produz qualquer efeito no lançamento, uma vez que os valores foram considerados como empréstimos (dispêndios/aplicações) no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial no Anocalendário de 1997” (fl. 384), e não como origem de recursos, de forma que deve ser mantido o valor de R$ 320.000,00 como aplicação de recursos no fluxo financeiro de 1997. Empréstimo concedido à Empresa Trirradial Alega o Recorrente que o empréstimo concedido à empresa Trirradial, no valor de R$ 70.000,00, nada mais é do que créditos que possuía junto à empresa, decorrentes de rendimentos a título de prólabore, ainda não recebidos e, portanto, ainda não alcançados pela tributação. Sustenta que os valores a receber referentes a prólabore estão representados por duas Notas Promissórias no valor de R$ 35.000,00 cada uma, que não foram cumpridas e, por isto mesmo, estão sendo executadas. Para provar o alegado, junta aos autos declaração prestada pela Empresa Trirradial, (fl. 897) confirmando a dívida consubstanciada nas referidas notas promissórias. Sobre este ponto interessante registrar que a declaração da empresa (fl. 897) foi firmada em 10/02/2000, posteriormente à lavratura do Auto de Infração e a intimação do Interessado, que ocorreram, respectivamente, em 12/01/2000 e em 19/01/2000, sendo oportuno anotar, também, que a data em que prestada a declaração a empresa estava com sua situação cadastral no CNPJ na condição de “ATIVA NÃO REGULAR”, desde 03/02/1999 (“Consulta CNPJ” à fl. 377). Outro ponto que chama a atenção é que o “Termo de Confissão de Dívida” de fl. 199/202 não faz qualquer menção à circunstância motivadora da dívida. Assim, a reflexão sugerida no tópico anterior também é extensível a este tópico, vale dizer, porque não consta do Termo de Confissão de Dívida o motivo que originou a dívida (o objeto que viabilizou o acordo de confissão)? Em resumo: não há nos autos qualquer evidência de que o empréstimo de R$ 70.000,00 se refira a pagamento de prólabore, de forma que deve ser mantido, em meu entendimento, o respectivo valor no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial no Ano calendário de 1997” (fl. 384), na rubrica “Empréstimo à Trirradial Veículos e Peças Ltda.”. A transferência das quotas de capital que teria ocasionado a 24ª Alteração Contratual Sustenta o Interessado que por meio da 24ª Alteração Contratual (fls. 507/511), que rerratificou a 22ª e a 23ª Alterações Contratuais, transferiu suas 821 quotas de capital, no valor unitário de RS 1.000,00 cada, que detinha na empresa Trirradial, para o Sr. Gervásio José da Silva, pelo preço ajustado de R$ 620.000,00, que seriam pagos nas seguintes condições: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.137 21 a) R$ 280.000,00: cessão de todos os direitos do Contrato de Compromisso de Compra e Venda celebrado entre o Sr. Gervásio José da Silva e a construtora ACCR Construções Ltda., relativo a um apartamento em construção na Rua Rafael Bandeira, em Florianópolis. b) R$ 20.000,00: quantia que seria paga posteriormente, em moeda corrente nacional. c) R$ 220.000,00: pagamento de 10 (dez) parcelas consecutivas de R$ 22.000,00, com o vencimento da primeira na data da assinatura do Termo de Confissão de Dívida, mais 9 (nove) parcelas representadas por notas Promissórias no valor de R$ 22.000,00 cada uma. d) R$ 100.000,00: pagamento de 3 (três) parcelas iguais anuais, corrigidas pelo índice da poupança, vencendo a primeira no dia 31 de março de 1998. Já se mencionou, linhas atrás, que a lavratura do Auto de Infração ocorreu em 12/01/2000 e que a intimação do contribuinte se deu em 19/01/2000. A 24ª Alteração Contratual (fls. 507/511) da empresa Trirradial está datada de 14/02/2000, com registro na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC em 17/02/2000. Logo, a alteração contratual foi realizada após a constituição do crédito tributário. A “Cessão de Contrato de Compromisso Particular de Promessa de Compra e Venda” (fls. 187/190), considerada pela Fiscalização, foi firmada em 31 de julho de 1997. Também já se falou que a 24ª Alteração Contratual não teria o condão de corrigir, para fins fiscais, os erros que supostamente teriam ocorrido nas operações societárias da empresa Trirradial. Com esta afirmação, todavia, não se está dizendo que a 24ª Alteração Contratual é desprovida de qualquer efeito jurídico. A 24ª Alteração Contratual pode até produzir efeitos jurídicos em relação a seus signatários. Em face do Fisco, no entanto, não é razoável admitir a produção de qualquer efeito tributário. E a razão é óbvia: a possibilidade de se conferir efeitos fiscais a atos/negócios jurídicos privados realizados após a ocorrência do fato gerador e após a constituição do crédito tributário implicaria na inutilidade de todo e qualquer procedimento de fiscalização, haja vista que o sujeito passivo autuado celebraria um ato/negócio jurídico desfazendo aqueloutro que permitiu ao Fisco efetuar o lançamento tributário. Noutros termos: não se revela razoável que o contribuinte se desvencilhe de sua obrigação de pagar o imposto de renda mediante simples alteração contratual realizada após a ocorrência do fato gerador e após a constituição do crédito tributário, porquanto a aceitação desta prática inviabilizaria as atividades da Administração Tributária, que ficaria totalmente fragilizada diante da possibilidade de que seus créditos fossem cancelados a qualquer momento, ao talante do contribuinte. Não é crível supor que todos os envolvidos nos negócios jurídicos celebrados (médico, advogado, economista, e empresários) tenham se equivocado por tantas vezes, firmando documentos de transferência de quotas societárias e assinando instrumentos de dívidas da sociedade sem que nenhum deles soubesse de suas reais condições. Da mesma forma, não é plausível admitir, para fins tributários, que a constatação dos supostos erros, que teriam ocorridos em operações realizadas em 1997, somente tenha se verificado no ano de 2000, após a lavratura do Auto de Infração. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.138 22 Mas ainda que se admitisse que, de fato, ocorreram diversos erros de fato (com perdão do trocadilho), outros elementos constantes dos autos evidenciam que a 24ª Alteração Contratual, realizada para corrigir os supostos erros existentes na 22ª e 23ª alterações contratuais, não merece acolhida para a produção de efeitos fiscais. A ver. a) Aquisição do apartamento situado à Rua Rafael Bandeira A Autoridade lançadora considerou, no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial no Anocalendário de 1997”, como “Dispêndios/Aplicações” de recursos, o valor de R$ 280.000,00, relativo à aquisição do apartamento nº 601 situado à Rua Rafael Bandeira. O Recorrente afirma que o apartamento seria para liquidar parte das quotas de capital vendidas ao Sr. Gervásio José da Silva, conforme 24ª Alteração Contratual, cujo preço total foi ajustado em R$ 620.000,00. Segundo o Interessado, a “Cessão de Contrato de Compromisso Particular de Promessa de Compra e Venda” (fls. 187/190) demonstra que o Sr. Gervásio José da Silva transferiu todos os direitos que possuía junto a ACCR Construções Ltda, relativos ao referido apartamento em construção, localizado à Rua Rafael Bandeira n° 64, no valor de R$ 280.000,00, como forma de pagamento parcial de R$ 300.000,00 referentes à aquisição de quotas da empresa Trirradial por parte do cedente, Sr. Gervásio José da Silva. Os R$ 20.000,00 restantes seriam pagos no futuro em moeda corrente. Às fls. 187/190 foi acostado a “Cessão de Contrato de Compromisso Particular de Promessa de Compra e Venda”, na qual figura, como cedente, o Sr. Gervásio José da Silva e como cessionários o Sr. Eduardo Pinho Moreira, ora Recorrente, e sua esposa, Sra. Ivane Rita Fretta Moreira. O objeto do contrato é o apartamento situado à Rua Rafael Bandeira n° 64. As seguintes cláusulas revelam aspectos importantes do negócio jurídico realizado: PREÇO: O CEDENTE cede e transfere todos os direitos e ações que possuía sobre o mencionado imóvel aos CESSIONÁRIOS pelo preço certo e ajustado de R$280.000,00 (duzentos e oitenta mil reais), que neste ato recebe em moeda corrente nacional, dando como pago integralmente o preço e quitando, desta forma, a compra do predito imóvel. (...) CLÁSULA SEGUNDA – Os CESSIONÁRIOS têm conhecimento que o imóvel ora contratado foi adquirido pelo ora CEDENTE junto à Anuente pelo regime fechado de administração, conforme contrato originário de compromisso de compra e venda, firmado em 31 de julho de 1997, parte integrante deste instrumento. CLÁUSULA TERCEIRA Obrigase o CEDENTE pelo cumprimento integral do contrato especificado na cláusula anterior, responsabilizandose por todo e qualquer pagamento até o término total da construção, estimado em 36 (trinta e seis) meses, portanto a ser concluída em 30 de março de 1999, sendo que o imóvel aqui contratado será entregue de acordo com o memorial descritivo, livre e desembaraçado de qualquer ônus, em perfeitas condições de habitabilidade. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.139 23 CLÁUSULA QUARTA O CEDENTE autoriza desde já a ANUENTE a escriturar o imóvel para o nome dos CESSIONÁRIOS, ou a quem estes indicarem, correndo por conta dele todas as despesas de escrituração do imóvel, inclusive o seu registro, obrigandose os CESSIONÁRIOS a pagarem os impostos que incidiram ou vierem a incidir sobre o apartamento a partir da efetiva entrega das chaves mediante recibo, prevista para o dia 30 de março de 1999, entrando nessa oportunidade na posse e domínio do predito bem. (...) CLAUSULA SEXTA Como garantia do negócio entabulado o CEDENTE emite uma nota promissória no valor de R$280.000,00 (duzentos e oitenta mil reais), vinculada a este contrato, equivalente nesta data a 659,97267 CUB/SC (seiscentos e cinqüenta e nove vírgula nove sete dois seis sete Unidades de Custo Básico da Construção Civil de Santa Catarina), cuja quitação darseá no ato de entrega das chaves do imóvel aqui contratado e mediante o cumprimento integral deste instrumento contratual. Não há nenhuma indicação nas cláusulas contratuais que vincule a alienação do imóvel à alienação das quotas do capital da empresa Trirradial. Por outro lado, existe previsão do pagamento em moeda corrente nacional (moeda corrente no Brasil, a partir de 01/07/1994, é o “Real”), com cláusula de quitação imediata da compra do imóvel. O contrato originário de compromisso de compra e venda entre o Recorrente e a Anuente foi firmado no mesmo dia da “Cessão de Contrato de Compromisso Particular de Promessa de Compra e Venda” na qual figura como cedente o Sr. Gervásio José da Silva e como cessionários o Sr. Eduardo Pinho Moreira, ora Recorrente, e sua esposa, Sra. Ivane Rita Fretta Moreira. O imóvel adquirido estava em construção e seria entregue, em 30/03/1999, livre de quaisquer ônus. Como garantia do negócio o cedente, que se obrigou pelo cumprimento integral do contrato originário, emitiu uma nota promissória, em favor dos cessionários, no valor de R$ 280.000,00. Verificase, assim, que existiam obrigações de responsabilidade do cedente, Sr. Gervásio José da Silva, as quais eram de conhecimento da Anuente (ACCR Construções Ltda.). A petição de fls. 515/518 evidencia que a ACCR ajuizou Ação de Rescisão de Contrato em face de Gervásio José da Silva e do Recorrente e de sua esposa. Embora a autora tenha colocado o Interessado e sua esposa no polo passivo da ação, a leitura da inicial revela que o contrato a ser rescindido seria o contrato originário celebrado entre a ACCR e o Sr. Gervásio, e não a “Cessão de Contrato de Compromisso Particular de Promessa de Compra e Venda” celebrada entre o Sr. Gervásio e o Sr. Eduardo Pinho Moreira e sua esposa, na qual a ACCR figurou como anuente. Por isso mesmo é que na contestação apresentada (fls. 229/234) nos autos da Ação de Rescisão Contratual o Recorrente e sua esposa alegam ilegitimidade passiva, argumentando que “A ACCR foi ANUENTE e concordou com todos os termos do contrato anexo, portanto, somente pode discutir o contrato com o Requerido GERVÁSIO JOSÉ DA Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.140 24 SILVA e nunca com os demais Requeridos, ora Contestantes, que foram excluídos da responsabilidade de pagamento”. Como se vê, a controvérsia judicial não interfere em nada no deslinde do presente processo administrativo, pois não está relacionada ao ato de aquisição do apartamento por meio do qual o Interessado quitou o negócio em moeda corrente. Eventuais valores decorrentes de obrigações futuras não adimplidas pelo Sr. Gervásio junto à ACCR, advindas do contrato originário, não se comunicam com o lançamento, pois não foram considerados nos “Demonstrativos da Evolução Patrimonial” elaborados pela Autoridade lançadora. Nesse cenário, entendo que deve ser mantida a aplicação de recursos relativa à compra de um apartamento no valor de R$ 280.000,00, adimplida em moeda corrente no mês de julho de 1997. b) Pagamento de R$ 220.000,00 em dez parcelas consecutivas de R$ 22.000,00 O Interessado afirma que o Sr. Gervásio pagaria parte das quotas da empresa Trirradial mediante o adimplemento de 10 (dez) parcelas consecutivas de R$ 22.000,00, com o vencimento da primeira na data da assinatura do Termo de Confissão de Dívida de fls. 192/194 e mais 9 (nove) parcelas representadas por notas Promissórias no valor de R$ 22.000,00 cada uma. Cabe aqui a mesma observação feita no tópico anterior: não há nenhuma indicação no Termo de Confissão de Dívida que o vincule à alienação das quotas do capital da empresa Trirradial, tampouco na petição da ação de execução de título extrajudicial de fls. 212/217. Não é razoável, em meu entendimento, que um devedor reconheça uma dívida de R$ 220.000,00 em favor de um credor sem que no Termo de Confissão de Dívida haja uma única palavra acerca da circunstância que originou a dívida, mormente tratando de negócio jurídico que envolve a aquisição de quotas societárias. O Recorrente aduz ter recebido quatro parcelas que teriam sido oferecidas à tributação na DIRPF do anocalendário 1997 (fls. 18, 19 e 21). Ocorre que as folhas 18/19, sejam do processo físico, sejam do processo digital, referemse à declaração de ajuste anual do anocalendário de 1996, assim como a folha 21 do processo digital, de modo que não poderiam registrar recebimentos relativos à alienação de quotas de capital ocorrida em 31/07/1997. A folha 21 do processo físico é a folha de rosto da declaração de ajuste anual do anocalendário 1997, mas não existe nela nenhuma evidência do recebimento das referidas parcelas. Pelo contrário: a folha de rosto da declaração revela que o Recorrente percebeu, no anocalendário de 1997, apenas rendimentos de pessoa jurídica. Observo, para encerrar este tópico, que no “Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial no Anocalendário de 1997” (fl. 384) foram incluídos todos os recebimentos declarados pelo Recorrente, além daqueles apurados no curso da fiscalização. Ademais, os valores considerados como origens/ingressos de recursos por ocasião da venda das quotas da empresa Trirradial (R$ 300.000,00), conforme 22ª Alteração Contratual (fls. 179/181), superam os valores informados pelo Interessado na DIRPF do anocalendário de 1997. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.141 25 c) Pagamento de R$ 100.000,00 em três parcelas anuais e consecutivas A parcela final que o Recorrente aduz que recebeu pela alienação das quotas de capital da empresa Trirradial teria origem em outro Termo de Confissão de Dívida (fls. 196/198), no valor de R$ 100.000,00. De acordo com o referido “Termo” seriam pagas 3 (três) parcelas iguais anuais, vencendo a primeira no dia 31/03/1998 e as demais no mesmo dia e mês dos anos subsequentes, ou seja, em 31/03/1999 e 31/03/2000. Causa estranheza o fato de a petição da “Ação de Execução de Título Extrajudicial” (fls. 236/242) ter sido protocolizada no Poder Judiciário em 08 de junho de 1998, sob o fundamento de que todas as três notas promissórias dadas em garantia estariam vencidas, devidas e exigíveis. Ora, se o vencimento da segunda e da terceira parcela ocorreria nos anos de 1999 e 2000, conforme “Termo de Confissão de Dívida” de fls. 196/198, como admitir a execução integral no ano de 1998? Síntese conclusiva acerca da alienação societária da empresa Trirradial Embora o Recorrente afirme que a transferência de suas cotas de capital se deu por meio da 24ª Alteração Contratual (fls. 507/511), que foi formalizada após a constituição do crédito tributário pelo preço ajustado de R$ 620.000,00, entendo que devem ser considerados como origens/ingressos de recursos decorrentes da alienação os R$ 300.000,00 constantes da 22ª Alteração Contratual (fls. 179/181). Pedido de realização de perícia O Recorrente pleiteia a realização de perícia para confirmação dos registros contábeis da empresa Trirradial. Registro, todavia, que a confirmação dos registros escriturados nos livros contábeis deve ser feita por intermédio da documentação que lastreou os lançamentos realizados. Na espécie, o Interessado não carreou aos autos os documentos que lastrearam a escrituração. Quando o fez (nota fiscal da compra e venda da camioneta), anexou apenas parte da escrituração. Em resumo: somente é justificável o deferimento de perícia cujo objeto não possa ser comprovado no corpo dos autos. De conseguinte, revelase prescindível a perícia acerca de matéria que poderia ter sido elucidada pelo próprio contribuinte mediante a simples juntada de documentos. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por indeferir o pedido de perícia e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11516.000041/0059 Acórdão n.º 2201002.803 S2C2T1 Fl. 1.142 26 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10835.000408/00-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1991
EMBARGOS. NULIDADE.
Padecem de nulidade as decisões proferidas por autoridade incompetente, em matéria já decidida em julgamento anterior.
NULIDADE DA DECISÃO. NOVO JULGAMENTO.
Deverá ser proferida nova decisão quando o julgamento anterior, declarado nulo, não apreciou a matéria em litígio.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos inominados, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do Acórdão nº 302-37.558, inclusive, com retorno dos autos à Terceira Seção de Julgamento do CARF para proceder à análise e decidir quanto à impugnação ao cálculo de liquidação.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1991 EMBARGOS. NULIDADE. Padecem de nulidade as decisões proferidas por autoridade incompetente, em matéria já decidida em julgamento anterior. NULIDADE DA DECISÃO. NOVO JULGAMENTO. Deverá ser proferida nova decisão quando o julgamento anterior, declarado nulo, não apreciou a matéria em litígio. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos inominados, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do Acórdão nº 30237.558, inclusive, com retorno dos autos à Terceira Seção de Julgamento do CARF para proceder à análise e decidir quanto à impugnação ao cálculo de liquidação. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 04 08 /0 0- 41 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 9303003.356 CSRFT3 Fl. 501 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Joel Miyazaki, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente, em face ao acórdão de nº 930300.818, que deu provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1991 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. A embargante alega que a referida decisão não apreciou a matéria efetivamente controvertida nos autos, referindose ao cálculo de liquidação de fls. 270/271. Argumenta haver erro processual, passível de nulidade a partir do Acórdão nº 30237.558 de 25/06/2006, por ter havido reanálise pelo Terceiro Conselho de Contribuintes do pedido original da contribuinte, matéria que já havia decisão transitada em julgado administrativo conforme o Acórdão nº 20176.373, de 22/08/2002, proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Conclui requerendo o saneamento dos vícios apontados. No despacho que admitiu os embargos, recepcionandoo como embargos inominados de que trata o art. 66 do RICARF/2015, apresentase o histórico do processo, que reproduzo a seguir: Compulsando as peças processuais, constato que o presente processo cuida de pedido de restituição, formalizado em 31/03/2000, de valores pagos a maior de Finsocial, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo STF da majoração da alíquota de 0,5%, nos períodos de apuração de 03/1990 a 09/1991, no valor de R$ 74.335.83, cumulado com pedido de compensação do direito creditório, fls. 2 a 4, 88 e 92. Em Despacho Decisório DRF/PPE/SASIT nº 276 de 29/05/2000, fls. 94 a 98, a DRF de Presidente Prudente SP indeferiu o pleito sob o fundamento de decadência do direito. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 9303003.356 CSRFT3 Fl. 502 3 A Manifestação de Inconformidade formulada pelo interessado foi julgada improcedente pelo Acórdão DRJ/RPO nº 139, de 17/01/2001, fls. 143 a 146, em decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1991 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PRAZO EXTINTIVO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA Sobreveio Recurso Voluntário. A extinta Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte, assegurando lhe o direito de compensar e/ou restituir os valores recolhidos acima do percentual de 0,5% do Finsocial e que o direito de pleitear a restituição ou a compensação do Finsocial, a teor do Parecer COSIT nº 58, de 27 de outubro de 1998, tem seu termo a quo o do início da vigência da MP nº 1.110, de 1995, ou seja, deu provimento ao pedido entendendo pela “não decadência do direito”, assegurando à autoridade fiscal executora verificar a liquidez e a certeza do crédito reclamado. O Acórdão nº 20176.373 de 22/08/2002, fls. 176 a 181, teve ementa vazada nos seguintes termos: FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. A compensação e a restituição de tributos e contribuições estão asseguradas pelo artigo 66, e seus parágrafos, da Lei n° 8.383/91, inclusive com a garantia da devida atualização monetária. A inconstitucionalidade declarada da majoração das alíquotas do FINSOCIAL acima do percentual de 0,5% (meio por cento) assegura ao contribuinte ver compensados e/ou restituídos os valores recolhidos a maior pela aplicação de alíquota superior à indicada. PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear a restituição ou a compensação do FINSOCIAL, a teor do Parecer COSIT n° 58, de 27 de outubro de 1998, juridicamente fundamentado e vigente no decurso do processo, tem seu termo a quo o do início da vigência da MP n° 1.110/95. Recurso provido. A DRFPPESP, autoridade administrativa regimentalmente incumbida da execução do Acórdão nº 20176.373, formalizou então o Despacho de Liquidação de 08/05/2003, fls. 208 e 209, que apurou e reconheceu o crédito da contribuinte no Fl. 502DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 9303003.356 CSRFT3 Fl. 503 4 montante de R$ 38.062,33. Insatisfeita com essa apuração, SELEGRAM PRODUÇÃO E COMÉRCIO DE SEMENTES LTDA. impugnou o cálculo de liquidação. O processo foi então baixado em diligência para elaboração de demonstrativo, discriminando mensalmente os valores dos débitos e dos créditos e os índices de atualização utilizado, bem como esclarecer se foi aplicada a taxa Selic a partir de 1996, tudo nos termos do Despacho da DRJ/RPO/4ª Turma nº 3, de 26 de janeiro de 2005, fl. 289. A Autoridade Diligenciante produziu então INFORMAÇÃO DRF/PPE/Saort nº 23, de 1° de abril de 2005, fls. 306 a 308. O interessado foi instado a manifestarse sobre os cálculos elaborados e depois disso, a 4ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra os cálculos da liquidação, Acórdão nº 8.120, de 17 de maio de 2005, fl. 331 a 335. Eis a ementa da decisão: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1990 a 30/09/1991 Ementa: COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Os créditos do Finsocial, passíveis de compensação/restituição, são atualizados monetariamente conforme índices constantes na NE SRF Cosit/Cosar n° 8, de 1997. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra pedido de compensação indeferido não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido. Solicitação Indeferida A contribuinte recorreu ao Conselho de Contribuintes contra essa decisão. O Acórdão nº 30237.558 de 25/06/2006, fls. 383 a 392, em vez de analisar o recurso interposto pela contribuinte quanto ao cálculo de liquidação, analisou o pedido original quanto à constitucionalidade e decadência do direito, matérias já analisadas no Acórdão nº 20176.373 de 22/08/2002. Destaco que o Relatório dessa decisão foi fiel aos temas do processo. O desvio, inexplicavelmente, ocorreu na redação dos votos vencidos e vencedor, da lavra dos conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luis Antonio Flora. A partir dessa decisão, o processo desviouse de seu rumo normal A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 30237.558, de 25/06/2006, requerendo seja restaurada a decisão da DRF/PPE que entendeu pela decadência do direito da contribuinte, do qual decorreu o ora embargado Acórdão 930300.818 – 3ª Turma, dando provimento ao recurso especial da PGFN, ou seja entendendo pela decadência do direito pleiteado, matéria já decidida pelo Acórdão nº 20176.373, de 22/08/2002, em processo que já se encontrava na fase de liquidação. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10835.000408/0041 Acórdão n.º 9303003.356 CSRFT3 Fl. 504 5 Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço dos embargos interpostos recepcionados como embargos inominados de que trata o art. 66 do RICARF/2015. Conforme acima relatado, constatase nos presentes autos erro material, passível de correção pela via dos presentes embargos. O Acórdão nº 30237.558, de 25/06/2006, proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, analisou indevidamente matéria já apreciada no Acórdão nº 20176.373, de 22/08/2002, proferida pelo Segundo Conselho de Contribuintes, ao invés de analisar o recurso interposto pela contribuinte quanto ao cálculo de liquidação. Na decisão errônea (Acórdão nº 30237.558), em vez de analisar o recurso interposto pela contribuinte quanto ao cálculo de liquidação, a turma julgadora analisou o pedido original quanto à constitucionalidade e decadência do direito, matérias já analisadas no Acórdão nº 20176.373 de 22/08/2002. Destacase que o Relatório dessa decisão foi fiel aos temas do processo. O desvio, inexplicavelmente, ocorreu na redação dos votos vencidos e vencedor, da lavra dos Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando e Luis Antonio Flora. Equivocadamente, pelo desvio do curso natural do processo, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 30237.558, de 25/06/2006, requerendo seja restaurada a decisão da DRF/PPE que entendeu pela decadência do direito da contribuinte, do qual decorreu o ora embargado Acórdão 930300.818 – 3ª Turma, dando provimento ao recurso especial da PGFN, ou seja, entendendo pela decadência do direito pleiteado, matéria já decidida pelo Acórdão nº 20176.373, de 22/08/2002, em processo que já se encontrava na fase de liquidação. Dessa forma, constatase a nulidade do Acórdão nº 30237.558, que decidiu sobre matéria que já não estava na competência daquela turma julgadora, conforme previsto no art. 59 do PAF, viciando os atos processuais subsequentes. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento aos embargos inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente, para declarar a nulidade dos atos processuais a partir do Acórdão nº 30237.558 (fls.383 a 393), inclusive, com retorno dos autos à Terceira Seção de Julgamento do CARF para proceder à análise e decisão quanto a impugnação ao cálculo de liquidação de fls. 339 a 350. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Fl. 504DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13842.720145/2011-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
COMPENSAÇÃO DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda sobre valores percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para admitir a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 107.632,41, nos temos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano (Relatora).
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda sobre valores percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para admitir a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 107.632,41, nos temos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano (Relatora).
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EFETIVA RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda sobre valores percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para admitir a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 107.632,41, nos temos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 2. 72 01 45 /2 01 1- 21 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13842.720145/201121 Acórdão n.º 2802002.895 S2TE02 Fl. 134 2 A Relatora originária, Conselheira Julianna Bandeira Toscano, deixou de integrar o Colegiado sem formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 132. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pela Relatora e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Retornam os autos a este Colegiado, após ter sido determinado, pelo Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a realização diligência para confirmar as alegações contidas no recurso voluntário. Por sua absoluta clareza, adoto o relatório da Decisão proferida em primeira instância, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em São Paulo – DRJ/SP1 (fls. 91/92): Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 08/11, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2008, no montante de R$ 118.900,94, sendo R$ 84.566,82 a título de imposto de renda pessoa física (sujeito à multa de mora), R$ 16.913,36 de multa de mora e R$ 17.420,76 de juros de mora, calculados até 30/06/2011. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 11), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Glosa do valor de R$ 120.690,43, incidente sobre rendimentos recebidos da fonte pagadora Banco Nossa Caixa S/A, CNPJ nº 43.073.394/000110. Inconformada, a interessada apresentou, em 19/07/2011, a impugnação de fls. 02/07, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: 1. com base nas informações recebidas da advogada contratada para defesa de seus interesses nos autos da reclamação trabalhista nº 031721990000215009RT, que tramita pela 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí/SP, indicou, na declaração de imposto de renda pessoa física, do anocalendário de 2008, o recebimento de um crédito bruto de R$ 440.835,34, do qual foram descontados, título de honorários advocatícios, honorários periciais e imposto de renda retido na fonte, os respectivos valores de R$132.250,60, R$ 17.633,41 e R$ 120.690,43; 2. no entanto, conforme a certidão nº 104/2011, expedida pela 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí, Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, foi deferido o levantamento do valor incontroverso de R$ 311.774,25, por meio da guia de retirada de nº 378/2008, que, acrescido de correção e juros de mora, totalizou o montante de R$330.046,30, tendo havido retenção de imposto de renda na Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13842.720145/201121 Acórdão n.º 2802002.895 S2TE02 Fl. 135 3 fonte de R$ 9.901,39, conforme comprovante de retenção de depósitos judiciais; 3. do valor levantado, pagou a impugnante a quantia de R$132.250,60 ao escritório Gutierrez Advocacia, conforme nota fiscal de serviços nº 798, emitida em 02/07/2008, e o valor de R$17.633,41 à empresa Oznet Sistemas de Informática Ltda., CNPJ nº 06.284.797/0000182, referente a honorários pelas perícias efetuadas no processo, recebendo o valor líquido de R$170.260,89; 4. permaneceram em conta judicial os valores relativos ao imposto de renda e INSS, não havendo recolhimento de imposto de renda na fonte, além dos R$ 9.901,39, em face da existência de pendência de apreciação do Agravo de Petição; 5. a sentença de fls. 2280 e 2281 dos autos fixou o valor bruto da condenação em R$ 434.342,28, em 01/02/2007, sendo R$199.371,97 referente ao principal e R$ 234.970,31, aos juros de mora, e determinou que o valor tributável correspondia a R$199.371,97, não incidindo imposto de renda sobre juros; 6. referida decisão, datada de 16/07/2010, foi objeto de agravo de petição, permanecendo subjudice o valor retido em depósito judicial a título de IR e INSS; 7. fica provado, portanto, que houve um erro na declaração do anobase de 2008, e que a mesma deve ser retificada, estando a notificação de lançamento baseada em errônea informação; 8. requer, assim: i) que seja cancelado o lançamento e seja apurado o real valor devido; ii) prioridade na análise de sua impugnação, em respeito à previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471/2003 (Estatuto do Idoso). A Resolução nº 2201000.157, de 20 de junho de 2013, assim determinou: A discussão gira em torno da possibilidade de compensação de IRRF que, segundo afirma a Recorrente, foi retido dos valores recebidos em decorrência de ação judicial e encontrase depositado em conta judicial, e da dedução integral, do montante recebido, dos honorários advocatícios e periciais pagos. Quanto ao IRRF em discussão, cumpre destacar o seguinte: a) não há nos autos qualquer documento que comprove que houve a retenção do imposto de renda no valor de R$ 120.690,43. A Certidão nº 104/2011 (fls. 130), apenas informa que os valores relativos ao imposto de renda e ao INSS permanecem em conta judicial, mas não os discrimina. De acordo com a consulta processual juntada às fls. 71 a 78, a autoridade judiciária, em decisão proferida em 26/05/2010, não homologou os cálculos efetuados pelo perito (fls. 27 a 47) relativos à base cálculo do imposto de renda, que apurou um imposto no valor de R$ 118.941,55 (fls. 42 e 46). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13842.720145/201121 Acórdão n.º 2802002.895 S2TE02 Fl. 136 4 b) se o valor referente ao IRRF permanece em conta judicial, significa que há dúvidas quanto a sua incidência sobre os valores recebidos. Assim resta impossibilitado o julgamento do recurso sem que as questões acima expostas sejam elucidadas. Em face do exposto voto por converter o julgamento em diligência à Agência da Receita Federal do Brasil de São José do Rio Pardo SP, para que esta solicite à 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí SP, as seguintes informações, relativas ao processo nº 031720051.1990.5.15.0002, em nome da Recorrente: a) se ainda constam valores depositados em conta judicial, e qual a natureza das respectivas rubricas, principalmente quanto ao valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte; b) caso o imposto de renda retido na fonte ainda permaneça depositado em conta judicial, informar se o respectivo valor corre o risco de não ser convertido em renda da União; c) se o valor correspondente ao imposto de renda retido na fonte já foi devolvido à Sra. Nilze Farath Scaneiro e, caso contrário, se há alguma possibilidade de que tal devolução ocorra no futuro. Em atendimento à diligência, foi oficiada a 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí (fl. 119), que em seus esclarecimentos (fl. 120) confirmou a retenção de IRRF no valor de R$ 117.534,80, valor esse que seria objeto de recolhimento em guia DARF. Regularmente intimado, o contribuinte não se manifestou acerca da diligência realizada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc A Relatora originária, Conselheira Julianna Bandeira Toscano, deixou de integrar o Colegiado sem formalizar o acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos da Relatora. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pela Relatora e disponibilizado no repositório oficial do CARF. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Entendo que a resposta à diligência fornecida pelo Juízo da 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí comprova a retenção, a título de IRRF, do montante de R$ 117.534,80 (fls. 120), valor que se encontrava depositado judicialmente. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13842.720145/201121 Acórdão n.º 2802002.895 S2TE02 Fl. 137 5 Assim, comprovada a retenção e informada a expedição de ofício à instituição financeira depositante para que providencie o recolhimento do DARF relativo ao pagamento do imposto, fica assegurado ao recorrente o direito à compensação desse valor em sua declaração de ajuste anual, nos limites em que declarado. Considerando que a instância de piso já havia restabelecido IRRF no valor de R$ 9.901,39, o recurso deve ser provido parcialmente para o restabelecimento do imposto correspondente à diferença entre o valor depositado judicialmente, conforme informado pela 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí (R$ 117.534,80), e o valor anteriormente restabelecido pela decisão de 1ª instância (R$ 9.901,39). Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e darlhe provimento parcial para admitir a compensação de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 107.632,41. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator ad hoc Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15983.720496/2011-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.548
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
João Bellini Júnior Presidente.
Ivaccir Júlio de Souza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. João Bellini Júnior Presidente. Ivaccir Júlio de Souza - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1233; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.720496/201153 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.548 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de dezembro de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE GUARUJÁ PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. João Bellini Júnior– Presidente. Ivaccir Júlio de Souza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 49 6/ 20 11 -5 3 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Li o relatório a quo ,compulsei com os autos, e tendo corroborado, por economia processual o adoto na forma do abaixo transcrito : " Nos termos do relatório fiscal do processo em referência (fls. 14 a 24), no curso do procedimento desenvolvido sob o amparo do Mandado de Procedimento Fiscal MPF 08.1.06.002011012302, instaurado para verificação do cumprimento das obrigações relativas às contribuições sociais administradas pela Receita Federal do Brasil RFB, conforme determina o art. 2º da Lei 11.457, de 16/03/2007, foram lavrados os seguintes autos de infração: ▫ AI nº 51.000.0428 Referente à Glosa de compensação (levantamento “GL”) e às Contribuições Patronais (alíquota de 20%) e às correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT/ FAP (3,30% de 11/2010 a 13/2010), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados; ▫ AI nº 51.000.0436 Referente aos descontos dos segurados, que deveriam ter sido efetuados sobre os valores das remunerações pagas a seus empregados a título de Ajuda de Custo, Gratificação Desempenho Lei 3.363/2006 e Gratificação Desempenho Individual constantes das Folhas de Pagamento Mensais, lançadas no levantamento "FS"; e ▫ AI nº 51.000.0444 Código de Fundamento Legal – CFL 78 – Referente à multa por ter a empresa apresentado a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com incorreções ou omissões. ( QUAIS ???? ) No que respeita, especificamente, às compensações retro mencionadas, a auditora notificante aduz que: 1º) Constatouse que a Municipalidade efetuou compensações relativas ao período de 12/2005 a 10/2010, no montante total de R$ 11.302.839,77 distribuídos da seguinte forma: Novembro/2010: R$ 4.736.687,79 Dezembro/2010: R$ 2.296.263,78 Décimo Terceiro/2010: R$ 4.269.888,20 2º) Tais compensações referemse às seguintes rubricas: 453 50% FÉRIAS CONSTITUINTE MENSALISTAS 454 50% FÉRIAS HORISTAS ANTES DA MUDANÇA DE SISTEMA DE FOLHA 59 FÉRIAS EM DOBRO FÉRIAS COM GOZO FORA DO PERÍODO 460 1/3 FÉRIAS CARGO COMISSIONADO 61 1/3 FÉRIAS UTILIZADO PARA TODOS NO PERÍODO DE NOV/08 A FEV/09 POR MOTIVO DE UMA ADIN 465 1/ 3 PECÚNIA CARGO COMISSIONADO 474 50% FÉRIAS CONSTITUINTE HORISTAS/PLANTONISTAS 250 GRATIFICAÇÃO POR DESEMPENHO INDIVIDUAL 51 GRATIFICAÇÃO DESEMPENHO ENCARGOS ADICIONAIS LEI 3363/2006 115 AJUDA DE CUSTO VALOR PAGO A MÉDICOS E ODONTÓLOGOS Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 4 3 3º) A Municipalidade, embasada em parecer elaborado pelo Centro de Pesquisa em Políticas de Cidadania e em Finanças Públicas CPqCFP, entendeu que todos os recolhimentos efetuados à Previdência Social no período de 12/2005 a 10/2010, cuja origem (bases) fossem as rubricas acima elencadas, não seriam devidos, e por conseguinte, nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social das competências 11/2010, 12/2010 e 13/2010 efetuou compensações de todos os valores recolhidos até o montante total de R$ 11.302.839,77; 4º) Em análise às rubricas objeto da compensação, constatouse que as únicas que de fato apresentaram embasamento legal foram as de número 459 FÉRIAS EM DOBRO FÉRIAS COM GOZO FORA DO PERÍODO, pois referemse à dobra da remuneração de que trata o art. 137 da CLT Consolidação das Leis do Trabalho, acrescida de 1/3 do adicional previsto no art. 7°, item XVII da Constituição Federal e a Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, letra "d", e 465 1/3 PECÚNIA CARGO COMISSIONADO, correspondente à venda de 10 dias, ou 1/3 das férias consoante previsto no art. 143 da CLT. Por tal razão, foram excluídos da Glosa de Compensação, na competência 11/2010, os seguintes valores: Rubrica 459 R$ 6.829,40 Rubrica 465 R$ 9.943,85 Total R$ 16.773,25 5º) Com relação às demais rubricas não assiste qualquer razão à Municipalidade, conforme segue: “12.1 As rubricas 453, 454, 460, 461 e 474 são todas relativas a Férias e nenhuma delas se enquadra nas únicas hipóteses de não incidência de Contribuição Previdenciária, que são os casos previstos quando há dobra de remuneração de que trata o art. 137 da CLT ou férias indenizadas pagas na rescisão do contrato de trabalho (Lei 8.212/91, art. 28, § 9° , letra "d"). 12.2 A rubrica 051 referese à Gratificação por Desempenho de Encargo Adicional estabelecida pela Lei 3.363/2006, publicada no Diário Oficial do Município em 08/06/2006. Transcrevemse os artigos 1º e 2º: Art. 1º Fica instituída uma gratificação financeira que será paga ao servidor, estatutário ou celetista, efetivo ou em comissão, pelo exercício de encargo adicional às suas funções, com responsabilidade técnica relativa à direção das entidades de Assistência Integral da Ação Social e das Unidades de Saúde do Município de Guarujá. Art. 2º A gratificação de que trata o artigo anterior é fixada em R$ 900,00 (novecentos reais), com incidência dos encargos fiscais e previdenciários, sendo que não será incorporada aos vencimentos do cargo ou emprego público em nenhuma hipótese. Salientese que a própria Lei estabelecia a incidência de contribuições previdenciárias, mas após o Parecer do CPqCFP, a Municipalidade entendeu não serem devidas as aludidas contribuições. Juntase em anexo a Lei em sua integralidade. 12.3 A rubrica 250, Gratificação Desempenho Individual, instituída através da Lei 3030, de 22/05/2003, estabelece em seu art. 5º: "Fica instituída a Gratificação de Desempenho Individual GDI, a ser concedida aos servidores da Prefeitura Municipal de Guarujá que preencherem os requisitos objetivos que serão estabelecidos pelo Poder Executivo em decreto, no percentual de 6% (seis por cento), calculada sobre a somatória dos valores do salário base e dos Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 5 4 benefícios previstos no artigo 91, XXI, da Lei Orgânica Municipal. § 1ºo A Gratificação de Desempenho Individual GDI constitui benefício que será concedido de acordo com o efetivo desempenho funcional de cada servidor do Quadro dos Empregos Permanentes CLT da Prefeitura, de caráter absolutamente individual. § 2º Até a edição do decreto regulamentar do benefício estabelecido neste artigo, fica o Poder Executivo autorizado a conceder a Gratificação de Desempenho Individual GDI, a todos os servidores, independentemente da apuração do desempenho funcional. 12.4 Gratificações significam mera liberalidade do empregador, que as oferece a título de agradecimento ou reconhecimento. Quando as gratificações são efetuadas continuamente, ou seja, pagas de forma habitual, perdem o caráter "eventual" do ganho e, por isso, devem ser consideradas como remuneração, integrantes da base de cálculo da Previdência social. A Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, art. 28, I, § 8o , alínea "c" e § 9°, alínea "e", item 7, é clara nesse sentido. 12.4.1 A Gratificação da Lei 3363/2006 instituída pela Municipalidade é paga a determinados funcionários que ocupam cargos técnicos (sempre os mesmos) todos os meses e com valor fixo estabelecido pela própria Lei. Como exemplo citemos duas funcionárias: Ana Paula Cappelini de Souza e Benedita Yara Leone de Deus. Ambas receberam nos meses fiscalizados 11/2010, 12/2010 e 01/2011 gratificações equivalentes a R$ 900,00 (novecentos reais) por mês. Juntase em anexo relação contendo todos os funcionários contemplados com tal gratificação.São gratificações pagas continuamente durante o contrato de trabalho. O caráter não é eventual. Tanto é que a própria legislação no art. 2º estabelecia a incidência de encargos previdenciários sobre os valores pagos. 12.4.2 Com relação à Gratificação Desempenho Individual GDI, da mesma forma que a anterior, é paga mensalmente, em caráter permanente, à quase totalidade dos funcionários da Prefeitura num percentual fixo de 6% (seis por cento) incidente sobre somatória dos valores do salário base e dos benefícios previstos no artigo 91, XXI, da Lei Orgânica Municipal. Nesse caso, também não há que se falar em pagamento eventual. 13. A rubrica 115 Ajuda de Custo é paga exclusivamente a alguns médicos e odontólogos, com valor fixo mensal de R$ 475,66. Citese com exemplo o médico Albino da Conceição e a odontóloga Adriana Rodrigues da Silva. Ambos receberam nos meses de 11/2010, 12/2010 e 01/2011 a referida ajuda de custo com o citado valor. 13.1 Vejamos: A Lei n° 8.212/91, em seu art. 28, § 9º , letra "g", considera que não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT, que assegura aos empregados, em caso de necessidade de serviço, o direito à ajuda de custo resultante das despesas de sua transferência para localidade diversa da que resultar do contrato. 13.2 A ajuda de custo, quando paga em todos os meses em valor fixo e reajustável, nas mesmas épocas dos reajustes salariais, sem a intenção de ressarcir despesas ou de reembolsar gastos feitos pelo empregado, Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 6 5 adquire natureza salarial. Com continuidade, visa a remunerar o empregado pelos serviços prestados em decorrência do contrato de trabalho, havendo, portanto, desvirtuamento da natureza jurídica indenizatória que possuía a rubrica. Não integra o salário de contribuição o pagamento da ajuda de custo exclusivamente em decorrência de mudança do local de trabalho e em parcela única.”Aduz, ainda, a auditora notificante que o presente auto é composto dos seguintes levantamentos: FP = FOLHA DE PAGAMENTO Código utilizado para o lançamento de contribuição de segurados empregados, Contribuição Patronal (20%) e G1LRAT/FAP (3,30% de 11/2010 a 13/2010 e 3,09% em 01/2011) sobre os valores das remunerações referentes à Ajuda de Custo, Gratificação Desempenho Lei 3363/2006 e Gratificação Desempenho Individual constantes das Folhas de Pagamento Mensais pagas a seus empregados, para as competências compreendidas entre 11/2010 e 01/2011; FS = DESCONTO SEGURADOS Código utilizado para o lançamento dos descontos sobre os sobre os valores das remunerações pagas a seus empregados a título de Ajuda de Custo, Gratificação Desempenho Lei 3363/2006 e Gratificação Desempenho Individual constantes das Folhas de Pagamento Mensais, para as competências compreendidas entre 11/2010 e 01/2011; e GL = GLOSA Código utilizado para o lançamento da Glosa de Compensação compreendida entre as competências 11/2010, 12/2010 e 13°salário/2010. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com os lançamentos, a empresa impugnouos por meio dos expedientes anexados às fls. 172 a 246, em que postula o cancelamentos dos autos de infração mediante as seguintes alegações, em síntese: Quanto ao AI nº 51.000.0428 a) Os créditos lançados pela autoridade fiscal oriundos de fatos geradores anteriores à competência de novembro de 2006, devem ser considerados extintos, em razão da aplicação do § 4°, do art. 150 do CTN; b) Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de “férias”, pois estas possuem natureza jurídica indenizatória, seja pela determinação legal que impõe ao empregador a concessão de período de descanso "pago" ao trabalhador, seja pelas características que as definem; c) Também não há incidência das aludidas contribuições sobre o adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, pois o constituinte conferiu aos trabalhadores além do descanso, compulsoriamente "pago", um valor "extra" para melhor fruição do período de descanso, sendo certo que este acréscimo não é pago em virtude da contraprestação pelo trabalho, estando presente mais uma vez a natureza compensatória/indenizatória. O fato de o Impugnante conceder aos seus servidores um adicional em valor superior ao mínimo previsto constitucionalmente isto é, no importe de 50% a mais do que o salário normal para os mensalistas, horistas e plantonistas , não retira a natureza indenizatória do referido acréscimo, dado que o pagamento não é efetuado em decorrência do trabalho prestado, mas de mero benefício concedido para possibilitar o gozo das férias; d) As “gratificações por desempenho” concedidas pelo Impugnante não se inserem no campo de incidência das contribuições lançadas, pois referemse a verbas concedidas por mera liberalidade Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 7 6 do empregador e apenas caso sejam atendidas as metas pactuadas com os servidores, razão pela qual se caracterizam como verbas aleatórias, indeterminadas e imprevisíveis; e e) Da mesma forma, as importâncias relativas à rubrica “ajuda de custo” não se põem no âmbito de incidência das contribuições sociais sobre a folha de salários, pois são pagas pelo Impugnante de forma eventual, para realização de tarefas e suporte de realização de determinadas rotinas, e não como forma de retribuir o trabalho prestado pelo empregado. Quanto ao AI nº 51.000.0436 a) O Auto é nulo por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que, em relação às contribuições dos segurados empregados, ao Município é atribuído simplesmente o dever de proceder à transferência de valores deles arrecadados, e, no presente caso, tal arrecadação não ocorreu, de forma que, a prevalecer a exigência ora combatida, haveria explícito enriquecimento ilícito do sujeito passivo principal, que teria sua obrigação cumprida por terceiro; b) As “gratificações por desempenho” concedidas pelo Impugnante não se inserem no campo de incidência das contribuições lançadas, pois referemse a verbas concedidas por mera liberalidade do empregador e apenas caso sejam atendidas as metas pactuadas com os servidores, razão pela qual se caracterizam como verbas aleatórias, indeterminadas e imprevisíveis; e c) Da mesma forma, as importâncias relativas à rubrica “ajuda de custo” não se põem no âmbito de incidência das contribuições sociais sobre a folha de salários, pois são pagas pelo Impugnante de forma eventual, para realização de tarefas e suporte de profissionais de diversos departamentos, que necessitaram de reembolso em razão da realização de determinadas rotinas, e não como forma de retribuir o trabalho prestado pelo/empregado. Quanto ao AI nº 51.000.0444 a) O Auto é nulo por desprovido dos elementos necessários à defesa do sujeito passivo, eis que não contém a descrição minuciosa da infração a ele imputada, nem a indicação dos dispositivos legais infringidos, tendo a autoridade fiscal se limitado a alegar que o Impugnante teria, supostamente, apresentado a declaração a que se refere o artigo 32, IV, da Lei n° 8.212/91, com informações incorretas referentes às compensações realizadas; b) Se a obrigação acessória deve ser satisfeita no interesse do cumprimento da obrigação principal, é evidente que, uma vez cumprida a obrigação principal, não há que se falar em multa por descumprimento da obrigação acessória; vale dizer, vez que, como comprovado nos autos de Infração principais, a Impugnante preparava sua folha de pagamento corretamente, de acordo com as determinações dos arts. 22 e seguintes da Lei n° 8.212/91, não havendo o que se falar em aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, de seu agravamento ou, ainda, por omissão de fatos geradores; e c) Caso, no entanto, subsista o lançamento realizado via auto principal, deve ser reconhecida a impossibilidade de manutenção das multas aplicadas em observância aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. " Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 8 7 DO VOTO Extraído do Relatório Fiscal, com grifos de minha autoria, abaixo reproduzo trechos nucleares que motivaram a glosa da compensação: 3. Período de levantamento de débito: 11/2010 a 01/2011 (inclusive 13° salário). 5. Além das obrigações acima elencadas, constatouse que a Municipalidade efetuou compensações relativas ao período de 12/2005 a 10/2010, no montante total de R$ 11.302.839,77 distribuídos da seguinte forma: Novembro/2010 : R$ 4.736.687,79 Dezembro/2010 : R$ 2.296.263,78 Décimo Terceiro/2010: R$ 4.269.888,20 (..) 9. A Municipalidade, embasada em parecer elaborado pelo Centro de Pesquisa em Políticas de Cidadania e em Finanças Públicas CPqCFP, entendeu que todos os recolhi mentos efetuados à Previdência Social no período de 12/2005 a 1012010 cuja origem (bases) fossem as rubricas acima elencadas, não seriam devidos, e por conseguinte, nas GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social das competências 11/2010, 12/2010 e 13°/2010 efetuou compensações de todos os valores recolhidos até o montante total de R$ 11.302.839,77. Juntase em anexo planilha discriminada com valores detalhados por rubrica. 10. Em análise às rubricas objeto da compensação, constatouse que as únicas que de fato apresentaram embasamento legal foram as de número 459 FÉRIAS EM DOBRO FÉRIAS COM GOZO FORA DO PERÍODO, pois referemse à dobra da remuneração de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho acrescido de 1/3 do adicional previsto no art. r,item XVII da Constituição Federal e a Lei 8.212/91, art. 28, § 9°, letra "d" e 465 1/3 PECÚNIA CARGO COMISSIONADO, correspondente à venda de 10 dias, ou 1/3 das férias consoante previsto no art. 143 da consolidação das Leis do Trabalho (...) 14. Ante todo o exposto, temse os seguintes valores que serão incluídos na Glosa de Compensação: NOVEMBRO/2010 Compensação GFIP = R$ 4.736.687,79 Dedução valores compensados corretamente = R$ R$ 16.773,25 Glosa de compensação = R$ 4.719.914,54 DEZEMBRO/2010 Compensação GFIP = R$ 2.296.263,78 Glosa de Compensação = R$ 2.296.263,78 DÉCIMO TERC/2010 Compensação GFIP = R$ 4.296.888,20 Glosa de Compensação = R$ 4.296.888,20 16. Foi apresentada à fiscalização documentação solicitada no TIPF Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 23/08/2011 Folhas de Pagamento e Parecer elaborado pelo Centro de Pesquisa em Políticas de Cidadania e em Finanças Públicas CPqCFP. Foi consultado o sistema da base de dados da RFB denominado GFIPWEB. Como se depreende dos registros acima, o auto em comento resultou da análise das rubricas e da impugnação do parecer elaborado pelo Centro de Pesquisa em Políticas de Cidadania e em Finanças Públicas CPqCFP, isto resta claro na leitura dos registros dos itens 9 e 10 do Relatório fiscal . Fl. 428DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15983.720496/201153 Resolução nº 2301000.548 S2C3T1 Fl. 9 8 Compulsado os autos , não se observam , ainda que por amostragem , cópias das guias de recolhimentos do período 12/2005 a 10/2010 nas quais a autuada teria se louvado para promover a compensação. No mesmo diapasão, também não foram colacionadas as vinculadas planilhas estabelecendo a correlação das guias com os valores originais e os atualizados até a compensação. Referindome ao parecer elaborado pelo Centro de Pesquisa em Políticas de Cidadania e em Finanças Públicas CPqCFP, também não se tem registros do motivação legal que o parecerista exortara na referida peça para concluir que os supostos recolhimentos foram indevidos. No item 1 do Relatório Fiscal, consta informado que a competência 11/2010 fora excluída da Glosa : 11. Pelas razões acima expostas, os seguintes valores correspondentes a essas rubricas foram excluídos da Glosa de Compensação na competência 11/2010, conforme segue: Rubrica 459 R$ 6.829,40 Rubrica 465 R$ 9.943,85 Total R$ 16.773,25 È relevante ressaltar que eventuais recolhimentos para terceiros não são passíveis de compensação em GFIP posto que tais valores não tiveram como destinação final os cofres da Recita Federal mas os de outras entidades. Assim cabe saber, também, se tais valores foram segregados não só na competência 11/2010 mas em todos os registros no período 12/2005 a 10/2010. DA DILIGÊNCIA Em razão do sobredito, determino que os autos retornem em diligência para atendimento do que fora exposto: Juntar a íntegra do parecer do Centro de Pesquisa em Políticas de Cidadania e em Finanças Públicas CPqCFP; cópias de razoável amostragem das planilhas e das respectivas guias de recolhimento com a efetiva comprovação mediante consultas internas nos sistemas da Receita Federal ; e efetivo registro de que as compensações não contêm recolhimentos efetuados para outras entidades. Relevante registrar que o contribuinte deverá ser notificado desta resolução bem como da resposta em Informação Fiscal para que , em querendo , se manifeste. CONCLUSÃO Conheço do recurso para ao abrigo do art. 29 do Decreto 70/235/72, votar pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização providencie o r4querido. É como voto Ivaccir Júlio de Souza Conselheiro Relator Fl. 429DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/01/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10880.997890/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2006
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO. VALIDADE.
É válida a intimação por meio magnético quando a contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1301-001.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
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OPÇÃO. VALIDADE. É válida a intimação por meio magnético quando a contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 78 90 /2 00 9- 06 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10880.997890/200906 Acórdão n.º 1301001.860 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório A Interessada transmitiu, em 17/12/2007, o PER/DCOMP de nº 02267.65911.171207.1.3.048985, no qual requer a compensação de débito com crédito referente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL mensal calculada por estimativa (crédito original de R$1.058.447,09, na data de transmissão; fls. 01 a 02). Foi emitido Despacho Decisório (fl. 03) NÃO HOMOLOGANDO a compensação declarada, visto que foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte recorre a DRJ/SÃO PAULOI, a qual julgou improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão 1634.465, de 27 de outubro de 2011, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2006 ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A partir de 29/10/2004, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo. Ademais, não foi comprovado o erro alegado, ressaltandose que as DCTF entregues que representam confissão de dívida confirmam que o débito corresponde ao valor recolhido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório do essencial. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas De início, importa ressaltar que o Recurso Voluntário impetrado pela contribuinte/recorrente, não merece ser acolhido, pois constatase que não foi respeitado o prazo para a sua interposição. Consta dos autos liminar parcialmente deferida em mandado de segurança (Processo 002080242.2014.403.6100) determinando o recebimento, processamento e encaminhamento dos Recursos Voluntários interpostos em diversos processos administrativos, inclusive o presente, a este Colegiado para análise e julgamento, nos termos do art. 35 do Decreto 70.235, de 1972, verbis: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Vêse, claramente dos autos que a autoridade judicial determina a suspensão da exigibilidade dos débitos decorrentes da não homologação das compensações pleiteadas, até que seja proferida decisão nos Recursos Voluntários pela autoridade competente com relação aos seguintes processos administrativos (Recursos Voluntários): 10880.959864/200971; 10880.930200/200921; 10880.957766/200908; 10880.997890/200906; 10880.694417/2009 61 e 10880.677851/200987. No caso específico do processo em análise (10880.997890/200906), em consulta processual no site da Justiça Federal de 3a. Região/SP, verificase que é decorrente da inscrição em dívida ativa sob o n. 80.3.14.00425770 (processo de encaminhamento à PSFN n. 10830.920524/200946) e, que o mesmo fora excluído da ação mandamental em sentença proferida nos Embargos de Declaração interpostos pela União Federal. Ressaltese, que os apelos da contribuinte/recorrente em Agravo de Instrumento e Embargos de Declaração interpostos foram rejeitados pela autoridade competente (Desembargador Federal Nelton dos Santos). De qualquer forma, como o recurso voluntário foi encaminhado a este Colegiado, passemos à sua análise. A peça recursal traz, com relação a intempestividade, que tomou ciência da decisão proferida de primeiro grau em 08/09/2014, quando do recebimento pelos Correios da Intimação ("carta cobrança") para pagamento dos débitos. Aduz, mais, que são nulos e devem ser desconsiderados a intimação eletrônica com "ciência ficta" após 15 dias do seu termo de abertura de documentos, pois, a referida intimação eletrônica somente é válida com expresso consentimento do contribuinte, nos termos do art. 23, § 5o. do Decreto 70.235/72, alterado pelo art. 113 da Lei 11.196/2005, § 3o.do art. 1o. da IN/RFB 259/2006 e, § 3o. do art. 26 da Lei 9.784. Pois bem. No caso, é incontroverso, que o prazo de trinta dias para interposição do recurso voluntário contra decisão de julgados em primeira instância, contase Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10880.997890/200906 Acórdão n.º 1301001.860 S1C3T1 Fl. 13 5 do dia seguinte à ciência da decisão e não do recebimento da "carta cobrança" como quer a recorrente, nos exatos termos do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972 (PAF), verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No tocante à matéria (ciência ficta), o artigo 23, § 4º ., inciso II e § 5.º do Decreto nº 70.235/1972, exige que o sujeito passivo autorize a intimação em seu endereço eletrônico, vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) [...] § 4.º. Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I – o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Redação de todo o parágrafo 4o. dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 5.º.O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (acrescido pela Lei 11.196/2005) A Portaria SRF nº 259, de 13/03/2006, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 574, de 10/02/2009, define a forma como se processará a autorização dos contribuintes para a intimação por meio de seu endereço eletrônico em seu artigo 4º: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) I – envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darse á mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) [...] A autorização para intimação pela caixa postal eletrônica, portanto, é efetuada por meio de um documento eletrônico, denominado Termo de Opção, no próprio Portal eCAC (Centro Virtual de Atendimento), não sendo esta operação formalizada em documentos apresentados em meio papel. Esclareçase que o citado eCAC corresponde a um Portal na Internet no qual os contribuintes tem acesso a sua caixa postal eletrônica, podendo acessar avisos enviados pela RFB e receber intimações de forma eletrônica. O funcionamento do eCAC encontrase previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.077, de 29 de outubro de 2010, da qual transcrevese os artigos 1º, 2º e 5º, dada a pertinência da meteria à lide: Art. 1 º O Centro Virtual de Atendimento (eCAC) tem como objetivo propiciar o atendimento de forma interativa, por intermédio da Internet, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. § 1 º O acesso ao eCAC será efetivado pelo próprio contribuinte, mediante a utilização de: I certificados digitais válidos emitidos por Autoridades Certificadoras integrantes da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil): eCPF, ePF, eCNPJ ou ePJ, observado o disposto no art. 1 º do Decreto n º 4.414, de 7 de outubro de 2002; e II código de acesso gerado na página da RFB, na Internet, no endereço constante do caput deste artigo. § 2 º No caso de utilização de certificado digital, o acesso ao eCAC poderá ser feito, também: I por procurador legalmente habilitado em procuração eletrônica outorgada pelo contribuinte; II pelo representante da empresa responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); III pela matriz, no caso de filial; e IV pela sucessora, no caso de sucedida. Art. 2 º No eCAC estão disponíveis as seguintes opções de acesso aos serviços: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10880.997890/200906 Acórdão n.º 1301001.860 S1C3T1 Fl. 14 7 I por meio de certificado digital ou código de acesso, os serviços elencados no Anexo I; II exclusivamente por meio de certificado digital, os serviços elencados no Anexo II. [...] Art. 5 º O titular do código de acesso ou do certificado eCPF ou eCNPJ, bem como o seu procurador, é responsável por todos os atos praticados perante a RFB com a utilização do referido código ou do certificado e sua correspondente chave privada, devendo adotar as medidas necessárias para garantir a confidencialidade desse código e da chave, e requerer, imediatamente, ao emitente a revogação de seu código ou certificado, em caso de comprometimento de sua segurança. [...] Do exposto, resta claro que o acesso a Caixa Postal no eCAC e a formalização do Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico se dá no próprio eCAC que exige a utilização do Certificado Digital, restando estas informações armazenadas nos sistemas da RFB, além do que, o contribuinte se torna responsável por todos os atos praticados perante a RFB com a utilização do referido certificado. Resta evidente que se a Receita Federal disponibilizou o Acórdão da DRJ na Caixa Postal Eletrônica, pelo Módulo eCAC do site da Receita Federal, nos exatos termos das normas em vigor, é que o contribuinte, de fato, optou pelo recebimento de notificações por esta via (eletrônica). Assim, a ciência do acórdão da DRJ aconteceu por meio de “TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO”, conforme documentos extraídos do sistema eletrônicos da RFB, a seguir reproduzidos: (Documento 1): MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB PROCESSO: 10880.997890/200906 INTERESSADO: HUAWEI DO BRASIL TELECOMUNICACOES LTDA DESTINATÁRIO: COMPROVANTE DE CIÊNCIA ELETRÔNICA OBJETO DA CIÊNCIA DOCUMENTO(S) CIENTIFICADO(s): * Nome do Documento: Acórdão Outros Acordao DATA E HORA DA ENTREGA NA CAIXA POSTAL DO INTERESSADO: 21/11/2011 17:42:53 DATA DA CIÊNCIA: 06/12/2011 DATA DE EMISSÃO : 07/12/2011 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 Aguardar Pronunciamento / RECEITA FEDERAL PARA USO DO SISTEMA GTELETINDEFERIDOS EODICDIORTDERATSP DIORTDERATSP SP SÃO PAULO DERAT (Documento 2): MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10880.997890/200906 INTERESSADO: HUAWEI DO BRASIL TELECOMUNICACOES LTDA TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 30/04/2013 10:26h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão Outros Acordao Contribuinte: 02.975.504/000152 HUAWEI DO BRASIL TELECOMUNICACOES LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 30/04/2013 Executar Julgamento/Despacho / RECEITA FEDERAL PARA USO DO SISTEMA GTELETINDEFERIDOS EODICDIORTDERATSP DIORTDERATSP SP SÃO PAULO DERAT (Documento 3): PROCESSO: 10880.997890/200906 INTERESSADO: HUAWEI DO BRASIL TELECOMUNICAÇÕES LTDA CNPJ/CPF: 02.975.504/000152 TERMO DE PEREMPÇÃO Transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o interessado apresentado recurso voluntário relativamente ao Acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade/impugnação, lavro, nesta data, este termo para os devidos efeitos. Em 28/08/2014 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10880.997890/200906 Acórdão n.º 1301001.860 S1C3T1 Fl. 15 9 Como visto, a intimação de atos da RFB no endereço eletrônico dos contribuintes encontrase prevista na Lei n.º 11.196/2005 desde 21/11/2005, regulamentada desde 13/03/2006 (Portaria SRF nº 259/2006). Repito, se a Administração Tributária agiu conforme a legislação de regência acima citada, necessariamente é que o contribuinte optou pelo recebimento de notificações por meio de Caixa Postal Eletrônica, Módulo eCAC do site da Receita Federal. Os contribuintes, contudo, a fim de evitar prejuízos, devem ser diligentes, estabelecendo procedimentos internos para recebimento de intimação não só por via postal mas também por meio digital. Em não adotando as medidas necessárias, sujeitamse ao risco de serem intimados e não conhecer do conteúdo da intimação antes de ultrapassado o prazo para manifestação, como no presente caso. Desta forma, tendo em vista que a recorrente não foi capaz de comprovar a invalidade do Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico constante da base de dados do Portal eCAC, bem como que o documento foi assinado com certificado digital emitido em nome do próprio contribuinte, mostrase valido o procedimento de intimação. Quanto à alegação da recorrente de que deveria ser citada apenas da forma como sempre vinha sendo intimada, qual seja pessoalmente ou por via postal, esclarecese que o Fisco pode efetuar a intimação de seus atos por qualquer das formas prevista nos incisos I (pessoal), II (via postal) e III (meio eletrônico) do artigo 29 do Decreto nº 70.235, sem ordem de preferência, sendo que apenas a intimação por edital que exige o prévio resultado improfícuo destes meios. A existência nos autos de um termo de ciência, via postal, relativa a "carta de cobrança", não afasta o efeito das normas regulamentares que certificam a ciência do contribuinte no dia 06/12/2011 com relação ao acórdão da decisão de primeira instância. Não há, portanto, que se falar em qualquer tipo de nulidade no ato de intimação, já que a contribuinte foi notificada regularmente, conforme previsto no art. 23, inciso III do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim sendo, entendo que não houve qualquer ato de nulidade na intimação em análise, portanto, intempestiva a interposição do recurso voluntário, conforme constatase do Termo de Ciência por Decurso de Prazo e Termo de Perempção acima transcritos. Por fim, registrese, que tal discussão já foi decidido, desta mesma maneira, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, podendose citar os Acórdãos nºs. 3403002.141 (de 25/04/2013), 3201001.608 (de 26/03/2014) e 1402001.870 (de 25/11/2014). Como visto alhures, consta dos autos Termo de Ciência por Decurso de Prazo ao contribuinte/recorrente com data de disponibilização do Acórdão na Caixa Postal em 21/11/2011. Logo, a ciência consumouse em 06/12/2011 (15 dias contados da disponibilização). Portanto, o prazo recursal esgotouse em 05/01/2012, ou seja, 30 dias a partir do dia seguinte à ciência. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Vêse dos autos que a peça recursal foi protocolizada na data de 26 de setembro de 2014, conforme atesta o carimbo receptor da DERAT/SP, portanto, intempestivo nos termos do artigo 33 do PAF, acima citado. E, mais, no caso, tornase definitiva a decisão prolatada em primeira instância, conforme expresso no art. 42, I, do mesmo diploma legal acima citado: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Assim, considerando que não cumprido o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10820.005072/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005
OMISSÃO DE RECEITA. FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS.
Verificada omissão de receitas, mediante fraude, inclusive com interposição de pessoas, é correto o lançamento que adiciona, ao lucro real da pessoa beneficiária, as receitas por ela omitidas.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
É correta a aplicação ao débito da multa qualificada na presença de sonegação, fraude ou conluio, praticados, por ação ou omissão, de forma dolosa.
SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN.
Demonstrado o interesse comum de pessoa na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, é correta a extensão a ele do vínculo obrigacional por solidariedade.
Numero da decisão: 1302-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de nulidade do lançamento; e 3) por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da contribuinte e dos responsáveis tributários.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio .
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. Verificada omissão de receitas, mediante fraude, inclusive com interposição de pessoas, é correto o lançamento que adiciona, ao lucro real da pessoa beneficiária, as receitas por ela omitidas. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. É correta a aplicação ao débito da multa qualificada na presença de sonegação, fraude ou conluio, praticados, por ação ou omissão, de forma dolosa. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. Demonstrado o interesse comum de pessoa na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, é correta a extensão a ele do vínculo obrigacional por solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por unanimidade de votos, em rejeitar as argüições de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, em rejeitar a argüição de nulidade do lançamento; e 3) por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da contribuinte e dos responsáveis tributários. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 50 72 /2 00 8- 17 Fl. 9495DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Ana de Barros Fernandes Wipprich e Daniele Souto Rodrigues Amadio . Fl. 9496DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA PROVA EMPRESTADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Havendo dolo, a contagem do prazo decadencial regulase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É legítimo o recurso a provas regularmente colhidas pelo Policia Federal, tendo a autoridade autuante tomado o cuidado de não se limitar simplesmente a adotar as conclusões daquele órgão. O evidente intuito de fraude restou caracterizado não apenas pela conduta reiterada, mas também pela compra de notas fiscais "frias", pela utilização de contas bancárias de terceiros e pela utilização de "laranjas". É cabível a atribuição de responsabilidade solidária quando ficar demonstrada a existência de interesse comum na situação que constitua o respectivo fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA PROVA EMPRESTADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Havendo dolo, a contagem do prazo decadencial regulase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. É legitimo o recurso a provas regularmente colhidas pelo Policia Federal, tendo a autoridade autuante tornado o cuidado de não se limitar simplesmente a adotar as conclusões daquele órgão. O evidente intuito de fraude restou caracterizado não apenas pela conduta reiterada, mas também pela compra de notas fiscais "frias", pela utilização de contas bancárias de terceiros e pela utilização de laranjas". É cabível a atribuição de responsabilidade solidária quando ficar demonstrada a existência de interesse comum na situação que constitua o respectivo fato gerador. Fl. 9497DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/0912004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA PROVA EMPRESTADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Havendo dolo, a contagem do prazo decadencial regulase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Ê legitimo o recurso a provas regulamente colhidas pelo Policia Federal, tendo a autoridade autuante tomado o cuidado de não se limitar simplesmente a adotar as conclusões daquele órgão. O evidente intuito de fraude restou caracterizado não apenas pela conduta reiterada, mas também pela compra de notas fiscais "frias", pela utilização de contas bancárias de terceiros e pela utilização de "laranjas". É cabível a atribuição de responsabilidade solidária quando ficar demonstrada a existência de interesse comum na situação que constitua o respectivo fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004. 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 31/01/2005, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA PROVA EMPRESTADA MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Havendo dolo, a contagem do prazo decadencial regulase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Ê legitimo o recurso a provas regularmente colhidas pelo Policia Federal, tendo a autoridade autuante tornado o cuidado de não se limitar simplesmente a adotar as conclusões daquele órgão. O evidente intuito de fraude restou caracterizado não apenas pela conduta reiterada, mas também pela compra de notas fiscais "frias", pela utilização de contas bancárias de terceiros e pela utilização de "laranjas". É cabível a atribuição de responsabilidade solidária quando ficar demonstrada a existência de interesse comum na situação que constitua o respectivo fato gerador. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Fl. 9498DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 4 5 Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receita operacional decorrente da venda de produtos de fabricação própria para todos os meses dos anos de 2003, 2004 e 2005. Tendo em vista que o contribuinte, devidamente notificado, deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, o lucro foi arbitrado com base na receita bruta conhecida, lavradose, em conseqüência os autos de infração de IRPJ (fls. 3946), PIS (fls. 58 64), COFINS (fls. 7379) e CSLL (fls. 8895). Conforme descrito no "Termo de Verificação de Infração Fiscal" de fls. 107 174, a ação fiscal teve origem em operação, denominada "Grandes Lagos", deflagrada pela Polícia Federal a partir de denúncias recebidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dando conta de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos. Dentre os contribuintes envolvidos nas fraudes apuradas, encontrase a empresa PEREIRA BARRETO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CARNES LTDA (doravante apenas "PEREIRA BARRETO"), de titularidade do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho (doravante apenas "Sr. Alberto") e do Sr. Duílio Vetorazzo Filho (doravante apenas "Sr. Duílio"). No bojo da referida operação, o Poder Judiciário autorizou a realização de buscas e apreensões, prisões, escutas telefônicas, quebra de sigilo bancário e determinou à Receita Federal que fiscalizasse os contribuintes envolvidos. Em linhas gerais, as pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema atuavam da seguinte forma: 1 o grupo denominado "núcleo dos noteiros" era composto por algumas empresas, constituídas em nome de "laranjas", que se especializaram na emissão e venda de notas fiscais "frias" a frigoríficos e a "taxistas", para que estes movimentassem receitas de suas atividades sem recolher os tributos devidos, atuando, ainda, na geração de créditos fictícios de ICMS que eram vendidos a terceiros; 2 o grupo denominado de "clientes dos noteiros" era compostos pelas empresas que adquiriam as notas fiscais "frias" das empresas que compunham o "núcleo dos noteiros" para movimentar parte do seu faturamento sem recolher os tributos devidos e também para creditaremse indevidamente do ICMS. No curso da ação fiscal, constatouse que o Sr. Alberto, por meio de sua empresa PEREIRA BARRETO, atuava como cliente dos "noteiros", vale dizer, adquiria notas fiscais "frias" das empresas de fachada DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas "DISTRIBUIDORA") e NORTE RIOPRETENSE DISTRIBUIDORA LTDA, atual FRINORTE COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA (doravante apenas NORTE RIOPRETENSE), ambas integrantes do núcleo dos noteiros, com o propósito de fraudar a administração tributária. O presente processo administrativo cuida do lançamento dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2003, 2004 e 2005. Para os fatos geradores ocorridos no ano de 2002, os créditos tributários foram lançados em autos de infração que compõem o processo administrativo 10820.003372/200772. A autoridade autuante intimou diversos clientes e fornecedores da PEREIRA BARRETO, e obteve, ademais, documentos bancários junto a diversas instituições financeiras, tendo concluído que o contribuinte, com o fim de acobertar suas operações e ocultar seu real faturamento, adquiriu notas fiscais "frias" das empresas DISTRIBUIDORA e NORTE RIOPRETENSE e utilizou contas bancárias em nome Fl. 9499DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 desta última e das empresas INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS C&S LTDA (doravante apenas "C&S LTDA") e CAMPO OESTE CARNES INDUSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (doravante apenas "CAMPO OESTE'"), contas estas por ela movimentadas livremente, já que tais empresas eram constituídas por sócios "laranjas". As investigações da Polícia Federal revelaram que o "cabeça" do núcleo dos "noteiros" é o Sr. Valder Antônio Alves, vulgo Macaúba (doravante apenas "Sr. Valder"). A DISTRIBUIDORA está registrada em nome do Sr. Valder e de uma sócia "laranja", enquanto a NORTE RIOPRETENSE está registrada em nome da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO LUIZ LTDA (doravante apenas "SÃO LUIZ") e do Sr. Vinícius dos Santos Vulpini, também um "laranja". Em geral, os clientes dos "noteiros" pagam pelas notas fiscais "frias" emitidas o montante de quatro reais por cabeça de gado bovino e de três reais por cabeça de gado suíno. Para alguns clientes mais fiéis, o Sr. Valder enviava inclusive caixas de formulários contínuos com notas fiscais em branco das empresas "noteiras", notas estas que eram preenchidas nas dependências das próprias "clientes de noteiras", para posterior acerto. Há flagrante discrepância entre os vultosos valores declarados a título de receita pela DISTRIBUIDORA e seu reduzido capital social. Também são incompatíveis os diminutos rendimentos e patrimônio declarados pelo Sr. Valder e as grandes quantias de suas movimentações financeiras. Na DISTRIBUIDORA trabalham, diretamente com o fornecimento de notas fiscais, a Sr. Maria dos Anjos de Medeiros, a Sra. Monique de Medeiros Venda e a Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante. Na área contábil da empresa trabalham o Sr. Antônio Zanchini Júnior e o Sr. Yuki Hilton de Noronha. A Polícia Federal apurou, ainda, que a SÃO LUIZ detém 99% de participação na NORTE RIOPRETENSE, sendo que o Sr. Valder é o proprietário de fato de ambas as empresas. O Sr. Vinícius dos Santos Vulpini, por sua vez, detém a parcela remanescente do capital social da NORTE RIOPRETENSE e é sócio “laranja” minoritário da SÃO LUIZ. A NORTE RIOPRETENSE, também utilizada para emitir notas fiscais "frias" que acobertam operações comerciais de compra de gado e venda de carne e couro de vários frigoríficos, com o fim de ocultar o verdadeiro responsável pelas operações. Ademais, fornece notas fiscais a pessoas que geram créditos fictícios de ICMS e é utilizada para registrar empregados de terceiros que não desejam arcar com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. A NORTE RIOPRETENSE tem um frigorífico que realmente opera em Sud Menucci. Porém, este frigorífico, que efetivamente opera, pertence, de fato, ao Sr. Alberto. O Sr. Valter Francisco Rodrigues Júnior é o sócio "laranja" majoritário, com 99% das cotas, da SÃO LUIZ. Outras pessoas físicas envolvidas no esquema, segundo a Polícia Federal, são: 1 Karla Regina Chiavatelli, funcionária do Sr. Valder na NORTE RIOPRETENSE, atuando na venda de notas fiscais "frias"'; 2 Jaqueline Vilches da Silva, que também trabalha na NORTE RIOPRETENSE e foi flagrada negociando notas fiscais "frias" em conversas interceptadas; 3 Vanderlei Antunes Rodrigues, contador responsável por duas filiais da SÃO LUIZ e responsável por ao menos uma das alterações societárias da empresa, assinandoa como testemunha; 4 Hélio Antunes Rodrigues, que assinou como testemunha uma das alterações societárias ideologicamente falsas da SÃO LUIZ: 5 Osvaldino de Quadros Peixoto, responsável pela contabilidade da NORTE RIOPRETENSE. Nos anos de 2001 a 2005 a NORTE RIOPRETENSE movimentou vultosos recursos (R$ 415.330.967,64) em instituições financeiras sem declarar um centavo sequer de tributos federais. Nos interrogatórios prestados à Policia Federal, a Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante afirmou que trabalha na DISTRIBUIDORA e que quem realmente vendia a carne eram os frigoríficos. Também a Sra. Jaqueline Vilches da Silva, empregada da NORTE RIOPRETENSE, afirmou que sabia que cada nota fiscal era vendida por R$ 4,00 por cabeça de gado. A Sra. Maria dos Anjos de Medeiros, Fl. 9500DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 5 7 empregada da DISTRIBUIDORA, afirmou que são enviadas notas fiscais em branco às empresas e que, pelo conjunto das notas de entrada, de remessa, de retorno e de venda, é cobrado o valor de R$ 4,00 por cabeça de gado bovino e R$ 2,00 em caso de suíno. A Delegacia Regional Tributária em São José do Rio Preto, da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, cassou a eficácia da inscrição estadual da DISTRIBUIDORA, tendo em vista a constatação de que esta empresa atua como "noteira". Também a inscrição estadual da NORTE RIOPRETENSE foi cassada, por atuar a empresa como "noteira", por gerar créditos fictícios de ICMS e por registrar empregados de terceiros. Além disso, constatou o Fisco estadual que a filial que efetivamente opera em Sud Mennucci pertence, de fato, ao Sr. Alberto. A partir dos arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal na DISTRIBUIDORA e na NORTE RIOPRETENSE, foram extraídas informações que permitiram elaborar planilha demonstrativa de todas as vendas realizadas pela PEREIRA BARRETO com a utilização de notas fiscais "frias", por ela adquiridas das referidas empresas de fachada. Com base nessas informações foram selecionados, por amostragem, diversas empresas clientes da PEREIRA BARRETO, que foram intimadas para a confirmação das transações comerciais e para a identificação dos destinatários dos pagamentos por elas realizados. As respostas obtidas confirmaram que efetivamente a PEREIRA BARRETO efetuou as vendas valendose de notas fiscais "frias", destacandose as respostas oferecidas pelas empresas ABC ALIMENTO A BAIXO CUSTO LTDA, ADIÇÃO DISTRIBUIÇÃO EXPRESS LTDA, BBA INDÚSTRIA OPOTERAPICA LTDA, BRADSIL BEIRA RIO ALIMENTOS DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS LTDA, BERTIM LTDA, BMZ COUROS LTDA, BOA VISTA DE BARRA MANSA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, CEREAIS BRAMIL LTDA, COMÉRCIO DE CARNES TAQUARITINGA LTDA, COMÉRCIO DE CARNES TRADIÇÃO LTDA, FRIGOREY CARNES LTDA, GERMANS DISTRIBUIDORA DE COMESTÍVEIS LTDA, INDÚSTRIA AGROQUÍMICA BRAIDO LTDA, INTERCONTINENTAL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, RP DECAMPINAS IND. E COM. DE CARNES E DERIVADOS LTDA, SANTANA AGRO INDUSTRIAL LTDA e SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA. Em várias das notas fiscais apresentadas pelos intimados consta como transportador a empresa "Transportadora do Beto", de São José do Rio Preto. Trata se de nome de fantasia da transportadora de titularidade do Sr. Alberto. Registrese que o frete era de responsabilidade do vendedor. Alem disso, em grande número de casos foi indicado como local de abate a própria PEREIRA BARRETO e, em outros, o Frigorífico Sud Mennucci, que funcionava com o nome de fachada de filial da NORTE RIOPRETENSE, mas que, de fato, pertencia ao Sr. Alberto e ao Sr. Duílio. Os pagamentos foram realizados por meio de cheques e mediante depósitos bancários (TEDs e DOCs) tendo como favorecido ora a C&S LTDA, ora a NORTE RIOPRETENSE, ora a CAMPO OESTE. Mais que isso, alguns dos intimados confirmaram inclusive as pessoas com quem as tratativas eram mantidas. A BBA INDÚSTRIA OPOTERAPICA LTDA, por exemplo, informou que os contatos eram mantidos com o Sr. Duílio e com o Sr. Ricardo, por meio do telefone (067) 21067500 Campo Grande/MS, telefone este da empresa CAMPO OESTE, constituída em nome de "laranjas", cujos reais proprietários eram o Sr. Alberto e o Sr. Duílio. A BMZ COUROS LTDA afirmou que os contatos eram mantidos com o Sr. Alberto, por meio do telefone (17) 2357775, vale dizer, o Sr. Alberto atendia os clientes na própria sede da NORTE RIOPRETENSE. Também a COMÉRCIO DE CARNES TAQUARITINGA LTDA e a INDÚSTRIA AGROQUÍMICA BRAIDO LTDA confirmaram que os contados foram mantidos com o Sr. Alberto. A INDÚSTRIA AGROQUÍMICA BRAIDO LTDA afirmou que os pagamentos Fl. 9501DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 foram realizados no escritório localizado em São José do Rio Preto, para o Sr. Alberto. Outro indício consistente das fraudes apuradas é o fato de constar em vários dos documentos colhidos junto aos clientes o registro do fax da PEREIRA BARRETO, como no caso da cópia da nota fiscal nº 478187 fornecida pela BERTIN LTDA. Também a BERTIN LTDA forneceu cópias de autorizações para pagamentos, que tinham como emitente a NORTE RIOPRETENSE, mas que foram encaminhadas por meio de fax da CAMPO OESTE, fato este que se repetiu em autorizações para pagamentos apresentadas pelo SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA. A autoridade autuante também intimou diversos fornecedores de gado para a PEREIRA BARRETO, tendo destacado as informações apresentadas pelos seguintes intimados: APARECIDO CLÁUDIO RODRIGUES, AGROPECUÁRIA JACAREZINHO LTDA, EDENIR CARLOS MENDES MANENTE, HIROSATO OZEKI, JOSE DE OLIVEIRA GUERRA FILHO, MARIO TANAKA, NABUO TAKANO e PAULO ROBERTO MENEGUEL. Com base nas informações prestadas pelos fornecedores, concluise que, para o pagamento das cabeças de gado adquiridas, foram utilizadas as mesmas contas bancárias movimentadas com os recebimentos dos clientes, vale dizer, as contas bancárias da NORTE RIOPRETENSE, da C&S LTDA e da CAMPO OESTE. Há outros esclarecimentos preciosos ofertados pelos fornecedores, como a afirmação de APARECIDO CLÁUDIO RODRIGUES de que o proprietário do frigorífico era o Sr. Alberto. Esse fornecedor apresentou inclusive documento que atesta que as informações para preenchimento das notas fiscais saiam diretamente do PEREIRA BARRETO. Ressaltese, ainda, a afirmação de HIROSATO OZEKI, no sentido de que o gado era encaminhado para abate no PEREIRA BARRETO e o pagamento era efetuado por cheque no próprio escritório do local de abate. A Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante, em declarações prestadas na Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, apresentou relevantes esclarecimentos. Tratase de empregada da DISTRIBUIDORA no período de 1999 a 2006, que, a partir de 2002, passou ser responsável pela emissão das notas fiscais da empresa. Ela confirmou que a DISTRIBUIDORA vendia notas fiscais. Segundo ela, essas notas tinham dois tipos de códigos: um que identificava o local onde ocorria o abate; outro que identificava o proprietário da carne, vale dizer, o vendedor. O código 0, segundo seu relato, era indicado sempre que o proprietário da carne era o próprio frigorífico onde o abate era realizado. Mais que isso, a Sra. Ana Cláudia Valente Fioravante confirmou que os códigos de clientes constantes de arquivos magnéticos apreendidos na DISTRIBUIDORA eram os mesmos utilizados por ela na confecção das notas fiscais "frias". Em 05/10/2006, a Polícia Federal cumpriu ordem judicial de busca e apreensão na FRI RIO DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA (doravante apenas "FRI RIO"), que tem como sócios o Sr. Alberto e o Sr. Duílio. Aliás, a sede da empresa é a própria residência do Sr. Alberto, conforme o endereço por este indicado em sua DIRPF do anocalendário 2006. Dentre os documentos apreendidos, destacamse as cópias dos cheques n° 025858 0, 033313 1, 033312 3, 033311 5, 033310 7, 033309 3 e 033308 5, da NORTE RIOPRETENSE, nominais ao Sr. Alberto, referentes retiradas prólabore na NORTE RIOPRETENSE. Há também extratos dos últimos lançamentos da contacorrente da NORTE RIOPRETENSE, dos dias 02 e 03 de outubro de 2006 e dos dias 28/04/2006 a 25/05/2006. Foram apreendidos dois talões de cheques de contacorrente da NORTE RIOPRETENSE mantida junto ao Banco Bradesco, cruzados e assinados em branco, quinze talões de cheques dessa mesma conta em branco e dois talões de cheques de conta mantida pela NORTE RIOPRETENSE no Banco Sudameris, também assinados em branco. Há, ainda, três outros talões de cheques, de outra conta mantida pela NORTE RIOPRETENSE junto ao Banco Bradesco, assinados em branco e cruzados. Foi apreendida, ademais, uma agenda com os dados pessoais do Fl. 9502DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 6 9 Sr. Alberto, na qual consta, nos dados comerciais, o nome da NORTE RIOPRETENSE. Há, também, um Controle da Movimentação Diária da NORTE RIOPRETENSE, contendo nome de clientes, tipo da venda, valores, códigos das empresas participantes do esquema, débitos e créditos, com "tickets" de conferência e uma cópia, autenticada em 11/09/2006, do contrato social da PEREIRA BARRETO. Todos esses documentos atestam que o Sr. Alberto controlava a movimentação financeira das contas bancárias da NORTE RIOPRETENSE e as notas fiscais emitidas por esta empresa. No tocante à relação entre a CAMPO OESTE e a PEREIRA BARRETO, a autoridade apurou, em consulta a página da internet da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul FAMASUL, que esta entidade ingressou com representação criminal contra os donos da CAMPO OESTE. Nesta informação, publicada em 01/10/2008, é citado o nome do sócio "laranja" Sebastião Silva dos Santos e os nomes do Sr. Alberto e do Sr. Alberto Pedro da Silva, pai daquele. Conforme documento obtido por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), o Sr. Alberto, ao abrir uma conta bancária junto ao Banco Bradesco, informou que trabalha na CAMPO OESTE, com tempo de serviço de cinco anos e quatro meses. Na busca e apreensão realizada pela Policia Federal junto à FRI RIO, foram encontradas folhas de cheques em branco cruzados e cheques preenchidos, todos relativos a conta mantida pela CAMPO OESTE junto ao Banco Bradesco. Os cheques foram assinados pelo Sr. Alberto, havendo, inclusive, uma procuração da CAMPO OESTE ao pai deste, Sr. Alberto Pedro da Silva. Chegase à conclusão de que as assinaturas são do filho por meio da comparação entre as assinaturas constantes dos cheques e as assinaturas presentes na carteira de identidade e no CPF do Sr. Alberto. Também o Sr. Duílio, ao abrir uma conta no Banco Safra, informou na Ficha Cadastral que trabalha na CAMPO OESTE, na condição de proprietário da empresa. Consta do verso deste documento, assinado pelo Sr. Duílio, a expressão: '"Declaro que as informações prestadas são a expressão da verdade e autorizo o Banco a efetuar a verificação dos dados aqui declarados". Há, ainda, um cheque, no valor de R$ 50.000,00, de emissão da CAMPO OESTE, nominal à Sra. Cirlei Terezinha Ortega Amad, que é sogra do Sr. Duílio. Foi apreendido, ademais, documento contendo o resultado operacional da CAMPO OESTE relativo ao mês de junho/2006, com discriminação de diversas despesas incorridos e do estoque de mercadorias. O sócio laranja da CAMPO OESTE, Sr. Manoel Marques da Silva, foi trabalhador rural no período de 01/10/1992 a 31/05/2005, havendo completa incompatibilidade entre o porte da empresa e os recursos por ela movimentados quando confrontados com os rendimentos informados pelo sócio em suas DIRPF e os bens por ele possuídos. O mesmo se passa com o outro sócio "laranja", Sr. Sebastião Silva dos Santos. A despeito das informações e documentos apresentados pelos clientes da PEREIRA BARRETO, no sentido de que vários dos pagamentos pelos produtos adquiridos foram efetuados nas contas bancárias de titularidade da C&S LTDA, esta empresa, de 2001 (ano de sua abertura) a 2005 não havia entregado nenhuma DIPJ, havendo apenas declaração de inatividade para os anos de 2006 e 2007. Por outro lado, sua movimentação financeira no ano de 2003 atingiu RS 51.353.692,28. Ressaltese que seu CNPJ encontrase na situação "inapta", tendo como motivo "omissa não localizada". Nos dados cadastrais fornecidos para abertura da conta corrente da C&S LTDA junto ao Banco Bradesco, consta que o endereço para correspondência informado é o mesmo da FRI RIO, de propriedade do Sr. Alberto. O Sr. Esmael Rezende da Silva, sócio da C&S LTDA, tem rendimentos e patrimônio incompatíveis com os vultosos valores movimentados pela empresa. Mais que isso, o Sr. Esmael é irmão do Sr. Alberto Pedro da Silva, vale dizer, é tio do Sr. Alberto. Fl. 9503DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Também os rendimentos e o patrimônio do Sr. Joaquim Fernando Coutinho, sócio da C&S LTDA, são incompatíveis com os valores movimentados por esta empresa. O FRIGOSUD FRIGORÍFICO SUD MENUCCI LTDA informou que, no período de 01/03/2004 a 31/12/2005, sua unidade industrial localizada em Sud Menucci/SP foi alugada para o PEREIRA BARRETO. O contrato apresentado tem duração de três anos (01/03/2004 a 28/02/2007) e foi assinado, como representante da locatária, pelo Sr. Alberto, tendo como fiadores este e o Sr. Duílio. Ocorre que, naquela unidade industrial e no período de vigência do contrato de locação, funcionou a filial da NORTE RIOPRETENSE, que tinha como sócio "laranja" o Sr. Vinícius dos Santos Vulpini. Este, de acordo com os documentos apreendidos pela Polícia Federal na empresa FRI RIO, representava a NORTE RIOPRETENSE, assinando contratos e cheques em branco para o Sr. Alberto, que tinha poder de movimentar livremente as contas bancárias da NORTE RIOPRETENSE. Em diligência realizada pela Polícia Federal junto à empresa COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA, foi apreendida uma nota promissória, emitida pela filial da NORTE RIOPRETENSE em Sud Mennucci em favor daquela empresa, tendo como fiadores o Sr. Alberto e o Sr. Duílio. Da mesma forma, estes figuraram como fiadores em contrato de fornecimento de couros verdes de gado firmado entre as duas empresas. A Polícia Federal também realizou diligência na filial da NORTE RIOPRETENSE em Sud Mennucci. Dentre as provas apreendidas, destacamse documentos constantes de disquete intitulados "Relatório de Pagamentos". Nestes, consta a "Ficha de Acerto Notas Macaúba", contendo a quantidade de cabeças de gado negociadas em cada mês e o valor que a PEREIRA BARRETO pagava à NORTE RIOPRETENSE para emissão das notas fiscais "frias"'. A planilha "Despesas do Frigorífico Pág. Desp. Diversas Pereira Barreto" demonstra que existia no local um caixa para pagamento de despesas diversas e que, dentre as despesas anotadas, destacamse: notas fiscais ''frias" pagas ao Macaúba (Sr. Valder); salários dos empregados de outras empresas que participavam do esquema fraudulento; aluguéis ao Frigosud; FGTS dos trabalhadores registrados na filial NORTE RIOPRETENSE em Sud Mennucci e também FGTS dos trabalhadores da PEREIRA BARRETO; seguros de automóveis do Sr. Alberto; fretes de gado não lançado. O Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO n° 53/2008 declarou inapta a inscrição no CNPJ da DISTRIBUIDORA, com efeitos a partir de 01/01/1999, tornando inidôneos os documentos emitidos pela empresa desde então. Da mesma forma, o Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO declarou inapta a inscrição no CNPJ da NORTE RIOPRETENSE, com efeitos a partir de 18/11/1996, tornando inidôneos os documentos emitidos por esta empresa desde então. Todas as provas acima referidas demonstram que a PEREIRA BARRETO, ao utilizarse de notas fiscais das empresas de fachada DISTRIBUIDORA e NORTE RIOPRETENSE para realizar vendas de seus produtos, valendose de contas bancárias em nome da NORTE RIOPRETENSE, da C&S e da CAMPO OESTE, por ela livremente movimentadas, cometeu infração tributária consistente na omissão de receitas. A base de cálculo dos tributos lançados foi obtida por meio de demonstrativo elaborado a partir de arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal na DISTRIBUIDORA e na NORTE RIOPRETENSE denominado "VENDAS EFETUADAS PELA FISCALIZADA ATRAVÉS DE NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELAS EMPRESAS DE FACHADAS NORTE RIOPRETENSE DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA (ATUAL FRINORTE) E DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO". Também foram considerados, na apuração da base de cálculo, as informações extraídas dos arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal na NORTE RIOPRETENSE, em sua filial em Sud Mennucci, denominado "VENDAS EFETUADAS PELA FISCALIZADA ATRAVÉS DE NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA EMPRESA Fl. 9504DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 7 11 DE FACHADA NORTE RIOPRETENSE DISTRIBUIDORA DE CARNES LTDA (ATUAL FRINORTE) CNPJ 01.552.024/000469 FILIAL SUA MENNUCCI". Também foram consideradas as informações constantes das Cópias dos Livros de Registros de Saídas da NORTE RIOPRETENSE, filial em Sud Mennucci. O contribuinte foi intimado a manifestarse acerca das planilhas de apuração da base de cálculo dos tributos, mas limitouse a afirmar que as vendas foram efetuadas por outras empresas, de modo que não tinha nada a declarar sobre as informações constantes das planilhas. Além disso, o contribuinte, a despeito de reiteradas intimações, não apresentou seus livros contábeis e fiscais, razão pela qual seu lucro foi arbitrado com base na receita bruta conhecida. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), já que o contribuinte, em prática reiterada, informou em suas DIPJs, por quatro anos consecutivos, valores totalmente incompatíveis com sua receita bruta. Ademais, para acobertar suas operações, o contribuinte adquiriu notas fiscais "frias" das empresas de fachada DISTRIBUIDORA e NORTE RIOPRETENSE e utilizou as contas bancárias em nome desta, última e das empresas C&S e CAMPO OESTE. Portanto, foi demonstrada o evidente intuito de fraude. Finalmente, a autoridade autuante, com base no art. 124, I, do CTN, e tendo por base os fatos acima relatados e os elementos de prova constantes dos autos, incluiu o Sr. Alberto e o Sr. Duílio como sujeitos passivos solidários, já que ambos tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 185234. Também os sujeitos passivos solidários, Sr. Alberto e Sr. Duílio, apresentaram recurso, respectivamente, às fls. 261275 e às fls. 278303. Na impugnação apresentada pela PEREIRA BARRETO, foram deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: O desagravamento da multa é inafastável, tendo em vista que o lançamento de credito tributário por presunção, sem prova material, não caracteriza o intuito de fraude requerido pela lei para o agravamento da penalidade. Assim, o prazo decadencial do crédito tributário, na situação de que trata o presente processo administrativo, é regulado pelo art. 150, § 4º, do CTN. Sequer o art. 45 da Lei 8.212/91 tem aplicação às contribuições sociais, em razão da declaração de inconstitucionalidade desta norma. Nos termos do referido art. 150, § 4º, do CTN, o prazo decadencial é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo em conta que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu somente em 20/10/2008, já foram fulminados pela decadência todos os fatos geradores ocorridos antes de 1º de outubro de 2003. Assim, para o IRPJ e a CSLL, a decadência atingiu o primeiro, o segundo e o terceiro trimestres de 2003. Para o PIS e a COFINS, a decadência atingiu os meses de janeiro a setembro de 2003. A jurisprudência dominante adota o entendimento de que o prazo decadencial segue a regra do art. 150, § 4º, do CTN mesmo quando não há recolhimento para o período de apuração considerado. Tece o impugnante extensas considerações acerca dos princípios do contraditório e da ampla defesa e da legalidade, citando doutrina e jurisprudência. Referese, ainda, à necessidade de motivação dos atos administrativos, para concluir que, na situação de que trata o presente processo administrativo, dos fatos narrados não se chega à conclusão de que é o sujeito passivo da obrigação, não havendo nexo entre os fatos e a conclusão. Afirma, ademais, que houve cerceamento de defesa, já Fl. 9505DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 que não há documentação comprobatória das imputações efetivadas. Suscita a nulidade do lançamento. Remete o impugnante aos argumentos já deduzidos na impugnação apresentada nos autos do processo administrativo 10820.003372/200772. Afirma que o lançamento teve por base conclusões policiais, sem provas materiais a robustecêlo. Ressalta que não foi realizada perícia para verificar a autenticidade do material apreendido pela Polícia Federal e que sequer o processo criminal de onde se originaram as peças foi concluído. Assevera que a ligação do Sr. Alberto com a NORTE RIOPRETENSE e com a DISTRIBUIDORA é meramente comercial, já que ele opera no comércio de carne bovina e, para tanto, representa algumas empresas do ramo na venda de carne para varejistas. Esclarece que possuía o PEREIRA BARRETO, empresa de pequeno porte, cuja atividade é única e exclusivamente a prestação de serviços para terceiros, além de ser titular da FRI RIO, empresa voltada exclusivamente à intermediação de negócios. Sustenta que sua relação com a NORTE RIOPRETENSE e com a DISTRIBUIDORA limitouse à intermediação de negócios, em razão da qual recebia comissões na FRI RIO e como pessoa física até o ano de 2004 e, após essa data, somente como pessoa física. Segundo afirma, cedeu à NORTE RIOPRETENSE uma sala nas dependências da FRI RIO, de modo que esta sala passou a funcionar como extensão do escritório daquela empresa, inclusive com seu funcionário de nome Geraldo ali lotado, que elaborava os contratos, posteriormente assinados pelo representante da empresa, Sr. Vinícius Vulpini. Quanto aos cheques datados de 04/10/2006, representavam valores recebidos da representada antecipadamente, para manutenção mensal, independentemente de ter realizado ou não negócios, com compensação no acerto final. Os dados da NORTE RIOPRETENSE na agenda do Sr. Alberto são reflexo do fato de que este é representante comercial daquela. Nas análises da Polícia Federal há diversos comentários repletos de subjetividade, que não podem dar base a lançamento tributário. As provas carreadas aos autos dão conta de que o produto era vendido pela NORTE RIOPRETENSE e pela DISTRIBUIDORA, que recebiam em suas contas bancárias os valores das vendas, de modo que as transações eram regulares. O Sr. Alberto não tem e nunca teve procuração das empresas que representava e não assinou um cheque sequer. Os créditos tributários foram apurados sem base em documentação e prova sólida e sem que o contribuinte fosse intimado a prestar esclarecimentos. A fiscalização acusa o contribuinte de ter se utilizado de notas fiscais "frias", emitidas por empresas de fachada, em nome de "laranjas", mas não faz prova de tais acusações. É descabida a pretensão de que o contribuinte produza prova de que não participou do esquema fraudulento apontado, já que não se pode exigir a produção de prova negativa. Os comentários às respostas dos clientes intimados são tendenciosos. Não se pode, por exemplo, supor que a referencia a "Beto" constante nas notas fiscais a título de transportador representam referência ao Sr. Alberto. Ademais, não há prova de que a vendedora dos produtos foi a PEREIRA BARRETO, já que esta não tem relação com as notas fiscais emitidas e com a quitação das operações. O fato de constar nas notas fiscais, como local do abate, a PEREIRA BARRETO é mais uma prova de que o contribuinte fiscalizado realizava serviços de abate de gado para terceiros e não a comercialização dos produtos. São provas dessa afirmação as notas fiscais de remessa das tomadoras de serviço, o retorno do produto do abate, o Demonstrativo de Abate de Gado para Terceiros, com visto do Posto Fiscal Estadual e as notas fiscais cobrando o serviço prestado. As referências às autorizações de pagamento conferidas pela DISTRIBUIDORA e pela NORTE RIOPRETENSE à C&S LTDA e ao CAMPO OESTE não fazem prova contra a PEREIRA BARRETO, pois esta não é sócia destas empresas, que tampouco lhe atribuíram procuração. O fato de haver uma cópia de nota fiscal no estabelecimento da BERTIN LTDA, com registro do fax da PEREIRA BARRETO, representa apenas a realização de uma operação norma de venda efetuada pela DISTRIBUIDORA, cujo abate foi realizado no estabelecimento daquela, como Fl. 9506DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 8 13 prestadora de serviços. As respostas dos clientes intimados apenas confirmam que os produtos não eram vendidos pela PEREIRA BARRETO, mas pela DISTRIBUIDORA e pela NORTE RIOPRETENSE. A autoridade autuante parte de três premissas falsas, a saber: 1 se o gado foi abatido no abatedouro da PEREIRA BARRETO, então esta efetuou a compra do gado e a venda dos produtos e subprodutos resultantes do abate; 2 se alguma remessa de gado foi transportado pela "Transportadora do Beto", este é o sócio da PEREIRA BARRETO, de modo que o gado era seu; 3 se a empresa que recebeu pela venda dos produtos industrializados possui uma contacorrente na cidade de Pereira Barreto, então este credito é da PEREIRA BARRETO. Na verdade, o fato de o gado ter sido abatido pela PEREIRA BARRETO prova que esta efetuava a prestação de serviços de abate de gado para terceiros, conforme as declarações a anotações nos documentos apresentados, como as notas fiscais, e não sua industrialização ou comercialização de seus produtos. Mesmo que se aceitasse que a "Transportadora do Beto" fosse a do Sr. Alberto, isso quer dizer que o transporte foi feito por esta transportadora e não que a PEREIRA BARRETO vendia produtos de sua industrialização. Não há prova de que a PEREIRA BARRETO movimentava livremente as contas das empresas que receberam pelas vendas efetuadas. Não se esclareceu se as notas fiscais relacionadas nos Anexos I e II efetivamente existem, qual a mercadoria transmitida por elas, qual o seu valor efetivo e qual a razão para a adoção destas notas fiscais. Quanto ao Anexo II, não se esclarece, ademais, se é o livro todo ou só parte dele e porque só daquele período. Há diversos fatos referidos pela autoridade autuante que dizem respeito a outras empresas, sobre os quais a PEREIRA BARRETO não tem meios para se defender, como por exemplo: 1 cassação da eficácia da inscrição estadual de outras empresas; 2 cheques emitidos pela NORTE RIOPRETENSE, que foram depositados na conta da CAMPO OESTE e viceversa; 3 depósito em conta corrente da C&S LTDA c da CAMPO OESTE; 4 resultado de diligência realizada no Frigosud Frigorífico Sud Mennucci Ltda, e Escritório Contábil Jurkovich, cópia dos documentos apreendidos pela Polícia Federal na empresa Couroada Comercial e Representações Ltda, documentos apreendidos em nome da NORTE RIOPRETENSE. O ônus da prova é da autoridade lançadora, conforme esclarece a doutrina. Os autos de infração foram lavrados com base em presunção e indícios, sem que fossem apontados os fatos concretos que levaram ao convencimento. Cita o contribuinte diversos julgados que afasta a aplicação de presunção simples para o lançamento de créditos tributários e que corroboram o entendimento de que cabe à Administração o ônus da prova do fato gerador. A simples falta de apresentação de livros contábeis e fiscais não significa intenção de fraudar o recolhimento de imposto. Ademais, foi aplicada presunção não prevista em lei ao atribuir à PEREIRA BARRETO a responsabilidade pelo recolhimento de tributos de outras empresas. O lançamento baseado em presunção é incompatível com a caracterização do evidente intuito de fraude exigido pela lei para a aplicação de penalidade qualificada. Cita o contribuinte jurisprudência em abono a seus argumentos. Por fim, pede o contribuinte o cancelamento dos autos de infração lavrados. Em sua impugnação, o Sr. Alberto apresenta as alegações a seguir resumidas: Ratifica os argumentos deduzidos pela PEREIRA BARRETO em sua impugnação, em observância aos princípios da economia processual e aproveitamento dos atos, reiterandoos. No Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado não foram apontados os fatos que motivaram a imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Alberto. A falta de Fl. 9507DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 fundamentação caracteriza afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa e do devido processo legal, violando o art, 5o, LV, da Constituição Federal e os arts. 2o, VII e VIII c 50 da Lei 9.784/1999, de modo que o ato é nulo, conforme reconhece a jurisprudência. A atribuição ao Sr. Alberto de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a PEREIRA BARRETO traduz confusão entre a pessoa jurídica e a pessoa física integrante de seu quadro societário. Tece o impugnante extensas considerações acerca do princípio da legalidade, citando doutrina e jurisprudência, para concluir que a atribuição de responsabilidade solitária, com base no art. 124, I, do CTN, exigiria a demonstração do interesse comum na situação que constituí o fato gerador da obrigação principal, demonstração esta que não ocorreu no caso concreto. Sustenta que o mero interesse nos lucros da empresa não autoriza a atribuição de responsabilidade solidária, pois tratase de mero interesse fático, sendo essencial que se comprove o interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. A atribuição de responsabilidade ao sócio exige a comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas, previstas nos arts. 135 e 137 do CTN. A desconsideração da personalidade jurídica das sociedades para alcançar o patrimônio dos sócios só é admitida pelo direito em casos excepcionais, conforme reconhece a doutrina e a jurisprudência. Também o Código Civil de 2002, em seu art. 1.052, prevê a não responsabilização do quotista de sociedade empresária limitada pelas obrigações sociais da empresa. Por fim, pede o impugnante o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária e dos autos de infração lavrados. Na impugnação apresentada pelo Sr. Duílio são deduzidos os argumentos a seguir sintetizados: Quanto aos Anexos I, II, III e IV, afirma que desconhece as operações citadas, já que os registros fiscais e/ou contábeis referemse às empresas NORTE RIOPRETENSE e DISTRIBUIDORA. No tocante ao Anexo V, alega que as intimações foram encaminhadas a clientes da NORTE RIOPRETENSE e da DISTRIBUIDORA e não a clientes da PEREIRA BARRETO, de modo que esta não pode ser responsabilizada por documentos fiscais emitidos por aquelas. Esta mesma alegação é suscitada quanto ao Anexo VI, afirmando o impugnante que a PEREIRA BARRETO era apenas prestadora de serviços de abate. A respeito dos Anexos VIII, IX e XI, assevera que não há qualquer relação entre o Sr. Duílio e a movimentação financeira realizada por meio das contascorrentes n° 11.3409 e 12.1487, Agência 1297, Banco Bradesco, de titularidade da FRI NORTE COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, filia em Sud Mennucci/SP, o mesmo afirmando quanto à contacorrente n° 42066907, Agência 1733, Banco Sudameris do Brasil S/A, de titularidade da NORTE RIOPRETENSE, e quanto à contacorrente 10.5600, Agência 1297, Banco Bradesco, de titularidade da C&S LTDA e quanto às contas correntes do Banco Bradesco, n° 146.5805 e 128.5106, Agência 0023, em São José do Rio Preto/SP c contascorrentes de n° 230456, agências 1387 c 3686, em Campo Grande/MS. Sobre o Anexo XII, afirma que as empresas citadas eram apenas encomendantes de abate de bovinos, para as quais a PEREIRA BARRETO prestava serviços. Finalmente, a respeito dos Anexos XIII, XIV e XV, afirma que todas as investigações realizados no bojo da chamada operação "Grandes Lagos" não revelaram qualquer envolvimento do Sr. Duílio ou da PEREIRA BARRETO com pessoas, empresas ou qualquer "esquema" de fraude, havendo apenas suposições levantadas com a finalidade de incluir pessoas de boafé, como no caso do trabalho realizado peia Polícia Federal junto às chamadas empresas "noteiras" DISTRIBUIDORA e NORTE RIOPRETENSE. Ressalta que o próprio Fisco Estadual monitorava diariamente os controles legais exigidos da PEREIRA BARRETO. Reitera o impugnante que é descabida a atribuição de responsabilidade a ele e à PEREIRA BARRETO por operações realizadas por terceiros, já que a PEREIRA BARRETO atuava apenas na prestação de serviços de abate de gado de terceiros, inclusive com controle do Posto Fiscal presente no Município, responsável Fl. 9508DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 9 15 pela área em que se encontra o estabelecimento prestador de serviço. Afirma que esta prática é lícita e comum, citando casos de outros frigoríficos que assim atuam. Os documentos apresentados pelas empresas ABC ALIMENTO A BAIXO CUSTO LTDA, ADIÇÃO DISTRIB. EXPRESSA LTDA e FRIGOREY CARNES LTDA referemse a notas fiscais emitidas pela DISTRIBUIDORA. Segundo conclui a autoridade autuante, os depósitos relativos a essas operações foram realizados em contas de titularidade da empresa C&S, controladas pelo Sr. Alberto. Se houve tal controle, é de responsabilidade exclusiva do Sr. Alberto, não havendo qualquer relação com a empresa PEREIRA BARRETO e com o seu então sócio Sr. Duílio. O mesmo argumento se aplica aos comentários que procuram vincular as anotações de "Transportadora do Beto" às operações da PEREIRA BARRETO e ao Sr. Duílio. O Sr. Duílio prestava serviços de assessoria de vendas e desenvolvimento de cortes e desossa e para exportação na empresa CAMPO OESTE, conforme confirmam vários depoimentos prestados às Polícia Federal. Assim, a afirmação de que a BBA INDÚSTRIA OPOTERAPICA LTDA mantinha contados com o Sr. Ricardo e com o Sr. Duílio em telefone pertencente à CAMPO OESTE não pode conduzir á conclusão de que o Sr. Duílio tinha o controle gerencial da CAMPO OESTE ou atendia nesta a clientes da PEREIRA BARRETO, sobretudo tendo em conta que esta não tinha autorização para vender produtos ou subprodutos para outro Estado da Federação. Aliás, esta última observação invalida as conclusões tiradas pela autoridade autuante a partir dos documentos obtidos nas respostas às intimações enviadas às empresas BRADISL BEIRA RIO ALIMENTOS DISTRIBUIÇÃO E SERVIÇOS LTDA, BOA VISTA DE BARRA MANSA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA, CEREAIS BRAMIL LTDA, GERMANS DISTRIBUIDORA |DE COMESTÍVEIS LTDA, INTERCONTINENTAL COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, SUPERMERCADO MUNDIAL LTDA e COMÉRCIO DE CARNES TRADIÇÃO LTDA, todas empresas situadas em outros Estados da Federação. Assim, tendo em vista que a PEREIRA BARRETO não estava autorizada a comercializar seus produtos com empresas estabelecidas cm outros Estados, fica evidenciado que as notas fiscais emitidas pela DISTRIBUIDORA pela NORTE RIOPRETENSE contêm incorreções ao mencionar que o abate foi realizado na PEREIRA BARRETO. Quanto aos documentos obtidos junto à BERTIN, e à SANTANA AGROINDUSTRIAL LTDA, afirma o impugnante que a PEREIRA BARRETO não possuía instalações e equipamentos para atuar na atividade de graxaria, conforme se observa da Licença de Operação da CETESB n° 13001078, de 20/03/2006, de modo que seria impossível a comercialização de sebo bovino, tal como consta das notas fiscais checadas com estes chamados "clientes". No mesmo sentido, afirma o impugnante que a empresa RP DE CAMPINAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA estava submetida ao SIF n° 4106, razão pela qual não poderia a PEREIRA BARRETO, que era atendida apenas pelo SISP, transportar e entregar produtos àquela, de modo que houve algum erro na emissão do documento fiscal pela DISTRIBUIDORA ou pela NORTE RIOPRETENSE sobre a informação de que o produto era proveniente do PEREIRA BARRETO. Relativamente aos documentos colhidos junto à empresa COMÉRCIO DE CARNES TAQUARITINGA LTDA, são descabidas as conclusões no sentido de que o Sr. Vinícius dos Santos Vulpini é homem de confiança do Sr. Duílio, já que este sequer conhece aquele e não há qualquer prova dessa relação. Tampouco os documentos colhidos a partir da intimação da empresa BMZ COUROS LTDA oferecem qualquer indício de que a PEREIRA BARRETO ou o Sr. Duílio atuaram em negócios relativos à comercialização de couros. No tocante à resposta à intimação efetuada à INDÚSTRIA AGROQUÍMICA BRAIDO LTDA, não há qualquer prova da relação do Sr. Duílio com ela. Mais que isso, eram devidamente documentados, por meio de Nota Fiscal de ''Retorno industria (abate)" emitida pela Fl. 9509DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 PEREIRA BARRETO, o retorno, dos despojos ou subprodutos resultantes da prestação de serviços de abate por esta a terceiros, que posteriormente comercializavam os produtos, com a emissão da respectiva nota fiscal de venda. Quanto ao Frigorífico Sud Mennucci, afirma o impugnante que desconhece qualquer tipo de operação efetuada naquele endereço ou estabelecimento. No tocante às autorizações para pagamentos em contas da CAMPO OESTE pelas vendas efetuadas pela DISTRIBUIDORA e pela NORTE RIOPRETENSE, afirma o impugnante que é usual no mercado de carne, em negociações com clientes com alto volume de compra e insuficientes garantias financeiras, a empresa vendedora receber antecipações dos compradores, sendo que estas antecipações são realizadas, por vezes, pelos clientes da empresa compradora diretamente na conta da empresa vendedora, por meio de autorizações de pagamentos de terceiros. Assim, tendo em vista que a DISTRIBUIDORA e a NORTE RIOPRETENSE eram grandes clientes da CAMPO OESTE, aquelas, valendose da sistemática referida, autorizavam os respectivos clientes a efetuar os pagamentos diretamente à CAMPO OESTE. O fato de constar o número de fax da CAMPO OESTE nas autorizações de pagamentos enviadas aos intimados apenas revela que, de acordo com a prática anteriormente referida, as autorizações de pagamento eram enviadas tanto à empresa que tem que efetuar o pagamento, como àquela que irá receber o crédito, podendo inclusive esta efetuar também a confirmação do recebimento por meio de fax. Relativamente às intimações enviadas aos fornecedores de gado, nenhum pecuarista respondeu que emitiu nota fiscal de venda de gado à PEREIRA BARRETO. Apenas confirmaram que o gado era vendido à DISTRIBUIDORA e à NORTE RIOPRETENSE, empresas estas que eram encomendantes de abate à PEREIRA BARRETO, de modo que no corpo da nota fiscal de produtor constava que o abate seria realizado no frigorífico desta empresa, Esta forma de atuação é não apenas legal, mas também usual no mercado de carne. O gado somente era recebido na PEREIRA BARRETO se acompanhado da nota fiscal emitida pela encomendante do abate, com natureza de operação "Remessa para abate". O Posto Fiscal Estadual em Pereira Barreto era comunicado diariamente, por meio de um "Demonstrativo de Abate", sobre a quantidade de animais a serem abatidos e a empresa encomendante. Após o abate, todo o produto era remetido, por meio de nota fiscal com natureza de operação "Retorno Indústria (abate), para a empresa encomendante. Assim, a receita da PEREIRA BARRETO era apenas o valor correspondente ao custo por animal abatido, conforme nota fiscal de natureza de operação "Abate para terceiro/Serviço Ind. (abate)". Afirma o impugnante que desconhece a Sra. Ana Claudia Valente Fioravante e tampouco conhece o procedimento no TVIF. Também afirma que não é sócio ou gerente da empresa NORTE RIOPRETENSE, desconhecendo os registros contábeis/fiscais dela. Não há qualquer prova da relação do Sr. Duílio ou da PEREIRA BARRETO com o suposto "esquema" de fraude à legislação tributária. Os documentos apreendidos na sede da FRI RIO, empresa com situação com o Fisco Estadual "cancelada" desde 1998 e sem movimento de representação comercial desde 2004, tampouco provam essa relação, já que não era o endereço da PEREIRA BARRETO, sendo encontrado apenas cópia do contrato social desta, que estava sem movimento desde que a NORTE RIOPRETENSE e a DISTRIBUIDORA deixaram de contratar os serviços de abate em 2004. Ademais, o endereço do domicílio fiscal do Sr. Alberto declarado em 2006 coincidia com o da sede da FRI RIO, de modo que não há razão para que se atribua responsabilidade à PEREIRA BARRETO ou ao Sr. Duílio. A empresa FRI RIO não mantinha movimento comercial desde 30/11/1998, conforme DECA da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, pois já havia sido cancelada sua inscrição estadual, encerrando suas atividades comerciais, a qual foi alterada para empresa prestadora de serviços e manteve insignificante movimento até o final de 2004 com a atividade de representação comercial. A empresa FRI RIO nunca teve funcionária de nome Rose. Fl. 9510DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 10 17 A ficha cadastral de abertura de contacorrente no Banco Safra contém incorreções cometidas por funcionário da instituição financeira. Tal ficha é apresentada em branco e o funcionário não observou que a empresa na qual o Sr. Duílio prestava assessoria em Vendas (CAMPO OESTE) não é a mesma do CNPJ informado no campo abaixo, qual seja, a PEREIRA BARRETO, na qual era sócio na ocasião. Ademais, a letra de preenchimento da ficha não é a mesma do Sr. Duílio, devendo ser realizada perícia grafotécnica, caso seja necessário. Nesta mesma ficha, consta que o Sr. Duílio trabalha na CAMPO OESTE, mas há a informação incorreta de que ele é proprietário da empresa. Esta incorreção é logo percebida pelo fato de que é mencionado o CNPJ da PEREIRA BARRETO no campo destinado à indicação da empresa na qual é sócio. Em seguida, consta do formulário a pergunta: "Sócio em outra empresa?". A resposta foi não, evidenciando que o Sr. Duílio participava apenas do quadro societário da PEREIRA BARRETO. O cheque, no valor de R$ 50.000,00, nominal à Sra. Cirlei Terezinha Ortega Amad, assinado pelo Sr. Alberto Pedro da Silva, nunca foi depositado, tanto que foi apreendido em outubro de 2006 durante diligência ao escritório do Sr. Alberto. Este cheque foi entregue pelo Sr. Alberto Pedro da Silva à Sra. Cirlei Terezinha Ortega Amad em garantia de empréstimo feito por esta àquele. Posteriormente, com o pagamento parcial de R$ 3.000,00, o cheque foi devolvido ao Sr. Alberto Pedro da Silva e trocado por outro cheque no valor de R$ 47.000,00, também em garantia pelo empréstimo, cheque este que está em suas mãos até hoje, pois o empréstimo ainda não foi pago. A autoridade autuante sustenta que a conta bancária de titularidade da C&S LTDA, mantida junto ao Banco Bradesco, é controlada pelo Sr. Aberto. Como base para essa afirmação, invoca o fato de que o endereço para correspondência dessa contacorrente é o mesmo do escritório particular do Sr. Alberto. Além disso, refere se ao fato de que o sócio majoritário da C&S LTDA é Esmael Rezende da Silva, tio do Sr. Alberto e irmão do Sr. Alberto Pedro da Silva. Estes fatos não bastam para comprovar que há relação comercial ou relação de mando da PEREIRA BARRETO e do Sr. Duílio com a C&S. O contrato de locação das instalações do FRIGOSUD FRIGORÍFICO SUD MENUCCI LTDA, celebrado com a PEREIRA BARRETO para o período de 01/03/2004 a 31/12/2005, nunca foi desfrutado por esta. Seria impossível o funcionamento e/ou abertura de Inscrição Estadual da empresa NORTE RIOPRETENSE naquele local se não houvesse outro contrato de locação vigente para abertura de tal inscrição. Além disso, nunca a PEREIRA BARRETO possuiu filial no município de Sud Menucci/SP. Relativamente ao contrato de compra de couro e à nota promissória emitida pela empresa NORTE RIOPRETENSE em favor da COUROADA COM. E REPRESENTAÇÃO LTDA, tendo como fiadores o Sr. Alberto e o Sr. Duílio, afirma o impugnante que estes documentos apenas comprovam que o representante comercial na negociação do couro entre o frigorífico e o curtume é responsável solidário pelo cumprimento e pontualidade dos pagamentos correspondentes. O couro negociado provém da unidade frigorífica da própria NORTE RIOPRETENSE, conforme consta das notas fiscais, e os pagamentos foram efetuados na contacorrente desta, de modo que os fatos relatados não comprovam relação de gerência ou comando por parte do Sr. Duílio na referida empresa. Relativamente às provas colhidas pela Polícia Federal na filial da NORTE RIOPRETENSE em Sud Mennucci, afirma o impugnante que desconhece qualquer informação referente a tais documentos da NORTE RIOPRETENSE. Sobre a movimentação financeira, afirma o impugnante que tinha conhecimento apenas da contacorrente 10.2504, agência 1297, Banco Bradesco, de titularidade da Fl. 9511DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 18 PEREIRA BARRETO, desconhecendo e não tendo qualquer envolvimento com a movimentação bancária da C&S LTDA, da NORTE RIOPRETENSE e da CAMPO OESTE. É descabida a apuração de omissão de receita da PEREIRA BARRETO com base em valores de notas fiscais de vendas efetuadas pelas empresas NORTE RIOPRETENSE e DISTRIBUIDORA, já que aquela apenas prestava serviço de abate de gado. O Sr. Duílio não gerenciava presencialmente a PEREIRA BARRETO, limitandose a acompanhar a movimentação financeira e contábil da empresa, apresentada pelo Sr. Alberto nos períodos de balanço. Não há evidências de que o Sr. Duílio esteja envolvido ou foi beneficiado com qualquer esquema de sonegação fiscal. Não ficou provado que o Sr. Duílio praticou qualquer ato de gerência ou que teve relação direta com os fatos geradores apurados, razão pela qual não é possível atribuirlhe responsabilidade solidária pelos créditos tributários. Deve haver prova de interesse comum que constitua o fato gerador da obrigação principal. Não pode o sócio, sem poderes de administração, ser responsabilizado pelas dividas da sociedade. Nos termos da cláusula quinta do Contrato Social, a gerência da PEREIRA BARRETO cabe a ambos os sócios, tão somente nos negócios que digam respeito à sociedade, sendolhes vedado o uso do nome para fins estranhos, caso em que ficarão responsáveis pelos compromissos que infringirem essa regra. O art. 135, III, do CTN admite a responsabilização dos sócios pelos tributos devidos pela sociedade apenas quando foram praticados atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera condição de sócio não basta para a atribuição de responsabilidade tributária. O Sr. Duílio não tinha conhecimento dos fatos descritos no Termo de Verificação de Infração Fiscal e desligouse da PEREIRA BARRETO em 1º de outubro de 2007, quando soube pela imprensa dos fatos relativos à "Operação Grandes Lagos". Por fim, pede que seja excluído o Sr. Duílio da condição de responsável passivo solidário, reconhecendose a insubsistência da exigência fiscal, com seu cancelamento. A 1ª Turma da DRJ/RPO, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação. Irresignada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, preliminarmente, em síntese, que: 1. Estão atingidos pela decadência todos os fatos geradores ocorridos antes de 01 de outubro de 2003. O lançamento baseouse em presunção, e não ficou caracterizado o intuito de fraude. Impõese optar, portanto, pelo §4º do art. 150, e não pelo art. 173, I, ambos do CTN. 2. A decisão de primeira instância é nula, pois limitouse a referendar o trabalho da fiscalização, desconsiderando os argumentos levantados na impugnação, como a utilização de prova emprestada, ou a autuação com base em indícios, presunções, sem provas materiais, e ferindo, assim, os princípios do contraditório e da ampla defesa. As notas fiscais “frias” que deram supedâneo ao auto de infração não foram acostadas, mas tão somente demonstrativos nelas supostamente baseados. Também não ficou demonstrado o “rastreamento das movimentações financeiras” alegado pela fiscalização. 3. Há violação aos princípios da motivação e da verdade material. Sendo a argumentação baseada em conclusões policiais, sem provas materiais que a robustecessem, não Fl. 9512DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 11 19 há a conexão necessária entre a motivação e as provas. As provas produzidas pela Polícia Federal não podem ser utilizadas no presente processo. Alega, relativamente ao mérito, que: 4. Não há nexo conclusivo para a afirmação de que há autorizações de pagamento da Distribuidora de Carnes e Derivados de São Paulo e da Norte Riopretense para as empresas Indústria e comércio de carnes e derivados C&S Ltda e Campo Oeste Ind Com Exp carnes Ltda, empresas de fachada usadas pela recorrente para acobertar suas operações. 5. O fato de existir em vários clientes o fax do recorrente, como no caso da nota fiscal 478.187 fornecida pela Bertin Ltda, não é prova das alegações. Pelo contrário. É prova da versão da recorrente. Por alguma razão comercial ou de programação financeira, o cliente solicitou cópia da nota fiscal antes da chegada do produto em seu estabelecimento. O abatedouro que a possuía, atendeu. 6. Quanto a alegação de que os recebimentos se davam através de empresas de fachada, controladas por interpostas pessoas não é provada. Não há qualquer documento (contrato social, procuração, etc) que ligue o Sr. Alberto a elas. 7. Quanto aos Anexos I e II, que trazem relação de notas emitidas por terceiros, e ao Anexo III, que relaciona notas de saída da Norte, além de questionar sua existência, indaga informações sobre a composição da nota, precisão de valores, razão de sua escolha (e não de outras), bem como, com relação ao livro, se é relativo ao livro inteiro ou parte, e se período inteiro ou parte. 8. Quanto a outros documentos que menciona (cópias de cheques de terceiros, cassações de inscrições estaduais, resultados de diligências em terceiros feitas pela Polícia Federal), afirma não ter como aferir sua validade, embora tenhase produzido ilações contra a Pereira Barreto como conclusão de sua existência. 9. O acórdão não se pronunciou quanto às conclusões sobre as quais se permite afirmar que o recorrente participou de esquema fraudulento, invertendo o ônus da prova. 10. A acusação de que a recorrente se utilizou de “notas frias” emitidas por “empresas de fachada”, Norte Riopretense Distribuidora de Carnes Ltda e Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo, é desprovida de provas. 11. Quanto à menção, no acórdão, de que não se manifestou quanto aos Anexos I, II e III, prestando, apenas, resposta evasiva, e que não apresentou nenhuma prova de que não participou de esquema fraudulento, pergunta como poderia fazer prova negativa, e aduz que cabe à autoridade tal atividade. 12. Acusa não haver motivação para a qualificação da multa no percentual de 150%, não tendo sido demonstrado o evidente intuito de fraude. 13. As exonerações feitas com relação ao IRPJ devem ser estendidas às contribuições: PIS, Cofins, CSLL. Fl. 9513DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 20 14. Requer a decretação de nulidade do julgamento de primeira instância, com determinação de novo julgamento, e reconhecimento da total improcedência da acusação fiscal, com o cancelamento do auto de infração. Também interpôs Recurso Voluntário, inconformado com a responsabilização solidária, o Senhor Duílio Vetorazzo Filho, no qual alegou, em síntese, que: 1. Sua responsabilização solidária se deu com base em indícios insuficientes, como a movimentação em contascorrentes de NORTE RIOPRETENSE, C&S LTDA, E CAMPO OESTE, das quais não é e nunca foi gerente, sócio ou procurador, não podendo ser responsabilizado por elas. 2. Nunca foi citado na investigação da operação Grandes Lagos. Os auditores generalizaram indevidamente a situação, misturando fatos e documentos de outras pessoas. 3. Era mero representante comercial da autuada. Somente o depoimento da BBA Ind Opoterápica Ltda confirma conversas, e mesmo assim, foi nesta condição. 4. Junta decisão relativa à DRJ/RPO, também relativa à Operação Grandes Lagos, relativa ao julgamento da FRI RIO Representações Ltda, no qual foi afastada sua responsabilidade. 5. Junta Ficha Cadastral da Junta Comercial de São Paulo e Certidão da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendária de Campo Grande, que demonstram que não foi proprietário de fato da CAMPO OESTE, mas apenas lá atuou durante um período como representante comercial. 6. Com relação à ficha cadastral do Banco Safra, alega que foi entregue assinada, e depois preenchida por funcionário do Banco, que a preencheu incorretamente. Requer perícia grafotécnica para analisar o preenchimento da ficha cadastral. 7. Com relação ao cheque no valor de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais), nominal a Cirlei Terezinha Ortega Amad, este foi assinado e a ela entregue pelo Senhor Alberto Pereira da Silva, em garantia do empréstimo que ela a ele fez em 2003. Tal documento não pode servir para comprovar vínculo entre ele e a CAMPO OESTE. 8. O contrato de locação da Pereira Barreto em Sud Mennucci, foi firmado (é o avalista), mas nunca usufruído pela Pereira Barreto. Não seria possível à Norte Riopretense obter Inscrição Estadual ali se não houvesse outro contrato de locação vigente. Além disso, nunca ouviu falar de filial da Pereira Barreto em Sud Menucci. 9. Das provas encontradas em Sud Mennucci não tem conhecimento. Há somente a menção de Alberto Pereira da Silva Filho, citado na investigação policial, mas as ilações não têm respaldo, a não ser por ter sido exsócio do citado. 10. Relativamente à compra de couro e à emissão de Nota Promissória pela Norte Riopretense Distribuidora Ltda em favor da COUROADA COM. E REPRESENTAÇÃO LTDA, em que consta como fiador, atuou como mero representante comercial, apenas garantindo o pagamento, não tendo, assim, nenhuma relação jurídica com a Riopretense. 11. Não praticou atos de gestão, não há interesse comum entre ele e a autuada, nem praticou infração à lei, contrato social ou estatuto. Assim, é descabida a responsabilização. Fl. 9514DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 12 21 12. O acórdão de primeira instância não analisou com profundidade os argumentos expendidos, sendo nulo. O julgamento foi convertido em diligência na sessão de 08/07/2010, para que os autos retornassem à Unidade Local, a fim de que fosse notificado Alberto Pedro da Silva Filho da decisão de primeira instância, e, caso quisesse, dentro do prazo de 30 dias da ciência, apresentasse Recurso Voluntário. Como no retorno dos autos a diligência não havia sido cumprida adequadamente, na sessão de julgamento de 11/04/2014 o julgamento foi novamente convertido em diligência, para que fosse efetivamente cumprida a resolução determinada por esta turma. Em 27/08/2014 a unidade de jurisdição notificou Alberto Pedro da Silva Filho do Acórdão nº 1423.430, de 27/04/2009, da Resolução nº 1302000.043 e da Resolução nº 1302000.287, abrindolhe prazo para defesa de trinta dias. Alberto Pedro da Silva Filho interpôs recurso voluntário contra o referido acórdão em 26/09/2014, protocolado por insistência. Aparentemente, o motivo da resistência ao protocolo era a falta de procuração, que conforme o contribuinte, já constava do processo. Nas razões recursais (fl.9458/9485), alega Alberto Pedro da Silva Filho: 1. Alberto Filho opera no mercado de carne bovina, representando empresas perante varejistas, e recebendo comissão pela prestação deste serviço. Até 2004 recebia comissões pela FriRio e como pessoa física. Após 2004, somente como pessoa física. Cedeu uma sala nas dependências da FriRio para a FriNorte. O dito pagamento de prólabore não corresponde ao conteúdo legal. São pagamentos mínimos (ainda que não haja negócio) para sua manutenção mensal. O valor é compensado no acerto final. A investigação policial contém erros e incertezas. O exame de suas contas bancárias revelou movimentação compatível com a receita declarada. 2. Tudo foi regular. Os documentos de venda da Norte e da Distribuidora apenas comprovam a regularidade da transação comercial. Alberto Filho nunca teve procuração das empresas que representa. 3. Os documentos juntados e os fatos relatados são de 2006. Mas a fiscalização os usa para provar omissão de receita em 2003 e 2005. 4. A empresa não efetuava vendas, mas apenas prestação de serviço de abate para terceiros. As operações que a fiscalização alega terem sido por ela feitas decorrem de presunção. A alegação da fiscalização de que a maior parte das vendas da empresa eram efetuadas mediante notas fiscais fraudulentas indica que uma pequena parte, então, legal. Isto é contraditório, pois ou tudo é legal ou tudo é fraudulento. 5. Não foram apontados os fatos que motivaram a imputação de responsabilidade tributária a Alberto Filho. A decisão da DRJ não a fundamentou nem a motivou, devendo ser anulada (art. 5º, LV, CF/88, art.2º e 50, Lei nº 9784/99). 6. Não foi descrito qual o interesse comum do sócio na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, CTN). Fl. 9515DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 22 7. Cabe à autoridade o ônus da prova (art. 142, CTN e art. 924, RIR). 8. As provas coligidas não provam. O fato de o transporte ter sido feito pela "transportadora do Beto" e que o local de abate era a Pereira Barreto não evidenciam que eram operações forjadas para acobertar operações de compra e venda. "Beto" é apelido comum. O fato do gado ter sido abatido na Pereira Barreto indica apenas que efetuava o serviço de abate de gado para terceiros. Não há provas de que as empresas que receberam pelas vendas eram movimentadas livremente pela fiscalizada por intermédio de "sócioslaranjas". Foram acostadas apenas 17 intimações e respectivas respostas. Acreditase que haja outras não anexadas pois corroboram estas alegações. A fiscalização não juntou as notas fiscais que embasaram suas conclusões. É o relatório. Fl. 9516DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 13 23 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os recursos voluntários dos sujeitos passivos (contribuinte e responsáveis tributários Duílio Vetorazzo Filho e Alberto Pedro da Silva Filho) são tempestivos. Deles, portanto, conheço. Decido sobre as preliminares. Deixo para o final a apreciação sobre a preliminar de decadência, pois o exame do mérito quanto à multa qualificada é prejudicial a esta questão. Alegação de nulidade da decisão da DRJ por falta de fundamentação e motivação Pereira Barreto, Duílio Vetorazzo, e Alberto Filho requerem nulidade da decisão da DRJ por falta de fundamentação e motivação da imputação de responsabilidade a eles. A hipótese, além de ser albergada por dispositivo constitucional (art. 5º, LV, CF/88) também é prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, pois a falta de motivação e de fundamentação em decisão cerceia o direito de defesa. Todavia, analisando o acórdão vergastado vejo que o votocondutor abordou a matéria, senão vejamos: A existência de interesse comum é situação que somente em cada caso pode ser examinada. A solidariedade, em tais casos, independe de previsão legal. É a fiscalização que deve provar que há interesse comum nesta ou naquela situação. Na situação de que trata o presente processo administrativo, ficou perfeitamente caracterizada a participação do Sr. Alberto e do Sr. Duilio no controle das atividades operacionais da PEREIRA BARRETO, atividades essas que foram ocultadas pelas notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA e pela NORTE RIOPRETENSE. Os dois responsáveis solidários não são apenas sócios da PEREIRA BARRETO, mas também da FRI RIO. Recordese que na sede desta foram apreendidos Fl. 9517DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 24 vários documentos que demonstram o controle que a PEREIRA BARRETO tinha sobre a movimentação financeira da NORTE RIOPRETENSE. A CAMPO OESTE, cujas contas bancárias foram utilizadas para movimentação financeira da PEREIRA BARRETO, tem inclusive uma procuração conferida ao Sr. Alberto Pedro da Silva, pai do Sr. Alberto. Na C&S LTDA, cujas contas bancárias também foram utilizadas pela PEREIRA BARRETO, consta como sócio o Sr. Esmael Rezende da Silva, tio do Sr. Alberto. Também o Sr. Duilio, ao abrir uma conta no Banco Safra, informou na Ficha Cadastral que trabalha na CAMPO OESTE, na condição de proprietário da empresa. O FRIGOSUD FRIGORIFICO SUD MENUCCI LTDA informou que, no período de 01/03/2004 a 31/12/2005, sua unidade industrial localizada em Sud Menucci/SP foi alugada para o PEREIRA BARRETO. O contrato apresentado tem duração de três anos (01/03/2004 a 28/02/2007) e foi assinado, como representante da locatária, pelo Sr. Alberto, tendo como fiadores este e o Sr. Duilio. Em diligência realizada pela Policia Federal junto à empresa COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA, foi apreendida uma nota promissória, emitida pela filial da NORTE RIOPRETENSE em Sud Mennucci em favor daquela empresa, tendo como fiadores o Sr. Alberto e o Sr. Duilio. Da mesma forma, estes figuraram como fiadores em contrato de fornecimento de couros verdes de gado firmado entre as duas empresas. Todos esses fatos revelam a participação ativa do Sr. Alberto e do Sr. Duilio na administração dos negócios da PEREIRA BARRETO, inclusive na prática das infrações tributárias apuradas, razão pela qual está justificada a atribuição a eles de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, com base no art. 124, I, do CTN. o grifo é nosso Não é exigível do acórdão que motive a atribuição de responsabilidade. Esta função é da fiscalização. Deveria ele, contudo, apreciála, caso tivesse sido contestada, como o foi (fls.266269). Mas ele a apreciou, mantendoa, contudo. A fundamentação reside no art. 124, I, CTN. A motivação é externada nas razões grifadas, que levam à conclusão de que Alberto Filho participou ativamente da administração dos negócios de PEREIRA BARRETO, inclusive na prática de infrações tributárias. No TVF, a autoridade fiscal também fundamenta a responsabilidade no art. 124, I, CTN, e a motiva fazendo referência às provas coligidas e indicadas também no TVF, que faz extenso relato das irregularidades perpetradas em detalhes. Não quis, todavia, repetilas novamente no item em que promove a extensão da responsabilidade pelo crédito, pois já o havia feito. Assim, afasto a preliminar de nulidade, deixando para o mérito apreciar a suficiência de motivos para a manutenção da responsabilidade. Alegação de nulidade da decisão da DRJ por desconsiderar argumentos quanto à insuficiência das provas emprestadas, indícios, presunções O acórdão proferido pela DRJ é extenso (fls.378/404) e aborda as provas utilizadas pela fiscalização para formalizar o auto de infração. A alegação de prova emprestada foi enfrentada (fl.395), embora rechaçada, pois reconheceuse no acórdão que a autoridade fiscal também produziu suas provas, que corroboraram com aquelas produzidas pela polícia federal. Além disso, a conclusão sobre elas é nova, elaborada no procedimento fiscal. Às fls. 396 o acórdão aborda a argüição de que o lançamento é feito por presunção, embora a rechace, pois a prova adotada foi prova direta. Por fim, a consistência das provas, às mesmas fls., foi Fl. 9518DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 14 25 abordada, rejeitando o votocondutor a argüição de que o lançamento é baseado em indícios. Na abordagem da consistência das provas o acórdão chega até a mencionar um "trabalho hercúleo de instrução do processo", após o que passa a analisar o trabalho fiscal e as provas colhidas. Assim, inexistente a desconsideração de argumentos, rejeito a preliminar. Alegação de violação à motivação e à verdade material O Termo de Verificação Fiscal tem quase setenta folhas (fl.107/174). Nele é feita extensa exposição dos motivos que levaram ao lançamento, em especial, com o detalhamento do esquema perpetrado. As bases são informadas e os levantamentos, indicados. Não há, portanto, falta de motivação. A verdade material foi buscada à exaustão no caso. Não logrando provar por si só o esquema, a fiscalização solicitou auxílio da polícia federal, que promoveu grande arrecadação de provas, no curso da operação Grandes Lagos. A utilização de provas produzidas pela polícia federal não é vedada, pois elas não foram adotadas como verdade insofismável. O contraditório relativo a elas é possibilitado neste procedimento, e além disso, a autoridade fiscal produziu suas próprias provas, com base naquelas arrecadadas pela polícia. Além disso, desde o início é sabido que a provocação à polícia federal foi realizado porque era impossível, dada a sofisticação do esquema, a produção de provas de forma isolada pelas autoridades fiscais. Neste sentido, elas devem ser apreciadas em conjunto, e não abandonadas. A fiscalização prova a fraude A fiscalização arbitrou o lucro de Pereira Barreto desde 2003 a 2005, devido a falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração (art. 530, II, RIR). A materialidade é assim composta: Infração 01 a) item 001: omissão de receita operacional na venda de produtos de fabricação própria, mediante utilização de notas frias emitidas pelas empresas de fachada Norte Riopretense Distribuidora Ltda (atual FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda) e Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. Notas fiscais que a compõem encontram se no Anexo I; b) item 002: omissão de receita operacional na venda de produtos de fabricação própria, mediante utilização de notas frias emitidas pelas empresas de fachada Norte Riopretense Distribuidora Ltda (atual FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda) filial em Sud Mennucci (01.552.024/000469). Notas fiscais que a compõem encontramse no Anexo II; c) item 003: omissão de receita operacional na venda de produtos de fabricação própria, mediante utilização de notas frias emitidas pelas empresas de fachada Norte Riopretense Distribuidora Ltda (atual FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda) Fl. 9519DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 26 cujas notas fiscais se encontram escrituradas no livro de registro de saídas da filial da Norte Riopretense Distribuidora Ltda em Sud Mennucci. Notas fiscais que a compõem encontramse no Anexo III. Infração 02: omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria. Verificase intenso trabalho investigativo. Há 16 anexos ao TVF, cada um deles com mais de um volume, atingindo 43 volumes. O processo já conta com quase dez mil folhas. A ação fiscal decorreu da operação da Polícia Federal "Grandes Lagos", em que mais de 100 (cem) prisões foram efetuadas. A autoridade fiscal relata que a operação policial decorreu de pedido de auxílio da Receita Federal à Polícia Federal no sentido de, mediante instrumentos de inteligência e interceptações telefônicas, desbaratar quadrilha que vinha atuando sistematicamente na evasão tributária, e que não podia ser contida com os métodos tradicionais de ação fiscal. A polícia classificou os agentes em dois núcleos: a) noteiros, os quais emitiam e vendiam notas fiscais frias a frigoríficos e taxistas; b) clientes dos noteiros, os quais adquiriam as tais notas fiscais frias. Alberto Filho foi identificado como um dos cabeças do núcleo "clientes dos noteiros". Foi identificado como dono da filial Norte Rio pretense na cidade de Sud Mennucci, que opera de fato. A polícia federal afirma que foi indiciado em três inquéritos e denunciado em quatro processos criminais. Respondeu por estelionato e perigo para a vida ou saúde de outrem (fl.121). Através da Pereira Barreto, que foi incluída no núcleo "clientes dos noteiros", adquiria notas fiscais frias das empresas de fachada Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda e Norte Riopretense Distribuidora Ltda, estas últimas integrantes do núcleo dos noteiros. A Norte Riopretense é constituída por laranjas, de acordo com fiscalização (Vinícius dos Santos Vulpini, e, indiretamente, Valter Francisco Rodrigues Júnior, por meio da Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Ltda), e movimentou R$415.330.967,64 de 2001 a 2005, sem nada declarar em tributos federais. O esquema de venda de notas fiscais frias é provado no interrogatório de Jaqueline Vilches da Silva, que em 02/05/2005 foi contratada para trabalhar na Norte Riopretense (fls.123), e afirmou que cada nota custava R$4,00 por cabeça de gado. Maria dos Anjos Medeiros, que afirmou em interrogatório de 07/06/2006 trabalhar há 10 anos na Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo, disse que pelo conjunto das notas de entrada, de remessa, de retorno e de venda é cobrado R$4,00 por cabeça de gado bovino e R$2,00 por gado suíno (fl.123). O esquema de venda de notas é corroborado pelo Fisco estadual, que reconhecendo a emissão de notas frias, cassou a eficácia da inscrição estadual da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda e da Norte Riopretense (Distribuidora fl.124). A BMZ Couros Ltda (fl.131), em resposta a intimação fiscal, afirmou que fazia os contatos comerciais com Alberto Filho pelo telefone nº 172357775, que está no endereço da Norte Riopretense, o que se coaduna com a hipótese da fraude, e corrobora a idéia de que Vinícius Vulpini era mesmo sóciolaranja, pois não participava sequer dos negócios. Os produtos não saíam da Distribuidora ou da Norte Riopretense. Vários clientes da Pereira Barreto intimados pela Receita Federal disseram que eles saíam diretamente da Pereira Barreto, como a Cereais Bramil (fl.133). Por outro lado, alguns produtores disseram Fl. 9520DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 15 27 que o gado era para lá levado e abatido. E era também lá que eles recebiam pelo gado vendido. Ao contrário do que alega a recorrente, é no mínimo estranho que toda a operação de uma empresa ocorra não em sua sede, mas na sede de uma parceira, que tão somente presta serviço de abate do gado. Na busca e apreensão feita na Couroada Comercial e Representações Ltda (Couroada) foram arrecadados documentos (notas promissórias e contratos) que apontam como fiadores da Norte Riopretense Alberto Filho e Duilio Vetorazzo (fl. 159), indicando seu controle sobre aquela empresa. A planilha "acerto Macaúba" arrecadada na busca e apreensão feita na filial da Norte Riopretense em Sud Mennucci comprova a tese de que Valder (Macaúba) de fato vendia notas fiscais (fl.160). Esta planilha "Ficha de Acerto Notas Macaúba" (fls. 96/100 do Anexo XIII) contém a quantidade de gados negociados em cada mês e o valor que a contribuinte fiscalizada pagava a empresa Norte Riopretense, para emissão das notas fiscais "frias", ou seja, naquela época era pago R$3,00 por cabeça de gado para que a empresa Norte Riopretense emitisse as notas fiscais dos gados abatidos (fl.160). A fiscalização ainda aduziu que o "Relatório Embarques: Pereira Barreto" (fls. 101/102 do Anexo XIII) contém no item 10 o nome "Beto" e entre parênteses a palavra "Patrão", na verdade Beto é o apelido do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho e fica claro que a palavra "patrão" significa que era ele quem mandava na empresa e nos negócios realizados (fl.160). Havia um caixa na filial da Norte Riopretense que, além das despesas da filial, também servia para pagar aluguéis de veículos de Alberto Filho e FGTS de empregados da Pereira Barreto (fl.160), demonstrando que era efetivo longa manus da Pereira Barreto e de Alberto Filho. A fiscalização demonstrou a omissão de receitas A fiscalização alegou que a Pereira Barreto efetuava o comércio de gado. Para ocultar as operações comerciais, adquiria notas fiscais frias da Distribuidora de Carnes São Paulo e da Norte Riopretense Distribuidora Ltda (Norte Riopretense). Para ocultar a movimentação financeira, utilizava contas bancárias da Norte Riopretense, da C&S, e da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados Ltda (C&S) e Campo Oeste Ind Com Imp Exp Ltda (Campo Oeste). A arrecadação da Busca e Apreensão colheu arquivos magnéticos que permitiram à fiscalização elaborar planilha contendo todas as vendas realizadas por Pereira Barreto, mediante utilização de notas frias. A planilha foi o ponto de partida. A partir dela, a fiscalização intimou dezenas de clientes da Pereira Barreto (por amostragem) e consolidou o resultado no Anexo V (fl. 125). As empresas intimadas confirmaram as operações constantes da planilha (que atestam a compra e venda de gado por notas frias), que receberam juntamente com a intimação (fl.125). Fl. 9521DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 28 Os pagamentos feitos demonstram interposição fraudulenta. Bradsil Beira Rio Administração e Serviços Ltda (fls.128/129), por exemplo, adquire de Norte Riopretense, mas recebe autorização para pagar à Campo Oeste e à C&S, cujas contas bancárias eram movimentadas por sócios laranjas. Adição Distribuidora Express Ltda (fl.127/128) afirma que os valores foram depositados em contas da C&S e Norte Riopresente, controladas por Pereira Barreto e por Alberto Filho, mediante laranjas. A Bertin Ltda (fl.129/130) apresenta nota de compra da Distribuidora São Paulo, que lhe foi enviada pelo fax da Pereira Barreto, indicando de quem tomou conhecimento da sua compra e venda. Possuía seis autorizações para pagamentos, em favor da C&S e Campo Oeste. As autorizações para pagamento à Campo Oeste lhe foram encaminhadas por fax da própria Campo Oeste (fl.130).Tais autorizações foram assinadas por Mário Guizilini, que não representa a Norte Riopretense (pretensa emissora da autorização), mas a própria Campo Oeste, sendo homem de confiança de Alberto Filho e Duílio Vetorazzo (fl.130). Também o Supermercado Mundial Ltda recebeu autorizações para pagamentos pelo fax da Campo Oeste. No caso deste cliente, as notas foram emitidas por Distribuidora de Carnes São Paulo e Norte Riopretense, e os pagamentos foram autorizados e feitos à C&S, Campo Oeste e Norte Riopretense, todas sob controle indireto de Alberto Filho (fl.140/141). A Boa Vista de Barra Mansa (fl.131/132) recebeu nota da Norte Riopretense e autorização para pagamento à conta da Campo Oeste. O contato comercial foi feito com Sr. Maurício, através do telefone fixo 067 21067500, que fica no endereço da Campo Oeste em Campo Grande. Tal empresa, segundo a fiscalização, existe e é controlada por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo, mediante laranjas. Tal assertiva segue na linha de confusão patrimonial e fraude criada para ocultar a venda real feita pela Pereira Barreto, e o controle da situação por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo. No mesmo sentido, a RP de Campinas Ind e Com de Carne e Derivados Ltda também afirmou que os contatos eram feitos com o Sr. Maurício. Quanto à formalização das operações comerciais, recebeu notas frias da Norte Riopretense, mas efetuou pagamentos À Campo Oeste (fl.138/139). A Cereais Bramil recebeu nota 124.836 da Norte Riopretense, mas efetuou pagamento à Campo Oeste (fl. 132/133). Afirmou, todavia, que "Os produtos adquiridos saíram do Abatedouro e Frigorífico Pereira Barreto, CNPJ04.030.203/000131 — Pereira Barreto — SP" (fl. 133). A Comércio de Carnes Tradição Ltda (fl.134) apresentou 11 autorizações de pagamento. Em 8, da Distribuidora São Paulo, o autorizado era a C&S. Nas outras 3, a Norte Riopretense a autoriza a pagar em sua própria conta corrente. O esquema fraudulento envolvendo emissão de nota por uma e pagamento a outra foi ainda confirmado pelas respostas fornecidas por Frigorey Carnes Ltda (fl.135), Germans Distribuidoras de Comestíveis Ltda (fl.136), Indústria Agroquímica Braido Ltda (f. 136), Intercontinental Comércio de Alimentos (fl.137), Santana Agroindustrial Ltda (fl.139/140), Os fornecedores de gado (selecionados por amostragem) também forneceram informações que corroboram os dados apreendidos pela Polícia Federal em arquivos magnéticos, que serviram de base para a elaboração da planilha demonstrativa da omissão de receitas. Fl. 9522DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 16 29 Aparecido Cláudio Rodrigues (fl.143) recebeu de contas da C&S e da Norte Riopretense. Perguntado sobre o proprietário do frigorífico, respondeu "Alberto Pedro da Silva Filho". Edenir Carlos Mendes Manente (fl.145) recebeu notas de entrada da Distribuidora de Carnes São Paulo e Norte Riopretense, e pagamentos feitos pela Norte Riopretense. Hirosato Oseki (fl.146) afirmou que o gado ia diretamente para a Pereira Barreto Imp Exp de Carnes Ltda. O recebimento era feito após pesagem e abate do gado, por cheque emitido no escritório do local de abate. Esta prova é inequívoca, no que tange à responsabilidade pela condução do negócio da Pereira Barreto, pois tudo ocorria em seu estabelecimento. Mario Tanaka (fl. 146) também afirmou que o gado era enviado ao endereço da Pereira Barreto. Quanto ao pagamento, afirmou que era feito nas dependências do frigorífico, na data do abate, por meio de Cheques em nome da Distribuidora. Questionado sobre esta forma afirmou "não nos opusemos, também,com relação à forma de pagamento, em ser cheques da empresa Distribuidora, pois os mesmos eram compensados e não logramos prejuízo nas operações realizadas" (fl.146). Nobuo Takano (fl.146/147) recebeu, pelo envio de gado, notas de entrada frias da Distribuidora de Carnes São Paulo e cheques da C&S. Paulo Roberto Meneguel (fl.147) disse que o gado era encaminhado ao frigorífico Norte Riopretense, em Sud Mennucci, e os pagamentos feitos em dinheiro ou depósito em conta corrente. Mas a documentação contém notas da Norte Riopretense e da Distribuidora de Carnes São Paulo. O domínio de Alberto Filho (e, portanto, da Pereira Barreto) sobre a Norte Riopretense é exposto no Termo de Constatação Fiscal do PA nº10820.003372/200772. Ali se menciona a apreensão (além de um contrato social autenticado da Pereira Barreto) de cheques da Norte Riopretense nominais a ele, como pagamento de prólabore (fls.149), na busca e apreensão feita na Fri Rio Representações Ltda, da qual ele era sócio. Ali também foram apreendidos dois talões de cheques da conta 113409, cruzados e assinados em branco (tão somente com rubrica, sem constar carimbo ou o nome de quem assinou) da Norte Riopretense. Outros dois talões de cheques, assinados em branco, da conta 42066907, da Norte Riopretense ali também foram arrecadados. Mais três talões de cheques da Conta 012148, Agencia 1297 Pereira Barreto, Banco Bradesco, da Norte Rio Pretense Distribuidora de Carnes Ltda, assinados em branco e cruzados e quinze talões de cheques da Conta 011340, Agência 1297 Pereira Barreto, Banco Bradesco, todos em branco pertencente a Norte Rio Pretense Distribuidora de Carnes Ltda., (fls.99/103) foram também ali apreendidos. Também na FriRio foi apreendido (fl. 149) cheque emitido n° 100010 no valor de R$10.500,00, da conta 1372449, Agência 0171 São José do Rio Preto, Unibanco, com a assinatura legível "Alberto Pedro da Silva" (fl. 97), da empresa Comércio de Carnes e Derivados Rodrigues & Bastos Ltda., CNPJ 04.083.132/000185, (de sócias laranjas), mostrando seu envolvimento em outras empresas. E por fim, arrecadouse lá (fl.150) Controle da Movimentação Diária da empresa Norte Rio Pretense Distribuidora Ltda., contendo nome de clientes, tipo da venda, Fl. 9523DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 30 valores, códigos das empresas participantes do esquema, débitos e créditos, com "tickets" de conferência (fl. 100). Esse demonstrativo revela que naquele local (Fri Rio), propriedade de Alberto Filho, eram controladas as notas fiscais de vendas emitidas pelas empresas de fachadas "Noteiras". (FOLHA 140 DO ANEXO XIV). A constituição da Campo Oeste era feita por laranjas. Conforme consulta ao sistema CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais (fls. 56 do Anexo XIV), o sócio "laranja" Manoel Marques da Silva foi trabalhador rural no período de 01/10/1992 a 31/05/2005. A empresa revelou movimentação financeira, com base nos dados da CPMF, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, de R$ 392.747.603,60 (fls. 57 do Anexo XIV) fl.154. Segundo a fiscalização apurou, o outro sócio "laranja", Sebastião Silva dos Santos, CPF n° 156.703.50197. Em sua Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 2003, anocalendário de 2002 (fls. 72/74 do Anexo XIV), declarou não possuir bens, enquanto nas declarações dos exercícios de 2004, 2005 e 2006 (fls. 75/83 do Anexo XIV) também declarou o óbvio, ou seja, declarou possuir 50% capital da empresa fiscalizada. Tal como o outro sócio "laranja", não declarou nenhum recebimento a titulo de distribuição de lucros. Tais fatos corroboram a condição de pessoa interposta de ambos, diante do vulto das operações praticadas pela empresa nos anos de 2003 a 2005. Tal situação, em oposição ao controle das contas correntes da Campo Oeste, reveladas na busca e apreensão feita na Fri Rio (fl. 153154), são inequívocas para concluirse pelo controle efetivo de Alberto Filho e Duílio Vetorrazzo. A situação não difere no que tange à C&S. O sócio majoritário Esmael Rezende da Silva, tido pela fiscalização como "laranja", não entregou DIRPF nos anos calendário 2003, 2004, 2005 e 2006 (fl. 464 do Anexo IX), e no anocalendário 2002 declarou possuir um veiculo financiado no valor de R$19.907,20 e possuir cotas da empresa Industria e Comércio de Carnes e Derivados C & S Ltda. no valor de R$50.000,00, tendo recebido naquele ano rendimentos tributáveis de pessoas físicas no valor de R$10.102,00, rendimentos isentos no valor de R$ 7.261,06 (fls. 466/468 do Anexo IX). Na DIRPF do anocalendário 2001 (ano que foi constituída a empresa de fachada) declarou obviamente as quotas da empresa Industria e Comércio de Carnes e Derivados C & S Ltda, no valor de R$50.000,00 e informou que tinha R$55.350,00 em dinheiro em 31/12/2000, de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas declarou o valor de R$16.517,50 sendo R$6.285,00 do INSS (fls. 469/470 do Anexo IX). Os valores de fato revelam modicidade, que também é verificada quanto ao sócio minoritário, Joaquim Fernando Coutinho (fl.157). Esmael ainda é tio de Alberto Filho (irmão de seu pai). Tais elementos corroboram a condição de "laranjas" destes sócios acima, aliados ao controle da C&S por seus reais detentores. Quanto ao frigorífico em Sud Mennucci, de propriedade da Frigosud Frigorífico Sud Mennucci Ltda, tido no período, como filial da Norte Riopretense, não apresentou contrato de locação para o período de 01/2002 a 02/2004, embora a Frigosud tenha afirmado que houve locação no período. Todavia, apresentou um contrato vigendo de 03/2004 a 12/2005, que apresenta como locatário a Pereira Barreto (fl.158). A Norte Riopretense tinha como sócio Vinícius Vulpini, que assinava contratos e cheques em branco para Alberto Filho movimentar as contas correntes em Sud Mennucci, conforme atestam documentos apreendidos na Fri Rio (fl.158). A apuração das vendas da filial da Norte Riopretense em Sud Mennucci foi feita graças aos dados fornecidos pelo escritório de contabilidade Jurkovich Ltda (fl.159), que forneceu livros de entrada e saída da filial do frigorífico de 09/2004 a 08/2005. Os lançamentos Fl. 9524DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 17 31 estão de acordo com as notas fiscais de clientes e fornecedores obtidas pela fiscalização (fl.159). O sigilo bancário dos envolvidos foi quebrado por decisão judicial, que determinou o envio das informações diretamente à Receita Federal por meio de RMF. A fiscalização apontou que os valores informados por fornecedores (compra de gado mediante nota de entrada fria) e clientes intimados por procedimento de circularização (venda de gado, mediante nota fria) conferem com aqueles constantes dos extratos bancários de Pereira Barreto, Norte Riopretense, Campo Oeste e C&S (fl.164). Apreciando os extratos, a fiscalização observou diversos cheques emitidos pela Norte Riopretense que foram depositados na Campo Oeste. Verificou ainda que alguns valores depositados na Norte Riopretense eram transferidos à Campo Oeste (fl.164/165). A movimentação financeira não gerou créditos tributários, mas serviu para que se corroborasse a base lançada (fl.164). O ADE nº 53/2008 declarou INAPTA a Distribuidora (efeitos a partir de 01/01/1999). O ADE nº 68/2008 declarou INAPTA a Norte Riopretense (efeitos a partir de 18/11/1996). A fiscalizada não quis responder às intimações para explicar os valores contidos nos Anexos I, II e III, que serviram de base para o lançamento por omissão de receitas, alegando que se tratava de outras empresas. Todavia, a fiscalização alega que os valores ali contidos são corroborados pela circularização feita a clientes (fl.168). A responsabilidade de Duílio Vetorazzo Segundo resposta da BBA Indústria Opoterápica (fls.127/128), Duílio era quem efetuava os negócios comerciais, utilizando telefone fixo da Campo Oeste e ali atendendo os clientes (e não na Pereira Barreto). Mas os pagamentos foram feitos à C&S (fl.128). A Boa Vista de Barra Mansa (fl.131/132) recebeu nota da Norte Riopretense e autorização para pagamento à conta da Campo Oeste. O contato comercial foi feito com Sr. Maurício, através do telefone fixo 067 21067500, que fica no endereço da Campo Oeste em Campo Grande. Tal empresa, segundo a fiscalização, existe e é controlada por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo, mediante laranjas. Tal assertiva segue na linha de confusão patrimonial e fraude criada para ocultar a venda real feita pela Pereira Barreto, e o controle da situação por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo. A fiscalização relatou que Duilio Vetorazzo Filho, ao abrir uma conta no Banco Safra, informou na Ficha Cadastral Pessoa Física (folha 43 do Anexo XIV), ficha que é preenchida pelo correntista de próprio punho, que trabalha na empresa Campo Oeste Ltda, e no campo reservado a informação de qual cargo ocupa na empresa, informou que é proprietário. No verso do referido documento consta a expressão "Declaro que as informações prestadas são a expressão da verdade e autorizo o Banco a efetuar a verificação dos dados aqui declarados". Em seguida está a assinatura de Duilio Vetorazzo Filho (fl.153). Evidencia se, assim, sua relação de fato com a composição social desta sociedade. Não há sequer falar em exame grafotécnico. Sua assinatura ali lançada (fl.43.v) confere a olho nu com aquela aposta no contrato social da Pereira Barreto (fl.130). Na busca e apreensão feita na Couroada Comercial e Representações Ltda (Couroada) foram arrecadados documentos (notas promissórias e contratos) que apontam como Fl. 9525DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 32 fiadores da Norte Riopretense Alberto Filho e Duilio Vetorazzo (fl. 159), indicando seu controle sobre aquela empresa. Ora, um mero representante comercial pode até servir a alguém como testemunha de um contrato, mas jamais irá ser fiador de uma empresa da qual não é proprietário. Assim, não pode ser aceita a versão de que era mero representante comercial da autuada. Há várias provas de seu controle e participação no andamento dos negócios. A Ficha Cadastral da Junta Comercial de São Paulo não demonstra que não foi proprietário de fato da Campo Oeste, e nem a Certidão da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendária de Campo Grande, pois sua participação ali somente foi desbaratada pela polícia federal, no cumprimento da operação Grandes Lagos. Com relação ao cheque no valor de R$50.000,00 (cinqüenta mil reais), nominal a Cirlei Terezinha Ortega Amad, emitido pela Campo Oeste, não pode ser aceita sua versão de que foi assinado e a ela entregue pelo Senhor Alberto Pereira da Silva, em garantia do empréstimo que ela fez a ele em 2003. Nenhuma prova de tal empréstimo foi juntada aos autos, e a hipótese não se coaduna com a normalidade dos fatos, contrariamente ao envio de dinheiro à sogra pelo sócio de fato da empresa, como comprovouse ser Duílio Vetorazzo. Quanto à alegação de que o contrato de locação da Pereira Barreto em Sud Mennucci, foi firmado (é o avalista), mas nunca usufruído pela Pereira Barreto, pois não seria possível à Norte Riopretense obter Inscrição Estadual ali se não houvesse outro contrato de locação vigente, tratase de uma afirmação que confunde o mundo do ser com o do dever ser, e portanto, não requer apreciação. Caso contrário, não haveria norma descumprida. Ademais, verificouse ali expressiva movimentação comercial feita com clientes e fornecedores da Pereira Barreto, incluindo abate de gado e pagamento de fornecedores desta empresa. A responsabilidade de Alberto Filho A imputação de responsabilidade a Alberto Filho é estribada em várias provas produzidas nos autos e referidas no Termo de Verificação Fiscal. Caberia a Alberto Filho infirmálas, o que não o fez. O Fisco Estadual reconhece que a suposta titularidade do frigorífico da Norte Riopretense em Sud Mennucci é irreal e que o real proprietário deste é Alberto Filho (fl. 124). Tal fato é uma das causas da cassação da eficácia da inscrição estadual da Norte Riopretense. A resposta de vários clientes da Pereira Barreto, intimados pela fiscalização, indicam que as notas fiscais de compra e venda de gado estipulam como transportadora a transportadora do Beto, de propriedade de Alberto Filho (Comércio de Carnes Tradição Ltda, ABC Alimentos a Baixo Custo Ltda). Embora o mero transporte não seja ilícito, o fato de ser feito por titularidade de sócio da vendedora de fato, impõe redução de ligações comerciais com terceiros que poderiam dificultar o bom andamento do esquema. Este é apenas um indício. Mas se integra à perfeição aos demais indícios de que Alberto Filho controlava todo o esquema fraudulento, desde a emissão de notas frias, o pagamento em contas de terceiroslaranjas, o efetivo abate, a venda e até mesmo o transporte do gado. O apelido Beto, de Alberto Filho, embora por ele questionado, é confirmado por Comércio de Carnes Taquaritinga Ltda (fl.133). Perguntada quem era a pessoa que representava a vendedora, afirmou "Não é de nosso conhecimento o nome das pessoas Fl. 9526DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 18 33 responsáveis pela empresa, exceto do vendedor a qual era mantido contato Sr. Beto" (fl.133), que era Alberto Filho. A BMZ Couros Ltda (fl.131), em resposta a intimação fiscal, afirmou que fazia os contatos comerciais com Alberto Filho pelo telefone nº 172357775, que está no endereço da Norte Riopretense, o que se coaduna com a idéia de que ele controlava todo o esquema. A Boa Vista de Barra Mansa (fl.131/132) recebeu nota da Norte Riopretense e autorização para pagamento à conta da Campo Oeste. O contato comercial foi feito com Sr. Maurício, através do telefone fixo 067 21067500, que fica no endereço da Campo Oeste em Campo Grande. Tal empresa, segundo a fiscalização, existe e é controlada por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo, mediante laranjas. Tal assertiva segue na linha de confusão patrimonial e fraude criada para ocultar a venda real feita pela Pereira Barreto, e o controle da situação por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo. A Indústria Agroquímica Braido Ltda, que recebeu notas frias da Norte Riopretense afirmou em resposta que pagou a Alberto Filho por meio de cheques, no escritório em São José do Rio Preto, e a outra parte depositou em contas da própria Norte Riopretense, o que demonstra claramente a confusão patrimonial e seu domínio por Alberto Filho (fl.137). Ficou demonstrado acima que na busca e apreensão feita na FriRio Representações, da qual era sócio Alberto Filho, constante do PA nº nº10820.003372/200772, noticiada pela fiscalização no TVF, inúmeros talões da Norte Riopretense foram arrecadados nas suas dependências, alguns em branco, outros já assinados em branco, por vezes já também cruzados, o que demonstra seu domínio sobre negócios realizados por esta empresa. Além disto, uma agenda do ano de 2006 (fl.150), em nome de Alberto Pedro da Silva Filho, contendo o endereço da FriRio, ou seja, Rua Fuad Jorge Goraieb, 120, contendo ainda os números dos documentos pessoais (CPF e RG) do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho, inclusive nos dados comerciais constava o nome da empresa "Noteira" Norte Riopretense (fl. 104) (FOLHA 135 DO ANEXO XIV). O controle sobre a Campo Oeste, empresa beneficiária de pagamentos de compra de carne, foi demonstrado. A fiscalização anotou que "Em consulta da página da Internet, no 'site' da FAMASUL, encontramos noticia em que a Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul FAMASUL, entra com representação criminal contra donos do Campo Oeste. Nesta noticia publicada em 01/10/2008 é citado o nome do "sócio laranja" Sebastião Silva dos Santos e os nomes do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho e de seu pai Alberto Pedro da Silva (fl. 101 do Anexo XV). " Além disso, o documento de folha 28 do Anexo XIV, apreendido na empresa Fri Rio Distribuidora de Carnes Ltda, indica que Alberto Pedro da Silva Filho, conhecido por "Beto", no anocalendário de 2006, retirou prolabore da empresa Campo Oeste. Alberto Filho alega que não seria de fato prólabore, mas pagamento pelo seu trabalho. Todavia, o documento de fato se refere a prólabore recebido de Campo Oeste. No cadastro que fez no Bradesco afirmou que trabalhava há 5 anos e 4 meses na Campo Oeste (fl.153). Nos comentários sobre a busca e apreensão feita pela polícia federal na Fri Rio, vários extratos da conta corrente 01465805, bem como da conta 01285106, em nome da Campo Oeste foram encontrados (fl.153). Mencionase, ainda, que documentos (cópias de Fl. 9527DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 34 cheques) apreendidos demonstram diversos pagamentos oriundos da conta 1465805, em nome da Campo Oeste, comprovando assim que o controle financeiro dessa empresa era realizado no escritório de "Beto Beleza" (fl.154). Essas provas foram refutadas pela defesa, que alega serem meros comentários do analista. Todavia, o conteúdo por elas expressado não foi questionado. E este confirma o efetivo controle sobre contas correntes da Campo Oeste e demonstra o efetivo controle sobre esta pessoa jurídica. Além disso, não se tratam de meros comentários, mas muito mais de uma descrição de provas arrecadadas. Com relação à C&S, a fiscalização verificou que na análise dos dados cadastrais da conta corrente n.° 10.5600, agência 1297 em Pereira BarretoSP, do Banco Bradesco, em nome da empresa Indústria e Comércio de Carnes e Derivados C& S Ltda., constatamos que o endereço para correspondência informado é o mesmo endereço da empresa FriRio Representações Ltda, de propriedade do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho, ou seja, Rua Fuad Jorge Goraieb, 120 em Sao José do Rio PretoSP (fl. 24 do Anexo IX). (fl.156) Na busca e apreensão feita na Couroada Comercial e Representações Ltda (Couroada) foram arrecadados documentos (notas promissórias e contratos) que apontam como fiadores da Norte Riopretense Alberto Filho e Duilio Vetorazzo (fl. 159), indicando seu controle sobre aquela empresa. Havia um caixa na filial da Norte Riopretense que, além das despesas da filial, também servia para pagar aluguéis de veículos de Alberto Filho e FGTS de empregados da Pereira Barreto (fl.160). Sua alegação de que cedeu uma sala nas dependências da FriRio para a Fri Norte é incompatível com as provas dos autos. A sala era utilizada para efetivamente gerila, assinar cheques, controlar contas bancárias, etc. A afirmação de que o prólabore recebido não corresponde ao conteúdo legal, mas são pagamentos mínimos (ainda que não haja negócio) para sua manutenção mensal, também não pode ser aceita. Não se trata de erro ou incerteza da investigação policial. O documento expressamente utiliza a palavra prólabore. Empresários não costumam errar em tais denominações porque sabem que tais erros podem gerar problemas trabalhistas. A versão é inverossímil. A eventual compatibilidade de suas contas com a receita declarada também nada afeta sua condição de controlador do esquema. Afinal, como se viu, a interposição de pessoas e a confusão patrimonial serviam exatamente para que ele e a Pereira Barreto tivessem aparentemente uma situação de regularidade fiscal. A alegação de que somente parte dos clientes foi intimada a responder sobre a movimentação comercial e financeira, ao lançar dúvida sobre os demais clientes, não pode ser acatada. As respostas dos terceiros foi uníssona, não havendo margem para dúvidas. Se entende que haveria outro cliente que destoaria do padrão deveria, então, têlo indicado em sua peça, não apenas fazendo afirmações vagas. O questionamento quanto à higidez do lançamento e ausência de notas fiscais não procede. A fiscalização produziu robustas provas do lançamento, que se lastreia em arquivos digitais apreendidos, livros fiscais obtidos do escritório de contabilidade Jurkovich e foram corroborados por clientes e fornecedores da Pereira Barreto. Por outro lado, a movimentação bancária é compatível com a receita omitida e lançada, conforme aduziu a fiscalização. Os recorrentes não apontaram quais as notas fiscais que lhe geram dúvidas. Fl. 9528DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 19 35 Não era necessário que Alberto Filho tivesse procuração para gerir os negócios. Como se demonstrou nos autos, a formalização de documentos era realizada por meio de laranjas, sendo despicienda procuração. O esquema se prolongou no tempo, e as infrações foram continuadas. Desta forma, não importa que a obtenção de documentos tenha sido feita em 2006, pois eles se referem aos anoscalendário fiscalizados. As provas da fraude foram produzidas de forma direta, e não mediante presunção. Não há contradições na alegação da fiscalização, pois a produção de notas fiscais frias, fraudulentas, foi efetivamente demonstrada. Foi, pois, à exaustão, provado o controle de Alberto Filho e DuílioVetorazzo sobre o negócio e respectivo esquema fraudulento. Decido o mérito. Indicação do interesse comum (art. 124, I, CTN) O solidariamente obrigado Alberto Filho argüiu que não foi indicado qual o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, exigida pelo art. 124, I, CTN. No Termo de Verificação de Infração Fiscal TVF (fls.175), a autoridade fiscal remete o interesse comum aos fatos narrados no TVF e aos elementos de prova constantes dos Anexos. O referido TVF de fls. 109/176 faz extenso relato de provas coligidas em desfavor da contribuinte e dos responsáveis solidários. Em resumo, a autoridade buscou provar que Alberto Filho tinha conhecimento dos fatos, administrou os negócios e participou das infrações fiscais praticadas pela Pereira Barreto. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124, I, CTN), tratandose do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, constituído o crédito por omissão de receitas decorrentes da prática de operações comerciais não escrituradas, mediante fraude e interposição de pessoas, é o interesse na realização dos negócios omitidos que causaram a tributação, pois são eles que influem na situação que constitui o fato gerador, majorando o débito. A rigor, os negócios são praticados pelas partes envolvidas no negócio. Ocorre que quando há confusão patrimonial mediante fraude, o mentor ou o beneficiário dos negócios os distribui não conforme a usualidade comercial, mas de modo a alcançar o maior benefício indevido, esteja ele onde estiver, alcançável mediante controle das pessoas jurídicas envolvidas. No caso, a autoridade fiscal logrou demonstrar que Alberto Filho e Duílio Vetorazzo tinham conhecimento e domínio dos fatos, administraram a Pereira Barreto, fizeram negócios e participaram da infrações. As provas de tal situação foram sucintamente apontadas acima. Assim, é patente que Alberto Filho e Duílio Vetorazzo, mediante uso de pessoas jurídicas, inclusive a Pereira Barreto, possuem interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores do IRPJ, CSLL,PIS e Cofins. Ao manejar os negócios efetivamente praticados pela Pereira Barreto para outras empresas que não estavam em seu Fl. 9529DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 36 nome, lograram efetuálos da mesma forma, porém, de forma mais benéfica para si, provocando tributação sobre terceiroslaranjas e não sobre empresa de que participavam. Utilizaram, porém, para tanto, recursos da Pereira Barreto. Neste sentido, entendo configurada a confusão patrimonial criada de forma dissimulada para beneficiálos. Esta mesma confusão patrimonial não os afasta, portanto, da titularidade informal dos negócios. Desta forma, seu interesse comum não decorre da mera condição de sócio, de forma indireta, como beneficiários últimos dos resultados auferidos, mas de forma dissimulada, como efetiva parte negocial, de forma direta, pois. Decerto que esta titularidade não é inequívoca, porque a fraude mescla, na confusão patrimonial, vários elementos, buscando sempre sua dissimulação. A nota é emitida por uma empresa, o recebimento é feito na conta de outra, etc. Assim, não somente estas duas pessoas físicas (Alberto Filho e Duílio Vetorazzo) como também a Pereira Barreto devem ser inseridos no pólo passivo. Neste sentido, entendo correto o procedimento fiscal, configurada a solidariedade de Alberto Filho e Duílio Vetorazzo. Ônus da prova na responsabilização Os dispositivos pinçados por Alberto Filho para demonstrar que o ônus da prova da responsabilização é da autoridade fiscal não se amoldam à alegação. O art. 142 destinase ao lançamento e não à atribuição de responsabilidade. Já o art. 942 do RIR se refere ao dever da autoridade de provar a inveracidade dos fatos registrados em contabilidade mantida com observação das disposições legais, e, assim, também não se aplica à prova do interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Autorizações de pagamento da Distribuidora e da Norte Riopretense para a C&S e a Campo Oeste O nexo conclusivo decorrente das autorizações de pagamento da Distribuidora e da Norte Riopretense para a C&S e para a Campo Oeste está no fato de que são controladas de fato por Alberto Filho e Duílio Vetorazzo, conforme afirmou a fiscalização. Desta forma, evidentemente logram receber o pagamento das vendas sem que tenham que se sujeitar à tributação, porquanto tais empresas são tituladas por sócioslaranjas. Enquanto isto, a Pereira Barreto, por eles titulada, permanece hígida sob o ponto de vista fiscal. Tais fatos foram abordados pela fiscalização. O fax da Bertin Alega a recorrente que o fato de existir em vários clientes o fax do recorrente, como no caso da nota fiscal 478.187 fornecida pela Bertin Ltda, não é prova das alegações. Pelo contrário, seria, a seu ver, prova da versão da recorrente. Conforme aduz, por alguma razão comercial ou de programação financeira, o cliente solicitou cópia da nota fiscal antes da chegada do produto em seu estabelecimento. O abatedouro que a possuía, atendeu. A versão não pode ser aceita. O frigorífico, se somente fizesse o serviço de abate, poderia fornecer sua nota fiscal de prestação de serviços já emitida, mas não a nota de venda do gado. O cliente, neste caso, não seria neste caso o destinatário final, mas o dono do gado. Assim, a relação com a Bertin haveria de ser feita diretamente com seu fornecedor e não com o abatedouro. Fl. 9530DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 20 37 Este fato corrobora integralmente a tese provada pela fiscalização de que a Pereira Barreto efetivamente vendia o gado, e, portanto, tinha ligações diretas com o cliente final. Recebimentos por empresas de fachada Alega a recorrente Pereira Barreto que a afirmação de que os recebimentos se davam através de empresas de fachada, controladas por interpostas pessoas não é provada e que não há qualquer documento (contrato social, procuração, etc) que ligue o Sr. Alberto a elas. Os autos dizem o contrário. O recebimento feito por empresas de fachada (Norte Riopretense, Campo Oeste e C&S) ficou amplamente demonstrado pelas autorizações que eram concedidas pela Distribuidora e Norte Riopretense para recebimento de pretensas vendas de gado, e que foram fornecidas pelos clientes da Pereira Barreto em procedimento de circularização. O efetivo ingresso nessas empresas foi comprovado por documentos bancários encaminhados por estes mesmos clientes. A ligação de Alberto Filho com as empresas de fachada ficou demonstrada. Em primeiro lugar, porque os sócios dessas empresas são pessoas humildes, cujos parcos rendimentos declarados à Receita Federal são incompatíveis com o negócio milionário de comércio de gado promovido pela Pereira Barreto, conforme os dados de movimentação financeira comprovados nos autos o dizem. Mas além disso, outras provas foram arrecadadas e demonstram esta ligação. Uma agenda de 2006 de Alberto Filho foi apreendida na Fri Rio, empresa de representação de que era sócio. Nela, constava na parte "dados comerciais" os dados da Norte Riopretense. Vários cheques da Norte Riopretense, em branco, ou assinados, foram encontrados na sede da FriRio, de onde Alberto Filho controlava a empresa. O Fisco Estadual também reconheceu que a Norte Riopretense de Sud Mennucci pertencia à Alberto Filho. Havia um caixa na Norte Riopretense que além das despesas desta empresa também pagava as despesas com seguro dos veículos de Alberto Filho e com FGTS de empregados da Pereira Barreto. Já a Campo Oeste recebia autorizações de pagamento de supostas aquisições feitas com notas frias da Riopretense. Recebeu, também, transferências de pagamentos feitos diretamente à Norte Riopretense. A FAMASUL ingressou com representação criminal contra a Campo Oestes, e relacionou dentre os sócios, Alberto Filho e seu pai. Documento apreendido na Fri Rio indica que Alberto Filho, no ano calendário de 2006 retirou prólabore da empresa Campo Oeste. No cadastro que fez no Bradesco afirmou que trabalhava há 5 anos e 4 meses na Campo Oeste (fl.153). Vários extratos da conta corrente 01465805, bem como da conta 01285106, em nome da Campo Oeste foram encontrados (fl.153) na busca e apreensão feita na Fri Rio. Documentos (cópias de cheques) ali apreendidos demonstram diversos pagamentos oriundos da conta 1465805, em nome da Campo Oeste, comprovando assim que o controle financeiro dessa empresa era realizado no escritório de "Beto Beleza" (fl.154). Fl. 9531DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 38 Com relação à C&S, a fiscalização verificou que nos dados cadastrais da sua conta corrente n.° 10.5600, agência 1297 em Pereira BarretoSP, o endereço para correspondência informado é o da FriRio Representações Ltda, de propriedade do Sr. Alberto Filho (Rua Fuad Jorge Goraieb, 120 em Sao José do Rio PretoSP). Na busca e apreensão feita na Couroada Comercial e Representações LTda (Couroada) foram arrecadados documentos (notas promissórias e contratos) que apontam como fiadores da Norte Riopretense Alberto Filho e Duilio Vetorazzo (fl. 159), indicando seu controle sobre aquela empresa. Por fim, os dados bancários obtidos com autorização judicial corroboram tais alegações, consoante afirmou a fiscalização. Há, assim, farto acervo probatório confirmando o recebimento de valores por empresas de fachada, controladas por Alberto Filho. Anexos I, II e III A defesa de Pereira Barreto questiona os Anexos I e II, que trazem relação de notas emitidas por terceiros, e ao Anexo III, que relaciona notas de saída da Norte. Além de questionar sua existência, indaga informações sobre a composição da nota, precisão de valores, razão de sua escolha (e não de outras), bem como, com relação ao livro, se é relativo ao livro inteiro ou parte, e se período inteiro ou parte. Ora, consoante demonstrou a fiscalização, os livros são parciais porque foram aqueles que a fiscalização conseguiu arrecadar com o escritório de contabilidade Jurkovich. Mas as notas conferem com os lançamentos do livro. Nos períodos em que não dispunha de livro, a fiscalização relacionou os dados que possuía, oriundos da planilha apreendida pela polícia federal, corroborados por circularizações de clientes. A alegação parte do pressuposto que o material é estranho, daí questionar sua existência, precisão, etc. Todavia, ao ser acolhida a tese da fiscalização tais perguntas perdem o sentido, sendo que as operações foram feitas pela própria recorrente, que sabe, assim, aquilo que praticou, fazendo com que tais perguntas tenham mero caráter retórico. Provas obtidas por terceiros A Pereira Barreto afirma não ter como aferir a validade de provas obtidas por terceiros (cópias de cheques de terceiros, cassações de inscrições estaduais, resultados de diligências em terceiros feitas pela Polícia Federal). A obtenção de provas através de terceiros é importante meio de produção de provas no trabalho fiscal, em especial quando não há colaboração, ou quando, como no caso do contribuinte, há produção de fraudes destinadas a lesar o fisco. A fraude busca aparentar cumprimento da lei, violandoa de forma dissimulada. O objetivo do fraudador é exatamente enganar a autoridade fazendária. As provas produzidas com terceiros, mediante circularização foram feitas diretamente pela autoridade fiscal. As provas produzidas pelo fisco estadual não foram utilizadas, mas tão somente a conclusão do processo, que resultou na cassação da eficácia da inscrição estadual, como mais um meio de convencimento adicional. Ressaltese que as conclusões a que chegou o Fisco Estadual harmonizamse com as aqui referendadas, e com as que também chegou a polícia federal, em especial quanto ao esquema de "noteiros" e de "clientes de noteiros". Fl. 9532DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10820.005072/200817 Acórdão n.º 1302001.768 S1C3T2 Fl. 21 39 Mas ao contrário do que afirma, a recorrente pode aferir a validade de tais procedimentos, pois respondeu, por si, ou de forma indireta, por seus representantes legais, também junto ao Fisco estadual e junto à polícia federal, relativamente a eles. Caso quisesse, poderia ter trazido para este processo as provas que contradissessem as alegações produzidas por aqueles órgãos. O contraditório lhe foi aberto. Mas preferiu tão somente fazer alegações vazias e evasivas. O mesmo se diga no tocante às provas produzidas por intimações de clientes e fornecedores. Provas diretas As provas obtidas são provas diretas, e estão declinadas acima. Não foi utilizada presunção. A participação da Pereira Barreto em esquema fraudulento foi devidamente provada pela fiscalização. Não houve inversão do ônus da prova. Há verdadeira avalanche de provas no mesmo sentido, produzidas em tempos próximos pela polícia federal, receita estadual e receita federal. A Pereira Barreto, contudo, não se desincumbiu de infirmar as provas produzidas. Provas da utilização de "notas frias" A acusação de que a recorrente se utilizou de “notas frias” emitidas por “empresas de fachada”, Norte Riopretense Distribuidora de Carnes Ltda e Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo é provada nos autos. Inicialmente, com o depoimento de Ana Cláudia Fioravante, Jacqueline Vilches, e Maria dos Anjos Medeiros. Estas duas últimas disseram até o preço da venda das notas. Em segundo lugar, o modus operandi da fraude corrobora a versão, com a proteção da empresa não posta sob domínio de laranjas, a Pereira Barreto, que fica com sua operação reduzida, enquanto as "noteiras", sob domínio de laranjas, arcam com toda a comercialização de gado, de forma a lesar o Fisco. Por último, há o recebimento em outras empresas, também em nome de laranjas, mas distintas das "noteiras", de forma a sofisticar o esquema e impedir quaisquer procedimentos acautelatórios de execução fiscal. Há ainda várias outras provas. Respostas de clientes corroboram esta versão. O transporte, feito pela transportadora do "Beto", também, como forma de reduzir os riscos da inclusão de terceiros no esquema se alinha à conclusão. Os resultados a que chegou o Fisco Estadual segue alinhado. As apreensões feitas na FriRio demonstram o domínio de Alberto Filho sobre a Norte Riopretense, Campo Oeste e C&S, empresaslaranjas que recebem os valores oriundos das vendas feitas com notas frias. Multa Qualificada Apontou a fiscalização que a receita declarada em DIPJ, em relação à receita omitida, em 2003, foi de 2,39%; em 2004, de 1,16%; em 2005, de 0%, concluindo pela prática reiterada de omissão de receita, cumulada com declarações em percentuais ínfimos. Além disto, utilizouse de notas fiscais frias da Distribuidora São Paulo e da Norte Riopretense para ocultar faturamento, e contas bancárias desta última e da Campo Oeste e da C&S para receber os valores devidos. Diante dessas condutas, entendeu que o dolo está presente e qualificou a multa de ofício. Fl. 9533DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 40 Diante do volume de provas produzidas, é inegável reconhecerse como real a versão apontada pela fiscalização. Daí decorre, invariavelmente, que as condutas perpetradas, pelo seu potencial perigoso e lesivo, altamente sofisticado, são indicativas do dolo de fraudar o fisco e de ocultar valores da autoridade fazendária. Assim, entendo correta a qualificação da multa de ofício. Decadência A ciência do auto de infração se deu em 20/10/2008. Os períodos lançados vão de 03/2003 a 12/2005. A fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, por evidente intuito de fraude. Desta forma, demonstrado o dolo, fica deslocado o dies a quo da contagem da decadência para 01/01/2004 (§4º do art. 150, c/c art. 173, I, do CTN), operandose, assim, a primeira decadência em 31/12/2008, relativamente a todos os tributos lançados. Desta forma, não verifico decadência do direito de lançar relativa a nenhum período lançado. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 9534DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10510.722589/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Súmula 01 do CARF.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Súmula nº 02 do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, e pela incompetência do Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Súmula 01 do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Súmula nº 02 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Súmula 01 do CARF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. Súmula nº 02 do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, e pela incompetência do Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 25 89 /2 01 3- 27 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.722589/201327 Acórdão n.º 2401004.049 S2‐C4T1 Fl. 250 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012. Data da lavratura do AIOP: 21/08/2013. Data da Ciência do AIOP: 26/08/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 51.037.0497, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao INCRA e ao FNDE, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/19. Constituemse fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas no presente auto de infração a prestação a prestação de serviços desempenhados pelos segurados empregados do sujeito passivo, no período de janeiro/2009 a dezembro/2012. Constituemse bases de cálculo das contribuições apuradas os salários de Contribuição pagos aos segurados empregados declarados em GFIP. Para tal, foram consideradas as GFIP com status de “exportada” na data de inicio da presente fiscalização, 30/04/2013. De acordo com a resenha fiscal, a cobrança de contribuições para o INCRA e para o Salário Educação encontrase atualmente suspensa por força de Acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Processo nº 000072776.2009.4.05.8500/02, tendo a essa Corte Federal entendido que o SENAI é entidade de assistência social, sem fins lucrativos, estando isenta de tais contribuições. O Processo acima citado teve admitido os Recursos Extraordinário e Especial, os quais se encontram, ainda, pendentes de decisão definitiva no STF e no STJ, respectivamente, estando suspenso em razão da Repercussão Geral da Matéria em lide, conforme art. 543A, §2º, do CPC. Por tal razão, o presente lançamento houvese por formalizado visando à prevenção da decadência, devendo permanecer com exigibilidade suspensa até superveniente decisão judicial definitiva. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 69/75. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0949.861 5ª Turma da DRJ/JFA, a fls. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 222/227, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 01/04/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 229. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 231/237, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que o SENAI possui ampla isenção por força dos artigos 12 e 13 da lei nº 2613/55; · Que a lei nº 9.766/98 é inconstitucional uma vez que a Constituição Federal, na nova redação do art. 212, § 5°, introduzida pela EC 14/96, prevê que a contribuição para o SalárioEducação será recolhida pelas empresas sendo que empresa é o empreendimento que busca lucro. É o que importa relatar. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.722589/201327 Acórdão n.º 2401004.049 S2‐C4T1 Fl. 251 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 01/04/2014. Havendo sido o Recurso protocolizado em 30/04/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Alega o Recorrente que o SENAI possui ampla isenção por força dos artigos 12 e 13 da lei nº 2613/55. A questão atinente à abrangência da isenção ampla prevista nos artigos 12 e 13 da lei nº 2613/55, especialmente ao que se refere às contribuições para o INCRA e para o Salário Educação, é objeto da Ação Ordinária nº 000072776.2009.4.05.8500/02, ajuizada pelo SENAI perante a 3ª Vara Federal de Sergipe, pendente ainda de decisão definitiva. A decisão de 1ª Instância Judicial reconheceu a imunidade do SENAI em relação às contribuições destinadas ao INCRA e ao Salário Educação, mediante sentença sujeita ao Reexame Necessário. Todavia, o TRF da 5ª Região, por unanimidade, deu provimento à apelação e à remessa oficial, em Acórdão publicado em 01/10/2010, nos termos da ementa que se vos segue: EMENTA: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. SENAI. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES AO INCRA E DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÕES DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO E SOCIAL GERAL, RESPECTIVAMENTE. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 195, § 7.º, DA CF/88. REGÊNCIA DO ART. 149 DA CF/88. 1. As contribuições do salárioeducação e ao INCRA, por serem, respectivamente, contribuição social geral e contribuição de intervenção no domínio econômico, submetendose, portanto, ao regime jurídico do art. 149 da CF/88, não são atingidas pela Fl. 254DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 imunidade prevista no art. 195, §7.º, da CF/88, que se refere, apenas, às contribuições previdenciárias. 2. Provimento da apelação da Fazenda Nacional e da remessa oficial, para julgar improcedente o pedido inicial, com a condenação do Apelado em honorários advocatícios de R$ 2.000,00 (dois mil reais), nos termos do art. 20, §4.º, do CPC. Na sequência, a 4ª Turma do TRF da 5ª Região, por unanimidade, deu provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto da relatora, mediante decisão publicada em 15/12/2010, consoante ementa transcrita a seguir: EMENTA: CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. SENAI. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ISENÇÃO. I. O acórdão embargado entendeu por devidas pelo SENAI as contribuições do salárioeducação e ao INCRA, por ser inaplicável a elas a imunidade prevista no art. 195, § 7º da CF/88, que abarcaria apenas as contribuições previdenciárias. II. O SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial é entidade de assistência social e educação, sem fins lucrativos, não se equiparando a empresa, pelo que está isento do recolhimento da contribuição para o INCRA. Precedentes: RESP 200501168390, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 06/03/2006; AC 200605000086439, Desembargador Federal Francisco Barros Dias, TRF5 Segunda Turma, 08/10/2009; AC 420419/PB TRF5ª Região Segunda Turma, Rel. Des. Paulo Gadelha, DJe 23.09.2010, p. 595. III. Embargos de declaração providos, com efeitos modificativos, para negar provimento à apelação. Inconformada com a decisão proferida pelo TRF da 5ª Região, a União interpôs Recurso Especial perante o Superior Tribunal de Justiça, o qual se houve por admitido, nos termos do art. 543 do CPC, em 01 de julho de 2011. Paralelamente, a União interpôs Recurso Extraordinário perante o Supremo Tribunal Federal, o qual, igualmente, houvese por admitido, nos termos do art. 543 do CPC, na mesma data. Ambos os recursos citado no parágrafo anterior encontramse pendentes de julgamento nas Cortes Superiores suso mencionadas. Nesse contexto, assentado que a citada medida judicial versa, no tudo e no todo, a respeito da Suposta Isenção do SENAI relativa às Contribuições Sociais destinadas ao INCRA e ao Salário Educação, fundamentandose nas mesmas razões de fato e de Direito e formulando as mesmas pretensões aviadas no recurso ora em apreciação, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.722589/201327 Acórdão n.º 2401004.049 S2‐C4T1 Fl. 252 7 A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que tal circunstância motivou a lavratura do presente Auto de Infração, tão somente, para a prevenção da decadência e a consequente suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal até o Trânsito em Julgado da decisão judicial em tela. A situação em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, a propositura de Ação Judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renuncia tácita às Instâncias Administrativas. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao Fl. 256DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o Poder Judiciário. Diante desse quadro, inviável se torna o conhecimento, por esta Corte, do Recurso Voluntário interposto, no que concerne à isenção do SENAI referente às contribuições destinadas ao INCRA e ao FNDE, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, e em atenção à Súmula nº 1 do CARF. De outro eito, mas vinho de outra pipa, o Recorrente alega que a lei nº 9.766/98 é inconstitucional uma vez que a Constituição Federal, na nova redação do art. 212, § 5°, introduzida pela EC 14/96, prevê que a contribuição para o SalárioEducação será recolhida pelas empresas sendo que empresa é o empreendimento que busca lucro. Cumpre inicialmente trazer à balha que todo ato normativo oriundo do Poder Legislativo ingressa no Ordenamento Jurídico com presunção relativa de conformidade com a Constituição. Dessarte, uma vez promulgada e sancionada a lei, esta passa a desfrutar de presunção iuris tantum de constitucionalidade, a qual somente pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário proferida pelo órgão jurisdicional competente. Segundo Luís Roberto Barroso (in Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional transformadora. 7ª ed. rev. São Paulo, Saraiva, 2009, p. 193), “O princípio da presunção de constitucionalidade dos atos do Poder Público, notadamente das leis, é uma decorrência do princípio geral da separação dos Poderes e funciona como fator de autolimitação da atividade do Judiciário, que, em reverência à atuação dos demais Poderes, somente deve invalidarlhes os atos diante de casos de inconstitucionalidade flagrante e incontestável”. Mostrase imperioso destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos insertas no Ordenamento Jurídico constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não teve, ainda, a sua constitucionalidade abatida pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fl. 257DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.722589/201327 Acórdão n.º 2401004.049 S2‐C4T1 Fl. 253 9 Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Por outro prisma, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar e julgar alegações de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia aflorar no Poder Judiciário. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso, em razão da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01, e pela incompetência do Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em atenção à Súmula CARF nº 02. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, e pela incompetência do Colegiado para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É como voto. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.722589/201327 Acórdão n.º 2401004.049 S2‐C4T1 Fl. 254 11 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001551/2005-38
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 22/04/2004
PRELIMINAR DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE MULTA POR ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - ALEGAÇÃO DE CONFISCO.
A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de argüição de inconstitucionalidade, de lei em vigor.
SUBFATURAMENTO. CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. MATERIALIADADE COMPROVADA.
Comprovada nos autos a prática de subfaturamento de produtos em Declarações de Importação, com o fito de evitar o recolhimento de tributos, com a apresentação de documentação ideologicamente falsa, adequada a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias importadas, com sua conversão em multa. Afastamento de alegação não comprovada de que o lançamento fora baseado em mera suposição de que a documentação apresentada pelo importador está em desacordo com anotações feitas pelo exportador.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.271
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, votaram pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Nanci Gama
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/04/2004 PRELIMINAR DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE MULTA POR ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de argüição de inconstitucionalidade, de lei em vigor. SUBFATURAMENTO. CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. MATERIALIADADE COMPROVADA. Comprovada nos autos a prática de subfaturamento de produtos em Declarações de Importação, com o fito de evitar o recolhimento de tributos, com a apresentação de documentação ideologicamente falsa, adequada a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias importadas, com sua conversão em multa. Afastamento de alegação não comprovada de que o lançamento fora baseado em mera suposição de que a documentação apresentada pelo importador está em desacordo com anotações feitas pelo exportador. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/04/2004 PRELIMINAR DE AFASTAMENTO DE APLICAÇÃO DE MULTA POR ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de argüição de inconstitucionalidade, de lei em vigor. SUBFATURAMENTO. CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. MATERIALIADADE COMPROVADA. Comprovada nos autos a prática de subfaturamento de produtos em Declarações de Importação, com o fito de evitar o recolhimento de tributos, com a apresentação de documentação ideologicamente falsa, adequada a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias importadas, com sua conversão em multa. Afastamento de alegação não comprovada de que o lançamento fora baseado em mera suposição de que a documentação apresentada pelo importador está em desacordo corn anotações feitas pelo exportador. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 CC03/CO3 Fls. 278 ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, votaram pela conclusão. ANELISE PAU iT PRIETO Presidente 4 _■ICI G MA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli e Tardsio Campelo Borges. Ausente o Conselheiro Heroldes Bahr Neto. 2 Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 CC03/03 Fls. 279 Relatório Por bem relatar a processo em exame, adoto o relatório da delegacia da receita federal de julgamento em fortaleza/ce (fls. 219 a 225), que passo a transcrever: "Trata o presente processo de Auto de Infração, fls.01/05, para exigência da multa de R$ 132.470,66, equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas não localizadas ou consumidas, decorrente da conversão da pena de perdimento em multa, conforme preceitua o §* 1° do artigo 618 do Decreto n° 4.543, de 26/12/2002 (Regulamento Aduaneiro), cuja base legal ê o Decreto-lei n° 1.455, de 1976, art. 23, ss' 3 0, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, art. 59 c/c o art. 73 da Lei no 10.833/2003. 2. Esclarece a fiscalização no Termo de Verificação de fls. 06/28, anexo ao respectivo auto de infração: "2." 0 procedimento fiscal, ora vertido a termo, teve por desígnio a verificaçã'o de elementos indiciários de fraude na importação das mercadorias constantes na Declaração de Importação DI n° 04/10999472-8 submetida iz aplicação de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro por decisão da Coordenação Geral da Administração Aduaneira (COANA), órgão central da Secretaria da Receita Federal - SRF, mediante direcionamento do importador para o canal cinza de conferencia aduaneira. 12. Na seqüência, solicitamos da COANA maiores esclarecimentos a respeito das razões motivadoras da aplicação de procedimento especial para as mercadorias classificadas na NCM 8516.40.00. Fomos informados que se tratava de suspeita defraude de valor na importação de ferros elétricos de passar. Em anexo a esta informa cão, transmitida por meio do correio eletrônico institucional da SRF, recebemos arquivo eletrônico contendo o Memoranda s/n Coana/Cotac/Divam, de 18 de agosto de 2004 (fls.56 a 57), encaminhando denúncia sobre ferros elétricos - NCM 8516.40.00. 13. Além disso, decidimos realizar um levantamento de preços de algumas das mercadorias constantes em outras adições da DI com o propósito de verificar a regularidade dos valores declarados. Para tanto, foi utilizada como ferramenta de pesquisa o sistema informatizado da SRF denominado Data Warehouse Aduaneiro - DW Aduaneiro, do qual fin possível extrair informações sobre importações anteriores de mercadorias idênticas aquelas importadas pela pessoa jurídica fiscalizada. 14. Com os dados resultantes desta pesquisa, foi possível averiguar que os preps declarados pela FEIRA DOS IMPORTADOS estavam pelo menos 50% menores em comparação aos pregos declarados por outros importadores. Tal constatação levantou a suspeita da prática de subfaturamento nas importações pela empresa FEIRA DOS IMPORTADOS. 3 Processo n° 1 0283.001551 /2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 15. Diante dos valores aduaneiros declarados e com o fito de averiguar as possíveis irregularidades, foi emitido pela Sra. Inspetora da A(fândega do Porto de Manaus o Mandado de Procedimento Fiscal diligencia (MPF-D) no 02.2.76.00-2005-00040-6 6(7.58 a 60), afim de dar inicio ao procedimento fiscal de diligência no estabelecimento comercial da empresa. 16. Os Auditores-Fiscais compareceram no dia 01 de fevereiro de 2005 ao endereço da empresa FEIRA DOS IMPORTADOS, onde foram recebidos pela Senhora MARIA AUXILIADORA DE ARAUJO FROTA, CPF n° 480.790.813-87, responsável legal e pelo Senhor FRANCISCO EVANDRO FROTA FONTINELL CPI 7 n° 077.892.892-68, seu esposo e procurador da empresa, tendo a Senhora Maria A. Frota tornado ciência do referido Mandado, bem como do Termo de Inicio de Diligencia Fiscal ([63.). 17. Pelo citado Termo, a responsável legal foi informada acerca do escopo da ação fiscal veríficagd o dos documentos de importações realizadas nos anos de 2002.2003 e 2004 - bem como das prerrogativas legais das atribuições dos Auditores-Fiscais da Receita Federal. 18. Numa primeira etapa, foram coletadas declarações da Sra. MARIA AUXILIADORA DE ARAUJO FROTA acerca das transações de comercio exterior empreendidas pela empresa, que ficaram consignadas em Termo de declarações Prestadas (fl . 64), no qual afirma ser o Senhor FRANCISCO EVANDRO FROTA FONTINELI o responsável pelas compras no exterior e que o "Sr. Evandro viaja ao pais exportador e escolhe as mercadorias". Os recibos emitidos pelo exportador SHIVAM (fl. 68) evidenciam a declaração prestada pela senhora Maria Auxiliadora A. Frota quando à participação do senhor Francisco Evandro F. Fontineli nas negociações com o exportador. 19. Por conseguinte, a fim de dar prosseguimento aos trabalhos da fiscalização "in loco", a responsável legal supramencionada nos acompanhou e apresentou a documentação solicitada pelos Auditores- Fiscais 20. Logo após, a fiscaliza cão passou a examinar diversos documentos constantes no estabelecimento comercial, SEMPRE com auxilio e acompanhamento da Senhora MARIA AUXILIADORA DE ARA UJO FROTA e do Senhor FRANCISCO EVANDRO FROTA FONTINELI, sendo que em nenhum momento foi oferecida qualquer resistência a atuação dos Auditores-Fiscais. 21. Assim, a fiscalização procedeu à análise de diversas pastas que demonstravam conter documentos que pudessem revelar informações valiosas para a continuidade da ação fiscal em curso. 22. Todo o procedimento foi devidamente registrado em termo próprio, denominado TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGENCIA FISCAL (f165), inclusive a lacração dos documentos e material selecionados. CC03/CO3 Fls. 280 4 Processo no 10283.001551/2005-38 Acórdão n. ° 303-35.271 CC03/CO3 Fls. 281 23. Após a lacra ção de diversos documentos acondicionados em um único volume, a Senhora MARIA AUXILIADORA DE ARA UJO FROTA e o Senhor FRANCISCO EVAIVDRO FROTA FONTINELI tomaram ciência do TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL, com expressa intimação para comparecimento A SAPEA, a firn de que se procedesse a deslacração do volume e a identificagdo dos documentos de interesse da fiscaliza cão, conforme preconiza o art. 36 da Lei 9430/96..... Todos os documentos retidos Para análise, contidos nas pastas listadas no TERMO DE RETENÇÃO DE DOCUMENTOS . 66), foram devidamente rubricados pela Senhora MARIA AUXILIADORA DE ARA UJO FROTA e Pelo Senhor FRANCISCO EVANDRO FROTA FONTINELL A partir de então, a fiscalização passou a analisar as importações realizadas pela pessoa jurídica fiscalizada, destacando que no período considerado no MPF-D, os anos de 2002, 2003 e 2004, a empresa realizara cinco importações e, mediante o confronto dos documentos de importação coletados na Diligencia fiscal, verificou-se que os documentos diversos contidos na pasta de cor verde, na verdade, eram vários pedidos de compras e faturas comerciais referentes ás importações realizadas pela FEIRA DOS IMPORTADOS no ano de 2004, período que abrange duas Declarações de Importação, a saber: DI n°04/0999472-8, registrada em 04 de outubro de 2004, sendo parametrizada para o canal cinza de conferencia aduaneira e motivadora da ação fiscal implementada e a DI no 0410377585-4, registrada em 22 de abril de 2004 e já desembaraçada, restando prejudicada a análise das importações realizadas nos anos de 2002 e 2003 (três ao todo). 3. A fiscalização após as considerações iniciais sobre a infração apurada e o "modus operandi" utilizado pela empresa, destaca a legislação pertinente ao Regime Zona Franca de Manaus e a ocorrência de Dano ao Erário decorrente da prática do subfaturamento constatado, mediante a redução do recolhimento das contribuições devidas na opera cão de importação: PIS/P,4SEP - Importação e da COFINS - Importação. 4. Nesse mister traz ainda a colação a base legal que disciplina as situações de dano ao erário e a conseqüente pena de perdimento da mercadoria, bem como a base legal que determina a base de cálculo dos tributos incidentes na importação II, IPI - vinculado e das contribuições já referidas, destacando quanto à base de cálculo utilizada para apuração da exigência ern tela: 65. Portanto, consideraremos como valor de transactio os valores apurados pela fiscalização na verificação das faturas que retratam os pregos efetivamente negociados. Estes valores, somados ao frete internacional Parto e demais Rastos relativos a carta, à descarta e ao manuseio. associados ao transporte da mercadoria importada, comporão o valor aduaneiro, base de cálculo clos tributos. 68. Conforme demonstrado neste Relatório, o fechamento do câmbio - pagamento oficial da importação - ocorreu em valores menores do que aqueles efetivamente negociados. Ora, Constatada esta circunstância, tem-se então que o pagamento desta diferença não foi contabilizado, 5 Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 CC03/03 Fls, 282 permitindo-se presumir que os recursos utilizados para os pagamentos foram retirados de fundos não contabilizados, portanto, supridos por receitas anteriormente omitidas. 69. Em face desta apuração, formulou-se Representação Fiscal para a Delegacia da Receita Federal em Manaus, Unidade com competência regimental para fiscalização dos tributos ditos internos (IR, PIS, COFINS e CSLL). No que tange à internação de mercadorias, realizou- se consulta abrangendo o período de 2002 a 2005 onde não se constatou nenhum registro de DCI (f1. 174). 5. As infrações apuradas foram: I) Declarações de Importação Ideologicamente falsas consubstanciadas em utilização de faturas comerciais também ideologicamente falsas. com a inserção de elementos inveridicos, no caso os pregos praticados, vorazmente subfaturados. Em razão das irregularidades acima, propôs-se a aplicação das seguintes penalidades: - Perdimento das mercadorias objeto da Declaração de Importação n° 04/0999472-8, nos termos do artigo 105, inciso VI, do Decreto-lei n.° 37166, mediante a lavratura do Auto de Infra cão protocolizado na GRA/MF/AM sob n° 10283.001645/2005-15; - Conversão da Pena de Perdimento ern Multa equivalente ao valor aduaneiro, da mercadoria, objeto da Declaração de Importação 04/00377585-4, em razão de tratarem-se de mercadorias já desembaraçadas anteriormente à ação .fiscal, nos termos do art. 23, 5s. 3 0, do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, art. 59, mediante a lavratura do Auto de Infração protocolizado na GRAIliff/AM sob n° 10283.001551/2005-38. (sic). 6. Em face da recusa pelo sujeito passivo em tomar ciência do auto de infra cão acima mencionado, conforme demonstrado no despacho de fls. 184, esta foi considerada em 12/05/05, fls.182, data da Lavratura do Termo de Ocorrência 7. Em 13/06/05, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fis. 189/206, que em apertada síntese a seguir se reproduz: Inexistência de subfaturamento 7.1 - não está comprovado nos autos administrativos a prática da infração que motivou a aplicação da exorbitante multa, (..) aplicada sem critérios lógicos-materiais, e sem fundamentação legal, pois está visível a insegurança da fiscalização quando afirma que a importação realizada pela impugnante foi realizada 'por meio da utilização de documentos ideologicamente falsos'; contrariando os princípios da tipicidade e da segurança jurídica; 7.2 - a multa aplicada contra a Impugnante não tem razão de ser, posto que sem amparo legal, não estando comprovado o ato ilícito que supostamente a motivou, o que será demonstrado a seguir. 6 Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórao n.° 303-35.271 CC03/CO3 Fls. 283 7.3 - no longo relatório elaborado pela fiscaliza cão esta afirma que a impugnante praticou o subfaturamento do prep das mercadorias importadas com a finalidade de diminuir o valor dos tributos devidos ao Governo, 7.4 - em nenhum momento restou comprovada essa prática motivadora da aplicação do artigo 23, inciso V, § 3° do Decreto-Lei no 1.455/76, isto é a substituição da pena de perdimento pela aplicação de multa. 7.5 - todas as faturas, assim como a Declaração de Importação foram submetidas ao crivo dos agentes da Alfiindega, considerando-as regularmente emitidas e, efetuado o pagamento do PIS e COFINS devidos ao Governo Federal, foram posteriormente entregues ao seu destinatário que as comercializou na Zona Franca de Manaus. 7.6 - os preps constantes das faturas comparados com os pedidos preenchidos manualmente NADA comprovam tenha ocorrido o subfaturamento, pelo simples fato de que os valores constantes em ambos os documentos são totalmente diferentes, bem como os produtos nele discriminados divergem entre si e até mesmo daqueles identificados na Declaração de Importação, portanto não podem servir de base para aplicação de multa por irem de encontro ao principio da tipicidade. 7.7 - a documentação analisada pela fiscalização não é absolutamente prova de que tenha ocorrido o subfaturamento, ao contrário, analisando-a cuidadosamente, verifica-se que vários produtos estão com o prep superior àquele mencionado na Fatura expedida pelo Exportador; 7.8 - os documentos examinados, conforme se constata as fls. 16 do processo administrativo são os pedidos de compra em confronto com as faturas emitidas pelo exportador, que segundo a fiscalização, os preps declarados pelo Importador, ora Impugnante, são menores em 50%; 7.9 - verdadeiramente, não é esse o critério para aferir se houve subfaturamento ou não, especialmente no que se refere ei forma de valoração aduaneira para a aplicação da multa pela suposta infra cão. Apesar dos fartos argumentos aduzidos pelos senhores ficais não está comprovado subfaturamento, dai ser indevida a aplicação da multa pecuniária em substituição à pena de perdimento. 7.10 - as decisões administrativas ora transcritas endossam o entendimento de que não basta comparar os preços com o mesmo fornecedor, é necessário muito mais que isso para considerar um preço subfaturado. A fiscalização embasou-se tão somente nos pedidos emitidos pelos mesmos exportadores e pelas faturas também emitidas por eles, não havendo qualquer comprovação de que os produtos foram realmente vendidos com o prego abaixo do normaL 7.11 - não juntaram aos autos notas fiscais comprovando que a importadora vendeu tais produtos com preps elevados e que com isso obteve alguma vantagem econômica. 7.12 - ademais não foi considerado ainda o fato de que a impugnante efetuou o pagamento do PIS, COFINS e ICMS incidentes sobre as mercadorias importadas e que o IPI e o II ficaram isentos, uma vez que os produtos foram comercializados na Zona Franca de Manaus, na forma do que determina o Decreto-lei n° 288/67. 7 Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 CC03/CO3 Rs. 284 Multa Confiscatória 7.13 - a multa é visivelmente confiscatória e de/95e contra a capacidade contributiva da pessoa jurídica, uma que não terá condições de saldar esse compromisso, sem comprometer parcela considerável de seu património. A multa é um acessório do imposto e a sua aplicação deve ocorrer com leveza e não extrapolando os limites do direito de propriedade - assegurado na CF/88. 7.14 - em vista dessa circunstância, não poderia a penalidade corresponder ao mesmo valor principal, caracterizando uni verdadeiro confisco, e não uma pena educadora, disciplinar, que é o escopo da multa. 7.15 - cita o art. 10, IV da CF/88 e traz a colação várias lições doutrinárias para demonstrar a pertinência de sua tese; 7.16- invoca ainda jurisprudência judicial que entende aplicável ao caso; 7.17 - ao final requer "... pelos argumentos aduzidos e com base na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, na lei e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, comprovado que a multa aplicada não possui sustentaça o, uma vez que os auditores não comprovaram o subfaturamento alegado, a improcedência do auto de infração". " A Delegacia Regional de Julgamento julgou procedente o lançamento para considerar devida a multa aplicada, exarando a seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias. Data do fato gerador: 22/04/2004 Ementa: SUPERFATURAMENTO. CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. MATERIALIDADE COMPROVADA. A constatação material de que houve importação baseada em documentação ideologicamente falsa, comprovando subfaturamento destinado a reduzir indevidamente o imposto correspondente, justifica o lançamento da exigência, a qual não poderá ser afastada por alegações não comprovadas de que o lançamento fora baseado em meras suposições ou em falsas premissas. Assunto: Processo Administrativo Data do fato gerador: 22/04/2004 Ementa: MULTA CONFISCA TÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE - Incabível a tese colacionada na defesa com relação a multa de oficio, invocando o principio da capacidade contributiva e a vedação ao confisco, impressos no texto constitucional. A análise das matérias constitucionais trazidas à lume esteio fora do âmbito de competência dessa esfera administrativa, em face das disposições da Carta Magna que estabelece as formas de controle da constitucionalidade das leis, controle preventivo e repressivo. Lançamento Procedente." cj 8 • Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 0003/CO3 Fls. 285 Dessa decisão recorre o contribuinte. Em sua peça recursal, além de repisar os argumentos de seu Recurso Voluntário a DRJ, acrescenta insistentemente, que, primeiramente, a devida comprovação do subfaturamento alegado não ocorreu, contrariando o principio de tipicidade e da segurança jurídica. Em segundo lugar que, apesar de o julgador administrativo não ter poderes para declarar inconstitucionais dispositivos legais, este tem autorização para afastar a aplicação de dispositivos que contrariam o texto maior, especialmente em aplicações de multas exorbitantes, que representariam verdadeiros confiscos. Além disso, insiste o agente passivo que não há elementos convincentes para endossar a pratica do subfaturamento, já que os auditores somente analisaram documentos colocados à disposição pelo importador, sem qualquer resistência, o que provaria a não prática de qualquer ato que resultasse em prejuízo para o fisco federal por parte do contribuinte. Desta forma, não haveria de se falar em subfaturamento baseado somente em alegações de que na fatura comercial apresentada pelo importador estaria em desacordo com as "anotações" feitas pelo exportador, sem buscar maiores informações em livros fiscais e contábeis. o relatório. 9 Processo n° 10281001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 CC03/CO3 Fls. 286 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora 0 Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Recorre o contribuinte da decisão proferida pela DRJ de origem que julgou procedente o lançamento para considerar devida a multa aplicada, posto que esta não teria amparo legal, não estando comprovado o ato ilícito que supostamente a motivou. Acontece que este argumento não apresenta sustentação nem aponta qualquer erro na constatação de que as provas reunidas pela fiscalização são suficientes para a inequívoca conclusão a que se chega no auto de inflação. Efetivamente, pelo cotejo entre as faturas dos parceiros comerciais estrangeiros do recorrente, pertinentes As mercadorias em questão, e a Declaração de Importação objeto da autuação, observa-se que os preços das mercadorias constantes da declaração do recorrente A autoridade aduaneira brasileira estão evidentemente aquém dos preços praticados por seus fornecedores. Esta diferença encontra-se sintetizada na tabela confeccionada pela fiscalização (fls. 149 a 151) onde claramente é verificado a pratica de subfaturamento do valor das mercadorias na média de aproximadamente 50%, com apenas a exceção As adições 10 e 13 da DI, relacionados nos pedidos de compra no 17375, emitido pela empresa IMPORTADORA Y EXPORTADORA ROSEN S.A. Em síntese, ao contrário do afirmado pelo recorrente, o substrato material que embasou a imposição das penalidades em questão não se resume a meras ilações e suposições ou alegações de que as fatura comercial apresentada pelo exportador esta em desacordo com as "anotações" feitas pelo exportador. Ao contrario, as infrações imputadas ao contribuinte restaram firmemente comprovadas pela atuação da fiscalização. Impossibilidade de afastamento discricionário da penalidade quanto aos pedidos do recorrente para que seja afastada a aplicação da pena de Conversão de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria em questão, baseado unicamente na interpretação de que o valor dito "exorbitante" da multa seria um verdadeiro confisco e estaria desta forma contrario ao texto constitucional. Cumpre destacar que não há qualquer previsão legal que permita A administração agir discricionariamente neste sentido. A argüição de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "h" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de argüição de inconstitucionalidade, de lei em vigor. 0 artigo 142 do CTN, ao contrário, afirma ser o lançamento atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, sendo, pois, defeso A autoridade lançadora a adoção de quaisquer critérios discricionários para o afastamento do mesmo, ct( ressalvados os casos admitidos em lei. o Processo n° 10283.001551/2005-38 Acórdão n.° 303-35.271 CC03/CO3 Fls. 287 Com efeito, em caso semelhante ao presente, o E. Terceiro Conselho de Contribuintes entendeu aplicável a multa de decorrente da conversão da pena de perdimento: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/10/2002, 15/10/2002 Ementa: SUBFATURAMENTO. CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. MATERIALIADADE COMPROVADA. Comprovada nos autos a prática de subfaturamento de produtos em Declarações de Importação, com o .fito de evitar o recolhimento de tributos, com a apresentação de documentação ideologicamente falsa, adequada a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias importadas, com sua conversão em multa. Improcedência de argumentos conjecturais não comprovados pelo recorrente. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA" Por todo exposto, conheço do recurso, mas NEGO PROVIMENTO, mantendo integralmente a r. decisão recorrida. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2008
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Numero do processo: 11065.722653/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Designado o conselheiro Robson José Bayerl.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto e Redator Designado.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Designado o conselheiro Robson José Bayerl. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto e Redator Designado. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio. Designado o conselheiro Robson José Bayerl. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto e Redator Designado. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 22 65 3/ 20 12 -5 7 Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.722653/201257 Resolução nº 3401000.916 S3C4T1 Fl. 3.292 2 Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração Complementares (fls. 2961 a 2977)1, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP (valor original de R$ 273.718,64) e de COFINS (valor original de R$ 1.259.584,06), em relação aos períodos de junho de 2007 e janeiro de 2008. No Relatório da Ação Fiscal que acompanha as autuações complementares (fls. 2978 a 3035), registrase que: (a) a fiscalização abrangeu o período de julho de 2006 a fevereiro de 2008; (b) os Autos de Infração referentes ao segundo semestre de 2006 foram formalizados no âmbito do processo administrativo no 11065.722979/201101; (c) os Autos de Infração relativos ao período de janeiro de 2007 a fevereiro de 2008 figuram no processo administrativo no 11065.720100/201260 (cópias às fls. 830 a 855), no qual a empresa apresentou, em sede de impugnação (cópia às fls. 890 a 923), novos documentos, que ensejaram a formalização do relatório de diligência (Informação Fiscal) de fls. 2927 a 2960, e da presente autuação complementar; (d) no relatório originário, apontouse que: (d1) a empresa tem como objeto social a prestação de serviços de captura, transmissão e processamento de dados e informações, comercialização, distribuição e intermediação de créditos prépagos de telefonia celular, e atividades afins; (d2) na ação fiscal, foram constatadas irregularidades em relação a créditos sobre serviços e depreciação de bens aplicados na comercialização (de créditos de telefonia celular), tendo sido considerados aqueles decorrentes da prestação de serviços, e adotado rateio proporcional ao número de cada tipo de operação (revenda x prestação de serviços), com base em dados informados pela empresa, no caso de ausência de discriminação; (d3) foram glosados os créditos da não cumulatividade decorrentes de: (d3a) dispêndios com desenvolvimento e manutenção da Rede GETNET, canal que permite recarga de telefonia prépaga e captura de dados, apenas no que se refere a operações de comercialização de créditos de telefone celular (por falta de previsão legal); (d3b) intermediação na revenda de recargas de celular (custos de terceirização na distribuição de recargas), quando estas configurem operações comerciais; (d3c) depreciação de bens do ativo imobilizado, e móveis e utensílios, também com rateio proporcional; (d3d) dispêndios com combustível e combustível em viagens; e (d3e) aquisições de mercadorias não comprovadas (sendo admitidas notas fiscais e também dados informados em demonstrativos da empresa); e (d4) foi efetuada reconstituição da escrita, apurando o saldo credor a partir dos dados informados pela empresa e das glosas efetuadas, exigindose as diferenças com a multa de ofício e os juros de mora; (e) a fiscalização verificou que além de apresentar novos documentos, a empresa alterou de forma profunda os demonstrativos anteriormente apresentados, realocando diversas aquisições em meses diversos dos originariamente declarados ao fisco; (f) vários dos "novos" documentos em verdade se referem a pagamentos relativos a notas fiscais já computadas, ou que ocasionariam a tomada de crédito em duplicidade; (g) as alterações promovidas nos demonstrativos fizeram ainda com que compras que passaram a ser incluídas em março de 2007 aproveitassem créditos já incluídos na base de cálculo do mês de fevereiro (tabela ao início da fl. 3011), e que remessas enviadas pela TIM à empresa fossem consideradas como pagamentos em sentido inverso (tabela à fl. 3011), além de revelarem operações também ao desamparo de documentação comprobatória (tabela ao final da fl. 3011) e operações em duplicidade (tabelas às fls. 3012 a 3014); (h) em relação a abril e junho de 2007 foram detectadas também operações em duplicidade (respectivamente, às fls. 3015 a 3017, e 3020); (i) em maio de 2007, foram verificadas operações não comprovadas e 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.722653/201257 Resolução nº 3401000.916 S3C4T1 Fl. 3.293 3 em duplicidade (fls. 3017 a 3019); (j) a nova relação fez ainda surgirem operações que integram a base de cálculo de créditos em julho de 2007, e já haviam integrado a base de cálculo dos créditos em junho (tabela à fl. 3022), demandando indevidamente crédito sobre mercadoria recebida em bonificação (fl. 3023); (k) também em dezembro de 2007 foram consideradas remessas à TIM, quando as operações de fato foram em sentido inverso, além de terem sido computados créditos em relação a aquisições não comprovadas, em duplicidade, ou relativas a operações para as quais foi apresentada documentação ilegível (fls. 3023 a 3026); e (l) houve ainda duplicidades de demanda de crédito em janeiro de 2008 (fls. 3026 a 3028). Ao final, a fiscalização destaca que, em relação à exigência efetuada no processo de no 11065.720100/201260, haveria que se adicionar valores aos meses de junho de 2007 e janeiro de 2008, conforme tabelas de fl. 3034. Cientificada da autuação complementar em 06/06/2012 (cf. AR de fl. 3036), a empresa apresenta impugnação em 05/07/2012 (fls. 3038 a 3055), alegando basicamente que: (a) a autuação é lavrada em razão de a Rede GETNET ser utilizada tanto para prestação de serviços (operadoras que trabalham na modalidade on line) quanto para compra e venda de recargas (na modalidade off line), sendo que a fiscalização entendeu, sem embasamento legal, que os créditos decorrentes de custeio e investimento na rede são indevidos na parcela que seria relativa a compra e venda de recargas (modalidade off line), promovendo rateio de ofício; (b) na revenda on line (distribuição de recarga), a Rede GETNET é usada para capturar informações com posterior repasse à operadora de telefonia; (c) na revenda off line, a operadora de telefonia repassa lote (de informações eletrônicas, e não de produtos físicos) à empresa, que valida um PIN nos pontos de venda, para utilização pelo consumidor na recarga; (d) os investimentos em desenvolvimento e manutenção da Rede GETNET são sempre inerentes e intrínsecos a sua prestação de serviços, seu principal ramo de atividade; (e) não existe fundamento que obrigue a impugnante a apropriar créditos na proporção do volume de transações realizadas sob a forma de prestação de serviços, ou a proíba de se apropriar de tais créditos em sua integralidade; (f) é impossível segregar o insumo adquirido segundo a atividade (comercial ou de prestação de serviços), pois todos os serviços contratados, e máquinas e equipamentos utilizados, são necessários e foram comprados para prestação do serviço de captura e transmissão de dados (ou seja, existindo ou não atividades de revenda, todos os gastos teriam sido incorridos); e (g) a reconstituição da escrita tomou como certos saldos que ainda estão em discussão em processos administrativos diversos, sendo ainda cabível a realização de perícia. Em 04/09/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 3196 a 3204), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) não ocorreu simples rateio direto dos créditos apurados, mas especificação dos custos envolvidos em cada uma das operações (fl. 3202); (b) só podem ser apropriados créditos sobre despesas relativas a insumos utilizados na prestação de serviço ou na produção de outros bens, não havendo previsão para créditos em relação a bens destinados a revenda; (c) é desnecessária a realização de perícia; e (d) a empresa não contestou diversas rubricas, entre as quais as referentes a móveis e utensílios e combustíveis, operandose a preclusão. Cientificada do julgamento de piso em 17/09/2012 (cf. AR de fl. 3207), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 11/10/2012 (fls. 3209 a 3230), argumentando que a empresa possui o direito de se apropriar da totalidade dos créditos decorrentes dos insumos, e não apenas sobre partes dos custos como entendeu a DRJ, utilizados na constituição e manutenção da sua rede GETNET, e que são necessários para a prestação dos serviços da Recorrente, o que autoriza o reconhecimento do crédito sobre a depreciação desses ativos. No Fl. 3293DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.722653/201257 Resolução nº 3401000.916 S3C4T1 Fl. 3.294 4 mais, reitera o detalhamento de suas atividades, externado em sede de impugnação, e que não existe fundamento que obrigue a impugnante a apropriar créditos na proporção do volume de transações realizadas sob a forma de prestação de serviços, ou a proíba de se apropriar de tais créditos em sua integralidade, sendo impossível segregar o insumo adquirido segundo a atividade (comercial ou de prestação de serviços), pois todos os serviços contratados, e máquinas e equipamentos utilizados, são necessários e foram comprados para prestação do serviço de captura e transmissão de dados. Por fim, reitera a demanda por perícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Há que se desfazer, de início, a aparente confusão entre os objetos do presente processo e dos outros dois processos administrativos referidos nos autos. A fiscalização, como se relata, abarcou o período de julho de 2006 a fevereiro de 2008. Os Autos de Infração referentes ao segundo semestre de 2006 foram formalizados no âmbito do processo administrativo no 11065.722979/201101. Os Autos de Infração relativos ao período de janeiro de 2007 a fevereiro de 2008, por sua vez, foram originalmente lavrados no bojo do processo administrativo no 11065.720100/201260. E, a partir da apresentação de documentos novos na impugnação, em tal processo, a fiscalização detectou valores adicionais a serem lançados, em função de duplicidades de cômputo em distintos períodos/com diferentes documentos, erro no cômputo de remessas da/à TIM, ausências de comprovação e documentação ilegível, e bonificação. Em síntese, cada processo administrativo versa sobre objeto diferente. E cada processo tem seu andamento, conforme tabela a seguir, obtida mediante consulta ao sistema "e processos": Processo Objeto Andamento 11065.722979/201101 AI (PIS/COFINS) jul/2006 a dez/2006. Glosas diversas. Afeta os demais por alterar saldo credor inicial. Situação: "distribuir/sortear", na 1a T.O. da 2a Câmara da 3a Seção do CARF. A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela DRJ, em 04/09/2012 (mesma data em que tal DRJ julgou o presente processo), tendo sido apresentado recurso voluntário. 11065.720100/201260 AI (PIS/COFINS) jan/2007 a fev/2008. Glosas referentes a dispêndios com desenvolvimento e manutenção da Rede GETNET, intermediação na revenda de recargas de celular, depreciação de bens do ativo imobilizado, e móveis e utensílios, combustível, e aquisições Situação: "distribuir/sortear", na 1a T.O. da 2a Câmara da 3a Seção do CARF. A impugnação foi julgada procedente em parte, por unanimidade, pela DRJ, em 04/09/2012 (mesma data em que tal DRJ julgou o presente processo). Diante do montante do lançamento afastado (em função do resultado da diligência) a DRJ Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.722653/201257 Resolução nº 3401000.916 S3C4T1 Fl. 3.295 5 de mercadorias não comprovadas. recorreu de ofício da decisão. Foi apresentado recurso voluntário, contra arrazoado pela Fazenda. 11065.722653/201257 AI complementar (PIS/COFINS) jun/2007 e jan/2008. Relativo a duplicidades de cômputo em distintos períodos/com diferentes documentos, erro no cômputo de remessas da/à TIM, ausências de comprovação e documentação ilegível, e bonificação. Tratase do presente processo, a ser analisado neste voto. Assim, em que pese a origem dos dois primeiros processos ser comum (a um mesmo procedimento fiscal) e ter sido o terceiro processo originado da análise da documentação apresentada na impugnação do segundo, sendo os três processos julgados pela mesma turma da DRJ, na mesma data, o trâmite interno, no CARF, afastouos, e aqui se está a analisar tãosomente o terceiro processo da tabela. E o terceiro processo, reiterese, é restrito a duplicidades de cômputo em distintos períodos/com diferentes documentos, erro no cômputo de remessas da/à TIM, ausências de comprovação e documentação ilegível, e bonificação. Esclareçase, na literalidade do relatório fiscal, a origem das autuações complementares aqui em análise (fl. 3034): Assim, não se está no presente processo simplesmente refazendo a fiscalização levada a cabo no processo administrativo no 11065.720100/201260, mas tãosomente analisando as diferenças surgidas (para mais ou para menos) com a realização da diligência efetuada naquele processo, para verificar documentos novos apresentados na impugnação. As diferenças para menos ocasionaram redução no montante da autuação em vários períodos, o que foi externado pela DRJ no afastamento parcial do lançamento no processo no 11065.720100/201260. Mas as diferenças que exigiram novo lançamento acabaram por ser efetuadas no presente processo, e não derivam de discussão sobre a forma de obtenção de créditos em relação a dispêndios com desenvolvimento e manutenção da Rede GETNET (assunto predominante nas peças recursais), ou a depreciação de bens do ativo imobilizado, móveis e utensílios, ou ainda combustíveis (assuntos em relação aos quais a DRJ reconheceu a preclusão). O objeto do presente processo, digase, não está na Seção II do Relatório de Ação Fiscal (fls. 2978 a 3006), intitulado apropriadamente de "Do Relatório da Ação Fiscal Originário", mas na Seção III (fls. 3007 a 3034), intitulada de "Do Relatório de Diligência Fiscal decorrente da Impugnação", e que trata de: (a) março de 2007 fls. 3010 a 3014 (na nova relação foram incluídas compras que já haviam sido incluídas em fevereiro; recebimentos Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.722653/201257 Resolução nº 3401000.916 S3C4T1 Fl. 3.296 6 da TIM foram considerados como pagamentos a ela efetuados, e valores de aquisições restaram sem comprovação, havendo ainda operações em duplicidade); (b) abril de 2007 fls. 3014 a 3017 (também registrando operações em duplicidade); (c) maio de 2007 fls. 3017 a 3019 (aquisições não comprovadas e em duplicidade); (d) junho de 2007 fls. 3019 a 3023 (também registrando aquisições em duplicidade, e créditos utilizados novamente em julho, além de demanda de crédito sobre mercadorias recebidas em bonificação); (e) dezembro de 2007 fls. 3023 a 3025 (recebimentos da TIM foram considerados como pagamentos a ela efetuados, aquisições sem comprovação, aquisições também informadas em janeiro de 2008, duplicidade, e documentos ilegíveis); e (f) janeiro de 2008 fls. 3026 a 3028 (operações já incluídas em meses anteriores). Eis a motivação da autuação complementar. E para espancar qualquer dúvida em relação ao aqui exposto, vejase a conclusão do Relatório da Ação Fiscal, à folha 3035: Assim, ou a linha de defesa se equivoca por erroneamente discutir neste processo matéria que deveria discutir na autuação originária (lavrada no processo no 11065.720100/201260), ou padece do recorrente vício (muito frequente nos dias atuais) em que a informatização desmedida, as petições padronizadas e a falta de tempo acabam por fazer com que sejam igualmente impugnadas autuações que, em verdade, tratam de situações diversas, com fundamentos e razões distintos. Em síntese, ou a recorrente não compreendeu efetivamente as razões das autuações complementares lavradas no presente processo ou utilizou indevidamente documento padrão de outro processo na peça recursal. Vejase que as matérias suscitadas nas autuações complementares aqui apreciadas sequer estão presentes especificamente nas peças de defesa (impugnação e recurso voluntário). Como a recorrente não gasta uma linha de sua defesa para questionar especificamente se realmente houve duplicidade, utilização indevida de crédito em meses diversos, cômputo de recebimento como pagamento, ou qualquer dos outros itens relacionados na autuação complementar, não há aqui argumentos contrários às autuações complementares a serem analisados. Tendo em vista tais considerações, entendo que deve ser mantido o lançamento, simplesmente pelo fato de suas razões serem incontroversas nestes autos. Não prospera a defesa em afastar qualquer das razões das autuações complementares. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11065.722653/201257 Resolução nº 3401000.916 S3C4T1 Fl. 3.297 7 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Concordo integralmente com o eminente relator quanto ao exame meritório realizado em seu voto, no entanto, peço vênia para divergir quanto à espécie de decisão adotada para sua prolação, no caso, o acórdão. Em meu entendimento, o emprego de acórdão nesta situação, resultaria em uma decisão condicional, vinculada a evento futuro e incerto, eis que a execução da decisão aqui proferida, como decidido, está atrelada às decisões a serem ulteriormente prolatadas nos processos administrativos citados, de modo que a conversão do julgamento em diligência melhor se adequa à instrumentalidade do processo administrativo, evitando com isso posteriores questionamentos. Com essas considerações, proponho o encaminhamento do presente processo à unidade preparadora para que se aguarde a decisão administrativa irreformável a ser exarada nos processos 11065.722979/201101 e 11065.720100/201260, devendo então ser juntada cópia a estes autos, com posterior devolução para finalização do julgamento. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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