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Numero do processo: 11516.724025/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Câmara (DIPRO/COJUL) até à decisão administrativa definitiva a ser proferida no processo nº 10983.906657/2014-23.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo e Alan Tavora Nem (Suplente Convocado).
Ausente os Conselheiros José Renato de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Câmara (DIPRO/COJUL) até à decisão administrativa definitiva a ser proferida no processo nº 10983.906657/2014-23. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo e Alan Tavora Nem (Suplente Convocado). Ausente os Conselheiros José Renato de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Câmara (DIPRO/COJUL) até à decisão administrativa definitiva a ser proferida no processo nº 10983.906657/201423. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo e Alan Tavora Nem (Suplente Convocado). Ausente os Conselheiros José Renato de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Adoto o relatório da decisão de piso: "Tratase de Auto de Infração para fins de imposição de multa isolada no valor de R$12.441.713,52, pela não homologação das Compensações vinculadas ao Pedido de Ressarcimento tratado no processo nº 10983.906657/201423. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 24 02 5/ 20 15 -0 1 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11516.724025/201501 Resolução nº 3302000.955 S3C3T2 Fl. 391 2 A penalidade aplicada corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. A autuada impugna a autuação alegando que a sanção imposta é indevida, pois não teria ocorrido qualquer prática de conduta ilícita. Aduz que apresentou Pedido de Compensação (DCOMP), nos exatos termos da legislação de regência, não podendo, portanto ter sido apenada, “pelo simples fato do seu pedido de compensação ter sido rejeitado”. Menciona que única hipótese na qual a pretensão fazendária poderia ser válida seria nos casos de comprovada atuação com máfé, o que, segundo alega, não ocorreu no presente caso. Acrescenta que a multa constituída não se sustenta à luz da Teoria Geral do Direito, por tratarse de penalidade nefasta a ser repudiada pelo direito, considerando que coíbe os contribuintes, injustificadamente, de exercitarem o legítimo direito de requerer à Administração Fazendária o confronto dos seus débitos e créditos tributários. Requer a Impugnante que a presente Impugnação seja conhecida e provida, de modo a afastar a exigência consubstanciada por meio do Auto de Infração.. Intimada da decisão de piso em 13.03.2017 (fls.313), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.04.2017 (fls. 315; 367387), reproduzindo, em síntese, os argumentos explicitados em sua impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Existe precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11516.724025/201501 Resolução nº 3302000.955 S3C3T2 Fl. 392 3 O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Pelo exposto, proponho o sobrestamento na Câmara (DIPRO/COJUL) até à decisão administrativa definitiva a ser proferida no processo nº 10983.906657/201423. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003477/2010-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007, 2008
IRRF - FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS, EXIGIDOS ISOLADAMENTE.
Nos casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora, após o encerramento do período de apuração, são devidos juros de mora, os quais podem ser exigidos isoladamente, mediante lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9202-007.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negou provimento.
Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa na reunião anterior.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2007, 2008 IRRF - FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS, EXIGIDOS ISOLADAMENTE. Nos casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora, após o encerramento do período de apuração, são devidos juros de mora, os quais podem ser exigidos isoladamente, mediante lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negou provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa na reunião anterior. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2007, 2008 IRRF FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS, EXIGIDOS ISOLADAMENTE. Nos casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora, após o encerramento do período de apuração, são devidos juros de mora, os quais podem ser exigidos isoladamente, mediante lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 77 /2 01 0- 55 Fl. 1408DF CARF MF 2 Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Patrícia da Silva não votou quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa na reunião anterior. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte, acima identificado, e pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202002.200, proferido na Sessão de 12 de março de 2013, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 Ementa: IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF após o prazo fixado enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. ADMISSÃO. POSSIBILIDADE. A prova indiciária, apoiada no encadeamento lógico de indícios convergentes da ocorrência do fato principal, é meio idôneo para referendar uma autuação. MULTA QUALIFICADA Em suposto planejamento tributário , quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. JUROS ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA DE IMPOSTO DE RENDA DEVIDO TÍTULO DE Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 19515.003477/201055 Acórdão n.º 9202007.577 CSRFT2 Fl. 3 3 ANTECIPAÇÃO. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência de juros isolados incidentes sobre o imposto de renda não retido pela fonte pagadora a título de antecipação, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação, por falta de previsão legal. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. QUANTO AOS JUROS ISOLADOS: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para excluir da exigência os juros isolados. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez (Relator) e Nelson Mallmann, que negaram provimento ao recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. QUANTO A MULTA ISOLADA: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte. O recurso da Fazenda Nacional visa rediscutir a seguinte matéria: exoneração dos juros isolados. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 1.012 a 1.015. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, o qual colaciona, é claro ao determinar a incidência de juros sobre débitos da União pagos com atraso; que, no caso, mantida a exigência da multa isolada, não haveria razão para se afastar a incidência dos juros, que, ainda que a responsabilidade pelo tributo não mais pertencesse à fonte pagadora, em razão do período em que ocorreu o lançamento, a responsabilidade pela penalidade permanece; que é o que reza o Parecer Normativo Cosit nº 01, de 2002, o qual transcreve. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/11/2015 (efls. 1029), o Contribuinte apresentou, em 11/12/2015 (efls. 1231) as Contrarrazões de efls. 1.232 a 1.260, nas quais aduz, em síntese, que não haveria interesse recursal por parte da Fazenda Nacional que já havia se manifestado, por meio do Parecer PGFN/CDA sobre a única hipótese de cabimento do lançamento dos juros isolados; que segundo esse parecer o lançamento dos juros isolados no caso carecer de fundamentação legal; que o referido Parecer foi editado em 2005, posteriormente ao Parecer 01/2002, invocado pela Fazenda Nacional; que o acórdão apontado como paradigma não enfrentou a questão relativa aos fundamentos jurídicos do lançamento dos juros isolados por falta de retenção e recolhimento do IRRF; que o relatório do acórdão paradigma deixa claro que essa questão sequer foi objeto do recurso voluntário analisado; que o paradigma manteve os juros isolados como mera decorrência da manutenção da multa Fl. 1410DF CARF MF 4 isolada, sem qualquer consideração específica em relação aos juros isolados; que, assim, o paradigma nº 210201.800 não atribuiu à referida legislação tributária interpretação divergente daquela veiculada no recorrido. Quanto ao mérito sustenta a não incidência dos juros isolados em razão de falta de retenção e recolhimento do Imposto de Renda na Fonte. Argumenta que, a teor dos artigos 43 e 61, da Lei nº 9.430, de 1996, a incidência de juros de mora isolados limitase à hipótese de recolhimento de tributo em atraso por iniciativa do sujeito passivo, o que não é o caso. A Contribuinte também apresentou Recurso Especial no qual apontou divergências em relação às seguintes matérias: a) natureza dos aportes destinados a plano de previdência complementar; e b) exigência da multa isolada, no caso de não retenção e não recolhimento do imposto sobre a renda pela fonte pagadora. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento parcial ao apelo, apenas em relação à matéria "b" exigência da multa isolada, no caso de não retenção e não recolhimento do imposto sobre a renda pela fonte pagadora, nos termos do Despacho de efls. 1.370 a 1.393. Registrese que, embora o Contribuinte tenha interposto Agravo, os mesmos foram rejeitados. Em suas razões recursais, sobre a matéria que teve seguimento, s Contribuinte aduz, em síntese, que a teor da nova redação do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, apenas a multa prevista no inciso II do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1.996 pode ser exigida isoladamente; que a multa do inciso I deve ser sempre acompanhada do imposto; que seria essa a razão pela qual a regra do art. 9º, da Lei nº 10.4267, de 2002 somente se aplica dentro do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste pelo beneficiário dos rendimentos; que, nesse sentido, já decidiu a Segunda Turma da Câmara Superior de REcursos Fiscais (Ac. 9202002.288). Cientificada do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e do Despacho que lhe deu seguimento em 28/11/2017, a Fazenda Nacional apresentou as Contrarrazões de e fls. 1.400 a 1.405, na qual sustenta a incidência da multa isolada, com base, em síntese, nos mesmos fundamentos do Acórdão Recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, diante das Contrarrazões aduzidas pelo Contribuinte , examino detidamente a questão. Alega a Contribuinte que a Fazenda Nacional não teria interesse recursal, pois já havia se manifestado, por meio do Parecer PGFN/CDA nº 1936/2005 sobre a única hipótese de cabimento do lançamento dos juros isolados. Tal alegação não procede. Ainda que o referido parecer tratasse da incidência ou não de juros no caso de lançamento de ofício, o que não é o caso, o fato não se constituiria em óbice ao seguimento e conhecimento do recurso, muito menos a pretexto de uma alegada ausência de interesse de agir da Fazenda Nacional. Também não procede a alegação de que, segundo o Parecer PGFN/CDA nº 1936/2005, o Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 19515.003477/201055 Acórdão n.º 9202007.577 CSRFT2 Fl. 4 5 lançamento dos juros isolados carece de fundamentação. A leitura do Parecer revela exatamente o contrário. Sobre a alegação de que o acórdão apontado como paradigma não enfrentou a questão relativa aos fundamentos jurídicos do lançamento dos juros isolados por falta de retenção e recolhimento do IRRF e que apenas manteve os juros como decorrência da manutenção da multa isolada, o Despacho de Admissibilidade enfrentou especificamente essa questão, inclusive fazendo o cotejo entre o Recorrido e o Paradigma, com a transcrição da ementa deste, em que a matéria é expressamente referida, demonstrando a divergência. Portanto, também não procede a alegação. Ante o exposto, conheço dor recurso interposto pela Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, a matéria a ser apreciada cingese à possibilidade de se exigir, isoladamente, juros de mora, nos casos de falta de retenção e recolhimento de IRRF. Entendeu a Relatora do voto condutor do Recorrido que o art. 61, da lei nº 9.430, de 1996 estabelece a hipótese de pagamento de juros apenas no caso da existência de um débito pago em atraso, o que não seria o caso, em que o imposto não mais seria exigível da fonte pagadora. Nas palavras da Relatora: O dispositivo acima prevê os acréscimo moratórios (multa e juros de mora) incidentes sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições não pagos nos prazos, ou seja, pressupõe a exigência de um débito pago em atraso. Tal entendimento, todavia, data maxima venia, carece de um mínimo de consistência. É que ele despreza totalmente o disposto no art. 43 da mesma Lei, a saber: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Ora, se o art. 43 prevê a hipótese de incidência de juros a ser exigida isoladamente, é certo que, em tal caso não se exigirá concomitantente o imposto. Mas não é só isso. Vejamos a redação do referido art. 61: Art. 61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 1412DF CARF MF 6 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Impressionou a relatora do Recorrido a referência, feita no caput do artigo, a tributos não pagos nos prazos previstos, inferindo daí que a única possibilidade de incidência dos juros seria no caso de pagamento em atraso. Ora, se a fonte pagadora não reteve e não recolheu o imposto, tratase de situação em que houve a falta de pagamento, exatamente como referido no dispositivo. Não mais se exige o imposto, apenas e tãosomente para evitar o bis in idem. São devidos, portanto, os juros, exigidos isoladamente, nos casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora. Passando à análise do recurso interposto pelo Contribuinte, verifico de plano que o mesmo foi interposto tempestivamente e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Quanto ao mérito, a questão já foi enfrentada por este Colegiado, inclusive em julgado recente. Cito o Acórdão nº 9202007.147, proferido na Sessão de 29 de agosto de 2018, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIA ESPECIAL. PRELIMINAR ARGUIDA DA TRIBUNA. CONHECIMENTO. Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou sustentação oral, cujo conteúdo não tem pertinência com o objeto do Recurso Especial, tampouco é aplicável ao Processo Administrativo Fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. No contexto dos acórdãos do CARF, o voto vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em que o relator originário restou vencido. No presente caso, a relatora originária do acórdão paradigma restou vencida apenas quanto à qualificação da multa, portanto o seu voto, ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso Especial. FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 19515.003477/201055 Acórdão n.º 9202007.577 CSRFT2 Fl. 5 7 nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Na ocasião, reformulando em parte, meu entendimento anterior sobre a matéria, acompanhei o voto da relatora no sentido da incidência da multa isolada, exigível da fonte pagadora, após o encerramento do período de apuração. De fato, após o encerramento do período de apuração a fonte pagadora fica dispensada do recolhimento do imposto que deixou de reter, passando tal responsabilidade para o beneficiário dos rendimentos, mas não cessa a responsabilidade pela infração. A multa tem previsão no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, a saber: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam o incisos I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma do parágrafo primeiro, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, após as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, passou a ter a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Ora, nos casos em que o imposto não é mais exigível da fonte pagadora apenas para evitar o bis in idem subsistindo a responsabilidade pela infração, permanece a exigência da multa, pelo cometimento da infração. Sobre o ponto, transcrevo excerto do voto condutor do já referido Acórdão nº 9202007.147: Fl. 1414DF CARF MF 8 Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Assim, embora se afaste, no caso, a exigência do imposto da fonte pagadora, em razão do seu recolhimento pela beneficiária dos rendimentos, isso em nada afeta a responsabilidade pela infração, para a qual o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 c/c o art. 44 da Lei n] 9.430, de 1996 prevê a incidência de multa, no percentual de 75%. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento; e Conheço do recurso interposto pelo Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 19515.003477/201055 Acórdão n.º 9202007.577 CSRFT2 Fl. 6 9 Fl. 1416DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.931180/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA
Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada.
DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS
Reputam-se verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, deduzindo-os das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação
Numero da decisão: 3301-005.819
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2012 a 30/11/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA Para que o crédito utilizado na compensação possa ter convalidados os atributos de liquidez e certeza, deve o declarante apresentar documentos e razões probatórias de seu direito creditório, para que este possa ser reconhecido e a compensação possa ser operacionalizada. DCTF RETIFICADORA. VINCULAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS Reputamse verdadeiros os valores declarados em DCTF, vinculando débitos e créditos contra a Fazenda Nacional, os créditos que extinguem débitos, por pagamento, para serem desvinculados, somente através de DCTF retificadora. Uma vez retificada a DCTF para pleitear compensação com o crédito nascente, devem estar as razões de defesa acompanhadas de documentação que comprove a liquidez e certeza do crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA NÃO HOMOLOGADA. CAUSA E EFEITOS Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, sendo que compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, ou recolhidos a maior, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 11 80 /2 01 3- 91 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 3 2 deduzindoos das contribuições devidas à Fazenda Nacional. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação tributária, e não comprovado atributos essenciais do crédito, como a liquidez e certeza, a compensação pretendida não será homologada pela Administração Pública, com a consequente cobrança do débito confessado em Declaração de Compensação Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior , Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto em face do Acórdão DRJ nº 04044.581, que manteve o decidido no Despacho Decisório Eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada na DCOMP – Declaração de Compensação, transmitida pela recorrente, por inexistência do crédito alegado. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário ora em apreço, trazendo as seguintes alegações: alega que retificou a DCTF para ajustar a apuração de PIS do período, de onde surgiu o crédito utilizado, sendo que o ajuste da DCTF foi realizado nos estritos termos da legislação tributária aplicável, amparada na também retificada DACON, trazida aos autos. apontou os subsídios técnicos do crédito compensado, entretanto o órgão julgador de primeira instância afastou os efeitos jurídicos das declarações retificadoras por entender que deveria, os ajustes estar calcados em documentos contábeis e fiscais hábeis e idôneos. defende que até onde se sabe, o ordenamento pátrio, não traz uma lista específica de documentos aptos a assegurar de forma definitiva a certeza e liquidez de crédito oriundo de declarações retificadoras, mas certo é que, a fiscalização possui à sua disposição diversos recursos para averiguação da certeza e liquidez do crédito à ela submetido. Nesse aspecto, poderia inclusive ter submetido a DCTF retificadora ao procedimento de auditoria interna, na busca da origem do crédito pleiteado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 4 3 cita o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 onde destaca a possibilidade de retificação da DCTF após apresentação da PER/DCOMP, ou mesmo depois da emissão de despacho decisório que indefere o pedido, citando também Acórdão CARF neste sentido, concluindo que não há razão para a manutenção da decisão de não homologação, pois foram apresentados os fundamentos e critérios adotados pela recorrente na comprovação da certeza e liquidez do crédito. Anexa ao recurso cópia do Parecer Normativo COSITnº 2, de 2015. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.811, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.931172/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.811): "Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. Para o deslinde da questão, dois aspectos devem ser analisados : 1) o direito ao crédito e 2) a operacionalização da compensação na esfera tributária. 1 O DIREITO AO CRÉDITO E SUA COMPROVAÇÃO A decisão de piso já enfrentou a questão com muita clareza, como aqui reproduzimos trecho do voto do ilustre julgador : O indeferimento do pedido de restiutição em questão se deu devido a existência, no momento do processamento eletrônico, de débito declarado em DCTF correspondente ao valor do DARF pago para o tributo e período em questão. Assim, o Despacho Decisório de não homologação foi emitido com base nas informações prestadas pela própria interessada. A retificação da DCTF Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 5 4 e do DACON ocorreu após a ciência do Despacho Decisório. Apesar de o sujeito passivo mencionar “a devida apresentação de toda a documentação necessária para comprovar” e “cabal comprovação”, a manifestação de inconformidade veio acompanhada tão somente de cópias de DCTF e DACON. Nada mais. O sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum documento comprobatório, não explica a origem dos supostos créditos. Apenas proclama um direito genérico. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhadas de documentação hábil e idônea, não é suficiente para modificar o Despacho Decisório. Para o reconhecimento em favor da contribuinte, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72, o qual determina: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Enquanto no lançamento de ofício incumbe à autoridade fiscal provar a ocorrência do ilícito (§ 1º do art. 38 do Decreto n.º 7.574/2011), nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha legado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” A recorrente apenas acrescenta que efetivou os ajustes em DCTF e DACON para comprovar a liquidez e certeza do crédito, sem trazer aos autos nenhuma informação sobre a origem do crédito, tratandose de COFINS NÃO CUMULATIVA, a que Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 6 5 receita está vinculada e qual o motivo do ajuste dos valores, qual seria o motivo do ajuste, quais valores estavam informados incorretamente e porquê. Além disso, não traz aos autos documentos que comprovem tal erro, para que se justifique o pagamento a maior do tributo, tampouco traz informações sobre a contabilização de tais valores e suas correções. Portanto, correta a decisão de piso ao afirmar que não existe a comprovação de liquidez e certeza do crédito,o que impede a operacionalização da compensação pleiteada. 2 – A OPERACIONALIZAÇÃO DA COMPENSAÇÃO NA ESFERA TRIBUTÁRIA O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com suas várias alteracões, estipula que : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (…) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Cumprindo a determinação contida no § 14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, a Secretaria da Receita Federal emitiu Instrução Normativa que regula a matéria, hoje vigora a IN RFB nº 1.717/2017, que assim dispõe : Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 7 6 Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Os débitos a que se refere o texto normativo são aqueles declarados em DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instrumento onde o contribuinte declara, como confissão de dívida, os débitos contra a Fazenda Pública e sua extinção, por pagamento ou compensação ou sua suspensão, por parcelamento, por recurso administrativo ou ordem judicial. A DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco”, portanto, se a autoridade administrativa, segundo critérios de aprofundamento por ela definidos e após eventuais batimentos eletrônicos, admite o valor do tributo confessado em DCTF como compatível com o do efetivamente devido, pode, a partir dos elementos de que internamente já dispõe, decidir o direito à restituição (e, por decorrência, à compensação) por comparação entre o valor pago do tributo e o correspondente montante declarado em DCTF, sendo dispensável, dado o caráter confessional da DCTF, a intimação do requerente para prestar esclarecimentos ou apresentar provas. A Secretaria da Receita Federal emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, citado pela recorrente, onde trata da situação em que o sujeito passivo da obrigação tributária apresenta Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso ou Declaração de Compensação – PER/DCOMP, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior, sendo o pedido indeferido em razão de o pagamento estar totalmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sem que esta tenha sido retificada, decisão contra a qual o interessado apresenta manifestação de inconformidade, assim dispôs sobre o cruzamento de informações DCTF X PER/DCOMP : 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) 10.4 Segundo o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Tratase de confissão extrajudicial da existência daqueles débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso é título executivo. Conforme decidido pelo STJ em sede de recursos repetitivos. (...) 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 9 8 Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.(Acórdão nº 3801¬002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014). 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). (...) 20 .O despacho decisório de indeferimento do PER ou da não homologação da compensação é ato jurídico perfeito e foi corretamente proferido, já que, de fato, na data de sua emissão, o crédito declarado no PER/DCOMP não se apresentava para a autoridade administrativa líquido e certo. O foco da questão aqui tratada não deve ser a formalidade e efetividade de um ato da autoridade administrativa, mas o efeito de um ato do sujeito passivo – retificar sua DCTF – em momento que ainda lhe é permitido pela norma e que confirme ato por ele também praticado anteriormente (a compensação ou o pedido de restituição) quando já fora objeto de análise pela autoridade administrativa. A vinculação de débitos e créditos declarados em DCTF são de absoluta responsabilidade do declarante, e podem ser retificados, como admite a Instrução Normativa RFB nº 1.599/2015, que trata da DCTF, dispondo em seu artigo 9º : Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 10 9 Desta forma, para alterar os dados declarados, como débitos indevidos ou inexistentes, obrigatoriamente devese informar á Secretaria da Receita Federal, através da DCTF RETIFICADORA, para que, ao efetivar o cruzamento de informações, no caso em exame, de valores declarados em DCTF e valores declarados em DCOMP, sejam compatíveis para que o sistema eletrônico possa efetivar a compensação ou emitir despacho não homologando a compensação, com a devida fundamentação. É o que acontece no caso presente, a recorrente efetivou a retificação da DCTF, entretanto, não apresentou provas da liquidez e certeza do crédito, o que o torna inaceitável para operacionalização da compensação declarada. Assim, no cruzamento de informações prestadas pela recorrente, na DCTF e na DCOMP,. O sistema de registro eletrônico da Secretaria da Receita Federal detectou que o recolhimento efetuado havia sido vinculado a um débito existente e confessado, extinguindo, portanto, o crédito por pagamento. Por este motivo, o fundamento da não homologação da compensação foi o de haver um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível par compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por derradeiro, há que se considerar que, uma vez que o pagamento indevido foi vinculado, como crédito, a valor de débito confessado em DCTF, extinguindo, portanto, o débito, não pode ser pagamento ou crédito ser utilizado novamente em sede de compensação, pois que tal crédito seria inexistente para o devido encontro de contas no instituto da compensação, nos termos dos artigos 368 e 369 do Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002 Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem; Art. 369. A compensação efetuase entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.) e do artigo 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.), por faltar ao crédito os atributos da liquidez e certeza, pois que o crédito alegado já não mais existia á época da transmissão da DCOMP, restando o débito para ser cobrado pela Fazenda Nacional. Restou, pois, á recorrente, a retificação da DCTF, para alterar a vinculação do débito ao crédito que se pretenda compensar. Não é possível, portanto, diante de tais regras, admitir o direito á compensação de crédito, faltandolhe liquidez e certeza. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.931180/201391 Acórdão n.º 3301005.819 S3C3T1 Fl. 11 10 Quanto á homologação e operacionalização da compensação não compete a este CARF tais atribuições, e sim ás Delegacias da Receita Federal, unidades jurisdicionantes dos requerentes/declarantes. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado para não reconhecer o direito creditório e também não reconhecer o direito á compensação pretendida, porquanto não comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a desvinculação do crédito reconhecido, através de retificação da DCTF, faltando ao crédito os atributos de liquidez e certeza." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001232/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2009
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei 821291, com a redação dada pela Lei 9876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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RETENÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE MOGI GUAÇU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2009 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei 821291, com a redação dada pela Lei 9876/99 (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 12 32 /2 01 0- 49 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.001232/201049 Acórdão n.º 2402007.150 S2C4T2 Fl. 357 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de lançamento de ofício das contribuições devidas pelas empresas incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O montante exonerado pela decisão da DRJ, pelo reconhecimento da decadência parcial, não implicou a interposição de recurso de ofício. A contribuinte foi intimada da decisão em 09/11/2010 (fl. 138 do eProcesso) e interpôs seu recurso voluntário em 09/12/2010, no qual basicamente reiterou os seguintes fundamentos de sua impugnação: inexistência de responsabilidade pelo débito tributário, diante da inexistência de sucessão; a cobrança é inconstitucional; a multa é ilegal e ofende os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.001232/201049 Acórdão n.º 2402007.150 S2C4T2 Fl. 358 3 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da declaração de inconstitucionalidade A recorrente suscita questão prejudicial a todas as demais matérias recursais, que é a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei 8212/91. Pois bem. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte do Conselheiro. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí, porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. No caso concreto, vêse que o lançamento tem como fato gerador a prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.001232/201049 Acórdão n.º 2402007.150 S2C4T2 Fl. 359 4 previsto no inc. IV do art. 22 da Lei 8212, com a redação dada pela Lei 9876/99, que era assim redigido: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do citado dispositivo (RE nº 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). Segue a ementa da decisão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08 102014) (destacouse) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10865.001232/201049 Acórdão n.º 2402007.150 S2C4T2 Fl. 360 5 Foi, inclusive, negada a modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 2502 2015) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, tomadas, respectivamente, em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser reproduzidas por suas Turmas. Logo, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 360DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.905419/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.730
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde esclarece, inicialmente, que é pessoa jurídica de direito privado que tem por atividade principal a produção e comercialização de calcário, seus derivados e correlatos, em todas as modalidades, especialmente cimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 41 9/ 20 16 -1 1 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.905419/201611 Resolução nº 3401001.730 S3C4T1 Fl. 3 2 Informa que após o fechamento contábil do período de apuração em tela e a regular transmissão de sua DCTF, ao revisar seus procedimentos verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, pois parte da subvenção recebida é destinada a custeio e parte a investimentos, o que impacta diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis. Com isso, retificou as informações anteriormente prestadas na DCTF e no Dacon. Ressalta que, inobstante haver apresentado as retificadoras antes da transmissão do pedido de compensação, a autoridade fiscal não homologou a compensação pleiteada, e sem adentrar nos motivos da glosa. Diante disso, diz que acessou o ‘ecac’, obtendo o extrato da DCTF retificadora transmitida, verificando que não foi aceita pelo motivo: “Parcelado". Contudo, não há como ter certeza sobre essa informação ou sobre o real motivo do impedimento, já que não foi intimada a apresentar qualquer esclarecimento ou documentos complementares que comprovassem a composição de sua nova base de cálculo, o que torna clara a ofensa ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório. A seguir, em itens específicos, fala da tempestividade da manifestação de inconformidade e “II. 2 da ausência de intimação quanto às supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório nulidade”. Neste último, contesta a forma simplista em que se pautou o agente fiscal na emissão do despacho, sem sequer ter realizado qualquer fiscalização, que viesse esclarecer o motivo da não homologação. Repisa que não houve qualquer intimação para que pudesse prestar esclarecimentos quanto aos valores retificados na DCTF, embora essa declaração tenha sido submetida à análise, dado a informação de ‘parcelado’ mostrado pelo sistema. E isso, acredita, impactou diretamente na não homologação da Dcomp transmitida, pois se os valores declarados na obrigação acessória retificada não foram aceitos, conseqüentemente, o crédito pleiteado não poderia ser localizado pelo Fisco. Lembra que o Parecer Normativo COSIT nº 2, publicado em 01/09/2015, esclarece que para a DCTF retificadora produzir efeitos está sujeita à verificação e homologação pela Receita Federal, que pode intimar o contribuinte para comprovar as informações, mas isso não ocorreu no presente caso, impossibilitandoo de defenderse da real acusação que lhe foi imputada e apresentar justificativas concretas e documentos necessários. Por isso, sob pena de insanável nulidade, destaca que a decisão administrativa deve ser instruída com todas as provas que demonstrem claramente as alegações fiscais, cabendolhe integralmente o ônus probatório. Sob o título “III – do direito”, especificamente quanto à motivação da alteração dos valores informados em DCTF, esclarece que está regularmente habilitada no Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS – Forte Indústria, e que através da análise do ato concessório do incentivo verificase a intenção do subvencionador – Estado do Mato Grosso do Sul em destinar valores incentivados para investimento; a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos para implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, bem como o fato de ser pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Citando a Solução de Consulta Cosit nº 365, de 17/12/2014, e o art. 443 do RIR/99 conclui que, no caso, a subvenção originária pode ser classificada como uma subvenção especial, pois é concedida por pessoa jurídica de direito público (Estado do Mato Grosso do Sul) a uma pessoa jurídica de direito privado (Defendente), tornando claro que sobre esses valores não há incidência do PIS e Cofins, além de outros tributos federais. Cita também Acórdão da DRJ Fortaleza, alegando que grande parte das Delegacias de Julgamento tem admitido a comprovação do pagamento a maior ou indevido unicamente por meio de DCTF retificadora, antes de o contribuinte ter sido notificado do Despacho Decisório. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.905419/201611 Resolução nº 3401001.730 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, pugna pela realização de diligência e/ou perícia, indicado perito e formulando quesitos que entende serem necessários para a comprovação do alegado, e pela posterior juntada de documentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MSForte Indústria (Bodoquena/MS) – Concessão de Créditos Presumidos de ICMS e sua Exclusão da Base de Cálculo de PIS e COFINS. Subvenção para investimento. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.724, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.905413/201643, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.724): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, de R$ 241.017,64 e reconhecido R$ 226.319,77 Homologação parcial, correspondente ao Darf de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO (código 6912), recolhido em 25/03/2011, no valor de R$ 1.339.935,11, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente informa que apurou em Fevereiro/2011 o PIS não cumulativo, no montante de R$ 1.158.756,63, tendo sido o montante de Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.905419/201611 Resolução nº 3401001.730 S3C4T1 Fl. 5 4 R$ 1.113.615,34 pago através de DARF com código de recolhimento 6912, pois o restante estava suspenso por determinação judicial. O DARF apresentado como pagamento foi no valor de R$ 1.339.935,11 restando saldo de R$ 226.319,77 que utiliza para compensação em DCOMP. Revisando seus procedimentos fiscais retificou as informações prestadas à RFB (DCTF e DACON), pois verificou que os valores a título de incentivos fiscais estaduais estavam sendo lançados em contas contábeis incorretas, já que parte da subvenção recebida era destinada a custeio e parte a investimentos, o que impactou diretamente na base de cálculo das receitas tributáveis, sobre as quais incidiu tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Após a retificação, o débito de PIS passou a ser de R$ 1.098.917,47, restando saldo de R$ 241.017,64, a ser utilizado para compensar débito de PIS cumulativo do período de apuração de fevereiro/2011 no valor total de R$ 181.142,54 e COFINS cumulativa, referente à competência de abril/2011, no valor de R$ 72.064,02. Restou controverso a parcela de R$ 14.699,97 originário da diferença entre o valor a pagar de PIS na DCTF original com o valor a pagar após a retificação, já que parte do valor foi reconhecido pelo fisco em despacho decisório. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Entretanto existe no processo a informação sobre o extrato da DCTF em que informa que as retificadoras foram impedidas: Não há no processo o motivo porque as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10880.905419/201611 Resolução nº 3401001.730 S3C4T1 Fl. 6 5 for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não haja dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 02/2011 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10880.905419/201611 Resolução nº 3401001.730 S3C4T1 Fl. 7 6 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão, foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 278DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.900218/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.540, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 21 8/ 20 06 -9 1 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900218/200691 Resolução nº 1201000.540 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Período de Apuração 31/03/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920393/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.991
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 39 3/ 20 12 -8 9 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.920393/201289 Resolução nº 3302000.991 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720257/2016-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
DECISÃO NULA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS QUESTÕES.
Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que não enfrenta todas as questões com potencial de modificar o lançamento, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma.
Numero da decisão: 3302-006.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeiro grau, por não enfrentamento da alegação de inaplicabilidade do percentual de 75% na multa proporcional devido ao seu caráter confiscatório.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 DECISÃO NULA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS QUESTÕES. Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que não enfrenta todas as questões com potencial de modificar o lançamento, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeiro grau, por não enfrentamento da alegação de inaplicabilidade do percentual de 75% na multa proporcional devido ao seu caráter confiscatório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS QUESTÕES. Merece ser declarada nula a decisão de primeiro grau que não enfrenta todas as questões com potencial de modificar o lançamento, sendo necessário o retorno do expediente à unidade competente, para prolatação de nova decisão, em boa forma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão de primeiro grau, por não enfrentamento da alegação de inaplicabilidade do percentual de 75% na multa proporcional devido ao seu caráter confiscatório. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 02 57 /2 01 6- 71 Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.805 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 1465.431 14ª Turma da DRJ/RPO: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, da contribuição para o Programa de Integração SocialPIS e Multa por infrações de obrigações acessórias, fls. 545/568, que constituíram o crédito tributário total de R$ 21.968.211,72, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/12/2016. No Relatório Fiscal, efls. 569/580, a autoridade fiscal, após recapitular o desenvolvimento da auditoria, expõe as infrações apuradas. Em primeiro lugar, foi detectada insuficiência de recolhimento das contribuições decorrente de valores de ICMS deduzidos indevidamente. A auditoria aponta ainda: A propósito, a conduta equivocada de abater quaisquer valores a título de ICMS da composição da base de cálculo do PIS e COFINS só foi adotada pelo contribuinte quanto às suas notas fiscais de saída, ou seja, na apuração do seu faturamento oferecido à tributação, tendo em contrapartida reconhecido o valor integral de suas notas fiscais de entrada para fins de tomada de créditos do regime não cumulativo daquelas contribuições. Uma segunda ordem de irregularidades deu origem a glosas de créditos indevidamente apurados por estarem em desacordo com as disposições legais e a definição de insumos adotada pela Administração Tributária. No universo dos créditos glosados incluemse aqueles apurados sobre folha de salários, créditos extemporâneos, serviços de advocacia, consultoria, assessoria, segurança, exames, telefonia, viagens, seguros, veículos, propaganda e publicidade, uniformes, cesta básica, contribuição sindical, taxas e emolumentos. O terceiro item da autuação é representado por multa isolada decorrente de irregularidades na transmissão da Escrituração Fiscal Digital das contribuições sociais (EFDContribuições). A primeira consistente na omissão do cumprimento da obrigação de transmissão da escrituração relativa aos meses de maio e agosto de 2012, o que somente foi feito após intimação fiscal. A segunda, relativa aos demais períodos do anobase de 2012, decorre da transmissão de escrituração com valores totalmente zerados. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.806 3 Por conta dos valores lançados, a autoridade fiscal lavrou Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, juntado à efl. 625. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Impugnação, efls. 697/726 na qual apresenta os argumentos a seguir resumidos. Preliminarmente, requer a nulidade dos lançamentos por ausência de fundamentação legal, o que teria provocado cerceamento do seu direito de defesa. Diz a impugnante que é de se ver a total falta de fundamentação legal que justifique o lançamento de ofício das contribuições, em todo o enquadramento legal informado pelo nobre auditor, não há nenhum que trate da possibilidade de lançamento de ofício dos valores apurados pela fiscalização. No mesmo sentido, voltase contra a imputação da multa isolada, uma vez que o Termo de Distribuição de Procedimento FiscalTDPF inicialmente não previa esse tipo de verificação, sendo que a modificação do referido Termo aconteceu somente após a lavratura do Auto. No mérito, inicia por defender a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições com base na tese de que tratarseia de meras entradas que não compõem de forma permanente o patrimônio da entidade, cuja função seria a de somente repassá las ao Estado. No que tange aos créditos da não cumulatividade, afirma que foram apurados a partir da aquisição de insumos necessários ao desenvolvimento de seu mister e que se consomem em sua cadeia produtiva. Segundo entende, não há que se falar em despesa pela sua natureza ou mera identificação de ‘conta’, mas sim de sua classificação no processo produtivo, pois a conta que menos se imagina pode comportar um custo que se classifica como insumo à cadeia produtiva. Com isso, para se avaliar a possibilidade de apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, não basta se avaliar a alocação de um determinado custo/despesa na contabilidade da empresa, mas sim a aplicabilidade desse custo/despesa na cadeia produtiva da empresa. Na sequência, discorre sobre o conceito de não cumulatividade, assim como sobre o de insumo. Com base nesses entendimentos, passa a defender, caso a caso, os itens glosados pela fiscalização, cuja argumentação será especificada no voto. Passando à aplicação da multa regulamentar, diz que, até 01/07/2012, a entrega era facultativa, de acordo como a Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 2012. Sendo assim, as multas de períodos anteriores devem ser afastadas. No mesmo item, a contribuinte contesta o fundamento legal em que se baseou a aplicação da multa. Segundo ela, o enquadramento legal utilizado para a aplicação da multa regulamentar ora impugnada é o artigo 57, III, ‘a’ da MP nº 2.15835/2001, com as alterações da Lei nº 12.873/2013. Porém, prossegue, essa previsão (inciso III, ‘a’) somente foi incluída em Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.807 4 24 de outubro de 2013, com a promulgação da Lei nº 12.873/2013, enquanto que as condutas que se alega ensejarem a tipificação (entrega das EFD’s supostamente em discordância com a legislação) ocorreram no período compreendido entre 14/03/2012 a 14/12/2012, como a própria fiscalização afirma. Por fim, contesta o percentual da multa aplicada, taxandoo de confiscatório, e requerendo sua redução a patamares proporcionais. Em 24/04/2017, a 14ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de ofício do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.808 5 aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 ESCRITURAÇÃO DIGITAL. OMISSÃO OU IRREGULARIDADES NA APRESENTAÇÃO. MULTA. Verificada a falta de apresentação da Escrituração Fiscal Digital ou a sua apresentação contendo incorreções e omissões, correta a aplicação da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão, a recorrente supra mencionada interpôs recurso especial, no qual alegou preliminares de nulidade dos autos de infração (por falta de fundamentação legal que justifique o lançamento de ofício dos tributos e também porque o auditorfiscal não detinha competência para lançar “outras multas administradas pela RFB”) e da decisão de primeiro grau (falta de manifestação acerca da redução do percentual da multa, bem como da atipicidade de conduta (falta de omissão) e cerceamento de defesa pela insuficiência da fundamentação legal para a aplicação das multas – necessidade de anulação do acórdão ora recorrido para que analise a questão sob pena de supressão de instância), e no mérito reproduz as alegações esgrimidas no momento da impugnação, para ao fim pedir, caso seja julgado subsistente parcial ou totalmente o auto de infração, o afastamento das multas referentes aos fatos geradores anteriores à julho de 2012 em virtude da facultatividade de entrega da EFD Contribuições, e ainda a redução da multa proporcional aquém do percentual de 75%, seja para o percentual de 20% ou outro percentual, desde que proporcional ao caso. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DAS NULIDADES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.809 6 A preliminar de nulidade dos autos de infração por falta de fundamentação legal que justifique o lançamento de ofício dos tributos não merece prosperar, haja vista constar da segunda folha dos autos de infração referentes às contribuições lançadas o enquadramento legal respectivo. E nem se diga que há necessidade de anulação do acórdão ora recorrido para que analise a questão sob pena de supressão de instância, uma vez que no acórdão consta a análise sucinta e escorreita: (...) Começando pelas questões preliminares, há a que pede a nulidade do auto por falta fundamentação. De pronto, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, ao tratar da matéria no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, dispõe: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, nos termos da legislação, o Auto de Infração somente é nulo caso seja lavrado por pessoa incompetente, o que não acontece no presente processo. Quanto à legalidade ou tipicidade cerrada, o lançamento explicita as bases legais sobre as quais se apóia, não havendo violação dos citados princípios. A contribuinte pode não concordar com os pressupostos legais da autuação, no entanto, isso não significa que a autoridade fiscal agiu em desacordo com os princípios que norteiam a ação administrativa. Não há, no mesmo diapasão, cerceamento do direito constitucional à plena defesa. Com efeito, a própria Impugnação, em seu conteúdo e forma, é amostra de que a contribuinte compreendeu tanto os fatos quanto a base legal em que se baseia a autuação. (...) Ainda nesta seara, a preliminar de nulidade dos autos de infração porque o auditorfiscal não detinha competência para lançar “outras multas administradas pela RFB” também resta fragilizada, uma vez que a competência decorre da lei. Mais uma vez a decisão recorrida foi escorreita ao ferir o tema: (...) No caso de a defesa estar se referindo à competência para lançamento, esta decorre, em sede original, do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.810 7 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. É a partir dessa mesma competência que a autoridade fiscal constituiu o crédito referente à multa de ofício, independentemente da formalidade administrativa representada pelo Termo de Distribuição de Procedimento FiscalTDPF. Essa questão já foi sedimentada administrativamente, como exemplifica a ementa do Ac. nº 2301003.514, em 15/05/2013, dado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Embora trate do predecessor do TDPF, o MPF, o princípio é o mesmo, ou seja, o de que a designação para que a autoridade fiscal proceda à auditoria de certos tributos em determinados períodos, sendo instrumento de controle administrativo, não pode colocar limites à competência definida em lei complementar. Afastamse, portanto, as preliminares de nulidade dos autos de infração postas pela recorrente. DAS NULIDADES DA DECISÃO RECORRIDA No que tange à preliminar de nulidade da decisão recorrida, por falta de manifestação acerca da redução do percentual da multa, bem como da atipicidade de conduta (falta de omissão) e cerceamento de defesa pela insuficiência da fundamentação legal para a aplicação das multas – necessidade de anulação do acórdão ora recorrido para que analise a questão sob pena de supressão de instância, apenas a primeira parte falta de manifestação acerca da redução do percentual da multa merece crédito, uma vez que, de fato, o acórdão recorrido não tratou do tema durante o voto, mesmo fazendo constar dele no seu relatório, ao final: Por fim, contesta o percentual da multa aplicada, taxandoo de confiscatório, e requerendo sua redução a patamares proporcionais. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 19311.720257/201671 Acórdão n.º 3302006.576 S3C3T2 Fl. 1.811 8 A atipicidade da conduta (falta de omissão) não contou com item próprio e sequer um parágrafo específico na impugnação que merecesse tratamento específico. Assim, a simples manutenção do lançamento por seus próprios motivos resulta em análise da conduta da autuada. Relativamente ao cerceamento de defesa pela insuficiência da fundamentação legal para a aplicação das multas, penso que a matéria já foi tratada suficientemente no item anterior deste voto, DAS NULIDADES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, e bem por isso não tem razão de reclamar a recorrente. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para tornar nula a decisão de primeiro grau, por não enfrentamento da alegação de inaplicabilidade do percentual de 75% na multa proporcional devido ao seu caráter confiscatório, sendo necessário o retorno do expediente à DRJ/POR, para prolatação de nova decisão, em boa forma. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 1811DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001604/2010-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. A recorrente logrou êxito em comprovar parte das deduções pleiteadas.
Numero da decisão: 2003-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$ 2.224,26.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. A recorrente logrou êxito em comprovar parte das deduções pleiteadas.
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. A recorrente logrou êxito em comprovar parte das deduções pleiteadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$ 2.224,26. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 16 04 /2 01 0- 53 Fl. 153DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Autuação Tratase de lançamento decorrente de procedimento fiscal, referente aos anoscalendário 2005 e 2006, tendo em vista a apuração de deduções de despesas de saúde consideradas como indevidas (fls.23 a 27). De forma sucinta, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades, conforme Termo de Constatação Fiscal (fls 28 a 32): Analisando a(s) DIRPF(s) Declaração(ões) de Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte acima citado, referente ao(s) anoscalendário de 2005 e 2006, exercícios financeiros de 2006 e 2007, constatamos dedução de despesas médicas/odontológicas/planos de saúde abaixo relacionadas: No dia 22/11/2010 a contribuinte foi intimada através do Termo de Início de Ação Fiscal a comprovar o pagamento das despesas médicas transcritas acima, mediante a apresentação de "documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores que comprovem a efetividade dos pagamentos dos serviços declarados,juntando cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, extratos bancários que registrem tais operações e que evidenciem os pagamentos efetuados." A contribuinte apresentou a essa fiscalização em 07/12/2010 os recibos/comprovantes/notas fiscais de despesas médicas abaixo sumarizados, desacompanhados de esclarecimentos ou manifestação por escrito. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 153 3 Conforme procedimento fiscal de diligência no 08.1.07.002007 009898 desta DRF, já havia forte indício de irregularidade, pois o diligenciado Hospital do Coração Rio Preto S/C Ltda, regularmente intimado , apresentou declaração cuja cópia se encontra em anexo ao presente processo, cujo teor indicava que a fiscalizada declarava valores superiores aos efetivamente pagos. Deixamos de considerar os recibos alegadamente emitidos pelo profissional Gilberto Faria, CPF: 951.849.88815, pois não se comprovou nem o efetivo pagamento nem a efetiva prestação de serviços. Com base nos fatos narrados acima, verificamos que a contribuinte, reiteradamente, utilizouse do expediente de incluir despesas médicas inexistentes nas suas declarações como único intuito de reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda, fato esse que resultou na redução do imposto devido em todas as DIRPFs analisadas neste procedimento fiscal. Assim, fica demonstrado o evidente e deliberado intuito da contribuinte de fraudar o fisco, motivo pelo qual o imposto sonegado relativo às despesas médicas será acrescido de multa de ofício qualificada. Assim, com base no Artigo 142 do CTN (Lei 5.172/66), Parágrafo 19 do Artigo 73 e Artigo 926 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) e Instrução Normativa SRF 579/2005, esta fiscalização glosará os valores declarados como Despesas Odontológicas/Médicas/Hospitalares pagas a esses Profissionais/Estabelecimentos/Planos de Saúde, conforme relacionado abaixo: Fl. 155DF CARF MF 4 Impugnação Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 24/12/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 14/01/2011 (fls. 40 a 133), com as seguintes alegações: Fiz tratamento dentário com o Cirurgião Dentista Gilberto Faria, e paguei o mesmo em parcelas mensais, totalizando R$ 4.080,00 (quatro mil e oitenta reais) em 2005, e R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais) em 2006, conforme recibos assinados, e anexos ao presente. A minha mãe Adélia Carnelossi, e também, minha dependente na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, era portadora, dentre outras, de enfermidade cardíaca, utilizando os atendimentos clínicos no Hospital do Coração Rio Preto Ltda., e também, de Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda., nos, anos de 2005 e 2006. Os pagamentos foram feitos em dinheiro. Com o falecimento de minha mãe em abril de 2010, inutilizei diversos exames e papéis, motivo pelo qual não encontrei as notas fiscais e ou recibos emitidos pelos mesmos. Participo no plano de saúde coletivo por adesão, firmado entre a APEOSP Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo e a UNIMED Federação das Unimeds do Estado de São Paulo, cujo pagamento das mensalidades ocorre através de débito em conta corrente, no 5' dia útil de cada mês. O Sr. Auditor Fiscal autuante não considerou as las vias do recibos entregues, citando o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, do Ministério da Fazenda, argumentando, dentre outras, que para gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços, devendo nessas condições ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. É inadmissível a glosa dos valores declarados com os atendimentos odontológicos, os quais foram comprovados com os recibos entregues, estando os mesmos assinados pelo profissional competente. Caso houvesse, alguma dúvida quanto a idoneidade dos mesmos, o correto seria, comprovar junto ao emitente. Quanto à glosa dos valores do plano de saúde firmado entre a APEOESP e a UNIMED, conforme já citado, a mesma deve ser Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 154 5 revista, pois entreguei os documentos necessários para a análise dos valores declarados. Pelo exposto fica evidente que não houve o intuito de fraude. Não houve a FRAUDE USO DOLOSO DE RECIBOS, conforme se verifica através do presente. Para a comprovação dos fatos aqui citados, estou juntando ao presente: • DEMONSTRATIVOS DOS PAGAMENTOS FEITOS AO CIRURGIÃO DENTISTA DR. GILBERTO FARIA, DOS ANOS 2005 e 2006, juntamente com canhotos de cheques e extratos bancários, comprovando os pagamentos nos valores de R$ 4.080,00 (quatro mil e oitenta reais), e R$ 750,00 (setecentos e cinqüenta reais), para os anos 2005 e 2006, respectivamente. • DEMONSTRATIVO DOS PAGAMENTOS FEITOS À UNIMED ATRAVÉS DA APEOESP NO ANO DE 2005, juntamente com os documentos que comprovam que a minha adesão desde o ano de 2000, a forma de pagamento das mensalidades que ocorre através de débito em conta corrente, no 5o dia útil de cada mês, e extrato bancário com os respectivos lançamentos com histórico de clube/associação. A diferença entre o declarado (R$2.450,52), e o demonstrado (R$2.247,22), devese ao fato da utilização para o cálculo, do último lançamento do ano, no valor de R$204,21, por não estar com o informativo de recolhimento, fornecido pelo APEOSP. Acórdão de Primeira Instância Os membros da 11a Turma de Julgamento da DRJ SPO2, por unanimidade de votos, consideraram parcialmente procedente a impugnação, mantendo parte do crédito tributário exigido, conforme transcrição de ementa a seguir (fls. 136 a 142): DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES INDEVIDAS. COMPROVAR O EFETIVO PAGAMENTO. SERVIÇOS PRESTADOS. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. GUARDA DOS DOCUMENTOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. O artigo 797 do RIR/99 obriga a guarda e manutenção pelos contribuintes dos comprovantes de dedução desde à época da apresentação da Declaração de Ajuste, com todos os requisitos essenciais previstos pelo mesmo Regulamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 157DF CARF MF 6 Recurso Voluntário Cientificado dessa decisão em 24/05/2011 (fl.146), o contribuinte interpôs em 21/06/2011 recurso voluntário (fls. 147 a 149), no qual reitera os argumentos da impugnação e acrescenta: Quanto às despesas declaradas para UNIMED DO ESTADO DE SÃO PAULO, referente ao plano de saúde coletivo por adesão, firmado com a APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), confirmo tais despesas, e os pagamentos ocorreram através de débito em conta corrente, mensalmente, conforme explanado em defesa anterior. O valor correto dos respectivos pagamentos é de R$ 2.224,26, conforme consta do Informe de Rendimentos Financeiros imposto de renda Pessoa Física, fornecido pela APEOESP em 25 de maio de 2011. A pequena diferença entre o valor declarado e o aqui apresentado, devese ao fato de erro na soma dos valores, pois não tinha em mãos o informe acima declinado. Os documentos anteriormente apresentados já eram suficientes para a comprovação de tais pagamentos, sem causar estranheza aos senhores julgadores. Quanto às despesas com o Hospital do Coração Rio Preto, e também, de Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda., confirmo que tais pagamentos foram feitos em dinheiro, e pelos motivos já expostos em minha defesa inicial, pois inutilizei diversos exames e papéis; motivo pelo qual não encontrei as notas fiscais e/ou recibos emitidos. Pelo exposto fica evidente mais uma vez, que não houve o intuito de fraude. Para a comprovação dos fatos aqui citados, estou juntando ao presente: • INFORME RECEBIMENTOS FINANCEIROS — IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA, de 25 de maio de 2011, emitido pela APEOESP, onde consta que durante o ano de 2005, recolhi à UNIMED DO ESTADO DE SÃO PAULO FEDERAÇÃO ETADUAL DAS COOPERATIVAS MÉDICAS, através da APEOESP Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a quantia de R$ 2.224,26 (dois mil, duzentos e vinte e quatro reais e vinte e seis centavos). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 155 7 Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Em que pese a recorrente nomear um tópico em seu recurso como "preliminar", nele não estão contidas alegações referentes a inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. No tópico são abordadas questões de mérito que serão analisadas no item "Mérito" a seguir. Mérito Versam os autos sobre glosa de despesas de saúde, por falta de comprovação dos pagamentos e da efetividade da prestação dos serviços. A decisão de piso manteve parcialmente o crédito tributário de acordo com a planilha a seguir: A recorrente, em sede de recurso voluntário alega: · Que sua mãe utilizouse dos atendimentos clínicos no Hospital do Coração Rio Preto Ltda e de Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda nos anos de 2005 e 2006, que os pagamentos foram feitos em dinheiro e que não encontrou as notas fiscais e ou recibos emitidos pelos mesmos. Fl. 159DF CARF MF 8 · Participa no plano de saúde coletivo por adesão, firmado entre a APEOSP Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do estado de São Paulo e a UNIMED, cujo pagamento das mensalidades ocorre através de débito em conta corrente, no 5o dia útil de cada mês. Apresenta declaração emitida pela APEOESP, onde consta que durante o ano de 2005, recolheu à UNIMED a quantia de R$ 2.224,26. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999, in verbis: Seção I Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 156 9 Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei) IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 161DF CARF MF 10 De acordo com o art. 835 do Decreto n° 3.000/1999 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda RIR, assevera que todas as deduções declaradas pelos contribuintes estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora, na forma preconizada no art. 73 do mesmo diploma legal, como segue: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.(grifei) Quando não comprovadas da forma solicitada as deduções informadas nas declarações, cabe à autoridade lançadora efetuar o lançamento de oficio com base nas infrações apuradas, de acordo com o art. 841 do Decreto acima citado, in verbis: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (...) II ~.deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusarse a prestálos ou não os prestar satisfatoriamente; Relativamente às despesas médicas, o art. 8°, inc. II, alínea “a” da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o § 2° do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome. endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Verifica se, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. A lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. ll, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o` ônus da prova cabe a quem a alega. O art. 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe: “I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Filio me a esse entendimento, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 157 11 lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Assim, a inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo o dever de comprovação e justificação das deduções, e não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais decorrentes. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Sobre o assunto já se manifestou este conselho em diversos julgados. Cito aqui a título de exemplo a ementa dos acórdãos 2101001.842 e 2802001.988 transcritos respectivamente: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, em regra, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.(grifei) Recurso Voluntário Provido em Parte. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. DEPENDENTE. Somente são dedutíveis as despesas com dependentes informados na própria declaração de ajuste anual. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos Fl. 163DF CARF MF 12 para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poder dever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou e em que data e sem rasuras, e os requisitos legais. (grifei) IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO. O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem. Das Despesas com o Hospital do Coração Rio Preto Ltda e Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda Foram declarados nas DIRPF anoscalendário 2005 e 2006 os seguintes valores de deduções para esses estabelecimentos: · Hospital do Coração Rio Preto Ltda: R$ 6.344,04 em 2005 e R$ 8.032,50 em R$ 2006; · Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda: R$ 3.062,50. O procedimento fiscal na recorrente foi motivado tendo em vista a constatação em diligência ao Hospital do Coração Rio Preto S/C Ltda, de que a fiscalizada declarava na DIRPF, valores superiores aos efetivamente pagos à instituição. Na diligência supracitada, o Hospital Coração Rio Preto atesta em declaração o seguinte: Em atenção ao Termo de Intimação Fiscal de que trata o MPF 0 08.1.07.002007009898, emitido pelo mencionado Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil em 23/11/2007, declaramos para os devidos fins de direito, que de acordo com pesquisas em nossos arquivos, foram encontrados registros de notas fiscais emitidas por este Hospital, em nome da Sra MARIA REGINA APARECIDA MENIS, portadora do CPF n° 622.840.37887, referente a serviços médicos hospitalares, na seguinte data/valor, a saber: Ano calendário 2005: R$ 344,04 Face aos fortes indícios apurados na diligência, no dia 22/11/2010 a contribuinte foi intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal a comprovar o pagamento das despesas médicas declaradas nas DIRPF dos anoscalendário 2005 e 2006, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores que comprovassem a efetividade dos pagamentos dos serviços declarados, juntando cópia de Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 158 13 cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, extratos bancários que registrem tais operações e que evidenciem os pagamentos efetuados. A contribuinte somente apresentou uma nota fiscal do Hospital do Coração Rio Preto Ltda anocalendário 2005 no valor de R$ 344,04 (valor este R$ 6.000,00 a menor do que o declarado) e uma nota fiscal da Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda ano calendário 2006 no valor de R$ 62,50 (valor este R$ 3000,00 a menor do que o declarado). Em sede de impugnação e recurso voluntário não foram apresentados documentos que comprovassem a prestação efetiva dos serviços, nem a comprovação do efetivo pagamento. A recorrente limitouse a afirmar que as despesas se referiam aos problemas cardiológicos que sua mãe enfrentava e que, em virtude de seu falecimento, inutilizou todos os documentos a ela pertinentes. No caso em apreço, temos que, a recorrente, ao ser devidamente intimada, não apresentou todos os documentos solicitados. Além disso, constatouse em diligência, que havia fortes indícios de declaração de despesas médicas inexistentes ou superiores na DIRPF. Tais fatos lançaram dúvidas à fiscalização quanto à idoneidade das despesas médicas declaradas pelo recorrente, razão pela qual solicitou as comprovações dos serviços prestados e do efetivo pagamento realizado. Desta forma, a autoridade fiscal agiu de forma correta e motivada ao exigir a comprovação dos efetivos pagamentos pelos serviços médicos contratados pelo recorrente. Se em circunstancias normais basta a mera apresentação do recibo para comprovar a efetiva prestação do serviço profissional e o recebimento/pagamento dos honorários respectivos, em casos como o que se analisa nos presentes autos, competia a impugnante produzir outras provas que demonstrassem a efetividade dos serviços prestados e os respectivos pagamentos. Contudo, verificase que a recorrente não o fez. A documentação por ela apresentada não restou suficiente para comprovar o desembolso efetuado, bem como, a real prestação do serviço. Desta forma, voto por manter as glosas de despesas médicas referentes aos estabelecimentos supracitados, bem como, as multas a elas relacionadas. Ano Calendário Razão Social Valor da Glosa Multa 2005 Hospital do Coração Rio Preto Ltda R$ 6.000,00 150% 2006 Hospital do Coração Rio Preto Ltda R$ 8.032,50 150% 2006 Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda R$ 3.000,00 150% Das Despesas com Gilberto Faria A decisão de piso manteve a glosa de despesas de saúde do ano calendário 2006 no valor de R$ 1.750,00 tendo em vista a não comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Em sede de recurso a recorrente apenas reitera os argumentos trazidos na impugnação, sem, contudo apresentar documentação complementar referente à glosa deste profissional. Fl. 165DF CARF MF 14 Neste ponto, considerando que o Recorrente, em sua peça recursal, reiterou os termos da impugnação apresentada, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor no particular, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: Quanto ao tratamento dentário com o Cirurgião Dentista Gilberto Faria e a alegação que pagou em parcelas mensais, totalizando R$ 4.080,00 em 2005 e R$750,00 em 2006, cabe aqui ressaltar que no ano de 2006 a contribuinte declarou uma dedução muito acima do que alegou na defesa: Declarou.... R$ 2.500,00 Alegou R$ 750,00 A contribuinte traz na defesa um quadro demonstrativo dos pagamentos feitos ao cirurgião dentista, fls. 55 e 56, com a indicação do número do cheque, a data de emissão e a data da compensação, traz novamente na defesa os recibos as fls. 57 a 63, juntamente com o extrato bancário e canhotos de cheques, fls. 68 a 130. Confrontando os extratos com os recibos e canhotos de cheques a contribuinte comprovou as despesas odontológicas por meio dos documentos trazidos. Para o ano de 2005 o total de R$ 4.080,00 e para o Ano de 2006 o total de R$ 750,00. Portanto a contribuinte não comprovou a dedução de despesas odontológicas para o profissional Gilberto Faria, ano de 2006, no valor de R$ 1.750,00. Plano de Saúde Unimed Quanto às despesas declaradas no ano de 2005 para UNIMED DO ESTADO DE SÃO PAULO APEOESP no valor de R$ 2.450,52 a contribuinte traz, somente em sede de impugnação, um manual do beneficiário APEOESP UNIMED, uma cópia do cartão Unimed, e os extratos bancários que comprovariam o pagamento via débito o valor de R$ 2.247,22. (fls 66 a 132) A decisão de piso optou por manter as glosas efetuadas, sob os seguintes argumentos: Acontece que no extrato bancário consta um débito em conta corrente com um histórico de pagamentos a "clube/asso" , que não se sabe se realmente é para o plano de saúde ou para um tipo de clube ou associação. Ademais o pagamento descontado em fevereiro de 2005 foi no dia 4, ou seja, diferentemente do que consta no manual, que os pagamentos seriam descontados no 5° dia útil. Outro ponto que analisei foi o valor total desses descontos no montante de R$ 2.217,22 pelos extratos e a contribuinte declarou em sua DIRPF um valor de R$ 2.450,52, portanto uma diferença declarada a maior no valor de R$ 203,30. Estranhamente no ano seguinte, ano calendário 2006, a contribuinte declarou o Plano de Saúde, porém declarou também Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 159 15 que foi reembolsada pelo valor total, entretanto nos extratos bancários, especificamente fls. 119, 123 e 127, trazidos pela própria contribuinte para o ano de 2006, os débitos em conta corrente continuam sendo feitos com o Mesmo histórico anterior (clubes/associações), portanto diante dessa análise minuciosa, estou convicto que a contribuinte não fez comprovação das despesas com o plano de saúde, conforme declarado para o ano calendário 2005. Diante do resultado do julgamento da primeira instância, para melhor comprovação do alegado, a recorrente apresenta, em sede de recurso de voluntário, Informe de Rendimentos Financeiros, emitido pelo SINDICATO DOS PROFESSORES DO ENSINO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO (fl.149), que assim declara: Informamos que durante o ano de 2005 V.Sa. recolheu à UNIMED DO ESTADO DE SÃO PAULO FEDERAÇÃO ESTADUAL DAS COOPERATIVAS MÉDICAS, inscrita no CNPJ/MF 43.643.139/000166, através da APEOESP Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a quantia abaixo mencionada. Estes valores são destinados à manutenção de sua adesão ao Plano de Saúde coletivo estipulado junto à UNIMED DO ESTADO DE SÃO PAULO FEDERAÇÃO ESTADUAL DAS COOPERATIVAS MÉDICAS, intermediado pela APEOESP Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. · Janeiro: 181,98 · Fevereiro: 181,98 · Março: 181,98 · Abril: 181,98 · Maio: 181,98 · Junho: 181,98 · Julho: 181,98 · Agosto: 181,98 · Setembro: 181,98 · Outubro: 181,98 · Novembro: 202,23 · Dezembro: 202,23 TOTAL 2.224,26 Em análise detalhada do procedimento fiscal e das provas carreadas aos autos, considero que a recorrente trouxe elementos de prova suficientes da efetividade da prestação do serviço, bem como, fez prova do pagamento efetuado. Fl. 167DF CARF MF 16 Sobre o assunto em comento, colaciono alguns julgados do CARF: Acórdão nº 2002000.214 – Turma Extraordinária / 2ª Turma DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser cancelada a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos suprem a irregularidade apontada na decisão de primeira instância. Acórdão nº 2101001.308 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nesse caso, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Apesar da comprovação do pagamento, por meio de cheque ou de saque com valor e data compatíveis, ser a melhor forma de prova, ela não é a única possível. No caso, o conjunto probatório, composto pelos recibos, declaração da profissional, fichas clínicas, motivação do lançamento, respostas do contribuinte, e pelo valor significativo das receitas auferidas frente às despesas glosadas, foi suficientemente forte para comprovar a prestação dos serviços e a efetividade do pagamento. Recurso Voluntário Provido. Assim, diante do conjunto probatório constante dos autos, julgo comprovada a despesa com o plano de saúde UNIMED anocalendário 2005 no valor de R$. 2.224,26, e, mantida a glosa do valor não comprovado de R$ 226,26 com a multa correspondente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, para excluir a glosa referente ao plano de saúde UNIMED no valor de R$ 2.224,26. Ficam mantidas as deduções abaixo descritas e as multas correspondentes. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16004.001604/201053 Acórdão n.º 2003000.028 S2C0T3 Fl. 160 17 Ano Calendário Razão Social Valor da Glosa 2005 Hospital do Coração Rio Preto Ltda R$ 6.000,00 2006 Hospital do Coração Rio Preto Ltda R$ 8.032,50 2006 Equipamentos Cardiovasculares Rio Preto Ltda R$ 3.000,00 2005 Confederação das Unimeds do Estado de São Paulo R$ 226,26 2006 Gilberto Faria R$ 1.750,00 É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.011118/2002-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
MAJORAÇÕES DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Face aos elementos constantes dos autos é de se manter as referidas majorações efetuadas no lançamento, acatadas. inclusive, pela contribuinte.
GLOSA DA DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, desde que devidamente comprovadas, as despesas de custeio pagas, escrituradas em livro caixa, necess.írias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2402-007.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento as despesas relacionadas na tabela que segue no voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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Face aos elementos constantes dos autos é de se manter as referidas majorações efetuadas no lançamento, acatadas. inclusive, pela contribuinte. GLOSA DA DEDUÇÃO DE LIVRO CAIXA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, desde que devidamente comprovadas, as despesas de custeio pagas, escrituradas em livro caixa, necess.írias à percepção da receita e à manutenção da fonte • produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento as despesas relacionadas na tabela que segue no voto da Relatora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 11 18 /2 00 2- 08 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13807.011118/200208 Acórdão n.º 2402007.056 S2C4T2 Fl. 215 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1715.749 da DRJ/SPOII com o seguinte dispositivo: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os julgadores da Sexta Turma da DRJSPOII por unanimidade de votos, JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Destacamos) O lançamento, relativo a imposto de renda da pessoa física do exercício 2000, anocalendário 1999, majorou os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, alterandoos de R$ 62.227,91 (fls. 33, 34, 44, 45 e 48) para R$ 79.658,90 (fls. 5, 31 e 32) e a dedução do imposto de renda retido na fonte, alterandoa de R$ 7.246,50 (fls. 33, 34, 44, 45 e 48) para R$ 8.333.40, bem corno glosou a dedução de livro caixa, na quantia de R$ 77.842,10 (fls. 30 a 34, 45 e 48), apurando, ao final, imposto a pagar de R$ 2.306,97, imposto suplementar de R$ 25.113,20, multa de oficio de R$ 18.834,90 e juros de mora de R$ 9.422,47, calculados até agosto de 2002. Conforme já registrado no relatório da decisão recorrida: 3. Na peça impugnatória apresentada, a recorrente contesta a glosa da dedução de livro caixa, acatando, porém, de forma expressa, a retificação dos valores dos rendimentos percebidos de pessoas jurídicas. Para embasar seu pleito, anexa os documentos de fls. 10 a 23. 4. A fim de instruir o presente processo e propiciar as condições necessárias ao seu julgamento, a Autoridade Julgadora, por intermédio do despacho de fls. 35, requisitou à DICAT/DERAT/SP que intimasse a contribuinte, no sentido de que ela apresentasse comprovantes das despesas escrituradas em livro caixa no anocalendário 1.999, bem como cópia da declaração de ajuste anual do IRPF/2.000. Em função do requisitado, foram carreados aos autos os documentos de fls. 39 a 106. Em seu recurso voluntário, a recorrente mantém os mesmos argumentos constantes de sua impugnação, adicionando documentos probatórios. Dispensado o recurso de ofício. Sem contrarrazões. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13807.011118/200208 Acórdão n.º 2402007.056 S2C4T2 Fl. 216 3 É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora O recurso voluntário é tempestivo e foram preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. O recurso voluntário busca obter nova análise quanto as provas de despesas registradas em livrocaixa não acatadas pelos julgadores de primeira instância. Conforme consta do recurso voluntário. No curso da fiscalização foi requerido que a Contribuinte apresentasse documentação que comprovasse efetivamente as despesas dedutíveis lançadas no Livro Caixa para o exercício de 1999. Segundo se verifica do texto da própria decisão apenas os valores referentes à SABESP (R$ 307,42), Previdência Social (R$ 1.215,49), assessoria contábil (R$ 1.206,00), Eletropaulo (R$ 737,80), aluguel (R$ 18.726,47) e contas telefônicas (R$ 2.747,00), totalizando R$ 24.940,18, foram considerados como comprovados. E, um único recibo (doc. 02, em anexo), foi dado com inábil para comprovar o pagamento a que se referia — in casu, tratavase do pagamento do IPTU/98 (cota única) no valor de R$ 2.000,00 e da Primeira Parcela do IPTU/99 do imóvel alugado — por entender a fiscalização que consistia em "um mero recibo firmado por terceiro" (sic) e que "não menciona o imóvel a que se referia as despesas de IPTU" (sic). Quanto aos demais comprovantes das despesas dedutíveis do Livro Caixa nada foi dito de modo a inviabilizálos e, via de conseqüência, não se pode aceitar sua glosa imotivada! Nesse sentido, pede que sejam considerados válidos os seguintes documentos: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13807.011118/200208 Acórdão n.º 2402007.056 S2C4T2 Fl. 217 4 Ante as razões recursais, entendemos que os documentos em questão devem ser novamente analisados. IPTU/98 (cota única) + 1ª parcela IPTU 99 (fls. 76) Sobre essa despesa, a decisão recorrida assim se manifestou: O documento de fl. 76, por sua vez, consistente em mero recibo firmado por terceiro, não é hábil para comprovar pagamentos de 1PTU. Além disso, o citado recibo não menciona o imóvel a que se referiria as despesas de 1PTU ali discriminadas (R$ 2.000 e R$ 159,15), o que inviabiliza, por completo, a comprovação da necessidade de realização dessas despesas para o exercício da atividade profissional da contribuinte. Analisando o referido documento, verificase que não se trata de entendimento quanto a indedutibilidade da despesa, mas de inabilidade do documento para provar do que alega se tratar. O documento está nominado como protocolo (fls. 88), contendo informações de se tratar de recibo, mas a pessoa que o recebe não está devidamente identificada, tampouco a relação dela com a despesa de IPTU que foi informada. Por derradeiro, o valor fechado de R$ 2.000,00 para o IPTU é algo bastante incomum. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13807.011118/200208 Acórdão n.º 2402007.056 S2C4T2 Fl. 218 5 A recorrente não apresentou novos documentos que comprovassem essa despesa e sem a prova de seu real valor, entendemos não ser possível reconhecer a despesa em questão. Colocação de Pias determinadas pelo Ministério da Saúde e Material de Construção (reforma e adaptação do imóvel) Em que pese a descrição quanto a exigência de instalação de pia para funcionamento, não restou clara a relação da recorrente com o imóvel, pois caso seja de sua propriedade, os dispêndios com reparos, conservação e recuperação do imóvel seriam indedutíveis, conforme Parecer Normativo CST nº 60, de 20 de junho de 1978, razão pela qual deve ser mantida a glosa. Material de Escritório e Água Mineral As despesas com aquisição de água mineral (fls. 172/174) não possuem nota fiscal, sendo registradas em meros recibos de papelaria. Tratandose de mercadoria, o documento hábil e idôneo para dar suporte à operação seria o cupom fiscal ou nota fiscal, razão pela qual não é possível acolher a pretensão da recorrente quanto à dedução das despesas com água mineral. Já as despesas com materiais de escritório, a recorrente anexa várias notas fiscais a partir de fls. 185 e seguintes que, em tese, as suportariam. No entanto, à exceção das notas de fls. 190 e 201, indicadas como "Bossa" e "Sra. Nádia", nos valores de R$ 249,00 e de R$ 125,00, os demais recibos não indicam o nome do cliente, razão pela qual não podem ser considerados. Correios e Sistema de PAGER (empresa Conectel) Igualmente ocorre no que diz respeito às despesas de correio e com serviços de pager, muito comuns entre profissionais de saúde, em que a recorrente anexa aos autos diversos recibos. No entanto, apenas os recibos da ECT de fls. 156 e 157, nos valores de R$ 4,50 e R$ 0,95, a identificam como cliente. Os recibos da empresa CONECTEL, por seu turno, não detalham os serviços prestados. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13807.011118/200208 Acórdão n.º 2402007.056 S2C4T2 Fl. 219 6 Livros Científicos, Revista Veja Conforme fundamentos expostos no Parecer Normativo CST nº 60, de 20 de junho de 1978, as despesas com aquisição de livros, jornais, revistas, roupas especiais etc., caso o profissional exerça funções e atribuições que o obriguem a comprar roupas especiais e publicações necessárias ao desempenho de suas funções, são dedutíveis No entanto, os recibos relativos à revista Veja de fls. 162 não dizem de quem se trata o respectivo assinante. Já os recibos de livrarias, anexados a fls. 176 a 178, não indicam a recorrente como cliente. Contribuição a associação brasileira de piscopedagogia. Essas contribuições são dedutíveis desde que a participação nas entidades seja necessária à percepção do rendimento e as despesas estejam comprovadas com documentação hábil e idônea e escrituradas em livrocaixa. O recibo de fls. 174 demonstra o pagamento a tal entidade, razão pela qual deve ser acatada tal despesa. Folha de pagamento e Serviços de Vigilância e Sistema de Alarme. O profissional autônomo pode deduzir no livrocaixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, conforme Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979. No que concerne aos serviços de vigilância e alarme, naturalmente têm a função de manter a unidade produtora segura. No entanto, o endereço constante dos recibos de fls. 166/168 não confere com o endereço do Termo do Abertura do Livro Caixa, razão pela qual não podem ser acatados. Quanto aos empregados, não é possível compreender o racional adotado na decisão recorrida, uma vez que admite despesas relativas às contribuições previdenciárias e ao FGTS, mas não à folha de pagamento. Ademais, não identificamos comprovantes de pagamento de salários dentre a documentação anexada aos autos. Assim, não assiste razão à recorrente nesses pontos. Leasing Máquina de Xerox Os gastos com arrendamento mercantil, o chamado leasing, são indedutíveis, conforme previsto no art. 34 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que veda a dedução dessas despesas, não sendo possível acolher o recurso neste ponto. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13807.011118/200208 Acórdão n.º 2402007.056 S2C4T2 Fl. 220 7 ISSQN Com base na Solução de Consulta Cosit 20/2017, o imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS) pago pelo contribuinte ou retido pela fonte pagadora em razão da prestação de serviços na qualidade de autônomo (sem vínculo empregatício), pode ser escriturado no livro caixa como despesa de custeio necessária à percepção do respectivo rendimento bruto, razão pela qual deve ser acolhida a tese recursal quanto a essa despesa, comprovada mediante recibos anexados a fls. 171/173. Por todo o exposto, entendemos que devem ser excluídas do lançamento as seguintes despesas escrituradas no livro caixa, devidamende comprovadas pelas notas fiscais/recibos identificados em nome da recorrente, conforme acima mencionado, compilados no quadro abaixo: Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as despesas escrituradas no livro caixa comprovadas pelas notas fiscais/recibos identificados em nome da recorrente. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 220DF CARF MF
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