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Numero do processo: 10980.920378/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.976
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 37 8/ 20 12 -3 1 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920378/201231 Resolução nº 3302000.976 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.931182/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2012 a 31/07/2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA
Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.821
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 31/07/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2012 a 31/07/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 11 82 /2 01 3- 81 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 3 2 deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ nº 04044.583, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação, transmitida pela recorrente, por inexistência do crédito alegado. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário ora em apreço, trazendo as seguintes alegações: alega que retificou a DCTF para ajustar a apuração de PIS do período, de onde surgiu o crédito utilizado, sendo que o ajuste da DCTF foi realizado nos estritos termos da legislação tributária aplicável, amparada na também retificada DACON, trazida aos autos. apontou os subsídios técnicos do crédito compensado, entretanto o órgão julgador de primeira instância afastou os efeitos jurídicos das declarações retificadoras por entender que deveria, os ajustes estar calcados em documentos contábeis e fiscais hábeis e idôneos. defende que até onde se sabe, o ordenamento pátrio, não traz uma lista específica de documentos aptos a assegurar de forma definitiva a certeza e liquidez de crédito oriundo de declarações retificadoras, mas certo é que, a fiscalização possui à sua disposição diversos recursos para averiguação da certeza e liquidez do crédito à ela submetido. Nesse aspecto, poderia inclusive ter submetido a DCTF retificadora ao procedimento de auditoria interna, na busca da origem do crédito pleiteado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 4 3 cita o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 onde destaca a possibilidade de retificação da DCTF após apresentação da PER/DCOMP, ou mesmo depois da emissão de despacho decisório que indefere o pedido, citando também Acórdão CARF neste sentido, concluindo que não há razão para a manutenção da decisão de não homologação, pois foram apresentados os fundamentos e critérios adotados pela recorrente na comprovação da certeza e liquidez do crédito. Anexa ao recurso cópia do Parecer Normativo COSITnº 2, de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.811, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.931172/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.811): "Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO E SUA COMPROVAÇÃO A decisão de piso já enfrentou a questão com muita clareza, como aqui reproduzimos trecho do voto do ilustre julgador : O indeferimento do pedido de restiutição em questão se deu devido a existência, no momento do processamento eletrônico, de débito declarado em DCTF correspondente ao valor do DARF pago para o tributo e período em questão. Assim, o Despacho Decisório de não homologação foi emitido com base nas informações prestadas pela própria interessada. A retificação da DCTF Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 5 4 e do DACON ocorreu após a ciência do Despacho Decisório. Apesar de o sujeito passivo mencionar “a devida apresentação de toda a documentação necessária para comprovar” e “cabal comprovação”, a manifestação de inconformidade veio acompanhada tão somente de cópias de DCTF e DACON. Nada mais. O sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprobatório, não explica a origem dos supostos créditos. Apenas proclama um direito genérico. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhadas de documentação hábil e idônea, não é suficiente para modificar o Despacho Decisório. Para o reconhecimento em favor da contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72, o qual determina: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Enquanto no lançamento de ofício incumbe à autoridade fiscal provar a ocorrência do ilícito (§ 1º do art. 38 do Decreto n.º 7.574/2011), nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha legado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” A recorrente apenas acrescenta que efetivou os ajustes em DCTF e DACON para comprovar a liquidez e certeza do crédito, sem trazer aos autos nenhuma informação sobre a origem do crédito, tratandose de COFINS NÃO CUMULATIVA, a que Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 6 5 receita está vinculada e qual o motivo do ajuste dos valores, qual seria o motivo do ajuste, quais valores estavam informados incorretamente e porquê. Além disso, não traz aos autos documentos que comprovem tal erro, para que se justifique o pagamento a maior do tributo, tampouco traz informações sobre a contabilização de tais valores e suas correções. Portanto, correta a decisão de piso ao afirmar que não existe a comprovação de liquidez e certeza do crédito,o que impede a operacionalização da compensação pleiteada. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alteracões, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 7 6 Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 9 8 Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014). 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 10 9 Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. É o que acontece no caso presente, a recorrente efetivou a retificação da DCTF, entretanto, não apresentou provas da liquidez e certeza do crédito, o que o torna inaceitável para operacionalização da compensação declarada. Assim, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito, faltandolhe liquidez e certeza. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.931182/201381 Acórdão n.º 3301005.821 S3C3T1 Fl. 11 10 Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado para não reconhecer o direito creditório e também não reconhecer o direito á compensação pretendida, porquanto não comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a desvinculação do crédito reconhecido, através de retificação da DCTF, faltando ao crédito os atributos de liquidez e certeza." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902355/2011-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. REDUZIDO.
Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 8% (oito por cento) para o IRPJ na hipótese de contratação por empreitada, com fornecimento, pelo empreiteiro, dos materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
Numero da decisão: 1003-000.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. REDUZIDO. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 8% (oito por cento) para o IRPJ na hipótese de contratação por empreitada, com fornecimento, pelo empreiteiro, dos materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. REDUZIDO. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 8% (oito por cento) para o IRPJ na hipótese de contratação por empreitada, com fornecimento, pelo empreiteiro, dos materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 23 55 /2 01 1- 17 Fl. 52DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1143.927, proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório informado em Declarações de Compensação Eletrônica – Dcomp. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever, com a devida complementação adiante: 1. A interessada acima qualificada, transmitiu em 30/10/2006, pedido de compensação de débito de CSLL do 3o trimestre de 2006, através de PER/Dcomp 14040.32954.301006.1.3.040505, informando “valor original do crédito inicial” de R$ 881,33 e idêntico valor de “crédito original na data de transmissão”, e que tal crédito tinha origem no DARF de CSLL, código 2372, do período de apuração 30/06/2006, no valor do principal igual ao valor total, de R$ 1.983,71. O Despacho Decisório indeferiu o pleito da contribuinte, justificando que o crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar débitos da mesma daquele período de 30/06/2006. 2. Cientificada do Despacho Decisório, em 20/07/2011, fl. 21, alega, a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, apresentada em 18/08/2011, que: 2.1. em 31/07/2006 pagou CSLL (2372) no valor de R$ 1.983,71. Posteriormente apurou que o valor devido era de R$ 743,89, resultando saldo a compensar de R$ 1.239,82; 2.2. desse valor, compensou no 3o trimestre/2006 R$ 910,59 através da PER/Dcomp apresentada em 30/10/2006, recibo 1510557676; 2.3. “No dia 20 de julho de 2011 Despacho Decisório nº rastreamento : 941319677, nos informando da não homologação da compensação declarada” (sic), percebendo que não havia apresentado a DCTF retificadora e assim procedeu em 29/07/2011, onde demonstra o valor efetivamente devido a título de CSLL do 2o trimestre/2006, que fora de R$ 743,89; 2.4. pede que sejam acatadas a PER/Dcomp e a DCTF já apresentadas. Aduz que a não homologação ocorreu porque os valores na PER/Dcomp são diferentes da DCTF, para a qual já procedeu à retificação. Apresenta demonstrativo, relativamente a CSLL do 2o trim/2006, com “Valor pago: R$ 1.983,71”, “Valor devido: R$ 743,89”, “Valor a compensar: R$ 1.239,82”, “Valor compensado: R$ 910,59”, e “Saldo a compensar: R$ 329,23”, requerendo que seja cancelado o despacho decisório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10675.902355/201117 Acórdão n.º 1003000.535 S1C0T3 Fl. 3 3 Em 22 de novembro de 2013, a 4ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e prolatou o Acórdão nº 1143.927, cuja ementa segue transcrita: DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES ENTRE DCTF E DIPJ. A retificação de DCTF posterior à ciência de despacho decisório não é aceita para redução de tributo confessado em DCTF anterior sem a comprovação inequívoca de erro de fato nesta, que foi o instrumento de confissão de dívida espontâneo em relação à ciência do referido despacho decisório, observandose não ser a DIPJ instrumento de confissão de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando, em síntese, que: a) prestou serviços de construção com material incluso, portanto, como optara pelo lucro presumido, para fins de cômputo da base de cálculo CSLL, deveria ter aplicado o coeficiente de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, todavia, por um equívoco, utilizouse o percentual de 32% (trinta e dois por cento), acarretando um valor maior a título a contribuição em questão; b) em 31/07/2006, efetuou o pagamento, sob o código 2372 CSLL do valor de R$ 1.983,71, porém, em verificação posterior, considerando a informação anterior, apurou que o valor efetivamente devido era R$ 743,89, resultando, assim, em um saldo a compensar de R$ 1.239,82, contudo, no 3ª Trim/2006, houve a compensação apenas do valor de R$ 910,59, mediante a apresentação do PERD/COMP em 30/10/2006; c) somente em 29/07/2011, após o Despacho Decisório Rastreamento 941319663 não homologando a referida compensação, apresentou a DCTF retificadora, em relação ao fato narrado, demonstrando o montante efetivamente devido a título de CSLL alusivo ao 2º Trim/2006 no valor de R$ 743,89, e, d) requereu o acatamento da DCTF retificadora e o processamento da Dcomp para a efetivação da compensação declarada, devido à constatação de erro material, bem como a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Fl. 54DF CARF MF 4 Como já relatado, a Recorrente alega que teria o crédito de R$ 1.239,82, oriundo do pagamento de R$ 1.983,71 de CSLL, código 2372, pois o valor devido somente seria de R$ 743,89 para o período de apuração de 30/06/2006, tendo retificado a DCTF, embora na PER/Dcomp pleiteou apenas R$ 881,33. Após, cientificada do Despacho Decisório, em 29/07/2011 procedeu à retificação na DCTF, onde o débito de CSLL, código 2372, do 2º trimestre de 2006, para alterar o débito declarado de R$ 1.983,71 para R$ 743,89. Contudo, conforme consta no acórdão recorrido "sendo a DCTF, e não a DIPJ, confissão de dívida, e não tendo a contribuinte acostado qualquer prova de erro de fato na DCTF anterior à ciência do Despacho Decisório que justificasse a sua retificação para redução de tributos, a qual somente ocorreu de forma não espontânea, ou seja, após a ciência do Despacho Decisório, temse a manutenção do referido Despacho Decisório". Ademais, ainda que assim não o fosse, há outra razão para o não reconhecimento do direito creditório vindicado pela Recorrente, conforme segue explicado. De acordo com o constante nos autos, especificamente no Recurso Voluntário, o crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, pelo fato da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido deveria ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. Revisitando a legislação aplicável ao caso, temse que nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. A partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 15 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 14 da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998). O entendimento constante no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, sobre o quantitativo de material condicionante a utilização do coeficiente presumido mais benéfico que vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". Sendo assim, no caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2006, aplicase, portanto, a norma que exige o fornecimento da quantidade total do material utilizado Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10675.902355/201117 Acórdão n.º 1003000.535 S1C0T3 Fl. 4 5 na empreitada, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pela Recorrente são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. E, na opinião deste julgador, a única nota fiscal de serviço e os parcos documentos contábeis juntados pela Recorrente não são elementos suficientes a demonstrar, de forma inequívoca, se tratar de serviços prestados com fornecimento de material, para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 12% para a determinação do Lucro Presumido do período. Ora, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito (art. 170 do Código Tributário Nacional). Desta forma, compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com o consequente não reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720095/2014-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/03/2009
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.356
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 03/03/2009 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12266.720095/201453 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.356 – 3ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CMA CGM DO BRASIL AGENCIA MARITIMA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/03/2009 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 00 95 /2 01 4- 53 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 12266.720095/201453 Acórdão n.º 9303008.356 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302003.638, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: (...) EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão e contradição, requerendo que seja reconhecida a ausência de vinculação à Cosit e que a Turma decida se aplica a jurisprudência do CARF acerca da aplicação da multa em retificação extemporânea ou, inaugurando divergência, exponha os motivos pelos quais inova no entendimento sobre a matéria. Em Despacho, os embargos foram rejeitados. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O CARF não se submete aos posicionamentos da Cosit; Fl. 370DF CARF MF Processo nº 12266.720095/201453 Acórdão n.º 9303008.356 CSRFT3 Fl. 4 3 · Por uma questão de segurança jurídica, entendese que as soluções de consulta da Cosit vinculam as partes consulentes, que foram orientadas pela RFB em casos concretos e, por isso, não podem ser surpreendidas com posicionamentos inovadores no futuro; Requer, assim, que seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de reformar o acórdão recorrido para que seja restabelecido o acórdão proferido pela DRJ, mantendose a multa aplicada. Foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ressurgindo com discussões relativas às seguintes matérias: · Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit; · Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido; · As Soluções de Consulta e as Soluções de Divergências editadas pela Cosit, sob a luz da IN 1396/13 têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que as aplicar, independentemente der se o consulente; · Devese reconhecer a manifesta inaplicabilidade da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66 sobre meras retificações de informações que tinham sido tempestivamente prestadas no SISCARGA; · Ademais, aplicase a denúncia espontânea na seara aduaneira – art. 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 12.350/10. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 12266.720095/201453 Acórdão n.º 9303008.356 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.343, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10280.720013/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.343): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à primeira matéria trazida em recurso, qual seja “Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit”, entendo que não devo conhecer dessa parte, pois não há divergência entre os arestos. Eis a ementa da recorrida (Destaques meus) na parte que interessa: “[...] EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.[...]” E a ementa do acórdão nº 3301002.880 indicado como paradigma: “Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DA COSIT. EFEITOS. A Solução de Consulta da Cosit tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Fl. 372DF CARF MF Processo nº 12266.720095/201453 Acórdão n.º 9303008.356 CSRFT3 Fl. 6 5 Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa de categoria econômica ou profissional.” Não há divergência alguma entre os arestos. Sendo assim, não conheço o recurso em relação à primeira matéria. Quanto à segunda matéria trazida em recurso, qual seja, “Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo”, recordase a ementa do acórdão recorrido: “[...] RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.” Depreendendose da leitura do voto e da ementa, vêse que o Colegiado adotou a Solução de Consulta na elaboração essa ementa, pois entendeu ser ela vinculante até mesmo aos órgãos julgadores. Considerando que a primeira matéria não foi conhecida, essa segunda matéria está totalmente vinculada à primeira, o que cabe a essa conselheira não conhecer o Recurso Especial em relação à essa segunda. Ademais, vêse que os acórdãos indicados como paradigma os acórdãos 3101001.621 e 3101001.622 nem se referem à Solução de Consulta, que foi considerada vinculante aos órgãos julgadores no presente caso. Data máxima vênia, apenas expresso que entendo que tal solução pode ser vinculante perante a Receita Federal, nos termos do art. 9º da IN 1396/13, mas não aos julgadores do CARF. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional.." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 12266.720095/201453 Acórdão n.º 9303008.356 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003597/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
Numero da decisão: 3201-004.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para manter a decisão embargada.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para manter a decisão embargada. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para manter a decisão embargada. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 97 /2 00 9- 19 Fl. 475DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em fls. 463, em face do Acórdão desta Turma de Julgamento de fls. 452, em razão de omissão e contradição. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 470, transcrito a seguir: "A Fazenda Nacional interpôs, por intermédio de petição fundamentada de sua Procuradora, Embargos de Declaração ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Os Embargos foram opostos em face do Acórdão nº 3201003.688 (doc. fls. 452 a 461)1, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 22/05/2018, cuja Ementa se transcreve abaixo em sua integralidade. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aplicase o § 4º do Art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, aos impostos lançados por homologação, quando constatado pagamento parcial e não evidenciado casos de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado o prazo quinquenal extinguese o crédito tributário, sendo irregular a formalização de lançamento tributário após o termo ad quem. INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE. NÃO HÁ BITRIBUTAÇÃO. A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. O imposto recai primeiramente sobre o preço de compra, considerada a margem de lucro da empresa estrangeira e ao depois incide uma segunda vez sobre o preço de venda, considerada a margem de lucro da empresa brasileira que fez a importação. Havendo dois fatos geradores distintos, não há que se falar em bitributação. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19515.003597/200919 Acórdão n.º 3201004.880 S3C2T1 Fl. 476 3 A Decisão foi assim registrada. "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos períodos de apuração compreendidos até 21/09/2004, exceto em relação aos decêndios de 10/01/2004, 31/05/2004, 10/06/2004 e 10/09/2004, para os quais deve ser mantido lançamento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza". São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Tempestividade O recurso é tempestivo. A Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão de Recurso Voluntário em 25/07/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 462) e, consoante o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 24/08/2018. De acordo com o art. 7o, §§ 3o e 5o, da Portaria MF no 527, de 2010, tratandose de processo eletrônico, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN. O prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista. A contagem do prazo para interposição dos Embargos iniciase, então, após a intimação presumida. Sendo de 5 (cinco) dias o prazo para interposição dos Embargos, e considerando em estes foram regularmente encaminhados em 22/08/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 468), concluise que os Embargos são francamente tempestivos. Legitimidade do Embargante Os Embargos de Declaração foram formalizados por Procuradora da Fazenda Nacional, legitimada a opor esse tipo de recurso, conforme o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, com a redação da Portaria MF no 39, de 2016, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DOS VÍCIOS APONTADOS Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for Fl. 477DF CARF MF 4 omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, podendo ser interpostos mediante petição fundamentada. Por ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, entende se uma matéria suscitada em recurso, uma decisão definitiva de STF ou STJ em julgamento em recurso repetitivo, uma súmula CARF ou uma questão de ordem pública, entre outros. A representação da Fazenda Nacional sustenta que o decisum teria sido omisso, ao não apontar quais os pagamentos realizados no período do lançamento considerou, quando entendeu aplicável a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4o, do CTN, uma vez que se trataria de lançamento por homologação e teria havido pagamento parcial no período lançado. Nesse sentido, requer o saneamento dos vícios apontados "a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para eventual interposição de recurso especial e/ou a execução do julgado". A propósito dos vícios apontados na petição, importante desde já recorrer à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos2 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte quando avia esse remédio recursal. Detectado vício de intelecção no julgado, deve a parte lançar mão do remédio apropriado, obtendo do órgão jurisdicional esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...)" (SANTOS, p. 151). Com o norte desses ensinamentos, passo à analise dos vícios. Segundo a Fazenda Nacional, a decisão embargada teria se mostrado omissa, porquanto não apontou quais os pagamentos realizados no período do lançamento que considerou como passíveis de se considerarem pagamento parcial, "limitandose a citar a primeira página" do Termo de Verificação Física (TVF). Sustenta a embargante que o TVF em momento algum teria reconhecido o pagamento parcial, mas, ao contrário, deixaria expresso não haver qualquer recolhimento do tributo devido na Fl. 478DF CARF MF Processo nº 19515.003597/200919 Acórdão n.º 3201004.880 S3C2T1 Fl. 477 5 saída das mercadorias. Complementa argumentando que (fls. 465 grifos no original): "O fato de o fiscal considerar os créditos a que a contribuinte teria direito em razão das importações efetuadas, não caracteriza pagamento para fins do tributo em questão apto a atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN, porquanto não houve qualquer pagamento na saída das mercadorias, que foi o objeto da autuação. Pela leitura do TVF, não se vislumbra como pode ser reconhecido o pagamento parcial, se o próprio contribuinte destacava nas notas fiscais de saídas o IPI com alíquota zero. Conforme se depreende do TVF, o valor tributável foi a diferença entre o IPI apurado na saída das mercadorias e o IPI recolhido na importação, o que não necessariamente afigurase pagamento. Ora, não é porque o contribuinte recolheu IPI na importação, que deve ser reconhecido recolhimento parcial para a saída. O contribuinte nada recolheu na saída, não havendo que se falar em pagamento parcial, assim como também não há que se falar em atividade a ser homologada." Nesses termos, assevera que teria sido o fiscal quem teria feito as deduções quando do lançamento, computando o crédito, de forma que "o contribuinte em momento algum fez o encontro de contas entre créditos e débitos, não houve qualquer ato de iniciativa do contribuinte, para que fosse reconhecida como pagamento". Sustenta ainda que o Acórdão embargado também teria sido omisso no que toca à subsunção dos pagamentos por ele considerados ao art. 183 do RIPI/2010, sob o entendimento de que "não houve qualquer atividade do contribuinte a ser homologada, uma vez que não houve recolhimento de IPI nas saídas, por entender que se tratava de alíquota zero, de forma que não há que se falar em pagamento parcial". Examinando o que restou decidido e o conteúdo do voto vencedor que embasou o julgado supostamente omisso, verifico que, logo ao início do voto, o i. Conselheiro Relator manifestou o entendimento de que ocorrera a decadência pela aplicação do art. 150, §4o, do CTN, "uma vez que está comprovado nos autos inclusive um pagamento parcial dentro do período lançado conforme fls. 337 do TVF, premissa que atende o disposto no Resp 973.733 SC/STJ, de aplicação obrigatória neste Conselho em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno" (fls. 458 grifos nossos). Desta feita, concluiu o i. Relator que teria decaído a parte do lançamento relativa ao período de 01/01/2004 a 21/09/2004. O voto não faz qualquer outra menção a comprovação de pagamentos. Uma visita ao Termo de Verificação Fiscal (doc. fls. 337 a 344), citado no voto, nos mostra que a fiscalização concluiu que não Fl. 479DF CARF MF 6 houve recolhimento do IPI na saída das mercadorias importadas, como observa a Fazenda Nacional em seu apelo, haja vista estarem as notas fiscais de saídas destacando o IPI com alíquota zero, razão pela qual foram solicitados esclarecimentos ao contribuinte por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 004, sem resposta. Vejo presentes elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subseqüentemente pelo Colegiado. CONCLUSÕES Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO aos Embargos de Declaração opostos pela Procuradora da Fazenda Nacional. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, a fim de que indique o processo para inclusão em pauta." Após, os autos foram pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Com o costumeiro cumprimento e admiração ao sério e detalhado trabalho da Fazenda Nacional, neste caso exposto nos Embargos de Declaração, verificase que a alegação de omissão procede. Contudo, é importante registrar que as matérias que são objeto destes embargos são, em grande parte, as mesmas matérias presentes no lançamento original e refletidas nos votos, além de terem sido amplamente discutidas em sessão. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 19515.003597/200919 Acórdão n.º 3201004.880 S3C2T1 Fl. 478 7 Em geral, além de propor a rediscussão de partes da lide administrativa fiscal, os embargos adicionam novas teses à lide, como a não homologação dos tributos e consequente não subsunção às regras utilizadas para aplicação da decadência como a não equivalência dos recolhimentos dos tributos na importação ao conceito de "pagamentos parciais", utilizado no julgamento do Resp 973.733/SC STJ. Logo, é importante registrar que a rediscussão da matéria é objeto somente do Recurso Especial e não de embargos de declaração, conforme Art. 67 e seguintes do RICARF. Com relação ao apontamento das fls. 337 do TVF (por parte do Acórdão embargado), a primeira página deste documento, tal iniciativa tratou de um cuidado para que todo o TVF pudesse ser apreciado na apuração e liquidação do julgado, uma vez que não é competência deste conselho a apuração e liquidação do julgado, com a exata demonstração de todos os elementos que contribuíram para o convencimento do resultado final do julgamento. De qualquer forma, há uma omissão nesta parte do julgamento que precisa ser aclarada. Nas fls 338, a folha seguinte da mencionada no acórdão, o próprio TVF confirma o recolhimento parcial dos tributos (na entrada) dentro do período autuado, conforme reproduzido no próprio embargo de declaração: Ainda que breve e objetivo, em razão da observação do princípio da celeridade processual, é importante registrar que o voto apontou também os exatos períodos em que não houve recolhimento e deixou de aplicar a decadência, conforme reproduzido a seguir: "Verificase que o contribuinte foi cientificado em 22/09/09, logo, esta decaído o período de 01/01/2004 a 21/09/2004, parte do lançamento, sendo que, dentro deste período, não decaíram os decêndios de 10/01/04, 31/05/04, 10/06/04 e 10/09/04, em razão de não haverem recolhimentos." Ou seja, com a costumeira seriedade e tecnicidade, esta Turma de julgamento analisou os documentos fiscais constantes nos autos, conferiu os pagamentos nas DIs (fls 150 e seguintes) e acabou por apurar um julgamento detalhado a respeito da aplicação da decadência, o que não significa que o voto deva reapurar e demonstrar por completo os documentos fiscais analisados no julgamento. Fl. 481DF CARF MF 8 Mas é igualmente importante aclarar que não há qualquer exigência legal ou menção no resultado do julgamento do Resp 973.733/SC STJ sobre o recolhimento do tributo ser realizado na saída ou na entrada (para fins de consideração de recolhimento parcial para aplicação da decadência), conforme reproduzido a seguir: “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Logo, diante de tal lacuna, não cabe ao intérprete da legislação e da jurisprudência criar a exigência de que os tributos sejam também recolhidos nas saídas dos produtos importados para fins de aplicação da decadência regulada no resultado do julgamento do Resp 973.733/SC STJ. Diante de todo o exposto, votase para que os Embargos Declaratórios SEJAM ACOLHIDOS, sem efeitos infringentes, com fundamento no Art. 65 do Ricarf, para manter a decisão embargada. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 482DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001873/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-004.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA Recorrente ANTONIO MENEGHEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário pois a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 73 /2 00 6- 17 Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.471 2 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 1449/1464, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 1427/1443, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 4/9, lavrado em 25/9/2006, relativo aos anoscalendários de 2003 e 2004, com ciência do RECORRENTE em 9/10/2006, conforme AR de fls. 355. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no valor de R$ 2.466.212,10, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, acostado às fls. 11/32 durante a fiscalização, o contribuinte foi intimado para comprovar a origem dos recursos creditados nas seguintes contas: · Banco BCN ag. nº 0059: C. Poupança Individual nº 2.346.353; C. Poupança Conjunta C/ Carrol Meneghel nº 2.444.369, e C. Corrente Conjunta C/ Clóvis Meneghel nº 868 557. · Banco Bradesco ag. nº 3614: C. Corrente Individual nº 845, C. Poupança Conjunta C/ Carrol Meneghel nº 15.451 e C. Corrente Conjunta C/ Clóvis Meneghel nº 15.383. · Banco Bradesco ag. nº 0215:; C. Corrente Conjunta C/ Carrol Meneghel nº 90.050, e , C. Poupança Conjunta C/ Carrol Meneghel nº 90.050 Durante a fiscalização, o RECORRENTE afirmou que os recursos investigados depositados em suas contas seriam de titularidade da empresa TASA – TINTURARIA AMERICANA S/A, sem apresentar, contudo, provas de suas alegações. De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, a fiscalização desconsiderou os seguintes depósitos/créditos: (i) Os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física (Art. 42, §3°, Inciso I da Lei n° 9.430196; Art. 849, § 2°, inciso I do RIR/99); e (ii) Os referentes a resgates de aplicações financeira, estornos, cheques devolvidos, e empréstimos bancários. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.472 3 Assim, o contribuinte foi novamente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, com coincidência de datas e valores, a origem dos créditos. Afirmou a fiscalização que o RECORRENTE não logrou em comprovar a origem dos depósitos bancários recebidos, razão pela qual efetuou o lançamento do crédito tributário sobre os seguintes valores, extraídos dos demonstrativos de fls. 30 (o qual já contempla 50% dos depósitos em relação às contas do tipo conjunta, conforme extratos de fls. 12/29): Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 361/418. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Inconformado, o autuado apresentou impugnação protocolada em 8 de novembro de 2006 (f. 315 a 372 — anexos às f. 373 a 1.372) e firmada por procurador (instrumento de mandato à f. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.473 4 373). Nesta, após discorrer sobre a metodologia utilizada pelo autuante, aduz, em apertada síntese, que: a) o lançamento é nulo: a.1) pela violação do princípio da legalidade: a.1.1) ante à utilização de documentos (extratos bancários) obtidos de forma ilícita; verificação da falta; jurídica: a.1.2) pelo auto de infração ter sido lavrado em local diferente daquele de verificação da falta; a.2) porque feridos os princípios da legalidade tributária e da segurança jurídica: a.2.1) uma vez o lançamento decorrer de presunção prescrita no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 que não tinha a prerrogativa para a criação de hipótese de incidência tributária, senão a Lei Complementar; a.2.2) em face de ter havido movimentação financeira declarada que não foi considerada para a apuração da base de cálculo do tributo lançado; a.2.3) porque não houve a comprovação inequívoca da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza; b) os recursos ingressados em conta corrente não revelam a aquisição de riqueza nova, mas sim, a mera movimentação do capital já adquirido e tributado da pessoa física; c) houve irregularidade na exação, uma vez que desconsiderados os valores já oferecidos à tributação por meio da Declaração de Ajuste Anual Simplificada, ou mesmo aqueles decorrentes da venda ou movimentação de bens integrantes da referida declaração; d) foram justificados os depósitos no valor de R$ 1.926.516,30, ocorridos no período de 7 de novembro de 2003 a 7 de janeiro de 2004, na conta corrente 8451, Agência 3.614 do Bradesco, provenientes de recebimentos da pessoa jurídica Tasa — Tinturaria Americana S/A; e) o autuante se equivocou na apuração, não deduziu o desconto simplificado, errou no transporte de valores relativo à conta mantida junto ao BCN, no valor de R$ 300,00 (anocalendário 2003) e não deduziu, também, os valores depositados nos meses anteriores (nos dois anoscalendário em tela; f) houve violação ao princípio da capacidade contributiva e do conceito de renda uma vez que, para a apuração dos rendimentos acrescidos ao patrimônio do impugnante é imperioso que dos depósitos realizados em determinado período sejam deduzidas 'todas as importâncias declaradas como disponibilizadas em pecúnia no exercício anterior; Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.474 5 g) houve saques em anocalendário anterior e o incontinenti depósito poucos dias depois, já no ano seguinte: R$ 365.000,00 (sacados em 2002 e depositados em 2003) e R$ 246.000,00 (saque em 2003 e depósito em 2004); h) em face da atividade rural exercida, a tributação deveria levar em conta esse aspecto (mais favorecida), o que não ocorreu no caso; i) a multa punitiva imposta tem caráter nitidamente confiscatório devendo ser suprimida ou no mínimo reduzida ao patamar de vinte por cento em face de legislação mais benéfica, ou mesmo porque não há demonstração inequívoca do nexo causal entre os depósitos bancários e a aquisição de rendas ou proventos. Ao final, o contribuinte requer seja ouvido o autor do procedimento. Após, a declaração de nulidade ou de improcedência do auto de infração ou a redução da multa. Há o protesto por todos os meios de prova em Direito admitidos e o requerimento de perícia. Em 22 de novembro de 2006, houve o protocolo do expediente de f. 1.373 para que fossem juntados extratos bancários (f. 1.374 a 1.377). Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Campo Grande/MG julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 1427/1443). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. No âmbito administrativo, é vedada a declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. 1 As provas devem vir juntamente com a impugnação, no prazo desta, e indeferese diligência ou perícia cujo pedido não preenche os requisitos de admissibilidade ou sejam desnecessárias. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no procedimento uma vez não presentes os vícios delineados no art. 59 do Decreto n. 70.235/1972 (PAF). PRESUNÇÕES LEGAIS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.475 6 Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como receita omitida, podendo haver o correspondente lançamento de IRPF. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. Lançamento Procedente em Parte No mérito, a autoridade julgadora entendeu que o contribuinte logrou em comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos de R$ 365.000,00 (cheque administrativo em 2002 e depósito em 2003) e R$ 246.000,00 (pagamento de cheque em 2003 e depósito em 2004), conforme documentos de fls. 253, 281, 283, 1.419. A DRJ entendeu que estes depósitos têm como origem numerários do próprio contribuinte, ante a existência de saques com correspondência de valores e com pouco intervalo de tempo. Por se tratar de valores creditados em conta conjunta, e tendo a fiscalização tributado apenas 50% dos créditos, a DRJ excluiu da tributação apenas 50% dos depósitos, equivalente ao montante de R$ 182.500,00 e R$ 123.000,00, respectivamente nos anos calendário 2003 e 2004. Por fim, a DRJ também entendeu que houve erro no transporte de valores no anocalendário 2003, haja vista ter havido acréscimo de R$ 300,00 quando da transferência dos valores constantes no anexo de fls. 18 referente ao mês de março para o valor constante na planilha de fls. 30, relativamente à conta BCN 868.557 (f. 18 e 30). Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 12/8/2009, conforme AR de fl. 1448, apresentou o recurso voluntário de fls. 1449/1464 em 10/9/2009. Em suas razões, apontou para o fato de que a parte dispositiva do acórdão deixou de contemplar a exclusão dos valores de R$ 182.500,00 e R$ 123.000,00, respectivamente, nos anoscalendário 2003 e 2004. No mais, reiterou os argumentos da impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.476 7 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Da correção da parte dispositiva da decisão monocrática Pleiteia o RECORRENTE que seja corrigida a parte dispositiva da "decisão monocrática", pois apesar da DRJ no inteiro teor do voto ter reconhecido a origem dos depósitos de R$ 365.000,00 e R$ 246.000,00, recebidos em 2003 e 2004 respectivamente; a parte dispositiva da decisão apenas mencionou a retirada do valor de R$ 300,00 da base de cálculo do imposto relativo ao anocalendário de 2003. De fato, na parte final da análise de mérito realizada pela DRJ, ela apenas menciona a retirada da base de cálculo do imposto do valor de R$ 300,00, sendo omissa quanto ao reconhecimento da origem dos montantes de R$ 182.500,00 e R$ 123.000,00 (50% dos créditos), que havia reconhecido no corpo de seu voto. Acontece que aquela não é a parte dispositiva da decisão monocrática, como defende o RECORRENTE. Em verdade, a parte dispositiva da decisão são as conclusões elaboradas pela DRJ, assim sintetizadas (fl. 1428): Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, indeferir os pedidos de produção de provas e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento, mantendo o crédito tributário nos termos do voto do relator. Por sua vez, ao final do seu voto, o julgador Relator expôs o seguinte (fl. 1443): Conclusão. Pelo exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de rejeitar as preliminares, indeferir os pedidos de produção de provas e, no mérito, por considerar procedente em parte o lançamento. O crédito tributário mantido é o explicitado na última coluna do demonstrativo abaixo. Continuam incidindo a multa de oficio proporcional (75%) e os juros de mora, na forma da legislação de regência. correção da base de cálculo Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.477 8 Basta analisar comparativamente a planilha acima, elaborada pela DRJ, com aquela elaborada pela autoridade fiscalizadora (fl. 31) para perceber que foi retirado da base de cálculo do ano de 2003 o valor de R$ 182.800,00 e da base de cálculo do ano de 2004 o valor de R$ 123.000,00. Portanto, todos os valores acatados pela DRJ, como de origem comprovada, foram excluídos da base de cálculo do lançamento. Contudo, entendo que não há prejuízo em acatar o argumento do contribuinte, e determinar, para fazer constar expressamente que devem ser excluídos da base de cálculo as importâncias de R$ 300,00 (trezentos reais) e R$ 182.500,00 (cento e oitenta e dois mil e quinhentos reais) no ano calendário de 2003 e R$ 123.000,00 (cento e vinte e três mil reais) no ano calendário de 2.004, o que, repisase, já foi acatado pela DRJ. MÉRITO Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende o RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Para afastar a autuação, o RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.478 9 O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência." Deveria, então, o RECORRENTE comprovar a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.479 10 Desta forma, analisaremos as justificativas apresentadas pelo RECORRENTE para comprovar a origem dos depósitos recebidos: Da Relação Entre os Depósitos e a Atividade Rural Quanto as alegações do contribuinte que parte das receitas é proveniente da atividade rural, tais alegações não merecem prosperar. Conforme previamente definido, era dever do RECORRENTE comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos créditos bancários, com coincidência de data e valores, o que não foi cumprido no presente caso. Em verdade, o RECORRENTE sequer aponta quais valores são provenientes da prática de atividade rural, sem demonstrar com exatidão qual a receita bruta obtida de tal atividade, e sem comprovar documentalmente que os depósitos que se pretende justificar como oriundos de atividade rural efetivamente o são. O RECORRENTE se limita a alegar genericamente que o art. 5º da Lei Federal nº 8.023/1990 autoriza a presunção de que na ausência de comprovação apenas 20% da receita bruta da atividade rural pode ser considerada rendimentos. Ocorre que, diferentemente do que alega o contribuinte, a receita bruta da atividade rural deve ser comprovada nos termos da IN SRF 83/2001: Art. 6º A receita bruta da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, deve ser comprovada por documentos usualmente utilizados nessas atividades, tais como Nota Fiscal do Produtor, Nota Fiscal de Entrada, Nota Promissório Rural vinculada à Nota Fiscal de produtor e demais documentos oficialmente reconhecidos pelas fiscalizações estaduais. Desta forma, considerando que não existem nos autos provas documentais idôneas para comprovar as alegações do contribuinte, especialmente ante a ausência de apresentação dos documentos usualmente utilizados para comprovar a receita bruta da atividade rural e ante a falta de coincidência de datas e valores entre os documentos apresentados e os depósitos que se pretende justificar, entendo pela manutenção da omissão dos créditos bancários que se pretende justificar como provenientes de atividade rural. Portanto, inaplicável ao presente caso o art. 112 do CTN, como requer o RECORRENTE. Dos valores recebidos da TASA Tinturaria América S/A. Aduz o RECORRENTE que parte dos depósitos recebidos na conta corrente nº 8451 da agência 36145, do Banco Bradesco são provenientes da movimentação financeira da empresa TINTURARIA AMERICANA S/A. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.480 11 Defende que se trata de sociedade anônima da qual é sócio e que, em virtude do bloqueio judicial das contas correntes da empresa, foi necessário movimentar os recursos da empresa em sua conta pessoal. Entendo que não merecem prosperar as alegações do RECORRENTE. Preliminarmente, o RECORRENTE sequer junta aos autos o número do processo que determinou o bloqueio, tampouco a decisão judicial que o fez. Além disso, a argumentação do RECORRENTE não faz sentido. Ele aduz que a empresa teve suas contas bloqueadas por decisão judicial, portanto foi necessário criar um mecanismo para evitar a paralisação total da sociedade. Acontece que, quando há uma determinação de bloqueio judicial de valores mediante Bacen Jud, ela é cumprida uma única vez. Isto quer dizer que, quando da determinação do bloqueio, uma das duas hipóteses ocorreu, quais sejam: i) o bloqueio foi cumprido integralmente, “congelando” o montante determinado pelo juízo e deixando o saldo da conta intacto; ou ii) o bloqueio foi cumprido parcialmente (ou não foi cumprido), por ausência de recursos. Independentemente do caso, a ordem de bloqueio apenas é cumprida uma única vez. Ou seja, os depósitos poderiam ser feitos diretamente na conta da empresa, pois esses novos valores poderiam ser utilizados, já que não foram congelados no momento em que foi “disparado” a ordem de bloqueio mediante Bacen Jud. O intuito do RECORRENTE era claro, evitar novos bloqueio, fraudando, portanto, o processo judicial que originalmente determinou o Bacen Jud. Ao agir assim, ele assumiu o risco da operação, e deveria ter se munido da documentação hábil e idônea para comprovar, individualizadamente, cada um dos depósitos que recebeu em sua conta. Não é o caso. O contribuinte não juntou aos autos documentação, individualizada, para justificar cada um dos depósitos recebidos em sua conta bancária. Pelo contrário, apenas junta uma série de notas e recibos, sem explicar qual nota (ou cheque) se presta a justificar qual depósitos. Como bem aponta a DRJ de origem, os documentos trazidos pelo RECORRENTE apontam que os créditos que tenta justificar são originados de outras empresas cujos nomes revelam a intima ligação com o RECORRENTE: Os documentos trazidos são cópias simples de boletos de pagamentos cujo cedente é a Tasa Tinturaria Americana S/A. Muito embora todo arrazoado e documentação sobre o bloqueio das contas de referida pessoa jurídica, não soa regular que os pagamentos a serem feitos a essa pessoa jurídica possam transitar pela conta de uma pessoa fisica, mesmo que haja íntima relação entre elas. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.481 12 Demais disso, os documentos relativos aos créditos, como já explanado, são cópias de boletos de pagamentos cujo cedente é a Tasa Tinturaria Americana S/A. Neles não consta a autenticação mecânica (e nem poderia ante ao alegado recebimento pelo autuado). Entretanto, os sacados são pessoas jurídicas cujas denominações sociais revelam também íntima relação delas com o impugnante (Têxtil Irmãos Meneghel, Têxtil Walfran Meneghel etc.), fato que retira dos referidos documentos a robustez para valerem como prova contra a fisco. Não é dever da autoridade fiscalizadora se incumbir em produzir prova em favor do fiscalizado, em especial quando a legislação aplicável determina, expressamente, o dever de apresentar a documentação individualizadamente. Da Necessidade de se Considerar os Rendimentos já Oferecidos à Tributação Neste ponto, alega o contribuinte que, dentre o rol de créditos bancários tidos como sem origem comprovada, existem rendimentos não tributáveis, rendimentos isentos, e rendimentos que já foram tributados. Desta forma, tributálos fere o princípio da vedação a bitributação. Conforme previamente elencado, é dever do contribuinte comprovar a origem de cada um dos depósitos, individualmente, para afastar a presunção de omissão de rendimentos existente no art. 42 da lei nº 9.430/1996. A incidência do imposto é fruto de expressa previsão legal, que deve ser seguida pela autoridade fiscal sob pena de responsabilidade funcional. Se, dentre o rol de créditos tidos como sem origem comprovada, existem rendimentos já tributados, rendimentos isentos ou rendimentos não tributais era dever do contribuinte comprovar, individualmente, e através de documentação hábil e idônea tais circunstâncias. Portanto, considerando que o contribuinte não apontou especificamente quais dos depósitos bancários já foram sujeitos à tributação, entendo que não merece prosperar suas alegações. Da multa confiscatória e demais alegações de inconstitucionalidade Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco e sobre a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10865.001873/200617 Acórdão n.º 2201004.993 S2C2T1 Fl. 1.482 13 A aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. De igual forma é o dever de aplicar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, conforme já exposto em tópico no início do presente voto. A análise de tal matéria é de competência do judiciário, notadamente do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Da intimação pessoal do advogado Por fim, o RECORRENTE pleiteou a intimação pessoal do subscritor do seu recurso voluntário acerca da data e horário do julgamento de seu recurso, a fim de permitir a apresentação de memoriais e sustentação oral. Contudo, no âmbito do processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao advogado do contribuinte. Sobre o tema, invoco o teor da súmula nº 110 do CARF: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907130/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.820
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 13 0/ 20 12 -9 2 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10882.907130/201292 Resolução nº 3402001.820 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10882.907130/201292 Resolução nº 3402001.820 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10882.907130/201292 Resolução nº 3402001.820 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10882.907130/201292 Resolução nº 3402001.820 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000345/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa.
PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO
Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira.
SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida.
PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-005.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendo-se as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não-cumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma não-cumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo.
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CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. PROCESSO PRODUTIVO. FABRICAÇÃO DE DERIVADOS DE MADEIRA. CUSTOS. CRÉDITO Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no plantio, reflorestamento e corte de madeira guardam estreita relação de relevância e essencialidade com o processo produtivo dos derivados de madeira e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 45 /2 01 0- 58 Fl. 708DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 709 2 VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO E DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação a veículos, máquinas e equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à produção e à fabricação de produtos destinados à venda, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em atividades de plantio, reflorestamento, corte e industrialização de produtos derivados de madeira. SERVIÇOS NÃO ESSENCIAIS AO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Serviços não essenciais ou não aplicados em etapa do processo produtivo e aqueles desprovidos de autorização legal de que trata o art. 3º da Lei nº 10.833/03 não geram direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. SERVIÇOS RELACIONADOS À CONSTRUÇÃO CIVIL E SUA MANUTENÇÃO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não geram direito a crédito a ser descontado diretamente da contribuição apurada de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na construção civil e sua manutenção, mas apenas os encargos de depreciação dos imóveis em que foram empregados, devendo ser comprovada cada parcela deduzida. PEDÁGIO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com o pagamento de pedágios não ensejam o creditamento da Cofins no regime não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e Fl. 709DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 710 3 de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que deram provimento em maior extensão, para também conferir o crédito sobre as despesas de pedágio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O interessado transmitiu a Dcomp nº 10867.51109.310107.1.1.093000, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de Cofins não cumulativa, referente ao 4º trimestre de 2006; A DRFPonta Grossa/PR emitiu Despacho Decisório nº 025 2011, no qual reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) A ORIGEM DO CRÉDITO: a.1) Previsão legal sobre o conceito de "insumo". Possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; a.2) Locação de mãodeobra e a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS; a.3) Crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado; a.4) Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Pedágio; Fl. 710DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 711 4 a.5) Locação de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica; b) DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO; c) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; d) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; É o breve relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0956.987, sessão de 04/03/2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. PIS/PASEP E COFINS. CRÉDITO. VALEPEDÁGIO. O valor do valepedágio não integra o valor do frete, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos para o deferimento do pedido de ressarcimento, em menor extensão em relação à manifestação de conformidade, versando quanto: (i) à possibilidade de tomada dos créditos dos bens e serviços utilizados como insumos; (ii) aos créditos nas despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda e valepedágio; e (iii) ao crédito proveniente dos encargos de depreciação de bens do Ativo Imobilizado. É o relatório. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 712 5 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não concedeu o ressarcimento de saldo credor da Contribuição nãocumulativa, apurado no trimestre em referência e vinculados às receitas de vendas para o mercado externo, em razão de glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos e outros dispêndios. A recorrente é uma agroindustrial que se dedica às atividades de plantio, reflorestamento e industrialização da madeira colhida beneficiandoa com fins à obtenção de produto final (laminados, compensados, aglomerados e plastificados) destinado principalmente à exportação. Dessa forma, consoante às Leis que instituíram a sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins é permitida à pessoa jurídica que se dedica à atividade industrial a tomada de créditos nas aquisições de bens e serviços considerados insumos na produção e prestação de serviços, e de despesas específicas, a teor do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Passemos às matérias em litígio. Glosa de créditos com bens e serviços não considerados insumos Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Ressalto que este Relator vinha acolhendo e adotando o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, no qual se firmara o entendimento no tripé de que (i) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos em síntese, tenha pertinência ao processo produtivo; (ii) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição a essencialidade ao processo produtivo; e (iii) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto que exprime a possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 713 6 Recentemente os Ministros do STJ reviram seu posicionamento mantendose a decisão intermediária para concessão do crédito considerandose a essencialidade ou relevância do bem ou serviço no processo produtivo, conforme o REsp nº 1.221.170/PR, julgamento de 22/02/2018, Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos [sic] realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Este novo entendimento, que na verdade não conduz à divergência em relação à decisão no REsp indigitado, insere outros fundamentos para a delimitação dos Fl. 713DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 714 7 elementos que geram crédito assentado na essencialidade ou relevância a ser aferida no cotejo (desses elementos) com o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa. A seguir os excertos do voto vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa que acabou por pautar o entendimento exarado no voto condutor do Ministro Relator que considero relevantes para demonstrar o entendimento daquele Tribunal e adotálos neste voto: [...] Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, tal como já expressei, no TRF da 3ª Região, no julgamento das Apelações Cíveis em Mandado de Segurança ns. 001235252.2010.4.03.6100/SP e 0005469 26.2009.4.03.6100/SP, respectivamente em 15.12.2011 e 31.05.2012. [...] Marco Aurélio Greco, ao dissertar sobre a questão, pondera: De fato, serão as circunstâncias de cada atividade, de cada empreendimento e, mais, até mesmo de cada produto a ser vendido que determinarão a dimensão temporal dentro da qual reconhecer os bens e serviços utilizados como respectivos insumos [...] O critério a ser aplicado, portanto, apóiase na inerência do bem ou serviço à atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte (por decisão sua e/ou por delineamento legal) e o grau de relevância que apresenta para ela. Se o bem adquirido integra o desempenho da atividade, ainda que em fase anterior à obtenção do produto final a ser vendido, e assume a importância de algo necessário à sua existência ou útil para que possua determinada qualidade, então o bem estará sendo utilizado como insumo daquela atividade (de produção, fabricação), pois desde o momento de sua aquisição já se encontra em andamento a atividade econômica que – vista global e unitariamente – desembocará num produto final a ser vendido. (Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS , in Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, Belo Horizonte, n. 34, jul./ago. 2008, p. 6) [...] Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 715 8 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. [...] Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Observandose essas premissas, penso que as despesas referentes ao pagamento de despesas com água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI, em princípio, inseremse no conceito de insumo para efeito de creditamento, assim compreendido num sistema de não cumulatividade cuja técnica há de ser a de "base sobre base". Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. Logo, mostrase necessário o retorno dos autos à origem, a fim de que a Corte a quo, observadas as balizas dogmáticas aqui delineadas, aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com:água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. [...] Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; Fl. 715DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 716 9 2. aferição casuística da essencialidade ou relevância, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e o processo produtivo ou a atividade desenvolvida pela empresa; Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços na fase agrícola (plantio e cultivo), em que se inicia o processo industrial da agroindústria, como é o caso da contribuinte. Na linha de raciocínio assentada, depreendese que o processo produtivo considera todo o ciclo de produção e compõe o objeto de uma única pessoa jurídica, sendo indevido interpretálo como etapas distintas que se completam, e o direito ao crédito é concedido àquela em que se pressupõe uma industrialização mais efetiva ou a que resulta no bem final destinado à venda. Não há fundamento para tal, sequer autorização nos textos legais. As leis que regem a não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no reflorestamento e cultivo de madeira guardam estreita relação de emprego, relevância e essencialidade com o processo produtivo em suas variadas formas (aglomerados, compensados e laminados, e outros) e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. Com base nesses fundamentos entendo pela possibilidade da contribuinte apropriarse dos créditos de PIS e Cofins decorrentes das despesas com peças e serviços empregados em caminhões, máquinas e implementos utilizados exclusivamente na etapa agrícola, do plantio à colheita da madeira, aplicados no processo industrial da pessoa jurídica, e atendidos todos os demais requisitos da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003 pertinentes à matéria e que não incorram nas vedações previstas nos referidos textos. Análise das glosas O processo produtivo, inclusive com a indicação de bens e serviços que a contribuinte entende trataremse de insumos, foi descrito às folhas 13/14. A fiscalização, por amostragem de apenas alguns exemplares de notas fiscais, glosou créditos apropriados em relação a determinados bens e serviços por entender que são despesas gerais e não se tratam de itens que sofrem alterações, ou são aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos da pessoa jurídica. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 717 10 A DRJ corroborou integralmente o procedimento de glosa, validando os argumentos da fiscalização no tocante aos bens e serviços que não os consideram insumos. A seguir o resumo que se encontra no despacho decisório (fl. 502) dos itens não considerados insumos: Constatase que, além da análise restringirse a amostras, os bens e serviços agrupados em contas contábeis contêm rubricas de dispêndios associados à máquinas ou equipamentos de etapa do processo produtivo (fase agrícola ou de fabricação), mormente quando se depara com descrições de materiais ou serviços de "manutenção de veículo", "combustíveis e lubrificantes", "material de consumo", "material de embalagem". A recorrente contesta a justificativa da autoridade fiscal com argumentos de que os bens e serviços que tomou crédito são aplicados na processo produtivo e fabril e se encontram perfeitamente enquadrados no conceito de insumos e de custos e despesas autorizados pela legislação do Imposto de Renda. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 718 11 Os julgadores da primeira instância decidiram negar os créditos com os bens e serviços listados fundados no argumento de que suas descrições indicam não se tratarem de insumos empregados no processo produtivo, pois não atendem a exigência de aplicação direita ou consumo na fabricação dos bens destinados à venda. A posição intermediária adotada pela Turma para considerar despesas geradoras do direito creditório como aquelas em que o bem/serviço participa do processo produtivo de forma essencial e necessária exige a demonstração pela interessada. Por um lado, a contribuinte descreveu as etapas de plantio à fabricação de seus produtos, indicando os dispêndios com bens e serviços; de outro, a fiscalização não suscitou qualquer insuficiência probatória, vez que fundamentou seu despacho decisório de glosas na impossibilidade de conceder crédito quando bem ou serviço não integrar o processo de fabricação. Da análise conjunta da relação dos itens glosados e da síntese das contas contábeis que relacionam os dispêndios, apresentadas pela recorrente em atendimento à intimação fiscal, evidenciamse os itens que segundo as balizas assentadas neste voto são considerados insumos do processo produtivo e de fabricação do produto destinado a venda, ou empregados em veículos, máquinas e equipamentos do processo produtivo e/ou industrial. Dessa forma revertemse as glosas de créditos com despesas nos itens a seguir relacionados, atendidos aos demais requisitos da legislação das Contribuições não cumulativas, em especial dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com a observação adicional de que, em se tratando de bens/serviços cujos dispêndios são incorporados ao Ativo Imobilizado, os créditos concedidos limitamse ao valor da depreciação (e não de despesas), conforme as regras contábeis, e art. 3º, inciso VII do caput, e inciso III o §1º, das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002: 1. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; 4. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário e instalações da produção e fabricação; 5. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 6. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 7. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 719 12 De outra banda, itens de manutenção não relacionados a veículos, máquinas e equipamentos das etapas de produção e fabricação, por ausência de previsão legal e/ou não essenciais ou relevantes à produção/fabricação, não admitem o crédito de seus dispêndios. As despesas efetuadas com serviços relacionados à manutenção e construções de estradas, edificações e instalações prediais são custos necessários e inerentes ao exercício da atividade do Contribuinte, mas que de acordo com a legislação não permitem o aproveitamento do crédito decorrente destas despesas, mas sim relativas aos encargos com a depreciação do ativo imobilizado, quando comprovados e na forma prevista na legislação. Dessa forma, não há como a empresa creditarse diretamente da contribuição incidente sobre tais gastos, devendo ser observada a legislação vigente quanto às regras atinentes à depreciação. Assim, não se permite crédito com dispêndios de (i) material de uso geral, manutenção de instalações prediais, conservação e limpeza; e (ii) bens e serviços da etapa de reflorestamento/colheita (abertura de estradas com tratores e maquinários específicos, construção de bueiros, pontilhões para acesso dos veículos). Os créditos provenientes de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado foram glosados no tocante àqueles da etapa de plantio, reflorestamento e colheita. Revertemse tais glosas, pois que tal etapa inseremse na atividade industrial, assim considerada em seu todo, com assentado alhures. Exceção aos bens não efetivamente utilizados no plantio, reflorestamento e corte (como é o caso, por exemplo, de veículos que não se destinam ao corte e transporte de madeira) e os que não atendam aos demais requisitos da legislação, concernentes às Contribuições e às regras de depreciação. Por fim, em relação ao valepedágio, com razão a decisão recorrida. As despesas com o pagamento de pedágios não são insumos, serviços e nem se configura frete na operação de venda. Tratase de mera retribuição, pelo direito de passagem, mediante taxa ou tarifa (preço público), a uma autarquia ou uma concessionária de bem público. São ainda desprovidas de autorização em dispositivos legais para o creditamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º dos arts. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 e legislação pertinente à matéria: 1. Bens e serviços utilizados na manutenção de veículos, máquinas e equipamentos aplicados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, quando não inseridos no valor contábil do ativo imobilizado; a. Materiais de manutenção de veículos, empregados nas atividades de produção e industrialização; b. Material utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; Fl. 719DF CARF MF Processo nº 12571.000345/201058 Acórdão n.º 3201005.007 S3C2T1 Fl. 720 13 c. Material elétrico utilizado em manutenção de maquinário da produção e fabricação; d. Serviços de manutenção de veículo e maquinário da produção e fabricação (despesas com corte de madeira). 2. Combustíveis e lubrificantes, utilizados em máquinas, veículos e equipamentos da produção e industrialização; 3. Material de consumo do processo produtivo ou industrial (resina, farinha de trigo industrial, farinha de côco, massa matex acrílica, lixa, tinta); 4. Material de embalagem utilizado para armazenagem ou transporte do produto acabado (embalagens plásticas, fitas de aço, cantoneiras plásticas); 5. Encargos de depreciação de veículos, máquinas e equipamentos utilizados nas etapas de produção agrícola e de fabricação de derivados de madeira, conforme regras de contabilização. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720018/2017-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Reginaldo Paixão Emos, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Antonio Sávio Nastureles.
Antonio Sávio Nastureles - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Antônio Savio Nastureles (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Reginaldo Paixão Emos, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Antonio Sávio Nastureles. Antonio Sávio Nastureles Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Antônio Savio Nastureles (Presidente). RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte nas fls. 5024/5071 em face do Acórdão da DRJ de n. 0277.844 proferido pela 9ª Turma da DRJ/BHE em 18 de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 01 8/ 20 17 -6 2 Fl. 5232DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.233 2 dezembro de 2017, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte e manteve o Crédito Tributário lançado, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Evidenciada a realização de operação simulada com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária e gerar maiores vantagens fiscais, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação. BEM. PROCESSO PENAL. PERDIMENTO. A decretação de pena de perdimento de bem, por ser oriundo de suposta atividade ilícita, em decorrência de processo penal, não modifica o fato gerador do imposto de renda que ocorreu em momento anterior e já havia se aperfeiçoado, tornando exigível a obrigação tributária correspondente. REGIME ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO CAMBIAL E TRIBUTÁRIA RERCT. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. As disposições do RERCT Não se aplicam ao lançamento, pois o interessado não atuou, voluntariamente, no cumprimento das disposições da Lei nº 13.254, de 2.016, e não poderia porque não se encontrava em situação de espontaneidade. DECADÊNCIA. Nas hipóteses em que estiver evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória e não se destina a análise de fatos e documentos que não exijam conhecimento técnico científico especializado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O conjunto probatório, levantado pela fiscalização, demonstra procedente a imputação da multa qualificada, por estar evidenciado o intuito de fraude na utilização de documentação com a finalidade de simular negócios jurídicos e a pratica de sonegação por ter omitido Fl. 5233DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.234 3 offshores e contas mantidas no exterior, servindose delas para se eximir do imposto devido. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de CarnêLeão, não se confundindo com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto apurado após constatação de Declaração de Ajuste Anual inexata. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fls. 6/26, lavrado contra o contribuinte acima identificado em 21/07/2017, imputa ao mesmo a infração de omissão de rendimentos recebidos no exterior, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) dos exercícios 2013, 2014 e 2015, exigindo crédito tributário no valor de R$65.839.264,71, sendo R$22.683.772,78 de imposto, R$34.027.159,16 de multa (150%) e R$9.127.332,77 de juros. A ação fiscal originouse em fatos apurados no âmbito da assim chamada Operação Lava Jato e teve início em 11/08/2016, com a ciência, pelo sujeito passivo, do Termo de Início de Procedimento Fiscal, em que a Receita Federal do Brasil teve autorizado o acesso aos dados da movimentação bancária do Contribuinte e aos documentos que compõem os autos do processo principal da Operação Lava Jato, sendo todos estes diversos documentos obtidos legalmente incorporados ao presente procedimento fiscal. De acordo com a fiscalização em seu termo de Verificação Fiscal (fls. 28/117), o autuado não ofereceu à tributação determinados rendimentos que auferiu tanto no Brasil quanto no exterior, sendo que o mesmo também é autuado em outros 3 processos fiscais: · 16561.720200/201632 rendimentos auferidos no Brasil nos anos calendário de 2010 e 2011 – distribuído ao CARF para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 08/08/2018 ao Relator Jamed Abdul Nasser Feitoza; · 16561.720201/201687 rendimentos auferidos no exterior nos anos calendário de 2010 e 2011 distribuído ao CARF para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção em 08/08/2018 ao Relator Jamed Abdul Nasser Feitoza; · 16561.720017/201718 rendimentos auferidos no Brasil nos anos calendário de 2012 a 2014 – distribuído a mim e julgado na sequência – sendo que, segundo o Termo de Verificação Fiscal, o presente processo complementa o processo 16561.720017/201718; Segundo o Auto de Infração, ao longo do período fiscalizado, ZWI SKORNICKI auferiu rendimentos através de contas bancárias que abriu no exterior em nome de diversas offshores (pessoas jurídicas), sendo que, nos termos do art. 43 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional e os arts. 3º, §§ 1º e 4º, e 8º da Lei nº 7.713, de 1988, estes rendimentos deveriam ter sido oferecidos à tributação. E ainda, o Contribuinte jamais havia declarado à Receita Federal do Brasil tais contas bancárias ou as referidas offshores, servindose destas para viabilizar a abertura dessas Fl. 5234DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.235 4 contas de modo a ocultar sua titularidade de fato relativamente aos recursos movimentados por elas. A interposição artificiosa dessas offshores foi no intuito de atribuir a tais pessoas jurídicas rendimentos efetivamente auferidos por sua pessoa física, sendo que os pagamentos feitos ao Contribuinte foram acobertados por contratos formalizados entre tais empresas e uma ou outra offshores, tratandose de instrumentos ideologicamente falsos. Portanto, restou configurada a prática de sonegação e fraude. No período abrangido pela presente ação fiscal, o Contribuinte auferiu rendas de diversas fontes, empresas fornecedoras diretas ou indiretas da PETROBRAS. Pelas atividades que em favor delas desempenhou, foi remunerado de duas formas: 1) através de depósitos em contas bancárias mantidas em nome de offshores em bancos localizados fora do Brasil, das quais era o titular de fato; e/ou 2) através de depósitos em contas bancárias mantidas em bancos brasileiros em nome de duas pessoas jurídicas que, em sociedade com a esposa Eloísa Skornicki e o filho Bruno Skornicki, constituiu no Brasil: a Eagle do Brasil Ltda ("EagleB") e a Eagle Consultoria em Engenharia Ltda ("EagleC" e, em conjunto com a EagleB, "Eagles"). O presente Auto de Infração diz respeito apenas aos valores auferidos no primeiro caso (depósitos em contas bancárias mantidas em offshores localizadas fora do Brasil), visto que jamais declarou à RFB a existência dessas offshores. O esquema ilícito implementado em desfavor da PETROBRAS não atingia apenas a Diretoria de Abastecimento, englobava ainda diversas outras Diretorias da Estatal, dentre as quais a Diretoria de Serviços, que é a responsável por conduzir os procedimentos licitatórios de outras Diretorias da Estatal, sendo que dentro desta é que se desenvolveu os negócios e operações em que o Contribuinte atuou que originou o presente AI. Segundo consta do processo criminal de Pedro Barusco, responsável pela Gerencia de Engenharia, subordinada à Diretoria de Serviços da Petrobrás entre os anos de 2003 a 2012 “Dentre as pessoas responsáveis pelo pagamento e repasse dos valores oferecidos e prometidos em razão dos contratos, PEDRO BARUSCO identificou o acusado ZWI SCORNICKI como responsável pelas ofertas e pagamentos de vantagens indevidas relacionadas a contratos firmados com a Petrobras pelas empresas do Grupo KEPPEL FELLS”. No que toca aos contratos firmados diretamente entre a PETROBRAS e as empresas do Grupo KEPPEL FELS, a DENÚNCIA aponta aqueles concernentes às plataformas P51, P52, P53, P61, P56 e P58 Casco, nos quais o Contribuinte atuou como representante e operador financeiro do Grupo contratado, sendo que o próprio Pedro Barusco reconheceu ter recebido propinas do Contribuinte relativamente a todos esses contratos: QUE ZWI ZCORNIKY era o representante oficial da KEPELL FELS e também agia como operador no pagamento das propinas; QUE ZWI também representou a empresa FLOATEC, cuja proprietária é a KEPELL FELS; QUE foram firmados 6 (seis) grandes contratos entre a KEPELL FELS/FLOATEC e a PETROBRÁS, todos na Área de Exploração e Produção, entre 2003 a 2009, no valor aproximado de US$ 4 bilhões de dólares; QUE o pagamento de propinas referente as esses contratos foram totalmente "liquidados" por ZWI, que realizou pagamentos entre 2003 a 2013 (doc. 104C). Fl. 5235DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.236 5 A Denúncia também aponta que nas contratações realizadas entre a Petrobrás e a Keppel Fels por intermédio da Sete Brasil, Zwi Skornicki efetuou o pagamento de propinas (itens 24 e 25 do TVF). Foram assim contratadas 6 sondas: SS Urca, SS Frade, SS Bracuhy, SS Portogalo, SS Mangaratiba e SS Botinas. Portanto, com base nos fatos apontados na Denúncia e nas provas carreadas na ação criminal, observouse que o pagamento de propinas na Petrobras atingiu a “grande maioria dos grandes contratos firmados pela Estatal” e que o papel de Zwi Skornicki, como representante de fornecedores da Petrobrás, era o de operacionalizar pagamentos de propina, sendo que suas atividades no esquema se desenvolviam de duas formas complementares: primeiro, na fase de negociação/licitação/contratação, sua meta consistia em obter o contrato, sendo que para tanto, oferecia propinas e acertava com os agentes do licitante; segundo, encarregavase de acompanhar a execução financeira do contrato, de modo a controlar os montantes devidos e pagos a título de propinas. Portanto, as empresas que queriam ser inseridas no esquema e ganhar as licitações da Petrobrás, contratavam as empresas offshores de ZWI (contribuinte), que atuava como uma espécie de assessor dentro da Estatal, que garantia a vitória na licitação, mediante pagamento de propina e acompanhava a execução da obra. Ainda que estas empresas tenham formalizado contratos com a EagleB, com a EagleC, com a WINDSOR VENTURES INTERNATIONAL INC, com a DEEP SEA OIL CORP, com a FAERCOM ENERGIA LTDA, com a LYNMAR ASSETS CORPORATION ou com quaisquer outras pessoas jurídicas porventura criadas (interpostas pessoas jurídicas), offshores ou não, efetivamente contrataram Zwi Skornicki, a pessoa física. O contribuinte foi condenado em 02/02/2017 em primeira instância. Os comprovantes de pagamentos efetuados às offshores do Contribuinte foram fornecidos pela Keppel Fels do Brasil S/A (pagamentos em contas bancárias por ele abertas no exterior em nome das offshores FAERCOM ENERGIA LTDA, LYNMAR ASSETS CORPORATION, WINDSOR VENTURES INTERNATIONAL IN e DEEP SEA OIL CORP) e pelo próprio Contribuinte, que apresentou parte dos extratos de movimentação das referidas contas bancárias. O Contribuinte manifestou à intimação fiscal que foi acompanhada do Acordo de Colaboração, da Declaração (DERCAT) e dos pagamentos que o mesmo fez na tentativa de formalizar a adesão ao RERCT. Para a Autoridade Fiscal, o Contribuinte não se achava espontâneo quando tentou aderir ao RERCT, visto que teve ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação em 11/08/2016 e apenas atendeu às condições previstas exclusivamente no caput do art. 5º da Lei nº 13.254/2016 somente em 31/10/2016. Assim sua responsabilidade quanto aos tributos apurados neste procedimento fiscal não foi afetada por tal tentativa, visto que não há qualquer dispositivo na Lei nº 13.254/2016 que permita concluir pela existência de exceção ao princípio expresso no art. 138 do CTN relativamente ao RERCT. A Autoridade Fiscal afirma que a forma como o contribuinte apurou os valores que seriam devidos caso tivesse direito a aderir ao RERCT, não atende aos requisitos da Lei nº 13.254/2016 e acrescenta que os recursos recebidos nas contas da Windsor e Deep Sea são decorrentes dos serviços de corrupção e lavagem de ativos, o que determina que os recursos movimentados nas contas Windsor e Deep Sea não compreendem “recursos ou patrimônio de origem lícita” nos termos do art. 2º, inciso II da Lei 13.254/2016, de modo que, conforme caput do art. 3º, a tais recursos não se opera o RERCT, razão pela qual os fatos geradores apontados Fl. 5236DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.237 6 na presente autuação devem ser avaliados exclusivamente em face da legislação do imposto de renda de pessoa física vigente quando de sua ocorrência, não tendo a Lei nº 13.254/2016 qualquer efeito sobre os mesmos. No levantamento feito nos extratos das contas bancárias mantidas no exterior foi possível identificar uma série de créditos representativos de rendimentos auferidos pelo Contribuinte, sendo este o titular de fato dos recursos financeiros movimentados nessas contas, e a ele devem ser atribuídos os rendimentos. Sobre os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior foi aplicada multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. Sobre os bens arrolados no Acordo de Colaboração Premiada tomados em favor da justiça, salientou a autoridade lançadora que parte deles são produtos e/ou proveitos de crimes, não autorizando a conclusão de que apenas ou exatamente estes compreenderam o total do "produto e/ou proveito de crimes". Com relação o item “j” da Cláusula 14 do Termo de Colaboração Premiada, o Contribuinte concordou em pagar o valor US$23.800.000,00 em recursos financeiros necessários para que se atingisse o total estimado como produto e/ou proveito de crimes, sendo que esta multa é cível, diante de sua base legal no art. 4º da Lei 9.613/98, não se relacionando ao crédito lançado que é de natureza tributária, não interferindo no presente lançamento. Cientificado do lançamento em 25/07/2017 (fl. 4925) o contribuinte apresentou em 24/08/2017, a impugnação juntada às fls. 4931/4974, o qual contesta o lançamento, arguindo que: i) é nulo por contradição interna entre seu fundamento (provas) e conclusões; ii) é nulo por atingir fatos geradores submetidos ao RERCT ainda não analisados pela autoridade competente; iii) é inválido por exigir imposto relativo a período coberto pela decadência (2010); iv) é inválido por desconsiderar a personalidade jurídica de entidade do exterior com base em fundamento inaplicável aos fatos geradores exigidos (“serviço” de corrupção); v) é inválido por desrespeitar a decisão homologatória do Supremo Tribunal Federal; vi) é invalido por exigir tributo relativo a fatos geradores extintos pelo RERCT; vii) é inválida a exigência da Multa de 150%; viii) necessária a exclusão da base de cálculo e abatimento dos valores pagos; ix) necessária a realização de perícia técnica e juntada posterior de documentos. Após a impugnação, a 9ª Turma da DRJ/BHE julgou procedente o lançamento. Inconformado com referida decisão o Contribuinte apresentou recurso a este conselho reiterando os mesmos argumentos da impugnação onde alega em síntese: · Tratase de Auto de Infração lavrado para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física, cuja fiscalização decorreu da denominada Operação Lava Jato. O recorrente firmou Acordo de Colaboração Premiada com o Ministério Público Federal, tendo sido sentenciado pelo Juiz Sérgio Moro, a partir das confissões e robustas provas colhidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e por ele apresentadas. · Em paralelo, e com o firme propósito de regularizar todas as suas pendências com as autoridades brasileiras, incluída a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o Recorrente, em situação mencionada no Acordo de Colaboração, aderiu ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (“RERCT”) instituído pela Lei Federal nº 13.254/2016 (fls. 1.271) para regularizar os ativos de sua propriedade de Fl. 5237DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.238 7 fato ou de direito no exterior em relação aos quais recolheu a quantia de R$ 10.185.980,04 de tributo e penalidade no âmbito do programa. · A surpresa decorre da própria estrutura argumentativa do lançamento que apesar de recusar a qualificação jurídica no âmbito do processo criminal, os efeitos do Acordo de Colaboração e da decisão do Supremo Tribunal Federal que o homologa, toma tais provas (depoimentos, documentos e o próprio Acordo) como fundamento para a desconsideração da personalidade jurídica das empresas de titularidade do Recorrente no exterior e tributar como devidos na pessoa física (carnêleão) todos os valores por elas auferidos. · Requer a nulidade por incompatibilidade entre o fundamento (fato) e a acusação recorte dos fatos incompatível com as provas e decisões do processo criminal provas relativas a períodos distintos do autuado. O Contribuinte afirma que ficou provado que sua atividade é a representação comercial e consultoria técnica no setor de óleo e gás desenvolvida ao longo de mais de 40 (quarenta) anos de experiência como engenheiro especializado no setor de extração de petróleo e gás e que em determinados contratos emprestou as contas de titularidade de suas offshore como veículo para repasse de valores ilícitos a servidores públicos por meio da inclusão de tais valores em complemento à sua comissão ou remuneração pelos serviços de representação e/ou consultoria técnica prestados. Portanto apenas parte dos valores recebidos pelas empresas do Contribuinte se refere ao repasse de pagamentos ilícitos, e desta forma, sujeitos ao perdimento, já a outra parte é relativa aos serviços lícitos de representação e/ou consultoria técnica prestados e não foram, por isso, objeto de perdimento. · É inválido o ato administrativo de lançamento tributário que recorta fatos contidos no processo criminal, no acordo de colaboração e na decisão do STF e lhes atribui conteúdo diverso. O perdimento é restituição do produto ou proveito do crime e não multa administrativa, desconectada do fato gerador do imposto de renda. A autuação, portanto, deve ser reduzida aos fatos qualificados na sentença penal condenatória como crime (repasse de valores a funcionários públicos nos contratos P51, P52, P56 e P58 e Sondas Brasfels x Sete Brasil e não sobre todos os pagamentos recebidos pelo Contribuinte ou sobre sua atividade profissional. · Portanto, como a decisão reconhece que há “contratos relacionados aos projetos em que comprovadamente houve oferta e pagamento de propinas” (fls. 5001) e “contratos nos quais não foi possível vincular a prestação de serviços aos projetos apontados na investigação criminal” (fls. 5001) deve segregalos para permitir a correta atribuição de responsabilidade tributária a cada um deles, nos termos do que definido pela Justiça Federal e apenas à estes deve ser desconsiderada a pessoa jurídica. Se o motivo da desconsideração das pessoas jurídicas são os atos de corrupção praticados em determinados contratos, o ônus da prova da prestação de serviços recai apenas a estes contratos e pagamentos, os Fl. 5238DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.239 8 demais, o Fisco deve respeitar sua validade jurídica e o fato de terem sido celebrados por entidade no exterior. · Os documentos e fatos relativos a anos anteriores não podem fundamentar exigência de tributo em período distinto, tratandose de requisito de validade do ato administrativo. Se “não foi possível vincular a prestação de serviços aos projetos apontados na investigação criminal” (fls. 5001) tais depoimentos, contratos e provas não podem ser utilizados para tal. Neste sentido, deve ser considerado como nulo por vício de motivação. · Requer a nulidade do lançamento por atingir fatos geradores submetidos ao RERCT ainda não analisados pela autoridade competente. Falta de competência da autoridade signatária para decidir sobre o RERCT. O Contribuinte aderiu ao RERCT em 31/10/2016 por meio da entrega da DERCAT e recolhimento do Imposto de Renda (15%) e da multa (15%) previstos na Lei 13.254/2016 no valor total de, respectivamente, R$ 5.092.990,02 e R$ 5.092.990,02. Portanto, de acordo com o art. 5º da Lei 13.254/2016 e do art. 5º da IN 1627/2016 a adesão se encontra perfeita e acabada desde 31/10/2016 e os créditos tributários se encontram extintos (remissão) e anistiadas as multas de mora, de ofício ou isoladas e dos encargos legais diretamente relacionados a esses bens e direitos em relação a fatos geradores ocorridos até 31/12/2014 nos termos do art. 6º, § 4º, Lei 13.254/2016. A apreciação sobre o preenchimento dos requisitos pelo Contribuinte para adesão ao RERCT compete à autoridade fiscal competente que deve obedecer ao rito previsto no art. 29 da IN 1627/2016. · Da decadência. Art. 150, § 4º e art 173, I, CTN. Exigência de tributo cujo fato gerador é mensal (carnêleão) e não anual. Contradição interna do lançamento (fatos geradores ocorridos no período de janeiro/2012 a dezembro/2014). Fiscalização desconsiderou estas pessoas jurídicas e tributou os valores por elas recebidos no exterior como rendimentos da pessoa física (sócio diretor) residente no Brasil sujeitos ao regime mensal do carnêleão. Assim, concluiu que houve omissão de receitas da pessoa física residente no Brasil porque tais valores não foram tributados no mês seguinte ao do fato gerador (art. 8º, Lei 7.713/19885). O Recorrente apresentou suas Declarações Anuais de Ajustes (DAA) e que recolheu o tributo que entendeu devido naquele período, portanto, trata se de lançamento suplementar, o que exige a aplicação do art. 150, § 4º, CTN. Considerando que a intimação do contribuinte se deu em 25/07/2016, estão decaídos os créditos relativos a fotos geradores ocorridos anteriormente a 25/07/2012. · Da invalidade da desconsideração das personalidades jurídicas no exterior. Tributação dos rendimentos obtidos no exterior por pessoa jurídica detida por pessoa física residente no Brasil apenas quando efetivamente distribuído o recurso. Está provado nos autos (depoimentos, documentos e acordo de colaboração) e reconhecido pelo Ministério Público Federal e pelo Supremo Tribunal Federal que apenas Fl. 5239DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.240 9 parte dos valores recebidos pelas empresas do Contribuinte referese a repasse de valores ilícitos, e, portanto, sujeitos ao perdimento, e outra parte é relativa aos serviços lícitos de representação e/ou consultoria técnica prestados e não foram objeto de perdimento. · Os argumentos utilizados pela autuação para a desconsideração da personalidade das pessoas jurídicas no exterior são: i) sua assinatura nas invoices emitidas pelas Pessoas Jurídicas; ii) a emissão de contratos entre empresas da sua titularidade com o contratante KEPPEL; e iii) o fato de ser o Contribuinte o beneficiário das contas correntes em nome das pessoas jurídicas. Tais elementos não são suficientes à desconsideração da personalidade jurídica das empresas validamente constituídas no exterior, pois a Fiscalização não pode unilateralmente desconsiderar tais personalidades jurídicas constituídas validamente no exterior e não há qualquer tipo de simulação ou confusão patrimonial entre as entidades no exterior e a pessoa física do Contribuinte. · Portanto, se o serviço pode ser prestado por meio de pessoa jurídica e tais negócios foram amparados por contratos devidamente registrados e contabilizados pelas partes (e de onde foi obtida a própria informação da autuação) não há que se falar em fraude. É inválida, portanto, a desconsideração das personalidades jurídicas das empresas WINDSOR, LYNMAR, FAERCOM e DEEP SEA em relação aos pagamentos integrais por elas recebidos entre 2012 a 2014 para consideralos como integralmente recebidos diretamente pela pessoa física residente no Brasil. · A invalidade da tributação de valores que são produto e/ou proveito de crime. Alcance do princípio do non olet. Perdimento x tributação. Os valores relativos aos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro foram considerados como tais no processo criminal e reconhecidos como de nãopropriedade do Recorrente (condição) para fins de aplicação de um dos efeitos da pena (consequência) o perdimento, que é consequência do art. 91 do Código Penal, que é restituição do produto ou proveito do crime e não multa administrativa desconectada do fato gerador do imposto de renda. Não há que se falar em tributação neste caso, porque os recursos reconhecidamente (no processo criminal) não se incorporam validamente ao patrimônio do agente, por isso são submetidos ao perdimento. · Invalidade do lançamento por exigência de tributo sobre fatos geradores alcançados pelo RERCT. Débitos extintos. Não seria o caso de exclusão porque, diferentemente do consignado na decisão recorrida, o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária instituído pela Lei Federal nº 13.254/2016 não é modalidade de denúncia espontânea e o Contribuinte poderia a ele aderir ainda que na pendência de procedimento de fiscalização. A transação não se confunde com a denúncia espontânea da infração e a única restrição temporal trazida pela Lei 13254/2014 à adesão ao RERCT toma como data de corte a Fl. 5240DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.241 10 condenação em ação penal cujo objeto seja um dos crimes listados no § 1º do art. 5º do mesmo diploma normativo. · Como em 31/10/2016 não havia credito tributário já constituído e não pago até 14 de janeiro de 2016 e o presente crédito tributário impugnado foi constituído em 07/12/2016, o lançamento é inválido por atingir valores albergados no RERCT e também por não observar o art. 13, § 3º da IN 1627/2016; · A multa de 150% também é indevida porque: i) ausentes os elementos fáticos que justificam sua aplicação; e ii) ainda que aplicável, o que se admite apenas a título de argumentação, ela foi anistiada pelo RERCT; e iii) ainda que fosse mantida, seu percentual é inconstitucional como reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal. · Da invalidade da multa isolada em concomitância com a multa de ofício (Súmula 105, CARF). O auto de infração aplica a multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal prevista no Art. 44, inciso II, alínea "a" da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 ao caso concreto, o que contraria a Súmula 105 do CARF e, portanto, incabível a cumulação das penalidades. · Subsidiariamente: exclusões da base de cálculo e abatimento dos valores pagos recolhidos no âmbito do RERCT conforme expressa determinação do art. 26, § 1º, in fine, da IN 1627/2016. · Necessidade de realização de perícia técnica e juntada posterior de documentos. Nas fls. 5074/5152 a PGFN apresenta contrarrazões ao Recurso Voluntário apresentado. Nas fls. 5153 e ss. o Contribuinte apresenta manifestação, pugnando pela: · Alega fato novo, razão pela qual requer a juntada posterior da documentação Que o Ministério Público se manifestou nos autos da ação penal, no qual afirma que “(...) considerando que o acordo de colaboração premiada antecipa as consequências de natureza patrimonial decorrentes da condenação penal, as quais foram negociadas por todos os fatos reportados pelo colaborador, e tendo em conta a expressa previsão de renúncia dos produtos e proveitos dos crimes, os quais são relacionados em rol exaustivo previsto na cláusula 13, Inciso I, alíneas (a) a (e), e II, alíneas (a) a (z) e (a1) a (w1), evidentemente; temse que descabem, em relação aos fatos relatados no âmbito do acordo, que sejam ampliados os efeitos patrimoniais penais, efeitos estes que sejam maiores, ou estranhos àqueles previstos no acordo homologado”; · Que o Juízo da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba decidiu pela “(...) eventuais discussões sobre a correção ou incorreções de lançamentos Fl. 5241DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.242 11 fiscais com base nas provas compartilhadas devem ser discutidas pela Defesa junto à Receita Federal ou perante a Justiça cível”; · A decisão que deferiu o compartilhamento à Receita Federal (23/10/2017) referida na decisão de 19/09/2018 foi proferida nos autos do Processo nº 502657394.2017.4.04.7000 e determina o compartilhamento das provas sendo que “eventuais representações fiscais penais deverão, porém, ser encaminhadas a este Juízo”; · Portanto, a autorização de acesso e uso de provas produzidas no âmbito do acordo de colaboração foi específica para determinados documentos e após a lavratura do auto de infração (17/07/2017) razão pela qual são nulas as provas e, por consequência, as ilações delas decorrentes, que não estão apoiadas na devida autorização do Juízo criminal; · Juízo Criminal autorizou o compartilhamento apenas parcial das provas com a SRFB porque “ainda há investigações [criminais] em curso”; · Portanto, conforme se depreende das cláusulas 22, 23 e 24 do Acordo de Colaboração e da própria decisão judicial do juízo criminal juntada aos autos são ilícitas as provas utilizadas em desrespeito ao sigilo determinado pelo Juízo Criminal (titular da prova). · Dessa forma, é ilegal, por consequência, a utilização das provas da Ação Penal 501340559.2016.404.7000 sem a autorização do Juízo titular da prova e, sob a perspectiva criminal, fora dos limites da decisão de compartilhamento, da sentença penal condenatória e do acordo de colaboração, ou seja, não podem a Receita Federal, o CARF e os demais órgãos da administração pública e do Poder Judiciário considerarem como crimes ou frutos ou proveito de crimes aqueles fatos e bens que não tenham sido assim considerados pelo Juízo Criminal competente. É o relatório VOTO Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade O recurso é tempestivo. Com relação ao pedido subsidiário de redução da multa qualificada em razão de seu suposto caráter confiscatório, diante entendimento formado no STF, vislumbrase a Súmula 2 deste Conselho que determina a incompetência do mesmo em julgar pedidos de inconstitucionalidade de lei tributária (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 5242DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.243 12 Nesta parte não conheço do recurso, diante da constada incompetência. No restante, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das preliminares e mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de DRJ proveniente de auto de infração lavrado em virtude de omissão de rendimentos recebidos no exterior, referentes aos anoscalendário 2012 a 2014, cujos fatos foram apurados na Operação “Lava Jato”, na qual recorrente firmou Termo de Colaboração Premiada e apresentou diversas provas, que foram compartilhadas com a Receita Federal do Brasil por meio de autorização judicial, sendo lançado Imposto de Renda de Pessoa Física no valor de R$ 22.684.772,78, acrescido de juros de mora de R$ 9.127.332,77 (calculados até 07/2017), multa no valor de R$34.027.159,16, e multa exigida isoladamente no total de R$11.363.178,73, resultando no montante de R$ 77.202.443,44. Passase à análise às preliminares de mérito. Do Fato Novo Petição Juntada Aos Autos O Contribuinte junta manifestação nos autos sob a fundamentação de ser fato novo, no qual destaca que o juízo criminal concedeu apenas a parcial utilização das provas da Ação Penal promovida contra o mesmo, sendo que é ilegal, por consequência, a utilização das provas da Ação Penal 501340559.2016.404.7000 sem a autorização do Juízo titular da prova e, sob a perspectiva criminal, fora dos limites da decisão de compartilhamento, da sentença penal condenatória e do acordo de colaboração, ou seja, não podem a Receita Federal, o CARF e os demais órgãos da administração pública e do Poder Judiciário considerarem como crimes ou frutos ou proveito de crimes aqueles fatos e bens que não tenham sido assim considerados pelo Juízo Criminal competente. Sobre a juntada do documento novo, verificase que realmente se trata de decisão proferida nos autos do juízo criminal, no fim de setembro de 2018, tratandose de documento novo, do qual o Contribuinte não tinha acesso até então, não sendo manobra para retirar seu processo da pauta de julgamento. A PGFN se manifestou e concordou com sua juntada. Portanto não há objeções à juntada do documento. Da Exclusão do Contribuinte ao RERCT e Necessidade de Diligência Com relação ao requerimento de nulidade do lançamento por atingir fatos geradores submetidos ao RERCT ainda não analisados pela autoridade competente, afirmando que a Autoridade Fiscal não é competente para decidir sobre o RERCT, necessário observar o que segue. O Contribuinte aderiu ao RERCT em 31/10/2016 por meio da entrega da DERCAT e recolhimento do Imposto de Renda (15%) e da multa (15%) previstos na Lei 13.254/2016 no valor total de, respectivamente, R$ 5.092.990,02 e R$ 5.092.990,02. Segundo o Contribuinte, de acordo com o art. 5º da Lei 13.254/2016 e o art. 5º da IN 1627/2016 a adesão se encontra perfeita e acabada desde 31/10/2016 e os créditos Fl. 5243DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.244 13 tributários se encontram extintos (remissão) e anistiadas as multas de mora, de ofício ou isoladas e dos encargos legais diretamente relacionados a esses bens e direitos em relação a fatos geradores ocorridos até 31/12/2014 nos termos do art. 6º, § 4º, Lei 13.254/2016 e a apreciação sobre o preenchimento dos requisitos pelo Contribuinte para adesão ao RERCT compete à autoridade fiscal competente, que deve obedecer ao rito previsto no art. 29 da IN 1627/2016. A Autoridade Fiscal firma que o Contribuinte não cumpriu com os requisitos do benefício dado pelo RERCT – ausência de espontaneidade e cálculo errado – razão pela qual é necessária sua exclusão do RERCT. Neste quesito se analisa apenas se há competência da Autoridade Fiscal proceder a exclusão do Contribuinte ao RERCT nestes autos. A Lei nº 13.254, de 13/01/2016, dispôs sobre o Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT) de recursos, bens ou direitos de origem lícita, não declarados ou declarados incorretamente, remetidos, mantidos no exterior ou repatriados por residentes ou domiciliados no País. A Lei nº 13.254/2016 determina que: Art. 9º. Será excluído do RERCT o contribuinte que apresentar declarações ou documentos falsos relativos à titularidade e à condição jurídica dos recursos, bens ou direitos declarados nos termos do art. 1º desta Lei ou aos documentos previstos no § 8o do art. 4o. § 1º Em caso de exclusão do RERCT, serão cobrados os valores equivalentes aos tributos, multas e juros incidentes, deduzindose o que houver sido anteriormente pago, sem prejuízo da aplicação das penalidades cíveis, penais e administrativas cabíveis. § 2º Na hipótese de exclusão do contribuinte do RERCT, a instauração ou a continuidade de procedimentos investigatórios quanto à origem dos ativos objeto de regularização somente poderá ocorrer se houver evidências documentais não relacionadas à declaração do contribuinte. § 3º A declaração com incorreção em relação ao valor dos ativos não ensejará a exclusão do RERCT, resguardado o direito da Fazenda Pública de exigir o pagamento dos tributos e acréscimos legais incidentes sobre os valores declarados incorretamente, nos termos da legislação do imposto sobre a renda. Já a IN 1627/2016 determina que: Art. 27. O não atendimento de quaisquer condições estabelecidas no art. 5º implicará nulidade da adesão ao RERCT e a consequente inaplicabilidade das disposições da Lei nº 13.254, de 2016, aos recursos, bens ou direitos declarados. Art. 28. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 10 (dez) dias, contado da ciência da notificação, apresentar recurso, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 5244DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.245 14 Parágrafo único. O recurso de que trata o caput será decidido em última instância pelo Superintendente da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Art. 29. Constatada qualquer condição que implique exclusão de sujeito passivo do RERCT, a autoridade fiscal competente expedirá despacho decisório excluindoo do programa. Parágrafo único. O despacho decisório de que trata o caput será precedido de intimação ao contribuinte para prestar esclarecimentos. Art. 30. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 10 (dez) dias, contados da ciência da notificação, apresentar recurso, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, contra a decisão que o excluir do RERCT. Parágrafo único. O recurso de que trata o caput será decidido em última instância pelo Superintendente da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Necessária a conversão do presente julgamento em diligência, ante o seguinte entendimento. O RERCT do Contribuinte traz reflexos aos créditos tributários exigidos no presente Auto de Infração, cujo resultado (adesão ou exclusão) provoca a extinção, mesmo que parcial (no caso de adesão) e anistia às multas de mora, de ofício ou isoladas e dos demais encargos legais diretamente relacionados a esses bens e direitos em relação a fatos geradores ocorridos até 31/12/2014 nos termos do art. 6º, § 4º, Lei 13.254/2016. Considerando que a presente ação fiscal diz respeito aos fatos geradores dos exercícios 2013, 2014 e 2015, os créditos exigidos estariam, em uma primeira análise superficial, acobertados pelo RERCT do Contribuinte. Entendo que, em uma análise sumária, a Autoridade Fiscal conseguiu comprovar os motivos pelo qual o Contribuinte possa a ser excluído dos benefícios do RERCT, visto que há intensa comprovação de que os rendimentos não eram lícitos e que não houve a espontaneidade exigida pela legislação. Entretanto não há informação nos autos de que o contribuinte foi de fato excluído dos benefícios do RERCT. Tanto o termo de verificação fiscal, assim como o Acórdão da DRJ não mencionam se o RERCT do Contribuinte foi objeto de despacho decisório de exclusão do contribuinte do programa. Há apenas a menção na DRJ que o RERCT ainda não foi analisado pela autoridade competente. Da leitura da Lei nº 13.254/2016 e da IN 1627/2016 o processo de exclusão ao RERCT é realizado pela Autoridade Fiscal no próprio requerimento de adesão, sendo que do despacho de exclusão, possibilitase ao Contribuinte apresentar recurso, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999. Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 16561.720018/201762 Resolução nº 2301000.766 S2C3T1 Fl. 5.246 15 Ademais, a DRJ não se pronunciou sobre a capacidade deste Auto de Infração excluir o Contribuinte do RERCT, argüida em preliminar da impugnação proposta pelo Contribuinte. Diante da ausência de informação sobre o atual estágio do RERCT do Contribuinte, assim como, considerando que a DRJ não julgou efetivamente sobre a competência de a autoridade fiscal declarar a exclusão do Contribuinte do RERCT através do presente Auto de Infração, entendo ser necessário converter o presente julgamento em diligência. A diligência consistirá em remeter os autos a Autoridade Fiscal de origem para solicitar informações para a equipe especial de fiscalização competente, para analisar o RERCT do Contribuinte e apresentar decisão definitiva sobre a situação de seu pedido. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para remeter os autos A AUTORIDADE FISCAL DE ORIGEM PARA SOLICITAR INFORMACOES A EQUIPE ESPECIAL DE FISCALIZACAO COMPETENTE PARA ANALISAR O RERCT do Contribuinte e apresentar parecer conclusivo sobre sua situação em relação ao programa. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 5246DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.907841/2013-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Não havendo comprovação do erro apontado, para justificar o crédito pleitado, não faz jus o contribuinte ao direito pleitado.
Numero da decisão: 1301-003.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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RETIFICAÇÃO DA DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Não havendo comprovação do erro apontado, para justificar o crédito pleitado, não faz jus o contribuinte ao direito pleitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 78 41 /2 01 3- 07 Fl. 159DF CARF MF 2 Trata o presente processo do Per/Dcomp nº 15047.50560.120713.1.3.04 0323, no qual o Contribuinte declara a quitação de débito(s) próprio(s), através de crédito de “Pagamento Indevido ou a Maior” de IRPJ. A compensação não foi homologada conforme Despacho Decisório de fl. 7, pois foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. O interessado tomou ciência da decisão, via AR, em 22/01/2014 (fl. 09) e, em 17/02/2014, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/11, e anexos de fls. 12 e ss, alegando, em síntese, o seguinte: a) o crédito existe conforme declaração de IRPJ retificadora (anexa); b) a empresa transmitiu DCTF retificadora do 3º trimestre de 2011, que se apresenta anexa a este processo; c) demonstra assim que o DARF foi recolhido a maior, conforme demonstrativo apresentado: A DRJ julgou improcedente o pleito do contribuinte, através do acórdão de fls. 124 e ss., em razão da ausência de qualquer prova acerca do erro na declaração do contribuinte. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Com a devida vênia, não vejo como divergir da decisão recorrida. O contribuinte utilizada para o presente PerDcomp, parte do crédito utilizado no Per/Dcomp 28492.02380.120713.1.3.044573 (PAF nº 13080.907840/201354), cuja compensação foi tratada nessa data, por essa turma, e cujo teor do voto passo a utilizar como fundamento da presente decisão, nos seguintes termos abaixo. Nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10380.907841/201307 Acórdão n.º 1301003.756 S1C3T1 Fl. 3 3 ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato ", postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Tal ponto é pacífico no âmbito desse CARF, como consignado com clareza no Acórdão nº 3402004.923, de relatoria do Conselheiro Leonardo Branco, cuja ementa é eloquente: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Alegou o contribuinte que retificou sua DCTF relativamente ao débito do 3º trimestre de 2011, e conforme consta dos sistemas da RFB, a DCTF (setembro/2011), tal ocorreu em 01/07/2014, reduzindo o débito de R$ 191.564,75 para R$ 20.727,37. De observar, no entanto, que a retificação da DCTF foi efetivada após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação, o que se deu em 22/01/2014. Frisese que há uma retificação feita anterior ao despacho decisório, mas esta não afetou o valor do IRPJ devido. Dessa forma, não há como ser acolhida como prova de existência do direito, muito menos de sua liquidez e certeza, vez que a norma contida no §1º, do art. 147, do CTN, prevê que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A desconstituição do crédito confessado não depende apenas da apresentação de DCTF retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve extinção indevida ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendose necessário, notadamente, que demonstre a extinção do crédito tributário ou de parcela dele foi efetivamente indevida O contribuinte, por sua vez, limitouse a alegar a ocorrência de erro, apresentando no processo tão somente declarações (DIPJ e DCTF), não juntando elementos de cunho probatório do alegado erro e seus motivos. Isso porque, ainda que a DIPJ tenha apresentado originariamente débito a pagar em valor igual ao valor reduzido da DCTF, não tem o condão de comprovar a ocorrência do referido erro, em vista de sua natureza meramente informativa; além disso, tal declaração apenas reflete de forma sintética a escrituração, ao passo que essa última só faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados se comprovados por documentos hábeis, conforme previsão do art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 161DF CARF MF 4 Assim, a falta de elementos probatórios faz persistir a dúvida sobre a liquidez e certeza do crédito, que haveria de ser dirimida nos autos, e não o foi, pois que é exigência do art. 170 do CTN. Ademais, frisese que não se está rechaçando o pleito pelo fato da retificação ter se dado após o despacho decisório pelo contrário, é cediço no CARF o reconhecimento de direito creditório mesmo nos casos em que a retificação se deu posteriormente ao despacho, ou mesmo em casos em que não houve a retificação, desde que o contribuinte faça prova do erro alegado e da origem do direito creditório pretendido, o que não ocorreu no presente caso. Desse modo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
