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Numero do processo: 19647.008314/2005-04
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Ementa: LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA
DIRETA, O Livro Registro de Apuração do ICMS e as GIAM são
documentos que atestam a veracidade do fato de que a contribuinte efetuou vendas de mercadorias e auferiu receitas, configurando prova direta destes fatos, e não meros indícios ou presunções.
ARBITRAMENTO DO LUCRO,CABIMENTO, Na falta da apresentação de
livros e documentos, cabível a figura do arbitramento.
MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO, INCONSTITUCIONALIDADE.
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária,
TAXA SELIC, SÚMULA 1° CCN° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-000.333
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Acórdão n o 1803-00.333 – 3' Turma Especial Sessão de 10 de março de 2010 Matéria IRPJ e OUTRO Recorrente PRODUTOS CERÂMICOS CACICULE LTDA. Recorrida 5' TURMA/E/RJ-RECIFE/PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Ementa: LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA DIRETA, O Livro Registro de Apuração do ICMS e as GIAM são documentos que atestam a veracidade do fato de que a contribuinte efetuou vendas de mercadorias e auferiu receitas, configurando prova direta destes fatos, e não meros indícios ou presunções. ARBITRAMENTO DO LUCRO,CABIMENTO, Na falta da apresentação de livros e documentos, cabível a figura do arbitramento. MULTA DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO, INCONSTITUCIONALIDADE. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, TAXA SELIC, SÚMULA 1° CCN° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. —._.. ~ P' '''" -- - -, _ „ „ i i g II e IN Nair .1~ ffilaw 11 44 , MORAES – Presidente e Relatora i . EDITADO EM: (j 9 JUL '1J LU Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Luciano lnocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Silvana Rescigno Guerra Barreto, 2n Processo n° 19647.008314/2005-04 Sl-TE03 Acórdão o,' 1803-00,333 Fl. 2 Relatório Trata-se de auto de infração de IRPJ, calculado com base no lucro arbitrado, relativo ao ano de 2003, no valor total de R$ 85404,2l, A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações: • A empresa apresentou DIPJ sem o preenchimento de valores, e DCTF's após o início do procedimento fiscal, • A empresa exerceu a atividade de compra e venda de mercadorias conforme constatado através do Livro Registro de Apuração do ICMS e das GIAM. • A contribuinte disponibilizou parte dos documentos, apresentando Livro Registro de Apuração do ICMS, Livros de Saída e Entrada de 2003, requerendo prazo para apresentação dos demais documentos. Expirados todos os prazos de prorrogação pleiteados, o lucro foi arbitrado. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Para evidenciar o fato gerador do IRRI, dever-se-ia demonstrar qual foi o efetivo acréscimo patrimonial incorrido, comprovando-o à luz da contabilidade ou de documentos. No caso em exame, a autuação tomou como fundamento mera prova indiciária, que, desacompanhada de outros documentos probatórios, faz-se imprestável, b) A multa tem caráter confiscatório. c) A taxa Selic é inconstitucional e ilegal. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: "ARBITRAMENTO DO LUCRO, AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR, O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real, em virtude da não apresentação de livros e documentos da escrituração, está legitimada a adotá-lo como meio de apuração da base de cálculo do tributo, TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos, ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes pata a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados," Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) O uso da presunção — tal como adotada no auto de infração — ofende ao princípio da segurança jurídica, criando uma suposição de que a recorrente omitiu o lançamento de tributos sem sequer haver prova de qualquer operação não tributada, mas mero indício. b) À luz dos documentos apresentados pela recorrente descabe cogitar qualquer lançamento pelo método do arbitramento, já que descaracterizada a excepcionalidade que pressupõe o uso de tal método. É o relatório. 4( 1 Processo n° 19647 008314/2005-04 81 -TE03 Acórdão n" 1803 -00333 FI, 3 Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/11/2007 (AR de fls. 119). O recurso foi protocolado em 04/12/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Afirma a recorrente que o Livro Registro de Apuração do ICMS e as GIAM são meros indícios, insuficientes para demonstrar a ocorrência do fato gerador, qual seja, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. O ponto de partida para a apuração do 'RIU e da CSLL é o lucro líquido do período, que é resultado da sorna algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações. A fiscalização, com base nos elementos de prova coligidos aos autos, demonstrou que, contrariamente às informações constantes na DIRI, a contribuinte auferiu receitas decorrentes de sua atividade de venda de mercadorias, O Livro Registro de Apuração do ICMS e as GIAM são documentos que atestam a veracidade do fato de que a contribuinte efetuou vendas de mercadorias e auferiu receitas. Tais elementos são prova direta destes fatos, ou seja, guardam íntima relação com o fato probando. Quanto à alegação de que não foi demonstrado o efetivo acréscimo patrimonial incorrido, deve ser ressaltado que a base de cálculo do 1RPJ é o lucro real, presumido ou arbitrado. O artigo 47 da Lei n° 8.981/1995 regula as hipóteses em que a base de cálculo do tributo poderá ser arbitrada, Note-se que todas elas contemplam situações em que há descumprimento de deveres instrumentais pelo contribuinte, tais como a existência de vícios que tornem a escrituração imprestável para a determinação do lucro real, ou a falta de apresentação de livros e documentos à autoridade administrativa, in verbis: "Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando' - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decreto-lei n" 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações ,financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de .fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para. a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real III- o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § I" do art. 76 da Lei n" 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI - REVOGADO - Este inciso . foi revogado pelo artigo 18 da Lei n" 9,718 de 27,11 .1998, VII - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou .fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII - o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2" do art. 177 da Lei n" 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2" do art.. 8" do Decreto-Lei n" 1.598, de 26 de dezembro de 1977". Desde o início do procedimento fiscal a contribuinte foi intimada a entregar os documentos necessários para averiguar o montante dos tributos devidos. Ao verificar a existência de receitas não declaradas, a fiscalização reintimou a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e fiscal, sendo que expirados todos os prazos de prorrogação pleiteados, foi lavrado um termo cientificando a empresa de que seu lucro seria arbitrado (fls. 15). In casa, materializou-se a hipótese de arbitramento prevista no inciso III , do art. 47 da Lei n° 898l/1995. A fiscalização aplicou corretamente a legislação pertinente à matéria, cabendo à recorrente a demonstração de qualquer equívoco no procedimento fiscal dos autos. Por sua vez, a recorrente apenas efetuou alegações genéricas de falta de comprovação da ocorrência do fato gerador e da utilização de presunções para tributar, não trazendo aos autos nenhum elemento capaz de demonstrar que o lucro foi arbitrado indevidamente pela autoridade fiscal. Inúmeras decisões, não só administrativas, mas também judiciais admitem a possibilidade de arbitramento do lucro, quando são concretizadas as hipóteses previstas na legislação, conforme ementas a seguir reproduzidas: ARBITRAMENTO DO LUCRO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO - O arbitramento dos lucros é medida extrema sim, por isso foi tomado no presente caso, pois apesar das inúmeras intimações &fiscalizada esta somente apresentou parte da documentação solicitada E em relação à parte apresentada a .fiscalização mostra que não reúne as condiçães necessárias para sustentar apuração pelo lucro real, mormente pela .falta de contabilização de expressiva movimentação bancária o que, por si só, já a torna imprestável, nos termos da 6 fok? Processo o° 19647.008.314/2005-04 S1-TE03 Acórdão n 1803-00333 El. 4 da legislação de regência. (Acórdão n° 107-09513, sessão em 15/10/2008) IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - Não dispondo o sujeito passivo de escrituração na forma das leis comerciais, .sequer o livro Caixa, cabível o arbitramento do lucro, a partir dos dados escriturados no Livro de Apuração do ICMS, que permitem chegar ao conhecimento da receita bruta, (Acórdão n° 108- 09693, sessão em 14/08/2008), TRIBUTÁRIO, EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.. IRPJ. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO FISCAL, LUCRO ARBITRADO.. DECRETO-LEI N" 1..648/78 E RIR/1980, TRIBUTAÇÃO REFLEXA DO SÓCIO, POSSIBILIDADE. 1.. A Certidão de Dívida Ativa goza de presunção de certeza e liquidez, refutável pelo sujeito passivo da obrigação tributária, através de prova inequívoca. A alegação genérica do apelante de existência de documentos contábeis da empresa aptos a afastar o arbitramento do lucro, não é suficiente para descaracterizar a autuação. 2. Ausência de escrituração regular, bem como de elementos contábeis suficientes para a apuração do lucro real, por si, já autoriza a aplicação dos arts. 399 e 400 do RIR/80, COM a fixação do lucro por meio de arbitramento. 3. Presume-se distribuído aos sócios o lucro arbitrado da pessoa jurídica que omita escrituração contábil para fins de apuração do lucro real, nos moldes do artigo 8" do Decreto n" 2,065/83 e do artigo 403 do Decreto n" 85.450/80, presunção que somente pode ser afastada pelo contribuinte. 4. Apelação improvida" (TRF 3" Região, AC 90„03.002471-5, Des. Fed. MARLI FERREIRA, DJU 28.01.200.5, p. 472). TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IRPF LANÇADO POR TRIBUTAÇÃO REFLEXA DA PESSOA JURÍDICA. LUCRO ARBITRADO.. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. POSSIBILIDADE, ENCARGO DO DECRETO-LEI N' 1,0.25/69. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. 1,A autoridade administrativa pode realizar o arbitramento do lucro da pessoa jurídica que não mantém escrituração regular e, apesar de intimada, não apresenta a documentação exigida. Tributação reflexa para o sócio, nos termas dos arts. 403 e 34, I, do RIR/80, combinados com o art. 8" do Decreto-lei n°2 .065/8.3, Precedentes desta Corte. (TRF 3" Região, AC n" 95.03,046214- .2/SP, Rel. Des. Fed, CECILIA MARCONDES, DJU 23/09/2009)". A imposição da multa de oficio de 75% é determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas.' 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata," A hipótese legal de aplicação da multa restou plenamente configurada na situação fática descrita na presente autuação, sendo que as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que determinam o percentual de 75% da multa, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, conforme Súmula n 0 1 do 1°CC: "Súmula 1"CC n" 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula Ce n' 4: A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadinzplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, 010r4-0/1~ -•*4-11111 -ERREIRA DE MORAES 8
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001495/2001-12
Data da sessão: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Para efeitos da Lei nº 9.363/96, o conceito de Receita
Operacional Bruta se dá nos termos das normas que regem a
incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, o
faturamento, assim compreendidas as receitas decorrentes das
atividades normais da empresa, de acordo com os arts. 2º e 3º da
Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998.
RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que
não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins
na operação de fornecimento ao produtor-exportador.
BASE DE CÁLCULO.
Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI
como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as
matérias-primas, os produtos intermediários e o material de
embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do
IPI, a teor do art. 32 da Lei nº 9.363/96, desde que cumpram os
requisitos do Parecer Normativo CST nº 65/79.
AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO
Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do
produto exportado, que se integram na sua composição final, se
enquadram no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, razão pela qual aí não se incluem a energia elétrica, os combustíveis e os demais produtos relativos à preparação indireta do produto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-19.297
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) pelo voto de qualidade, quanto à inclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez Lopez. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte; e 11) por unanimidade de votos, quanto ao restante
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Antonio Lisboa Cardoso
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Para efeitos da Lei nº 9.363/96, o conceito de Receita Operacional Bruta se dá nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, ou seja, o faturamento, assim compreendidas as receitas decorrentes das atividades normais da empresa, de acordo com os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. RESSARCIMENTO. LEI Nº 9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtor-exportador. BASE DE CÁLCULO. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 32 da Lei nº 9.363/96, desde que cumpram os requisitos do Parecer Normativo CST nº 65/79. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do produto exportado, que se integram na sua composição final, se enquadram no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, razão pela qual aí não se incluem a energia elétrica, os combustíveis e os demais produtos relativos à preparação indireta do produto. Recurso negado.
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Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP AssuNTo da contribuição : IMPOSTO PRODUTOSoDUTis es INDdis IALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IN. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Para efeitos da Lei n2 9.363/96, o conceito de Receita eracO tonaI Bruta se dá nos termos das normas que regem a incidência P Cofins, ou seja, o c7, s. p faturamento, assim compreendidas as receitas decorrentes das 51 E atividades normais da empresa, de acordo com os arts. 2 2 e 32 da 8 i og,' Lei n2 9.718, de 27 de novembro de 1998. o g g ;4̂ •= RESSARCIMENTO. LEI N2 9.363/96. INSUMOSg ; ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE8 n 1 — o E -7 COOPERATIVAS. tá 5 2 12" Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que "I não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofinsi na operação de fornecimento ao produtor-exportador. BASE DE CÁLCULO. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 32 da Lei n2 9.363/96, desde que cumpram os requisitos do Parecer Normativo CST n 2 65/79. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA E DEMAIS INSUMOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM EXPORTADO. Apenas os insumos diretamente utilizados na produção do produto exportado, que se integram na sua composição final, se enquadram no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, razão pela qual ai não se incluem a energia ME - SEGUNDO CONVIMO r" • ..3.)1k. COMECE,: . _ • Broca eia...13 Lt_n___JS-- Processo n° 13851.001495/2001-12 CCO2/CO2 Acórdão n, 202-19.297 Want. Ciáudás Sih. Mat. Siape Eis. 247 elétrica, os combustíveis e os demais produtos relativos à preparação indireta do produto. Recurso negado. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes em negar provimento ao recurso da seguinte forma: I) pelo voto de qualidade, quanto à inclusão das aquisições de insumos de pessoas fisicas no cálculo do crédito presumido. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (Relator), Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez Lépez. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor nesta parte; e 11) por unanimidade de votos, quanto ao restante. ANTuNIO CARLOS A rULIM Presidente Anrs 10 Z 41 ER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, as Conselheiras Maria Cristina Roza da Costa e Nadja Rodrigues Romero. Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ em Ribeirão Preto - SP que indeferiu o pedido de ressarcimento protocolizado em 27/12/2001, do crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao 3 2 trimestre-calendário de 2001, nos termos da Lei n9 9.363, de 13 de dezembro de 1996. O referido pedido foi cumulado com pedidos de compensação, convertidos em declarações de compensação, conforme § 4 2 do art. 49 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Consta ainda que a Delegacia da Receita Federal de Araraquara - SP (fls. 161/171) deferiu parcialmente o pleito, reconhecendo um crédito excedente para ressarcimento/compensação no montante de R$462.199,12, sendo que a parcela negada teve como fundamento as seguintes alterações no cálculo do crédito presumido: • "A Receita Operacional Bruta foi modificada para R$ 555.190.684,03, pois ocorreram adições na Receita Operacional Bruta de valores não considerados pela empresa. As adições das receitas não consideradas depreendem-se da falta de previsão legal para a sua exclusão; • 2 11P - SEGUNDO CONSELHO DE CONTE:METES • Processo ne 13851.001495/2001-12 CONFERE COM O =MAL cancoz Acórdão n.• 202-19.297 pragana j,i,./S„J Fls. 248 Ivana Ciática§ Silva Castro Mat. Sina 92136 • O valor do estoque inicial de insumos foi alterado para R$25.840.241,77, já que a contribuinte não procedeu em conformidade com os artigos 3° da IN SRF n° 23/97 e artigos 7° e 80 da IN n° 313/2003. Alterado também o valor do estoque final para R$00,00 e o custo dos insumos apropriados no período para R$66.103.644,24. • Exclusão, dos insumos empregados na industrialização, os valores relativos aos produtos transferidos de outros estabelecimentos para a matriz, e àqueles adquiridos que não se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, de acordo com a legislação do IPI — especificados na planilha de fls. 252 (transferência de frutas próprias; combustível, energia elétrica, produtos químicos utilizados em limpeza geral, nos laboratórios e no tratamento de efluentes, prestação de serviços em geral, produtos utilizados no sistema de refrigeração) num total de R$34.336.127,29. Apesar das alterações o valor do ressarcimento permaneceu inalterado, sendo assim a delegacia de origem homologou as compensações declaradas até o limite deferido." A decisão da DRJ (fls. 215/225) é assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A apuração centralizada do Crédito Presumido de IPL no estabelecimento matriz, deve incluir nos cálculos do beneficio a receita operacional bruta e a receita de exportação de todos os estabelecimentos da empresa, no período em questão. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPL COMPRAS. DIREITO AO CRÉDITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergado pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Os valores referentes às aquisições de instámos e mão de obra de não- contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida". Cientificada em 28/02/2008 (fl. 227), a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 228/244, em 14/03/2008, aduzindo que as glosas e alterações procedidas são improcedentes, considerando-se que, de acordo com o art. 22 da Lei n2 9.363/96, a base de cálculo do crédito presumido de 1P1 será determinada "mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador". 3 Alf - SEGUNJO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COSI O ORIGINAL Processo n• 13851.001495/2001-12CCO2/CO2brünla. Acórdão n.° 202-19.297 Fls. 249Nana Cláudia Silva castro Sobre as glosas de insumos apropriados para o cálculo do crédito presumido, alega que sua atividade é a de produção industrial de suco de laranja destinado à exportação, tendo como insumos primordiais a fruta, e os demais ingredientes das fórmulas utilizadas e produtos químicos aplicados, cuja produção industrial emprega energia elétrica e queima de combustível no processo produtivo, requerendo as seguintes inclusões no cálculo do crédito presumido: a) contesta a r. decisão da DRJ no que tange à proporção entre receitas (RE/ROB) — que o percentual derivado da relação entre as receitas operacionais e as de exportação foi alterado de 85,4272% para 80,4454%, aduzindo que as adições promovidas na receita operacional bruta não merecem prosperar, vez que revelam receitas não relacionadas à atividade da empresa no que seja pertinente às exportações, são receitas de estabelecimentos não industriais, as quais não integram o conjunto de estabelecimentos envolvidos no cálculo do crédito presumido de IP! (são fazendas, armazéns, depósitos e viveiros, não contribuintes de IPI), devendo ser refeito o cálculo do percentual entre receitas (RE/ROB), excluindo da receita operacional aquelas receitas obtidas por estabelecimentos filiais (não industriais); b) aquisições de não-contribuintes das contribuições sociais — frutas adquiridas de fazendas (produtores rurais) —, vez que a decisão recorrida considerou que, pelo fato de não serem contribuintes do PIS e da Cofins, inviabilizaria a inclusão dos valores na base de cálculo do crédito, o que não se justifica, vez que a legislação total das aquisições de matérias-primas compõem a base de cálculo do beneficio, não sendo razoável a exclusão dessas aquisições. Em favor de sua tese, cita jurisprudência do Eg. STJ (REsp n2 617.733/CE e n2 586.3921RN); c) contesta a glosa de combustível, por tratar-se de produtos intermediários, "indissociavelmente vinculados ao processo produtivo", e é esse o requisito legal "que sejam utilizados no processo produtivo"; transcreve ementa de decisão judicial sobre o assunto; d) produtos químicos. Aduz que se trata também de produtos intermediários, cujas substâncias são utilizadas no produto final, e a falta deles inviabiliza a industrialização do produto exportado, citando acórdão da 1 ! Câmara deste Conselho de Contribuintes (Ac. n 2 201- 74.619), referindo-se ao art. 82 do RIPI/82, onde estabelece que estão abrangidos dentro do conceito de matéria-prima e de produto intermediário os produtos que, "embora não se integrando ao novo produto. forem consumidos no processo de industrializa cão, salvo se compreendido entre os bens do ativo permanente"; Requer, por fim, seja dado provimento ao recurso voluntário, para que seja recalculada a proporção entre a receita de exportação e a operacional, e para que sejam canceladas as glosas indevidamente promovidas, assegurando o pleno ressarcimento dos créditos presumidos de IPI, decorrentes das exportações promovidas pela empresa. É o Relatório. 4 - SEGUN23 CCNSELHO DE CO RgarEsrariesinea0.NiiHERE Coff.0 0/11014.0 y Procakso n• 13851.001495/2001-12 uw CCO2/CO2 Acórdão n.• 202-19.297 Fls. 250 Claludia Silv. Car---tro Voto Vencido Quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintídio legal e respeitados os demais requisitos estabelecidos. Conforme relatado, cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ que manteve improcedente o pedido complementar de ressarcimento do crédito presumido de IPI, nos termos da Lei n2 9.363/96, e se refere ao 32 trimestre-calendário de 2001. No presente processo estão em discussão os seguintes itens: 1) Receita Operacional Bruta (ROB) — (receitas dos estabelecimentos não industriais — venda de fazendas e depósitos); 2) Glosas na Receita de Exportação (RE); 3) Aquisições de matéria-prima de não contribuintes; 4) Produtos Intermediários: Combustível e Produtos Químicos; 5) Transferência de fruta própria (transferência de frutas in natura de filiais — das fazendas para as fábricas). Passemos então a analisar os pontos suscitados no recurso: Receita Operacional Bruta (ROB) Nos termos do art. 15 da Lei n2 9.779, de 19 de janeiro de 1999, a apuração do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n 2 9.363/96, deve ser feita de forma centralizada no estabelecimento matriz, nos seguintes termos: "Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: 1— o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II — a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996; III — a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público — PIS/PASEP e para o Financiamento da Segu • # ade Social — Cofins; 5 - SEGUN:0 CONSELHO DE CONTEN3LIINTE5 CDNFERE CCal O 01.134.41 Procmo n. 13851.001495/2001-12 Gramma. _a...ui O CCO2/CO2 Acórdâo n.• 202-19.297 varia Cláudia Silva Castro Ld Fls. 251 Ma Sia • c 92136 IV— a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal." Assim sendo, deve ser reputado improcedente o apelo da recorrente para a apuração descentralizada por estabelecimento, destinada à apuração do crédito presumido do IP!. Ademais, de acordo com o art. 3 2 da Lei n2 9.363/96, para a apuração da Receita Operacional Bruta, devem ser observadas as normas que regem a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, ou seja, os arts. r e 32 da Lei n2 9.718, de 27 de novembro de 1998, nos seguintes termos: "Art.22 As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) Art32 O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória n°2158-35, de 2001) §1 ! Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." Assim sendo, a Receita Operacional Bruta deve corresponder ao faturamento, base de cálculo do PIS e da Cofins, que engloba as receitas decorrentes das atividades normais da empresa. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n2 357.950, em 09/11/2005 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento perpetrada pelo art. 32, § 1 2, da Lei n2 9.718/98, consoante a seguinte ementa: "C0N7'1UBUIÇÃ0 SOCIAL — PIS — RECEITA BRUTA — NOÇÃO — 1NCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ARTIGO 3° DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento conto sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § I° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contétbil adotada." Entretanto, em que pesem as alegações da recorrente de que foram incluídas receitas que não deveriam compor a ROB, não restou demonstrado nos autos que de fato isto tenha acontecido, pois todos os itens constantes da Planilha de fls. 99/100 (ROB) são tipicamente receitas que compõem o faturamento da empresa, devendo r isto ser mantidos os valores apurados pela fiscalização e confirmados pela decisão recorrida 6 kl aNfalLeFECCREICriLN O ODER2°9441":" Processo n° 13851.001495/2001-12 I CCO7JCO2 Acterao n. 202-19.297 Inon C láudia Silva Castro ai FS. 252 _ _ ts Si • 6 Aquisições de matérias-primas de não-contribuintes Inicialmente entendo assistir razão à recorrente quanto à aquisição de insumos de não-contribuintes, relativamente à matéria-prima (laranja) que efetivamente irá se agregar ao produto industrializado exportado. Através da Lei n2 9.363/96 foi instituído beneficio fiscal por meio do qual se objetivou única e exclusivamente desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI, das Contribuições para o Programa de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos para consumo no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. O objetivo que se buscou e se busca alcançar, mediante a desoneração tributária das exportações de produtos manufaturados brasileiros, não é o de simplesmente tornar mais • competitivos, no mercado externo, tais produtos, mas sim o de melhorar o balanço de pagamentos brasileiro e, via de conseqüência, diminuir nossa perigosa dependência do cada vez mais volátil capital financeiro internacional. Tal necessidade, que mesmo antes dos recentes acontecimentos externos já se mostrava premente, levando o Presidente da República a afirmar que "é exportar ou morrer", revela-se, agora, de primeiríssima grandeza, por relacionar-se direta e intrinsecamente com a saúde financeira do Brasil e, portanto, com o bem estar de toda a nação. Releva notar, a propósito, que a simples instituição do beneficio fiscal em questão não tem o condão de proporcionar um automático incremento das exportações, e, por conseguinte, tornar de imediato o País menos dependente ou mesmo independente do volátil capital financeiro internacional, o que efetivamente é o fim colimado. Esta pretendida independência somente será alcançada pelo contínuo e firme estímulo estatal às exportações. Este pequeno intróito se fez necessário para ressaltar que a questão deve ser examinada à luz das disposições do art. 5 2 da Lei Introdução ao Código Civil (LICC) — lei de introdução a todas as leis —, que determina que "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". No caso, os fins sociais a que se destina a lei e as exigências do bem comum se vêem representados pela imperiosa necessidade de se tornar mais competitivos, no mercado externo, os produtos manufaturados produzidos no Brasil, com vistas a proporcionar uma melhora no balanço de pagamentos. O beneficio fiscal instituído pela Lei 112 9.363/96, não é demais repetir, visa a desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados - IPI, das Contribuições para o Programa de Integração Social - PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos para consumo no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. Para alguns, o pilar fundamental do beneficio aqui tratado é o disposto no art. 52 da Lei n2 9.363/96, que determina que "a eventual restituição, ao fornecedor, das importáncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. P, bem assim a compensação ( 7 (I IAF- SEGUNCO CON SELHO DE CONTRIEtUINT CONFERE COAI O ORIGINAL Processo n• 13851.001495/2001-12 13raultisa. CCO2/CO2 Acórdão n, 202-19.297 bana Cláudia Silva Castro Fls. 253 61 1. Si • 92136 mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador do valor correspondente", pois ao determinar que o PIS e a Cotins restituídos a fornecedores devem ser estornados do valor do ressarcimento, teria o legislador optado "por condicionar o incentivo à existência de tributação na última etapa", o que impediria a inclusão de aquisições feitas de não contribuintes — sobre cuja receita naturalmente não incidem o PIS e a Cofins —, na base de cálculo do beneficio fiscal. Concessa venia daqueles que defendem o respeitável entendimento até agora prevalente, ouso divergir. Trata-se, de fato, de argumento praticamente insuperável. Sucumbe, dito argumento, apenas, mas definitivamente, diante da singela constatação de que o art. 52 da Lei n2 9.363/96, é inaplicável, inaplicabilidade esta que se revela, primeiro, e de forma sintomática, quando se verifica, do exame das Portarias Ministeriais e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que regulam e regularam a matéria, que não existe e nunca existiu qualquer norma a regulamentá-lo. Este primeiro sintoma — lacuna regulamentar —, todavia, não parece fruto do acaso, encontrando, ao revés, fácil explicação no fato de o comando contido no citado art. 52 ser, repita-se, inaplicável, notadamente por contrariar a sistemática estabelecida na Lei n2 9.363/96. Com efeito, a possibilidade de estorno somente teria razão de ser caso o crédito de IPI em questão não fosse presumido e estimado, mas em sentido contrário, calculado com base em valores efetivamente pagos pelo produtor-fornecedor a título de PIS e de Cofins, pois somente em tal hipótese o crédito poderia ser apurado com base em valores pagos de forma indevida ou a maior, que, se restituídos, naturalmente deveriam ser estornados da base de cálculo do crédito presumido de IPI. No caso, entretanto, o que ocorre é exatamente o oposto, sendo o crédito calculado de forma presumida e estimada, sem levar em conta os valores efetivamente recolhidos pelo produtor-fornecedor a título de PIS e de Cofins. Tendo se adotado tal sistemática, o estorno, conforme previsto no art. 5 2, fica impossibilitado, pois, considerando que o Direito Brasileiro admite somente a restituição de tributos pagos a maior, em se adotando a tese até agora vencedora, estar-se-á admitindo que o estorno seja devido mesmo quando a restituição decorrer de valores pagos indevidamente e que, portanto, não redundaram no pagamento de tributo a menor, o que não se afigura jurídico nem tampouco razoável. Concluindo, o entendimento aqui defendido encontra-se acorde com aquele esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, como se vê no recente acórdão inclusive publicado no Informativo do STJ n2 0305: "REsp 494.281/CE - TRIBUTÁRIO - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - RESSARCIMENTO DE PISCOFINS - ART. I" DA LEI N. 9.36396 - RESTRIÇÃO PELA IN 2397 - ILEGALIDADE - PRECEDENTE. I. A controvérsia restringe-se à limitação da incidência do art. 1° da Lei n. 9.36396, imposta pelo art. 2°, § 2° da IN 2397, que determina que o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relaçõo às aquisições de pessoa jurídicas. SJ MF - SEGUNDO CONseso coNr CONFERE COM O OFtunatklaWints Processo e 13851.001495/2001-12 SSIILØ „a_ _UI_ oY C072/032 Acórdão n.• 202-19.297 lvana Cláudia Silva CastroI”' HL 254 Mat. Sia • 92136 2. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem o condão de restringir o alcance de um texto de lei. Ofende-se, destarte, o princípio da legalidade, inserto no art. 150, inciso I, da CF/88. A jurisprudência desta Corte posiciona-se no sentido da ilegalidade do art. 2°, 2° da IN 23/97. Precedente: REsp 617.733rE; Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 24.8.2006. Recurso especial provido." Pelo exposto, entendo ter a recorrente direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n2 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e de Cofins, haja vista ser este o único entendimento capaz de atingir fins a que se destina a lei e compatível às exigências do bem comum. Produtos Intermediários: Combustível e Produtos Químicos Não assiste razão, porém, à recorrente, quanto à pretensão da manutenção dos valores de energia elétrica e combustíveis e produtos químicos no cômputo do crédito presumido do IN, conforme é a seguir demonstrado. De acordo com a legislação de regência do crédito presumido do IPI, somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados pela legislação do IN, utilizados nos produtos tributados, dão direito a esse beneficio fiscal. O art. 1 2 da Lei n2 9.363, de 13/12/1996, assim dispõe: "Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis complementares n°07, de 7 de setembro de 1970, n°8. de 03 de dezembro de 1970, e 70 de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." O art. 2.̀2, por sua vez, determina: "Art. 22 A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador." A decisão recorrida está amparada no fato de a Lei n2 9.363, de 1996, somente reconhecer o crédito de IPI, em relação aos insumos que, embora não integrem o novo produto, sejam consumidos, em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, conforme restrição contida no Parecer CST n 2 65, de 1979, bem como pelo fato de não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário, a energia elétrica, óleo combustível e produtos químicos utilizados no processo produtivo. 9 Mf - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Provas° wr 13851.001495/2001 . 12 Bras Ma 13 1_31._t_ CCO7JCO2 Acórdão n.• 202-19.297 Ivana Cláudia Silva Castro m.,./ Fls. 255 Mat Siape 92136 O aludido parecer dispõe que serão incluídos entre as matérias-primas e produtos intermediários os insumos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Abaixo, trechos do Parecer n2 65, de 1979, da Coordenação de Tributação da Receita Federal, que, a despeito do alegado pela interessada, impõe interpretação diversa quanto ao sentido de "consumidos" no processo de industrialização: "(..) Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIP1/79). 'Art. 66- Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 ara. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 89: I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrializacão salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 4.1- Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma 'matérias-primas' e 'produtos intermediários' são empregados 'stricto sensu' , a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrializacão. (-) 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricacão, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 10.1 - Como o texto fala em 'incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários 'stricto sensu' , semelhança esta que reside no fato de exercerem na ~cão de industrializacfro funcão análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato fisico. ou melhor dizendo. de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricacão. ott por este diretamente sofrida, ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES COWERE COAI O ORIGINAL 31-81:a!nlina.C1-3-13udiaCiLiSilva CaSt CCO2/CO2 —stro És,/ Processo n• 13851.001495/2001-12 Acórdão n7 202-19.297 fls. 256 flflat Sia • 92136 10.2 - A expressão 'consumidos' sobretudo levando-se em conta que as restrições 'imediata e integralmente', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o des :este o desbaste o dano e a ,erda d .r. • riedade &ricas ou químicas, desde que decorrentes de acão direta do insuflo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (.)". (Grifou-se) Por outro lado, conforme bem asseverou a decisão recorrida, nem todos os custos feitos na produção que não façam parte do ativo permanente podem ser recuperados com o fim de gerar o respectivo direito ao crédito corno se insumos fossem, não sendo demais afirmar que o Parecer n2 65, de 1979, não extrapola ou amplia o conceito de matérias-primas e produtos intermediários, definido no regulamento do IPI e atos normativos, como considera a interessada, uma vez que sua utilização como norteador do alcance dos termos "matéria-prima e produto intermediário" está em consonância com o art. 82 do RIPI/82 e também tem por matriz legal o art. 66 do RIPI/1979, tratado pelo citado Parecer, que, ao final, é a mesma do art. 82 do RIPI/1982 e do art. 147 do RIP111998, qual seja, o art. 25 da Lei n2 4.502, de 1964. Nesse sentido, já dispunha o Parecer Normativo n2 181, de 1974, em seu item 13: "13 - Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutencão das instalações, das máquinas e equipamentos. inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc." (Grifou-se). Importante frisar que relativamente às aquisições de energia elétrica e combustíveis, peço venia para transcrever parte da ementa do Acórdão n2 202-18.961, julgado na sessão de 07 de maio de 2008, onde se discutiu essa mesma matéria, quando esta Câmara deliberou por unanimidade neste item da seguinte forma: "ENERGIA ELÉTRICA. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n°9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direito com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Súmula n°12 do Segundo Conselho de Contribuintes." (Processo n° 13851.001937/00-15 Recurso n° 152.303 Matéria RESSARCIMENTO IPI - CRÉDITO PRESUMIDO Acórdão n° 202- 18.961 Sessão de 07 de maio de 2008 Recorrente SUCOCÍTRICO CUTRALE LTDA.). I I irg3r-iiSa8101?:_h j14,108„047$81.140...a.jo 01/50INALotir ES Processo n° 13851.001495/2001-12 Ivan Cl:Audio Silva Castro "d CCO2/CO2 Acérdâo n.• 202-19.297 ML Cl:,.9 136 ro. 257 Conforme bem sintetizou a i. Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, no voto condutor do retendo acórdão, que o conceito de insumos é um conceito econômico, estando incluídos todos os elementos que contribuem para a obtenção do produto novo. Enquanto o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, que são espécies do gênero insumos, tem, na legislação do IN, um conceito jurídico que restringe o alcance do conceito econômico aos limites que determina, conforme depreende-se do Regulamento do IPI — RIPI: "Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente:" Discorre, ainda, em seu voto que o processo de industrialização é composto de uma série de processos e procedimentos destinados à obtenção de produto novo pela aplicação de diversos componentes, ou seja, matérias-primas e produtos intermediários. Faz parte desse processo produtivo a utilização de produtos tais, necessários à obtenção do produto novo pretendido, que a ele não se integra, porém é consumido, se desgasta, para que esse produto novo surja. Esse tipo de produto também é aceito como produto intermediário, ou produto interveniente no processo produtivo ou, ainda, produto que interage com aqueles que compõem o produto novo para que este possa ser obtido. Logo, a energia elétrica e o combustível têm relação indireta e remota com o produto novo. Isso porque atuam sobre as máquinas e equipamentos que irão produzi-lo e não sobre ele. Ademais, esse assunto encontra-se devidamente sumulado no âmbito deste colendo Segundo Conselho de Contribuintes, consoante Súmula n 2 12, publicada no Diário Oficial da União em 26/09/2007, "não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direito com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário". Da mesma forma, não merece prosperar o recurso em relação aos produtos químicos utilizados para "análise laboratorial" e destinada à "limpeza da linha de produção", antes, durante e após a produção para o controle de qualidade, também não se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem como determina a legislação acima referenciada. Transferência de fruta própria (Custos para a produção de laranja) Conforme bem demonstrou a decisão recorrida, a glosa dos insumos sobre a rubrica "transferência de fruta própria", decorrentes das transferências de frutas de suas filiais (fazendas) para as fábricas, não devem ser computados no cálculo do crédito presumido, quer seja porque não houve a incidência da contribuição para PIS e da Cofins sobre as aquisições, não tendo ocorrido o fato gerador e o recolhimento das contribuições pelos fornecedores, quer seja porque os referidos custos se referem aos produtos aplicados n obtenção da fruta 12 " 191H400 ONSEuio DE on„ kugnitteaii o oRiGthisimats °Milha • oy Processo? 13851.001495/2001-12 Nana Cláudia silva C ----- CaY2/CO2 Acórdão n.• 202-19.297 Mat. Siaoe 92136" 3/41 Eis. 258 (laranja), os quais não se enquadram no conceito de matéria-prima, produto intermediário eJou material de embalagem. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, a fim de afastar as glosas relativas às aquisições de matéria-prima de não contribuintes da contribuição ao PIS e da Cofins. ah das Sessõ s, em 04 de set mbro de 2008. L \ (1M011).AN: • 10 L SB • • • • st ISO Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas Cuido neste voto apenas da possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos insumos adquiridos de não-contribuintes (pessoas fisicas ou cooperativas). O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória n2 948, de 23/03/95, convertida na Lei n2 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do pais, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matérias-primas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 1 2 da Lei n2 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. PÁ empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jia a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares e 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (negritei) O crédito presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional - CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratando-se de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — IlL O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir "o de direitos k-X" 13 • MF - SEGUN.:0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília 43 f f NT/CES30 n° 13851.001495/2001-12 lvana Cláudia Silva Castro %-1 (X02/CO2 Acórdão ti' 202-19.297 Mat. S1303 92136 Fiz. 259 inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presume-se não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos." Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IPI e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1 2, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindo-se o legislador ao PIS e à Cofins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrá-las no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa a ressarcir e que, por isso, o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar à desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." 2 (negritei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1 2 da Lei n2 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtor- exportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e Cofins, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor-exportador. Reforça tal entendimento o fato de o art. 52 da Lei R2 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtor-exportador quando houver restituição Hermenêutica e Aplicação do Direito, 12t, Forense, Rio de Janeiro, 1992, pp. 333/334. 2 Teoria Geral do Direito Tributário, V-, Ed. Lajus, São Paulo, 1998, p. 133. 14 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES COt&ERE COMO ORIGRIIAL • Processo o' 13851.0014952001-12 Brasília 15 0•‘ ca2/CO2 Acórdão n.• 202-19.297 4", lvana Cláudia Silva Castra Fls. 260 Mat. Siam/ 92136 ou compensação da contribuição para o PIS e da Cofins pagas pelo fornecedor de matérias- primas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foi-lhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca com o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor não-contribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressalte-se, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 32, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cotins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor-exportador. A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tomaria supérflua a disposição do art. 3 2 da Lei n2 9.363/96, contrariando o princípio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de não-contribuintes no cálculo do crédito presumido de IPI, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877-CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Tunna do TRF da 5a Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TITULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BOM JURES AO CREDITAME1VTO. 1. Tratando-se de ressarcimento de exaçães suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. P da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PISIPASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas fisicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque L),‘ 1)S3 15 ME- SEOUNO0 CONSELHO DE CONIRIEUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n° 13851.001451512001-12 1 nearsitia, .13 33. CCO2/CO2 Acórdão ti, 202-19.297 I Nana Cláudia Silva castro id As. 261 Mei SIEM? 92136 impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ...". O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 5' Região, no AGTR 33341-PE, Processo n2 2000.05.00.056093-7,3 que, à certa altura do seu despacho, asseverou: "A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. 1 2 da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, 'o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nos 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intennediá rios e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. Ora, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n2 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS. PASEP, e COFINS, instituídas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas Picas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensar-se de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IP! autorizado pela Lei n° 9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IP1 para ressarcimento do PIS e da Cofins, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. Ante o exposto, nego provimento ao recurso quanto aos insumos adquiridos de não-contribuintes, por entender que estes custos não devem integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sala das S , 'les, em 04 de setembro de 2008. t4 le 10 ER 3 Despacho datado de 08/02/2001, MU 2, de 06/03/2001. V 16 Page 1 _0054200.PDF Page 1 _0054300.PDF Page 1 _0054400.PDF Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1 _0054800.PDF Page 1 _0054900.PDF Page 1 _0055000.PDF Page 1 _0055100.PDF Page 1 _0055200.PDF Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13629.001635/2006-92
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa:
ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO - Cabe ao fisco
verificar a exatidão das informações prestadas na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o sujeito passivo, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA)
A exigência do ADA para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, assim entendidas as área de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, fez-se valer a partir do exercício 2001.
AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS - OBRIGATORIEDADE
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Assim, deve ser considerada como Área de Reserva Legal aquela constante da averbação feita no prazo legal.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2101-000.673
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a área declarada de reserva legal de 268,7 hectares, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO - Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o sujeito passivo, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) A exigência do ADA para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, assim entendidas as área de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, fez-se valer a partir do exercício 2001. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS - OBRIGATORIEDADE A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. Assim, deve ser considerada como Área de Reserva Legal aquela constante da averbação feita no prazo legal. Recurso Parcialmente Provido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 1362900l635/2006-92 Recurso n" 341.669 Voluntário Acórdão n° 2101-00.673 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2010 Matéria ITR Recorrente BAO VALE MINERAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR — INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO - Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o sujeito passivo, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) A exigência do ADA para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, assim entendidas as área de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, fez-se valer a partir do exercício 2001. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS - OBRIGATORIEDADE A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do 1TR. Assim, deve ser considerada como Área de Reserva Legal aquela constante da averbação feita no prazo legal. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. DO - PresidenteCRIO MARCOS CÂN ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a área declarada de reserva legal de 268,7 hectares, nos termos do voto da Relatora. )ky, GS?) rt=.' ANA LE OLIA10 HOLANDA — Relatora EDITADO EM: 22 ouT 2010, Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural Fazenda Rio Piracicaba, localizado no município de Rio Piracicaba (MG), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 19,121,86, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2002, com supedâneo nos artigos 1 0, 70, 90, 10, 11 e 14 da Lei n° 9,393, de 19/11/1996, artigo 17-0, § 1°, da Lei if 6.938, de 31/08/1981, com a redação dada pela Lei ri° 10.165, de 27/12/2000, e artigo 17 da Instrução Normativa SRF n° 60, de 06/06/2001, nos seguintes Moldes: i) Área de Preservação Permanente — 328,50 ha para 0,00 ha; ii) Área de Utilização Limitada — 268,70 ha para 0,00 ha. 2. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fls. 28 a 36. 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da 1' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) acordaram por dar o lançamento corno procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2002 DO AUTO DE INFRAÇÃO. Contendo o auto de infração todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal - PAF e tendo sido o 2 Processo n 13629 001635/2006-92 S2-C1T1 Acórdão n 2101-00.673 Fl 82 4. (fis. 68 a 75). procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização 'Minada/reserva legal, para fins de exclusão do 1TR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Lançamento Procedente Irresignado, o sujeito passivo apresenta recurso voluntário, aos 08/02/2008 5_ No apelo interposto, o sujeito passivo apresenta, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: — em preliminar, nulidade do auto de infração, vez que o agente fiscal não adicionou documentos, laudos, ou quaisquer instrumentos hábeis a fim de indicar inconsistências nos dados apresentados na declaração do ITR; II — no mérito, argumenta que as extensões declaradas corno áreas de preservação permanente e de utilização limitada estão devidamente consignadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA) e Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, firmado com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), do Estado de Minas Gerais, em dezembro de 2000, devidamente averbados à margem da matricula do imóvel; III - por outro lado, a teor do artigo 10, § 70, da Lei n° 9.39.3, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001, para fins de exclusão da área de destinação especial ou limitada da base de cálculo do ITR, basta somente a declaração do sujeito passivo neste sentido 6. Ao final, defende o provimento do recurso para o cancelamento do auto de infração guerreado. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatara O recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento, 3 O objeto do presente processo é o auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel Fazenda Rio Piracicaba, localizada no município de Rio Piracicaba (MG), no exercício 2002, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do 1TR, a título de: i) Área de Preservação Permanente — 328,50 ha para 0,00 ha, e ii) Área de Utilização Limitada — 268,70 ha para 0,00 ha, A lavratura do auto de infração fez-se sob o argumento de que o sujeito passivo deixara de apresentar, para a Área de Preservação Permanente, o Ato Declaratório Ambiental (ADA), e, no que diz respeito à Área Utilização Limitada, o ADA e a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis competente. Em preliminar, o sujeito passivo argui a nulidade do auto de infração, vez que o agente fiscal não adicionou documentos, laudos, ou quaisquer instrumentos hábeis a fim de indicar inconsistências nos dados apresentados na declaração do ITR. O artigo 10 da Lei n" 9.393, de 19q11/1996, determina que a apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. De tal determinação, decorre o entendimento da subsunção do ITR à modalidade de lançamento por homologação, em que, a teor do que prevê o artigo 150, do Código Tributário Nacional (CTN), é atribuído ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. E, opera-se o lançamento pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Por outro lado, nos termos do § 4 do referido artigo 150 do CTN, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, para lançar expressamente o crédito tributário apurado em trabalho de averiguação fiscal. Com efeito, as infbrmações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo estarão sujeitas à comprovação, mediante documentação hábil e idônea, capaz de respaldar' os dados declarados, Portanto, não cabe à autoridade fiscal apresentar elementos que denotem inconsistência dos dados apresentados pelo sujeito passivo, e sim, a este carrear ao fisco as provas de que os dados informados correspondem à realidade, sob pena de que sejam objeto de lançamento de oficio, que deverá ser balizado e !astreado pelos ditames legais. Assim, nada há a ser reparado no procedimento fiscal, no tocante à necessidade de o agente público apresentar elementos que confirmassem as inconsistências apontadas na declaração do tributo. Ultrapassada a análise da preliminar, passamos às questões de mérito. No tocante à obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tem-se que a sua exigência para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente, de utilização limitada, assim entendidas as áreas de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, 4 Processo n° 13629001635/2006-92 S2-C1T1 Acórdão n ° 2101-00,673 Fl 83 somente se fez valer a partir da Lei n° Ift165, de 27/12/2000, em seu artigo 17-0, em seu § 1', que deu nova redação à Lei n° 69.38, de 31101/1981, nos seguintes termos: Au, 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nr2 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. ".sç 1'. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória" Sob esse pórtico, somente a partir de 1' de janeiro de 2001, o sujeito passivo está obrigado a apresentar o ADA, para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente declarada pelo sujeito passivo, no cálculo da base do ITR. Na espécie, consta de fl. 21, Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, firmado perante o Instituto Estadual de Florestas — IEF/MG, aos 17/12/2000, pelo qual se pretende a comprovação da Área de Utilização Limitada — Reserva Legal, não se prestando, portanto, a respaldar a Área de Preservação Permanente pretendida. Assim, deve ser mantida a glosa da Área de Preservação Permanente, na extensão de 328,50 ha. Passamos á analise da glosa da Área Utilização Limitada — Reserva Legal, pela falta de averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis competente. O mandamento que determinou a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8', do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 - o chamado Código Florestal, pelo artigo 1' da Medida Provisória n°2.166-67, de 24/08/2001, litteris: Art.. 16.. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica„ são suscetíveis de supressão, desde que sejam manadas, a título de reserva legal, no mínimo: IP A área de reserva legal deve ser averbada à margem da imsdiçào de matrícula do imóvel, no registro de imóveis ~ejete., sendo vedada a alteração de sua destinação, nas casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (destaques da transcrição) Consta de fls. 17 a 19 verso do caderno processual, cópia da Matrícula n° 8267, no Livro n° 2, do Serviço Notarial do 3° Oficio Triginelli, na Comarca de Rio Piracicaba (MG), onde se observa a gravação, a título de Área de Reserva Legal, aos 12/02/2001, na extensão 268,73 ha.t Com efeito, na espécie, como se trata de lançamento referente ao exercício 2002, e o sujeito passivo empreendeu a averbação à margem do registro do imóvel em data anterior à data da ocorrência do fato gerador do 1TR, deve ser restabelecida a Área de Reserva Legal declarada. Por oportuno, cabe ressaltar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre o imóvel, conforme determina o artigo 1,227 do Código Civil: Art, 1.227, Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1 247), salvo os casos expressos neste Código. Ademais, que é uma peculiaridade da reserva legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, por tal, somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros. Assim, a Lei n° 4171, de 15/09/1965, passou a exigir a averbação no registro público, o que implica que a sua utilização se submeta às limitações legais.. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB, de relataria do Ministro Moreira Alves (Di de 28/04/2000), em que se discutiam os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária, cuja ementa a seguir se transcreve: EMENTA: Mandado de Segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. No mérito, não fizeram os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05_96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 0609:96. Mandado de segurança indeferido. Em voto-vista, proferido naquele julgamento, o Ministro Sepúlveda Pertence assim se pronunciou: Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fiação ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis.. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática, Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel, 6 Processo n° 13629 001635/2006-92 S2-C1T1 Acena° n.° 2101-00.673 Fl. 84 Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não . foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art. 16 da Lei n° 4.771/6.5, não existe a reserva legal. Nessa mesma linha, o julgamento do Mandado de Segurança n° 21.370-2/GO, Relator designado Min, Sepúlveda Pertence, IN de 28/04/2000, com a seguinte ementa: EMENTA.: 1 - Reforma agrária. apuração da produtividade do imóvel e reserva legal.A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2' do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser :subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.629/93, art. 10, 1V9,:senz que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22..688) 11 — Reforma agrária. desapropriação.. vistoria e notificação. Ainda que na linha do entendimento majoritário do Tribunal, se empreste à notificação prévia da vistoria do imóvel expropriando, prevista no art. 2 0, § 2", da L 8.926/93, as galas de requisito de validade da expropriação subseqüente, não se trata de direito indisponível:. não pode, pois, invocar a sua .falta, o proprietário que, expressamente, consentiu que, sem ela, se iniciasse a vistoria.. Mandado de segurança indçferido. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF, como no julgamento do MS if 28.156/DF, RI de 02/03/2007. Sob esses entendimentos, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da incidência do 1TR. Por outro lado, argumenta o sujeito passivo, que a teor do artigo 10, § 7', da Lei n° 9.393, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1166-67, de 2001, para fins de exclusão da área de destinação especial ou limitada da base de cálculo do 1TR, basta somente a declaração do sujeito passivo neste sentido. O invocado artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2,166-67, de 2001, tem a seguinte dicção: 7 Art. 10 A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos. pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ( ) § 7". A declara çõpara fim de isenção do ITR relativa às áj.:Écs. dejjue tratam as alíneas "a" e "d" do incisojL_ 1, deste artiRo, não está sqjeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo paramento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso z ue comprovado mie a sua declara ão não é verdadeira sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, (destaques da transcrição) Como antes reportado, o ITR é tributo a lançamento sujeito a lançamento por homologação, ou seja, aquele em que o sujeito passivo efetua o recolhimento, ficando sujeito a sua regularidade sujeita à averiguação posterior do fisco, até cinco anos da ocorrência do fato gerador. Assim, somente com base em tal determinação, não se poderia ter que a declaração do ITR não possa ser revista pelo fisco, ficando este impedido de verificar a realidade factual e jurídica do imóvel objeto do tributo, frente às informações declaradas. Entende o sujeito passivo que, sob o manto do § 7' do artigo 10, da Lei if 9,393, de 1996, estaria protegido de qualquer verifiCação fiscal. Data maxima venia, esse não é o melhor entendimento para o excerto legal em comento. O que a lei determina é que o sujeito passivo não estará submetido à comprovação prévia ao fisco dos elementos cornprobatórios para que possa excluir da base de cálculo tributo às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1°, daquele artigo 10. Entretanto, nada impede que o declarante seja intimado a apresentá-los, por solicitação do fisco. Forte no exposto, somos por dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para excluir da base de cálculo do tributo a Área de Reserva Legal na extensão de 268,70 ha, declaradas. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 l\WLólímp(ol-ora. nY12-a (s),
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000105/2001-59
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jul 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96.
A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI.
RECEITA DE VENDAS DE PRODUTOS IN NATURA. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de vendas de produtos in natura.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido.
Recurso Especial do Procurador negado.
Recurso Especial do Contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI. RECEITA DE VENDAS DE PRODUTOS IN NATURA. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de vendas de produtos in natura. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido. Recurso Especial do Procurador negado. Recurso Especial do Contribuinte provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. A variação cambial ativa deve ser incluída na receita de exportação para fins de apuração do crédito presumido de IPI. RECEITA DE VENDAS DE PRODUTOS IN NATURA. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de vendas de produtos in natura. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido. Recurso Especial do Procurador negado. Recurso Especial do Contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 05 /2 00 1- 59 Fl. 890DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3102 00.913, de 01/03/2011, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, utilizados na industrialização dos produtos exportados (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. DATA DO EMBARQUE PARA O EXTERIOR. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, a conversão do valor da receita de exportação é calculada com base na taxa de câmbio de compra, em vigor na data do embarque dos produtos nacionais para o exterior que, no transporte por via marítima, corresponde à data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13854.000105/200159 Acórdão n.º 9303005.174 CSRFT3 Fl. 891 3 Por outro lado, enquadrase na definição de despesa ou receita financeira, respectivamente, a variação cambial passiva ou ativa decorrente da alteração do valor do crédito de exportação resultante da variação da taxa de câmbio ocorrida após a data do embarque até o fechamento do contrato de câmbio. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. REQUISITOS ATENDIDOS. ADMISSIBILIDADE. Para efeito de apuração do crédito presumido do IPI, considera se empresa comercial exportadora aquela inscrita no Registro de Exportadores e Importadores (REI), incluindo tanto a empresa exportadora comum quanto aquela constituída nos termos do Decretolei nº 1.248, de 1972, a denominada trading company. RECEITA DE VENDAS DE PRODUTOS IN NATURA. INTEGRAÇÃO A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na vigência da redação do inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação era definida como sendo o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais, sem qualquer distinção, incluindo, portanto, a receita de vendas de produtos in natura. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. ATO ADMINISTRATIVO OU NORMATIVO IMPEDITIVO DO DIREITO AO CRÉDITO. NECESSIDADE. Somente a oposição constante de ato da Administração tributária, impedindo a utilização do direito de crédito presumido do IPI, descaracteriza o referido crédito como escritural, dando ensejo a incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do citado ato (aplicação da jurisprudência STJ, por força do art. 62A do RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. A contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a PFN insurgese contra 1) o tratamento das variações cambiais como receita de exportação; 2) a consideração, como receita de exportação, das receitas de venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros; e, finalmente, 3) a incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos do IPI. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos 3403001.527 e 20178.588 (primeira matéria) e 20179.254 e e 20402.250 (segunda matéria). No exame de admissibilidade do recurso especial, apenas as duas primeiras matérias foram admitidas, decisão que foi mantida no reexame (fls. 640/649). A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 716 e ss.). Também apresentou embargos de declaração, os quais também não foram admitidos. Fl. 892DF CARF MF 4 A contribuinte apresentou o recurso especial de fl. 784 e ss., por meio do qual se insurgiu contra o entendimento sobre o termo inicial da incidência da Taxa Selic sobre os créditos indevidamente glosados, se desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, ou apenas a partir da ciência do ato que indeferiu os créditos. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9303003.213, de 27/11/2014, e 9303002.622, de 14/11/2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Vimos que, da irresignação da Procuradoria, remanesce apreciar a divergência sobre o cômputo, na receita de exportação, para o efeito de se calcular o crédito presumido de IPI, das variações cambiais e das receitas de venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros. Em ambas as matérias, a comprovação da divergência, como passamos a demonstrar, é manifesta. Em tese contrária ao que decidido no acórdão recorrido, o Acórdão nº 201 78.588 – um dos paradigmas –, decidiu que a variação cambial positiva ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e a data do embarque da mercadoria para o exterior deve receber o tratamento de receita financeira, não receita de exportação. Já a inclusão, na mesma receita de exportação, das receitas de venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros foi admitida pela Câmara baixa com fulcro no seguinte argumento: Contrariamente, segundo as definições da Portaria MF nº 38, de 1997, a receita das vendas para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros, ao meu sentir, integrava tanto a receita bruta de exportação (dividendo) quanto a receita operacional bruta (divisor), haja vista que tal tipo se enquadra tanto na definição de mercadorias nacionais quanto de produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria. No presente caso, tendo em conta que a autoridade fiscal excluiu o valor da receita da revenda de mercadorias adquiridas de terceiros da receita bruta exportação (dividendo), mas não fez o mesmo em relação a receita bruta de exportação (divisor), no meu entendimento, agiu em desconformidade como o estabelecido na Portaria MF nº 38, de 1997, que estava em vigor na data do surgimento dos créditos em apreço. Contudo, no acórdão paradigma, entendeuse que as receitas de vendas, para o exterior, de mercadorias adquiridas de terceiros que não tenham sido submetidas a qualquer processo de industrialização pelo exportador e de vendas, também para o exterior, de produtos não tributados não se incluem na receita de exportação, devendo integrar, apenas, a receita operacional bruta. Portanto, devem compor o dividendo, mas não o divisor. Pois bem. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 13854.000105/200159 Acórdão n.º 9303005.174 CSRFT3 Fl. 892 5 Sobre a inclusão, na receita de exportação, da variação cambial no cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, como é de conhecimento geral, a matéria já se encontra pacificada neste Colegiado, e no sentido oposto à tese encartada no recurso especial. Como o nosso convencimento se espraia nas mesmas razões adotadas no Acórdão CSRF nº 9303003.043, de 12/08/2014, da lavra do il. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, passamos a adotálo como fundamento desta decisão: A Fazenda Nacional apresentou o seu recurso somente em relação inclusão da variação cambial ativa na receita de exportação para fins de apuração da receita bruta a ser usado no coeficiente de cálculo do crédito presumido. Não assiste razão à fazenda nacional. Vejamos a fundamentação exposta no voto condutor do acórdão recorrido, que uso como minhas razões de decidir. Para efeito de apuração da receita bruta de vendas nas exportações, existe ato normativo específico, disciplinando a matéria. Refirome ao disposto nos itens I e II da Portaria MF nº 356, de 05 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (grifos não originais) De acordo, com os referidos comandos normativos, o valor da receita de venda na exportação é determinado com base na taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Somente a variação no preço em moeda nacional decorrente da alteração da taxa câmbio, ocorrida após a referida data e o fechamento do contrato de câmbio, será tratada como variação monetária passiva ou ativa, conforme o caso. Corrobora o asseverado, o disposto no inciso I do art. 6º da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que em complemento ao estabelecido na lei instituidora do incentivo fiscal em destaque, determinou que a relação das notas fiscais relativas às exportações diretas deveria conter, dentre outros dados, a data do embarque da mercadoria para o exterior, a qual, nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex, conforme Fl. 894DF CARF MF 6 determinado no inciso I do art. 39 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994. O mesmo entendimento foi manifestado pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (Cosit), conforme exposto no excerto da Solução de Consulta nº 10, de 17 de junho de 2002, a seguir transcrito: A receita de vendas nas exportações de bens, com o valor expresso em moeda estrangeira, será convertida em reais à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos bens para o exterior. Considerase como data de embarque dos bens para o exterior aquela averbada no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Assim, embora a lei instituidora do incentivo determine que a apuração da receita de exportação seja feita com base na legislação que rege a contribuição para o PIS e a Cofins e, subsidiariamente, com base na legislação do Imposto de Renda e do IPI (art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996), por ser específica, o disposto no itens I e II da Portaria MF nº 356, de 1988,não conflita com o estabelecido no art. 9º5 da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trata das variações monetárias concernentes apenas aos “direitos de crédito e das obrigações do contribuinte”. Como na operação de exportação, os direitos de crédito surgem após o embarque da mercadoria para o exterior, logo, somente após a referida data, eventual variação na taxa de câmbio será tratada como despesa ou receita financeira, respectivamente, de variação monetária passiva ou ativa, itens que integram a receita operacional da pessoa jurídica, segundo a legislação do Imposto de Renda. Logo, para efeito do benefício fiscal em apreço, a receita de exportação é considerada efetivada, no ato da entrega do bem ao comprador, ou seja, na data de embarque da mercadoria, que nas exportações por via marítima (caso em apreço), corresponde a data da cláusula shipped on board ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga e averbada no Comprovante de Exportação, emitido pelo Siscomex. Em decorrência, qualquer variação no preço do produto, especialmente, em decorrência da variação na taxa câmbio entre a data de emissão da nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimentos e a data de embarque, deve ser objeto de nota fiscal complementar de preço, conforme expressamente determinado no parágrafo único do art. 19 da Lei nº 4.502, de 1964. Embora com fundamentação um pouco distinta, essa decisão corrobora o entendimento já pacificado nessa turma que considera legal a inclusão das variações monetárias na receita de exportação para fins de cálculo do valor do crédito presumido. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 13854.000105/200159 Acórdão n.º 9303005.174 CSRFT3 Fl. 893 7 Com relação ao segundo tema trazido no recurso especial – a definição da relação entre receita de exportação e receita operacional bruta, para fins de determinação da base de cálculo do crédito presumido de IPI –, esta mesma 3ª Turma da CSRF já se manifestou no mesmo sentido da tese adotada no acórdão recorrido, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 930301.606, na sessão do dia 30/08/2011, relatado pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos fundamentos adotamos como razão de decidir: [...] DA INCLUSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES ÀS EXPORTAÇÕES DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS, NO CÁLCULO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao imposto de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matériaprima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem, verbis: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do Fl. 896DF CARF MF 8 crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estar seia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”. [...] Assim, embora conhecido, é de se negar provimento ao recurso especial interposto pela PFN. Já o recurso especial apresentado pela contribuinte assentouse unicamente na atualização, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedido de ressarcimento. O acórdão recorrido entendeu aplicável a correção pela taxa Selic, por força do que decidido pelo STJ no REsp. nº 1.035.847/RS, a partir do ato administrativo que indeferiu, no todo ou em parte, o pleito do contribuinte, em flagrante divergência do entendimento adotado no Acórdão nº 9303003.213, que a admitiu desde o protocolo do pedido. Comprovado o dissídio jurisprudencial, estamos entre os que entendem haver o direito à correção desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, quer pelo fato de que, neste caso, um ato normativo já obstava a concessão ao menos de parte do crédito pretendido (vedava o crédito sobre as aquisições de insumos a não contribuintes do PIS/Cofins), quanto à parte do crédito que inicialmente não fora reconhecido pela autoridade administrativa competente. Não há confundir aqui a data do ato administrativo que constituiu o óbice ao reconhecimento de parte do crédito pretendido (a data em que proferido o Despacho Decisório), com o momento a partir do qual deve incidir a correção monetária. Embora a resistência tenha se verificado somente naquela, a taxa Selic deve incidir a partir do protocolo. Com relação a este último argumento, sabese que o próprio STJ já decidiu, em julgamento submetido à sistemática dos recurso repetitivos, que tanto para os requerimentos administrativos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457, de 16/03/2007 (dispõe sobre a Administração Tributária Federal), quanto aos pedidos Fl. 897DF CARF MF Processo nº 13854.000105/200159 Acórdão n.º 9303005.174 CSRFT3 Fl. 894 9 protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável para que seja proferida decisão administrativa é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos. Confiram: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 898DF CARF MF 10 II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp nº 1138206/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/09/2010) Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso especial da PFN; e conheço e dou provimento ao recurso especial da contribuinte, para que, sobre o valor a ser ressarcido, unicamente em face desta decisão, incida a taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13854.000105/200159 Acórdão n.º 9303005.174 CSRFT3 Fl. 895 11 Fl. 900DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.003773/2002-75
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IRPJ - FALTA DE RECOLHIMENTO - LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO-RECONHECIMENTO
O lançamento efetuado em razão de falta ou insuficiência de pagamento de tributo, ante ao indeferimento de compensação com crédito de terceiros, há que ser cancelada quando o referido crédito for reconhecido, como, aliás, é o caso dos autos.
RECURSO DE OFICIO - LIMITE - ALÇADA
Não se conhece de recurso de oficio cujo valor se encontre abaixo do limite mínimo de alçada.
Numero da decisão: 1201-000.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar
provimento ao recurso voluntário, e negar conhecimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe
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ementa_s : IRPJ - FALTA DE RECOLHIMENTO - LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO-RECONHECIMENTO O lançamento efetuado em razão de falta ou insuficiência de pagamento de tributo, ante ao indeferimento de compensação com crédito de terceiros, há que ser cancelada quando o referido crédito for reconhecido, como, aliás, é o caso dos autos. RECURSO DE OFICIO - LIMITE - ALÇADA Não se conhece de recurso de oficio cujo valor se encontre abaixo do limite mínimo de alçada.
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I • •-. U•/2' •.•-•‘2111t.‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ...;•.“Vd PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.003773/2002-75 Recurso n° 156.386 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1201-00.014 - r Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2009 Matéria IRPJ Recorrentes : 10' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I e ITAI1 CAPITALIZAÇÕES S.A IRPJ - FALTA DE RECOLHIMENTO - LANÇAMENTO - COMPENSAÇÃO-RECONHECIMENTO O lançamento efetuado em razão de falta ou insuficiência de pagamento de tributo, ante ao indeferimento de compensação com crédito de terceiros, há que ser cancelada quando o referido crédito for reconhecido, como, aliás, é o caso dos autos. RECURSO DE OFICIO - LIMITE - ALÇADA Não se conhece de recurso de oficio cujo valor se encontre abaixo do limite mínimo de alçada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento ao recurso voluntário, e negar conhecimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. ír. - ADRIANA GO ES - - Presidente. 1 • ALEXANDRE BiJsR1 OSA JAGUARIBE -Redator EDITADO EM: 1 6 FF1! 2nc19 Partimparam-dorpresenteffjulgamentorosrConselheiros_-AntoniorBezerra=NetorAlexandre Barbosa Jaguaribe, Carlos Pelá, Regis Magalhães Soares Queiroz, Guilheime Adolfo dos Santos Mendes, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Adriana Gomes Rego. Relatório Trata-se do Auto de Infração relativo ao IRPJ, lavrado em 04/11/02, que formalizou o crédito tributário, incluindo multa de oficio e juros de mora. 2.A autuação decorre da constatação da seguinte irregularidade, consoante discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 03: "001 — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO De acordo com o Art. 90, da MP 2.158, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal O contribuinte deixou de recolher aos cofres públicos a CSLL, período de apuração de 30/11/99, vencimento em 30/12/99, no valor de R$ 936.91269, uma vez que pretendia compensar esse valor com créditos de terceiros, conforme consta do processo 16327.003018/99-70. O pedido foi rejeitado pela autoridade administrativa de forma que a compensação foi considerada indevida." Fato GeradorVal Tributável ou Contribuição Multa (A) 30/11/1999 R$ 936.912,69 75E0 Enquadramento legal: Art 841, inciso!, file IV, do RIR/99." 3. Os autos do processo n° 16327.003018/99-70, acima mencionado, foram formalizados visando a restituição/compensação de crédito da PRT INVESTIMENTO S/A, com o débito da contribuinte, objeto deste lançamento. Segundo informa a cópia da decisão de primeiro grau, acostada às fls. 53, o Pedido de Restituição/compensação foi indeferido, sob o seguinte argumento: "RENDIMENTO FINANCEIRO. IMPOSTO RETIDO. RESTITUIÇÃO. RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO DE IMPOSTO. INDÉBITO INEXISTENTE. • É incabível o reconhecimento de direito creditório pleiteado por contribuinte submetido ao regime de apuração pelo lucro real anual quando, ao computar-se a receita financeira omitida ao resultado do período, verifica-se que o valor do imposto de .w.r. 24 renda devido é superior 's ntecipaçães havidas na fonte sobre rendimentosfinanceiros. Processo ri° 16327.003773/2002-75 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.014 Fl. 2 Solicitação Indeferida." 4. Cientificada da autuação, a contribuinte protocolizou, impugnação de acompanhada de documentos, aduzindo em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito, em resumo: 4.1. Faz um breve resumo da ação fiscal. Em seguida, alega que foi apresentada manifestação de inconformidade quando do indeferimento do pedido de reconhecimento dos créditos da PRT, utilizados na compensação realizada pela impugnante com os débitos lançados; 4.2. Por força de tal expediente, afirma que a decisão prolatada nos autos do processo n° 16327.003018/99-70, está suspensa até o trânsito em julgado do pedido de restituição. Ou seja, entende que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspenso até o julgamento do pedido de restituição. De tal sorte, defende que o presente lançamento deveria ter sido efetuado com a suspensão da exigibilidade, apenas para evitar a decadência, não sendo cabível, portanto, a cobrança de juros e multa de oficio; 4.3. Julga que a imposição da multa pressupõe a ocorrência de um ilícito, mesmo se tendo presente a tese de que a obrigação tributária e as penalidades decorrentes independem da intenção do agente; 4.4. Afirma que "A não incidência de juros moratórios no período em que o suposto devedor está amparado por urna das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário elencadas no artigo 151, do CTN, encontra respaldo na natureza jurídica dos juros legais definidas pelo Direito Civil Brasileiro"; 4.5. Continua afirmando não ser possível admitir-se que mesmo suspensa a exigibilidade do crédito tributário, cujo vencimento nem ocorreu, sujeite-se a impugnante à incidência de juros de mora, pois nada valeria a proteção jurisdicional. Aponta diversas doutrinas nesse sentido; A Delegacia da Receita Federal de São Paulo, via de uma de suas Turmas julgou o lançamento procedente em parte, tendo ementado a sua Decisão na forma abaixo transcrita. "Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calencicirio: 1999 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE — O regime da compensação, instituído pela Medida Provisória n` 66/02 e pela Medida Provisória 135/03, que é realizada por meio da declaração (DCOMP) prestada à SRF, não alcança, sob hipótese alguma, os casos de pedidos de compensação com créditos de terceira pessoa, que e o presente caso. JUROS MORATORIOS. CABIMENTO. O não recolhimento do tributo até o vencimento legal da obrigação implica a cobrança de juros moratórios seja qual for o motivo determinante da falta. MUDA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. 3 Aplica-se a lei a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente em Parte." Irresignada com a Decisão, o sujeito passivo manejou o Recurso Ordinário, onde, em síntese, repetiu as mesmas alegações colocadas em sede de impugnação. Veio, também, o recurso de oficio. Em pauta, ojulgamento foi convertido em diligência para que: O processo volte a repartição de origem e lá aguarde a solução do processo de compensação n' 16327.003018/99-70 - em tramitando na 4" Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Julgado o processo n° 16327.003018/99-70, este deverá ser apensado àquele, para tramitar reunidos, dado que as matérias de um e de outro são conexas; Devolver os processos à 4' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, prevenia para conhecer e julgar a matéria, em razão de haver iniciado o julgamento do processo n" 16327.003018/99-70, anteriormente ao presente julgamento. A Quarta Câmara, deste Primeiro Conselho de Contribuintes, a seu turno, declinou da competência para uma das Câmaras de Pessoa Jurídica, para julgar o processo n° 13807.016195/99-15. O processo foi então remetido à Segunda Câmara, que suscitou conflito de competência, o qual foi dirimido via do Despacho n° 384, que determinou o encaminhamento dos autos para a 3' Câmara. É o relatório. 4 Processo n°16327.003773/2002-75 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.014 Fl. 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, Relator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade. Todavia, o recurso de oficio não atinge o valor mínimo de alçada. Em tais condições, admito, somente, o recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO O Al informa que o contribuinte deixou de recolher aos cofres públicos a IREI, período de apuração de 30/11/99, vencimento em 30/12/99, no valor de R$ 936.912,69, uma vez que pretendia compensar esse valor com créditos de terceiros, conforme consta do processo 16327,003018/99-70, em apenso. O pedido foi rejeitado pela autoridade administrativa de forma que a compensação foi considerada indevida. Desta forma, foi constituído lançamento de oficio do respectivo crédito tributário. Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ Crédito Enquadramento Valor em Tributário Legal R$ Imposto Art.841, incisos I, 936.912,69 III e IV, do RIR/99. Juros Art.61, § 3°, da Lei 407.931,78 de Mora (até 31/01/2006) n°9.430/96. Multa Art. 44,J, da Lei ri°. 202 684,51 de Oficio (75%) 9.430/96. TOTAL 2.047.528,98 No presente caso, releva notar que a recorrente protocolizou, na SRF, pedido de compensação/restituição de crédito de terceiro, antes do início do presente procedimento de oficio — pedido de compensação feito em 29 de dezembro de 1.999 e lançamento de 'oficio cientificado ao sujeito passivo em 04/11/2002. Note-se que os pedidos de compensação/restituição em questão foram feitos antes da edição da MP 135, de 2003, que restabeleceu a sistemática de exigência dos créditos confessados, exclusivamente, com fundamento no documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário — DCTF, DIRF, etc. — sistemática essa que vinha sendo adotada, com fulcro no art. 5°, do Decreto-lei n° 2.124, de , ] 5 ./, ... 1984, até a edição da MP ri° 2.158-35, de 2001, ou seja, à época, os pedidos de compensação/restituição não se revestiam do caráter de confissão de divida. Ocorre que este Conselho, ao julgar o Recurso n° 140.357 — processo 13807.016195/99-15, aonde a PRT INVESTIMENTOS S/A, pleiteava o reconhecimento de crédito a ser restituído no valor de 128 958.189,12, que corrigido pela taxa selic até 31/12/99, alcança o valor de R$ 1.173.015,12, deu provimento ao recurso voluntário interposto, reconhecendo, por via de conseqüência, o direito crediário vindicado. Destarte, como a motivação única do presente lançamento foi a falta de recolhimento do valor de R$ 936.912,69, que a recorrente pretendia compensar com créditos de terceiros - PRT INVESTIMENTOS S/A - conforme consta do processo 16327.003018/99-70, os quais foram reconhecidos por esta Câmara; falece de motivação o lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto,. ou provimento ao recurso para cancelar o lançamento. Determino, ainda, o apensamento s o esente processo ao proc o 13807.016195199-15 - PRT INVESTIMENTOS S/A e n:s •e eço do recurso de oficio. , Alexandre : A ii i s. tguaribeÁl , e Processo n° 16327.003773/2002-75 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.014 Fl. 4 1 TERMO DE INTIMAÇÃO s Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. . 1 /8 FÇV 20 10 Brasília, • 7/, 12. (..--, 71..-------- J SÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração: [ ] . 7
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001234/2002-94
Data da sessão: Fri Mar 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MIGROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 1999, 2000
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADES - Em conformidade com o disposto na
súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de
lei tributária.
JUROS SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, â taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MIGROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999, 2000 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES - Em conformidade com o disposto na súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, â taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO --. ‘ - Processo n° 11040.001234/2002-94 Recurso n° 336.048 Voluntário Acórdão n° 1302-00.205 — 3a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2010 Matéria SIMPLES - EXS. 1999 E 2000 Recorrente INSTITUTO DE IDIOMAS PELOTENSE LTDA Recorrida 4' TURMA DA DRJ PORTO ALEGRE - RS ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MIGROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 1999, 2000 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES - Em conformidade com o disposto na súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, â taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente o<_ , WILSON F RNAND .nn :ÁtilIMARA" S - Relator EDITADO 6 A B 11 0 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcelo de Assis guerra, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. CL- 2 Processo n° 11040.001234/2002-94 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.205 Fl. 2 • Relatório INSTITUTO DE IDIOMAS PELOTENSE LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que manteve, na integra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPI) e decorrentes (Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, Programa de Integração Social — PIS e Contribuição Previdenciária), apuradas na sistemática do SIMPLES, relativamente aos anos- calendário de 1998 e 1999, em razão da constatação de diferença entre os valores mensais da receita bruta informados em declaração e os que foram escriturados. Releva destacar, dos autos, as seguintes informações: 1. a contribuinte fiscalizada explora atividade de prestação de serviços na área de ensino de idiomas estrangeiros, mediante licença de uso de marca obtida por meio de FRANQUIA do INSTITUTO DE IDIOMAS YÁSIGI SOCIEDADE CIVIL; 2. diante da atividade exercida, a contribuinte não poderia optar pelo SIMPLES, motivo pelo qual foi expedido o ATO DECLARATÓRIO n° 176.339, em 09 de janeiro de 1999, a excluindo da referida sistemática de recolhimento; 3. contestado, o referido Ato Declaratório foi mantido na esfera administrativa, conforme acórdão n°202-13.19!, de 29 de agosto de 2001, do então Segundo Conselho de Contribuintes; 4. não obstante, os lançamentos tributários foram efetuados na sistemática do SIMPLES, alcançando o período de janeiro de 1998 a fevereiro de 1999. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação aos feitos fiscais (fls. 136/145), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que a autuação não poderia prosperar, vez que a multa aplicada seria extorsiva e os juros calculados à taxa SELIC também não poderiam subsistir; - que não teve a intenção de fraudar o Fisco, não havendo que se falar em dolo. A 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n° 10-8.585, de 29 de maio de 2006, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. 3 Tratando-se de lançamento de oficio, deverá ser aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de falta de declaração e nos de declaração inexata. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO — PRINCIPIO DE NÃO CONFISCO O principio estabelecido no inciso IV, do artigo 150 da Constituição Federal, diz respeito a tributos (impostos, taxas e contribuições) não se referindo a penalidades aplicáveis e tem como destinatário o Poder Legislativo para a elaboração de leis tributárias. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e a esfera administrativa não é o foro próprio para discussões dessa natureza, haja vista que o exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS — EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES — PIS — COFINS — CSLL — INSS Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das . Pessoas Jurídicas, sob a sistemática de tributação simplificada, estende-se aos demais lançamentos decorrentes, tendo por fundamento o mesmo suporte fático. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 236/248, por meio do qual sustentou: - que caberia também à esfera administrativa a análise da constitucionalidade ou legalidade de determinada norma; - que seria inaplicável o juros de mora com base na taxa SELIC, por ofensa ao parágrafo primeiro do art. 161 do Código Tributário Nacional; - que não seria possível a cobrança da multa de oficio lançada. Processo n° [iO40.001234/2002-94 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.205 Fl. 3 O presente processo foi encaminhado ao então Segundo Conselho de Contribuintes que, amparado nas disposições do parágrafo primeiro do art. 20 e inciso XX do artigo 22 da Portaria MF n° 147, de 2007, declinou da competência para julgar o litígio. É o Relatório. Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e decorrentes, relativas aos anos-calendário de 1998 e 1999, formalizadas cm razão da constatação de diferença entre os valores mensais da receita bruta informados em declaração e os que foram escriturados. Irresignada com a decisão prolatada em primeira instância, que manteve integralmente os lançamentos tributários, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADES Alega a Recorrente que caberia também à esfera administrativa a análise da constitucionalidade ou legalidade de determinada norma. Como é cediço, a apreciação acerca de eventual violação a preceitos constitucionais escapa à competência das autoridades julgadoras administrativas, conforme súmula do então Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo transcrita, que, em conformidade com o parágrafo 4° do art. 72 da Portaria ME n° 256, de 2009, é de adoção obrigatória por parte dos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Súmula 1° CC n°2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SELIC E MULTA Sustenta a Recorrente que a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC não pode ser feita, vez que ofende o parágrafo primeiro do art. 161 do Código Tributário Nacional. Relativamente à multa lançada, diz que sua cobrança também não é possível. No que diz respeito a tais matérias, da rnesma forma, não se pode acolher os argumentos expendidos pela Recorrente. Os relacionados aos juros de mora em razão do disposto na súmula n° 4 do então Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo reproduzida. No que tange à multa, em virtude de ela estar prevista em diploma legal que goza de vigência plena. '27 A partir de I' de abril de 1995, os juros moratória incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. WILSON FE • ANDES ce • elator
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Numero do processo: 10510.001098/2005-39
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PAGAMENTO NO SIMPLES. CONSTITUIÇÃO DE CSLL. APURAÇÃO ANUAL QUANDO DEVERIA SER TRIMESTRAL.
Deve a fiscalização intimar o contribuinte para que este identifique o aspecto temporal da CSLL. Não o fazendo, deve o fisco adotar a apuração trimestral. A adoção do regime anual sem anuência do contribuinte leve ao erro na identificação do aspecto temporal, implicando na nulidade do lançamento.
Lançamento anulado de oficio.
Numero da decisão: 1201-000.193
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade suscitada pelo Relator e não conhecer das razões do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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Numero do processo: 10111.720547/2012-73
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Processo julgado no dia 25/10/2017, no período da manhã.
Acompanharam o julgamento os patronos do contribuinte, Dr. Flávio Couto Bernades, OAB-MG 63291, escritório Bernades e Advogados Associados, e Drª. Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira, OAB-DF 12051.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Leonardo e Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Processo julgado no dia 25/10/2017, no período da manhã. Acompanharam o julgamento os patronos do contribuinte, Dr. Flávio Couto Bernades, OABMG 63291, escritório Bernades e Advogados Associados, e Drª. Leliana Maria Rolim de Pontes Vieira, OABDF 12051. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Leonardo e Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face do 0832.510 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza (fls. 17.933/18.023), que assim relatou o feito: Das autuações Cuida o presente processo de lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração devidamente fundamentados (às fls. 0262), lavrados, em 02/05/2012, em face da UTILIDAD RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 20 54 7/ 20 12 -7 3 Fl. 18635DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.636 2 COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA., a qual será denominada por UTILIDAD, adquirente (ostensiva) das mercadorias importadas em questão, em razão da ocultação do(s) real(ais) adquirente(s) (DE FATO), bem como da ocorrência de subfaturamento, por meio dos quais foram formalizadas as seguintes exigências concernentes: (i) ao Imposto de Importação, acrescido de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 50.345,60); (ii) à Multa proporcional ao valor aduaneiro (R$ 15.052.552,57); (iii) à Multa por cessão de nome (R$ 2.341.713,30); (iv) ao IPI vinculado à importação, acrescido de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 18.463,31); (v) ao PIS/PASEPimportação, acrescido de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 6.080,72), e, (vi) à COFINS importação, acrescida de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 28.007,91), totalizando um montante de R$ 17.497.163,41. Foram também arrolados no polo passivo como solidários (art. 95, I, do Decretolei nº 37/1966; art. 124, I, II, e art. 134 e incisos, e art. 135, I, II, III, do CTN): (i) ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES; (ii) ANDERSON RODRIGUES MARQUES; (iii) a empresa PRIME HOLDING E PARTICIPAÇÕES EMPRESARIAIS LTDA. (denominada doravante como PRIME HOLDING, apontada como sócia administradora da UTILIDAD, cujos sócios administradores são: Vinícius da Costa Coelho, Daniel Chícrala Chaves de Oliveira e Filipe da Costa Coelho); (iv) EDMAR MOTHÉ; (v) a empresa PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. importadora ostensiva (denominada doravante como PRIME); (vi) VINÍCIUS DA COSTA COELHO; (vii) DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, e (viii) FILIPE DA COSTA COELHO. Do Termo de Verificação Fiscal (às fls. 63265) 1 Introdução (à fl. 63) Relata, em síntese, que as autuações em pauta foram aplicadas em desfavor da(s) autuada(s) qualificada(s) no tópico Sujeição Passiva deste Termo, pela subsunção ao que dispõe os Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, Artigo 23, inc. V, c/c §2º, do Decretolei nº 1.455/76 e Artigo 11, inc.II da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. Que, a presente fiscalização foi determinada pelo MPF nº 0117600 2011001141 a fim de verificar a ocorrência de ocultação do verdadeiro responsável pelas operações e/ou interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, com base no procedimento especial regido pela legislação constante da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. 2 Contextualização da Fiscalização (às fl. 6467) Aduz que a UTILIDAD é uma empresa que atua na importação de bens para revenda e que sempre opera por conta e ordem utilizando como importadora a empresa PRIME. Que, apesar de atuar por conta e ordem, as provas elencadas neste relatório demonstrarão cabalmente que a UTILIDAD oculta o real adquirente das importações utilizando meios fraudulentos para atingir Fl. 18636DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.637 3 este objetivo e cujo resultado traz um enorme dano tributário além de outros à Administração Aduaneira. Assevera que, a PRIME e a UTILIDAD são dos mesmos sócios e funcionam no mesmo endereço. Na prática são a mesma empresa, mas criam dois níveis de operação, um como importador e outro como adquirente, de modo a ocultar do fisco o terceiro nível de operação, onde se esconde o real interessado na operação. Que, conforme quadro demonstrativo da situação financeira e patrimonial de seus sócios (DIPFs: 2008, 2009 e 2010), aponta que os mesmos têm patrimônio de baixíssimo valor ou não têm valor declarado. Igualmente, a movimentação financeira é baixa, exceto por dois sócios, como o sócio Filipe da Costa que apresentou movimentação financeira em 2010 dez vezes maior que a movimentação de 2009. Que, a empresa UTILIDAD, por intermédio do processo administrativo nº 10111.000666/200919 foi habilitada pela Receita Federal do Brasil a operar no comércio exterior na modalidade ordinária para uma previsão de volume de importação no montante de U$ 284.000,00 a cada período de 6 (seis) meses. Que após, pelo processo nº 10111.000381/201011 tentou aumentar os limites de importação, porém a empresa teve a sua solicitação negada por não entrega de uma série de documentos necessários à comprovação de capacidade operacional. Mesmo fato ocorreu no processo administrativo nº 10111.001233/201014 quando novamente a empresa teve o aumento dos limites negados por não entrega da documentação solicitada. Mesmo com o aumento dos limites de importação negados, a empresa em 2010 passou a operar valores muito superiores à estimativa (U$ 284.000,00), em volume incompatível com seu patrimônio ou mesmo com o patrimônio dos sócios. Entre volume importado e tributos federais incidentes na importação, a UTILIDAD operou mais de 9 milhões de reais. Ressaltando que a empresa fechou o ano de 2009 com ativo da ordem de 150 mil reais. Em função da UTILIDAD ter solicitado aumento de limite de habilitação em abril/2010 e outubro/2010, e nenhuma delas deferida, teve acesso desde aí ao balancete mensal dos meses de março, agosto, setembro e outubro de 2010. Que, pela análise econômicofinanceira acima descrita fica evidenciado que a UTILIDAD e seus sócios não dispunham de patrimônio e capacidade financeira para sustentar as operações de comércio exterior, o que evidencia que tais operações foram suportadas financeiramente por terceiros ocultos, como este relatório demonstrará. 3 Expositivo da Fiscalização (às fls. 6775) Em síntese, a fiscalização faz um expositivo acerca do procedimento fiscal impetrado na UTILIDAD, cujo início se deu em 09/12/2011, Fl. 18637DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.638 4 através do Termo de Início nº 110/2011, pelo que a empresa por meio de seu sócio administrador DANIEL CHÍCRALA foi intimada a apresentar no prazo de 20 dias: Livros Fiscais e Contábeis como Diário e Razão dos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, último Balanço Patrimonial, Notas Fiscais de Entrada e Saída, Faturas Comerciais, entre outros. Relata que, nessa mesma ocasião, vez que a empresa PRIME se situava no mesmo endereço da empresa UTILIDAD, a fiscalização aduaneira, através de Mandado de Procedimento Fiscal, modalidade diligência, cientificou a empresa PRIME, através novamente do Sr. DANIEL CHÍCRALA, também do procedimento de Diligência, quando nesta oportunidade ele tomou ciência do Termo de Intimação nº 111/2011, ficando a empresa intimada a apresentar no prazo de 20 dias: Livros Fiscais e Contábeis como Diário e Razão dos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, Extratos Bancários, Notas Fiscais de Entrada e Saída, entre outros. Que, ainda na mesma data, a fiscalização lavrou Termo de Retenção de Documentos detalhando os documentos que estavam sendo retidos naquela ocasião na sede da empresa UTILIDAD. Que após algumas entregas parciais de documentação sem justificativas satisfatórias e de novos pedidos de prorrogação do prazo de entrega a fiscalização concedeu o último prazo para a apresentação da documentação, ou seja, 09/02/2012. Sendo este um prazo improrrogável conforme determina o artigo 10 da IN 228/2002. Que, conforme o Contrato Social e alterações, a fiscalização verificou que empresa UTILIDAD possuía uma filial no Rio de Janeiro. Em 06/02/2012, a fiscalização averba que compareceu ao endereço da sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro e anunciou para o sócio FILIPE DA COSTA COELHO, através da Intimação nº 017/2012 que procederia uma busca por documentos de seu interesse. Que, durante os trabalhos encontrou uma outra sala pertencente aos sócios que se situava em frente à sala que consta como sede da filial da UTILIDAD. O sócio informou que nesta sala funcionava a empresa PRIME. Todavia, em consulta feita aos sistemas informatizados da RFB verificou que não constava qualquer filial em nome da empresa PRIME. Mas com o intuito de dar formalidade à ação fiscal a empresa PRIME foi cientificada, através da Intimação nº 019/2012, que a fiscalização procederia a uma busca por documentos também nesta sala. Que, devido ao grande número de documentos que foram encontrados na sede da filial da empresa UTILIDAD, a fiscalização lacrou, através dos Termos de Lacração nº RJ 01/03, RJ 02/03 e RJ 03/03, 19 volumes que continham a totalidade da documentação de seu interesse. E, por se tratar de uma lacração, naquele mesmo momento ficou definido com a empresa que a deslacração e análise desta documentação ocorreria nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2012. Todo o procedimento de Fl. 18638DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.639 5 lacração da documentação foi acompanhado pelo sócio ANDERSON RODRIGO MARQUES. Em 09/02/2012, prazo derradeiro para a apresentação da documentação solicitada no Termo de Início de Fiscalização nº 110/2011 e depois novamente solicitado no Termo de Reintimação nº 119/2011, e da documentação solicitada na Intimação nº 111/2011 (empresa PRIME) e solicitada novamente no Termo de Reintimação nº 120/2011, as empresas apresentaram resposta. Todavia, mais uma vez as empresas PRIME e a fiscalizada UTILIDAD não apresentaram a totalidade da documentação tais como: Livros: Diário e Razão ano 2011, Livros Fiscais (Entrada e Saída de Mercadorias) para os anos 2008 e 2009 e Extratos bancários (todas referentes à empresa UTILIDAD). Ainda não apresentaram os Livros: Diário e Razão para os anos 2008, 2009, 2010, e 2011 além dos extratos bancários (no caso da empresa PRIME). Aduz ainda que as empresas tiveram ciência da não entrega dessas documentações no mesmo dia da entrega através das Intimações nº 022/2012 e 023/2012. Que, nos dias e na hora consignados nos Termos de Lacração, lavrados na filial da UTILIDAD no Rio de Janeiro, a empresa não compareceu para acompanhar os trabalhos e assim esta fiscalização procedeu à abertura de ofício, com a presença de duas testemunhas, conforme demonstram os Termos de Deslacração RJ 01/03, RJ 02/03 e RJ 03/03. Que, em 16/02/2012, as empresas, PRIME e UTILIDAD, tomaram ciência de que não havia entregue também os Livros: Diário e Razão no formato eletrônico SINCO para os meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2011 (no caso da UTILIDAD) e que não havia entregue também os Livros: Diário e Razão no formato eletrônico SINCO para os meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2011 e os Livros: Diário e Razão no formato eletrônico SINCO para a totalidade do ano de 2010 (no caso da PRIME). Que, as empresas tiveram ciência da não entrega dessas documentações através das Intimações nº 024/2012 e 025/2012. No mesmo Termo de Intimação nº 024/2012 a empresa PRIME foi cientificada da não entrega da totalidade dos códigos “CPP” o que inviabiliza por completo a análise de sua contabilidade. Que, em suas respostas, as empresas PRIME e UTILIDAD apenas apresentaram justificativas para não entrega dos extratos bancários, mas não apresentaram justificativas para a não entrega das demais documentações. Que, a fiscalizada teve todas as oportunidades necessárias para apresentação de toda a documentação e que sua atitude mais uma vez demonstra a sua intenção em ocultar suas operações e atividades ao Fisco Federal. Que, para conseguir analisar as operações financeiras da empresa UTILIDAD e assim conseguir alcançar os verdadeiros reais adquirentes ocultos pelas empresas PRIME e UTILIDAD a fiscalização aduz que intimou instituições financeiras a apresentarem os extratos bancários em formato eletrônico. Fl. 18639DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.640 6 Que, em 27/02/2012 (dois mil e doze), terminou a análise de toda a documentação que foi lacrada na sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro, sendo a documentação de seu interesse relacionada e listada no Termo de Retenção de Documentos lavrado nesta data. 4 Da Análise da Documentação Retida (às fls. 7576) Nesse tópico, informa que os documentos retidos serão descritos e analisados neste Termo de Verificação Fiscal, separados pelo local de retenção. Que, os documentos pertencentes aos códigos de processo interno (CPPs) a seguir analisados serão organizados nos seus respectivos Anexos (conforme demonstrativo, às fls. 7576). E, adicionalmente, os documentos pertencentes aos extratos bancários retidos na UTILIDAD e PRIME serão também organizados nos seus respectivos Anexos (conforme demonstrativo à fl.76). 4.1 Na Sede da Matriz da empresa UTILIDAD e PRIME (às fls. 7782) Aduz que foram retidos documentos instrutivos de importação relacionando a empresa PRIME como importadora e a UTILIDAD como real adquirente, porém a importadora PRIME vincula como cliente final dos produtos “cadeiras Hailong” a empresa Shopping Matriz nestas importações. Que a empresa PRIME criou uma numeração de processo interno que discrimina o número do processo, o cliente final (no caso Shopping Matriz), os produtos importados, o fornecedor estrangeiro (exportador) e a data. Seguem os números de processos internos que foram retidos pela fiscalização nas sedes das duas empresas durante o início da fiscalização: 06210 (Anexo A.3, às fls. 9.3349.390), 06810 (Anexo A.4, às fls. 9.6399.692), 039/09 (DI nº 10/03008595) (Anexo A.1, às fls. 9.0729.076), 04009 (DI nº10/03055364) (Anexo A.1, às fls. 9.0779.080) e 04409 (DI 10/02984345) (Anexo A.2, às fls. 9.1129.115) Que a análise desses processos será pormenorizada no tópico a seguir (4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD). Que também foram retidos documentos em pasta transparente que detalham faturas comerciais entre a May´s Zona Libre S/A para a empresa PRIME, fatura comercial entre a empresa Verdan Plaza e a PRIME e também catálogos de produtos May’s. Adicionalmente, constam da pasta três listas de preços (duas da May’s e uma da Verdan Plaza) com referência aos produtos. Após análise verificou que nas listas de preços e referências de produtos da empresa May’s encontrou no rodapé da última página de cada lista os dizeres “Necesito de uma invoice subfacturada em 44,5% (quarenta e quatro porcento e cinco décimos), conforme arriba”. Que cotejando os valores e referências destas listas com as faturas da May’s para a Prime verificouse que existe uma diferença de preço na ordem de 40%.E que esse fato também corrobora com os indícios de que a PRIME faz parte de um esquema que visa fraudar o Erário Público. 4.2 Na Sede da Filial da empresa UTILIDAD (às fls. 82147) Fl. 18640DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.641 7 Informa a fiscalização que as empresas PRIME e UTILIDAD criaram uma numeração de processo interno para cada importação (CPP) e estes são separados em envelopes plásticos. E que, referidos processos geralmente contém a seguinte documentação: o Capa de processo interno contendo número do CPP, descrição genérica dos produtos, nome do cliente e data de formalização do processo. o Extrato da Declaração de Importação. o Boletos bancários e comprovantes de pagamento de despesas de importação tais fundo da marinha mercante, despesas com serviço de despachante aduaneiro, comprovante de arrecadação do ICMS, despesas com armazenamento, desconsolidação e capatazia, entre outros. o Faturas comerciais (Invoice), faturas proforma, conhecimento de transporte internacional, romaneio de carga (packing list), nota fiscal de entrada, nota fiscal de saída para simples remessa e contrato de câmbio. o Demonstrativo de Despesa, consignando o cliente, código de processo CPP, nº da fatura, nº do conhecimento de carga, fornecedor estrangeiro, descrição genérica dos produtos, despesas tributárias e nãotributárias entre outros. o Estimativa de Custos de Importação, consignando o cliente, NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, despesas tributárias e operacionais e apuração total dos custos de importação. o Cópias de emails diversos, contendo em sua maioria detalhes de negociação com clientes e fornecedores, entre outros. o Demais documentos diversos. Que, irá tecer uma análise sobre os processos de importação das empresas PRIME e/ou UTILIDAD em que foram encontradas irregularidades. Seguem (a título de exemplificação, com grifos originais) os referidos CPPs, pela ordem crescente na numeração da Declaração de Importação realizada pela importadora ostensiva PRIME. (...)• CPP 062 – DI nº 10/09873220, registrada em 14/06/2010.(às fls. 9.3349.390) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 2 do Anexo A.3 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 06210), o tipo de produto (Cadeiras Diversas), a data (14/06/2010) e finalmente o nome do cliente da Fl. 18641DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.642 8 empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.3 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para o Shopping Matriz. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 072 – DI nº 10/11986126, registrada em 15/07/2010.(às fls. 9.7359.791) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 147 do Anexo A.4 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 07210), o tipo de produto (Cadeiras Diversas), a data (15/07/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Ainda, na página 152 do mesmo anexo verificamos a existência de um documento chamado de “Estimativa de custo de Importação”. Neste documento a importadora Prime expõe todos os custos inerentes à importação da DI e expõe mais uma vez o nome do verdadeiro real adquirente oculto em todo processo de importação (Shopping Matriz). Verificamos aí que o nome da UTILIDAD nem é citado como repassador das mercadorias. Este fato demonstra que a empresa UTILIDAD só existe para ocultar os verdadeiros responsáveis e financiadores da importação e assim empresta sua estrutura documental para acobertar os verdadeiros responsáveis pela importação. No tópico 6.3 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para o Shopping Matriz. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Fl. 18642DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.643 9 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 094 – DI nº 10/14493775, registrada em 20/08/2010. (às fls.10.43010.478) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 70 do Anexo A.7 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 09410), o tipo de produto (Cadeiras), a data (20/08/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Fica evidenciado que as empresas PRIME e UTILIDAD participam de um esquema que visa unicamente ocultar ao fisco e aos outros órgãos intervenientes do comércio exterior os verdadeiros responsáveis pela importação declarada em nome da empresa UTILIDAD. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 112 DI nº 10/17690997, registrada em 07/10/2010. (às fls. 10.87110.893) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 285 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado Fl. 18643DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.644 10 pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 11210), o tipo de produto (Coifas), a data (05/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, dois dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 102 – DI nº 10/18836685, registrada em 25/10/2010. (às fls. 10.72610.744) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 136 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 10210), o tipo de produto (Circulador e Ventilador), a data (21/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, quatro dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. Fl. 18644DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.645 11 • CPP 101 – DI nº 10/18836693, registrada em 25/10/2010.(às fls. 10.70610.724) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 116 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRI ME que registra a numeração do processo (CPP 10110), o tipo de produto (Climatizadores), a data (21/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, quatro dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 088 DI nº 10/19219531, registrada em 29/10/2010.(às fls. 10.27110.315) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 225 do Anexo A.6 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 08810), o tipo de produto (Cabos de Áudio e Vídeo), a data (27/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (LS Importação). Ou seja, dois dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. O mesmo ocorre com o documento chamado de “ESTIMATIVA DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO” que demonstra todos os custos com a importação e outras despesas operacionais e que a empresa PRIME registra como cliente desta importação a empresa LS Importação. No tópico 6.2 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para a empresa LS Importação. Fl. 18645DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.646 12 A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 142 – DI nº 10/20250331, registrada em 16/11/2010. (às fls. 11.12311.142) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 249 do Anexo A.9 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 14210), o tipo de produto (Cadeiras Diversas), a data (11/11/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, cinco dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 214 DI nº 11/11033392, registrada em 15/06/2011. (às fls. 11.56311.591) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Fl. 18646DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.647 13 Ocorre que na página 113 do Anexo A.11 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 21411),tipo de produto (Cadeiras), a data (06/06/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (UTILIDAD/SM – indicação de Shopping Matriz pelas iniciais SM). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Ainda, na página 140 do Anexo A.11 verificamos a existência de um documento chamado de “DEMONSTRATIVO DE DESPESA” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 21411), o tipo de produto (CADEIRAS DE ESCRITÓRIO), a data (15/06/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. O mesmo ocorre com o documento chamado de “ESTIMATIVA DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO” que demonstra todos os custos com a importação e outras despesas operacionais e que a empresa PRIME registra como cliente desta importação a empresa Shopping Matriz. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 276 D.1 DI nº 11/15236212 registrada em 15/08/2011. (às fls. 12.32912.350) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 123 do Anexo A.14 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 276D.111), o tipo de produto (Umidificadores), a data (15/08/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Fl. 18647DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.648 14 O mesmo ocorre com o documento chamado de “ESTIMATIVA DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO” que demonstra todos os custos com a importação e outras despesas operacionais e que a empresa PRIME registra como cliente desta importação a empresa Mundo dos Filtros. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 313 DI nº 11/15267746, registrada em 15/08/2011.(às fls. 12.58612.606) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 105 do Anexo A.15 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 31311),tipo de produto (Cadeiras), a data (15/08/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (UTILIDAD/SM – indicação de Shopping Matriz pelas iniciais SM). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Na página 118 do mesmo Anexo verificamos que as empresas PRIME e UTILIDAD colocam de próprio punho os dizeres “Shopping Matriz” no topo da DI. Outro fato relevante ocorre na página 117 do mesmo anexo, onde verificase uma fatura proforma que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativo porém com valor de $ 53.407,25 (cinqüenta e três mil e quatrocentos e sete dólares americanos), antes do frete. Se cotejarmos com o valor declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Aliado a isto neste documento o importador circula o valor total e escreve ao lado o percentual de 100% (cem por cento) comprovando novamente que o valor a ser consignado da DI seria um montante “reduzido”. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Fl. 18648DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.649 15 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 312 – DI nº 11/17094598, registrada em 12/09/2011. (às fls. 12.56612.585) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 85 do Anexo A.15 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 31211), tipo de produto (Cadeiras e suas partes), a data (12/09/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (UTILIDAD/SM – indicação de Shopping Matriz pelas iniciais SM). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Outro fato relevante ocorre na página 98 do mesmo anexo, onde verificase uma fatura proforma que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativo porém com valor de $ 34.021,78 (trinta e quatro mil e vinte e um dólares americanos). Se cotejarmos com o valor declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). A fatura proforma tem a mesma numeração da invoice colocada na DI. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 236 – DI nº 11/17330038, registrada em 14/09/2011. (às fls. 11.84611.871) Fl. 18649DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.650 16 Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 126 do Anexo A.12 verificase uma fatura comercial invoice, de mesma numeração, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 63.554,00 (sessenta e três mil e quinhentos e cinqüenta e quatro dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Ainda, no tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. •CPP 258 A – DI nº 11/17467629, registrada em 15/09/2011. (às fls. 12.08212.094) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 98 do Anexo A.13 verificase uma fatura comercial invoice, de mesmo número, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 39.081,60 (trinta e nove mil e oitenta e um dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização. •CPP 258B – DI nº 11/17473076, registrada em 15/09/2011. (às fls.12.09512.114) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 121 do Anexo A.13 verificase uma fatura comercial invoice, de mesmo número, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos Fl. 18650DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.651 17 quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 39.074,28 (trinta e nove mil e setenta e quatro dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização. (...)•CPP 316 – DI nº 11/19902446, registrada em 20/10/2011. (às fls. 12.65112.670) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que analisando o processo desta importação verificamos a existência do documento denominado “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO”, pagina 189 do Anexo A.15, que evidencia que as mercadorias já tinham como destino o Shopping Matriz. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...) 5 Análise dos Documentos Entregues pela Empresa (às fls. 148199) 5.1 UTILIDAD 5.1.1 Contrato Social e suas Alterações Às fls. 148 152, a fiscalização tece alguns comentários acerca do Contrato de Constituição da empresa UTILIDAD (antiga TRACKER), datado de 28/10/2008, e de suas alterações contratuais (primeira, segunda e terceira), tais como: mudança de nome, entrada e saída de sócios, abertura e fechamento de filiais etc. Ressalta ainda que, por ocasião da quarta alteração contratual (em 18/07/2011), ocorreu a entrada como sócio de EDMAR MOTHÉ e da PRIME HOLDING, bem como um aumento significativo do Capital Social de R$ 60.000,00 para R$ 500.000,00, a ser integralizado em 31/08/2011 da seguinte forma: o sócio EDMAR aporta R$ 110.000,00 para ficar com 25% do Capital Social da empresa, os sócios Sr. ALTEMIR e ANDERSON aportam cada um R$ 78.750,00 para ficar Fl. 18651DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.652 18 com 18,75% cada um e a PRIME HOLDING fica responsável por 37,50%, com aporte de R$ 172.500,00. Que, na quinta alteração contratual da empresa UTILIDAD ocorreu a saída do sócio EDMAR MOTHÉ, pouco mais de dois meses após o seu ingresso com um aporte de R$ 110.000,00. Segundo esta alteração contratual, o Sr EDMAR cede sua participação da seguinte maneira: metade de suas cotas para a PRIME HOLDING, 25% de sua participação para o sócio ANDERSON e 25% de sua participação para o sócio ALTEMIR e assim a empresa UTILIDAD ficou com a seguinte distribuição do Capital Social: 25% para o Sr ALTEMIR, 25% para o Sr ANDERSON e 50% para a empresa PRIME HOLDING (cujos sócios, FILIPE, VINÍCIUS e DANIEL, possuem 1/3 das cotas cada). Aduz também que ao comparar as manobras acima se verifica que a composição final do quadro societário, na prática, é a mesma da distribuição anterior à entrada do Sr. EDMAR MOTHÉ, indicando que na verdade o Sr. MOTHÉ só entrou na sociedade para aportar o valor de R$ 110.000,00 de recursos na empresa UTILIDAD. Que, apesar de o Sr. EDMAR MOTHÉ entrar na empresa na quarta alteração contratual, aportar mais de cem mil reais e se retirar da empresa na quinta alteração, isso não havia sido informado à Receita Federal (até o início desta fiscalização), o que só foi providenciado ao longo desse procedimento. Que, no dia 17/04/2012 esta fiscalização percebeu que a empresa UTILIDAD atualizou seus dados cadastrais fazendo constar o Sr. EDMAR MOTHÉ como sócio administrador desde o dia 03/08/2011. Porém conforme já explicado, na quinta alteração contratual datada de 30/09/2011 o mesmo não mais figurava nos quadros societários da empresa. Informa ainda que a empresa UTILIDAD apresentou o Contrato Social da empresa PRIME HOLDING que funciona exatamente no mesmo endereço físico das empresas PRIME e UTILIDAD. 5.1.2 Comprovação da Origem e Integralização dos Recursos para o Capital Social Relata que na tentativa de comprovar a origem e a integralização dos recursos empregados para o último aumento do Capital Social da empresa UTILIDAD, no montante total de R$ 440.000,00, conforme quarta alteração do contrato social, a empresa apresentou cópia autenticada do comprovante de depósitos em dinheiro dos sócios da seguinte maneira: EDMAR MOTHÉ (R$ 110.000,00), ANDERSON RODRIGO (R$ 82.500,00), ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES (R$ 82.500,00) e PRIME HOLDING (R$ 165.000,00), todos datados de 31/08/2011. Que, ao analisar as alterações contratuais encontrou divergências entre os valores depositados na empresa UTILIDAD pelos sócios e a composição percentual do seu quadro societário. Que, o Contrato Social expressa que a participação do Sr EDMAR MOTHÉ subiu para R$ 125.000,00, assim este sócio deveria aportar na empresa R$ 110.000,00 o que de fato o comprovante apresentado pela empresa demonstra. Já a participação da empresa PRIME HOLDING Fl. 18652DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.653 19 foi para R$ 187.500,00, assim este sócio deveria aportar R$ 172.500,00. Os outros dois sócios segundo o Contrato Social deveriam aportar cada um R$ 78.750,00, mas segundo os extratos apresentados aportaram R$ 82.500,00. Ainda sobre os comprovantes de depósitos apresentados pela empresa UTILIDAD assevera que tais documentos apenas demonstram depósitos bancários, em espécie, dos sócios para a empresa. Sendo que, sem nenhum outro documento adicional só comprovam a efetiva integralização na data expressa no Contrato Social, mas não comprovam a origem lícita dos recursos e nem se efetivamente vieram dos respectivos sócios neles apontados ou se foram aportados por terceiros ocultos em seus nomes, ou seja, não demonstram a efetiva transferência dos sócios. Que embora tenha constatado que o Capital Social da sócia PRIME HOLDING seja de R$ 150.000,00 na proporção de um terço para cada um dos sócios (Filipe, Vinícius e Daniel), por se tratarem de valores de integralização do Capital Social a empresa PRIME HOLDING só possuiria recursos para operar como empresa a partir do dia 30/09/2011. E tendo sido apresentado como documentação probante para a integralização dos recursos oriundos do sócio PRIME HOLDING um comprovante de depósito, em dinheiro, no valor de R$ 165.000,00, datado de 31/08/2011, inferiu a fiscalização que nessa ocasião a empresa PRIME HOLDING não tinha qualquer recurso e nem podia operar, uma vez que sua própria integralização de recursos só se daria quase um mês depois. Que assim, demonstra de maneira irrefutável que quem integralizou esses recursos na empresa UTILIDAD não foi este sócio (PRIME HOLDING), mas sim um terceiro oculto ao Fisco. Que, em tese, a empresa ainda comete crime de falsidade ideológica, uma vez que apresenta documentos que simulam a identidade de uma pessoa que não foi responsável pela operação. A empresa fiscalizada simula operações perante o Fisco utilizando documentos que tentam dar uma aparência de regularidade a operações fraudulentas. Quanto aos outros sócios, a fiscalização entendeu que não foi comprovada a origem lícita destes recursos uma vez que a mera declaração de imposto de renda, desacompanhada de qualquer outro documento que comprove as operações nela declaradas, não possui valor probante. Pois, a declaração de imposto de renda é feita pelo próprio contribuinte e assim não chancela que as operações ali descritas sejam verdadeiras. Sendo que, apenas a declaração com os documentos comprobatórios é que podem atestar a veracidade das operações declaradas. Averba ainda a fiscalização que em processo próprio proporá a baixa de ofício do CNPJ da empresa UTILIDAD, em conformidade com o art. 27, inc. II, alínea “a” da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, por inexistência de fato, caracterizada pela não comprovação do Capital Social Integralizado. 5.1.3 Livros Diário e Razão (Anos 2008, 2009, 2010 e 2011) Fl. 18653DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.654 20 a) Livros Diário e Razão 2008 Relata que a empresa UTILIDAD iniciou suas atividades em meados de outubro de 2008 e para este ano a empresa não operou no comércio exterior. Que, nesse ano a empresa contabiliza a integralização do Capital Social no montante de R$ 10.000,00 em 31 (trinta e um) de outubro. E que segundo o Livro Diário 2008, este lançamento se deu a débito na conta de movimentação do Banco do Brasil (ag. 33731 e C/C 12617 9). Que, no balanço patrimonial de 2008, mais precisamente do dia 31/12/2008, apresentado pela empresa, consta como ativo circulante um valor disponível total de R$ 10.000,00 nesta mesma conta do Banco do Brasil. Contudo, na página 2 do Anexo B.1 deste processo temse que o saldo inicial na conta citada do Banco do Brasil em 01/01/2009 é zero (à fl. 13.745). Que assim, comprovase que a empresa UTILIDAD não integralizou estes recursos na empresa e que este valor escriturado em sua contabilidade deverá ser glosado. E com estes recursos retirados da Conta Caixa da empresa UTILIDAD temse o que no jargão da contabilidade diz “estouro da conta caixa”. Que, em processo próprio a fiscalização proporá a baixa de ofício do CNPJ da empresa UTILIDAD, em conformidade com o art. 27, inciso II, alínea “a” da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, por inexistência de fato, caracterizada pela não comprovação do Capital Social Integralizado. b) Livros Diário e Razão 2009 Para o ano de 2009 a empresa importou por conta e ordem, através de 5 declarações de importação, cadeiras de escritório e impressoras. Conforme análise das notas fiscais de saída, entregues parcialmente pela empresa (faltaram as notas de 1 a 50), aparentemente, a empresa dá a saída destas mercadorias como se fosse uma revendedora atacadista, ou seja, faz venda para uma série de clientes e com agregação (gerando lucros) nesta saída, o que afastaria a alegação de ocultação. Porém, passando a analisar a contabilidade, através do Livro Razão fica constatada que a operação não se deu da maneira que as notas fiscais de saída emitidas pela empresa tentam demonstrar (ver Tabela 1, às fls.159160). Averba que a Tabela 1 acima citada foi retirada da contabilidade eletrônica da empresa, mais especificamente da conta sintética chamada “110200000000011 – ESTOQUE DE MERCADORIA”. Que esta conta se desdobra em quatro contas analíticas: “110201000100013 – Estoque Inicial”, “110201000200014 – Compra de Mercadorias a Prazo”, “110201000300215 – Compra de Mercadorias a Vista” e “110201000400015 – Estoque Final”. Assim, apesar de estar registrada uma série de “manobras contábeis”, a conta sintética de estoque de mercadoria da empresa tem o saldo inicial em 2009 de zero e saldo final de R$ 12.155,51, em 31/12/2009. Que, as importações da empresa, conforme o declarado nas DIs registradas em 2009 totalizam R$ 289.899,97, sendo este o valor que Fl. 18654DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.655 21 deveria ter sido registrado em sua contabilidade como valor que efetivamente entrou em seu estoque e que representa o valor CIF importado mais o imposto de importação. Os outros tributos incidentes não devem ser contabilizados no estoque uma vez que a empresa está enquadrada no “lucro real” e assim, estes tributos são recuperáveis quando da revenda da mercadoria. Que, da análise da sua contabilidade (conforme Tabela 1), verificase que a empresa contabilizou estas compras em seu estoque com um montante de R$ 549.978,58. Este valor inflou custo em 89,71% trazendo também sonegação no imposto de renda e na contribuição social sobre o lucro líquido. Que, demonstrará importação por importação a ocultação do real adquirente revelada por sua contabilidade (ver fls. 161171). DI nº 09/07559217 (para exemplificação, com grifos originais) Analisando a primeira importação, DI nº 09/07559217, verificase que ela foi desembaraçada em 17 (dezessete) de junho e deveria ter como valor na nota fiscal de entrada o montante de R$ 31.182,03 (trinta e um mil e cento e oitenta e dois reais), valor da importação “CIF” mais o imposto de importação já que o IPI, a PISimportação e COFINSimportação e ICMS não entram no custo de estoque uma vez que são tributos recuperáveis na revenda da empresa. Lembrando que para todo o período das importações, a empresa UTILIDAD está enquadrada no Lucro Real e assim a PIS e COFINS são não cumulativos. A contabilização desta importação se deu no dia 23 (vinte e três) de junho conforme se depreende da tabela acima. O desembaraço da segunda importação da empresa se deu no dia 19 (dezenove) de agosto, ou seja, posterior a contabilização da primeira importação demonstrando explicitamente que o valor escriturado na contabilidade de R$ 44.575,99 (quarenta e quatro mil e quinhentos e setenta e cinco reais) se refere unicamente a primeira importação da empresa. O valor escriturado representa um aumento de 43% do valor declarado na DI. Ainda na análise da contabilidade verificamos que antes do registro na contabilidade da sua segunda compra no exterior, a empresa vende a totalidade da mercadoria no dia 30 (trinta) de junho de uma vez só ao custo de mercadorias vendidas (CMV) de R$ 44.575,99 (quarenta e quatro mil e quinhentos e setenta e cinco reais). Este fato contradiz as notas fiscais de venda dos produtos (cadeiras de escritório) que tentam dar a aparência de vendas fracionadas para vários destinatários diferentes. Ainda no tópico “4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD”, esta fiscalização demonstra de maneira reiterada que os produtos cadeiras de escritórios e seus acessórios adquiridas no exterior são integralmente repassadas a empresas do grupo Shopping Matriz. As notas de venda, ainda não destacam o valor do IPI na revenda das mercadorias estrangeiras o que também traduzem a inidoneidade destas notas. Temos assim a situação onde a empresa emite uma série de Notas Fiscais de Saída inidôneas, uma vez que o Custo de Fl. 18655DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.656 22 Mercadorias Vendidas demonstra que a saída se deu em uma única oportunidade e não em várias como a empresa tenta demonstrar com a emissão destas notas fiscais de saída. Ainda e como exemplo, no dia 31 (trinta e um) de agosto de 2009 (dois mil e nove) existem quatorze lançamentos de recebimentos de vendas destas notas fiscais fracionadas na conta do Banco do Brasil, estes recebimentos, conforme extratos à página 28 do Anexo B.1, não ocorreram (ver fl. 13.751). Mais uma vez temos demonstrada que estas supostas vendas fracionadas nunca ocorreram. Outro fato a ser destacado é que ainda no dia primeiro de outubro a empresa “vende” mercadorias no montante total de R$ 400.023,80 (quatrocentos mil e vinte e três reais) incorrendo num montante a crédito da conta “Custo de Mercadorias Vendidas” de R$ 319.388,81 (trezentos e dezenove mil e trezentos e trinta e oito reais) o que traduz se em venda de mercadorias não constantes de seu estoque físico, ocorrendo assim o “estouro de estoque”. A contabilidade demonstra saldo credor em estoque por quase dois meses. O aumento fictício do valor de seus estoques faz com que as empresas enquadradas no Lucro Real diminuam o imposto de renda e as contribuições sobre o lucro de maneira artificial lesando o erário público. Este fato se confirma no lucro apurado ao final do exercício quando a empresa que realizou cinco importações no montante escriturado de R$ 549.978,58 (quinhentos e quarenta e nove mil e novecentos e setenta e oito reais) dando saída a 97% (noventa e sete por cento) de todo este estoque, com suposta agregação (lucro) na venda, teve no ano um prejuízo apurado de R$ 4.801,11 (quatro mil e oitocentos reais). A ocultação do real adquirente das mercadorias desta declaração de importação se demonstra pela única saída das mercadorias conforme demonstra sua contabilidade de estoque e com a ocultação do real adquirente pela emissão de notas fiscais de revenda inidôneas. Por exemplo: a Nota Fiscal de Saída nº 51 tenta demonstrar a venda 200 cadeiras pelo valor total de R$ 21.200,00 (vinte um mil e duzentos reais) no dia três de agosto. Esta nota não tem destaque de IPI na revenda, a qual a empresa UTILIDAD, por ser importador por conta e ordem, é equiparada a industrial. Ainda, esta nota não tem registro de venda em seu estoque conforme a tabela acima demonstra, não tendo, portanto, qualquer valor legal. Uma empresa que existe para ocultar o real adquirente de mercadorias adquiridas no exterior repassa estas mercadorias importadas para seu “cliente” sem ou com pouca agregação. A UTILIDAD simula operações regulares com a emissão de várias notas fiscais inidôneas para clientes diversos e com agregação. Este fato gera como reflexo uma grande apuração de lucro tributável pelo IR e CSLL. Como antídoto para esta grande receita simulada a empresa então contabiliza seus custos, inflandoos a fim de minimizar ou anular estas receitas com custos elevados, conforme demonstrado acima. (...)DIs nº 09/10861719 e 09/11716526 (para exemplificação, com grifos originais) Fl. 18656DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.657 23 Pelo mesmo motivo já explicado para primeira importação da empresa, a segunda e terceira importação, 09/10861719 e 09/11716526, foram desembaraçadas, respectivamente, em: 19 (dezenove) de agosto e 03 (três) de setembro. Analisando os valores declarados na DI a fiscalização verificou que as notas fiscais de entrada deveriam ter os montantes respectivos de R$ 30.517,74 (trinta mil e quinhentos e dezessete reais) e R$ 109.741,88 (cento e nove mil e setecentos e quarenta e um reais), valor da importação “CIF” mais o imposto de importação já que o IPI, a PIS importação e COFINSimportação e ICMS não entram no custo de estoque uma vez que são tributos recuperáveis na revenda da empresa. Lembrando que para todo o período das importações, a empresa UTILIDAD está enquadrada no Lucro Real e assim a PIS e COFINS são não cumulativos. A escrituração na contabilidade destas importações se deu, respectivamente, nos dia 27 (vinte e sete) de agosto e dia 11 (onze) de setembro conforme se depreende da tabela 1. O desembaraço da quarta importação da empresa se deu no dia 16 (dezesseis) de outubro, ou seja, posterior a contabilização da segunda e terceira importação demonstrando explicitamente que os valores escriturados na contabilidade, respectivamente, de R$ 45.392,60 (quarenta e cinco mil e trezentos e noventa e dois reais) e 140.502,18 (cento e quarenta mil e quinhentos e dois mil reais) se referem unicamente a segunda e terceira importação da empresa. O valor escriturado representa um aumento de 32% dos valores efetivamente declarados na DI. Ainda na análise da contabilidade verificamos que antes do registro na contabilidade da sua quarta compra no exterior, a empresa vende a totalidade da mercadoria no dia 30 (trinta) de setembro em uma única venda (tabela 1). Este fato contradiz as notas fiscais de venda dos produtos (cadeiras de escritório e impressora) que tenta dar a aparência de vendas fracionadas para vários destinatários diferentes. Temos assim a situação onde a empresa emite uma série de Notas Fiscais de Saída inidôneas, uma vez que o Custo de Mercadorias Vendidas demonstra que a saída se deu em uma única oportunidade e não em várias como as notas fiscais que a empresa apresenta tentam demonstrar. Ainda no tópico “4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD”, esta fiscalização demonstra de maneira reiterada que os produtos cadeiras de escritórios e seus acessórios adquiridas no exterior são integralmente repassadas a empresas do grupo Shopping Matriz. (...)Por tudo que já demonstramos da escrita contábil do ano de 2009, a empresa simula, insere elementos falsos e frauda a contabilidade, porém a fiscalização, com esforço, explicita que houve ocultação do real adquirente para as cinco importações efetuadas pela empresa no ano de 2009 (dois mil e nove).(grifos originais) (...)Passamos agora a análise da escrita referente à conta Caixa da empresa para o ano de 2009 (dois mil e nove). (ver fl. 167) (...)Analisando a conta caixa da empresa no já citado ano, a fiscalização encontrou no dia 03 (três) de dezembro o que no jargão da Fl. 18657DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.658 24 contabilidade é denominado de “estouro da conta caixa”, isto ocorre quando a empresa, em sua escrita contábil, fica com saldo credor. A conta caixa é uma conta de natureza eminentemente devedora, pois representa o valor em dinheiro “vivo” que se encontra na empresa. Assim, não há como a empresa ficar negativa em dinheiro “vivo”. Esta situação se perdura na contabilidade até o dia 31 (trinta e um) de dezembro quando a empresa escritura três recebimentos de duplicatas em dinheiro “vivo” no montante respectivo de R$ 38.150,00 (trinta e oito mil e cento e cinqüenta reais), R$ 79.650,00 (setenta e nove mil e seiscentos e cinqüenta reais) e R$ 43.000,00 (quarenta e três mil reais). (ver fls.5.0475.048) Ainda continuando a análise da conta caixa, a empresa ainda no dia 31 (trinta e um) de dezembro efetuou em sua contabilidade outros recebimentos de duplicatas para que a conta não ficasse novamente com saldo credor. Os valores foram de: R$ 3.735,00, R$ 4.870, 00, R$ 38.150,00, R$ 2.380,00, R$ 2.389,00, R$ 4.870,00, R$ 11.000,00, R$ 51.450,00, R$ 396,00, R$ 747,00, R$ 373,30 e R$ 32.700,00. (ver fl. 5.048) Ou seja, apenas no dia 31 (trinta e um de dezembro) a empresa diz ter recebido em dinheiro “vivo” o montante de R$ 313.860,3 (trezentos e treze mil e oitocentos e sessenta reais). Para o ano inteiro de 2009 (dois mil e nove) a empresa UTILIDAD registra em sua contabilidade um total de R$ 502.711,34 (quinhentos e dois mil e setecentos e onze reais) em recebimentos de duplicata em dinheiro “vivo”. O que representa quase 80% (oitenta por cento) de todo o recebimento de duplicatas no ano. (ver fl. 168) Passando a analisar a conta do ativo circulante da empresa denominada “Duplicatas a Receber”, a fiscalização constatou mais indícios de que os recebimentos de duplicatas em dinheiro (recebimentos contra caixa) são fictícios uma vez que do dia 02 (dois) de setembro até o dia 21 (vinte e um) de setembro o saldo em “CLIENTES –DUPLIC. A RECEBER” fica credor em até R$ 31.833,99 (trinta e um mil e oitocentos e trinta e três reais). Ficando credor nesta conta significa que a empresa recebeu mais recebimento de duplicata do que efetivamente tinha a receber de duplicata Outro fato de extrema relevância verificado na contabilidade da empresa em 2009 (dois mil e nove) é que a empresa UTILIDAD não possuía nenhum valor contabilizado no Ativo Imobilizado da empresa. Assim, estamos diante do caso de uma empresa que se diz atacadista de mercadorias importadas e que não possui nenhuma estrutura efetiva para operar no comércio. Este fato reforça os indícios que de fato a empresa UTILIDAD só existe para ocultar os reais financiadores e responsáveis pelas mercadorias por ela importadas. Assim, temos a situação onde a empresa emite notas fiscais de vendas inidôneas, com recebimento em dinheiro “vivo”, com a ocorrência de saldo credor na conta clientes além de escriturar recebimentos vultuosos (mais de trezentos mil reais) em espécie no último dia do ano. Por todo o exposto acima, os recebimentos em dinheiro “vivo” no montante de R$ 313.860,3 (trezentos e treze mil e oitocentos e sessenta reais) supostamente ocorridos no último dia de dois mil e nove serão Fl. 18658DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.659 25 glosados da contabilidade da empresa quando da análise da contabilidade do ano de dois mil e dez. Agora, analisando a Contabilidade da empresa de 2009 (dois mil e nove) em conjunto com os extratos bancários retidos na sede da filial da fiscalizada no Rio de Janeiro temos que no dia 08 (oito) de junho a empresa UTILIDAD contabiliza a entrada do montante de R$ 10.000,00 na sua conta caixa referente ao aumento de Capital Social ocorrido, conforme sua 1ª alteração do contrato social. Relembrando que nesta alteração há a entrada de dois novos sócios na empresa (Sr Anderson e Sr Altemir). Já nos dias 15 (quinze) e 17 (dezessete) de julho a empresa contabiliza dois depósitos no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) cada um saídos da conta caixa e entrando na conta Banco do Brasil (ag. 33731 e C/C 126179). Na página 9 do Anexo B.1 verificamos que os dois depósitos de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) são na verdade transferências dos novos sócios (Sr. Anderson e Sr Altemir). (ver fl. 13.732) Já nas páginas 13 e 15 do mesmo Anexo B.1 verificase que este mesmos valores são devolvidos aos sócios sob a descrição de “retiradas”, conforme legenda feita pelos responsáveis da empresa fiscalizada. Analisando essas “retiradas” novamente na sua contabilidade verificase que a empresa simula estas operações contabilizandoas como “Pagamento de Fornecedor”. (ver fls. 13.736 e 13.738) Temos assim que esta integralização do primeiro aumento de capital social também foi simulada pela empresa e deverá ser glosada de suas escritas contábeis, ocorrendo no período novo “estouro da conta caixa”. Conforme já explicado neste tópico, a integralização do capital social e seu primeiro aumento foram simulados pela empresa o que implica em afirmar que toda a operação da empresa até então foi financiada com recursos de terceiros o que implica na ocultação dos reais adquirentes visto que de acordo com o Artigo 27 da Lei 10.637/2002: “A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins da aplicação do disposto nos Artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001”. Na página 21 do Anexo B.1 verificase a entrada na Conta Banco do Brasil da fiscalizada um montante de R$ 21.314,92 (vinte e um mil e trezentos e quatorze reais) proveniente de transferência da PRIME COMERCIAL e contabilizada na UTILIDAD como “Empréstimo PRIME”. Conforme “legenda” no extrato, a empresa fiscalizada afirma que este recurso será utilizado para fechamento de câmbio relativo à importação do processo CPP 01109, o que efetivamente ocorre no mesmo dia (14/08) e valor. Este código de processo CPP se refere a DI nº 09/10861719, cadeiras de escritório, conforme planilha apresentada pela PRIME em resposta ao Termo de Intimação nº 009/2012. (ver fl. 13.744) Adicionalmente, no dia 16 (dezesseis) de junho deste ano a empresa UTILIDAD contabiliza a tomada de um empréstimo junto a PRIME no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), em espécie, registrada em sua conta caixa e também contabilizada na empresa PRIME como um Fl. 18659DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.660 26 empréstimo à UTILIDAD em dinheiro “vivo” contra a conta caixa. Este recurso também é utilizado pela fiscalizada para promover o pagamento das importações realizadas pela UTILIDAD, uma vez que se glosarmos este valor a empresa UTILIDAD não disporia de recursos suficientes para a realização das mesmas. Ao analisarmos os extratos bancários da empresa PRIME, também retidas na diligência realizada na sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro, verificase nas páginas 3, 12 e 13 do Anexo B.9 transferências da empresa Super Matriz (empresa do grupo Shopping Matriz) para a PRIME num montante de R$ 60.808,55 (sessenta mil oitocentos e oito reais), até o dia 16 (dezesseis) de junho. (ver fls. 16.148, 16.157 e 16.158) Este conjunto de fatos nos leva a convicção de que o modus operandi utilizado na importação se dá pela remessa de recursos do real adquirente para a empresa PRIME que por sua vez os repassa a título de empréstimo para a Utilidad. Este artifício visa a criação de um segundo nível de ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas importações realizadas em nome da UTILIDAD. Assim, por tudo acima descrito juntamente com os outros indícios levantados neste Termo para as cinco importações realizadas em 2009 (dois mil e nove), DI 09/16127081, 09/14210178, 09/11716526, 09/10861719 e 09/07559217, a empresa UTILIDAD incorreu na multa prevista no Artigo 33 da Lei 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Para a DI nº 09/11716526, esta fiscalização não conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela sua importação e assim a empresa UTILIDAD também incorre na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decreto Lei nº 1455/76. c) Livros Diário e Razão 2010 Relata que, para o ano de 2010 (dois mil e dez) a empresa importou por conta e ordem, 60 declarações de importação. Que, analisando a contabilidade da empresa UTILIDAD verifica que a empresa não escritura os meses de janeiro e fevereiro, integralmente, apesar de nestes dois meses a empresa realizar quatro importações. Além disso, o valor escriturado na conta caixa no final de 2009 não é igual àquele inicial de 2010 o que evidencia que ocorreram operações não escrituradas nestes dois meses. Por isso, a fiscalização não transporta os valores glosados do ano de 2009 (dois mil e nove) apurados no tópico anterior e passará a analisar sua contabilidade a partir de março, juntamente com os extratos bancários retidos na sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro, com os valores por ela escriturados. Adicionalmente, de acordo com as páginas 2 a 61 do Anexo B.2 a empresa UTILIDAD movimenta vultuosas quantias nas Fl. 18660DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.661 27 contas bancárias da empresa sem que haja nenhuma escrituração contábil destes valores. Sem a escrituração em sua contabilidade para os meses de janeiro e fevereiro a empresa não comprova a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações realizadas pela empresa para os meses subseqüentes. (ver fls.13.87313.932) Um exemplo relevante da não comprovação de recursos utilizados pela empresa dentro do período de janeiro e fevereiro está na página 41 do Anexo B.2 (ver fl. 13.912) que demonstra que a empresa UTILIDAD recebeu na conta Banco do Brasil uma transferência no valor de R$ 225.033,14, no dia 04 de fevereiro, que a empresa “legendou” como “NF 09 Casa e Vídeo”. Já na página 40 (ver fl. 13.911) do mesmo Anexo o extrato bancário da mesma conta do Banco do Brasil evidencia pagamentos nos valores de R$ 200.000,00 (em 05/02/2010) e R$ 20.000,00 (em 08/02/2010) legendados como “despesas com importação CPP 050 + 048 + 056”. Tais códigos de processo interno evidenciam importações da empresa PRIME COMERCIAL tendo como reais adquirentes registradas em DIs a própria PRIME e a empresa Nogueira & Rabelo LTDA. Assim, segundo extratos bancários retidos pela fiscalização na sede da filial UTILIDAD, temse uma operação de transferência bancária de recursos da empresa CASA e VÍDEO usados para pagamentos de despesas relativas a importação realizada pela empresa PRIME sem qualquer relação com a empresa UTILIDAD. Este modus operandi de recebimentos via transferência bancária como entradas recebidas de supostos clientes para financiar operações no comércio exterior subsequentes se verifica repetidas vezes ao se analisar os extratos bancários deste período apreendidos. Fica claro, portanto, que a não escrituração contábil destes meses visa unicamente a ocultação de recursos aportados na empresa fiscalizada por terceiros reais responsáveis pelas importações por ora registradas pela UTILIDAD e implica na impossibilidade de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior para os períodos subsequentes. Que, ainda, analisando a contabilidade da empresa em 2010 em conjunto com os extratos bancário retidos, a fiscalização aduz ter encontrado diversos lançamentos escriturados como entrada de recursos na conta Caixa (débito na conta Caixa) tendo como contra partida retiradas das contas bancos (crédito nas contas bancos). Porém ao cotejar tais lançamentos com os extratos bancários da empresa verificouse que estes supostos “saques” ou não existiram ou na verdade foram transferências bancárias, não configurando assim a entrada de recursos em espécie na Conta Caixa. A fiscalização assim glosou tais valores da Conta Caixa e assim a empresa novamente incorreu naquilo que o jargão da contabilidade diz ser “estouro da Conta Caixa”. Que, a “Tabela 2” (às fls. 174175) exemplifica tais lançamentos para valores acima de R$ 15.000,00, o que evidencia que estes recursos (mais de um milhão e trezentos mil reais) nunca realmente estiveram disponíveis no caixa da empresa para compras à vista. Esta ficção contábil visa ocultar os verdadeiros responsáveis pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD. Fl. 18661DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.662 28 Isto fica ainda mais claro quando se analisa a “Tabela 3” (às fls. 177 180) que demonstra que diversas operações de comércio exterior foram escrituradas como compras em dinheiro “vivo”, uma vez que, segundo a contabilidade, estes recursos saem da conta Caixa (crédito) diretamente para quitação de tais operações. Assim, para as operações de 2010 (dois mil e dez) fica demonstrado que a empresa UTILIDAD utilizouse de fraude e simulação, com uso de sua estrutura documental, bancária, contábil e fiscal, a fim de ocultar os reais responsáveis pelas operações de comércio exterior. Que, por tudo acima, juntamente com os outros indícios levantados neste Termo, temse que para as importações realizadas em 2010, a empresa UTILIDAD incorreu na multa prevista no Artigo 33 da Lei 11.488/07. 1022813791, 1022506724, 1022472528, 1022030029, 1022004931, 1022002823, 1021804551, 1021019080, 1020951453, 1020773105, 1020491185, 1020369860, 1020250331, 1019898900, 1019655838, 1019639328, 1019569796, 1019520118, 1019219531, 1019194199, 1018840275, 1018836693, 1018836685, 1018513843, 1018237943, 1017900339, 1017833062, 1017690997, 1017658562, 1017058492, 1016905493, 1016459116, 1016113309, 1015490494, 1014885878, 1014581739, 1014493775, 1013941588, 1013625619, 1013354496, 1013346442, 1013113782, 1012928740, 1012648704, 1011986126, 1011594171, 1010772130, 1010463170, 1010160925, 1009873220, 1007876796, 1006534158, 1005228118, 1004966042, 1004446537, 1003904760, 1003112155, 1003055364, 1003008595 e 1002984345. E, para aquelas DIs em que a fiscalização não conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela sua importação, a empresa UTILIDAD também incorre na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decreto Lei nº 1455/76 (ver fl. 181). 1022506724, 1022030029, 1022004931, 1022002823, 1021804551, 1021019080, 1020773105, 1020369860, 1019639328, 1019569796, 1019520118, 1018840275, 1018237943, 1017900339, 1017658562, 1017058492, 1016459116, 1015490494, 1013941588, 1012928740, 1012648704, 1010772130, 1010463170, 1010160925, 1007876796, 1006534158, 1004446537 e 1003112155. d) Livros Diário e Razão 2011 e 2012 Relata que, para os anos de 2011, até setembro, e até fevereiro de 2012, a empresa importou por conta e ordem, 134 declarações de importação. Em 2011 (dois mil e onze) o saldo inicial escriturado no Livro Razão da conta Caixa carregado do último dia de 2010 foi de R$ 25.918,38. Porém conforme analisado no item anterior a empresa possui registrado a débito em sua contabilidade na mesma conta caixa, entradas de recursos fictícios no montante superior a R$ 1.300.000,00 e que por isso devem ser glosados para a análise desta conta nos anos de 2011 e até fevereiro de 2012 (dois mil e doze). Fl. 18662DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.663 29 Informa que, não possui os livros contábeis e fiscais para o ano de 2012, mas a análise já feita para os anos anteriores levará a conclusão de que a empresa cometeu ilícitos tipificados a seguir. Que, igualmente, analisando a contabilidade da empresa em 2011 em conjunto com os extratos bancário retidos, a fiscalização encontrou diversos lançamentos escriturados como entrada de recursos na conta Caixa (débito na conta Caixa) tendo como contra partida retiradas das contas bancos (crédito nas contas bancos). Porém ao cotejar tais lançamentos com os extratos bancários da empresa verificouse que estes supostos “saques” ou não existiram ou na verdade foram transferências bancárias, não configurando assim a entrada de recursos em espécie na conta Caixa. A fiscalização assim glosou tais valores da conta Caixa e assim a empresa novamente incorreu naquilo que o jargão da contabilidade diz ser “estouro da Conta Caixa”. Aponta a “Tabela 4” (às fls. 183184) para exemplificar tais lançamentos para valores acima de R$ 15.000,00, demonstrando que estes recursos (quase dois milhões de reais) nunca realmente estiveram disponíveis no caixa da empresa para compras à vista. Esta ficção contábil visa ocultar os verdadeiros responsáveis pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD. Que, isto fica ainda mais claro quando se analisa a “Tabela 5” (às fls. 186189) que demonstra que diversas operações de comércio exterior foram escrituradas como compras em dinheiro “vivo”, uma vez que, segundo a contabilidade, estes recursos saem da conta Caixa (crédito) diretamente para quitação de tais operações. Ressalta ainda que em análise dos extratos bancários da PRIME e da UTILIDAD foram encontrados inúmeros lançamentos evidenciando a entrada de recursos de “clientes” nas contas bancárias da empresa UTILIDAD através de descontos de duplicatas, depósitos, pagamento de títulos, transferência etc que são imediatamente e integralmente repassados para PRIME para pagamentos de despesas com importação. Ou seja, esses “clientes” são os reais financiadores das operações realizadas por conta e ordem da UTILIDAD. A seguir a fiscalização listará alguns exemplos dessas operações: a) Página 166 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 277.247,80 proveniente de sete transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa PRIME COMERCIAL; (ver fl. 14.670) b) Página 172 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 52.506,92 proveniente de seis transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa PRIME COMERCIAL que registra estes créditos no CPP 134/10 (DI 11/06668091) conforme página 8 do Anexo B.12 no dia 11/03/2011. (ver fls. 14.676 e 17.088) Esta DI foi registrada no dia 12/04/2011, ou seja, um mês após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. c) Páginas 183 e 184 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 235.450,54 e 109.000,00 proveniente de 27 transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa Fl. 18663DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.664 30 PRIME COMERCIAL que registra estes créditos no CPP 276/10 (DI 11/12365810, 11/12616235, 11/15254270, 11/1523621 2, 11/13600928 e 11/15383568) conforme página 19 do Anexo B.12 no dia 25/03/2011. Estas DIs foram registrada em data posterior, ou seja, um mês após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. (ver fls. 14.687, 14.688 e 17.099) (...)m) Página 29 do Anexo B.5 – Entrada de recursos no montante de R$ 226.334,44 proveniente de diversas transferências do grupo Mundo dos Filtros, somadas a uma transferência eletrônica no mesmo dia do Sr Edmar Mothé, dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros e sócio da empresa fiscalizada e saída no dia seguinte e no mesmo valor para a empresa PRIME COMERCIAL; (ver fl. 14.928) (...)Para reforçar a participação do Sr. EDMAR MOTHÉ, exsócio da empresa fiscalizada e dono de diversas empresas do grupo Mundo dos Filtros, neste esquema fraudulento capitaneado pela dupla PRIME COMERCIAL e UTILIDAD, através de seus sócios, a fiscalização passa a listar, na “Tabela 6” (às fl. 195196), transferências bancárias da empresa UTILIDAD diretamente para a conta pessoal do Sr. EDMAR MOTHÉ provenientes de vendas realizadas com o uso de documentos fiscais emitidos pela empresa UTILIDAD. Assim, por tudo acima descrito, juntamente com os outros indícios levantados neste Termo, temse que para as importações realizadas em 2011 e até fevereiro de 2012 (à fl. 198), a empresa UTILIDAD incorreu na multa prevista no Artigo 33 da Lei 11.488/07. 1202891006, 1202096281, 1202089447, 1202082620, 1202081373, 1201823066, 1201740993, 1201229261, 1201084956, 1201028533, 1200839910, 1200409630, 1200401974, 1200386738, 1200181265, 1200095008, 1200037288, 1124436377, 1124179242, 1124130871, 1124124766, 1123909450, 1123902820, 1123554589, 1123475581, 1123103099, 1122348098, 1122022745, 1121923161, 1121923064, 1121630415, 1120300942, 1119999105, 1119902446, 1119892742, 1119689092, 1119680036, 1119493856, 1119433667, 1119367869, 1119351652, 1119087289, 1118968397, 1118078367, 1118062185, 1117579320, 1117473076, 1117467629, 1117330038, 1117094598, 1117079963, 1116636710, 1116618984, 1116581690, 1116578176, 1116376816, 1116367248, 1116364737, 1115925573, 1115645082, 1115600232, 1115577176, 1115567910, 1115449062, 1115383568, 1115267746, 1115254270, 1115250592, 1115236212, 1115109199, 1115102585, 1114869696, 1114826091, 1114015069, 1113600928, 1113285674, 1112808266, 1112645707, 1112635540, 1112616235, 1112365810, 1111893553, 1111672182, 1111463141, 1111457397, 1111406172, 1111033392, 1111020592, 1111004163, 1110338190, 1110261030, 1109926644, 1109884127, 1109646056, 1109597420, 1109594269, 1109545349, 1109514958, 1109022320, 1108812505, 1108725351, 1108723766, 1107760625, 1107749621, 1107720437, 1107694886, 1107672718, 1107628476, 1107623083, 1106668091, 1106437677, 1106250127, 1105993622, 1105591400, 1105573755, 1105388079, 1104887071, 1104860114, 1104447241, 1104000972, 1103886608, 1103450303, 1103440308, 1102447813, 1102175295, 1101736331, 1101673720, 1101652235, 1101427762, 1101240000, 1101236550, 1100822560, 1100815203 e 1100786971. Fl. 18664DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.665 31 Para as DIs que esta fiscalização não conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela sua importação, a empresa UTILIDAD também incorre na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decreto Lei nº 1455/76 (à fl. 199). 1202089447, 1202082620, 1202081373, 1201823066, 1201084956, 1200401974, 1200386738, 1200181265, 1124179242, 1124130871, 1124124766, 1123909450, 1123902820, 1123554589, 1123475581, 1123103099, 1121923064, 1121630415, 1120300942, 1119689092, 1119680036, 1119367869, 1119351652, 1118078367, 1117473076, 1117467629, 1116636710, 1116618984, 1116581690, 1116376816, 1116364737, 1115645082, 1115600232, 1115577176, 1115567910, 1115102585, 1114869696, 1114826091, 1113285674, 1112808266, 1112635540, 1111893553, 1111672182, 1111457397, 1111406172, 1111020592, 1111004163, 1110261030, 1109884127, 1109646056, 1109597420, 1109594269, 1109545349, 1109022320, 1108725351, 1108723766, 1107749621, 1107720437, 1107628476, 1106437677, 1106250127, 1105993622, 1105591400, 1105388079, 1104860114, 1104447241, 1104000972, 1102175295, 1101240000, 1101236550 e 1100822560. 5.2 – PRIME Relata que todos os documentos apresentados pela empresa PRIME em resposta ao Termo de Intimação 111/2011 e retidos pela fiscalização, tais como livros contábeis e fiscais, extratos bancários e notas fiscais, foram analisados em conjunto com a documentação apresentada pela fiscalizada conforme visto ao longo deste Termo de Verificação Fiscal. 6 Análise dos Reais Adquirentes Aqui, a fiscalização novamente assevera que a empresa UTILIDAD só existe para o objetivo de ocultar os verdadeiros responsáveis pelas importações por ela realizadas. E que isto foi comprovado de maneira detalhada quando da análise da capacidade econômica da empresa, junto da análise da escrituração dos Livros Contábeis, dos extratos bancários e até quando da análise da integralização do Capital Social e dos seus aumentos. Que ficou demonstrado que a empresa apresenta documentos simulados, com aparência de legalidade, com o único intuito de ocultar os verdadeiros financiadores e responsáveis pelas operações de importação. E que, a partir deste momento explicitará quem são os reais adquirentes ocultos nas declarações e documentos instrutivos do despacho aduaneiro de importação. 6.1. – Mundo dos Filtros (às fls. 200240) Relata que o Mundo dos Filtros não é uma empresa, mas sim uma marca. Salvo exceções, cada uma de suas lojas tem um CNPJ diferente, com quadros societários diferentes. Entretanto, todas as lojas são ligadas de uma forma ou de outra. Em praticamente todos os quadros societários há presença de alguém da família “MOTHÉ”. Repisa que o Sr. EDMAR MOTHÉ entrou formalmente na empresa fiscalizada na quarta alteração contratual da empresa UTILIDAD, quando nesta oportunidade aportou mais de cem mil reais e se retirou da empresa na Fl. 18665DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.666 32 quinta alteração sem nada ter informado à Receita Federal. Até a presente fiscalização este financiador da empresa ficou oculto. O Mundo dos Filtros é uma marca onde o Sr. EDMAR e também alguns de seus familiares figuram como donos de lojas. Que, conforme se demonstrará a seguir (como exemplificação e com grifos originais), a UTILIDAD adquire, por conta e ordem, diversos eletrodomésticos, repassando as mercadorias das DIs para empresas do grupo Mundo dos Filtros, normalmente no mesmo dia ou poucos dias após, e com baixa agregação. E ainda, os preços de venda para cada um dos adquirentes sob a bandeira do mundo dos filtros são os mesmos. 2 DI 11/07623083 – Registrada em 27/04/2011, desembaraçada em 28/04/2011 e importada pela PRIME por conta e ordem da UTILIDAD: (...)Relação de Adquirentes:(...) Comentário da Fiscalização: Todos os adquirentes acima das mercadorias revendidas pela UTILIDAD pertencem à marca Mundo dos Filtros e são todas as empresas da tabela listada neste tópico. Estas empresas adquiriram a totalidade da Declaração de importação com exatamente o mesmo valor unitário por modelos. Conforme demonstração acima, a agregação entre a nota fiscal de saída e o dispêndio na importação ou era muito baixa (variando entre 3% a pouco menos de 10%) ou era negativa (chegando a ser negativa em 14%) sem contar os gastos com tributos internos, e são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água, etc) e ainda gerar lucro. Esta situação e os outros elementos já relatados neste Termo formam a convicção de que a relação entre os reais adquirentes (empresas Mundo dos Filtros) e a empresa UTILIDAD não é comercial, e sim uma relação que visa a ocultar os verdadeiros responsáveis pela importação destes produtos e que ficaram ocultos em todas as declarações e documentos apresentados a RFB. Para esta Declaração de Importação, as mercadorias importadas foram desembaraçadas no dia 28 (vinte e oito) de abril de 2011 (dois mil e onze) e remetidas um dia depois, conforme nota fiscal de saída nº 1273, na totalidade para o armazém da empresa TRACKER LOG LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA, que pertence aos sócios da empresa fiscalizada. Finalmente a totalidade das mercadorias declaradas na DI foram repassadas às empresas pertencentes ao Mundo dos Filtro na integralidade no mesmo dia (29/04/2011), o que demonstra mais uma vez que estas mercadorias são previamente adquiridas no exterior por conta e ordem das empresas pertencentes ao Mundo dos Filtros e que ficaram ocultas nesta Declaração de Importação. A ocultação do real adquirente visa “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis) não são alcançadas em virtude da ocultação. Fl. 18666DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.667 33 (...) 6.2. – LS Importação (às fls. 240246) Assevera que a empresa LS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS LTDA. EPP é uma empresa que iniciou suas atividades em 12/07/2008 e teve sua habilitação para operar no comércio exterior em 20/07/2008. Que sua atuação no comércio exterior se restringe a adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros. Que existem várias importações realizadas pela PRIME que tem como adquirente declarada a empresa LS IMPORTAÇÃO, mas para as declarações abaixo a empresa utilizou a UTILIDAD como real adquirente e ela, LS IMPORTAÇÃO, permaneceu oculta. Segue a análise por DI (como exemplificação com grifos originais): 01 DI 10/19219531: Registrada em 29/10/2010 desembaraçada em 03/11/2010.(...) Comentários da Fiscalização: Todas as mercadorias declaradas nesta Declaração de Importação foram integralmente repassadas por meio da nota fiscal de saída 352. Ressaltamos que a nota fiscal de saída foi emitida no dia 29 (vinte e nove) de outubro de 2010 (dois mil e dez), ou seja, no mesmo dia do registro da DI e quatro dias antes do desembaraço das mercadorias. Conforme demonstrado acima, a agregação entre a nota fiscal de saída e o dispêndio na importação variou entre 3,3% (três por cento e três décimos de por cento) a 12,7 %(doze por cento e sete décimos de por cento) sem contar os gastos com tributos internos, e são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água, etc) e ainda gerar lucro. Já explicamos que a empresa LS Importadora, nas suas importações, opera, segundo os registros da RFB, sempre como real adquirente das mercadorias importadas pela empresa PRIME COMERCIAL, mas nesta importação a empresa ficou totalmente oculta. Pela baixa agregação entre a nota fiscal de venda e o dispêndio na importação, aliado à emissão da nota fiscal de saída anterior ao próprio desembaraço da mercadoria e pelo destino total das mercadorias para a empresa LS fica evidente que estas mercadorias sempre foram de propriedade da empresa e não da UTILIDAD como a declaração do importador tentou evidenciar. A ocultação do real adquirente visa “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis) não são alcançadas em virtude da ocultação. (...)6.3. – Shopping Matriz (às fls. 246252) Aduz que em 2010 a UTILIDAD realizou diversas importações de cadeira de escritório, repassando a integralidade das importações para o Shopping Matriz Comercial Ltda. E que irá demonstrar que até setembro de 2010 as importações eram integralmente repassadas a esta empresa e com baixa agregação ou com agregação negativa. A partir de setembro então a empresa fiscalizada parou de emitir nota Fl. 18667DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.668 34 fiscal de saída para o Shopping Matriz, mas também não emitiu nota fiscal para mais ninguém em 2011. A partir de 2012 a UTILIDAD começa a importar cadeiras e repassálas para empresa SUPER MATRIZ AÇOS LTDA. Esta empresa SUPER MATRIZ também pertence aos mesmos sócios da empresa Shopping Matriz Comercial Ltda. e será incluída, para melhor entendimento deste relatório, neste tópico. Segue DI por exemplificação (grifos originais): (...) 04 DI 10/13113782: Registrada em 02/08/2010 desembaraçada em 03/08/2010. 4.1 Adições 001 e 002: Cadeiras de escritório. As mercadorias são “vendidas” para o Shopping Matriz através das notas fiscais de saída nº 207, 208 e 209, todas emitidas em 30/07/2010, ou seja, são vendidas três dias antes do registro da DI o que demonstra de maneira direta que as mercadorias já tinham o destino para o Shopping Matriz antes mesmo da importação se efetivar! 4.2 – Adição 003: Partes e peças para as mesmas mercadorias da DI, repassadas integralmente ao Shopping Matriz. (...)As Declarações de Importação a seguir são remetidas para a TRACKER e em seguida são feitas notas de “venda” para a empresa SUPER MATRIZ AÇOS LTDA, que pertence aos sócios da empresa Shopping Matriz. 07 – DI 12/00095008: Registrada em 03/01/2012 desembaraçada em 31/01/2012. 7.1 Adições 001: Dos 108 (cento e oito) compressores, 78 (setenta e oito) são “vendidos” para o Shopping Matriz com uma agregação de 3,2% (três por cento e dois décimos) quando comparamos o dispêndio destes setenta e oito compressores com a nota fiscal de “venda”. Não há emissão de outra nota de saída do restante da mercadoria. Como já informamos esta agregação demonstra que não há relação compra e venda, mas sim um conluio para fraudar o fisco no que tange os tributos de maneira a ocultar o real adquirente do fisco e dos demais órgão que atuam e regulam o comércio exterior. 7.2 – Adição 002: Os 268 (duzentos e sessenta e oito) “freezers” são “vendidas”, integralmente, para o Shopping Matriz através das notas fiscais de saída nº 3.493 e 3.514 emitidas em 17/02/2012 e 24/02/2012. 6.4 Eco Brazil (às fls. 252253) Averba que, em dezembro de 2010, a UTILIDAD realizou uma importação, através da Declaração de Importação nº 10/22472528, declarando ser ela a real adquirente. E que nesta oportunidade a empresa importou vinte e uma toneladas de fibra de poliéster sendo esta a única vez que a empresa importou este tipo de produto, que é totalmente diferente do tipo de produto que a Fl. 18668DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.669 35 UTILIDAD costumava importar, tais como: eletrodomésticos, impressoras, material de escritório etc. Contudo, ao analisar a nota fiscal de saída deste produto, verificouse que a empresa “vendeu” a totalidade deste produto para a empresa ECO BRAZIL INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA – EPP. A empresa ECO BRAZIL trabalha com a fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico, conforme consulta aos sistemas informatizados da RFB. A “venda” total se deu através de uma única nota fiscal (nº 698) emitida em 27/12/2012. Além deste fato, verificouse que a agregação entre a nota fiscal de “venda” e os custos de importação foram de 10,2%, sem contar os gastos com tributos internos, e que são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água etc) e ainda gerar lucro. E infere que estes fatos juntamente com os já apresentados neste relatório só reforçam que a empresa UTILIDAD não é a real adquirente dos produtos por ela importados como ela informa nas declarações de importação. Ou seja, a empresa UTILIDAD é apenas uma empresa criada para se interpor entre o Fisco e os verdadeiros responsáveis e financiadores das importações por ela processada. 7 Das penalidades 7.1 Subfaturamento (às fls. 253254) Assevera que no tópico “4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD” deste Termo demonstrou que para as Declarações de Importação referentes a códigos de processos internos – CPPs de nºs: 313 (às fls. 12.586 12.606), 312 (às fls. 12.566 12.585), 236 (às fls. 11.84611.871), 258A (às fls. 12.08212.094) e 258B (às fls. 12.095 12.114), criados pela empresa PRIME, a empresa UTILIDAD subfaturou suas importações. E que isto ficou comprovado uma vez que a fiscalização reteve faturas comerciais e/ou faturas proforma com valores substancialmente superiores aos declarados na DI. E, para essas importações a fiscalização cobrará a diferença de tributos recolhidos a menor e ainda a multa prevista no Artigo 725, inc. II, do Decreto 6.759/2009, transcrita a seguir: Art. 725. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos impostos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei no 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e § 1o, com a redação dada pela Lei no 11.488, de 2007, art. 14):(...) II de cento e cinqüenta por cento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964. Apresenta ainda um demonstrativo, à fl. 254, de como se chegou ao novo valor aduaneiro destas DIs subfaturadas: 11/15267746 (adição 001 e 002), 11/17330038 (adição 001 e 002), 11/17094598 (adição 001), 11/17467629 (adição 001) e 11/17473076 (adição 001), com base nas faturas retidas, para cobrança da diferença dos tributos, multas e acréscimos legais. Fl. 18669DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.670 36 7.2 – Multa por Cessão de Nome (às fls. 254256) Que, por todo o exposto, resta comprovado que a empresa UTILIDAD ocultou dolosamente os reais adquirentes das mercadorias por ela importadas com a utilização da sua estrutura documental, contábil e bancária. E que a empresa UTILIDAD agiu diretamente como instrumento da irregularidade na ocultação dos reais responsáveis pelas operações. Que essa prática de cessão de nome a terceiros tem penalidade pecuniária prevista por Lei, incidente diretamente sobre aquele que agiu como instrumento da irregularidade, ou seja, o importador ostensivo. Esse dispositivo legal está registrado no Artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Às fls. 255256, consta uma lista das Declarações de Importação DIs alcançadas pela multa prevista neste tópico e que representam a totalidade das importações registradas pela UTILIDAD como real adquirente ostensiva nessas mesmas declarações. Informa ainda que para as Declarações de Importação listadas no tópico “7.1 –SUBFATURAMENTO”, a multa prevista no Artigo 33 da Lei nº 11.488/07 será aplicada sobre o novo valor CIF. 7.3 – Multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias (às fls. 257260) Relata que, para as Declarações de Importação DIs em que não se conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela importação, a empresa UTILIDAD também incorrerá na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decretolei nº 1.455/1976 e que serão objeto do presente Processo Administrativo Fiscal nº 10111.720547/201213. 0911716526, 1003112155, 1004446537, 1006534158, 1007876796, 1010160925, 1010463170, 1010772130, 1012648704, 1012928740, 1013941588, 1015490494, 1016459116, 1017058492, 1017658562, 1017900339, 1018237943, 1018840275, 1019520118, 1019569796, 1019639328, 1020369860, 1020773105, 1021019080, 1021804551, 1022002823, 1022004931, 1022030029, 1022506724, 1100822560, 1101236550, 1101240000, 1102175295, 1104000972, 1104447241, 1104860114, 1105388079, 1105591400, 1105993622, 1106250127, 1106437677, 1107628476, 1107720437, 1107749621, 1108723766, 1108725351, 1109022320, 1109545349, 1109594269, 1109597420, 1109646056, 1109884127, 1110261030, 1111004163, 1111020592, 1111406172, 1111457397, 1111672182, 1111893553, 1112635540, 1112808266, 1113285674, 1114826091, 1114869696, 1115102585, 1115567910, 1115577176, 1115600232, 1115645082, 1116364737, 1116376816, 1116581690, 1116618984, 1116636710, 1117467629, Fl. 18670DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.671 37 1117473076, 1118078367, 1119351652, 1119367869, 1119680036, 1119689092, 1120300942, 1121630415, 1121923064, 1123103099, 1123475581, 1123554589, 1123902820, 1123909450, 1124124766, 1124130871, 1124179242, 1200181265, 1200386738, 1200401974, 1201084956, 1201823066, 1202081373, 1202082620 e 1202089447. Informa ainda que para as Declarações de Importação (11/17467629 e 11/17473076) listadas no tópico “7.1 –SUBFATURAMENTO”, a fiscalização aplicará a multa prevista no Artigo 23, §3º, do DecretoLei nº 1455/76 sobre o novo valor CIF. Por fim, aduz que para as importações em que a empresa ocultou os reais adquirentes das mercadorias importadas, ditas como de sua própria importação, quando na verdade elas pertenciam a empresas como LS Importadora, grupo de empresas Mundo dos Filtros e empresas do grupo Shopping Matriz etc, a empresa UTILIDAD figurará no polo passivo desta infração, como solidária, quando da aplicação da pena de perdimento das mercadorias nos verdadeiros responsáveis pelas importações e que serão lavradas em processo administrativo fiscal próprio (ver listagem, à fl. 259). 7.4 – Solidariedade na aplicação da penalidade (às fls. 260261) Averba que as empresas UTILIDAD e seus sócios e exsócios, PRIME e seus sócios, devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos dos Artigos 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), da Lei nº 5.172/66. 8 Apuração do Crédito Tributário Devido (à fl. 261) Informa que de acordo com as penalidades e considerações descritas no item anterior, as importações realizadas pela empresa UTILIDAD, nos períodos abrangidos por esta fiscalização (anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012), terão seus créditos tributários apurados e detalhados neste Auto de Infração. 9Representação Fiscal para Fins Penais (às fls. 261262) Aduz que os sócios das empresas PRIME e UTILIDAD, inclusive o Sr. EDMAR MOTHÉ, agiram com excesso de poderes e, portanto, em tese, cometeram crimes capitulados no Artigo 1º, I e II, e Artigo 2º, I, todos da Lei 8.137/1990, motivos pelos quais serão objetos de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. 10 Conclusão da Fiscalização (às fls. 262263) Infere que, por tudo que foi acima descrito, fica evidenciada a abrangência tomada por esta fiscalização na busca da verdade material dos fatos. Que, a empresa UTILIDAD em todas as suas importações registrou no Siscomex que o real adquirente das mercadorias seria ela própria. Porém, o que se demonstrou foi que a empresa UTILIDAD adquire as mercadorias importadas com o único intuito de repassálas a terceiros ocultos simulando operações que de fato não ocorreram. 11 Sujeição Passiva (às fls. 263265) Fl. 18671DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.672 38 11.1 A empresa denominada UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA, inscrita no cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) sob o nº 10.449.088/000187, endereço registrado na base de dados da RFB SHC/AOS EA 02/08, LOTE 05, TORRE A, SALA 229, OCTOGONAL, BRASÍLIA/DF CEP: 70660090. Respondem conjuntamente pelas infrações cometidas os sócios e ex sócios da empresa, em conformidade com inciso I do Art. 95 do DecretoLei nº 37/66, combinado com os Art. 134 e 135 do Código Tributário Nacional (Lei Complementar nº 5.172/66):(...) 11.2 ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES, CPF Nº 016.851.54905, sócio administrador e residente à CND QI 23 LOTE 13 AP 605 – RESIDENCIAL MONALIZA – BAIRRO GUARA II – BRASÍLIA/DF – CEP 71060230. 11.3 ANDERSON RODRIGO MARQUES, CPF Nº 022.283.77996, sócioadministrador e residente à RUA LOBO DA COSTA APTO 404 291 – BAIRRO AZENHA – PORTO ALEGRE/RS – CEP 90050110. 11.4 PRIME HOLDING E PARTICIPAÇÕES EMPRESARIAIS LTDA, CNPJ Nº 13.961.150/000103, sócio administrador, situado à SHC/AOS EA LOTE 05 TORRE A SN SALA 230 PARTE A – BAIRRO OCTOGONAL – BRASÍLIA/DF – CEP 70632240. Empresa cujos sócios são: VINICIUS DA COSTA COELHO, CPF Nº 010.408.99110, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.493.241 00 e FILIPE DA COSTA COELHO, CPF Nº 717.690.48120. 11.5 EDMAR MOTHÉ, CPF Nº 282.632.94720, exsócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à SHIN QL 06 CONJUNTO 05 CASA 19 – BAIRRO LAGO NORTE – BRASÍLIA/DF – CEP 71520055. 11.6 PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA CNPJ Nº 07.888.151/000177, situado à AOS EA 2/8 LOTE 05 TORRE A – BAIRRO OCTOGONAL – BRASÍLIA/DF – CEP 70.660900. Respondem conjuntamente pelas infrações cometidas os sócios e ex sócios da empresa, em conformidade com inciso I do Art. 95 do DecretoLei nº 37/66, combinado com os Art. 134 e 135 do Código Tributário Nacional (Lei Complementar nº 5.172/66):(...) 11.7 VINÍCIUS DA COSTA COELHO, CPF Nº 010.408.99110, sócio administrador e ex sócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à QD SQN 212 BLOCO B APTO 506 – BAIRRO ASA NORTE – BRASÍLIA/DF – CEP 70864020. 11.8 DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.493.24100, sócio administrador e exsócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à QD AOS 04 BLOCO B APTO 114 – BAIRRO CRUZEIRO – BRASÍLIA/DF – CEP 70660042. 11.9 FILIPE DA COSTA COELHO, CPF Nº 717.690.48120, sócio administrador e ex sócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à AV LÚCIO COSTA 2930 BL 8 APTO 203 – BARRA DA TIJUCA – RIO DE JANEIRO/RJ – CEP 22620172. Fl. 18672DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.673 39 DA CIÊNCIA DOS SUJEITOS PASSIVOS Os sujeitos passivos UTILIDAD, ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES, ANDERSON RODRIGO MARQUES, PRIME HOLDING, EDMAR MOTHÉ, PRIME, VINÍCIUS DA COSTA COELHO, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, e FILIPE DA COSTA COELHO foram cientificados do lançamento, respectivamente, nas seguintes datas: 28/05/2012 (à fl. 17.434), 03/09/2013 (à fl. 17.747), 26/08/2013 (à fl. 17.754), 03/05/2012 (à fl. 9.332), 11/05/2012 (à fl. 17.433), 11/05/2012 (à fl. 17.432), 26/06/2012 (à fl. 17.436), 03/05/2012 (à fl. 9.332) e 28/05/2012 (à fl. 17.434). Da Impugnação DA DEFESA DA UTILIDAD O sujeito passivo UTILIDAD, irresignado com a autuação, apresentou Peça Impugnativa (às fls. 17.46917.508) e anexos (às fls. 17.50917.737), em 04/06/2012 (segundafeira), alegando, em síntese, conforme a seguir: Dos Fatos e do Direito que foi intimada em 03/05/12 acerca das autuações; que a autoridade fiscal ainda acrescenta a ocorrência em tese de crime contra a ordem tributária, pelo que representará junto ao Parquet Federal; que demonstrou por meio de provas concretas a lisura em suas operações, em especial destaca o fato de possuir elevado crédito bancário que sustentava suas operações, fato ignorado pelas autoridades fiscais e que afasta a tese de que a impugnante valiase de recursos financeiros de terceiros para realizar importações; que, ignorouse também diversos princípios norteadores do direito administrativo e principalmente da legalidade ao se aplicar penalidade sobre todas as importações da empresa desde sua constituição, sendo assim condenado seu próprio modelo de negócio; que atua no ramo de importação e comércio de diversos bens, tendo atualmente um capital social devidamente integralizado de R$ 500.000,00, tema este que será abordado mais adiante; que, ao contrário do afirmado, seu quadro societário é distinto do da empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda.; que fazem parte de seu quadro social a empresa Prime Holding (sócios Vinicius da Costa Coelho, Filipe da Costa Coelho, Daniel Chícrala Chaves de oliveira), Altemir Rogério Marques e Anderson Rodrigo Marques; que apenas os três sócios da Prime Holding são comuns à mencionada empresa Prime, os demais não têm qualquer participação, seja societária, operacional ou qualquer outra; que, tal fato é relevante vez que embora ignorado as empresas possuem personalidades jurídicas distintas; que as operações da Prime resumemse na importação ostensiva. Já a impugnante atua na distribuição de diversos tipos de produtos, inclusive seus sócios Altemir e Anderson são profissionais voltados ao ramo varejista; Fl. 18673DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.674 40 a questão que certamente pairou sobre a imaginação das autoridades fiscais foi: por que então não se excluiu a empresa Prime da cadeia de fornecimento tornando a impugnante a importadora ostensiva e os clientes da impugnante como adquirentes das mercadorias? E a autoridade fiscal em resposta a sua imaginação lavrou o presente auto entendendo que tudo não passou de uma criação da impugnante para ocultar ou interpor fraudulentamente seus clientes; que não se excluiu a Prime da cadeia de fornecimento tornandose a própria impugnante uma importadora ostensiva pelo fato de a Prime possuir benefícios fiscais concedidos pelo Distrito Federal, reduzindo significativamente o valor dos produtos por ela revendidos; que não é razoável que se exija tal ou qual modelo de negócio do contribuinte, vez que ele pode escolher toda forma lícita, por exemplo, como ter uma empresa beneficiada que vende seus bens para outra para então revender ao consumidor final; que não há lei que proíba o modus operandi da impugnante, podendo assim terceirizar suas importações nos termos da legislação vigente; que a lei e as instruções normativas não previram a situação em que duas ou mais empresas figurariam na cadeia de fornecimento da importação, tanto que no Siscomex não há possibilidade de se incluir um terceiro adquirente; que numa situação hipotética, se “A” irá realizar uma importação, que vai vender para “B”, que por sua vez vai revender para “C”, “C” não é cliente de “A”; se “A” vai declarar a DI e obviamente tem que informar que “B” é o adquirente das mercadorias por ele importadas. “A” não poderia declarar “C” como adquirente, pois estaria ocultando “B”. Por outro lado, declarando “B” como adquirente, ainda que saiba da existência de “C”, não tem como declarar que “C” é adquirente de “B”, não há campo para isso e não há base legal que exija isso; considerandose a hipótese acima, segundo o entendimento fiscal, sempre ocorrerá uma fraude já que ou se estará ocultando/interpondo “B” ou “C”, pois sequer o Siscomex possui suporte para que se declare mais de dois intervenientes. É impossível atender à expectativa fiscal; a situação seria distinta se por exemplo uma das empresas inexistisse de fato ou se estivesse na relação apenas para quebrar a cadeia tributária ou simplesmente sonegasse os tributos devidos, mas, no caso em tela, as empresas existem de fato e recolhem devidamente todos os tributos incidentes, inclusive a extensão do IPI que atinge a impugnante por ser importadora equiparada à estabelecimento industrial. Cada empresa possui “vida” própria, com objetivos próprios, diferença de quadro societário e recursos, inclusive financeiros; o fato de que ambas funcionam no mesmo endereço é irrelevante, primeiro porque cada qual está registrada em um conjunto comercial Fl. 18674DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.675 41 diferente, embora compartilhem parte de espaço em comum em razão de serem conjuntos comerciais conjugados; segundo porque não há lei que proíba as empresas de compartilharem parte de seu espaço ou estrutura com outras, mormente quando parte dos sócios de uma são sócios da outra; que empresas criadas com intuito de fraudar além de não pagarem os tributos, funcionam em locais afastados, mal possuem funcionários, mobiliário etc. A impugnante está localizada em um conhecido shopping de Brasília e possui outra sede em um dos melhores edifícios do Rio de Janeiro, ambos visitados pela autoridade fiscal; o fato de os sócios possuírem baixo patrimônio ou baixa movimentação financeira em determinado período também não configura nenhum ilícito. São jovens empreendedores que reinvestem todo o lucro na própria empresa ou em novos negócios, bem como conhecem plenamente as operações e não se furtaram em esclarecer as questões levantadas; o fato é que de posse dos documentos arrecadados na sede da Prime e da impugnante, a autoridade fiscal acabou criando uma versão distorcida das operações realizadas; Dos documentos arrecadados – CPP Processos internos que boa parte dos documentos arrecadados nada mais são do que um registro de cada processo de importação/venda para análise estatística, com fins de definição de estratégias de marketing, ações comerciais, busca por novos produtos etc; ao contrário do que tenta fazer parecer a autoridade fiscal, tais pastas são montadas posteriormente à realização da venda das mercadorias para o cliente da impugnante; que a existência de tais pastas não significa que desde o início já se havia definido o cliente para tal ou qual mercadoria; o fato de em alguns casos um email ter sido trocado com um potencial cliente, a respeito de um bem a ser importado, antes de realizar sua importação não significa que tal importação tratavase de uma encomenda. A empresa precisa definir quais produtos irá importar e obviamente ela realiza uma pesquisa junto aos seus clientes e ao mercado em potencial para saber qual tipo de mercadoria vale a pena importar; que a maioria dos produtos vendidos (móveis e eletrodomésticos) é de marca própria “Utilidad”, ou seja, não há que se falar em ocultação de terceiros já que a marca pertence à própria empresa e não a seus clientes; fazer isso seria o mesmo que falar que, por exemplo, a empresa Sony oculta o Hipermercado Carrefour ou o Extra já que sempre eles adquirem máquinas fotográficas, televisores etc da marca japonesa. Não é porque um cliente sempre adquire produtos de um importador que ele está sendo ocultado, principalmente quando a marca pertence ao importador/distribuidor; Fl. 18675DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.676 42 que é impossível atender ao anseio fiscal, pois não há como incluir o cliente da impugnante no Siscomex juntamente com a impugnante e a importadora Prime, bem como não há como excluir a impugnante sob pena de se entender que ela seria a ocultada; e não se alegue que a importadora ostensiva (Prime) poderia sair da relação de importação, pois isso equivaleria a uma interferência estatal no livre exercício da atividade econômica das empresas; que tanto a importadora ostensiva como a impugnante recolhem devidamente todos os tributos incidentes. Ambas geram lucro, e não há fato concreto que denote que o modelo de negócio fora criado com o intuito de fraudar o Fisco; que alguns dos processos internos analisados sequer merecem alguma consideração visto que a impugnante não consta como importadora ou adquirente, portanto não deveriam constar do presente processo (ver fl. 17.481); já os processos em que a autoridade fiscal entendeu ter ocorrido a ocultação do real adquirente, aplicandose a multa do art. 33 da Lei 11.488/2007, esclarecese que todos os produtos ostentavam a marca da impugnante, “Utilidad”, sendo descabida a alegação de ocultação, pois não há falar em ocultação de terceiros se a marca é pertencente à Importadora (ver fl. 17.481 17.483); a autoridade fiscal posiciona a empresa Mundo dos Filtros como se fosse uma única empresa, quando na verdade Mundo dos Filtros é uma marca e cada loja que a ostenta possui quadro societário distinto, o que afasta mais ainda a tese de ocultação já que são na verdade dezenas de empresas distintas que apenas utilizam o mesmo nome fantasia; a impugnante realizou um acordo com as empresas que utilizam a marca Mundo dos Filtros e para essas empresas ela pratica a mesma política de preços e vende a mesma gama de produtos, nada que possa ser qualificado como ilícito; já a empresa Shopping Matriz, tratase de um grande varejista de móveis, constituído por várias pessoas jurídicas, que trabalha com inúmeras marcas, sendo uma delas a marca “Utilidad”, de propriedade da impugnante, e por seu porte acaba por absorver praticamente todo o estoque de cadeiras importadas pela impugnante com sua própria marca, sendo de fato uma espécie de distribuidor exclusivo das cadeiras com marca da impugnante; se a impugnante foi constituída para ocultar o Shopping Matriz porque venderia para tal empresa somente cadeiras (com sua marca própria)? Se a intenção fosse de ocultar, mediante fraude, certamente poderia se vender uma maior gama de produtos, e em maiores quantidades às vendidas e com marcas diversas da sua; Do Contrato social e alterações que apesar de se questionar a baixa capacidade financeira dos sócios ou seu baixo patrimônio, estranhamente, não há uma linha sequer que mencione o crédito bancário para giro de seus negócios em montante superior a 8 milhões Fl. 18676DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.677 43 devidamente demonstrados às autoridades fiscais no decorrer do procedimento fiscalizatório; o crédito bancário utilizado suporta todo o volume transacionado, colocando em “xeque” a tese fiscal de que a empresa era suportada por terceiros; que opera com pequenas margens de lucro exigindo um rápido giro de mercadorias e baixa manutenção de produtos em estoque; que o Sr. Edmar Mothé entrou e saiu da empresa em curto espaço de tempo, em meados de 2011, que por sua experiência fora convidado para otimizar os negócios da Utilidad. Contudo, sua rápida passagem é explicada pelo grande acúmulo de trabalho que prejudicaria seus negócios de venda ao consumidor final, bem como de não ter se concretizado sua participação na Prime. Assim, entendeu permanecer apenas como cliente; o fato de ter negligenciado em atualizar prontamente suas informações cadastrais junto à RFB não se caracteriza como ilícito, até porque tal movimentação consta em seus instrumentos societários; com relação à integralização de capital e a origem dos recursos o que se vê são sucessivos inconformismos por parte da autoridade fiscal, vez que os sócios comprovaram devidamente o depósito realizado bem como sua capacidade financeira para o aporte; a tese de que a empresa Prime Holding não possuía caixa é fragílima visto que eventual disparidade entre as datas de integralização de fato e a constante do contrato social é erro comum, hábil de ser corrigido por meio de retificação do instrumento societário; as demais são incontestes já que se formos retroagir à origem da origem da origem dos recursos, jamais alguma pessoa física ou jurídica irá conseguir comprovar nada. A origem dos recursos é lícita e não há nenhuma prova nos autos que desqualifique essa condição. Rememorese que o ônus probandi cabe a quem alega, já que é praticamente impossível se fazer prova negativa. Da análise contábil e capacidade financeira a autoridade fiscal realizou análise da contabilidade da empresa entre os anos de 2009 e 2011 e concluiu que a mesma não possuía capacidade financeira para operar no comércio exterior, e que todos os recursos utilizados são provenientes de seus clientes, ou seja, os reais adquirentes ocultos; novamente a autoridade fiscal não considerou em sua análise o crédito bancário obtido pela impugnante, num montante superior a R$ 8 milhões; já as notas fiscais emitidas pela empresa não são fictícias como afirma a auditoria e refletem exatamente as operações realizadas, não havendo ilegalidade o fato de que na contabilidade os valores dessas vendas aparecem de forma consolidada; que sendo a empresa tributada pelo lucro real, trimestralmente, a apuração de seu estoque se dá ao fim de cada trimestre e não a cada Fl. 18677DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.678 44 venda, por uma opção que lhe é facultada. Assim é natural que sua escrituração contábil (em especial o Custo das Mercadorias vendidas) esteja com os valores consolidados de várias notas fiscais. Ou seja, não há embasamento jurídico ou técnico para considerar tal fato uma fraude; que não há ocultação porque a maioria esmagadora dos produtos vendidos é de marca própria da impugnante; os bens não são vendidos somente para as empresas Mundo dos Filtros e Shopping Matriz, são dezenas e dezenas de empresas que utilizam o nome fantasia de Mundo dos Filtros e Shopping Matriz; e os recursos financeiros são obtidos de crédito bancário e giro do próprio negócio; diante de várias entradas e saídas de recursos, não se pode presumir que este ou aquele valor fora utilizado para pagar as operações de comércio exterior; que muitos dos valores recebidos de clientes se referem a operações anteriores, com prazo de pagamento ou operações realizadas à vista e não antecipação de recursos para operações futuras; o dinheiro utilizado pela impugnante para suportar sua operação advém do GRANDE giro de negócios que possui e de seu crédito bancário; que o dinheiro entra na conta da empresa e vira um caixa único que é utilizado para pagamento de todas as contas, inclusive os custos e tributos de importação; que para realizar suas operações de comércio exterior em comento, se vale do crédito bancário, tudo devidamente comprovado à autoridade fiscal que suprimiu tal informação do processo, oportunamente apresentado junto à defesa, num total de R$ 8.675.000,00. Como pode a autoridade fiscal afirmar que a empresa não possui capacidade financeira para realizar suas operações de comércio exterior e que depende dos recursos de terceiros? há ainda mais uma linha de R$ 400 mil cujo contrato não fora recebido em tempo hábil para juntada; a impugnante apresenta quadro demonstrativo com alguns exemplos de que os recursos financeiros utilizados nas operações de comércio exterior realizadas são de origem desses contratos de crédito; que o problema da empresa não é a ausência de capacidade financeira como tentou demonstrar a autoridade fiscal; e mais uma vez indaga: por que os ilustres auditores ocultaram dos autos todo o crédito bancário que a empresa apresentou no decorrer do procedimento fiscal? A resposta é clara, vez que com a comprovação do crédito bancário a tese fiscal é esmagada, restando claro que o intuito foi de apenas acabar com uma empresa que gerava empregos e recolhia tributos aos cofres públicos; por mais que os erros contábeis eventualmente identificados, bem como as suspeitas levantadas possam induzir o leigo a achar que a empresa utilizava recurso de terceiros, o fato é que com a capacidade Fl. 18678DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.679 45 financeira elucidada não há como sustentar o perdimento das mercadorias vendidas pela impugnante; que a origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos são inequívocas (comprovadas por meio dos demonstrativos bancários apresentados), e, dessa forma, não há que se falar em interposição fraudulenta de terceiros. Não se pode apenar a impugnante quando se restou afastada a presunção de interposição fraudulenta; ademais, que verdadeiro foco do combate à interposição é o de combater a lavagem de capitais oriundos de crimes como o tráfico de drogas e armas; que a origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos foram identificados e não guardam qualquer relação com os crimes previstos na Lei nº 9.613/1998; e sendo lícita a origem, ao máximo teria ocorrido uma ocultação sujeita à multa do art. 33 da Lei 11.488/07, o que no caso é incabível visto que a impugnante é a proprietária da marca da maioria esmagadora dos produtos que comercializou; o modelo de negócios em questão exige a utilização da outra empresa importadora (Prime) em razão do benefício fiscal que lhe foi concedido pelo DF e, assim, a impugnante sempre figurará como adquirente; que nesse modelo, não previsto pela legislação vigente nem suportado pelo Siscomex, não há possibilidade de se incluir um terceiro adquirente, o que torna impossível ATENDER À EXPECTATIVA FISCAL NAQUELES CASOS EM QUE HOUVER UMA “ENCOMENDA DA CONTA E ORDEM” OU UMA “CONTA E ORDEM DA CONTA E ORDEM”; que a ausência de previsão legal proibitiva torna o modelo lícito, ainda que repudiado pelas autoridades fiscais; Dos Clientes da Impugnante arrolados como adquirentes ocultados MUNDO DOS FILTROS que fica difícil se sustentar a tese de ocultação de terceiros quando os produtos importados vendidos aos supostos ocultados possuem marca própria, no caso “Utilidad” marca de propriedade da impugnante, aliás, seu próprio nome; cabe repisar que Mundo dos Filtros não se trata de uma pessoa jurídica, mas sim de uma marca, uma bandeira, um nome fantasia utilizado por dezenas de empresas; sendo a grande maioria com sócios distintos, o que já seria suficiente para afastar a tese fiscal de ocultação de uma só empresa Mundo dos Filtros; já que na verdade só seria uma ocultação se ocorresse o inverso, ou seja, se as empresas Mundo dos Filtros importassem a marca da impugnante sem passar por ela ou sem ter sua autorização de uso de marca; que as empresas Mundo dos Filtros foram apresentadas para a impugnante pelo Sr. Edmar Mothé, que acabou tornandose sócio por um curto período, mas o fato é que essa relação, de certa forma, não se dá de maneira não onerosa; Fl. 18679DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.680 46 pela indicação e intermediação de venda da impugnante para tais empresas que ostentam a marca Mundo dos Filtros, muitas vezes são repassados valores ao Sr. Edmar Mothé a título de comissão ou bonificação; o que não é ilícito e só demonstra que essas empresas não são um grupo econômico, mas sim diversas pessoas jurídicas que compartilham o mesmo nome; que as margens de lucro apontadas pelo auditor fiscal em torno de 3% a 10% é mais que suficiente, porque acima disso correria o risco de ficar com produtos encalhados; que na livre iniciativa quem regula a margem de lucro é o mercado consumidor não o Estado; que a grande maioria das vendas realizadas para as empresas com bandeira Mundo dos Filtros foi de produtos com a marca Utilidad, o que afasta por completo a suspeita de ocultação; para os poucos produtos que não possuíam sua marca, também não houve acordo prévio, simplesmente a impugnante arriscou e conseguiu emplacar a venda; LS IMPORTAÇÃO que é um cliente contumaz da importadora Prime, cujos sócios também fazem parte do quadro societário da impugnante juntamente com outros sócios; que verificando uma boa oportunidade de negócio no ramo que a LS Importação atua (produtos para áudio e vídeo) foram realizadas algumas importações de produtos dessa linha. Embora tivessem outros lugares para prospectar a venda, ao chegarem tais produtos os mesmos foram ofertados à LS, à qual os adquiriu na totalidade; que o fato de a LS já ter sido cliente da Prime, não há nenhum óbice legal em realizar uma importação por conta e risco da impugnante e revender tais produtos para um único cliente; que, trataramse de pouquíssimos casos pontuais que não servem para descaracterizar a idoneidade da operação; SHOPPING MATRIZ que de forma parecida com o Mundo dos Filtros se trata de um grande distribuidora de produtos para escritório, cuja demanda supera a capacidade de entrega da impugnante; que as cadeiras vendidas às empresas do grupo Shopping Matriz são da marca Utilidad; ocorre que os fornecedores estrangeiros possuem limitações para produção de produtos com determinada marca e, assim, a empresa que pretende produzir com marca própria deve encomendar um grande lote, ainda que adquira de maneira fracionada; ocorre que a impugnante encomendou um lote que achava que seria suficiente para atender a demanda que pretendia gerar e com as vendas para o Shopping Matriz foi surpreendida, não conseguindo atender ao Shopping Matriz nem vender para outros clientes; Fl. 18680DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.681 47 que por ter ficado desabastecida por um tempo, a impugnante acabou perdendo a conta do Shopping Matriz e só depois de um período conseguiu restabelecer seu relacionamento e continuou a vender para o grupo; que dois fatos afastam a tese de ocultação: primeiro é a margem de lucro muito satisfatória e segundo que as mercadorias revendidas são de sua própria marca; ECO BRAZIL que realizou apenas um único negócio com tal empresa, o que demonstra que não houve a intenção de ocultação; em razão de uma viagem à China pensou que poderia ser lucrativo trabalhar com esse tipo de produto (fibra de poliéster), todavia tal expectativa demonstrouse ser um verdadeiro fracasso; assim, tratou de prospectar algumas empresas e ofertou seu produto (fibra de poliéster) à Eco Brazil e não pestanejou em vendêlo na sua totalidade, vez não se tratar de produto que estivesse habituada a comercializar; Do suposto subfaturamento de produtos que em algumas poucas DIs a autoridade fiscal entendeu por bem aplicar penalidade de multa em razão de ter encontrado diferença entre o valor real dos bens e o valor declarado na importação; para tanto, a fiscalização socorreuse única e tão somente a cópias de faturas proforma enviadas por fornecedores quando da negociação, mas não houve subfaturamento em tais casos. O que de fato ocorreu foi uma negociação em que a importadora impôs o limite de preço que pagaria, valor que foi aceito pelo fornecedor que após a concretização do negócio emitiu a fatura comercial correspondente ao valor real transacionado entre as partes; que havendo dúvida com relação ao valor aduaneiro o procedimento a ser adotado pela autoridade fiscal seria aquele previsto no AVA/GATT antes de propor a aplicação da multa; que a forma como se procedeu a valoração baseandose em fatura proforma é completamente irregular, razão pelo que devem ser afastadas as multas propostas; Da ausência de dano ao Erário que não ocorreu dano ao Erário, vez que os tributos incidentes foram devidamente pagos. Cita jurisprudências; é injustificada a pena de perdimento pois não houve insuficiência de recolhimento de tributos. Acaso não prevaleça esse entendimento ao menos seja cabível a relevação desta penalidade por ser a medida mais razoável (cita art. 736, 737 do RA), dada a ausência de intuito doloso; assim, é indubitável a inaplicabilidade da pena de perdimento convertida em multa, bem como a multa do art. 33 da Lei 11.488/2007, não só pela ausência dos requisitos autorizadores destas sanções, mas também pelo fato de que não é a medida a ser aplicada no presente caso; Fl. 18681DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.682 48 que não se acolhendo os argumentos e provas carreadas para fulminar a ação fiscal, subsidiariamente demonstrase aplicável a relevação da pena de perdimento, pois a adequação da pena é medida imperiosa, respeitadora de direitos basilares como a razoabilidade e proporcionalidade; que a multa é desproporcional à capacidade da empresa; Do Pedido diante do exposto requer seja a ação fiscal julgada improcedente, afastandose, na totalidade, a penalidade pretendida ou subsidiariamente seja relevada a pena de perdimento aplicando a multa do art. 712 do RA. DA(S) DILIGÊNCIA(S) Em 31/07/2013, a 2ª Turma desta DRJ/FOR converteu o julgamento em Diligência (Resolução 0802.509, às fls. 17.74017.743), a fim de que a unidade preparadora refizesse a ciência dos solidários: Altemir Rogério Marques e Anderson Rodrigo Marques, por pecha no tempo de afixação do Edital nº 17/2012 (à fl. 17.448), o que foi prontamente saneado (ver fls. 17.747 e 17.754). Retornando os autos, em 19/12/2013, o julgamento foi convertido em uma nova Diligência (conforme Despacho nº 23, da 5ª Turma desta DRJ/FOR, às fls. 17.76817.771), desta vez, com o intuito de que se intimasse a autuada impugnante (UTILIDAD) para comprovar que o signatário da procuração de constituição de seus defensores, ou seja, o seu exsócio administrador Vinícius da Costa Coelho, possuía à época legitimidade para representála e poderes suficientes para constituição de procuradores, ou, ainda, alternativamente, a apresentar convalidação para o ato, sob a advertência de que caso não fosse providenciado o devido saneamento, restaria ao órgão julgador o não conhecimento da Peça Defensória. Desse modo, a unidade preparadora encaminhou Notificação nº 152/2013 (à fl. 17.772) à empresa UTILIDAD para que no prazo de 10 (dez) dias fosse apresentada a documentação solicitada, conforme aviso de recebimento (AR), recebido no endereço indicado em 03/01/2014 (à fl. 17.773). Pelo transcurso do prazo in albis, ou seja, sem qualquer manifestação da interessada (UTILIDAD), os autos retornaram a esta DRJ/FOR (2ª Turma de Julgamento) para prosseguimento (à fl. 17.775). Novamente, o julgamento foi convertido em Diligência (conforme Resolução nº 08002.681, da 2ª Turma desta DRJ/FOR, às fls. 17.782 17.785), por persistirem dúvidas tanto sobre a efetiva realização da ciência da autuação à empresa UTILIDAD, quanto se o exsócio Vinícius da Costa Coelho possuía à época (em 04/06/2012) que assinou a procuração (à fl. 17.509) algum poder para representála e de constituir seus defensores, o que também restou saneado (ver Despacho de Encaminhamento à fl. 17.788 informando a devida ciência da UTILIDAD, bem como manifestação da impugnante a seguir). Fl. 18682DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.683 49 DA MANIFESTAÇÃO APRESENTADA/SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE “DECISÃO PARADIGMA” (às fls. 17.80317.828) A UTILIDAD solicita juntada (ver remessa postal, datada de 07/07/2014) de decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 10111.720453/201385 (Acórdão 0733.710 da 1ª Turma da DRJ/FNS), por entender ser originária dos mesmos fatos que deram azo à instauração do presente processo, em observância ao art. 38 da Lei nº 9.784/1999. Outrossim, além de ratificar os poderes de Vinícius da Costa Coelho e dos causídicos elencados na procuração à fl. 17.509, reitera o conteúdo da defesa, e, ainda requer que toda e qualquer intimação seja dirigida ao endereço dos causídicos: Rua Funchal, 573, cj. 23 Vila Olímpia São Paulo/SP, CEP 04551060. Segue excerto da dita decisão paradigma: (...)ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: (...)FALTA DE PROVAS. É ônus do Fisco instruir o auto de infração com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (...)Voto (...)Alegam os impugnantes que o auto de infração não foi instruído com os respectivos elementos de prova, tanto dos fatos jurídicos relacionados à hipótese de ocultação e interposição fraudulenta, quanto dos fatos jurídicos aptos a atribuir aos impugnantes a responsabilidade tributária apontada na autuação. A razão assiste aos interessados. A exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada seguem o rito do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto n.º 70.235/72, que tem como princípios basilares os da ampla defesa e do contraditório, e que mais especificamente em seu artigo 9° assim determina: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ...(Grifos acrescidos) No presente caso a autoridade fiscal não logrou trazer os elementos de prova capazes de comprovar que os interessados tenham agido em desacordo com o previsto na legislação de regência. A autoridade fiscal, equivocadamente, julgou ser prescindível a apresentação das provas para instruir a presente autuação em razão de entender que em outro processo administrativo já houvera a sua apresentação (fl. ...): Embora parte dos autuados naquele processo tenha sido autuado também no presente processo, a legislação de regência anteriormente citada não permite a omissão de provas relacionadas à comprovação Fl. 18683DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.684 50 do ilícito, mesmo que referidas provas já tenham sido apresentadas em outro processo administrativo destinado a sustentar outras autuações, não há tal faculdade processual. Vale dizer, cada autuação deve estar instruída com os respectivos elementos probatórios. Ademais, não há registros de que os elementos de prova tenham sido apresentados (em qualquer dos processos) ..., situação que notadamente limita o direito de defesa e possibilidade de contraditório destes autuados (artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72). Assim, não basta apenas que a “Descrição do Fato”, requisito obrigatório do auto de infração nos termos do inciso III, do artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, contenha a necessária concatenação de idéias que permitam fazer a ligação entre todos os elementos que compõem a autuação. É imprescindível que os elementos de prova sejam apresentados e atestem que os fatos atribuídos aos autuados se alinham com os dispositivos legais relacionados ao caso. De outra sorte, ainda que pudesse ser superado o vício anteriormente citado, o entendimento desta Relatora é que a autuação igualmente não poderia prosperar. E basicamente por dois motivos. Primeiro porque em momento algum houve a desconsideração da personalidade jurídica das EMPRESAs envolvidas, vale dizer, as EMPRESAs não foram consideradas inexistentes de fato, operacionalmente incapazes, ou com máculas em sua constituição societária. Embora a fiscalização indique indícios da existência de um “grupo econômico” e estruturado, no plano das atividades operacionais relacionadas ao comércio exterior não se vislumbrou sua ocorrência de modo objetivo. As EMPRESAs envolvidas não foram consideradas “laranjas” ou inexistentes: nem o importador declarado (....), nem o adquirente declarado (....), nem o adquirente da mercadoria nacionalizada (...)Os fatos narrados na autuação são complexos e diversos daqueles que, via de regra, caracterizam as condutas relacionadas à ocultação e interposição fraudulenta no âmbito do comércio exterior. Tamanha a complexidade que, neste ponto, é de se observar que sequer o importador foi autuado, vale dizer, aquele que apresentou a declaração considerada fraudulenta não foi trazido ao pólo passivo da autuação decorrente da ocultação que por ele teria sido perfectibilizada. Segundo os fatos narrados, as operações de importação em apreço teriam sido realizadas por conta e ordem: a (...) adiantou recursos (...) (relacionada a uma fração do total de mercadorias), que por sua vez, adiantou recursos (...).A Instrução Normativa SRF n° 225/02 estabeleceu os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros (situação, em tese, narrada nos autos) e assim estabeleceu em seus artigos: (...)Como se observa da norma acima, não há qualquer referência expressa à hipótese citada nos autos, onde um importador age por conta e ordem de um terceiro e este (segundo o relato) age em razão de outros (um conjunto de EMPRESAs). Fl. 18684DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.685 51 Se o importador, ao registrar a declaração de importação indicasse a EMPRESA (...) como real adquirente, estaria, em tese, omitindo o adquirente EMPRESA (...), pois o campo que identifica a operação só pode ser preenchido com a identificação de uma empresa. Logo, inevitavelmente, no plano formal, a declaração poderia ser tida como fraudulenta pela Fazenda, vez que aquele que efetivamente ordenou a importação e transferiu os recursos ao importador seria omitido na declaração de importação. Conclusão, não haveria como o importador satisfazer a pretensão fiscal, inevitavelmente uma das duas empresas, tidas por adquirente, seria omitida. Os fatos narrados na autuação não apontam para a conclusão de que a EMPRESA (...) tenha negociado as mercadorias com o fornecedor estrangeiro, nem que a EMPRESA (...) seja inexistente ou que não tenha participado da operação de comércio exterior. Portanto, o primeiro motivo para improcedência da autuação está relacionado à impossibilidade material de satisfazer a exigência fiscal sem que uma das empresas, tidas por adquirentes, seja formalmente omitida na declaração de importação. O segundo motivo está relacionado ao fato de que cada operação de importação não foi realizada exclusivamente em razão de um “quarto” adquirente, mas de muitos. Apenas a título ilustrativo, no caso da declaração de importação n° (...), a fiscalização indica que as mercadorias descritas na adição 001 foram adquiridas por (...) pessoas jurídicas diferentes, situação incompatível com aquelas que, via de regra, tipificam a interposição fraudulenta. A considerar os fundamentos da autuação, o desejo da fiscalização era que o importador declarasse que as mercadorias dessa operação de importação tivessem sido adquiridas por (...) “reais” adquirentes distintos. Numa única declaração de importação, como já dito acima, seria igualmente impossível. Em (...) declarações de importação seria possível, mas desde que cada um destes adquirentes tivessem negociado suas mercadorias com o (mesmo) fornecedor estrangeiro e, em favor deles tivessem sido emitidas (...) faturas comerciais e (...) conhecimentos de carga, conforme preconizado na Instrução Normativa SRF n° 225/02, ocorrência que não se vislumbra da narração contida nos autos. A considerar a comprovação da tese de “grupo econômico”, a conduta esperada seria justamente aquela adotada: uma empresa importadora do grupo encaminha as mercadorias para um distribuidor do grupo que então os encaminha às diversas empresas de revenda do grupo, para então fazer a venda ao consumidor final. A “ocultação” que se constata nesta hipótese (do adquirente revendedor) não decorre de prática fraudulenta relacionada à operação de comércio exterior, mas sim de mera logística e racionalização na cadeia de distribuição de mercadorias inerentes às operações normais de comércio desenvolvidas no País. Portanto, em razão dos fatos narrados não se subsumirem às hipóteses descritas na legislação de regência, o entendimento deste Relator é de que a autuação não pode prosperar. Fl. 18685DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.686 52 Por outro lado, fica dispensada a análise dos demais argumentos ofertados pelos interessados. Assim, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, cancelando o crédito tributário exigido. (...) Após extenso Relatório, o feito foi votado, com prolação de votos divergentes, tendo sido ao final julgada parcialmente procedente a impugnação do contribuinte, tendo restado o acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. EFEITOS. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram o lançamento. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário no tocante aos demais. DA INTIMAÇÃO DOS ATOS EM LOCAL DIVERSO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. ENDEREÇO DOS CAUSÍDICOS. DESCABIMENTO No âmbito do PAF é descabida a intimação dos atos diretamente no endereço do causídico por ausência de previsão normativa. ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei, devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao(s) sujeito(s) passivo(s), não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DE 100% (CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO) PELA MULTA DE 1%. RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. COMPETÊNCIA MINISTERIAL. Inócua a apreciação de matéria cuja apreciação não seja de competência dos julgadores das Delegacias da RFB de Julgamento. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar sua aplicação CESSÃO DE NOME. Fl. 18686DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.687 53 GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente pela infração, inclusive na cessão de nome, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, não cabendo benefício de ordem (DL 37/66, art. 95, incisos I). O instituto da solidariedade visa, também, aumentar as garantias do crédito tributário. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESUNÇÃO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NO COMÉRCIO EXTERIOR. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA O LANÇAMENTO. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. O art. 9º do PAF é norma cogente que obriga à fiscalização demonstrar os fatos que motivaram ou tipificaram a infração, ou seja, também no caso de inversão do ônus da prova prevista no DecretoLei nº 1.455/76, art. 23, § 2º, a fiscalização tem o dever de provar que mesmo oferecendo, de forma clara, oportunidade ao autuado, este não conseguiu comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos por ele empregados em operação de comércio exterior. A perda de foco no tipo legal, deixando de buscar os elementos que o caracterizam para, em detrimentos destes, buscar outros elementos de provas que lhe são alheios enseja a procedência da impugnação por falta de subsunção dos fatos à norma. CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, observado o valor mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado que os reais valores transacionados nas operações de importações são superiores aos valores declarados, fato que caracteriza o subfaturamento, cabe exigir a diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida dos juros de mora e das multas. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicase a multa qualificada por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre a diferença do imposto, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES IPIIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RECONSTITUIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Reconstituído o valor aduaneiro declarado pelo importador, cabe reconstituir o valor tributável dos demais tributos incidentes na Fl. 18687DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.688 54 importação, para exigir as diferenças que deixaram de ser recolhidas por ocasião do despacho aduaneiro, acrescidas dos juros de mora e das multas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os autos, então, subiram a este CARF em razão de Recurso de Ofício e de Recursos Voluntários apresentados pelos contribuinte UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. às fls. 18.109 e seguintes, e EDMAR MOTHÉ, às fls. 18.147 e seguintes, ambos tempestivos, conforme documento de fl. 18.206. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria. Inicialmente, por meio do Acórdão nº 3201002.394, de 28 de setembro de 2016, esta Turma Julgadora por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para anular a decisão de primeira instância quanto à revelia do Solídário Edmar Mothé, determinando novo julgamento unicamente para apreciar esta impugnação. Foi vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira que votou por anular integralmente a decisão da primeira instância. Desse modo, foi proferido o Acórdão Complementar nº 0837.855 2ª Turma da DRJ/FOR, de 22 de fevereiro de 2017, que deu parcial procedência à Impugnação do solidário EDMAR MOTHÉ apenas para "AFASTAR o vínculo de responsabilidade do impugnante relativo ao restante desta multa, lançada na empresa UTILIDAD e demais coresponsáveis", sendo a multa em questão a "Multa por Cessão de Nome, no total de R$405.758,51". O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 ACÓRDÃO COMPLEMENTAR. Cumprese a determinação do CARF para que seja analisada a impugnação apresentada tempestivamente pelo coresponsável, uma vez que a mesma não foi apreciada no tempo devido por esta DRJ em razão de à época não constar dos autos. PROCEDIMENTO FISCAL. FASE INQUISITORIAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte sido regularmente cientificado do lançamento, inexiste cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual falta de outras intimações na fase inquisitorial do procedimento fiscal para o contribuinte apresentar documentos que pudessem fazer prova em seu favor. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. PROCEDÊNCIA A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, observado o valor mínimo de R$5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 18688DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.689 55 NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE NOME. Responde solidariamente pela infração, inclusive na cessão de nome, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, não cabendo benefício de ordem (DL 37/66, art. 95, incisos I). O instituto da solidariedade visa, principalmente, aumentar as garantias do crédito tributário. O Contribuinte EDMAR MOTHÉ apresentou seu Recurso Voluntário reiterando os termos da sua Impugnação quanto ao crédito tributário mantido. Os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Existe questão preliminar a ser analisada no presente feito. Aos presentes autos encontramse reunidos os seguintes processos, para os quais foi reconhecida a conexão: · 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP Resolução nº 3402000.792 – 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária 18 de maio de 2016 · 10111.721473/201373 MYRA PARTICIPACOES, GESTAO DE ATIVOS , IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO LTDA Resolução nº 3301000.276 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 24 de janeiro de 2017 Assim, nos termos do art. 6º do RICARF, o processos conexos devem ter julgamento único. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...)§ 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 18689DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Resolução nº 3201001.073 S3C2T1 Fl. 18.690 56 Todavia, foi trazido a conhecimento desta Conselheira, a existência de um terceiro processo cuja conexão ao presente já foi reconhecida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção do CARF, qual seja: · 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS Resolução nº 3301000.275 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 24 de janeiro de 2017 Observase que a referida conexão do processo 10111.720047/201312 (NOVA) foi reconhecida na mesma sessão de julgamento do processo 10111.721473/201373 (MYRA), sendo que apenas este foi devidamente remetido à minha relatoria em razão da conexão. Diante do exposto, tendo em vista que já foi reconhecida a conexão do processo 10111.720047/201312 (NOVA) ao presente, visando à preservação da segurança jurídica, voto por converter o presente feito em diligência para que seja determinada a efetiva reunião dos feitos. Os presentes autos deverão aguardar em secretaria até que seja possível a reunião de todos os 4 (quatro) processos, com a posterior remessa à esta Relatora para inclusão conjunta em pauta de julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora PROCESSO INTERESSADO CONEXÃO DATA 10111.720547/201273 UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. E OUTROS Principal 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP Resolução nº 3402 000.792 10111.721473/201373 MYRA PARTICIPACOES, GESTAO DE ATIVOS , IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO LTDA Resolução nº 3301 000.276 24.01.2017 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS Resolução nº 3301 000.275 24.01.2017 Fl. 18690DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720048/2014-94
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Ainda que bem descritos os fatos, faz-se necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazê-lo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), art. 10 do Decreto nº 70.235/1970 e art. 50 da Lei nº 9.784/1999, do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC).
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009
IMPOSSIBILIDADE DE SE PROCEDER À GLOSA DE CRÉDITOS DO ADQUIRENTE PROVENIENTES DE DESTAQUE DE VALOR DE IPI A MAIOR POR PARTE DO FORNECEDOR.
É descabida a glosa de créditos apropriados pelo adquirente relativos a produtos entrados no estabelecimento da contribuinte. Inteligência do art. 225 RIPI e do art. 49 CTN, sob pena de duplo enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, sendo cabível ao fornecedor requerer a restituição do valor pago a maior nos termos do art. 166 CTN. Os deveres dirigidos à contribuinte-adquirente inerentes ao art. 266 do RIPI se referem, salvo exigências específicas que defluem da própria norma, são aqueles evidentes, decorrentes da simples análise da mercadoria e dos documentos fiscais, não sendo cabível se exigir que o adquirente verifique a correção da alíquota aplicada pelo fornecedor.
Numero da decisão: 3401-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a nulidade da autuação, na parte impactada pela discussão a respeito da classificação fiscal, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, e Fenelon Moscoso de Almeida; (b) por unanimidade, para afastar a exigência de valores relativos a supervisão de montagem do gerador (despesas acessórias), tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado votado pelas conclusões, por entender não incidir IPI na operação; e (c) por maioria, para afastar a exigência fiscal no que se refere à acusação de apropriação indevida de créditos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que mantinha o lançamento nesse aspecto.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA. FALHA DO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ainda que bem descritos os fatos, fazse necessário que o auto de infração indique claramente e com precisão os fundamentos legais que conduziram à sua lavratura, não podendo fazêlo de maneira genérica ou com vagueza, sob pena de se inviabilizar o direito de defesa. Arts. 3º e 142, parágrafo único da Lei nº 5.172/1966 (CTN), art. 10 do Decreto nº 70.235/1970 e art. 50 da Lei nº 9.784/1999, do inciso II do art. 489 da Lei nº 13.105/2015 (CPC). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 IMPOSSIBILIDADE DE SE PROCEDER À GLOSA DE CRÉDITOS DO ADQUIRENTE PROVENIENTES DE DESTAQUE DE VALOR DE IPI A MAIOR POR PARTE DO FORNECEDOR. É descabida a glosa de créditos apropriados pelo adquirente relativos a produtos entrados no estabelecimento da contribuinte. Inteligência do art. 225 RIPI e do art. 49 CTN, sob pena de duplo enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, sendo cabível ao fornecedor requerer a restituição do valor pago a maior nos termos do art. 166 CTN. Os deveres dirigidos à contribuinte adquirente inerentes ao art. 266 do RIPI se referem, salvo exigências específicas que defluem da própria norma, são aqueles evidentes, decorrentes da simples análise da mercadoria e dos documentos fiscais, não sendo cabível se exigir que o adquirente verifique a correção da alíquota aplicada pelo fornecedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 48 /2 01 4- 94 Fl. 4853DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado da Primeira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção, em dar provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a nulidade da autuação, na parte impactada pela discussão a respeito da classificação fiscal, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, e Fenelon Moscoso de Almeida; (b) por unanimidade, para afastar a exigência de valores relativos a supervisão de montagem do gerador (despesas acessórias), tendo o Conselheiro Tiago Guerra Machado votado pelas conclusões, por entender não incidir IPI na operação; e (c) por maioria, para afastar a exigência fiscal no que se refere à acusação de apropriação indevida de créditos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, que mantinha o lançamento nesse aspecto. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase auto de infração, situado às fls. 4.235 a 4.242, lavrado em 17/03/2014, com a finalidade de formalizar a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2009 a 31/08/2009, no valor histórico de R$ 11.002.758,79. 2. Segundo se depreende do relatório fiscal, situado às fls. 4.164 a 4.233, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: (i) apropriação indevida de créditos de IPI decorrentes (i.a) de destaque do fornecedor com alíquota a maior, o que gerou a glosa correspondente, no valor de R$ 22.521,85, uma vez que, no entendimento da autoridade fiscal, cabe ao adquirente da mercadoria verificar se o documento preenche todas as condições estabelecidas pelo RIPI (cf. item B.1 do relatório), e (i.b) de fornecedor enquadrado no SIMPLES, o que gerou a glosa correspondente, no valor de R$ 26.711,15, com fundamento nos arts. 118 e 166 do RIPI (cf. item B.2 do relatório); (ii) constatação de saídas sem destaque de IPI, ou com destaque menor do que o devido, no valor de R$ 27.638,11 (cf. item B.3 do relatório); (iii) saída de partes e peças de geradores classificados no código NCM nº 8501.64.00, sujeitos à alíquota de zero, enquanto que o correto seria o código NCM nº 8503.00.90, a uma alíquota de 10%, o que implicou uma diferença a recolher de R$ 7.021.721,13 (cf. item B.4 do relatório); (iv) ausência dos valores referentes às despesas acessórias, relativas à supervisão de montagem de gerador, na base de cálculo do IPI incidente sobre a saída dos geradores, o que implicou a diferença a recolher no valor de R$ 411.859,86 (cf. item B.5 do relatório). A autoridade fiscal, por fim, procedeu à consolidação das glosas de créditos nas entradas e dos acréscimos nas saídas e procedeu, em seguida, à reconstituição da escrita fiscal, resultando em saldos devedores de janeiro a agosto de 2009. Fl. 4854DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.854 3 3. A contribuinte apresentou, em 27/04/2011, impugnação, situada às fls. 4.247 a 4.327, argumentando, em síntese: (i) preliminarmente, a insubsistência da autuação, em virtude da ausência de fundamentos aptos a embasar o erro na classificação fiscal; (ii) que a classificação fiscal adotada pela empresa está correta e em conformidade com laudo técnico elaborado pelo INT, pois, apesar de industrializar geradores completos e acabados, precisa, em razão das especificidades técnicas de mercado, enviálos necessariamente desmontados para as usinas hidrelétricas e, neste sentido, o código NCM decorrente da aplicação das NESH, em especial a RGI nº 2a, está correto. 4. Em sessão de 18/11/2014, foi proferido o Acórdão DRJ nº 14 54.802, situado às fls. 4.610 a 4.661, e proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria e presidência do AuditorFiscal Sérgio Eduardo Barreto Mayr, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação intentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVAS PARA GERADORES ELÉTRICOS. As partes reconhecíveis como exclusivas para geradores elétricos da posição 8501 têm classificação fiscal NCM 8503.0090, com alíquota de 10%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ADOÇÃO DE ALÍQUOTA MAIOR DO QUE A CORRETA. Mantémse a glosa de créditos de IPI relativos a aquisições de insumos com destaque do imposto nas notas fiscais calculado com base em alíquota maior que a correta; compete às empresas vendedoras impetrar administrativamente pedidos de restituição do imposto indevidamente pago e à adquirente autorizar expressamente a repetição do indébito por conta da transferência do encargo financeiro. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. É devido o imposto não lançado nas notas fiscais de saída por erros de classificação fiscal e de alíquota. RESSARCIMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. Com débitos do imposto apurados em ação fiscal, o sujeito passivo somente faz jus ao ressarcimento/compensação dos saldos credores remanescentes da reconstituição da escrita fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 4855DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se o auto de infração ostentar os requisitos legais e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009 DECADÊNCIA A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de falta de antecipação de pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. A contribuinte, intimada em 06/01/2015 por meio da abertura dos respectivos arquivos digitais disponibilizados na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), interpôs, em 04/02/2015, recurso voluntário, situado às fls. 4.671 a 4.755, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 4856DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.855 5 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA ITEM B.4 DO RELATÓRIO FISCAL 7. Concerne à questão de fundo deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (8501.64.00), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (8503.00.90): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado quanto a este particular. 8. Para a contribuinte recorrente, a mercadoria deve ser classificada no Capítulo 85 ("Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios"), Posição 8501 ("Motores e geradores, elétricos, exceto os grupos eletrogêneos"), Subposição1 8501.6 ["Geradores de corrente alternada (alternadores)"], Subposição2, Item e Subitem 8501.64.00 ("De potência superior a 750 KVA"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 9. Por outro lado, a autoridade fiscal, em que pese concordar com a classificação quanto ao Capítulo 85 ("Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios"), discorda quanto aos seus sucedâneos, reputando como correta a Posição e Subposição 8503.00 ("Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502"), Item e Subitem 8503.00.90 ("Outras"), submetida, portanto, a uma alíquota de 10% de IPI. 1.1. Da nulidade do auto de infração 10. Ao remeter à posição e subposição 8503.00, a autoridade fiscal realizou, em seu relatório fiscal, como fundamento para a reclassificação da mercadoria, o seguinte raciocínio: a contribuinte não é a responsável por montar o gerador na usina hidrelétrica (cliente) e, logo, não dá saída a geradores, mas a partes e peças e, assim, utilizase a posição e subposição 8503.00, i.e., partes destinadas às máquinas da posição 8501, como, e.g., geradores de potência superior a 750 KVA, conforme se evidencia a partir dos seguintes trechos: "(...) a montagem das partes e peças para composição do gerador foram realizadas pelo cliente, portanto às (sic) expensas do mesmo (sic)"; e, ainda: "todas as partes e peças dos geradores que seriam montados nos canteiros de obras, deram saída na posição NCM 8501.64.00 (...) quando o correto seria NCM 8503.00.90". 11. Assim, o que se denota é que a autoridade fiscal baseia a reclassificação no fato de as mercadorias terem saído do estabelecimento da contribuinte desmontadas, para posterior montagem na hidrelétrica (cliente) por empresa de construção civil. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da alegação, cabe se ressaltar que o relatório fiscal, entre suas 69 folhas, situadas às fls. 4.164 a 4.233, em absolutamente nenhum Fl. 4857DF CARF MF 6 momento faz qualquer menção às regras próprias do Sistema Harmonizado para fundamentar ou subsidiar a sua decisão. 12. Tal constatação causa apreensão, pois, para se alcançar a classificação correta, é necessário se recorrer a um quadro de referências normativas bastante específico, a começar pelas regras gerais de interpretação (RGI) estabelecidas no anexo da Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias firmada em 1983, à qual o Brasil veio a aderir três anos depois, e que dão base à Tarifa Externa Comum (TEC) e internalizadas ao direito brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 71/1988 e promulgada por meio do Decreto nº 97.409/1988. Para tal análise, deverá o aplicador considerar, ainda, as notas explicativas do sistema harmonizado (NESH) que servem de orientação interpretativa até o nível das subposições, aprovadas pelo Decreto nº 435/1992, bem como as regras gerais complementares (RGC) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por seu turno, é fonte para a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) aplicáveis aos itens e subitens. 13. As regras da experiência e a criação de silogismos, sozinhas, não são capazes de sustentar a decisão do classificador como se alheadas de tal arcabouço normativo, e tampouco há de se falar em fundamentação implícita, pois as razões escritas são as próprias condições de sobrevivência da decisão. 14. Não obstante esta primeira constatação, há de se observar, não sem igual preocupação, que a decisão recorrida, situada às fls. 4.610 a 4.661, dedica, por sua vez, das suas 51 folhas, apenas uma única página para confirmar o auto de infração lavrado quanto a classificação fiscal por ele eleita como correta, o que, com todas as vênias, conforme se verá a seguir, não pode ser atribuído ao elevado poder de síntese do julgador a quo, mas ao franciscano aprofundamento na matéria concreta em debate, de evidente complexidade. 15. Não há, evidentemente, de se limitar a extensão física das peças das partes ou das decisões dos aplicadores, pois inexiste e tampouco deve existir tal imposição no direito positivo pátrio, o que não impede que se critique a reprodução mecânica, maquínica e desnecessária de premissas e elucubrações que pouco ou nada colaborarão para o deslinde do feito. Observese que, ainda que a concisão seja sempre desejável e apreciável, sobretudo ao se ter em vista o estoque, da ordem aproximada de 100 mil processos, que se avoluma neste Conselho, o tamanho das petições e das decisões é um preço muito pequeno cobrado pelo exercício da ampla defesa e pela demonstração do livre convencimento. Assim, houvesse a decisão, depois de traçadas as suas premissas, descido à análise do caso concreto, nada se poderia obstar do ponto de vista do direito. Porém, o problema é que tal não ocorreu: em nenhum momento o julgador de primeiro piso fez menção à atividade industrial exercida pela contribuinte ou mesmo às especificidades tanto da operação como da mercadoria, atributos que nos parecem imprescindíveis para se classificar o produto em apreço. 16. A decisão recorrida afastou, ainda, a alegação da contribuinte de nulidade do auto lavrado com base no fato de que a ora recorrente "(...) revelou pleno conhecimento da acusação imputada, arrostandoa em detalhada e alentada peça de defesa". Superou, portanto, a falha da acusação fiscal com fundamento em um suposto efeito Lázaro da impugnação, que estaria investida do poder de conceder a graça da validade superveniente ao auto inválido por bem compreendêlo e por bem refutálo. 17. Não bastante, a decisão a quo admitiu, em seguida, e de maneira expressa, a existência de vício intransponível consistente na falha de fundamentação do auto: "(...) no presente caso, apesar da falha do enquadramento legal (falta de indicação da regra de interpretação do Sistema Harmonizado e de notas de Seção da TIPI ou de alguma das notas Fl. 4858DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.856 7 explicativas das NESH), a descrição dos fatos articulada (...) foi suficiente" (seleção e grifos nossos). Tratase, claramente, de uma interpretação enviesada da máxima "dabo mihi factum, dabo tibi ius", pois cabe ao aplicador, a partir dos fatos, elucidar a norma, o que se sustenta pelo dever de conhecimento do direito a ser concretizado, independentemente de invocação prévia pelas partes ("iura novit curia"): como se sabe, mais que conhecer o direito (e aplicálo), devese sobretudo demonstrálo, sob pena de restar frustrado o direito de defesa. 18. Esta turma acolheu, por unanimidade de votos, no Acórdão CARF nº 3401003.424, proferido em sessão de 22/02/2017, de minha relatoria, a tese, em embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, de que, no caso de votação da maioria do colegiado "pelas conclusões", é necessário o registro do fundamento adotado pela maioria, sob pena de se impedir o exercício da defesa: "Na situação, como a presente, em que mais de um conselheiro vota "pelas conclusões", sequer é possível se afirmar com a necessária segurança se todos compartilharam das mesmas discordâncias, e em que medida. Ainda que presentes alguns dos conselheiros contemporâneos à data da sessão em que se proferiu a decisão embargada na atual composição deste colegiado (e não todos, ressaltese), ainda assim os julgadores presentes apenas poderão reportar à sua memória pessoal, o que não é desejável, seja do ponto de vista da segurança jurídica que demanda uma prestação jurisdicional, seja do ponto de vista dos predicados preceituados pelo art. 37 da Constituição da República de 1988, entre os quais destacamos o da publicidade, ou do dever de fundamentação corporificado em diversos momentos do ordenamento, como, e.g., no art. 31 do Decreto nº 70.235/1970 ou no art. 489 da Lei nº 13.105/2015 ("novo" Código de Processo Civil). Ocluir as fundamentações ou razões divergentes que culminaram em disposições ou decisões convergentes é, portanto, em nosso entendimento, frustrar o direito de defesa, seja da Fazenda Nacional, como no presente caso, ou dos Contribuintes, a quem se oportunizará recorrer dos resultados, mas não dos pressupostos fáticos ou jurídicos que conduziram ao convencimento dos aplicadores. Observese a maior gravidade do presente caso, em que cinco conselheiros votaram "pelas conclusões": a maioria do colegiado discordou dos fundamentos defendidos pelo relator" (seleção e grifos nossos). 19. No caso presente, sequer se conhece a fundamentação, ou muito menos o percurso argumentativo, que conduziu à conclusão pela reclassificação fiscal da mercadoria. Assim, é possível se compreender que a autoridade fiscal considerou equivocado o código utilizado pela contribuinte, mas não as razões (de direito) que o levaram a esta conclusão. Por outro lado, tampouco se conhecem os fundamentos jurídicos que deram apoio à tese sobre o código reputado correto pelo auto de infração. Conhecemse apenas os dados de fato: para o auditorfiscal, como a montagem do gerador não foi realizada pela recorrente, a venda foi de partes e peças, e não de um produto acabado e, logo, aplicável o código NCM 8503.00.90, o que revela um salto lógico defeso ao ato de concreção do direito. Não é esta a forma adequada de se classificar um produto, sobretudo ao se ter em conta a distribuição do Fl. 4859DF CARF MF 8 dever probatório, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato"1 e, no caso, estáse diante da lavratura de um auto de infração, e tampouco cabe às instâncias julgadoras prover a fundamentação que antes inexistia, o que seria o mesmo que alterar a fundamentação que reputa equivocada. 20. Ademais, a alteração da fundamentação do auto de infração pela decisão de primeira instância administrativa já foi objeto de censura por este Conselho em outras oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3403002.519, proferido em sessão de 22/10/2013, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, cujo trecho abaixo se transcreve: [trecho do relatório] "(...) preliminarmente, a impossibilidade de o julgamento administrativo reconstruir o auto de infração, alterando a motivação e a fundamentação do lançamento. Explica que o auto de infração fundamentouse em “(i) simulação absoluta e (ii) industrialização por encomenda. Já o julgador de primeira instância afirma que (a) não houve simulação absoluta (fls. 5029, item 59), mas houve elusão fiscal, ou seja, planejamento tributário com fraude à lei e abuso de direito, cujo contexto não foi evocado pelo Auditor Fiscal no auto de infração e cujos fundamentos legais lá não constam.”" [trecho do voto] "(...) Entendo, enfim, que não se caracterizar a simulação absoluta alegada pela Fiscalização e que a fundamentação apresentada pela DRJ configura alteração não apenas a motivação como da própria fundamentação legal (...) razão pela qual voto pelo provimento do recurso para cancelar a exigência fiscal" (seleção e grifos nossos). 21. Deflui do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/1970 que, quando, a partir de eventual perícia ou diligência determinada pela autoridade julgadora de primeira instância forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões que resultem agravamento da exigência inicial, inovação, ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. 22. Descabe, portanto, ao julgador, seja da Delegacia Regional de Julgamento ou deste Conselho, por ausência de competência ou mesmo de previsão legal, revisar a fundamentação e refazer o lançamento: a competência é decisória, e não criativa, o que esbarraria no teor por excelência do art. 146 do Código Tributário Nacional, sobre o qual já escrevemos em outras oportunidades.2 Desta forma, a falta cometida pelo auto de infração não é suprida por meio da decisão recorrida. 23. Descumprido, portanto, não apenas o dever de fundamentação, como também o desígnio dos arts. 3º e 142 do Código Tributário Nacional no sentido de ser o 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Cf. Declaração de voto de nossa lavra no Acórdão CARF nº 3401003.431, proferido em sessão de 29/03/2017, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, e o artigo [BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. "Construção e reconstrução do lançamento tributário: da tirania do texto à tirania do espírito". In: JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira (coord.) e BORGES, Letícia Menegassi (org.). Reflexões sobre temas tributários. São Paulo: Editora Intelecto, 2017, pp. 87112]. Fl. 4860DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.857 9 lançamento atividade vinculada e orientada à obtenção da liquidez e certeza do crédito tributário correspondente, pois a imprecisão na fundamentação macula o lançamento de maneira insanável e torna nula a constituição: Código Tributário Nacional Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 24. O dever de fundamentar transparece no art. 10º do Decreto nº 70.235/1970 como elemento indissociável da decisão. Por sua vez, o art. 50 da Lei nº 9.784/1999, determina que os atos administrativos deverão ser motivados, com a indicação não apenas dos fatos, como também dos fundamentos jurídicos, devendo a motivação ser "explícita, clara e congruente". Em nenhum momento se encontra clareza ou congruência na argumentação em apreço, pois desconhecidos, em absoluto, os caminhos de direito trilhados pela autoridade fiscal para alcançar o trecho dispositivo. Neste sentido, deve ser aplicado o teor da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, editada em 03/12/1969, com o seguinte teor: "A Administração pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos". 25. Neste sentido também a Lei nº 13.105/2015 que, no inciso II do art. 489, dispõe como elemento essencial da decisão não apenas as questões de fato, como também as de direito, pois duas faces da etapa de fundamentação. Acrescese à preocupação do legislador com as razões do decidir o § 1º cujo preceptivo normativo considera não fundamentada a disposição que: (i) limitarse à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; (ii) empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; e (iii) invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão. Há de se admitir que o processo classificatório de mercadorias, bens e produtos é regido por regras específicas, não sendo bastante a menção a um determinado código NCM para se legitimar a acusação fiscal de erro na classificação. 26. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular, no sentido de declarar a nulidade do auto de infração lavrado em virtude da falta de motivação e fundamentação. 1.2. Da classificação fiscal da mercadoria Fl. 4861DF CARF MF 10 27. Em função do resultado da votação, que acolheu a proposta deste Relator no sentido de se declarar a nulidade do auto de infração lavrado, em conformidade com o item 1.1 acima deste voto, para fins de atendimento ao disposto no artigo 63, § 8º do RICARF, fica esclarecido e registrado que o presente item 1.2 não foi apreciado pelo colegiado. No entanto, fazse necessário o seu registro devido ao fato de as alegações nele constantes integrarem de maneira indissociável, na condição de premissas, a argumentação e as conclusões do item 2, referente aos valores relativos à supervisão de montagem do gerador (item B.5 do relatório fiscal), que foi conhecido. 28. Para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso ao texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, e de acordo com texto atualizado pela Instrução Normativa RFB nº 807, de 11/01/2008, que incorporou as alterações efetuadas pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) decorrentes da Recomendação do Conselho de Cooperação Aduaneira de 26/06/2004, em vigor a partir de 01º/01/2007 ("Quarta Emenda ao Sistema Harmonizado"). Ao nos voltarmos especificamente ao Capítulo 85 da TIPI ("Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios"), encontramos o ponto limítrofe da classificação que restou incontroverso entre os litigantes. Segundo o entendimento do auto de infração, as mercadorias deram saída do estabelecimento da contribuinte desmontadas, sendo que a montagem se daria em momento posterior e por terceiro (empresa de construção civil) e, logo, o produto se trata de partes e peças de um gerador, e não de um gerador completo, o que atrai a aplicação para o código NCM nº 8503.00.90, sujeitando a operação a uma alíquota de 10%. 29. Chegase a esta conclusão a se considerar que a Posição e Subposição 8503.00 se referem a "Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502", e, tendo em conta que a contribuinte classificava seu produto na Posição 8501, que descreve "Motores e geradores, elétricos, exceto os grupos eletrogêneos", concluise que, na visão da autoridade fiscal, estáse diante de "Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas a motores e geradores, elétricos, exceto os grupos eletrogêneos". Assim, na concepção do auto de infração, a operação se refere à saída de partes de geradores, enquanto que, para a contribuinte, referese à saída de geradores. Para se perscrutar a respeito da classificação correta, necessário se buscar amparo nas metaregras de aplicação ínsitas ao Sistema Harmonizado e, deste contexto normativo, destacase a RGI nº 2a, com a disposição abaixo transcrita: 2. a.) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. 30. Reportamse às RGI, as notas explicativas do Sistema Harmonizado, entre as quais se destacam as seguintes: "I) A primeira parte da Regra 2 a) amplia o alcance das posições que mencionam um artigo determinado, de maneira a englobar não apenas o Fl. 4862DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.858 11 artigo completo mas também o artigo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. (...) III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. (...) V) A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte. VI) Esta Regra de classificação aplicase, também, ao artigo incompleto ou inacabado apresentado desmontado ou por montar, desde que seja considerado como completo ou acabado em virtude das disposições da primeira parte desta Regra. VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Para este efeito, não se deve ter em conta a complexidade do método da montagem. Todavia, os diferentes elementos não podem receber qualquer trabalho adicional para complementar a sua condição de produto acabado. Os elementos por montar de um artigo, em número superior ao necessário para montagem de um artigo completo, seguem seu regime próprio" (seleção e grifos nossos). 31. Naqueles casos em que não há enquadramento ideal à posição do Sistema Harmonizado, de modo que a classificação não possa ser definida de acordo com a RGI nº 1, e de maneira a considerar a forma e a complexidade da circulação da mercadoria devido, por exemplo, ao seu tamanho, estrutura ou outras especificidades técnicas, a RGI nº 2 amplia o alcance da posição de modo a contemplar artigos desmontados ou por montar, devendo ser aplicada, portanto, de maneira subsidiária. Contudo, fazse desde já a ressalva de que não será qualquer produto desmontado que se enquadrará em tal dispositivo, mas somente aqueles que atenderem a determinadas características, entre as quais destacamos a de apresentar "(...) no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado", sendo as demais encontradas nas notas explicativas. 32. Assim, em síntese, restará enquadrada a mercadoria no código correspondente à Posição 8501 ("geradores"), portanto, se, principalmente: (i) as partes e peças refletirem as "características essenciais" do artigo completo/acabado; (ii) o produto não estiver classificado entre as Seções I a VI; (iii) o produto se apresenta desmontado sobretudo por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte; (iv) os diferentes elementos se destinam a ser montados, desde que se trate de simples operações de montagem (ou seja, os diferentes elementos não podem receber qualquer trabalho adicional Fl. 4863DF CARF MF 12 para complementar a sua condição de produto acabado), sendo de todo modo irrelevante para a classificação o grau de complexidade do método da montagem. 33. A classificação no código NCM 8501.64.00 da TIPI se situa na Seção XVI, satisfazendo, assim, o item (ii) dos requisitos acima. Importante se destacar, nesta oportunidade que, ao se localizar a Seção correspondente, é possível se buscar o auxílio das Notas de Seção e, neste caso, a Nota nº 4 em especial é útil instrumento à interpretação: "4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85" (seleção e grifos nossos). 34. É neste sentido que o item V das considerações gerais das notas de seção referentes à Seção XVI esclarece que razões como necessidade e comodidade de transporte levam as máquinas (tais como os geradores em comento) a se apresentarem desmontadas: ainda assim, "(...) o conjunto é classificado como máquina ou aparelho e não, quando a posição existe, na posição relativa às partes". Assim, sob todos os aspectos que se analisem, o fato de a máquina ser montada apenas na hidrelétrica não desnatura necessariamente a classificação adotada pela contribuinte, e tampouco transparece da atenta leitura das NESH que o fato de a montagem vir a ser realizada por um terceiro afaste a aplicação da RGI nº 2a, pois, como se demonstrou acima, outros foram os requisitos erigidos para fins de classificação. Tal hipótese será confirmada, para todos os efeitos, se o aplicador responder afirmativamente às seguintes indagações: (i) as partes e peças refletem as características essenciais do artigo completo/acabado?; (ii) o produto se encontra desmontado por necessidade/conveniência da embalagem, manipulação ou transporte?; (iii) os elementos (partes e peças) precisam ser apenas montados, ou seja, sem receber qualquer trabalho adicional para complementar a sua condição de produto acabado (independentemente da complexidade do método da montagem)?; e (iv) as partes e peças, quando montadas, desempenharão conjuntamente uma função bem determinada? 35. Para bem se responder a tais questões, necessário se analisar com maior cuidado a especificidade da operação desenvolvida pela contribuinte, cuja área de atuação é a fabricação de equipamentos eletromecânicos para centrais hidrelétricas, principalmente turbinas e geradores, intitulandose, conforme se depreende das razões de seu recurso, a "líder no mercado mundial para geração de energia hidroelétrica" e "único fabricante a possuir, no Brasil, todas as etapas para o fornecimento de turbinas hidráulicas e geradores". De maneira esquemática, a contribuinte é responsável pela fabricação e fornecimento: (i) da turbina (item 04): que transforma a energia potencial gravitacional, por meio da água reservada no reservatório (diferença de queda d'água), em energia mecânica; e (ii) do gerador (item 05): que transforma a energia mecânica gerada pela turbina (rotação) em energia elétrica, respectivamente representados pelos itens 04 e 05 da representação abaixo, retirada dos documentos que instruem os presentes autos: Fl. 4864DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.859 13 36. Assim, a turbina (que transforma energia gravitacional em energia mecânica) e o gerador (que transforma energia mecânica em energia elétrica), constituem a unidade geradora das centrais elétricas que, a partir das quedas d'água geral energia elétrica. Seu funcionamento é em conjunto e são acoplados um ao outro, e se consubstanciam em uma unidade geradora: Fl. 4865DF CARF MF 14 37. Assim, as unidades geradoras devem ser customizadas de acordo com as necessidades de cada central elétrica, de forma a variar de acordo com a queda d'água e com o potencial energético de cada queda, o que impede, inclusive, o fornecimento de uma peça única e idêntica para todas as clientes da contribuinte. 38. A contribuinte apresentou, ainda, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (Relatório Técnico nº 000.930/2014), que concluiu que os geradores em referência consubstanciam equipamentos de grande porte e complexidade formados pela junção de diversos componentes, descrevendoos um a um, de maneira a apontar o peso e a forma de transporte até o local de sua instalação. O gerador, com peso de 342,16 toneladas, requer 14,5 veículos de carga para transporte entre carretas comuns (que suportam carga de até 33.000 kg) e carretas tipo prancha (que suportam carga de até 109.000kg), não sendo possível o envio "de uma única vez". Defluise da leitura do Laudo INT, ademais, não ser possível o envio de um gerador montado para a Usina Hidrelétrica, pois montado de acordo com as fases de construção da obra. Assim, segundo os termos do próprio relatório técnico, "as peças para formação do gerador são montadas 'in loco', ou seja, são instaladas na hidrelétrica a partir da junção de diversos componentes". O laudo, ao tratar especificamente sobre a possibilidade de se enviar o gerador montado para a hidrelétrica, pondera que: "(...) devido ao peso e à área que o gerador ocupa é impossível transportálo montado, sendo também o gerador, na sua íntegra, perigoso tanto para transporte na rodovia quanto para a carga transportada, que se trata de material robusto, porém frágil, não podendo ser arranhado, empenado, torcido, pois, provavelmente, caso algum acidente ocorra, as peças não se encaixarão em seu local na obra, também o maquinário não pode ficar exposto às intempéries devido corrosão, calor etc., assim, de acordo com o avanço das obras são enviadas as partes do maquinário para colocação em seu local de instalação, protegido" (seleção e grifos nossos). 39. A consulente formula, então, o seguinte quesito: "Com base nas respostas às demais perguntas, queira V.Sa. confirmar se a caracterização correta é de um gerador de potência superior a 750KVA ou de partes e peças, justificando a resposta", e obtém, do Laudo INT, a seguinte resposta: "A caracterização técnica da mercadoria, acima periciada, é de um gerador completo e desmontado". O que se denota do estudo do relatório técnico é que os geradores são itens de grande porte, formados pela junção de diversos componentes, cujo envio de forma montada não é possível, e que a totalidade das partes e peças remetidas pela contribuinte ora recorrente à Usina Hidrelétrica se caracteriza como um "gerador completo e desmontado", ou seja, que a totalidade dos componentes a que a empresa dá saída são de fato utilizados na construção do produto final. 40. Do laudo é possível se extrair, ainda, a totalidade das partes e peças que compõem o gerador: carcaça do estator, núcleo (dedos de aperto, inferior e superior), núcleo (laminação lâminas e lâminas com espaçador), barras do estator, ligações do estator, polo completo, aranha do rotor, mancal combinado (corpo), mancal combinado (tampas), mancal combinado (escora), mancal combinado (contra escora), mancal combinado (guia), suporte do mancal, ogiva do gerador, duto de acesso, conjunto coletor (alongamento, porta escovas, eixo, coletor), plataformas/escadas, freios, suportes, reservatório, quadro de frenagem, embutidos no concreto, sistema de resfriamento de óleo (tubos e unidades hidráulicas), tubulação de água (trocadores e tubos), sistema de monitoramento e caixas com miscelâneas formadas por parafusos, porcas e itens de montagem em geral. Fl. 4866DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.860 15 41. É possível, ainda, se identificar com minúcia, precisão e acuidade, cada uma das fases da construção do gerador: prémontagem no pátio externo (nariz de bulbo, duto de acesso), prémontagem na área de montagem (eixo, anel coletor, rotor do gerador, estator, unidade geradora 1 e estator bobinagem), e montagem no poço (montagem vedação do eixo, posicionamento do eixo para descida de rotores, montagem do estator, montagem do rotor do gerador, posicionamento do nariz de bulbo para recuo, tampa do gerador, fechamento do bulbo, fechamento do poço gerador). 42. Ao se realizar o cotejo entre (i) as partes e peças, individualmente consideradas, que deram saída do estabelecimento da contribuinte, e (ii) a minuciosa descrição das etapas de montagem/construção do gerador na Hidrelétrica, que fazem explícita menção ao uso de tais componentes, é possível se verificar que, em que pese se estar diante de um método evidentemente complexo de montagem, percebese que as peças não apenas se destinam a conformar um produto final, como mantêm a sua condição de produto acabado. De um lado, em nenhum momento o Laudo INT refere à necessidade de se trabalhar qualquer componente para somente então empregálo na obra; de outro, pelo contrário, a leitura das etapas de montagem e prémontagem utilizam a nomenclatura original de cada item a que a recorrente deu saída. 43. Assim, é possível se responder com elevada segurança de forma afirmativa aos quatro quesitos desbordados da leitura das regras de interpretação e de classificação de mercadorias que defluem do Sistema Harmonizado: (i) as partes, em conjunto, refletem as características essenciais de um artigo completo; (ii) é impossível o transporte do produto "de uma única vez", sendo imprescindível, portanto, o seu transporte desmontado; (iii) as peças e partes são, individualmente consideradas, produtos acabados que são montadas por um método complexo; e (iv) quando por fim montados os componentes desempenham uma função bem determinada, que é gerar, a partir de energia gravitacional, energia elétrica, consistindo, desta forma, no verdadeiro "coração" da Usina Hidrelétrica. 44. Outro aspecto a ser considerado para a análise é a conformação jurídica eleita pela recorrente para dar materialidade à sua operação para realizar seus serviços, como visto acima, de elevada complexidade e de longa duração. A empresa se valeu de contratos conhecidos na área de infraestrutura pelo codinome "Engineering, procurement and construction", também chamados de "contratos EPC", cujo objeto envolve o projeto, a aquisição e a construção de um determinado artefato, o que se aproxima da ideia de empreitada global que envolve um plexo de obrigações do contratado. Tratase, no caso concreto, de uma modalidade específica correntemente conhecida como contrato do tipo "turn key". A expressão designa uma modalidade de contratação em que o contratado, no caso a recorrente, assume a obrigação de entregar um artefato, no caso um gerador, à contratante, no caso a Usina Hidrelétrica que, por sua vez, não deseja se envolver nas etapas da execução do serviço, mas apenas, dentro de um prazo determinado, receber a coisa pronta a um tal ponto que basta "girar a chave" ("turn key") para colocála em funcionamento, o que, no direito contratual francês, é conhecido pela alcunha de "clé en main". A figura de linguagem é rica e reveladora: o contrato deste tipo envolve empreitada, compra e venda, prestação de serviços, mas, ao fim e ao cabo, sabese que o cliente não deseja adquirir peças (estator, rotor, freios ou tubos), mas um produto pronto e acabado (um gerador). 45. Como preleciona José Eduardo Soares de Melo, o EPC "(...) previsto no direito estrangeiro, tem sido utilizado para a construção de obras de grande porte, Fl. 4867DF CARF MF 16 compreendendo a realização de diversas relações contratuais",3 que envolvem o dono da obra, o empreiteiro, os fornecedores e os demais prestadores de serviços: "Constituemse por distintas cadeias contratuais, relacionadas com o escopo central (obra contratada) (...). Na realidade, o engineering é o contrato pelo qual um dos contratantes (empresa de engenharia) se obriga não só a apresentar projeto para a instalação da indústria, mas também a dirigir a construção dessa indústria e pôla em funcionamento, entregandoa a outro (pessoa ou sociedade interessada); que, por sua vez, se compromete a colocar todos os materiais e máquinas à disposição da empresa de engenharia e a lhe pagar os honorários convencionados, reembolsando, ainda, as despesas feitas (...). Em suas modalidades encontrase o commercial engineering, que abrange, além da etapa de estudo, uma fase de execução, ou seja, a construção e a entrega de uma instalação industrial em funcionamento; tratase dos chamados contratos de turn key (...). É um contrato de compra e venda de equipamento industrial já instalado, acionado, testado e agilizado na produção, pois o vendedor deverá, além de entregar o referido equipamento vendido, fornecer a tecnologia de sua utilização, treinar o pessoal do contratante e prestar assistência técnica. O EPC apresenta certa similaridade com os contratos de empreitada, divergindo quanto à distribuição de obrigações e riscos, porque na empreitada global o empreiteiro fornece materiais e mãodeobra, enquanto no EPC certas obrigações podem ser assumidas (parcialmente) pelo dono da obra relativamente a específicos fornecimentos de materiais (...). No EPC pode ser entendido que o epicista (contratado) desempenha complexas atividades (demandando inúmeras relações jurídicas), que poderiam qualificálo como empreiteiro por obrigarse a construir uma obra de grande porte montador e fornecedor de equipamentos (desenho, projeto, construção, fornecimento). O Código Civil não regula esta específica modalidade contratual (EPC), tratandose de negócio atípico (ou inominado), constituído por elementos originais ou resultantes da fusão de elementos característicos de outros contratos; acarretando certas combinações, em que ressaltam os chamados contratos mistos, que aliam a tipicidade à atipicidade (...). Os contratos atípicos têm condição de ser aceitos pelo novo ordenamento (art. 425 do Código Civil), sendo lícito às partes (dono da obra e epicista) a sua estipulação, observadas as normas gerais de contratos, face à expressa estipulação da 'liberdade de contratar' consoante a função social do contrato (art. 421), e face aos ensinamentos apontados a respeito das normas das empreitadas"4 (seleção e grifos nossos). 46. Recortase, em busca das estipulações ínsitas ao caso concreto, da documentação que instrui os presentes autos administrativos, exemplo de contrato firmado entre a recorrente e a empresa DM Construtora de Obras Ltda. responsável pela implantação da "Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Bocaiúva no Estado de Mato Grosso", objeto da autuação fiscal em debate, situado às fls. 2.393 a 2.587: 3 MELO, José Eduardo Soares de. Direito tributário empresarial. São Paulo: Quartier Latin, 2009, pp. 129144. 4 Ibidem. Fl. 4868DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.861 17 47. Às fls. 3.305 a 3.347 se situa outro contrato de fornecimento de geradores e turbinas objeto da autuação em debate, desta vez tendo como parte contratante o AHE Monjolinho: 48. A execução da montagem dos geradores e turbinas, por sua vez, envolve obras de construção civil para acomodar, fixar e alinhar a unidade geradora à estrutura da barragem e da "casa de máquinas" da Hidrelétrica em construção e, neste momento, a montagem é realizada por empresa terceira, que não industrializa as peças, mesmo porque adstrita ao projeto da empresa recorrente, mas é responsável por acomodar o gerador e a turbina fisicamente dentro da obra. É possível se verificar o escopo específico deste contrato, por sua vez, é o suporte estrutural da obra (construção de toda a hidrelétrica), no que se inclui a alocação e inclusão de gerador e turbina em seu interior: o papel da contribuinte recorrente é unicamente fornecer tais aparatos. Este, ademais, o exato objeto que se verifica a partir da apreciação, entre outros, do instrumento contratual celebrado entre a autuada e o Consórcio Construtor Bom Retiro, situado às fls. 3.348 a 3.755: Fl. 4869DF CARF MF 18 49. Da leitura dos dois primeiros instrumentos se conclui que o objeto contratual consiste na entrega de geradores montados, e informa a recorrente em seu recurso voluntário que o tempo decorrido entre o projeto, a fabricação e a montagem de um gerador como este pode durar cerca de dois a três anos, como se extrai, e.g., do cronograma abaixo: Fl. 4870DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.862 19 50. Após a celebração do negócio, a recorrente passa a adquirir os insumos necessários à produção, e envia parte da matéria prima e dos produtos intermediários para terceiros para que elaborem os componentes dos geradores por meio de industrialização por encomenda. Tais aparatos são então recepcionados no estabelecimento da recorrente e vistoriados e avalizados por seus engenheiros. Por fim, a empresa realiza o desmonte dos componentes do gerador e envia as peças e partes para o canteiro de obras da Hidrelétrica para as fases de prémontagem e montagem acima referidas. A menção a tais contratos é de extrema importância para que se identifique com acuidade e precisão o específico objeto da empresa desenvolvida pela contribuinte e, se nos parece evidente que as convenções particulares sejam inoponíveis ao Fisco, é igualmente verdadeiro que as cláusulas contratuais esclarecem e jogam luz sobre a relação jurídico tributária. 51. Da análise dos objetos contratuais próprios de um negócio jurídico de empreitada global EPC do tipo "turn key", necessário se verificar a forma como tais operações foram registradas pela recorrente em suas notas fiscais de saída, e se toma, como exemplo, o documento situado à fl. 4.106 que se refere à remessa de anel magnético, peça essencial para a montagem e para o funcionamento do gerador fabricado pela empresa autuada: 52. Em outras palavras, a saída da mercadoria não pode ser entendida em sua acepção física, como fato de exteriorização, que se convola em partes e peças, mas em sua acepção jurídica, esta sim relevante para a conformação do fato gerador, ou seja, a saída de um artefato, ainda que desmontado por questões de logística, segurança e comodidade. Este o sentido da existência da RGI nº 2a que estabelece a regra de extensão das posições e, desta Fl. 4871DF CARF MF 20 feita, enquanto o "(...) produto desmontado ou o conjunto de partes e peças desmembrado se equipara ao produto final montado, para efeito da legislação do IPI, o produto montado decorre da reunião de produtos diferentes que resultam em um novo produto ou unidade autônoma".5 53. Assim, para nos valermos do didático exemplo de Milton Carmo de Assis Jr., o ar condicionado do tipo "split system" é um sistema composto por elementos separados, consistentes em evaporador e condensador, que são instalados no interior e no exterior de ambientes: "geralmente as partes do conjunto se apresentam separadas; nem por isso perdem a característica de conjunto ou de sistema com classificação unitária", assim como acontece com o gerador e a turbina. O caso é rico em comparações, pois tal sistema de ar condicionado em regra "(...) é entregue ao adquirente com suas partes separadas, cabendo a esse contratar a instalação/montagem, que se caracteriza, nesse contexto, como prestação de serviço". Ademais, os "(...) materiais utilizados nessa montagem (parafusos, tubulações e fitas adesivas) são elementos integrantes da atividade do instalador".6 Assim, a empresa que vende o ar condicionado classifica suas partes (evaporador e condensador) como um único artefato, ainda que desmontado, e o fato de o cliente realizar a contratação de um instalador (terceiro) não desnatura a classificação da mercadoria vendida. 54. Por fim, há de se trazer a conhecimento deste colegiado que caso idêntico, relativo a IPI na saída de geradores, desta mesma contribuinte recorrente, para período de apuração distinto, foi julgado no Acórdão DRJ nº 15040.148, proferido em 13/05/2016, sob a relatoria do Auditor Fiscal Orlando Santiago da Costa Jr., da 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador/BA, que decidiu cancelar integralmente a autuação, no Processo Administrativo nº 18088.720345/201359, sob o fundamento de que se aplica ao caso a RGI nº 2a, e com base nos seguintes elementos de prova: "Com base nos contratos firmados entre o impugnante e seus clientes, anexados ao processo administrativo (...), bem como nas afirmações ontidas no Termo de Verificação Fiscal e transcritas a seguir, concluise que o caso em questão é de comercialização de máquinas e aparelhos completos e acabados, porém apresentados desmontados ou por montar. Os contratos analisados não têm como objeto o comércio de partes e peças, mas de turbinas e geradores completos e acabados. (...) Além disso, a despeito da descrição dos produtos nas referidas notas fiscais de partes e peças, o conteúdo do campo de informações complementares deixa claro que se trata da venda de equipamentos descritos como 'GERADORES SÍNCRONOS TRIFÁSICOS DE EIXO' (...) o fato das partes que compõem o gerador terem sido enviadas através de notas fiscais distintas, bem como em momentos igualmente distintos, não retira a característica essencial do fato jurídico, que é a intenção negocial de adquirir um gerador completo, e não simplesmente algumas de suas peças" (seleção e grifos nossos). 55. A decisão fez menção, corretamente, à completa desnecessidade de que a própria contribuinte realize a montagem dos geradores na Hidrelétrica, nos seguintes termos: 5 ASSIS JR., Milton Carmo. Classificação Fiscal de Mercadorias NCM/SH: seus reflexos no direito tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2015, pp. 135136. 6 Idem, pp. 136137. Fl. 4872DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.863 21 "Da leitura dos trechos acima transcritos, verificase que o AuditorFiscal entende que a legislação garante ao contribuinte a possibilidade de dar saída a seus produtos desmontados ou por montar, porém só admite a classificação destes na posição do produto completo caso o próprio industrial realize a operação de montagem (...). Tal interpretação impõe ao contribuinte uma exigência que não está prevista nas regras de classificação do Sistema Harmonizado nem em qualquer outro dispositivo da legislação tributária. Com efeito, se o legislador pretendesse import tal condição, o teria feito na própria redação da RGI 2a, ao final da segunda parte, assim como fez ao final da 1ª parte, com a exigência de que os artigos incompletos apresentassem as características essenciais do artigo completo para se enquadrarem em sua posição" (seleção e grifos nossos). 56. Necessário se ressaltar que, em casos de classificação fiscal de mercadorias, não basta ao aplicador constatar o equívoco do Código NCM utilizado pela contribuinte para sustentar a autuação, pois o erro cometido pelo sujeito passivo da obrigação não convalida a escolha levada a termo por sua contraparte na relação jurídicotributária, pois o lançamento de ofício apenas será mantido se confirmada a classificação superveniente reputada correta pela autoridade fiscal em detrimento da originalmente utilizada pela empresa. Por outro lado, não subsistirá o auto de infração se confirmado como correto o código originalmente utilizado, ou, ainda, se constatado o equívoco do código que motivou a autuação e, neste caso, ainda que as duas pontas da relação incorram em erro, ainda assim improcedente será o lançamento, até que um novo o suceda, sob uma terceira classificação, necessariamente diversa das que a antecederam, não cabendo a este Conselho, neste caso, a função consultiva de declarála. No caso presente, contudo, o que se observou foi uma dupla razão para a improcedência do auto de infração lavrado: a classificação utilizada pela autoridade fiscal está errada e, não obstante, logrouse êxito em se comprovar que a classificação originalmente utilizada pela contribuinte autuada está correta. 57. Logo, com base nas regras gerais para a interpretação do sistema harmonizado, e em especial na RGI nº 2a, as partes e peças saídas do estabelecimento da contribuinte autuada, ora recorrente, destinamse a formar aparatos completos e acabados e, portanto, classificamse no código NCM nº 8501.64.00. 58. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado neste particular. No entanto, para fins de atendimento ao disposto no artigo 63, § 8º do RICARF, e em estreita conformidade com o quanto explicitado no parágrafo 27 do presente voto, o presente item não foi apreciado pela turma, que acolheu a proposta deste relator no sentido de declarar a nulidade do auto de infração lavrado, que foi mantido quando da formalização do presente acórdão por estabelecer premissas para o raciocínio a ser desenvolvido nos itens subsequentes deste voto. 2. VALORES RELATIVOS À SUPERVISÃO DE MONTAGEM DE GERADOR (DESPESAS ACESSÓRIAS) ITEM B.5 DO RELATÓRIO FISCAL 59. A autoridade fiscal, no item B5 de seu relatório, refere à ausência dos valores correspondentes às despesas acessórias, relativas à supervisão de montagem de Fl. 4873DF CARF MF 22 gerador, na base de cálculo do IPI incidente sobre a saída dos geradores, o que implicou a diferença a recolher no valor de R$ 411.859,86. 60. Caso se adotem as premissas delineadas no item pregresso do presente voto, e considerada correta a classificação fiscal adotada pela contribuinte, de fato não há que se falar que compõem a base de cálculo do IPI aqueles valores relativos à supervisão de montagem e comissionamento, pois tal questão restará superada e prejudicada. 61. Contudo, caso eventualmente vencido o argumento esposado por este relator quanto à classificação fiscal, vislumbrase, pela leitura das notas fiscais acostadas pela recorrente, que tais serviços estão sujeitos à incidência do Imposto sobre Serviços (ISS) e argumenta a contribuinte que, neste caso, não há de se falar na incidência IPI, pois, como tributos sobre o consumo, não poderiam gravar simultaneamente o mesmo fato gerador, ou, ainda, porque não se caracteriza, in casu, o fato gerador do IPI sobre típicas prestações de serviço. 62. Para melhor se compreender a natureza desta relação contratual, há de se esclarecer que a contribuinte realizou cobrança de despesas a título de serviços de supervisão de montagem e de comissionamento dos geradores. Se, mais acima, entendemos que se está diante de uma relação jurídicocontratual do tipo "EPC" que vem se tipicizando no setor de infraestrutura com cláusula de "turn key", há de se admitir que se trata, de um lado, de um preço cobrado em contrapartida de um todo (entrega do gerador pronto e terminado, em pleno funcionamento), mas sem esquecer, todavia, que múltiplos são os fundamentos de direito privado, pois variegadas as naturezas jurídicas das operações conduzidas pela recorrente, entre as quais destacamos a prestação de serviços, sujeita ao ISS. 63. Assim, ao considerarmos os contratos celebrados, o que resta da destilação jurídica dos eventos é uma indústria ou atividade mista (composta por obrigações de dar e de fazer, por atividadesfim e atividadesmeio) fornecidas em contrapartida a um preço, sendo a finalidade do contrato a entrega de uma obra ou artefato pronto e acabado. Colocados nestes termos, denotase da leitura do inciso II, § 1º do art. 131 do RIPI/2002, que constitui valor tributável, para fins de IPI, "(...) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial", sendo que o "valor da operação" compreende "(...) o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário". Tais despesas de operação mista, portanto, integram o preço cobrado pela recorrente para entregar às suas clientes o gerador pronto e acabado, não havendo, portanto, em se falar, ao menos neste caso específico de que tratamos, de desrespeito à repartição das competências tributárias na incidência do IPI, sendo problemática, de todo modo, a nosso ver, a incidência do ISS sobre aquilo que se apresenta como típica atividademeio. 64. Assim, caso considerada incorreta a classificação fiscal adotada pela contribuinte e correta aquela indicada pela autoridade fiscal, os valores relativos à supervisão e montagem do gerador (despesas acessórias próprias das atividademeio) devem compor a base de cálculo do IPI, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 3. DA APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS POR DESTAQUE DE VALOR DE IPI A MAIOR ITEM B.1 DO RELATÓRIO FISCAL Fl. 4874DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.864 23 65. A apropriação indevida de créditos de IPI decorrentes de destaque do fornecedor com alíquota a maior, tratada no item B.1 do relatório fiscal, gerou a glosa correspondente no valor de R$ 22.521,85. 66. No entendimento da autoridade fiscal, cabe ao adquirente da mercadoria verificar se o documento preenche todas as condições estabelecidas pelo RIPI e, no caso, não sendo possível se considerar a não cumulatividade de maneira ampla e irrestrita. De fato, tal argumento não socorre a contribuinte, mas tampouco é possível se concordar com a decisão recorrida ao manter a glosa efetuada. 67. Isto porque, se o fornecedor da mercadoria realizou indevidamente destaque a maior de IPI, não havendo qualquer indício ou hipótese nos autos de simulação ou de fraude, não há, na situação presente, qualquer prejuízo à Fazenda, mas verdadeiro enriquecimento ilícito. Devido à repercussão econômica do tributo, ao fornecedor caberia, em tese, proceder à restituição das quantias pagas a maior desde que satisfeitos os "requisitos diabólicos" do art. 166 do Código Tributário Nacional, tocando à contribuinte recorrente prover a autorização expressa em virtude dos chamados "efeitos translativos" do tributo. 68. Observese que, a concretizar o inciso II do § 3º do art. 153 da Constituição de 1988, o art. 225 do RIPI (Decreto nº 7.212/2010) estabelece que a não cumulatividade do IPI é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinteadquirente para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. No mesmo sentido, o art. 49 do Código Tributário Nacional determina que o montante devido do imposto é "a diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados". 69. Assim, de uma perspectiva econômica, ao se autorizar a glosa dos créditos tomados pela autuada, admitese, em verdade, um arrasto cumulativo sobre a cadeia econômica, pois a empresa terá realizado o recolhimento de seu imposto sobre o preço de saída e terá cancelado o crédito correspondente. 70. Há de se considerar, por outro lado, a obrigação insculpida no RIPI e dirigida ao adquirente da mercadoria: RIPI Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo, cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). Fl. 4875DF CARF MF 24 71. A decisão recorrida admite, corretamente, que tal dispositivo não obriga a adquirente a "(...) verificar a classificação fiscal da mercadoria e a alíquota consignadas nas notas fiscais", mas considera que o efeito de tal constatação é unicamente afastar a aplicação da pena do art. 492 do RIPI.7 Assim não nos parece: ao se concluir que a dicção do art. 266 do RIPI não obriga o adquirente a verificar classificação fiscal e alíquotas das notas fiscais emitidas por seus fornecedores, inviabilizase a própria glosa dos créditos correspondentes. Observese, neste sentido, a completa impraticabilidade da norma caso a leitura fosse diversa: estarseia a exigir de uma contribuinte como a recorrente, que adquire possivelmente milhares de peças e insumos, a análise fundamentada de cada item adquirido. Conjeturase que não haveria suficientes tributaristas no mercado fosse esta a interpretação. 72. Desnecessário dizer que o desígnio da norma evidentemente não é este. O objetivo do dispositivo é alcançar apenas aquilo que o adquirente "sabe ou deveria saber", sobre erros formais ou de identificação imediata ou evidente. Em outras palavras: cabe à adquirente examinar se os produtos estão rotulados, marcados, selados (caso estiverem sujeitos ao selo de controle) e se estão acompanhados dos documentos exigidos, e se tais documentos satisfazem às prescrições (formais) do Regulamento. Quando a exigência de verificação é específica, exigindose um verdadeiro dever de fiscalização ou de colaboração do adquirente, a norma é expressa, e.g. ao exigir que verifique se a mercadoria está selada, estando a fornecedora sujeita ao selo de controle, o que obriga a empresa a saber se há ou não a sujeição de seu fornecedor à norma em apreço. 73. No Acórdão CARF nº 340200.719, proferido em 27/07/2010, de relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, ponderase justamente sobre os limites do art. 266 do RIPI e da própria responsabilidade que o dispositivo atribui ao adquirente. O caso concreto tratado pelo voto é justamente aquele do exemplo dado, em que a norma exige, de maneira expressa e cogente, um conhecimento específico da adquirente sobre seus fornecedores: "Não há dúvida de que o adquirente de produtos pode ser responsabilizado por infrações relativas às mercadorias compradas sempre que a lei assim o dispuser. E assim é o caso quando tais mercadorias estejam submetidas à exigência de selagem. Em tais circunstâncias deve o adquirente recusar o recebimento daquelas que, a ele sujeitas, não o portem. Essa obrigação está expressamente prevista nos artigos legais citados no auto de infração: 253 e 266 do RIPI/98. Ocorre que, a meu sentir, não é disso que se cuida. É que, a meu ver, a norma apenas alcança as situações em que o adquirente sabe, ou deveria saber à vista dos atos legais e normativos que regem a espécie, que o produto recebido está sujeito à exigência de selagem. (...) Quanto aos cigarros e aos relógios de pulso ou de bolso isso não apresenta qualquer dificuldade visto que a regra é a exigência, cabendo poucas exceções para sua dispensa" (seleção e grifos nossos). 7 RIPI Art. 492. A inobservância das prescrições do art. 266 e de seus § 1º e §3º, pelos adquirentes e depositários de produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 82). Fl. 4876DF CARF MF Processo nº 18088.720048/201494 Acórdão n.º 3401003.751 S3C4T1 Fl. 4.865 25 74. Assim, em alguns casos muito específicos é possível se responder à seguinte indagação realizada pelo relator: "(...) deveras, como se pode exigir do adquirente que questione o seu fornecedor acerca da classificação por ele adotada?", sendo o caso do selo bastante emblemático. Em outros casos, como no presente, em que nem a lei nem as disposições infralegais exigem o conhecimento da alíquota correta aplicável (repitase: não havendo indícios ou acusação de simulação ou fraude), não pode o aplicador realizar, por vontade própria, tal exigência, claramente excessiva. Para além das exigências específicas, portanto, a obrigação dos adquirentes é aquela decorrente da cognição perfunctória, aferível mediante simples conferência dos documentos e da mercadoria, conforme transparece da ementa do acórdão em referência: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 12/09/2003 OBRIGAÇÕES DOS ADQUIRENTES, RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. A responsabilização do adquirente de produtos sujeitos ao selo de controle, que os receba sem tal condição, só se aplica quando a exigência seja identificável pela classificação fiscal aposta nos documentos de aquisição ou pela simples identificação da mercadoria. Se, entretanto, a classificação fiscal, reconhecida em ato da própria SRF, indica tratarse de produto não sujeito ao selo, eventual reclassificação fiscal, baseada em laudo técnico elaborado, apenas pode afetar o fabricante. Recurso provido 75. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado neste particular. 4. MATÉRIAS NÃOIMPUGNADAS E INCONTROVERSAS ITENS B.2E B.3 DO RELATÓRIO FISCAL 76. Quanto às infrações específicas discriminadas nos itens B.2 e B.3 do relatório fiscal, a matéria restou incontroversa, tendo a contribuinte reconhecido expressamente a procedência da autuação, devendose prosseguir a cobrança quanto a este particular. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 4877DF CARF MF 26 Fl. 4878DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.003731/89-02
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA.
SDAD ARMEEM M 2 HT - ESTEARIL DIMETIL AMINA DEST. Mistura de
aminas terciárias, obtidas a partir do sebo natural (composto de
constituição química não definida quando isolado).
Código 38.19.99.00 da TAB vigorante na data do despacho de
importação.
Descabimento da multa do arts.524 e 526 - II do RA.
Provido parcialmente o recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03.02.755
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos DAR provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência do imposto e juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fausto de Freitas e Castro Neto e Ubaldo Campello Neto.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T19:25:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T19:25:56Z; Last-Modified: 2009-07-07T19:25:57Z; dcterms:modified: 2009-07-07T19:25:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T19:25:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T19:25:57Z; meta:save-date: 2009-07-07T19:25:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T19:25:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T19:25:56Z; created: 2009-07-07T19:25:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-07-07T19:25:56Z; pdf:charsPerPage: 1307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T19:25:56Z | Conteúdo => , ' r' MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n°. 10711.003731/89-02 Recurso n°. : RP/301-0.497 Matéria : CLASSIFICAÇÃO/MISTURA DE AMINAS GRAXAS TERCIÁRIAS. Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : i a CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : HERGA INDÚSTRIAS QUIMICAS LTDA Sessão De : 14 DE OUTUBRO DE 1997 Acórdão N°. : CSRF/03-02.755 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. SDAD ARMEEM M 2 HT - ESTEARIL DIMETIL AMINA DEST. Mistura de aminas terciárias, obtidas a partir do sebo natural (composto de constituição química não definida quando isolado). Código 38.19.99.00 da TAB vigorante na data do despacho de importação. Descabimento da multa do arts.524 e 526 - II do RA. Provido parcialmente o recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional Vistos relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos DAR provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência do imposto e juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fausto de Freitas e Castro Neto e Ubaldo Campello Neto SON IRA r' •DRIGUES PRESI B be' • JeAD OLANDA COSTA ELATOR FORMALIZADO EM: un 6 mAR 1990 PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, HENRIQUE PRADO MEGDA e NILTON LUIZ BARTOLI 2 PROCESSO 1\1°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO 1n1°. :03-02 755 RECURSO N.°. :RP/301-0.497 RECORRENTE :FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Com o Acórdão 301-27.303, de 15 de fevereiro de 1.993, decidiu a 1a. Câmara do 3o. Conselho de Contribuintes dar provimento, por maioria de votos, ao recurso de HERGA INDÚSTRIAS QUIMICAS LTDA, para classificar SDAD ESTEARIL DIMETIL AMINA DEST. classe amina terciária, teor de pureza mínima 97%, no código TAB 38.19.99.00. Para esta decisão a Câmara louvou-se em Parecer do Instituto Nacional de Tecnologia (fl. 17), tendo em vista ainda o contido em a Nota 1.a do Cap. 29 da TAB, segundo a qual neste Capítulo se compreendem os compostos orgânicos de constituição química definida ao passo que no Cap. 38 só se compreendem os compostos químicos de constituição química não definida (Nota 1.a do Cap. 38), apresentados isoladamente. A importação constou do produto SDAD ARMEEN M 2 HT - Estearil Dimetil Amine Dest, declarada em Dl de 14 de agosto de 1.988, no código 29.22.31.99 da TAB, classificação alterada pela fiscalização da Receita Federal para 38.19.99.00,em Auto de Infração lavrado em 31.05.89, tendo em vista o contido no Laudo 2031/88 do LABANA que concluiu tratar-se de uma amina graxa terciária, sem constituição química definida quando isolada. Na Informação Técnica n. 82/89 ( fls. 17 ), esclareceu o Labana que o produto ARMEEN M2 HT é citado nas literaturas consultadas como sendo obtido a partir do sebo, material graxo natural que origina uma mistura com diversos grupos de alquilas aminadas e não somente a cadeia graxa estearil, exigência básica para ser considerado 1 como de constituição química definida, quando isolado. \\-t. 3 PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 Posteriormente, em resposta aos quesitos de fl. 37, verso, o LABANA produziu a Informação Técnica 266/89. Inconformada com a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais que versa sobre fato gerador do imposto de importação que ocorre com a entrada da mercadoria no território aduaneiro; falta em conflito intertemporal quando o contribuinte evocou um laudo referente a outra importação (outro fato gerador) que se realizou em tempo passado e que, por isso, não servirá para instruir a defesa. Acrescenta o digno procurador da Fazenda Nacional: "Note-se que a alegação do contribuinte, em matéria de prova, tanto sucumbe a um entendimento superveniente quanto a um entendimento concomitante de um outro instituto chamado a emitir laudo técnico. É evidente que no último caso a escolha do fisco atendeu a critério, não sendo aleatória, a fim de que se evite prejuízo ao contribuinte" Entende que entre o laudo do INT e o do LABANA, há que prevalecer o do LABANA e não, .o do INT como faz o relator designado que redigiu o voto. Por fim, diz que adota, para classificação, os fundamentos do Voto Vencido. Nas contra-razões, em preliminar, a empresa argúi a nulidade do recurso da Fazenda Nacional, uma vez que citou os fundamentos do voto vencido que não está nos autos, o que caracteriza afronta ao princípio da ampla defesa, desde que ficou impossibilitada à Recorrente de desenvolver suas razões na sua plenitude. Na hipótese, porém, de a Câmara Superior de Recursos Fiscais poder no mérito decidir a favor da recorrida, pede que o faça por aplicação da regra do parágrafo 3o. do art. 59 do Decreto 70.235/72, acrescentado pela lei 8748/93. Passa a discutir o mérito da classificação, 4 PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 reeditando as razões já desenvolvidas no curso do processo, concluindo por requerer o desprovimento do recurso especial. É o relatório. 5 PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 VOTO CONSELHEIRO RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA A classificação de mercadoria na TAB envolve um aspecto técnico, da identificação da mercadoria quanto à composição, o processo de fabricação, o emprego, a embalagem etc. e um aspecto legal, da aplicação da Nomenclatura com suas Regras Gerais, as Notas de Seção, de Capítulo ou de Posição, conforme o caso, sem esquecer o princípio geral que preside sua elaboração, a saber, que ela parte do mais simples, do menos elaborado para o produto intermediário e para o produto final, em termos de emprego, etc. Por fim, há as Notas Explicativas, verdadeiro repositório de dados técnicos e merceológicos com a finalidade de elucidar o sentido e alcance dos termos e expressões da Nomenclatura. Deve ser referido ainda que a linguagem da Nomenclatura de Mercadorias nem sempre coincide com a linguagem usual e corrente no comércio e na técnica. O uso da linguagem da Nomenclatura é de uso obrigatório por decorrer da lei tarifária. A ninguém é dado eximir-se de sua aplicação, alegando ignorância delas ou argüindo a existência de litígio quanto ao correto entendimento dos conceitos, da parte dos aplicadores. A questão deste processo versa sobre classificação fiscal do produto denominado SDAD ARMEEN M 2 HTR ESTEARIL DIMETIL AMINA DEST, classe amina terciária. Duas possibilidades de enquadramento tarifário do referido produto são examinadas no processo: a) Código 29.22.31.99, adotado pela empresa no despacho de importação; b) Código 38.19.99.00, pretendido pela Receita Federal. 6 PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 Constam dos autos pronunciamentos tanto do LABOR quanto do INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Os resultados analíticos dos Laudos dos dois institutos coincidem na identificação do material, de modo que não existe discrepância quanto à composição, sendo coincidente a apreciação de que se trata de um composto orgânico animal constituído de uma mistura de aminas graxas terciárias obtidas do sebo natural. A divergência entre os dois institutos científicos oficiais está em que o LABOR, por aplicação estrita da norma de classificação constante da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias e na conformidade dos subsídios merceológicos fornecidos pelas Notas Explicativas da Nomenclatura, qualificou o material como sendo um composto de constituição química não definida, considerado isoladamente, por se tratar de mistura de aminas graxas terciárias. Por sua vez, o Instituto Nacional de Tecnologia, por não acatar a linguagem da Nomenclatura nem das Notas Explicativas, deixou de lado o preciso conceito legal do que seja um composto de constituição química definida, quando isolado. A posição do INT é, por conseguinte insustentável do ponto de vista legal. Neste ponto, é bom deixar bem claro que declarar que um composto químico é de constituição química definida quando apresentado isoladamente não deve ser uma conclusão de natureza técnico-científica. Não existe razão para formular quesito a este respeito nem ao LABOR nem ao INT, pois é um conceito legal, inserido dentro da lei tarifária, que só ao classificador, dentro da Receita Federal ou dos órgãos julgadores de Segunda Instância - Conselho de Contribuintes e esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, compete aplicar. Aos institutos técnico-científicos encarregados da análise do material compete identificá-lo dentro do seu enfoque científico, competindo aos referidos 7 PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 órgãos do Ministério da Fazenda dar a classificação dentro da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias. Assim, após ter em mãos a perfeita especificação da mercadoria, o órgão classificador exercerá sua competência legal privativa de, à luz da Nomenclatura de Mercadorias, declarar que determinado composto químico é, por exemplo, de constituição química definida, considerado isoladamente. Por assumir a postura de classificador é que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais se volta para o problema que lhe vem às mãos através do presente recurso especial da Fazenda Nacional. Na espécie, forçoso é reconhecer que, na conformidade das regras de classificação, estando a mercadoria caracterizada como uma mistura de aminas graxas, derivadas da gordura animal (sebo ), não há como lhe dar enquadramento tarifário no Cap. 29 onde, com algumas exceções, são classificados os compostos de constituição química definida, quando apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas ( Nota 29.1- letra "a" ) Ao invés disto, o Cap 38 é próprio para o enquadramento dos produtos químicos e das preparações das indústrias químicas e das indústrias conexas (incluídas as constituídas por misturas de produtos naturais ), não especificadas nem compreendidas em outras posições. Para o produto em causa , acima descrito e identificado, a classificação correta é no código 38.19.99.00, na data do despacho de importação em análise. Quanto à preliminar argüida pela empresa, nas contra-razões, entendo que não procede, dado que a citação do voto vencido que no entanto não foi juntado ao 8 " PROCESSO N°. :10711.003731/89-02 ACÓRDÃO N°. :03-02 755 Acórdão, não impediu em nada a defesa do sujeito passivo dado que nenhuma novidade traria que já não constasse dos autos. Rejeito, por conseguinte, a preliminar. No recurso voluntário, a empresa insurgira-se contra a exigência da multa do art. 524 do R.A, apresentando razões que merecem acolhida. De notar, sobretudo, que a mercadoria está corretamente descrita nos documentos de importação, restringindo-se o equívoco da empresa ao enquadramento tarifário. Não há indício de dolo ou má fé da parte do contribuinte. Por todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional quanto ao mérito da classificação da mercadoria no código 38.19.99.00 da TAB vigente na data da importação, ficando, porém, excluída a multa do art. 524 do Regulamento .Aduaneiro. Sala das Sessões, DF - em 14 de outubro de 1997 / /MÁl J HOLANDA()LANDA COSTA. 7 9 _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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