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Numero do processo: 10611.001423/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à ALF/Porto de Vitória/ES (Unidade do domicílio tributário da Recorrente), a fim de que proceda as informações solicitadas nos termos do voto do Relator neste processo.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Proferiu sustentação oral, pela Recorrente (CLAC - Contribuinte), o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220.
Proferiu sustentação oral, pela Recorrente (POLIMPORT - Solidário), o Dr. Vinícius Vicentin Caccavali, OAB/SP nº 330.079.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à ALF/Porto de Vitória/ES (Unidade do domicílio tributário da Recorrente), a fim de que proceda as informações solicitadas nos termos do voto do Relator neste processo. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Proferiu sustentação oral, pela Recorrente (CLAC Contribuinte), o Dr. Guilherme de Macedo Soares, OAB/DF nº 35.220. Proferiu sustentação oral, pela Recorrente (POLIMPORT Solidário), o Dr. Vinícius Vicentin Caccavali, OAB/SP nº 330.079. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 11 .0 01 42 3/ 20 09 -5 9 Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.446 ___________ O presente litígio versa sobre o Auto de Infração lavrado em face da exigência de créditos tributários referentes ao Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PIS Importação e COFINS Importação, com aplicação de multa no percentual de 150% sobre a diferença apurada dos citados tributos e multa relativa a Controle Administrativo das importações no valor de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado, bem como juros de mora, conseqüência do subfaturamento nos preços das peças e equipamentos importados constantes das Declarações de Importação (DI), nºs 06/09284325/001, 06/09594707/001, 06/10979684/001 e 06/11385869/001. Para melhor compreensão dos meus pares acerca dos fatos ocorridos, transcreve se o relatório consignado na decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de lançamento de crédito tributário no montante de R$ 754.903,38 (setecentos e cinqüenta e quatro mil novecentos e três reais e trinta e oito centavos) resultado da falta de recolhimento em tempo legal de tributo, conseqüência do subfaturamento nos preços das peças/equipamentos importados referente às Declarações de Importação – DI nºs 06/09284325/001, 06/09594707/001, 06/10979684/001 e 06/1138586 9/001 além da aplicação da multa administrativaII resultante da diferença apurada entre o preço informado nas declarações de importação e o preço efetivamente praticado. Resumo da autuação fiscal, conforme quadro abaixo (...): Afirma a fiscalização que a empresa CLAC Importação e Exportação Ltda, operando por conta e ordem da real adquirente, POLIMPORT Comércio e Exportação Ltda, submeteu a despacho aduaneiro mercadorias com declaração inexata de valor, com vistas a elidir o pagamento dos tributos incidentes na importação. Em função da declaração de importação com valores subfaturados foram lançadas as diferenças de tributos (II, IPI, PIS e COFINS) mais multas e acréscimos legais. No Relatório Fiscal, parte integrante do auto de infração, a fiscalização registra os fatos que deram origem à autuação: • O objetivo da ação fiscal é a verificação do cumprimento das obrigações fiscais e especialmente a apuração de indícios de ocultação do sujeito passivo e subfaturamento na importação e utilização de faturas ideologicamente falsas por parte do importador; • Que “Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnético apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Policia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá — PR, motivados por investigação realizada pela Receita Federal em conjunto com a Policia Federal de uma organização dedicada à prática de diversas fraudes em operações de comércio exterior e outras.” • Um conjunto de empresas, constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, atuavam de forma dissimulada, como Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.447 3 importadores ou como distribuidores de mercadorias importadas, mas de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais adquirentes destas mercadorias, estes sim, reais importadores que adquiriam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como importadores, tampouco como adquirentes, perante os controles administrativos e aduaneiros. • Na Operação Dilúvio foi também possível comprovar a prática de inúmeras outras fraudes relacionadas com o comércio exterior, tais como subfaturamento dos preços declarados, simulação de operações comerciais, falsificação de documentos, remessa de divisas ao exterior à margem do controle legal, geração de créditos tributários fraudulentos e corrupção de servidores públicos. • Os elementos apreendidos (documentos, meios magnéticos e objetos) foram todos remetidos para Curitiba/PR, tendo sido disponibilizados pela Justiça Federal daquela cidade para fins de procedimentos fiscais da Secretaria da Receita Federal, conforme Decisão Judicial dos Autos n° 2006.70.00.0224356, de 14/09/2006 em atendimento ao ofício n° 1033/2006DPF/PGAJPR, de 12/09/2006. Memorando n° 04/2007 encaminha cópia da Decisão Judicial dos Autos n° 2006.70.00.022435 6 que autoriza o uso dos documentos apreendidos (fls. 112 a 118). • Que os documentos anexados ao processo comprovam que a POLIMPORT através de seus representantes legais tinha o controle total das importações de mercadorias estrangeiras comercializadas pelas empresas envolvidas; • O controle era exercido desde as negociações com os exportadores até a chegada das mercadorias em seus estoques. A POLIMPORT controlava todas as fases dos processos de importação de seus produtos, desde a forma como as mercadorias deveriam ser embarcadas, como os documentos deveriam ser emitidos (quando não era ela mesma que os emitiam), como seria feita a declaração de importação, como seriam emitidas as notas fiscais e entrada e de saída por todas as empresas utilizadas no fluxo até que a mercadoria fosse colocada à sua disposição, ocultandose como real importador e repassando os numerários para pagamento de tais importações, bem como dos tributos vinculados. • A parte visível da operação, ou seja, o registro da DI, a emissão das Notas Fiscais de entrada e de saída até que a mercadoria chegue ao real adquirente é toda controlada de forma centralizada, como se todas as empresas envolvidas fossem apenas departamentos de uma única firma. Embora estas operações não passem de simulação, haja vista que os documentos emitidos o são apenas para fazer parecer a existência de operações comerciais que nunca aconteceram, observase uma grande preocupação da organização em manter uma formalidade coerente, garantindo, para cada documento emitido, o correspondente fluxo financeiro, assim como, mantendo contratos escritos de compra e venda ou de prestação de serviços entre as empresas importadora, distribuidora e cliente. • A verdadeira operação comercial entre o comprador (real adquirente) e o seu fornecedor permanecia oculta. A formalização Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.448 4 contábil da entrada das mercadorias na POLIMPORT era efetuada como se fosse uma simples aquisição no mercado nacional; • Quanto ao fluxo financeiro, as declarações de importação registradas em nome do importador serviam para formalizar a saída de divisas do país, via Banco Central tendo como destinatário o exportador sob a égide de pagamento das importações realizadas. Na ocorrência de subfaturamento a parte restante do pagamento ao exportador era processada por outros meios à margem do sistema legal, (doleiros, contas CC5, contas no exterior), ou pela via legal, mas em operações não relacionadas com a importação em questão; • Que as operações de importação, objeto da fiscalização, independente da forma como foram declaradas caracterizamse como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem de terceiros (reais adquirentes). Com isso, o procedimento fiscal teve como foco o adquirente, restringindose, portanto às importações registradas pela empresa CLAC nas operações identificadas como realizadas por conta e ordem da empresa POLIMPORT; A documentação e as informações constantes do presente processo se originaram não apenas do que foi disponibilizado a partir da Operação Dilúvio como também de Documentação apresentada pelas empresas POLIMPORT e CLAC, em resposta aos Termos de Inicio de Fiscalização e aos demais Termos de Intimação Fiscal subseqüentes; • Em 08/08/2007 foi lavrado o termo de início de procedimento fiscal onde a POLIMPORT foi intimada a apresentar documentos fiscais e esclarecimentos a respeito das operações realizadas nos períodos base de 2002 a 2007; • Tendo em vista o não atendimento pelo responsável legal da empresa da intimação formulada no dia 08/08/2007 para apresentar à Fiscalização, no prazo de 10 (dez) dias documentos e esclarecimentos a respeito das operações relacionadas à aquisição de mercadorias de origem estrangeira, em relação aos períodos base de 2002 a 2007, por meio do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 02 0615100.2007.002809, o contribuinte foi intimado pela segunda vez. • Tomou ciência no dia 22 de Setembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), de 21 de Setembro de 2007. Mesmo assim, silenciouse, sem prestar qualquer esclarecimento solicitado. Outras intimações foram recebidas pelo contribuinte mas não obtiveram resposta. No dia 17 de outubro de 2007 o contribuinte apresentou alguns documentos; • Que na verificação do cumprimento das obrigações de natureza contábilfiscal relacionadas às mercadorias de origem estrangeira, apreendidas conforme TERMO DE APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS nº 01 POLIMPORT/06, lavrado em 16/08/2006, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL n° 05 0615100.2007.002809 procedeuse a diligências nos principais estabelecimentos fornecedores, para confirmar com documentação hábil a efetividade das operações. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.449 5 • Que foi proposta a aplicação da pena de perdimento das mercadorias de origem estrangeira apreendidas conforme TERMO DE APREENSÃO DE MERCADORIAS ESTRANGEIRAS n° 01 POLIMPORT/06, lavrado em 16/08/2006, conforme Processo Administrativo Fiscal n° 10611.000767200860; • Em 28 de novembro de 2007 foi emitido Termo de Intimação Fiscal com ciência pessoal na mesma data do procedimento de diligência fiscal aos estabelecimentos da empresa. Na referida diligência fiscal, constatouse a existência física, nos estabelecimentos da empresa diligenciada, de grande quantidade de mercadorias com as mesmas características físicas das mercadorias apreendidas; • A CLAC mediante Termo de Inicio de Fiscalização, com ciência em 06/10/2008 foi intimada a apresentar documentos e esclarecimentos a respeito das mercadorias importadas. Em 20/11/2008, após prorrogação de prazo para entrega o contribuinte apresentou sua resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização com os documentos e esclarecimentos solicitados. De posse das informações, documentos e respostas dos intimados bem como o que foi obtido nas diligências realizadas nos contribuintes a fiscalização apurou que: • A empresa CLAC participou do esquema de simulação, com o objetivo de ocultar o real adquirente de mercadorias importadas (POLIMPORT) e ocultar os principais responsáveis pelo esquema, bem como o patrimônio obtido. Dentro da estrutura organizacional montada para as importações destinadas à empresa POLIMPORT, havia inscrições nos processos para fins de controle interno, vinculandoos ao cliente de fato, como por exemplo, os elementos referentes à ordem de compra da POLIMPORT "COB 04/2006". Em todos os “Processos de Importação” da POLIMPORT que deram origem as importações objetos da presente fiscalização poderão ser verificadas basicamente as mesmas informações e modus operandi. As Declarações de Importação eram registradas em nome da CLAC como Importador e Adquirente da Mercadoria (fls. 74 e 75); • “Como já mencionado acima, a Declaração de Importação referente à ordem de compra COB 04/2006 foi registrada no dia 07 de agosto com o n° 06/09284325. Sendo as mercadorias desembaraçadas no dia 09 do mesmo mês, a empresa CLAC emitiu a Nota Fiscal de entrada n° 14460 nesta data. Dois dias depois (11/08/2006) emitiu a Nota Fiscal de saída n° 20205 com destino POLIMPORT (cópias digitalizadas abaixo). As duas Notas relacionam exatamente as mesmas mercadorias e quantidades que figuram na DI n° 06/09284325. Estas e as outras Netas Fiscais apresentadas pela CLAC encontramse as fls. 308/389.” • “Não resta dúvida que a empresa POLIMPORT, através dos seus representantes, era responsável pela execução de toda a transação comercial, desde a aquisição das mercadorias no exterior, incluindo a negociação de preços, seu subfaturamento para fins de declaração de importação e controles aduaneiros, embarque e desembarque, bem Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.450 6 como a circulação das mercadorias no território nacional após o desembaraço até os seus depósitos. Para tanto, contava com o conhecimento e os serviços da importadora CLAC.” • As operações de importação em questão efetivamente se caracterizam como por conta e ordem do real adquirente POLIMPORT visto que em sua essência está comprovado o interesse do adquirente em receber as mercadorias negociadas no exterior, sem o que a motivação do importador (CLAC) para promover a nacionalização das mesmas não existiria; • Os dados registrados nas declarações de importação em questão não correspondem a realidade das operações comerciais, uma vez que a empresa importadora CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, é, de fato, prestadora de serviços, operando por conta e ordem do real adquirente, POLIMPORT. Os elementos declarados na importação relativos ao adquirente e ao preço praticado, não tinham qualquer relação com as efetivas operações comerciais; • “O Relatório de fl. 414, intitulado "Importações — Valores Apurados" apresenta a descrição dos produtos subfaturados, as quantidades e os valores encontrados na planilha "Vigentes" do arquivo "Fiscal AGOSTO 2006.xls", relacionados por DI e Ordem de Compra.” A fiscalização, na procura pelo correto valor aduaneiro a ser aplicado às mercadorias tidas como subfaturadas, descreve os seis métodos de valoração aduaneira previstos no AVAGATT e conclui que: • Para todas as DI's em questão foram identificados os preços efetivamente praticados não sendo necessária à utilização do arbitramento dos preços das mercadorias; Foi possível identificar os efetivos intervenientes nas operações de compra e venda e os elementos essenciais destas operações (preços e quantidades). O primeiro método de valoração (valor de transação) deverá ser preservado e o valor aduaneiro apurado tendo por base os documentos que revelam os valores efetivos das operações. A documentação acostada aos autos permite obter o preço efetivamente praticado na operação. • A empresa CLAC e o real adquirente das mercadorias, a empresa POLIMPORT, conjuntamente, simulavam operações de comércio exterior, tanto na modalidade de importação por conta própria (importação direta) em que supostamente seria titular das operações a empresa “importadora”, quanto na modalidade por conta e ordem de terceiros em que à empresa “importadora” juntavamse empresas distribuidoras para figurar como adquirentes das mercadorias importadas. Deste modo, tanto em uma modalidade de importação quanto na outra, ocultavamse aos olhos do fisco o real adquirente das mercadorias, verdadeiro titular das operações de comércio exterior. • Com relação ao imposto de importação, a empresa CLAC é o sujeito passivo na qualidade de contribuinte e a POLIMPORT é sujeito passivo na qualidade de responsável solidário, conforme disposto no CTN e demais dispositivos legais relacionados. Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.451 7 • São solidariamente obrigados o contribuinte, a pessoa jurídica importadora CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, que procedeu à importação por conta e ordem da empresa adquirente, e o responsável solidário, adquirente das mercadorias, a empresa POLIMPORT COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA; • No presente caso, houve coordenação entre o real adquirente das mercadorias estrangeiras (POLIMPORT) e o importador por conta e ordem (CLAC), o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas conforme o disposto no artigo 95, inciso V do DecretoLei n° 37/1966; Das Infrações Apuradas Sobre as infrações apuradas, a fiscalização destaca que: • Da declaração de importação preenchida de forma inexata resulta a falta de pagamento do Imposto de Importação — II, do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI vinculado às importações e de outros tributos incidentes nas importações como PIS/PASEPImportação e COFINSImportação; • O esquema fraudulento do qual participava as empresas CLAC e POLIMPORT dedicavase à realização de importações por conta de ordem, porém com ocultação do real adquirente das mercadorias estrangeiras, possibilitando, assim, a realização de inúmeras infrações tributárias e outras, tais como a quebra da cadeia do IPI e o subfaturamento dos preços declarados. A prática adotada visava criar uma cadeia comercial fictícia, na qual figurava um importador operando por conta própria ou por conta de terceiros (de fachada) e uma ou mais empresas distribuidoras de fachada, que atuavam, de forma fictícia, como compradores de mercadorias importadas ou como adquirentes de importações por sua conta e ordem, que davam saída para o real adquirente. As operações comerciais ou de serviços, que se operavam dentro desta cadeia, não passavam de atos dissimulados com vistas a produzir uma aparente normalidade comercial, mas que servia apenas para formalizar uma entrada de mercadorias no estabelecimento do real adquirente como se fossem aquisições nacionais, quando de fato a verdadeira operação comercial, ou seja, aquela realizada entre este adquirente e o seu real fornecedor no exterior, permanecia oculta; Das penalidades Sobre as penalidades aplicadas, a fiscalização destaca que: • “Tanto a declaração inexata dos preços praticados (subfaturamento) como a ocultação do real adquirente, só foram levadas a efeito pela prática delituosa sistematizada de produzir e utilizar documentos material ou, no mínimo, ideologicamente falsos e de prestar declarações igualmente falsas com vistas ao desembaraço das mercadorias, resultando, portanto, em pagamento parcial dos tributos, mediante artifício doloso.” • Embora a intenção do agente não seja relevante para a caracterização da infração, é relevante para a graduação da penalidade a ser aplicada, conforme artigo nº 44 da Lei nº 9.430/96, podendo ser de 75% sobre a totalidade, diferença de imposto ou Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.452 8 contribuição e no caso de declaração inexata. Havendo sonegação fraude ou conluio (artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964) o percentual será de 150%. • A Lei nº 10.865/2004, relativa ao PIS/PASEP e COFINS informa em seu artigo nº 19 que nos casos de lançamento de ofício a penalidade será a prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. O artigo 80 da Lei n° 4.502/1964, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, em relação ao IPI, estabelece que o percentual da multa de 75% sobre o imposto não pago ou não lançado será duplicado quando ocorrer, dentre outras hipóteses, sonegação, fraude ou conluio. • O Relatório traz elementos que comprovam de forma inequívoca que a pratica de ocultação do real adquirente, assim como a declaração inexata quanto ao preço efetivamente praticado, da qual decorreu a falta de pagamento dos tributos, é fruto de ações praticadas com dolo pelas pessoas envolvidas, controladores e gerentes das empresas importadora e adquirente, que, intencionalmente, promoveram modificações das características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal. Foi assim no subfaturamento, em que o verdadeiro valor da transação das operações foi ocultado, bem como na declaração do real adquirente das mercadorias importadas, em que o real sujeito passivo da obrigação tributária permaneceu oculto. • Estão presentes, portanto, nos atos praticados pelo importador, a sonegação e a fraude, uma vez que os elementos do fato gerador foram alterados, casos em que os preços foram minorados intencionalmente ou que os elementos essenciais da operação foram totalmente ocultados. O conluio também está caracterizado, pois, como se verifica no decorrer deste Relatório, há uma verdadeira organização constituída sara produzir os efeitos desejados, envolvendo pessoas atuando como gerentes operacionais da empresa importadora e distribuidoras, controladores do esquema de fraudes e pessoas ligadas à empresa adquirente. • Dessa forma, demonstrado o evidente intuito de fraude, referente à declaração inexata, com consequente falta de pagamento dos tributos e à ocultação do real adquirente, a penalidade tributária proposta no auto de infração é de 150%, sobre a diferença apurada do Imposto de Importação, do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação prevista no § 10 do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, e de 150% sobre a diferença de IPI vinculado às importações, prevista no inciso II, do § 6°, do artigo 80 da Lei n° 4.502/ 64. O artigo 703, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009, com base no parágrafo único do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece a aplicação de penalidade correspondente a 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. • A declaração de preço inferior ao efetivamente praticado caracterizou subfaturamento nas importações. Nas DI analisadas, ficou perfeitamente caracterizado que os valores declarados nas DI são inferiores aos valores efetivamente praticados. Restando evidente a prática de subfaturamento aplicouse a penalidade prevista no art. 703 Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.453 9 do Regulamento Aduaneiro, de 100% sobre a diferença entre o preço efetivo e o valor declarado. Houve Representação Fiscal para Fins Penais. Em decorrência do procedimento de fiscalização lavrouse o auto de infração, composto da seguinte forma: (...). IMPUGNAÇÃO DA CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Tendo tomado ciência do auto de infração lavrado em 10/09/2009 (fls. 428) a CLAC, através de seu Representante legalmente constituído apresentou, em 09/10/2009, impugnação (fls. 437 a 465) alegando que: • A empresa Impugnante difere em muito das demais empresas relacionadas na Operação Dilúvio, a começar por sua capacidade econômica e operacional à realização das importações relacionadas nas DI's no 06/09284325, 06/09594707, 06/1097968 4 e 06/11385869. O procedimento adotado é totalmente improcedente e deve ser declarado nulo de pleno direito. • Em nenhum momento a fiscalização logrou êxito em fazer prova de suas imputações em relação a Impugnante. Simplesmente alegou com base em meras ilações e indícios não devidamente comprovados que a empresa teria participado do processo de simulação para ocultar o real adquirente de mercadorias importadas. • Não se fez prova de que os documentos produzidos pela contratante não fossem merecedores de fé e que participação da CLAC no esquema da Operação Dilúvio não se referenciou em documentos produzidos por essa empresa, mas na menção de seu nome em documentos gerenciais produzidos por terceiro, sob os quais Impugnante não tem o menor controle. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Não havendo pressuposto legal para aplicação de presunção, cabe a autoridade fiscal comprovar detalhadamente suas alegações sob o fato jurídico tributário, sob pena de nulidade do lançamento por vicio material. • Seria necessário comprovar em relação às DI's consideradas para a presente autuação, que efetivamente as importações se deram por conta e ordem de terceiro. Assim, mostravase indispensável à instrução e efetivação da pretensão fiscal, demonstração cabal, em relação as operações objeto de autuação a presunção: que a liquidação financeira das importações efetuadas foi promovida por terceiro (POLIMPORT ou agente por ela designado); a existência de relação comercial direta entre a empresa POLIMPORT e o fornecedor estrangeiro em relação às mercadorias constantes das DI's objeto de autuação, o que se poderia comprovar por contratos, emails, fax, enfim qualquer meio de prova hábil a denotar tal relacionamento. Contudo, a produção de tais provas não foi feita. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.454 10 • A autuação com base em indícios, aos quais não se possa atribuir presunção “júris tantum” por ausência de capitulação legal que a ampare, não sobrevive no ordenamento jurídico pátrio. Ou seja, sem a verificação e constatação de elementos aptos a comprovar a materialização fática do indicio argüido para fins de lançamento, o mesmo não deve propagar efeitos jurídicos, pois não se trata de fato jurídico mas de mero evento, sem relevância para o direito, sendo, portanto, natimorto. • Sendo um indicio não comprovado pela autoridade lançadora, descabe à Impugnante produção de prova negativa acerca de algo que nem restou passível de refutação, já que se trata da chamada prova negativa impossível (contraprova do que não foi provado). A Impugnante importou por conta própria produtos de fornecedores estrangeiros e os revendeu a clientes nacionais. • Há Vício material pois o auto de infração não preenche os requisitos descritos no art. 142 do CTN. Não houve zelo da autoridade fiscal na apuração do fato jurídico tributário por isso deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração. • No mérito, alega que as importações foram efetuadas pela impugnante que tem capacidade econômico financeira para arcar com os custos da importação. Constam nas DI que o exportador é a empresa Conair Anguilla Tradings Company Ltda e o importador a própria impugnante. Não cabe à fiscalização afirmar que se trata de uma importação por conta e ordem de terceiros. • Cópias das Notas fiscais de vendas do período compreendido de 11/2005 a 31/12/2006 mostram que no período autuado a ora impugnante procedeu à comercialização dos produtos importados não só com a Polimport, mas como outras empresas de notório conhecimento nacional, tais como Marisa Lojas Varejistas e Wall Mart. As notas fiscais não são apenas emitidas para a Polimport. • No contrato firmado entre com o exportador estrangeiro (Conair), a impugnante assume a responsabilidade de importar, nacionalizar e desembaraçar as mercadorias adquiridas. “A impugnante é indiscutivelmente um comerciante legitimo, com capacidade financeira, com” "know how" comercial e devidamente requisitada por marcas renomadas internacionalmente para comercializar seus produtos no país, chegando a ser risível a conclusão da fiscalização pela simulação, nivelando contribuinte probo àquelas empresas mencionadas em operação policial que sequer foi parte.” Não há prova de que o contrato com o fornecedor estrangeiro tenha sido firmado pela Polimport. • Para comprovar a suposta ocultação do real adquirente seria necessário a fiscalização trazer prova a tornar irrefutável tal afirmativa, como por exemplo, o pagamento direto da Polimport ao comerciante estrangeiro, tratativas entre esta e o fornecedor, assim como toda e qualquer documentação que pudesse indicar a existência de efetiva relação negocial entre a Polimport e comerciantes estrangeiros. No entanto, reiterase, a fiscalização pautouse única e exclusivamente em meros indícios. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.455 11 • Como repetidamente apresentado no Relatório, necessário seria que a ora impugnante não detivesse capacidade econômica, ou mesmo que ficasse comprovado, que teria, a Polimport suportado o pagamento da importação. No entanto, o presente lançamento pautouse única e exclusivamente na presunção de tal simulação. • A impugnante atua no mercado há mais de 23 anos e tem estrutura física e capacidade financeira para realização das importações. Dez anos antes da criação da empresa Polimport a impugnante já atuava no mercado. • “De outra sorte, para que se pudesse considerar que as importações foram feitas por conta e ordem da Polimport seria necessário provar que a Impugnante teria importado as mercadorias ADQUIRIDAS pela Polimport, utilizandose de recursos desta última.”. Os recursos utilizados na importação não eram da Polimport, mas da CLAC. • Sobre o subfaturamento alega que não se pode comparar o preço da importação praticada pela ora Impugnante com o preço de venda de tal produto pela sua cliente Polimport que após a sua compra, obviamente possui um alto valor a agregar ao preço final do produto, de propaganda e marketing e divulgação, bem como suas lojas. Por tal razão, o valor da venda ao consumidor final é muito superior ao valor da importação e são incomparáveis. Desse modo, é altamente justificada a diferença entre o valor do produto quando de sua importação e quando da revenda ao consumidor final. • Caberia ao Fisco fazer a prova dos fatos que alega não podendo a autuação basearse em meros indícios ou presunções. Além disso, também não se pode alegar genericamente acerca de subfaturamento. A fiscalização deveria demonstrar e comprovar que todas as mercadorias são objeto de fraude e não com base em situações exemplificativas, impor ao contribuinte a presunção de subfaturamento. • A questão da valoração deve ser pautada em processo revisional que deverá obrigatoriamente obedecer a rito próprio, antes de qualquer exigência do crédito tributário. Não havendo processo revisional o auto de infração padece de legalidade devendo ser anulado. • “Ainda que se considerasse o arbitramento efetuado o mesmo não seria digno de aceite, haja vista ter se pautado exclusivamente em valores constantes de simples planilhas gerenciais (citadas nas páginas 48 a 51 do relatório de auditoria) produzidas por terceiros e apreendidas no curso de persecutório penal que a Impugnante não faz parte, nem mesmo como testemunha.” • Não havendo declaração inexata com falta de pagamento dos tributos ou mesmo qualquer outro elemento comprobatório das alegações de fraude ou simulação é incabível a aplicação da multa de 150%. É fundamental que seja provada a circunstância do suposto intuito de fraude, ônus tributário este que é somente do fisco. • Para aplicação da multa administrativa prevista no artigo 703 do Regulamento Aduaneiro de 2009, a condição para sua aplicabilidade é a comprovação de subfaturamento das mercadorias. Contudo, a Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.456 12 fiscalização não logrou êxito em demonstrar a inidoneidade dos documentos emitidos pela Impugnante a justificar a sua aplicação no caso concreto, devendo ser tal penalidade afastada por completo. • A multa qualificada de 150% sobre o valor do tributo não deve prevalecer concomitantemente com a multa de "controle administrativo", no percentual de 100% (cem por cento) sobre suposta diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, no caso sobre o imposto de importação. “O Fisco não pode exigir a multa por suposta sonegação, fraude ou conluio concomitantemente com a multa de supostas infrações administrativas ao controle das importações, pois tal conduta implicaria na dupla penalização do contribuinte.” • A duplicidade de multas sobre o mesmo fato gerador e a mesma base de cálculo, além de injusta, é confiscatória, porque violaria o inciso IV, do art. 150 da Constituição Federal. • Ao final pede que seja reconhecida a preliminar de nulidade do lançamento por vício material em razão da falta de comprovação dos fatos imputados pela autoridade fiscal, e no mérito seja julgada totalmente improcedente o auto de infração. PETIÇÃO DA POLIMPORT Tendo tomado ciência do auto de infração lavrado em 10/09/2009 (fls.431) a POLIMPORT não apresentou impugnação em tempo hábil, porém, apresentou, através de seu Representante legalmente constituído, em 17/05/2012, manifestação/petição (fls. 1115 a 1117) com as seguintes informações: Que a autuação resultou de documentos e informações obtidos pela Polícia Federal no âmbito da chamada “Operação Dilúvio”. Por sua vez, os documentos e informações que deram origem a ação penal, ajuizada para apuração de supostos crimes, foi julgada em 12 de abril de 2012. Que a sentença proferida nos autos da ação penal absolveu sumariamente os réus e declarou que a obtenção de documentos e informações pela Polícia Federal se deu de forma ilícita, o que eiva de nulidade os autos de infração lavrados. Requer a declaração de nulidade do auto de infração em vista de estar baseado em provas ilícitas, conforme já reconhecido pelo Poder Judiciário. É o relatório. A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, proferiu o Acórdão nº 0830.583, de 31 de julho de 2014 (fls. 1.131/1.152, do eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Impugnação formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/08/2006, 14/08/2006, 13/09/2006, 21/09/2006 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.457 13 Comprovado, por meio de documentação idônea, que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas e é inferior a este, fica configurado o subfaturamento, tornando exigíveis as diferenças de tributos e contribuições que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e das multas aplicáveis. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/08/2006, 14/08/2006, 13/09/2006, 21/09/2006 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. INDEPENDÊNCIA DE INSTÂNCIAS. PENAL E ADMINISTRATIVA. O julgamento administrativo de infrações tributárias não está adstrito ao que tiver sido decidido em ação penal, ainda que ambos os julgamentos decorram da apuração dos mesmos fatos. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio visando a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONLUIO. COMPROVAÇÃO.NECESSIDADE. A fraude, a simulação e o conluio devem estar comprovados no processo administrativo fiscal referente à constituição de crédito tributário, admitindose provas indiciárias e presunções quando, pelas circunstâncias factuais, revelem, de forma inequívoca, a conduta ilícita do sujeito passivo. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA APLICÁVEL. Na hipótese de interposição fraudulenta e conseqüentemente de dano ao Erário aplicase a pena de perdimento das mercadorias, e na ausência destas, convertese o perdimento em multa equivalente ao valor das mercadorias. A aplicação no presente caso da multa administrativa correspondente ao valor do subfaturamento, por não se subsumir ao fato, deve de declarada nula por vício material. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como pode ser observado, a decisão recorrida excluiu, por nulidade, decorrente de vício material, a parte do lançamento correspondente à multa administrativa de 100% do Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.458 14 valor do subfaturamento, prevista no art. 88 da MP nº 2.15835/2001, mantidas as demais parcelas do lançamento. A ciência da decisão de primeira instância à empresa CLAC – Importação e Exportação Ltda, ocorreu em 26/08/2014 (fl. 1.161). Inconformada, a Recorrente apresentou, em 25/09/2014 (fl. 1.343), o recurso voluntário de fls. 1.343/1.380, onde ressalta, em resumo, o seguintes pontos: (i) que consta no Relatório de Auditoria Fiscal elaborado pelo Fisco (fls. 33/112 doravante abreviado por RAF), que teria sido realizada a Operação Dilúvio em 2005, o qual tratase de procedimento investigativo com vistas a identificar pessoas e empresas envolvidas na prática de supostas fraudes aduaneiras e tributárias; que não tinha figurado nas investigações iniciais, sendo que o Fisco incluiu a Recorrente no processo investigatório sob a alegação de que seu nome emergiu do exame da documentação apreendida naquela operação; (ii) do resultado da análise dos documentos elaborados pela fiscalização, concluiuse terem sido apurados indícios de ocultação do sujeito passivo e subfaturamento na importação e utilização de faturas supostamente falsas, gerando a apuração do crédito tributário devido, e (iii) que as importações relacionadas no Auto de Infração (DI's n° 06/0928432 5, 06/09594707, 06/10979684 e 06/11385869), foram consideradas como operações por conta e ordem de terceiros. Ao final, tanto a CLAC – Importação e Exportação Ltda, quanto a empresa POLIMPORT Comércio e Exportação Ltda (por conta e ordem de quem as importações teriam ocorrido), doravante denominadas de CLAC e Polimport, respectivamentes, foram relacionadas, sendo a Recorrente como contribuinte e a Polimport como responsável solidária. Prossegue em seu recurso aduzindo que: 1) em sede de Preliminares Vício Material do Lançamento Dentro do procedimento efetuado, a afirmação da fiscalização, embasase única e exclusivamente em documentos produzidos pela coresponsável POLIMPORT, já que os documentos coletados ou analisados junto à Recorrente encontravamse em completa regularidade. Não se fez prova de que os documentos produzidos pela contratante não fossem merecedores de fé. A conclusão da autoridade lançadora acerca da participação da CLAC no esquema da Operação Dilúvio não se referenciou em documentos produzidos por essa empresa, mas na menção de seu nome em documentos gerenciais produzidos por terceiro, sob os quais Recorrente não tem o menor controle. Alega que houve apenas presunção e que não há pressuposto legal para aplicação. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão transitada em julgado, reconheceu a ilegitimidade das provas colhidas no seio da Operação Dilúvio, de modo que todos os atos posteriormente praticados seja com vistas à persecução penal, seja no que tange às exigências fiscais que dimanaram dessa operação são inequivocamente nulos, ante a aplicação da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada. Transcreve em seu recurso o teor da sentença proferida na Ação Penal nº 2006.70.00.0303839. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.459 15 Por todo o exposto, percebese que são manifestamente nulas as autuações, frutos de procedimentos espúrios viciados, conforme reconheceu o Poder Judiciário em decisões transitadas em julgado, que obviamente têm de ser observadas. 2) Quanto ao Mérito a) Da importação direta pela Recorrente No Relatório de Auditoria Fiscal afirmouse que, no caso das importações efetuadas pela Recorrente e que seriam destinadas à Polimport, todos os procedimentos de negociação com o exportador teriam sido efetuados por esta empresa. Destacou, ainda, que a totalidade de recursos utilizados provinha da Polimport, seja como adiantamento, seja como pagamento posterior.Tais afirmativas são inverídicas, na medida em que a ora Recorrente é importadora que detém de capacidade econômica e operacional para as importações relacionadas na autuação. Afirma que as importações objeto desta autuação encerram método convencional no qual a Recorrente contatou o fornecedor Conair Anguilla Trading Company Ltd., operação esta realizada com seus próprios recursos e por seu próprio risco. Verificase pelas DI objeto desta autuação, a indicação do exportador Conair Anguilla Tradings Company Ltd., com a descrição da mercadoria e os dados do importador como sendo a empresa Recorrente. Há ainda a nota fiscal de entrada destas mercadorias com a natureza da operação como sendo de "compra para comercialização". Alega que comprova que atua no território nacional como importadora e realiza a compra de mercadorias importadas para comercialização e venda à varejistas. Acostou à sua impugnação a relação de todas as Notas Fiscais emitidas no período de 21/06/2006 à 18/12/2006 com a descrição dos produtos vendidos, indicação do fornecedor e dos impostos a recolher. Anotese que referente às DIs objeto da autuação, as notas fiscais de saída não são destinadas somente a Polimport, como por exemplo, as notas de venda n° 10335 e 10336, em que tiveram como destinatário o supermercado Wall Mart. Tratandose de importação própria e direta entre a Recorrente e o comerciante estrangeiro, não há que se falar que houve qualquer suposta simulação a ocultar o comprador nacional. Ratificando as alegações da impugnação, a empresa possuía contrato de prestação de serviço de assistência técnica dos produtos importados da Conair. No fluxo das mercadorias, destacase no Relatório de Auditoria Fiscal que a Polimport teria acertado as condições do contrato de compra e venda, definindo as mercadorias, preços e formas de pagamento. Contrapondo tal afirmativa, a empresa acostou à impugnação os documentos acima relacionados demonstrando que se trata da real compradora da mercadoria importada. Ressalta que não restam dúvidas que a Recorrente possuí plena capacidade econômica e operacional para tais transações. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.460 16 b) Da inexistência da modalidade de importação por conta e ordem Afirmase no Relatório de Auditoria que a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas teria por essência o interesse do adquirente, neste caso, a Polimport, em receber suas mercadorias negociadas do exterior, sem o que a motivação do importador, neste caso a Recorrente, para promover a nacionalização das mesmas não existiria. Deveria haver, de fato, ao menos a demonstração cabal de que a Polimport adiantou à Recorrente ao menos parte dos valores empregados para o registro das transações, sem o que não há que se falar em importação por conta e ordem. No entanto, o presente lançamento pautouse única e exclusivamente na presunção de tal simulação. Desse modo, certo é que os recursos utilizados na importação não eram da Polimport, mas da Recorrente (CLAC), e não se pode chegar à conclusão diversa a partir do exame dos documentos acostados aos autos. c) Da inexistência de subfaturamento ou de fraude Superada a questão de que as operações em debate não se tratam de simulações, deve ser afastada a alegação de que no caso houve subfaturamento dos produtos importados. No Relatório Fiscal houve a alegação que teria sido praticado preço vil e que ao se confrontar o preço comercializado no varejo pela Polimport, com os preços declarados nas DIs em questão, teriam sido constatadas variações de preços que passariam de 1000%. Isso ocorre porque após a sua compra, obviamente a Polimport possui um alto valor a agregar ao preço final do produto, de propaganda e marketing e divulgação, bem como suas lojas. Por tal razão, o valor da venda ao consumidor final é muito superior ao valor da importação e são incomparáveis. Neste caso é fundamental que a fiscalização prove a circunstância de fraude/subfaturamento por parte do contribuinte, pois se trata de ônus tributário do fisco, acusador em feitos que gravitam em torno de Autos de Infração. d) Da nulidade do lançamento por ausência de requisitos legais para aplicação do método de valoração aduaneira No presente lançamento, afirmouse que o real adquirente da mercadoria seria a empresa Polimport e que a Recorrente não teria realizado qualquer operação comercial de compra de mercadorias estrangeiras. Concluiu a fiscalização, que o comprador nacional permaneceria oculto por toda a tramitação administrativa e aduaneira das operações, bem como que os elementos declarados na importação relativo ao adquirente e ao preço praticado não teriam relação com as efetivas operações comerciais. Ademais, não há qualquer infração cometida por parte da Recorrente que prejudicassem o controle administrativo das importações, isto porque, para a aprovação e registro das Declarações de Importação, o preço unitário do produto é um dos itens submetidos ao crivo dos fiscais alfandegários. Em fim, todos os elementos necessários se encontravam no momento do registro da Dl e estavam presentes no momento do desembaraço. O lançamento mostrase superficial e pautado em presunção. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.461 17 Ainda que se considerasse o arbitramento efetuado, o mesmo não seria digno de aceite, haja vista ter se pautado exclusivamente em valores constantes de simples planilhas gerenciais (citadas nas páginas 48 a 51 do relatório de auditoria) produzidas por terceiros e apreendidas no curso de persecutório penal que a Recorrente não faz parte. e) Da Inaplicabilidade da multa Qualificada Uma vez demonstrado que não houve declarações inexatas que teriam culminado na falta de pagamento dos tributos, ou mesmo qualquer outro elemento que comprovasse as alegações de fraude ou simulação, não se pode acatar a penalidade da multa qualificada de 150%. Tais penalidades foram embasadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Da leitura destes dispositivos legais denotase que se aplica multa qualificada somente quando o contribuinte age com evidente intuito de fraude, incorrendo em algumas das condutas descritas na citada Lei. Oportuno asseverar que é fundamental que seja provado a circunstância do suposto intuito de fraude, ônus tributário este que é somente do fisco. f) Do Pedido Diante de todo exposto alega que fica demonstrado de forma inequívoca a impropriedade dos atos administrativos em apreço, que seja acolhido integralmente o inconformismo vertente, com o cancelamento das autuações aqui controvertidas. 3) Do Recurso Voluntário da empresa POLIMPORT A empresa Polimport, foi cientificada do acórdão de primeira instância em 25/08/2014 (fl. 1.161). Inconformada, em 23/09/2014 (fl. 1.164), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1.164/1.184, onde ressalta, em resumo, as seguintes alegações: Que a Polimport foi devidamente intimada sobre a lavratura do Auto de Infração em discussão; em que pese não tenha sido apresentada impugnação, na data de 17.05.2012, a Recorrente apresentou petição informando que a ação penal relacionada com as provas utilizadas para embasar a presente autuação foram declaradas ilícitas pelo Poder Judiciário, de modo que seria nulo o respectivo Auto de Infração. Conclui suas alegações, ressaltando que: a) apesar de a Recorrente não ter apresentado Impugnação, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacificada no sentido de ser possível a apresentação de Recurso Voluntário para a discussão de matérias de ordem pública. b) as provas que embasaram a Autuação, obtidas na "Operação Dilúvio", foram declaradas como provas ilícitas em processo criminal acerca das supostas fraudes praticadas nas operações de importação, produzindo essa ilicitude efeitos na esfera judicial e administrativa, conforme previsão legal e princípio constitucional do devido processo legal, além de estenderse a qualquer prova que seja derivada da prova ilícita, conforme teoria do fruto da árvore envenenada, já consagrada pelo Supremo Tribunal Federal, tornandose nulas; c) não é aplicável ao caso o princípio da independência das decisões nas esferas penal e administrativa, uma vez que cabe aos julgadores de direito penal a cognição e Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.462 18 conclusão a respeito de ilicitude de provas, sendo necessário o reconhecimento administrativo de ilicitude, tal como julgado destacado do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, requer a Recorrente sejam as razões do presente Recurso conhecidas e provida para declarar a nulidade da autuação com o seu conseqüente cancelamento. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso apresentado pela CLAC O Recurso Voluntário da Recorrente (CLAC) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A matéria é da competência da 3ª Seção de Julgamento logo, deve ser conhecido. Em resumo, a Recorrente alega que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão transitada em julgado, reconheceu a ilegitimidade das provas colhidas no seio da Operação Dilúvio, de modo que todos os atos posteriormente praticados, no que tange às exigências fiscais que decorreram dessa operação, são inequivocamente nulos, ante a aplicação da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada. Transcreve em seu recurso o teor da sentença proferida na Ação Penal nº 2006.70.00.0303839. Do recurso apresentado pela POLIMPORT Conforme registrado no voto da Decisão recorrida, a responsável solidária, Polimport, teve ciência do auto de infração lavrado em 10/09/2009 e não apresentou Impugnação dentro do prazo legal previsto no Decreto nº 70.235/72. Aduz que, em que pese não tenha sido apresentada impugnação no momento apropriado, na data de 17.05.2012, protocolou petição informando que a ação penal relacionada com as provas utilizadas para embasar a presente autuação foram declaradas ilícitas pelo Poder Judiciário, de modo que seria nulo o respectivo Auto de Infração. ANÁLISE DOS FATOS Como visto nos autos, a controvérsia decorre de Auto de Infração lavrado em face da exigência de créditos tributários referentes ao Imposto de Importação II, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, PIS Importação e COFINS Importação, com aplicação de multas em conseqüência do subfaturamento nos preços das peças e equipamentos importados referente às Declarações de Importação – DI nºs 06/09284325/001, 06/0959470 7/001, 06/10979684/001 e 06/1138586 9/001. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.463 19 Preliminarmente à apreciação das questões postas por cada um dos Recorrentes, se faz necessário e é relevante verificar em que medida a decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Habeas Corpus HC n° 142.045/PR, julgado no STJ, em 15.04.2010, alcança o presente lançamento, haja vista que a conclusão da ordem concedida no referido Habeas Corpus, considera ilegal a renovação das escutas pelos prazos superiores aos sessenta dias previstos pela Lei nº 9.296/96. Verificase que a 6° Turma do STJ, ao analisar e conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos da Operação Dilúvio, realizada pela Policia Federal, que foi a base para a ação fiscal deste autos. Vejase na transcrição abaixo como o Acórdão decidiu: "Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Principio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei n° 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei n° 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei n° 9.296/96 (art. 5°), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explicita ou implícita violação do art. 5° da Lei n° 9.296/96, evidente violação do principio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito." Como já dito, a ação fiscal que originou o auto de infração em questão, foi resultante da denominada Operação Dilúvio, implementada pela Polícia Federal, que concluiu haver um complexo esquema fraudulento administrado pelo Grupo MAM (Marco Antonio Mansur), através de operações de importação tidas como simuladas, com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, sob a alegada prática de utilização de documentos ideológica e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas. Apesar de ter havido fiscalização no âmbito da zona primária, o procedimento fiscal também tratou das entregas a consumo de produtos de procedência estrangeira, importados de forma fraudulenta. Conforme documentação trazida aos autos, o Poder Judiciário no HC nº 142.045/PR, declarou ilícitas provas colhidas via prorrogações de interceptação telefônica na Operação Dilúvio. Destacase que não foram anuladas todas as provas produzidas durante o inquérito policial, mas sim todas aquelas que de alguma forma decorrem das escutas e interceptações irregulares, havidas das prorrogações consideradas ilegais. Como é cediço, o HC nº 142.045 (PR), foi impetrado pelo advogado René Ariel Dotti, em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontando Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.464 20 como Autoridade Coatora o TRF da 4ª Região. O ato de coação ilegal consistiu na decisão que julgou regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial n° 2006.70.00.0224356. A decisão final do STJ, apontada na conclusão do Relator designado para redigir o voto vencedor foi a seguinte: “Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que ‘toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas’ seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito”. Portanto, o STJ não declarou a ilegalidade de toda prova produzida no inquérito policial, mas apenas da interceptação telefônica no tocante às sucessivas renovações e daquela decorrente dela, estipulando ainda o prazo máximo da interceptação telefônica, qual seja, de 60 dias, desde que houvesse decisão fundamentada. Dessa forma, tornase imprescindível que essa turma de julgamento identifique, dentre as provas coletadas pela fiscalização, quais foram efetivamente afetadas pela decisão do STJ, separando daquelas que foram decorrentes da interceptação quando ela ainda era válida (os primeiros sessenta dias), além daquelas decorrentes de procedimentos fiscais realizados pela própria Fiscalização da Receita Federal do Brasil, dentro de sua competência legal. Destacase que, no presente caso, parte das informações que levaram a fiscalização a autuar os infratores foram obtidas no curso do procedimento fiscal. As intimações n°s 02 0615100.2007.002809, 030615100.2007.002809, 04 0615100.2007.002809 e 0615100.2007.002809 resultaram na apresentação pela POLIMPORT e CLAC de diversos documentos tais como: "os contratos firmados junto aos exportadores e/ou fabricantes das mercadorias importadas, Livros contábeis e fiscais de todos os estabelecimentos que transacionam mercadorias de origem estrangeira, livros de registro de entrada e de saída dos anos de 2002 a 2006, livro de registro de inventário,livro de registro de ICMS, etc., além de 1ª via original das Notas fiscais de entrada e/ou saída de mercadorias, arquivos magnéticos relativos aos registros das movimentações e operações relacionadas às mercadorias apreendidas, planilhas com o registro de estoques, Extrato da DI e das respectivas retificações de importação, Conhecimento de Transporte Internacional, fatura comercial,” etc. Toda essa documentação apoiada ainda nas diligências efetivadas tanto na CLAC como na POLIMPORT serviram de base para a lavratura do auto de infração. Nenhum dos elementos citados acima resultou de documentos apreendidos no mandado de busca e apreensão da operação Dilúvio. Portanto, para prosseguir com a análise do presente processo, será necessário que essa turma de julgamento tenha acesso às transcrições das escutas telefônicas e aos dados telemáticos referentes ao período de interceptação validado pelo STJ, de forma a conferir se os Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10611.001423/200959 Resolução nº 3402000.740 S3C4T2 Fl. 1.465 21 investigados mencionaram, por exemplo, alguma importação referente à fraude aduaneira em questão. Diante de todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à repartição de origem ALF/Porto de Vitória/ES, para que a autoridade competente proceda as seguintes providências: (i). Identificar, dentre as provas utilizadas para o lançamento, aquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; (ii). Separar e identificar nos autos, as provas que derivaram do primeiro período de sessenta dias da interceptação telefônica, inclusive cópias das decisões que insejaram os correlatos Mando de busca e apreensão; (iii). Identificar as provas produzidas por fonte independente, como por exemplo, as apresentadas durante a ação fiscal, manifestandose sobre as mesmas; (iv). Identificar, nos autos, as provas que a RFB poderia ter acesso independentemente de autorização judicial; (v). Anexar o inteiro teor da decisão judicial do HC nº 142.045/PR, e (vi). Anexar as transcrições das escutas telefônicas referentes ao período de interceptação validado pelo STJ (os primeiros sessenta dias), e vii) Anexar cópia da Ação Criminal da Ação promovida pelo MPF. Após a conclusão dessas Diligências, os Recorrentes (contribuinte) e responsável solidário, deverão ser intimados do inteiro teor do resultado da diligência, para, querendo, no prazo de trinta dias, manifestarese sobre o feito. Posto isso, em seguida, retornemse os autos a esta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 11020.002360/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
CONTRADIÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratando-se de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2301-003.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar claro que devem ser excluídos do cálculo da multa os fatos apurados até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido a decadência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano Gonzales Silvério
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DECADÊNCIA PARCIAL. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em deixar claro que devem ser excluídos do cálculo da multa os fatos apurados até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devido a decadência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 23 60 /2 00 7- 17 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão de fl 477 a 483 assim ementado: Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 Ementa: PRELIMINAR – INEXIGIBILIDADE DE DEPÓSITO RECURSAL Não há que se falar em depósito recursal pois a norma que o exigia foi revogada. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173, inciso I, da Lei IV 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. IMUNIDADE A imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, "c" da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições previdenciárias. ATRIBUIÇÃO DO AUDITORFISCAL PARA AVERIGUAR O CORRETO ENQUADRAMENTO DA RELAÇÃO EMPRESATRABALHADOR. Cabe à fiscalização averiguar a situação fática encontrada e, assim, efetuar o real enquadramento do segurado, nos termos da legislação. ENQUADRAMENTO DE PROFESSORES COMO SEGURADOS EMPREGADOS Havendo provas no sentido de que os professores reúnem as características de relação de emprego, cabe à fiscalização proceder o correto enquadramento, a despeito de a empresa qualificálos como contribuintes individuais BOLSAS DE ESTUDO De acordo com a previsão legal o valor relativo a plano educacional deve visar a educação básica prevista no artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estando Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11020.002360/200717 Acórdão n.º 2301003.252 S2C3T1 Fl. 496 3 preenchidos os requisitos previstos no item “t” do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Em 19 de junho de 2001, a Lei nº 10.243 incluiu o inciso II ao § 2º do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho para excluir do conceito de salário, e portanto de remuneração, a utilidade fornecida pelo empregador em relação à educação, seja em estabelecimento próprio ou de terceiro, razão pela qual, no caso concreto, não são consideradas como remuneração a partir de junho de 2001. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Sustenta a embargante incidir o acórdão embargado em omissões e contradição que podem ser assim resumidas: i) omissão em relação à análise “dos descontos concedidos par a educação no ensino superior, com referência aos dependentes dos segurados”; ii) omissão em relação à aplicação do artigo 173, I do CTN considerando o fato de que somente após o Ato Cancelatório de Isenção do sujeito passivo é que poderia o Fisco ter efetuado o lançamento; iii) contradição ao incluir, no período considerado decadente, a competência de 12/2000. Os embargos de declaração restaram admitidos pelo Despacho de nº 2301 155 para analisar a contradição existente em relação ao item “iii” acima. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, são cabíveis embargos de declaração contra acórdão que contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou omissão sobre ponto sobre o qual a Turma deveria ter se manifestado. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Os embargos, portanto, servem para suprimir eventuais vícios que tenha incidido a decisão, de modo a clarificar a prestação jurisdicional administrativa. Se, por um lado, objetivam esclarecer ou completar o julgado, não podem os embargos alterálo. Isto, porque, há recurso próprio para a parte manifestar seu inconformismo e buscar a alteração da decisão. No âmbito desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é o recurso especial, fundamentado nos artigos 67 e seguintes do Regimento Interno No que diz respeito à decadência o recurso padece de contradição, pois ao tempo que reconhece a aplicação do prazo decadencial do artigo 173, inciso I do CTN, em virtude do descumprimento da obrigação acessória, efetuou a contagem do citado prazo tal como se houvesse aplicado o artigo 150, § 4º do CTN, o que não é o caso Conforme fundamentado no acórdão embargado não há que se cogitar em lançamento por homologação no qual há pagamento antecipado sujeito a posterior homologação pelo Fisco, mas somente o cumprimento ou não, pelo sujeito passivo, do dever instrumental que lhe é exigido por lei. Figurase, portanto, o lançamento de oficio embasado nas hipóteses do artigo 149 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, o qual se submete ao prazo previsto no artigo 173, inciso I desse mesmo diploma legal. Isto é, ao prazo qüinqüenal cujo dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido levado a efeito. Sabendose que na espécie o período verificado esta compreendido entre janeiro de 1999 a dezembro de 2001 e que a ora recorrente foi intimada do AI em 21 de dezembro de 2006, verificase que está decaído o período de janeiro de 1999 a novembro de 2000. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os embargos de declaração e, no mérito, DARLHES PROVIMENTO apenas para retificar o acórdão embargado, uma vez que a decadência quinquenal atinge o período compreendido entre de janeiro de 1999 a novembro de 2000. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/04 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004357/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender
as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando
presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo
que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do
Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de
defesa.
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE
CORESPONSÁVEIS.
AFASTAMENTO.
Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do
CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES
ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO
DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de
lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a
aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às
penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o
novo regime aplicação
do art. 32A
para as infrações relacionadas com a
GFIP e
o regime vigente à data do fato gerador aplicação
dos parágrafos
do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao
contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Luiz Felipe de Alencar Melo Minidouro. OAB: 292.531/SP.
Nome do relator: Mauro José Silva
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PREV OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ACUMENT SISTEMAS DE FIXAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 57 /2 01 0- 75 Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 118 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Luiz Felipe de Alencar Melo Minidouro. OAB: 292.531/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 119 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.308.8817, lavrado em 06/12/2010, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com informações incorretas ou omissas em relação aos segurados empregados, no período de 01/2006 a 12/2006, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 3.920,00, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 10/12/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 46/58, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 76/90, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 03/02/2012, fls. 96. O recurso voluntário, apresentado em 27/02/2012, fls. 97/113, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. A multa seria inaplicável ao caso, posto que não houve sonegação de tributos. Não poderia ocorrer a aplicação da Selic sobre o valor da multa. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. É o relatório. Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 120 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 121 5 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Exclusão dos diretores do anexo “CORESP” Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 122 6 III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 123 7 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos sóciosgerentes listados no CORESP, tendo em conta que não houve nos autos a adequada apuração do cometimento das condutas exigidas pelo caput do art. 135 do CTN. Esse raciocínio vale para os levantamentos não relacionados com os contribuintes individuais no presente caso. Porém, com relação ao lançamento relacionado com os contribuintes individuais, mantenho a responsabilização dos sócios, dada a existência de apropriação indébita. Obviamente que se ficar comprovado que essa parte foi completamente extinta pela pagamento não haverá mais crédito tributário a ser cobrado dos sócios. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 124 8 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 125 9 conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 126 10 valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 127 11 Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 128 12 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Tal posição é Processo nº 19515.004357/201075 Acórdão n.º 2301003.155 S2C3T1 Fl. 129 13 aplicável inclusive para situações nas quais a fiscalização tenha feito sua análise de retroatividade benéfica, com a qual não concordamos, e aplicado a multa de 75% do art. 44 da Lei 9.430/96. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar a responsabilidade dos sócios listados no anexo CORESP por ausência nos autos de provas dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000297/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1401-00.050
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (Assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 553DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19740.000297/200591 Resolução n.º 140100.050 S1C4T1 Fl. 2 2 Trata o presente feito de Declaração de Compensação (DECOMP), utilizandose o contribuinte de crédito de IRRF sobre operações de renda fixa e fundos de ações pago indevidamente na anistia da MP nº 2.222/2001, na medida em que posteriormente ao pagamento do débito de IRRF, a Recorrente apurou erro no cálculo do montante devido, tendo verificado que procedeu ao pagamento de valor significativamente superior á seu débito junto à Receita Federal. Por esta razão, realizou a Compensação dos valores que foram recolhidos a maior. Entretanto; em 26 de setembro de 2005, o Contribuinte foi cientificado, por meio da comunicação nº 83/2005, sobre o indeferimento da compensação efetuada, nos seguintes termos: "Compensação O pagamento a que se refere o disposto no art. 5° da MP n° 2.222, de 2001, constitui ato jurídico confissão extrajudicial e irretratável de divida e além disso, não acarretará, restituição das quantias pagas. Compensação não homologada." Contra o referido despacho, e seu fundamento apresentou a competente manifestação de inconformidade, a qual restou indeferida, nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATORIOS. A compensação, nos termos em que está definida pelo CTN, só poderá ser efetivada se os créditos da interessada, em relação à Fazenda Pública, revestiremse dos atributos de liquidez e certeza, sendo seu ônus a comprovação dos indébitos, cabendo ao Fisco, se for o caso, homologar o encontro de contas. Solicitação Indeferida Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma, que a Turma de Julgamento não poderia ter adentrado na discussão da origem dos créditos utilizados, se não o fez a instância de origem competente para tanto. Aduziu que demonstrou de forma explícita a origem dos créditos, refazendoo em suas razões recursais, bem como que cumpriu todas as obrigações previstas na legislação para adesão à anistia. Sustenta, ainda, que entendeu que a discussão inicial se valor pago à maior ou indevidamente na anistia da Medida Provisória em comento poderia ou não ser objeto de restituição – era puramente de direito, razão pela qual entendeu não ser necessária a produção de prova documental, sendo certo que no caso da " impossibilidade de se fazer a compensação dos valores pagos à maior ou indevidamente na anistia/remissão da MP n°2.222/2001 , se mostra equivocado, se verificarmos que o próprio formulário eletrônico para o preenchimento do PER/DCOMP versão 1.3, que é baixado, da página da internet da SRF, aceita o código de recolhimento do IRPJ pago como crédito passível de compensação. Fl. 554DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 19740.000297/200591 Resolução n.º 140100.050 S1C4T1 Fl. 3 3 Esclareceu que optou pela anistia e realizou o pagamento das parcelas devidas. Entretanto,quando da revisão da apuração da suposta base de cálculo de Imposto de Renda, verificou que foram pagos valores superiores aos efetivamente devidos, sendo certo que esses valores apurados a maior é que foram os utilizados na compensação. Entretanto, o Fisco entendera, que a Recorrente pretendeu compensar valores relativos aos débitos pagos em função da anistia, desconsiderando que a apuração foi feita erroneamente, de modo a considerar parcelas não passíveis de tributação, e que o próprio pagamento, a época, foi feito a maior. É o relatório. Compulsando os autos, verifico que os fundamentos da DRJ que levaram ao indeferimento do crédito postulado deuse pela ausência de documentação que comprovasse as alegações da Recorrente. Em vista disso, foi trazida aos autos parte da documentação que comprovaria a origem do crédito compensado, bem como a disponibilização dos demais documentos necessários a esta apuração. Releva assinalar que a norma não expressa e especificamente dispõe sobre a forma de demonstração desse crédito. Disso decorre, com freqüência, casos como o presente, em que a Delegacia da Receita Federal nega o pedido de restituição por um motivo que, superado na manifestação de inconformidade, acaba novamente negado por outro motivo. Diante do exposto, em homenagem ao princípio da verdade real, voto por baixar o feito em diligência para: (i) identificar se o valor recolhido nos termos da anistia é de fato superior aquele que deveria ter sido recolhido nos termos da MP nº 2.222/2001; (ii) identificar se no mesmo anocalendário em que se pleiteia a restituição do IRRF foram os respectivos investimentos financeiros oferecidos a tributação; (iii) apresentar parecer conclusivo. Em seguida, mostrase necessário a intimação do contribuinte acerca do resultado da diligência, retornando os autos a este Conselho para julgamento final do recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 555DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003024/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório
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Numero do processo: 19515.001138/2009-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO ARBITRADO, NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS. FORÇA MAIOR. INOCORRÊNCIA O não atendimento à intimação para apresentar os livros contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do Lucro Real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. A apreensão de documentos por parte de outro órgão da administração pública somente será causa de força maior se restar comprovada a apreensão dos documentos solicitados pela autoridade fiscal.
MULTA QUALIFICADA
Presentes os requisitos para a aplicação da multa qualificada na medida em que a informação foi deliberadamente ocultada da fiscalização federal. Tal conclusão se extrai do fato de que a mesma informação foi apresentada ao fisco estadual (Guias mensais de Apuração do ICMS), o que, inclusive, foi utilizado para apurar as receitas omitidas neste auto de infração.
DUPLICIDADE DE BASES TRIBUTÁVEIS. INOCORRÊNCIA.
A alegação da possibilidade da soma de bases tributáveis - guias de ICMS e Movimentação Bancária - não procede, pois, em tese, as operações de circulação de mercadorias podem se dar ´em espécie´, sendo que o contribuinte não logrou comprovar quais operações bancárias se referem àquelas declaradas ao fisco estadual.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMUNIDADE SOBRE AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE PARA A CSLL
Já decidiu o STF, no RE 564.413/SC, que a imunidade prevista no artigo 149, par. 2o, Inciso I, da CF/88 não se aplica à CSLL.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMUNIDADE SOBRE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COFINS E PIS. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA.
O sujeito passivo não logrou comprovar, objetivamente e por meio de documentação minimamente hábil, quais das operações apontadas pelo fisco federal teriam envolvido a exportação de produtos, para fins de aplicação da imunidade prevista no artigo 149, par. 2o. Inciso I da CF/88.
Numero da decisão: 1402-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 16/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), DEMETRIUS NICHELE MACEI, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LUCRO ARBITRADO, NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS. FORÇA MAIOR. INOCORRÊNCIA O não atendimento à intimação para apresentar os livros contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do Lucro Real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. A apreensão de documentos por parte de outro órgão da administração pública somente será causa de força maior se restar comprovada a apreensão dos documentos solicitados pela autoridade fiscal. MULTA QUALIFICADA Presentes os requisitos para a aplicação da multa qualificada na medida em que a informação foi deliberadamente ocultada da fiscalização federal. Tal conclusão se extrai do fato de que a mesma informação foi apresentada ao fisco estadual (Guias mensais de Apuração do ICMS), o que, inclusive, foi utilizado para apurar as receitas omitidas neste auto de infração. DUPLICIDADE DE BASES TRIBUTÁVEIS. INOCORRÊNCIA. A alegação da possibilidade da soma de bases tributáveis - guias de ICMS e Movimentação Bancária - não procede, pois, em tese, as operações de circulação de mercadorias podem se dar ´em espécie´, sendo que o contribuinte não logrou comprovar quais operações bancárias se referem àquelas declaradas ao fisco estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMUNIDADE SOBRE AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE PARA A CSLL Já decidiu o STF, no RE 564.413/SC, que a imunidade prevista no artigo 149, par. 2o, Inciso I, da CF/88 não se aplica à CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMUNIDADE SOBRE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COFINS E PIS. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. O sujeito passivo não logrou comprovar, objetivamente e por meio de documentação minimamente hábil, quais das operações apontadas pelo fisco federal teriam envolvido a exportação de produtos, para fins de aplicação da imunidade prevista no artigo 149, par. 2o. Inciso I da CF/88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 16/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), DEMETRIUS NICHELE MACEI, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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FORÇA MAIOR. INOCORRÊNCIA O não atendimento à intimação para apresentar os livros contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do Lucro Real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. A apreensão de documentos por parte de outro órgão da administração pública somente será causa de força maior se restar comprovada a apreensão dos documentos solicitados pela autoridade fiscal. MULTA QUALIFICADA Presentes os requisitos para a aplicação da multa qualificada na medida em que a informação foi deliberadamente ocultada da fiscalização federal. Tal conclusão se extrai do fato de que a mesma informação foi apresentada ao fisco estadual (Guias mensais de Apuração do ICMS), o que, inclusive, foi utilizado para apurar as receitas omitidas neste auto de infração. DUPLICIDADE DE BASES TRIBUTÁVEIS. INOCORRÊNCIA. A alegação da possibilidade da soma de bases tributáveis guias de ICMS e Movimentação Bancária não procede, pois, em tese, as operações de circulação de mercadorias podem se dar ´em espécie´, sendo que o contribuinte não logrou comprovar quais operações bancárias se referem àquelas declaradas ao fisco estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMUNIDADE SOBRE AS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE PARA A CSLL Já decidiu o STF, no RE 564.413/SC, que a imunidade prevista no artigo 149, par. 2o, Inciso I, da CF/88 não se aplica à CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IMUNIDADE SOBRE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COFINS E PIS. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 38 /2 00 9- 09 Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 O sujeito passivo não logrou comprovar, objetivamente e por meio de documentação minimamente hábil, quais das operações apontadas pelo fisco federal teriam envolvido a exportação de produtos, para fins de aplicação da imunidade prevista no artigo 149, par. 2o. Inciso I da CF/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. DEMETRIUS NICHELE MACEI Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 16/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), DEMETRIUS NICHELE MACEI, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relatório Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Considerando que o julgamento deste Recurso iniciouse em 09 de julho de 2013, sendo sobrestado até a presente data, me pareceu adequado reproduzir o relatório apresentado naquela ocasião, evitando assim possíveis contradições. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foram apuradas receitas decorrentes da venda de produtos de fabricação própria, auferidas no ano de 2005 e não declaradas à RFB, assim como, depósitos bancários de origem não comprovada. Consta do Relatório da DRJ o seguinte: Tendo em vista que o contribuinte não atendeu as intimações para apresentar o comprovante de entrega da DIPJ do exercício de 2006, anocalendário 2005 e os livros contábeis e fiscais, o IRPJ foi apurado com base no lucro arbitrado, a partir dos valores registrados no Livro Registro de Saídas de Mercadorias do estabelecimento 04.872.265/0009 98, subtraído das devoluções de vendas registradas no Livro Registro de Entradas de Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.909 3 Mercadorias, somado aos valores de depósitos de origem não identificada creditados em conta corrente, resultando na lavratura do auto de infração de fls. 555/565. Para os fatos geradores referentes às receitas de fabricação própria omitidas, os créditos tributários foram lançados com aplicação de multa qualificada (150%), e para os fatos geradores relativos aos depósitos bancários, os créditos tributários foram lançados com a aplicação de multa de ofício de 75%, ambas agravadas em 50%, tendo em vista que a interessada não atendeu às intimações fiscais no decorrer da fiscalização. Foram exigidos os valores de R$ 6.122.043,06 de imposto, R$ 2.922.858,11 de juros de mora calculados até 31/03/2009; e R$ 8.367.994,62 de multa proporcional, perfazendo um crédito tributário total de R$ 17.412.895,79 Enquadramento legal: Lei n° 9.430, de 1996 arts. 27, I, e 42; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199), retificado em 17/06/1999, arts. 532 e 537. O demonstrativo e a base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontramse às fls. 559/560. Como a infração apurada apresenta reflexos nos valores devidos às contribuições sociais, foram lavrados autos de infração referentes ao Programa de Integração Social — PIS (fls. 566/576), com crédito tributário de R$ 4.765.313,55; à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 577/587), com crédito tributário de R$ 21.993.756,89; e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 588/596), com crédito tributário de R$ 7.873.459,86. O Termo de Verificação Fiscal n° 02, fls. 545 a 554, nos dá conta de toda a ação fiscal desenvolvida. O autuante destaca que procedeu a análise dos extratos bancários da contascorrentes de titularidade da empresa — excluindo os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria contribuinte e referentes a resgates de aplicações financeiras, devoluções de cheques depositados, etc. — intimando o fiscalizado a comprovar a origem desses depósitos, deixando ele de fazêlo, autorizando a presunção de omissão de receitas, de acordo com o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Enfatiza as reiteradas intimações para que fossem apresentados pelo fiscalizado os livros obrigatórios pela legislação comercial e fiscal e os documentos que serviram de suporte para escrituração, entretanto ele nada justificou ou apresentou para atender a exigência. Entendendo que o procedimento do contribuinte de omitir receitas de vendas, de movimentar valores à margem da escrituração, não apresentar DCTF e D1PJ, e não apresentar os livros obrigatórios e documentos de escrituração correspondentes, enquadrase na descrição feita no art. 1° da Lei n° 8.137, de 1990, o autuante aplicou a multa qualificada de 150% sobre as receitas declaradas nas GIA's e não declaradas à RFB, além de formalizar processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Regularmente intimado em 06/05/2009 o interessado apresentou em 05/06/2009, a impugnação de fls. 602 a 607. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Na impugnação apresentada, instruída apenas com documentos que embasam a representação e com cópias do termo de verificação n° 02, e dos autos de infração, alega em síntese, que " o arbitramento é indevido, pois a presente autuação decorre e é continuidade do MPF 081900.2006.012069, do qual resultou a autuação fiscal por arbitramento nos autos do Processo n° 19515.0003969/200745, e naquela oportunidade durante toda a ação fiscal provou com documentos oficiais expedidos pela Justiça Federal que sua documentação fiscal e mercantil, incluindo arquivos magnéticos, livros Diário e todos os livros fiscais foram apreendidos pela Polícia Federal, o que impossibilitou, pelos efeitos da força maior, a apresentação dos documentos solicitados." Assevera que bastaria à Receita Federal requisitar a documentação à Polícia Federal, com o que estaria suprida a obrigação imposta ao contribuinte, impedido de cumpri la pelos efeitos da força maior. Acrescenta que não se trata de descumprimento das intimações, mas, por ato de força maior, naquelas datas encontravase impossibilitada de atender às intimações referidas, não havendo por isso, razão plausível para o não atendimento, caso estivesse na guarda daqueles indigitados documentos. Cita a Lei n° 3.470/58, art. 19, § 2°, e a MP 2.15835/2001, art. 71, que trata da matéria, e reproduz ementa de um acórdão cuja origem não identifica. Combate, também, a exigência sobre os valores constantes dos depósitos bancários considerados de origem não comprovada. Alega que o próprio Relatório Fiscal faz incontroverso que os valores que transitaram pela contacorrente bancária, são precisamente aqueles que formaram ou que compuseram a receita bruta conhecida da pessoa jurídica, já tributada na modalidade do arbitramento. Aduz que na condição de exportadora, parcela significativa de sua receita, para efeito de PIS, Cofins e CSLL, estão protegidas pela imunidade prescrita no inciso I, do § 2° do art. 149, da Constituição Federal. Insurgese contra a multa qualificada, que só se justifica diante de situação reguladora das hipóteses prescritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Para reforçar sua argumentação, reproduz ementas do Conselho de Contribuintes que trata de multa sobre depósitos bancários. A Delegacia de Julgamento de São Paulo acabou por julgar improcedente a impugnação do contribuinte, sob os seguintes argumentos: Alega o impugnante que " o arbitramento é indevido, pois a presente autuação decorre e é continuidade do MPF 081900.2006.012069, do qual resultou a autuação fiscal por arbitramento nos autos do Processo n° 19515.003969/200745, e já naquela oportunidade durante toda a ação fiscal provou com documentos oficiais expedidos pela Justiça Federal que sua documentação fiscal e mercantil, bem como todos os arquivos 4111 magnéticos existentes em seus computadores, incluindose o Livro Diário e Razão e todos os livros fiscais foram indiscriminadamente apreendidos, o que impossibilitou, pelos efeitos da força maior, a apresentação dos documentos solicitados." Ora, tal alegação revelase falaciosa. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.910 5 De acordo com o Acórdão n° 17.448,de 12 de junho de 2008, da lavra da 1' Turma de Julgamento desta DRJ, nos autos do Processo n° 19515.003969/200745, citado pelo contribuinte em sua defesa, extraise o seguinte excerto: "Acórdão n° 17.448, Processo n° 19515.003969/200745 Como se lê acima no relatório, a impugnante afirma que o arbitramento é indevido, pois não apresentou seus livros e documentos fiscais e comerciais, inclusive o Livro Diário, apenas porque estes foram apreendidos por ordem da Justiça Federal, mas os Termos de Apreensão apenas foram lavrados posteriormente. Apesar da afirmação da contribuinte de que existem Termos da apreensão de documentos e de todos os seus livros fiscais e comerciais, como também já foi escrito acima no relatório, a impugnação veio acompanhada apenas de documentos que embasam a representação (fls. 233 a 243) e de uma relação de DCTFs entregues (ti. 232). Compulsandose os autos, de fato encontramse cópias do Mandado de Busca e Apreensão n° 418/2004SCO3, subscrito pelo juiz federal substituto da 3° Vara de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em 26 de novembro de 2004 ffl. 99), Termo Circunstanciado e Auto de Apreensão, referentes à apreensão de materiais ocorrida em 01 de dezembro de 2004 em endereço localizado no município de Hidrolândia, Goiás, ambos subscritos por Delegado da Polícia Federal, por testemunhas e por representante legal da contribuinte (fls. 100 a 104). Outras cópias destes documentos se encontram de fls. 115 a 120. Além destes documentos de apreensão, também se encontram no presente processo: cópia do Mandado de Busca e Apreensão n° 419/2004SCO3 Equipe 04 e 05 (fls. 121 a 124),cópia do Mandado de Busca e Apreensão n° 420/2004SCO3 e do anexo Auto de Apreensão Mandado de Busca n° 420/2004 — 3' VF/MS (fls. 125 a 130) e cópia do Mandado de Busca e Apreensão n° 428/2004SCO3 e dos anexos Auto de Arrecadação e Auto de 'preensão «is. 131 a 137). Contudo, nenhum dos mencionados documentos de apreensão, bem como o Auto de Entrega de fls. 138 a 140, afirma que foram apreendidos os Livros Diário ou Razão da fiscalizada. Como se vê da transcrição acima, o impugnante repete agora as mesmas alegações apresentadas na impugnação anterior, ou seja, mais uma vez, insiste no fato de que não teve acesso aos livros contábeis e fiscais pois, os mesmos teriam sido apreendidos pela Polícia Federal em obediência à mandado judicial. Entretanto, conforme item 9 do acórdão supratranscrito não houve a apreensão, por parte da Policia Federal dos citados livros. A Lei n° 9.784 de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seu Capítulo III, ao tratar dos deveres dos administrados assim prescreve: Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Art. 4. São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: 1 expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Da leitura dos autos verificase que, em nenhum momento, a impugnante demonstrou interesse em colaborar com a autoridade fiscal. Ora, a interessada foi reiteradamente intimada a apresentar os livros contábeis e fiscais, não o fazendo sob a alegação de que os mesmos encontravamse em poder da Polícia Federal, face à sua apreensão, em cumprimento a Mandado Judicial. Tal alegação, como acima demonstrado não se coaduna com a verdade dos fatos. Além disso, a fiscalização intimou por diversas vezes o interessado a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias no ano de 2005, e apesar' de reiteradamente intimado o contribuinte não apresentou nenhum documento ou esclarecimento que comprovasse a origem dos valores questionados. O sujeito passivo teve duas oportunidades para apresentar a documentação e os livros. A primeira oportunidade foi durante a fiscalização. A segunda, com o prazo concedido para impugnação. Conforme deflui dos autos, as duas oportunidades foram desperdiçadas. Desse modo, face a inércia da impugnante, que intimada a apresentar documentação e escrituração, não se manifestou, está configurado fato determinante para a adoção do arbitramento da base de cálculo, com base na receita conhecida, por força do art. 530, III, do RIR/99, verbis: “O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n. 9.430, de 1996, art. 12): (...); III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;” Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.911 7 Assim, o arbitramento foi obediente às determinações legais, nada havendo a ser reformado nesse aspecto. Alega, ainda, o impugnante que teria havido bitributação, em razão de os valores que compuseram ou formaram a receita bruta são precisamente aqueles que transitaram pela contacorrente. É conveniente frisar que, as infrações cometidas pelo requerente denotam que os depósitos bancários questionados pelo agente fiscal, configuramse como presunção legal, sendo admitido que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira em nome do impugnante, constituem receita omitida, se não houver prova em contrário alicerçada em documentação hábil e idônea. Desta forma, sendo o auto de infração a peça acusatória do processo administrativo, deve ele trazer, necessariamente, todos os elementos de prova a embasar a exigência fiscal, ou, então, fundamentarse em presunção legalmente autorizada, cabendo, neste caso, ao autuado, elidir a imputação por meio de prova hábil e idônea. Portanto, vêse que a presunção permite que a prova do fato gerador ocorra de maneira indireta. Confirmada a situação autorizadora da presunção, considerase evidenciada a ocorrência do fato. Enfim, podese dizer que a fiscalização realmente procedeu a construção probatória do fato que pretendeu imputar à contribuinte, qual seja, a omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Como é cediço as presunções legais relativas provocam a chamada "inversão do ônus da prova", cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. No caso dos autos, o interessado não apresentou qualquer registro contábil, com a documentação correspondente, de que os valores depositados em suas contas correntes bancárias eram oriundas de suas operações mercantis/comerciais. Sequer apresentou as notas fiscais de vendas para comprovar que os créditos registrados nas contas bancárias, seriam de vendas anteriores. Ou seja, não apresentou à fiscalização quaisquer documentos que/ embasassem o que afirma, nem os trouxe, agora, nesta fase de impugnação. Em verdade, o impugnante procurou justificar os depósitos bancários por meio de generalidades, deixando de observar que a comprovação da sua origem deve ser feita, individualizadamente, com a documentação hábil e o registro contábil correspondente, de forma a evidenciar que, embora transitando em sua conta corrente, tais valores pertenciam a operações mercantis/comerciais da empresa devidamente contabilizada e oferecida à tributação. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Da mesma forma, as informações disponíveis nas GIA's do contribuinte não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários, individualizadamente identificados pela autoridade fiscal. Não basta, alegar que os depósitos existentes em suas contas bancárias são decorrentes de recebimentos de vendas anteriores; é necessário apresentar documentos que identifiquem as transações, para que haja um ponto de partida para a investigação fiscal. Cumpre destacar que o autuante elaborou planilha, que acompanhou o termo de intimação fiscal de fl. 187, discriminando os referidos depósitos individualizadamente (fls. 239/311), dando oportunidade para que fosse comprovada a origem desses depósitos pelo contribuinte. Portanto, mais uma vez, infrutíferas as alegações do autuado. Reclama o contribuinte que, em relação ao PIS, Cofins e CSLL, na condição de exportador, parcela significativa de sua receita estaria protegida pela imunidade prescrita no inciso I, do § 2° do art. 149 da Constituição Federal. Quanto às receitas de exportação, o art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001, determina que: (...) E a imunidade tributária, embora consista em benefício de dignidade constitucional, não deixa de ser uma disposição excepcional, abrandando o ônus da tributação em proveito de indivíduos ou corporações. Assim, também nessa hipótese, a interpretação deve ocorrer em estrito respeito aos limites impostos pela investigação sintática. De acordo com a norma em questão, estariam excluídas da tributação pelas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico as "receitas decorrentes de exportação". Essa expressão não consiste em inovação introduzida pelo legislador constituinte derivado, pelo contrário, ela foi utilizada com a tranqüilidade característica dos conceitos já consagrados pelo uso. Vejase: A Lei n° 6.404/1976 discrimina em seu art. 187 a forma como deve ser apurado o resultado do exercício. Desse dispositivo, destacase: Art. 187 — A demonstração do resultado do exercício discriminará: 1 — a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.912 9 II — a receita líquida das vendas e serviços, custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III — as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; (...) Comentando esse dispositivo, mais especificamente o inciso I supra, Iudícibus, Martins e Gelbcke (in "Manual de contabilidade das sociedades por ações —aplicável também às demais sociedades", Atlas, 1993:500) aconselham a segregação entre as contas de vendas de produtos e serviços no mercado interno e externo, e acrescentam, mais adiante, que o momento do reconhecimento dessas receitas deve ser o do fornecimento de bens. Por outro lado, ao tratar das operações relativas a vendas para exportação, assim dispõe a Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, que regulamenta o Despacho de Exportação: Art. 8° A declaração para despacho de exportação será apresentada à unidade da Secretaria da Receita Federal SRF com jurisdição sobre: § 1° A declaração de que trata este artigo será feita através de terminal de computador conectado ao SISCOMEX, em qualquer ponto do território nacional, e consistirá na indicação. III dos números e série das Notas Fiscais que instruem o despacho, por estabelecimento exportador; (...) Art. 16. O despacho de exportação será instruído com os seguintes documentos: I primeira via da Nota Fiscal; Da leitura atenta dos artigos 8° e 16 da IN 28/94, inferese que o exportador deve relacionar todas as notas fiscais que instruem o despacho e que só se considera exportada a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado no Siscomex, com os dados constantes do referido despacho. Portanto, para fazer jus ao benefício da imunidade pela exportação, o interessado deveria apresentar o despacho aduaneiro com a relação das notas fiscais respectivas, segregando contabilmente as contas de vendas de produtos e serviços no mercado externo. Entretanto, como provado nos autos, o interessado não possui nenhum livro contábil/fiscal e tampouco documentação, o que a impede de usufruir de tal benefício. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Quanto a multa qualificada, conforme Termo de Verificação Fiscal n°02 (fl. 554), a aplicação da multa de 150% deuse pela seguintes razões: o contribuinte não apresentou a DIPJ, do exercício de 2006, anocalendário 2005; por ter havido omissão de receita operacional, contida nas GIA's, no livro fiscal e não declaradas ao fisco federal; não apresentou DCTF; não contabilização da movimentação financeira bastante expressiva; e conduta omissiva do contribuinte de prestar informações à autoridade fazendária. Tais razões, entendo, são suficientes para a aplicação da multa qualificada. Por sua vez, afigurase correto o agravamento da multa pelo não atendimento às reiteradas intimações feitas no procedimento fiscal (as provas de recebimento encontramse juntadas aos autos), dado que o intuito protelatório implícito na atitude do sujeito passivo indica, de forma inquestionável, tentativa de opor embaraços e dificuldades à fiscalização. Assim dispõe o § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996: "Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente." Resulta, assim, que o agravamento da multa deve ser mantido, dado que presente a configuração da recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em presta"r esclarecimentos, tendendo a dificultar a ação fiscal. Por fim, há que se ressaltar que o decidido para o lançamento de IRPJ se estende às contribuições de CSLL, PIS e Cofins, que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso, pela íntima relação de causa e efeito. Destarte, não merecem guarida as argumentações apresentadas pelo impugnante, pelo que voto por considerar improcedente a impugnação mantendo os Autos de Infração como constituídos. O contribuinte foi intimado da Acórdão n.° 1623.125 da DRJ/SP 1, através da intimação n. 4362/2009 (fls. 698) enviada por AR n. 47.910.5774 BR, recebida em 23 de Novembro de 2009 (fls. 702 710). 1) Repisou o argumento esposado na impugnação, de que a entrega dos livros fiscais e mercantis solicitados no curso da ação fiscal somente não foram apresentados por motivo de força maior; 2) Ressaltou ainda, que consta do TVF que o respectivo MPF era decorrente da continuidade do MPF n. 081900.2006.012069; que originouse também da autuação fiscal por arbitramento relativa aos autos n. 19515.003969/200745, no qual ficou comprovado, de que a impugnante teve apreendidos seus documentos fiscais e mercantis, juntamente com todos seus computadores, o que a impossibilitou de apresentar a documentação exigida pela Receita Federal; Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.913 11 3) Sustenta que tal situação, a própria legislação prevê o procedimento, qual seja, diante da comprovação inequívoca da busca e apreensão, bastava o órgão [Receita Federal do Brasil] requisitar ao outro órgão [Polícia Federal] a entrega dos documentos. 4) Que a própria decisão recorrida, ao tomar como suas as razões de decidir do Acórdão n 17.488, proferido nos autos do Processo n. 19515.003969/2007 45, reconhece a apreensão por cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão; 5) Alega que os livros Diário e Razão não foram mencionados na apreensão, mas que foram efetivamente arrecadados pela autoridade policial, que fez a apreensão de forma indiscriminada, e os Termos somente foram lavrados posteriormente. 6) Ressalta que ainda assim, consta no Auto de Apreensão datado de 12 de dezembro de 2004, que dentre os livros arrecadados, contou a apreensão de "quatro (04) livros de capa preta", que poderiam corresponder aos livros mercantis, tidos como não apreendidos, o que afastaria a força maior; 7) Sustenta que, nessa condição, a legislação civil como a tributária afasta a responsabilidade do contribuinte, por disposição expressa do § 2a, art. 19, da Lei 3.470/58, na redação do art. 71 da MP n . 215835/2001. Nesse sentido, cita jurisprudência administrativa Acórdão n. 10515194 do 1° CC 5a Câmara Recurso 140737. 8) Consta da defesa que a fiscalização apurou a origem dos depósitos bancários, considerados não comprovados a origem pela decisão recorrida. De que os valores que transitaram pela conta corrente são os mesmos que compuseram a receita bruta conhecida da pessoa jurídica e que já havia sido tributada na modalidade de arbitramento. 9) Sustenta que na condição de exportadora, parcela significativa da receita decorrente, para efeito de PIS, COFINS e CSLL, está protegida pela imunidade garantida no inciso I, do § 2° do art. 149 da Constituição Federal. Alega ainda que o PIS e a COFINS, na medida em que representam mero reflexo do IRPJ, cuja exigência demonstrouse insubsistente, terão o mesmo destino. 10) Por fim, a legitimidade da exigência da multa qualificada está condicionada à demonstração das hipóteses prescritas nos artigos n. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, e que sequer houve comprovação de evidente intuído de fraude, como reiteradamente decido pelo CARF. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 Em 09 de julho de 2013, conforme já mencionado ao inicio do relatório, este Conselho resolveu determinar o sobrestamento do processo até o julgamento final do RE 564.413 em trâmite no STF. Isto porque tal ação encontravase sob o regime de repercussão geral e tratava da incidência da CSLL sobre as receitas de exportação, o que poderia em tese afetar o resultado do presente lançamento. Ocorrido o julgamento do referido Recurso Extraordinário em 13 de agosto de 2014, os autos voltaram para a competente continuidade de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Deixo de verificar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, posto que expressamente analisados pelo Relator antes designado, que decidiu por conhecer do recurso, para em seguida propor seu sobrestamento. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão que manteve a autuação fiscal de IRPJ e reflexos, bem como os créditos tributários exigidos. A Recorrente reitera que deixou de apresentar a documentação comercial e fiscal em virtude de força maior, e portanto ensejadora do afastamento da multa aplicada em razão da reiterada nãoapresentação da documentação comercial e fiscal solicitados. De fato houve a apreensão de documentos e computadores do contribuinte pela Polícia Federal antes do inicio da fiscalização da RFB. É preciso lembrar, porém, que o contribuinte deixou de entregar as DIPJs e DCTFs dos períodos fiscalizados, deixando de entregar os este e os demais documentos solicitados no curso da fiscalização. Os termos de apreensão da Polícia tão pouco mencionam expressamente os livros diário e razão. Sem este material, não restou alternativa à fiscalização senão arbitrar o lucro, com base em outras informações, tais como a movimentação financeira proveniente da CPMF e as guias de informação do ICMS, prestados pelo contribuinte ao Estado. Destaco abaixo a síntese relatada pela fiscalização: Neste particular, a prova mais robusta que possui o contribuinte é a menção à determinado termo de apreensão aonde consta da lista "04 livros de capa preta" que, segundo o contribuinte, poderia ser justamente o livro diário e razão. Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.914 13 Francamente, não me parece que os tais misteriosos 04 livros, entregues à Policia Federal, poderiam elucidar toda a questão, mesmo porque, poderiam se tratar dos livros diários como também de qualquer outra coisa. O fato é que, não dispondo da documentação fiscal e contábil necessária, não resta ao fisco alternativa diversa. Em seu socorro a Recorrente menciona outro processo tramitado no CARF (19515.003969/200745), dando a entender que o acórdão teria acolhido sua alegação de "força maior" pelos mesmos motivos aqui levantados. Todavia, acolhidos ou não, o fato é que a decisão utilizada confirmou o lançamento de IRPJ também por arbitramento, para o exercício de 2002, destacando a ocorrência de reiteradas e sucessivas intimações. Vejase a ementa: "Recurso nº 503.922 Voluntário Acórdão nº 130100.353 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2010 Matéria IRPJ ARBITRAMENTO Recorrente FRIGORÍFICO CENTRO OESTE LTDA. Recorrida DRJSÃO PAULO/SP I Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO ARBITRADO, NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS. O não atendimento à intimação para apresentar os livros contábil e fiscal, apesar de reiteradas e sucessivas intimações, impossibilita ao fisco a apuração do Lucro Real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da CSLL, também se aplica a este outro lançamento naquilo em for cabível. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado." Verificando os precedentes deste Conselho, identifico que tramitou um terceiro processo contra a Recorrente, tratando também do IRPJ com base no arbitramento, só que agora relativo aos exercícios de 2003 e 2004 (19515.005502/200811). Não teve melhor sorte, visto que foi mantida a modalidade de tributação. Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Como todos os procedimentos de fiscalização se deram após a apreensão dos documentos pela Polícia Federal (2006), não é forçoso supor que o tema da reincidente falta de entrega de documentos foi objeto dos dois outros processos mencionados. Portanto, entendo que correta a fiscalização ao optar pelo lucro arbitrado, e também pelo agravamento da multa. Esclareço que não se aplica a Sumula CARF n. 961 ao caso, pois não se trata de mera nãoapresentação, mas todo o embaraço causado ao fisco em virtude da necessidade de obtenção de documentos junto a terceiros (GIA/ICMS junto aos Estados, por exemplo). Quanto à alegação do Recorrente de que os valores que transitaram pela conta corrente são os mesmos que compuseram a receita bruta conhecida da pessoa jurídica e que já havia sido tributada na modalidade de arbitramento, não me parece haver fundamento (prova) nos autos que evidenciem esta afirmação. Ademais, há um único parágrafo no Recurso que menciona isto, sem nenhum melhor desenvolvimento do raciocínio ou documentos que poderiam auxiliar este órgão julgador a desvendar ou interpretar tal afirmação, que em si considerada, é irrelevante. Podemos até supor que o fato de que as receitas operacionais obtidas via GIA/ICMS estão contidas nos depósitos bancários não afasta, por exemplo, que as vendas possam ter sido recebidas por outro meio (pagamento em dinheiro ou endosso de cheques) sem transitar em conta corrente bancária. Obviamente, cabe ao contribuinte provar sua alegação, posto que a presunção legal de receitas provenientes de depósitos bancários não declaradas favorece ao fisco, invertendo o ônus da prova. Em último lugar, melhor sorte não assiste ao Recorrente ao afirmar que supostas exportações poderiam ensejar a exclusão das receitas daí decorrentes, da base de cálculo das contribuições sociais aqui tratadas. O Recorrente se refere ao PIS, à COFINS e à CSLL. Foi esta afirmação, aliás, que ensejou o sobrestamento deste processo, em virtude de pendência de julgamento no STF do tema, especificamente em relação à CSLL. O artigo 149 da Constituição Federal estabelece o seguinte: "Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001138/200909 Acórdão n.º 1402002.096 S1C4T2 Fl. 1.915 15 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;” (grifei) A imunidade estabelecida por meio da Emenda Constitucional n. 33/2001, segundo o Recorrente, teria o condão de cancelar o lançamento em relação às exportações supostamente efetuadas pelo contribuinte. Em primeiro lugar, o STF consolidou o entendimento no sentido de que a imunidade referida não se aplica a CSLL. O julgamento do RE 564.413 se deu antes do sobrestamento deste processo, mas como foram opostos embargos de declaração, com pedido de efeitos infringentes, este Conselho entendeu ser prudente aguardar o julgamento deste ultimo recurso judicial. Tais embargos foram julgados, porém rejeitados. Portanto, inexistiu qualquer efeito infringente, sendo mantido o entendimento central (pela não aplicação da imunidade na CSLL dos exportadores). Vejase a ementa do julgado: "EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 564.413 SC REL. :MIN. MARCO AURÉLIO EMBTE.(S) :INCASA S/A EMBDO.(A/S) :UNIÃO (...) EMBARGOS DECLARATÓRIOS – LEGISLAÇÃO E ACORDOS INTERNACIONAIS – CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – IMUNIDADE E ISENÇÃO – CONSIDERAÇÕES – AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. Inexistente contradição no acórdão proferido, no que observada a legislação interna relativa à incidência de contribuição social sobre o lucro líquido de empresas exportadoras, cumpre desprover os declaratórios."2 De todo modo, considerando que poderia remanescer questionamento sobre a incidência das demais contribuições (Pis e Cofins) ressaltese que o Recorrente não trouxe nenhuma prova de que parte de sua receita é proveniente de exportação. Limitouse a observar que nos extratos bancários apareceram expressões que poderiam indicar isto (fls. 551). Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 Ora, a exportação não se prova por meio de extratos bancários (que aliás, foram juntados pelo fisco). A eventual remessa de valores ao exterior ou o recebimento de valores do estrangeiro não significa por si só, dizer, obviamente, que tal circunstancia prova importação ou exportação de produtos. O contribuinte tão pouco segregou os valores que segundo ele, se tratam de pagamento de exportações. Assim sendo, entendo que o Recurso não trouxe evidências de que o contribuinte está concretamente amparado pela imunidade constitucional prevista no artigo 149, parágrafo 2o, inciso I, da CF/88. Finalmente, em relação á aplicação da multa qualificada, considerando que o fisco segregou e aplicou a multa agravada apenas quanto as receitas obtidas por meio da GIA/ICMS, fica evidenciado o intuito de deixar de levar ao conhecimento do fisco federal, posto que o mesmo não ocorreu em relação ao fisco estadual, que recebeu a informação. Diante de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É o meu voto. 1 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. 2 Julgado em 13.08.14. Publicado em 30.10.14. Decisão Unânime. Relator Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 16/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10283.005279/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE DE DIREITO DE CRÉDITO PELA AQUISIÇÂO DE BENS ISENTOS.
O Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus - ZFM (Tema 322; RE 592.891), mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo.
EMBARGOS. PROVIMENTO PARA SUPERAR OMISSÃO COM SIGNIFICADO DIVERSO DO PRETENDIDO PELA EMBARGANTE.
Admissível superar a omissão da decisão recorrida apontada pela embargante mesmo que com teor e entendimento divergentes da proposta nos embargos.
Numero da decisão: 3401-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos de Declaração.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE DE DIREITO DE CRÉDITO PELA AQUISIÇÂO DE BENS ISENTOS. O Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo. EMBARGOS. PROVIMENTO PARA SUPERAR OMISSÃO COM SIGNIFICADO DIVERSO DO PRETENDIDO PELA EMBARGANTE. Admissível superar a omissão da decisão recorrida apontada pela embargante mesmo que com teor e entendimento divergentes da proposta nos embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar os Embargos de Declaração. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 79 /2 00 7- 27 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata este de Embargos ingressado pela contribuinte que questiona o Acórdão cuja Ementa reproduzo a seguir: Processo: 10283.005279/200727 Recurso: Voluntário Acórdão: 3401002.757 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria: IPI Recorrente: Samsung Eletronica da Amazonia Ltda Recorrida: Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentas não garantem crédito de IPI, mormente quando a própria saída dos produtos industrializados também é isenta. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencidos os Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça e Adriana Ribeiro. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Flavio de As Munhoz, OAB 131441. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. A Embargante afirma haver omissão nessa decisão com relação aos termos da decisão do STF nos Embargos junto ao RE 566.819 e contradição pelo fato desta decisão do STF ser posterior e conflitante com as decisões no AgR no RE 561.676 e ED no RE 488.357 1/PR indicadas no acórdão recorrido, especificamente com relação à manutenção do entendimento do STF proferido no RE 212.484 para incentivo fiscal para a ZFM. Argumenta ainda a embargante que esse entendimento deve ser aplicado na esfera administrativa nos termos do art. 26A, parágrafo 6, inciso I do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 62, inciso I do RICARF. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 3401002.997 S3C4T1 Fl. 3 3 Em face destes elementos, a Embargante requer que fosse conhecido e providos os Embargos, para o fim de sanar a contradição e a omissão apontadas neste recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. O recurso foi considerado tempestivo e legítimo. Este processo se refere a pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados, cujos créditos seriam supostamente decorrentes de aquisições de insumos isentos, ocorridas no período de apuração de 01/04/2001 a 30/06/2001, totalizando R$ 11.867.797,93. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus indeferiu o pedido em face de que a requerente, pessoa jurídica industrial sediada na Zona Franca de Manaus e detentora de projeto aprovado pela SUFRAMA, adquire insumos a serem empregados em seu processo industrial, quer seja no mercado interno quer seja no externo, sem sujeição ao IP1, em virtude do gozo de isenção legal (Decretolei n.° 288, de 1967). A embargante alega que o entendimento definido pelo STF no RE 212.484, favorável à contribuinte na matéria em discussão, foi mantida no julgamento ocorrido em 08/08/2013 no RE 566.819, e ela traz trecho para comprovar: Cumpre esclarecer, que em sede de Embargos de Declaração opostos nos autos do RE 566.819 RS, julgados em 08/8/2013, ficou expressa a não alteração do entendimento firmado no RE 212.484. nestes termos: "Observem as balidas objetivas quer do processo que deu margem à interposição do recurso extraordinário julgado pelo Plenário, quer deste último. Em momento algum, versouse situação jurídica passível de ser tida como alcançada pelo artigo 11 da Lei n,ª 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que dispõe: O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendario, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota ~ero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei u" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Da mesma forma, não se fez em jogo a problemática alusiva a insumos originários da Zona Franca de Manaus. É conferir não só com as razões do Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 extraordinário como também com o acórdão relativo ao julgamento do mencionado recurso, mais precisamente com as notas taquigráficas. Ao prolatar o votovista, a Ministra Carmem Lúcia fez ver: [...] 24. Não desconheço que a ausência do crédito presumido implica agravamento da situação fiscal da ei/presa que adquire o insumo desonerado, pois houvesse recolhimento de imposto, e lhe seria possibilitada a compensação do crédito formado com o seu débito, resultante em diminuição deste. Mas a solução pela utilização do sistema de crédito na aquisição de insumo desonerado não decorre do princípio da uãocumulaíividade, o que não impede que a autoridade fiscal atenda a esse pleito em procedimento regulamentado por lei, na qual sejam consideradas, para a concessão da benesse fiscal, as peculiaridades atinentes a cada uma das espécies desoneralivas (isenção, nãotributação ou incidência à alíquota zero), como ocorreu, por exemplo, na edição da Lei u" 9.779/99. Tal benesse fiscal, contudo, pautarseia em ratões de política fiscal, e não no princípio da nãocumulalividade. 25. Quanto à alegação, feita na tribuna, de que a prevalência desse entendimento resultaria na recusa dos empresários em adquirir insumos da Zona Franca de Manaus, por exemplo, devese ter em conta que, considerada a prática empresarial, o preço de aquisição de um insinuo desonerado é, dependendo da margem de lucro pretendida, mais atraente do que aquele resultante de uma operação tributada. A eventual mitigação dessa vantagem para o adquirente, pela incorporação do custo de produção do insumo desonerado no seu produto, poderá ser objeto de consideração pela autoridade fiscal para, tendo em vista a essencialidade deste, reduzirlhe a alíquota de incidência do JPI. [...] Então, quando Sua Excelência terminou o voto, ressaltei: Presidente, apenas um esclarecimento, como relator. Estamos a examinar a isenção sob o critério objetivo. Não estamos a tratar de situações peculiares, muito menos em que haja norma prevendo o creditamento, no caso de isenção. A Ministra Carmen Lúcia admitiu: Exatamente, é o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa. Também voltei a esclarecer a espécie apôs o voto da Ministra Ellen Gracie: [...] Repito: Não estamos julgando situação diversa, em que exista norma prevendo o creditamento. E estreme de dúvidas que o Tribunal ressalvou o exame de controvérsia apanhada quer pela regência da Lei n" 9.779/99 artigo 11 quer por legislação especial, como é o caso da Zona Franca de Manaus. Provejo os embargos declaratórios para prestar esses esclarecimentos. Lembro, como jê^ o Estado do Amazonas, que a matéria ligada ã Zona Franca de Manaus está para ser julgada, em virtude da admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário n" 592.891/'SP, então sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e hoje aos cuidados da Ministra Rosa Weber." Ora, ao ler o trecho indicado pela recorrente, não logro encontrar o que propõe: que teria sido mantido aquele entendimento do RE 212.484; entretanto, a meu ver, ele esclarece que a matéria em discussão, quando vinculada à ZFM, está remetida a outro processo judicial, no caso o RE 592.891, para oportuna apreciação pelo STF, e que ela mereceu a benção da repercussão geral. S.m.j., consultando os registros das decisões do STF a respeito, chego a conclusão diversa da contribuinte. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 3401002.997 S3C4T1 Fl. 4 5 O Supremo Tribunal Federal, no RE 212.484, havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas, conforme revela a ementa do julgado que o recorrente cita: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. ISENÇÃO INCIDENTE SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3°, II) V quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Recurso não conhecido. (RE 212484, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 05/03/1998, DJ 27111998 PP 00022 EMENT VOL0193304 PP00725 RTJ VOL0016702 PP00698) Nos anos que se seguiram, ele chegou a ter o entendimento pelo reconhecimento do direito de crédito também às operações de aquisição sujeitas à alíquota zero, conforme podemos ver no seguinte julgado do STF: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. A isenção e a alíquota zero em um dos elos da cadeia produtiva desapareceriam quando da operação subseqüente, se não admitido o crédito. Recurso não conhecido. (RE 350446, Relator(a): Min. NELSON JOBIM, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2002, DJ 06062003 PP00032 EMENT VOL 0211304 PP00680) Mas esse entendimento foi posteriormente alterado pelo STF, passando a mesma Suprema Corte a decidir que não há direito de crédito em relação às aquisições sujeitas à alíquota zero ou não tributadas: EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. (RE 370682, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe165 DIVULG 18122007 PUBLIC 19122007 DJ19122007 PP00024 EMENT VOL0230403 PP00392) Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. (RE 370682 ED, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Pleno, julgado em 06/10/2010, DJe220 DIVULG 16112010 PUBLIC 17112010 EMENT VOL0243201 PP00015) O plenário do STF, no RE 566.819, definiu que não assistiria direito de crédito, em relação especificamente às aquisições isentas, no seguinte julgado: IPI CREDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI CREDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO DIFERENÇA INSUMO ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 566819, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010, DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 10022011 EMENT VOL0246102 PP00445) A meu sentir, neste julgamento, a Suprema Corte em sua nova composição de Ministros concluiu expressa e positivamente (1) pela superação do entendimento anteriormente firmado, (2) que deve haver o mesmo tratamento para as aquisições isentas, não tributadas e tributadas com alíquota zero, e, por fim, (2) que não haveria direito de crédito em nenhuma destas situações. Contudo, no julgamento dos embargos de declaração neste mesmo caso, o Ministro Marco Aurélio declarou a possibilidade de o STF vir a entender diversamente quanto à situação envolvendo a Zona Franca de Manaus: IPI CRÉDITO INSUMO ISENTO ABRANGÊNCIA. No julgamento deste recurso extraordinário, não se fez em jogo situação jurídica regida quer pela Lei n° 9.779/99 artigo 11 , quer por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Esta última matéria será apreciada pelo Plenário ante a admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário n° 592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber. (RE 566819 ED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/08/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe205 DIVULG 15 102013 PUBLIC 16102013) A Suprema Corte atribuiu Repercussão Geral especificamente quanto à questão jurídica da aquisição da Zona Franca de Manaus ZFM, o que foi classificado como Tema 322, vinculado ao RE 592.891, o qual ainda aguarda julgamento. O acórdão que reconheceu a existência da repercussão geral tem a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 592891 RG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 21/10/2010, DJe226 DIVULG 24112010 PUBLIC 25112010 EMENT VOL0243802 PP00339 ) No seu relatório o acórdão narra o seguinte: O Tribunal Regional Federal da 3* Região, ao dar provimento à Apelação em Mandado de Segurança n 1999.61.00.0144900, concluiu pela possibilidade de Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 3401002.997 S3C4T1 Fl. 5 7 aproveitamento dos créditos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, decorrentes da aquisição de insumos, matériaprima e material de embalagem, sob o regime de isenção, adquiridos na Zona Franca de Manaus, ante o princípio da não cumulatividade. Nesse sentido, assentou ter a isenção conferida a produtos oriundos de zonas de livre comércio a natureza de "incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior", o que viabiliza o direito ao creditamento. Proclamou ter a desoneração em tela objetivos de desenvolvimento regional e obtenção de preço final mais competitivo. Não admitir o creditamento na aquisição de insumos isentos acabaria por frustrar tais objetivos. (...) No extraordinário interposto com alegada base na alínea "a" do permissivo constitucional a União articula com a ofensa aos artigos 43, § 1°, inciso II, e § 2o, inciso III, e 153, § 3o, inciso II, da Carta Federal. Assevera não se mostrar possível o creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados, ou sujeitos à alíquota zero. Nesse sentido, alude ao voto proferido por Vossa Excelência no julgamento do Recurso Extraordinário n° 353.657/PR. Salienta que a previsão constitucional, no tocante a incentivos regionais, depende de lei, não podendo ser apontada do Diploma Maior, como fundamento para viabilizar o creditamento em tela. Portanto, não se confirma o núcleo da alegação da recorrente, de que o entendimento dado pelo RE 212.484 teria sido preservado pelas decisões posteriores do STF e que ele deveria ser aplicado à luz do art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto n. 70.235, de 1972. Mas, pareceme necessário superarmos omissão diversa da apontada pela embargante, qual seja: no sentido de esclarecer, no acórdão recorrido, que o STF, na apreciação dos Embargos ao RE 566.819 em 08/08/2013, decidiu que não há direito de crédito pela aquisição de produtos isentos, revendo a posição do RE 212.484; e que reconheceu que essa matéria para a ZFM está aguardando apreciação em outro processo judicial. Neste âmbito e dentro desses limites é que proponho acrescentar esse ponto e entendimento ao acórdão recorrido. À consideração deste colegiado. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10735.000893/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/04/2003
OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada as aduzidas contradição ou omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Ademais, embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, sendo ainda inadmissível sua interposição para questionamento de direito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Acompanhou o julgamento o Advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/04/2003 OMISSÃO, DÚVIDA OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada as aduzidas contradição ou omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Ademais, embargos de declaração não se revestem em via adequada para rediscutir o direito, sendo ainda inadmissível sua interposição para questionamento de direito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 08 93 /2 00 3- 11 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 319 2 Acompanhou o julgamento o Advogado Pietro Lemos Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. Relatório Em sessão transcorrida em 18 de março de 2015, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802004.235, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2003 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE NORMATIVA QUE TRATA DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A homologação tácita a que alude o § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 diz respeito unicamente aos casos em que a compensação pleiteada pode ser admitida como declaração de compensação, não alcançando os pleitos de compensação de créditos com débitos de terceiros, já que o caput do citado artigo 74, a partir da alteração trazida pela Medida Provisória nº 66/2002, se restringe à compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 04/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO POR MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DIREITO AMPARADO PELA COISA JULGADA. Realidade em que, por força de provimentos jurisdicionais, foi autorizada a utilização de créditos presumidos do IPI exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, inclusive com a possibilidade de transferência de aludido direito para terceiros. Amparada judicialmente, portanto, a compensação de débito do IPI em nome da recorrente com crédito do mesmo imposto reconhecido em favor de terceiro, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02, já que o direito anteriormente reconhecido está amparado pela coisa julgada. Recurso ao qual se dá parcial provimento. (grifouse) Na ocasião, a Turma julgadora, depois de rejeitar a alegação do sujeito passivo em defesa da homologação tácita da compensação, reconheceu "o direito de a recorrente compensar o débito do IPI discriminado às fls. 02 com créditos do mesmo imposto Fl. 846DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 320 3 reconhecidos judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação dos débitos a compensar". Especificamente no que concerne a essa parte do dispositivo, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração onde aduz o seguinte: O r. acórdão deu provimento ao recurso voluntário para “reconhecer o direito de a recorrente compensar o débito do IPI discriminado às fls. 02 com créditos do mesmo imposto reconhecidos judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação dos débitos a compensar.” Contudo, a Embargante se ressente de muitas dúvidas a respeito da execução do provimento. Por primeiro, o pedido de compensação invoca o crédito pleiteado no processo nº 13746.000533/200117. Diz a Inicial, verbis: “O crédito transferido originário em processo judicial transitado em julgado, está devidamente requerido administrativamente, nos termos do processo administrativo n° 13746.000533/200117 de vossa jurisdição e em seu poder;” Assim, smj, o presente feito se vincula à decisão proferida no processo nº 13746.000533/200117. Consultando o andamento processual daquele feito se verifica que o Fisco não se pronunciou em definitivo sobre o crédito pleiteado. Por conseguinte, incabível acolher qualquer pretensão neste feito antes da decisão definitiva no processo nº 13746.000533/200117. A Fazenda Nacional alicerça seu pedido com fundamento em julgados de outras turmas onde, em casos semelhantes, ou seja, em que o crédito a ser utilizado é oriundo de outro processo, aludidos colegiados decidiram por sustar o julgamento até que a decisão do processo principal tivesse sido proferida. Aduz ainda a Fazenda Nacional que o acórdão embargado teria adotado "silogismo fundado nas premissas de que a Nitriflex teve reconhecido o crédito de IPI, bem como o direito de transferir créditos para terceiro, para, ao fim, concluir ter a Embargada o direito de se favorecer dos créditos de IPI da Nitriflex, verbis:" "Apresentados os fatos relevantes para a análise do litígio, podese afirmar o seguinte: a) que foi reconhecido judicialmente, em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (Mandado de Segurança n° 98.00166580), o direito de a mesma "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial" (grifei); b) também em função de decisão judicial, que aludido direito creditório poderia ser transferido para terceiros, sendo afastada, portanto, restrição nesse sentido objeto da IN SRF nº Fl. 847DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 321 4 41/00 (Mandado de Segurança n 2001.02.01.0352326 TRF 2ª Região, processo originário nº 2001.51.10.0010250).” E ressalta a Fazenda Nacional que as premissas não seriam válidas para se chegar à conclusão acolhida pelo aresto. Confirase: Nesse sentido cabe consignar que no mandado de segurança n° 98.00166580 a Nitriflex não teve reconhecido o direito a repetir qualquer indébito, mas sim de se creditar no Livro de IPI. Por conseguinte, caberia tãosomente a Nitriflex proceder as compensações no seu Livro de IPI dos referidos créditos. A jurisprudência pacífica do e. STJ, em sede de recurso especial repetitivo, corrobora nosso entendimento [...] Cita jurisprudência do STJ que, conforme entende, alicerça seu entendimento. Ressalta ainda que, no acórdão, "o dogma da 'coisa julgada' teria o condão de afastar a discussão de mérito sobre a matéria". Porém, aduz a que "a discussão não é simples como pondera o r. acórdão, pois a doutrina e a jurisprudência hodiernas relativizam a coisa julgada". Reproduz julgados do STJ e do CARF para subsidiar sua tese. Diante do exposto, e dada a aduzida necessidade de saneamento de supostas dúvida, contradição e omissão, requer sejam dados efeitos infringentes aos presentes embargos para negar provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Inicio o exame dos embargos opostos pela Fazenda Pública em relação ao seu argumento final, concernente à questão de que o acórdão embargado teria adotado "silogismo fundado nas premissas de que a Nitriflex teve reconhecido o crédito de IPI, bem como o direito de transferir créditos para terceiro, para, ao fim, concluir ter a Embargada o direito de se favorecer dos créditos de IPI da Nitriflex". Ressalta a d. Procuradoria que teriam sido admitidas premissas equivocadas, eis que "no mandado de segurança n° 98.00166580 a Nitriflex não teve reconhecido o direito a repetir qualquer indébito, mas sim de se creditar no Livro de IPI". Assim, entende que "caberia tãosomente à Nitriflex proceder as compensações no seu Livro de IPI dos referidos créditos", questão que estaria em consonância com a jurisprudência que referencia. Antes de me dirigir especificamente aos argumentos da PGFN, reproduzo, abaixo, a parte do voto condutor do acórdão embargado que analisou a amplitude das ações judiciais que alicerçaram o crédito reclamado pelo sujeito passivo: Do direito decorrente dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio Conforme relatado, vêse que a lide diz respeito a pedido de compensação de créditos da empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio Fl. 848DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 322 5 (conforme requerimento de fls. 01) em favor da recorrente, a pessoa jurídica Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos (nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), créditos esses reconhecidos judicialmente em favor da Nitriflex S.A., a qual, por força da aludida decisão, estaria autorizada a transferilos para terceiros. Às fls. 02 foi anexado o formulário de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, onde a empresa Nitriflex S.A. Indústria e Comércio figura como contribuinte detentor do crédito e a pessoa jurídica Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane a ora recorrente (hoje Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos) aparece como contribuinte devedor, ou seja, o beneficiário da compensação. O débito apontado no pedido de compensação diz respeito ao IPI (código 1097) do mês de março de 2003. Examino, primeiramente, a situação da Reclamação nº 9.790, formalizada junto ao STF pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Conforme relatado vêse que o STF havia determinado liminarmente a "suspensão da Ação Rescisória n. 2003.02.01.0056758, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, até a decisão final desta Reclamação". De acordo com o extrato de consulta fornecido pelo sítio do STF1, aludida ação transitou em julgado em 25/10/2012. O acórdão correspondente foi publicado no DJE de 27/09/2012, constando da referida consulta decisão no seguinte sentido: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, julgou procedente a reclamação, contra o voto do Presidente, Ministro Cezar Peluso. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falou pela reclamante o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace. Plenário, 28.03.2012. Não foi possível obter no sítio do STF o inteiro teor do acórdão em tela. Não obstante, diante da informação acima colacionada, não há razão para se cogitar de eventual rescisão do provimento jurisdicional em favor do reconhecimento do crédito que subsidia a compensação objeto dos autos. Vale ressaltar que consta dos autos informação de que, por força da Ação Rescisória nº 2198, ajuizada pela Fazenda Pública visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança nº 98.00166580, teria havido mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que, segundo informado, fora reduzido de 10 (dez) para 5 (cinco) anos. Não obstante, eventual provimento nesse sentido terá reflexo unicamente quando da execução das decisões favoráveis ao sujeito passivo, já que a matéria relativa ao direito em si foi preservada. Quanto aos provimentos favoráveis ao sujeito passivo há que se fazer algumas considerações. De acordo com a cópia do acórdão da Terceira Turma do TRF da 2ª Região na apelação em mandado de segurança nº 024199/RJ (processo nº 98.02.497398, processo originário nº 98.00166580), acostada às fls. 52/55 do processo nº 10735.000001/9918 (fls. 61/64 da cópia digitalizada do e 1 http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=3824716 (consulta realizada em 05/03/2015, às 20:01) Fl. 849DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 323 6 processo), em nome da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, foi reconhecido judicialmente o direito de a impetrante "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial". A decisão em tela foi fundamentada na não cumulatividade do IPI objeto do artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal. O acórdão em evidência foi assim ementado: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃOCUMULATIVIDADE (ART. 153, § 3º, II, C.F.; DECR. Nº 97.410/88) 1. O art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, dispõe sobre a não cumulatividade do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), determinando a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. 2. O Decreto nº 97.410/88, que estabelece o privilégio da isenção, ou mesmo incidência de alíquota zero em crédito do IPI, tem como propósito impedir o acúmulo de carga tributária, abatendo o tributo presumidamente devido em cada fase de industrialização, com o seu valor final. 3. Direito líquido e certo da empresa em compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher ao final do processo industrial. 4. Apelação improvida. (grifo nosso) Consta do processo administrativo nº 13736.000533/200117 (também em nome da Nitriflex S.A. Indústria e Comércio) a petição inicial no Mandado de Segurança nº 2001.51100010250, em que a impetrante, fundada no aludido crédito reconhecido no processo judicial nº 98.02.497398 (processo originário nº 98.00166580), pleiteia o direito de transferir tais créditos para terceiros, "sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07/04/00" (v. fls. 168/177 do citado processo administrativo; fls. 176/185 da cópia digitalizada anexa ao e processo). No julgamento dos embargos de declaração de embargos de declaração objeto do mandado de segurança nº 2001.02.01.0352326 (fls. 178/191 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 186/199 do eprocesso) processo originário nº 2001.51.10.0010250 , o TRF da 2ª Região deu provimento ao recurso da impetrante para invalidar "[...] o ato administrativo fundado na limitação normativa da Secretaria da Receita Federal de nº 41/00 à compensação de créditos da Impetrante reconhecido (sic) às fls. 63, com débitos de terceiros". O mesmo Tribunal não admitiu o recurso especial interposto pela União Federal (fls. 192/193 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 200/201 do eprocesso), tendo a decisão em tela transitado em julgado em 12/09/2003 (conf. fls. 197 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 205 do eprocesso). Com efeito, extraise do voto i. Desembargador Federal Rogério Carvalho na apelação no Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 (ver fls. 204/206 do processo administrativo nº 13746.000533/200117; fls. 212/214 do eprocesso): Em suas razões de apelo, a Embargante pediu expressamente para esta E. Câmara conceder a segurança, para reconhecer o direito líquido e certo de compensar o crédito de IPI reconhecido na ação nº 98.00166580, com débitos de terceiros não optantes pelo REFIS, afastada a limitação Fl. 850DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 324 7 imposta pela IN SRF 41/00, direito este já reconhecido por este E. Tribunal, por ocasião da análise do efeito suspensivo ativo proferido no Agravo de Instrumento nº 76961 (Proc. nº 2001.02.01.0166075): "Trata se de decidir a sorte deste requerimento, reiterado, às fls. 68/71, de efeito suspensivo ativo, deferindo medida liminar, em mandado de segurança, "para que seja assegurado o direito líquido e certo da impetrante de transferir o citado crédito para terceiros, ainda que não optantes pelo REFIS, sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 07.04.00" (fls. 26). [...]. Justificase o provimento do recurso de apelação diante da irretroatividade da Instrução Normativa, para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que garantem o pleno direito da Embargante de compensar seu crédito (art. 170 do CTN, arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentado pela IN/SRF nº 21/97) [...]. ISTO POSTO: Dou provimento ao recurso, para sanando omissão do v. acórdão de fls. 180, declarar que o efetivo aprimoramento da prestação jurisdicional, no caso, implica em aplicação da regra, de conteúdo interpretativo, constante do parágrafo 3º do art. 515 do CPC, e, em consequência, atribuindo efeitos modificativos ao v. acórdão de fls. 154, dou integral provimento ao apelo invalidando a limitação prevista na IN SRF 41/00, à compensação de créditos da Impetrante reconhecido às fls. 63, com débitos de terceiros. (os grifos não constam do original) Cumpre destacar que, nos termos das novas alegações apresentadas pela interessada nos autos do processo administrativo nº 13746.000260/200364 também de minha relatoria e que trago a julgamento na presente sessão , em resposta à sua petição nos autos do processo judicial nº 2001.51.10.0010250, em que a mesma alega descumprimento da ordem judicial e desobediência à coisa julgada, decidiu a MM. Juíza Titular da 1ª Vara de Execução Fiscal de São João de Meriti, Vellêda Bivar Soares Dias Neta, em 25/03/2014, no seguinte sentido (v. fls. 804 do processo administrativo nº 13746.000260/200364): Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação nº 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante. (o grifo em sublinhado não consta do original) Apresentados os fatos relevantes para a análise do litígio, podese afirmar o seguinte: a) que foi reconhecido judicialmente, em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio (Mandado de Segurança n° 98.0016658 0), o direito de a mesma "compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher no final do processo industrial" (grifei); b) também em função de decisão judicial, que aludido direito creditório poderia ser transferido para terceiros, sendo afastada, portanto, restrição Fl. 851DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 325 8 nesse sentido objeto da IN SRF nº 41/00 (Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326 TRF 2ª Região , processo originário nº 2001.51.10.0010250). É evidente, pois, que por força dos provimentos jurisdicionais em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio foi reconhecido direito creditório a título do IPI (crédito presumido), o qual poderá ser utilizado exclusivamente para a compensação com o IPI devido no final do processo industrial, seja da própria empresa, seja de empresas terceiras para onde o crédito poderá ser transferido. Entendo, ainda, que tal crédito poderá ser utilizado até o seu completo exaurimento, não se aplicando ao caso a restrição de que trata a nova regra contida no artigo 74 da Lei n° 9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637/02. E digo isso em respeito ao direito adquirido e à coisa julgada. O débito apontado no pedido de compensação, em nome da recorrente (Eliane S/A Revestimentos Cerâmicos nova denominação de Maximiliano Gaidzinsk S/A Indústria de Azulejos Eliane), diz respeito ao IPI (código de receita 1097) do mês de março de 2003. Possível, portanto, a liquidação de aludido débito do IPI por compensação com os créditos do mesmo imposto reconhecidos em favor da pessoa jurídica Nitriflex S.A. Indústria e Comércio, já que os provimentos jurisdicionais acima referenciados garantem direito nesse sentido. Resta à unidade de origem, porém, na execução da presente decisão, verificar se os créditos judiciais reconhecidos em favor da Nitriflex são suficientes para a liquidação dos débitos compensados. No que tange ao direito, contudo, entendo que o recurso deverá ser provido nessa parte, nos termos das razões acima elencadas. (todos os grifos e destaques constam do original) Como se vê, o colegiado recorrido analisou detalhadamente a amplitude dos provimentos jurisdicionais transitados em julgado em favor do sujeito passivo. As "premissas" de que a " Nitriflex teve reconhecido o crédito de IPI, bem como o direito de transferir créditos para terceiro" são absolutamente verdadeiras. Os provimentos jurisdicionais estão todos reproduzidos no voto, que, nessa parte, foi acompanhado à unanimidade pelo colegiado recorrido. Todas as decisões são referenciadas nos correspondentes processos que contém as peças judiciais. Com a devida vênia, não cabe aqui, ainda que se tratasse de recurso voluntário, muito menos no âmbito dos presentes embargos de declaração, rediscutir direito que foi garantido pelo Poder Judiciário em provimento transitado em julgado. De fato, é irrelevante trazer à discussão jurisprudência onde é vedada a cessão de crédito prêmio de IPI para terceiros, ou ainda, afirmar que "[...] o próprio mérito do provimento no mandado de segurança nº 98.00166580 é por demais questionável, haja vista que o e. STJ, em sede de recurso especial com repetitivo, decidiu em sentido contrário aquele mandamus [...]". Esses argumentos eram cabíveis apenas no âmbito das ações judiciais que discutiram a questão. Se o Poder Judiciário adotou entendimento alegadamente equivocado, paciência. As lides transitaram em julgado. A ação rescisória não modificou significativamente o direito. Logo, não há mais nada a fazer senão cumprir as decisões. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 326 9 A Fazenda chega a propor em seus embargos a relativização da coisa julgada: No ver do r. acórdão, porém, o dogma da 'coisa julgada' teria o condão de afastar a discussão de mérito sobre a matéria. A discussão não é simples como pondera o r. acórdão, pois a doutrina e a jurisprudência hodiernas relativizam a coisa julgada. Questão que, inclusive é objeto de recurso extraordinário com repercussão geral [...] O argumento em tela, ao propor a relativização da coisa julgada, se presta, indiretamente, para demonstrar que a Fazenda Nacional concorda que há provimentos jurisdicionais transitados em julgado que reconhecem direito em favor do sujeito passivo. Só isso bastaria para demonstrar a inexistência de omissões, contradições ou dúvidas no acórdão. Especialmente em relação à aduzida relativização da coisa julgada penso que tal discussão não merece acolhida neste âmbito de julgamento administrativo do contencioso tributário, ainda mais em sede de embargos declaratórios. Simplesmente pela necessidade de se respeitar a jurisdição. Por fim, a embargante se ressente de dúvidas pelo fato de o acórdão não se reportar ao montante do crédito, eis que reconheceu, em tese, o direito de "[...] compensar o débito do IPI discriminado às fls. 02 com créditos do mesmo imposto reconhecidos judicialmente em favor da pessoa jurídica Nitriflex S/A Indústria e Comércio, devendo a unidade de origem, na execução do acórdão, observar se os créditos judiciais em tela são suficientes para a liquidação dos débitos a compensar". Nesse ponto penso que também não devem ser acolhidos os embargos, eis que a decisão é clara quando estabelece um limite a ser aferido quando da execução do acórdão. Em outras palavras, foi dito que o direito existe, mas deixouse a apuração do montante para a fase de execução administrativa, quando isso será feito tendo a Administração Pública, em mãos, todos os processos de compensação da interessada. Tal prática foi adotada pelo colegiado julgador por entender que tal forma de proceder, que não traz prejuízo para nenhuma das partes, seria mais prática em vista da existência de vários processos envolvendo os mesmos créditos fundados nas ações judiciais reportadas. Quanto ao fato de o processo administrativo nº 13746.000533/200117 não ter transitado em julgado, cumpre destacar que o mesmo foi apenso ao de nº 10735.000001/9918 de onde também foram obtidas as peças judiciais referenciadas no acórdão vergastado. É neste que está a decisão que garante, limitadamente, o direito à compensação de créditos com débitos de terceiros, como ressaltado no voto condutor da decisão recorrida, conforme trecho que novamente reproduzo: Cumpre destacar que, nos termos das novas alegações apresentadas pela interessada nos autos do processo administrativo nº 13746.000260/200364 também de minha relatoria e que trago a julgamento na presente sessão , em resposta à sua petição nos autos do processo judicial nº 2001.51.10.0010250, em que a mesma alega descumprimento da ordem judicial e desobediência à coisa julgada, decidiu a MM. Juíza Titular da 1ª Vara de Execução Fiscal de São João de Meriti, Vellêda Bivar Soares Dias Neta, em 25/03/2014, no seguinte sentido (v. fls. 804 do processo administrativo nº 13746.000260/200364): Fl. 853DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10735.000893/200311 Acórdão n.º 3301002.887 S3C3T1 Fl. 327 10 Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação nº 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante. Como se vê, os processos administrativos citados pela d. Procuradoria foram utilizados apenas como fonte das peças judiciais analisadas para se dimensionar o direito. Todo o crédito tem por base decisões judiciais. Nada foi reconhecido na via administrativa. Além disso, todas essas questões atinentes à amplitude do direito reconhecido judicialmente estão postos e analisados claramente no acórdão, cujo dispositivo também não padece de nenhuma dúvida quanto ao seu cumprimento, razão pela qual não há fundamentos que alicercem sejam acolhidos os presentes embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de dúvida, omissão ou contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 16 de março de 2016. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 854DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/ 03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13637.000596/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO 11%.
A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE SAÚDE PÚBLICA DR. ANTÔNIO BENEDITO DE ARAÚJO DEMASP (AUTARQUIA MUNICIPAL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO 11%. A empresa, como contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, fica obrigada a reter e recolher onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 05 96 /2 00 8- 79 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra ou empreitada de mão de obra, contendo parcelas não retidas pela empresa, para as competências 01/2003 a 12/2003. O Relatório Fiscal (fls. 21/25) informa que os valores apurados decorrem da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, e teve como base essencial a análise das disposições contratuais, e subsidiariamente a planilha elaborada pela empresa, onde estão listados os contratos celebrados com terceiros, a descrição dos serviços prestados e o período de vigência, nos seguintes termos: “[...] 2 Embora o Auto de Infração esteja sendo lavrado em nome do tomador dos serviços, o valor deverá ser recolhida em nome do prestador, conforme determina a lei, mesmo não havendo a regular retenção. A empresa prestadora RESGATE MEDIC CALL TEAM ENSINO E TREINAMENTO LTDA, CNPJ 04. 736. 928/000190, ao emitir a Nota fiscal não destacou o valor a ser retido e não sofreu a retenção dos valores pelo tomador. Diante desse descumprimento por parte do tomador, de reter e recolher o valor da retenção devida, está sendo lavrado em seu nome o presente Auto de Infração. 3 A Lei n” 8.212, de 1991, já com a nova redação do art. 31 alterada pela Lei n° 9. 711, de 1998, que estabeleceu a retenção, dispõe: (...) [...]” (Relatório Fiscal, fls. 21/25) A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/06/2008 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 64/155), alegando, em síntese, que: “[..] Não registramos argumentos no Relatório de Lançamento do AI 37.115.1180. O DEMASP iniciou o Processo Administrativo sob o n” 066/2002 visando contratar um prestador de serviços de resgate de vítimas, o fazendo através de Dispensa de Licitação com base no art. 24, inciso IV da lei 8. 666/93. Firmaram então o Contrato 132/2002 com vigência através de Aditivos, frisando que seria ate' que implantasse o SAMU em nosso município, instituído pela Portaria 1863/2003 GM e 1864/2003. Através desse Contrato, o DEMASP repassava o valor de R$28 000,00 pela execução do objeto contratual, que seria basicamente mãodeobra e seus encargos, complementando o DEMASP, além desse montante, as despesas de combustíveis para abastecimento das ambulâncias do Contratado (Resgate Medic Team), medicação de urgência e emergência, material Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13637.000596/200879 Acórdão n.º 2402004.757 S2C4T2 Fl. 3 3 consumo conforme Portaria 814/GM/2001 e pagamento de água e luz do local utilizado para as ambulâncias. Ocorre que pela má fé da CONTRATADA, não estava cumprindo com suas obrigações contratuais, e seus funcionários não estavam recebendo por seus serviços prestados ao Resgate, tendo o DEMASP que interromper o contrato. Vários funcionários entraram na Justiça Trabalhista contra os sócios dessa referida empresa, e contra o DEA/LASP vindo a Justiça a condenar aos reclamados de forma solidária a cumprirem com as obrigações trabalhistas e previdenciárias, e responsabilizar de forma subsidiária o DEMASP. Ficou a cargo dos sócios, reclamados as obrigações previdenciárias. [...]” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0921.093 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 157/164) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Insurgese sobre a retenção das contribuições sociais previdenciárias, referente à obrigação da Recorrente de reter 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. A Recorrente afirma que não pode responder por débitos cujos fatos geradores decorreram de atividades realizadas pela contratada (empresa RESGATE MEDIC CALL TEAM), bem como não houve a caracterização da cessão de mão de obra pelo Fisco, e, com isso, entende que é imperiosa a anulação do presente lançamento. Com relação à alegação de que o fato gerador somente ocorreu na empresa contratada, entendese que tal fato não influência no lançamento fiscal, eis que a configuração da empresa prevista no art. 15 da Lei 8.212/1991 abrange as entidades da administração pública indireta, que é o caso da Recorrente (autarquia municipal), sendo que a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária lançada é da pessoa jurídica, enquadrada como tomadora dos serviços prestados pela contratada e, isso, sujeitase à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra. Logo, essa alegação da Recorrente não será acatada. Lei 8.212/1991: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com relação à caracterização da cessão de mão de obra, tal fato está materializado nos próprios contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e a empresa contratada (Resgate Medic Call Team Ensino e Treinamento Ltda, CNPJ 04. 736. 928/000190), esta prestadora de serviços de socorro de vítimas humanas, nas margens das rodovias federais BR 040, entre Conselheiro Lafaiete e Santos Dumont, e BR 265, entre Barbacena e Barroso, em área da Policia Rodoviária Federal de Barbacena, bem como em todo o perímetro urbano de Barbacena. Os serviços contratados destinavamse à remoção de vitimas humanas no local do acidente e transporte até o hospital e incluíam ainda qualquer tipo de Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13637.000596/200879 Acórdão n.º 2402004.757 S2C4T2 Fl. 4 5 ocorrência que colocasse em risco a vida da população em geral. no perímetro urbano de Barbacena. Os serviços deveriam ser prestados em todos os dias da semana, durante 24 horas por dia. Noutro giro, a cessão de mão de obra está nitidamente configurada nos seguintes termos (Relatório Fiscal, fls. 21/25): “[...] III DO LANÇAMENTO 1 Constituem fatos geradores do presente debito a contratação PELA TOMADORA dos serviços prestados pela empresa RESCATE MEDIC CALL TEAM ENSINO E TREINAMENTO LTDA., envolvendo o socorro de vitimas humanas, nas margens das rodovias federais BR 040, entre Conselheiro Lafaiete e Santos Dumont, e BR 265,entre Barbacena e Barroso, em área de jurisdição da Policia Rodoviária Federal de Barbacena, bem como em todo o perímetro urbano de Barbacena. Os serviços ora contratados destinase a remoção de vitimas humanas no local do acidente até o hospital. São ainda objeto do contrato qualquer tipo de ocorrência que coloque em risco a vida da população em geral, no perímetro urbano de Barbacena. Os sen/iços serão prestados em todos os dias úteis ou feriados, 24 horas por dia. (fl. 23) [...]” Verificase ainda que as pessoas físicas que prestaram serviços à Recorrente possuem vínculo com a contratada, e não com a contratante (Recorrente). Ficou evidenciado nos autos que a contratada colocava os trabalhadores à disposição da contratante e os serviços eram prestados de forma contínua. Isso está consubstanciado nos itens I e III, com seus subitens, do Relatório Fiscal (fls. 21/25), bem como nas notas fiscais e nos contratos de prestação de serviços firmados entre a Recorrente e a empresa contratada (Resgate Medic Call Team Ensino e Treinamento Ltda, CNPJ 04. 736. 928/000190). Nesse mesmo sentido, o art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991 define o que seja cessão de mãodeobra para os fins da legislação previdenciária, exigindo serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, que o foi o caso do presente processo. Lei 8.212/1991: Art. 31. (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Portanto, restou configurada a prestação de serviços com cessão de mãode obra e a obrigação da empresa autuada de reter e recolher o valor retido em nome das empresas cedentes de mãodeobra, em observância ao ditame legal. Por sua vez, a regra do art. 31 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.711/1998, obriga diretamente o contratante dos serviços (tomadora de serviços, Recorrente) a efetuar a retenção. Lei 8.212/1991: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância devida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente de mãodeobra, observado o disposto no parágrafo 5º do art. 33. § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei no 9.711, de 211/11/98) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.( Redação dada peta Lei n° 9.711, de20/11/98) Nesse sentido, após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o cedente de serviços mediante cessão de mão deobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Assim, a tomadora (Recorrente) está obrigada a tal procedimento, independente do fato de a cedente de mãodeobra ter efetuado ou não o recolhimento das contribuições. E, o Fisco, ao constatar a prestação de serviço executados mediante cessão de mão de obra, lavrou corretamente os valores lançados da retenção no presente auto de infração. Nesse caminhar, deixo consignado que o simples fato de haver a prestação de serviços executados por meio de cessão mão de obra, isso já obriga a Recorrente a recolher os valores de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços, em observância ao disposto no § 5º do art. 33 da Lei 8.212/1991. Esse entendimento decorre do fato de que a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição previdenciária retida na fonte, incidente sobre a mão de obra utilizada na prestação de serviços contratados nos termos do art. 31, § 3º, da Lei 8.212/1991, é exclusiva do tomador de serviço (Recorrente), não havendo falar em responsabilidade supletiva da empresa cedente (STJ, REsp. 1131047MA, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 24/11/2010 – informativo 457/2010). Lei 8.212/1991: Art. 33. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.(g.n.) Com isso, se a obrigação legal é descumprida somente o tomador de serviço (Recorrente) será responsável exclusivo pelos valores devidos, em razão da presunção de Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13637.000596/200879 Acórdão n.º 2402004.757 S2C4T2 Fl. 5 7 recolhimento, prevista no art. 33, § 5º, da Lei 8.212/1991, ao qual remete o próprio art. 31 da mesma Lei. Dessa forma, não há razão nos argumentos da Recorrente retromencionados. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000135/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1202-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Geraldo Valentim Neto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Carlos Mozart Barreto Vianna.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Carlos Mozart Barreto Vianna. Relatório Trata o processo de lançamentos formalizados em Autos de Infração do IRPJ e seus reflexos na CSLL, no PIS, na Cofins e no INSS, apurados pela sistemática do Simples, relativo ao anocalendário de 2004, com a aplicação da multa de ofício de 75%, mais o percentual agravado em 50%, totalizando 112,50%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .0 00 13 5/ 20 08 -0 3 Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1202000.203 S1C2T2 Fl. 1.171 2 De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 09 a 13, foi apurada a presunção da omissão de receitas pela existência de depósitos bancários, em nome da autuada, sem origem comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Os extratos bancários foram obtidos mediante Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, enviadas aos Bancos do Brasil, HSBC, Unibanco e Rural, conforme relatado em trecho do Termo de Verificação Fiscal, que abaixo se reproduz, fls. 10 e 14: “Diante a atitude omissiva do contribuinte, esta equipe de fiscalização solicitou às instituições financeiras, através de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, os extratos bancários de movimentação de contacorrente do contribuinte fiscalizado.” A seguir, por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo em parte, o Relatório do Acórdão nº 0928.220 da DRJ/Juiz de Fora, de fls. 552 a 557, o qual passo a adotar: “Decorreram os citados lançamentos de fiscalização relativa à contribuinte, quando, segundo as correspondentes Descrições dos Fatos e Enquadramento Legal, foram constatadas as seguintes infrações: • OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, ..., parte integrante deste Auto de Infração; • INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido, decorrente da omissão de receitas apurada, tendo em vista a aplicação de uma alíquota maior ocasionada pela apuração de uma base de cálculo maior do Simples, decorrente da omissão de Receitas relativa a depósitos bancários de origem não justificada. A interessada apresenta as Impugnações, nas quais assim intitula os tópicos: III — Das razões de improcedência do lançamento fiscal: Preliminarmente: da violação ao sigilo bancário. Procedimento inconstitucional. Vício Insanável. Cancelamento da Autuação Fiscal. III.I Da existência de lançamento em duplicidade. Necessidade de exclusão de parcelas consideradas no cômputo fiscal. (Assim, a título exemplificativo, temse que se um cheque de R$500,00 é depositado em 18102/2008, inicialmente é lançado um valor (crédito) de R$500,00 bloqueado, decorrido o prazo para verificação é efetivado novo movimento (crédito) relativo ao desbloqueio. Vêse claramente, que não embora haja lançamento duplo de movimentos, o crédito é de R$500,00 e não R$1.000,00) Da utilização do percentual incorreto para a incidência do tributo devido no período de 03 a 1212004. Necessária aplicação da legislação vigente á época da ocorrência do fato gerador. Da inexistência de rendimentos. Receitas Transitórias. Parceria Bancos — CDC e Leasing. Custódia de Cheques. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1202000.203 S1C2T2 Fl. 1.172 3 (Tal fato pode ser comprovado por prova pericial e pela juntada dos contratos e/ou declarações firmadas pelas competentes instituições financeiras, os quais, desde já, ressaltase, foram solicitados, mas ainda não apresentados— vide documentos anexos, pelo que será requisitada diligência fiscal) Da impossibilidade de aplicação da multa isolada. Da aplicação da Selic como juros de mora. Em data posterior apresenta outros arrazoados nos quais informa, entre outros aspectos, que diligenciou perante às instituições financeiras para as quais prestava serviços — intermediação em financiamentos, a fim de que fossem apresentados os contratos que comprovassem a veracidade dos fatos alegados, isto é, apenas parte dos valores que transitaram em suas contas (comissões) constitui renda/acréscimo patrimonial ou faturamento. Acrescenta que somente o Banco ABN AMRO enviou o referido contrato, reiterando ainda o pedido de diligência fiscal para que se oficie as outras instituições financeiras que cita. É o relatório.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0928.220 da DRJ/Juiz de Fora, de fls. 552 a 557, julgando improcedente a impugnação e mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n.° 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, no caso PIS, CSLL, Cofins, e Contribuição para Seguridade Social INSS, quanto à mesma matéria fática. PEDIDOS DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1202000.203 S1C2T2 Fl. 1.173 4 Considerase não formulado pedido de perícia e de diligência, quando não atendidos os requisitos exigidos em lei. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instancia administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Na falta de novos fatos ou argumentos que possam alterar os lançamentos reflexos do IRPJ, em face de possuírem o mesmo suporte fático, aplicase a esses o já decidido em relação ao lançamento matriz. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a interessada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário a este colegiado, de fls. 573 a 583, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Deixa, entretanto, de contestar a licitude da quebra do sigilo bancário. Ao final, solicita: que sejam excluídos do crédito tributário os financiamentos obtidos junto aos parceiros, as transferências da conta 1.5903 do Banco do Brasil S/A, os descontos de cheques recebidos de clientes, os recursos movimentados no Unibanco e HSBC de titularidade do Sr. Carlos Maurício da Silva e os depósitos estornados (item 3.2), que seja reduzida a multa aplicada sobre o saldo remanescente ao patamar de 75% (item 3.1). É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência do IRPJ e demais tributos pela sistemática do Simples, face a ocorrência da presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430, de 1996) ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da empresa, sem comprovação de origem. Os Bancos do Brasil, HSBC, Unibanco e Rural foram instados a apresentar os extratos com a movimentação financeira bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do art. 6° da Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1202000.203 S1C2T2 Fl. 1.174 5 Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 2001, fls. 16 a 20. Em que pese existir autorização legal para a requisição desses extratos bancários, pelo fisco, diretamente às instituições financeiras, discutese atualmente no Supremo Tribunal FederalSTF a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, matéria examinada em sede do Recurso ExtraordinárioRE 601314, o qual teve sua “repercussão geral” reconhecida em 23/10/2009. Consulta efetuada no sítio do STF na internet, revela que o processo ainda aguarda julgamento do mérito. RE 601314 RG / SP SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cármen Lúcia e Cezar Peluso. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator (destaquei) Como se trata de matéria com repercussão geral reconhecida, parece mais que razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade dos meios de prova obtidos no presente processo (extratos bancários), evitandose, assim, a anulação do lançamento por vício na obtenção das provas. O Regimento Interno do STF RISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todas as demais causas com questão idêntica, sejam sobrestadas, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1202000.203 S1C2T2 Fl. 1.175 6 prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele poder até decisão final da matéria com repercussão geral. Assim, por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como apropriado aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da “licitude da obtenção dos extratos bancários”, evitandose possível anulação do processo por vício na obtenção das provas. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. {2} Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2o, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1202000.203 S1C2T2 Fl. 1.176 7 I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral (licitude da obtenção dos extratos bancários), o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do processo (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento Turma de julgamento, nos termos do art. 2º, § 2o, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. A autuada não se manifestou no recurso a respeito da matéria relativa à obtenção dos extratos bancários. Entretanto, por se tratar de fato que envolve a licitude da obtenção das provas, de índole constitucional (CF, art. 5º, LVI, “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meio ilícito”), pode ser considerada como matéria de ordem pública, e conhecida de ofício, porque norteia a correta aplicação das relações processuais entre a administração pública e os seus administrados. Em vista do exposto, proponho que seja determinado o sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, até que seja proferida decisão nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 601314, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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