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Numero do processo: 10209.000826/2005-17
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 13/12/2000
ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO.
A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida - ECOPETROL, PIFCO, PETROBRAS - e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si, identificando os elos da cadeia comercial, e se tratando da mesma mercadoria.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-001.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida ECOPETROL, PIFCO, PETROBRAS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si, identificando os elos da cadeia comercial, e se tratando da mesma mercadoria. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 08 26 /2 00 5- 17 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Cuidase de lançamento tributário efetuado pela Alfândega do Porto de Belém contra o interessado supra qualificado, nos termos do Auto de Infração de fls. 02/11, cujo crédito tributário constituído se refere ao Imposto de Importação e acréscimos legais, perfazendo na data de sua lavratura o valor total de R$ 296.736,17. 2.Consta que a autuada procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto nº 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). Das razões da autuação 3.A fiscalização aduziu diversos dispositivos normativos, para, em seguida, argumentar que constatou supostas irregularidades, conforme a seguir se resume: 3.1.DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM APRESENTADO Reportandose ao artigo 8º da Resolução ALADI/CR nº 252/99, a fiscalização entende que a certificação de origem é feita em função da fatura comercial que acoberta a mercadoria, o que significa dizer que a constatação de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial impede o reconhecimento do tratamento preferencial; No caso concreto, o Certificado de Origem nº L0399255/0794448, de 28/11/2000, se reporta à Fatura Comercial nº 19E006362, da empresa ECOPETROLEMPRESA COLOMBIANA DE PETROLEOS, da Colômbia, a qual não foi apresentada no despacho; Entretanto, a fatura que instruiu o despacho aduaneiro foi a de nº PIFSB 1197/00, de 31/12/2000, pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY (PIFCO), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI; O conhecimento de embarque foi consignado à empresa PIFCO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10209.000826/200517 Acórdão n.º 3201001.360 S3C2T1 Fl. 300 3 3.2.OPERAÇÃO DE COMERCIALIZAÇÃO DO PRODUTO EFETUADA PELA EMPRESA NÃO ESTÁ ACOBERTADA PELA RESOLUÇÃO 252 DO COMITÊ DE REPRESENTANTES DA ALADI. O artigo 4º da Resolução 252 (Decreto nº 3.325/99) não prevê a intervenção de um terceiro país não membro da ALADI na qualidade de exportador; O artigo 9º da Resolução 252 (Decreto nº 3.325/99) admite a participação de um terceiro país, membro ou não da ALADI, porém estabelece requisitos a serem cumpridos; A hipótese prevista no artigo 9º não se aplica no caso em tela, visto que não houve interveniência de um operador, mas a participação de um terceiro país na qualidade de exportador; Ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no certificado de origem, no campo “observações”, que a mercadoria seria faturada por um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à Administração Aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu; Destaca que a indicação da fatura emitida pela ECOPETROL em um campo da fatura PIFCO, bem como a mera referência à PIFCO no campo “Observações” do certificado de origem não suprem as disposições da Resolução 252, visto que não identifica a operação pretendida. Também não consta que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação; Conforme correspondência de fls. 27/29, o importador confirma que adquire a mercadoria da Colômbia, revende para sua subsidiária, a empresa PIFCO (Ilhas Cayman), e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador, isto é, uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman sem respaldo em certificado de origem. 3.3. DAS ISENÇÕES E REDUÇÕES DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Atentandose ao disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpretase literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação), defende a fiscalização que qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na legislação, se utilizada conforme estabelece a legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. 4.Diante do exposto, a fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido da parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Das razões da defesa 5.Cientificado do lançamento, a autuada insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 34/43, nos termos conforme se resumirá nos itens seguintes. 6.Após proceder a um resgate histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a impugnante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de uma triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos. Em seguida, analisa a suposta ocorrência de infrações, pelo que faz as suas considerações jurídicas: Defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI. Admite um equívoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo à condição da PIFCO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda. Aduz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da ECOPETROL (Colômbia) com transporte direto ao Brasil. Afirma ainda que a PIFCO figura como exportadora pelo fato da Receita Federal não prever o procedimento específico nos casos de triangulação comercial. Defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução 252. Opõese a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art.425 do RA/85 inerentes à fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial. Diz que a fiscalização laborou em equívoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, e que, a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada. Argumenta que a Resolução 252 não definiu a figura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação. 7.Rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução 252, ressaltando a conduta formalista do autuante, e aduz o princípio da razoabilidade e da instrumentalidade das formas. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10209.000826/200517 Acórdão n.º 3201001.360 S3C2T1 Fl. 301 5 8. Ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos. 9.Frisa a inaplicabilidade da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, e ainda, a inaplicabilidade da taxa SELIC. 10.Por fim, requer a insubsistência do auto de infração, e, continuadamente, a exclusão da multa de 75% e a taxa SELIC. 11.Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0810.086, de 29/01/2007, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, às fls.61/74 cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 13/12/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. INTERMEDIAÇÃO DE OPERADOR DE TERCEIRO PAÍS. NÃO ATENDIMENTO ÀS CONDIÇÕES PRESCRITAS NO REGIME DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2000 MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. Lançamento Procedente em Parte.” Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 O julgamento foi no sentido de considerar devido o Imposto de Importação no valor de R$ 114.862,65, acrescido da multa de mora no percentual de 20% e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável e exonerar a multa no percentual de 75%, no valor de R$ 86.146,99. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário e documentos às fls.112/143, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicita que sejam observados os vários julgados no âmbito do antigo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos. Foi convertido em diligência, através da Resolução de n° 3021.582 para que a recorrente a trouxesse aos autos, por cópia autenticada, a invoice nº 19E006362, que lastreou o Certificado de Origem à fl. 18 deste contencioso. Consta nos autos a invoice referida com indicativo e descrição da mercadoria ser a mesma, sem qualquer divergência. O processo digitalizado foi redistribuído a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação II acrescido de juros de mora e da multa de ofício no percentual de 75%, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 296.736,17. O julgamento da decisão a quo foi no sentido de considerar devido o Imposto de Importação no valor de R$ 114.862,65, acrescido da multa de mora no percentual de 20% e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável e exonerar a multa no percentual de 75%, no valor de R$ 86.146,99, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002.. Ressalto de pronto, que não cabe a multa de de mora no percentual de 20%, pois entendo que é uma inovação no auto de infração, o que não tem previsão legal. Logo, ficam excluídas a de ofício, como já decidiu a DRJ e a de mora. Temse que o Certificado de Origem, cuja cópia encontrase anexada às fls. 18, de nº L0399255/0794448, de 28/11/2000, reportase à Fatura Comercial nº 19E006362, da empresa ECOPETROLEMPRESA COLOMBIANA DE PETROLEOS, da Colômbia, a qual não foi apresentada no despacho. No entanto, a fatura que instruiu o despacho aduaneiro foi a de nº PIFSB1197/00, de 31/12/2000, à fl. 17, pela empresa PETROBRAS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY (PIFCO), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI. O conhecimento de embarque foi consignado à empresa PIFCO. O litígio versa sobre o tratamento tributário diferenciado para aplicação de alíquota reduzida prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE39), o qual está condicionado à apresentação de Certificado de Origem e ao atendimento das exigências previstas na Resolução nº 78 e no Acordo nº 91, ambos da ALADI. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10209.000826/200517 Acórdão n.º 3201001.360 S3C2T1 Fl. 302 7 O art. 1º do citado Acordo 91, dispõe PRIMEIRO – A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. (grifei) Prescreve artigo 4º do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI: QUARTO – os certificados de origem deverão ser emitidos de conformidade com as normas estabelecidas no Regime Geral de Origens e na presente regulamentação. Prevê ainda o Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, em seu artigo 8º: Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da Aladi, salvo se as partes Signatárias convierem diferentemente. Em se tratando de preferência tarifária em função da origem da mercadoria, assim prescrevia o art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985 – RA/85, à época: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único – Tratandose de mercadoria importada de paísmembro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Percebese que no caso em comento, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de importação não é país signatário do ACE 39. Não obstante as normas que regem o regime de origem, a Resolução 252 que engloba as Resoluções nºs 227, 232 e os Acordos nºs 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI, em seu artigo 9º veio permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, nos seguintes termos: Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 8 Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Então, das peças processuais constatase que há a interveniência de um operador nos moldes previstos na Resolução retromencionada, visto haver a participação de uma empresa situada em um terceiro país, ou seja, Petrobras International Finance Company – PIFCO, Ilhas Cayman, País nãomembro da ALADI, que faturou a mercadoria objeto de intercâmbio, sendo que, no campo “observações” do formulário de certificado de origem (fls. 18), foi aposto pela empresa produtora ECOPETROL, situada na Colômbia, País membro da ALADI, a indicação da empresa operadora responsável pela emissão da fatura comercial inerente à operação de exportação para o Brasil. No caso presente, temos que, muito embora não tenha sido apresentada uma “declaração juramentada”, consta no corpo do certificado de origem, além do seu próprio número, o número e data da fatura comercial, tal como prevê o artigo 9º, tendo sido, pois, disponibilizadas, pelo exportador e com a chancela da entidade certificadora, as informações que deveriam constar na referida declaração juramentada. Acrescentese ainda, que no campo “observações” do certificado de origem consta, além da indicação da PIFCO como operadora, a mercadoria, a sua classificação fiscal e a data do conhecimento de transporte de fls. 16, e ainda, na fatura PIFCO, de fls. 17, consta indicação da fatura nº 19E006362, emitida pela ECOPETROL. Assim sendo, entendo cabível a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução nº 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). Como relatado, foi convertido o julgamento em diligência, para que fosse anexada a invoice nº 19E006362, (cópia autenticada), que lastreia o Certificado de Origem à fl. 18 deste contencioso para observação se constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, se todos estão ligados entre si. Após o resultado da diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Enfim, DI, Certificado de Origem, Bill of landing, Faturas; todos documentos, observase que a Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10209.000826/200517 Acórdão n.º 3201001.360 S3C2T1 Fl. 303 9 descrição da mercadoria é a mesma, sem qualquer tipo de divergência, identificando os elos da cadeia comercial, o que reforça, inclusive o disposto do art. 4°, alínea “a” da Resolução 78 da ALADI, que dispõe: Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. Concluo o meu voto com a citação final do acórdão de n° 930301.225 (processo 10209.000443/200450), da 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais , Recurso de Divergência 332.014, Relator Rodrigo da Costa Possas, in verbis: Ora, se foi indicado o país de destino da mercadoria, a intervenção do operador estabelecido em terceiro país e, a partir da apresentação da fatura comercial atrelada ao referido certificado, identificamse claramente todos os elos da cadeia comercial, não há como afirmar que o certificado esteja em desacordo com as regras do acordo, máxime em razão de que as informações relativas ao domicílio da Pifco estão perfeitamente identificadas na fatura acreditada por tal certificado. Transcrevo a ementa do citado Recurso de Divergência acima: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/07/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil impõe a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário. Recurso Especial Negado Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 10 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 3/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 16327.000743/2002-15
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 1999, 2000
CPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
As multas por atraso na entrega das declarações da CPMF estão lastreadas em legislação vigente e apta a caracterizar a infração por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto participou do julgamento em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que se declarou impedida de votar. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999, 2000 CPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. As multas por atraso na entrega das declarações da CPMF estão lastreadas em legislação vigente e apta a caracterizar a infração por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O Conselheiro Gileno Gurjão Barreto participou do julgamento em substituição à Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que se declarou impedida de votar. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Relator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 43 /2 00 2- 15 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência tempestivo, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do CARF, em face do Acórdão nº 20401.844, por meio do qual deuse provimento ao recurso voluntário. A controvérsia suscitada cingese à questão da obrigatoriedade de apresentação das declarações da CPMF antes de 25/08/2000, com base no art. 5º do DL nº 2.124/84 e na exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 11 do DL n º 1.968/82. Em 03/12/2001 o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal (fls. 11), solicitandolhe a comprovar a entrega, justificar a não entrega ou a apresentar as Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de créditos e direitos de Natureza Financeira – Declaração da CPMF, conforme segue: Declaração Trimestral anocalendário de 1999: 1º trimestre Declaração Mensal anocalendário 2000 meses de janeiro a dezembro Declaração Mensal – Medidas Judiciais: anocalendário de 2000: agosto Após prorrogação do prazo para atendimento, justificou, em 10/01/02, a desnecessidade de entrega das declarações de Medidas Judiciais, e apresentou as cópias dos recibos das outras declarações solicitadas (fls. 15 a 27), com diversas datas de recepção dentro dos meses de dezembro de 2001 e de janeiro de 2002. Como conseqüência da revisão interna, em 04/03/2002, foi emitido o Auto de Infração (fls. 02 a 10), com o seguinte enquadramento legal: MP 2.03721, de 25/08/2000 e reedições posteriores, convalidadas pelas MP 2.11326 e MP 2.15833 e alterações posteriores e Art. 11, § 3º, do Decretolei nº 1968/82, com redação do DL 2.065/83, por força do previsto no DL 2.124/84 Tendo tomado ciência do Auto de Infração em 13/03/2002 (fl. 29), o contribuinte apresentou impugnação em 10/04/2002 (fls. 30 a 45) e documentos anexos (fls. 46 a 72). O impugnante inicia sua argumentação afirmando não ser cabível a exigência da multa regulamentar porque, além de ferir os princípios de nosso ordenamento jurídico, também institui uma forma de confisco contra ele. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 168 3 Passa a discorrer sobre as obrigações tributárias, alegando que as acessórias são relativas a deveres secundários e conclui que o Auto de Infração em questão representa “o crédito tributário originário de diversas multas regulamentares, devidas pelo atraso na entrega das declarações de CPMF, as quais estão sendo cobradas de maneira isolada frente a cada obrigação, porém cumuladas mensalmente”. Em seguida, passa a analisar, no ordenamento penal brasileiro, o conceito de crime continuado, mostrando que a sanção é imposta como se estivesse tratando de um único crime. A partir daí, sugere que a multa imposta, guardando similitude quanto à estrutura da norma penal traz como conseqüência, a necessidade da aplicação dos princípios relativos ao Direito Penal, posto que sua imposição nada mais é do que uma sanção para coibir novas práticas da infração. Afirma que, neste caso, a multa foi imposta de forma cumulada para cada reiteração no atraso da entrega da declaração, ou seja, para cada novo período de atraso foi aplicada nova multa. Declara ser inadmissível acolher a forma como foram aplicadas as multas, pois a autoridade fiscal não atentou para o fato de que os atrasos subseqüentes nada mais foram do que uma continuação do primeiro. Na tentativa de ver corroborado seu argumento, se socorre do artigo 71 do Código Penal que disciplina a aplicação de uma única pena sempre que, mediante ações reiteradas, o agente pratique a mesma espécie delitiva. Assim, pleiteia pela aplicação de uma única sanção para o atraso na entrega da declaração, pois, alega, estamos diante de apenas uma infração. Finaliza, destacando que o impugnante não busca eximirse do dever legal quanto ao pagamento da multa, “posto que dúvida não resta quanto ao atraso na entrega das declarações de CPMF” (último parágrafo da fl. 37). Porém, quer, o contribuinte, demonstrar a abusiva forma como foi imposta a sanção, diante da reiteração das penas pela prática da mesma conduta. Após algumas citações, envereda pela discussão da aplicação do artigo 112 do Código Tributário Nacional, especialmente o seu inciso IV, asseverando que a autoridade administrativa não aplicou corretamente este dispositivo, pois não respeitou a regra de aplicar uma única pena frente à caracterização da infração continuada. Prosseguindo em seu arrazoado, a impugnante alega que o elevado valor imposto configura uma atitude confiscatória , além de infringir o princípio da Razoabilidade. Encerrando, solicita o reconhecimento da abusividade quanto à aplicação das “multas regulamentares”, com a conseqüente desconstituição do crédito tributário.O contribuinte acima qualificado teve ciência, em 09/02/2011, do Acórdão 20401.844, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da interposição pela Procuradoria da Fazenda Nacional de Recurso Especial (fls.350 a 351) e apresentou contrarrazões em 24/02/2011 consubstanciada nas folhas 352 a 410. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Primeiramente iremos delimitar precisamente o objeto da lide. Esse relator não vai se ater a questões periféricas tais como: valores de multa, redução (já concedida), proporcionalidade do valor da multa e competência do Secretário da RFB para dispor sobre as referidas obrigações acessórias, embora esse colegiado possa fazêlo. Pois se o recurso versa sobre a ilegalidade da multa, todos os argumentos podem ser rediscutidos. Como já dito no relatório, a controvérsia suscitada cingese à questão da obrigatoriedade de apresentação das declarações da CPMF antes Medida Provisória nº 2.03721, de 25/08/2000, publicada no DOU de 28/08/2000, que estatuiu nova forma de cálculo para as multas por atraso nas declarações da CPMF, com base no art. 5º do DL nº 2.124/84 e na exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 11 do DL n º 1.968/82. O cerne da questão é se a legislação vigente à época dos fatos geradores era suficiente para caracterizar a infração tributária ora aplicada ao sujeito passivo. Trata os autos da penalidade imposta em face da intempestividade na entrega das Declarações mensais trimestrais da CPMF, nos anos de 1999 e 2000. Vale esclarecer que existe um período de fatos geradores posteriores à entrada em vigor da MP 2037, em 25/08/2000. A decisão recorrida menciona que após a vigência da MP aplicase a multa ali prevista, porém deu provimento total ao Recurso Voluntário. A decisão recorrida considerou não ser devida a multa, por falta de previsão legal. Eis a ementa: CPMF. MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTRGA DE DECLARAÇÕES TRIMESTRAIS, MENSAIS E MEDIDAS JUDICIAIS. As declarações de informações relativas à CPMF foram instituídas com base no art. 11 da Lei no 9.311/96, não se lhes aplicando as disposições do art. 5° do DecretoLei n° 2.124/84. Somente se aplica a multa prevista no art. 47 da Medida Provisória n° 203721, de 25 de agosto de 2000, para as declarações cujos prazos de entrega se tenham vencido após esta data. As multas previstas nas Instruções Normativas SRF 43/2001 e 89/2000 só serão aplicadas aos fatos geradores ocorridos após a sua vigência. Anteriormente, não há multa a ser aplicada. Recurso provido. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 169 5 Como se pode depreender da ementa acima, a decisão recorrida diz que o atraso tanto na declaração trimestral, bem como para declaração mensal da CPMF somente existia a previsão da obrigação de prestar informações, não existindo na época do descumprimento qualquer previsão de penalidade. Em seu recurso especial, a PGFN discorda desse entendimento. Alega que não se pode desconsiderar a densidade normativa do DecretoLei 2124/84 e que deve ser aplicado ao caso em tela. Pois ele trata da penalidade por descumprimento de qualquer obrigação acessória relacionada a tributo federal, inclusive a CPMF. A recorrida apresentou contrarrazões onde alega que a Lei nº 9.311/1996 não fixou prazo para apresentação das Declarações da CPMF e que obrigações contidas em IN do SRF e Portarias do MF, não previstas em lei, não podem ser exigidas. Argúi, também, que a legislação mencionada no Auto de Infração não se aplica ao presente caso, posto que o Decretolei nº 1.968/82, que embasou o lançamento da multa trata do IR, sem qualquer relação com a CPMF e que normas anteriores não poderiam der aplicadas ao descumprimento de obrigações acessórias instituídas depois. Primeiramente vamos expor a legislação que ampara a autuação, que trata, como se viu, das multas por atraso na entrega de Declarações trimestrais da CPMF. A Lei n.º 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a CPMF, estabeleceu, em seus artigos 11 e 19, o seguinte: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. § 4° Na falta de informações ou insuficiência de dados necessários à apuração da contribuição, esta será determinada com base em elementos de que dispuser a fiscalização. (...) Art. 19. A Secretaria da Receita Federal e o Banco Central do Brasil, no âmbito das respectivas competências, baixarão as normas necessárias à execução desta Lei. (Grifos acrescidos) Fl. 457DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Tendo em vista a atribuição legal conferida pelo § 2º do art. 11 da Lei n.º 9.311/1996, o Ministro de Estado da Fazenda publicou, em 19/05/1997, a Portaria MF n.º 106, que em seu art. 1º estabeleceu: Art. 1º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF prestarão à Secretaria da Receita Federal as seguintes informações sobre cada contribuinte: I nº de inscrição no Cadastro de Pessoa Física CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC; II valor global, em cada mês, das operações sujeitas à retenção da contribuição, observado o disposto no § 2º; III valor da contribuição retida no período citado no inciso anterior. § 1º As informações de que trata este artigo serão: a) totalizadas sob um único código, quando o contribuinte não estiver obrigado a inscreverse no Cadastro de Pessoas Físicas, ou no caso de liquidação ou pagamento de créditos, direitos ou valores de que trata o inciso III do art. 2º da Lei n.º 9.311, de 1996, de montante igual ou inferior a R$ 10.000,00; b) prestadas em meio magnético, de acordo com as especificações a serem baixadas pela Secretaria da Receita Federal, abrangendo os dados referentes a cada trimestre do anocalendário de 1997 e ao bimestre janeiro e fevereiro de 1998; c) entregues até o último dia útil do mês subseqüente ao dos prazos previstos na alínea "b". § 2º Os dados referentes a determinado mês abrangerão os períodos de apuração encerrados no respectivo mês, sendo informadas no mês subseqüente as operações realizadas em períodos fracionários. (Grifos acrescidos) A Portaria MF nº 134 , de 11 de junho de 1999, dispôs: Art. 5º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF prestarão, à Secretaria da Receita Federal, as seguintes informações sobre cada contribuinte: I nº de inscrição no Cadastro de Pessoa Física CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ; II valor global, em cada mês, das operações sujeitas à retenção da contribuição, observado o disposto no § 2º; III valor da contribuição retida no período citado no inciso anterior. § 1º As informações de que trata este artigo serão: I totalizadas sob um único código, quando o contribuinte não estiver obrigado a inscreverse no CPF, ou no caso de Fl. 458DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 170 7 liquidação ou pagamento de créditos, direitos ou valores de que trata o inciso III do art. 2º da Lei nº 9.311, de 1996, de montante igual ou inferior a R$ 10.000,00; II prestadas em meio magnético, de acordo com as especificações a serem baixadas pela Secretaria da Receita Federal, abrangendo os dados referentes a cada trimestre do anocalendário; III entregues até o último dia útil do mês subseqüente ao dos prazos previstos no inciso anterior. § 2º Os dados referentes a determinado mês abrangerão os períodos de apuração encerrados no respectivo mês, sendo informadas no mês subseqüente as operações realizadas em períodos fracionários. § 3º As informações de que trata este artigo, relativas ao mês de junho de 1999, deverão ser apresentadas no prazo previsto para a entrega das informações referentes ao terceiro trimestre de 1999. § 4º O disposto neste artigo se aplica, também, às instituições de que trata o inciso IV do art. 2º da Lei nº 9.311, de 1996, no que se refere às operações sujeitas ao pagamento da contribuição. A Instrução Normativa SRF nº 44, de 29 de abril de 1998, dispôs: Art. 1º As informações de que trata a Portaria MF n.º 106, de 15 de maio de 1997, serão: I – apresentadas por períodos trimestrais, inclusive em relação ao primeiro trimestre de 1998; II – apresentadas por período mensal, relativamente ao mês de janeiro de 1999; III prestadas de acordo com as especificações técnicas expedidas pela CoordenaçãoGeral de Tecnologia e de Sistemas de Informação COTEC; IV entregues à Unidade da Secretaria da Receita Federal que jurisdicionar o estabelecimento centralizador da instituição informante até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período a que se referirem. Art. 2º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. (Grifos acrescidos) A Instrução Normativa SRF nº 122, de 8 de outubro de 1999, dispôs: Art. 1° Deverão apresentar a Declaração Trimestral da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – Declaração da CPMF as instituições responsáveis pela retenção e recolhimento da Contribuição, relacionadas no art. 5° da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 [...] Art. 3° A Declaração da CPMF deverá ser entregue do 1° ao último dia útil do mês subseqüente ao trimestrecalendário a que se referir as informações, nos seguintes locais: Como se vê, foram editadas Portarias do MF e IN do SRF, todas disciplinando o prazo para a entrega das declarações de CPMF, com fulcro na atribuição legal conferida pela própria lei instituidora da contribuição. Não tem razão, portanto, a contribuinte, quando alega que não estaria obrigada a respeitar um prazo para entrega das declarações em pauta apenas porque tal prazo não se encontra fixado pela própria lei que instituiu a CPMF. Os prazos para a entrega das declarações foram fixados em normas complementares necessárias à execução das disposições legais pertinentes à contribuição, em nada malferindo os princípios da legalidade, pois a sua edição, aliás, encontrase plenamente de acordo com o que foi, expressamente, previsto nos artigos 11 e 19 da Lei nº 9.311, de 1996. A título de exemplo trancrevemos a doutrina de Leandro Paulsen sobre o poder de o fisco impor obrigações acessórias por meio de atos infralegais. "Em matéria tributária, não se pode dizer que os Decretos se limitem à regulamentação estrita das leis nem que outros atos administrativos normativos, especialmente Instruções Normativas e Portarias, sejam, tão somente, normas internas da Administração. Se, de um lado, não podem inovar em matéria sob reserva legal, como a definição dos aspectos das normas tributárias impositivas, de outro, podem validamente dispor sobre o vencimento dos tributos, definir indexador que servirá à correção já determinada por lei, especificar obrigações acessórias como a inscrição no CNPJ, regulamentar procedimentos de fiscalização tributária. Quando não ofendem reserva legal nem contrariam dispositivos legais têm tanta eficácia normativa quanto as normas superiores, vinculando a Administração e os contribuintes. Aliás, o art. 100 do CTN considera os atos normativos expedidos ,pelas autoridades administrativas, as decisões normativas, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios celebrados entre os entes políticos normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos". As obrigações acessórias não limitam, e nem poderiam, direitos. Tratase apenas de uma certa formalidade necessária para o seu exercício, estabelecido por lei. Se assim fosse, as normas infralegais que tratam da repetição do indébito ou da compensações seriam ilegais, vez que trazem vários procedimentos necessários ao exercício daquele direito. Essa normas são necessárias para o controle pelo fisco dos direitos e deveres do cidadão contribuinte. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 171 9 Superada a questão da obrigatoriedade da entrega da declaração nos prazos fixados pelas normas complementares à lei, melhor sorte não cabe a alegação da impugnante quanto à aplicação das multas, que alega estarem desprovidas da base legal necessária. O artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 1982, com a redação dada pelo artigo 10 do DecretoLei nº 2065, de 1983, assim dispôs: Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. É fato que a norma transcrita referiase, inicialmente, apenas às informações pertinentes ao imposto de renda, porém, o art. 5º, § 3º, do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, veio estender a imposição da multa por descumprimento de obrigação acessória referida nos parágrafos 2º, 3º e 4º do art. 11, acima reproduzido, para todos os tributos federais administrados pela SRF, conforme transcrição a seguir: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que.formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decreto Lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei nº 2.065 de 26 de outubro de 1983. (Grifos acrescidos) Por conseguinte, a partir do advento do mencionado Decretolei, o não cumprimento de obrigações acessórias (entrega de declaração, por exemplo) relativas a quaisquer tributos federais, administrados pela SRF, passou, em regra, a sujeitar o infrator às penalidades previstas no DL 1.968, de 1982, com redação dada pelo DL 2.065, de 1983, bem assim combinada com a legislação superveniente, que só fez ajustar o valor da multa aos diferentes índices de expressão monetária, até que este exprimisse a quantia de R$57,34, em face da conversão da multa pecuniária aplicável pelo valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996 (art. 39 da Lei n.º 9.249, de 1995). Esta situação, aliás, só veio a ser alterada, no tocante às declarações de CPMF, pelo dispositivo contido no art. 47 da Medida Provisória n.º 2.03721, publicada em 28/08/2000, que estabeleceu: Art. 47. O nãocumprimento das obrigações previstas nos arts. 11 e 19 da Lei nº 9.311, de 1996, sujeita as pessoas jurídicas referidas no art. 45 às multas de: I – R$5,00 (cinco reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II – R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Parágrafo único. Apresentada a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas serão reduzidas à metade. (Grifos acrescidos) Temse, assim, que o atraso na apresentação de declarações cujo prazo de entrega tenha sido fixado pela legislação de regência até 27 de agosto de 2000, enseja a aplicação da multa prevista no artigo 11, § 3º do DecretoLei nº 1.968, de 1982, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983, observadas as conversões e atualizações monetárias posteriores, por força do disposto no artigo 5º, § 3º, do DecretoLei nº 2.124. Assim, para as declarações com prazo de entrega anterior a 28/08/2000, a multa a ser aplicada é de R$ 57,34 por mês de atraso. Em relação aos fatos geradores ocorridos após, ou seja, entrega de declaração em atraso cujo prazo tenha sido fixado pela legislação de regência para após a edição da referida MP, cabia a multa de R$10.000,00. Com efeito, não há nenhum fundamento na legislação pátria que afaste a aplicação de uma lei que já previa uma penalidade por estar em vigor antes do início da vigência da norma que introduziu uma obrigação acessória ou mesmo uma lei que tenha criado aquele tributo. Para os fatos geradores a partir da vigência da MP 2037/00, em 28/08/2000, aplicase, por óbvio, a referida MP, em que pese a recorrida também contestar a sua aplicação. A não entrega das informações solicitadas em conformidade com a legislação que disciplina o cumprimento desta obrigação acessória constitui infração a este regramento e, por conseguinte, sujeita o infrator às penalidades aplicáveis segundo a legislação vigente à época da ocorrência da infração cometida. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 172 11 A apresentação das Declarações da CPMF no prazo estipulado pela intimação fiscal reduz, como aconteceu, pela metade o valor da multa aplicável, mas não elide a infração que já havia sido cometida pelo sujeito passivo em virtude da entrega desses documentos após o prazo estabelecido pelas normas complementares à Lei n.º 9.311, de 1996. A redução da penalidade constitui um benefício para o infrator que, de outra parte, a persistir no inadimplemento da obrigação, estará sujeito ao agravamento da multa que, aliás, é aplicada por mês ou fração de atraso na entrega da declaração. Em extensa pesquisa jurisprudencial, não consegui localizar acórdãos de tribunais superiores que tratassem especificamente da matéria. Apenas consegui colacionar dois acórdãos referentes ao tema de Tribunais Regionais Federais. Publicado em 02/06/2010 APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2002.72.00.006532 0/SC RELATOR : Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK APELANTE : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) ADVOGADO : ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional APELADO : COOPERATIVA DE ECONOMIA E CREDITO MUTUO DOS FUNCIONARIOS DO SISTEMA FIESC ADVOGADO : Jefferson Nercolini Domingues e outros REMETENTE : JUÍZO SUBSTITUTO DA 03A VARA FEDERAL DE FLORIANÓPOLIS EMENTA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSOLIDADAS DA CPMF. MANDADO DE SEGURANÇA. DEVER DE SIGILO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. LEI 10.833/03. 1. A entrega da DICCPMF constitui obrigação acessória imposta às instituições responsáveis pela retenção e recolhimento da contribuição. 2. O fornecimento das informações não constitui violação ao dever de sigilo da Cooperativa para com os associados, em virtude do disposto no art. 1º da Lei Complementar nº 105. 3. O art. 46 da MP 2.03725/2000 regulava o valor devido pela não apresentação, pela instituição financeira, da documentação necessária à Receita Federal. O montante de R$ 10.000,00 não é abusivo. Se o valor da penalidade alcança monta exorbitante não caracteriza conduta abusiva da autoridade fazendária ou fixação legal de multa confiscatória. 4. Em que pese a legalidade do auto de infração lavrado pelo Fisco contra a cooperativa, um novo valor deverá ser apurado Fl. 463DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 nos moldes da lei nova mais benéfica, que é retroativa em obediência ao art. 106, II, c, do CTN. O art. 83, II, da Lei 10.833/03 reduziu de R$ 10.000,00 para R$ 200,00 a penalidade em comento, devendo ser utilizado para o novo cálculo da multa. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 19 de maio de 2010. Des. Federal Joel Ilan Paciornik Relator Esse acórdão deixa claro que a partir da edição da MP 2037/2000, aplicase a multa ali prevista para a não entrega da DICCPMF. Não fundamenta a multa em períodos anteriores. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5A. REGIÃO APELAÇÃO CÍVEL 420609RN (2007.84.02.0000178). APTE : COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DO SERIDÓ CREDISERIDÓ ADV/PROC : ANDRÉ VIDAL VASCONCELOS SILVA E OUTRO APDO : FAZENDA NACIONAL. ORIGEM : JUÍZO DA 9ª VARA FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (COMPETENTE P/ EXECUÇÕES PENAIS). RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT. RELATÓRIO 1. Tratase de apelação interposta pela COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DO SERIDÓ – CREDISERIDÓ contra decisão proferida pelo MM. Juízo da 9ª Vara Federal/RN que, nos autos de ação ordinária onde a demandante pleiteia a declaração de nulidade de auto de infração lavrado pela promovida, julgou improcedente o pedido trazido à exordial, fixados os honorários advocatícios no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais). Fl. 464DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 173 13 2. Inconformada, a parte autora apela, alegando que fora beneficiada com a prorrogação do prazo para apresentação dos comprovantes de entrega das declarações referentes à CPMF dos exercícios financeiros de 1997 (1º e 4º trimestres), 1999 (1º e 2º semestres) e 2000 (meses de janeiro a setembro), pugnando pela declaração de nulidade da cobrança da exação em comento, insurgindose, alfim, contra a multa que lhe foi arbitrada, aduzindo ter a mesma natureza confiscatória. 3. Contrarazões pela recorrida, defendendo a manutenção do julgado. 4. É o breve relatório. VOTO 1. Pretende a apelante a reforma da sentença do juízo singular que julgou improcedente o seu pedido de declaração de nulidade do auto de infração, emanado da Fazenda Nacional, em virtude de descumprimento pela autora da legislação relativa à CPMF. 2. Compulsando os presentes autos, verifico que o pleito da suplicante não merece ser acolhido. 3. Inicialmente, passemos à análise do que dispõem os arts. 1º e 6º da Instrução Normativa SRF, nº 43, de 02/05/2001, por ser o dispositivo legal embasador do ato administrativo em questão, litteris: “Art. 1º As instituições responsáveis pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) e as instituições sujeitas à apuração dessa contribuição com base em registros contábeis deverão apresentar à Secretaria da Receita Federal a Declaração de Informações Consolidadas (DIC– CPMF), conforme as especificações técnicas constantes do Anexo I. Parágrafo único. As informações de que trata este artigo serão: I consolidadas mensalmente, abrangendo os períodos semanais de apuração da CPMF encerrados em cada mês; II entregues até o último dia útil do mês subseqüente ao dos períodos de que trata o inciso anterior.” “Art. 6º O não cumprimento das obrigações previstas no artigo 1º sujeitará as pessoas jurídicas nele mencionadas a multas de: I R$ 5,00 (cinco reais), por grupo de informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 10.000,00 (dez mil reais), ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o Fl. 465DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas serão reduzidas à metade." (Grifei) 4. In casu, a promovente foi beneficiada com a dilação do prazo para apresentação das declarações referentes à CPMF dos exercícios financeiros de 1997 (1º e 4º trimestres), 1999 (1º e 2º semestres) e 2000 (meses de janeiro a setembro) pela Fazenda Nacional, bem como foi agraciada com a redução do valor atribuído à multa, conforme se depreende dos excertos constantes do relatório e voto do Acórdão DRJ/REC nº 14.725, de 20/02/2006 (fls. 79/82), verbis: “Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração (fls. 03/04), a Contribuinte apresentou fora do prazo legal as Declarações da CPMF, porém, as apresentou após intimação, dentro do prazo concedido para atendimento à intimação e as suas prorrogações, fazendo jus à redução de 50% do valor da multa, conforme previsão legal. (...) O que foi prorrogado pela autoridade fiscal, foi o prazo para a Contribuinte atender ao pedido constante da intimação e não o prazo para entrega da declaração de CPMF. O art. 100 do Código Tributário Nacional que a Contribuinte cita na impugnação define o que são normas complementares às leis, tratados, convenções internacionais e decretos, cujas decisões a lei atribua eficácia normativa. Não consta em lei eficácia normativa de intimação fiscal. Portanto, o alegado não prospera. (...) Ante as considerações acima, voto no sentido de considerar procedente em parte o lançamento para exonerar parcialmente a multa lançada, a partir de agosto de 2000, onde foi exigida a multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao mês calendário ou fração, excluindo os valores mencionados, aplicando o valor constante da Lei nº 10.833/2003 (...) Em face do exposto, a multa regulamentar passa a ser de R$ 18.500,12 (dezoito mil, quinhentos reais e doze centavos).” (Grifei) 5. Destarte, em face do que restou aduzido no acórdão proferido no procedimento administrativo instaurado pela promovida, no qual, vale dizer, a autora exerceu o seu direito de ampla defesa, sendo, pois, observado o princípio do devido processo legal, norteador dos atos emanados da Administração Pública, não procede a tese defendida pela apelante de invalidade do auto de infração suso mencionado, tendo em vista a ausência de qualquer vício ensejador de sua nulidade, não merecendo, igualmente, ser acolhida a irresignação da recorrente no que tange ao arbitramento da multa, uma vez que tal exação foi quantificada dentro dos ditames legais. 6. Face ao exposto, nego provimento ao apelo. 7. É como voto. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 174 15 Nesse segundo acórdão, também ficou claro que não houve ilegalidade na aplicação da multa. Em que pese não se ter discutido a tese da aplicação dos decretosleis anteriores, o certo é que o auto de infração foi mantido em sua integralidade, mesmo com períodos de apuração anteriores a agosto de 2000 e, para períodos a partir de agosto de 2000, também aplicouse, na íntegra, a MP nº 2037/2000. Em pesquisa de jurisprudência administrativa, destacamos o voto do Conselheiro Antônio Zomer no voto do Acórdão 20217.385, da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que adoto como fundamento: Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF n2 118/84, delegou a competência a que se refere o dispositivo acima para o Secretário da Receita Federal. Esta delegação não se contrapõe ao princípio constitucional da estrita reserva legal, pois está amparada no art. 113, § 22, do CTN, segundo o qual "a obrigação acessória decorre da legislação", que, nos termos do art. 96 do mesmo Código, "compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em pane, sobre tributo e relações jurídicas a eles pertinentes". Desta forma, a disposição contida no art. 11 do DecretoLei ri s! 1.968/82, na redação dada pelo DecretoLei n2 2.065/83, aplica se às declarações (prestação de informações) relativas à CPMF, por força do art. 5s', § 32, do DecretoLei n2 2.124/84, com as atualizações/conversões determinadas pela legislação posterior, também citada no auto de infração, com data de vencimento anterior a 28/08/2000. Nesta data entrou em vigor o art. 47 da Medida Provisória n2 2.03721, de 25/08/2000, publicada no DOU de 28/08/2000, que estatuiu nova forma de cálculo para as multas por atraso nas declarações da CPMF. A MP n2 2.037 21/2000 foi reeditada sucessivamente até transformarse na MP n2 2.15835/2001, na qual a multa de que se fala passou a ser tratada no art. 46. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos até 28/08/2000, é cabível a aplicação da multa de R$ 57,34 ao mêscalendário ou fração, reduzida à metade (R$ 28,67), para as declarações que foram entregues no prazo da intimação fiscal, conforme previsto no art. 47, parágrafo único, da MP n2 2.03721/2000 e reedições. Neste passo, é importante destacar que a Instrução Normativa SRF n2 45/98 foi citada no auto de infração como fonte do valor de R$ 57,34 e não como fundamento da autuação, que, como se sabe, provém da lei. Assim, para declarações com prazo de entrega posterior a 28/08/2000, aplica se o disposto na Medida Provisória nº 2.03721, de 25/08/2000, publicada no DOU de 28/08/2000. Para as declarações anteriores aplicase a penalidade prevista no art. 11, parágrafo 3º, do DecretoLei nº 1968/82, com redação do DL 2.065/83, por força do previsto no DL 2.124/84. Pelo exposto, dou provimento integral ao Recurso Especial interposto pela PGFN. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 468DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 175 17 Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS – Redator designado A maioria do colegiado dissentiu do voto do i. relator e manteve o entendimento esposado no acórdão hostilizado pela Fazenda, da lavra da i. Conselheira Nayra Bastos Manatta. Nele, a n. relatora cita voto meu em que concluí pela inaplicabilidade das disposições do decretolei 1.968/82 ao caso concreto, provável motivo pelo qual fui designado para a redação do acórdão. Façoo pela reprodução das considerações ali expendidas, das quais não me afastei apesar do brilhantismo com que o douto relator de agora enfrentou o tema. Transcrevo: A matéria controversa, qual seja, a exigibilidade de multa pelo não cumprimento das obrigações acessórias relativas à CPMF é de fato bastante conturbada. Vale, por isso mesmo, tentar um breve apanhado histórico das normas que trataram do assunto de modo a que se possa formar adequado entendimento sobre ele. A obrigação de as instituições financeiras prestarem informações à SRF foi estabelecida no art. 11 da Lei 9.311/96, verbis Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3° A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) § 4° Na falta de informações ou insuficiência de dados necessários à apuração da contribuição, esta será determinada com base em elementos de que dispuser a fiscalização. Como destacado em negrito, a autorização para fixar a periodicidade da prestação de informações foi deferida ao Ministro de Estado da Fazenda e não ao Secretário da Receita Federal. Isso não obstante, o § 1º autorizou este último a estabelecer obrigações acessórias com o objetivo de possibilitar as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação conferidas a este órgão. Com base na autorização do § 2º, foi editada a Portaria MF nº 106/97, que estabeleceu, em seu art. 1º: Art. 1º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF prestarão à Secretaria da Receita Federal as seguintes informações sobre cada contribuinte: I nº de inscrição no Cadastro de Pessoa Física CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC; II valor global, em cada mês, das operações sujeitas à retenção da contribuição, observado o disposto no § 2º; III valor da contribuição retida no período citado no inciso anterior. § 1º As informações de que trata este artigo serão: a) totalizadas sob um único código, quando o contribuinte não estiver obrigado a inscreverse no Cadastro de Pessoas Físicas, ou no caso de liquidação ou pagamento de créditos, direitos ou valores de que trata o inciso III do art. 2º da Lei nº 9.311, de 1996, de montante igual ou inferior a R$ 10.000,00; b) prestadas em meio magnético, de acordo com as especificações a serem baixadas pela Secretaria da Receita Federal, abrangendo os dados referentes a cada trimestre do anocalendário de 1997 e ao bimestre janeiro e fevereiro de 1998; c) entregues até o último dia útil do mês subseqüente ao dos prazos previstos na alínea "b". § 2º Os dados referentes a determinado mês abrangerão os períodos de apuração encerrados no respectivo mês, sendo informadas no mês subseqüente as operações realizadas em períodos fracionários. Como se observa, a Portaria: somente instituiu obrigação de prestação trimestral de informações; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 176 19 não estabeleceu qualquer penalidade conseqüente ao seu descumprimento. incluiu a obrigação de informar o montante da contribuição retido de cada contribuinte, o que não constava da lei. A Medida Provisória (MP) 203721, publicada em 25 de agosto de 2000, dispôs, em seu art. 47: Art. 47. O nãocumprimento das obrigações previstas nos arts. 11 e 19 da Lei nº 9.311, de 1996, sujeita as pessoas jurídicas referidas no art. 45 às multas de: I R$ 5,00 (cinco reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso anterior, se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Parágrafo único. Apresentada a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas serão reduzidas à metade. No art. 52 da mesma MP consta a determinação de que ela entrará em vigor na data de sua publicação, não havendo indicação especial quanto à produção de efeitos do art. 47, devendose entender que ele produz efeitos igualmente a partir da data de publicação da MP. Não vemos, pois, como fazêlo retroagir a fatos geradores anteriores à data de publicação daquela MP. Nesse passo, sabendose que estamos tratando de obrigação acessória, cumpre um parêntese para pesquisar qual seria o fato gerador que consta no auto de infração discutido. Nesse sentido, o art. 115 do Código Tributário Nacional estabelece: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O mesmo código disciplina em seu art. 113: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, o objeto de nossa discussão é uma obrigação principal decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória, cabendo perquirir qual o seu fato gerador de modo a dar azo à aplicação do art. 144 do mesmo CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Portanto, a pergunta é: quando nasceu a obrigação principal de que aqui se cuida? Entendemos que a resposta correta é o vencimento do prazo para apresentação tempestiva da declaração da CPMF. Por conseguinte, o último dia útil do mês subseqüente ao do trimestre em que ocorreram as operações que originaram a obrigação acessória. Da leitura do auto, vêse que o item que cuida das declarações trimestrais ora sob exame, apenas engloba declarações anteriores à MP. Especificamente, o item 003 se refere às declarações que deveriam ter sido entregues em abril, julho e outubro, de 1997; janeiro, abril, julho e outubro de 1998; janeiro, abril, julho e novembro de 1999. Destarte, considero que não há possibilidade de se exigir a multa prevista naquela MP sobre os fatos geradores anteriores. Obviamente que não se trata de aplicação do art. 106 do CTN, dado que não há hipótese menos gravosa para o contribuinte. Assim, se se puder exigir alguma multa nos períodos anteriores a agosto de 2000, deve encontrar esta multa base legal em outro dispositivo e não naquela já tantas vezes citada MP. E é de fato o que foi feito no auto de infração. Afirma o autuante, às fls. 06 e 16, que o enquadramento legal da multa é o art. 11 do decretolei 1.968/82, mais especificamente os seus §§ 2ºe 3º. Estes assim estão redigidos: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 177 21 Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o imposto de renda que tenha retido. § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado pela Secretaria da Receita Federal. § 2º Será aplicada multa em valor equivalente ao de uma ORTN para cada grupo de vinte informações inexatas, incompletas ou omitidas, por mês de atraso. § 3º Apresentada a informação fora do prazo e antes de qualquer procedimento ex officio , ou se, após a intimação, for apresentada no prazo nela fixado, a multa prevista no parágrafo anterior será reduzida à metade. Vêse que aí se define, de fato, uma multa fixa – 1 ORTN – para uma infração também aí definida e que nada tem a ver com a hipótese da autuação. A multa aqui tratada foi alterada pelo decretolei 2.065/83, passando a se aplicar também à mera falta de entrega e no valor de 10 ORTN: Art. 10. Os arts. 2º, 4º, caput , e 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, passam a vigorar com a seguinte redação: ... "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o imposto de renda que tenha retido. § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento exofficio ou se, houver a apresentação dentro do prazo nesta a intimação, esta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade." Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 22 As legislações citadas em complemento (leis 8.383/91 e 9.249/95) apenas modificaram esse valor, adaptandoo a novos padrões monetários e índices de correção monetária, mas não afetaram a hipótese básica de incidência da multa. ... Já o art. 5º do Decreto0lei 2.124 tem a seguinte redação: Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decreto lei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. ... Sua leitura permite enxergar: 1.que a autorização é para o Ministro e não para o Secretário da Receita Federal; 2. que o documento que informar a existência de crédito tributário (a declaração) constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua cobrança executiva. Esta autorização legal, deferida ao Ministro, logo foi por ele repassada ao Secretário da Receita Federal, por meio da Portaria MF 118/84. Vêse, desde logo, que estes são atributos próprios da DCTF, declaração criada, esta sim, sob o abrigo deste decretolei e da subdelegação ministerial. Ora, a se aceitar o argumento (...), terseia que, já no momento da criação da CPMF (1996), existia autorização legal, de mais de dez anos, para que sobre ela também pudesse o Ministro de Estado da Fazenda – e, quiçá, o próprio Secretário da Receita Federal – instituir obrigações acessórias; que o descumprimento dessas obrigações acessórias já tinha penalidade específica Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 16327.000743/200215 Acórdão n.º 9303002.254 CSRFT3 Fl. 178 23 prevista e que o documento que a formalizasse teria as características de título executável. Se assim o era, por que a Lei nº 9.311 expressamente conferiu essa atribuição ao Ministro? Mais, por que a Portaria MF 106 afirmase fundada nesse dispositivo e não no decretolei 2.124? Por fim, se se baseia na própria lei 9.311, mantémse válida a aplicação da penalidade que está associada a descumprimento de obrigações acessórias instituídas com base no decretolei? Já se vê que parece um exagero pretenderse preencher uma lacuna legal – a falta de previsão de multa na lei 9.311/96, que só veio a ser sanada com a MP 2037 – recorrendose a um outro ato que nada tem a ver com a obrigação ali criada. Em conseqüência, com respeito às declarações trimestrais cujos vencimentos tenham se dado anteriormente à edição da MP 203721 forçoso é concluir que não há penalidade prevista (...) A reiteração desse entendimento levou ao cancelamento da multa relativa ao primeiro trimestre de 1999. No mesmo voto proferido no recurso 132.443, abordei também a exigibilidade de multa sobre as declarações mensais, chegando à mesma conclusão, que trancrevo: Passo agora a me ocupar das chamadas declarações de informações consolidadas (DIC CPMF), de periodicidade mensal, e da Declaração de Não Incidência, de periodicidade anual. Elas foram instituídas por Instruções Normativas do Secretário da Receita Federal, ao abrigo da autorização conferida no §1º do mesmo art. 11 da Lei 9.311/96. A DIC foi instituída pela IN 49/98. Já a declaração de não incidência foi instituída pela IN 67, de 14 de junho de 1999. Em ambas não consta qualquer disposição acerca de multa pelo inadimplemento. Somente com o disciplinamento dado, respectivamente, pelas IN 43 e 44, ambas de 2001, é que passou a constar a expressa referência à multa tratada na MP 2.037. Em decorrência, a decisão guerreada também repelira a aplicação de multa relativamente às declarações mensais cujo vencimento ocorreu anteriormente a 25 de agosto de 2000, o que também foi ratificado pela Câmara Superior. Com essas considerações, negou o colegiado provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter incólume a decisão de segunda instância administrativa, sendo este o acórdão que me coube redigir. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2013. CONSELHEIRO Júlio César Alves Ramos Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 24 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, As sinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10805.001899/87-73
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 1990
Ementa: IRF - DECORRÊNCIA. O valor remanescente
do lucro considerado automaticamente distribuido aos se,dos tem sua tributação na fonte confirmada â vista do julgado
no mesmo sentido no Processo-matriz, do lançamento do imposto sobre a infração correspondente, bem como pela ausência
de fatores capazes de impedir a aplicação
plena do principio da decorrência.
- Negado provimento ao Recurso.
Numero da decisão: 103-10.483
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso,
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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O valor remanescente do lucro considerado automaticamente dis tribuido aos se,clos tem sua tributação na fonte confirmada â vista do julgado no mesmo sentido no Processo-matriz, do lançamento do imposto sobre a infração correspondente, bem como pela ausência de fatores capazes de impedir a aplica- ção plena do principio da decorrência. - Negado provimento ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por METALZILO INDUSTRIAL LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse Lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, Sala d., em 21 de junho de 1990 ,f DtcLE, f a• ASSUNÇÃO - NA PRESIDÊNCIA, NOS TERMOS IX PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 59 Álk '1/444( D REGIMENTO INTERNO. 0k .*ID PINTO RELATOR 41:4 VISTO EM "MOINI f i o • DA BRAGA - PROCURADOR DA FAZENDA NAC SESSÃO DE: 25 O UT 1991 NAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Oprzelhe AYRES DE OLIVEIRA, WRGIO RIBEIRO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA e Cl EMANUEL DOS SANTOS PAIVA (Suplente). Ausentes por motivo justif os Cons. FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e ANTONIO PASSOS DE OLIVEIRA. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10805/001.899/87-73 RECURSO N9 57.068 ACÓRDÃO N9 103-10.483 RECORRENTE; METALZILO INDUSTRIAL LTDA. REL-ATÓRI O O Contribuinte, Metalzilo Industrial Ltda., com domi cílio fiscal em Diadema (SP), interpôs tempestivo Recurso (f is. 71/75) a este Conselho, em 27/06/89, contra a R. Decisão (f is. 64/ /65) do Sr. Delegado da Receita Federal em Santo André (SP), que julgara procedente em parte o lançamento do imposto de renda na fonte, constituído pelo Auto de Infração (f is. 09), de 06/07/87 tempestivamente impugnado em 10/08/87, às fls. 13/21. 2. A exigência em lide incidente exclusivamente na fon- te sobre lucro considerado automaticamente distribuidor decorre de infração remanescente apurada e tributada no Processo-matriz, de n9 10805/001.760/87-93, a cujo Recurso, de n9 95.920, a E. Câmara, na parte correspondente, negou provimento, em 21/06/90, pelo Acór- dão, de n9 103-10.475, ora lido em plenerio, juntamente com os res pectivos Relatório e Voto, por cópias em anexo. 3. Em defesa comum, o Contribuinte tanto na impugnação, como no Recurso, o Contribuinte apresenta, como no Processo-matriz sua inconformidade com a exigência, porem sem razões especificas contra o lançamento do imposto de renda na fonte. Reconhece a apli cabilidade do principio de decorrência e no final, requer provimen to do Recurso. 4. A Autoridade a 222 , decidiu pela procedência par- cial do exigido, à vista do seu próprio Decisum no Processo princi pai, com a aplicação plena do principio da decorrência. d/ É o Relatório. /X, , sunaàxonum Processo n9 108051001.899./87,-73 2. Acórdão n9 103-10.483 VOTO Conselheiro BRAZ JANUÁRIO PINTO, Relator: Tomo conhecimento do Recurso, pela sua tempestivida- de e interposição na forma da lei. . 2. Trata-se, como relatado, da exigência decorrente de idênticas infraçOes apuradas no Processo-matriz, cuja procedência do remanescente foi confirmada pela E. Câmara. Pelo principio da decorrência de aplicação plena e pacifica, bem como pela inexistência de fatos ou ' circunstâncias que impeçam julgar o lançamento procedente, Nego provimento ao Recurso. Brasilia-DP„ em 21 de junho de 1990. UARIO PINTO - RELATOR AMS. Page 1 _0091500.PDF Page 1 _0091700.PDF Page 1
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Numero do processo: 12268.000170/2007-17
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE.
A contribuição destinada ao SEBRAE não é devida apenas por microempresa e empresa de pequeno porte.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário, quanto à multa aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Fábio Pallaretti Calcini, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. A contribuição destinada ao SEBRAE não é devida apenas por microempresa e empresa de pequeno porte. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 01 70 /2 00 7- 17 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 148 2 Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário, quanto à multa aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral e Fábio Pallaretti Calcini, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal nº 37.126.2445, lavrado em 04/10/2007, em face de AUTOMATON EMBALAGENS Fl. 150DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 149 3 PLÁSTICAS MASSA FALIDA., no valor de R$ 1.239.887,49 (um milhão duzentos e trinta e nove mil oitocentos e oitenta e sete reais e quarenta e nove centavos), referente às contribuições sociais previdenciárias da parte patronal, da parte dos segurados, SAT/RAT e terceiros (Salárioeducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/1999 a 12/2006. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 108 e seguintes, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, às fls. 121 e seguintes, cuja ementa assim dispôs: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 NFLD Nº 37.126.2445 Ementa: REMUNERAÇÕES. SEGURADOS EMPREGADOS. Sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados incidem contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA É de dez anos o prazo de decadência aplicado às contribuições previdenciárias. SAT É devida a contribuição ao seguro de acidentes do trabalho prevista no inc. II, do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cobrada em complemento à contribuição do inciso I, desse mesmo artigo. SEBRAE As contribuições para o SEBRAE são leagais e devidas, de acordo com o que preceitua o ordenamento jurídico pertinente. INCRA São devidas as contribuições ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988. Lançamento Procedente. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 135 e seguintes, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 150 4 a) A decadência do período anterior a setembro de 2002, uma vez que o art. 45 da Lei 8.212/1991 é inconstitucional, devendo ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN. b) É ilegal e inconstitucional a cobrança do SAT, posto que a Lei 8.212/91 não delimita o fato gerador da contribuição, sendo omissão quanto ao conceito de atividade preponderante da empresa. c) A Recorrente não se enquadra no conceito de micro e pequena empresa, portanto, é ilegítima a cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE. d) A contribuição destinada ao INCRA foi extinta pela Lei 8.212/91, além de ser inexigível para empresas urbanas. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da Decadência No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigoravam os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 151 5 como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 152 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitase a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 153 7 lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação, que não indicou o inadimplemento total das contribuições devidas. Deste modo, ficam afastados, de início, os pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovado que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 154 8 aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 04/10/2007 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre 01/1999 a 12/2006, bem como que houve pagamento parcial no que diz respeito à parte dos segurados e da empresa, implicando na aplicação do art. 150, §4º do CTN, tenho como certo que as competências anteriores a outubro de 2002 foram atingidas pela decadência qüinqüenal. Do Mérito Da contribuição para custeio do SAT A contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho – SAT, seguiu os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional CTN, a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. O Decreto 2.173/1997, por sua vez, expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na referida lei. E, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, I; art. 5º, II ; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 155 9 complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido”. (RE 343.4462/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) Da Contribuição ao SEBRAE Já a contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8º, §3º da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, é constitucional, e não se restringe às micro e pequenas empresas. Assim, todas as empresas sujeitas ao pagamento das contribuições ao SESC, SENAC, SESI e SENAI, estão também obrigadas ao pagamento da contribuição ao SEBRAE. Esse é o entendimento pacífico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA 1ª SEÇÃO DO STJ. PRECEDENTES. ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Recife/PE, objetivando desobrigarse de recolher contribuição social para SESC, SENAC e SEBRAE. O juízo monocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TRF da 5ª Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 535, II, do CPC, 110 do CTN, 4º do Decreto lei nº 8.621/46, 3º do Decretolei 9.853/46, 8º, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. 2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. In casu, não obstante em sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constatase que a lide foi regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegada violação da norma inserta no art. 535, do CPC. 3. Novo posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido de que as empresas prestadoras de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC. 4. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autônomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 156 10 DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5. Recurso especial improvido.(REsp 691056 / PE; RECURSO ESPECIAL 2004/01366999. Relator Ministro José Delgado. STJ. 1ª Turma. DJ 18.04.2005 p. 235) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/00729112. Relator Ministro Luiz Fux. STJ. 1ª Turma. DJ 28.02.2005 p. 241) *** TRIBUTÁRIO ADICIONAL AO SEBRAE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE EXIGIBILIDADE 1 A Contribuição para o SEBRAE (§ 3º, do art. 8º, da Lei nº 8.029/90) configura intervenção no domínio econômico, e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam a Contribuições para o SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico (micro, pequena, média ou grande empresa). Agravo regimental improvido. (STJ AgRgREsp 1.042.041 (2008/00618479) 2ª T Rel. Min. Humberto Martins DJe 25.05.2009 p. 1412) *** AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE CONSTITUCIONALIDADE DO § 3º DO ARTIGO 8º DA LEI 8.029/90 PRECEDENTE 2 A contribuição do sebrae é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a Lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, sesc e senac. Constitucionalidade do § 3º do artigo 8º da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF AgRgRE 520.8150 Rel. Min. Eros Grau DJe 09.05.2008 p. 154) *** PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT CONTRIBUIÇÃO SEBRAE LEGALIDADE PRECEDENTES I Com o advento da Lei 8.706/93, não houve a criação de novo encargo a ser Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 157 11 suportado pelos empregadores, mas tãosomente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE. II A constitucionalidade da contribuição SEBRAE foi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC, Rel. Min. Carlos Velloso. III Agravo regimental improvido. (STF AIAgR 596552 MG 1ª T. Rel. Min. Ricardo Lewandowski J. 06.11.2007) *** TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3. Recurso especial provido. (REsp 608101 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2003/02069199. Relator Ministro Castro Meira. STJ. 2ª Turma. DJ 04.10.2004 p. 254) Tendo em vista a jurisprudência acima colacionada, resta cabalmente comprovada a exigibilidade das contribuições destinadas ao SEBRAE, bem como mostrase inegável o fato da referida obrigação não restringirse apenas às micro e pequenas empresas. Da inconstitucionalidade da exigência de recolhimento de contribuições destinadas ao INCRA por empresas urbanas Argúise também a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária destinada ao INCRA, sob a justificativa de que a cobrança estaria a comprometer o princípio contributivo regente do sistema previdenciário constitucional, tendo em vista a empresa matriz da Recorrente estar situadas em área de perímetro urbano. Mantidas as ressalvas já articuladas em item anterior, em que se delineou os limites cognitivos traçados para a atuação desta instância administrativa, devese observar, a par da questão constitucional, que o E. STJ revisou a jurisprudência de suas Turmas de Direito Público a partir do julgamento do ERESP nº 770451/SC e passou a reconhecer na exação instituída pelo art. 15, II, da Lei Complementar nº 11/71, a natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico, e não mais de contribuição social, de modo que sua imposição estaria mantida mesmo após a vigência da Lei nº 8.212/91. Admitiuse, dessa forma, que a arrecadação promovida em nome do INCRA não seria destinada ao financiamento de benefícios e de serviços previdenciários destinados ao trabalhador rural, mas ao custeio das atividades institucionais cometidas constitucionalmente ao INCRA para a realização da reforma agrária. Vale trazer à colação a ementa deste julgamento: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 158 12 “TRIBUTÁRIO. INCRA. CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 66, § 1º DA LEI Nº 8.383/91. INAPLICABILIDADE. 1. O INCRA foi criado pelo DL 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, tendolhe sido destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC n.º 11/71. 2. Essa autarquia nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão porque a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Como a contribuição não se destina a financiar a Seguridade Social, os valores recolhidos indevidamente a esse título não podem ser compensados com outras contribuições arrecadadas pelo INSS que se destinam ao custeio da Seguridade Social. 4. Nos termos do art. 66, § 1º, da Lei n. 8.383/91, somente se admite a compensação com prestações vincendas da mesma espécie, ou seja, destinadas ao mesmo orçamento. 5. Embargos de divergência improvidos. (EREsp 770451/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.09.2006, DJ 11.06.2007 p. 258)” Reconsiderada a natureza da mencionada contribuição, também restou assentado no âmbito do E. STJ o entendimento de que as contribuições vertidas ao INCRA e ao FUNRURAL são perfeitamente exigíveis de empresas urbanas, o que se colhe da leitura da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA. EMPRESA URBANA. LEGALIDADE DA COBRANÇA. ENTENDIMENTO DO STF. PRINCÍPIO DA SOLIDARIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL. PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. Configurada, à época, divergência entre o acórdão embargado (que entende exigível a Contribuição de empresa urbana para o FUNRURAL e o INCRA) e o acórdão paradigma (que preconiza a não exigência das Contribuições em casos análogos), aplicase o entendimento da Primeira Seção, no sentido da decisão recorrida. 2. "É legítimo o recolhimento da contribuição previdenciária para custeio do FUNRURAL e do INCRA por empresas urbanas, já que a lei não exige a vinculação da empresa a atividades rurais." (ERESP 412.923/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 09/08/2004). 3. Embargos de Divergência não providos. (EREsp 177661/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2006, DJ 01.10.2007 p. 203)” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 159 13 Portanto, em obséquio à autoridade da interpretação consolidada no âmbito da Corte de pacificação da legislação infraconstitucional, devem ser afastadas as postulações da Recorrente que pleiteiam a desconstituição dos lançamentos referentes à contribuição destinada ao INCRA. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 160 14 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 161 15 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 162 16 Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para reconhecer a decadência das contribuições previdenciárias referentes a fatos geradores anteriores a outubro de 2002, bem como para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 163 17 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 164 18 Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 165 19 II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 166 20 No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.126.2445, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de Janeiro/1999 a dezembro/2006. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito acima indicada a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o computador consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 167 21 se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 168 22 líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 169 23 Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 170 24 No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 171 25 do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) prevêem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 172 26 Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 173 27 Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal, alvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: c) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. d) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12268.000170/200717 Acórdão n.º 2302002.707 S2C3T2 Fl. 174 28 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/09/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/09/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10580.008550/85-19
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ — NULIDADE DO LANÇAMENTO. Contribuinte do
imposto é a entidade titular da disponibilidade
da renda - Preliminar de nulidade do lançamento
rejeitada.
IRPJ - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Tem-se nula, por cerceamento do direito de defesa,
a decisão de primeiro grau, que se mantém em
silêncio, não se manifestando a respeito de diligência requerida, na impugnação, concernente'
mente á matéria de prova.
Numero da decisão: 103-08.241
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e declarar nula a Decisão de primeiro grau.
Nome do relator: Richard Ulrich Kreutzer
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DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SALVADOR — BA IRPJ — NULIDADE DO LANÇAMENTO. Contribuinte do • imposto é a entidade titular da disponibilida- de da renda - Preliminar de nulidade do lança- mento rejeitada. IRPJ - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Tem- -se nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeiro grau, que se mantém em silêncio, não se manifestando a respeito de di ligência requerida, na impugnação, concernente' mente ã'matéria de prova. Vistos, relatados e dicutidos os presentes autos de re- curso interposto por FACULDADE CATÓLICA DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS DA BAHIA ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a prelimi- nar de r3jalidade do lançamento e declarar nula a Decisão de primeiro grau. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 1988 4 DA/a AB, PRESIDENTE . 4144n40", , RI. ULRI KREUT RELATOR o - VISTO EM CARL S PROCURADOR DA FA SESSÃO DE 25 EV1988 ZENDA NACIONAL v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, THEREZA ARRUDA BORREGO BIJOS (Suplen te), WRGIO RIBEIRO, D1CLER DE ASSUNÇÃO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. ; SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10580/008.550/85-19 RECURSO N9: 91.707 ACUDA() N9: 103-08.241 RECORRENTE: FACULDADE CATÓLICA DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS DA SABIA. RELATÓRIO FACULDADE CATÓLICA DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS DA BAHIA, inscrita no CGC sob n9 13.595.517/0001-12, foi lançada em ação fis cal externa pelas seguintes irregularidades: Exercício de 1981,ano-base de 1980 Postergação de receitas financeiras Cr$ 23.671.727 Exercício de 1982, ano-base de 1981 Omissão de receitas operacionais decorrentes de rendimentos de títulos com correção mone- tária prefixada Cr$ 5.105.486 Postergação de receitas financeiras Cr$ 57.772.086 2. O auto de infração foi lavrado em 17.07.85 e em 16.08.85 a recorrente apresentou sua impugnação, alegando em suma: que foi indevidamente autuada, pois é um estabelecimento de ensino superior mantido pela Associação de Pesquisa e Ensino Superior da Bahia, entidade sem fins lucrativos; que não existiria o contrilmin autuado, mero estabelecimento de ensino, desprovido de personalida de jurídica, sendo que a pessoa jurídica seria a Associação de Pes guisa e Ensino Superior da Bahia, a qual gozaria de imunidade do imposto de renda; que, se não fosse considerada sua condição de en tidade imune, os valores levantados deveriam sê-lo pelo regime de competência; que as receitas diferidas e omitidas nos exercícios financeiros de 1981 e 1982 totalizariam apenas Cr$ 4.999.948 e Cr$ 11.819.984, respectivamente, conforme demonstrativos anexos,cu ja exatidão poderia ser confirmada por perícia contábil, que regue ria caso não fossem os seus números aceitos. 1)); A informação fiscal consta de fls. 253 e 256.W, SERVIDO PÚBLICO FEDERAL Processo n{i 10580/008.550/85-19 2. Acórdão n9 103-08.241 4. Objetivando um julgamento imparcial e seguro, a re- partição de origem providenciou a realização de diligência para me_ lhor esclarecimento do processo. 4.1 No relatório de diligência o Auditor Fiscal do Te- souro Nacional diligenciante apurou, no exercício financeiro de 1981, uma receita postergada no valor de Cr$ 4.999.948 e, no exer- cício financeiro de 1982, uma receita postergada dea4 14.132.269 e receita omitida no valor de Cr$ 2.476.245. 4.2 O funcionário diligenciante elaborou, a fls.275,qua dro demonstrativo do imposto retido na fonte e do imposto acobrar, no qual apurou, além do imposto devido sobre omissão de receitas e do valor do imposto postergado, o imposto de renda retido na fonte compensado a maior. 5. O Senhor Delegado da Receita Federal em Salvador= sirando que a recorrente, embora alegando não ter fins lucrativos, obteve bons resultados, notadamente de aplicações financeiras, e que participa societariamente de outra pessoa jurídica (Livraria Económica Ltda.), cujos fins são lucrativos e comerciais, na qual também tem como sócios os diretores fundadores da recorrente, ce- dendo gratuitamente o local para sua instalação, entendeu-a desca- racterizada como estritamente educacional. Como respaldo de sua de cisão citou dois acórdãos deste Conselho. Concordou com os dados referidos na diligência para julgar que, no ano-base de 1980, exer cicio de 1981, ocorreu postergação de receita no valor de Cr$ .... 4.999.948, no ano-base de 1981, exercício de 1982, ocorreu poster- gação de receita no valor de Cr$ 14.132.269, omissão de receita de Cr$ 2.476.245 e compensação de imposto a maior no valor de Cr$ ... 1.616.039. Não houve manifestação sobre o pedido de perícia contá- bil. Assim, a ação fiscal foi julgada procedente em parte. 6.( A recorrente foi cientificada da decisão de primei- ra instância em 25.08.87 e em 23.09.87 apresentou seu recurso. \À1- I, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10580/008.550/85-19 3. Acórdão n9 103-08.241 7. No recurso, feito em nome da Associação de Pesquisa e Ensino Superior da Bahia, entidade mantenedora da recorrente é alegado preliminarmente que o lançamento seria nulo dada a ilegiti midade passiva da Faculdade Católica de Ciência Econômicas da Ba- hia, pois a personalidade jurídica seria da entidade mantenedora, instituição que gozaria de imunidade constitucional. Como respaldo de suas alegações transcreve trechos de pronunciamentos feitos em votos e em parecer no Conselho Federal de Educação. 7.1 Ainda em caráter preliminar alegou cerceamento do direito de defesa evidenciado pela negativa do diferimento da perl cia requerida na impugnação, bem como a ausência de oportunidade de esclarecimento da situação jurídica peculiar da Associação como entidade mantenedora de instituição de ensino superior e da absolu ta regularidade da Livraria Econômica, no quadro das realizações culturais daquela instituição. 7.2 Prosseguindo, disse a recorrente que o julgamento da impugnação inovou a matéria imponível e alterou a base de cálcu lo, razão pela qual cumpriria se restituísse a oportunidade de im- pugnar a matéria inovada. Considerado o presente recurso como im- pugnaçãosa recorrente usou da faculdade do parágrafo único do arti go 17 do Decreto n9 70.235/72 (Regulamento do Processo Administra- tivo Fiscal) para indicar seu perito cujo nome e endereço apresen- tou a fls. 299,e formulando os quesitos constantes a fls. 308. 7.3 No tocante ao mérito, entendendo haver grande afini dade entre as razões preliminarmente invocadas e as de mérito, a recorrente apresenta argumentos que, em seu entender, demonstram estar ela enquadrada como instituição imune de imposto de renda. Que por se tratar de instituição de ensino imune não estaria sujei ta a apurar seus resultados pelo regime de competência. 7.4 Finaliza, pedindo o provimento do recurso. É o relatório. =IW/7 acas. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10580/008.550/85-19 4. Acórdão n9 103-08.241 VOTO Conselheiro RICHARD ULRICH KREUTZER, Relator: O recurso é tempestivo. 2. Nulidade do Lançamento. 2.1 Entendo que não ocorreu a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. 2.2 Juntamente com o recurso foi anexada cópia xerográfica do Estatuto da Associação de Pesquisa e Ensino Superior da Bahia e do Regimento da Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia. 2.2.1 Lê-se no artigo 29 do Estatuto da Associação: "Art. 29 - Destina-se a Associação a instruir,manter e dirigir a Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia, o Instituto de Pesquisas Econômicas Sociais e Administrativas, e congregar Institutos que hão de in- tegrar uma futura Universidade, bem como outras organi zações de caráter cultural e social." 2.2.2 Do Regimento da Faculdade transcreve-se os seguintes artigos: "Art. 19 - A Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia, mantida pela Associação de Pesquisas e Ensi- no Superior da Bahia, fundada em 04 de agosto de 1960, é uma Instituição de Ensino Superior, com sede ã Aveni da Joana Angelica, 651, na Cidade do Salvador, Estado da Bahia. Art. 29 - A Faculdade Católica de Ciências Econômicas da Bahia, autorizada a funcionar pelo Decreto n9 48.663,de 04 de agosto de 1960, reconhecida pelo Gover no Federal através do Decreto n9 62.395/68 e considera" da de utilidade pública pela Lei Municipal n9 2.147,de- 14.11.68, pela Lei Estadual n9 2.813, de 21.07.70, com o fim específico de ministrar o ensino em todos os seus graus e desenvolver atividades culturais e cienti ficas, é órgão integrante da referida Associação, con; C/íkr SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10580/008.550/85-19 5. Acórdão n9 103-08.241 titulda em sociedade civil, sem fins lucrativos." "Art. 19 - A Administração da Faculdade será exercida por três poderes que com funções específicas e distin tas, orientarão um trabalho harmônico com o fim de a= tingir o objetivo máximo da Faculdade, que é a educa- ção da juventude. Parágrafo único - São os seguintes os poderes que admi nistram a Faculdade: a) Congregação b) Conselho Departamental c) Diretoria." "Art. 33 - A Diretoria da Faculdade será exercida na pessoa do Diretor nomeado pela Mantenedora, escolhido entre os componentes da lista triplice indicada e apre sentada pela Congregação em escrutínios independentes?" "Art. 110 - O Patrimônio da Faculdade é constituído: a) de bens móveis e imóveis existentes ou que venha a adquirir e das rendas deles decorrentes; b) de legados e doações aceitos expressamente; c) de rendas e receitas resultantes de atividades didã ticas, econômicas e sociais ou, provenientes de po- deres públicos e particulares, nacionais e estran_ geiros e auxílios destinados pela Mantenedora. Art. 111 - O Patrimônio próprio da Faculdade responde- rá pelas responsabilidades civis, trabalhistas e previ denciárias, independente do Patrimônio da entidade Man_ tenedora. Art. 112 - A despesa será regulada por dotação orçamen tária da Mantenedora." 2.3 Embora o artigo 29 do Regimento da Faculdade diga que ela é órgão integrante da referida Associação, percebe-se pela leitu ra dos demais artigos transcritos que na realidade se trata de duas entidades distintas. A distinção fica mais evidente pela leitura do artigo 111 do Regimento. 2.4 Outro aspecto a considerar é que conforme atesta a có- pia da escritura definitiva de compra e venda de fls. 260/262, a Fa culdade adquiriu em seu nome o imóvel indicado na referida escritura. Se a Faculdade se considerasse apenas órgão da Associação, e não pessoa jurídica distinta desta deveria ter constado - na escritura , como compradora, a Associação. A propósito, a situação da Faculdade " SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10580/008.550/85-19 6. Acórdão n9 103-08.241 como compradora do imóvel está coerente com o estabelecido no artigo 111 do seu Regimento. 2.5 Não é por demais ressaltar que a recorrente vinha apre sentando anualmente declarações de imposto de renda de pessoa jurídi- ca e pagando o respectivo imposto. De se observar, ainda que a Facul dade tem CGC próprio, tem rendas próprias tanto de anuidades como de aplicações financeiras. Não se pode esquecer que o artigo 45 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei n9 5.172, de 25.10.66) define como contribuinte do imposto de renda o titular da disponibilidade de renda. 2.6 Eis as razões pelas quais rejeito a preliminar de nuli dade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. 3. Cerceamento do Direito de Defesa. 3.1 A decisão de primeira instância não se manifestou so- bre a perícia contábil que a recorrente requereu caso não fossem os seus números aceitos. 3.2 Nos termos do artigo 17 do Decreto n9 70.235/72 a de terminação para a realização ou não de perícias está no âmbito do po der discricionário da autoridade julgadora de primeira instância. 3.3 Os valores mantidos pela decisão de primeira instância superam aqueles com os quais a recorrente manifestou sua concordân - cia, razão pela qual é subsistente o pedido de perícia. Este Conse lho tem entendido que caracteriza cerceamento do direito de defesa a falta de manifestação, de parte da autoridade julgadora, sobre o de- ferimento ou indeferimento da realização de perícia. Embora dentro de seu poder discricionário, conforme já ressaltado, é necessário que o julgador se manifeste sobre o pedido. 3.4 Nestas circunstâncias a decisão de primeira instância se manifesta nula por falta de manifestação sobre o pedido de reali- zação de perícia. 4/gW1 SERVIDO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10580/008.550/85-19 7. Acórdão n9 103-08.241 4. De todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo, e por declarar nula a decisão de primeira instância, em razão do cer ceamento do direito de defesa. Bra ia-DF., em 23 ipe ereiro de 1988 ICRARD ./ ULRICH 'REUT2E)/ RELATOR .(4 Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.002760/2005-54
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 13/07/2004
EXPORTAÇÃO. DADOS DO REGISTRO DO EMBARQUE NÃO INFORMADOS NO TEMPO EXIGIDO. APLICAÇÃO DE MULTA ESPECÍFICA.
O embarque de mercadorias à revelia da tempestiva informação dos dados correspondentes no SISCOMEX caracteriza infração administrativa sujeita à aplicação de multa específica, no montante de R$ 5.000,00, por infração objeto do tipo da norma de direito tributário penal de que trata a alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei no 37/66, cujo núcleo é [...] deixar de prestar informação [...].
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Relatorf
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/07/2004 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. ASSUNTO RESERVADO A LEI. IMPOSSIBILIDADE DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ALEGADA FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, como mero instrumento de controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se reveste em instrumento legal hábil para estabelecer competência, posto que tal prerrogativa é reservada exclusivamente a lei, por força da qual a autoridade competente para constituir o lançamento é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Não bastasse isso, o procedimento interno de revisão aduaneira, nos termos do inciso II do artigo 11 da Portaria SRF nº 3.007, de 26/11/2001, vigente à época do lançamento, dispensa a formalização de MPF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/07/2004 EXPORTAÇÃO. DADOS DO REGISTRO DO EMBARQUE NÃO INFORMADOS NO TEMPO EXIGIDO. APLICAÇÃO DE MULTA ESPECÍFICA. O embarque de mercadorias à revelia da tempestiva informação dos dados correspondentes no SISCOMEX caracteriza infração administrativa sujeita à aplicação de multa específica, no montante de R$ 5.000,00, por infração objeto do tipo da norma de direito tributário penal de que trata a alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei no 37/66, cujo núcleo é “[...] deixar de prestar informação [...]”. Recurso ao qual se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 27 60 /2 00 5- 54 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria de Fátima Oliveira Silva (relatora), Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Marco Antonio Perdigão (Suplente). Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Tendo sido designado como redator ad hoc nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e dada a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 30.000,00 referente à multa regulamentar de embaraço ou impedimento à ação da fiscalização aduaneira, prevista no art.107, inciso IV, do Decreto Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 02, a autuada deixou de registrar os dados de embarque da mercadoria despachada por meio das DDE’s nº 2040790357/7; 2040782352/2; 240801601/9; 2040776945/5; 2040772552/0 e 2041433756/5, no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos pela RFB conforme disposto no artigo 37, da Instrução Normativa nº. 28 de 27/04/1994 e Notícia SISCOMEX nº. 105, item “2” de 27/07/1994. As mercadorias foram exportadas ao amparo dos Conhecimentos Marítimo nºs. SSZI59286 e SSZI88314, emitidos, respectivamente, em 28/07/2004 e 04/01/2005, tendo sido registrado os dados de embarque apenas em 01/11/2004 e 11/01/2005, respectivamente, conforme extratos de “Consulta Histórico Despacho” e “Consulta Dados de Embarque”. Intimada em 05/05/2005, a interessada apresentou impugnação de fls. 33/41, acompanhada dos documentos de fls. 42/62, alegando, em síntese: Em preliminar, requer a anulação do auto de infração em razão da ausência de Mandado de Procedimento Fiscal. Defende, às fls. 37/40, a ausência de amparo legal da exigência. Que não houve embaraço, dificuldade ou mesmo impedimento à ação da fiscalização. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.002760/200554 Acórdão n.º 3802000.158 S3TE02 Fl. 113 3 Requer a anulação do auto de infração ou sua improcedência. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento objeto da lide, tendo mantido o crédito tributário no montante de R$ 5.000,00. Cientificado da referida decisão em 21/10/2008 (fls. 72), o sujeito passivo apresentou, em 21/11/2008 (fls. 74), o recurso voluntário de fls. 74/91, onde argui a nulidade do lançamento por falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e alega inexistir tipicidade e legalidade para aplicação da multa vergastada. Requer, finalmente, seja dado provimento ao seu recurso com o conseqüente cancelamento da autuação formalizada contra si. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009: Ressalvado o meu entendimento pessoal – no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso – reproduzo, abaixo, o voto objeto da decisão de primeira instância, já que inexiste qualquer memória sobre o julgamento do feito por este Conselho. Encaminhado o presente processo, nos termos do regimento interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), que trata da impugnação apresentada, procedese ao julgamento. Observase, de plano, que é incontroverso o fato de que a interessada deixou de prestar as informações de embarque no Siscomex dentro do prazo de 24 horas então vigente. O caso em tela se refere a descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28/1994, com redação dada pela IN SRF Nº 510, de 14 de fevereiro de 2005. A autoridade fiscal aduaneira tipificou a conduta da autuada na alínea “c” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/03. Assim, considerando o disposto no art. 136 do CTN, Lei 5.172 de 25/10/1966, a fiscalização entendeu que houve infração à legislação tributária, resultando no presente auto de infração. Da peça impugnatória constam proposições pertinentes à nulidade do procedimento fiscal. A contribuinte alega que o auto de infração é nulo, uma vez que não foi formalmente comunicada de sua submissão ao procedimento de Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 fiscalização, o que deveria ter sido realizado através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O crédito tributário constituído pelo lançamento é um ato jurídico cuja eficácia depende da presença de todas as condições necessárias para sua validade. A simples falta ou imperfeição do MPF não tem o condão de anular auto de infração que atenda a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Consiste em ordem emanada por dirigentes das unidades, designando determinados auditores fiscais a executarem tarefas tendentes à verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. De outra parte, o MPF confere ao contribuinte a oportunidade de apurar a “veracidade” da fiscalização à qual está sendo submetido, salvaguardandoo de eventuais desvios ou abusos. A autoridade fiscal, ao depararse com infração definida em lei como suficiente ao lançamento de ofício, deve obrigatoriamente formalizar o lançamento – atividade privativa e vinculada da autoridade administrativa – , sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O parágrafo único do art. 142 do CTN determina ser o lançamento atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. As portarias da SRF sobre o MPF constituemse em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN. Portanto, não tem o condão de determinar a nulidade do lançamento. Esse tem sido o entendimento reiterado dos Conselhos de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADES [...] O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo (1º CC, 7ª Câmara, ac.10706276). NORMAS PROCESSUAIS FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO INEXISTÊNCIA A Portaria SRF n° 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, em virtude do princípio da legalidade (CF, art. 5º, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional CTN, às do Decreto n° 70.235, de 1972, em especial às dos arts. 7º e 59, que versam, respectivamente, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.002760/200554 Acórdão n.º 3802000.158 S3TE02 Fl. 114 5 sobre o início do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. (1° CC, 2ª Câmara, ac. 10246676, relator Micael Heber Mateus, 16/03/05.) Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Outra preliminar alegada pela recorrente se refere à ausência de amparo legal da exigência. Quanto a isto, importante verificar no relatório fiscal, fls. 02, que a autoridade fiscal aduaneira estabeleceu como fundamento jurídico da autuação o descumprimento da obrigação acessória de registrar, no SISCOMEX, os dados de embarque das mercadorias exportadas ao amparo dos Conhecimentos Marítimo nº SSZI59286 e SSZI88314. Logo, o fundamento jurídico da autuação é o descumprimento ou o cumprimento a destempo de obrigação acessória. A obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Por seu turno, a IN SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, alterada pela IN SRF nº 510/2005, assim dispõe: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Portanto, a infração cometida pela autuada se encontra perfeitamente tipificada na legislação tributária federal. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Também, na INTIMAÇÃO Nº 059/05/EQDEX/GMAX, fls. 09, a fiscalização fundamenta sua exigência no art. 107, IV, item “e” combinado com o item “c” do DecretoLei nº 37/66. Todavia, no ENQUADRAMENTO LEGAL que consta no corpo do auto de infração a fiscalização descreve somente o item “c” do art. 107, IV do referido DecretoLei. Assim, a multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. Para melhor compreensão, abaixo transcrevo os seguintes dispositivos legais: DecretoLei nº 37/66 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994 Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. Quanto ao prazo, a Notícia Siscomex nº 105/1994 esclareceu o significado do termo “imediatamente” contido no artigo 37 da Instrução Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.002760/200554 Acórdão n.º 3802000.158 S3TE02 Fl. 115 7 Normativa SRF nº 28/1994, fixandoo em 24 horas contadas da data do efetivo embarque, in verbis: “2) Por oportuno, esclarecemos que o termo “imediatamente”, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a previsão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado”. Para a solução do caso em tela, fazse necessário trazer a lume o posicionamento da Solução de Consulta Interna nº. 8, de 14 de fevereiro de 2008, acerca das regras para aplicação do artigo 37 da Instrução Normativa (IN) SRF nº. 28, de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação, reproduzindo, a seguir, excertos da mesma: “(...) 3.Ocorre que a IN SRF no 510, de 2005, deu nova redação ao art. 37 da IN no 28, de 1994, e estabeleceu os prazos de dois dias (via aérea) e de sete dias (via marítima) para o registro dos dados de embarque no Siscomex. Diante deste conjunto de regras, a consulente apresenta os seguintes questionamentos: a) à situação em curso cabe a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), devendose lançar a multa apenas nos casos em que os dados de embarque foram informados após dois ou sete dias após o embarque, para as vias de transporte aérea e marítima, respectivamente, mesmo antes da vigência da IN SRF no 510, de 2005? b) se deve ser aplicada ao transportador a multa de R$ 5.000,00 para cada declaração de exportação (DE) com dados de embarque informados fora do prazo ou, tendo em vista o disposto no art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, que trata da aplicação e graduação das penalidades, deve ser aplicada apenas uma multa de R$ 5.000,00, por transportador, para todas as DE cujos dados de embarque este tenha informado fora do prazo? Fundamentos Da retroatividade benigna da lei tributária 4.A IN SRF no 28, de 1994, em seu art. 37, antes e após a nova redação dada pela IN no 510, de 2005, e em seu art. 44, assim tratou a matéria: IN SRF nº 28, de 1994 (redação original) Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei nº 37/66 com a redação do Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN SRF nº 28, de 1994, com a redação da IN SRF nº 510, de 2005. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) 4.1. A multa de que tratava o art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, antes de sofrer nova redação pela Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, assim dispunha: Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo DecretoLei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo DecretoLei nº 751, de 08/08/1969) (...) 5.Como pode se perceber, o art. 44 da IN SRF no 28, de 1994, estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. 5.1. Descumprir a lei é desobedecer a seu comando, é agir de forma diferente à conduta por ela imposta, independentemente de se ter ou não como objetivo alcançar uma vantagem ou evitar um prejuízo para si ou para outra pessoa. Contudo, a norma infracional em análise não dispõe de comando completo. O que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização? Assim, a norma, da forma com está colocada, é verdadeira norma penal em branco, uma vez que o agente deve descumprir determinada obrigação acessória, que não está definida na lei de regência da matéria mas sim em norma infralegal, para ser considerado infrator. 5.2. Nestes termos, o comando constante do art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, tem por objetivo criar obrigação acessória, a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. O referido artigo, vem completar a norma penal em branco, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. 6.O art. 97 do CTN, tratando das leis, tratados e convenções internacionais e decretos, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; (...) 6.1. Segundo o professor Hugo de Brito Machado (Comentários ao Código Tributário Nacional, Volume II, pág. 64), a adequada compreensão do inciso V acima transcrito demanda sua interpretação em conjunto com o estabelecido no inciso III, do mesmo artigo, o que leva a concluir que a definição do fato gerador da obrigação acessória não se inclui no campo da reserva legal. Acrescenta: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.002760/200554 Acórdão n.º 3802000.158 S3TE02 Fl. 116 9 Realmente, o inciso V faz referência a penalidades para ações ou omissões contrárias a dispositivos de lei, e também a penalidades para outras infrações nela definidas. Toda ação ou omissão contrária a um dispositivo de lei constitui infração. Existem, porém, outras infrações nela definidas, que são exatamente as consubstanciadas em ações ou omissões contrárias a dispositivos da legislação tributária inferior que estabelece as denominadas obrigações acessórias.” 6.2. Do entendimento do art. 97, constatase que as leis podem cominar penalidades para o descumprimento das obrigações acessórias. Nesse caso, não há como negar que a mudança da norma complementar, que cria determinada obrigação acessória, acaba por afetar o alcance da lei. O princípio da retroatividade benigna deve ser, então, analisado pela situação jurídica nova que veio a beneficiar o contribuinte, mesmo sendo essa nova situação provocada pela mudança da legislação tributária inferior. 6.3. Nesse sentido Hugo de Brito Machado complementa (Comentários ao Código Tributário Nacional, Volume II, pág. 178): É razoável também o entendimento segundo o qual se aplica retroativamente a lei que de qualquer forma favorece o contribuinte no que diz respeito a sanções por suas infrações a legislação tributária. Nesse sentido registrase manifestação do Conselho Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, assim expressa: Aplicase retroativamente a norma que, conceituando reincidência de maneira mais favorável ao infrator, por limitar o lapso de tempo de cometimento da nova infração em relação à anterior, implica no desagravamento da penalidade. 7.Já a retroatividade benigna da lei tributária concernente a penalidades é a manifestação, no âmbito do Direito Tributário, de um princípio fundamental do Direito Penal, a determinar a aplicação retroativa de lei mais favorável ao réu, ou acusado. O art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definílo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 8.Conforme destacado no item 4, a IN no 28, de 1994, em seu art. 37, estabelecia o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria, pelo transportador, no Siscomex, como sendo “Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”: 8.1. O sentido do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex no 105, de 27 de julho de 1994, a qual é a seguir reproduzida: 2) Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “ em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. 8.2. A IN SRF no 510, de 2005, ao dar nova redação ao art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 9.Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF no 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. Da aplicação da multa ao transportador 10.Quanto ao segundo questionamento, referente à aplicação da multa de R$ 5.000,00, para cada declaração de exportação informada fora do prazo ou pelo conjunto de declarações não informado, dois pontos devem ser observados. 11.Em primeiro lugar, cabe destacar que o art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, teve nova redação dada pela Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Assim, a Lei no 10.833, de 2003, trouxe uma definição de infração mais específica aplicável ao caso em questão, prejudicando assim o disposto no art. 44 da IN no 28, de 1994, o qual sujeitava o infrator ao pagamento da multa por embaraço à fiscalização prevista no art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969. 11.1. A Medida Provisória no 135, de 30 de outubro de 2003, que resultou na conversão da referida lei foi publicada no Diário Oficial da União em 31 de dezembro de 2003 e, como não houve alteração do artigo na conversão dessa Medida Provisória na lei, a multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003 é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...) 12.A penalidade é aplicável, em qualquer caso, à empresa de transporte internacional. Nesse sentido, o que o art. 44 da IN SRF no 28, de 1994, considerou como embaraço à atividade de fiscalização aduaneira foi o fato de o transportador não promover o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido. A obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. 13.Tendo em vista o acima exposto, concluise que a tipificação legal atualmente em vigor para a imposição de penalidade é a alínea “e” do Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.002760/200554 Acórdão n.º 3802000.158 S3TE02 Fl. 117 11 inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833, de 2003. 14.O segundo ponto a ser observado, é no que diz respeito a qual ação, ou no caso em estudo, qual a omissão deve ser penalizada com a multa referida no item 13. A Coana questiona se se aplica ao caso o comando do art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, que trata da aplicação e graduação das penalidades, que assim dispõe: Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. 15.Como se pode perceber, o art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, trata da cumulatividade de infrações, quando praticadas pela mesma pessoa. No presente caso, não temos duas infrações e sim e tão somente uma única infração: não prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 15.1. Assim, não cabe a aplicação do art. 99 do Decretolei no 37, de 1966, para sanar a dúvida apresentada. 16.Restaria, assim, a dúvida se a cada informação não prestada, sobre cada uma das declarações de exportação, geraria uma multa de R$ 5.000,00 ou se a multa seria pelo descumprimento de obrigação acessória de deixar o transportador de informar os dados sobre a carga, como um todo, transportada. Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumprir a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Conclusão 17.Em face do exposto, concluise que; a)cabe à situação em curso a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN. Portanto, aplicase a multa por falta de registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias, fora do prazo estipulado, somente se o registro foi efetuado depois de dois dias, no caso de transporte aéreo, ou depois de sete dias, no caso de transporte marítimo. b) a multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003, é a que se refere à alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei no 37, de 1966, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003. c) deve ser aplicada ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00, uma vez que ocorre o descumprimento da obrigação acessória de informar os dados de embarque, no Siscomex, não sendo determinante a quantidade de dados não informados. (...)” Examinandose os fatos e os documentos carreados aos autos se constata que as mercadorias exportadas ao amparo dos Conhecimentos Marítimo nº. SSZI59286 e SSZI88314, emitidos, respectivamente, em 28/07/2004 e 04/01/2005, tendo sido registrado os dados de embarque em 01/11/2004 e 11/01/2005, respectivamente. Temse, assim, que o primeiro registro ocorreu após o transcurso de sete dias do embarque e o segundo ocorreu dentro do prazo estabelecido pela IN SRF nº 510, de 2005. Cabível, portanto, a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de informar no Siscomex os dados de embarque quanto Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 ao Conhecimento Marítimo nº SSZI59286, navio Laust Maesk, viagem nº 0412. Entretanto, não sendo determinante a quantidade de dados não informados, aplicase ao transportador uma única multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por veículo transportador. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar parcialmente procedente o auto de infração de fls. 01/05, mantendose o crédito tributário de R$ 5.000,00. Este, portanto, foi o entendimento dado pela primeira instância, que, como dito, é aqui reproduzido uma vez que não há memória concernente ao julgamento do feito pelo CARF. A título de informação, ressalto que esta Turma de julgamento, mesmo com formação diversa daquela em que o presente feito foi julgado, tem entendido que a não prestação de informação sobre carga proveniente do exterior na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal se subsume ao tipo sancionado pelo artigo 107, inciso IV, alínea “e”, c/c artigo 37, caput e § 2º, todos do Decretolei nº 37, de 1966. No mais, quanto à suposta nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal, ressaltese que este Colegiado, em reiterados julgados, também tem entendido ser o MPF apenas um meio de controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se revestindo em instrumento legal que estabeleça competência, até porque dito mecanismo de controle foi criado por portaria, enquanto a competência para o lançamento, privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, é decorrente de lei complementar, prevista especificamente no art. 142 do CTN. Portanto, quaisquer dados relacionados ao MPF são estranhos à definição da competência da autoridade fiscal, consistindo apenas em critérios de planejamento administrativo das atividades fiscais, o que, de fato, representa o escopo que motivou a criação do instrumento em questão. Não bastasse isso, importa ressaltar que a questão em exame é decorrente de procedimento interno de revisão aduaneira, o qual, nos termos do inciso II do artigo 11 da Portaria SRF nº 3.007, de 26/11/2001 – vigente à época do lançamento –, dispensa a formalização de MPF. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 11128.002760/200554 Acórdão n.º 3802000.158 S3TE02 Fl. 118 13 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/ 07/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10830.002489/2006-39
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/01/2006
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Depreende-se do art. 151, IV, do CTN, que a medida liminar em sede de mandado de segurança tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.282
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Ricardo Paulo Rosa. Designada a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-09-24T14:34:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-09-24T14:34:37Z; Last-Modified: 2012-09-24T14:34:37Z; dcterms:modified: 2012-09-24T14:34:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:1f2ddea1-87c0-4ead-9aea-bdafd05ba64b; Last-Save-Date: 2012-09-24T14:34:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-09-24T14:34:37Z; meta:save-date: 2012-09-24T14:34:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-09-24T14:34:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-09-24T14:34:37Z; created: 2012-09-24T14:34:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2012-09-24T14:34:37Z; pdf:charsPerPage: 1193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-09-24T14:34:37Z | Conteúdo => S3-C I T2 11 147 4- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10830.002489/2006-39 Recurso no 139.355 Voluntário Acórdão n° 3102-00.282 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2009 Matéria COMPENSAÇÕES DIVERSAS Recorrente USINA AÇUCAREIRA ESTER S/A Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/01/2006 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Depreende-se do art. 151, IV, do CTN, que a medida liminar em sede de mandado de segurança tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Ricardo Paulo Rosa. Designada a Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena para redigir o voto vencedor. Itercia Helena Traja D'amorim - Presidente MalarkrU- C>j celo Ribeiro Nogueira - Relator Bea riz Veríssimo de Sena - Redatora Designada EDITADO EM: 24/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instancia por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata-se da Declaração de Compensação, protocolizada em 24/05/2006, com fundamento no indébito tributário de R$361.867,51 (fls. 01) e na compensação (11s. 02) de RS 10.044,08, não homologada pela DRF Campinas/SP, em Despacho Decisório de fls. 12/13, datado de 07/06/2006, tendo em conta a falta de comprovação do pagamento indevido, na medida em que se encontrava totalmente alocado ao processo administrativo n° 10830.005572/89-43. Cientificada da não-homologação da compensação, em 12/06/2006 (cf Aviso de Recebimento — AR de fls. 16), a Requerente, por intermédio de seus representantes legais (Estatuto Social de fls. 36), protocolizou a manifestação de inconformidade, de fls. 17/34, em 04/07/2006, oferecendo, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito. Esclarece a Defendente se tratar de compensação efetuada mediante a apresentação de Declaração de Compensação, prevista na Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, "objetivando a utilização de parte do direito creditório decorrente do recolhimento indevido da Contribuição ao IAA e respectivo adicional, regulados pelos Decretos-leis n° 308/67, 1.712/79 e 1.952/82, relativos a competência de setembro de 1989, comprovado através do Darf juntado às fls. 03 — Código 5160, período de apuração de 08.08.1980, processo administrativo n° 10830.005572/89-43 -, para liquidar débito concernente ao IPI, no valor de R$10.044,08, Código 0668, período de apuração de 20.05.2006". Explicita que o pagamento efetuado em 30/01/2006 seria indevido porque o crédito tributário correspondente já estaria extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN. Reitera que o pagamento referir-se-ia a Contribuição para o IAA e respectivo adicional do período de competência de setembro de 1989. Acrescenta que o tributo em questão teria sido objeto de discussão judicial — Mandado de Segurança n° 89.0037203-3 (96.03.057652-2), cópias em anexo — perante a 1" Vara da Justiça Federal em São Paulo/SP, tendo sido suspensa a exigibilidade do crédito tributário, mediante a concessão de medida liminar, condicionada a realização do depósito judicial de seu montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN. Segundo a Requerente, como a sentença teria julgado extinto o processo sem julgamento do mérito, foi obtido provimento 2 Processo n° 10830.002489/2006-39 S3-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.282 Fl. 148 1— jurisdicional para efetuar o levantamento do valor depositado, o que teria sido efetivado em 21/06/1995 (cópia de Alvará de Levantamento n° 130/95). Posteriormente, teria sido requerida e deferida a desistência do processo. Como o crédito tributário depositado judicialmente não teria sido constituído pela contribuinte por meio da DCTF, o Fisco teria o dever de efetuar o lançamento de oficio correspondente, nos termos do art. 142 do CTN. Afirma que, dentro do prazo decadencial previsto pelo CT1V, não teria sido adotado qualquer procedimento para lançamento do tributo depositado judicialmente e posteriormente levantado pela empresa. E explica: "Em verdade, na tentativa de 'constituir o crédito tributário em questão, o Fisco iniciou o processo administrativo n° 10830.005572/89-43 (doc. 05 — principais pews), inclusive mencionado no Darf utilizado pela Manifestante para justificar a compensação ora discutida. Muito embora a própria Secretaria da Receita Federal — SRF tenha entendido pela configuração da decadência do direito de lançar de oficio o crédito tributário não declarado elll DCTF pela Manifestante, a cobrança indevida da exação persistiu em razão de equivocado parecer emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doc. 05). Calha salientar que o posicionamento deste último órgão federal foi no sentido de que a mera impetração do mandado de segurança e a realização do depósito judicial da exação já teriam o condão de substituir a constituição do crédito tributário pelo contribuinte através de DCTF, implicando na desnecessidade de o Fisco efetuar o devido lançamento tributário". Contradita a tese da PFN com jurisprudência do Conselho de Contribuintes, afirmando ser a Contribuição ao IAA lançamento por homologação. Em face da ausência de confissão do débito em DCTF e de pagamento, teria o Fisco cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, para efetuar o lançamento (art. 173, I, do CTN). Eni seu entender, o fato de haver discutido judicialmente a exação não afastaria o dever de o Fisco efetuar o lançamento tributário para prevenir a decadência. Em suas palavras: "E, diga-se, o processo administrativo n° 10830.005572/89-43 foi instaurado justamente para acompanhar o trâmite da mencionada ação judicial, o que demonstra que o Fisco tinha informações suficientes para instaurar Fiscalização no estabelecimento da Manifestante para proceder o lançamento tributário de oficio, nos termos do art. 142, combinado com o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional". Destaca que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não teria obstado o direito de a autoridade administrativa 3 prevenir a decadência, mediante o competente lançamento de oficio. No mesmo sentido, transcreve jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. Defende que o tributo, cobrado indevidamente, não teria sido declarado em DCTF, nem objeto de lançamento de oficio por parte do Fisco, que mesmo "conhecendo da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, deixou de tomar as providências cabíveis — leia-se, efetuar o lançamento de oficio — para prevenir a decadência" (grifos do original). E acrescenta: "E, nesse sentido, decorrido o prazo para a lavratura do lançamento de oficio, tal como previsto pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, foi totalmente despropositada a iniciativa da Secretaria da Receita Federal — ainda que com base em Parecer emanado da Procuradoria da Fazenda Nacional competente -, simplesmente persistir na cobrança da exação, sustentando que o mandado de segurança impetrado pelo Manifestante teria o condão de substituir a DCTF". Ressalta ainda que o procedimento adotado pelo Fisco teria contrariado o entendimento oficial da PFN, conforme Parecer PGFN/CRJN n° 1.064/93, segundo o qual, "nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do artigo 142 e respectivo parágrafo único do CTN". Conclui dai que unta vez configurada a decadência, o crédito tributário já estaria extinto nos termos do art. 156, V, do CTN, razão pela qual o pagamento espontâneo efetuado teria sido indevido. No mérito, com base em jurisprudência do Conselho de Contribuintes, afirma ser ilegal a cobrança da contribuição ao IAA e respectivo adicional, por afronta ao art. 97 do CTN, tendo em conta a delegação de competência ao Conselho Monetário Nacional quanto à determinação do critério quantitativo do tributo (base de cálculo/aliquota). Faz remissão â decisão do STF 110 sentido de que, apesar de a contribuição para o IAA e seu adicional terem sido recepcionados pela Constituição Federal de 1988, a fixação de aliquotas pelo Poder Executivo não poderia ser admitida após a nova ordem constitucional. Dada a decadência e a ilegalidade do crédito tributário pago, requer a homologação da compensação. Para melhor decidir o mérito, foi solicitado o desarquivamento do processo administrativo n° 10830.005572/89-43, e providenciada ajuntada, por apensação, ao presente. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/01/2006 4 Processo n° 10830.002489/2006-39 83-C 11'2 Acórdão n.° 3102-00.282 Fl. 149 Concomitância. Ação Judicial e Impugnação Administrativa. Competência do Órgão Administrativo de Julgamento. Por ter sido levada a discussão de mérito da exigência formalizada no presente auto de infração ao conhecimento e pronunciamento definitivo dos órgãos judiciais competentes para decidir a questão, com força de coisa julgada, a autoridade administrativa deve deixar de se pronunciar dado o principio da unicidade da jurisdição e a prevalência hierárquica da decisão judicial sobre a administrativa. Órgão de Julgamento Administrativo. Vinculação Interpretação da PRFAT. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional regimentalmente tem por finalidade fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação, desempenhando as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e entidades vinculadas, tais como as Delegacias de Julgamento da SRF. Compensação não homologada. 0 contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instancia, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. A primeira questão a ser examinada é aquela apontada pela decisão recorrida relativa à concomitância entre o presente feito e o Mandado de Segurança n° 89.0037203-3 (96.03.057652-2), que tramitou perante a la Vara da Justiça Federal em São Paulo/SP. De fato, das cópias trazidas aos autos e especialmente daquilo que consta do processo administrativo n° 10830.005572/89-43, anexado ao presente, verifica-se que a ora recorrente discutiu na via judicial o mérito da exigência da contribuição para o Instituto do Açúcar e do Alcool — IAA, o que torna impossível discutir administrativamente, apesar de ter sido extinto o processo sem julgamento do mérito, por atenção ao Principio da Jurisdição Uma, e devemos aplicar o entendimento extraído do Ato Declaratório Normativo n° 03, de 14/02/1996, que assim cuida da matéria: 5 Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. 0 COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n.° 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COS1T n.° 27/96, DECLARA, em caráter normativo, as Superintendências Regionais da Receita Federal, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da defiiiitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, proceder-se-6 a inscrição em divida ativa, deixando- se de fazê-lo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151, do CTN; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento de mérito (art. 297 do CPC). Contudo, há um aspecto da matéria em exame que garantiria o direito da ora recorrente, que é a alegada decadência do direito do Fisco de lançar o crédito tributário, que estando decaído, teria sido pago indevidamente, o que geraria o direito ã. compensação solicitada. Neste particular é interessante rever a manifestação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 172/184 do processo n° 10830.005572/89-43, em anexo), sobre a não ocorrência da decadência indicada pelo AFRF (fls. 167 daqueles autos), que concluiu o seguinte: Afastadas as objeções elencadas, há que se concluir pela desnecessidade do lançamento de oficio, em vista do lançamento por homologação já realizado ser perfeitamente 6 Processo n° 10830.002489/2006-39 S3-CIT2 Acórdão n.°3102-00, 282 Fl. 150 válido. Em verdade, a resistência ao reconhecimento da efetivação do lançamento, em tal caso, surge meramente de confundir-se o lançamento com a concretização de 11777 registro material, ignorando ser este um ato que pode constituir-se mediante operações lógicas e mentais, resultante dos atos previstos em Lei corm necessários a sua configuração. Assim, não havendo providencias judiciais relevantes a serem tomadas, dado ter já havido o julgamento do feito, em sentido favorável a Unido, sugiro o envio do procedimento a SRF, para que se tomem as providências cabíveis no sentido de encaminhamento do débito para inscrição e ajuizamento do executivo fiscal pertinente. Interessante também confrontar estas conclusões com aquelas constantes do Parecer PGFN/CRJN n° 1.064/93, que assim se pronunciou sobre lançamento tributário na vigência de ação judicial, quando há liminar determinando a suspensão da exigibilidade do crédito: a) nos casos de medida liminar concedida em Mandado de Segurança, ou em procedimento cautelar com depósito do montante integral do tributo, quando já não houver sido, deve ser efetuado o lançamento, ex vi do art. 142 e respectivo parágrafo único, do Código Tributário Nacional; b) uma vez efetuado o lançamento, deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (art. 145 do CTN c/c o art. 7°, inciso I, do Decreto n° 70.235/72), com esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário apurado permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (art. 151 do CTN); c) preexistindo processo fiscal à liminar concedida, deve aquele seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. (grifos acrescidos ao original) Esta última opinião, expressa no Parecer PGFN/CRJN n° 1.064/93 acima, reflete a jurisprudência pacifica deste Conselho de Contribuintes sobre o tema, da qual cito os seguintes exemplos: PROCESSUAL. LIMINAR E DEPÓSITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, mesmo depósito, não impede o Fisco de formalizar a exigência para prevenir a decadência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Recurso n° 126.546, 2 0 Câmara do Terceiro Conselho, relatora Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, 25/05/2006) Assunto: Outros Tributos ou Contribuições 7 Período de apuração: 01/06/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A opção pela via judicial, mesmo com a efetivação de depósitos, não impede a constituição do crédito tributário. O lançamento para prevenir a decadência é matéria pacifica na esfera administrativa e foi consagrado pelo art. 63 da Lei no 9.430/96, sendo cabível para o caso em que estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário em decorrência de unia das hipóteses previstas nos incisos IV e V do art. 151 do CTN. FINSOCIAL COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. É descabida a exigência de multa no caso de lançamento destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo ou contribuição cuja exigibilidade estiver suspensa por concessão de medida liminar antes do inicio de qualquer procedimento fiscal. JUROS MORATORIOS. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. SÚMULA N° 7 DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral, como no caso em exame. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Recurso n° 136.232, 1° Câmara do Terceiro Conselho, relator José Luiz Novo Rossari, 28/02/2008) SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — Cabível e devido lançamento de oficio para prevenir a decadência. Suspensa a exigibilidade do crédito tributário pela realização do seu depósito integral, artigo 151, II do CTN, configura-se autêntico dever do sujeito ativo de efetuar lançamento de modo a afastar decadência. INCABÍVEL A MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA EM FACE DO DEPÓSITO INTEGRAL -No decorrer do período de suspensão da exigibilidade, a presença da multa de oficio representaria tendência à exigibilidade suspensa; quantos aos juros de mora e multa de mora são incabíveis pois se o sujeito passivo tomou a iniciativa do depósito antes de qualquer procedimento de oficio não se caracteriza a mora até mesmo porque não se caracteriza a culpa que aliada ao retardamento constitui a mora. Recurso especial negado. (Recurso n° 127.470, 3" Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relator Carlos Henrique Klaser Filho, 21/02/2005) Como no houve o lançamento para prevenir a decadência, é fato que o crédito tributário (fosse ele legitimo ou não, independente do resultado obtido na discussão judicial) não era devido na data de seu pagamento, por ter decaído o direito de a Fazenda 8 Processo n° 10830.002489/2006-39 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.282 H. 151 Pública lançar, o que gera o direito do contribuinte a ser restituído daquilo que pagou indevidamente. Assim, VOTO por conhecer do recurso e para dar-lhe provimento para reconhecer o direito creditório representado pelo DARF de fls. 03, tendo em vista que o crédito tributário já estava extinto pela decadência no momento do pagamento, o que tornou o mesmo indevido, determinando devolução dos autos h delegacia de origem a fim de que a autoridade competente examine os demais requisitos para a homologação da compensação pleiteada. 1\ tckku_ eARA-Q-e Marcelo Ribeiro Nogueira Voto Vencedor Conselheira Beatriz Verissimo de Sena, Redatora Designada Peço vênia para discordar do voto do ilustre Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. 0 Contribuinte requer a compensação de débito tributário com crédito oriundo de pagamento indevido da contribuição para o IAA. 0 Contribinte pede a utilização de parte do direito creditório decorrente do recolhimento indevido da Contribuição ao IAA e respectivo adicional, regulados pelos Decretos-leis n° 308/67, 1.712/79 e 1.952/82, relativos à competência de setembro de 1989, relativo ao período de apuração de 08.08.1980. Alega o Contribuinte que o pagamento ao IAA seria indevido porque realizado após a consumação do prazo decadencial. A contribuição para o IAA em questão teria sido objeto de discussão judicial nos autos do Mandado de Segurança n° 89.0037203-3 (96.03.057652-2). Nesse mandado de segurança foi realizado depósito judicial da contribuição para suspender sua exigibilidade. Diante do depósito, foi concedida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN. Segundo a Requerente, como a sentença teria julgado extinto o processo sem julgamento do mérito, foi obtido provimento jurisdicional para efetuar o levantamento do valor depositado, o que teria sido efetivado em 21/06/1995 (cópia de Alvará de Levantamento n° 130/95). Posteriormente, teria sido requerida e deferida a desistência do processo. A questão consiste em saber agora se esse valor depositado judicialmente deve-se reverter em favor da Fazenda Nacional, porque o mandado de segurança foi extinto sem julgamento de mérito, ou se ele deve ser revertido em favor do Contribuinte, por meio do deferimento deste pedido de compensação. Argumenta o Contribuinte que, como o crédito tributário depositado judicialmente não teria sido constituído pela contribuinte por meio da DCTF, o Fisco teria o dever de efetuar o lançamento de oficio correspondente, nos termos do art. 142 do CTN. Uma vez não realizado o lançamento, o direito da Fazenda Nacional a receber o IAA teria decaído. 9 Entendo, todavia, que por força do art. 151, IV, do CTN, a liminar em sede de mandado de segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário tanto para o contribuinte quanto para a Fazenda Nacional. Por isso, uma vez concedida liminar no caso concreto em sede em mandado de segurança, o prazo decadencial não correu. Conseqüentemente, a contribuição para o IAA voltou a ser exigida após o transido em julgado do mandado de segurança em sentido desfavorável ao Contribuinte. Assim, não houve pagamento ou depósito de valores atingido pela decadência a afastar o direito da Unido à contribuição para o IAA. Do mesmo modo, não subsiste direito ao Contribuinte de compensação. Por essas razões, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. CB atriz Veríssimo de Sena 10
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Numero do processo: 13886.001224/2003-13
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/1999 a 09/10/2003
CREDITO PRÊMIO DE IPI.
Possuindo natureza de benefício fiscal o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990.
Numero da decisão: 3302.00.037
Decisão: ACORDAM os membros da 3° câmara / 2° turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Walber José da Silva^cWpajahou o Relator pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10865.001005/2004-75
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/07/2003
CONCOMITÂNCIA COM O PODER JUDICIÁRIO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção do Contribuinte em submeter o assunto ao crivo do Poder Judiciário, implica em renúncia à esfera administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 1:
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTÔNIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 CONCOMITÂNCIA COM O PODER JUDICIÁRIO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção do Contribuinte em submeter o assunto ao crivo do Poder Judiciário, implica em renúncia à esfera administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não Conhecido.
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção do Contribuinte em submeter o assunto ao crivo do Poder Judiciário, implica em renúncia à esfera administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 10 05 /2 00 4- 75 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 08/11/2013 José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Helder Massaaki Kanamaru, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 2/7) de crédito(s) da Cofins de maio de 2003, no valor de R$ 29.773,51, com débito(s) da Cofins de julho de 2003, no valor de R$ 30.690,53. A DRF de Limeira/SP, por meio do despacho decisório de fls. 14/15, não homologou a compensação declarada, em razão do crédito não possuir certeza e liquidez, já que oriundo de ação judicial ainda não transitada em julgado. Cientificada do despacho e inconformada com a não homologação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 18/24, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF alegando que o recolhimento é indevido, pois a interessada estava amparada por liminar em mandado de segurança, confirmada por sentença, desobrigandoa de recolher a Cofins incidente sobre a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei no 9.718, de 1998. Mesmo considerando que a decisão do TRF da 3 a Regido lhe tenha sido desfavorável, este mesmo Tribunal concedeu A. empresa nova liminar — em ação cautelar — suspendendo a exigibilidade dos créditos discutidos até o julgamento de recursos por ela interpostos. A decisão recorrida encontrase assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 CRÉDITO SUBJUDICE. COMPENSAÇÃO. E vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial. Compensação não Homologada De acordo com a decisão recorrida, mesmo considerando a liminar concedida em medida cautelar, suspendendo a exigibilidade das contribuições discutidas na ação principal até que seja proferido o juizo de admissibilidade dos recursos especial e extraordinário Fl. 697DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10865.001005/200475 Acórdão n.º 3301002.075 S3C3T1 Fl. 342 3 interpostos pela impugnante (fls. 25/27), o indébito só irá se concretizar, tornandose passível de aproveitamento em compensação, quando do trânsito em julgado de uma eventual decisão, do STJ ou STF, que lhe seja favorável. Esta é a regra estabelecida pelo artigo 170A, do Código Tributário Nacional, incluído pela Lei Complementar n° 104, de 2001. E não poderia ser de outra forma, uma vez que, a regra do artigo 170A é decorrência lógica da interpretação conjunta dos artigos 475, I, do CPC, com o artigo 170 do CTN, que exige a certeza e liquidez do crédito para que possa ocorrer a compensação/restituição. Cientificada através do AR de fls. 76 do processo digital, em 17/09/2007, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 77 e seguintes, em 11/10/2007, onde reitera os argumentos constantes da manifestação de inconformidade, em síntese pugna pela irretroatividade do art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 2001. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Conforme afirma a própria Recorrente em sua impugnação e reiterado no recurso, a exigência seria indevida, tendo em vista que a mesma estava amparada por liminar em mandado de segurança, confirmada por sentença, desobrigandoa de recolher a Cofins incidente sobre a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei no 9.718, de 1998. Assim, está claro tratarse de concomitância com o Poder Judiciário, ensejando o não conhecimento do recurso, em conformidade com a Súmula nº 1, deste colendo CARF, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso, em razão da Contribuinte, ora Recorrente, ter optado em discutir o assunto no âmbito do Poder Judiciário. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 698DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 30/01/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/11/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11128.006373/2004-14
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-001.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos da relatora. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 73 /2 00 4- 14 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 Bem como o interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “A interessada foi autuada em face da infração “embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação”, por ter deixado de registrar os dados de embarque de mercadorias exportadas, na forma e no prazo previstos no artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28/1994 e na Notícia Siscomex nº 105/1994. Foi aplicada a multa capitulada no artigo 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966. Intimada em 29/11/2004, a interessada apresentou impugnação em 17/12/2004 (fls. 79 e ss.). Alega, em síntese: A autoridade autuante não apontou qual foi o embaraço ou dificuldade causada à fiscalização em razão do atraso no registro das informações. Entende que não houve embaraço nem impedimento à fiscalização. Razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso de terceiros, as declarações de exportação não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. A própria interessada comunicou à Alfândega o registro das declarações. A fiscalização não havia reparado a sua falta. A conduta da interessada não encontra tipicidade no artigo 107, IV, “c”, do DecretoLei nº 37/1966. A administração possui 5 anos para apurar eventuais infrações, não sendo alguns dias de atraso na entrega das declarações de exportação que impedem a fiscalização. É inaplicável a penalidade imputada pois documento apresentado a destempo não é a mesma coisa que documento não apresentado, que possa impedir ou dificultar a fiscalização. É aplicável à espécie o disposto no artigo 646, III, “b”, do Regulamento Aduaneiro. O prazo de 24 horas não era suficiente para a requerente recolher as informações necessárias e registrálas no Siscomex. Somente o terminal de embarque poderia verificar, em tão exíguo prazo, as cargas que efetivamente foram embarcadas. Há ainda o problema da transmissão eletrônica de dados, vez que nem sempre o sistema está em perfeito funcionamento, podendo, eventualmente, ficar horas sem que os agentes marítimos tenham acesso. O prazo de 24 horas não é razoável. O princípio da razoabilidade determina à administração o dever de atuar em plena conformidade com critérios Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.006373/200414 Acórdão n.º 3201001.352 S3C2T1 Fl. 156 3 racionais, sensatos e coerentes. Por isso, o prazo foi ampliado para 7 dias em norma posterior. Houve denúncia espontânea pois as declarações foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração (artigo 138 do Código Tributário Nacional). A multa não poderia ser superior a R$ 5.000,00 por veículo, nos termos do artigo 647, incisos I e II, do Regulamento Aduaneiro. Recebida a impugnação pela repartição a quo em face da tempestividade e aspectos formais, os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento e posteriormente distribuídos a este relator, com 99 fls.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1725.650, de 10/06/2008, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/03/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no Siscomex, dentro do prazo previsto na legislação aduaneira. O desatendimento constitui embaraço à fiscalização. Lançamento Procedente.” O julgamento foi no sentido de indeferir o pedido da contribuinte, devendo se manter os valores apurados pela fiscalização. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Em sede de recurso voluntário, argumenta ilegitimidade passiva e a impossibilidade de autuação do agente marítimo, pois a responsabilidade deve recair sobre o transportador ou exportador. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Inicialmente, quanto à preliminar , fazse um registro que no RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux (Matéria julgada pelo STJ no regime do art. 543C / Recursos Repetitivos), ficou assentado que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei No. 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Logo, afastase a preliminar que o agente de navegação marítima não pode ser responsabilizado como transportador marítimo. Passando ao mérito, resta analisar a questão da aplicação da multa face ao descumprimento do prazo previsto na legislação para o registro de dados do embarque de mercadorias para exportação no SISCOMEX. Pois bem, o cerne do litígio reside então em se verificar se o atraso na entrega das informações criou embaraços, dificultando ou impedindo a ação da fiscalização aduaneira e se a conduta da requerente encontrase tipificada na alínea “c” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº. 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº. 10.833/03, conforme abaixo: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº. 10.833, de 29.12.2003) I – (...); II – (...); III – (...); IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº. 10.833, de 29.12.2003) a) (...); b) (...); c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; d) (...); e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)” O artigo 37 da Instrução Normativa SRF n°28/94 (forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX), dispõe: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11128.006373/200414 Acórdão n.º 3201001.352 S3C2T1 Fl. 157 5 ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho.(grifei) A Notícia SISCOMEX de 27/07/1994 esclareceu o termo "imediatamente", ou seja : “27/07/1994 0002 INFORMAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX 2) POR OPORTUNO, ESCLARECEMOS QUE O TERMO "IMEDIATAMENTE” CONTIDO NO ART. 37 DA IN 28/94, DEVE SER INTERPRETADO COMO "EM ATE 24 HORAS DA DATA DO EFETIVO EMBARQUE DA MERCADORIA O TRANSPORTADOR REGISTRARA OS DADOS PERTINENTES NO SISCOMEX COM BASE NOS DOCUMENTOS POR ELE EMITIDOS". SALIENTAMOS O DISPOSTO NO ART. 44 DA REFERIDA IN, OU SEJA, A PREVISÃO LEGAL PARÁ AUTUAÇÃO DO TRANSPORTADOR NO CASO DE DESCUMPRIMENTO DO PREVISTO NO ARTIGO ACIMA REFERENCIADO”. Posteriormente, a IN SRF n° 510/05 , deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para a via de transporte marítimo, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex,será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2° Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. Assim sendo, de fato, a prestação de informações de embarque das DDE foi com atraso. No entanto, este atraso não pode ser interpretado como embaraço, ou dificuldade ou impedimento à ação da fiscalização aduaneira. Concluise, portanto, que a autuação carece de motivação, uma vez que a determinação contida no artigo 107, inciso IV, alínea “c” do DecretoLei nº. 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº. 10.833/03 não comporta a hipótese fática delineada na autuação fiscal. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, dou provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/08/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
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