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Numero do processo: 15586.720531/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/08/2011
RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA.
Considerando que o valor do crédito exonerado, na data do julgamento, é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 103.
Numero da decisão: 2402-005.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 31/08/2011 RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Considerando que o valor do crédito exonerado, na data do julgamento, é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 103.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
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VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Considerando que o valor do crédito exonerado, na data do julgamento, é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. Súmula CARF nº 103. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 31 /2 01 2- 06 Fl. 186DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15586.720531/201206 Acórdão n.º 2402005.923 S2C4T2 Fl. 187 3 Relatório A contenda objeto do presente processo decorreu da resistência do contribuinte a perfectibilização de crédito constituído pela fiscalização, mediante lavratura dos seguintes Autos de Infração: a) nº 51.017.6658 – glosa de compensação feita indevidamente no período de 06/2010 a 08/2011; b) nº 51.017.6666 – multa isolada de 150%, prevista no § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91, acrescentado pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09. Na ocasião acordaram os membros da Turma, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento à impugnação, mantendo o Auto de Infração nº 51.017.6658, no valor de R$ 965.337,74, a ser acrescido de juros e multa, e exonerando o Auto de Infração nº 51.017.6666, no valor de R$ 1.448.006,64, relativo à multa isolada de 150%. O presente processo chega a este conselho impulsionado por recurso de oficio interposto pelo Presidente da Turma de Julgamento, em atendimento ao disposto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, sendo essa a sua única razão a ser julgada. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso é tempestivo e interposto por parte legitima, entretanto, foi motivado, exclusivamente, pelo valor exonerado a época da decisão de primeira instância. O presidente da turma julgadora em atendimento ao mandamento contido no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008 interpôs o presente recurso de oficio tendo em vista que o valor objeto de provimento pela decisão recorrida foi de R$ 1.448.006,64, relativo à multa isolada de 150%. Entretanto, o valor de alçada a ser observado no momento do presente julgamento impede o conhecimento do presente recurso, nos termos do Artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de Fevereiro de 2017: "PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017 Multivigente Vigente Original Relacional (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). (...) Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Apesar do limite vigente a época do recurso de oficio ser compativel com o valor exonerado, devese aplicar o valor vigente no momento da decisão, conforme Súmula CARF nº 103. "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do recurso de oficio em razão do valor excluído ser inferior ao limite de alçada que torna compulsória sua interposição. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721664/2011-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO.
O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica.
APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO.
São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão).
DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO.
A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade.
DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS.
Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica.
CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO.
A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
Numero da decisão: 9101-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICO-TRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e trata-se de instituto jurídico-tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam-se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constitui-se em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontra-se submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendo-se aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram-se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, toma-se o momento em que o contribuinte aproveita-se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplica-se à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 4.738 1 4.737 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.721664/201124 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.891 – 1ª Turma Sessão de 7 de junho de 2017 Matéria IRPJ DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO ITAUCARD S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 64 /2 01 1- 24 Fl. 4738DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.739 2 A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontram se atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 4739DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.740 3 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL quanto aos anoscalendário de 2006 a 2008, com imposição de multa de 75% sobre o crédito tributário, além de multas sobre estimativas quanto aos meses de janeiro a novembro dos anos de 2007 e 2008. Consta do Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto de Infração: 3 – Dos Fatos O cerne da questão a ser tratada no presente auto de infração diz respeito à validade ou invalidade da amortização, para fins tributários, do ágio oriundo da operação de compra e venda da totalidade das ações da Rudá Administração e Participações S.A. (...), em que figuram como comprador o Banco Itaucard S.A. e como vendedor o Banco Itaú S.A. (...) Na verdade, a citada operação de compra e venda é uma das últimas etapas do intrincado processo de absorção do BankBoston Banco Múltiplo S.A. (...) pelo Grupo Itaú que passamos a descrever. (...) Primeira Etapa do Processo de Absorção – Data: 25.08.2006 Em 01.05.2006, o Banco Itaú Holding Financeira S.A. (Holding do Grupo Itaú) celebrou acordo com o Bank of America Corporation para aquisição do BankBoston, instituição financeira com sede no Brasil (...) O preço, fixado em R$ 4.581.120.000,00, foi pago por meio da emissão de 68.518.094 ações preferenciais do Banco Itaú Holding Financeira S.A. emitidas em decorrência da incorporação de ações do BankBoston e da Líbero Trading Internacional Ltda. O referido preço foi determinado com base no valor de mercado, em 30.04.2006, das ações incorporadas, ou seja, das ações do BankBoston (...) Fl. 4740DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.741 4 O documento de fls. 2.700/2.707 continua o relato afirmando que, para possibilitar a adequada absorção das operações do BankBoston, decidiuse proceder a segmentação dos principais negócios realizados pelo citado banco. Assim, após a segmentação, os diferentes negócios seriam absorvidos por empresas do Grupo Itaú, utilizandose, para isto, o critério da afinidade de negócios. Dentro dessa estratégia, o BankBoston foi segmentado em três negócios: i) Banco de varejo, absorvido pelo Banco Itaú S.A.; ii) Banco de atacado (segmento corporate), absorvido pelo Banco Itaú BBA S.A.; e iii) Operações de cartões de crédito, absorvida pelo Banco Itaucard S.A. O relato segue afirmando que para implementar a estrutura acima descrita, foram realizados diversos eventos societários. (...) Segunda Etapa do Processo de Absorção – Data: 02.10.2006 A segunda etapa do processo de absorção diz respeito à incorporação das ações do BankBoston pelo Banco Itaú S.A., assim narrado no documento de fls. 2.700/.2707. (...) Essa incorporação possibilitou a transferência dos referidos investimentos do Banco Itaú Holding Financeira S.A. para o Banco Itaú S.A., visando a concentração das operações no Banco Itaú S.A. O preço fixado foi de R$ 4.627.730,00 e pago por meio da emissão de 35.306.067 ações ordinárias do Banco Itaú S.A., emitidas em decorrência da incorporação de ações do BankBoston e da Líbero Trading Internacional LTD e atribuídas ao Banco Itaú Holding Financeira S.A., único acionista dessa sociedades. (...) Embora o valor dos ágios sejam idênticos, o ágio na segunda aquisição é um “ágio novo” e não guarda relação com ágio da primeira aquisição. Ou seja, não houve a transferência do ágio da primeira aquisição para a segunda aquisição. (...) Terceira Etapa do Processo de Absorção – Data: 02.10.2006 Retomando a descrição do processo de absorção do BankBoston pelo Grupo Itaú, chegase à terceira etapa do processo de absorção. Fl. 4741DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.742 5 Ela consiste na cisão parcial do BankBoston com a versão: i) dos ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito à empresa Rudá; e ii) dos ativos e passivos correspondentes ao segmento corporate ao Banco Itausaga S.A. (...) Qual foi a razão da “passagem” preliminar deste seguimento pela Rudá? (...) Repare que, neste caso (ao contrário do que ocorreu na Segunda Etapa ...), é válido se falar em transferência do ágio do investimento no BankBoston para os investimentos na Rudá e no Banco Itausaga S.A. Isto porque as transferências se dão no âmbito de operações de cisão e incorporação. (...) Concluise, assim, que desde a sua criação até a sua extinção, a Rudá se prestou apenas a uma única missão: “transportar” o segmento de cartões de crédito do BankBoston para o Banco Itaucard. S.A. Chama a atenção a sequência de operações societárias realizadas com a Rudá em um único dia, 02.10.2006. Já sabemos que, em 02.10.2006, a Rudá recebeu por incorporação o segmento de cartões de crédito oriundo da cisão parcial do BankBoston. Pois bem, as demais operações societárias ocorridas em 02.10.2006 foram: a alienação da Rudá para o Banco Itaucard S.A.; e a incorporação da Rudá pelo Banco Itaucard S.A. (...) Quarta Etapa do Processo de Absorção – Data 02.10.2006 (...) também ocorrida em 02.10.2006, que consiste: i) na venda da totalidade das ações da Rudá, que teve o Banco Itaú S.A. como vendedor e o Banco Itaucard S.A. como comprador. (...) O primeiro aspecto a ser destacado é o fato de o vendedor – Banco Itaú S.A. – e de os compradores – Banco Itaucard S.A e Banco Itaú BBA S.A. – pertencerem ao mesmo conglomerado econômico, o Grupo Itaú. As alienações em questão foram, portanto, realizadas intragrupo (...) Fl. 4742DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.743 6 Um segundo aspecto a ser destacado é que, aqui, também não há que se falar em “transferência” de ágio, fenômeno que só ocorre em casos de fusão, cisão ou incorporação. (...) Outro aspecto que merece destaque é a origem dos recursos utilizados para o pagamento dos preços referentes aos contratos de compra e venda em comento. No caso da operação de compra e venda das ações da Rudá, em que figuram como vendedor o Banco Itaú S.a. e como comprador o Banco Itaucard S.A., o preço (...) foi pago com os recursos provenientes da emissão de um Certificado de Depósito Bancário (CDI) pelo Banco Itaucard S.A. (...) Porém o que mais chama a atenção é que o comprador do CDI, emitido pelo Banco ITaucard S.A., foi o Banco Itaú S.A. (...) Com isso ficou configurado que o próprio vendedor financiou a compra e venda das ações (...) Verificamos, ainda, que o CDI em questão foi emitido com um prazo de resgate de 1.173 dias (...) No entanto, o CDI foi resgatado, antecipadamente, em 23.10.2006, logo após o aumento de capital do Banco Itaucard S.A., realizado em 18.10.2006 (...) Quinta Etapa do Processo de Absorção – Datas 02.10.2006 e 31.01.2007 A Quinta Etapa (...) consiste: i) na incorporação da Rudá pelo Banco Itaucard S.A., ocorrida em 02.10.2006; (...) Sexta Etapa do Processo de Absorção – Data 31.01.2007 (...) Finalmente, em 31.01.2007, ocorre o último evento relacionado à reorganização dos negócios do BankBoston. Em Assembleia Geral Extraordinária, é deliberada a cisão parcial do BankBoston, com incorporação da parcela cindida pelo Banco Itaú S.A. (...) 4 – Do Planejamento Tributário (...) A motivação, confessada pelo contribuinte, era destinar os segmentos de varejo, de corporate e de cartões do BankBoston às instituições financeiras do Grupo Itaú que tivessem mais afinidade com cada um daqueles segmentos. (...) Fl. 4743DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.744 7 Por outro lado, neste processo, o planejamento tributário em si ficou um tanto oculto. Não se encontrará confessado, nos diversos documentos apresentados pelo contribuinte, que a forma utilizada no processo de absorção foi arquitetada com uma única finalidade: criar um ágio e permitir sua amortização num prazo de 60 meses, gerando assim, uma economia tributária. (...) Para que um ágio fosse criado no ativo do Banco Itaucard S.A., seria necessário haver uma alienação. Uma opção seria o Banco Itaucard S.A. comprar a carteira de clientes de cartões de crédito do BankBoston. No entanto, esta compra geraria um ganho de capital para o BankBoston, o que não seria conveniente ao Grupo Itaú. (...) Os fatos expostos, semeiam uma desconfiança em relação à seriedade do contrato de compra e venda de ações. Teria havido uma dissimulação? (...) A causa (de caráter objetivo, motivação típica do contrato), para o vendedor, seria a obtenção do dinheiro e, para o comprador, a obtenção das ações (carteira de clientes de cartões de crédito). No entanto, examinada a conjugação de negócios (compra e venda de ações e emissão de CDI) a causa do contrato para o vendedor não se realizou, uma vez que o dinheiro não foi efetivamente transferido para o Banco Itaú S.A. (...) Pelo exposto, fica claro que a passagem da carteira de clientes de cartões de crédito pelo Banco Itausaga S.A., antes da sua transferência para o Banco Itaucard S.A. (meta almejada no processo de absorção do BankBoston pelo Grupo Itaú), teve finalidades (motivos reais) de caráter estritamente tributárias, a saber: i) criar um ágio sem que surgisse um ganho de capital correspondente e ii) permitir a antecipação da amortização deste ágio num prazo de 60 meses. (...) O Grupo Itaú praticou o negócio indireto em comento com abuso de direito. (...) A figura do abuso do direito está prevista no artigo 187 do Código Civil de 2002 (...) Assim, tais negócios jurídicos serão fiscalmente desqualificados e, como consequência, as despesas de amortização do ágio consideradas pelo contribuinte no cálculo do lucro líquido serão adicionadas para efeito de Fl. 4744DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.745 8 determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. (grifos e negritos originais) A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo pela manutenção integral do lançamento, conforme acórdão do qual se destaca ementa (fls. 3.874): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 SEGMENTO DE CARTÕES DE CRÉDITO. AVALIAÇÃO. MOMENTO. A avaliação do segmento de cartões de crédito, objeto de aquisição com ágio, surgiu apenas quando da realização de negócios entre partes relacionadas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. ÁGIO INTERNO. O ágio gerado em operação realizada entre partes relacionadas carece de substância econômica, e por isso a sua amortização não pode afetar o resultado do período para fins tributários. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas sem propósito negocial, com o único intuito de economia tributária. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SOCIEDADE SEM ATIVIDADE ECONÔMICA ADQUIRIDA PARA POSTERIOR EXTINÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Carece de propósito negocial a aquisição de sociedade sem atividade econômica para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição da participação societária ocorrida antes da sua incorporação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Fl. 4745DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.746 9 Sendo apresentado recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deulhe provimento, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. REFLEXO: CSL Aplicase à CSL, a mesma solução que foi dada ao IRPJ. Destaco trecho do voto do Relator, exConselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, acompanhado pela maioria do Colegiado: O Sr. AFRF glosou o ágio amortizado pela Recorrente, argumentando que se tratava de ágio: i) gerado entre partes dependentes; ii) amortizado por meio de empresa veículo; e iii) que a operação ocorreu sem efetivo pagamento. As operações relacionadas ao ágio objeto deste processo seguem resumidas abaixo: 1ª Etapa (25/08/2006): O Banco Itaú Holding Financeira S.A. adquiriu do Bank of America Corporation o BankBoston e a Libero Trading Internacional LTD pelo valor de mercado de R$ 4.581.120.000,00. O pagamento ocorreu por meio da emissão de 68.518.094 ações preferenciais do Banco Itaú Holding Financeira S.A.; 2ª Etapa (02/10/2006): as ações do BankBoston e da Libero Trading Internacional LTD foram incorporadas pelo Banco Itaú S.A. pelo valor de R$ 4.627.730,00. O pagamento ocorreu por meio da emissão de 35.306.067 ações ordinárias do Banco Itaú S.A em favor da Itaú Holding Financeira S.A.; Fl. 4746DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.747 10 3ª Etapa (02/10/2006): cisão parcial do BankBoston; os ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito foram vertidos para a Rudá; 4ª Etapa (02/10/2006): venda da totalidade das ações da Rudá pelo valor de R$ 378.000.000,00, sendo o Banco Itaú S.A. o vendedor e o Banco Itaucard S.A. o comprador. O pagamento ocorreu com recursos provenientes da emissão, pelo Banco Itaucard S.A, de Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Tal CDI foi adquirido pelo Banco Itaú S.A; e 5ª Etapa (02/10/2006): incorporação da Rudá pelo Banco Itaucard S.A. no mesmo dia em que ocorreu a aquisição. (...) Interpretando as operações acima, o Sr. AFRF entendeu que a ora Recorrente não poderia amortizar o ágio, pois aquele “resultante da aquisição das ações do BankBoston pelo Banco Itaú S.A. nada tem a ver com o ágio oriundo da aquisição anterior entre o Bank of America Corporation e o Banco Itaú Holding Financeira S.A” fl. 3793. Prosseguiu afirmando que não se tratava de transferência de ágio, posto que “a transferência de ágio entre empresas só ocorre nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Nunca em uma aquisição” fl. 3793. Concluiu afirmando: “i) Tratase de uma aquisição que se deu intragrupo, uma vez que o adquirente – Banco Itaú S.A. – é controlado (100%) pelo alienante – Banco Itaú Holding Financeira S.A.; ii) O ágio dela originado é interno ao Grupo Itaú e tratase de ‘ágio novo’, ou seja, não houve ‘transferência’ do ágio oriundo da primeira aquisição das ações, em que o Banco Itaú Holding Financeira S.A. figura como adquirente e o Bank Of America Corporation como alienante” – fl. 3794. (...) Por sua vez, os integrantes da 8ª Turma da DRJ/SP1, por meio do acórdão nº 1646.969, apresentaram novo fundamento para a indedutibilidade do ágio, qual seja: que o primeiro laudo, fruto da operação entre partes independentes, não valorou o segmento de cartão de crédito, tendo tal avaliação se dado apenas quando o BankBoston já integrava a estrutura societária do Itaú: (...) Em suma, as questões que devemos enfrentar são: i) a DRJ inovou o critério jurídico do lançamento? E, não tendo inovado, ii) o primeiro laudo entre partes independentes segregou o valor do ágio por ramo de negócio? E, por fim, não tendo sido segregado, isso impede o aproveitamento fiscal do ágio? Vejamos. Fl. 4747DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.748 11 Entendo que a DRJ inovou no fundamento jurídico. Para não haver dúvida que a acusação acima não foi feita pelo Sr. AFRF, trago abaixo a íntegra do TVF no trecho referente ao Laudo: (...) Vejam que os laudos foram citados apenas para “questionar” – coloco entre aspas, pois, em verdade, não houve questionamento ao valor do ágio o valor da operação. Da leitura do trecho acima transcrito não é possível extrair que o Sr. AFRF fundamentou a glosa do ágio em razão de não constar no primeiro laudo a segmentação das atividades varejo, atacado e cartão de crédito. (...) Não havendo tal acusação no auto de infração, a DRJ inovou o critério jurídico do lançamento, o que, nos termos do art. 146 do CTN, não é permitido, conforme entendimento majoritário desse e.CARF, inclusive da Câmara Superior, como pode ser visto no Acórdão nº 9101002.016, fruto de julgamento realizado em 08/10/2014. (...) Superado esse ponto, devemos decidir se o ágio amortizado pela Recorrente é o mesmo fruto da operação com o Bank of America ou gerado internamente. (...) Vejam que o valor do primeiro ágio, fruto de operação entre partes independentes, qual seja, Bank of America e Itaú Holding, é R$ 2.597.837.360,40. Por sua vez, a soma do ágio por rentabilidade futura dos segmentos Varejo, Cartão de Crédito e Corporate é R$ 2.151.809.980,98. Não há como dizer que o ágio da primeira operação é diverso daquele dos segmentos, mormente quando o Sr. AFRF não questionou tais valores, limitandose a dizer que eram diferentes. (...) Inclusive, a própria PGFN nas contrarrazões ao Recurso Voluntário confirmou que os valores foram fixados para manter inalterado o valor do ágio decorrente da primeira operação entre partes independentes: (...) A partir dos elementos constantes nos autos, não há como dizer que o ágio amortizado pela Recorrente é diverso daquele oriundo da primeira operação entre partes independentes. Razão pela qual, também, não há como defender que se trata de ágio interno, mas de ágio transferido do Itaú Holding para o Itaucard. Todavia, o Fisco afirma que “a transferência de ágio entre empresas só [ocorre] nos casos de fusão, cisão ou incorporação, não em uma aquisição” – fl. 4191. Devo discordar da Fazenda. Esse fundamento também não encontra amparo legal. Isso porque, seguindo entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, sendo possível o aproveitamento do ágio por incorporação direta, é possível seu deslocamento por eventos sucessivos. (...) Fl. 4748DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.749 12 Em suma, conforme entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, três são as premissas para se garantir o direito à dedução fiscal do ágio em outra empresa do grupo: (i) tratarse de ágio pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes; (ii) o direito à amortização poder se dar por incorporação direta em outra parte da estrutura societária; e (iii) existir propósito negocial. O primeiro requisito não é controvertido, haja vista que o próprio AFRF não questionou nem o pagamento, nem o valor do ágio, bem como confirmou que a operação se deu entre partes independentes. O segundo, por sua vez, também se faz presente, haja vista que, nos termos do arts. 7º e 8º da 9.532/97, a Itaú Holding poderia ter amortizado o ágio em caso de incorporação do BankBoston. (...) Por fim, quanto à existência do propósito negocial, afirmou a Contribuinte que as operações se deram da forma acima descritas, pois “tratouse de uma opção que trazia facilidade operacional comparativamente à versão direta do segmento de cartões de crédito para o Banco Itaucard S.A (como simplificação de obrigações acessórias), sendo certo que a opção não gerou economia fiscal comparativamente à versão direta para o Banco Itaucard S.A”. (...) Devo concordar com o Sr. AFRF, quanto a impossibilidade de “efetuar algum tipo de análise” em três horas. Contudo, a Recorrente também alega criar e manter “diversas companhias e instituições financeiras, subsidiárias integrais suas, cada qual especializada na gestão e condução de uma linha de negócio” – fl. 3930, com o objetivo de propiciar “visão clara sobre o resultado de cada linha de negócio, constituindose importante alavanca de progresso dos resultados obtidos” – fl. 3930. Considerando as provas presentes nos autos, entendo que as operações sucessivas se deram, apenas, com o objetivo de possibilitar a amortização do ágio no Itaucard, mas isso não significa que a operação não possuía propósito negocial. Ora, como decidido acima, existindo o ágio e sendo possível a sua amortização na empresa que efetuou o investimento, não há que se vedar sua transferência. Sendo assim, há “propósito negocial” quando a empresa que amortizou o ágio existe por motivos outros além do planejamento tributário. E, no caso, não há dúvida que a segmentação empresarial do grupo econômico do qual a Recorrente faz parte. (...) Todavia, o Sr. AFRF questionou também o pagamento, sob o fundamento que a vendedora financiou a venda da empresa que tinha o ágio registrado (...) Fl. 4749DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.750 13 A Recorrente, por sua vez, afirma “Notese que o CDI é título regular, registado na CETIP, e que poderia ser negociado com qualquer outra instituição financeira, inclusive dentro do mesmo grupo financeiro. Ainda, sua remuneração corresponde a taxas de mercado, nada havendo de irregular em sua emissão” – fl. 3935. Mais uma vez, assiste razão à Contribuinte. Veja que há provas nos autos que, efetivamente, o pagamento ocorreu (fl. 2629). Entendo que a quitação do título, ainda que antecipadamente, só confirma que o pagamento ocorreu, como, inclusive, já foi decidido pela antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, no Acórdão nº 1102001.016 (...) A Procuradoria recebeu os autos do processo em 07/04/2016 (fls. 4.543), interpondo recurso especial em 09/05/2016 (fls. 4.544), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito do artigo 7º, caput, da Lei nº 9.532/1997, indicando como paradigmas os acórdãos: i) nº 9101002.187 (processo administrativo nº 10480.723383/201076), no qual se decidiu que "Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas". ii) 1301001.783 (processo administrativo nº 16561.720038/201318), constando desta decisão que: "Em virtude de absoluta ausência de previsão legal, o ágio incorrido na aquisição de participação societária, uma vez transferido para empresa veículo por meio de aumento de capital, não pode ser objeto de amortização antecipada de que trata o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997" A Recorrente ainda pleitea, após o provimento do recurso, que o processo seja remetido à Turma Ordinária para julgamento dos demais temas não julgados. O Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento (Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão) deu seguimento ao recurso especial, em decisão da qual se reproduz trecho a seguir: Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois, em situações fáticas semelhantes, sob a mesma incidência tributária e à luz das mesmas normas jurídicas, chegouse a conclusões distintas. Enquanto a decisão recorrida entendeu ser possível a transferência do ágio efetivamente pago para outra das empresas de um mesmo grupo econômico, “aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se, para isso, se utilizar de empresa veículo” —, os acórdãos paradigmas apontados decidiram, de modo diametralmente oposto, que “não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e Fl. 4750DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.751 14 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar” e que “em virtude de absoluta ausência de previsão legal, o ágio incorrido na aquisição de participação societária, uma vez transferido para empresa veículo por meio de aumento de capital, não pode ser objeto da amortização antecipada de que trata o inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997”. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos arts. 18, inciso III, c/c 68, § 1º (Anexo II) do RI/CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ADMITO o Recurso Especial interposto. Em 20/07/2016 a contribuinte foi intimada quanto ao acórdão do recurso voluntário, recurso especial e sua admissibilidade (fls. 4577), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 05/08/2016. Alega nestas contrarrazões que: (i) Não se trata de “ágio interno”, pois a aquisição do BankBoston que originou o ágio foi realizada entre partes independentes; (ii) A dedutibilidade do ágio independe de efetivo desencaixa de recursos financeiros, bastando a integralização com bens ou ações, como decidiu a COSIT em Solução de Consulta nº 3, de 22 de janeiro de 2016; (iii) Seria possível a transferência do ágio em operações societárias, não se aplicando o artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997, mas o artigo 20, do Decreto Lei nº 1.598/1977; (iv) O ágio registrado no Banco Itaú não é “ágio novo”, mas o mesmo registrado pelo Itau Holding na negociação com o Bank of America; (v) Não haveria artificialismo nas operações, tanto assim que não foram questionados pelo auditor fiscal autuante: o conteúdo dos laudos de avaliação, o valor da parcela de ágio relacionado ao segmento de cartões de crédito, como tampouco a contemporaneidade e idoneidade dos laudos; ou mesmo o fundamento econômico do ágio; (vi) As operações praticadas pela Recorrida decorreriam de opções empresariais; (vii) Não haveria qualquer irregularidade no pagamento do preço pela emissão de Certificados de Depósitos Interbancários (CDI) pelo Itaucard, adquiridos pelo Banco Itaú, sustentando que seria forma típica de captação de recursos por bancos. A Recorrida pede seja negado provimento ao recurso especial e, caso provido, subsidiariamente pede sejam os autos remetidos à Turma a quo para julgamento de demais matérias não apreciadas anteriormente. Fl. 4751DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.752 15 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. Conheço do recurso especial, eis que tempestivo e demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Adoto as razões do Presidente de Câmara para admissão do recurso. Lembro que os passos descritos pelo Auto de Infração são os seguintes: 1) Primeira Etapa (25/08/2006): o Banco Itaú Holding Finaceira S.A. celebra acordo com Bank of America Corporation para aquisição do BankBoston, pelo valor de R$ 4.581.120.000,00. Relatase, ainda, que haveria a segmentação das operações do BankBoston, com a absorção por empresas do Grupo Itaú (a) Banco de varejo pelo Banco Itaú S.A. (b) Banco de Atacado (corporate) pelo Banco Itaú BBA S.A. e (c) Operações de cartões de crédito pelo Banco Itaucard S.A. 2) Segunda Etapa (02/10/2006): o Banco Itaú S.A. incorpora as ações do BankBoston. Os investimentos do Banco Itaú Holding Financeira S.A. foram transferidos para o Banco Itaú S.A., com preço fixado em preço fixado em R$ 4.627.730,00. 3) Terceira Etapa (02/10/2006): cisão parcial do BankBoston com versão i) dos ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito à empresa Rudá; e ii) dos ativos e passivos correspondentes ao segmento corporate ao Banco Itausaga S.A. (...) 4) Quarta Etapa (02/10/2006): venda das ações da Rudá pelo Banco Itaú S.A. para o Banco Itaucard S.A. 5) Quinta Etapa (02/10/2006): incorporação da Rudá pelo Itaucard. 6) Sexta Etapa (31/01/2007): Cisão parcial do Bankboston com incorporação da parcela cindida pelo Banco Itaú S.A. O auditor fiscal autuante menciona em suas razões do lançamento: (i) que o ágio tratado na segunda etapa (o Banco Itaú S.A. incorpora as ações do BankBoston) seria ágio novo; (ii) que poderia ser válida a transferência de ágio na terceira etapa (cisão parcial do BankBoston com versão dos ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito à Fl. 4752DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.753 16 empresa Rudá) por se darem no contexto de operações e cisão e incorporação, mas que haveria artificialidade na criação da Rudá, que "se prestou apenas a uma única missão: 'transportar o segmento de cartões de crédito do BankBoston para o Itaucard'. Indica, ainda, a sequencia de operações em um único dia (02/10/2006); (iii) entende irregular a quarta etapa (venda das ações da Rudá para o Banco Itaucard) por se tratarem de alienações intragrupo e pelo pagamento ter sido efetuado com emissão de CDI adquirida pelo Banco Itaú. O julgamento do presente processo, portanto, depende da análise de cada um dos aspectos tratados em lançamento tributário, que serão abordados a seguir. Primeiramente, entendo que o ágio mencionado na segunda etapa pelo agente fiscal autuante, quando o Banco Itaú S.A. incorpora as ações do BankBoston não se trata de ágio novo. A esse respeito, decidiu a Turma a quo, conforme voto condutor: Ademais, o próprio Fiscal fez constar no TVF que “os valores dos ágios [são] idênticos” – fl. 3791. Por sua vez, a Contribuinte afirma que “é o mesmo ágio que teve origem na aquisição do BankBoston pelo Itaú Holding. Seu valor e fundamento econômico são idênticos. Não há geração de ‘novo ágio’, nem tampouco de ágio interno” – fl. 3932. Acrescenta: “A contraprova desse argumento é exatamente que o somatório dos ágios que foram registrados pelo Banco Itaú S/A por conta do negócio de banco de varejo; pelo Banco Itaucard, por conta do negócio de cartão de crédito; e pelo Banco ItaúBBA S/A pelo negócio de banco de atacado corresponde ao valor do ágio apurado pelo Itaú Holding quando da incorporação de ações do BankBoston. Nenhum valor foi adicionado. Nenhum valor foi retirado” – fl. 3933 Vejam que o valor do primeiro ágio, fruto de operação entre partes independentes, qual seja, Bank of America e Itaú Holding, é R$ 2.597.837.360,40. Por sua vez, a soma do ágio por rentabilidade futura dos segmentos Varejo, Cartão de Crédito e Corporate é R$ 2.151.809.980,98. Não há como dizer que o ágio da primeira operação é diverso daquele dos segmentos, mormente quando o Sr. AFRF não questionou tais valores, limitandose a dizer que eram diferentes. Com efeito, há coincidência entre os valores do ágio na aquisição do BankBoston e os valores do ágio transferido pelo Grupo Itaú em operações subsequentes. Em seu recurso especial, a Procuradoria sequer questiona a coincidência entre o ágio originalmente gerado pela aquisição do BankBoston e aquele transferido. Tanto assim que pretende a reforma do acórdão recorrido, fundamentalmente, diante da transferência do ágio. Nesse sentido, extrai se do recurso especial: Resumindo o relato acima apresentado, após a aquisição do BKB pelo BIHF, o Grupo ITAÚ resolveu segregar as operações do BKB e distribuílas entre as suas empresas já existentes. Todavia, nessa “macrooperação” de divisão e distribuição de atividades, o Grupo ITAÚ decidiu que o ágio pago também deveria ser divido e distribuído a fim de que fosse amortizado e deduzido pela empresa destinatária de cada atividade. Como as normas tributárias e contábeis não aceitam tal transferência de ágio, fez Fl. 4753DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.754 17 se necessário o desenvolvimento de operações artificiais, a fim de que, ao final, a formalidade encobrisse a realidade. Ademais, não há artificialidade na criação de empresa Rudá, como reconhecido pelo acórdão recorrido. Em comentários aos artigos 7º e 8º, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). Finalmente, é regular a quarta etapa, consistente na venda das ações da Rudá para o Banco Itaucard. Fl. 4754DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.755 18 O acórdão recorrido menciona os requisitos para dedutibilidade de ágio, dentre os quais a existência de partes independentes na origem do ágio, verbis: Em suma, conforme entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, entendo que estão presentes os três requisitos para a amortização de ágio transferido para outra empresa do grupo: (i) tratarse de ágio pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes; (ii) o direito à amortização poder se dar por incorporação direta em outra parte da estrutura societária; e (iii) existir propósito negocial. O primeiro requisito não é controvertido, haja vista que o próprio AFRF não questionou nem o pagamento, nem o valor do ágio, bem como confirmou que a operação se deu entre partes independentes. O segundo, por sua vez, também se faz presente, haja vista que, nos termos do arts. 7º e 8º da 9.532/97, a Itaú Holding poderia ter amortizado o ágio em caso de incorporação do BankBoston. (...) Por fim, quanto à existência do propósito negocial, afirmou a Contribuinte que as operações se deram da forma acima descritas, pois “tratouse de uma opção que trazia facilidade operacional comparativamente à versão direta do segmento de cartões de crédito para o Banco Itaucard S.A (como simplificação de obrigações acessórias), sendo certo que a opção não gerou economia fiscal comparativamente à versão direta para o Banco Itaucard S.A”. (...) A Turma Ordinária trata da transferência do ágio da forma seguinte, entendimento compartilhado por esta Relatora: Todavia, o Fisco afirma que “a transferência de ágio entre empresas só [ocorre] nos casos de fusão, cisão ou incorporação, não em uma aquisição” – fl. 4191. Devo discordar da Fazenda. Esse fundamento também não encontra amparo legal. Isso porque, seguindo entendimento majoritário da antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, sendo possível o aproveitamento do ágio por incorporação direta, é possível seu deslocamento por eventos sucessivos. (...) A esse respeito, vale lembrar a prescrição do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) Fl. 4755DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.756 19 I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. A Recorrida, por sua vez, sustenta a legitimidade da transferência em operação societária sucessiva, notadamente fundada nos artigos 248, da Lei nº 6.404/1976 e 20, do Decreto nº 1.598/1976. O artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 teve redação alterada nos anos de 2007 (Lei nº 11.638/2007) e 2008 (Medida Provisória nº 449/2008). Como tratamos nos autos de Fl. 4756DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.757 20 fatos ocorridos entre 2006 e 2008 reproduzo a seguir a redação vigente do dispositivo legal em cada um dos anos calendários. No ano de 2006, a redação do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 era a seguinte: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. No anocalendário de 2007, vigeu a redação a seguir colacionada, modificandose apenas o caput do dispositivo legal: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob Fl. 4757DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.758 21 controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) Finalmente, no ano de 2008, aplicase a redação conferida pela Medida Provisória nº 449/2008, publicada em 03 de dezembro daquele ano e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I. De toda sorte, respeitadas as condições tratadas pelo dispositivo da Lei nº 6.404/1976, desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. Fl. 4758DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.759 22 O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos (anos de 2006 a 2008), regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das Fl. 4759DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.760 23 hipótese de aquisição, sem restringir a hipótese como pretende a Recorrente. Portanto, a exigência da aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio efetuada pela Recorrida em operações societárias acima referidas , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original" como pretende a Recorrente. A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de confusão patrimonial (fundada pelos artigos 7º e 8º, acima citados) entre investidora original e investida original, na medida em que a legislação não atribui interpretação restritiva nesse sentido. Afinal, há que se ponderar se a origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento, demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, um vez demonstrada a legítima origem do ágio, não há restrição legal ou contábil à sua transferência juntamente com o investimento a ele relacionado. Afasto, por fim, a alegação de artificialidade das operações, tanto porque é incontroversa a origem do ágio na aquisição do BankBoston pelo Grupo Itaú partes independentes , quanto porque legítima sua transferência para pessoa jurídica do mesmo Grupo, considerando a liberdade empresarial para segmentação de atividades como fartamente tratado nestes autos. A Turma a quo também entendeu regular a segmentação de atividades no grupo econômico (Consta deste acórdão: "não há dúvida que a segmentação empresarial do grupo econômico do qual a Recorrente faz parte"). A possibilidade de transferência de ágio é admitida em alguns precedentes des Conselho Adminsitrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Ágio Regularmente Constituído. Incorporação de Empresa. Transferência do Ágio entre Empresas do Mesmo Grupo Econômico. Dedutibilidade. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio, fundado na expectativa de rentabilidade do investimento, tiver sido regularmente constituído, em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 Csll e Irpj. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Fl. 4760DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.761 24 (Acórdão 1301002.239, Relator ROBERTO SILVA JUNIOR, sessão em 22/03/2017) Diante da existência de ágio efetivamente pago e devidamente fundamentado em mais valia de ativo ou em rentabilidade futura, caso exista um propósito negocial válido, é plenamente aceitável que o grupo econômico ‘transfira’ o ágio para outra de suas empresas, aproveitando o benefício em outra parte da estrutura societária. Em outras palavras, sendo possível o aproveitamento do ágio por incorporação direta, é possível seu deslocamento por incorporações sucessivas, compra e venda ou conferência de capital, todas pelo mesmo valor contábil, desde que se justifique que as operações tiveram propósito negocial e não serviram para criar benefício tributário a que o grupo econômico não fazia jus. Nesses casos, o desdobramento do ágio na destinatária do investimento é consequência direta do método de equivalência patrimonial, tratandose do mesmo ágio existente na antiga investidora” – fl. 62 do acórdão. (Acórdão CARF nº 1102 001.182, Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araújo, Data da Sessão 27/08/2014) Finalmente, não vislumbro qualquer irregularidade na emissão de Certificados de Depósitos Interbancários CDIS, sendo sua emissão relacionada à captação de recursos, de forma lícita e usual no mercado. Diante disso, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido. Caso vencida, voto pela baixa dos autos à Turma a quo para julgamento das demais matérias de recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre renderei homenagens, peço vênia para divergir no exame do mérito, em relação à glosa da despesa de amortização do ágio. O voto apresenta análise histórica e sistêmica sobre o tema, para depois tratar do caso concreto. Fl. 4761DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.762 25 1. Conceito e Contexto Histórico Podese entender o ágio como um sobrepreço pago sobre o valor de um ativo (mercadoria, investimento, dentre outros). Tratandose de investimento decorrente de uma participação societária em uma empresa, em brevíssima síntese, o ágio é formado quando uma primeira pessoa jurídica adquire de uma segunda pessoa jurídica um investimento em valor superior ao seu valor patrimonial. O investimento em questão são ações de uma terceira pessoa jurídica, que são avaliadas pelo método contábil da equivalência patrimonial. Ou seja, a empresa A detém ações da empresa B, avaliadas patrimonialmente em 60 unidades. A empresa C adquire, junto à empresa A, as ações da empresa B, por 100 unidades. A empresa C é a investidora e a empresa B é a investida. Interessante é que emergem dois critérios para a apuração do ágio. Adotandose os padrões da ciência contábil, apesar das ações estarem avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, deveriam ainda ser objeto de majoração, ao ser considerar, primeiro, se o valor de mercado dos ativos tangíveis seria superior ao contabilizado. Assim, supondose que, apesar do patrimônio ter sido avaliado em 60 unidades, o valor de mercado seria de 70 unidades, considerase para fins de apuração 70 unidades. Segundo, caso se constate a presença de ativos intangíveis sem reconhecimento contábil no valor de 12 unidades, temse, ao final, que o ágio, denominado goodwill, seria a diferença entre o valor pago (100 unidades) e o valor de mercado mais intangíveis (60 + 10 + 12 = 82 unidades). Ou seja, o ágio passível de aproveitamento pela empresa C, decorrente da aquisição da empresa B, mediante atendimento de condições legais, seria no valor de 18 unidades. Ocorre que o legislador, ao editar o DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, resolveu adotar um conceito jurídico para o ágio próprio para fins tributários. Isso porque positivou no art. 20 do mencionado decretolei que o denominado ágio poderia ter três fundamentos econômicos, baseados: (1) no sobrepreço dos ativos; e/ou (2) na expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido e/ou (3) no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, posteriormente, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, autorizaram a amortização do ágio nos casos (1) e (2), mediante atendimento de determinadas condições. Na medida em que a lei não determinou nenhum critério para a utilização dos fundamentos econômicos, consolidouse a prática de se adotar, em praticamente todas as operações de transformação societária, o reconhecimento do ágio amparado exclusivamente no caso (2): expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. O ágio passou a ser simplesmente a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento. Assim, voltando ao exemplo, a empresa C, investidora, ao adquirir ações da empresa investida B avaliadas patrimonialmente em 60 unidades, pelo valor de 100 unidades, poderia justificar o sobrepreço de 40 unidades integralmente com base no fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura do investimento adquirido. Na realidade, a legislação tributária ampliou o conceito do goodwill. E como darseia o aproveitamento do ágio? Fl. 4762DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.763 26 Em duas situações. Na primeira, quando a empresa C realizasse o investimento, por exemplo, ao alienar a empresa B para uma outra pessoa jurídica. Assim, se vendesse a empresa B para a empresa D por 150 unidades, apuraria um ganho de 50 unidades. Isso porque, ao patrimônio líquido da empresa alienada, de 60 unidades, seria adicionado o ágio de 40 unidades. Assim, a base de cálculo para apuração do ganho de capital seria a diferença entre 150 e 100 unidades, perfazendo 50 unidades. Na segunda, no caso de a empresa C (investidora) e a empresa B (investida) promoverem uma transformação societária (incorporação, fusão ou cisão), de modo em que passem a integrar uma mesma universalidade. Por exemplo, a empresa B incorpora a empresa C, ou, a empresa C incorpora a empresa B. Nesse caso, o valor de ágio de 40 unidades poderia passar a ser amortizado, para fins fiscais, no prazo de sessenta meses, resultando em uma redução na base de cálculo do IRPJ e CSLL a pagar. Naturalmente, no Brasil, em relação ao ágio, a contabilidade empresarial pautouse pelas diretrizes da contabilidade fiscal, até a edição da Lei nº 11.638, de 2007. O novo diploma norteouse pela busca de uma adequação aos padrões internacionais para a contabilidade, adotando, principalmente, como diretrizes a busca da primazia da essência sobre a forma e a orientação por princípios sobrepondose a um conjunto de regras detalhadas baseadas em aspectos de ordem escritural 1. Nesse contexto, houve um realinhamento das normas contábeis no Brasil, e por consequência do conceito do goodwill. Em síntese, ágio contábil passa (melhor dizendo, volta) a ser a diferença entre o valor da aquisição e o valor patrimonial justo dos ativos (patrimônio líquido ajustado pelo valor justo dos ativos e passivos). E recentemente, por meio da Lei nº 12.973, de 13/05/2014, o legislador promoveu uma aproximação do conceito jurídicotributário do ágio com o conceito contábil da Lei nº 11.638, de 2007, além de novas regras para o seu aproveitamento, que não são objeto de análise do presente voto. Enfim, resta evidente que o conceito do ágio tratado para o caso concreto, disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, alinhase a um conceito jurídico determinado pela legislação tributária. Tratase, portanto, de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. 2. Aproveitamento do Ágio. Hipóteses Apesar de já ter sido apreciado singelamente no tópico anterior, o destino que pode ser dado ao ágio contabilizado pela empresa investidora merece uma análise mais detalhada. Há que se observar, inicialmente, como o art. 219 da Lei nº 6.404, de 1.976 trata das hipóteses de extinção da pessoa jurídica: 1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de contabilidade das sociedades por ações: (aplicável às demais sociedades), 1ª ed. São Paulo : Editora Atlas, 2008, p. 31. Fl. 4763DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.764 27 Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. E, ao se tratar de ágio, vale destacar, mais uma vez, os dois sujeitos, as duas partes envolvidas na sua criação: a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida, sendo a investidora é aquela que adquiriu a investida, com sobrepreço. Não por acaso, são dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). Podese dizer que os eventos (1) e (2) guardam correlação, respectivamente, com os incisos I e II da lei que dispõe sobre as Sociedades por Ações. 3. Aproveitamento do Ágio. Separação de Investidora e Investida No primeiro evento, tratase de situação no qual a investidora aliena o investimento para uma terceira empresa. Nesse caso, o ágio passa a integrar o valor patrimonial do investimento para fins de apuração do ganho de capital e, assim, reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A situação é tratada pelo DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977, arts. 391 e 426 do RIR/99: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). (...) Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do Fl. 4764DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.765 28 contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (...) (grifei) Assim, o aproveitamento do ágio ocorre no momento em que o investimento que lhe deu causa foi objeto de alienação ou liquidação. 4. Aproveitamento do Ágio. Encontro entre Investidora e Investida Já o segundo evento aplicase quando a investidora e a investida transformaremse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). O ágio pode se tornar uma despesa de amortização, desde que preenchidos os requisitos da legislação e no contexto de uma transformação societária envolvendo a investidora e a investida. Contudo, sobre o assunto, há evolução legislativa que merece ser apresentada. Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a Fl. 4765DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.766 29 determinação do valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão 2. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 1997 3, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. 2 Ver Acórdão nº 1101000.841, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, da relatora Edeli Pereira Bessa., p. 15. 3 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 4766DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.767 30 Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI4 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista 5 que trabalhou na edição da MP 1.602, de 1997: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. 5 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18024, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 4767DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.768 31 Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.602, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização. E qual foram as novidades trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997? Primeiro, há que se contextualizar a disciplina do método de equivalência patrimonial (MEP). Isso porque o ágio aplicase apenas em investimentos sociedades coligadas e controladas avaliado pelo MEP, conforme previsto no art. 384 do RIR/99. O método tem como principal característica permitir uma atualização dos valores dos investimentos em coligadas ou controladas com base na variação do patrimônio líquido das investidas. As variações no patrimônio líquido da pessoa jurídica investida passam a ser refletidas na investidora pelo MEP. Contudo, os aumentos no valor do patrimônio líquido da sociedade investida não são computados na determinação do lucro real da investidora. Vale transcrever os dispositivos dos arts. 387, 388 e 389 do RIR/99 que discorrem sobre o procedimento de contabilização a ser adotado pela investidora. Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real Fl. 4768DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.769 32 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...) Resta nítida a separação dos patrimônios entre investidora e investida, inclusive as repercussões sobre os resultados de cada um. A investida, pessoa jurídica independente, em razão de sua atividade econômica, apura rendimentos que, naturalmente, são por ela tributados. Por sua vez, na medida em que a investida aumenta seu patrimônio líquido em razão de resultados positivos, por meio do MEP há uma repercussão na contabilidade da investidora, para refletir o acréscimo patrimonial realizado. A conta de ativos em investimentos é debitada na investidora, e, por sua vez, a contrapartida, apesar de creditada como receita, é excluída na apuração do Lucro Real. Com certeza, não faria sentido tributar os lucros na investida, e em seguida tributar o aumento do patrimônio líquido na investidora, que ocorreu precisamente por conta dos lucros auferidos pela investida. E esclarece o art. 385 do RIR/99 que se a pessoa jurídica adquirir um investimento avaliado pelo MEP por valor superior ou inferior ao contabilizado no patrimônio líquido, deverá desdobrar o custo da aquisição em (1) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (2) ágio ou deságio. Para a devida transparência na mais valia (ou menor valia) do investimento, o registro contábil deve ocorrer em contas diferentes: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (grifei) Fl. 4769DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.770 33 Como se pode observar, a formação do ágio não ocorre espontaneamente. Pelo contrário, deve ser motivado, e indicado o seu fundamento econômico, que deve se amparar em pelo menos um dos três critérios estabelecidos no § 2º do art. 385 do RIR/99, (1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, (2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros (3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. E, conforme já dito, por ser a motivação adotada pela quase totalidade das empresas, todos os holofotes dirigemse ao fundamento econômico com base em expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida. Tratase precisamente de lucros esperados a serem auferidos pela controlada ou coligada, em um futuro determinado. Por isso o adquirente (futuro controlador) se propõe a desembolsar pelo investimento um valor superior ao daquele contabilizado no patrimônio líquido da vendedora. Por sua vez, tal expectativa deve ser lastreada em demonstração devidamente arquivada como comprovante de escrituração, conforme previsto no § 3º do art. 385 do RIR/99. E, finalmente, passamos a apreciar os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, consolidados no art. 386 do RIR/99. Como já dito, em eventos de transformação societária, quando investidora absorve o patrimônio da investida (ou vice versa), adquirido com ágio ou deságio, em razão de cisão, fusão ou incorporação, resolveu o legislador disciplinar a situação: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração.(...) (grifei) Fl. 4770DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.771 34 Fica evidente que os arts. 385 e 386 do RIR/99 guardam conexão indissociável, constituindose em norma tributária permissiva do aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão envolvendo o investimento objeto da mais valia. 5. Amortização. Despesa. Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99 6. 6 Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). § 1º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de amortização não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem ou direito, ou o valor das despesas (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 2º). § 2º Somente serão admitidas as amortizações de custos ou despesas que observem as condições estabelecidas neste Decreto (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 5º). § 3º Se a existência ou o exercício do direito, ou a utilização do bem, terminar antes da amortização integral de seu custo, o saldo não amortizado constituirá encargo no período de apuração em que se extinguir o direito ou terminar a utilização do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 4º). § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Fl. 4771DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.772 35 Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. 6. Despesa Em Face de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especialmente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, envolvendo aportes de substanciais recursos para, em questão de dias ou meses, serem objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial do suporte fático, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa Fl. 4772DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.773 36 uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes. 7. Hipótese de Incidência Prevista Para a Amortização Realizada análise do ágio sob perspectiva do gênero despesa, cabe prosseguir com a apreciação da legislação específica que trata de sua amortização. Vale recapitular os dois eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida (investida) com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). E repetir que estamos, agora, tratando da segunda situação. Cenário que se encontra disposto nos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 385 e 386 do RIR/99, do qual transcrevo apenas os fragmentos de maior interesse para o debate: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado Fl. 4773DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.774 37 segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (...) (grifei) Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 7. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. 7 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 4774DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.775 38 Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre o real investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI8, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do 8 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 4775DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.776 39 sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveita se da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Registrese que a consumação do aspecto temporal não se confunde com o termo inicial do prazo decadencial. Isso porque, partindose da construção da norma conforme operação no qual "Se A é, B deveser", onde a primeira parte é o antecedente, e a segunda é o consequente, a consumação da hipótese de incidência localizase no antecedente. Ou seja, "Se A é", indica que a hipótese de incidência, no caso concreto, mediante aperfeiçoamento dos aspectos pessoal, material e temporal, concretizouse em sua plenitude. Assim, passase para a etapa seguinte, o consequente ("B deveser"), no qual se aplica o regime de tributação a que encontra submetido o contribuinte (lucro real trimestral ou anual), efetuase o lançamento fiscal com base na repercussão que as glosas despesas de ágio indevidamente amortizadas tiveram na apuração da base de cálculo, e, por consequência, determinase o termo inicial para contagem do prazo decadencial. 8. Consolidação Considerandose tudo o que já foi escrito, entendo que a cognição para a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos pela norma encontramse atendidos e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado. Fl. 4776DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.777 40 A primeira verificação parece óbvia, mas, diante de todo o exposto até o momento, observase que a discussão mais relevante inserese precisamente neste momento, situado antes da subsunção do fato à norma. Falase insistentemente se haveria impedimento para se admitir a construção de fatos que buscam se amoldar à hipótese de incidência de norma de despesa. O ponto é que, independente da genialidade da construção empreendida, da reorganização societária arquitetada e consumada, a investidora originária prevista pela norma não perderá a condição de investidora originária. Quem viabilizou a aquisição? De onde vieram os recursos de fato? Quem efetuou os estudos de viabilidade econômica da investida? Quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço? Respondo: a investidora originária. Ainda que a pessoa jurídica A, investidora originária, para viabilizar a aquisição da pessoa jurídica B, investida, tenha (1) "transferido" o ágio para a pessoa jurídica C, ou (2) efetuado aportes financeiros (dinheiro, mútuo) para a pessoa jurídica C, a pessoa jurídica A não perderá a condição de investidora originária. Podese dizer que, de acordo com as regras contábeis, em decorrência de reorganizações societárias empreendidas, o ágio legitimamente passou a integrar o patrimônio da pessoa jurídica C, que por sua vez foi incorporada pela pessoa jurídica B (investida). Ocorre que a absorção patrimonial envolvendo a pessoa jurídica C e a pessoa jurídica B não tem qualificação jurídica para fins tributários. Isso porque se trata de operação que não se enquadra na hipótese de incidência da norma, que elege, quanto ao aspecto pessoal, a pessoa jurídica A (investidora originária) e a pessoa jurídica B (investida), e quanto ao aspecto material, o encontro de contas entre a despesa incorrida pela pessoa jurídica A (investidora originária que efetivamente incorreu no esforço para adquirir o investimento com sobrepreço) e as receitas auferidas pela pessoa jurídica B (investida). Mostrase insustentável, portanto, ignorar todo um contexto histórico e sistêmico da norma permissiva de aproveitamento do ágio, despesa operacional, para que se autorize "pinçar" os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, promover uma interpretação isolada, blindada em uma bolha contábil, e se construir uma tese no qual se permita que fatos construídos artificialmente possam alterar a hipótese de incidência de norma tributária. Caso superada a primeira verificação, cabe prosseguir com a segunda verificação, relativa a aspectos de ordem formal, qual seja, se a demonstração que o contribuinte arquivar como comprovante de escrituração prevista no art. 20, § 3º do Decreto Lei nº 1.598, de 27/12/1977 (1) existe e (2) se mostra apta a justificar o fundamento econômico do ágio. Há que se verificar também (3) se ocorreu, efetivamente, o pagamento pelo investimento. Enfim, referese a terceira verificação a constatar se toda a operação ocorreu dentro de padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes, distante de situações que possam indicar ocorrência de negociações eivadas de ilicitude, que poderiam guardar repercussão, inclusive, na esfera penal, como nos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. 9. Sobre o Caso Concreto Fl. 4777DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.778 41 Feitas as considerações, passo a analisar o caso concreto. Tratase de operação no qual o Banco Itau Holding (ITAU HOLDING) adquire do Bank of America a integralidade (100%) das ações do BANKBOSTON, com sobrepreço (ágio). Transcrevo as operações descritas pelo voto vencido, apresentadas de maneira didática: "1) Primeira Etapa (25/08/2006): o Banco Itaú Holding Financeira S.A. celebra acordo com Bank of America Corporation para aquisição do BankBoston, pelo valor de R$ 4.581.120.000,00. Relatase, ainda, que haveria a segmentação das operações do BankBoston, com a absorção por empresas do Grupo Itaú (a) Banco de varejo pelo Banco Itaú S.A. (b) Banco de Atacado (corporate) pelo Banco Itaú BBA S.A. e (c) Operações de cartões de crédito pelo Banco Itaucard S.A. 2) Segunda Etapa (02/10/2006): o Banco Itaú S.A. incorpora as ações do BankBoston. Os investimentos do Banco Itaú Holding Financeira S.A. foram transferidos para o Banco Itaú S.A., com preço fixado em preço fixado em R$ 4.627.730,00. 3) Terceira Etapa (02/10/2006): cisão parcial do BankBoston com versão i) dos ativos e passivos relativos ao segmento de cartões de crédito à empresa Rudá; e ii) dos ativos e passivos correspondentes ao segmento corporate ao Banco Itausaga S.A. (...) 4) Quarta Etapa (02/10/2006): venda das ações da Rudá pelo Banco Itaú S.A. para o Banco Itaucard S.A. 5) Quinta Etapa (02/10/2006): incorporação da Rudá pelo Itaucard. 6) Sexta Etapa (31/01/2007): Cisão parcial do Bankboston com incorporação da parcela cindida pelo Banco Itaú S.A." O que se observa é que, após a aquisição do investimento (ações do BANKBOSTON), ocorrem uma série de reorganizações societárias internas, dentro grupo econômico da adquirente (ITAU HOLDING), a partir de 02/10/2006 e finalizando em 31/01/2007. Todas as operações descritas na sequência ocorreram em 02/10/2006: Primeiro, o BANCO ITAU (do grupo econômico) incorpora as ações do BankBoston, havendo a transferência dos investimento do ITAU HOLDING para o BANCO ITAU (as ações do BankBoston). Fl. 4778DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.779 42 Na sequência, ocorre a versão do segmento de cartões de crédito do BankBoston, por meio de Cisão, para a empresa RUDA (subsidiária do BANCO ITAU), que passou a deter o ágio. Depois, o BANCO ITAU alienou a RUDA para o ITAUCARD (a Contribuinte). Inclusive, operação de compra e venda interna foi paga com recursos provenientes da emissão de um Certificado Bancário (CDI) realizada pelo ITAUCARD. E o comprador do CDI, emitido pelo ITAUCARD, foi o BANCO ITAU. A autoridade fiscal (no Termo de Verificação Fiscal, efl. 3806) discorre de maneira contundente e precisa: Ou seja, o Banco Itaú S.A. vendedor das ações da Rudá foi o comprador do CDI emitido pelo Banco Itaucard S.A. Com isso, ficou configurado que o próprio vendedor financiou a compra e venda das ações. Em seguida, o ITAUCARD incorporou a RUDA. Evento que, no entendimento da Contribuinte, autorizaria a amortização do ágio com base nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. São os fatos. Diante de todo o escrito no presente voto, a operação em análise não passa pela primeira verificação (vide item 8 do voto). Quanto ao aspecto pessoal, cabe verificar quem é efetivamente a pessoa jurídica investidora e a pessoa jurídica investida. A pessoa jurídica investidora é o ITAU HOLDING que efetuou o aporte de recursos para aquisição do investimento BAKBOSTON com pagamento de sobrepreço, por ter sido realizado em valor superior ao do patrimônio líquido. É incontestável que foi o ITAU HOLDING a empresa que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido e desembolsou os recursos para a aquisição (vide item 7 do voto). Por sua vez, a pessoa jurídica investida foi a empresa BANKBOSTON. Ocorre que o evento de incorporação deuse entre a ITAUCARD (Recorrente) e a RUDA. Nesse sentido, o aproveitamento da despesa de amortização de ágio promovido pela Contribuinte deuse sem respaldo legal, vez que não se consumou a hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8·da Lei nº 9.532, de 1997. Isso sem considerar a efemeridade das operações e a peculiar operação de compra e venda entre o BANCO ITAU e a ITAUCARD. O BANCO ITAU alineou a RUDA para o ITAUCARD. Para captar recursos para viabilizar a aquisição, o ITAUCARD emitiu Fl. 4779DF CARF MF Processo nº 16327.721664/201124 Acórdão n.º 9101002.891 CSRFT1 Fl. 4.780 43 CDI. E o comprador do CDI foi o próprio BANCO ITAU (aquele que vendeu a RUDA para o ITAUCARD). Constatase, com nitidez, a construção artificial do suporte fático, para que se pudesse amoldar à hipótese de incidência de despesa de amortização do ágio (item 6 do voto). Resta evidente o deliberado intuito de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Tendo em vista que a decisão recorrida deu provimento ao recurso, não foram apreciadas as matérias (i) multa isolada quanto às estimativas mensais e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, razão pela qual os autos devem retornar para a turma a quo. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo, para apreciar as matérias (i) multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 4780DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902875/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhece-se a homologação da declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a liquidez e certeza do direito creditório, reconhecese a homologação da declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 75 /2 00 9- 19 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10283.902875/200919 Acórdão n.º 3302004.640 S3C3T2 Fl. 505 2 Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese o relatório da Resolução de nº 330200.166: "Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/03/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou o crédito de R$ 70.870,77, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 03/2005, no valor originário de R$ 213.318,27. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 02/04/2009, a interessada apresentou, em 04.05.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "A ora peticionária apurou (...) equivocadamente, um débito de COFINS (...) conforme DCTF transmitida à Receita Federal do Brasil (...). Com base no referido equívoco, a peticionária promoveu o recolhimento do montante supostamente devido, conforme se verifica do DARF ora apresentado (...). (...) Desta forma, verificase que a peticionária agiu devidamente, conforme determina a legislação, uma vez que, após ter reconhecido o pagamento indevido, retificou a DCTF e promoveu a devida compensação de um crédito seu, com um débito próprio. Entretanto, a peticionária recebeu, com surpresa, o despacho decisório o qual não reconheceu a compensação dos valores devidos (...). (...) Nesse sentido, é forçoso que a Receita Federal do Brasil reconheça o direito creditório da peticionária e homologue a compensação efetuada, tendo em vista que a apuração do débito de COFINS originouse de um equívoco, o qual não pode perpetuar em nome da verdade material que deve prevalecer no processo administrativo. É o que se vê, aliás, da jurisprudência pacifica do antigo Conselho de Contribuintes (...). Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10283.902875/200919 Acórdão n.º 3302004.640 S3C3T2 Fl. 506 3 (...) Negarlhe o direito a compensação ou impedir a restituição de pagamento indevido efetuado constituiria apropriação indébita por parte do Fisco Federal. Diante do exposto, requer a ora peticionária (...) seja conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade (...)." Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão que assim ficou ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 04/08/2010, alegando nulidade da decisão recorrida por não ter considerado o Dacon apresentado como documento hábil e idôneo a provar o valor devido objeto da DCTF retificadora e, no mérito, reiterou a correção da compensação efetuada, em vista do princípio da verdade material. Na sessão de 31/08/2011, foi proferida a Resolução nº 330200.166, que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal verificasse a veracidade das informações prestadas e dos créditos alegados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadores, especificamente, a existência dos créditos alegados, informando se o “quantum” apurado é suficiente para fazer frente às compensações efetuadas. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal elaborou a informação fiscal de efls. 475/478, na qual reconheceu que o valor pleiteado pela recorrente era inferior ao valor a ser restituído de acordo com a contabilidade. Em manifestação sobre o resultado da diligência, a recorrente reiterou as alegações de recurso voluntário, confirmadas pela informação fiscal. Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10283.902875/200919 Acórdão n.º 3302004.640 S3C3T2 Fl. 507 4 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida, em razão de que não se considerou o Dacon como prova hábil e idônea, para a certificação do indébito tributário. De fato, a decisão recorrida entendeu ser necessária a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte, conforme excerto abaixo: "... Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendo se necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido." No caso, a decisão está fundamentada nos termos do artigo 31 do Decreto nº 70.235/1972 e o inconformismo com seu conteúdo decisório não leva a sua nulidade, mas em eventual reforma, se fosse o caso. Assim, afasto a nulidade arguida. Quanto ao mérito, a informação fiscal produzida na diligência reconheceu que o valor devido informado pela recorrente em Dacon de R$ 48.834,25 era superior ao valor devido apurado em sua contabilidade, confirmando, portanto, o direito creditório pleiteado de R$ 70.870,77. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000063/2006-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIS I EMA INTEGRADo DE PAGAMENTO DE IMPOS I OS E
CON RIBUR:OES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE — SIMPLES.
Ano-calenddrio: 2003, 2004
SIMPLES. EXCLUSÃO , LIMITE DE RECEITA. AUMENTO POR LEI
POSTERIOR.. RETROAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE.
O aumento, por lei posterior, do valor passível de enquadramento no SLMPLES, não se amolda a nenhuma das hipóteses contidas no artigo 106 do CTN, O que se deu com a superveniencia da I,ei 11.307/2006 foi.
alargamento da faixa de opção pelo SIMPLES desde a sua vigência.
tanto o limite era inferior que o legislador o aumentou .
Numero da decisão: 1802-000.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do .relatorio e voto que integrant o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : SIS I EMA INTEGRADo DE PAGAMENTO DE IMPOS I OS E CON RIBUR:OES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. Ano-calenddrio: 2003, 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO , LIMITE DE RECEITA. AUMENTO POR LEI POSTERIOR.. RETROAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. O aumento, por lei posterior, do valor passível de enquadramento no SLMPLES, não se amolda a nenhuma das hipóteses contidas no artigo 106 do CTN, O que se deu com a superveniencia da I,ei 11.307/2006 foi. alargamento da faixa de opção pelo SIMPLES desde a sua vigência. tanto o limite era inferior que o legislador o aumentou .
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Ano-calenddrio: 2003, 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO , LIMITE DE RECEITA. AUMENTO POR LEI POSTERIOR.. RETROAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. O aumento, por lei posterior, do valor passível de enquadramento no SLMPLES, não se amolda a nenhuma das hipóteses contidas no artigo 106 do CTN, O que se deu com a superveniencia da I,ei 11.307/2006 foi. alargamento da faixa de opção pelo SIMPLES desde a sua vigência. tanto o limite era inferior que o legislador o aumentou . Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do .relatorio e voto que integrant o presente julgado. Ester MS.r4-ties Lii s i e Sousa Casoni de P a 1.7nan es Junior Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Andre Almeida Blanco. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pea contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5" Turma da DR.! do Rio de •aneiro/1U Trata o presente processo da exclusão da ora recorrente, por meio do Ato Deciaratório Executivo IV 09, de 19/07/2006 (fl. 120), da sistemática do SIMPLES, com efeitos a partir de 1 0 de janeiro de 2004. Verifica-se dos autos que a exclusão do Simples Sc deu em virtude de ter sido constatado, no curso de ação fiscal instaurada contra a interessada, que a esta auferiu receitas de prestação de serviços nos anos calendário 2003 e 2004 nos respectivos valores de R$ 1.291_531,72 e R$ 1.427.578,83, conforme -fotocópias de notas fiscais obtidas na Prefeitura de Itaperuna/RI, juntadas as folbas 05 a 119. Sendo assim, fundamentou-se a exclusão no artigo 9 0 inciso Il da Lei n° 9.317/96.. .Devidamente notificada, a reconente apresentou Manifestação de Ineonformidade (lis. 135 --- 139), alegando em síntese, que houve cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que a exclusão do Simples efetivada pelo Ato Declaratório Executivo n° 09, de .19/07/2006, ocorreu antes mesmo de 21/07/2006, data do inicio do procedimento fiscal, de que trata o artigo 7 0, inciso 1, do Decreto n" 70.235/72 e que sua exclusão do Simples foi efetivada sem motivação, já que não .infringiu qualquer artigo da Lei n" 9,317/96, porquanto a Lei IV 11.307/06 alterou o limite máximo de receita bruta das empresas dc pequeno porte para .permanência no Simples, passando a ser de R$ 2.400.000,00, limite este válido a partir de janeiro de 2006, sendo que na data da edição do Ato Declaratório Executivo já estava em vigor o novo halite de receita bruta.. Sustentou ainda que na dnvida sobre qual limite a ser aplicado, se de R$ 1.200.000,00 ou de R$ 2.400..000,00, deve-se recorrer ao artigo 112 e incisos do cTN e que a sua sobrevivência como empresa depende de sua permanência no Simples, razão pela qual requereu a improcedência do Ato Declaratório. A 5" Turma da DRJ do Rio de Janeiro, flOs termos do acórdão e voto de folhas -159 a 163, indeferiu a solicitação, afastando a preliminar de nulidade, ante a absoluta regularidade do processo administrativo em questão e registrando, quanto aos argumentos no sentido de que na data da edição do Ato Declaratório Executivo n° 09/2006 já estava cru vigor o novo limite de receita bruta, estabelecido pela Lei n° 11,307/06, que em se tratando dc direito tributário, a regra estabelecida no artigo 105 do CTN da conta de que as leis produzem efeitos para o futuro, sendo certo que de acordo corn o "caput" do artigo 144 do CTN, o lançamento deve obedecer á lei vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, ainda que postelionnente revogada, mantendo-se a exclusão.. .Devidamente cientificada (11. 165) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 166 — 170), afirmando que o presente feito tem como objeto o exame da legalidade do Ato Declamatório Executivo n" 09, de 19/07/2006, que acabou por exclui-la do Simples se deu em virtude de ter obtido receita superior, nos exercícios de 2003 e 2004, ao limite fixado pela legislação para efeitos de enquadramento no Simples, ou seja, a recorrente deixou de observar o previsto no art. 9 0, 11 da I,ei n° 9.317/96, antes da redação dada pela Lei n" 11.307/2006, que Proctsso n" 15521 000063/2006 • 55 Acórdno n 1802-00.778 Fl 2 por sua vez, aumentou o limite das receitas auferidas pelos contribuintes para efeitos de enquadramento no Simples. Sendo assim, alegou a recorrente que de fato auferiu receita, respectivamente, nos exercícios de 2003 e 2004 de R$ 1291.531,72 e R$ 1.427,578,83, enquanto o artigo 9", 11 da Lei a' 9317/96, previa como limite para adesão ao Simples a receita do ano calendário imediatamente anterior no valor de R$ 1..200.000,00, contudo, ao caso concreto, a aplicação do citado artigo 9°, 1.1 da Lei IV 9.3 .17/96, deve ser feita de acordo coin a sua nova redacdo dada pela Lei •° 11..307/2006, que aumentou o limite anteriormente fixado, pugnando assim, pelo .provimento do Recurso Voluntário para os fins de afastar-se o Ato .Decl.aratório Executivo. É o relatório. ru de e nandes Junior _Edwal Cas Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula E'ernandes Junior 0 recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, admito-o, portanto . A situação colocada para julgamento refere-se apenas à eficácia de lei que posteriormente aos exercícios em que a recorrente obteve receita superior àquela que possibilitava o enquadramento no SIMPLES, aumentou a faixa de enquadramento, o que não implicaria na exclusão da contribuinte do citado regime.. Inegavelmente, nos exercícios de 2003 e 2004, como a . própria contribuinte afirma no item "5" do seu ReCUTSO Voluntário, foram obtidas receitas superiores ao limite lixado para opção pelo SIMPLES, confira-se (SIC! IL 168): ) 5 • • ConfOrme Os autos, o recorrente auferiu receita, respectivainente, nos exercicios de 200.3 e 2004 de 11$ 1.291.531,72 e R$ 1.427,578,83, enquanto o art. 9, Ll da Lei n° 9:317/96, previa como limite para adesao ao Simples a receita do aiio - caiendatio imediatamente anterior no valor de R$ 1 200.000,00. (...) Trata-se no caso concreto, portanto, de inegável oconenci a de evento impeditivo de opção pelo SIMPLES, sustentando a recorrente que o advento da Lei if 11.307/06 que alterou a Lei n" 9,317/96 para Os fins de alargar a faixa de adesão, teve o condão de alcançar sua situação concreta porquanto se trata de norma superveniente e anterior ao Ato Declaratório Executivo, aplicando-se, destarte, o disposto n.o artigo 106 do Código Tributário Nacional.. Corn efeito, não se desconhece que a mencionada Lei if 11.307/06, alterou a redação do artigo 9" da então vigente lei do SIMILES, a despeito disso, nada lid que im.plique na retroação desse dispositivo à época em que foi aférido o evento impeditivo de opção pelo regime. 0 que se tem na espécie, com o aumento da receita bruta para os fins de opção, não se confunde corn as hipóteses versadas no artigo 106 do CTN. 0 que se deu com a superveniência da Lei inovadora foi a possibilidade de desde a sua vigC,'ncia, incluir-se a receita bruta de R$ 2,400,000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), alias, tanto a receita bruta antes aplicável era inferior que o legislador aumentou-a. Assim verificado, não vislumbro qualquer hipótese de retroação, sabidamente a lei do tempo rege o ato, motivo pelo qual, na data versada no Ato Declaratório Executivo, de lato a recorrente não podia optar pelo SIMPLES, nada obstante o possa ser após dita Diante dessas razões, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo-se a deci recorrida. Process° n' 15521M00063/2006-58 Acórcido n." 1802-00,778 St-TE02 3
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001594/2002-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. VALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO QUE FAZ GLOSAS COM BASE EM INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE.
É válido o despacho decisório que faz glosas com informações do contribuinte, ainda que elas tenham sido apresentadas depois do pedido de ressarcimento.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECONHECIDO PELA DELEGACIA DE ORIGEM. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE.
A Taxa SELIC não é aplicável ao crédito presumido do IPI que não tiver oposição da Administração Fazendária.
Numero da decisão: 3401-002.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário interposto.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
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VALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO QUE FAZ GLOSAS COM BASE EM INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE. É válido o despacho decisório que faz glosas com informações do contribuinte, ainda que elas tenham sido apresentadas depois do pedido de ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECONHECIDO PELA DELEGACIA DE ORIGEM. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. A Taxa SELIC não é aplicável ao crédito presumido do IPI que não tiver oposição da Administração Fazendária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 15 94 /2 00 2- 86 Fl. 468DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0817.14030.TK6K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Odassi Guerzoni Filho. Participou, ainda, da sessão, a Conselheira Raquel Brandão Minatel, em substituição à Conselheira Ângela Sartori, a qual estava justificadamente ausente. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI do 1o trimestre de 2002 (fl.03). O pedido foi parcialmente indeferido em razão de algumas glosas efetuados pela fiscalização, sob fundamentação de que os produtos glosados não se classificam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (fl.316/317). A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.320/340), mas a DRJ em Divinópolis/MG manteve as glosas (fls.362/374). A Contribuinte recorreu tempestivamente (fls.378/406), alegando nulidade do despacho decisório, pois, segundo a Recorrente, foram efetuadas glosas indevidas, de elementos que não estavam no cálculo apresentado por ela. A Contribuinte também argumentou acerca de seu direito em ter seus créditos corrigidos. Na primeira apreciação do Recurso Voluntário (fls.434/440), entendeuse que o suposto erro no cálculo não era motivo de nulidade, vez que tais falhas poderiam ser sanadas. Contudo, em razão de os cálculos estarem obscuros, o que impossibilitava concluir o que de fato havia sido glosado, decidiuse converter o julgamento em diligência, a fim de que os cálculos fossem refeitos e reapresentados com clareza e de modo detalhado. A delegacia da Receita Federal em Divinópolis/MG apresentou novas tabelas de cálculo (fls. 456/460) e elaborou relatório (462/464), esclarecendo que as glosas foram feitas com base em um conjunto notas fiscais, balancetes e planilhas, denominadas “movimentação matériasprimas e materiais auxiliares”, apresentadas pela própria Recorrente, juntadas nos autos às fls. digitais 80/82. Segundo a autoridade, essas planilhas “contêm os dados relativos aos insumos e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo da empresa”, estando nessas planilhas os dados necessários ao cálculo do crédito, não havendo, portanto, glosa indevida. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 19/03/2009 (fl.467), mas nos autos não há sua manifestação É o Relatório. Fl. 469DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0817.14030.TK6K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001594/200286 Acórdão n.º 3401002.194 S3C4T1 Fl. 469 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Conforme já informado na primeira análise, o Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão era a falta de clareza na glosa do crédito. As matérias devolvidas para o julgamento por este Conselho foram as seguintes: nulidade do despacho decisório por analisar valores e insumos diferentes dos apresentados pela Recorrente; direito à correção dos seus créditos pela Taxa SELIC. 1. Da nulidade do despacho decisório Alega a Recorrente que o Despacho Decisório é nulo, pois o auditorfiscal, ao analisar seus créditos, teria reputado aos insumos apresentados valores diferentes dos valores apresentados pela Recorrente, além de ter glosado valores referentes a bens não apresentados como origem de crédito pela Recorrente. Após a diligência, a tabela apresentada nas fls. 456 a 460 demonstra que os produtos glosados foram os seguintes: “lenha”, “sucata eletr. grafite”, “sulfidrato de sódio”. Desses bens glosados, o único que não está relacionado nas planilhas apresentadas pela empresa é a lenha. Quanto a essa glosa, a delegacia de origem, no relatório de diligência, explicou o seguinte (fl. 332): “Esclarecemos que a remissão e exclusão do produto ‘lenha’ foi feita em todo o período, apesar de não constar entre materiais relacionados às fls. 48/50. É que a informação sobre exclusões ao final das planilhas de 64/66 foi feita de forma genérica para todos os trimestres examinados, inclusive para o ano de 2001, mas não prejudica o entendimento do cálculo, pois se faz referência a um produto com saída ‘zero’ em determinado período, ou um produto que já não é mais utilizado pela empresa, obviamente a exclusão deste produto também será igual a zero”. O auditorfiscal tem razão quando afirma que a exclusão da lenha não prejudica o cálculo do crédito. Como é possível ver nas tabelas da diligência (fls.356/360), apesar de excluir o produto “lenha”, a autoridade fiscal não atribuiu qualquer valor a esse produto. Da mesma forma, não há valor atribuído ao produto “sucata eletr. grafite”. Desse modo, a exclusão desses dois produtos não altera o cálculo do crédito. Fl. 470DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0817.14030.TK6K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 O único produto cuja glosa é relevante para o cálculo do crédito é o “sulfidrato de sódio”, para o qual foram atribuídos os seguintes valores de saída com ICMS: no mês de janeiro de 2002, R$ 13.259,28; no mês de fevereiro de 2002, R$ 13.078,46; e no mês de março de 2002, R$ 11.868,76. Pelo relatório da diligência, ficou bem esclarecido que, depois de ser intimada para prestar esclarecimentos, a Recorrente apresentou uma nova planilha à autoridade fiscal e que a fiscalização passou a utilizar as novas informações para o cálculo do crédito. Essas novas informações estão dispostas na tabela denominada de “movimentação de matéria prima/materiais auxiliares”, anexada nas fls. digitais 80 a 82. Nessa tabela consta o produto glosado “sulfidrato de sódio”. Após ser intimada do resultado da diligência, a Recorrente ficou inerte, não se pronunciando acerca das considerações da autoridade fiscal. A Recorrente também não apresentou qualquer prova de que o produto “sulfridato de sódio” compõe a cadeia produtiva como matériaprima ou produto intermediário. Por essa razão, falta motivo para alterar a glosa efetuada pela autoridade fiscal e não há razão para declarar nulo o despacho decisório. 2. Da taxa SELIC Como parte do crédito foi reconhecida, cabe analisar a aplicabilidade da Taxa Selic para a correção dos créditos conhecidos. O Superior Tribunal de Justiça, no jumento do Recurso Especial nº 993.164, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do Código de Processo Civil, assim decidiu acerca desse tema: "PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS LEI Nº 9.363/1996 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 23/1997 (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do art. 543C do CPC : REsp 1035847/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa Selic (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Relª Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...)15. Recurso especial da Fl. 471DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0817.14030.TK6K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10665.001594/200286 Acórdão n.º 3401002.194 S3C4T1 Fl. 470 5 empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 8/2008." (STJ REsp 993.164 1ª S. Rel. Min. Luiz Fux DJe 17.12.2010 ) (Grifos nossos) Conforme verificado, a Taxa SELIC é devida somente quando a Fazenda se opõe ao ressarcimento. Como estamos tratando do crédito reconhecido logo no início pela DRJ, não houve oposição da Fazenda, razão que afasta a aplicação da Taxa SELIC. Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto para manter integralmente o acórdão da DRJ. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 472DF CARF MF Excluído Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP21.0817.14030.TK6K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 12/04/2013 19:35:17. Documento autenticado digitalmente por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 13/04/2013. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 22/04/2013 e JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 13/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 21/08/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP21.0817.14030.TK6K Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 07A4CD84F10B09DD2F35BD54D2F29792A32ECA18 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10665.001594/2002-86. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11516.723667/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002
PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. DESVIO DE FINALIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENVOLVIDOS. CABIMENTO.
Comprovada a fraude realizada em conluio, de que resultou desvio de finalidade de papel adquirido com imunidade de IPI para utilização na impressão de livros, jornais e periódico, resta configurado o interesse comum a legitimar a atribuição de responsabilidade solidária dos envolvidos em relação às operações nas quais tiveram comprovada participação.
FRAUDE. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. PROCEDÊNCIA.
Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, resta a afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.
Numero da decisão: 3401-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e conhecer e dar integral provimento única e exclusivamente ao recurso voluntário interposto pela empresa "TECPEL", para excluí-la do polo passivo, mantendo, no mais, a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos..
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/05/2001 a 31/12/2002 PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. DESVIO DE FINALIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENVOLVIDOS. CABIMENTO. Comprovada a fraude realizada em conluio, de que resultou desvio de finalidade de papel adquirido com imunidade de IPI para utilização na impressão de livros, jornais e periódico, resta configurado o interesse comum a legitimar a atribuição de responsabilidade solidária dos envolvidos em relação às operações nas quais tiveram comprovada participação. FRAUDE. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. PROCEDÊNCIA. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, resta a afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária.
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DESVIO DE FINALIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENVOLVIDOS. CABIMENTO. Comprovada a fraude realizada em conluio, de que resultou desvio de finalidade de papel adquirido com imunidade de IPI para utilização na impressão de livros, jornais e periódico, resta configurado o interesse comum a legitimar a atribuição de responsabilidade solidária dos envolvidos em relação às operações nas quais tiveram comprovada participação. FRAUDE. SOLIDARIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. CARÊNCIA PROBATÓRIA. PROCEDÊNCIA. Na ausência de comprovação de que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, resta a afastada a caracterização de solidariedade passiva tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e conhecer e dar integral provimento única e exclusivamente ao recurso voluntário interposto pela empresa "TECPEL", para excluíla do polo passivo, mantendo, no mais, a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos.. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 36 67 /2 01 3- 13 Fl. 9862DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Mara Cristina Sifuentes, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, situado às fls. a 2.263/2.276, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de juros de mora e das multas de ofício qualificada e agravada, no percentual de 225%, referente ao período de apuração de 2008 a 2012, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 11.941.835,25. 2. Em conformidade com o termo de verificação fiscal, situado às fls. 2.277 a 2.321, o lançamento de ofício ocorreu em razão da contribuinte Empresa Editora O Estado Ltda., (doravante, denominada simplesmente EDITORA), ter dado destino diverso ao previsto na legislação ao papel recebido com imunidade tributária, tendo sido solidariamente responsabilizados pelo crédito tributário as seguintes pessoas: (i) José Matusalém de Carvalho Cornelli (doravante, denominado simplesmente JOSÉ); (ii) Alessandro de Carvalho França (doravante, denominado simplesmente ALESSANDRO); (iii) Central Distribuidora de Papéis LTDA (doravante, denominada simplesmente CENTRAL DISTRIBUIDORA); (iv) Tecpel – Importação e Distribuição de Papéis LTDA (doravante, denominada simplesmente TECPEL); (v) ABL Comércio de Papéis Ltda., atual denominação de Arbol Comércio de Papéis LTDA (doravante, denominada simplesmente ARBOL); (vi) Z. Zanetti & CIA LTDA (doravante, denominada simplesmente ZANETTI); (vii) Wanderley Gonçalves (doravante, denominado simplesmente WANDERLEYPJ); e (viii) A2 Comércio de Papéis LTDA. (doravante, denominada simplesmente A2COMÉRCIO). 3. Extraise, da leitura do TVF, em síntese, que: (i) a EDITORA "está no centro de um esquema de fraude ao IPI incidente sobre o papel, mediante operações triangulares efetuadas em conluio com diversos fornecedores e adquirentes" que ensejaram a venda de papel sem incidência de IPI, como se imune fosse, quando, na realidade, não era. Em outras palavras, realizava a revenda do papel para outros compradores, que pagavam um preço significativamente menor, como se imune fosse, sem ter que realizar os controles e dar a destinação constitucionalmente exigida para a fruição da imunidade tributária. Argumenta, ainda, que tais condutas eram reiteradas e intencionais, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; (ii) na totalidade das “(...) infrações apuradas (...) no anocalendário 2008, (...) ocorreram fraude e simulação, não se aplicando, portanto, o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 153 (sic) do CTN, e sim o prazo previsto no inc. I do art. 173 do CTN”; (iii) a operação ocorria "(...) em conluio dos participantes e que as notas fiscais dos fornecedores indicavam como comprador a fiscalizada, a qual, como era notório, já havia encerrado suas atividades", arquitetandose, em verdade, todo um "(...) esquema voltado a burlar o disposto no art. 15 da IN SRF nº 101/2001, cuja redação foi alterada pela IN RFB 976/2009”; (iv) afirma que se aplica, in casu, "(...) a norma antielisiva do art. 116, do CTN, que faz referência a procedimentos a serem estabelecidos em lei – é inaplicável no caso examinado, no qual incidem as regras dos art. 71, I, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, e o art. 149, do CTN, pois a situação vertente aborda fraude e sonegação fiscal, devendo os atos jurídicos simulados serem Fl. 9863DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.862 3 nulos e subsistir o negócio dissimulado"; (v) fundamenta a responsabilização dos fornecedores e dos adquirentes de papel no art. 124, I, do CTN; (vi) fundamenta a responsabilização solidária dos administradores da fiscalizada no art. 135, III, do CTN, c/c os arts. 50 e 1.016, do Código Civil, pois, de acordo com a autuação, seria evidente o abuso da personalidade jurídica da autuada, que encerrou suas atividades no ano de 2008 e cujas instalações estavam abandonadas (anexa reportagem “De olho na Capital memória perdida de O Estado”, fls. 232/238). 4. Em 11/12/2013, a EDITORA, JOSÉ, ALESSANDRO e ZANETTI foram cientificados da autuação lavrada, conforme documentos de fls. 2.322 a 2.325. Em 12/12/2013, WANDERLEYPJ, e A2COMÉRCIO foram cientificados da autuação lavrada, conforme documentos de fls. 2.327 a 2.328. Em 16/12/2013, CENTRAL DISTRIBUIDORA, TECPEL, e ARBOL foram cientificados da autuação lavrada, conforme documentos de fls. 2.329 a 2.331. 5. Foram apresentadas as seguintes impugnações por: (i) WANDERLEY PJ e A2COMÉRCIO, (ii) ZANETTI, (iii) CENTRAL DISTRIBUIDORA, (iv) ARBOL, e (v) TECPEL: 6. Em 10/01/2014, a empresa autuada, EDITORA, e o responsável solidário JOSÉ apresentaram petição, situada às fls. 6.520 a 6.522 informando, em síntese, que: (i) a autuada encerrou suas atividades no ano de 2006, mas que ela ainda existe em razão de débitos tributários e trabalhistas e possui, na condição de usuária, registro especial para aquisição de papel imune; (ii) quando do encerramento das atividades da EDITORA, o sócio JOSÉ, em razão de problemas financeiros da empresa, outorgou, por procuração, amplos poderes ao Sr. Alessandro de Carvalho França, mas apenas os trâmites de liquidação; contudo, tomaram conhecimento pela Fiscalização de que a empresa estava usando o Ato Declaratório de imunidade tributária para adquirir “papel em grande quantidade, com isenção (sic) fiscal”; (iii) procederam a um investigação a respeito dos acontecimentos e obtiveram confissão de ALESSANDRO da existência de transações realizadas à revelia da empresa; (iv) no curso de sua investigação particular, descobriram, ainda, que havia sido vítimas de um golpe articulado pelas empresas ora solidariamente responsabilizadas em conluio com ALESSANDRO, que agiu dolosamente, excedendo, portanto, os poderes da procuração que lhe foi outorgada, a qual "(...) já estava sendo revogada" (sic); (v) garantem, ainda, terem requerido à autoridade policial federal a abertura de inquérito para apuração da responsabilidade criminal de cada um dos envolvidos na situação aqui analisada, e, assim, pugnam pela dilação do prazo para apresentação de defesa, para momento ulterior à conclusão do inquérito policial, bem como pela posterior juntada do comprovante da solicitação de abertura da investigação criminal. Fl. 9864DF CARF MF 4 7. Também em 10/01/2014, o responsável solidário ALESSANDRO apresentou impugnação, situada às fls. 9.124 a 9.128 na qual argumentou, em síntese, que: (i) na condição de mero empregado, com CTPS assinada, da autuada, não poderia ser responsabilizado por eventuais dívidas da EDITORA, cujo sócio lhe conferiu procuração para administração e quitação de pendências financeiras/administrativas; (ii) não obstante a informação da autoridade fiscal de que a empresa teria sido encerrada no ano de 2008, a própria Administração “em 2010, renovou o ato declaratório que lhe concedia a isenção legal (sic)”, ou seja, com expressa autorização da Receita Federal do Brasil; (iii) a inexistência de conluio para a prática de fraude fiscal, não havendo, ademais, prova de sua participação na negociação, aquisição ou venda de papel imune; (iv) que a fraude fiscal pressupõe dolo, engano, máfé, logro, sendo que, em nenhum momento, a autoridade fiscal teria descrito precisamente a suposta conduta maliciosa do requerente e “apenas, por informações de terceiros, seria o mesmo ‘contato comercial’, pois a aquisição do papel, segundo a fiscalização, se dava entre fornecedor e distribuidor, sendo que a empresa Editora O Estado Ltda não participava diretamente da operação” (sic); e (v) deve ser aplicado, em seu benefício, a previsão dos arts. 112 e 136 do Código Tributário Nacional 8. Em 29/07/2015, a 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento de Recife (PE) proferiu o Acórdão DRJ nº 1150.761, situado às fls. 9.483 a 9532, que entendeu ser a impugnação procedente em parte, decidindo, em síntese, preliminarmente: (i) negar o pedido de prorrogação de prazo para apresentação de impugnação deduzido pela EDITORA e por JOSÉ e declarálos revéis, e, por conseqüência, manter, em relação a ambos, a totalidade das exigências contendidas; (ii) julgar totalmente improcedente a impugnação de ALESSANDRO e, por decorrência, manter sua responsabilidade solidária em relação à integralidade dos débitos autuados; (iii) não tomar conhecimento das alegações da recorrente ZANETTI relacionadas ao arrolamento de bens e à representação fiscal para fins penais, nem da Impugnação de WANDERLEYPJ e A2COMÉRCIO no tocante ao IRPJ e à CSL; (iv) rejeitar a prejudicial de decadência deduzida por WANDERLEYPJ e A2COMÉRCIO; (v) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas pelas empresas solidariamente responsabilizadas e, no mérito, (vi) manter as respectivas responsabilidades solidárias apenas em relação aos valores descritos em planilhas na conclusão do voto, sobre os quais devem incidir juros de mora sob a taxa SELIC e multa de ofício majorada no percentual de 150%, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2012 INDÍCIOS. CONJUNTO LÓGICO, COERENTE E CONVERGENTE. PROVA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O conjunto lógico, coerente e convergente de indícios é, especialmente nos eventos simulados e/ou fraudulentos, prova legítima para atribuir responsabilidade tributária solidária. PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. DESVIO DE FINALIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENVOLVIDOS. CABIMENTO. Comprovada a simulação, realizada em conluio, de que resultou desvio de finalidade papel adquirido com imunidade de IPI para utilização na impressão de livros, jornais e periódico, resta configurado o interesse Fl. 9865DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.863 5 comum a legitimar a atribuição de responsabilidade solidária dos envolvidos em relação às operações nas quais tiveram comprovada participação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2012 TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. LANÇAMENTO NO PRAZO DE CINCO ANOS DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE PODERIA TER SIDO EFETUADO. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Improcede a alegação de decadência do direito de a Fazenda Nacional exigir tributo sujeito ao lançamento por homologação quando, caracterizada fraude, a autuação foi cientificada ao sujeito passivo no prazo de cinco anos do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2012 PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PRORROGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para prorrogação do prazo para interposição de Impugnação, sendo considerados revéis a autuada e o responsável solidário que não interpuseram referido recurso no prazo de trinta dias da ciência da autuação. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, não caracterizadas no presente processo administrativo, as provas das alegações da recorrente devem ser apresentadas no mesmo prazo para interposição da Impugnação, precluindo o direito de posterior juntada. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência, que tem por escopo dirimir dúvidas da autoridade julgadora, não se prestar a sanear a inércia da recorrente em juntar à Impugnação os elementos de prova de que dispuser, devendo ser indeferida a sua realização quando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, ainda mais quando sequer adequadamente indicados os quesitos da pretendida diligência. ARROLAMENTO DE BENS. QUESTIONAMENTO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. Fl. 9866DF CARF MF 6 As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para analisar questionamentos a respeito de arrolamento de bens. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para analisar questões relativas a representação fiscal para fins penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 9. Em 26/10/2015, a EDITORA, após três tentativas frustradas de entrega no endereço da empresa cadastrado na Receita Federal do Brasil, com retorno negativo do aviso de recebimento, situado às fls. 9574 a 9.576, foi enfim intimada por meio de seu sócio JOSÉ e por seu procurador ANDRÉ MELLO FILHO, com poderes especiais para receber intimação, com instrumento de mandato situado às fls. 6.523 e 6.524, em conformidade com aviso de recebimento de fl. 9.579. Assomase a tal decisão da unidade, a informação fiscal situada à fl. 9.568, de 21/10/2015. 10. Os responsáveis solidários CENTRAL DISTRIBUIDORA (fl. 9.572), e ARBOL (fl. 9.573), intimado da decisão em 22/10/2015; os responsáveis solidários ALESSANDRO (fl. 9.569), WANDERLEYPJ (fl. 9.570), A2COMÉRCIO (fl. 9.572), e ZANETTI (fl. 9.580) foram intimados da decisão em 23/10/2015; o responsável solidário JOSÉ intimado da decisão em 23/10/2015 (fl. 9.579); o responsável solidário TECPEL intimado da decisão em 26/10/2015 (fl. 9.581), todos por meio de envio postal, em conformidade com os avisos de recebimento situados nas fls. indicadas acima. 11. Em 17/11/2015 o responsável solidário TECPEL, intimada em 26/10/2015, apresentou recurso voluntário, situado às fls. 9.594 a 9.631. 12. Em 18/11/2015, o responsável solidário CENTRAL DISTRIBUIDORA, intimada em 22/10/2015, apresentou recurso voluntário, situado às fls. 9.660 a 9.728. 13. Em 23/11/2015, o responsável solidário ARBOL, intimada em 22/10/2015, apresentou recurso voluntário, situado às fls. 9.795 a 9.832. 14. Em 20/11/2015, o responsável solidário ALESSANDRO, intimada em 22/10/2015, apresentou recurso voluntário, situado às fls. 9.835 a 9.839. 15. Em conformidade com a informação fiscal, situada às fls. 9.843 a 9.847, os demais responsáveis solidários manifestaram intenção de realizar parcelamento. Assim, considerando que o sistema SIEF/Processo não está preparado para controlar cobranças isoladas de sujeitos passivos solidários, além do processo de parcelamento, foi gerado um processo administrativo novo para cada uma das responsáveis, objeto de desmembramento do presente processo, que deverão permanecer na situação "suspensos por representação" até o encerramento do parcelamento, nos quais constam, como responsáveis solidários, por sua vez, a EDITORA, JOSÉ e ALESSANDRO, dado que os três respondem integralmente pelo lançamento. Assim: (i) para a responsável ZANETTI foi gerado o Processo para Controle de Parcelamento nº Fl. 9867DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.864 7 11516.723.430/201502 (Processo de Desmembramento nº 11516.723.429/201570); (ii) para a responsável A2COMÉRCIO foi gerado o Processo para Controle de Parcelamento nº 11516.723.498/201583 (Processo de Desmembramento nº 11516.723.490/201517); e (iii) para o responsável WANDERLEYPJ, foi gerado o Processo para Controle de Parcelamento nº 11516.723.494/201503 (Processo de Desmembramento nº 11516.723.491/201561). É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 16. Os recursos de ofício e voluntário preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 17. Uma vez resumidas as principais questões em exame, passase a conhecer, em primeiro lugar, o recurso de ofício contra o valor exonerado em referência, referente à decisão favorável no sentido de manter as respectivas responsabilidades solidárias apenas em relação aos valores principais de cada parte descritos na conclusão do voto da decisão recorrida, ou seja, restringindose os consectários legais aos juros de mora sob a taxa SELIC e multa de ofício majorada no percentual de 150%, e não de 225%, ponto sobre o qual se transcreve o seguinte excerto: "(...) 221. Ressaltese, ainda, que o texto do inciso I, do art. 124, do CTN, não exige que as pessoas solidariamente responsabilizadas estejam na condição de contribuinte do imposto exigido, bastando que entre eles haja interesse comum. De todo modo, repiso que, consoante acima mencionado, todos os envolvidos na fraude se tornam responsáveis pelo desvio, a que deram causa, de finalidade do papel adquirido como imunidade e pelo decorrente pagamento do IPI. 222. Mas há interesse comum da recorrente em relação a todas as operações de aquisição de papel em nome da autuada, inclusive no tangente àquelas realizada por outros fornecedores? 223. A resposta é negativa. 224. Apenas há interesse comum entre a autuada e recorrente no tocante às vendas por esta efetuadas em nome da autuada, mas não àquelas feitas pelos demais fornecedores, que não têm qualquer relação societária nem formam grupo econômico com a recorrente (pelo menos, nada disto é afirmado pela autuação). Fl. 9868DF CARF MF 8 225. O interesse jurídico comum entre a autuada e cada um dos demais fornecedores nas vendas irregulares de papel com imunidade não se comunica com a recorrente, que com aqueles não tem comprovado vínculo societário, e, assim, por tais operações não pode ser responsabilizada. 226. Corrobora a conclusão acima o comando do art. 75, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, segundo o qual “Se do processo se apurar a responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido”. 227. Pelos fatos expostos, concluo que a responsabilidade solidária da recorrente está limitada aos valores principais mensais estampados na planilha do item 200 acima, sobre os quais devem ser exigidos da recorrente os acréscimos legais devidos na forma deste Voto (juros de mora sob a taxa SELIC e multa de ofício de 150%, como se verá ao final). 228. Uma última questão a ser averiguada é se porventura haveria obrigatoriedade de, em face da indivisibilidade da obrigação solidária, serem formalizados diversos Autos de Infração, proporcionais à participação de cada um dos imputados. 229. A resposta à questão acima é negativa, pois não há qualquer determinação legal neste sentido e, independentemente da formalização de distintos Autos de Infração, a parte da autuação pela qual cada um dos terceiros é solidariamente responsável com a autuada é perfeitamente identificável quando formalizado apenas um Auto de Infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa dos implicados. 230. Prosseguindo, quanto às alegações de que a multa exigida desrespeitaria os princípios da legalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco, deixo claro, sem delongas e maiores desnecessários detalhamentos, que o art. 26A, caput, do Decreto n° 70.235/72, expressamente determina que “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, não estando aqui configuradas nenhuma das situações listadas no § 6°, que excepcionam esta vedação, pelo, de plano, concluo inviável, sob argumentos de inconstitucionalidade, o afastamento da multa, cujos percentuais estão expressamente previstos em lei. 231. Para melhor exatidão, acrescento que, nos casos em que a inconstitucionalidade haja sido proferida pelo STF no controle difuso de inconstitucionalidade – mesmo que sob o rito da repercussão geral o afastamento, pela autoridade administrativa de primeira instância, da norma nestes termos declarada inconstitucional pela Suprema Corte dependeria de manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, nos moldes do § 5º, do art. 19, da Lei nº 10.522/2002. 232. Quanto à tipificação da qualificação da multa de 75% para 150%, ela deve ser exigida da recorrente, na forma do art. 488, II, do RIPI/2002, e do inciso II, do §6º, do art, 561, do RIPI/2010, eis que demonstrada a sua participação na fraude e no conluio, não havendo, pois, que se cogitar de ofensa ao princípio da tipicidade. Fl. 9869DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.865 9 233. No entanto, não configurado, em relação à recorrente, o tipo legal que respalda o agravamento da multa, de 150% para 225%. É o que passo a evidenciar: 234. O agravamento da multa está embasado nos arts. 488, §7º, do RIPI/2002, e 569, caput e §§6º e 7º, do RIPI 2010 (...) 236. Compulsando os autos, constato que as onze intimações acostadas às fls. 27 a 65 foram dirigidas apenas à Empresa Editora O Estado e que a única intimação enviada à recorrente que está acostada aos autos, fl. 574/577, foi respondida, fls. 578/627, inexistindo qualquer notícia no TVF de que a impugnante desatendeu a intimação que lhe foi enviada.237. Em situação assemelhada àquela aqui analisada, reproduzo trecho da ementa do Acórdão nº 130100.824, proferido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção do CARF no processo administrativo nº 19515.005149/200879: “(...) RECURSO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO DA MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA PELA FISCALIZAÇÃO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Deve ser afastada a responsabilidade solidária no que toca ao agravamento da multa em decorrência de falta de atendimento à intimação, uma vez não intimada a responsável tributária no curso da ação fiscal (...)” 238. No caso vertente, a falta de atendimento da intimação de que resultou o agravamento da exigência foi dirigida à autuada – e não à ora recorrente, que, por seu turno, respondeu a intimação que lhe fora encaminhada. Portanto, entendo que não há fundamento para que a recorrente seja responsabilizada pelo agravamento da multa, de 150% para 225%, ficando sua responsabilidade neste particular limitada à multa de 150% sobre os valores principais descritos na tabela do item 200 acima." (seleção e grifos nossos). 18. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício, devendo a decisão ser mantida por seus próprios fundamentos. 19. Passase à análise dos recursos voluntários interpostos pelas responsáveis solidárias. 20. O recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário ALESSANDRO, intimado em 22/10/2015 e,, situado às fls. 9.835 a 9.839, foi interposto em 20/11/2015. Realizase a transcrição do trecho da decisão recorrida pertinente ao mérito em debate: "167. A responsabilização do recorrente está fundamentada no art. 135, III, do CTN, segundo o qual “São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos” os Fl. 9870DF CARF MF 10 “diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado”. 168. No recurso analisado, não se discute se a responsabilidade prevista no art. 135, do CTN, é solidária, subsidiária ou pessoal, o que torna dispensável o exame desta questão; todavia, consigno que o tema foi detidamente examinado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional: inicialmente, no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, citado no TVF, que concluiu que a jurisprudência do STJ aponta que tal responsabilidade teria bem feição solidária; e depois, no Parecer PGFN/CRJ Nº 1.407/2013, que é mais incisivo quanto à solidariedade desta responsabilidade, como deixa claro o seguinte excerto de sua ementa “A responsabilidade a que se refere o art. 135 do CTN é solidária, sendo exigível o crédito tributário a partir da efetiva ciência acerca da caracterização do evento motivador da responsabilidade descrita no dispositivo” (g.n.) 169. Ademais, observo que, conquanto o texto do art. 135, do CTN, não exija, expressamente pelo menos, a comprovação de dolo na prática dos atos ali mencionados, tal fato, como se verá a seguir, está aqui patenteado. 170. Outra questão que exsurge da leitura do dispositivo analisado é que o gerente ou diretor, para ser responsabilizado pela prática de atos contrários à lei ou ao contrato/estatuto social, não precisa ser sócio da empresa, bastando que ele, ainda que não sócio, detenha poderes de administração. 171. Nos presentes autos, consta às fls. 18/19, 20/21, 22 e 24 quatro procurações, datadas de 02/04/2012, 20/04/2010, 02/04/2012 e 11/05/2012, respectivamente, por meio das quais a autuada, através do Sr. Matusalém de Carvalho Comelli, conferiu ao Sr. Alessandro de Carvalho França poderes para, dentre outras atividades: (i) representar a autuada, judicial e administrativamente, inclusive perante o Ministério da Fazenda; (ii) constituir procuradores; (iii) assinar cheques, abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, verificar extratos, autorizar débitos e transferências; (iv) receber e dar quitação; (v) contratar, nomear, admitir ou demitir empregados; (vi) fazer provas e recorrer. 172. Portanto, é transparente que o Sr. Alessandro de Carvalho França, ainda que tenha sua CTPS assinada na condição da empregado da autuada, efetivamente era procurador da empresa com poderes gerenciais bastante amplos. 173. Avante, observo que, segundo mencionou o TVF, vários fornecedores distintos informaram que o impugnante era a pessoa de contato nas operações de papel com imunidade de IPI feitas em nome da autuada. 174. E, realmente, verifico, por exemplo, que a empresa Central Distribuidora de Papéis informou que “o contato comercial da ‘EMPRESA EDITORA O ESTADO LTDA’ é desde 2008, o Sr. ALESSANDRO DE CARVALHO FRANÇA” (fl. 579). E também era ele, segundo informaram, dentre outras, as empresas a seguir discriminadas, o contato comercial da autuada no período fiscalizado: Comercial de Papéis Sul Catarinense (fl 662); IPSL Comércio, Importação e Exportação de Papéis Ltda (fl. 857); K.A.K. Distribuidora de papéis (fl. 872); Labate Papéis, Máquinas e Fl. 9871DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.866 11 Equipamentos (fl. 925); Opus, Papéis, Soluções LTDA (fl. 1.003); Rhadan Papéis LTDA EPP (fl. 1.112); Wagner Teixeira (fl. 1.341); VIVOX Com. Importação e Exportação (fl. 1.363); e Zhoq’s – Importadora e Exportadora LTDA (fl. 1.512). 175. Realço que, conforme registrado no TVF, “no período de 2008 a 2012 de R$ 68.585.943,78, sendo que, deste total o valor de R$ 67.225.904,29 referese a papel com imunidade tributária, conforme demonstrativos discriminados por item de notas fiscais (fls. 1.530 a 2.262)” (fl. 2.281) – ou seja, 98% das aquisições de papel no período foram feitas como se imune fossem. 176. No entanto, uma vez que a enfocada imunidade, como exposto no TVF, fl. 2.279, foi reconhecida à autuada na condição de usuária de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, é óbvio que, se ela havia encerrado suas atividades antes do período autuado, o papel jamais poderia ter sido adquirido em seu nome com imunidade. E, porquanto não há como se cogitar que o recorrente, com poderes vastos de gerência, não soubesse do encerramento das atividades da autuada, também não se pode admitir que ele desconhecesse a impossibilidade de aquisição de papel imune em nome da autuada. 177. Neste arcabouço, se o recorrente – que, repiso, possui poderes típicos de gerência conferidos por supraditas procurações , participou das aquisições de papel em nome da autuada como se imune do IPI fosse (tanto que nas operações figurou como contato comercial), está mais do que justificada a sua responsabilização com fundamento no art. 135, III, do CTN, pois patente a sua participação deliberada (dolosa), na condição de gerente, na prática de atos com infração à lei, consubstanciados nas aquisições de papel como se imune fosse, num contexto em que não se pode aventar o desconhecimento do recorrente da inviabilidade de aquisição de papel imune em nome da autuada. 178. E, aos moldes relatados, os fatos acima, que ensejaram a responsabilização do recorrente, foram devidamente mencionados no TVF, sendo inconsistente a alegação de que a autuação não teria descrito precisamente “a conduta maliciosa” do impugnante. 179. Avante, destaco que, para a responsabilização do recorrente, nenhum relevo tem o fato de a Administração Tributária ter renovado o Ato Declaratório de imunidade da autuada, pois, diante do encerramento de suas atividades, era inviável a aquisição de papel que por ela fosse empregado na impressão de livros, jornais e periódicos. 180. E, quanto ao princípio da individualização da pena, que sequer é afeto à esfera tributária mas foi invocado pelo recorrente, não visualizo qualquer sentido a sua aplicação no caso vertente, nem vejo com tal princípio possa ter relação com o comando do art. 136, do CTN, cuja disposição – que se limita a expressar que “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da Fl. 9872DF CARF MF 12 intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” – não vejo no que possa socorrer o impugnante. 181. Nem identifico no que a disposição do art. 112, do CTN, auxiliaria o defendente, eis que inexiste dúvida quanto à sua responsabilização a atrair a aplicação do dispositivo. 182. Diante das razões acima alinhadas, voto no sentido de julgar improcedente a Impugnação do Sr. Alessandro de Carvalho França." (seleção e grifos nossos). 21. De fato, no caso de interposição de pessoas, diante da descoberta de um terceiro não sócio que de fato comande a empresa, a Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2001, com redação dada pela Portaria nº 713, de 14/10/2011, ao dispor sobre a responsabilização de codevedor, determina: Portaria PGFN nº 180, de 25/02/2001 Art. 1º Para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Art. 2º A inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I – excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica" (seleção e grifos nossos). 22. No caso de não sócio com poderes de gerência sobre a empresa, seria aplicável o inciso III do art. 135 do diploma em referência e, neste caso, cabe à autoridade fiscal o ônus de provar e fundamentar a infração de lei, como foi feito no presente caso. 23. Assim, a decisão deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo responsável solidário ALESSANDRO. 24. Por sua vez, o recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário CENTRAL DISTRIBUIDORA, intimada em 22/10/2015 e situado às fls. 9.660 a 9.728, Fl. 9873DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.867 13 foi interposto em 18/11/2015. Realizase a transcrição do trecho da decisão recorrida pertinente ao mérito em debate: "184. A alegação de que teria sido preterido o direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente é patentemente impertinente, eis que, após a autuação e a sua responsabilização, ela pôde se pronunciar sobre todas as razões e documentos trazidos aos autos pela Fiscalização. Não se olvide que, no curso do procedimento fiscal, impera o princípio do inquisitório, em função do qual não há a exigência de que os implicados na autuação tenham a oportunidade de se manifestar, durante a fiscalização, sobre os documentos e conclusões da autoridade fiscais, sobre os quais poderá se pronunciar oportunamente por ocasião da interposição da Impugnação, como exatamente fez a recorrente, que apresentou extensa e detalhada defesa contra sua responsabilização. 185. Pelos fundamentos acima, rejeito as preliminares de nulidade erguidas. 186. Quanto ao pedido de realização de diligência para que sejam atestadas as alegações da recorrente, destaco que nem a diligência nem a perícia se prestam a suprir a inércia da recorrente em anexar à Impugnação as provas de suas alegação (art. 16, III, do Decreto n° 70.235/72). Nestes moldes, a diligência e a perícia se prestar a dirimir eventuais dúvidas da autoridade julgadora. 187. Ademais, o pedido de realização de diligência é genérico e sequer indica os quesitos que a peticionante pretendia fossem averiguados, o que é suficiente para considerar não formulado o pleito (§ 1°, art. 16, do Decreto n° 70.235/72). Além disto, a diligência aqui se revela prescindível, pois os documentos carreados aos autos possibilitam a formação de convencimento da autoridade julgadora, sendo este outro motivo que conduz à rejeição do pedido (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235,72). 188. Dadas as razões acima, indefiro o pedido de realização de diligência. 189. Passando ao mérito do recurso, elucido que a autuação não se embasou no cancelamento do registro especial de papel imune da autuada para responsabilizar a recorrente, mas no fato de que ela teria participado de esquema de venda simulada, em conluio com a autuada e seus clientes (efetivos adquirentes), de papel imune como se fosse destinado a consumo da autuada, quando, na realidade, a mercadoria era destinada a terceiros adquirentes. (...) 200. Apesar do encerramento das atividades da autuada, a ora recorrente continuou lhe vendendo produtos com imunidade do IPI. Da planilha de fls. 1.530/2.262, extraemse os seguintes valores mensais de IPI com imunidade indevida nas operações de vendas feita pela impugnante cm que figuraram como adquirente a autuada nos anos de 2008 a 2012. 201. A impugnante diz que, ainda que o encerramento das atividades da autuada fosse notório para os curitibanos, isto era desconhecido da recorrente, empresa paulista. No entanto, não é apenas a notoriedade do Fl. 9874DF CARF MF 14 encerramento das atividades da autuada que revela a participação intencional da recorrente no esquema de aquisição fraudulento de papel com indevida imunidade. 202. Com efeito, expõe o TVF que as adquirentes de papel imune vendido em nome da autuada “efetuaram pagamentos aos fornecedores de papel imune como se fosse em nome da Empresa Editora o Estado, como se comprova pelas informações prestadas pelas transações bancárias. Vêse que clientes e fornecedores efetuavam pagamentos uns para os outros de forma regular, em valores vultosos, durante anos, mas sem que houvesse, segundo os documentos emitidos, qualquer operação comercial entre elas. À evidência, diante das numerosas operações de transferências de recursos (pagamentos e recebimentos), tanto clientes, quanto fornecedores teriam de saber exatamente a quem pagar e de quem receber, em troca das mercadorias vendidas ou adquiridas da fiscalizada” (37ª e 38ª lauda do TVF, fls. 2.313/2.314, com g.n.) (...) alegação (...) corroborada pelo exame das vendas realizadas pela recorrente extraídas da planilha de fls. 1.530/2.262, confeccionada pelo autuante (...) identificase que, em diversas ocasiões, foi realizada, na mesma data, a emissão de mais de uma Nota Fiscal de venda em nome da autuada na qual constou exatamente o mesmo produto. Apenas para exemplificar: (i) no dia 10/11/2011 foram emitidas nada menos que seis Notas Fiscais distintas (de n° 37.401 a 37.406) nas quais figuram a venda do mesmo produto, o “(FSC) COUCHE PRINT GLO”; (ii) no dia 20/08/2012, foram emitidas quatro Notas Fiscais diferentes (de n° 55.833 a 55.836) relativas ao mesmo produto, o “COUCHE SNOW EAGLE G”. 205. Ora, a inclusão do mesmo produto em distintas Notas Fiscais emitidas em nome da autuada na mesma data é indício bastante representativo do fato alegado pela Fiscalização. Ademais, a quantidade de operações de venda é impressionante, havendo meses em que emitidas mais de 100 (cem) Notas Fiscais em nome da autuada, como, por exemplo, ocorreu no mês de novembro de 2012. 206. Por fim, verificase que a autuação detectou três operações (e não apenas duas, consoante alega a impugnante) abaixo identificadas em que os pagamentos correspondentes a Notas Fiscais emitidas em nome da autuada foram realizados por terceiros (Z Zanetti, Wanderley Gonçalves e A2 Comércio) (...) 207. Enfatizo que, consoante ressalvou a autuação, as ocorrências acima foram encontradas em “pequena amostragem de notas fiscais (3 maiores compra em cada ano), dos fornecedores que apresentaram os extratos bancários”, o que justifica a quantidade de eventos detectados. 208. Os indícios acima impõem a conclusão de que a ora recorrente tinha conhecimento – e participou deliberadamente do esquema irregular de aquisição de papel imune em nome da autuada. (...) 209. Avante, elucido que a razão pela qual a empresa Elof Hansson LTDA não foi aqui responsabilizada é insignificante em relação à responsabilização da defendente. Fl. 9875DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.868 15 Outrossim, o fato de ter escriturado as operações de venda à autuada é irrelevante, já que evidenciado que a recorrente detinha conhecimento (e deliberadamente participou) do esquema montando, e, por esta mesma razão, fica prejudicada a alegação de que não tinha obrigação de acompanhar o emprego do papel vendido à autuada. 210. Demonstrada a participação da recorrente na simulação examinada, deve ser verificado está configurado – e, em caso positivo, em que termos – “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” (art. 124, I, do CTN) a legitimar a responsabilização solidária da impugnante. (...) 215. Como já explicado alhures, nos presentes autos a fraude/simulação, na qual restou comprovada a participação da recorrente, possibilitou o nãopagamento de IPI em função de uma suposta (e indevida) imunidade do imposto na operação de compra e venda, com evidentes ganhos para a recorrente e a autuada em virtude da redução do preço do papel imune ante a falta de destaque deste tributo. 216. Desvendada a simulação (venda de papel como se fosse destinada à autuada para a impressão de livros, jornais e periódicos, quando na realidade o produto era destinado a terceiros), evidenciase o desvio de finalidade do papel imune, pelo qual respondem todos os responsáveis, na esteira do que dispõe o §4°, do art. 18, dos RIPI 2002 e 2010, mencionado no TVF e que tem a seguinte idêntica dicção: “Se a imunidade estiver condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade não existisse (Lei n° 4.502, de 1964, art. 9º, § 1º, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 37, inciso II)” (g.n.). 217. Ora, os responsáveis pelo desvio no esquema analisado, conduzido em conluio, são a autuada, os fornecedores de papel imune e os seus efetivos destinatários, porquanto todos têm participação no desvio de finalidade do produto. Logo, todos se tornam responsáveis, nos termos da legislação acima, pelo pagamento do imposto e da penalidade cabível como se a imunidade não existisse. 218. Configurado, então, interesse jurídico comum no fato gerador da obrigação que constitua o fato gerador da obrigação principal a justificar a responsabilização da recorrente. (...) 220. Igualmente, muito apropriada a doutrina de Kiyoshi Harada, prestigiada pelo STJ no julgamento do AgRg no Agravo de Instrumento nº 1.055.860/RS, mencionada pelo TVF, da qual se destaca a seguinte passagem: “Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica” (fl. 2.304). (...) 240. Apenas acrescento que, de acordo com a Súmula CARF n° 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Fl. 9876DF CARF MF 16 tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. 241. Assim, mantenho a incidência da taxa SELIC sobre os débitos autuados. 242. Quanto ao pedido de posterior juntada de documentos, elucido que o processo administrativofiscal é orientado pelo princípio da concentração das provas na contestação, ressalvadas as excepcionais circunstâncias versadas no §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, nenhuma delas sequer ventiladas pela recorrente, pelo que se indefere a pretensão. 243. Inobstante, ressaltese que sequer a defendente, após a Impugnação, deduziu pedido concreto para juntada de provas específicas. 244. Por fim, o requerimento de intimação no endereço do advogado do sujeito e de seu diretor passivo não encontra respaldo no art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelas Leis nº 9.532, de 10/12/1997, e 11.196, de 21/11/2005, que disciplina as formas de intimação do sujeito passivo no processo administrativofiscal federal, que estipula que, quando feita por via postal, a intimação seja realizada “com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo” (g.n.)" (seleção e grifos nossos). 25. Por sua vez, o recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário ARBOL, intimada em 22/10/2015 e situado às fls. 9.795 a 9.832, foi interposto em 23/11/2015. Realizase a transcrição do trecho da decisão recorrida pertinente ao mérito em debate: "254. No tocante ao recurso de Arbol Comércio de Papéis LTDA, são aplicáveis, em essência e feitas as devidas adaptações, os mesmos fundamentos pelos quais mantidos a responsabilidade de Central Distribuidora de Papéis LTDA expostos nos itens 183 a 205 e 208 a 229 deste Voto, que, por desnecessário, deixo de aqui repetir. 254. Acrescento, apenas, no tocante à alegação de nulidade, que a Auto de Infração descreve, com clareza, o fundamento legal da autuação, dele fazendo parte circunstanciado Termo de Verificação Fiscal que descreve, com detalhes, as razões da exigência e porque a recorrente fora responsabilizada" (seleção e grifos nossos). 26. Por fim, o recurso voluntário apresentado pelo responsável solidário TECPEL, intimada em 26/10/2015 e situado às fls9.594 a 9.631, foi interposto em 17/11/2015. Realizase a transcrição do trecho da decisão recorrida pertinente ao mérito em debate: "(...) a despeito do notório encerramento das atividades da autuada, a recorrente lhe efetuou significativas operações de venda de papel como se imunes ao IPI fossem (...). Fl. 9877DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.869 17 248. Do mesmo modo, a alegação da Fiscalização de que “tanto clientes quanto fornecedores teriam que saber exatamente a quem pagar e de quem receber, em troca das mercadorias vendidas ou adquiridas da fiscalizada” é corroborada pelo exame das vendas realizadas pela recorrente extraídas da planilha de fls. 1.530/2.262, confeccionada pelo autuante, senão vejamos. 249. Nas tabelas de fls. 9.198/9.398, que contêm apenas as vendas realizadas pela recorrente à autuada e que foram elaboradas por este Relator a partir da planilha de fls. 1.530/2.262, identificase que, em diversas ocasiões, foi realizada, na mesma data, a emissão de mais de uma Nota Fiscal de venda em nome da autuada na qual constou exatamente o mesmo produto. Apenas para exemplificar: (i) no dia 27/07/2011 foram emitidas três Notas Fiscais distintas (de n° 17.227, 17.229 e 17.267) nas quais figuram a venda do mesmo produto, o “COUCHE FO 300GR 66X96”; (ii) no dia 11/10/2012, foram emitidas duas Notas Fiscais diferentes (de n° 33.549 e 33.624) relativas ao mesmo produto, o “COUCHE BR 250GR 64X88”. 250. Ora, a inclusão do mesmo produto em distintas Notas Fiscais emitidas na mesma data em nome da autuada é indício bastante representativo do fato alegado pela Fiscalização. Ademais, a quantidade de operações de venda é impressionante, havendo meses em que emitidas mais de 100 (cem) Notas Fiscais em nome da autuada, como, por exemplo, ocorreu no mês de abril e de outubro de 2012. 251. Diante da evidência de participação da recorrente na fraude/simulação comentadas, restam prejudicados seus argumentos, inclusive os atinentes àquela relacionados à sua desobrigação em diligenciar no sentido de acompanhar a utilização do papel imune, da utilização do SINTEGRA e da presunção de legitimidade que a autuada detinha para adquirir papel imune em função de dispor, à época da realização das vendas, de Ato Declaratório que lhe conferia imunidade" (seleção e grifos nossos). 27. Tendo votado por negar provimento ao recurso voluntário interposto por o responsável solidário ALESSANDRO, passase à análise conjunta dos recursos voluntários interpostos por CENTRAL DISTRIBUIDORA, ARBOL, e TECPEL. 28. Diferentemente do vínculo de responsabilidade reputado a ALESSANDRO, no qual o art. 135 do Código Tributário Nacional, ao contemplar o ato infracional, atentatório de lei, i.e., voltado a tratar de atos ilícitos, referese a pessoas que não têm interesse comum no fato jurídico tributário, motivo pelo qual a responsabilidade é pessoal do agente, no caso dos responsáveis CENTRAL DISTRIBUIDORA, ARBOL, e TECPEL, a discussão migra para o art. 124: "(...) A solidariedade, nos termos do art. 124, deveria se expressamente prevista por lei ou decorrer de um 'interesse comum'. Ao examinar o rol das pessoas indicadas no artigo 135, vêse que elas não têm interesse comum na situação que constitui o fato jurídico tributário. Relacionamse, sem dúvida, a este, mas não ocupam o mesmo pólo de interesse do contribuinte. Fl. 9878DF CARF MF 18 Tampouco diz a lei que a responsabilidade do contribuinte é supletiva em relação ao responsável"1 (seleção e grifos nossos). 29. Como preleciona Daniel Monteiro Peixoto em percuciente estudo sobre o tema, ao se analisar o Código Tributário Nacional, é possível se deslindarem normas punitivas, que "(...) servem para explicar a chamada 'responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138)"2 de normas ressarcitórias, que "(...) ajudam a compreender a 'responsabilidade por sucessão' (arts. 129 a 133) e a 'responsabilidade de terceiros' (arts. 134135)".3 Observese que o art. 124 do diploma em apreço se refere, antes, à regra solidarística que determina comungarem da mesma obrigação ora aqueles que apresentem interesse comum, ora os por lei designados. O requisito para a sua aplicação é a perquirição das provas e fundamentos fáticos que comprovem o "interesse comum". 30. Sobre este particular, o dispositivo não pode ser considerado um cheque em branco para se responsabilizar qualquer pessoa com interesse genérico no fato gerador: o interesse que se partilha entre contribuinte e responsável é o jurídico, i.e., "(...) a efetiva realização ou participação na realização do fato jurídico tributário".4 Assim, as provas (jamais os meros indícios) devem certificar que ambos agiram de maneira coordenada e com um objetivo comum, consistente na produção do fato gerador da obrigação. 31. Com base nos documentos a que a fiscalização teve acesso no caso em análise, vislumbrase com hialina clareza o poder de ingerência política, administrativa e até mesmo financeira de ALESSANDRO sobre a contribuinte autuada, o que demonstra de maneira mais que satisfatória a atração do real administrador da empresa ao pólo passivo da relação tributária. Contudo, ao nos voltarmos à análise do quadro probatório, não bastante a dificuldade para se abstrair o interesse jurídico comungado entre os demais responsáveis recorrentes e a EDITORA, o que se percebe é a ausência até mesmo da indicação, pela autoridade fiscal, sobre qual teria sido a efetiva participação das empresas responsáveis CENTRAL DISTRIBUIDORA, ARBOL, e TECPEL na fraude intentada. 32. Observese não restar qualquer dúvida sobre ter a EDITORA figurado como interposta pessoa na comercialização do papel imune, de modo a vilipendiar tal instituto ao se valer de seu registro especial de usuário, nos termos definidos pela Lei nº 11.945/2009, com o escuso e altamente reprovável objetivo de viabilizar vendas indiretas a terceiros que não detinham tal registro, franqueandolhes acesso à imunidade objetiva do papel destinado às finalidades previstas pelo constituinte. Inexiste dúvida, tampouco, a respeito de ALESSANDRO figurar no epicentro do conluio fraudulento, a ponto de, não bastante distorcer com fins escusos uma limitação ao poder de tributar criada para assegurar a liberdade de expressão e facilitar o acesso ao conhecimento e à informação, buscou também ludibriar as autoridades públicas por meio não apenas da criação de uma interposta pessoa, mas fez uso, ainda, de Carteira de Trabalho, documento voltado a reproduzir a vida funcional do trabalhador, e jamais a servir de escudo jurídico em um esquema fraudulento. 33. No entanto, ainda que se aquiesça aos argumentos do termo de verificação fiscal e à bem fundada decisão recorrida quanto à existência de um verdadeiro 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 6ª edição, 2016, p. 612. 2 PEIXOTO, Daniel Monteiro. Responsabilidade tributária e os atos de formação, administração, reorganização e dissolução de sociedades. São Paulo: Editora Saraiva, 2012, p. 541. 3 Ibidem. 4 Acórdão TIT/SP nº 40504979 (AIIM nº 40504979), sob a relatoria do juiz Caio Augusto Takano, sessão de 13/07/2016 Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo. Fl. 9879DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.870 19 esquema fraudulento desenhado com a única finalidade de ludibriar a Receita Federal do Brasil, assentese também com a defesa das responsáveis tributárias no sentido de que a acusação de solidariedade deve ser temperada cum grano salis. Em primeiro lugar, em síntese, o que se observa é que o laço solidarístico foi cerzido com base nos seguintes fundamentos: (i) a EDITORA não se encontrava em seu domicílio fiscal, estando, segundo JOSÉ, o sócio da empresa, inativa "há anos" (sic); logo, (ii) os clientes da EDITORA, verdadeiros destinatários do papel, participaram do conluio ao adquirilo a preço menor do que aquele praticado no mercado. O silogismo realizado pela autoridade fiscal é sustentado por um indício: o de que as empresas realizavam o pagamento das mercadorias não à EDITORA, mas diretamente aos fornecedores (caso das recorrentes), o que (iii) também os implicaria no "esquema de sonegação de IPI, mediante operações triangulares feitas em nome da fiscalizada". 34. É hialina a certeza sobre o fato de os três vértices da relação triangular apontada pela autoridade fiscal (EDITORA, seus clientes e fornecedores) terem obtido evidente proveito econômico com a fraude. Por outro lado, é extremamente plausível se supor que todos soubessem do esquema montado em torno da autuada. Contudo, o direito não se constrói sobre o terreno pantanoso das suposições, exigindo, para sua concreção, provas que iluminem a passagem dos dados para a conclusão. Assim, o que se busca não é o interesse econômico, que resta de todo modo evidenciado a não mais poder no presente caso, mas aquela vinculação jurídica da atuação conjunta voltada à prática do fato gerador: falase, no caso, da saída do produto industrializado do estabelecimento da autuada. Fornecedores e clientes, a bem da verdade, parecem estar em pólos antagônicos da relação. A decisão a quo, demonstrando grande maturidade e transparência intelectual, assume a fragilidade do argumento com a seguinte hesitação: "212. In casu, a autuação tem como premissa que “a caracterização do interesse comum (art. 124, I, do CTN), que dispõe sobre responsabilidade solidária, exige não o interesse meramente econômico, mas o interesse jurídico” (fl. 2.303, segundo parágrafo). 213. A fixação do conceito de “interesse jurídico” não é menos árdua que a do “interesse comum”, mas se pode dizer que determinado indivíduo tem interesse jurídico numa dada relação quando esta interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa deste interesse. 214. Mas pode existir interesse jurídico comum entre pessoas que se encontram em posições antagônicas dentro de uma determinada relação jurídica, como ocorre, por exemplo, com o comprador e o vendedor numa relação de compra e venda? No geral, a doutrina e a jurisprudência dominante entendem que não; mas a questão deve ser cuidadosamente analisada quando o caso concreto envolve fraude/simulação" (seleção e grifos nossos). 35. De fato, tratase exatamente da relação presente, aquela estabelecida entre compradores e vendedores. Ainda assim, em um esforço argumentativo, é necessário se perscrutar sobre a participação das responsáveis no esquema fraudulento, sobre a sua ciência efetiva de que a EDITORA se valia do escudo da imunidade para erodir a composição do preço, se algum dos fornecedores envidava esforços para que o conluio persistisse. Nada se encontra, e a acusação mais consistente é a de que os clientes da autuada pagavam diretamente os Fl. 9880DF CARF MF 20 fornecedores, o que de fato se verifica ter ocorrido no caso da CENTRAL DISTRIBUIDORA e da ARBOL, mas não no caso da TECPEL. 36. Observese, ademais, que a decisão recorrida, extremamente minuciosa em seu trabalho, percebe que, no caso desta responsável em especial, sequer o indício mais contundente da acusação (pois não se reconhece estatura ou musculatura probatória a tal constatação) existe para o caso da TECPEL, conforme faz questão de esclarecer, novamente primando pela isenção de seu relato: "246. Apenas ressalvo que, diferentemente do que ocorreu com a Central Distribuidora de Papéis LTDA, realmente o TVF não aponta a realização de pagamento, mediante operação em conta bancária de terceiro, relativa a vendas de papel com imunidade fornecido pela Tecpel em nome da autuada. Mas isto não significa que não esteja testificada a participação da ora impugnante no esquema: primeiramente, porque a comprovação do pagamento foi solicitada pela Fiscalização apenas por amostragem o que não afasta a possibilidade de realização de pagamento direto pelos adquirentes em relação às demais operações; depois e mais importante – porque a realização, por meio de conta bancária de terceiros, do pagamento de papel adquirido em nome da Empresa Editora O Estado LTDA é apenas um dos indícios pelo qual se poderia evidenciar a participação da empresa na fraude, sendo que, no caso vertente, o seu envolvimento está plenamente evidenciada por intermédio dos demais indícios a respeito colhidos pela Fiscalização" (seleção e grifos nossos). 37. Não se sustenta a ilação do julgador de primeiro piso no sentido de que apenas não se provou o pagamento à responsável TECPEL porque a fiscalização foi feita por amostragem e, caso tivesse auditado a integralidade das operações, certamente encontraria pagamentos diretos, pois a especulação em nada auxilia a prestação jurisdicional. 38. Para as demais responsáveis recorrentes (CENTRAL DISTRIBUIDORA e da ARBOL) o auto de infração apresenta fundamentos que poderiam ter a sua solidez questionada não fosse a prova das transações bancárias que será apreciada a seguir no presente voto. Assim, em que pese o encerramento das atividades da EDITORA, a empresa continuava com seu CNPJ ativo, com inscrição estadual, e, inclusive, habilitada no Sintegra, apresentando a seus fornecedores seu registro especial de usuário de papel imune que, apesar de nada significar quanto à legalidade de suas operações, sendo de todo inoponível ao Fisco, tem valor probandi para as fornecedoras na específica imputação de responsabilidade, que nele viram um verdadeiro atestado de funcionamento e de regularidade da empresa, não sendo de se esperar que o mercado se valha de "fatos notórios", como defende a autoridade fiscal, ecoada pela decisão de primeira instância administrativa, sobretudo diante da apresentação de documentos oficiais dotados de presunção de validade e de veracidade. 39. Explicam, ainda, as recorrentes, que a acusação de que a prática de seccionar a mercadoria em mais de uma nota não implica necessariamente a tredestinação do produto, mas costuma ocorrer, na prática de mercado deste setor, da verdadeira impossibilidade de trânsito em uma única viagem, sendo comum, por questões de logística, segurança e transporte, considerando o peso e o volume representados pelo papel, que um único pedido seja atendido de acordo com a possibilidade de trânsito do produto. Tampouco faz prova a autoridade autuante a respeito de que a rotina fiscal das responsáveis discreparia de tal realidade por elas descrita de maneira bastante plausível. Fl. 9881DF CARF MF Processo nº 11516.723667/201313 Acórdão n.º 3401003.904 S3C4T1 Fl. 9.871 21 40. Assim, em resumo, o que não se comprova, ao menos do caso da TECPEL, é o ajuste doloso, o pacto simulatório. Na verdade, os elementos indiciários são igualmente rebatidos pela empresa de maneira satisfatória, de modo que a dúvida, neste caso, diante da distribuição do ônus probatório, favorece a acusada. 41. Situação diversa, no entanto, inflige as responsáveis CENTRAL DISTRIBUIDORA e ARBOL. Isto porque, nestes casos, foram efetivamente identificadas inúmeras transações bancárias (DOC, TED, transferências online etc.) na ordem de milhões de reais, entre elas e a EDITORA apenas no período fiscalizado, e, conforme aponta a autoridade fiscal "(...) via de regra os recebimentos pelas vendas efetuadas, pela amostragem dos extratos bancários eram efetuados diretamente pelos clientes da fiscalizada" conforme se denota da seguinte tabela do Termo de Verificação Fiscal, situada à fl.2.314: 42. Neste sentido, recortase da fl. 2.313 o seguinte excerto do termo de verificação fiscal: "(...) efetuaram pagamentos aos fornecedores de papel imune como se fosse em nome da Empresa Editora o Estado, como se comprova pelas informações prestadas pelas transações bancárias. Vêse que clientes e fornecedores efetuavam pagamentos uns para os outros de forma regular, em valores vultosos, durante anos, mas sem que houvesse, segundo os documentos emitidos, qualquer operação comercial entre elas. À evidência, diante das numerosas operações de transferências de recursos (pagamentos e recebimentos), tanto clientes, quanto fornecedores teriam de saber exatamente a quem pagar e de quem receber, em troca das mercadorias vendidas ou adquiridas da fiscalizada" 43. Resta, portanto, devidamente caracterizada e comprovada, por meio dos comprovantes de transações bancárias, acima, devidamente contextualizadas pelo minucioso trabalho elaborado pela autoridade fiscal, a participação das empresas CENTRAL DISTRIBUIDORA e ARBOL no conluio fraudulento, que devem ser mantidas na condição de responsáveis solidárias pelo crédito formalizado pelo auto de infração lavrado. Propõese, quanto aos demais argumentos apresentados, a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental. Fl. 9882DF CARF MF 22 44. Assim, a se constatar que a acusação da autoridade fiscal, bem como da decisão a quo, restaram bem fundadas, e diante da ausência de novos argumentos nos recursos voluntários interpostos, voto por mantêlas pelos seus próprios fundamentos, aos quais acrescento aqueles acima expendidos, exceto no caso da empresa TECPEL, que deve ser excluída do pólo passivo em virtude de carência probatória. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício e conhecer e dar integral provimento única e exclusivamente ao recurso voluntário interposto pela empresa TECPEL, para excluíla do polo passivo, mantendo, no mais, a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 9883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006693/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/08/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.447
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/08/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 66 93 /2 00 9- 71 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.254da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/08/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 21/08/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/08/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11128.006693/200971 Acórdão n.º 3402004.447 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001201/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
ATIVIDADE RURAL. RECEITA. ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO.
Na hipótese em que um imóvel rural é comprado e vendido sem que o contribuinte o tenha explorado para a atividade rural, ainda que haja exploração dessa atividade por ele em outros imóveis, o resultado dessas operações deve ser oferecido a tributação como ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. COMPRA E VENDA NA MESMA DATA. APURAÇÃO.
Se o imóvel rural foi comprado e vendido no mesmo dia, em data anterior à da entrega da DIAT, o ganho de capital deve ser apurado considerando os efetivos custo de aquisição e valor de alienação.
Numero da decisão: 2201-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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RECEITA. ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO. Na hipótese em que um imóvel rural é comprado e vendido sem que o contribuinte o tenha explorado para a atividade rural, ainda que haja exploração dessa atividade por ele em outros imóveis, o resultado dessas operações deve ser oferecido a tributação como ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. COMPRA E VENDA NA MESMA DATA. APURAÇÃO. Se o imóvel rural foi comprado e vendido no mesmo dia, em data anterior à da entrega da DIAT, o ganho de capital deve ser apurado considerando os efetivos custo de aquisição e valor de alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 01 /2 00 7- 37 Fl. 381DF CARF MF 2 EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 350/369) apresentado em face do Acórdão nº 1739.593, da 6ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 332/340), que negou provimento à impugnação (fls. 154/162) apresentada ao auto de infração (fls. 144/150) pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital apurado na alienação de imóvel rural. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 138/143), o fiscalizado seria sócio da Agropecuária Jaciara Ltda., cujo capital social estava representado por 3.933.000 quotas no valor nominal de R$ 1,00, tendo ele 2% de participação nesse capital, o que corresponderia a R$ 78.660,00. A Agropecuária Jaciara, por sua vez, possuiria dois imóveis rurais adquiridos por escritura pública com área total de 14.226,194 has. Em 11/07/2002, através de escritura pública de alteração de contrato social, foi reduzido o capital da empresa em 1.031.502 quotas, no valor de R$ 1.031.502,00 e transmitido para os sócios, na proporção da participação de cada um na sociedade, o imóvel Fazenda Prata, com área de 12.744,711 has. Ao impugnante coube a parcela correspondente a R$ 20.630,00. Na mesma data, 11/07/2002, através do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, registrado em 03/09/2004, este imóvel (Fazenda Prata) foi alienado, com o que se confirmou Instrumento Particular de Intenção de Venda e Compra de Imóvel Rural que as partes haviam firmado em 08/05/2002. De acordo com as cláusulas do contrato firmado em 11/07/2002, a alienação ocorreu por um valor total de R$ 15.923.646,00, cujo pagamento foi parcelado, prevendo uma parcela inicial em 11/07/2002, e o saldo dividido em parcelas a vencer no dia 30/10 dos anos de 2002 a 2008. Respeitando a proporção na participação de cada condômino, coube ao impugnante o valor de R$ 318.472,93. Ainda de acordo com a autoridade fiscal, em análise dos documentos apresentados pelo fiscalizado, não haveria comprovação de exercício da atividade rural por ele. Por outro lado, o fato de os sócios da empresa Agropecuária Jaciara Ltda. terem firmado compromisso de alienação da Fazenda Prata em 08/05/2002 demonstraria que nunca houve a intenção de exploração rural da fazenda pelos sócios. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 19515.001201/200737 Acórdão n.º 2201003.907 S2C2T1 Fl. 382 3 Em razão disso, foi apurado o ganho de capital obtido na operação considerando o efetivo preço de compra e venda do imóvel e respeitando a periodicidade nos pagamentos. O auto de infração foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão nº 1739.593, da 6ª Turma da DRJ/SP2, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. BENFEITORIAS. BENS RECEBIDOS NA REDUÇÃO DE CAPITAL DE SOCIEDADE AGROPASTORIL. 0 valor de alienação das benfeitorias recebido pelo sócio, pessoa física, em virtude da devolução do capital de sociedade agropastoril, somente pode ser tributado como receita da atividade rural se esse sócio der continuidade a exploração da atividade rural; caso contrário, deverá integrar o valor de alienação do imóvel rural para fins de apuração do ganho de capital. A ciência dessa decisão ocorreu em 12/09/2011 (fl. 342) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 22/09/2011 (fls. 350/369). Em suas razões de recorrer, o contribuinte alega, em síntese, que: 1. Os benefícios relativos à exploração da atividade rural estão adstritos àqueles que exerçam essa atividade e estejam enquadrados como produtores rurais, portanto é relevante o cadastramento da pessoa física ou jurídica que explore atividade rural. 2. A Lei nº 8.023, de 1990, unificou a receita, a despesa de custeio, os investimentos e o resultado da atividade rural de todas as unidades rurais, sendo confirmada essa unificação pelos artigos 11 e 24 da Instrução Normativa 83, de 2001. 3. Os atos que regulamentam a matéria em nenhum momento mandam escriturar ou declarar separadamente, por unidade, os rendimentos, dispêndios e resultados da atividade rural. 4. A legislação não proíbe que o comprador do imóvel utilize como custo as benfeitorias realizadas anteriormente pelo vendedor do referido imóvel. 5. Transcreve dispositivos da Instrução Normativa SRF nº 257, de 2002, que define atividade rural para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, para concluir que ao alienar um imóvel rural a pessoa jurídica que exerce a atividade agropecuária considerará ganho de capital a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta na contabilidade. O valor das benfeitorias e o da depreciação incentivada serão registrados como receita da atividade rural. Fl. 383DF CARF MF 4 6. Como a pessoa jurídica devolveu para os sócios separadamente terra nua e benfeitorias e estes gozam como produtores rurais do direito de alienar o imóvel separando também a terra nua das benfeitorias, sendo a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta tributado como ganho de capital e o valor das benfeitorias tributado como rendimento da atividade rural. 7. Por força do art. 10 da IN nº 84, de 2001, tratandose de imóvel devolvido para a pessoa física produtora rural a partir de 1997, o valor da terra nua a ser considerado como custo para apuração do ganho de capital é o valor declarado pelo alienante no DIAT do ano de aquisição. 8. Um produtor rural pode encerrar suas atividades e, ao alienar os bens utilizados na produção rural, utilizar os incentivos conferidos por lei a esse atividade. 9. O contribuinte comprova que exerceu atividade rural em outras propriedades nos anoscalendário de 2000 a 2004. 10. O contribuinte comprovou que a posse e o domínio da área de 12.744,711 has era transmitido anualmente em média 1.000,00 has e que a área remanescente continuava sendo explorada pelo Recorrente e que continua ainda explorando a área de 1.481, 48 has do referido imóvel. Com base nos argumentos que foram sintetizados acima, pede seja julgado procedente o presente recurso e seja declarada a insubsistência do lançamento tributário. A fls. 379/380 foram juntados memoriais nos quais são reiterados alguns dos argumentos já apresentados. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A questão central a ser dirimida neste processo consiste em decidir se a diferença entre o valor de aquisição e alienação atribuído às benfeitorias que compõe um imóvel rural comprado e vendido no mesmo dia, por um produtor rural que explora atividade rural em outros imóveis, pode ser considerado resultado da atividade rural para fins de tributação pelo imposto de renda ou se deve ser oferecido a tributação como ganho de capital. Penso que a segunda opção, tributação como ganho de capital, é a mais correta. Fundamento. A Lei nº 8.023, de 1990, estabelece a forma de tributação dos resultados provenientes da atividade rural (art. 1º) e tem o cuidado de discriminar o que se considera atividade rural (art. 2º) em uma lista exaustiva que compreende a agricultura, pecuária, extração e exploração vegetal e animal, exploração de culturas animais e a transformação de Fl. 384DF CARF MF Processo nº 19515.001201/200737 Acórdão n.º 2201003.907 S2C2T1 Fl. 383 5 produtos decorrentes de atividade rural, sem que haja alteração na sua composição e características do produto in natura. A mera intermediação de animais e produtos agrícolas não constitui atividade rural (art. 2º, parágrafo único), o que faz bastante sentido já que o benefício é conferido tendo em vista os riscos que envolvem a atividade incentivada, que não são suportados por quem pratica apenas a intermediação dos produtos resultantes dela. O resultado da atividade rural é a diferença entre as receitas recebidas e as despesas pagas no anobase (art. 4º, caput), sendo que os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento (art. 4º, § 2º). Neste caso, considerase investimento na atividade rural "a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola." (art. 6º), o que revela que o investimento considerado despesa da atividade rural é aquele efetuado com o propósito de expansão ou melhoria da atividade agrícola. Há aqui a união de um elemento objetivo, consistente no dispêndio realizado, e um elemento subjetivo, o fim a que ele se destina. Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado como ganho de capital (art. 4º, § 3º). Logo, para que seja considerado receita da atividade rural, os bens devem ter sido utilizados na produção, ou seja, geraram receita da atividade rural. Aqui se revela a lógica da regra, pois tudo aquilo que, em um primeiro momento, reduziu a receita da atividade rural, no momento seguinte a aumenta, de forma que ao longo do tempo o resultado tende a ser neutro. Ou seja, a longo prazo, os investimentos em benfeitorias para fins de atividade rural não alteram a receita oferecida à tributação a esse título, a não ser que haja diferença entre o valor de aquisição e o valor de alienação. Pelo que se extrai do texto legal, é possível afirmar que as regras constantes da Lei nº 8.023, de 1990, são aplicáveis a quem exerce efetivamente a atividade rural e nos imóveis explorados por essa pessoa com esse fim. Essa conclusão é confirmada pelo seguinte artigo: Art. 13. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, comprovada a situação documentalmente, pagarão o imposto de conformidade com o disposto nesta lei, separadamente, na proporção dos rendimentos que couber a cada um. Veja que o proprietário que arrenda o imóvel rural para exploração por terceiro (arrendatário) não está compreendido nessa regra, independente de ele mesmo ser ou não produtor rural. É por isso que a pergunta nº 466 do manual de perguntas e respostas de 2017, contém a seguinte orientação: 466 Como se dintinguem os contratos agrários? Fl. 385DF CARF MF 6 Os contratos de arrendamento e parceria são basicamente semelhantes no que concerne à natureza jurídica, pois em todos há cessão de uso e gozo de imóvel ou de área rural, parte ou partes dos mesmos, incluindo, ou não, outros bens, benfeitorias e facilidades, para ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista. Diferem, porém, substancialmente na forma de remuneração do cedente: a) no arrendamento ou subarrendamento, o cedente (arrendador ou subarrendador) recebe do arrendatário ou subarrendatário retribuição certa ou aluguel pelo uso dos bens cedidos (os rendimentos devem ser tributados como aluguéis, separados da atividade rural); b) na parceria ou subparceria, o cedente (parceirooutorgante) partilha com o parceirooutorgado os riscos de caso fortuito e força maior, os frutos, produtos ou lucros havidos, nas proporções estipuladas em contrato, e as variações de preço dos frutos obtidos (apuração na atividade rural – receitas e despesas). Por outro lado, na propriedade em comum, copropriedade ou condomínio, os proprietários, os coproprietários ou os condôminos partilham os riscos, frutos ou resultados havidos, na proporção da parte que lhes caiba no total. Esse entendimento é corroborado pela jurisprudência deste CARF, conforme revela excerto extraído da ementa do Acórdão nº 2202003.761, de relatoria do Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto: OMISSÃO DE RENDIMENTO. ARRENDAMENTO RURAL. DECLARAÇÃO COMO PRODUÇÃO RURAL. Ainda que a arrendante também seja produtora rural, não é possível oferecer à tributação como resultado da exploração rural os valores recebidos a título de pagamento de arrendamento a terceiros. No mesmo sentido é a conclusão do Acórdão nº 2402005.365, relator o Conselheiro Ronnie Soares Anderson, de onde é transcrito o que segue: Merece ser explicado, inicialmente, que os rendimentos auferidos em virtude de arrendamento são tributáveis, para o produtor, como resultado da atividade rural, a qual é apurada mediante escrituração do livro Caixa, podendo ser deduzidas as despesas e investimentos incorridos na atividade, a teor do art. 18 da Lei nº 9.250/95. Na ausência de livro Caixa, a base de cálculo do imposto recai sobre 20% da receita bruta. Já o arrendador submete os valores decorrentes do arrendamento ao regime geral estabelecido no art. 21 da Lei nº 4.506/64, ou seja, são eles classificados como rendimento de aluguéis, estando sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física sem o abatimento de despesas e benfeitorias, tratamento mais gravoso, à evidência, do que o conferido aos recebimentos advindos da relação de parceria. Por seu turno, a distinção entre arrendamento e parceria é obtida a partir da interpretação dos arts. 95 e 96 da Lei nº 4.504/1964 (Estatuto da Terra), e dos arts. 1º a 4º do Decreto nº 59.566/1966 (Regulamento do Estatuto da Terra). Fl. 386DF CARF MF Processo nº 19515.001201/200737 Acórdão n.º 2201003.907 S2C2T1 Fl. 384 7 Segundo essas disposições normativas, no arrendamento há ausência de riscos de caso fortuito ou força maior, bem como recebimento de certa retribuição fixa, enquanto na parceria riscos do gênero são partilhados, sem haver percepção de valor certo pela produção rural. Com efeito, no contrato de arrendamento o arrendador não sofre os riscos da atividade desenvolvida pelo arrendatário, sobre a qual não possui qualquer ingerência. Já a parceria se assemelha a contrato de sociedade ou consórcio, havendo mútua colaboração para a consecução de um determinado empreendimento agrícola, com a assunção de riscos por ambas as partes, assim como a partilha dos frutos, nas proporções avençadas. Portanto, nada na lei autoriza a conclusão de que um produtor rural que, além de realizar a exploração da atividade rural em um ou mais imóveis, pratica especulação imobiliária em outro, poderá tratar o ganho obtido nesta atividade como resultado da atividade rural. Essa conclusão é ratificada pela Instrução Normativa SRF nº 83, de 2001, no seguinte dispositivo: Art. 11. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas de custeio e dos investimentos pagos no anocalendário, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa física. Logo, as receitas e despesas que compõem a apuração do resultado da atividade rural são aquelas relativas a todas as unidades rurais "exploradas" pela pessoa física, o que, por óbvio, se refere à exploração da atividade rural e não imobiliária. Assim, no caso de imóvel no qual o alienante não exerceu atividade rural, a apuração do resultado da alienação e a sua tributação devem seguir as regras relativas à apuração do ganho de capital. Neste caso, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, são extraídas as seguintes disposições: Imóvel rural Art. 9o Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1o Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2o Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da Fl. 387DF CARF MF 8 atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1o No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3o O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). Na hipótese em análise, como o imóvel foi adquirido após 1997, devem ser aplicadas as disposições do art. 10. O contribuinte adquiriu e vendeu o imóvel antes da entrega da Diat, o que leva à aplicação do inciso I, pelo qual o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição. Exatamente o que foi feito pela fiscalização neste processo. Estabelecidas essas premissas, passase a análise individualizada dos argumentos apresentados pelo recorrente, na ordem em que foram sintetizados no relatório. 1. Os benefícios relativos à exploração da atividade rural estão adstritos àqueles que exerçam essa atividade e estejam enquadrados como produtores rurais, portanto é relevante o cadastramento da pessoa física ou jurídica que explore atividade rural. Tem razão o recorrente quando afirma que é relevante o exercício da atividade rural, contudo, as regras relativas à tributação da atividade rural não são aplicáveis apenas pela critério subjetivo, ou seja, não é um benefício em favor dos produtores rurais independentemente da natureza da atividade que deu origem ao rendimento. Ao elemento subjetivo deve ser somado o objetivo, o rendimento deve decorrer da exploração da atividade rural e, assim como a compra e venda de produtos rurais não é resultado da atividade rural, o rendimento decorrente do arrendamento de imóveis rurais não é resultado da atividade rural, a mera especulação imobiliária realizada em imóveis rurais também não é resultado da atividade rural. 2. A Lei nº 8.023, de 1990, unificou a receita, a despesa de custeio, os investimentos e o resultado da atividade rural de todas as unidades rurais, sendo confirmada essa unificação pelos artigos 11 e 24 da Instrução Normativa 83, de 2001. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 19515.001201/200737 Acórdão n.º 2201003.907 S2C2T1 Fl. 385 9 Tanto o art. 11 quanto o 24 fazem referência às unidades rurais "exploradas" pelo contribuinte. Portanto, não basta ser uma propriedade destinada a atividade rural, ela deve ser assim explorada pelo contribuinte em questão. 3. Os atos que regulamentam a matéria em nenhum momento mandam escriturar ou declarar separadamente, por unidade, os rendimentos, dispêndios e resultados da atividade rural. É verdade que não há qualquer comando estabelecendo a segregação das receitas e dispêndios, mas elas são unidas pela natureza comum que é o de se tratar de resultado da atividade rural, o que não inclui, conforme já se afirmou anteriormente, o resultado da especulação imobiliária em imóvel rural. 4. A legislação não proíbe que o comprador do imóvel utilize como custo as benfeitorias realizadas anteriormente pelo vendedor do referido imóvel. Isto é verdade, mas desde que haja apuração do resultado da atividade rural no imóvel em questão. Ou seja, essas benfeitorias devem ter sido empregadas para a exploração de atividade rural, o que não restou configurado neste processo. Por outro lado, elas serão consideradas efetivamente como custo, mas custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital. 5. Transcreve dispositivos da Instrução Normativa SRF nº 257, de 2002, que define atividade rural para fins de apuração do imposto de renda da pessoa jurídica, para concluir que ao alienar um imóvel rural a pessoa jurídica que exerce a atividade agropecuária considerará ganho de capital a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta na contabilidade. O valor das benfeitorias e o da depreciação incentivada serão registrados como receita da atividade rural. Aqui vale o mesmo raciocínio, pois pressuposto para a aplicação dessa regra é que tenha sido desenvolvida e explorada atividade rural no imóvel pelo alienante. 6. Como a pessoa jurídica devolveu para os sócios separadamente terra nua e benfeitorias e estes gozam como produtores rurais do direito de alienar o imóvel separando também a terra nua das benfeitorias, sendo a diferença entre o valor de alienação da terra nua e o custo desta tributado como ganho de capital e o valor das benfeitorias tributado como rendimento da atividade rural. Conforme já foi ressaltado anteriormente, a separação entre o valor da terra nua e das benfeitorias pressupõe a exploração de atividade rural no imóvel pelo alienante, o que não restou configurado neste processo. 7. Por força do art. 10 da IN nº 84, de 2001, tratandose de imóvel devolvido para a pessoa física produtora rural a partir de 1997, o valor da terra nua a ser considerado como custo para apuração do ganho de capital é o valor declarado pelo alienante no DIAT do ano de aquisição. Na hipótese em questão, a aquisição e alienação ocorreram antes da entrega da DIAT do ano de aquisição, que foi estabelecido pela Instrução Normativa SRF nº 61, de Fl. 389DF CARF MF 10 2001, em 30 de setembro de 2002. Em razão disso, a apuração do ganho de capital deve observar o custo de aquisição e alienação. 8. Um produtor rural pode encerrar suas atividades e, ao alienar os bens utilizados na produção rural, utilizar os incentivos conferidos por lei a esse atividade. Pode. Desde que os bens alienados tenham sido utilizados por ele na exploração da atividade rural, o que não é o caso dos autos. 9. O contribuinte comprova que exerceu atividade rural em outras propriedades nos anoscalendários de 2000 a 2004. Não basta a exploração da atividade rural em outras propriedades. 10. O contribuinte comprovou que a posse e o domínio da área de 12.744,711 has era transmitido anualmente em média 1.000,00 has e que a área remanescente continuava sendo explorada pelo Recorrente e que continua ainda explorando a área de 1.481,48 has do referido imóvel. De acordo com o art. 3º, I, da IN SRF nº 84, de 2001, estão sujeitos à apuração do ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Portanto, com o "instrumento particular de compromisso de compra e venda" (fls. 55/70) firmado em 11 de julho de 2002, já havia sido realizada a alienação para fins de apuração do ganho de capital. O fato de as escrituras de compra e venda serem outorgadas de forma proporcional ao recebimento do preço não desnatura esse fato, pois a apuração do ganho de capital independe dessa providência. Também não produz qualquer efeito, a alegada exploração da área ainda não escriturada pelos vendedores, pois neste caso estão explorando imóvel que, para fins de imposto de renda, é de terceiro. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19515.001201/200737 Acórdão n.º 2201003.907 S2C2T1 Fl. 386 11 Fl. 391DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004413/2003-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
Numero da decisão: 2202-004.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Waltir de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 13 /2 00 3- 42 Fl. 1086DF CARF MF 2 Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de lançamento efetuado em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou por documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras ocorridas no anocalendário de 1998, no montante de R$ 215.965,80. O fundamento legal utilizado foi a presunção instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O contribuinte apresentou Impugnação de fls. 930/933 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) Apresentou os extratos bancários e, posteriormente, comprovou a origem dos depósitos, que advierem de cobranças de aluguéis, condomínios e IPTU, bem como seguro de clientes. Juntou contratos de locação que deram origem aos recebimentos e indidualizou cada depósito. A fiscalização, todavia, recusouse a receber as provas. b) A regulamentação da legislação da CPMF só se efetivou no exercício posterior ao da autuação não podendo ser aplicada retroativamente; c) os valores recebidos não configuram renda, mas apenas receitas de intermediação; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Santa Maria (RS) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 949 eprocesso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despacho e decisões proferidos por autoridade incompetente. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 01/01/1997, os valores depositados em instituições financeiras, de origem não comprovada pelo contribuinte, passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. Intimado da referida decisão (AR fls. 963) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 974/993, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É relatório. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 19515.004413/200342 Acórdão n.º 2202004.134 S2C2T2 Fl. 1.087 3 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) ALEGAÇÕES DE OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE. O Recorrente alega em seu recurso que o lançamento ofende o princípio constitucional da irretroatividade. Tal alegação não pode ser conhecidas. Isso porque, ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase, inclusive, sumulada, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2) PRELIMINAR IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01 OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, sendo, portanto, inconstitucional a autorização contida na Lei Complementar nº 105/2001. Alega também a impossibilidade de se aplicar a autorização nela contida aos fatos geradores pretéritos como ocorreria no caso dos autos em que o lançamento referese ao anocalendário de 1998. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Fl. 1088DF CARF MF 4 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 19515.004413/200342 Acórdão n.º 2202004.134 S2C2T2 Fl. 1.088 5 3) MÉRITO 3.1) DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Insiste o Recorrente nas alegações já suscitadas quando da Impugnação. Alega que a documentação juntada aos autos era hábil a comprovar a origem dos recursos. Todavia, tal documentação não foi aceita pela Autoridade Fiscal. Incorretas as alegações do Recorrente. Como bem observou a decisão recorrida: "O contribuinte argumenta que a origem dos depósitos advém de cobrança de aluguéis, condomínios e IPTU, bem como seguro de clientes, tendo demonstrado que repassou os valores recebidos a título de locação e pagou os condomínios, IPTU e seguros. Ao contrário do alegado pelo contribuinte em sua impugnação, a fiscalização analisou os documentos apresentados e na Relação dos Depósitos/Créditos Efetuados fls. 825 a 832, parte integrante do auto de infração, relacionouse os depósitos aceitos e não aceitos. Foram aceitos os depósitos que tinham vinculação com os contratos locativos apresentados. Esses contratos foram relacionados em planilha anexa a esse voto. O contribuinte, para fins de afastar a infração, cabe apresentar a comprovação documental para cada um dos depósitos realizados nas contas correntes bancárias do impugnante. Não são aceitas as justificativas que não forem acompanhadas de documentos hábeis, que não estabeleçam o vínculo entre os documentos apresentados e os depósitos realizados nas contas correntes bancárias do impugnante. Esclareçase que as declarações apresentadas não são hábeis o suficiente para comprovar as operações a que se referem, já que, como é sabido, podem ser feitos a qualquer tempo, com o teor que convier e trazendo valores de acordo com os interesses das próprias partes, que os tornam pouco convicentes. Não podem ser aceitos documentos particulares, sem registro em cartório e sem autenticação de assinaturas, formalidades essas relevantes, porque, quando existentes, constituem um reforço para a credibilidade das operações, além de conferir certeza, no mínimo, à data em que o documento foi efetivamente firmado. Alega ainda o Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Fl. 1090DF CARF MF 6 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova e a desnecessidade de comprovação do consumo da renda é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 4) CONCLUSÃO Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 19515.004413/200342 Acórdão n.º 2202004.134 S2C2T2 Fl. 1.089 7 Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1092DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722317/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA.
Cabe lavrar o auto de infração em nome da pessoa jurídica titular das contas bancárias, cujos depósitos/créditos foram objeto da autuação, empresa esta cuja inscrição CNPJ foi declarada Inapta desde a sua constituição e consequentemente à época dos fatos geradores; e identificar os responsáveis tributários correspondentes.
TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS RECEBIDAS. EMPRESAS DO MESMO SÓCIO DE FATO.
Descabe o pleito de que recursos recebidas de outras empresas detidas pelo(s) sócio(s) de fato da Autuada, sejam desconsideradas; eis que cada uma das empresas controladas por eles é entidade à parte; se aquelas empresas foram objetos de fiscalização, cabe às mesmas justificar a origem os respectivos recebimentos; somente se excluem da presunção de omissão de receitas transferências entre contas da mesma titularidade, isto é, entre contas bancárias diferentes, porém de titularidade da Autuada, a teor do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
RECEITA DECLARADA.
A autuação exige, em relação à receitas que foram declaradas e correspondentes débitos confessados em DCTF, apenas os valores correspondentes às diferenças entre as alíquotas aplicadas no regime de arbitramento da autuação, e as alíquotas do regime do lucro presumido, no qual tais valores haviam sido declarados.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado
SIGILO BANCÁRIO. ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
Comprovados o dolo, sonegação e fraude correta a qualificação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.
SÓCIO. INTERESSE COMUM. FRAUDE.
Cabe a responsabilização solidária de sócia da empresa, com base no art. 124, I, do CTN, devido à participação no processo decisório e no gerenciamento da empresa onde ocorreu a sonegação, e no art. 135, III do CTN, porque ficaram evidenciados o dolo e participação na fraude, por ter sido parte ativa no acobertamento do real administrador e sócio da Autuada.
SÓCIO DE FATO. INTERESSE COMUM. FRAUDE.
Cabe a responsabilização solidária de sócia de fato, não constante do contrato social, com base no art. 124, I, do CTN, por ser o real dirigente e condutor da empresa onde ocorreu a sonegação, e no art. 135, III do CTN, porque ficaram evidenciados o dolo e participação na fraude, por ter interposto outras pessoas como sócias.
PESSOA JURÍDICA. PATRIMÔNIO DO SÓCIO
Cabe a responsabilização com base no art. 124, I do CTN, de empresas para as quais foram transferidos os respectivos bens do sócio oficial e do sócio de fato, para proteger os respectivos patrimônios, tratando-se de bens resultantes das atividades empresariais destes, e tendo sido este sócio oficial e sócio de fato responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário, com base nos arts. 124, I e 135, III do CTN.
Numero da decisão: 1201-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício, para reconhecer o agravamento da multa, fixando-a em 225% e, acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli Eduardo Morgado Rodrigues; ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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TERRAPLENAGEM LTDA. ME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. SUJEITO PASSIVO. PESSOA JURÍDICA. Cabe lavrar o auto de infração em nome da pessoa jurídica titular das contas bancárias, cujos depósitos/créditos foram objeto da autuação, empresa esta cuja inscrição CNPJ foi declarada Inapta desde a sua constituição e consequentemente à época dos fatos geradores; e identificar os responsáveis tributários correspondentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 23 17 /2 01 4- 19 Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 3 2 TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS RECEBIDAS. EMPRESAS DO MESMO SÓCIO DE FATO. Descabe o pleito de que recursos recebidas de outras empresas detidas pelo(s) sócio(s) de fato da Autuada, sejam desconsideradas; eis que cada uma das empresas controladas por eles é entidade à parte; se aquelas empresas foram objetos de fiscalização, cabe às mesmas justificar a origem os respectivos recebimentos; somente se excluem da presunção de omissão de receitas transferências entre contas da mesma titularidade, isto é, entre contas bancárias diferentes, porém de titularidade da Autuada, a teor do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. RECEITA DECLARADA. A autuação exige, em relação à receitas que foram declaradas e correspondentes débitos confessados em DCTF, apenas os valores correspondentes às diferenças entre as alíquotas aplicadas no regime de arbitramento da autuação, e as alíquotas do regime do lucro presumido, no qual tais valores haviam sido declarados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2008, 30/09/2008, 31/03/2009, 30/09/2009, 31/12/2009, 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado SIGILO BANCÁRIO. ARTIGO 6º DA LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF.O Supremo Tribunal Federal, em 24/02/2016, entendeu pela possibilidade de a Administração Tributária ter acesso aos dados bancários dos contribuintes, mesmo sem autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Comprovados o dolo, sonegação e fraude correta a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. SÓCIO. INTERESSE COMUM. FRAUDE. Cabe a responsabilização solidária de sócia da empresa, com base no art. 124, I, do CTN, devido à participação no processo decisório e no gerenciamento da empresa onde ocorreu a sonegação, e no art. 135, III do CTN, porque ficaram evidenciados o dolo e participação na fraude, por ter sido parte ativa no acobertamento do real administrador e sócio da Autuada. SÓCIO DE FATO. INTERESSE COMUM. FRAUDE. Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 4 3 Cabe a responsabilização solidária de sócia de fato, não constante do contrato social, com base no art. 124, I, do CTN, por ser o real dirigente e condutor da empresa onde ocorreu a sonegação, e no art. 135, III do CTN, porque ficaram evidenciados o dolo e participação na fraude, por ter interposto outras pessoas como sócias. PESSOA JURÍDICA. PATRIMÔNIO DO SÓCIO Cabe a responsabilização com base no art. 124, I do CTN, de empresas para as quais foram transferidos os respectivos bens do sócio oficial e do sócio de fato, para proteger os respectivos patrimônios, tratandose de bens resultantes das atividades empresariais destes, e tendo sido este sócio oficial e sócio de fato responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário, com base nos arts. 124, I e 135, III do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Ofício, para reconhecer o agravamento da multa, fixandoa em 225% e, acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli Eduardo Morgado Rodrigues; ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 1.057/1.145, relativos aos anos calendário 2008, 2009 e 2010, no regime de arbitramento do lucro, base legal art. 530, III do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), porque o contribuinte, intimado, não apresentou os livros e documentos da sua escrituração; os autos exigem: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$7.335.069,61, relativo às seguintes infrações: 0001 Omissão de Receitas por Presunção Legal, Depósitos bancários de origem não comprovada, apenados com multa de ofício de 225%; 0002 diferença devida sobre receita bruta de prestação de serviços declarada, apenada com multa de 75%. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$1.926.255,91, reflexo das infrações 001 e 002. Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, R$2.006.516,57, regime cumulativo, reflexo da infração 001. Contribuição para o PIS, R$434.745,24, reflexo da infração 001. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 1.148/1.231. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 5 4 2. Foram responsabilizados solidariamente, com base legal no art. 124, I e no art. 135, III, do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, págs. 1.237/1.253: a. Sônia Mariza Branco, CPF 030.455.88859; b. Sandra Maria Branco Malago, CPF 903.957.35815; c. Adir Assad, CPF 758.948.15800 d. Marcello José Abud, CPF 563.588.81868. 3. Foram responsabilizados solidariamente, com base legal no art. 124, I do CTN, págs. 1257/1.263: a. Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 58.783.689/000158; b. Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 10.263.163/000110. 4. Cientificados, o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivas, julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, que proferiu o Acórdão nº 1460.101, de 14 de abril de 2016, págs. 1.551/1.603: Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para: 1) Manter o IRPJ no valor de R$ 7.333.264,85, a CSLL no valor de R$ 1.926.255,91, o PIS no valor de R$ 434.745,24 e a Cofms no valor de R$ 2.006.516,57, com acréscimo de juros de mora e multa de ofício; 2) Reduzir para 150% a multa de ofício exigida sobre a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. 3) Manter a responsabilidade solidária imputada a Adir Assad, Sónia Mariza Branco, Sandra Maria Branco Málaga, Marcello José Abbud, Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Santa Sónia Empreendimentos Imobiliários Ltda. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. 5. A DRJ/RPO recorreu de ofício devido à redução da multa ofício de 225% para 150%: Auto de infração Multa de 225% Valor da multa depois da redução (150% e 75%) IRPJ 15.087.581,78 10.294.441,99 CSLL 4.334.075,82 2.889.383,87 Cofins 4.514.662,30 3.009.774,86 Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 6 5 PIS 978.176,81 652.117,86 Total multa de ofício 24.914.496,71 16.845.718,57 6. Pág. 1.661, em 17/05/2016, a Autuada foi cientificada do Acórdão DRJ/RPO, via Edital DRF/BRE/Secat nº 06/2016, porque se encontrava na situação BAIXADA INEXISTENTE DE FATO. 7. Sônia Mariza Branco, Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda, Sandra Maria Branco Malago, Martcelo José Abbud, foram cientificados em 17/05/2016, págs. 1.612/1.660 e 1.666/1.669; no caso de Adir Assad e Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, tendo retorno os Avisos de Recebimento AR enviados, foram cientificados via Edital Eletrônicos 001956922, em 13/06/2016 e Edital Eletrônico 001956925, em 13/06/2016, págs. 1.672/1..673, respectivamente. 8. Todos apresentaram Recursos Voluntários tempestivamente. RECURSO VOLUNTÁRIO. S.P. TERRAPLENAGEM LTDA. ME. PÁGS. 1.778/1.831. 9. Assevera que além da decadência dos lançamentos de IRPJ e CSLL de 2º e 3º trimestres/2008, também foram atingidos parte dos lançamentos referentes a 2009, pois os autos foram lavrados em 04/09/2009 e o art. 173, I do CTN só se aplica no caso de fraude (neste caso, inexistente) ou de não pagamento do tributo, e, no caso, o tributo foi pago antecipadamente, aplicandose o art. 150, § 4º do CTN. 10. Em preliminar, pugna pela nulidade dos autos de infração, porque baseado em premissas contraditórias. 11. Nulidade, devido a erro da identificação do sujeito passivo, e esclarece que não faz referência, por ora, à atribuição de responsabilidade "solidária" às pessoas físicas arroladas, mas à incorreta identificação do sujeito passivo, ao atribuirlhe a omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sem atentar para o disposto no § 5º do dispositivo: § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 12. Aduz que a precisa determinação do sujeito passivo não decorre apenas da legislação supra, mas também art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, determina que o valor do imposto e do adicional a serem lançados deverá ser de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão; e se o "efetivo titular da conta de depósito ou de investimento" foi pessoa física, deve ser aplicada a tabela progressiva; o erro na identificação do sujeito passivo acarreta: a. a inadequada definição da base de cálculo (trocar o lucro arbitrado, presumido, ou real, por rendimentos brutos de pessoa física, ou viceversa); b. a inadequada definição do aspecto temporal do fato gerador (trocar apuração mensal por trimestral, ou mensal por anual); c. a inadequada definição da alíquota (trocar 15% mais adicional de 10% por tabela progressiva, ou viceversa); e Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 7 6 d. a inadequada definição da matéria tributável (cobrar PIS/COFINS de pessoa física, ou IRPF de pessoa jurídica). 13. E que tal erro resulta na falta de intimação aos efetivos titulares das contas, para a comprovação da origem dos depósitos, que resulta em cerceamento no direito de defesa destes. 14. Que a tese condutora da autuação é que a pessoa jurídica, bem com Sônia e Sandra, arroladas como responsáveis tributárias, teriam servido de interpostas pessoas, havendo afirmativas contraditórias: de um lado, a Recorrente seria a titular, portanto contribuinte; de outro, seria "empresa de fachada" de Adir e Marcelo e, embora "de fachada", seria ela própria a interponente utilizando as sócias de direito como "laranjas" (os sócios de direito seriam "laranjas de Marcello e Adir; Sônia e Sandra seriam "laranjas" apenas de Adir; em resumo, que os recursos movimentados pela "empresa de fachada" pertenceriam a terceiros consequentemente, deveria ter sido aplicado o §5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; porém repele que os supostos interponentes sejam considerados contribuintes, mesmo porque não ficou claro quem são. 15. Nulidade porque deixaram de ser intimados os titulares da conta de depósito, pois a fiscalização somente intimou os sócios de direito, que tachou de "laranjas" e a "empresa de fachada", jamais tendo intimado o sr. Adir Assad. 16. Nulidade, por erro de identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador, porque a eleição do lucro arbitrado com base de cálculo do auto de infração é absolutamente ilegal, por contrariar o §5º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; que dada a imprestabilidade material do auto de infração não é possível identificar a base de cálculo correta, se o rendimento bruto anual do sr. Adir Assad, se deste e Sônia, tampouco sendo possível ratear as receitas omitidas entre os supostos interponentes, por falta de provas quanto à proporção de cada; tal fato também infirma a determinação do aspecto temporal do fato gerador , que apurado pelo lucro arbitrado, foi definido como trimestral, mas se aplicado o §5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, seria anual. 17. Nulidade, por erro na identificação da alíquota: foram aplicadas as da pessoa jurídica, mas se fosse calculadas em relação aos "efetivos titulares", seriam outras. 18. Nulidade, por erro na identificação da matéria tributável e do fato gerador, ainda devido à inobservância do §5º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tributouse no IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; mas se a empresa é de "fachada", então, a tributação dos "terceiros" deveria ser dos tributos que efetivamente se lhes aplicam. 19. Nulidade, por vício de motivação (notas fiscais emitidas pela "empresa de fachada"): se a empresa é "fantasma", não pode ser considerada como sujeito tributário autônomo para fins de atribuição da titularidade de valores tributáveis, pois o sujeito passivo não está corretamente identificado. 20. Acusa de ilícita a autuação baseada em informações bancárias obtidas sem autorização judicial, o que ofende o art. 4º, §§ 2º e 5º, do Decreto nº 3.724, de 2001, pois não houve a obrigatória intimação prévia ao sujeito passivo, para que apresentasse espontaneamente a movimentação financeira; a intimação em 23/04/2013 (págs. 35/37) foi posterior às RMFs, emitidas em 01/04/2013, págs. 20/34; além de não constar dos autos "Relatório Circunstanciado"com base no qual tenha sido expedida a RMF, o que conduz à nulidade dos autos; também, haja vista o inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 8 7 1972, e o art. 62, parágrafo único, I do Regimento Interno do CARF, que prevêem que a vedação de discussão da constitucionalidade no âmbito do processo administrativo não se aplica nos casos em que a legislação tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal STF; e eis que o plenário do STF, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, em 15/12/2010, colocou fim à discussão quanto à quebra do sigilo bancário dos contribuintes para fins fiscais, afastando a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário; então assim como o STF considerou inconstitucional a legislação que daria suporte ao indevido acesso obtido pela fiscalização a informações e documentos protegidos por sigilo bancário Lei Complementar n° 105/01, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01 deverão igualmente os órgãos julgadores administrativos reconhecer a nulidade do lançamento que embasou o presente auto de infração, uma vez que, como se verá, fora fundado em provas ilícitas; discorre acerca da inconstitucionalidade da LC nº 105, d e2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, face ao art. 5º, caput e inciso X, da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988 e XII, que prevê a inviolabilidade do sigilo de dados, inclusive bancários, de qualquer cidadão; aponta que a obtenção direta de informações pela administração tributária não pode se apoiar no art. 145, §1º da CF de 1988, e que o art. 6º da LC nº 105, de 2001, ignora a condição estatuída pela parte final do citado parágrafo, descartando a inviolabilidade da privacidade e de dados dos incisos X e XII do art. 5º.da CF de 1988. 21. Aponta incorreção na aplicação da presunção e necessidade de se desconsiderarem as transferências entre contas do mesmo titular. Diz que: O esforço da autoridade fiscal, à evidência, deveuse à preocupação em alguns momentos, excessiva de oferecer subsídios para a eventual responsabilização das pessoas físicas que seriam os "sócios de fato" da pessoa jurídica autuada. Não está explícito no auto de infração, mas é possível compreender, com considerável plausibilidade, que a autoridade fiscal foi tomada pelo temor de que o lançamento tributário poderia resultar inócuo se lavrado apenas contra a pessoa jurídica autuada; deveras a autoridade fiscal deixa transparecer , ela acreditava que a capacidade econômica supostamente manifestada pelos depósitos bancários identificados não pertenceria à própria pessoa jurídica autuada, mas a terceiros os seus "sócios de fato". Estes os "sócios de fato" seriam os verdadeiros "donos do dinheiro", logo, efetivos titulares das contas bancárias mantidas (repitase o que afirma a autoridade fiscal) apenas formalmente em nome da pessoa jurídica autuada. Nessa toada, é de se notar que, na apaixonada defesa de seu ponto de vista, a autoridade fiscal afirma, por mais de uma vez, que os tais "sócios de fato" da pessoa jurídica autuada seriam, também, "sócios de fato" de outras pessoas jurídicas. Aduz, a autoridade fiscal, que haveria uma "rede" de "empresas de fachadas", e esta circunstância seria confirmada pela circunstância de que as outras "empresas de fachada" teriam relações com os "sócios de fato" da empresa autuada. Pois bem. Nesse cenário, causa espécie a fragilidade lógica que, com permissão da autoridade fiscal, passou a revestir o seu trabalho. Embora a Recorrente tenha sido expressamente e consistentemente tratada como "empresa de fachada", no momento em que foi aplicar o inciso I do § 3o do artigo 42 da Lei Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 9 8 n° 9.430/96, a autoridade fiscal "fez de conta" de que ela seria verdadeira e efetiva titular das contas bancárias mantidas "apenas formalmente" em seu nome, bem como dos valores que por ela transitaram. Dois pesos e duas medidas. Durante 99,9% da narrativa do auto de infração, a empresa autuada foi chamada dos mais ignominiosos nomes: "empresa de fachada", "empresa fantasma", "laranja", "interposta pessoa". Mas, na hora de aplicar um dos poucos comandos legais sobre a presunção baseada em depósitos bancários, surge o arrebatamento: por um átimo, a "empresa de fachada" deixa de ser "laranja", a "interposta pessoa" volta à dignidade; apenas para se aplicar a regra de desconsideração das transferências entre contas do mesmo titular, de maneira não menos formalista e artificial que teria sido, segundo a autoridade fiscal, a manutenção das contas em nome da empresa autuada. (...) Se tivesse sido bem sucedida no lavor hermenêutico, assumindo a responsabilidade pelo que disse, a autoridade fiscal teria constado que: (i) muitos dos depósitos autuados provieram de outras empresas que, segundo o auto de infração, seriam "empresas de fachada" dos mesmos sócios de fato que os da empresa autuada; (ii) segundo o auto de infração, o dinheiro movimentado por estas empresas não lhes pertenceria, mas aos sujeitos interponentes, que delas se utilizariam para manter na penumbra grandes somas de dinheiro; e (iii) logicamente, à luz das duas afirmações anteriores, os depósitos provenientes de todas as outras "empresas de fachadas" proviriam de contas cujos "efetivos titulares" os únicos que interessam para a aplicação da lei, nos termos do já citado § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 são os mesmos "efetivos titulares" que os das contas mantidas "apenas formalmente" em nome da empresa autuada.(...) No contexto da desconsideração de personalidades jurídicas generalizada, empreendida pela autoridade fiscal, deveria esta, se tivesse assumido os ônus lógicos decorrentes de sua própria tese, ter notado que grande parte das importâncias movimentadas pelas "empresas de fachada" pertenceriam, em última instância, ao(s) mesmo(s) titulares. Ora, não era uma rede de "empresas de fachada"? Se assim fosse, então os montantes movimentados entre elas não poderiam, à evidência, servir de base para a aplicação da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Insistase neste ponto. Ao adotar a tese da rede de "empresas de fachada", a autoridade fiscal assume que os "sócios de fato" da empresa autuada seriam o "efetivo titular": (¡) das contas bancárias mantidas apenas formalmente em nome da Recorrente; (ii) das contas bancárias mantidas apenas formalmente em nome das demais "empresas de fachada"; e Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 10 9 (iii) consectariamente, dos valores movimentados em todas estas contas bancárias. Assim sendo, seria impossível não concluir que estarseia diante, na espécie, de valores de mesma titularidade (efetiva) circulando entre contas bancárias mantidas, apenas formalmente, pelas "empresas de fachada". Mas a titularidade formal é desprezada pela autoridade fiscal. Se o que interessa para o auto de infração é a titularidade efetiva, então não se poderia dizer algo diverso do seguinte: tratavase (o dinheiro transferido entre as "empresas de fachadas") de montantes saindo de "um bolso", e entrando em "outro bolso", mas sempre do(s) mesmo(s) efetivo(s) titular(s). Tal espécie de movimentação bancária, por força do inciso I do § 3o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, não poderia dar azo à aplicação da presunção fundada em depósitos bancários. Agora, neste momento, tendo tudo isto sido esclarecido, podese perceber o porquê de a autoridade fiscal ter adotado "dois pesos e duas medidas". É que, do contrário ou seja, se a autoridade fiscal assumisse, como dela se esperava, a responsabilidade pela sua interpretação o trabalho fiscal se tornaria uma tarefa substancialmente mais complexa, pois tornarseia necessário identificar o fato do ingresso dos recursos na rede de "empresas de fachadas". Apenas os depósitos correspondentes ao dinheiro proveniente do exterior da "caixa de laranjas" poderia ser legitimamente considerado como receita omitida. E que trabalho não daria conduzir a fiscalização nestes moldes? E que agonia não sentiu a autoridade fiscal quando viu o prazo de decadência batendo à sua porta? Mas, com o devido respeito, não parece que a lei tributária concorde com esta postura, nem admita o que aconteceu neste processo. E necessário que o lançamento tributário seja coerente com suas próprias premissas; "dois pesos e duas medidas", não é algo que o CTN, o qualquer outra norma tributária, acolham. A rigor, nem poderia ser diferente, pois a alegação de que existia um conglomerado de "empresas de fachada" traz consigo a consequência de que o dinheiro que entra em uma, e é transferido a outra, pode ser o mesmo. Assim, a aplicação incorreta do inciso I do § 3o do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 poderia trazer graves prejuízos ao contribuinte, pois haveria a tributação em duplicidade dos montantes. 22. Aponta a necessidade de excluir os valores já tributados da base de cálculo do auto de infração, ou seja, os valores dos Quadros 9 e 10 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 1.173/1.174, já declarados em DCTF, portanto já confessados como débitos, e que não podem ser exigidos novamente por meio de auto de infração, devendo ser cancelados; que a autoridade fiscal reconhece que houve montantes declarados como receitas nas DIPJs da empresa autuada, e que sobre estes montantes foram calculados os tributos pertinentes, conforme consta das DCTFs correspondentes aos períodos autuados; nada obstante, afirma que não seria possível excluir tais montantes da base de cálculo do lançamento porque, não tendo a empresa autuada Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 11 10 apresentado condições de disponibilizar os seus livros contábeis e fiscais, teria se tornado impossível realizar o cotejo entre as receitas supostamente omitidas, e aquelas espontaneamente declaradas discorda porque a autuação foi por arbitramento do lucro, devendo ser, então, esta a única base de cálculo do lançamento tributário por outras palavras, ao optar por sujeitar o contribuinte ao lucro arbitrado, a autoridade fiscal assume que aquelas receitas que ela identificou é o total das receitas do contribuinte; não faz sentido, a autoridade fiscal cobrar tributos com base no lucro arbitrado e, ao mesmo tempo, fechar os olhos para o que já foi declarado e submetido ao regime do lucro presumido; tais valores foram apenados com 75% de multa, mas se os débitos foram declarados, então deveria ter sido aplicada multa de mora, limitada a 20%. 23. Taxa de descabida a aplicação da multa de ofício qualificada, dada a ausência de comprovação do "evidente intuito de fraude"; que dos dois pressupostos que a fundamentam, omissão de receitas e utilização de laranjas, o primeiro é objeto da Súmula CARF nº 14, de que a simples omissão por si só não autoriza a qualificação da multa, e não há afirmação nem prova de que a omissão foi reiterada; e quanto à segunda acusação, a afirmação foi adotada de modo a justificar, artificialmente, a qualificação da penalidade E que, sendo empresa de fachada , a Recorrente não usou nenhum "laranja", pois é ela própria o "laranja". Além disso, onde já se viu dizer que a empresa utiliza "laranjas" para ocultar a identidade dos seus verdadeiros "sócios de fato"; se alguém usa "laranjas" para se ocultar, em tal cenário, são os próprios verdadeiros "sócios de fato". Na verdade, é impensável esta hipótese, descrita pelo avesso no auto de infração porque, certamente, a autoridade fiscal percebeu que não conseguiria justificar o agravamento da penalidade reportandose a suposta fraude cometida pelos "responsáveis tributários". De fato, a sociedade, nem que quisesse, conseguiria interpor uma pessoa para ocultar os seus sócios. Não há a possibilidade técnicojurídica de uma interposição fictícia "por conta e ordem" de terceiros, como quis vislumbrar a autoridade fiscal nesta passagem. Na interposição fictícia (artigo 167, inciso I, do Código Civil), se é que ela é possível no direito societário (a posição prevalecente na Itália, na Alemanha, nos Estados Unidos e na Inglaterra é contrária a essa possibilidade; no Brasil, Fábio Comparato/Calixto Salomão Filho e Carvalhosa também negam esta possibilidade), é o sócio "de fato" que utiliza o "laranja", não a "empresa de fachada". 24. Aduz que nem mesmo o recurso ao tipo penal do conluio (art. 73 da Lei n° 4.502/64) desmentiria a conclusão acima exposta. 25. Que, segundo a autoridade fiscal, a utilização de "laranjas" não teria sido utilizada para impedir o conhecimento ou a ocorrência do fato gerador, nem ocultar quaisquer condições pessoais do contribuinte. A utilização de "laranjas" dilo a autoridade fiscal teria se prestado a ocultar o responsável tributário, e o artigo 73 da Lei n° 4.502/64 (assim como os artigos 71 e 72, aos quais ele remete) não fazem qualquer menção ao conhecimento da responsabilidade ou às condições pessoais do responsável. 26. E a decisão recorrida, trouxe extemporaneamente argumento novo à lide, ao sustentar que a multa qualificada decorreria de conduta reiterada e dos valores envolvidos. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 12 11 27. Não bastasse isso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao analisar tema idêntico ao presente, reconheceu que a multa qualificada não decorre da forma reiterada ou do montante movimentado, mas somente pode ser aplicada quando houver evidente e comprovado intuito de fraude. 28. Conclui requerendo seja reformada parcialmente a decisão recorrida, de modo a ser declarada a nulidade material da presente autuação. Caso assim não entenda, seja reconhecida a decadência; seja reconhecida a ilegitimidade da quebra do sigilo bancário da Recorrente e, subsidiariamente, a exclusão das multas aplicadas. 29. Por fim, subsidiariamente, requer que seja ao menos reduzida a multa qualificada aplicada em relação à rubrica "receita bruta na prestação de serviços em geral não declarada", uma vez que, embora tais valores decorram de valores não declarados, são provenientes de serviços devidamente amparados por notas fiscais (fls. 170/524). RECURSOS VOLUNTÁRIO. SÔNIA MARIZA BRANCO, SANDRA MARIA BRANCO MALAGO. PÁGS. 1.675/1.716. 30. Além dos mesmos argumentos relativos a decadência parcial e nulidade do lançamento fiscal, aduz outros questionamentos descritos a seguir. 31. E aponta outras nulidades dos autos de infração: erro na identificação do sujeito passivo; falta de intimação do(s) titular)es) da conta depósito; erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador; erro na identificação da alíquota; erro na identificação da matéria tributável e do fato gerador; vicio de motivação (Notas Fiscais emitidas pela "empresa de fachada") e inconsistência lógica do auto de infração. 32. Advogam a ausência de responsabilidade solidária ou pessoal e inaplicabilidade dos arts. 124, I e 135, III do CTN, às pessoas físicas; inaplicabilidade do art. 135, III do CTN. 33. Qu da leitura do TVF, resta evidente que o verdadeiro alvo da fiscalização fora o Sr. Adir Assad dado como cérebro das operações autuadas e único pretenso beneficiado , mas, ao mesmo tempo, a obrigação solidária foi imputada às Sras. Sônia e Sandra (ou, quando referidas em conjunto, "pessoas físicas"), além da empresa Four's, constituída por elas como uma holding familiar patrimonial. 34. A solidária imputada nos termos do art. 124, I, do CTN, está no "interesse comum", que é "interesse jurídico" pela condição de estarem as partes no mesmo polo da relação jurídica, existindo direitos e deveres iguais entre as partes solidárias; e responsabilidade solidária não pode ser presumida; é afastada quando o interesse for meramente econômico; e exigese que as partes solidariamente obrigadas tenham agido em conjunto com o devedor principal naquele ato que deu ensejo ao lançamento; outro requisito é que a solidariedade somente se confirma quando a fiscalização trouxer provas de que houve confusão patrimonial entre responsável e empresa contribuinte, caracterizados máximo do interesse comum (jurisprudência do CARF). 35. E questiona como podem pessoas dadas como "laranjas" ter o mesmo interesse do suposto "administrador de fato"? Pois se é verdade que as pessoas físicas são interpostas pessoas do Sr. Adir Assad, os recursos presumidamente furtados à tributação (i) não têm origem nelas e (ii) nem foram destinados a elas; em resumo, (i) ou bem o esquema narrado em torno do Srs. Adir e Marcello foi imaginado pela D. Autoridade Fiscal, impressionada pelas Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 13 12 investigações da Polícia Federal, e nenhuma das questões ora tratadas deveriam ser discutidas, (ii) ou bem esse esquema existe, os Srs. Adir e Marcello são os "chefes" de tudo, e as Recorrentes nada tem a ver com isso: a. (i) Há prova da existência de direitos e deveres iguais entre as Recorrentes e a pessoa jurídica autuada ou os Srs. Adir e Marcello? Resposta: Não. b. (II) O interesse das Recorrentes na pessoa jurídica autuada era meramente econômico? Tal interesse era vinculado às atividades comuns da empresa ou ao suposto esquema fraudulento? Resposta: O interesse das Recorrentes era meramente econômico, todavia, vale ressaltar que não há qualquer prova de que sua gestão envolvia atividade ilícita. Na realidade, não há provas de atos de gestão das Recorrentes, muito menos algo que o vincule à omissão de receitas imputada à pessoa jurídica autuada. Nesse sentido, ainda que tenham recebido qualquer dividendo ou vencimento oriundo de ato ilícito o que não foi comprovado, digase , isso não pode ser confundido com atuação com interesse jurídico na suposta fraude engendrada. c. (ili) Há prova de que as Recorrentes agiram em conjunto com os Srs. Adir e Mareei lo em atos fraudulentos? Resposta: Não. A fiscalização sequer conseguiu êxito em provar a suposta fraude imputada aos Srs. Adir e Marcello, e muito menos a prática de atos das Recorrentes em conjunto com eles, com intuito de fraude. d. (iv) Foi demonstrada a confusão patrimonial entre as Recorrentes e a pessoa jurídica autuada ou os Srs. Adir e Marcello? Resposta: Não há qualquer indício de confusão patrimonial entre as Recorrentes e a pessoa jurídica autuada ou os Srs. Adir e Marcello. 36. Aponta a inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN, pois, no mínimo, a imputação de responsabilidade pessoa deveria ter fundamentação diferente da solidariedade; não há nos autos sequer provas de atos de gestão comuns por parte de um sócio como emissão de cheques, assinaturas de contratos, etc. 37. Advogam pela impossibilidade de responsabilização das pessoas pelas multas aplicadas, pois o art. 124, I do CTN diz respeito somente à responsabilidade pela obrigação principal mas nunca pela responsabilização das Recorrentes pela multa, conforme art. 5º, XLV da CF de 1988; e o art. 137, I, II do CTN, determina que a responsabilidade pelas penalidades será apenas do agente que praticou a infração em questão que constitua crime, ou que dependa de dolo específico. 38. Ainda que seja mantida a responsabilização pela penalidade, as Recorrentes não podem responder pela multa qualificada, pois esta decorre de crimes tributários e a penalidade gerada por aquelas infrações não pode passar da pessoa do agente que a cometeu, para terceiros; e mesmo se as condutas não fossem tipificadas como crimes, não poderiam pois dependem do dolo específico. 39. Repetem os argumentos da Autuada sobre decisão recorrida, ter trazido, extemporaneamente, argumento novo à lide, ao sustentar que a multa qualificada decorreria de conduta reiterada e dos valores envolvidos. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 14 13 RECURSOS VOLUNTÁRIO E ADMINISTRATIVO. FOUR'S EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, PÁGS. 1.733/1.769. 40. Mesmo teor que o anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADIR ASSAD. PÁGS. 1.861/1.882. 41. Diz ser impossível a sua responsabilização solidária com base nos arts. 124, I do CTN, que se aplica quando o agente (i) atuar em conjunto com o sujeito passivo; (ii) com o mesmo intuito em relação ao fato gerador; e 135, III do CTN, responsabilização pessoal, se aplica quando o agente (i) praticar atos com excesso de poderes ou infração à lei (ii) for diretor, gerente ou representante do sujeito passivo principal, e mantida pela DRJ, dada a inexistência de quaisquer atos praticados pelo Recorrente nos anos 2009 e 2010; diz que as provas se referem a períodos entre 2008, 2012 e 2013 e não há nop tocante a 2009 e 2010: (i) os emails são de 2008; (ii) as correspondências bancárias e DARFs são de 2008 e 2012; (iii) as guias da Previdência Social são de 2012; (iv) a lista de documentos enviada ao contador é de 2012, e (v) os recortes da revista Veja são de 2012 e 2013. Além de as "provas" expostas no termo de verificação fiscal não se referirem aos anoscalendários de 2009 e 2010 e, portanto, não demonstrarem nada em relação a tais períodos, devese ter em mente que grande parte delas somente trata da empresa Rock Star Marketing Ltda. e Legend Engenheiros Associados Ltda. E ainda mais manifesta a ausência de elo entre o Recorrente e pessoa jurídica autuada quando se nota que a Fiscalização não foi capaz de trazer uma prova sequer de um contato entre ambos. A acusação fiscal remete à responsabilização pessoal e solidária do Recorrente, o que, por sua vez, remete, respectivamente, ao (i) ato com excesso de poderes ou fraude à lei, na condição de gestor e (ii) interesse comum nas condutas que tiveram como consequência os supostos fatos geradores. Com esse retrospecto, a análise das "provas" trazidas no termo de verificação fiscal não deve apenas vincular o Recorrente à pessoa jurídica autuada, mas, sim, e principalmente, demonstrar de forma cabal os atos de gestão ou atos em comum praticados por ele que teriam levado diretamente à fraude imputada à pessoa jurídica autuada. 42. Afirma que o TVF apenas traz assertivas e evidências imprestáveis a demonstrar qualquer fraude; que os emails não se referem a 2009 e 2010, nem ao Recorrente; o domínio utilizado @rstar se refere à Rock Star Marketing Ltda, da qual foi sócio no passado, o que não o vincula à Autuada; a aquisição de suas motocicletas, mencionada no email, cujo valor foi de apenas R$20.000,00, e o depósito de R$1.000,00 pelo capacete Heman, não provam atos seus de gestão na Autuada; a conta Bradesco Jesus se refere a palestra provavelmente ministrada por professor de faculdade, em evento organizado pela Rock Star; correspondências bancárias, e referentes à Legend Eng Associados Ltda, da qual foi sócio em períodos anteriores, não o vinculam à Autuada nem evidenciam atos de gestão ou com excesso de poderes ou contra a lei; Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 15 14 DARFs e Guias de Previdência Social que não são de 2009, nem 2010, só evidenciam o pagamento pela Legend dos tributos do Recorrente; recortes de documentos que provam alguns contatos entre o Recorrente e a Rock Star Marketing Ltda e Legend, não geram responsabilidade solidária ou pessoal; lista de documentos enviados ao contador, sr. Adalberto Palhinha, não estando identificado quem os enviou, quando muito provaria que o Recorrente e a Autuada tinham o mesmo contador; (vi) recortes da revista Veja, diz não é possível que, mesmo se utilizando de provas emprestadas de um processo criminal (não concluído), resultante de uma operação com quebra de todos os sigilos possíveis e imagináveis de todos os suspeitos, a Fiscalização só conseguiu uma meia dúzia de recortes de correspondências bancárias, emails sobre assuntos triviais e algumas reportagens da Revista Veja; sobre a notícia de que o Recorrente teria admitido que as empresas são suas, na verdade, o recorrente não quis "dar entrevista"; que a Veja é veículo de comunicação que ataca qualquer cidadão que não seja da extrema direita; as reportagens são incapazes de demonstrar ato de gestão do Recorrente ou interesse comum, e muito menos a prática de atos de gestão com o dolo específico capaz de gerar responsabilização pessoa ou solidária; 43. Conclui que não há fundamento para a responsabilização solidária e pessoal, dada a fragilidade dos elementos apresentados; que, magicamente, de uma extensão @rstar se concluiu por um grupo econômico Grupo Rockstar controlado pelo Recorrente, o que caracteriza um salto indutivo; a fiscalização não vinculou as "provas" do TVF ao Recorrente. 44. Aponta inaplicabilidade da multa qualificada devido à omissão de receitas, porém sem comprovar a ocorrência de dolo do Recorrente ou fraude, aplicandose, portanto a Súmula nº 14 do CARF; que não foi demonstrado dolo específico do Recorrente 45. Contesta o agravamento da multa de ofício, porque a Autuada não teria prestado esclarecimentos à Fiscalização; justifica que as intimações foram dirigidas apenas à pessoa jurídica Autuada; e que o agravamento, foi, acertadamente, afastado pela DRJ. 46. Requer o cancelamento da sua responsabilização solidária. RECURSO VOLUNTÁRIO. SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, PÁGS. 1.836/1.849. 47. Descreve que se refere a auto de infração contra a empresa Soterra (sic), houve equívoco tanto nos dados incertos e não comprovados, como nas razões trazidas para sua indevida inclusão no pólo passivo e o ônus probatório não foi cumprido. 48. Destaca que é sociedade com finalidade específica e independência financeira desde que foi constituída; não mantém contrato de serviços com nenhuma outra empresa e é administrada pelos atuais sócios; aponta inexistência de provas de vínculo financeiro ou negocial entre as referidas empresas, não estando justificada a equivocada mutação subjetiva do pólo passivo da obrigação tributária e suscita preliminares. 49. "ii.a." Questão de Ordem Pública: Da equivocada e insubsistente inclusão da pessoa jurídica Recorrente na sujeição passiva inexistência de provas o ordenamento jurídico não permite falsa presunção absoluta de dolo"com base no art. 124, I do CTN, pois a Recorrente teve sua constituição e patrimônio formados há quase 30 (trinta) anos antes da ocorrência do suposto fato gerador; (fruto do trabalho dos sócios, Dra Sônia Regina Assad, Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 16 15 psicóloga e seu esposo sr. Adir Assad, marketing); inexiste vínculo, nenhuma movimentação financeira ou comercial com a Autuada nem interesse comum e o dolo não pode ser presumido. 50. "iii" Da ilegal responsabilização tributária solidária indevida inclusão da Recorrente na sujeição passiva do crédito tributário limites da obrigação tributária solidária", pois as "provas" nos autos não trazem qualquer liame de relação jurídica, contábil ou financeira entre a Autuada e a Recorrente; a presunção de que o pai das sócias, exsócio da Santa Sônia, teria vínculo com a fiscalizada é frágil e insubsistente e a conclusão fiscal extrapolou os limites de extensão da responsabilidade tributária do art. 124, I do CTN. 51. "ív" Da insubsistência e ausência de razoabilidade na inclusão da Recorrente na condição de sujeito passivo do auto de infração pessoa jurídica estranha à relação fiscal", apenas fatos que trazem dados incertos de 2008 a 2010, sem significância ou referência, tornando ilegal e desproporcional a inclusão da Recorrente no pólo passivo; a simples transferência de uma sociedade constituída em 1988, em 2012, não é prova para tanto; o fato de os bens do casal Assad se encontrar registrada nesta empresa não evidencia o vínculo. 52. "v" inexistência de relação jurídica entre a Recorrente e a contribuinte autuada ilegalidade e ausência de provas", que a origem lícita do patrimônio da Recorrente é inquestionável, tem função meramente patrimonial, e não se configurou qualquer hipóteses de responsabilização solidária; que mesmo a ação fiscal sendo baseada em documentos e informações colhidos de forma ilegítima, de que a Recorrente sequer teve ciência, tais provas nada comprovam, tratandose de equívocos e presunções. 53. "vi" Da ausência de comprovação e condição à imputação da responsabilização solidária da Recorrente a solidariedade não pode ser presumido, sua inclusão fere o princípio da legalidade, ferindo o art. 5º, II da CF de 1988 e art. 121 do CTN; tratase de caso de ilegitimidade passiva da Recorrente a responder pelo presente processo administrativo face a inocorrência de hipótese de responsabilidade solidária, sem qualquer direito de defesa, tendo sido cientificada por Edital; não se evidenciaram as condições: (i) que a Recorrente tenha praticado ato jurídico tributário em conjunto com o contribuinte; (ii) que tenha desfrutado do resultado da suposta sonegação fiscal. 54. Destaca: 48) No caso em testilha, não há qualquer prova de que a Recorrente agiu em conjunto com a empresa fiscalizada para dar azo ao fato jurídico tributário. Não há nos autos qualquer documento capaz de comprovar qualquer ação da Recorrente relacionada à ausência de recolhimento dos tributos exigidos. 49) Também não há qualquer prova de que a Recorrente desfrutou dos resultados da empresa fiscalizada. Já foi demonstrado que o patrimônio da Recorrente é muito anterior ao dos presentes fatos geradores. 50) Ademais, se houvesse qualquer transferência de patrimônio da empresa fiscalizada para a Recorrente, a Fiscalização conseguiria provar tal transferência uma vez que há nos autos todas as transações financeiras da empresa fiscalizada, obtidas por meio de Requisições de Movimentação Financeira. 51) Por fim, importante destacar que a afirmação da Fiscalização no sentido de que "o produto da sonegação de tributos foi utilizado na aquisição e construção deste patrimônio" está totalmente desamparada de provas. Não há Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 17 16 dúvida de que à Fiscalização não bastaria fazer tal afirmação sem comprovála devidamente. 55. Requer seja acolhido e provido o recurso, para que seja excluída da responsabilização solidária da obrigação tributária; alternativamente, seja reconhecida a nulidade do processo administrativo em razão da inocorrência de intimação da Recorrente para exercício de pleno direito de defesa e afronta aos princípios constitucionais, determinando o retorno dos autos à autoridade fiscal a fim de que demonstre com fundamente e comprove as razões para a inclusão da Recorrente no auto de infração; produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive a realização de sustentação oral perante este E. Conselho Administrativo. RECURSO VOLUNTÁRIO. MARCELLO JOSÉ ABBUD, PÁGS. 1.722/1.728. 56. Que, considerando que o Recorrente nunca figurou no quadro de sócios da SP Terraplenagem Ltda., jamais poderia sequer ter concorrido para qualquer ilegalidade relacionada ao não recolhimento do tributo, o que, afasta a sua responsabilidade pessoal em relação aos débitos tributários sob comento. 57. No termo de verificação fiscal e na decisão recorrida, são reservados ao Recorrente apenas dois parágrafos (10.15.1 e 10.15.2 do TVF e fl. 1.599 da decisão recorrida), nos quais o Fisco limitase a afirmar que foi sócio da Legend Engenheiros Associados Ltda. até 12/12/2007. Em outras palavras, não há qualquer prova de ingerência do Recorrente sobre a empresa autuada; e destaca que, como reconhecido pelo próprio TVF, retirouse do quadro societário da empresa Legend em 12/12/2007, ou seja, antes dos fatos geradores que deram origem à presente cobrança (2008). 58. Como nos termos do art. 135, III, do CTNl, somente serão passíveis de responsabilidade dos débitos decorrentes da pessoa jurídica os diretores, gerentes ou representantes que tiverem agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, evidenciase a impossibilidade da sua responsabilização solidária. 59. Advoga que o Recorrente não pode responder pela multa qualificada, pois esta decorre de crimes tributários e a penalidade gerada por aquelas infrações não pode passar da pessoa do agente que a cometeu, para terceiros; e mesmo se as condutas não fossem tipificadas como crimes, não poderiam pois dependem do dolo específico. 60. Advoga que o Recorrente não pode responder pela multa qualificada e aponta a inaplicabilidade devido à omissão de receitas, porém sem comprovar a ocorrência de dolo do Recorrente ou fraude, aplicandose, portanto a Súmula nº 14 do CARF; pois que não foi demonstrado dolo específico do Recorrente. 61. Em sede de sustentação oral, na sessão de julgamento no CARF, em 16/08/2017, o patrono apresentou, adicionalmente, a seguinte petição: Considerando a narrativa do Termo de Verificação Fiscal, há prática de conduta de fraude em razão de nota fiscais sem lastro e respectivo recebimento. Consta que as empresas tomadoras dos serviços e beneficiárias das notas fiscais e dos valores em devolução, receberam de volta os valores pagos, tendo sido beneficiadas e, portanto, Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 18 17 encontramse materialmente envolvidos nos fatos e condutas apontadas como fraudulentas e, assim, com interesse jurídico e processual, na qualidade de responsáveis solidárias e litisconsortes. Por outro lado, as empresas que receberam as notas fiscais estão sendo cobrados pelos mesmos fatos e valores pela Receita Federal, o que implica a possibilidade de terem os tributos sido recolhidos por aludidas empresas e, nos termos do artigo 125, inciso I e II, do CTN, o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita os demais. Em razão do exposto, requer seja convertido em diligência o julgamento, determinandose a inclusão como solidárias, das empresas beneficiárias das notas fiscais. Na hipótese de não acolhimento, requer seja expedido ofício à Receita Federal, a fim de informarem acerca da existência de autuação pelos mesmos tributos objeto da autuação sujeita a julgamento nesta data, evitandose bis in idem e satisfação em duplicidade pelo Fisco Federal. Voto Conselheira Eva Maria Los Relatora 1 Recurso de Ofício. 62. A redução do valor do imposto e contribuições, mais multa de ofício, foi em valor superior a R$2.500.000,00, e o recurso de ofício deve ser conhecido, haja vista a Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, que estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), e que entrou em vigor na data da publicação no Diário Oficial de União em 10/02/2017. 2 Contexto. 63. Os Recorrentes acusam que não há prova de dolo, fraude e de responsabilidade solidária em relação à omissão de receitas objeto da autuação e que os poucos documentos trazidos aos autos são provas frágeis. 64. Por isso, cabe iniciar a análise a partir do contexto em que se deu a ação fiscal. 65. Consta do TVF, pág. 1.188, que: 10.6. Como é de conhecimento público, o Congresso Nacional criou, nos termos do § 3o do art. 58 da Constituição Federal, combinado com o art. 21 do Regimento Comum do Congresso Nacional, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar práticas criminosas do senhor Carlos Augusto Ramos, conhecido vulgarmente como Carlinhos Cachoeira, Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 19 18 desvendadas pelas operações "Vegas" e "Monte Carlo", da Polícia Federal. 10.7. Esta Comissão encerrou seus trabalhos no dia 19/12/2012, com a apresentação do Relatório Final pelo Relator da CPMI Sr Deputado Odair Cunha, documento este de caráter público. Nesta CPMI apurouse a existência de uma série de "empresas controladas por interpostas pessoas", apontadas pela Polícia Federal, pela imprensa, pelos relatórios do COAF Conselho de Controle de Atividades Financeiras, e confirmadas pelos diversos documentos e provas aqui relatados, como destino de recursos financeiros de diversas grandes empresas. Dentre as empresas apontadas pela CPMI como "constituídas por interpostas pessoas", encontrase na jurisdição da Delegacia da Receita Federal de Barueri / SP a empresa: SP Terraplenagem Ltda ME. CNPJ: 09.503.787/000189. (...) 10.9. Em 01/10/2013 a Polícia Federal deflagrou uma ampla operação baseada nas investigações primárias da CPMI do Cachoeira, com ampla cobertura da mídia nacional, chamada "Operação Saqueador", com busca e apreensão dentre outros locais nas empresas de fachada controladas pelo Sr Marcello Jo´se Abbud e Adir Assad em São Paulo. 10.11. Conforme relatos que inserimos abaixo retirados da decisão judicial proferida pelo MM. Juiz Federal Substituto no exercício da Titularidade da 7â Vara Federal Criminal da Capital / RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, no processo n° 080231542.2013.4.02.5101, este magistrado também chegou às mesmas conclusões apresentadas por esta auditoria e pelo trabalho no Congresso nacional com a apresentação do Relatório Final da CPMI do Cachoeira, que todas estas empresas estão vinculadas direta ou indiretamente aos empresários MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD, e tiveram a participação ativa nos seus negócios das outras pessoas físicas aqui citadas, das irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO M ALAGO. (...) Quadro 16 Decisão Judicial Processo n° 0802315 42.2013.4.02.5101 1.2 Empresas criadas em São Paulo. Conforme já dito, em São Paulo as empresas criadas estão supostamente ligadas aos Senhores ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, tendo sido, até o momento, verificadas as seguintes empresas: 1. Empresas com sede na Rua Estados Unidos, 351, Jardim São Luiza, Santana de Parnaíba/SP 1.1 S.P Terraplenagem Ltda (Recursos transferidos da Delta: mais de RS 46,4 milhões) 66. No site: legis.senado.leg.br/comissao?1&codcol=10589, podese acessar a CPMIVEGAS CPMI Vegas (Cachoeira 2012, cujo relatório consta em: Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 20 19 http://legis.senado.leg.br/sdleggetter/documento?dm=4643255&disposition=inline, e que conclui por remeter os documentos colhidos para o Ministério Público Federal e Polícia Federal, para continuidade das investigações. 67. No Relatório do dep. Odair Cunha (relator) (http://legis.senado.leg.br/sdleg getter/documento?dm=4643030&disposition=inline) consta: a. págs. 186/187: ii) ADIR ASSAD 28a Reunião 28/08/2012 Empresário, Adir Assad é apontado pelas investigações da Polícia Federal como proprietário de 'empresas laranjas' que teriam recebido dinheiro da construtora Delta. Compareceu à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) Vegas/Monte Carlo em atendimento à aprovação dos requerimentos 644, do Sr. Senador Alvaro Dias (PSDBPR), 516 e 637, de autoria, respectivamente, dos Srs. Deputados Federais Luiz Pítiman (PMDBDF) e Filipe Pereira (PSCRJ). Em suas justificativas para a convocação, o Senador Álvaro Dias afirma que há uma série de ligações entre o Sr. Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e a empresa Delta Construções, que envolveram também o Sr. Adir Assad. De acordo com o requerimento, várias das empresas de fachada que receberam recursos da Delta seriam de propriedade de Assad, e, juntas, essas empresas receberam mais de R$ 140 milhões da construtora: maior distribuidora de recursos da Organização Criminosa. Na mesma linha, o requerimento do Sr. Deputado Federal Luiz Pitiman alude ao repasse de recursos para empresas fantasmas de propriedade do Sr. Adir Assad. Entre essas empresas, o requerimento menciona a Legend Engenheiros Associados, Rock Star Marketing e SM Terraplanagem. Para o Sr. Deputado Federal Filipe Pereira, tornase imprescindível para a continuidade dos trabalhos desta CPMI a convocação do Sr. Adir Assad, proprietário de várias empresas de terraplanaqem, entre elas a JSM Terraplanaqem Ltda., e a SP Terraplanaqem Ltda., que teriam feito várias transações com a Delta Construções. Adir Assad compareceu à CPMI amparado pelo Habeas Corpus n° 114.929, concedido pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), não fez uso de sua fala inicial e anunciou que permaneceria calado ante aos questionamentos dos integrantes da Comissão. Assim, o Presidente, Sr. Senador Vital do Rêgo (PMDBPB), dispensou Adir Assad sem que lhe fossem dirigidas perguntas. b. pág. 1.067 Tais empresas são na verdade vinculadas a ADIR ASSAD. ADIR ASSAD e seus sócios MARCELLO JOSE ABBUD e MAURO JOSE ABBUD estariam por trás de um conjunto de empresas fantasmas identificadas que receberam vultosas quantias de recursos da DELTA CONSTRUÇÕES S/A. Pertenceriam também ao grupo as seguintes empresas: Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 21 20 o LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA.; o LEGEND SUPLIERS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.; o ROCK STAR MARKETING COMUNICAÇÃO LTDA.; o ROCK STAR MARKETING PROMOÇÕES E EVENTOS LTDA.; o ROCK STAR PRODUÇÕES COMERCIO E SERVIÇOS LTDA.; o ROCK STAR ENTERNAIMENT LTDA.; o S.M. TERRAPLENAGEM LTDA.; o DREAM ROCK ENTRENIMENTO LTDA.; o ABRIC HOLDING LIMITED; o SANTA SÔNIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA.; o SOLU TERRAPLANAGEM LTDA.; o STAR CONSULTORIA AERONÁUTICA LTDA.; o PREST SERVIÇOS LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS LTDA.; o POWER TO TEN ENGENHARIA LTDA.; o S.P. TERRAPLENAGEM LTDA; Também as empresas constantes das SEQ. 3, SEQ. 4, SEQ. 5 e SEQ. 6 possuem endereços similares e pertenceriam ao grupo De ADIR ASSAD, conforme abaixo: (...) c. pág. 1.076: O nome do empresário ADIR ASSAD e de seu sócio, Marcello José Abbud, surgiram no âmbito desta CPMI após edição da revista "Veja" publicada no dia 30/06/2009, que apontou repasses da empresa DELTA/SA a sete empresas de fachada no valor de R$ 93 milhões, entre janeiro de 2010 e julho de 2011, em razão de serviços jamais prestados a empresa. A matéria fundamenta num relatório do COAF (órgão de inteligência financeira federal), cujo teor não foi conhecido por esta CPMI, uma vez que o documento não foi juntado ao acervo de documentação oficial, revelou que a constituição das mesmas foi feita em nome de "laranjas", entre o período de 2008 a 2010. d. pág. 1,082: Outro dado importante é o fato do contador da empresa em tela, ADALBERTO PALHINHA MARTINS CPF: 024.570.67804, também ser o contador de um rol de empresas que, de algum modo, são ligadas ao empresário ADIR ASAAD, quais, sejam: DREAM ROCK ENTRETENIMENTO LTDA. CNPJ: 10.228.190/000152, ENGENHARIA, TERRAPLENAGEM E LOCACAO DE EQUIPAMENTOS SDS LTDA. CNPJ: 10.444.576/000100, E S B ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA. CNPJ: 07.065.989/000160, LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA. CNPJ: 07.794.669/000141, POWER TO TEN ENGENHARIA LTDA. CNPJ: 09.485.858/000168, ROCK STAR ENTERTAINMENT LTDA. CNPJ: 04.853.097/000136, ROCK STAR MARKETING LTDA. CNPJ: 07.829.493/ 0001 16, ROCK STAR MARKETING, PROMOCOES E EVENTOS Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 22 21 LTDA. CNPJ: 10.354.248/000104, ROCK STAR PRODUCOES, COMERCIO E SERVICOS LTDA. CNPJ: 05.298.439/000166, S.M. TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 07.829.451/000185, SWA ASSESSORIA EMPRESARIAL E PROMOCAO DE EVENTOS LTDA. – CNPJ: 10.944.433/0001 59. Importante constar que o exsócio, MARCELLO JOSE ABBUD, permaneceu na sociedade no período de 18/01/2006 a 12/12/2007, e de igual modo, permaneceu no quadro societário da empresa JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 10.361.606/000106, entre o período de 11/09/2008 a 26/02/2010, e, ainda, constou na sociedade, como sócio da empresa POWER TO TEM ENGENHARIA LTDA. CNPJ: 09485856000168, no período de 23/03/2009 a 12/04/2010. Outro dado que importa consignar é que, muito embora MARCELLO JOSE ABBUD tenha deixado o quadro societário da empresa LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA., seu irmão, MAURO JOSE ABBUD CPF/CNPJ: 076.439.308 13, permanece no quadro societário desde 12/12/2007 e ainda permanece na sociedade da empresa POWER TO TEM ENGENHARIA LTDA. CNPJ: 09485856000168, desde 03/03/2008. Consta ainda no quadro da empresa, a sócia SÓNIA MARIZA BRANCO CPF/CNPJ: 030.455.88859, que ingressou na sociedade em 23/03/2009. SÓNIA consta ainda como sócia das empresas S.M. TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 07.829.451/000185, desde 22/08/2005, SOTERRA TERRAPLENAGEM E LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA. CNPJ: 10.447.939/000152 S.P. TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 09.503.787/000189, desde 03/03/2008. Importante desde já consignar que SÔNIA é irmã de SANDRA MARIA BRANCO MALAGO CPF/CNPJ: 903.957.35815 e SUELI MARIA BRANCO, CPF/CNPJ: 036.326.84804, sócias em diversas empresas ligadas ao empresário ADIR ASSAD, conforme a seguir demonstrado. e. pág. 1.098: A empresa SP. TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 09.503.787/000189 constituída em 03/03/2008, segundo dados cadastrais, está sediada na RUA ESTADOS UNIDOS 351 JD SAO LUIZ 6502255 SANTANA DE PARNAIBA mesmo endereço da empresa POWER TO TEN ENGENHARIA LTDA. CNPJ: 09.485.858/000168. A empresa, atualmente, ativa, tem como finalidade econômica obras de terraplenagem, sendo o seu capital social de R$ 200.000, 00 (duzentos mil reais) e tem, como sócio responsável, SONIA MARIZA BRANCO CPF/CNPJ: 030.455.88859 17/08/2005. Ressaltase que, desde a sua criação, a empresa jamais teve qualquer funcionário, conforme informação da Relação Anual de Informações Sociais RAIS. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 23 22 f. pág. 1.086: A empresa ROCK STAR MARKETING LTDA CNPJ: 07.829.493/000116, (...) tendo como responsável SÔNIA MARIZA BRANCO CPF:030.455.88859. Importante registrar que ADIR ASSAD permaneceu no quadro societário da empresa entre o período de 17/08/2005 a 29/08/2007. (...) Notase que as irmãs SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, CPF: 903.957.35815 29/08/2007, e SÔNIA MARIZA BRANCO CPF/CNPJ: 030.455.88859 17/08/2005, atuais sócias da empresa em comento, possuem outra irmã, SUELI MARIA BRANCO, CPF: 03632684804, que trabalhou na mesma empresa, como supervisora de telemarketing e atendimento, no período de 2008 a 2009. Em discrepância ao que foi dito, verificouse que SUELI é sócia da empresa ENGENHARIA, TERRAPLENAGEM E LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS SDS LTDA. CNPJ: 10.444.576/000100, tendo ingressado em 26/02/2010, tendo ainda participado no quadro societário das empresas POWER TO TEN ENGENHARIA LTDA. CNPJ: 09.485.858/000168, no período de 12/04/2010 a 03/01/2012, e na empresa SERVIÇOS DE TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 11.847.782/000115, no período de 18/03/2010 a 01/08/2011. Ainda com relação ao parentesco vale informar que SÔNIA MARIZA BRANCO, sócia da empresa, é mãe de SYBELI COELHO, CPF: 17434156805, que parece no quadro societário da empresa Rock Star Produções Comércios e Serviços LTDA. CNPJ: CNPJ: 10.354.248/000104, no período de 27/08/2008 a 01/08/2011. Numa análise do quadro societário, individual ou concomitante, se verifica a presença das já mencionadas irmãs SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SÔNIA MARIZA BRANCO, sócias das empresas JSM ENGENHARIA E TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 10.361.606/000106, LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS LTDA. CNPJ: 07.794.669/000141, ROCK STAR MARKETING LTDA. CNPJ: 07.829.493/000116, SOTERRA TERRAPLENAGEM E LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA. CNPJ: 10.447.939/000152, SP. TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ: 09.503.787/000189. Em análise do sigilo bancário da empresa DELTA CONSTRUÇÕES S/A CNPJ: 10788628000157 verificouse que a empresa em tela recebeu R$ 9.391.925, 26 (nove milhões trezentos e noventa e um mil novecentos vinte e cinco reais e vinte e seis centavos), no período entre 09/10/07 a 29/09/08. g. pág. 1.111: Conforme se verifica na Tabela e Gráfico, as empresas do Grupo ADIR ASSAD receberam de empresas investigadas (período de 2007 a 2012). O Grupo ADIR ASSAD recebeu da empresa DELTA CONSTRUÇÕES S/A aproximadamente R$265.000.000,00 (duzentos e sessenta e cinco milhões de reais), o que equivale à quase totalidade de todos os repasses realizados pelas empresas investigadas. Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 24 23 A transação financeira identificada que demonstra um vínculo indireto do grupo ADIR ASSAD com a organização criminosa comanda por CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS é uma operação ocorrida entre a FLEXAFACTORING e a SP TERRAPLENAGEM, em que esta credita na conta daquela o valor de R$ 50.000, 00 Lembrese que, no tópico referente às factorings, demonstrouse o repasse de recursos entre a FLEXAFACTORING, empresa sediada no Rio de Janeiro, e uma empresa da ORGCRIM, mais especificamente a BRAVA CONSTRUÇÕES. Dessa forma, podese identificar a seguinte relação:(...) 68. Apesar de os Recorrentes alegarem que noticiário na imprensa não é prova, é pertinente tomar conhecimento de algumas notícias, especialmente porque a CPMI foi instituída em razão de notícia publicada na revista Veja. 69. fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/fernandocavendishcarlinhoscachoeiraadir assadsaoalvosdeoperacaodapfmpf19612877 30/06/2016 RIO O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta quintafeira a "Operação Saqueador" para cumprir cinco mandados de prisão em São Paulo, Rio e Goiás. Entre os alvos estão o expresidente da empreiteira Delta Construções Fernando Cavendish, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e o empresário Adir Assad, que já foi condenado na Operação LavaJato. Cachoeira e o exdiretor da Delta, Cláudio Abreu, foram presos em Goiânia e levados em comboio até o aeroporto, de onde seguiram para o Rio. (...) De acordo com investigação do MPF, 96,3% do faturamento da Delta entre os anos de 2007 a 2012 era oriundo de verbas públicas, totalizando um montante de quase RS 11 bilhões. Os procuradores afirmam que mais de RS 370 milhões foram lavados por meio de 18 empresas de fachada. Os responsáveis pela criação delas foram Cachoeira, Assad e Abbud. Por meio de contratos fictícios, as empresas fantasmas lavavam os recursos públicos. Os recursos eram sacados em espécie para o pagamento de propina a agentes públicos para impedir o rastreamento das verbas. (...) COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA, SEGUNDO O MPF Delta Construções (Fernando Cavendish) Entre 2007 e 2012, teve 96,3% do seu faturamento oriundo de verbas públicas, chegando ao montante de quase R$11 bilhões. Desse total, mais de R$ 370 milhões foram lavados, por meio de pagamento ilícito a 18 empresas de fachada, criadas pelos chamados "operadores" do esquema. Essas empresas fantasmas foram criadas por Carlinhos Cachoeira, Adir Assad e Marcelo Abbud. CARLINHOS CACHOEIRA, Foi preso na Operação Monte Carlo, sob acusação de comandar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal em Goiás. Também foi alvo de CPMI no Congresso. Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 25 24 ADIR ASSAD Foi condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa na Operação LavaJato, mas estava em prisão domiciliar desde dezembro do ano passado. MARCELO ABBUD, Agia junto com Adir Assad. Seu nome já aparecia na CPMI do Cachoeira, instalada no Congresso. As empresas fantasmas lavavam os recursos públicos por meio de contratos fictícios. Os valores eram sacados em espécie para o pagamento de propina a agentes públicos, impedindo o rastreamento das verbas. 70. fonte: http://veja.abril.com.br/brasil/comofuncionaarededecorrupcaodeadir assadreidoslaranjasedoscaixasdecampanha2/ Brasil Como funciona a rede de corrupção de Adir Assad, rei dos laranjas e dos caixas de campanha Empresáriofantasma faturou 1 bilhão de reais com um serviço valioso: corrupção e financiamento clandestino de candidatos. Entre seus clientes, estão as maiores empreiteiras do país, bancos, consórcios, consultorias, concessionárias e muitos amigos do poder... Por Alana Rizzo, Daniel Pereira e Rodrigo Rangel 30 jun 2016, 17h40 O empresário Fernando Cavendish, PROPINA excontrolador da Delta, a maior cliente de Adir Assad, pagou quase meio bilhão de reais às empresasfantasma. Durante as investigações da CPI do Cachoeira, em 2012, ele confidenciou que o dinheiro tinha os políticos como destino (Sergio Lima/Folhapress/VEJA/VEJA) Reportagem originalmente publicada em 14 de dezembro de 2013 em VEJA O empresário paulista Adir Assad é uma pessoa conhecida no ramo do entretenimento. Durante décadas, ele trabalhou na captação de patrocínios para shows e espetáculos. (...) trocou o ramo dos eventos pelo de engenharia. Mais especificamente, aquela engenharia perversa que garante o repasse de dinheiro, sob a forma de propina e caixa dois eleitoral, a servidores públicos e políticos corruptos. A mudança de área de atuação teve efeitos imediatos. O faturamento das empresas de Assad cresceu 574 vezes em quatro anos, ele enriqueceu e, de quebra, trocou o noticiário de celebridades pelo policial, sob a suspeita de coordenar um esquema de distribuição clandestina de recursos estimado em 1 bilhão de reais. Formado em engenharia civil, Assad contribuiu para o fim melancólico da CPI do Cachoeira. Criada pelo PT para atacar instituições que investigaram e denunciaram o mensalão, a comissão passou a aterrorizar os políticos, inclusive os petistas, depois de VEJA revelar que a empreiteira Delta, até então a principal fornecedora da União, usava uma extensa rede de empresasfantasma para pagar propina a servidores públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais. Assad era peça vital dessa engrenagem. Suas empresas de engenharia e terraplenagem recebiam da Delta grandes quantias, que depois eram sacadas na boca do caixa e repassadas aos beneficiários Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 26 25 finais. Coube ao próprio dono da Delta, Fernando Cavendish, relatar esse esquema a parlamentares. Na conversa, Cavendish disse que não apenas a Delta mas companhias de diversos setores usavam o laranjal de Assad para remunerar funcionários públicos e políticos. O recado era claro. Todos, empresários e autoridades, perderiam se o esquema fosse investigado a fundo. Todos deixaram o esquema de lado. Em agosto do ano passado, VEJA mostrou que as firmas de Assad haviam recebido mais de 200 milhões de reais da Delta e de outras empreiteiras. Agora, descobrese que o valor é muito maior. A contabilidade das empresas de Assad revela que elas receberam 1 bilhão de reais, entre 2006 e 2013, de 134 clientes, como empreiteiras, bancos, usinas de energia, empresas de logística, incorporadoras e concessionárias de rodovias. Quase metade dos clientes (cinquenta) são empreiteiras e empresas da construção civil, que juntas desembolsaram 750 milhões de reais. A evolução do faturamento de Assad acompanha a escalada da Delta no ranking de fornecedores da União. Em 2006, as firmas do empresário faturaram 660 800 reais. Em 2010, ano de eleições gerais, 379 milhões de reais. Delta e Assad compartilham de outras coincidências. Entre as clientes do laranjal do empresário figura a Sigma Engenharia. Tratase daquela empresa comprada por Cavendish que contratou o mensaleiro José Dirceu como consultor. Foi justamente numa conversa com seus exsócios da Sigma que Cavendish contou que o segredo para abocanhar contratos públicos era pagar propina e comprar políticos. A frase é célebre: “Se eu botar 30 milhões na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…'”. Integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal suspeitam que Assad seja o instrumento para botar os tais milhões na praça. Por uma simples razão. Quem contrata as empresas de Assad não espera que elas realizem serviços de engenharia e terraplanagem. Quer apenas usálas para dificultar o rastreamento do dinheiro que sairá da iniciativa privada para os bolsos de servidores públicos, políticos e candidatos. É sintomático o fato de as firmas de Assad serem consideradas fantasmas. Parte delas tem como sede uma casa vigiada por um pitbull e um sobrado maltratado. No início, o próprio Assad aparecia como sócio de algumas firmas. Depois, foi transferindoas para os chamados “laranjas”, como os manuais da corrupção definem aqueles que emprestam o nome para esconder a identidade dos verdadeiros donos do negócio. Os escolhidos, quase sempre, eram seus funcionários e agregados, como o casal Jucilei dos Santos e Honorina Lopes. Há poucos meses, uma parte das empresas de Assad foi declarada inapta pela Receita Federal. O motivo: “localização desconhecida”. Apesar do faturamento bilionário, as empresas também não têm empregados registrados e contam com o serviço dos mesmos contadores. Atualmente, Assad banca os custos de defesa de seus laranjas. Dinheiro não deve ser problema para ele. Como operador do esquema, ele ganhava até 10% do valor da nota emitida. (...). Na semana passada, ficaram prontos os primeiros laudos contábeis Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 27 26 do inquérito da Delta. “É um caso muito sensível que pode respingar em muita gente poderosa”, disse a VEJA um dos investigadores. E pode mesmo. No auge da CPI do Cachoeira, senadores do PT lembraram, numa reunião fechada, que Assad tinha “ramificações” no partido em São Paulo. Investigálo seria dar um tiro no pé. Idêntica preocupação correu outros gabinetes da Câmara. Para impedir a apuração do laranjal, o PT tentou reforçar seu time na CPI. Expresidente do partido, o deputado Ricardo Berzoini foi escalado como suplente do inexpressivo deputado Sibá Machado. O PT ainda tentou convencer o PMDB a lhe abrir vagas na CPI. Em vão. O PMDB também estava preocupado com o governador Sérgio Cabral, amigo de Cavendish, e com o destino de deputados peemedebistas eleitos pelo Rio. “A investigação poderia respingar em todo mundo, de todos os partidos e de várias empreiteiras. A preocupação era generalizada”, lembra um deputado petista. A lista de clientes de Assad justifica plenamente o arquivamento do caso no Congresso. Além de grandes empreiteiras, despontam na relação dois amigos do peito do expresidente Lula. Queridinha do governo passado, a JBS pagou 1 milhão de reais a uma empresa de Assad em julho de 2010, véspera da eleição. Berzoini, o reforço petista, sabia disso. Já a usina São Fernando Açúcar e Álcool desembolsou 3 milhões de reais para Assad em 2011. O dono da usina é José Carlos Bumlai, (...) A palavra final, no entanto, será dada pelas autoridades que investigam o caso, que têm boas pistas para chegar aos beneficiários do dinheiro. (...) Colaboraram Hugo Marques e Adriano Ceolin 71. Fonte: http://politica.estadao.com.br/blogs/faustomacedo/empresasdefilhosde yunespagaramr12milhaoparaoperadordepropinadalavajato/ As empresas de Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes, todas ligadas a Yuny Incorporadora, aparecem em 113 transações com a SM Terraplanagem e em 28 operações com a Legend Engenheiros. Fabio Serapião, Beatriz Bulla e Julia Affonso 08 Março 2017 | 23h00 A quebra de sigilo das empresas do operador de propina Adir Assad revela que empresas dos filhos de José Yunes, amigo e ex assessor de Michel Temer, pagaram ao menos R$1,2 Milão para firmas de fachada. As empresas de Marcos e Marcelo Mariz de Oliveira Yunes, todas ligadas a Yuny Incorporadora, aparecem em 113 transações com a SM Terraplanagem e em 28 operações com a Legend Engenheiros. Entre 27 de maio de 2010 e 24 de novembro de 2011, as empresas de empreendimentos imobiliários Yuny repassaram R$ 976 mil para a SM. Para a Legend foram outros R$ 235 mil no período de dezembro de 2008 até agosto de 2010. Do grupo Yuny, repassaram valores às empresas de Assad a Yuny GTIS Leopoldo, Yuny GTIS Abell, Yuny VCEP, Yuny Pirap Empreendimentos, Yuny Vila Romana, Yuny Apollo, Yuny Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 28 27 Polaris Participações, Yuny Gemini, Yuny Halley Participações, Yuny Vila Carrão e Ynuy GTIS Atillio Innocenti. 72. fonte: http://www.valor.com.br/politica/4950900/documentosdaoasmostram propinader17milhoesnorodoanelemsp; em 27/04/2017: (...)Na LavaJato foram identificados pagamentos de R$ 4,6 milhões do Consórcio Rodoanel Sul 5, responsável pelo trecho 5, na conta de uma das empresas de fachada de Adir Assad, a Legend Engenheiros. O OAS era a líder do consórcio. 73. Fonte: http://g1.globo.com/riodejaneiro/noticia/empresariopresonalavajatodiz tergeradosozinhor17bilhaoempropina.ghtml, em 09/08/2017: Empresário preso na Lava Jato diz ter gerado, sozinho, R$ 1,7 bilhão em propina Adir Assad esmiuçou esquema criminoso para obter vantagens em obras públicas. Empresa de terraplanagem do empresário nunca removeu um grão de areia. Propina era chamada de 'lasanha'. 3 Preliminares de Nulidade. 74. A Autuada pleiteia a nulidade dos autos porque ilícita a autuação baseada em informações bancárias obtidas sem autorização judicial; os responsáveis solidários pleiteiam nulidade apontando erro na identificação do sujeito passivo; falta de intimação do(s) titular(es) da conta depósito; erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador; erro na identificação da alíquota; erro na identificação da matéria tributável e do fato gerador; vicio de motivação (consideração das Notas Fiscais emitidas pela "empresa de fachada") e inconsistência lógica do auto de infração, e em razão da inocorrência de intimação para exercício de pleno direito de defesa e afronta aos princípios constitucionais, pois durante a fiscalização somente a pessoa jurídica foi alvo das intimações. 75. A argumentação de que os titulares das contas de depósito não teriam sido intimados, é no sentido de que, se a tese é que havia sócios "de fato" e os oficiais eram "de fachada", então cabia intimar os primeiros contudo, verificase: Termo de Intimação Fiscal cientificado a Sônia Mariza Branco, págs. 936/964, em 31/07/2014; Sandra Maria Branco Malago, em 31/07/2014, via AR, págs. 966/994; Adir Assad, pág. 16025, AR com anotação "Mudouse", datado de 31/07/2014, e ciência via Edital em 19/08/2014, pág. 1.026; Marcello José Abbud, em 31/07/2014, pág. 1.056 de onde se evidencia a improcedência da reclamação 76. Tais fatos não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulo tal ato. 77. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 29 28 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 78. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 79. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 80. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. 81. E os argumentos listados serão analisados no mérito do lançamento fiscal. 4 Preliminar de decadência. 82. Advogam adicionalmente a decadência dos lançamentos fiscais relativos a fatos geradores anteriores a 5 (cinco) anos antes de 09/2014, porque a ciência dos Autos de Infração foi neste mês e a empresa efetuou recolhimentos, portanto, a contagem se dá a partir do fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN. 83. Conforme conclusão deste voto, foi confirmado o dolo e simulação na omissão de receitas e na empresa autuada, o que conduz à constatação de que a contagem do prazo decadencial é segundo o art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 84. A ciência dos autos à empresa ocorreu em 23/09/2014, pág. 1.267. 85. Em relação às exigências de IRPJ e CSLL, foram atingidos pela decadência os lançamentos relativos aos 2º e 3º trim/2008, cujos lançamentos poderiam ter sido efetuados no 4º trim/2008, iniciandose a contagem em 01/01/2009 e encerrandose em 31/12/2013; quanto ao 4º trim/2008 em diante, os lançamentos poderiam ter sido efetuados a partir de 2009, com início do prazo decadencial em 01/01/2010 e terminando em 31/12/2014 portanto, não atingidos pela decadência 86. No que se refere aos lançamentos de PIS e Cofins, de apuração mensal, seguindo o mesmo raciocínio, foram atingidos pela decadência apenas os lançamentos relativos aos períodos de apuração até 11/2008, que não ocorreram nos presentes autos. 87. Confirmase, portanto, a conclusão da DRJ. Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 30 29 5 Mérito. 5.1 LANÇAMENTO FISCAL. 5.1.1 Dados bancários obtidos sem autorização judicial. 88. Os Recorrentes acusam de ilícita a autuação baseada em informações bancárias obtidas sem autorização judicial; que o plenário do STF, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, em 15/12/2010, colocou fim à discussão afastando a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários sem ordem emanada do Poder Judiciário e que o STF considerou inconstitucional Lei Complementar n° 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 2001. 89. Os Recorrentes não têm razão, eis que o Pleno do SRF, decidiu, com efeito vinculante conforme a seguir, o que encerra a questão. 90. Fonte: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/publicacaoInformativoRG/anexo/Repercusso_Geral_7.capa. pdf, Boletim Repercussão Geral RE 601.314/SP, repercussão geral reconhecida e mérito julgado, TEMA 225 Direito Constitucional; Direitos e Garantias Fundamentais O art. 6o da Lei Complementar 105/2001 não ofende o direito ao sigilo bancário, porque realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.Por sua vez, a Lei 10.174/2001 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do art. 144, § Io, do CTN. Discutiase a constitucionalidade — frente ao parâmetro do sigilo bancário — do acesso aos dados bancários por autoridades e agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem autorização judicial, nos termos dispostos pela LC 105/2001. Debatiase, ainda, eventual afronta ao princípio da irretroatividade das leis, quando esses mecanismos são empregados para a apuração de créditos relativos a tributos distintos da CPMF, cujos fatos geradores tenham ocorrido em período anterior à vigência deste diploma legislativo. No tocante ao primeiro tema, o Tribunal afirmou, de início, que o direito à privacidade ou à intimidade são direitos passíveis de conformação. Não se trata de pura condição restritiva, porém, a própria lei pode estabelecer determinadas delimitações. Logo, a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, visando à Administração Tributária, não padece de ilegalidade. Quanto à segunda questão, o art. 144, § Io, do CTN impõe que qualquer método de apuração tributária entre em vigor imediatamente, o que afasta a alegação de retroatividade. A Corte asseverou que, na verdade, o tema em debate não diz respeito a quebra de sigilo, mas transferência de sigilo para finalidades de natureza eminentemente fiscal. Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 31 30 A legislação aplicável garante a preservação da confidencialidade dos dados, vedado seu repasse a terceiros, estranhos ao próprio Estado, sob pena de responsabilização dos agentes que eventualmente pratiquem essa infração. Assim, dados sigilosos de interesse fiscal somente podem ser acessados depois da instauração de competente processo administrativo, por ato devidamente motivado, nos moldes hoje preconizados pelo Decreto 3.724/2002, compreendidos os três níveis político administrativos da Federação. Garantese, ainda, a imediata notificação do contribuinte, a ele assegurado o acesso aos autos e o direito à extração de cópias de quaisquer documentos ou decisões, para que possa exercer, a todo o tempo, o controle jurisdicional dos atos da Administração, nos termos da Lei 9.784/1999. (RE 601.314/SP. rel. ministro Edson Fachin, julgamento em 2422016, acórdão pendente de publicação) 91. Acusam ainda que ofende o art. 4º, § 2º e 5º, do Decreto nº 3.724, de 2001, pois não houve a obrigatória intimação prévia ao sujeito passivo, para que apresentasse espontaneamente a movimentação financeira; que a intimação em 23/04/2013 (págs. 35/37) foi posterior às RMFs, emitidas em 01/04/2013, págs. 20/34; e dado que não consta dos autos "Relatório Circunstanciado"com base no qual tenha sido expedida a RMF, o que conduz à nulidade dos autos. 92. Quanto à intimação prévia, verificamse as intimações às págs. 4/5, 13/14, 16/16, dirigidas à SP Terraplenagem Ltda, em 05/10/2012, 23/11/2012, tentativas de entrega infrutíferas em 12/03/2013, recebidas no domicílio tributário da Autuada, não respondidas; e intimações de mesmo teor às sócias constantes do contrato social, Sônia Mariza Branco em 23/10/2012, págs. 7/8,e tentativas de entrega, não recebidas para Sandra Maria Branco Malago, págs. 10/12 as RMF foram emitidas em 01/04/2013, portanto, depois de intimada a empresa e as sócias oficiais; 93. Quanto ao "Relatório Circunstanciado", descabe razão aos Recorrentes, eis que às págs. 148 dos autos, acompanhando as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, assinadas pelo Delegado da DRF de jurisdição, requisitando, com base em procedimento de fiscalização instaurado, e depois de intimações e reintimações para fornecer os extratos bancários, não atendidas,constam o Ofício Sefis/DRF/Barueri nº 13/2014, dirigido à Procuradoria da Fazenda Nacional, descrevendo os fatos e relatório de Conclusão do Juiz Federal, autorizando o compartilhamento de provas, às págs. 150/152. Os mencionados documentos se referem a Adir Assad, Sandra Maria Branco Malago, Sônia Mariza Branco, Roch Star Entertainment, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star produções, Comércio e Serviços Ltda, Star Marketing Comunicação Ltda. Embora não haja menção à Autuada e a Marcello José Abbud, cabe ainda destacar que o procedimento de fiscalização deu sequência às investigações da CPMI, que gerou as operações pela Policia Federal e Ministério Público Federal, que encaminharam à Receita Federal do Brasil sendo que nos documentos da CPMI , dos quais se extraiu e copiou alguns parágrafos, à expressa menção tanto à Autuada como a Marcello José Abbud portanto, descabe reclamar que não teria sido motivada a requisição dos extratos bancários às instituições financeiras. 94. Os Recorrentes discorrem acerca da inconstitucionalidade da LC nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, mas cabe apontar a decisão já transcrita do TRF, com repercussão geral, além de que, aos Conselheiros do CARF, não compete apreciar a Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 32 31 conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 5.1.2 Depósitos bancários de origem não esclarecida. 95. A pessoa jurídica foi cientificada em 05/10/2012, do Termo de Início de Fiscalização, no qual foi intimada a apresentar extratos bancários de todas as contas bancárias e em todas as instituições financeiras que tivesse movimentado no período de 2008, 2009 e 2010, págs. 4/5; foi reintimada em 23/11/2012, págs. 13/15; e via Edital em 27/06/2014, págs158/159; também foram intimadas Sônia Mariza Branco, em 23/12/2012, págs. 7/8; e Sonia Maria Branco Malago, o AR retornou com anotação "não atendido"nas tentativas de entrega pelo correio, págs. 10/12. 96. Quanto às RMF expedidas pelo Delegado da Receita Federal do Brasil dirigidas e atendidas pelas instituições financeiras, verificase que não há qualquer irregularidade que acarrete nulidade do lançamento, posto que a Autuada foi regulamente intimada e reintimada a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, poupanças e investimentos mantidos em instituições financeiras, assim como os sócios. 97. Tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a fiscalização procedeu às Requisições de Movimentação Financeira., não havendo portanto, em que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que o fiscalizado não atendeu as intimações para apresentar os extratos bancários. 98. Inclusive, cabe observar que a possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II. do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar n° 102, de 2001 autorizar a referida disposição expressamente: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II os bancos, casas bancárias. Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; 99. Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento efetuouse dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito. 5.1.3 Erro na identificação do sujeito passivo 100. Dizem que a fiscalização autuou a SP Terraplenagem Ltda, tachada de "empresa de fachada" de Adir Assad, que, embora "de fachada" teria, por sua vez utilizado "laranjas", mas a tese condutora do ato de infração é que a pessoa jurídica, bem como os responsáveis solidários apontados, teriam servido de interpostas pessoas (empresas de fachada, testas de ferro, laranjas, sócios de fato, sócios de direito, etc, destacando afirmações incongruentes nos autos). Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 33 32 101. A reclamação dos Recorrentes se baseia no §5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de que a autuação deve ser em nome do terceiro interposto (se assim for constatado), que é o efetivo titular da conta de depósitos, insinuando, ao apontar que erro na identificação do sujeito passivo poderá indevidamente tributar na alíquota de 15% mais o AIR de 10% (aplicável a pessoa jurídica) em vez de na tabela progressiva (aplicável a pessoa física) e cobrar PIS/Cofins de pessoa física, indevidamente, que a autuação deveria ter se dado em/ou também, em pessoa(s) física(s); que se os valores depositados pertencem, em última análise a Adir Assad ou a este e Sonia e Sandra, não podem ser atribuídos à pessoa jurídica. 102. Aponta nulidade do auto de infração e que nem se cogite da possibilidade de equiparar a identificação dos supostos interponentes como responsáveis tributários ao que seria correto, isto é, a identificação destes como contribuintes. 103. Temse do contexto em que ocorreu a autuação, que Adir Assad e Marcello José Abbud haviam constituído várias empresas e que no período de 2007 a 2010, estas haviam servido de fachada para lavagem de recursos recebidos que a empresa Delta havia recebido de obras públicas sobrefaturadas, de fato os extratos bancários confirmaram recebimentos de recursos da empresa Delta, págs. 630/646, 659, 661/671, por exemplo, e de outras empresas do grupo de empresas constituídas por Adir Assad e Marcello José Abbud, págs. 624/671; no caso da Autuada, foi constituída figurando como sócias administradoras Sônia Mariza Malago e Sandra Maria Branco, evidenciouse que, assim como as demais empresas citadas era dirigida por Adir Assad e Marcello José Abbud, com a colaboração ativa destas duas sócias oficiais. 104. A autuação fiscal é pautada em provas. 105. Consta do TVF: 4.13. Em 01/10/2013 a Polícia Federal deflagrou uma ampla operação baseada nas investigações primárias da CPMI do Cachoeira, com ampla cobertura da mídia nacional, chamada "Operação Saqueador", com busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD em São Paulo, entre elas a SP TERRAPLENAGEM LTDA ME. As empresas controladas pelos Sr Adir Assad e Marcello José Abbud, e investigadas por esta operação são todas registradas em nome de interpostas pessoas (laranjas), todas com vínculos profissionais e pessoais com este senhor e as provas serão exaustivamente relatadas neste relatório. 4.14. A decisão do MM. Juiz Federal Substituto no exercício da Titularidade da 7a Vara Federal Criminal da Capital / RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, processo n° 0802315 42.2013.4.02.5101, que autorizou a busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD em São Paulo, entre elas a SP TERRAPLENAGEM LTDA ME, autorizou no seu item 8 o compartilhamento dos dados obtidos na investigação nestes termos: (...) 106. Uma dessas empresas constituídas por Adir Assad é a Autuada, as provas concretas carreadas aos autos são os comprovantes dos valores que foram depositados em contas de sua titularidade mantidas em instituições financeiras, no período examinado, cujos valores não estão justificados por notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Autuada, ou Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 34 33 transferências intercontas da própria Autuada ou empréstimos tomados, ou estornos, e são muito superiores às receitas que ofereceu à tributação. 107. A legislação prevê a presunção legal de omissão de receitas no caso em que, intimado a justificar a origem dos recursos recebidos e por que não foram tributados, o sujeito passivo não logre comproválo. 108. Foi o presente caso. 109. Portanto, correta a autuação de omissão de receitas, com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo como sujeito passivo a pessoa jurídica a SP Terraplenagem. 110. Quanto à reclamação de que a autuação deveria terse dado em nome de Adir Assad, Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, temse que a pessoa jurídica Autuada, que iniciou as atividades em 03/03/2008, pág. 711, foi considerada Inapta pela RFB em 04/09/2013, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BRE/Secat nº 39; e, com base no art. 27, II, "a", da IN RFB nº 1.470, de 2014, foi Baixada de ofício sua inscrição no CNPJ, com efeitos a partir de 03/03/2008, por inexistente de fato, págs. 165/169. 111. Mas eis que a documentação comprobatória dos recursos recebidos está toda em seu nome, págs. 590/680 e, como se verá adiante, a inscrição no CNPJ Baixada não impede o lançamento fiscal, sendo necessária a indicação dos responsáveis tributários. 112. Conforme relata o TVF, págs. 1.148/1.231, o objeto social principal é"construções de rodovia, obras de urbanização ruas, praças, calçadas, obras de terraplenagem e aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes" 113. Foi declarada Inapta e sua inscrição no CNPJ foi Baixada em 21/04/2014, com efeitos deste 03/03/2008, págs. 165/169. 114. Nno TVF, págs. 1.157/..., item 5. DA EMPRESA INEXISTENTE DE FATO E DAS NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS, o Autuante descreve o domicílio tributário da Autuada, apenas uma casa modesta, constatou que varias empresas informam o endereço como domicílio, que foi alugada por Sônia Mariza Branco, para receber correspondência, mas deixaram de ser retiradas e pago o aluguel desde 01/2013; a Prefeitura do município informou que a empresa teve seu cadastro municipal bloqueado, e que apesar do esforço despendido, não logrou localizar o domicílio da Autuada. 115. O Autuante também descreveu que as notas fiscais apreendidas pela Polícia Federal e as em poder das clientes divergiam o que será relatado adiante; que a pesquisa não evidenciou qualquer recolhimento de contribuição previdenciária ou informações sobre funcionários via GFIP ou recolhimentos de FGTS, tampouco retenções de IRRF de prestadores de serviços ou funcionários; o Detran informou um único veículo de passageiros, importado, em nome da Autuada, adquirido por Fernando Aoun Abbud, primo de Marcello José Abbud; nos extratos bancários tampouco identificou pagamentos a funcionários ou prestadores de serviços pessoa física, aluguel de máquinas, espaços físicos, pagamentos de luz, água, telefone, escritório de contabilidade, compra de combustíveis, peças e acessórios para manutenção, serviços de manutenção. Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 35 34 116. Enfim a conclusão foi que a empresa atuada como fachada, não sendo efetivamente operacional e a "Baixa de Ofício", no CNPJ se deu a partir da constituição a Autuada, notificada via Diário Oficial e Edital, não tomou providências para regularizar a situação. 117. A declaração de Inaptidão da inscrição do CNPJ foi com base legal na Instrução Normativa RFB nº 1470, de 30 de maio de 2014, que posteriormente foi alterada, conforme segue: Art. 25. A baixa da inscrição no CNPJ, da entidade ou do estabelecimento filial, (...) §4º A baixa da inscrição no CNPJ não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados impostos, contribuições e respectivas penalidades. § 4º Na hipótese prevista no § 3º, ultrapassado o prazo definido para análise da solicitação sem manifestação da RFB, efetivase a baixa da inscrição no CNPJ. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1511, de 06 de novembro de 2014) § 5º Deferida a baixa da inscrição, a RFB disponibiliza em seu sítio na Internet, no endereço citado no caput do art. 12, a Certidão de Baixa de Inscrição no CNPJ, conforme modelo constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1511, de 06 de novembro de 2014) § 6º A baixa da inscrição no CNPJ não impede que, posteriormente, sejam lançados ou cobrados impostos, contribuições e respectivas penalidades, decorrentes da simples falta de recolhimento ou da prática comprovada e apurada em processo administrativo ou judicial de outras irregularidades praticadas pelos empresários ou pelas pessoas jurídicas ou seus titulares, sócios ou administradores. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1511, de 06 de novembro de 2014) § 7º A baixa da inscrição no CNPJ importa responsabilidade solidária dos empresários, titulares, sócios e administradores das pessoas jurídicas no período de ocorrência dos respectivos fatos geradores. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1511, de 06 de novembro de 2014) (...) Art. 45. O encaminhamento, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários relativos à pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta, nas hipóteses previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 37, deve ser efetuado com a indicação dessa circunstância e da identificação dos responsáveis tributários correspondentes. 118. Instrução Normativa RFB nº 1634, de 06 de maio de 2016 , que revogou as IN precedentes, por sua vez, também determina: Dos Créditos Tributários da Pessoa Jurídica Inapta Art. 48. O encaminhamento, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários relativos à pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta, nas hipóteses previstas nos incisos do art. 40, deve ser efetuado com a indicação dessa Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 36 35 circunstância e da identificação dos responsáveis tributários correspondentes. 119. Adir Assad, Marcello José Abboud, Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago foram declarados responsáveis solidários, o que será analisado adiante. 5.1.4 Falta de intimação do(s) titular(es) da conta depósito; 120. Com base na mesma reclamação de erro na identificação do sujeito passivo, acusa que os efetivos sujeitos passivos (sem identificar quem) não teriam sido intimados previamente, para comprovar a origem dos depósitos bancários recebidos nas contas mantidas em instituições financeiras, conforme estipula o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. E reclamam de cerceamento no direito de defesa do suposto interponente. 121. Como já relatado, tanto as sócios constantes do Contrato Social, Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, como Adir Assad e Mercello José Abbud foram sim notificados da intimação para justificar os depósitos bancários recebidos nas contas bancárias em nome da SP Terraplenagem, evidenciando a improcedência da reclamação dos Recorrentes, responsáveis solidários; sendo desnecessário apontar que também foram cientificados dos autos, do Acórdão DRJ e puderam apresentar suas impugnações e recursos voluntários. 5.1.5 Erro na identificação da base de cálculo e do aspecto temporal do fato gerador; erro na identificação da alíquota; erro na identificação da matéria tributável e do fato gerador. 122. Com base na mesma reclamação de erro na identificação do sujeito passivo, acusam que tais parâmetros seriam outros, caso a autuação tivesse sido formalizada em pessoas físicas; mas como a autuação foi na pessoa jurídica SP Terraplenagem Ltda, a base de cálculo, a apuração trimestral, as alíquotas, e demais elementos citados estariam errados e inaplicáveis. 123. Enganamse, não houve erro na identificação do sujeito passivo, pois a SP Terraplenagem Ltda é a titular dos recursos recebidos na documentação que embasou a autuação. 124. Consequentemente, a autuação do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado tem fatos geradores trimestrais e as de PIS e Cofins, mensais, como corretamente está consignado nos autos, assim como as alíquotas aplicadas, correspondentes às aplicáveis a pessoas jurídicas, neste regime de apuração. 5.1.6 Vicio de motivação (Notas Fiscais emitidas pela "empresa de fachada") e inconsistência lógica do auto de infração. 125. Seria inconsistência lógica autuar a SP Terraplenagem Ltda, sendo que as notas fiscais desta seriam "de fachada". 126. De fato, conforme consignado no TVF: 5.25. Podemos inferir a partir das respostas, e ausência destas, dadas pelas construtoras intimadas que as Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela SP TERRAPLENAGEM LTDA ME são inidôneas, pois foram emitidas por pessoa jurídica sem existência de fato, ou seja, mesmo que constituída formalmente, não possuiu existência real de fato e ainda se Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 37 36 encontra baixada por órgão competente, e por isto não refletem as operações ali discriminadas, "aluguel de máquinas e equipamentos sem operador". Todas as construtoras intimadas não lograram êxito em comprovar através de provas robustas que os serviços foram prestados, e estes documentos inidôneos jamais poderão servir para amparar saídas ou entradas de valores (receitas), ou mesmo sustentar despesas ou valores atribuídos aos custos operacionais de uma empresa do Lucro Real, ou qualquer outro tipo de tributação federal da qual seja optante, e não serão considerados para se efetuar qualquer lançamento de crédito tributário neste procedimento. 5.1.7 Transferências entre contas de mesma titularidade (outras empresas de fachada). 127. Ao se analisar a intimação na qual estão listados os recebimentos em contas bancárias da SP Terraplebnagem, verificamse transferências recebidas da empresa Delta (confirmando os noticiários), mas também transferências de c/c para c/c de outras empresas controladas por Adir Assad como a SM Terraplanagem, a Rock Star Produções, a Legend Engenheiros, Power To Ten Eng, a JSM Eng; e também de outras c/c da própria SP terraplenagem (que é a Autuada). 128. A lógica das Recorrentes é que, se são empresas de fachada, então equivalem a uma única organização e as transferências interempresas do grupo devem ser compensadas como se fossem transferências entre contas de um mesmo titular. 129. Descabe razão aos Recorrentes, pois cada uma das empresas controladas é entidade à parte; se aquelas empresas foram objetos de fiscalização, cabe às mesmas justificar a origem os respectivos recebimentos, os quais podem justificar e comprovar que foram transferências para a presente Autuada; somente se excluem da presunção de omissão de receitas transferências entre contas da mesma titularidade, isto é, entre contas bancárias diferentes, porém de titularidade da SP Terreaplenagem Ltda, a teor do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 130. Cabe destacar, quanto às transferências ente c/c da própria SPO Terraplenagem, que o Autuante informa no TVF, pág. 1.176, que foram excluídas: 8.1.4. De posse dos extratos bancários solicitados foram elaborados Anexo dos Extratos Bancários consolidando todos os lançamentos da instituição financeiras apresentada, com todos os valores a crédito, e expurgando desta planilha as transferências entre contas da mesma titularidade, os créditos relativos a empréstimos/financiamentos contratados pelo contribuinte, estornos de lançamentos a crédito, transferências de aplicações e outros créditos que não correspondem a omissão de receitas tributáveis. 5.1.8 Valores declarados em DCTF, exclusão da autuação fiscal 131. O Autuante descreveu no item 7.1. Receitas de Prestação de Serviços Declarados em DIPJ/DCTF, que, em relação às receitas e correspondentes valores de IRPJ declarados em DIPJ e confessados em DCTF, que especifica no quadro de pág. 1.1731.174, efetuou o recálculo dos valores devidos, uma vez que a Autuada havia optado pelo lucro presumido, no qual o percentual de presunção foi de 32%, enquanto que, tendo sido efetuado o lançamento Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 38 37 fiscal no regime do lucro arbitrado, o percentual de lucro correspondente é de 38,4% daí resultou o lançamento fiscal da diferença de IRPJ e CSLL autuados na infração 0002 (diferença devida sobre) receita bruta de prestação de serviços declarada (apenada com multa de 75%); observese que nos cálculos no auto de infração, o valor de IRPJ confessado em DCTF está deduzido (coluna DEDUÇÕES), o que confirma a informação do Autuante. 132. Consta também do TVF, pág. 1.157, item 5. DA EMPRESA INEXISTENTE DE FATO E DAS NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS, que a fiscalização diligenciou empresas destinatárias das notas fiscais emitidas pela Autuada, e as notas fiscais obtidas destas estão no Anexo 1 Notas Fiscais SP Apresentadas pelos Tomadores de Serviços, pág. 681 o Autuante destaca que "As Notas Fiscais apresentadas pelos tomadores de serviços são distintas das Notas Fiscais apreendidas pela Polícia Federal." e que as notas fiscais foram consideradas inidôneas, não produzindo efeitos contra terceiros. 133. TVF, pág. 1.169, relata que intimou tomadoras de serviços da Autuada, a especificarem os equipamentos, número do chassis ou de série das máquinas ou placas Renavam das máquinas locadas, a localização das obras, nome dos operadores e CPF, controle do acesso ao canteiro das obras, porém as empresas se esquivaram e não forneceram os dados,e, conforme parágrafo já transcrito, as notas fiscais foram consideradas inidôneas. 134. Quanto à petição para que se excluam da infração 001, as receitas correspondentes aos valores de IRPJ, CSLL confessados/pagos, verificase que a providência já foi adotada pelo Autunate, conforme relata no TVF, págs.1.179/1.180: 9.1.6. Os valores constantes da coluna "Diferença (MF DCTF) (iii)", foram obtidos através da subtração dos montantes da coluna "Total/Trimestre (MF) (ii)" pela coluna "Receita Confessada/DCTF Trimestre (i)". Como a coluna "Total/Trimestre (MF) (ii)" está consolidada mensalmente e a coluna "Receita Confessada/DCTF Trimestre (i)" está consolidada trimestralmente a subtração foi feita mensalmente acumulando o resíduo da Receita Informada / DCTF Trimestre para os meses subseqüentes dentro do próprio trimestre. 9.1.7. Os valores referentes aos depósitos bancários de origem não comprovada, conforme Quadro acima no valor total de R$ 13.049.939,00 (treze milhões quarenta e nove mil novecentos e trinta e nove reais), no ano calendário de 2009, e R$ 53.833.946,87 (cinqüenta e três milhões oitocentos e trinta e três mil novecentos e quarenta e seis reais e oitenta e sete centavos), no ano calendário de 2010, foram lançados dentro da rubrica "Omissão de Receitas por Presunção Legal" "Depósitos Bancários de Origem não Comprovada", haja vista que o contribuinte não comprovou a origem e a natureza dos créditos encontrados em suas contas bancárias a fim de caracterizar que esses valores não são omissão de rendimentos tributáveis. 135. De fato, verificase que o total de depósitos bancários de origem não esclarecida foi de R$114.399.759,36, deste total, o Autuante excluiu os valores de receitas correspondentes a débitos confessados em DCTF/Pagos, efetuando análise por trimestre e, após a exclusão trimestral, apurou R$66.883.885,87 (13.049.939,00+53.833.946,87) de omissão de receita da infração 001. Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 39 38 136. Portanto, a exclusão reivindicada pela Recorrente foi efetuada pelo Autuante. 5.1.9 Multa qualificada. Súmula nº 14 do CARF. 137. A Súmula CARF nº 14, determina: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 138. O Autuante qualificou a multa para 150% em relação às infrações 001 e 003. 139. A multa qualificada é aplicável ao caso, dado o intuito de fraude, uma vez que o administrador e sócio de fato da Autuada, assim como de várias outras empresas, interpôs pessoas em seu lugar como sócias, além de a empresa e as demais terem sido utilizadas em esquema de lavagem de dinheiro e de desvios de recursos públicos conforme relatado. 140. TVF, pág. 1.164: 5.18. Todos os esquemas fraudulentos que têm a intenção de sonegar tributos ou desviar recursos públicos ou privados apresentam como característica serem extremamente engenhosos e sofisticados e o que se apresenta aqui não foge desta regra. Nestas ações as empresas tentam dar ao negócio um aspecto de legalidade, emitindo as Notas Fiscais como se assim tivessem prestado os serviços que nelas discriminam, mas que possuem apenas o condão de dar um aspecto de normalidade a estas ações criminosas, e conforme as provas aqui colhidas, não passam de documentos inidôneos emitidos com o evidente intuito de fraude, conduta que está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 141. Pág. 1.185, do TVF: 9.3.7. A conduta adotada pela fiscalizada, de deixar de oferecer à tributação a maior parcela das receitas auferidas no período de 2009 e 2010, representada pelos créditos e/ou depósitos em contas bancárias, que o contribuinte não justificou apesar de reiteradamente intimado, caracteriza a prática de sonegação fiscal, sendo afastada a possibilidade de que a omissão praticada tenha ocorrido por erro, uma vez que a conduta de omissão de receitas, que implicou a apuração e o recolhimento a menor do IRPJ e reflexos, foi praticada com a informação de valores ínfimos e confirmada pela apresentação das DIPJ de 2010 e 2011 referente aos anos calendário de 2009 e 2010. 9.3.8. Outra linha adotada pela fiscalizada foi a utilização de "laranjas" ou "testas de ferro" como já amplamente conhecido no jargão popular, que se tratam de interpostas pessoas do verdadeiro sócio da sociedade. É a situação em que a identidade do real sujeito passivo ou do seu responsável é encoberta pela figura de terceiro(s), de forma a prejudicar os interesses da Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 40 39 Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido, caracterizandose portanto numa interposição fraudulenta. Os sócios de direito dessas empresas, geralmente, são de baixa capacidade econômica, não possuindo bens para garantir o crédito tributário numa eventual execução fiscal. Em troca de favores ou mediante pagamento, emprestam seus nomes para utilização de forma irregular por parte de terceiros. Este expediente foi amplamente utilizado por esta sociedade e seus sócios de fato e de direito caracterizando as ações dispostas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. 142. Todos os fatos descritos apontam para dolo e sonegação e fraude justificando a aplicação da multa qualificada às infrações 001 (depósitos bancários de origem não justificada). 5.1.10 Agravamento da multa de ofício 143. A Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. 144. E às págs. 1.159/1.160: 5.5. Em diligência realizada no dia 02/10/2012 nos dirigimos ao local identificado como sendo o domicilio tributário do sujeito passivo nos sistemas da Receita Federal do Brasil e no cadastro da JUCESP Junta Comercial do Estado de São Paulo, no endereço Rua Estados Unidos, 351, Jardim São Luiz, Santana de Parnaíba SP, CEP: 06.502255. No local encontramos uma simples residência, sem placas ou identificação comercial. No endereço tentamos contato com seus proprietários e/ou inquilinos e não encontramos nenhuma pessoa que pudesse nos atender e prestar informações. Este endereço é conhecido e comprovado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri como local que costumeiramente abriga "escritórios virtuais". Para corroborar esta informação, de acordo com o sistema CNPJ / Parâmetros existem várias empresas domiciliadas neste endereço. Em 28/08/2013 foi feita outra diligência no local indicado nos sistemas da Receita Federal do Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 41 40 Brasil, Rua Estados Unidos, 351, Jardim São Luiz, Santana de Parnaíba SP, CEP; 06.502255, e fomos atendidos pela Sra. Célia Regina Conceição RG: 14.014.8917, que nos relatou os seguintes fatos: • Que a residência fora alugada pela Sra Sônia (sócia da empresa), que consentiu que ela, Sra. Célia, morasse no local desde que pegasse toda a correspondência que fosse encaminhada para este endereço, • Que se trata apenas de um "endereço virtual", sendo que a empresa nunca se estabeleceu neste local, não tendo tido qualquer funcionamento ou a presença de qualquer funcionário da citada empresa, • Que a partir de Janeiro / 2013 informada pela imobiliária que a empresa não pagava mais o aluguel do imóvel, e que ela sublocou para sua moradia para não ser despejada, • Que as correspondências enviadas para a empresa, neste endereço, estão acumuladas e não foram mais retiradas pelos sócios, • Que paga o aluguel da residência e não mais tem qualquer vínculo com a sócia ou com a empresa SP Terraplenagem Ltda. 5.6. Podemos constatar através das fotografias abaixo que o local indicado é uma simples residência, e conforme informação acima, e tem várias empresas domiciliadas neste endereço: 145. Apresenta fotos do local, págs. 1.159/1.160. 146. O Autuante aplicou agravamento para 225% da multa qualificada em relação à infração 001 e descreveu no TVF que apesar de intimada e reintimada, a Autuada não prestou esclarecimentos solicitados. 147. O Autuante descreve, pág. 1.186, que: 9.3.10. Também não há amparo legal e é totalmente reprovável a conduta do contribuinte, de sequer justificar a falta de atendimento à intimação fiscal, como no presente caso. O contribuinte em nenhum momento do procedimento fiscal apresenta esclarecimentos para o não atendimento das intimações, que foram várias, Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Constatação e Reintimação, Termo de Constatação e Reintimação n° 2, Termo de Intimação Fiscal n° 1 e Termo de Reintimação e Intimação, todos em anexo a este procedimento, autorizando neste caso o agravamento da multa de lançamento de ofício, aumentado pela metade, conforme § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. 9.3.11. Assim sendo, os valores provenientes das receitas não escrituradas e não declaradas no valor de RS Rs 13.049.939,00 (treze milhões quarenta e nove mil novecentos e trinta e nove reais), no ano calendário de 2009, e R$ 53.833.946,87 (cinqüenta e três milhões oitocentos e trinta e três mil novecentos e quarenta e seis reais e oitenta e sete centavos), no ano calendário de 2010 foram lançados dentro da rubrica "Omissão de Receitas por Presunção Legal" "Depósitos Bancários de Origem não Comprovada", com a majoração da multa de ofício apurada para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 42 41 apurada para 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). 148. A fiscalização iniciouse em 05/10/2012, com a ciência do AR relativo ao termo de Início de Fiscalização pela Autuada e se estendeu até 23/09/2014, data em que foram cientificados por Edital os autos de infração, dada a demora ou falta de respostas às intimações enviadas; às págs. 1.152, o Autuante descreveu as tentativas e que em 07/03/2013 (5 meses após a intimação inicial), o contador das empresas Autuada e outras controladas por Adir Assad, compareceu para informar verbalmente que a empresa não possuía os documentos nem os livros contábeis e fiscais de que foi intimada, e que o sujeito passivo não teria como atender às solicitações da fiscalização e que não seria possível a reconstituição dos livros ou a apresentação de qualquer documentação solicitada; intimações posteriores tampouco foram respondidas quer pela Recorrente, quer pelos responsáveis solidários, também intimados, tendo somente o contador entregue notas fiscais emitidas pela Autuada; que o contador do contribuinte, informou que não tem conhecimento onde a empresa esta funcionando, e que a esta utiliza o endereço que foi objeto das diligências descritas, apenas para o recebimento de correspondências, sendo que o Autuante não conseguiu identificar o domicílio fiscal da Autuada, nem das sócias constantes do Contrato Social, quando efetuou o procedimento de fiscalização, de 2012 a 2014, data posterior aos fatos autuados (2008 e 2010). 149. Verificase nos autos que muitos elementos foram cedidos pela Polícia Federal, citese, pág. 1.155: 4.13. Em 01/10/2013 a Polícia Federal deflagrou uma ampla operação baseada nas investigações primárias da CPMI do Cachoeira, com ampla cobertura da mídia nacional, chamada "Operação Saqueador", com busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD em São Paulo, entre elas a SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME. As empresas controladas pelos Sr Adir Assad e Marcello José Abbud, e investigadas por esta operação são todas registradas em nome de interpostas pessoas (laranjas), todas com vínculos profissionais e pessoais com este senhor e as provas serão exaustivamente relatadas neste relatório. 4.14. A decisão do MM. Juiz Federal Substituto no exercício da Titularidade da 7a Vara Federal Criminal da Capital / RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho, processo n° 0802315 42.2013.4.02.5101, que autorizou a busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelos Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD em São Paulo, entre elas a SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME, autorizou no seu item 8 o compartilhamento dos dados obtidos na investigação nestes termos: 150. Tais fatos ensejaram a emissão das Requisições de Movimentação Financeira dirigidas às instituições financeiras, que evidenciaram os depósitos/créditos nas contas bancárias. 151. À vista destes fatos, entendo cabível o agravamento da multa qualificada, à infração 001. Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 43 42 5.2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 152. Impossível caracterizar os responsáveis solidários, sem levar em consideração a totalidade do esquema que envolveu várias empresas; conhecendose o conjunto das organizações envolvidas, evidenciamse os papéis desempenhados por cada um dos responsáveis solidários arrolados e identificamse suas participações. 153. TVF, pág. 1.165: 5.19. Além de todas as informações e provas coletadas por esta fiscalização que comprovam que a SP TERRAPLENAGEM LTDA ME. CNPJ: 09.503.787/000189 é uma empresa de fachada, sem capacidade operacional de prestar os serviços discriminados no seu objetivo social, ou seja, pessoa jurídica que não existe de fato, e que apesar de constituída formalmente, não possuiu existência de real, e que cuja inscrição no CNPJ foi considerada e declarada inapta e posteriormente baixada de ofício no cadastro da RFB. Dois órgãos de Estado, integrantes da República Federativa do Brasil, com poderes de investigação previstos em legislação, chegaram as mesmas conclusões desta auditoria que são: a CPMI Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do Cachoeira) e investigações conduzidas pela Polícia Federal dentro da "Operação Monte Carlo", "Operação Vegas" e "Operação Saqueador". 5.20. Em relação à CPMI Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI do Cachoeira) colocamos abaixo um recorte do Relatório Final apresentado por esta comissão (que é de consulta e conhecimento público), inserido nas suas páginas 1.078 e 1.079, que sintetiza as conclusões que esta comissão apresentou em relação ao grupo de empresas administradas pelos empresários ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD, entre elas a SP TERRAPLENAGEM LTDA ME., coincidente com os relatos apresentados por esta fiscalização: 154. pág. 1.187/1.188, do TVF: 10.3. A administração da sociedade, segundo Alterações de Contrato Social registrados na JUCESP sob o no 35.222.193.955, é atualmente exercida pelas Sra SÔNIA MARIZA BRANCO, CPF: 030.455.88859 e Sra SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, CPF: 903.957.35815. Conforme relatos abaixo iremos demonstrar que todos os sócios, desde a constituição da sociedade, Sra SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, em conjunto com os sócios de fato, Sr ADIR ASSAD, CPF: 758.948.15800 e Sr MARCELLO JOSE ABBUD, CPF: 563.588.81868, utilizaram se desta sociedade para praticar atos contrários à legislação tributária e penal. 10.4. Conforme já mencionado, a SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME CNPJ: 09.503.787/000189 se encontra vinculado direta ou indiretamente aos empresários MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD. Outras empresas também fizeram parte do esquema montado por estes empresários, algumas das quais vamos discorrer neste relatório, como forma de elucidar toda a engenharia executada pelo empresário como forma de ludibriar Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 44 43 e sonegar receitas e informações ao fisco federal. Posteriormente, paulatinamente, MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD foram sendo sucedidos, ou mesmo constituindo novas empresas, cujos quadros societários são constituídos por pessoas que lhe são próximas, caso das irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO, CPF: 030.455.88859 e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, CPF: 903.957.35815. 10.5. Constatouse, ainda, que os contadores destas sociedades (todas ligadas a ADIR ASSAD) são sempre os mesmos: i) ADALBERTO PALHINHA MARTINS; e ii) AM AURY PONTALTL Devese dizer que boas partes dessas sociedades encontramse "sediadas" em endereços coincidentes, todos invariavelmente incompatíveis com as atividades prestadas e com as receitas milionárias que foram auferidas, e que hoje se encontram na situação cadastral de BAIXADAS DE OFÍCIO (motivação: inexistente de fato). 101. Todas elas também têm sócios em comum. O Sr. Marcello José Abbud é exsócio da J.S.M. e da Legend (além da Power to Ten). A Sra. Sónia Mariza Branco atualmente é sócia da Rock Star e da Soterra (além da S.M.). Já a Sra. Sandra Maria Branco é sócia, atualmente, da Rock Star e da S.P., e exsócia da JSM e da Soterra. 102. Vêse, portanto, a estreita interligação entre todas essas empresas. Tal comportamento mereceria, no mínimo, uma análise mais criteriosa por parte dos órgãos investigativos. Por que tantas empresas com sócios coincidentes? Por que essa "ciranda" de sócios entre elas? 105. A Legend merece um breve parênteses, visto que há uma peculiaridade, no mínimo, curiosa. A LEGEND ENGENHEIROS ASSOCIADOS foi aberta pelos sócios Adir Assad e Marcello José Abbud e já sofreu sucessivas mudanças societárias. Uma que chamounos a atenção foi a da Sra. Sónia Mariza Branco, que além de ser proprietária de uma série de empresas "laranjas" já figurou como sócia desta empresa e, também, da LEGEND ASSESSORIA E CONSULTORIA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE MARKETING LTDA. Esta última alterou seu nome empresarial para S.M. TERRAPLENAGEM LTDA, que também é objeto da nossa investigação. Seria mera coincidência? 10.8. Podemos verificar com a leitura das conclusões do Relatório Final da CPMI do Cachoeira, que não restaram dúvidas ao trabalho investigativo promovido pelo Congresso Nacional, do vínculo societário e profissional das pessoas físicas aqui citadas, e que todas elas direta ou indiretamente participaram ativamente da administração dos negócios da SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME CNPJ: 09.503.787/000189, sob a orientação e direção dos senhores MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD. 155. TVF, págs. 1.188/1.189, transcreve a relação das empresas e valores dos recursos transferidos a elas pela empresa Delta no caso da Autuada R$46,4 Milhões; as empresas citadas são: S.P Terraplenagem Ltda; Power To Tem Engenharia Ltda; JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda; S.B Serviços de Terraplenagem Ltda ; WS Serviços de Terraplenagem Ltda ; B.W. Serviços de Terraplenagem Ltda; SOTERRA Terraplenagem e Locação de Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 45 44 Equipamentos; 3.2 DREAM ROCK Entretenimento Ltda; ROCK STAR MARKETING Promoções e Eventos Ltda; ROCK STAR PRODUÇÕES Comércio e Serviços Ltda; S.M Terraplenagem Ltda; SOLU terraplenagem Ltda; ROCK STAR Marketing Comunicação Ltda; LEGEND Engenheiros Associados Ltda; e que, conforme relatório apresentado, todas apresentam como contadores Abbud (Mauro José e Marcello) e/ou da família Branco (Sônia Maria, Sandra Maria e Sueli Maria). O Senhor Adir Assad aparece como sócio fundador de algumas das empresas apontadas. 156. TVF, págs. 1.201/1.208: 10.14.7. Abaixo iremos demonstrar que o Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSE ABBUDcontinuam sendo os administradores desta empresa, Legend Engenheiros Associados Ltda CNPJ: 07.794.669/000141, até os dias de hoje. Também iremos demonstrar que o contribuinte SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME CNPJ: 09.503.787/000189. utilizou e ainda utiliza o endereço da sociedade Legend Engenheiros Associados Ltda CNPJ: 07.794.669/000141, Rua Irai, 1.292 Planalto Paulista São Paulo /SP CEP: 04082003, para o recebimento de correspondências e o próprio ADIR ASSAD, sua esposa SÔNIA REGINA ASSAD e as sócias SÔNIA MARIZA BRANCO e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO também utilizam este endereço com o mesmo fim. A própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários ADIR ASSAD e MARCELLO JOSE ABBUD. (...) 10.14.8. Os documentos abaixo demonstram mais uma vez o relacionamento existente entre as empresas administradas pelos empresários ADIR ASSAD e MARCELLO JOSE ABBUD: Legend Engenheiros Associados Ltda. CNPJ: 07.794.669/0001 41, JSM Engenharia e Terraplenagem Ltda. ME CNPJ: 10.361.606/000106, Power To Ten Engenharia Ltda. ME CNPJ: 09.485.858/000168, SM Terraplenagem Ltda. ME CNPJ: 07.829.451/000185, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda. ME CNPJ: 10.447.939/000152 e SP Terraplenagem Ltda. ME CNPJ: 09.503.787/000189 nesta relação de documentos enviada ao contador em comum destas sociedades Sr Adalberto Palhinha. Nesta relação podemos observar que além dos documentos das empresas aqui citadas, há envio de documentos pessoais do Sr ADIR ASSAD, e também documentos de uma outra empresa do Sr MARCELLO JOSE ABBUD, de nome "MARCELLO JOSÉ ABBUD PLANEJAMENTO EST." Esta relação foi obtida através do compartilhamento do processo n° 080231542.2013.4.02.5101, que autorizou a busca e apreensão nas empresas de fachada controladas pelo Sr Adir Assad em São Paulo, autorizado pelo MM. Juiz Federal Substituto no exercício da Titularidade da 7a Vara Federal Criminal da Capital / RJ, Dr. Eduardo de Assis Ribeiro Filho. No Quadro seguinte reproduzimos um email, de 05/04/2010, apreendido pela Polícia Federal, em que a Sra SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, sócia administradora da Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 46 45 SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME CNPJ: 09.503.787/0001 89, encaminha ao Sr Amauri (...) 5.2.1 Erro na identificação do sujeito passivo. inocorrência de intimação para exercício de pleno direito de defesa e afronta aos princípios constitucionais, pois durante a fiscalização somente a pessoa jurídica foi alvo das intimações. 157. Todas estas reclamações já foram analisadas neste voto e consideradas improcedentes. 5.2.2 Responsabilidade solidária. Extensão. 158. Pleiteiam que as multas de ofício aplicadas sejam excluídas do montante pelo qual as pessoas jurídicas Santa Sônia e Four's foram consideradas responsáveis solidárias. 159. O CTN determina que a responsabilidade solidária se dá em relação ao crédito tributário e este abrange as multas de ofício. 5.2.3 Sônia Mariza Branco, CPF 030.455.88859, responsabilizada com base nos arts. 124, I e 135, III, do CTN 160. O Autuante afirma, item 10.16.1 do TVF, que seria interposta pessoa de Adir Assad e Marcello José Abbud, conforme consta da CPMI, nas seguintes empresas: SM Terraplanagem Ltda, Soterra Terraplanagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplanagem Ltda, Rock Star Marketing Ltda, Rock Star Marketing, Promoções e Eventos Ltda, Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, Solu Terraplanagem Ltda, conforme consta dos quadros societários das referidas empresas, nas págs. 1.213/1.214; no item 10.16.2, que ela utiliza o endereço da Legand como domicílio bancário e a Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas por Adir Assad e Marcello José Abbud. 161. É mãe de Sibely Coelho e Soiani Coelho, também interpostas pessoas de Adir Assad, conforme consta dos quadros sociais das empresas Rock Star Marketing, Promoções e Eventos Ltda, Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, Solu Terraplanagem Ltda, págs. 213/214. 162. Descreve que Adir Assad e Marcello José Abbud constituíram a empresa Legend Engenheiros Associados Ltda, CNPJ 07.794.669/000141 e foi seu sócio administrador até 30/03/2009, sendo substituído pelas mesmas Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, de forma análoga como procedeu em relação à Autuada, e, conforme conclusões da CPMI, mesmo depois de formalmente desligado, continuou como real administrador de ambas empresas; que a Polícia Federal identificou que o endereço da Legend, rua Iraí, 1.292, Planalto Paulista, São Paulo/SP, é utilizado também pela Rock Star Marketing Ltda, assim como Adir Assad e sua esposa Sônia Regina Assad, e Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, conforme documentos copiados no TVF. 163. O Autuante transcreve reportagem na revista Veja, pág. 1.196, em que Adir Assad afirma que as pessoas tidas como interpostas nas empresas, são parceiros que trabalham com ele há mais de 20 anos. Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 47 46 164. E informa, pág. 1.188 do TVF que: 10.4. Conforme já mencionado, a SP TERRAPLENAGEM LTDA. ME CNPJ: 09.503.787/000189 se encontra vinculado direta ou indiretamente aos empresários MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD. Outras empresas também fizeram parte do esquema montado por estes empresários, algumas das quais vamos discorrer neste relatório, como forma de elucidar toda a engenharia executada pelo empresário como forma de ludibriar e sonegar receitas e informações ao fisco federal. Posteriormente, paulatinamente, MARCELLO JOSÉ ABBUD e ADIR ASSAD foram sendo sucedidos, ou mesmo constituindo novas empresas, cujos quadros societários são constituídos por pessoas que lhe são próximas, caso das irmãs SÔNIA MARIZA BRANCO, CPF: 030.455.88859 e SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, CPF: 903.957.35815. 10.5. Constatouse, ainda, que os contadores destas sociedades (todas ligadas a ADIR ASSAD) são sempre os mesmos: i) ADALBERTO PALHINHA MARTINS; e ii) AMAURY PONTALTL Devese dizer que boas partes dessas sociedades encontramse "sediadas" em endereços coincidentes, todos invariavelmente incompatíveis com as atividades prestadas e com as receitas milionárias que foram auferidas, e que hoje se encontram na situação cadastral de BAIXADAS DE OFÍCIO (motivação: inexistente de fato). 165. TVF, págs. 1.208/1.209: 10.14.9. Em relação a SANDRA MARIA BRANCO MALAGO (irmã de Sônia Mariza Branco) e SÔNIA MARIZA BRANCO também corre na Sexta Vara Criminal Federal Especializada em Crime Contra o Sistema Financeiro Nacional e em Lavagem de Valores, o processo n° 2008.61.81.0057554 (IPL n° 120134/08 DELEFIN/SR/DPF/SP) em que ela é uma das investigadas em conjunto com o Sr ADIR ASSAD. Conforme oficio do MM. Juiz Federal Substituto da 6a Vara Federal Criminal Federal / SP, Dr. Marcelo Costenaro Cavali, este autorizou o compartilhamento e o uso dos depoimentos prestados por SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SÔNIA MARIZA BRANCO neste processo administrativo. 10.14.10. No depoimento de SÔNIA MARIZA BRANCO, em anexo a este, de 13/06/2012, na Superintendência Regional em São Paulo da Polícia Federal, a depoente inquirida relatou os seguintes fatos, entre outros; QUE conheceu ADIR ASSAD há cerca de trinta anos, QUE desde então, além de trabalharem juntos, construíram também uma amizade, inclusive entre as famílias da declarante e ADIR, QUE ele conseguia os eventos e, para tanto, trabalhava muito na rua, fazendo os contatos necessários, a declarante passou a tocar toda a parte de escritório e de organização de contas, das agendas, etc, QUE conforme as coisas foram tomando vulto, a declarante também chamou sua irmã SANDRA MARIA BRANCO MALAGO para auxiliála, QUE atualmente as empresas do ramo de eventos que Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 48 47 estão ativas são a ROCK STAR PRODUÇÕES, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. e a ROCK STAR MARKETING LTDA. a primeira constituída em 2002 e a segunda em 2005, QUE as outras empresas que também já tiveram, a ROCK STAR ENTERTAINMENT LTDA. e a STAR MARKETING LTDA. não operam mais, QUE a decisão de concentrar a prestação de serviços por meio da ROCK STAR PRODUÇÕES e da ROCK STAR MARKETING se deu em razão da desnecessidade de se ter quatro empresas abertas, sendo que estas duas foram escolhidas para continuar funcionando porque foram constituídas pela declarante e pelo ADIR, ao passo que as outras duas tinhas sido adquiridas de outros empresários anteriores, QUE em que tange a atividade da empresa em si, trabalham efetivamente a declarante, sua irmã SANDRA e ADIR ASSAD, QUE a declarante tira mais ou menos por volta de RS 20.000,00 (vinte mil reais) por mês, sendo este valor mais ou menos fixo, tendo a declarante a liberdade de retirar mais no caso de alguma ocorrência extraordinária, tudo combinado com o ADIR, QUE tanto a declarante SÔNIA como sua irmã SANDRA e também ADIR tem amplos poderes para movimentar as contas das empresas, QUE existe uma confiança muito grande entre eles, tudo é muito abertamente conversado e combinado, QUE a participação de ADIR nos lucros é maior, devido a sua responsabilidade maior de trazer sempre novos negócios às empresas, QUE nem a declarante nem sua irmã SANDRA participam de outras empresas, QUE a declarante tem outra irmã de nome SUELI que por vezes realiza algum trabalho para as empresas Rock Star, mas não é contratada, é como freelance, QUE ADIR ASSAD possui sociedade em outras empresas, pelo que sabe, no ramo de engenharia, que é a formação dele, mas a declarante não tem qualquer função nestas outras sociedades ou conhecimento sobre as atividades delas. 166. Págs. 1.209/1.209: 10.14.9. Em relação a SANDRA MARIA BRANCO MALAGO (irmã de Sônia Mariza Branco)e SÔNIA MARIZA BRANCO também corre na Sexta Vara Criminal Federal Especializada em Crime Contra o Sistema Financeiro Nacional e em Lavagem de Valores, o processo n° 2008.61.81.0057554 (IPL n° 120134/08 DELEFIN/SR/DPF/SP) em que ela é uma das investigadas em conjunto com o Sr ADIR ASSAD. Conforme oficio do MM. Juiz Federal Substituto da 6a Vara Federai Criminal Federal / SP, Dr. Marcelo Costenaro Cavali, este autorizou o compartilhamento e o uso dos depoimentos prestados por SANDRA MARIA BRANCO MAULAGO e SÔNIA MARIZA BRANCO neste processo administrativo. 10.14.10. No depoimento de SÔNIA MARIZA BRANCO, em anexo a este, de 13/06/2012, na Superintendência Regional em São Paulo da Polícia Federal, a depoente inquirida relatou os seguintes fatos, entre outros: QUE conheceu ADIR ASSAD há cerca de trinta anos, QUE desde então, além de trabalharem juntos, construíram também uma amizade, inclusive entre as Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 49 48 famílias da declarante e ADIR, QUE ele conseguia os eventos e, para tanto, trabalhava muito na rua, fazendo os contatos necessários, a declarante passou a tocar toda a parte de escritório e de organização de contas, das agendas, etc, QUE conforme as coisas foram tomando vulto, a declarante também chamou sua irmã SANDRA MARIA BRANCO MALAGO para auxiliála, QUE atualmente as empresas do ramo de eventos que estão ativas são a ROCK STAR PRODUÇÕES, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. e a ROCK STAR MARKETING LTDA. a primeira constituída em 2002 e a segunda em 2005, QUE as outras empresas que também já tiveram, a ROCK STAR ENTERTAINMENT LTDA. e a STAR MARKETING LTDA. não operam mais, QUE a decisão de concentrar a prestação de serviços por meio da ROCK STAR PRODUÇÕES e da ROCK STAR MARKETING se deu em razão da desnecessidade de se ter quatro empresas abertas, sendo que estas duas foram escolhidas para continuar funcionando porque foram constituídas pela declarante e pelo ADIR, ao passo que as outras duas tinhas sido adquiridas de outros empresários anteriores, QUE em que tange a atividade da empresa em si, trabalham efetivamente a declarante, sua irmã SANDRA e ADIR ASSAD, QUE a declarante tira mais ou menos por volta de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) por mês, sendo este valor mais ou menos fixo, tendo a declarante a liberdade de retirar mais no caso de alguma ocorrência extraordinária, tudo combinado com o ADIR, QUE tanto a declarante SÔNIA como sua irmã SANDRA e também ADIR tem amplos poderes para movimentar as contas das empresas, QUE existe uma confiança muito grande entre eles, tudo é muito abertamente conversado e combinado, QUE a participação de ADIR nos lucros é maior, devido a sua responsabilidade maior de trazer sempre novos negócios às empresas, QUE nem a declarante nem sua irmã SANDRA participam de outras empresas, QUE a declarante tem outra irmã de nome SUELI que por vezes realiza algum trabalho para as empresas Rock Star, mas não é contratada, é como freelance, QUE ADIR ASSAD possui sociedade em outras empresas, pelo que sabe, no ramo de engenharia, que é a formação dele, mas a declarante não tem qualquer função nestas outras sociedades ou conhecimento sobre as atividades delas. 167. Cópia deste Termo de Declarações (IPL nº 0134/200811) que foi prestado em 13/06/2012, se encontra às págs. 153/157. 168. Dos fatos descritos e cópias de documentos nos autos fica evidente que Sônia Mariza Branco teve participação ativa na condução da empresa e, quando da formalização do desligamento de Adir Assad da empresa, continuou seguindo as disposições emanadas do mesmo, ou seja, além de gerenciar a administração, deliberadamente, serviu de interposta pessoa na continuidade da empresa. 169. Dado os fatos descritos, cabe a responsabilização solidária com base no art. 124, I, do CTN, devido à participação no processo decisório e no gerenciamento da empresa onde ocorreu a sonegação, e no art. 135, III do CTN, porque ficaram evidenciados o dolo e Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 50 49 participação na fraude, sendo parte ativa no acobertamento de Adir Assad com real administrador e sócio da Autuada. 5.2.4 Sandra Maria Branco Malago, CPF 903.957.35815, responsabilizada com base nos arts. 124, I e 135, III, do CTN. 10.17.1. A sócia Sandra Maria Branco Malago CPF: 903.957.35815 é apontada pela CPMI do Cachoeira, Operação Monte Carlo e Saqueador da Polícia Federal, relatos da mídia em geral e também em fiscalizações abertas na da DRF/Barueri como interposta pessoa do Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD nas seguintes empresas: SM Terraplenagem Ltda. CNPJ: 07.829.451/000185; Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda. CNPJ: 10.447.939/000152; SP Terraplenagem Ltda. CNPJ: 09.503.787/000189 e Rock Star Marketing Ltda. CNPJ: 07.829.493/000116, sendo que nesta última a sociedade foi constituída pela Sra SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e pelo Sr ADIR ASSAD. Estas empresas foram alvo de investigações pela "Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, criada peio requerimento n° 1, de 2012CN, destinada a investigar práticas criminosas do Sr. Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, desvendadas pelas operações "Vegas"e "Monte Carlo"da Polícia Federal", que concluiu que todas as empresas acima citadas são controladas pelo Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD. Outro fato importante a ser relatado é que a Sra SANDRA MARIA BRANCO MALAGO foi empregada da sociedade Star Marketing Comunicação Ltda. ME CNPJ: 04.753.106/0001 17, no período de 02/08/2004 a 11/2005, sociedade constituída pela sua irmã SÔNIA MARIZA BRANCO que conforme relatos neste relatório (procurações acima anexadas) é interposta pessoa do Sr Adir Assad. Nos quadros abaixo podemos confirmar a participação societária da Sra Sandra Maria Branco Malago nas sociedades controladas pelo Sr ADIR ASSAD e MARCELLO JOSÉ ABBUD e alvo das investigações da CPMI e da Polícia Federal: 170. E lista as empresas: SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda, SP Terraplenagem Ltda, Rock Star Marketing Ltda. 171. Págs. 1.209/1.2010: 10.14.11. No depoimento de SANDRA MARIA BRANCO MALAGO, em anexo a este, de 13/06/2012, na Superintendência Regional em São Paulo da Polícia Federal, a depoente inquirida relatou os seguintes fatos, entre outros; QUE sua irmã Sônia conhece ADIR ASSAD há mais de 30 anos, QUE SÔNIA começou a trabalhar com ADIR no ramo de eventos um pouco depois de se conhecerem e também um pouco depois SÔNIA convidou a declarante para auxiliálos, QUE então a declarante também conhece, trabalha e tem amizade com ADIR ASSAD há aproximadamente de 30 anos, QUE atualmente as empresas que estão ativas e operantes são ROCK STAR MARKETING LIDA, da qual a declarante também é sócia, e a ROCK STAR Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 51 50 PRODUÇÕES COMÉRCIO E SERVIÇO LTDA, QUE as empresas STAR MARKETING LTDA e ROCK STAR ENTERTAINMENT LTDA tiveram encerradas suas atividades há alguns anos, QUE a declarante não tem ingerência na formatação dos contratos com patrocinadores ou com terceirizados, não passam pela declarante, sendo mais atribuição de ADIR, QUE por vezes a declarante realiza alguns pagamentos, por exemplo, pagamentos em espécie que são feitos no momento dos eventos para manobristas, garçons ou a compra de alguma coisa extraordinária, etc, mas em regra são ADIR e SÔNIA que cuidam desta parte de pagamentos, QUE possui autorização para movimentar as contas bancárias das empresas, mas esclarece que somente assina estas movimentações quando é necessário, o que ocorre normalmente quando ADIR ou SÔNIA não estão presentes para movimentar a conta por eles mesmos. 10.14.12. Por tudo que foi dito acima nos depoimentos prestados pelas sócias SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SÔNIA MARIZA BRANCO, em 13/06/2012, não resta a menor dúvida da participação e gerência do Sr ADIR ASSAD na condução dos negócios comerciais e financeiros das sociedades em que estas senhoras configuram como sócias. Podemos comprovar que SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SÔNIA MARIZA BRANCO nada mais são que interpostas pessoas do Sr ADIR ASSAD e apenas são instrumentos para que este conduza seus negócios sem que seu nome apareça de forma legal. 10.14.13. Outro documento que comprova o vínculo societário e a subordinação das sócias SANDRA MARIA BRANCO MALAGO e SÔNIA MARIZA BRANCO ao Sr ADIR ASSAD são as procurações anexadas a este procedimento, em que os fatos aqui relatados ocorrem em relação a outras sociedades, onde as sócias acima citadas são interpostas pessoas do Sr ADIR ASSAD, que 172. Do exposto, concluise que a participação no acobertamento de Adir Assad como real sócio e gestor, teve a participação consciente e ativa de Sônia Mariza Branco e, por este motivo, cabe manter a responsabilização solidária com base no art. 135, III, do CTN. 5.2.5 Adir Assad, CPF 758.948.15800, responsabilizado com base nos arts. 124, I e 135, III, do CTN. 173. O Autuante afirma, item 10.13 do TVF, que Adir Assad (conjuntamente com Marcello José Abbud) é o verdadeiro sócio e administrador da Autuada e que as irmãs Sônia e Sandra seriam interpostas pessoas, conforme consta da CPMI. 174. O Autuante descreve o relacionamento entre empresas e Adir Assad, págs. 1.198/1.211, o qual deve ser avaliado levando em conta o conjunto das empresas, entre elas a Autuada. 175. O fatos que descreve evidenciam que havia controle comum dessas empresas, dado que mesmo pagamentos e notas fiscais passavam pela sócia Sandra Mariza Branco, e também pagamentos de contas de Adir Assad. Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 52 51 176. Descreve procurações feitas por Sônia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago, na qualidade de sócias gerentes da Autuada, da Rock Star Entertainment Ltda, e da Star Consultoria Aeronáutica Ltda, para Adir Assad, em 11/03/2004, 30/03/2004, 28/03/2005, 20/07/2011, todas com validade de 2 (dois ) anos. 177. O Recorrente argumenta que nenhuma das procurações ou documentos descritos no TVF é do período autuado, mas são todos anteriores ou posteriores, no entanto, os depoimentos das sócias da empresa constantes do Contrato Social, evidenciam sua atuação como dirigente da mesma e que elas são suas colaboradoras e continuaram a atuar sob sua orientação, mesmo depois que oficializou seu desligamento da Autuada. 178. Também numerosos indícios, como contas de Adir Assad e esposa, pagas pelas sócias da Autuada, utilização dos mesmos endereços, prestação de serviços como compra de passagens e de bens, evidenciam que continuou como administrador e sócio da autuada, mesmo não o sendo oficialmente. 179. À vista de todos os fatos descritos, correta sua responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN, por ser o responsável pelas decisões que levaram à sonegação, e art. 135, III do CTN, devido à interposição de pessoas como sócias oficiais da empresa, o que caracteriza fraude. 5.2.6 Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 58.783.689/000158, responsabilizada com base no art. 124, I, do CTN. 180. Defende a nulidade ao argumento de falta de intimação para poder exercer seu direito de defesa, o que é improcedente, dado que, como relatado, foi cientificada dos autos de infração e Termo de Responsabilidade, tendo apresentado impugnação, e foi cientificada do Acórdão DRJ, tendo apresentado recurso voluntário, ora em julgamento. 181. Às págs. 1.216/, o Autuante descreve que a empresa foi constituída em 19/12/1978, por Adir Assad e sua esposa Sônia Regina Assad, com o objeto social de comércio de materiais de construção e serviços de administração de imóveis; em 20/04/2010, alterado para incorporação de empreendimentos imobiliários e construções de edifícios; em 01/08/2012, Adir Assad e esposa retiraramse da sociedade e a transferiram para as filhas Nicole Ferreira Assad e Natalie Ferreira Assad; as quotas foram repassadas por meio de Escritura de Doação com Reserva de Usufruto, em 20/01/2012, data em que também foi outorgada procuração pelas filhas, concedendo amplos poderes a Adir Assad e esposa, para gerirem a empresa. 182. Descreve que a maioria dos bens do casal está nesta empresa e aponta que se trata de estratégia para proteger seu patrimônio, diante das investigações de que foi alvo. 183. Para tanto, apresenta à pág. 1.217 quadro demonstrativo desses bens e que foram adquiridos e repassados à empresa nos anos 2007, 2008, 2009, 2011 e 2012. 184. O art. 124, I do CTN, determina que são responsáveis solidáriamente as pessoas (físicas ou jurídicas) que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal pois bem, a Santa Sônia tem seu patrimônio constituído de bens resultantes da atividade empresarial de Adir Assad, ou seja, caracteriza o interesse econômico comum, por ter desfrutado dos resultados da Autuada, e o outro aspecto do interesse comum é caracterizado pela participação no processo decisório que levou ao fato gerador da infração tributária evidenciase que os reais gestores da Santa Sônia continuaram a ser Adir Assad e Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 53 52 esposa e que os bens foram transferidos para a Santa Sónia durante o período em que foram constatadas as irregularidades e Adir Assad objeto de investigações descritas; os bens, a rigor, fazem parte do patrimônio da pessoa física do real administrador da empresa, cabendo incluir a Santa Sônia Empreendimentos Imobiliários Ltda, na responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN, de Adir Assad. 185. Concluise que cabe a responsabilização com base no art. 124, I do CTN, de empresas para as quais foram transferidos os respectivos bens do sócio oficial e do sócio de fato, para proteger os respectivos patrimônios, tratandose de bens resultantes das atividades empresariais destes, e tendo sido este sócio oficial e sócio de fato responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário, com base nos arts. 124, I e 135, III do CTN. 5.2.7 Four's Empreendimentos Imobiliários Ltda., CNPJ 10.263.163/000110, responsabilizada com base no art. 124, I, do CTN. 186. Às págs. 1.220/1.221 descreve que Sônia Mariza Branco adotou estratégia igual à de Adir Assad, para proteger seu patrimônio, diante das investigações em curso: a Four's foi constituída em 29/07/2008, pelas filhas de Sonia Mariza Branco, Sibely Coelho e Soiany Coelho, e em 18/03/2010, passaram a ser sócias administradoras Nathaly Coelho Adesso, filha de Sibely Coelho, e Simone Coelho Adesso, filha de Sônia Mariza Branco; o objeto social da empresa é "incorporação de empreendimentos imobiliários e gestão e administração da propriedade imobiliária" ; o quadro à pág. 1.221, demonstra que Sônia Mariza Branco repassou para a Four's bens que adquiriu em 2009, 2010, 2011 e 2012; também descreve procuração em nome de Sônia Mariza Branco e de sua filha Sibely Coelho, lavrada por Simone Coelho Adesso e Nathaly Coelho Adesso concedendo amplos poderes de gerência da sociedade. 187. De forma análoga, assim como Sônia Mariza Malago foi responsabilizada, e é a real administradora da Four's, e os bens transferidos à esta, na verdade, fazem parte do seu patrimônio, cabe incluir a empresa Four's na responsabiliza solidária com base no art. 124, I do CTN, de Sônia Mariza Branco. 5.2.8 Marcello José Abbud, CPF 563.588.81868 , responsabilizado com base nos arts. 124, I e 135, III, do CTN. 188. Fonte: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,alvodaoperacaosaqueador marceloabbudseentregaapoliciafederalemsaopaulo,10000060232 Alvo da Operação Saqueador, Marcelo Abbud se entrega à Polícia Federal em São Paulo Empresário, que era procurado desde o início da manhã desta quintafeira, 30, é suspeito de participar de esquema de lavagem de dinheiro em obras ligadas à construtora Delta Constança Rezende e Antonio Pita, O Estado de S.Paulo 30 Junho 2016 | 18h50 RIO Procurado por suspeita de integrar esquema de lavagem de R$ 370 Milhões em obras ligadas à construtora Delta, o empresário Marcelo Abbud se entregou nesta quintafeira, 30, na sede da Polícia Federal de São Paulo. Ele era procurado desde o início da manhãna Operação Saqueador, que apura o esquema de desvios. No fimda tarde, o contraventor Carlinhos Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 54 53 Cachoeira chegou à sede da PF, no Rio, para prestar depoimento do caso. Apenas o dono da construtora, Fernando Cavendish, não foi localizado pela polícia ele teria viajado à Europa no fim de semana. Em nota, a defesa do empresário se disse "estarrecida" com o que chama de "insuportável ilegalidade". A PF investiga a relação de Cavendish com políticos no esquema de lavagem de dinheiro. "A Defesa de Fernando Cavendish, estarrecida com a decretação de sua prisão, tomará as providências judiciais para reverter esta insuportável ilegalidade. A prisão foi requerida nos autos de Inquérito Policial que tramita há mais de três anos, no qual Fernando Cavendish sempre atendeu às solicitações da Autoridade Policial, nada justificando a adoção desta medida extrema", diz o advogado Técio Lins e Silva, em nota. Também a defesa de Marcelo Abbud pretende entrar com medidas judiciais contra a prisão do empresário. O advogado Miguel Pereira Neto, que também defende o empresário Adir Assad, já condenado na Operação Lava Jato, considerou que o pedido de prisão é baseado em "suposição". 189. Fonte: http://g1.globo.com/saopaulo/noticia/2016/01/mpdenunciafraudeem contratodeobrasdeampliacaodamarginaltiete.html: 28/01/2016 MP denuncia fraude em contrato de obras de ampliação da Marginal Tietê Promotor denunciou seis pessoas pela fraude; licitação ocorreu em 2009. MP apura, agora, se R$ 71 milhões foram repassados a campanha eleitoral. (...) Alvo O alvo da primeira fase da investigação é a suposta fraude no contrato firmado após convênio entre a Prefeitura de São Paulo e o governo paulista, para a ampliação da marginal no trecho entre a Ponte das Bandeiras até a confluência da Rua Ulisses Cruz. (...) Ao todo, seis pessoas foram denunciadas pelo MP: Fernando Cavendish Soares, sócio fundador da Delta Construtora acusado por fraude de licitação, lavagem de dinheiro e associação criminosa Adir Assad, sócio fundador das empresas Rock Star Marketing Ltda, Legend Engenheiros Associados e Power to Ten Engenharia: acusado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica Marcello José Abbud, sócio das empresas Legend Engenheiros Associados, JSM Engenharia e Terraplenagem e Power to Ten Engenharia: acusado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica Mauro José Abbud, sócio das empresas Legend Engenheiros Associados, Soterra Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 55 54 Terraplenagem e Locação de Equipamentos, JSM Engenharia e Terraplenagem e Power to Ten Engenharia: acusado por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica Sônia Mariza Branco, sócia das empresas Rock Star Marketing Ltda, Legend Engenheiros Associados Ltda, SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos e SP Terraplenagem: acusada por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica Sandra Maria Branco Malago, sócia das empresas Rock Star Marketing Ltda, SM Terraplenagem Ltda, Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos, SP Terraplenagem, JSM Engenharia e Terraplenagem e Power to Ten Engenharia: acusada por lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica (...) Início das investigações Segundo o promotor do Gedep, as informações iniciais foram repassadas ao MP pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que investigou crimes praticados por Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e agentes públicos e privados. O relatório da CPMI apontou "indícios veementes de favorecimento em processos licitatórios em troca de financiamento de campanhas políticas", consta na denúncia do MP. Documentos bancários obtidos pela CPMI que a Delta Construções usava empresas de fachada ou fictícias para movimentar recursos financeiros com objetivos ilegais. Pelos documentos enviados ao MP, indicavamse duas grandes obras feitas pela Delta, em consórcio com outras empresas, entre elas a ampliação da Marginal Tietê. As obras foram pagas por meio de um convênio entre a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual. O consórcio Nova Tietê (Delta/Sobrenco) venceu a licitação. O contrato total foi fechado, em 2009, no valor de $ 773.306.587,78. O primeiro lote em 456.983.437,05 não é alvo do Ministério Público. Já o segundo lote em RS 287.224.552,79, executado Consórcio Nova Tietê, formado por Delta Construções S/A e Sobrenco Engenharia e Comércio Ltda, é aditado em mais R$ 71,6 milhões, é alvo da investigação do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedep). 190. TVF, págs. 1.211/1.212, detalha as participações societárias de Marcello José Abbud, Adir Assad, SÔnia Mariza Branco e Sandra Maria Branco Malago nas empresas Legend Engenheiros Associados Ltda; JSM Engenharia e terraplenagem Ltda, Power To Ten Engenharia Ltda, todas identificadas pela CPMI como utilizadas para receber recursos da empresa Delta no esquema de desvio de recursos descrito, ou seja, empresas que pertencem ao mesmo grupo controlado por Adir Assad e Marcello José Abbud: 10.15. Sr Marcello José Abbud 10.15.1. Em conjunto com o Sr ADIR ASSAD, o Sr MARCELLO JOSE ABBUD constituiu em 18/01/2006, a sociedade Legend Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 13896.722317/201419 Acórdão n.º 1201001.855 S1C2T1 Fl. 56 55 Engenheiros Associados Ltda CNPJ: 07.794.669/000141. mantevese formalmente como sócio administrador desta empresa até o dia 12/12/2007. Importante salientar que mesmo depois de sua saída formal da empresa Legend Engenheiros Associados Ltda CNPJ: 07.794.669/000141 o Sr MARCELLO JOSÉ ABBUD continuou sendo o real administrador desta empresa, conforme provas colhidas na CPMI do Cachoeira e nas investigações da Polícia Federal. A própria Polícia Federal considera este endereço como o centro de operações das empresas controladas pelos empresários ADIR ASSAD e MARCELLO JOSE ABBUD. 10.15.2. Nos quadros abaixo podemos confirmar a participação societária do Sr MARCELLO JOSE ABBUD nas sociedades controladas por ele e pelo Sr ADIR ASSAD e alvo das investigações da CPMI e da Polícia Federal: 191. À vista de todos os fatos descritos, correta sua responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN, por ser o responsável pelas decisões que levaram à sonegação, e art. 135, III do CTN, devido à interposição de pessoas como sócias oficiais da empresa, o que caracteriza fraude. 6 Sustentação Oral. Petição Extemporânea. 192. Em sede de sustentação oral, na sessão de julgamento no CARF, em 16/08/2017, o patrono apresentou petição, cujo teor consta do Relatório. 193. Mesmo sendo extemporânea, foi submetida à votação da Turma que decidiu por unanimidade por não conhecer desta petição. 7 Conclusão. Voto por, dar PROVIMENTO EM PARTE ao recurso de ofício e NEGAR provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1939DF CARF MF
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