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Numero do processo: 12448.733194/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Martin da Silva Gesto - Relator
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dílson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto Relator Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 33 19 4/ 20 14 -6 7 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO Processo nº 12448.733194/201467 Resolução nº 2202000.673 S2C2T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12448.733194/201467, em face do acórdão nº 0368.616, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da DRF/Rio de Janeiro I, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2013, anocalendário 2012. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 4.218,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas: Valor glosado: R$ 15.340,00. O Enquadramento Legal encontrase na referida notificação. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 17/11/2014, conforme Aviso de Recebimento (fl. 13). Em 15/12/2014, no pedido de impugnação (fl. 02), a contribuinte questiona a glosa da despesa médica no valor de R$ 9.412,50 e afirma que se trata de despesa própria. Requer acolhida a presente impugnação. É o relatório Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO Processo nº 12448.733194/201467 Resolução nº 2202000.673 S2C2T2 Fl. 61 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte, tendo considerado os ilustres julgadores que no pedido de impugnação (fl. 02) a contribuinte questiona a glosa da despesa médica no valor de R$ 9.412,50, referente a UNIMED RIO. Logo, considerou a referida DRJ que não foi objeto de contestação a infração apurada de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 5.927,50, assim tal infração foi considerada matéria não impugnada, nos termos do art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Inconformada com a improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 32/33, onde são reiterados os argumentos lançados na impugnação, bem como são anexados novos documentos em fls. 34/53. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Delimitação da lide. Primeiramente, necessário delimitar a lide. Em impugnação havia a contribuinte impugnado tão somente o valor de R$ 9.412,50, referente a UNIMED RIO (valor original declarado como pagamento a UNIMED: R$ 9.600,00), não tendo contestado os demais valores (R$ 5.927,90). Diante disso, a DRJ de origem considerou o restante matéria não impugnada. Em anexo ao recurso voluntário, a contribuinte mantémse a matéria recorrida tão somente em relação a UNIMED, todavia, altera o valor que antes impugnava. A contribuinte sustenta agora que o valor de R$ 8.548,24 seria o indevidamente glosado. Portanto, limitase o recurso voluntário a questão da possibilidade de dedução da despesa médica, em relação a pagamento efetuado à UNIMED RIO, no valor equivalente de R$ 8.548,24. Logo, considerase não objeto deste recurso o valor glosado excedente ao de R$ 8.548,25 (UNIMED RIO). Dedução indevida de despesas médicas. Os documentos anexados pela contribuinte em recurso voluntário, em fls. 34/53 devem ser recebidos nesta fase processual pelo princípio da verdade material. Entre os documentos juntados, devem ser destacados dois: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO Processo nº 12448.733194/201467 Resolução nº 2202000.673 S2C2T2 Fl. 62 4 · Declaração da Monteiro Meyer Café Ltda, onde refere que o valor de R$ 8.548,24 foi pago pela empresa à Unimed Rio, sendo beneficiária do plano a contribuinte fl. 35. · Demonstrativo Analítico da UNIMED RIO, no tocante ao contrato com a empresa Monteiro Meyer Café Ltda, onde se verifica a relação de pagamentos da referida empresa à UNIMED RIO, no tocante contribuinte fls. 37/48. A respeito da glosa de despesas médicas em questão, entendeu a DRJ de origem que é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Pela documentação apresentada pela contribuinte, verificase pelo Demonstrativo Analítico fornecido pela UNIMED RIO à Monteiro Meyer Café Ltda., a relação de pagamentos da empresa à UNIMED RIO, no tocante à contribuinte (fls. 37/48), havendo, ainda, declaração da empresa responsável pela contratação do plano de saúde onde é declarado que a beneficiária do referido plano é a ora recorrente, bem como que foi pago à UNIMED RIO o valor de R$ 8.548,24. Assim, verifico que satisfeitas as exigências estabelecidas mo art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Por oportuno, saliento que embora a DRJ/BSB refira que a despesa com o plano de saúde foi glosada por ser este de pessoa jurídica de propriedade da contribuinte, compreendo que, além de não haver nos autos elementos que possam concluir essa relação de propriedade, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO Processo nº 12448.733194/201467 Resolução nº 2202000.673 S2C2T2 Fl. 63 5 verifico que os elementos apresentados fazem prova suficiente para afastar a glosa, não podendo a contribuinte sofrer prejuízo por ser tãosomente ser sócia da pessoa jurídica na qual o plano de saúde é vinculado. Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Portanto, prosperam as razões apresentadas pela contribuinte, devendo ser afastada a glosa de R$ 8.548,24 consubstanciada na notificação de lançamento. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 8.548,24, em relação a dedução de despesas médicas. Assinado digitalmente Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. Peço licença para divergir do bem fundamentado voto do ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto. Primeiro, reproduzo a delimitação da lide, feita por ele: Portanto, limitase o recurso voluntário a questão da possibilidade de dedução da despesa médica, em relação a pagamento efetuado à UNIMED RIO, no valor equivalente de R$ 8.548,24. Logo, considerase não objeto deste recurso o valor glosado excedente ao de R$ 8.548,25 (UNIMED RIO). Segundo, no caso de comprovação de despesas médicas, tenho sempre entendido que nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, assim descritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO Processo nº 12448.733194/201467 Resolução nº 2202000.673 S2C2T2 Fl. 64 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Observo, por oportuno, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com a lavratura de um termo, isto é, de um documento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Cito a jurisprudência que vem se observando neste CARF: Acórdão 2801003.769 – 1ª Turma Especial. Sessão de 9 de outubro de 2014 Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA. RESTABELECIMENTO. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Hipótese em que não consta dos autos o termo que supostamente teria intimado o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido Acórdão 2802002.743 – 2ª Turma Especial. Sessão de 18 de março de 2014 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido Assim, no caso destes autos, onde se menciona que o plano de saúde teria sido pago por pessoa jurídica de propriedade da contribuinte, transcrevo do voto do relator: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO Processo nº 12448.733194/201467 Resolução nº 2202000.673 S2C2T2 Fl. 65 7 Por oportuno, saliento que embora a DRJ/BSB refira que a despesa com o plano de saúde foi glosada por ser este de pessoa jurídica de propriedade da contribuinte, compreendo que, além de não haver nos autos elementos que possam concluir essa relação de propriedade, verifico que os elementos apresentados fazem prova suficiente para afastar a glosa, não podendo a contribuinte sofrer prejuízo por ser tão somente ser sócia da pessoa jurídica na qual o plano de saúde é vinculado. Entendo necessário verificar se a Autoridade Fiscal, em seu procedimento, intimou previamente o contribuinte a "comprovar o efetivo pagamento do plano de saúde" anexando aos autos a cópia do dossiê de fiscalização, especialmente tal termo de intimação com a respectiva comprovação da ciência. Dessa feita, VOTO pela conversão do julgamento em diligência a fim de que a Unidade preparadora anexe aos autos a cópia do dossiê de fiscalização, especialmente do termo de intimação fiscal com a respectiva comprovação do efetivo recebimento, que eventualmente intimou o contribuinte a comprovar o efetivo pagamento do Plano de Saúde em questão. Após, dê ciência ao contribuinte do teor desta Resolução para, querendo, manifestarse no prazo legal. Em seguida retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 29 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.972484/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA.
Estando devidamente motivada a recusa ao pedido de perícia e demonstrada a sua desnecessidade, não há que se falar em cerceamento de defesa, nos termos da Súmula CARF nº Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2005
JCP. IRRF. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA A EFETIVA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO QUE AMPARA O DIREITO CREDITÓRIO.
Para fins de compensação, o crédito alegado de pagamento realizado a maior decorrente de erro do contribuinte, precisa estar devidamente comprovado. O erro de fato não se presume, devendo ser demonstrado documentalmente. Na ausência de documentos hábeis e idôneos e diante da ausência de demonstração do erro alegado, não há como reconhecer o crédito buscado.
Numero da decisão: 1302-005.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade; e, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, proposta pelo Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, vencido o referido conselheiro e os conselheiros Flavio Machado Vilhena Dias e Cleucio Santos Nunes; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: FABIANA OKCHSTEIN KELBERT
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA. Estando devidamente motivada a recusa ao pedido de perícia e demonstrada a sua desnecessidade, não há que se falar em cerceamento de defesa, nos termos da Súmula CARF nº Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 JCP. IRRF. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA A EFETIVA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO QUE AMPARA O DIREITO CREDITÓRIO. Para fins de compensação, o crédito alegado de pagamento realizado a maior decorrente de erro do contribuinte, precisa estar devidamente comprovado. O erro de fato não se presume, devendo ser demonstrado documentalmente. Na ausência de documentos hábeis e idôneos e diante da ausência de demonstração do erro alegado, não há como reconhecer o crédito buscado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade; e, por maioria de votos, em rejeitar a conversão do julgamento em diligência, proposta pelo Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, vencido o referido conselheiro e os conselheiros Flavio Machado Vilhena Dias e Cleucio Santos Nunes; e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 24 84 /2 00 9- 66 Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 12-65.350 proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJOI (e-fls. 67-72), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (e-fls.14-26). Na origem, tem-se a transmissão de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 33881.09386.310707.1.3.04-8830 (e-fls. 37-45), pela a qual a contribuinte buscou compensar débitos de IRPJ estimativas (código 2362-01), com crédito (código 9453) de IRRF de Juros sobre Capital Próprio (JCP) decorrente de pagamento a maior, no valor alegado de R$ 1.369.924,17. O despacho decisório (e-fl. 46) deu pela inexistência de qualquer crédito, diante da constatação de que o valor declarado e pago por meio de DARF foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, como se infere: Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 Na manifestação de inconformidade (e-fls. 02-14), assentou, em síntese, que: O despacho decisório não contém motivação, fundamentação fática nem legal, gerando cerceamento ao direito de defesa; - a decisão não contém fundamentação fática nem legal, gerando cerceamento ao direito de defesa; - em 14.10.2005 foi deliberada a distribuição de juros sobre capital próprio - JCP no valor total de R$780.246.123,00, dos quais R$317.127.766,76 foram destinados a seus acionistas residentes no exterior. (EUA, Japão e “paraísos”); - assim, sobre este montante destinado aos acionistas do exterior estava sujeita à retenção e recolhimento do valor de R$47.642.007,83 a título de IRRF, considerando a regra genérica do §2°, do artigo 9o, da Lei n.° 9.249/95, o Tratado Bilateral entre Japão e Brasil, bem como a regra excepcional de alíquota majorada às remessas a países incluídos na lista da Secretaria da Receita Federal do Brasil como “paraísos fiscais”; - a planilha de composição de valores, (doc.03), e a declaração emitida pela instituição financeira custodiante, (doc.04), comprovam os valores atribuídos e os acionistas a quem couberam os JCP pagos; - entretanto, ao proceder ao pagamento do IRRF incidente sobre os JCP pagos a acionistas residentes no exterior sob o código 9453, fê-lo com valor maior, no total de R$49.161.327,48, o que resultou em diferença compensável de R$1.519.319,65, representando crédito em seu favor, doc.05; Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 - o não reconhecimento do crédito não se justifica no fato de que as DCTF ou DIPJ, relativamente à rubrica e período em tela, informaram valor devido equivalente àquele que foi pago; - trata-se de informação equivocada inserida nas ditas declarações, como demonstrado, eis que o valor devido era, de fato de R$47.642.007,83, e não aquele que constou, erroneamente, da mencionada declaração; - as declarações fiscais não constituem instrumento inequívoco e irrefutável de confissão de dívida, uma vez que elas não alteram a realidade dos fatos não sendo aptas a constituir, por si só, fatos jurídicos; - deve prevalecer o princípio da verdade real em face de meros erros formais; - requer prova pericial com base nos quesitos e perito indicados às fls.13. Ao final, requereu apensamento deste processo administrativo com aquele decorrente do processo de crédito n° 15.374.958607/2009-56, tendo em vista que em ambos os casos foi utilizado, para fins de compensação, crédito oriundo do mesmo recolhimento indevido, em valor suficiente para ambos. Com a manifestação de inconformidade acostou unicamente cópias de documentos internos e do Bradesco com informações sobre os pagamentos de JCP e dois DARF, um no valor indicado na MI de R$ 49.161.327,48 e outro, sobre o qual nenhuma menção foi feita, no valor de R$ 54.925.398,76 (e-fls. 15-20). A consulta ao SIEF, por sua vez, indica o valor arrecadado de R$ 49.161.327,48 e um valor pleiteado de R$ 1.369.924,17: No acórdão recorrido (e-fls. 52-58), inicialmente foi rejeitada preliminar de nulidade e o pedido de perícia, ao argumento de que esta não se destina a suprir falhas da Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 contribuinte, especialmente quando teve oportunidade de trazer documentos aos autos e não o fez. Em relação ao mérito, em suma, o julgador de piso discorreu acerca dos efeitos jurídicos da DCTF e das informações ali declaradas. Sobre a verdade real e o erro de fato, o julgador esclareceu que este deveria ser efetivamente demonstrado, especialmente por meio da juntada dos livros contábeis e fiscais, conforme previsto no regulamento do imposto de renda. Argumentou que no caso concreto não foi juntado qualquer documento hábil a demonstrar a ocorrência de erro, pois foram acostados apenas documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte. Isso porque a liquidez e a certeza do crédito tributário são indispensáveis à compensação. Assim, diante da falta de prova da existência do crédito alegado, a manifestação de inconformidade teve provimento negado. No recurso voluntário (e-fls. 67-78) a recorrente reproduz em identidade de termos os argumentos da manifestação de inconformidade , não tendo acrescido qualquer fundamento jurídico distinto. Novamente acostou documentos internos que indicam os pagamentos de JCP realizados em 29/04/05, comprovante de arrecadação, documento do Bradesco informando IRRF de pagamento de JCP no valor de R$ 54.053.524,34 (e-fls. 92-106). Requereu, ao final, o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário para tornar insubsistente o Despacho Decisório emitido em 07.10.2009, convalidando-se a Declaração de Compensação n° 33881.09386.310707.1.3.04-8830, objeto do Processo de Crédito em epígrafe, extinguindo-se o débito a ele vinculado e, consequentemente, cancelando-se a respectiva cobrança formalizada por intermédio do Processo Fiscal n° 15374.980.243/2009-91. Requereu sucessivamente a anulação do acórdão recorrido, com conversão do feito em diligência para realização da prova técnica anteriormente requerida. A recorrente apresentou memoriais, onde não se observa qualquer fundamento jurídico que já não tenha sido apresentado com as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recorrente teve ciência do acórdão recorrido na data de 26/01/2015 (e-fl. 63), e protocolou o recurso em 24/02/2015 (e-fl. 65), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. A matéria vertida no recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 Dessa forma, porquanto tempestivo e por preencher os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário e passo a analisar o seu mérito. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA No ponto, tendo em vista que a recorrente alegou que o indeferimento do pedido de perícia teria violado seu direito de defesa, essa matéria deve ser tratada como preliminar, diante de uma possível nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Desde a manifestação de inconformidade, defende a recorrente, de forma paradoxal, que deveria ser realizada perícia técnica em sua contabilidade e registros fiscais, jamais acostados aos autos. Isso não obstante, requereu a realização de perícia. A decisão recorrida assentou o quanto segue no ponto: O objetivo da perícia é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Não cabe perícia para suprir falhas ou incorreções tanto da autoridade fiscal quanto da defesa do contribuinte, notadamente, quando o contribuinte já teve a oportunidade de acostar aos autos todos os documentos que julgasse lhe beneficiar, inclusive informações de instituições financeiras depositárias de ações, conforme rege a legislação do processo administrativo fiscal. Tenho que a decisão recorrida não merece qualquer reparo no ponto. A recorrente foi claramente orientada acerca da documentação que deveria trazer aos autos para provar a existência do crédito alegado, tendo optado por não juntá-la em momento algum (nem mesmo com o presente recurso voluntário). De outro lado, os documentos constantes nos autos, somados às informações presentes nos sistemas da RFB foram suficientes para que o julgador formasse a sua convicção, a qual não foi infirmada pela recorrente justamente porque deixou de juntar os documentos antes indicados, nem mesmo depois de o acórdão expressamente afirmar que documentos internos produzidos unilateralmente não serviriam a tanto, que deveria ter apresentado livros contábeis por se tratar de pessoa jurídica. Tenho que o indeferimento do pedido de perícia foi, assim, devidamente fundamentado, incidindo no caso concreto o enunciado da Súmula CARF nº 163: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, rejeito a preliminar. 3. DO MÉRITO Conforme relatado, o recurso voluntário reproduziu em identidade de termos os argumentos expendidos na impugnação. Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 Ademais, os documentos acostados com o recurso não serviram para comprovar o crédito alegado, porquanto se tratam de documentos internos e de um único documento do Bradesco informando valores pagos de JCP e IRRF no valor de R$ 54.053.524,34, o qual sequer corresponde ao valor alegado pela recorrente (R$ 47.642.007,83). Dessa forma, tendo em vista que a fundamentação do recurso voluntário não agregou novos elementos jurídicos, valho-me da previsão contida no § 3º do art. 57 da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) [Grifo nosso] Desse modo, e tendo em vista que estou de acordo com as conclusões lançadas na decisão recorrida, com base na disposição regimental supra citada e valho-me das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão: Dos efeitos jurídicos das informações constantes em DCTF. Já em 1986 a legislação tributária dava à DCTF o poder de ser instrumento inequívoco e irrefutável de confissão de dívida, uma vez que, como será demonstrado, ela possibilitava e possibilita à Fazenda Pública executar judicialmente os declarantes. Nesse sentido, determina o Decreto-Lei nº. 2.124, de 13-06-1984, em seu artigo 5º, parágrafo 1º., abaixo transcrito: “Art.5º.O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.” Depreende-se deste dispositivo que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória possui natureza de título executivo, ensejando a inscrição direta em dívida ativa para efeito de cobrança executiva. Por conseguinte, a executoriedade do crédito tributário formalizado nesses documentos deve-se ao caráter de confissão de dívida que eles, por força de lei, possuem e, como confissão de dívida, imprimem ao crédito tributário ali apurado a certeza e a liquidez necessárias a sua inscrição em dívida ativa. Tal afirmação também encontra fundamento no artigo 201 do CTN, que dispõe: Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 “constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular”. Assim, verificada a confissão de dívida na qual o contribuinte já se declarou devedor, resta suprida a necessidade de um ato de formalização do crédito já confessado pelo contribuinte, mediante lançamento de que trata o art. 142 do CTN. A DCTF foi instituída pela INSRF nº.129 de 1986, e desde esta data, é um dos instrumentos de confissão de dívida tributária conforme prescrito no artigo 5º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº. 2.124, de 13-06-1984. A doutrina majoritária, dentre ela, a de Leandro Paulsen em comentário ao artigo 174 do CTN na obra de sua autoria (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, pág.1.244, 7ª. ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005), ensina que: “O Fisco, no curso do prazo para o lançamento de ofício, pode optar pelo exercício da prerrogativa de promover a inscrição com base na DCTF, sem realizar propriamente o lançamento de ofício. No momento em que o Fisco adere à DCTF e promove sua inscrição em dívida ativa, inscrição esta é o derradeiro controle de legalidade feito pela Administração, tem-se que chancelou a DCTF oficializando-a. A convergência entre o contribuinte e o Fisco, que aceita a DCTF como expressão do seu crédito e promove a sua inscrição, implica a definitividade do respectivo crédito tal como inscrito. O Fisco, no momento em que inscreve os valores da DCTF em dívida ativa, abre mão de realizar lançamento diverso, com o crédito inscrito tornar-se definitivo. Daí, pois, ou seja, da inscrição em dívida ativa, conta o prazo prescricional.” O mesmo professor na sua obra, Direito Tributário, página 1.268, informa que: “prestada informação pelo contribuinte no sentido de ser devido determinado tributo (o que normalmente ocorre através das guias de informação da Receita Federal e do INSS; DCTF e GFIP), não mais se opera a decadência relativamente ao que foi confessado, pois desnecessário o lançamento pelo mesmo valor.” Acrescenta o referido autor: “É certo que continuará correndo o prazo decadencial para o Fisco realizar lançamento por montante superior ao confessado. Decorrido o prazo decadencial sem qualquer lançamento de ofício, considera-se que o Fisco aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada.” (Grifado agora) Por sua vez, Zelmo Denari, na sua obra “Curso de Direito Tributário”, da Editora Forense, 1991, págs. 255/256, diz: “Os débitos declarados pelos contribuintes equivalem a confissão de dívida, pois o declarante comunica ao Fisco a ocorrência de fatos geradores do imposto e, ao mesmo tempo, determina o “quantum debeatur”. A declaração do débito corresponde, do lado ativo, um direito pré-constituído que não depende de qualquer provimento administrativo ou judicial para se afirmar como Direito.” A jurisprudência é no sentido de que o reconhecimento do débito tributário pelo contribuinte, mediante a DCTF, com a indicação precisa do sujeito passivo e a quantificação do montante devido, equivale ao próprio lançamento, estando o Fisco autorizado a proceder à inscrição do respectivo crédito em dívida ativa. Segundo jurisprudência pacífica do STJ, a apresentação, pelo contribuinte, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF (instituída pela INSRF 129 de 1986, atualmente regulada pela IN SRF 395 de 2004, editada com base no artigo 5° do DL 2.124 de 1984 e artigo 16 da Lei 9.779 de 1999) ou de Guia de Informação e Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 Apuração do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de formalizar a existência, vale dizer, constituir o crédito tributário, dispensada, para esse efeito, qualquer outra providência por parte do Fisco. Portanto, os dados constantes em DCTF alteram a realidade dos fatos, constituem, por si só, fato jurídico, uma vez que possibilitam à Fazenda Pública executar judicialmente os respectivos declarantes. Do princípio da verdade real. A aplicação do princípio da verdade real, na espécie, traduz-se por averiguar se a despeito de a DCTF apresentar determinado valor, na verdade, este seria outro. Determina o parágrafo 1º., do artigo 147, do CTN, que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Tal regra está regulamentada nos artigos 880 e 881, do RIR/99. Desta forma, cabe ao contribuinte comprovar a veracidade dos valores apresentados na manifestação de inconformidade para que se conclua se houve erro de fato quando da elaboração da DCTF. Da demonstração do erro de fato. Tratando-se de pessoa jurídica, os livros contábeis e fiscais são os elementos que provam os fatos alegados. O Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, estabelece: "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais"(Grifado agora). Os documentos hábeis, segundo sua natureza, que são exigidos neste dispositivo, são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado, cuja existência ali se materializa, e que tenha autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduza à convicção da efetiva realização do que foi argüido. Desta forma, os documentos não podem ser unilaterais, isto é, terem sido elaborados com a participação exclusiva da própria pessoa interessada, sem a confirmação de terceiros intervenientes nas operações. No presente caso, os documentos hábeis devem ser aqueles que comprovem que o valor do IRRF incidente sobre os JCP pagos a acionistas residentes no exterior, código 9453, foi, efetivamente de R$47.642.007,83 e não de R$49.161.327,48, conforme constou na DCTF. O documento doc.03, fls.15/17, é um demonstrativo da própria lavra da Interessada. O documento de fls.20, doc.04, emitido pela instituição financeira custodiante informa que R$317.116.769,36 foram distribuídos a título de juros sobre capital próprio – JCP aos acionistas da Interessada residentes no exterior. Às fls.03, na manifestação de inconformidade, o total é de R$317.127.766,76. Conforme constou na manifestação de inconformidade, (fls.03), a parcela destinada aos acionistas estabelecidos no Japão teria sido de R$192.149,99; a destinada aos estabelecidos em “paraísos”, R$776.488,39, e aos acionistas nos EUA, teria sido de R$316.159.128.38. Com base nestes valores, e na regra de tributação aplicável na espécie, (alíquota de 12,5% na distribuição de dividendos a residentes no Japão, 25% para acionistas em “paraísos” e 15% para residentes nos EUA), poder-se-ia concluir que o IRRF seria de fato de R$47.642.007,83. Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.735 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972484/2009-66 Ocorre que o doc.04, de fls.20, da instituição financeira custodiante, não detalha a distribuição a nível de destinatário, colocando todo o valor de R$317.116.769,36 como sendo para residentes no exterior. Tal fato toma relevância quando se comprova que as regras de tributação fazem com que as alíquotas a serem aplicadas sejam diferentes, 12,5%, 15% e 25%. É bem verdade que o mencionado documento aponta que o IRRF foi de R$47.640.358,16, contudo, a autoridade julgadora tem que ter elementos para ter a plena convicção da veracidade das informações que constam nos documentos a ela apresentados. Ainda que a instituição financeira tenha efetivamente retido o valor alegado, é o Fisco que deve verificar da veracidade dos dados apresentados com base na escrituração do contribuinte. A Interessada não apresentou registros contábeis que comprovassem os valores alegados. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição/compensação, devendo o contribuinte comprová-los. Não estando as alegações acompanhadas de documentos e livros contábeis e fiscais que as corroborem, conclui-se que a manifestação de inconformidade não logrou desconstituir os fundamentos do despacho decisório. Assim, o recurso não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903905/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.656
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DILIGÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 03 90 5/ 20 13 -7 9 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.903905/201379 Resolução nº 3402001.656 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ em Belém PR, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente contra o indeferimento do Pedido de Restituição de credito decorrente de pagamento a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS sobre Folha de pagamento. No Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Cascavel (PR), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para o Pedido de Restituição solicitado. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Cientificada da referida decisão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que a retificação da DCTF, mesmo que após a primeira notificação de indeferimento, bem como o Pedido de Restituição, foram efetivados com base nos termos da IN nº 635/2006, mormente quanto ao artigo 28, que constitui aos contribuintes do PIS Folha a que se refere o inciso III do artigo 1º, e não incluiu as Sociedades Cooperativa de Médicos e, portanto, não foram declaradas contribuintes do PIS folha, fato este, ratificado no artigo 29 da referida IN em que, não relacionadas no artigo 29, sequer a Cooperativa de Médico constitui fato gerador do PIS folha; b) diante das razões expostas, requer a revisão do Despacho Decisório, seu respectivo cancelamento com a consequente ratificação e homologação, dos Pedidos de Restituição dos valores recolhidos pela Recorrente a título de PIS sobre Folha de Pagamento, referente ao período de Agosto de 2008 a Dezembro de 2012. Ao final, clama pela acolhida do recurso para o fim de assim ser decidido pela procedência da retificação da DCTF e da homologação do Pedido de Restituição. Na sequência, o processo foi distribuído para seu julgamento, que seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicouse o decidido no Acórdão nº 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do PAF nº 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No entanto, na condição de Conselheiro Relator deste processo, conforme previsão dos artigo 66 c/c artigo 65, § 1º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, este Conselheiro apresentou Embargos Inominados por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão que integra os autos, que desta forma conclui em sua parte dispositiva: Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.903905/201379 Resolução nº 3402001.656 S3C4T2 Fl. 4 3 "(...) 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo". (Grifei) No entanto, verificase que os documentos constantes dos presentes autos atestam a tempestividade da interposição do Recurso Voluntário. Posto isto, os Embargos opostos foram admitidos pelo Presidente da Turma, por estar comprovado a inexatidão material da decisão embargada, para que seja analisado o Recurso Voluntário e haja a prolação de um novo Acórdão pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.631 13 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903880/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.631) 1: "Com os mesmos fundamentos do despacho de admissibilidade (fls. 158/159), conheço e acolho os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário para analisar as razões recursais. Com efeito, como indicado no relatório, os presentes Embargos foram interpostos por este Conselheiro por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão nº 3402 005.627, de 27/09/2018 (fls. 153/155), que concluiu pela intempestividade do recurso interposto em sua parte dispositiva. No entanto, verificase que atestam os documentos constantes dos presentes autos que a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 30/03/2017, conforme Termo de Ciência Eletrônica (Portal eCAC), enquanto o recurso voluntário foi apresentado em 12/04/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 144. Portanto, encontrase tempestivo a apresentação do Recurso Voluntário, devendo ser conhecido. Assim, cabe ser acolhidos os Embargos de Declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, para adentrar em seu mérito. (...) 1 Foram transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento do paradigma. Íntegra da Resolução paradigma pode ser consultada no processo 10935.903880/201311. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.903905/201379 Resolução nº 3402001.656 S3C4T2 Fl. 5 4 Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.903905/201379 Resolução nº 3402001.656 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002197/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente.
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos.
Numero da decisão: 3302-007.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar a omissão, imprimindo-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre fretes intitulados "consignação".
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente)
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos.
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OMISSÃO VERIFICADA Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente omissão alegada pela embargante quanto a aplicação ou não de dispositivo previsto na Legislação vigente. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar a omissão, imprimindo-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre fretes intitulados "consignação". (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 97 /2 00 9- 90 Fl. 1751DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.726 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.002197/2009-90 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório Trata-se de Embargos opostos por Conselheiro em face do acórdão nº 3302- 006.802, proferido na sessão de julgamento de 24/04/2019, o qual aponta a existência de omissão ou lapso ocorrido na decisão. Em referido acórdão quando da apreciação da omissão relacionada ao creditamento de fretes denominados “consignação”, restou tratado o voto vencido, tal assunto como frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Para o Conselheiro embargante, levando em consideração as conclusões trazidas em Termos de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal e em resultado de diligência realizada no presente processo, a glosa não teria se estabelecido em razão de alíquota zero sobre o leite in natura, mas ou por ter o leite gerado crédito presumido, ou por não ter sido reconhecido como insumo. Desta feita, haveria um erro material no voto vencido, o que caracterizaria uma omissão ou lapso quanto ao real motivo da glosa dos fretes de consignação. Opostos os presentes embargos, foram a mim encaminhado para inclusão do processo em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. Os embargos tratam de matéria da competência deste Colegiado, atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto, submeto-o à Turma para julgamento. Conforme se depreende do relatório acima, trata-se de embargos de Conselheiro que levando em consideração as conclusões trazidas em Termos de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal e em resultado de diligência realizada no presente processo, a glosa não teria se estabelecido em razão de alíquota zero sobre o leite in natura, mas ou por ter o leite gerado crédito presumido, ou por não ter sido reconhecido como insumo, ocorrendo desta forma um erro material no acórdão embargado, havendo a necessidade de ser revisto. Pois bem. Analisando novamente os autos do presente processo, cumpre a esse Conselheiro afirmar que assiste razão aos embargos. Fl. 1752DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.726 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.002197/2009-90 Na decisão embargada, as conclusões quanto ao denominado “consignação”, foram as seguintes: "III - Frete intitulado como "Consignação" Para a embargante os valores gastos com os fretes com consignação, deveriam lhe garantir o creditamento do PIS e da COFINS. A descrição do item "consignação" feita pela embargante é a seguinte: A glosa dos créditos em discussão, fundamentou-se no sentido de que os bens sujeitos à aliquota zero, e por consequência os fretes de aquisição dos mesmos, cuja base de cálculo do crédito já englobaria o valor do frete, não daria direito ao creditamento. A presente matéria, já foi objeto de apreciação desta Turma, com outra composição, oportunidade em que, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: [...] Destarte, por ser passível de creditamento, a glosa dos créditos relativos ao frete intitulado como "consignação", por se tratar de frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero, deve ser totalmente revertida." Entretanto, indo ao encontro do entendimento explanado pelo Conselheiro embargante, entendo que a conclusão acima transcrita encontra-se equivocada. A glosa dos créditos se deu em razão de entender a autoridade fiscal e a DRJ, não ser possível o enquadramento de referido crédito como insumo, e não por se tratar de bem tributado à alíquota zero. Destaco trecho do relatório de conclusão de diligência (e-fls 1462): (...) Um dos pontos mais controversos em relação a apropriação de crédito de PIS/COFINS não cumulativo, diz respeito, ao frete entre estabelecimentos da mesma empresa, em virtude do processo produtivo, por exemplo, o envio do leite “in natura” de um ponto de coleta para unidade de resfriamento e posterior envio para unidade de industrialização. E, frete entre unidades de industrialização e os centros de distribuição. Tal vedação decorre do fato que ambas as despesas não se constituem em insumos utilizados na produção de bens destinados à venda e nem tampouco a fretes na operação de venda de mercadorias. (...) Pois bem. Entendo de forma diversa do que restou apontado pelas autoridades fiscais, e considero tal frete como insumo, havendo a necessidade de reversão da glosa dos créditos. Tal entendimento encontra-se em consonância com decisões recentes prolatadas pala Câmara Superior de Recursos Fiscais, como no acórdão nº 9303-009.685, de lavra da I. Conselheira Tatiana Midori Migiyama: Fl. 1753DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.726 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10925.002197/2009-90 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. FRETES DE PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre gastos com fretes no transporte de produtos inacabados e insumos entre estabelecimentos. Destarte, considerado como insumo e, portanto, passível de creditamento, a glosa dos créditos relativos ao frete intitulado como “consignação”, deve ser totalmente revertida. Por todo o exposto, voto em acolher os embargos do conselheiro para sanar a omissão, imprimir-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre insumos aos fretes intitulados "consignação". É como voto. (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Fl. 1754DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000296/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMPUGNAÇÃO INTERPOSTA FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição da Impugnação pelo contribuinte. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento da defesa em razão da sua intempestividade e, consequentemente, não instaura a fase litigiosa do procedimento.
Numero da decisão: 2202-008.633
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à tempestividade da impugnação, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-008.630, de 02 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10569.000235/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Samis Antônio de Queiroz , Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro Leonam Rocha Medeiros, substituído pelo Conselheiro Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO INTERPOSTA FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição da Impugnação pelo contribuinte. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento da defesa em razão da sua intempestividade e, consequentemente, não instaura a fase litigiosa do procedimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à tempestividade da impugnação, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-008.630, de 02 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10569.000235/2010-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra R. Decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que considerou intempestiva a impugnação e não abriu o contencioso para o presente processo administrativo fiscal. Segundo o acórdão proferido trata-se de crédito lançado pela fiscalização no valor de RS (...), acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal, refere-se às contribuições da empresa, destinadas à Seguridade Social, e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre remunerações pagas aos seus segurados empregados. O lançamento teve por fatos geradores os pagamentos feitos a segurados empregados declarados em RAIS e não informados em Folha de Pagamento e GFIP, vez que da comparação realizada entre os diversos documentos apresentados constatou-se que diversos segurados constantes da RAIS não se encontravam em FP/GFIP; e os pagamentos relativo ao fornecimento de Vale Refeição/Alimentação, visto que a empresa não comprovou sua adesão ao PAT, sendo esses valores considerados salário-de-contribuição, por terem sido pagos pela empresa aos seus segurados; A interessada interpôs impugnação alegando dentre outras, que apresentou a Impugnação tempestivamente, visto que quando o prazo termina no sábado, automaticamente é prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, portanto a apresentação da impugnação é tempestiva. O Colegiado de 1ª Instância decidiu não conhecer da impugnação, reconhecendo sua intempestividade. Cientificado da Decisão o Recorrente apresentou recurso voluntário afirmando que: 1 – a impugnação apresentada é tempestiva; 2 –há nulidade processual por cerceamento à defesa; 3 –a cientificação da autuação foi feita a terceiro, não sócios ou representante do Recorrente; 4 –a autuação apresenta falta/erro na fundamentação legal; 5 –a autuação é nula, dado vício na intimação expedida para apresentação de documentos; Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12898.000296/2010-71 6 – a autuação é nula por ter sido lavrada fora do estabelecimento comercial do Recorrente; 7 – a autuação é nula por falta de habilitação do Agente Fiscal ao exercício da profissão de contador; 8 – os valores pagos tinham natureza indenizatória, e que não foram consideradas retenções no período; 9 – a contribuição do acidente de trabalho é inconstitucional, como também o é o enquadramento pelo INSS do grau de risco; 10 – a impossibilidade de cobrança do SESC, INCRA, e a ilegalidade/inconstitucionalidade da exigência de contribuição de autônimos e avulsos; 11 – a multa proporcional e isolada configuram confisco; 12 – aplicação da SELIC é inconstitucional; 11.1 - Diante do exposto, o contribuinte espera e confia que este Órgão Julgador decida da seguinte forma: l1.l.l sejam acolhidas as preliminares arguidas: 1) DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE V DEFESA - TEMPESTIVIDADE; 2) DE FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO; além dos sólidos argumentos delineados no corpo da defesa anulando o ato administrativo e devolva o conhecimento da matéria; 1l.2.2 ultrapassadas as preliminares acima, no mérito, requer seja acolhida a impugnação e julgado improcedente autuação e ou sua redução considerando os sólidos argumentos e, alternativamente, na remota hipótese de não acolhimento do pleito, postula, desde já, o afastamento da multa e ou mesmo sua redução; 1l.2.3 protesta, desde já, por todos os meios de provas permitidas, documentação complementar, prova pericial, requisição de informações e documentos, conversão do julgamento em diligencia se necessário, tudo em respeito a ampla defesa e devido processo legal, por ser de inteira medida justa e razoável de Justiça Administrativa Juntou documentos. Esse, em síntese, o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Preliminarmente, insta considerar o conhecimento parcial do recurso, apenas no que toca à tempestividade. Ocorre que, conforme se depreende dos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72, a falta de impugnação da exigência, no prazo de 30 dias, obsta a instauração da fase litigiosa do Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12898.000296/2010-71 procedimento administrativo, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. Assim determina o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Vale dizer, quando o contribuinte, devidamente intimado, não apresenta a sua impugnação ao tempo expresso em lei, por óbvio abriu mão do direito de contestar, e deve suportar todos os efeitos da revelia, já que o vencimento deste prazo com a inércia do réu faz nascer a preclusão, e consequentemente a vedação da pratica do ato. Desta forma, a impugnação apresentada intempestivamente sequer inicia a fase litigiosa do processo administrativo, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso dos autos, o Recorrente foi intimado aos 05/10/2010 – terça-feira (fls.) e apresentou a defesa aos 12/11/2010 – sexta-feira (fls. e ss), 38 dias após a intimação regular. Vejamos a fundamentação do R. Acórdão Recorrido (fls. e ss): 8. Pelos documentos constantes da autuação, observa-se que a ciência do lançamento ocorreu em 05/10/2010 (AR às fls.), o prazo para a apresentação da impugnação teve seu termo final em 04/11/2010, tendo sido apresentada impugnação em 12/1 1/2010 (fls.), após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias a que se refere o artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972: (...) 9. Portanto, não superada esta preliminar de admissibilidade da impugnação, toma-se inútil julgar-lhe o mérito, assim, diante de todo o exposto, voto por declarar NAO CONHECIDA a impugnação. A intimação da Autuação ocorreu no domicílio fiscal do Recorrente, consoante atesta o AR juntado a fls. e dos documentos de fls., e confirmado na peça de defesa apresentada. A respeito da alegação de que a cientificação da autuação deu-se a terceiro, o que a tornaria inválida, o CARF prolatou a Súmula 9, no seguinte sentido: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como se verifica, correta a fundamentação do R. Acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por conhecer, parcialmente do recurso, somente relativamente à matéria da tempestividade, e, na parte conhecida, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12898.000296/2010-71 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstantes os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, apenas quanto à tempestividade da impugnação, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente Redator Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.921525/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/11/2005
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
Numero da decisão: 3302-011.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Walker Araújo e Paulo Regis Venter, que convertiam o julgamento em diligencia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.519, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10980.921481-2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Lima Abud, Walker Araújo e Paulo Regis Venter, que convertiam o julgamento em diligencia. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.519, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10980.921481- 2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 15 25 /2 01 2- 90 Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS/Cofins cumulativos. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade a seguir resumida. Informa que o pedido de restituição advém de créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Cofins em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. O art. 195 da CF/1988 reconhece como base de cálculo para o PIS/Cofins a receita ou o faturamento, sem autorização para incluir o valor pago a título de ICMS, pois tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. O ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação, constituindo o respectivo destaque mera indicação pra fins de controle. O faturamento é decorrente de um negócio jurídico e a base de cálculo não pode extravasar o valor desse negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Além disso, deve-se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações (art. 110 do CTN). Descabe assentar que os contribuintes do PIS/Cofins faturam ICMS, uma vez que esse tributo não é receita da empresa, mas sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrá-lo. Assim, não se pode aceitar a incidência das contribuições sobre outro imposto, tornando-se alheio ao que deve ser o faturamento. Em face das razões expendidas, requer que seja homologado o pedido de restituição efetuado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento que não havia na legislação pátria previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual requer a suspensão do julgamento deste processo administrativo até a decisão final do STF sobre o tema. Alternativamente, que seja dado provimento para afastar das bases de cálculo do PIS e da Cofins o valor do ICMS. Apresentou na interposição do recurso voluntário documentos contábeis e fiscais que, em tese, comprovariam que o ICMS foi incluído na base de cálculo do tributo. É o breve relatório. Voto Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cinge-se ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão encontra-se superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. No RE nº 574706 - Tema 069 - ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017). A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, os quais foram julgados nos termos da certidão de julgamento abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, após o julgamento dos embargos de declaração por ela opostos, se pronunciou sobre o tema no Parecer SEI nº 7698/2021/ME: (...) 9. Como se percebe, adotou-se a posição da Ministra Relatora de que inexistia qualquer omissão, obscuridade ou contradição a ser sanada, inclusive no que diz respeito ao montante do ICMS a ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, que deve ser aquele destacado nas notas fiscais. 10. De outra parte, em importante vitória da União, os efeitos da decisão foram modulados, fixando-se a produção de seus efeitos após 15/03/2017, data do julgamento de mérito do RE nº 574.706. 11. Em suma, portanto, dois foram os principais comandos do julgamento realizado e que, com vistas a evitar um cenário de agravamento da litigância deste que é o tema de maior repercussão no contencioso tributário pátrio, recomendam a adoção de providências imediatas por parte da Administração Tributária, já que não mais serão objeto de insurgência por parte da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, porquanto objeto de induvidosa e cristalina posição da Suprema Corte: a) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e requerimentos administrativos protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e b) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. (...) Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS destacado deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Contudo, não posso atestar que houve a inclusão do ICMS na base de cálculo da exação do período de apuração requisitado. Isto porque, em nenhum momento processual foi analisada essa questão. No despacho decisório ficou consignado que não havia indébito tributário, uma vez que o recolhimento apresentado como prova do recolhimento indevido teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A decisão da DRJ negou provimento ao recurso em virtude da falta de previsão legal para excluir da base de cálculo da exação o valor do ICMS. No recurso voluntário, o sujeito passivo refutou a questão de direito e, utilizando o princípio da eventualidade, apresentou documentos – cópia Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 de páginas do livro de apuração de ICMS e do livro razão, com a contabilização dos valores do ICMS - que poderiam comprovar que houve recolhimento da exação tendo o ICMS em sua base de cálculo. Esses documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da exação o valor do ICMS, gerando um indébito tributário. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, entendo que os documentos apresentados na interposição do recurso voluntário não podem servir de prova em face da preclusão consumativa. Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 Partindo dessa premissa, retornando a análise dos autos, o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação/manifestação de inconformidade. Temos conhecimento, outrossim, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontra-se cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. No caso em epígrafe, a lide versa sobre pedido de ressarcimento, de tal forma que o ônus probatório recai para o sujeito passivo. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolve-se, a rigor, em uma máxima probabilidade. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, segue-se que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas - e daí a pertinência de prová-las, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vincula-se ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontra-se ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecê-lo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que: a prova dos fatos faz-se por meios adequados a fixá-los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontra-se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar ideias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificar-se de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebra-cabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. É como voto. CONCLUSÃO Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.559 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.921525/2012-90 Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados nesse voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906178/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 06 17 8/ 20 11 -9 9 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10840.906178/201199 Resolução nº 1402000.492 S1C4T2 Fl. 3 2 2005 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls. 94101); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10840.906178/201199 Resolução nº 1402000.492 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 1402 000.478, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/201175. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.478): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP, no qual pretendia compensar um recolhimento feito para o SIMPLES, com débitos de PIS e COFINS, uma vez que teria sido excluído do SIMPLES, em janeiro/06, retroativamente ao ano de 2002. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que não tinha sido apresentada Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original e o contribuinte não tinha, mesmo intimado, sanado essa irregularidade. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que, como não confirmou a exclusão do contribuinte do SIMPLES, não tinha como corroborar a tese de que o pagamento realizado com código 6106 (regime de tributação do Simples) fosse indevido. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera sua exclusão do Simples, afirma que não possui o ato de exclusão, uma vez que teria sido publicado em edital, mas anexa um Termo de Encerramento de Ação Fiscal no qual a fiscalização afirma que “sendo assim, o fiscalizado foi comunicado, conforme edital SACAT/DRF/POR/N. 01/2006, da exclusão do SIMPLES na data de 02/01/2006 e, consequentemente, procedeuse ao cancelamento das Declarações de Rendimento (DIPJ) referentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004”. Como consequência, deuse a ação fiscal que, ao final, culminou com a lavratura de autos de infração de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS. E, por fim, não foi admitido o pleito do contribuinte, formalizado em impugnação, de que os valores pagos, a título de SIMPLES, fossem abatidos dos créditos tributários constituídos antes da incidência de multa de ofício e juros, mantendose íntegros os lançamentos fiscais realizados de ofício. Não restando alternativa para a utilização dos recolhimentos feitos ao SIMPLES em razão de sua exclusão, optou o contribuinte, portanto, em apresentar PER/DCOMP para todos os pagamentos realizados. Antes de se adentrar ao mérito, importante salientar que a fiscalização, a partir do momento em que o contribuinte foi excluído do SIMPLES e, no mesmo período, efetuou a lavratura de autos de infração de IRPJ, Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10840.906178/201199 Resolução nº 1402000.492 S1C4T2 Fl. 5 4 CSLL, PIS e COFINS sob outra sistemática, deveria, no momento da constituição do crédito tributário de ofício, ter considerado os pagamentos realizados pelo contribuinte para as mesmas competências, o que, como se denota da decisão, não lhe foi garantido, resultando em prejuízo ao contribuinte, na medida em que os valores constituídos ficaram maiores e, sobre tais valores, incidiu multa de ofício e juros de mora. Esse posicionamento está fundamentado em Solução de Consulta Interna nº 23, de 21 de dezembro de 2006, a qual é anterior aos autos de infração lavrados, uma vez que datados de março/2007, com ciência no mesmo mês. Pedese vênia para transcreverse, abaixo, excertos da referida Solução de Consulta, bem como sua conclusão: (...) 7. Para melhor solução, analisarseá a questão fazendo a seguinte divisão entre os créditos de IRPJ ou CSLL do sujeito passivo: créditos oriundos de antecipações de valores de imposto ou contribuição retidos na fonte ou pagos a título de estimativa mensal; valores de IRPJ e CSLL apurados e pagos pelo sujeito passivo, utilizando forma de tributação distinta daquela utilizada pela autoridade tributária no lançamento de ofício. (...) 11.Relativamente ao item 7.2 acima, na verdade esses valores não constituem créditos de IRPJ e CSLL. Tratamse de imposto e contribuição referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização. Nesse caso, a autoridade fiscal deve lançar apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado, considerando os valores pagos anteriormente pelo contribuinte, independentemente da sua forma de apuração. 12.Igualmente deve ser o tratamento na hipótese de exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte (Simples), deduzindo do valor apurado mediante a forma de tributação adotada pela fiscalização, as parcelas de IRPJ e CSLL recolhidas a título de Simples. (...) 3. CONCLUSÃO 14.Por todo o exposto, concluise que na constituição de ofício do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devem ser considerados, para efeito de dedução do imposto ou da contribuição devida, os valores de IRPJ e de CSLL decorrentes de retenção na fonte ou de antecipação (estimativas) referentes às receitas compreendidas na apuração. 15.A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção de forma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado. 16.Qualquer outro crédito do contribuinte somente poderá ser objeto de pedido de restituição ou compensação por iniciativa do contribuinte nos termos da legislação pertinente à matéria. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10840.906178/201199 Resolução nº 1402000.492 S1C4T2 Fl. 6 5 Este, assunto, contudo, não é o objeto do presente processo administrativo, mas tem pertinência, na medida que garante a possibilidade de utilização de valores pagos a título de SIMPLES para fins de abatimento e, consequentemente, compensação, com outros tributos administrados pela Receita Federal, que é o pleito do contribuinte em seu Recurso Voluntário. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. MÉRITO A decisão recorrida da DRJ, ao partir de uma premissa equivocada – não comprovação da exclusão do contribuinte do SIMPLES, chegou numa conclusão equivocada, qual seja, que o contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório para fins de utilização na compensação declarada. Como já exposto alhures, não há dúvidas de que o contribuinte foi excluído do SIMPLES, via edital, pelo ato SACAT/DRF/POR/N. 01/2006, de 02/01/2006, bem como que teve canceladas suas Declarações de Rendimento (DIPJ) referentes aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 (p. 92). Ora, se o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por ato da própria Receita Federal, em consequência, todos os recolhimentos que realizou, para o SIMPLES, são indevidos e, consequentemente, passíveis de compensação, nos termos da legislação tributária pertinente. O art. 74, da Lei 9.430/96, garante aos contribuintes que pagamentos realizados a maior ou pagamentos indevidos, são passíveis de compensação, indicando os meios adequados para que esse procedimento seja levado a efeito perante a Receita Federal. E, com a ressalva feita que os pagamentos realizados deveriam ter sido considerados já no momento da lavratura dos autos de infração, uma vez não utilizados os créditos, buscou o contribuinte a via adequada para realizar a compensação de seus créditos, conforme se denota na PER/DCOMP. A questão que se põe, a partir do momento em que se admite a legalidade do pedido de compensação, é qual o valor que é efetivamente compensável, uma vez que em um recolhimento para o SIMPLES o contribuinte fazia a quitação de diversos tributos numa mesma guia de recolhimento. Compulsando a Lei 9.317/96, que regia o SIMPLES na época dos fatos, observase, em seu art. 5º, inciso II, as faixas de faturamento e a alíquota respectiva. Vejase: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais:(Vide Lei 10.034, de 2000) (...) II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10840.906178/201199 Resolução nº 1402000.492 S1C4T2 Fl. 7 6 b) de R$ 240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$ 360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); d) de R$ 480.000,01 (quatrocentos e oitenta mil reais e um centavo) a R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais): 6,6% (seis inteiros e seis décimos por cento); e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). (...) § 4° Caso o município em que esteja estabelecida a microempresa ou a empresa de pequeno porte tenha celebrado convênio com a União, nos termos do art. 4°, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos, a título de pagamento do ISS, observado o disposto no respectivo convênio: I em relação a microempresa contribuinte exclusivamente do ISS: de até 1 (um) ponto percentual; II em relação a microempresa contribuinte do ISS e do ICMS: de até 0,5 (meio) ponto percentual; III em relação a empresa de pequeno porte contribuinte exclusivamente do ISS: de até 2,5 (dois e meio) pontos percentuais; IV em relação a empresa de pequeno porte contribuinte do ISS e do ICMS: de até 0,5 (meio) ponto percentual. Observandose o destaque feito na letra b, do inciso II, do art. 5º acima transcrito, a alíquota aplicável ao contribuinte em determinados exercícios seria de 5,8%. No entanto, num exame mais detido na documentação relativa ao caso, neste mesmo período, percebese que o contribuinte recolheu alíquotas maiores do que as acima apontadas (no caso específico verificado, uma diferença de 2,9 pontos percentuais). A conclusão lógica é que está embutido na alíquota aplicada outro tributo além dos tributos federais e, no caso concreto, como a Recorrente é uma instituição de ensino, pressupõese que é prestadora de serviços e, portanto, contribuinte do ISS. O contribuinte não teve o cuidado de especificar quais os tributos que estão contidos nos pagamentos de SIMPLES realizados, posto que as alíquotas utilizadas pelo contribuinte para calcular seu valor, para fins de recolhimento, são superiores àquelas previstas na legislação (acima transcrita), o que nos leva a crer que foram recolhidos valores não federais e ainda não compensáveis (INSS). Também não foi discriminado pelas instancias "a quo". Por essa razão, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10840.906178/201199 Resolução nº 1402000.492 S1C4T2 Fl. 8 7 pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. b) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. É o voto. No presente processo a Recorrente pretendia compensar um recolhimento feito para o SIMPLES, com débitos de COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001603/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 5.705 1 5.704 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001603/200828 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 3402001.009 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de abril de 2017 Assunto DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. 1ª SEÇÃO. Recorrentes FRIGOPAN FRIGORICO ABATEDOURO FUNDAO LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma síntese do processo até o julgamento da Impugnação Administrativa apresentadas nos autos pela empresa autuada (efl. 2.646/2.648), inclusive com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 60 3/ 20 08 -2 8 Fl. 5706DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.706 2 resumo da diligência realizada, adoto o relatório da decisão recorrida constante do Acórdão n.º 1277.565 17ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro: "Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada pela impugnação aos autos de infração de Cofins (fls. 2.622/2.629), no valor de R$ 3.062.655,15 e de PIS (fls. 2.630/2.637), no valor de R$ 663.575,24, aí incluídos a multa de ofício qualificada e os juros de mora. A descrição dos fatos que ensejaram o presente lançamento encontrase no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 2594/2621), cujo teor, em suma, abaixo se segue: Da autuação a) De acordo com o Relatório de Análise do Contribuinte – RAC, a empresa fiscalizada, no ano de 2003, apresentara indícios de omissão de receita; b) Esta presunção é decorrente da diferença entre a receita bruta declarada na sua DIPJ no valor de R$ 306.966,66 e o montante das suas movimentações financeiras no ano de 2003, informado pelas instituições financeiras à Receita Federal no valor de R$ 22.676.864,99; c) As receitas discriminadas na DIPJ serviram de base para a apuração dos tributos declarados na DCTF, os quais constituem confissão de dívida; d) Os exames realizados nas 2ª vias das notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, emitidas em 2003, demonstram que foram efetuadas operações de revendas de mercadorias e de prestação de serviços a terceiros (doc. de fls. 157 a 1971). Estas operações foram identificados pelos CFOP – códigos fiscais de operações e prestações das entradas de mercadorias e bens e da aquisição de serviços , conforme RICMS/ES constantes das referidas notas fiscais, com os números 5101 (venda de produção do estabelecimento para o Estado), 5102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para dentro do Estado), 6102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, para fora do Estado) e 5124 (Industrialização efetuada para outra empresa); e) Tais receitas, abaixo transcritas, até setembro de 2003, corroboram os registros do Livro Registro de Saída nº 09 do ano de 2003 e das notas fiscais correspondentes a este período, ou seja, até setembro de 2003 foi extraída uma amostra anexada ao presente processo; Apuração das Receitas Auferidas no Ano de 2003 Janeiro 2.318.773,31 Fevereiro 1.643.302,46 Março 1.154.609,97 Abril 1.433.734,12 Maio 1.533.266,14 Junho 2.144.737,26 Julho 2.494.894,44 Agosto 2.464.900,17 Setembro 3.088.875,97 Outubro 3.649.931,94 Novembro 4.289.896,58 Dezembro 6.258.920,20 Total 32.475.842,56 f) O Livro Caixa referente ao ano de 2003 registra receitas auferidas no valor de R$ 2.680.817,59, inferior, portanto, àquelas receitas apuradas no Livro de Registro de Saída nº 09, totalizadas acima, depreendendose, portanto, que o referido Livro Caixa deixou de contabilizar 91,7% do total das receitas Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.707 3 apuradas no ano de 2003, como também as movimentações financeiras ocorridas no mesmo período; g) Os registros contabilizados neste Livro Caixa também estão em desacordo com as DIPJ do anocalendário de 2003 e DCTF do período, que por sua vez omitem receitas auferidas no anocalendário de 2003; h) Após constatar que as notas fiscais e o Livro Registro de Saída referentes ao ano de 2003 gozavam da confiabilidade necessária para o desenvolvimento do trabalho fiscal; após constatar que os valores das receitas ali registradas e documentadas comprovavam que a receita auferida no ano de 2003 foi de R$ 32.475.482,56 e portanto superior ao montante de R$ 22.656.864,99, apurado na movimentação financeira informada pelas instituições financeiras à Receita, identificouse as diferenças abaixo discriminadas, tomando por base as receitas a partir das notas fiscais e Livro Registro de Saídas conforme discriminado anteriormente e as receitas declaradas na DCTF/DIPJ do anocalendário de 2003, que se referem apenas à revenda de mercadorias; Diferença entre o registrado no Livro de Saída e 2ª via das notas fiscais e o declarado na DIPJ/DCTF Mês Registro Saída/Nota Fiscal DIPJ/DCTF Diferença tributável não declarada Janeiro 2.318.773,31 32.955,76 2.285.817,55 Fevereiro 1.643.302,46 22.759,54 1.620.542,92 Março 1.154.609,97 12.374,23 1.142.235,74 Abril 1.433.734,12 22.459,10 1.411.275,02 Maio 1.533.266,14 11.057,63 1.522.208,51 Junho 2.144.737,26 20.475,09 2.124.262,17 Julho 2.494.894,44 17.118,99 2.477.775,45 Agosto 2.464.900,17 47.485,05 2.417.415,12 Setembro 3.088.875,97 120.281,29 2.968.594,68 Outubro 3.649.931,94 3.649.931,94 Novembro 4.289.896,58 4.289.896,58 Dezembro 6.258.920,20 6.258.920,20 i) Em face das diferenças apuradas, foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 76/78, onde foi intimada a fiscalizada a justificar por escrito e a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea o motivo das diferenças de receitas/faturamento ali estabelecidas; j) Em resposta, alega que a DIPJ apresentada não contém todas as informações dos eventos fiscais/contábeis do período; que reconhece a inexatidão involuntária das informações e atribui tal fato à ineficiência do controle interno da empresa; que tais diferenças não condizem com a realidade operacional da atividade de abate bovino, requerendo a oportunidade de refazer sua contabilidade, apresentando a DIPJ pelo Lucro Real; k) Entretanto, a retificação da DIPJ para o Lucro Real não seria possível, tendo em vista ter sido a opção pelo lucro presumido para aquele ano irretratável, não podendo a interessada, quando já iniciado o procedimento fiscal, alterar a forma de tributação; l) As receitas da fiscalizada decorrem não só das vendas, mas também dos serviços prestados a terceiros, o que implica em percentuais diferenciados, 8% e 32% respectivamente, para fins de cálculo do IRPJ; Da atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. Lourival Simmer m) Em razão das diferenças apuradas e dos dados informados nos sistemas da Receita Federal do Brasil relativos à movimentação financeira da Fl. 5708DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.708 4 fiscalizada no ano de 2003, que deixa patente a realização de gastos e investimentos superiores à renda declarada e contabilizada, considerouse indispensável o exame das informações contidas nos registros das instituições financeiras na qual a fiscalizada possuía conta bancária; n) Sendo, assim, foram providenciadas as RMF para os bancos BANESTES S/A e BRADESCO S/A, solicitando os dados cadastrais em geral, extratos da movimentação bancária e cópia dos cheques superiores a R$ 1.000,00; o) Constatouse, portanto, que todos os cheques apresentados pelo BRADESCO S/A e BANESTES S/A estão na sua totalidade assinados pelo Sr. Lourival Simmer; p) Diversos cheques emitidos pela empresa FRIGOPAN foram nominais a ela mesma e a diversos outros beneficiários, inclusive nominais ao Sr. Lourival Simmer. Alguns cheques, nominais a própria empresa fiscalizada foram endossados pelo Sr. Lourival Simmer e depositados na conta corrente do Banco Bradesco S/A nº 00658197, Agência 04146, da pessoa física do Sr. Lourival Simmer e na conta corrente do Bradesco nº 0658777, Agência 04146, da empresa SS Naval Comércio e Serviços Ltda. ME (CNPJ 04.570.351/000199), da qual o Sr. Lourival Simmer é sócio; q) Foram emitidas intimações às pessoas físicas dos sócios da FRIGOPAN e também ao procurador, Sr. Lourival Simmer, objetivando tomar a termo o depoimento dos mesmos, com o intuito de apurar a ligação de fato entre a FRIGOPAN e o Sr. Lourival Simmer; r) Em face do realizado, apurou o Fisco diversas contradições nos depoimentos daqueles intimados, relacionandoas às fls. 2609/2611 dos presentes autos; s) Procedendo também aos exames nos cheques BRADESCO S/A conta corrente nº 065820, Ag. 0414 e BANESTES S/A conta corrente 3.488.552, Ag. 183, emitidos em 2003 pela empresa FRIGOPAN, todos assinados pelo Sr. Lourival Simmmer, foram constatados depósitos na conta corrente do próprio Sr. Lourival e na conta da empresa SS NAVAL COMÉRCIO E SERVIÇO LTDA., de propriedade do Sr. Lourival Simmer, no valor total de 9.999,99; t) Constatouse que o Sr. Lourival Simmer, em três meses, recebeu da empresa FRIGOPAN a quantia de R$ 23.559,99, ou seja, 81,80% do Rendimento Bruto que este senhor diz ter recebido no ano de 2003 da FRIGOPAN, conforme seu depoimento (fls. 2.067/2.069); u) Além disso, foi constatado ainda que a empresa Comercial Maia Ltda., de propriedade do Sr. Lourival Simmer, foi beneficiada pela empresa FRIGOPAN. De acordo com as notas fiscais de fls. 2.445/2.446, a FRIGOPAN no ano de 2003 emitiu cheques para pagar o gado adquirido pela Comercial Maia Ltda. da Fazenda Eldorado de propriedade do Sr. Vanderley Ceolin e Mauro Coelin. Corrobora o fato aqui descrito a resposta datada de 23 de maio de 2008, onde foram relacionados os cheques nominais à MCV VEÍCULOS LTDA. emitidos pela FRIGOPAN no ano de 2003. A MCV é de propriedade dos Srs. Vanderley e Mauro Coelin, os quais efetuaram a troca dos cheques pósdatados, recebidos da FRIGOPAN, por dinheiro em espécie. Foram examinadas as notas fiscais do produtor e verificouse que 12 das 15 notas fiscais do produtor referemse a vacas e novilhos para abate, adquiridos pela Comercial Maia Ltda., enviados para abate na FRIGOPAN, ficando patente a relação comercial entre estes senhores e a fiscalizada, quando se constata que foram emitidos por ela 180 cheques nominais a estes senhores no ano de 2003; v) Estes fatos demonstram que havia uma íntima relação entre a FRIGOPAN e a COMERCIAL MAIA, de propriedade do Sr. Lourival Simmer. Os pagamentos efetuados pela FRIGOPAN em nome da empresa Comercial Fl. 5709DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.709 5 Maia foram realizados pelo Sr. Lourival Simmer, quando da emissão dos respectivos cheques. Este senhor tinha pleno conhecimento dos fatos, pois era o único a assinar todos os cheques. Com este ato favorecia as suas próprias empresas. Esta situação anômala, uma vez que não há qualquer registro contábil que acoberte este ato e fato contábil e os ditos sócios Antônio Francisco Pandolfi e Adriano Pandolfi desconhecem esta relação, só pode ser compreendida sendo o Sr. Lourival Simmer proprietário, revestido de todos os poderes de decisão e os Srs. Antônio Francisco Pandolfi e Adriano Pandolfi meros coadjuvantes em suas atuações como gestores da empresa FRIGOPAN; w) Em conclusão, embora o Sr. Lourival Simmer não constasse como “sócio de direito” ele foi responsável por atos e fatos a mando, gerência e decisão da empresa fiscalizada, inclusive junto às instituições financeiras onde controlou, no ano de 2003, 100% da movimentação financeira e ainda se beneficiou dos recursos oriundos da FRIGOPAN, caracterizandose, portanto, como sujeito passivo solidário, nos termos do artigo 124 do CTN; Da qualificação da multa de ofício x) Com relação à qualificação da multa de ofício para 150%, ocorrera a aplicação em face de que, durante o ano de 2003, a fiscalizada deixou de registrar nos livros fiscais e contábeis e omitiu de suas DCTF receitas comprovadamente auferidas decorrentes das notas fiscais emitidas no ano calendário de 2003, no montante de R$ 32.168.875,88, tentando ocultar sua real situação financeira, bem como suas operações comerciais, retardando o conhecimento por parte da Administração Tributária sobre suas receitas. Prestou declaração falsa à Autoridade Tributária, quando omitiu, na DCTF e nos livros fiscais e contábeis, receitas comprovadamente auferidas e não declaradas, o que caracteriza sonegação fiscal, conforme o disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964; y) Desde o início das atividades da fiscalizada, inclusive no ano de 2003, o senhor Lourival Simmer detinha poderes totais para gerir, mandar e decidir e os exercia em sua plenitude. Não integrar o quadro societário, mas, ato contínuo, tornarse procurador, por tempo indeterminado, com todos os poderes já mencionados e efetivamente exercêlos, torna clara a intenção deste senhor de eximirse das responsabilidades inerentes aos sócios, impedindo a Fazenda Nacional de alçálo a sua real responsabilidade; z) Dessa forma, considerando, em tese, a presença de crime contra a ordem tributária e, ainda, as figuras da sonegação fiscal e da fraude, aplicouse a multa de 150%, ensejando, também, a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais. Devidamente cientificada (fls. 2.621; 2.623 e 2.631), em 30/09/2008 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal e dos Autos de infração, e em 02/10/2008 (fls.2.642) do Termo de Sujeição Passiva, a interessada apresentou, em 24/10/2008, a impugnação (fls. 2.646/2.648), instruída com a documentação de fls. 2.649/2.682. Quanto à impugnação apresentada pela empresa interessada, o teor foi o que se segue: a) No valor da receita bruta global (demonstrativo I do Termo de Verificação e Constatação Fiscal), apurado conforme notas fiscais de saída emitidas no ano de 2003, estão inclusos os valores de DEVOLUÇÃO DE ABATE (CFOP 5.124), resultado do modo operacional da empresa que mediante contratos com terceiros, recebia, em suas dependências, gado bovino dos mesmos, acobertado por notas fiscais de REMESSA PARA ABATE (CFOP 5.901), conforme demonstram as notas fiscais (amostragem exemplificativa de cada mês) anexas a estes e relacionadas no ANEXO I. Nestas operações, a receita da interessada era tão somente advinda do serviço prestado; Fl. 5710DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.710 6 b) Na qualificação da multa de ofício, a interessada vem reafirmar que não houve omissão dolosa, sonegação ou tentativa de fraude, pois o que caracteriza a responsabilidade do contribuinte perante o fisco é a emissão do documento legal referente à operação que resulta na receita a ser tributada; c) Neste caso, todas as operações de compra e venda da FRIGOPAN estão devidamente resguardadas pelas notas fiscais respectivas, o que vem evidenciar a não intencionalidade de negar suas obrigações fiscais e tributárias; d) Entretanto, reconhece que seus registros contábeis não foram tempestivos nem realizados dentro dos requisitos legais, ficando, assim, incompletos, fatos ligados muito mais a critérios de gestão administrativa e de controles gerenciais do que a qualquer tentativa de sonegação ou fraude perante o fisco; e) Também entende que não houve falsidade na apresentação dos documentos, apesar dos mesmos não retratarem a movimentação real das operações da empresa, pois, mais uma vez reafirma, os documentos determinantes da comprovação dos fatos geradores de tributos são as notas fiscais e estas foram devidamente apresentadas. Colocado em sessão para julgamento em 29/11/2011, a então 4ª Turma da DRJ/RJ2 decidiu pela conversão do julgamento em diligência pelos motivos expostos a seguir. Conforme relatado, a fiscalização apurou as bases de cálculo do PIS e da Cofins, de janeiro a setembro de 2003, a partir do Livro de Registro de Saída nº 09 (folhas 131 a 167). Para os meses de outubro, novembro e dezembro de 2003 a apuração foi efetuada a partir das notas fiscais apresentadas (folhas 403 a 1.991). Em sua impugnação a interessada afirma que no valor da receita bruta global (demonstrativo I do Termo de Verificação e Constatação Fiscal), apurado conforme notas fiscais de saída emitidas no ano de 2003, estão inclusos os valores de DEVOLUÇÃO DE ABATE (CFOP 5.124), resultado do modo operacional da empresa que mediante contratos com terceiros, recebia, em suas dependências, gado bovino dos mesmos, acobertado por notas fiscais de REMESSA PARA ABATE (CFOP 5.901), conforme demonstram as notas fiscais (amostragem exemplificativa de cada mês) constantes do ANEXO I (fls. 2658 a 2682). Alega que nestas operações, a receita da interessada era tão somente advinda do serviço prestado. Nas notas fiscais de entrada, trazidas pela interessada no citado Anexo I, consta o CFOP 5.901 Remessa para industrialização por encomenda. Para cada uma destas notas fiscais foi apresentada a correspondente nota fiscal de saída, CFOP 6.124 Industrialização efetuada para outra empresa, com a necessária correspondência entre as mercadorias recebidas e remetidas, o que do ponto de vista documental, em princípio, corrobora a afirmação da interessada. Assim, considerando a plausibilidade das alegações da interessada o processo foi encaminhado à DRF/VitóriaES, para informar, se nas bases de cálculo apuradas pela fiscalização, foram incluídos os valores relativos às saídas de gado bovino de terceiros, remetido para abate nas dependências da interessada. Em caso positivo e ainda em se verificando que a inclusão foi indevida, procedesse a exclusão das bases de cálculo dos valores relativos às saídas de mercadorias de terceiros encaminhadas para industrialização nas dependências da interessada, efetuandose nova apuração das bases de cálculo. O resultado da diligência encontrase consolidado na “Informação Fiscal” de folhas 5.555 a 5.559. No documento a fiscalização informa que intimada, a interessada apresentou as requeridas Notas Fiscais de Saída, CFOP 5124, vinculandoas às Notas Fiscais de Entrada, CFOP 5902 e 5901, anexadas ao presente processo, acompanhadas de planilha descritiva em papel e em meio magnético. Esta planilha discrimina nota a nota as respectivas vinculações e Fl. 5711DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.711 7 informa também o custo de industrialização destacado no corpo das Notas Fiscais de Saida. Informa o fiscal designado para o cumprimento da diligência que: “após análise das Notas Fiscais apresentadas e respectivas vinculações, constatei que as Notas Fiscais de Entrada, CFOP 5901 e 5902, emitidas em 2003, respaldam as Notas Fiscais de Salda, CFOP 5124, emitidas em 2003. Portanto, o valor total constante nestas Notas Fiscais de Saida (CFOP 5124) não corresponde ao serviço de industrialização por encomenda, visto que, segundo a documentação apresentada, no valor total está inserido o valor de remessa para abate”. Conclui informando que a apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS efetuada pela fiscalização quando da lavratura dos Autos de Infraçâo incluiu os valores totais das Notas Fiscais de Saída, CFOP 5124, emitidas em 2003, considerandoos como sendo as receitas de serviços auferidas em 2003. Entretanto, valores dos serviços efetivamente comprovados são apenas os destacados no corpo das Notas Fiscais de Saida. CFOP 5124, como "Custo da Industrialização", cuja apuração analítica consta do Demonstrativo I, folha 5.558 do presente processo. As alterações das bases de cálculo da COFINS e do PIS para o ano de 2003 no que diz respeito apenas à receita de serviços, excluindose o que foi acrescido indevidamente a este título constam da planilha à folha 5.559, abaixo reproduzida: DEMONSTRATIVO DAS BASES DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS PARA O ANO DE 2003 Fonte: Livro Registro de Saida, Notas Fiscais de Entrada e Saída, DCTF (I) (II) (III) (I) + (II) (III) Mês/Ano Receita de Vendas (R$) N.F. CFOP 6102,5101,5102 Receita de Serviço (R$) N.F. CFOP 5124 DCTF BASES DE CÁLCULO jan/03 329.557,62 1.087,80 32.955,76 297.689,66 fev/03 227.595,40 799,10 22.759,54 205.634,96 mar/03 123.742,30 564,40 12.374,23 111.932,47 abr/03 224.591,00 615,00 22.459,10 202.746,90 mai/03 110.576,25 690,30 11.057,63 100.208,92 jun/03 204.750,75 918,70 20.475,09 185.194,36 jul/03 171.189,90 1.036,70 17.118,99 155.107,61 ago/03 474.850,49 733,40 47.485,05 428.098,84 set/03 1.202.812,91 903,20 120.281,29 1.083.434,82 out/03 1.368.839,72 1084,00 0,00 1.369.923,72 nov/03 1.234.812,62 1.387,30 0,00 1.236.199,92 dez/03 2.053.810,95 1.835,40 0,00 2.055.646,35 Cientificada do resultado da diligência em 23/02/2015 (fl. 5565) a interessada manifestouse por meio do documento de folhas 5.568 a 5.582 no qual reforça os argumentos trazidos na impugnação. Alega que “somente aqueles valores identificados e detalhados a título de industrialização por encomenda é que devem compor a base de cálculos das contribuições previdenciárias (sic) quanto as Notas CFOP 5124 do ano de 2003”. É o relatório." (efls. 5.586/5.594 grifei) Atentandose para o relatório fiscal da autuação, vislumbrase que o Termo de Constatação Fiscal lavrado ao final da fiscalização abrangeu não apenas a presente autuação, mas outros de IRPJ e CSLL. Vejamos primeiramente pela transcrição da efl. 2.599 dos autos: Fl. 5712DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.712 8 Pela leitura do referido relatório, depreendese que as razões de fato e de direito para a qualificação da multa e para a atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. Lourival Simmer foram as mesmas para todas as autuações (efls. 2.599/2.621). Inclusive o termo de sujeição passiva foi lavrado com a indicação de todos os tributos autuados, inclusive IRPJ e CSLL, objeto do processo n.º 15586.001563/200814 (efl. 2.642): Com fulcro na diligência realizada na primeira instância, foi dado parcial provimento à Impugnação para ajustar a base de cálculo autuada, mantendo a multa qualificada aplicada. Referido acórdão foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 Fl. 5713DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.713 9 OMISSÃO DE RECEITA. NOTAS FISCAIS. RECEITA DECLARADA. O contribuinte, ao deixar de declarar o valor das receitas auferidas e registrálas nos livros competentes, faz com que o Fisco desconheça o real valor devido a título de tributação, ensejando o lançamento pautado nos respectivos valores então omitidos oriundos das receitas recebidas em função da sua atividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. NOTAS FISCAIS. RECEITA DECLARADA. O contribuinte, ao deixar de declarar o valor das receitas auferidas e registrálas nos livros competentes, faz com que o Fisco desconheça o real valor devido a título de tributação, ensejando o lançamento pautado nos respectivos valores então omitidos oriundos das receitas recebidas em função da sua atividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTAS PESSOAS. SIMULAÇÃO. Quando o fisco, através de investigação junto a instituições financeiras, apura que os verdadeiros representantes da empresa estavam acobertados sob o manto de interpostas pessoas e junta indícios suficientes que, somados, resultam na caracterização da infração tipificada, a qualificação da multa encontrase subsumida ao fato descrito na norma, tendo em vista a caracterização da simulação e da sonegação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (efl. 5.585) Em razão do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. A pessoa jurídica FRIGOPAN foi intimada do acórdão em 02/09/2015 (efl. 5.613), apresentando Recurso Voluntário em 25/09/2015 alegando, em síntese: (i) o descabimento da multa qualificada aplicada, vez que não comprovada a existência de dolo/fraude/simulação. Invoca a aplicação das Súmulas CARF 14 e 25. Afirma que toda a autuação foi fundada nas informações da própria Recorrente, especialmente das notas fiscais por ela emitidas; (ii) a ausência dos requisitos para a responsabilização do Sr. Lourival Simmer à luz do art. 124, do CTN. O Sr. Lourival Simmer foi intimado do acórdão em 09/12/2015 (efl. 5.664), e apresentou Recurso Voluntário em 04/01/2016 trazendo alegações quanto à ausência dos requisitos legais e fáticos para a responsabilidade solidária. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. Uma vez que o presente lançamento foi formalizado com base nos mesmos elementos de prova de lançamento de IRPJ, como verdadeiro lançamento reflexo deste imposto, a competência para sua apreciação e julgamento é da 1ª Seção de Julgamento, na forma do art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015: Fl. 5714DF CARF MF Processo nº 15586.001603/200828 Resolução nº 3402001.009 S3C4T2 Fl. 5.714 10 "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal;" Desta forma, diante da incompetência desta Turma para julgamento do processo, não tomo conhecimento do Recurso e proponho que seja declinada a competência para quaisquer das turmas julgadoras da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 5715DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.902374/2013-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, alicerçado em documentos pertinentes, a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 1001-002.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar, alicerçado em documentos pertinentes, a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento veiculado mediante PER/DCOMP, pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão n.º 11-65.323 da 4ª Turma da DRJ/REC, de 07 de novembro de 2019 (fls. 25 a 29): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 23 74 /2 01 3- 47 Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.532 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.902374/2013-47 Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação (Dcomp) nº 09372.90928.311011.1.3.04-7310, por intermédio da qual a contribuinte compensou Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) referente a setembro de 2011, com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no montante de R$ 6.792,28, decorrente de Darf de R$ 25.033,36, referente ao mês de maio de 2011, arrecadado em 01/07/2011. 2. Como resultado da análise foi proferido o despacho decisório que decidiu não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada, haja vista o Darf estar integralmente alocado para a liquidação de débitos do contribuinte, como declarado em DCTF. 3. Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 12/08/2013 conforme fl. 10, em 30/08/2013 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 11, instruída com os documentos às fls. 12 a 21, onde argumenta, em síntese, que o crédito não foi reconhecido por falta de retificação das informações enviadas na DCTF, pois por motivo de erro no preenchimento da DCTF foi declarado valor a maior do que o realmente devido. Para sanar a irregularidade, foi então entregue uma DCTF retificadora em 12/08/2013 (fl. 20), com o valor correto. 4. É o relatório. A DRJ/REC julgou improcedente o pedido da empresa recorrente contido em sua manifestação de inconformidade, por entender a DRJ que: [...] 7. A contribuinte argumenta que cometeu erro no preenchimento da DCTF original, apresentando DCTF retificadora. [...] 14. Cabe destacar que a comprovação do erro de preenchimento da DCTF é ônus do contribuinte, em cumprimento ao disposto no art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993 (aplicável ao contencioso decorrente de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação em virtude do disposto no art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003), que exige a instrução da contestação com as provas documentais das alegações apresentadas. [...] 16. Para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, é necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado corresponde ao registrado na escrituração. Tal medida não foi adotada. A DIPJ não é prova de que o valor apurado de IRPJ corresponde à realidade dos fatos. [...] 17. Assim, não tendo sido comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF original, há que se considerar que o débito apontado nesta declaração e no despacho decisório restou confirmado, e que todo o montante recolhido via Darf foi integralmente utilizado para sua liquidação. O crédito pretendido é inexistente. Face ao referido Acórdão da DRJ/REC, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 37 a 44), requerendo juntada do Lalur do mês de maio de 2011 (fl. 54) e Balancete do mês de maio de 2011 (fls. 55 a 60) e que tais documentos seriam suficientes à demonstração do crédito. Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.532 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.902374/2013-47 Ao final (fl. 44), a empresa Recorrente requer homologação da DCOMP e extinção dos créditos tributários em cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2.º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria CARF n.º 146, de 12 de dezembro de 2018, considerando-se tratar da análise de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, ano-calendário 2011. Ainda, observo que o recurso é tempestivo (interposto em 23 de dezembro de 2019, vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada, fl. 33, face ao Termo de Ciência datado de 21 de novembro de 2019, fl. 31) e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito No que tange ao mérito do presente processo, necessário mencionar que remanesce como objeto de análise o fato de a empresa contribuinte ter ou não juntado aos autos do processo os elementos de prova capazes de demonstrar o crédito pleiteado, à luz dos requisitos de certeza e liquidez estatuídos pelo art. 170 do CTN. Isso porque a DRJ, por ocasião do Acórdão recorrido, indicou que a contribuinte não demonstrou e nem comprovou com documentação hábil o erro de fato alegado, motivo pelo qual haveria de ser mantido o Despacho Decisório. A empresa contribuinte, por sua vez, em seu Recurso Voluntário, limitou-se a indicar a possibilidade de juntada de novos elementos de prova capazes de demonstrar o crédito Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.532 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.902374/2013-47 pleiteado e a apresentar o Lalur do mês de maio de 2011 (fl. 54) e o balancete do mês de maio de 2011 (fls. 55 a 60), nos seguintes termos: [...] Ocorre, no entanto, que referido os totais identificados no Lalur (cujas memórias de cálculo não se encontram sequer demonstradas), sequer guardam correlação com o valores constantes no resumo do balancete, e, ainda que guardassem, não se encontra suficientemente detalhados a fim de que pudessem ser confrontados com a escrituração contábil (razão da conta contábil de apuração do IRPJ do período, registrado em livro comercial devidamente chancelado pelo órgão de registro do comércio). Registre-se ainda a impossibilidade de identificação de quais valores teriam integrado a operação matemática para se obter a quantia de R$ 218.258,68 constante no “Lalur” indicado, valor este mencionado pela empresa contribuinte (fl. 43), como sendo base para apuração de seu IRPJ. Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.532 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.902374/2013-47 Referidas informações e argumentos, portanto, não se demonstram suficientes à caracterização da certeza e liquidez do crédito pretendido, requisitos estes essenciais que haveriam de ter sido demonstrados pela empresa contribuinte, à luz do art. 170 do CTN. Eventual erro de fato, portanto, haveria de ter sido comprovado por comprovação documental necessária e suficiente ao atendimento dos requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN, conforme entendimento do CARF, a exemplo da seguinte: ACÓRDÃO CARF Nº 1401-005.518, DE 19/05/2021 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. ERRO DE FATO NA DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. A retificação da DCTF após o Despacho Decisório que não reconheceu integral ou parcialmente o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação feita por meio de PER/DComp deve ser acompanhada de robusta documentação comprobatória de eventual erro de fato cometido no preenchimento da DCTF original. Incumbe ao sujeito passivo o ônus de comprovar por meio da escrituração contábil e fiscal o erro de fato na constituição de seu direito creditório perante a União. Assim, a ausência de apresentação da escrituração contábil e de esclarecimentos precisos resultam na incerteza quanto à caracterização do crédito pretendido, o que impossibilita a compensação pretendida. Nesse sentido, as recentes jurisprudências do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, tem compartilhado do mesmo entendimento ora mencionado, é o que se conclui das ementas abaixo transcritas: Acórdão CARF nº 3003-000.717 Número do Processo: 10880.915344/2008-76 Data de Publicação: 19/12/2019 Contribuinte: EBF INVESTIMENTOS LTDA Relator(a): MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 15/10/2002 CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado para compensação, restituição ou pedido de ressarcimento PER/DCOMP pela via administrativa. Inteligência do art. 170 do CTN. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.532 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.902374/2013-47 Acórdão CARF nº 3002-000.770 Número do Processo: 16327.900339/2009-10 Data de Publicação: 15/07/2019 Contribuinte: BTG PACTUAL CORRETORA DE MERCADORIAS LTDA Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade do despacho decisório por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa, haja vista que ele consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. Compete à interessada, na forma da legislação em vigor, a comprovação da liquidez e certeza do crédito informado em DCOMP. O princípio da verdade material não transfere à Administração o ônus da apresentação de prova de erro material e direito creditório, o qual recai sobre aquele que o alega. DCTF DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Descabe à autoridade administrativa a retificação de ofício da DCTF se o contribuinte não comprova, mediante a apresentação de documentação idônea e suficiente, a existência do erro material alegado. Dessa forma, ausentes os meios de prova aptos à comprovação do crédito pleiteado, mesmo tendo sido a contribuinte advertida da ausência da comprovação devida por ocasião do Acórdão da DRJ (item 16 do Acórdão, fl. 29), a improcedência do Recurso Voluntário é medida que se impõe. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.532 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13603.902374/2013-47 Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10935.904628/2018-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 31 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-008.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.753, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.904627/2018-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-30T14:08:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-30T14:08:54Z; Last-Modified: 2021-08-30T14:08:54Z; dcterms:modified: 2021-08-30T14:08:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-30T14:08:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-30T14:08:54Z; meta:save-date: 2021-08-30T14:08:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-30T14:08:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-30T14:08:54Z; created: 2021-08-30T14:08:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-08-30T14:08:54Z; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-30T14:08:54Z | Conteúdo => S3-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10935.904628/2018-26 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-008.754 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2021 Recorrente PARANALOG TRANSPORTES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. RETIFICAÇÃO. O Pedido de Ressarcimento somente poderá ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.753, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.904627/2018-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 28 /2 01 8- 26 Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.754 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904628/2018-26 Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento - PER relativo ao crédito de Cofins não cumulativo, vinculado às receitas do Mercado Interno não Tributado, bem como da(s) Declaração(ões) Eletrônicas de Compensação - Dcomp, vinculada(s) ao mencionado PER. Após analisar o pleito da interessada (PER e Dcomp vinculadas), a Delegacia da Receita Federal do Brasil emitiu o Despacho Decisório Eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento e, por consequência, não homologou a(s) Dcomp vinculada(s). Consoante se verifica no demonstrativo anexo ao despacho decisório contestado, denominado “PER/DCOMP Despacho Decisório – Análise do Crédito”, o direito creditório não foi reconhecido em razão de terem sido encontradas inconsistências entre os valores (mensais) de créditos (vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado) informados no PER acima mencionado e os valores destes mesmos créditos e/ou saldos de créditos informados nos Dacon/EFD-Contribuições dos respectivos períodos (meses). Dizendo em outras palavras, não houve reconhecimento do crédito porque os sistemas eletrônicos da Receita Federal identificaram que a própria contribuinte, conforme os Dacon/EFD-Contribuições do trimestre, não informou créditos e/ou saldos de créditos (vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado) que estivessem disponíveis para atendimento do pedido de ressarcimento. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, onde inicialmente, a manifestante faz um breve relato dos fatos, destacando que as empresas transportadoras de cargas tributadas pelo Lucro Real, além dos descontos de créditos (nas contribuições não cumulativas ) que são comuns aos outros tipos de atividades, pode realizar descontos relativamente a serviços de transporte em regime de subcontratação das pessoas jurídicas (não optantes pelo Simples Nacional) e relativamente a crédito presumido quando subcontratarem serviço de transporte de carga prestado por pessoa física, transportador autônomo ou por pessoa jurídica transportadora optante pelo Simples Nacional, bem como créditos das despesas de combustíveis e lubrificantes e peças de reposição para veículos utilizados diretamente no transporte. Lembra, também, que a legislação permite a manutenção dos créditos relativos às aquisições, custos e despesas vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não-incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS. Ademais, diz que, após realizar revisão tributária das contribuições do trimestre em análise, constatou divergência nas declarações acessórias a elas relacionadas (EFD- Contribuições, Dacon e PER/Dcomp). Nesse sentido, relata que entregou, de forma intempestiva, a retificação das EFD-Contribuições e dos Dacon (relativos aos meses do trimestre) e, também, que tentou realizar a retificação do PER tratado no presente processo. Quanto a este último, informa que não conseguiu realizar a retificação, uma vez que o validador do sistema PER/Dcomp não permitiu a transmissão do documento, com retorno da seguinte mensagem "O PER/DCOMP QUE SE PRETENDE RETIFICAR JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA.”. No mérito, discursa, primeiramente, sobre o direito ao crédito (solicitado no PER) frente à legislação de regência da matéria. Relata que tem como atividade principal a prestação de serviços de transporte internacional de cargas e que, nesta condição, possui direito à manutenção do crédito auferido quando da aquisição de insumos e da contratação de serviços, conforme as disposições contidas no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Acrescenta que as receitas relativas à referida atividade (transporte internacional de cargas) são isentas das contribuições (PIS e Cofins), consoante o disposto no §1º, art. 14 da Medida Provisória nº 2158 – 35, de 2001. Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.754 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904628/2018-26 Na sequência, argumenta que como as glosas de créditos foram efetivadas com base em informações equivocadas, constantes do requerimento de compensação, elas podem ser corrigidas, ainda que posteriormente à ciência do despacho decisório. Alega que, no presente caso, o lançamento não constitui o crédito, apenas o declara, uma vez que se trata de ato jurídico declaratório. Nessa direção, sustenta que as informações podem ser corrigidas, para o fim de refletir com exatidão o fato jurídico tributário. Argumenta, também, que a interpretação sistêmica do instituto da compensação em conjunto com o art. 32 do Decreto 70.235, de 1972, leva à conclusão de que a Administração tem o dever de buscar a verdade material, ainda que de ofício; que a autoridade fiscal, antes da emissão do despacho decisório e em respeito ao princípio da moralidade (constante do art. 37 da Constituição Federal), deveria ter concedido a oportunidade de correção das informações; que a vedação da retificação enseja o locupletamento do erário público em razão de erro sanável; e que, para sanear o procedimento, a administração deveria anular o ato administrativo determinando análise do creditamento com base na planilha retificadora apresentada em conjunto com a manifestação. Ademais, para a defesa de sua tese, a interessada colaciona extensa jurisprudência do TRF 4ª Região. Diante do exposto, pede o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de anular a decisão contestada e reconhecer o direito ao crédito, conforme a planilha retificadora. Subsidiariamente, pede o conhecimento da manifestação, bem como a realização de novo julgamento, com provimento do pedido e consequente homologação da compensação realizada, uma vez que realizou a retificação da planilha demonstrativa dos créditos. E, adicionalmente, pede a juntada da planilha retificadora. Em conjunto com a manifestação, a interessada apresenta, entre outros elementos, cópia das retificações dos Dacon e das EFD-Contribuições, bem como cópia da PER/Dcomp preenchida e que não pode ser entregue. Observe-se que a manifestante procedeu à juntada de expediente, por meio do qual informa a entrega de novas retificações relativas aos EFD-Contribuições (dos meses tratados no presente processo). Importa ainda consignar que o presente processo (assim como outros 15 processos da interessada) é objeto do Mandado de Segurança nº 5000345-62.2020.4.04.7005/PR, para o qual foi concedida liminar com determinação para julgamento da manifestação de inconformidade no prazo de 60 dias, para afastar a realização da compensação de ofício dos créditos tributários, cuja exigibilidade esteja suspensa, e para observar a incidência da Taxa SELIC na hipótese de o ressarcimento dos créditos ocorrerem a partir do 361º (tricentésimo sexagésimo primeiro) dia após o protocolo. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Regularmente cientificado apresenta recurso voluntário, em síntese: - a retificação foi efetuada antes do despacho decisório; - trouxe junto à manifestação os documentos EFD retificadoras, e retificação do pedido de ressarcimento; - ofensa ao devido processo legal; - ausência de análise das Dacons retificadas; Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.754 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904628/2018-26 - ausência de análise das EFD retificadas. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O presente recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Inicialmente no Mandado de Segurança nº 5000345- 62.2020.4.04.7005/PR houve a decisão com liminar: Ante o exposto, concedo a tutela de urgência liminar pleiteada para determinar que o impetrado, no prazo de 60 (sessenta) dias (TRF4 5014993- 86.2015.404.0000, Primeira Turma, Relator JORGE ANTÔNIO MAURIQUE), analise e decida os pedidos de ressarcimento relacionados na inicial, abstendo-se de realizar a compensação de ofício dos créditos tributários, cuja exigibilidade esteja suspensa, e observando a incidência da Taxa SELIC como índice de atualização dos créditos na hipótese de ultimação dos respectivos ressarcimentos a partir do 361º (tricentésimo sexagésimo primeiro) dia após o protocolo. O pedido inicial, que consta na peça judicial, é, dentre outros para: a.i) determine, desde já, que na hipótese de decisão administrativa favorável, proceda o efetivo ressarcimento dos créditos deferidos, corrigidos monetariamente pela Taxa Selic, desde a data do protocolo dos pedidos até a data da sua efetiva disponibilização ou compensação, determinado à autoridade coatora que se abstenha de proceder à compensação/retenção de ofício dos créditos, os quais venham a ser reconhecidos, com débitos da Impetrante, cuja exigibilidade esteja suspensa nos exatos termos que determina o art. 151 do CTN. Como o pedido em análise nesse processo é de ressarcimento, e a decisão, em liminar, foi para abster-se de realizar a compensação de ofício, entendo que não há prejudicialidade por concomitância. Consoante se verifica no relatório acima, o pleito não foi reconhecido porque os sistemas eletrônicos da Receita Federal identificaram que a própria contribuinte, conforme os Dacon/EFD-Contribuições do trimestre, não informou créditos e/ou saldos de créditos (vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado) que estivessem disponíveis para atendimento do pedido de ressarcimento. Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.754 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904628/2018-26 O PER/Dcomp inicial foi transmitido com pedido de ressarcimento de créditos Cofins constantes do PER mas não informados no Dacon: A RFB encaminhou termo de intimação com prazo de 45 dias para que a recorrente sanasse as irregularidades apontadas: A recorrente registrou e transmitiu a PER/Dcomp retificadora com valor de ressarcimento maior que o inicialmente solicitado. A EFD- Contribuições, retificadora, foi enviada posteriormente. As retificadoras foram transmitidas muito além do prazo de 45 dias concedido para regularização. O Despacho Decisório foi emitido antes do envio das retificadoras, indeferindo o pedido de ressarcimento, com cobrança do débito, e acréscimo de multa e juros. Como foi demonstrado a retificação do PER/Dcomp foi transmitida após o despacho decisório, diferente do que faz crer a recorrente. A empresa teve prazo mais que suficiente para efetuar a retificação antes do despacho decisório. E só o transmitiu após, o que configura a falta de cuidado com o cumprimento de suas obrigações acessórias. Por isso ao tentar transmitir o PER/Dcomp recebeu a mensagem do sistema: ("O PER/DCOMP QUE SE PRETENDE RETIFICAR JÁ FOI OBJETO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA.”)., conforme previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.700, de 2017, vigente na época dos fatos. Conforme analisado no acórdão de piso a interessada procedeu a entrega de Dacons retificadores (relativos aos três meses do trimestre), mas referidos documentos apresentaram os mesmos problemas contidos nos documentos originais, ou seja, não informaram créditos e/ou saldos de créditos vinculados às receitas do Mercado Interno não Tributado disponíveis para atendimento do pedido de ressarcimento. Quanto a análise das declarações retificadoras é de se conhecer que só é possível a compensação com crédito líquido e certo, o que não foi demonstrado pela recorrente, que apenas apresentou EFD retificadoras e retificação do pedido de ressarcimento, sem juntar os documentos que deram suporte às retificações efetuadas nas declarações. A recorrente, tanto em manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, resume-se a mostrar sua contrariedade com a não análise das declarações, sem especificar quais os créditos que teria direito, e provar a sua existência. Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.754 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904628/2018-26 Nesse sentido deve-se lembrar que o direito alegado deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, sendo que o ônus da prova é do contribuinte, sendo que compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito, estando conforme o artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, (conforme previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, com as modificações da Lei 10.833/2003), e do artigo 333, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...)Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito nego-lhe provimento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.754 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.904628/2018-26 Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital
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