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Numero do processo: 13971.000838/2005-81
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
1- Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso positivo, aplica-se o prazo previsto no art. 150, §4º, ambos do CTN. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.
Numero da decisão: 9900-001.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Viviane Vidal Wagner, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: DEMES BRITO
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TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 1 Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso positivo, aplicase o prazo previsto no art. 150, §4º, ambos do CTN. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Extraordinário e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Viviane Vidal Wagner, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 08 38 /2 00 5- 81 Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.078 2 Olmiro Lock Freire e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Rodrigo da Costa Pôssas, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Vanessa Marini Cecconello, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Cristiane Silva Costa e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 0203.673, proferido pela Segunda Turma da CSRF de 26/11/2008, que decidiu em negar provimento ao Recurso Especial, confirmando o entendimento do acórdão nº 20217.102, que reconheceu a decadência de parte do crédito tributário com base no artigo 173, I do Código Tributário Nacional CTN, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 PIS. DECADÊNCIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário concernente ao PIS é de 05 (cinco) anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.079 3 Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, sobretudo após a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso especial negado. Não satisfeita, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra decisão da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por considerar que havia contradição entre a fundamentação e o dispositivo do Acórdão 20217.102. Argumentava que, neste, o Colegiado incluiu o mês de dezembro de 1999 como tendo sido alcançado pela decadência, ao passo que na fundamentação a tributação deixaria de ter efeitos apenas até o mês de novembro de 1999. Ocorre que foram rejeitados os Embargos opostos, sem que tivesse sido considerada tal questão. Irresignada com o decido, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Extraordinário junto ao pleno da Câmara Superior de Recurso Fiscais CSRF, com a mesma intenção, de excluir a competência 12/1999 do período não sujeito à tributação pela ocorrência da decadência. Apresenta como paradigma o Acórdão n° 9101 00.901, da lº Turma da CSRF, em que o respectivo Colegiado decidiu pela aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando a contagem do prazo decadencial pelo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em seguida, o Presidente do CARF negou seguimento ao Recurso, após ter sido submetido ao exame de admissibilidade,que não logrou o seguimento pretendido, sob o argumento de não atender às disposições dos §§ 4° e 6° do art. 67 do RICARF/09. Nada obstante, a Fazenda Nacional apresentou requerimento solicitando a análise de inexatidão material para que seja promovida a adequação do Despacho nº 7100029 R. Em despacho de Pedido de Reconsideração por erro manifesto, o Presidente do CARF deu seguimento ao Recurso Extraordinário, por entender que há divergência pretendida, conforme despacho ás fls. 1030/1033. O recurso extraordinário já teve o seu seguimento negado por duas ocasiões. Na segunda, despacho de fls. 1.023/1.024, foi taxativamente afirmado que a decadência alcançou o período de dezembro de 1999 e que, por isso, não haveria a divergência pretendida. Isso é precisamente o oposto, a matéria referente a decadência há a divergência. E ela se caracteriza pelo critério de aplicação da contagem do prazo ali definido, já que, embora ambas apliquem o art. 173, um acórdão entendeu que isso leva ao afastamento do mês de dezembro, enquanto o outro (recorrido), a sua inclusão entre os períodos afetados pela decadência. No essencial é o Relatório. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.080 4 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito ,Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, contra a Contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração lavrado exigindolhe diferenças da contribuição para Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2001. A ciência do auto de infração se verificou em 18/06/2006. Por sua vez, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para confirmar o entendimento do Acórdão 20217.102, que reconheceu a decadência de parte do crédito tributária com base no art.173, I do CTN. Alega a Fazenda Nacional, que consta no dispositivo do acórdão 20217.102 ( Recurso Voluntário) que a decadência alcançou os períodos de apuração encerrados até 31/12/99. Neste sentido, requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente recurso para que fique esclarecido que a decadência não alcançou o mês de dezembro de 1999. Analisando a quaestio, por meio do Acórdão 0203.673, a 2 Turma da CSRF parece ter concluído que a decadência havia alcançado os fatos apurados em dezembro de 1999. Ocorre que, para o referido mês, o lançamento somente poderia ser efetuado em 01/01/2000, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse para o dia 10 de janeiro de 2001. Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria cm 31/12/2005. Como a ciência do auto se deu cm 18/06/2005 (11s. 218), concluise que o lançamento não aconteceu a destempo para esse período. Registrese que com entendimento do STJ no Resp n° 973.733/SC, não colide com esse entendimento, no acórdão recorrido, "O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' corresponde, indubitavelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível." Diante disso, o acórdão recorrido buscou repelir o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de oficio somente começaria após o lapso do prazo qüinqüenal para a homologação tácita. Ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponivel, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Código Tributário. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.081 5 Alias, consideradas as circunstâncias fáticas, a dubiedade da redação tornou se irrelevante, pois consta que se julgavam fatos "imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001". Tendo o fato gerador mais recente (dezembro de 1994) ocorrido em 31/12/2004, a fixação do termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele cm que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I) não afastaria a decadência, pois o prazo para o lançamento encerrouse em 31/12/2000. Nessa perspectiva, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173,I do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.082 6 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Ademais, percebese que a contribuinte manuseia mal um importante instituto do Direito, qual seja o do ônus da prova. Dizse isto porque ao pretender não se ver obrigada a demonstrar a composição do conjunto de exclusões que expurgou da base de cálculo do PIS no âmbito das DIPJ e das DCTF's. Pela tese da contribuinte, uma vez informado na DIPJ ou na DCTF um determinado valor (como é o caso do total das exclusões da base de cálculo do PIS no presente processo), não seria licito a autoridade fiscal intimar o sujeito passivo a demonstrar como tal valor está composto e a apresentar os documentos que atestem esta composição; teria o fisco, independentemente de esclarecimentos do sujeito passivo, provar que o que este disse não verdade. Com efeito, compulsando aos autos, não localizei antecipação de pagamento, portanto aplicase a regra prevista art. 173, I do CTN. Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio STJ o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não havendo pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no artigo 173, I do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.083 7 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 323, de 2015, tem o seguinte comando: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dispositivo Ex positis, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para declarar que a decadência não alcançou o mês de dezembro de 1999. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante o substancioso voto do I. Relator, peço vênia para divergir sobre o entendimento apresentado. A matéria devolvida no Recurso Extraordinário diz respeito exclusivamente à apreciação da decadência para o lançamento de PIS por homologação relativo ao fato gerador 31/12/1999. Transcrevo excerto do recurso: Portanto, dúvidas não há de que a observância do art. 62A do RICARF, diante do que decidiu o STJ no Resp no 973.733/SC, conduz à conclusão de que o termo inicial da decadência, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte aquele em o que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, deve ser reconhecido que a decadência não alcançou o mês de dezembro de 1999. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.084 8 Sobre o assunto, dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, situação tratada no caso concreto, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.085 9 a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso positivo, aplicase o prazo previsto no art. 150, §4º do CTN. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo que se caracteriza por declaração que tenha como repercussão a confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Caso se entendesse apenas pela ocorrência de "pagamento espontâneo", tornar seia sem efeito a hipótese "declaração prévia do débito" apresentada na decisão do STJ. Contudo, não se trata de qualquer natureza de declaração, mas apenas aquelas que tem efeito de confissão de dívida, ou seja, cujos tributos serão objeto de cobrança por parte da Administração Pública, sendo valores que efetivamente devem ingressar nos cofres públicos, assim como o pagamento, por via administrativa ou judicial. Portanto, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, os débitos confessados em 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 13971.000838/200581 Acórdão n.º 9900001.031 CSRFPL Fl. 1.086 10 declarações como a DCTF, em compensação tributária (PER/DCOMP que tenha efeito de confissão de dívida) ou parcelamento. Nos presentes autos, consta, para o fato gerador de 31/12/1999, informação no sentido de que houve declaração de débito, por meio de DCTF, no valor de R$1.562,31, nos termos do extrato de efl. 200: Sendo assim, aplicase a contagem prevista no art. 150, § 4º do CTN. A respeito do PIS, submetido a lançamento por homologação, fato gerador mensal, discutese nos presentes autos o FG 31/12/1999, termo inicial para contagem de cinco anos. Assim, o prazo final para o lançamento de ofício em discussão é no dia 31/12/2004. Tendo sido a ciência do lançamento fiscal ocorrido em 18/06/2005, constatase que o PIS FG 31/12/1999 foi atingido pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso extraordinário da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1086DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722508/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/11/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 08 /2 01 4- 88 Fl. 35840DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35841DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.601, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35842DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35843DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35844DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35845DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35846DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35847DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35848DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35849DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35850DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35851DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35852DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35853DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35854DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35855DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35856DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35857DF CARF MF Processo nº 12466.722508/201488 Acórdão n.º 3301005.115 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35858DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722300/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade.
CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização.
Numero da decisão: 2401-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 00 /2 01 0- 94 Fl. 186DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros:. Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.297.2500, consolidado em 07/10/2010, em face da ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., no valor de R$ 18.183,86 (dezoito mil, cento e oitenta e três reais e oitenta e seis centavos), referente à multa por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com incorreções, omissões, ou inexatidões no período de 01/99 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/11 os fatos que ensejaram tal atuação se baseiam em documentos já existentes no Auto de Infração original (DEBCAD N° 35.675.418 9), anulado pro vício formal. Sendo assim, o Auto de Infração aqui tratado, se configura como um lançamento substitutivo. A Fiscalização alega que o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a conseqüente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. A Recorrente apresentou Impugnação e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AIOA DEBCAD n.º 37.297.2500 (CFL 69) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais, tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. CERCEAMENTO DE DEFESA Não há cerceamento de defesa quando os motivos fáticos e jurídicos são adequadamente apresentados pela Fiscalização. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Acórdão n.º 2401005.707 S2C4T1 Fl. 3 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 161/165, alegando, em síntese: Preliminarmente, a presente Autuação, por conexão administrativa, terá provimento intimamente ligado com aquele a ser deferido no processo de n° 10166016223/200815, em que se discute o AI DEBCAD n° 35.675.4219, na medida em que, se considerada insubsistente a obrigação principal, não há como subsistir a obrigação acessória; Que o presente processo deve ser apensado ao que trata da obrigação principal, para conjunta tramitação, sob pena de nulidade; Que a autuação fiscal se mostrou irregular, baseada em insinuações e desprovidas de razoabilidade; Que as conclusões fiscais são ilegítimas posto terem sido alcançadas pela análise de dados realizada de forma tendenciosa. Que os critérios de aferição para conceber os valores apurados como não informados em GFIP ou levados a registros contábeis se deu de forma temerária quando se valeu de presunção alicerçada em bancos de dados utilizados apenas como meio de controle interno para apuração do salário de contribuição tido como devido; Que tais questões devem ser debatidas no processo de n° 10166.016223/200815 (obrigação principal) posto que seu resultado refletirá no resultado deste. A 3ª Turma Especial do CARF, por intermédio da Resolução nº 2803000.127, às fls. 167/174, por maioria de votos, entendeu pela conexão e determinou que os presentes autos fossem encaminhados à 1º TO da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, ou Turma responsável, para julgamento conjunto com processo nº 10166.016223/200815, com base no artigo 9º , § 1º do Decreto nº 70.235/72. Nesse diapasão, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2 Seção, ao analisar os autos já com as devidas conexões promovidas, mais uma vez converte o feito em diligência, por intermédio da Resolução nº 2302000.357, às fls. 178/181, tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, naquele feito, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Assim o julgamento foi convertido em diligência para que se aguarde o deslinde do processo nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão a ser proferida nestes autos. Ocorre que, da manifestação fiscal, em retorno da diligência solicitada nos autos nº 10166.016223/200815, a Recorrente não foi intimada a se manifestar, conforme pude constatar após análise daqueles autos. Assim, o processo foi convertido em diligência mais uma vez (Resolução nº 2401 000.580 – fls. 182/185), determinandose que o presente feito aguarde o deslinde do processo Fl. 188DF CARF MF 4 principal nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão aqui a ser proferida. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 18/04/2005 (fl. 10.889) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 17/05/2005, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A Recorrente repisa as alegações apresentadas perante a instância a quo, requerendo que seja declarada a nulidade do crédito lançado, alegando que a fiscalização não teria demonstrado com clareza os cálculos da multa mais benéfica ao contribuinte, bem como os critérios de aferição dessas multas, contemplados pela Lei n. 11.941/10. Reitera, com base nessa premissa, que teriam sido violadas as suas garantias fundamentais ao contraditório e à ampla defesa. Todavia, não merece guarida o argumento suscitado pela defesa. Conforme esclarecido pela instância de piso, nas planilhas de fls. 291 a 295, consta toda a comparação efetuada, conforme determina a legislação de regência, bem como os arquivos do Auto de Infração anteriormente lavrado, pelo que se pode constatar, com base nesses dados, a higidez dos cálculos efetuados pela autoridade autuante. Continua ressaltando que a autuada foi devidamente cientificada do inteiro teor desses demonstrativos, não os tendo impugnado em nenhum ponto. Logo, não vislumbrou na espécie, como não vislumbro, qualquer vício de obscuridade e imprecisão na exposição dos fatos determinantes da limitação máxima da multa em cada competência capaz de macular com pena de nulidade o lançamento em tela. 3. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIDA Assim, corroboro o entendimento de que ao declarar GFIP com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, o contribuinte infringiu o disposto no IV e § 6º, do artigo 32, da Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, sujeitandose à sanção estabelecida no parágrafo 6º, inciso IV, do artigo 32, da Lei 8.212/91 c/c o inciso III, do artigo 284, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10166.722300/201094 Acórdão n.º 2401005.707 S2C4T1 Fl. 4 5 Notese ainda que, de acordo com o art. 225, inciso IV, do RPS, a empresa é obrigada a informar mensalmente à Receita Federal do Brasil, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Órgão; Nessa esteira de entendimento verificase que esta infração ocorre quando da apresentação do documento com erro de preenchimento dos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Portanto, agiu a fiscalização em perfeita consonância com a legislação de regência. Melhor sorte não assiste ao Recorrente em relação à multa aplicada, onde reitero o entendimento da instância inferior, adotando in totum suas razões de decidir, nessa direção, há que se atentar para a alteração havida no ordenamento jurídico com o advento da Medida Provisória 449, em vigor desde 04/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O novo diploma legal alterou a redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentoulhe o artigo 35A, passando a aplicar a multa prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96 nos casos em que haja lançamento de ofício de contribuições não pagas e não declaradas em GFIP. Considerando a disposição contida no artigo 106, II, “c” do Código Tributário Nacional CTN, mostrase necessária a análise comparativa da multa aplicada em conformidade com a legislação vigente à época da autuação com a multa prevista nos dispositivos legais atualmente em vigor, devendo prevalecer aquela mais favorável ao sujeito passivo. Dessa forma, ante a sistemática legal ora vigente e pelo entendimento exposto no Parecer PGFN/CAT nº 433, de 2009, o cotejo da multa aplicada neste Auto de Infração deve ser feito com a penalidade prevista no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, a fim de que prevaleça a multa mais benéfica ao contribuinte. Ressalta a fiscalização, no Relatório Fiscal (fls. 12/16), que, nas competências objeto deste auto, verificou infração a outro dispositivo legal capitulado no Código de Fundamentação Legal – CFL 68, além de ter havido lançamento de ofício. Assim, ao efetuar a comparação, nas planilhas de fls. 74/75, constatou ser a multa calculada pela legislação revogada a mais benéfica ao contribuinte, com exceção das competências 07/1999 e 13/2000. No mérito, a Recorrente não manifesta qualquer razão de inconformidade com a exigência, limitandose, simplesmente, a pleitear o reconhecimento da conexão entre este Auto de Infração e os outros lavrados pela fiscalização e que se encontram pendentes de julgamento os AI de obrigação principal de nº 37.297.2543 e 35.675.4219. Alega, para tanto, que o presente débito de obrigação acessória seria mera decorrência do débito de obrigação principal, pelo que teria o seu desfecho subordinado ao resultado julgamento dos citados AI. Essa questão está superada, tendo em vista que o julgamento deste auto ocorre na mesma sessão do auto de obrigação principal. Fl. 190DF CARF MF 6 Por fim, salientese que o auto de infração ora analisado encontrase revestido de todas as formalidades legais pertinentes, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, vigentes à época do lançamento, consoante o disposto no caput do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, não tendo sido constatada a existência de vícios que pudessem ensejar sua nulidade. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.732953/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2009 a 30/09/2010
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de infirmar o Acórdão recorrido, impõe-se o não provimento ao recurso.
Numero da decisão: 2401-005.868
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de infirmar o Acórdão recorrido, impõese o não provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 29 53 /2 01 3- 60 Fl. 4714DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.715 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu requerimento de restituição de valores retidos nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 9.711, de 1998, relativos às competências 05/2009 a 09/2010, uma vez que os lançamentos dos fatos geradores das contribuições previdenciárias encontramse em desacordo com o determinado nos incisos I, II e IV do § 9º e inciso II do § 13, do artigo 225, e § 5º do artigo 219, do RPS. Da Manifestação de Inconformidade, em síntese, extraise: a) As obras (Sites de Telecom, Centrais de Telefonia, reforma de Agências Bancárias e Lojas de Shopping) apresentam peculiaridades, e, para tanto, se discorre a respeito dos serviços realizados, com destaque para a pouca utilização de mãodeobra, do alto custo dos materiais / equipamentos instalados, e da forma de pagamento (30% quando do pedido de compra, 50% no término da obra, e 20% após a aceitação). b) A empresa contratada estava dispensada da elaboração de folhas de pagamento e GFIP com informações distintas por obra, quando utilizasse os mesmos empregados, alternadamente, em duas ou mais obras. c) Quanto à afirmação do despacho decisório de que nas competências 05/2009 a 08/2009, 10/2009 a 12/2009 e 01/2010 a 09/2010, a empresa deixou de alocar os funcionários nos respectivos tomadores de serviços e os lançamentos contábeis não registram, em contas individualizadas, por tomador de serviços os fatos geradores de contribuições previdenciárias, diz que por ser optante pelo regime de tributação do lucro presumido está dispensada de realizar escrituração contábil detalhada por centro de custo que informe, dentre outras coisas, as folhas de pagamento específicas referentes a cada contratante de serviço. Houve equivoco ao não se considerar o regime tributário da requerente. d) A mão de obra direta utilizada pela requerente circulava entre as obras de acordo com o permissivo constante na Instrução Normativa MPS/SRP 3/2005, artigo 162, e na IN RFB 971/2009, artigo 135. Sistematicamente, são realizadas obras de construção de sites de telefonia, na modalidade de empreitada parcial, obras extremamente rápidas, com o uso de 2 a 3 funcionários, e não possuem matrícula CEI, não estando, portanto, de acordo com o seu enquadramento nos incisos I, II e IV do §9º do artigo 225, inciso II do §13 do artigo 225 e §5º do artigo 219 do RPS. Destacou nas notas fiscais 11% sobre a mão de obra, a título de retenção, mas, de forma incorreta, diversos tomadores retiveram contribuição superior à destacada. e) Elabora planilha onde aponta as NFs, os valores retidos, destacados e recolhidos, alegando que as retenções foram muito superiores à mão de obra efetivamente empregada. Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.716 3 f) Requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade para que seja deferida a restituição pleiteada. Em face das questões fáticas e dos documentos apresentados, foi comandada diligência e da qual, em síntese, extraise: a) Na análise da relação da remuneração da mão de obra declarada em GFIP e do serviço executado, em todas as matrículas CEI deferidas ou indeferidas, levouse em consideração todo o período da obra. b) Nas GFIP retificadoras das competências 05/2009 a 08/2009, 10/2009 a 12/2009 e 01/2010 a 09/2010, código de recolhimento 150, os empregados não foram alocados nos respectivos tomadores de serviços. Há empregados alocados apenas no tomador CNPJ da empresa. A empresa retificou as GFIP’s de código 150, porém deixou de informar, novamente, os trabalhadores correspondentes aos tomadores, assim como também não faz a folha de pagamento por tomadores, contrariando o disposto no § 5º do art. 31 da Lei 8.212, de 1991, e o artigo 225, inciso I e § 9º do RPS. Como consequência, as GFIP’s, devem ser elaboradas de acordo com as instruções do item III capítulo II do “MANUAL GFIP/SEFIP aprovado pela IN RFB nº 880, de 16/10/2008 – juntamente com as notas 1 e 2; c) Os serviços relacionados nas GFIP’s, assim como as folhas de pagamento encontramse em desacordo com a legislação. Desta forma, a prerrogativa utilizada pela empresa, citando o artigo 162 da Instrução Normativa nº 03/2005 e o artigo 135 da Instrução Normativa 971/2009, não se aplica, pois, não houve comprovação do previsto pelas notas 1 e 2 com seus exemplos, mesmo porque, os serviços prestados pela empresa foram em diversas cidades localizadas em vários Estados e o período de execução dos mesmos é de dois a cinco meses; d) Quanto à alegação de que está dispensada de realizar escrituração contábil por centro de custo, esclarece que os lançamentos contábeis da empresa não registram, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, por tomador de serviços. A empresa cita o inciso II do §16 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, entretanto, optou pela escrituração contábil, isto é, pela escrituração do Livro Diário e do Livro Razão. Desta forma, a escrituração do Livro Diário deve obedecer as Normas Brasileiras de Contabilidade, a teor do disposto na A Instrução Normativa RFB nº 971/2009, art. 47, IV e § 5º, I e II; e) Elabora quadro demonstrativo indicando as restituições que o requerente teria direito após a nova análise e planilha indicando, por estabelecimento, o motivo do indeferimento. Diante do resultado da diligência, a empresa complementou sua manifestação de inconformidade, em síntese, alegando: a) Todos os serviços e obras executados foram contratados com a obrigatoriedade de fornecimento de materiais e de equipamentos, estes, Fl. 4716DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.717 4 majoritariamente, fornecidos com colocação / mão de obra de terceiros. Reporta aos Pedidos de Compra, e às Instruções Normativas que tratam da definição da base de cálculo em 50% do valor da Nota Fiscal. Na quitação de inúmeras Notas Fiscais, as contratantes, arbitrariamente, consideraram como base de cálculo o valor integral do documento, impondo à contratada retenções que incidiam sobre os materiais e equipamentos fornecidos. Com isso, requer a devolução das retenções acima dos valores destacados, bem como a devolução das retenções que incidiram sobre itens que são excluídos legalmente da base de cálculo, como fundações, instalação de ar condicionado, muros de concreto, e outros materiais e equipamentos fornecidos com colocação. Apresenta um quadro onde totaliza o valor dos materiais, da mãodeobra, dos destaques, das contribuições retidas de fato, dos recolhimentos, e da importância retida a maior. Esclarece que para cálculo do destaque, aplicou a regra geral, considerando como base 50% do valor da nota. Traz exemplos para demonstrar os equívocos relativos a retenções muito acima das que deveriam ter sido efetivadas, e alega que todas as contribuições retidas foram recolhidas. Alega que, do exposto, fica esclarecido e afastado o motivo do indeferimento apontado na tabela 10 da Informação Fiscal, considerado pela auditora fiscal como obstáculo à aprovação de diversos pedidos de restituição formulados pelo contribuinte. b) Na mesma tabela a auditora informa outro motivo para o indeferimento: nas GFIP não tinham sido informados os valores da mão de obra. Como já explicado, com exceção das centrais de telefonia, as obras executadas pela ENCOP são de curta duração, a maioria é concluída em menos de um mês. O fato de que os cronogramas de recebimento das notas fiscais não coincidiram com o período de execução das obras ou serviços. c) Às fls. 4.436/4.447, presta esclarecimentos com o objetivo de contestar alguns indeferimentos. Elabora Quadros com o resumo do faturamento, de folhas de pagamento relativas à obra e resumo do Pedido de Compra, argumentando que neles se incluem itens que deveriam ser excluídos sumariamente da base de cálculo, mas que indevidamente a integraram. Conclui que as restituições foram indeferidas pelos seguintes motivos: OBRA MOTIVO DO INDEFERIMENTO NF 70.003.54494/77 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/283 70.002.93041/71 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/252 51.207.35647/77 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/323 51.207.41329/70 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/321 70.001.22379/71 Não houve FP (estas ocorreram em agosto e setembro/09) Em setembro/10, pagamento referente a aditivo para execução de serviços complementares de curta duração, executados por empregado da empresa e por fornecedores. 2010/367 51.207.73525/79 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/322 70.003.14481/72 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/236 e 2010/237 70.003.14518/75 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/270 70.003.22239/70 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/253 70.003.38580/74 Contribuição retida após a conclusão da obra 2010/355 d) Para as obras não identificadas por matrículas CEI, consolidou todos os pagamentos de seus empregados na folha do escritório, em razão das dificuldades em alocar em folha específica os trabalhadores que participaram, em períodos inferiores a um mês, em várias obras ou serviços. Por serem obras de curta duração (sites de telefonia) e não se enquadrarem Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.718 5 no conceito de empreitada total, não foram retiradas as matrículas CEI, ressaltando que esse procedimento estaria respaldado em consulta à Receita Federal (Solução de Consulta nº 122). Com isso, estava desobrigada de providenciar as matrículas das obras executadas parcialmente. Parte ponderável do faturamento no período teria decorrido da prestação de serviços com duração inferior a uma semana, para os quais é impossível a geração de folhas de pagamento e GFIPs específicas. e) Apesar das justificativas apresentadas (obras não sujeitas à matrícula CEI, período de execução inferior a um mês, impossibilitando a emissão de folhas específicas, pela presença dos mesmos empregados em mais de uma obra ou serviço) as restituições requeridas no CNPJ foram indeferidas, entretanto, tal situação não foi óbice para que restituições requeridas no CNPJ fossem deferidas em despacho decisório anterior, tendo o julgador, naquela oportunidade, considerado satisfeitas as condições para a decisão favorável a empresa. Reivindica, com base neste antecedente, igual tratamento por parte da autoridade fiscal, por se tratar de situações idênticas para as quais se prescreve idêntica solução. f) Requer sejam acolhidas as razões de fato e de direito expostas para que seja reformada a decisão proferida, determinado a restituição das contribuições recolhidas em excesso. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) O ônus probatório do direito à restituição é da requerente. O pleito é da requerente, e não do Fisco, motivo pelo qual são impossíveis vícios de cerceamento de defesa. É prerrogativa da autoridade a quo condicionar o conhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios, inclusive os documentos contábeis (artigo 76 da Instrução Normativa RFB 1.300, de 20/11/2012). Não existe formalidade entre as partes (artigo 107 do Código Civil – CC, Lei nº 10.406, de 10/01/2002), entretanto, para impor provas a terceiros, no caso, ao Fisco, a prestação dos serviços / a execução das obras deve estar prevista contratualmente (parte final do § 7º do artigo 219 Regulamento da Previdência Social – RPS). O livro contábil, para empresa tributada pelo lucro presumido, é o Caixa, salvo quando essa mantiver escrituração contábil nos termos da legislação comercial (artigo 18, inciso I, da Lei nº 8.541, de 23/12/1992). O inciso II do § 16 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, para empresa tributada pelo lucro presumido, a dispensa de escrituração contábil, mas se ela utilizase de escrituração comercial (Livro Diário e Livro Razão), esses provarão contra e a favor (artigo 226 do Código Civil – CC, Lei nº 10.406, de 10/01/2002). b) No caso em análise, não se pode proceder ao encontro de contas para os serviços / obras, prestados sob o regime de empreitada parcial, GFIP no código 150, eis que a requerente não alocou os trabalhadores, nessas GFIPs, por tomador de serviços, considerando que não elabora folhas de pagamento específicas com a identificação dos tomadores. Essa exigência vem da Fl. 4718DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.719 6 disposição legal do § 9º do inciso I do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. A Instrução Normativa MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005 (artigo 162, parágrafo único) e a Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009 (artigo 135, parágrafo único) vigentes à época da prestação dos serviços, dispunham no mesmo sentido sobre a dispensa de elaboração de folha de pagamento e GFIP específicas, para a empresa contratada. O artigo 162 e seu parágrafo único, da IN MPS/SRP nº 03/2005, dispõe que: Art. 162. A empresa contratada fica dispensada de elaborar folha de pagamento e GFIP com informações distintas por estabelecimento ou obra de construção civil em que realizar tarefa ou prestar serviços, quando, comprovadamente, utilizar os mesmos segurados para atender a várias empresas contratantes, alternadamente, no mesmo período, inviabilizando a individualização da remuneração desses segurados por tarefa ou por serviço contratado. Parágrafo único. São considerados serviços prestados alternadamente, aqueles em que a tarefa ou o serviço contratado seja executado por trabalhador ou equipe de trabalho em vários estabelecimentos ou várias obras de uma mesma contratante ou de vários contratantes, por etapas, numa mesma competência, e que envolvam os serviços que não compõem o CUB, relacionados no Anexo XIV. a1) Percebese, do artigo 162, e seu parágrafo único, acima, que os serviços que dispensam a elaboração de folhas de pagamento por tomador são aqueles que satisfazem (duas) condições: (1) Serviços que não compõem o CUB, relacionados no Anexo XIV (Esses serviços estão dispensados de matrícula CEI); e (2) Serviços nos quais a tarefa é executada por trabalhador(es) em vários estabelecimentos ou obras numa mesma competência inviabilizando a individualização da remuneração por tarefa ou por serviço contratado. b) Em face dos esclarecimentos da requerente, verificase que os serviços realizados não são, exclusivamente, os do referido Anexo XIV, mas “Gerais de Engenharia”, conforme a descrição em alguns Pedidos de Compra. Os serviços e obras de construção civil estão discriminados no Anexo XIII, da também IN 03/2005, enquanto os não sujeitos à folha por tomador são os do Anexo XIV. Na situação, não se vê que a ENCOP tenha apenas instalado equipamentos, e numa atividade de curta duração, mas executado reformas e construções novas, em centrais de telefonia, em agências bancárias, e em lojas de shoppings. É uma situação que não impossibilita a individualização da remuneração dos trabalhadores por tarefas ou por serviços contratados, até mesmo porque o período médio de execução das obras varia de vinte a trinta dias, segundo os esclarecimentos da requerente. Se é assim, a ENCOP poderia ter rateado a remuneração dos trabalhadores pelos dias trabalhados em cada obra, o que, ainda que tenha realizado algum dos serviços do Anexo XIV, não satisfez a condição “2”, acima, para a sua dispensa de folha por tomador. c) Se a requerente era obrigada a ter folhas de pagamento por tomador, e não as tem, não há como saber das remunerações e das contribuições Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.720 7 previdenciárias devidas, em cada obra, em cada serviço contratado, de modo a possibilitar o encontro de contas, entre os valores devidos e os recolhidos (retenções e/ou recolhimentos realizados pelos contratantes), e ainda possibilitar a homologação de possíveis créditos a seu favor, considerando que as GFIPs, por tomador, não informam a mão de obra alocada. A hipótese é de incerteza e de iliquidez de créditos a favor da requerente, não sendo reconhecidos possíveis excessos de retenção, e ainda sendo julgados improcedentes os pedidos relacionados aos serviços / obras, prestados em empreitada parcial (GFIP 150). d) Em relação às obras em empreitada total (GFIP 155), a autoridade a quo aceitou as folhas de pagamento apresentadas, eis que são específicas por tomador de serviços, o que cabe a esta autoridade, que julga a Manifestação de Inconformidade, realizar o encontro de contas (valores devidos X valores recolhidos) com base nas contribuições previdenciárias e nas retenções que foram declaradas pela requerente em suas GFIPs, observando, para tanto, os pedidos iniciais nos PER/DCOMPs, as Notas Fiscais juntadas ao processo, as retenções e/ou recolhimentos para as obras, e bem assim se a ora recorrente satisfez quaisquer inconsistências até então apontadas por aquela autoridade. No caso de obras na matrícula CEI, mas com os trabalhadores no CNPJ, não se faz o encontro de contas, uma vez que acaba sendo a mesma situação da já comentada empreitada parcial, de falta de folhas de pagamento específicas por tomador de serviços. Contribuições Devidas Retenções Notas Fiscais (destaques e/ou recolhimentos) Valores Compensados C om p. Tomador / Obras Matrícula CEI (GFIP 155) FP GFIP NF PER/ DCOMP GFIP PER/ DCOMP GFIP Valores a Restituir Observações 08 /2 00 9 70.000.97952/77 0,00 0,00 257,98 859,94 859,94 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 10 /2 00 9 70.001.22379/71 0,00 0,00 366,39 366,39 366,39 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 70.001.65096/76 1.507,57 1.507,57 4.275,48 16.500,00 16.500,00 1507,57+ 1507,57* 1.507,57 1.260,34* Não comprova recolhimento de 16.500,00 na matrícula CEI. Restituição de 1260,34* (4275,48 3015,14) 11 /2 00 9 70.001.72666/77 1.300,05 1.300,05 3.855,78 3.855,78 3.855,78 1.300,05 1.300,05 2.555,73 12 /2 00 9 70.002.36509/79 1.476,08 1.476,08 6.068,64 6.068,64 6.068,64 1.476,08 1.476,08 4.592,56 01 /2 01 0 70.001.45235/74 550,94 550,94 843,56 843,56 620,10 550,94 550,94 69,16 02 /2 01 0 70.002.68201/72 ? 981,34 4.544,10 4.544,10 981,38 981,34 981,34 0,00 Não localizada Folha de Pagamento no processo. Não declarado em GFIP o valor retido. 51.207.35647/77 494,58 494,58 2.831,40 9.438,00 9.438,00 494,58 494,58 2.336,82* Não comprova recolhimento de 9.438,00 na matrícula CEI. Restituição de 2.336,82* (2.831,40 494,58) 06 /2 01 0 70.002.93041/71 0,00 0,00 1.326,42 2.652,85 2.652,85 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra Fl. 4720DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.721 8 70.003.14481/72 0,00 0,00 5.070,45 7.971,70 7.971,70 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 70.003.22239/70 0,00 0,00 1.127,54 2.255,09 2.255,09 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 70.003.38573/75 374,77 374,77 5.369,68 7.826,50 7.826,50 374,76 374,76 4.994,91* Não comprova recolhimento de 7.826,50 na matrícula CEI. Restituição de 4.994,91 (5.369,68 374,76) 70.003.54477/70 281,77 281,77 2.447,59 5.228,97 5.228,97 281,76 281,76 2.165,83* Não comprova recolhimento de 5.228,97 na matrícula CEI. Restituição de 2.165,83 (2.447,59 281,76) 70.003.14518/75 0,00 0,00 3.548,07 3.548,07 3.548,07 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 07 /2 01 0 70.003.54494/77 0,00 0,00 4.531,13 4.531,13 4.531,13 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.35647/77 0,00 0,00 4.719,00 4.719,00 4.719,00 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.41329/70 0,00 0,00 10.512,98 10.512,98 10.512,98 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.63031/72 281,62 281,62 3.693,01 3.693,01 3.693,01 281,61 281,61 3.411,40 51.207.73525/79 0,00 0,00 2.493,85 2.493,85 2.493,85 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 51.207.73532/79 181,57 181,57 3.356,02 3.356,02 3.356,02 181,56 181,56 3.174,46 51.207.73646/78 259,16 259,16 2.355,12 2.355,12 2.355,12 259,16 259,16 2.095,96 51.207.74191/72 281,62 281,62 1.814,05 1.814,05 1.814,05 281,61 281,61 1.532,44 51.207.98196/75 281,62 281,62 4.619,02 4.619,02 4.619,02 281,61 281,61 4.337,41 51.208.01706/77 918,25 918,25 2.725,80 2.725,80 2.725,80 918,24 918,24 1.807,56 51.208.07782/75 281,62 281,62 2.427,56 2.427,56 2.427,56 281,61 281,61 2.145,95 51.208.07793/74 272,26 272,26 2.755,34 2.755,34 2.755,34 272,25 272,25 2.483,09 51.208.07811/79 929,97 929,97 2.560,93 2.560,93 2.560,93 929,97 929,97 1.630,96 51.208.07819/77 186,00 186,00 2.961,55 2.961,55 2.961,55 186,00 186,00 2.775,55 51.208.11626/75 972,56 972,56 7.085,38 7.085,38 7.085,38 972,56 972,56 6.112,82 70.003.29862/77 0,00 0,00 2.356,46 2.356,46 2.356,46 0,00 0,00 0,00 o cadastro da Receita não registra o fim da obra 70.003.38086/71 181,57 181,57 1.033,12 1.033,12 1.033,12 181,56 181,56 851,56 70.003.52699/77 636,86 636,86 8.817,60 8.817,60 8.817,60 636,85 636,85 8.180,75 70.003.52709/71 1.662,89 1.662,89 6.786,67 6.786,67 6.786,67 1.662,89 1.662,89 5.123,78 08 /2 01 0 70.003.54471/77 181,57 181,57 401,08 1.089,00 1.089,00 181,56 181,56 219,52* Não comprova recolhimento de 1.089,00 na matrícula CEI. Restituição de 219,52 (401,08 181,56) 09 /2 01 0 70.001.22379/71 ? 0,00 1.034,00 1.034,00 1.034,00 0,00 0,00 0,00 O cadastro da Receita não registra o fim da obra 09 /2 01 0 70.003.38580/74 ? 0,00 5.450,52 9.384,10 9.384,10 6079,82* 0,00 0,00 O cadastro da Receita não registra o fim da obra e) Com as considerações postas acima, fica indeferido o pedido de restituição para os serviços / obras sob o regime de empreitada parcial, e deferido Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.722 9 parcialmente quando de obras em empreitada total, conforme a seguir demonstrado. PER/DCOMP Nº Competência Valores a Restituir 41080.47468.290913.1.6.152420 11/2009 3.816,07 30072.62525.201210.1.2.156078 12/2009 4.592,56 40916.72235.150311.1.2.150432 01/2010 69,16 12889.66194.210711.1.2.150220 06/2010 9.497,56 38189.52764.281111.1.2.150300 08/2010 45.883,21 f) Na fase em que o processo se encontra (contencioso administrativo), quando da realização de diligência fiscal, o auditor fiscal encarregado da diligência se limita a prestar informações para subsidiar o julgamento do pleito, não sendo da sua competência, nesta fase, deferir ou indeferir o direito creditório pleiteado. Ressaltese, ainda, que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, não estando vinculada a decisões que possam ter sido proferidas em processos anteriores impetrados pela requerente. Intimado em 31/08/2016, o contribuinte interpôs em 19/09/2016 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Tempestividade. Dada ciência em referência no dia 31 de agosto de 2016, o prazo de trinta dias encerrase em 30 de setembro de 2016. b) Prevenção. Informação Fiscal e Decisões Divergentes. Desde 27 de março de 2009, protocolou sucessivos requerimentos de restituição abrangendo o período de 03/2004 a 12/2012, pois a Recorrente teve retidas importâncias muito superiores às que deveriam de fato ter sido descontadas em suas notas fiscais, isto em razão da inflexibilidade e extremo rigor por parte de empresas contratantes, em especial a CLARO S/A. A Receita Federal agrupou os PER/DCOMPs em processos diferentes: Processo / D Decisório Período Requerido Restituído 15504.732950/201326 /1.215 03/04 a 12/05 239.676,77 23.887,00 15504.732951/201371 /1.121 01/06 a 12/07 762.930,07 0,00 15504.732952/201315 /1.224 01/08 a 04/09 2.455.861,04 0,00 15504.732953/201360 /1.244 05/09 a 09/10 678.265,05* 212.175,19 15504.724569/201474 /1.633 09/09; 10/10 a 02/2011 473.955.28 173.109,44 15.504.725841/201433 /1.420 03/2011 a 05/2011 112.670,45 32.164,10 15504.725842/201488 /1.438 07/2011 a 09/2011e 01/2012 64.408,60 37.294,41 15504.724067/201524 /1.421 06/2011; 10/2011 e 11/2011 101.755,12 20.482,37 15504.724068/201579 /1.431 12/2011 52.473,48 25.833,40 15504.724041/201586 /1.439 02/2012 a 08/2012 78.865,93 66.746,04 15.504.724043/201575/1.432 09/2012 a 12/2012 55.142,81 24.271,27 TOTAL 5.076.004,60 615.963,22 * Retificado b1) Encaminhados para autoridades diferentes, não houve uniformidade na apreciação, a denotar que os indeferimentos se basearam em interpretações subjetivas e não na adequada avaliação dos documentos e demonstrações. b2) A Recorrente pede que se adote o critério da prevenção, com a distribuição deste ao mesmo Conselheiro dos demais processos, considerando a conexão, pois todos versam sobre a mesma matéria. Fl. 4722DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.723 10 b3) Na análise e julgamento dos requerimentos, também foram observadas divergências, com decisões conflitantes sobre casos concretos exatamente iguais, o que surpreendeu a Recorrente, haja vista que em idênticas situações, casos idênticos e circunstâncias similares, apenas em épocas diferentes, não deveriam provocar conflitos de interpretação e decisão, em patente falta de uniformidade de procedimento na apreciação de matéria que era essencialmente a mesma. Este fato denota que indeferimentos podem ter sido baseados em interpretações subjetivas e não na adequada avaliação dos documentos e demonstrações apresentados pela Recorrente. Por exemplo, no Despacho Decisório nº 1.215, de 03/07/2014, as retenções relativas a obras identificadas por matrículas CEI foram corretamente deferidas. Neste processo, a Auditora Fiscal autorizou restituição de R$ 68.722,46, mas o Acórdão recorrido só R$ 63.858,53. Quadro (Fls. 4656/4657) mostra exemplos de obras que tiveram parecer favorável à restituição em um mês e desfavorável em outro. Como se tratava da mesma obra, é lícito esperar que recebessem avaliação idêntica e que o juízo formado pelo julgador ao deferir a restituição em determinado mês também fosse válido para o mesmo procedimento no mês ou meses seguintes. Caracteriza bem esta flagrante discrepância de julgamento a decisão exarada no processo nº 15504.732952/201315, em que a restituição requerida no CEI 70.000.26570/79, na competência 03/2009 foi indeferida. Restituições requeridas na mesma obra, nas competências 05/2009, 06/2009 e 07/2009 foram deferidas no processo 15504.732953/201360, no primeiro julgamento. b4) Em 24 de fevereiro de 2016, a Recorrente foi comunicada em Informação Fiscal que a Auditora Fiscal responsável pelo julgamento havia feito uma reanálise do processo em que concluíra que a empresa teria direito à restituição de R$ 68.722,46, mas o Acórdão recorrido só homologou R$ 63.858,53. c) Mão de obra efetivamente empregada. A Recorrente reitera todas as alegações, explicações, justificativas, documentos e fundamentações apresentados; em especial os esclarecimentos sobre as CONTRIBUIÇÕES RETIDAS SEM OBSERVAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE A 50% DO VALOR DA NOTA e RETENÇÕES REQUERIDAS NO CNPJ. A mão de obra que consta das folhas de pagamento de empregados, declarada em GFIP, é a que efetivamente foi empregada, pois as obras em questão se diferenciam das de construção civil, não sendo exatas conclusões obtidas por aferição indireta de obra de construção civil. As notas não expressam a mão de obra real, pois no início das obras era emitida nota como adiantamento para aquisição de material e equipamentos, o que ainda não tinha ocorrido e na impossibilidade da comprovação sofreu a retenção sobre o valor total. Em outras notas fiscais, a divisão material / mãodeobra era estabelecida em 50% para cada item, conforme estabelece o ato normativo. Esta divisão, entretanto, também não expressava a realidade, o que impossibilitou a compensação integral nos recolhimentos mensais, gerando as retenções ora requeridas. Em várias ocasiões, a contratante ignorou a parcela indicativa dos materiais e efetuou a retenção sobre o valor total do documento. Demonstrouse que são Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.724 11 divergentes as parcelas de materiais indicados das notas e a especificação dos itens constantes dos Pedidos de Compra que são os documentos contratuais que regem a relação entre as partes. Na execução dos sites de telefonia a Receita Federal, em julgamentos anteriores, considerou apropriada a informação prestada pela ENCOP quanto à mão de obra utilizada nos sites Greenfield e Rooftop, deferindo grande número de requerimentos. Para a execução de um site novo tipo Greenfield em um mês é utilizada a mão de obra correspondente a 2 (dois) pedreiros, 3 (três) serventes, sendo que participação do eletricista se resume a 7 (sete) dias. E para o site novo tipo Rooftop, 1 (um) pedreiro, 2 (dois) serventes e com o eletricista e montador, ambos são utilizados em apenas um terço de seu tempo mensal, equivalente a 7 (sete) dias.Em média, a execução de um site tem a duração de 20 a 30 dias, dependendo também das várias ocorrências citadas anteriormente. É o que reconheceu o julgador ao deferir diversas restituições no Despacho Decisório nº 1.633, processo 15504.724569/2014 74. d) Elaboração de Folha de Pagamento e GFIP. De fato, para as obras não identificadas por matrícula CEI, por serem desobrigadas deste cadastramento, os pagamentos dos salários foram consolidados na folha de pagamento do escritório e declarados na GFIP 150. Este procedimento deveuse à dificuldade de se alocar em folha de pagamento específica trabalhadores que participaram, em períodos inferiores a um mês de várias obras ou serviços. Muitos sites foram realizados simultaneamente, alguns na mesma cidade, alternando a participação dos trabalhadores de acordo com as necessidades. Conforme foi esclarecido em Manifestações anteriores, para a construção de sites de telefonia, por serem obras de curta duração e não se enquadrarem no conceito de empreitada total, não foram retiradas matrículas CEI. Além da construção de sites de telefonia, outros serviços de breve execução foram prestados pela ENCOP, entre outros, pintura, reformas, reforço de estruturas, infraestrutura elétrica, lógica e de telefonia, construção de acesso, de muros. Para a execução da maioria desses serviços, com duração média de quatro / cinco dias, alguns menos, era impraticável a preparação de folhas de pagamento específicas. O rateio proposto pelo julgador poderia ter sido adotado, mas em nada alteraria a verdade dos fatos, considerando que as folhas de pagamento foram escrituradas em títulos próprios pelo valor total das remunerações. A divisão das folhas de pagamento em mais de um tomador apenas redundaria em decomposição do valor da folha contabilizada em outras, sem alteração de um centavo na base de cálculo que foi utilizada para cálculo das contribuições previdenciárias. Seria irrelevante sob o ponto de vista da demonstração do real movimento das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Ao ser comprovada a exatidão das despesas com folhas de pagamento, no encontro de contas comprovase também o excesso de recolhimento, visto que nenhuma dúvida foi apresentada com relação ao quantum retido e recolhido. A diferença em favor do contribuinte é exatamente aquela constante dos pedidos de restituição (retenções – compensações). Fazem prova a favor da Recorrente as folhas de pagamento, o pagamento de serviços terceirizados e a contabilidade. Analisando a descrição contida no Anexo VIII, que relaciona as atividades e serviços excluídos da composição do CUB, são Fl. 4724DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.725 12 identificados diversos serviços executados pela ENCOP para os quais é dispensada a elaboração de folhas de pagamento por tomador e outros que estão expressamente excluídos da base de cálculo para as retenções e que, no entanto, a integraram. e) Fim de obra. Parte dos requerimentos foram indeferidos pelo fato de o cadastro da Receita não registrar o fim da obra. Esta alegação já havia sido exposta na Informação Fiscal recebida pelo contribuinte em 11 de abril de 2016. Na Manifestação de Inconformidade que a contestou, foram dadas as explicações suficientes para esclarecimento relativamente às obras 70.003.22239/70, 70.003.54494/77, 70.002.93041/71, 1.207.35647/77, 51.207.41329/70, 70.001.22379/71, 51.207.73525/79, 0.003.14481/72, 0.003.14518/75 e 70.003.38580/74. Para cada uma dessas obras foram apresentados Resumo do faturamento, Resumo da Folha e Pedido de Compra. Duas outras tiveram as retenções indeferidas pela mesma razão, obras: 70.000.97952/77 e 70.003.29862/77 (O cadastro da Receita não registra o fim da obra). As obras já haviam sido encerradas fisicamente e emitidas GFIPs SEM MOVIMENTO. Entretanto, como foi fartamente explicado, é praxe nos contratos o pagamento de parcelas residuais meses após o efetivo encerramento. De uma forma geral, no contrato é liberada a parcela de 30% para preparo do canteiro de obras e aquisição inicial de materiais. A segunda parcela, de 50% é paga quando o site é considerado pronto para instalação (RFI). A terceira parcela, 10%, é paga após serem feitas as vistorias e seja considerado de acordo com as especificações do projeto. O pagamento da última parcela ocorre após a constatação final de inexistência de eventuais pendências e entrega de toda documentação pertinente à obra, como built, CREA, laudos de aterramento, etc. Várias são os fatores que fazem com que se postergue o pagamento da parcela final, motivadas por razões não vinculadas à atuação da ENCOP, adequação da rede elétrica, por exemplo, por parte da concessionária de energia, vandalismos, entre outras. São inúmeros os casos em que a última parcela foi liberada após mais de um ano da conclusão dos serviços. As retenções indeferidas se referem a estes valores finais e ao serem declaradas em GFIP 155, nos sistemas da Receita possivelmente fica registrado que a obra ainda estava em andamento, o que, de fato, não procede. Foram emitidas novas GFIP SEM MOVIMENTO. f) Comprovação de recolhimentos. Vários requerimentos foram indeferidos parcialmente por não ter a Receita Federal identificado os recolhimentos relativos às obras que menciona. Ás fls. 4646/4649, são relacionados os recolhimentos e apresentadas as razões a demonstrar os recolhimentos (70.003.54477/70, 70.003.38573/75 e 51.207.35647/77 em junho 2010; 70.003.54471/77 em agosto de 2010; e 70.001.65096/76 em novembro de 2009). g) Folha pagamento não localizada. A restituição de R$ 3.562,76 foi indeferida por não ter sido localizada no processo a folha de pagamento da obra da CLARO 70.002.68201/72, relativa a fevereiro de 2010. Cópia da mesma está sendo anexada – Ver OBRA ENCOP CLARO DF – página 00023. Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.726 13 h) Retenção superior ao destacado. Em inúmeros casos, foram tomadas por bases de cálculo os totais das notas, sendo desconsiderado o percentual de 11% sobre a parcela de mão de obra. Em outros, a nota fiscal se referia exclusivamente a materiais e ainda assim foi retida a contribuição. Para exemplificar foram apresentados, na Manifestação, alguns casos que confirmaram esta prática abusiva. Ao presente Recurso está sendo anexada RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS QUE SOFRERAM RETENÇÕES SUPERIORES AOS VALORES DESTACADOS em que estão discriminadas todas as notas fiscais com esta ocorrência, bem como os extratos das guias de recolhimento que comprovam o pagamento das contribuições retidas a maior. Nesta relação foi acrescentada a nota fiscal nº 2010/355, emitida em 01/09/2010, que não constava da relação anexada à Manifestação de Inconformidade. A comprovação dos recolhimentos está sendo feita de três formas: 1ª. O valor da retenção coincide com o valor recolhido na GPS; 2ª. Várias retenções recolhidas em uma GPS; e 3ª. Várias retenções recolhidas em várias GPS. i) Obrigações acessórias. Nas manifestações de Inconformidade apresentadas a Recorrente sustentou que por ser optante pelo regime de tributação do lucro presumido está desobrigada da apresentação de escrituração contábil. Apenas por conveniência elaborou Diário e Razão. Os indeferimentos ocorreram por não preparar adequadamente folha de pagamento. Contudo, as explicações e comprovações trazidas aos autos são claras, precisas, autênticas e suficientes para que permita ao julgador, com segurança, se convencer da certeza e liquidez do crédito requerido. j) REQUER sejam analisadas e acolhidas as razões de fato e de direito ora apresentadas para que seja reformada a decisão proferida no Acórdão 12 69.425, determinando, desta forma, a restituição das contribuições recolhidas em excesso. Sem prejuízo do pedido principal, REQUER a restituição dos créditos que tiveram origem em retenções superiores aos destaques consignados nas notas fiscais, conforme discriminados nesta peça recursal. Ainda, alternativamente, REQUER a restituição das retenções que comprovadamente incidiram sobre itens que a legislação em vigor exclui expressamente da base de cálculo, mas que foram retidos e recolhidos por empresas contratantes. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Tempestividade. Intimado em 31/08/2016, o recurso interposto em 19/09/2016 é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 33). Presentes as condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 4726DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.727 14 Prevenção. Informação Fiscal e Decisões Divergentes. Os recursos voluntários apresentados no âmbito dos processos n° 15504.724569/201474, n° 15504.732950/201326, n° 15504.732951/201371, n° 15504.732952/201315 e n° 15504.732953/201360 me foram distribuídos e integraram a presente pauta de julgamento. Quando da elaboração do presente voto, consultei o andamento processual dos outros seis processos citados nas razões recursais e constatei não haver pendência de recurso voluntário e nem decisão de primeira instância administrativa prolatada. A apreciação dos fatos ou do direito veiculada em Informação Fiscal não vincula o julgador, tratandose de mera manifestação da fiscalização em sede de diligência. Em relação à pretensa ausência de uniformidade nas decisões proferidas no conjunto dos onze processos do contribuinte, devemos asseverar que cada processo deve ser julgado e apreciado segundo as provas nele constantes, sendo livre a apreciação motivada das mesmas (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 29), cabendo ao contribuinte enquanto autor do pedido de restituição o ônus de provar a existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I). Mão de obra efetivamente empregada. Elaboração de Folha de Pagamento e GFIP. Aferição e Subempreitada. Retenção superior ao destacado. Para a recorrente, está correta a mãodeobra informada nas folhas de pagamento do escritório e das obras e declaradas em GFIP, a ser somada à que consta de notas fiscais de subempreiteiras. Logo, diante dos recolhimentos havidos, seria cabível, no seu entender, a restituição requerida. Para a decisão recorrida, a recorrente deixou de elaborar folhas de pagamento específica, incluindo na folha da administração remunerações que deveriam constar de folha específica. Além disso, corretamente destaca que a inobservância do art. 127 da IN inviabiliza o aproveitamento de retenções relativas a subempreiteiros. Acrescenta ainda que e a aferição indireta da mão de obra constante das notas fiscais revelaria omissão de rendimentos. No entender da recorrente, não haveria a obrigação de elaborar folha específica, estando para tando amparada em consulta administrativa. Além disso, obras/serviços sem CEI (GFIP 150) foram consolidadas na folha do escritório pela dificuldade de se alocar em folha específica, sendo os sites realizados simultaneamente e alternando trabalhadores e rateio não alteraria realidade, bastando decomposição. Acrescenta ainda que, além de sites e centrais de telefonia, executou outros serviços breves e que estariam no anexo VIII. Assim, as folhas revelariam o excesso de recolhimento, bem como o pagamento de serviços terceirizados e a contabilidade. Por outro lado, segundo a recorrente, a aferição indireta a partir das notas não revelaria a mão de obra empregada por haver divergência entre o cronograma das notas e o das obras/serviços, por haver divergência entre parcela de materiais da nota e o dos respectivos pedidos e em razão da natureza de suas atividades. Esclarece ainda que, a divergência de cronograma se daria desde o início das obras/serviços, pois faturaria apenas serviço, mas naquele valor já estariam, em face dos pedidos, envolvidos materiais e equipamentos, ainda que não explicitados nas notas em razão de ainda não os ter adquirido. Além disso, não se teria efetuado corretamente o destaque com divisão meio a meio de material e serviço e ainda que se tivesse, a regra normativa seria dissociada da realidade das obras/serviços da recorrente com emprego intensivo de material e Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.728 15 equipamentos. Assim, descreve as atividades pertinentes aos sites Greenfield e Hooftop, em que empregaria muito material e equipamento e pouca mão de obra em processos anteriores essa descrição teria sido considerada apropriada e no processo 15504.724569/201474 inclusive restituição teria sido deferida. A recorrente destaca ainda ainda haver casos de o contratante simplesmente ignorar o destaque e reter a maior. De plano, devemos ponderar que a solução de consulta invocada versa sobre a legislação em tese. Assim, incumbe à contribuinte, na situação concreta, demonstar o não cabimento da elaboração de folhas específicas e a confiabilidade da folha da administração (escritório). A empresa reconheceu que exerceu diversas atividades: construção de sites de telefonia, cuja execução média pode chegar a 30 dias; centrais de telefonia, reformas em agências bancárias, lojas em shoppings. Acrescenta ainda que diversos serviços e obras não identificadas por matrícula CEI foram executados simultaneamente e em um ou poucos dias (pintura, reformas, reforço de estrutura, infra estrutura elétirca, lógica e de telefonia, contrução de acessos, de muros), a justificar a não elaboração de folha de pagamento específica. Notese que, em face das descrições da própria recorrente, a construção de sites de Telecom (Greenfield e Rooftop), cuja execução média pode chegar a 30 dias, e centrais de telefonia, envolve, ainda segundo a própria recorrente, atividades enquadradas na classe 42 OBRAS DE INFRAESTRUTURA, subclasse 42219/04 CONSTRUÇÃO DE ESTAÇÕES E REDES DE TELECOMUNICAÇÕES. Assim, não vislumbro que os serviços representados por essa subclasse estejam abrigados no Anexo XVII da IN INSS/DC n° 100, de 2003, ou no Anexo XIV da IN SRP n° 03, de 2005, ou no Anexo VIII da IN RFB n° 971, de 2009, tendo inclusive passado a constar como OBRA no Anexo VII da IN RFB n° 971, de 2009, a demandar matrícula CEI. Logo, correta a percepção do Acórdão de piso de que as atividades em questão não dispensam folha de pagamento específica (IN INSS/DC n° 100, de 2003, art. 171; IN SRP n° 03, de 2005, art. 162; e IN RFB n° 971, de 2009, art. 135). Acerca da alegada execução simultânea e/ou em poucos dias de diversos serviços não identificados por matrícula CEI (pintura, reformas, reforço de estrutura, infra estrutura elétirca, lógica e de telefonia, contrução de acessos, de muros), a justificar a não elaboração de folha de pagamento específica, devemos considerar que os pedidos de compras e várias ordens de serviço constantes dos autos são apócrifos (sem assinaturas) ou com algumas assinaturas faltantes, com destaque para a do contratante. De todo modo, ainda que estivessem devidamente firmados, os pedidos de compra fazem referência expressa a um contrato (Pedidos de Compras asseveram a prevalência do contrato no caso de conflito com o pedido de compras) ou deixam implicita sua existência, não podendo ser tidos por conclusivos quanto a simultaneidade e curta duração do serviço. Os pedidos de compras podem eventualmente ser o único instrumento contratual efetivamente produzido pelas partes, contudo para fazer prova hábil devem ser devidamente formalizados (de plano, devem estar preenchidos todos os campos de data, assinatura e carimbo, bem como todas suas folhas rubricadas). Se devidamente formalizados, têm ainda seu valor probatório comprometido por em sua elaboração terem sido empregados códigos e serem extremamente sintéticos em suas disposições. Fl. 4728DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.729 16 A validade entre as partes de declaração negocial pode não demandar forma especial, mas, para valer perante terceiros, deve haver prova do contrato (Código Civil, arts. 107 e 221). O reconhecimento do direito creditório está condicionado à apresentação de documentos comprobatórios (IN RFB n° 900, de 2008, art. 65; IN RFB n° 1.300, de 2012, art. 76; e IN RFB n° 1717, de 2017, art. 161). A recorrente sustenta que as obras executadas não se confundem com edificação civil e, por conseguinte, não poderiam ser aferidas a partir de notas fiscais. Equivocase. A legislação admite a aferição indireta da remuneração da mão de obra com base na Nota Fiscal, na Fatura ou no Recibo de Prestação de Serviços. A restituição pressupõe a existência de pagamento indevido e, na falta de documentação hábil e completa (pedidos de compras e ordens de serviços não assinados, ausência de folha específica, notas fiscais postas em dúvida pela própria emitente e contabilidade irregular), apresentase como indício norteador ao convencimento do julgador a apuração de haver ou não em face da legislação de regência pagamento indevido, ou seja, se, segundo critério de aferição indireta, haveria valor indevidamente recolhido ou não. Logo, não prospera a alegação de bastar a simples decomposição da mão de obra alocada no escritório, eis que a aplicação da aferição indireta indica a ocorrência de omissão de mão de obra. Além disso, ainda que para parte dos serviços se possa sustentar o cabimento de inclusão na folha da administração, a inclusão na folha do escritório de mão de obra que deveria constar de folha específica retira a confiabilidade da folha do escritório. Para piorar, segundo a recorrente, o cronograma das notas não coincidiria com o período de execução das obras e serviços e a não coincidência é invocada como fundamento quando a recorrente reconhece que não foram observados os requisitos do art. 127 da IN RFB n° 971, de 2009, e, assim, postular o aproveitamento da mão de obra de subempreiteiros. Não detecto, entretanto, prova do efetivo período de execução das obras e serviços. Contratos, pedidos de compra e ordens de serviço não têm tal condão, ainda mais quando as notas fiscais destoam dos mesmos. A nota fiscal deve ser emitida quando da prestação de serviços, ainda que seu pagamento seja postergado. Não detecto prova nos autos a comprovar que as notas foram extemporâneamente emitidas. Nada impede que a prática executiva venha a divergir do previsto ao tempo da celebração do ajuste de vontades, ainda mais quando parte da documentação não foi devidamente formalizada ou nem foi apresentada. A não coincidência inviabiliza a vinculação inequívoca da mão de obra dos subempreiteiros nas competências em debate. A recorrente alega ainda emissão de notas sem correspondência para com o os pedidos de compra (notas emitidas antes da aquisição de material e a omitílos por sua inclusão como se tratasse de serviços; inclusão na base de cálculo de parcelas não representativas de mão de obra) e sem a divisão igualitária entre materiais (50%) e mão de obra (50%) admitida por ato normativo ou mesmo a inobservância pelo contratante do valor de retenção destacado na nota. Não foram apresentadas provas capazes de comprovar inequivocamente as situações em tela. Nem mesmo o contrato havido restou efetivamente evidenciado, em face da já relatada insuficiência probatória dos pedidos de compras. De todo modo, a circunstância de eventualmente ter havido retenção em valor superior ao admitido pela instrução normativa não gera, por si só, direito creditório. Fl. 4729DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.730 17 Segundo a recorrente, teriam sido efetuados recolhimentos de retenção em valores superiores aos destacados, conforme Relação de Notas Fiscais com Retenções Superiores aos Destaques (fls. 4685/4702) em que todos os recolhimento foram efetuados no CNPJ da autuada com código 2631. O simples fato de se efetuar recolhimento em montante superior ao destacado na nota não é prova de ser cabível restituição. Pelo contrário, revela discordância entre contratante e contratado sobre o que deva ser retido e recolhido. Em razão da desordem em que se encontra a documentação carreada aos autos, irei primeiro considerar as notas fiscais especificadas na Relação de Notas Fiscais com Retenções Superiores aos Destaques (fls. 4685/4702) e que teriam dado ensejo a recolhimentos a maior (campo retenção a maior superior a zero, na tabela) e explicito o número do pedido de compras a que fazem referência: NF fls. pedido de compras 3613 1658 4502769180/00030 3616 1661 4502783606/00010 3617 1662 300178359 3618 1663 300175432 3619 1664 300175758 3620 1665 300113881 3621 1666 300077072 3624 1669 300198647 3625 1670 300198656 3634 1679 300190406 3635 1680 300187462 3640 1685 300196514 3641 1686 300196525 3642 1687 300199968 3643 1688 300199968 3644 1689 300203103 3645 1690 300203104 3654 1699 300165004 3655 1700 300165008 3656 1701 300206838/921/924 3658 1703 300206933/934/940/935 3659 1704 300206936/941/942 3679 1792 300204549 3687 1800 300165988 3701 1814 300184494 3738 1888 CEI 70.000.97952/77 Serasa Proposta Comercial 1 de 29/05/2009 3814 1996 300243395 3828 2009 300245118 3830 2011 300223012 3832 2013 300066868 3839 2020 não indica pedido ou contrato. Contratante Bem Vindo Promotora de Vendas e Serviços SA 2009/24 2046 4500802691 2009/25 2047 4500802691 Fl. 4730DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.731 18 2009/29 2052 300251319 2009/39 2062 300245118 2009/40 2063 300249043 2009/42 2065 300245109 2009/44 2067 300243638 2009/74 2097 300251321 2009/75 2098 300251320 2009/78 2101 300249278 2009/81 2104 300249044 2010/89 1577 300260150 2010/92 1580 300263463 2010/120 1600 300161797 2010/145 1620 300037506 2010/195 1708 300258313 2010/203 1746 300272805 2010/205 1712 300221170 2010/210 1744 5100148852 2010/237 1747 300270035 2010/245 1730 300260150 2010/246 1731 300255657 2010/247 1732 300255659 2010/248 1733 300263909 2010/249 1734 300255671 2010/250 1735 300255669 2010/251 1736 300256417 2010/252 1742 300266599 2010/253 1741 300269559 2010/254 1737 300258349 2010/255 1738 300256250 2010/256 1738 300270939 2010/258 1745 300271812 2010/297 1854 5100148648 2010/345 1929 4187QJ 2010/347 1906 300243640 2010/350 1908 300281073 As GPSs apresentadas com a relação são todas de recolhimento no CNPJ, logo não é cabível se considerar Nota Fiscal pertinente a obra com matrícula CEI. Em relação ao contratante Bem Vindo Promotora de Vendas e Serviços SA foi apresentado apenas o segundo aditivo contratual (fls. 1167/1169), cujos serviços adicionais não guardam pertinência com o descrito na NF 3839. As demais notas se referem a pedidos de compras. Para se avaliar se houve retenção e recolhimento a maior devem ser considerados os pedidos de compras especificados nas notas. Contudo, todos os pedidos de compras constantes dos autos são apócrifos (fls. 1173/1185, 2114, 2117/3500, 4372/4376, 4486/4544). Logo, desprovidos de valor probatório. Além disso, vários recolhimentos foram tomados como pertinentes a diversas notas, o que demanda a análise de todas as notas relacionadas, mesmo sem indicação de retenção a maior. Explico. O pedido de compra 300243901 (fls. 2117/2120) é documento apócrifo. Mas, para testar a alegação do recorrente irei considerar o constante do mesmo, ou Fl. 4731DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.732 19 seja, a descrição do serviço de construção civil sites novos com início do projeto em setembro/09 e término dezembro/09 e a ressalva de que será realizada "compra direta para o Site" (no meu entender, compra direta = materiais adquiridos em nome da contratante e pela contratante quitados diretamente). Logo, o valor de R$ 13.000,00 discriminado para o item em questão é de serviço apenas. Na Nota Fiscal 3808 (fls. 1990), discriminouse tratarse de 90% do item em questão, no valor de R$ 11.700,00 e que desse valor metade seria material e metade mão de obra, a gerar o destaque de 643,50. Segundo a Relação de Notas Fiscais com Retenções Superiores aos Destaques, para a competência 10/2009 haveria retenção a maior de R$ 644,33 advinda da nota 3814, recolhida dentre outras notas na mesma GPS da nota 3808 (fls. 4689/4690). Contudo, de plano, a partir do pedido de compra 300243901 e da NF 3808, já se detecta um destaque a menor de 643,50 e que praticamente anula a suposta retenção a menor de R$ 644,33. Nas páginas seguintes (fls. 2121/3500) constam inúmeros pedidos de compras, inclusive com as observações de compra direta ou de fornecimento de "material consumível". Contudo, todos são apócrifos. Logo, por não possuírem valor probatório, resta prejudicada a apreciação das alegações da recorrente. Comprovação de recolhimentos. Nas razões recursais, foram reproduzidas GPS para comprovar recolhimentos nas para as obras 70.003.54477/70, 70.003.38573/75 e 51.207.35647/77 em junho 2010; 70.003.54471/77 em agosto de 2010; e 70.001.65096/76 em novembro de 2009. A argumentação não prospera, eis que a mera leitura das GPS (recolhidas no CNPJ) reproduzidas confirma a constatação fiscal de não ter havido recolhimento nas matrículas CEI em questão. Além disso, não é possível se somar os recolhimentos 2631 e 2658, ainda mais em contexto de documentação incompleta e inconsistente. Fim de obra. Reiterese que não detecto prova do efetivo período de execução das obras e serviços. Contratos, pedidos de compra e ordens de serviço não têm tal condão e as notas fiscais destoam dos mesmos. A nota fiscal deve ser emitida quando da prestação de serviços, ainda que seu pagamento seja postergado. Nada impede que a prática executiva venha a divergir do previsto quando da celebração do ajuste de vontades. Não basta a simples retificação da GFIP, deve ser apresentada prova do alegado erro. Folha não localizada. A autoridade julgadora de primeira instância considerou como um dos motivos para não deferir a restituição postulada em relação à obra 70.00268201/72 na competência 02/2010 a não apresentação de folha de pagamento específica. Com o recurso, foi apresentada folha de pagamento analítica referente a 02/1010 (fls. 4661/4684). Contudo, não foi apresentada folha específica da obra, eis que da folha apresentada não há referência ao CEI 70.00268201/72. Pelo contrário, do campo CNPJ/CEI consta o CNPJ da empresa. Além disso, o recurso não foi instruído com prova de declaração em GFIP do valor retido, segundo motivo levantado pelo Acórdão de piso para o indeferimento. Obrigações acessórias. A pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro presumido pode manter apenas livrocaixa e nele escriturar somente os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês. Contudo, ao manter a pessoa jurídica livos diário e razão, a escrituração deve observar a legislação de regência, conforme asseverado no inciso I do art. 18 da Lei n° 8.541, de 1992. Fl. 4732DF CARF MF Processo nº 15504.732953/201360 Acórdão n.º 2401005.868 S2C4T1 Fl. 4.733 20 Não houve imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, eis que se analisava requerimento de restituição. A inobservância das obrigações acessórias pertinentes (folha específica) ou a apresentação de livro contábil sem as formalidades inerentes ao mesmo (registro em contas individualizadas) comprometem a comprovação dos fatos alegados pela recorrente, devendo a mesma arcar com o ônus probatório que lhe é incumbido pela legislação em pedido de restituição. Diante da inconsistência do conjunto probatório produzido pela recorrente, resta prejudicada a totalidade das alegações recursais. Não se forma convencimento acerca do cabimento da restituição postulada e, não tendo a empresa se desincumbido de seu ônus probatório, não há como se reformar o Acórdão atacado. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 4733DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720175/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO À OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL.
Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte de retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto ou de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observando-se que na apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens o fato gerador é mensal.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de imóvel. Os ganhos referentes devem ser tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual.
ESCRITURA PÚBLICA. EFEITOS.
A escritura pública é dotada de fé pública, mas não goza de presunção absoluta de veracidade, uma vez que seus conteúdos podem ser contestados por prova inequívoca produzida por quem a contesta.
MULTA QUALIFICADA.
Configurado o intuito de fraude nos termos da legislação aplicável, impõe-se a qualificação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte de retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observandose que na apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens o fato gerador é mensal. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de imóvel. Os ganhos referentes devem ser tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual. ESCRITURA PÚBLICA. EFEITOS. A escritura pública é dotada de fé pública, mas não goza de presunção absoluta de veracidade, uma vez que seus conteúdos podem ser contestados por prova inequívoca produzida por quem a contesta. MULTA QUALIFICADA. Configurado o intuito de fraude nos termos da legislação aplicável, impõese a qualificação da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 75 /2 01 2- 56 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 15868.720175/201256 Acórdão n.º 2202004.755 S2C2T2 Fl. 204 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15868.720175/201256, em face do acórdão nº 1643.087, julgado pela 17ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1 (DRJ/SP1), em sessão realizada em 23 de janeiro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 68 a 95, incluindo o Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 68 a 76, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas referente aos anoscalendário de 2007 a 2009, por meio do qual foi apurado crédito tributário o montante de R$ 502.332,93, dos quais R$ 170.665,01 são referentes a imposto, R$ 75.695,40 correspondem a juros de mora calculados até 08/2012 e R$ 255.982,52 são cobrados a título de multa proporcional. Conforme descrição dos fatos de fl. 88 a exigência decorreu da seguinte infração: GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS.OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração Fiscal anexo, que faz parte integrante e indissociável do auto de infração. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15868.720175/201256 Acórdão n.º 2202004.755 S2C2T2 Fl. 205 3 A multa de ofício foi aplicada no percentual de 150% com base legal no art. 44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/96. Do Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 68 a 76, constam, em síntese, as seguintes informações: O interessado foi intimado a esclarecer divergências e inconsistências entre várias de suas declarações de rendimentos e entre essas e documentos obtidos pela fiscalização da Receita Federal do Brasil. Não logrou esclarecer as diferenças entre um contrato particular de compra e venda de imóvel, a escritura pública e suas declarações, uma das quais apresentava dados compatíveis com o referido instrumento particular. Assim, após análise da documentação e das justificativas apresentadas pelo contribuinte, foi lavrado o auto de infração, contestado pelo interessado. O contribuinte apresentou, em 14/09/2012, a impugnação de fls. 100 a 106, acompanhada dos documentos de fls. 109 a 166, argumentando, em síntese, que: Em sede de preliminar, que teria havido decadência para o período lançado; Quanto ao mérito, afirma que teria havido erro no cálculo do valor do ganho de capital efetuado pela fiscalização, decorrente de erro no cálculo tanto do valor da terra nua quanto das benfeitorias; Ainda quanto ao mérito, que a escritura faria prova do valor da transação e que o documento apresentado pela fiscalização não seria reconhecido pela interessada. Portanto, não haveria omissão de ganhos de capital; Pede pela improcedência da autuação..” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim o crédito tributário lançado na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 191/198, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Decadência Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15868.720175/201256 Acórdão n.º 2202004.755 S2C2T2 Fl. 206 4 O contribuinte argumenta que o lançamento teria sido fulminado pela decadência. O prazo decadencial para o lançamento por homologação previsto no artigo n° 150 da Lei n° 5.172, de 25101966 (Código Tributário Nacional) teria sido ultrapassado, pois, segundo alega, no caso em tela o fato gerador do tributo aconteceu há mais de 5 anos, não cabe sua constituição. Ocorre que configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte de retardar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observandose que na apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de bens o fato gerador é mensal, conforme disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Ressaltase o disposto no §4º do art. 150 do CTN, em sua parte final, a seguir grifada: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [grifouse] Assim, consoante será demonstrado no item “da multa qualificada”, encontra se presente a conduta dolosa do contribuinte. Portanto, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, segue a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Diante disso, afastase a alegação de decadência. Data de ocorrência do Fato Gerador Alega o recorrente que agiu de boafé e que atendeu a fiscalização sempre que intimado. Cita legislação sobre ganho de capital e valor probante de escritura pública, além de transcrever trechos do relatório da fiscalização. Argumenta que o VTN é o decorrente da declaração entregue em ano calendário posterior àquele utilizado pela fiscalização e que teria havido erro no cálculo do valor das benfeitorias, mas não esclarece qual erro seria esse. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 15868.720175/201256 Acórdão n.º 2202004.755 S2C2T2 Fl. 207 5 Como pode se depreender do Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 68 a 76, a fiscalização seguiu, na determinação do Valor da Terra Nua, o disposto na Lei 9.393/96. Observese que caso não seja possível determinar o VTN a partir da DIAT, caso do presente processo, devese utilizar o real valor da transação que resultou na aquisição do imóvel por parte do interessado, para determinação do ganho de capital. Tal informação consta, conforme já referido pela DRJ, no Perguntas de Respostas elaborado pela Receita Federal do Brasil em todos os anos relevantes e se mantém até a presente data. Vale ressaltar que os mesmos argumentos contestando os cálculos efetuados pela fiscalização já haviam sido apresentados na fase inquisitória do processo e foram plenamente respondidas no Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 73 e 74, itens 8 a 10 do TVF). A discussão centrase, portanto, na boafé do recorrente ao realizar as operações que levaram ao ganho de capital, em especial na determinação e registro do valor da venda do imóvel, esclarecida que foi a questão do valor a ser usado como custo de aquisição do imóvel, benfeitorias, entre outros, para fins de cálculo do ganho de capital. Do valor de venda do imóvel A Lei nº 9.891/95, citada no enquadramento legal do auto de infração, estabelece que Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O Código Civil, por sua vez, estabelece que a propriedade de imóveis, no caso de contratos de compra e venda, se adquire pela transcrição do título de transferência no registro de imóveis. E, o mesmo diploma legal, dispõe que “a escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena...”( art. 215). Assim, a escritura pública sobrepõese a qualquer outro documento, a menos que reste comprovado, de maneira inequívoca, que os elementos dela constantes não correspondam à efetiva operação, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova que se contraponha aos dados nela consignados. Ocorre que a fiscalização apurou a existência de contrato particular de compra e venda do imóvel, cuja cópia foi obtida junto ao adquirente do imóvel em questão, e cuja veracidade e validade foi comprovada pela mesma fiscalização. Observese, também, que a interessada, ao entregar suas declarações de rendimentos, em uma delas consignou o valor que consta desse contrato (Termo de Verificação de Infração Fiscal, item 7b fls. 71 e 72). Tudo isso demonstra, sem margem para dúvidas, que o valor do imóvel consignado na escritura Fl. 207DF CARF MF Processo nº 15868.720175/201256 Acórdão n.º 2202004.755 S2C2T2 Fl. 208 6 pública não corresponde ao efetivo valor da transação. A contribuinte não trouxe nenhuma prova que pudesse refutar as provas trazidas aos autos. Resta confirmado, assim, que o valor venda do imóvel em questão foi o do contrato particular de compra e venda, não o que consta da escritura do imóvel. Ressaltese, ainda, que o contrato particular teve suas assinaturas, entre elas a do contribuinte, reconhecidas em cartório (fl. 46). Finalmente, nesse documento está previsto, na Cláusula Quinta do Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel Rural (fls. 45 e 72) que na escritura constaria valor diverso do valor da transação, nesse contrato consignado. Foi esse valor, constante da Cláusula Quinta do Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel Rural, o efetivamente registrado na escritura pública (fls. 51 a 58; valor às fls. 51 e 56), declarado pelo interessado e utilizado na apuração dos ganhos de capital. Destacase, conforme já referido no acórdão da DRJ ora recorrido, que “a simples declaração firmada por sócio da adquirente do imóvel, apresentada pelo interessado junto com a impugnação, não é suficiente para alterar essa convicção, uma vez que não apresenta nenhuma prova adicional capaz de se contrapor ao Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel Rural e ao ato falho cometido pelo interessado em declaração enviada à Receita Federal do Brasil. Ainda mais que há interesses óbvios por parte do signatário, como, e.g., evitar o possível enquadramento em ação criminal visando apuração de ilícitos tais como falsidade ideológica e formação de quadrilha, em tese, crimes que teriam sido cometidos pelos vendedores e compradores do imóvel em tela.” Desta forma, a conclusão da DRJ, a qual compartilho, é que diante dos elementos que dos autos constam, a fé pública de que goza a escritura fica abalada e é de se negar validade aos seus termos, no que se tange ao valor da transação, tendo como certa a alienação do imóvel rural na data e pelo valor descrito no Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel Rural. Das multas de ofício. Em face da omissão de ganhos de capital apurada pela fiscalização, bem como, do, em tese, ilícito penal cometido com registro em escritura pública com valor da transação menor do que o real, tornase obrigatória a conclusão de que houve sonegação e/ou fraude fiscal. Estes, constituindo inquestionável ação dolosa, de modo a reduzir o montante do imposto devido e/ou impedir ou retardar parcialmente ao conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, tornam obrigatório o lançamento da multa de ofício qualificada. Dessa forma, a conduta do contribuinte, conforme relatada pelo autuante, enquadrase nos artigos 71 e 73, evidenciando o intuito de fraude a que se refere o artigo 44, § 1º da Lei 9.430/1996. Assim, é de se confirmar a aplicação da multa qualificada, no lançamento decorrente da apuração originada do questionamento dos valores constantes da escritura pública. Conclusão. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 15868.720175/201256 Acórdão n.º 2202004.755 S2C2T2 Fl. 209 7 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 15943.000028/2009-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
Numero da decisão: 1001-000.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 00 28 /2 00 9- 11 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 15943.000028/200911 Acórdão n.º 1001000.842 S1C0T1 Fl. 51 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) mediante o Acórdão nº 1437.675, de 18/05/2012 (efls. 32/35). A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 07073.71588.280205.1.3.040012, com o objetivo de compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Simples, código de arrecadação 6106), concernente ao período de apuração 10/2004. Mediante despacho decisório, a DRF de Presidente Prudente/SP, reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, no entanto, homologou parcialmente a compensação declarada, tendo em vista que o "crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que no mesmo anocalendário de sua opção foi desenquadra do Simples, tendo em vista que ultrapassou o limite de faturamento das EPP, e que "efetuou as compensações com base na Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, artigo 3°, parágrafo 3º, onde menciona claramente que antes de qualquer procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp". Assim, "requer a recorrente seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, homologando novamente as PER/Dcomp., com as devidas correções, e revogando as anteriores". A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme voto condutor do acórdão transcrevo a seguir, verbis: Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre a contribuinte interessada. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 15943.000028/200911 Acórdão n.º 1001000.842 S1C0T1 Fl. 52 3 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Verificase, de plano, inexistir controvérsia acerca do direito creditório pleiteado, já que foi integralmente reconhecido no despacho decisório. De outra parte, a autoridade fiscal procedeu os cálculos de compensação (encontro de contas) conforme demonstrativo “Detalhamento da compensação” (fl. 27), anexo ao despacho decisório, regularmente cientificado à interessada conforme documento às fls. 26. A contribuinte, por seu turno, não opôs contestação específica em relação a esse procedimento. A impugnante faz menção ao art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003, que assim dispõe: Art. 3º No caso de início de atividade no próprio anocalendário, os limites de que tratam os incisos I e II do art. 2º serão, respectivamente, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e de R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. [...] § 2º Se o valor acumulado da receita bruta no anocalendário de início de atividade for superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento, a pessoa jurídica estará obrigada ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, desde o primeiro mês de início de atividade. § 3º Caso o pagamento a que se refere o § 2º ocorra antes do início de procedimento de ofício, incidirão apenas juros de mora, determinados segundo as normas previstas para o imposto de renda. Todavia, verificase que a regra prevista no § 3º acima transcrito não se aplica ao caso, por regular aspectos relacionados a pagamento de tributos e contribuições, na hipótese que menciona, enquanto o processo em exame tem por objeto tema de natureza distinta, qual seja, pedido de compensação de tributos/contribuições. Vale frisar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, uma vez não homologada a compensação, deve a autoridade fiscal encaminhar os respectivos débitos para cobrança, nos termos do art. 74, §§ 6º, 7º e 8º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15943.000028/200911 Acórdão n.º 1001000.842 S1C0T1 Fl. 53 4 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). [...] § 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). [...] Portanto, não se há que cogitar reparos no despacho decisório recorrido ou na compensação efetuada pela autoridade fiscal. Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O acórdão foi assim ementado: IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CÁLCULOS DE COMPENSAÇÃO. Ausente controvérsia acerca do direito creditório pleiteado, prevalecem os cálculos de compensação, elaborados pela autoridade fiscal em conformidade com a legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 13/09/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 40, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/10/2012 (efls. 42/43), conforme carimbo aposto à fl. 42. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 53DF CARF MF Processo nº 15943.000028/200911 Acórdão n.º 1001000.842 S1C0T1 Fl. 54 5 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, verbis: A empresa efetuou as compensações com base na Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, artigo 3°, parágrafo 3º, onde menciona claramente que antes de qualquer procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp e esses juros foram devidamente declarados nas devidas PER/Dcomp". Em suma, a recorrente argumenta sobre a impossibilidade de exigência de multa de mora incidente sobre o débito pago espontaneamente, com base no artigo 3°, parágrafo 3º, da Instrução normativa SRF n°. 355 de 29/08/2003, transcrito acima. Primeiramente, o art. 161, do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora; o próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando, de modo precípuo, o legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 ao caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada; além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação. Outrossim, o referido dispositivo do CTN dispõe que, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Uma leitura mais atenta do art. 138 evidencia que o seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 15943.000028/200911 Acórdão n.º 1001000.842 S1C0T1 Fl. 55 6 Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso em que o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça — STJ; é o que se extrai da Súmula n° 360, a seguir transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei n° 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 ° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 15943.000028/200911 Acórdão n.º 1001000.842 S1C0T1 Fl. 56 7 Edgar Bragança Bazhuni Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001236/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA.
Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, o que caracteriza a sua intempestividade.
Numero da decisão: 1402-003.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito negava provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, o que caracteriza a sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito negava provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 12 36 /2 01 0- 75 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 392 2 Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados). Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 393 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 11 30.692 4ª Turma da DRJ/REC, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Tratase de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima qualificada, através dos quais se constituiu crédito tributário, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, ao Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à contribuição para a Seguridade Social (INSS), no valor total de R$ 2.449.700,49, incluídos multas de ofício (150%, quanto à infração 001, e 75%, quanto à infração 002, a seguir descritas) e juros de mora. 2. No campo “Descrição dos Fatos” do lançamento referente ao IRPJ – SIMPLES (fls. 218/228), constam as seguintes infrações, ao final tipificadas: “001 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS” e “002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO”. No Termo de Encerramento de fls. 251/252, a autoridade autuante consignou, em síntese, as seguintes informações: 2.1. A ação fiscal foi iniciada pelo fato de apresentar movimentação financeira incompatível com a receita declarada; 2.2. Após levantamento de valores movimentados nos Bancos Rural e Bradesco, constatouse que a contribuinte, que fora intimada para apresentar explicações, não atendeu à legislação pertinente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, no que tange à escrituração, no Livro Caixa, de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, conforme preceitua o art. 7º, § 1º, alínea “a”, da Lei n.º 9.317, de 1996; 2.3. Embora tenha faturado R$ 7.380.102,49, devidamente comprovados através das notas fiscais de serviço emitidas no anocalendário de 2006 (vide fls. 101/102), a contribuinte declarou, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – PJSI, apenas o montante de R$ 1.409.306,63, resultando na omissão de receita no valor de R$ 5.889.795,86. 3. No prazo legal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 262/298, por meio da qual aduz, depois da descrever os fatos: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 394 4 Preliminarmente 3.1. Foram atendidas todas as exigências da autoridade administrativa e fornecidos os documentos solicitados. Promoveu diligências junto a bancos para obter cópias dos documentos hábeis para comprovar a lícita e justa movimentação bancária realizada. Com base na documentação fornecida, foi constatada a correta origem lícita e justa dos recursos depositados em suas contas bancária. Apesar de ter colaborado, não conseguiu evitar a autuação, razão pela qual se tornou necessária a apresentação da impugnação, sob pena de ter que recolher tributos com acréscimos legais flagrantemente indevidos e absurdamente valorados, pois ofendidos os princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da Justiça e equidade fiscal, “na medida em que a Fiscalização equipara os depósitos bancários efetuados pelos clientes à receita tributária, o que constitui evidente e absurda presunção”; 3.2. As parcelas de ingresso de recursos por depósitos foram decorrentes de operações praticadas entre a impugnante e seus clientes, usinas de açúcar que a contratam como fornecedora de “locação de equipamentos ou locação de serviços”, ambos obtidos junto a terceiros, circunstância ignorada pela fiscalização, “quando todos sabem que as locadoras não têm como receita o valor que percebem diretamente do cliente, uma vez que parte dessa receita é destinada ao proprietário do bem locado ou dos demais prestadores de serviço e fornecedores de materiais empregados nos serviços prestados”. Embora a circunstância de ser locadora estivesse expressa nas próprias notas fiscais emitidas, nas quais está registrado a denominação de fantasia LOCADORA SÃO JOSÉ, em nenhum momento a fiscalização faz qualquer referência a este fato, o que caracteriza evidente nulidade, por afronta ao princípio da verdade material; 3.3. Também nula é a peça vestibular “pelo fato de haver transformado o objeto do mandado de procedimento fiscal – comprovação da movimentação de recursos financeiros via bancos – em omissão de receita, simplesmente pelo fato de haver estreita e correta origem na movimentação financeira”. Se a movimentação bancária era lícita, justa e comprovada, “era indispensável para a Fiscalização promover a modificação do objeto do MPF, utilizando a absurda equiparação de depósito bancário em receita de prestação de serviço, esquecendo totalmente que a maior parte da movimentação financeira entre as usinas clientes e a LOCADORA SÃO JOSÉ” (ipsis litteris); 3.4. O auto de infração não define exatamente qual a razão da infração, “pois não define exatamente a diferença entre o valor dos depósitos bancários e a receita oferecida à tributação, omitindo fato essencial para o Julgador conhecer, que é a circunstância de ser Impugnante mera locadora de equipamentos e de serviços de mãodeobra” (grifos no original); Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 395 5 3.5. O locador é mero intermediário entre o proprietário do equipamento e o usuário final, assim como a locadora de mãodeobra não pode considerar como receita o total cobrado do tomador de serviços; 3.6. A fiscalização baseouse nos valores brutos da operação, fato que impõe a nulidade do auto de infração; 3.7. A autoridade autuante tributou com base em presunção (disserta demoradamente sobre o tema, referindo doutrina e decisões do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF); Mérito 3.8. A sua frágil estrutura administrativa, capaz de gerar descumprimento de obrigações acessórias, não pode transformálas em exigência monumental de tributos e multa agravada de 150%, quando recolheu todos os tributos devidos. Houve “recolhimento antecipado pelos clientes dos impostos e contribuições, o que seria suficiente para demonstrar de logo a improcedência da ação fiscal, caso antes não seja nula, como requerido”. Todos os depósitos realizados em contacorrente são absolutamente coerentes com as operações praticadas, não se podendo falar em omissão de receita”, uma vez que depósito bancário não é sinônimo de receita própria”. Também não é sinônimo de receita o valor das notas fiscais de locação de equipamentos e de locação de mãodeobra. Do mesmo jeito que ocorre com serviços de publicidade e outros agenciamentos, a receita das locadoras é baseada na diferença entre o valor pago pelo tomador e o montante da despesa de fornecimento da mãodeobra, assim como o agenciamento da locação de veículos e equipamentos não é o valor bruto da operação, mas, sim, o efetivamente recebido pela locadora; 3.9. A origem dos recursos movimentados nas contascorrentes não pode servir de base para a tributação, porque não há origem não comprovada nem omissão de receitas dos depósitos. Todos os valores recebidos a título de prestação de serviços a terceiros foram lançados como receitas. Os depósitos eram legitimamente efetuados por clientes da locadora, para receita própria e de terceiros, incluindo pagamentos e fornecedores; 3.10. Quando a lei prevê a possibilidade de se considerar, como omissão de receita, valores creditados em contascorrentes o fazem em relação aos omitidos, não devendo ser assim considerados os movimentados nas contas em relação aos quais foram informados os saldos inicial e final, “não somente na declaração de bens do exercício considerado como nas dos anteriores exercícios”; 3.11. O art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, foi violado, pois a autoridade autuante não requereu informações acerca dos recursos utilizados nas operações. Os Tribunais pátrios já se pronunciaram diversas vezes no sentido de afastar imposições calcadas em presunções, Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 396 6 entendimento confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Súmula n.º 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos consagrou ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, “colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais” (sic); 3.12. Em nenhum momento a autoridade autuante fez referência à capacidade contributiva, “posto que os recursos objeto da autuação não se incorporaram ao patrimônio do ora Recorrente”; 3.13. A exigência com base em mera movimentação bancária fez com que a autoridade autuante olvidasse que houve retenção de impostos e contribuições em montantes superiores aos lançados na segunda infração. Ou seja, os clientes da locadora fizeram retenções em montantes que dispensaram a realização de recolhimento complementar. Para demonstrar, são suficientes as retenções feitas pelo cliente LAGINHA, conforme evidenciam o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica e Comprovante Anual de Retenção de CSLL, Cofins e PIS/PASEP; 3.14. Não há “suporte normativo” para a multa, haja vista que não se recolheu insuficientemente os tributos exigidos. Ainda que tivesse feito, não poderia sofrer o seu agravamento. Consta, inclusive, dos autos o registro da autoridade quanto à “regularidade da conduta do Impugnante”, cuja atividade remonta a 1981, o que denota inexistir situação capaz de aplicar a penalidade na forma agravada. É como entende o Conselho de Contribuintes; 3.15. A aplicação da taxa Selic para fins tributários é inconstitucional. 4. Ao final, requer a nulidade do auto de infração ou a sua improcedência. Ainda, protesta pela posterior produção de provas pelos meios em direito admitidos, tais como a juntada de novos documentos. É o relatório." Complementase a seguir o relatório da Instância a quo. O Acórdão de Impugnação nº 1130.692, da 4ª Turma da DRJ/REC, julgou improcedente em parte a Impugnação do contribuinte e manteve em parte o crédito tributário, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 397 7 SIMPLES. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. RECEITA BRUTA. Os tributos recolhidos mensalmente com base no Simples constituem o resultado da aplicação de um determinado percentual sobre a receita bruta auferida no mês, não sobre o apontado ganho resultante das operações realizadas pelo optante do regime simplificado. PAGAMENTOS EFETUADOS NA FONTE. CÔMPUTO NO CÁLCULO DO TRIBUTO DEVIDO. Quando da exigência de ofício, devem ser considerados os recolhimentos proporcionais relativos ao imposto ou à contribuição efetuados na fonte, para os mesmos períodos de apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA AGRAVADA. A simples comprovação de declaração inexata de receita ou de rendimentos não autoriza, por si só, o agravamento da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 JUROS SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte. Na decisão de 1ª Instância, decidiuse pela redução dos valores exigidos no lançamento, aqueles submetidos à retenção da fonte, conforme seguinte entendimento: Com efeito, embora as pessoas jurídicas optantes do regime simplificado estejam dispensadas da retenção de tributos, quando a fonte pagadora inadvertidamente os retém, é direito da microempresa ou da empresa de pequeno porte vêlos computados, uma vez tenham sido autuadas, para reduzir os exigidos no lançamento. Se pagamento de tributos houve, não se pode cobrálos de novo, seja qual for a forma pela qual se deu. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 398 8 Também houve a redução da multa qualificada por entenderse que não se encontra caracterizada aquela prática reiterada, que se poderia comprovar se vários fossem os períodosbase fiscalizados, fato que, uma vez configurado, poderia, sim, caracterizar a aplicação da penalidade agravada, a qual, ressaltese, somente incide se ocorrentes as hipóteses de sonegação, de fraude ou de conluio. Em 28/09/2010, o recorrente foi cientificado do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), através de intimação encaminhada para o seu domicílio, conforme cópia do Aviso de Recebimento, reproduzida a seguir. Em 03/11/2010, inconformado com a decisão de 1ª Instância, o recorrente interpôs recurso voluntário, protocolizado na unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió, conforme carimbo de protocolo em aposta na primeira página de seu recurso, reproduzido a seguir. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 399 9 O Requerente alega a manifesta tempestividade do presente recurso. Preliminarmente alega a nulidade dos Autos de Infração por serem baseados em presunção. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 400 10 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Quanto à tempestividade o Recorrente alega que: · Foi intimado do acórdão 1130.692, da 4ª Turma da DRJ/REC, em 30 de setembro de 2010, iniciandose, portanto, o prazo recursal no primeiro dia útil subseqüente — dia 01 de outubro de 2010(sextafeira). · Considerando que i) o prazo de 30 (trinta) dias previsto na legislação vigente terminaria em 30 de outubro de 2010 (sábado), ii) na segunda feira (01 de novembro de 2010) foi comemorado o "Dia do Funcionário Público", conforme Portaria MPOG n.° 834/99, publicada no Diário Oficial da União de 09 de novembro de 2009; e iii) o dia 02 de novembro de 2010 foi feriado de finados, o termo final para a interposição do presente recurso é o dia 03 de novembro de 2010 (quartafeira), o que caracteriza a manifesta tempestividade da presente irresignação. O prazo para interposição de recurso voluntário em face de decisão de 1ª Instância é disciplinado pelo Art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, transcrito a seguir. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Considerase feita a intimação na data registrada no comprovante de entrega do domicílio do sujeito passivo, de acordo com o Art. 23, §2º, inciso II, do Decreto nº. 70.235, de 06 de março de 1972, transcrito a seguir. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 401 11 II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Embora o Recorrente alegue que foi intimado do acórdão 1130.692, da 4ª Turma da DRJ/REC, em 30 de setembro de 2010, constatase que a ciência do referido Acórdão de Impugnação ocorreu em 28/09/2010 (terçafeira). Logo, iniciouse o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário em 29/09/2010 (quartafeira), e teve o seu término em 28/10/2014 (quintafeira). Portanto o recurso voluntário interposto, em 03/11/2010, é intempestivo. As datas de ciência do acórdão de 1ª Instância (28/09/2010) e do protocolo do recurso voluntário (03/11/2010) são confirmadas no Termo de Juntada às fls. 389 dos autos. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 402 12 Ressaltase que o dia 28/09/2010 é considerado dia útil, pois o dia do servidor público foi comemorado no dia 01/11/2010, declarado ponto facultativo, conforme artigo 1º da Portaria nº 834 de 06/11/2009 / MPOG, transcrito a seguir. PORTARIA Nº 834, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2009 O SECRETÁRIO EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, no uso de suas atribuições e considerando o que consta da Nota Técnica nº 464/COGES/ DENOP/SRH/MP, de 28 de outubro de 2009,resolve: Art. 1º Divulgar os dias de feriados nacionais e de pontos facultativos no ano de 2010, para cumprimento pelos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais: I 1º de janeiro, Confraternização Universal (feriado nacional); II 15 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); III 16 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo); IV 17 de fevereiro, quartafeira de Cinzas (ponto facultativo até às 14 horas); V 2 de abril, Paixão de Cristo (ponto facultativo); VI 21 de abril, Tiradentes (feriado nacional); VII 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional); VIII 3 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo); IX 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional); X 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (feriado nacional); XI 1º de novembro, Dia do Servidor Público art. 236 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (ponto facultativo) (grifo nosso) comemoração do dia 28 de outubro; XII 2 de novembro, Finados (feriado nacional); XIII 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional); XIV 24 de dezembro, véspera do Natal (ponto facultativo após as 14 horas); XV 25 de dezembro, Natal (feriado nacional); e XVI 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (ponto facultativo após as 14 horas). Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10410.001236/201075 Acórdão n.º 1402003.404 S1C4T2 Fl. 403 13 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003547/2002-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 25/02/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO.
A posição mais específica deve prevalecer sobre as mais genéricas, conforme a RGI 3.a.
Numero da decisão: 3401-005.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator (Conselheiro André Henrique Lemos), que votou pelo provimento parcial, em relação à máquina "centradora". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
(assinado digitalmente)
Lázaro Antonio Souza Soares - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator (Conselheiro André Henrique Lemos), que votou pelo provimento parcial, em relação à máquina "centradora". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares.
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REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO. A posição mais específica deve prevalecer sobre as mais genéricas, conforme a RGI 3.a. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator (Conselheiro André Henrique Lemos), que votou pelo provimento parcial, em relação à máquina "centradora". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 35 47 /2 00 2- 57 Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.337 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão da Resolução 3202000.197 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária de piso (efls. 640 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 262 e seguintes) que, por unanimidade de votos, considerou manteve o auto de infração de II e IPI por divergência de classificação fiscal das seguintes máquinas: máquina geradora para usinagem de lentes com comando numérico computadorizado (CNC), marca Spheroline, modelo SGL 50 S 3/1 CNC; máquina polidora com comando numérico computadorizado (CNC) para lentes, com peças integradas e eixo de correção para polir e corrigir sem troca de ferramentas, marca Spheroline, modelo SLP 50 CNC; máquina centralizadora das bordas de lentes com contato numérico computadorizado (CNC), maca Spheroline, modelo SLC 40 CNC; e conjunto de jogos de ferramentas para máquina modelo SLG 50 S 3/1 CNC. As máquinas foram classificadas no código 8464.90.11 e as peças, adição 002, no código 8466.91.00, com alíquotas de 0% para o II e de 5% para o IPI. Transcrevo, a seguir, o restante do relatório do acórdão da DRJ de São Paulo II: Ocorre que, anteriormente, em 05/02/2002, pelos processos de nºs 10880.001670/200217, 10880.001672/200206, todos da mesma data, o interessado ingressou com pedido de consulta junto à SRRF 8ª RF e, as decisões de nº 46 a 48 de 10/07/2002, das quais foi devidamente cientificado, houve por bem, classificar as máquinas no código TEC. 8664.20.10, com alíquotas vigentes à época, de 14% para o II e 5% para o IPI. Em 05/03/a interessada impetrou Mandado de Segurança com Pedido de Liminar, fls. 105/115, alegando que: “... Durante a conferência em 01/03/02, a fiscalização não aceitou a classificação tarifaria para uma das máquinas, a saber, a SPHEROLINE SLP 50S 3/1 CNC. Alega que a classificação correta seria: 8464.90.19, Ex 008 – Máquinas ferramentas automáticas para biselar, desbastar e acabar lentes oftálmicas de vidro, capazes, também, de trabalhar, de trabalhar lentes de plástico, de comando numérico. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.338 3 Para esse Ex 08, há atribuição do Imposto de Importação, à alíquota de 4%. Isso implicaria num pagamento de cerca de R$ 10.000,00 a título desse tributo. O ato coator viola flagrantemente o artigo 48, do Decreto nº 70.235/72, que reza: “Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência.” E finalmente: “Do Pedido Demonstrados o fumus boni juris, bem como a total ausência de risco para o impetrado com a liberação das máquinas, vem respectivamente, requerer o deferimento da medida, e ao final, a concessão da segurança, para que se respeito os direitos violados da contribuinte, ora impetrante. Dáse, para os fins da lei, o valor de R$ 10.000,00 ao presente.” A liminar foi deferida em 06/03/02, fls. 103/104, nos seguintes termos: “em análise perfunctória, não vislumbro, de plano, o necessário fumus boni juris, o que poderá ser melhor verificado com a vinda das informações da autoridade coatora, onde será esclarecida a questão relativa a correta classificação e enquadramento das máquinas importadas pela Impetrante. No entanto vislumbrando o manifesto periculum in mora, e considerando que as máquinas importadas encontramse retidas, pagando taxa alfandegária e impedidas de serem utilizadas, sendo que, caso ocorra o pagamento do tributo, só restará à Impetrante o moroso caminho do solve el repete, e considerando , ainda, que não haverá prejuízo para às partes, “ad cautelam” defiro a liminar, condicionada ao depósito dos valores discutidos na presente ação em conta à disposição ao Juízo. Efetuado o depósito do valor “sub judice” (R$ 10.000,00 – dez mil reais – conforme consta às fls. 07), expeçase ofício à autoridade coatora determinando a liberação das máquinas descritas nos presentes autos. ...” Assim, a mercadoria foi liberado por força de decisão liminar em Mandado de Segurança nº 2002.51.0045868, processo administrativo nº 10314.000541/200228 e com o propósito de resguardar os interesses da Fazenda Nacional, como destacou os tributos, multas e mais gravames e consectários legais nele consignados. Ciente da autuação em 22/11/2002, tempestivamente, em 20/12/2002, a interessada apresentou a impugnação de fls. 30/49, onde alegou: apesar de concorrer com empresas multinacionais estrangeiras, a autuada e sua controladora tem conseguido Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.339 4 contribuir para minimizar as importações, conseguindo suprir o mercado com seus produtos; exatamente para poder continuar a concorrer com essas multinacionais estrangeiras, a autuada adquiriu as três moderníssimas máquinas CNC, objeto do auto de infração; tomou empréstimo no Banco do Brasil para obtenção dessa linha de crédito, teve de obter da AMBIMAQ a declaração de que não havia similar nacional; em face da dúvida em relação à terceira máquina, a autuada não quis correr riscos e submeteu a classificação fiscal que julgava correta ao crivo da Receita Federal, formulando, então, três consultas; nesse meio tempo, a impugnante classificou as máquinas na posição 8664.90.11 e as ferramentas na 8464.91.00; em julho de 2002 as três consultas foram respondidas, entendendo que as 3 (três) máquinas CNC, classificarseiam na posição 8464.20.10, com alíquotas de 14% para o II e 5% para o IPI. este fato obrigou a empresa a interpor recurso de divergência, fundado na falta de coerência lógica e menos ainda apoio nas normas de classificação de mercadorias das três decisões; classificamse três máquinas diferentes (uma geradora de lentes, uma centradora de lentes e uma polidora de lentes) em posições idênticas não é razoável e nem tem apoio técnico, uma vez que as operações realizadas pelas maquinas são diferentes; à vista que os recursos de divergência não foram julgados até o momento, o presente auto de infração cria uma situação de fato indesejável, pois, ainda não há “coisa julgada” administrativa, em relação às consultas mencionadas; data vênia, só faria sentido a lavratura do auto de infração se o objetivo tivesse “o propósito de resguardar os interesses da Fazenda Nacional”, como declara o Sr. Agente Fiscal; se assim fosse, o prazo para defesa deveria estar suspenso até a definitiva decisão das consultas, o que só ocorrerá com as decisões dos três recursos de divergência; pela classificação tarifária adotada pela impetrante, enquanto não sai a resposta de suas consultas mencionadas acima, as três máquinas não teriam tributação do Imposto de Importação, mas teriam do IPI; assim a impetrante pagou o IPI das três máquinas além de ter também pago o Imposto de Importação e o IPI das partes e acessórios que acompanharam as máquinas; é interessante destacar que as máquinas CNC receberam o canal verde, com o que o normal seria desembaraçálas Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.340 5 automaticamente, até porque estavam sob o benefício da consulta; até, também, porque estavam com os tributos pagos, segundo a classificação adotada pela contribuinte; iniciouse, então uma ação fiscal, em 01/03/02. Esse fato é estranho, embora evidentemente não se possa negar o direito de fiscalização de fazêla; o que causa estranheza é que não havia nenhum indício de irregularidade como se comprovou mais tarde, pela própria informação prestada, de 15/03/2002, pelo Senhor Inspetor da Receita Federal em São Paulo – ver proc. Adm. Judicial nº 10314.000541/200228, que a justificasse; a autuada foi informada, inicialmente, de que a fiscalização não aceitava a classificação tarifária para uma das máquinas, a polidora Spheroline SLP 50 CNC; a impugnante enviou em 01/03/2002, o seu sócio, encarregado da área industrial, engenheiro especialista no processo industrial de elaboração de lentes ópticas. Este explicou, com base nos manuais e nas operações que casa máquina CNC, que, repitase sempre, estavam sob o amparo das consultas formuladas; a autuada tinha urgência em receber essas máquinas CNC. Ninguém importa bens no valor de 850 mil reais, se não precisa deles; confiante em que a lei seria respeitada, isto é, que com as consultas ainda não respondidas, com os tributos pagos e com o canal verde, ocorreria o desembaraço sem maiores problemas, a autuada havia autorizado os técnicos do exterior a embarcarem para São Paulo, para a instalação das máquinas e início das operações. todavia o tempo passava e o desembaraço não ocorreria; por ultimo, o despachante da autuada foi informado de que a empresa não podia mais aguardar e que impetraria mandado de segurança; ao que parece, a fiscalização ao ficar ciente disso, solicitou apressadamente laudo técnico, que foi feito e um dia para outro ( e que, por isso, deixou muito a desejar quanto à correto análise das máquinas); premiada pelo tempo e pelo custo de armazenagem a autuada não viu outra saída, a não ser impetrar, em 05/03/2002, mandado de segurança para desembaraçar as máquinas; e obteve a liminar, em 06/03/2002, uma vez que estavam presentes todos os requisitos de direito liquido e certo, fumus boni juris e periculum in mora; Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.341 6 em 15/02/2002, a impetrada apresentou sua informações atestando que nada havia de errado para justificar o atraso no desembaraço das máquinas “portanto, uma vez identificada as mercadorias através do laudo pericial e verificada que elas eram objeto da consulta a Aduana iria liberar os bens, ressaltese, independentemente de garantia...Verificase, dessa forma, que não houve ato coator que merecesse reparar, mas sim , um procedimento de fiscalização caracterizado pela diligencia que o caso requeria”; no momento, esse é o ultimo andamento do mandado de segurança, que se encontra concluso para sentença; numa evidente demonstração de que a matéria do presente auto de infração é complexa, as respostas entenderam de modo diferente ao classificar as máquinas na posição 8464.20.10, do que entendia a fiscalização da alfandega que queria classificalas na posição 8464.90.19, com apoio de laudo técnico; o raciocínio do julgador ficaria mais compreensível, se essa autoridade fiscal tivesse analisado as máquinas e suas operações, procurando observar a sequencia dos trabalhos (geração, centragem e polimento); tão omisso, quanto incorreto, o referido laudo conduziu a autoridade fiscal a engano; outra prova do acerto da consulente está no fato da polidora ser uma máquina CNC. Isso impossibilita sua classificação na redação da 8464.20, que não comtempla máquina CNC; é incorreta a pretensão fazendária de classificar as máquinas em questão na posição 9464.20.10, que sequer trata de máquinas CNC; o lançamento é indevido; o Auto de Infração deveria ficar com seus efeitos suspensos, até que se encerre o processo de consulta, ora em recursos de divergência. Caso eles sejam favoráveis à empresa, ela nada terá de pagar; se entender que as respostas das consultas estão corretas, o que se admite tão somente para efeito de raciocínio, a impugnantes protesta para que as três máquinas sejam classificadas no ex da classificação adotada pelas respostas mencionadas; protesta pela produção de novas provas, tão logo tenha os resultados dos recursos de divergência e, caso estes tardem a serem julgados ou venham a ser negados, por qualquer motivo, protesta também pela apresentação de laudos técnicos independentes. A DRJ de São Paulo II manteve a autuação fiscal (fls. 262 e seguintes) por entender que as soluções de consulta Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.342 7 apresentadas pela Recorrente possuem efeito vinculante (fls. 223 e seguintes). A questão foi apreciada pela 2ª Câmara do Terceiro Conselhos de Contribuintes na Resolução 3021.563 (fls. 442 e seguintes), que houve por bem converter o julgamento em diligência para a confecção de novo laudo, além de providências complementares. Após a produção de novo laudo (fls. 458, e seguintes) a Recorrente apresentou manifestação em que reitera seus argumentos. (Grifos do Relator). À efl. 262 sobreveio decisão da DRJ/SP II, a qual, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendose o crédito tributário, de acordo com a ementa abaixo transcrita: SOLUÇÃO E CONSULTA. Classificação de Mercadorias. EFEITOS. A solução em processo de consulta é proferida em instância única e tem efeito vinculante, ao que o consulente deve ajustarse em até trinta dias de sua ciência, sob pena de exigência de ofício do crédito tributário que venha a ser devido por força da aplicação do entendimento manifestado pela administração. A Recorrente tomou ciência da decisão acima em 16/04/2007 (efl. 270), interpondo recurso voluntário em 15 de maio de 2007 (efl. 275), alegando em preliminares: (1) cercamento de defesa – liminar contra a exigência de garantia para interposição do recurso voluntário; (2) nulidade da decisão recorrida, por falta de motivação quanto aos efeitos da formulação de consulta, vez que, com o surgimento do lançamento das diferenças não recolhidas em obediência ao resultado da consulta, nasce um novo processo, tendo este que ser decidido de forma motivada, não podendo ficar atrelado apenas ao que fora decidido na consulta, e assim, devendo voltar o processo a ser julgado pela primeira instância administrativa, resguardando a ampla defesa e o devido processo legal; (3) não pode lhe ser imposto o interregno de juros (cerca de 50 meses) por demora de julgamento sem culpa sua, devendo apenas ser responsabilizada por 60 dias; (4) a inaplicabilidade da Taxa SELIC como juros, pois embute remuneração de capital, mais correção monetária; no mérito, basicamente ratificou o que já defendera anteriormente, ou seja, que as suas classificações fiscais estão corretas – as 3 (três) máquinas enquadramse na posição 8464.90.11 ou, quando muito, por serem máquinas CNC e poderem também trabalhar plásticos, classificáveis na posição 8464.9019, em um de seus “ex” (008). O julgamento foi convertido em diligência para que a unidade competente trouxesse mais informações, considerando que a Recorrente informa em sua impugnação (efls. 30 e seguintes) ter apresentado recurso de divergência em relação às consultas 46/2002 (processo 18880.001670/200217), 47/2002 (processo 18880.001671/200253) e 48/2008 (processo 18880.001672/200206), e considerando que as informações sobre o deslinde destes processos são imprescindíveis para julgamento do presente processo. Foi juntado aos autos cópia dos julgamentos dos 3 (três) recursos de divergências, de onde se extrai que os referidos recursos não foram conhecidos por ausência de previsão legal. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.343 8 O processo consulta 18880.001671/200253 concluiu pelo enquadramento no código 8464.20.10 máquina geradora para usinagem de lentes com comando numérico computadorizado (CNC), marca Spheroline, modelo SGL 50 S 3/1 CNC. O recurso de não foi conhecido por falta de previsão legal (conclusão na efl. 1.100 e decisão deste processo de consulta na efl. 1.057). Já o processo consulta 18880.001670/200217 concluiu pelo enquadramento no código 8464.20.10 máquina polidora com comando numérico computadorizado (CNC) para lentes, com peças integradas e eixo de correção para polir e corrigir sem troca de ferramentas, marca Spheroline, modelo SLP 50 CNC. O recurso interposto não foi conhecido por falta de previsão legal (conclusão na efl. 879 e decisão deste processo de consulta na efl. 826) Por fim, o processo 18880.001672/200206 concluiu pelo enquadramento no código 8464.20.10 consulta máquina centralizadora das bordas de lentes com contato numérico computadorizado (CNC), marca Spheroline, modelo SLC 40 CNC; e conjunto de jogos de ferramentas para máquina modelo SLG 50 S 3/1 CNC. O recurso não foi conhecido por falta de previsão legal (conclusão na efl. 1.301 e decisão do processo de consulta na efl. 1.256). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário é tempestivo e dele tomase conhecimento. Preliminares Quanto à primeira, não se vê mais presente, vez que exigência de garantia já não se encontra no ordenamento, afastase, portanto. Quanto à segunda, também se afasta, pois falta de motivação, no seu bojo, não se vê. Houve um posicionamento frente a matéria, alinhandose mais ao que fora decidido em consulta, porém, não só, vindo o restante a compor a motivação, como por exemplo, a questão do recurso de divergência. Quanto à terceira, a tese é interessante, todavia, a demora não é injustificada, tamanho o grau de litigiosidade existente no processo administrativo fiscal federal, verdadeira tarefa de Hércules é enfrentada pelos julgadores, numa forçatarefa para vencer o acervo. Uma realidade desagradável, mas que se espera em breve seja superada pelo empenho dos gestores e julgadores, empenhados neste objetivo. A mão de ilustrar, casos de greve, por exemplo, temse notícia que o Poder Judiciário suspendeu a incidência, mas nestes casos, a parte teria que o buscar, querendo. Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.344 9 Além disso, pelo princípio da legalidade, a incidência é devida e legítima, seja em caso de manutenção do lançamento, seja em casos de restituição e/ou compensação, portanto, uma via de mão dupla. Por tais razões, não merece ser acolhida. Quanto à quarta e última preliminar, sem maiores digressões, a Taxa SELIC vem sendo aplicada por este E. Tribunal nestes casos, a exemplo do acórdão 9303007.280 (maioria de votos): JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora devidos à taxa Selic. Sobre o assunto, também já se manifestou o E. STJ no AgRg no REsp. 1.335.688/PR: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Neste contexto, também não há como acolher esta preliminar. Quanto ao mérito, o impasse gira em torno do enquadramento fiscal de 3 (três) máquinas. Primeiramente é oportuno expor o tipo de máquina em análise. A partir do Laudo técnico produzido a partir da 1ª diligência – fl.463, extraise as seguintes informações: Segundo, apresentase as possibilidades de enquadramento das referidas máquinas: Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.345 10 O contribuinte enquadrou os produtos no código 8464.90.11 e o fisco sustenta que o código correto é o 8464.20.10. Por momento, diante de tais informações já é possível concluir que a classificação da contribuinte está incorreta, tendo em vista que nenhuma das máquinas a partir de comando numérico, retifica, fresa e perfura. Cada uma delas realiza uma atividade específica. O argumento da contribuinte no sentido de que as máquinas operam sob comando numérico computadorizado e o código 8464.90.11 é o único que contempla a especificidade do produto, não deve ser acolhido, pelas razões expostas no parágrafo anterior. Segundo o laudo técnico produzido a partir da 1ª diligência – fl.463 e 471, respectivamente, a máquina geradora, marca Spheroline, modelo SGL 50 S 3/1 CNC, realiza as seguintes atividades: Denotase que esta máquina realiza a atividade de esmerilamento, e embora possua comando numérico, não retifica, fresa e perfura. Logo, deve ser enquadrada no código 8464.20.10 (máquina para esmerilar vidro). Quanto à máquina polidora para lentes, marca Spheroline, modelo SLP 50 CNC, o laudo técnico produzido a partir da 1ª diligência – fl.463 e 479, respectivamente, aduz: Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.346 11 Depreendese que esta máquina realiza a atividade de polimento, e embora possua comando numérico, não retifica, fresa e perfura. Logo, deve ser enquadrada no código 8464.20.10 (máquina para polir vidro). No que tange a máquina centralizadora das bordas, marca Spheroline, modelo SLC 40 CNC, o laudo técnico produzido a partir da 1ª diligência – fl.463, 487 e 489, respectivamente, aduz: Por meio do laudo técnico percebese que a máquina centralizadora, trabalha com pressão. Embora possua comando numérico, não retifica, fresa e perfura, assim, é inviável enquadrála no código 8464.90.11. Por outro lado, também é incorreto enquadrála no código 8464.20.10, visto que não realiza atividades de esmerilamento ou polimento. Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.347 12 Considerando as possibilidades de enquadramento expostas inicialmente, depreendese que tal máquina deve ser enquadrada no código 8464.90.19 (máquinas para realizar outras atividades com vidro). Diante deste cenário concluise que deve ser mantido o lançamento realizado pelo fisco no que tange as máquinas geradora e polidora. Entretanto, quanto à máquina centradora, houve erro da autoridade fiscal quanto à classificação do produto, motivo pelo qual deve ser anulado o lançamento relação a esta. Se a indicação da premissa elementar na definição do tratamento tributário e/ou administrativo (classificação fiscal) não foi precisa, todas as conclusões que dela se extraem terminam ficando comprometidas, e, como se sabe, é inaceitável que esse elemento seja revisto no curso do Processo Administrativo Fiscal. Voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Voto Vencedor Conselheiro Lázaro Antonio Souza Soares, Redator designado Com as vênias de estilo, em que pese o como de costume bem fundamentado voto do Conselheiro Relator André Henrique Lemos, ouso dele discordar em relação à classificação fiscal da máquina centradora das bordas de lentes. De acordo com o Auto de Infração, à fl. 02, a referida máquina foi importada através da DI nº 02/01631789, registrada em 25/02/2002, e classificada pelo importador no código 8464.90.11, com alíquotas de 0% para o II e de 5% para o IPI. Ocorre que, anteriormente, em 05/02/2002, pelo processo administrativo nº 10880.001672/200206 (ver fls. 1.108 e seguintes do processo eletrônico), o interessado ingressou com pedido de consulta junto à SRRF 8ª RF sobre a classificação fiscal desta máquina centradora, obtendo como resposta a decisão para adotar o código 8464.20.10 da TEC do Mercosul (ver fl. 1258 do processo eletrônico) e tendo sido cientificado em 20/08/2002, conforme Aviso de Recebimento (AR) às fls. 1260 e 1261. As alíquotas vigentes à época, para o código 8464.20.10, eram de 14% para o II e 5% para o IPI. As diferenças destes tributos foram lançadas através do Auto de Infração objeto do presente Recurso Voluntário. A classificação fiscal 8464.90.11 é a seguinte: XVI Máquinas e aparelhos, material elétrico, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.348 13 84 Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes 8464 Máquinas e ferramentas para trabalhar pedra, produtos cerâmicos, concreto, fibrocimento ou matérias minerais semelhantes, ou para o trabalho a frio do vidro 8464.90 Outras 8464.90.1 Para vidro 8464.90.11 De comando numérico, para retificar, fresar e perfurar A classificação fiscal 8464.20.10, por sua vez, é a seguinte: 8464 Máquinas e ferramentas para trabalhar pedra, produtos cerâmicos, concreto, fibrocimento ou matérias minerais semelhantes, ou para o trabalho a frio do vidro 8464.20 Máquinas para esmerilar ou polir 8464.20.10 Para vidro A descrição da mercadoria importada indica que esta tem por função principal centrar lentes por esmerilhamento (em inglês, "grindind"). Logo, apesar de ambas as classificações coincidirem até o nível de subposição 8464, o contribuinte se utiliza de uma classificação residual, genérica, a 8464.90 (Outras), enquanto a Solução de Consulta indica a existência de uma posição mais específica, a 8464.20.10, tendo em vista que se trata de uma máquina para esmerilhamento. A Resolução nº 3202000.197, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na sessão de 25/03/2014, converteu o julgamento em diligência para a unidade competente juntar aos autos cópias das decisões referentes aos Recursos de Divergência apresentados pelo contribuinte, em relação aos já citados processos de Solução de Consulta. A diligência foi realizada, verificandose, à fl. 1.301, que a Inspetoria da Receita Federal em São Paulo não conheceu dos Recursos de Divergência, por falta de previsão legal para sua apresentação, em conformidade com o disposto no art. 48, caput, e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Logo, seguindo a RGI 3.a, deve ser adotada a posição indicada na resposta à consulta formulada pelo importador, código 8464.20.10. Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antonio Souza Soares Redator designado. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10314.003547/200257 Acórdão n.º 3401005.315 S3C4T1 Fl. 1.349 14 Fl. 1349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913616/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 61 6/ 20 09 -7 0 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10830.913616/200970 Resolução nº 3302000.837 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10830.913616/200970 Resolução nº 3302000.837 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10830.913616/200970 Resolução nº 3302000.837 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001005/2005-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA.
A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao ano-calendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/2003-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator e Presidente em exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao ano-calendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/200392, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO – Relator e Presidente em exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 05 /2 00 5- 09 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ/CSLL, relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 1999, 2000, 2001. É o breve relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10480.006261/200392, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.858, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10480.006261/200392. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.858: Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento de multa isolada, por falta de pagamento de IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada, apurada em fevereiro de 2000, calculada com base em balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 3.708,27. A multa isolada foi mantida na primeira instância, e afastada pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 4 3 Em seu recurso especial, a PGFN procura restabelecer a multa isolada. A contribuinte suscita, em sede de contrarrazões, uma preliminar de não conhecimento do recurso especial, invocando o §10 do art. 67 do RICARF, com a alegação de que estaria superado o entendimento aplicado pelas decisões paradigmas. Quanto a essa preliminar, é importante registrar que a regra regimental que tratava dessa questão de superação de tese pela CSRF (art. 67, §10, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009) não foi reproduzida no RICARF atual, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em razão da dificuldade de se fixar um critério objetivo para a sua aplicação. Uma decisão da CSRF bastaria para se considerar que determinada tese está superada? Quantas decisões seriam necessárias para isso? A decisão posterior teria que fazer menção expressa às decisões anteriores cuja tese foi superada? Atualmente, o RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com suas alterações posteriores, não mais fala que não servirá como paradigma o "acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF". O que o regimento atual diz é que "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente" (Art. 67, §15, incluído no atual RICARF pela Portaria MF nº 39, de 2016). Verificar se o "próprio" acórdão paradigma foi ou não reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente é procedimento que não traz os mesmos problemas da regra regimental anterior. Nesse passo, cabe registrar que nenhum dos dois acórdãos paradigmas foi reformado, conforme indica a página eletrônica do CARF, na consulta ao andamento dos processos correspondentes aos referidos acórdãos (Acórdão nº 10806.004 Processo nº 13826.000384/9840; e Acórdão nº 10806.571 Processo nº 13409.000156/9962). Portanto, de acordo com as regras atuais, as referidas decisões não encontram óbice para servirem como paradigmas de divergência. Desse modo, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Quanto ao mérito, vêse que a interpretação adotada pelo acórdão recorrido é no sentido de que se não há tributo a ser exigido no ajuste (no caso, porque a contribuinte apurou prejuízo), também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 5 4 Esta 1ª Turma da CSRF já examinou esse tipo de situação, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007 (anteriores à vigência da Lei nº 11.488/2007), em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anos Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 6 5 calendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anoscalendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautandose nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Fl. 545DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 7 6 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para Fl. 546DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 8 7 o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano calendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa Fl. 547DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 9 8 isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 10 9 A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendário, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 549DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 11 10 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do anocalendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o ano calendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas Fl. 550DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 12 11 estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "c"). Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do ano calendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) Fl. 551DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 13 12 (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio ano calendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia saber qual o valor de IRPJ ou Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 14 13 CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmarse que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adoto os mesmos fundamentos acima transcritos, para dizer que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, de não se estar exigindo débito de IRPJ em relação ao ajuste anual daquele período. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 19515.001005/200509 Acórdão n.º 9101003.866 CSRFT1 Fl. 15 14 (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, voto por DAR provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 554DF CARF MF
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