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Numero do processo: 16327.003770/2003-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. LEI 9.430/1996, ART. 10, §1º. CTN, ART. 150, §4º E 173.
Não é conhecido recurso especial se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária. O acórdão recorrido analisou o prazo específico para registro de estorno ou adição ao lucro líquido da perda anteriormente registrada, na hipótese de desistência de cobrança pela via judicial, conforme artigo 10, §1º, da Lei nº 9.430/1996; enquanto os acórdãos paradigmas tratam do prazo decadencial para lançamento, nos termos dos artigos 150, §4º e 173, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à postergação do pagamento do imposto, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e André Mendes de Moura, que conheceram integralmente do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em declarar a perda do objeto do mérito da parte conhecida. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. LEI 9.430/1996, ART. 10, §1º. CTN, ART. 150, §4º E 173. Não é conhecido recurso especial se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária. O acórdão recorrido analisou o prazo específico para registro de estorno ou adição ao lucro líquido da perda anteriormente registrada, na hipótese de desistência de cobrança pela via judicial, conforme artigo 10, §1º, da Lei nº 9.430/1996; enquanto os acórdãos paradigmas tratam do prazo decadencial para lançamento, nos termos dos artigos 150, §4º e 173, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à postergação do pagamento do imposto, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e André Mendes de Moura, que conheceram integralmente do recurso. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em declarar a perda do objeto do mérito da parte conhecida. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 37 70 /2 00 3- 12 Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.924 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida no Acórdão nº 10196.921 (fls. 1.397 e segs.), pela 1ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 19 de setembro de 2008, pelo qual o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. A matéria em debate diz respeito à glosa de despesas relativas ao ano calendário de 1998, deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, cujas infrações podem ser resumidas em três tópicos: a) Falta de comprovação da totalidade dos valores deduzidos do Lucro Líquido, na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, a titulo de perdas em operações de crédito; b) Verificação das condições de dedutibilidade impostas pela legislação fiscal, relativas às perdas nas operações de crédito listadas pelo contribuinte; c) Verificação das condições de dedutibilidade impostas pela legislação fiscal, relativas às perdas listadas em Termo de Intimação Fiscal lavrado em 26/06/2003. Com a ciência da decisão, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 163), em que contestou as três infrações a ele imputadas. A 8a Turma da DRJ/SP, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 871 e seguintes) em que, basicamente, reproduziu os argumentos anteriores de defesa, com base nos seguintes fundamentos: Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.925 3 a) nulidade do auto de infração, por entender que a fiscalização deveria ter empreendido análise exaustiva dos fatos e elementos que influenciaram a apuração do crédito lançado; acresce, ainda, que a nulidade também teria como causa a falta de motivação do ato administrativo; b) ocorrência de postergação de tributo no que tange à infração 2, decorrente de antecipação de aproveitamento de despesa, "vez que as perdas comprovadas com operações de crédito no montante de R$ 30.134.212,40 foram deduzidas antes dos prazos previstos nos incisos II e III do art. 9° da Lei n° 9.430/96, seria de rigor que o tratamento aplicável à hipótese observasse o Parecer Normativo COSIT n° 02/96"; c) necessidade de realização de perícia, face à desconsideração de provas apresentadas ao longo da fiscalização; d) decadência de parte dos lançamentos (até outubro de 1998), pois, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, a análise das perdas registradas até este momento estaria prejudicada, dado que a notificação ao lançamento ocorreu em 17/11/2003; e) que as cessões de crédito foram devidamente comprovadas com a juntada dos respectivos documentos, o que justificaria as perdas referentes à infração 1; f) que as perdas reconhecidas são necessárias, normais e usuais, posto que decorrentes das cessões de crédito; g) que a infração 3 também não pode prosperar, pois foram adotados os ditames previstos no art. 10, da Lei nº 9.430/96. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência as infrações relativas aos itens 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal, em decisão assim ementada: IRPJ ALIENAÇÃO DE TÍTULOS. PREJUÍZOS. Os prejuízos obtidos por instituição financeira, em operação de alienação para outra instituição financeira, ainda que sua controlada, para que possam ser objeto de glosa, esta deve se fundamentar em prova robusta de que a alienação se deu por valor inferior ao de mercado, dela indevidamente se beneficiando a alienante. IRPJ ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inexatidão contábil consistente no reconhecimento de despesas em exercício anterior ao de competência, dá lugar ao tratamento de postergação do imposto. Assim, incabível o lançamento de ofício correspondente a glosa dos dispêndios por desobediência à norma legal conforme previsto no PN CST n° 02/96. IRPJ DESPESAS INCOMPROVADAS. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, toma o pagamento devido. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.926 4 Com a ciência da decisão, a Fazenda Nacional opôs embargos (fls. 1.418), que foram rejeitados, conforme despacho exarado às fls. 1.432. Nesse contexto, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 2.376), em que foram questionados dois pontos, relativos à não ocorrência de decadência e à inexistência de postergação, posto que não restou comprovado o pagamento dos tributos. No que tange à decadência, os argumentos formulados pela Recorrente constam dos excertos a seguir transcritos (destaques no original): Entretanto, equivocouse o i. Relator ao afirmar a ocorrência da decadência, porquanto, a contagem não há de ser do vencimento dos créditos registrados como despesas, mas sim, cinco anos da ocorrência do fato gerador, conforme a legislação em regência e a maciça jurisprudência. Apesar das perdas terem sido registradas nos meses de setembro e outubro de 1998, por antecipação, o fato gerador somente se deu em 31/12/1998. Isso porque, o fato gerador do IRPJ e da CSLL, quando o contribuinte está submetido à apuração do lucro real anual, como no caso dos autos, acontece em 31 de dezembro de cada ano. (...) Em se tratando de apuração do lucro real anual, o fato gerador complexivo do IRPJ, objeto do lançamento, se completa apenas em 31 de dezembro de cada ano calendário. No caso concreto, o fato gerador do IRPJ ocorreu em 31 de dezembro de 1998 e a ciência do Auto de Infração foi dada à recorrente em 17 de novembro de 2003. É de se concluir que no caso presente, o termo inicial para efeito de contagem do prazo extintivo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, ou seja, 01/01/2000, pois, tratandose de fato gerador ocorrido em 31/12/1998, o lançamento somente poderia ter sido efetuado no exercício de 1999. O direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente ao fato gerador em apreço, somente se extinguiria em 01/01/2005. Outrossim, mesmo que se considere que houve recolhimento de tributo e a contagem do prazo decadencial se iniciasse a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, pela aplicação da jurisprudência do STJ, firmada no Resp nº 979.999, a ciência do auto de infração teria ocorrido dentro do quinquênio legal, pois o prazo se iniciaria em 1º de janeiro de 1999 e se encerraria em 31 de dezembro de 2003. Dessa forma, constatase que o entendimento vergastado no acórdão recorrido diverge do posicionamento firmado nos Acórdãos paradigmas nº 1202001.027 e nº 10321.690, quando afasta a data da ocorrência do fato gerador (31/12) e afirma que não teria mais o fisco o direito de questionar as perdas Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.927 5 registradas por antecipação, porquanto já decorridos mais de 05 anos do vencimento dos créditos registrados como perdas/despesas. A segunda divergência diz respeito ao reconhecimento de nulidade do lançamento pela decisão recorrida, que entendeu que a autoridade fiscal não observou os efeitos da postergação do pagamento do imposto. Quanto a este ponto, os argumentos do recurso fazendário são os seguintes (destaques no original): A leitura dos acórdãos paradigmas revela que o regime jurídico da postergação do tributo, aplicável também à hipótese de antecipação de despesas, como é o caso dos autos, requer a comprovação de que o tributo foi efetivamente pago em períodos posteriores, ou que foram desconsideradas as amortizações em tese disponíveis ao contribuinte nos exercícios financeiros subsequentes ao período fiscalizado. Esclarecem, ademais, os relatores dos julgados paradigmáticos que a prova quanto à ocorrência do pagamento incumbe ao contribuinte, a quem aproveita a aplicação das regras da postergação do tributo em substituição às normas sobre omissão de receitas ou de indedutibilidade de despesas. O dissídio jurisprudencial é manifesto ao se observar que e. Câmara a qua, entendeu que, a fiscalização equivocouse ao não considerar o direito de aproveitamento das despesas, tendo em vista que, apesar do registro antecipado a débito do resultado do anocalendário de 1998, as mesmas poderiam ter sido apropriadas nos períodos bases posteriores, considerandose, assim, que teria efetivamente ocorrido a postergação alegada pelo contribuinte, apesar de não ter apresentado qualquer prova do efetivo recolhimento do tributo supostamente postergado para o período subseqüente ao ano calendário objeto da autuação. (...) Alegar a postergação do tributo é, em verdade, alegar que o tributo foi recolhido posteriormente; e que, portanto, o valor exigido no auto de infração seria indevido porque já fora objeto de pagamento. Portanto, para que se acolha o argumento que o tributo foi recolhido de modo postergado, é imprescindível a prova desse recolhimento. No caso em apreço, todavia, o sujeito passivo não se desincumbiu do ônus de comprovar esse fato. Caso sejam mantidas as considerações do r. acórdão recorrido, sem a prova do pagamento extemporâneo, haverá a anulação do lançamento em decorrência da presunção de que o contribuinte pagou a contribuição exigida nos anos posteriores, sem que ele tenha, em momento algum, provado esse recolhimento. O pagamento do tributo não pode ser presumido, mas provado pelo autuado com documentação idônea do efetivo recolhimento Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.928 6 em cumprimento à previsão do art. 16, §4º do Decreto n. 70.235/72. Cabe salientar que o Parecer Normativo n.º 2/96 da COSIT não veicula norma presuntiva de postergação. O citado Parecer afirma que compete à fiscalização efetuar o ajuste na base de cálculo do tributo e passa tratar do modo de efetivação destes ajustes. Devese atentar, todavia, para o fato de que a efetiva ocorrência da postergação constitui suposto do dever de efetuar o ajuste na base de cálculo. (...) Resta claro, pelo exposto, que o Parecer Normativo n.º 2/96 da COSIT trata de estipular procedimentos para a correta apuração do tributo devido, quando houver inexatidão contábil que possa resultar no pagamento a menor do tributo em determinado períodobase, como a antecipação de despesa, com a consequente inobservância do regime de competência. O Parecer não veicula, nem poderia, por absoluta falta de competência, hipótese de presunção de postergação, cuja descaracterização incumbiria ao fiscal autuante. Logicamente, a apuração do tributo devido deverá considerar também um possível recolhimento posterior efetuado pelo sujeito passivo, caso alegada e comprovada. Nesta hipótese deverá exigir apenas a multa e os juros de mora em função do recolhimento fora da data de vencimento. Por outro lado, nos casos em que o recolhimento extemporâneo não ocorre, não há que se falar em postergação, e, portanto, não se afigura a hipótese de incidência da norma insculpida no art. 273 do RIR/99. Logo, sem que exista a prova do recolhimento postergado, resta apenas uma simples alegação que não pode ser considerada para fins de lançamento. Vejase que a consideração de uma possível postergação do tributo devido pelo contribuinte, sem a efetiva prova, seria o mesmo que exonerar um devedor, não porque este recolheu o valor devido, mas em função de uma mera alegação de que o pagamento foi efetuado. Em suma: não há nenhuma dúvida de que a postergação do pagamento do imposto é fato que deve ser observado no lançamento. Porém, a postergação significa o pagamento do imposto em período posterior. Por isso mesmo, tratase de um fato que tem de ser provado pelo devedor. Se houve a postergação, se houve o pagamento posterior do imposto, o contribuinte que sofreu a lavratura do auto de infração é quem deve demonstrar esse fato, mediante a apresentação de prova idônea do recolhimento. (...) Por outro lado, ainda que se entenda caracterizada a postergação, cabe à fiscalização, na execução do acórdão, considerar os valores pagos posteriormente pelo Recorrido. Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.929 7 Ou seja, o fato de a fiscalização não ter atentado para os supostos efeitos da postergação, no caso concreto, não acarretaria equívoco na apuração da base de cálculo do IRPJ, mas a mera necessidade de, ao exigir ao Recorrido o imposto devido, que se leve em consideração os valores pagos em decorrência da postergação. (...) Por último, ainda que este entendimento seja superado, mesmo assim, a autuação não merece ser cancelada, pois não merece guarida a tese de que seria nula a lavratura do auto de infração pela inobservância dos efeitos da alegada postergação. Sobre a nulidade no âmbito administrativo, cabe ressaltar que o Dec. 70.235/72, em seu art. 59, define os atos nulos no âmbito do processo administrativo fiscal, nos seguintes termos: (...) Como foi efetuado por autoridade competente sem a ocorrência da preterição do direito de defesa, o lançamento questionado não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade prevista pela legislação de regência. Logo, a autuação não se reveste de vício com força suficiente para anulála, não havendo, por conseguinte, motivo para cancelála. A mera falta de observância da postergação de pagamento na tributação, com efeito, não tem o condão de anular o lançamento. O recurso especial fazendário foi integralmente admitido pelo despacho de fls. 2.395, que concluiu pela demonstração da divergência jurisprudencial em relação aos dois pontos questionados. O contribuinte teve ciência da decisão e apresentou embargos (fls. 2.414), sob o argumento de que a decisão padeceria de omissão, decorrente da não apreciação de provas relativas à infração 3, única em que restou vencido. Houve, ainda, a juntada de contrarrazões ao recurso fazendário, em que o contribuinte pugna pelo não conhecimento da peça recursal, por entender que os pontos levantados pela recorrente não teriam fundamentado o acórdão guerreado. Alega falta de interesse recursal e, no que tange especificamente ao tema da postergação, ora em debate, aduz que os paradigmas colacionados pela Fazenda Nacional corroborariam a tese de defesa. Os embargos do contribuinte não foram admitidos, conforme despacho de fls. 2.732, o que levou o interessado a apresentar recurso especial (fls. 2.744 e seguintes). Ao recurso especial do contribuinte foi negado seguimento, conforme despacho de fls. 2.839. Conforme petição de fls. 2.852, o contribuinte manifestou desistência parcial em relação à infração 3 do Termo de Verificação Fiscal, por ter aderido aos benefícios do PERT, situação devidamente reconhecida pela Presidência do CARF, nos termos do despacho de fls. 2.903. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.930 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 2.395, e o contribuinte, em contrarrazões, defendeu que este não deve ser conhecido, por não atender aos preceitos regimentais. Inicialmente, convém ressaltar que remanesce em litígio apenas a infração 2 do Termo de Verificação Fiscal, que diz respeito à tese de postergação e foi assim definida: "verificação das condições de dedutibilidade impostas pela legislação fiscal, relativas às perdas nas operações de crédito listadas pelo contribuinte". Isso ocorre porque a infração 1 não foi objeto do recurso fazendário e em relação à infração 3 o contribuinte manifestou desistência parcial para adesão ao PERT. Como se sabe, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Em seu recurso, a Fazenda Nacional defende que não houve a decadência de alguns períodos, conforme reconhecida pelo acórdão recorrido e, ainda, que não se verifica a hipótese de postergação, pois não houve prova do recolhimento posterior do tributo. O contribuinte, por sua vez, em contrarrazões, alega que os temas suscitados pela Fazenda Nacional não serviram de motivação para a decisão, razão pela qual não devem ser conhecidos, inclusive por falta de interesse recursal. Em relação à decadência, verificase que, ao contrário do alegado pelo contribuinte, este foi um dos fundamentos utilizados pelo voto condutor da decisão recorrida para cancelar parte da autuação, referente às perdas contabilizadas nos meses de setembro e outubro de 1998, tendo a Fazenda Nacional indicado dois paradigmas, os acórdãos nº 1202 001.027 e nº 10321.690. No caso dos autos, o voto condutor entendeu, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.430/96, que as perdas de créditos vencidos foram registradas nos meses de setembro e Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.931 9 outubro de 1998 e, assim, não podiam mais ser questionadas ante o decurso de cinco anos até o momento do lançamento, que ocorreu em novembro de 2003, conforme transcrição abaixo: No caso, segundo se depreende do item 02 do Termo de Verificação Fiscal, as perdas foram registradas de créditos já vencidos, nos meses de setembro e outubro de 1998, e não mais poderiam elas ser impugnadas pelo fisco, eis que, quando da lavratura do auto de infração (novembro de 2003), já estavam decorridos mais de cinco anos do vencimentos dos créditos registrados como despesa e objetos da glosa em questão. Assim, consolidouse os registros contábeis relativos àqueles períodos, não mais cabendo questionar as perdas registradas. A Fazenda Nacional, com base nos paradigmas indicados, defende que o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador do tributo, ou seja, 31 de dezembro de 1998, e não da data em que efetuados os registros contábeis. Com efeito, as ementas dos paradigmas já evidenciam o dissídio jurisprudencial quanto a este ponto: Acórdão nº 1202001.027 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. INÍCIO DA CONTAGEM. No caso de IRPJ apurado anualmente, que somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração, o termo de início do lustro decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do anocalendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador para fins de antecipar o início da contagem. Acórdão 10321.690 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, caracterizase a sistemática do denominado lançamento por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do art. 173 do CTN, encontrando respaldo no § 4º do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, III, b, da Constituição Federal. Constatase, portanto, que, de modo diverso àquele consignado pelo voto condutor, os paradigmas entenderam que o marco inicial para a contagem do prazo decadencial deve ser a data de encerramento do período de apuração e não o momento em que efetivados os registros contábeis do custo ou despesa, razão pela qual resta demonstrada a divergência quanto a este ponto do recurso, que deve ser conhecido. Em relação à postergação, o voto condutor da decisão recorrida entendeu que a simples constatação de uma antecipação de despesa seria condição suficiente para a aplicação Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.932 10 do Parecer Normativo nº 02/96, sendo necessário considerar o direito remanescente de aproveitamento das despesas nos períodosbase correspondentes. E, como a fiscalização, no caso dos autos, não efetuou o cálculo da postergação, a exigência deveria ser cancelada. Em sentido diverso, os dois paradigmas indicados (acórdãos nº 10322.446 e 10808.001), ao analisar os mesmos dispositivos legais acerca da postergação do pagamento, entenderam que esta só é possível quando o contribuinte faz prova do efetivo pagamento do tributo, como se extrai das ementas abaixo: Acórdão nº 10322.446 POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE TRIBUTO. A postergação de pagamento de tributo pressupõe a prova do seu efetivo pagamento. Acórdão nº 10808.001 IRPJ CSL ERRO NA DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DE TRIBUTO OCORRÊNCIA. Para ficar caracterizado o erro na determinação do valor tributável no lançamento que glosou a despesa contabilizada antecipadamente, deixando de observar a figura da postergação no pagamento de tributos, deve a empresa comprovar os seus recolhimentos nos períodos seguintes. Não ficando demonstrado que houve efetivamente os pagamentos correspondentes aos montantes devidos, até a data da lavratura do auto de infração, deve ser mantido o lançamento da glosa de despesa, porque a postergação no pagamento de tributos pressupõe estarem presentes as circunstâncias de inobservância do regime de competência e o pagamento do tributo em períodobase posterior. Ressaltese, ainda, que o segundo paradigma (acórdão nº 10808.001, da ementa acima) trata de situação em tudo semelhante à dos autos, na qual se analisou a postergação de pagamento do imposto como decorrência de uma antecipação de despesa. Neste ponto, cabe referir que a leitura do despacho de admissibilidade dos embargos de declaração apresentados pela PFN (efls. 14321434) vem reforçar a divergência verificada, ao deduzir que o próprio racional do voto condutor recorrido indicou a desnecessidade de comprovação da postergação: Prosseguindo, a embargante aponta omissão no julgado acerca do ônus da prova em torno da postergação. Por sua vez, apreciando a segunda infração imputada à contribuinte, o Conselheiro Relator ressaltou que a glosa de perdas no recebimento de créditos integrante de outro item da autuação decorreu da inobservância dos prazos para dedução e concluiu que a antecipação de despesas se submeteria à regência do art. 219 do RIR/94 e às orientações do Parecer Normativo COSIT nº 02/96. Em tais condições, entendeu que cumpriria à Fiscalização tomar as medidas necessárias para a devida aplicação da justiça fiscal, isto é, deve realizar a compensação de prejuízos de ofício, Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.933 11 bem como atender ao PN 02/96. Logo, na medida em que o procedimento fiscal não observou as determinações legais e normativas, firmou o entendimento de que a exigência não poderia ser mantida, pois tal equivaleria a não admitir o aproveitamento de uma despesa legítima no período a que competir, pois a glosa deve ser utilizada somente quando é incabível o seu reconhecimento, em razão da inexistência, da falta de comprovação da mesma, da utilização de documentos inidôneos ou ainda, da desnecessidade da mesma. A condução do julgado, nestes termos, dispensa a necessidade de prova da postergação pelo sujeito passivo, pois imputa à Fiscalização o dever de avaliar seus efeitos e refletilos no lançamento, e não apenas promover a glosa da despesa, procedimento limitado às hipóteses acima transcritas. Inexiste, portanto, a omissão aventada. Diante do exposto, entendo que também restou comprovada a divergência quanto a este ponto, razão pela qual o recurso fazendário deve ser conhecido integralmente. Ocorre que, em votação realizada durante a sessão de julgamento, a maioria do colegiado entendeu por conhecer no tocante à postergação, a partir dos paradigmas apresentados, mas por não conhecer do recurso fazendário no tocante à questão da decadência. Em realidade, o cancelamento determinado pelo acórdão recorrido, de parte da autuação, referese às perdas contabilizadas nos meses de setembro e outubro de 1998, o que corresponde integralmente à infração 2 do Termo de Verificação Fiscal, única infração remanescente em litígio, como já observado inicialmente. Notese que o relator, após registrar a ausência do tratamento de postergação no pagamento do IRPJ e da CSLL, subsidiariamente, afirmou a ocorrência de decadência em relação ao anocalendário de 1998, correspondente à infração 2, conforme trecho a seguir: Esse é o caso dos autos, pois equivocouse a fiscalização, ao não considerar o direito remanescente de aproveitamento das despesas, tendo em vista que, apesar do registro antecipado a débito do resultado do anocalendário de 1998, as mesmas poderiam ter sido apropriadas nos períodosbase posteriores a que competiam, e antes do ano em que ocorreu a ação fiscal (2003). Em outras palavras, deveria a autoridade autuante, ter aplicado o disposto no Parecer Normativo n° 02/96, isto é, dar o tratamento de postergação no pagamento do imposto/ contribuição. Além disso, olvidouse a fiscalização, e também a turma julgadora de primeiro grau, do que dispõe o artigo 10 da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: (...) Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.934 12 § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. No caso, segundo se depreende do item 02 do Termo de Verificação Fiscal, as perdas foram registradas de créditos já vencidos, nos meses de setembro e outubro de 1998, e não mais poderiam elas ser impugnadas pelo fisco, eis que, quando da lavratura do auto de infração (novembro de 2003), já estavam decorridos mais de cinco anos do vencimentos dos créditos registrados como despesa e objetos da glosa em questão. Assim, consolidouse os registros contábeis relativos àqueles períodos, não mais cabendo questionar as perdas registradas. Diante dos fatos expostos, não pode, pois, prevalecer este item da exigência (item 02 do Termo de Verificação Fiscal). (grifou se) Como se nota, de fato, foram dois fundamentos autônomos utilizados pelo relator do acórdão recorrido para afastar a autuação fiscal. Assim, uma vez não conhecida a divergência apontada em relação a tese da decadência e sendo esse argumento autônomo e suficiente para afastar a autuação fiscal, resta prejudicada a análise da matéria postergação, ainda que inicialmente conhecida pelo colegiado. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Voto Vencedor Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao entendimento da D. Relatora, votei em sessão pelo não conhecimento do recurso especial da Procuradoria quanto à decadência, sendo designada para redigir o voto vencedor neste ponto. A Turma a quo entendeu pela improcedência do item 02 do TVF aplicando o artigo 10, §1º, da Lei nº 9.430/1996, conforme trecho do acórdão recorrido: Além disso, olvidouse a fiscalização, e também a turma julgadora de primeiro grau, do que dispõe o artigo 10 da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: (...) §1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 16327.003770/200312 Acórdão n.º 9101003.908 CSRFT1 Fl. 2.935 13 adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. No caso, segundo se depreende do item 02 do Termo de Verificação Fiscal, as perdas foram registradas de créditos já vencidos, nos meses de setembro e outubro de 1998, e não mais poderiam elas ser impugnadas pelo fisco, eis que, quando da lavratura do auto de infração (novembro de 2003), já estavam decorridos mais de cinco anos do vencimentos dos créditos registrados como despesa e objetos da glosa em questão. Assim, consolidouse os registros contábeis relativos àqueles períodos, não mais cabendo questionar as perdas registradas. Diante dos fatos expostos, não pode, pois, prevalecer este item da exigência (item 02 do Termo de Verificação Fiscal). Ao assim decidir, a Turma a quo analisou o prazo específico para registro de estorno ou adição ao lucro líquido da perda registrada, na hipótese de desistência de cobrança pela via judicial. Os acórdãos identificados como paradigmas pela Recorrente (1202001.027 e 10321.690) analisam o prazo decadencial para lançamento tributário, na forma dos artigos 150, §4º e 173, do Código Tributário Nacional. Assim, não há similitude fática, pois o acórdão recorrido trata de registro de estorno ou adição, enquanto o acórdão paradigma trata de lançamento tributário. Não se vislumbra, ainda, divergência da interpretação da lei tributária, afinal, o acórdão recorrido aplica o artigo 10, §1º, da Lei nº 9.430/1996, enquanto os acórdãos paradigmas aplicam os dispositivos do Código Tributário Nacional que regulam o prazo decadencial para lançamento. A distinção entre fatos e normas aplicados por acórdão recorrido e paradigmas justifica a distinta solução jurídica adotada e, assim, impede o conhecimento do recurso especial quanto ao tema decadência. Diante disso, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria quanto à decadência. Acompanho a Relatora quanto a restar prejudicada a análise do segundo tema (postergação). (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2935DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902722/2016-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.580
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 72 2/ 20 16 -0 5 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13851.902722/201605 Resolução nº 3402001.580 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13851.902722/201605 Resolução nº 3402001.580 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13851.902722/201605 Resolução nº 3402001.580 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720329/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam redistribuídos os processos conexos para julgamento em conjunto, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam redistribuídos os processos conexos para julgamento em conjunto, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .7 20 32 9/ 20 08 -9 6 Fl. 374DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 375 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0229.292, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que versa sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação de PIS/Pasep. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase de retorno de diligência decidida, em sessão de julgamento de 29 de fevereiro de 2012, por unanimidade de votos, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a emissão de Resolução 3201000.3212, [...]. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “0 contribuinte acima qualificado apresentou pedido de ressarcimento de créditos de PIS com incidência nãocumulativa (exportação) no montante de R$ [...], relativos ao 1º trimestre de 2004, e utilizado para compensar o(s) débito(s) indicado(s) em declaração(iies) (sic) de compensação, conforme documentos de fls. 01/07. A fiscalização da DRF de origem verificou o direito ao ressarcimento pleiteado e elaborou o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 08/10, que vem acompanhado de demonstrativos e planilhas (fls. 11/21). [...] Em relação aos insumos, não foram consideradas as aquisições de pneus, câmaras, peças e acessórios para veículos próprios ou locados, utilizados no transporte de produtos acabados. Também não foram considerados os insumos adquiridos de pessoa física. Foram objeto de glosa as aquisições de insumos das pessoas jurídicas Adjair Paiva do Nascimento, Crossover Comércio de Metais Ltda., Pentágono Comércio de Ferro e Aço Ltda. e Trapézio Produtos Siderúrgicos Ltda., para as quais o contribuinte não apresentou os documentos que embasassem os lançamentos registrados em seu Livro Diário, ou seja, os efetivos comprovantes de pagamentos. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10665.720329/200896 Resolução nº 3301000.963 S3C3T1 Fl. 376 3 As aquisições glosadas são referentes a notas fiscais consideradas inidôneas por Atos Declaratórios Executivos da RFB e/ou Atos Declaratórios da Secretaria de Estado da Fazenda/MG, que também declararam inaptas tais empresas. Não foram considerados os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos próprios ou alugados, no transporte de produtos acabados, e os gastos com manutenção, reparos e peças de tais veículos (serviços prestados por pessoa jurídica). Foram glosadas as despesas com aluguel de veículos e as despesas lançadas na conta "00223 Serviços Terceiros PJ", por não se tratar de despesas com fretes. Após as deduções das próprias contribuições devidas, foram determinados os valores passíveis de ressarcimento ou compensação. Com base no parecer da autoridade fiscal, decidiu a autoridade jurisdicionante pelo indeferimento do pedido de ressarcimento e pela não homologação das compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório DRF/DIV/Saort, de 08/03/2010 (fl. 23). Irresignado, tendo sido cientificado em 12/03/2010 (fl. 25), o contribuinte apresentou, em 12/04/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 26/33, com os argumentos a seguir sintetizados, fazendo anexar os documentos de fls. 34/46. [...] A DRJ não acolheu as alegações, por unanimidade de votos, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade e mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: [...] Cientificado do referido acórdão em 29 de novembro de 2010, a Ferdil Produtos Metalúrgicos Ltda apresentou recurso voluntário em 20 de dezembro de 2010, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. Tal recurso foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo Fiscal, sendo decidido em sessão de 29 de fevereiro de 2012, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, na forma do voto transcrito abaixo do Conselheiro relator Marcelo Ribeiro Nogueira (grifos e destaques meus): [...] para que a autoridade preparadora informe nos autos quadro comparativo informando as datas das declarações de inidoneidade das pessoas jurídicas Adjair Paiva do Nascimento, Crossover Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10665.720329/200896 Resolução nº 3301000.963 S3C3T1 Fl. 377 4 Comércio de Metais Ltda., Pentágono Comércio de Ferro e Aço Ltda. e Trapézio Produtos Siderúrgicos Ltda e das notas fiscais correspondentes de aquisição de bens e/ou serviços pela recorrente, indicando quais notas foram emitidas antes e depois dos respectivos atos declaratórios e ainda providencie a intimação do recorrente desta decisão, fornecendo cópia do quadro comparativo acima e, para que o mesmo traga aos autos as provas suficientes efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços a que se referem tais notas fiscais, na forma do disposto no parágrafo único do artigo 82 da Lei nº 9.430/96, ou melhor, os documentos que embasam os lançamentos contábeis, além das correspondentes notas fiscais, na forma do artigo 923 do RIR/99, se houver, e a apresentar seus comentários acerca desta prova, no prazo de 30 (trinta) dias. [...] Após o retorno da diligência então determinada, assim se posicionou a resolução da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção, em nova resolução: A recorrente, tendo em vista a conversão do julgamento em diligência e a abertura de vista para cumprimento de procedimentos diversos, expôs, entre outros, a autoridade fazendária não cumpriu com a diligência decidida, apresentando uma simples relação das notas fiscais glosadas, sem informar as datas das declarações de inidoneidade das pessoas jurídicas mencionadas, bem como quais notas foram emitidas antes e quais as notas foram emitidas depois dos respectivos atos. Ademais, ainda traz a recorrente que, além de a autoridade fazendária não cumprir com a determinação do voto, deixando de fazer quadro comparativo com datas das declarações de inidoneidade e indicando quais notas fiscais foram emitidas antes e depois dos respectivos atos, ainda trouxe uma relação de notas que não corresponde exatamente ao presente processo. Ressalta ainda a recorrente que as notas fiscais foram apreendidas pelo Fisco do Estado de Minas Gerais, cabendo à autoridade preparadora solicitálos diretamente a tal órgão, sendo que os documentos que ficaram em poder da recorrente foram apenas os registros contábeis. O que, por conseguinte, requer que seja declarada a nulidade do lançamento. [...] Em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: · Junte aos autos cópia da decisão administrativa definitiva de mérito proferida nos autos do processo nº 10665.000263/2010 39, que contempla a discussão do direito creditório referente aos créditos de PIS e Cofins não cumulativos decorrentes de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10665.720329/200896 Resolução nº 3301000.963 S3C3T1 Fl. 378 5 exportações apurados no ano de 2004. Caso esta ainda não tenha sido proferida, devem os autos aguardar naquela DRFB, até que seja definitivamente decidido, nos autos do referido processo administrativo, a existência, ou não, do crédito pleiteado; · Caso o direito creditório não seja reconhecido ou o seja em parte: elabore quadro comparativo informando as datas das declarações de inidoniedade das pessoas jurídicas Adjair Paiva do Nascimento, Crossover Comércio de Metais Ltda., Pentágono Comércio de Ferro e Aço Ltda. e Trapézio Produtos Siderúrgicos Ltda e das notas fiscais correspondentes de aquisição de bens e/ou serviços pela recorrente, indicando, tal como decidido em Resolução 3201000.312, quais notas foram emitidas antes e depois dos respectivos atos declaratórios; Junte as notas fiscais relacionadas a esse processo, solicitandoas a autoridade fazendária do Estado de Minas Gerais, que as havia apreendido; [...] Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. A fiscalização diligenciada respondeu à demanda. É o relatório. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10665.720329/200896 Resolução nº 3301000.963 S3C3T1 Fl. 379 6 Voto O recurso voluntário apresentado foi dado por tempestivo pela resolução em pauta1. A delegacia de origem, ao atender à última diligência solicitada, esclarece que: o processo administrativo nº 10665.000263/201039 foi enviado ao CARF apenas para subsidiar a análise de outros processos, [...] Ao verificar tal processo, este relator obteve a informação da existência de processos relacionados, em despacho à fl. 637: Em resposta a Resolução n.º 3402000.850 emitida pela Terceira Seção de Julgamento do Conselho de Recursos Fiscais, importante esclarecer que o presente processo é um documento preparatório de análise dos processos anteriormente mencionados: Processos nºs 10665.000226/200874, 10665.000380/200535,10665.720322/200874, 10665.721321/200820, 10665.720330/200811 e 10665.720323/200819. Há ainda, a fl. 639, encaminhamento deste CARF para a vinculação dos ditos processos, o que parece não ter ocorrido. Apenas o processo sob julgamento encontrase distribuído a este relator. Levantou este relator, então o estado atual de tais processos Processo Tributo/período de apuração Último evento 10665.000380/200535 Pis/Pasep/ 4° trimestre de 2004 Recurso Voluntário. (Não distribuído). 10665.720322/200874 Cofins/ 2° trimestre de 2004 Recurso Voluntário. (Não distribuído). 10665.720321/200820 Cofins/ 1° trimestre de 2004 Recurso Voluntário. (Não distribuído). 10665.720330/200811 Pis/Pasep/ 2° trimestre de 2004 Acórdão de Recurso Especial do Contribuinte. 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10665.720329/200896 Resolução nº 3301000.963 S3C3T1 Fl. 380 7 10665.720323/200819 Cofins/ 3° trimestre de 2004 Acórdão de Recurso Especial do Contribuinte. 10665.000226/200563 Cofins/ 4° trimestre de 2004 Acórdão DRJ. Recurso Voluntário. (Não distribuído). O sistema informatizado eProcesso não identificou o processo 10665.000226/200874, sob a informação de que o DV restaria inválido. Não foi localizado processo relativo ao Pis/Pasep/ 3° trimestre de 2004. O presente processo trata de lançamento de Pis/Pasep, com origem no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, de 02 de março de 2010, emitido pelo Saort da DRF/ Divinópolis/MG, (fl. 16 e seguintes), no processo 10665.000236/201039, o qual "foi formalizado para análise dos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de exportações, apurados no ano de 2004", e deu origem ao presente e a todos os demais processos mencionados. Tendo tais processo sido formalizados no curso de um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes tributos e períodos de apuração distintos, são reflexos nos termos do inciso III do § 1º do art. 6º do Regimento Interno deste CARF (RICARF), Portaria MF nº 343/2015. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que seja providenciada a vinculação dos processos constantes da tabela acima exposta (salvo por aqueles dois nos quais já foi exarado Acórdão de Recurso Especial do Contribuinte.) ao presente processo, prevento que é (assim como outros que se verifiquem relativos ao mesmo TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL), e que sejam redistribuídos os processos conexos para julgamento em conjunto, nos termos do inciso § 2° do referido art. 6º do RICARF. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000173/2010-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA.
Por carecer de comprovação o impedimento de acesso aos autos do processo administrativo fiscal, bem como inocorrendo omissão na documentação que se pautou a autuação, é de se constatar que improcede a alegação de cerceamento no direito de defesa, assim como de princípios constitucionais tributários.
OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO FISCAL EFETUADO CONFORME SISTEMÁTICA DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE LIVRO CAIXA EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Aplicamse as disposições da Lei n° 9.317/96, sendo correto o lançamento fiscal efetuado nos moldes do SIMPLES não sendo aplicável o arbitramento do lucro.
Numero da decisão: 1301-003.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Por carecer de comprovação o impedimento de acesso aos autos do processo administrativo fiscal, bem como inocorrendo omissão na documentação que se pautou a autuação, é de se constatar que improcede a alegação de cerceamento no direito de defesa, assim como de princípios constitucionais tributários. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO FISCAL EFETUADO CONFORME SISTEMÁTICA DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE LIVRO CAIXA EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Aplicamse as disposições da Lei n° 9.317/96, sendo correto o lançamento fiscal efetuado nos moldes do SIMPLES não sendo aplicável o arbitramento do lucro.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 411 1 410 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000173/201078 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.476 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente MCB NITEROI COM PAPEIS MAT INF SERV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Por carecer de comprovação o impedimento de acesso aos autos do processo administrativo fiscal, bem como inocorrendo omissão na documentação que se pautou a autuação, é de se constatar que improcede a alegação de cerceamento no direito de defesa, assim como de princípios constitucionais tributários. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO FISCAL EFETUADO CONFORME SISTEMÁTICA DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE LIVRO CAIXA EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Aplicamse as disposições da Lei n° 9.317/96, sendo correto o lançamento fiscal efetuado nos moldes do SIMPLES não sendo aplicável o arbitramento do lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 01 73 /2 01 0- 78 Fl. 411DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15540.000173/201078 Acórdão n.º 1301003.476 S1C3T1 Fl. 412 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o processo dos autos de infração lavrados pela DRF Niterói (RJ), referentes ao anocalendário de 2006, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ (Simples), no valor de R$ 55.496,96 (fls. 5/9 e 32/36; demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta e diferenças apuradas às fls. 15/31; termo de constatação às fls. 10/14), a contribuição para o programa de integração social – Pis (Simples), no valor de R$ 40.719,12 (fls. 37/46), a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL (Simples), no valor de R$ 55.496,96 (fls. 47/56), a contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins (Simples), no valor de R$ 163.295,59 (fls. 57/66), e a contribuição para a seguridade social – INSS (Simples), no valor de R$ 472.512,91 (fls. 67/76), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. 2. Fundamentou a exação: omissões de receitas caracterizadas pela falta de comprovação das origens dos recursos depositados em contas bancárias. 2.1. O interessado foi intimado em 15/1/2010 para comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados nas contas bancárias (fls. 96/116). 2.2 Diante da falta de comprovação dos depósitos bancários, as diferenças entre esses (R$ 6.627.723,20) e a receita informada na declaração do Simples (R$ 1.181.379,65) foi considerada como receita omitida (R$ 5.446.343,55). 2.4. Em decorrência, o interessado foi excluído do Simples por ultrapassar o limite de receitas da legislação, surtindo efeitos a partir de 1/1/2007 (fl. 178). 3. Cientificado das exigências em 6/5/2010, o interessado apresentou a impugnação em 7/6/2010 (fls. 181/190 e documentos de fls. 191/197), na qual alegou, em síntese, que: dentro das receitas informadas na declaração simplificada do anocalendário de 2006, R$ 3.000,00 eram referentes a um contrato de consultoria empresarial, ora juntado; o ato declaratório executivo nº 37, de 38/4/2010, determinou a exclusão do Simples a partir do anocalendário de 2007, motivado por ultrapassar os limites da receita bruta prevista na Lei nº 9.317/1996; O art. 18 da Lei 9.317/96 nos traz que todos os meios previstos para presumir uma omissão de receita serão aceitos, desde que previstos em lei. Mas não traz seus efeitos. O dispositivo legal que trata dos seus efeitos é § 22, do art. 24, da lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, que não está no enquadramento legal do auto de infração do INSS e não pode ser base legal para fatos geradores do ano calendário de 2006; na época do fato gerador não havia previsão legal para casos específicos de omissão de receitas, considerar o valor da receita presumidamente omitida como Fl. 413DF CARF MF 4 base de cálculo para determinação das contribuições previdenciárias. A alteração na redação §2º, do art. 24, da Lei nº 9.249/1995 ocorreu por meio da Lei nº 11.941/2009; se não foi respondida a intimação, poderia ter ocorrido embaraço à fiscalização, afetando os efeitos da exclusão do Simples; segundo o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, é imprescindível a anexação de todos os documentos e a sua desobediência implica a nulidade do auto de infração por desobediência a mandamento legal e cerceamento no direito de defesa; a autuação foi pelo fato da não escrituração no livro caixa de depósitos bancários, presumindose omissão de receita (art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006). Este fato ensejaria a exclusão do Simples a partir do próprio mês em que incorridas (inciso VII do citado artigo), levandose ao arbitramento do lucro; pela metodologia do lucro arbitrado e da contribuição previdenciária calculada sobre as remunerações, o montante seria mais benéfico à empresa. Há que se interpretar a lei na forma mais benéfica, conforme disposto no art. 122 do CTN. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Por carecer de comprovação o impedimento de acesso aos autos do processo administrativo fiscal, bem como inocorrendo omissão na documentação que se pautou a autuação, é de se constatar que improcede a alegação de cerceamento no direito de defesa. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE NÃO PERMITIDA NA LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. ALEGAÇÕES DA PRÓPRIA TORPEZA. Nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interessa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRESUNÇÕES LEGAIS. OMISSÃO DE RECEITA. Todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações dos impostos e contribuições de que trata a lei do Simples são aplicáveis à sistemática do recolhimento simplificado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a se caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15540.000173/201078 Acórdão n.º 1301003.476 S1C3T1 Fl. 413 5 Tratase de presunção legal que, intimado a prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do sujeito passivo. Ciente da decisão em 09 de julho de 2012, a interessada ingressou com recurso voluntário em 07 de agosto de 2012 (fls. 388), repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 415DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Tratase de auto de infração relativo a fatos geradores do ano calendário de 2006 a contribuinte submetido ao sistema SIMPLES (incluindo IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS que, diante da falta de comprovação dos depósitos bancários, as diferenças entre esses (R$ 6.627.723,20) e a receita informada na declaração do Simples (R$ 1.181.379,65) foi considerada como receita omitida (R$ 5.446.343,55). Em decorrência, o interessado foi excluído do Simples por ultrapassar o limite de receitas da legislação, surtindo efeitos a partir de 1/1/2007 (fl. 178). Preliminar Do abuso as normas e princípios constitucionais A Recorrente questiona o abuso a normas e princípios constitucionais, especialmente do princípio da legalidade, irretroatividade e devido processo legal e neste sentido pugna pela nulidade do auto de infração e do ato declaratório executivo que estabeleceu a exclusão do SIMPLES. Em relação a violação ao principio da ampla defesa, entendo que uma vez que houve plenos entendimento do conteúdo da autuação e respectiva peça de defesa, há afastamento do cerceamento de defesa da Recorrente. Defende a Recorrente que à época do fato gerador, não existia legislação que pudesse fundamentar a autuação no âmbito das contribuições previdenciárias no que se refere a omissão de receitas. Entende que a base legal para este tipo de autuação somente passou a integrar o ordenamento jurídico a partir das alterações propostas pela Lei nº 11.941/09 (fruto da conversão da Medida Provisória 449/08) às leis nº 9.249/95 e nº 8.212/91. Decerto que as alterações propostas pela Lei nº 11.941/09 incluíram na legislação do imposto de renda e na legislação da Seguridade Social menção específica a aplicação do instituto da omissão de receitas às contribuições previdenciárias sobre a receita, vejamos: Lei nº 9.249, de 1995 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15540.000173/201078 Acórdão n.º 1301003.476 S1C3T1 Fl. 414 7 § 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Aplicamse às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Desta forma, alega a Recorrente falta de fundamentação legal para a exigência contribuições previdenciárias sobre a receita, incluindo neste sentido argumentos para suposta violação aos demais princípios constitucionais tributários, vejamos um trecho do Recurso Voluntário (fl. 392): Em um primeiro momento, parece ter razão a Recorrente, mas uma leitura mais atenta à legislação aqui envolvida, sobretudo a exposição de motivos da Medida Provisória 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, nos faz entender que estas alterações foram realizadas buscando atingir as empresas que não estavam enquadradas em regime tributário diferenciado como o SIMPLES, apurando os tributos federais pela sistemática padrão (presumido x real), mas somente as contribuições sociais sobre a receita ao invés da sistemática padrão de base de calculo com base na folha de salário. Exposição de Motivos MP 449/08 26. Alterado o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, com o objetivo de fundamentar o lançamento de contribuições previdenciárias, nos casos em que estas incidam sobre a receita da empresa (agronegócios e associações desportivas que mantenham equipes de futebol profissional), quando identificada omissão no registro da receita por parte do sujeito passivo, ou seja, propõese a extensão das presunções legais de omissão de receita à matéria previdenciária (ver ainda redação proposta para o § 7ºdo art. 33). Entendo que desde a criação do regime diferenciado do SIMPLES, Por sua vez, as empresas enquadradas já estavam, por aplicação da legislação subsidiária do imposto de renda, sujeitas às normas de omissão de receitas considerando a menção específica dos arts. 17 e 18 da Lei nº 9.317/96: Art. 17. Competem à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos de conformidade com o SIMPLES. Fl. 417DF CARF MF 8 § 1° Aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES, aplicamse as normas relativas ao imposto de renda. Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Neste sentido, verificase que apesar de haver dentre as normas citadas no Enquadramento Legal das Infrações Apuradas o mencionado art. 24 da Lei 9.249/95, havia, ainda, o artigo 18 da Lei 9317/96 (fl. 172) embasando a fundamentação legal da autuação, vejamos: Desta forma, a alegação de que os efeitos da omissão de receitas somente engloba as contribuições previdenciárias sobre a receita a partir do ano de 2008 para empresas enquadradas no SIMPLES posto que somente neste ano foram propostas as alterações às Lei nº 9.249, de 1995 e Lei 8.212/91, ao meu ver, carece de razão. Sou da opinião, de que a base de cálculo do SIMPLES é única, o que se reparte é o valor recolhido, de forma a atender a destinação da arrecadação, conforme disposições constitucionais. Temos uma base de cálculo e arrecadação única que será repartida para as rubricas orçamentárias dos entes federativos. Por fim, quanto as alegações preliminares restantes da Recorrente, entendo, em linha com o que já decidiu a decisão de primeira instancia, que não à razão para nulidade. Neste sentido reproduzo abaixo trecho do voto condutor da mencionada decisão: 18 Quanto ao argumento do interessado de que teria provocado o embaraço à fiscalização, a questão não encontra amparo nos termos lavrados pela fiscalização. Toda a autuação está pautada nos extratos bancários apresentados pelo interessado. O não atendimento à intimação para comprovar os depósitos bancários, não prejudicou os trabalhos. A fiscalização ao intimar o interessado iniciou o processo de inversão do ônus da prova. Não comprovadas as origens dos créditos bancários, consumouse a inversão do ônus da prova. Isto não caracteriza embaraço à fiscalização, como também não caracteriza a apresentação parcial da escrituração contábil e de seus documentos. 19 No que se refere ao contrato de serviço de consultoria (fls. 193/195) que o interessado teria assinado, com indicação dos valores recebidos listados na impugnação (fl. 189), a alegação e o contrato não são suficientes para comprovar que o serviço foi efetivamente prestado. Ademais, os valores indicados não constam da intimação para comprovação dos depósitos bancários às fls. 111/113. 20 Ainda que tivesse ocorrido embaraço à fiscalização e prática de atividade não permitida para permanência no Simples, como alegado pelo interessado, a ninguém é permitido se beneficiar alegando a própria torpeza (art. 150 do Código Civil). O Código de Processo Penal, no art. 565, é mais claro ao dispor que “Nenhuma das partes poderá argüir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interessa”. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 15540.000173/201078 Acórdão n.º 1301003.476 S1C3T1 Fl. 415 9 21 Concluindo, a autuação e a exclusão do Simples foram procedidas dentro dos termos da legislação tributária e processual, não havendo razão para acatar as razões da impugnação. Mérito Da leitura dos autos verificase que a Recorrente não refuta a omissão de receita, limitandose a atacar o fato do lançamento fiscal ter sido efetuado com base nas regras do SIMPLES, quando deveria o fiscal ter se valido do Lucro Arbitrado. Notase pela leitura do Recurso Voluntário vis a vis os documentos de autuação e decisão de primeira instancia que há uma divergência em relação a premissa em que a empresa autuada foi excluída do SIMPLES e as conseqüências de no que diz respeito a sistemática dos cálculos do indébito ora debatido. De acordo com a Recorrente, o auto de infração foi lavrado por conta da não escrituração no livro caixa de depósitos bancários, o que levou os respectivos valores a serem presumidamente considerados como omissão de receitas. Esta mesma omissão de rendimentos ensejaria, ainda, a exclusão de ofício da empresa do SIMPLES, o que, ao seu ver, deveria ocorrer a partir do mês de ocorrência de tal infração tributária e considerando a sistemática do lucro arbitrado, conforme a nova legislação do Simples (LC 123/06) e aplicação de uma interpretação mais benigna pelo disposto no artigo 106 do CTN. Vejamos trecho do Recurso Voluntário (fl. 399): "O auto de infração em questão (objeto deste recurso) foi exatamente pelo fato da não escrituração no livro caixa de depósitos bancários verificados em ação fiscal (art. 29 LC 123/06), o que foi presumido como omissão de receitas. Segundo o art. 29, incs VIII, da LC 123/06 não restaria duvidas que este fato ensejaria a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL e produziria seus efeitos a partir do próprios mês em que incorridas. Considerando as decisões dos Tribunais incidentes sobre faturamento e lucro (PIS/COFINS/IRPJ/CSLL) desconsiderando a sistemática do SIMPLES, esta seria o LUCRO ARBITRADO Arbitramento dos Lucros." No entanto, ao meu ver temos aqui dois fenômenos, o primeiro que cuida da motivação à exclusão do Simples e o segundo que trata da fundamentação da lavratura do auto de infração, que, diferentemente do que defende o Recorrente, no caso em questão, ao meu ver, são fenômenos distintos, apesar de interligados. Em suas peças de defesa, a Recorrente apresenta argumentos para nulidade de ambos ao atos administrativos conforme fundamentos abaixo analisados em mais detalhes. Ato Declaratório Executivo nulidade A exclusão do Simples da empresa autuada se deu porque a empresa ultrapassou os limites da receita bruta no ano calendário de 2006 conforme descrito no Ato Declaratório Executivo 37/2010 (fl. 178) e não por falta de escrituração do livro caixa como alega, vejamos: Fl. 419DF CARF MF 10 De acordo com a legislação vigente à época, os efeitos de tal ADE se deram a partir do ano calendário seguinte com base n legislação vigente à época e abaixo transcrita: Lei no. 9.3147/96 Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Não vejo qualquer nulidade que pudesse comprometer o ato acima mencionado. De qualquer forma, vejamos a partir de quando se daria a exclusão se fossem aplicados dispositivos da Lei Complementar 123/06: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no Fl. 420DF CARF MF Processo nº 15540.000173/201078 Acórdão n.º 1301003.476 S1C3T1 Fl. 416 11 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) II no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada anocalendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). § 9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no mês subseqüente à ocorrência do excesso, do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12, para todos os efeitos legais, ressalvado o disposto nos §§ 9oA, 10 e 12. § 9oA. Os efeitos da exclusão prevista no § 9o darseão no anocalendário subseqüente se o excesso verificado em relação à receita bruta não for superior a 20% (vinte por cento) do limite referido no inciso II do caput. § 10. A empresa de pequeno porte que no decurso do anocalendário de início de atividade ultrapassar o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2o estará excluída do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, com efeitos retroativos ao início de suas atividades. (...) § 12. A exclusão de que trata o § 10 não retroagirá ao início das atividades se o excesso verificado em relação à receita bruta não for superior a 20% (vinte por cento) do respectivo limite referido naquele parágrafo, hipótese em que os efeitos da exclusão darse ão no anocalendário subsequente. De acordo com as novas regras estabelecidas pela Lei Complementar 123/06, a exclusão se daria a partir do mês subseqüente à ocorrência do excesso exceto se a receita bruta excessiva fosse inferior a 20% do limite anual estabelecido. Considerando que o limite anual para a empresa de pequeno porte é de R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais), o percentual de 20% seria equivalente a R$ 960.000,00 (novecentos e sessenta mil reais). No caso em tela e conforme acima relatado, diante da falta de comprovação dos depósitos bancários, as diferenças entre esses (R$ 6.627.723,20) e a receita informada na declaração do Simples (R$ 1.181.379,65) foi considerada como receita omitida (R$ 5.446.343,55). Sendo assim, a receita bruta excessiva foi de R$ 1.827.723,20, ou seja, acima do limite de 20% mencionado no paragrafo 9oA do artigo 3o da LC 123/06. Desta forma, se a legislação atual fosse aplicada, a empresa estaria enquadrada na hipótese de exclusão artigo 9o da Lei Complementar 123/06, o que na prática ocorreria a partir do mês subseqüente à ocorrência do excesso. Sendo assim, há de fato, conforme apontado pela Recorrente uma diferença entre o momento de exclusão do SIMPLES caso a legislação atual fosse aplicada (ano calendário subseqüente versus mês subseqüente à ocorrência do excesso). Ao que defende a Recorrente, em aplicandose a retroatividade benigna do art. 106 do CTN, caso os efeitos da exclusão fossem suportados no mês subseqüente ao da ocorrência do excesso, a empresa poderia ter parte do auto de infração lavrado de acordo com as regras do lucro arbitrado com base no que dispõe o artigo 24 da Lei 9.249/95. Fl. 421DF CARF MF 12 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Vejamos o que dispõe o artigo 106 e 112 do CTN, que trata da retroatividade benigna do artigo 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação Ao meu entender, o que pretende a Recorrente não se enquadra nos ditames da letra c, inciso II do artigo 106 ou 112 do CTN posto que a utilização da sistemática do lucro arbitrado em detrimento a aplicação das alíquotas do SIMPLES não caracteriza como "penalidade menos severa" ou "interpretação mais favorável". Entendo que alterandose a base de cálculo para que seja calculada conforme a sistemática no lucro arbitrado chegariase indiretamente a uma penalidade mais branda, pois a aplicação das multas punitivas e moratórias são calculadas sobre o valor dos tributos devidos, no entanto, entendo que não é este o objetivo que a letra c, inciso II do artigo 106 ou 112 do CTN pretende alcançar, mas sim uma redução da penalidade em si, em outras palavras, do percentual da penalidade em si, ou , em caso de dúvida, de interpretação mais benéfica, o que não ocorre no caso em discussão. Auto de Infração nulidade De outra sorte, a omissão de rendimentos que apesar de ser justamente relativa aos valores que levaram o limite do SIMPLES a ser ultrapassado e a empresa a ser excluída do tratamento tributário diferenciado, geraram ato administrativo distinto, qual seja, o auto de infração, conforme determina o artigo 18 da Lei 9.317/96. A base de cálculo do Simples é a receita bruta mensal auferida (art. 5º da citada lei). Estabelece o art. 18 que se aplica ao Simples todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações dos impostos e contribuições de que trata a citada lei. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 15540.000173/201078 Acórdão n.º 1301003.476 S1C3T1 Fl. 417 13 Neste sentido, temos a aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96, que instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Ao caso sob exame, o interessado foi intimado e apresentou os extratos de suas contas bancárias. A fiscalização relacionou os depósitos bancários e intimou o interessado para que comprovasse, com documentação hábil e idônea, as origens dos valores. Diante da não comprovação, dos valores depositados, excluíramse as receitas informadas na declaração simplificada, autuandose a diferença como omissão de receita, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, c/c os art. 18 da Lei nº 9.317/1996 e art. 35 da LC nº 123/2006. Portanto, a presunção legal de receita auferida, amparada nos depósitos bancários sem comprovações das origens, pode ser base cálculo do Simples, pois sua previsão está no art. 42 da Lei nº 9430/1996. Por fim, quanto as alegações restantes da Recorrente, entendo, em linha com o que já decidiu a decisão de primeira instancia, que não à razão para provimento do Recurso Voluntário. Neste sentido reproduzo abaixo trecho do voto condutor da mencionada decisão: Como já explanado, a base de cálculo do Simples é única, o que se reparte é o valor recolhido, de forma a atender a destinação da arrecadação, conforme disposições constitucionais. Não se tem um Simples de IRPJ, outro Simples de Pis e assim por diante. Temos uma base de cálculo e arrecadação única que será repartida para as rubricas orçamentárias dos entes federativos. Quanto ao argumento do interessado de que teria provocado o embaraço à fiscalização, a questão não encontra amparo nos termos lavrados pela fiscalização. Toda a autuação está pautada nos extratos bancários apresentados pelo interessado. O não atendimento à intimação para comprovar os depósitos bancários, não prejudicou os trabalhos. A fiscalização ao intimar o interessado iniciou o processo de inversão do ônus da prova. Não comprovadas as origens dos créditos bancários, consumouse a inversão do ônus da prova. Isto não caracteriza embaraço à fiscalização, como também não caracteriza a apresentação parcial da escrituração contábil e de seus documentos. No que se refere ao contrato de serviço de consultoria (fls. 193/195) que o interessado teria assinado, com indicação dos valores recebidos listados na impugnação (fl. 189), a alegação e o contrato não são suficientes para comprovar que o serviço foi efetivamente prestado. Ademais, os valores indicados não constam da intimação para comprovação dos depósitos bancários às fls. 111/113. Fl. 423DF CARF MF 14 Ainda que tivesse ocorrido embaraço à fiscalização e prática de atividade não permitida para permanência no Simples, como alegado pelo interessado, a ninguém é permitido se beneficiar alegando a própria torpeza (art. 150 do Código Civil). O Código de Processo Penal, no art. 565, é mais claro ao dispor que “Nenhuma das partes poderá argüir nulidade a que haja dado causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja observância só à parte contrária interessa”. Concluindo, a autuação e a exclusão do Simples foram procedidas dentro dos termos da legislação tributária e processual, não havendo razão para acatar as razões do Recurso Voluntário. Conclusão Diante de todo o acima exposto, REJEITAR AS PRELIMINARES de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 424DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.901822/2009-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 19228.62279.120905.1.3.04-3449 (e-fls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivando-se cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 19228.62279.120905.1.3.043449 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 49/54) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 01 82 2/ 20 09 -3 0 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 168 2 pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 38/43), proferida em sessão de 16 de abril de 2012, consubstanciada no Acórdão n.º 1437.308, da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/13) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 19228.62279.120905.1.3.043449 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, e homologou parcialmente a compensação declarada, por não reconhecer a totalidade do direito creditório vindicado, afirmando, outrossim, não restar crédito suficiente disponível para compensação integral dos débitos informados no PER/DCOMP, a partir das características do DARF informado pelo contribuinte, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 06/07/2004 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de CSLL reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/07/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do fidedigno relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2484). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, foi reconhecido parcialmente direito creditório a favor da contribuinte, no valor de R$ 57,13, e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi parcialmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “restando saldo disponível inferior Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 169 3 ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 28/04/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 12/13, na qual alega, em síntese: a) no anocalendário de 2004, efetuou recolhimento por estimativa de CSLL, no valor de R$ 10.402,84, conforme cópia de DARF em anexo; b) no fechamento do ano base de 2004, apurouse a CSLL sobre o Lucro Real, no valor de R$ 5.386,69, conforme página 11 da DIPJ/2005, transmitida em 24/04/2009; c) conforme linha 51 da página 16 da DIPJ 2005, recolheu a maior R$ 6.843,32 de CSLL, que conforme legislação vigente à época poderia ser compensado a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; d) ao apurar CSLL com base em balancete de redução nos meses de março/2005, maio/2005 e junho/2005, utilizou o valor constante da letra “c” para compensar parte dos valores devidos nos meses informados; e) ao transmitir as PER/Dcomp n.º 30515.01622.120905.1.3.045512, 19228.62279.120905.1.3.043449, 05840.60194.120905.1.3.047478, em 12/09/2005, e 31818.03072.310507.1.7.049621 (retificadora) em 31/05/2007, para compensar os débitos apurados conforme consta da letra “d”, por desconhecimento informou erroneamente como tipo de crédito: pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria tipo de crédito: saldo negativo de CSLL; f) ao analisar as PER/Dcomp acima, o Auditor Fiscal concluiu que os créditos constantes das PER/Dcomp já tinham sido utilizados para quitação de débitos do anocalendário de 2004, não se atentando que no referido ano foi apurado saldo negativo de CSLL no valor de R$ 5.386,69, valor esse que poderia ser compensado no anoseguinte. Ao final, solicita o cancelamento do débito e a homologação da compensação declarada. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 963,09, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP no montante pleiteado. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento parcialmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não haver crédito suficiente disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi integralmente quitado, isto é, foi compensado apenas parcialmente. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/05/2004 2484 R$ 991,78 06/07/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Valor Original Disponível 4528853468 R$ 991,78 DB: Cód. 2484 PA 31/05/2004 R$ 934,65 R$ 57,13 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 170 4 Valor Total R$ 934,65 R$ 57,13 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 909,55 Multa: R$ 181,91 Juros: R$ 474,14 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae do voto unânime: Conforme relatado, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira (fl. 07) reconheceu parcialmente direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologou até o limite do crédito reconhecido a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado parcialmente para quitação de débitos da contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que por um equívoco informou como origem do crédito pagamento indevido ou a maior de CSLL, quando em realidade a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL. Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), tomada por empréstimo pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, para a pessoa jurídica optante pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do período de apuração anual, proceder ao confronto entre os valores recolhidos por estimativa e o valor devido da CSLL apurada. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: “Apuração Anual do Imposto Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 3.º). (....) Pagamento por Estimativa Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 3.º, parágrafo único). Base de Cálculo Art. 223. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observadas as disposições desta Subseção (Lei n.º 9.249, de 1995, art. 15, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 171 5 (....) Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º). (....) Deduções do Imposto Anual Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 2.º, § 4.º): (....) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230”. Da leitura do texto legal podemos inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230. Conforme legislação acima, a interessada está obrigada, considerando que é optante pelo lucro real, apuração anual, a pagar mensalmente o imposto de renda devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Pode também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, a CSLL apurada deve ser deduzida dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da CSLL devida. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de três premissas: 1.ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2.ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; e 3.ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL e, por conseguinte, o saldo negativo de CSLL. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeita ao regime de apuração do imposto com base no lucro real, esta deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do imposto, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 172 6 nos termos dos artigos 7.º e seu § 4.º, e 8.º, inciso I, ambos do Decreto Lei n.º 1.598, de 1977, in verbis: “Art 7.º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (....) § 4.º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8.º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2.º e 3.º do artigo 6.º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1.º); (....).” Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 9.º, § 1.º)”. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tãosomente alegar que o indébito é proveniente de saldo negativo de CSLL, apuração anual, do anocalendário de 2004, cujas estimativas foram pagas mediante DARF anexados às fls. 21/25 dos autos. Ora, tal qual o pagamento de tributos, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, o pagamento a maior também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 173 7 Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Especialmente, advoga que recolheu por estimativa mensal de CSLL o valor total de R$ 10.402,84, no anocalendário de 2004, o que estaria demonstrado na folha 126 do Balancete de Encerramento na conta do ativo créditos diversos, além dos DARF´s apresentados e listados, sendo que no fechamento do balanço anual a demonstração da CSLL para o lucro real resultou no valor devido de R$ 5.386,70, o que estaria comprovado na DIPJretificadora de 2005 (página 16), transmitida em 24/04/2009, bem como no Balancete de Encerramento e na folha 136 da conta Demonstração de Resultado do Exercício, consubstanciando saldo negativo de CSLL na ordem de R$ 6.843,32. Informa que, por força destes autos, possui processo de controle da cobrança dos valores não extintos pela homologação no Processo Administrativo n.º 10865.902310/200991 (Débito). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído eletronicamente para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Observo, em primeiro momento, a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 905,96. Em análise aos requisitos do Recurso Voluntário interposto observo que ele atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Igualmente, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 25/10/2012, efls. 47/48, protocolo recursal em 22/11/2012, efl. 49), Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 174 8 tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário e passo a apreciálo. Dos Processos em Julgamento Desde logo, consigno que nesta sessão de julgamento estão sendo apreciados outros recursos voluntários do mesmo contribuinte versando sobre a mesma temática (irresignação por não homologação integral de PER/DCOMP, transmitido como sendo de "pagamento indevido ou a maior", mas indicado em recurso que se cuida de "saldo negativo"), sendo integrados pelos seguintes outros Processos Administrativos Fiscais ns.º: (i) 10865.901819/200916, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 06/2004); (ii) 10865.901821/200995, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 07/2004); (iii) 10865.901820/200941, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 05/2004); (iv) 10865.901823/200984, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 10/2004); (v) 10865.901824/200929, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 06/2004); (vi) 10865.901825/200973, relativo ao suposto direito creditório decorrente de IRPJ de 2004 (estimativa recolhida em 09/2004); (vii) 10865.901826/200918, relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 04/2004). Estes autos (10865.901822/200930), como em linhas pretéritas relatado, é relativo ao suposto direito creditório decorrente de CSLL de 2004 (estimativa recolhida em 05/2004). Mérito Considerações introdutórias Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 175 9 compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte, dentro da sistemática processual administrativa fiscal, as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva. De mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade a resolução do litígio. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas, principalmente, postas no Decreto n.º 70.235, de 1972, na Lei n.º 9.430, de 1996 e no Decreto n.º 7.574, de 2011, mas também tem regência complementar pela Lei n.º 9.784, de 1999, assim como pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria e o dever de agir da Administração Pública conforme a boafé objetiva, pautandose na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. Da necessidade de realização de Diligência Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, no qual constou indicação de crédito tendo por natureza suposto "pagamento indevido ou a maior", a Administração Tributária, em Despacho Decisório (DD), não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte destaca que, ao final do exercício, apurou saldo negativo, sendo erro de preenchimento a indicação de pagamento a maior. O recolhimento do referido DARF foi por estimativa mensal em forma de antecipação face ao regime escolhido. A DRJ, em breve síntese, analisando o caso, disse que "a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações do imposto de renda devido." Dessarte, concluiu que o direito creditório, face as provas acostadas aos autos até aquele momento, não restava comprovado, necessitando ser demonstrado os lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do tributo apurado e o saldo negativo formado. Pontuou, inclusive, que o direito creditório vindicado não estava devidamente instruído. No Recurso Voluntário a contribuinte apresentou novos documentos, aliás, extenso rol de documentos relacionados ao direito creditório vindicado (efls. 64/165), consubstanciados nos lançamentos contábeis, apresentando livro diário, balancetes de verificação, balancete de encerramento, apuração de resultado, DIPJ, DARF's de recolhimentos das estimativas, balanço patrimonial e livro de registro de apuração do lucro real. Compulsando os elementos de prova colacionados, ao menos em tese, em verossimilhança (em especial pela análise dos documentos efls. 64/68, 70, 80, 86, 88/89, 158, 164), observo: (i) a constatação dos pagamentos das antecipações; (ii) a oferta à tributação das receitas do sujeito passivo; e (iii) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 176 10 Consta, pelos documentos, que, em tese, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, o contribuinte apurou o lucro líquido do exercício, vindo a elaborar, com observância das disposições da lei comercial, o balanço patrimonial, a demonstração do resultado e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, bem como efetivando transcrição no Livro de Apuração de Lucro Real. Neste diapasão, a escrituração contábil e fiscal, mantida com observância das disposições legais, e não consta que seja inidônea, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o art. 923 do hoje revogado RIR/1999, que é aplicável ao caso em tela por força da máxima tempus regit actum. Contudo, não entendo que o direito creditório ainda esteja plenamente demonstrado, de fato, a título ilustrativo, não consta dos autos informações se o saldo negativo eventualmente já não foi utilizado em outro PER/DCOMP, assim como penso que é importante a verificação da documentação contábil e fiscal pela douta autoridade preparadora, a fim de ser confirmada, inclusive, a idoneidade dos registros. As provas apresentadas pela contribuinte, a despeito de não serem suficientes para comprovar cabalmente o direito creditório, demonstram fortes indícios de que o crédito passível de compensação pode existir. Certamente, o alegado erro de preenchimento, por si só, se estivesse sido mantida a pouca instrução probatória, ensejaria o não provimento de plano do recurso voluntário. Isto porque, não restam dúvidas de que a demonstração do direito creditório ou de sua verossimilhança, a partir da apresentação da escrituração contábil e fiscal, com a evidenciação da composição das estimativas (quer calculadas sobre base de cálculo estimada, quer a partir de balancetes de suspensão ou de redução, com a prova dos recolhimentos realizados ou das retenções suportadas) confrontado com o resultado fiscal apurado ao fim do exercício, a evidenciar o excedente antecipado/retido relativo ao tributo ao final devido, dando azo ao crédito que se convencionou denominar de saldo negativo, integra ônus de prova a ser materializado, inicialmente, pelo contribuinte. De toda sorte, com a nova prova carreada com a irresignação recursal, materializandose a possível existência do indébito, entendo possível analisar o direito creditório, a exemplo da decisão deste Colegiado adotada no Acórdão n.º 1002000.026, de minha relatoria. No entanto, como naquele precedente, o caso passa a exigir realização de diligência. Sendo assim, passo aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela Unidade de Origem. A disciplina legal posta no Decreto n.º 70.235, de 1972, permite, inclusive de ofício, que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, determine a realização de diligência, quando entender necessária para formação da sua livre convicção (arts. 29 e 18). A Lei n.º 13.105, de 2015, impõe as partes o dever de cooperar para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6.º). Por sua vez, a Lei n.º 9.784, de 1999, prevê que o administrado (contribuinte) tem direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente (art. 3.º, III), sendolhe facilitado o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações (art. 3.º, I). Por último, o Egrégio CARF tem entendido que é possível a apresentação de provas, ainda que em sede de Recurso Voluntário, quando vinculadas a matéria controvertida em litígio previamente instaurado (Acórdãos ns.º 9303005.065). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 177 11 Deveras, as novas provas juntadas com o recurso voluntário devem ser analisadas por estarem em sintonia com a matéria controvertida desde o primeiro momento em que o contribuinte se pronunciou nos autos instaurando o litígio, sendo complementar. De mais a mais, importante destacar a premissa em que se lastreou as razões de decidir do supramencionado Acórdão n.º 9303005.065, que é da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Nesse sentido, os documentos apresentados no recurso voluntário devem ser conhecidos e objeto da diligência a ser realizada pela douta autoridade preparadora, a fim de que apure a efetiva suficiência do crédito. A despeito da tese adotada pela DRJ, em homenagem a verdade material, há que se superar o equívoco cometido pelo contribuinte para analisar manualmente o PER/DCOMP deste processo como fundado em crédito de saldo negativo. Compreendase, de toda sorte, que um crédito que tem por natureza jurídica "pagamento indevido ou a maior" tem o seu valor corrigido desde o mês seguinte ao indébito, que se verifica na data da efetivação do pagamento indevido ou a maior, enquanto isso se o crédito tem por natureza jurídica "saldo negativo" a correção monetária se dá a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, os momentos para a atualização do crédito são bem distintos, pois as naturezas jurídicas são diversas, os efeitos jurídicos são distintos. Por conseguinte, doravante, o tratamento da atualização monetária do direito creditório vindicado, se restar cabalmente comprovado, deverá ser com base no momento de incidência de restituição de saldo negativo. Importa anotar, ainda, que, em verossimilhança, resta demonstrado a existência de saldo negativo em favor da recorrente, da qual faz parte a referida estimativa recolhida, conhecendose o caso sob a forma de saldo negativo. O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a possibilidade de analisar o pedido de restituição transmitido como sendo fundamentado em "pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal" como sendo um pedido de restituição fundamentado em "saldo negativo", que é composto pelas estimativas recolhidas e considera o recolhimento a maior delas em comparação com o total do tributo devido encontrado na apuração final do exercício, quando Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 178 12 restar demonstrada a verossimilhança das alegações do recorrente quanto a seu possível direito creditório. Neste caso, prestigiase a verdade material e considerase o erro de fato do contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP, aplicandose o princípio do formalismo moderado no contencioso administrativo fiscal, de toda sorte, dáse o tratamento específico de análise de restituição de saldo negativo, pois contém, especialmente, particularidades quanto ao momento da atualização monetária, como outrora afirmado. Vejase precedentes do Egrégio Conselho, verbo ad verbum: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. PEDIDO CONVOLADO EM COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A demonstração de certeza e liquidez quanto à existência de saldo negativo de IRPJ ao final do exercício, por meio de documentos hábeis e idôneos, autoriza a contribuinte a compensar o respectivo valor, ainda que o pedido formulado tenha se referido à pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. (Acórdão 1302003.171) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. TRANSFORMAÇÃO DO PLEITO ORIGINAL BASEADO EM PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM OUTRO, COM FUNDAMENTO NO SALDO NEGATIVO DO PERÍODO. POSSIBILIDADE. Reconhecese a possibilidade de transformar o pleito do contribuinte, baseado em pagamento indevido ou a maior de estimativa, em outro, com fundamento no saldo negativo do período, (...). (Acórdão 1301003.324) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO. INDICAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF NO LUGAR DE SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido o pedido de restituição e de compensação de forma incorreta, indicando como crédito IRRF quando o correto seria saldo negativo de IRPJ, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora. (...). (Acórdão 1201001.344) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 179 13 Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, (...). (Acórdão 1301003.599) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação. Recurso Voluntário em Parte. (Acórdão 1402001.667) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. (...). (Acórdão 1102001.125) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 180 14 O que especialmente se extrai do entendimento colegiado do Colendo CARF é que havendo erro na declaração a autoridade administrativa deveria retificálo, inclusive, de ofício, em virtude do quanto disposto no § 2.º do art. 147 do Código Tributário Nacional CTN. Afinal, os elementos nos autos indicam que o conteúdo do crédito pretendido é de saldo negativo. O erro é facilmente constatável diante do conjunto probatório e com a apresentação de argumentos e provas convincentes, pelo contribuinte, quanto a verdadeira natureza do direito creditório vindicado, pelo que devese analisar o pedido com fundamento no direito creditório efetivamente intencionado pelo recorrente, especialmente em homenagem ao princípio da verdade material, da eficiência, da economia processual, da razoável duração do processo e da satisfatividade na resolução do litígio, ainda que se possa, após diligência, ser negado o direito creditório do contribuinte, importando, nesta hipótese, que terá sido analisada a pretendida restituição do alegado crédito efetivamente pretendido. Além do mais, tãosomente com a efetiva análise documental, após exauriente verificação pela douta autoridade preparadora, terseá condições de se decidir, com base nas provas colacionadas e no relatório de diligência a ser exarado, acerca do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, outorgandolhe ou não o pretendido direito vindicado nestes autos. Por ora, os elementos dos autos apenas apontam uma verossimilhança nas alegações, prescindindo de confirmação. Alinhome, outrossim, ao entendimento de que a diligência objetiva garantir o amplo exaurimento da análise da materialidade das provas constantes do processo em busca da verdade material, bem como o exaurimento da situação que dá direito efetivo ao crédito. Anotese, igualmente, que, o direito creditório só deve ser negado quando for constatado: (i) a sua efetiva não comprovação, seja porque a documentação é realmente insuficiente para materializar o crédito, seja porque é inidônea ou contraditória ou, simplesmente, por não ter aptidão para atestar a certeza e liquidez do crédito; (ii) a decadência do direito de postular a restituição/ressarcimento; e (iii) se o montante a restituir/ressarcir já tiver sido utilizado, inclusive em outra compensação. Destarte, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Somente diante da comprovação, pela autoridade fiscal, de uma dessas três hipóteses acima apontadas é que o direito creditório não deve ser reconhecido. Procedimentos para efetivação da Diligência Para tanto, na diligência deverá a douta autoridade preparadora: a) Informar se houveram declarações retificadoras relativas ao anocalendário de 2004 e quais constam como aceitas ou rejeitadas na base de dados da SRFB, indicando a que prevaleceu, especialmente quanto a DIPJ, as DCTF´s, o DACON, o LALUR, devendo juntar a cópia integral da versão final ao processo, se ainda não constar dos autos, ou intimar o recorrente a apresentálas, na hipótese de inexistência ou não localização destas declarações na base de dados; b) Verificar, a partir dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal no Brasil (SRFB) e com base na escrita contábil e fiscal incluída nos autos, além de outras que possa requisitar, se o contribuinte efetivamente apurou saldo negativo, inclusive verificando se realmente os pagamentos de estimativas estão registrados nos sistemas Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10865.901822/200930 Resolução nº 1002000.051 S1C0T2 Fl. 181 15 informatizados, verificando, ainda, se esse saldo negativo já não foi objeto de compensação ou de restituição em outro PER/DCOMP ou se não existem outros pedidos de compensação relativos a totalidade do montante do saldo negativo de 2004 pleiteado pela recorrente, considerando, inclusive, os processos anexos, de modo a realizar a diligência do presente feito em conjunto com a dos processos administrativos citados anteriormente e outros porventura existentes relativos ao anocalendário de 2004, efetivando o cotejamento necessário para atestar suficiência ao crédito vindicado, procedendo à análise para fins de verificação do crédito, considerandose, inclusive, homologação já efetivada. Em caso de dúvidas quanto à exatidão de informações prestadas pela contribuinte, a autoridade fiscal deve intimar a recorrente para prestar esclarecimentos complementares acerca do PER/DCOMP em análise, inclusive, como já registrado, podendo requisitar a apresentação de cópia de eventual escrituração contábilfiscal que entenda necessária a verificação da comprovação e suficiência do crédito vindicado. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2004, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 19228.62279.120905.1.3.043449 (efls. 02/06), transmitido em 12/09/2005, efetivandose cálculo de atualização monetária do direito creditório na forma própria para saldo negativo. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, demais disto, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado destas conclusões, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Posteriormente, retornemse os autos ao Egrégio CARF para julgamento. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.944979/2013-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da Cofins, cumulado com compensação de débitos próprios, com origem no 1º trimestre de 2012. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito da Cofins não cumulativa, decorrente de receitas de mercado externo, referente ao primeiro trimestre de 2012. O pedido foi indeferido e não foram homologadas as compensações vinculadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 97 9/ 20 13 -4 8 Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.411 2 Consta que o crédito foi analisado no âmbito do procedimento fiscal que teve por objeto a análise dos pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER) de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativos mercado interno e exportação do período compreendido entre o 1º e o 4º trimestre de 2012. Os pedidos eletrônicos de ressarcimento dos créditos desse período são tratados nos processos que seguem listados: (...) Do Relatório Fiscal Consta que a interessada, intimada para tanto, apresentou os seguintes documentos: memoriais descritivos de cálculo dos créditos pleiteados, listagem de todos os insumos utilizados na industrialização, listagem de todos os produtos vendidos. Também foi solicitado, e apresentado: a descrição de quais dos serviços prestados por terceiros são utilizados diretamente no processo produtivo da empresa e diversas notas fiscais de energia elétrica e conhecimentos de transporte para confirmação das informações constantes dos memoriais de cálculo apresentados. A partir da análise dos documentos apresentados, a Fiscalização procedeu às alterações e glosas de créditos que segue: 1. Bens e serviços utilizados como insumos: As glosas referemse a: 1.1. aquisições de Sebo Bovino (NCM 1502.10.11); 1.2. itens sem a descrição do produto e do número da NCM; 1.3. aquisições realizadas sem incidência da contribuição; 1.4. aquisição de bois; 1.5. aquisição de fertilizantes; 1.6. aquisição de materiais que não integram o processo produtivo da empresa. 2. Serviços utilizados como insumos Foram glosados os valores de: 2.1. serviços que não são diretamente utilizados no processo produtivo da empresa; 2.2. aluguéis de máquinas; 2.3. despesas de armazenagem: os valores foram levados à linha certa do Dacon pela fiscalização e foram mantidas apenas os valores pagos a empresas que prestavam o serviço de armazenagem na operação de venda da empresa. 3. Bens utilizados como insumos – Importação Foram glosadas as diferenças verificadas entre operações constantes da planilha apresentada pela fiscalizada com a planilha com as informações contidas nos sistemas de controle de importações da RFB. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.412 3 4. Crédito presumido das atividades agroindustriais Os valores do crédito presumido foram apurados considerando os requisitos que seguem: 4.1. Aquisições de soja (NCM 12.01) destinada a industrialização de produtos destinados à alimentação humana ou animal: 50% da alíquota original da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; 4.2. Aquisição de soja destina a produção de farelo de soja (NCM 23.04): 50% da alíquota original do PIS e da Cofins; 4.3. Aquisição de sebo bovino (NCM 1502.00.12): com base no art. 34º da Lei 12.058/2009, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010, aplicandose o percentual de 40% da alíquota original do PIS e da Cofins sobre o valor das aquisições; 4.4. Aquisições de soja (NCM 12.01) destinada à produção de biodiesel: art. 47 da Lei nº 12.546/2011. 5. Bens para revenda Foram glosados os valores: 5.1. das aquisições de fertilizantes classificados no capítulo 31 da NCM e de calcário agrícola classificado no capítulo 25 da NCM; 5.2. das aquisições feitas com isenção, suspensão ou eram sujeitas à alíquota zero da contribuição; 5.3. das aquisições de sucata. 6. Crédito com base nas despesas de armazenagem e fretes na operação de venda Foram glosados os valores: 6.1. das operações que estavam classificadas como “frete entradas – PJ”, pois se tratavam de despesa de frete na compra de insumo. 6.2. das operações que não continham nenhuma descrição na coluna “descrição material”, pois nesse caso não foi possível apurar a que tipo de operação esse frete estaria vinculado. 7. Crédito com base no valor da depreciação dos bens do ativo imobilizado As glosas referese a: 7.1. aquisições que o contribuinte tinha definido na coluna denominada “Aplicação” como “outras atividades” pois esses bens não são utilizados no processo produtivo da empresa; 7.2. outros bens que apesar de classificados como destinados a industrialização, não poderiam ser enquadrados dessa forma; 7.3. materiais de construção listados, tais como areia, argamassa, cimento, ferro de construção, tubo de concreto, dentre outros, tendo em Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.413 4 vista que a lei só permite a apuração de crédito pelo valor de aquisição de máquinas e equipamentos; 7.4. alteração nas parcelas demonstradas pelo contribuinte, pois, de acordo com a legislação, o contribuinte poderia utilizar o crédito em seu montante integral a partir de julho/2012 e, no período anterior a isso, a utilização seria escalonada em parcelas, de acordo com a data de compra do bem; 7.5. Ajuste na planilha da interessada, pois em alguns casos, esta estava se aproveitando de 13 parcelas, ao invés de 12. 8. Crédito com base no valor de aquisição dos bens do ativo imobilizado – Importados Esse crédito informada no Dacon foi glosado tendo em vista que o próprio contribuinte informa que não houve importação de ativos no período 9. Ajustes positivos de créditos Foram glosados os valores de R$2.446.260,50 de Cofins e de R$ 535.438,13 de PIS, lançados no mês de dezembro/2012 a titulo de ajustes positivos de créditos. Foram glosados pois se encontram em discussão por meio do auto de infração, não é possível que também sejam pleiteados como crédito de PIS e de Cofins não cumulativos, tendo em vista que além de não terem sido gerados em Dezembro/2012, ainda não são líquidos e certos. E além disso, ainda que fossem líquidos e certos, eles não poderiam ser reconhecidos no mês de dezembro/2012, pois se referem a operações ocorridas em outro período de apuração. Da Manifestação de Inconformidade A interessada, preliminarmente, alega que as planilhas elaboradas pelo AFRFB contêm erros graves de alocação dos créditos, razão pela qual defende a necessidade de revisão e apuração dos bens utilizados como insumos, para o devido ajuste dos créditos apurados segundo o parâmetro legal, ou seja, observando a competência mensal. Na sequência passa a contestar as glosas, em tópicos como segue. i) Da Incorreção Da Glosa Relativa Aos Bens Utilizados Como Insumos Contesta a glosa dos seguintes itens: Ácido Sulfúrico, Bagaço De Cana, Banha Suína, Carvão Mineral, Glp, LatasMaterial De Embalagem, Óleo De Soja Degomado, Óleo Misto Para Biodiesel, Resíduos De Lenha E Soda Cáustica. Segundo alega, esses bens, à exceção do GLP, teriam sido glosados com a justificativa de consistir de "Aquisição efetuada com isenção, suspensão ou sujeita à alíquota zero das contribuições para o PIS e a COFINS, como confirmado em consulta ao CST das notas fiscais eletrônicas". Alega que as consultas realizadas pelo AFRFB demonstram apenas erro por parte do fornecedor, posto que nem a Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.414 5 operação, nem o produto adquirido encontram amparo para serem realizadas na forma como descrita. Defende que qualquer prejuízo por eventual recolhimento a menor de tributo pelo fornecedor deve ser exigido dele, e não através de glosa na apuração de créditos. Em relação ao GLP, alega que o AFFRB criou distinção onde a lei não distinguiu. Aduz que o inciso II do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não distinguiu, para fins de direito a crédito, onde devem utilizados os bens e serviços adquiridos, exigindo somente que eles concorram na produção dos bens e/ou prestação de serviços. ii) Da Incorreção Da Glosa Relativa Aos Serviços Utilizados Como Insumos Sob este título a Recorrente contesta as glosas tratadas nos subtítulos, como segue. No subtópico ii.1, alega que o AFRFB, novamente, em ofensa ao disposto na legislação que disciplina os créditos integrais de PIS/Cofins restringiu o conceito de insumos, adotando conceituação da legislação do IPI, que muito difere da legislação das contribuições antes mencionadas, divorciandose do entendimento firmado pelo CARF. Cita os serviços: aluguéis adm., calibração de equipamentos de qualidade, exportação controle e análise qualidade, manutenção de maquinas e equipamentos, No subtópico ii.2, diz que o AFRFB simplesmente ignorou o disposto no inciso VII do artigo 3o da Lei 10.883/2003 combinado com o inciso III dos parágrafos Io de referido artigo e ainda com o artigo 15 da mesma Lei em relação ao PIS, que garante o direito ao creditamento nas despesas pagas à pessoa jurídica para a realização de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa. Cita os serviços: concreto armado, aluguéis indl, serviços e obras, serviços de terceiros indl., materiais aplicados em obras, manutenção, construção de edifícios No subtópico ii.3, alega que o AFRFB tornou a incorrer em erro ao não aplicar a legislação pertinente, só que agora em afronta ao inciso IX do Artigo 3º da Lei 10.833, que garante o direito ao creditamento das despesas com serviços de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. As despesas de armazenagem englobam uma série de serviços sem a qual ela é impossível. O inciso II do parágrafo 3o não deixa dúvida que o direito ao creditamento se dá em relação às despesas pagas. Cita os serviços: serviço de armazenagem, armazenagem mercado externo, serviço de armazenagem transbordo, fretes de saída ferroviário, serviços portuários, serviços carga e descarga. iii) Da incorreção da glosa em relação à redução da base de cálculo dos bens utilizados como insumos importação Alega que foi indevidamente utilizado como fundamento da glosa o disposto na Instrução Normativa da RFB n° 1.401, de 09/10/2013, quando a Instrução Normativa que regulava a matéria no período analisado era a de n° 572 de 22 de novembro de 2005, a qual autoriza a adoção da base de cálculo aplicada, que correspondia também à época à base de cálculo da apuração das contribuições. Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.415 6 iv) Da incorreção da glosa em relação aos fretes de entradas e transferência de insumos (semiacabados) entre estabelecimentos Em relação ao frete na aquisição diz que consiste de um serviço como outro qualquer e que a previsão para creditamento em relação aos valores pagos encontra guarida no Inciso II do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10833/2003. Cita soluções de consulta em defesa da “manutenção dos créditos sobre as aquisições de serviços de frete nas aquisições de insumos e transferências de matérias primas e produtos semiacabados”. v) Da incorreção da Glosa em relação aos bens ativo imobilizado Alega que a glosa ofende o disposto nos incisos VII do artigo 3o da Lei 10.833/2003, combinados com o inciso III dos parágrafos 1º dos referidos artigos e ainda o artigo 15 da mesma Lei, em relação a Contribuição para o PIS/Pasep, que permitem o credito em relação as despesas com aquisição de bens que venham a incorporar obras e edificações em imóveis terceiros ou próprios. Pede deferimento. Da Diligência Como visto, a interessada, preliminarmente, alega que as planilhas elaboradas pela Autoridade Fiscal contêm erro na alocação dos créditos, no caso, notas fiscais de uma competência teriam sido consideradas na base de cálculo de crédito de outro mês. Por conta disso, solicitou a revisão da apuração do crédito realizada pela fiscalização. Confrontando as planilhas apresentadas pela fiscalizada e as elaboradas pela fiscalização, verificouse que a interessada poderia ter razão em sua insurgência. Foi demandada então a diligência fiscal a fim de que a tal revisão fosse realizada, caso se confirmasse o erro de alocação apontado. Em resposta, Autoridade Fiscal confirmou o erro e refez os cálculos, demonstrandoos nas planilhas anexadas ao eprocesso com os nomes de “Diligencia Bens Insumos 2012” e de “Diligencia Presumido Transferido 2012”. Também foi retificado o cálculo do crédito dos diversos períodos, que está demonstrado no Dacon refeito pela fiscalização. Segue abaixo o resultado da diligência em relação aos processos relacionados tratados na mesma ação, conforme consta da Informação Fiscal: Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.416 7 Intimada do resultado da diligência, a interessada somente manifestou se nos autos dos processos nºs 16692.720058/201476 e 16692.720057/201421, cujos argumentos somente lá serão relatoriados e analisados. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0739.484, de 29/03/2017 (fls. 1273 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.417 8 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ARMAZENAMENTO E FRETE. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. A teor da legislação de regência da Cofins não cumulativa, somente é permitida a tomada de créditos em relação aos custos com armazenagem de mercadoria e frete se estes decorrerem de uma operação de venda e forem arcados pelo vendedor. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR DE AQUISIÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. CONSTRUÇÕES E EDIFICAÇÕES. CRÉDITO. INEXISTENTE. O crédito previsto no art. 1º, inciso XII, da Lei nº 11.774/2008 somente prevê a apuração de crédito pelo valor de aquisição nas hipóteses de aquisição no mercado interno ou de importação de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços, não contemplando as aquisições de materiais destinados à construções e edificações de prédios e instalações industriais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.418 9 Através da petição de fls. 1302, a contribuinte apresenta a solicitação de que os autos retornem à unidade de origem, para cumprimento do item "c" determinado em diligência (não há, contudo, resolução determinado a realização de uma diligência, mas mero despacho que não contemplou o item "c" a que se refere neste pedido). Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 2170 e ss., por meio do qual alega, em síntese: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação no processo administrativo nº 18186.724796/201357, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição às glosas relativas à redução da base de cálculo dos bens utilizados como insumosimportação, pelo que, para não haver a supressão de instância, deve ser anulado acórdão da DRJ; Também não se justificam as glosas mantidas em relação aos seguintes itens: Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.419 10 iii) redução da base de cálculo dos bens utilizados como insumos importação – O acórdão não se manifestou sobre o tópico, mas ante o princípio da eventualidade, ressaltamos que a fiscalização não considerou a base de cálculo das DIs, conforme a Instrução Normativa nº 572/2005 e valores recolhidos nos DARFs; iv) Serviços de fretes – fretes sobre as aquisições de insumos e transferência de insumos e matériasprimas entre filiais da empresa; v) bens ativo imobilizado Lista anexa; planilha e memoriais descritivos das máquinas, equipamentos, obras/edificações e benfeitorias realizadas nos estabelecimentos da empresa ligados ao desenvolvimento da sua atividade; DAS INCORREÇÕES DAS GLOSAS i) Da incorreção da glosa relativa aos bens utilizados como insumos: O acórdão manteve a glosa mantendo os argumentos do AFRFB sob a seguinte justificativa: “Aquisição efetuada com isenção, suspensão ou sujeita à alíquota zero das contribuições para o PIS e a COFINS, como confirmado em consulta ao CST das notas fiscais eletrônicas”. Todavia, as consultas realizadas pelo AFRFB demonstram apenas erro por parte do fornecedor, posto que nem a operação nem o produto adquirido encontram amparo para serem realizadas na forma como descrita, não sujeitas ao pagamento das contribuições, relevando destacar que a apuração deve ser feita segundo a situação realmente ocorrida, ou seja, sujeitas ao pagamento da contribuição. Qualquer prejuízo por eventual recolhimento a menor de tributo pelo fornecedor deve ser exigido dele, e não através de glosa na apuração de créditos. Como se sabe ou deveria saber a não sujeição ao pagamento decorre da Lei. O erro não produz e nem altera direitos. ii) DAS GLOSAS SOBRE OS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: os serviços aplicados dentro da atividade industrial da empresa, que são imprescindíveis para o devido funcionamento do processo produtivo da empresa, são os seguintes: 1 – SERVIÇOS DE CARGA E DESGARGA: Setor de aplicação Industrial armazenamento de matérias primas destinadas a industrialização; 2 – MAN/CONS ÁREAS E EDIFÍCIOS: Serviços aplicados visando a manutenção dos parques industriais; 3 – MAN/CONS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: Serviços aplicados visando a manutenção das maquinas e equipamentos industriais; 4 – SERVIÇO DE CALIBRAÇÃO DE EQUIPAMENTOS: Serviços aplicados visando a manutenção das maquinas e equipamentos industriais; 5 – CALIBRAÇÃO DE EQUIP DE QUALIDADE: Serviços aplicados visando a manutenção dos equipamentos industriais destinados ao controle de qualidade para a análise dos produtos durante o processo de fabricação; 7 – SERVIÇO MANUTENÇÃO DE EQUIP LABORATÓRIO: Serviços aplicados visando a manutenção dos equipamentos de análises laboratoriais; Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.420 11 8 – EXPORTAÇÃO CAPATAZIAS e SERVIÇOS PORTUÁRIOS: Serviços utilizados na operacionalização dos produtos destinados à exportação; 9 – ALUGUÉIS INDL: Serviços de locação de máquinas e equipamentos industriais utilizados na produção de bens destinados a venda e nas montagens de máquina e equipamentos; ii.1) Serviços de Armazenagem: armazenagem mercado externo e transbordo. iii) Da incorreção da glosa em relação à redução da base de cálculo dos bens utilizados como insumos importação. O AFRFB utilizouse do disposto na Instrução Normativa da RFB nº 1.401, de 09/10/2013, sendo certo, no entanto, que referida Instrução Normativa somente tem aplicação para fatos posteriores a sua edição. A Instrução Normativa que regula a matéria no período analisado e que corresponde à legislação vigente na época dos fatos é a Instrução Normativa nº 572 de 22 de novembro de 2005, e esta norma autoriza a adoção da base de cálculo aplicada pelo contribuinte, que correspondia também à época à base de cálculo da apuração das contribuições. iv) Da incorreção da glosa em relação aos serviços de fretes de entradas e transferência de insumos e matériasprimas (semielaborados) entre estabelecimentos. Dentro dos procedimentos operacionais da empresa, a utilização do código de serviço com a descrição “FRETE ENTRADAS PJ”, iniciase com a contratação de transportadores para prestação de serviços de transporte (fretes) para as compras de soja em grãos feitas à produtores Pessoas Físicas (campo), de Cooperativas de produtores e até mesmo de comerciantes atacadistas de grãos. Neste caso, o frete é contratado para retirar a mercadoria do campo ou do estabelecimento onde aquela matériaprima (soja) encontrase localizada/armazenada, podendo ser direcionada para sua unidade industrial (para esmagamento), ou para serem depositadas em suas filiais de armazenagem ou armazéns gerais contratados para esta finalidade; Prosseguindo com o fluxo de transporte dos insumos dentro da atividade da empresa, após o armazenamento dos insumos adquiridos durante ou após a safra, conforme a demanda, estes insumos são transferidos das unidades compradoras/armazenadoras ou retirados dos depósitos fechados e armazéns de terceiros. Nos casos que o insumo esteja armazenado em uma unidade Granol que efetuou a aquisição do produto (não industrial), o frete será de transferência de insumos (responsabilidade do retirante da mercadoria). Quando o insumo está armazenado em armazéns de terceiros ou em depósitos fechados da Granol, o frete é de retorno de armazenagem, por responsabilidade do retirante do insumo. v) Da incorreção da Glosa em relação aos bens do ativo imobilizado (adesivo para tubos e conexões, alambrado, andaime, areia, argamassa, bloco cerâmicos, caixa d´água, cimento, concreto, diluente, disjuntor, estação tratamentos de água, estrutura metálica, ferro de construção, material aplicador, pedra britada, pedra para calçamento, piso, pó de brita, refletor, rejunte, rolo de lã, tábua de madeira, telha, tijolo, tinta e tubo) As glosas procedidas em relação aos itens elencados acima ofende o disposto nos incisos VII do artigo 3º da Lei 10.833/2003, combinados com o inciso III dos parágrafos 1º dos referidos artigos, e ainda o artigo 15 da mesma Lei, em relação ao PIS. Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.421 12 Tais dispositivos permitem creditarse das despesas com aquisição de bens que venham a incorporar obras e edificações em imóveis de terceiros ou próprios, logo incorreta a glosa procedida em relação aos itens elencados. Para justificar as glosas efetuadas, o AFRF restringiu sua fundamentação à Lei 11.774/2008, alterada pela 12.546/2011, que trata das parcelas passíveis de crédito sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos ao artigo 3º, inciso VI, da Lei 10.833/2003. O AFRF não observou que o inciso VII do art. 3º da Lei 10.833/2003 prevê a possibilidade de crédito das respectivas contribuições sobre as aquisições de materiais para edificações e manutenções/benfeitorias em imóveis próprios ou alugados utilizados na atividade da empresa. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC NOS VALORES A RESSARCIR. Como reiteradamente vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais desde 2002, Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01/01/96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04/06/98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10880.944979/201348 Resolução nº 3201001.553 S3C2T1 Fl. 1.422 13 Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003223/2008-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade nos moldes da legislação que a instituiu.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis tributárias.
Numero da decisão: 3001-000.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis tributárias.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade nos moldes da legislação que a instituiu. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade de leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 93 a 98) interposto contra o Acórdão 0532.248, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 32 23 /2 00 8- 60 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10882.003223/200860 Acórdão n.º 3001000.710 S3C0T1 Fl. 103 2 Campinas/SPA DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 24.01.2011 (efls. 84 a 86), julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Dos fatos Por sua objetividade e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, verbis: Relatório Tratase de exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 40/44. O feito, relativo aos períodos de apuração de janeiro e maio de 2004, constituiu crédito tributário no importe de R$ 16.023,26, incluídos principal, multa de oficio e juros de mora. No Termo de Verificação de fls. 38/39, a autoridade autuante relata que o lançamento tem origem na constatação de diferença a maior entre os valores apurados como devidos pela contribuinte em sua DIPJ e os valores confessados na DCTF. Notificada da exigência em 16/09/2008, em 15/10/2008 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 51/56, argumentado em síntese que: a) é inconstitucional o percentual de 75% aplicado a título de multa em razão de seu caráter confiscatório; ademais, não houve a intenção de fraudar ou de se esquivar do lançamento do tributo, eis que as declarações que permitiram a revisão dos valores partiram do próprio contribuinte; b) é ilegítima a utilização da taxa Selic como parâmetro para o cálculo dos juros de mora. Do Recurso Voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário para tão somente reiterar os argumentos de defesa já apresentados em sua impugnação. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 28.03.2011 para análise e prosseguimento do feito por este Carf (efl. 101), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10882.003223/200860 Acórdão n.º 3001000.710 S3C0T1 Fl. 104 3 Dispõe o Despacho de Encaminhamento de efl. 101 que o "contribuinte em epígrafe tomou ciência do Acórdão nº 0532.248 da 3ª Turma da DRJ/CPS (fls. 80/81), em 23/02/2011 (fls. 85/87), tendo apresentado Recurso Voluntário em 25/03/2011, conforme fls. 88/94, (...). Tendo em vista interposição tempestiva do recurso voluntário, proponho o encaminhamento do presente processo (...), para julgamento". Corroborando a informação acima, reafirmo que presente recurso voluntário é tempestivo, pois atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, na medida que respeita o trintídio legal, conforme dicção do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329 de 2017. Do mérito Como é cediço, no que diz respeito aos argumentos defensivos, não há reparo à decisão recorrida. Da multa de ofício O recorrente sustenta que a multa de ofício de 75% aplicada estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, e, além disso, o valor aplicado, como base na taxa selic é ilegítima. No tocante a arguição de ilegalidade da multa de 75%, a mesma não merece prosperar, ao passo que a mesma tem base legal no artigo 44, I, da Lei nº 9.430 de 1996, e, incide sua aplicação de ofício nas hipóteses de falta de pagamento ou recolhimento de contribuição, falta de declaração e nos caso de declarações inexatas. Uma vez instaurado o procedimento de ofício e constatada infração à legislação tributária, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício, a saber, in verbis: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10882.003223/200860 Acórdão n.º 3001000.710 S3C0T1 Fl. 105 4 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Neste sentido, o artigo 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob penda de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de renda, deve ser aplicada a multa do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo Recorrente, sobre a aplicação da multa com suposto efeito de confisco, vai de encontro com o dispositivo da Súmula nº 02 deste órgão julgador, cujo enunciado dispõe que o "CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", constituindose, portanto, matéria estranha à sua competência. Também, o Acórdão ora guerreado acertou em declara sua incompetência para apreciar arguições de inconstitucionalidade a despeito da multa de ofício, assim como se extrai do caput artigo 26A do Decreto nº 70.235 de 1972 que dispõe que no "âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade". Com efeito, rejeito a tese defensiva de que a multa de ofício lançada é inconstitucional e/ou ilegal, por ter caráter confiscatório. Assim, não há razão para declarar seu afastamento. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.905272/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, fazse necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 52 72 /2 01 0- 69 Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 10830.905272/201069 Acórdão n.º 3302006.131 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI e de não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento a inexistência do crédito pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o sobrestamento do julgamento em virtude do indeferimento do pedido objeto deste processo decorrer de Auto de Infração lavrado em outro processo administrativo, de nº 10830.720562/201034, em que se alteraram os saldos originais da escrita do IPI. O então manifestante teceu considerações sobre a improcedência da autuação controlada no outro processo e sobre a legitimidade de seus créditos. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14064.317, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/98 somente se operava à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo que, uma vez verificada a inexistência de tais créditos, faziase necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10830.905272/201069 Acórdão n.º 3302006.131 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.130, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.924727/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.130): O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Sobrestamento e vinculação de processos A recorrente em seu apelo solicitou o sobrestamento do presente feito, até final julgamento de processos judicial e administrativo, que tem por objeto a existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Entretanto, entendo não haver a possibilidade de ser atendido o pedido da recorrente, uma vez que o processo administrativo no qual discutiase a existência do crédito já fora finalizado, sendo certo que em sua decisão restou consignado não existir o crédito pleiteado. Ademais, entendo que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da oficialidade, que determina que o processo deva ser impulsionado ex officio, nos exatos termos do inciso XII, do parágrafo único, do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Vale dizer, não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento do processo administrativo em razão de processo judicial. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II Mérito No que diz respeito ao mérito, entendo que melhor sorte não socorre as alegações da recorrente. O que estamos decidindo é a possibilidade de ser deferido o pedido de ressarcimento e homologação de compensação efetuada pela recorrente. As matérias trazidas pela recorrente em seu recurso voluntário que dizem respeito exclusivamente à formação do crédito, não são aqui tratadas, vez que já definitivamente julgadas no processo nº 10830.720562/201034, onde restou decidido não haver crédito em favor da recorrente que pudesse fazer frente ao presente pedido de ressarcimento e compensação. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 10830.905272/201069 Acórdão n.º 3302006.131 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, conforme informado no despacho decisório, bem como na decisão da DRJ, não existe crédito passível de ser utilizado para liquidar o débito objeto do pedido de restituição e compensação efetuado pela recorrente. Vale lembrar que a própria recorrente reconhece que o processo administrativo relacionado a existência do crédito está definitivamente julgado na esfera administrativa, porém, por não concordar com a decisão, discute novamente a matéria, desta vez na esfera judicial. Por derradeiro, ressaltase que as alegações trazidas pela recorrente em seu recurso foram apresentadas de forma genérica, reprisando o que outrora fora discutido em outro processo, como dito no parágrafo anterior, motivo pelo qual não há como serem reconhecidas. Portanto, correto o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Ressaltese que o auto de infração objeto do processo nº 10830.720562/2010 34 referenciado pelo Recorrente no recurso voluntário do processo paradigma também foi objeto de indagação no presente processo, sendo aqui aplicáveis, portanto, as conclusões ali deduzidas acerca dessa matéria. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001947/2007-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte.
É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125.
No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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CRÉDITO. FRETES. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. SELIC. Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA INDUSTRIAL EM LIQUIDAÇÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 47 /2 00 7- 11 Fl. 710DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 3 2 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de PIS. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. PIS/PASEP. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja, milho e outros, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. COFINS. JUROS SELIC. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. SÚMULA CARF Nº 125. No ressarcimento das contribuições não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformar o Acórdão recorrido reconhecendo os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3302003.313, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 5 4 Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 6 5 COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, insurgindose com as seguintes discussões: (i) dos fretes sobre operações de transferências de mercadorias; (ii) dos fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; (iii) do crédito presumido – atividade agroindustrial – produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; (iv) possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS e Cofins (v) previsão legal para a incidência da Selic. Efetuado o exame de admissibilidade pelo Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, após a apresentação de Agravo pelo contribuinte, mediante reexame da admissibilidade pelo Presidente da CSRF, foi dado seguimento ao recurso especial relativamente às matérias “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferência de insumos e Fl. 714DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 7 6 mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)”, “possibilidade de tomada de créditos de PIS/Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes – 61.697.999)”; “enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/Cofins (61.697.4350) e “correção dos créditos pela taxa Selic (61.697.4353)”. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Permitir que o contribuinte se credite de despesas necessárias, nos termos da legislação do imposto de renda redundaria em um aumento na distorção na base de cálculo dos tributos; · Como visto, na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Há vedação expressa quanto a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de PIS e de Cofins nãocumulativos; · A autorização para ressarcir ou compensar o crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 conforme o inc. I e inc. e II do art. 36 opera efeitos para pedidos de compensação/ressarcimento realizados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação da lei, isto é, a partir de 01/11/2009, tendo em vista que a publicação da Lei 12.058/2009 ocorreu em 14/10/2009; · Uma vez que a própria Lei estipulou expressamente que a compensação na forma do art. 36 não pode ser aplicada para pedidos de compensação anteriores ao mês subsequente à publicação da lei (novembro de 2009), deve ser negado provimento ao recurso especial do contribuinte neste ponto; · Os artigos 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a incidência da taxa Selic sobre crédito oriundo de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativa, na medida em que estabelecem que o aproveitamento dessa modalidade de crédito não ensejará atualização monetária ou incidência de juros. É o relatório. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.593, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 13161.001374/200726, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.593): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos de conhecimento constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante do Despacho de agravo. Eis o que diz o Despacho de agravo (Grifos meus): “[...] O escopo do agravo, nestes termos, é avaliar a adequação do despacho questionado ao recurso especial originalmente formulado pelo interessado, sendo inadmissível inovação destinada a suprir deficiência na demonstração inicial da divergência. O despacho agravado, comum a todos eles, concluiu pelo não seguimento nos seguintes termos: (...) Demonstração da legislação interpretada divergentemente [...] Essa fundamentação alcança as cinco matérias que o recorrente queria levar ao colegiado superior, a saber, a: 1) possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre 1.1 despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352); 1.2) despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999); 2) Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 3) Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350); 4) correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353) O agravo apresentado procura demonstrar que o recurso especial cumpriu todos os requisitos regimentais, em especial, a indicação da legislação contrariada. Pede, ao final, que seja dado seguimento a ele na íntegra. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 9 8 Com respeito às duas primeiras matérias, afirma que o recurso teria apontado que a legislação contrastada nos acórdãos seria o art. 3º, incisos II e IX das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições (10.637 e 10.833); quanto à terceira, seria o art. 13 da mesma Lei 10.833, já que o paradigma entendeu que ele não se aplicaria quando houvesse impedimento por parte da Administração. Esses os fatos. Para começar, deve ser enfatizado que os recursos foram apresentados quando já estava em vigor a Portaria MF 39, de fevereiro de 2016, que alterou a redação do § 1º do art. 67 do RICARF para: §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Vejase que, com essa alteração, que retirou a expressão "de forma objetiva" antes presente e que vinha levando à interpretação, aqui repetida, de que o parágrafo estaria a impor a indicação precisa e expressa do dispositivo legal interpretado divergentemente, apenas se exige que haja demonstração da legislação tributária que teria sido interpretada de forma divergente. Não se exige, de modo algum, que haja indicação expressa de algum dispositivo legal específico. Essa interpretação menos rigorosa já foi mesmo adotada pela própria Câmara Superior de Recursos Fiscais1: [...] Demais disso, é mesmo fato, como apontado no agravo, que o recurso especial apresentado trazia sim menções às legislações contrariadas. É certo que ele não está estruturado do modo exemplar que caracteriza o despacho que o examinou. Em especial, não destaca ele tópico específico para demonstrar o cumprimento, um a um, dos requisitos previstos no art. 67 do RICARF. Ele principia pela enunciação da matéria que entende ter sido analisada divergentemente, seguida de imediata indicação e transcrição da ementa do pretendido paradigma, passando, ato contínuo, a demonstrar a divergência em si. Isso, não obstante, é igualmente certo que o RICARF, e antes dele o próprio Decreto 70.235, não estabelecem forma rígida para apresentação dos recursos neles previstos. Por isso, ainda que a menção aos atos legais não seja bem ordenada, há de ser reconhecida, e superado, portanto, o óbice apontado. E, por economia processual, vêse desnecessário o retorno dos autos à Câmara recorrida para o exame do cumprimento do requisito material de demonstração da divergência em relação às cinco matérias. Ela é manifesta. Com efeito, a primeira, exatamente na forma como enfrentada no recorrido, o foi no primeiro paradigma arrolado. Lá, contrariamente ao que se decidiu aqui, entendeuse possível a tomada de créditos sobre fretes pagos para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos. O mesmo se passa com as outras duas, bastando a leitura de suas ementas para se ver que se trata da mesma matéria com conclusões opostas. Constatase, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõese que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente às matérias "possibilidade de tomada de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos (61.697.4499 e 61.697.4352)"; "possibilidade de tomada Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 10 9 de créditos de PIS/COFINS sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas a alíquota zero: fertilizantes e sementes (61.697.9999)"; "enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)"; "possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS (61.697.4350)" e "correção dos créditos pela taxa SELIC (61.697.4353)". Vêse que, relativamente ao item: · Créditos de fretes sobre operação de transferência de mercadorias, houve demonstração de divergência entre os arestos, vez que o aresto recorrido interpretou de uma forma o inciso IX das Leis 10.637/02 e 10.833/03, diferentemente dos indicados como paradigmas que reconheceram o direito ao crédito sobre o mesmo item; · Créditos de fretes sobre compras de fertilizantes e sementes. O aresto recorrido entendeu pela impossibilidade de se constituir crédito sobre o custo de transporte, vez que a mercadoria importada transportada não teria sido onerada pelas contribuições. E os paradigmas se direcionam pelo reconhecimento dos mesmos créditos, vez que o custo do transporte não se vincula ao tratamento tributário dada às mercadorias objeto desse transporte. · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS Da mesma forma, houve a divergência, vez que o aresto paradigma reconhece o direito a apuração e ressarcimento do crédito sobre essas mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 do NCM. · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS Vide item acima. · Taxa Selic, da mesma forma houve a divergência. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em despacho de agravo – ou seja, das seguintes matérias: · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos a transferências de insumos e mercadorias entre estabelecimentos; · Possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes); e · Enquadramento da atividade de beneficiamento de grão como atividade agroindustrial, com direito ao aproveitamento do crédito presumido de PIS/COFINS · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido de PIS/COFINS · Correção dos créditos pela taxa Selic. Ventiladas tais considerações, quanto às duas primeiras matérias trazidas e que envolvem a constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a discorrer. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 11 10 No que tange à discussão envolvendo a possibilidade ou não de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição e crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303 005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303 006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303 006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303 006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303 006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303 005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303 005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 12 11 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que o acórdão do STJ não tenha sido publicado, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 13 12 Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 14 13 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 15 14 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 17 16 COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 18 17 essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o transito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, tenho que os custos de fretes de mercadorias entre estabelecimentos são essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Proveitoso ainda trazer que, recentemente, a PGFN publicou a Nota SEI 63/18 – dispondo sobre o conceito de insumo para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins não cumulativo, considerando o decidido, em sede de repetitivo, pelo STJ que, por sua vez, entendeu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas INs SRF 247/2002 e 404/2004. Traz, em síntese, que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. E que para constatarmos que tal item seria essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo, seria importante fazer o “teste de subtração”. Eis a parte que traduz esse teste: “[...] Fl. 726DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 19 18 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. [...]” Ou seja, se aplicarmos o teste de subtração para tal custo – a atividade do sujeito passivo seria efetivamente prejudicada. Em vista do exposto e, considerando o entendimento que esse Colegiado tem proferido, voto por dar provimento ao recurso nessa parte, reconhecendo o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de mercadorias entre estabelecimentos. Continuando, relativamente à outra discussão, qual seja, possibilidade de tomada de créditos de PIS e Cofins sobre despesas com fretes relativos ao transporte de mercadorias sujeitas à alíquota zero (fertilizantes e sementes), entendo que tais fretes são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo – o que geraria crédito de PIS e Cofins. Ora, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 20 19 (...)1 Direcionandome para a última matéria trazida em recurso, qual seja, se há ou não correção pela taxa Selic sobre os créditos da Contribuição para o PIS e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da não cumulatividade, independentemente da forma de aproveitamento, curvome à Súmula CARF 125, recémpublicada – que já definiu entendimento no âmbito administrativo: “Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao recurso do contribuinte. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e dou provimento parcial ao seu recurso." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de sua conclusão, quanto ao enquadramento da atividade de cerealista, como atividade industrial, para efeito de gozo do crédito presumido da agroindústria do PIS e da Cofins, e, consequentemente, quanto ao ressarcimento/compensação do seu saldo credor trimestral. O contribuinte pleiteia créditos presumidos da agroindústria, a título de PIS e da Cofins, calculados sobre os custos das aquisições de produtos agrícolas in natura (soja e milho), beneficiados e vendidos por ele também in natura. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do enquadramento da atividade de cerealista como atividade industrial e do consequente direito ao aproveitamento do crédito presumido da agroindústria (a título de PIS e Cofins), por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.593 (processo 13161.001374/200723). Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 21 20 I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não utilizou os produtos agrícolas, soja e milho, como matériasprimas para a fabricação de produtos derivados desses cereais. Não houve industrialização alguma. Os cereais foram adquiridos, beneficiados e comercializados in natura nos mercados interno e externo. De fato, o contribuinte exerceu apenas e tão somente as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os cereais, soja e milho, in natura, ou seja, exerceu atividade agrícola que se enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, citado e transcrito anteriormente, que veda, de forma expressa, o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tal atividade. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo. As mercadorias produzidas industrialmente devem ser destinadas à alimentação humana ou animal e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir as matériasprimas de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e/ ou de cerealista, conforme previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004. Quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do crédito presumido da agroindústria, ora reclamado, embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar tais créditos, demonstrase, a seguir, a falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 22 21 "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A Cofins não incidirá sobre as receias decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, quanto ao aproveitamento de crédito presumido da agroindústria, a título de PIS e Cofins, e, consequentemente, não reconhecer o seu direito ao ressarcimento/compensação de tais créditos." Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13161.001947/200711 Acórdão n.º 9303007.616 CSRFT3 Fl. 23 22 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer os créditos de PIS e COFINS em relação aos fretes de produtos acabados e aos fretes relativos ao transporte de insumos adquiridos com alíquota zero. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 731DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.930913/2011-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.464
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930913/201197 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.464 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERAÇÃO CRM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 09 13 /2 01 1- 97 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.930913/201197 Acórdão n.º 3302006.464 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER), em razão do fato de que o pagamento informado já se encontrava alocado a outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, com a anulação do despacho decisório, arguindo o seguinte: a) trata o pedido de restituição de créditos da contribuição (PIS/Cofins) incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota havia sido reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/2001; b) tem direito à restituição com base no art. 165 do CTN e na Lei nº 10.312/2001, tratandose de incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do País em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico; c) diante do contido no art. 13 da Lei nº 10.438/2002, que criou em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, os valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção, não podem ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições (PIS/Cofins), pois, no conceito de receita, incluise apenas o ingresso de recursos constitutivos do patrimônio da empresa; d) a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10043.379, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a aplicação da redução de alíquota da contribuição prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, ainda não efetivada, tratandose, portanto, de norma de eficácia limitada ou condicionada, não aplicável de imediato por depender de regulamentação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações concernentes à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001, e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.930913/201197 Acórdão n.º 3302006.464 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.454, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11080.930902/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.454): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.930913/201197 Acórdão n.º 3302006.464 S3C3T2 Fl. 5 4 o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. Ressaltese que, também no presente processo, o motivo do indeferimento do pedido de restituição foi a alocação anterior do crédito pleiteado, conforme tela(s) de consulta ao sistema de Arrecadação presente(s) à(s) efl.(s) 31. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 93DF CARF MF
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