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Numero do processo: 10380.912648/2009-01
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa:
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO
A Súmula CARF nº 84 estabelece que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
UTILIZAÇÃO DE CREDITÓRIO EM DUPLICIDADE. CONCLUSÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA
O acórdão recorrido é inválido na parte em que, depois de superar a preliminar, adentra ao mérito e inova em questão não apontada pela fiscalização: utilização de crédito em duplicidade, caracterizando cerceamento de defesa pela supressão de uma das possibilidades de recurso a que o sujeito passivo teria direito.
Numero da decisão: 1302-001.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO A Súmula CARF nº 84 estabelece que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. UTILIZAÇÃO DE CREDITÓRIO EM DUPLICIDADE. CONCLUSÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA O acórdão recorrido é inválido na parte em que, depois de superar a preliminar, adentra ao mérito e inova em questão não apontada pela fiscalização: utilização de crédito em duplicidade, caracterizando cerceamento de defesa pela supressão de uma das possibilidades de recurso a que o sujeito passivo teria direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
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Pagamento indevido. Estimativas Recorrente NORSA REFRIGERANTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. INDÉBITO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO A Súmula CARF nº 84 estabelece que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. UTILIZAÇÃO DE CREDITÓRIO EM DUPLICIDADE. CONCLUSÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA O acórdão recorrido é inválido na parte em que, depois de superar a preliminar, adentra ao mérito e inova em questão não apontada pela fiscalização: utilização de crédito em duplicidade, caracterizando cerceamento de defesa pela supressão de uma das possibilidades de recurso a que o sujeito passivo teria direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, votando pelas conclusões as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 26 48 /2 00 9- 01 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.912648/200901 Acórdão n.º 1302001.724 S1C3T2 Fl. 3 2 EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Relatório O Acórdão recorrido manteve a decisão que indeferiu o pedido de homologação da Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 29236.24773.300807.1.3.04 4156, a qual visava compensar débitos da Recorrente com crédito decorrente de pagamento a maior por estimativa de IRPJ no valor de R$839.688,53, efetuado em 30/06/2005. A Delegacia da Receita Federal de Fortaleza, com base no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005 (revogada pela IN SRF nº 900 de 30/12/2008), julgou improcedente o pedido de compensação, por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o valor pago somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou na CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. De outro modo, a DRJ, no acórdão recorrido, considerou procedente o pedido de compensação em questão, cuja conclusão fundamentou nas disposições da IN SRF nº 900, de 30/12/2008 que revogou a citada IN SRF nº 600/2005. Além desse entendimento, a DRJ concluiu que a revogação produziu efeitos ex tunc. No entanto, mesmo tendo considerado devido o pedido de compensação, o acórdão recorrido concluiu que houve utilização em duplicidade do crédito de pagamento a maior de IRPJ, por estimativa mensal. Daí o motivo pelo qual o acórdão recorrido manteve a decisão da DRF quanto ao indeferimento do pedido de homologação da referida DCOMP. Diante dessa conclusão da DRJ (duplicidade), a Recorrente alegou violação ao princípio da imparcialidade, por parte da DRJ; diz que a julgadora "foi além da sua competência, procedendo como um verdadeiro auditor fiscal e negou a restituição/compensação por suposta duplicidade nas compensações". Alegou, também, que a conclusão do acórdão caracteriza inovação. Disse que a DRJ não poderia adentrar na questão da utilização em duplicidade do crédito, pelo fato de que os procedimentos de fiscalização e o julgamento da DRJ não adentraram nesse ponto; que o acórdão recorrido deveria "dizer o direito conforme o que fora requerido e jamais adentrar na seara dos Órgãos Fiscalizadores". A Recorrente ainda argumenta que teria havido supressão de instância e violação ao princípio da ampla defesa, em virtude do fato de que não houve oportunidade para apresentar manifestação de inconformidade a respeito da conclusão da DRJ, sobre a utilização em duplicidade do crédito. Cita ementa de Acórdão do Terceiro Conselho de Contribuinte (fl. 189) no sentido de que é nula a decisão que caracterize supressão de instância. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.912648/200901 Acórdão n.º 1302001.724 S1C3T2 Fl. 4 3 Expõe suas razões e requer que prevaleça as disposições da IN 900, e não o art. 10 da IN 600. Invoca o princípio de que em caso de dúvida a interpretação da norma deve favorecer o contribuinte (In dubio pro contribuinte, art. 112, do CTN). Ao final, pediu provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido e declarar improcedente o despacho rescisório. Frisese que, não há requerimento para que seja homologado o pedido de compensação em questão. Em 08/12/2011, a recorrente apresentou petição por meio da qual informou que revisou os valores compensados e verificou que não existiam tais débitos. Alegou que, em um primeiro momento, a recorrente apurou estimativa de julho de 2007 no valor de R$1.458.624,43 e após a revisão, apurou que o débito de estimativa daquele mês era de R$562.808,29 (anexou documentos comprobatórios). Com isso, requereu a devolução dos autos à DRF para se manifestar sobre essa situação. Argumentou tratarse de questão prejudicial ao recurso voluntário, na medida que reconhecida a inexistência dos débitos compensados, não haveria razão para se prosseguir na ação fiscal instaurada para a liquidação de tais débitos. Registrou que não há como desistir do recurso, pois persistiria a cobrança e que a solução seria o cancelamento da DCOMP, pois com essa compensação haveria um pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa de IRPJ de julho de 2007, razão pela qual, previamente ao julgamento do recurso voluntário, caberia a devolução dos autos à DRF para manifestação sobre tal questão prejudicial. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 13/07/2011 (AR, fl. 356) e o recurso voluntário foi interposto, em 10/08/2011, (fl. 367). A recorrente está devidamente representada (docs. fls. 389/409). É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Presentes os pressupostos de admissibilidade e por ser tempestivo, conheço do recurso. A DRF não homologou o pedido de compensação em questão (fl. 23) por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período (art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005). A DRJ reformou esse entendimento concluindo que o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (IN RFB nº 900, de 2008 e Súmula CARF nº 84). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.912648/200901 Acórdão n.º 1302001.724 S1C3T2 Fl. 5 4 Entretanto, o acórdão recorrido não se limitou a apreciar a procedência do pedido de compensação, conforme requerido na manifestação de inconformidade, e adentrou em matéria que não foi contemplada pela fiscalização: utilização de direito creditório em duplicidade, nos seguintes termos: Na espécie, o administrado computou integralmente o pagamento (R$537.835,52) objeto deste julgamento no saldo negativo do IRPJ (R$921.774,67), relativo ao anocalendário 2005, conforme se pode observar na DIPJ 2006 (fl. 108 dos autos de n°10380.912651/200917), apresentada em 03/12/2010, em cotejo com o PER/DCOMP retificador de n° 34131.82179.110311.1.6.028619 (fl. 117v dos autos de n° 10380.912651/200917). Verificase, portanto, que em virtude da inovação acima, houve supressão de instância, pois somente em sede de recurso voluntário foi concedida oportunidade para a recorrente manifestarse sobre os novos fatos apresentados pela DRJ. Essa situação redundou em cerceamento de defesa e recomenda o acolhimento parcial das razões de recurso para que a DRF reexamine o caso, com o objetivo de verificar se há ou não crédito em favor da recorrente, bem assim, em função das alegações e documentos apresentados na referida petição de 08/12/2011, quanto à inexistência de parte dos débitos em questão. Por todo o exposto, por considerar que o acórdão recorrido inovou ao concluir que houve utilização de direito creditório em duplicidade, fato não apontado pela DRF; que essa inovação caracteriza supressão de instância e redunda em cerceamento de defesa, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, ratificandose a parte do acórdão recorrido que acolhe a possibilidade de compensação decorrente de pagamento a maior ou indevido por estimativa (Súmula Carf nº 84) e determinandose o retorno dos autos à DRF para que seja verificado se há crédito em favor recorrente, bem assim, em função da petição e documentos juntados em 08/12/2011, procedendose com nova decisão. É como voto. Rogério Aparecido Gil Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.912648/200901 Acórdão n.º 1302001.724 S1C3T2 Fl. 6 5 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observo nos autos que a compensação em debate restou não homologada porque, nos termos do despacho decisório de fl. 23, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A interpretação assim extraída do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 restou superada pela edição da Súmula CARF nº 84 (Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação). Contudo, apesar de acompanhar este entendimento, a autoridade julgadora de 1ª instância não se limitou a afastar a preliminar de possibilidade do pedido, e adentrou ao mérito da compensação, reportandose a novos fatos que impediriam o reconhecimento do indébito. Se tais fatos tivessem sido trazidos aos autos em sede de diligência determinada pela autoridade julgadora de 1ª instância, com prévia ciência ao sujeito passivo e reabertura de seu direito de defesa, as alegações de cerceamento agora trazidas não mereceriam crédito. Todavia, tais acréscimos apenas foram cientificados ao sujeito passivo depois de editada a decisão de 1ª instância, e somente puderam ser confrontados por meio de recurso voluntário, materializando o cerceamento alegado. Em tais circunstâncias, a decisão de 1ª instância é inválida na parte em que, depois de superar a preliminar, adentra ao mérito da questão, suprimindo uma das possibilidades de recurso a que o sujeito passivo teria direito. Por tais razões, concordo com a solução final do Colegiado que, por meio do provimento parcial ao recurso voluntário, desconstitui nesta segunda parte a decisão de 1ª instância e devolve os autos à autoridade administrativa que jurisdiciona o sujeito passivo para que, uma vez afastada a preliminar de possibilidade de pedir, prossiga na apreciação do mérito do direito creditório utilizado em compensação. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira Fl. 460DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000719/2006-74
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2005
Embargos de Declaração. Omissão ou Contradição
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado.
Demonstrado que o acórdão abordou com coerência os fundamentos que dão suporte à decisão e que não se omitiu ao descrever a matéria sobre a qual recai o litígio, não há como acolher os embargos.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3102-01.337
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2005 Embargos de Declaração. Omissão ou Contradição Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado. Demonstrado que o acórdão abordou com coerência os fundamentos que dão suporte à decisão e que não se omitiu ao descrever a matéria sobre a qual recai o litígio, não há como acolher os embargos. Embargos Rejeitados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 400 1 399 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.000719/200674 Recurso nº 338.868 Embargos Acórdão nº 310201.337 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria Embargos de Declaração Embargante LATEX FOAM DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2005 Embargos de Declaração. Omissão ou Contradição Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Demonstrado que o acórdão abordou com coerência os fundamentos que dão suporte à decisão e que não se omitiu ao descrever a matéria sobre a qual recai o litígio, não há como acolher os embargos. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausentes o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes e, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Ausentouse ainda, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Mussi, convocado para substituir a Conselheira Nanci Gama. Relatório Fl. 44DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 401 2 Tratamse de embargos de declaração manejados em desfavor do Acórdão nº 310200.611, de 17/03/2010, assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2005 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. REVISÃO ADUANEIRA. DISPENSÁVEL A EMISSÃO. A disponibilização eletrônica no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), prescinde da ciência pessoal do contribuinte e garante sua validade, especialmente quando ato fiscal algum foi praticado no estabelecimento na fase de sua prorrogação.. Está dispensado de emissão de MPF a realização do procedimento de revisão aduaneira. Por decorrência, prescinde desta formalidade a lavratura do respectivo Auto de Infração. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2005 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. BASE DE CALCULO. FRAUDE NO VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. POSSIBILIDADE. A declaração de valor aduaneiro inferior ao efetivamente praticado tipifica infração à legislação tributária, cuja qualificação, determinante do agravamento da penalidade aplicada, decorre, no caso, da utilização de documentário fiscal inidôneo constituído de faturas comerciais paralelas. 0 Imposto de Importação a ser exigido deve ser calculado mediante a aplicação da alíquota vigente na data do registro da Declaração de Importação para a mercadoria declarada. Sobre a diferença entre o valor declarado e o valor efetivamente praticado nas operações de importação incide a multa do controle administrativo das importações de 100% (cem por cento), fixada no artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, sem prejuízo da exigência da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Cabível a majoração, para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), da multa de oficio aplicada, em face de comprovada fraude, consubstanciada no uso de fatura paralela para fins de instrução do despacho de importação. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 402 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2005 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA JUDICIAL. RENUNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A ação proposta pela contribuinte com o mesmo objeto do processo administrativo implica renúncia A esfera administrativa, implicando o não conhecimento da matéria recursal nesta parte. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/02/2003 a 08/06/2006 Ementa: IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. INSTRUÇÃO. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. APREENSÃO. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. INAPLICÁVEL. No prazo decadencial estabelecido na legislação tributária, o importador é obrigado a manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos As operações de importação que realizar e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos. Está sujeita A multa de 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro a não apresentação à fiscalização aduaneira dos documentos legítimos de instrução obrigatória da Declaração da Importação — DI (inciso II do artigo 70 da Lei n° 10.833, de 2003). A apreensão pela fiscalização aduaneira da via original da fatura comercial verdadeira, documento de instrução obrigatória da DI, torna desnecessária, para fins de apuração do valor aduaneiro da transação, a apresentação da via original da fatura falsa, utilizada na instrução do despacho aduaneiro; por conseguinte, inaplicável a penalidade determinada no item 1 da alínea "h" do inciso II do artigo 70 da Lei n° 10.833, de 2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aponta a embargante que o aresto encontrase vazado de contradição e omissão. Segundo aduz, restara caracterizada contradição quando da análise da preliminar de nulidade do procedimento em razão de vício na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Expõe, no intuito de demonstrar tal arguição, que o acórdão teria sustentado, ao mesmo tempo, que a revisão aduaneira teria se baseado no MPF nº 09206002005000640 e que não seria necessário expedir tal documento para o procedimento de revisão. Complementa que, no seu entender, o MPF citado teria como único objetivo o procedimento de apreensão de documentos em seu estabelecimento. Considerar que esses elementos, após apreendidos, poderiam ser, a qualquer tempo, validamente utilizados significaria retirar por completo a razão de existir dos prazos de validade e do próprio MPF. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 403 4 Arremata, nessa linha, que as duas soluções possíveis seriam a interpretação de que os documentos apreendidos só poderiam ser utilizados no prazo de validade do MPF expedido para que se procedesse sua apreensão ou a de que o procedimento de revisão exigiria a emissão de um novo MPF, com vistas à captura dos documentos. Reitera seus fundamentos de recurso acerca da invalidade do procedimento fiscal. Outro ponto em que o acórdão, segundo o embargante, seria omisso e contraditório, seria a análise dos argumentos expedidos, ainda em sede de preliminar, no que se refere à validade das provas colhidas no estabelecimento sem a obtenção de Mandado Judicial. Sustenta que o acórdão afastara a necessidade de Mandado de Busca e Apreensão baseado em dois fundamentos: o estabelecimento não se equipara à casa, asilo inviolável, e que o acesso às dependências da empresa, realizado na presença de policiais, teria sido franqueado pela Recorrente, não havendo que se falar em resistência à investigação. Constaria do acórdão, outrossim, a conclusão de que a Recorrente não provara suas alegações. Transcreve trecho em que tais fundamentos são expostos. Discordando de tais fundamentos, expõe que o relato do procedimento de diligência que culminou com a apreensão deixa claro que, após conversar com o dirigente da pessoa jurídica, os dois auditores responsáveis pela execução do procedimento solicitaram o apoio de outros dois auditores, que vieram acompanhados de quatro policiais federais, sendo um deles fortemente armado. Aponta que tais fatos estariam documentados às fls. 295 e 296 e teriam sido negligenciados quando do julgamento do recurso voluntário. Tal relato demonstraria, ademais, que houve resistência por parte do administrador e que este, após o comparecimento dos policiais, coagido/induzido pelas armas e pela força policial, teria franqueado o acesso ao estabelecimento e aos documentos. Sustenta que o administrador da sociedade, juntamente com seus empregados, não poderia se colocar à frente das armas “a fim de impedir o desrespeito que estava sendo praticado contra a sua dignidade e a sua propriedade, atuando como verdadeiros mártires”. Pleiteia que se reconheça, ante a esses fatos, que, inegavelmente, a ação teria se baseado no uso da força bruta. Argumenta, por outro lado, que o estabelecimento comercial seria equiparado à casa e igualmente inviolável, nos termos do art. 5º, XI, da Constituição Federal de 1988. Cita precedente do Supremo Tribunal Federal. Arremata, defendendo tais garantias não se confundiriam com o direito de examinar e confiscar livros, arquivos e documentos. Esses procedimentos seria lícitos, desde que tais elementos tenham sido obtidos de forma lícita. Pleiteia a revisão do acórdão no sentido de considerar nulos os elementos colhidos junto ao estabelecimento. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 404 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Em face da transferência do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, relator original, para a 2ª Turma Especial desta Terceira Seção do CARF, por força do disposto no § 7º, do art. 49 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 20091, me auto designei ad hoc para a análise dos embargos. Como é cediço, a avaliação da admissibilidade dos embargos de declaração, até certo ponto, confundese com o seu mérito. Vejase o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato, se não se revela omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, não há porque admitir o recurso que, regra geral, não tem o condão de alterar o mérito do decisum, apenas garantirlhe a integração. Não se pode, portanto olvidar dessa finalidade, assim demarcada por Tereza Arruda Alvim Wambier2, para quem os embargos: Prestamse a garantir o direito que tem o jurisdicionado a ver seus conflitos (lato sensu) apreciados pelo Poder Judiciário. As tendências contemporaneamente predominantes só permitiriam entender que este direito estaria satisfeito sendo efetivamente garantida ao jurisdicionado a prestação jurisdicional feita por meio de decisões claras, completas e coerentes interna corporis”. Igualmente útil para o presente exame de admissibilidade é a lição de Candido Rangel Dinamarco3: Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p.ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc.). Omissão é a falta de exame de algum fundamento da demanda ou da defesa, ou de 1 Artigo 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. 2 Apud Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato de Almeida e Eduardo Talamini Curso Avançado de Processo Civil, volume 1 : teoria geral do processo de conhecimento; coordenação Luiz Rodrigues Wambier. São Paulo. 2007, Revista dos Tribunais, 9ª ed. p. 595 3 Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2005, 5ª ed., pp. 687/688. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 405 6 alguma prova, ou de algum pedido etc. (decidir sobre a demanda principal sem se pronunciar sobre a acessória, deixar de indicar o nome de algum dos litisconsortes ativos ou passivos etc.). Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que o recurso deve ser rejeitado. A meu ver, não se vislumbra contradição entre a decisão e os seus fundamentos, omissão ou obscuridade. O acórdão enfrenta a matéria em sua totalidade e seus fundamentos apresentamse coerentes com a decisão. Ou seja, as falhas, se é que existiram, dizem respeito ao julgamento em si e o remédio apropriado para corrigilas, de acordo com a legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, é o Recurso Especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, se preenchidas as condições de admissibilidade. Demonstro a seguir os fundamentos que apóiam tal conclusão. 1 Preliminar de nulidade por vício do MPF. Expôs o relator sua convicção no sentido de que a ação fiscal que demandaria a emissão de MPF foi realizada nos termos do que preconiza a legislação e que, após encerrada a coleta das provas, foi desenvolvida uma revisão interna, para a qual não seria necessário expedir novo MPF. Confirase: Com devida vênia, há dois equívocos na presente alegação. Um deles consiste na assertiva de que a fiscalização foi encerrada após a validade do MPF. Na verdade, o trabalho de fiscalização/diligência que precedeu o procedimento de revisão aduaneira em tela foi amparada no MPF n° 09206002005 0.00640 (fl. 162), emitido em 29 de março de 2005, cuja validade inicial, fixada para o dia 27 de julho de 2005, foi prorrogada em duas oportunidades para estendêla ate o dia 24 de novembro de 2005. Em 21 de novembro de 2005, foi concluído o exame da documentação que se encontrava em poder do fisco e expedida a Comunicação Interna N° 034/2005 em que foi proposta a realização do procedimento de revisão aduaneira em apreço. Logo, a dita fiscalização foi concluída dentro do prazo da última prorrogação. Além disso, como após as referidas prorrogações os trabalhos fiscais se desenvolveram apenas internamente, sem a necessidade da prática de qualquer ato de oficio junto ao estabelecimento da fiscalizada, nos termos do art. 13 da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, as autoridades fiscais, nesta hipótese, estavam dispensadas de cientificar a fiscalizada das ditas prorrogações, por meio do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. O segundo equivoco, no meu entendimento, consiste na alegada incompetência das autoridades fiscais para proceder a presente autuação, com o argumento de que elas efetuaram o lançamento após o prazo de validade do referido MPF. Desconhece a recorrente, por outro lado, que a presente autuação não Fl. 49DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 406 7 necessitava de emissão de MPF, haja vista o disposto no inciso II do art. 11 da citada Portaria, a seguir transcrito: Art. 11. 0 MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; (...); (grifos não originais). Ademais, ainda que assim não fosse, melhor sorte não teria a recorrente, haja vista que as falhas na prorrogação de MPF, por si só, não são causas suficientes para macular o procedimento fiscal de vicio formal insanável, que implicasse na nulidade do respectivo Auto de Infração, lavrado conforme os ditames das normas que regem o processo fiscal, a saber, os arts. 9ª e 10 do PAF. Com efeito, falhas desse jaez podem implicar apenas em responsabilidade no plano administrativo, sem afetar a higidez do lançamento tributário. Como se percebe, foram expostos os fundamentos para afastar a preliminar de nulidade e tais fundamentos não são contraditórios sob o ponto de vista lógico. Repitase, se estão ou não equivocados sob o ponto de vista da interpretação, não cabe a este Colegiado, em sede de embargos, se manifestar. 2 Nulidade das Provas Coletadas Da mesma forma, não vejo omissão ou contradição na fração do acórdão dedicada à análise dos fundamentos relativos à nulidade da prova coletada sem a expedição de Mandado de Busca e Apreensão. Em primeiro lugar, o voto condutor expõe, de maneira coerente, o raciocínio de que o estabelecimento comercial não se equipara à casa, para efeito de aplicação do inciso XI do art. 5º da Constituição Federal de 1988. Em seguida, expõe o raciocínio de que o acesso ao estabelecimento, embora acompanhado de policiais federais, não se deu por meio de uso da força bruta, tanto que o representante legal da embargante firmara o termo de fls. 162/163, onde é consignado que o acesso foi franqueado às autoridades. Ou seja, não havendo notícia, por exemplo, de arrombamento de portas, gavetas ou medida de coação, para acesso ao estabelecimento ou para assinatura do termo lavrado pelas autoridades fiscais, interpretou este Colegiado que tal acesso não ocorrera pelo uso da força bruta. Nessa linha, o que realmente o sujeito passivo busca, em sede de embargos, é a reanálise da matéria, passando este colegiado a presumir, já que não há qualquer ressalva no termo que descreve a operação, que o acesso, anteriormente limitado, só teria sido autorizado em razão de que, em função da presença das autoridades policiais, teria se sentido coagido. Não custa esclarecer, nessa senda, que não raras vezes, o acompanhamento pela autoridade policial é medida voltada à garantia da integridade das autoridades, que, ante à Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 407 8 resistência, solicita o apoio da força policial para garantir a adoção de medida prevista na legislação tributária. Não se pode, portanto, falar em omissão em razão de que não teria sido narrada a circunstância de que de que o sujeito passivo teria mudado de idéia quando da chegada dos policiais. Não há qualquer elemento que leva a presumir qual teria sido a motivação do sujeito passivo e tal presença, como já se viu, por si só, não é suficiente para caracterizar coação, pelo uso da força policial. Nessa linha, resta consignar que o acórdão expôs que, com base nos art. 34 a 364 da Lei nº 9.430, de 1996 e nos art. 1955 e 2006 do CTN, combinados, não haveria fundamento para limitar o acesso aos documentos e arquivos magnéticos do sujeito passivo que se encontrem no local da verificação da infração. Ou, em outras palavras, que a as autoridades fiscais se encontravam no cumprimento de medida prevista na legislação tributária. Expostos tais fundamentos de maneira coerente com a decisão, não vejo igualmente como considerar que houve contradição. Mais uma vez, a natureza do reclame diz respeito à interpretação da legislação e tal pretensão, penso, deve ser alvo de recurso especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, se preenchidas as condições para sua admissibilidade 3 Conclusão Com essas considerações, rejeito os embargos de declaração. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 4 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Art. 36. A autoridade fiscal encarregada de diligência ou fiscalização poderá promover a lacração de móveis, caixas, cofres ou depósitos onde se encontram arquivos e documentos, toda vez que ficar caracterizada a resistência ou o embaraço à fiscalização, ou ainda quando as circunstâncias ou a quantidade de documentos não permitirem sua identificação e conferência no local ou no momento em que foram encontrados. Parágrafo único. O sujeito passivo e demais responsáveis serão previamente notificados para acompanharem o procedimento de rompimento do lacre e identificação dos elementos de interesse da fiscalização. 5 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. 6 Art. 200. As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal, estadual ou municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando necessário à efetivação dê medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei como crime ou contravenção. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.000719/200674 Acórdão n.º 310201.337 S3C1T2 Fl. 408 9 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16327.001029/2004-06
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONCOMITÂNCIA Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura
pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF Nº 1)
APURAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO, A redução do prejuízo utilizado para
compensação do lucro apurado implica em recomposição do IRPJ devido.
JUROS DE. MORA — EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIANTE
DEPÓSITO — Nos termos definidos pela Súmula CARF n° 5, somente o
depósito do valor do credito exclui a aplicação dos juros de mora ate a força do montante depositado..
Numero da decisão: 1102-000.294
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso e determinar a suspensão do credito tributário até o julgamento das ações judiciais, nos termos do relatório voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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(Súmula CARF NP , 1) APURAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO, A redução do prejuízo utilizado para compensação do lucro apurado implica em recomposição do IRPJ devido. JUROS DE. MORA — EXIGIBILIDADE SUSPENSA MEDIANTE DEPÓSITO — Nos termos definidos pela Súmula CARF n° 5, somente o depósito do valor do credito exclui a aplicação dos juros de mora ate a força do montante depositado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Recurso Voluntário, interposto por BRADESCO BCN LEASING S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso e determinar a suspensão do credito tributário até o julgamento das ações judiciais, nos termos do relatório voto que integram o presente julgado. 40c IVETh IVIAT.(AQUIAS PESSOA MONTEIRO - PRESIDENTE Processo n" 16327 001029/2004-06 Acórd5o n " 1102-00.294 S1-C112 Fl 2 JOÃO CARLOS E A JUNIOR - RELATOR Editado em: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), Jose Sergio Gomes, (Suplente convocado), João Otávio Opperman Thorne, João Carlos de Lima junior (Vice-Presidente), Frederico de Moura Theophilo e Silvana Rescigno Guerra Barreto. Relatório Trata-se de Auto de Infração relacionado à glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente no período-base de 2001 e 2002 que gerou crédito tributário de IRPJ no valor de R$ 7A60.329,45 (sete milhões, quatrocentos e sessenta mil, trezentos e vinte e nove reais e quarenta e cinco centavos), atualizados ate agosto de 2004, incluídos juros e multa de 75%. Conforme se constata no Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM) de fls.. 02/03, a fiscalização entendeu ter havido compensação indevida de prejuizo fiscal, enquadrando tal infração nos artigos 247; 250, III e 251, parágrafo único do RIR199, Disse a autoridade fiscal, in verbis.. "Compensação indevida de prejuizo(s) .fiscal(is) apurado(s), lendo em vista a(s) reversão(ões) após o lançamento da(s) inkação(ões) constatada(s) no(s) periodo(s)- base de 1994, através deste Auto de Infiação(iies), processo 16327 002982/99- 44 O contribuinte CNPJ 47.896 709/0001-38, El/VASA LEASING ARRENDAMENTO MERCANTIL, incorporado pelo contribuinte identificado neste auto de infração efetuou compensações de prejuizos' fiscais nos anos base de 2001 e 2002 inexistentes na base de dados da SRF, em unção c/c auto de infragdo anterior, que reverteu o prejuízo dezembro/1994." Processo n" 16327 001029/2004-06 S1-CIT2 Ada&io o " 1102-1)0.294 1 1 3 Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação na qual alegou, em apertada síntese, que quando ocorreu a lavratura de um outro auto de inflação que gerou o processo administrativo na 16327.00298.2/99-44, as autoridades fazendárias efetuaram a reversão dos prejuízos fiscais registrados na documentação contábil e fiscal do ano-base de 1994, prejuízos estes que foram gerados em decorrência do alto índice de inflação (42,7.2%) apurado em janeiro de 1989. Referidos prejuízos fiscais foram utilizados pela impugnante nos anos-base de 1999 (R$ 10.850,890,74) e 2000 (R$ 724.107,30) mediante autorizações judiciais proferidas nos autos da ação ordinária n°95.0005141-9 e da medida cautelar n 94.0033725-6. Ressaltou também que a fiscalização, ao desconsiderar a existência de prejuízos fiscais, alterou lançamentos corretos, pois se utilizou da compensação de prejuízos gerados com a própria atividade da empresa e nos estritos termos da legislação tributária, como também outros prejuízos fiscais de naturezas jurídicas diversas, os quais não guardavam qualquer relação com o índice de 42,72% revertido no outro Auto de Infração . Contestou também a multa de oficio e os juros de mora, sob o argumento de que os tributos lançados estavam corn a exigibilidade suspensa, em razão das ações . judiciais movidas. Da mesma forma, contestou que a empresa autuada fora incorporada, de modo que nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional, somente a obrigação principal poderia ter sido transferida aos sucessores . Finalmente, dissertou sobre os efeitos do plano verão e os altos indices de inflação da época, os quais devem ser inseridos nas demonstrações financeiras dos contribuintes, Da mesma forma, ressaltou que as ações . judiciais foram propostas antes do ATIM, de modo que não poderia haver in casu a decretação de concomitância, bem como pleiteou a inconstitucionalidade da taxa SEL1C. A Delegacia da Receita de Julgamento de São Paulo, manteve em parte o lançamento fiscal, afastando a multa aplicada e mantendo os demais valores, nos seguintes termos: Com relação as argumentações realizadas pelo contribuinte sobre os "efeitos do plano verão", entendeu haver concomitância com a esfera judicial que impossibilitaria a ")/ Processo n" 16327 001029/2004-06 S1-CH2 Acórd5o " II02-00.294 Fl 4 análise administrativa, sendo indiferente a argumentação do contribuinte de que o processo judicial tenha sido iniciado antes da fiscalização. Quanto ao lançamento de oficio, afirmou que nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa de lançamento é obrigatória e vinculada, de tal forma que mesmo diante da suspensão do crédito tributário, é possível o lançamento, a fim de evitar a caducidade do débito. No que tange aos argumentos relativos à recomposição de prejuízos fiscais, entendeu que a recomposição realizada pela autoridade fiscal foi correta, não havendo qualquer razão para modified-la& Da mesma forma, manteve o juros de mora aplicado in caszt, nos termos do artigo .5 0 do Decreto — Lei 1..736/79 que afirma incidir juros de mora, inclusive durante o período de suspensão do crédito tributário.. Por outro lado, entendeu ser indevida a multa de oficio aplicada pela fiscalização, em virtude de o crédito tributário estar suspenso por medida judicial, conforme determina o artigo 63 da Lei n° 9.430/96.. No mais, afastou os pleitos de inconstitucionalidade e de ilegalidade suscitados pelo contribuinte, por falta de competência e por não haver qualquer ilegalidade na autuação fiscal. Ciente da decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos exarados em primeira instância.. É o relatório.. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator, Por pieencher os requisitos de admissibilidade admito o Recurso Voluntário. 4 Process° n" 16327 001029/2004-06 Sl-C1T2 AcOrdilo ri " 1102-00.294 Fl 5 Conforme se denota dos autos, a discussão a respeito dos efeitos do denominado "piano verão" e a possibilidade de compensação dos expurgos inflacionários deste período, já esta sendo realizada na esfera judicial, pelo contribuinte, havendo assim, concomitância que impede qualquer digressão sobre o assunto neste âmbito administrativo. Neste sentido, prevalece a Súmula CARF N 2 I que pacificou o assunto assim determinando: "Importa remincia às instâncias administrativas a propositura pelo strjeilo passivo de (Kilo judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lancamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciaçâo, pelo órgiio de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do pocesso judicial " Com relação ao mérito, também não ha o que se alterar, senão vejamos: A recomposição de valores efetuada pela autoridade Fiscal foi correta, não podendo prevalecer a argumentação do contribuinte de que sua elaboração alterou a compensação de prejuízos fiscais de natureza diversa da contestada in easu. Isso porque, a compensação de prejuízo fiscal de 1994 corn lucros fiscais obtidos em 1999 e 2000, alterou os anos subsequentes, pois, ao exercer a faculdade de compensação num determinado ano, o contribuinte reduz seu saldo de prejuízos compensáveis, modificando a apuração do lucro real,. Logo, os reflexos gerados nos saldos de prejuízos fiscais do contribuinte decorrem, exclusivamente, da recomposição do valor, a qual é perfeitamente passive] e deve ser realizada pela autoridade fiscal.. lsso porque, a opção pela compensação do prejuízo fiscal já havia sido realizada pelo contribuinte, de modo que a recomposição da base de cálculo realizada pela autoridade fiscal se fez necessária para a adequação dos valores apurados nos anos seguintes. Este entendimento é corroborado pela jurisprudência deste E. Conselho, que já teve a oportunidade de se manifestar sobre o assunto, Vejamos: I" Conselho de Contribuintes / 5a. Camara / ACORDÃO 10.5-I6946 em 17.04.2008 Processo n" 16327 00102912004-06 Acórao " 1102-00,294 Fl 6 IRPJ E OUTROS EXS 1992 a 1994 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1992, 1993, 1994 Ementa: APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE - Não havendo expressa disposição legal em sentido contrário, a constatação de infrações imp/3e a recomposição da base de cálculo. No caso vertente, não merece reparo a decisão de primeira instância que reduzia da matéria tributável apurada o prejuízo fiscal apurado nos respectivos períodos, bem COMO procedeu a compensação dos apurados em per/or/os anteriores. Recurso de oficio.. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio Recurso voluntário: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, JOSE CLOVIS ALVES - PRESIDENTE. Publicado no DOU env 05.03.2009 Relator WILSON FERNANDES GUIMARÃES RecoiTente, 1" TURMA/DRJ- SALVADOR/BA e MOW SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA. " Grilb Nosso "1" Conselho de Contribuintes / Ia. câmara / ACÓRDÃO 101-96.434 em 0&1L2007 IRPJ E OUTRO - Ex(s).. 2000 GLOSA DE DESPESAS - Se os fitos descritos revelam que o valor da divida assumida corresponde a prep de aquisição definitiva da marca, correta a glosa do valor de quitação da dívida, contabilizado coma despesa. DEDUÇÃO DO PREJUIZO FISCAL E DA BASE NEGATIVA DA (JSLL DO PERÍODO - A fdosa da despesa implica recomposição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurada no período pelo contribuinte. Devem ser deduzidos os prejuízos não utilizados no REFIS, e a verdadeira base negativa da CSLL, admitida a retificação do erro de preenchimento da declaração apurado simplesmente à sua vista. JUROS DE MORA - SEL1C - A partir de I" de abril de 1995, os . juros moratórias incidentes sabre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1" CC n" 4) Decisão: I) Por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso de oficio, - 2) Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir a base de cálculo da CSLL,ao valor de R$ 6.717,045,57, vencido o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que deu provimento integral ao recurso. Antot IO Jose Praga de Souza - Presidente. 6 Processo n" 16.327 001029/2004-06 S 1 -Cl T2 At:6rdilo n" I102-00,294 Fl 7 Publicado no DOU em, 26 03...2008 Relator • Sandra Maria Faroni Recorrente .5" TURMA/DIU-SJO PAULO/SP l e GAFISA S A." Grifb Nosso. "I" Conselho de Contribuintes / 8a. Camara / ACÓRDÃO 108-08.956 en? 1608.2006 IRPJ M.: 2001 a 2004 PAF NULIDADES Não provada violação às regras do artigo 142 do CTN nem do.s artigos 10 e 59 do Decreto 70.23.5/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que fármalizou aexigênc ia fiscal. PAF DENÚNCIA ESPONTÂNEA - EXTENS;f0 DO CONCEITO - A denúncia espontânea acontece quando o contribuinte, sem qualquer conhecimento do administrador tributário, confessa fato tributário delituoso ocorrido e promove o pagamento do tributo e acréscimos legais correspondentes, nos termos do artigo 138 do CTN. IRPJ AJUSTE DO LUCRO LiOUIDO - Havendo redução indevida na base de cálculo do tributo correta a recomposição realizada enz procedimento de oficio. ) Recurso parcialmente provido. For maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduEir multa isolada para („.". Vencidos os Conselheiros Karen? Jureidini Dias e Margil Mamão Gil Nunes que a e.xcluiam e o Conselheiro Dorival Padovan que também a limitava ao valor do imposto declarado no/ind do exercício. DORIVAL PADO VAN- PRESIDENTE Publicado no DOU em: 0101 .2007 Relator: IVETE MALAOWAS PESSOA MONTEIRO Recorrente.' PILILA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS E CONEXOS LTDA. Recorrida.' 5" TURMA/DRJ-RIBE1RÂO PRETO/SP." Grifo Nosso Da mesma forma, no prevalece a argumentacao de que as decisões judiciais obtidas pelo contribuinte impediriam a corrência de juros para os créditos tributários lançados no presente caso 7 Process() ri" 16327.001029/2004-06 Si -CI 12 AcárdAo " 1102-00194 Fl 8 Col-1161111e se denota do entendimento sumulado por este E. Conselho, somente o depósito do valor controvertido é capaz de impedir a incidência de juros, não bastando a mera suspensão do crédito tributário. Neste sentido, afirma a Súmula CARE' n° 5: "Scio devidos juros de mora sobre o crédito tributário nelo integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando exigir depósito do montante integral." Sendo assim, não pode prevalecer os pedidos realizados no recurso voluntário. Entretanto, cumpre destacar que em análise ao site do Tribunal Regional Federal da 3" região, pude perceber que os processos movidos pelo contribuinte (processo 2001..03.99.056780-3 e 20010199.056781-5) ainda estão em andamento, de modo que o crédito tributário neles discutidos ainda estão com a exigibilidade suspensa. Sendo assim, nego provimento ao recurso voluntário e determino a suspensão do crédito tributário cobrado no presente Auto de Infração e Imposição de Multa até a decisão final dos processos judiciais acima destacados; como voto. Sala das Sessaes (DF)i 01 de setembro de 2010, JOÃO CA LOS D r LIMWNIOR
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Numero do processo: 10680.008638/2006-34
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO - Dá-se provimento a
Embargos de Declaração quando restar comprovada a contradição entre o resultado da decisão e a conclusão do voto vencedor.
IRPJ - ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - A exclusão do sistema de pagamento do SIMPLES e a inexistência de escrituração adequada implicam na apuração da base de cálculo do imposto mediante o arbitramento do lucro.
FRAUDE. - A realização de operações financeiras da empresa mediante a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas, como forma de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto, materializa a intenção dolosa de fraudar o recolhimento do tributo.
IRPJ - DECADÊNCIA — FRAUDE - Comprovada a fraude, a contagem do
prazo decadencial rege-se pela regra do art. 173, I, C.T.N.
CSLL - DECADÊNCIA - O prazo de decadência das contribuições sociais, comprovada a fraude, é aquele estabelecido no art. 173, I, do C.T.N. (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador)que tem caráter de Lei Complementar, não podendo a Lei Ordinária n° 8.212/91, hierarquicamente inferior, estabelecer prazo diverso.
MULTA DE OFICIO - QUALIFICADA - Aplicável a multa qualificada de 150% quando comprovada a ocorrência de omissão de receitas com evidente intuito de fraude.
JUROS DE MORA - APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - A cobrança de juros de
mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da
competência desta instância administrativa a apreciação da
constitucionalidade de atos legais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECOR CIA - PIS - COFINS -
CSLL - A manutenção do lançamento do IRPJ implica na exigência dos lançamentos decorrentes para as contribuições sociais.
Numero da decisão: 105-16.867
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para corrigir a contradição existente entre o Acórdão e voto contido na decisão n° 105-14.782 de 28.02.2005, declarando que o período alcançado pela decadência é janeiro a novembro de 1996 e não o que constou no voto vencedor de janeiro de 1996 a dezembro de 1997 e complementar a decisão com as ementas omitidas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Irineu Bianchi
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QUINTA CÂMARA Processo n°. :10680.008638/2006-34 Recurso n°. :137.719 Matéria : IRPJ e OUTROS - EXS.: 1997 a 2001 Embargante : DRF/ARA9ATUBA/SP Embargada : QUINTA CAMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : HALE - LUX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PERSIANAS LTDA. •Sessão de : 24 DE JANEIRO DE 2008 Acórdão n°. :105-16.867 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CONTRADIÇÃO - Dá-se provimento a Embargos de Declaração quando restar comprovada a contradição entre o resultado da decisão e a conclusão do voto vencedor. IRPJ - ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - A exclusão do sistema de pagamento do SIMPLES e a inexistência de escrituração adequada implicam na apuração da base de cálculo do imposto mediante o arbitramento do lucro. FRAUDE. - A realização de operações financeiras da empresa mediante a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas, como forma de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto, materializa a intenção dolosa de fraudar o recolhimento do tributo. IRPJ - DECADÊNCIA — FRAUDE - Comprovada a fraude, a contagem do prazo decadencial rege-se pela regra do art. 173, I, C.T.N. CSLL - DECADÊNCIA - O prazo de decadência das contribuições sociais, comprovada a fraude, é aquele estabelecido no art. 173, I, do C.T.N. (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador) que tem caráter de Lei Complementar, não podendo a Lei Ordinária n° 8.212/91, hierarquicamente inferior, estabelecer prazo diverso. MULTA DE OFICIO - QUALIFICADA - Aplicável a multa qualificada de 150% quando comprovada a ocorrência de omissão de receitas com evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA - APLICAÇÃO DA TAXA SELIC - A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DECOR CIA - PIS - COFINS - CSLL - A manutenção do lançamento do IRPJ ' pli - na exigência dos lançamentos decorrentes para as contribuições so• ais. 5 .. ,, . '.. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n.°. :10680.008638/2006-34 Acórdão n°. :105-16.867 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de embargos de declaração interposto pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL em ARAÇATUBA/SP ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para corrigir a contradição existente entre o Acórdão e voto contido na decisão n° 105-14.782 de 28.02.2005, declarando que o período alcançado pela decadência é janeiro a novembro de 1996 e não o que constou no voto vencedor de janeiro de 1996 a dezembro de 1997 e complementar a decisão com as ementas omitidas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 7 / O 10 3 CLÓVIS • VES • -sidente 4' e€,À e„_„.22 , RINEU BIANCHI 'Relator Formalizado em: 37 mAR 21:138 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, MARCOS ANTÔNIO PIRES (Suplente Convocado) e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausentes, justificadamente os Conselheiros MARCOS RODRIGUES DE MELLO e WALDIR VEIGA ROCHA. 2 • •• 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 c.• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. N'L QUINTA CÂMARA Processo n.°. :10680.008638/2006-34 Acórdão n°. :105-16.867 Relatório Tratam os autos de exigência de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e acréscimos legais referente a fatos geradores compreendidos entre o período de janeiro de 1996 a dezembro de 1997, tendo em vista a constatação de omissão de receitas. Levado a julgamento o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, por proposta do conselheiro relator, foi dado parcial provimento ao recurso, reconhecida que foi a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir créditos tributários relativos ao IRPJ por fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 1996. Por maioria de votos, contudo, a Câmara entendeu que a decadência abrangia também os créditos tributários relativos às contribuições sociais dos mesmos períodos. vista do respectivo acórdão, a DRF de Araçatuba (SP), através do despacho de fls. 4142, apontou a existência de contradição entre o resultado do julgamento (fls. 4114) e a conclusão do voto vencedor (fls. 4129), determinando a devolução dos autos a este Colegiado para as providências de correção. O expediente foi recepcionado como Embargos Declaratórios. O conselheiro relator manifestou-se às fls. 4143/4144, propondo o acolhimento dos embargos para a devida retificação. Acolhidos os embargos pelo Presidente da r •, a matéria deve ser submetida à apreciação do Colegiado, na forma regimental. e É o Relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA •:" tre PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ".p QUINTA CÂMARA Processo n.°. :10680.008638/2006-34 Acórdão n°. :105-16.867 Voto Conselheiro IRINEU BIANCHI, Relator Trata-se de interposição de Embargos Declaratórios por parte da DRF de Araçatuba (SP), diante de contradição existente entre o resultado do julgamento e o conteúdo do voto vencedor. Com efeito, na sessão de 21 de outubro de 2004 foi realizado o julgamento do recurso voluntário de que tratam os presentes autos, através do acórdão n° 105-14.782 (fls. 4114/4129). Na oportunidade, por proposta do conselheiro relator, à unanimidade, foi acolhida a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ dos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a novembro de 1996. Por maioria de votos, a Câmara decidiu acolher a decadência em relação às contribuições sociais do mesmo período. Contudo, ao redigir o voto vencedor, o conselheiro relator, consignou como decaído o período compreendido entre janeiro de 1996 a dezembro de 1997, o que motivou a interposição dos Embargos ora em exame. O engano foi constatado pelo conselheiro relator na oportunidade em que exarou o despacho de fls. 4143/4144, concluindo pela efetiva existência do vício alegado e propondo o acolhimento dos embargos interpostos para a devida retificação. A divergência entre o voto vencido e o voto vencedor residiu apenas no fato de que para a maioria do Colegiado, as contribuições sociais estão sujeitas ao prazo decadencial de cinco (5) anos, ao contrário do entendimento da minoria. Por conseguinte, não havendo divergência entre o marcls inicial e final para a contagem do prazo decadencial, nem mesmo quanto à aplica, -o da egra contida no art. 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA .: ..:-:. 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. .p. n,,itT' . QUINTA CÂMARA Processo n.°. :10680.008638/2006-34 Acórdão n°. :105-16.867 173, I, do C.T.N., pelo reconhecimento da fraude, o vício apontado nos embargos deve ser retificado. De outra parte, verifico que o acórdão proferido por esta Câmara contém apenas a ementa relativa à decadência das contribuições sociais, matéria que foi objeto do voto vencedor, omitindo-se quanto às demais matérias. Devendo a ementa retratar sinteticamente todo o julgado, necessário se faz complementar a decisão proferida, complementando-a com as ementas omitidas. ISTO POSTO, conheço dos embargos e voto no sentido de DAR-LHE PROVIMENTO para RE-RATIFICAR o acórdão n° 105-14.782, declarando alcançados pela decadência os créditos tributários de IRPJ e contribuições sociais relativos aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 1996, inclusive e para complementar a o.decisão c e ' mentas omitidas. - a das Sessões, em 24 de janeiro de 2008. 4 I gko._2_. RINEU BIANCH7I 5 Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13971.001207/2003-17
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO. INFLUÊNCIA DE ESTIMATIVAS PASSADAS TAMBÉM COMPENSADAS. APRESENTAÇÃO TARDIA DA DCTF. A compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 1995 com débitos de estimativas de IRPJ apurados ao longo do ano-calendário 2000 não dependia da apresentação de DCTF e era formalizada na escrituração contábil do sujeito passivo. Não prospera a inadmissibilidade deste tipo de compensação fundada, apenas, na apresentação tardia da DCTF relativa aos débitos compensados. Desconstituídos os óbices opostos pela autoridade fiscal à confirmação das estimativas que compõem o saldo negativo, deve ser ele reconhecido para utilização na compensação declarada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1101-000.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior que dava provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Gilberto Baptista.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO. INFLUÊNCIA DE ESTIMATIVAS PASSADAS TAMBÉM COMPENSADAS. APRESENTAÇÃO TARDIA DA DCTF. A compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1995 com débitos de estimativas de IRPJ apurados ao longo do anocalendário 2000 não dependia da apresentação de DCTF e era formalizada na escrituração contábil do sujeito passivo. Não prospera a inadmissibilidade deste tipo de compensação fundada, apenas, na apresentação tardia da DCTF relativa aos débitos compensados. Desconstituídos os óbices opostos pela autoridade fiscal à confirmação das estimativas que compõem o saldo negativo, deve ser ele reconhecido para utilização na compensação declarada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior que dava provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 12 07 /2 00 3- 17 Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 3 2 EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Gilberto Baptista. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A interessada apresentou, em 13.05.2003, a Declaração de Compensação – DCOMP de fls. 01/02, fundada em alegado direito creditório derivado de saldos negativos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, datados do anocalendário de 2002, nos valores respectivos de R$ 1.035.056,54 (um milhão, trinta e cinco mil, cinquenta e seis reais e cinquenta e quatro centavos) e de R$ 338.160,38 (trezentos e trinta e oito mil, cento e sessenta reais e trinta e oito centavos). Analisando o pleito, a d. DRF de origem prolatou, em 26.04.2005, o despacho decisório de fls. 886/899. Na oportunidade, a repartição competente constatou que a postulante apresentara, no exercício de 2003, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, relativa ao anocalendário de 2002, dentro da sistemática do lucro real anual. Examinando as peças processuais, verificou se, também, que, naquele anocalendário, foram levantados balanços ou balancetes de suspensão ou de redução, tanto para o imposto quanto para a contribuição, tendo os respectivos débitos sido extintos, em parte, por pagamento, e, em parte, por compensação com saldos negativos apurados no anocalendário de 2001 (fls. 20/41 e 49/57). Ainda nessa toada, constatouse que tais saldos teriam origem em compensações efetuadas em períodos anteriores – o que levou a autoridade originária a conduzir as apurações, retroativamente, até o anocalendário de 1998, no caso do IRPJ, e até o anobase de 1995, no caso da CSLL. Depois desta análise, tais compensações foram avaliadas da seguinte forma: A. IRPJ A.1. ANOCALENDÁRIO DE 1998 Neste anocalendário, a interessada compensou os valores de IRPJ devidos por estimativa com Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no total de R$ 796.601,74 (setecentos e noventa e seis mil, seiscentos e um reais e setenta e quatro centavos) (fls. 375/387). Examinando os respectivos comprovantes, a autoridade originária constatou que alguns deles não permitiam identificar se o imposto seria ou não compensável, enquanto outros consistiam em simples extratos fornecidos por Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 5 4 instituições financeiras, que não se conformavam às normas que regem a matéria. Assim sendo, aceitouse, como IRRF compensável, o valor de R$ 1.059.736,94 (um milhão, cinquenta e nove mil, setecentos e trinta e seis reais e noventa e quatro centavos), conforme Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF, fls. 407/409), acrescido do importe de R$ 3.530,12 (três mil, quinhentos e trinta reais e doze centavos), relativo ao imposto retido de “Fiovale S.A.” (CNPJ/MF n° 82.636.457/0001 51), incorporada pela peticionária. Considerandose que o imposto retido de Fiovale S.A. havia sido aproveitado, por esta, em sua declaração de encerramento, atribuíramse à interessada apenas as retenções posteriores à incorporação, ou seja, as ocorridas entre outubro e dezembro de 1998 (fls. 837/847). A.2. ANOCALENDÁRIO DE 1999 Neste período, a interessada também compensou seus débitos de IRPJ por estimativa, valendose tanto do saldo negativo apurado no anocalendário de 1997, conforme processo administrativo nº 13971.000689/9922, quanto do saldo negativo apurado no anocalendário de 1998. Quanto à primeira parcela, entendeu a d. DRF de origem que a interessada agira corretamente; especialmente no que tange ao aproveitamento do saldo negativo do anocalendário de 1998. A repartição originária, porém, verificou que tais débitos de IRPJ por estimativa não haviam sido informados, na época própria, em Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, vindo o contribuinte a fazêlo apenas em abril de 2005, por meio de DCTF’s retificadoras (fls. 849/857). Diante da inexistência de processo administrativo referente ao saldo negativo de 1998, entendeu a d. DRF de origem que tal compensação não fora formalizada, sendo, além disso, intempestiva a apresentação das mencionadas DCTF’s retificadoras. Por via de consequência, o saldo a pagar de IRPJ, apurado neste anocalendário, seria positivo, e não negativo. A.3. ANOCALENDÁRIO DE 2000 Neste anocalendário, repetiuse a compensação de parte dos valores devidos, a titulo de estimativa mensal, com IRRF, no valor de R$ 176.832,10 (cento e setenta e seis mil, oitocentos e trinta e dois reais e dez centavos). Remanesceram, porém, saldos a pagar, sem que os bancos de dados da Receita Federal do Brasil – RFB acusassem os respectivos pagamentos. Assim, intimouse a interessada a apresentar cópias das DCTF’s do período, com vistas a confirmar a extinção dos referidos débitos, nos meses de janeiro a março e agosto de 2000, bem como a retificar valores que apresentavam inconsistências entre o que se declarou na DIPJ e na DCTF, nos meses de abril, junho e setembro de 2000 (fls. 858/866). Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 6 5 Como resultado destes procedimentos, apurouse, novamente, saldo positivo de IRPJ a pagar (fl. 893). A.4. ANOCALENDÁRIO DE 2001 Neste anocalendário, o IRPJ devido por estimativa foi, em parte, extinto por pagamento. O restante foi objeto de compensação com IRRF, com suposto saldo negativo do anocalendário de 2000 e com compensação aviada por meio de DCOMP, constante de outro processo administrativo. A d. DRF de origem, em face das considerações acima, entendeu que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 seria menor do que o pretendido pela interessada, conforme quadro de fl. 863. A.5. ANOCALENDÁRIO DE 2002 Aqui, repetiuse a pretendida extinção de IRPJ, devido por estimativas mensais, pelas vias do pagamento e da compensação com direitos creditórios – dentre os quais, o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário anterior. Uma vez que este saldo, como relatado, seria inferior ao pretendido pela interessada, chegouse à conclusão de que esta dispunha, efetivamente, de apenas R$ 154.206,17 (cento e cinquenta e quatro mil, duzentos e seis reais e dezessete centavos), contados como crédito oponível à Fazenda, a ser compensado com os débitos listados na DCOMP inicial. B. CSLL Procedeuse a cálculos similares com relação à CSLL, apurandose um direito creditório de R$ 338.160,38 (trezentos e trinta e oito mil, cento e sessenta reais e trinta e oito centavos) – ou seja, idêntico ao pleiteado pela interessada (fl. 02). Ciente, em 05.05.2005, do despacho decisório telado, a postulante manifestou, em 06.06.2005, sua inconformidade, por meio da solicitação de fls. 925/953, a seguir resumida: Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 7 6 i. à guisa de preliminar, decaiu o direito da União de “glosar compensações e exigir tributos de períodos anteriores a 30/04/00”, eis que o presente despacho decisório foi entregue à sociedade somente em 05.05.2005. Assim sendo, a Receita Federal poderia glosar, em tese, apenas compensações retroativas a 05 (cinco) anos, ou seja, compensações efetuadas a partir de 05.05.2000; ii. “(...) não há como a Fazenda querer agora, em maio de 2005 (data da ciência do despacho decisório), constituir crédito tributário através de glosas de compensações, relativo a fato gerador ocorrido nos anos bases de 1997, 1998 e 1999. Tais valores poderiam, no máximo, ser exigidos até 01/01/05 (...)”; iii. “no que tange a glosa de compensações relativas aos anos de 1998, 1999 e 01/01/00 a 30/04/00, já restou demonstrado que não poderão ser acatadas porque foram atingidas pela decadência. De qualquer forma, outros fundamentos minam a pretensão da Fazenda, conforme restará demonstrado”; iv. em relação à glosa de parte dos valores compensados com IRRF do anobase de 1998, não caberia, à autuada, a responsabilidade pela emissão dos informes de rendimentos. Há, contudo, de fato, discrepâncias entre os valores questionados, conforme se relaciona às fls. 935/936; v. com respeito às “compensações com saldos negativos, efetuadas nos anosbases de 1999 e 2000”, “o prazo decadencial deve ser contado com especial atenção a sistemática de lançamento do tributo, peculiaridade que decorre do próprio sistema do CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre pela homologação, expressa ou tácita, do fato gerador efetivamente ocorrido. E o prazo para homologar, é de cinco anos a contar do fato gerador”; vi. “Como a Fazenda não homologou expressamente os pagamentos que originaram os saldos negativos ocorreu a homologação tácita, conforme dispõe o art. 150, § 4°, do CTN, considerandose extinto o crédito tributário cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores. Assim sendo, o prazo de cinco anos para exercer o direito de pedir restituição/compensação tem como data inicial justamente a data final que a Fazenda tinha para homologar o crédito restituendo”; vii. “(...) No que se refere ao IRPJ, como os fatos geradores ocorreram no encerramento (31/12) dos anosbases 1995, 1996, 1997 e 1998, a homologação tácita com a extinção do crédito operouse em 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente, somente a partir dai com a extinção do crédito tributário é que começa afluir o prazo prescricional de 5 anos para pleitear a restituição/compensação”; viii. “Assim, como a Requerente apurou os saldos negativos no encerramento dos anosbases 1995 a 1998, a homologação tácita dos Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 8 7 valores pagos em 1995, ocorreu somente em 31/12/2000, dos saldos negativos apurados em 1996. em 31/12/2001, dos saldos negativos apurados em 1997, em 31/12/2002 e dos saldos negativos apurados em 1998, em 31/12/2003, e só a partir dai contase cinco anos para o prazo prescricional para declarar a compensação, ou seja, a prescrição irá ocorrer somente em 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008”; ix. “Ainda, o STJ, em reiteradas decisões, determina que, sendo o caso de homologação tácita, dispõe o contribuinte do prazo de dez anos para postular a restituição/compensação, a contar do fato gerador (...), cinco dos quais relativos a homologação tácita e os outros cinco ao prazo prescricional propriamente dito”; x. Não será o mero e suposto descumprimento de obrigações acessórias – ou seja, a falta de informação, em DCTF, de que os valores haviam sido compensados – que poderá extirpar o direito do contribuinte de compensar saldos negativos decorrentes de pagamentos a maior que o devido, nos períodos mencionados (1995 a 1998). Originase a obrigação tributária de pagar tributo das glosas efetuadas, sem amparo em fato gerador efetivamente ocorrido; xi. A requerente apenas teria cometido, se fosse o caso, o descumprimento de uma simples obrigação acessória, diante da compensação sem a correspondente informação em DCTF. Todavia, este fato poderia, quando muito, resultar na imposição de uma multa, e nunca na exigência de tributos. É inegável que o descumprimento de obrigação acessória não pode acarretar a exigência de tributo indevido; A 4ª TURMA – DRJ EM BELO HORIZONTE – MG, ao julgar a manifestação protocolada, decidiu por indeferila. O decisum referido recebeu, pois, ementa assim redigida: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 LITÍGIO Nos processos de compensação tributária, não se considera litigiosa a parcela do pedido que foi concedida ao contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 9 8 Exercício: 2003 DECADÊNCIA As disposições legais atinentes a. decadência do direito de efetuar lançamento não se aplicam as diligências para averiguar a liquidez e certeza do direito creditório alegado pelo contribuinte. CADUCIDADE DO PRAZO PARA PEDIR RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendida, no caso dos lançamentos por homologação, o momento de seu pagamento antecipado. DCTF Obrigatória a prestação, em DCTF, de todas as informações relativas aos IRPJ, inclusive sobre sua apuração por estimativas mensais. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA Por via de regra, nem uma nem outra gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Tributária federal. Solicitação indeferida.” Intimado do aresto em 12.11.2008 (fl. 1148), interpôs o contribuinte, em 12.12.2008, Recurso Voluntário (fls. 1153/1183) a este conselho, elucidando argumentos similares aos agitados na instância precedente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator, BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 10 9 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. Consoante se explanou, versa o presente debate sobre a DCOMP de fls. 01/02, arrimada em suposto direito creditório derivado de saldos negativos de IRPJ e de CSLL, atinentes ao anobase de 2002, nos valores respectivos de R$ 1.035.056,54 (um milhão, trinta e cinco mil, cinquenta e seis reais e cinquenta e quatro centavos) e de R$ 338.160,38 (trezentos e trinta e oito mil, cento e sessenta reais e trinta e oito centavos). O despacho decisório de fls. 886/899 reconheceu a totalidade do saldo negativo de CSLL informado. Em relação ao saldo negativo de IRPJ, contudo, a autoridade fazendária de origem perfilhou cifra limitada a R$ 154.206,17 (cento e cinquenta e quatro mil, duzentos e seis reais e dezessete centavos). As conclusões fazendárias, responsáveis por fundamentar a parcial glosa do direito creditício pontificado, derivaram de trabalhos de recomposição dos saldos negativos de IRPJ declarados, ano a ano, em DIPJ, desde 1998. Ditos montantes, afinal, haviam sido empregados, de forma sucessiva e contínua, para a quitação parcial de estimativas mensais de.imposto referentes aos períodos de apuração imediatamente posteriores, até o anobase de 2002. Para melhor estudarmos a correção ou a incorreção das glosas concretizadas, passaremos em revista as ilações encampadas tanto pelo despacho decisório exordial quanto pela peça recursal. Passemos a isso. (i) Saldos negativos de IRPJ respeitantes aos anoscalendários de 1998 e 1999 Segundo noticiado, o despacho decisório de fls. 886/899 foi cientificado, à recorrente, em 05.05.2005. Na ocasião, a i. DRF de origem buscou verificar a formação retroativa do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002. Durante este labor, chegouse a estudar, inclusive, as formações de saldos negativos dos anosbase de 1998 e de 1999 – alegadamente, origem das constantes compensações subsequentes. A i. autoridade competente sumarizou suas considerações, no que tange ao período de apuração de 1998, à fl. 890. No que concerne ao anobase de 1999, fez constar, à fl. 891, quadro sinótico, indicativo dos motivos para a desconsideração de parte dos recolhimentos mensais de estimativas. Não nos imiscuiremos nas considerações de mérito levantadas pela Fiscalização. A nós, para todos os efeitos, parece ser impossível que a Fazenda possa glosar ou modificar dados – inclusive os relativos a saldos negativos de IRPJ – informados em DIPJ’s atreladas a períodos de apuração findos há mais de 05 (cinco) anos, retroagidos a partir da data de ciência do despacho decisório. É usual, sem dúvida, que contribuintes aviem DCOMP’s voltadas a fazer compensar, como créditos, saldos negativos de IRPJ ou de CSLL formados, total ou Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 11 10 parcialmente, por quitações de estimativas mensais operadas mediante aproveitamento de outros saldos negativos pretéritos. Espeque nesse fato, o Fisco tem, contumazmente, realizado digressões a respeito da composição de todos os saldos negativos utilizados, analisando e glosando bases de cálculo de tributos já atingidos, há muito, pela decadência, qualquer que seja o critério de cômputo adotado. Nada mais insidioso, em meu sentir. Sabese que o Fisco vem adotando procedimentos sistemáticos e periódicos voltados à revisão das declarações entregues pelos contribuintes. Há uma rotina de verificação, posta a funcionar pela Fazenda, das obrigações acessórias cumpridas pelos sujeitos passivos, consubstanciadas no preenchimento e na transmissão de declarações obrigatórias, dotadas ou não de caráter confessional. É deverpoder do Fisco realizar tal espécie de revisão, especialmente em relação à DIPJ. Perquirindo as informações constantes desta declaração, em cotejo com os elementos documentais de substrato, o Fisco pode e deve empreender os ajustes necessários, glosando valores de estimativas, de retenções e de saldos negativos, reduzindo compensações exacerbadas de prejuízos fiscais e de bases negativas de cálculo da CSLL e, se for o caso, lançando de ofício eventuais saldos positivos de imposto e de contribuição insolvidos (acaso, claro, tais importâncias já não tenham sido autolançadas, via DCTF). Ora, a prerrogativa fazendária de retificar oficiosamente a DIPJ, majorando débitos ou minorando créditos do sujeito passivo, não é, a toda evidência, perene e irrestrita. Ao verificar a incorreção dos cálculos do contribuinte, ensejadora de mensuração insuficiente das exigências de IRPJ e de CSLL, o Fisco deverá constituir as diferenças apuradas, de ofício, dentro do prazo quinquenal de decadência preconizado pelo artigo 150, § 4º, do CTN, se existente pagamento antecipado parcial, ou pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, se não houver tal espécie de recolhimento espontâneo. A limitação temporal em questão, corolário máximo da segurança jurídica na seara tributária, não cabe, entretanto, somente nos casos em que se averigue apuração minorada de débito, a ser sanada por meio de formalização ex officio. As glosas de direitos creditórios declinados em DIPJ, por também influírem na esfera patrimonial do sujeito passivo, não podem, igualmente, ser realizadas a qualquer tempo, ao talante fiscal. Também elas, noutros termos, devem estar sujeitas à observância do lustro de caducidade. À guisa de conclusão, pois, temos que a atividade de revisão da DIPJ, seja para fins de constatação de passivos de IRPJ e de CSLL informados a menor, seja para a perpetração de glosas de saldos negativos, prejuízos fiscais ou bases negativas de cálculos, deve ser realizada dentro de um limite temporal preciso. In casu, considerando a existência de recolhimentos antecipados, feitos a título de estimativas mensais, não há dúvidas de que a retificação dos eventuais saldos negativos indicados na DIPJ/1999 e na DIPJ/2000 só poderia ocorrer até 31.12.2003 e 31.12.2004, respectivamente – datas estas anteriores, repitase, à da ciência do despacho decisório de fls. 886/899, ocorrida em 05.05.2005. Assim, é essencial que, na apuração do direito creditório informado pela DCOMP de fls. 01/02, consideremse incólumes os saldos negativos de IRPJ relatados nas DIPJ’s dos períodosbase de 1998 e de 1999. Vejamos, agora, a situação dos demais anoscalendários. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 12 11 (ii) Saldo negativo de IRPJ respeitante ao anocalendário de 2000 No que se reporta ao saldo negativo de IRPJ apurado no anobase de 2000, cremos ser possível, sim, que o Fisco o revise e o glose, a fim de modular os efeitos diretos ou indiretos que ele pode surtir na quantificação do direito creditício compensável. O despacho decisório atacado, ao tratar das glosas condizentes a este ano, desconsiderou, basicamente, parcela substancial das compensações de estimativas mensais perpetradas, sempre que operadas mediante aproveitamento de saldo negativo do anobase de 1995. Isso é o que se pode depreender do quadro sinótico encartado à fl. 894, por meio do qual se informou, in verbis, o seguinte fundamento fazendário: “Qto à compensação c/ ac 1995, só está sendo declarada a SRF em abr/2005, fora, portanto, do prazo legal de 05 anos que o contrib. teria para fazêlo. O direito ao crédito decaiu.” Arguiu a i. DRF de origem, então, que, a partir de toda a recomposição engendrada, teria exsurgido, em verdade, saldo positivo (a pagar) de IRPJ, equivalente a R$ 672.816,75 (seiscentos e setenta e dois mil, oitocentos e dezesseis reais e setenta e cinco centavos). A exegese fazendária, por evidente, não merece prosperar. O prazo para restituição ou para compensação de créditos, mormente os derivados de pagamentos indevidos ou a maior – como sucede, por exemplo, no caso de saldos negativos formados a partir de recolhimentos de estimativas mensais totalizadoras de cifras maiores do que as dos tributos complexivos, – foi explanado, com foros de definitividade, pelo Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, sujeito à sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil. No bojo deste julgamento, o Pretório determinou, mais precisamente, segundo exegese constitucional do artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, que o interregno aplicável às reclamações de indébitos – quer administrativos, quer judiciais – deveria ser um dos seguintes: i. pleitos anteriores a 09.06.2005, inclusive: prazo decadencial ou prescricional equivalente a 05 (cinco) anos, computados da data da homologação tácita ou expressa do pagamento antecipado indevido ou a maior; Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 13 12 ii. pleitos posteriores a 09.06.2005: prazo decadencial ou prescricional correspondente a 05 (cinco) anos, contados do átimo em que fosse realizado o pagamento antecipado indevido ou a maior. Transcrevase, por oportuno, a ementa do indigitado aresto, exarado pelo Pleno do STF: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade ou aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 14 13 Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso Extraordinário desprovido.” Importa recordar que a orientação sob escólio é de observância obrigatória por este Conselho, forte no artigo 62A, caput, da Portaria MF nº 256/09: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No caso concreto, parecenos claro que o saldo negativo de IRPJ questionado, apurado no anobase de 1995, poderia, sim, ser empregado para a compensação de débitos de estimativas do imposto atreladas ao anocalendário de 2000. Mesmo que se entendesse, na esteira do despacho decisório dissecado, que o encontro de contas só foi informado ao Fisco no mês de 04.2005 (o que não é verdade), deverseia, ainda assim, observar prazo decenal de decadência, e não quinquenal. Destarte, devem ser consideradas, na mensuração do direito creditício citado às fls. 01/02, as estimativas mensais de IRPJ solvidas, no anobase de 2000, com o emprego de valores tocantes ao saldo negativo do imposto formado no anobase de 1995. (iii) Saldo negativo de IRPJ respeitante ao anocalendário de 2001 Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 15 14 Em terceiro lugar, no que respeita ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001, assim constou do despacho decisório exordial (fl. 895): “No decorrer do anocalendário 2001, o imposto de renda devido mensalmente foi em parte compensado com imposto de renda retido na fonte (R$ 430.813,20), em parte pago com DARF (R$ 3.141.551,03), em parte compensado com saldo negativo do anocalendário 2000 (836.174,15) e o restante compensado em processo administrativo de DCOMP (R$ 235.887,79). A compensação com o imposto de renda retido na fonte encontra respaldo nas informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF, quanto ao valor de R$ 71.348,21 relativo a maio/01, foi o mesmo pago (fls. 238/249, 267/290 e 303/306). Das vinculações acima mencionadas não acataremos o valor total informado a titulo de compensação com saldo negativo do anocalendário 2000, uma vez que, conforme descrito acima, constatamos saldo a pagar do imposto no referido período e não saldo favorável ao contribuinte, ficando dessa forma o saldo do imposto de renda do ano calendário 2001 constituído pelos valores abaixo demonstrados: (...)” Vêse, sem dificuldade, que as glosas relativas ao anocalendário de 2001 são reflexos diretos daquelas imanentes ao período de apuração imediatamente anterior. Desta maneira, não há dúvidas de que o trabalho de recomposição, para o período de apuração sob escólio, deve considerar as linhas determinadas, por nós, para o anobase de 2000. (iv) Saldo negativo de IRPJ respeitante ao anocalendário de 2002 Por fim, estudemos as glosas cominadas ao saldo negativo de IRPJ declinado na DIPJ/2003. Acerca destes valores, o despacho decisório inaugural expôs o que segue: “Em relação ao anocalendário 2002, segundo declaração do requerente, os valores do imposto de renda devidos no decorrer do período foram em parte compensados com imposto de renda retido na fonte (R$ 153.795,87), em parte com saldo negativo relativo ao anocalendário 2001 (R$ Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 16 15 1.844.973,88), em parte compensados em processo administrativo de DCOMP (R$ 314.151,97) e o restante pago (R$ 5.294.616,77), resultando em urna estimativa total de R$ 7.453.742,62 (fls. 20/32, 48/52 e 58/70). O imposto de renda retido na fonte informado pelo contribuinte, e confirmado em DIRF, é de R$ 367.923,54. Como foi utilizado o valor de R$ 153.795,87 para compensar parte do imposto devido mensalmente por estimativa, o saldo a se levar ao ajuste anual (linha 13 da ficha 12A) seria de R$ 214.127,67 e não de R$ 367.973,46 como informado pelo contribuinte em sua declaração à fl. 32. Quanto às compensações informadas com o saldo negativo do anocalendário 2001, verificouse serem procedentes apenas parcialmente, como se demonstra: (...)” De início, impera ressaltar que a Fiscalização tem razão ao afirmar que, “como foi utilizado o valor de R$ 153.795,87 para compensar parte do imposto devido mensalmente por estimativa, o saldo a se levar ao ajuste anual (linha 13 da ficha 12A) seria de R$ 214.127,67 e não de R$ 367.973,46 como informado pelo contribuinte em sua declaração à fl. 32.”. Isso é o que se dessume, facilmente, da análise da DIPJ/2003, colacionada às fls. 12/47. De outro lado, porém, as restrições opostas às compensações de estimativas mensais, ancoradas no saldo negativo de IRPJ atrelado ao anobase de 2001, só existiram em razão das glosas pretéritas – que, como explicado, não merecem prevalecer. Deste modo, devem ser realizados os devidos recálculos, nos termos deste voto. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto, a fim de: i. determinar que o cômputo do crédito informado na DCOMP de fls. 01/02: i.1. leve em consideração a totalidade dos saldos negativos de IRPJ declinados na DIPJ/1999 e na DIPJ/2000; i.2. considere, na formação do saldo negativo de IRPJ relatado na DIPJ/2001, as quitações de estimativas mensais perpetuadas mediante aproveitamento do saldo negativo de imposto apurado no anocalendário de 1995; Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 17 16 i.3. recomponha, sucessivamente, os saldos negativos de IRPJ dos períodosbase de 2001 e 2002, considerando os reajustes determinados neste voto. ii. homologar a compensação aviada, até o limite do direito creditório mensurado, consoante as orientações encimadas. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Na análise de direitos creditórios utilizados em compensação, adoto limites temporais distintos do I. Relator. Todavia, em vistas aos autos, observei que outros aspectos materiais e formais já se prestariam a determinar o provimento do presente recurso voluntário. Como bem relatado, tratase de Declaração de Compensação – DCOMP apresentada em 13/05/2003, para utilização de saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados ao final do anocalendário 2002. Os créditos foram analisados pela autoridade competente por meio de despacho decisório cientificado à interessada em 05/05/2005. O saldo negativo de CSLL, indicado no valor de 338.160,38 foi reconhecido integralmente. Já o saldo negativo de IRPJ, apontado no valor de R$ 1.035.056,54, foi reduzido a R$ 154.206,17, em razão da falta de comprovação de parte das estimativas de 2002 compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Isto porque, no anocalendário 2001, a autoridade administrativa reduziu o saldo negativo a R$ 935.712,87, por entender não comprovado o saldo negativo do ano calendário 2000 (R$ 836.174,15). Por sua vez, o saldo negativo do anocalendário 2000 foi totalmente infirmado, porque apurado IRPJ a pagar após desconsideração das estimativas de janeiro a agosto/2000 e de parte da estimativa de setembro/2000, compensadas com saldo negativo do anocalendário 1995. A autoridade fiscal disse que para comprovar tais compensações com o saldo negativo de 1995, a contribuinte apresentou DCTF entregue em abril/2005, depois de decaído o direito à utilização daquele crédito. Consoante relata a autoridade administrativa, ao analisar as estimativas apuradas no anocalendário 2000, para os saldos declarados a pagar cujos pagamentos não apareciam nos sistemas da SRF, intimamos o contribuinte a apresentar cópias da DCTF do período para confirmar a forma de liquidação dos referidos créditos tributários (meses de janeiro a março/00 e agosto/00), bem como a retificar valores que apresentavam Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 18 17 inconsistências entre o que se declarou na DIPJ e na DCTF (meses de abril, junho e setembro/00) — fls. 858/866. Segundo intimação de fls. 71/72, a autoridade administrativa exigiu a apresentação de documentos que comprovem a origem do crédito relativo a saldo negativo de períodos anteriores (AC 2001), utilizado para compensar os débitos de IRPJ e de CSLL por estimativa no período de janeiro a abril/2002. Disse, ainda, que deveriam ser apresentados os docs. (comprovantes de pagamento, de retenção na fonte, cópias do LALUR, etc) também de anoscalendário anteriores, caso o saldo negativo apurado no anobase 2001 seja composto de compensações de valores devidos durante o período, com saldos negativos de anos anteriores a este. Em resposta, a contribuinte disse apresentar (fl. 74): 8) Planilha demonstrativa que comprova a origem do crédito relativo a saldo negativo de períodos anteriores (AC 2001). utilizada para compensar os débitos de IRPJ e de CSLL por estimativa no período de janeiro a abri1/2002 e cópia dos comprovantes de recolhimentos dos valores recolhidos maior, bem como registro dos ajustes do Lucro Liquido do Exercício "PARTE A" dos meses de apuração destes recolhimentos. 9) Cópia da demonstração do cálculo da Contribuição Social e do IRPJ dos valores apurados pelo regime de estimativa nos meses de novembro e dezembro de 2001, assim como o registro destes montantes em livro diários destes meses com seus respectivos termos de abertura e encerramento Os documentos pertinentes ao anocalendário 2001, juntados às fls. 195/227, correspondem apenas a registros no LALUR e à escrituração no Livro Diário dos débitos de estimativas apurados, sem qualquer informação acerca de sua liquidação. Seguiuse, então, nova intimação exigindo a apresentação da DCTF relativa ao 1o trimestre/2001, bem como demonstrativo da liquidação de débitos de IRPJ de fevereiro a março/2001, exigindose o ajuste da DCTF caso as informações nela constantes não estejam corretas (fl. 299). A contribuinte juntou demonstrativo informando que referidas estimativas haviam sido liquidadas por compensação com saldo negativo de período anterior sem processo (fl. 301), apresentando DCTF retificadora transmitida em 03/03/2005 (fls. 302/308) para informar a compensação daqueles débitos com saldo negativo apurado em 31/12/2000. Depois de analisar as informações disponíveis nos sistemas da Receita Federal acerca da referida apuração, e das que lhe antecederam, a autoridade fiscal exigiu cópia do LALUR dos anos calendário 1998 a 2000, bem como comprovantes de rendimentos destes períodos e (fls. 544/545): 4 Demonstrativo resumido de como foram liquidados todos os valores devidos (Tributo/Período de Apuração/valor total devido — pagamentos com DARF — Compensações) do IRPJ e da CSLL no período de janeiro/1998 a dezembro/2000. As compensações devem ser detalhadas, informando n.° de processo administrativo se for o caso. Ajustar DCTF ou DIPJ caso as informações nela(s) constantes(s) não estejam corretas; 5 cópias de partes da DCTF relativas ao IRPJ devido em todo o anocalendário 1999 e nos meses de janeiro, fevereiro, março e agosto/2000, e da CSLL devida nos meses de junho a agosto/1999; Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 19 18 6 retificar, devido a inconsistências verificadas entre a DIPJ e a DCTF, de modo a ajustar a declaração incorreta aos valores apurados na contabilidade da empresa, a DCTF ou DIPJ dos seguintes períodos: em relação à CSLL: out/98 (não foi informado o valor compensado), março, abril, maio, setembro/99; em relação ao IRPJ: abril, junho e setembro/2000. *obs: 0 contribuinte deve fazer uma revisão dos valores de CSLL e de IRPJ efetivamente devidos no período de 01/1998 a 12/2000 e verificar se estão consistentes os lançamentos nos livros contábeis e/ou fiscais e valores declarados na DIPJ e na DCTF, retificandoos quando necessário. A contribuinte apresentou o LALUR e demonstrativo de liquidação dos débitos de IRPJ e CSLL no período de janeiro/1998 a dezembro/2000, bem como cópias de partes da DCTF relativas ao IRPJ devido em todo o ano calendário de 1999 e nos meses de janeiro, fevereiro, março e agosto/2000 (...). No demonstrativo de fl. 548 constam as informações analisadas pela autoridade fiscal no despacho decisório, como inicialmente aqui anotado. Às fls. 553/567 constam as fichas da DCTF nas quais foram informadas as liquidações dos débitos de estimativas antes referidos. Não há evidências de que a contribuinte tenha apresentando seus livros contábeis à autoridade fiscal, até porque não houve intimação específica neste sentido. Ao contrário, a contribuinte foi intimada a fazer uma revisão dos valores de CSLL e de IRPJ efetivamente devidos no período de 01/1998 a 12/2000 e verificar se estão consistentes os lançamentos nos livros contábeis e/ou fiscais e valores declarados na DIPJ e na DCTF, retificandoos quando necessário. Assim, à míngua de questionamento fiscal, não há como dizer que as retificações de DCTF promovidas pela contribuinte, ainda que em 2005, destoavam do que escriturado em sua contabilidade à época da apuração e liquidação das estimativas. E este aspecto é relevante porque, até a edição da Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, a compensação entre tributos de mesma espécie era regida pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91, alterado pelo art. 58 da Lei nº 9.069/95: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Esta compensação era formalizada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração comercial e fiscal, inexistindo qualquer condicionamento à sua informação em DCTF. É certo que todos os contribuintes estavam obrigados a declarar os tributos internos apurados e, a partir de 1997, também a forma de sua liquidação. Mas a inobservância desta Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 20 19 obrigação acessória poderia ensejar, apenas, a aplicação de penalidades isoladas por descumprimento do dever de declarar, e não inviabilizar a compensação efetivada na escrituração. A lei apenas passou a exigir formalização perante a Administração Tributária no caso de outras compensações que, distintas daquela permitida art. 66 da Lei nº 8.383/91, deveriam se submeter à autorização da antiga Secretaria da Receita Federal, nos termos da redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art.74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. E, neste sentido, o Decreto nº 2.138/97 estabeleceu que: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Art. 2° O sujeito passivo, que pleitear a restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, pode requerer que a Secretaria da Receita Federal efetue a compensação do valor do seu crédito com débito de sua responsabilidade. Por esta razão, a Instrução Normativa SRF nº 21/97, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73/97, que permaneceu em vigor até ser revogada pela Instrução Normativa SRF nº 210/2002, fixou a necessidade de pedido de compensação para: 1) compensação de tributos de espécies diferentes (art. 12, § 3o); 2) utilização de créditos já pleiteados em restituição ou ressarcimento (art. 12, § 4o); 3) utilização por sujeito passivo diverso daquele que apurou o crédito (art. 12, § 9o e art. 15); 4) compensação de tributo lançado de ofício (art. 16); e 5) para utilização de crédito reconhecido judicialmente (art. 12, §7o c/c art. 17). Reafirmou, ainda, a desnecessidade de pedido para compensação entre tributos de mesma espécie (art. 14). Assim, as evidências presentes autos apenas permitem concluir que a contribuinte liquidou estimativas de IRPJ do anocalendário 2000 com saldo negativo, também de IRPJ, apurado no anocalendário 1995, e por não têlas originalmente informado em DCTF, promoveu a revisão solicitada pela autoridade fiscal, retificando as correspondentes declarações para, em tese, fazer constar o que estava presente em sua contabilidade. A retificação das DCTF, em tais circunstâncias, não pode ser concebida como formalização das compensações sem a prévia investigação da contabilidade da interessada, de modo a demonstrar que ali não houve a liquidação na forma autorizada pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91. Ademais, o saldo negativo de IRPJ apurado em 31 de dezembro de 1995 poderia ser utilizado ao longo do anocalendário 2000, mesmo considerandose o prazo qüinqüenal adotado pela Administração Tributária antes de o Supremo Tribunal Federal fixar interpretação mais benéfica aos sujeitos passivos, em sede de repercussão geral. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 21 20 Por estas razões, não subsiste a retificação promovida na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, bem como a retificação promovida na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, na medida em que esta foi fundamentada, apenas, no não acatamento do valor total informado a título de compensação com saldo negativo do anocalendário 2000 (fl. 895). Retificando, assim, a apuração da autoridade fiscal, para elevar o saldo negativo do anocalendário 2001 de R$ 935.712,17 para R$ 1.771.886,27 (valor informado na DIPJ de fls. 250), restam confirmadas as estimativas que compõem o saldo negativo do ano calendário 2002, como abaixo demonstrado: a) Apuração questionada: SALDO NEGATIVO ANO CALENDÁRIO 2001: R$ 935.712,17 TRIBUTO COMPE TÊNCIA VLR. COMPEN SADO CRÉDITO TAXA SELIC ACUMU LADA CRÉDITO ATUALI ZADO SALDO DE CRÉDITO CORRIGIDO SALDO DE CRÉDITO IRPJESTIMATIVA jan/02 566.655,57 935.712,17 2,53% 959.385,69 392.730,12 383.039,23 IRPJESTIMATIVA fev/02 548.014,34 383.039,23 3,78% 397.518,11 (150.496,23) (145.014,68) IRPJESTIMATIVA mar/02 474.547,62 IRPJESTIMATIVA abr/02 255.756,35 Total 1.844.973,88 b) Apuração reconstituída: SALDO NEGATIVO ANO CALENDÁRIO 2001: R$ 1.771.886,27 TRIBUTO COMPE TÊNCIA VLR. COMPEN SADO CRÉDITO TAXA SELIC ACUMU LADA CRÉDITO ATUALI ZADO SALDO DE CRÉDITO CORRIGIDO SALDO DE CRÉDITO IRPJESTIMATIVA jan/02 566.655,57 1.771.886,27 2,53% 1.816.714,99 1.250.059,42 1.219.213,33 IRPJESTIMATIVA fev/02 548.014,34 1.219.213,33 3,78% 1.265.299,59 717.285,25 691.159,42 IRPJESTIMATIVA mar/02 474.547,62 691.159,42 5,15% 726.754,13 252.206,51 239.854,03 IRPJESTIMATIVA abr/02 255.756,35 239.854,03 6,63% 255.756,35 0,00 0,00 1.844.973,88 Em conseqüência, deve ser restabelecida a apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 como a seguir demonstrado: AC 2002 DIPJ (fl. 32) Decisão (fl. 896) Voto IRPJ (15%) 6.786.659,54 6.786.659,54 6.786.659,54 IRRF (367.973,46) (214.127,67) (214.127,67) IRRF em Estimat. (153.795,87) (153.795,87) Estimativas (7.453.742,62) Pagas (5.294.616,77) (5.294.616,77) Comp. SN 2001 (964.173,68) (1.844.973,88) Comp. PA (314.151,97) (314.151,97) Saldo Negativo (1.035.056,54) (154.206,17) (1.035.006,62) Notese que mesmo admitindo integralmente as estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ 2001, ainda remanesce uma diferença de R$ 50,00 no saldo negativo apurado. Mas isto porque a autoridade fiscal equivocouse ao produzir seu demonstrativo de fl. 896, no que tange ao desmembramento do IRRF deduzido no ajuste anual e em estimativas, o qual, integralmente reconhecido na medida em que não houve qualquer Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.001207/200317 Acórdão n.º 1101000.891 S1C1T1 Fl. 22 21 questionamento na decisão original, resulta no reconhecimento total do saldo negativo de IRPJ inicialmente apurado no anocalendário 2002, qual seja, R$ 1.035.056,54. Assim, com a devida vênia, alcanço conclusões diferentes daquelas expostas pelo I. Relator na sessão de abril/2013, nos seguintes pontos: · As retificações procedidas pela autoridade fiscal, embora tenham remontado ao anocalendário 1998, apenas repercutiram no saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 relativamente àquelas pertinentes aos anoscalendário 2000 e 2001. Deste modo, reputo desnecessário abordar a possibilidade, ou não, de se produzir, em 2005, retificações relativamente às apurações de IRPJ nos anos calendário 1998 e 1999; · As compensações de estimativas do anocalendário 2000 com saldos negativos de períodos anteriores não foi validamente desconstituída pela autoridade fiscal, na medida em que a apresentação de DCTF não era procedimento essencial à sua formalização. Deste modo, também deixo de abordar a possibilidade de utilização, em 2005, de crédito apurado em 1995, para liquidação daquelas estimativas do ano calendário 2000; · A dedução de IRRF no ajuste anual de 2002, no valor de R$ 367.973,46, foi integralmente reconhecida pela autoridade fiscal, que apenas destacou a parcela de R$ 153.795,87 para integrar o montante de estimativas, mas ainda assim dedutível naquela apuração. Desconstituídos, portanto, os óbices opostos pela autoridade administrativa para o reconhecimento integral do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, e já tendo sido originalmente reconhecido integralmente o saldo negativo de CSLL do mesmo período, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que o crédito total informado nas DCOMP seja utilizado para liquidação dos débitos apontados pela contribuinte. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13808.001904/00-28
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/1995 a 29/02/1996
PIS. RECOLHIMENTO A MENOR, APLICANDO-SE ALÍQUOTA DE 0,65%, QUANDO O CORRETO É 0,75%. LANÇAMENTO PARA COBRAR A DIFERENÇA E ACRÉSCIMOS LEGAIS. REGULARIDADE.
Pelos documentos constantes nos autos, constata-se que a representação da recorrente atende as exigências legais. Há que se emprestar credibilidade aos atos praticados nesse sentido. O princípio que deve pautar estas análises é o da boa-fé e probidade, somente sendo afastada a regularidade da representação mediante prova inequívoca e não meras suspeitas como se dá no caso dos autos. É preciso afastar rigorismos formais e desnecessários nessas avaliações. Para o período de apuração de Jul/1995 até Fev/1996, a contribuinte calculou e recolheu a contribuição ao PIS utilizando alíquota menor do que a legalmente determinada.
Para o período indicado, aplicou alíquota de 0,65%, quando a prevista em lei é de 0,75%. Considerando que o Fisco lançou apenas a diferença, a exação, com seus acréscimos, deve ser mantida.
Pelo que os autos revelam, não há qualquer irregularidade a macular os acréscimos lançados a partir do crédito tributário. A atualização monetária, ao contrário do alegado pela recorrente, observou os comandos legais que regulam a hipótese. O mesmo se verifica no tocante aos juros. E, finalmente, a multa foi aplicada dentro dos contornos que lhe são próprios.
Recurso voluntário conhecido e negado provimento.
Numero da decisão: 3802-000.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ADELCIO SALVALAGIO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1995 a 29/02/1996 PIS. RECOLHIMENTO A MENOR, APLICANDO-SE ALÍQUOTA DE 0,65%, QUANDO O CORRETO É 0,75%. LANÇAMENTO PARA COBRAR A DIFERENÇA E ACRÉSCIMOS LEGAIS. REGULARIDADE. Pelos documentos constantes nos autos, constata-se que a representação da recorrente atende as exigências legais. Há que se emprestar credibilidade aos atos praticados nesse sentido. O princípio que deve pautar estas análises é o da boa-fé e probidade, somente sendo afastada a regularidade da representação mediante prova inequívoca e não meras suspeitas como se dá no caso dos autos. É preciso afastar rigorismos formais e desnecessários nessas avaliações. Para o período de apuração de Jul/1995 até Fev/1996, a contribuinte calculou e recolheu a contribuição ao PIS utilizando alíquota menor do que a legalmente determinada. Para o período indicado, aplicou alíquota de 0,65%, quando a prevista em lei é de 0,75%. Considerando que o Fisco lançou apenas a diferença, a exação, com seus acréscimos, deve ser mantida. Pelo que os autos revelam, não há qualquer irregularidade a macular os acréscimos lançados a partir do crédito tributário. A atualização monetária, ao contrário do alegado pela recorrente, observou os comandos legais que regulam a hipótese. O mesmo se verifica no tocante aos juros. E, finalmente, a multa foi aplicada dentro dos contornos que lhe são próprios. Recurso voluntário conhecido e negado provimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1995 a 29/02/1996 PIS. RECOLHIMENTO A MENOR, APLICANDOSE ALÍQUOTA DE 0,65%, QUANDO O CORRETO É 0,75%. LANÇAMENTO PARA COBRAR A DIFERENÇA E ACRÉSCIMOS LEGAIS. REGULARIDADE. Pelos documentos constantes nos autos, constatase que a representação da recorrente atende as exigências legais. Há que se emprestar credibilidade aos atos praticados nesse sentido. O princípio que deve pautar estas análises é o da boafé e probidade, somente sendo afastada a regularidade da representação mediante prova inequívoca e não meras suspeitas como se dá no caso dos autos. É preciso afastar rigorismos formais e desnecessários nessas avaliações. Para o período de apuração de Jul/1995 até Fev/1996, a contribuinte calculou e recolheu a contribuição ao PIS utilizando alíquota menor do que a legalmente determinada. Para o período indicado, aplicou alíquota de 0,65%, quando a prevista em lei é de 0,75%. Considerando que o Fisco lançou apenas a diferença, a exação, com seus acréscimos, deve ser mantida. Pelo que os autos revelam, não há qualquer irregularidade a macular os acréscimos lançados a partir do crédito tributário. A atualização monetária, ao contrário do alegado pela recorrente, observou os comandos legais que regulam a hipótese. O mesmo se verifica no tocante aos juros. E, finalmente, a multa foi aplicada dentro dos contornos que lhe são próprios. Recurso voluntário conhecido e negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) EDITADO EM: 11/11/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Adélcio Salvalágio (Relator), Mara Cristina Sifuentes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O Relatório abaixo foi apresentado pelo Conselheiro Adélcio Salvalágio na sessão em que houve o julgamento do feito: CONSELHEIRO ADÉLCIO SALVALÁGIO (Relator): Tratase de processo administrativo instaurado a partir do auto de infração n° 812.100/00613/00 (fls. 235), datado de 01/08/2000, por INTERCÂMBIO DE METAIS INLAC LTDA., lavrado para a constituição do crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente aos meses de julho/1995 até fevereiro/1996, no valor histórico de R$ 66.465,39. Acusouse “falta de recolhimento” (fl. 24). Para melhor contextualizar os fatos, transcrevo trechos do relatório do acórdão de 1° grau: 5. O crédito tributário foi constituído tendo em vista ‘a diferença apurada, em relação a alíquota de 0,65 para alíquota de 0,75% prevista na Lei Complementar 7/70 e suas alterações’ (fls. 15), conforme é dito no Termo de Verificação junto aos autos. O crédito tributário lançado, COMPOSTO pela contribuição, multa proporcional e juros de mora calculados até 31.07.2000 perfaz o total equivalente a 66.465,39 reais (sessenta e seis mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e trinta e nove centavos). 6. Na impugnação apresentada (fls. 27 a 32) alegase, em síntese, que a fiscalização desconsiderou pagamentos efetuados em nome de filial da empresa em relação aos meses de dezembro de 1995, janeiro de 1996 e fevereiro de 1996 respectivamente nos valores de R$ 2.698,47, R$ 5.918,93 e R$ 5.213,37, e que a observância dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, bem como da Medida Provisória 1.212, de 1995, legislação vigente à época do(s) fato(s) gerador(es), deve ser respeitada, não cabendo autuar posto ser indevido que o Estado colha "beneficio decorrente de seu próprio equívoco" (fls. 30) e que a segurança jurídica seja ofendida o contribuinte que seguiu normas cujo cumprimento era à época exigido”. Como se vê, a recorrente protocolou manifestação de inconformidade (fls. 27 e ss.), postulando a revisão do crédito tributário para cancelar o auto de infração. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13808.001904/0028 Acórdão n.º 380200.392 S3TE02 Fl. 107 3 Apreciandoa, a 6ª Turma da DRJ de São Paulo, através do acórdão n° 7608 (fls. 64 e ss.), em julgamento datado de 28/07/2005, deulhe parcial provimento, para exonerar, nos meses de dez/95, jan,96 e fev/96, os valores de R$ 2.698,47, R$ 5.918,93 e R$ 5.213,37, respectivamente, mantendose no restante o crédito tributário lançado. Deste acórdão, a recorrente tomou ciência consoante evidenciam os documentos de fls. 78 e ss. Insatisfeita, apresentou o recurso voluntário de fls. 808 e documentos de fls. 89101. Sustenta, em síntese, recapitulando em linhas gerais o que alegou na manifestação: (i) irregularidade nos acréscimos aplicados ao crédito tributário, utilizados exacerbadamente pelo Fisco, o que afrontaria, no entender da recorrente, comandos legais e o princípio da igualdade; (ii) impossibilidade de incidir atualização monetária sobre os juros, que deveriam incidir apenas a partir do vencimento do imposto; (iii) inconstitucionalidade da taxa selic (item 24); (iv) irregularidade da multa moratória, pois “já sendo o imposto corrigido monetariamente pela incidência de juros de mora, a multa não é devida pela simples inexistência de prejuízo a indenizar” (item 27); (v) além disso, prossegue, a multa seria excessiva e também exorbitante, caracterizando confisco (item 28); (vi) e os juros, advoga a recorrente, extrapolam os 20%, sendo também excessivamente altos, caracterizando confisco (item 31); Finaliza, POSTULANDO o provimento do recurso para o cancelamento do auto de infração ou a adequação dos acréscimos aos comandos legais, reduzindoos (fl. 88). É O SUCINTO RELATO. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o Conselheiro Relator, Adélcio Salvalágio, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009: Abaixo reproduzo integralmente voto apresentado pelo Conselheiro Relator na sessão do dia 02 de março de 2011, cujo entendimento foi acompanhado de forma unânime pelos demais integrantes da Turma na ocasião, conforme consignado do acórdão correspondente: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 “Conselheiro Adélcio Salvalágio, Relator Cuidase de recurso voluntário aparelhado contra acórdão da 6ª Turma da DRJ de São Paulo/SP, que por unanimidade de votos, embora tenha acolhido em parte a impugnação, manteve o crédito tributário, ainda que o tenha reduzido. O recurso é tempestivo, consoante se depreende da intimação de fl. 78 (datada de 09/04/2008) e do protocolo (fl. 80), realizado em 28/04/2008. Há, preliminarmente, uma questão de ordem formal a ser superada. A teor dos documentos de fls. 103 e 104, suscitaramse dúvidas acerca da representação da recorrente. Para sanálas, expediramse duas intimações (fls. 103 e 104), em 17/07/2008 e 19/08/2008, instandoa a apresentar (i) contrato social consolidado e vigente; (ii) “atas das assembléias/reuniões ordinárias e/ou extraordinárias registradas na JUCESP em 2008 (iii) Extrato completo da JUCESP com todas as alterações societárias; (vi) Instrumento de mandato com firma(s) reconhecida(s) e rigorosamente consoante com o disposto no Código Civil e no contrato social. Este documento deverá ratificar o recurso voluntário datado de 22/04/2008, constar seu(s) signatário(s) e, de forma clara e expressa, os poderes outorgados, dentre outros itens no que couber. (v) Documento(s) de identificação do(s) signatário(s) do recurso voluntário” (fl. 104). A recorrente, ainda pelo que os autos revelam, quedouse inerte nas duas oportunidades. É o que se colhe da certidão de fl. 105. Indagase, então, existem, de fato, as falhas apontadas nas intimações de fls. 103 e 104, de sorte a inviabilizar o conhecimento do recurso? De fato, a manifestação de inconformidade de fls. 27 e ss. veio firmada por um advogado, cuja procuração ornamenta os autos na fl. 42. Já o recurso voluntário de fl. 80 88 é firmado por outro causídico, constando a procuração na fl. 89. Cotejandose as firmas nelas apostas, ou seja, a representação da recorrente (INTERCÂMBIO DE METAIS INLAC LTDA.), percebese que João Roberto Secchi, assina ambas, em conjunto com outra pessoa (Vicente Auricchio – fl. 42; ilegível na de fl. 89). Pelo contrato social de fls. 93101, datado de 17/11/2003, notase que a administração da sociedade é feita, justamente, pelos sócios João Roberto Secchi e Vicente Auricchio, sempre em conjunto (cláusula sétima). Assim, a procuração (fl. 42) que instruiu a manifestação de inconformidade é regular e adequadamente representa a empresa, constituindo poderes aos advogados nela indicados. Já a procuração que acompanhou o recurso (fl. 89), além da assinatura de João Roberto Secchi, consta uma outra, que claramente não é de Vicente Auricchio. Porém, o recurso veio acompanhado de uma outra procuração, lavrada por instrumento público (fls. 9092), através da qual um pool de empresas, dentre elas a recorrente INTERCÂMBIO DE METAIS INLAC LTDA., constitui a procuradora Bruna Vicken Ávila Auricchio para, em conjunto com qualquer um dos sócios, representálas, conferindolhe amplos e ilimitados poderes, inclusive para outorgar procurações judiciais e extrajudiciais. Vendose, então, as firmas constantes na procuração de fl. 89, além daquela inequivocamente de João Roberto Secchi, a outra labora na direção de ser a da procuradora Bruna Vicken Ávila Auricchio. Tanto que a assinatura é “B Auricchio”. Nos autos, é bem verdade, não consta qualquer outra assinatura identificada como sendo a de Bruna para comparar com aquela inserta na procuração de fls. 89. Contudo, no caso concreto, há que se Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13808.001904/0028 Acórdão n.º 380200.392 S3TE02 Fl. 108 5 conferir credibilidade aos documentos trazidos pela recorrente. Não fosse isso, qual teria sido a razão de se juntar a procuração pública de fls. 902? Demais disso, João Roberto Secchi, sócio e administrador da recorrente, certamente não firmaria uma procuração sabendo ser irregular, já que teria responsabilidade sobre o ato. Há que se emprestar credibilidade, repito, aos atos praticados pela recorrente, quanto à sua representação. O princípio que deve pautar estas análises é o da boafé e probidade, somente sendo afastada a regularidade da representação mediante prova inequívoca e não meras suspeitas como se dá no caso dos autos. É preciso afastar rigorismos formais e desnecessários nessas avaliações. A recorrente, contudo, podia e devia ter atendido as intimações de fls. 103 e 104, já que os esclarecimentos e documentos que lhe foram solicitados mostramse razoáveis e nada exagerados. Sua indolência, a bem da verdade, colocou em sério risco o conhecimento do seu recurso. Portanto, vale lembrar o antigo brocardo: o direito não socorre a quem dorme, data venia. Assim, dou por regular a representação da recorrente e, preenchidos os demais requisitos formais de admissibilidade, conheço do recurso. No MÉRITO, contudo, o recurso NÃO merece provimento. Ao que se depreende dos autos, a autoridade fiscal emitiu o auto de infração de fls. 235 para constituir, e conseqüente exigir, crédito tributário representado pela contribuição ao PIS, PA de Jul/1995 até Fev/1996. A autuação se deu em virtude da contribuinte ter calculado e recolhido o tributo a menor, vez que a alíquota utilizada era menor que a legalmente determinada. Vale dizer, a contribuinte, para o período indicado, aplicou alíquota de 0,65%, quando a prevista em lei é de 0,75%. Isso é fato incontroverso. Portanto, quanto à contribuição em si (apenas a diferença), tenho que agiu com acerto a autoridade fiscal. Por isso, andou com acerto a decisão recorrida quando anotou: “os decretos leis em pauta foram declarados inconstitucionais por decisão do STF, pronunciada no RE n° 148.7542/210/RJ, tendo sua execução suspensa pela Resolução n° 49/1995 do Senado Federal. Essa Resolução, juntamente com o preceituado no aludido Decreto, impõem de modo contundente a aplicação da alíquota de 0,75% para o período de apuração em tela, nos moldes das Leis Complementares n's 7/1970 e 17/1973” (fl. 68). De outro lado, quanto aos acréscimos, digase, de início, que a matéria, à primeira vista, sequer poderia ser conhecida. Lendose a manifestação de inconformidade (fls. 2732) em cotejo com o recurso voluntário de fls. 808, notase com facilidade que nenhuma das teses de insurgência quanto aos acréscimos (atualização monetária, juros e multa) foi suscitada em 1° grau. Trata se, sobre esse prisma de análise, de inovação recursal, estando preclusa. Desta forma, sob este ângulo de vista, apreciála somente no CARF provoca inequívoca afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição. E mais, acatála agora significaria, no mínimo, suprimir uma instância de julgamento. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Como se sabe, “É inadmissível a inovação em grau recursal, abordando tese não aventada por ocasião dos embargos monitórios, na medida em que afronta o duplo grau de jurisdição e os princípios da ampla defesa e do devido processo legal”1. Ou “Não pode a parte inovar, suscitando em grau recursal questões que não foram objeto da litiscontestatio, pois a apelação devolve ao tribunal o conhecimento de questões suscitadas e discutidas no processo, vedado conhecer de matéria que traduza inovação recursal, sob pena de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição”2 Da jurisprudência deste Conselho, colhese: “ITR/92 PRECLUSÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA 1 O contribuinte não pode inovar seu pedido na instância ad quem. 2 Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, refeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestarse, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido” (2° Conselho, 1a Câmara, RV n° 104.321, Processo n° 13847.000106/9268, Rel. Jorge Freire). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A impugnação apresentada pelo sujeito passivo, entre outros requisitos, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta (art. 16, Decreto nº 70.235/72), os quais serão julgados em Primeira Instância Administrativa (arts. 27 e 28, Decreto nº 70.235/72). Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, ao Conselho de Contribuintes competente (art. 33, mesmo Diploma legal). O sujeito passivo não pode inovar em relação aos motivos de fato e de direito constantes da defesa recursal, tendo em vista os princípios da legalidade e do duplo grau de jurisdição. Argumentos não apresentados quando da impugnação são preclusos. RECURSO NEGADO.” (3° Conselho, 2a Câmara, RV n° 130.573, Processo n° 10930.004537/200352, Rel. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, J. 11/11/2005). Como se vê, “não é lícito inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Se o julgador monocrático não apreciou determinada matéria, não compete ao Conselho apreciála, simplesmente porque haveria de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição”3. Assim, no rigor da norma, ditas teses sequer poderiam ser conhecidas. Entretanto, considerando que os acréscimos são acessório do principal e que, em primeiro grau, houve insurgência contra o crédito tributário em si, podese entender, numa análise despida de rigorismo formal, que, como se sabe, pauta a apreciação dos feitos administrativos em certas matérias, que foram, também eles, os acréscimos, combatidos pela 1. TRT 4ª R. – RO 00673200766204008 – Relª Desª Rosane Serafini Casa Nova – J. 11.02.2009; 2. TJMG – AC 1.0024.07.5376285/001 – 9ª C.Cív. – Rel. Tarcisio Martins Costa – J. 13.07.2009; 3. 2° Conselho, 2a Câmara, RV n° 111.965, Processo n° 13116.000691/9648, Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima, J. 24/01/2001; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 13808.001904/0028 Acórdão n.º 380200.392 S3TE02 Fl. 109 7 recorrente. E assim se faz, nesse caso concreto, para que a questão também seja enfrentada e resolvida, na busca da efetividade do processo, com uma visão pragmática. Não obstante, tenho que, neste caso concreto, não há qualquer irregularidade a macular os acréscimos lançados a partir do crédito tributário. A atualização monetária, ao contrário do alegado pela recorrente, observou os comandos legais que regulam a hipótese. O mesmo se verifica no tocante aos juros. E, finalmente, a multa foi aplicada dentro dos contornos que lhe são próprios. COM ESSAS RAZÕES, conheço o recurso e nego provimento. É o voto. Adélcio Salvalágio – Relator” Diante de todo o exposto, e considerando o disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/ 11/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13657.000211/91-81
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 1996
Ementa: PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, dada à relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.782
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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ementa_s : PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, dada à relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-04T18:21:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-04T18:21:11Z; Last-Modified: 2009-07-04T18:21:11Z; dcterms:modified: 2009-07-04T18:21:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-04T18:21:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-04T18:21:11Z; meta:save-date: 2009-07-04T18:21:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-04T18:21:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-04T18:21:11Z; created: 2009-07-04T18:21:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-04T18:21:11Z; pdf:charsPerPage: 1109; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-04T18:21:11Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13657/000.211/91-81 RECURSO N°. : 00.068 MATÉRIA : PIS/FATURAMENTO - EXS.: 1987 a 1989 RECORRENTE: IRMÃOS FERREIRA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA RECORRIDA : DRF - VARGINHA - MG SESSÃO DE : 21 DE MARÇO DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102-30.7 8 2 PIS/FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável no julgamento do processo decorrente, dada à relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IRMÃOS FERREIRA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTOpqI0 DE FREITAS DUTRA PRESIDENTE A'HANSEN ' ORA FORMALIZADO EM: NIPAR 12 g 5 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros:. MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e RAMIRO HEISE. MNS 1 . . 'N MINISTÉRIO DA FAZENDA z="P‘,1,nk;; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13657/000.211/91-81 ACÓRDÃO N°. : 102-30.7 8 2 RECURSO N°. : 00.068 RECORRENTE : IRMÃOS FERREIRA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA RELATÓRIO O presente processo trata do Auto de Infração, fls. 01 e anexos, lavrado em 20/06/91 contra IRMÃOS FERREIRA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, CGC N° 23.021.223/0001-30, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Varginha • MG, formalizando a exigência de PIS/FATURAMENTO relativa aos Exs.: de 1987 a 1989, em valor correspondente a CR$ 73.052,33 e respectivos gravames legais. O lançamento, com base no Artigo 3° alinea "b"da Lei complementar 7/70, c/c Artigo 1° parágrafo único Lei complementar 17/73 e Regulamento do PIS/PASEP decorreu de irregularidades apuradas em procedimento de fiscalização em que foi apurada omissão de Receita Operacional, conforme demonstrado no Processo N° 13657/000.206/91-41. A contribuinte, tempestivamente, dentro do prazo prorrogado, apresentou sua impugnação de fls. 07/08, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. Na decisão de l a instância proferida as fls. 12/14, em consonância com o decidido no processo principal, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular, a contribuinte, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, reiterando em suas Razões, anexadas às fls. 19/34 os argumentos formulados na fase impugnatória. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatório /7 / -P(' 2 e e* MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 13657/000.211/91-81 ACÓRDÃO N°. : 102-30. 782 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de N° 13657/000.206/91-41. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 06 de julho de 1993, foi julgado parcialmente procedente, conforme faz certo o Acórdão N° 102-28.333. Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida e, Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para adequar a matéria tributável ao decidido no processo principal. Brasília - DF, 21 de março de 1996. USU - • SEN mr. 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10530.002344/2002-99
Data da sessão: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITAÇÃO
DE 30% DA BASE POSITIVA. ATIVIDADE RURAL. O limite para
compensação de base de cálculo negativa instituído pelo artigo 58 da Lei n° 8.981/95, não se aplica aos resultados decorrentes da exploração de atividades rurais. Comando do artigo 41 da MP n° 2.113-32 de 21/06/2001.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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'''' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS-v fr .--- ' PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10530.002344/2002-99 Recurso n° 153.110 Voluntário Acórdão n° 1202-00.026 – 2a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2009 Matéria CSLL Recorrente AGRIBAHIA S .A . Recorrida 2a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITAÇÃO DE 30% DA BASE POSITIVA. ATIVIDADE RURAL. O limite para compensação de base de cálculo negativa instituído pelo artigo 58 da Lei n° 8.981/95, não se aplica aos resultados decorrentes da exploração de atividades rurais. Comando do artigo 41 da MP n° 2.113-32 de 21/06/2001. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. / — NELSON ÓSSOitT) O – Presidente e Relator. EDIT O EM: 3 O SET 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lásso Filho (presidente da turma), Cândido Rodrigues Neuber, Orlando José Gonçalves Bueno, Irineu Bianchi, Valéria Cabral Géo Verçoza, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José de Oliveira Ferraz Corrêa (suplente convocado) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca e Karem Jureidini Dias. i Relatório Contra a empresa Agribahia S.A., foi lavrado auto de infração da CSLL, fls. 05/07 e 48/49, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade no ano-calendário de 1997, descrita às fls. 07: "Compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores." Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 24 de janeiro de 2003, em cujo arrazoado de fls. 54/64 contesta o lançamento. Em 22 de dezembro de 2005 foi prolatado o Acórdão n° 08.979, da r Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, fls. 128/132, que considerou procedente o lançamento, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. ATIVIDADE RURAL. Até o ano-calendário de 1999, as empresas que exploram exclusivamente a atividade rural também estavam sujeitas ao limite de trinta por cento para compensação da base de cálculo negativa da CSLL. Lançamento Procedente" Cientificada em 20 de janeiro de 2006, AR de fls. 141, e novamente irresignada com o acórdão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário, protocolado em 20 de fevereiro de 2006, em cujo arrazoado de fls. 142/157 alega, em apertada síntese, o seguinte: 1- o auto -de infração é improcedente, em decorrência de legislação que •permite a compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL das empresas que exploram atividade exclusivamente rural; 2- a Lei n° 8.981/95, com as modificações do art. 16 da Lei n° 9.065/95, limitou a compensação da base de cálculo de períodos anteriores na apuração da CSLL ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado, apenas para as demais atividades empresarias, e não para as que praticam atividade rural, que inclusive é regida por lei própria que não foi revogada por esta norma; 3- a IN SRF n° 51/95 e IN SRF n° 11/96 excluiu do limite de compensação as empresas que pratiquem a atividade rural; 4- para pacificar a questão definitivamente e confirmar um direito que já estava há muito garantido, foi editada a Medida Provisória n° 1.991-15/2000 que em seu artigo 42 determinou que não se aplica a limitação de 30% na compensação de base de cálculo • - • • • • - • • • - e - - .vidade-fural; 2 Processo n° 10530.002344/2002-99 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.026 Fl. 2 5- a Medida Provisória n° 1.991-15/2000 teve caráter meramente interpretativo, de modo que possui efeito retroativo, conforme disciplina o art. 106 inciso I do CTN; 6- uma norma interpretativa tem por objetivo aclarar o texto de outra norma. Essa prevalece em relação a todos os atos e fatos ocorridos desde o inicio da vigência da lei interpretativa, e isso efetivamente não implica em retroatividade, posto que não se está criando nenhuma nova situação para vigorar no passado, mas apenas dirimindo qualquer dúvida quanto a sua existência. 7- transcreve ementas de acórdãos deste Conselho que vão ao encontro do seu entendimento. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à limitação de 30% da base positiva da Contribuição Social Sobre o Lucro para a compensação de base negativa, anteriormente apurada em empresa que exerça atividade rural. Meu posicionamento quanto a esta matéria é de que a limitação acima referida aplica-se, no âmbito da Contribuição Social Sobre o Lucro, a qualquer tipo de empresa, independente da atividade exercida, não havendo previsão legal à época do lançamento para dispensa deste limite. Assim votei em diversos julgados nesta Câmara e era acompanhado pela maioria dos seus membros. Após a edição das Medidas Provisórias 1.991-15/2000 e 2.113-32, de 21/06/2001, que indicaram ser inaplicável às empresas que exerçam atividade rural a limitação contida no artigo 58 da Lei n° 8.981/95, a jurisprudência desta Colenda Câmara modificou-se, como se percebe pelas ementas dos acórdãos a seguir: "Acórdão 108-06.790/01 CSSL — COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS — LIMITES — ATIVIDADE RURAL — O limite para compensação de base de calculo negativa da contribuição social sobre o lucro instituído pelo artigo 58 da Lei 8.981/95, não se aplica aos resultados decorrentes da exploração de atividades rurais. Comando do artigo 41 da MP 2113-32 de 21/06/2001" Acórdão 108-06.888/02 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — ATIVIDADE RURAL — COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES — LIMITES — É possível a compensação de base de cálculo negativa de contribuição sobre o lucro, decorrente da atividade rural sem a aplicação da trava de 30%, mesmo antes da permissão expressa no artigo .41 da Medida Provisória n° 2.113/01" Acórdão n° : 108-07.623 CSL — LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS — ATIVIDADE RURAL — INAPLICABILIDADE — Incabível a limitação da compensação de bases negativas da CSL, em 30% do resultado apurado antes da referida compensação, pois o disposto no artigo 42 da MP. n° 1.991- 15/2000 tem caráter meramente interpretativo, sendo aplicável para empresas dedicadas à atividade rural desde a instituição da prép? ia- lánitaçãv. (73Acórdão n°: 108-07.541 4 Processo n° 10530.002344/2002-99 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.026 Fl. 3 CSLL — COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS — LIMITES — ATIVIDADE RURAL - O limite para compensação de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro instituído pelo artigo 58 da Lei n° 8.981/95, não se aplica aos resultados decorrentes da exploração de atividades . rurais. Comando do artigo 41 da MP 2113-32 de 21/06/2001." A matéria se encontra pacificada neste Conselho por meio de julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas transcrevo a seguir: "Acórdão: CSRF/01-04.716 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - COMPENSAÇÃO - LIMITAÇÃO DE 30% - 1NAPLICABILIDADE AOS RESULTADOS DA ATIVIDADE RURAL - Consoante jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a regra limitadora de compensação de bases de cálculo negativas da CSL, prevista no art. 58 da Lei n° 8.981/95, não se aplica aos resultados decorrentes da exploração de atividade rural. Acórdão: CSRF/01-04.821 Decisão: NPU - NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - LIMITAÇÃO NA COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS — ATIVIDADE RURAL — INAPLICABILIDADE — MP 1.991-15/2000, ARTIGO 42 — CARÁTER INTERPRETATIVO — A limitação à compensação de bases negativas de contribuição social não é aplicável à atividade rural, pois o disposto no artigo 42 da Medida Provisória 1.991-15/2000 (atual artigo 41 da kIP 2.158/2001) tem caráter manifestamente interpretativo, sendo o seu conceito, por conseguinte, aplicável desde a instituição da própria limitação." O fundamento prevalecente foi o de que o artigo 42 da Medida Provisória n° 1991-15/2000 traz em sua redação expresso caráter interpretativo, à luz do disposto no artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, devendo sua determinação ser aplicada na apuração das bases de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro de períodos anteriores à sua edição. Assim, ressalvando meu entendimento contrário, curvo-me ao posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão cuja função primordial é dirimir as divergências nos julgados das diversas turmas componentes deste Conselho. Admito, portanto, a compensação integral da base de cálculo positiva com base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro apurada em períodos anteriores, em empresa que exerça atividade rural. s — Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal. elson Lósso ilh residente e Relator. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 10530.002344/2002-99 Recurso : 153.110 Acórdão : 1202-00.026 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1202-00.026. Brasília - DF, em 30 de setembro de 2009 /-41J sé Roblçrto4—Árança7------ Secretário a 2' Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004964/90-05
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL - DECORRENCIA - Tratando-se de lançamento
reflexivo, a decisão proferida no processo
matriz é aplicável ao julgamento do pro decorrente,
dada relação de causa e efeito que vincula
um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.272
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, por tratar-se de processo decorrente, nos termos do relatório e veto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Júlio Cesar Gomes da Silva
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-05T22:03:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-05T22:03:57Z; Last-Modified: 2009-07-05T22:03:57Z; dcterms:modified: 2009-07-05T22:03:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-05T22:03:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-05T22:03:57Z; meta:save-date: 2009-07-05T22:03:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-05T22:03:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-05T22:03:57Z; created: 2009-07-05T22:03:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-05T22:03:57Z; pdf:charsPerPage: 1239; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-05T22:03:57Z | Conteúdo => MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10880/004.964/90-05 CMA Sessão de 18 de outubro de 1995 ACORDO No 107-30.277 RECURSO No : 87.822 - FINSOCIAL FATURAMENTO EX.2 1986 RECORRENTE : POSTO CONSELHEIRO LTDA RECORRIDA : DRF RAn PAULO - RP FINSOCIAL - DECORRENCIA - Tratando-se de lança- mento reflexivo, a deciso proferida no processo matriz ê aplicável ao julgamento do pro de- corrente, dada relação de causa e efeito que vin- cula um ao outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pnr POSTO CONSELHEIRO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- Ihn rh= Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, por tratar-se de processo decorrente, nos termos do relatório e veto que passam a integrar o presente julgado. Sala ría= Sosses em 18 gd=, outubro d.= 1995, s-sunsl_sNIG me ;;-‘hilAS DUTRA - PRESIDENTE er- JULIO CESAEm efuMeS DA SI= :; jA - g:g! f",--rnR VISTO 3-35 UlURPERERA RIBEIRO NUNES:RnrHA -•PROCURADOR D;" tD ;==t-fti Mt; 7FNDA NACIONALo 8 Ni' 1995 ainda, rio presente iuloamento, os seguintes Conselhei- ros Alvos rh= Oliveira, jo=d= Clóvis Alvos, Sueli Mondes rl== Prítto, Ursula Hansen, Maria Ciáli.R de Andrade Figueiredo e jn=z,5 Carlos Passuello. 2 . MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10880/0(34.9A4/90-05 RECURSO No 2 87.822 ACORDO No : 102-30.272 RECORRENTE : POSTO CONSELHEIRO LTDA. RELATORIO Trata o cireult-,. processo de recurso contra a der-in do Delegado da RP-sr-ita Federal que manteve a exigência contida no Auto de Infração de fls. 01, referente a crédito tributário de Finsnf-i=r41 e seus acréscimos, lançado em decorrência de débito de IRPJ, apurado no processo Nn 108S0/004.966/90-72. Contrariando impugnação tempestiva a decisão de ia tência afirma que, se tratando de ação r(-2f1==x,--q, R conexo deste com o processo que lhe dá origem é matéria que não comporta qualquer discus- são e que a decisão proferida no processo base influirA decisivamente np.:74f„ No recurso o recorrente r eif_era os ar gumento u= . in= na impugnação e requer sei-a julgado insubsistente n Auto (-6.... Tnf~c. n ríz,lafórin. ÇLi _,.... ,. 3. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO No 10850/004 944/90-05 ACORDO No 102-30..272 VOTO Conselheiro Julio César Gomes da 'Silva, Rg=lafnr! O recurso está Har-; fnrmE,--Il i dad:=2 = legais e nele o Contribuinte repete Os mesmos argumentos apresentado .; no processo matriz e que foram apreciados tanto pela autoridade recorrida., como pr=cia 9 ,=k nãmara Eir-E lo Conselho de Contribuintes. Ao recurso interposto no p.od=,,,,so matriz, foi negado provimento pela Z=-: Cãmar=q na forma do Ar-e-krdArn No 102-27.46 nw Assim, de acordo com o principio adotado neste Conse- lho de que o decidido no processo matriz constitui prejul gado aplicá- vel ao julgamento do processo decorrente dada a r;,---1=R0o ch== c,Ru cr,. ,74 e efeito que vincula um ao outro, nego provimento ao recurso interposto. Brasilia--- DF, 18 de outubro de 1995= Júlio César 3om:4- da Silva Relafnr . . Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10665.000148/92-67
Data da sessão: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 1997
Ementa: SIGILO BANCÁRIO - Mediante intimação escrita, os bancos, casas
bancárias, Caixas Econômicas e demais Instituições Financeiras, são
obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações
de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de
terceiros (Lei 5.172/66 art. 197). O sigilo garantido pela Constituição
Federal de 1988, artigo 5° inciso XII diz respeito às comunicações de
dados, de computador a computador entre o cliente e a instituição
financeira, não se estendendo a arquivos de operações já realizadas.
TIRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS
BANCÁRIOS - O lançamento de oficio por meio de arbitramento
com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições
financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos
recursos utilizados nessas operações, somente pode ser realizado
quanto aos fatos ocorridos após a edição da Lei 8.021/90 que
autorizou tal modalidade, imprescindível que, a fiscalização compara os com a renda presumida mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza e que aquela modalidade de arbitramento se mostre mais benéfica ao contribuinte (Lei 8.021/90 art. 6° § 6°). O fato dos
depósitos bancários estarem incluídos em levantamento patrimonial
juntamente com outras rubricas consideradas dispêndios não
significa que a autuação não tenha como primícia tais depósitos,
mormente quando com sua exclusão desaparece o acréscimo
patrimonial a descoberto. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-41.199
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Clóvis Alves
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ementa_s : SIGILO BANCÁRIO - Mediante intimação escrita, os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais Instituições Financeiras, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros (Lei 5.172/66 art. 197). O sigilo garantido pela Constituição Federal de 1988, artigo 5° inciso XII diz respeito às comunicações de dados, de computador a computador entre o cliente e a instituição financeira, não se estendendo a arquivos de operações já realizadas. TIRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - O lançamento de oficio por meio de arbitramento com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, somente pode ser realizado quanto aos fatos ocorridos após a edição da Lei 8.021/90 que autorizou tal modalidade, imprescindível que, a fiscalização compara os com a renda presumida mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza e que aquela modalidade de arbitramento se mostre mais benéfica ao contribuinte (Lei 8.021/90 art. 6° § 6°). O fato dos depósitos bancários estarem incluídos em levantamento patrimonial juntamente com outras rubricas consideradas dispêndios não significa que a autuação não tenha como primícia tais depósitos, mormente quando com sua exclusão desaparece o acréscimo patrimonial a descoberto. Recurso provido.
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O sigilo garantido pela Constituição Federal de 1988, artigo 5° inciso XII diz respeito às comunicações de dados, de computador a computador entre o cliente e a instituição financeira, não se estendendo a arquivos de operações já realizadas. TIRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - O lançamento de oficio por meio de arbitramento com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, somente pode ser realizado quanto aos fatos ocorridos após a edição da Lei 8.021/90 que autorizou tal modalidade, imprescindível que, a fiscalização compare- os com a renda presumida mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza e que aquela modalidade de arbitramento se mostre mais benéfica ao contribuinte (Lei 8.021/90 art. 6° § 6°). O fato dos depósitos bancários estarem incluídos em levantamento patrimonial juntamente com outras rubricas consideradas dispêndios não significa que a autuação não tenha como primicia tais depósitos, mormente quando com sua exclusão desaparece o acréscimo patrimonial a descoberto. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GILSON GEREMIAS BORGES. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. m„,,s MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 RECURSO N°. : 09.275 RECORRENTE : GILSON GEREMIAS BORGES A.D.._....... ANTONIO DF/FREITAS DUTRA PRESIDENTE i i ah *1 Ir )E/6 - // ÓVIS ALVES/ .(/ LATOR FORMALIZADO EM: 21 MAR 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: URSULA HANSEN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, RAMIRO HEISE e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. Ausente Justificadamente a Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO. 2 r". MINISTÉRIO DA FAZENDAg!, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 RECURSO N°. : 09.275 RECORRENTE : GILSON GEREMIAS BORGES RELATÓRIO Em 28 de fevereiro de 1992 o contribuinte supra identificado foi notificado e intimado a recolher o valor equivalente a 129.491,48 UFIRs de 1RF e acréscimos legais por ter a fiscalização da DRF Divinópolis - MG, em procedimento de revisão de declarações, constatado nos exercícios de 1988, 1989 e 1990, aumento patrimonial a descoberto em decorrência da inclusão nas declarações de bens de depósitos bancários efetuados e não declarados nos Bancos: do Brasil S/A, BRADESCO e Banco Real. Enquadrando a infração nos artigo 39 incisos III e V do RIR/80 e Arts. 1°, 2° 3° e 8° da Lei 7.713/88. Tempestivamente o contribuinte impugnou o lançamento trazendo em sua defesa em síntese, o seguinte: Que é indevida a tributação com base exclusivamente em depósitos bancários, citando como base o Decreto Lei 2.471/88 que em seu artigo 9°, determinou o arquivamento de todos os processos que exigissem imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários. Entende que a ilegalidade do lançamento do imposto de renda baseado em documentário bancário não se restringe aos fatos anteriores à Lei, mas aplica-se aos fatos futuros. Que houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Que as intimações e obtenções dos extratos bancários, inclusos às fls. 101/283, por iniciativa da DRF Divinópolis, resultou na indevida aplicação da Lei 8.021 de 12.04.90, inclusive ao retroagir a sua aplicabilidade a exercícios/anos base pretéritos. A fiscalização falou no processo conforme folha 311/verso, em 14 de maio de 1992. O município de Campo Belo - MG, domicílio do contribuinte, passou a ser jurisdicionado pela DRF/ Varginha - MG. ,g) 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA , , .N.'4.- : PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e • ,..,"' ..'a,,,r, PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 i ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Em virtude da mudança, o processo já impugnado e informado foi remetido à DRF Varginha, conforme documento de folha 312. O processo foi analisado pela DIVTRI da DRF Varginha e o analista, assim pronunciou: (doc. fl. 313) "Analisando os procedimentos adotados, verificamos que as irregularidades foram constatadas como o exame dos extratos bancários de fls. 101 a 283, pois o montante dos depósitos é incompatível com os rendimentos declarados. No entanto, notamos que a revisão não averiguou se houve transferência de valores entre as contas correntes do contribuinte, de um banco para outro, não sendo computados, no cálculo dos recursos movimentados durante cada ano-base, apenas estornos e os resgates de aplicações financeiras. (fl. 284). "Além deste, um outro ponto em aberto é com relação aos veículos Fiat UNO e Chevrolet D20, adquiridos em 1989, conforme as notas fiscais às fls. 74 e 75, nas quais os valores de aquisição não coincidem com os constantes da declaração de bens de 1990 (fl. 41), o que também geraria um certo acréscimo não justificado." "A revisão também deixou de considerar o terreno situado no bairro Brasil Vilela (escritura à fl. 79), pois o próprio contribuinte confirmou que não incluiu este bem na declaração de 1990/89, e não se manifestou com relação aos custos das construções não fornecidos pelo interessado, que foram solicitados através das intimações fls. 67 e 85. Propõe a remessa do processo para o grupo de revisão para que verifique e complete o trabalho realizado. A chefia da DIVTR1 concorda e leva à consideração do Sr. Delegado. Ele concorda e determina o encaminhamento do processo ao Grupo de Revisão da Delegacia para prosseguimento . 9 reexame, nos termos do parágrafo 20 do artigo 642, do RIR/80. / dilliri. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA .` PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r;; s'£-;,=• PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 O grupo de revisão, analisou o trabalho e expediu nova notificação conforme página 341, exigindo do contribuinte o valor equivalente a 47.030,50 de TRPF mais acréscimos legais. Ao revisar o trabalho modificou a descrição dos fatos, e a matéria tributável, incluindo como rendimentos os pagamentos dos veículos e lançando o terreno constituído do lote 880 da quadra 62 do Bairro Brasil Vilela, no mês de fevereiro de 89 quando se deu a transação. Distribuiu o valor das construções efetuadas nos terrenos da Rua Silvio Perrupato e da R. Expedicionário Boavidir Massote, ambos em Campo Belo - MG nos meses do ano base de 1989. Novamente cientificado o contribuinte apresentou nova peça de defesa não como impugnação mas como recurso, onde reafirma as razões inicialmente apresentadas e pede o cancelamento das notificações. A autoridade monocrática mantém o lançamento, conforme documento de folhas 364 a 370. Inconformado com a decisão singular, o contribuinte apresentou recurso a este conselho conforme documento de páginas 379 a 394, onde repete as argumentações apresentadas inicialmente. Levado a julgamento nesta Câmara recurso n° 2.134, foi expedido o acórdão n° 102-30.494, onde por unanimidade de votos foi anulado o processo a partir do segundo lançamento, inclusive o recurso, sendo ementado da seguinte forma: IMUTABILIDADE DO LANÇAMENTO - O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado de oficio pela autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149 do C1N, sendo nulo o segundo lançamento quando já se encontra instaurada a fase litigiosa do processo com a apresentação da impugnação. (Lei n° 5.172/66 art. 145 inc. III - Dec. 70.235/72 art. 14). No voto por nós mesmo emitido determinamos o julgamento da notificação inicial de p: tina 293, o que foi realizado conforme decisão de folhas 404 a 413. ,111 5 f". MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 A autoridade monocrática julgou procedente o lançamento ementando sua decisão da seguinte forma: "MATÉRIA E EMENTA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS Acréscimo Patrimonial Não Justificado. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Sinais Exteriores de Riqueza O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização de sinais exteriores de riqueza. Sigilo Bancário. Inclusive os bancos, mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. Depósitos Bancários. O arbitramento poderá ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto às instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. 6 f": MINISTÉRIO DA FAZENDA. o T PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Lançamento procedente" A autoridade "A QUO" sustenta em sua decisão que o lançamento não fora realizado com base exclusiva em depósitos bancários mas que houve toda uma análise do patrimônio do contribuinte, relativo aos exercícios financeiros de 1988 a 1990, onde contribuíram para a apuração dos acréscimos patrimoniais não justificados, para estes exercícios, não só os referidos depósitos bancários, como também as compras e vendas de imóveis e veículos, além de aquisições de empréstimos com instituições financeiras, pessoas fisicas e jurídicas, bem como de quotas de capitais de empresas e de exploração de imóveis rurais, efetuados pelo contribuinte durante os anos de 1987 a 1989. Diz ainda que os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de rendimentos, que foi objeto de tributação em face da recusa ou incapacidade do contribuinte em comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Faz uma comparação entre os depósitos bancários realizados e o total dos rendimentos declarados com intuito de mostrar em quantas vezes monta dos referidos depósitos em relação aos rendimentos, variando de 11 a 8.964 vezes. Enfrenta também a questão levantada quanto a sigilo bancário onde demostra que a autoridade fiscal pode solicitar informações junto às instituições financeiras com base no artigo 197 da Lei n° 5.172/66. Inconformado com a decisão monocrática, o contribuinte apresenta o recurso de páginas 417 a 422, argumentando em sua súplica, em epítome, o seguinte: Relata inicialmente os passos do processo a partir do julgamento neste Conselho. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Transcreve parte da descrição dos fatos contida na notificação onde consta a inclusão na declaração de bens de depósitos bancários efetuados e não declarados. Durante toda sua súplica sustenta que o lançamento fora realizado com base exclusiva em depósitos bancários, transcreve parte de acórdão do Tribunal Federal de Recursos na Apelação Civ. 68359 - SP; e cita o DL 2.471/88 que em seu artigo 90 determinou o cancelamento dos processos de imposto de renda arbitrado com base exclusiva em depósitos bancários e os acórdãos 103-10.513/90 e 103-10514/90. Transcreve artigo do ex. ministro Mailson da Nóbrega, que afirma ser de exclusiva competência do Poder Judiciário a quebra do sigilo bancário. Diz que a autoridade administrativa praticou ato arbitrário e ilegal e anulável ao intimar os • bancos a fornecerem os extratos bancários, e que retroagiu indevidamente a aplicabilidade da Lei 8.021/90 a anos pretéritos. Encerra sua petição reafirmando que o lançamento fora realizado com base exclusiva em extratos ou comprovantes de depósitos bancários o que não constitui aumento patrimonial. É o Relatório. f 8 3'. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 VOTO CONSELHEIRO JOSÉ CLÓVIS ALVES, RELATOR O recurso é tempestivo dele conheço, não há preliminar a ser analisada. Antes de analisarmos o mérito propriamente dito da questão, verifiquemos se a fiscalização poderia ou não solicitar das instituições financeiras os extratos bancários: Lei 5.172/66 Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (grifamos) I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários da justiça; H - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições Financeiras; (grifamos) A legislação, tanto anterior à Constituição Federal promulgada em 05/10/88, (Art. 197 do CTN), como posterior, (Art.. 8° da Lei 8.021/90) autorizam a requisição junto à instituições financeiras de dados de interesse da fiscalização. Muitos advogados têm manifestado que o referido sigilo bancário estaria previsto no artigo 5° inciso XII da Constituição Federal em vigor, o que implicitamente acreditamos querer se referir o nobre recursante, para dirimir a dúvida transcrevamos esse mandamento da Carta Magna: ART. 5° - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à prosperidade, nos termos seguintes: 9 , MINISTÉRIO DA FAZENDA ''-9' 1 . :n::,: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 1 Incisos I a XI - omissis XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Como podemos notar pela simples leitura de tal mandamento os arquivos das transações financeiras realizadas pelo contribuinte, não podem ser enquadrados em nenhuma hipóteses previstas, logo não podemos concordar com o recursante que acusa a autoridade de violar não só a lei como também a Constituição. Apenas como exercício hipotético, poderia se argumentar que os registro bancários estariam enquadrados como sigilosos dentro da proteção à comunicação de dados, fato que discordamos. Entendemos que a comunicação de dados inserida nesse inciso, visa proteger as comunicações de computador para computador, ou via fax, entre o cliente e o banco, pois o conhecimento de seu conteúdo, poderia prejudicar o correntista, na medida em que revelaria negócios em andamento. Conforme verificamos o artigo do 197 do CTN não se mostra incompatível com o texto da Constituição e por isso continua em pleno vigor, pelo que podemos afirmar as instituições financeiras devem fornecer os extratos bancários como qualquer outro registro que detiverem em relação aos seus correntistas, sempre que solicitadas por escrito pela autoridade tributária. MÉRITO: Para melhor decidirmos, transcrevamos a legislação aplicada à presente lide: Exercícios de 1988 e 1989 anos-base de 1987 e 1988: RIR/80 aprovado pelo Decreto 85.450/80,,40( OP 10 io MINISTÉRIO DA FAZENDA kj- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Art. 20 - Constituem rendimento bruto, em cada cédula, o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e demais proventos previstos nesse Regulamento, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes com os rendimentos declarados. Art. 39 - Na cédula H serão classificados a renda e os proventos de qualquer natureza não compreendidos nas cédulas anteriores, inclusive: I; II; omissis. III - as quantias correspondentes ao acréscimos do patrimônio da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis na declaração, por rendimentos não tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte. IV - omissis V - os rendimentos arbitrados com base na renda presumida através da utilização dos sinais exteriores de riqueza que evidenciem a renda auferia ou consumida pelo contribuinte. CÓDIGO TRIBUTÁRIO Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. MINISTÉRIO DA FAZENDA ,!= p PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Analisando a legislação supra à luz do artigo 43 do CIN, temos que em qualquer hipótese é preciso que fique comprovada a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de: Renda: não é o caso pois não ficou provado que os valores dos depósitos tivessem origem em produto do capital, do trabalho ou combinação de ambos. Proventos de qualquer natureza; seria a segunda hipótese, de incidência, para tal precisaria ficar comprovado o acréscimos patrimonial a descoberto em 31/12/ de 1987, pois nos termos da legislação vigente até essa data, o fato gerador do imposto era anual e se completava nessa data, devendo também nela ser medida a variação patrimonial ocorrida e somente se não coberta pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou isentos, é que se poderia exigir o imposto na medida exata entre os rendimentos disponíveis e a referida variação, assim estaria então comprovado o aumento patrimonial a descoberto, o que não aconteceu, senão vejamos: Entende-se por rendimentos, os frutos produzidos por um determinado bem, ou seja é algo que se acresce aquele que já se possuía anteriormente. O artigo 43 do CIN diz que o imposto tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Para que o lançamento fosse feito em primeiro lugar deveria obedecer a lei maior, ou seja a autoridade deveria provar que houve a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; os depósitos por si só não configuram aquisição dessa disponibilidade exigida pela lei, mas apenas um ponto de partida para se comprovar, ou não, sua aquisição, sendo porém admitida sua utilização a partir da edição da Lei 8.021/90, nas condições que adiante demonstraremos. A autoridade tributante enquadrou os depósitos bancários não justificados como aumento patrimonial a descoberto caracterizando sinais exteriores de riqueza, porém esses sinais precisam evidenciar a renda auferida ou consumida pelo contribuinte, e no processo não ficou provado que o recorrente tenha auferido ou consumido renda acima da regularmente declarada. 12 Á • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e ' -- PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Não sendo aumento patrimonial a descoberto, nos termos do inciso II do artigo 43 do CTN, teria que se configurar como renda, provado então deveria estar que tal base de cálculo tivesse origem no produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, nos termos do inciso I do mesmo artigo, tal condição é indispensável, visto que além da Lei 5.172/66 ser complementar, portanto hierarquicamente superior à base legal do inciso V do artigo 39 do RIR/80 (Lei 4.729/65), é posterior a essa e mesmo que ordinária fosse, revogaria dispositivos legais anteriores que com ela se mostrassem incompatíveis. Corroborando com essa linha de pensamento foi publicado em 02.09.88 o Decreto-lei n° 2.471/88, que em seu artigo 90 inciso VII determina o arquivamento dos processos administrativos e o cancelamento dos respectivos débitos para com a Fazenda Nacional, que tivessem origem na cobrança de imposto de renda arbitrado exclusivamente em valores ou comprovantes de depósitos bancários. A simples intimação para a pessoa fisica comprovar a origem dos depósitos não significa que o imposto não tenha sido lançado com base exclusiva em depósitos bancários, pois necessário seria além disso comprovar, mesmo que fosse através de diligências, atividade que propiciasse ao contribuinte auferir tais valores e ainda que tivesse à margem da tributação, de modo que as averiguações, mesmo partindo dos depósitos bancários demonstrassem que esses fossem conseqüência de tais atividades. Embora a autoridade julgadora tenha demonstrado que os depósitos realizados superam em muitas vezes a renda declarada sabemos que, no dia a dia, quantias transitam pelas contas correntes das pessoas, mormente as que têm mais de uma atividade como o recursante, sem que provenham de atividades sujeitas à tributação, como por exemplo somente para citar alguns casos as transferências, inter-bancos ou inter-contas correntes de poupança ou aplicação mantidas na mesma instituição financeira, reapresentação de cheques devolvidos assim por diante. 1' 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Excluídos os montantes referentes aos depósitos bancários considerados como aplicação no demonstrativo de análise do acréscimo patrimonial não justificado teremos o seguinte: 88/87 89/88 90/89 Soma dos recursos 1.882.997,00 49.577,38 463.723,22 Soma das aplicações (- dep. banc.) 1.871.240,00 8.685,04 215.247,72 Superávit 11.757,00 40.892,34 248.448,50 Assim a decisão monocrática deve ser reformada, visto que o lançamento não poderia ser ancorado na base legal utilizada. Quanto ao exercício de 1990 ano-base de 1989: Lei 7.713/88: ART. 1 0 - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 10 de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. ART. 30 O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvados o disposto nos arts. 90. a 14 desta Lei. § 1 0 - Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 40 - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das renda ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. 14 ¡o, I' 7;: MINISTÉRIO DA FAZENDAo. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Transcrevamos também o artigo 6° da Lei 8.021/90 subsidiariamente aplicada ao caso, visto que pela legislação anterior já ficou demonstrada a impossibilidade da exigência do IR com base exclusiva em depósitos bancários: ART. 6° - O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se- á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. 1 § 2° - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída I dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do imposto de renda em vigor e do imposto de renda pago pelo contribuinte. I I § 3° - Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado 1 para o devido procedimento fiscal de arbitramento. I 1 § 4° - No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à i 1 época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. I § 5° - O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou I aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a I 1 origem dos recursos utilizados nessas operações. 1 § 6° - Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será 1 sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. (grifamos) - ,00.9' AP 15 ,..--/ 5. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PROCESSO N°. :10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. :102-41.199 Entende-se por rendimentos, os frutos produzidos por um determinado bem, ou seja é algo que se acresce aquele que já se possuía anteriormente. O artigo 43 do CTN diz que o imposto tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Para que o lançamento fosse feito em primeiro lugar deveria obedecer a lei maior, ou seja a autoridade deveria provar que houve a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; os depósitos por si só não configuram aquisição dessa disponibilidade exigida pela lei, mas apenas um ponto de partida para se comprovar, ou não, sua aquisição, sendo porém admitida sua utilização a partir da edição da Lei 8.021/90, nas condições que adiante demonstraremos. O § 1° do artigo 3° da Lei 7.713/88 considera como rendimento bruto o acréscimo do patrimônio da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis na declaração, no presente caso analisando as declarações a fiscalização não comprovou acréscimo patrimonial a descoberto, pois as contas foram declaradas e os seus respectivos saldos, temos por exemplo na declaração de bens página 19 declarada uma quantia de CZ$ 7.636 na conta corrente 5.000891 Banco Real agência de Campo Belo MG, exatamente o valor constante do extrato de página 126 fornecido pela instituição financeira. A lei determina o momento em que o contribuinte deva prestar conta de seus bens inclusive saldos bancários e esse momento é o da declaração, se na declaração justificar o aumento de patrimônio com rendimentos suficientes para cobri-lo dentro dos respectivos períodos de apuração mensais não há o que falar em renda omitida. A autoridade tributante enquadrou os depósitos bancários não justificados como aumento patrimonial a descoberto caracterizando sinais exteriores de riqueza, porém esses sinais I precisam evidenciar a renda auferida ou consumida pelo contribuinte, e no processo não ficou provado que o recorrente tenha auferido ou consumido renda acima da regularmente declarada. Os critérios estabelecidos na Lei 8.021 para tributação de depósitos bancários não poderiam ser utilizados retroativamente, porém mesmo que apenas por hipótese admitíssemos 16 ' • e;, MINISTÉRIO DA FAZENDApz PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 sua aplicação não poderia a exigência permanecer pois não obedeceu o ritual determinado como veremos a seguir. A legislação, Lei 8.021/90 art. 6° autorizou dois tipos de arbitramento: o primeiro mediante o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, e o segundo com base nos depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, porém através do § 6° do artigo supra citado determinou que qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. A imposição prevista pela lei quanto a opção a ser seguida pela autoridade para arbitrar os rendimentos implica necessariamente que dois levantamentos sejam feitos, o da renda presumida com base nos sinais exteriores de riqueza e o dos depósitos e aplicações realizadas junto a instituições financeiras para os quais o contribuinte não comprovou a origem dos recursos. Antes do lançamento a autoridade deve comparar as duas bases de cálculos previstas para o arbitramento, verificar qual mais favorece ao contribuinte e utiliza-la como base para o arbitramento no lançamento de oficio. O lançamento realizado sem a observância deste preceito legal não pode prosperar visto que o objetivo da norma é alcançar aqueles rendimentos que subsidiaram os gastos ou as aplicações e não foram de conhecimento, tácito ou expresso, da autoridade, assim entendidas as quantias que estiveram até então à margem da lei quanto a tributação do imposto de renda. O autuante misturou os conceitos, pois o aumento patrimonial a descoberto por si só é rendimento bruto e base de cálculo do IRPF conforme § 1° do art. 3° da Lei 7.713/88, enquanto que os depósitos bancários ou os sinais exteriores de riqueza, são métodos para se chegar ao rendimento omitido através da comparação dos valores gastos com os bens ou numerários depositados/investidos com os recursos disponíveis. 17 ( ''"` • r",; • MINISTÉRIO DA FAZENDA- . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 A lei não elegeu os depósitos bancários como sinais exteriores de riqueza, pois os definiu como "gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte", ora quando o contribuinte faz um depósito ou aplicação não há realização de nenhum gasto. O saudoso mestre Aurélio, em seu Dicionário da Língua Portuguesa, assim definiu o adjetivo "GASTO": Verbete: gasto [Part. de gastar] Adj. 1. Que se gastou ou despendeu. 2. Deteriorado, estragado, danificado: "os sapatos gastos, sem salto, não faziam rumor." (Coelho Neto, Turbilhão, p. 162). 3. Coçado, surrado: roupa gasta. 4. Fig. Abatido, enfraquecido, consumido, avelhantado: Apesar de novo, é um homem gasto. 5. Fig. Abalado, desgastado: Está com os nervos gastos. S. m. 6. Aquilo que se gastou ou consumiu; despesa, dispêndio: Teve com a festa um gasto enorme. [Sin., p. us., nesta acepç.: gastamento] 7. Dano, detrimento. Como vimos o termo "gasto" utilizado pela Lei, na expressão: "realização de gastos", significa: despesa, dispêndio ou seja, aquilo que se gastou ou consumiu 18 ' • MINISTÉRIO DA FAZENDA zt,P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10665/000.148/92-67 ACÓRDÃO N°. : 102-41.199 Pergunta-se: Um valor depositado em banco foi consumido? Claro que não, logo não pode ser tratado como dispêndio ou sinal exterior de riqueza. Assim, conheço o recurso, como tempestivo, para no mérito, dar-lhe provimento. Sala das Sessõ- s - , em 25 de Fevereiro de 1997. f - J O CLÓ VIS ALVES 19 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1
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