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Numero do processo: 10580.732488/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2201-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 975/992) interposto contra decisão no acórdão exarado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) de fls. 950/969, que julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o créditos tributários formalizados nos autos de infração, lavrados em 18/12/2012, abaixo relacionados, acompanhado do Relatório Fiscal (fls. 62/84): AI – Auto de Infração – DEBCAD nº 37.379.475-4, no montante de R$ 100.636,02, já acrescidos de juros, multa de ofício e multa de mora, referente contribuição previdenciária da empresa (patronal) - (fls. 03/13); AI – Auto de Infração – DEBCAD nº 37.379.476-2, no montante de R$ 65.4730,75, já acrescidos de juros, multa de ofício e multa de mora, referente contribuição previdenciária da empresa (patronal) - (fls. 14/30); AI – Auto de Infração – DEBCAD nº 37.379.477-0, no montante de R$ 5.979,14, já acrescidos de juros, multa de ofício e multa de mora, referente contribuição previdenciária a cargo dos segurados (fls. 31/42) e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 32 48 8/ 20 12 -5 0 Fl. 1005DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 AI – Auto de Infração – DEBCAD nº 37.379.478-9, no montante de R$ 96.192,03, já acrescidos de juros, multa de ofício e multa de mora, referente contribuição de terceiros destinada a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE ) - (fls. 43/61). Abaixo segue reproduzido o “Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo” (fl. 02): Devidamente cientificado dos lançamentos em 21/12/2012 (fls. 03, 14, 31 e 43) o contribuinte apresentou impugnação em 21/01/2013 (fls. 674/693), acompanhada de documentos (fls. 694/948). A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), em sessão de 09 de outubro de 2013, no acórdão nº 08-27.161 (fls. 950/969), julgou a impugnação procedente em parte, para (fl. 951): - excluir a sócia RENILZA GUEDES DE SOUZA CRUZ, CPF 249.960.84553, do pólo passivo da obrigação tributária; - excluir o agravamento da multa, reduzindo a multa de ofício de 112,5% para 75%; - excluir a qualificação da multa, reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%; - manter o crédito tributário e a penalidade aplicada quanto as demais matérias. Consta informação de que “foi deixado de recorrer de ofício do presente Acórdão, em virtude de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada previsto no Decreto Fl. 1006DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 nº 70.235/72, artigo 34, I, c/c artigo 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 07/01/2008” (fl. 951). Segue abaixo reproduzida a ementa do acórdão (fl. 950/951): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE MULTA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. INAFASTABILIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA PELO ÓRGÃO JULGADOR. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES, PRESTADORA DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA. A Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, prevista no art. 13, VI, da Lei Complementar 123/2006, não abrange a microempresa e a empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5º I do art. 18 desta Lei Complementar, a qual será regulada pela legislação aplicável às empresas em geral. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa na forma do art. 44, § 2º, a Lei 9.430/96 é medida excepcional, devendo ficar comprovado de forma inequívoca o embaraço à fiscalização. Demonstrado que o lançamento tem por base documentos fornecidos espontaneamente pelo próprio sujeito passivo, deve-se desagravar a multa. AUTO DE INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE PASSIVA DO SÓCIO. Para aplicação do art. 135 do CTN, torna-se necessária a perfeita configuração da atuação de diretores, gerentes e representantes com excesso de poderes, a fim de provar que os atos praticados foram contrários aos interesses da pessoa jurídica, sob pena de não ser possível a imputação da responsabilidade patrimonial aos dirigentes. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. A qualificação da multa, majorando em 100% a multa de ofício, é medida excepcional, devendo o existência de sonegação, fraude ou conluio ser demonstrada de forma inequívoca. A penalidade aplicável à conduta de prestar informação inexata já está prevista no art.. 44, I, da Lei 9.430/96, para a qual incide a multa de 75%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte tomou ciência do acórdão em 25/07/2014 (AR de fl. 973) e interpôs recurso voluntário em 26/08/2014 (fls. 975/992), com os argumentos sintetizados nos tópicos abaixo: I - SÍNTESE DA DEMANDA E DO ACÓRDÃO RECORRIDO II. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — NEGATIVA, SEM MOTIVAÇÃO ESPECÍFICA, DE PRODUÇÃO DE PROVA (DILIGÊNCIA) FORMAL E DEVIDAMENTE REQUERIDA NOS MOLDES DO DECRETO N° 70.235/72 — NULIDADE ABSOLUTA DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E EFETIVO PREJUÍZO À CONTRIBUINTE RECORRENTE III. INOCORRÊNCIA DE DESEMPENHO DA ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO DE IMÓVEIS E OBRAS DE ENGENHARIA NO PERÍODO FISCALIZADO — ABSOLUTA FALTA DE COMPROVAÇÃO FÁTICA POR PARTE DA AUTUANTE Fl. 1007DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 A PARTIR DAS NOTAS FISCAIS E CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DO PERÍODO SOB DISCUSSÃO — NÃO ENQUADRAMENTO DA CONTRIBUINTE NA VEDAÇÃO DO INCISO I, DO § 5-C DO ART. 18 DA LEI COMPLEMENTAR 123/2006 IV. DA CONFIGURAÇÃO DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO POR PARTE DO FISCO QUANTO À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL — OPÇÃO FIRMADA EM 01.07.2007 MEDIANTE A DECLARAÇÃO PRESTADA COM BASE NO CONTRATO SOCIAL E ALTERAÇÕES EXISTENTE ATÉ AQUELE MOMENTO — HOMOLOGAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL A PARTIR DO CONHECIMENTO DOS TERMOS DO OBJETO SOCIAL DOS ATOS CONSTITUVOS (sic) DA CONTRIBUINTE — EFICÁCIA EX NUNC DA NOVEL SITUAÇÃO JURÍDICA ATRIBUÍDA À AUTUADA SOBRE O MESMO ESTADO DE FATO JÁ CONHECIDO PELO FISCO V. ILEGALIDADE DA MULTA APLICADA POR FALTA DE DECLARAÇÃO DOS FATOS GERADORES EM GFIP (ITEM 8), DA SUA QUALIFICAÇÃO (ITEM 10) E DA MULTA OMISSÃO EM GFIP (ITEM 11.1)— DECORRÊNCIA LÓGICA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO OU AO MENOS DA EFICÁCIA EX NUNC DA MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO PROMOVIDA VI. DA IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS ANTES DA NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE — ERRO NO ATO DE OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL QUE NÃO REPRESENTA CONDUTA LESIVA POR PARTE DO IMPUGNANTE — NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR FALTA DE MOTIVAÇÃO ESPECIFICA QUANTO A ESSE PONTO DA DEMANDA VII. CONCLUSÃO E REQUERIMENTO Por tudo o quanto exposto, requer sejam acolhidas as razões do presente recurso, para que, em sede de segunda instância, seja decretada a nulidade do julgamento por força de cerceamento do direito de defesa quanto à prova, ou para que seja reconhecida a insubsistência do auto de infração para reconhecer a inocorrência de descumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias e extinguir os créditos tributários lançados ou ainda para que seja decretada a ilegalidade da incidência de acréscimos moratórios antes da notificação da contribuinte, devido à culpa recíproca. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. No recurso voluntário contribuinte insurge-se em relação aos seguintes pontos: (i) nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa - negativa imotivada de produção de prova (diligência); (ii) inocorrência de desempenho de atividade de construção civil; (iii) mudança de critério jurídico quanto a atividade do contribuinte optante pelo Simples Nacional; (iv) impossibilidade da exigência de acréscimos moratórios antes da notificação do contribuinte — erro no ato de opção ao Simples Nacional – culpa recíproca e (v) ilegalidade da multa aplicada por falta de declaração dos fatos geradores em GFIP. Fl. 1008DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 Em apertada síntese, desde a impugnação o contribuinte vem insurgindo-se contra do fato de não ter sido acolhido pelo fisco a sua opção de enquadrar-se no Simples Nacional por exercer atividade vedada para nele permanecer, nos termos do disposto no artigo 18, § 5º-C da Lei Complementar nº 123 de 2006, conforme foi relatado pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, cujo excerto segue abaixo reproduzido (fl. 63): (...) Em consulta realizada na situação da empresa no Simples Nacional 1 , constatou-se o que segue: Da Lei Complementar nº 123 de 20062 extraem-se os seguintes dispositivos: Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. 1 Disponivel em: file:///C:/Users/CARF/Downloads/ConsultaOptantes.pdf 2 LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006. (Republicação em atendimento ao disposto no art. 5º da Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011.) Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das Leis no 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei no 10.189, de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar no 63, de 11 de janeiro de 1990; e revoga as Leis no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de outubro de 1999. Fl. 1009DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) §1 o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos- calendário seguintes. § 2 o O prazo de que trata o § 1 o deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. § 3 o A exclusão de ofício será realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor, cabendo o lançamento dos tributos e contribuições apurados aos respectivos entes tributantes. § 4 o (REVOGADO) § 5 o A competência para exclusão de ofício do Simples Nacional obedece ao disposto no art. 33, e o julgamento administrativo, ao disposto no art. 39, ambos desta Lei Complementar. § 6º Nas hipóteses de exclusão previstas no caput, a notificação: I - será efetuada pelo ente federativo que promoveu a exclusão; e II - poderá ser feita por meio eletrônico, observada a regulamentação do CGSN. § 7º (REVOGADO) §8º A notificação de que trata o § 6º aplica-se ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. § 9º Considera-se prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I - a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) anos-calendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II - a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. (...) Art. 33. A competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas ao Simples Nacional e para verificar a ocorrência das hipóteses previstas noart. 29 desta Lei Complementaré da Secretaria da Receita Federal e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratando-se de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. § 1 o As Secretarias de Fazenda ou Finanças dos Estados poderão celebrar convênio com os Municípios de sua jurisdição para atribuir a estes a fiscalização a que se refere o caput deste artigo. § 1 o -A. Dispensa-se o convênio de que trata o § 1 o na hipótese de ocorrência de prestação de serviços sujeita ao ISS por estabelecimento localizado no Município. Fl. 1010DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 § 1 o -B. A fiscalização de que trata o caput, após iniciada, poderá abranger todos os demais estabelecimentos da microempresa ou da empresa de pequeno porte, independentemente da atividade por eles exercida ou de sua localização, na forma e condições estabelecidas pelo CGSN. § 1 o -C. As autoridades fiscais de que trata o caput têm competência para efetuar o lançamento de todos os tributos previstos nos incisos I a VIII do art. 13, apurados na forma do Simples Nacional, relativamente a todos os estabelecimentos da empresa, independentemente do ente federado instituidor. § 1 o -D. A competência para autuação por descumprimento de obrigação acessória é privativa da administração tributária perante a qual a obrigação deveria ter sido cumprida. § 2 o Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte exercer alguma das atividades de prestação de serviços previstas no§ 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar, caberá à Secretaria da Receita Federal do Brasil a fiscalização da Contribuição para a Seguridade Social, a cargo da empresa, de que trata oart. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3 o O valor não pago, apurado em procedimento de fiscalização, será exigido em lançamento de ofício pela autoridade competente que realizou a fiscalização. § 4 o O Comitê Gestor disciplinará o disposto neste artigo. (...) Art.39.O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. § 1 o O Município poderá, mediante convênio, transferir a atribuição de julgamento exclusivamente ao respectivo Estado em que se localiza. § 2 o No caso em que o contribuinte do Simples Nacional exerça atividades incluídas no campo de incidência do ICMS e do ISS e seja apurada omissão de receita de que não se consiga identificar a origem, a autuação será feita utilizando a maior alíquota prevista nesta Lei Complementar, e a parcela autuada que não seja correspondente aos tributos e contribuições federais será rateada entre Estados e Municípios ou Distrito Federal. § 3 o Na hipótese referida no § 2 o deste artigo, o julgamento caberá ao Estado ou ao Distrito Federal. §4º A intimação eletrônica dos atos do contencioso administrativo observará o disposto nos§§ 1 o -A a 1 o -D do art. 16. §5º A impugnação relativa ao indeferimento da opção ou à exclusão poderá ser decidida em órgão diverso do previsto no caput, na forma estabelecida pela respectiva administração tributária. §6º Na hipótese prevista no § 5 o , o CGSN poderá disciplinar procedimentos e prazos, bem como, no processo de exclusão, prever efeito suspensivo na hipótese de apresentação de impugnação, defesa ou recurso. (...) Vejamos o que estabelecia a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011 sobre o tema: Da Exclusão de Ofício Art. 83. A competência para excluir de ofício a ME ou a EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 5º; art. 33) I - da RFB; Fl. 1011DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 II - das secretarias de fazenda, de tributação ou de finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e II - das secretarias estaduais competentes para a administração tributária, segundo a localização do estabelecimento; e (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 156, de 29 de setembro de 2020) III - dos Municípios, tratando-se de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. § 1º Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3º) § 2º Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 122. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 1º-A a 1º-D; art. 29, §§ 3º e 6º) § 3º Na hipótese de a ME ou a EPP, dentro do prazo estabelecido pela legislação do ente federado que iniciou o processo, impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, com observância, quanto aos efeitos da exclusão, do disposto no art. 84. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, § 6º) § 4º Se não houver, dentro do prazo estabelecido pela legislação do ente federado que iniciou o processo, impugnação do termo de exclusão, este se tornará efetivo depois de vencido o respectivo prazo, com observância, quanto aos efeitos da exclusão, do disposto no art. 84. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3º; art. 39, § 6º) § 5º A exclusão de ofício será registrada no Portal do Simples Nacional na internet, pelo ente federado que a promoveu, após vencido o prazo de impugnação estabelecido pela legislação do ente federado que iniciou o processo, sem sua interposição tempestiva, ou, caso interposto tempestivamente, após a decisão administrativa definitiva desfavorável à empresa, condicionados os efeitos dessa exclusão a esse registro, observado o disposto no art. 84. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3º; art. 39, § 6º) § 6º Fica dispensado o registro previsto no § 5º para a exclusão retroativa de ofício efetuada após a baixa no CNPJ, condicionados os efeitos dessa exclusão à efetividade do termo de exclusão na forma prevista nos §§ 3º e 4º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3º) § 7º Ainda que a ME ou a EPP exerça exclusivamente atividade não incluída na competência tributária municipal, se tiver débitos perante a Fazenda Pública Municipal, ausência de inscrição ou irregularidade no cadastro fiscal, o Município poderá proceder à sua exclusão do Simples Nacional por esses motivos, observado o disposto nos incisos V e VI do caput e no § 1º, todos do art. 84. (Lei Complementar nº 123, art. 29, §§ 3º e 5º; art. 33, § 4º) § 8º Ainda que a ME ou a EPP não tenha estabelecimento em sua circunscrição o Estado poderá excluí-la do Simples Nacional se ela estiver em débito perante a Fazenda Pública Estadual ou se não tiver inscrita no cadastro fiscal, quando exigível, ou se o cadastro estiver em situação irregular, observado o disposto nos incisos V e VI do caput e no § 1º, todos do art. 84. (Lei Complementar nº 123, art. 29, §§ 3º e 5º; art. 33, § 4º) Como visto da reprodução acima, no período do lançamento, a empresa era optante do Simples Nacional e não consta nos presentes autos informação de que tenha sido expedido Ato Declaratório de Exclusão do Simples e que deste tenha sido dada ciência ao contribuinte e oportunizado ao mesmo prazo para apresentar impugnação sobre tal ato, nos termos da legislação e demais atos normativos vigentes. Nesse sentido, necessário se faz converter o julgamento em diligência com o objetivo da unidade de origem prestar os esclarecimentos abaixo solicitados, acompanhados da documentação comprobatória correspondente: Fl. 1012DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 2201-000.574 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.732488/2012-50 (i) Se houve a expedição do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. (ii) Se desse ato foi cientificado o contribuinte e oportunizado prazo para sua defesa e (iii) Informar o motivo pelo qual a empresa continuou como optante do Simples Nacional até 31/12/2014, conforme se extrai da tela acima reproduzida, mesmo após a constatação quando do procedimento de fiscalização realizado no ano-calendário de 2012 da vedação da atividade desenvolvida pela referida empresa para permanecer na condição de Simples. Após o cumprimento da diligência os presentes autos devem retornar a este Colegiado para julgamento. Conclusão Diante do exposto, vota-se em converter o julgamento em diligência nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos Fl. 1013DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10935.002235/2004-81
Turma: Sétima Turma Especial
Câmara: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004
Ementa: IRPJ — LANÇAMENTO OMISSÃO DE RECEITAS — ÔNUS DA PROVA - A autoridade lançadora deve provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do Fisco, cabendo ao contribuinte demonstrar inequivocadamente o contrário. Não comprovando suas alegações, há de se manter o lançamento em sua integralidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÃO POR INTERMEDIAÇÃO DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS. VALORES CONFIRMADOS PELA FONTE PAGADORA. PROVA DIRETA. É procedente o lançamento a título de omissão de receitas, fundado em valores informados em DIRFs, e confirmados pela fonte pagadora, eis que constitui prova direta do recebimento de rendimentos, que só pode ser rejeitada mediante comprovação idônea em contrário pelo contribuinte, inexistente no caso.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. POSTERGAÇÃO DE CONTABILIZAÇÃO DE PAGAMENTOS DE COMPRA DE VEICULOS. Correto o lançamento lastreado na presunção legal de omissão de receitas
por saldo credor de caixa, decorrente de postergação da
contabilização dos pagamentos de compra de veículos, eis que o
próprio contribuinte reconhece essa prática.
MULTA - ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos exatos termos de sua Súmula n° 02.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula
1° CC n° 04) .
CSLL - PIS - COFINS – TRIBUTAÇÃO REFLEXA — Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exigências reflexas.
Numero da decisão: 197-00.091
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO LOBO DE ALMEIDA
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I 4t1.'..b MINISTÉRIO DA FAZENDA 'ss PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES +IP SÉTIMA CÂMARA Processo n° 10935 002235/2004-81 Recurso n° 157.704 Voluntário Matéria IRPJ e OUTROS - Exs.:2002, 2003, 2004 Acórdão n° 197-00091 Sessão de 9 de dezembro de 2008 Recorrente DEVES & RODRIGUES LTDA Recorrida r TURMA/DRJ-CURITIBA/PR Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: IRPJ — LANÇAMENTO OMISSÃO DE RECEITAS — ÔNUS DA PROVA - A autoridade lançadora deve provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do Fisco, cabendo ao contribuinte demonstrar inequivocadamente o contrário. Não comprovando suas alegações, há de se manter o lançamento em sua integralidade. OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÃO POR INTERMEDIAÇÃO DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULOS. VALORES CONFIRMADOS PELA FONTE PAGADORA. PROVA DIRETA. 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JUROS DE MORA - TAXA SELIC - partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no 3 Promso e 10935.002235/200441 eco 1/0)7 Acórdão n.° 197-00091 Fls. 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 04) . CSLL - PIS - COFINS – TRIBUTAÇÃO REFLEXA — Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possuem com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exigências reflexas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por, DEVES & RODRIGUES LTDA, ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de v . NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a int o •resente julgado. ;4117INICIUS NEDER DE LIMA P ente A c - LEONARDO LOBO DE ALMEIDA Relator Formalizado em: 2 O mAR 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Selene Ferreira de Moraes.. Relatório Por descrever fielmente os fatos ocorridos no processo, adoto, como parte integrante deste voto, o relato feito pela 2' Turma da DRJ Curitiba/PR ao examinar o caso em P Instância: "1. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. O auto de infração de IRPJ (fis.571/581) exige o recolhimento de R$ 56.948,23 de imposto e R$ 42.711,12 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 544/554: 2 Processo n° 10935.002235/2004-81 CCOI/C07 Acórdão n.° 19740091 Fls. 3 Omissão de Receitas - Receita de Comissões: nos períodos de 03/2001,06/2001, 09/2001, 12/2001, 03/2002, 06/2002, 09/2002, 12/2002, 03/2003, 06/2003, 09/2003 e 1212003. Enquadramento legal no arts. 528 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/99. Multa de 75%; Omissão de Receitas - Revenda de Veículos Usados - Saldo Credor de Caixa: nos períodos de 03/2001, 06/2001, 09/2001, 12/2001, 03/2002, 06/2002 e 03/2003. Enquadramento legal no arts. 281, 1 e 528 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/99. Multa de 75%; O auto de infração do PIS (fls.584/593) exige o recolhimento de RS 7.021,53 de imposto e R$ 5.265,98 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 544/554: PIS sobre Omissão de Receita - Falta/Insuficiência do PIS: nos períodos de 01/2001 a 12/2003. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2° da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, inciso I, 80, inciso I e 9° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 2°, inciso I, "a" e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 75%; Falta/Insuficiência do PIS: nos períodos de 01/2001 a 07/2001, 12/2001, 01/2002, 03/2002, 04/2002, 02/2003,02/2003. Enquadramento legal nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar ri° 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2° da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998; arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 2°, inciso I, "a" e § único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 75%; O auto de infração da Cotins (fls.513/523) exige o recolhimento de R$ 584.741,85 de imposto e R$ 877.112,69 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 481/489: Cotins - Omissão de Receita: nos períodos de 01/2002 a 12/2004. Enquadramento legal no art. I° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 24, §2° da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999 e reedições; arts. 2°, inciso II, e § único, 3°, 10, 22,51 e 91 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. Multa de 150%; O auto de infração de CSLL (fls.596/606) exige o recolhimento de R$ 11.666,72 de imposto e R$ 8.749,97 de multa de lançamento de oficio, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 544/554: CSLL sobre Omissão de Receita: no período de 03/2001, 06/2001, 09/2001, 12/2001, 03/2002, 06/2002, 09/2002, 12/2002, 03/2003, 06/2003, 09/2003 e 12/2003. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999 e reedições. Multa de 75%; Oç 3 Processo e 10935.002235/200441 CC01/C07 Acórdão n.° 197-00091 p, CSLL Receitas Omitidas: no período de 03/2001, 06/2001, 09/2001, 12/2001, 03/2002, 06/2002 e 03/2003. Enquadramento legal nos arts. 2° e §§ da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; 19 e 24 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999 e reedições. Multa de 75%; Cientificada em 25/06/2004, conforme fls. 571, 584, 596, 609 e 621, tempestivamente, em 26/07/2004, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 636/703, através de seu representante legal, procuração à fl. 704, e acompanhada dos documentos de fls. 705/711, que se resume a seguir Recebimento de comissões. Saldo credor de caixa. A interessada impugna os documentos constantes no processo administrativo, bem com as afirmações que dizem respeito a recebimento de comissão de intermediação financeira, inclusive as suas anteriormente feitas sem a necessária orientação técnica. Nada se recebeu a tal título; Para a prova do recebimento de tais valores, seria imprescindível que a autoridade fiscal juntasse os extratos bancários da conta onde fosse titular o contribuinte. No caso presente, inexiste tal prova. A declaração constante dos autos, onde a financeira ou banco, assevera o pagamento de valores, não pode ser aceita, estando, desde já, impugnada, porquanto inveridica. Meras declarações particulares não são instrumentos hábeis à prova de fatos desta natureza; Se, por hipótese, for confirmado o auto de infração, bem como o recebimento de valores, há que se dar um destino legal e contábil aos mesmos. E tal destino não pode ser outro a não ser o de que as quantias foram utilizadas para o pagamento parcial dos negócios abaixo mencionados; Quanto ao saldo credor de caixa, o contribuinte impugna todos os documentos constantes do processo, exceto as notas fiscais de compra. As recomposições da conta caixa, feita pelo autuante, não condiz com a realidade dos fatos. Em nenhum momento o fiscal afirmou serem as notas inidõneas. Pelo contrário, delas se utilizou para refazer o caixa. Diferenças entre datas de emissão dos documentos fiscais e sua regular contabilização, mesmo que posteriormente, devem ser relevados se tais documentos mostram-se idóneos e legítimos — o que é o caso; Os lançamentos contábeis, tais como constantes do Livro Razão e do Livro de Registro de Entradas, mostram-se perfeitos, nada se podendo opor-lhes, exceto, à evidência, prova documental robusta — o que, no caso, inexiste. Porém, se se admitisse como válido o refazimento da conta caixa, bem como o recebimento de valores a título de intermediação financeira, então, pelo princípio da verdade real, tais quantias devem ser utilizadas para comprovação de origem de recursos e pagamentos dos negócios noticiados nas notas fiscais constantes do processo e especificadas às fls. 567/569; Se adveio alguma receita, não contabilizada, porém, admitida pelo órgão fiscalizador como existente, então, tal receita foi utilizada para pagamento de compromissos de compra de veículos usados. Não foram os valores usados, conforme erroneamente antes informado, para pagar funcionários ou comissões de vendedores. Tais recursos devem ser utilizados para abater o saldo credor do caixa; A recomposição do caixa, às fls. 570/577, deve ser acrescida de mais uma coluna para o escopo de lançar a débito, como entrada de recursos, os valores constantes das planilhas de fls. 565/566, as quais resumem os valores recebidos. Disto resultará um saldo credor menor. (0),k 4 Processo n°10935.002235/2004-81 CCOI/C07 Acórdão n.° 197-00091 Fls. 5 Natureza jurídica da consignação Entende ter havido equívoco na interpretação do art. 50 da Lei n° 9.716/98. Ao permitir que as vendas de veículos usados, adquiridos para revenda, bem como dos veículos usados recebidos como parte do pagamento, pudessem ser tributadas, na hipótese de opção pelo lucro presumido, pela margem bruta de lucro (diferença entre o custo de aquisição e o preço de venda), em nenhum momento, a norma jurídica, bem como todo o sistema jurídico, mesmo fazendo referência à consignação, classificou tal ato jurídico como prestação de serviço. Muito pelo contrário: o entendimento que se pode ter é o de que tal ato jurídico só pode ser entendido como compra e venda, ou , na pior hipótese, o regime que lhe será aplicável é o da compra e venda; Antes do Novo Código Civil, não havia no ordenamento jurídico pátrio, normas específicas sobre o contrato de venda em consignação, ou o contrato estimatório. No entanto, isto não impediu a sua larga utilização. Aplicava-se-lhe as normas vigentes para os demais contratos, com as devidas adaptações, bem como as práticas já difundidas há milênios. O Novo Código Civil disciplinou o contrato estimatório, acolhendo por inteiro, os princípios, regras e normas anterioremente aplicados. Pelo art. 534, percebe-se que a consignação diferencia-se — e muito — do mandato, onde o mandatário age por conta e ordem do mandante, tendo, inclusive, se vender a coisa, a obrigação de entregar ao mandante todo o preço recebido; Sustenta, com base em doutrina de Maria Helena Diniz e Silvio de Salvo Venosa, que a consignação é uma espécie de compra e venda condicional, onde o consignatário comprará a mercadoria do consignante, se e quando vendê-la. Seria uma espécie de promessa de compra e venda de coisa móvel. Vendida a mercadoria entregue em consignação, estará perfeita e acabada a compra e venda entre consignante e consignatário, porquanto já se ajustou, antes, o preço; já se entregou a mercadoria, e, finalmente, implementou-se a condição, qual seja, a coisa consignada foi vendida. A empresa vendedora de veículos usados recebe a coisa em consignação e a venda a um terceiro, emitindo, inclusive, uma nota fiscal de venda. O comprador, terceiro e totalmente estranho à relação jurídica que desenvolveu-se entre o tradens e o accipiens, sequer sabe da consignação. E se souber, nenhuma diferença faz, porquanto contratou com consignatário e este responderá, perante ele — o comprador — por todas as garantias; Um ato desta natureza não pode ser enquadrado como prestação de serviços. Trata-se de uma compra e venda perfeita e acabada. Ao se referir à consignação, o art. 5° da Lei n° 9.716/98, em nenhum momento disse tratar-se de prestação de serviços. Disse tratar-se, sim, de consignação E esta, à luz da doutrina, é compra e venda; Cita acórdão do STF, decidindo que os conceitos de direito privado, para fins tributários, devem ser entendidos conforme a doutrina e os pretórios os definem. Se os conceitos de direito privado não forem entendidos conforme a definição que lhes dá a ciência do direito, bem como de acordo com o pensamento da corte constitucional, ter- se-á aberta a porta para a criação e a majoração de tributos, ao arrepio da lei e da Constituição; No caso presente, se a natureza jurídica da consignação, conforme ensinada pela ciência do direito, se aproxima muito mais para um contrato de compra e venda, condicional, caracterizando, por isso, para fins tributários, uma compra e venda, não é lícito interpretar que o art. 5° da Lei n° 9.716/98 quis referir à prestação de serviços. Não. A única conclusão a que se pode chegar é a de que a norma referiu-se à compra e venda. Aplica-se, assim, o caput do art. 15 — "a base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a s Processo n° 10935.002235/2004-81 CCO 1/CO? Acórdão n.° 197-00091 Fls. 6 receita bruta auferida mensalmente" — da lei n° 9.249/95, e não os incisos I e lido §1° do art. 15 do mesmo diploma legal; Por estas razões, dentre muitas outras, deve o lançamento ser cancelado. Multa de 75% Trata-se de uma latente inconstitucionalidade. Ofende-se a diversos princípios constitucionais; Inicialmente, deve-se verificar a natureza jurídica da multa, a fim de saber se ela tem a mesma natureza do tributo. A opinião unânime da doutrina e da jurisprudência é de que ambos têm natureza jurídica diversa. Embora na seja a multa tributo, e não se lhe possa, à primeira vista, invocar a garantia prevista no art. 145, IV da Lei Maior, o qual prevê a vedação de utilizar o tributo com efeito de confisco, não quer isto dizer que possa ela ter natureza confiscatória; O texto magno, a teor do art. 50, §2°, proíbe que se utilize multa com finalidade confiscatória. É evidente que uma multa de 75%, especialmente para o fato em tela, tem caráter confiscatório, na medida em que apropria-se do patrimônio do particular de modo excessivo. Evidentemente, havendo confisco, estar-se-á diante da inobservância do direito de propriedade. Bens fungíveis ou infungíveis — o dinheiro é coisa infungível — de propriedade do cidadão terão transferência dominial deste para o Estado; Tal situação ofende também o princípio da proporcionalidade, na medida em que se impõe ao contribuinte uma pena, sob o disfarce de multa. Esse principio está previsto implicitamente na Constituição Federal, por força do art. 5°, §2°. Assim, dada a sua excessiva onerosidade, a multa de 75% é manifestamente inconstitucional, porquanto viola a garantia da proibição do confisco, bem como o direito de propriedade. Juros Selic. A partir de 01/04/1995, os juros de mora passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic, para títulos federais, desde que não inferior a um por cento ao mês. A legislação pertinente ao tema é a Lei 8981/95; De acordo com o acórdão, anexado, prolatado por órgão do STJ, a taxa Selic, em nenhuma hipótese, pode ser aplicada aos tributos. Por uma questão de brevidade, todo o teor do aresto integra o presente recurso; Destarte, se procedente o crédito, há que excluir-se a incidência dos juros pelas taxas Selic. Requerimento Face ao exposto, requer-se seja julgada procedente a presente impugnação para o escopo de cancelar o ato administrativo praticado, e assim, tornar sem qualquer efeito o lançamento no valor total de R$ 224.733,06, a título de IRPJ, CSLL, Cotins e PIS, multa de 75% e juros Selic. Sucessivamente, mantido o lançamento, requer: i) se confirmado o recebimento da receita de intermediação financeira, sejam os valores recebidos utilizados para serem lançados a débito no saldo credor da conta caixa, se, por hipótese, também mantido for o lançamento quanto a estes fatos, determinando-se o recálculo dos tributos lançados e dos acessórios — multa e juros — se, por hipótese, mantidos forem os lançamentos quanto a estes; h) se confirmados os saldos credores da e\ 6 Processo n°10935.002235/2004-81 CCOI/C07 Acórdão n.° 197-00091 Fls. 7 conta caixa, sejam os respectivos valores tributados como negócios de compra e venda de veículos usados, incidindo a alíquota de 8% sobre o lucro bruto (preço de venda — custo de aquisição), determinando-se o recálculo dos tributos lançados e dos acessórios — multa e juros -, se, por hipótese, mantidos forem os lançamentos quanto a estes; iii) se confirmado o lançamento quanto aos tributos, que são o principal, sejam excluídos do ato administrativo de cobrança os juros pelas taxas Selic e a multa." A 2. Turma da DRJ Curitiba, analisando a impugnação, decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de juntada de novos documentos e, no mérito, julgar procedente o lançamento, mantendo integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, respectivas multas e juros legais, com base nos seguintes argumentos: • - quanto ao recebimento de comissões e o saldo credor de caixa, o auditor fiscal teria constatado que: a) apesar de não previsto no contrato social da empresa, o Recorrente atuava como representante de instituições financeiras e recebia comissões destas. Dessa forma, exercia a atividade de intermediação referente aos financiamentos para os veículos que vendia. - b) o Recorrente teria reconhecido que recebeu ao menos parte da receita a título de comissões de financiamento, embora não tenha escriturado tais rendimentos. c) as informações constantes na DIRF fariam prova direta das receitas nelas indicadas pelas fontes pagadoras. - seria equivocado o entendimento de que a consignação teria a mesma natureza jurídica de um contrato de compra e venda, pois isso seria mascarar a verdadeira natureza jurídica. - o pleito de redução da alíquota de 32% para 8% não poder ser acolhido, vez que a legislação vigente equipara a revenda de veículos à operação de consignação, para efeitos tributários, sendo que esta possui natureza jurídica de contrato de prestação de serviços, sujeito ao percentual de 32%. - a aplicação de multa no percentual de 75% encontraria guarida no art. 44, I da Lei n° 9.430/96. - a utilização da taxa Selic com juros de mora estaria devidamente amparada na legislação. - não caberia a produção de novas provas, pois estas devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, salvo exceções taxativamente previstas, que não se ajustariam ao caso concreto. Insatisfeito com a decisão de primeira instância, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, repetindo os exatos argumentos que utilizou em sua defesa, requerendo a reforma do acórdão e o cancelamento do ato administrativo praticado, tomando sem efeito o lançamento. 7 Processo n° 10935.002235/200441 CCO 1 /CO7 Acórdão n.° 197-00091 F. 8 Reiterou que os valores tributados como negócios de compra e venda de veículos usados devem ser tributados como operações de consignação, sujeitando-se à alíquota de 8% sobre o lucro bruto, com o conseqüente recálculo da multa e juros. Pediu para que, se confirmado o recebimento da receita de intermediação financeira, que os valores recebidos sejam utilizados para serem lançados a débito no saldo credor da conta caixa. Questiona a aplicação multa de 75% e juros pela Taxa Selic. Por fim, requer seja dispensado de realizar o depósito administrativo de 30% da exigência fiscal, por ilegal. É o relatório. Voto Conselheiro - LEONARDO LOBO DE ALMEIDA, Relator O recurso é tempestivo e atende a todos os demais requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Especificamente no tocante à questão levantada pelo Recorrente, a respeito do depósito prévio como condição de admissibilidade do recurso, não há o que prover, pois essa exigência não mais se aplica no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal após a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n". 1.976-7, publicada no DOU de 5 de junho de 2007. Como visto, no caso presente, a autuação se deu pela constatação, após exaustivo processo de fiscalização, de ocorrência de omissão de receitas, caracterizada por (i) recebimento de comissões de intermediação financeira; e (ii) existência de saldo credor em caixa. A discussão de fundo diz respeito à natureza das operações realizadas pelo contribuinte com veículos usados — se compra e venda pura ou se consignação, equiparada pela legislação à prestação de serviços. Tal debate reveste-se de importância pois definirá a alíquota a ser utilizada na tributação, 8% no primeiro caso ou 32% no segundo. Isto posto, apesar da extensa argumentação do Recorrente, fato é que, como bem observado pela DRJ, restou claramente comprovado, por meios diversos, haver receitas não escrituradas ou contabilizadas de forma indevida. A verdade é que existe nos autos consistente documentação a comprovar a omissão de receitas por parte da empresa fiscalizada e, assim, dar suporte à autuação. e\< Processo n°10935.002235/2004-81 CO:11/CW Acórdão n.° 197-00091 Fls. 9 Assim sendo, perfeitamente cabível a apuração por amostragem e a presunção de omissão de receitas, na forma da legislação vigente, não tendo a defesa do Recorrente logrado êxito em demonstrar o contrário — que não havia saldo credor em caixa ou que não recebera comissões por intermediar financiamentos (ou mesmo que repassara parte dessas comissões a terceiros. Nesse sentido é a pacifica jurisprudência deste 1° Conselho de Contribuintes PAF - ÔNUS DA PROVA - cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar do fisco, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá- los, comprová-los efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ónus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. (1° CC- 86 Câmara - Recurso n° 155977 - Relator Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno - julgado em 25/06/2008) IRPJ. SALDO CREDOR DE CALVA. OMISSÃO DE RECEITA. A omissão de receita, por presunção legal, em razão de saldo credor de caixa somente por ser ilidida por prova contrária em prestígio ao princípio da verdade materiaL Não comprovando a contribuinte por documentos hábeis que não havia o saldo credor de caixa configura-se a omissão da receita. (1° CC - 8° Câmara - Acórdão 108-09.499 - Relator Conselheiro Margil Mourão Gil Nunes - julgado em 05/12/2007) OMISSÃO DE RECEITAS - EQUIPARAÇÃO A ATIVIDADE DE VENDA DE VEICULOS EM CONSIGNAÇÃO - O tratamento tributário da receita omitida como atividade de venda de veículos em consignação, nos termos do art. 5° da Lei 9.716/98, pressupõe a prova de que os recursos mantidos à margem da contabilidade são oriundos daquela atividade, mediante apresentação das notas fiscais de compra e venda. (1° CC - 3° Câmara - Acórdão 103-22.715- Relator Conselheiro Aloysio José Percínio Da Silva -julgado em 08/01/2007) IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Deve ser mantida a exigência de omissão de receitas, quando constatado pela fiscalização a venda de veículos usados e não registrados na escrituração comercial, através do cotejo entre a relação fornecida à fiscalização pelo contribuinte e documento de uso interno apreendido na empresa. Devendo, para efeito de quantificar a base tributável, ser considerado o custo de aquisição dos bens alienados, informados no mesmo documento que serviu de base para identificar a omissão de receita. (1° CC - 3° Câmara - Acórdão 103-20.153 - Relator Conselheiro Silvio Gomes Cardozo -julgado em 28/02/2000) (Lbt( 9 • . 1 • Processo n° 10935.002235/2004-81 CCOI/C07 Acórdão n.°197-00091 Fls. 10 A respeito da polêmica sobre a natureza das operações realizadas pelo Recorrente, creio que o nomen iuris não importa, mas sim as características intrínsecas e extrínsecas do negócio, em especial a vontade das partes envolvidas. No caso em tela, a meu ver, o agente fiscal autuante conseguiu demonstrar cabalmente que as operações descritas — chamadas de "consignação" e travestidas de compra e venda — seriam, na realidade, prestação de serviços. Por fim, quanto à impugnação da cobrança multa em percentual de 75%, estando fundamentada em discussões acerca de sua constitucionalidade, não há como lhe dar guarida, pois não cabe a esta instância administrativa analisar tal matéria, restrita à competência do Poder Judiciário. Tal posição já foi consolidada neste Colegiado, a teor de seu enunciado n° 2, in verbis: Súmula MC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não assiste à discussão acerca da possibilidade de utilização da SELIC como índice de atualização monetária e taxa de juros, especialmente face ao entendimento sumulado desta Corte: Súmula 1° CC n° 4 - partir de 1 0 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. , Assim sendo, razão não há para a indignação do Recorrente, devendo ser confirmada a decisão da 1 a instância. À vista das razões acima, tendo ficado inexoravelmente demonstrados a existência do crédito tributário e o acerto dos lançamentos, nego provimento ao recurso, para manter, em sua íntegra, as autuações objeto deste processo administrativo-fiscal, referentes ao IRPJ e seus tributos reflexos. Sala das Sessões - DF, em 9 de dezembro de 2008 4T5-- , c.. (--ee Gete NARDO LOBO DE ALME4- 10 , Page 1 _0062100.PDF Page 1 _0062200.PDF Page 1 _0062300.PDF Page 1 _0062400.PDF Page 1 _0062500.PDF Page 1 _0062600.PDF Page 1 _0062700.PDF Page 1 _0062800.PDF Page 1 _0062900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10650.900605/2017-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3201-003.562
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem para que se tomem as seguintes providências: (i) a unidade preparadora deverá reapreciar os argumentos de defesa do Recorrente, a começar pela descrição do seu processo produtivo, passando à análise das diversas planilhas eletrônicas, memoriais e cálculos que detalham a composição das rubricas (detalhadas nos anexos) e que serviram de base à análise de cada uma delas, indicando, de forma minuciosa, a relevância e/ou a essencialidade dos dispêndios que serviram de base para a tomada de crédito, nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferida no julgamento do REsp. 1.221.170 STJ, bem como da Nota SEI/PGFN nº 63/2018, (ii) caso necessário, o Recorrente deverá ser intimado para apresentar laudo conclusivo acerca do seu processo produtivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, (iii) a unidade preparadora deverá apresentar novo Relatório Fiscal, no qual demonstrará de forma detalhada as glosas porventura revertidas, bem como aquelas que permaneceram incólumes sob a égide do entendimento contemporâneo de insumo (REsp 1.221.170/STJ), trazendo aos autos os motivos que ensejaram sua manutenção, (iv) após cumpridas essas etapas, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, para que, assim o desejando, se manifeste nos autos e (v) ao final, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.559, de 22 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10650.900613/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Tatiana Josefovicz Belisario, Mateus Soares de Oliveira, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-10-31T19:28:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-10-31T19:28:41Z; Last-Modified: 2023-10-31T19:28:41Z; dcterms:modified: 2023-10-31T19:28:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-10-31T19:28:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-10-31T19:28:41Z; meta:save-date: 2023-10-31T19:28:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-10-31T19:28:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-10-31T19:28:41Z; created: 2023-10-31T19:28:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2023-10-31T19:28:41Z; pdf:charsPerPage: 2510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-10-31T19:28:41Z | Conteúdo => 0 S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10650.900605/2017-58 Recurso Voluntário Resolução nº 3201-003.562 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2023 Assunto PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente U.S.A. - USINA SANTO ANGELO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem para que se tomem as seguintes providências: (i) a unidade preparadora deverá reapreciar os argumentos de defesa do Recorrente, a começar pela descrição do seu processo produtivo, passando à análise das diversas planilhas eletrônicas, memoriais e cálculos que detalham a composição das rubricas (detalhadas nos anexos) e que serviram de base à análise de cada uma delas, indicando, de forma minuciosa, a relevância e/ou a essencialidade dos dispêndios que serviram de base para a tomada de crédito, nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferida no julgamento do REsp. 1.221.170 STJ, bem como da Nota SEI/PGFN nº 63/2018, (ii) caso necessário, o Recorrente deverá ser intimado para apresentar laudo conclusivo acerca do seu processo produtivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, (iii) a unidade preparadora deverá apresentar novo Relatório Fiscal, no qual demonstrará de forma detalhada as glosas porventura revertidas, bem como aquelas que permaneceram incólumes sob a égide do entendimento contemporâneo de insumo (REsp 1.221.170/STJ), trazendo aos autos os motivos que ensejaram sua manutenção, (iv) após cumpridas essas etapas, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, para que, assim o desejando, se manifeste nos autos e (v) ao final, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.559, de 22 de agosto de 2023, prolatada no julgamento do processo 10650.900613/2017-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Sierra Fernandes, Marcio Robson Costa, Ana Paula Pedrosa Giglio, Tatiana Josefovicz Belisario, Mateus Soares de Oliveira, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 50 .9 00 60 5/ 20 17 -5 8 Fl. 988DF CARF MF Original Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 2 ___________ Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado contra acórdão da DRJ que manteve o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte relativo a saldo credor de Pis-pasep/Cofins. Constou no Despacho Decisório, não haver valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP, bem como o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foram homologadas as compensações nos limites do crédito existente. O motivo do indeferimento parcial foi a constatação da apropriação irregular de créditos oriundos de aquisições de bens e prestação de serviços que não se subsumem ao conceito legalmente definido para insumo, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, onde estão discriminadas todas as glosas. Também foram glosados créditos relativos a gastos com mão de obra, pessoa física, inclusos indevidamente nas planilhas relativas às despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. Houve, ainda, a constatação da apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, os quais foram glosados por não gerarem direito a apropriação de crédito das referidas contribuições. Foi, também, efetivada a glosa de créditos apurados sobre os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado da empresa, que não são utilizados diretamente na atividade de produção de bens destinados à venda. No caso, foi considerado que os processos, atividades, gastos, investimentos e operações relativas à lavoura de cana seriam uma etapa anterior ao processo produtivo do açúcar e álcool e deles seriam distintos. O mesmo entendimento foi mantido em relação aos imobilizados usados no centro de custo de captação e distribuição de água e almoxarifado industrial, gerência industrial, pois não atuariam na fabricação do produto destinado venda. Por último, em razão de divergência encontrada entre o valor apurado na planilha apresentada pelo interessado e o valor por ele lançado na EFD-Contribuições, foi glosado parcela do Crédito Presumido, apurado sobre aquisições de cana vinculadas à produção do açúcar, de que trata o caput do art. 8º da Lei 10.925/2004. Em face de todo o acima exposto, constatou-se a apuração indevida de crédito do PIS e Cofins, o que constitui infração à legislação. As glosas de todos os créditos relacionados no Termo de Verificação Fiscal resultaram em ajustes nas bases de cálculo dos créditos. Fl. 989DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.562 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.900605/2017-58 Consequentemente, após a segregação dos créditos por mercado interno (tributado e não tributado) e externo, foram analisados os Pedidos de Ressarcimento, glosando-se parcialmente os Pedidos de Restituição e respectivas Declarações de Compensação, vinculados ao mercado externo, conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal. Após cientificado do Despacho Decisório, o recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, onde alega, em apertada síntese o seu direito aos créditos utilizados na compensação, sendo essas as mesmas razões apresentadas no Recurso voluntários e destacadas nos seguintes tópicos: II.1 — PRELIMINARMENTE — DAS NULIDADES DA DECISÃO RECORRIDA II.2 DA ESSÊNCIA DO DIREITO AO CREDITAMENTO – DO CONCEITO DE INSUMO II.3 DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.3.a Dos bens nas atividades agrícolas II.3.b Dos bens utilizados na manutenção elétrica e eletrônica II.3.c Dos bens gastos no Laboratório II.3.d Dos bens não aplicados nem consumidos no processo produtivo II.4 DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS II.4.a Dos serviços nas lavouras de cana II.4.b Dos serviços gerais II.4.c Dos serviços utilizados em construção civil II.4.d Dos serviços utilizados na manutenção elétrica, eletrônica e Instrumentação II.4.e Dos serviços no laboratório II.5 DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIA E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA II.5.a Dos fretes para formação de lotes II.6 DAS MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO (CRÉDITO SOBRE O VALOR DE AQUISIÇÃO) II.6.a Dos imobilizados utilizados nas lavouras de cana II.7 DA BASE CREDITO PRESUMIDO - CALCULADO SOBRE INSUMO VEGETAL III - DA IMPRESCINDIBILIDADE DA PROVA PERICIAL NO CASO DOS AUTOS Sendo essas as razões principais do Recurso, passo ao Voto. É o relatório. Fl. 990DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.562 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.900605/2017-58 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre destacar que, conforme constou no relatório, o presente processo trata de pedidos de compensações fundadas em suposto aproveitamento de créditos na contribuição ao PIS e na COFINS. O Termo de Verificação fiscal de fls. 840 e seguintes, adotou como premissa para análise do crédito requerido pelo contribuinte as Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, que por sua vez foram julgadas pelo STJ como ilegais no Recurso Especial nº 1.221.170, julgado sob a sistemática de Recurso Repetitivo e, portanto, vinculante à administração pública. Ocorre que, a época do julgamento do Manifesto de Inconformidade, em 11/09/2018, a DRJ alegou não poder adotar o entendimento do Recurso Especial, em razão da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN não ter se manifestado a respeito, fato que só ocorreu em 26/09/2018 com a Nota SEI nº 63/2018, logo, manteve-se todas as glosas realizadas pela Fiscalização, dispostas no Termo de Verificação Fiscal. Da análise do processo, verifica-se que o centro da lide envolve a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e COFINS apurados no regime não-cumulativo e também a consequente análise sobre o conceito jurídico de insumos, dentro desta sistemática. No regime não cumulativo das contribuições, o conceito jurídico de insumo deve ser mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. O julgamento do REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou a posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 de seu regimento interno, tem aplicação obrigatória. No mencionado julgamento, o Superior Tribunal de Justiça determinou expressamente a ilegalidade das IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, que limitavam a hipótese de aproveitamento de crédito de Pis e Cofins não- cumulativos aos casos em que os dispêndios eram realizados nas aquisições de bens que sofriam desgaste e eram utilizados somente e diretamente na produção. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento Fl. 991DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.562 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.900605/2017-58 dessa matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, identificar a relevância, essencialidade e em qual momento e fase do processo produtivo e das atividades da empresa estão vinculados. Analisar a matéria sem considerar a atividade econômica do contribuinte pode equivaler à aplicação da ilegal exigência constante nas mencionadas instruções normativas e pode configurar a não observância dos entendimentos firmados no julgamento do REsp 1.221.170 / STJ. O espaço hermenêutico, diante do voto vencedor da Ministra Regina Helena Costa ao mencionar expressamente a atividade econômica do contribuinte, é limitado. Cadastrado sob o n.º 779 no sistema dos julgamentos repetitivos, o voto vencedor fixou as seguintes teses: “É ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e à Cofins, tal como definido nas Leis10.637/2002e10.833/2003.” “O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” Ou seja, para fins jurídicos de aproveitamento de crédito e interpretação do conceito de insumos, somente o voto vencedor que fixou as teses é o voto que pode ser levado em consideração na leitura do Acórdão do REsp 1.221.170 / STJ. Ancorada nas Leis 10.833/03 e 10.637/02, a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e COFINS apurados no regime não-cumulativo vai além do conceito jurídico de insumos, razão pela qual é necessário abordar os grupos de glosas de forma separada e específica, com base na legislação e nos precedentes administrativos fiscais e judiciais mencionados. Por terem sido realizados antes do julgamento do RESP 1.221.170 STJ, nem o Recurso Voluntário e nem o acórdão recorrido trataram do conceito intermediário de insumo e, portanto, não consideraram qual seria a relevância, essencialidade e singularidade dos dispêndios com a atividade econômica da empresa. Considerando que esta instância tem caráter eminentemente revisora, ou seja, por ser o CARF um revisor de atos administrativos, em franca manifestação do exercício do poder de autotutela estatal, deve o processo administrativo fiscal guardar compatibilidade com a presunção dos atos administrativos, em especial da legalidade. Assim, posto que a legalidade deve balizar as decisões administrativas e que o presente PAF inicialmente foi julgado com base em orientações tidas como ilegais, IN’S n.º 247/2002 e 404/2004, cabe a aplicação do princípio da retroatividade benigna em matéria tributária, com a Fl. 992DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.562 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.900605/2017-58 devolução do Processo à fiscalização para que reavalie o direito creditório do contribuinte sob o novo prisma legal jurisprudencial exposto no Recurso Especial nº 1.221.170, vinculante à administração pública. Diante do exposto, em observação ao princípio da legalidade, vota-se para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: 1- a unidade preparadora de origem, volte a apreciar o que fora apresentado pela empresa recorrente, a começar pela descrição do seu processo produtivo, passando a análise das diversas planilhas eletrônicas, memoriais, cálculos, que detalham a composição das rubricas (detalhadas nos anexos) e que serviram de base para a análise de cada uma delas. Assim indicar de forma minuciosa qual a relevância e essencialidade dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, nos moldes do REsp. 1.221.170 STJ, bem como a Nota SEI PGFN nº 63/2018; 2- caso necessário, intime a recorrente a apresentar laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias; 3- A Unidade Preparadora deverá apresentar novo Relatório Fiscal, no qual deverá demonstrar de forma detalhada as rubricas que as glosas foram revertidas, bem como aquelas que permaneceram incólume sob a égide do entendimento contemporâneo de insumo (REsp 1.221.170/STJ), trazendo aos autos os motivos que ensejaram sua manutenção; Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser cientificado do resultado da manifestação da Receita, para que apresente manifestação se assim desejar. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. É o meu entendimento. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem para que se tomem as seguintes providências: (i) a unidade preparadora deverá reapreciar os argumentos de defesa do Recorrente, a começar pela descrição do seu processo produtivo, passando à análise das diversas Fl. 993DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3201-003.562 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10650.900605/2017-58 planilhas eletrônicas, memoriais e cálculos que detalham a composição das rubricas (detalhadas nos anexos) e que serviram de base à análise de cada uma delas, indicando, de forma minuciosa, a relevância e/ou a essencialidade dos dispêndios que serviram de base para a tomada de crédito, nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferida no julgamento do REsp. 1.221.170 STJ, bem como da Nota SEI/PGFN nº 63/2018, (ii) caso necessário, o Recorrente deverá ser intimado para apresentar laudo conclusivo acerca do seu processo produtivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, (iii) a unidade preparadora deverá apresentar novo Relatório Fiscal, no qual demonstrará de forma detalhada as glosas porventura revertidas, bem como aquelas que permaneceram incólumes sob a égide do entendimento contemporâneo de insumo (REsp 1.221.170/STJ), trazendo aos autos os motivos que ensejaram sua manutenção, (iv) após cumpridas essas etapas, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, para que, assim o desejando, se manifeste nos autos e (v) ao final, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 994DF CARF MF Original
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Numero do processo: 16366.720205/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/05/2011
RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL.
O reconhecimento do direito a créditos de IPI por força de decisão judicial limita-se aos termos da Sentença.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/05/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ JULGADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é cabível a interposição de recurso voluntário para tão-somente reabrir a discussão já concluída em julgamento de outro processo administrativo.
Numero da decisão: 3402-011.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni.
Nome do relator: CARLOS FREDERICO SCHWOCHOW DE MIRANDA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/2009 a 31/05/2011 RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI por força de decisão judicial limita-se aos termos da Sentença. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 31/05/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a interposição de recurso voluntário para tão-somente reabrir a discussão já concluída em julgamento de outro processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni.
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O reconhecimento do direito a créditos de IPI por força de decisão judicial limita-se aos termos da Sentença. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 31/05/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRETENSÃO DE REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a interposição de recurso voluntário para tão-somente reabrir a discussão já concluída em julgamento de outro processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 02 05 /2 01 2- 48 Fl. 1364DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-011.024 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720205/2012-48 Relatório Trata-se de Declarações de Compensação, com créditos oriundos de ação judicial nº 2004.70.01.009342-0, transitada em julgado, na qual a contribuinte obteve o direito à compensação dos saldos credores de IPI lançados em sua escrita fiscal, calculados sobre aquisições de matérias-primas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, acrescidos da taxa Selic, com débitos de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A autoridade da Delegacia da Receita Federal em Londrina prolatou o Despacho Decisório de fls. 1101/1102, no qual, com base no Parecer SAORT/DRF/LON nº 183/2013 de fls. 1094/1100, e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 892/905, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito original de R$ 981.536,05, mais atualização pela taxa Selic, e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal, foram feitas diversas retificações no cálculo do crédito pleiteado. A mais significativa levou em consideração Ação Ordinária nº 2009.70.01.0059150 ajuizada pela União perante a 3ª Vara Federal de Londrina, na qual, em sentença de 1ª instância, declarou-se a inexistência de relação jurídica que autorizasse a Simbal a creditar-se dos créditos de IPI sobre aquisições de matérias primas não oneradas pelo imposto, a partir da data de sua publicação (06/05/2011). De acordo com ofício da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Londrina, a empresa não tinha mais o direito de aproveitar os referidos créditos desde a publicação da sentença. Dessa forma, o cálculo do direito creditório elaborado no Termo de Verificação Fiscal englobou o período de 07/2009 a 05/2011. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1108/1133. Primeiramente, a manifestante reitera e transcreve a manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 16366.720216/2011-47, que trata do direito creditório até 06/2009. À fl. 1130 passa a questionar os efeitos da sentença publicada nos autos do processo nº 2009.70.01.005915-0, defendendo que, em função de apelação, a citada sentença não pode ser aplicada ao caso presente. Posteriormente, em 06/08/2013, a interessada requereu a juntada dos documentos de fls. 1207/1228, em que apresenta Acórdão proferido pelo TRF-4, no qual foi dado provimento à apelação da manifestante, reformando a sentença de 1ª instância que havia declarado a inexistência da relação jurídica que autorizava a Simbal a creditar-se dos créditos de IPI sobre aquisições de matérias-primas não oneradas pelo imposto. A 12ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu decisão (fls. 1243 a 1252), por unanimidade de votos, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/05/2011 RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. Fl. 1365DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-011.024 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720205/2012-48 O reconhecimento do direito a créditos de IPI limita-se aos termos da sentença. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade quanto ao mérito do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Relator. Conforme relatado, a interessada apresentou Declarações de Compensação, com créditos oriundos da ação judicial nº 2004.70.01.009342-0, transitada em julgado, na qual obteve o direito à compensação dos saldos credores de IPI lançados em sua escrita fiscal, calculados sobre aquisições de matérias-primas não oneradas pelo imposto, acrescidos da taxa Selic, com débitos de quaisquer tributos administrados pela Receita Federal. A autoridade da Delegacia da Receita Federal em Londrina deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito original de R$ 981.536,05, mais atualização pela taxa Selic, e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 892/905), o período em análise engloba de julho/2009 a maio/2011. No recurso voluntário apresentado (fls. 1263/1292), alega a recorrente, em apertada síntese, que a decisão proferida pela 12ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto não pode prosperar, pois calcada em sentença reformada pelo E. TRF da 4ª Região, em Porto Alegre, e ainda não transitada em julgado. No entanto, em 11/09/2013, portanto antes de proferir sua decisão através do Acórdão 14-48.651, de 12/02/2014, a Turma de julgamento a quo determinou a realização de diligência, nos termos da Resolução nº 14-002.235, decidindo pela remessa dos autos à Delegacia de origem para que a PFN fosse consultada sobre os efeitos da decisão do TRF4 sobre os cálculos efetuados pela fiscalização, que resultaram no reconhecimento do direito creditório de R$ 981.536,05, assim determinando (in verbis): Inicialmente, deve-se analisar a admissibilidade dos documentos juntados pela manifestante em 06/08/2013. Assim estabelece o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF): (...) Fl. 1366DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-011.024 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720205/2012-48 Como regra geral, a apresentação de provas documentais deve ocorrer juntamente com a manifestação de inconformidade. Não havendo as exceções elencadas no parágrafo acima transcrito, ocorre a preclusão temporal e a contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Entretanto, no caso em tela, os documentos juntados referem-se a Acórdão proferido pelo TRF4 em 16/07/2013, caracterizando-se como fato superveniente, razão pela qual devem ser admitidos os documentos. Conforme consta, a Egrégia 2ª Turma do TRF4 proferiu Acórdão em que dá provimento à apelação da contribuinte, restituindo os efeitos do Mandado de Segurança transitado em julgado. Em razão dos documentos juntados efetuei consulta ao site do TRF4, no qual constatei a veracidade dos fatos apresentados, conforme extrato abaixo: (...) Dessa forma, considerando-se que os cálculos efetuados pela fiscalização que reconheceram o direito creditório de R$ 981.536,05, basearam-se em ofício da PFN que determinou a aplicação da sentença publicada em 06/05/2011, ora reformada; e considerando se que o Acórdão proferido foi objeto de embargos, e que a ação ainda não transitou em julgado, podendo ocorrer alterações nos valores a serem reconhecidos para a compensação de tributos, VOTO, com fulcro no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 18, para que o processo seja restituído à unidade de origem para que seja consultada a PFN sobre os efeitos da decisão do TRF4, e, em caso de alteração do entendimento anterior, que sejam recalculados os valores a serem reconhecidos. Encerrada a instrução processual, a contribuinte deverá ser intimada do resultado da diligência, com reabertura de prazo de 30 dias para que se manifeste. A seccional em Londrina da PFN, em 24/10/2013, proferiu Despacho (fls. 1235/1239) concluindo que os cálculos efetuados pela fiscalização estão absolutamente corretos e que nos autos da ação ordinária nº 2009.70.01.005915-0, a análise dos votos (vencedor e vencido – Eventos 40, 43 e 48 dos autos de apelação nº 5007019-83.2011.404.7001), bem como do Acórdão proferido no julgamento da causa, demonstra que em nenhum momento foi determinada a produção de efeitos imediatos e, considerando essa circunstância, bem como toda a sistemática processual, evidencia-se que o Acórdão proferido pelo TRF-4, favorável à interessada, ainda é inexequível. Transcrevo a seguir trechos de interesse da resposta da PFN à diligência determinada pela 12ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto (grifos nossos): (...) 2) Conforme se verifica dos Termos de Verificação Fiscal constantes deste processo administrativo nº 16366.720205/2012-48, os cálculos e análises realizadas tomaram por base as outras ações (todas elas referidas nos citados Termos de Verificação Fiscal), propostas pela interessada e nas quais ela logrou obter julgamento de procedência parcial dos pedidos (nomeadamente, (i) mandado de segurança nº 97.20.14.937-0 e apelação em mandado de segurança nº 1999.04.01.007611-2/PR e; (ii) mandado de segurança nº 2004.70.01.009342-0) e que dizem respeito apenas a períodos anteriores à prolação da sentença nos autos nº 2009.70.01.005915-0/5007019- 83.2011.404.7001, cujos efeitos somente começaram a se produzir em 06/05/2011. 3) Essa constatação é plenamente comprovada pelos já citados Termos de Verificação Fiscal, como também pela análise do período abrangido pelos pedidos de compensação Fl. 1367DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-011.024 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720205/2012-48 que foram fiscalizados (e, eventualmente, glosados) pela Receita Federal de Londrina – uma vez que todos os períodos objeto dos pedidos de compensação dizem respeito a momento anterior à produção dos efeitos decorrentes da prolação da sentença proferida nos autos nº 2009.70.01.005915-0/5007019-83.2011.404.7001, cujos efeitos, conforme se disse, somente começaram a se produzir em 06/05/2011. 4) Percebe-se, portanto, que a reversão do julgamento do feito em 1ª Instância (autos nº 2009.70.01.005915-0/5007019-83.2011.404.7001), ensejada pela prolação de acórdão nos autos de apelação cível nº 5007019-83.2011.404.7001/TRF não trouxe nenhuma alteração quanto aos procedimentos, cálculos e eventuais apurações realizados neste processo administrativo (nº 16366.720205/2012-48), não havendo que se falar em alteração de qualquer montante ou glosa realizados, até o momento, pelo setor competente da douta Delegacia da Receita Federal em Londrina. (...) Ultrapassada essa questão, faz-se necessário abordar a situação atual da ação nº 2009.70.01.005915-0/5007019-83.2011.404.7001 (julgada procedente, em favor da União, com produção de efeitos a partir de 06/05/2011, impedindo a formulação de novos pedidos de compensação por parte da interessada a contar da mencionada data). Tendo em vista, contudo, que o Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento da apelação nº 5007019-83.2011.404.7001, houve por bem, em julgamento não unânime, por maioria, vencido o relator, negar provimento à apelação da União e à remessa oficial e dar provimento à apelação dos demandados (dentre os quais se inclui a contribuinte/interessada), restaurando os efeitos da sentença/acórdão proferidos nos autos de mandado de segurança (MS) nº 97.20.14937-0, resta saber se essa última decisão já está produzindo efeitos, ou se ainda se encontra pendente de “situação de recorribilidade ” ou aguardando decisão de eventual recurso. Ocorre que, analisando o trâmite recursal, percebe-se que os autos se encontram, desde 20/08/2013, conclusos para decisão acerca de embargos de declaração, interpostos pela União, circunstância que demonstra que o r. acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região ainda não está produzindo seus efeitos, sendo inexequível. (...) Conforme resultado da consulta processual ao TRF4, anexado a seguir, verifica-se que o processo em tela ainda não transitou em julgado, encontrando-se os autos, desde 13/06/2023, “conclusos para decisão com embargos de declaração”, permanecendo válida a conclusão da PFN no citado Despacho. Fl. 1368DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-011.024 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720205/2012-48 Merece destaque ainda o fato de que, regularmente cientificada do Despacho proferido pela Procuradoria da Fazenda, a interessada não se manifestou. Portanto, tendo em vista que a recorrente não trouxe aos autos nenhuma informação nova que não estivesse disponível quando da consulta à PFN em Londrina, entendo que não deve prosperar o argumento de que a decisão da DRJ em Ribeirão estaria equivocada, por encontrar-se calcada em sentença ainda não transitada em julgado, uma vez que essa questão foi analisada pela PFN, tendo sido concluído que não haviam alterações nos valores previamente calculados pelo Parecer SAORT/DRF/LON nº 183/2013 (fls. 1094/1100), bem como no Termo de Verificação Fiscal (fls. 892/905). Deste modo, e em consonância com as conclusões elaboradas pela PFN, não há nenhum reparo a fazer nos cálculos efetuados pela Delegacia de Londrina, por estarem absolutamente corretos e contemplarem as decisões judiciais vigentes até o momento. Ainda, no recurso voluntário aqui analisado, a recorrente limitou-se a reiterar e transcrever as alegações constantes da manifestação de inconformidade apresentada no processo nº 16366.720216/2011-47, que trata do direito creditório até junho/2009, alegando que o indeferimento do presente pedido é consequência do indeferimento anterior. Nos tópicos II.a e II.b do recurso interposto (fls. 1267/1285), insurge-se quanto “à glosa dos R$ 23.685.401,05, escriturado indevidamente no Livro Registro de Apuração do IPI do Fl. 1369DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-011.024 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720205/2012-48 período de 1º a 31 de julho/2009” e quanto “à atualização monetária de R$ 14.925.281,57 do saldo existente em 21/08/2001”. No entanto, tais alegações já foram objeto de julgamento pela DRJ em Ribeirão Preto, conforme Acórdão nº 14-44.614, de 11/09/2013 (fls. 3069/3077 do processo nº 16366.720216/2011-47), que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório requerido. Regularmente cientificada da decisão no referido processo, o contribuinte não se manifestou, restando o julgamento administrativo concluso, nos termos do despacho transcrito abaixo (fl. 3109 do processo nº 16366.720216/2011-47): DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Regularmente cientificada do Acórdão da DRJ que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, a contribuinte não se manifestou. Os débitos de compensação não homologada controlados em diversos processos foram encaminhados à PFN para inscrição em dívida ativa da União. Findo administrativamente, proponho o arquivamento do presente processo pelo lapso temporal legal. Dessa forma, já foram refutadas as alegações da interessada apresentadas nos autos do processo nº 16366.720216/2011-47, que trata do direito creditório até junho/2009, e, portanto, concordo com os termos da decisão de piso, não podendo as mesmas questões serem rediscutidas no presente processo. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda Fl. 1370DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11080.732539/2018-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2018
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. TEMA 736, STF. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1401-006.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: ANDRE SEVERO CHAVES
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. TEMA 736, STF. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada. No caso, a autoridade fiscal lavrou a Notificação de Lançamento de multa isolada por compensação não homologada (fl.2), baseada no parágrafo 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, e alterações posteriores, no valor de R$ 3.096.052,43. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 39 /2 01 8- 32 Fl. 63DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.720 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732539/2018-32 Apontou como infração a compensação não homologada, no valor total de R$ 6.192.104,85, declarada na DCOMP nº 09754.79877.191214.1.3.02-8430 e, em função do despacho decisório emitido em 04/09/2017, o qual está controlado no processo de crédito nº 10880-948.522/2017-36. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese: impossibilidade de notificação com base em infração presumida ante a ausência de decisão definitiva no processo de crédito; aplicação da retroatividade benigna da lei tributária; impossibilidade da concomitância com a multa de mora. Ao apreciar a Impugnação, a DRJ não acolheu os pleitos da contribuinte, determinando apenas a suspensão da exigibilidade da multa nos termos do §18, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Cientificado da decisão de primeira instância em 06/03/2020 (e-Fl. 40), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 03/04/2020. Em sede de recurso voluntário, a recorrente basicamente repisa os mesmos argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Como visto no relatório, o presente processo é oriundo de multa isolada em razão de compensação não homologada, referente ao processo de crédito nº 10880-948.522/2017-36. Como se sabe, o resultado do mencionado processo interfere diretamente no direito aqui ora discutido, seja para manter ou afastar a penalidade. Destaca-se, portanto, que o processo administrativo nº 10880-948.522/2017-36 teve o seu julgamento realizado nesta mesma sessão, cujo resultado foi por unanimidade para dar Fl. 64DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.720 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732539/2018-32 provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer um crédito no valor originário de R$ 4.868.373,42, e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito disponível. Nesse sentido, com o reconhecimento total do crédito utilizado na DCOMP, tem- se que a multa isolada deve ser integralmente cancelada. Ademais, ainda que assim não fosse, cumpre ressaltar que em recente decisão (17 de março de 2023), o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736), e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê a incidência de multa no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Assim sendo, em que pese ser vedado ao CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, o inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF, prevê que tal vedação não se aplica aos casos de lei “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, tem-se por aplicar o entendimento da Suprema Corte, devendo-se cancelar integralmente a penalidade aplicada. Com esta conclusão, tem-se que os demais argumentos apresentados pela contribuinte restam-se prejudicados. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para cancelar integralmente a multa isolada. É como voto. Fl. 65DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.720 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.732539/2018-32 (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 66DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10166.901882/2008-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS
OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF
Data do fato gerador: 21/03/2001
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO
DESPACHO DECISÓRIO.
A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente par aferir a liquidez e certeza do direito creditório.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN, e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente par aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN, e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 08/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Declarouse impedida a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.901882/200859 Acórdão n.º 3801001.184 S3TE01 Fl. 210 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Tratam os autos da declaração de compensação nº 00606.85641.080604.1.3.040868, transmitida em 08/06/2004, aproveitando supostos pagamentos a maior, relativos ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio ou Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, apurado em 17 de março de 2001, com débitos também de IOF, no total de R$ 993,34. Em despacho decisório (fl. 35) datado de 24/04/2008, a autoridade fiscal não homologou a compensações declarada, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto dos autos, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 17/03/2001 7893 2.211,51 21/03/2001 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP Nº Pagamento Valor Original Total Débito (Db) Valor Original Utilizado 0521557819 2.211,51 Db: cód 7893 PA 17/03/2001 2.211,51 Valor Total 2.211,51 Cientificada da decisão em 05/05/2008 (fl. 35v), a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 02/06/2008 (fls. 01 a 08), alegando, em síntese, que: Em 2001 incorreu em pagamentos a maior a título de IOF oriundos de aplicação equivocada da metodologia de cálculo do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 imposto com base no Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 46, de 4 de maio de 2001, na qual os juros e encargos compõem a base de cálculo do IOF devido. Entretanto, nos termos do art. 3º, § 2º c/c o art. 7º, § 10 do Regulamento do IOF – RIOF Decreto nº 2.219, de 2 de maio de 1997, os valores relativos aos encargos (juros e correção) somente integram a base de cálculo do IOF nos casos em que não ficar definido o valor do principal a ser pago em favor do mutuário. Nas situações em que é previamente definido o valor principal do mútuo a ser realizado entre as partes, hipótese das operações realizadas pela requerente, o IOF deverá ser calculado sobre o valor do principal, sem o cômputo dos juros e da correção da dívida. Por equívoco, não procedeu a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF após a revisão da base de cálculo do imposto. Em 13/05/2008, procedeu a retificação devida na DCTF, indicando R$ 1.408,42 como valor devido a título de IOF. Houve também equívoco no preenchimento da DCOMP objeto dos autos, visto que foram informadas erroneamente as linhas “Informado em Outro PER/DCOMP” e “Valor Original do Crédito Inicial”. Tais campos deveriam ter sido preenchidos com os seguintes dados: Informado em Outro PER/DCOMP: sim Parte do crédito em questão foi informado também na DCOMP 08613.40702.020604.1.3.048530. Valor Original do Crédito Inicial: R$ 803,09 Foi equivocadamente preenchido o valor da diferença entre o total do valor integral do DARF pago a maior, menos o valor do débito compensado na DCOMP 00606.85641.080604.1.3.04 0868. Cita o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, no sentido de que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal, ou seja, que os erros no preenchimento de declaração não podem invalidar a verdade dos fatos. Por fim, requer o recebimento da manifestação de inconformidade, que seja retificada a DCOMP e que seja reformado o despacho decisório e homologada a compensação realizada, cancelandose, ainda, eventuais lançamentos a título de IOF, multa, juros e demais encargos. Em 03/12/2008, foi emitido Despacho (fls. 63 e 64) em que apresentava o entendimento de que a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DRJ Brasília não teria competência para julgar a petição da Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.901882/200859 Acórdão n.º 3801001.184 S3TE01 Fl. 211 5 contribuinte, tendo em vista que não se tratava de Manifestação de Inconformidade, mas de mero pedido de retificação de informações declaradas em PER/DCOMP e na DCTF. Em resposta, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília – DRF Brasília reiterou sua posição inicial (fls. 69 a 74), adicionando as seguintes informações, a fim de auxiliar os julgadores nas suas decisões: A contribuinte apresentou três DCTF, nas seguintes datas: 14/05/2001 – original 14/11/2001 – complementar 13/05/2008 – retificadora A DCTF retificadora foi apresentada fora do prazo regulamentar, e que, portanto, não poderia alterar o valor referente ao débito. Tal procedimento seria ilegal. Conclui que a DCTF original é que deve ser utilizada como base para análise do direito creditório da contribuinte. De acordo com a DCTF original, o sujeito passivo apurou débito para o período de apuração no montante de R$ 2.273,93 e o vinculou a dois pagamentos com DARF, um no valor de R$ 2.211,51 e outro no valor de R$ 62,42, extinguindo assim o débito, de forma que a contribuinte não teria nenhum direito creditório a compensar. Em virtude de: i) novas informações agregadas aos autos pela DRF Brasília; e, ii) o novo posicionamento da 2ª Turma da DRJ Brasília, que passou a conhecer como Manifestação de Inconformidade os casos em que as petições dos contribuintes tratassem efetivamente do direito creditório objeto das declarações de compensação, mesmo que, na prática, o resultado do julgamento fosse retificação de informações prestadas pela requerente em declarações; foi concedido o prazo de 10 dias para a manifestação do interessado acerca dessas novas considerações. Cientificada dessas informações em 28/07/2010 (fl. 80v), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade adicional quanto aos aspectos abordados pela DRF Brasília em 05/08/2010 (fls. 81 a 89), alegando, em síntese, que: Se o próprio sistema da Receita Federal aceitou a declaração retificadora, não há que se falar no prazo decadencial do art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN. À época da apresentação da DCOMP possuía crédito suficiente para ter sua compensação homologada. Pagamento efetuado: R$ 2.211,51 Valor realmente devido PA 17/03/2001: R$ 1.408,42 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Valor compensado no PER/DCOMP 08613.40702.020604.1.3.048530: R$ 93,99 Saldo passível de ser utilizado na DCOMP dos autos: R$ 803,09 Foram cometidos apenas erros formais, sendo que o CARF já se manifestou diversas vezes afastando erro formal em nome da verdade material (Acórdãos nº 10709325, nº 19200.127, 101 96829), assim como o Poder Judiciário (TRF – 2ª Região, Processo nº 1998.51.01.0458518, 1ª Turma). A verdade material é princípio do direito administrativo e vem sendo observada em decisões do CARF (Acórdãos nº 30239947 e nº 10323363). Finaliza, reiterando os termos e pedido formulados na primeira manifestação de inconformidade”. A Delegacia de Julgamento em Brasília proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Data do fato gerador: 21/03/2001 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. VERDADE MATERIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante de manifestação de inconformidade que alega erro no preenchimento da DCTF, sem trazer prova documental que dê suporte à alegação e comprove a verdade material dos fatos, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. As decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de Direito Tributário, somente quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. PRAZO DCTF RETIFICADORA. O prazo para a apresentação da DCTF retificadora extinguese com o decurso de prazo de 5 anos a contar da data do fato gerador do tributo. DCTF RETIFICADORA FORA DO PRAZO. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ERRO RECEPÇÃO DE DECLARAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A recepção da DCTF retificadora apresentada fora do prazo não implica em reconhecimento do direito creditório da requerente, nem em falha no sistema eletrônico de recepção de declarações da RFB. DCTF. RETIFICAÇÃO. ANTES DO DESPACHO DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.901882/200859 Acórdão n.º 3801001.184 S3TE01 Fl. 212 7 CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. INOCORRÊNCIA. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do despacho decisório. DIREITO CREDITÓRIO DISCUTIDO ADMINISTRATIVAMENTE EM OUTRO PER/DCOMP. NÃO GARANTIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. A DCOMP esteja em discussão administrativa não possui a garantia de certeza e liquidez para que a compensação seja considerada homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 139 a 156, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: • Que o entendimento jurisprudencial é no sentido de que, sendo retificada a declaração pelo contribuinte, ainda que no âmbito do processo administrativo, a presunção relativa de veracidade da declaração permanece incólume, mantido em favor da Administração, o direito de fiscalizar tais informações, não sendo possível a inversão de quaisquer ônus probatórios contra o contribuinte, além daquele atinente à necessária comprovação acerca da retificação efetuada (Decisão 10.549 – DRJ/Ribeirão Preto/5ª Turma/em 27.01.2006). • Que, o despacho decisório proferido não configura início de procedimento fiscal, mas, tão e somente, o entendimento da autoridade julgadora, não se aplicando, por isso mesmo, a redação do inciso III, do §2º, do art. 11, da IN 786/2007. REQUER: 1. A reforma do acórdão 0339.533 – 2ª Turma da DRJ/BSB, proferido nestes autos, declarando a integral homologação da compensação efetuada por meio do PER/DCOMP nº 00606.85641.080604.1.3.04 0868, reconhecendo, assim, a extinção do crédito tributário compensado, nos termos do art. 156, II, do CTN e determinando, em conseqüência, o arquivamento dos autos; ou Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 2. em caso negativo, seja deferida a realização de diligências, conforme argumentos expostos, com o objetivo de se apurar a verdade dos fatos. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.901882/200859 Acórdão n.º 3801001.184 S3TE01 Fl. 213 9 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata o presente caso de PER/DCOMP apresentada em 08/06/2004 (fls. 29/34), na qual é informado como origem do crédito pagamento a maior de IOF, realizado em 21/03/2001, compensado com débito do próprio imposto, referente ao PA 106/2004, no valor de R$ 993,34. Tal pretensão foi indeferida pela DRF/Brasília em 24/04/2008, em razão de estar todo o valor pago vinculado ao crédito tributário declarado na DCTF respectiva. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte aduz que a DCTF foi declarada com erro material no seu preenchimento, apontando valor maior que o realmente devido a título de IOF do período de apuração 303/2001 (terceira semana de março de 2001), a qual já se encontra retificada, fls. 36/55, em razão de: (i) aplicação equivocada da metodologia de cálculo do imposto com base no anexo I da IN nº 46/01, na qual os juros e encargos compõem a base de cálculo do IOF devido. (ii) Os valores relativos aos encargos (juros e correção) somente integram a base de cálculo do IOF nos casos em que não ficar definido o valor principal a ser pago em favor do mutuário (Regulamento do IOF, Decreto nº 2.219/97, art. 3º, §2º c/c art. 7º, §10). De acordo com a informação da recorrente, o valor do débito do IOF, referente ao período de apuração 303/2001 é de R$ 1.424,79, conforme consta da DCTF retificadora, fls. 54, e não de R$ 2.273,93 como constou na DCTF original, fls. 68. A DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme ementa acima colacionada. Discordando da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, a interessada apresentou o recurso de fls. 139/156, reafirmando os argumentos trazidos anteriormente, acrescentando, em oposição aos argumentos daquela autoridade, que: (i) sendo retificada a declaração pelo contribuinte, ainda que no âmbito do processo administrativo, a presunção relativa de veracidade da declaração permanece incólume, mantido em favor da Administração, o direito de fiscalizar tais informações, não sendo possível a Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 inversão de quaisquer ônus probatórios contra o contribuinte; e (ii) o despacho decisório proferido não configura início de procedimento fiscal, mas, tão e somente, o entendimento da autoridade julgadora, não se aplicando, por isso mesmo, a redação do inciso III, do §2º, do art. 11, da IN 786/2007. De todo o exposto até o momento, destacase que o não reconhecimento pela autoridade a quo do direito creditório da interessada e, consequentemente, a não homologação da compensação, teve como fundamentos: • a DCTF retificadora foi entregue após a ciência do despacho decisório (inciso III, do §2º, do art. 11, da IN 786/2007); • o erro no preenchimento da DCTF, alegado pela interessada, não veio acompanhado de prova documental que dê suporte à alegação e comprove a verdade material dos fatos. Assim, para melhor compreensão da matéria em discussão, transcrevo, a seguir, excertos da legislação de regência. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. DECRETO Nº 70.235, de 06 de março de 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.901882/200859 Acórdão n.º 3801001.184 S3TE01 Fl. 214 11 Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007. Dispõe sobre a execução dos procedimentos fiscais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dá outras providências. Art. 1º Os arts. 2º a 4º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, passam a vigorar com a seguinte redação: § 2º Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: [...] III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifos acrescidos). Confrontandose a situação em análise com os dispositivos legais acima transcritos, depreendese que o início do procedimento fiscal se deu com a ciência do Despacho Decisório de fls. 35, trazendo como conseqüência a perda de espontaneidade do contribuinte. Conforme dispõe o art. 7º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, o procedimento fiscal tem início com “o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”, exatamente como ocorreu na situação em debate. Para que não paire dúvidas sobre o teor do referido documento, transcrevo, a seguir, o item 4 – Ciência e Intimação onde fica claro a presença dos elementos caracterizadores da perda da espontaneidade da interessada. “4 – CIÊNCIA E INTIMAÇÃO Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva”. Portanto, enganase a recorrente ao afirmar que “o Despacho Decisório proferido não configura início de procedimento fiscal, mas, tão e somente, o entendimento da autoridade julgadora[...]”. Como visto, no corpo do referido documento consta expressamente a intimação para pagar o débito indevidamente compensado, sendo o contribuinte cientificado da obrigação tributária. Assim, a partir desse momento fica caracterizado que o contribuinte, na matéria em discussão (no caso: restituição de pagamento a maior ou indevido de IOF referente ao fato gerador de 21/03/2001 a ser compensado com o débito do mesmo imposto referente ao fato gerador de 106/2004), encontrase sob procedimento fiscal, ou seja, não mais produz efeitos qualquer declaração que venha a ser apresentada pelo contribuinte. Não significa dizer que a verdade dos fatos relativa à declaração original não possa mais ser modificada, mas tão somente que a simples apresentação de uma declaração retificadora não tem o condão de produzir os efeitos desejados pela recorrente. No caso presente, a interessada se limitou a alegar que a DCTF foi declarada com erro material no seu preenchimento, apontando valor maior que o realmente devido, em razão da aplicação equivocada da metodologia de cálculo do imposto com base no anexo I da IN nº 46/01, na qual os juros e encargos compõem a base de cálculo do IOF devido. Em análise do argüido, frente as regras que regulam o instituto da compensação, é de se dizer que a apresentação da DCOMP produz um efeito principal, qual seja, extingue o crédito tributário, mesmo que sob a condição resolutória de eventual homologação por parte da Fazenda Nacional. Por evidente, o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), caso contrário, não há como homologar a compensação declarada. Na situação em concreto, a interessada postula a compensação de débito próprio com um crédito que não goza de liquidez e certeza. Não é demais lembrar que o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito compete ao autor ( art. 333 do Código de processo Civil). A postulante, ao apresentar a manifestação de inconformidade, tinha a obrigação de carrear aos autos os elementos comprobatórios de sua pretensão, conforme dispõe o art. 333, do Código de Processo Civil (CPC) e o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972. Verificase, no entanto, que a recorrente não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu suposto crédito, não se apresentando viável a homologação da compensação nos termos pretendidos. Na presente lide, uma vez que a requerente não comprovou sua pretensão com os documentos necessários à prova inequívoca do seu direito, através de demonstrativos (em especial a demonstração da composição da base de cálculo da contribuição), da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis, o pleito requerido não tem como prosperar. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.901882/200859 Acórdão n.º 3801001.184 S3TE01 Fl. 215 13 Mister se faz salientar que não há impedimento para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, entretanto a retificação pura e simples desta declaração não tem a faculdade de outorgar a liquidez e certeza ao crédito postulado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e por conseguinte, não homologando a compensação. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10831.013923/2004-34
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 02/08/1999 a 06/12/1999
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE IMPOSTO PELA PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA N° 103 DO CARF. APLICABILIDADE.
A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 15.000.000,00 (Quinze Milhões de Reais). Tal limite de alçada deve ser analisado na data do julgamento em segunda instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 103.
Numero da decisão: 3402-010.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni. Ausente momentaneamente a Conselheira Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: CARLOS FREDERICO SCHWOCHOW DE MIRANDA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/08/1999 a 06/12/1999 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE IMPOSTO PELA PORTARIA MF N° 2 DE 2023. SÚMULA N° 103 DO CARF. APLICABILIDADE. A Portaria MF n° 02, de 17 de janeiro de 2023, dispõe que a decisão de primeira instância administrativa se encontra sujeita à confirmação pelo CARF quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 15.000.000,00 (Quinze Milhões de Reais). Tal limite de alçada deve ser analisado na data do julgamento em segunda instância administrativa, nos termos da Súmula CARF n° 103. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni. Ausente momentaneamente a Conselheira Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 39 23 /2 00 4- 34 Fl. 1451DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.906 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013923/2004-34 Relatório Por bem retratar a situação dos autos, adota-se o relatório do acórdão recorrido, que segue transcrito: Em ato de conferência final de manifesto a fiscalização do Aeroporto Internacional de Viracopos detectou a divergência entre a quantidade de carga declarada pela interessada no sistema MANTRA e aquela efetivamente armazenada nos estabelecimentos da INFRAERO. Após intimação da interessada, a fiscalização considerou ter ocorrido o extravio dos volumes constantes nos HAWBs. 071070 e 351267. Em razão da impossibilidade de identificar as mercadorias constantes dos volumes considerados extraviados, a fiscalização utilizou o dispositivo previsto no artigo 67 da lei 10.833/03 para determinação dos impostos e dos direitos incidentes. Assim, foi lavrado o auto de infração às folhas 01 a 20 e cobrados o II, IPI, PIS e COFINS, bem como a multa por extravio de mercadoria prevista no artigo 521, II, "d" do decreto 91.030/85. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada procedente pela 2º Turma da DRJ São Paulo II, exonerando o crédito tributário lançado, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 02/08/1999 a 06/12/1999 Ementa: CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO. Comprovado via documental o equivoco de preenchimento no sistema MANTRA, não há que se fa1ar em extravio. No caso de mercadoria constante de manifesto, de carga internacional não encontrada, seu extravio é presumido por determinação legal. A falta de comprovações em sentido contrario, legítima a ocorrência do extravio. O artigo 67, § 1°, da lei 10.833/03 , somente se aplica aos casos de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. Considerando que o órgão julgador de primeira instância reduziu a exigência inicial em valor superior ao limite de alçada que vigia à época da prolação do acórdão, vieram os autos para este Conselho para a análise do competente recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Relator. Fl. 1452DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.906 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10831.013923/2004-34 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata-se de recurso de ofício, o qual não é mais passível de conhecimento pelo CARF, tendo em vista a publicação da Portaria MF nº 2, de 18 de janeiro de 2023, que aumentou o limite de alçada para o montante de R$15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Com efeito, o valor de tributos e multas discutido após lavrado Auto de Infração Complementar (fl. 954) foi de R$ 2.315.590,18 (Imposto de Importação), R$ 1.157.795,09 (multa vinculada ao II), R$ 3.473.385,28 (IPI), R$ 128.670,75 (PIS) e R$ 592.665,27 (Cofins), totalizando o montante de R$ 7.668.106,57, o que deve ser levado em consideração, segundo a Instrução Normativa nº 141, de 18 de dezembro de 1992. Portanto, impõe-se aplicar a Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicando-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância (in verbis). Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) Carlos Frederico Schwochow de Miranda Fl. 1453DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10840.720076/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Nov 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento.
Numero da decisão: 2402-012.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário interposto e negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Jose Marcio Bittes, Rodrigo Rigo Pinheiro, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário interposto e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Jose Marcio Bittes, Rodrigo Rigo Pinheiro, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-10-30T13:32:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-10-30T13:32:32Z; Last-Modified: 2023-10-30T13:32:32Z; dcterms:modified: 2023-10-30T13:32:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-10-30T13:32:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-10-30T13:32:32Z; meta:save-date: 2023-10-30T13:32:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-10-30T13:32:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-10-30T13:32:32Z; created: 2023-10-30T13:32:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-10-30T13:32:32Z; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-10-30T13:32:32Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10840.720076/2010-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-012.127 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2023 Recorrente ENILVA ROSA DE SOUSA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecida a Impugnação apresentada após o prazo de trinta dias contados da data de ciência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário interposto e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Diogo Cristian Denny, Gregorio Rechmann Junior, Rodrigo Duarte Firmino, Ana Claudia Borges de Oliveira, Jose Marcio Bittes, Rodrigo Rigo Pinheiro, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Francisco Ibiapino Luz (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: A contribuinte acima identificada insurgiu-se contra o lançamento do IRPF/2006 (ano- calendário 2005), consubstanciado na Notificação de Lançamento de folhas 03 a 06, da qual tomou ciência em 17/02/2009, que apurou crédito tributário total de R$ 14.080,71. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 00 76 /2 01 0- 05 Fl. 44DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.127 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720076/2010-05 Motivou o lançamento a constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica das seguintes fontes pagadoras: 1. São Lucas Ribeirania Ltda., no valor de R$ 15.804,60, com compensação de imposto de renda na fonte de R$ 511,54, auferido pela contribuinte; 2. São Paulo Secretaria da Saúde, no valor de R$ 5.094,00, com compensação de imposto de renda na fonte de R$ 948,62, auferido por Anete de Souza Cruz; 3. São Paulo Secretaria da Saúde, no valor de R$ 18.375,47, com compensação de imposto de renda na fonte de R$ 253,34, auferido por Anete de Souza Cruz. Inconformada, a interessada manifestou-se contrariamente em 29/01/2010, alegando, em síntese, que informou sua mãe Minervina Rosa de Sousa como dependente, mas utilizou indevidamente o CPF de sua irmã Anete de Souza Cruz, o que gerou as omissões apontadas no lançamento. Para embasar seu pleito, foi anexado o documento de fl. 21. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando, assim, o exame das razões de defesa aduzidas pelo sujeito passivo, exceto quanto à preliminar. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/07/2015, o sujeito passivo interpôs, em 13/08/2015, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) erro de preenchimento da declaração ao incluir dependente indevidamente; b) erro da fonte pagadora ao informar os rendimentos do(a) recorrente, que não pode ser penalizado(a) por esse fato - inexistência de omissão de rendimentos; e c) a fonte pagadora é a responsável pela emissão do comprovante de rendimentos e retenção na fonte. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Diogo Cristian Denny - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Fl. 45DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.127 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720076/2010-05 A contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 17/02/2009, por via postal. No entanto, a impugnação foi apresentada pela interessada em 29/01/2010, ou seja, a destempo. No caso em tela, a autuada afirmou que tomou ciência da Notificação de Lançamento em 09 de fevereiro de 2010, logo foi levantada preliminar de tempestividade, motivo pelo qual será feita uma análise do presente processo. A preliminar de tempestividade suscitada na petição pelo defendente exige análise do cumprimento das condições legais exigidas para apreciação das questões de mérito da impugnação, por parte do julgador administrativo, de acordo com o que determina o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96 que: “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.” [grifos não originais] Para análise da preliminar argüida, é cabal trazer à consideração os mandamentos contidos nos arts. 14, 15 e 23 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, diploma legal regulador do Processo Administrativo Fiscal, in verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” "Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (Redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97) (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I - no endereço da administração tributária na internet; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Redação do par. 1.º dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 2o. Considera-se feita a intimação: (...) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Acrescido pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 4o Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: Fl. 46DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.127 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.720076/2010-05 I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)” Foi encaminhada ao domicílio eleito da interessada – Rua Aloisio de Azevedo, nº 1121, Jardim Maria Gorett, Ribeirão Preto, SP – a Notificação de Lançamento relativa ao imposto de renda pessoa física, exercício 2006. Tal intimação foi recebida, conforme se depreende do Aviso de Recebimento de folha 22, pela própria contribuinte. De acordo com a norma que disciplina as intimações, acima transcrita, esse seria o procedimento correto a ser adotado. Portanto, não houve qualquer mácula que pudesse dar ensejo à conclusão de irregularidade da intimação. Também não consta dos autos qualquer prova acostada pela defendente que demonstrasse que teria recebido a Notificação de Lançamento em 09 de fevereiro de 2010, ficando a contribuinte no campo das meras alegações. Prosseguindo, pelas regras de contagem de prazo estabelecidas no Decreto no 70.235/1972 e alterações posteriores, os prazos no Processo Administrativo Fiscal são contínuos, excluindo-se da sua contagem o dia de início e incluindo-se o do vencimento (art. 5o) e os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que tramita o processo ou deva ser praticado o ato (art. 5o § único). O que se pode concluir dos arts. 5º e 15 do Decreto no 70.235/1972, já citado, é que o prazo para a reclamação administrativa é fatal e peremptório, e, sendo assim, no presente caso, não há hesitação em se afirmar que a impugnação ocorreu a destempo, visto que foi apresentada em 29 de janeiro de 2010, enquanto que a ciência do lançamento foi efetivada em 17 de fevereiro de 2009, pela via postal. Por todo o exposto, a impugnação intempestiva apresentada não instaurou a fase litigiosa do procedimento. Não tendo sido superada a preliminar de tempestividade argüida, ocorreu preclusão processual, ficando impedido o julgador de apreciar as razões de mérito e de conhecer os documentos de defesa. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 47DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004407/2002-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 1991, 1992
CORREÇÃO MONETÁRIA - ÍNDICE FIXADO JUDICIALMENTE
Tendo a decisão judicial fixado os parâmetros de correção dos valores a restituir não cabe à instância administrativa a aplicação de outros parâmetros, devendo a administração respeitar a coisa julgada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991, 1992 CORREÇÃO MONETÁRIA ÍNDICE FIXADO JUDICIALMENTE Tendo a decisão judicial fixado os parâmetros de correção dos valores a restituir não cabe à instância administrativa a aplicação de outros parâmetros, devendo a administração respeitar a coisa julgada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 11/05/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e José Luiz Bordignon. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10183.004407/200239 Acórdão n.º 380101.178 S3TE01 Fl. 415 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação de créditos de FINSOCIAL (dos períodos de apuração de 09/1989 a 03/1992), apurados em razão de suposto recolhimento a maior da contribuição contemplando alíquota superior a 0,5%, objeto de Ação Judicial com trânsito em julgado (em 19/02/2007), com débitos de COFINS (do período de apuração de 30/09/02), realizado através da competente Declaração de Compensação (fls. 01/03), apresentada em 11 de outubro de 2002, compreendendo o montante total compensado de R$ 194.344,74. O presente processo administrativo se encontra instruído com cópia das principais peças do processo judicial que discutiu a constitucionalidade da majoração da alíquota do FINSOCIAL, de onde se depreende qual o limite e abrangência da decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte (fls. 08/71). A Delegacia da Receita Federal de Origem requereu do contribuinte (fls. 72) a apresentação de documentação suplementar, para a verificação da existência efetiva do crédito informado e da possibilidade de homologar a compensação em questão. A documentação referente à composição do crédito que entende possuir o contribuinte foi devidamente apresentada (fls. 77). A Equipe responsável da DRF de Origem procedeu à análise do pedido de compensação em face da documentação apresentada, e a conclusão é a de que houve divergência quanto às alíquotas dos recolhimentos efetivados em cada período de apuração, do modo como se transcreve abaixo: “a) o contribuinte teve o direito reconhecido à compensação dos créditos relativos ao pagamento a maior de FINSOCIAL com débitos de COFINS (vide tópico 2); b) Foi constatado que a contribuinte parcelou débitos de FINSOCIAL relativos aos PAs de 04/91 até 03192, e que tal parcelamento já considerou a alíquota correta de 0,5%, com exceção dos PAs de 01192 até 03192 (vide tópico 3); b) Foram apurados os créditos de FINSOCL em conformidade com as decisões atualmente em vigor (vide tópico 4); c) Foram utilizados os índices de atualização previstos na Norma de Execução conjunta SRF/COSIT/COSAR n. ° 08, de 27/06/97 (vide tópico 5);” d) O contribuinte informou os débitos com os quais foram compensados os créditos reconhecidos em decisão judicial (vide tópico 6). Assim, em vista de tudo o que foi exposto, proponho o encaminhamento do presente processo à SAORTDRFCBAMT, para as providências de sua competência, bem como para Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 averiguar a situação do processo de parcelamento n.° 10183.004842/9357, no tocante ao comentado no tópico 2.” Às fls. 225 se operou a anexação ao presente processo do de nº 10183.004906/200226, desse mesmo contribuinte, e de onde se infere novo pedido de compensação de créditos de FINSOCIAL, oriundos do mesmo processo judicial, também com débitos de COFINS (período de apuração de 10/2002) através de Declaração de Compensação apresentada em 14/11/2002, e cujo montante total que se objetivou compensar foi de R$ 49.060,46. Em consonância com a análise efetivada pela DRF de Origem, acima transcrita, depreendese que naqueles autos do Processo Administrativo nº 10183.004906/200226 houve a informação acerca do parcelamento dos débitos de COFINS que se objetivou compensar (PAES — Lei 10.684/2003), razão pela qual pleiteou o contribuinte o indeferimento do pedido de compensação efetivado e o arquivamento do respectivo processo. A Equipe responsável da DRF de Origem indeferiu o pedido de arquivamento do processo uma vez que considerou “(...) que a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento.” (fls. 298). O presente Processo Administrativo, por sua vez, teve prosseguimento em conjunto com o processo anexado, e foi proferido despacho decisório (fls. 324/327) homologando ambas as compensações declaradas com débitos em nome do contribuinte até o limite do crédito apurado a partir dos pagamentos supostamente indevidos, como se infere da seguinte conclusão exarada pela DRF: “(...) Pelo exposto, tendo sido dado provimento ao pedido na esfera judicial e sendo a decisão definitiva, proponho que sejam homologadas as compensações declaradas pela contribuinte com os débitos listados a seguir, até o limite do crédito originado com os pagamentos arrolados na tabela 1, o qual deverá ser atualizado de acordo com a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n.° 08/97. À consideração superior.” Feito o encontro dos créditos homologouse parcialmente as compensações apresentadas, e, portanto, o contribuinte foi intimado para recolher o valor remanescente dos débitos de COFINS que objetivou compensar (fls. 335). Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 337/344), na qual alega, em síntese, que os pagamentos a título de FINSOCIAL efetivamente foram realizados contemplando alíquotas superiores a 0,5%, e que, portanto, a apuração do crédito em seu favor foi realizada equivocadamente, por fim, alegou que a correção monetária aplicada não contemplou os índices utilizados pela Receita Federal. A DRJ de Campo Grande – MS indeferiu a pretensão da contribuinte, nos termos da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1991, 1992. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Deve ser recebida como embargos de declaração a manifestação da unidade de origem acerca da tempestividade da impugnação, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10183.004407/200239 Acórdão n.º 380101.178 S3TE01 Fl. 416 5 quando os elementos necessários para aferir esse requisito de admissibilidade se encontrem nos autos. FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PAGAMENTO. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. O reconhecimento do direito ao crédito decorrente de pagamento indevido de Finsocial depende da comprovação de que o valor efetivamente pago corresponde à aplicação de alíquota superior a 0,5%. Sem o reconhecimento do direito creditório não pode ser homologar a compensação declarada. Solicitação Indeferida.” Para o melhor entendimento da questão em debate, cumpre transcrevermos alguns dos trechos exarados no próprio relatório do acórdão proferido pela DRJ: “A DRF Cuiabá, embora tendo considerado a existência de crédito em favor da requerente (acatando decisão judicial transitada em julgado), concluiu que os pagamentos de Finsocial relativos aos períodos de apuração de junho de 1991 a janeiro de 1992 foram calculados com base na alíquota de 0,5%, em conformidade, portanto, com o entendimento adotado pelo STF. Ademais, os débitos de Finsocial no período aludido (06/1991 a 01/1992) teriam sido objeto de parcelamento. Assim, de tais pagamentos não resultaria crédito em favor da requerente (...)” “A despeito de os créditos pleiteados se limitarem ao intervalo compreendido entre junho de 1991 e janeiro de 1992, a DRF Cuiabá entendeu adequado juntar a este processo o de n° 10183.004906/200226, em que também se pretendia a compensação de pagamento indevido de Finsocial, e examinar o cabimento da compensação de todos os valores pagos indevidamente, inclusive aqueles não contidos expressamente nas declarações de compensação. Adotou para correção dos créditos os índices contidos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 8 de 1997 (...)” “Tem razão a DRF. Não há crédito relativo a esses períodos, o que se constata pelas seguintes evidências A manifestação de inconformidade veio instruída com cópias de vários DARFs (fls. 360 a 369), exceto aqueles pertinentes aos meses de abril de 1991 a março de 1992. A impugnante, sem motivo aparente, trouxe DARFs relativos a pagamentos que geraram — diferenças já reconhecidascomo crédito pela autoridade a quo, mas não o fez quanto aos pagamentos que teriam gerado os créditos não reconhecidos pela mesma autoridade. Na verdade, os pagamentos de Finsocial dos períodos de abril de 1991 a março de 1992 foram realizados no processo de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 parcelamento n° 10183.004842/9357, como mostra o relatório de fls. 210 a 212. Este é o ponto a ser observado. A requerente, no ano de 1991, talvez em razão das reiteradas decisões judiciais que à época já apontavam para a inconstitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial, suspendera o pagamento da contribuição. Mais tarde, em 1993, solicitou parcelamento dos débitos daquele período. Mas o fez, já tendo conhecimento da decisão final do STF; que foi proferida em 1992. Assim sendo, o débito objeto do parcelamento já foi calculado em conformidade com o entendimento firmado pela Suprema Corte, ou seja, com alíquota de 0,5%. Importante observar que o crédito tributário parcelado não foi lançado pelo Fisco, mas apurado e confessado pela própria requerente, que o fez, obviamente, utilizando a alíquota de 0,5%. Portanto não há pagamento indevido que possa dar ensejo à restituição ou à compensação. Inexistindo o crédito, fica prejudicada a questão dos índices utilizados para a atualização monetária dos valores.” Novamente inconformado, o contribuinte apresenta o Recurso Voluntário ora analisado (fls. 405/411), através do qual alega essencialmente as mesmas razões de sua Manifestação de Inconformidade, sustentando, ainda, não haver prova de que a alíquota utilizada para o cálculo dos valores incluídos no parcelamento era a de 0,5%, bem assim, não poderia a Administração vedar o aproveitamento de crédito dos períodos de apuração de 1991 e 1992, pois já decorrido prazo decadencial com relação a qualquer lançamento relativo a tais créditos. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10183.004407/200239 Acórdão n.º 380101.178 S3TE01 Fl. 417 7 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. São duas as questões pendentes decorrentes do presente Recurso Voluntário, a uma, o índice de correção aplicado na apuração dos créditos compensados, a duas, a alíquota de recolhimento do Finsocial referente ao período de abril de 1991 até março de 1992. Quanto ao índice de correção monetária aplicado para apuração dos valores, pareceme que não assiste razão à Recorrente. Como pode se ver para atualização dos créditos foram utilizados os índices de atualização previstos na Norma de Execução conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/1997. A decisão judicial que embasa o pedido de compensação determinou que os índices de correção monetária utilizados fossem os mesmos aplicados pela Receita Federal. A Norma de Execução conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/1997 que foi expedida para tentar uniformizar os procedimentos relativos a índices a serem utilizados na correção de indébitos tributários, nos processos administrativos de compensação e restituição de tributos e contribuições federais. Essa norma, interna, não foi publicada no Diário Oficial da União, mas acabou se tornando pública, seja por sua menção em diversos acórdãos das Câmaras do Extinto Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, seja por sua publicação ou menção em alguns veículos da imprensa especializada. As divergências entre a correção aplicada pelo judiciário e a Norma citada ocorrem nos períodos de apuração dos anos de 1989 e 1990. Em 1991, não há divergência; a partir de janeiro de 1992 foi utilizada a UFIR, culminando, a partir de 1996, com a incidência dos juros à taxa SELIC, determinada pela Lei nº 9.250/95, combinada com a Lei nº 9.532/97, pacificadose a questão. Os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08/97 são os seguintes: 1. IPC/IBGE (OTN até 01/89), no período compreendido entre janeiro de 1988 e fevereiro de 1990; 2. BTN no período compreendido entre março de 1990 a janeiro de 1991; 3. INPC de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Com o “Plano Verão”, Lei nº 7.730/1989, a OTN foi congelada em 6,17, ou seja, não foi corrigida pelo IPC/IBGE de janeiro de 1989. Esse expurgo de 42,72%, foi mantido na Norma de Execução e vem sendo dado pela Justiça: STJ (REsp. nº 23.0957, REsp. nº 17.8290, entre outros). Em relação a fevereiro de 1989, o IPC divulgado pelo IBGE foi de 3,6%, mas esse índice, pela metodologia da época, refletia a inflação medida para o período de 20 de janeiro e 31 de janeiro. O STJ tem entendido que o índice correto aplicável é de 10,14%. No mês de março de 1990 o índice a ser aplicável, segundo reiteradas decisões do STJ, é de 84,32% (REsp nº 81.859, REsp. nº 17.8290, entre outros) Nos meses de abril e maio de 1990 o STJ tem decidido que os índices a serem aplicados são de 44,80% e 7,87%, respectivamente, (REsp. nº 159.484, REsp. nº 158.998, REsp nº175.498, entre outros). Assim temos as seguintes divergências: Mês/Ano Norma Justiça Diferença Janeiro/89 0,00% 42,72% 42,72% Fevereiro/89 3,6%. 10,14% 6,54% Março/90 41,28% 84,32% 43,04% Abril/90 0,0% 44,80% 44,80% Maio/90 5,38% 7,87% 2,49% Entretanto, a decisão judicial que baliza o presente pedido mandou corrigir os valores pelos mesmos índices aplicados pela Receita Federal expressandose do seguinte modo: “corrigidos os créditos pelos mesmos índices utilizados pela Receita Federal para a atualização dos tributos”. Os índices de atualização monetária aplicados pela Receita para correção dos seus créditos são os expressos no artigo 61 da Lei 7.799/1989, a saber: Art. 61. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, quando não pagos até a data do seu vencimento serão atualizados monetariamente, a partir de 1° de julho de 1989, na forma deste artigo. § 1° A atualização monetária será efetuada mediante a multiplicação do valor do débito em cruzados novos, na data do vencimento, pelo coeficiente obtido com a divisão do valor do BTN Fiscal do dia do efetivo pagamento pelo valor do BTN Fiscal do dia em que o débito deveria ter sido pago. § 2° Os débitos vencidos até 30 de junho de 1989 serão atualizados até essa data com base na legislação vigente e, a partir de 1° de julho de 1989, pelo coeficiente obtido com a divisão do valor do BTN Fiscal do dia do pagamento pelo valor do BTN de NCz$ 1,2966. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10183.004407/200239 Acórdão n.º 380101.178 S3TE01 Fl. 418 9 § 3° Para fins de cobrança, o valor dos débitos de que trata este artigo, não expressos em BTN ou BTN Fiscal, poderá ser convertido em BTN Fiscal, de acordo com os seguintes critérios: a) os débitos vencidos até janeiro de 1989, expressos em OTN, multiplicandose o valor por NCz$ 6,17; b) os débitos vencidos até janeiro de 1989, expressos em cruzados, convertidos em OTN pelo valor desta no mês do vencimento, multiplicandose o valor em OTN por NCz$ 6,17; c) os débitos vencidos após janeiro de 1989 e até 30 de junho de 1989, dividindose o valor em cruzados novos pelo valor do BTN no mês do vencimento; d) os débitos vencidos após 30 de junho de 1989 serão divididos pelo valor do BTN Fiscal na data do vencimento. Assim, no presente caso, aplicouse corretamente o índice porque o crédito foi corrigido pela BTNFiscal criada pela Lei 7.799/89 e que vigorou no período de 15/6/1989 a 31/1/1991. É importante apontar que os créditos foram pagos entre 10/1989 e 04/1991, não havendo qualquer divergência entre a correção aplicada pela receita para fins de cobrança de seus créditos ou para a restituição de quaisquer valores. Restanos analisar se os valores correspondentes ao período de abril de 1991 até março de 1992 foram efetivamente pagos com a aplicação da alíquota de 0,5% (meio por cento) ou, conforme alega a Recorrente, se foi de a de 2%, conforme a alíquota referente aos períodos de apuração, portanto majorada. Vejamos: Sustentou a DRF, no parecer que serve de fundamento ao Despacho Decisório n° 910/2006 (fls. 324 a 327), que: Conforme delineado no despacho de folhas 220 a 222, os créditos tributários referentes aos períodos abril de 1991 a março de 1992 foram objeto de parcelamento através do processo administrativo n° 10183.004842/9357 (fls. 210 a 218). Cotejando os valores confessados com aqueles encontrados pela SACAT aplicandose a alíquota de 0,5% (fl. 208), notase não haver divergência para os períodos de apuração abril a dezembro de 1991, e no que pertine a aqueles dos períodos de janeiro a março de 1992 os débitos parcelados são menores que os efetivamente devidos. Inferese, pois, não haver crédito concernente intervalo evidenciado passível de ser utilizado na compensação ora em pauta. De fato, conforme consta da planilha de fls. 208 a alíquota aplicada no parcelamento foi a de 0,5%, não havendo diferença naquele período. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 Essa é a prova constate nos autos e quisesse a Recorrente contrapôla deveria ter juntado aos autos prova de seu faturamento no período, entretanto somente juntou as DIPJs de 1990 e 1991, referente aos exercícios de 1989 e 1990, respectivamente. A apresentação de planilhas com o valor do pagamento feito pela Recorrente não é prova de que esses valores tenham sido majorados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, não tendo demonstrado que realizou o pagamento a maior, temse por inexistente o crédito do período parcelado. Assim, voto por julgar improcedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10183.004407/200239 Acórdão n.º 380101.178 S3TE01 Fl. 419 11 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13808.001700/00-88
Turma: Sétima Turma Especial
Câmara: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
EXERCÍCIO: 1997
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 1°CC N° 2.
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE COMPENSAÇÃO - SÚMULA 1° CC N° 3.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das
Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da
compensação de prejuízo, como em razão da compensação da
base de cálculo negativa.
TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes
sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 197-00.108
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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SÚMULA 1°CC N° 2. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE COMPENSAÇÃO - SÚMULA 1° CC N° 3. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. TAXA SELIC. SÚMULA 1° CC N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VIAÇÃO NAÇÕES UNIDAS LTDA. ACORDAM os Membros da Sétima Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . . Processo n° 13808.001700/00-88 CCOI/T97 Acórdão n.° 197-000108 / Fls. 2 iMARCOS f i CIUS NEDER DE LIMA Presidente .. ERREIRA DE MORAESÉ Relatora Formalizado em: 20 MAR 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Trata-se de auto de infração de CSLL, lavrado em virtude da compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, por inobservância do limite de 30% sobre o lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas em lei. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que argumentou o seguinte: (i) a inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que estabelece o limite de 30%; (ii) inconstitucionalidade da taxa Selic. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, proferindo decisão assim ementada: "COMPETÊNCIA. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. As normas legalmente inseridas no ordenamento jurídico não estão sujeitas ao exame da administração quanto a sua constitucionalidade." Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, no qual alega em síntese que: a) É patente o cerceamento do direito à ampla defesa, tendo em vista que a 7° Turma da DRJ- São Paulo não apreciou todos os fundamentos aduzidos na impugnação alegando não caber o exame de inconstitucionalidade de lei por autoridade administrativa. b) Os dispositivos que limitam a compensação de bases de cálculo negativas devem ser declarados inconstitucionais por violarem o conceito de renda e lucro, o direito adquirido, o princípio da irretroatividade, e configurar empréstimo compulsório. et- , Processo n° 13808.001700100-88 CCO 1 /P77 Acórdão n.° 197-000108 FLs. 3 c) Impossibilidade da utilização da taxa Selic como taxa de juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheira - SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. As matérias argüidas pela recorrente já encontram-se sumuladas pelo Primeiro Conselho de Contribuintes. A seguir reproduzimos o teor das súmulas aplicáveis ao presente caso: Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula 1°CC n° 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Súmula 1° CC n° 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Ante o exposto, conheço do recurso para negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 2 de fevereiro de 2009. S NE FERREIRA DE MORAES 3 Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1
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