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Numero do processo: 13502.001134/2007-13
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1993 a 31/05/1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.
No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN.
Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir.
Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelam-se incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal.
Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado.
Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformar-se materialmente com o lançamento anulado. Fazendo-se necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente.
O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituí-lo.
Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 23/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 23/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 11 34 /2 00 7- 13 Fl. 994DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 23/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.001134/200713 Acórdão n.º 9202002.730 CSRFT2 Fl. 9 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2301 00.502, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 07 de julho de 2009, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, acatou a preliminar de decadência para provimento do recurso. Segue abaixo sua ementa: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. A falta de caracterização dos fatos geradores constitui vício material, do que resulta, em caso de prejuízo à defesa, nulidade do lançamento; portanto, inaplicável a regra do artigo 173, II do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.” Afirma que o aresto recorrido diverge do paradigma que apresenta, que, em caso de todo semelhante ao destes autos, decidiu que vício quanto à presença dos elementos do art. 142 do CTN, inclusive a dúvida quanto à ocorrência do fato gerador, é de natureza formal. Explica que o paradigma, em razão da não caracterização clara e efetiva do fato gerador, não efetivamente contextualizado e demonstrado, manteve a anulação por vício formal. Segue abaixo sua ementa: Acórdão 30240.005 “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 16/03/1994 a 16/11/1995 É nulo, por vício formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.” Considera que, na hipótese em apreço, a deficiência na exteriorização das razões de fato que levaram a autoridade fiscal a considerar que o contrato firmado com a empresa terceirizada pertence à modalidade de cessão de mãodeobra, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Entende que não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente Fl. 996DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 existiram. Já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. No caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte. Tratase, portando, de motivação deficiente do ato administrativo. Salienta que, em razão do vício no lançamento tributário originário ser de natureza formal, deve aplicar o art. 173, II do CTN. Conclui que, tendo em vista que o primeiro lançamento foi anulado por vício formal em 15/10/2003, um lançamento substitutivo poderia ser realizado até 15/10/2008. Assim, dado o fato de que o presente lançamento se deu em 30/12/2005, temse que o mesmo não decaiu, merecendo reforma a decisão recorrida. Ao final, requer o provimento do seu pedido. Nos termos do Despacho n.º 261/2009, foi dado seguimento ao recurso. A empresa CONCÓRDIA TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA., em suas contrarazões, afirma o que segue. Inicialmente, afirma que encontrase impossibilitada de apresentar seu recurso, visto que junto com a intimação não veio a cópia do Recurso Especial da PGFN, mas unicamente do julgamento proferido pelo CARF. Requer a devolução do prazo para apresentar contrarazões, bem como que lhe seja enviada a cópia do Recuso Especial. Ademais, entende que não merecer prosperar o lançamento ora contestado, relativamente ao período de 04/95 a 02/98, uma vez que os supostos créditos objetos do mesmo encontramse atingidos pela decadência. Frisa que a Notificação lavrada pela União visa cobrar supostas diferenças quanto ao pagamento das contribuições previdenciárias, aplicando, portanto, ao vertente caso o entendimento consagrado pelo STJ, no sentido que na contagem do prazo decadencial aplicase a regra do artigo 150, §4°, do CTN. Ao final, requer o não provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A empresa PARANAPANEMA S/A, em suas contrarazões, afirma o que segue. Entende, inicialmente, que a Recorrente não logrou demonstrar o atendimento do pressuposto específico para a admissibilidade do Recurso Especial, haja vista que não apresentou o cotejo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido, capaz de demonstrar a interpretação diversa do mesmo dispositivo legal pelo CARF. Em seguida, observa que o aresto atacado encontrase em total consonância com a legislação de regência, bem como a jurisprudência que ventila o tema tanto na esfera administrativa, como na esfera judicial, qual seja: a impossibilidade de se reabrir o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário quando anulado por vício de ordem material, que guarde relação à caracterização do fato gerador do tributo que se pretende cobrar. Explica que a decisão do CRPS que anulou o primeiro lançamento substituído pelo ora rechaçado pautouse expressamente na existência de vícios na caracterização do fato gerador do tributo o que de per si afasta a aplicação de dispositivo do Fl. 997DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.001134/200713 Acórdão n.º 9202002.730 CSRFT2 Fl. 10 5 CTN que concede à Administração a reabertura do decadencial com fito de evitar ó excesso de formalismo do Ato Administrativo Vinculado. Pondera que a Recorrente confunde a ausência de descrição dos fatos (inciso III, art 10 do Decreto 70235/72) com descrição de fatos deficiente, precária, incapaz, tal como se deu no caso concreto sob análise. Frisa que o dever da prova da ocorrência do fato gerador, in casu, da existência da cessão de mãodeobra, é da Autoridade Administrativa que está lançando o tributo, conquanto cediço que a deficitária descrição dos fatos atinge a substância do ato administrativo, vício que não guarda a menor relação com os requisitos de forma do ato. Entende que, diante do vício material, aplicase o preceito do art. 173, I, do CTN e, portanto, decaído já se encontrava o direito de renovar a ação fiscal quando do novo lançamento ora combalido. O fato de constar no acórdão que ao Fisco ficava facultado o direito de renovar a ação fiscal não pode implicar na aplicação do preceito do art. 173, II, do CTN, pois a renovação apenas seria plausível desde que dentro do prazo decadencial previsto no inciso I, do artigo retrocitado. Julga que o prazo de cinco anos de que dispõe a Autoridade Fiscal para realizar o que se pode denominar de lançamento substitutivo destinase apenas à sanação da ilegalidade da qual decorreu a nulidade do lançamento anterior. De nenhum modo se pode entender que nesse prazo tem a Autoridade Fiscal restabelecido o seu direito de examinar amplamente tudo que disser respeito ao sujeito passivo daquele crédito tributário, cuja constituição resultou nula por vício formal. Sustenta que não houve no primeiro lançamento desrespeito a qualquer formalidade. O ato fora praticado com a solenidade prevista em Lei, no entanto, após apresentadas as impugnações e defesas administrativas pelo contribuinte, se verificou a ocorrência de mácula no que tange aos pressupostos de validade do ato administrativo evidente vício material. Ao final, requer o não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial. A discussão gira em torno da apreciação da decadência de lançamento realizado para sanear lançamento anterior anulado. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Para o deslinde da questão há de se esclarecer que ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi promovida com a finalidade de recompor documentos de constituição de créditos anulados pelo CRPS. Salientese que, no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a fiscalização intima o contribuinte a apresentar livro diário, razão, contratos, notas fiscais e outros documentos referentes à prestação de serviços realizados pelas empresas prestadoras de serviços relacionadas em anexo que detalha as NFLD anuladas e os respectivos prestadores de serviços. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo Fl. 999DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.001134/200713 Acórdão n.º 9202002.730 CSRFT2 Fl. 11 7 devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13888.001023/99-59
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 29/03/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 2 Relatório Trata-se de pedido de Restituição/Compensação de indébitos pertinentes a tributo supostamente pago a maior que o devido. A questão que se apresenta a debate cinge-se ao termo inicial para o sujeito passivo postular a repetição do alegado indébito. O julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recursos nº 227.494, julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cinge-se a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Nos termos do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese do julgamento do Recurso nº 227.494, paradigma para o caso em discussão. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CTN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não Fl. 2DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 260 3 apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. Fl. 3DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 4 A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. Fl. 4DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 261 5 EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3º E 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE Fl. 5DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 6 INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretá-las. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito Fl. 6DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 262 7 a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Fl. 7DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 8 Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto-vista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do Fl. 8DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 263 9 julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Fl. 9DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 10 Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 1 Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2 jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 10DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 264 11 A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá- las ao caso concreto submetido a seu julgamento; Fl. 11DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 12 - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Fl. 12DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 265 13 Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fática, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt 3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta 3 Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 13DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 14 em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercê-la 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Fl. 14DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 266 15 Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso 4 : A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III - Do Poder Judiciário - do Título IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 15DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 16 judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Fl. 16DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 267 17 Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, passa-se à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 165 5 do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I - .................................................................................................... III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) ..................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I - da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 17DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 18 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário – aplica-se aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 18DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 268 19 disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro 7 : Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho10, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemã11, pontifica: 7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” 9 “II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fé como Valores Constitucionais. As Leis Fl. 19DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 20 “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem-estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”13, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf 12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. Fl. 20DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 269 21 Como esclarece José Afonso da Silva14, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero15 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de 14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Fl. 21DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 22 harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. 16 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Fl. 22DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 270 23 Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzir-se na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417-721: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) - No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente 19Op. cit., p. 1265/1266 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 23DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 24 no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal 23 , por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da 22 LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 24DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 271 25 matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24 : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Fl. 25DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 26 N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 25 : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 26 : TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 26DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 272 27 Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra- se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari 27 , apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo 28 , leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 27DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 28 confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva 29 , apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki 30 , em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 31 , sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81-101 31 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Fl. 28DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 273 29 direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34 , sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. Fl. 29DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 30 Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho 35 : Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. Fl. 30DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 274 31 Resp nº 686.05836 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787⁄89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornou-se pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 31DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 32 conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 32DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 275 33 Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, “o início do caos”: a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: “O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) I – nas hipóteses do inciso I (“pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável”) e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário”. Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em “tese”), passavam-se 5 anos e, simplesmente, “ocorria” a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto-lei nº 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo – i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alías, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, Fl. 33DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 34 simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de “justiça” foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, “c”. A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade - encontraram-se modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterou-se o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por “Justiça”. E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o “pagamento antecipado” e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 43.995-5/RS Relator: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário – Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis – Decreto-Lei nº 2.288/86 – Restituição - Decadência – Prescrição – Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame.”(DJ: 24/04/1995) Fl. 34DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 276 35 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento” de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § 1º refere-se a “condição resolutiva” que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART40, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: “Ora, os sinais aí estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 40 O conceito de direito, p. 155-6 Fl. 35DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 36 Não difere dessa situação os julgados do STJ (“marcador oficial”) com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART41: “‘O resultado é o que o marcador diz que é’ não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação”. Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: “o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de críquete ou de basebol já não esteja a jogar-se; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterar-se; já não é críquete ou basebol que se joga, mas “o jogo do Juiz” 42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir 41 O conceito de direito, p. 156-9. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Fl. 36DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 277 37 eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. Fl. 37DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 38 de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09147 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei” (RE 80.153⁄SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345⁄35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522⁄2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal” relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. 46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 38DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Processo nº 13888.001023/99-59 Acórdão n.º 9303-00.580 CSRF-T3 Fl. 278 39 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 39DF CSRF/CARF MF Impresso em 17/07/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI
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Numero do processo: 16561.720042/2011-14
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. PRESENÇA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Correta a decisão de primeira instância que reconheceu a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para tributos sujeitos a lançamento por homologação, ausentes dolo, fraude ou simulação, e presente o pagamento antecipado a que se refere a lei.
ÁGIO FORMADO EM PERÍODO ANTERIOR. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários se, tanto da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, quanto da aplicação do art. 173, I, do mesmo código, resulta que o lançamento ocorreu dentro do prazo quinquenal. Nenhuma relação tem com essas conclusões o fato de que o Fisco examinou e glosou (nos períodos fiscalizados) a amortização de ágio, cuja formação ocorreu em períodos anteriores. No que tange às multas exigidas isoladamente, a aplicação do art. 173, I, do CTN conduz à mesma conclusão.
SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SÚMULA CARF Nº 47.
A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. Decisão do STJ em sede de recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), nos Edcl no REsp nº 923.012-MG. Tal conclusão se aplica, ainda com mais motivos, diante da constatação de que sucessora e sucedida pertenciam ao mesmo grupo econômico à época do evento sucessório, impondo-se a aplicação da Súmula CARF nº 47.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FATOS GERADORES ANTERIORES À LEI Nº 11.488/2007. SÚMULA CARF Nº 105. IMPROCEDÊNCIA.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 105.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.488/2007. PROCEDÊNCIA.
Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciando-se a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.
Numero da decisão: 1302-001.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: b.1) cancelar as multas isoladas do fato gerador de 31/07/2006, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Araújo Paiva e Márcio Rodrigo Frizzo, que cancelavam integralmente os lançamentos; b.2) reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, vencidos os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade, que mantinham a multa no percentual de 150%. Designado o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo para redigir o voto vencedor sobre este ponto do julgamento. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior acompanhou os votos vencedores pelas conclusões. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 63; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 9.718 1 9.717 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720042/201114 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.687 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2015 Matéria IRPJ e CSLL Recorrentes VOTORANTIM CIMENTOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ERROS MATERIAIS NO LANÇAMENTO. Inatacável a decisão de primeira instância que, ao reconhecer erros materiais no lançamento, procedeu às indispensáveis correções, reduzindo as exigências correspondentes. Tais erros se referem ao cálculo a maior da multa por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ em um dos meses, e à inclusão indevida e inexplicada de parcela da glosa de compensação de prejuízos sem observância da trava de 30%. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. GLOSA. É indedutível, para fins fiscais, o ágio formado em operação societária artificial, interna ao grupo econômico, amparado em laudo elaborado sob premissas não mais presentes ao tempo do evento societário e sobre cuja transmissão desde sua origem até o início da amortização, passando por diversos eventos de sucessórios e alterações de valor, restam dúvidas. INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. Para a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, fazse necessário a comprovação do dolo de fraude, sonegação ou conluio. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. Os prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores poderão ser compensados com o lucro real do período, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa, por incorporação ou por outro motivo. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores é expressiva de benefício fiscal, a ser interpretado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 42 /2 01 1- 14 Fl. 9718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.719 2 restritivamente, e não constitui direito adquirido do contribuinte, conforme jurisprudência do STF. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FATOS GERADORES ANTERIORES À LEI Nº 11.488/2007. SÚMULA CARF Nº 105. IMPROCEDÊNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 105. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. PRESENÇA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Correta a decisão de primeira instância que reconheceu a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para tributos sujeitos a lançamento por homologação, ausentes dolo, fraude ou simulação, e presente o pagamento antecipado a que se refere a lei. ÁGIO FORMADO EM PERÍODO ANTERIOR. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO NO PERÍODO FISCALIZADO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários se, tanto da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, quanto da aplicação do art. 173, I, do mesmo código, resulta que o lançamento ocorreu dentro do prazo quinquenal. Nenhuma relação tem com essas conclusões o fato de que o Fisco examinou e glosou (nos períodos fiscalizados) a amortização de ágio, cuja formação ocorreu em períodos anteriores. No que tange às multas exigidas isoladamente, a aplicação do art. 173, I, do CTN conduz à mesma conclusão. SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSOS REPETITIVOS. EMPRESAS Fl. 9719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.720 3 PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SÚMULA CARF Nº 47. A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. O descumprimento da obrigação principal faz com que a ela se agregue, imediatamente, a obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. Decisão do STJ em sede de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos Edcl no REsp nº 923.012MG. Tal conclusão se aplica, ainda com mais motivos, diante da constatação de que sucessora e sucedida pertenciam ao mesmo grupo econômico à época do evento sucessório, impondose a aplicação da Súmula CARF nº 47. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: a) por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício; b) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: b.1) cancelar as multas isoladas do fato gerador de 31/07/2006, vencidos os Conselheiros Hélio Eduardo de Araújo Paiva e Márcio Rodrigo Frizzo, que cancelavam integralmente os lançamentos; b.2) reduzir o percentual de multa de ofício de 150% para 75%, vencidos os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade, que mantinham a multa no percentual de 150%. Designado o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo para redigir o voto vencedor sobre este ponto do julgamento. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior acompanhou os votos vencedores pelas conclusões. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 9720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.721 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório VOTORANTIM CIMENTOS S/A, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 115.957.681,95, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 3. Os vários autos de infração reunidos no presente processo constituem créditos tributários de IRPJ e CSLL, além de multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas. Releva destacar que parte dos créditos tributários é exigida da interessada na qualidade de contribuinte. Outra parte dos créditos lhe é exigida na qualidade de sucessora, por incorporação, de Engemix S/A. Finalmente, uma terceira parte dos créditos tributários do processo é exigida da interessada na qualidade de sucessora, por incorporação, de Votorantim Cimentos Brasil Ltda., por sua vez sucessora por incorporação de Itapisserra Mineração S/A. As infrações identificadas pelo Fisco estão minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 8930/8984. Segue apertada síntese. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ORIGINADO NA ENGEMIX PARTICIPAÇÕES S/A · Valor não adicionado ao Lucro Líquido do período, para a determinação do Lucro Real, relativo a despesa indedutível de amortização de ágio registrado pela Cimefor Comercial Importadora e Exportadora Ltda., CNPJ 00.480.565/000113, relativo a subscrição de capital, anocalendário 2001, na Engemix Participações S/A, CNPJ 02.405.472/000150, com ágio de aproximadamente R$ 200 milhões. Em 31/10/2005, a Cimefor foi incorporada pela Engemix S/A, CNPJ 60.405.446/0001 28. A partir de janeiro de 2006 a Engemix S/A passou a amortizar o ágio à razão de 1/60 mensais, sendo que as despesas relativas a essa amortização foram registradas na contabilidade da Engemix S/A até novembro de 2008, pois em 30/12/2008 ela foi incorporada pela Votorantim Cimentos Ltda. (fiscalizada). · A esta infração foi aplicada a multa qualificada de 150%. · IRPJ – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 31/12/2006, 31/12/2007 e 30/11/2008 – Infração 0001, fls. 8814/8816. · CSLL – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 31/12/2006, 31/12/2007 e 30/11/2008 – Infração 0001, fls. 8841/8842 (reflexo da infração do IRPJ). · IRPJ – Fatos geradores praticados pela própria fiscalizada, após a incorporação da Engemix S/A: 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 e 31/12/2010 – Infração 0001, fl. 8858. Fl. 9721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.722 5 · CSLL – Fatos geradores praticados pela própria fiscalizada, após a incorporação da Engemix S/A: 31/12/2008, 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 e 31/12/2010 – Infração 0001, fl. 8886 (reflexo da infração do IRPJ). SALDO INSUFICIENTE – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL · O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo. Esta infração decorre da glosa de despesas com amortização de ágio, anteriormente descrita. · A esta infração foi aplicada multa de 75%. · IRPJ – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 30/12/2008 – Infração 0002, fls. 8814/8816. · CSLL – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 30/12/2008 – Infração 0002, fls. 8841/8842 (análoga à infração do IRPJ). INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM A OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. · O sujeito passivo compensou prejuízos fiscais, sem observar o limite de compensação de 30% do Lucro Líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação de regência. · A esta infração foi aplicada multa de 75%. · IRPJ – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 30/12/2008 – Infração 0003, fls. 8814/8816. · CSLL – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 30/12/2008 – Infração 0003, fls. 8841/8842 (análoga à infração do IRPJ). INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM A OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. · A sociedade Itapisserra Mineração S/A, CNPJ n° 51.011.955/000185, compensou prejuízos fiscais, sem observar o limite de compensação de 30% do Lucro Liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação de regência, por ocasião de sua incorporação pela sociedade Votorantim Cimentos Brasil Ltda., CNPJ n° 96.824.594/000124, a qual, em 31/08/2010, foi incorporada pela sua controladora Votorantim Cimentos S/A, CNPJ n° 01.637.895/000132 (fiscalizada). · A esta infração foi aplicada multa de 75%. · IRPJ – Fatos geradores praticados pela Itapisserra Mineração S/A: 30/12/2006 – Infração 0001, fls. 8918/8919. · CSLL – Fatos geradores praticados pela Itapisserra Mineração S/A: 30/10/2006 – Infração 0001, fl. 8924 (análoga à infração do IRPJ). Fl. 9722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.723 6 MULTA OU JUROS ISOLADOS – FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ (CONTRIBUIÇÃO SOCIAL) SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. · Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução. Esta infração decorre da glosa de despesas com amortização de ágio, anteriormente descrita. · A multa foi exigida isoladamente no percentual de 50% do valor da estimativa não recolhida. · IRPJ – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 31/07/2006, 30/09/2007, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008 e 30/11/2008 – Infração 0004, fls. 8814/8816. · CSLL – Fatos geradores praticados pela incorporada Engemix S/A: 31/07/2006, 30/09/2007, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008 e 30/11/2008 – Infração 0001, fls. 8832/8833 (análoga à infração do IRPJ). · IRPJ – Fatos geradores praticados pela própria fiscalizada, após a incorporação da Engemix S/A: 31/12/2008, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 31/10/2010 e 31/12/2010 – Infração 0004, fl. 8814/8816. · CSLL – Fatos geradores praticados pela própria fiscalizada, após a incorporação da Engemix S/A: 31/12/2008, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 31/10/2010 e 31/12/2010 – Infração 0001, fls. 8906/8907 (análoga à infração do IRPJ). A ciência dos lançamentos ocorreu em 26/12/2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 8986. As razões de impugnação foram sintetizadas pelo Relator do processo em primeira instância conforme a seguir transcrito: Notificada das autuações em 26/12/2011 (fls. 8986), a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal em 16/01/2012 (fls. 9370/9536), alegando, em síntese, o quanto se segue: (i) Em 1998, o grupo Votorantim adquiriu do grupo Rossi participação societária de 25% na empresa Geral de Concreto S.A, que concentrava as atividades de concretagem, sobretudo desempenhadas pela empresa Engemix S.A, sua controlada, operação objeto de análise pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, por meio do Ato de Concentração n° 08012.007680/9851, no qual se deixa claro que a empresa Geral de Concreto passou, neste momento, a ser detida pelo grupo Rossi (acionista controlador) e pelos grupos Votorantim e Real (por meio da Cia. Cimento Portland Itaú, cujos acionistas majoritários eram a Votorantim Cimentos Ltda. 70,90% e o Banco Real de Investimentos 19,73%); (ii) Os grupos empresariais envolvidos na negociação são absolutamente distintos e não relacionados, tendo ocorrido confusão entre “ágio de subscrição”, correspondente ao fenômeno regulado nos artigos 13, §2° e 182, §1°, alínea "a" da Lei n° 6.404/1976, que serve de instrumento para permitir a injeção de capital na Fl. 9723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.724 7 empresa sem que tal aporte prejudique a divisão política percentual das participações societárias, não guardando esta reserva de capital de ágio equivalência numérica com o fenômeno do ágio de investimento; o "ágio" registrado pelo investidor jamais será igual ao "ágio" registrado na empresa receptora do investimento, simplesmente porque se está falando de fenômenos distintos (com pressupostos e cálculos distintos); (iii) O ágio de investimento, por sua vez, é regulado no artigo 248 da Lei das S.A, complementado pelo artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/1977, e decorre basicamente da aplicação do método da equivalência patrimonial para fins da avaliação contábil de investimentos em empresas coligadas e controladas; (iv) O ágio de R$ 189.705.174,24 é resultado da aquisição do controle da EngemixPar, mas mais especificamente decorre da transferência da integralidade das atividades de concretagem para o grupo Votorantim, a qual se aperfeiçoou com a cisão da EngemixPar, mediante ato que se iniciou em 2002, no qual o grupo Rossi entregou a totalidade da empresa EPGE Participações Ltda. à Cimefor, retirandose das atividades de concretagem. Esta cisão dependeu de aprovação de todos os titulares de ações da Engemix Participações (cf. art. 229, §5° da Lei n° 6.404/1976), não havendo como se negar que a cisão ocorreu entre partes independentes (grupos Votorantim e Rossi), em condições de mercado; (v) Tanto a subscrição de capital pela Cimefor quanto a posterior cisão da EngemixPar, com a consequente tomada dos negócios de concretagem pelo grupo Votorantim, são atos negociais indubitavelmente realizados entre partes não relacionadas; (vi) Em decorrência da cisão, a Cimefor obteve a totalidade do negócio de concretagem, exercido precipuamente pela Geral de Concreto (futuramente denominada Engemix S.A.), tendo adquirido a integralidade de negócios e marcas da Engemix, Concrelix e Concremaster, passando o grupo Rossi a se dedicar exclusivamente à construção de imóveis, enquanto a antiga EngemixPar adotou a denominação de Engeplano Participações S.A; (vii) O ágio amortizado pela contribuinte de R$ 189.705.174,24 é resultado da aquisição do controle e tomada das atividades de concretagem para o grupo Votorantim, sendo que o valor inicialmente registrado de R$ 227.327.489,00 não foi, ao final, o montante aproveitado para fins de amortização fiscal porque, em razão de outros atos de reorganização societária ocorridos ao longo de alguns anos, tal valor de ágio acabou reduzido a R$ 189.705.174,24; (viii) Embora a amortização do ágio registrado pela Cimefor tenha se iniciado em 2006, o ágio em si foi gerado nas operações societárias datadas de 18/12/2001 (fls. 30) e 15/01/2002, quando foi consolidado (fls. 34) e considerando que o fato gerador do IRPJ e da CSLL se materializa no dia 31 de dezembro de cada ano, o prazo que a administração tributária teve para analisálo se esgotou em 31/12/2007; assim, embora a amortização do ágio tenha se iniciado em 2006, o Fisco não pode mais questionála, uma vez que os autos de infração foram lavrados somente em 26/12/2011, quando já transcorrido o prazo de decadência/preclusão de cinco anos contados do fato originário do ágio; (ix) Considerando que a multa isolada é cobrada mensalmente, por cada uma das estimativas mensais não recolhidas, o fato gerador dessa penalidade também é mensal, de forma que uma vez que a fiscalizada foi intimada em 26/12/2011, todas as multas referentes a período anterior a cinco anos contados retroativamente dessa data foram alcançadas pela decadência, isto é, as multas relativas aos períodos de Fl. 9724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.725 8 apuração que vão até 25/12/2006 não podem ser cobradas da Impugnante, razão pela qual requer também o cancelamento da multa isolada do período de 31/07/2006, tanto relativo ao IRPJ quanto à CSLL; (x) Em 31/10/2006, a empresa Itapisserra Mineração S.A. (CNPJ 51.011.955/000185 "Itapiserra") foi incorporada, tendo, por ocasião do levantamento do seu último balanço previamente à incorporação, compensado integralmente o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL acumulados, sendo que o Fisco somente poderia questionar tal procedimento até 31/10/2011, devendo também ser reconhecida a decadência desta parte da autuação; (xi) Houve erro no cálculo das penalidades referentes ao ano de 2006, pois caso fossem devidas as estimativas de IRPJ, estaria sujeita à multa de R$446.822,52, ao invés dos R$695.665,56 lançados, situação que se reflete também em relação à CSLL, bem como foi somada à base de cálculo do lançamento o valor de R$4.892,535,77, sem a devida fundamentação; (xii) A fundamentação do auto de infração é eivada de contradições, pois ora o problema é a suposta dependência das partes, ora a falta de pagamento, ora a incorporação ter sido feita de forma reversa, ora a suposta falta de propósito negocial, cerceando o direito de defesa da Impugnante, razão pela qual deve ser decretado sua nulidade; (xiii) Conforme já mencionado, o ágio em discussão se originou da subscrição de capital da EngemixPar, controlada da RossiPar, pela Cimefor (empresa do grupo Votorantim) para a aquisição de seu controle, tendo sido consolidado com a cisão da EngemixPar, demonstrando que as partes envolvidas eram independentes; (xiv) As normas contábeis utilizadas pelo Sr. Agente Fiscal, a exemplo dos OfíciosCirculares/ CVM/SNC/SEP n° 01/2006 e n° 01/2007, da Resolução CFC n° 1.110/2007 e Pronunciamento Técnico CPC04, embora determinantes no âmbito da Ciência Contábil, não produzem efeitos no âmbito do Direito Tributário e, ainda que fossem aplicáveis, tratam do denominado “ágio interno”, o que não foi gerado na transação em análise; (xv) Como é de conhecimento da própria fiscalização, a Concrefor foi criada a partir da cisão da EngemixPar, operação que objetivou segregar a atividade de concretagem do grupo Rossi e transferila ao grupo Votorantim, não podendo a Concrefor ser caracterizada como “empresa veículo”, notadamente porque ela não foi criada para servir de meio para o transporte do ágio de um lugar a outro, o que sucederia se ela tivesse sido criada pela Cimefor mediante a transferência da participação detida na EngemixPar, o que não aconteceu; (xvi) A Impugnante esclarece que os arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 permitem a incorporação de empresa controladora por sua controlada, sendo autorizada, inclusive, a amortização do ágio registrado pela investidora; (xvii) A Impugnante traz à baila cópias de notas promissórias (Doc. 5), bem como de cheques correspondentes a sua liquidação, demonstrando que: o ágio decorrente da operação de subscrição de ações da EngemixPar foi efetivamente pago; o pagamento foi feito a pessoa não integrante do grupo Votorantim, pois os cheques foram descontados a favor da Engeplano, atual denominação da Engemix Par, a qual recebeu injeção de recursos da Cimefor mediante aumento de capital; as notas promissórias e seus descontos correspondem respectivamente a uma contratação de passivo e sacrifícios de ativos, caracterizando despesa incorrida e, ainda que não tivesse ocorrido pagamento, a regra fiscal de dedutibilidade de Fl. 9725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.726 9 despesas com amortização de ágio possui requisitos próprios, os quais, de forma particular, (i) não exigem o pagamento como pressuposto para possibilitar sua amortização futura e (ii) não se sujeitam às regras gerais de dedutibilidade de despesas, tal como pretendido pela fiscalização, consoante previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/1999; (xviii) O autuante aponta uma divergência entre um ágio de R$ 200.048.701,00 e um valor constante do laudo de avaliação da Engemix Participações, que corresponde ao VPL de R$ 151.501,00 mil, calculado na página 26 do referido laudo (fls. 2942) e comentado na página 30 (fls. 2946), elaborado apenas com vistas aos negócios de concretagem, cujo enfoque foram os fluxos de caixas oriundos das empresas de concretagem Engemix S/A (que é a Geral de Concreto), Concrelix e Concremaster; (xix) A avaliação de tais atividades resultou em um VPL de R$ 281.705,7 mil (cf. página 26 do laudo), afirmandose, na página 30, que 53,78% de tais negócios de concretagem valem R$ 151.501,3 mil; (xx) Comparandose, portanto, o valor das atividades das empresas de concretagem (R$ 281 milhões) e o valor total desembolsado pela Cimefor para adquirir referido negócio (R$ 276 milhões), não é possível imaginar onde possa haver a apontada divergência, sendo que os problemas supostamente identificados pelo r. Auditor Fiscal decorrem tão somente do fato de se ter assumido que o ágio amortizável para fins fiscais é o ágio de subscrição; (xxi) O Auditor Fiscal, por um equívoco, entendeu que o valor de R$ 230 milhões teriam sido considerados na demonstração dos fluxos de caixa futuros (tabela 5.2), mas tal valor somente serviu para o cálculo do período de payback e da Taxa Interna de Retorno TIR (tabela 5.3), sendo que somente a primeira é que interessa para a finalidade de demonstração do ágio (na forma do art. 384, §3° do RIR/99) e sua amortização fiscal; (xxii) Em momento algum o Sr. Agente Fiscal define quais seriam os parâmetros para se constatar a ausência ou não de propósito negocial, cujo conceito não possui amparo legal para ser utilizado como forma de desconstituição de operações e o lançamento de ofício de tributos e multas; (xxiii) Admitindose o “propósito negocial" como um conceito aplicável que, segundo as lições do professor Luís EDUARDO SCHOUERI corresponderia à conformidade entre a intenção da parte e a causa do negócio jurídico, de fato, fica evidente sua existência, pois se verificou uma conformidade entre a intenção da Cimefor de adquirir o ramo da atividade de concretagem e a causa desse negócio jurídico de aquisição do controle da EngemixPar e posterior reestruturação societária; (xxiv) As Leis n° 8.981/95 e 9.065/95 permitem ao contribuinte compensar, nos exercícios seguintes, o saldo remanescente dos prejuízos fiscais e das bases negativas não utilizados em razão da limitação de 30%, ao pressuposto da continuidade das atividades da pessoa jurídica, o que não se sucede quando há seu "desaparecimento" por meio de incorporação, como é o caso dos autos, não restando às sociedades incorporadas outra alternativa que não a compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases negativas existentes na data da incorporação, cabendo ainda destacar que o procedimento adotado pela d. Fiscalização está em desconformidade com o artigo 189 da Lei n° 6.404/76, que torna obrigatória a dedução dos prejuízos acumulados na apuração do resultado do exercício; Fl. 9726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.727 10 (xxv) A incorporação da Itapisserra ocorreu em 2006 e a da Engemix S.A em 2008, época em que era pacífico o entendimento do Tribunal Administrativo de que, por ocasião da incorporação, a empresa incorporada poderia compensar integralmente os seus resultados negativos, conforme verificado nos acórdãos n°s 10195.872, 10709.243, 10196916, 101122596, 10807.456, 10806.683, 108 06.682, 10513.508, 0104258, 0105100, 10707856, 10323.594, 10514.633, 101 94.515, 40105.100, 10709.447, não restando dúvidas, portanto, de que a Itapiserra e a Engemix S.A., se é que agiram em desacordo com a lei, incorreram, quando muito, em erro de proibição, não havendo que se falar em reprovabilidade da sua conduta, pelo que deve ser afastada a multa de 75% imposta pela fiscalização; (xxvi) Há três razões fundamentais pelas quais não se deve exigir multa isolada da Impugnante, quais sejam: inadequação lógica do dispositivo legal relativo à multa isolada com o caso concreto (em que se verifica a exigência de tributo), impossibilidade de se penalizar duplamente um mesmo fato "ilícito" e, de se exigir a multa isolada em períodos em que se verificou prejuízo fiscal; (xxvii) A subscrição de ações se deu de forma direta, sem interposição de empresa veículo, nem se está se falando em empresas de fachada, tampouco foi provado a falta de propósito negocial, não havendo provas nos autos da ocorrência de dolo e/ou fraude nas operações societárias analisadas, razão pela qual deve ser afastada a qualificação da multa de ofício; (xxviii) Ainda que se entendesse que a amortização do ágio se dera de forma fraudulenta, apenas a título de argumentação, não pode a Impugnante, na condição de sucessora por incorporação da Engemix S.A, ser penalizada com multa qualificada, consoante art. 5º, XLV da CF/1988, pois na época da subscrição das ações da EngemixPar, a acionista controladora dessa empresa era a RossiPar, empresa do grupo Rossi, que em nada se confunde com o grupo Votorantim; (xxix) De acordo com o art. 113, § 3º do CTN, se apenas a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento da obrigação acessória é que se converte em obrigação principal, somente esta se enquadra no conceito de crédito tributário de que trata o art. 139 do Codex, o que significa que as multas aplicadas nos lançamentos de ofício (nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96), por não decorrerem do descumprimento de obrigações acessórias, não constituem crédito tributário e, assim, não sofrem a incidência dos juros de mora, já que o art. 161 do CTN é expresso no sentido de que apenas o "crédito tributário " não pago no vencimento é que é acrescido de juros de mora; Ao final, pede pela improcedência dos lançamentos. A 1ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1645.657, de 10/04/2013 (fls. 9193/9244), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 FATOS PASSADOS. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS. GUARDA. PRAZO DECADENCIAL. Fl. 9727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.728 11 O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. APURAÇÃO. ESTIMATIVAS. DEDUÇÃO. PAGAMENTO. A extinção do imposto de renda da pessoa jurídica apurado no encerramento de períodobase mediante dedução de recolhimentos mensais estimados caracteriza, neste exato montante, pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial, aplicandose a regra contida no artigo 150 do CTN, desde que ausentes o dolo, fraude ou simulação. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa isolada decorrente de constatação de falta de recolhimento de estimativas somente é exigível de ofício, razão pela qual está sujeita ao prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. FATOS IMPONÍVEIS DISTINTOS. É cabível aplicação de multa isolada decorrente de falta de pagamento de estimativas mensais de imposto concomitantemente com multa proporcional incidente sobre aquele devido e não pago ao final do período de apuração anual, haja vista cuidarem de reprimendas a comportamentos distintos. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR O processo de reorganização societária, mormente o promovido por cisões e incorporações dentro do mesmo grupo econômico, não elide a responsabilidade tributária da sucessora em relação à multa de natureza fiscal decorrente de infração tributária cometida por empresa sucedida. INFRAÇÃO. CONSCIÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A falta de demonstração do fundamento econômico do ágio registrado em operação de subscrição de capital e seu pagamento, a omissão da fiscalizada em apresentar os registros contábeis de todas as pessoas jurídicas envolvidas na operação, a apresentação de documentos sem assinaturas, formam conjunto probatório a indicar que a fiscalizada tinha conhecimento de que lhe faltaria legitimidade para aproveitar o benefício da amortização fiscal do ágio, qualificando a conduta e fundamentando a exasperação da multa de ofício. Fl. 9728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.729 12 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 INCORPORAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. APLICAÇÃO. A compensação de prejuízos fiscais por pessoa jurídica extinta por incorporação sujeitase ao limite de 30% do lucro líquido ajustado do exercício de encerramento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida em relação aos fatos que levaram à manutenção do IRPJ impõese também à CSLL, naquilo que for cabível, uma vez que ambos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. Por relevante, esclareço que o provimento parcial da impugnação alcançou as seguintes matérias e valores: a) Afastamento da integralidade dos créditos tributários exigidos da interessada na qualidade de sucessora, por incorporação, de Votorantim Cimentos Brasil Ltda., por sua vez sucessora por incorporação de Itapisserra Mineração S/A., em razão da decadência. b) Redução da multa exigida isoladamente por falta de recolhimento do IRPJ, correspondente ao mês de julho/2006, de R$ 695.663,56 para R$ 215.875,04. c) Exclusão de R$ 4.892.535,77, em 30/12/2008, da base de cálculo da infração do IRPJ intitulada “Inobservância do Limite de Compensação – Compensação de prejuízo operacional sem a observação do limite de 30%”. Nos demais aspectos, o lançamento foi mantido. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 9729DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.730 13 Ciente da decisão de primeira instância em 22/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 9297, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/08/2013 conforme carimbo de recepção à folha 9298. No recurso interposto (fls. 9298/9360), a interessada discorre, por tópicos, sobre os seguintes assuntos, em síntese: A – Glosa da Amortização de Ágio A.1 – Definição e Delimitação da Lide A recorrente busca esclarecer, em tese, a distinção entre o ágio registrado na sociedade investida e aquele registrado na sociedade investidora, em um hipotético aumento de capital com subscrição de novas ações. Com relação ao caso concreto, reafirma que o ágio registrado pela investida EngemixPar (R$ 200.048.701,00) é distinto, em natureza e valor, daquele registrado pela investidora Cimefor (R$ 189.705.174,24). Passa, então, a explicar que o ágio efetivamente amortizado, de R$ 189.705.174,24, teria surgido em razão de uma operação de cisão parcial a que se submeteu a EngemixPar. A explicação é detalhada no parágrafo 18 do recurso, às fls. 9304/9308. A interessada procura delimitar a lide, tal como instaurada a partir dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal. Por sua ótica, a DRJ teria lançado mão de fundamentos estranhos ao lançamento como razões de decidir. Aduz que as razões jurídicas que teriam fundamentado a conclusão do fisco originalmente seriam, apenas: (a) “ágio de si mesmo” não passível de reconhecimento contábil nem de amortização para fins fiscais; (b) falta de pagamento do ágio; (c) ausência de propósito negocial; (d) falta de custo. A recorrente traz jurisprudência administrativa sobre sua tese e esclarece que passará a se defender nos estritos limites da lide. A.2 – Preliminar de decadência No que toca ao ágio registrado pela Cimefor, esclarece que, muito embora a amortização tenha se iniciado em 2006, o ágio em si teria sido gerado nas operações societárias datadas de 18/12/2001 e 15/01/2002. Nessa última data teria sido consolidado o ágio, informado ao fisco mediante a entrega das competentes DIPJs. Alega, então, que na data de lavratura dos autos de infração (26/12/2011) já teria ocorrido a decadência do direito do Fisco questionar a legalidade do ato societário que deu origem ao ágio. Essa conclusão independe da aplicação do art. 150, § 4º, ou do art, 173, I, ambos do CTN. A.3 – Questões de Mérito (a) No que toca à acusação de “ágio de si mesmo” ou “ágio interno”, a interessada afirma sua inexistência, e acrescenta que a DRJ já havia reconhecido o fato. Subsidiariamente, busca demonstrar a inexistência de ágio interno, em suas palavras (grifos no original): 51. É fato notório e amplamente divulgado que o grupo empresarial Votorantim e o grupo empresarial Rossi são absolutamente distintos e que as transações que foram praticadas entre eles desde 1998 (a venda de 25% da empresa Fl. 9730DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.731 14 Geral de Concreto S.A. para o Grupo Votorantim, o investimento conjunto em um grupo de empresas por meio da EngemixPar, e, sobretudo, a cisão de que decorreu a formação do ágio em discussão) constituíram negócios jurídicos realizados entre partes independentes. 52. Vale prestar atenção, neste passo, ao fato de que a cisão da EngemixPar foi fruto de um contrato, celebrado entre a Cimefor e a RossiPar (partes independentes), cujo escopo foi exatamente a segregação das divisões da Engemix Par (concretagem e construção civil), assim como a repartição do acervo líquido entre as sociedades resultantes da cisão (Doc. 4). A recorrente procura esclarecer detalhes das operações societárias, ressaltando a independência entre as partes, e conclui que a acusação relativa à formação de ágio interno não procede e deve ser rejeitada. (b) No que toca à acusação de falta de pagamento de ágio, a recorrente afirma que o capital subscrito na EngemixPar foi efetivamente integralizado por meio de dação de créditos, forma permitida tanto pela ata da assembléia geral que aprovou o aumento de capital quanto no boletim de subscrição de ações. Esclarece que, após a fase impugnatória, teria logrado encontrar as notas promissórias endossadas à EngemixPar devidamente datadas e assinadas (Doc. 5). Com isso, cairiam por terra quaisquer dúvidas que pudessem ser levantadas quanto à validade e eficácia desses documentos como instrumento de pagamento do capital subscrito pela Cimefor. Adicionalmente, a recorrente passa a fazer referência aos lançamentos contábeis da Engemix Par e da Cimefor como confirmação adicional do uso das promissórias como meio de integralização do capital. Finalmente, acrescenta que as notas promissórias foram honradas pelo emitente (Cimento Rio Branco S.A.) (c) Quanto à acusação de falta de propósito negocial, a recorrente sustenta que: “(i) em momento algum o agente fiscal define quais seriam os parâmetros para se constatar a ausência ou não de propósito negocial; (ii) tal conceito não possui amparo legal para ser utilizado como forma de desconstituição de operações e o lançamento de oficio de tributos e multas e (iii) admitindose o ‘propósito negocial’ como um conceito aplicável ao presente caso, ele restou devidamente comprovado por tudo que se expôs até o momento”. Em apoio a sua tese, colaciona doutrina de Paulo Ayres Barreto e Luís Eduardo Shoueri e acrescenta que, no caso concreto, “fica evidente a existência de propósito negocial nos atos societários ora analisados, pois, de fato, existiu uma conformidade entre a intenção da Cimefor de adquirir o ramo da atividade de concretagem e a causa desse negócio jurídico de aquisição do controle da EngemixPar e posterior reestruturação societária”. A DRJ teria reconhecido esse propósito negocial, mas equivocadamente teria qualificado a operação como “casasepara”. A interessada aduz que, se houvesse feito uma aquisição direta, o ágio seria apurado de maneira idêntica ao que ocorreu, ou até seria maior. “[...] o fato de a DRJ entender que as operações realizadas poderiam denotar o gozo de vantagens fiscais indevidas pelo Grupo Rossi não implica que a Recorrente tenha se beneficiado de qualquer maneira”. Nessa linha de raciocínio, entende afastada a acusação de falta de propósito negocial nas operações societárias sob exame. Fl. 9731DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.732 15 (d) No que toca ao aspecto “custo”, a recorrente afirma que, em nenhum momento, a legislação societária ou tributária exige o “sacrifício de ativos” ou a “contratação de passivo” para o registro e conseqüente amortização de ágio. As regras específicas dos arts. 385 e 386 do RIR/99 não estabelecem tais condições. A interessada discorre sobre esses dispositivos legais e acrescenta: 102. Assim não fosse, rememorase que o pagamento da parcela questionada pela autoridade fiscal foi devidamente demonstrado. Ademais, considerandose a operação societária que, especificamente, deu origem ao ágio amortizado, exsurge evidente que a extinção da participação que a Cimefor detinha na EngemixPar corresponde a um “sacrifício”, a um dispêndio, o qual dá origem, na contabilidade, ao registro de custo. [...] Também aqui, a recorrente entende demonstrada a insubsistência do argumento da fiscalização, no que se refere à suposta ausência de custo das participações adquiridas pela Cimefor. A.4 – Outras Questões A interessada passa a discorrer sobre o laudo de avaliação, buscando esclarecer, quanto a uma alegada divergência de valores, que o laudo teria feito duas análises: a primeira para calcular o valor da empresa (estipulado em VPL) e a segunda para analisar o período de payback e determinar a taxa interna de retorno (TIR). Somente a primeira seria relevante para fins de demonstrar o ágio (na forma do art. 184, § 3º, do RIR/99) e sua amortização. Afirma que a DRJ teria inovado, ao considerar uma suposta sinergia entre os Grupos Votorantim e Rossi, derivada do estabelecimento de uma joint venture. Além de questionar essa inovação, entende a recorrente que a avaliação do laudo em nenhum momento teria sido influenciada por tal suposta sinergia. Sob o título Aplicação de diretrizes extraídas da Ciência Contábil, a interessada combate o uso de normas contábeis, especialmente instruções CVM, para constituição de créditos tributários de IRPJ e CSLL. A recorrente discorre sobre o conceito de empresa veículo, e conclui que “a Concrefor jamais poderia ser caracterizada como empresa veículo, notadamente porque ela não foi criada para servir de meio para o transporte de ágio de um lugar a outro”. No que toca à incorporação reversa, a recorrente lembra que tal prerrogativa é expressamente admitida em lei (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997) e seria pacífico no tribunal administrativo. Assim, a incorporação da Cimefor pela Engemix S/A não seria irregularidade capaz de invalidar as operações em questão. Sobre a multa qualificada, a recorrente afirma a inexistência dos pressupostos da qualificação da penalidade e combate a conclusão do acórdão recorrido sobre essa matéria. Aduz que a autoridade fiscal afirmaria tão somente o descumprimento de condições materiais requeridas pela lei para a amortização do ágio, e que não haveria qualquer acusação de simulação. Ademais, sustenta que a multa qualificada por suposta infração, praticada por pessoa jurídica já extinta, da qual a interessada é sucessora, não poderia se transmitir da sucedida à sucessora. B – Trava de 30% Fl. 9732DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.733 16 A interessada reitera suas razões acerca da inaplicabilidade da trava de 30% no balanço de incorporação. C – Multa Isolada A interessada reitera suas razões sobre a incompatibilidade da exigência de multa isolada cumulada com a multa de ofício. D – Juros de Mora A interessada reitera suas razões pela não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. CONTRARRAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO A Fazenda Nacional, por seu Procurador, com base no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do CARF em vigor, apresentou suas contrarrazões (fls. 9653/9712) ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Seus argumentos podem ser sintetizados como segue: Inicialmente, a Fazenda Nacional esclarece que o foco de suas razões será a análise dos principais atos e reorganizações societárias realizadas pela contribuinte e demais pessoas que participaram das operações. Passa, então, a detalhar, sob sua ótica, as operações que originaram o ágio na Cimefor. Sua conclusão é de que o ágio em discussão nos presentes autos não foi gerado na integralização de aumento de capital da Engemix Participações e, consequentemente, somente pode ter surgido em operações societárias realizadas entre empresas do Grupo Votorantim, tratandose, pois, de “ágio interno”, tal qual afirmado pela fiscalização. Na sequência, tece considerações acerca da decadência, concluindo que “apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos dados que dão origem aos créditos que serão constituídos”. Reputa, assim, correta a decisão da DRJ quanto a este ponto. A Fazenda Nacional aduz razões sobre o “benefício fiscal previsto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e 385 e 386 do RIR/99”. Com base na doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho e em pronunciamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), chega à conclusão que segue (grifo no original): Mostrase, com as premissas aqui expostas, a necessidade de o ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária ter como origem um propósito econômico real, um efetivo substrato econômico, assim como cumprir incondicionalmente todos os requisitos impostos pela legislação aplicável (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e 385 e 386 do RIR/99) para ter reconhecida como dedutível a despesa com a sua amortização. A presença concomitante de todos esses aspectos é imprescindível ao reconhecimento da existência dessa figura econômica e contábil, assim como para a sua dedutibilidade na apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 9733DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.734 17 A aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, e sem observar os requisitos impostos pela lei que concede o benefício fiscal, não é hábil a gerar um ágio cuja despesa de amortização será dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL. Acrescenta, ainda, que o laudo apresentado não serviria como fundamento econômico da operação. Sustenta que o ágio de R$ 189.705.174,00 efetivamente amortizado pela Engemix S.A. (sucessora da Cimefor) não corresponde ao valor apurado pelo laudo de avaliação apresentado e não estaria, de fato, sustentado por laudo algum. Também seria relevante a característica do laudo apresentado, que levaria em conta, ao determinar o valor de rentabilidade futura, uma joint venture entre os grupos Rossi e Votorantim. Ao ser desfeito o vínculo entre os grupos, o fundamento da rentabilidade futura também se perderia. Afinal, a Fazenda Nacional conclui que o ágio amortizado não cumpre as condições e requisitos impostos pelo art. 386 do RIR/99. No que toca aos demais aspectos do litígio, a Fazenda Nacional aduz razões sobre: (i) a impossibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais pela empresa sucedida; (ii) a possibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e isolada; (ii) a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A Fazenda Nacional requer, então, que seja negado provimento ao recurso voluntário da contribuinte. RECURSO DE OFÍCIO Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal e multa) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do Fl. 9734DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.735 18 pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível e dele conheço. Quanto ao mérito, passo a examinar cada um dos pontos da decisão recorrida, que resultaram em afastamento de exigência tributária. a) Afastamento da integralidade dos créditos tributários exigidos da interessada na qualidade de sucessora, por incorporação, de Votorantim Cimentos Brasil Ltda., por sua vez sucessora por incorporação de Itapisserra Mineração S/A., em razão da decadência. O acórdão recorrido tratou da matéria nos seguintes termos (fls. 9209/9211): Quanto ao lançamento decorrente do excesso de compensação de prejuízo fiscal da ITAPISSERA MINERAÇÃO S/A (ITAPISSERRA), CNPJ nº 51.011.955/000185, incorporada pela Votorantim Cimentos Brasil Ltda que, posteriormente, foi sucedida pela VOTORANTIM CIMENTOS S/A (VOTORANTIM), a fixação da penalidade pecuniária em 75% do tributo devido indica que as circunstâncias qualificadoras da conduta – fraude, dolo ou simulação – não foram reconhecidas pelo autuante. Por sua vez, a ITAPISSERRA apurou uma base de cálculo tributável no encerramento do período fiscal, ocorrido em 31/10/2006, data de sua incorporação, conforme consta da respectiva Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e também relatado pela autoridade fiscal. Todavia, depois da aplicação das alíquotas do imposto e da contribuição, não remanesceram saldos a pagar, uma vez que, dos valores apurados, foram deduzidos os recolhimentos antecipados a título de retenção na fonte e estimativas mensais, conforme indicam os dados constantes das fichas 12A e 17 de sua Dipj do anocalendário 2006 (fls. 4318 e 4323): [...] Desta forma, considerando que o imposto e a contribuição apurados no encerramento do períodobase foram extintos por recolhimentos antecipados (estimativas e/ou retenções), caracterizouse, neste exato montante, pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial, o que aponta para a aplicação da regra contida no artigo 150 do CTN. Tendo em vista que os fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorreram em 31/10/2006, data da incorporação da ITAPISSERRA, o Fisco poderia ter efetuado os respectivos lançamentos até 31/10/2011. Uma vez que a fiscalizada foi notificada desta autuação em 26/12/2011, a exigência fiscal é indevida em face da superveniência do prazo extintivo, devendo ser cancelada nesta parte. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O fato gerador aqui discutido ocorreu em 31/10/2006, data da extinção da Itapisserra, incorporada pela Votorantim Cimentos Brasil. Fl. 9735DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.736 19 Ausentes dolo, fraude e simulação, e presente o pagamento antecipado, nos termos da lei (neste caso, representado pelas estimativas mensais e retenções na fonte), a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Como bem concluiu a autoridade julgadora a quo, no momento da ciência do lançamento (26/12/2011), o direito da Fazenda Nacional de constituir os créditos tributários aqui tratados já se encontrava irremediavelmente alcançado pela decadência. No que toca a esta matéria, portanto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. b) Redução da multa exigida isoladamente por falta de recolhimento do IRPJ, correspondente ao mês de julho/2006, de R$ 695.663,56 para R$ 215.875,04. O acórdão recorrido tratou da matéria nos seguintes termos (fl. 9234): Entretanto, ao recompor as bases de cálculo estimadas mensais do imposto de renda, houve um equívoco do autuante em relação aos meses relativos a maio/2006 e julho/2006 (Tabela I e II, fls. 8983 e 8984). A ENGEMIX S/A, durante todo o anocalendário 2006, apurou bases de cálculo estimadas negativas, com base em balanços de suspensão e redução. Em função da adição das despesas de amortização do ágio às bases de cálculo do IRPJ, a contribuinte deveria ter recolhido estimativas nos meses de maio/2006 e julho/2006, nos importes respectivos de R$ 461.894,96 e R$ 431.750,07. Uma vez ausente tais pagamentos, caberia a aplicação das multas isoladas de 50%, ou seja, de R$ 230.947,48, relativos a maio/2006, e de R$ 215.875,04, referentes a julho/2006. Conforme se verifica da Tabela I (fls. 8983), o autuante, depois de computar o valor correspondentes aos encargos de amortização do ágio apurou adequadamente a base de cálculo tributável em maio/2006, bem como o valor da respectiva estimativa de IRPJ de R$ 461.894,96. Todavia, o valor devido da estimativa devida não foi transportada ao campo “diferença tributável” da planilha, não sendo feito o cálculo e o lançamento da respectiva multa de 50%. Já em julho/2006, o autuante apurou, inicialmente, um imposto de R$ 893.645,03, do qual deveria ter sido deduzido o valor de R$ 461.894,96 apurado anteriormente, para que resultasse em um saldo a pagar de R$ 431.875,04. Todavia, restou apontado na planilha de cálculos um equivocado saldo a pagar de imposto de R$ 1.391.327,13 e, a título de multa isolada, R$ 695.663,56, quando o correto seria R$ 215.875,04. Assim, para o mês de julho/2006, cabe reduzir o valor da multa lançada de R$ 695.663,56 para R$ 215.875,04. Mais uma vez, correta a decisão de primeira instância. Tratase, como se vê, de erro do autuante, que apurou corretamente a estimativa devida em maio/2006, mas deixou de calcular e lançar a multa respectiva por falta de recolhimento. Até aí, nenhum prejuízo à contribuinte fiscalizada. No entanto, esse erro provocou outro erro no mês de julho/2006, quando a estimativa mensal ficou majorada, pela falta do registro da estimativa de maio. E essa estimativa de julho, majorada, foi a base para o cálculo da multa isolada nesse mês, a qual, por óbvio, restou exigida em excesso. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso de ofício, também neste ponto. Fl. 9736DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.737 20 c) Exclusão de R$ 4.892.535,77, em 30/12/2008, da base de cálculo da infração do IRPJ intitulada “Inobservância do Limite de Compensação – Compensação de prejuízo operacional sem a observação do limite de 30%”. O auto de infração (fl. 8815) remete a descrição dos fatos ao Relatório Fiscal e indica, para esta infração, as seguintes datas e valores: Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (75%) 30/12/2008 4.892.535,77 75,00 30/12/2008 1.730.782,92 75,00 Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal somente se atém ao direito (fls. 8965/8971). Não há qualquer menção a algum dos dois valores acima. A demonstração quantitativa da infração se encontra na PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DO IRPJ (fl. 8831), onde consta, na linha 12.2, sob o título “Inobservância do limite de compensação de 30% Prejuízo Operacional” tão somente o valor de R$ 1.730.782,92. A absoluta falta de demonstração de como se chegou a esse valor de R$ 4.892.535,77 já seria (e é) causa suficiente para que a exação correspondente a essa parcela da infração seja afastada. Acrescentese, ainda, a minuciosa demonstração que consta da peça impugnatória (§§ 85 a 102), reproduzida no voto condutor do acórdão recorrido às fls. 9229/9231, mediante a qual, seguindo o raciocínio desenvolvido pela autoridade lançadora, e computandose as demais infrações objeto de lançamento, chegase à conclusão de que o montante compensado pela empresa acima da limitação de 30% do lucro do período, em 2008, seria de exatos R$ 1.730.782,92. Também aqui não se consegue vislumbrar qualquer razão para que tenham sido acrescidos os R$ 4.892.535,77 aqui discutidos. Não faço, pois, qualquer reparo ao decidido, e nego provimento ao recurso de ofício, quanto a este ponto. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. Preliminarmente, no que toca ao ágio registrado pela Cimefor, alega a recorrente que, muito embora a amortização tenha se iniciado em 2006, o ágio em si teria sido gerado nas operações societárias datadas de 18/12/2001 e 15/01/2002. Nessa última data teria sido consolidado o ágio, informado ao fisco mediante a entrega das competentes DIPJs. Por sua ótica, na data de lavratura dos autos de infração (26/12/2011) já teria ocorrido a decadência do direito do Fisco questionar a legalidade do ato societário que deu Fl. 9737DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.738 21 origem ao ágio, independentemente da aplicação do art. 150, § 4º, ou do art, 173, I, ambos do CTN. Equivocase a recorrente. O fato gerador tributário mais antigo que consta da autuação aqui discutida data de 31/12/2006, para IRPJ e CSLL, em que a apuração do tributo foi feita com base no lucro real anual. A decadência alcança o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários, e é sob esse prisma que deve ser analisada a questão. Aplicandose o art. 150, § 4º, do CTN, temse que a contagem do prazo decadencial tem início a partir do fato gerador, ou seja, em 31/12/2006. O prazo se extingue com o decurso de cinco anos a partir daquela data, a saber, em 31/12/2011. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 26/12/2011, constatase que não há que se cogitar de decadência. A aplicação do art. 173, I, do CTN conduziria a conclusão idêntica, ainda com mais folga a favor do Fisco. E, se para o fato gerador mais antigo não ocorreu a decadência, o mesmo se pode afirmar sobre os períodos mais recentes, e a alegação deve ser rejeitada. No que tange às multas exigidas isoladamente, tenho por clara a aplicação exclusiva do art. 173, I, do CTN, desde que não se trata de tributo sobre o qual se possa cogitar de homologação, muito menos de pagamento antecipado, mas sim de penalidades pecuniárias unicamente exigíveis em procedimento de ofício. Em assim sendo, o início do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado o lançamento. A multa mais antiga diz respeito à falta de recolhimento de estimativa em julho/2006, pelo que o lançamento poderia ser efetuado ainda no curso do anocalendário 2006. A data de início da contagem do prazo decadencial é, portanto, o primeiro dia do exercício seguinte, a saber, 01/01/2007. O lançamento, cientificado ao sujeito passivo em 26/12/2011, foi indiscutivelmente efetuado dentro do prazo decadencial. Também aqui a alegação deve ser rejeitada. Observese que nada obsta o exame, por parte do Fisco, de ocorrências e documentos de períodos anteriores que tenham repercutido na apuração do tributo no período fiscalizado, o que é exatamente o caso concreto. O alegado ágio, cuja formação é questionada e investigada pelo Fisco, teria sua origem em operações societárias ocorridas em anos anteriores, mas sua amortização – e, por consequência, a redução do tributo devido – somente veio a ocorrer a partir do anocalendário 2006. A legislação, inclusive, prevê expressamente a obrigação da pessoa jurídica de conservar comprovantes relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (art. 37 da Lei nº 9.430/1996). Esse exame de fatos e documentos de períodos anteriores nenhuma relação tem com a decadência. O primeiro aspecto do mérito do lançamento a ser analisado é a glosa da amortização de ágio nos anos calendário 2006 a 2010. Até novembro de 2008, a amortização foi feita na contabilidade e no resultado fiscal da Engemix S/A, extinta em virtude de sua incorporação pela interessada no presente processo, Votorantim Cimentos S/A, em dezembro de 2008. A partir desse evento, a amortização passou a ser feita diretamente pela Votorantim Cimentos S/A. Entretanto, tratase do mesmo ágio e dos mesmos fundamentos para a glosa, bem assim dos mesmos argumentos em sentido contrário. Queixase a recorrente de que o julgador em primeira instância teria lançado mão de argumentos estranhos ao lançamento como razões de decidir, e busca fazer sua defesa Fl. 9738DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.739 22 nos estritos limites da lide, conforme instaurada originalmente e, por certo, conforme seu entendimento. Releva, então, verificar aprofundadamente o ocorrido durante a fiscalização (no que toca a esta infração, glosa da amortização de ágio), o que era objeto de investigação por parte do Fisco, quais perguntas foram feitas e quais respostas e documentos foram de fato apresentados pela então fiscalizada. Dentro desse contexto, veremos como e porque se fez o lançamento, quais informações e documentos foram trazidos posteriormente ao lançamento, para, afinal, buscar a conclusão sobre sua procedência ou não. O procedimento fiscal teve início com a lavratura e ciência do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 11/13), no qual não consta qualquer questionamento acerca de ágio, tão somente sobre a incorporação da Engemix S/A pela fiscalizada Votorantim Cimentos S/A. A resposta a esse termo se encontra às fls. 15/17. Igualmente, o Termo de Intimação Fiscal nº 01 (fls. 1691/1694) não traz qualquer menção a ágio. O primeiro questionamento, formulado a partir de informações da DIPJ, sobre o ágio na contabilidade da fiscalizada Votorantim Cimentos S/A surgiu no item 8 do Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fls. 1833/1835), verbis: 8) Na Ficha 36A, linha 27, da DIPJ do anocalendário de 2008 da fiscalizada, foi informado ágio em investimentos no montante aproximado de R$ 76 milhões. Em relação ao referido ágio: a) Apresentar cópias de todos os atos societários (protocolos, justificações, deliberações, atas de assembleias etc) relacionados ao surgimento do ágio, que identifiquem sua origem e natureza jurídica; b) Informar se houve o efetivo desembolso (saída de caixa) pelo ágio, e apresentar, em caso afirmativo, a documentação que comprove os seguintes itens: a) a identificação da sociedade que efetuou tal desembolso; b) a efetiva entrada e saída dos recursos relacionados à aquisição da participação; c) a identificação do(s) recebedor(es) desses recursos (especificar inclusive o valor pago a cada recebedor); d) o fundamento da origem do ágio, mediante laudo de avaliação, onde estejam destacados os benefícios esperados de natureza empresarial, patrimonial, legal, financeira, tributária e/ou quaisquer outros efeitos positivos, bem como os eventuais fatores de risco envolvidos; d) Na hipótese de não ter ocorrido o efetivo desembolso pelo ágio referido nos itens precedentes, informar e comprovar: a) o fundamento da origem do ágio, mediante laudo de avaliação, onde estejam destacados os benefícios esperados de natureza empresarial, patrimonial, legal, financeira, tributária e/ou quaisquer outros efeitos positivos, bem como os eventuais fatores de risco envolvidos; b) a forma do pagamento do ágio (troca de ações etc); Observese que o Fisco buscava o surgimento do ágio, a identificação e comprovação de sua origem e natureza jurídica. A então fiscalizada não apresentou qualquer resposta quanto a esse item, limitandose a três sucessivos pedidos de prorrogação de prazo (fls. 1837, 1839 e 1848). Mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 03 (fls. 1953/1955), itens 3 e 4, o Fisco insistiu no assunto, desta vez abordando o ágio registrado na Cimefor, por ocasião de sua Fl. 9739DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.740 23 incorporação pela Engemix S/A, e as amortizações do ágio pela Engemix S/A nos anos calendário 2005 a 2008. Confirase o teor dos itens 3 e 4: 3) Esclarecer a origem e natureza jurídica do ágio registrado na Cimefor Comercial Importadora e Exportadora Ltda., por ocasião de sua incorporação pela Engemix S/A, CNPJ nº 60.405.446/000128, informado na DIPJ daquela sociedade, anocalendário 2005, pelo valor aproximado de R$ 190 milhões, e apresentar cópia de toda documentação comprovatória do referido ágio (Atas de Assembléias Gerais, Protocolo Justificativo, Laudo de Avaliação, comprovantes de desembolso, entrega de ações como pagamento etc). [...]; 4) Em relação ao ágio acima, apresentar cópia das folhas dos Livros Diário e Razão da Engemix S/A, CNPJ nº 60.405.446/000128, nas quais foram registradas as amortizações nos anoscalendário de 2005 a 2008. [...]; Em resposta (fl. 1963), tão somente novo pedido de prorrogação de prazo. Diante do não atendimento, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fls. 2885/2887), para reintimação de itens até então não atendidos dos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e nº 03. O item 8 do TIF 02 foi reiterado no item 3 do TIF 04. os itens 3 e 4 do TIF 03 foram reiterados nos itens 5 e 6 do TIF 04. Eis o conteúdo da resposta da então fiscalizada: quanto ao item 3 do TIF 04 (item 8 do TIF 02) (fl. 2891/2892): Resposta: Tratase do mesmo ágio objeto de questionamento no item 5 e conforme esclarecimentos realizados adiante, o ágio teve origem na incorporação da CIMEFOR e começou a ser deduzido a partir da sua incorporação pela Engemix em 2005. Apresentamos no Anexo I quadro de amortização do ágio para demonstrar o saldo de R$ 76MM transferido para Engemix. Os documentos societários apresentados satisfazem aos questionamentos apresentados nas alíneas. Quanto ao item 5 do TIF 04 (item 3 do TIF 03) (fl. 2893/2894), assim se manifestou a fiscalizada: Resposta: Apresentamos os seguintes documentos que demonstram a natureza e origem do ágio registrado na empresa CIMEFOR Comercial Importadora e Exportadora Ltda: a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária celebrada em 18 de dezembro de 2001, da empresa ENGEMIX PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 02.405.472/0001 50, onde restou deliberada I. Aprovação do aumento do capital social de R$ 52.119.000,00 [...] para R$ 88.846.275,00 [...], com a emissão de 9.463.549 [...] ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, mediante o pagamento de ágio na subscrição no valor de R$ 200.048.701,00 [...] e destinado a constituição de reserva de ágio, esclarecendose, outrossim, que o preço de emissão das ações foi fixado com base na lucratividade futura da companhia. b) Posteriormente, a empresa ENGEMIX PARTICIPAÇÕES S.A foi cindida parcialmente, com versão de parcela do seu acervo líquido à uma nova sociedade por quotas, de responsabilidade limitada, denominada “CONCREFOR Fl. 9740DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.741 24 PARTICIPAÇÕES S.A.”, conforme denotase da Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de janeiro de 2002, da empresa ENGEMIX PARTICIPAÇÕES S.A. c) Em 02/01/2003 as empresas CIMEX – Comercial Importadora e Exportadora Ltda; Companhia Cimento Portland Itaú, Osmar Migdaleski e Cimento Rio Branco S.A – únicos sócios quotistas da empresa “CIMEFOR – Comercial Importadora e Exportadora Ltda” aprovaram o protocolo de incorporação e justificação com as sociedades CONCREFOR PARTICIPAÇÕES LTDA e EPGE PARTICIPAÇÕES LTDA, conforme se comprova pela ata de reunião dos sócios quotistas realizada em 02/01/2003. d) Em 02/01/2003 a empresa CIMEFOR – Comercial Importadora e Exportadora Ltda, incorpora a empresa EPGE conforme ata da EPGE e Laudo de Avaliação de bens, direitos e obrigações vertidas na incorporação da empresa. Finalmente, quanto ao item 6 do TIF 04 (item 4 do TIF 03) (fl. 2894): Resposta: Seguem cópias do Livro razão e diário, dos anos de 2007 e 2008, da Engemix S.A., devidamente assinados pela representante legal da pessoa jurídica. De se observar que as respostas e documentos até então apresentados induziam o entendimento de que o ágio questionado pelo Fisco teria sido formado em 18/12/2001, por ocasião do aumento do capital social da EngemixPar, subscrito pela Cimefor, com pagamento de ágio. A menção à cisão parcial da EngemixPar em 15/01/2002 não deixa entender, de forma alguma, que nessa operação teria sido gerado um novo ágio, distinto em valor e fundamento, daquele que havia surgido apenas alguns dias antes, em 18/12/2001, e que o anterior havia sido extinto, juntamente com o investimento que acompanhava. A partir dessas respostas e documentos, o Fisco fez lavrar o Termo de Intimação Fiscal nº 05 (fls. 2914/2915, excerto a seguir), com questionamentos adicionais. Observese que, antes das exigências de documentos e esclarecimentos, o AuditorFiscal estabeleceu uma “contextualização”, com o que havia entendido, até então, de tal forma que as respostas viessem a esclarecer e comprovar o efetivamente ocorrido. Contextualização: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 04, a fiscalizada apresentou [...] documentos e esclarecimentos acerca de ágio informado na ficha 36A, Linha 27, da DIPJ do anocalendário de 2008, no montante aproximado de R$ 76 milhões, informando que referido ágio está relacionado àquele registrado na Cimefor Comercial Importadora e Exportadora Ltda., no valor aproximado de R$ 190 milhões, surgido por ocasião da incorporação desta pessoa jurídica pela Engemix S/A, CNPJ nº 60.405.446/000128. Na resposta apresentada, a fiscalizada informa que a Engemix Participações SA, CNPJ nº 02.405.472/000150 pagou ágio na subscrição de capital, no valor de R$ 200.048.701,00 [...], tendo o preço das ações sido fixado com base na lucratividade futura da companhia. Informa, ainda, que a amortização do ágio ocorreu de 2006 a 2010. Exigências: A partir dos esclarecimentos acima: 1) Apresentar copia do Laudo de Avaliação que deu suporte ao ágio de R$ 200.048.701,00 [...]; Fl. 9741DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.742 25 2) Esclarecer de que forma se deu o pagamento do ágio referido no item anterior e apresentar cópias dos documentos correspondentes; 3) Elaborar organograma completo do grupo econômico a que pertence, incluindo pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, indicando os percentuais de participação em cada sociedade, demonstrando as participações societárias para as seguintes datas: 17/12/2001, 19/12/2001, 14/01/2002, 16/01/2002, 01/01/2003 e 03/01/2003. 4) Apresentar cópias dos Livros Razão e Diário de todas as pessoas jurídicas envolvidas com (os extratos obtidos de sistemas informatizados não substituem as cópias exigidas): (i) o registro inicial do ágio (18/12/2001); (ii) a transferência do ágio para a Concrefor Participações S/A (em face da cisão da Engemix Participações em 15/01/2002); e (iii) a transferência do ágio para a Cimefor – Comercial Importadora e Exportadora Ltda. (incorporadora da Concrefor em 02/01/2003); (iv) a transferência do ágio para a Engemix S/A CNPJ nº 60.405.446/000128; e (v) a transferência do ágio para a fiscalizada, por ocasião da incorporação da Engemix S/A. A “contextualização” mostra (em especial diante do que agora se conhece) que restavam ainda muitas lacunas para o entendimento completo do que de fato ocorreu, de qual foi a origem e fundamento do ágio que veio a ser amortizado pela Engemix S/A e pela Votorantim Cimentos S/A, de como o ágio se transmitiu contabilmente ao longo dos diversos eventos societários. Seria de se esperar que a então fiscalizada percebesse o malentendido e buscasse esclarecer o que de fato teria ocorrido. Não foi o que aconteceu. A resposta ao TIF 05 se encontra às fls. 2992/2993. A fiscalizada não esclarece o malentendido quanto ao surgimento do ágio em questão. Limitase a pedir prorrogação de prazo para os itens 1 e 4, e esclarece que o pagamento do ágio se deu por meio de notas promissórias, conforme se comprova por meio de cópia do livro razão da Cimefor (cópias do livro Razão da Cimefor em 2001 às fls. 2994/2999). À fl. 3013, encontro o Termo de Intimação Fiscal nº 08, mediante o qual são reiteradas as exigências do TIF 05. A resposta ao TIF 08 (ou seja, ao TIF 05) se encontra às fls. 3019/3020. Quanto ao item 1, a fiscalizada informa que enviou o laudo por email (no processo, o Laudo de Avaliação de Rentabilidade Futura da Engemix Participações S/A está às fls. 2917/2947). Quanto aos itens 2 e 3, requer prorrogação de prazo. Quanto ao item 4, relaciona documentos1 que não guardam qualquer relação com a solicitação, e afirma haver atendido integralmente à solicitação. 1 Balanço Patrimonial referente ao ano calendário de 2010, da Fiscalizada Votorantim Cimentos S/A [...]; Base de Terrenos em 31.12.2010, da Fiscalizada Votorantim Cimentos S/A [...]; Relação de Imóveis da Fiscalizada Votorantim Cimentos S/A [...]. Fl. 9742DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.743 26 Destaco, por relevantes, os extratos de lançamentos contábeis, extraídos dos arquivos magnéticos examinados pelo Fisco (fls. 8216/8231), com os registros das amortizações de ágio, de 2006 a 2010. Os históricos dos lançamentos e nomes das contas dão a entender que a origem do ágio amortizado seria a incorporação da Cimefor, nada mais. Desde a primeira intimação sobre essa matéria (Termo de Intimação Fiscal nº 02, de 18/11/2010) até a última resposta apresentada (fls. 3019/3020, em 05/09/2011) foram transcorridos dez meses, tempo certamente suficiente para que o histórico do ágio fosse levantado pela então fiscalizada, bem assim toda a documentação comprobatória a ele pertinente. Com as informações e documentos disponíveis, foi lavrado o auto de infração de fls. 8812/8929, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 8930/8984, sendo glosadas as amortizações de ágio levadas a efeito de 2006 a 2010. De sua leitura atenta, e lembrando que as informações e documentos até então disponíveis eram insuficientes e que as respostas da fiscalizada induziram um entendimento que não correspondia ao efetivamente ocorrido, podese verificar que o fundamento para a glosa foi a falta de comprovação do ágio, tanto no que toca à sua formação (para que se pudesse aferir sua dedutibilidade) quanto no que toca ao valor que veio a ser amortizado e, ainda, no que diz respeito à comprovação da transmissão do ágio, desde sua formação até o início da amortização. Os dois parágrafos a seguir transcritos do Termo de Verificação Fiscal (fl. 8939) são especialmente relevantes nesse sentido: Destarte, cumpre notar que o ágio registrado na contabilidade, no valor de R$ 92.383.653,27 [...], relativamente ao aumento de capital de 18/12/2001, não guarda nenhuma correspondência com o consignado na alteração contratual, no valor de R$ 200.048.701,00 [...], tampouco com o ágio efetivamente amortizado de 2006 a 2010, no valor de R$ 189.705.174,00 [...]. Ainda por meio do referido TIF 05 [...] a contribuinte foi instada a apresentar cópias dos Livros Razão e Diário de todas as pessoas jurídicas envolvidas com os registros do ágio até a sua transferência para a Engemix S/A. No já citado expediente [...] a interessada requereu novo prazo adicional de 30 (trinta) dias para atendimento. Contudo, até a presente data (encerramento do procedimento fiscal), a fiscalizada não apresentou as exigências pendentes. É nesse contexto que devem ser entendidas as considerações que se seguem no Termo de Verificação Fiscal. Desde que não havia uma relação comprovada entre o ágio gerado na operação societária de 18/12/2001 e aquele amortizado a partir de 2006 e glosado pelo Fisco, e diante dos múltiplos eventos ocorridos desde aquela data, sempre (a partir de 15/01/2002) internamente ao grupo Votorantim, o Fisco deduziu que o ágio amortizado teria sido gerado internamente ao grupo. Ademais, até o momento do lançamento não havia, de fato, qualquer comprovação acerca do pagamento do ágio gerado em 18/12/2001. Pois bem. Com a impugnação e, posteriormente, com o recurso voluntário, novos documentos e esclarecimentos foram carreados aos autos. Destaco os seguintes: · Relatório do CADE (fls. 9089/9099); · Reportagem do Valor Econômico, noticiando a venda da Engemix para a Votorantim (fl. 9106); Fl. 9743DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.744 27 · cópias de notas promissórias e cheques (fls. 9108/9175). · cópia de Diário da Cimefor (apenas alguns lançamentos) em 15/01/2002. Ao que parece, ali estariam registradas a baixa do investimento e respectivo ágio na EngemixPar e o registro do investimento e respectivo ágio na Concrefor. · Documentos adicionais sobre faturas e notas promissórias (fls. 9383/9501). · Cópia de Diário da EngemixPar de 21/12/2001, com o registro do aumento de capital e da reserva de ágio na subscrição. (fls. 9502/9503). · Cópias de Diário da Cimefor com lançamentos contábeis em 2002 referentes a notas promissórias. Fls. 9504/9514. Referidos documentos, acompanhados dos esclarecimentos a eles correspondentes, permitem nova e mais abrangente compreensão do efetivamente ocorrido, que procuro sintetizar a seguir: a) O ágio amortizado a partir de 2006 pela Engemix S/A e, posteriormente, pela Votorantim Cimentos S/A, foi formado na operação societária ocorrida em 15/01/2002, especificamente a cisão parcial sofrida pela EngemixPar. b) No momento imediatamente anterior à cisão parcial da EngemixPar, a empresa que seria cindida possuía dois sócios: um deles era a Cimefor, pertencente ao grupo Votorantim, com 53,79% das ações. O investimento estava registrado na contabilidade da Cimefor como R$ 159 milhões (investimento na EngemixPar) mais R$ 117 milhões (ágio), totalizando R$ 276 milhões. c) Depreendese, daí, que o valor de patrimônio líquido da investida EngemixPar seria de R$ 294 milhões (R$ 159 milhões divididos por 53,79%). Da mesma forma, podese chegar ao valor do investimento que deveria estar contabilizado na outra sócia da EngemixPar, a RossiPar: R$ 135 milhões (R$ 294 milhões – R$ 159 milhões), correspondentes a 46,21% das ações da investida EngemixPar. d) No momento da cisão parcial da EngemixPar, a sócia majoritária e controladora era a Cimefor, com 53,79% das ações. Não obstante, por tudo que se descreverá a seguir, é de se crer que a outra sócia, RossiPar, pertencente ao grupo Rossi, tenha participado com prazer das operações, dadas as vantagens tributárias que também ela obteve (as quais não são objeto do presente processo nem desta discussão). e) A cisão parcial fez segregar parcela do patrimônio da EngemixPar, avaliada em R$ 49 milhões, destinada à criação de nova sociedade, denominada Concrefor Participações Ltda. De especial interesse, compondo a parcela vertida, as quotas sociais da EPGE Participações Ltda. Fl. 9744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.745 28 f) Para contrabalançar a parcela do patrimônio vertida, a EngemixPar decidiu promover redução do capital, com a extinção das ações pertencentes à Cimefor (que não tinham valor nominal). Em substituição, entregou à antiga sócia a integralidade das quotas sociais da EPGE Participações. Ressalto: A Cimefor detinha ações da EngemixPar, sem valor nominal, cujo valor de patrimônio líquido era de R$ 159 milhões, e ainda com um ágio registrado de R$ 117 milhões. Por sua decisão, essa participação foi extinta, sendo substituída por quotas de nova sociedade cujo valor de patrimônio líquido era de R$ 49 milhões. g) Foi nessa operação que surgiu o ágio que veio a ser, após diversos outros eventos societários, amortizado pela Engemix S/A e pela Votorantim Cimentos. Em 15/01/2002, no momento da cisão parcial da EngemixPar, a contabilidade da Cimefor fez registrar: (i) a extinção do investimento na EngemixPar (R$ 159 milhões) e do correspondente ágio (R$ 117 milhões), visto que suas ações na EngemixPar foram extintas; (ii) o novo investimento, desta vez na Concrefor, pelo valor patrimonial das quotas recebidas (R$ 49 milhões); e, finalmente (iii) ágio no novo investimento, por diferença entre o valor total do investimento extinto e o valor patrimonial do novo investimento, recebido em substituição ao anterior (R$ 276 milhões – R$ 49 milhões = R$ 227 milhões). h) O ágio de R$ 227 milhões, registrado em 15/01/2002 na contabilidade da Cimefor, teria ainda sofrido diversos ajustes, por conta de eventos societários posteriores, até chegar ao saldo de R$ 189 milhões de reais em 2005, valor este que passou a ser amortizado, a partir de 2006, pela Engemix S/A. A recorrente traz um quadro, à fl. 9308 de seu recurso, supostamente coletando e reproduzindo diversos lançamentos contábeis que teriam sido feitos pela Cimefor, até resultar o saldo de R$ 189 milhões. Diante desse entendimento dos fatos, algumas considerações se impõem. A primeira diz respeito ao ágio (R$ 117 milhões), registrado na contabilidade da Cimefor até 15/01/2002, por investimento na EngemixPar. Tal ágio teria sido formado em dois momentos anteriores, a saber: (i) R$ 24,9 milhões em 09/12/2001, quando a Cimefor promoveu aumento de capital, subscrito pela Companhia de Cimento Portland Itaú, e recebeu como pagamento do capital subscrito ações da EngemixPar com o referido ágio. Essa parcela não veio à baila durante a fiscalização, e sobre ela pouco se falou, inclusive ao longo deste processo, mas ressaltese que sua formação, em momento anterior a 2001, não foi discutida. (ii) R$ 92 milhões em 18/12/2001, quando a EngemixPar promoveu aumento de capital, subscrito com ágio pela Cimefor. A soma dessas parcelas constitui o ágio de R$ 117 milhões que se encontrava na contabilidade da Cimefor em 15/01/2002. Esse ágio foi extinto juntamente com o investimento na EngemixPar, por ocasião da cisão parcial desta última. Não foi esse o ágio que veio a ser amortizado a partir de 2006 e objeto de investigação e glosa pelo Fisco nestes autos. Em assim sendo, sua relevância é bastante reduzida, apenas permanecendo para fins da comprovação, pretendida pela interessada, de que teria efetivamente sacrificado parcela de seu patrimônio para aquisição das quotas da Concrefor, cabendo, em decorrência (ainda pela ótica da recorrente) o registro do ágio de R$ 227 milhões, anteriormente descrito. Considero, então, que as atenções devem ser voltadas para o ágio efetivamente amortizado, formado em 15/01/2002 e apenas subsidiariamente e se necessário, para o outro ágio que foi extinto na mesma data. Fl. 9745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.746 29 Apenas por enquanto, vamos admitir que a participação da Cimefor na EngemixPar, avaliada em sua contabilidade por R$ 276 milhões, tenha correspondido a efetivo desembolso ou sacrifício de ativos em momentos anteriores. Como se viu, esse investimento foi extinto em troca das quotas da Concrefor, cujo valor de patrimônio líquido era de R$ 49 milhões, por decisão dos acionistas da EngemixPar, não sendo demais lembrar que a Cimefor era, nesse momento, a sócia controladora, com 53,79% das ações. A Cimefor, pois, decidiu pela extinção das ações de sua titularidade na EngemixPar, trocando R$ 276 milhões por R$ 49 milhões. Observese que, neste momento, se confirma a afirmação do Fisco de que o ágio amortizado foi gerado internamente a um mesmo grupo econômico. No momento da formação do ágio ora discutido, a Cimefor era sócia majoritária e controladora da Engemix Par, e a decisão sobre a cisão parcial, da forma como levada a efeito e com os valores envolvidos, certamente decorreu de ato direto da Cimefor, integrante do grupo Votorantim, o qual viria, futuramente, a ser o único beneficiário da amortização desse ágio. Muito embora, no momento do lançamento, o Fisco não tivesse a visão mais clara que agora se tem sobre o ocorrido, a falta de ligação entre o ágio gerado em momentos anteriores a 15/01/2002 e aquele efetivamente amortizado a partir de 2006, juntamente com a obscuridade até então reinante sobre os diversos eventos societários, conduziu à conclusão de que o ágio somente poderia ter sido gerado internamente ao grupo, conclusão que agora se mostra correta. Ainda assim, se poderia cogitar, como afirma a interessada, que a troca de R$ 276 milhões (investimento na EngemixPar) por R$ 49 milhões (valor patrimonial da Concrefor) pudesse ser justificada, do ponto de vista econômico, por haver um valor muito maior embutido na nova empresa Concrefor. A argumentação da recorrente se baseia no Laudo de Avaliação de Rentabilidade Futura da Engemix Participações S/A (fls. 2917/2947). Suas pretensões, entretanto, não resistem à análise daquele documento. O laudo apresentado foi elaborado pela PCS Consultores em novembro de 2001, com o objetivo de embasar a subscrição de capital da EngemixPar, feita pela Cimefor, em 18/12/2001. O valor presente líquido ali considerado (fl. 2946, R$ 151 milhões divididos por 53,79% = R$ 281 milhões) se refere à totalidade da EngemixPar após a subscrição de capital analisada, não se encontrando no laudo qualquer menção, ainda que hipotética, à iminente cisão parcial da EngemixPar, que viria a ocorrer menos de um mês depois, em 15/01/2002. O laudo considera, ainda, injeção de R$ 230 milhões no caixa da EngemixPar (em decorrência do aumento de capital subscrito pela Cimefor), premissa que não se mantém com a cisão parcial. Parece claro que o valor presente líquido, calculado pela consultora com base na rentabilidade futura da EngemixPar, leva em conta a integralidade de seu capital social, bem assim a presença, em sua estrutura produtiva, das controladas expressamente mencionadas no laudo (Engemix S/A2, Concrelix S/A e Concremaster Ltda.). Não vejo como se possa entender que a totalidade da rentabilidade futura prevista para a EngemixPar teria acompanhado a parcela cindida de R$ 49 milhões que resultou na criação da Concrefor, se outra parcela de R$ 245 milhões do patrimônio ficou na (nova) EngemixPar póscisão. Além disso, para a parcela cindida somente for transferido o controle da subsidiária EPGE (e indiretamente, da Geral de Concreto S/A, posteriormente Engemix S/A, e Transerve), enquanto que com a EngemixPar pós cisão ficaram as controladas 2 Aqui, é de se entender que se trate da sociedade Geral de Concreto S/A, naquele momento controlada indiretamente pela EngemixPar por via da controlada direta EPGE. Em 2004, a Geral de Concreto teve sua denominação alterada para Engemix S/A. Fl. 9746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.747 30 Itabens, Concrelix S/A e Concremaster Ltda. Muito menos é possível cogitar de qualquer proporcionalização dos valores. Seria necessário um laudo específico para rentabilidade futura da parcela cindida (Concrefor), que não encontro nos autos. Concluo, então, que a diferença entre o valor do investimento da Cimefor na EngemixPar (inclusive ágio) extinto por ocasião da cisão parcial da investida (R$ 276 milhões) e o valor do investimento recebido em substituição àquele (R$ 49 milhões) não pode ser tida como embasada em expectativa de rentabilidade futura da investida, por desatender aos requisitos legais, em especial, a ausência de demonstrativo específico para essa finalidade, tempestivamente elaborado e arquivado como comprovante da escrituração. Em decorrência, sua amortização para fins fiscais não pode ser admitida. Confirase o teor da legislação de regência, arts. 385 e 386 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em Fl. 9747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.748 31 contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). Fl. 9748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.749 32 §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). E que não se alegue, como parece entender a recorrente, que as bases do lançamento teriam sido alteradas. O lançamento foi feito com as informações e documentos fornecidos ao Fisco durante o procedimento de fiscalização e pareceme evidente que a então fiscalizada não teve qualquer preocupação em esclarecer o efetivamente ocorrido, seja informando corretamente a origem do ágio questionado pelo Fisco, seja apresentando todos os documentos e registros contábeis pertinentes. Glosadas as amortizações, por indedutibilidade de tais despesas, caberia à interessada trazer aos autos provas inquestionáveis da origem e formação do ágio, de sua dedutibilidade para fins fiscais e, finalmente, de sua transmissão via eventos societários até a Engemix S/A e a Votorantim Cimentos S/A. Não foi o que sucedeu. No que toca à origem e formação do ágio, encontrase razoavelmente esclarecido o ocorrido em 15/01/2002, momento da cisão parcial da Engemix Par. A dedutibilidade, para fins fiscais, resta claramente prejudicada pelo anteriormente exposto, a falta de laudo ou demonstrativo específico que permita classificar a diferença de valores como ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, única hipótese que poderia levar à amortização dedutível. Finalmente, quanto à transmissão do ágio de R$ 227 milhões em 15/01/2002 até resultar em ágio de R$ 189 milhões no início de 2006, careceria também de maiores esclarecimentos e provas sobre os alegados ajustes ocorridos ao longo dos anos e dos diversos eventos societários. Em conclusão, à luz do que se vê agora, constatase que: (i) o ágio efetivamente amortizado é de fato interno, pois gerado em operação societária artificial, quando a sócia controladora da sociedade cindida (EngemixPar) era a Cimefor, pertencente ao grupo Votorantim, único beneficiário da posterior amortização desse ágio; (ii) o artificialismo se estende ao valor atribuído à parcela cindida: buscase utilizar um laudo elaborado para o todo com a finalidade de atribuir valor a uma parte, deixando de lado a relevante parcela do patrimônio que seguiu com a EngemixPar póscisão. As premissas do laudo foram alteradas, pelo que não se pode admitir que suas conclusões continuem vigentes, nem se pode imputar a rentabilidade futura atribuída a um conjunto a uma parcela desmembrada desse conjunto. As amortizações de ágio restam claramente indedutíveis, devendo ser glosadas para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mantendose o lançamento, quanto a este ponto. Fl. 9749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.750 33 Reclama, ainda, a recorrente contra a multa de 150% aplicada às exigências de IRPJ e CSLL, mas também aqui não lhe assiste razão. A multa foi qualificada com base no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, confirase o teor do art. 71 da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; [...] Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Sobre este ponto, o acórdão recorrido, inicialmente, tece considerações sobre a falta de pagamento do ágio, o que, por seu entender, teria sido um dos aspectos relevantes para a qualificação da multa. Não obstante, de fato, no momento do lançamento, não haver comprovação desse pagamento, a relevância desse aspecto restou minimizada pois, como se viu, não foi o ágio na subscrição do capital da EngemixPar, integralizado pela Cimefor, que veio a ser posteriormente amortizado e glosado pelo Fisco. O julgador a quo segue em sua análise, e suas observações, na sequência, se mostram pertinentes e preciosas para fundamentar a manutenção da multa qualificada. Confira se o seguinte excerto (fls. 9238/9239): Também se apontou que o laudo apresentado para comprovar o fundamento econômico do ágio não se prestou a tal fim, uma vez que ele se calcou em uma projeção de fluxos de caixa de oito anos, correspondente a uma joint venture entre a CIMEFOR e a ROSSIPAR que, ao final, não se implementou, dado que, depois de Fl. 9750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.751 34 28 dias da subscrição das ações, a ENGEMIXPAR foi cindida parcialmente, e a ROSSIPAR deixou a associação com a CIMEFOR nos negócios de concretagem. Assim, constatado um descasamento entre a intenção das partes – alienar o negócio de concretagem do grupo Rossi para o grupo Votorantim – e a causa do negócio jurídico declarada – subscrição de capital da ENGEMIXPAR com o fito de realizar uma joint venture com a ROSSIPAR, restou também evidenciada falta de propósito negocial. Tal operação, conhecida como “casasepara”, foi utilizada por determinados contribuintes para alienar bens, simulando a constituição de sociedade, em que a parte vendedora subscrevia o capital social com o objeto da venda e, a outra, com o montante do valor do preço. As partes, depois de integralizado o capital social, imediatamente promoviam o distrato, ficando o “sócio alienante” com o dinheiro e o “sócio comprador” com o bem. Desta forma, tentavase caracterizar uma mera “devolução de capital”, o que corresponderia, de fato, a uma alienação onerosa, com o objetivo de ocultar um eventual ganho de capital tributável na operação. A hipótese de que a subscrição de capital com a imediata cisão parcial teria sido realizada para evitar a apuração de ganho de capital não foi veiculada nos autos, mas é evidente que houve, de fato, uma operação do tipo “casasepara” entre a CIMEFOR e a ROSSIPAR, pois a propagada joint venture, circunstância relevante considerada no laudo de avaliação para a fixação da rentabilidade futura da ENGEMIXPAR, ao final, não se concretizou, embora, paradoxalmente, não impediu o reconhecimento de um ágio, cuja amortização reduziu indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os elementos contidos nos autos e a omissão da contribuinte em apresentar os lançamentos contábeis completos das pessoas jurídicas envolvidas nessa operação formam um conjunto probatório que indica que elas tinham conhecimento das inconsistências apontadas e, desta forma, da ilicitude da dedução fiscal do ágio amortizado, motivo pelo qual reconheço a circunstância qualificadora a fundamentar a exasperação da multa para 150% dos tributos devidos. Entendo, da mesma forma que a decisão recorrida, que a situação sob análise se amolda com perfeição ao texto legal. As operações societárias efetuadas, muito embora formalmente regulares, se revelaram artificiais e completamente desprovidas de qualquer propósito societário ou negocial, a menos de permitir a alienação de um ativo, proporcionando ao alienante deixar de apurar o ganho de capital e ao adquirente sair do negócio de posse do ativo, acompanhado por um enorme ágio a ser amortizado. Tratase de atos claramente intencionais, cujo único efeito foi o de proporcionar uma redução igualmente artificial das bases tributáveis, buscando transmudar compraevenda em algo diverso e ocultando da Autoridade Fazendária a ocorrência do fato gerador. Correta, pois, a qualificação da multa. Na sequência, cumpre apreciar o argumento de que a multa proporcional ao tributo, por fatos geradores praticados por empresa sucedida, não poderia ser exigida da sucessora em lançamento ocorrido após o evento sucessório. O deslinde da questão passa, obrigatoriamente pela análise dos artigos 129 e 132 do CTN, os quais transcrevo abaixo: Fl. 9751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.752 35 Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. [...] Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Meu entendimento, já manifestado em outras ocasiões, é de que se deve analisar o art. 129 do CTN de forma integrada aos demais artigos da seção II do CTN, especialmente o art. 132, pelo que concluo que a expressão “créditos tributários” do art. 129 alcança não apenas o valor principal mas também as multas de qualquer natureza em toda a seção, inclusive no art. 132. Essa linha de raciocínio tem sido adotada também pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.017.0863), como se observa no excerto abaixo: RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA... 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1º do art. 113 do CTN). Alguma discussão doutrinária surge exatamente na situação em tela, quando o lançamento é feito após o evento sucessório por fatos geradores ocorridos anteriormente a ele, praticados pela empresa sucedida. Entendem alguns que, nesse caso, a multa ainda não estaria integrada ao patrimônio da pessoa jurídica sucedida no momento da sucessão, e que a aplicação de penalidade não poderia ultrapassar a pessoa do infrator. Com estes fundamentos, afastam a responsabilidade da sucessora pelas multas. Não sigo essa corrente. Com a clareza e a didática que lhe são peculiares, Hugo de Brito Machado ensina: (i) a distinção entre obrigação tributária e crédito tributário; (ii) que a obrigação tributária passa a existir no momento mesmo da ocorrência do fato gerador; (iii) que o inadimplemento da obrigação faz com que a ela se acresça a multa; (iv) que 3 STJ, 2ª Turma, REsp 1.017.086/SC, Rel. Min. Castro Meira, 11/03/2008. DJ 27/03/2008. Fl. 9752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.753 36 o lançamento declara o crédito tributário ou, em outras palavras, lhe dá as características de liquidez e certeza, tornandoo exigível. Em suas palavras4: A relação tributária, como qualquer outra relação jurídica, surge da ocorrência de um fato previsto em uma norma como capaz de produzir esse efeito. [...] A lei descreve um fato e atribui a este o efeito de criar uma relação entre alguém e o Estado. Ocorrido o fato, que em Direito Tributário denominase fato gerador ou fato imponível, nasce a relação tributária, que compreende o dever de alguém (sujeito passivo da obrigação tributária) e o direito do Estado (sujeito ativo da obrigação tributária). O dever e o direito (no sentido de direito subjetivo) são efeitos da incidência da norma. [...] O objeto da obrigação tributária principal, vale dizer, a prestação à qual se obriga o sujeito passivo, é de natureza patrimonial. É sempre uma quantia em dinheiro. Na terminologia do Direito privado diríamos que a obrigação principal é uma obrigação de dar. Obrigação de dar dinheiro, onde o dar obviamente não tem o sentido de doar, mas de adimplir o dever jurídico. [...] É sabido que obrigação e crédito, no Direito privado, são dois aspectos da mesma relação. Não é assim, porém, no Direito Tributário brasileiro. O CTN distinguiu a obrigação (art. 113) do crédito (art. 139). A obrigação é um primeiro momento na relação tributária. Seu conteúdo ainda não é determinado e o seu sujeito passivo ainda não está formalmente identificado. Por isto mesmo a prestação respectiva ainda não é exigível. Já o crédito tributário é um segundo momento na relação de tributação. No dizer do CTN, ele decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art. 139). Surge com o lançamento, que confere à relação tributária liquidez e certeza. Para fins didáticos, podemos dizer que a obrigação tributária corresponde a uma obrigação ilíquida do Direito Civil, enquanto o crédito tributário corresponde a essa mesma obrigação depois de liquidada. O lançamento corresponde ao procedimento de liquidação. Na obrigação tributária existe o dever do sujeito passivo de pagar o tributo, ou a penalidade pecuniária (obrigação principal), ou, ainda, de fazer, de não fazer ou de tolerar tudo aquilo que a legislação tributária estabelece no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Essas prestações, todavia, não são desde logo exigíveis pelo sujeito ativo. Tem este apenas o direito de fazer contra o sujeito passivo um lançamento, criando, assim, um crédito. O crédito, este sim, é exigível. Com estes esclarecimentos, podemos tentar definir a obrigação tributária. Diríamos que ela é a relação jurídica em virtude da qual o particular (sujeito passivo) tem o dever de prestar dinheiro ao Estado (sujeito ativo), ou de fazer, não fazer ou tolerar algo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e o Estado tem o direito de constituir contra o particular um crédito. [...] 4 MACHADO, Hugo de Brito: Curso de Direito Tributário, 30ª Edição, Malheiros Editores, São Paulo, 2009, pp. 121/123. Fl. 9753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.754 37 [...], o inadimplemento de uma obrigação tributária, seja ela principal ou acessória, é, em linguagem da Teoria Geral do Direito, uma não prestação, da qual decorre uma sanção. [...] Prossegue o mesmo autor, agora tratando especificamente da responsabilidade tributária5: No que se refere à atribuição de responsabilidade aos sucessores, importante é saber a data da ocorrência do fato gerador. Não importa a data do lançamento, vale dizer, da constituição definitiva do crédito tributário, em virtude da natureza declaratória deste, no que diz respeito à obrigação tributária. Existente esta, como decorrência do fato gerador, cuidase de sucessão tributária. É isto o que está expresso, de outra forma, no art. 129 do Código. Resta desta forma evidenciado que, no caso sob exame, a obrigação tributária já existia anteriormente ao evento sucessório, e que abrangia tanto o principal (tributo devido) quanto a multa pelo descumprimento do dever de recolhêlo aos cofres públicos. Irrelevante se os valores ainda não eram líquidos, ou, em outras palavras, se não havia ainda sido feito o lançamento do crédito tributário. A obrigação tributária já existia e foi transmitida à sucessora no momento da incorporação. Foi exatamente como decidiu o STJ no REsp 959.3896, assim ementado (grifos constam do original): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. [...] MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. [...] 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. O trecho a seguir transcrito do voto do eminente Ministro Relator bem dá conta dos fundamentos da decisão: [...] 5 MACHADO, Hugo de Brito, obra citada, p. 151. 6 STJ, 2ª Turma, REsp 959.389/RS, Rel. Min. Castro Meira, 07/05/2009. DJ 21/05/2009. Fl. 9754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.755 38 No que se refere ao artigo 133 do CTN e ao dissídio jurisprudencial, a recorrente afirma que não pode ser responsabilizada por multa devida pela sociedade sucedida, pois teria sido constituída somente após a sucessão empresarial. [...] A questão a ser dirimida referese à responsabilidade da empresa sucessora pela multa aplicada à sucedida em razão de descumprimento de obrigação acessória, que, muito embora se refira a período anterior à sucessão, somente foi objeto de lançamento após a constituição da nova sociedade. Importa consignar, de início, que a partir do descumprimento da obrigação acessória surge, imediatamente, nova relação obrigacional entre o Fisco e o sujeito passivo cujo objeto referese à prestação pecuniária, nos termos do artigo 113, § 3º do CTN: "§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." No mesmo sentido, a lição de Hugo de Brito Machado: "[n]a verdade o inadimplemento de uma obrigação acessória não a converte em obrigação principal. Ele faz nascer para o fisco o direito de constituir um crédito tributário contra a inadimplente, cujo conteúdo é precisamente a penalidade pecuniária, vale dizer, a multa correspondente " (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros. 26 ed. pg. 135). Reiterese, a obrigação principal nasce simultaneamente ao inadimplemento da obrigação acessória, muito embora o lançamento ocorra posteriormente. O regramento da responsabilidade dos sucessores recebe o influxo direto do artigo 129 do CTN que determina: "Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data." Conclui, então, Kiyoshi Harada: "...as normas disciplinadoras da sucessão da responsabilidade tributária alcançam os créditos tributários decorrentes de obrigações tributárias surgidas antes do fato ensejador da sucessão " (Direito Financeiro e Tributário. São Paulo: Atlas. 10 ed. pg. 432). O que importa, como bem alertado por Hugo de Brito Machado, "é saber a data da ocorrência do fato gerador" (op. cit. pg. 160). Tratandose de obrigação existente antes da sucessão, nos termos do artigo 129 do CTN, a responsabilidade pode ser atribuída ao sucessor. [...] Portanto, tratandose de obrigação anterior à sucessão empresarial, a responsabilidade é transferida à sucessora, mesmo que a constituição do crédito seja posterior ao ato, nos termos do artigo 129 do CTN. Muito embora o aresto acima transcrito se refira à sucessão de que trata o art. 133 do CTN, e a multa ali examinada seja pelo descumprimento de obrigação acessória, o Fl. 9755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.756 39 raciocínio é perfeitamente aplicável ao art. 132 de que trata o caso sob análise e à multa pelo descumprimento de obrigação principal, a qual, conforme visto, surge e se agrega a essa obrigação principal no momento mesmo do descumprimento e é, portanto, transferida à sucessora quando da incorporação, ainda que o lançamento do crédito seja feito posteriormente. O Superior Tribunal de Justiça voltou a apreciar a matéria, desta feita no regime de recursos repetitivos, de que trata o art. 543C do Código de Processo Civil. A decisão não destoou, conforme ementa a seguir transcrita7: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). [...] AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. [...] 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. Ressalto, por oportuno, que toda a argumentação até aqui desenvolvida, incluídas as decisões judiciais transcritas, não faz qualquer distinção se a multa é simples (75%) ou qualificada (150%), distinção que também este Conselheiro não faz. Lembro, ainda, que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, na sistemática do art. 543C do CPC, como é o caso acima, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do art. 62A do Regimento Interno em vigor (Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes). Finalmente, caso alguma dúvida ainda reste após todo o acima exposto, trago a lume a relevante observação de que as pessoas jurídicas sucedida (Engemix S/A, CNPJ n° 60.405.446/000128) e sucessora (a fiscalizada Votorantim Cimentos S/A) pertenciam ao mesmo grupo econômico (o grupo Votorantim) desde antes do evento sucessório. Impõese, desta forma, a aplicação da súmula CARF nº 47, a seguir reproduzida: 7 Embargos Declaratórios no Recurso Especial nº 923.012MG (2007/00314980), julgamento em 10/04/2013, Publicado no DJe em 24/04/2013. Relator Min. Napoleão Nunes Maia Filho. Fl. 9756DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.757 40 Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Por todos estes fundamentos, portanto, nego provimento ao recurso quanto a este ponto. Passo a apreciar os argumentos contrários à limitação de 30% na compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, conhecidas na doutrina e jurisprudência como “trava dos 30%” Esta matéria é bem conhecida pelo Colegiado, já tendo sido objeto de discussões em oportunidades anteriores. Peço vênia para reproduzir, e adotar como razões de decidir, o voto que proferi no Acórdão nº 1302001.521, de 24/09/2014, posição que restou vencedora naquela oportunidade. Ressalto que, naquele outro processo, a discussão tratava exclusivamente do IRPJ. Neste processo se cuida de IRPJ e CSLL, mas todas as conclusões são igualmente aplicáveis. A lide consiste em decidir sobre a possibilidade, ou não, de utilização de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores, sem a limitação de que tratam o art. 42 da Lei nº 8.981/1995 e o art. 15 da Lei nº 9.065/1995 (“trava” de 30%), no momento em que a empresa se extingue, incorporada por outra sociedade. Eis os dispositivos em comento: Lei nº 8.981/1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Lei nº 9.065/1995: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Fl. 9757DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.758 41 Os argumentos da interessada, já elencados anteriormente, centramse em que o pressuposto lógico para a limitação na compensação de prejuízos fiscais anteriores seria a continuidade das atividades da empresa. Dada sua extinção por incorporação, a incorporadora não pode se aproveitar dos prejuízos fiscais acumulados pela incorporada e, desta forma, não se aplicaria a limitação no momento da extinção da incorporada. A matéria tem sido objeto de acirrados debates neste CARF, abrangendo, com pequenas variações, tanto as bases de cálculo negativas de CSLL quanto os prejuízos fiscais de IRPJ. Peço vênia para destacar excerto do voto condutor do acórdão nº 10515.9088, da lavra do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que bem espelha meu pensamento sobre a matéria: Portanto, como se vê, o que importa analisar no presente processo é se, na situação específica de apuração do imposto em virtude de incorporação, é admissível a compensação dos prejuízos fiscais acumulados sem observância do limite de 30% previsto na legislação. Em apertada síntese, alega a recorrente que, em decorrência do evento de incorporação, a empresa incorporada encerra suas atividades, caracterizando a descontinuidade da pessoa jurídica. Nessa linha, afirma que, se a incorporadora não pode compensar os prejuízos fiscais da incorporada, e esta, por sua vez, não pode compensar integralmente seus prejuízos por ocasião do seu encerramento, estarse ia, simplesmente, fulminando o direito à compensação. Concluiu argumentando que há de se fazer uma interpretação sistemática da legislação visando assegurar ao contribuinte o direito à compensação integral dos seus prejuízos fiscais, sem qualquer limitação, quando de se tratar de declaração final por ocorrência de incorporação, fusão, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Em primeiro plano se deve esclarecer que o entendimento esposado pela recorrente não encontra amparo na legislação que rege matéria. Com efeito, como bem afirmou a decisão recorrida, tratandose de declaração final decorrente de incorporação, em virtude da absoluta ausência de previsão legal, não é permitida a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% estabelecido pelo art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995, verbis: [...] No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. [...] Não se identifica, portanto, disposição de lei capaz de recepcionar a pretensão da recorrente. O mesmo processo supramencionado foi levado à apreciação da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A eminente Relatora, Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, 8 Acórdão nº 10515.908, de 16/08/2006, processo nº 13807.003133/200436, Rel. Cons. Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 9758DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.759 42 proferiu voto9 que põe por terra os argumentos dos que pretendem possível a não aplicação da trava na compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas, na situação de extinção por incorporação. Mais uma vez, peço vênia para transcrever: [...] Daí resulta que o foco da presente lide consiste em analisar se há amparo legal que permita a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do limite de 30% a que se refere o artigo 15 da Lei n° 9.065, de 1995, quando do desaparecimento da empresa, por incorporação, em decorrência de reorganização societária ou por qualquer outro motivo. Este o cerne da questão a ser enfrentada neste processo. [...] Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº 307389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: O princípio da legalidade, do mesmo modo que impõe a exigência de cobrança a tributo só por lei expressa, também, exige que a compensação de prejuízos com lucros para fins tributários somente ocorra com autorização legislativa. Insubsistente a tese da recorrente de que não há proibição da compensação pretendida. No regime de direito público, especialmente no campo do direito tributário, a relação jurídica decorre de norma positiva, O silêncio da lei não cria direitos para nenhuma das partes: sujeito ativo e sujeito passivo. Outrossim, no trato de qualquer beneficio fiscal, mesmo concedido por lei, a interpretação é restritiva Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 50, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do inicio de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios 9 Acórdão nº 910100.401, de 02/10/2009, processo nº 13807.003133/200436, Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 9759DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.760 43 anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto a interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 4. Já quanto à limitação da compensação das prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994, destaco, por oportuno, as palavras sucintas e rigorosamente claras com que rejeitou o pedido de liminar, ocasião em que o eminente Juiz Federal Antônio Albino Ramos de Oliveira assentou quanto importa para o deslinde da questão. "A lei questionada limitou as deduções de prejuízos da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social referentes a exercício futuro. Vedado estaria fazêlo em relação a fatos geradores já ocorridos quando de sua publicação, ou para exigência no mesmo exercício. " (fl. 44) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relatar, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm “crédito” oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização” dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais Fl. 9760DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.761 44 além do exercício social em que constatados. Como todo .favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. E a lei vigorante para o exercício .fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encenado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CF, art. 150, III, a e b) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI) (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado eis que a norma que cuida de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Neste sentido é a jurisprudência consoante arestos a seguir elencados: [...] De fato, quando a lei quis que fosse liberado o limite a compensação de 30% dos prejuízos fiscais, o fez de forma expressa, como foi o caso dos lucros auferidos pelas empresas inseridas no regime Befiex, como se vê no artigo 95 da Lei 8981/1995, com a redação inserida através do artigo 1°. da Lei 9065/1995, a saber: [...] Nesta esteira a Instrução Normativa SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, vem determinando, quanto a Compensação de Prejuízos Fiscais, o seguinte: [...] Nesta normativa, também, a confirmação do que dispunha o artigo 14 da Lei 8023/1990, no que tange ao tratamento diferenciado concedido às empresas que exercem atividades rurais que podiam compensar todos os prejuízos incorridos, sem limites. Lei 8023/1990: Art. 14. O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nas anosbase posteriores. O permissivo é posteriormente ampliado para a CSLL através do art. 41 da MP 2.11332 de 21/06/2001, como segue: MP 2.11332 de 21/06/2001 Fl. 9761DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.762 45 Art.41. 0 limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. A interpretação fundada em argumentos finalísticos serve de auxílio à interpretação, mas não pode ser fundamento para negar validade à interpretação jurídica consagrada aos conceitos tributários. Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente. [...] Não bastasse a obrigatoriedade da interpretação literal da norma que cuida de incentivo fiscal; dos argumentos expendidos pela Ministra Ellen Gracie; do tratamento interpretativo das normas exceptivas, por si, suficiente para ilidir os respeitáveis argumentos expendidos pela Recorrente que clama, em seu favor, por interpretação histórica e finalística, lembro, ainda, mais alguns pontos da evolução legislativa tratando de compensação em incorporações, cujas conclusões apontam para a total preocupação do legislador em não permitir, direta ou indiretamente, que esses eventos se transformem unicamente em instrumentos de aproveitamento disfarçados de prejuízos fiscais entre empresas: a) no ano de 1976 foi elaborada a Lei n° 6.404/76, das Sociedades por Ações, que trazia no artigo 227 previsão de incorporação de uma sociedade por outra, sucedendo a incorporadora nos direitos e obrigações da incorporada; b) na esteira, o Decretolei n° 1.598/77, editado com finalidade de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da Lei de Sociedade por Ações (Lei 6.404 de 15/12/76), instituiu a permissão, no § 5º do artigo 64, de compensação dos prejuízos da sociedade extinta pela incorporadora; c) momento no qual obedeciase então ao princípio da legalidade estrita e era certo o direito à compensação d) O Decretolei nº 1.730, de 17 de dezembro de 1979, deu nova redação a este dispositivo (parágrafo 5° do artigo 64), retirando a antiga redação do mundo jurídico. A redação do Decretolei 1.730 de 17 de dezembro de 1979 é a seguinte: Art. 1 São procedidas as seguintes alterações no Decretolei nº 1.598 de 26 de dezembro de 1977: (omissis) § 3° (omissis) IV São revogados os parágrafos 6° e 8º do artigo 64, remunerado como parágrafo 6° o atual parágrafo 7°, e, passando o parágrafo 5° a vigorar com a seguinte redação: Fl. 9762DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.763 46 "§ 5° O Conselho Monetário Nacional pode autorizar a compensação do prejuízo de uma pessoa jurídica com o lucro real de outra, do mesmo grupo ou sob controle comum, quando a medida atender a interesses de segurança e fortalecimento da empresa nacional”. Com a edição do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987, enterrase a possibilidade de realizar esta compensação, ao dispor o artigo 33: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos da sucedida Deste modo, antes, em 1977 era possível compensar todo prejuízo. Em 1979, só com autorização do Conselho Monetário Nacional e, finalmente a partir de 1987, definitivamente, passou a ser proibido o aproveitamento em caso de incorporação. A mesma conclusão nos traz Hiromi Higushi in "Imposto de Renda Interpretação e Prática" 2002: "O art. 22 da MP n° 2.15835/01 dispõe que aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Estes dois arts. estão assim redigidos: [...] Diferentemente da pretensão exarada na tese vigente neste Conselho há vedação legal ao aproveitamento dos prejuízos nos casos de incorporação, como se vê na leitura do Decretolei 2.341/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle societário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. O artigo 32 explicita que a pessoa jurídica não pode compensar seus próprios prejuízos, quando "entre a data da apuração e da compensação ocorra modificação de seu controle societário ou ramo de atividade". Para não deixar dúvidas quanto a impossibilidade de aproveitamento, no caso de extinção, o parágrafo único textifica que, nos casos de cisão parcial só é possível compensar a parcela que remanesce na cindida, na proporção dos próprios prejuízos. Exsurge do referido dispositivo que a lei determina, nos casos de extinção da empresa, que os prejuízos perecem junto com a incorporada em seu último ano de vida, que é a exata situação dos autos. Independentemente da proibição do artigo 15 da Lei 8.981/1995, o Decretolei já proibia qualquer aproveitamento de prejuízos nos casos de encerramento de Fl. 9763DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.764 47 atividades, o que prova que o suposto direito adquirido pretendido, já não existia desde então. Permanecer aceitando a tese implicaria negar vigência ao dispositivo de lei validamente editado Ao final, o aresto restou assim ementado: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. (Ac. 910100.401, de 02/10/2009, Rel. Cons. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro) As conclusões acima são, a meu ver, irretocáveis, cabendo destacar os seguintes pontos, em síntese: · Há norma cogente que determina a limitação à compensação de prejuízos fiscais acumulados em períodos anteriores a trinta por cento do lucro real do período. · Quando desejou estabelecer exceções a essa limitação, o legislador o fez expressamente, com as empresas inseridas no Befiex e com a exploração de atividades rurais. Em sentido contrário, não há qualquer exceção expressa quanto á extinção da empresa que apurou os prejuízos fiscais por incorporação ou outro motivo. · A compensação de prejuízos fiscais (e de bases de cálculo negativas da CSLL) é expressiva de benefício fiscal em favor do contribuinte, a ser interpretado restritivamente, é instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado, e não constitui direito adquirido10. · O aspecto temporal do conceito de renda traz consigo que o fato gerador tributário deve ser apurado em um dado período de tempo, também chamado período de apuração. Qualquer interferência de fatos anteriores somente pode ser tratada como exceção, a ser expressamente prevista em lei. Nessa linha, o STF já decidiu que prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam o fato gerador tributário11. · Entendimento diferente implicaria burla, ainda que indireta, à vedação do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987. Por todo o exposto, e lembrando que o raciocínio desenvolvido se aplica igualmente à CSLL e ao IRPJ, nego provimento ao recurso voluntário, quanto a esta matéria. 10 Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 344.9440. 11 Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 344.9440. Fl. 9764DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.765 48 O próximo tema a ser examinado são as multas exigidas isoladamente, por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Considero indispensável a observação de que as multas lançadas no presente processo o foram com dois fundamentos distintos, conforme a data do fato gerador a que se referem, como se observa no enquadramento legal dos autos de infração de fls. 8815/8816 (IRPJ), 8833 e 8907 (CSLL), a seguir transcrito: Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 31/07/2006 e 31/07/2006: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 Fatos geradores ocorridos entre 30/09/2007 e 31/12/2010: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 Pois bem. Para o fato gerador ocorrido em 31/07/2006, impõese a aplicação da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. As Súmulas editadas pelo CARF são de observância obrigatória por seus membros, a teor do art. 72 do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Diante disso, devem ser afastadas as multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, correspondentes ao fato gerador 31/07/2006. O alcance da súmula, no entanto, é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. Tal constatação decorre do fato de que o enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007. Nessa data, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. O art. 14 da Lei (já em vigor desde a MP) assim dispunha: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 9765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.766 49 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Assim, alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado), tenho que inexiste súmula CARF aplicável às faltas/insuficiências no recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL ocorridas após 22/01/2007, pelo que os Conselheiros estão livres para votar de acordo com suas convicções. Esta situação é bem conhecida pelo Colegiado, já tendo sido objeto de discussões em oportunidades anteriores. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, entendo que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que Fl. 9766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.767 50 demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. Fl. 9767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.768 51 §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/200712: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 12 Vigência a partir de 22/01/2007, data da publicação no DOU (edição extra) da Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. Fl. 9768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.769 52 [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No caso em tela, a fiscalização constatou que tanto a sucedida Engemix S/A (para os fatos geradores anteriores à sucessão) quanto a contribuinte Cimentos Votorantim S/A (para os fatos geradores posteriores à sucessão) foram tributadas com base no lucro real anual, apurando o valor mensal de estimativa a recolher com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. Ao serem glosadas as despesas com a amortização de ágio, anteriormente discutidas neste voto, as bases de cálculo mensais foram recalculadas, surgindo a insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. Correta, pois, a sanção pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei, independentemente do tributo apurado ao final do período de apuração, também exigido com os consectários legais. Com estes fundamentos, nego provimento ao recurso voluntário, no que toca às multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas para os fatos geradores entre 30/09/2007 e 31/12/2010. Finalmente, cumpre apreciar a irresignação da recorrente quanto à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 9769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.770 53 Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. Fl. 9770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.771 54 O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 Fl. 9771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.772 55 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, nego provimento, também quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, correspondentes ao fato gerador 31/07/2006. CONCLUSÃO Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, correspondentes ao fato gerador 31/07/2006. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Voto Vencedor Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Inobstante o bem fundamentado entendimento do Relator, a turma por maioria divergiu do entendimento adotado quanto a qualificação da multa para posicionarse no sentido que passo a esclarecer. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA No caso dos autos, houve a aplicação da multa qualificada (150%) com fundamento no art art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Segundo o preceito legal supracitado, a multa qualificada deve ser aplicada quando constatada a ocorrência de quaisquer das circunstâncias dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 9772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.773 56 Nestas circunstâncias, há de restar comprovado de maneira inquestionável a demonstração dos requisitos necessários para qualificação da multa, qual seja, dolo de fraude, sonegação ou conluio, o que a meu ver não se vislumbra no presente caso. Contudo, os elementos presentes nos autos não possibilitam a comprovação, inequívoca, do dolo na conduta da recorrente, comprovação esta que possibilitaria a aplicação da multa qualificada. O entendimento assente neste Conselho é de que se faz necessária para aplicação da multa qualificada a efetiva comprovação da conduta evidentemente fraudulenta, merecendo destaque as ementas abaixo: MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa. (Ac. 110300502 – CARF – 1ª Seção – 1ª Câmara – 1ª Turma – Rel. Hugo Correia Sotero, j. 30 de junho de 2011). MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. A qualificação da multa de ofício apenas é justificada quando a fiscalização devidamente demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). (Ac. 140100.484 – 1ª Seção – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Rel. Eduardo Martins Neiva Monteiro, j. 24 de fevereiro de 2011). MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. (1CC Proc. 15586.000733/200509 6ª C. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos DOU 03.09.2008) Neste contexto há de se asseverar que não há possibilidade de presunção da fraude ou simulação, pois os fatos que a caracterizem devem estar presentes e perfeitamente identificados nos autos, seja na conduta do recorrente seja em omissões deliberadas. Há grande distância entre a conduta do recorrente daquelas que carecem de penalidade qualificada, como movimentações bancárias através de terceiros “laranjas”, falecidos, adulteração de comprovantes, falsificação documental, falsidade ideológica, notas Fl. 9773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.774 57 fiscais falsas ou calçadas, notas de empresas inexistentes, subfaturamentos na exportação entre outros. A possibilidade de registrar o ágio pago em operações de investimento, bem como realizar sua amortização, encontra respaldo em previsão legislativa (Lei n.º 9.532/97, art.s 7º e 8º, reproduzidos no art. 386, do RIR/99). Ou seja, o procedimento realizado pela recorrente é normal e corriqueiro no meio empresarial, tal como a análise de tais operações pela RFB para fins de considerálas legítimas ou não, bem como dedutível ou indedutível o ágio. Portanto, seria um absurdo considerar todo o ágio amortizado pelo contribuinte mas considerado indedutível pela RFB como uma operação simulada e, assim, cabível de aplicação da multa qualificada. Ademais, todas as operações foram reveladas pela própria recorrente através do atendimento das intimações que, mesmo parcialmente, colocou à disposição da fiscalização todas as informações possíveis e que possuía. As operações não foram dissimuladas ou ocultadas, sendo inclusive respaldadas por laudo do CADE, devidamente registradas nas atas das Assembleias Gerais, dentre outros documentos, tudo juntado aos autos e disponibilizado à fiscalização. Portanto, após discutidos os autos na sessão de julgamento, a Turma decidiu por maioria por afastar a aplicação da multa qualificada no presente caso, pois não se encontram demonstrados o dolo de fraude, sonegação ou conluio necessário para que se sustente a sanção majorada. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Redator Declaração de Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Em que pese a respeitável argumentação e fundamentação do relator, peço venia para dissentir do entendimento esposado quanto a aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada, bem como quanto a incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme passo a expor. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada em Concomitância com a Multa de Ofício. Quanto à matéria, entendo não ser admissível a imposição de multa isolada após o encerramento do anocalendário, por falta de recolhimento mensal sobre estimativas mensais, posto que importa a aplicação de penalidade com base em uma obrigação jurídico tributária que já não mais existe no universo jurídico. Fl. 9774DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.775 58 Isso porque, consoante venho defendendo nos debates sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada e de ofício, entendo que os valores recolhidos com base nas estimativas mensais não representam propriamente o tributo devido ou uma parcela do IRPJ e da CSLL, mas sim de uma projeção do quanto possa ser devido. Do ponto de vista do Fisco, é uma antecipação de receita, pois, a rigor, a modalidade de apuração do lucro, neste caso, é “anual” e não “mensal”. Nesse sentido, este Conselho pacificou o entendimento de que as estimativas são indevidas após o encerramento do ano calendário, observese: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Segundo entendo, as estimativas representam relações jurídicotributárias interdependentes entre si, conquanto dependentes de outra relação jurídicotributária (que é a apuração anual do lucro). Por esse motivo, não faz sentido admitir que as estimativas possam subsistir de modo autônomo à apuração do lucro anual em 31 de dezembro. Como afirma o Código Tributário Nacional, o tributo (“obrigação principal”) só é devido quando ocorre o “fato gerador” (art. 113, CTN). Assim, considerando que o “fato gerador” do IRPJ e da CSLL somente ocorre em 31 de dezembro, somente nesta data haverá a “obrigação tributária” propriamente dita, sendo daí a conclusão de que as estimativas não têm natureza jurídica de tributo. Assim, caberia perceber que a legislação tributária expressamente vincula essas estimativas entre si e, também, as vincula à apuração do lucro anual, sendo daí a razão de existir da referida súmula n° 82 do CARF, que impede o lançamento das estimativas mensais após a apuração do lucro anual em 31 de dezembro. Nesse passo, se a própria obrigação jurídicotributária de recolher as estimativas mensais tornase inexistente e, portanto, deixa de existir como infração tributária, também sua penalidade deve deixar de existir! Ou seja, após a apuração do lucro anual em 31 de dezembro, é natural que se conclua que também se tornem irrelevantes as consequências dela decorrentes. Assim, a infração tributária, consistente na ausência do recolhimento das estimativas mensais, também perde seus contornos de juridicidade. Tornase um fato nãojurídico, cabendo doravante investigar se houve ou não recolhimento de IRPJ e CSLL, nos casos em que o resultado apurado em 31 de dezembro é positivo. Portanto, à semelhança do entendimento constante na súmula n° 82 do CARF, fica comprovado que não cabe a aplicação de multa isolada em qualquer hipótese após a apuração do lucro em 31 de dezembro do respectivo ano calendário, seja concomitantemente com a multa de ofício, seja isoladamente, pois, pelo mesmo motivo que deixam de ser exigíveis as estimativas mensais, deixam também de ser exigíveis as penalidades pelo seu não recolhimento (ubi eadem ratio ibi idem jus). Por esse raciocínio, no que tange ao caso ora em análise, temse que o não recolhimento dos valores referentes às estimativas mensais dos anos calendários fiscalizados não ensejariam a aplicação da multa isolada prevista em artigo 44, II, “b” da Lei 9.430 de Fl. 9775DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.776 59 1996, posto que uma vez extinta a obrigação de recolhimento mensal das estimativas, é mister que se reconheça, também, a extinção consequente de qualquer obrigação posteriormente advinda do não adimplemento de tais estimativas Ademais, devese ressaltar que a Câmera Superior de Recursos Fiscais aprovou em dezembro/2014 diversas súmulas a serem publicadas, dentre elas a súmula CARF n.º 105, transcrita abaixo: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 parágrafo 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Em que pese a súmula já ter sido considerada pelo relator, o mesmo exarou entendimento de limitação de sua aplicação e alcance às exigências tributárias anteriores às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Não obstante, pelas razões já esclarecidas linhas acima, entendo que a súmula CARF n.º 105 deve ser aplicada a todo e qualquer lançamento tributário, ou seja, ao meu ver é incabível a aplicação da multa de ofício concomitantemente com a multa isolada, devendose no presente caso afastar a aplicação da multa isolada. Da Inaplicabilidade dos Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício. Vejase que no presente caso mantevese a aplicação de juros sobre a multa de ofício, com fundamento no art. 61, § 3º da lei 9.430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo não original) A interpretação que frequentemente dada pelos auditores fiscais, e que foi neste caso no voto do relator, é que o supratranscrito §3º, ao mencionar o termo “débitos”, estaria se referindo tanto ao “tributo” quanto à “multa” (moratória e de ofício). Fl. 9776DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.777 60 Em outras palavras, os juros de mora previstos no § 3º do art. 61, segundo tal linha de pensamento, deveriam ser aplicados aos débitos referidos no caput do artigo, quais sejam, tanto o tributo quanto a própria multa de mora ou de ofício. Com o devido respeito, a interpretação está equivocada. Para demonstrar a coerência da conclusão que ora se sustenta, passo a apresentar suas premissas. Para tanto, devese responder às seguintes questões: (i) No conceito do art. 61, no termo legal “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, está inclusa a “multa” (sanção de ato ilícito)? (ii) Caso positiva a resposta, qual é o tipo de multa a que o artigo faz referência (moratória, isolada ou de ofício)? A primeira indagação conduz necessariamente à investigação de outras questões, as quais elenco didaticamente em forma de perguntas para o bom desenvolvimento da argumentação: (i) Qual a correta interpretação da amplitude do conceito de “débitos decorrentes de tributo”, referido no caput do art. 61 da lei 9430/96? (ii) Ao dizer “débito”, o legislador se referiu somente ao “tributo” (art. 3º, CTN) ou a este já somado o valor da possível multa (sanção) incidente? (iii) E a principal delas: se o intuito do legislador foi considerar débito como o valor do tributo já acrescido da multa de mora, por que no caput ele foi expresso em acrescentar o trecho “acrescidos de multa de mora” e no § 3º entendeu ser desnecessário tal informação? Com a cautela devida, a resposta de tais perguntas deve advir de um cuidadoso processo hermenêutico que se inicia com a apresentação do conceito de “débitos decorrentes de tributo”, uma vez que este é o termo utilizado pelo legislador no texto legal do caput do art. 61 da lei 9430/96. Prevê o art. 3º do CTN, “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. A multa moratória decorre não do tributo em si, mas do descumprimento da obrigação prevista na legislação tributária (ato ilícito). O tributo decorre do fato gerador. Logo, o débito decorrente de tributo é o resultado da relação entre base de cálculo e a alíquota (originária da regra matriz). Ao ser empregado o termo “débitos” no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96, não se pretendeu fazer menção a “tributo” e “multa”, mas simplesmente ao valor do tributo em si. Ou seja, aos débitos para com a União, decorrentes de “tributos e contribuições” (impostos, contribuições de melhoria, taxas, empréstimo compulsório e outras contribuições). Tal conclusão é confirmada pelo próprio caput, onde o legislador faz a referida menção expressa. Fl. 9777DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.778 61 Somente em um segundo momento o art. 61, caput, da Lei 9.430/96 se refere às multas, quando menciona que “serão acrescidos de multa de mora”. Esta disposição deixa claro que no termo “tributos e contribuições” não estão incluídas as multas. Em outras palavras, no caput do art. 61 da Lei 9.430/96 o legislador usou a palavra “débitos” se referindo somente a tributos, o que mais claro fica quando temos débitos decorrentes de tributos e contribuição, e não sanção de atos ilícitos. No entanto, no § 3º, justamente em razão de não pretender fazer incidir sobre a multa os juros de mora, o legislador apenas se referiu aos “débitos”, não por lapso e nem por má técnica legislativa, mas simplesmente por assim entender que não era cabido. Desta forma, a mens legis do § 3º do art. 61 da Lei 9.430/96 é de que o termo “débito” se refere somente ao “tributo” a ser pago, excluída a “multa”, pois esta vem prevista logo em seguida. Se o termo “débito” se referisse a tributo e multa não haveria necessidade do legislador repetir o termo “multa de mora” logo em seguida ao termo “débitos decorrentes de tributo”. A expressão “débitos decorrentes de tributo”, previsto no artigo 61, somente pode ser assim entendido: “a expressão ‘débitos decorrentes de tributos’ é igual a ‘tributos’, pois o tributo em si pode ser acrescido de multa de mora” (segunda parte do caput). Ao contrário, se a expressão “débitos decorrentes de tributos” for igual a “tributo mais multa”, como poderia a segunda parte do caput acrescer a isto, novamente, multa moratória? Porém, mesmo que entendêssemos, a título argumentativo, que dentro do conceito do art. 61, na definição de “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, está presente alguma espécie de multa, esta deve ser a moratória, vez que há a expressão “serão acrescidos de multa de mora”. Nunca, em momento algum, cita multa de ofício. O referido dispositivo, como já foi explicitado anteriormente tem como objeto somente as multas de mora e não as multas de ofício. Convém uma nova análise: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 9778DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.779 62 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo não original) Aliás, quais “débitos a que se refere este artigo” podem ser “acrescidos de multa de mora”? Somente os confessados e não pagos, ou seja, declarados em DCTF, GFIP ou parcelados. Nunca um débito originário de um auto de infração que é objeto de análise por este colegiado. Assim este dispositivo legal, art. 61 e seu §3º, da lei 9.430/96, foram criados para débitos confessados e não pagos e não para débitos objeto de lançamento de ofício. O texto legal, em seu caput, é claro ao indicar que “os débitos” aos quais o §3º se refere serão acrescidos de multa de mora. Em nenhum momento, o legislador se refere à multa de ofício ou qualquer outra espécie de multa. Portanto, o disposto no art. 61 da Lei 9.430/96, ainda que se entendesse pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, o que não é o caso, seria apenas aceitável sobre a multa de mora e nunca sobre a multa de ofício por evidente carência de previsão legal. Ora, outro entendimento seria desvirtuar não só o “espírito da lei” como seu próprio “corpo físico”, vez que a única multa, expressamente prevista no art. 61, caput da Lei 9.430/96 é a multa de mora (débitos declarados e não pagos). Seria impensável confundir multa moratória (sanção pelo atraso) e multa de ofício. Outro dispositivo utilizado frequentemente para aplicar os juros moratórios à multa de ofício, é o art. 161, §1º do Código Tributário Nacional, como suposto fundamento legal autorizador da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Entendo que não há possibilidade para tanto, uma vez que o § 1º dispõe que há necessidade de existência de lei, pela expressão “Se a lei não dispuser de modo diverso”. Então, precisa de lei dispondo favoravelmente, porém que fixe ou não indexador. Mas, enfim precisa de lei complementar, como se nota da redação legal: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (grifo não original) Logo, é equivocado, data maxima venia, o entendimento no sentido da fundamentação da incidência de juros moratórios com os artigos 61, §3º da Lei 9.430/96 e art. 161 do CTN, acima referidos, nos casos da multa originária de lançamento de ofício. Não há dúvida, de que tal incidência de correção sobre a multa de ofício carece de previsão legal. Fl. 9779DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 16561.720042/201114 Acórdão n.º 1302001.687 S1C3T2 Fl. 9.780 63 Portanto, entendo que não há possibilidade alguma de aplicação de juros moratórios em relação à multa de ofício no presente caso, ante à ausência de disposição legal, que não é suprida pelo art. 61, § 3º da lei 9.430/96, e nem subsidiariamente pelo art. 161 do CTN, que sequer foi utilizado pelo auditor fiscal como fundamento para o lançamento. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Fl. 9780DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 05/05/201 5 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assina do digitalmente em 24/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10680.919344/2009-82
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 3/0132/ 005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS
DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO.
Existe vedação normativa para a retificação da DCOMP após ter sido
proferida decisão administrativa, não cabendo o deferimento de compensação lastreada, supostamente, em outros DARFs. distintos daquele informado na
DCOMP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. em negar provimento ao recurso voluntário. nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária /03/ Data do fato gerador: 312005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIHCA(ÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. Existe vedação normativa para a retificação da DCOMP após ter sido proferida decisão administrativa, não cabendo o deferimento de compensação lastreada, supostamente, em outros DARFs. distintos daquele informado na DCOMP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. em negar provimento ao recurso voluntdrio. nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. RIClARLD 6L0 ROSA - Presidente em exercício ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 24/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Nanci Gama, Andréa Medrado Darze..lose Paulo Puiati (Suplente). Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Relatório 0 recurso voluntário visa a reforma do acórdão 02-38.918 da 2" Turma da DRJ/B11E, que entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade . Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: "0 presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 4), referente ao PER/DCOMP n° 42066.82286.290405.1.7.040881. A Declaração (le Compensação gerada pelo programa PER/DC:011P foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS/PASEP - Código de Receita 8109, 770 valor original 17U data de transmissão de RS11.803,31, representado por Dorf recolhido em 15/04/2005 e c/c compensar o(s) débito (s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF ckscrito no PER/DCOMP achna identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação c/c débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, foi hontologada parciahnente a compensação declarada. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro c/c 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 c/c dezembro c/c 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado cio Despacho Decisório cm 01/06/2009, conforme documento de fl. 90, o interessado apresentou a man?festação c/c inconformidade de fls. 02/03, em 02/07/2009, cujo conteúdo, em síntese, é o seguinte: Ent 15 de abril de 2005 foi enviado a Receita Federal um Per/Dcomp 770 valor c/c RS 12.601,92 para compensação do PIS Fato Gerador MARÇO/2005. Ent 29 de abril c/c 2005 foi enviado a RETIFICAÇÃO desk Per/Dcomp alterando o valor do crédito c/c mu DARF c/c pagamento a maior no valor c/c RS 28.274,01, fato gerador 31/05/2005, vencimento 15/04/2005 e pago nesta data. ACONTECE QUE NÃO EXISTE ESSE CRÉDITO, o valor coreto a ser compensado é o valor de RS 798,61. Foi consignado erroneamente o valor das retenções realizadas pelos clientes do empresa como se fosse um crédito passível de compensação através do progrcuna Per/Dcontp. O valor deste crédito é o 2 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n" 10680.919344 72009-82 53-C I . 1 . 2 Acórao n." 3102-002.193 11. 2 pagamenlo a maior de março c/c 2005 confin.me abaixo discriminado. VALOR DO PIS MARCO 2005 RS 40.077.32 RETENÇÕES DE PIS MARÇO 2005 RS 12.601,92 DARF PAGO REF MARCO 2005 RS 28.274,01 VALOR A COMPENSAR EAI1IBRIL DE 2005 RS 798,61 A connnyvação da veracidade desta infOrmaçães c; que na DCTF TUDO FOI CONSIGNADO CORRETAMENTE. Em incirço foi apurado o valor devido de RS 27.475,40. .fin pago o valor de RS 28.274,01 desk; inc;s. Tudo conforme as orientações da DCTF e do Programa de Compensação. Na DACON lambém eski ludo en) perfeita sintonia come a DCTF e com Os registros contãbeis da empresa. O QUE ESTA COMPLETAMENTE ERRADO É o PERD/DCOAIP DE 15 DE ABRIL E SEU RETIFICADOR DE 29 DE ABRIL. SOLICITAMOS O CANCELAAIENTO DESTA COMPENSAÇÃO, MESMO PORQUE NÃO CONSIGNADO NA DCTF. A regularização deste despacho Sc darci em poi eita sintonia com o ccuicelamento do Per/Dcomp e seu retificador. ISTO POSTO, espera o contribuinte seja a presente A IANIFESTAÇÃO DE INCONFOR.14ISA10 reçebida em sua integralidade, posto que a tempo e mod() produzida, e que, cipós a ancilise cuidadosa de seus argumentos pcn. parta da Doina A utoridade Adniinistrativa Julgadora, .seja RE 'ISTO o Despacho Decisório, CANCELANDO O PER/DCOMP 4206682286 2904051-0881." Analisada a manifestação de inconformidade, decidiu a 3" Turma da DRJ/BHE pela sua improcedência, conlbrme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUIÃRM Data dolato gerador: 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COAIPENSAÇÃO. GINCELl.VIENTO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. Não lia previsão legal para cancelcunento c/a DC omp apcj.s.jó ter sido pro/Crido o Despacho Decisório competente e em sede de manij estação de inconformidcide. Manifestação de Incotiformidade Iniprocedente Direno Credilório Não Reconhec ido Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntúrio reiterando as matérias da manifestação dc inconformidade acrescentando ainda que: a) A DCOMP da controvérsia foi apresentada em 15/04/2005 para compensação de PIS no valor de R$ 12.601.92(doze mil, seiscentos c um reais e noventa e dois centavos), para fatos gerados de março de 2005: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA b) Em 29/04/2005 houve a retificação da DCOMP, alterando o valor do crédito/débito a compensar no valor de R$ 11.803,31(onze mil. oitocentos e três reais e trinta e um centavos); c) A DCOMP retificadora foi apresentada equivocada, pois não retratou corretamente os débitos e créditos de PIS referente aos meses de março e abril de 2005; d) 0 débito de PIS na competência de março de R$ 27.475,01(vinte e sete mil, quatrocentos e setenta e cinco reais e um centavos), o qual foi quitado através de DARF (15/04/2005) no valor de R$ 28.274,01(vinte e oito mil, duzentos e setenta e quatro reais e um centavo); e) 0 crédito a compensar pela PERD/COMP é de R$ 798,61(setecentos e noventa e oito reais e sessenta e um centavos), o qual somados aos DARF pagos em 13/05/2005 e 02/06/2005, totalizam o valor de R$ 49.515,03(quarenta e nove mil, quinhentos e quinze reais e três centavos). o relatório. Vo to Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Busca a recorrente em suas razões demonstrar a existência do crédito de PIS a ser compensado com débitos declarados, decorrente do pagamento a maior só constatados após a entrega da DCOMP retificadora. Ora, de acordo o art. 74 1 da lei n° 9.430/96 com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, caberá a Secretaria da Receita Federal autorizar a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para tributos e contribuições sob sua administração. Já o Decreto n° 2.138, de janeiro de 1997, disciplina que o pedido de compensação atenderá procedimento interno, podendo ser a requerimento do contribuinte ou de oficio, nos termos do parágrafo único do art. 1°. in verbis: Decreto n°2.138, de 29 de janeiro de 1997 Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receito Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. I Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal. atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituidos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process° n" 10680.919344/2009-82 53 -Cl 12 Acórcklo n." 3102-002.193 VI. 3 Parágrafo imico. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de oficio, mediante procedimento inferno, observado o disposto neste Decreto. Apresentada a DCOMP, a Receita Federal possui um prazo de 05(cinco) anos para homologar ou não as compensações nos termos do § 5 0 art. 74 da Lei IV 9.430/96. Assim. decorrido o período "contado da data da entrega da declaração de compensação- 2 se não ocorrer nenhuma apreciação da autoridade administrativa restará tacitamente homologado o pedido, o que de fato não ocorreu no caso dos autos ao ser proferido o despacho decisório. De acordo com o despacho decisório de fls. 03 quando da transmissão do PER/DCOMP no valor de R$ 11.803,31, observando o DARE discriminado lui identi (lead° um ou mais pagamentos "1110.S' integralmente utilizados- para a quitação de ck5 bilos do contribuime. não restando crjclito disponível para compensctção dos débilas. i11101'111(1010S 110 PER'CO,111'''. Assim, consoante demonstrado na decisão recorrida , caberia a recorrente apresentar outra vez a retificação da DCOMP. Entretanto, a contribuinte não a tez. Ora, observando a IN R1'13 IV 900/2008. em vigor quando do despacho decisório que não homologou a compensação pretendida , percebe-se que a retilicação possível, porém, desde que apresentada antes de qualquer decisão administrativa , nos termos do art. 77: Art. 77. 0 pedido de restituição, res.sarchnento ou reembolso e a Declaração de Compensação somenle poderão ser relificaclos pelo sujeito passivo caso se enconirem pendentes de decisão mbninistratirct data do envio do documento relificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere ci Declaração de Compensação. Vê-se, portanto, que a Recorrente. ao identificar o suposto erro alegado quando da transmissão da compensação após o despacho decisório, não tinha como proceder a retificação da DCOMP. Porém, em atenção ao principio da verdade material, deve este Conselho analisar se há o crédito pretendido. Acontece que de acordo como o despacho decisório decorrente do PER/DCOMP transmitido em 29/04/2005, vê-se que o crédito pretendido. reterente ao DARF no valor de R$ 28.274,01, recolhido em 15/04/2005, já foi reconhecido como direito creditório c utilizado para fins de compensação, como afirmado pela própria recorrente. Ressalte-se que apesar das alegações da recorrente , não há como deferir o presente pedido compcnsa0o, fundado em DARF's diversos daqueles apresentados no PER/DCOMP. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões 27 de mat-go de 2014. 2 Lei n° 9.430/96 art. 74 - § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeilo passivo sera de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação Fl. 141DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator 6 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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Numero do processo: 19515.004679/2010-14
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles de Aguiar. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Ewan Teles de Aguiar. Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 67 9/ 20 10 -1 4 Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004679/201014 Resolução nº 2401000.422 S2C4T1 Fl. 1.013 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS, em face do acórdão de fls. que manteve parcialmente o Auto de Infração n. 37.251.6777, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que o lançamento foi realizado em razão da recorrente terse declarado como entidade isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, informação esta inverídica, tendo em vista que esta não cumpria os requisitos legais para usufruir tal benesse. Foram considerados como motivos que afastavam o seu direito à isenção: (i) A empresa possui o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, mas não possui um Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido, conforme resolução n° 73, de 15 de outubro de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 23 de outubro de 2008, que anulou o julgamento anterior que deferia a renovação do referido certificado. (ii) Além de não possuir o certificado, o fiscal aderiu às suas razões o fato de a que a empresa possuía um ato de isenção deferido o qual, no entanto, foi cancelado em 25/04/2007 com a emissão do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais n. 001/2007 por infração aos incisos III, IV e V do artigo 55 da lei n° 8.212/91 (por não promover assistência social beneficente e por conceder remuneração/vantagens aos diretores e sócios). Fora constatado o descumprimento aos incisos III e IV desde janeiro de 1995 e do inciso V, todos do art. 55 da lei 8.212/1991, a partir de janeiro de 2004. Contra o Ato Cancelatório, a empresa apresentou recurso, o qual chegou a ser objeto de apreciação por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que através do acórdão n. 2401000.064, negoulhe provimento, mantendo incólume o Ato Cancelatório de isenção. O período apurado compreende a competência de 01/2004 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/12/2010 (fls. 1.721). A DRJ reconheceu a decadência com base no art. 173, I do CTN, excluindo do lançamento as competências até 11/2004. Em seu recurso, sustenta que a decadência deve ser aplicada com base no disposto no art. 150, §4o do CTN. Defende que deve ser reconhecida como entidade isenta das contribuições, já que, diferentemente daquilo o que restou decidido no acórdão de primeira instância, possui o registro no CNAS e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social válido para Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004679/201014 Resolução nº 2401000.422 S2C4T1 Fl. 1.014 3 todo o período o objeto do presente Auto de Infração, não havendo que se falar no descumprimento dos requisitos legais ou mesmo afastamento de seu cara´ter filantrópico. Que em razão de estar acobertada por uma imunidade, não há que se exigir da recorrente regras ou condições impostas por legislação infraconstitucional, no caso a Lei 8.122/91. Aponta que de acordo com seu estatuto social se caracteriza como entidade filantrópica, sem fins econômicos, que tem por finalidade o desenvolvimento de atividades associativas, científicas, culturais, esportivas, assistenciais, sociais e de lazer, sendo que nenhuma de suas atividades remunera seus diretores e mesmo o patrimônio da associação não é partilhado entre os seus sócios em caso de dissolução da mesma, cumprindo, assim os requisitos do art. 14 do CTN. Argui que não possui finalidade econômica de forma a atrair a incidência das contribuições previdenciárias por não possuir faturamento, entendido como a receita proveniente da venda de bens e serviços, na forma da redação do art. 195, I, da Constituição Federal, mas apenas por auferir receitas decorrentes de recebimentos de caráter geral pelo exercício de sua finalidade filantrópica. Alega que diante de entendimento equivocado o CNAS cassou a isenção que possuía para o triênio de 2000 a 2003, sendo que tal providência não tem o condão de determinar a cassação da isenção para o período objeto do presente lançamento, nos anos de 2004 a 2006, período em que cumpria os requisitos legais. Afirma que o indeferimento de seu pedido de isenção na data de 25/04/2007 não pode retroagir para reconhecer que esta não possuía o benefício da isenção para o período de 2004 a 2006 Arremata repudiando a inclusão de verbas consideradas como indenizatórias na base de cálculo das contribuições previdenciárias, a exemplo do abono de férias e aviso prévio indenizado, as quais devem ser extirpadas do lançamento. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004679/201014 Resolução nº 2401000.422 S2C4T1 Fl. 1.015 4 VOTO Conselheiro Igor Araujo Soares Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Antes mesmo de se adentrar ao mérito das alegações constantes no Recurso Voluntário, ao analisar detidamente os autos do presente processo, entendo ser necessário um prévio esclarecimento acerca de situação fática que envolve o lançamento. Conforme já relatado, as contribuições objeto do presente Auto de Infração foram lançadas em decorrência do reconhecimento de que a recorrente não mais possuía o direito à isenção das contribuições patronais, por não possuir o CEBAS válido para o período da autuação, a teor da Resolução n. 73/2008 do CNAS. Verifico que o ilustre fiscal também aderiu às suas razões o fato da recorrente ter sido alvo de fiscalização anterior que culminou na cassação de sua isenção no período dos anos de 1995 a 2005, conforme Ato Cancelatório n. 01/2007. Fato é que são cobradas pela via do presente processo as contribuições dos anos de 2004 a 2006, as quais, em parte, estariam englobas no período em que fora cassada a isenção da recorrente em decorrência do julgamento do Ato Declaratório n. 01/2007. Todavia, ao analisar o teor da Resolução 73/2008, verifico que dela não consta o período no qual entendeu o CNAS a recorrente não possuía o CEBAS válido, mas tão somente a indicação do processo administrativo do qual se originou e os motivos da sua não renovação. Às fls. 1.545 dos autos consta o inteiro teor da Resolução 73/2008 do CNAS, sobre a qual fez referência o relatório fiscal do Auto de Infração. Confirase: RESOLUÇÃO N' 73, DE 15 DE OUTUBRO DE 2008 0 CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CNAS, em reunião realizada nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2008, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art 18 da Lei N' 8.742, de 7 de dezembro de 1993, resolve: I ANULAR o julgamento anterior que deferiu o pedido de Renovado do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, simultaneamente, INDEFERIR o pedido de RENOVAÇÃO DO CEAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social) das seguintes entidades, por elo atenderem aos requisites legais constantes nos Decretos N' 752, de 16 de fevereiro de 1993, N' 2.536, de 6 de abril de 1998, e na Resolução CNAS N' 177, de 24 de agosto de 2000: I) Processo N' 71010.002491/200311 • ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS APCD Sao Paulo/SP CNPJ: 47.331.822/000119. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19515.004679/201014 Resolução nº 2401000.422 S2C4T1 Fl. 1.016 5 Motivo: 1) Inciso 1, art. 63 da Lei N' 9.784/99 (o recurso ela seri conhecido quanto interposto: fora do prazo); 2) Incise 1, da Resolução CNAS N' 66, publicada no DOU em 17/04/2003 (não está em conformidade com os princípios contábeis) ; 3) Inciso X, art. 4° da Resolução N' 177/00 e inciso II, art. 3° do Deem° 2.536/98 (documento de inscrição da entidade no Conselho Estadual de Assistência Social do Município CMAS, se houver, ou Conselho Estadual de Assistência Social do Distrito Federal) ; 4) § union, art. I°, da Resolução N' 191/2005 (não an caracterizam como entidades e organizações de assistência social as entidades reli giosas, temples, clubes esportivos, partidos politicos, grEmies estudantis, sindicatos, e associa ções que visem somente no beneficio de seta associados que dirigem suas atividades a publica rertrito, cate goria ou classe). Resta claro que referido documento não faz qualquer alusão ao período a que se refere a não renovação do CEBAS. Dessa forma, entendo que para uma completa análise dos autos do presente processo, sobretudo a própria tese de defesa objeto do recurso voluntário, há de se apurar sobre qual o período se referia a Resolução 73/2008 do CNAS, extraída dos autos do processo administrativo n. 71010.002491/200311, de modo a se perquerir se a isenção fora cassada durante todo o período objeto do presente lançamento ou apenas parte dele. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos do presente processo para que sejam juntadas aos autos as decisões tomadas nos autos do processo administrativo n. 71010.002491/200311 e para que informe o ilustre fiscal a quem incumbir o cumprimento da presente resolução qual o período no qual a recorrente não possuía o CEBAS válido e que fora considerado como justificativa ao presente lançamento. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 04/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10670.001182/2004-39
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
RESERVA LEGAL. RECUSO ESPECIAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGOU PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO, SITUAÇÃO ANTERIOR A PREVISÃO LEGAL INSERIDA PELA PORTARIA N° 446/2009 E NÃO DEMONSTRAÇÃO EM QUE A DECISÃO RECORRIDA CONTRARIOU A PROVA DOS AUTOS. RECURSO NÃO
CONHECIDO NESTE PONTO,
Não se conhece de recurso especial na parte em que o recorrente não demonstra, de forma precisa, em que a decisão recorrida teria contrariado à lei ou a evidência da prova dos autos,
ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO
DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA.
3, Nos termos da decisão recorrida, a exclusão da base de cálculo do ITR relativamente às áreas de preservação permanente, para fato ocorrido em 2001, está condicionada à protocolização tempestiva do ADA, nos termos do artigo 17-0 da Lei n° 6,938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n°10165/2000, No caso, o conjunto probatório dos autos indica que o ADA
protocolizado pelo contribuinte junto ao IBAMA em 1998 e retificado em Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
2004 deve ser levado em consideração para a apuração do ITR/2001.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.480
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso apenas em relação ao ADA_ Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Caio Marcos Candido, Francisco de Assis Oliveira Junior e Elias Sampaio Freire que conheciam o recurso em sua integralidade, Designado o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 RESERVA LEGAL. RECUSO ESPECIAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGOU PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO, SITUAÇÃO ANTERIOR A PREVISÃO LEGAL INSERIDA PELA PORTARIA N° 446/2009 E NÃO DEMONSTRAÇÃO EM QUE A DECISÃO RECORRIDA CONTRARIOU A PROVA DOS AUTOS. RECURSO NÃO CONHECIDO NESTE PONTO, Não se conhece de recurso especial na parte em que o recorrente não demonstra, de forma precisa, em que a decisão recorrida teria contrariado à lei ou a evidência da prova dos autos, ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. 3, Nos termos da decisão recorrida, a exclusão da base de cálculo do ITR relativamente às áreas de preservação permanente, para fato ocorrido em 2001, está condicionada à protocolização tempestiva do ADA, nos termos do artigo 17-0 da Lei n° 6,938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n°10165/2000, No caso, o conjunto probatório dos autos indica que o ADA protocolizado pelo contribuinte junto ao IBAMA em 1998 e retificado em Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 2004 deve ser levado em consideração para a apuração do ITR/2001. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T16:17:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T16:17:29Z; Last-Modified: 2010-10-07T16:17:29Z; dcterms:modified: 2010-10-07T16:17:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:98fd8c4f-89db-47fe-b8e1-4f5e256950be; Last-Save-Date: 2010-10-07T16:17:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T16:17:29Z; meta:save-date: 2010-10-07T16:17:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T16:17:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T16:17:29Z; created: 2010-10-07T16:17:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2010-10-07T16:17:29Z; pdf:charsPerPage: 1555; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T16:17:29Z | Conteúdo => CSRF-T2 FL. 345 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10670,001182/2004-39 Recurso n° 337,282 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.480 — 2" Turma Sessão de 09 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIGAS DE ALUMÍNIO S,A, LIASA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 RESERVA LEGAL. RECUSO ESPECIAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGOU PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO, SITUAÇÃO ANTERIOR A PREVISÃO LEGAL INSERIDA PELA PORTARIA N° 446/2009 E NÃO DEMONSTRAÇÃO EM QUE A DECISÃO RECORRIDA CONTRARIOU A PROVA DOS AUTOS. RECURSO NÃO CONHECIDO NESTE PONTO, Não se conhece de recurso especial na parte em que o recorrente não demonstra, de forma precisa, em que a decisão recorrida teria contrariado à lei ou a evidência da prova dos autos, ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. 3, Nos termos da decisão recorrida, a exclusão da base de cálculo do ITR relativamente às áreas de preservação permanente, ' para fato ocorrido em 2001, está condicionada à protocolização tempestiva do ADA, nos termos do artigo 17-0 da Lei n° 6,938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10165/2000, No caso, o conjunto probatório dos autos indica que o ADA protocolizado pelo contribuinte junto ao IBAMA em 1998 e retificado em Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, 2004 deve ser levado em consideração para a apuração do ITR/200 LLUU4 deve ser levado em consideração para a apuração do 1TR/200L Recurso especial negado. G t Processo n° 10670,001182/2004-39 Acórdão o,° 9202-00.480 CSRE-12 Ft 346 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso apenas em relação ao ADA_ Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Caio Marcos Candido, Francisco de Assis Oliveira Junior e Elias Sampaio Freire que conheciam o recurso em sua integralidade, Designado o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. SUS ES HI FMANN — Presidente em exercício MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA à'1_,VA — Redator-Designado EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Rogério de Lellis Pinto (suplente convocado), Moises Giacomelli Nunes da Silva, F'rancisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Manoel Coelho Arnida Junior. Processo n° 10670.001 182/2004-39 Acórdão n 9202-00.480 CSRF-T2 FL 347 Relatório Em face de Ligas de Alumínio SA. - LIASA, CNR1 n° 17.221 foi lavrado o auto de infração de fls. 02-07, para a exigência de imposto sobre territorial rural, exercício 2001, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Lagoa, situado no município de Bonito de Minas (MG). .771/0001-01, a propriedade Ema, Croá e Extraio do Termo de Verificação de Infração de fls. 09-12 as considerações feitas pela autoridade lançadora: Área de Preservação permanente: O contribuinte protocolou junto ao 1BAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em 11/10/2004 pedido do ADA - Ato Declaratório Ambiental - cópia anexa, informando a área de 5 499,6 ha de preservação permanente. Estabelece a legislação de regência que o pedido do ADA deverá ser protocolado no órgão competente até 06 (seis) meses após a data prevista para a, entrega da DITR - Declaração do Imposto sobre a Propriedade Rural, que foi 28/09/2001, Logo, o ADA deveria ter sido protocolizado até 28/0312002, Portanto,o documento apresentado pelo contribuinte não é válido para comprovar a área declarada em 2001. Área de Utilização Limitada — Reserva Legai O valor declarado no Quadro 09, item 03, da DITR/200I, de 10..205,0 ha, foi averbado pelo contribuinte em 30/04/1991. Entretanto, para pleitear a dedução desta área para efeito de apuração do 1TR é necessário também que esta área possua o ADA elou o se pedido protocolizado até 29/03/2001, Tendo em vista que o ABA apresentado pelo contribuinte foi protocolado em 11/10/2004 no IBAMA, portanto, fora do prazo previsto pela legislação, há que se glosar a área pleiteada pelo contribuinte a este título. seguintes Área ocupada com Benfeitorias destinada à atividade rural.. Declarada uma área de 120,0 ha. Pedido por esta fiscalização Mapa de geoprocessamento especificando as áreas utilizadas com benfeitorias. Contribuinte apresentou cópia do memorial descritivo e croqui de planta topográfica elaborada pelo engenheiro agrimensor Luiz Gonzaga Santiago_ A planta apresentada só contempla confrontações e área total do imóvel. Portanto, na documed?tação apresentada pelo contribuinte não consta comprovação da existência de nenhuma benfeitoria. Valor das Benfeitorias: Intimado a comprovar as valores declarados na D1TR/2001 sobre os itens acima, o contribuinte apresentou Laudo emitido pela EMATER/MG onde fazem alusões técnicas sobre a que seria valor de mercado.. O Laudo 3 Processo o' 10670,001182/2004-39 CSRF42 Acérão 9202-00.480 Fl. 348 foi assinado por "Técnico Agropecuário" e .foi emitido em "Gouveia"— Distante cerca de 625 Km do local da propriedade, "Para a execução dos serviços foram utilizados os dados e informações fornecidas pela solicitante dou retirados de documentação apresentada, bem como aqueles obtidos de terceiros por ocasião de Levantamento Geográfico da Área (LGA), julgados "a priori" corretos, todos considerados idôneos e fornecidos de boa fé.." Depreende-se do texto acima que para execução do laudo não houve visita "in Loco", e não possui ART — Anotação de Responsabilidade Técnica registrado no CREA, Portanto, foi desconsiderado o Laudo apresentada pelo contribuinte.. Há de se observar que os valores constantes do Laudo estão bem abaixo dos valores declarados pelo contribuinte. Assim, esta auditoria considerou os valores originalmente declarados pelo contribuinte, ) O contribuinte apresentou ainda um protocolo de ADA datado de 15/09/98 do imóvel de NIRF n° 06.11227-7 com área de 60.719,1 ha e uma relação contendo registros de imóveis que aparentemente comporiam este imóvel, inclusive este que é motivo de malha. Nesta relação é citada a alienação de vários destes imóveis. Apresentou também protocolo de ADA's datados de 11/10/2004 dos imóveis que parecem ser remanescentes . do' NIRF 06,11227-7 Porém, estes imóveis remanescentes tem NIRF's próprios e declaram D1TR desde 1999.. Assim, não prevalece o ADA datado de 15/09/98 para comprovar as áreas declaradas independentes desde 1999 como é o caso deste imóvel em questão (NIRF 5,706.124-6) Com isso, as áreas de preservação permanente, de utilização limitada, ocupadas com benfeitorias e de pastagens informadas na DITR/2001 foram reduzidas, respectivamente, de 5,499,6 ha, de 10,205,0 ha, de 120,0 ha e de 9.568,0 ha para 0,0 ha A i Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente em parte (fis 161-174), para restabelecer as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (5.499,6 lia), de utilização limitada (10,205,0 ha) e ocupada com benfeitorias (120.0 ha), reduzindo o imposto suplementar apurado pela fiscalização de RS L052 302,93 para RS 445.459,06 e, conseqüentemente, interpondo recurso de oficio. O Relator da decisão de primeira instância concluiu pela procedência parcial do valor do crédito tributário com os seguintes fundamentos (fis, 170-171): Das Áreas de Preservação Permanente e Utilização Limitada Da análise das alegações e da documentação apresentadas pela impugnante, com a finalidade de justificar as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (5.499,6 ha) e de utilização limitada/reserva legal (10.205,0 ha), conclui-se pela ikimprocedência do lançamento, na parte atinente às matérias ora tratadas 4 Processo n" 1067a001182/2004-39 Acórdão n." 9202-00,480 CSRF-T2 Fl 349 As glosas destas áreas ambientais justificaram-se por entendimento da fiscalização de não restar comprovado nos autos o reconhecimento de tais áreas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, a protocolização tempestiva de sua solicitação, para que fosse justificada a exclusão das mesmas de tributação_ Na oportunidade, se baseou a autoridade .fiscal na legislação de regência (art. 10 da Lei 9.393/96 e no art.. 10, § 4' da IN/SRF 43/97 - com redação dada pelo art. 1°, II da IN/SRF 67/97).. Assim, a lide cinge-se à exigência relativa ao Ato Declarará rio Ambiental — ADA, posto que a autoridade fiscal considerou comprovada a exigência relativa à averbação tempestiva de toda a área de utilização limitada/reserva legal declarada, à margem da matricula do imóvel, conforme "Termo de Verificação de Infração — ITR/2001", delis. 09/12.. Nos termos da citada legislação (art. 10, § 4°, inciso II, da IN/SRF n° 043/97, com redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n ó 67/97), aplicada ao 1TR, a partir do exercício de 1997, a contribuinte teria que comprovar nos autos, pelo menos ter providenciado a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declarató rio Ambiental junto ao.. IBAMA/órgão conveniado, ou seja, no prazo de seis meses, contado da data final previsto para entrega da declaração do 1TR, junto ao IBAM4, admitindo-se, ainda, outro Ato do Poder Público que assim a declare ou Certidão do IBAMA/órgão público ligado à preservação florestal. Portanto, em relação ao exercício de 2001, esse prazo expirou em 31 de março de 2002, ou seja, seis meses após o termo final para a entrega da D1TR/2001 (28 de setembro de 2001, de acordo com a INISRF n° 061, de 06/06/2001).. Pois bem. A documentação apresentada pela impugnante, com a .finalidade de justificar as áreas declarados como sendo de preservação permanente e utilização limitada atesta o cumprimento da exigência da protocolização tempestiva da solicitação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMAAVIG. De fato, do exame do documento de fls. 83, mais exatamente do carimbo de recepção aposto no canto inferior direito do mesmo, verifica-se que a obrigação ora tratada foi cumprida exatamente em 21 de setembro de 1998, portanto, muito antes do prazo referido anteriormente (31/03/2002), cabendo ressaltar que o documento d e fis. 85, entregue em 10 de novembro de 2004, tem natureza meramente retificador a. Assim sendo, restando comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, cabe ser restabelecida as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (5.499,6 ha) e de utilização limitada/reserva legal (10_205,0 ha). $ Processo n" 10670 001182/2004-39 Acórdão of' 9202-00AG CSRF-12 Fl 350 Das Áreas Ocupadas com Benfeitorias No que diz respeito a essa matéria, também é de se dar razão à requerente, Da análise da docilMentação e alegações apresentadas pela impugnante com a finalidade de justificar as áreas ocupadas com benfeitorias de 120,0 ha, conclui-se pelo acolhimento da mesma, para .fins de apuração da área aproveitável do imóvel A .fiscalização glosou esta área por entender que ela não estava devidamente comprovada a sua existência na documentação apresentada (cópia de memorial descritivo e croqui de planta topográfica). No sentido de contestar o Auto de Infração lavrado pela fiscalização, o interessado apresentou "laudo técnico", elaborado pela EMATER/MG, doc.. de lis. 1341158, discriminando tais áreas, como sendo aceros/acessos/cercas, totalizando 121,0 ha, portanto, ti-ala-se de documento hábil para comprovação desse dado cadastral, nos termos da Norma de Execução Cofis n° 005, de 27 de maio de 2004, aplicada ao ITR/2001.. Desta forma, deve ser restabelecida a área ocupada com benfeitorias, de 120,0 1w, glosada pela fiscalização, A parcela mantida do lançamento foi transferida para o processo n° 10670.000101/2007-26, conforme informação de fls. 206. Apreciando o recurso de oficio interposto pela P Turma da DRJ em Brasília (DF), a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 302- 39.315, que se encontra às fls. 208-223, cuja ementa é a seguinte: Assunto Imposto .sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, CONDIÇÃO. Para que o contribuinte possa excluir da base tributável as áreas de reserva legal e de preservação permanente é obrigatório a utilização do ADA Ato Declarató rio Ambiental, nos lermos da Lei. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO BENFEITORIAS Devem ser consideradas, para . fins de determinação da área do imóvel tributável, as benfeitorias comprovadas por meio de documento hábil_ RECURSO DE OFICIO NEGADO A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso de oficio, vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (Relator), que o proveu integralmente, sendo Redator Designado o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. 6 CS RF-T2 A 351 Processo ri 10670.001182/2004-30 Acórdão n. 9202-00.480 Segundo o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (fls. 218-220): Este raciocínio, ao meu sentir, não reflete perfeitamente os fatos narrados pelo contribuinte e pela fiscalização. Note-se que o Ato Declaratório Ambiental de fl. 83 é relativo ao imóvel Fazenda São Domingos, Almecega e Ema, Croa e Lagoa, com NIRF n 06112.27-7, com área total de 60.719,1 ha, de onde, mais tarde, se desmembraram outros dois imóveis, dentre eles o imóvel ora objeto de autuação„ Assim, cada um dos dois novos imóveis (Fazenda São Domingos e Fazenda Ema, Croa e Lagoa) ganharam diferentes números cadastrais na Secretaria da Receita Federal do Brasil, porquanto cada um ficou sua área total de imóvel (certamente menores que a do imóvel originário), e via de conseqüência, teriam de ter seus próprios Atos Declaratórios Ambientais e averbações de área de reserva legal. O NIRF do imóvel maior ficou com a Fazenda Almecega, e para esta até faz algum sentido falar em retificação de Ato Declaratório Ambiental, porém para as Fazendas São Domingos e Ema, Croa e Lagoa, que obtiveram novos NIRF a partir do desmembramento, em 1998, não há que se falar em retificação de Ato Declaratório Ambiental, e sim registro de novos Atos Declaratórios, a exemplo do que aconteceu com a averbação de fl. 21, esta sim em nome da Fazenda Ema, Croa e Lagoa, objeta deste processo. Insta observar que o Ato Declaratório Ambiental da Fazenda Ema, Croa e Lagoa, fl. 85, para o fato gerador do ano 2001, só foi providenciado em 10/11/2004, após o início da ação em 30/09/2004, e bem por isso estou por restabelecer as glosas das aludidas áreas. Dessarte, após o desmembramento, em 1998, o imóvel Fazenda Ema, Croa e Lagoa, com área total de .27,498,00 ha, teria de ter o correspondente Ato Declaratório Ambiental, independente do Ato Declaratório Ambiental do imóvel originário, daí serem procedentes as glosas das áreas de reserva legal e de preservação permanente do auto de infração, que inclusive já apresentava à fl_ 11 (antepenúltimo parágrafo), sinteticamente, o motivo pelo qual não se pode aceitar o Ato Declaratório Ambiental de fl. 83, para efeito de comprovar as aludidas áreas Note-se que o prescrito,- da Lei n° 10.165/2000, que alterou o art. 17-0 da Lei n° 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, diz ser obrigatória a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR, daí serem os documentos de fls.. 83 e 85 inábeis para os efeitos da lei apontada DAS BENFEITORIAS A esse passa, devo apontar a fundamento da decisão de primeiro grau para o afastamento da glosa a titulo de benfeitorias.' 7 Processo n' 10670.001182/2004-39 Acórdão o.' 9202-00.480 CSRF-T2 F1. 352 Mais uma vez, data vertia dos ilustres julgadores a quo, permito-me discordar da conclusão supra. EM primeiro plano, cumpre dizer que o documento de fls. 134/158 sequer se auto-intitula como Laudo Técnico, e veremos adiante que o fez bem Intitula-se Valor de Mercado de Imóvel Rural, foi elaborado por Técnico em Agropecuária da Emater- MG, porém não conta com a devida ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).. Demais disso, está fora dos padrões da ABNT, e veio aos autos por cópia simples, sem qualquer autenticação,. Portanto, não se trata de documento hábil para comprovação das Benfeitorias, nos termos da indigitada Norma de Execução Cofis n° 005, de 27 de maio de 2004, aplicada ao ITR/2001, uma vez que o laudo técnico da EMA TER previsto, na Norma de Execução não prescinde dos requisitos da ABNT e da devida comprovação do serviço pelo ART, sem falar na falta de autenticação do documento A auditoria-fiscal já atentara para a , fragilidade do documento apresentado, fl. 10, item Valor das Benfeitorias., („) O laudo foi assinado por técnico agropecuário e foi emitido em Gouveia - distante cerra de 625 Km do local da propriedade.- "Para a execução dos serviços foram utilizados os dados e informações fornecidas pela solicitante e/ou retirados de documentação apresentada, bem como aqueles obtidas de terceiros por ocasião de Levantamento Geográfico da Área (LGA), julgados, a priori, corretos, todos considerados idôneos e fornecidos de boa fé". Depreende-se do texto acima que para a execução do laudo não houve visita "in loco", e não passui ART - Anotação de Responsabilidade Técnica registrado no CREA(...) Ante o exposto, voto por PROVER o recurso de oficio, para restabelecer as glosas das áreas de reserva legal, de preservação permanente e de benfeitorias, pelos motivos declinados supra, Intimada do acórdão em 15/09/2008 (fls. 224), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 70 , inciso II, do Regimento Interna da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 228-248, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A decisão recorrida merece ser reformada, nos termos do artigo 7 0 , inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que houve contrariedade às provas dos autos e a lei tributária que rege a matéria foi inequivocamente malferida; b) A exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do 1TR está prevista na alínea "a", inciso 11, § I', do artigo 10, da Lei n° 9,393/96; Processo o' 10670.00118212004-39 Acórdão w° 9202-00.480 CSRF-T2 Fl. 353 c) A exigência do ADA encontra-se consagrada na Lei n° 6,938/81, artigo 17-07 § 1 0, com a redação dada pelo artigo 10 da Lei n° 10.165/2000; d) Assim, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente da incidência do 1TR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifica e individualmente da área corno tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, nos termos da IN/SRF n° 43/97, com redação da IN/SRF n° 67/97; e) Da leitura do voto condutor do acórdão recorrido, percebe-se que houve consenso de que, com fulcro na Lei ri° 10,165/2000, é necessária a apresentação tempestiva do ADA para que o contribuinte usufrua a isenção de 1TR para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. A divergência se deu quanto a ter sido este requisito cumprido pela recorrida, vez que o ADA considerado pela maioria dos membros da Câmara a quo foi o referente a outro imóvel, o qual, por meio de desmembramento, deu origem ao imóvel objeto deste auto de infração; f) O acórdão ora impugnado ratificou a decisão de primeira instância; g) Ocorre que, como bem explicitado no voto vencido, o ADA de fls. 83 não é relativo ao imóvel objeto deste auto de infração, Fazenda Ema, Croá e Lagoa, NIRF n° 5706124-6. Este documento refere-se à Fazenda São Domingos, Almacega, Ema, Croá e Lagoa, NIRF n° 0611227-7, que foi desmembrado e deu origem a três fazendas: Fazenda Almacega, Fazenda São Domin gos e Fazenda Ema, Croá e Lagoa. A primeira ficou com o NIRF original, mas para os dois outros imóveis foram gerados outros NIRF, o que obstaculiza o entendimento de que o ADA de fis, 83, relativo ao imóvel originário, pode ser considerado para a Fazenda Ema, Croá e Lagoa (objeto deste auto de infração); h) O ADA do imóvel em questão foi apresentado apenas em 10/11/2004 (fls. 85), ou seja, muito tempo depois do termo final definido pela legislação tributária, que se encerrou em 31/03/2002; i) Já no Termo de Verificação Fiscal, às fis. 11, a autoridade fiscal refutou o ADA de fl.s 83 como hábil para conferir o direito à isenção das áreas de preservação permanente e de utilização limitada do imóvel em questão; j) No caso concreto, não houve apresentação de ADA tempestivo; k) Outro ponto que merece ser impugnado é o acolhimento pela Câmara a quo das razões declinadas pela DRJ para aceitar como prova suficiente da ocupação de área por benfeitorias os documentos apresentados pela recorrida; 1) O órgão julgador de primeira instância entendeu que o documento de fls. 134-158 era hábil para comprovar tal área; 9 Processo n° 10670 001 182/2004-39 Acórdão n 9202-00.480 m) Contudo, referido documento não pode ser considerado nem mesmo como "laudo técnico", vez que, embora tenha sido elaborado por técnico da EMATERfivIG, nele não consta a Anotação de Responsabilidade Técnica — ART e nem foram cumpridos os padrões da ABNT; a) Também neste tocante o Termo de Verificação Fiscal trouxe as pertinentes razões para não considerar tal laudo como hábil para comprovar os dados declarados na D1TR/2001; o) Não há como considerar o documento de fls. 134-158 corno hábil a comprovar as benfeitorias, visto que não foram cumpridas as normas da ABNT, não há a ART, mesmo porque não foi emitido por engenheiro, mas simn por Técnico Agropecuário, que nem mesmo fez a visitação do Local, Ademais, referido documento foi acostado aos autos em cópia simples, sem qualquer autenticação, Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 302.248 (fls. 249-252), em razão da alegada contrariedade à lei ou à evidência das provas, a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contra-razões às tis: 326-339, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso com fundamento no artigo 7', inciso II, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois não restou demonstrada de forma fundamentada a divergência jurisprudencial. Quanto ao mérito, pugnou, basicamente, pela manutenção do acórdão recorrido, destacando que ".„ a própria autoridade fiscal considerou comprovada a exigência relativa à averbação tempestiva de toda a área de utilização limitada/reserva legal declarada, à margem da matrícula do imóvel, conforme 'Termo de Verificação de Infração — ITR/2001', de lis. 09/12." (fis, 336). É o Relatório. CSRF-T2 H 354 10 CSRF-T2 Fl 355 Processo n" 10670.001182/2004-39 Acórdão n." 9202-00.480 Voto Vencido Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto à preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pela interessada em sede de contra-razões, destaco que a insurgência da Fazenda Nacional tem por fundamento o artigo 7', inciso 1, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, ou seja, o recurso ataca "decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; ". Embora na capa do recurso esteja mencionado, equivocadamente, o artigo 7', inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 228), no bojo da peça processual (fls. 230), em tópico denominado "DO CABIMENTO DO RECURSO", a Fazenda Nacional citou o arti go 7', inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ademais, procurou demonstrar que a decisão recorrida contrariou a lei e a evidência da prova. Reitero que, segundo penso, o recurso deve ser conhecido, inclusive pelo princípio da fungibilidade recursal. O acórdão recorrido, por maioria de votos, negou provimento ao recurso de oficio, mantendo a decisão de primeira instância, que restabeleceu as áreas informadas pela contribuinte na DITR/2001 como sendo de preservação permanente (5.499,6 ha), de utilização limitada (10,205,0 ha) e ocupadas com benfeitorias (120,0 lia) A recorrente insurgiu-se contra a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, suscitando que a apresentação do ADA, relativamente ao imóvel em questão, foi a destempo, em 10/11/2004, além do que o documento de fls.. 134-158 não seria hábil para comprovar a área ocupada com benfeitorias. De acordo com o voto-vencedor, da lavra do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, o recurso não pode ser conhecido com relação à área ocupada com benfeitorias. Portanto, a matéria em litígio cinge-se à questão do ADA. Pois bem, segundo o voto condutor do acórdão recorrido (fls. 222-223): Até a entrada em vigor da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a exoneração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em decorrência da existência de áreas de I Processo n 10670.00 I 182/2004-39 Acórdão n." 9202-00430 CSIZF-T2 Fl 356 preservação permanente e de reserva legal estava vinculada às exigências contidas nas leis então vigentes, que não especificavam o Ato Declaratório Ambiental — ADA como documento indispe.nsável à fruição da isenção. ) Vigeu ao longo de quase todo o ano de 2000 a redação introduzida pela Lei 9 960/00, que continha o seguinte teor- ) Assim sendo a exigência do ADA estava definida em lei na data da ocorrência do fito gerador do Imposto e, conforme comando cristalino contido no Código Tributário Nacional, a observância deste requisito é condição para a efetivação da isenção. De fato, não vislumbro qualquer razão para que esse colegiada afaste a aplicação de unia lei vigente à época da ocorrência do fato gerador. O próprio Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes delimita o universo no qual os integrantes deste colegiado devem apoiar suas decisões, ao excluir da sua competência o controle da constitucionalidade das leis. ) No presente feito, o contribuinte protocolou tempestivamente o Ato Declaratório Ambiental e, em vista do desmembramento do território, protocolou retificação do Ato, com vistas a adaptá-lo às novas áreas. Não há dispositivo legal infringido, Uma vez solicitado o ADA tempestivamente e tomadas as medidas legais para sua adequação à realidade fática, não velo porque considerar que o contribuinte deixou de cumprir os requisitos para a fruição do beneficio fiscal. Quanto à área ocupada por benfeitorias, também entendo acertada a decisão de primeira instância, Se a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos da Norma de Evecução Cofis n° 005, de 27 de maio de 2004, considera o documento apresentado pelo contribuinte como hábil a comprová-las. não vejo razão para desconsiderá-lo. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO Relevante trazer à tona, novamente, os fundamentos utilizados pela decisão de primeira instância para considerar a exigência procedente em parte (fls. 170-171): Das Áreas de Preservação Pe1111 a /rente e Utilização Limitada 12 I3 Processo n" 10670.001182/2004-39 Acórdão n." 9202-00.480 CSRF-T2 n 357 Da análise das alegações e da documentação apresentadas pela impugnante, com a finalidade de justificar as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (5.499,6 ha) e de utilização limitada/reserva legal (10,205,0 ha), conclui-se pela improcedência do lançamento, na parte atinente às matérias ora tratadas. As glosas destas áreas ambientais justificaram-se por entendimento da fiscalização de não restar comprovado nos autos o reconhecimento de tais áreas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMAlórgão conveniado ou, pelo menos, a protocolização tempestiva de sua solicitação, para que fosse justificada a exclusão das mesmas de tributação,. Na oportunidade, se baseou a autoridade fiscal na legislação de regência (art. 10 da Lei 9,393/96 e no art„ 10, § 4 0 da 1NISRF 43/97 - com redação dada pelo art. I', II da IN/SRF 67/97), Assim, a lide cinge-se à exigência relativa ao Aio Declaratório Ambiental — ADA, posto que a autoridade fiscal considerou comprovada a exigência relativa à averbação tempestiva de toda a área de utilização limitada/reserva legal declarada, à margem da matricula do imóvel, conforme "Termo de Verificação de Infração — 1TR/2001", de fls, 09/12. Nos termos da citada legislação (art. 10, ,sç 40, inciso II, da IN/SRF n° 043/97, com redação dada pelo art. I' da Instrução Normativa SRF n° 67/97), aplicada ao ITR, a partir do exercício de 1997, a contribuinte teria que comprovar nos autos, pelo menos ter providenciado a protocoliZação tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA/órgão conveniado, ou seja, no prazo de seis meses, contado da data ,final previsto para entrega da declaração do ITR, junto ao IBAMA, admitindo-se, ainda, outro Ato do Poder Público que assim a declare ou Certidão do IBAMA/órgão público ligado à preservação florestal. Portanto, em relação ao exercício de 2001, esse prazo expirou em 31 de março de 2002, ou seja, seis meses após o termo final para a entrega da D1TR/2001 (28 de setembro de 2001, de acordo com a IN/SRF n° 061, de 06/06/2001). Pois bem. A documentação apresentada pela impugnante, com a .finalidade de justificar as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e utilização limitada atesta o cumprimento da exigência da protocolização tempestiva da solicitação do Ato Declaratório Ambiental ADA, junto ao IBAMA/MG. De fato, do exame do documento de .11s. 83, mais exatamente do carimbo de recepção aposto no canto inferior direito do Ines-mo, verifica-se que a obrigação ora tratada foi cumprida exatamente em 21 de .setembro de 1998, portanto, muito antes do prazo referido anteriormente (31/03/2002), cabendo ressaltar que o documento delis_ 85, entregue em 10 de novembro de 2004, tem natureza meramente retifrcadora. Processo n" 10670 001182/2004-39 Acórdão n.° 9202-00.480 Assim sendo, restando comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao 1BAMA ou órgão conveniado, cabe ser restabelecida as áreas declaradas como sendo de preservação permanente (5.499,6 ha) e de utilização limitada/reserva legal (10,205,0 ha), Das Áreas Ocupadas com Benfeitorias No que diz respeito a essa matéria, também é de se dar razão à requerente, Da análise da documentação e alegações apresentadas pela impugnante com a .finalidade de justificar as áreas ocupadas com benfeitorias de 120,0 ha, conclui-se pelo acolhimento da mesma, para fins de apuração da área aproveitável do imóvel. A fiscalização glosou esta área por entender que ela não estava devidamente comprovada a sua existência na documentação apresentada (cópia de memorial descritivo e croqui de planta topográfica). No sentido de contestar o Auto de Infração lavrado pela fiscalização, o interessado apresentou "laudo técnico", elaborado pela EIVE/ITER/MG, doc. de fls 134/158, discriminando tais áreas, como sendo aceroslacessos/cercas, totalizando 121,0 ha, portanto, trata-se de documento hábil para, comprovação desse dado cadastral, nos termos da Norma de Execução Colis n° 005, de 27 de maio de 2004, aplicada ao ITR/2001. D,esta forma, deve ser restabelecida a área ocupada com benfeitorias, de 120,0 ha, glosada pela fiscalização Sob minha ótica, a decisão recorrida não merece reparos. Adoto, inclusive, como razões de decidir, os fundamentos acima transcritos, extraídos das decisões de primeira e de segunda instância. Ressalto, ademais, que a glosa da área de utilização limitada se deu, exclusivamente, pelo protocolo a destempo do ADA, pois a averbação da área de reserva legal ocorrida nos idos de 1991 (portanto, antes do desmembramento do imóvel, que se deu em 1998) foi atestada pela autoridade lançadora Segundo ela (fls. 10), "Área de Utilização Limitada — Reserva Legal: O valor declarado no Quadro 09, item 03, da =R/2001, de 10,205,0 ha foi averbado pelo contribuinte em 30/04/1991. Entretanto, para pleitear a dedução desta área para efeito de apuração do 1TR é necessário também que esta área possua o ADA e/ou o se pedido protocolizado até 29/03/2001. Tendo em vista que o ADA apresentado pelo contribuinte foi protocolado em 11/10/2004 no IBAMA, portanto, fora do prazo previsto pela legislação, há que se glosar a área pleiteada pelo contribuinte a este título," Salvo melhor juízo, esta constatação indica que, para tal situação, aceitou-se o fato de que a área de reserva legal do imóvel originário passou a ser integralmente da Fazenda em questão. Seguindo essa linha de raciocínio, penso que o ADA protocolizado em 1998 (fls. 83) e retificado em 2004 (fls. 85) deve ser levado em consideração para a D1TR/2001 da CSRF-12 Fl. 358 14 Processo n° 0670 001182/2004-39 Acórdão n ° 9202-00,430 CSRF-1-2 El 359 Fazenda Ema, Croá e Lagos, sendo injustificável as glosas das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada, Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, Gonçalo Bonef,Allage — Relator 15 Processo n Õ 10670 001182/2004-39 Acórdão n 9202-00.480 Voto Vencedor CSRE-T2 FL. 360 Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Designado Pelo o que se extrai do relatório contido no voto vencido, a parte recorrida foi autuada em relação aos seguintes pontos: a) área de preservação permanente; b) área de reserva legal; c) área ocupadas com benfeitoria y destinadas à atividade rural; e d) valor das benfeitorias A DRJ deu parcial provimento ao recurso para restabelecer as áreas declaradas de reserva legal (l0.205 ha) e a área ocupada com benfeitorias (120 ha). Abstraindo a questão relacionada à área de preservação permanente tratada no acórdão recorrido, quanto à área de reserva legal houve recurso de oficio decidido por maioria. Da decisão não-unânime em relação à área de reserva legal, o Procurador da Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial sustentando que o mesmo estava contemplado no artigo 7 0, 1 e artigo 15 do Regimento Interno vigente à época, norma aprovada pela Portaria n° 147, de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda_ Com a devida vênia do ilustre relator, não merece ser conhecido o recurso especial na medida em que a parte recorrente não demonstrou, de forma precisa, em que a decisão recorrida teria contrariado à lei ou a evidência da prova dos autos. Ao contrário do que sustenta a parte recorrente, a decisão recorrida louvou-se na prova dos autos para, com base nela, ratificar a decisão da DRJ, negando provimento ao recurso de oficio. Ademais, não se pode desconsiderar que até o advento da Portaria n° 446, de 2009, publicada no DOU em 31/12/2009, que imprimiu a atual redação ao § 11, do artigo 67 do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, não havia previsão de recurso especial de divergência que negasse provimento a recurso de oficio. Há determinadas hipóteses em que as decisões administrativas ou judiciais, como é o caso das sentenças em mandado de segurança, ou das decisões de DRI que excluírem crédito tributário acima de determinado valor, que a eficácia destas decisões estão condicionadas à sua confifinação por um órgão hierarquicamente superior. Assim, após sua confirmação, por não haver previsão em notam legal, não cabia novo apelo contra o acórdão que confirmou a decisão da DRI No caso concreto, em relação ao restabelecimento da glosa inerente à reserva legal, o recurso especial, pelas razões acima expostas, não preenche os requisitos de admissibilidade. Isso posto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial em relação à reserva legal e, quanto aos demais pontos, não analisados em meu voto, acompanho o relator. 16 IS Processo n° 10670 001182/2004-39 Acórdão ri ° 9202-00.480 CSRI- I 2 F1 36] Isso posto, não conheço do recurso especial em relação à matéria afeta à reserva legal. É o voto. Moisés GiacomelliSunes da Silva .edator-Designado 17
score : 1.0
Numero do processo: 10580.007821/2003-06
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1996
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei.
Uma suposta contrariedade a norma complementar não se enquadra na exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. Uma suposta contrariedade a norma complementar não se enquadra na exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os memb os do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. 1 : :i 1u I Ç5-\AJ CARLO •filLB ` 'TI 'R ITAS BKRRETO- Presidente (e, ELIAS SA ' • O F' LIRE — Relator EDITADO EM: i 7 JUN Mn i Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional sob o fundamento de que houve, em decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente, da Norma de Execução SRFCOTEC/COSIT/COSAR/COFIS n. 02, de 02/ 07/1999 que expressamente prevê que a restituição será acrescida de juros SELIC, correspondentes ao período compreendido entre o primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração até o mês anterior ao da liberação da restituição, e de 1% no mês em que o recurso for colocado no banco à disposição do contribuinte e da Instrução Normativa SRF n. 21, de 1997, em virtude de o acórdão recorrido ter determinado a correção do montante a ser restituído a partir da retenção indevida. O contribuinte não apresentou contra-razões. É o relatório. Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 70 e do art. 90 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso 1 do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. A expressão "lei" possui uma amplitude menos ampla do que a expressão "legislação tributária". A palavra legislação, como utilizada no CTN, abrange, além das leis em sentido estrito, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as noiinas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Por certo, o disposto no art. 96 do CTN não tem o sentido de restringir o conceito de legislação tributária, mas de mostrar sua amplitude em comparação com o conceito de lei tributária. a ' 2 Processo n° 10580.007821/2003-06 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.702 Fl. 2 A norma regimental ao optar por utilizar a expressão "lei, não albergou a possibilidade de interposição de recurso especial por violação de normas complementares. Destarte, uma suposta contrariedade a norma complementar, no caso da Norma de Execução SRFCOTEC/COSIT/COSAR/COFIS n. 02, de 02/ 07/1999 e a Instrução Normativa SRF n. 21, de 1997 não se enquadra a exigência regimental de que haja no acórdão recorrido violação à lei. Isto pos • ,c)to por não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Elias Samp. s reire - Relator • 3
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Numero do processo: 10830.721060/2009-97
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP. Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 6 1 5 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721060/200997 Recurso nº / Voluntário Acórdão nº 3302002.968 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria PIS Recorrente GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 60 /2 00 9- 97 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 102/142, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de PIS do período de 01/10/2006 a 31/12/2006, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório de fls. 39/40 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 30110.34805.310707.1.1.100530 e homologando as compensações declaradas nas Dcomp nºs 06020.70745.310707.1.3.108555, até o limite do crédito reconhecido.do crédito de PIS, reconhecendo o crédito de R$ 202.539,29, dos R$ 237.726,85, decorrentes de operações no mercado interno, referentes ao 4º Trimestre/2006.Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF e estão controlados pelo processo eletrônico de cobrança nº 08.1.04.002010 002082. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 3302002.968 S3C3T2 Fl. 7 3 violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal”. Ciente da decisão, a Interessada interpôs o Voluntário, e em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de PIS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721060/200997 Acórdão n.º 3302002.968 S3C3T2 Fl. 8 5 do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceira pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10860.001215/2002-41
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1995
IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS - TRIBUTAÇÃO.
O valor pago pela PETROBRAS a título de "Indenização de Horas
Trabalhadas - IHT" tem natureza indenizatória que não se constitui em renda ou acréscimo patrimonial, mas sim reparações em pecúnia, por perda de direitos.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior
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RECURSOS FISCAIS Processo n" 10860.001215/2002-41 Recurso n° 150.083 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.898 — 2" Turma Sessão de 12 de maio de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ MONTEIRO PATTO NETO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1995 IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS - TRIBUTAÇÃO. O valor pago pela PETROBRAS a título de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" tem natureza indenizatória que não se constitui em renda ou acréscimo patrimonial, mas sim reparações em pecúnia, por perda de direitos. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes aut7s. Acordam os membros do cal iado, por ma ória de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Moises Giac melli Nunes o a Silva. / CARLOS ALBERTO FRE A BARREO - Pr-. idente —4000, — ----{/ ... 1 0EL, A ri UDA CO ill JUNI i — Rela or7 , ( i EDITADO EM: Á WIDY1-Q.e.) Li.") Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão proferido pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso Irresignada com a decisão supracitada, a r. Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial com fulcro no artigo 7 0, incisos II, do RICRF, à época. Segundo a procuradoria, a questão central da discussão esta fincada unicamente, na natureza da verba recebida pelo contribuinte em decorrência de ação trabalhista interposta pelo mesmo, A Fazenda Nacional argumenta, que mesmo havendo decisão do ST.J por meio de suas 1° e 20 turmas, que as verbas recebidas não decorriam de horas extras, mas sim de indenização pelo fato do empregado ter sido impossibilitado de usufruir de turnos com 6 horas diárias como lhe foi assegurado pela Constituição Federal, existiria uma violação dos artigos 43 § 1° do CTN, e que tal entendimento já estaria sendo reformulado pelo próprio STJ que passou a entender, que o fato gerador para a tributação, nos termos do mesmo artigo supracitado e seus parágrafos, é o acréscimo patrimonial. Por tudo exposto requer a fazenda nacional que seja dado provimento ao seu recurso, reformando-se o acórdão aqui discutido para determinar a incidência do Imposto de Renda sobre as parcelas pagas pela Petrobrás ao recorrido corno titulo de indenização por horas trabalhas, Ciente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte protocolizou, contra-razões [fls.194 - 245] onde apresentou 3 anexos contendo: 1- Decisões de Provimento por Unanimidade do Primeiro Conselho - Anexo 1 [fls.196-235 2- Decisão do Recurso Especial N° 706.418 - SE - Anexo 2 [fls. 236-241] 3- Ato declaratório n° 7 - Diário Oficial da União edição 220 -17/11/2006 - Anexo 3 [fls. 242-245] 2 1/4\ Processo n° 10860 001215/2002-41 CSRF-T2 Acórdão n ° 9202-00.898 Fi 2 Diante do exposto, requer o contribuinte, que não seja acolhido o Recurso Especial da Fazenda Nacional por entender que ficou demonstrada a "insubsistência e improcedência" da ação fiscal e que se assim ocorrer, que seja cancelado o débito fiscal reclamado. È, o Relatório Voto Conselheiro MANOEL ARRUDA COELHO JUNIOR, Relator Sendo tempestiva a interposição e demonstrada a divergência jurisprudencial [Acórdão 104-20700] pela Fazenda Nacional, deve o Especial ser conhecido. Perpassado o exame de admissibilidade, passo à apreciação do mérito. A controvérsia gira em torno da natureza tributária dos rendimentos percebidos da PETROBRÁS a titulo de diferença de horas trabalhadas que excederam a jornada normal de trabalho. Esclareça que esse rendimento foi percebido em decorrência de efetiva contraprestação de jornada diária de trabalho, tanto assim o foi, que a fonte pagadora em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção na fonte, apesar da denominação ali posta. Os entendimentos conflitantes a respeito do tema surgiram em razão da dúvida quanto à natureza de tais verbas. A corrente que entende que as mesmas sejam tributáveis, atribui a elas o caráter de mero pagamento de horas-extras Já a corrente que entende pela sua não-tributabilidade, lhes atribui caráter indenizatório. Não obstante o posicionamento colacionado no decisum recorrido, entendo, com espeque na jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, que a referida "indenização de horas trabalhadas (1HT)" tem caráter remuneratório. Deveras, a verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, ainda que fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda, consoante restou assente pela Primeira Seção do STJ: "TRIBUTÁRIO. IHT, PETROBRÁS, CARÁTER REMUNERATÓRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA I - Está pacificado no âmbito da Primeira Seção do STJ, desde o julgamento do EREsp 695 499/RJ, da relatoria do Min, HERMAN BENJAIVIIN, publicado no DJU de 24.09.2007, o entendimento de que o pagamento de horas extraordinárias, ainda que em virtude de acordo coletivo, tem natureza remuneratória a caracterizar acréscimo patrimonial sujeito à incidência de imposto de renda, nos termos do art. 43 do CTN. Precedentes: EREsp 666.288/RN, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28,05,2008, DIe de 090G2008; AgRg no REsp 933 117/RN, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em .28..05 2008, DJe 3 de 16.06.2008; REsp 904,057/RN, Rel. Min. TEOR! ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.05,2008, Die de 15.05,2008 II - Embargos de divergência improvidos " (EREsp 939.974/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, julgado em 22.10.2008, DIe 10.11.2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA, INDENIZAÇÃO POR HORAS EXTRAS. TRABALHADAS - IHT , PETROBRÁS. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. Os valores recebidos a título de verba indenizatória sobre horas extras trabalhadas - "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT" - pagos a funcionário da Petróleo Brasileiro S.A - Petrobrás possuem natureza remuneratória, devendo sofrer a incidência do imposto de renda. 2. Não é o nomen juris, mas a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária sobre renda e proventos, conforme dispõe o art. 43 do CTN, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte, 3. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6', V, da Lei 7,713/88, bem como no art. 14 da Lei 9,468/97. 4, Precedentes da Primeira Seção deste Tribunal: EREsp 695.499/RI,Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007; EREsp 670514 / RN, Primeira Seção, Rel. Min, José Delgado, DJ de 16.06.2008, p, 1. 5. Embargos de divergência providos." (EREsp 979.765/SE; Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 13.08.2008, DJe 01.09.2008) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA, PETROBRÁS. HORAS-EXTRAS, INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES PRECEDENTES 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos teriaos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os "acréscimos patrimoniais", assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte, 1 A Primeira Seção, no julgamento do recurso dos Embargos de Divergência 695..499/RI (Min. Herman Benjamin, D.1 de 24.09,07), assentou o entendimento de que o pagamento a título de horas extraordinárias, ainda que efetuado por força de acordo coletivo, configura acréscimo patrimonial e, portanto, é fato gerador de imposto de renda. 3 Embargos de divergência conhecidos e desprovidos." (EREsp 666,188/R_N, Rel, Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 28.05.2008, DJe 09,06.2008) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MULTA AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VERBAS INDENIZATORIAS. PETROBRÁS. HORAS-EXTRAS TRABALHADAS (IHT) IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 4J Processo n" 10860 001215/2002-41 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00,898 P/ 3 1. Agravo regimental contra decisão que negou seguirnento a recurso especial, 2. O acórdão a quo entendeu pela não-incidência do imposto de renda em horas-extras pagas em decorrência de ruptura de contrato de trabalho que ocasionou a redução da jornada de trabalho para os empregados em regime de turnos ininterruptos, em face da natureza salarial. 3. A questão da multa constante do art. 44, 1, da Lei n° 9.430/96 não foi debatida em momento algum no acórdão recorrido, assim como não foi trazida pela recorrente na sua apelação, ressentindo-se, assim, do necessário prequestionamento, 4. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 4.3 do CTN), 5. Apesar da denominação "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT", é a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária, conforme dispõe o art. 43 do CTN, sobre renda e proventos, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte, e aí estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é remuneratória, e não indenizatória. 6. O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6°, V, da Lei 7.713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. 7, A Primeira Seção deste Tribuna], no julgamento dos EREsp 695.499/RI, Rel. Min. Herman Benjamim, em 09/05/2007, pacificou a tese de que as verbas pagas a título de indenização por horas rabalhadas possuem caráter rernuneratório e configuram acréscimo patrimonial, e ensejam, nos termos do art. 43 do CTN, a incidência de imposto de renda. 8. Precedentes desta Corte: REsp 939974/RN, Rel, Min, Castro Meira; AgRgREsp 666288/RN, Rel.. Min. João Otávio de Noronha; AgRgREsp 978178/RN, Rel. Min. Humberto Martins; EREsp 695499/RJ, Rei, Min, Herman Benjamin 9 Agravo regimental provido," (AgRg no REsp 933.117/RN, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 28 05,2008, DJe 16.06.2008) "TRIBUTÁRIO,. "INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS", FUNCIONÁRIOS DA PETROBRÁS . NATUREZA DA VERBA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA, 1. Com o julgamento dos EREsp 695.499/RJ, Rel. Min, Herman Benjamin, a Primeira Seção firmou o entendimento de que "o pagamento, por força de acordo coletivo, de verba devida em razão de horas extraordinárias tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, incidindo, pois, o Imposto de Renda." 2, Para fins de incidência de Imposto de Renda, é irrelevante o nomen iuris que empregado e empregador atribuam a pagamento que este faz àquele, importando, isto sim, a real natureza jurídica da verba em questão, 3. O pagamento, por força de acordo coletivo, de quantia devida em razão de quitação de divida salarial de sobrejomada tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, em que incide e Imposto de Renda. 4. Embargos de Divergência providos." (EREsp 952.196/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 28.05.2008, ale 19.12..2008) Nesse sentido, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional É o voto. - 2 I\ .4 oel Amrd—oelho Jun. • ela or-
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Numero do processo: 19647.005703/2006-51
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO OPTANTES PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO — A base de cálculo do IRPJ e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte optante pela sistemática do lucro presumido é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mão-de-obra dos valores recebidos a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço.
Numero da decisão: 1102-000.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Carlos Lima Junior
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TECNOLOGIA EM RECURSOS TERCEIRIZÁVEIS LTDA. Recorrida •3" TURMA/RECIFE-PE. RECEITA TRIBUTÁVEL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO OPTANTES PELA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO — A base de cálculo do IRRI e seus reflexos para fins de tributação pelo contribuinte optante pela sistemática do lucro presumido é a sua receita bruta total, não importando a diferenciação dos valores recebidos a titulo de agenciamento de mão-de-obra dos valores recebidos a titulo de pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos te -mos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 11 74:1 it,v2 IVETRMALAQUIAS2-S1OA MONTEIRO - Presidente. / L.7 --7"----- JOÃO CARLO' 10 LIMA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: C 1 SEI 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio 1 Processo if 19647 005703/2006-51 SI-C1T2 Acórdão n "1102-00.228 Fl 2 Oppetman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). ( Processo rl" 19647 00570.3/2006-51 Sl-C1T2 Acórdão n.' 1102-00.228 Fl. 3 - Relatório Trata-se de Autos de Infração relacionados ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 04/10), ao PIS (fls. 34/43), à COFINS (fls. 22/32) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fis,. 11/19) lavrados pela DRF de Recife/PE e referentes aos anos calendários de 2001 e 2002, cujo crédito tributário exigido perfazia à época a soma total, incluindo juros e multa, de R$ 9,021.946,19 (Nove milhões, vinte e um mil, novecentos e quarenta e seis reais e dezenove centavos). Referidos autos decorreram de verificação fiscal que apurou omissão de receitas correspondente as diferenças existentes entre o total das receitas brutas de serviços declarados em DIPJ e em DCTF e entre o valor das notas fiscais de serviços prestadas pela Recorrente e obtidas junto a seus clientes. A Recorrente foi intimada a fornecer documentos e apresentar informações, tendo colaborado com a fiscalização, informando que o valor declarado em DCTF e D1PJ. representa o valor da sua taxa de serviço, portanto, receita auferida pela Recorrente, enquanto que o valor da diferença apontada pelo Fisco corresponde à receita operacional bruta, ou seja, são valores que não lhe pertencem, foram recebidos por ela e repassados a terceiros. Foi formalizado o lançamento em face da Recorrente, pois a fiscalização entendeu que o pagamento de salários não é repasse de verbas, a folha de salários é de sua própria atividade, e, portanto, compõem o seu faturamento, devendo ser oferecidos à tributação. Inconformada, a recorrente apresentou impugnação em dois volumes separados, o primeiro relacionado ao IRRI e à CRI (fls. 389/411), e o segundo em face do PIS e da COFINS (fls. 530/556), nos seguintes termos: Quanto ao IRPJ e à CSLL, alegou ter havido decadência em relação ao fato gerador ocorrido em 31/0.3/2001, posto que entre a data da ocorrência do fato gerador e a data do lançamento de oficio em 29/06/2006 decorreu mais de 5 (cinco) anos, nos termos do 4' do artigo 150 do CTN; Já em relação à COFINS e ao PIS aduziu que houve a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a junho de 2001; Que é empresa de trabalho temporário que tem por finalidade recrutar mão- de- obra provisória para outras empresas, possuindo legislação própria, qual seja, a Lei n" 6.019/1974, que em seu artigo 4" deixa claro que quem remunera e assiste aos trabalhadores temporários são os tomadores de serviços; Que a Recorrente apenas recebe o valor dos salários, encargos sociais e previdenciários pela tomadora e repassa aos obreiros em atenção ao artigo 8' do Decreto n" 3 Proces..so n" 19647.005703/2006-S1 si C1T2 Acórdão n " 1102-00228 Fl. 4 71841/1974 e que esses valores não constituem receita sua para fins de incidência do IRP1, CSLL, PIS e COFFNIS; Quanto ao IR.PJ e à CSLL salientou que estes só incidem sobre o valor da remuneração pelos trabalhos por ela prestados e, eventualmente, sobre os resultados positivos decorrentes de ganho de capital ou de aplicações financeiras, nos termos dos artigos 224 e 521 do RIR!! 999 e que os valores que circulam em seu caixa a título de salários e encargos dos trabalhadores temporários não implicam em acréscimo patrimonial, uma vez que possuem destinação específica e que só recebe esses valores dos tomadores e repassa aos trabalhadores por força da legislação específica; Em relação ao PIS e à COFINS a Recorrente ressaltou que estas contribuições incidem sobre o seu faturamento, entendido nos termos do artigo 195, inciso I da CF/88, bem como, nos termos do que já decidiu o STF ao analisar o artigo 3°, § 1" da Lei n" 9.718/1998 que ampliou o conceito de faturamento e foi declarado inconstitucional pelo STF', em sede de controle difuso de constitucionalidade quanto a essa ampliação; Que a fiscalização violou o princípio da capacidade contributiva prevista no artigo 145, § 1° da CF188 ao ampliar a base de cálculo tributável para fins de MN, CSLL, PIS e COHNS; Ao final requereu a desconstituição do crédito tributário lavrado em razão da decadência e a improcedência do lançamento referente à parcela recebida pela Recorrente da tomadora e repassada aos trabalhadores e ao INSS a título de salários e verbas previdenciárias; O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, que por unanimidade de votos considerou procedente em parte o lançamento, determinando a exclusão do valor da CSLL correspondente ao 1' trimestre de 2001 e a exclusão dos valores lançados a título de PIS e COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a maio de 2001, conforme as razões a seguir: Em relação à CSLL, ao PIS e à COHNS a DRJ constatou que houve decadência do 1" trimestre de 2001 e dos meses de janeiro a maio de 2001, respectivamente, visto que houve o pagamento antecipado pelo contribuinte e, portanto, o dispositivo aplicável nesses casos é o § 4° do artigo 150 do CTN, nos termos do que dispõem a súmula vinculante n" 8 do STF em relação a contagem do prazo decadencial do PIS e da COFINS; Já em relação ao IRE.) a DRJ constatou que a Recorrente não efetuou o recolhimento antecipado deste, assim entendeu que o dispositivo aplicável neste caso em relação a contagem do prazo decadencial é o artigo 173 inciso I do CTN e não o do § 4' do artigo 150, uma vez que este exige o pagamento antecipado do tributo; No que tange ao mérito, ou seja, que a base de cálculo tributável para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS se restringe ao valor auferido pela Recorrente a título de taxa de administração, a DRJ julgou que não assiste razão à Recorrente, uma vez que não existe previsão legal para a exclusão dos demais valores, ilustrando seu entendimento no Parecer Cosit n" 69/1999 transcrito no acórdão n° 11-22.773 de 20/06/2008 da 3" Turma da DR1 de Recife, conforme ti ho a seguir transcrito: 4 PIOCCSSO n" 19647.005703/2006-51 Si-C1T2 Acõ3dio n " 1102-00.228 F1, 5 "( ..) Dessa . forma, eventual discriminação efetim nas notas fiscais de prestação de serviços de parcelas integrantes do preço total (salállos, encargos, previdenciáríos e taxa de administração) tem a mera finalidade de transparência entre as contratantes, em nada alterando o regime legalmente .fixado. Os salários e demais valores recebidos da tomadora de mão-de- obra, são valores que compõem o preço do serviço prestado, assim como o custo de uma mercadoria é parcela significativa do preço de venda da mesma. Em toda e qualquer atividade de inter-mediação econômica encontra-se esse tipo de fenômeno: parte da receita auferida dirige-se a suportar os custos do serviço ou mercadoria oferecida. (.,) O texto legal é claro ao considerar como preço dos serviços prestados o valor expressamente contido na fatura de prestação de serviços. Consequentemente, não importa ser a título de repasse ou reembolso de despesas, ou mesmo a qualquer outro título, previstos ou não por contrato, .já que, unia vez Murados, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, em sendo preço, deve, evidentemente, integrar a receita bruta.. .)" Quanto às argüições relativas a inconstitucionalidade da legislação aplicada, tais como, possível afronta à princípios constitucionais e o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, o lançamento se deu de forma consetânea com as disposições expressas em lei válida e vigente, não cabendo a este órgão julgador afastar a sua aplicação. Desta decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário na parte que lhe foi desfavorável, repisando os argumentos de mérito constantes da sua Impugnação. É o relatório, /1 1 5 Processo o" 19647 005703/2006-51 Sl-C1T2 Acórdão " 1102-00,228 Fl, 6 Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido por este Colegiado. Versam os presentes autos sobre lançamento de oficio do 1RPJ, CSLL, PIS e COFINS referentes aos anos-calendários de 2001 e 2002 sobre a diferença entre o valor declarado pela Recorrente em DM' e DIPJ apurado pela sistemática do lucro presumido e o valor apurado pela fiscalização com base nas notas fiscais de serviços emitidas pela Recorrente, considerada como omissão de receita. A Recorrente apresentou impugnação alegando em preliminar a decadência do IRPJ e da CSLL, bem corno do PIS e da COFINS e, no mérito aduziu que é empresa prestadora de serviço de intermediação de mão-de-obra e que em razão de legislação própria é obrigada a cobrar da empresa tomadora o valor dos salários e encargos sociais e previdenciários devidos aos trabalhadores cedidos, atuando apenas corno repassadora desses recursos, e, que nessa condição de mera repassadora de recursos não pode sofrer a incidência do IRPJ e seus reflexos em relação a esses valores. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, que por unanimidade de votos considerou procedente em parte o lançamento, determinando a exclusão dos valores decaídos, quais sejam, no que tange à CSLL constatou que houve decadência do 1' trimestre de 2001, já em relação ao PIS e à COPINS a DRj constatou que houve decadência dos meses de janeiro a maio de 2001, visto que nesses casos a Recorrente efetuou o recolhimento antecipado do tributo e, portanto, o dispositivo aplicável é o 4" do artigo 150 do CTN,. Em relação ao IRPJ a DR.1 constatou que a Recorrente não efetuou o recolhimento antecipado razão pela qual o prazo decadencial aplicável neste caso é o do artigo 173 inciso I do CTN e, que, portanto, não ocorreu a decadência.. Em que pese a Recorrente não tenha se insurgido expressamente em face da decisão da DRJ que rejeitou a decadência em relação ao IRPJ, temos que se trata de matéria de ordem pública, devendo ser conhecida de oficio por este E. Conselho. É cediço que o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do artigo 173, I, do CTN. Todavia, para os tributos sujeitos à lançamento por homologação, como é o caso do Pis, da Cofins, do IRP1 e da CSLL, há uma regra específica, qual seja, a do § 4" do artigo 150 do CTN, que dispõem que o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de 05 anos a contar da ocorrência do fato gerador.. Importante se faz ressaltar que para que seja aplicado o disposto no § 4" do artigo 150 do CT , deve haver o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte.. Processo n" 19647 005703/2006-5 I Si-C1T2 Acórdão n " EM-00,228 F1. 7 Ocorre, que no caso "sub judice", segundo constatou a DR.1 não houve o pagamento antecipado do IRPJ, o que afasta a aplicação do prazo especial do § 4 0 do artigo 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral prevista no artigo 173, inciso 1 do CTN. Aplicando o artigo 173, I ao IRPJ ora discutido, não há o que se falar em decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários. Afastada a preliminar, passemos à análise do mérito. No que tange às alegações de mérito da Recorrente, de que a sua base de cálculo tributável para fins de IRPJ, CSII, PIS e COFINS se restringe ao valor auferido a título de taxa de administração, excluídas as demais receitas repassadas a terceiros, a DRJ julgou improcedente o pedido da Recorrente, uma vez que ela apura o IRPJ pela sistemática do lucro presumido, e, portanto a sua base de cálculo tributável são todas as receitas auferidas no período, pois inexiste previsão legal autorizando a dedução dos valores recebidos e repassados à terceiros nessa sistemática de apuração. Inconformada com a decisão da MJ a Recorrente interpôs recurso voluntário repisando os argumentos deduzidos na sua impugnação de que é prestadora de serviço intermediário e que a sua base de cálculo tributável é composta apenas das receitas recebidas a título de agenciamento de mão-de-obra, devendo ser excluídas as receitas recebidas dos tomadores e repassados aos trabalhadores a título de salários e encargos sociais e previdenciários, Primeiramente, faz-se necessário verificar as alegações da Recorrente de que seria mera repassadora de receitas de terceiros a titulo de salários e encargos sociais e previdenciários originalmente devidos pela tomadora do serviço. Cumpre esclarecer que ao contrário do que aduz a Recorrente, a atividade de locação de mão-de-obra temporária não se confunde com a atividade de prestação de serviços de intermediação, já que na primeira relação jurídica a locadora é responsável tanto pelo vinculo empregatício quanto pela prestação dos serviços oferecidos à tomadora, esta por sua vez apenas comanda as tarefas e fiscaliza a execução e o andamento dos trabalhos, Nesse passo, convém ressaltar que os valores cobrados pela locadora de mão- de-obra decorrem da prestação do serviço contratado com a tomadora, não importando a diferenciação entre o percentual cobrado como taxa de agenciamento do percentual cobrado para pagamento dos seus custos com o desempenho de tal atividade,. Assim, não importa a que título se dá o repasse das receitas recebidas pela Recorrente aos terceiros como reembolso de despesas ou qualquer outro título, previstos ou não por contrato, já que, uma vez faturados, esses valores compõem o preço dos serviços prestados e, em sendo preço, devem integrar a receita bruta. Para uma melhor análise da matéria, importante se faz transcrever os dispositivos legais do Regulamento do Imposto de Renda 2009 que regem a matéria, conforme a seguir: "Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o 7 Processo 00 19647.005703/2006-51 Si-C1T2 Acórdão n 1102-00,228 Fl 8 preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n" 8 981, de 1995, ar! 31) Pará grafh único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadarriente comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei n" 8.981, de 1995, art. 31, parágralb único) Pelo acima exposto, temos que a base de cálculo para fins de IRPJ pela sistemática do lucro presumido é a receita auferida pela empresa, devendo ser excluído desse valor apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não- cumulativos. A fim de ilustrar e ratificar o quanto exposto, trazemos à baila a jurisprudência deste E. Conselho, conforme abaixo: EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE TRABALHO TEMPORÁRIO .RECEITA TRIBUTÁVEL - Constitui receita da prestação do serviço de locação de mão-de-obra que deve sei acrescida à base de cálculo do lucro presumido e das contribuições ao PIS e à Cotins, o valor recebido de seus clientes pela empresa de trabalho temporário, ainda que uma parte deste valor se destine ao pagamento dos salários e encargos do trabalhador, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. 1" Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103- 23531 em 13 08.2008, Publicado no DOU em. 20.11.2008. Assim, no presente caso não assiste razão à Recorrente, urna vez que na sistemática de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, a legislação é expressa no sentido de que a base de cálculo desse imposto é a receita bruta recebida a qualquer título, exceto as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não-cumulativos. Para que a Recorrente pudesse deduzir as suas despesas com salários e encargos sociais e previdenciários da base de cálculo do IRPJ como pretendido, deveria ter optado pela apuração do IRPJ pela sistemática do lucro real, pois neste caso, o contribuinte pode deduzir os valores das despesas com a implementação da sua atividade da base de cálculo do IRIn, A vista do acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto.. JOÃO CARLOS lk E A JUNIOR
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