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Numero do processo: 11020.910111/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2009
COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTÔNIO CARLOS ATULIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da não-cumulatividade. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2009 COFINS. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à compensação quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova sobre a liquidez e certeza dos créditos que alega possuir na sistemática da nãocumulatividade. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTÔNIO CARLOS ATULIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila (suplente), Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos sobre pedido de reconhecimento de direito creditício de COFINS, informado como oriundo de recolhimento efetuado a maior, cumulado com declaração de compensação (PER/DCOMP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 01 11 /2 01 2- 56 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11020.910111/201256 Acórdão n.º 3402004.060 S3C4T2 Fl. 3 2 No Despacho Decisório, a autoridade local da RFB indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, após ter "efetuado revisão completa retroativa de suas últimas bases de cálculo de COFINS", possuir créditos oriundos de suas seguintes contas, discorrendo acerca da legislação que em tese respaldaria os mesmos: A DRJ/RPO, nos termos do Acórdão 14046.824, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, no qual, em suma, restringese a afirmar que o "processo já dispõe dos documentos comprobatórios dos créditos apurados", e nada mais! É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.034, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 11020.910095/201200, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.034): "Alega o contribuinte, de forma genérica, ter créditos para fins de apuração da COFINS a pagar no sistema nãocumulativo. Tais créditos seriam oriundos de valores constantes nas contas especificadas no relatório. Feita essa apuração, a posteriori, sem qualquer liquidez e certeza já saiu a se compensar com débitos de tributos administrados pela RFB. Ou seja, não há prova específica a respaldar os alegados créditos. Acostou cópia do livro razão onde constam tais contas contábeis, sem qualquer documento fiscal e referência a seu processo produtivo em que se pudesse constatar de quais insumos se tratam e, mais, se efetivamente são utilizados na produção das mercadorias que produz. Demais disso, em tese, em análise superficial, valores referente à manutenção e reparos, fretes com vendas (nas quais não se sabe quem arcou com os valores), despesas diversas (que não se sabe do que se tratam), e mão de obra de terceiros (que em tese podem ser feitas por pessoas física, o que afastaria qualquer direito a crédito) não dão direito a crédito. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11020.910111/201256 Acórdão n.º 3402004.060 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, sendo firme a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que recai sobre o contribuinte o onus probandi dos créditos que alega ter, mormente em relação a valores que já se compensou, que pressupõe sua certeza e liquidez, constatase que ele não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados. CONCLUSÃO Portanto, ante a falta de prova dos declarados créditos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Ressaltese que, neste processo, as contas especificadas como origem dos créditos (indicadas no relatório) são as mesmas que as tratadas no caso do paradigma, e que o contribuinte, nestes autos, também "não provou por todos os meios e de forma específica (não há um documento fiscal nos autos) os créditos declarados". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.003292/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.870
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido.
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IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 32 92 /2 01 0- 15 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15165.003292/201015 Acórdão n.º 3301003.870 S3C3T1 Fl. 200 2 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 15165.003292/201015 Acórdão n.º 3301003.870 S3C3T1 Fl. 201 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15165.003292/201015 Acórdão n.º 3301003.870 S3C3T1 Fl. 202 4 Relatório A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação e Cofins Importação, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o colegiado de primeira instância não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer seu provimento interpretandose o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PISImportação e da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e os das próprias Contribuições Sociais, deferindose o pedido de restituição e a homologação da compensação. Em primeira assentada o colegiado do Carf deliberou por converter o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento, incumbindome, por sorteio, relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 15165.003292/201015 Acórdão n.º 3301003.870 S3C3T1 Fl. 203 5 Desde já é de se registrar que encontramse sob apreciação nessa oportunidade um conjunto doze processos do mesmo sujeito passivo, versando sobre a mesma matéria litigada (alargamento da base de cálculo), diferenciandose quanto às datas dos fatos geradores, conforme planilha a seguir, todos regularmente pautados para julgamento. Processo Modalidade de importação Tributo Período das DI 15165.000271/200904 Conta Própria PIS Importação 2004 a 2005 15165.000272/200941 Conta Própria Cofins Importação 2004 a 2005 15165.000278/200918 Conta Própria PIS Importação 2006 15165.002153/201066 Conta e Ordem PIS Importação Janeiro a maio 2010 15165.002155/201055 Conta e Ordem Cofins Importação Janeiro a maio 2010 15165.002465/201070 Conta e Ordem PIS Importação Maio a junho 2010 15165.002466/201014 Conta e Ordem Cofins Importação Maio a junho 2010 15165003291/201062 Conta e Ordem PIS Importação Agosto 2010 15165003292/201015 Conta e Ordem Cofins Importação Agosto 2010 15165003285/201013 Conta e Ordem PIS Importação Junho a setembro 2010 15165003284/201061 Conta e Ordem Cofins Importação Junho a setembro 2010 15165720786/201131 Conta Própria e Conta e Ordem Cofins Importação 2011 Assim, visando celeridade processual e procedimental, o voto que ora submeto a apreciação do colegiado contempla, simultaneamente, o conjunto dos processos suso relacionados, preservandose contudo a individualidade e autonomia de cada um. 1 Do Mérito 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE NO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Conforme relatado, a matéria posta em controvérsia diz respeito à alegação de inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004, ao incluir o ICMS, bem como as próprias contribuições, na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Nesse pormenor, faço meus os fundamentos de recente voto proferido pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duro nos autos do processo 15165720784201141, Acórdão 3301003.240, de 28 de março de 2017, nos seguintes termos: Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15165.003292/201015 Acórdão n.º 3301003.870 S3C3T1 Fl. 204 6 ressaltese que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15165.003292/201015 Acórdão n.º 3301003.870 S3C3T1 Fl. 205 7 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, e conseqüentemente acolher o Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Dispositivo Ante o exposto voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da Cofins Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730281/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/11/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/11/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/11/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.072
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/11/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/11/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 02 81 /2 01 3- 31 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/11/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.985. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.730281/201331 Acórdão n.º 3302004.072 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721649/2013-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, (a) solucionando as dúvidas do julgador em relação a (i) receitas de exportação; (ii) reajustes de marcação a mercado; (iii) despesas de captação; (iv) dividendos recebidos; (v) tributação de valores de conta sintética; (vi) lucros em transações com valores e bens; (vii) retenções na fonte realizadas por pessoas jurídicas de direito privado; (viii) despesas de variação de taxa; (xix) erros de fato; e (x) créditos apurados pela recorrente e reconhecidos pela Fiscalização; (b) confeccionado "Relatório Conclusivo" da diligência, relativamente à consolidação dos valores lançados de acordo com a análise dos documentos e informações constantes nos presentes autos e daqueles fornecidos pela contribuinte após a realização das diligências, prestando, ainda, as informações que julgar pertinentes; e (c) intimando a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo", querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta de julgamento.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, e Cleber Magalhães.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolveram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, (a) solucionando as dúvidas do julgador em relação a (i) receitas de exportação; (ii) reajustes de marcação a mercado; (iii) despesas de captação; (iv) dividendos recebidos; (v) tributação de valores de conta sintética; (vi) lucros em transações com valores e bens; (vii) retenções na fonte realizadas por pessoas jurídicas de direito privado; (viii) despesas de variação de taxa; (xix) erros de fato; e (x) créditos apurados pela recorrente e reconhecidos pela Fiscalização; (b) confeccionado "Relatório Conclusivo" da diligência, relativamente à consolidação dos valores lançados de acordo com a análise dos documentos e informações constantes nos presentes autos e daqueles fornecidos pela contribuinte após a realização das diligências, prestando, ainda, as informações que julgar pertinentes; e (c) intimando a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo", querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta de julgamento. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, e Cleber Magalhães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 64 9/ 20 13 -4 8 Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.187 2 Relatório 1. Tratase auto de infração, situado às fls. 601 a 615, lavrado com a finalidade de formalizar a cobrança de PIS e Cofins apurados pelo regime cumulativo, acrescidos de juros e de multa de ofício de 75%, no valor histórico de, respectivamente, R$ 666.511,26 e R$ 5.058.261,28, referentes aos períodos de apuração dos anoscalendário 2009 e 2010. 2. Segundo se depreende do Termo de Verificação Fiscal, situado às fls. 616 a 646, a contribuinte, instituição financeira, declarou, nas DIPJs de 2010 e 2011, os seguintes valores devidos a título das contribuições sociais em apreço: 3. Por meio do cotejo dos valores constantes da DIPJ com os balancetes mensais informados no SPED, DCTF, DACON e planilhas de composição das bases de cálculo para fins de apuração do PIS e da Cofins, fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal constatou a existência de valores de PIS e Cofins a lançar, em conformidade com os dados relacionados às fls. 637679; quanto à Cofins: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Principal Art. 1º da LC nº 70/91; art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, com alterações do art.2º da MP nº 2.15835/2001, do art.41 da Lei nº 11.196/2005, do art.7º da MP nº 451/2008 e do art. 15 da Lei nº 11.945/2009; e IN SRF nº247/2002. 2.382.124,70 Juros de Mora (até 12/2013) Art.61, § 3º, da Lei n º 9.430/96. 889.543,03 Multa Proporcional Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 com redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. 1.786.593,55 TOTAL 5.058.261,28 4. E quanto ao PIS: Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.188 3 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (R$) Principal Art. 1º da LC nº 07/70; art.2º, I, e 9º, da Lei nº 9.715/98; art.2º e 3º da Lei nº 9.718/98, com alterações do art.2º da MP nº2.15835/2001, do art.41 da Lei nº11.196/2005, do art.7º da MP nº 451/2008 e do art.15 da Lei nº 11.845/2009; art.79 da Lei nº 11.941/2009 e IN SRF nº247/2002. 313.842,25 Juros de Mora (até 12/2013) Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 117.287,31 Multa Proporcional Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007. 235.381,70 TOTAL 666.511,26 5. A contribuinte apresentou, em 29/01/2014, impugnação, situada às fls. 683 a 730, argumentando, em síntese: (i) a existência de erros na apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins decorrentes do fato de que, ao se valer dos valores constantes nos balancetes mensais, a autoridade fiscal considerou os valores registrados nas contas sintéticas, que englobam diversas contas analíticas, contendo erros na apuração dos tributos, ora decorrentes da não inclusão de contas de receitas tributáveis, ora da falta de dedução de valores de receitas não tributáveis, bem como erros aritméticos, o que buscou demonstrar por meio de planilhas comparativas entre os dados constantes no TVF e aquelas efetivamente utilizadas para a apuração das contribuições, apontando, assim, divergências referentes aos seguintes períodos: 02/2009, 05/2009, 06/2009, 07/2009, 09/2009, 12/2009, 01/2010 a 04/2010, e 06/2010 a 12/2010; (ii) que o auto de infração não considerou os créditos apurados pela contribuinte decorrentes de recolhimento a maior de PIS e Cofins e reconhecidos pelo próprio TVF, no montante de R$ 99.296,21 de PIS e de R$ 592.199,43 de Cofins, referentes aos períodos de 01, 03, 08, 10 e 11/2009 e 05 e 06/2010, conforme planilha de fl. 728. 6. Em sessão de 23/07/2015, foi proferido o Acórdão DRJ nº 16 69.665, situado às fls. 929 a 970, e proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal Francisco Paulo Kallil Melo, que decidiu, por votação unânime, julgar parcialmente procedente a impugnação de forma a (i) reconhecer erro de fato da apuração da base de cálculo do lançamento que implicou exoneração da parcela respectiva do crédito tributário; e (ii) declarar a extinção do crédito em virtude de quitação anterior ao lançamento realizada pela contribuinte por meio de declaração de compensação, mantendo, assim, parte do crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. EXONERAÇÃO Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.189 4 Constatado erro de fato na apuração da base de cálculo do lançamento, exonerase proporcionalmente a respectiva parcela do crédito tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. QUITAÇÃO DE DÉBITOS. EXONERAÇÃO. Exonerase o crédito tributário lançado em razão de quitação do débito por meio de declaração de compensação enviada pela contribuinte anteriormente ao lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. EXONERAÇÃO. Constatado erro de fato na apuração da base de cálculo do lançamento, exonerase proporcionalmente a respectiva parcela do crédito tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. QUITAÇÃO DE DÉBITOS. EXONERAÇÃO. Exonerase o crédito tributário lançado em razão de quitação do débito por meio de declaração de compensação enviada pela contribuinte anteriormente ao lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. A matéria não contestada na primeira instância tornase definitiva na esfera administrativa. PROVA DOCUMENTAL. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.190 5 7. Diante da exoneração do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 8. A contribuinte, intimada da decisão em 29/07/2015, mediante envio postal acompanhado de aviso de recebimento situado à fl. 984, interpôs, em 28/08/2015, recurso voluntário, situado às fls. 986 a 1.016, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação e, em especial, requerendo o reconhecimento da “(...) dedução de valores contabilizados em contas não tributadas”, argumento não provido pela decisão recorrida em virtude de carência probatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco – Relator 9. Alega a contribuinte recorrente que os créditos de PIS e Cofins lançados no auto de infração decorrem do confronto, realizado pela autoridade fiscal, entre os valores constantes das contas que compõem os balancetes mensais e as planilhas de composição das bases de cálculo fornecidas pela ora recorrente no curso do procedimento de fiscalização. 10. A decisão a quo, em que pese acolher parte da argumentação expendida pela contribuinte, o que ocasionou a exoneração parcial do crédito constituído, deixou de "deduzir" os valores registrados em contas contábeis não tributadas sob a alegação de que não foi apresentado: “(...) nenhum documento hábil e idôneo apto a comprovar os valores alegados, tais como comprovante do efetivo recebimento dessas receitas, recibos, faturas e/ou notas fiscais de serviços prestados, contratos pelos quais receberia comissão por nãoutilização de limite”. 11. Destacase, ademais, das razões do recurso voluntário interposto pela contribuinte, que, durante o curso do procedimento fiscalizatório, concedeu “(...) acesso irrestrito aos documentos que respaldaram os lançamentos constantes das notas contábeis declaradas ao SPED” e, mais importante, “(...) não tendo, em nenhum momento, sofrido qualquer tipo de questionamento quanto à validade e correção destes valores”. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.191 6 12. De fato, ao se compulsarem os argumentos do Termo de Verificação Fiscal, em nenhum momento a autoridade fiscal apresenta prova ou indício que milite no sentido de infirmar, ainda que vagamente, a origem dos valores não tributados pelo PIS e pela Cofins nos termos do anexo I da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 vigente no período de apuração sob análise, i.e., os anosbase 2009 e 2010 e, ainda mais grave, tampouco envida esforços no sentido de apurar seu lastro probatório. Em nenhum momento se encontra, entre as intimações realizadas à contribuinte, determinação no sentido de que apresente documentos os valores registrados sob tal rubrica em seus balancetes mensais. 13. Por outro lado, tampouco procede o argumento da contribuinte no sentido de que a análise e verificação das notações contábeis pela autoridade fiscal as torne incontroversa ou insuscetível a dúvidas ou questionamentos por parte dos aplicadores. 14. Há, no entanto, de se realizar a seguinte ressalva: ainda que comunguemos com a ideia de existir um dever mínimo de colaboração entre os jurisdicionados no sentido da formação do crédito tributário ao longo das diversas etapas do procedimento que culmina com o lançamento, não há de se assentir, sobretudo em um auto de infração, que se erijam presunções em desfavor da contribuinte fiscalizada. 15. De fato, considerar que os lançamentos realizados pela contribuinte em seus balancetes são aprioristicamente inidôneos, sem sequer se exigir, ao longo da fiscalização, que a recorrente prove a correção de suas notações contábeis, e, sobretudo, sem qualquer indício de que assim não o sejam, configura inverter o ônus da prova em seu desfavor. Assim, não se obsta a intimação da contribuinte, no curso da fiscalização, para que comprove que a sua escrita contábil corresponde à realidade de suas operações, o que deve ser feito. O que se obsta, na verdade, é a realização do lançamento do crédito tributário com base em uma presunção de não correspondência infensa a qualquer esforço probatório. 16. Na espécie, necessário se perquirir a procedência ou não da alegação da contribuinte e do quanto decidido pela decisão administrativa de primeira instância concernente aos seguintes tópicos constantes da autuação ao longo dos períodos de apuração analisados. 1. Receitas de exportação de serviço 17. Não foram deduzidas, pela autoridade fiscal, contas relativas a receitas de exportação de serviço. Argumenta a recorrente que, da análise do Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, tais receitas não estariam incluídas no rol taxativo de contas que devem compor a base de cálculo das contribuições em referência. Apresenta, como prova da natureza de tais receitas como de exportação de serviço, cópia dos contratos de câmbio que as originaram, situados às fls. 1153 e seguintes. 18. A decisão recorrida apontou, no entanto, que o efeito sobre a apuração teria sido neutro, pois a contribuinte incluiu o valor em “Outras Adições”. 19. Há de se considerar, todavia, que, tratandose de fato de receitas de exportação de serviço, tais valores não devem compor a base de cálculo. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.192 7 20. Desta feita, deve a unidade preparadora verificar e informar a que se referem os respectivos serviços prestados, se houve ou não a inclusão de tais valores na base das contribuições, em que montante (valor histórico), e por fim realizar o seu cotejo com os valores informados nos contratos de câmbio apresentados pela contribuinte às fls. 1153 e seguintes para todos os períodos objeto de recurso voluntário (05, 06, 07, 09, 12/2009). 2. Reajustes de “marcação a mercado” 21. Não foram deduzidas as contas referentes à “marcação a mercado” e, portanto, não tributável em decorrência de não ter a recorrente apresentado prova da origem de tais alegações. 22. De fato, os créditos de PIS e Cofins provenientes de reajustes de “marcação a mercado”, que se trata de uma atualização com registro do preço do dia de determinados ativos, demandam uma demonstração efetiva por parte da contribuinte. Como se referiu mais acima, não se observa qualquer intimação específica neste sentido por parte da autoridade fiscal demandando a produção de tal prova. O silêncio de ambos os lados da relação jurídicotributária não deve ser entendido nem como prova de que o polo ativo entendeu como incontroversa a questão, nem como presunção operativa em oposição ao polo passivo, mas como o que de fato é: um nada jurídico. 23. Em outras palavras, entendemos que meras planilhas de lavra da contribuinte não são documentação suficiente para comprovar a natureza de tais operações. No entanto, à falta de intimação específica, não há de se presumir que a operação é diversa daquela informada, nem que a autoridade fiscal homologa os dados apresentados, tornandoos incontroversos. 24. Neste sentido, deve a autoridade fiscal intimar a contribuinte para apresentar a documentação demonstrativa dos créditos pretendidos, relacionando, ainda, as provas apresentadas com cada um dos períodos de apuração correspondentes, bem como se a contribuinte era ou não optante pelo RTT durante o período de apuração em referência. 3. Despesas de captação 25. Não foi reconhecida, pela decisão recorrida, a inclusão de “despesas de captação” em grupos de “exclusão” ou de “dedução” da base de cálculo dos tributos em apreço em virtude de carência probatória. Alega a recorrente que a exigência de provas na espécie seria descabida, pois se trata de despesa de dedução objetiva nos termos da Instrução Normativa SRF nº 247/2002. 26. Entendemos, no entanto, ser plenamente possível a comprovação da realização de operações de captação no mercado por parte da contribuinte. 27. Neste sentido, deve a autoridade fiscal intimar a contribuinte para apresentar a documentação demonstrativa de tais despesas, descrevendo, ainda, especificamente a que se referem. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.193 8 4. Dividendos recebidos 28. Não foi reconhecida pela decisão a quo a dedução dos valores oriundos de dividendos recebidos, que a contribuinte alega provar por meio do Razão Contábil. 29. Assim, deve a unidade preparadora verificar e informar se houve ou não a inclusão de tais valores na base das contribuições, em que montante (valor histórico), e por fim realizar o seu cotejo com os valores informados na planilha situada à fl. 1.170, relacionando, ainda, as provas apresentadas com cada um dos períodos de apuração correspondentes. 5. Tributação de valores de conta sintética 30. Alega a contribuinte a inclusão do valor integral de contas sintéticas na base das contribuições, sendo que algumas delas apresentam, em sua composição analítica, receitas que não compõem a base de cálculo. 31. Deve a unidade local, neste sentido, realizar a análise da composição das contas sintéticas apontadas pela recorrente, de maneira a discriminar aquelas receitas tributáveis das não tributáveis e, em seguida, intimar a contribuinte para apresentar a documentação comprobatória da natureza das receitas a serem excluídas da formação da base e, ao final, relacionar as provas apresentadas com cada um dos períodos de apuração correspondentes. 6. Lucros em transações com valores e bens 32. Alega a contribuinte que, no período de apuração de 07/2009, ao promover a exclusão de “Lucros em Transações com Valores e Bens”, contabilizado a crédito, a fiscalização considerou incorretamente que o valor estaria contabilizado a débito. A exclusão do valor com o sinal invertido ocasionou majoração indevida da base de cálculo das contribuições, o que não deve prosperar, pois as receitas não operacionais não são tributadas pelo PIS e pela Cofins. A contribuinte busca comprovar a alienação de ativo nãocirculante de fl. 1.172 (alienação de ações CETIP). 33. Neste sentido, deve a autoridade fiscal intimar a contribuinte para apresentar a documentação comprobatória da alienação descrita no Razão Contábil. 7. Retenções na fonte realizadas por pessoas jurídicas de direito privado 34. A autoridade fiscal, ao apurar os créditos de PIS e Cofins devidos, deixou de considerar os valores relativos às retenções na fonte realizados por pessoas jurídicas de direito privado nos montantes de R$ 22.186,58 (PIS) e R$ 102.399,61 (Cofins). Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.194 9 35. A decisão recorrida, com fundamento na análise das DIRF referentes aos períodos analisados, reconheceu apenas as retenções nos valores de R$ 10.460,82 (PIS) e R$ 48.280,74 (Cofins). 36. Alega a contribuinte, com base em informe de rendimentos obtido no site da Receita Federal do Brasil, que, no mês de dezembro de 2009, sofreu retenção no importe de R$ 79.893,83 da empresa ITIQUIRA ENERGÉTICA S/A sob o código de recolhimento 5952 (4,65%) que corresponde a CSL (1%), PIS (0,65%) e Cofins (3%), o que resulta em uma retenção de PIS no valor de R$ 11.167,95 e de Cofins no valor de R$ 51.544,41. 37. Neste sentido, deve a autoridade fiscal verificar a retenção informada no documento situado à fl. 1.179 e informar se a retenção foi considerada na apuração do crédito tributário constante no auto de infração ora em análise, bem como se o documento se encontra na DIRF atual referente ao período em análise. 8. Despesas de variação de taxa 38. A autoridade fiscal deixou de considerar as despesas contabilizadas a título de despesas de variação de taxa, disposição mantida pela decisão recorrida com base em carência probatória. 39. Alega a contribuinte que tais valores devem ser expurgados da base de cálculo das contribuições independentemente de prova, pois se encontram englobados por contas sintéticas cujos valores de despesas foram deduzidos para fins de composição do crédito tributário, tratandose, portanto, de um “(...) flagrante erro na apuração realizada pela fiscalização” e que, portanto, “(...) não demanda a apresentação de documentos para seu reconhecimento”. 40. A decisão da autoridade fiscal de não aceitar a inclusão de tais despesas em contas de exclusão de fato não é acompanhada de fundamentação. Por outro lado, não se esforça a contribuinte, tanto em sua peça de impugnação como de recurso voluntário, em demonstrar a natureza da operação por meio de provas. 41. Assim, a análise a respeito da matéria respeitante às despesas de variação de taxa deverá ser feita por este colegiado em momento oportuno, quando os autos retornarem da diligência proposta pela presente Resolução. 9. Erro de fato (08/2009) 42. No período de apuração referente a 08/2009, a autoridade fiscal apurou um valor devido de Cofins de R$ 222.940,05 e identificou um valor recolhido de R$ 1.298,18, resultando, assim, em uma diferença a lançar no montante de R$ 221.641,87. 43. Alega a contribuinte, no entanto, ter recolhido a quantia de R$ 244.410,95 via DARF. Tanto a cópia da DCTF que aponta saldo zero a pagar, bem como o comprovante de arrecadação se encontram situados às fls. 1.174 e 1.175. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.195 10 44. Assim, deve a autoridade fiscal verificar a extinção do crédito tributário correspondente, de modo a considerar o principal acrescido dos consectários legais. 10. Erro de fato (06/2010) 45. Alega a contribuinte a existência de erro aritmético na somatória das rubricas constantes do Grupo 04 (outras exclusões), que resultaria em R$ 2.192.199,85, e não R$ 2.212.199,85 como apontado pela autoridade fiscal. Em que pese tal alegação não constar da impugnação e tampouco ter sido objeto de decisão de primeiro piso, entendemos que, por se tratar de erro de fato, caso confirmado, deve ser corrigido ex officio. 46. Assim, deve a autoridade fiscal verificar a procedência da alegação ora descrita para fins da correta apuração do crédito tributário correspondente. 11. Créditos apurados pela recorrente e reconhecidos pela Fiscalização 47. Argumenta a recorrente, por fim, que foi reconhecido, no curso da auditoria fiscal que culminou na lavratura do auto de infração, crédito de PIS, no valor de R$ 99.296,21, e de Cofins, no valor de R$ 592.199,43 proveniente de recolhimentos efetuados a maior nos períodos correspondentes aos meses 01, 03, 04, 08, 10 e 11/2009 e 05 e 06/2010, em conformidade com a tabela abaixo: 48. Tais créditos, no entanto, apesar de reconhecidos pela autoridade fiscal, não foram considerados na composição do crédito tributário constituído por meio do lançamento de ofício sob análise. A decisão recorrida, por sua vez, julgou improcedente o pedido, pois entendeu que a impugnação ao lançamento não se presta à compensação de tributos, que deve ser operacionalizada por meio de PER/DComp. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 16327.721649/201348 Resolução nº 3401001.175 S3C4T1 Fl. 1.196 11 49. Deve a autoridade fiscal verificar a procedência da alegação ora descrita, bem como a existência dos valores a maior ora referidos, para fins da correta apuração do crédito tributário correspondente e posterior análise por parte deste Conselho. 50. Assim sendo, entendo que o processo não se encontra devidamente instruído não se encontrando, conseqüentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Realizar as providências determinadas nos itens acima quanto: (i) às receitas de exportação; (ii) aos reajustes de marcação a mercado; (iii) às despesas de captação; (iv) aos dividendos recebidos; (v) à tributação de valores de conta sintética; (vi) aos lucros em transações com valores e bens; (vii) às retenções na fonte realizadas por pessoas jurídicas de direito privado; (viii) às despesas de variação de taxa; (xix) e (x) aos erros de fato; e (xi) aos créditos apurados pela recorrente e reconhecidos pela Fiscalização; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, relativamente à consolidação dos valores lançados de acordo com a análise dos documentos e informações constantes nos presentes autos e daqueles fornecidos pela contribuinte recorrente após a realização das diligências determinadas nos itens acima, prestando, ainda, as informações que julgar pertinentes; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1197DF CARF MF
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Numero do processo: 13411.720077/2008-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A legislação tributária, em especial o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza à fiscalização que presuma omissão de receitas quanto aos valores depositados em contas bancárias nos casos em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao sujeito passivo, que somente mediante apresentação de provas hábeis e idôneas poderá refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA
A Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, e nos documentos apresentados, não se satisfazendo apenas com a versão oferecida pelo sujeito passivo.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
A investigação dos fatos deve trazer aos autos o que realmente ocorreu, a realidade, admitindo a correção de erros de fato, quando provados, na busca da verdade material.
Numero da decisão: 2201-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 25/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. A legislação tributária, em especial o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza à fiscalização que presuma omissão de receitas quanto aos valores depositados em contas bancárias nos casos em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao sujeito passivo, que somente mediante apresentação de provas hábeis e idôneas poderá refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, e nos documentos apresentados, não se satisfazendo apenas com a versão oferecida pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A investigação dos fatos deve trazer aos autos o que realmente ocorreu, a realidade, admitindo a correção de erros de fato, quando provados, na busca da verdade material. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 72 00 77 /2 00 8- 75 Fl. 1137DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 25/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.119/1.131) interposto contra decisão da DRJRecife (fls. 1.095/1.114) que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário relativo a IRPF lançado através do Auto de Infração (fls. 1.033/1.044) no valor de R$ 10.466.825,52, sendo R$ 5.053.199,53 de principal, R$ 3.789.899,64 de multa de ofício, e R$ 1.623.726,35 de juros de mora; lavrado em decorrência de fiscalização autorizada pelo MPF nº 04.1.03.002008000439 (fls. 01), emitido em 01/04/2008, que culminou por apurar a seguinte conduta infracional: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Consta do Relatório Fiscal (fls. 1.045/1.049) que o procedimento de fiscalização foi iniciado em virtude do Recorrente ter movimentado vultosa quantia em contas bancárias em comparação à sua renda declarada. Em atendimento aos Termos de Intimação, o Recorrente informou que os valores constantes nos extratos de movimentação financeira e bancária decorrem de exploração de atividade agrícola, mais precisamente da produção e comercialização de cebolas, confessando que deixou de informar tais valores nas suas DAAIRPF, e admitindo que os mesmos deveriam ser incluídos nas respectivas declarações, nas importâncias de R$ 6.383.759,85 (2004); R$ 6.107.561,92 (2005) e R$ 5.686.273,08 (2006), num total de R$ 18.177.594,85. Juntamente com suas respostas, entregou à fiscalização, entre outros, os seguintes documentos: extratos bancários (fls. 14/337); cópias das suas DAAIRPF 2006 e 2007 (fls. 398/406); cartasfrete emitidas em 2006, relativas ao transporte da produção vendida (fls. 410/602); planilhasresumo das cartasfrete (fls. 604/609); Relatório de Detalhamento de Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.138 3 Nota Fiscal Avulsa – SEFAZ Pernambuco e Bahia (fls. 611/907 e 948/952) e planilhas com seus resumos (fls. 909/912); relatório de NFs por remetente de 2006, 2005 e 2004 (fls. 914/946); contrato de termo de permissão celebrado com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (fls. 954/959); conta de energia, mapas de venda (fls. 963/965), relação de títulos baixados (969/972); contratos de arrendamento de imóvel rural (fls. 976/986); notas fiscais de fornecedores (fls. 988/1.017); relatório de títulos a receber (fls. 1.019/1.020). Da análise dos documentos apresentados pelo Recorrente, a fiscalização entendeu por desconstituir algumas provas apresentadas, sob a alegação de não consistirem em documentação hábil e idônea para comprovarem a origem dos valores creditados nas contas bancárias do Recorrente, conforme trechos do relatório fiscal a seguir transcritos: “(...) 3. Anexa documentos, cartas frete, relativas ao anocalendário de 2006, totalizando o valor de R$ 1.304.218,64, que segundo o sujeito passivo seriam utilizadas para acompanhar as vendas de cebola para outras localidades e que comprovariam parte da receita auferida em 2006. Informa ainda que deixa de anexar as cartas frete dos anoscalendário de 2004 e 2005 em razão de danos nos arquivos magnéticos. Observase que as cartas frete apresentadas pelo fiscalizado não se constituem em elemento de prova hábeis e idôneos para comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias. Pela simples observação dos documentos, é flagrante o não preenchimento de formalidades mínimas como ausência de vistos das autoridades fazendárias estaduais e, falta de assinatura do condutor das mercadorias, do vendedor e do comprador. 4. O sujeito passivo apresenta no anexo 3 uma planilha contendo o resumo das cartas frete do anocalendário de 2006, onde realiza cotejo destas com os depósitos/créditos efetuados. Conforme explicamos no item anterior, as cartas frete não refinem condições mínimas a comprovar a origem dos créditos realizados nas contas do fiscalizado. Ademais, pela análise individualizada dos depósitos, percebemos que não há coincidência de datas e valores. As cartas frete que apresentam correspondência com os créditos são ínfimas quando verificamos o volume vultuoso de créditos a comprovar, bastando para isso verificar a própria planilha apresentada pelo fiscalizado, anexo 3 (fls. 603 a 609), além do que não constituem POR SI SO elementos de prova, pelas razões já expostas. 5. O fiscalizado também apresenta documentos informando ser notas fiscais avulsas das Secretarias da Fazenda de Pernambuco e da Bahia, anexos 4 e 5 (fls. 610 a 646). Os documentos apresentados são em verdade Relatório de Detalhamento de Nota Fiscal Avulsa e, pela análise individualizada dos créditos/depósitos não encontramos qualquer correlação em datas e valores. Importante ressaltar Fl. 1139DF CARF MF 4 ainda, que tais relatórios não constituem elementos de prova da origem dos recursos movimentados. 6. Por fim, o sujeito passivo apresenta nos anexos 08 a 20, os seguintes documentos: contratos de arrendamento de imóvel rural, relação de notas fiscais emitidas, conta de energia, mapas de venda, notas fiscais de fornecedores, relação de títulos baixados e relatório de títulos a receber. Tendo em vista a descaracterização das eventuais provas apresentadas pelo sujeito passivo, pelas razões acima expostas, resta prejudicada a apresentação dos documentos constantes nos anexos 08 a 20, por não guardarem qualquer relação probatória com a questão tributária ora analisada. Importante ressaltar a inconsistência das provas apresentadas pelo sujeito passivo, sobretudo quando consideramos a vultuosa quantia movimentada em suas contas bancárias, como será demonstrado abaixo. O fiscalizado não apresentou nenhuma nota fiscal de venda, nem tampouco o efetivo pagamento das faturas. Somese a isso, a total ausência de coincidência em datas e valores entre os documentos apresentados e a movimentação financeira do sujeito passivo. (...) Constatase pela leitura do texto acima que o dispositivo legal é taxativo no sentido de considerar como omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias quando não houver a devida comprovação de sua origem e, obviamente, esta comprovação deve estar rastreada em documentos hábeis e idôneos que possibilitem conhecer a natureza dos recursos. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou resposta por escrito (fls. 390/396) e documentação anexa, sem, contudo, apresentar quaisquer documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos depósitos/créditos, motivo pelo qual consideramos como NÃO COMPROVADAS as origens dos valores creditados em suas contas bancárias. A movimentação bancária, após conciliação dos depósitos e créditos (fls. 339/387) resultou nos totais anuais abaixo informados. Corrigimos os valores de R$ 7.500,00 e R$ 10.000,00 incluídos equivocadamente no ano calendário de 2006 no Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A, em virtude de serem oriundos de transferências entre contas de mesma titularidade. VALORES (R$) Instituição Financeira 2004 2005 UNIBANCO 6.280.571.41 4.729.222,61 BRADESCO 0,00 1.190.530,28 Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.139 5 SUDAMERIS 351.727,61 187.809,03 TOTAL 6.632.299,02 6.107.561,92 Procedemos ao lançamento de oficio desses valores, tendo em vista a sua omissão caracterizada pela não comprovação da origem dos depósitos.” O relatório ainda constou que houve equívoco no apontamento de valores transferidos entre contas bancárias de mesma titularidade, nos importes de R$ 7.500,00 e R$ 10,000,00, e que os iria desconsiderar na sua apuração (fls. 1.047), na forma abaixo: “2. Apresenta tabela demonstrando transferência dos valores de R$ 7.500,00 e 10.000,00 entre contas de mesma titularidade. Tais valores foram lançados equivocadamente e, serão desconsiderados do rol daqueles que necessitam de comprovação da origem;” Diante disso, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração (fls. 1.033/1.044), fundamentado na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, nos respectivos valores de R$ 6.632.299,02, R$ 6.107.561,92 e R$ 5.668.773,08. Cientificado do auto de infração em 26/11/08 (fls. 1.053), o Recorrente apresentou, tempestivamente em 23/12/08, Impugnação (fls. 1.056/1.069), juntamente com a documentação de fls. 1.070/1.071 (protocolos de requerimentos para emissão de 2ª via de notas fiscais junto à SEFAZ de Pernambuco e Bahia), cujas alegações foram pormenorizadamente registradas no relatório do Acórdão proferido pela DRJRecife, assim descrito: “8.1 que apresentou, no curso da ação fiscal, os seguintes documentos comprobatórios da atividade agrícola e comercial relativa à produção e compra e venda de cebolas: (i) cartas de frete que acompanham o transporte de cebolas, substituindo o documento fiscal obrigatório, relativas ao ano de 2006, totalizando R$ 1.304.218,64; (fls. 408 a 599); (ii) planilha contendo resumo das cartas de frete, com cotejamento dos depósitos efetuados no ano de 2006. Que a falta de coincidência entre datas e valores é justificada pelo fato de os pagamentos referentes à venda de cebolas ser feito em várias parcelas, bem corno pelo fato de o comprador incluir, em um único deposito, os valores de virias compras (fls. 604 a 609); (iii) notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco, correspondentes as vendas de cebola efetuadas nos anos de 2004 a 2006 (fls. 611 a 907); (iv) planilha contendo resumo das notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco, totalizando R$ 207.713,00 (fls. 909 a 912); Fl. 1141DF CARF MF 6 (v) notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria da Fazenda da Bahia, correspondentes as vendas de cebola efetuadas nos anos de 2004 a 2006 (fls. 914 a 946); (vi) planilha contendo resumo das notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria da Fazenda da Bahia, totalizando R$ 800.993,75 (fls. 948 a 952); (vii) contratos de Termo de Permissão Remunerado n° 051/04 e 085/05, datados de 01/04/2004 e de 01/01/2005, respectivamente, relativos ao aluguel do galpão D, Box 5 do Centro de Abastecimento de Petrolina (CEAPE), local em que o impugnante exerce o comércio dos produtos agrícolas produzidos (fls. 954 a 959); (viii) conta de energia elétrica emitida pela Celpe, em nome do impugnante, referente ao consumo do mês de julho de 2008 do estabelecimento acima referido (fls. 961); (ix) mapa de vendas fornecido pela Juagro Comércio e Representações Ltda, comprovando a compra de insumos agrícolas utilizados na produção de cebola, nos anos de 2004 a 2006 (fls. 963 a 965); (x) extrato do cliente fornecido pela Casa do Colono Comércio e Representação Ltda, comprovando a compra de insumos agrícolas utilizados na produção de cebola, nos anos de 2004 a 2006 (fls. 967); (xi) relação de títulos baixados fornecida pela Jojanil Agricola Comércio e Representação Ltda, comprovando pagamentos pela aquisição de insumos agrícolas nos anos de 2004 a 2006 (fls. 969 a 972); (xii) relação de notas fiscais emitidas fornecida pela Vera() Com. e Rep. De Produtos Agrícolas Ltda, comprovando a compra dc insurnos agrícolas nos anos de 2004 a 2006 (fls. 974); (xiii) contrato particular de arrendamento de imóvel rural, Sitio Shalon, em Juazeiro, Bahia, utilizado para produção de cebola, celebrado com o Sr. Antonio Enilton Lima dos Santos em 15/01/2006 (fls. 976); (xiv) contrato particular de arrendamento de imóvel rural, Sitio Tanque de Baixo em Juazeiro, Bahia, utilizado para produção de cebola, celebrado corn o Sr. Geraldo Arcebispo Alves em 01/02/2003 (fls. 979); (xv) contrato particular de arrendamento de imóvel rural, relativo a 15 hectares da Fazenda Boa Vista, cm Sento Sé, Bahia, utilizado para produção de cebola, celebrado com o Sr. Manoel Gonçalves de Lima, em 01/01/2006 (fls. 982); (xvi) contrato particular de arrendamento de imóvel rural, Fazenda I Boa Esperança, em Santo Sé, Bahia, utilizado para produção de cebola, celebrado com o Sr. Lauro Rafael da Silva, em 01/01/2006 (fls. 984); (xvii) contrato particular de arrendamento de imóvel rural, relativo a 13 hectares da Fazenda Recreio, em Casa Nova, Bahia, utilizado para produção de cebola, celebrado com a Sra. Rosa Maria da Conceição, em 01/01/2005 (fls. 986); (xviii) notas fiscais emitidas por diversos fornecedores, em nome do impugnante, que comprovam a compra de insumos agrícolas utilizados na produção de cebola (fls. 988 a 1.017); Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.140 7 (xix) relatório de titulas a receber e recebidos, emitido pela Fertipar Fertilizantes do Nordeste Ltda, referente à compra de insumos agrícolas nos anos de 2004 a 2006 (fls. 1.019 a 1.020); (xx) relação dos principais clientes da venda de cebola nos anos de 2004 a 2006 (fls. 394). 8.2 que não foi realizada diligência junto aos clientes citados pelo contribuinte, contrariando a boa técnica da auditoria fiscal; 8.3 que constam, entre os depósitos efetuados na conta corrente nº 2600815, agência 7290 do Unibanco (planilha de fls. 353 a 387), durante o anocalendário de 2006, vários registros da Frutas Cantu Nordeste Ltda, empresa mencionada na relação de clientes apresentada. Que tais valores deveriam ter sido excluídos do lançamento; 8.4 que a desconsideração dos documentos comprobatórios das atividades agrícola e comercial contraria o princípio da verdade material inerente ao processo administrativo fiscal previsto no Decreto n 70.235/1972; 8.5 que na regido do São Francisco a produção e o comércio e cebolas são atividades realizadas de modo predominantemente informal, praticados por pessoas bastante simples e, nas operações internas, isentos do ICMS, o que desobriga o produtor pessoa física à emissão da nota fiscal do produtor; 8.6 que a autoridade fiscal procedeu ao exame superficial dos documentos apresentados pelo impugnante, conforme se depreende da leitura das páginas 3 e 4 do Relatório Fiscal (fls. 1.046 a 1.049); 8.7 que o defendente não tentou "provar que não houve omissão de rendimentos, mas, sim, o fato de que as receitas omitidas eram decorrentes da sua atividade rural e comercial"; 8.8 que o contribuinte é produtor rural, visto que requereu, em 27/05/2008, às Secretarias da Fazenda de Pernambuco e da Bahia, as segundas vias das notas fiscais emitidas em seu nome, no período fiscalizado. Ademais, a atividade é demonstrada pela quantidade e regularidade de notas fiscais registradas pelas citas Secretarias, nos anos de 2004 a 2006, em nome do impugnante; 8.9 que em nenhum momento a fiscalização afirmou que os documentos apresentados fossem inábeis ou inidôneos e, assim sendo, se prestam a demonstrar as atividades rural e comercial exercidas pelo impugnante e, consequentemente, a origem dos rendimentos auferidos. Cita jurisprudência administrativa em apoio a suas alegações; 8.10 que, no entendimento do Conselho de Contribuintes, caso o contribuinte exerça única e exclusivamente a atividade rural, deve ser submetido à tributação favorecida limitada a 20% da omissão apurada; 8.11 que, de acordo com o art. 43 do CTN, o núcleo do fato gerador do imposto de renda reside na ideia de acréscimo patrimonial disponível. Dessa forma, para haver autuação com base em depósito bancário, nos termos do art. 42 a Lei n° 9.430/1996, não basta a simples presunção legal, sendo indispensável a comprovação da utilização desses valores como renda Fl. 1143DF CARF MF 8 consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, pois os depósitos bancários por si sós não caracterizam disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos. Transcreve jurisprudência do STF nesse sentido. Ademais, a legislação tributária não pode alterar o conceito de renda ou provento para nele incluir depósitos bancários; 8.12 por fim, pede seja acolhida a impugnação e declarada a improcedência do Auto de Infração.” A DRJRecife julgou improcedente a Impugnação, sob a fundamentação de que o Recorrente não apresentou elemento de prova hábil e idôneo acerca da origem dos depósitos bancários que, por presunção legal, foram considerados como rendimentos omitidos. Ao final, decidiu por manter o crédito lançado, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir der' de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. 'ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE A ORIGEM ESTÁ VINCULADA A RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não há de ser acatada mera alegação de que a origem dos depósitos bancários está associada a receitas decorrentes da atividade rural se desprovida da necessária comprovação por intermédio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual, além de livro Caixa, mormente quando o contribuinte não informou referidas receitas espontaneamente em suas DIRPF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.141 9 De acordo com o princípio da verdade material, o Fisco deve decidir com fundamento nos elementos fáticos efetivamente ocorridos, não se limitando as alegações trazidas aos autos pelos interessados. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. A extensão dos efeitos da jurisprudência judicial, a exceção das Súmulas Vinculantes, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Não estando enquadrada nessas hipóteses, a jurisprudência judicial só produz efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquele objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão de primeira instância em 05/04/10 (fls. 1.132), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 04/05/10, Recurso Voluntário (fls. 1.119/1.131), valendose por repetir os termos da impugnação, destacandose os seguintes pontos: a. Na região do Rio São Francisco (alto sertão dos Estados de Pernambuco e Bahia), onde o Recorrente se encontra estabelecido, a produção e comercialização de cebolas, dentre outros produtos agrícolas, é realizada de modo predominantemente informal fato que se justifica, não só por ser praticada por pessoas bastante simples, mas, também, por ser atividade isenta do pagamento do ICMS, por aqueles Estados, nas operações internas e externa, fazendo com que o produtor rural, pessoa física, fique desobrigado de emitir a nota fiscal do produtor. Esta circunstância contribuiu, de forma significativa, para falta de controle do contribuinte, inclusive, com relação a informações prestadas ao Fisco; b. A informalidade com que é praticada a atividade rural, naquela região, é de tal ordem, que levou o julgador a afirmar, com relação às Cartas de Frete, anexadas aos autos (fls. 408/599), que a emitente seria a Fazenda Nossa Senhora da Conceição e que não havia, no mencionado documento, qualquer menção ao nome do Recorrente. Porém, é preciso esclarecer, que logo abaixo do nome do emitente consta a expressão "ORG. JOAO DA CICA", que é exatamente, o nome pelo qual o Recorrente é conhecido na região, como produtor de cebola. Apesar desse detalhe, não restou dúvida de que as mencionadas Cartas de Frete se referem ao fornecimento e transporte de cebolas para diversos compradores e constituemse, de forma clara, em um controle rudimentar das vendas realizadas e entregues; Fl. 1145DF CARF MF 10 c. Em momento algum, mesmo no curso da ação fiscal, foi ocultado pelo Recorrente, a atividade exercida durante o período fiscalizado, pelo contrário, foi ressaltado, de forma clara, o tempo todo, o exercício da atividade rural desenvolvida, através do conjunto de documentos apresentados; d. Resta evidente que os documentos trazidos aos autos não podem ser analisados individualmente. Na verdade, tais documentos formam um conjunto probatório, que demonstra de forma induvidosa que o Recorrente exerceu a atividade rural, durante o período fiscalizado, não podendo jamais serem analisados individualmente, como pretende, equivocamente, a autoridade recorrida, que entendeu não guardarem estes documentos qualquer relação entre si; e. Os argumentos utilizados pela autoridade recorrida, para terem validade, precisam ter fundamentos. Alegações contendo, simplesmente, negativas de ordem geral, não devem e não podem ser aceitas; f. Não é sem razão, que costumase afirmar que o contencioso administrativo no âmbito federal, começa na segunda instancia, posto que o julgamento da primeira instância e, apenas, para confirmar o lançamento tributário, o que não deixa de ser lastimável; g. Negar a força probante do conjunto dos documentos apresentados pelo Recorrente é, simplesmente, decidir sem julgar, fato que, certamente, vai ser rechaçado por esse Egrégio Tribunal Administrativo, não só pelo elevado espirito de justiça, mas, pelo grau de conhecimento da legislação e tecnicidade dos seus membros; h. O Recorrente submeteu às autoridades autuante e julgadora de primeira instancia documentos que, em nenhum momento foram considerados inábeis ou inidôneos; i. O exame, mesmo que superficial, dos documentos acima, afora outros apensados aos autos, levam a concluir que o Recorrente exerceu a atividade rural de produção e venda de cebola, posto que, será que as Secretarias de Fazenda dos Estados de Pernambuco e Bahia emitiriam notas fiscais graciosas? A Prefeitura de Petrolina firmaria um contrato de aluguel de um imóvel comercial, no Centro de Abastecimento da Cidade, onde é comercializada a produção agrícola da região se, de fato, não houvesse a permissão para o exercício da atividade de venda de produtos agrícolas? Será que as Cartas de Frete e os Contratos de Arrendamento de Imóveis Rurais foram produzidos pelo Recorrente?; Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.142 11 j. O julgador de primeira instancia não examinou como deveria os argumentos e o conjunto de documentos, apresentadas pelo Recorrente, alguns, inclusive, emitidos por órgãos públicos. Tivesse havido essa análise e não convencido acerca de sua veracidade, deveria aquela autoridade ter determinado diligencia, no sentido de confirmar ou não as alegações do contribuinte. No entanto, preferiu a caminho mais cômodo, mantendo o lançamento, sem o exame que o caso exige; k. Na listagem dos depósitos bancários, alguns identificam os depositantes, como é o caso da "Frutas Cantu Nordeste Ltda – CNPJ 02.731.684/000399", relacionada pelo Recorrente como um dos compradores de cebola, a qual deveria ter sido intimada para confirmar os depósitos realizados. Fatos como este, seguramente, tornam a decisão recorrida, frágil e inconsistente; l. No nosso ordenamento jurídico, não há normas que imponham a presunção de legitimidade ao lançamento tributário, no que se refere ao seu conteúdo, devendo o Fisco provar o fato constitutivo do seu direito; m. A presunção de legitimidade do ato de lançamento não justifica a tese da atribuição da prova ao contribuinte. A regra do ônus da prova decorre, em verdade, da relação substancial, isto e, do interesse na afirmação do fato. Se o fato que fundamenta o lançamento e contestado, o ônus da prova e da Fazenda Pública e não do contribuinte, como pretende o julgador de primeira instancia; n. Não se queira alegar, como pretende a autoridade julgadora, que com o advento da Lei N° 9.430/96, criouse uma presunção "juris tantum", em favor do fisco, que o autorize a exigir imposto de renda sobre créditos bancários, sem maior aprofundamento investigatório. Tal afirmativa não se sustenta, por dois motivos: primeiro, porque essa norma apenas reproduziu a regra existente no Artigo 6°, parágrafo 5°, da Lei N° 8.021/90, onde nunca se cogitou de tal presunção, e, segundo, porque essa interpretação conflitaria diretamente com o disposto nos Artigos 43 e 142 do CTN; o. Alegou em seu voto a autoridade julgadora que o Recorrente não apresentou, no ano calendário 2004, a sua declaração de rendimentos e que, nos anos calendário de 2005 e 2006, não foi apresentado o anexo da atividade rural. Ora, é evidente que esses procedimentos do Recorrente confirmam a omissão de rendimentos, até porque, se tivesse a informação dos rendimentos, certamente, não teria ocorrido o lançamento ora questionado; Fl. 1147DF CARF MF 12 p. Ao final, requer sejam analisadas minuciosamente as razões do presente recurso, para lhe conferir integral acolhimento, determinandose a reforma da decisão recorrida, e julgando improcedente o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Razões do Recorrente Na sua peça recursal, o Recorrente limitase a reafirmar o quanto alegado em sede de Impugnação, trazendo esclarecimentos e fatos abstratos, quase que desprovidos de cunho técnico capaz de refutar e desconstituir os termos do lançamento fiscal, senão vejamos. Esclarece que na região do Rio São Francisco (alto sertão dos Estados de Pernambuco e Bahia), onde o Recorrente se encontra estabelecido, a produção e comercialização de cebolas é realizada de modo informal por duas razões, quais sejam a simplicidade das pessoas que se dedicam a essa atividade e o fato de ser a atividade isenta do pagamento do ICMS naqueles Estados, nas operações internas e externa, não são desobrigados da emissão de nota fiscal. Esse contexto contribuiu significativamente para a falta de controle do Recorrente sobre a regularidade administrativa e fiscal do seu negócio. Como exemplo da aludida informalidade, vêse que as Cartas de Frete anexadas aos autos (fls. 408/599), estampadas com o nome da Fazenda Nossa Senhora da Conceição, trazem grafado logo abaixo do nome da fazenda a expressão "ORG. JOAO DA CICA", que é o nome pelo qual o Recorrente é conhecido na região, como produtor de cebola. Reafirma que as mencionadas Cartas se referem ao fornecimento e transporte de cebolas para diversos compradores e culminam por constituírem um controle rudimentar das vendas realizadas e entregues. Sustenta que os documentos trazidos aos autos não podem ser analisados individualmente, pois unidos, formam um conjunto probatório que demonstra que o Recorrente exerceu a atividade rural durante o período fiscalizado, ao contrário do quanto compreendido pelo julgador de piso, que firmou, equivocamente, estes não guardarem qualquer relação entre si. Assim, realça que, ao se negar a força probante do conjunto dos documentos apresentados, estáse “decidindo sem julgar”, o que não ocorrerá no CARF, a considerar o elevado espirito de justiça e o grau de conhecimento legal e técnico dos seus membros. Entende que os documentos que apresentou às autoridades autuante e julgadora de primeira instância são hábeis e idôneos, mas que, porém, o julgador de piso deixou de examinálos como deveria, sendo alguns emitidos por órgãos públicos. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.143 13 Razoavelmente, quando trata do ônus da prova, afirma que o ordenamento jurídico nacional não possui normas que imponham a presunção de legitimidade ao lançamento tributário, no que se refere ao seu conteúdo, cabendo ao Fisco provar o fato constitutivo do seu direito. Continua tratando deste tema ao afirmar que a presunção de legitimidade do ato de lançamento não justifica a tese da atribuição da prova ao Recorrente, mas sim, à quem a alega, pois é deste o interesse no fato aventado. Assim, conclui que o ônus da prova é da Fazenda Pública e não seu, como decidiu o julgador de primeira instancia. Ainda sobre o mesmo tema, ressalta que não se deve querer alegar como pretende a autoridade julgadora que com o advento da Lei n° 9.430/96 foi criada uma presunção juris tantum em favor do Fisco, que o autoriza a exigir imposto de renda sobre créditos bancários, sem maior aprofundamento investigativo. Sobre essa afirmação, esclarece que não se sustenta por dois motivos: primeiro, porque essa norma apenas reproduziu a regra existente no Artigo 6°, parágrafo 5°, da Lei n° 8.021/90, na qual nunca foi cogitada tal presunção; e, segundo, porque essa interpretação conflitaria diretamente com o disposto nos artigos 43 e 142 do CTN. Ao final, confessa o Recorrente que, agindo da forma como descrita acima, é evidente que omitiu rendimentos, até porque, se tivesse declarado os rendimentos, certamente não teria ocorrido o lançamento ora contestado. Assim, pleiteia a reforma da decisão e julgamento de improcedência do auto de infração. Posto isso, passase a considerar essas alegações do Recorrente (carentes da técnica jurídica, tributária e processual) reveladoras do seu inconformismo como suas razões de recurso, protocoladas tempestivamente e que, em homenagem aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, e ao princípio da verdade material, devem ser analisadas. Vejamos. Omissão de rendimentos. Depósitos bancários de origem não comprovada. Presunção legal. A legislação tributária, em especial o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza à fiscalização que presuma omissão de receitas quanto aos valores depositados em contas bancárias nos casos em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vejamos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A presunção legal acima transcrita, em favor do Fisco, impõe ao contribuinte o ônus de elidir a imputação fiscal, mediante a comprovação da origem dos recursos (empréstimos, transferências interbancárias, etc). Tratase, entretanto, de presunção relativa (juris tantum), passível de prova em contrário. Cabe esclarecer que o § 5º do artigo 6 da Lei nº 8.021/90, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo artigo 88, XVIII, da Lei n° 9.430/96. Isso, aliás, confirma a clara intenção do legislador em dar Fl. 1149DF CARF MF 14 novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Assim, segundo a legislação em comento, temse que, para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Este entendimento encontra guarida da pacífica jurisprudência deste E. CARF, na forma abaixo: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, sem comprovação junto ao Fisco da origem dos recursos utilizados nessas operações, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova.” (Ac. nº 1267218. 1ª Turma. Sessão: 28/07/14) Pelo exposto, entendo por incontestável a presunção legal disposta pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, culminando por afastar qualquer contestação neste ponto. Depósitos bancários. Alegação de que a origem está vinculada a receitas oriundas da atividade rural. Necessidade de comprovação (ônus da prova) Contra o Recorrente foi constituído crédito tributário que o imputou a conduta infracional de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, efetuados em suas contas bancárias durante os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, nos montantes de R$ 6.632.299,02, R$ 6.107.561,92 e R$ 5.668.773,08, respectivamente. Em sua defesa, o contribuinte alega ter exercido, exclusivamente como pessoa física, a atividade rural de plantio e comercialização de “cebolas”, tendo apresentado a documentação acostada aos autos. Confessa que omitiu rendimentos na forma como restou apurada pela fiscalização, pelo qual deve ser tributado nos termos da legislação que rege a atividade rural da pessoa física, e não como depósitos de origem não comprovada. Conforme dispõe o § 2º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96: “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tribulação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nesse contexto, para que os rendimentos sejam tipificados como Lucros ou Receitas da Atividade Rural da Pessoa Física, passíveis de tributação favorecida, devem ser observados os seguintes requisitos: i) exercício da atividade rural; e ii) rendimentos oriundos do exercício da atividade rural. Pela análise da documentação juntada aos autos, se constata que o Recorrente não apresentou a DAAIRPF do exercício de 2005, anocalendário 2004 (fls. 1.024), tendo transmitido apenas aquelas relativas aos exercícios de 2006 e 2007, mas sem os anexos da atividade rural, e sem informar qualquer bem ou direito, como se vê às fls. 1.025 a 1.031. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.144 15 A comprovação das receitas da atividade rural da pessoa física deve ser feita com documentos hábeis e idôneos, e o resultado da atividade rural deve ser apurado em Livro Caixa devidamente escriturado, conforme previsto nos artigos 60 e 61, § 5°, do RIR/99, verbis: "Art. 60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § lº O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição (Lei Nº 9.250, de 1995, art. 18, § lº). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo a razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º). § 3º Aos contribuintes que tenham auferido receitas anuais até o valor de cinquenta e seis mil reais facultase apurar o resultado da exploração da atividade rural, mediante prova documental, dispensado o Livro Caixa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 30). § 4º É permitida a escrituração do Livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, com subdivisões numeradas, em ordem seqüencial ou tipograficamente. § 5º O Livro Caixa deve ser numerado seqüencialmente e conter, no início e no encerramento, anotações em forma de "Termo" que identifique o contribuinte e a finalidade do Livro. § 6º A escrituração do Livro Caixa deve ser realizada até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente anocalendário. § 7º O Livro Caixa de que trata este artigo independe de registro. Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § lº Integram também a receita bruta da atividade rural: I os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGE e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; 11 o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fiimageira; (..) § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais" Fl. 1151DF CARF MF 16 No caso em apreço, do quanto foi acostado aos autos em termos de provas, não se vislumbra o atendimento dos requisitos legais acima transcritos e, desde já, se pode considerar que os rendimentos do Recorrente não podem ser enquadrados como oriundos de atividade rural com vistas a se beneficiarem da tributação especial destinada à esta atividade. Outrossim, não há de ser acatada mera alegação de que a origem dos depósitos bancários está associada a receitas decorrentes da atividade rural, se desprovida da necessária comprovação por intermédio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual, além de Livro Caixa, mormente quando o contribuinte não informou referidas receitas espontaneamente em suas DIRPF. Como mencionado acima, se faz legalmente imprescindível a efetiva comprovação do exercício da atividade rural, em razão desta ser beneficiada com tributação favorecida, que incide à alíquota de apenas 20% sobre o montante apurado. No caso, constatase que os documentos apresentados não se prestam a comprovar a alegação do Recorrente, no sentido de que todos os depósitos efetuados em suas contas bancárias, nos anoscalendário de 2004 a 2006 e relacionados as fls. 339 a 387 se originaram da atividade rural. Isso, porque a atividade comercial diretamente junto ao consumidor, de forma habitual, com o fim de lucro e envolvendo gêneros não produzidos pela própria pessoa física, não caracteriza a atividade rural. Fazse necessário que esta pessoa física que comercializa produtos em venda direta ao consumidor final demonstre que os produtos vendidos são, todos, por ele produzidos, frutos da própria atividade rural. Assim, somente o produtor rural que vende, em seu nome, produtos de sua própria atividade rural, diretamente a centros de abastecimento, fornecendo notas de venda para atender as exigências do fisco estadual, não perde a condição de pessoa física, devendo os rendimentos derivados dessa atividade compor o resultado da atividade rural. Se os produtos comercializados forem produzidos por terceiros, a receita daí advinda perde a natureza de atividade rural, pois a atividade de revenda de produtos de terceiros realizada, de forma habitual e com fim de lucro, é de natureza comercial, ensejando a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica. Com base nisso, se percebe que as alegações e documentos apresentados pelo Recorrente não definem os fatos que ele pretende demonstrar, pois levam à conclusão de que parte dos depósitos efetuados nas contas bancárias decorrem da atividade comercial exercida em nome individual, pelo contribuinte, habitual e profissionalmente, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de produtos diversos. O contribuinte, além de não ter fornecido o documento adequado à comprovação da receita da atividade rural (nota fiscal, por exemplo), não indicou quais depósitos estariam comprovados por cada um dos detalhamentos de nota fiscal. Em especial, as notas fiscais emitidas por diversos fornecedores (fls. 988 a 1.017) têm corno comprador o contribuinte, inclusive com indicação de seu número de inscrição no CPF. Porém, mesmo estas aludidas notas serem suficientes à comprovação de despesas da atividade rural, o mesmo não se diz das receitas. Unicamente com relação ao pedido do Recorrente para exclusão, do lançamento, das receitas decorrentes de operações de vendas para a empresa Frutas Cantu Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 13411.720077/200875 Acórdão n.º 2201003.695 S2C2T1 Fl. 1.145 17 Nordeste Ltda., que constam da relação de depósitos efetuados em 2006 junto à conta corrente 2600815, do Unibanco (fls. 373 a 387), posto decorrerem de sua atividade rural, não resta sorte este pleito, pois carece de documentação comprobatória para tanto. Neste caso, como exemplo, caberia ao Recorrente apresentar nota fiscal que permitisse a vinculação desse crédito à receita da atividade rural. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do Recorrente, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante as alegações e indícios de prova. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens, não merece reforma a decisão recorrida. Este E. CARF compartilha desse entendimento, conforme abaixo: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A presunção constante do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 exige que o sujeito passivo comprove, por documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos de sua titularidade, sob pena da caracterização desses como omissão de receita ou de rendimentos.” (Ac. 2201003.631. Segunda Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Rel. Carlos Henrique de Oliveira. Sessão: 10/05/2017) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.” (Ac. 2201003.579. Segunda Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Rel. Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Sessão: 05/04/2017) Em razão disso, não cabe requerer da Fazenda que forneça prova que compete ao Recorrente. Destarte, restando comprovada a ocorrência do fato gerador do tributo, e considerando que o Recorrente não apresentou elemento de prova hábil e idôneo acerca da origem dos depósitos bancários que, por presunção legal, foram considerados como rendimentos omitidos, deve ser mantida a autuação. Princípio da verdade material Fl. 1153DF CARF MF 18 De modo indireto, aduz o Recorrente que a análise isolada dos documentos apresentados, a despeito da análise do conjunto probatório como um todo, não proporcionará ao caso a busca da verdade material. De acordo com o princípio da verdade material, o Fisco deve decidir com fundamento nos elementos fáticos efetivamente ocorridos, não se limitando às alegações trazidas aos autos pelos interessados. A partir desse ponto, por entender claro e pontual, transcrevo abaixo trechos da decisão a quo (fls. 1.111), que servirão para fundamentar este voto, a saber: “A investigação dos fatos deve trazer aos autos o que realmente ocorreu, a realidade, admitindo a correção de erros de fato, quando provados. Especialmente em razão do princípio da moralidade, da boafé, deve aplicar a lei corretamente, devendo verificar o seu suporte fático segundo efetivamente o que ocorreu no mundo real. No caso em tela, ao solicitar ao contribuinte, por meio de Termos de Intimação (fls. 06 a 07 e fls. 338 a 387) a comprovação documental dos depósitos ocorridos nas contas bancárias por ele mantidas em instituições financeiras durante os anoscalendário de 2003 a 2007, a fiscalização agiu orientada justamente por este Princípio.” Posto isso, entendo que foi observada no caso a busca da verdade material. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16537.001004/2011-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2001
VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA.
Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, trata-se de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado.
Numero da decisão: 9202-005.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício existente no lançamento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2001 VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA. Em se verificando a existência de vício na aplicação da regra matriz de incidência, tratase de vício de natureza material, não podendo subsistir o lançamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício existente no lançamento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não conheceu do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 7. 00 10 04 /2 01 1- 58 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 322 2 Em litígio, o teor do Acórdão nº 2302002.477, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de maio de 2013 (efls. 219 a 237). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000, 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/11/2000 a 31/12/2001 Ementa: DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. ENQUADRAMENTO SEGURADO EMPREGADO SUBORDINAÇÃO E NÃOEVENTUALIDADE. A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada à plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego.A falta da evidenciação do fato gerador implica na nulidade do lançamento por vício material. SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988. A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE A contribuição ao SEBRAE é um adicional sobre as destinadas ao SESI/SENAI, devendo ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. LEGALIDADE PRESUNÇÂO DE CONSTITUCIONALIDADE Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. A lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na fixação da exação. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 323 3 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura e dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, devendo ser excluídos do lançamento os valores relativos à caracterização de segurados contribuintes individuais como empregados, pela falta de evidenciação do fato gerador, o que implica na nulidade do lançamento por vício material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Enviados em 11/06/2013 os autos à Fazenda Nacional para ciência (efl. 238), a PGFN apresentou, em 10/07/2013 (efl. 270), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 239 a 269). Após pugnar pela tempestividade do pleito, alega a Fazenda Nacional divergência passível de apreciação por esta Turma em duas diferentes matérias, a saber: a) Quanto à inexistência de nulidade no auto de infração: Alega, inicialmente, a recorrente divergência em relação ao decidido, em 10/09/2007, pela 1a. Turma da Câmara de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF/01 05.716, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão CSRF0105.716 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 324 4 NORMAS PROCESSUAIS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – ATO MERAMENTE IRREGULAR Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a “motivação” feita pela autoridade administrativa que integra a “formalização” do ato. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O princípio do contraditório se traduz de duas formas: por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalida a decisão administrativa proferida em desobediência ao ditame constitucional do contraditório. Recurso especial provido. Decisão: DAR provimento ao recurso especial, para afastar a nulidade do auto de infração e declarar a nulidade dos atos processuais a partir da decisão de primeira instancia, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Quanto a este primeiro paradigma, alega a recorrente que ali resta consignada a tese de que a nulidade somente deve ser declarada se restar comprovado o prejuízo, no caso concreto, para o exercício do direito de defesa do contribuinte, devendo esse exame ser realizado mediante a análise das peças de defesa acostadas aos autos. Também destaca que a deficiência no pressuposto da motivação é sanável e não enseja a nulidade do lançamento, ainda mais sob a pecha de vício material. Isso porque a motivação diz respeito à formalização do lançamento, à exteriorização desse ato administrativo. Entende que fica clara a divergência entre o acórdão recorrido e paradigma. Muito embora o acórdão recorrido tenha entendido pela ocorrência da nulidade, pois entendeu pela caracterização insuficiente do vínculo empregatício, vêse, conforme o conceito dado pelo paradigma, que esse conceito de “motivo do ato” é diverso. O paradigma esclarece que “Para o ato de lançamento, por exemplo, o motivo é a ocorrência do fato gerador do tributo e a norma jurídica que autorizam a exigência”. A decisão recorrida assenta, por outro lado, que o agente fiscal não delineou a motivação fática do fato gerador da obrigação principal. Vejase que esse entendimento fica claro, pois em nenhum momento o Colegiado a quo assentou não ter ocorrido o fato gerador. Entende que, em nenhum momento, o acórdão recorrido refutou a existência do motivo do lançamento, mas apenas sua motivação. Isto é, em nenhum momento afirmou que os segurados não eram empregados, mas apenas que, pela descrição supostamente Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 325 5 defeituosa, inexistente e/ou precária realizada pela fiscalização, não era possível “concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente”. Assim, defendendo a similitude fática para este primeiro paradigma, conclui que, nos próprios termos da decisão guerreada, fica claro que houve falha na motivação, segundo o conceito dado pelo paradigma, e não no motivo do ato. Assim, ainda segundo a inteligência do paradigma, os vícios de formalização podem ser convalidados com a prática de novo ato e, se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. Ainda segundo o mesmo paradigma, em sentido diametralmente oposto à decisão recorrida, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito à ampla defesa, se o contribuinte compreende os termos do lançamento, passando a defenderse da acusação formulada. Ainda quanto a esta matéria, apresenta a recorrente um segundo paradigma caracterizador, em seu entendimento, de divergência interpretativa, a saber Acórdão no. 104 17.279, de lavra da 4a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Acórdão 10417.279 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL POR VÍCIO FORMAL O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, após cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data. IRPF GASTOS/APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL BASE DE CÁLCULO PERÍODO BASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada com base em sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não lograr comprovar a origem dos recursos despendidos. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 326 6 IRPF CUSTO DE CONSTRUÇÃO ARBITRAMENTO COM BASE NA TABELA DO SINDUSCON Aplicase a tabela do SINDUSCON ao arbitramento do custo de construção de edificações quando o contribuinte não declara a totalidade do valor despendido em construção própria, limitandose a comprovar com documentos hábeis apenas uma parcela dos custos efetivamente realizados, em montante incompatível com a área construída. IRPF ARBITRAMENTO DE IMÓVEL COM BASE NO ITBI DOCUMENTO PÚBLICO VALIDADE DA PROVA Só não prevalecerá para os efeitos fiscais a data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual deste não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse de outra forma. Assim, a Escritura Pública de Compra e Venda faz prova bastante da aquisição de imóvel. O simples arbitramento, com base no ITBI, desacompanhado de prova material, não tem o condão de sobrepujar o que foi contratado diante de tabelião juramentado. VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no § 4 do artigo 1 da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária TRD poderá ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991 quando entrou em vigor a Lei n.º 8.218/91. Acórdão reratificado. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Decisão: Por unanimidade de votos, RERATIFICAR o Acórdão n. 10417.078, de 08 de junho de 1989, para REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência fiscal a importância de Cr$ 12.000.000,00 relativa a março de 1991, bem como excluir a incidência da TRD anterior a agosto de 1991. Quanto ao segundo paradigma apresentado, também sustenta ter ficado demonstrado que ambos os acórdãos citados (recorrido e paradigma) dão, em face de uma mesma situação fática, interpretações distintas da legislação tributária. Enquanto o primeiro defende que a ausência de descrição completa do fato gerador no auto de infração implica a sua nulidade por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mesmo tendo o contribuinte enfrentado todos os pontos apurados pela autoridade fiscal, o segundo entende que não. O acórdão paradigma ressalta que tal ausência é um vício formal passível de ser superado. Alega a Fazenda Nacional que, no caso presente, o contribuinte não demonstrou qualquer falta de conhecimento sobre os fatos que ensejaram o lançamento. Ao revés, defendeu que os segurados enquadrados como empregados pela fiscalização na verdade prestariam serviços de caráter autônomo, ou seja, da locação de serviços regulada pela lei civil, sendo que alguns inclusive exerceriam atividade regulada por entidade de categoria Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 327 7 profissional específica, não se fazendo presente o vínculo permanente de subordinação, dentre outros argumentos. Logo, entende a Fazenda Nacional não ter restado configurado o efetivo e concreto prejuízo à defesa, nos termos definidos pelos paradigmas, sendo inquestionável, assim, a caracteriza a caracterização da divergência. Em linhas gerais, argumenta ainda a Fazenda, em sua demanda quanto a esta primeira matéria que: a.1) Cita os artigos 59 e 60 do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972 bem como o art. 10 do mesmo Decreto, para defender que, a partir de tais dispositivos, os quais entende obedecidos pelo procedimento fiscal em análise, depreendese como necessária para a validade do lançamento a descrição do fato de uma forma tal que não resulte em prejuízo à ampla defesa do contribuinte. Não há, ao que se vê, a exigência de que seja apresentada descrição minuciosa e pormenorizada das circunstâncias fáticas. Cita jurisprudência desta Câmara Superior, para defender que não se vislumbra, na situação fática sob analise, prejuízo à defesa do contribuinte, tendo o autuado demonstrado ter pleno conhecimento dos termos da autuação e dela se defendeu, não havendo, assim, qualquer vício no lançamento a ensejar sua improcedência ou nulidade; a.2) No caso em tela, a imputação é de que a pessoa jurídica se omitiu no dever de inscrever os segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social, sendo que o relatório impugnado apresentou o nome de cada um deles e o período em que prestaram serviço à empresa sem que fossem inscritos. A pessoa jurídica compreendeu claramente o conteúdo do lançamento, tendo sustentado, muito embora sem produzir prova a respeito, que se tratavam de trabalhadores autônomos. Não houve, pois, prejuízo à ampla defesa. Violação haveria, por exemplo, se a fiscalização apontasse a existência de “dez empregados” sem a devida inscrição, impedindo que o contribuinte conhecesse a individualização de cada um deles e, portanto, os elementos indispensáveis para a compreensão do dever descumprido; a.3) Com efeito, o contribuinte não demonstrou qualquer falta de conhecimento sobre os fatos que ensejaram o lançamento. Ao revés, defendeu que os segurados enquadrados como empregados pela fiscalização na verdade prestariam serviços de caráter autônomo, ou seja, da locação de serviços regulada pela lei civil, sendo que alguns inclusive exerceriam atividade regulada por entidade de categoria profissional específica, não se fazendo presente o vínculo permanente de subordinação, dentre outros argumentos; a.4) O próprio voto condutor não chega a afirmar que os fatos geradores não ocorreram, sendo que quanto à forma, a lei só exige a descrição dos fatos, sem o adjetivo “minucioso” e que tal exigência deve ser interpretada à luz do princípio que veda a decretação de nulidade sem prejuízo, não havendo que ser anulado o presente lançamento, por absoluta ausência de vício. Em conseqüência, por todos os motivos acima expostos, resta evidente a ausência de motivos a subsidiarem a declaração de nulidade por parte do órgão julgador, merecendo reforma no particular o aresto recorrido. b) Quanto à natureza do vício: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 328 8 Alega, inicialmente, a recorrente divergência em relação ao decidido, em 17/09/2002, pela 5a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, no Acórdão no. 105 13.892, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 10513.892 PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE O lançamento, por constituirse em um ato administrativo de formalização do crédito tributário, como previsto no art. 142 do CTN, Lei n° 5.172/66, c/c o art. 10 do PAF, Decreto n° 70.235/72, exigiu o legislador, obrigatoriamente, certos requisitos intrínsecos e extrínsecos, que são concorrentes e cumulativos à sua eficácia. A inobservância de tais exigibilidades concorre para a sua nulidade, mormente quando a descrição dos fatos motivadores da exação não contempla a totalidade das matérias nele consignadas, em atendimento ao princípio da unicidade do ato de lançamento. Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar suscitada (de nulidade), para cancelar o lançamento, por constatação de vício formal na sua constituição, dando provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Verinaldo Henrique da Silva, que rejeitava a preliminar argüida. Quanto a este primeiro paradigma, alega a recorrente que o acórdão paradigma, ora trazido, ao analisar situação similar – ou seja, na qual se tratava da preliminar de nulidade por insuficiência na descrição dos fatos geradores –, entendeu que a incompleta descrição do fato gerador não gera a nulidade do lançamento por vício material, principalmente se o contribuinte impugnou o lançamento de forma minuciosa, inclusive acerca das questões de mérito (não só preliminares). Defende, assim, que os acórdãos citados (recorrido e paradigma) dão, em face de uma situação fática semelhante, interpretações distintas da legislação tributária. Enquanto o primeiro defende que a ausência de descrição completa do fato gerador no auto de infração implica a sua nulidade material por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mesmo tendo o contribuinte enfrentado todos os pontos apurados pela autoridade fiscal, o segundo entende que não. O acórdão paradigma ressalta que tal ausência é um vício formal. Observase inclusive que o paradigma estriba sua conclusão no mesmo dispositivo citado pelo voto vencedor do acórdão recorrido: no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ainda quanto a esta matéria, apresenta a recorrente um segundo paradigma caracterizador, em seu entendimento, de divergência interpretativa, a saber Acórdão no. 3403 00.269, de lavra da 3a. Turma da 4a. Câmara deste CARF, datado de 18/03/2010, in verbis: Acórdão 340300.269 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. ERRO NA MOTIVAÇÃO DE SUA LAVRATURA. VICIO DE FORMA. CONFIGURAÇÃO. O lançamento, como espécie de ato administrativo, deve observar a regularidade de seus elementos constitutivos (sujeito, forma, objeto, motivo e finalidade), de tal maneira que os defeitos existentes na motivação de sua lavratura, quando não refletem a Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 329 9 adequada razão de sua realização, configuram vício de forma por prejudicar o contraditório e a ampla defesa, impondo sua nulidade. Processo anulado ab initio. Decisão: por unanimidade de votos, em anular o processo ah initio, nos termos do voto do Relator. Quanto ao segundo paradigma apresentado, alega que ali também se observa uma imprecisão na descrição dos fatos geradores, tendo se entendido que o vício ensejador da nulidade teria índole formal. Logo, entende a Fazenda Nacional, assim, caracterizada a divergência interpretativa, também quanto a esta segunda matéria. Adicionalmente, quanto à natureza do vício, ressalta que: b.1) Em nenhum momento ficou reconhecida a ausência de motivo do lançamento, sendo que, na hipótese em apreço, a ausência na descrição do fato gerador, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; b.2) Uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos. A questão é que o fato gerador ocorreu, em que pese poderse considerar como não instruído ou mal instruído o respectivo Auto de Infração; b.3) Não houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo que, novamente destaquese, demonstrou pleno conhecimento dos motivos que levaram à autuação, exercendo o direito à ampla defesa em sua inteireza. Assim, incabível se falar em decretação de nulidade por cerceamento de defesa; b.4) Ainda, não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. Como já salientado, tratase de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição do fato gerador, que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos). Isso porque, em momento algum se afirmou ou concluiu que o fato gerador da obrigação tributária não ocorreu. Logo, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tão somente na exteriorização do ato do lançamento. A propósito, cita jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF éque, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma. b.5) A decisão ora recorrida julgou improcedente o lançamento, porque entendeu que a hipótese fática do fato gerador da obrigação principal não foi devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos, mas em nenhum momento afirmou a não Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 330 10 ocorrência do fato gerador, ou seja, a ausência do motivo do lançamento. Na hipótese em apreço, a ausência de motivação, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarsea afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; Assim, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tão somente na exteriorização do ato do lançamento, cabível a convalidação no mesmo, na forma do art. 55 da Lei no. 9.784, de 1999, que se harmoniza com os arts. 59 e 60 do Decreto no. 70.235, de 1972, já anteriormente citados. Conclui o pleito no sentido de que não houve o vício proclamado pela decisão recorrida e, se vício houve no lançamento, o que se admite apenas por amor ao debate, este seria de natureza formal a ensejar a nulidade do lançamento e não sua improcedência, citando ao final jurisprudência da Turma recorrida que encampa a tese de vício formal em situações similares de análise dos requisitos fáticojurídicos para a caracterização do vínculo de emprego. Assim, requer que seja conhecido o presente recurso e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade, ou, alternativamente, seja considerado o vício como de natureza formal. O recurso foi regularmente admitido, consoante despachos de efls. 272 a 284. Encaminhados os autos ao contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 21/09/15 (efl. 290), esta apresentou contrarrazões de efl. 293 a 296, onde defende a manutenção da decisão recorrida, a partir de seus próprios fundamentos de efls. 223 a 227. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Todavia, quanto à existência de divergência interpretativa para ambas as matérias admitidas, discordo do exame de admissibilidade de efls. 272 a 284. Assim, analiso inicialmente o conhecimento do recurso em tópico próprio. 1. CONHECIMENTO Inicialmente, a propósito, entendo importante que se note a possibilidade de, na seara de análise da legalidade do lançamento tributário, existirem três diferentes ocorrências, independentes entre si e abordadas no corpo do pleito recursal fazendário, a saber: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 331 11 a) A falta de (completa) descrição do fato gerador no ato de exteriorização do lançamento (Auto de Infração AI); b) A falta de (completa) descrição do(s) fato(s) que ensejou(aram) o lançamento exteriorizado através do mesmo AI, esta sim mencionada no art 10, III, do Decreto no. 70.235, de 1972, e que, notese, difere da mencionada no item "a", por não envolver necessidade de qualquer consideração adicional acerca de subsunção à hipótese de incidência, podendo, porém, obviamente, haver casos em que ambas as faltas ocorram simultaneamente, e c) Finalmente, a conclusão acerca da ocorrência do fato gerador a partir dos elementos trazidos aos autos, sendo que, conforme muito bem trazido pela Douta Procuradoria no âmbito do Acórdão no. 105137.757, é aqui, nesta seara, que, quando adotando a terminologia motivo/motivação utilizada pela doutrina e abraçada no âmbito daquele Acórdão, uma vez não se podendo concluir pela ocorrência do fato gerador se está diante de falta de motivo (e não de motivação). No caso deste julgador, que adota doutrina e terminologia um tanto diversa da citada em seus votos, se estaria nesta última hipótese, em vício na norma introduzida, visto que. nesta hipótese de impossibilidade de conclusão da ocorrência do fato gerador a partir dos elementos carreados aos autos, não se pode garantir, também, por consequência, a correta aplicação da regra matriz de incidência. De se notar, ainda, a propósito do acima desenvolvido, entender este julgador que: 1. É perfeitamente factível que se possa concluir pela ocorrência do fato gerador, a partir dos elementos carreados aos autos, ainda que insuficiente a descrição do referido fato gerador ou dos fatos que ensejaram o lançamento (como por exemplo ocorreria quanto ao critério espacial da hipótese de incidência, quando não se descreve o local onde ocorreram os fatos no AI, revelado, todavia, através de outros elementos probantes como sendo o território nacional e em se tratando, no lançamento, de hipótese de incidência de tributo federal); 2. Quando da análise da existência ou não da ocorrência do fato gerador, o necessário é que o julgador possua elementos mínimos nos autos para concluir acerca da correta aplicação da regra matriz de incidência à situação fática sob análise, não sendo necessário, todavia que o julgador se convença, como quer fazer crer a Procuradoria em determinados trechos de seu pleito, para fins de decretação de nulidade, acerca da inocorrência dos fatos geradores, o que levaria, em determinados casos, à necessidade de produção da denominada "prova diabólica". Entendo que, em não havendo elementos para que se conclua acerca da ocorrência do fato gerador, já restaria impossibilitada a conclusão acerca da correta aplicação da regramatriz de incidência, com a consequente conclusão de existência de mácula no lançamento. Feita tal digressão, atenhome agora ao recorrido e paradigmas para verificar a ocorrência de divergência interpretativa: a) Quanto ao recorrido: Com a devida vênia à recorrente, a leitura da decisão guerreada que faço é diversa daquela da recorrente. A partir dos excertos colacionados a seguir, em especial dos Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 332 12 trechos aqui grifados, depreendo que o Colegiado recorrido não somente verificou existir a incompleta descrição dos fatos abrangidos no lançamento, mas, também, não se convenceu acerca da ocorrência do fato gerador objeto de autuação, em especial a partir da análise do Relatório Fiscal e demais elementos carreados aos autos. Ainda, concluiu ter havido cerceamento de defesa do autuado. Diante de tais conclusões, decidiu pela ocorrência de vício material. O que ocorre é que o termo "motivação" utilizado pelo recorrido não ganha os contornos do termo na forma utilizada pela Fazenda Nacional, pelo simples fato do recorrido não abraçar a doutrina que faz a distinção motivo/motivação. No recorrido se utiliza o vocábulo motivação como sinônimo de verificação da ocorrência do fato gerador (o que seria o motivo, na teoria trazida aos autos pela Fazenda Nacional). Vejase: "(...) A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. No caso sob exame, foram considerados fatos geradores os pagamentos às pessoas físicas, que prestaram serviços diversos à recorrente, conforme planilha de fls. 16/17 e que foram entendidos como segurados empregados. Ocorre que a descrição dos fatos mostrase incipiente para o lançamento, pois restam ausentes as circunstâncias materiais que suportariam a certeza e liquidez do crédito constituído. O relatório fiscal de fls. 24/25, assim se pronuncia sobre a relação de emprego que objeto do lançamento em questão: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, discriminadas em recibos de pagamentos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados com a contabilidade e declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 02/2000; 06/2001 a 12/2001 cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa e nos Relatórios Fatos Geradores, com levantamentos intitulados "COG Contabilidade em GFIP"; 3.2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, Airton da Silva Rosa, Andressa Lopes, Pedro A Souza, Silvio, Sandro Roberto Wittitz, Roberto Shigueru Murata, Rosibel Nunes de Amorin, José Paulo Vieira, Miguel Angel Seixa e Silmar Elísio, em razão dos serviços de assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas, serviços auxiliares de escritório, considerados indevidamente pela empresa, como sendo proveniente de segurados contribuintes individuais, declarados em GFIP, constante de recibos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados pela contabilidade, no período de 05/2000; 11/2000 a 01/2001; 03/2001 a 04/2001 e 06/2001 a 12/2001, cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa, com levantamento intitulado "COG Contabilidade em GFIP"; Como visto, o Fisco se limita a nomear as pessoas físicas e os serviços prestados como “assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas e serviços auxiliares de Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 333 13 escritório”, mas não há qualquer evidenciação da prestação dos serviços com os pressupostos de uma relação empregatícia. No caso da relação de emprego, deve restar comprovada pela fiscalização a subordinação jurídica, a nãoeventualidade, a onerosidade e a pessoalidade, tudo em consonância com as disposições regulamentares da Previdência Social: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A simples descrição dos serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. (...) Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador. Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente, fato este determinante para o lançamento de débito na presente NFLD. Um dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material e, por este princípio, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito. Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da suposta relação de emprego. O relatório Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 334 14 fiscal, fls. 24/25, se limita a dizer que os segurados prestavam serviços considerados indevidamente como de contribuintes individuais, mas não evidencia qualquer requisito inerente à relação empregatícia, de forma que o lançamento como se apresenta, não permite vislumbrar a relação de emprego. (...) O contencioso administrativo no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelo Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972 e mais especificamente, no caso das contribuições sociais de que tratam os artigos 2° e 3° da Lei n.° 11.457, de 16 de março de 2007, pela Portaria RFB n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em ambos diplomas legais, nos artigos 59, inciso II e 27, inciso II, respectivamente, está disposto que são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa” (grifo no original) Entendo que restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputada uma notificação para pagamento de crédito constituído sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador. A ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. (...) De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa e o artigo 61, diz que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar sua legitimidade: Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 335 15 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade e por estar evidenciado que o Relatório Fiscal preteriu o direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade do lançamento referente à caracterização de segurados como empregados por vício material, por não terem sido verificadas e trazidas aos autos as circunstâncias materiais dos fato geradores de tributos. (...)" Ou seja, utilizandose a terminologia recursal, sobre a qual já fiz digressão acima, entendo que o Colegiado, além da conclusão pela falta de motivação largamente mencionada e demonstrada pela Fazenda Nacional a partir dos elementos constantes do feito, também concluiu pela falta de motivo da autuação, uma vez que inexistiam elementos suficientes trazidos aos autos pela autoridade lançadora que permitiram concluir pela ocorrência do fato gerador e, consequentemente, também pela correta aplicação da hipótese de incidência à situação fática em julgamento. Passo, assim, à análise de cada um dos paradigmas, segregados conforme matérias admitidas. b) Quanto à inexistência de vício : b.1) Acórdão CSRF/0105.716 (1o. paradigma) O critério jurídico aqui utilizado em nada difere do recorrido. O que ocorre é que, ali, em se tratando de realidade fáticoprobatória diversa, se concluiu pela ocorrência do fato gerador autuado, ainda quando da insuficiente descrição dos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejaram a autuação, tendose ressalvado especificamente que, caso houvesse preterição do direito de defesa, seria decretada a nulidade, verbis: “Ressaltese, prima facie, que o vício de descrição da autuação, discutido nos autos, é apenas formal, eis que foi desatendida a norma processual prevista no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Não se trata de erro na aplicação da norma de incidência do tributo, apenas houve falha na exteriorização do ato do lançamento. Nesse contexto, não se deve confundir o motivo do ato administrativo com a ʺmotivaçãoʺ feita pela autoridade administrativa que integra a ʺformalizaçãoʺ do ato, sendo um requisito formalístico dele. Tanto que a ausência de motivação incluise entre os vícios de formalização. O motivo, por sua vez, é pressuposto de validade do ato. Ou seja, a validade do ato dependerá da existência do motivo que houver sido enunciado. Para o ato de lançamento, por exemplo, o motivo é a ocorrência do fato gerador do tributo e a norma jurídica que autorizam a exigência, enquanto a motivação é a descrição em linguagem, nos autos, pelo agente fiscal, dos fundamentos fáticos e jurídicos de sua ocorrência. Os atos com vício de motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no novo ato. Já os vícios de formalização podem ser convalidados Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 336 16 com a prática de novo ato, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado. No capítulo das nulidades, o art. 59 do Decreto n° 70.235/72 organiza o sancionamento administrativo imposto a esses atos viciados. Nele, é definido que a nulidade deve ser declarada em face de preterição do direito de defesa e vício de competência, critérios que devem orientar os julgadores na apreciação das alegações de nulidade dos atos processuais. Dessa forma, se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo as partes e ao sistema de modo que o tome inaceitável, ele deve permanecer válido. Assim, transmudandose agora ao Colegiado paradigmático a situação fática e a análise probatória realizada pelo Colegiado recorrido, que concluiu entendeu não estar caracterizada a ocorrência dos fatos geradores objeto de lançamento e, também, no sentido de ter havido cerceamento do direito de defesa (ressaltandose não ser possível alegar divergência com base em mera diferença de análise probatória em cada um dos casos), também ali a nulidade seria decretada (o teste de aderência não revela divergência), não havendo que se falar em divergência de critério jurídico quanto à existência de vício (nulidade). Assim, rejeito a ocorrência de divergência interpretativa quanto a este primeiro paradigma. b.2) Acórdão 10417.279 (2o. paradigma) Aqui, se está diante de caso onde, de maneira oposta á leitura feita por este Conselheiro para o Acórdão recorrido, se rejeita expressamente a possibilidade de, nos autos paradigmáticos, não ter restado materializada a hipótese de incidência ou de ter havido cerceamento do direito de defesa (ambas situações caracterizadas no julgado recorrido) e, mais, se estabelecendo ali que fosse o caso fosse o caso de quaisquer das duas situações, se estaria, sim diante de caso de nulidade, in verbis (fls. 1617 do Acórdão no. 10417.279): "(...) Ora, a autoridade singular cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede a situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, já que a discussão se prende a interpretação de normas legais. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 337 17 Além disso, o Art. 60 do Decreto n.° 70.235/72, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) Assim, também aqui não há que se falar em divergência de critério jurídico utilizado para fins de caracterização da ausência/presença de vício no lançamento. Para o paradigma, em não devidamente caracterizada a materialização da hipótese de incidência e/ou tendo ocorrido cerceamento do direito de defesa (conclusões emanadas da análise probatória do recorrido. que, notese, concluiu expressamente pela preterição do direito de defesa), também se estaria a reconhecer a nulidade do lançamento. Daí inexistir divergência interpretativa quanto a esta seara também quanto ao segundo paradigma. Diante do exposto, voto por não conhecer da primeira matéria admitida (inexistência de vício no lançamento) c) Quanto à natureza do vício existente (formal/material): b.1) Acórdão 10513.892 (1o. paradigma) Aqui, vislumbro similitude fática entre a situação fáticoprobatória do recorrido e a do paradigma, visto que, no caso deste último, havia completa ausência da descrição de fatos para algumas das matérias objeto de tributação, obstando assim que se pudesse verificar a ocorrência do fato gerador, tendo ali optado o julgador, porém, por declarar, no âmbito daquele paradigma, a nulidade do auto de infração, por vício formal. É o que se nota do seguinte trecho do paradigma (Acórdão no. 105 13.892, fl. 20): "(...) Assim, entendo que o ato de lançamento, consubstanciado no auto de infração, tem por finalidade constituir o crédito tributário. As matérias são elementos que se extrai de fatos tributáveis ocorridos que, pela sua representatividade, devem ser indicadas ao autuado, com clareza e precisão, a fim de que sobre elas possa se manifestar e exercer atentamente o seu direito de defesa. No caso sob exame, encontramos matérias não descritas, que, de pronto, já indicam a impossibilidade de ser exercido o direito de ampla defesa pelo acusado, em função do desconhecimento do que efetivamente possa ter gerado um crédito tributário e o seu valor nominal. Tanto assim, que o próprio Julgador Monocrático não teve alternativa outra senão a de declarar sua nulidade. (...)" Já o Colegiado recorrido, em situação análoga, optou por decretar a nulidade do lançamento por vício material. Caracterizada, assim, a diferença de critérios jurídicos entre Colegiados recorrido e paradigmático e, consequentemente, a divergência interpretativa, Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 338 18 despiciendo que se analise o segundo paradigma colacionado (Acórdão no. 340200.269), para fins de conhecimento do Recurso quanto à matéria. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial parcialmente, exclusivamente quanto à segunda matéria admitida, a saber a natureza do vício existente no lançamento (formal ou material). 2. MÉRITO Passo, destarte, à análise de mérito. Ressalto permanecer em litígio no feito tão somente a exclusão do lançamento perpretada pelo vergastado dos valores relativos à caracterização de segurados contribuintes individuais como empregados, pela falta de evidenciação do fato gerador (decisum recorrido), reconhecida ali como vício de natureza material. Inicialmente, faço notar que, quanto à existência de vício e quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101 002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 339 19 agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzila. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regramatriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (...) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Analisamos, a seguir, a aplicação de cada um deles no lançamento em debate. (...)" Aplicando tais considerações ao litígio em tela, verifico que, para fins de verificação da correta aplicação das hipóteses de incidência tratadas nos autos, constantes do demonstrativo de fundamentos legais de efls. 22/23, mister que se analise a caracterização dos segurados como empregados, a qual dependeria, por sua vez, como muito bem levantado pelo Colegiado a quo, de caracterização dos requisitos de subordinação jurídica, nãoeventualidade, onerosidade e pessoalidade. Todavia, verifico, a propósito, que o único elemento carreado pela autoridade lançadora capaz de sustentar tal caracterização (relatório de efls. 26/27) é bastante sucinto e notoriamente insuficiente para tal fim, o que faz com que não se possa concluir acerca da efetiva ocorrência do fato gerador objeto de lançamento e, consequentemente, também da correta aplicação da regra matriz de incidência. Acedese aqui às seguintes considerações do Colegiado a quo, que se adotam como razões de decidir (grifos não presentes no original): "(...) A verificação das circunstâncias materiais do fato gerador do tributo é parte essencial do procedimento administrativo de lançamento. No caso sob exame, foram considerados fatos geradores os pagamentos às pessoas físicas, que prestaram serviços diversos à recorrente, conforme planilha de fls. 16/17 e que foram entendidos como segurados empregados. Ocorre que a descrição Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 340 20 dos fatos mostrase incipiente para o lançamento, pois restam ausentes as circunstâncias materiais que suportariam a certeza e liquidez do crédito constituído. O relatório fiscal de fls. 24/25, assim se pronuncia sobre a relação de emprego que objeto do lançamento em questão: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, discriminadas em recibos de pagamentos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados com a contabilidade e declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 02/2000; 06/2001 a 12/2001 cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa e nos Relatórios Fatos Geradores, com levantamentos intitulados "COG Contabilidade em GFIP"; 3.2. As remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, Airton da Silva Rosa, Andressa Lopes, Pedro A Souza, Silvio, Sandro Roberto Wittitz, Roberto Shigueru Murata, Rosibel Nunes de Amorin, José Paulo Vieira, Miguel Angel Seixa e Silmar Elísio, em razão dos serviços de assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas, serviços auxiliares de escritório, considerados indevidamente pela empresa, como sendo proveniente de segurados contribuintes individuais, declarados em GFIP, constante de recibos, recibos de pagamentos a autônomos, confrontados pela contabilidade, no período de 05/2000; 11/2000 a 01/2001; 03/2001 a 04/2001 e 06/2001 a 12/2001, cujos demonstrativos encontramse em planilha anexa, com levantamento intitulado "COG Contabilidade em GFIP"; Como visto, o Fisco se limita a nomear as pessoas físicas e os serviços prestados como “assistência técnica química, projetos e desenvolvimento de produtos, motoristas e serviços auxiliares de escritório”, mas não há qualquer evidenciação da prestação dos serviços com os pressupostos de uma relação empregatícia. No caso da relação de emprego, deve restar comprovada pela fiscalização a subordinação jurídica, a nãoeventualidade, a onerosidade e a pessoalidade, tudo em consonância com as disposições regulamentares da Previdência Social: Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A simples descrição dos serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção do fato à regra de Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16537.001004/201158 Acórdão n.º 9202005.359 CSRFT2 Fl. 341 21 incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal (...) Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração da relação de emprego por ventura existente, fato este determinante para o lançamento de débito na presente NFLD. (...) Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tem que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da suposta relação de emprego. O relatório fiscal, fls. 24/25, se limita a dizer que os segurados prestavam serviços considerados indevidamente como de contribuintes individuais, mas não evidencia qualquer requisito inerente à relação empregatícia, de forma que o lançamento como se apresenta, não permite vislumbrar a relação de emprego. (...) Assim, entendo caracterizada a ocorrência, aqui, de vício na norma introduzida (não havendo como se garantir a correta aplicação da regra matriz de incidência no lançamento), afirmandose, assim, sua natureza material, sendo, destarte, de se negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão: Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso da Fazenda Nacional, exclusivamente quanto à natureza do vício, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720504/2007-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, houve apresentação do ADA anteriormente a tal data.
Numero da decisão: 9202-005.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. No caso, houve apresentação do ADA anteriormente a tal data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 04 /2 00 7- 87 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 9202005.597 CSRFT2 Fl. 435 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Da autuação ao recurso voluntário Trata o presente processo de exigência de Imposto sobre a propriedade Territorial Rural – ITR, tendo em vista a divergência entre os valores apurados de área de preservação permanente, área de utilização limitada e o valor da terra nua declarados pela contribuinte em sua DITR/2003. Tal divergência implicou o valor de imposto lançado de R$ 487.885,27 em notificação de lançamento às efls. 02 a 06, cientificado à contribuinte em 28/12/2007 (efl. 162). O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 164 a 184, em 18/01/2008. Já a DRJ/CGE, no acórdão 0419.196, prolatado em 27/11/2009, às efls. 212 a 221, considerou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Inconformada, em 22/03/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 240 a 258, alegando, em síntese que: § se deva reconhecer a área declarada de reserva legal, no total de 11.164,5 ha, pois decorrente da lei ambiental e comprovada por averbação no registro de matrícula, no laudo técnico apresentado (efls. 117 a 132), imagem de satélite e requerimento do ADA; § se deva reconhecer a área declarada de preservação permanente, no total de 3.000 ha, comprovada por laudo técnico apresentado, imagem de satélite e ADA; § seja reconhecida a apresentação do requerimento referente o Ato Declaratório Ambiental ADA, mesmo intempestivo, ou sua desnecessidade; § é de se acolher o valor da terra nua declarado por não possuir a Receita Federal tabela de preços elaborada com atendimento a legislação reguladora que lhe autorize impugnar o valor declarado pelo contribuinte. Acórdão do recurso voluntário Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 9202005.597 CSRFT2 Fl. 436 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 08/02/2012, resultando no acórdão 210201.826, às efls. 289 a 296, que tem a seguinte ementa: ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas de preservação permanente e reserva legal. RE da Fazenda Nacional Intimada do acórdão em 20/04/2012 (efl. 297), a Procuradoria da Fazenda Nacional, em 24/04/2012, manejou recurso especial de divergência (efls. 298 a 308) ao acórdão. Afirma o Procurador que, partindo de premissas fáticas idênticas, o acórdão recorrido dispensa a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, tempestivamente, no prazo de seis meses contados da data da entrega da DITR, enquanto o paradigma afirma a indispensabilidade de apresentação do ADA nesse mesmo prazo, para fins de gozo da isenção. Tudo isso, seja em relação à área de preservação permanente, seja em relação à área de reserva legal. Foram indicados como paradigmas das divergências para a matéria os acórdãos nº 30134352 e 30239144. Por fim, o Procurador requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão recorrido e restaurar a decisão da DRJ/CGE. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho de efls. 341 a 343, datado de 02/05/2012, entendendo por lhe dar seguimento. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 9202005.597 CSRFT2 Fl. 437 4 Contrarrazões da contribuinte Intimada (Intimação nº 638/12, efl. 351) do acórdão do recurso voluntário nº 210201.826 e do recurso especial da Fazenda, em 24/07/2012 (efl. 354), a contribuinte veio a apresentar contrarrazões, em 08/08/2012, conforme consta às efls. 358 a 372. Contudo, em 20/08/2013, à efl. 375, protocolou pedido formal de desistência das suas contrarrazões, e pediu arquivamento do processo, em face de parcelamento do débito decorrente do acórdão a quo. No despacho de efls. 400 e 401, o Presidente do CARF encaminhou os autos para prosseguimento do julgamento em face de débitos que decorressem do recurso especial de divergência da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso a ser analisado é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à necessidade de apresentação, tempestiva, de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do ITR, para o exercício de 2003. No caso concreto, se encontra ADA acostado aos autos, protocolado em 26/10/2006 (efl. 192). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1º, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. A interpretação literal e restritiva quando da concessão de benefício fiscal, decorrente do art. 111 da Lei nº 5172 de 25/10/1966 CTN, impõe que se exija a apresentação do ADA. O prazo para a apresentação do documento foi definido na normatização infralegal. Minha posição histórica era no sentido de acatar a apresentação do ADA de acordo com prazo estabelecido em instrução normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil que possibilitava a sua entrega em até seis meses contados a partir do término do prazo de entrega da DITR (conforme disposto no inc. I do § 3º do art. 9º da IN RFB nº 256 de 11/12/2002, vigente à época do fato gerador). A declaração do exercício de 2003 deveria ser entregue até o dia 30 de setembro de 2003, conforme dispunha o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 344, de 23/07/2003. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2003 poderia ser entregue Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 9202005.597 CSRFT2 Fl. 438 5 até o dia 31 de março de 2004. No presente caso, ele só foi protocolado em 26/10/2006, assim, em meu entendimento, o foi de forma intempestiva. Todavia, tendo em vista o posicionamento majoritário deste colegiado no sentido de admissão do referido ADA desde que protocolizado antes do início da ação fiscal, saliento que aquele ato foi protocolizado em 26/10/2006, antes do início da ação fiscal, que se deu em 03/07/2007 (efl. 10), como se observa na intimação fiscal, às efls. 08 e 09, que origina o procedimento. Assim, considerando que a maioria dos membros do colegiado entende que o marco temporal para entrega válida do ADA, para fins de exclusão da tributação, é o início da ação fiscal, me curvo a esse entendimento da maioria, para, negar provimento ao recurso especial de divergência da Fazenda e manter as áreas de preservação permanente (3.000,00 ha), e de reserva legal (11.164,00 ha). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, para considerar tempestiva a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, implicando a manutenção do decidido no acórdão a quo. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10183.720504/200787 Acórdão n.º 9202005.597 CSRFT2 Fl. 439 6 Fl. 412DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725104/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.887
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 51 04 /2 01 2- 29 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10469.725104/201229 Acórdão n.º 3302003.887 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.640. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10469.725104/201229 Acórdão n.º 3302003.887 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10469.725104/201229 Acórdão n.º 3302003.887 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10469.725104/201229 Acórdão n.º 3302003.887 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10469.725104/201229 Acórdão n.º 3302003.887 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.725089/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.875
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 89 /2 01 2- 19 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10469.725089/201219 Acórdão n.º 3302003.875 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.442. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10469.725089/201219 Acórdão n.º 3302003.875 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10469.725089/201219 Acórdão n.º 3302003.875 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10469.725089/201219 Acórdão n.º 3302003.875 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10469.725089/201219 Acórdão n.º 3302003.875 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.720073/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO.
Para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, deve ser incluído em ambas o montante relativo à exportação de produtos não tributados pelo IPI.
No caso dos autos, tendo em vista que a parcela relativa à venda de produtos destinados à exportação não sujeitos à tributação pelo IPI (NT) foi excluída também da receita de exportação, com o intuito de ser mantida a coerência econômica da relação existente entre receita de exportação e receita operacional bruta, para se chegar no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, mantém-se igualmente a exclusão da referida verba do conceito de receita operacional bruta.
Numero da decisão: 9303-004.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, deve ser incluído em ambas o montante relativo à exportação de produtos não tributados pelo IPI. No caso dos autos, tendo em vista que a parcela relativa à venda de produtos destinados à exportação não sujeitos à tributação pelo IPI (NT) foi excluída também da receita de exportação, com o intuito de ser mantida a coerência econômica da relação existente entre receita de exportação e receita operacional bruta, para se chegar no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, mantém-se igualmente a exclusão da referida verba do conceito de receita operacional bruta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 664 1 663 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.720073/200521 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.965 – 3ª Turma Sessão de 11 de abril de 2017 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CARAMURU ALIMENTOS S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS PELO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, deve ser incluído em ambas o montante relativo à exportação de produtos não tributados pelo IPI. No caso dos autos, tendo em vista que a parcela relativa à venda de produtos destinados à exportação não sujeitos à tributação pelo IPI (NT) foi excluída também da receita de exportação, com o intuito de ser mantida a coerência econômica da relação existente entre receita de exportação e receita operacional bruta, para se chegar no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, mantémse igualmente a exclusão da referida verba do conceito de receita operacional bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 73 /2 00 5- 21 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 665 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 611 a 621) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3401001.418 (fls. 592 a 600) proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 02/06/2011, no sentido de “[...] não conhecer do recurso quanto às aquisições de pessoa física e cooperativa, por ter sido a matéria submetida ao Poder Judiciário, e na parte conhecida dar provimento para excluir os valores das receitas referentes aos produtos NT do percentual a ser aplicado na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI e para aplicar a Selic sobre o valor ressarcido, desde o protocolo do pedido [...]”. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1, DE 2009. No termos da Súmula CARF nº 1, de 2009, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. EXCLUSÃO. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 666 3 deve ser excluído no cálculo do incentivo, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. OPOSIÇÃO DO FISCO AO APROVEITAMENTO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, é devida a incidência da Selic no ressarcimento do IPI quando há oposição ilegítima do Fisco. Recurso não conhecido em parte, face à opção pela via judicial, e provido no restante. (grifouse) Para retratar o desenrolar dos fatos ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] Tratase de Recurso Voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que indeferiu Manifestação de Inconformidade em Declarações de Compensação cujo crédito tem origem em pedido de ressarcimento do Crédito Presumido requerido com base na Lei nº 9.363/96. Na origem o pleito foi deferido parcialmente pela Delegacia da RFB em GoiâniaGO. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte contesta as glosas relativas a aquisições de insumos a pessoas físicas ou cooperativas (1), a receita de exportação de produtos NT (2) e a não concessão da taxa Selic sobre a parte deferida (3). A DRJ, em levando em conta que em 23/11/2007 a empresa ingressou com Mandado de Segurança nº 2007.35.00.0240031 contra o Delegado da DRF em Goiânia, defendendo o direito ao Crédito Presumido sobre as aquisições de insumos a pessoas físicas ou cooperativas, aplicou o art. 20 da IN SRF nº 600/2005 para considerar que o pleito deve ser indeferido. Considerou, no entanto, que a parte do Crédito Presumido já reconhecido na origem não mais pode ser alterada, porque a ação judicial teve início em data posterior à homologação (parcial) da compensação. No mais, teceu, a título elucidativo, considerações segundo as quais as exportações de produtos NT não dão direito ao benefício em questão a Selic não deve ser aplicada em ressarcimento. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte alega que o art. 20 da IN SRF nº 600/2005 não se aplica ao caso em análise eis que, no momento do protocolo do Pedido, não havia qualquer discussão judicial. Destacando o parágrafo único do citado artigo, argúi que norma por ele veiculada aplicase ao momento do envio do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 667 4 Também observa que o Mandado de Segurança questiona exclusivamente a glosa relativa a aquisições de pessoas físicas ou cooperativas, enquanto a Manifestação de Inconformidade é mais ampla, por contemplar, também, as exportações de produtos NT e a Selic. Menciona, em prol de sua argumentação, o Acórdão nº 20215385, Recurso nº 122.775, tratando do art. 8º, § 6º, da IN SRF nº 21/97 (segundo a Recorrente este dispositivo equivale ao art. 20 da IN SRF nº 600/2005). Em seguida repisa alegações contidas na Manifestação de Inconformidade, defendendo a inclusão, no cálculo do incentivo, dos insumos adquiridos a pessoas físicas ou cooperativas e das exportações NT, além da taxa Selic a ser aplicada a titulo de “atualização” da parcela do Crédito Presumido deferido. Conclui requerendo lhe seja reconhecido o direito creditório pleiteado ou, caso este Colegiado entenda que a Manifestação de Inconformidade não foi integralmente apreciada, vez que a DRJ tratou das glosas a “título elucidativo”, seja determinado o retorno à primeira instância, para apreciação de todos argumentos de mérito, evitando assim supressão de instância. Em cumprimento à sentença proferida no Mandado de Segurança, que reconheceu o direito sobre as aquisições a pessoas físicas ou cooperativas, os cálculos foram refeitos na origem, para inclusão da glosa respectiva. Ao refazer os cálculos, a DRF de Goiânia observou que a parcela acrescida em razão da ação mandamental somente poderá ressarcida ou utilizada em compensação após o trânsito em julgado (Informação Fiscal Seort/DRF/GOI nº 418, de 09/07/2010, item 29, “c”). Em seguida encaminhou este processo ao CARF, para julgamento da parte do Recurso Voluntário não abrangido pelo Mandado de Segurança (Informação Fiscal Seort/DRF/GOI nº 418, de 09/07/2010, item 29, “d”). É o relatório. [...] O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 3401001.418 (fls. 592 a 600), ora recorrido, foi no sentido de: (a) Não conhecer do recurso voluntário quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas, tendo em vista o ajuizamento de ação judicial submetendo a matéria ao exame do Poder Judiciário; (b) Na parte conhecida, dar provimento para excluir os valores das receitas decorrentes da exportação dos produtos não tributados pelo IPI (NT) da receita operacional bruta e da receita de exportação, para fins de determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, bem como para determinar a aplicação da taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, desde a data do protocolo do pedido. Em face da referida decisão, foram opostos pela União embargos de declaração (fls. 603 a 604) alegando a existência do vício de contradição no julgado quanto à Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 668 5 exclusão dos valores dos produtos NT das receitas de exportação, alegando que a Contribuinte teria sucumbido em parte na análise do seu recurso. Os aclaratórios foram rejeitados nos termos da decisão de 30/11/2011, por inexistente a contradição (fls. 606 a 608). No ensejo, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (fls. 611 a 621), alegando divergência jurisprudencial quanto à exclusão das receitas decorrentes da exportação dos produtos NT da receita operacional bruta e da receita de exportação, para cálculo do crédito presumido de IPI, trazendo como paradigmas os acórdãos nº 20179.254 e 20402.250. Nas razões recursais, aduziu a Fazenda Nacional que: (a) O acórdão recorrido, ao decidir pela exclusão dos produtos NT da receita operacional bruta e da receita de exportação, contrariou a jurisprudência deste Conselho e a norma inserta no art. 2º da Lei nº 9.363/96, indo de encontro à sistemática criada pelo legislador para o cálculo do crédito presumido do IPI; (b) A norma tem por objetivo traduzir a real quantidade de insumos adquiridos para industrialização de produtos a serem exportados, como forma de beneficiar o setor econômico. O entendimento exarado pela decisão recorrida desvirtua a proporcionalidade do cálculo referido, pois se excluídos os valores dos produtos NT do cálculo da “receita operacional bruta”, denominador da fração referida no art. 2º da Lei nº 9.363/96, prejudicada estará a rubrica e, assim, o cálculo do crédito presumido de IPI; (c) A fração “receita de exportação/receita operacional bruta” busca determinar a representatividade das exportações dos produtos produzidos e exportados pelo Contribuinte dentro do volume de operações da empresa, cujo resultado, multiplicado ao valor total dos insumos adquiridos pelo produtorexportador, indicará a proporção dos insumos aplicados aos produtos exportados pelo contribuinte, que com a aplicação do percentual de 5,37% levará ao valor real do crédito de IPI; (d) Por fim, requer seja provido o recurso para determinar a inclusão dos valores relativos à exportação de produtos NT no cálculo da receita operacional bruta, mantendo hígida a fração estabelecida pela Lei. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional, por meio do despacho nº 340000.161, de 05 de março de 2015 (fls. 642 a 643), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação ao entendimento de que as receitas referentes aos produtos NT não devem integrar nem a receita de exportação, tampouco a receita operacional bruta, para fins do cálculo da relação percentual RE/ROB. Devidamente intimado, o Sujeito Passivo apresentou contrarrazões (fls. 651 a 659), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por consequência, a manutenção do acórdão recorrido. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 669 6 O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua interposição, e reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com alterações posteriores, devendo, assim, ser conhecido. No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de inclusão ou não dos valores decorrentes da exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) da receita operacional bruta, para fins de determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI estabelecido pela Lei nº 9.363/96. Ainda, restou assentado nos presentes autos o entendimento de que referido montante relativo aos produtos exportados NT deve ser excluído da receita de exportação, não tendo sido essa determinação objeto de insurgência pelas partes envolvidas no processo administrativo. Sobre a definição da relação entre receita de exportação e receita operacional bruta, para fins de determinação da base de cálculo do crédito presumido de IPI, esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse nos seguintes termos, conforme se depreende da fundamentação do voto da lavra do Ilustre exConselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão nº 930301.606, na sessão do dia 30/08/2011, in verbis: [...] DA INCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES ÀS EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS, NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 670 7 Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trata os de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. [...] Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 671 8 No caso dos autos, tendo em vista que a parcela relativa à venda de produtos destinados à exportação não sujeitos à tributação pelo IPI (NT) foi excluída também da receita de exportação, com o intuito de ser mantida a coerência econômica da relação existente entre receita de exportação e receita operacional bruta, mantémse igualmente a exclusão da referida verba do conceito de receita operacional bruta. Nesse sentido, importante trazer trecho do voto do Ilustre Relator do Acórdão recorrido, in verbis: [...] Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o valor da soma dos insumos utilizados na industrialização é multiplicado pelo percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor (industrial) exportador. Nesse cálculo o montante correspondente à exportação de produtos não tributados (NT) deve ser excluído, tanto no valor da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Isto porque a relação dada por esses dois valores (receita de exportação dividida por receita operacional bruta) visa apurar quanto foi exportado, do total de produtos industrializados pela empresa beneficiária. Se os produtos NT não são considerados industrializados, para fins do IPI, não devem integrar o cálculo do incentivo nem no numerador nem no denominador da fração. Pela mesma razão os insumos empregados nos protudos NT exportados não devem ser somados à base de cálculo do incentivo, sobre a qual incide o percentual dado pela receita de exportação dividida pela receita operacional bruta. É o que também acontece os produtos adquiridos de terceiros, mas exportados sem qualquer industrialização por parte de beneficiária do Crédito Presumido do IPI (simples revenda). Também não devem ser computados os insumos respectivos na base de cálculo do benefício, ao tempo em que o valor dos produtos exportados sem nova industrialização deve ser excluído da receita de exportação e da receita operacional bruta, como já decidiu esta Terceira Câmara no Recurso nº 131359, Acórdão nº 20311034, julgado em 28/06/2006, relatora a ilustre Conselheira Sílvia de Brito Oliveira. No mesmo sentido a decisão no Recurso nº 112611, Acórdão nº 20212304, julgado em 06/07/2000, relator o ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima. Conforme o final do art. 1º da Lei nº 9.363/96, as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem que compõem a base de cálculo do incentivo são aquelas utilizadas no processo produtivo. Que processo produtivo? O de industrialização, conforme deixa claro o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96, ao informar que, subsidiariamente, a legislação do IPI será empregada para estabelecer o conceito de produção. Este termo “produção” , empregado tãosomente no referido parágrafo e não repetido em qualquer outro trecho da Lei nº 9.363/96, é sinônimo de “processo produtivo.” De quem? Da empresa produtora e exportadora. Daí o crédito presumido do IPI não beneficiar a empresa que apenas exporta, sem que antes submeta, ela própria, as mercadorias a algum processo de industrialização. Tampouco beneficiar a empresa que exporta somente produtos NT. No caso de exportação Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 672 9 mista (produtos tributados e não tributados), o incentivo atinge apenas os produtos finais industrializados, tanto no que diz respeito à receita de exportação, à receita operacional bruta e aos insumos respectivos. Em consonância com esta interpretação, o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139, de 22/04/96, já esclarecia, no seu subitem 4.11, o seguinte: 4.11. O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), isto é, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI. Neste ponto o referido Parecer interpretou da melhor forma a legislação do crédito presumido, tendo esclarecido a questão relativa aos produtos NT. A Portaria MF nº 38, de 27/02/97, bem como a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13/03/97, ao regulamentarem o incentivo, não tratam especificamente do tema. Apenas informam que farão jus ao incentivo a empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais” (art. 2º da Portaria MF nº 38/97 e art. 2º da IN SRF nº 23/97), sem qualificar tais mercadorias como produtos industrializados. Somente no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 13, de 02/09/98, é que o tema foi tratado de forma específica. Depois a Portaria MF nº 64, de 24/03/2003, e a IN SRF nº 313, de 03/04/2003, utilizaram, corretamente, a locução “produtos industrializados nacionais” (art. 2º destes dois últimos atos). A meu ver os atos acima não inovaram na regulamentação do benefício em tela, tendo apenas procedido à melhor interpretação da Lei nº 9.363/96. Inclusive, é despiciendo dispositivo legal determinando expressamente a exclusão dos valores das mercadorias não industrializadas ou nãotributadas no cálculo do benefício. Mesmo antes do ADN COSIT nº 13, de 02/09/98, da Portaria MF nº 64/2003 e da IN SRF nº 313/2003, e independentemente do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139, de 22/04/96, o crédito presumido, tal como estabelecido pela Lei nº 9.363/93, não comportava a inclusão das mercadorias não industrializadas ou NT em sua base de cálculo, bem como dos respectivos insumos. Estendo seja esta a mens legis. Neste ponto destaco que sem sombra de dúvidas o incentivo em tela visou beneficiar as exportações. Nem por isso, contudo, a interpretação teleológica permite concluir que qualquer mercadoria exportada dá direito ao benefício. É que a interpretação de toda e qualquer texto de lei não se vincula à sua origem. O método histórico, bem assim o teleológico, não devem ser empregados com prevalência sobre outros métodos de interpretação. O que o intérprete objetiva, sempre, é identificar o espírito da lei (mens legis). Para tanto é necessário separar a voluntas legis (vontade da lei) da voluntas legislatoris (vontade do legislador), de modo a prevalecer a primeira. O que deve ser buscado é o sentido objetivo da norma, desvinculada dos motivos que a originaram. Neste sentido a lição de Karl Engisch: Com o acto legislativo, dizem os objectivistas, a lei desprendese do seu autor e adquire uma existência objectiva. O autor desempenhou o seu papel, agora desaparece e apagase por detrás da sua obra. A obra é o texto, a ‘vontade da lei tornada palavra’, o ‘possível e efectivo conteúdo de pensamento das palavras da lei’. [...] Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10120.720073/200521 Acórdão n.º 9303004.965 CSRFT3 Fl. 673 10 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 673DF CARF MF
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