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Numero do processo: 15374.963925/2009-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 39 25 /2 00 9- 39 Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 9303007.966 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.625, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de COFINS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.625, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 9303007.966 CSRFT3 Fl. 4 3 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 9303007.966 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 9303007.966 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 15374.963925/200939 Acórdão n.º 9303007.966 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1813DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000562/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 130 1 129 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000562/200883 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.350 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente REAL GRANDEZA FUNDACAO DE PREVIDENCIA E ASSIST SOCIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 196/208 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), de fls. 185/192, a qual não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada, mediante a qual a DRF negou o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 56 2/ 20 08 -8 3 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19740.000562/200883 Resolução nº 2201000.350 S2C2T1 Fl. 131 2 Diante da clareza do relatório feito na decisão recorrida, transcrevoo: Versa o presente processo sobre o PER/DCOMP 33433.24158.041103.1.3.045585 (fl. 05/09) através do qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRRF (período de apuração: 31/01/2002 —código de receita: 8998 — data de vencimento: 31/07/2002 — data de arrecadação: 31/07/2002 —valor do principal: R$ 3.709.198,81 — valor dos juros: R$ 290.801,19 — valor total do DARF: R$ 4.000.000,00) com débito nele declarado. De acordo com o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DEINF/RJ de fl. 38, a compensação não foi homologada, tendo por base o disposto no Parecer n° 075/2008, no qual consta que: • O crédito pleiteado referese a valores recolhidos à título de IRRF Imposto de Renda Retido na Fonte, à época do pagamento da anistia da Medida Provisória n° 2.222/2001, conforme afirma o interessado em sua resposta à intimação feita pela DEINF/RJ (fl. 17/24); • O débito sob compensação é de IRRF — Rendimentos do Trabalho Assalariado, código 05611 no valor de R$ 615.909,79, vencido em 05/11/2003 e se encontra confessado em DCTF (fl. 12); • Em sua resposta, no item dois, esclarece o contribuinte que na versão em que foi gerado este PER/DCOMP apenas o grupo de tributo "Lançamento de Oficio" aceitava o código 8998, razão pela qual foi feita esta informação na declaração sob análise (fl. 18); • Ainda nesta resposta (item 3) informa a existência do Processo Administrativo n° 19740.000294/200557 que analisa o mesmo crédito (fl. 19); • Pesquisando os sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificase que tal processo teve seu crédito indeferido por decisão da DEINF/RJ através do Parecer n° 59/2005 e respectivo Despacho Decisório (fl. 28/33), confirmado posteriormente pela Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I — DRJ/RJ1. O referido processo encontrase atualmente no Conselho de Contribuintes para julgamento (fl. 34/35); • Assim, uma vez que o crédito pleiteado fez parte do valor devido pela empresa quando da adesão do contribuinte à anistia oferecida pela MP n° 2.222/2001 e este já foi objeto de Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório, confirmado pela Delegacia de Julgamento competente no Processo 19740.000294/200557, não há liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Cientificada do Despacho Decisório em 04/11/2008 (fl. 45), apresentou a interessada, em 04/12/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 48/54, juntamente com os documentos de fl. 55/97, na qual alega em síntese que: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19740.000562/200883 Resolução nº 2201000.350 S2C2T1 Fl. 132 3 • O único fundamento para se negar as presentes compensações foi a existência de decisão no processo n" 19740.000294/200557, de forma que não se discute a existência ou não dos créditos, nem a regularidade das compensações; • Em vista disso, impõese demonstrar que o único fundamento para o indeferimento das compensações de que trata o processo n° 19740.000294/200557 foi a suposta impossibilidade de compensar indébito tributário decorrente dos pagamentos da anistia instituída pela MP n" 2222/01, sob o argumento de que tais pagamentos encerrariam confissão de dívida (doc. anexo); • Ocorre que com a edição do Ato Declaratório Interpretativo nº 17/2005, a própria Receita Federal reconheceu o equívoco que vinha cometendo, legitimando assim a pretensão autoral; • Portanto, como se depreende da leitura do Ato citado, não há que se falar em inexistência do direito de compensar, o qual fora reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil; • Afirma que a forma de tributação do IRRF incidente sobre os Fundos de Investimentos sofreu significativas mudanças entre 1997 e 1999; • Discorre sobre a legislação aplicável à época; • Devido a constante mudança na referida legislação, a interessada verificou ter cometido equívoco na apuração da base de cálculo do imposto, quando da apuração para pagamento da anistia da MP n°2222/01; • A primeira divergência ocorreu no valor global em 31/12/1999, decorrente de um lançamento de correção de IRRF indevido no mês de dezembro de 1999. Tal lançamento foi estornado no mês de janeiro de 1999, conforme os Razões das contas nos meses de dezembro/1998 e janeiro/1999; • Outro equívoco encontrado foi na quantidade de quotas dos Fundos Deutsche e Lloyds, em função de ter sido adotada a planilha de cálculo elaborada anteriormente pela própria Receita Federal, a qual desconsiderou algumas quotas do fundo Deutsche e do fundo Lloyds, em virtude destas apresentarem perdas no período por ele analisado. Desta forma, a Manifestante também não as considerou em seus cálculos; • O Deutsche, por ser um fundo exclusivo onde a interessada efetuava suas operações com Derivativos, estava sujeito à variação de quota negativa, ou seja, a quota poderia apresentar queda no valor em relação ao mês anterior; • Na revisão realizada, percebeuse, através da análise do razão contábil da rubrica 6211.04.08.1 — Despesas e/ou Prejuízo na Venda, que, em junho de 1999, sofreu uma redução significativa na quota, o que gerou uma perda de R$ 1.595.740,40; • Logo, para a apuração correta do imposto, deveria ser considerada como quota PO (P zero), ou seja, como quota anterior à quota de aniversário, a última quota onde houve a incidência do imposto; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19740.000562/200883 Resolução nº 2201000.350 S2C2T1 Fl. 133 4 • Vejase que somente no mês de fevereiro de 2001 é que a quota recuperou ganho em relação ao mês de outubro de 1999, último mês onde houve incidência de imposto. Em outubro de 1999, o quota equivalia a R$ 98,8592485, só recuperando o seu valor em fevereiro de 2001, quando foi cotada em R$ 98,9701533; • Desta forma, entre janeiro de 2000 e janeiro de 2001 não houve base de cálculo para a incidência de IRRF sobre aplicações no fundo Deutsche; • Em relação ao Fundo Lloyds, notouse que este também apresentou perdas nos meses de janeiro, abril e maio de 2000; • Em virtude disso, nos meses de fevereiro, março e maio de 2000 foram excluídas da base de cálculo do imposto de renda as receitas obtidas no fundo Lloyds; • Depreendese, assim, que foi recolhido IRRF no valor de R$ 5.110.657,51 a mais do que o realmente devido a título de Fundos de Renda Fixa, valores estes expostos detalhadamente nos anexos às respectivas PER/DCOMP; • Quanto ao débito, afirma que fica claro pela data de envio da PER/DCOMP (04/11/2003) que o débito foi quitado antes da data de vencimento (05/11/2003). Portanto, não existia motivo para que o débito compensado fosse acrescido de juros de mora, conforme consta no PER/DCOMP; • Assim, deve ser considerado como valor compensado o total informado, ou seja R$ 615.909,79, conforme informado em sua DCTF; • Deste modo, demonstrada a existência do crédito utilizado, da regularidade da compensação declarada, bem como tendo em vista o ADI SRF n" 17/2005, a decisão recorrida deve ser reformada e a presente compensação homologada. Foram juntados aos autos Relatórios do Sistema Fisc. Eletr./Analisar Valores/Pagamento/SIEF/RFB (fl. 105), do Sistema PERDCOMP/Consulta/SIEF/RFB (fl. 106/110 e fl. 147/149), do Sistema PERDCOMP/RFB (fl. 111/130) e do Sistema SINAL07/RFB (fl. 139/146) e cópia do Acórdão n° 1216545 P Turma da DRF/RJ1, de 11/10/2007, extraída do Sistema Decisões/RFB (fl. 131/139). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) pelo não reconhecimento do direito creditório, conforme ementa abaixo (fl. 185): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Somente com a apresentação de provas hábeis da composição e da existência do direito creditório, que o contribuinte alega possuir junto Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19740.000562/200883 Resolução nº 2201000.350 S2C2T1 Fl. 134 5 à Fazenda Nacional, é que se pode conferir liquidez e certeza aos créditos pleiteados. O pedido de compensação somente pode ser deferido pela autoridade administrativa se fundado em elementos irrefutáveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 196/208, praticamente repete os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo o cancelamento do débito em discussão. Trouxe a informação de que os autos do PA nº 19740.000294/200557, foi julgado e será reanalisado. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No caso em tela, tendo em vista que a decisão recorrida está fundada nos seguintes termos: De acordo com o Despacho Decisório proferido pela DIORT/DEINF/R.I (fl. 38), que teve por base o contido no Parecer n° 75/2008 (fl. 36/37), a compensação declarada não foi homologada, uma vez que o crédito pleiteado fez parte do valor devido pela empresa quando da adesão do contribuinte à anistia oferecida pela MP n° 2.222/2001 e este já foi objeto de Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório, confirmado pela Delegacia de Julgamento competente no Processo 19.740.000294/200557, não apresentando, desta forma, o referido crédito a liquidez e certeza necessárias ao seu reconhecimento. (...) Por fim, cumpre observar que nos PER/DCOMP 09044.13249.010803.1.7.049235 (fl. 111/115), 13618.77601.050803.1.3.044703 (fl. 121/125), 03072.08261.020903.1.3.042524 (fl. 116/120) e 09872.51450.071003.1.3.048746 (fl. 26/130), objetas do PA 19740.000294/200557 e no PER/DCOMP 3433.24158.041103.1.3.04 5585 (fl. 05/09), objeto do presente PA, constam em seus anexos como créditos pleiteados pagamentos indevidos ou a maior efetuados mediante DARF — código Receita 8998 — data de vencimento 30/08/2002 — valor total R$ 4.626.451,70 e DARF — código receita 8998 — data de vencimento 31/07/2002 — valor total R$ 4.000.000,00, respectivamente, sem outros esclarecimentos ou comprovações. Concluise, do exposto, que a interessada não logrou comprovar que teria recolhido IRRF no valor de R$ 5.110.657,51 a mais do que o realmente devido a título de Fundos de Renda Fixa, ou ainda, o valor de R$ 4.982.188,65, conforme alegado na manifestação de Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19740.000562/200883 Resolução nº 2201000.350 S2C2T1 Fl. 135 6 inconformidade constante do PA 19740.000294/200557 (fl. 134 — cópia do Acórdão n° 1216545 — 1ª Turma da DRJ/R31, de 11/10/2007). Quanto ao débito a ser compensado, de acordo com o Extrato do Processo 19740.720008/200905 (fl. 103), o mesmo se refere ao IRRF — código de receita 0561 — PA 0111/2003 — vencimento: 05/11/2003 valor originário R$ 615.909,70. E há pedido expresso de nulidade da decisão recorrida, uma vez que foi dado provimento ao recurso da Recorrente conforme ementa abaixo, nos autos do PA 19740.000294/200557: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Sendo assim, como ressaltado pela Recorrente, o pedido de reconhecimento do crédito pleiteado nestes autos está vinculado ao Processo Administrativo constante do PA 19740.000294/200557, deve ser juntado aos presentes autos as principais peças do mencionado PA (19740.000294/200557) a fim de se esclarecer se realmente, o reconhecimento do crédito para aquele processo será aproveitada neste. Conclusão Converto o julgamento do processo em diligência, para que sejam juntadas as decisões e despachos decisórios referentes ao processo nº 19740.000294/200557. Após, encaminhese os autos para que a unidade responsável pela administração do tributo se manifeste. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19740.000562/200883 Resolução nº 2201000.350 S2C2T1 Fl. 136 7 (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13987.720299/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 2401-006.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentas as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentas as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente JORGE LUIZ ANTONIOLLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentas as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 7. 72 02 99 /2 01 2- 50 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13987.720299/201250 Acórdão n.º 2401006.109 S2C4T1 Fl. 76 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 03/07), anocalendário 2007, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 22.604,34, por falta de comprovação (para o ao filho Marcel S. Antoniolli, comprovou R$ 3.275,00, sendo desconsiderados os comprovantes de entrega de envelope ao Banco). O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) e documentos (fls. 10/40), considerada tempestiva, alegando que estar obrigado, em decorrência de sentença judicial, a pagar todas as despesas dos filhos, e que os extratos bancários comprovam efetivamente o pagamento da pensão ao filho Marcel S. Antoniolli. Do Acórdão atacado (fls. 52/56), em síntese, extraise que (a) o Contribuinte pleiteou R$ 30.000,00 de dedução de Pensão Alimentícia em sua DAA, fls. 46/51, sendo R$ 10.000,00 para cada um dos três beneficiários Sônia R. S. Antoniolli, Renan S. Antoniolli e Marcel S. Antoniolli; (b) Os documentos de fls. 10/31 comprovam direito à dedução da pensão paga ao beneficiário Marcel S. Antoniolli, devendo, portanto, em relação a este alimentando, ser restabelecido o valor de R$ 6.725,00, que corresponde à diferença entre a importância pretendida na DAA e a despesa já acatada pela fiscalização na Notificação de Lançamento, R$ 10.000,00 e R$ 3.275,00, respectivamente; e (c) documentação alguma foi trazida aos autos para comprovar direito ao restabelecimento das despesas relativas aos outros dois alimentandos. Intimado em 09/12/2014 (fls. 61), o contribuinte interpôs em 08/01/2015 (fls. 62) recurso voluntário (fls. 62/63), acompanhado de documentos (fls. 64/71), em síntese, alega: (a) o acordo de separação judicial determina o pagamento de despesas dos dependentes e não estabelece valor fixo para a pensão, conforme documentos anexos (fls. 64/71); e (b) invocando a legislação de regência, pede o acolhimento do recurso para o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O recurso foi instruído com cópia da petição conjunta do acordo (fls. 64/69) e com ata de audiência com sentença (fls. 70/71). Tais documentos já constavam dos autos (fls. 32/40) e foram apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância e ao lado dos Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13987.720299/201250 Acórdão n.º 2401006.109 S2C4T1 Fl. 77 3 comprovantes relativos a Marcel (fls. 10/31) justificaram o restabelecimento da dedução de R$ 6.725,00. O acordo homologado (fls. 64/71) estabelece pensão para Sônia (exconjuge), para o filho menor Marcel e para dois filhos maiores sem especificar o nome destes e condicionar o pagamento ao estudo, até pósgraduação. Nos autos, não detectei prova de Renan estar estudando e nem prova de pagamentos pertinentes a Renan e Sônia. Logo, o recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o cabimento da dedução veiculada na legislação transcrita em suas razões recursais (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º; e Decretolei nº 352, de 1968, art. 4º). Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.724139/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE.
A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea.
PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo. Do contrário, aplica-se a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
No mérito, tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
Numero da decisão: 1401-003.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Carlos André Soares Nogueira e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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PASSIVO FICTÍCIO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Recorrente SISTEMA DE ENSINO ENERGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo. Do contrário, aplicase a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2014 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. No mérito, tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 41 39 /2 01 7- 13 Fl. 1228DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Carlos André Soares Nogueira e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados, em 03/10/2017, contra o contribuinte acima identificado relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 5.390.263,13 (fls. 1.030 a 1.038), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 1.949.134,73 (fls. 1.039 a 1.046), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 2.936.747,47 (fls. 1.047 a 1.054), à Contribuição para o PIS/PASEP no valor de R$ 637.583,28 (fl. 8.394), acrescidos de juros de mora à taxa SELIC calculados até outubro/2017 e multa de ofício de 75%, sobre todas as infrações, formalizando o crédito tributário de R$ 23.035.855,46. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.063 a 1.083) a autuação decorreu de omissão de receitas por (i) falta de contabilização de valores recebidos à título de mensalidades escolares (valores reconhecidos pelo sujeito passivo), (ii) depósitos bancários de origem não comprovada e (iii) passivo fictício, autuações relativas ao ano calendário 2014. Seguindo a ordem que consta no Auto de Infração IRPJ: OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS INFRAÇÃO: RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de valores recebidos a título de mensalidades escolares, valores estes reconhecidos pelo sujeito passivo no curso do procedimento de fiscalização. A descrição dos fatos, a indicação dos elementos de prova e dos fundamentos jurídicos que levaram às conclusões da prática da infração objeto da presente autuação fiscal encontramse detalhados no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL, parte integrante deste AUTO DE INFRAÇÃO. [...] Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.229 3 OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS INFRAÇÃO: PASSIVO FICTÍCIO Tendo ultimado o exame da escrita comercial e fiscal do sujeito passivo, restou identificada a ocorrência de infração tributária denominada OMISSÃO DE RECEITA, da espécie PASSIVO FICTÍCIO, caracterizada pela manutenção no Passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Tratase, na espécie, de obrigação mantida no PASSIVO NÃO CIRCULANTE, escriturada na conta contábil MÚTUOS, código 1370, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo sujeito passivo. O saldo considerado para fins de lançamento foi o do dia 1º/01/2014, no montante de R$ 23.086.831,18. A descrição dos fatos, a indicação dos elementos de prova e dos fundamentos jurídicos que levaram às conclusões da prática da infração objeto da presente autuação fiscal encontramse detalhados no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL, parte integrante deste AUTO DE INFRAÇÃO. [...] OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Tendo encerrado o exame da escrita comercial e fiscal do sujeito passivo, restou identificada a prática de infração de omissão de receita, caracterizada pela não comprovação da origem de valores creditados em contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica. No caso em tela os depósitos bancários foram escrituradas indevidamente como "operações de mútuo", ou seja empréstimos de terceiros, todavia, regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou documentação que comprovasse tais operações. A descrição dos fatos, a indicação dos elementos de prova e dos fundamentos jurídicos que levaram às conclusões da prática da infração objeto da presente autuação fiscal encontramse detalhados no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL, parte integrante deste AUTO DE INFRAÇÃO. Os demais Autos de Infração, de CSLL, PIS e COFINS contemplam o reflexo destas infrações apuradas no âmbito do IRPJ. Por bem descrever as autuações e impugnação, me reporto ao relatório considerado no acórdão da decisão recorrida: 1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL E DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 1230DF CARF MF 4 A autoridade fiscal relatou os seguintes fatos no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Procedimento Fiscal, parte integrante dos autos de infrações (fls. 1063 a 1083): Tratase de pessoa jurídica constituída em 26/03/2004, organizada sob a forma de sociedade empresária limitada, domiciliada na cidade de Florianópolis, que atua no ramo de prestação de serviço de educação básica, especialmente de nível médio; No período objeto da ação fiscal a empresa calculou o IRPJ com base no lucro real anual, tendo declarado receita bruta de R$ 2.842.878,11 e prejuízo fiscal de R$ 7.702.768,28; Em atendimento à intimação fiscal, o contribuinte apresentou, entre outros documentos, os extratos das contas bancárias e de investimentos e planilha de contratantes, alunos e valores recebidos no ano de 2014, no total de R$ 2.665.225,82, valor que seria próximo ao montante de R$ 2.842.878,11 informado na DIPJ; Através de Requisição de Cópia de Escrituração Contábil Digital formalizada em 08/03/2017 perante o Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, foi realizada a extração dos arquivos magnéticos objeto da Escrituração Contábil Digital – ECD do sujeito passivo do anocalendário de 2014; A partir do exame de dados contidos em Declarações de informações sobre movimentação financeira – Dimof apresentadas pelas instituições financeiras à RFB, constatouse que no ano de 2014 o sujeito passivo obteve o ingresso financeiro em contas correntes de sua titularidade no montante de R$ 15.285.757,42, correspondente a mais de cinco vezes o valor de sua receita bruta declarada; Ao proceder a extração de dados contidos nas Declarações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – DIRPF, foram constatadas informações de pagamentos a título de despesas com educação à empresa Sistema de Ensino Energia Ltda, no ano de 2014, no montante de R$ 11.170.321,91, revelando indícios de omissão de receitas, pois o valor informado na DIPJ do contribuinte foi de R$ 2.842.878,11; O fiscalizado foi intimado a se manifestar sobre tais divergências constatadas e a apresentar a relação dos nomes de todos os contratantes e respectivos alunos matriculados na instituição no ano de 2014 e o montante pago por cada um deles naquele período; Em atendimento à Intimação Fiscal nº 001, a pessoa jurídica apresentou relatório onde detalhou, mês a mês, as receitas auferidas a título de mensalidades escolares, individualizadas por contratante e aluno, relativas a matriz e a filial, no montante de R$ 8.148.114,63. Diante de tais informações, a autoridade fiscal constatou estar evidenciada a omissão de receitas de R$ 5.444.474,54; OUTRA INFRAÇÃO Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.230 5 A partir do exame da escrita contábil da pessoa jurídica foram identificadas, também, ocorrências de depósitos em contas bancárias do sujeito passivo lançadas a débito de contas representativas do respectivo banco, cuja contrapartida se deu na conta contábil intitulada “MÚTUOS”, código 1370, pertencente ao PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO. Os referidos depósitos foram identificados também nos extratos bancários da pessoa jurídica e somaram a importância de R$ 10.110.109,07 no ano de 2014; Mediante Intimação Fiscal nº 002, o fiscalizado foi intimado a prestar esclarecimentos e a apresentar os respectivos contratos de mútuo. Em atendimento, o contribuinte enviou correspondência declarando que "Referente aos valores lançados nesta conta, ratificamos as informações já repassadas de que não se trata de lançamentos originados de receitas. Tratase de valores transferidos de outras empresas, por exemplo, às vezes é feito empréstimos bancários em outro CNPJ e por necessidade de caixa estas transferem valores entre si. Conforme já mencionados anteriormente, infelizmente tivemos um problema interno no sistema que fazia o controle e não conseguimos recuperar os dados para prestar informações concretas para atendimento a esta solicitação"; Diante da informação prestada pelo sujeito passivo, restaram não comprovados os valores creditados em contas bancárias de sua titularidade no montante de R$ 10.110.109,07, uma vez que, regularmente intimado, não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações; De modo a avaliar uma possível relação entre a infração de omissão de receita reconhecida pelo sujeito passivo anteriormente descrita (R$ 5.444.474,54), e àquela decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada (R$ 10.110.109,07), foi solicitado ao sujeito passivo, mediante Intimação Fiscal nº 003, que informasse se dentre os valores depositados em suas contas bancárias, cujos lançamentos de contrapartida foram registrados na conta contábil MÚTUOS, código 1370, estariam incluídas algumas das receitas omitidas e por ele reconhecidas. Em caso afirmativo, solicitouse que apresentasse documentação comprobatória da origem dos referidos depósitos e identificasse os respectivos alunos e/ou responsáveis; Foi solicitada ao contribuinte, também, a apresentação de documentação que comprovasse a exigibilidade das obrigações representadas pelo saldo existente em 01/01/2014 na conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, no valor de R$ 23.086.831,18; Em atendimento à intimação, o contribuinte informou que: “Em primeiro lugar apresentamos retificação sobre nossa comunicação entregue junto a este órgão em 17/08/2017. Fl. 1232DF CARF MF 6 Onde se lê: [...] não se trata de lançamentos originados de receitas [...] Leiase: [...] valores parcial em montante maior são referente a valores de lançamentos originados de receitas conforme relatório no qual consta nome responsável, aluno e total pago pelo responsável, relatório este, entregue quando do atendimento da Intimação nº 01 [...] Em atendimento a Intimação Fiscal em epígrafe informamos que os valores questionados referemse aos valores de receitas denunciados espontaneamente quando do atendimento da NF nº 001 e também na retificação comunicação ora retificada nesta comunicação”; Pelo que se pode depreender da informação prestada, o sujeito passivo teve por objetivo afirmar que dentre os valores depositados ao longo do ano de 2014, escriturados indevidamente como mútuo, no montante de R$ 10.110.109,07, estariam incluídos aqueles valores de receitas omitidas por ele reconhecidas, no montante de R$ 5.444.474,54. Todavia, nenhum documento que viesse a comprovar tal afirmação foi apresentado. Diante do exposto, os depósitos bancários cuja origem não restou comprovada foram caracterizados como infração tributária de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº Lei nº 9.430, de 1996; A autoridade fiscal concluiu não ser procedente a afirmação do contribuinte de que os valores da conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, no valor de R$ 23.086.831,18, seriam referentes a receitas denunciadas espontaneamente, uma vez que o saldo da conta é aquele existente em 01/01/2014, ou seja, formado a partir de lançamentos ocorridos anteriormente ao ano de 2014. Destacou se que os lançamentos efetuados na referida conta ao longo do ano de 2014 foram objeto de exigência de comprovação por parte do sujeito passivo, culminando com a identificação de infração de omissão de receita em razão da não comprovação da origem dos depósitos efetuados na conta bancária da pessoa jurídica, para os quais foram utilizadas de forma indevida a conta “Mútuos”, código 1370, em sua contabilização; Em face da manutenção de obrigação no Passivo cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, houve o lançamento também de omissão de receita por presunção legal Passivo Fictício, no valor de R$ 23.086.831,18, nos termos do art. 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99; [...] 2. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou impugnação, em 01/11/2017, aduzindo, em síntese (fls. 1091 a 1107): Em atendimento à intimação fiscal, apresentou, entre outros documentos, os extratos das contas bancárias e de investimentos Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.231 7 e planilha de contratantes, alunos e valores recebidos em 2014, no total de R$ 2.665.225,82, valor que seria próximo ao montante de R$ 2.842.878,11 informado na DIPJ; Em atendimento à Intimação Fiscal nº 001 para prestar esclarecimentos, em face da constatação da autoridade fiscal de que os valores que haviam sido informados em DIRPF com despesas com educação pagas ao contribuinte no ano de 2014 somavam R$ 11.170.321,91, apresentou "relatório detalhado, contendo mais de 150 páginas, com a discriminação mensal dos valores pagos por cada contratante e aluno matriculado na instituição, relativos à matriz e à filial, bem como o total recebido em cada mês. Por intermédio desse documento, foram reconhecidas muitas receitas então consideradas omitidas pela pessoa jurídica, tratandose de valores denunciados espontaneamente pelo contribuinte. Tal circunstância consta expressamente no processo administrativo, sendo confirmado pela própria autoridade que os “valores recebidos a título de mensalidades escolares, valores estes [que teriam sido] reconhecidos pelo sujeito passivo no curso do procedimento de fiscalização” (fls. 1031). A partir desse relatório, chegouse a um valor total de receita bruta decorrente da prestação de serviços de ensino no montante de R$ 8.148.114,63, o qual – salientese – foi devidamente reconhecido durante o procedimento fiscal"; Os autos de infrações seriam insubsistentes, eis que as premissas fáticas das quais a autoridade fiscal lançou mão para realizar os lançamentos não correspondem à realidade dos fatos; A autuação se encontra eivada de vícios insanáveis de erro na base de cálculo, com equívocos sobre aspectos objetivos considerados pelo agente autuante, sendo premente o reconhecimento de sua nulidade absoluta, com a consequente extinção total do crédito tributário ilegitimamente constituído; Teria havido erro no lançamento fiscal decorrente de omissão de receitas Passivo Fictício, pois considerouse o saldo devedor existente em 01/01/2014, portanto vindo de exercício anterior, extrapolandose assim o período fiscalizado e violação ao princípio contábil da competência; Por conseguinte, não poderia o auditorfiscal ter realizado a tributação com base no saldo existente em 01/01/2014, por ocasião da conta contábil MÚTUOS, no valor de R$ 23.086.831,18, simplesmente porque a fiscalização não abrangeu tal período; Argumenta, também, que "(...) é evidente a ocorrência de dupla tributação (“bis in idem”) quanto aos valores das mensalidades não contabilizados, que restaram reconhecidos pelo Impugnante como receita omitida no curso da ação fiscal. Tais quantias encontramse incluídas nos depósitos de origem não identificada, os quais já foram considerados para fins de Fl. 1234DF CARF MF 8 caracterização de uma espécie autônoma de omissão de receita". "Deveras, dentre os valores depositados ao longo do ano de 2014 em suas contas bancárias, que foram equivocadamente escriturados como mútuos, estariam incluídas receitas omitidas oriundas de mensalidades escolares reconhecidas pelo próprio sujeito passivo. Dessa maneira, a tributação tanto dos depósitos bancários quanto das receitas omitidas enseja o “bis in idem” quanto à exigência do IRPJ e seus reflexos, restando caracterizada a duplicidade de autuação e a glosa indevida pelo Fisco"; Inviabilidade de arbitramento do lucro sem a correspondente desclassificação da escrita contábil da empresa; "De maneira exemplificativa, o Livro Razão da Conta 1.01.01.02 – BANCOS CONTA MOVIMENTO revela o uso de cheque especial, que é uma modalidade de empréstimo, além da ocorrência de diversas transferências de elevadas montas, que demonstram se tratarem de contratos de mútuos e não de receita omitida pelo sujeito passivo em relação a mensalidades escolares. Aparecem, ainda, na descrição de seu histórico, débitos de juros, juros de saldo devedor, multas moratórias, parcelamento de empréstimos, etc., todos acréscimos concernentes a mútuo"; Vários dos depósitos se referem a transferências de terceiros e não de receitas auferidas; No campo do processo tributário, a autoridade administrativa ou o julgador possui o dever de agir na busca incessante da verdade material, determinando a produção das provas necessárias para tanto; Não teriam sido considerados nos cálculos pela autoridade fiscal vários créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos. [...] DA DECISÃO DA DRJ VOTO Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conheço da impugnação. Inicialmente observese que as exigências mediante os autos de infrações de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, objeto do presente processo, foram apuradas sob as regras do lucro real anual. Portanto, não assiste razão ao contribuinte quanto à alegação de inviabilidade de arbitramento do lucro sem a correspondente desclassificação da escrita contábil da empresa, pois não houve tal arbitramento pela autoridade fiscal. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.232 9 Analisaremos a seguir as infrações apuradas e as alegações de defesa do impugnante. I) DA OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Ao proceder a extração de dados contidos nas Declarações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – DIRPF, foram constatadas pelo AuditorFiscal informações de pagamentos a título de despesas com educação à empresa Sistema de Ensino Energia Ltda, no ano de 2014, no montante de R$ R$ 11.170.321,91, revelando indícios de omissão de receitas. Intimado a prestar esclarecimentos, o fiscalizado apresentou então novo relatório onde detalhou, mês a mês, as receitas auferidas a título de mensalidades escolares, individualizadas por contratante e aluno, relativas a matriz e a filial, no montante de R$ 8.148.114,63. Diante de tais informações, a autoridade fiscal constatou estar evidenciada a omissão de receitas de R$ 5.444.474,54, conforme quadro a seguir (fls. 1070 e 1071): O impugnante afirma que tal omissão de receitas foi devidamente reconhecida por ele durante o procedimento fiscal, e que tais valores teriam sido denunciados espontaneamente. Quanto ao instituto da denúncia espontânea, o Código Tributário Nacional CTN assim dispõe: [...] Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 1236DF CARF MF 10 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. [...] Portanto, o caso em análise não se enquadra como denúncia espontânea, pois o contribuinte reconheceu não ter oferecido à tributação receitas tributáveis no ano de 2014 no montante de R$ 5.444.474,54 somente após o início do procedimento de fiscalização, após ter sido intimado pela autoridade fiscal. Dessa forma, mantémse o lançamento realizado mediante o auto de infração. II) DA OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A autoridade fiscal relata que a partir do exame da escrita contábil da pessoa jurídica foram identificadas, também, ocorrências de depósitos em contas bancárias do sujeito passivo lançadas a débito de contas representativas do respectivo banco, cuja contrapartida se deu na conta contábil intitulada “MÚTUOS”, código 1370, pertencente ao Passivo Exigível e Longo Prazo. Os referidos depósitos foram identificados também nos extratos bancários da pessoa jurídica e somaram a importância de R$ 10.110.109,07 no ano de 2014. Mediante a Intimação Fiscal nº 002, o fiscalizado foi intimado a prestar esclarecimentos e a apresentar os respectivos contratos de mútuo. Em atendimento, o contribuinte enviou correspondência declarando que "Referente aos valores lançados nesta conta, ratificamos as informações já repassadas de que não se trata de lançamentos originados de receitas. Tratase de valores transferidos de outras empresas, por exemplo, às vezes é feito empréstimos bancários em outro CNPJ e por necessidade de caixa estas transferem valores entre si. Conforme já mencionados anteriormente, infelizmente tivemos um problema interno no sistema que fazia o controle e não conseguimos recuperar os dados para prestar informações concretas para atendimento a esta solicitação". Diante da informação prestada pelo sujeito passivo, restou não comprovada a origem dos valores creditados em contas bancárias de sua titularidade no montante de R$ 10.110.109,07, uma vez que, regularmente intimado, não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: [...] Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.233 11 De modo a avaliar uma possível relação entre a infração de omissão de receita reconhecida pelo sujeito passivo descrita no item I (R$ 5.444.474,54), e àquela decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada (R$ 10.110.109,07), foi emitida a Intimação Fiscal 003, com o seguinte teor (fls. 476 e 377): [...] 1. Informar se dentre os valores depositados em contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica ao longo do ano de 2014, cujos lançamentos de contrapartida foram registrados na conta contábil MÚTUOS, código 1370, no valor total de R$ 10.110.109,07, mencionados no item 1 da Intimação Fiscal n° 002, incluemse algumas das receitas omitidas reconhecidas pela pessoa jurídica por intermédio dos relatórios de receitas de mensalidades apresentados em atendimento à Intimação Fiscal n° 001, cuja ciência se deu em 10/05/2017. Em caso afirmativo, apresentar documentação que comprove a origem dos referidos depósitos e identifique os respectivos alunos e/ou responsáveis; [...] Em atendimento à intimação, o contribuinte informou que (fls. 378): [...] "Em primeiro lugar apresentamos retificação sobre nossa comunicação entregue junto a este órgão em 17/08/2017. Onde se lê: [...] não se trata de lançamentos originados de receitas. [...] Leiase: [...] valores parcial em montante maior são referente a valores de lançamentos originados de receitas conforme relatório no qual consta nome responsável aluno e total pago pelo responsável, relatório este, entregue quando do atendimento da Intimação nº 01 [...]. Em atendimento a Intimação Fiscal em epígrafe informamos que os valores questionados referemse aos valores de receitas denunciados espontaneamente quando do atendimento da NF nº 001 e também na retificação comunicação ora retificada nesta comunicação." [...] A autoridade fiscal relata que, pelo que se pode depreender da informação prestada, o sujeito passivo teve por objetivo afirmar que dentre os valores depositados ao longo do ano de 2014, escriturados indevidamente como mútuo, no total de R$ 10.110.109,07, estariam incluídas aquelas receitas omitidas por ele reconhecidas, no montante de R$ 5.444.474,54. Todavia, nenhum documento que viesse a comprovar tal afirmação foi apresentado. O Auditor Fiscal concluiu, assim, que "Não é possível afirmar que dentre os valores de receitas omitidas caracterizadas pela identificação de depósitos cuja Fl. 1238DF CARF MF 12 origem não foi comprovada, objeto do presente subitem, estejam compreendidas algumas das receitas oriundas de mensalidades escolares de alunos ou responsáveis constantes da listagem apresentada pelo sujeito passivo, objeto do subitem 2.1, sem que este apresente documentação que efetivamente os comprove, indicando assim a origem dos recursos e vinculandoos às receitas anteriormente reconhecidas como omitidas". Diante desses fatos, os depósitos bancários, cuja origem não restou comprovada, foram caracterizados como infração tributária de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº Lei nº 9.430, de 1996. Tais depósitos bancários estão relacionados nas planilhas às fls. 849 a 863. Para fins de lançamento fiscal, foram agrupados pelos valores totais mensais, conforme o quadro abaixo (fls. 1074): O impugnante, por sua vez, argumenta (fls. 1098 a 1105): [...] "O próprio auditorfiscal indica a existência de “uma possível relação entre a infração de omissão de receita reconhecida pelo sujeito passivo, descrita no item 2.1, anteriormente descrita, e àquela decorrente da identificação de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada” (fls. 1072). Com efeito, tal conclusão decorre do fato de que o objeto social da pessoa jurídica envolver exclusivamente a prestação de serviços de educação, tal como atestam o seu Contrato Social e todas as alterações posteriores, documentos que foram disponibilizados ao Fisco e já constam da íntegra do processo administrativo (fls. 0425). Ou seja, tendo em vista que o objeto societário do Impugnante é único, não há como se cogitar que os valores que ingressaram Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.234 13 em suas contas bancárias possuem outra origem senão o desempenho de sua atividade econômica principal, atividade esta que se encontra vinculada à geração de receitas atinentes a mensalidades. Salientese que o próprio agente autuante corrobora essa assertiva, porquanto utiliza como fundamento legal para a descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração de IRPJ os arts. 277 e 278 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n. 3.000/99. [...] De maneira exemplificativa, o Livro Razão da Conta 1.01.01.02 – BANCOS CONTA MOVIMENTO revela o uso de cheque especial, que é uma modalidade de empréstimo, além da ocorrência de diversas transferências de elevadas montas, que demonstram se tratarem de contratos de mútuos e não de receita omitida pelo sujeito passivo em relação a mensalidades escolares. Aparecem, ainda, na descrição de seu histórico, débitos de juros, juros de saldo devedor, multas moratórias, parcelamento de empréstimos, etc., todos acréscimos concernentes a mútuos. Portanto, ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, em seu Anexo Único à Intimação Fiscal n. 002, os valores escriturados na referida conta contábil não se limitam a depósitos de cunho bancário, referindose a operações de mútuos depositadas em conta bancária de titularidade da pessoa jurídica, no ano de 2014. Não se revelam, como consequência, lançamentos fiscais originados de receitas auferidas pela empresa, tratandose, em verdade, de quantias transferidas de terceiros. Conforme já explicitado pelo Impugnante em resposta à Intimação Fiscal n. 002, “às vezes é [são] feito[s] empréstimos bancários em outro CNPJ e por necessidade de caixa estas transferem valores entre si” (fls. 374). Nessa senda, apenas os valores em montante superior poderiam ser imputados como decorrentes do objeto social da empresa, gerando receitas atinentes a mensalidades escolares. Situação semelhante ocorre no Livro Razão da Conta 3.01.01.01 – MENSALIDADES, no qual constam valores bem inferiores às transferências acima descritas, revelandose não se tratarem puramente de mensalidades escolares. Por exemplo, aparecem consignadas as importâncias de R$ 1.058,45 (em 02/01), R$ 1.126,00 (em 03/02), R$ 1.225,35 (em 01/04), R$ 1.421,21 (em 01/04), R$ 1.103,50 (em 02/05), R$ 1.151,85 (em 02/05), R$ 1.039,32 (em 02/05), R$ 972,16 (em 02/05), R$ 953,54 (em 02/06), R$ 450,00 (em 02/06), R$ 1.845,80 (em 01/07), R$ 1.658,00 (em 01/08), R$ 775,37 (em 01/10), R$ 977,03 (em 01/10), R$ 1.627,59 (em 01/10), R$ 506,88 (em 21/11) e R$ 1.460,20 (em 01/12). É de se observar Fl. 1240DF CARF MF 14 que, em sua grande maioria, as contas nos quais foram creditados esses valores aparecem descrita como “receitas s/ serviços”, deixando claro que não está relacionada com a prestação de serviços de ensino, que é o objeto social do Impugnante. Todas essas circunstâncias indicam a completa incorreção na autuação fiscal em apreço, que é pautada em premissas notadamente equivocadas do auditorfiscal, dissociada à realidade dos autos. Com efeito, não se pode esquecer que vige na seara tributária o princípio da verdade material, derivado da legalidade, que pressupõe a exata correspondência entre a autuação promovida pelo Fisco e a realidade dos fatos, impondo a nulidade do lançamento que carece de substrato nas circunstâncias que o fundamentam." [...] Da análise. Pois bem, o contribuinte informou na DIPJ ter obtido no ano calendário de 2014 a receita bruta total de R$ 2.842.878,11. Em atendimento à intimação fiscal, apresentou inicialmente uma relação do faturamento obtido como sendo de R$ 2.665.225,82. Após o cruzamento das informações do sujeito passivo com as prestadas nas Declarações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – DIRPF, relativas aos pagamentos a título de despesas com educação à empresa Sistema de Ensino Energia Ltda, no ano de 2014, no montante de R$ R$ 11.170.321,91, o fiscalizado foi novamente intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências constatadas. Desta vez, apresentou novo relatório onde detalhou, mês a mês, as receitas auferidas a título de mensalidades escolares, individualizadas por contratante e aluno, relativas a matriz e a filial, no montante de R$ 8.148.114,63. Constatouse, assim, a omissão de receita sobre essa matéria no montante de R$ 5.444.474,54, que é objeto da infração analisada no item I. A autoridade fiscal constatou também depósitos bancários contabilizados em contrapartida da conta de PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO MÚTUOS, no montante de R$ 10.110.109,07, no ano de 2014. Os referidos depósitos foram identificados também nos extratos bancários da pessoa jurídica. Intimado a prestar esclarecimentos e a apresentar tais contratos de mútuos, o fiscalizado declarou que (...) "ratificamos as informações já repassadas de que não se trata de lançamentos originados de receitas. Tratase de valores transferidos de outras empresas, por exemplo, às vezes é feito empréstimos bancários em outro CNPJ e por necessidade de caixa estas transferem valores entre si" (...). Entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos que comprassem os alegados empréstimos. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.235 15 O contribuinte foi novamente intimado para informar se dentre os valores depositados em suas contas bancárias, cujos lançamentos de contrapartida foram registrados na conta contábil MÚTUOS, estariam incluídas algumas das receitas omitidas e por ele reconhecidas. Em caso afirmativo, solicitouse que apresentasse documentação comprobatória da origem dos referidos depósitos e identificasse os respectivos alunos e/ou responsáveis. Dessa vez, o fiscalizado declarou que (...)"valores parcial em montante maior são referente a valores de lançamentos originados de receitas conforme relatório no qual consta nome responsável, aluno e total pago pelo responsável, relatório este, entregue quando do atendimento da Intimação nº 01 (...). Entretanto, novamente não foram apresentados quaisquer elementos probatórios. Na impugnação, alegase novamente que parte dos depósitos bancários se refere a contratos de mútuos e parte é decorrente de receitas que já teriam sido confessadas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, conforme analisado no item I. Entretanto, não foram anexados à peça de defesa quaisquer elementos probatórios de suas alegações. Portanto, o contribuinte foi regulamente intimado a prestar esclarecimentos sobre tais depósitos bancários e a apresentar os alegados contratos e mútuos e outros documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos utilizados naquelas operações, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Entretanto, o interessado não apresentou tais elementos probatórios nem durante a ação fiscal nem na impugnação. O contribuinte argumenta que no campo do processo tributário a autoridade administrativa ou o julgador possui o dever de agir na busca incessante da verdade material, determinando a produção das provas necessárias para tanto. De fato, a busca da verdade material deve orientar a atuação da Administração Tributária. No entanto, enganase o impugnante acerca de seu conteúdo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos aos autos quando tais elementos induzem à suspeita de que os fatos ocorreram, não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer. Ou seja, em observância ao princípio da verdade material, o julgador não está vinculado às versões das partes. No entanto, o princípio da verdade material não socorre aquele que não se esforça em comprovar sua alegação. Dito de outro Fl. 1242DF CARF MF 16 modo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente a atuação ativa do julgador nesse sentido, também não é aceitável que o interessado não apresente provas hábeis em sua defesa e transfira ao julgador o ônus de comprovar a higidez das alegações do impugnante. Como se vê da leitura do citado art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de receitas. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa) e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de receitas. Nestes termos, cumprido o ônus atribuído à Fazenda Pública, que é o de identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e de intimar o contribuinte para sobre eles se manifestar com o fim de afastar o peso que a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, transfere ao fiscalizado, e não tendo o interessado logrado afastar tal presunção juris tantum, evidenciada fica a omissão de rendimentos. Diante do exposto, mantémse o lançamento realizado mediante o auto de infração. III) DA OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO O contribuinte foi intimado a apresentar a documentação que comprovasse também a exigibilidade das obrigações representadas pelo saldo existente em 01/01/2014 na conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, no valor de R$ 23.086.831,18. Em atendimento à intimação, o fiscalizado informou que: "Em primeiro lugar apresentamos retificação sobre nossa comunicação entregue junto a este órgão em 17/08/2017. Onde se lê: [...] não se trata de lançamentos originados de receitas [...] Leiase: [...] valores parcial em montante maior são referente a valores de lançamentos originados de receitas conforme relatório no qual consta nome responsável, aluno e total pago pelo responsável, relatório este, entregue quando do atendimento da Intimação nº 01 [...] Em atendimento a Intimação Fiscal em epígrafe informamos que os valores questionados referemse aos valores de receitas denunciados espontaneamente quando do atendimento da NF nº 001 e também na retificação comunicação ora retificada nesta comunicação." A autoridade fiscal concluiu não ser procedente a afirmação de que os valores da conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, de R$ 23.086.831,18, seriam referentes as receitas omitidas que foram reconhecidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, uma vez que o saldo da conta é aquele existente em 01/01/2014, ou seja, Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.236 17 formado a partir de lançamentos ocorridos anteriormente ao ano de 2014. Destacouse que os lançamentos efetuados na referida conta ao longo do ano de 2014 foram objeto de exigência de comprovação por parte do sujeito passivo, culminando com a infração de omissão de receita em razão da não comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta bancária da pessoa jurídica, contabilizados indevidamente em contrapartida da conta “Mútuos”, objeto da infração analisada no item II. Em face da manutenção de obrigação no Passivo, em 01/01/2014, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, houve o lançamento de omissão de receita por presunção legal Passivo Fictício, no valor de R$ 23.086.831,18, nos termos do art. 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, que dispõe: "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." O AuditorFiscal destacou tratarse, na espécie, de uma infração tributária continuada, reiterada a cada ano pelo contribuinte, quando da manutenção em seu Passivo de uma obrigação sem a respectiva comprovação. Observouse que a aplicação da sanção decorrente de infração desta natureza deve levar em conta o demonstrativo contábil de um dos exercícios apenas, sob pena de caracterizarse o “bis in idem”. Sobre a prática de infração continuada na hipótese do PASSIVO FICTÍCIO, o eminente autor Hiromi Higuchi assim leciona: "É comum a pessoa jurídica ter passivo fictício em dois ou três períodosbase seguidos. Neta hipótese, a tributação do maior passivo fictício de um só períodobase estará tributando o passivo fictício dos demais períodosbase por ser irregularidade contábil continuada. Se a pessoa jurídica provar que a mesma duplicata paga permaneceu por dois ou mais balanços, não há dúvida que a tributação só poderá incidir em um só período base”. (HIGUCHI, Hiromi." Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática, São Paulo, 2012, p. 670671). A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é no sentido de que a manutenção no passivo de obrigações não comprovadas é infração continuada e indicia a existência de receitas mantidas à margem da escrita e, em consequência, subtraídas ao crivo da tributação, salvo prova em contrário a ser produzida pelo contribuinte: Fl. 1244DF CARF MF 18 "PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo nº. : 10930.004856/200368 Recurso nº. : 139.765 EX OFFICIO e VOLUNTÁRIO Sessão de : 07 DE JULHO DE 2005 Acórdão nº. : 10808.394 Quanto à omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, é pacífica a jurisprudência deste colegiado em torno da matéria, no sentido de que a manutenção no passivo de obrigações não comprovadas indicia a existência de receitas mantidas à margem da escrita e, em consequência, subtraídas ao crivo da tributação, salvo prova em contrário a ser produzida pela contribuinte. Assim, para que a presunção legal relativa à omissão de receitas neste caso seja afastada é necessário que a pessoa jurídica comprove, com documentação hábil e idônea, a existência da obrigação registrada em seu passivo, demonstrando, ainda, que o pagamento da mesma ocorreu em data posterior ao do encerramento do balanço do exercício objeto de fiscalização. .............." "CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Órgão Julgador: Segunda Turma/Quarta Câmara Processo nº: 18471.000856/200517 Sessão de: 1º/04/2011 Acórdão: 1402000.523 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo; do contrário, aplica se a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996. .................." "Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento Sessão de: 28/01/2010 Acórdão nº: 120100.213 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício 2001 Ementa: PASSIVO FICTICIO — o passivo fictício é infração continuada. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.237 19 Não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado. Todavia, um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita. ..........." O impugnante alega que teria havido erro no lançamento fiscal decorrente de omissão de receitas Passivo Fictício, pois se considerou o saldo devedor existente em 01/01/2014, portanto vindo de exercício anterior, extrapolandose assim o período fiscalizado com violação ao princípio contábil da competência. Por conseguinte, não poderia o Auditor Fiscal ter realizado a tributação com base no saldo existente em 01/01/2014, por ocasião da conta contábil MÚTUOS, simplesmente porque a fiscalização não abrangeu tal período. Conforme analisado anteriormente, o contribuinte admitiu serem improcedentes pelo menos parte dos lançamentos contabilizados ao longo do ano de 2014 na conta “MÚTUOS” código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, pois se referiam na verdade a receitas auferidas pela pessoa jurídica que não foram oferecidas à tributação na DIPJ. Tais lançamentos tiveram como contrapartida depósitos em contas bancárias do sujeito passivo no ano de 2014, no montante de R$ 10.110.109,07. O contribuinte foi regularmente intimado mas não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações, resultando, assim, no lançamento de omissão de receitas por presunção legal, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, objeto da infração analisada no item II. Ocorre que a conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo possuía saldo em 01/01/2014, início do período fiscalizado, de R$ 23.086.831,18. O contribuinte foi regulamente intimado a apresentar a documentação que comprovasse a exigibilidade de tais obrigações representadas pelo saldo existente naquela data. Entretanto, o interessado não apresentou tais elementos probatórios nem durante a ação fiscal nem na impugnação. Portanto, tendo em vista que o contribuinte foi regularmente intimado mas não comprovou a exigibilidade de tais obrigações, é de se manter o lançamento relativo à omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, nos termos do art. 281, inciso III, do RIR/99. Não cabe afastar a autuação em razão da alegação de a obrigação não comprovada já ter vindo de exercício anterior ao período fiscalizado. Fl. 1246DF CARF MF 20 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário apresenta, basicamente, as mesmas alegações trazidas na Impugnação. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele conheço. Receitas de Mensalidades Não Contabilizadas: R$ 5.444.474,54 Relativamente à infração omissão de receita (material) por falta de contabilização de valores recebidos de mensalidades escolares, da ordem de R$ 5.444.474,54, conforme apontado no relatório (tabela Demonstrativo das receitas omitidas pelo sujeito passivo), a Recorrente reconheceu tal omissão, alertando que, em seu entendimento, tal valor omitido estaria contemplado nos depósitos tidos como de origem não comprovada e que teriam sido ora tributados, o que estaria ocorrendo "o vedado fenômeno do 'bis in idem'. A omissão, portanto, foi reconhecida já na fase de fiscalização, de forma que mantido o lançamento. Relativamente à alegação da Recorrente, de que estaria havendo uma tributação em duplicidade, de se dizer que os argumentos trazidos na peça recursal são os mesmos apresentados na Impugnação e já devidamente apreciados pela decisão recorrida, de forma que adoto suas conclusões como razão de decidir, pelos seus próprios e adequados fundamentos: Voto Condutor da DRJ Da análise. Pois bem, o contribuinte informou na DIPJ ter obtido no ano calendário de 2014 a receita bruta total de R$ 2.842.878,11. Em atendimento à intimação fiscal, apresentou inicialmente uma relação do faturamento obtido como sendo de R$ 2.665.225,82. Após o cruzamento das informações do sujeito passivo com as prestadas nas Declarações do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – DIRPF, relativas aos pagamentos a título de despesas com educação à empresa Sistema de Ensino Energia Ltda, no ano de 2014, no montante de R$ 11.170.321,91, o fiscalizado foi novamente intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências constatadas. Desta vez, apresentou novo relatório onde detalhou, mês a mês, as receitas auferidas a título de mensalidades escolares, individualizadas por contratante e aluno, relativas a matriz e a filial, no montante de R$ 8.148.114,63. Constatouse, assim, a omissão de receita sobre essa matéria no montante de R$ 5.444.474,54, que é objeto da infração analisada no item I. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.238 21 A autoridade fiscal constatou também depósitos bancários contabilizados em contrapartida da conta de PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO MÚTUOS, no montante de R$ 10.110.109,07, no ano de 2014. Os referidos depósitos foram identificados também nos extratos bancários da pessoa jurídica. Intimado a prestar esclarecimentos e a apresentar tais contratos de mútuos, o fiscalizado declarou que (...) "ratificamos as informações já repassadas de que não se trata de lançamentos originados de receitas. Tratase de valores transferidos de outras empresas, por exemplo, às vezes é feito empréstimos bancários em outro CNPJ e por necessidade de caixa estas transferem valores entre si" (...). Entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos que comprassem os alegados empréstimos. O contribuinte foi novamente intimado para informar se dentre os valores depositados em suas contas bancárias, cujos lançamentos de contrapartida foram registrados na conta contábil MÚTUOS, estariam incluídas algumas das receitas omitidas e por ele reconhecidas. Em caso afirmativo, solicitouse que apresentasse documentação comprobatória da origem dos referidos depósitos e identificasse os respectivos alunos e/ou responsáveis. Dessa vez, o fiscalizado declarou que (...)"valores parcial em montante maior são referente a valores de lançamentos originados de receitas conforme relatório no qual consta nome responsável, aluno e total pago pelo responsável, relatório este, entregue quando do atendimento da Intimação nº 01 (...). Entretanto, novamente não foram apresentados quaisquer elementos probatórios. Na impugnação, alegase novamente que parte dos depósitos bancários se refere a contratos de mútuos e parte é decorrente de receitas que já teriam sido confessadas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, conforme analisado no item I. Entretanto, não foram anexados à peça de defesa quaisquer elementos probatórios de suas alegações. Portanto, o contribuinte foi regulamente intimado a prestar esclarecimentos sobre tais depósitos bancários e a apresentar os alegados contratos e mútuos e outros documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos utilizados naquelas operações, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Entretanto, o interessado não apresentou tais elementos probatórios nem durante a ação fiscal nem na impugnação. O contribuinte argumenta que no campo do processo tributário a autoridade administrativa ou o julgador possui o dever de agir na busca incessante da verdade material, determinando a produção das provas necessárias para tanto. Fl. 1248DF CARF MF 22 De fato, a busca da verdade material deve orientar a atuação da Administração Tributária. No entanto, enganase o impugnante acerca de seu conteúdo. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Em outras palavras, o princípio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos aos autos quando tais elementos induzem à suspeita de que os fatos ocorreram, não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer. Ou seja, em observância ao princípio da verdade material, o julgador não está vinculado às versões das partes. No entanto, o princípio da verdade material não socorre aquele que não se esforça em comprovar sua alegação. Dito de outro modo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente a atuação ativa do julgador nesse sentido, também não é aceitável que o interessado não apresente provas hábeis em sua defesa e transfira ao julgador o ônus de comprovar a higidez das alegações do impugnante. Como se vê da leitura do citado art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de receitas. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa) e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de receitas. Nestes termos, cumprido o ônus atribuído à Fazenda Pública, que é o de identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e de intimar o contribuinte para sobre eles se manifestar com o fim de afastar o peso que a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, transfere ao fiscalizado, e não tendo o interessado logrado afastar tal presunção juris tantum, evidenciada fica a omissão de rendimentos. Diante do exposto, mantémse o lançamento realizado mediante o auto de infração. Ante o exposto, percebese que a Recorrente não conseguiu, em nenhuma fase processual, apresentar as devidas explicações e os documentos que pudessem, de fato, mostrar a vinculação entre a receita omitida material e os valores depositados, registrados em conta contábil a título de MÚTUOS. Inicialmente, no curso da Fiscalização, em atendimento às autoridades fiscais, a Contribuinte informou, em planilha, os nomes dos contratantes, alunos matriculados e valores pagos pelos mesmos em 2014, onde acusava o valor total das mensalidades da ordem de R$ 2.331.456,86. Entretanto, em investigações promovidas no exame das declarações de pessoas físicas (que informaram pagamentos a esta empresa) para fins de conciliação com os dados informados pela Contribuinte em sua DIPJ, verificouse que foi possível "identificar os Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.239 23 nomes dos declarantes e respectivos valores informados como pagos ao longo de 2014 à sociedade empresária SISTEMA DE ENSINO ENERGIA LTDA., CNPJ nº 06.233.257/000170, no montante de R$ 17.053.839,11." A omissão de receita foi realmente bem superior aos valores informados e declarados pela Recorrente em sua DIPJ, tendo a autoridade fiscal concedido oportunidade para que a Recorrente se explicasse e, também, que procurasse "informar se dentre os valores depositados em suas contas bancárias, cujos lançamentos de contrapartida foram registrados na conta contábil MÚTUOS, estariam incluídas algumas das receitas omitidas e por ele reconhecidas." Entretanto, nada foi justificado, conforme relatoriado, de forma que reputase correta a omissão de receita da ordem de R$ 5.444.474,54. Da omissão de receitas por conta de depósitos bancários de origem não comprovada Mediante Intimação Fiscal 002, de 23/06/2017, a Recorrente foi intimada a apresentar "os contratos relativos às operações de mútuo que deram origem aos lançamentos efetuados na conta contábil MÚTUOS, código 1370, ao longo do ano de 2014, no valor total de R$ 10.110.109,07, relativos a valores depositados em conta bancária de titularidade da pessoa jurídica, a título de empréstimo (mútuo) recebido naquele ano." Conforme já relatoriado, não houve o atendimento adequado à demanda solicitada pela Fiscalização, limitandose a Contribuinte em afirmar que "infelizmente tivemos um problema interno no sistema que fazia o controle e não conseguimos recuperar os dados para prestar informações concretas para atendimento a esta solicitação." Só me resta concordar com a decisão recorrida: Diante da informação prestada pelo sujeito passivo, restou não comprovada a origem dos valores creditados em contas bancárias de sua titularidade no montante de R$ 10.110.109,07, uma vez que, regularmente intimado, não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 1250DF CARF MF 24 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...]" Relativamente à alegação da Recorrente de que a omissão de receitas então ora tributada, no valor de R$ 5.444.474,54, já estivesse contemplada nos depósitos bancários, já tivemos oportunidade de comentarmos anteriormente neste Voto, onde se concluiu pela sua improcedência por absoluta falta de comprovação do alegado. De se reiterar o que já relatoriado e concluído pela decisão recorrida: A autoridade fiscal relata que, pelo que se pode depreender da informação prestada, o sujeito passivo teve por objetivo afirmar que dentre os valores depositados ao longo do ano de 2014, escriturados indevidamente como mútuo, no total de R$ 10.110.109,07, estariam incluídas aquelas receitas omitidas por ele reconhecidas, no montante de R$ 5.444.474,54. Todavia, nenhum documento que viesse a comprovar tal afirmação foi apresentado. O Auditor Fiscal concluiu, assim, que "Não é possível afirmar que dentre os valores de receitas omitidas caracterizadas pela identificação de depósitos cuja origem não foi comprovada, objeto do presente subitem, estejam compreendidas algumas das receitas oriundas de mensalidades escolares de alunos ou responsáveis constantes da listagem apresentada pelo sujeito passivo, objeto do subitem 2.1, sem que este apresente documentação que efetivamente os comprove, indicando assim a origem dos recursos e vinculandoos às receitas anteriormente reconhecidas como omitidas". Diante desses fatos, os depósitos bancários, cuja origem não restou comprovada, foram caracterizados como infração tributária de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº Lei nº 9.430, de 1996. Tais depósitos bancários estão relacionados nas planilhas às fls. 849 a 863. Para fins de lançamento fiscal, foram agrupados pelos valores totais mensais, conforme o quadro abaixo (fls. 1074): Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.240 25 Da omissão de receitas por presunção legal Passivo Fictício Conforme relatoriado, as alegações trazidas no Recurso Voluntário em nada diferem do que já foi apresentado na Impugnação, de forma que, por bem ter apreciado as razões da recorrente adoto integralmente as conclusões da decisão de piso: III) DA OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL PASSIVO FICTÍCIO O contribuinte foi intimado a apresentar a documentação que comprovasse também a exigibilidade das obrigações representadas pelo saldo existente em 01/01/2014 na conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, no valor de R$ 23.086.831,18. Em atendimento à intimação, o fiscalizado informou que: "Em primeiro lugar apresentamos retificação sobre nossa comunicação entregue junto a este órgão em 17/08/2017. Onde se lê: [...] não se trata de lançamentos originados de receitas [...] Leiase: [...] valores parcial em montante maior são referente a valores de lançamentos originados de receitas conforme relatório no qual consta nome responsável, aluno e total pago pelo responsável, relatório este, entregue quando do atendimento da Intimação nº 01 [...] Em atendimento a Intimação Fiscal em epígrafe informamos que os valores questionados referemse aos valores de receitas denunciados espontaneamente quando do atendimento da NF nº 001 e também na retificação comunicação ora retificada nesta comunicação." Fl. 1252DF CARF MF 26 A autoridade fiscal concluiu não ser procedente a afirmação de que os valores da conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, de R$ 23.086.831,18, seriam referentes as receitas omitidas que foram reconhecidas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal, uma vez que o saldo da conta é aquele existente em 01/01/2014, ou seja, formado a partir de lançamentos ocorridos anteriormente ao ano de 2014. Destacouse que os lançamentos efetuados na referida conta ao longo do ano de 2014 foram objeto de exigência de comprovação por parte do sujeito passivo, culminando com a infração de omissão de receita em razão da não comprovação da origem dos depósitos efetuados em conta bancária da pessoa jurídica, contabilizados indevidamente em contrapartida da conta “Mútuos”, objeto da infração analisada no item II. Em face da manutenção de obrigação no Passivo, em 01/01/2014, cuja exigibilidade não foi comprovada pelo contribuinte, houve o lançamento de omissão de receita por presunção legal Passivo Fictício, no valor de R$ 23.086.831,18, nos termos do art. 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, que dispõe: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): [...] III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. O AuditorFiscal destacou tratarse, na espécie, de uma infração tributária continuada, reiterada a cada ano pelo contribuinte, quando da manutenção em seu Passivo de uma obrigação sem a respectiva comprovação. Observouse que a aplicação da sanção decorrente de infração desta natureza deve levar em conta o demonstrativo contábil de um dos exercícios apenas, sob pena de caracterizarse o “bis in idem”. Sobre a prática de infração continuada na hipótese do PASSIVO FICTÍCIO, o eminente autor Hiromi Higuchi assim leciona: "É comum a pessoa jurídica ter passivo fictício em dois ou três períodosbase seguidos. Neta hipótese, a tributação do maior passivo fictício de um só períodobase estará tributando o passivo fictício dos demais períodosbase por ser irregularidade contábil continuada. Se a pessoa jurídica provar que a mesma duplicata paga permaneceu por dois ou mais balanços, não há dúvida que a tributação só poderá incidir em um só período base”. (HIGUCHI, Hiromi." Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e Prática, São Paulo, 2012, p. 670671). A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é no sentido de que a manutenção no passivo de obrigações não comprovadas é infração continuada e Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.241 27 indicia a existência de receitas mantidas à margem da escrita e, em consequência, subtraídas ao crivo da tributação, salvo prova em contrário a ser produzida pelo contribuinte: "PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo nº. : 10930.004856/200368 Recurso nº. : 139.765 EX OFFICIO e VOLUNTÁRIO Sessão de : 07 DE JULHO DE 2005 Acórdão nº. : 10808.394 Quanto à omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, é pacífica a jurisprudência deste colegiado em torno da matéria, no sentido de que a manutenção no passivo de obrigações não comprovadas indicia a existência de receitas mantidas à margem da escrita e, em consequência, subtraídas ao crivo da tributação, salvo prova em contrário a ser produzida pela contribuinte. Assim, para que a presunção legal relativa à omissão de receitas neste caso seja afastada é necessário que a pessoa jurídica comprove, com documentação hábil e idônea, a existência da obrigação registrada em seu passivo, demonstrando, ainda, que o pagamento da mesma ocorreu em data posterior ao do encerramento do balanço do exercício objeto de fiscalização. .............." "CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Órgão Julgador: Segunda Turma/Quarta Câmara Processo nº: 18471.000856/200517 Sessão de: 1º/04/2011 Acórdão: 1402000.523 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Cabe ao contribuinte fazer prova da efetividade dos valores contabilizados em seu passivo; do contrário, aplica se a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, nos termos do artigo 40 da Lei n° 9.430, de 1996. .................." "Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Segunda Câmara/Primeira Seção de Julgamento Sessão de: 28/01/2010 Fl. 1254DF CARF MF 28 Acórdão nº: 120100.213 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício 2001 Ementa: PASSIVO FICTICIO — o passivo fictício é infração continuada. Não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado. Todavia, um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita. ..........." O impugnante alega que teria havido erro no lançamento fiscal decorrente de omissão de receitas Passivo Fictício, pois se considerou o saldo devedor existente em 01/01/2014, portanto vindo de exercício anterior, extrapolandose assim o período fiscalizado com violação ao princípio contábil da competência. Por conseguinte, não poderia o Auditor Fiscal ter realizado a tributação com base no saldo existente em 01/01/2014, por ocasião da conta contábil MÚTUOS, simplesmente porque a fiscalização não abrangeu tal período. Conforme analisado anteriormente, o contribuinte admitiu serem improcedentes pelo menos parte dos lançamentos contabilizados ao longo do ano de 2014 na conta “MÚTUOS” código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo, pois se referiam na verdade a receitas auferidas pela pessoa jurídica que não foram oferecidas à tributação na DIPJ. Tais lançamentos tiveram como contrapartida depósitos em contas bancárias do sujeito passivo no ano de 2014, no montante de R$ 10.110.109,07. O contribuinte foi regularmente intimado mas não apresentou documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos utilizados naquelas operações, resultando, assim, no lançamento de omissão de receitas por presunção legal, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, objeto da infração analisada no item II. Ocorre que a conta contábil MÚTUOS código 1370 Passivo Exigível a Longo Prazo possuía saldo em 01/01/2014, início do período fiscalizado, de R$ 23.086.831,18. O contribuinte foi regulamente intimado a apresentar a documentação que comprovasse a exigibilidade de tais obrigações representadas pelo saldo existente naquela data. Entretanto, o interessado não apresentou tais elementos probatórios nem durante a ação fiscal nem na impugnação. Portanto, tendo em vista que o contribuinte foi regularmente intimado mas não comprovou a exigibilidade de tais obrigações, é de se manter o lançamento relativo à omissão de receitas caracterizada por passivo fictício, nos termos do art. 281, inciso III, do RIR/99. Não cabe afastar a autuação em razão da Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 11516.724139/201713 Acórdão n.º 1401003.277 S1C4T1 Fl. 1.242 29 alegação de a obrigação não comprovada já ter vindo de exercício anterior ao período fiscalizado. Pelo que se depreende do procedimento da Fiscalização, e relatoriado pela decisão recorrida, os valores contabilizados durante o ano de 2014 nesta conta foram tributados como depósitos bancários de origem não comprovada, enquanto que o saldo inicial em 01/01/2014 mantevese inalterado em R$ 23.086.831,18, e, evidentemente, não poderia conter receitas de mensalidades de competência de 2014, como equivocadamente afirmou a Recorrente. O fato é que estamos diante de uma grande omissão de receita, conforme já demonstrado no Termo Fiscal e ratificado pela decisão de piso, cujas conclusões não merecem reparos. Poderia haver alguma averiguação aprofundada neste item da autuação, se já tivesse ocorrido alguma outra autuação a título de passivo fictício, em anos anteriores, envolvendo tal conta (Mútuos), mas não há evidências de que tal situação tenha ocorrido. Com relação à alegação da Recorrente acerca de eventuais créditos de PIS e de COFINS que não teriam sido aproveitados na autuação, de se dizer apenas que os autos de infração do presente processo tratam de omissões de receitas, não tendo havido glosa de créditos destas contribuições. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL, PIS E COFINS Os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins são reflexos da mesma irregularidade apurada no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. Conclusão Ante tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 1256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.000634/2003-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Neste sentido, aplica-se a Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1003-000.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Neste sentido, aplica-se a Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. Neste sentido, aplicase a Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 06 34 /2 00 3- 79 Fl. 45DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1611.586 proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPOI, que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração1, fls. 06, no valor de R$ 2.000,00, a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 1°, 2°, 3° e 4° trimestre do ano calendário de 1.999. Solicitando o cancelamento do mencionado lançamento, a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 01/05, alegando, em síntese, que não se enquadrava em nenhuma das condições de obrigatoriedade de apresentação de DCTF previstas no artigo 2° da IN SRF n° 73/1996 e que as declarações em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que estava albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a 5ª Turma da DRJ/SPOI decidiu pela procedência do lançamento, cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, às fls.35/40, alegando que o acórdão de piso merece reforma, reproduzindo, basicamente, as alegações elencadas na Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese que: a) não se pode admitir a revogação tácita da IN SRF 73/96.pela IN SRF 126/98, posto que esta`não regulamentou a obrigatoriedade de entrega ou não das declarações das empresas que realizam pequenas operações; b) a IN SRF 73/96 mantevese em pleno vigor até a IN SRF 255/02 que, então, a revogou; c) o art. 19 da Lei 3.470/58 impõe obrigação ao Fisco de notificar o contribuinte para apresentar a DCTF, e, se não o fez, é porque obrigação foi cumprida 1 O enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 11, do Decretolei n° 1.968/1982, com redação dada pelo artigo 10 do Decretolei n° 2.065/1983; artigo 30 da Lei n° 9.249/1995; artigo 1° da IN SRF n° 18/2000; artigo 7° da Lei n° 10.426/2002 e artigo 5° da IN SRF n° 255/2002. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 19679.000634/200379 Acórdão n.º 1003000.428 S1C0T3 Fl. 3 3 espontaneamente, sendo, pois, aplicável o benefício da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN; d) a exigência da multa em discussão não pode prevalecer por ferir o princípio da reserva legal. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Prefacialmente, a Recorrente alega que a IN SRF 73/96 mantevese em pleno vigor até a IN SRF 255/02 que, então, a revogou, e que desta forma, não seria aplicável a exigência contida na IN SRF 126/98. Neste ponto, por entender que as considerações realizadas pela DRJ no r. acórdão são irretocáveis, colaciono parte de seu texto neste voto: A argumentação da Impugnante está fundamentada na IN SRF n° 73/1996 que exigia a apresentação da DCTF apenas das instituições financeiras e dos estabelecimentos com tributos a declarar superior a R$ 10.000,00 ou faturamento mensal superior a R$ 200.000,00. Contudo, a SRF editou em 30/10/1998 a IN SRF n° 126 que dispõe o seguinte: “Art. 1” Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DC T F. Art. 2º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, deforma centralizada, pela matriz. (g.n.) (...) Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. (g.n.) 1 as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; Fl. 47DF CARF MF 4 III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4 ° da Instrução Normativa SRF n°28, de 05 de março de 1998; IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. (...) Como se vê, a Instrução Normativa acima reproduzida regula a apresentação da Declaração de Créditos e Débitos Tributários DCTF para fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 1999 e altera completamente a regulamentação anterior. Assim, apesar de a revogação da IN n° 73/ 1996, ter ocorrido de forma expressa apenas com a edição da IN SRF n° 255/2002, esta já não produzia efeitos desde a edição da IN 126/1998. Dito de outra forma, a IN SRF n° 126/1999 revogou de forma tácita a regulamentação anterior. Outrossim, segundo as IN(s) SRF n° 126/1998, e 255/2002, a partir do ano calendário de 1999, somente estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as empresas enquadradas no SIMPLES; II as empresas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a dez mil reais; III as empresas inativas; IV os órgãos públicos e V as autarquias e fundações públicas. Pois bem. Conforme resultado de consulta ao Sistema CNPJ, fls. 25, verificase que a requerente não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima relacionadas. Destarte não procede a alegação de que estaria dispensada da apresentação da DCTF.(Grifouse) No tocante ao prazo de entrega, segundo a IN SRF n° 126/1998, como regra geral, a DCTF deve ser entregue até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Nesse ponto a interessada argumenta que o prazo em tela foi prorrogado pelas IN(s) de n° 116/2000 e 301/2003 sob a alegação de que as citadas IN(s) se destinaram a aprovar o programa de preenchimento da DCTF relativa a fatos geradores ocorridos a partir do ano de 1999. Também nesse ponto a tese não pode ser acolhida, note, que a interessada não observou que tanto o parágrafo único do artigo 2° da IN SRF n° 116/2000 quanto o artigo 3° da IN SRF n° 301/2003, reproduzem o prazo de apresentação originalmente previsto no IN SRF n° 126/1998. Outrossim, as Instruções Normativas em questão tem por finalidade aprovar a versão do programa de entrega da DCTF e em momento algum contrariou o disposto na IN SRF n° 126/1998. Que fique claro: segundo as IN(s) SRF n° 126/1998, e 255/2002, a partir do ano calendário de 1999, somente estariam dispensadas da apresentação da DCT as empresas enquadradas no SIMPLES, as empresas imunes e isentas (cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF fosse inferior a dez mil reais), as empresas inativas, os órgãos públicos e as autarquias e fundações públicas. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 19679.000634/200379 Acórdão n.º 1003000.428 S1C0T3 Fl. 4 5 E, como a Recorrente, de acordo com consulta Sistema CNPJ, fl. 25, estava submetida à tributação pelo lucro real, não tendo feita qualquer opção pelo SIMPLES, não se enquadrava em nenhuma das hipóteses anteriormente descritas, não procedendo, destarte, a alegação de que estaria dispensada da apresentação da DCTF. Vale lembrar que, conforme previsto em nosso ordenamento jurídico, uma vez descumprido o dever instrumental, temse a hipótese de instituição de multa, conforme disposto no artigo 113 do CTN: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § I” A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2°A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. " Sobre o tema, ensina Leandro Paulsen2: "A impropriamente chamada conversão depende de previsão legal específica, estabelecendo pena pecuniária para o descumprimento da obrigação acessória. Ou seja, não há uma conversão automática em obrigação principal. O que ocorre, sim, é que o descumprimento da obrigação acessória normalmente é previsto em lei como causa para a aplicação de multa, esta considerada obrigação principal nos termos do § 1º deste artigo". Ademais, não se pode perder de vista que os deveres instrumentais são atribuídos aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Isto porque, por meio do cumprimento daqueles, a fiscalização conseguirá aferir se a obrigação principal também foi cumprida. Outrossim, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcança, no presente caso, a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração e que o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 2 (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário comentados à luz da doutrina e da jurisprudência. 18 ed. São Paulo: Saraiva, 2017. p. 941.) Fl. 49DF CARF MF 6 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, a questão, em sentido diametralmente oposto ao defendido pela Recorrente, é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com aplicação vinculante na administração tributária federal, determinada pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Com efeito, a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, se refere à obrigação principal entendida como aquela decorrente da ausência de pagamento do tributo devido, não alcançando, assim, os deveres instrumentais decorrentes de previsão na legislação. Em tempo, atinente à alegação da Recorrente de que princípio da reserva legal teria sido violado, matéria esta, notoriamente, de cunho constitucional, convém lembrar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de norma. Carece ao presente Julgador, portanto, competência para enfrentar o mérito dos argumentos que envolvem análise de inconstitucionalidade. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.907131/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.821
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 13 1/ 20 12 -3 7 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10882.907131/201237 Resolução nº 3402001.821 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10882.907131/201237 Resolução nº 3402001.821 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10882.907131/201237 Resolução nº 3402001.821 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10882.907131/201237 Resolução nº 3402001.821 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.900192/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.934
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 92 /2 01 1- 58 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de COFINS mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.487. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. COFINS. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900192/201158 Acórdão n.º 3201004.934 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.009387/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DA FONTE PAGADORA
Comprovado que a contribuinte era representante legal da empresa fonte pagadora de seus rendimentos, não há como deixar de imputar-lhe a responsabilidade solidária.
Numero da decisão: 2201-004.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que davam provimento ao recurso. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DA FONTE PAGADORA Comprovado que a contribuinte era representante legal da empresa fonte pagadora de seus rendimentos, não há como deixar de imputarlhe a responsabilidade solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que davam provimento ao recurso. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 93 87 /2 01 0- 88 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 105 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de omissão de rendimentos. A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 36/39, relativa a imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2007, em que foi constatada compensação indevida de imposto de renda retido na fonte referente à fonte pagadora Editora Z Limitada, CNPJ n° 00.818.827/000107, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 37, da qual consta a seguinte complementação: “A contribuinte não comprovou a retenção do IRRF, não apresentou hollerits, não apresentou carteira de trabalho ou contrato de trabalho referente a 00.818.827/000107 EDITORA Z LIMITADA consultado CNPJ da referida empresa constatouse que o responsável é ROBERTO ROMIZANAGA CPF 986.976.68891". Cientificada do lançamento por via postal em 19/10/2010 (fl. 41), a interessada apresentou, em 16/11/2010, a impugnação de fls. 2/20, em que aduz as razões sintetizadas a seguir: O trabalho fiscal merece ser anulado, uma vez que não guarda respeito ao princípio da estrita legalidade tributária e refoge da busca da verdade material e formal dos fatos tributários. O trabalho fiscal afronta princípios basilares da Administração Pública, quais sejam, da moralidade, da razoabilidade e da legalidade, traçados no Artigo 37 da Constituição Federal. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA PELA VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA E DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A Autoridade Fiscal não detalhou especificamente qual a obrigação tributária principal e/ou acessória afrontada e agiu segundo suas próprias convicções e vontades, afastandose do princípio da legalidade no cumprimento de sua função pública, exigindo obrigação tributária de forma contrária à prevista em lei, afrontando o princípio da segurança jurídica tributária. Cita doutrina. A obrigação legal de prestar informações acerca do Imposto de Renda Retido na Fonte e de promover a retenção e o recolhimento aos cofres públicos é da pessoa jurídica declarada como fonte pagadora. Os documentos anexos demonstram, à evidência, que a Impugnante sofreu a retenção do Imposto de Renda pela Fonte Pagadora e que esta promoveu a devida apresentação da Dirf. É dever da Autoridade Fiscal promover a descrição precisa dos fatos jurídicos que levaram à glosa do IRRF, bem como Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 106 3 demonstrar de forma inequívoca a inexistência de Declaração de Retenção pela Fonte Pagadora, como forma de garantir a busca da verdade material e o efetivo cumprimento do princípio da legalidade. Em afronta às disposições do Artigo 10, inciso VI, do Decreto n° 70.235/72, o Auto de Infração e Imposição de Multa não conta com a assinatura do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que promoveu a lavratura do Auto de Infração. A ausência dos elementos essenciais à validade do auto de infração acarreta sua nulidade formal. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Isto posto, requer que se conheça da impugnação e que se lhe dê integral provimento para, acolhendo a preliminar suscitada, declarar a nulidade do Auto de Infração e Imposição de Multa, ante a desconsideração dos negócios jurídicos em afronta ao princípio da legalidade e da segurança jurídica e ante a ausência da perfeita descrição dos fatos e da ausência da assinatura e matrícula do Auditor Fiscal autuante. DA ILEGALIDADE DAS GLOSAS DAS DEDUÇÕES DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGADORA Invoca os artigos 116 e 149 do Código Tributário Nacional para alegar que não houve demonstração da ocorrência de dolo ou fraude, sendo que a mera afirmação de que o Impugnante não comprovou o efetivo recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte não é suficiente para caracterização da fraude. A Autoridade Fiscal agiu em manifesto erro, posto que presumiu situação inexistente. O parágrafo 3° do Artigo 620 do Regulamento do Imposto de Renda não condiciona a redução do imposto devido na Declaração Anual de Rendimentos à efetiva comprovação do recolhimento ou da Declaração pela Fonte Pagadora. A contribuinte somente poderia ser responsabilizada pelo recolhimento do tributo se houvesse a Autoridade Fiscal promovido a devida comprovação da ausência de Declaração ou de recolhimento do tributo retido pela Fonte Pagadora. Cita doutrina e julgado do Superior Tribunal de Justiça. Anexou à sua impugnação os documentos de fls. 21/24 e, posteriormente, os documentos de fls. 46/59. Foi prolatado o Acórdão nº 1658.210 17a Turma da DRJ/SPO, que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 107 4 Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa da contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. Preliminar rejeitada. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Estando a contribuinte incluída nas hipóteses previstas no artigo 8° do DecretoLei n° 1.736/1979 e não tendo comprovado, pela documentação acostada aos autos, que o valor do imposto de renda retido na fonte sobre seus rendimentos foi recolhido, deve ser mantida a glosa efetuada no lançamento. A ciência dessa decisão ocorreu em 26/01/2017 e o recurso voluntário foi tempestivamente protocolizado em 01/03/2017, tendo o contribuinte se limitado a reiterar os argumentos apresentados por ocasião da impugnação. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Nulidade cerceamento ao direito de defesa Sustenta a recorrente a nulidade do lançamento, por ter havido violação à estrita legalidade tributária e cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que a comprovação do recolhimento cabe à fonte pagadora e não à contribuinte, ora recorrente. O argumento preliminar se confunde com o mérito e juntamente com ele será analisado. Por ora, cumpre ressaltar que não há violação ao princípio da legalidade tributária, porquanto a responsabilidade solidária do sócio administrador possui previsão na legislação, bem como à recorrente foi concedido todos os meios recursos necessários ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim sendo, afasto rejeito a preliminar de nulidade. Do mérito A recorrente faz vasta explanação, trazendo conceitos gerais de direito tributário, para ao fim, asseverar que não tem responsabilidade sobre o não recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, devendo a Fiscalização diligenciar junto à fonte pagadora dos seus rendimentos acerca do efetivo recolhimento do imposto compensado. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 108 5 O presente caso, todavia, tem uma especificidade substancial para o deslinde do feito. Restou comprovado nos autos que a recorrente é sócia da empresa fonte pagadora dos rendimentos. O Regulamento do Imposto de Renda reproduz a norma inserta no art. 8º do DecretoLei n° 1.736/1979. Por sua vez, preconiza o art. 723 do citado RIR (Decreto nº 3.000/1999) : Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte. (DecretoLei n° 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8°) Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação. (DecretoLei n° 1.736, de 1979, art. 8°, parágrafo único). Pela dicção da norma supra transcrita depreendese claramente que para ser responsabilizado solidariamente, o sócio precisa ter poder de gestão, vez que acionista contolador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, têm, de algum modo influência no comando da empresa. No caso que se cuida, a Fiscalização apontou como sóciodiretor, o Sr. Roberto Romi Zanaga. É certo que a recorrente constou do quadro societário da fonte pagadora de seus rendimentos, e a condição de administradora com poder de gestão sobre os negócios da empresa, apontado pela Fiscalização, não foi refutada pela recorrente. Constou nos contracheques carreados aos autos que a contribuinte exercia a função de diretora na empresa. Assim sendo, entendo que o Comprovante de Rendimentos emitido pela fonte pagadora não é prova suficiente da regularidade da compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem comprovação da DIRF entregue pela fonte pagadora. Destarte, entendo que a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte perpetrada pela contribuinte deve ser considerada indevida, uma vez restou comprovada a condição de diretora da empresa, impondolhe a condição de responsável solidária, nos moldes do contorno legislativo supra (art. 723 do RIR). Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Declaração de Voto Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 109 6 Marcelo Milton da Silva Risso 1 Em que pese o bem fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator Daniel Melo Mendes Bezerra a quem lhe rendo minhas homenagens, ouso divergir do seu entendimento e passo a expor os motivos que daria provimento ao recurso voluntário. 2 Entendo que no caso concreto não é aplicável a solidariedade do art. 723 do RIR/99 que diz: Responsabilidade de Terceiros Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único). 3 Por sua vez, tal norma obtêm sua força normativa do art. 8º do Decreto Lei nº 1.736/1979 que diz: Art 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação. 4 Ora, no caso em questão, além de entender que não houve a demonstração da prova que a contribuinte era ao tempo da glosa do crédito de IRRF uma das figuras indicadas no caput do art. 723 do RIR/99, entendo que a interpretação desse artigo deve se dar de forma sistemática com os termos do art. 135, III do CTN que diz: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 110 7 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Grifei 5 No caso, o motivo do lançamento conforme destacado pelo I. Relator foi: "Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 58/62, relativa a imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2006, em que foi constatada compensação indevida de imposto de renda retido na fonte referente à fonte pagadora Editora Z Limitada, CNPJ n° 00.818.827/000107, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 60, da qual consta a seguinte complementação: “A contribuinte não apresentou hollerits da empresa 00.818.827/000107 EDITORA Z LTDA e não comprovou o IRRF. Foi consultado o CNPJ da referida empresa e constado que o sócio diretor é ROBERTO ROMZANAGA CPF 986.976.68891." 6 Ora, o próprio art. 723 do RIR/99 trata de solidariedade, contudo, a solidariedade deve se dar na forma do art. 124 I do CTN, por isso a necessidade da interpretação sistemática entre esses artigos. 7 Inclusive o artigo 723 do RIR/99 fala em solidariedade em relação aos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte no caso o IRRF, verbis: Art.723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 111 8 8 Ora, se não há crédito de IRRF constituído, como responsabilizar a contribuinte no caso?! Deve haver crédito tributário lançado em face da pessoa jurídica responsável pela retenção na fonte, que é o sujeito passivo principal da obrigação tributária, e não a ora contribuinte, que pelo simples fato de ser uma das simples figuras indicadas no caput do artigo deverá responder em nome próprio?! A resposta é simples: claro que não. O comando do art. 723 do RIR/99 é no caso de crédito constituído de IRRF em relação à fonte pagadora e sujeito passivo da obrigação tributária não podendo ser utilizado para glosa da compensação da pessoa física de eventuais dirigentes. 9 Por mais que seja necessário combater a eventual sonegação nesses casos, é óbvio que o respeito ao princípio da legalidade é corolário que deve a Administração Pública seguir nos termos do art. 37 da CF/88 e lançar o crédito tributário em face da fonte pagadora que não efetuou o recolhimento, quando na realidade houve comprovação até mesmo da retenção, e caso comprovada eventual fraude dos administradores aí sim responder de forma solidária, mas não efetuar a glosa da compensação na forma como constou do lançamento. 10 A respeito do assunto peço venia para transcrição dos fundamentos do voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira em caso análogo julgado por essa C. Turma no Ac. 2201003.524 em 16/03/2017 assim ementado, no qual adoto como razões de decidir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2008 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DEDUTIBILIDADE. A dedução de valores retidos só é permitida se o contribuinte tiver o Comprovante de Rendimento Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte emitido pela Fonte Pagadora em seu próprio nome, sendo despiciendo que o contribuinte comprove o recolhimento do tributo retido. "O Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, é claro ao explicitar em seu artigo 87: “Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (......) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 112 9 IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2ºO imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1º e 2º, e 8º, §1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55) “ Claríssimo o comando legal. A dedução do imposto sobre a renda retido pela fonte pagadora só poderá ser realizada se o contribuinte tiver o comprovante, emitido por tal fonte, emitido em seu nome. Verifico o documento anexado aos autos. A dedução não pode ser glosada, posto que embasa em documento legalmente exigido. Não se pode imputar ao contribuinte o ônus de comprovar o recolhimento que deve ser efetuado por outrem. Tal exigência, além de desvirtuar o comando legal, imputa ao contribuinte dever da Administração Tributária, este indelegável e como cediço vinculado a própria atuação da Entidade Tributante. O próprio CTN, ao tratar do sujeito passivo, e novamente cumprindo seu papel constitucional de determinar os sujeitos passivos dos impostos, explicitou no artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Forçoso recordar, por amor à clareza e a metodologia da interpretação científica, que tal comando em tudo e por tudo se coaduna com a determinação codicista da sujeição passiva tributária, que no artigo 121, explicita que são sujeitos passivos, o contribuinte, por ter relação direita com a ocorrência do fato gerador e o responsável, aquele que sem ser o contribuinte, tem a obrigação determinada pela lei. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 113 10 Com esses permissivos constantes da lei quadro tributária, o legislador competente, fez constar na lei tributária a previsão da retenção do imposto sobre a renda, em especial na Lei nº 7.713/88. Em regra, o imposto sobre a renda retido na fonte é mera antecipação tributária, devendo ser o imposto sobre a renda da pessoa física apurado anualmente, por meio da declaração de ajuste anual. Tal constatação, embora conhecida de todos, é importante para fixarmos que o contribuinte e a incidência tributária não se deslocaram com a forma de tributação disposta pela Lei nº 7.713/88, revelandose, o fonte, mera técnica arrecadatória. Em síntese: Contribuinte é aquele que auferiu renda. Responsável é aquele que pagou o rendimento auferida pelo contribuinte. Ambos sujeitos passivos do imposto sobre a renda, nos termos do artigo 121 do CTN. Não obstante, não se pode esquecer que a pessoa física do sócio não se confunde com a pessoa jurídica da sociedade por ele constituída. Maria Helena Diniz, em sua obra clássica Curso de Direito Civil Brasileiro (1º Volume, Ed. Saraiva, pag.175), define pessoa jurídica como sendo: "a unidade de pessoas naturais ou de patrimônio que visa à consecução de certos fins, reconhecida pela ordem jurídica como sujeito de direitos e de obrigações" Assim não fosse, o direito não teria emprestado personalidade a tal ente, não teria erigido a pessoa jurídica como sujeito de direito e de obrigações, inclusive por vezes, como no caso em tela, preferindo que ela a pessoa jurídica ficasse responsável pelo dever de reter e recolher o tributo incidente sobre a renda, ou provento, percebido pela pessoa física, que em face dessa percepção, se torna sujeito passivo do imposto sobre a renda na qualidade esta sim de contribuinte. Nesse ponto, importante realçar, como faz a Professora de Direito Civil da PUC de São Paulo (ob. cit), que a natureza jurídica das pessoas jurídicas, segundo a teoria da realidade orgânica, admite que: "ao lado da pessoa natural, que é organismo físico, organismos sociais constituídos pelas pessoas jurídicas, que tem existência própria distinta da de seus membros, tendo por objetivo realizar um fim social" Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 114 11 São nessas premissas dogmáticas e legais que se assentam os ditames da responsabilidade solidária tributária das pessoas naturais que se relacionam com a pessoa jurídica, que ao praticar um fato gerador tributário, se torna contribuinte ou responsável pelo tributo a ser recolhido. Nesse sentido, leciona Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, pag. 314) ao comentar o artigo 128 do CTN, que preceitua: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." Leciona, sobre o dispositivo, o Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica (ob cit): "Quanto à fixação de responsabilidade pelo crédito tributário há dois rumos bem definidos: um interno à situação tributária, outro externo. Diremos logo que o externo tem supedâneo na frase excepcionadora, que inicia o período Sem prejuízo ...e se desenrola no conceito prescritivo daqueles artigos que mencionamos (129 até 138). O caminho da eleição da responsabilidade pelo crédito tributário depositada numa terceira pessoa, vinculada ao fato gerador, no conduz a uma pergunta imediata: mas quem será essa terceira pessoa? A resposta é pronta, qualquer um, desde que não tenha relação pessoal e direta com o fato jurídico tributário, pois essa é chamada pelo nome de contribuinte." Assim, a responsabilidade do sócio, a pessoal, só ocorrerá nos termos descritos pela Lei. E assim se pronuncia o CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11610.009387/201088 Acórdão n.º 2201004.999 S2C2T1 Fl. 115 12 Logo para que se possa invocar a lei tributária para se imputar a responsabilidade aos sócios como representante da pessoa jurídica duas exigências devem estar cumpridas: i) o crédito tributário deve estar constituído: o que não ocorreu no fato em tela, posto que se intimou a recorrente para que ela comprovasse o recolhimento do tributo de responsabilidade de outrem; ii) deve estar comprovado pela autoridade lançadora que houve ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social: novamente não houve nenhuma comprovação, por parte do Fisco, da ocorrência de tais condições. A prevalecer a posição da decisão de piso, esposada pelo ilustre Relator, a eleição da pessoa jurídica como responsável tributário deixaria de ser o método mundialmente adotado como fonte de praticabilidade da Administração Tributária, para se transformar em imputação automática de responsabilidade tributária, o que como cediço, só ocorre nos termos posto pelo Código Tributário Nacional, o que não se observou no caso em apreço. Logo, ao reverso de simplesmente glosar a dedução realizar calçada como visto em documento previsto na legislação tributária deveria a Delegacia da Receita Federal do Brasil competente ter imediatamente tomado as devidas providências no sentido da recuperação do tributo não recolhido e se for o caso de ter sido retido o que enseja a prática de crime providenciar a cientificação do órgão competente." 11 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928799/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP - DCTF . ERRO NO PREENCHIMENTO. ERRO DE FATO
Erro de fato no preenchimento de declaração não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2202-005.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, com reapreciação do direito creditório e da compensação, e na qual sejam considerados os documentos juntados pelo contribuinte quando da manifestação de inconformidade, bem como os demais elementos constantes nos autos..
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 PER/DCOMP DCTF . ERRO NO PREENCHIMENTO. ERRO DE FATO Erro de fato no preenchimento de declaração não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, e determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, com reapreciação do direito creditório e da compensação, e na qual sejam considerados os documentos juntados pelo contribuinte quando da manifestação de inconformidade, bem como os demais elementos constantes nos autos.. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 87 99 /2 00 9- 11 Fl. 264DF CARF MF 2 Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 150/184), acompanhado de cópias de documentos comprobatórios, interposto contra o Acórdão no. 0130.484 da 1a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA – DRJ/BEL (efls. 126/142), que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade interposta face a Despacho Decisório que não homologou pedido formulado pela ora recursante em PER/DCOMP. 2. Em detalhes, a Manifestação de Inconformidade foi interposta contra o despacho decisório 848651444, que não homologou a PER/DCOMP 35588.40562.301007.1.3. 048013, relativa a pagamento supostamente indevido de IRRF, durante o ano calendário de 2007, uma vez que embora localizado o pagamento do DARF código 0481 IRRF juros e comissões em geral, na data de 26/02/2007, no valor de R$ 169.675,03, o mesmo foi integralmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte de igual valor. 3. Em síntese, a interessada alega em sua manifestação de inconformidade o seguinte: que o valor de R$ 169.675,03 não foi utilizado para pagamento de débito de IRRF do período de apuração de 23/02/2007 por que não havia fato gerador que pudesse ensejar tal recolhimento; em 2006, a Ipiranga Petroquímica S.A distribuiu juros sobre capital próprio, nos termos do artigo 9° da Lei no 9.249/95 para o acionista Dresdner Bank Aktiengesellschaft2, como demonstram os registros constantes nos sistemas do Banco Central do Brasil no montante bruto de R$ 1.127.446,93. no momento da contabilização procedeu ao recolhimento do IRRF, na alíquota de 15% sobre o valor bruto dos juros sobre o capital próprio devidos ao Dresdner Bank Aktiengesellschaft, no montante de R$ 169.117,04 em 28 de dezembro de 2006, sob o código de arrecadação 9453 (Juros sobre capital Próprio Residentes no Exterior); o valor liquido a ser remetido no montante de R$ 958.329,89 correspondente à diferença entre o valor bruto dos juros sobre capital próprio devidos ao Dresdner Bank Aktiengesellschaft (R$ 1.127.446,93) e o IRRF devido (R$ 169.117,04), foi devidamente registrado nos sistemas do Banco Central do Brasil (doc. 08). posteriormente, em 23/02/2007, a Ipiranga Petroquímica S.A. remeteu ao acionista no exterior o valor liquido e, por equivoco, recolheu novamente, em 26/02/2007, o IRRF devido no valor total de R$ 169.675,03, correspondente ao valor principal de R$ 169.116,95 somado ao valor de R$ 558,08, correspondente à multa, sob o código de arrecadação 0481 — Juros e Comissões em Geral, valor que foi lançado como devido na DCTF relativa ao período de fevereiro de 2007; vêse, portanto, que foi recolhido duas vezes o IRRF, que incidido sobre o creditamento dos juros, não pode novamente incidir por ocasião da remessa; também por equivoco deixou de proceder à retificação da DCTF referente a fevereiro de 2007, para que nessa declaração fosse retirado o valor do débito de IRRF e o DARF pago no dia 26/02/2007 continuou vinculado ao suposto débito de IRRF, o que resultou no não reconhecimento do crédito informado na PER/DCOMP e, conseqüentemente, na não homologação da compensação; esse mero equivoco não tem o condão de fazer com que o suposto débito passe a existir, não pode se sobrepor à verdade material Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11080.928799/200911 Acórdão n.º 2202005.039 S2C2T2 Fl. 265 3 4. O Voto da 1a. Turma, no sentido de improcedência da Manifestação de Inconformidade, é transcrito a seguir em sua essência: Voto (...) (transcreve legislação correlata à compensação) Em termos de prova, o direito processual brasileiro adotou um sistema bastante aberto, fundado em poucas restrições à atividade probatória. Vejase o que dispõe o artigo 332 do Código de Processo Civil – CPC. (transcreve o artigo) (...) A falta de hierarquia entre os meios de prova também é característica do processo administrativo fiscal, havendo poucas exceções. A principal delas diz respeito ao valor probante da escrituração do contribuinte. Vejamos o que diz o art.923 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. (...) Outro importante preceito do CPC é o constante do art.333, que trata do ônus da prova: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, no processo administrativo fiscal e no que concerne às provas, temos que no caso de auto de infração ou notificação de lançamento, o ônus da prova é do fiscal “autuante”; por outro lado, quando o contribuinte apresenta pedido de restituição, o ônus da prova é deste quanto à existência do direito creditório. As seguintes “telas” dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil são “provas” produzidas pelo próprio contribuinte, pois são por ele alimentadas ao entregarem suas declarações. Desta forma, nos valeremos destas informações para aferir a consistência da verdade material descrita pelo recorrente. (colaciona consultas das telas de dados do pagamento, da PED/COMP e da DCTF) No caso específico, temos: A recorrente indica erro na elaboração da DCTF, original, mas a DCTF retificadora, (esta última apresentada em 26/06/2008, antes da edição do despacho decisório) referente ao período em que alega ter efetuado pagamento a maior, ainda informa o débito relativo ao código 0481, que não guarda correlação com o fato gerador de juros de capital próprio; mas, sim o abaixo descrito: Fl. 266DF CARF MF 4 “RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR 0481 Juros e Comissões em Geral FATO GERADOR Importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, por fonte localizada no Brasil, a titulo de juros e comissões, inclusive os remetidos em razão de compra de bens a prazo. (RIR/1999, arts. 702 e 703)...” A consulta à DIRF e retificadora ano calendário 2006 (esta última apresentada em 05/09/2007, antes da edição do despacho decisório), entregues pelo recorrente à Receita Federal, apresenta informação acerca de juros de capital próprio. Há um descompasso entre DIRF e DCTF. Existe um “iter” na tributação: a) os fatos econômicos ocorrem no mundo fático; b) os fatos econômicos são comprovados em documentos; c) os documentos são registrados nos registros contábeis dos contribuintes; d) os fatos econômicos descritos na lei como passíveis de tributação configuram os “fatos geradores dos tributos”; e) de acordo com os registros contábeis, são elaboradas as declarações fiscais, nas quais os contribuintes informam ao fisco os detalhes de cada tributo. Em sentido reverso: a) erros em tributação são comprovados com declarações; b) erros em declarações são comprovados com registros contábeis; c) erros em registros contábeis são comprovados com documentos. Seria necessário que o contribuinte apresentasse elementos consistentes de sua escrituração com vistas à comprovação da inocorrência do fato gerador relativo ao código 0481, com alega em sua Manifestação de Inconformidade. Destarte, diante da ausência de provas robustas e mais detalhadas sobre os supostos equívocos cometidos, sobre a ocorrência dos fatos geradores que resultariam no direito de compensação das retenções de IRRF, os quais poderiam ser comprovados com elementos da escrituração do contribuinte, assim como com documentos que retratem os fatos escriturados, o direito creditório não deve ser reconhecido. (...) Diante do exposto voto por: considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade; direito creditório não reconhecido. PER/DCOMP 35588.40562.301007.1.3.048013 “não homologada”. 5. Cientificada da decisão a quo, a contribuinte apresenta, através de seu procurador, os seguintes argumentos recursais, transcritos em síntese: a Braskem S.A. sucede por incorporação a Ipiranga Petroquímica S.A.; alega tempestividade do recurso; apresenta breve histórico do processo; inicia então a esclarecer suas razões sobre a existência do crédito tributário entendendo que o Acórdão baseou sua decisão apenas em conferência eletrônica aos sistemas Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11080.928799/200911 Acórdão n.º 2202005.039 S2C2T2 Fl. 266 5 da RFB, onde as informações não correspondem à realidade dos fatos, uma vez que o débito de IRRF não existiria; em 2006, a Ipiranga Petroquímica S.A distribuiu juros sobre capital próprio, nos termos do artigo 9° da Lei no 9.249/95 para o acionista Dresdner Bank Aktiengesellschaft2, no montante bruto de R$ 1.127.446,93; no momento da contabilização do creditamento procedeu ao recolhimento do IRRF, na alíquota de 15% sobre o valor bruto dos juros sobre o capital próprio devidos ao acionista, no montante de R$ 169.117,04 em 28/12/2006, sob o código de arrecadação 9453 (Juros sobre capital Próprio Residentes no Exterior); o valor liquido a ser remetido no montante de R$ 958.329,89 correspondente à diferença entre o valor bruto dos juros sobre capital próprio devidos ao Dresdner Bank Aktiengesellschaft (R$ 1.127.446,93) e o IRRF devido (R$ 169.117,04), foi devidamente registrado contabilmente; posteriormente, em 23/02/2007, a Ipiranga Petroquímica S.A. remeteu ao acionista o valor liquido e, por equívoco, recolheu novamente, em 26/02/2007, o IRRF devido no valor total de R$ 169.675,03, correspondente ao valor principal de R$ 169.116,95 somado ao valor de R$ 558,08, correspondente à multa, sob o código de arrecadação 0481 (Juros e Comissões em Geral), valor que foi lançado equivocadamente como devido na DCTF relativa ao período de fevereiro de 2007; conclui, portanto, que foi recolhido duas vezes o IRRF, que incidido sobre o creditamento dos juros, não podendo novamente incidir por ocasião da remessa; sustenta documentalmente o registro das operações referenciando os documentos já apresentados juntamente à Manifestação de Inconformidade MI; justifica que buscou então promover a compensação através da PER/ DCOMP sob análise, informando como origem do credito o DARF recolhido em 26/02/2007; sustenta que procedeu à retificação da DCTF referente a fevereiro de 2007 antes da emissão do Despacho Decisório de 07/10/2009, cf. Doc 2 da MI, e pelo menos em sua versão, disponibilizada pelo "site" da RFB, doc 3 da MI, a referida retificadora não traz informação acerca do débito de IRRF de código 0461 de 23/02/2007; ressalta que o número da DCTF retificadora ativa, com tal informação corrigida, 100.2007.2008.1830347451, é o mesmo referenciado pela DRJ em seu julgamento; retoma seus argumentos contra a não homologação, discordando que as alegações e comprovações documentais presentes na MI não seriam suficientes para esclarecer o equívoco das informações presentes nos sistemas da RFB; destaca um a um os documentos comprobatórios apresentados na MI e sustenta que os mesmos trazem a verdade substancial, a ser imposta contra a verdade formal presente nos sistemas da RFB, a qual baseou a decisão da DRJ proferida exclusivamente com as provas formais presentes nos sistemas eletrônicos e elevando o ônus probatório a um nível inalcançável; os documentos apresentados em sede de impugnação foram, conforme transcrito da peça apresentada pelo sujeito passivo: i) Registro Declaratório Eletrônico do BACEN Investimento Externo Direto da Participação do Dresdner Bank na Ipiranga Petroquímica S.A. (doe. 04 da Manifestação de Inconformidade); ii) Planilha de controle de Juros sobre Capital Próprio creditados em 2006 (doe. 05 da Manifestação de Inconformidade); iii) Balancete contábil da Ipiranga Petroquímica SA de 31 de dezembro de 2006 (doe. 06 da Manifestação de Inconformidade); Fl. 268DF CARF MF 6 iv) DARF referente ao recolhimento de IRRF no valor de R$ 169.117,04, pago sob o código de receita 9453, em 28 de dezembro de 2006 (doe. 07 da Manifestação de Inconformidade); v) Registro Declaratório Eletrônico do BACEN Distribuição de Juros sobre Capital Próprio (doe. 08 da Manifestação de Inconformidade); vi) Contrato de Câmbio n° 07/004057, de 23 de fevereiro de 2007, referente à efetiva remessa dos Juros sobre Capital Próprio para o Dresdner Bank (doe. 09 da Manifestação de Inconformidade); vü) DARF referente ao recolhimento de IRRF no valor principal de R$169.116,95 e multa de mora de R$ 558,08, pago sob o código de receita 0481, referente ao período de apuração de 23 de fevereiro de 2007e recolhido no dia 26 do mesmo mês (doe. 10 da Manifestação de Inconformidade); viii) DCTF de fevereiro de 2007 referente ao IRRF (código de receita 0481) (doe 11 da Manifestação de Inconformidade). entende que nenhum dispositivo normativo suporta que a verdade dos fatos controversos deve ser aferida apenas a partir de informações presentes nos sistemas da administração; entende também que deve ser buscada a realidade dos fatos, pelos princípios do processo administrativo, notadamente o da verdade material, (cita jurisprudência da CSRF e do CARF, e cita doutrina) e sustenta que a DRJ poderia haver determinado de ofício diligência ou perícia, cf. art. 18 do Decreto 70.235/72, não apenas se baseado na consulta de sistemas internos; suscita que as provas por ela produzidas e apresentadas já seriam suficientes para a comprovação dos fatos, mas como o Acórdão recorrido afirma que seriam necessários elementos consistentes de sua escrituração, anexa ao Recurso a integra da DCTF original referente a fevereiro de 2007 (doc 04), a DCTF retificadora de fevereiro de 2007, transmitida em 26/06/2008 (doc 03) e o balancete contábil de 28 de fevereiro de 2007 (doc 05); ressalta que, enquanto na DCTF original o único débito de IRRF 0461 lançado (equivocadamente) é o de R$ 169.116,95, no balancete não há qualquer lançamento que poderia ensejar tal débito (acrescenta considerações sobre valores e alíquotas que seriam aplicadas e, se devidos, presentes no balancete); lembra que utilizou o código 0481 cf. orientações obtidas junto ao "site" da RFB (doc 06 do recurso); entende que não haveria como demonstrar um não fato a inocorrência do fato gerador de IRRF que ensejasse o pagamento a maior promovido pela recorrente, pois não há prova de fato negativo; levanta que o ônus da prova de demonstrar que as informações constantes nos sistemas da RFB estavam equivocadas foi por ela agora desincumbido, com a apresentação da documentação contábil, de acordo com o art. 923 do RIR/99, embora entenda que tal ônus poderia ter sido desincumbido pela própria Administração; 6. Requer, por fim, o provimento do recurso com a homologação da compensação declarada. 7. Foram anexados ao Recurso cópias dos seguintes documentos, com a denominação dada pela recorrente, juntados às efls. 186/260 dos autos : Doc. 01 Instrumento de mandato e Atos Societários Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11080.928799/200911 Acórdão n.º 2202005.039 S2C2T2 Fl. 267 7 Doc. 02 Tela da Caixa Postal do eCAC referente à intimação da Recorrente e Intimação DRF/CCI/SAORT n°: 991/2014 Doc. 03 DCTF retificadora de fevereiro de 2007, transmitida em 26/06/2008; Doc. 04 DCTF original de fevereiro de 2007 Doc. 05 Balancete contábil da Ipiranga Petroquímica S.A. de 28/02/2007 Doc. 06 informações extraídas do "site" da RFB referentes aos recolhimentos de IRRF sob o código de receita 0481 8. Foi apresentado ainda Memorial da Recorrente, onde foi ressaltado que a verdade material deve prevalecer e o recurso deve ser provido, com a conseqüente homologação da compensação declarada. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator 10. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 11. Conforme já explanado, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando a contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). 12. Para que se tenha a compensação tornase necessário que a contribuinte comprove que o seu crédito é líquido e certo, condição sem a qual a mesma não pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pela contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dela, embora todas as partes devam cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, e mais, buscando a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. 13. O caso em pauta envolve suposto crédito decorrente de pagamento indevido, e existindo débito próprio, a contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o Despacho Decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado. 14. A contribuinte apresenta documentos esclarecedores já em sede impugnatória, inclusive contábeis. Apresenta ainda esclarecimentos complementares e novos documentos apenas em sede de Recurso, mas pela sua significância em relação ao deslinde da lide, deles se deve conhecer, com base no Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, uma vez que podem, com sua análise, justificar as pretensões da interessada. Fl. 270DF CARF MF 8 15. A recursante argumenta ainda que a DCTF foi retificada e entregue antes da prolação do Despacho Decisório; e destaca que vislumbra inconsistência na afirmação da DRJ que não tenha ocorrido retificação, buscando comprovar com a apresentação de sua via da DCTF entregue e, segundo ela, consultada na RFB, com o mesmo número de registro da DCTF referenciada pela Primeira Instância em seu Acórdão como não retificada. 16. Por outro lado, a retificação de declaração, até mesmo após a prolação do despacho decisório, é tese já analisada pelo CARF, inclusive por sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, especialmente na forma explanada nas razões de decidir do Acórdão n.º 9101002.203, da lavra do Ilustre Conselheiro Rafael Vidal de Araújo cuja Ementa transcrevo a seguir: Acórdão n.º 9101002.203 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário:2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1. Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2. A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. 17. Destaquese também a premissa em que se lastrearam as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, igualmente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" . Transcrevese a seguir a ementa do Acórdão acima referenciado: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11080.928799/200911 Acórdão n.º 2202005.039 S2C2T2 Fl. 268 9 Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. 18. Além disto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Coordenação Geral de Tributação (COSIT), na forma do Parecer Normativo COSIT n.º 8, de 03 de setembro de 2014, já se posicionou no sentido de poder ser revisto o despacho decisório denegatório da homologação da compensação quando se observar, por exemplo, erro de fato no preenchimento de DCTF. Ressaltese que embora este parecer refirase especificamente a IRPJ e CSLL, o posicionamento é no sentido da possibilidade de revisão de despacho decisório. (...) REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. 19. Da mesma forma, outro normativo da COSIT, consubstanciado no Parecer Normativo COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, externa entendimento no mesmo sentido. ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6.º do art. 9.º da IN RFB n.º 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.º 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9.ºA da IN RFB n.º 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação Fl. 272DF CARF MF 10 da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n.º 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo n.º 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5.º do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP n.º 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB n.º 8, de 3 de setembro de 2014.(grifei) 20. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte em todos os seus prismas, e sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, concluo que deve ser considerado nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cabendo o proferimento de nova decisão, com a reapreciação do direito creditório e da compensação, e na qual sejam considerados os documentos apresentados na manifestação de inconformidade e acostados às efls. 41/103, bem como os demais elementos constantes nos autos. 21. Complementese que DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte, para consolidar sua Decisão. 22. Considerando o até aqui esposado, entendo que a esta Decisão não cabe a homologação da compensação solicitada, mas sim que deve ser proclamada a nulidade do julgamento da DRJ, determinando o retorno dos autos à Primeira Instância, a fim de que esta analise o direito creditório do recorrente e a compensação pretendida, em busca da verdade material e do afastamento do cerceamento de defesa. Conclusão 23. Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima. Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721720/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS. LAPSO MATERIAL DA DECISÃO. RECONHECIMENTO.
Constatando-se a existência de laspso manifesto no texto do voto condutor do acórdão que diverge quando ao decisum do mesmo acórdão, acolhe-se os embargos para corrigir o lapso, corrigindo-se o texto do voto condutor para espelhar o indicado na decisão colegiada e corrigindo-se o valor exonerado no acórdão..
Numero da decisão: 1401-003.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos da Fazenda Nacional e da Contribuinte, para sanar a contradição e o lapso manifesto apontados, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 EMBARGOS. LAPSO MATERIAL DA DECISÃO. RECONHECIMENTO. Constatando-se a existência de laspso manifesto no texto do voto condutor do acórdão que diverge quando ao decisum do mesmo acórdão, acolhe-se os embargos para corrigir o lapso, corrigindo-se o texto do voto condutor para espelhar o indicado na decisão colegiada e corrigindo-se o valor exonerado no acórdão..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos da Fazenda Nacional e da Contribuinte, para sanar a contradição e o lapso manifesto apontados, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 EMBARGOS. LAPSO MATERIAL DA DECISÃO. RECONHECIMENTO. Constatandose a existência de laspso manifesto no texto do voto condutor do acórdão que diverge quando ao decisum do mesmo acórdão, acolhese os embargos para corrigir o lapso, corrigindose o texto do voto condutor para espelhar o indicado na decisão colegiada e corrigindose o valor exonerado no acórdão.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos da Fazenda Nacional e da Contribuinte, para sanar a contradição e o lapso manifesto apontados, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 17 20 /2 01 4- 81 Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.610 2 Relatório Foram apresentados embargos por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional em relação ao acórdão do recurso voluntário do processo em epígrafe em face da constatação de uma contradição. Em relação à contradição, esta se referiria ao fato de os termos do voto apresentado no acórdão serem diferentes dos termos do decidido pela turma julgadora, conforme abaixo: MULTA E JUROS INCIDENTES SOBRE PAGAMENTOS EM ATRASO. DEDUTIBILIDADE. POSSIBILIDADE. Valores relativos a juros e multas pagos em atraso, por sua natureza compensatório, constituem despesas dedutíveis na apuração dos resultados. No texto do voto, assim estava constando os termos do apresentado pelo relator: Alega que o valor de R$ 49.266,04 referiuse ao pagamento de juros e multa por atraso no recolhimento da CSLL. Que a decisão manteve a glosa com base no art. 344, § 6º do RIR/99. Informa que apresentou a comprovação das despesas com o PER/DCOMP do pagamento. Em relação a este valor, vejamos o que foi alegado pela Delegacia de Julgamento. Com relação ao montante de R$ 49.266,04, a contribuinte alega que é dedutível pois se refere a juros e multa sobre CSLL paga com atraso, conforme Per/Dcomp que anexou às fls. 1955 a 1963. Determina o art. 344, §6º do RIR/1999 que a CSLL é indedutível na determinação do lucro real. Dessa forma, os acessórios que integram essa contribuição sujeitamse às mesmas regras vigentes para o principal e não são dedutíveis também. Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.611 3 Neste ponto, o fato acusado pela fiscalização e mantido pela DRJ foi a impossibilidade de dedução dos juros e multa em face de tratarse de débitos de CSLL que são, por sua natureza, indedutíveis na apuração do lucro real. Assim, mantémse a glosa conforme decidido anteriormente.” Assim, a contradição do voto se estabeleceria no sentido de que a redação do voto seguiu no sentido de negar provimento ao recurso, enquanto que a decisão final foi no sentido de dar provimento a este ponto. Os embargos foram acolhidos para o saneamento da contradição. Inobstante, quando da sessão para julgamento dos embargos, o recorrente compareceu ao julgamento pleiteou que antes do julgamento lhe fosse dada ciência do acórdão recorrido pois entendia que havia um ponto a também ser embargado. A Turma julgadora resolveu converter o julgamento em diligência a fim de ser dada ciência ao recorrente do acórdão. Cientificado do acórdão o recorrente apresentou embargos no sentido de corrigir contradição entre os valores que foram objeto de glosa e constam divergentes no voto condutor e no acórdão. Os embargos do contribuinte também foram acolhidos a fim de esclarecer a contradição dos valores. Desta forma, a análise dos presentes embargos englobará os dois embagos que foram admitidos. É o relatório. Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.612 4 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Os embargos são tempestivos e preenchem os requisitos legais, assim deles tomo conhecimento. 1. Embargos da Procuradoria Conforme foi descrito no relatório deste voto, os embargos apresentados pela procuradoria prendemse à divergência entre o que constava no voto condutor do acórdão no que se refere à dedutibilidade de multa e juros sobre a CSLL paga em atraso. No voto condutor constou a impossibilidade da dedução, enquanto que na ementa e na decisão do julgado foi dado provimento ao recurso neste ponto, Em relação a esta divergência a contradição se deveu ao entendimento inicial deste relator que, interpretando literalmente a norma, entendia não ser possível a dedução. No entanto, quando dos debates da Turma na ocasião do julgamento fui convencido pelos argumentos do ilustre Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes da possibilidade da dedução dos valores de multas e juros relativos a tributos pagos em atraso. Assim, em verdade, a falha se encontra na fundamentação do voto condutor quando este relator deixou de modificar o texto e apresentálo de acordo com o entendimento modificado na ocasião do julgamento. Por isso, passo a apresentar o entendimento correto que deve ser considerado como constante no voto condutor do acórdão: Glosa de Despesas com Variações Monetárias passivas e Variações Monetárias não comprovadas. Alega que o valor de R$ 49.266,04 referiuse ao pagamento de juros e multa por atraso no recolhimento da CSLL. Que a decisão manteve a glosa com base no art. 344, § 6º do RIR/99. Informa que apresentou a comprovação das despesas com o PER/DCOMP do pagamento. Em relação a este valor, vejamos o que foi alegado pela Delegacia de Julgamento. Com relação ao montante de R$ 49.266,04, a contribuinte alega que é dedutível pois se refere a juros e multa sobre CSLL paga com atraso, conforme Per/Dcomp que anexou às fls. 1955 a 1963. Determina o art. 344, §6º do RIR/1999 que a CSLL é indedutível na determinação do lucro real. Dessa forma, os acessórios que integram essa contribuição sujeitamse às mesmas regras vigentes para o principal e não são dedutíveis também. Devemos discordar do entendimento da DRJ neste ponto. Conforme interpretação apresentada durante a sessão de julgamento entendemos que as multas e juros Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.613 5 pagos pelo recolhimento em atraso de tributos, mesmo os que não possam ser deduzidos do IRPJ, constituemse em compensações moratória pelo atraso do pagamento. Assim, em verdade, estes valores não são pagamentos de CSLL, mas sim compensações pelo atraso do pagamento dos tributos. Desta forma estes gastos referemse ao risco do contribuinte no exercício regular de suas atividades e, por isso, não podem ser considerados indedutíveis na apuração do IRPJ, não devendo simplesmente se seguir, consoante a DRJ, com a lógica de que o acessório segue o principal. No presente caso o pagamento de juros e multas compreende compensação ao fisco pela mora do contribuinte e, assim, não são simples acessórios do principal, mas despesas devidas ao fisco e relativas ao risco da atividade, podendo, desta maneira, ser deduzidas na apuração do resultado tributável. Por isso, em relação a estes valores, voto por dar provimento ao recurso cancelando a glosa do valor de R$ 49.266,04 relativo aos juros e multa pela CSLL paga em atraso. Com relação ao valor de R$ 13.232,04, informa que se trata da atualização do parcelamento do processo 10530.001819/200319, já inscrito em Dívida Ativa. Alega que a decisão recorrida considerou que não ficou demonstrada a origem destes. Alega que a origem foi uma contestação judicial da COFINS que, com a derrota, obrigou ao parcelamento. O recorrente apresentou, em sua impugnação às fls. 1965/1970 parte do razão auxilia onde foi realizado o lançamento e o extrato de inscrição em DAU do parcelamento de que provavelmente se trataria a atualização. Por este motivo a documentação não foi considerada suficiente para comprovação da despesa. Em seu recurso a recorrente não apresenta novos documentos, apenas considera que sua escrituração tem valor probatório e que o que foi apresentado é suficiente.Consultando a documentação em questão verificase que nos lançamentos levados ao razão auxiliar não consta a que débito ou processo se refere a variação monetária lançada. O extrato da PGFN apresenta diversos débitos, entretanto o contribuinte sequer apresenta uma memória de cálculo ou algo que possa vincular o valor escriturado aos débitos parcelados. Assim, não havendo como se vincular o lançamento aos débitos, deve ser mantida a glosa deste valor. Final do novo voto que deve passar a constar no voto condutor do acórdão. 2. Embargos do contribuinte Em relação aos embargos apresentados pelo contribuinte o problema apresentado decorreu do lapso em relação ao que constou no voto condutor do acórdão relativo Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.614 6 ao item de Indedutibilidade dos Débitos tributários do 1º trimestre/2009, e o que constou na conclusão do voto condutor. Constatou o contribuinte a seguintes divergência: No texto do voto condutos assim consta: 2.11.2 Débitos Tributários 1 º trimestre ( R$ 49.675.151,13) Neste ponto, análise semelhante à dos débitos previdenciários realizou o fiscal. Vejamos: ................. que a alegação fiscal de que estes se encontravam com exigibilidade suspensa baseouse, exclusivamente, nos extratos de débitos emitidos pela PGFN. Referida informação não traz nenhum detalhamento do motivo da suspensão, nem mesmo a simples menção ao dispositivo legal, é forçoso constatar que faltou um melhor aprofundamento da investigação para que pudesse ser definido o motivo da suspensão e a perfeita caracterização da indedutibilidade dos mesmos. Considero que a simples informação no extrato de débitos da PGFN, sem qualquer outro elemento que a caracterize, não pode fundamentar uma glosa de despesas tidas como indedutíveis por alegada suspensão da exigibilidade. Mais ainda quando, retornando ao item dos débitos previdenciários, entendemos que o referido lançamento deveria ter se baseado na inobservância do regime de competência em razão de pedido de parcelamento posterior e não na simples indedutibilidade pela teórica situação de suspensão dos débitos.] Assim, dou provimento ao recorrente neste ponto para excluir da glosa relativa à indedutibilidade dos débitos tributários do 1º trimestre/2009 o valor de R$ 49.675.150,16. Enquanto que no texto da conclusão do voto assim consta: De todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares apresentadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para: 1) Rejeitar as preliminares levantadas; 2) Dar parcial provimento ao recurso em relação a: Despesas de viagens e estadas excluir integralmente a glosa do 2º trimestre e reduzir as glosas dos outros trimestres nos valores abaixo: 1º tri 2º tri 3º tri 4º tri 17.139,77 22.940,01 14.407,66 7.371,22 Excluir o montante de R$ 471.047,44 relativo à glosa dos DEBCAD do 1º trimestre/2009 das Variações Monetárias Passivas. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.615 7 Excluída a glosa dos débitos previdenciários do 1º trimestre/2009 no valor de R$ 52.336.502,84. Relativo às variações indedutíveis. Excluir da glosa relativa à indedutibilidade dos débitos tributários do 1º trimestre/2009 o valor de R$ 37.674.328,03. Relativo às variações indedutíveis. Não conhecer do aditivo ao recurso voluntário Não há maiores dificuldades na análise dos presentes embargos do contribuinte. O lapso se demonstra na transcrição do valor a ser cancelado da glosa constante do texto do voto condutor e o texto do mesmo item que constou na conclusão do voto. Por isso, reproduzi acima os trechos do voto condutor onde consta o julgamento e onde está a conclusão. Vejase, a fim de espancar as dúvidas, que no início da análise do ponto no texto do voto constava o valor da glosa que estava em análise conforme abaixo: 2.11.2 Débitos Tributários 1 º trimestre ( R$ 49.675.151,13) Neste ponto, análise semelhante à dos débitos previdenciários realizou o fiscal. Na conclusão do voto, sem ter ocorrido nenhuma ressalva na análise, foi dado provimento ao recurso para cancelar integralmente a glosa conforme abaixo: Assim, dou provimento ao recorrente neste ponto para excluir da glosa relativa à indedutibilidade dos débitos tributários do 1º trimestre/2009 o valor de R$ 49.675.150,16. Evidenciase, assim, que o lapso ocorreu no momento de transcrever o valor do cancelamento da glosa na conclusão do voto, haja vista que o próprio texto do acórdão da turma grafou corretamente o valor da glosa cancelada. Assim há de se acolher os embargos do contribuinte a fim de corrigir o lapso manifesto e para que passa a constar o seguinte texto na conclusão do voto condutor do acórdão: De todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares apresentadas e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para: 1) Rejeitar as preliminares levantadas; 2) Dar parcial provimento ao recurso em relação a: Despesas de viagens e estadas excluir integralmente a glosa do 2º trimestre e reduzir as glosas dos outros trimestres nos valores abaixo: 1º tri 2º tri 3º tri 4º tri 17.139,77 22.940,01 14.407,66 7.371,22 Excluir o montante de R$ 471.047,44 relativo à glosa dos DEBCAD do 1º trimestre/2009 das Variações Monetárias Passivas. Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10530.721720/201481 Acórdão n.º 1401003.179 S1C4T1 Fl. 2.616 8 Excluída a glosa dos débitos previdenciários do 1º trimestre/2009 no valor de R$ 52.336.502,84. Relativo às variações indedutíveis. Excluir da glosa relativa à indedutibilidade dos débitos tributários do 1º trimestre/2009 o valor de R$ 49.675.150,16. Relativo às variações indedutíveis. Não conhecer do aditivo ao recurso voluntário De todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos da Fazenda e do contribuinte para sanar a contradição e o lapso manifesto apontados conforme acima indicado. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2616DF CARF MF
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