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Numero do processo: 10880.983398/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.

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3301­003.425  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de março de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO  DÉBITO.  Recorrente  ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2007  DATA  DA  COMPENSAÇÃO.  VALORAÇÃO  DOS  CRÉDITOS  E  DÉBITOS.  Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos  de  juros  compensatórios  e  os  débitos  sofrerão  a  incidência  de  acréscimos  legais  até  a data da entrega da  apresentação do PER/DCOMP, na  forma da  legislação de regência.  COMPENSAÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO  PARCIAL.  DATA  DA  APRESENTAÇÃO DA DCOMP  No  caso  de  apresentação  de  DCOMP  após  o  vencimento  do  tributo  a  ser  compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre  o  total de crédito e de débitos apontados  como compensáveis, valorados na  forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial  da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator. Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator  Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique  Mauri,  Liziane  Angelotti  Meira,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas,  Marcelo  Costa  Marques     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 33 98 /2 00 9- 45 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.983398/2009­45  Acórdão n.º 3301­003.425  S3­C3T1  Fl. 3          2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Relatório  A  recorrente  acima  qualificada  apresentou  Declaração  de  Compensação  pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela  SRF, com créditos de PIS  (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente  indevido ou a maior.  Por meio  do Despacho Decisório  emitido  pela DERAT­SP,  a  compensação  declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatou­se a procedência  do  crédito  original  informado  no  PER/DCOMP,  reconhecendo­se  o  valor  do  crédito  pretendido.  Entretanto,  o  crédito  reconhecido  revelou­se  insuficiente  para  quitar  os  débitos  informados no PER/DCOMP.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que:  a) O  valor  original  utilizado  para  a  compensação,  foi  recolhido  no mesmo  prazo de vencimento dos créditos tributários compensados;  b)  Assim,  não  se  apropriou  de  juros  pela  taxa  Selic  sobre  os  valores  declarados  no  PER/DCOMP,  e  não  imputou  multa  e  juros  sobre  os  créditos  tributários  compensados, pois são do mesmo período de apuração;  c)  Faz  planilha  para  comparação  dos  períodos  de  apuração  e  datas  de  vencimento.  d)  Trata­se  de  evidente  cobrança  equivocada,  e  apresenta  como  provas  as  cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do  representante legal que assina a manifestação de inconformidade;  e)  Demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  do  processo,  requer  seja  cancelado o processo reclamado.  A  DRJ/SP1  indeferiu  a  manifestação  de  inconformidade  nos  termos  do  Acórdão  16­038.202.  O  fundamento  adotado  foi  o  de  que,  na  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo,  os  créditos  são  acrescidos  de  juros  compensatórios  e  os  débitos  sofrem  a  incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação  de regência.  A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário.  É o relatório.    Voto             Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.983398/2009­45  Acórdão n.º 3301­003.425  S3­C3T1  Fl. 4          3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.231, de  28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/2009­63, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.231):  "O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento.  Constata­se que a controvérsia do processo permanece a mesma  desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado  como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo  de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança  de acréscimos legais no momento da efetiva compensação.  Entretanto,  como  veremos  adiante,  o  valor  do  crédito  foi  insuficiente  para  quitar  o  débito,  em  função  dos  acréscimos  legais  ao  débito  compensado,  atualizados  até  a  data  da  apresentação  do  PER/DCOMP,  em  virtude  do  atraso  entre  seu  vencimento  e  a  formalização da compensação.  A  DCOMP  em  tela,  foi  formalizada  pela  interessada  para  compensar  débito  de  COFINS  –  não  cumulativa  (código  de  receita  5856),  vencido  em  15/06/2004,  com  créditos  de  COFINS  (código  de  receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004.  De  acordo  com  o Despacho Decisório  emitido  pela DERAT/SP,  constatou­se  a  procedência  do  crédito  original  informado  no  PER/DCOMP.  No  entanto,  o  mesmo  foi  insuficiente  para  quitar  os  débitos  informados  em  consequência  da  data  de  apresentação  da  DCOMP,  e  por  este  motivo  a  compensação  foi  homologada  parcialmente.  A  recorrente  alega  que  o  valor  original  utilizado  para  a  compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos  tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros  sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração.  Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocou­se  em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em  sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos  acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a  homologação parcial da compensação.  Constata­se  que  a  data  do  envio  do  PER/DCOMP  é  quando  se  formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que  dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.983398/2009­45  Acórdão n.º 3301­003.425  S3­C3T1  Fl. 5          4 administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na compensação  de débitos próprios  relativos  a quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração  na  qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos compensados.  §  2º  A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  de  sua  ulterior homologação.  (...)  Portanto,  a  extinção do débito por  compensação ocorre na data  de envio do PER/DCOMP.  No  caso  concreto,  a  interessada  enviou  a  PER/DCOMP  em  21/01/2007  para  compensar  débito  cujo  vencimento  se  deu  em  15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi  extinto pela compensação.  Assim, partir da data do  vencimento passaram a  incidir  sobre o  débito  os  acréscimos  legais,  quais  sejam,  multa  de  mora  e  juros,  nos  termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito:  Art.  61. Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos por cento, por dia de atraso.  §  1º.  A multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição  até  o  dia  em  que  ocorrer o seu pagamento.  § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por  cento.  § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo  até  o  mês  anterior  ao  do  pagamento  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o  pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo  de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a  utilização  do  crédito  tributário  ocorre  apenas  com  a  apresentação  do  PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado.  Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em  vigor à época da transmissão do PER/DCOMP:  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.983398/2009­45  Acórdão n.º 3301­003.425  S3­C3T1  Fl. 6          5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos  serão  valorados na  forma prevista  nos  arts.  52  e  53  e  os  débitos  sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação  de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação.   §  1º  A  compensação  total  ou  parcial  de  tributo  ou  contribuição  administrados  pela  SRF  será  acompanhada  da  compensação,  na  mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.  (...)  Logo,  os  débitos  vencidos,  vinculados  a  PER/DCOMP,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subsequente  à  data  de  vencimento  até  a  data  da  entrega  do  PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão  a  incidência de juros referentes à  taxa SELIC, a partir do primeiro dia  do mês  subsequente  ao  vencimento  do  prazo  até  o mês  anterior  ao  do  pagamento e de um por cento no mês de pagamento.  Em  relação  aos  créditos  utilizados  na  compensação,  as  regras  para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão  contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita:  Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados  pela  SRF,  passível  de  restituição,  será  restituído  ou  compensado  com  o  acréscimo  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos  federais,  acumulados  mensalmente,  e  de  juros  de  1%  (um  por  cento) no mês em que:  (...)  II – houver a entrega da Declaração de Compensação;  (...)  § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observar­se­á,  como  termo inicial de incidência:  (...)  III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior:  a) o mês de janeiro de 1996,  se o pagamento  tiver sido efetuado  antes de 1º de janeiro de 1996;  b) a data da efetivação do pagamento, se este  tiver sido efetuado  entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou  c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado  após 31 de dezembro de 1997;  Por  isso,  foi  apurado  o  saldo  devedor  indicado  no  Despacho  Decisório e a compensação foi parcialmente homologada.  Portanto,  não  se  está  desprezando  o  princípio  da  verdade  material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como  alega a  recorrente.  Simplesmente,  está  sendo cobrado o atraso  entre a  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.983398/2009­45  Acórdão n.º 3301­003.425  S3­C3T1  Fl. 7          6 data  do  vencimento  do  tributo  e  o  seu  necessário  pagamento,  que,  no  caso em tela, deu­se no momento da apresentação da DCOMP.   Assim,  tendo  em  vista  tudo  o  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  negar provimento ao recurso voluntário."  Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a  DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s).  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Luiz Augusto do Couto Chagas                                Fl. 97DF CARF MF

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6653476 #
Numero do processo: 19515.000213/2005-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2001, 2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2001, 2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pelo conselheiro Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2001, 2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2001, 2002 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a sua edição. Art. 177 do CTN. No período examinado não há qualquer previsão legal que dê suporte à isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Recurso Especial do Procurador Provido

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pelo conselheiro Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.

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9303­004.430  –  3ª Turma   Sessão de  7 de dezembro de 2016  Matéria  PIS e Cofins. Vendas para ZFM  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOHNSON & JOHNSON COM E DISTRIBUIÇÃO    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2001, 2002  ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.  O art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a  sua  edição.  Art.  177  do  CTN.  No  período  examinado  não  há  qualquer  previsão  legal  que  dê  suporte  à  isenção  do  PIS  e  da  Cofins  nas  vendas  efetuadas à Zona Franca de Manaus.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 2001, 2002  ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.  O art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67 não se aplica a tributos instituídos após a  sua  edição.  Art.  177  do  CTN.  No  período  examinado  não  há  qualquer  previsão  legal  que  dê  suporte  à  isenção  do  PIS  e  da  Cofins  nas  vendas  efetuadas à Zona Franca de Manaus.  Recurso Especial do Procurador Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  e,  no  mérito,  por  voto  de  qualidade,  em  dar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Erika Costa  Camargos  Autran  e  Vanessa  Marini  Cecconello,  que  lhe  negaram  provimento.  Declarou­se  impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pelo conselheiro  Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.    (Assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 13 /2 00 5- 82 Fl. 789DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 3          2  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.     (Assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas  (Presidente  em  exercício),  Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada  Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Charles  Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.  Fl. 790DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 4          3  Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos  Fiscais  (CSRF),  apresentado  tempestivamente  pela  Fazenda  Nacional,  contra  o  acórdão  nº  3301­00.750, proferido em sessão do dia 09/12/2010, o qual está assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período  de  apuração:  01/04/2001  a  30/06/2001,  01/09/2001  a  31/05/2002  ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS  As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou  de  serviços  para  empresas  localizadas  na  Zona  Franca  de  Manaus  para  consumo  e/  ou  industrialização  naquela  zona  franca,  realizadas  a  partir  de  22  de  dezembro  de  2000,  estão  isentas da Cofins.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período  de  apuração:  01/03/2001  a  31/08/2001,  01/10/2001  a  31/05/2002, 01/07/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002  ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS  As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou  de  serviços  para  empresas  localizadas  na  Zona  Franca  de  Manaus  para  consumo  e/  ou  industrialização  naquela  zona  franca,  realizadas  a  partir  de  22  de  dezembro  de  2000,  estão  isentas da contribuição para o PIS.  Recurso Voluntário Provido.  A  Recorrente  aduz  dissídio  jurisprudencial  afirmando  que  este  decisum  diverge do acórdão nº 201­80.803 (colacionado como paradigma), o qual está assim ementado:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data  do  fato  gerador:  28/02/1999,  31/03/1999,  30/04/1999,  31/05/1999,  30/06/1999,  31/07/1999,  31/08/1999,  30/09/1999,  31/10/1999,  30/11/1999,  31/12/1999,  31/01/2000,  29/02/2000,  31/03/2000,  30/04/2000,  31/05/2000,  30/06/2000,  31/07/2000,  31/08/2000,  30/09/2000,  31/10/2000,  30/11/2000,  31/12/2000,  31/01/2001,  28/02/2001,  31/03/2001,  30/04/2001,  31/05/2001,  30/06/2001,  31/07/2001,  31/08/2001,  30/09/2001,  31/10/2001,  30/11/2001,  31/12/2001,  31/01/2002,  28/02/2002,  31/03/2002,  30/04/2002,  31/05/2002,  30/06/2002,  31/07/2002,  31/08/2002,  30/09/2002  Fl. 791DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 5          4  PIS E COFINS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.  A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.037­25,  de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001, quando  se  tratar  de  vendas  realizadas  para  empresas  estabelecidas  na  Zona Franca de Manaus, aplica­se, exclusivamente, às  receitas  de  vendas  enquadradas  nas  hipóteses  previstas  nos  incisos  IV,  VI,  VIII  e  IX,  do  referido  artigo.  No  que  se  refere  a  Cofins,  a  isenção  não  alcança  os  fatos  geradores  ocorridos  entre  12  de  fevereiro  de  1999  e  17  de  dezembro  de  2000,  período  em  que  produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 22 do art. 14  da  Medida  Provisória  nº  1.858­6,  de  1999,  e  reedições  (atual  Medida  Provisória  nº  2.158­35,  de  2001).  Quanto  ao  PIS,  a  isenção  aplica­se  somente  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir do dia 18 de dezembro de 2000.  Recurso negado”.  O  Recurso  Especial  apresentado  pela  Fazenda  Nacional  foi  admitido  nos  termos do despacho de exame de admissibilidade, fls. 677/679, do Presidente da 3ª Câmara da  3ª Seção de Julgamento do CARF.  Cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, suas contrarrazões  ao  recurso,  fls.  689/702,  por  meio  das  quais  apresenta  argumentos  e  fundamentos  para  manutenção do acórdão recorrido.  É o relatório.  Fl. 792DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 6          5  Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator.  O  recurso  especial  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  é  tempestivo  e  atende aos demais pressupostos recursais devendo ser conhecido.  Não  havendo  o  contribuinte  apresentado  qualquer  preliminar  de  não  conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, passa­se então à análise do mérito.  Como  relatado,  a  controvérsia  decorre  de  divergência  na  interpretação  da  legislação tributária quanto à possibilidade de isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas  à Zona Franca de Manaus nos períodos de apuração referentes aos anos­calendários de 2001 e  2002. De acordo com o contribuinte e o acórdão recorrido estas vendas são isentas com base no  art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias  – ADCT da Constituição Federal.  Não concordo com esse entendimento. Vejamos o que dispõe o art. 4º do DL  nº 288/67:  Art.  4º  A  exportação  de mercadorias  de  origem  nacional  para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação brasileira para o estrangeiro. (destaquei).    Observa­se que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas  de  mercadorias  de  origem  nacional  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  e  exportação  para  o  estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais em relação à  legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não poderia ser aplicada ao  PIS,  que  foi  criado  pela  Lei  Complementar  7/70,  e  à  Cofins  que  foi  criada  pela  Lei  Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam na data da edição do DL nº 288/67  e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas.  Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis:  Art. 177. Salvo disposição de  lei em contrário, a isenção não é  extensiva:  I ­ às taxas e às contribuições de melhoria;  II  ­  aos  tributos  instituídos  posteriormente  à  sua  concessão.(destaquei).    Fl. 793DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 7          6  Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o  prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e da Cofins.    Art.  40.  É  mantida  a  Zona  Franca  de  Manaus,  com  suas  características  de  área  livre  de  comércio,  de  exportação  e  importação,  e de  incentivos  fiscais,  pelo prazo de  vinte e  cinco  anos, a partir da promulgação da Constituição.    Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia  qualquer isenção/imunidade de PIS e da Cofins nas vendas de produtos para empresas situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus.  Nesta  linha  de  raciocínio,  não  procede  a  argumentação  de  imunidade na  incidência destas  contribuições nas operações de venda para a ZFM, pois  elas  não  foram  equiparadas  a  exportação  como  defende  o  contribuinte,  para  efeito  destas  contribuições, portanto inaplicável a  imunidade prevista no art. 149, § 2º,  inc.  I da CF. Resta  analisar se a própria legislação destas contribuições permitia, no período solicitado, a exclusão  destas  receitas de sua base de cálculo. Sempre  lembrando que se  interpreta  literalmente a  lei  que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN.  A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações  relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de  receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas.  Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.858­6, de 29 de junho de  1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas  hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à  exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999:  Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º  de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas:  (...)  II – da exportação de mercadorias para o exterior;  (...)  § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não  alcançam as receitas de vendas efetuadas:  I  –  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus  na  Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;  (...) (destaquei)    Ressalte­se  que  esta  Medida  Provisória  foi  objeto  da  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.348­9 (DOU de 18/12/2000), que requereu a declaração de  inconstitucionalidade  e  ilegalidade  da  restrição  feita  à  Zona  Franca  de Manaus. O  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF,  nesta  ação,  deferiu  medida  cautelar  suspendendo  a  eficácia  da  Fl. 794DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 8          7  expressão  "na  Zona  Franca  de Manaus",  disposta  no  inciso  I  do  §  2º  do  art.  14  da Medida  Provisória Nº 2.037­24/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada  decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito.  Posteriormente à decisão  liminar do STF na ADIn nº 2.348­9,  foi  editada a  Medida Provisória nº 2.037­25, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158­  35, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do  art.  14,  acima  citado,  que  vinha  constando  em  suas  edições  anteriores.  Desta  forma,  as  exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período solicitado no presente processo,  anos­calendários de 2001 e 2002, eram as previstas no art. 14 da MP 2.158/2001­35, abaixo  transcrito:   Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º  de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  I  –  dos  recursos  recebidos  a  título  de  repasse,  oriundos  do  Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e  dos  Municípios,  pelas  empresas  públicas  e  sociedades  de  economia mista;  II – da exportação de mercadorias para o exterior;  III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente  ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso  de divisas;  IV  –  do  fornecimento  de mercadorias  ou  serviços  para  uso  ou  consumo  de  bordo  em  embarcações  e  aeronaves  em  tráfego  internacional,  quando  o  pagamento  for  efetuado  em  moeda  conversível;  V – do transporte internacional de cargas ou passageiros;  VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades  de  construção,  conservação modernização,  conversão  e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial  Brasileiro  REB,  instituído  pela  Lei  nº  9.432,  de  8  de  janeiro de 1997;  VII  –  de  frete  de  mercadorias  transportadas  entre  o  País  e  o  exterior pelas embarcações  registradas no REB, de que  trata o  art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997;  VIII – de vendas realizadas pelo produtor­vendedor às empresas  comerciais exportadoras nos termos do Decreto­Lei nº 1.248, de  29  de  novembro  de  1972,  e  alterações  posteriores,  desde  que  destinadas ao fim específico de exportação para o exterior;  IX  –  de  vendas,  com  fim  específico  de  exportação  para  o  exterior,  a  empresas  exportadoras  registradas na Secretaria de  Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria  e Comércio Exterior;  X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere  o art. 13.  Fl. 795DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 9          8  § 1º São  isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  §  2º  As  isenções  previstas  no  caput  e  no  §1º  não  alcançam  as  receitas de vendas efetuadas:  I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área  de livre comércio;  II  –  a  empresa  estabelecida  em  zona  de  processamento  de  exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007)  III  –  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº  8.402, de 8 de janeiro de 1992.    Da  leitura  do  dispositivo  legal  não  é  possível  localizar  que  havia  previsão  legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes de vendas  de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por óbvio não é possível  aplicar  a  isenção  constante  do  inc.  II  do  caput,  já  que  a  Zona  Franca  de  Manaus  não  é  localizada no exterior e já proferimos o entendimento de que não é aplicável o disposto no art.  4º do DL nº 288/67.  Somente  a  partir  da  edição  da  Medida  Provisória  nº  202/2004,  que  foi  convertida na Lei nº 10.996/2004, é que foi reduzida a zero as alíquotas de PIS e Cofins sobre  as  receitas  de  vendas  de mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização  na  Zona  Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis:   Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  –  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa  jurídica estabelecida fora da ZFM.    Necessário  concluir  que  caso  estas  receitas  já  eram  isentas/imunes  das  referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a alíquota  para zero. Até porque não se poderia estabelecer alíquota zero para uma operação que estaria  fora do campo de incidência das contribuições por força de imunidade constitucional.  Ressalto  que  este  colegiado,  embora  utilizando  de  fundamentação  discretamente  diferente,  também  vem  decidindo  assim.  Transcreve­se  abaixo  a  ementa  do  Acórdão nº 9303­003934 cujo julgamento deu­se em 07/06/2016:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002  PIS  e  COFINS.  RECEITAS  DE  VENDAS  A  EMPRESAS  SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.  Fl. 796DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 10          9  Até  julho  de  2004  não  existe  norma  que  desonere  as  receitas  provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de  Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o  art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67.  Recurso Especial do Contribuinte Negado  Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  especial  interposto pela Fazenda nacional.    (Assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Relator                Fl. 797DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 11          10  Declaração de Voto  Conselheira Tatiana Midori Migiyama     No que tange à discussão acerca da  isenção ou não do PIS e da Cofins nas  vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus ­ ZFM, peço vênia ao ilustre Conselheiro Andrada  Marcio Canuto para manifestar meu entendimento.   Para  melhor  elucidar  essa  questão,  importante  trazer  breve  histórico  da  criação da Zona Franca de Manaus.    Em  junho de  1957,  foi  publicada  a  Lei  3.173/57,  dispondo  em  seu  art.  1º,  que  fica  criada  em  Manaus,  capital  do  Estado  do  Amazonas,  uma  zona  franca  para  armazenamento  ou  depósito,  guarda,  conservação  beneficiamento  e  retirada  de mercadorias,  artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo  interno  da  Amazônia,  como  dos  países  interessados,  limítrofes  do  Brasil  ou  que  sejam  banhados por águas tributárias do rio Amazonas.  Tal  lei  ainda  explicitou  que  as  mercadorias  de  procedência  estrangeira,  quando  desembarcadas  diretamente  na  área  da  zona  franca  de  Manaus,  e  enquanto  permanecerem dentro da mesma, não estarão sujeitas ao pagamento de direitos alfandegários  ou quaisquer outros  impostos  federais,  estaduais ou municipais que venham gravá­las,  sendo  facultado o seu beneficiamento e depósito na própria zona de sua conservação.   Sendo assim,  resta claro que  a Zona Franca de Manaus  foi  criada,  a  rigor,  para  fins  de  se  incentivar  o  desenvolvimento  daquela  Região,  bem  como  reduzir  as  desigualdades sociais.  Posteriormente,  foi  publicado  o  Decreto  47.757/60,  que  regulamentou  o  disposto na Lei 3.173/57,  trazendo,  entre outros  (com as  alterações do Decreto 51.114/61) –  Grifos Meus:  “Art.  V  A  Zona  Franca  de  Manaus  destina­se  a  receber  mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem  estrangeira,  para  armazenamento,  depósito,  guarda,  conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para  o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as  prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de  1961)  § 1º  ­ A entrada dêsses produtos na Zona Franca,  independerá  de  licença  de  importação ou  documento  equivalente.  (Incluído  pelo Decreto nº 51.114, de 1961)  §  2º  ­  As  mercadorias  de  origem  e  procedência  brasileiras,  depois  de  terem  sido  objeto  de  um  processo  regular  de  exportação  perante  a  Carteira  de  Comércio  Exterior  e  as  demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar  o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e  Fl. 798DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 12          11  como  tal  serão  consideradas,  para  efeito  do  presente  Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)”   “Art.  VI.  A  Zona  Franca  de  Manaus  gozará  de  extraterritorialidade  em  relação  ao  pagamento  do  impôsto  de  importação  e  taxa  aduaneira,  bem  como  quanto  a  quaisquer  outros  impostos,  ágios  e  tributos  federais,  estaduais  e  municipais  que  incidam  sôbre  as  mercadorias  importadas  do  exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.”  Tais  dispositivos  deixam  claro  que  as  mercadorias  de  origem  brasileira  devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que  as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação  de exportação.   Continuando,  posteriormente,  tal  Lei  foi  revogada  pelo  Decreto­Lei  288/67,conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus):  “Art  48.  Fica  o  Poder  Executivo  autorizado  a  abrir,  pelo  Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00  (hum milhão  de  cruzeiros  novos)  para  atender  as  despesas  de  capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967.       § 1º O crédito especial de que trata êste artigo será registrado  pelo  Tribunal  de  Contas  e  distribuído  automàticamente  ao  Tesouro Nacional.       § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o  Decreto  nº  47.757,  de  2  de  fevereiro  de  1960  que  a  regulamenta.”   Não  obstante,  tal  Decreto­Lei  ter  revogado  a  Lei  3.173/57  e  o  Decreto  47.75760, trouxe em seu art. 4º:  “Art 4º A  exportação de mercadorias de origem nacional  para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação brasileira para o estrangeiro.”  O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas  na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do Decreto­Lei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das  Disposições  Constitucionais  Transitórias  ­  ADCT  são  equiparadas  às  exportações,  de  forma  que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins.  Ora,  sendo  assim,  desde  a  publicação  do Decreto­Lei  288/1967,  as  vendas  efetuadas  a  empresas  sediadas  na  ZFN  são  equiparadas  às  exportações,  não  devendo  ser  tributadas pelas contribuições as receitas de vendas à ZFM.   Ademais,  é  de  se  constatar  que  a  Constituição  Federal  de  1988  ainda  determinou  a  imunidade  dessas  receitas,  conforme  preceitua  o  art.  149,  §  2º,  inciso  I  dessa  Carta:  Fl. 799DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 13          12  “Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que  alude o dispositivo.  §  2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico de que trata o caput deste artigo:  I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;  [...]”   O que, em respeito à Constituição Federal, quando da instituição do PIS e da  Cofins, houve observância dessa desoneração.  E, no que tange à discussão trazendo que o art. 4º do Decreto­Lei 288/67 ter  sido  publicado  na  vigência  da Constituição  Federal  anterior  a  de  1988  –  vê­se  que  houve  a  manutenção dos benefícios à ZFM através do art. 40 do ADCT.  E,  relativamente  à  edição  da  MP  202/2004,  que  foi  convertida  na  Lei  nº  10.996/2004, que trouxe o art. 2º, in verbis:   “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  –  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa  jurídica estabelecida fora da ZFM.”  Tal norma somente veio para explicitar e reforçar que não há que se falar em  tributação  das  receitas  auferidas  na  venda  de  mercadorias  à  ZFM,  podendo  considerar  que  antes dessa MP, para fins de não se tributar a r. receita pelas contribuições, há que se observar  o  disposto  no  art.  4º  Decreto­Lei  288/67  c/c  o  art.  40  do  ADCT  e  art.  149  da  CF/88.  Entendimento já pacificado pelo STJ.  E,  com  o  advento  da MP  202/04,  considerando  a  jurisprudência  pacíficada  dada pelo STJ e intentando a diminuição de litígios tributários, manter o procedimento de não  se tributar tais receitas.  Sendo assim, com essas breves considerações,  já  resta negar provimento ao  recurso interposto pela Fazenda Nacional.   Não obstante, independentemente do direito esposado, em respeito ao Novo  Código de Processo Civil de 2015, não há como se ignorar também os precedentes favoráveis  emanados pelos Tribunais.  Em  tempos  atuais,  inclusive,  o  novo  Código  de  Processo  Civil  –  Lei  13.105/15  traz o  respeito à “eficácia vinculante dos precedentes” em seus arts. 926 e 927,  in  verbis(Grifos meus):  Fl. 800DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 14          13  “Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e  mantê­la estável, íntegra e coerente.  § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no  regimento  interno,  os  tribunais  editarão  enunciados  de  súmula  correspondentes a sua jurisprudência dominante.  § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater­se  às  circunstâncias  fáticas  dos  precedentes  que  motivaram  sua  criação.  Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão:  I  ­  as  decisões  do  Supremo  Tribunal  Federal  em  controle  concentrado de constitucionalidade;  II ­ os enunciados de súmula vinculante;  III ­ os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de  resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos  extraordinário e especial repetitivos;  IV ­ os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em  matéria  constitucional  e  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria infraconstitucional;  V  ­  a  orientação  do  plenário  ou  do  órgão  especial  aos  quais  estiverem vinculados.  § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e  no  art.  489,  §  1o,  quando  decidirem  com  fundamento  neste  artigo.  §  2o  A  alteração  de  tese  jurídica  adotada  em  enunciado  de  súmula  ou  em  julgamento  de  casos  repetitivos  poderá  ser  precedida de audiências públicas e da participação de pessoas,  órgãos  ou  entidades  que  possam contribuir  para  a  rediscussão  da tese.  §  3o  Na  hipótese  de  alteração  de  jurisprudência  dominante  do  Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela  oriunda  de  julgamento  de  casos  repetitivos,  pode  haver  modulação dos efeitos da alteração no  interesse  social e no da  segurança jurídica.  §  4o  A modificação de  enunciado de  súmula, de  jurisprudência  pacificada  ou  de  tese  adotada  em  julgamento  de  casos  repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada  e  específica,  considerando os princípios da  segurança  jurídica,  da proteção da confiança e da isonomia.  §  5o  Os  tribunais  darão  publicidade  a  seus  precedentes,  organizando­os  por  questão  jurídica  decidida  e  divulgando­os,  preferencialmente, na rede mundial de computadores.”     Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 15          14  Deve­se,  assim,  em  respeito  ao  Princípio  da  Eficácia  Vinculante  dos  precedentes”  –  exposta  “explicitamente”  pelo  Novo  Código  de  Processo  Civil  ­  NCPC,  observar o entendimento emanado pelos tribunais.    Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e  respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC:  “Art.  15.  Na  ausência  de  normas  que  regulem  processos  eleitorais,  trabalhistas  ou  administrativos,  as  disposições  deste  Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.”   O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de  direito,  dentre  as  quais,  considera,  além  da  Lei,  como  fonte  direta,  os  precedentes  jurisprudenciais.   Sendo  assim,  inquestionável,  a  valorização  dos  precedentes.  Até  mesmo  como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e  os sujeitos passivo.  Ora,  tal  cultura de valorização de precedentes,  que  tora  a  jurisprudência  no  Brasil  fonte  direta  da  estrutura  jurídica  adotada  pelo  Brasil  ­  “Civil  Law”  –  traz  irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação.   O que, cabe trazer que as decisões do STF, STJ e TRF´s tem sido favoráveis  aos contribuintes – pelo afastamento da cobrança do PIS e da Cofins sobre a receita da venda  de mercadorias à ZFM – considerando, em síntese, como operação de exportação.   Para melhor  elucidar,  cabe  mencionar  que  o  STF,  por  meio  da  ADI  310,  pacificou  o  seu  entendimento  ao  manifestar  que  o  quadro  normativo  pré­constitucional  de  incentivo fiscal à ZFM constitucionalizou­se pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa  regra transitória, natureza de imunidade tributária, persistindo vigente a equiparação procedida  pelo art. 4º do Decreto­Lei 288/67:  “EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.  CONVÊNIOS  SOBRE  ICMS  NS.  01,  02  E  06  DE  1990:  REVOGAÇÃO  DEBENEFÍCIOS  FISCAIS  INSTITUÍDOS  ANTES  DO  ADVENTO  DAORDEM  CONSTITUCIONAL  DE  1998,  ENVOLVENDO  BENSDESTINADOS  À  ZONA  FRANCA  DE MANAUS.  1.  Não  se  há  cogitar  de  inconstitucionalidade  indireta,  por  violaçãode  normas  interpostas,  na  espécie  vertente:  a  questão  está  na  definição doalcance  do  art.  40  do Ato  das Disposições  Constitucionais  Transitórias,  asaer,  se  esta  norma  de  vigência  temporária  teria  permitido  a  recepção  doelenco  pré­ constitucional  de  incentivos  à  Zona  Franca  de  Manaus,  aindaque  incompatíveis  com  o  sistema  constitucional  do  ICMS  instituído  desde1988,  no  qual  se  insere  a  competência  das  unidades  federativas  para,mediante  convênio,  dispor  sobre  isenção e incentivos fiscais do novotributo (art. 155, § 2º, inciso  XII, letra ‘g’, da Constituição da República).  Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 16          15  2. O quadro normativo pré­constitucional de incentivo fiscal à  Zona Franca de Manaus constitucionalizou­se pelo art. 40 do  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias,  adquirindo,  por  força  dessa  regra  transitória,  natureza  de  imunidade  tributária, persistindo vigente a equiparação procedida pelo art.  4º  do Decreto­Lei n.  288/1967, cujo propósito  foi  atrair a não  incidência  do  imposto  sobre  circulação  de  mercadorias  estipulada  no  art.  23,  inc.  II,  §  7º,  da  Carta  pretérita,  desonerando,  assim,  a  saída  de  mercadorias  do  território  nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de  Manaus.  3.  A  determinação  expressa  de  manutenção  do  conjunto  deincentivos  fiscais  referentes  à  Zona  Franca  de  Manaus,  extraídos,obviamente,  da  legislação  pré­constitucional,  exige  a  não  incidência  doICMS  sobre  as  operações  de  saída  de  mercadorias para aquela área delivre comércio, sob pena de se  proceder a uma redução do quadro fiscalexpressamente mantido  por dispositivo constitucional específico etransitório.  4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.”     É  de  se  considerar  que,  em  respeito  ao  art.  40  do  ADCT,  a  saída  de  mercadorias  do  território  nacional  para  a  ZFM  deve  ser  considerada  como  exportação  de  serviços – não podendo­se afastar nesse evento a natureza de imunidade tributária.  Ainda que se trate especificamente de ICMS – o evento de per si é o mesmo  discutido no caso vertente.  Vê­se  que  os  Tribunais  Judiciais  têm  manifestado  de  forma  pacífica  entendimento favorável aos sujeitos passivos, explicitando que desde o advento do Decreto­Lei  288/67  as  vendas  efetuadas  a  empresas  sediadas  na  ZFM  são  equiparadas  às  exportações,  afastando, por conseguinte a tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas provenientes dessas  vendas.   Frise­se tal jurisprudência pacificada nos tribunais, o entendimento esposado  pela  2ª  Turma  do  STJ  em  recente  julgado  de  2.8.2016  quando  da  apreciação  do  REsp  874.887/AM (Grifos Meus):  “EMENTA  TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS ÀZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  DECRETO­LEI  288/67.  ISENÇÃO.SÚMULA 568/STJ.  1. A jurisprudência do STJ é pacíficano sentido de que a venda  demercadorias  para  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus  equivale  àexportação  de  produto  brasileiro  para  o  estrangeiro,  em  termos  de  efeitos  fiscais,segundo  interpretação  do  Decreto­lei  288/67,  não  incidindo  a  contribuição  socialdo  PIS nem da Cofins sobre tais receitas.  Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 17          16  2.  O  benefício  de  isenção  das  referidas  contribuições  alcança,portanto,  receitas  oriundas  de  vendas  efetuadas  por  empresa sediada na ZonaFranca de Manaus a empresas situadas  na mesma região.  Agravo interno improvido.”     Reforçamos  tal  jurisprudência  o  entendimento  proferido  pelo  também  STJ  quando da apreciação do REsp 691.708 ­ AM:    “PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  INTERNO  NOAGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL.  DESONERAÇÃO  DO  PIS  EDA  COFINS.  PRODUTOS  DESTINADOS  À  ZONA  FRANCA  DEMANAUS.  EMPRESAS  QUE  VENDEM  PRODUTOS  PARAOUTRAS  NA  MESMA  LOCALIDADE.  RECURSOMANIFESTAMENTE  IMPROCEDENTE.  MULTA. CABIMENTO.  1.  À  luz  da  interpretação  conferida  por  esta  Corte  ao  Decreto­Lei  n.  288/1967,  a  venda  de  mercadorias  destinadas  à  Zona  Franca  de  Manaus  equivale  à  exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em  termos  de  efeitos  fiscais,  não  incidindo  sobre  tais  receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS.  2  .  "O  benefício  fiscal  também  alcança  as  empresas  sediadas  naprópria  Zona  Franca  de  Manaus  que  vendem  seus  produtos  paraoutras  na  mesma  localidade.  Interpretação  calcada  nas  finalidades  quepresidiram  a  criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL288/67,  e  na  observância  irrestrita  dos  princípios  constitucionais  queimpõem  o  combate  às  desigualdades  sócio­regionais"  (REsp1276540/AM,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda  Turma, DJe05/03/2012).  3.  O  recurso  manifestamente  improcedente  atrai  a  multa  prevista noart. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a  5% do valoratualizado da causa.  4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.”     É de se trazer, nesse caso, a transcrição parcial do voto do Ministro Gurgek  de Faria (Grifos Meus):    [...]  Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 18          17  Consoante anteriormente explicitado, quanto à suposta violação  aoart.  4º  do  Decreto­Lei  n.  288/1967,  é  de  se  destacar  que  o  aresto combatido não diverge daorientação preconizada por este  Tribunal Superior.  Isso  porque,  à  luz  da  interpretação  conferida  por  esta  Corte  àlegislação  de  regência,  a  venda  de  mercadorias  destinadas  à  Zona  Franca  de  Manaus  equivaleà  exportação  de  produto  brasileiro  para  o  estrangeiro,  em  termos  de  efeitos  fiscais,  nãoincidindo  sobre  tais  receitas  a  contribuição  social  do  PIS  nem  da  COFINS,  ainda  que  asempresas  sejam  sediadas  na  própria Zona Franca de Manaus.  A propósito:  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.VIOLAÇÃO  AO  ART.  535  DO  CPC.  NÃO  OCORRÊNCIA.  PIS.  COFINS.VERBAS  PROVENIENTES  DE  VENDAS REALIZADAS À  ZONA FRANCA DEMANAUS. NÃO  INCIDÊNCIA.  INTELIGÊNCIA  DO  DEC.  LEI  288/67.PRECEDENTES.  1. A jurisprudência desta Corte é pacificada no sentido de que  as  operaçõesenvolvendo  mercadorias  destinadas  à  Zona  Franca de Manaus são equiparadasà exportação, para  efeitos  fiscais,  conforme  disposições  do  Decreto­Lei  288/67,não  incidindo  a  contribuição  para  o  PIS  nem  a Cofins  sobre  tais  receitas.  Precedentes:  AgRg  no  REsp  1141285/RS,  Rel.  Ministro  Arnaldo Esteves Lima,Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp  817.847/SC, Rel. Ministro MauroCampbell Marques, Segunda  Turma,  DJe  25/10/2010;  REsp  1276540/AM,  Rel.Ministro  Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012.  2.  Agravo  regimental  não  provido.  (AgRg  no  Ag  1400296/SC,  Rel.  MinistroBENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 08/05/2012, DJe14/05/2012). Grifos acrescidos.  PROCESSUAL CIVIL E  TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.  ART.  535,  II,DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  284/STF.  ARTS.  110,  111,  176E  177,  DO  CTN.  PREQUESTIONAMENTO.  AUSÊNCIA.  SÚMULA  211/STJ.DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS  DESTINADOS À ZONAFRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL  288/67.  INTERPRETAÇÃO.EMPRESAS  SEDIADAS  NA  PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO.  1. O provimento  do  recurso  especial  por  contrariedade  ao  art.  535,  II,  do  CPCpressupõe  seja  demonstrado,  fundamentadamente,  entre  outros,  os  seguintesmotivos:  (a)  a  questão  supostamente  omitida  foi  tratada  na  apelação,  no  agravo ounas contrarrazões a estes  recursos, ou, ainda, que se  cuida de matéria de ordempública a ser examinada de ofício, a  qualquer  tempo,  pelas  instâncias  ordinárias;  (b)houve  interposição  de  aclaratórios  para  indicar  à  Corte  local  a  Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 19          18  necessidade  de  saneara  omissão;  (c)  a  tese  omitida  é  fundamental  à  conclusão  do  julgado  e,  se  examinada,poderia  levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento  autônomo,suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são  cumulativos e devem serabordados de maneira fundamentada na  petição recursal, sob pena de não se argumentos apresentados.  [...]  5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de  Manaus  sãoequiparadas  à  exportação  para  efeitos  fiscais,  conforme  disposto  no  art.  4º  doDecreto­Lei  288/67,  de  modo  que sobre elas não incidem as contribuições aoPIS e à Cofins.  Precedentes do STJ.  6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na  própria  ZonaFranca  de  Manaus  que  vendem  seus  produtos  para  outras  na  mesmalocalidade.  Interpretação  calcada  nas  finalidades  que  presidiram  a  criação  daZona  Franca,  estampadas  no  próprio  DL  288/67,  e  na  observância  irrestritados princípios constitucionais que  impõem o combate  às desigualdadessócio­regionais.  7.  Recurso  especial  conhecido  em  parte  e  não  provido.  (REsp  1276540/AM,  Rel.Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  16/02/2012,  DJe05/03/2012).  Grifos  acrescidos.  Confiram­se,  ainda,  os  seguintes  julgados  desta  Corte  no  mesmosentido: AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães,  DJe  30/06/2016;  AREsp  820600,Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  DJe  17/02/2016;  AREsp  708492,  Rel.  Min.  HermanBenjamin, DJe 19/06/2015; AREsp 690708, Rel. Min.  BeneditoGonçalves,  DJe  11/06/2015;Ag  1417811,  Rel.  Min.  Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013.  Incide, portanto, a Súmula 83 do STJ.  Assim, o  recurso é manifestamente  improcedente,  o que atrai a  multaprevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1%  a 5% do valor atualizado da causa.  Ante  o  exposto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  agravo  interno  e  aplicomulta  à  agravante  de  1%  sobre  o  valor  atualizado  da  causa.  [...]”     Constata­se que o voto do Ministro Gurgel de Faria ainda traz que no foi  decidido pela Corte no mesmo sentido os seguintes julgados:  ·  AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016;   ·  AREsp  820600,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  DJe  17/02/2016;   Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 20          19  ·  AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015;  ·  AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 11/06/2015;   ·  Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013.      Por  isso,  aquela  Corte  considera  que  esse  entendimento  pela  não  cobrança do PIS e da Cofins sobre tais receitas estaria pacificado.   Além  do  entendimento  proferido  pelos  Tribunais  superiores,  não  se  pode  ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s.  Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016:    “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS  E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE  OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA  DE  MANAUS.  POSSIBILIDADE.  ART.  4º  DO  DL  288/67.  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ  E  DESTE  REGIONAL.  PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ­CONSTITUÍDA  REJEITADA.  APELAÇÃO  E  REMESSA  OFICIAL  NÃO  PROVIDAS.  (...)  2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de  Manaus são equiparadas a exportação para efeitos  fiscais  (art.  4º  do  DL  288/67),  não  devendo  incidir  sobre  elas  o  PIS  e  a  COFINS. Precedentes.  (...)”  (Apelação/Reexame  Necessário  nº  0001384­ 45.2014.4.01.3200/AM;  8ª  Turma  do  TRF  da  1ª  Região;  J:  19/09/2016; P: 14/10/2016)     E, então, no mesmo sentido, o TRF da 2ª Região julgado em 08/04/2015:    “TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA,  PIS/COFINS.  ISENÇÃO. ART.  40 DO ADCT, E ART.  4º DO DECRETO­LEI  Nº  288/67.  EXTENDE­SE  AOS  PRODUTOS  DESTINADOS  À  ZONA FRANCA DE MANAUS. PRECEDENTES STJ.  Os  arts.  4º  do  DL  288/67  e  40  do  ADCT  preservam  a  Zona  Franca  de Manaus,  enquanto  área  de  livre  comércio,  o  que  se  aplica  às  exportações  destinadas  a  estabelecimentos  situados  naquela  região,  cujos  benefícios  fiscais  compreendem  as  exportações ao  estrangeiro. Desse modo, para  efeitos  fiscais, a  exportação  de  mercadorias  destinadas  à  Zona  Franca  de  Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 21          20  Manaus  equivale  à  exportação  de  produto  brasileiro  para  o  estrangeiro.  2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação que lhe foi dada pela  Lei  9.004/95,  bem  como  o  art.  7º  da  lei  Complementar  70/91,  autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS,  respectivamente,  dos  valores  referentes às  receitas  oriundas  de  exportação de produtos nacionais para o estrangeiro.  Equiparando­se  os  produtos  destinados  à  Zona  Franca  de  Manaus com aqueles exportados para o exterior, infere­se que a  isenção  relativa  à COFINS  e  ao PIS  é  extensiva  à mercadoria  destinada à Zona Franca. Precedentes do  STJ  (RESP 223.405­ MT)  [...]”     Proveitoso ainda trazer o que entende o TRF da 3ª Região:    “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA  COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE  PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA  DE  MANAUS  (ART.  4º  DO  DL  288/67).  PRELIMINAR  REJEITADA.  INTERPRETAÇÃO.  EMPRESAS  SEDIADAS  NA  PRÓPRIA  ZONA  FRANCA.  APLICABILIDADE.  REMESSA  OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA.  [...]  Cuida­se  de  medida  visando  á  compensação  de  crédito  decorrente de indevido recolhimento da COFINS e do PIS, com  base  em  legislação  considerada  inconstitucional  pela  Impetrante.  O  PIS  e  a  COFINS  NÃI  INCDEM  SOBRE  AS  RECEITAS  DE  VENDAS  DE  MERCADORIAS  E  SERVIÇOS  PARA  EMPRESAS  SITUADAS  NA  Zona  Franca  de  Manaus,  uma vez que se  trata de receitas de exportação para o exterior  em razão de equiparação legal, Jurisprudência, firmou­se nesse  mesmo sentido.  [...]  (Apelação/Reexame  Necessário  nº  001678327.2013.4.03.6100/SP; 4ª Turma)”     Em  vista  de  todo  o  exposto,  visando  a  celeridade  a  ser  observada  nos  tribunais, bem como a garantia da segurança jurídica que tanto merece as partes (tanto o sujeito  passivo como a própria Fazenda Nacional que, se perder, deverá também assumir os honorários  de sucumbência), e, principalmente, em respeito ao Novo CPC, é de se observar o Princípio da  Eficácia Vinculante  dos  Precedentes  para  se  afastar  a  tributação  pelo  PIS  e  pela Cofins  das  Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.000213/2005­82  Acórdão n.º 9303­004.430  CSRF­T3  Fl. 22          21  receitas auferidas na venda de mercadorias à ZFM desde o advento do Decreto­Lei 288/67, por  serem equiparadas tais vendas à operação de exportação.  O que, dessa  forma,  resta negar provimento ao Recurso Especial  interposto  pela Fazenda Nacional.   É o meu voto.     (Assinado digitalmente)  Tatiana Midori Migiyama      Fl. 809DF CARF MF

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Numero do processo: 11516.721632/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Acolhem-se os embargos de declaração para suprir contradição entre as razões de decidir e as conclusões do voto condutor do Acórdão recorrido.
Numero da decisão: 1402-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a contradição existente nas conclusões do voto condutor do Acórdão 1402-002.204 no que se refere à apreciação do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada, que passa a ter a seguinte redação: "Em resumo do meu posicionamento, encaminho o voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada no que se refere às razões de defesa contra a representação fiscal para fins penais e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso". ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para suprir a contradição existente nas conclusões do voto condutor do Acórdão 1402-002.204 no que se refere à apreciação do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada, que passa a ter a seguinte redação: "Em resumo do meu posicionamento, encaminho o voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada no que se refere às razões de defesa contra a representação fiscal para fins penais e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso". ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.

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1402­002.438  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de março de 2017  Matéria  Embargos de Declaração  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  A. ANGELONI & CIA. LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. PROCEDÊNCIA.  Acolhem­se  os  embargos  de  declaração  para  suprir  contradição  entre  as  razões de decidir e as conclusões do voto condutor do Acórdão recorrido.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos  de  declaração,  sem  efeitos  infringentes,  para  suprir  a  contradição  existente  nas  conclusões  do  voto  condutor  do  Acórdão  1402­002.204  no  que  se  refere  à  apreciação  do  recurso voluntário da pessoa jurídica autuada, que passa a ter a seguinte redação: "Em resumo  do meu posicionamento, encaminho o voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário  da pessoa jurídica autuada no que se refere às razões de defesa contra a representação fiscal  para fins penais e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso".                         ASSINADO DIGITALMENTE   Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto,  Leonardo  Luis  Pagano Gonçalves,  Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader  Quintella,  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves,  Demetrius  Nichele  Macei  e  Leonardo  de  Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 16 32 /2 01 2- 69 Fl. 4404DF CARF MF     2 Relatório  A  Fazenda  Nacional  interpôs  embargos  de  declaração  contra  o  Acórdão  1402­002.204 que teria incorrido em contradição.   De acordo com a embargante, embora a fundamentação do voto condutor do  aresto e também e o resultado do julgamento indiquem que foi negado provimento ao recurso  voluntário da pessoa jurídica autuada, no resumo do voto condutor do aresto consta resultado  diverso ( “ [...] dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à glosa  de  despesas  com  juros  sobre  capital  próprio  pagas  em  desacordo  à  proporcionalidade  do  capital social”), caracterizando nítida contradição que poderá redundar em dúvida no momento  da execução do acórdão.   Conforme informação e despacho regimental, os embargos foram admitidos.  É o relatório  Fl. 4405DF CARF MF Processo nº 11516.721632/2012­69  Acórdão n.º 1402­002.438  S1­C4T2  Fl. 4.405          3 .   Voto             Conselheiro Leonardo de Andrade Couto  Conforme  exposto  no  relatório,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  embargos  de  declaração reclamando que embora a fundamentação do voto condutor do aresto e também e o  resultado do julgamento indiquem que foi negado provimento ao recurso voluntário da pessoa  jurídica autuada, no  resumo do voto condutor do aresto  consta  resultado diverso  ( “  [...] dar  provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à glosa de despesas com  juros  sobre  capital  próprio  pagas  em  desacordo  à  proporcionalidade  do  capital  social”),  caracterizando nítida contradição que poderá redundar em dúvida no momento da execução do  acórdão.   Correta a embargante.  De fato, originalmente este relator entendeu que não caberia a tributação na  matéria em questão e registrou esse posicionamento na minuta, mas fui convencido pelos meus  pares  em  sentido  contrário.  As  razões  de  decidir  contidas  no  bojo  do  voto  condutor  foram  devidamente  retificadas  e  o  dispositivo  da  decisão  corretamente  redigido.  Entretanto,  a  conclusão do voto não foi corrigida mantendo­se incorretamente aquela da minuta original.  Sendo assim, cabe  a  retificação das  conclusões do voto condutor no que se  refere ao julgamento do recurso voluntário da pessoa jurídica.  Onde se lê:   Resumo:  Em  resumo  do meu  posicionamento,  encaminho  o  voto  no  sentido  de  não  conhecer do recurso no que se refere às razões de defesa contra a representação fiscal para fins  penais  e,  na  parte  conhecida,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  cancelar  a  exigência  referente  à  glosa  de  despesas  com  juros  sobre  capital  próprio  pagas  em  desacordo  à  proporcionalidade do capital social.       Leia­se:  Resumo  Em resumo do meu posicionamento, encaminho o voto no sentido de não  conhecer do recurso no que se refere às razões de defesa contra a representação  fiscal para fins penais e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.   É como voto.    Leonardo de Andrade Couto   Fl. 4406DF CARF MF     4                               Fl. 4407DF CARF MF

score : 1.0
6744292 #
Numero do processo: 11516.720687/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2010 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA OBJETO DE PROCESSO DIVERSO JÁ JULGADO. Estando definitiva a decisão que excluiu a contribuinte da sistemática do SIMPLES, não cabe a rediscussão da referida matéria no processo administrativo cujo objeto é o lançamento de créditos decorrentes de tal exclusão. Referido processo de lançamento de créditos pode ter seu trâmite em concomitância com o processo em que se discute a exclusão do SIMPLES, uma vez que é dever da autoridade fiscal realizar o lançamento a fim de evitar a decadência. Matéria sumulada pelo CARF (Súmula nº 77). LANÇAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA E RAT SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. ART. 22, I E II, DA LEI Nº 8.212/91 Não há qualquer irregularidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta agiu corretamente ao enquadrar o lançamento nos arts. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, aplicável ao caso concreto, uma vez que a contribuinte foi excluída da sistemática do SIMPLES. Portanto, no período englobado pelo ato de sua exclusão, a contribuinte sujeitou-se a apuração e recolhimento dos tributos em conformidade com as normas gerais de incidência, nos termos do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006. Ao verificar que não houve o recolhimento das contribuições de custeio (até porque a contribuinte encontrava-se sob a sistemática do SIMPLES), a autoridade fiscal tinha o dever de efetuar o lançamento, como de fato o fez. DEDUÇÃO DE VALORES DA MESMA NATUREZA JÁ RECOLHIDOS SOB A SISTEMÁTICA DO SIMPLES. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS - TERCEIROS (SALÁRIO-EDUCAÇÃO, SESC, SEBRAE, SENAC E INCRA) INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. As optantes pelo SIMPLES são dispensadas do pagamento das contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical e demais entidades de serviço social autônomo (art. 13, §3º, da Lei Complementar nº 123/2006). Quando a contribuinte foi excluída do SIMPLES, passou a ser sujeito passivo das contribuições destinadas a Terceiros incidentes sobre o salário contribuição pagos aos empregados segurados, no período englobado pelo ato de sua exclusão. Portanto, no período fiscalizado, a contribuinte sujeitou-se à apuração e recolhimento dos tributos em conformidade com as normas gerais de incidência, nos termos do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006. Ao verificar que não houve o recolhimento referidas das contribuições (até porque a contribuinte encontrava-se sob a sistemática do SIMPLES), a autoridade fiscal tinha o dever de efetuar o lançamento, como de fato o fez. Não há qualquer irregularidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta agiu corretamente ao enquadrar o lançamento nos diversos dispositivos legais atinentes às contribuições destinadas a Terceiros, aplicáveis ao caso concreto (Salário-Educação, SESC, SEBRAE e INCRA), tendo em vista a exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do crédito lançado eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pela RECORRENTE quando do parcelamento (nos termos da Lei nº 11.941/2009) de débitos do SIMPLES. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do crédito lançado eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados pela RECORRENTE quando do parcelamento (nos termos da Lei nº 11.941/2009) de débitos do SIMPLES. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 12/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim

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Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA OBJETO DE PROCESSO DIVERSO JÁ JULGADO. Estando definitiva a decisão que excluiu a contribuinte da sistemática do SIMPLES, não cabe a rediscussão da referida matéria no processo administrativo cujo objeto é o lançamento de créditos decorrentes de tal exclusão. Referido processo de lançamento de créditos pode ter seu trâmite em concomitância com o processo em que se discute a exclusão do SIMPLES, uma vez que é dever da autoridade fiscal realizar o lançamento a fim de evitar a decadência. Matéria sumulada pelo CARF (Súmula nº 77). LANÇAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA E RAT SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. ART. 22, I E II, DA LEI Nº 8.212/91 Não há qualquer irregularidade cometida pela autoridade lançadora, visto que esta agiu corretamente ao enquadrar o lançamento nos arts. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91, aplicável ao caso concreto, uma vez que a contribuinte foi excluída da sistemática do SIMPLES. Portanto, no período englobado pelo ato de sua exclusão, a contribuinte sujeitou-se a apuração e recolhimento dos tributos em conformidade com as normas gerais de incidência, nos termos do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006. Ao verificar que não houve o recolhimento das contribuições de custeio (até porque a contribuinte encontrava-se sob a sistemática do SIMPLES), a autoridade fiscal tinha o dever de efetuar o lançamento, como de fato o fez. DEDUÇÃO DE VALORES DA MESMA NATUREZA JÁ RECOLHIDOS SOB A SISTEMÁTICA DO SIMPLES. POSSIBILIDADE. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS - TERCEIROS (SALÁRIO-EDUCAÇÃO, SESC, SEBRAE, SENAC E INCRA) INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. 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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 418          1 417  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.720687/2011­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.496  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de março de 2017  Matéria  EXCLUSÃO SIMPLES ­ CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA ­ FPAS, RAT E  TERCEIROS ­ INFORMAÇÕES CONSTANTES EM GFIP´S  Recorrente  MARCOS MAY CABRAL & CIA LTDA ­ EPP E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2007 a 31/05/2010  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRAZO  DECADENCIAL  ORDINÁRIO  REGIDO  PELO  ART.  150,  §  4º,  DO  CTN,  DESDE  QUE  HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO  ANTECIPADO, APLICA­SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I,  DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE  JUSTIÇA.  REPRODUÇÃO  NOS  JULGAMENTOS  DO  CARF,  CONFORME  ART.  62­A, DO ANEXO II, DO RICARF.  O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão  legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege­se pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do  Codex  Tributário,  ante a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 87 /2 01 1- 71 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 419          2 Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad,  São  Paulo,  2004,  págs.  183/199).  Reprodução  da  ementa  do  leading  case  Recurso  Especial  nº  973.733  ­  SC  (2007/0176994­0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz  Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC e da  Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES.  MATÉRIA  OBJETO  DE  PROCESSO  DIVERSO JÁ JULGADO.  Estando  definitiva  a  decisão  que  excluiu  a  contribuinte  da  sistemática  do  SIMPLES,  não  cabe  a  rediscussão  da  referida  matéria  no  processo  administrativo  cujo  objeto  é  o  lançamento  de  créditos  decorrentes  de  tal  exclusão. Referido processo de  lançamento de  créditos pode  ter seu  trâmite  em  concomitância  com  o  processo  em  que  se  discute  a  exclusão  do  SIMPLES, uma vez que é dever da autoridade fiscal realizar o lançamento a  fim de evitar a decadência. Matéria sumulada pelo CARF (Súmula nº 77).  LANÇAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA  E RAT SOBRE REMUNERAÇÃO DE EMPREGADOS. ART.  22,  I  E  II,  DA LEI Nº 8.212/91  Não há qualquer irregularidade cometida pela autoridade lançadora, visto que  esta agiu corretamente ao enquadrar o lançamento nos arts. 22, I e II, da Lei  nº  8.212/91,  aplicável  ao  caso  concreto,  uma  vez  que  a  contribuinte  foi  excluída  da  sistemática do  SIMPLES.  Portanto,  no  período  englobado  pelo  ato de sua exclusão, a contribuinte sujeitou­se a apuração e recolhimento dos  tributos em conformidade com as normas gerais de incidência, nos termos do  art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006.  Ao verificar que não houve o recolhimento das contribuições de custeio (até  porque  a  contribuinte  encontrava­se  sob  a  sistemática  do  SIMPLES),  a  autoridade fiscal tinha o dever de efetuar o lançamento, como de fato o fez.  DEDUÇÃO DE VALORES DA MESMA NATUREZA JÁ RECOLHIDOS  SOB A SISTEMÁTICA DO SIMPLES. POSSIBILIDADE.  Súmula  CARF  nº  76:  Na  determinação  dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício para  cada  tributo,  após a  exclusão do Simples,  devem ser deduzidos  eventuais  recolhimentos  da  mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma unificada.  LANÇAMENTO  DE  CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  A  OUTRAS  ENTIDADES E FUNDOS ­ TERCEIROS (SALÁRIO­EDUCAÇÃO, SESC,  SEBRAE,  SENAC  E  INCRA)  INCIDENTES  SOBRE  REMUNERAÇÃO  DE EMPREGADOS.   As optantes pelo SIMPLES são dispensadas do pagamento das contribuições  para  as  entidades  privadas  de  serviço  social  e  de  formação  profissional  vinculadas ao sistema sindical e demais entidades de serviço social autônomo  (art. 13, §3º, da Lei Complementar nº 123/2006). Quando a contribuinte  foi  excluída  do  SIMPLES,  passou  a  ser  sujeito  passivo  das  contribuições  destinadas  a  Terceiros  incidentes  sobre  o  salário  contribuição  pagos  aos  empregados segurados, no período englobado pelo ato de sua exclusão.  Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 420          3 Portanto,  no  período  fiscalizado,  a  contribuinte  sujeitou­se  à  apuração  e  recolhimento  dos  tributos  em  conformidade  com  as  normas  gerais  de  incidência,  nos  termos  do  art.  32  da  Lei  Complementar  nº  123/2006.  Ao  verificar  que  não  houve  o  recolhimento  referidas  das  contribuições  (até  porque  a  contribuinte  encontrava­se  sob  a  sistemática  do  SIMPLES),  a  autoridade fiscal tinha o dever de efetuar o lançamento, como de fato o fez.  Não há qualquer irregularidade cometida pela autoridade lançadora, visto que  esta agiu corretamente ao enquadrar o  lançamento nos diversos dispositivos  legais  atinentes  às  contribuições  destinadas  a  Terceiros,  aplicáveis  ao  caso  concreto  (Salário­Educação,  SESC,  SEBRAE  e  INCRA),  tendo  em  vista  a  exclusão da contribuinte da sistemática do SIMPLES.  MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  A  vedação  ao  confisco  pela  Constituição  Federal  é  dirigida  ao  legislador,  cabendo  à  autoridade  administrativa  apenas  aplicar  a multa,  nos moldes  da  legislação que a instituiu.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  MATÉRIA  SUMULADA.  De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para  se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.  De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de  1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre débitos  tributários administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia ­ SELIC para títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do crédito lançado eventuais  recolhimentos  da  mesma  natureza  efetuados  pela  RECORRENTE  quando  do  parcelamento  (nos termos da Lei nº 11.941/2009) de débitos do SIMPLES.  Assinado digitalmente  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   Assinado digitalmente  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator.    EDITADO EM: 12/04/2017  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Ana  Cecília  Lustosa  da  Cruz,  Daniel  Melo  Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 421          4 Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado),  Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim    Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário de fls. 306/323, interposto contra decisão da  DRJ  em  São  Paulo/SP,  de  fls.  259/281,  que  julgou  procedente  o  lançamento  das  seguintes  Contribuições da empresa:  (i) sobre a remuneração de empregados (art. 22, I, da Lei nº 8.212/91);  (ii) sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (art.  22, III, da Lei nº 8.212/91);  (iii) para financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa –  RAT (art. art. 22, II, da Lei nº 8.212/91); e  (iv)  destinadas  a  Terceiros  (Salário­Educação,  SESC,  SEBRAE,  SENAC  e  INCRA)  Os itens i, ii e iii acima foram provenientes do DEBCAD 37.313.306­5 (fls.  06/30), no valor total de R$ 316.133,20, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a  correspondente multa de ofício no percentual de 75%. Por sua vez, a contribuição do item iv  foi  proveniente  do  DEBCAD  37.313.305­7  (fls.  31/),  no  valor  total  de  R$  73.454,63,  já  inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de mora no percentual  de 24%.  Ambos os autos de infração foram lavrados em 05/07/2011 e são relativos ao  período de 01/2006 a 13/2007, com ciência da RECORRENTE e  responsáveis  solidários em  28/07/2011 (fls. 190/199).  Adiante,  transcrevo parte do relatório elaborado pela 2ª Turma Ordinária da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  do  CARF  quando  da  apreciação  deste  processo  (fls.  328/331),  oportunidade em que resolveram converter o julgamento em diligência para aguardar decisão  definitiva quanto  à  exclusão  do  contribuinte  do  SIMPLES  (processo  nº  11516.720688/2011­ 15):  “(...)  O Termo de Verificação Fiscal e Termo de Sujeição Solidária Passiva às fls.  152/165, trazem que a autuada foi excluída do SIMPLES FEDERAL, através  de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n.º 78, de 10/06/2011, fls. 141, com  fulcro  na  Representação  Fiscal  11516.720688/2011­15,  por  restar  evidenciada  a  prestação  de  serviços  em  atividade  vedada  à  opção  pelo  Sistema.  Não consta dos autos a Representação Fiscal para a exclusão.  Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 422          5 Aduz  o  Termo  de Verificação  Fiscal  que  o  contribuinte  utilizou­se  de  atos  para  ocultar  o  fato  gerador  tributário,  realizando  a  sonegação  de  tributos  fazendários e previdenciários.  Consta do Termo que a Fiscalização verificou o conluio entre as  seguintes  pessoas  jurídicas  e  físicas,  que  figuram  no  pólo  passivo  pela  responsabilidade dos atos praticados (sujeitos passivos solidários), conforme  o art.124 do CTN, com o intuito de simular/ocultar o fato gerador tributário  e sonegar tributos:  *  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES  CALL  CENTER  LTDA  CNPJ  05.038.033/000144,  * MAY & CARDOSO LTDA CNPJ07.365.832/ 000150,  * EDUARDO MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 05.675.238/000130,  * MARCOS MAY CABRAL & CIA LTDA CNPJ 07.081.290/000194,  * MARCOLINO CARGNIN CABRAL –CPF 219.862.90034,  * LEONI MAY CABRAL – CPF 910.619.97987,  * BEATRIZ MAY CABRAL– CPF 026.383.33999,  * EDUARDO MAY CABRAL – CPF 007.808.01938,  * MARCOS MAY CABRAL – CPF 033.550.93980 e  * EMERSON SERGIO CARDOSO – CPF 007.113.51970.  O  levantamento  tomou  por  base  as  informações  constantes  das GFIP’s  da  autuada e na apuração dos tributos foi realizada a compensação dos valores  recolhidos conforme Demonstrativo de Rateio dos Recolhimentos SIMPLES,  considerando  o  rateio  previsto  no  art.  23  da  Lei  9.317/96,  que  foi  demonstrado  no  relatório  RDA  RELATÓRIO  DE  DOCUMENTOS  APRESENTADOS.  Após  a  impugnação  das  autuadas,  Acórdão  de  fls.259/281,  se  pronunciou  pela procedência da autuação.  Inconformado,  os  contribuintes  apresentaram  recurso  voluntário,  alegando  em síntese:  a)  que  a  conduta  das  empresas  são  plenamente  legais,  de  acordo  com  a  legislação e jamais tiveram por objetivo lesar o erário público;  b) a ausência de sonegação e conluio;  c)  a  inaplicabilidade  da  solidariedade,  ante  a  legalidade  nas  operações  efetuadas e a ausência de práticas ilícitas por quaisquer dos recorrentes;  Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 423          6 d)  que  a  lei  não  impede  explicitamente  que  os  serviços  de  vendas,  de  call  center e telemarketing sejam exercidos por empresas optantes do SIMPLES;  e) a aplicação da decadência com fulcro no artigo 150§4º, do CTN;  f) o caráter confiscatório da multa e os juros aplicados de forma abusiva;  g) a existência de parcelamento em nome da recorrente, acarretando bis  in  idem.  Por  fim,  requerem o  cancelamento do auto de  infração ante a ausência de  infração  tributária;  a  não  aplicação  da  solidariedade;  a  aplicação  da  decadência; a  redução das multas e dos  juros em patamares  razoáveis que  não  violem  as  normas  constitucionais;  o  cancelamento  da  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais;  o  cancelamento  dos  arrolamentos  de  bens  dos  processos  11516.721.187/2011­56  e  11516.721.186/2011­10;  que  seja  promovido  o  encontro  de  contas,  caso  perdure  esta  cobrança,  com  o  parcelamento existente e que as intimações sejam feitas no endereço de seu  patrono, que colaciona.  O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade e deve ser conhecido.  Entretanto,  é  de  se  observar  que  o  lançamento  se  refere  às  contribuições  devidas  pela  exclusão  da  recorrente  do  SIMPLES,  tratando  também  de  solidariedade passiva.  Embora o Fisco tenha feito menção à declaração do autuado, às fls. 138, de  que não apresentou  recurso administrativo  e/ou  judicial  quanto à  exclusão  da  empresa  do  SIMPLES,  é  de  se  ver  que  o  PAF  11516.720688/2011­15,  relativo  à  Representação  Fiscal  que  culminou  na  emissão  do  Ato  Declaratório  Executivo  que  trata  da  exclusão  do  SIMPLES,  encontra­se  pendente  de  julgamento  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme consulta ao sítio do mesmo na internet:  Desta  forma, entendo não ser possível prosseguir com este  julgamento sem  que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa do  SIMPLES.  Neste  lançamento  está  sendo  cobrada  a  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  a  remuneração  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais, em virtude da exclusão da empresa do SIMPLES, assunto que já  tem que  estar  resolvido  na  área  administrativa para  que  se  possa  julgar  o  mérito do presente auto de infração de obrigação principal, uma vez que não  cabe aqui, tecer considerações acerca da pertinência ou não da exclusão da  empresa do Sistema.  Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os  autos  retornem à origem a  fim de aguardar a  decisão definitiva,  na  esfera  administrativa, sobre a exclusão da recorrente do SIMPLES e somente após  tal informação retornem a este Colegiado.  Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 424          7 Também, deve ser anexada aos autos cópia da Representação Fiscal emitida,  já  que  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  152/165,  diz  que  os  detalhes  pormenorizados  acerca  da  prática  de  conluio,  simulação,  sonegação  de  tributos e da solidariedade estão nela explicitados.  E, por derradeiro, deve ser esclarecido quanto à existência de parcelamento,  relativamente  aos  créditos  lançados  nos  autos  de  infração  constantes  do  presente processo.  Do  resultado  da  diligência  deve  ser  dado  conhecimento  a  autuada,  aos  responsáveis solidários e concedido prazo para manifestação.”  Em razão da decisão acima, foi acostada aos autos a Representação Fiscal nº  11516.720688/2011­15  (fls.  333/349),  que  culminou  na  expedição  do  Ato  Declaratório  Executivo DRF/FNS nº 078 de 10 de junho de 2011, cujo  teor  foi a exclusão da empresa do  SIMPLES FEDERAL  a  partir  de  01/01/2006  (fl.  357). Ao  acostar  referidos  documentos  aos  autos, o auditor responsável fez o seguinte esclarecimento:  “3.  Muito  embora,  conste  às  fls.  330  da  Resolução  supra  citada  que  o  Auditor  Fiscal  notificante  declarou  às  fls.  138  dos  presentes  autos,  que  a  empresa  não  apresentou  qualquer  recurso  administrativo  e/ou  judicial  quanto à exclusão da empresa do SIMPLES, esclarecemos que a exclusão a  qual  o  Auditor  fazia  alusão,  se  referia  ao  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FNS  nº  34.3885,  de  22  de  agosto  de  2008  que  excluiu  a  empresa  MARCOS  MAY  CABRAL  &  CIA  do  SIMPLES  NACIONAL  a  partir  de  01/01/2009, e não a Representação Fiscal que propôs a exclusão da empresa  do Sistema  Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições de Micro  Empresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES FEDERAL a partir de  01/01/2006,  que  culminou  com a  expedição  do Ato Declaratório Executivo  DRF/FNS nº 078 de 10 de junho de 2011.”  No  que  concerne  às  alegações  das RECORRENTES  de  que  foi  efetuado  o  parcelamento de seus débitos junto à RFB, nos termos da Lei nº 11.941/2009, foi acostado aos  autos  o  extrato  com  tais  informações  (fls.  367/368),  oportunidade  em  que  a  autoridade  responsável informou que “o contribuinte aderiu ao parcelamento e consolidou os débitos do  Simples Federal que ali estão indicados” (fl. 369).   As RECORRENTES foram intimadas da Resolução proferida pela 2ª Turma  Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, bem como do resultado da diligência, conforme  Ofícios e ARs acostados às fls. 370/399.  A Resolução da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF que  decidiu  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência  foi  objeto  de  Embargos  de  Declaração  opostos pelo Delegado da RFB em Florianópolis/SC, por entender que seria mais coerente com  a  situação de  sobrestamento  (fls.  400/406). No  entanto,  referidos Embargos  foram  rejeitados  por meio do Despacho de fls. 410/411.  À  fl.  413,  a  autoridade  fiscal  da  Equipe  de  Arrecadação  e  Cobrança  determinou o retorno dos autos ao CARF para julgamento da matéria, uma vez que o processo  de  Representação  de  Exclusão  do  Simples  Federal  nº  11516.720688/2011­15  já  havia  sido  Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 425          8 julgado. Na oportunidade, foi apresentada a tela do sistema de consultas processuais contendo  o resultado do julgamento, que foi por negar provimento ao recurso voluntário.  Importante mencionar que o referido processo de Representação de Exclusão  do Simples Federal nº 11516.720688/2011­15 teve também por objeto a cobrança de tributos  fazendários  (IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS)  em  razão  da  exclusão  da  RECORRENTE  da  sistemática do SIMPLES, conforme informa o próprio Termo de Verificação Fiscal e Termo de  Sujeição Solidária Passiva (fl. 154).  Em razão das  infrações apontadas no Termo de Verificação Fiscal e Termo  de Sujeição Solidária Passiva,  foi  emitida Representação Fiscal para Fins Penais  em  face da  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES  –  CALL  CENTER  LTDA  (processo  nº  11516.720697/2011­14,  anexo aos presentes autos), empresa apontada como a que estava à frente do conglomerado de  pessoas jurídicas formado pela RECORRENTE e pelos responsáveis solidários.  Este  recurso  voluntário  compôs  lote  sorteado  para  este  relator  em  Sessão  Pública.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  legais,  razões por que dele conheço.  Da exclusão da RECORRENTE da sistemática do SIMPLES. Questão objeto do processo  nº 11516.720688/2011­15.  Ao analisar o Recurso Voluntário da RECORRENTE, a 2ª Turma Ordinária  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  deste  CARF  verificou  que  o  presente  lançamento  "se  refere  às  contribuições  devidas  pela  exclusão  da  recorrente  do  SIMPLES,  tratando  também  de  solidariedade passiva".  Neste sentido, considerando a relação de prejudicialidade entre este processo  e o trata da exclusão da RECORRENTE do SIMPLES, decidiu por converter o julgamento em  diligência a fim de aguardar a decisão definitiva, na esfera administrativa, sobre a exclusão da  recorrente da sistemática do SIMPLES.  Posteriormente,  a  autoridade  fiscal  informou  acerca  do  julgamento  do  processo  de  Representação  de  Exclusão  do  Simples  Federal  nº  11516.720688/2011­15  pelo  CARF  em  21/10/2014,  cujo  resultado  foi  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  A  ementa do acórdão proferido na ocasião pela 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF possui a  seguinte redação:  Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 426          9 "ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Data  do  fato  gerador:  31/03/2006,  30/06/2006,  30/09/2006,  31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007  ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. IMPRESTABILIDADE.  O  imposto  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado  quando  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  a  recomposição do lucro.  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES  Exercício: 2006  EXCLUSÃO DO SIMPLES PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE  TELEMARKETING  E  PRÁTICA  REITERADA  DE  INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Uma vez constatada a prestação de serviços de telemarketing e  a prática reiterada de infração à legislação tributária, impõe­se  a  exclusão  do  regime  simplificado,  com  fulcro  nos  artigos  9º,  inciso XIII, e 14, inciso V, da Lei nº 9.317/1996.  EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS.  A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a  pessoa  jurídica  excluída  do  Simples  se  sujeita  às  normas  de  tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data  do  fato  gerador:  31/03/2006,  30/06/2006,  30/09/2006,  31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  INTERPOSTA  PESSOA.  São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse  comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação  principal  e  as  pessoas  expressamente  designadas  por  lei,  questão  configurada  nos  autos  pela  confusão  patrimonial  e  o  desvio de finalidade.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  SÓCIOS.  ADMINISTRADORES. REPRESENTANTES.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  os mandatários,  prepostos  e  empregados,  bem como  Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 427          10 os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de  direito privado.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data  do  fato  gerador:  31/03/2006,  30/06/2006,  30/09/2006,  31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%.  Em  lançamento  de  ofício  é  devida multa  qualificada  de  150%,  calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi  pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de dolo na  ação ou omissão do contribuinte.  CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  Os  créditos  Tributários  vencidos  e  ainda  não  pagos  devem  ser  acrescidos de  juros de mora equivalentes à  taxa  referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic)."  Conforme ementa acima, a 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF decidiu  pela exclusão da RECORRENTE da sistemática do SIMPLES Nacional.  Portanto, encontra­se superada a questão pela qual o processo foi baixado em  diligência  pela  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Câmara  da  2ª  Seção  deste  CARF,  uma  vez  que  o  entendimento  da  autoridade  julgadora  foi,  corretamente,  de  que  a  exclusão  (ou  não)  da  RECORRENTE do sistema simplificado de arrecadação era fundamental para a manutenção do  presente lançamento.  Em  consulta  ao  andamento  processual,  não  constatei  qualquer  recurso  interposto  pela  RECORRENTE  em  face  do  acórdão  proferido  nos  autos  do  processo  nº  11516.720688/2011­15. Assim, estando definitiva a decisão que excluiu a RECORRENTE do  SIMPLES, passo a analisar o lançamento das contribuições previdenciárias objeto do presente  processo.  Antes,  portanto,  é  importante  mencionar  que  as  considerações  da  RECORRENTE acerca da possibilidade, ou não, de sua exclusão da sistemática do SIMPLES  não  podem  ser  objeto  do  presente  processo,  uma  vez  que  já  foram  devidamente  analisadas  quando  do  julgamento  do  processo  nº  11516.720688/2011­15.  Neste  sentido,  as  alegações  sobre questões envolvendo a suposta legalidade da conduta da empresa em suas atividades, a  hipótese de empresas do SIMPLES não estarem legalmente impedidas de exercer serviços de  call­center,  bem  como  as  alegações  acerca da  suposta  ausência  de  sonegação  e  conluio  pela  RECORRENTE (todos fundamentos para a exclusão do SIMPLES) não são objeto do presente  caso.    PRELIMINAR  Da Decadência parcial  Em  princípio,  analiso  as  questões  relativas  à  decadência  do  crédito  em  cobrança. A RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º,  Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 428          11 do CTN, em relação aos créditos cujos fatos geradores ocorreram antes de agosto/2006, já que  o  lançamento  teria  sido  realizado  em  agosto/2011.  Assim,  requereu  a  extinção  dos  créditos  relativos ao período de 01/2006 a 07/2006.  No entanto, entendo que não assiste razão à RECORRENTE.  Para o bom emprego do  instituto da decadência  previsto no CTN é preciso  verificar  o  dies  a  quo  do  prazo  decadencial  de  5  (cinco)  anos  aplicável  ao  caso:  se  é  o  estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN.  Em  12  de  agosto  de  2009,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ  julgou  o  Recurso Especial nº 973.733­SC (2007/0176994­0), com acórdão submetido ao regime do art.  543­C  do  antigo  CPC  e  da  Resolução  STJ  08/2008  (regime  dos  recursos  repetitivos),  da  relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL  .ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação  ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 429          12 sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado" corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.”  Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo  decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra  do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude  ou simulação, o  lustro decadencial para  constituir o crédito  tributário é  contado do exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.  Por ter sido sob a sistemática do art. 543­C do antigo CPC, a decisão acima  deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF  (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015):  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  No caso concreto, os créditos previdenciários lançados decorrem de infração  à  lei  tributária,  o  que  resultou  na  exclusão  da RECORRENTE da  sistemática  do  SIMPLES.  Neste  sentido,  não  há  que  se  falar  em  “lançamento  por  homologação”  nem,  por  óbvio,  em  qualquer pagamento parcial antecipado pelo contribuinte.  Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 430          13 Ora, conforme acima exposto, nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o  prazo decadencial para constituir o crédito tributário é contado nos termos do art. 173, I, CTN.  Tendo em vista que o presente  lançamento decorre da fraude apontada pela  fiscalização  (que,  inclusive,  culminou  com  a  exclusão  da RECORRENTE da  sistemática  do  SIMPLES),  aplica­se  ao  caso  concreto  o  art.  173,  I,  do  CTN,  no  sentido  de  que  o  prazo  decadencial  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  sendo  certo  que  este  corresponde  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte à ocorrência do fato imponível.  O presente  lançamento é  relativo ao período compreendido entre 01/2006 a  12/2007. Assim, aplicando­se a regra do art. 173,  I, do CTN, entendo que não estão extintos  pela  decadência  quaisquer  créditos  objeto  do  presente  lançamento,  tendo  em  vista  que  a  RECORRENTE e os  responsáveis  solidários  tomaram ciência do  lançamento em 28/07/2011  (fls. 190/199), enquanto os créditos tributários poderiam ser constituídos até o dia 31/12/2011.  Da Solidariedade  No que diz  respeito  à  sujeição passiva  solidária,  a RECORRENTE entende  que  tal  cobrança  solidária  deve  ser  afastada  ante  a  legalidade  nas  operações  efetuadas  pelas  empresas e pessoas físicas, assim como em razão da ausência de práticas ilícitas por quaisquer  dos recorrentes.  No entanto, entendo que a solidariedade deve ser mantida.   De  acordo  com  o  exposto  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  Termo  de  Sujeição Solidária Passiva, ao tratar da solidariedade, a autoridade fiscal entende que todas as  partes  citadas  foram  considerados  devedores  solidários  porque  teriam  contribuído  decisivamente  para  a  ocorrência  da  infração  e  participado  diretamente  do  fato  gerador  dos  tributos  atribuídos  à  devedora  principal.  Para  tanto,  remete  aos  fatos  descritos  na  Representação Fiscal para Exclusão do Simples (processo nº 11516.720688/2011­15, acostado  às fls. 333/349).   Compulsando a Representação Fiscal para Exclusão do Simples, constata­se  que  houve  uma  série  de  operações  societárias  que  culminaram  na  criação  de  um  grupo  econômico envolvendo a RECORRENTE, a MAY & CARDOSO LTDA, a EDUARDO MAY  CABRAL  &  CIA  LTDA  e  liderado  pela  empresa  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES  ­  CALL  CENTER LTDA, tudo com a finalidade de iludir a administração tributária.   Conforme  descrito  na  Representação  Fiscal  para  Exclusão  do  Simples,  diversas  evidencias  apontam  a  formação  do mencionado  grupo.  Um  resumo  das  evidencias  extraídas da Representação Fiscal pode ser descrita da seguinte forma.  ­  Em  princípio,  quando  da  constituição  da  empresa  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES ­ CALL CENTER LTDA em 05/2002, ela possuía os seguintes sócios:  Marcolino Cargnin Cabral – 5.200 quotas – 65%  Marcos May Cabral – 800 quotas – 10%  Eduardo May Cabral – 800 quotas – 10%  Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 431          14 Beatriz May Cabral – 800 quotas – 10%  Emerson Sérgio Cardoso – 400 – 5%  ­ quatro meses depois, em 09/2002, houve a retirada dos sócios Marcos May  Cabral,  Eduardo May Cabral,  Beatriz May Cabral  e  Emerson  Sérgio Cardoso,  bem  como  a  entrada da sócia Leoni May Cabral.   ­ os sócios que se retiraram da EXECUÇÃO SOLUÇÕES ­ CALL CENTER  LTDA constituíram novas empresas, quais sejam:  MAY & CARDOSO LTDA (sócios: Eduardo May Cabral e Emerson Sérgio  Cardoso), constituída em 05/2002;  MARCOS  MAY  CABRAL  &  CIA  LTDA  (sócios:  Marcos  May  Cabral  e  Emerson Sérgio Cardoso), constituída em 11/2004; e  EDUARDO MAY CABRAL & CIA LTDA (sócios: Eduardo May Cabral e  Beatriz May Cabral), constituída em 05/2003. O nome fantasia dessa empresa  é, inclusive, Execução Soluções.  ­ Parentesco: Marcos May Cabral, Eduardo May Cabral e Beatriz May Cabral  são filhos do senhor Marcolino e da Senhora Leoni; e Emerson Sérgio Cardoso é o genro de  Marcolino e de Leoni.  ­ Endereço: o local da prestação de serviços das empresas é o mesmo.  ­ Empregados:  a  atividade de Call Center/Vendas  através de Telemarketing  demanda  a  utilização  de  intensa  mão­de­obra.  Contudo,  a  fiscalização  constatou  que  os  empregados estão nas empresas optantes pelo SIMPLES, e com o fim do período do SIMPLES  (Lei  9.317/96)  em  06/2007,  os  empregados  foram  transferidos,  a  partir  desta  data,  para  a  empresa  primária  (a  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES),  que  não  é  optante  pelo  SIMPLES.  As  informações foram obtidas através das GFIPs entregues pelas empresas. No quadro elaborado  às fls. 342/343 consta a relação da quantidade de empregados por mês em cada empresa.  ­  Conclui­se  que  um  dos  principais  objetivos  de  a  grande  maioria  dos  empregados  estarem  distribuídos  nas  empresas  optantes  pelo  SIMPLES  decorre  da  evidente  redução da carga tributária, principalmente em relação contribuição previdenciária patronal. As  transferências  realizadas foram através do código N2 (que é transferência de empregado para  outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de  contato de trabalho).  Ademais, importante transcrever alguns fatos narrados pela autoridade fiscal  na mesma Representação Fiscal para Exclusão do Simples:  6.5  –  AÇÃO  TRABALHISTA  –  Por  amostragem,  sito  a  RF  004263/60/2010/5/12/0036,  fl.  473, que na  sua  sentença proferida pelo  juiz Paulo  André Cardoso Botto  Jacon no  item  3  – A RESPONSABILIDADE – “Reconheço,  dessa forma, a responsabilidade solidária do primeiro réu...”. Os réus na presente  ação  MARCOS  MAY  CABRAL  &  CIA  LTDA  e  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES  CALL  CENTER LTDA.  Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 432          15 (...)  6.7 – PROCURAÇÕES – Em resumo, as empresas foram intimadas a apresentar as  procurações  que  possam  ter  dado  poderes  para  terceiros,  e  as  respostas  das  mesmas são: “DECLARA para os devidos  fins e efeitos  legais que a empresa não  deu poderes para terceiros através de procurações.”,  fls. 07, 103, 321 e 380. Mas  em  circularização  no  Tabelionato  de  Notas  e  Protestos  de  São  José  –  Tabeliã  Fernanda Isabel Wissel, através da certidão de procuração, informa que a empresa  EXECUÇÃO, através de sua sócia administradora Leoni, deu amplos poderes para  o  senhor  Emerson  Sergio  Cardoso  nos  documentos  emitidos  em  27/03/2006  e  06/09/2007, fls. 543 e 545. Este senhor é empregado da empresa EXECUÇÃO nesse  período e sócio de empresa Marcos May e May Cardoso.  6.7 – Em pesquisa no mesmo tabelionato mencionado acima, a empresa EDUARDO  MAY,  representado  pelo  sócio Marcos May,  em  26/09/2003,  faz  uma  procuração  com amplos poderes para a senhora sua mãe Leoni, esta que é sócia administradora  da empresa EXECUÇÃO, fls. 541/542. A empresa EDUARDO MAY foi constituída  em 05/2003 e em setembro do mesmo ano transfere poderes.  6.8  –  Os  pagamentos  da GPS  da  empresa MARCOS MAY  eram  executados  pela  senhora  Leoni,  como  vistos  nas  folhas  72/87,  sendo  assim,  confirmando  a  responsabilidade desta na atividade definida no PCMSO de setor financeiro, como  vimos  no  item  6.2.2  acima.  Lembrando  que  a  senhora  Leoni  é  sócia  da  empresa  EXECUÇÃO SOLUÇÕES.  6.8.1  –  Cabe  salientar,  conforme  característica  contábil,  muitos  pagamentos  das  despesas da  folha de pagamento e operacionais da empresa MARCOS MAY eram  realizados  pela  empresa  EXECUÇÃO,  pois  eram  lançadas  na  contabilidade  da  empresa MARCOS o valor do pagamento direto no passivo circulante – conta 530 ­  21101001  –  EMPRÉSTIMO  EXECUÇÃO  SOLUÇÕES  –  fls.  43.  O  mesmo  ocorrendo com as outras empresas.  (...)  6.9 – As três empresas que são optantes pelo SIMPLES não apresentaram os blocos  de notas  fiscais, os contratos de  locação e/ou  terceirização. Pela escrita contábil,  elas prestam serviço exclusivamente para a empresa EXECUÇÃO, conforme folhas  de  recibo  de  aluguel  de  equipamentos,  fls.  183/234.  Além  de  prestarem  serviço  existe uma relação de  empréstimo de recursos  financeiros através de Contrato de  Mútuo, fls. 235/300, um dos itens desses contratos é a incidência de juros, mas em  resposta,  a  empresa  declara:  “No  período  solicitado  não  houve  a  incidência  de  juros  e  correção monetária  sobre  os  contratos  de mútuos,  logo  por  conseqüência  não há registros contábeis.” Item 08 de resposta do TIF 01, fls. 58.  (...)  6.11  –  Com  os  fatos  mencionados  acima,  fica  mais  que  caracterizado  que  as  empresas  EXECUÇÃO,  MARCOS  MAY,  MAY  CARDOSO  e  EDUARDO  MAY,  participam  de  um  conglomerado  de  pessoas  jurídicas  com  o  objetivo  de  sonegar  tributos.  Desta  forma,  entendo que  houve um  claro  abuso  da personalidade  jurídica,  confusão  patrimonial,  desvio  de  finalidade  e  simulação  entre  a  RECORRENTE  e  os  Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 433          16 responsáveis solidários citados no presente processo, sendo devida a responsabilidade solidária  entre ambos, nos termos apontados pela autoridade fiscal.    Do  suposto  caráter  confiscatório  da  multa  e  os  juros  aplicados  de  forma  abusiva.  Arguições de inconstitucionalidade  Entendo que também são insubsistentes as alegações da RECORRENTE no  que diz respeito à aplicação da multa pela autoridade fiscal. O lançamento ora em análise diz  respeito  a  contribuições  previdenciárias  decorrentes  da  exclusão  da  RECORRENTE  do  SIMPLES.  Ou  seja,  a  partir  da  exclusão,  a  empresa  passou  a  se  sujeitar  às  normas  fiscais  aplicáveis as demais empresas.  Importante mencionar que, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, a fim de  aplicar  o  instituto  da  retroatividade  benigna,  a  autoridade  lançadora,  quando  do  cálculo  da  multa a ser aplicada, fez uma série de tabelas para comparar qual seria a multa mais benéfica à  RECORRENTE  (fls.  28/29),  tendo  em  vista  a  mudança  da  legislação  promovida  pela  MP  449/2008.  As  explicações  detalhadas  dos  percentuais  das  multas  estão  descritas  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  Termo  de  Sujeição  Solidária  Passiva  (às  fls.  161/162),  com  explicações acerca do comparativo das multas aplicadas. Com isso, a autoridade fiscal concluiu  que  a  multa  nova  (75%)  seria  mais  benéfica  à  RECORRENTE  em  relação  à  contribuição  patronal  e  RAT.  Já  em  relação  às  contribuições  destinadas  a  terceiros,  foi mantida  a multa  anterior (de 24%), que é mais vantajosa, para o contribuinte, do que a penalidade nova.  Assim, deve­se esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão  legal em razão do lançamento de ofício, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 44 da  Lei nº 9.430/96, assim como do antigo art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 (revogado pela MP 449):  Lei nº 9.430/96  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;”  Lei nº 8.212/91  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:  II  ­  para pagamento de créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;  Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 434          17 Neste  sentido,  o  art.  142  do CTN prevê  que  a  autoridade  lançadora  tem  o  dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a  atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que  o  auditor  realiza  de  ofício  o  lançamento  do  imposto  de  renda,  deve  ser  aplicada  a  correspondente multa sobre o crédito tributário calculado, por estrita determinação legal.  Portanto,  é  insubsistente  o  argumento  da  RECORRENTE,  de  que  a  multa  possui  caráter  confiscatório,  haja  vista  a  previsão  legal  para  a  incidência  da multa  não  pode  deixar de ser observada.  Quanto  às  alegações  de  inconstitucionalidade  levantadas  pela  RECORRENTE,  deve­se  esclarecer  que,  de  acordo  com  o  disposto  na  Súmula  nº  02  deste  órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência, a conferir:  “SÚMULA CARF Nº 02  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.”  Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que  tem  a  obrigação  de  aplica­la  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  Não  é,  portanto,  penalidade  aplicada  ao  livre  arbítrio  pelo  auditor  fiscal  a  ensejar  a  discussão  acerca  de  seu  efeito confiscatório.  A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela  guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna.  Importante  esclarecer  que  as  decisões  judiciais  apontadas  pelo  RECORRENTE  em  seu  recurso  voluntário  apenas  produzem  efeitos  entre  as  partes  dos  processos nos quais as mesmas foram proferidas, não estendendo seus efeitos ao presente caso.  As  decisões  judiciais,  a  exceção  daquelas  proferidas  pelo  STF  sobre  a  inconstitucionalidade de normas  legais, não  têm caráter de norma geral,  razão pela qual seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência  senão  àquele  objeto  da  decisão.  Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa aplicada.  A RECORRENTE alega também que houve abuso na aplicação dos juros. No  entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos  os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir:  “SÚMULA CARF Nº 4  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Portanto,  mais  uma  vez,  não  se  pode  requerer  que  a  autoridade  lançadora  afaste  a  aplicação  da  lei,  na  medida  em  que  não  há  permissão  ou  exceção  que  autorize  o  afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice Selic é dever funcional do Fisco.  Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 435          18 MÉRITO  Do  lançamento  de  contribuições  previdenciárias  como  ato  reflexo  à  exclusão  da  RECORRENTE da sistemática do SIMPLES.   Conforme  expõe  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/FNS  nº  78,  de  10  de  junho  de  2011  (fl.  357),  a  exclusão  da  RECORRENTE  da  sistemática  do  SIMPLES  gerou  efeitos  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  2006.  Neste  sentido,  a  autoridade  lançadora  instaurou  fiscalização  perante  a  RECORRENTE  justamente  no  período  inicial  abrangido  pelo  Ato  Declaratório  de  exclusão  e  o  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  (fl.  43),  qual  seja  de  01/2006 a 12/2007.  É  sabido  que  a  RECORRENTE  tinha  pleno  direito  de  recorrer  do  ato  de  exclusão do SIMPLES. Tanto é que este processo  foi baixado em diligência para aguardar  a  conclusão  da  discussão  acerca  da  Representação  Fiscal  de  Exclusão  do  Simples  nº  11516.720688/2011­15.  No  entanto,  conforme  já  exposto,  quando  do  julgamento  do  mencionado processo, a 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF entendeu pela validade do ato  de exclusão da RECORRENTE do SIMPLES. Portanto, tal questão está superada.  Saliente­se  que  a  possibilidade  de  efetuar  o  lançamento  decorrente  de  exclusão  do  SIMPLES  enquanto  se  discute  a  legalidade  do  Ato  Declaratório  de  exclusão  é  matéria sumulada por este CARF, nos termos da Súmula nº 77:  "Súmula  CARF  nº  77:  A  possibilidade  de  discussão  administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão  do  Simples  não  impede  o  lançamento  de  ofício  dos  créditos  tributários devidos em face da exclusão."  Conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  Termo  de  Sujeição  Solidária  Passiva  (às  fls.  153),  a  fiscalização  examinou  a  relação  das  GFIPs  entregues  pela  RECORRENTE.  Por  óbvio,  munida  dos  valores  de  salários  de  contribuição  dos  segurados  empregados  da  RECORRENTE,  a  autoridade  fiscal  tinha  o  poder/dever  de  efetuar  o  lançamento  caso  fosse  constatada  qualquer  irregularidade,  desde  que  respeitado  o  prazo  decadencial  de  05  (cinco)  anos,  uma  vez  que  a  atividade  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  devendo  a  autoridade  fiscal  agir  conforme  estabelece  a  lei,  sob  pena  de  responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”  Neste  sentido,  o  art.  32  da Lei Complementar nº  123/2006  (que  instituiu  o  SIMPLES)  prevê  que  as  empresas  excluídas  da  sistemática  simplificada  de  arrecadação  sujeitar­se­ão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de  tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas:   Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 436          19 Art.  32.  As  microempresas  ou  as  empresas  de  pequeno  porte  excluídas  do  Simples  Nacional  sujeitar­se­ão,  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos  da  exclusão,  às  normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.  Portanto, quando a RECORRENTE foi excluída do SIMPLES, ela passou a  ser contribuinte das contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário contribuição pagos  aos seus empregados segurados, a partir de 01/2006 (alcance do Ato Declaratório de exclusão  do SIMPLES). Ao verificar que não houve o  recolhimento das  contribuições de  custeio  (até  porque  a RECORRENTE encontrava­se  sob  a  sistemática do SIMPLES),  a  autoridade  fiscal  tinha o dever de efetuar o lançamento, como de fato o fez.  Consequentemente, foram calculadas as seguintes contribuições sobre a folha  de salários da RECORRENTE:  ­  Contribuição  da  empresa  na  alíquota  de  20%  sobre  a  remuneração  de  empregados e de contribuintes individuais, nos termos do art. 22, I, da Lei nº  8.212/91;  ­ Contribuição da empresa para o RAT, ora na alíquota de 2%, ora de 3%,  sobre o salário de contribuição, nos termos do art. 22, II, da Lei nº 8.212/91;  e  ­  Contribuição  para  outras  entidades  e  fundos  (SALÁRIO­EDUCAÇÃO,  SESC,  SEBRAE,  SENAC  e  INCRA),  na  alíquota  de  5,8%  sobre  a  remuneração de empregados.  Em  sua  defesa  (tanto  na  Impugnação  como  no  Recurso  Voluntário)  a  RECORRENTE não apresenta qualquer  argumento ou provas  no  sentido de desconstituir  ou  modificar o presente lançamento. Não confronta o valor do salário contribuição utilizado como  base  de  cálculo  para  o  presente  lançamento  nem  a  ocorrência  dos  referidos  pagamentos.  Simplesmente  limita­se  a  apresentar  argumentos  de  defesa  a  respeito  de  sua  exclusão  do  SIMPLES.  Assim,  tendo  em  vista  que  a  1ª  Seção  do  CARF,  ao  julgar  o  processo  nº  11516.720688/2011­15,  concluiu  pela  exclusão  da  RECORRENTE  da  sistemática  do  SIMPLES, entendo que o objeto do presente processo se  limita a observar a  regularidade do  lançamento e ao correto cálculo das contribuições.  Desta  forma,  não  há  qualquer  irregularidade  cometida  pela  autoridade  lançadora, visto que esta agiu corretamente ao enquadrar o lançamento nos arts. 22, I e II, da  Lei nº 8.212/91, aplicável ao caso concreto, abaixo transcritos:  "Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 437          20 quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo  de trabalho ou sentença normativa.  II ­ para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58  da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o  total das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos:  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado  leve;   b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado médio;   c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante esse risco seja considerado grave."  Argumentos de defesa atinentes à exclusão da RECORRENTE da sistemática  do  SIMPLES  são  de  competência  da  1ª  Seção  do  CARF  e  foram  devidamente  analisados  quando do julgamento do processo nº 11516.720688/2011­15, conforme dispõe o art. 2º, V, do  Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho  de 2015):  "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e  julgar recursos  de ofício e voluntário de decisão de 1ª  (primeira) instância que  versem sobre aplicação da legislação relativa a:  (...)  V  ­  exclusão,  inclusão  e  exigência  de  tributos  decorrentes  da  aplicação  da  legislação  referente  ao  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples)  e  ao  tratamento  diferenciado e  favorecido a  ser dispensado às microempresas e  empresas  de  pequeno  porte  no  âmbito  dos  Poderes  da  União,  dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração  e  recolhimento  dos  impostos  e  contribuições  da  União,  dos  Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime  único de arrecadação (Simples­ Nacional);"  Portanto, não cabe aqui, no presente processo, rediscutir tais argumentos.   Inclusive,  quando  da  apuração  do  crédito  devido,  a  autoridade  lançadora,  corretamente,  realizou  a  compensação  de  valores  de  contribuições  já  recolhidas  sob  a  sistemática  do  SIMPLES,  conforme  item  5.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  Termo  de  Sujeição Solidária Passiva (às fls. 158) e planilha de fl. 27, considerando o rateio dos tributos  englobados pelo SIMPLES, nos termos do art. 13, VI, da Lei Complementar nº 123/2006:  Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 438          21 Art.  13.  O  Simples  Nacional  implica  o  recolhimento  mensal,  mediante  documento  único  de  arrecadação,  dos  seguintes  impostos e contribuições:  (...)  VI  ­  Contribuição  Patronal  Previdenciária  ­  CPP  para  a  Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art.  22 da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991,  exceto no caso da  microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às  atividades de prestação de  serviços  referidas no § 5º­C do art.  18 desta Lei Complementar;  Assim,  corretamente,  deduziu  do  crédito  objeto  do  presente  processo  o  montante  de  contribuição  patronal  já  recolhido  pela  RECORRENTE  na  sistemática  do  SIMPLES. Neste sentido, é o teor da Súmula nº 76 do CARF:  Súmula  CARF  nº  76:  Na  determinação  dos  valores  a  serem  lançados  de  ofício  para  cada  tributo,  após  a  exclusão  do  Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma  natureza  efetuados  nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante  pago  de  forma  unificada.  No entanto, no decorrer do processo, a RECORRENTE apontou a existência  de parcelamento de débitos que não poderiam ser cobrados neste processo. Quando foi baixado  em diligência, a autoridade fiscal responsável acostou aos autos extrato contento informações  acerca  do  parcelamento  realizado  pela  RECORRENTE  junto  à  RFB,  nos  termos  da  Lei  nº  11.941/2009 (fls. 367/368) e, na mesma oportunidade, informou que “o contribuinte aderiu ao  parcelamento e consolidou os débitos do Simples Federal que ali estão indicados” (fl. 369).  Sendo assim, o parcelamento apontado pela RECORRENTE não engloba os  débitos objeto do presente processo, mas sim antigos débitos de SIMPLES da RECORRENTE  principal (MARCOS MAY CABRAL & CIA LTDA – EPP), do período de 04/2006 a 09/2006,  12/2006 e 01/2007, que coincide com o período investigado no presente processo.  Portanto, as contribuições ora lançadas também devem ser compensadas com  os  valores  recolhidos  pela  RECORRENTE  quando  do  parcelamento  acima  mencionado,  considerando o  rateio previsto no art. 23 da Lei nº 9.317/96, exatamente  conforme  realizado  pela autoridade lançadora   Assim, entendo que deve ser mantido em parte o presente  lançamento, pois  encontra­se de acordo com a legislação de regência bem como foi respeitado o devido processo  legal,  devendo­se  deduzir  do  crédito  lançado  eventuais  recolhimentos  da  mesma  natureza  efetuados pela RECORRENTE quando do parcelamento (nos termos da Lei nº 11.941/2009) de  débitos do SIMPLES.  CONCLUSÃO  Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso  voluntário,  apenas  para  que  seja  deduzido  do  crédito  lançado  eventuais  recolhimentos  da  mesma natureza efetuados pela RECORRENTE quando do parcelamento (nos termos da Lei nº  Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11516.720687/2011­71  Acórdão n.º 2201­003.496  S2­C2T1  Fl. 439          22 11.941/2009)  de  débitos  do  SIMPLES  indicado  às  fls.  367/369,  não  aproveitados  pela  autoridade fiscal às fls. 27, considerando o rateio previsto no art. 23 da Lei nº 9.317/96.    Assinado digitalmente  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim ­ Relator                                  Fl. 439DF CARF MF

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6750635 #
Numero do processo: 10166.722542/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, verificou-se que há demonstração pela autuada de recolhimento [fl. 120], logo, devendo ser aplicada à regra disposta no art. 150, §4º, CTN. O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PAGAMENTO A CORRETORES POR PESSOAS FÍSICAS. DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis. Assim, não ocorrendo os sobreditos pagamentos pela Recorrente nem diretamente e tampouco indiretamente, não se caracterizaram os fatos geradores descritos por aferição indireta no lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais valores em GFIP. DÚVIDAS SOBRE AS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.
Numero da decisão: 2301-004.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nas obrigações tributárias e acessórias, na questão de mérito, referente à remuneração de corretores autônomos, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. Declaração de voto: Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. (assinado digitalmente) CLEBERSON ALEX FRIESS - Declaração de voto EDITADO EM: 16/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 1.207          1 1.206  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.722542/2013­21  Recurso nº  99.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­004.326  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de fevereiro de 2015  Matéria  Corretagem  Recorrente  JOSÉ CELSO GONTIJO ENGENHARIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  DECADÊNCIA.  PRAZO  DE  CINCO  ANOS.  DISCUSSÃO  DO  DIES  A  QUO  NO  CASO  CONCRETO.  APLICAÇÃO  DO  ENUNCIADO  DA  SÚMULA CARF N. 99.  De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  O  prazo  decadencial,  portanto,  é  de  cinco  anos.  O  dies  a  quo  do  referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN  (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º  do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação  nos  quais  haja  pagamento  antecipado  em  relação  aos  fatos  geradores  considerados  no  lançamento.  Constatando­se  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  regra  decadencial  é  reenviada  para  o  art.  173,  inciso  I  do  CTN.  No  caso,  verificou­se  que  há  demonstração  pela  autuada  de  recolhimento  [fl.  120],  logo, devendo ser aplicada à regra disposta no art. 150, §4º, CTN.  O enunciado Súmula CARF nº 99 prevê que: Para fins de aplicação da regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que  parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência  do  fato  gerador  a  que  se  referir  a  autuação,  mesmo  que  não  tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente exigida no auto de infração.  PAGAMENTO  A  CORRETORES  POR  PESSOAS  FÍSICAS.  DESNECESSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP.  O lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade autuante  de que a Recorrente pagara indiretamente valores aos corretores de imóveis.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 42 /2 01 3- 21 Fl. 1208DF CARF MF     2 Assim,  não  ocorrendo  os  sobreditos  pagamentos  pela  Recorrente  nem  diretamente  e  tampouco  indiretamente,  não  se  caracterizaram  os  fatos  geradores  descritos  por  aferição  indireta  no  lançamento  em  comento,  não  ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de informar tais  valores em GFIP.  DÚVIDAS  SOBRE  AS  CIRCUNSTÂNCIAS  MATERIAIS  DO  FATO.  INTERPRETAÇÃO  MAIS  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE.  Em  conformidade com o art. 112 do CTN, a lei tributária que define infrações, ou  lhe comina penalidades, interpreta­se da maneira mais favorável ao acusado,  em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato,  ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento ao recurso, nas obrigações tributárias e acessórias, na questão de mérito, referente à  remuneração  de  corretores  autônomos,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra  e  Cleberson Alex  Friess,  que  votaram  em  negar  provimento ao recurso nesta questão. Declaração de voto: Cleberson Alex Friess.  (assinado digitalmente)  MARCELO OLIVEIRA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR ­ Relator.  (assinado digitalmente)  CLEBERSON ALEX FRIESS ­ Declaração de voto    EDITADO EM: 16/04/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  DANIEL  MELO  MENDES  BEZERRA,  CLEBERSON  ALEX  FRIESS,  NATANAEL  VIEIRA  DOS  SANTOS, MANOEL  COELHO  ARRUDA  JUNIOR,  WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA.    Relatório  Peço  licença  para  adotar  o  relatório  constante  do  Acórdão  n..  03­52.661’­ 00.173 [fls. 1.100 e ss]:  Trata­se  de  crédito  tributário,  constituído  em  desfavor  da  empresa  JOSÉ  CELSO  GONTIJO  ENGENHARIA  S/A,  por  intermédio  dos  seguintes  autos  de  infração  de  obrigação  Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.208          3 principal:  –  AIOP  DEBCAD  37.315.769­0,  no  valor  de  R$  394.977,88  (trezentos  e  noventa  e  quatro  mil,  novecentos  e  setenta  e  sete  reais  e  oitenta  e  oito  centavos)  e  o  AIOP  DEBCAD 37.315.770­3, no valor de R$ 217.237,87 (duzentos e  dezessete  mil,  duzentos  e  trinta  e  sete  reais  e  oitenta  e  sete  centavos),  relativos  às  contribuições  previdenciárias  devidas  pela  empresa,  parte  patronal  e  parte  dos  segurados,  respectivamente,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  Corretores Imobiliários, consolidados em 24/04/2013.  Faz parte, também, do presente processo o Auto de Infração de  obrigação  acessória  ­  AIOA  DEBCAD  n.  37.315.768­1  (CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL ­ 68),no valor de  R$  51.521,40  (cinqüenta  e  hum  mil,  quinhentos  e  vinte  e  hum  reais  e  quarenta  centavos),  por  deixar  de  declarar  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  em  GFIP,  nas  competências  01/2008  a  11/2008,  conforme  demonstrado  no  Relatório Fiscal às fls. 56.  DOS  AUTOS  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  (AIOP)  DEBCAD  ­  AIOP  DEBCAD  37.315.769­0  e  DEBCAD  37.315.770­3.  Integra  o  crédito  previdenciário  constituído,  as  contribuições  devidas  pela  Empresa  (parcela  patronal),  as  contribuições  devidas  pelos  segurados  contribuintes  individuais  (parcela  dos  segurados  ­  não  descontadas  pela  Empresa  das  respectivas  remunerações pagas, devidas ou creditadas) e as multas e juros  devidos.  Tais  contribuições  previdenciárias  não  foram  recolhidas  à  Seguridade  Social  por  meio  de  GPS  (Guia  da  Previdência  Social),  não  transitaram  pela  folha  de  pagamento  da  Empresa,  não  foram  declaradas  nas  GFIP  do  período  correspondente,  nem  contabilizadas  em  conta  específica  de  despesa, à época dos fatos, conforme determina a legislação em  vigor.  Da  análise  da  documentação  apresentada  pela  empresa,  assim  como dos esclarecimentos prestados, a auditoria fiscal constatou  que a JCGontijo não declarou nas GFIP do período fiscalizado  os  pagamentos  efetuados  a  corretores  de  imóveis  que  lhe  prestaram serviços,  como  também não  reteve  as  contribuições  de  responsabilidade  desses  segurados  (contribuintes  individuais),  conforme determina o art.  4º  da Lei nº 10.666, de  08/05/2003,  nem  recolheu  as  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade Social.  Considerando  a  insuficiência  da  documentação  apresentada  e  dos  esclarecimentos  prestados  pelo  contribuinte,  conforme  consta  do  Relatório  Fiscal,  foi  necessária  à  realização  de  diligências junto a adquirentes de imóveis comercializados pela  Empresa,  selecionados  por  amostragem,  com  o  objetivo  de  levantar  informações  complementares  de  interesse  do  fisco,  os  quais estão identificados no quadro abaixo:  [...] As diligências fiscais realizadas foram motivadas com base  nas  respostas  apresentadas  pela Empresa. Nos  itens  9  e  10  do  Fl. 1210DF CARF MF     4 TIPF, a auditoria fiscal requereu, respectivamente, os contratos  de  prestação  de  serviços  firmados  com  pessoas  jurídicas  para  planejamento  e  venda  de  imóveis  que  houver  construído  e/ou  incorporado no período fiscalizado, e os contratos firmados com  corretores  de  imóveis,  pessoas  físicas,  para  a  intermediação  e  venda  das  unidades  comercializadas  diretamente  pela  JCGontijo. Nesse sentido, a Empresa respondeu que o requerido  “ficou  prejudicado  pela  inexistência  de  contratos  com  pessoas  jurídicas  e  corretores,  sendo  estes  últimos  autônomos, sem qualquer vínculo” com a Empresa.  Nesse  sentido,  segundo  as  diligências  realizadas,  a  auditoria  fiscal  apurou  que  a  situação  de  fato  não  corresponde  com  as  alegações  da  Empresa,  pois  diante  da  documentação  apresentada  e  da  análise  das  informações  prestadas,  os  adquirentes  afirmaram  que  o  imóvel  foi  adquirido  com  a  intermediação  da  empresa  JCGONTIJO;  o  corretor,  que  intermediou  a  venda,  apresentou­se  como  representante  da  JCGONTIJO;  e  o  contato  preliminar  ocorreu  no  escritório  da  Empresa  (EQS  114/115,  Asa  Sul)  ou  no  stand  de  vendas  instalado no local do empreendimento.  Com relação aos contratos firmados com pessoas jurídicas para  prestação  de  serviços  de  intermediação  imobiliária,  não  apresentados  pela  Empresa  sob  a  alegação  de  inexistência  de  tais  contratos,  essa  afirmação  também  não  corresponde  com  a  realidade dos fatos, pois a própria Empresa, posteriormente, em  atendimento  ao  TIF  001,  de  18/07/2012,  argumentou  que  a  JCGONTIJO “é incorporadora e não tem equipe de vendas, as  vendas  ocorreram  por  empresas  de  intermediação  imobiliária”,  apresentando  contratos  firmados  com  ABA  Empreendimentos  e  Assessoria  Empresarial  Ltda  (CNPJ  04.284.498/0001­12),  Paulo  Baeta  Empreendimentos  Imobiliários  Ltda  (CNPJ  00.630.095/0001­27)  e  LPS  Brasília  Empreendimentos Imobiliários Ltda (09.264.879/0001­53)  Os  documentos  obtidos  por  meio  das  citadas  diligências,  as  informações e os esclarecimentos prestados pelos diligenciados  encontram­se no Anexo 12 do Relatório Fiscal.  A  auditoria  fiscal  firmou convicção  sobre  a  admissibilidade  do  lançamento do crédito previdenciário referente ao  fato gerador  “pagamento  de  remuneração,  a  título  de  comissão  de  venda,  efetuado  a  corretores  de  imóveis  autônomos,  pelos  serviços  de  intermediação  imobiliária  prestados  à  Empresa”  com  base  na  documentação  apresentada  e  nas  informações  prestadas  pelo  contribuinte,  como  também  nos  documentos  e  esclarecimentos  trazidos  pelos  adquirentes  de  imóveis  devidamente  intimados  pela auditoria fiscal.  De acordo com o Relatório Fiscal, o contribuinte foi intimado e  reintimado a  apresentar  as  as “propostas  de  compra  e  venda”  de  unidades  comercializadas  no  período  fiscalizado,  selecionadas  por  amostragem  entre  os  empreendimentos  informados pela Empresa.  No entanto, a Empresa não apresentou tais documentos.  Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.209          5 Portanto,  diante  do  comportamento  do  contribuinte  de  não  colaborar  com  a  fiscalização  no  sentido  de  lhe  proporcionar  condições para apurar a verdade dos fatos, a auditoria fiscal se  viu  obrigada  a  diligenciar  junto  aos  adquirentes  de  imóveis  abrangidos no escopo da fiscalização, e pleitear os documentos  que a Empresa se negou a apresentar ao fisco.  Os  documentos  apresentados  pelo  senhor  George  Furtado  Guimarães, CPF 757.147.286­53,  que  adquiriu  em 04/05/2009,  da  JCGontijo,  duas  unidades  do  empreendimento  Living  Superquadra  Park  Sul  (216­C  e  710­C),  situado  no  SMAS,  Trecho  01,  Lote  C,  Brasília,  Distrito  Federal.  Entre  os  documentos  apresentados,  encontram­se  as  respectivas  Propostas de Compra e Venda e Recibo de Sinal. Observe que as  propostas são de emissão da própria JCGontijo, cujo formulário  contém a sua logomarca.  Além desse caso, outros três foram anexados ao Relatório, todos  obtidos  em  diligência  realizada  junto  aos  adquirentes  de  imóveis:  Henrique  César  Ferreira  de  Andrade,  CPF  198.796.364­49;  Silvia  Maria  Pinto  Gonçalves,  CPF  317.606.601­59;  e  Sérgio  Flores  de  Albuquerque,  CPF  186.513.641­7.  Diante desses documentos, não há como sustentar os argumentos  da  Empresa  de  que  “é  incorporadora  e  não  tem  equipe  de  vendas,  as  vendas  ocorreram  por  empresa  de  intermediação  imobiliária...”.  No  mesmo  documento,  afirma  que:  “...os  corretores que porventura tenham atuado nessas intermediações  são AUTÔNOMOS, sem qualquer relação direta com a empresa,  como  exige  a  Lei  8.212,  de  1991,  para  a  incidência  de  contribuição  social  sobre  seus  serviços,  que  são  realizados  em  uma relação privada e própria entre o cliente e corretor”. Por  último,  em  resposta  ao  TIF  007/2013:  “...  os  corretores  são  autônomos,  excluindo  vínculo  com a  empresa.  Por  isso,  toda  e  qualquer informação quanto aos mesmos fica prejudicada.”.  Ainda,  segundo  os  registros  contábeis  e  informações  prestadas  pela  Empresa,  a  auditoria  apurou  que  no  período  de  2008  e  2009, a JCGontijo prestou serviços de intermediação imobiliária  na venda de imóveis de responsabilidade de outras empresas do  setor imobiliário, registrando na conta contábil 411101020004 – RECEITA  DE  COMISSÕES  –  o  total  de  R$  17.968.491,68  (dezessete  milhões,  novecentos  e  sessenta  e  oito  mil,  quatrocentos e noventa e um reais e sessenta e oito centavos).  Entre as empresas para as quais a JCGontijo prestou serviços de  intermediação  imobiliária  destacam­se:  Construtora  Villela  Carvalho  Ltda,  CNPJ  00.043.471/0001­87;  MBR  Engenharia  Ltda,  CNPJ  00.474.205/0001­09;  Alfa  Empreendimentos  Imobiliários  S/A,  CNPJ  09.502.948/0001­10;  e  a  própria  José  Celso  Gontijo  Engenharia  S/A,  CNPJ  06.056.990/0001­66,  referente  a  empreendimentos  de  responsabilidade  de  SCPs  (Sociedade  em  Conta  de  Participação)  das  quais  a  JCGontijo  participa como sócia ostensiva.  Fl. 1212DF CARF MF     6 Esses  lançamentos  contábeis  estão  acobertados  por  nota  fiscal  de serviços, de emissão da JCGontijo, a qual registra no campo  destinado a descrição do serviço:  “Comissão  sobre  comercialização  de  unidades  vendidas  no  período  de  ...”  .  Todas  as  notas  fiscais  apresentadas  à  fiscalização  foram  digitalizadas  e  integram  o  Anexo  13  do  Relatório Fiscal.  De  acordo  com  o Relatório Fiscal,  em  contatos  presenciais  da  fiscalização  junto  ao  estabelecimento  sede  da  JCGontijo,  a  auditoria  fiscal  constatou  que  a  Empresa  mantém  um  departamento  de  vendas  com  corretores  para  atendimento  do  público  interessado  na  aquisição  de  imóveis,  além  de  plantões  em  stands  de  vendas  construídos  nos  locais  dos  empreendimentos, inclusive com unidade de venda móvel.  Por todo o exposto e dos documentos que integram os Autos de  Infração  lavrados,  a  fiscalização  concluiu  que  a  Empresa  se  comportou  perante  o  fisco  sem  compromisso  com  a  verdade,  destacando­se  no  contexto  da  fiscalização  duas  questões  de  relevância tributária. A primeira diz respeito à afirmação de que  os  corretores  que  atuaram  nessas  intermediações  são  autônomos,  sem  qualquer  relação  direta  ou  vínculo  com  a  Empresa.  E  a  segunda  questão,  refere­se  ao  pagamento  da  comissão  do  corretor,  cuja comissão a JCGontijo afirma que os valores  são  transacionados diretamente entre cliente e corretor.  Diante  de  todos  esses  fatos,  respaldados  em  documentos  de  prova que integram os Autos de Infração lavrados, a fiscalização  concluiu ser inegável o vínculo de prestação de serviço existente  entre os corretores de imóveis e a JCGontijo.  Diante  do  posicionamento  da  Empresa,  e  considerando  a  realidade  apurada  pela  auditoria  fiscal,  conforme  consta  no  Relatório  Fiscal,  ficou  comprovada  a  relação  de  prestação  de  serviços  entre  os  corretores  autônomos  e  a  JCGONTIJO,  não  obstante  a  Empresa  em  questão  negar  reiteradamente  a  existência  de  qualquer  vínculo  com  esses  profissionais  de  vendas;  considerando  também  a  sua  recusa  em  prestar  informações  sobre  os  valores  da  comissão  de  venda pagos  aos  corretores  autônomos  que  lhes  prestaram  serviços  durante  o  período fiscalizado, não restou à auditoria fiscal, para apuração  do crédito previdenciário que reputou devido, outra alternativa  senão a do arbitramento do valor da base de cálculo do tributo,  com  fundamento  jurídico  nos  §§  3º  e  6º  do  Art.  33  da  nº  Lei  8.212, de 24/07/1991.  Para  o  arbitramento  do  valor  da  base  de  cálculo,  a  auditoria  fiscal  utilizou  os  critérios  definidos  na  Tabela  de  Honorários  divulgada  pelo  Conselho  Regional  de  Corretores  de  Imóveis  –  CRECI  8ª  Região  –  Distrito  Federal  –  disponível  em  www.crecidf.org.br., guia “Para o Cidadão”. Referida tabela foi  aprovada em Assembléia Geral Extraordinária do COFECI, em  22/11/196,  e  homologada  pelo  CRECI  8ª  Região/DF  na  XIX  Sessão Plenária, realizada em 23/11/1996.  Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.210          7 [...] Os  valores  recebidos  pela  JCGONTIJO  pela  prestação  de  serviços  de  intermediação  imobiliária,  respaldados  por  notas  fiscais  por  esta  emitidas,  estão  lançados  na  contabilidade  da  Empresa,  conta  de  resultado  “RECEITA  DE  COMISSÕES”,  código  411101020004.  Estes  valores  foram  considerados  como  base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas.  Ainda, por infringir o disposto no art 149, incisos V e VII, e no  art  150,  §4°  do  CTN,  ao  deixar  de  apurar  e  recolher  antecipadamente  as  contribuições  previdenciárias  devidas  (parcela  da  empresa  e  parcela  do  segurado  contribuinte  individual) e de praticar atos lesivos à fazenda pública descritos  no Relatório Fiscal, a auditoria fiscal, mediante o lançamento de  ofício,  constituiu  os  créditos  objeto  dos  autos  de  infração  supracitados referentes às competências do ano de 2008.  É  importante  observar  que  por  ter  a  Empresa  incorrido  na  ressalva contida no § 4º do art. 150 do CTN, que trata da regra  especial  da  decadência  para  os  tributos  lançados  por  homologação, ensejou o direito da Fazenda Pública considerar  o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido efetuado, de acordo com o previsto no art 173, inciso I do  CTN (regra geral do prazo decadencial).  Para  o  lançamento  de  ofício  dos  créditos  previdenciários,  a  auditoria fiscal organizou os dados nos seguintes levantamentos  (Lev),  de  acordo  com  as  remunerações  apuradas  e  o  tipo  de  multa aplicada  (de mora = 24%  , de ofício básica = 75% e de  ofício qualificada = 150%):  a) Lev CV: refere­se à comissão de vendas paga a corretores de  imóveis autônomos pelos  serviços de  intermediação  imobiliária  prestados  a  Empresa.  Este  levantamento  registra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  apuradas  nas  competências 04/2008, 08/2008 e 09/2008,  cuja multa aplicada  menos  severa  ao  contribuinte  foi  à  prevista  na  legislação  anterior (até a competência 11/2008), ou seja, CFL 68 + multa  24%;  b) Lev CV1: refere­se ao pagamento da comissão de que trata o  item  “a”  nas  competências  02/2008,  10/2008  e  11/2008,  cuja  multa  aplicada menos  severa  ao  contribuinte  foi  à  prevista  na  legislação atual (multa de ofício de 75%);  c) Lev CV2: refere­se ao pagamento da comissão de que trata o  item  “a”  na  competência  12/2008,  cuja  multa  aplicada  foi  à  prevista na legislação atual, a qual foi qualificada (150%) tendo  em  vista  a  prática  de  atos  lesivos  contra  a  Fazenda  Pública  Federal.  No  cálculo  da  contribuição  do  segurado  não  foi  observado  o  limite máximo do salário de contribuição,  tendo em vista que a  Empresa  não  identificou  os  segurados  beneficiários  dos  pagamentos efetuados.  Fl. 1214DF CARF MF     8 DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA   Foi  constatado  no  decorrer  do  procedimento  fiscal  que  o  contribuinte  em  questão  não  incluiu  nas  Guias  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e  Informações  a  Previdência  Social  (GFIP),  nas  competências  de  janeiro/2008  a  dezembro/2009,  todos  os  dados  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  quais  sejam,  as  remunerações, a título de comissão pela venda dos imóveis  comercializados pela JCGONTIJO, efetivada por corretores  de imóveis autônomos, sob a coordenação e supervisão da  Empresa.      IMPUGNAÇÃO  DO  AIOP  DEBCAD  nº  37.315.769­0  (PATRONAL)  A autuada apresentou  impugnação  tempestiva em 23/05/13  (fls.  1045/1074), com as seguintes alegações, em síntese:  Prejudicial de Mérito – Da  leitura dos arts. 108, 109 e 110 do  CTN,  é  incontestável  que  a  interpretação  e  a  integração  da  legislação  tributária não prescinde de outros  ramos do direito;  que  a  analogia  não  pode  resultar  na  exigência  de  tributo  não  previsto e que o legislador tributário não pode alterar institutos  de  direito  privado  previstos  na  Constituição  para  definir  ou  delimitar competências tributárias.  Discorre  a  respeito  da  distinção  entre Prestação  de Serviços  e  Corretagem  citando  o  Código  Civil,  doutrina,  concluindo  que  corretor não presta serviço, faz mediação.  Discorre  a  respeito  das obrigações  do  corretor  e afirma  que  o  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  é  a  remuneração  pela prestação de serviço e não a remuneração pela mediação.  Afirma  que  foi  calunioso  acusar  a  incorporadora  de  crime  de  sonegação fiscal em decorrência de fatos que sequer configuram  hipótese de incidência de tributo.  Considera  despisciendo  qualquer  argumento  em  relação  a  aferição  indireta  por  falta  de  entrega  de  documentos,  que  não  existem, ou aplicação de multa de ofício,  qualificada em 150%  uma vez não estar diante da hipótese de incidência de tributo.  Decadência ­ Os créditos levantados pela fiscalização se referem  ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2008, tendo sido a  empresa cientificada em 23 de abril de 2013, estando portanto o  período anterior a abril de 2008 atingido pelo prazo quinqüenal,  conforme posição da Súmula Vinculante nº 8 do STF.  Nulidade formal do Auto de Infração – Alega que a autuação é  nula,  pois  sendo  uma  obrigação  principal  deveria  a  suposta  dívida  ser  inscrita  como  como  "Notificação  Fiscal  de  Lançamento  de  Débito",  citando  o  inciso  I  do  art.  25  da  Lei  Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.211          9 11.457/2007, o art. 10 do Decreto 70.235/72, o parágrafo 7º do  art. 33 e o art. 37 da Lei 8.212/91.  Da indevida utilização da base de cálculo – A impugnante alega  que  a  fiscalização  cometeu  um  equívoco  na  utilização  da  aferição  indireta,  pois  insistiu  em  exigir  documentos  e  montar  uma situação fática INEXISTENTE, na busca incessante de criar  um vínculo direto entre a empresa e os corretores. Alega também  que as notas fiscais lançadas na conta Receita de Comissões são  derivadas  de  empresas  contratadas  pela  impugnante  para  a  intermediação  das  vendas.  Não  dizem  respeito  ao  pagamento  efetuado  a  corretores,  até  porque  o  pagamento  das  comissões  dos  corretores  foi  feito  diretamente  pelos  adquirentes  dos  imóveis.  Da Multa de Ofício – A empresa alega que multa de ofício NÃO  é  a  mesma  coisa  que  multa  de  mora  e  que  se  é  a  partir  da  Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941,  de  2009  que  se  passou  a  ter  multa  de  ofício  às  contribuições  previdenciárias, O CERTO É APLICAR SOMENTE EM CASOS  QUE  A  FISCALIZAÇÃO  ESTEJA  TRATANDO  DE  FATOS  GERADORES A PARTIR DE 2008, ou seja, se aqui  temos uma  Fiscalização  desde  janeiro  de  2008,  a  lei  mais  benéfica  ao  contribuinte  é  justamente  A  INEXISTÊNCIA  DE  MULTA  DE  OFÍCIO.  Requer, por fim, que:  ­  seja  julgado  improcedente  o  lançamento  fiscal,  por  não  se  tratar de hipótese de incidência de contribuição previdenciária,  posto  que  o  contrato  de  corretagem  não  está  englobado  no  conceito de prestação de serviço, ou porque o fato gerador é a  remuneração  por  serviços  prestados  e  no  caso  não  houve  remuneração derivada de contrato de corretagem, remuneração  esta paga por terceiro.  ­ se confirmado que a hipótese não é de incidência do tributo ou  que  o  fato  gerador  não  está  configurado,  que  seja  anulada  a  aferição  indireta  e  a  aplicação  de  multa  de  ofício,  por  serem  questões  secundárias  ao  mérito  e  que  a  aferição  indireta  seja  considerada  nula  por  excesso,  assim  como  a  multa  de  ofício  aplicada sem fundamentação.  DA IMPUGNAÇÃO DO DEBCAD 37.315.770­3(Segurados)  A  empresa  repete  os  mesmos  argumentos  e  requerimentos  utilizados na impugnação do DEBCAD 37.315.769­0 (Patronal)  DA IMPUGNAÇÃO DO DEBCAD 37.315.768­1 (CFL 68)  Em  síntese,  a  empresa  apresenta  os  mesmos  argumentos  e  requerimentos  utilizados  nas  impugnações  dos  DEBCADs  37.315.769­0  (Patronal)  e  37.315.770­3  (segurados),  acrescentando os seguintes argumentos com relação a obrigação  acessória:  Fl. 1216DF CARF MF     10 ­  Com  relação  aos  pagamentos  de  prestação  de  serviços  de  contribuinte  individual,  a  impugnante  não  teve  a  intenção  de  sonegar, apenas entendeu que não houve prestação de serviços.  Não há nota  fiscal ou recibo que diga respeito a pagamento de  comissão de corretor feito diretamente pela impugnante.  ­  A  fiscalização  não  efetuou  a  comparação  para  aplicação  da  multa  mais  benéfica,  em  observância  aos  arts.  105  e  106  do  CTN,  devendo  ser  cancelada  a  autuação,  a  fim  de  que  seja  refeito  o  cálculo  da  multa  com  a  comparação  entre  ambas  as  legislações, para aplicação da mais benéfica à impugnante, sob  pena de infrigência aos arts. 115 e 116 do CTN.  Requer que, em se configurando a hipótese de não incidência do  tributo  ou  a  não  configuração  do  fato  gerador,  que  seja  a  aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória  julgada improcedente, posto que é questão secundária ao mérito.  Em  entendendo  que  está  configurada  a  obrigação  tributária,  requer  que  seja  considerada nula  a multa  por  descumprimento  da  obrigação  acessória,  uma  vez  que  não  foi  aplicada  a  legislação mais benéfica.    Em  18  de  junho  de  2013,  a  5ª  Turma  da  DRJ/BSB  julgou  procedente  a  autuação realizada, conforme se observa do ementa do Acórdão prolatado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD  nº 37.315.769­0 (PATRONAL)  37.315.770­3 (SEGURADOS)  AIOA DEBCAD n. 37.315.768­1 (CFL 68)  CONTRIBUIÇÃO  PATRONAL  SOBRE  A  FOLHA  DE  PAGAMENTO  DOS  SEGURADOS  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  São devidas pela empresa e equiparadas as contribuições sociais  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados  contribuintes individuais que lhes prestem serviços.  DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO O desconto  de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre  se  presume  feito  oportuna  e  regularmente  pela  empresa  a  isso  obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pelo  que  deixou  de receber ou arrecadou em desacordo com a lei, nos termos do  parágrafo 5º do art.  33 da Lei 8.212/91.  AFERIÇÃO  INDIRETA  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer documento ou informação solicitada, a Receita Federal  do  Brasil  pode  inscrever  de  ofício  importância  que  reputar  devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.212          11 PRAZO  DECADENCIAL.  INÍCIO  DA  CONTAGEM.  DOLO,  FRAUDE OU SIMULAÇÃO.  Para  fixação  do  prazo  decadencial,  ocorrendo  as  hipóteses  de  dolo, fraude ou simulação deve­se aplicar o disposto no inciso I,  do art. 173 do CTN.  FORMALIDADE  PROCEDIMENTAL.  NFLD.  DECRETO  N.º  70.235/72.  ADEQUAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO.  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUTO DE  INFRAÇÃO. NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  Não enseja nulidade a formalização do documento denominado  Auto  de  Infração,  tanto  para  constituição  do  crédito  relativo  a  obrigações principais como acessórias, ao  invés de Notificação  Fiscal de Lançamento de Débito  (NFLD), diante da adequação  da  legislação  tributária  previdenciária  ao  rito  do  Decreto  n.º  70.235/72.  Modificação  procedimental  incapaz  de  ensejar  prejuízo processual.  OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.  Determina a  lavratura  de auto  de  infração, a  omissão  de  fatos  geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa  em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, e § 5º, da Lei n.º 8.212/91.  MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Tratando­se  de  notificação  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal  não  definitivamente  julgada,  aplica­se  a  lei  superveniente,  na  ocorrência  do  pagamento,  quando  cominar  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  naquela vigente ao tempo de sua lavratura.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Na última  sessão  de  julgamento  realizada  em novembro  do  corrente  ano,  a  Recorrente apresentou memoriais que, em síntese, reitera os argumentos já apresentados.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior ­ Relator  Sendo  tempestivo  o  Recurso  Voluntário,  passo  ao  exame  das  questões  preliminares e, posteriormente, ao mérito.  Fl. 1218DF CARF MF     12 I  DECADÊNCIA  Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo  Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°  8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. ‘In verbis’:  Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar  Mendes, Relator:  Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº  8.212/91  e  o  parágrafo  único  do  art.5º  do  Decretolei  n°  1.569/77,  que  versando  sobre  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional de lei complementar.  Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantémse  hígida  a  legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e  decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de  suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo  das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que,  como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social  sujeitamse,  entre  outros,  aos  artigos  150,  §  4º,  173  e  174  do  CTN.  Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade dos arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação  do  art.  146,  III,  b,  da  Constituição,  e  do  parágrafo  único  do  art.  5º  do Decretolei  n°  1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com  a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  “São  inconstitucionais  os  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.  Os  efeitos  da  Súmula  Vinculante  são  previstos  no  artigo  103A  da  Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:  Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por  provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros,  após  reiteradas  decisões  sobre matéria  constitucional,  aprovar  súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).  Lei n° 11.417, de 19/12/2006:  Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei  no  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  disciplinando  a  edição,  a  Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.213          13 revisão  e  o  cancelamento  de  enunciado  de  súmula  vinculante  pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências.  ...  Art.  2o O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua  publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação  aos  demais  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas  federal,  estadual  e  municipal, bem como proceder à  sua  revisão ou cancelamento,  na forma prevista nesta Lei.  §  1o  O  enunciado  da  súmula  terá  por  objeto  a  validade,  a  interpretação e a  eficácia de normas  determinadas, acerca das  quais  haja,  entre  órgãos  judiciários  ou  entre  esses  e  a  administração  pública,  controvérsia  atual  que  acarrete  grave  insegurança  jurídica  e  relevante  multiplicação  de  processos  sobre idêntica questão.  Assim,  a  partir  da  publicação,  que  se  deu  em  20/06/2008,  todos  os  órgãos  judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante.  Afastado  por  inconstitucionalidade  o  artigo  45  da  Lei  n°  8.212/91,  resta  verificar qual  regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se  aplica ao  caso concreto.  Ocorre  que  este  Código  prevê  a  aplicação  de  duas  regras,  aparentemente  conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a  segunda  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  operase  pelo  ato  em  que  a  referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...).  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado;  II  da  data  em  que  se  Fl. 1220DF CARF MF     14 tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal,  o lançamento anteriormente efetuado.  Harmonizando  as  normas  acima  transcritas,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitar­se a lançamento por  homologação:  1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido  dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito.  Cumpre  transcrever  o  acórdão  prolatado  em  sede  de  Recurso  Especial  representativo da controvérsia:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontrase  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo  certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.214          15 inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário",  3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).  No  voto  lavrado  no  referido REsp  973.733/SC,  foi  transcrito  entendimento  firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que  limitam  a  aplicação  do  art.  150,  §4º  do  CTN  às  hipóteses  que  tratam  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente  devido,  sem  que  o  contribuinte  tenha  incorrido  em  fraude,  dolo  ou  simulação,  nem  sido  notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias”  . No caso, o  lançamento decorre  de diferença dos recolhimentos das contribuições previdenciárias.  Tratando­se  de  diferença  de  recolhimento  das  contribuições,  ainda  que  parcialmente, aplicar­se­á a regra contida na Súmula CARF nº 99, in verbis:  Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  devido  pelo  contribuinte  na  competência  do  fato  gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido  incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa  a rubrica especificamente exigida no auto de infração.  Deste  modo,  considerando  que  a  ciência  do  lançamento  ocorreu  em  26/04/2013,  consideram­se  fulminadas  pela  decadência  as  competências  até  03/2008,  nos  termos do artigo 150, §4º, do CTN, relativas aos Autos de Infração de Obrigação Principal e  obrigação acessória CFL 68:  Fl. 1222DF CARF MF     16 AIOP  DEBCAD  51.034.722­3,  competências  01  a  12/2009),  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  corretores de  imóveis  autônomos  –  pessoas  físicas  –  que  lhe  prestaram  serviços  no  período  fiscalizado  AIOP  DEBCAD  51.034.721­5  e  dos  segurados  contribuintes  individuais,  competências  01  a  12/2009);  AIOP  DEBCAD  37.315.769­0  ­  os  Autos  de  Infração  relacionados à obrigação principal referem­se às contribuições  previdenciárias de  responsabilidade da Empresa,  competências  01 a 12/2008;   AIOP  DEBCAD  37.315.770­3  e  dos  segurados  contribuintes  individuais, competências 01 a 12/2008);  AIOA  37.315.768­1  CFL  68  –  Apresentar  GFIP  (Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Declaração  à  Previdência  Social),  com  omissão  de  fatos  geradores de contribuições previdenciárias (período de 01/2008  a 11/2008).    II – DO MÉRITO    O  art.  5°,  LV,  estabelece  que  “aos  litigantes,  em  processo  judicial  ou  administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os  meios  e  recursos  a  ela  inerentes”.  Tratam­se,  portanto,  de  princípios  que  não  se  aplicam  exclusivamente  ao  processo  judicial,  mas  também  ao  administrativo  e,  em  particular,  ao  Processo Administrativo Tributário.  O  Processo  Administrativo  Tributário  é  um  instrumento  de  que  se  vale  o  Estado para aperfeiçoar as exigências fiscais. As exações devem ser perfeitas, ou seja, deve­se  exigir do sujeito passivo exatamente o que é devido, nada mais nem menos, em observância  aos princípios da legalidade tributária e da responsabilidade fiscal. Parte­se da premissa de que  os atos administrativos podem conter defeitos e que, portanto, deve haver um mecanismo de  correção.  Neste contexto, se entende que o interessado deve ser chamado a contribuir,  assegurando­se­lhe o direito da manifestar sua inconformidade, caso disponha de informações  capazes de compor uma antítese à tese da Administração. Daí porque, nos despachos decisórios  que  não­homologam  compensações  e  nos  lançamentos  de  ofício  –  apenas  para  citar  dois  exemplos – o sujeito passivo não é simplesmente intimado a pagar, mas a pagar ou impugnar a  exigência.  Assegurar  o  contraditório  consiste,  portanto,  em  conduzir  o  processo  de  forma dialética, de  tal sorte que o  interessado  tenha o direito de se manifestar sobre  todas as  teses e provas que a Administração trouxer aos autos.  Dizer  que  o  interessado  tem  direito  à  ampla  defesa  significa  que  ele  pode  defender­se  livremente,  sem  qualquer  limitação,  salvo  as  que  o  próprio  Direito  impõe.  A  fixação de restrições ao direito de defesa justifica­se porque todo princípio está associado a um  valor,  e,  como  não  existe  valor  absoluto,  os  princípios  podem  sofrer  limitações  em  face  de  outros princípios e valores.   Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.215          17 Como é cediço, o processo não é um fim em si mesmo, mas um método, ou  instrumento, para se alcançar determinado fim. Em abstrato, os requisitos formais estabelecidos  para a prática dos atos existem como garantia de que o fim será atingido, embora, em concreto,  tais  exigências  possam  ter  efeito  justamente  contrário,  quando  se  perde  de  vista  a  instrumentalidade do processo, e as formas se degeneram em formalismo excessivo, deixando  de ser garantia, para transformarem­se em obstáculo à realização do direito material.  Para evitar que se perca a visão do processo como instrumento e das formas  como  garantia,  a  LPA,  no  art.  2°,  parágrafo  único,  incisos  VIII  e  IX,  prescreve  que,  no  processo administrativo, serão observadas formalidades essenciais à garantia dos direitos dos  administrados; e adotadas formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza,  segurança e respeito aos direitos dos administrados.  A obrigação tributária nasce com o fato gerador, 1logo, desde o momento em  que um fato amolda­se à hipótese de incidência, já existe também um credor (sujeito ativo), um  devedor  (sujeito  passivo)  e  uma  prestação  (de  pagar).  Ocorre  que  esta  obrigação,  por  ser  prevista em lei de forma geral e abstrata, depende de uma apuração para que se determinem os  seus  elementos,  possibilitando­se,  assim,  o  pagamento  ou,  em  caso  de  inadimplência,  o  ajuizamento de uma execução fiscal. O lançamento, apesar do que sugere a interpretação literal  do  texto  normativo,  não  constitui  o  crédito  tributário  porque  este  surge  com  o  próprio  fato  gerador,  visto  que  não  há  obrigação  de  pagar  sem  crédito.  Assim,  o  lançamento  tem  como  finalidade imediata fixar os elementos da obrigação, identificando o sujeito passivo e apurando,  ou liquidando, o crédito tributário.  A legislação que rege o Processo Administrativo Tributário prevê a sanção de  nulidade apenas para atos inquinados por vício de competência (falta de requisito subjetivo) ou  lavrados com preterição do direito de defesa.  O  vício  subjetivo  (incompetência)  e  o  cerceamento  do  direito  de  defesa  ensejam a decretação de nulidades, conforme art. 59 do PAT, in verbis:  CAPÍTULO III   Das Nulidades   Art. 59. São nulos:  I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  –  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  As  nulidades  estabelecidas  pelo  art.  59  são  absolutas,  ou  seja,  os  atos  maculados  por  vício  subjetivo  ou  proferidos  com  preterição  do  direito  de  defesa  devem  necessariamente  ser  invalidados,  uma  vez  que  seus  defeitos  são  considerados  insanáveis.  O  rigor  da  sanção  se  justifica,  pois  a  competência  do  agente  e  a  influência  do  autuado  são  as  principais garantias para que o lançamento chegue à sua finalidade. Além disso, os direitos ao  contraditório e à ampla defesa no processo administrativo são constitucionalmente garantidos.                                                              1      CTN,  art.  113,  §  1o:  “A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente.  Fl. 1224DF CARF MF     18 Em  conformidade  com  o  disposto  no  art.  142  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  (Código Tributário Nacional  – CTN) o  auto  de  infração  lavrado  de  acordo  com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente:  I – a identificação do sujeito passivo;  II – a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e  a base de cálculo;  III – a norma legal infringida;  IV – o montante do tributo ou contribuição;  V – a penalidade aplicável;  VI – o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do  AFTN autuante;  VII – o local, a data e a hora da lavratura;  VIII – a  intimação para o sujeito passivo pagar ou  impugnar a  exigência  no  prazo  de  trinta  dias  contado  a  partir  da  data  da  ciência do lançamento.  Assim,  quando  o  lançamento  for  lavrado  em  desconformidade  com  o  estabelecido no art. 142 do CTN ou art. 10 do PAT, que dispõem sobre o conteúdo e a forma  do ato, a decretação da nulidade é dever do julgador administrativo.  Feitos  esses  registros,  passo  a  análise  ao  cerne  dos  lançamentos  fiscais.  Importante  destacar  que  o  objeto  do  presente  lançamento  já  foi  analisado  por  outras  Turmas da 2ª Seção do CARF,  tendo em sua maioria ou quase unanimidade entendido  pela  improcedência  da  tese  fiscal  [p.  exemplo,  Ac.  2403­002.285,  2803­003.816  e  2803­ 003.757].  Doravante,  peço  licença  aos  ilustres  Conselheiros  para  colacionar  ao  presente  algumas premissas semelhantes e argumentos constantes dos Acórdãos citados.    II.1 ­ DESCONSTITUIÇÃO DA CONVENÇÃO PARTICULAR    Em  síntese  e  de  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  e  Acórdão  recorrido,  o  lançamento  foi  realizado  relativamente  às  contribuições  previdenciárias  e  seus  consectários  legais  devidas  pela  empresa,  parte  patronal  e  parte  dos  segurados  contribuintes  individuais,  respectivamente,  incidentes  sobre  as  remunerações  pagas  a  Corretores  ou  Consultores  Imobiliários  e  sobre  as  remunerações  pagas  por  serviços  prestados  pelas  demais  pessoas  físicas.  O lançamento foi realizado por aferição indireta, em virtude de o contribuinte  deixar de apresentar um rol de documentos, todos requeridos no âmbito do procedimento fiscal  que resultou na constituição do crédito tributário objeto destes autos.  O  cerne  da  discussão  entre  as  partes  litigantes  diz  respeito  a  contratos  de  prestação  de  serviços  (tácitos)  firmados  pela  recorrente  e  corretores  ou  consultores  imobiliários,  sob  a  ótica  da  lei  previdenciária  (art.  22  da  Lei  nº  8.212/91),  conforme  entendimento  da  fiscalização  /  julgadores  de  primeira  instância,  e  contratos  de  corretagem  (também  tácitos)  firmados  pelos  corretores  /  consultores  imobiliários  e  os  adquirentes  de  Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.216          19 imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79,  que define a área de atuação do corretor imobiliário.  É  certo  que  à  Autoridade  Administrativa  compete  desconsiderar  atos  ou  negócios  que  ,  exclusivamente,  pretendam  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  ou  a  natureza constitutiva da obrigação tributária.  No  item  134  do  laborioso  Relatório  Fiscal  de  fls.  35  a  72,  a  Autoridade  autuante afirma que a Recorrente PAGOU DE FORMA INDIRETA as remunerações a título  de comissão de venda a corretores de imóveis autônomos e exortou o comando do art. 123  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN  ressalte­se  não  colacionado  no  Relatório  de  Fundamentos  Legais  para  justificar  que  –  “por  similaridade”  –  o  contribuinte  tentara  modificar a definição legal de sujeito passivo , grifos de minha autoria, verbis:  134.  Portanto,  o  procedimento  fraudulento  da  JCGontijo  conforme descrito nos itens precedentes, caracteriza tentativa de  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes, com o claro propósito de eximir­se  do  pagamento  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre a comissão de venda devida aos corretores de imóveis que  lhe  prestaram  serviços,  cuja  tentativa  vem  de  encontro  com  a  previsão  do  art.123  do  Código  Tributário  Nacional  (Lei  nº  5.172, de 25/10/1966), que assim dispõe:  “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes”.  135. De acordo com o art. 149, inciso V, do referido Código, o  lançamento  é  efetuado  e  revisto  de  ofício  pela  autoridade  administrativa quando se comprove omissão ou  inexatidão, por  parte  do  sujeito  passivo,  quanto  à  apuração,  declaração  e  ao  recolhimento,  nas  épocas  próprias,  dos  tributos  devidos  (lançamento  por  homologação).  Ainda,  prevê  o  inciso  VII  do  mesmo  artigo,  que  o  lançamento  de  ofício  ocorrre  quando  se  comprove  que  o  sujeito  passivo  agiu  com  dolo,  fraude  ou  simulação.  As  situações  previstas  nos  referidos  incisos  foram  constatadas  na  Empresa  ora  fiscalizada  e  devidamente  comprovadas pela auditoria  fiscal, o que ensejou o  lançamento  de  ofício  das  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade  SocialNo  caso  em  análise,  foi  determinada  a  realização  de  perícia com o objetivo de esclarecer o objeto do lançamento.   Segundo Aurélio Buarque  de Holanda  Ferreira,  similar  significa  de mesma  natureza,  a mesma  função,  o mesmo  efeito  ou  a mesma  aparência  e  destaca  a  utilização  do  termo para se referir a objetos, artigos ou produtos. Neste sentido, cabe observar que o aludido  art. 123 do CTN não se presta a motivar o lançamento em razão de se remeter à convenções  particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de TRIBUTOS , verbis:  “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  Fl. 1226DF CARF MF     20 modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.”    Relevante destacar que as convenções em apreço, além de  traduzirem pacto  inserido na esfera cível,  não  restaram formalmente  traduzidas entre as partes  razão pela qual  não se observa documentos colacionados que efetivamente o comprove . Aduz que admitindo­ se que tenham sido  levados à  termo, os pactos  transcorridos no campo das  responsabilidades  cíveis,  redefinido  a  obrigação  do  vendedor  para  pagar  as  comissões  aos  corretores  e  transferindo­a  para  os  compradores,  estes  ao  efetuarem  os  pagamentos  anuíram  tácita  e  explicitamente o procedimento.    II.2 ­ DA AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO    Nos  termos  trazidos  à  colação,  as  convenções  entre  os  vendedores  e  compradores de imóveis, não se fizeram ocultas denotando que não pretenderam esconder os  fatos geradores. Não houve portanto simulação.  É  cediço que dolo  é  a  condução de  conduta consciente  e deliberada  com o  intuito de se cometer ato criminoso.  O emprego da astúcia ou artifício para enganar e prejudicar alguém é fraude;  má­fé; logro.  As convenções praticadas às claras com a anuência dos compradores e ainda  exibidas ao fisco, não fazem vislumbrar a existência de dolo, fraude ou simulação.  Quanto ao pagamento de comissões aos corretores, essas podem ferir direitos  das partes previstos na esfera cível sendo facultado àquele que se sentir “ lesado ” interpor ação  para reparos descabendo tutela do Estado posto que de iniciativa PRIVADA.  O  pacto  entre  as  partes,  vendedores/compradores/corretores,  não  revela  reunião  com  intuito  de  em  conluio  praticar  procedimento  criminoso.  Ao  contrário  do  que  afirma  Autoridade  autuante,  o  acordo  não  modifica  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  da  obrigação tributária .  Ao assumir o ônus pelo pagamento das comissões aos corretores, na verdade,  os compradores tomaram assento no pólo passivo da obrigação de descontar as incidências  sobre  os  segurados  e  recolhê­las  aos  cofres  públicos  juntamente  com  as  respectivas  partes  patronais sem a necessidade de declarar em GFIP.  II.3 ­ DO SUJEITO PASSIVO E DA OBRIGAÇÃO DE RECOLHER    Cumpre  destacar  que  nos  itens  124  e  ss  do  sobredito  Relatório  Fiscal  os  registros ali efetuados , à “contrario sensu”, na verdade encerra toda a questão na medida em  que revela qual o contribuinte de fato quando demonstra quem paga a quem e o que, verbis:  124. Quanto ao outro ponto destacado pela auditoria  fiscal, ou  seja, o pagamento da remuneração do corretor de imóveis pela  Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.217          21 prestação de serviço de intermediação imobiliária (comissão de  venda)  ser  imputado  ao  comprador  é  uma  manobra  lesiva  à  fazenda  pública,  incorporada  intencionalmente  ao  processo  de  venda de imóvel no âmbito da JCGontijo, com o claro propósito  de  eximir­se  da  responsabilidade  do  pagamento  dos  encargos  tributários  devidos  na  operação,  cuja  prática  será  comentada  nos itens seguintes.  125. O procedimento adotado e gerido pela JCGontijo consiste  em oferecer o imóvel ao interessado pelo valor venal definido em  Tabela de Vendas. Na efetivação da proposta e formalização do  contrato de promessa de compra e venda, via de regra, exige­se  do  adquirente  cheques  específicos  de  pagamento  de  sinal,  que  são  destinados  à  empresa  imobiliária  e/ou  à  construtora/incorporadora,  e  cheques  específicos  para  o  pagamento  da  comissão  devida  ao  corretor  de  imóveis  que  intermediou  a  venda.  O  recibo  do  pagamento  de  sinal  é  fornecido  no  próprio  formulário  da  Proposta  de  Compra  e  Venda  e  o  do  pagamento  da  comissão  de  venda  é  emitido  em  formulário  sem  a  identificação  da  Empresa.  Observe­se  que  o  pagamento do sinal está contemplado na Proposta de Compra e  Venda e no Contrato de Promessa de Compra e Venda assinado  entre as partes. Porém, a comissão de venda é paga “por fora”,  ou seja, o valor não está contemplado nos instrumentos citados.  126.  Assim  sendo,  a  prática  adotada  pela  JCGontijo  constitui,  entre  outras,  infração  à  legislação  tributária,  pois  o  valor  da  comissão de venda que é pago “por  fora” não é  registrado na  contabilidade  da  Empresa,  não  perpassa  pela  sua  folha  de  pagamento,  como  também  não  é  declarado  em  GFIP,  o  que  caracteriza sonegação fiscal, tipificada, no presente caso, como  crime  contra  a  Previdência  Social  previsto  no  art.  337­A  do  Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 2000.  127. Ressalte­se que, à vista dos esclarecimentos e documentos  apresentados  pelos  adquirentes  diligenciados,  o  fato  de  o  adquirente  ter  repassado  diretamente  ao  corretor  o  valor  correspondente  a  comissão  de  venda devida  a  este profissional  não significa que o pagamento está sendo feito por conta e risco  do  comprador,  como  se  o  corretor  trabalhasse  para  ele  (comprador)  e  a  JCGontijo  estivesse  fora  do  processo  de  intermediação imobiliária, conforme afirma.  128. No caso, o corretor está investido de autonomia outorgada  pela JCGontijo para intermediar o negócio na condição de seu  legítimo  representante  e  não  como  simples  profissional  autônomo  sem  qualquer  vínculo  com  esta  Empresa.  Assim,  é  regra  do  processo  de  venda  adotado  pela  JCGontijo  que  o  pagamento  do  sinal  e  da  comissão  de  venda  sejam  realizados  diretamente  à  pessoa  do  corretor  responsável  pela  intermediação,  e  no  ato  o  corretor  está  agindo  em  nome  da  Empresa.  Portanto,  é  abusivo  atribuir  tal  responsabilidade  ao  comprador  do  imóvel,  conforme previsão  do Código  de Defesa  do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11/09/1990).  Fl. 1228DF CARF MF     22 129.  Para  ilustração  da  prática  adotada  pela  Empresa,  objetivando a transferência do pagamento da comissão de venda  para  o  comprador  do  imóvel,  observe  os  documentos  apresentados  pelos  adquirentes  diligenciados  pela  auditoria  fiscal.  Entre  os  documentos  estão  a  Proposta  de  Compra  e  Venda e Recibo de Sinal, o Contrato de Promessa de Compra e  Venda e o Recibo de Pagamento de Comissão. (Anexo 12)  130. Diante do exposto, percebe­se com clareza o procedimento  fraudulento  praticado  pela  JCGontijo  com  o  claro  objetivo  de  impedir  ou  retardar  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal  decorrente  dessa  prestação  de  serviço  e  também  o  conhecimento  de  sua  condição  pessoal  de  contribuinte,  e  com  isso  foi  afetada  a  obrigação  tributária  principal,  tendo  em  vista  que,  no  caso,  deixou  de  pagar  as  contribuições previdenciárias devidas na operação.  Relevante  destacar  que  na  internet  o  sítio  dos  Corretores  abaixo  transcrito  prevê que os pagamentos das comissões possam ser efetuados diretamente pelo comprador ao  corretor:  http://www.sitedoscorretores.com.br/facilidades/quem_paga_comissao_do_corretor.php    II.4 ­  AUSÊNCIA  DOS  FATOS  GERADORES  E  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  PROCEDIMENTO DE AFERIÇÃO INDIRETA    De  tudo  que  foi  exposto,  resta  claro,  que  se  os  compradores  dos  imóveis  pagaram  as  comissões,  por  óbvio,  não  tendo  saído  recursos  do  caixa  da  empresa  para  tal  finalidade,  esta  não  pode  se  utilizar  desses  valores  para  efetuar  lançamentos  na  sua  contabilidade como despesas ou custos e assim obter até mesmo benefícios das reduções na sua  declaração  de  renda  sob  pena  de  em  o  fazendo  como  quer  a  Autoridade  autuante  cometer  ilícitos seguramente passíveis de procedentes autuações fiscais .  Se na operação de compra e venda, de pleno acordo ou sob eventual coação,  os  compradores  dos  imóveis,  com  seus  recursos  próprios  que  não  foram  não  repassados  de  alguma  forma  pela  Recorrente,  assumiram  pagar  as  comissões  dos  corretores,  por  total  impossibilidade, não se pode atribuir que a recorrente os tenha efetuados de forma indireta.  O presente lançamento teve como motivação o entendimento da Autoridade  autuante  de que  a Recorrente  pagara  indiretamente valores  ao  corretores  de  imóveis. Assim,  não  ocorrendo  os  sobreditos  pagamentos  pela  Recorrente  nem  diretamente  e  tampouco  indiretamente,  não  se  caracterizaram  os  fatos  geradores  descritos  por  aferição  indireta  no  lançamento em comento, não ensejando, por consectário, a obrigatoriedade da contribuinte de  informar tais valores em GFIP.  Portanto,  restam  fulminados  por  este  entendimento  todos  os  AI  lavrados:   AIOP  DEBCAD  51.034.722­3,  competências  01  a  12/2009),  incidentes  sobre  pagamentos  efetuados  a  corretores de  imóveis  autônomos  –  pessoas  físicas  –  que  lhe  prestaram  serviços  no  período fiscalizado  Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.218          23 AIOP  DEBCAD  51.034.721­5  e  dos  segurados  contribuintes  individuais, competências 01 a 12/2009);  AIOP  DEBCAD  37.315.769­0  ­  os  Autos  de  Infração  relacionados à obrigação principal referem­se às contribuições  previdenciárias de  responsabilidade da Empresa,  competências  01 a 12/2008;   AIOP  DEBCAD  37.315.770­3  e  dos  segurados  contribuintes  individuais, competências 01 a 12/2008);  AIOA  37.315.768­1  CFL  68  –  Apresentar  GFIP  (Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Declaração  à  Previdência  Social),  com  omissão  de  fatos  geradores de contribuições previdenciárias (período de 01/2008  a 11/2008);  AIOA 51.034.723­1 CFL 30 – Não preparar folha de pagamento  de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita  Federal do Brasil.  AIOA 51.034.724­0 CFL 34 – Não lançar em títulos próprios de  sua  contabilidade  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias.  AIOA  51.034.725­8  CFL  59  –  Não  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações  dos  segurados  a  seu  serviço,  contribuições devidas a seguridade social.    II.5 – DEBCADs n. 51.034.721­5 e 37.315.770­3  Refere­se  a  contribuições  correspondentes  à  parte  dos  segurados,  sobre  pagamentos  de  valores,  por  meio  de  premiação  intitulada  "Programa  de  Premiação  para  os  Vendedores  da  Rede  de  Concessionárias",  a  segurados  contribuintes  individuais,  para  o  período de 01/2008 a 12/2009.  Tendo a  fiscalização  apurado que  foram pagas  verbas  remuneratórias,  estas  deveriam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias na parte da empresa. A  parte do empregado,  trabalhador avulso e  contribuinte  individual, diferentemente da parte da  empresa, está submetida ao teto do salário de contribuição. Assim, não é possível concluirmos,  genericamente, que houve omissão da empresa na obrigação de arrecadar a contribuição, pois  os beneficiários dos prêmios poderiam já estar contribuindo pelo teto. Não havendo nos autos  um  demonstrativo  das  remunerações  individuais,  o  lançamento  carece  de  motivação  fática,  remanescendo a incerteza sobre o descumprimento da obrigação acessória. Em caso de dúvida  em  relação  às  circunstâncias materiais  do  fato,  em  conformidade  com  o  art.  112  do CTN,  a  legislação tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado.   Tal  entendimento  já  foi  manifestado  por  esta  Turma,  conforme  se  observa  abaixo:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/06/2004 a 31/03/2005   Fl. 1230DF CARF MF     24 DÚVIDAS  SOBRE  AS  CIRCUNSTÂNCIAS  MATERIAIS  DO  FATO.  INTERPRETAÇÃO  MAIS  FAVORÁVEL  AO  CONTRIBUINTE. Em conformidade com o art.  112 do CTN, a  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  interpreta­se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de  dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato,  ou à natureza ou extensão dos seus efeitos.   Recurso Voluntário Provido.  [Ac. 2301­002.066. Conselheiro Relator: Mauro José Silva]  Portanto, a presente autuação não deve prevalecer.    DISPOSITIVO  Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário interposto, para, no  mérito, DAR­LHE PROVIMENTO, para na forma do artigo 150, § 4° do CTN, bem como  em obediência ao previsto no artigo 62­A do Regimento Interno do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  reconhecer  a  DECADÊNCIA  dos  créditos  lançados  para  as  competências  03/2008,  inclusive,  e  anteriores  e  afastar  a  incidência  relativamente  das  contribuições previdenciárias e seus consectários legais devidas pela empresa, parte patronal e  parte  dos  segurados  contribuintes  individuais,  respectivamente,  incidentes  sobre  as  remunerações pagas a Corretores ou Consultores  Imobiliários e sobre as  remunerações pagas  por serviços prestados pelas demais pessoas físicas.  É como voto.  Manoel Coelho Arruda Júnior ­ Relator              Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.219          25   Declaração de Voto  Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Declaração de voto    A fim de fomentar a reflexão sobre o tema, peço licença ao nobre relator para  divergir quanto à inexistência de obrigação tributária entre a recorrente e as pessoas físicas que,  na  condição  de  segurados  contribuintes  individuais,  exercem  a  atividade  de  corretor  de  imóveis.  2. A estrutura lógica da norma­padrão de incidência tributária compreende no  antecedente a previsão de um fato jurídico, delimitado no tempo e espaço, e no consequente, a  relação jurídica advinda deste fato.   2.1  Em  linhas  gerais,  o  fato  que  faz  nascer  a  relação  jurídica  do  tributo  é  identificado pelos critérios material, espacial e temporal, enquanto a caracterização do vínculo  jurídico resultante dá­se com base nos critérios quantitativo e pessoal.  2.2  É  o  critério  pessoal  que  identifica  a  quem  a  lei  cometeu  o  dever  de  cumprir a prestação, seja de cunho pecuniário ou não.  3.  Por  sua  vez,  as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  remuneração  do  contribuinte  individual,  a  cargo  da  empresa  e  do  segurado,  estão  assim  previstas em lei:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  21.  A  alíquota  de  contribuição  dos  segurados  contribuinte  individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo  salário­de­contribuição.  (...)  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes individuais que lhe prestem serviços;  (...)  §  4º Na hipótese de  o  contribuinte  individual  prestar  serviço  a  uma  ou  mais  empresas,  poderá  deduzir,  da  sua  contribuição  mensal, quarenta e cinco por cento da contribuição da empresa,  efetivamente  recolhida  ou  declarada,  incidente  sobre  a  remuneração  que  esta  lhe  tenha  pago  ou  creditado,  limitada  a  dedução a nove por cento do respectivo salário­de­contribuição.  Fl. 1232DF CARF MF     26 (...)  Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003  Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do  segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando­a da  respectiva  remuneração,  e  a  recolher  o  valor  arrecadado  juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte)  do  mês  seguinte  ao  da  competência,  ou  até  o  dia  útil  imediatamente  anterior  se  não  houver  expediente  bancário  naquele dia. (grifei)  (...)  4.  Depreende­se  do  texto  acima  reproduzido  que  a  sujeição  passiva,  como  elemento  constitutivo  do  laço  obrigacional,  não  aponta  para  quem  realiza  o  pagamento  ao  contribuinte individual, mas sim para o tomador dos serviços desse segurado.   5. Com efeito, o critério material da hipótese de incidência é a prestação de  serviço remunerado a empresa, ou entidade a ela equiparada, e este mesmo tomador do serviço,  que  obtém  proveito  econômico  do  fato,  é  posto  no  polo  passivo  da  norma  tributária  como  titular do dever legal de pagar o tributo.  6. É  verdade que  a  origem do  pagamento  representa,  como  regra,  um  forte  indício de quem é a pessoa que aproveita os serviços e, por consequência, os remunera. Porém,  para  a  legislação  previdenciária,  esse  não  é  o  fator  determinante  no  que  tange  à  sujeição  passiva.  7. O pagamento  demonstra  importância  quando  da  identificação  do  critério  temporal  da  norma  de  incidência  tributária,  na  medida  em  que  fixa  o  momento  em  que  se  aperfeiçoa a prestação do serviço.   7.1 Isso porque, no caso do contribuinte individual, o fato jurídico tributário  se  dá  por  ocorrido  com  o  pagamento  ou  crédito  da  remuneração.  Nada  obstante,  cumpre  observar  que  mesmo  inexistindo  o  efetivo  pagamento  ao  trabalhador,  o  crédito  dessa  remuneração já implicará considerar nascida a obrigação tributária.  8. Em síntese, o pagamento não é de molde para definir o sujeito passivo da  relação  tributária,  sendo  que  o  aspecto  fundamental  a  identificar  é  a  quem  o  contribuinte  individual prestou o serviço.  9. Por sua vez, o conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização, bem  como  as  regras  de  experiência,  revela  indubitavelmente  que  se pretende  com a utilização  da  corretagem  de  imóveis  não  só  o  resultado  da  mediação,  mas  também  o  serviço  em  si  do  corretor de imóveis, indispensável para a consecução dos objetivos sociais da recorrente.   10.  No  caso  da  atividade  econômica  de  venda  de  imóveis,  ainda  que  o  corretor  não  mantenha  vínculo  trabalhista  com  a  recorrente,  a  mediação  é  essencial  para  viabilizar o desenvolvimento dos seus negócios, não havendo como deixar de reconhecer que a  pessoa  jurídica  autuada  utiliza  do  serviço  prestado  pelo  corretor,  e  dele  diretamente  se  beneficia.  11.  A  função  do  corretor  de  imóveis  é  a  de  intermediar  vendedor  e  comprador, contribuindo para a obtenção do resultado econômico pretendido pela empresa, a  Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10166.722542/2013­21  Acórdão n.º 2301­004.326  S2­C3T1  Fl. 1.220          27 qual,  em  contraprestação  ao  serviço  que  lhe  foi  efetivamente  prestado,  remunera  o  corretor  mediante o pagamento de uma comissão.  12. O fato de inexistir nota fiscal ou recibo que diga respeito a pagamento de  comissão  de  corretor  feito  diretamente  pela  recorrente,  ou  a  circunstância  da  realização  do  pagamento da corretagem pelo comprador do imóvel, não altera a relação tributária prevista em  lei.   13. É que  a  redefinição, por meio de pacto privado, quanto  à obrigação do  vendedor  de  pagar  as  comissões  aos  corretores  de  imóveis,  transferindo­a  aos  compradores,  não desnatura a realidade fática de que a prestação de serviço daquele se dá essencialmente ao  vendedor do imóvel, ora recorrente.  13.1  Tanto  que  o  comprador  não  possui  qualquer  controle  ou  ingerência  sobre a retribuição devida ao corretor de imóvel, pactuada entre este e o vendedor previamente  à realização do negócio mercantil.  14.  Reforço  ainda  que,  segundo  o  art.  123  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não há liberação de quem é o  sujeito passivo pelo fato de outrem assumir o encargo financeiro.   14.1  E  não  poderia  ser  diferente,  sob  pena  de  a  transferência  de  responsabilidade  pelo  pagamento,  ao  talante  dos  particulares,  ensejar  uma  série  de  condutas  prejudiciais  à  arrecadação  dos  tributos  e  ao  seu  controle,  e  especialmente,  no  que  tange  ao  custeio  das  prestações  previdenciárias,  à  sustentabilidade  do  regime  público  de  Previdência  Social.  15.  Por  fim,  vale  lembrar  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  ao  apreciar  matéria  bastante  semelhante,  relacionada  à  corretagem  de  seguros,  firmou  jurisprudência  no  sentido  da  incidência  da  contribuição  previdenciária  patronal  sobre  a  comissão  paga  ao  corretor  de  seguros,  independentemente  do  vínculo  trabalhista. A matéria  está sumulada conforme enunciado nº 458, abaixo reproduzido:  Súmula  458:  A  contribuição  previdenciária  incide  sobre  a  comissão paga ao corretor de seguros.  16. Dessa feita, meu voto é no sentido de manter a  tributação, em nome da  autuada, relativamente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas  aos corretores de imóveis.  17.  Ao  se  confirmar  a  tributação  sobre  a  remuneração  dos  corretores,  há  reflexo  quanto  à  procedência do  arbitramento  da base  de  cálculo,  por  aferição  indireta,  e  na  manutenção das correspondentes penalidades por descumprimento de obrigações acessórias.   É como voto.  (Assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess  Fl. 1234DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.900032/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/09/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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3302­003.572  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES. BASE DE CÁLCULO. ICMS.  Recorrente  BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 15/09/2003  BASE  DE  CÁLCULO  PIS/PASEP  E  COFINS.  EXCLUSÃO  DO  ICMS  SOBRE  VENDAS  DEVIDO  NA  CONDIÇÃO  DE  CONTRIBUINTE.  IMPOSSIBILIDADE.  A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de  contribuinte, inclui­se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava  provimento.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Ricardo  Paulo Rosa,  Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do  Nascimento,  Sarah Maria Linhares  de Araújo  Paes  de  Souza,  Paulo Guilherme Déroulède  e  Lenisa Rodrigues Prado.  Relatório  Trata­se  de  Pedido  de  Restituição  cujo  direito  creditório  é  oriundo  de  recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS,      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 32 /2 01 2- 16 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 3          2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho  decisório eletrônico indeferindo a  restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento  foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível  para restituição.  Após  ser  intimada,  a  Contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  que  foi  julgada  improcedente  por  intermédio  do  Acórdão  06­045.798.  Em  síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo  das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição.   Inconformada,  a  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  pugnando  pelo  reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS  não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a  base de cálculo das contribuições.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­003.520, de  26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/2012­49, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento  que  prevaleceu  naquela  decisão,  na  parte  aplicável  ao  presente  caso  (Acórdão  3302­003.520):  "O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  No  que  tange  à  exclusão  do  ICMS  devido  nas  operações  de  venda,  na  condição  de  contribuinte,  o  §2º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/1998  estabeleceu  as  hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos:  § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se  refere o art. 2º, excluem­se da receita bruta:  I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto  sobre Produtos Industrializados ­ IPI e o Imposto sobre Operações relativas à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e de Comunicação  ­  ICMS, quando cobrado  pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário;   II ­ as  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo  da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 4          3 que  tenham  sido  computados  como  receita;  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)   III ­ os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para  outra  pessoa  jurídica,  observadas  normas  regulamentadoras  expedidas pelo  Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.991­18, de 2000) (Revogado pela  Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.   Verifica­se no  inciso  I,  que o  ICMS  incidente nas operações na  condição de  contribuinte  (próprio)  não  foi  elencado  como  parcela  a  ser  excluída  da  base  de  cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste  em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita  bruta,  sempre  indicando  que  os  impostos  incidentes  sobre  a  venda  a  compunham.  Assim,  citam­se  o  artigo  12  do  Decreto­lei  nº  1.598/1977,  o  artigo  187  da  Lei  nº  6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978:  Decreto­lei nº 1.598/1977:  Art  12  ­  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria  e  o  preço  dos  serviços  prestados.    Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de  2014) (Vigência)  I ­ o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela  Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  II ­ o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973,  de 2014) (Vigência)  III ­ o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei  nº 12.973, de 2014) (Vigência)  IV  ­  as  receitas  da  atividade  ou  objeto  principal  da  pessoa  jurídica  não  compreendidas  nos  incisos  I  a  III.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.973,  de  2014)  (Vigência)   § 1º ­ A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída  das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos  impostos incidentes sobre vendas.   § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela  Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  I  ­ devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)  (Vigência)  II ­ descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973,  de 2014) (Vigência)  III  ­  tributos sobre ela  incidentes; e  (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)  (Vigência)  IV ­ valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII  do  caput  do  art.  183  da  Lei  no  6.404,  de  15  de  dezembro  de  1976,  das  operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)  (Vigência)    Lei nº 6.404/1976:  Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará:   I  ­  a  receita  bruta  das  vendas  e  serviços,  as  deduções  das  vendas,  os  abatimentos e os impostos;  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 5          4  II  ­  a  receita  líquida  das  vendas  e  serviços,  o  custo  das  mercadorias  e  serviços vendidos e o lucro bruto;    IN SRF nº 51/1978:  1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de  bens,  nas  operações  de  conta  própria,  e  o  preço  dos  serviços  prestados  (artigo 12 do Decreto­lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977).   2. Na receita bruta não se incluem os impostos não­cumulativos cobrados do  comprador ou contratante impostos não­cumulativos cobrados do comprador  ou  contratante  (imposto  sobre  produtos  industrializados  e  imposto  único  sobre  minerais  do  País)  e  do  qual  o  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se  abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores.   3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para  revenda  e  das matérias­primas  os  impostos mencionados  no  item  anterior,  que devam ser recuperados.   4.  A  receita  líquida  de  vendas  e  serviços  é  a  receita  bruta  da  vendas  e  serviços,  diminuídas  (a)  das  vendas  canceladas,  (b)  dos  descontos  e  abatimentos  concedidos  incondicionalmente  e  (c)  dos  impostos  incidentes  sobre as vendas.   4.1  ­ Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores  registrados  como  receita  bruta  de  vendas  e  serviços;  eventuais  perdas  ou  ganhos  decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem  afetar  a  receita  líquida  de  vendas  e  serviços,  mas  serão  computados  nos  resultados operacionais.   4.2  ­ Descontos  incondicionais  são parcelas  redutoras  do  preço  de  vendas,  quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e  não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.   4.3 ­ Para os efeitos desta Instrução Normativa reputam­se incidentes sobre  as  vendas  os  impostos  que  guardam  proporcionalmente  com  o  preço  da  venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de  cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre  serviços  de  qualquer  natureza,  o  imposto  de  exportação,  o  imposto  único  sobre  energia  elétrica,  o  imposto  único  sobre  combustíveis  e  lubrificantes  etc.   Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem:   Súmula n. 68  :  "A parcela  relativa ao  ICM inclui­se na base de cálculo do  PIS".  Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS inclui­se na base de cálculo do  FINSOCIAL".  É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no  conceito de receita bruta, excluindo­o apenas do conceito de receita líquida.   Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS  na  base  de  cálculo  das  contribuições,  como  o  AgRg  no  REsp  1576424  /  RS,  de  10/03/2016, cuja ementa transcreve­se:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  SUBSTITUTIVA.  ARTS.  7º  e  8º  DA  LEI  Nº  12.546/2011.  BASE  DE  CÁLCULO.  RECEITA  BRUTA.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  APLICAÇÃO,  MUTATIS  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 6          5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº  1.330.737/SP,  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA  RELATIVA  À  INCLUSÃO  DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA  SISTEMÁTICA NÃO­CUMULATIVA.  1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo  recolhido  a  título  próprio  foi  pacificada,  por maioria,  pela  Primeira  Seção  desta Corte  em 10.6.2015,  quando da  conclusão  do  julgamento  do  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp  nº  1.330.737/SP,  de  relatoria  do  Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o  conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS.   2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo  de  controvérsia  se  aplicam,  mutatis  mutandis,  à  inclusão  das  parcelas  relativas  ao  ICMS na  base  de  cálculo  da  contribuição  substitutiva  prevista  nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel.  Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015.  3.  A  contribuição  substitutiva  prevista  nos  arts.  7º  e  8º  da  Lei  nº  12.546/2011,  da  mesma  forma  que  as  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  COFINS  ­  na  sistemática  não  cumulativa  ­  previstas  nas  Leis  n.s  10.637/2002 e 10.833/2003,  adotou conceito  amplo de  receita bruta, o que  afasta  a  aplicação  ao  caso  em  tela  do  precedente  firmado  no  RE  n.  240.785/MG  (STF,  Tribunal  Pleno,  Rel.  Min. Marco  Aurélio,  julgado  em  08.10.2014),  eis  que  o  referido  julgado  da  Suprema  Corte  tratou  das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e COFINS  regidas  pela Lei  n.  9.718/98,  sob  a  sistemática  cumulativa  que  adotou,  à  época,  um  conceito  restrito  de  faturamento. Precedente.  4. Agravo regimental não provido.  Ressalta­se  que  a  inclusão  do  ISS  na  base  de  cálculo  das  contribuições  foi  considerada  legítima  e  julgada  sob  a  sistemática  de  recursos  repetitivos  no  REsp  1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. ART. 543­C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008.  PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO  CONCEITO  DE  RECEITA  OU  FATURAMENTO.  POSSIBILIDADE.  INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN.   1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543­C do CPC, e levando em  consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça,  firma­se compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário  do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito  de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do  PIS e da COFINS.  2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal  Superior  consolidou­se  no  sentido  de  que  "o  valor  do  ISSQN  integra  o  conceito  de  receita  bruta,  assim  entendida  como  a  totalidade  das  receitas  auferidas  com o exercício da  atividade  econômica,  de modo que não pode  ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR,  Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp  1.197.712/RJ,  Rel.  Ministro  Benedito  Gonçalves,  Primeira  Turma,  DJe  9/6/2011;  AgRg  nos  EDcl  no  REsp  1.218.448/RS,  Rel.  Ministro  Arnaldo  Esteves  Lima,  Primeira  Turma,  DJe  24/8/2011;  AgRg  no  AREsp  157.345/SE,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Segunda  Turma,  DJe  2/8/2012;  AgRg  no  AREsp  166.149/CE,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Segunda Turma,  julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 7          6 REsp  1.233.741/PR,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  julgado  em  7/3/2013,  DJe  18/3/2013;  AgRg  no  AREsp  75.356/SC,  Rel.  Ministro  Sérgio  Kukina,  Primeira  Turma,  julgado  em  15/10/2013,  DJe  21/10/2013).   3.  Nas  atividades  de  prestação  de  serviço,  o  conceito  de  receita  e  faturamento  para  fins  de  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  deve  levar  em  consideração  o  valor  auferido  pelo  prestador  do  serviço,  ou  seja,  valor  desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do  serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar  o  ISSQN  ­  Imposto  Sobre  Serviços  de  Qualquer  Natureza.  Isso  por  uma  razão  muito  simples:  o  consumidor  (beneficiário  do  serviço)  não  é  contribuinte do ISSQN.   4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com  o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente  ao  valor  do  ISSQN  não  torna  o  consumidor  contribuinte  desse  tributo  a  ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o  ISSQN  não  constituiu  receita  porque,  em  tese,  diz  respeito  apenas  a  uma  importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que  transita  em  sua  contabilidade  sem  representar,  entretanto,  acréscimo  patrimonial.   5.  Admitir  essa  tese  seria  o  mesmo  que  considerar  o  consumidor  como  sujeito passivo de direito do  tributo  (contribuinte de direito)  e a  sociedade  empresária,  por  sua  vez,  apenas  uma  simples  espécie  de  "substituto  tributário",  cuja  responsabilidade  consistiria  unicamente  em  recolher  aos  cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é  isso  que  se  tem  sob  o  ponto  de  vista  jurídico,  pois  o  consumidor  não  é  contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídico­tributária).   6.  O  consumidor  acaba  suportando  o  valor  do  tributo  em  razão  de  uma  política  do  sistema  tributário  nacional  que  permite  a  repercussão  do  ônus  tributário  ao  beneficiário  do  serviço,  e  não  porque  aquele  (consumidor)  figura no polo passivo da relação jurídico­tributária como sujeito passivo de  direito.  7.  A  hipótese  dos  autos  não  se  confunde  com  aquela  em  que  se  tem  a  chamada  responsabilidade  tributária  por  substituição,  em  que  determinada  entidade,  por  força de  lei,  figura  no  polo  passivo  de uma  relação  jurídico­ tributária obrigacional,  cuja prestação  (o dever) consiste  em  reter o  tributo  devido  pelo  substituído  para,  posteriormente,  repassar  a  quantia  correspondente  aos  cofres  públicos.  Se  fosse  essa  a  hipótese  (substituição  tributária),  é  certo  que  a  quantia  recebida  pelo  contribuinte  do  PIS  e  da  COFINS  a  título  de  ISSQN  não  integraria  o  conceito  de  faturamento.  No  mesmo  sentido  se  o  ônus  referente  ao  ISSQN  não  fosse  transferido  ao  consumidor  do  serviço.  Nesse  caso,  não  haveria  dúvida  de  que  o  valor  referente  ao  ISSQN  não  corresponderia  a  receita  ou  faturamento,  já  que  faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do  serviço.   8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida  em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo  do PIS  e  da COFINS não  desnatura  a  definição  de  receita  ou  faturamento  para fins de incidência de referidas contribuições.  9. Recurso especial a que se nega provimento.  De  fato,  as  mesmas  razões  utilizadas  no  repetitivo  acima  são  aplicáveis  na  análise  da  inclusão do  ICMS na  base de  cálculo  do PIS  e da Cofins,  o que  restou  Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 8          7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática  de recursos repetitivos,  embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF,  pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no  site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor:  AUTUAÇÃO  RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL  ADVOGADO : PROCURADORIA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL  RECORRENTE:  HUBNER  COMPONENTES  E  SISTEMAS  AUTOMOTIVOS LTDA  ADVOGADOS:  ANETE  MAIR  MACIEL  MEDEIROS  HENRIQUE  GAEDE E OUTRO(S)  RECORRIDO : OS MESMOS  ASSUNTO:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ­  Crédito  Tributário  ­  Base  de  Cálculo   CERTIDÃO  Certifico  que  a  egrégia  PRIMEIRA  SEÇÃO,  ao  apreciar  o  processo  em  epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:  "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  e,  por  maioria,  vencidos  os  Srs.  Ministros  Relator  e  Regina  Helena  Costa,  negou  provimento  ao  recurso  especial  da empresa  recorrente, nos  termos do voto do Sr. Ministro Mauro  Campbell Marques, que lavrará o acórdão."  Votaram  com  o  Sr. Ministro Mauro  Campbell  Marques  os  Srs. Ministros  Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria,  Diva  Malerbi  (Desembargadora  convocada  do  TRF  da  3a.  Região)  e  Humberto Martins.  Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado  favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo  no  STF,  uma  vez  que  o  RE  574.906  RG/PR,  sob  repercussão  geral,  ainda  não  foi  julgado.  Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral,  deve­se prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias  como  componente  do  preço  de  venda.  Neste  mesmo  sentido,  é  a  posição  pacífica  deste  Conselho,  como  decidido  no  Acórdão  nº  9303­003­549,  de  17/03/2016,  cuja  ementa transcreve­se:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio,  que  não  comporta  a  transferência  do  encargo,  a  parcela  relativa  ao  ICMS  inclui­se  na  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS  e  à  COFINS.  Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e  tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda  que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo  do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou  com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS.  (...)  Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário."  Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900032/2012­16  Acórdão n.º 3302­003.572  S3­C3T2  Fl. 9          8 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa                                  Fl. 54DF CARF MF

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Numero do processo: 10670.720131/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR. CALAMIDADE PÚBLICA. DECRETO MUNICIPAL. AUTONOMIA CONSTITUCIONAL. ASSUNTO DE INTERESSE LOCAL. EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DO GOVERNO FEDERAL. INEXISTÊNCIA DESSA OBRIGAÇÃO NA LEI TRIBUTÁRIA FEDERAL. O reconhecimento da existência de calamidade pública, formalizado mediante decreto municipal, em relação a determinado lapso temporal, para fins tributário, torna desnecessária a exigência de seu reconhecimento pelo Governo Federal, em face da matéria ser interesse local, dentro da competência constitucional dos municípios, agregado ao fato da Lei n° 9.393/96 somente exigir ato do Poder Público que reconheça a calamidade pública, para considerar a área aproveitável como utilizada na atividade primária. ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua - VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais", CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF n°2 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2102-000.583
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a nulidade vindicada e, no mérito, em DAR parcial provimento para: • excluir a área de preservação permanente de 892,0 hectares da áreatributável; • reconhecer o estado de calamidade pública, com o devido impacto nograu de utilização da propriedade; • acatar o valor da terra nua constante no Laudo Técnico trazido pelo recorrente, implicando em em VTN de R$ 175.090,34 (item 17 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido — fl. 04).
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR. CALAMIDADE PÚBLICA. DECRETO MUNICIPAL. AUTONOMIA CONSTITUCIONAL. ASSUNTO DE INTERESSE LOCAL. EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DO GOVERNO FEDERAL. INEXISTÊNCIA DESSA OBRIGAÇÃO NA LEI TRIBUTÁRIA FEDERAL. O reconhecimento da existência de calamidade pública, formalizado mediante decreto municipal, em relação a determinado lapso temporal, para fins tributário, torna desnecessária a exigência de seu reconhecimento pelo Governo Federal, em face da matéria ser interesse local, dentro da competência constitucional dos municípios, agregado ao fato da Lei n° 9.393/96 somente exigir ato do Poder Público que reconheça a calamidade pública, para considerar a área aproveitável como utilizada na atividade primária. ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua - VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais", CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF n°2 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso provido em parte

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ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos teimos do art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR. CALAMIDADE PÚBLICA. DECRETO MUNICIPAL. AUTONOMIA CONSTITUCIONAL. ASSUNTO DE INTERESSE LOCAL. EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DO GOVERNO FEDERAL. INEXISTÊNCIA DESSA OBRIGAÇÃO NA LEI TRIBUTÁRIA FEDERAL. O reconhecimento da existência de calamidade pública, foimalizado mediante decreto municipal, em relação a determinado lapso temporal, para fins tributário, torna desnecessária a exigência de seu reconhecimento pelo Governo Federal, em face da matéria ser interesse local, dentro da competência constitucional dos municípios, agregado ao fato da Lei n° 9.393/96 somente exigir ato do Poder Público que reconheça a calamidade pública, para considerar a área aproveitável como utilizada na atividade primária. ITR. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (SIPT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR OS VALORES DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua - VTN, pode a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o VTN que servirá para apurar o ITR devido. Entretanto, apresentado laudo técnico, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, esse é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Para desconsiderar o laudo apresentado, a autoridade fiscal tem que apontar alguma nulidade formal, contraditá-lo com outro laudo ou mesmo demonstrar a inviabilidade dos parâmetros utilizados (erros ou equívocos nos VTNs dos imóveis que serviram de paradigmas para a avaliação, quantidade de paradigmas, alienações de imóveis próximos que confrontem os preços utilizados etc.). JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais", CARÁTER CONFISCATORIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS — PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA — IMPOSSIBILIDADE - Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF n°2 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a nulidade vindicada e, no mérito, em DAR parcial provimento para: • excluir a área de preservação permanente de 892,0 hectares da área tributável; • reconhecer o estado de calamidade pública, com o devido impacto no grau de utilização da propriedade; 2 Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 470 • acatar o valor da rra nua gonstante no Laudo Técnico trazido pelo recorrente, imp icando em tim VTN de R$ 175.090,34 (item 17 do Demonstratdo de Apuraçãoklo Imposto Devido — fl. 04). 7 /i GIOVANN/ CHRISTIAN ' .1> ,6AMP G S - Relator e Presidente. / , EDITA?0 EM: 18/06/201 tf) Participaram do presente j 0/ ../ ento os Conselheiros Núbia de Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rábens Maurício C0 il alho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Azeredo Feikira Pagetti - ." iov. 1 i Christian Nunes Campos. i 1 Relatório Em face do contribuinte Flávio Pentagna Guimarães, CPF/MF n° 006.679.706-72, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 27/08/2007, auto de infração (fls. 1 a 5), com ciência postal em 03/09/2007 (fl. 298), a partir de ação fiscal iniciada em 04/06/2007 (fl. 6). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes infolinado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 172.643,83 MULTA DE OFÍCIO R$ 129.482,87 Conforme o demonstrativo de apuração do ITR lançado referente ao imóvel rural Fazenda Poço Triste, NIRF n° 0.640.977-6, vê-se que a autoridade fiscal, revisando a DITR-exercício 2003 (fl. 04), glosou a área de pastagens declarada (5.761,4 hectares) e majorou o valor da terra nua (de R$ 53.385,46 para R$ 1.080.360,00), aqui utilizando a informação do Sistema de Preços de Terra — SIPT da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eis a motivação da autoridade fiscal para proceder como acima descrito (fls. 02 e 03), verbis: Analisando a DITR/2003, pode-se verificar que foi informada uma área de 5.761,4 ha como sendo de pastagem plantada. Na legislação do ITR, área servida de pastagem é aquela ocupada por pastos naturais, melhorados ou plantados e por forrageiras de corte que tenha, efetivamente, sido utilizada para alimentação de animais de grande porte e médio porte, observados os índices de lotação por zona pecuária. No campo 1 Total do Rebanho Ajustado da DITR/2003 consta o valor de I zero, devendo, portanto, ser glosada a informação da área I /informada como sendo de pastagem plantada. ly: 1 3 Em relação ao Laudo de Avaliação do Imóvel, foi solicitado que o mesmo fosse elaborado de acordo com as normas da ABNT com fundamentação e grau de precisão II. No Laudo é calculado o VTN/ha de 2003 no valor de R$ 27,63. Já com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, instituído com base no art. 14 da Lei n° 9.393/1996, o valor do VT'N Médio/HA para matas para o município de Espinosa é de R$ 150,00. Diante do exposto, o valor informado no Laudo apresentado não poderá ser aceito, ensejando o arbitramento do valor da terra nua conforme informações extraídas do sistema S1PT, dada a grande discrepância entre os dois valores de V7'N/Ha. Os valores utilizados para se alimentar o sistema SIPT, conforme cópia de oficio n° 036/2004/GAB/SEC, forma da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Minas Gerais. Os valores das tabelas elaboradas pela Secretaria de Estado forma levantados pelos extensionistas da EMATER/MG, e tabulados pela Fundação Getúlio Vargas. (-) Com base no valor do SIPT, foi então arbitrado o valor da terra nua para 2003 em R$ 150,00/ha, petfazendo um total de R$ L080.360,00, . ) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao -lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A ia Turma de Julgamento da DRJ-Brasília (DF), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 303 a 314, consubstanciada no Acórdão n° 03-24.460, de 12 de março de 2008. Mesmo considerando a hipótese de erro de fato no preenchimento da DITR- exercício 2003, a decisão acima não acatou a isenção em face do ITR da área de preservação permanente, já que o contribuinte protocolizou intempestivamente o Ato Declaratório Ambiental — ADA, em 16/11/2004, após o prazo previsto na IN SRF n° 344/2003 (termo final em 31/03/2004). Ainda, manteve a glosa da área utilizada com pastagens em decorrência de o contribuinte não ter demonstrado que o Estado de Calamidade Pública no município de Espinosa, decretado por ato do poder municipal e homologado pelo poder público estadual, tenho sido reconhecido pelo Governo Federal. E, para concluir, transcreve-se a motivação da decisão acima para arrostar o valor da terra nua constante no Laudo Técnico apresentando pelo contribuinte (fls. 311 e 312), verbis: (-) Na análise do presente processo, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação no cálculo do Valor da Terra Nua — V7N declarado de R$ 53.385,46 (R$ 7,41/ha) para o ITR12003, arbitrando-o em R$ 1.080.260,00 (R$ 150,00), apurado com base no VfiN médio/ha apontado no SIPT para terras de matas (fls. 123), dentre os valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, nos termos do § 1° do art. 14, \\I da Lei n°9.393/1996. Em suas alegações, o contribuinte se atém ao laudo de avaliação anexado na fase inicial (fls. 17/53) e parcialmente / 4 Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 471 reapresentado na sua impugnação (cópia de fls. 209/226), com um VTN de R$ 24,31/ha, equivalente a R$ 175.090,34, argumentando que esse laudo supera os pontos de fundamentação exigida (Grau II), nos termos da NBR 15643-3 da ABNT, em contraposição ao VTN arbitrado com base no SIPT e superavaliado, face ao seu desvirtuamento. O referido laudo, já desconsiderado pela autoridade fiscal «is. 02/03), foi novamente apreciado pelos integrantes desta Turma de Julgamento, que formaram convicção de que não cabe ser ele aceito, visto que ele não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis, diferentes das características gerais da sua microrregiã o, para fins de acatar o VTN pretendido, ressaltando que essas características gerais já são levadas em consideração quando da definição dos valores incluídos no SIPT. Não há dúvidas de que tanto o V'TN de R$ 7,41/ha da DITR quanto o VTIV de R$ 24,31/ha do laudo encontram-se subavaliados, por serem muitos inferiores não só ao VTN de R$ 150,00/ha adotado pela fiscalização, mas também ao VTN médio por hectare de R$ 162,15, apurado no universo das declarações do ITR do exercício 2003, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Espinosa — MG (fls. 125), fato que contribui para rejeitar a pretensão do contribuinte. (.) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 07/04/2008 (fl. 317). li-resignado, interpôs recurso voluntário em 07/05/2008 (fl. 466). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 1. o auto de infração foi lavrado com base nos dados do SIPT, os quais não foram franqueados ao contribuinte, caracterizando claro cerceamento direito de defesa; tem direito à exclusão de 892,0 hectares da área de preservação permanente da base tributável, conforme ADA apresentado, na fauna do art. 10, II, da Lei n° 9.393/96. III. o Poder Público Estadual, por intermédio dos Decretos n's 42.151/2001, 42.252/2002, 42.374/2002, 42.840/2002, 42.991/2002, 43.159/2003 e 43.479/2003, reconheceu e homologou o estado de calamidade pública, dentre outros, para o município Espinosa (MG), para os anos de 2001, 2002 e 2003, sendo certo que tal situação foi também reconhecida pela Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional, por intermédio da Portaria Federal n° 624/2002. Assim, deve ser restabelecida a glosa da área de • pastagens, devendo ser considerada a área aproveitável como utilizada p na atividade rural; IV. demonstrou o valor da terra nua do imóvel auditado a partir de Laudo Técnico produzido na forma da NBR 14653-3 da ABTN, com grau de fundamentação nível II, conforme exigido na intimação da autoridade fiscalizadora. Esta autoridade deveria ter se valido do valor constante do Laudo, que investigou in loco o imóvel rural, colhendo informações de cooperativa, IEF, IMA, EMATER, Produtores Rurais, Cartórios, Prefeituras, Corretores Especializados, e não do SIPT, já que este "é .frito com base nas informações da Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais, que nas cidades do interior Mineiro são fornecidas pelas Prefeituras Municipais, e é considerado não o valor da terra nua, mas o valor da terra bruta com toda sua cobertura vegetal e benfeitorias, uma vez que tal valor é utilizado para cobrança do ITBL" (fl. 331); V. o ITR é um imposto sujeito ao lançamento por declaração, sendo incabível a cobrança de juros de mora e multa de oficio. Ademais, tais acréscimos legais são confiscatórios, sendo que os juros de mora à taxa Selic incorre em outra ilegalidade, já que a taxa Selic tem caráter • remuneratório e não moratório. Este recurso voluntário compôs o lote n° 04, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 02/12/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 07/04/2008 (fl. 317), segunda-feira, e interpôs o recurso voluntário em 07/05/2008 (fl. 466), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 07/05/2008, quarta-feira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Primeiramente deve-se anotar que os recursos voluntários n os 343.088 (exercício 2005), 342.586 (exercício 2004) e o presente (exercício 2003), todos do mesmo recorrente e referentes às autuações de ITR de exercícios sucessivos da mesma propriedade rural (Fazenda Poço Triste), foram sorteados para este Conselheiro relator e serão julgados nesta mesma sessão. Agora, passa-se a apreciar a defesa do item 1 (o auto de infração foi lavrado com base nos dados do SIPT, os quais não foram franqueados ao contribuinte, caracterizando claro cerceamento direito de defesa). No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n°- 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. / /1/ 6 / Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 472 Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme documentação do SIPT acostada aos autos (fls. 124 a 158), já que considerou que o valor da terra nua constante do Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte estava em ampla dissonância com os valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura para o município de Espinosa — MG (VTN médio por hectare para matas no município de Espinosa é de R$ 150,00). No caso aqui em debate, a autoridade fiscal, motivadamente, escolheu um parâmetro definido em lei para o valor da terra nua, sendo descabido falar em qualquer nulidade no procedimento fiscal, pois, inclusive, juntou toda a documentação do SIPT antes do encerramento da ação fiscal, permitindo que o contribuinte pudesse se defender na impugnação. Insiste-se que a autoridade motivou sua escolha, arrostando o valor da terra nua constante do Laudo Técnico, fiando-se nos valores do SIPT. No ponto, deve-se rejeitar a nulidade vindicada, não havendo qualquer cerceamento do direito de defesa. Agora, passa-se à defesa do item II (tem direito à exclusão de 892,0 hectares da área de preservação permanente da base tributável, conforme ADA apresentado, na forma do art. 10, II, da Lei n° 9.393/96) O contribuinte não excluiu a área de preservação permanente — APP da base tributável da DITR-exercício 2003. Para comprovar o seu direito, traz o Laudo Técnico, no qual se informa a área de 892,0 hectares como de preservação permanente (fl. 20) e Ato Declaratório Ambiental — ADA, protocolizado no lbama em 16/11/2004 (fl. 295), mais de dois anos e meio antes do início da presente ação fiscal. O fato de o contribuinte não ter informado a exclusão da APP na DITR- exercício 2003 não faz precluir o seu direito, até em decorrência da presente ação fiscal ter sido instaurada para revisar os dados DITR apresentada. Ocorre que a autoridade julgadora a quo rejeitou a pretensão do então impugnante, não em decorrência do mesmo não ter informado a APP na DITR respectiva, mas pela apresentação do ADA extemporâneo. Para fruição da benesse no âmbito do ITR decorrente da exclusão da APP, na foiiiia do art. 2° do Código Florestal (que é a espécie de APP da propriedade, como registrado no Laudo Técnico — fl. 20), entendo que basta a apresentação do ADA. Porém, deve-se obrigatoriamente apresentar o ADA, já que o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória) é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de beneficio no âmbito do ITR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001. Entretanto, como a Lei n° 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do! ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA até / 7--- 31/03/2004, como exigido pela IN SRF n° 344/2003, sendo certo que há Laudo Técnico atestando a existência de tal área e, no caso vertente, a formalidade foi cumprida mais de dois anos e meio antes do início da presente ação fiscal. Com essas considerações, deve-se deferir a exclusão da área de 892,0 hectares (APP) da área tributável. Agora, passa-se à defesa do item III (o Poder Público Estadual, por intermédio dos Decretos n's 42.151/2001, 42.252/2002, 42.374/2002, 42.840/2002, 42.991/2002, 43.159/2003 e 43.479/2003, reconheceu e homologou o estado de calamidade pública, dentre outros, para o município Espinosa (MG), para os anos de 2001, 2002 e 2003, sendo certo que tal situação foi também reconhecida pela Secretaria Nacional de Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional, por intermédio da Portaria Federal n° 624/2002. Assim, deve ser restabelecida a glosa da área de pastagens, devendo ser considerada a área aproveitável como utilizada na atividade rural). Deve-se observar que toda a defesa do contribuinte centrava-se na existência dos decretos municipais de calamidade pública do município de Espinosa (MG), homologados pelo governo estadual, que teriam o reconhecimento federal, condição suficiente para implementar a exigência do art. 10, § 6°, I, da Lei n°9.393/96. Inicialmente, deve-se anotar que este relator, originalmente, entendia, sem maiores reflexões, que havia necessidade do reconhecimento do estado de calamidade pública por parte do governo federal, como tradicionalmente exigido pela Receita Federal, até porque nestes autos o recorrente se batia sobre a existência do reconhecimento federal, não discutindo diretamente a impertinência desse reconhecimento. Assim, apesar de haver os Decretos Municipais e Estaduais que decretavam e homologavam o estado de calamidade pública no município de Espinosa (MG), considerando que o Governo Federal apenas o homologara como estado de emergência, havendo diferença entre calamidade pública e emergência, entendia este relator que o contribuinte não fazia jus a benesse do art. 10, § 6°, I, da Lei n° 9.393/96, já que o estado de calamidade é um plus em relação ao de emergência, e a Lei citada somente fala em estado de calamidade pública. Entretanto, com abertura dos debates na sessão de julgamento, com informação de que a jurisprudência do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes somente exigia o Decreto Municipal, resolvi deferir vista em mesa para aprofundamento das discussões, levando a matéria à apreciação em sessão seguinte. Aí vi que não havia base legal para exigência do reconhecimento federal do estado de calamidade pública, no âmbito do ITR, como se demonstrará a seguir, bastando a existência dos decretos municipais. Explica-se. Sobre os efeitos da decretação de calamidade pública em áreas rurais em face do ITR, reza o art. 10, § 6°, da Lei n° 9.393/96, verbis: - Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente • de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (-) § 60 Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: 8 Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 473 / - comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastazens; (grifou-se) Acima, atente-se, exige-se apenas o reconhecimento do estado de calamidade pública pelo Poder Público, não especificando se é o Poder Público municipal, estadual ou federal. A definição de qual esfera de poder deve declarar o estado de calamidade pública é relevante, já que a Receita Federal somente defere o beneficio do estado de calamidade que tenha sido decretado pelo Poder Público local no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR e reconhecido pelo Governo Federal. Como se viu pela Lei acima, agregado ao art. 18, § 2°, I, do Decreto Federal n° 4.382/2002 (Regulamento do ITR), não há qualquer menção ao reconhecimento federal do estado calamidade pública, como condição para fruição do beneficio do ITR para o caso em debate. Apesar de competir à União planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, na forma do art. 21, XVIII, da Constituição da República, parece claro que a decretação do estado de calamidade pública é ato a ser declarado por prefeito municipal (ou governador de estado, no caso de desastre que abranja mais de um município), dentro da competência constitucional municipal para legislar sobre assuntos de interesse local (art. 30, I, da Constituição da República), já que a decretação da calamidade é ato de interesse local, sendo desarrazoado imaginar que o Presidente da República seria responsável por baixar decretos de declaração de calamidade pública pelos rincões do país. Inclusive essa interpretação é expressamente acolhida pelo art. 17 do Decreto Federal n° 5.376/2005, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC e o Conselho Nacional de Defesa Civil, asseverando que o estado de calamidade pública, observados os critérios estabelecidos pelo CONDEC (Conselho Nacional de Defesa Civil - CONDEC, responsável pela fonnulação e deliberação de políticas e diretrizes do Sistema de Defesa Civil), será declarado mediante decreto do Governador do Distrito Federal ou do Prefeito Municipal. A necessidade do reconhecimento do ato de declaração do estado de calamidade pública, mediante portaria do Ministro de Estado da Integração Nacional, para deferimento da fruição da benesse no âmbito do ITR se colocou na Turma à luz do Decreto n° 5.376/2005, já que seu art. 17, § 3°, informa que a portaria citada seria condição para o estado de calamidade pública ter efeito jurídico no âmbito da administração federal. Mesmo sendo tal Decreto posterior ao fato gerador em discussão, a Turma de Julgamento passou a discutir em abstrato a exigência posta pela Receita Federal (reconhecimento do estado de calamidade pública pelo governo federal), até porque havia outros recursos sobre a matéria nesta Reunião de julgamento de maio de 2010. Aberto o debate, este relator lembrou que não parecia razoável que o comando acima pudesse estender seus efeitos para a área tributária, a qual, reconhecidamente, tem um alto grau de aderência ao princípio da legalidade, parecendo estranho que um comando em Decreto que regulamenta o Sistema de Defesa Civil, associado à atuação complementar do governo federal no combate às calamidades públicas reconhecidas pelo Ministério da Integração Nacional, quando insuficientes os recursos locais, como se vê no art. 18, § 1°, do n Decreto n° 5.376/2005, pudesse estender seus efeitos para o âmbito do ITR. Como já dito, a Lei fl j, n° 9.393/96 e o Decreto n° 4.382/2002 (Regulamento do ITR) são silentes sob tal matéria, não I/ (,,,77'-'9f se podendo impor exigências aos contribuintes que não tem sede em lei, quiçá em decreto regulamentador da lei tributária. Corroborando o entendimento acima, vê-se que o Decreto n° 895/94 (dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa Civil - Sindec), revogado pelo Decreto n° 5.376/2005, vigente no ano anterior ao exercício aqui em debate (e que importa a presente discussão), sequer exigia o reconhecimento federal para que os efeitos da calamidade pública pudessem ser reconhecidos no âmbito do governo central. Apenas em 2004, com a publicação do Decreto n° 4.980/2004, que alterou o Decreto n° 1.080/94 (Regulamenta o Fundo Especial para Calamidades Públicas - Funcap), exigiu-se o reconhecimento federal dos estados de calamidade como condição para fruição dos recursos do Funcap, exigência repisada no Decreto n° 5.376/2005, este que também alterou o Decreto n° 1.080/94. Claramente vê-se que o reconhecimento federal dos estados de calamidade pública é uma condição para auferir beneficios no âmbito do SINDEC, não tendo relevância para o ITR. E mais. No caso do exercício 2003, aqui em discussão, sequer havia a exigência de reconhecimento federal em qualquer Decreto Federal. Ainda, na discussão, este relator registrou mais dois argumentos que se mostraram suficientes para convencer à unanimidade o colegiado da impertinência da exigência do reconhecimento federal para fruição da benesse tributária em relação às áreas atingidas pela calamidade pública (utilização da totalidade da área aproveitável na atividade primária), independente do exercício em debate. Passa-se ao primeiro. Veja-se o art. 13 da Lei n° 8.847/94, antiga legislação reitora do ITR e revogada pela Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 13. Nos casos de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastos, o Ministro da Fazenda determinará que seja aplicada redução de até cem por cento no valor do imposto, para os imóveis que, compro vadamente, estejam situados na área de ocorrência da calamidade. A Lei tributária revogada do ITR, de forma expressa, outorgava poderes ao Ministro da Fazenda para reduzir a alíquota do ITR em áreas atingidas por calamidade pública decretada pelo Poder Público. Ocorre que a exigência do ato ministerial fazendário não mais constou da Lei n° 9.393196, mas somente a necessidade do ato do Poder Público declaratório da calamidade pública. Ora, se havia uma exigência em lei decaída, não mais constando na lei nova, parece descabida a exigência da manutenção do óbice, agora procurando-o em atos infralegais, em seara até estranha ao direito tributário, como se vê no caso vertente. Não há qualquer dúvida de que, se o legislador quisesse manter a exigência do art. 13 da Lei n° 8.847/94, teria inserido-a na Lei n° 9.393/96, exigindo o ato fazendário. Isso não ocorreu, não sendo plausível buscar a exigência em atos infralegais estranhos ao direito tributário. O segundo ponto que levou este colegiado a arrostar a exigência do reconhecimento federal da calamidade pública, como condição de fruição de beneficio no âmbito do ITR, foi o respeito à ampla jurisprudência do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que exigia apenas o Decreto do Poder Público Municipal para implemento da o Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 474 condição do art. 10, § 60, I, da Lei n° 9.393/96. Para tanto, vejam-se os Acórdãos n's 301- 34695, sessão de 13/08/2008, relatora a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres e 392- 00002, sessão de 23/09/2008, relatora a Conselheira Maria de Fátima Oliveira Silva. Ainda, como clara posição dessa jurisprudência, veja-se o Acórdão n° 301-34.032, sessão de 12/09/2007, relator o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, que restou assim ementado: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1998 ITR — 1998. CALAMIDADE PÚBLICA. DECRETO MUNICIPAL. AUTONOMIA CONSTITUCIONAL. O reconhecimento da existência de calamidade pública, formalizado mediante decreto municipal, em relação a determinado lapso temporal, para fins tributário, torna despicienda a exigência de seu reconhecimento pelo Governo Federal ou Estadual, em face da autonomia outorgada por mandamento constitucional e dos dispositivos contidos na legislação de regência do ITR (Inteligência dos arts. 10 da Lei n° 9.393/96 e 30 da CF/88). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O entendimento do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes foi o argumento final a cristalizar a posição desta Tuuna de julgamento quanto à impertinência do reconhecimento federal do estado de calamidade decretado pelo Poder Público Municipal, como condição para fruição do beneficio do art. 10, § 6°, I, da Lei n° 9.393/96, já que não se encontrou qualquer justificativa para cambiar a jurisprudência outrora esposada. Por tudo, basta o reconhecimento da calamidade pública pelo Poder Público Municipal para deferimento da benesse do art. 10, § 6°, I, da Lei n°9.393/96. Assim, considerando que se comprovou a decretação do estado de calamidade pública no município de Espinosa, no ano de 2002, por ato do Poder Público Municipal, deve-se considerar como efetivamente utilizada a área do imóvel rural auditado, com grau de utilização de 100% da propriedade. Dessa forma, neste ponto, com razão o recorrente. Na defesa trazida no item IV, o recorrente insiste na utilização do valor da terra nua constante no Laudo Técnico apresentado, que teria respeitado a NBR 14653-3 da ABTN, com grau de fundamentação nível II, conforme exigido na intimação da autoridade fiscalizadora Como se viu no relatório, seguem as razões da autoridade julgadora a quo para rechaçar o Laudo Técnico, verbis: O referido laudo, já desconsiderado pela autoridade fiscal (fls. 02/03), foi novamente apreciado pelos integrantes desta Turma de Julgamento, que formaram convicção de que não cabe ser ele aceito, visto que ele não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis, 1:;) diferentes das características gerais da sua microrregião, para fins de acatar o VT1V pretendido, ressaltando que essas ' características gerais já são levadas em consideração quando da definição dos valores incluídos no SIPT. Não há dúvidas de que tanto o VTN de R$ 7,41/ha da DITR quanto o VTN de R$ 24,31/ha do laudo encontram-se subavaliados, por serem muitos inferiores não só ao V1N de R$ 150,00 adotado pela fiscalização, mas também ao VTN médio por hectare de R$ 162,15, apurado no universo das declarações do ITR do exercício 2003, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Espinosa — MG (fls. 123), fato que contribui para rejeitar a pretensão do contribuinte. Claramente, apenas a discrepância entre o VTN constante do SIPT e o do Laudo foi o elemento fundante para a Turma de Julgamento rejeitar o Laudo Técnico. O Laudo Técnico foi apresentado exatamente para realçar as peculiaridades do imóvel rural auditado, sendo a ferramenta adequada para contraditar os valores constantes do SlPT. Parece esquisita a argumentação da decisão de que o Laudo Técnico não havia apontado as características particulares desfavoráveis que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, quando se sabe que tais valores são genéricos, por município, sendo o Laudo a ferramenta idônea para questionar os valores do SlPT, pois aquele mensura especificamente o imóvel rural objeto do lançamento. Não há outro instrumento para apontar as especificidades do imóvel auditado, em termos de avaliação pericial, que não seja um laudo assinado por experto. Aqui, mais um ponto relevante. O contribuinte não foi intimado a apresentar laudo técnico que contradissesse os valores constante do SIPT, mas que o apresentasse, sob pena de assim não o fazendo, sofrer o arbitramento com base no SIPT (fl. 6). Não poderia a autoridade simplesmente arrostar o Laudo Técnico em face do SIPT, por eventual desproporção entre os valores da terra nua que constavam no S1PT versus Laudo Técnico, mas precisaria de uma prova adicional para fulminar o Laudo, sob pena de o Laudo Técnico só ter validade se seus valores estivessem em linha com aqueles constantes do SIPT. Se assim fosse, não se necessitaria de laudo técnico, bastando arbitrar diretamente o valor da terra nua com base no SIPT. Os valores constantes do SIPT devem ser utilizados de forma supletiva, sempre que o contribuinte não apresente o laudo técnico, ou que este tenha uma nulidade formal ou substancial objetivamente detectável, ou ainda que a autoridade fiscal possa descaracterizar a amostra utilizada pelo perito. Apresentado o Laudo Técnico, a autoridade autuante o rechaçou em decorrência de uma pretensa desproporção entre o valor da terra nua constante do SlPT e aquele do Laudo. Essa também foi, em essência, a linha seguida pela decisão a quo. Ocorre que esse procedimento não é adequado, já que o Laudo do contribuinte somente poderia ser arrostado por um Laudo produzido pela União, de foluia similar ao que ocorre no deferimento da perícia pela autoridade julgadora de primeira instância, na forma do art. 18, § 1 0, do Decreto n° 70.235/72 — ("Deferido o pedido de perícia, ou determinada de oficio, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados"), ou caso fosse apontada uma nulidade formal ou substancial detectável objetivamente, como já dito. Ainda, como se tratava de Laudo de avaliação econômico-financeiro, a autoridade autuante poderia vergastá-lo a partir da comprovação de que os eventos da amostra utilizados no modelo de regressão linear não representavam os valores efetivamente / I 12• Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 475 transacionados ou mesmos levantar um conjunto de eventos amostrais outros que demonstrassem a inviabilidade da amostra utilizada pelo perito. Entretanto, a simples desproporção entre os valores, do SIPT e do Laudo, em si mesma, não é meio hábil para desconsideração do Laudo assinado pelo experto, no caso o engenheiro agrônomo Rodrigo Octávio Monteiro de Sousa Lima. Aceitar o procedimento acima da autoridade autuante (seguido também pela julgadora) implicaria em afastar qualquer laudo em dissonância com o SIPT, como já dito, sem uma contra-prova documental que tratasse do mesmo ponto da controvérsia, sempre lembrando que as realidades tratadas pelo SIPT e pelo Laudo específico têm apenas pontos de contato, porém são diversas. O SIPT detém valores genéricos de determinado município. Já o laudo técnico aprecia determinado imóvel nesse município, detalhando suas especificidades. O procedimento perpetrado pela autoridade lançadora (e corroborado pela autoridade julgadora) implicaria na assunção de uma completa subjetividade na definição da base de cálculo da exação, a depender apenas daquela que a autoridade reputasse mais "razoável", que sempre seria o valor do SIPT, eventualmente até ratificado pelo laudo técnico. Isso não pode ser acatado, já que o Laudo Técnico avaliou de forma individualizada o imóvel rural em discussão, sendo subscrito por profissional competente, e, em princípio, não poderia ser arrostado pelos valores genéricos do SIPT, os quais, no caso vertente, detém, inclusive, largo espectro de variação entre os exercícios auditados, a indicar que o SIPT do município de Espinosa — MG pode ser um ponto de partida para o arbitramento, mas jamais um ponto de chegada, inatacável (apenas para se ter uma idéia da variabilidade, a autoridade fiscal utilizou o VTN de R$ 150,00/ha referente às matas no exercício 2003; já no exercício 2004, como o VTN das matas havia passado para R$ 750,00/ha, a autoridade utilizou o VTN de campos — R$ 200,00/ha; no exercício 2005, o VTN das matas continuava em R$ 750,00/ha, e a autoridade tomou a utilizar o VTN dos campos — R$ 300,00/ha. Percebe-se que a autoridade utilizou o menor VTN por aptidão agrícola, o que seria uma boa técnica de arbitramento, porém causa espécie que o valor do V'TN tenha aumentado 100% do exercício 2003 para 2005). Com as considerações acima, aqui se acata o valor da terra nua constante no Laudo Técnico de fls. 17 a 122, para o exercício 2003, no valor de R$ 24,31 por hectare, o que implica em um valor da terra nua de R$ 175.090,34 (item 17 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido — fl. 04). Por fim, na defesa do item IV, o contribuinte alega que o ITR é um imposto sujeito ao lançamento por declaração, sendo incabível a cobrança de juros de mora e multa de oficio. Ademais, tais acréscimos legais são confiscatórios, sendo que os juros de mora à taxa Selic incorre em outra ilegalidade, já que a taxa Selic tem caráter remuneratório e não moratório. Inicialmente, deve-se anotar que o fator gerador do ITR se aperfeiçoa em 1° de janeiro de cada ano, consubstanciado na propriedade, no domínio útil ou na posse de imóvel localizado fora da zona urbana, na forma do art. 1°, caput, da Lei n° 9.393/96, verbis: Art. 1° O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em I° de janeiro de cada ano. 13 O art. 10 da Lei n° 9.393/96 não deixa qualquer dúvida que o lançamento do ITR é por homologação, como se pode ver pela estrita dicção legal, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Assim, após o exercício 1997, quando entrou em vigência a Lei n° 9.393/96, não há qualquer dúvida de que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação e não por declaração, como pugnado pelo recorrente. O entendimento acima era comungado no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuintes, então competente para apreciar as controvérsias no âmbito do 1TR, como se poder ver pelos Acórdãos n° 301-34.789, sessão de 15/10/2008, unânime, relator o Conselheiro Luiz Roberto Domingo; n° 303-35233, sessão de 24/04/2008, por maioria, relator o Conselheiro Nilton Luiz Bártoli; e n° 392-00008, sessão de 23/09/2008, por maioria, relator o Conselheiro Francisco Eduardo Orcioli Pires e Albuquerque Pizzolante. Ainda, aberto procedimento de oficio em desfavor do contribuinte, deve-se apurar o imposto devido, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, na forma do art. 14, § 2°, da Lei n° 9.393/96. No ponto, sem razão o recorrente. Para concluir, passa-se a apreciar a irresignação referente ao caráter confiscatório dos acréscimos e da incidência dos juros de mora à taxa Selic. A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF n° 4 (DOU de 22/12/2009): "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulás federais". Assim, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. Quanto ao caráter confiscatório dos juros de mora e da multa de oficio de 75%, deve-se anotar que essa defesa não pode ser acatada, já que isso implicaria na declaração de inconstitucionalidade da legislação acima citada e do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 (base legal da multa de oficio), procedimento que é vedado ao julgador administrativo, na forma da Súmula CARF n° 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em siunula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 14 Processo n° 10670.720131/2007-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.583 Fl. 476 Dessa forma, não pode prosperar, neste ponto, a irresignação do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de AFASTAR a nulidade vindicada e, no mérito, DAR parcial provimento para: • excluir a área de preservação permanente de 892,0 hectares da área tributável; • reconhecer o estado de calamidade pública, com o devido impacto no grau de utilização da propriedade; • acatar o valor da terra nua constante no Laudo Técnico trazido pelo recorrente, implicando em um VTN de R$ 175.090,34 (item 17 do Demonstrativo de Ap o Imposto Devido — fl. 04). Sala das Sessões, em 12 de maio de 2010 /11 / Giovanni Christian Nunt /?os / / 15

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6665921 #
Numero do processo: 10480.917351/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.088
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­001.088  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de janeiro de 2017  Assunto  PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO.  Recorrente  RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Rodolfo  Tsuboi  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco.  Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  de  PER  que  pretende  obter  reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior.  O  sistema  informatizado  da Receita  Federal  emitiu  o Despacho Decisório  em  processamento automatizado  indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde  viria  o  crédito  já  estava  totalmente  comprometido  em  quitação  de  débito  constante  de  declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco.  A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que:  1.  A  autoridade  de  administração  e  a  autoridade  fiscal  não  tomaram  conhecimento  das  razões  da  contribuinte  para  seu  direito,  nem  se  aprofundaram  em  sua  análise,  nem  buscaram  investigar  os  fatos;  a  contribuinte  não  foi  intimada  a  explicar  os  fundamento  do  seu  pedido  antes do despacho decisório;     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 35 1/ 20 11 -1 1 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10480.917351/2011­11  Resolução nº  3401­001.088  S3­C4T1  Fl. 3          2  2.  seu  direito  repousa  no  fato  de  que  ela  indevidamente  tinha  incluído  na  base  de  cálculo  do  tributo  receitas  (tais  como  receitas  financeiras,  e  outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º  do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às  receitas  de  faturamento  pela  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços.  3.  Pede  a  reunião  dos  vários  processos  administrativos  que  tratam  da  mesma matéria/tributo, mudando  apenas  os  períodos  de  apuração,  para  serem julgados na mesma ocasião.  Os  Julgadores  de  1º  piso  não  acolheram  o  pedido  de  reunião  dos  vários  processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela  insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do  seu  pedido,  no  momento  da  interposição  da  Manifestação  de  Inconformidade,  sob  pena  de  preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°,  do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida.  Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório,  nos termos do Acórdão 11­041.084.   Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual  repisou  as  alegações  apresentadas  na  manifestação  de  inconformidade,  e  acrescentou  as  seguintes:  ●  não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha,  balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte;  ●  a  autoridade  fiscal  não  questionou  a  efetividade  dos  pagamentos  em  discussão;  ●  não  pode  prevalecer  o  entendimento  ­  esposados  pelos  julgadores  de  1º  piso  ­  de  que  houve  preclusão  para  a  juntada  de  provas;  isso  fere  o  disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972  (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente  trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências;  ●  a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se  analisar e se deferir o direito da contribuinte;  ●  Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de  inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo  STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal;  ●  a  Verdade  Material  deve  prevalecer,  e  a  autoridade  deve  realizar  um  exame completo dos fatos.  É o relatório    Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10480.917351/2011­11  Resolução nº  3401­001.088  S3­C4T1  Fl. 4          3  Voto  Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução 3401­000.984,  de  25  de  janeiro  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  10480.900040/2012­01,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401­000.984):  "Tempestivo  o  Recurso  e  atendidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado  automaticamente,  sem  que  haja  qualquer  intervenção  humana  para  rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua  conclusão.  É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda  totalmente  a  situação  quando  recebe  a  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  mantendo  o  indeferimento  eletrônico  inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por  parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto  da  preclusão  probatória  para  justificar  a  impossibilidade  de  reverter  as negativas até então impostas à contribuinte.  Coerente  com  minhas  propostas  de  votação  anteriores  em  situações  semelhantes,  baseado  no  argumento  de  que  o  princípio  da  verdade  material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos  preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse  público maior praticar a injustiça fiscal ­ qual seja, a manutenção no  Tesouro  do  pagamento  indevido  ­  ,  é  que  proponho  que  se  tome  providências  para  garantir  substantivamente  o  contraditório  (e  não  apenas  formalmente)  e  para  se  verificar  a  verdade  do  alegado  pelas  partes.  As  teses  que  esposo  divergem  das  postas  no  acórdão  de  1º  piso:  (a)  para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão  probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material,  e  que  os  julgadores  do  processo  administrativo  possam  agir  e  determinar  providências  nessa  direção,  aliás  como  expus  em  outros  votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a  negativa  em pedidos de  restituição e/ou  compensações motivada pela  inexistência  de  créditos  líquidos  e  certos  passe  a  considerar  que  a  liquidez  e  certeza  possam  ser  demonstradas  ao  longo  do  processo  administrativo,  não  se  limitando  ao  que  o  instruiu  antes  de  sua  chegada à instância de julgamento.  Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira  contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no  mínimo considerado princípio de prova.  Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10480.917351/2011­11  Resolução nº  3401­001.088  S3­C4T1  Fl. 5          4  Por  isso,  tendo em vista que a administração  tributária de  jurisdição  não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este  Colegiado  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  jurisdição  local  analise  e  informe  a  respeito  do  alegado  pela  contribuinte,  e  também  a  respeito  da  existência  de  retificação  realizada  ou  tentada  pela  contribuinte  com  relação  ao  (débitos  e  créditos) discutido neste processo administrativo.  Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório  conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de  30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  converto  o  julgamento  deste  processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do  alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada  pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo.   (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl      Fl. 178DF CARF MF

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Numero do processo: 13864.000094/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COFINS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150, § 4º e 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3201-002.606
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos conheceu-se em parte o recurso, em razão da concomitância e na parte conhecida, deu-se parcial provimento para acatar a decadência referente ao período de 01/2002 a 04/2002. Winderley Morais Pereira - Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13864.000094/2007­83  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.606  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de março de 2017  Matéria  AUTO DE INFRACAO ­ COFINS  Recorrente  PANASONIC ELETRONIC DEVICES DO BRASIL LTD  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002  COFINS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150,  §  4º  e  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  DO  ARTIGO  62  DO  RICARF.  MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO  PELO STJ.  Nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015  ­ Código de Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na  sistemática  do  artigo  543C  do  Código  de  Processo  Civil,  entendeu  que  o  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  termos  do  inciso  I  do  artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em  que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito  da previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação de dolo,  fraude  ou  simulação do contribuinte.  PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo  entre  as  normas  reguladoras  do  Processo  Administrativo  Fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de  impulsionar o processo até sua decisão final.  CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 94 /2 00 7- 83 Fl. 676DF CARF MF     2 Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.      Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Por  unanimidade  de  votos  conheceu­se  em  parte  o  recurso,  em  razão  da  concomitância  e  na  parte  conhecida,  deu­se  parcial  provimento  para  acatar  a  decadência  referente ao período de 01/2002 a 04/2002.  Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   José Luiz Feistauer de Oliveira ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  Damorim, Winderley  Morais  Pereira,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Ana  Clarissa  Masuko  dos  Santos Araujo,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Tatiana  Josefovicz Belisário  e  Cássio Schappo.  Relatório  Por  bem  descrever  a matéria  e  os  fatos  abordados  neste  processo,  adoto  e  transcrevo abaixo o relatório que serviu de base para a Decisão Recorrida (efls. 601 a 610):  Trata­se  de  impugnação  a  exigências  fiscais  relativas,  nesta  ordem,  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  —  Cofins,  formalizada  no  auto  de  infração  de  fls.  181/188,  perfazendo R$ 1.566.091,59,  e  à Contribuição  para  o  Programa de Integração Social — PIS,  formalizada no auto de  infração de fls. 189/197, totalizando R$ 388.495,13; referentes a  fatos geradores ocorridos entre  janeiro e dezembro de 2002. O  montante constituído por intermédio de cada Auto de Infração é  composto  pelo  valor  principal  acrescido  de  multa  de  oficio  e  juros de mora.  Conforme explicita a fiscalização em cada auto de infração e no  Termo  de Verificação Fiscal,  fls.  179/180,  a  autuação  tem  por  fundamentos a não inclusão pela contribuinte na base de cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  os  valores  de  vendas  destinadas  à  Zona  Franca de Manaus.  A contribuinte foi notificada, fls. 181 e 190, de cada autuação em  17/05/2007,  tendo  apresentado,  em  15/06/2007,  impugnações  aos autos de infração referentes COFINS, fls. 204/221, e ao PIS,  fls.368/385,  essencialmente, de mesmo  teor,  nas quais  sustenta,  em breve síntese:  Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 3          3 • Em preliminar que:  ­ As impugnações são tempestivas;  ­ Deve ser sobrestado o julgamento administrativo até a decisão  definitiva  na  ação  declaratória  n°  2002.61.03.003515­4,  da  3ª  Vara Federal  em São  José  dos Campos,  em que  a  contribuinte  discute a  legitimidade da  inclusão das receitas decorrentes das  vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus na  base de cálculo do PIS e da COFINS;  ­ Deu­se a decadência em relação a fatos geradores ocorridos de  janeiro a abril de 2002, a teor do artigo 150, 4°, do CTN.  Assevera:  No  caso  em  questão,  a  impugnante  calculou  e  recolheu  o  montante  do  tributo  que  entendeu  devido,  o  que  não  implica  o  deslocamento da contagem do prazo para o artigo 173, I do CTN  ou para qualquer outro.  • No mérito que:  ­ A ação declaratória discute a isenção das receitas decorrentes  de vendas destinadas A ZFM. Quer debater no presente processo  a imunidade de tais receitas com alegado suporte: no art. 149 da  CF/88, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 33,  de 11 de dezembro de 2001; no artigo 40 do Ato das Disposições  Constitucionais Transitórias (ADCT); e no artigo 4° do Decreto­ Lei no 288/67;  ­  É  ilegal  e  inconstitucional  a  aplicação  da  taxa  SELIC  na  correção de débitos tributários.  A decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em  Campinas  (SP),  julgou,  por unanimidade de votos,  improcedente  a  impugnação, mantendo o  crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram­ se consubstanciados na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECADÊNCIA.  INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  não  ocorre  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento  de  oficio,  o  prazo  decadencial  tem  inicio  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  poderia ser realizado.  SOBRESTAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  PRINCIPIO  DA  OFICIALIDADE.  Pelo principio da oficialidade, que orienta o contencioso fiscal,  não pode a autoridade administrativa sobrestar o julgamento.  Fl. 678DF CARF MF     4 CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  RECEITAS  DE  VENDAS.  ZONA  FRANCA DE MANAUS. IMUNIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.  As  receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus não são  imunes  às  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico.  NORMAS  PROCESSUAIS.  DISCUSSÃO  JUDICIAL  E  PROCESSO  ADMINISTRATIVO.  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  RENÚNCIA  A  DISCUSSÃO  PELA  VIA ADMINISTRATIVA.  A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui  a constituição do crédito tributário pela autoridade tributária e  acarreta  a  renúncia  a  discussão  administrativa  sobre a mesma  matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte  da autoridade a quem caberia o julgamento.  JUROS DE MORA.  SELIC. A  aplicação  de  juros  com  base  na  taxa Selic decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa  competência para afastá­la.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Inconformado  com  a  decisão,  o  recorrente  apresentou,  tempestivamente,  o  presente  recurso  voluntário,  no  qual  sustenta  que  haveria  possibilidade  jurídica  do  sobrestamento  do  procedimento  administrativo;  reclama  que  já  estaria  decaída  a  parte  do  lançamento  atinente  ao  período  de  apuração  compreendido  entre  Janeiro  de  2002  e Abril  de  2002 e finalmente alega a imunidade das receitas decorrentes da venda de produtos a clientes  localizados na Zona Franca de Manaus, para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da  COFINS, a partir de 24 de maio de 2001.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira  O Recurso Voluntário do contribuinte (efls. 618 a 635) atende aos requisitos  de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento.  Trata o presente processo de autos de infração de PIS e Cofins, referentes a  fatos  geradores  ocorridos  entre  janeiro  e  dezembro  de  2002,  fundamentados  na  falta  da  inclusão, na base de cálculo destas contribuições, de valores oriundos de vendas destinadas à  Zona Franca de Manaus.  1  Da possibilidade jurídica de sobrestamento do presente Processo Administrativo  A  Recorrente  insiste  que  seria  necessário  o  sobrestamento  do  presente  processo  até  a  decisão  definitiva  na  ação  declaratória  nº  2002.61.03.003515­4,  da  3ª  Vara  Federal  em São  José dos Campos,  em que  se discute  a  legitimidade da  inclusão das  receitas  decorrentes das vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus na base de cálculo  do PIS e da COFINS. Cita  jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes para amparar  Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 4          5 seus  argumentos.  Lembra,  ainda,  que  estaria  trazendo  outros  fundamentos  jurídicos  em  sua  impugnação e que, portanto, não seria o caso de renúncia à via administrativa.  No caso, já ressaltou a decisão recorrida que o sobrestamento do julgamento  ofende  o  principio  da  oficialidade,  pelo  qual  a  administração  deve  impulsionar  o  processo.  Cumpre também esclarecer que, desde o início da vigência da Portaria MF nº 545, de 2013, os  membros do CARF, não estão mais obrigados a sobrestar o julgamento de recursos, de ofício  ou  voluntário,  cujos  temas  eventualmente  sejam  objeto  de  repercussão  geral  ou  recurso  repetitivo pendente de decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal  de Justiça, conforme o caso.  Portanto, resta evidente que não existe fundamento jurídico para se sobrestar  o  julgamento  do  presente  processo  e  deve­se  então  ser  afastada  esta  hipótese  suscitada  pela  defesa.  Por último, quanto  à questão do  sobrestamento,  deve­se  ainda alertar que  a  existe  regra  específica  para  a  situação  presente  neste  processo  que  é  justamente  a  da  concomitância,  enunciada  na  Súmula CARF  nº  01,  conforme  veremos  adiante. Neste  ponto,  cabe  transcrever  trecho  do Parecer Normativo Cosit  nº 7/2014, que na  sua  alínea  “e” dispõe  (grifei):  e)  a  renúncia  às  instâncias  administrativas  não  impede  que  a  Fazenda  Pública  dê  prosseguimento  normal  aos  seus  procedimentos,  a  despeito  do  ingresso  do  sujeito  passivo  em  juízo;  proferirá,  assim,  decisão  formal,  declaratória  da  definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e  deixará  de  apreciar  suas  razões  e  de  conhecer  de  eventual  petição por  ele apresentada, encaminhando o processo para a  inscrição  em  DAU  do  débito,  quando  existente,  salvo  a  ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito  tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN;  2  Da decadência parcial referente ao período de Janeiro/2002 a Abril/2002  Argumenta  a  Recorrente  que  como  teria  sido  intimada  do  lançamento  em  17/05/2006,  haveria  a  decadência  do  direito  do  fisco  à  constituição  do  crédito  para  os  fatos  geradores ocorridos no período de janeiro a abril de 2002. Aponta que o pleno do Egrégio STF  já  teria  reconhecido  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  45  e  46  da  Lei  n°  8.212/81,  que  conferiria ao Fisco o direito de se apurar e de se constituir os créditos previdenciários no prazo  de até 10 (dez) anos, vide a Súmula Vinculante nº 8. Conclui então que, conforme dispõe o Art.  150, § 4º do CTN, passados mais de 5 anos do fato gerador, nada mais lhe poderia ser exigido.  Cita e transcreve jurisprudência do CARF para amparar seus argumentos.  Quanto  ao  prazo  decadencial  para  lançamento  dos  créditos  tributários  nos  casos de tributos cujo lançamento é por homologação, deve­se destacar que o Egrégio Superior  Tribunal de Justiça, valendo­se da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no  REsp 973.733/SC, o entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por  homologação, havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado a partir  da realização do fato gerador do tributo (artigo 150, §4º do CTN); do contrário, o prazo deve  ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado:  Fl. 680DF CARF MF     6 PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.  IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito  da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (...).  3. O dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida regra decadencial rege­se pelo disposto no artigo 173, I,  do CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e).  (REsp 973733/SC, Rel. Min.  LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo)  Por conta disso, deve­se aplicar ao presente caso o art. 62, § 2º do Regimento  Interno do CARF, na redação dada pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, o qual  prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito  proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos:  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016)  No caso, existe menção, na decisão recorrida, de que  teriam sido realizadas  consultas  ao  sistema  de  controle  de  pagamentos  efetuados  ao  fisco  (SINAL08),  não  sendo  encontrados  recolhimentos  referentes  à  COFINS  ou  ao  PIS,  relativamente  ao  períodos  de  apuração  de  janeiro  a  abril  de  2002.  Ainda,  nos  demonstrativos  que  integram  o  Auto  de  Infração, efls. 224/225 e 233/234, existem menções a valores recolhidos iguais a zero.   Porém,  no  que  concerne  à  questão  em  litígio,  os  elementos  constantes  nos  autos revelam que de fato houve antecipação de pagamento, conforme é possível verificar nas  efls.  206  a  217,  onde  está  claramente  demonstrado  que  houveram  recolhimentos  de  PIS  e  Cofins  no  período  objeto  de  autuação.  Cabe  também  destacar  o  item  3  do  Termo  de  Verificação fiscal, efl. 219, onde está consignado que os demonstrativos mensais de apuração  fornecidos pelo contribuinte, efls. 206 a 217, serviram de base para a autuação fiscal, na qual  foram tributadas as diferenças encontradas pela fiscalização.   Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 5          7 Como conseqüência, em havendo pagamento, a extinção do crédito tributário  ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN. Em tal hipótese, o dies  a quo para contagem do prazo decadencial corresponde à data do fato gerador do tributo. Uma  vez  que  a  notificação  do  contribuinte  ocorreu  17  de  maio  de  2006,  a  contagem  do  prazo  decadencial nos termos do art. 150 § 4º do CTN leva à conclusão de que houve a decadência do  crédito tributário lançado a título de PIS e COFINS, referente aos meses de Janeiro a Abril de  2002.  3  Da imunidade das receitas decorrentes da venda de produtos a clientes localizados na  Zona Franca de Manaus (ZFM)  A  discussão  quanto  à  incidência  do  PIS  e  da  Cofins  sobre  as  receitas  de  vendas para a ZFM encontra­se submetida à apreciação do Poder Judiciário, conforme admite a  própria Recorrente em sua  impugnação (efls. 245/262) e demonstram os documentos de efls.  284/408. Por este motivo, não deve ser conhecida a parte do recurso referente à esta matéria.  Verificando­se  o  andamento  das  principais  decisões  da  ação  declaratória  nº  2002.61.03.003515­4, da 3ª Vara Federal em São José dos Campos, podemos citar (grifei):  Trata­se  de  ação,  sob  o  procedimento  comum  ordinário,  ajuizada com a finalidade de declarar o direito da parte autora  de  não  ser  compelida  ao  pagamento  da  COFINS  e  da  contribuição ao PIS, com base na Lei no 9.004/95, no Decreto  n°  1.030/93,  na  Medida  Provisória  n°  1.858­6/99  e  suas  reedições, sobre o resultado de suas vendas à Zona Franca de  Manaus,  tendo  em  vista  a  isenção  prevista  no  Decreto­lei  n°  288/67  e  assegurada  pelo  artigo  40  do  Ato  das  Disposições  Transitórias da CF/88.  (...)  Em face do exposto, com fundamento no art. 269,  I, do Código  de  Processo  Civil,  julgo  procedente  o  pedido,  para  declarar  a  inexistência  de  relação  jurídico­tributária  que  obrigasse  a  autora  ao  recolhimento  da  COFINS  e  da  contribuição  ao  PIS  incidentes sobre as vendas realizadas a empresas localizadas na  Zona Franca de Manaus, a partir dos dez anos que precederam  o ajuizamento da ação.  Em razão disso, declaro o direito da parte autora de compensar  os  valores  indevidamente  pagos  e  comprovados  nestes  autos  com  débitos  das  próprias  contribuições,  vale  dizer,  COFINS  com  COFINS  e  PIS  com  PIS,  sobre  os  quais  deverá  ser  aplicada a taxa SELIC, observando­se, ainda, o disposto no art.  170­A do Código Tributário Nacional.  Reproduz­se então a ementa do acórdão nº 1408/2010, proferido pelo TRF /  3ª Região, para melhor esclarecimento:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  ­  ULTRA  PETITA  ­  PRELIMINAR  REJEITADA  ­  PIS  E  COFINS  ­  RECEITAS DE  VENDAS DE MERCADORIAS ­ ZONA FRANCA DE MANAUS ­  Fl. 682DF CARF MF     8 EXCLUSÃO  DA  ISENÇÃO  ­  IMPOSSIBILIDADE  ­  PRESCRIÇÃO ­ COMPENSAÇÃO ­ POSSIBILIDADE ­ SELIC. 1. A sentença decidiu a lide dentro dos contornos delineados no  pedido.  2. A isenção delimita a regra de incidência tributária impedindo  que ocorra o nascimento do fato gerador, e deve prever de forma  específica  o  tributo a  que  se  refere  e as  condições  e  requisitos  exigidos para a sua fruição.  3.  A  Zona  Franca  de  Manaus,  em  razão  de  peculiaridades  decorrentes  basicamente  da  sua  localização  geográfica,  recebe  tratamento  tributário  diferenciado  pelo  legislador  e  pelo  constituinte a teor do art. 4º do Decreto­lei nº 288/67.  4. A Constituição da República traz norma específica a respeito  da Zona Franca no artigo 40 do ADCT.  5.  Reconhece­se  o  tratamento  tributário  diferenciado  para  os  produtos  destinados  àquela  localidade,  que  devem  ser  equiparados àqueles destinados à exportação.  5. Precedentes do Tribunais Superiores e desta Corte Regional.  6.  O  lapso  prescricional  deve  ser  computado  a  partir  do  recolhimento  dos  valores  devidos,  estando  atingidas  pela  prescrição  a  pretensão  relativa  aos  períodos  anteriores  ao  qüinqüênio antecedente à propositura da ação, nos termos do art  168, I do CTN.  7.  Inviável  a  compensação  da  COFINS  e  do  PIS  com  outros  tributos  administrativos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  mediante entrega de declaração contendo as informações sobre  os créditos e débitos utilizados.  8. O excedente recolhido a título de PIS poderá ser compensado  apenas e tão­somente com prestações vincendas do próprio PIS,  e  que  apresentem  idêntico  titular  da  relação  obrigacional  tributária, já que é pressuposto da compensação sejam as partes  mutuamente credora e devedora uma da outra e por possuírem  idêntica destinação e titularidade, é possível a compensação da  COFINS com a própria COFINS.  9.  Por  força  do  disposto  no  art.  39,  §  4º,  da  Lei  9.250/95,  a  partir  de  01º  de  janeiro  de  1996,  aplica­se  a  SELIC  de  forma  exclusiva sobre o valor do crédito tributário expresso em reais,  ou  seja,  sem  a  utilização  concomitante  de  outro  índice,  seja  a  título de juros ou correção monetária.  10.  Ressalvado  o  direito  da  autoridade  administrativa  em  proceder  a  plena  fiscalização  acerca  da  existência  ou  não  de  créditos  a  serem  compensados,  exatidão  dos  números  e  documentos  comprobatórios,  "quantum"  a  compensar  e  conformidade  do  procedimento  adotado  com  a  legislação  de  regência.  Em  2016,  o  TRF  3º  Região  decidiu,  em  sede  de  julgamento  de  embargos  interpostos pela recorrente, que como a referida ação havia sido proposta em 30.09.2002, deve­ Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 6          9 se aplicar a prescrição decenal aos valores indevidamente recolhidos pela autora a título de PIS  e COFINS objeto de compensação:  DECISÃO   Trata­se de embargos infringentes interpostos por PANASONIC  ELECTRONIC  DEVICES  DO  BRASIL  LTDA  em  face  do  acórdão  de  fls.  349/357,  o  qual,  por  maioria,  deu  parcial  provimento à apelação e à remessa oficial,  tão­somente para o  fim de reconhecer a prescrição quinquenal do direito da autora  à compensação dos valores recolhidos a título de PIS e COFINS  incidentes sobre receitas de vendas de mercadorias para a Zona  Franca  de  Manaus,  vencida  a  Desembargadora  Federal  Consuelo  Yoshida,  que  entendia  pela  aplicação  da  prescrição  decenal.  Sustenta  a  embargante,  em  síntese,  o  direito  à  aplicação  da  prescrição decenal aos valores indevidamente recolhidos a título  de  PIS  e  COFINS  objeto  de  compensação,  na  forma  do  entendimento firmado pelo voto minoritário.  Intimada,  a  União  Federal  não  apresentou  contrarrazões  (fl.  598).  Admitidos os embargos à fl. 626, vieram os autos conclusos para  julgamento.  É o relatório.  Decido, nos termos do art. 557 do Código de Processo Civil.  A  questão  encontra­se  pacificada  nos  termos  do  entendimento  firmado pelo  Supremo Tribunal Federal  quando do  julgamento  do Recurso Extraordinário nº 566.621­RS, que acolheu a tese de  que  o  prazo  quinquenal  previsto  pela  Lei  Complementar  n°  118/2005  aplica­se  somente  às  demandas  ajuizadas  posteriormente ao término do período de sua vacatio legis, vale  dizer,  a  partir  de  09.06.2005,  independentemente  da  data  do  recolhimento do tributo.  Confira­se, a propósito:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ­  LEI  INTERPRETATIVA  ­  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  ­  DESCABIMENTO  ­  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA ­ NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO  LEGIS  ­  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS  AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005. Quando do  advento  da LC 118/05,  estava consolidada a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  Fl. 684DF CARF MF     10 normativa,  tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada  como  lei  nova.  Inocorrência  de  violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente à  luz do prazo então aplicável, bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança  e  de  garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente  às ações ajuizadas após a 'vacatio legis', conforme entendimento  consolidado  por  esta  Corte  no  enunciado  445  da  Súmula  do  Tribunal.  O  prazo  de  'vacatio  legis'  de  120  dias  permitiu  aos  contribuintes não apenas que  tomassem ciência do novo prazo,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela  dos  seus  direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida  sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir  de  9  de  junho  de  2005.  Aplicação do art. 543­B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.  (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno,  julgado  em  04/08/2011,  REPERCUSSÃO  GERAL  ­  MÉRITO  DJe­195  DIVULG  10­10­2011  PUBLIC  11­10­2011  EMENT  VOL­02605­02 PP­00273 RTJ VOL­00223­01 PP­00540)  Em  suma,  o  Excelso  Pretório  cristalizou  o  entendimento  mais  favorável ao contribuinte ao determinar que a Lei Complementar  118/2005  é  aplicável  somente  para  as  demandas  ajuizadas  a  partir de 09.06.2005 e que o prazo da pretensão de  restituição  do  tributo  é  de  cinco  anos  a  contar  do  pagamento  indevido,  independentemente  da  sua  homologação,  seja  ela  expressa  ou  tácita.  Portanto, para as ações propostas antes de tal data, prevalece o  entendimento  consolidado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  quando  do  julgamento  do  REsp  nº  960239/SC,  submetido  ao  regime de repercussão geral, no sentido de que aplicável o prazo  de  cinco  anos  contados  da  ocorrência  do  fato  gerador,  acrescidos de mais cinco anos contados da homologação tácita,  em  se  tratando  de  repetição  de  indébito  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação.  Transcrevo, por oportuno, a ementa do referido julgado:  Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 7          11 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  COMPENSAÇÃO.  IMPUTAÇÃO EM PAGAMENTO. ART.  354  DO  CÓDIGO  CIVIL.  INAPLICABILIDADE.  TRIBUTO  SUJEITO  AO  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRESCRIÇÃO.  TERMO  INICIAL.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  ARTIGO  4º,  DA  LC  118/2005.  DETERMINAÇÃO  DE  APLICAÇÃO  RETROATIVA.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  CONTROLE  DIFUSO.  CORTE  ESPECIAL.  RESERVA  DE  PLENÁRIO.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP  1002932/SP,  JULGADO  EM  25/11/09, SOB O REGIME DO ART. 543­C DO CPC.  1.  O  princípio  da  irretroatividade  implica  a  aplicação  da  LC  118/2005  aos  pagamentos  indevidos  realizados  após  a  sua  vigência e não às ações propostas após a mesma, tendo em vista  que a referida norma pertine à extinção da obrigação e não ao  aspecto processual da ação.  2.  A  Primeira  Seção,  quando  do  julgamento  do  Resp  1002932/SP,  sujeito  ao  regime  dos  "recursos  repetitivos",  reafirmou  o  entendimento  de  que  "O  advento  da  LC  118/05  e  suas  consequências  sobre  a  prescrição,  do  ponto  de  vista  prático,  implica dever a mesma ser contada da seguinte forma:  relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência  (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito  é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente  aos  pagamentos  anteriores,  a  prescrição  obedece  ao  regime  previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo  de  cinco  anos  a  contar  da  vigência  da  lei  nova."  (RESP  1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em 25/11/2009) 3.  Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da  expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106,  I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário  Nacional",  constante  do  artigo  4º,  segunda  parte,  da  Lei  Complementar  118/2005  (AI  nos  ERESP  644736/PE,  Relator  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007).  4. In casu, a recorrente, que impetrou o presente mandamus em  26/08/2005,  pugna pelo  reconhecimento  do  prazo prescricional  decenal, porquanto o Tribunal de origem entendeu ser aplicável  à  espécie  o  prazo  quinquenal,  merecendo  reforma,  nesse  particular, o acórdão recorrido, para reconhecer a inocorrência  da  prescrição  relativamente  aos  pagamentos  efetuados  nos  10  anos  imediatamente  anteriores  ao  ajuizamento  da  ação,  com  observância  do  critério  de  contagem  do  prazo  prescricional  acima explicitado.  5.  A  imputação  do  pagamento  na  seara  tributária  tem  regime  diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil),  inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial  imputar­ se­á  primeiro  sobre  os  juros  para,  só  depois  de  findos  estes,  amortizar­se o capital.  Fl. 686DF CARF MF     12 (Precedentes:  REsp  1130033/SC,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  03/12/2009,  DJe  16/12/2009; AgRg no Ag 1005061/SC, Rel. Ministro BENEDITO  GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe  03/09/2009;  AgRg  no  REsp  1024138/RS,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  16/12/2008,  DJe  04/02/2009;  AgRg  no  REsp  995.166/SC,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  03/03/2009,  DJe  24/03/2009;  REsp  970.678/SC,  Rel.  Ministro  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado em 02/12/2008, DJe 11/12/2008; REsp 987.943/SC, Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  19/02/2008,  DJ  28/02/2008;  AgRg  no  REsp  971016/SC,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  14/10/2008, DJe 28/11/2008) 6. Os artigos do Código Civil, que  regulam os institutos da imputação e da compensação, dispõem  que,  in  verbis:  Da  Imputação  do  Pagamento  (...)  "Art.  354.  Havendo capital e juros, o pagamento imputar­se­á primeiro nos  juros  vencidos,  e  depois,  no  capital,  salvo  estipulação  em  contrário, ou se o credor passar quitação por conta do capital."  Da compensação (...) "Art. 374. A matéria da compensação, no  que  concerne  às  dívidas  fiscais  e  parafiscais,  é  regida  pelo  disposto  neste  capítulo."  (Revogado  pela  Lei  10.677/03)  "Art.  379.  Sendo  a  mesma  pessoa  obrigada  por  várias  dívidas  compensáveis  serão  observadas,  no  compensá­las,  as  regras  estabelecidas quanto à imputação do pagamento." 7. O art. 374  restou expressamente revogado pela Lei n.º 10.677/2003, a qual,  não  tendo  sido  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  deve  ser  aplicada,  sob  pena  de  violação  de  cláusula  de  plenário,  ensejando reclamação por infringência da Súmula Vinculante nº  10,  verbis:  "Viola  a  cláusula de  reserva  de  plenário  (cf,  artigo  97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não  declare  expressamente  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  do  poder  público,  afasta  sua  incidência,  no  todo  ou  em  parte."  8.  Destarte,  o  próprio  legislador  excluiu  a  possibilidade  de  aplicação  de  qualquer  dispositivo  do  Código  Civil  à  matéria  de  compensação  tributária,  determinando  que  esta continuasse regida pela legislação especial. O Enunciado nº  19  da  Jornada  de  Direito  Civil  CEJ/STJ  consolida  esse  entendimento, litteris: "19 ­ Art. 374: a matéria da compensação  no que concerne às dívidas  fiscais e parafiscais de Estados, do  Distrito Federal  e de Municípios não é  regida pelo art. 374 do  Código  Civil."  9.  Deveras,  o  art.  379  prevê  a  aplicação  das  regras  da  imputação  às  compensações,  sendo  certo  que  a  exegese do referido diploma legal deve conduzir à limitação da  sua eficácia às relações regidas pelo Direito Civil, uma vez que,  em seara de Direito Tributário, vige o princípio da supremacia  do  interesse  público,  mercê  de  o  art.  354,  ao  disciplinar  a  imputação  do  pagamento  no  caso  de  amortização  parcial  do  crédito  por  meio  de  compensação,  ressalvar  os  casos  em  que  haja  estipulação  em  contrário,  exatamente  em  virtude  do  princípio  da  autonomia  da  vontade,  o  qual,  deslocado  para  o  segmento  fiscal,  impossibilita  que  o  interesse  privado  se  sobreponha ao interesse público.  10.  Outrossim,  a  previsão  contida  no  art.  170  do  CTN,  possibilitando a atribuição legal de competência, às autoridades  Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 8          13 administrativas  fiscais,  para  regulamentar  a matéria  relativa  à  compensação tributária, atua como fundamento de validade para  as  normas  que  estipulam  a  imputação  proporcional  do  crédito  em compensação tributária, ao contrário, portanto, das normas  civis sobre a matéria.  11.  Nesse  sentido,  os  arts.  66  da  Lei  8.383/91,  e  74,  da  Lei  9.430/96,  in verbis: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido  ou  a  maior  de  tributos  e  contribuições  federais,  inclusive  previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória,  o  contribuinte  poderá  efetuar  a  compensação  desse  valor  no  recolhimento  de  importância correspondente a períodos subsequentes.  (...)  §  4º.  O  Departamento  da  Receita  Federal  e  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  (INSS)  expedirão  as  instruções  necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." "Art. 74.  O sujeito passivo que apurar crédito,  inclusive os judiciais com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições administrados por aquele Órgão.  (...) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto  neste artigo, podendo, para  fins de apreciação das declarações  de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento,  fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou  a  ser  restituído  ou  ressarcido  e  dos  prazos  de  prescrição."  12.  Evidenciada,  por  conseguinte,  a  ausência  de  lacuna  na  legislação  tributária,  cuja  acepção  é  mais  ampla  do  que  a  adoção  de  lei,  e  considerando  que  a  compensação  tributária  surgiu originariamente com a previsão legal de regulamentação  pela  autoridade  administrativa,  que  expediu  as  IN's  n.º  21/97,  210/2002,  323/2003,  600/2005  e  900/2008,  as  quais  não  exorbitaram  do  poder  regulamentar  ao  estipular  a  imputação  proporcional  do  crédito  em  compensação  tributária,  reputa­se  legítima a metodologia engendrada pela autoridade fiscal, tanto  no âmbito formal quanto no material.  13. A interpretação a contrario sensu do art. 108 do CTN conduz  à  conclusão  no  sentido  de  que  a  extensa  regulamentação  emanada das autoridades administrativas impõe­se como óbice à  integração  da  legislação  tributária  pela  lei  civil, máxime à  luz  da sistemática adotada pelo Fisco, a qual respeita a integridade  do crédito fiscal, cuja amortização deve engendrar­se de  forma  única e indivisível, principal e juros, em perfeita sintonia com a  legislação vigente e com os princípios da matemática financeira,  da  isonomia, ao corrigir  tanto o crédito quanto o débito fiscais  pelo mesmo  índice  (SELIC), mercê  de  se  compatibilizar  com  o  disposto no art. 167 do CTN, que veda a capitalização de juros.  14.  Sob  esse  enfoque  são  os  termos  da  IN  SRF  900/08,  que  regulamenta, hodiernamente, a matéria referente à compensação  com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior.  Fl. 688DF CARF MF     14 15.  Recurso  especial  parcialmente  provido,  tão­somente  para  determinar a aplicação do prazo prescricional decenal. Acórdão  submetido ao regime do art. 543­C do CPC e da Resolução STJ  08/2008.  (REsp  960.239/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010)  Na  hipótese  dos  autos,  tendo  a  ação  sido  proposta  em  30.09.2002,  aplica­se  a  prescrição  decenal  aos  valores  indevidamente recolhidos pela autora a título de PIS e COFINS  objeto de compensação.  Ante  o  exposto,  nos  termos  do  art.  557,  §  1º­A,  do Código  de  Processo Civil, dou provimento aos embargos infringentes.  Intime­se.  São Paulo, 14 de março de 2016.  MÔNICA NOBRE   Desembargadora Federal  Como se vê, há elementos suficientes para se concluir pela concomitância da  discussão  administrativa  com  a  discussão  judicial,  posto  que  em  ambos  os  processos  a  Recorrente  se  insurge  contra  a  incidência  das  contribuições  PIS  e  Cofins  sobre  as  receitas  decorrentes da venda de produtos a clientes localizados na Zona Franca de Manaus, fato este,  inclusive, reconhecido pela litigante.  No caso,  independentemente das discussões  abordarem, na  esfera  judicial  a  isenção  das  receitas  de  venda  à  ZFM  e  na  esfera  administrativa  a  imunidade  das  mesmas  receitas, a matéria que fundamentou o presente lançamento foi, especificamente, a exclusão das  receitas decorrentes das vendas de mercadorias destinadas à ZFM da base de cálculo do PIS e  da COFINS. Logo, as conseqüências de ambos julgamentos, tanto na esfera judicial quanto na  administrativa, possuem o mesmo efeito prático de confirmar, ou não, a presente autuação.  Desta  forma,  a  submissão  da  mesma  matéria  à  tutela  do  Poder  Judiciário  importa  em  renúncia  ou  desistência  da  via  administrativa,  obstando  a  instância  julgadora  administrativa pronunciar­se sobre matéria levada pelo contribuinte ao Poder Judiciário.  Uma vez  verificada  a  concomitância  entre parte  do  objeto  destes  autos  e o  processo  judicial,  especificamente  quanto  à  incidência  de  PIS  e  Cofins  sobre  as  receitas  oriundas  das  vendas  de  produtos  a  clientes  localizados  na  Zona  Franca  de Manaus,  toda  a  argumentação relativa a esta matéria não deve ser conhecida, a teor da Súmula CARF nº  01:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de  setembro de 2011,  regulamentou a  matéria no mesmo sentido:  Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13864.000094/2007­83  Acórdão n.º 3201­002.606  S3­C2T1  Fl. 9          15 Art.  87.  A  existência  ou  propositura,  pelo  sujeito  passivo,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto  do  lançamento  importa  em  renúncia  ou  em  desistência  ao  litígio  nas  instâncias  administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único).  Parágrafo  único.  O  curso  do  processo  administrativo,  quando  houver matéria  distinta  da  constante  do  processo  judicial,  terá  prosseguimento em relação à matéria diferenciada.  Portanto,  em  relação  a  essa  matéria,  torna­se  definitiva  no  âmbito  administrativo  a  exigência  consubstanciada  no  presente  lançamento,  devendo­se,  contudo,  ressalvar­se a existência de medida suspensiva da exigibilidade, nos termos dos incisos II, IV e  V do art. 151 do CTN.   Finalmente,  deve­se  informar  que  conforme  consulta  realizada  ao  sítio  do  TRF 3ª RF, a referida ação judicial transitou em julgado em 29/07/2016. Logo, os efeitos desta  decisão  judicial  deverão  ser  obedecidos  pela  administração  tributária,  no  que  couber  ao  presente  processo,  especialmente  no  que  concerne  à  comprovação  de  que  haveriam  créditos  suficientes para a homologação das compensações em questão.   Por último, cabe observar que, pelo fato do trânsito em julgado ter ocorrido a  poucos  meses,  deverão  ser  verificados  eventuais  recursos  interpostos  junto  a  tribunais  superiores  que  ainda  estejam  sujeitos  a  exame,  bem  como  os  efeitos  decorrentes  de  uma  eventual interposição de ação rescisória por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional.  Diante do exposto, voto por conhecer em parte o Recurso Voluntário, para,  na  parte  conhecida,  dar  PARCIAL  provimento,  reconhecendo  a  decadência  do  crédito  tributário lançado a título de PIS e COFINS, referente aos meses de Janeiro a Abril de 2002,  devendo  ser  negado  provimento  às  demais  alegações  do  recorrente.  Cabe  à  unidade  jurisdicionante  obedecer  aos  efeitos  da  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  bem  como  verificar a efetiva definitividade desta decisão.    José Luiz Feistauer de Oliveira ­ Relator                                Fl. 690DF CARF MF

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Numero do processo: 13804.001894/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Esta regra aplica-se inclusive para as DCOMP apresentadas antes da vigência da MP nº 135, de 30/10/2003.
Numero da decisão: 9303-004.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (relator), Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal - Relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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9303­004.705  –  3ª Turma   Sessão de  21 de março de 2017  Matéria  IPI ­ CRÉDITO PRESUMIDO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  USATI S.A. REFINADORA DE AÇÚCAR    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.  A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo,  sob  pena  de  que  a  homologação  ocorra  em  face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Esta regra  aplica­se inclusive para as DCOMP apresentadas antes da vigência da MP nº  135, de 30/10/2003.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial  da  Fazenda Nacional  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto  Natal  (relator),  Júlio  César  Alves Ramos e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o  voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.     (assinado digitalmente)  Andrada Marcio Canuto Natal ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 18 94 /2 00 2- 11 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 3          2 Camargos  Autran,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (suplente  convocado),  Vanessa  Marini  Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).  Relatório  Trata­se de pedidos de compensação protocolados nas datas de 25/09/2001,  22/10/2001, 04/01/2002, 14/01/2002 e 02/04/2002, referentes a créditos decorrentes de crédito  prêmio  de  IPI  da  empresa  Refinadora  Catarinense  com  débitos  da  empresa  Usati  S/A  Refinadora de Açúcar (Usati S/A).  Os  pedidos  foram  acompanhados  de  peças  judiciais  e  decisão  judicial  que  garantia à Refinadora Catarinense o direito ao crédito prêmio de IPI, bem como sua utilização  de acordo com as hipóteses previstas nas IN SRF nºs. 21, 37 e 73, todas de 1997, amparadas  pelos arts. 1º e 5º do Decreto­Lei nº 491, de 1969.  A DRF/Florianópolis, em 05/03/2008, proferiu despacho decisório, fls. 85/87  do e­processo, indeferindo os pedidos de compensação.  A Usati S/A foi cientificada do despacho em 03/04/2008, conforme AR à fl.  101 do e­processo.  Apresentada  manifestação  de  inconformidade,  fls.  104/122,  a  2ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Ribeirão  Preto­DRJ/RPO  proferiu  decisão  formalizada no Acórdão nº 14­23.525, fls. 148/156 do e­processo, cuja ementa é a seguinte:  "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002  CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.  A  busca  da  tutela  jurisdicional  do  Poder  Judiciário,  com  o  mesmo  objeto  de  parte  da  manifestação  de  inconformidade,  importa  em  renúncia  ao  litígio  administrativo  e  impede  a  apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa  competente.  NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA.  A  Administração  tem  o  dever  de  anular  seus  próprios  atos,  quando estes estiverem eivados de vicio de legalidade.  Solicitação Indeferida."  Foi  interposto  Recurso  Voluntário,  fls.  163/172,  no  qual  a  contribuinte  alegou: i) ausência de concomitância; ii) necessidade de observância da sentença proferida no  mandado de segurança nº 2001.51.01.006335­5, em face da concessão de medida liminar pelo  STF; iii) inaplicabilidade do art. 170­A co CTN e da IN SRF nº 210, de 2002; iv) não­aplicação  do disposto no art. 74, §12, "d", da Lei nº 9.430, de 1996, alterada pela Lei nº 11.051, de 2004,  às compensações realizadas em 2001 e 2002.  Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 4          3 A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de  Julgamento do CARF,  deu  provimento  ao  recurso,  reconhecendo  a  homologação  tácita  das  compensações  protocoladas. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 3302­01.127, de 8/7/2011, fls. 190/197  do e­processo, cuja ementa está assim redigida:  "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  CONVERSÃO  EM  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  REQUISITOS.  Lei  9.430/96, art. 74, § 4º.  Será  considerada  tacitamente  homologada  a  compensação  objeto de pedido de compensação convertido em declaração de  compensação  que  não  seja  objeto  de  despacho  decisório  proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo  do pedido, independentemente da procedência e do montante do  crédito.  DCOMP.  PRAZO  DE  CINCO  ANOS  PARA  APRECIAR.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º.  Será  considerada  tacitamente  homologada  a  compensação  objeto  de  declaração  de  compensação  (Dcomp),  que  não  seja  objeto de despacho decisório proferido,  e  cientificado o  sujeito  passivo,  no  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  de  seu  protocolo."  Ao  reconhecer  a  homologação  tácita,  o  Colegiado  não  tratou  das  demais  questões.  A Fazenda Nacional  interpôs Recurso Especial  de divergência,  fls. 199/208  do  e­processo,  sustentando  que  a  decisão  divergiu  do  Acórdão  nº.  203­11.648  quanto  à  aplicação do prazo de cinco anos para homologação da compensação, previsto no art. 74, §5º,  da Lei nº 9.430, de 1996, aos pedidos protocolados antes de 30/10/2003, data da publicação da  MP nº 135, de 2003.  Por  meio  de  Despacho  de  Exame  de  Admissibilidade,  de  19/6/2015,  fls.  210/212 do e­processo, o Recurso Especial foi admitido.  Por meio da Intimação ARF/SJE/SC/ nº 219/2015, fl. 216 do e­processo, e da  Intimação ARF/SJE/SC nº 239/2015, fl. 219 do e­processo, a unidade da RFB com jurisdição  sobre o domicílio tributário da contribuinte tentou dar­lhe ciência do Acórdão nº 3302­01.127,  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade.  Porém, apesar de as correspondências terem sido enviadas para o endereço da  contribuinte  cadastrado  na RFB,  fl.  90  do­processo,  que  é  o mesmo  que  consta  do  Estatuto  Social  da  empresa,  nas  duas  tentativas,  as  intimações  e  as  cópias  dos  documentos  foram  devolvidas  à  remetente,  com  a  informação  de  que  o  endereço  para  entrega  era  insuficiente,  conforme folhas 217 e 220 do e­processo.  Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 5          4 Em  26/08/2015,  a  Agência  da  RFB  de  São  José/SC  afixou  o  Edital  nº  021/2015,  fl.  218  do  e­processo,  em  nova  tentativa  de  proceder  à  ciência  da  contribuinte,  informado que o processo se encontrava a sua disposição na agência.  Em 07/10/2015, constatado que a contribuinte não se manifestou, o processo  foi devolvido ao CARF, fl. 222 do e­processo.  É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator.  1. Conhecimento do Recurso Especial e delimitação do julgamento.  O Recurso Especial da Fazenda Nacional é  tempestivo e atende aos demais  pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Realizada  a  intimação  por  edital  publicado  na  dependência,  franqueada  ao  público, da unidade encarregada da intimação, porque não foram profícuas as  intimações por  via postal  no  endereço postal  fornecido pela  contribuinte à  administração  tributária para  fins  cadastrais, considera­se feita a  intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. Logo,  foi atendido o disposto no art. 23, inciso II e §§ 1º, II, 2º, IV e 4º, I, do Decreto nº 70.235, de  6/3/1972.  Decorrido  o  prazo  regimental  para  a  apresentação  das  contrarrazões,  a  contribuinte  não  se  manifestou.  Considerando  que  é  instrumento  facultativo,  sua  falta  não  impede o julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional.  A única questão a ser resolvida neste julgamento, porque apenas em relação a  ela  foi  comprovada  e  demonstrada  a  divergência  de  interpretação  da  norma  tributária,  é  a  aplicação do prazo de homologação de cinco anos, instituído pelo Medida Provisória nº 135, de  30/10/2003 (D.O.U. 30/10/2003, ed. extra), convertida na Lei nº 10.833, de 2003, aos pedidos  de compensação protocolados pela contribuinte em outubro de 2001 e janeiro e abril de 2002.  Passa­se à discussão da divergência jurisprudencial.  2. Homologação tácita  Esta  Turma  já  se  posicionou,  por  maioria  de  votos,  favorável  ao  entendimento  de  que  a  criação  do  prazo  de  cinco  anos  para  homologação  de  compensação  somente alcança as compensações efetuadas a partir da entrada em vigor da Medida Provisória  nº 135, de 30/10/2003 (D.O.U. 30/10/2003, ed. extra), convertida na Lei nº 10.833, de 2003,  conforme Acórdãos nºs. 9303­003.300, de 25/3/2015, e 9303­004.390, de 9/11/2016.  No  Acórdão  nº  9303­004.390,  em  que  fui  designado  para  redigir  o  voto  vencedor, adotei como fundamento o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido  no  julgamento  do  PAF  13502.000589/2003­98,  que,  conforme Acórdão  nº  9303­003.300,  fl.  428  daquele  PAF,  tratava  de  pedidos  de  compensação  protocolados  antes  de  30/10/2003  e  decididos antes de 30/10/2008.  Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 6          5  O mesmo  ocorreu  no  processo  ora  em  julgamento,  em  que  os  pedidos  de  compensação,  protocolados  entre  outubro  de  2001  e  abril  de  2002,  foram  indeferidos  em  05/03/2008,  conforme  Despacho  Decisório  da  DRF/FNS,  e  a  ciência  da  decisão  de  indeferimento ocorreu em 03/04/2008.  Assim,  com  as  licenças  de  praxe  e  homenagens  ao  Conselheiro  Henrique  Pinheiro Torres, adoto como fundamentos deste voto as razões de decidir do voto condutor do  Acórdão 9303­003.300, que passo a transcrever:  "(...)  A  teor  do  relatado,  a  matéria  devolvida  ao  Colegiado  cinge­se  à  questão  decidir  se  as  compensação  realizadas  pelo  sujeito  passivo,  à  data  da  decisão  da  autoridade  preparadora,  encontravam­se  homologadas  tacitamente.  O  colegiado  recorrido  entendeu  que,  na  data  em que  fora  prolatado  o  despacho decisório  já  se  havia  exaurido  o  prazo  da  homologação  previsto  no  §  5º  do  art.  74  da  lei  nº  9.430/96,  com  a  redação  dada  pelo  art.  17  da  Medida  Provisória  nº  135,  de  30/10/2003, convertida na Lei 10.833/2003.  O Regime  jurídico das compensações relativas a  tributos administrados pela  Receita Federal  é  regido  pelo Art.  74  da Lei  9.430/1996  e  suas  alterações,  dentre  essas,  ganha  destaque  a  introduzida  pelo  art.  49  da  Lei  10.637,  de  30/12/2002,  resultado da conversão em Lei da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002.  A grande alteração trazida por essa MP foi a que previu que a declaração de  compensação  extinguiria,  antecipadamente,  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação1. Outra mudança que merece ser citada foi a  do §4º desse mesmo artigo2, que transformou os pedidos de compensação, pendentes  de  apreciação  pela  autoridade  administrativa,  em  declarações  de  compensação,  desde o seu protocolo.  Posteriormente, o art. 17 da Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida  na  Lei  10.833,  de  29/12/2003,  introduziu  novas  alterações  no  art.  74  da  Lei  9.430/1996,  dentre  as  quais  destaca­se  o  §  5°  3,  que  fixa  prazo  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  entrega  da  declaração,  para  a  homologação  da  compensação  declarada.  Diante desse quadro de alterações na legislação, a pergunta a ser feita é: essas  mudanças  na  legislação  de  regência,  alcança  os  pedidos  de  compensação  protocolados sob o auspícios da legislação anterior?  No  caso  da  transformação  de  pedidos  de  compensação  em  declaração  de  compensação,  dúvida  não  há,  pois  a  Lei  expressamente  faz  essa  transformação.  Todavia,  no  tocante  à  criação  do  prazo  de  homologação,  essa  alteração  alcança  apenas  as  compensações  efetuadas  a  partir  da  vigência  do  dispositivo  legal  que  introduziu tal prazo no ordenamento jurídico, ou seja, a partir de 30 de outubro de  2003,  data  em  que  foi  editada  a  Medida  Provisória  135,  convertida  na  Lei  10.833/2003.                                                              1  §  2º  A  compensação  declarada  à  Secretaria  da  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)  2  §  4º Os  pedidos  de  compensação  pendentes  de  apreciação  pela  autoridade  administrativa  serão  considerados  declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei  nº 10.637, de 2002)  3 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado  da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 7          6 As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal  Os  processos  instaurados  na  vigência  da  lei  nova  não  oferecem  maiores  dificuldades, pois serão por ela disciplinados. Tampouco há dificuldade de entender  os efeitos da lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da  coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do  processo,  haja  alteração  da  lei  processual,  pois  não  há  na  legislação  processual  qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência  da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema.  Teoria  da  unidade  processual.  Os  adeptos  dessa  teoria  consideram  o  processo  como  um  todo,  uma  unidade,  desdobrado  em  atos  diversos.  Essa  característica  unitária  faria  com  que  o  processo  fosse  regido  por  uma  única  lei,  a  nova ou a velha. Mas como, em 4regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor,  de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados  até a sua vigência.  Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, defende  que  o  processo  seria  constituído  de  fases  autônomas  (postulatória,  instrutória  e de  julgamento), cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo.  Teoria  do  isolamento  dos  atos  processuais.  Segundo  os  defensores  dessa  corrente,  a  lei  nova  não  alcançaria  os  atos  processuais  já  praticados,  nem  seus  efeitos, aplicando­se apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência,  sem limitações quanto às fases processuais.  Em  síntese,  por  essa  teoria,  a  lei  nova,  em  relação  ao  processo  pendente,  confere eficácia aos atos processuais já realizados e passa a disciplinar os demais a  partir  de  sua  vigência,  respeitando  o  ato  jurídico  perfeito  (acabado)  e  o  direito  adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente.  Na linha desse raciocínio, tem­se que se um processo foi iniciado sob a égide  de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os  auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito  adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da  República.  Não  se  pode  olvidar,  ainda,  alguns  princípios  norteadores  do  sistema  processual  brasileiro,  tais  como  o  Princípio  da  Imediatividade,  o  Princípio  da  Irretroatividade da Norma Processual,  e  o Princípio  do Tempus Regit Actum.  Pelo  primeiro,  entende­se  que,  uma  vez  vigente,  a  norma  passa  a  valer  para  todos  os  processos  pendentes  e  futuros  a  partir  de  então,  como  previsto  no  5art.  1.211  do  CPC;  já  pelo  segundo,  o  da  irretroatividade  da  lei  processual,  tem­se  a  impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o  abrigo  da  lei  antiga,  por  força  do  primado  constitucional  da  defesa  do  direito  adquirido  e  da  proteção  aos  efeitos  do  ato  jurídico  perfeito,  e,  finalmente,  pelo  terceiro,  que  nada  mais  é  do  que  a  síntese  dos  dois  primeiros,  impõe­se  a  observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus  efeitos, vedando­se a retroação da lei nova.                                                              4  Regra  geral,  a  lei  produz  efeitos  para  frentes,  à  exceção  da  lei  penal mais  benéfica  e  da  que  for meramente  interpretativa.  5  Art.  1.211.  Este  Código  regerá  o  processo  civil  em  todo  o  território  brasileiro.  Ao  entrar  em  vigor,  suas  disposições aplicar­se­ão desde logo aos processos pendentes  Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 8          7 Sob  esse  prisma,  a  lei  em  vigor  na  data  da  protocolização  do  pedido  de  compensação, ou da entrega da declaração de compensação, rege todo o processo.  Hoje,  encontra­se  apascentado,  na  doutrina  e  na  jurisprudência,  o  entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento  dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o  curso  normal  do  processo  e,  uma  vez  inserida  nova  norma  processual  ao  ordenamento jurídico, em relação a processo pendente, essa novel legislação regerá  apenas  os  atos  que  ainda  deverão  ser  praticados.  Esse  isolamento  dos  atos  processuais garante que a  lei  nova não alcançará os efeitos produzidos por atos  já  realizados até aquela fase do processo, por ato pré­existente à nova lei.  É por demais óbvio que para os processos iniciados após a vigência da norma  nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início,  serão regidos por essa nova legislação.  Sobre  o  tema,  Galeno  Lacerda6,  ensina  que  a  lei  nova  "não  pode  atingir  situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é,  não  pode  ferir  os  respectivos  direitos  processuais  adquiridos.  O  princípio  constitucional  de  amparo  a  esses  direitos  possui,  aqui,  também,  plena  e  integral  vigência". Cândido Dinamarco Rangel, um dos maiores expoente da Teoria Geral do  Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações  seguintes:  ­ quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas  competências ou privá­lo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da  tutela jurisdicional;  ­  quando  retirar  a  proteção  jurisdicional  antes  outorgada  à  determinada  pretensão,  excluindo  ou  comprometendo  radicalmente  a  possibilidade  do  exame  desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente  prometida;  ­ quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas;  ­ quando haja redução da possibilidade de ampla defesa,  ­ quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes.  De outro lado, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, traz, numerus  clausus, as situações em que a lei tem efeitos pretéritos, quais sejam:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;  II tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido                                                              6 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13.  Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 9          8 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento  de tributo;  c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.  A  situação  tratada  nos  autos  não  se  enquadra  em  nenhuma  das  hipóteses  enumeradas no artigo transcrito linhas acima, o que leva à conclusão inexorável que  a alteração legislativa que introduziu o prazo de homologação tácita da compensação  tributária não retroage para alcançar os pedidos efetuados anteriormente à vigência  dos dispositivos veiculadores desse prazo.  Por último, registro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça sobre a  lei aplicável à compensação.  PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO.  1.  Inexiste  contradição  em  acórdão que  lança  premissas  harmônicas com as conclusões adotadas.  2. A jurisprudência atual da 1ª Seção é no sentido de que  a compensação tributária há de reger­se pela lei vigente  no momento em que o contribuinte a aciona.  3. No caso, a compensação estava vinculada aos ditames  da Lei  nº  9430 de  1996,  que  exigia  requerimento  prévio  ao órgão arrecadador.  4. Embargos rejeitados.  (EDcl  no  AgRg  no  REsp  701865/MG  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  2004/01596046,  Rel  Ministro  JOSÉ DELGADO DJ 22/05/2006 p. 152).  Diante do exposto, a conclusão  inexorável é a de que a homologação  tácita,  por  decurso  de  prazo,  introduzida  no  ordenamento  jurídico  das  compensações  alcança os pedidos convertidos em Dcomp, mas apenas no sentido de que o prazo  introduzido pela MP 135, de 30 de outubro de 2003, conta­se a partir dessa data, não  havendo possibilidade de ser aplicado retroativamente.  Aplicando­se  tal  entendimento ao  caso concreto,  não há homologação  tácita  para  nenhum  dos  pedidos  ora  em  apreço,  uma  vez  que  todos  foram  todos  examinados antes de 29 de outubro de 2008.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  Recurso  Especial da Fazenda Nacional para afastar a homologação tácita das compensações  sob  exame,  e  determinar  o  retorno  dos  autos  ao  Colegiado  recorrido  para  que  examine as demais questões acerca dessas compensações.  (...)"  As conclusões constantes do voto transcrito são perfeitamente aplicáveis  ao presente caso.  Conclusão.  Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 10          9 Pelo  exposto,  especialmente,  por  entender  que  a  todos  os  pedidos  de  compensação apreciados antes de 30 de outubro de 2008 não se aplica o prazo homologatório,  previsto na Lei nº 10.833, de 2003, voto por dar provimento  ao Recurso Especial  interposto  pela Fazenda Nacional para declarar que não foram tacitamente homologadas as compensações  apresentadas no presente processo. Como a decisão de piso não adentrou no mérito do recurso  voluntário apresentado pelo contribuinte, o presente processo deve retornar à instância a quo,  para decidir sobre as demais questões não apreciadas.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal  Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 11          10 Voto Vencedor  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza ­ Redator designado.    Discordamos do il. Relator.  Entendemos existirem equívocos  intransponíveis nos  fundamentos adotados no  voto condutor do acórdão que embasa a sua decisão e que nela foi transcrita.  O  PRIMEIRO:  A  homologação  tácita  das  compensações  é  matéria  de  direito  material  –  corpo  de  normas  que  disciplinam  as  relações  jurídicas  entre  as  pessoas,  entre  as  pessoas e seus bens etc –, não de direito adjetivo, o qual se destina a determinar o modo pelo  qual  se  dá  o  exercício  da  jurisdição,  as  ações  que  cabem  ao  demandante  e  como  se  dão  as  defesas do demandado. Portanto,  todo o arrazoado que se  sustenta nesta premissa  é,  a nosso  juízo, equivocado e nada resolve a matéria a ser dirimida.  O  SEGUNDO:  O  Art.  106  do  CTN  é  norma  cuja  finalidade  é  dar  segurança  jurídica ao contribuinte, estabelecendo limites ao exercício da atividade legiferante do Estado  (em  total  consonância  com  o  que  disciplina  a  própria  Constituição  Federal).  Disciplina,  também, a  retroatividade benigna, a  fim de que não se penalize diferentemente contribuintes  diversos que cometeram a mesma falta. Não vemos como aplicá­lo para disciplinar os efeitos  intertemporais das inovações legislativas quanto à homologação tácita das compensações.  O TERCEIRO: O aresto do STJ citado no mesmo acórdão versa,  tão somente,  sobre  o  direito  à  compensação  –  modo  de  extinção  de  uma  relação  jurídica  obrigacional  mediante o confronto de créditos e débitos do Fisco e do contribuinte, que, no entendimento  nele  plasmado,  rege­se  pela  legislação  vigente  à  época  em  que  requerida  (ver  o  item  3  do  aresto). Dele não se pode concluir que o prazo de cinco anos para que se dê a homologação  tácita  estabelecida na Lei  nº  10.833,  de  2003,  só  operaria  efeitos  futuros,  ou  seja,  quanto  às  DCOMPs  apresentadas  somente  depois  do  início  de  sua  vigência,  notadamente  porque,  se  assim fosse, o legislador o teria dito expressamente.  A  propósito:  por  que,  afinal,  transformar  os  pedidos  de  compensação  apresentados antes da Medida Provisória ­ MP nº 135, de 2002, se não fosse para lhes aplicar  toda a disciplina da novel Declaração de Compensação ­ DCOMP?  Por fim, o entendimento que ora vimos de expor é o mesmo adotado pela própria  RFB,  como  se  pode  observar  da  ementa  da  Solução  de  Consulta  Interna  ­  Cosit  nº  1,  de  04/01/2006:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Homologação  tácita  de  compensação  objeto  de  pedido  de  compensação convertido em declaração de compensação.  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO  CONVERTIDO  EM  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PRAZO  DE  CINCO  ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO.  Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 12          11 INEXISTÊNCIA  DE  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA  PARA  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO  NÃO  CONVERTIDOS  EM  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  OBRIGATORIEDADE  DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE  MANIFESTAÇÃO DE  INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO­ RECONHECIMENTO  DO  CRÉDITO  OBJETO  DO  PEDIDO  DE RESTITUIÇÃO.  O  prazo  para  a  homologação  de  compensação  requerida  à  Secretaria  da  Receita  Federal  tem  sua  contagem  iniciada  na  data  do  protocolo  do  pedido  de  compensação  convertido  em  declaração de compensação.  Será  considerada  tacitamente  homologada,  mediante  despacho  proferido  pela  autoridade  competente  da  Secretaria da Receita  Federal,  a  compensação  objeto  de  pedido  de  compensação  convertido em declaração de compensação que não seja objeto  de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado  da  data  do  protocolo  do  pedido,  independentemente  da  procedência e do montante do crédito.  Não  foram  convertidos  em  declaração  de  compensação  os  pedidos  de  compensação  de  créditos  de  terceiros,  “crédito­ prêmio”  instituído pelo art. 1º do Decreto­Lei nº 491, de 1969,  título  público,  crédito  decorrente  de  decisão  judicial  não  transitada  em  julgado  e  crédito  que  não  se  refira  a  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.  Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de  Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem  ser  deferidos  ou  indeferidos  pela  autoridade  competente  da  Secretaria da Receita Federal.  Na  hipótese  de  pedido  de  compensação  convertido  em  declaração  de  compensação,  a  autoridade  competente  da  Secretaria da Receita Federal, após reconhecer a homologação  tácita  da  compensação declarada,  deve  se  posicionar  quanto à  procedência  e  ao  montante  do  crédito  do  sujeito  passivo  para  com a União.  Quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total  do  débito  objeto  da  compensação  tacitamente  homologada,  a  autoridade competente da Secretaria da Receita Federal deverá  promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi  objeto  de  pedido  de  restituição,  desde  que  inexistam  outros  débitos a serem compensados com o referido crédito.  Ainda  que  haja  o  reconhecimento  da  homologação  tácita  da  compensação  pela  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  é  cabível  a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  contra  o  não­reconhecimento  do  direito  creditório  quando  o  crédito  informado  pelo  sujeito  passivo  em  seu  pedido  de  compensação  convertido  em  declaração  de  compensação não for integralmente reconhecido.  Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13804.001894/2002­11  Acórdão n.º 9303­004.705  CSRF­T3  Fl. 13          12 A  DRJ,  ao  apreciar  manifestação  de  inconformidade  contra  o  não­reconhecimento  do  crédito  objeto  do  pedido  de  restituição  cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato  valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como  o exato valor do débito compensado.  DISPOSITIVOS  LEGAIS: Decreto­lei  nº  491,  de  1969,  art.  1º;  Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59; Lei nº 8.748, de 1993, arts.  2º e 3º, inciso I, este com a redação determinada pelo art. 28 da  Lei  nº  10.522,  de  2002;  Lei  nº  9.430,  de  1996,  art.  74,  com  a  redação  determinada  pelo  art.  49  da  Lei  nº  10.637,  de  2002  e  pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa SRF  nº 460, de 2004, arts. 48, 69 e 70.    Ante o exposto, sendo apenas esta a matéria debatida no recurso especial, nego­ lhe provimento.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                Fl. 234DF CARF MF

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