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Numero do processo: 36624.014152/2006-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DISCUSSÃO SOBRE A RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO CONHECIMENTO. LANÇAMENTO JULGADO IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA MULTA APLICADA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Não se vislumbra interesse recursal da Fazenda, quanto à discussão sobre a multa aplicada, diante da improcedência do lançamento, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto.
Numero da decisão: 9202-006.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial,
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DISCUSSÃO SOBRE A RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO CONHECIMENTO. LANÇAMENTO JULGADO IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA MULTA APLICADA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se vislumbra interesse recursal da Fazenda, quanto à discussão sobre a multa aplicada, diante da improcedência do lançamento, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DISCUSSÃO SOBRE A RETROATIVIDADE BENIGNA. NÃO CONHECIMENTO. LANÇAMENTO JULGADO IMPROCEDENTE. INSUBSISTÊNCIA DA MULTA APLICADA. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Não se vislumbra interesse recursal da Fazenda, quanto à discussão sobre a multa aplicada, diante da improcedência do lançamento, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 41 52 /2 00 6- 01 Fl. 1315DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 240300.277 proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 1º de dezembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 1.199: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n 0 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5o do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 31.10.2006, o período do débito é de 09/1996 a 07/2005. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 09/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4o , CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 36624.014152/200601 Acórdão n.º 9202006.712 CSRFT2 Fl. 3 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO VALORES PAGOS A TÍTULO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA PLANOS DE SAÚDE DE ACESSO RESTRITO AO CORPO GESTOR DA ORGANIZAÇÃO OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Constituem fatos geradores os valores concedidos aos empregados a titulo de assistência médica em relação à parte paga cujo acesso era permitido somente ao corpo gestor da organização. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recalculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3 o Lei 9.430/1996 c/c art. 5o , § 3 o Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 1317DF CARF MF 4 Recurso Voluntário Provido. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 845 a 853, o objeto do presente lançamento são as contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parcela da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT; e as destinadas aos terceiros, arrecadadas pelo INSS. (...). Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 1.105 a 1.119. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo SP julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 1.125 a 1.135: Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi dado provimento ao recurso, nos termos abaixo transcritos, 1.199 a 1.226: ACORDAM os membros do colegiado, Nas Preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência das competências até 09/2001, inclusive, com base no Art. 150, § 4 o do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. NO MÉRITO, por maioria de votos em dar provimento ao recurso julgando o lançamento improcedente. Vencido o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1.230 a 1.247, por entender a recorrente que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do paradigma, em síntese, no que diz respeito ao critério de comparação para fins de aferição da multa mais benéfica, em virtude das alterações dos dispositivos da Lei 8.212/91, que tratam dessa matéria, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 1.283 a 1.287, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; b) impende considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 36624.014152/200601 Acórdão n.º 9202006.712 CSRFT2 Fl. 4 5 c) verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96; d) a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; e) cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB nº 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP nº 449/2008; f) NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por meio de contrarrazões, fls. 1.298 a 1.304, a Contribuinte se insurgiu relativamente ao conhecimento e ao mérito do recurso, sustentando, em síntese, : a) se o objeto principal do lançamento foi julgado improcedente, não há qualquer pertinência ou lógica no recurso especial que tão somente requer a aplicação da modalidade mais gravosa das multas relativas ao lançamento; b) a Câmara Superior não poderá conhecer do recurso, sendo certo que sequer há qualquer menção ao objeto da notificação, que foi julgado improcedente pelo acórdão proferido no recurso voluntário; c) não obstante sequer haver o provimento do próprio lançamento, a recorrida requer que a tese da aplicação da penalidade mais gravosa não seja acolhida, devendo, para qualquer hipótese, se aplicada a norma instituída pelo art. 106, alínea "c" do Código Tributário Nacional. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 1319DF CARF MF 6 1. Do conhecimento Alega a recorrida que o objeto principal do lançamento foi julgado improcedente, não havendo qualquer pertinência ou lógica no recurso especial que tão somente requer a aplicação da modalidade mais gravosa das multas relativas ao lançamento. Compulsandose a decisão vergastada, extraise a seguinte decisão consignada em ata: ACORDAM os membros do colegiado, Nas Preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência das competências até 09/2001, inclusive, com base no Art. 150, § 4 o do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. NO MÉRITO, por maioria de votos em dar provimento ao recurso julgando o lançamento improcedente. Vencido o relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. De fato, assiste razão à Recorrida, em suas argumentações quanto ao conhecimento do recurso, pois julgado improcedente o lançamento, não subsiste a multa e, portanto, não deve ser discutida a sua aplicação (retroatividade benigna). Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 1320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723516/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Relatório
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 608 1 607 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.723516/201357 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.670 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de maio de 2018 Assunto SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÃO Recorrente BBC SERVIÇOS DE VIGILANCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 23 51 6/ 20 13 -5 7 Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 609 2 Relatório Cuidase os autos de crédito tributário de contribuições previdenciárias da empresa, dos segurados empregados e de outras entidades e fundos, apurados a partir de levantamentos de contribuições da empresa (FP) e de segurados empregados(SE), não declarados em GFIP, diferenças de RAT (DR), controladas nos AI DEBCAD nºs 51.030.824 4, 51.030.8252 e 51.030.8260 (fls. 2/50). Do relatório fiscal dos autos de infração (fls. 57 e segs), retirase em resumo o detalhamento do procedimento fiscal: 51.030.8244 contribuições dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração a eles paga, descontadas pela Autuada das remunerações pagas aos segurados e não recolhidas à Seguridade Social Levantamento "SE", descrito no item 3.2 deste Relatório. Período do Débito: 06/2010 a 10/2010 e 13/2010 (13° salário) Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 120.001,87 (cento e vinte mil, um real e oitenta e sete centavos) 51.030.8252 contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive aquelas destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91 e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados Levantamentos "FP" e "DR", descritos no item 4.2 deste Relatório. Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 2.001.196,59 (dois milhões, um mil, cento e noventa e seis reais e cinquenta e nove centavos) 51.030.8260 contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados Levantamento "FP", descrito no item 5.2 deste Relatório. Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 788.238,65 (setecentos e oitenta e oito mil, duzentos e trinta e oito reais e sessenta e cinco centavos) [...]2. Fatos Geradores 2.1 Pagamento de Remuneração a Segurados Empregados Apurados em Folha de Pagamento Reconhecidos pela Empresa e Não Declarados nas GFIP 2.1.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas nos autos de infração 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260 os pagamentos de remuneração aos segurados empregados, nas competências 01/2010 a 12/2010 (inclusive 13º Salário – 13/2010), cujos valores não foram informados pela empresa em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, observados nas folhas de pagamento mensais apresentadas, cujos resumos foram juntados ao presente processo. [...]2.2 Pagamento de Remuneração a Segurados Empregados Declarados nas GFIP – Diferenças nas Contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT 2.2.1 A Lei nº 8.212/91, em seu art. 22, inciso II, estabelece a contribuição das empresas destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 610 3 julho de 1991, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT ou simplesmente RAT), incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados, às alíquotas de 1%, 2% ou 3%, conforme, na atividade preponderante da empresa, o risco de acidentes do trabalho seja considerado respectivamente leve, médio ou grave. [...]3. Auto de Infração 51.030.8244 3.1 Contribuições Lançadas 3.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, mencionados no subitem 2.1 incidem as contribuições dos segurados empregados para a Seguridade Social, não declaradas nas GFIP, discriminadas na planilha do Anexo II, nos termos do art. 20, caput e § 1º, combinado com o art. 28, inciso I, todos da Lei nº 8.212/91, cuja responsabilidade pela arrecadação e recolhimento era da Autuada, nos moldes do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da mesma Lei nº 8.212/91. Apesar de haverem sido efetivados os descontos de tais contribuições pela Autuada das remunerações pagas aos segurados, como comprovam os resumos das folhas de pagamento anexados ao processo, dos meses de 01/2010 a 12/2010 (inclusive 13º Salário – 13/2010), por meio das rubricas listadas no subitem 2.1.4 deste relatório, não foi efetuado, nas competências 06/2010 a 10/2010 e 13/2010 (13º salário), o recolhimento integral das contribuições descontadas dos segurados empregados, cujas diferenças não recolhidas estão sendo lançadas no auto em questão. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo a este auto, no Levantamento “SE”, descrito no item 3.2 deste relatório, com a rubrica “11 Segurados”. [...]4. Auto de Infração 51.030.8252 4.1 Contribuições Lançadas 4.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social, os quais podem ser observados nos resumos das folhas de pagamento anexados com a rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, mencionados no subitem 2.1 e discriminados no Anexo I, incidem as contribuições da empresa para a Seguridade Social, não declaradas em GFIP, estabelecidas no art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo ao auto em questão, no Levantamento “FP”, descrito no item 4.2 deste relatório, respectivamente com as rubricas “12 Empresa” e “13 Sat/rat”. [...]5. Auto de Infração 51.030.8260 5.1 Contribuições Lançadas 5.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos, os quais podem ser observados nos resumos das folhas de pagamento anexados com a rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, mencionados no subitem 2.1 e discriminados no Anexo I, incidem as contribuições da empresa destinadas ao FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, não declaradas em GFIP, cuja competência para arrecadação, fiscalização e cobrança foi conferida à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo a este auto, no Levantamento “FP”, descrito no item 5.2 deste relatório, com a rubrica “15 Terceiros”. [...]6. Bases de Cálculo e Origem dos dados 6.1 Constituem bases de cálculo das contribuições da empresa para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos, lançadas respectivamente por meio dos autos de infração 51.030.8252 e Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 611 4 51.030.8260, as diferenças entre os valores das remunerações mensais dos segurados empregados reconhecidos pela empresa como bases de cálculo nas folhas de pagamento cujos resumos anexamos e os valores das remunerações dos segurados empregados declarados nas GFIP (categoria do trabalhador “01”), consoante especificado na planilha do Anexo I. Tais valores podem ser visualizados nos “RL Relatórios de Lançamentos”, anexos aos autos de Infração 51.030.8252 e 51.030.8260, no Levantamento “FP”, descrito nos subitens 4.2.1 e 5.2.1 deste relatório, em ambos com o código de lançamento “SC Salários”. Do exposto, concluise que os valores apurados como bases de cálculo das contribuições devidas, lançados no Levantamento “FP”, foram os próprios valores considerados pela empresa como bases de cálculo de suas contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos. [...] A impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, estando o acórdão assim ementado: DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL A notificação fiscal de débito lavrada pela fiscalização é válida e eficaz, se lavrada com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. HORA EXTRA. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O aviso prévio indenizado, hora extra e 1/3 de férias não se encontram no rol de verbas isentas, integrandose, pois, a base de cálculo de incidência das contribuições sociais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHADOR. DOENÇA. PAGAMENTO DA VERBA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL O afastamento do empregado, por motivo de saúde, até o décimo quinto dia, é causa de interrupção da prestação de serviços, e não de suspensão do contrato de trabalho. Assim, a remuneração desse período, a cargo do empregador, tem natureza salarial e integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária. CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO VERIFICADO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cientificada da decisão de primeira instância, apresentou o recurso voluntário de fls. 438 e segs, no qual alega, em resumo, os seguintes pontos: De início, faz um breve histórico do procedimento fiscal, que resultou na lavratura de 03 (três) autos de infração, relativos aos DEBCAD nºs 51.030.8244, 51.030.8252 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 612 5 e 51.030.8260. Salienta os fundamentos de sua defesa apresentada à DRJ, que culminou no acórdão ora recorrido; Aduz preliminarmente erro na construção do lançamento, entende que a fiscalização não informou qual(is) fato(s) gerador(es) teriam sido omitidos na GFIP apresentada, tendo havido apenas descrição genérica da infração imputada à contribuinte, desta forma, cita os art. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, para concluir que os autos de infração são nulos. Cita jurisprudência do CARF; Cita o item 2 do Relatório Fiscal para informar que a base de cálculo das contribuições tomada pela auditoria fiscal foi o valor indicado na rubrica BASE INSS (EMPRESA), entendendo que nela podem está incluídas verbas de natureza indenizatória e verbas isentas, como é o caso do auxílioalimentação, pago in natura e através de ticket alimentação; Transcreve dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho dos anos 2009 e 2010, firmada pelo Sindicato Patronal, que obrigava a conceder alimentação aos seus empregados, nos termos do art. 3º da Lei nº 6.321/76 c/c arts 4º e 6º do Decreto nº 5/91; Diz que para melhor interesse de seus funcionários, objetivando cumprir os termos da Convenção, celebrou contrato de Prestação de Serviços de Fornecimento de Cartão Alimentação com a SODEXHO PASS DO BRASIL SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA. Desse modo, cita jurisprudência do STJ e STF e o Ato Declaratório nº 03/2001 da Procuradoria da Fazenda Nacional; Afirma na composição da base de cálculo das contribuições ora exigidas, foram também incluídas verbas indenizatórias, quais sejam: aviso prévio indenizado; auxílio doença e auxílioacidente; adicional de horas extras e terço constitucional de férias; Discorre sobre o caráter indenizatória de tais verbas, citando doutrinas e jurisprudências: Diz que a auditoria fiscal não cumpriu o comando normativo dos arts. 456 e 457 da IN/RFB nº 971/2009, e que houve ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes. Também que os créditos decorrentes de pagamentos a maior não foram considerados pela autoridade lançadora; Ao final, requer o acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, em razão da inexistência da identificação da matéria tributável. No mérito, que seja reconhecida a improcedência de verbas de caráter indenizatório, que seja cancelada a exigência do pagamento das contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, que seja cancelada a exigência por descumprimento dos arts. 456 e 457 da IN/RFB nº 971/2009, que seja cancelada a exigência por não aproveitamento de créditos decorrentes de notas fiscais e seja cancelada a exigência em virtude do não aproveitamento de créditos de pagamentos a maior. É o relatório. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 613 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Nos autos, temse que o crédito tributário de contribuições previdenciárias foi apurado a partir de levantamentos de contribuições previdenciárias da empresa (FP) e de segurados empregados (SE), não declarados em GFIP, diferenças de RAT (DR), controlado nos AI DEBCAD nºs 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260. Em 16 de julho de 2014, os membros da 2ª TO da 3ª Câmara, por meio da Resolução nº 2302000.310, resolvem converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os seguintes pontos: 1) Quanto ao auxílio alimentação (ticket), a recorrente afirma que, na própria folha, há indicação de que a recorrente realizava descontos a título de alimentação (rubrica “0505 DESC ALIMENTAÇÃO”), mas não resta claro dos autos se (i) se os descontos foram considerados na apuração da base de cálculo; (ii) se a recorrente estava inscrita no PAT; 2) No que se refere às verbas denominadas de indenizatórias pela recorrente, em razão do quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), deve a autoridade fiscal indicar os valores incidentes sobre (i) os 15 dias anteriores à concessão de auxílio doença, (ii) o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) o aviso prévio indenizado, a fim de que a Turma julgadora possa deliberar sobre eventual exclusão. No que tange ao adicional de horas extras, não há que se cogitar de retificação, pois, há pouco tempo e igualmente sob regime jurídico dos recursos repetitivos, o mesmo Tribunal, no julgamento do REsp 1.358.281, assentou a compreensão de que incide contribuição previdenciária sobre horas extras, razão pela qual dispensase a necessidade de identificação em separado; 3) Quanto à ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes, conforme notas indicadas pela recorrente, deve igualmente manifestarse a autoridade fiscal; 4) O mesmo se diga quanto à argumentação de que haveria créditos de pagamentos a maior realizados pela recorrente nas competências de março e dezembro de 2010. Em atendimento aos termos da resolução, a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 560/563. Da qual extraemse os seguintes esclarecimentos: Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 614 7 [...] O sujeito passivo foi cientificado da referida informação fiscal em 10/09/2014. Limitouse a reforçar a linha de defesa apresentada na peça recursal, e ainda que: Ao meu ver, entendo que restou, em parte, prejudicado o objetivo da Resolução nº 2302000.310. Concluo que o processo não está pronto para julgamento, de modo que com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e com base no art. 62 do Regimento Interno do CARF, voto pela devolução do presente processo ao órgão de origem para a adoção das seguintes providências: a) Intimar o sujeito passivo, em relação às bases de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal, a comprovar que as verbas de alimentação "auxílioalimentação", pago in natura e através de ticket de alimentação, fazem parte das bases levantadas, conforme indicado no item IV.1 da peça recursal; Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Resolução nº 2401000.670 S2C4T1 Fl. 615 8 b) Intimar o sujeito passivo, em relação às bases de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal, a comprovar que as verbas denominadas de indenizatórias foram incluídas nas referidas bases levantadas, conforme indicado no item IV.2 da peça recursal; c) Entendendo a autoridade lançadora, manifestarse sobre os documentos e/ou esclarecimentos apresentados pelo sujeito passivo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA nos moldes apresentados acima. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 615DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720235/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não possui competência para se manifestar sobre argumentos de inconstitucionalidade.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de fiscalização é inquisitório e não depende da participação direta do fiscalizado, podendo o fisco adotar o método de arbitramento nas hipóteses de imprestabilidade da contabilidade e impossibilidade de apuração direta do lucro.
IRPJ. ARBITRAMENTO. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL (GIA). PROCEDÊNCIA
A apuração com base nas informações prestadas pelo contribuinte ao fisco estadual (GIAs) constitui meio válido para o arbitramento de lucro e caracterização de receitas omitidas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO.
A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas físicas e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN.
JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PRINCIPAL + MULTA DE OFÍCIO)
A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF.
Sobre a multa de ofício lançada - parcela esta que integra o crédito tributário - incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2009, 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando- se de lançamentos reflexos, aplica-se a decisão prolatada no lançamento matriz às demais exigências.
Numero da decisão: 1201-002.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, para reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 30/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. O CARF não possui competência para se manifestar sobre argumentos de inconstitucionalidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitório e não depende da participação direta do fiscalizado, podendo o fisco adotar o método de arbitramento nas hipóteses de imprestabilidade da contabilidade e impossibilidade de apuração direta do lucro. IRPJ. ARBITRAMENTO. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL (GIA). PROCEDÊNCIA A apuração com base nas informações prestadas pelo contribuinte ao fisco estadual (GIAs) constitui meio válido para o arbitramento de lucro e caracterização de receitas omitidas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas físicas e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PRINCIPAL + MULTA DE OFÍCIO) A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF. Sobre a multa de ofício lançada - parcela esta que integra o crédito tributário - incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando- se de lançamentos reflexos, aplica-se a decisão prolatada no lançamento matriz às demais exigências.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720235/201453 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.151 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSAO DE RECEITAS Recorrente SUPERMERCADO GUAICURUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. O CARF não possui competência para se manifestar sobre argumentos de inconstitucionalidade. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O procedimento de fiscalização é inquisitório e não depende da participação direta do fiscalizado, podendo o fisco adotar o método de arbitramento nas hipóteses de imprestabilidade da contabilidade e impossibilidade de apuração direta do lucro. IRPJ. ARBITRAMENTO. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL (GIA). PROCEDÊNCIA A apuração com base nas informações prestadas pelo contribuinte ao fisco estadual (GIAs) constitui meio válido para o arbitramento de lucro e caracterização de receitas omitidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 MULTA AGRAVADA. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 35 /2 01 4- 53 Fl. 1926DF CARF MF 2 pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas físicas e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, na linha do que dispõe o artigo 124, I, do CTN. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO (PRINCIPAL + MULTA DE OFÍCIO) A aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado decorre de expressa disposição legal, inexistindo ilegalidade ou inconstitucionalidade na sua aplicação. Observância da Sumula nº 4 do CARF. Sobre a multa de ofício lançada parcela esta que integra o crédito tributário incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando se de lançamentos reflexos, aplicase a decisão prolatada no lançamento matriz às demais exigências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, para reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 30/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima. Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância (fls. 1.617/1.679), complementandoo a seguir: Descrição das infrações imputadas Auto de infração de IRPJ A autuante, fazendo referência ao termo de verificação fiscal a fls. 1.188 a 1.206, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. RECEITAS DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA NA REVENDA DE MERCADORIAS Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de revenda de mercadorias. Decidiuse arbitrar o lucro em virtude da falta de apresentação do livro registro de inventário dos anoscalendários de 2009 e 2010, apesar da intimação para os apresentar, e também em virtude da desclassificação da escrituração contábil, por esta não individualizar os lançamentos por documento fiscal e por seus históricos e valores não corresponderem aos documentos indicados, o que impossibilitou apurar o lucro das atividades operacionais e, conseqüentemente, impediu a correta apuração do lucro real. Esses últimos fatos foram apurados por amostragem graças à apresentação das notas fiscais de compra relativas aos meses de dezembro de 2009 e julho de 2010. Enquadramento legal: artigo 3° da Lei n° 9.249, de 1995; artigo 530, inciso I, inciso II, alínea "b", e inciso III, e artigo 532, ambos do Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR 1999). Datas do fato gerador: 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010. Auto de infração de CSLL A autuante, fazendo referência ao termo de verificação fiscal a fls. 1.188 a 1.206, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DA CSLL Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de revenda de mercadorias. Datas do fato gerador: 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010. Enquadramento legal: artigo 2° da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações do artigo 2° da Lei n° 8.034, de 1990; artigo 2° da Lei n° 9.249, de 1995; artigo 29 da Lei n° 9.430, de 1996; artigo 22 da Lei n° 10.684, de 2003; artigo 3° da Lei n° 7.689, de 1988, com a redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 11.7276, de 2008. Auto de infração de Cofins Fl. 1928DF CARF MF 4 A autuante, fazendo referência ao termo de verificação fiscal a fls. 1.188 a 1.206, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1 INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DA COFINS CUMULATIVA PADRÃO Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de revenda de mercadorias. Datas do fato gerador: 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010. Enquadramento legal: artigo 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; artigos 2° e 8° da Lei n° 9.718, de 1998; artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo artigo 2° da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, pelo artigo 41 da Lei n° 11.196, de 2005, e pelo artigo 15 da Lei n° 11.945, de 2009. Auto de infração de contribuição para o PIS A autuante, fazendo referência ao termo de verificação fiscal a fls. 1.188 a 1.206, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1 INSUFICIÊNCIA DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS CUMULATIVA PADRÃO Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta de revenda de mercadorias. Datas do fato gerador: 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010. Enquadramento legal: artigo 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; artigo 2°, inciso I, artigo 8°, inciso I, e artigo 9°, todos da Lei n° 9.715, de 1998; artigo 2° da Lei n° 9.718, de 1998; artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pelo artigo 2° da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, pelo artigo 41 da Lei n° 11.196, de 2005, e pelo artigo 15 da Lei n° 11.945, de 2009. Auto de infração de outras multas administradas pela RFB A autuante, fazendo referência ao termo de verificação fiscal a fls. 1.188 a 1.206, atribui à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese. 1 FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO Multa regulamentar equivalente a 0,02% por dia de atraso, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas. Data do fato gerador: 01/11/2013. Enquadramento legal: artigo 11 e artigo 12, inciso III, da Lei n° 8.218, de 1991, com a redação dada pelo artigo 72 da Medida Provisória n° 2.15834, de 2001, e suas reedições. Termo de verificação fiscal (fls. 1.188/1.206) No termo de verificação fiscal a folhas 1.188 a 1.206, a autuante apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 4 5 Infração por atraso ou falta na apresentação de arquivos magnéticos • Através do Termo de Início de Procedimento Fiscal datado de 27/12/2011, com ciência do contribuinte, por via postal, em 30/12/11, o contribuinte foi intimado a apresentar a esta fiscalização, no prazo de 20 dias, os arquivos magnéticos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF N° 86/01 e no Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15 de 23/10/01, relativos ao anocalendário de 2010. • Em 23/01/2012, o contribuinte foi reintimado a apresentar os documentos e arquivos no prazo de vinte dias a contar da ciência pessoal do Termo de Reintimação, através de seu procurador. • No Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de 16/02/12, o contribuinte foi alertado que permanecia válida a solicitação efetuada nos termos anteriores, bem como que esse alerta constou na maioria dos termos lavrados durante a fiscalização. O Termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal de 06/09/2013, com ciência por via postal em 12/09/2013, foi o último a lembrálo, especificamente, que permanecia válida a solicitação formulada no Termo de Início de Procedimento Fiscal de 27/12/2011, referente aos arquivos fiscais, que atendessem os requisitos previstos na IN 86/01 e no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15 de 23/10/01. Entretanto, o contribuinte não atendeu a fiscalização. • Assim, considerando o Termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal de 06/09/2013 e o parágrafo que informava que permaneciam válidos todos os termos anteriormente emitidos em relação à presente fiscalização nas partes não atendidas, lembrando que permanecia em atraso a apresentação dos arquivos fiscais previstos na IN 86/01, solicitados no item 11 do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 27/12/11, como sendo uma nova intimação para atendimento imediato, no dia 1° de novembro de 2013, decorreram 50 dias da data em quer deveriam ter sido apresentados os arquivos magnéticos previstos na IN SRF 86/01. • Portanto, fica o contribuinte sujeito à infração prevista no art. 266 do RIR/99 à alíquota de 0,02% por dia de atraso na entrega dos arquivos magnéticos, até o limite de 1% (a partir do 50° dia) sobre a receita bruta, em vista de se terem passado mais de 50 dias do prazo renovado no Termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal de 06/09/13, para atendimento à solicitação formulada no item 11 do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 27/12/11. • A base de cálculo para a aplicação da multa é o valor do faturamento informado pelo contribuinte nas GIAS 2009 e 2010, no montante de R$ 51.939.151,10, valor resultante da soma das receitas de vendas menos as respectivas devoluções de vendas, considerado para o arbitramento do lucro, efetuado nesse procedimento. Fl. 1930DF CARF MF 6 • Conseqüentemente, o valor da multa prevista no art. 980, inciso I, do RIR/99, com fulcro no disposto nos artigos 11 e 12, III, da Lei n° 8.218/91, com as alterações e redação introduzidas pela Medida Provisória 2.15834/2001 (atualmente MP 2.158 35/01), pelo atraso no cumprimento da obrigação prevista nos artigos 265 e 266 do RIR/99 é de R$ 519.391,51. Do arbitramento do lucro • Apesar de intimado e reintimado a apresentar o Livro Registro de Inventário e os arquivos magnéticos fiscais previstos na IN 86/01 relativos aos anoscalendários de 2009 e 2010, o contribuinte permaneceu inerte, sem apresentar os livros nem os arquivos que permitissem conferir a efetiva apuração do CMV e o correspondente lucro real. • A fiscalização, também, não pode considerar válida a escrituração apresentada pelo contribuinte, devido às inconsistências encontradas na análise da conta 1.1.3.01.001.00001 Mercadorias para Revenda, referente ao anocalendário 2009, cujos lançamentos referentes à aquisição de mercadorias para revenda indicam número de notas fiscais e valores que não correspondem aos documentos escriturados no livro registro de entradas, conforme demonstrado no Anexo 1, denominado "COMPARATIVO LD E RAZ CONTA MERCADORIAS PARA REVENDA 09 X LIVRO REGISTRO DE ENTRADAS 2009". • O mesmo procedimento observase na escrituração do ano calendário de 2010, conforme se constatou na análise daquela mesma conta, constante do arquivo SPED ContábilAC 2010, em confronto com os registros de entradas no arquivo Sintegra 2010, apresentado com pendências, constadas na escrituração do livro registro de entradas n° 02 (vol. 1 a 3), conforme anexo 2, denominado "COMPARATIVO LD E RAZ CONTA MERCADORIAS PARA REVENDASPED CONTÁBIL 2010 X LIVRO REGISTRO DE ENTRADAS 2010". [...] • Assim, nos termos do artigo 530, incisos I, IIb e III do RIR 1999 e, também, com fulcro no artigo 532 do RIR/99; artigos 45 e 47 da Lei n° 8.981/95; arts. 16 da Lei n° 9.249/95 e artigos 1° e 27, inciso I, da Lei 9.430/96, procedeuse ao arbitramento do lucro sobre a receita conhecida, aplicandose o percentual de 9,6% à receita conhecida, nos dois últimos trimestres do ano calendário de 2009 e nos quatro trimestres do AC 2010, com base nas informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, nas GIA's do estabelecimento matriz, haja vista a desclassificação de sua escrita contábil, esclarecendose que os dados extraídos das GIAS encontramse discriminados no ANEXO 2, denominado RESUMO MENSAL DAS GIAS POR CFOP DE COMPRAS E DE VENDAS AC 2009 E 2010. Dos tributos IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) • Mediante o arbitramento do lucro obtevese a base de cálculo para aplicação das alíquotas do IRPJ, e por reflexo, das Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 5 7 contribuições CSLL, PIS e COFINS. A contribuições para o PIS e a COFINS declaradas em DCTF foram deduzidas na autuação das referidas contribuições nos respectivos períodos. Da multa agravada • Conforme demonstrado acima, os atos praticados pelo contribuinte, deixando de atender as solicitações formuladas pelo fisco, no prazo marcado, dificultou o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, configurando a aplicação da multa agravada de 112,5%, nos termos do artigo 44, inciso I, parágrafo 2°, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07. Da responsabilidade solidária • A responsabilidade solidária, no âmbito das normas gerais e aplicáveis ao presente caso, é tratada nos artigos 121 e 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN). [...] O devedor principal e todos os responsáveis solidários apresentaram impugnações (fls. 1.306/1.397 e 1.400/1.517, respectivamente), alegando, em síntese, que: • as contas bancárias sofreram a irregular quebra de sigilo bancário, conforme confirmado pela própria fiscalização a fls. 3 do termo de constatação. • O procedimento adotado pela fiscalização ofende o direito de defesa, contraditório, legalidade, publicidade, motivação dos atos administrativos, não confisco e capacidade contributiva. • a fiscalização desprezou totalmente as provas e declarações obtidas e açodadamente, sem qualquer fiscalização ou investigação mais profunda, empreendeu interpretação em face de alguns poucos indícios que obteve com a movimentação financeira, em desrespeito ao princípio da verdade material e em ofensa, novamente, ao devido processo legal, ao contraditório e a ampla defesa. • O art. 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece o devido processo legal necessário e irredutível, para que possa ser praticado o ato de lançamento do IRPJ por arbitramento com base na receita não comprovada. E esse devido processo legal não foi plenamente cumprido. Isso porque a fiscalização deixou de intimar a impugnante sobre as informações coletadas unilateralmente, mesmo sabedor do endereço correto da impugnante. • considerando que a impugnante foi intimada do auto de infração, em 20/02/2014, todos os créditos tributários constituídos cujos fatos geradores ocorreram antes de 20/02/2009, foram colhidos pela decadência, pois ocorridos em prazo superior ao de cinco anos. • a fiscalização não poderia lançar mão da quebra do sigilo bancário da impugnante pelo fato de ofensa às garantias pétreas do art. 5° da Constituição Federal. Fl. 1932DF CARF MF 8 • a fiscalização não cumpriu com o seu onus probandi ao trazer aos autos apenas presunções da ocorrência de lucro (faturamento) da impugnante que demonstram a falta de materialidade dos fatos ocorridos, ou seja, não restou demonstrado que os valores constantes em conta corrente são referentes ao faturamento bruto (lucro) do contribuinte. • as provas utilizadas pela fiscalização estão eivadas de vícios, ou sejam, não demonstram com exatidão que os valores ali lançados tratamse realmente dos valores constantes nas contas correntes da impugnante, por conta dos erros nos arquivos eletrônicos. • de acordo com o novo entendimento do STF, a inclusão do ICMS na hipótese de incidência das contribuições ao PIS e COFINS desbordase do conceito de receita bruta faturamento sendo, portanto, passível de ser excluída da base de cálculo. • a multa aplicada, de 112,5%, deve ser reduzida para 50% em face da revogação do artigo 44,1, parágrafo 2o, da Lei n° 9.430/96. • a penalidade agravada aplicada pelo fisco não encontra nos fatos elementos bastantes e suficientes que a suportem. • estáse diante de flagrante ilegalidade na inclusão dos sócios no pólo passivo do presente lançamento, motivo que deverá ser revisto tal inclusão. O artigo 135 do Código Tributário Nacional estabelece que o sócio somente responde com os seus bens pessoais se atuar com excesso de poderes ou com infração de lei ou do contrato social, prova esta que nunca foi produzida pela fiscalização. • A agente fiscal não logrou êxito em justificar a inclusão das impugnantes como solidariamente responsáveis, tendo meramente referenciado o interesse comum, caracterizado pela idêntica composição do quadro societário dessas empresas, pelo uso da marca Futurama pelo motivo de que a constituição social de cada uma dessas pessoas jurídicas decorreu do encerramento das filiais do Futurama Supermercado Ltda. • Igualmente, a sugestão de caracterização de fundo de comércio, timidamente suscitada pela agente fiscal ao mencionar que a constituição social de cada uma dessas pessoas jurídicas decorreu do encerramento das filiais do Futurama Supermercado Ltda não encontra guarida na documentação angariada pela fiscal, sequer na legislação pátria. • no caso concreto, com base na doutrina e jurisprudência consolidadas, não existirá sucessão tributária por parte dos impugnantes, uma porque estabelecidas em locais diversos do local da autuada, e segundo que a autuada encontrase em plena atividade e regularmente inscrita no cadastro da Secretaria da Fazenda, sendo pessoa jurídica totalmente distinta das demais. • a responsabilidade tributária dos sucessores, consagrada especificamente no artigo 133 do Código Tributário Nacional, não compreende as multas, alcançando apenas os tributos devidos pelo sucedido. • é ilegal e irregular a aplicação de juros com base na taxa Selic. O lançamento foi considerado procedente, por unanimidade de votos, pela Terceira Turma da DRJ/BHE, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls. 1.617/1.679): ARBITRAMENTO DE LUCROS Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 6 9 Será arbitrado o lucro daqueles cuja escrituração contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS MULTA REGULAMENTAR O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Sujeitarseá a um acréscimo de 50% no percentual da multa de ofício imposta em razão do lançamento de ofício o contribuinte que deixar de atender intimação dentro do prazo fixado para prestar esclarecimento ou apresentar os livros e os documentos especificados na legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INTERESSE COMUM São solidariamente obrigadas as pessoas físicas e jurídicas que tenham, comprovadamente, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. ENVIO DE INTIMAÇÕES A ENDEREÇO DIVERSO DO DOMICÍLIO FISCAL DO SUJEITO PASSIVO Não existe nenhuma disposição legal que autorize o envio de correspondência ou intimação ao domicílio do advogado do contribuinte, ainda que regularmente constituído, nem a qualquer outro endereço que não se caracterize como o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificados, o contribuinte principal e os solidários interpuseram recursos voluntários (fls. 1.711/1.801 e 1.802/1.905), em que, basicamente, reiteram as alegações de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1934DF CARF MF 10 Os recursos voluntários foram protocolizados tempestivamente e preenchem os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos na legislação. Deles, portanto, conheço. Inconstitucionalidade Atinente aos princípios e normas constitucionais que a Recorrente entende violados, tais como os consagrados princípios constitucionais do não confisco, capacidade contributiva, verdade material, motivação e publicidade, que receberam enorme atenção nas peças recursais, cabe observar que este Conselho é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, o Decreto nº 70.235/72 dispõe em seu art. 26A que: Artigo 26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal II – que fundamente crédito tributário objeto de a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Verificase, assim, que o afastamento da aplicação de norma legal, sob fundamento de inconstitucionalidade, somente é possível no âmbito do processo administrativo fiscal federal nas hipóteses acima elencadas, o que não é o caso. Nulidade Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente também gasta páginas e páginas em argumentos de nulidade das autuações, sob diversos enfoques, tais como (i) falta de motivação adequada; (ii) cerceamento de direito de defesa; (iii) indevida quebra de Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 7 11 sigilo bancário; (iv) confusão de faturamento com lucro; (v) violação ao artigo 142 do CTN; (vi) ausência de provas hábeis a sustentar a infração imputada; e (vii) aplicação indevida do método de arbitramento. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º ou 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 1936DF CARF MF 12 Tal como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a caracterização de hipótese de omissão de receita conhecida a partir das informações prestadas ao fisco estadual por meio de GIA. Segundo demonstrado pela fiscalização, o contribuinte é omisso na entrega da DIPJ 2010 AC 2009, tendo sido constatada a existência de elevada movimentação bancária no período e, também, em relação ao AC 2010, a DIPJ 2011 informava uma receita maior que a movimentação bancária do período, e, também, imposto de renda IRPJ e CSLL a pagar, embora nada tenha sido declarado em DCTF, conforme pesquisas efetuadas. Apesar de intimado e reintimado diversas vezes a apresentar documentos contábeis, fiscais e bancários, a contribuinte atendeu os termos apenas parcialmente. Assim, diante da não apresentação de arquivos magnéticos fiscais previstos na Instrução Normativa n. 86/01, a fiscalização exigiu a multa prevista nos artigos 266 e 980, I, ambos do RIR/99, à alíquota de 0,02% por dia de atraso na entrega dos arquivos magnéticos, até o limite de 1% (a partir do 50° dia) sobre a receita bruta, receita esta que, conforme esclareceu o agente fiscal responsável, corresponde ao valor do faturamento informado pelo contribuinte nas GIAS 2009 e 2010, no montante de R$ 51.939.151,10. A ausência dos arquivos magnéticos, a falta de disponibilização dos Livros de Registro de Inventário e o fato da contabilidade ter sido desclassificada diante de inconsistências verificadas, de fato impediram a apuração direta do lucro, razão pela qual o fisco corretamente se valeu do arbitramento. A fiscalização, então, tomou como parâmetro os valores das vendas informados pelo próprio contribuinte à Fazenda Estadual (em GIA), e não os valores de depósitos bancários, como insistentemente quer fazer crer o contribuinte. Os itens 40 a e 43 do TVF abaixo transcritos reforças a assertiva. Vejase: 40.2 Mediante o confronto das notas fiscais de compras apresentadas, relativas aos meses de dezembro/09 e julho/10, com os respectivos registros contábeis 2009 e 2010, confirmase a veracidade dos fatos acima relatados, conforme cópias das referidas notas fiscais juntadas no processo. 41 Dessa feita, consideramse contrárias, ao estabelecido nos artigos 251, 259 e 260 do Decreto 3.000 de 26 de março de 1999 RIR/99, abaixo reproduzidos, as condutas de falta de apresentação dos Livros Registro de Inventário AC 2009 e AC 2010, bem como a apresentação de escrituração que não observa a determinação legal de escriturar todas as operações realizadas, de maneira individualizada: Art. 251 "A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e Fiscais. Parágrafo único A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados em suas atividades no território nacional." Art. 259 "A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou Fichas utilizados Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 8 13 para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, e Lei n° 8.383, de 1991, art. 62). § I o A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. § 2o A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei n° 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei n° 8.383, de 1991, art. 62). Art. 260 "A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei n° 154, de 1947, art. 2o, e Lei n° 8.383, de 1991, art. 48, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, arts. 8o e 27): I para registro de inventário; II para registro de entradas (compras); III de Apuração do Lucro Real — LALUR; 42 Procedeuse, então, através do site da SEFAZ/SP, com respaldo no Convênio n° 02337/2002 (vigente até 05/13), firmado pelos órgãos da RFB e SEFAZ/SP, substituído pelo novo convênio Cooperação Técnica Intercâmbio, assinado em 22/05/13, com vigência até 31/05/2018, publicado no DOU n° 99 de 24/05/13 (fl.84 seção 3), à pesquisa das GIAS AC 2009 e AC 2010, (cópias anexas ao processo), constatandose as informações prestadas pelo contribuinte, relativas às vendas de mercadorias efetuadas no período referido, consolidadas no quadro abaixo: 43 Assim, nos termos do artigo 530, incisos I, IIb e III do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, nin verb/s", e, também, com fulcro no artigo 532 do RIR/99; artigos 45 e 47 da Lei n° Fl. 1938DF CARF MF 14 8.981/95; arts. 16 da Lei n° 9.249/95 e Io e 27, inciso I da Lei 9.430/96, procederseá o arbitramento do lucro sobre a RECEITA CONHECIDA, aplicandose o percentual de 9,6% à receita conhecida, nos períodos dos 3o e 4o trimestres do AC 2009 e Io a 4o trimestres do AC 2010, com base nas informações prestadas pelo contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, nas GIA's do estabelecimento matriz, haja vista a desclassificação de sua escrita contábil, esclarecendo que os dados extraídos das GIAS, encontramse discriminados na planilha anexa, denominada RESUMO DAS GIAS POR CFOP DE COMPRAS E DE VENDAS AC 2009 E 2010. Os artigos 530, I, II "b" e III, e 532, ambos do RIR/99 base legal do arbitramento assim dispõem: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; [...] Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Nesse contexto, a fiscalização demonstrou que a Recorrente não possuía registros de inventário e nem contabilidade regular, fatos estes que prejudicaram a apuração direta do lucro real. A fiscalização, porém, detinha mecanismos para conhecer a receita bruta através do cotejo com as informações prestadas ao fisco estadual nas GIAs e assim procedeu com respaldo nos dispositivos legais acima mencionados. Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 9 15 Ato contínuo, foi dada ciência dos Autos de Infração lavrados nesses termos aos sujeitos passivos, para que estes pudessem exercer seu direito ao contraditório e ampla defesa, o que de fato ocorreu. No tocante à argüição de nulidade pelo não cumprimento dos requisitos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, reproduzo e acolho como razões de decidir o que restou assentado na decisão de primeiro grau: O artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, institui a presunção legal de omissão de receita em virtude da falta de comprovação da origem de créditos em contas bancárias. Portanto, somente faria sentido alegar que houve violação de algum requisito formal imprescindível estabelecido nessa a norma em causa se o lançamento em questão tivesse como motivação a apuração de omissão de receita caracterizada pela presunção legal referida. Contudo, o termo de verificação fiscal não imputa nenhuma omissão de receita presumida em virtude da falta de comprovação de crédito em conta bancária. As exigências fiscais relativas ao IRPJ e à CSLL decorrem unicamente do arbitramento do lucro da autuada. E a base de cálculo do lucro arbitrado tampouco teve como componente omissão de receita presumida por falta de comprovação da origem de crédito em conta bancária, mas sim a receita bruta declarada pela própria autuada ao fisco estadual paulista. Com efeito, no auto de infração está manifestamente claro que o arbitramento se fez em virtude da falta de apresentação do livro registro de inventário do anocalendário de 2010, apesar da intimação para o apresentar, e também em virtude da desclassificação da escrituração contábil, por esta não individualizar os lançamentos por documento fiscal e por seus históricos e valores não corresponderem aos documentos indicados, o que impossibilitou apurar o lucro das atividades operacionais e, conseqüentemente, impediu a correta apuração do lucro real. Como enquadramento legal do arbitramento citou se o artigo 530, inciso I, inciso II, alínea "b", e inciso III, do RIR 1999), disposições legais que nenhuma referência fazem a omissão de receita em virtude de falta de comprovação de créditos em conta bancária. Além de argüir a nulidade referida nos parágrafos precedentes, os impugnantes também se queixam de que a fiscalização, mesmo sabendo que a impugnante não se encontrava no endereço avenida Angélica, mas sim na cidade de Diadema, realizou a elaboração de diversas intimações solicitando informações a respeito da movimentação bancária. Segundo os impugnantes, mostrarseiam totalmente levianas as alegações da fiscalização em afirmar que a impugnante estava em lugar incerto e não sabido, visto que a simples consulta ao cadastro denotaria que a autuada se encontra localizada na cidade de Diadema desde novembro de 2005, em plena atividade. E mais, prossegue a impugnação, a autuada somente teria tomado ciência do presente lançamento tributário através da informação repassada pelos exsócios da impugnante, ao receberem com Fl. 1940DF CARF MF 16 indignação o auto de infração e constatarem a suas inclusões como responsáveis solidários pelo crédito. Todavia, a queixa do parágrafo precedente é totalmente despropositada e desprovida de sentido e leva a crer que os impugnantes se confundiram e estão a se referir a partes e circunstâncias pertencentes a processo administrativo distinto. Não existe nenhum elemento nos presentes autos que forneçam o mínimo amparo material às alegações da impugnação. O fisco nunca afirmou que o endereço da autuada é diverso daquele em seu cadastro. Este, por sua vez, não se situa em Diadema, mas na rua Guaicurus, no municio de São Paulo. Tampouco se afirma que a autuada se encontrava em local incerto e não sabido. Por fim, ao contrário do que alega a impugnação, a pessoa jurídica autuada foi regularmente cientificada do lançamento tributário, conforme atesto o aviso de recebimento a folhas 1.284. Em suma, é inteiramente despropositada e sem nenhuma pertinência com o presente litígio toda a arguição que os impugnantes fazem a respeito da suposta falta de cumprimento de requisitos formais prescritos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. De fato, é inteiramente despropositada e sem nenhuma pertinência com o presente litígio toda a argüição que os impugnantes fazem a respeito da suposta falta de cumprimento de requisitos formais prescritos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Não vislumbro, contudo, nenhum vício de nulidade nos lançamentos. Cerceamento de defesa O Recorrente queixa de que seu direito de defesa fora cerceado porque, enquanto estava em curso a ação fiscal, jamais poderiam ter o sigilo bancário violado sem o devido processo legal. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, e conforme se certificou a DRJ, a fiscalização, mesmo não havendo nenhum imperativo legal para tanto, acabou por atender ao pedido do contribuinte e concedeulhe vista do procedimento fiscal. O procedimento fiscalizatório tem caráter inquisitorial e precede a constituição do crédito. Tratase de medida preparatória ao Auto de Infração, momento este o oportuno para se falar em direito de contraditório e ampla defesa, na linha da jurisprudência administrativa citada a seguir. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO DEVIDO PROCESSO LEGAL E CERCEAMENTO DE DEFESA PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO Não há se confundir procedimento administrativo fiscal com processo administrativo fiscal. O primeiro tem caráter apuratório e inquisitorial e precede a Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 10 17 formalização do lançamento, enquanto o segundo somente se inicia com a impugnação do lançamento pelo contribuinte. As garantias do devido processo legal, em sentido estrito, do contraditório e da ampla defesa são próprias do processo administrativo fiscal. Estando o lançamento amparado por farta documentação colacionada ao processo, e tendo descrito com clareza, precisão e de acordo com as formalidades legais, as infrações imputadas ao contribuinte, não há se falar em cerceamento de defesa a impor a nulidade do feito. (Acórdão n. 10516.478. Data da decisão: 23/05/2007) NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O procedimento de fiscalização é regido pelo princípio inquisitório, não demandando a participação dialética do fiscalizado. (Acórdão n. 130100.493. Data da decisão: 27/01/2010) De qualquer forma, a bem da verdade é que o sigilo bancário e a utilização de dados financeiros obtidos diretamente pelo fisco, conforme demonstrado, são matérias estranhas à lide. A controvérsia instaurada, não custa repetir, diz respeito à legitimidade do arbitramento em face do conhecimento da receita bruta obtida com base nas GIAs. Afasto, portanto, a caracterização de cerceamento de defesa. Prova ilícita Os Recorrentes, mais uma vez, se dedicam considerável parte das péças recursais a contestar uma pretensa quebra irregular do sigilo bancário, em virtude de a fiscalização supostamente ter usado informações de contas bancárias da autuada para apurar omissão de receita sem autorização judicial para tanto. Sob esta premissa, concluem que teria havido violação do princípio constitucional que veda o uso de prova ilícita. A fiscalização, entretanto, não recorreu a dados bancários para efetuar o lançamento, razão pela qual considero prejudicado o argumento. Decadência Quanto à decadência, assim decidiu a DRJ: Segundo os impugnantes, considerando que a autuada foi intimada do auto de infração, em 20/02/2014, todos os créditos tributários constituídos cujos fatos geradores ocorreram antes de 20/02/2009, foram colhidos pela decadência, pois ocorridos em prazo superior ao de cinco anos. A arguição, porém, não se sustenta. O direito de o fisco constituir o crédito pelo lançamento decai no prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador, desde que aplicável a Fl. 1942DF CARF MF 18 regra do artigo 150, § 4°, do CTN, ou no mesmo prazo de cinco anos, mas contados do primeiro dia do exercício seguinte ao aquele em que o lançamento puder ser efetuado, nos demais casos aos quais se aplica a regra do artigo 173, também do CTN. Considerase constituído o lançamento na data em que o primeiro sujeito passivo é dele notificado. Conforme admite os impugnantes, no presente litígio, isso ocorreu em 20/02/2014. Logo, na hipótese de ser aplicável a regra de contagem de prazo mais favorável ao contribuinte, só haveria decadência se o fisco tivesse exigido crédito tributário relativo a fato gerador ocorrido antes de 20/02/2009, o que também coincide com a argumentação da impugnante. Contudo, embora em tese seja correto o raciocínio da impugnação, na realidade não tem fundamento algum a arguição de decadência, porque em nenhum dos cinco autos de infração lavrado encontrase crédito tributário cujo fato gerador remonta àquela data. No caso do IRPJ, o fato gerador mais remoto é datado de 31/12/2009; o mesmo se pode dizer em relação à CSLL; no caso da contribuição para o PIS e da Cofins, o fato gerador mais remoto data de 30/11/2009; e no caso do auto de infração que exige multa isolada, o fato gerador ocorreu em 01/11/2013. Concordo com esse racional, razão pela qual rejeito o argumento de decadência. Da omissão de receitas Os contribuintes não trazem nenhuma justificativa ou comentário sobre a origem das diferenças apuradas a partir da utilização de dados fornecidos ao fisco estadual. A presente lide diz respeito eminentemente de matéria de prova, em que a DRJ considerou suficientes os esforços despendidos pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, que reuniu indícios conclusivos para a cobrança dos créditos tributários apurados em face do arbitramento de lucro com base em receita conhecida, porém omitida do fisco federal. Já os Recorrentes se esquivaram do seu ônus de fazer prova em contrário da omissão de receitas arbitrada. Não há, nos autos, nenhuma prova hábil produzida que seja capaz de demonstrar a regularidade contábil, fiscal e de estoques e, conseqüentemente, afastar a hipótese de omissão de receita. Os Recorrente limitaramse a questionar os lançamentos com base em razões de nulidade, cerceamento de defesa e outros genéricos, mas nunca foram “direto ao ponto”, contornando o cerne da questão. Os recursos voluntários apenas reiteram suas razões de impugnação sem acrescentar a ela uma única prova, desconsiderando por completo a decisão de piso que Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 11 19 registrou expressamente a falha no que diz respeito à compreensão da matéria fática e a questão probatória. Em nenhum momento os Recorrentes agregaram elementos probantes que pudessem elidir o levantamento efetuado pelo fisco. Enfim, não houve cumprimento do ônus de afastar a infração que lhe foi imposta, ficando assim confirmada a omissão de receitas. Quanto à prova utilizada na constituição do crédito tributário ora em discussão GIA , entendo que tratase de documento hábil para identificar as receitas conhecidas, constituindo meio de prova admitido pelo Direito. O CTN, aliás, expressamente repele quaisquer disposições legais contra o direito de examinar documentos do interesse da administração pública, ao prescrever no seu artigo 195 que: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. A "troca de informações" entre os entes tributantes, ainda mais no contexto do que se denomina na doutrina de federalismo cooperativo, é até natural e benéfico para a busca da verdade material. Tendo em vista o poder de fiscalização assegurado ao fisco e o dever do contribuinte de prestar suas informações, a utilização pela Receita Federal dos dados da receita informados pelo próprio contribuinte ao fisco estadual não representa nenhuma ilegalidade, constituindo meio probatório válido e eficaz de atingir receitas não declaradas ou sonegadas. Nesse sentido caminhou a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos seguintes julgados: OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE O DECLARADO AO FISCO FEDERAL E AO FISCO ESTADUAL. Apurada omissão de receitas mediante confronto do faturamento declarado ao Fisco Estadual, cumpre a fiscalização Federal exigir as diferenças de tributos efetivamente devidas. (ACÓRDÃO 140200.365. DOU de 18/05/2011). OMISSÃO DE RECEITAS. DIPJ E LIVROS FISCAIS. DIVERGÊNCIA APURADA E NÃO ESCLARECIDA. Constada diferenças entre as receitas escrituradas pelo contribuinte, regularmente declaradas ao fisco estadual, e os valores grafados na DIPJ apresentada à Receita Federal, não tendo o contribuinte apresentado provas da alegação de erro na escrituração contábil e fiscal, correto a lavratura de autos de infração para exigência dos tributos devidos. (ACÓRDÃO 1402 00.461. DOU de 22/06/2011). Fl. 1944DF CARF MF 20 OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES DECLARADOS AOS FISCOS ESTADUAL E FEDERAL. PROCEDÊNCIA. A divergência entre os valores das receitas de vendas declaradas ao Fisco Estadual, mediante GIM, quando confrontadas com as receitas declaradas em valores muito inferiores à Receita Federal, caracteriza omissão de receitas, quando não infirmada pelo sujeito passivo, especialmente se este se nega a apresentar ao Fisco Federal seus livros contábeis e fiscais, apesar de seguidamente intimado e reintimado. (ACÓRDÃO 130100.429. Sessão de 11/11/2010) FALTA DE CONTABILIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA INFORMADA NAS GIAS DO ICMS. Correto o arbitramento do lucro quando o contribuinte não mantém escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, o que impede a apuração do lucro real, sendo legitima a base de cálculo apurada a partir das divergências verificadas entre as receitas declaradas ao fisco estadual e federal. (ACÓRDÃO 1401 001.177. Data de decisão: 09/04/2014). Sendo assim, entendo correta a adoção do método de arbitramento de lucro com base na receita bruta apurada por meio das declarações (GIAs) entregues à Secretaria da Fazenda Estadual. Da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS Em relação a este tema, a Recorrente sustenta, em síntese, que o ICMS não poderia integrar o conceito jurídico de receita ou faturamento, tal como previstos no texto constitucional, posto que isso implicaria um bis in idem, isto é, uma cobrança indevida de tributo sobre tributo (PIS/COFINS sobre ICMS), em total arrepio à regra matriz de incidência das aludidas contribuições. Essa discussão, como se sabe, não é recente e conta com posicionamentos divergentes tanto na doutrina quanto na jurisprudência. No âmbito do Supremo Tribunal Federal, prevalece há precedente que reconheceu que o ICMS, por não compor o faturamento ou a receita bruta das empresas, de fato deve ser excluído da base de cálculo do PIS e COFINS. A ementa do julgado foi assim redigida: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 12 21 mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Como se nota, o STF já reconheceu que o ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, mas sob o argumento de inconstitucionalidade em face da nãocumulatividade. Ocorre, porém, que o Acórdão em questão não transitou em julgado, o que impede o presente Julgador de aplicálo nesse caso concreto, em razão do quanto dispõe o referido artigo 26A do RICARF. Dessa forma, não há como acolher o pleito em relação à dedução do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Da multa agravada O agravamento da multa de ofício foi levado a efeito com base no artigo 44, § 2°, inciso I, da Lei n° 9.430/96, que assim prevê: (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ´grifei I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1946DF CARF MF 22 A meu ver tal dispositivo deve ser interpretado com cautelas, dirigindose apenas às situações de reiterado não atendimento às intimações feitas ao longo do procedimento fiscalizatório. E, digase, "não atender" não é "sinônimo de "mal atender". O campo de aplicação do agravamento da penalidade não contempla a hipótese de prestação deficitária ou insuficiente de documentos ou esclarecimentos por parte dos contribuintes, o que , a meu ver, foi o que ocorreu na presente situação. A falta de apresentação de determinado livro e/ou documentos da escrituração, o descumprimento de dada formalidade de registro ou formato ou a não prestação de um determinado esclarecimento pontual, em um universo onde foram apresentados outros documentos e respostas, por si só, não enseja o agravamento da multa de oficio. A fiscalização, a bem da verdade, se valeu de dados fornecidos pelo próprio contribuinte em GIA para definir o montante da receita considerada, existindo várias passagens ao longo do TVF que atestam que houve retorno do contribuinte às intimações. Não vislumbro, nessa situação fática, que a conduta da Recorrente tenha gerado obstáculos ao levantamento do crédito tributário e a instrução dos Autos de Infração. Muito pelo contrário, a precariedade da escrituração foi justamente a causa que gerou a adoção do método de arbitramento. Vale assinalar, nesse contexto, que o CARF vem afastando o agravamento da multa quando a ausência de cumprimento integral aos termos de intimação não gere prejuízos ao trabalho fiscal, conforme atesta as ementas dos seguinte julgados: MULTA AGRAVADA ARTIGO 44, § 2º, LEI 9.430/96 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. Na hipótese em que a fiscalização se vale de regra que admite o lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo tornase irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornarse inaplicável o agravamento da multa. (Acórdão n. 9202004.290. Data de publicação: 17/08/2016) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos do SIMPLES foi colhida em livro .contábil (razão) e fiscal (apuração do ICMS) da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no , mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. (Acórdão n° 1102 00.058. Sessão de 29 de setembro de 2009) Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 13 23 Invoco, ainda, como argumento contrário ao agravamento da penalidade a inteligência da Súmula CARF nº 96: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". Posto isso, afasto o agravamento da multa de ofício. Da responsabilidade solidária Quanto à responsabilidade solidária das pessoas incluídas, entendo que as provas nos autos são consistentes e convergentes para justificar a medida. Nesse particular, reproduzo e acolho como razões de decidir as conclusões da decisão de piso, que, apesar de longa, bem motivou os fatos e argumentos em prol da solidariedade. Veja: Em verdade, seja no termo de verificação fiscal, seja no termo de sujeição passiva solidária, a autuante apresenta de maneira clara e precisa, tanto o fundamento material como o jurídico para a responsabilização solidária. Com efeito, no termo de sujeição passiva solidária a autuante afirma que a responsabilidade solidária, no âmbito das normas gerais aplicáveis ao presente caso, é a tratada nos artigos 121 e 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN). Acrescenta que se atribui a responsabilidade solidária aos sócios integrantes do quadro social da última alteração contratual registrada na JUCESP, FADEL HABKA (sócio administrador solidário); FAISSAL HABKA (sócio administrador solidário); FARIZE HABKA (sócio administrador solidário); e às pessoas jurídicas SUPERMERCADO SANTO AMARO LTDA; SUPERMERCADO SAVANA LTDA; SUPERMERCADO ANGÉLICA LTDA; SUPERMERCADO CÁSPER LÍBERO LTDA; SUPERMERCADO GENERAL JARDIM; SUPERMECADO FARIA LIMA LTDA; em razão do interesse comum, caracterizado pelo quadro societário das pessoas jurídicas que possuem os mesmos sócios que integram o quadro social do contribuinte, pelo uso da marca Futurama e pelo motivo de que a constituição social de cada uma dessas pessoas jurídicas decorreu do encerramento das filiais do Futurama Supermercado Ltda. Já no termo de verificação fiscal, a autuante relata os fatos e circunstâncias que a levaram a concluir que se enquadrava no artigo 124, inciso I, do CTN a conduta das pessoas físicas e jurídicas arroladas como sujeitos passivos solidários. Esses fatos e circunstâncias são resumidos pelos parágrafos seguintes. As pessoas físicas integrantes do quadro societário do contribuinte autuado participam duplamente no quadro societário do próprio contribuinte e de cada uma das novas pessoas jurídicas constituídas, acima discriminadas, diretamente Fl. 1948DF CARF MF 24 como sócios, e indiretamente, através da empresa NOVOS RUMOS ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. CNPJ 07.830.932/000100, cujo quadro societário é composto pelas mesmas pessoas físicas os senhores Fadel Habka, Faissal Habka e Farize Habka antigos sócios administradores da empresa Futurama Supermercados LTDA e sócios administradores da contribuinte em pauta. O CNPJ da sócia pessoa jurídica NOVOS RUMOS ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA foi baixado de ofício do cadastro RFB, por inexistência de fato, através do Ato Declaratório ADE n° 276, de 19/11/2013, publicado no DOU Seção 1, pág, 43, em 09/12/2013, conforme Processo Administrativo n° 19515.720.995/201380, uma vez que no endereço constante do cadastro RFB não foi encontrado nenhum responsável pela referida pessoa jurídica, conforme Termo de Constatação e de Declaração lavrado pelo AFRFB Roque Eijo Hayashi, em 16/01/2013. Os únicos sócios dessas novas pessoas jurídicas constituídas, imputadas como sucessoras dos estabelecimentos filiais da empresa Futurama, direta e indiretamente, são as pessoas físicas Fadel Habka, Faissal Habka e Farize Habka antigos sócios administradores da empresa Futurama Supermercados Ltda, que teve o CNPJ baixado de ofício, através do Ato Declaratório n° 290, publicado em 19/12/2012, no DOU pág 49, conforme Processo n° 19515.722.244/201217, por inexistência de fato, em decorrência de sua inatividade constatada em 09/02/12, nos termos do relatório de fls. 29 a 31 do Processo n° 10932.000020/201265, que através do ADE n° 14 deu ciência da alteração de ofício do seu endereço da Av. Assembléia, n° 183 Vila Elida Diadema, para o endereço anterior sito à Av. Angélica, n° 546 Santa Cecília São Paulo, tendo ficado constatada, afinal, a inexistência da atividade da empresa, que não foi encontrada em nenhum lugar mencionado, conforme as diversas diligências realizadas. Ao longo de sua atividade, a empresa Futurama abriu diversas filiais. Em junho de 2009 procedeu ao encerramento de todas filiais, remanescendo apenas o estabelecimento matriz, conforme se observa na Ficha Cadastral extraída do site da JUCESP. Entretanto, mesmo depois de encerrados na JUCESP, constata se movimentação de compras e vendas por esses estabelecimentos filiais, conforme informação nas próprias GIA, resumidas em tabela constante do termo de verificação fiscal. Embora a empresa Futurama tenha informado em carta datada de 17/09/12, que em razão de desentendimento familiar e empresarial ocorrido entre os exsócios e o sócio remanescente, concretizouse a venda das quotas sociais mantidas pelas pessoas físicas Faissal, Farize e Fadel para o sócio remanescente Sr. Elias, pelo valor de R$ 600.000,00 para cada sócio, sendo constituídas novas empresas "supermercados" pelos sócios retirantes, e que o sócio remanescente, no intuito ressarcir os sócios retirantes, no valor total de R$ 1.800.000,00 tenha cedido a eles o uso da marca Futurama, para que fosse utilizada nas novas lojas, assim como a "home page" da Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 14 25 empresa, nenhum documento foi apresentado para confirmação desse fato. Entretanto, o instrumento de alteração contratual da Futurama Supermercados, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, reza, textualmente, que as quotas dos referidos sócios, foram transferidas pelo valor de R$ 600.000,00 para cada um, os quais receberam no ato a respectiva importância em dinheiro do sócio remanescente, Elias Brahim Habka. As pesquisas efetuadas nas últimas GFIP's apresentadas pelos estabelecimentos filiais do Futurama Supermercados, comparadas às primeiras GFIP entregues pelas novas pessoas jurídicas "sucessoras", demonstram que pelo menos cerca de 90% dos empregados dos estabelecimentos filiais da Futurama permaneceram empregados dos novos mercados, conforme demonstram as planilhas comparativas anexadas ao Processo Administrativo n° 19515.722.577/201327. As comparações entre as GFIP foram feitas entre os estabelecimentos filiais da Futurama Supermercados e os "novos" mercados, constituídos nos mesmos endereços das antigas filiais ou com o mesmo ativo imobilizado, estoque e empregados, conforme se constata em relação ao contribuinte em pauta, cujo endereço permanece no mesmo local da filial de final de CNPJ 000990: rua Guaicurus, 1.469/1.470 CEP 05033002, Lapa São Paulo/SP. De qualquer forma, apesar de intimada, a empresa fiscalizada não logrou apresentar à fiscalização os livros registros de inventário dos anoscalendários de 2009 e 2010 nem tampouco a relação e os comprovantes de aquisição dos itens do ativo imobilizado e do estoque inicial, com os respectivos registros contábeis. Da mesma forma, a empresa Futurama deixou de apresentar seus livros de inventário, nos quais deveriam estar registradas as notas fiscais referentes ao destino dado aos estoques por ocasião do encerramento das atividades de cada um dos estabelecimentos, caracterizando a sucessão do fundo de comércio e exploração da atividade da filial de final CNPJ 0009 00 da empresa Futurama pelo contribuinte autuado. Logo, conclui a autuante no termo de verificação fiscal, é imputada a responsabilidade solidária aos sócios (pessoas físicas) do contribuinte e aos novos supermercados já mencionados, em razão do interesse comum, caracterizado pela idêntica composição do quadro societário dessas pessoas jurídicas, pelo uso da marca Futurama e pelo motivo de a constituição social de cada uma dessas pessoas jurídicas decorreu do encerramento das filiais do Futurama Supermercados Ltda. Ressaltese que a autuante não se limitou a narrar o que havia apurado, mas juntou aos autos provas de todos fatos e circunstâncias a que se referem os parágrafos precedentes. Fl. 1950DF CARF MF 26 O conjunto desses fatos e circunstâncias demonstra que, embora formalmente, três dos antigos sócios da pessoa jurídica proprietária da rede de supermercados denominada Futurama se haviam retirado da sociedade e constituído também formalmente novas pessoas jurídicas independentes, atuando no mesmo ramo, na realidade, o que ocorreu é que a antiga rede de supermercados continuou existindo e operando da mesma forma que antes, ainda que com nova roupagem jurídica. Tanto é assim que os três sócios retirantes da antiga sociedade continuaram como sócios e administradores das pessoas jurídicas novas, as quais herdaram, praticamente, a totalidade dos funcionários e os estabelecimentos de sua predecessora, além, é claro, de continuarem a ostentar na fachada o nome Futurama. Ademais, a fiscalização também comprovou que a antiga sociedade, embora não tenha sido extinta formalmente, foi considerada como tal de fato pelo fisco federal, já que sua inscrição no cadastro de contribuintes foi cancelada por inexistência de fato. Outro aspecto importante para caracterizar a continuidade da atuação dos novos estabelecimentos como integrantes duma mesma entidade é que, de acordo com o distrato social, os sócios retirantes deveriam receber em dinheiro a parte que lhes cabia no patrimônio líquido da sociedade. Em vez disso, o sócio remanescente alegou que pelo mesmo valor que lhes era devido lhes foi cedido o uso da marca Futurama. Contudo, nada disso foi comprovado. Em verdade, essa circunstância constitui mais uma prova de que a retirada e a subseqüente constituição de novas sociedades formalmente independentes consistiu num mero artifício para ocultar a continuação, na prática, da rede de supermercados Futurama, que se organizava sob a forma de matriz e filiais. Portanto, se as novas sociedades de fato operam em conjunto e como se fossem uma só entidade, apesar da separação formal, fica demonstrado o interesse comum de cada uma delas nos negócios e destino umas das outras, assim como o de seus respectivos sócios e administradores. Daí se segue também que está justificado o procedimento fiscal de, com base no disposto no artigo 124 do CTN, atribuir responsabilidade solidária a todas essas pessoas físicas e jurídicas pelo crédito tributário exigido de cada uma das pessoas jurídicas separadamente. Visto que a fiscalização justificou a responsabilização solidária pelo crédito tributário com fundamento jurídico e com a exposição de circunstâncias factuais, comprovados por documentos juntados aos autos, cumpre rejeitar a argüição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, revelase infundada a argüição de que a autuante se limitou a presumir a solidariedade passiva e o interesse comum dos sócios, sem nada comprovar. Em alentada digressão, os impugnantes põemse ainda a contestar sua responsabilização pelo crédito tributário constituído, alegando que não se aplica ao presente caso o artigo 133, incisos I e II, do CTN, o qual trata da responsabilidade por sucessão em virtude da aquisição de fundo de comércio. Contudo, a argumentação é despropositada e em Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 15 27 nada socorre a causa dos impugnantes, visto que a fiscalização não fundamentou sua inclusão no pólo passivo da obrigação tributária nessas disposições do CTN. É verdade que, num dos parágrafos da motivação da responsabilização solidária, a autuante menciona que ficou caracterizada a sucessão do fundo de comércio, em virtude de ambas, a autuada e a empresa Futurama, não terem atendido às intimações fiscais para apresentar seus registros de inventários, de sorte que não se pôde verificar com a certidão apropriada como a autuada adquiriu os itens de seu ativo imobilizado e o seu estoque inicial, nem qual o destino dado pela empresa Futurama, que encerrou suas atividades, aos seus estoques finais. Todavia, a autuada não usou essa circunstância, para atribuir a responsabilidade solidária às pessoas físicas e jurídicas arroladas no termo de sujeição passiva. Realmente, ao concluir a seção que trata do assunto, a autuante afirma que é imputada a responsabilidade solidária aos sócios (pessoas físicas) do contribuinte e aos novos supermercados já mencionados, em razão do interesse comum, caracterizado pela idêntica composição do quadro societário dessas pessoas jurídicas, pelo uso da marca Futurama e pelo motivo de a constituição social de cada uma dessas pessoas jurídicas decorreu do encerramento das filiais do Futurama Supermercados Ltda. E na capitulação legal da medida a autuante tampouco invocou o artigo 133 do CTN, que trata da responsabilidade por sucessão, mas sim e tão somente os artigos 121 e 124, que tratam da responsabilidade em virtude do interesse comum. Notese ainda que a linha argumentativa adotada pelos impugnantes consiste em negar que de fato tenha havido a aquisição do fundo de comércio e, por conseguinte, que se tenham concretizado as condições necessárias para se configurar a sucessão a que se refere o artigo 133 do CTN. Segundo defendem, teria havido apenas a criação de um novo empreendimento no mesmo lugar do antigo, ainda que tenha aproveitado parte de seus funcionários, de suas instalações e até de seus estoques. Não obstante, os impugnantes não trazem aos autos os respectivos livros do registro de inventários, os quais poderiam esclarecer o destino e a origem dos estoques e itens do ativo permanente do antigo e do novo estabelecimento. Cabe ainda perguntar o que mais faltaria caracterizar a aquisição do fundo de comércio, se até o nome de fantasia da antiga empresa foi herdado pelo novo estabelecimento. De qualquer forma, a discussão em torno dessa questão é irrelevante, ainda que se considere não comprovada a aquisição do fundo de comércio. Ocorre que a autuante motivou a responsabilização dos sujeitos passivos solidários unicamente no interesse comum a que se refere o artigo 124 do CTN, e não resta dúvida de que esta circunstância está cabalmente demonstrada nos autos e bem fundamentada juridicamente. E ainda que fosse admitido, apenas para argumentar, que o fisco Fl. 1952DF CARF MF 28 também alegou sucessão em virtude da aquisição de fundo de comércio e que esta não se acha satisfatoriamente comprovada, ainda assim subsistiria a responsabilização em virtude do interesse comum, a qual é, por si só, mais que suficiente para manter o vínculo de responsabilidade de todos sujeitos passivos qualificados nos autos. Logo, cumpre rejeitar todas as arguições feitas pelos impugnantes com o pressuposto equivocado de que a responsabilização solidária foi atribuída em virtude da sucessão caracterizada pela aquisição de fundo de comércio. Por fim, os impugnantes opõemse a que lhes seja imputada responsabilidade pela parcela do crédito tributário correspondente às multas, alegando que a sanção por infração não deve passar da pessoa do acusado. No seu entender, o sucessor responderia apenas pelo montante do tributo exigido. Todavia, toda a argumentação dos impugnantes acerca dessa questão constróise sobre a errônea suposição de que a responsabilização dos sujeitos passivos solidários teve como fundamento jurídico o artigo 133 do CTN, e como motivação factual a alegação de que eles adquiriram o fundo de comércio da antiga pessoa jurídica que era proprietária da marca Futurama. Se estivesse correta a suposição dos impugnantes, haveria algum sentido na tese defendida por eles, visto que o artigo 133 está inserido na Seção II do Capítulo V, que se destina a regulamentar especificamente uma das modalidades de responsabilidade tributária, a que decorre da sucessão. Além disso, a redação do caput desse artigo alude apenas a tributos ao delimitar a responsabilidade dos sucessores em decorrência da aquisição de fundo de comércio, fornecendo um pretexto àqueles que defendem uma interpretação literal para sustentar a exegese de que as penalidades estariam excluídas da responsabilidade de que trata a norma em questão. Contudo, a tese dos impugnantes é infundada, pois, consoante já demonstrado nos parágrafos anteriores, a responsabilização de que ora se trata não decorre de sucessão nem foi motivada na aquisição de fundo de comércio. Recordese que a autuante enquadra o conjunto de fatos apurados no artigo 124 do CTN e motiva a responsabilização na conclusão correta de que em realidade as diferentes pessoas jurídicas que operam sob o nome de fantasia Futurama continuaram a atuar em conjunto como se fossem uma só empresa, de modo que compartilham um interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O artigo 124 do CTN, por sua vez, não faz nenhuma distinção entre tributo e crédito tributário, de modo que quanto a ele não tem cabimento invocar o disposto no artigo 133 do mesmo CTN que trata de responsabilidade por sucessão. De qualquer forma, ainda que não fosse assim, a interpretação literal advogada pelos impugnantes deve ser descartada, pois é incompatível com outras normas do CTN, as quais deixam claro que a responsabilidade abrange todas as parcelas integrantes do Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 16 29 crédito tributário. A interpretação sistemática, como se sabe, prevalece sobre a literal, a não ser que a própria norma estabeleça excepcionalmente que seu teor deva ser aplicado textualmente, o que não é o caso. Por conseguinte, cumpre rejeitar todas as arguições e questões suscitadas pelos impugnantes, para manter integralmente sua responsabilidade passiva solidária pelo crédito tributário exigido. Diante desses fatos narrados e das robustas provas trazidas aos autos, parece me inequívoco que os responsáveis solidários mencionados realmente possuem "interesse comum", sujeitandose à responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN. Multa por atraso ou falta na apresentação de arquivos magnéticos Considerando que a aplicação da penalidade em questão, na linha do que sustenta a fiscalização nos itens 32 a 38 do TVF, tem base legal, e que a contribuinte não impugnou essa cobrança diretamente, a multa deve ser mantida. Juros (Selic) A aplicação da taxa Selic para corrigir o crédito tributário possui base legal expressa (art. 13 da Lei 9.065/19951 e art. 61, § 3º, da Lei n. 9.430/19962), não cabendo ao CARF apreciar eventual inconstitucionalidade dessa cobrança. A propósito, a aplicação dos juros com base na Selic já foi reconhecida pelo CARF, conforme Súmula n. 4, que assim dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à 1 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1954DF CARF MF 30 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Essa previsão, segundo penso, está em sintonia com o artigo 161, do CTN, verbis: Artigo 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A análise desse dispositivo, notadamente a palavra “crédito”, deve ser feita levando em conta que o lançamento é ato que formaliza a exigência do valor do principal, juros e multa de ofício, passando esses valores a compor a obrigação tributária como um todo. O crédito tributário, pois, tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias. Isso não significa dizer que a referida norma equipare tributo a multa, afinal, por definição, tributo não tem natureza de sanção. A circunstância de o contribuinte ser imputado ao pagamento de multa não dispensa o pagamento do tributo apurado. Tanto o tributo quanto a multa decorrem de fatos previstos na lei e, por integrarem o crédito, estão sujeitos aos juros de mora. Esse é também o entendimento das duas Turmas do STJ, conforme se observa das ementas transcritas a seguir. “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido.” (STJ. 2ª Turma. REsp 1.129.990/PR. Dje 01/09/09). “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” (STJ. 1ª Turma. REsp 834.681/MG. Dje 02/06/10). Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 19515.720235/201453 Acórdão n.º 1201002.151 S1C2T1 Fl. 17 31 Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A título ilustrativo, veja os seguintes julgados: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão CSRF 9101000.539. Sessão de 02/07/14). “Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício”. (Acórdão CSRF 9101001.474 Sessão de 26/09/12). “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Acórdão CSRF 9303002.399. Sessão de 15/08/13). Adotando essa linha jurisprudencial, considero legal a incidência dos juros de mora sobre o crédito tributário (principal e multa de ofício) com base na taxa SELIC. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS, para fins de reduzir a multa de ofício (de 112,5% para 75%). É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1956DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.904234/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.313
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 34 /2 01 2- 18 Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10746.904234/201218 Acórdão n.º 3301004.313 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.882, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.607. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10746.904234/201218 Acórdão n.º 3301004.313 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10746.904234/201218 Acórdão n.º 3301004.313 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10746.904234/201218 Acórdão n.º 3301004.313 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1220DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.903044/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flavio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 30 44 /2 01 2- 66 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13851.903044/201266 Acórdão n.º 1302002.645 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático de que "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (conforme descrito no despacho decisório de fl. 7 a 11). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 20097.62106.240412.1.3.046521, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido no ano de 2009. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a produção de prova adicional e, sucessivamente, a anulação ou a reforma do despacho decisório. A DRJ de Ribeirão Preto houve por bem não conhecer da manifestação oposta, mormente por entender que, uma vez informado na aludida manifestação que o crédito cuja compensação se postulava advinha de pretensa discussão judicial, sem que se tenha juntado ao feito quaisquer provas ou documentos que pudessem identificála (a discussão judicial), seria de tomar como "nãodeclarada" a compensação pleiteada (na forma do art. 74, 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996). A recorrente teve ciência do resultado do julgamento acima em 09/08/2013 (AR de fl. 48), tendo interposto o seu recurso voluntário em 03/09/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 50), por meio do qual se limitou a reiterar os argumentos despendidos em sua impugnação. Este, o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13851.903044/201266 Acórdão n.º 1302002.645 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.642, de 15.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13851.903041/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.642): I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "nãodeclarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "não declarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia. Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº 15313.50413.240412.1.3.045499, que efetivamente descreve o Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13851.903044/201266 Acórdão n.º 1302002.645 S1C3T2 Fl. 5 4 crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais, genérica de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13851.903044/201266 Acórdão n.º 1302002.645 S1C3T2 Fl. 6 5 Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar nãodeclarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13851.903044/201266 Acórdão n.º 1302002.645 S1C3T2 Fl. 7 6 pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço e dou provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e determinar o retorno à DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade da interessada. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722477/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatado lapso manifesto por ocasião do julgamento do recurso, acolhem-se os Embargos para que seja adotada a providência processual adequada à situação dos autos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. SOBRESTAMENTO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, existindo posicionamento das Cortes Superiores no sentido do sobrestamento previsto no art. 543-B do CPC, cabe ao Conselheiro Relator do recurso, de ofício ou por provocação das partes, adotar os procedimentos previstos na Portaria CARF n° 001/2012, que regulamenta o art. 62-A, §1º do anexo II do RICARF.
Embargos Acolhidos.
Acórdão Anulado.
Julgamento do Recurso Sobrestado.
Numero da decisão: 2201-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201-001.714, de 11/07/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 04 de fevereiro de 2013
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franda e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatado lapso manifesto por ocasião do julgamento do recurso, acolhem-se os Embargos para que seja adotada a providência processual adequada à situação dos autos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. SOBRESTAMENTO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, existindo posicionamento das Cortes Superiores no sentido do sobrestamento previsto no art. 543-B do CPC, cabe ao Conselheiro Relator do recurso, de ofício ou por provocação das partes, adotar os procedimentos previstos na Portaria CARF n° 001/2012, que regulamenta o art. 62-A, §1º do anexo II do RICARF. Embargos Acolhidos. Acórdão Anulado. Julgamento do Recurso Sobrestado.
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Constatado lapso manifesto por ocasião do julgamento do recurso, acolhemse os Embargos para que seja adotada a providência processual adequada à situação dos autos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. SOBRESTAMENTO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, existindo posicionamento das Cortes Superiores no sentido do sobrestamento previsto no art. 543B do CPC, cabe ao Conselheiro Relator do recurso, de ofício ou por provocação das partes, adotar os procedimentos previstos na Portaria CARF n° 001/2012, que regulamenta o art. 62A, §1º do anexo II do RICARF. Embargos Acolhidos. Acórdão Anulado. Julgamento do Recurso Sobrestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.714, de 11/07/2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 77 /2 00 8- 85 Fl. 217DF CARF MF 2 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 04 de fevereiro de 2013 Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira Franda e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Cuidase de embargos inominados interpostos pelo Relator em face do acórdão nº 2201001.714, de 11 de julho de 2012 que julgou procedente em parte o lançamento objeto do processo. Eis o teor do acórdão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir os juros incidentes sobre as verbas recebidas e a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA (Relator)e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que apenas excluíram os juros, e os Conselheiros RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA e RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto à exclusão da multa de ofício o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Verificouse, todavia, que o voto condutor do acórdão considerou, equivocadamente, que no lançamento aplicouse a tabela do imposto de renda vigente nas épocas próprias a que se referem os rendimentos (regime de competência), quando, pela descrição dos fatos do Auto de Infração, a tabela do imposto de renda aplicada foi a vigente na data do pagamento (regime de caixa). Essa percepção errada dos fatos influenciou decisivamente o resultado do julgamento, pois, se fosse observada a circunstância de que na tributação se considerou o regime de caixa, seria o caso de sobrestamento do recurso. Diante deste fato, este Relator propôs os presentes embargos que, em exame preliminar de admissibilidade, foram acolhidos pela Senhora Presidente da Câmara, que determinou a reinclusão do processo em pauta para apreciação definitiva pelo Colegiado. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.941 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa relator Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade: tratase de inexatidão material devida a lapso manifesto que se enquadra perfeitamente na hipótese do art. 62 do anexo II do RICARF. Conforme relatado, o Colegiado assumiu como premissa da decisão que o lançamento teria sido realizado considerando as bases de cálculo e a legislação aplicável a cada período a que se referiam os rendimentos quando, de fato, o lançamento considerou como fato gerador e base de cálculo os rendimentos recebidos acumuladamente. Este equívoco foi determinante para o desfecho do processo, como se verá a seguir. É que o Supremo Tribunal Federal STF acolheu como sendo de repercussão geral matéria que versa sobre a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em períodos diversos daquele de sua competência, conforme leading case RE 614.406, que tem a seguinte descrição extraída do sítio do STF: Recurso extraordinário interposto pela alínea “b” do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, em que se discute a constitucionalidade, ou não, do artigo 12 da Lei n° 7.713/88, que trata da incidência do imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente, tendo em conta a declaração de inconstitucionalidade desse dispositivo, por Tribunal Regional Federal, após o pronunciamento do Plenário Virtual no sentido da inexistência da repercussão geral da matéria — efetuado no RE 592211/RJ (publicado no DJe de 21.11.2008) — e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, à unidade do ordenamento jurídico, à uniformidade da tributação federal e à isonomia tributária (artigo 543A, § 5º, do Código de Processo Civil). [] E, como se sabe, o Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, determinou o sobrestamento do julgamento dos recursos que versem sobre matérias acolhidas como de repercussão geral, até decisão final do SRF, conforme art. 62A, a seguir reproduzido: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de Fl. 219DF CARF MF 4 que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Assim, tendo o lançamento considerado os rendimentos acumuladamente, impunhase o sobrestamento do julgamento do recurso. Cumpre, pois, acolher os presentes embargos para anular a decisão anteriormente (acórdão nº 2201001.714, de 11 de julho de 2012) e sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A (anexo II) do RICARF, observado o disposto na Portaria CARF nº 01/2012.. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os Embargos Declaratórios para ANULAR o acórdão nº 2201001.714, de 11 de julho de 2012 e SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme previsto no art. 2º da Portaria CARF n° 001/2012. Assinatura Digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10580.722477/200885 Acórdão n.º 2201001.941 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.722477/200885 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.941. Brasília/DF, 04 de fevereiro de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912680/2016-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/08/2010
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/2010 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 26 80 /2 01 6- 23 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.912680/201623 Acórdão n.º 3201003.528 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.530, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.912680/201623 Acórdão n.º 3201003.528 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001869/2007-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA.
Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão-de-obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica.
Numero da decisão: 9303-006.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão-de-obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mãodeobra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 69 /2 00 7- 28 Fl. 809DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de PIS oriundos da incidência não cumulativa na exportação, no montante de R$ 41.159,34, referente ao segundo trimestre do ano de 2006. O despacho decisório de efl. 292 a 297, em 01/08/2007, reconheceu a existência de crédito no montante de R$ 35.362,14. Basicamente, foram glosados valores declarados em DACON que não atenderiam ao conceito de insumo: 1. Linha 02 do Dacon R$ 136.194,72 Bens Utilizados como Insumos. Foram glosadas notas fiscais referentes a aquisições com suspensão de PIS/Cofins, não gerando direito a crédito, conforme § 2, inc. II, do art. 3º da Lei 10.637/2002; 2. Linha 04 do Dacon R$ 974,96 Despesas de Energia Elétrica. Foram glosados os valores das faturas de energia elétrica não incluídos na base de cálculo do ICMS (COSIP); 3. Linha 09 do Dacon R$ 2.705,15 Encargos de Depreciação. Foram glosados os bens que não se enquadram no Inc. VI do Art. 3º da Lei 10.637/2002; 4. Linha 13 do Dacon R$ 51.383,31 Outras Operações com Direito a Crédito. Foram glosados os valores de despesas indiretas referentes a mãodeobra temporária (taxa administrativa, despesas médicas, etc.). Além disso, foi alterado o percentual de exportação utilizado pelo contribuinte na Dacon. Utilizouse o valor das receitas declaradas pelo próprio contribuinte no Dacon. Restou um valor de R$ 3.147,42 a título de crédito de mercado interno, podendo ser utilizado apenas para desconto da própria contribuição. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 313 a 320, em 17/09/2007, para que fossem homologados os ressarcimentos do presente processo. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0723.551, prolatado em 18/03/2011, às efls. 725 a 740, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo que teria havido litígio apenas em relação às glosas dos itens 2) e 4) e sobre realocar valores na DACON para o mercado interno. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10920.001869/200728 Acórdão n.º 9303006.628 CSRFT3 Fl. 810 3 Intimada do acórdão da DRJ em 19/04/2011 (efl. 944), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 746 a 754. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) para interpretação do conceito de insumos para fins de créditos do PIS deveria ser aplicado o mesmo relativo a custos e despesas operacionais para o IRPJ; b) utilizandose o critério acima, o valor da fatura da contratação de mãode obra temporária e o valor da COSIP destacada na fatura de energia elétrica deveriam integrar o cálculo do crédito; c) relativamente à realocação de parte do crédito para o mercado interno, alegou que a própria Receita Federal, por meio de Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal tem entendimento no sentido de que o ressarcimento pode ser estendido os créditos consumidos no mercado interno. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/01/2012, resultando no acórdão nº 3403001.358, às efls. 757 a 763, que tem as seguintes ementas: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo da Cofins o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem o ou o serviço desejado. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. O crédito em relação ao serviço de colocação de mãodeobra temporária prestado por pessoa jurídica deve ser calculado em relação ao valor integral da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. COSIP. Tratandose de tributo não recuperável, a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública – COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, integra o cálculo do crédito da contribuição. CRÉDITOS NÃO VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Por expressa disposição legal, é vedado o ressarcimento de créditos calculados em relação a custos, despesas ou encargos que não sejam vinculados à receita de exportação. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito Fl. 811DF CARF MF 4 de a recorrente calcular o crédito da contribuição em relação aos valores integrais das notas fiscais de prestação de serviço de colocação de mãodeobra e de energia elétrica. O voto condutor afirmou que a caracterização de insumo não se daria nem com a estreiteza do critério adotado para o IPI, nem com a extensão do critério utilizado para fins de custos e despesas do IRPJ. Adota um critério de essencialidade do custo ou despesa, ao processo produtivo, segundo o qual a supressão do bem ou serviço, tido como insumo, afeta a própria existência do produto ou serviços prestados, dentro do padrão de qualidade desejado. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3403001.358 em 20/03/2012 (efl.. 765), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 02/05/2012, às efls. 766 a 787. A Procuradora indica dois acórdãos paradigmas, de nº 20312.488 e nº 202 19.127, que divergem do recorrido pois elaboram entendimento de que, no contexto da não cumulatividade do PIS e da Cofins, o melhor critério para definição de insumos é aquele previsto na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Partindo daquele critério, os valores não relacionados aos salários dos empregados na contratação de mãodeobra temporária (taxa administrativa e despesas médicas) e a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica não são despesas que dão origem a concessão de crédito tanto para o PIS e Cofins não cumulativos. Aí se evidencia a divergência para com o acórdão recorrido que flexibilizou o conceito de insumo e, mesmo ciente de que os valores não relacionados aos salários dos empregados na contratação de mãodeobra temporária e a COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, não são utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens e serviços, destinados à venda, admitiuos como insumos. A Procuradora requereu que fosse conhecido e provido recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, indeferindose na totalidade o pleito do contribuinte. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 07/11/2013, no despacho nº 340000.458, às efls. 802 e 803, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. A contribuinte foi intimada (efl. 805) do acórdão nº 3403001.358 e do despacho de admissibilidade nº 340000.458, em 31/12/2013 (efl. 806) e não apresentou qualquer manifestação nos autos dentro dos prazos regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10920.001869/200728 Acórdão n.º 9303006.628 CSRFT3 Fl. 811 5 No mérito, discordo em tese dos argumentos da recorrente, porém, em face do conhecimento do recurso que me leva à apreciação da matéria, adoto razão de decidir que leva ao seu provimento, isso porque penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo ou no serviço prestado. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 813DF CARF MF 6 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10920.001869/200728 Acórdão n.º 9303006.628 CSRFT3 Fl. 812 7 desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 815DF CARF MF 8 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Negritei.) No caso concreto, os valores relativos a contratação e agenciamento de mão deobra temporária, consistem em atividade meio e não caracterizam insumo, tendo uma relação apenas indireta com a produção. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10920.001869/200728 Acórdão n.º 9303006.628 CSRFT3 Fl. 813 9 Nessa matéria, adoto o argumento exarado no voto do relator do acórdão da DRJ em Florianópolis, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, às efls. 738 e 739: Ingressandose na lide posta, verificase que o objeto da glosa corresponde a valores de despesas indiretas referentes a mão deobra temporária, tais como taxa administrativa e despesas médicas, discriminadas nas notas fiscais de prestação de serviços. A atividade de empresas de locação de serviços temporários apresenta normalmente uma característica mista entre prestação de serviços (agenciamento e recrutamento de mãodeobra) e locação de mãodeobra temporária para o tomador. Desta forma, os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário não podem ser enquadrados no conceito de insumo retrocitado, visto que as atividades de agenciamento e de locação de mãodeobra obviamente não são aplicadas diretamente na produção de bens, contribuindo apenas de forma indireta para as atividadesfins da interessada, vez que a empresa de trabalho temporário atua na intermediação da contratação de trabalhadores nos casos expressamente previstos na Lei n° 6.019, 03 de janeiro de 1974. Percebese, portanto, que apenas o trabalho executado pelo empregado temporário é que pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo e nunca os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário, a qual atua na função de intermediária na contratação e na seleção dos mesmos. Nesse sentido, observese os termos da Lei n° 6.019, de 1974, in verbis: Art. 2º Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou à acréscimo extraordinário de serviços. [...] Art. 4° Compreendese como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos, (grifo nosso) Resta clara, portanto, a diferença entre o trabalho realizado pelos empregados temporários e o serviço prestado pela empresa de trabalho temporário. Enquanto no primeiro o objeto do contrato de prestação de serviços é o próprio serviço que será aplicado nas atividadesfim da contribuinte, na segunda situação, agenciamento e a locação de mãodeobra, o objeto não é a prestação de serviços na atividade produtiva, mas sim a locação temporária de trabalhadores. Fl. 817DF CARF MF 10 Assim, como o objeto do contrato celebrado com a empresa de trabalho temporário é o agenciamento e a locação de mãode obra e não a prestação de um serviço consumido ou aplicado nas atividades produtivas, concluise não haver direito a desconto de créditos em relação às despesas com a contratação de mãodeobra temporária, vistos as mesmas não estarem expressamente previstas na legislação e não se conformarem ao conceito de insumo previsto em lei. (Sublinhei.) Neste processo não foi questionado se a mãodeobra poderia ou não ser considerada insumo. Ela foi considerada insumo, pois a decisão de primeira instância deixou bem claro que o valor da mãodeobra não foi objeto de glosa. A glosa recaiu apenas e tão somente sobre as demais despesas atreladas à mãodeobra, que foram embutidas no preço do serviço prestado. Evidentemente que, no caso concreto, as parcelas referentes aos pagamentos dessa notas que não foram originalmente glosadas, estão abrigadas pela impossibilidade de reformatio in pejus, contudo, as parcelas glosadas o foram corretamente. Já a contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública COSIP não está diretamente relacionada à produção, mas sim à localização da empresa em determinado município, haja vista que tal contribuição decorre do art. 149A da Constituição Federal, com a seguinte redação: Art. 149A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002) Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002) Claro está que essa contribuição não depende da produção e, por visar a iluminação pública, ainda que seja um custo para a empresa, não está diretamente vinculada à energia elétrica aplicada na produção, sendo necessária para realização de suas atividades administrativas como um todo. Aliás, também o voto da DRJ/FNS já salientava que a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 3º, inc. IX, já definia que os créditos do PIS não cumulativo passíveis de desconto seriam calculados com base na "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica". Ou seja, é o consumo de energia intrínseco à produção que leva ao crédito, mas não a contribuição para serviços de iluminação pública que pode, ou não, ter por base o consumo. Se a referida contribuição tivesse por base de cálculo o número de postes na rua (poderia a legislação municipal assim definir), não haveria qualquer dúvida de que inexistiria vínculo com a produção ou serviços das pessoas jurídicas. Dessarte, entendo que os gastos em litígio não caracterizam insumos necessários à produção do período, para fins de creditamento do PIS não cumulativo. Assim, com base em fundamento diverso daquele exposto pela recorrente, voto pelo provimento do recurso, para que sejam mantidas as glosas dos créditos relativos aos gastos com despesas tomadas por insumos no acórdão a quo. CONCLUSÃO Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10920.001869/200728 Acórdão n.º 9303006.628 CSRFT3 Fl. 814 11 Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.000423/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PAGAS, COMPENSADAS OU PARCELADAS
Tendo sido extintas por pagamento ou por compensação definitivamente homologada, ou, ainda, incluídas em programas de parcelamento acatados pelo órgão fazendário, devem as estimativas encontradas nestas circunstâncias ser aceitas como integrantes do saldo negativo do ano a que pertencem, para fins de compensação.
Numero da decisão: 1401-002.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano, o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Declarou-se impedido o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano), Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PAGAS, COMPENSADAS OU PARCELADAS Tendo sido extintas por pagamento ou por compensação definitivamente homologada, ou, ainda, incluídas em programas de parcelamento acatados pelo órgão fazendário, devem as estimativas encontradas nestas circunstâncias ser aceitas como integrantes do saldo negativo do ano a que pertencem, para fins de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. Participou do julgamento em substituição à Conselheira Lívia De Carli Germano, o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Declarouse impedido o Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (em substituição à Conselheira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 04 23 /2 00 5- 21 Fl. 444DF CARF MF 2 Lívia De Carli Germano), Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário submetido à apreciação deste Colegiado, interposto em face do Acórdão nº 1015.745, sessão de 13/03/2008 (fls. 295/301), proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre – RS, que indeferiu a solicitação da Recorrente para compensar seus débitos de CSL com base de cálculo estimativa (cód. 2484) dos mesescalendário de jan. a ago./2003 (fls. 05/07) com créditos decorrentes do saldo negativo dessa contribuição, anocalendário 2002 (fls. 01/04). Conforme Pedido de Ressarcimento ou Restituição (fls. 01/04), formalizado pela Recorrente em 10/02/2005, os créditos correspondem ao valor original de R$644.107,86 que atualizado pela taxa SELIC 10,56% equivale a R$712.125,55 que, no entender da Recorrente, são suficientes para quitar os débitos das parcelas estimativas de CSLL dos meses acima mencionados, a saber: O pleito da Recorrente foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Caxias do SUL – RS, nos termos do Despacho Decisório DRF/CXL nº 199, de 10/07/2007, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: Compensação não homologada por inexistência do crédito informado. Compensação não homologada. A autoridade fiscal fundamentou sua decisão nos seguintes pontos: a) As estimativas da CSLL dos meses de jan. a jun./2002 e parcialmente de jul./2002 foram declaradas em DCTF (fls.19/29) com a informação de que referidos débitos foram compensados vinculados à DCOMP nº 33455.47009.160804.1.7.0372, examinados no Processo nº 11020.000424/200575; b) As compensações das estimativas da CSLL do valor remanescente de jul./2002 e ago. a nov./2002 foram vinculadas ao crédito oriundo do processo judicial nº 87.00005444; Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11020.000423/200521 Acórdão n.º 1401002.402 S1C4T1 Fl. 445 3 c) As compensações objeto do citado Processo nº 11020.000424/200575 não podem compor o saldo negativo da CSLL, anocalendário 2002, vez que não foram homologadas, conforme Despacho Decisório DRF/CXL nº 1, de 10/01/2006 (fls.37/39), inclusive não há quitação do débito feito pela Recorrente em data posterior; d) Quanto às compensações declaradas com base em créditos reconhecidos judicialmente nos autos do Processo nº 87.00005444, a Recorrente não poderia deles se beneficiar por três razões principais: à época das compensações, os créditos judiciais não se revestiam de liquidez e certeza, exigência do art. 170A do CTN; os referidos créditos foram adquiridos de terceiro, por Cessão de Direito feito pela empresa Cia. Hering, com substituição processual em nome da Recorrente (fls. 40/42), vedada sua utilização para compensação de débitos tributários pelo art. 170 do CTN, e Instruções Normativas SRF nºs 41, de 2000 (art. 1º) e 210, de 2002 (art. 30); nos termos do despacho exarado naqueles autos, em sede de Agravo de Instrumento (fls. 43), a verba correspondente não tem natureza de crédito tributário, mas de uma indenização substitutiva imposta coercitivamente à União, cuja compensação baseada nessa verba contraria as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Considerando que não foram homologadas as compensações dos débitos vinculados aos mencionados créditos judiciais, referidas dívidas das estimativas da CSLL de jul. a nov./2002, foram cobradas mediante formalização de Auto de Infração de que trata o Processo nº 11020.003072/200348, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 35) e extrato do Sistema PROFISC (fls. 58/60). Notificado da r. decisão (fls. 69/70), a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 72/108), anexando farta documentação (fls. 109/291). Em sua defesa, argüiu o que segue: A legislação tributária, com destaque para o art. 222 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999 (RIR/1999), o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, e os arts. 35, inciso II, e 44, da IN SRF nº 390, de 2004, autoriza a compensação de saldo negativo de CSLL apurada nas declarações do contribuinte; No presente processo, o saldo negativo decorreu das parcelas estimativas compensadas em valor superior à CSLL devida ao final do anocalendário de 2002, mediante a utilização dos créditos judiciais discutidas administrativamente nos autos do Processo nº 11020.000037/200377, que ainda está pendente de julgamento, face à interposição de recurso especial. A Recorrente alegou o incidente de prejudicialidade lógica, pois na hipótese de o recurso ser julgado favoravelmente a ela, a decisão influenciará o julgamento da matéria deste contencioso administrativo; Para justificar a legitimidade do saldo negativo, a Recorrente demonstrou a origem dos créditos que suportaram as compensações, bem como os fatos ocorridos acerca da não homologação da compensação das parcelas estimativas da CSLL, vinculadas ao dito crédito; Fl. 446DF CARF MF 4 Em Ação Ordinária Declaratória, a Cia. Hering requereu a diferença do créditoprêmio de IPI do período de 01/04/1981 a 30/04/1985. Somente em sede de Embargos de Declaração, o TRF/1ª Região julgou procedente o pedido com relação aos fatos geradores ocorridos entre 19/12/1981 a 30/04/1985, determinando fosse calculada na forma do Decreto Lei nº 491, de 1969 e do Decreto nº 64.833, de 1969, sem as exclusões e reduções previstas nas Portarias MF nºs 78, 89 e 292, de 1981; Ao final, em julgamento ao Recurso Especial interposto, o STJ reformou o r. acórdão do TRF/1ª Região, para declarar que o termo inicial dos juros de mora (1% ao mês) é o trânsito em julgado da decisão, observado o § 1º, art. 161 e parágrafo único, art. 167 do CTN. Com relação à correção monetária do crédito prêmio, é cabível e a conversão das exportações deveria ser feita pela taxa de câmbio em vigor no dia em que efetuado o crédito, observado o prazo prescricional qüinqüenal. O trânsito em julgado da decisão foi certificado em 04/10/2002. Após este fato, a titular dos créditos, Cia Hering, requereu a substituição processual pleiteando a admissão da Recorrente (cessionária) no pólo ativo da ação, a qual foi aceita nos termos da decisão interlocutória datada de 16/10/2002; A União ingressou com Agravo de Instrumento, sendolhe negado efeito suspensivo, assim como os demais recursos intentados, até última instância, com acórdão publicado em 25/06/2007; Com a certificação do trânsito em julgado, não restam dúvidas de que a titularidade dos créditos pertence à Recorrente, que preferiu não efetuar a execução, optando por requerer a restituição dos créditos para compensação dos débitos tributários, instruindo o pedido nos termos do art. 17, §§ 1º e 2º das IN SRF nºs 21 e 73, ambas de 1997; Colacionou jurisprudência dos Tribunais, com o entendimento de que “ocorrido o trânsito em julgado da decisão que determinou a repetição do indébito, é facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação, uma vez que ambas as modalidades constituem formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação.” (REsp 509585/MG, DJ 05/12/2006, p. 244). Não há que se falar em desistência da ação de execução, vez que não ajuizado qualquer pedido; Quando da formalização do pedido na Receita Federal, a Recorrente já estava investida da condição de titular dos créditos, e já havia ocorrido o trânsito em julgado da decisão (04/10/2002), não assistindo razão a alegação de que os créditos não gozavam de liquidez e certeza, como exigido pelo art. 170A do CTN; O art. 74, da Lei nº 9430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, no qual foi fundamentada a não homologação das compensações, apenas faz menção a “crédito” sem dispor sobre sua natureza, se tributária ou indenizatória. O dispositivo autoriza o sujeito passivo à compensação de débitos tributários com créditos que apurar, inclusive judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela Receita Federal; Não existe óbice legal para a transferência da titularidade do crédito e, no caso dos autos, a transferência se deu por instrumento particular de cessão de direito, de conformidade com o inciso II do art. 567 do CPC, devidamente homologada pelo Juiz da causa (fls. 42). Assim, não restando dúvidas sobre a legitimidade do direito da Recorrente, esta tem a opção de promover a execução judicial (art. 547, inciso II, do CPC), ou de pleitear, Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11020.000423/200521 Acórdão n.º 1401002.402 S1C4T1 Fl. 446 5 administrativamente, sua utilização para compensação de débitos tributários, encaixandose perfeitamente na regra do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; Não se aplica ao presente caso o disposto no art. 123 do CTN, visto que trata de transferência da obrigação tributária de pagar tributo; Contra a Recorrente foi lavrado Auto de Infração, com a formalização do Processo nº 11020.003072/200348, para a exigência dos débitos tributários, cuja compensação pleiteada no Processo nº 11020.000037/200377 não foi homologada, sob a justificativa de que não tendo sido aceitos os créditos (de terceiros), não poderiam ser consideradas quitadas as estimativas da CSLL e, portanto inexistente o saldo negativo da respectiva contribuição; É descabida a autuação, considerando que a Recorrente instaurou o contencioso administrativo, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade questionando a decisão que não homologou as compensações, restando suspensa a exigibilidade dos referidos débitos, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; Diante de tal fato, a Recorrente impetrou Mandado de Segurança, autuado sob o nº 2004.71.0048792, sendolhe negada a segurança. Contudo, em sentença, foi ordenado o prosseguimento dos procedimentos de cobrança condicionados ao desfecho dos recursos administrativos interpostos pela Recorrente no Processo nº 11010.000037/200337. Dessa decisão judicial, a Recorrente ingressou com o recurso de Apelação no TRF/4ª Região, que à data da formulação destas razões de defesa encontravase aguardando julgamento; Desta forma, a exigência tributária somente poderia ocorrer quando houvesse o trânsito em julgado da decisão proferida no processo administrativo que deixou de homologar as compensações; Além disso, os débitos objeto de compensação encontramse declarados em DCTF e, por se tratar de instrumento hábil, a dívida ali confessada está sendo cobrada, por meio da Carta Cobrança n. 150/2007/ARF/SORAC/BGS, constituindose em cobrança em duplicidade; À guisa de sua defesa, a Recorrente colacionou farta jurisprudência administrativa e dos Tribunais. Ao final, requereu: (i) fosse recebida a Manifestação de Inconformidade, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário vinculado, até decisão final, com a conseqüente desconsideração da Carta Cobrança; (ii) o seu total provimento, considerando que está comprovada a liquidez e certeza dos créditos à vista do trânsito em julgado da decisão judicial; (iii) a homologação das compensações dos débitos, nos termos do art. 74, § 2º, da Lei nº 0.430, de 1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002, c/c arts. 106, inciso I e 156, inciso II, do CTN; ( iv) seja sustado o julgamento do presente processo até que o de nº 11020.000037/200377 tenha decisão definitiva; (v) seja provado o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. A matéria foi julgada em primeira instância pela 1ª Turma da DRJ/POA, em sessão de 13/03/2008, decidindo aquele colegiado, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da Recorrente. A decisão está consubstanciada no Acórdão nº 1015.745, resumida na seguinte ementa: Fl. 448DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002 CSLL. COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO CONTRA A FAZENDA. É condição para compensação de crédito contra a Fazenda Pública a sua liquidez e certeza. Se as parcelas da estimativa que originaram o saldo credor da CSLL não foram extintas, dado o indeferimento da sua anterior compensação, inexiste o direito creditório pleiteado e, por conseqüência, o direito à compensação. CARTA COBRANÇA. EXIGÊNCIA DE DÉBITOS. RECLAMAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO PELAS DRJ. A apreciação de inconformidade do contribuinte sobre cobrança de crédito tributários em duplicidade e formalizada em cartacobrança,foge à competência das DRJ, especialmente quando parte destes débitos está sendo discutida judicialmente. Solicitação Indeferida. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 307/354), argüindo em sua defesa os mesmos fundamentos de fato e de direito apresentados na impugnação. Ao final, requereu: seja recebido o Recurso Voluntário e ao final provido, suspendendose a exigibilidade dos créditos tributários vinculados ao processo até que seja proferida decisão definitiva, bem como, seja desconsiderada a Carta Cobrança nº 048/2008/ARF/Sorac (fls.302/303); a reforma da decisão recorrida de primeira instância, considerando que ficou comprovado ser o crédito líquido, certo e plenamente exigível, originário de ação, cuja decisão transitou em julgado; a homologação na totalidade das compensações pleiteadas, nos termos dos arts. 106, inciso I e 156, inciso II, ambos do CTN, e do art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, pois a compensação de débitos tributários é meramente declaratória, que no caso de homologação definitiva das compensações discutidas no Processo nº 11020.000037/200377, pode tornar sem efeito a homologação das compensações examinadas no presente processo; seja sustado o julgamento deste contencioso administrativo até que o desfecho do Processo nº 11020.000037/200377; a produção de provas por todos os meios admitidos em direito, a juntada dos extratos dos processos em nome da Requerente, que estão em tramitação, especialmente do Processo nº 11020.000037/200377, de forma a comprovar que este ainda tramita na repartição. Vieram esse recurso a julgamento em 02/02/2012, quando decidiu o Colegiado, converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: O saldo negativo de CSLL em litígio nestes autos é constituído por estimativas vinculadas a processos administrativos ou judiciais. Para além disso, a recorrente informa ter proposto ação judicial para questionar providências administrativas em face de parte daquelas estimativas. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11020.000423/200521 Acórdão n.º 1401002.402 S1C4T1 Fl. 447 7 Considerando o tempo transcorrido desde as apurações fiscais e tendo em conta a possibilidade dos processos administrativos ou judiciais referidos acima relatados já terem alcançado decisão definitiva, ou mesmo terem sido objeto de desistência por parte do sujeito passivo, para melhor julgamento da lide o presente processo deve ser convertido em diligência para que autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte informe a situação atual dos processos administrativos e judiciais que interferem na liquidação das estimativas que integram a composição do saldo negativo aqui em litígio. Ao final dos trabalhos deverá ser produzido relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo, facultandolhe a complementação de suas razões de defesa no prazo de 30 (trinta) dias. O relatório circunstanciado, concluiu que: Do total das estimativas declaradas, apenas a importância de R$864.524,46 foi liquidado. O restante esta em parcelamento pela Lei 11.941/2009. Como a CSLL devida para o anocalendário 2002, apurada pela contribuinte na ficha 17, da DIPJ nº 0730478, entregue em 26/06/2003, é de R$ 673.353,54, as quitações confirmadas resultam em saldo negativo de R$ 191.170,92, conforme quadro abaixo: Fl. 450DF CARF MF 8 Com essas conclusões, voltaram os autos para julgamento. Esse é o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Pois bem, a controvérsia posta nesses autos, reside em saber se as parcelas devidas por estimativa no anocalendário de 2002 foram ou não liquidadas e consequentemente, se devem ser consideradas para efeito de apuração do saldo negativo anual da CSLL. No relatório de diligência fiscal, restou comprovado que as parcelas devidas a título de estimativa nos meses de julho a novembro, foram devidamente quitadas por compensação, totalizandose o montante de R$864.524,46. Contudo, em relação às parcelas dos meses de janeiro à julho do ano de 2002, o relatório fiscal deixou de considerálas como quitadas e, portanto excluiu seus valores da composição do saldo negativo da CSLL, tendo em vista que a recorrente aderiu ao programa de parcelamento especial (REFIS Lei 11.941/2009). Nesse sentido, foi devidamente reconhecido na diligência fiscal, o saldo negativo de CSL no montante d R$191.170,92. Contudo, com a devida venia, não merece prosperar a conclusão da ilustre fiscal. Não é razoável, nem juridicamente admissível, que, tendo aceito o parcelamento dos referidos débitos (estimativas) não permita o órgão fazendário que esses valores que estão sendo devidamente quitados pelo contribuinte, não integrem o saldo negativo daquele ano. Tal situação ensejaria o enriquecimento sem causa ao erário. A legislação tributária estabelece que encerrado o período de apuração do IRPJ e da CSLL, a exigência de recolhimento por estimativa deixa de ter o seu efeito, prevalecendo a exigência do imposto e da contribuição efetivamente devidos, apurados com base no lucro real anual, já que consumada a ocorrência do fato gerador anual (inteligência do art. 6º e parágrafos, da Lei nº 9.430, de 1996). Se não forem compensadas as estimativas nesse processo, não mais poderá a recorrente reaver os valores pagos a maior, pois consumados os prazos decadenciais que a impediriam de reaver os montantes. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11020.000423/200521 Acórdão n.º 1401002.402 S1C4T1 Fl. 448 9 Por outro lado, sendo o parcelamento uma confissão de dívida, caso a recorrente reste inadimplente, poderá o fisco cobrála ao tempo da inadimplência, pois não há qualquer prazo decadencial em curso em relação ao débito confessado naquela modalidade. Esse tem sido o entendimento desse Conselho ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2003 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS PAGAS, COMPENSADAS OU PARCELADAS. Tendo sido extintas por pagamento ou por compensação definitivamente homologada, ou, ainda, incluídas em programas de parcelamento acatados pelo órgão fazendário, devem as estimativas encontradas nestas circunstâncias ser aceitas como integrantes do saldo negativo do ano a que pertencem, para fins de compensação. (PROCESSO 10665.000250/200683 Acórdão n. 1201001.301 2ª Câmara/1ª Ordinária. Sessão de 22/01/2016. Relator: José Otávio Oppermann Thomé). Conclusão Pelo acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a o saldo negativo de CSLL do ano de 2002, sendo suficientes para a quitação do saldo de CSLL do ano de 2003 de valor original de R$644.107,86. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 452DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000213/2005-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar-se a multa aplicada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequarse a multa aplicada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de Auto de Infração, para exigência da multa regulamentar no valor de R$ 270.000,00, lavrado em decorrência da constatação de atraso na entrega da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIFPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, merecendo destaque o artigo 57 da MP 2.15835/2001, a IN SRF 71/2001 e a IN SRF 159/2002. A Contribuinte insurgese contra o lançamento efetuado apresentando a impugnação de fls. 17 a 40. Solicita o cancelamento da autuação alegando, de forma bastante sucinta: nulidade do Auto de Infração por ausência de descrição dos fatos, o que ocasionou cerceamento do direito de defesa; ilegalidade da IN SRF 71/2001; ineficácia da MP 2.15834; efeito confiscatório da penalidade aplicada; desproporção entre o valor da penalidade imposta e o montante das aquisições de papel imune no período." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 149 3 "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835. Lançamento Procedente" O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) nulidade do Auto de Infração, por apenas descrever que a recorrente deixou de apresentar as declarações dos trimestres referidos, o que afronta o art. 10 do Decreto 70235/1972; (ii) nulidade por cerceamento do direito constitucional de defesa previsto no art. 5°, inc. LV, da CF/88, em, virtude da subjetividade da descrição dos fatos; (iii) que a obrigação acessória em debate foi instituída com ofensa ao princípio da estrita legalidade; (iv) a Medida Provisória 2158 perdeu sua validade desde 2001, quando ultrapassado o seu prazo legal de conversão em lei, não sendo mais possível a sua aplicação a fatos ocorridos após a sua caducidade; (v) que a multa aplicada possui caráter confiscatório; e (vi) não houve nenhum prejuízo ao Fisco. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Das nulidades arguidas No que tange as nulidades arguidas, entendo que não estão configuradas. O presente processo preenche todos os requisitos de validade, estando instruído corretamente, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. As situações passíveis de nulidade estão elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 150 4 "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." As informações necessárias para a formalização do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." O Auto de Infração contém todas as informações imprescindíveis a constituição do lançamento, estando identificados (i) o fato gerador, (ii) a base legal para exigência fiscal e (iii) o valor apurado da multa exigida. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 151 5 Corrobora tal fato que a recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. Da decisão recorrida destaco: "Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07/08) consta, expressamente, a remissão aos artigos 1° e 10 da IN SRF 71/2001 e ao art. 57 da MP 2.15835. E o titulo da infração é auto explicativo: “Falta da Entrega da DIF Declaração de Informações Papel Imune”. Dado que a autuação se limita à exigência de multa regulamentar pelo atraso na entrega de declaração, as informações constantes da descrição dos fatos são suficientes para a compreensão do lançamento. Ademais, as disposições que constam do Enquadramento Legal são as que embasam a autuação, pois a obrigação acessória foi instituída pela IN SRF 71/2001 e o valor da penalidade encontrase disciplinado no art. 57 da MP 2.15835. E foi do inciso II do art. 57 dessa MP que o Auditor Fiscal buscou o valor da penalidade a ser aplicada (R$ 1.500,00 por mês calendário), base dos cálculos efetuados segundo demonstrado à fl. 07. Não ocorreu, portanto, falta de indicação do critério adotado para fixação da multa, como alega a autuada." A jurisprudência administrativa assim entende: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. (...)" (Processo 10950.723159/201343; Acórdão 3301003.872; Relator Conselheiro ;LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS; Sessão de 27/06/2017) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições Fl. 151DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 152 6 devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. (...)" (Processo 10803.000156/200864; Acórdão 2201003.657; Relator Conselheiro MARCELO MILTON DA SILVA RISSO; Sessão de 06/06/2017). Diante do exposto, entendo não estar configurada nenhuma nulidade apta a resultar no refazimento do processo administrativo fiscal ou no seu cancelamento, razão pela qual não acolho as preliminares arguidas. Do mérito Preliminarmente, em relação a alegação de inconstitucionalidade (multa de caráter confiscatório) tecida pela recorrente em sua peça recursal, a afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal, não havendo que se falar em ilegalidade. É de se consignar, ainda, excerto elucidativo da decisão recorrida: "É importante frisar, contrariando o entendimento da contribuinte, que a IN SRF 71/2001 não instituiu a penalidade aplicável para a hipótese do descumprimento dessa obrigação acessória (apresentação da DIF Papel Imune). Essa penalidade, aplicável também em outras hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias estabelecidas pela SRF, tem por base legal o artigo 57 da MP 2.15835, que, por força do art. 2° da Emenda Constitucional n° 32/2001, encontra se em vigor até a presente data, com força de lei. Não há que se Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 153 7 falar, portanto, em ineficácia da MP em comento, segundo alegou a Impugnante." O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 154 8 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Assim, não há que se falar em ilegalidade da multa em apreço. Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 155 9 § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo Fl. 155DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 156 10 lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 270.000,00, pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 2°, 3° e 4° trimestres de 2002; 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 e 1° e 2° trimestres de 2004. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 270.000,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 9 (nove) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais 9 trimestres x R$ 2.500,00). Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Fl. 156DF CARF MF Processo nº 15586.000213/200598 Acórdão n.º 3201003.739 S3C2T1 Fl. 157 11 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais). (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 157DF CARF MF
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