Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13984.721920/2012-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1002-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos constantes dos autos e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, nos termos da fundamentação.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 13984.721920/2012-22
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6467673
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 1002-000.303
nome_arquivo_s : Decisao_13984721920201222.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : RAFAEL ZEDRAL
nome_arquivo_pdf_s : 13984721920201222_6467673.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos constantes dos autos e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
id : 8966467
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:39:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563969974272
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-07T19:26:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-07T19:26:23Z; Last-Modified: 2021-09-07T19:26:23Z; dcterms:modified: 2021-09-07T19:26:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-07T19:26:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-07T19:26:23Z; meta:save-date: 2021-09-07T19:26:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-07T19:26:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-07T19:26:23Z; created: 2021-09-07T19:26:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-09-07T19:26:23Z; pdf:charsPerPage: 2031; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-07T19:26:23Z | Conteúdo => 0 S1-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13984.721920/2012-22 Recurso Voluntário Resolução nº 1002-000.303 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 12 de agosto de 2021 Assunto DCOMP - IRRF - COOPERATIVAS Recorrente UNIMED LAGES - COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO DA REGIAO DO PLANALTO SERRANO Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos constantes dos autos e elabore Relatório Circunstanciado definitivo sobre a liquidez e certeza do crédito vindicado, nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Lucas Issa Halah. Relatório Trata-se de retorno de diligência proposta por esta mesma Turma Extraordinária, em 04 de fevereiro de 2020, na qual determinou-se o retorno dos autos para que a Unidade de Origem pudesse verificar as alegações da recorrente quanto à regularidade das retenções de IRRF de Cooperativas (Código 3280), tal como informadas em DCOMP. No caso, a unidade de origem analisou Declarações de Compensação que compensavam débitos de IRRF código 0588 com crédito decorrente de retenção de código 3280, referente à retenção sobre pagamentos à cooperativas de trabalho. Foram analisadas pela RFB um total de 20 DCOMPs, tendo sido gerados 20 processos de crédito. Todas as DCOMPs informam retenções pretensamente ocorridas nos anos- calendários 2007 e 2008. A autoridade fiscal entendeu por deferir parcialmente o crédito, visto que não foram validados todos os dados referentes às retenções informadas nas DCOMPs. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .7 21 92 0/ 20 12 -2 2 Fl. 3125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1002-000.303 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721920/2012-22 A análise do crédito compreendeu a verificação das informações de retenção prestadas pela Cooperativa em cada uma das DCOMPs abaixo relacionadas com os dados informados nas DIRF transmitidas pelas fontes pagadoras. Em todos os despachos decisórios, a autoridade fiscal informa que a glosa dos créditos deveu-se não apenas à falta de informação de retenção em DIRF mas também porque algumas retenções já tinham sido utilizadas em outras DCOMPs. Em alguns casos, houve declaração em DIRF em valores inferiores ao declarado em DCOMP. Ao final, o crédito informado em cada DCOMP foi parcialmente reconhecido pela DRF conforme abaixo: PER/DCOMP CRÉDITO PLEITEADO (R$) PROCESSO ADMINISTRATIVO CRÉDITO RECONHECIDO PELA DRF 20592.51609.100408.1.3.05-6340 R$8.081,02 13984.721919/2012-06 R$2.413,99 10682.44667.090508.1.3.05-7538 R$9.764,17 13984.721920/2012-22 R$5.407,46 31891.05704.080208.1.3.05-8406 R$8.561,54 13984.721916/2012-64 R$4.507,72 18860.86707.080808.1.3.05-5545 R$7.516,06 13984.721923/2012-66 R$3.116,77 02597.53736.100908.1.3.05-0178 R$10.040,73 13984.721924/2012-19 R$4.477,69 22496.88650.100708.1.3.05-0083 R$10.615,66 13984.721922/2012-11 R$4.065,66 19458.04831.100608.1.3.05-4493 R$8.661,47 13984.721921/2012-77 R$4.147,92 23799.79647.200109.1.3.05-5754 R$13.001,15 13984.721928/2012-99 R$5.962,48 26297.55410.101008.1.3.05-0535 R$8.346,16 13984.721925/2012-55 R$3.663,42 30125.42268.101108.1.3.05-9702 R$11.296,65 13984.721926/2012-08 R$5.189,85 12514.07079.191208.1.3.05-3983 R$9.828,56 13984.721927/2012-44 R$5.804,34 TOTAL 105.713,17 --- 48.757,30 Em recursos à DRJ, a recorrente apresentou os seguintes argumentos (texto extraído do relatório do Acórdão recorrido): “7.1. é descabida a glosa de legítimos créditos fiscais; 7.2. o IRRF sobre pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas às cooperativas foi instituído pela Lei 8.541, que, em seu artigo 45, deixa claro o direito de utilizar os valores retidos para compensar o imposto que vier a ser retido dos cooperados; 7.3. posteriormente, a Lei 8.981/95, em seu artigo 64, alterou as disposições da Lei 8.541/92, porém nada trouxe sobre questões relativas ao efetivo recolhimento ou situações de erro de código de recolhimento por parte do contratante dos serviços, apenas acrescentou a possibilidade de pedido de restituição; 7.4. todos os créditos lançados na PER/DCOMP estão devidamente comprovados na escrituração contábil; 7.5. a Requerente não pode ser penalizada pelo imposto que lhe foi retido, portanto, pago, mas não recolhido aos cofres públicos por quem a lei atribuiu a obrigação de reter e recolher; 7.6. da mesma forma, não pode ter glosada a compensação do imposto que lhe foi retido, mas recolhido com o código incorreto (1708 em vez de 3280), pois se trata de ato e erro de terceiro, sem nenhuma interferência e/ou responsabilidade da Requerente; 7.7. não há na legislação tributária nenhuma vinculação da compensação com o efetivo recolhimento dos valores retidos, que cabe única e exclusivamente à Pessoa Fl. 3126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1002-000.303 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721920/2012-22 Jurídica que promoveu a retenção e, da mesma forma, com eventual recolhimento com código “ Em seção do dia 05 de fevereiro de 2020, esta Turma entendeu pelo retorno de todos os processos para que a unidade de origem analise os documentos eventualmente apresentados e que possam confirmar as informações de retenção prestadas nas DCOMPS. A diligência foi cumprida, tendo sido lavrada uma Informação fiscal para cada processo, ainda que se tenha optado pela análise em conjunto de todas as DCOMPS de um mesmo ano-calendário (2007 ou 2008). A análise realizada pela DRF consistiu basicamente em: Apurar o montante informado a título de retenção de IRPJ em todos os códigos de receita conforme relatório Resumo do Beneficiário que engloba as informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF; Abater deste montante o IR aproveitado em DCOMP de saldo negativo de IRPJ; Distribuir o saldo resultante para todas as DCOMP do ano-calendário (Sobra de retenção) no valor de R$3.913,56 no caso do ano 2008; Intimação endereçada à recorrente para que apresente documentos adicionais comprobatórios das retenções informadas em DCOMP; Validação das retenções comprovadas pelos novos documentos juntados pela recorrente. No caso do ano-calendário 2008 PER/DCOMP CRÉDITO PLEITEADO (R$) PAF CRÉDITO DEFERIDO INICIALMENTE (R$) DIFERENÇA (R$) SOBRA DE RETENÇÃO Retenções validadas após intimação 20592.51609.100408.1.3.05-6340 R$8.081,02 13984.721919/2012-06 R$2.413,99 R$5.667,03 R$3.913,56 R$ 168,88 10682.44667.090508.1.3.05-7538 R$9.764,17 13984.721920/2012-22 R$5.407,46 R$4.356,71 R$3.913,56 R$ 563,05 31891.05704.080208.1.3.05-8406 R$8.561,54 13984.721916/2012-64 R$4.507,72 R$4.053,82 R$3.913,56 R$ 251,00 18860.86707.080808.1.3.05-5545 R$7.516,06 13984.721923/2012-66 R$3.116,77 R$4.399,29 R$3.913,56 R$ 434,43 02597.53736.100908.1.3.05-0178 R$10.040,73 13984.721924/2012-19 R$4.477,69 R$5.563,04 R$3.913,56 R$ 388,89 22496.88650.100708.1.3.05-0083 R$10.615,66 13984.721922/2012-11 R$4.065,66 R$6.550,00 R$3.913,56 R$ 139,51 19458.04831.100608.1.3.05-4493 R$8.661,47 13984.721921/2012-77 R$4.147,92 R$4.513,55 R$3.913,55 R$ 600,00 23799.79647.200109.1.3.05-5754 R$13.001,15 13984.721928/2012-99 R$5.962,48 R$7.038,67 R$3.913,55 R$ 948,48 26297.55410.101008.1.3.05-0535 R$8.346,16 13984.721925/2012-55 R$3.663,42 R$4.682,74 R$3.913,55 R$ 223,72 30125.42268.101108.1.3.05-9702 R$11.296,65 13984.721926/2012-08 R$5.189,85 R$6.106,80 R$3.913,55 R$ 158,14 12514.07079.191208.1.3.05-3983 R$9.828,56 13984.721927/2012-44 R$5.804,34 R$4.024,22 R$3.913,55 R$ 599,46 TOTAL 105.713,17 --- 48.757,30 43.049,11 R$ 4.475,56 Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a recorrente não apresentou novas razões de defesa no prazo estipulado. É o relatório Fl. 3127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1002-000.303 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721920/2012-22 VOTO Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Ademais, observo que o recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, entretanto, constato que não se encontra em condições de julgamento, conforme discorrido a seguir. A controvérsia dos autos está restrita à validação das retenções de IRRF sob o código de receita 3280, relacionado à retenção de IR no pagamento realizado à Cooperativa de trabalho. A recorrente é uma cooperativa de trabalho médico (UNIMED DE LAGES). O trabalho empreendido pela unidade de origem, que resultou na lavratura do Despacho Decisório, corretamente limitou-se à validar ou não os dados de retenção informados pela recorrente em cada um dos diversos PER/DCOMPs englobados no trabalho de fiscalização. Ao contrário do que argumenta a recorrente, não se trata de glosar as retenções em virtude de suposta falta de recolhimento. A fiscalização e a consequentemente constatação de recolhimento ou não das retenções é irrelevante nos casos aqui analisados, e tem importância apenas na relação entre fontes pagadoras e a Receita Federal. O que interessa em qualquer caso que envolva informação de retenção é a prova do recebimento líquido do rendimento após o abatimento do tributo (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, etc) As compensações aqui analisadas foram realizadas com fundamento no artigo 652 do Decreto 3000/1999, no seu parágrafo 1º: “Seção III Pagamentos a Cooperativas de Trabalho e Associações Profissionais ou Assemelhadas Art.652. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64). §1ºO imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, §1º). §2ºO imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na Fl. 3128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1002-000.303 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721920/2012-22 forma e condições definidas em ato normativo do Ministro de Estado da Fazenda (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, §2º).” As compensações analisadas nos diversos processos administrativos acima relacionados tem como único objetivo o atendimento do artigo 652, § 1º do RIR/99. Diante disto, o procedimento adotado pela unidade de origem de distribuir igualitariamente o valor total do “saldo das retenções” de IR extraído das DIRF, ainda que se tenha tido o cuidado de abater o valor aproveitado em DCOMP de saldo negativo, não tem amparo legal. O parágrafo 6 da informação fiscal detalha o procedimento adotado: “6. Assim, inicialmente, fez-se uma análise da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) tendo o interessado como beneficiário (fls. 3006 a 3099). O total de retenção que envolve imposto de renda foi de R$ 249.603,05. Além disso, verificou-se, que R$ 91.200,51 foi utilizado como crédito de Saldo Negativo de IRPJ em outro PER/DCOMP (nº 32594.02247.291010.1.7.02-7308 – fls. 3100), restando disponível para ser aproveitado R$ 93.778,53, sob os códigos de receita 1708, 3280 e 8045. Todavia, deste último montante, R$ 50.729,42 já foram inicialmente deferidos, restando então R$ 43.049,11, os quais poderão ser divididos para ser aproveitados nos citados PER/DCOMP, conforme tabela a seguir: Há um erro material no parágrafo acima transcrito. O valor total de retenções no relatório “Resumo do beneficiário” não é de R$ 249.603,50 pois não deve ser computada a retenção de código 8863, que não se refere a retenção de IRPJ: Fl. 3129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1002-000.303 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721920/2012-22 Mas independentemente do erro material, as compensações aqui analisadas não podem utilizar qualquer retenção de imposto de renda, indiscriminadamente, tendo em vista a particularidade da compensação prevista no artigo 652, § 1º do RIR/1999. Retenções de código 3426 e 6800 se referem a rendimentos auferidos no mercado financeiro, enquanto que as de código 5706 informam a retenção no pagamento de juros sobre capital próprio. As retenções de código 1708 estão relacionadas à prestação de serviço entre pessoas jurídicas. Em todos estes casos há rendimentos tributáveis e que devem compor a base de cálculo do IRPJ da cooperativa, o que inclusive foi feito pela recorrente, visto que apurou saldo negativo de IRPJ, aproveitando R$ 91.200,51 de retenções na DCOMP 32594.02247.291010.1.7.02-7308, conforme relatado pela unidade de origem. Nosso voto anterior, esclarecemos que havia a possibilidade de ocorrência de erro no preenchimento das DIRFs pelas fontes pagadoras, fato comum verificado em compensações desta natureza. Mas também esclarecemos que a tese apresentada pela empresa não estaria cabalmente comprovada. A validação de algumas retenções, após a juntada de novos documentos, demonstram que o argumento da recorrente confere com a realidade, ainda que parcialmente. Ocorre que a ocorrência destes erros deve ser provada. Esta turma decidiu oportunizar à recorrente a possibilidade de comprovar documentalmente a regularidade das retenções informadas em DCOMP, ainda que parcialmente. E neste ponto, convém observar que além das fontes pagadoras terem cometido erros de preenchimento de DIRF, o que foi comprovado em alguns poucos casos, a recorrente pode também ter cometido erro na contabilização de algumas retenções. Vejamos, por exemplo, o caso do processo 13984001071201114, DCOMP 28400.18402.080307.1.3.05-8353. Trata-se de uma DCOMP transmitida em 08/03/2007 mas que informa algumas retenções de IRRF que pretensamente ocorreram em junho de 2007: Trata-se, na melhor das hipóteses, de retenções ocorridas no ano anterior, 2006, pois sabe-se que não é possível que a recorrente tenha conhecimento da ocorrência de uma retenção ocorrida no futuro. Caso contrário, ou seja, que estas retenções se refiram a 2007, então a recorrente demonstra não ter segurança sobre as informações que presta em DCOMP. Em todo caso, entendo que a diligência realizada pela RFB não atendeu o disposto na resolução, que inclusive determinou a intimação das fontes pagadoras, o que não foi feito. Fl. 3130DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1002-000.303 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13984.721920/2012-22 Na informação fiscal de alguns processos do ano 2008, a RFB utilizou apenas o “saldo de retenção” no valor de R$ 3.913,56, além de valores que teriam sobrado de outros processos. Vejamos no PAF 13984.721921/2012-77: “9. Como citado anteriormente, além dos valores confirmados mediante a apresentação da documentação (fatura + extrato bancário) existe uma sobra de retenção passível de aproveitamento para o PER/DCOMP nº 19458.04831.100608.1.3.05-4493 no montante de R$ 3.913,55, o qual poderá ser confirmado. Além disso, poderá ser aproveitado R$ 600,00 de outros processos que estavam com sobra de confirmação de retenção, completando-se o valor pendente de R$ 4.513,55” grifei Portanto, entendo que devem os autos retornarem à unidade da RFB competente para que seja realizada a diligência determinada em resolução, no sentido que as fontes pagadoras sejam intimadas a se pronunciar sobre as alegações de retenção, tal como informadas em DCOMP, mas exclusivamente quanto às retenções ainda pendentes de validação e após exauridas as pesquisas nos sistemas da RFB e encerrado o prazo de manifestação inicial da recorrente para produção probatória. Quanto às retenções declaradas como ocorridas em mês posterior à transmissão da DCOMP, e a DCOMP 28400.18402.080307.1.3.05-8353 é apenas um caso, cabe à recorrente, se entender conveniente, apresentar os esclarecimentos. Do resultado da Diligência, a RFB deve elaborar novo relatório, que pode inclusive ter um modelo comum a diversos processos, desde que a análise das retenções seja restrita ao PER/DCOMP respectivo, tal como procedido inicialmente pela DRF de Lajes SC, sem a utilização de distribuição de valores de retenção não relacionados com recebimento de Cooperativas de trabalho. Ao final, será a recorrente intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias. Findo esse prazo, retornem-se os autos a esta turma para julgamento. É como voto (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral- Relator Fl. 3131DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003272/2007-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
MATÉRIAS NÃO INSERIDAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. PRELIMINAR PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (Multa Agravada).
Numero da decisão: 9101-005.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento quanto à primeira matéria (conhecimento de matéria não impugnada referente à imputação da penalidade na forma majorada), vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella (relator), Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli e Alexandre Evaristo Pinto que votaram por dar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Duek Simantob. Votou pelas conclusões do voto do relator, quanto ao mérito, a conselheira Livia De Carli Germano. Prejudicado o exame quanto à segunda matéria (aplicação da multa majorada). Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Edeli Pereira Bessa. Nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF, a Conselheira Junia Gouveia Sampaio não participou do julgamento, prevalecendo os votos já proferidos pelo Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto na reunião de julho de 2021.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob Presidente em exercício e Redatora Designada
(documento assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 MATÉRIAS NÃO INSERIDAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. PRELIMINAR PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (Multa Agravada).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10640.003272/2007-64
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6491183
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-005.540
nome_arquivo_s : Decisao_10640003272200764.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : CAIO CESAR NADER QUINTELLA
nome_arquivo_pdf_s : 10640003272200764_6491183.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento quanto à primeira matéria (conhecimento de matéria não impugnada referente à imputação da penalidade na forma majorada), vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella (relator), Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli e Alexandre Evaristo Pinto que votaram por dar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Duek Simantob. Votou pelas conclusões do voto do relator, quanto ao mérito, a conselheira Livia De Carli Germano. Prejudicado o exame quanto à segunda matéria (aplicação da multa majorada). Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Edeli Pereira Bessa. Nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF, a Conselheira Junia Gouveia Sampaio não participou do julgamento, prevalecendo os votos já proferidos pelo Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto na reunião de julho de 2021. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob Presidente em exercício e Redatora Designada (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
id : 9002643
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563978362880
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-24T17:40:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-24T17:40:26Z; Last-Modified: 2021-09-24T17:40:26Z; dcterms:modified: 2021-09-24T17:40:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-24T17:40:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-24T17:40:26Z; meta:save-date: 2021-09-24T17:40:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-24T17:40:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-24T17:40:26Z; created: 2021-09-24T17:40:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2021-09-24T17:40:26Z; pdf:charsPerPage: 2425; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-24T17:40:26Z | Conteúdo => CCSSRRFF--TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10640.003272/2007-64 RReeccuurrssoo Especial do Procurador AAccóórrddããoo nnºº 9101-005.540 – CSRF / 1ª Turma SSeessssããoo ddee 09 de agosto de 2021 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo DROGARIA CARVALHO E CANAAN LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 MATÉRIAS NÃO INSERIDAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. PRELIMINAR PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (Multa Agravada). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento quanto à primeira matéria (“conhecimento de matéria não impugnada referente à imputação da penalidade na forma majorada”), vencidos os conselheiros Caio Cesar Nader Quintella (relator), Livia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli e Alexandre Evaristo Pinto que votaram por dar- lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Duek Simantob. Votou pelas conclusões do voto do relator, quanto ao mérito, a conselheira Livia De Carli Germano. Prejudicado o exame quanto à segunda matéria (“aplicação da multa majorada”). Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Edeli Pereira Bessa. Nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF, a Conselheira Junia Gouveia Sampaio não participou do julgamento, prevalecendo os votos já proferidos pelo Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto na reunião de julho de 2021. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício e Redatora Designada (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 32 72 /2 00 7- 64 Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de Recurso Especial (fls. 435 a 451) interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em face do v. Acórdão nº 1201-002.979 (fls. 408 a 418), da sessão de 11 de junho de 2019, complementado pelo v. Acórdão nº 1201-003.689, da sessão de 12 de março de 2020, ambos proferidos pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste E. CARF, que deram provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pela Contribuinte. Confira-se suas respectiva ementas e trechos: Acórdão nº 1201-002.979 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2004 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. Diante da ausência de provas, deve ser mantida a exigência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Os créditos constituídos no lançamento de ofício reportam aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2004. A Recorrente foi intimada da lavratura do auto de infração em 26/10/2007. Não há que se falar em decadência, já que o lançamento tributário foi efetivado dentro dos prazos Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 previstos no artigo 173, do Código Tributário Nacional. De igual sorte, dada a fase processual, também são infundadas as alegações de prescrição. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 11, a prescrição intercorrente não é aplicável no processo administrativo fiscal. APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96. Acórdão nº 1201-003.689 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE ACOLHIMENTO. Existindo omissão, contradição, obscuridade ou erro material na decisão embargada, impõe-se o acolhimento dos embargos de declaração. APLICAÇÃO DE MULTA AGRAVADA. INOCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado em concreto. A imputação de penalidades tributárias são matérias de ordem pública, nos termos do art. 2º, parágrafo único, I, VI e IX da Lei nº 9.784/99 e, portanto, o julgador tem a prerrogativa da conhecê-las de ofício. Em resumo, a contenda tem como objeto exações de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e INSS-SIMPLES, do ano-calendário 2004, exigidos na sistemática do SIMPLES Federal, sob a acusação de omissão de receitas apurada com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, com o agravamento da multa de ofício (112,5%). Registre-se, desde já, que as celeumas que prevalecem no presente feito são apenas em relação ao conhecimento da matéria da multa agravada, de ofício, pelo C. Colegiado a quo e ao mérito de seu afastamento. A seguir, para um maior aprofundamento, adota-se trecho do relatório do v. Acórdão de Recurso Voluntário, ora recorrido: 1. Trata-se de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, no montante de Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 R$ 131.967,48 consolidado no demonstrativo de fl. 03, todos relativos ao Simples Federal (SIMPLES). 2. Os lançamentos decorrem da operação fiscal denominada MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RENDIMENTOS DECLARADOS - PJ no ano-calendário 2004, tendo sido em todos eles encontradas as infrações abaixo, consoante descrito no Relatório Fiscal (fls.60/65): (i) omissão de receita em razão de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada documentalmente; (ii) insuficiência de recolhimentos. 3. Devidamente cientificada em 26/10/2007 (fls. 291), a contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação administrativa de fls. 294/299. 4. Em sessão de 11 de fevereiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedentes em parte os lançamentos, nos termos do voto relator, Acórdão nº 09-22.452 (fls. 310/317), para: a) exonerar a contribuinte dos seguintes valores principais lançados, além dos respectivos encargos legais: IRPJ (R$ 5,20), PIS (R$ 5,20), CSLL (R$ 20,00), COFINS (R$ 40,00) e INSS (R$ 45,99); e b) exigir da contribuinte os seguintes valores principais remanescentes, além dos devidos acréscimos legais: IRPJ (R$ 3.564,81), PIS (R$ 3.564,81), CSLL (R$ 7.788,75), COFINS (R$ 15.577,48) e INSS (R$ 21.107,82). 5. A ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 NULIDADE - NORMAS PROCESSUAIS. Não se cogita de nulidade processual, tampouco de nulidade do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazê-lo em outro momento processual.”. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Nos termos do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de receitas, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os lançamentos decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidencia-se o caráter reflexivo, impondo-se eles o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Lançamento Procedente em Parte." 6. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 340/362) em 18/05/2009 (AR de 16/04/2009, fl. 338), reiterou as razões já expostas em sede de impugnação (fls. 294/299), em especial que: (i) "inexiste Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 direito a guarda temporária do documento, no sentido de manter-se em poder do agente fiscal longe das vista do fiscalizado e sem um motivado termo de apreensão"; (ii) houve cerceamento do seu direito de defesa diante dos insanáveis vícios na lavratura do auto de infração; (iii) houve decadência do direito do fisco de cobrar o crédito tributário e prescrição; (iv) houve demonstração das possíveis diferenças referentes aos meses de janeiro e fevereiro do ano de 2004, tornando-se impossível qualquer defesa relativamente ao período viciado; (v) houve excesso de tributação pelo agente fiscalizador; e (vi) a autoridade autuante tomou os valores recompostos dos extratos bancários e não deduziu os valores já oferecidos à tributação, incorrendo em bitributação. 7. Por fim, centrou seu pedido para que seja declarada a nulidade do ato de lançamento por cerceamento de seu direito à ampla defesa e reconhecida a extinção do crédito tributário pela decadência e pela prescrição. 8. Em virtude das alegações trazidas pela Recorrente e diante da documentação acostada aos autos (extratos bancários, Declaração Simplificada PJ – Simples 2005 e livro caixa), esta relatoria entendeu prudente determinar a conversão do feito em diligência com o objetivo central de que se "apure com maior exatidão se os depósitos bancários de origem não comprovada guardam ou não relação direta com os pagamentos em dinheiro constantes do Livro Caixa, devendo ser deduzidos tais montantes das receitas supostamente omitidas e recalculado o montante do crédito tributário correspondente. Sugiro o cotejo entre os valores dos extratos bancários vs valores dos depósitos em dinheiro constantes dos livro caixa vs valores excluídos (receitas não tributáveis) vs valores efetivamente omitidos/não comprovados" (Resolução nº 1201-000.392, fls. 381/390). 9. O Termo de Verificação Fiscal foi devidamente elaborado (fls. 393/401) e a contribuinte intimada (AR, fls. 402/403), mas não apresentou resposta. É o relatório. Como visto, a DRJ negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 319 a 326), entendendo ser integralmente procedente o lançamento de ofício. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este E. CARF, reiterando seus argumentos, defendendo, inclusive, a nulidade da Autuação e a caducidade dos créditos tributários. Incialmente, a C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência, por meio da r. Resolução nº 1201-000.392 (fls. 381 a 390), determinando que a Unidade Local de Fiscalização (i) Apure com maior exatidão se os depósitos bancários de origem não comprovada guardam ou não relação direta com os pagamentos em dinheiro ou cartão bancário (crédito ou débito) constantes do Livro Caixa, devendo ser deduzidos tais montantes das receitas supostamente omitidas e recalculado o montante do crédito tributário correspondente. Sugiro o cotejo entre os valores dos extratos bancários vs valores dos depósitos em dinheiro e lançamentos relativos aos pagamentos em cartão, constantes dos livro caixa vs valores efetivamente omitidos/não comprovados. (ii) Relativamente ao item 002 da autuação, insuficiência de recolhimentos em decorrência da alteração de faixa de receita bruta ao se computar a receita omitida, deverá a autoridade fiscal, em virtude da presente diligência, verificar eventual mudança de alíquotas em relação aos valores anteriormente declarados/recolhidos pela contribuinte e os constantes da diferença/insuficiência Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 autuada. (iii) É inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal pode intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos complementares. E, em que pese o interessado tenha o dever de comprovar a origem dos depósitos bancários, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/99. Quando do retorno dos autos e efetivo julgamento do Apelo, entendeu a C. Turma Ordinária a quo pelo seu provimento parcial, entendendo pelo afastamento do agravamento da multa, reduzindo-a ao percentual ordinário de 75%. Posteriormente, foi interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional Embargos de Declaração (fls. 420 a 422) alegando que não poderia ter sido apreciada a matéria referente à multa agrava, na medida que não aduzida pela Contribuinte, sendo v. Acórdão omisso em relação aos fundamentos que permitiram tal manobra do C. Colegiado. Acatados tais Aclaratórios, foi proferido o v. Acórdão nº 1201-003.689, acolhendo o pleito fazendário, trazendo fundamentação jurídica para suprir tal omissão, mantendo o afastamento da pena. Na sequência, foi interposto pela Fazenda Nacional o Recurso Especial ora sob julgamento, demonstrando a suposta existência de dissídio jurisprudencial, trazendo v. Arestos paradigmas em que se entendeu pela impossibilidade de conhecimento do tema de multa de ofício e da possibilidade aplicar a multa agravada em razão do não atendimento à Fiscalização. Processado, o Apelo Especial do I. Procurador, este teve seu seguimento determinado por meio do r. Despacho de Admissibilidade fls. 474 a 483, admitindo a rediscussão das seguintes matérias: 1) conhecimento de matéria não impugnada referente à imputação da penalidade na forma majorada; 2) aplicação da multa majorada. Em seguida, procedeu-se à intimação da Contribuinte, que não ofertou Contrarrazões. Por fim, o processo foi sorteado para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reitera-se a tempestividade do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Considerando a data de sua interposição, seu conhecimento está sujeito à hipótese regida pelo art. 67 do Anexo II do RICARF vigente. Conforme relatado, a Contribuinte não questiona o conhecimento do Apelo fazendário em Contrarrazões. Assim, considerando o silêncio quanto ao conhecimento do Recurso Especial, uma simples análise do v. Acórdão nº 9303-008.207, trazido como paradigma para questionar a matéria da impossibilidade de conhecimento ex officio do tema da multa agravada, evidência a certa similitude fática e a notória presença de divergência com o entendimento estampado no v. Acórdãos nº 1201-002.979 e nº 1201-003.689. O mesmo ocorre com os v. Acórdãos paradigmas nº 9101-001.456 e nº 9101- 002.997, que demonstram a necessária similitude fática com o caso dos autos e estampa clara divergência em relação ao mérito do afastamento da multa agravada, afastada nos termos dos v. Acórdãos recorridos. Arrimado também na hipótese autorizadora do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, entende-se por conhecer do Apelo interposto, nos termos do r. Despacho de Admissibilidade de fls. 474 a 483. Mérito 1) Conhecimento de matéria não impugnada referente à imputação da penalidade na forma majorada. Fl. 496DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Adentrando ao primeiro tema do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, passa-se a analisar matéria conhecimento de matéria não impugnada referente à imputação da penalidade na forma majorada. A Recorrente, em suma, alega que cabe destacar que penalidade não pode ser considerada matéria de ordem pública, logo não caberia exame por parte da Turma a quo. Trata-se, portanto, de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Acrescenta que a presente demanda é delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pelo contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o baseiam, lançados em seu recurso. E conclui que o órgão julgador ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria expressamente inserta no recurso voluntário. Pois bem, considerando as alegações recursais da Fazenda Nacional em relação a tal matéria, primeiro temos que, no que tange ao pedido, a Contribuinte em todas suas defesas pleiteou a extinção total do crédito tributário sob cobrança e afastamento completo da Autuação, não havendo, em termos de pleito, parcela de concordância com qualquer partícula da imposição procedida. Mas, realmente, não houve argumento específico para o cancelamento pontual da multa majorada prevista no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Noutro giro, fica claro que o elemento centra em torno do qual orbita a questão sob escrutínio é a apreciação ex offício da aplicação da multa agravada ao final da fiscalização procedida, tratada como matéria de ordem pública pelo v. Acórdão recorrido – o que combate a ora Recorrente. Como dito, em suma, nos v. Acórdão de Embargos de Declaração, a I. Relatora a quo, acompanhada pela maioria do colegiado, entendeu que: 11. Não há dúvidas que tolerar a indevida aplicação de penalidades é o mesmo que ignorar os próprios princípios que regem a administração pública. 12. Vejam, não foi por acaso que a Constituição atribuiu grande importância ao princípio da moralidade administrativa. Além da sua aplicação residual quando nenhum outro princípio específico constante do artigo 37, da CF/881 for cabível, há várias situações que a lei maior se preocupou com padrões de conduta. Fl. 497DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 13. E, nesse sentido, vale citar a adoção de procedimentos capazes de afastar atos administrativos que destoem do padrão de conduta juridicamente desejado, bem como a instituição de mecanismos de controle da atividade administrativa, sendo certo que tais princípios não podem ser relativizados pelo Poder Executivo, tampouco por essa julgadora administrativa. (...) 14. Ressalte-se que, também no âmbito infraconstitucional, o legislador cuidou de garantir o cumprimento de tais valores. Confira-se: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; [...] VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; [...] IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; (destaques acrescidos) 15. Por fim, essa relatoria, quando da redação da ementa, fez menção à inteligência da Súmula CARF nº 962, que acaba por reforçar o não cabimento da multa agravada em concreto. Ainda que, talvez, por outra fundamentação, parcialmente coincidente com aquilo invocado no v. Acórdão recorrido, este Conselheiro entende que correto o entendimento adotado pela C. Turma Ordinária de conhecer de ofício de tal temática, não assistindo razão o pleito de reforma da Fazenda Nacional. Nessa esteira, primeiro temos aqui que a sanção compreendida como multa agrava em nada se relaciona ao descumprimento de obrigação tributária, principal ou acessória, dos contribuinte. É punição aplicada durante a fiscalização (sempre após, desvinculada e distante da ocorrência dos fatos geradores) em razão conduta do fiscalizado em relação aos trabalhos procedidos pela Autoridade Fiscal. É pura manifestação do poder do Estado de punir os cidadãos pela sua postura junto a Agente estatal, apenas circunstancialmente exigida junto do crédito tributário constituído. Agora, quanto à possibilidade de se considerar a qualificação da multa de ofício como matéria de ordem pública, podendo, então, ser conhecida sem a provocação da Parte interessada, é certo que a temática não é nova e apresenta-se bastante instigante em termos processuais. Fl. 498DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Primeiramente, em relação à matéria geral das multas (independentemente de seu agravamento) no v. Acórdão nº 1402-000.246, proferido na sessão de 04/08/2010, de relatoria do I. Conselheiro Antônio José Praga de Souza, a C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, por unanimidade, entendeu que, efetivamente, trata-se de matéria de ordem pública, cognoscível pelo Julgador mesmo que ausente nas razões recursais. Confira-se a sua clara ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DA MULTA DE PENALIDADE. APRECIAÇÃO DE OFICIO. As matérias de ordem pública podem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenha sido objeto do recurso voluntário. Isso se aplica à exigência de penalidades, dentre elas a multa de oficio isolada por falta de recolhimento do tributo por estimativa, que foi lançada em concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ano-calendário. Embargos conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (destacamos) E, mais recentemente, no v. Acórdão nº 3301-004.787, proferido por maioria de votos pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, em sessão de 23 de julho de 2018, também entendeu-se pela possibilidade do seu conhecimento ex officio, espontâneo, pelo Colegiado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Caracterizado o dolo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do CTN. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública devem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenham sido objeto de recurso voluntário. A aplicação de multa qualificada é matéria de ordem pública, por pressupor a demonstração do evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. CABIMENTO. A informação reiterada e razoavelmente discrepante em DCTF/DACON e DIPJ caracteriza conduta dolosa, para fins de qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. CONFISCO. A caracterização da multa de oficio e dos juros de mora com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 02, que dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 499DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Recurso Voluntário Negado. Indo mais além, confira-se trechos do voto vencedor sobre tal assunto, proferido pela I. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que esclarece que fora entendido que, não obstante, naquele caso estar-se apreciando multa qualificada, todo o tema de multas é considerada matéria de ordem pública no processo administrativo tributário: À luz do Decreto nº 70.235/1972 (art. 16, II e 17), que rege o processo administrativo fiscal, cumpre aos julgadores apreciar as matérias expressamente recorridas. A despeito disso, é pacífico o entendimento que é dever do colegiado apreciar de ofício as matérias de ordem pública, ou seja, ainda que não tenham sido contestadas, bem como corrigir os erros materiais que, porventura, agravarem incorretamente a exigência fiscal. Diante do papel da multa qualificada no ordenamento jurídico, é inegável seu caráter de matéria de ordem pública. A rigor, a aplicação de penalidades tributárias são matérias de ordem pública, pois, o Estado não pode punir indevidamente os administrados, por imperativo do art. 37, caput, da CF/88 e art. 2º, parágrafo único, I, VI e IX da Lei nº 9.784/99. As questões de ordem pública são aquelas que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do art. 303, II e III do CPC/73 e, 342, II e III do CPC/2015. A aplicação de penalidade, sendo matéria de ordem pública, integra a lide de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo julgador, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão. (destacamos) Como se observa, em ambos precedentes entendeu-se que poderia, sim, o Julgador conhecer do tema das multas, sem a devida provocação expressa dos contribuintes ou dos demais sujeitos passivos autuados, para afastá-la. Ora, o agravamento da multa, na casa de 50% do valor da sanção ordinária, é manobra extrema e excepcional da Administração Tributária e a sua prevalência ou não possui a maior relevância, profundidade e interesse público – vez que todo contribuinte fiscalizado está sujeito a tal apenamento. O processo administrativo fiscal é regido pelos princípios da informalidade, da racionalidade e da sua própria efetividade. Ao seu turno, a aplicação de multas pelas Autoridades Tributárias é apenas mais uma das ferramentas punitivas do Estado, compondo o ius puniendi, o qual, dentro de axiologia própria, deve ser mínimo e sempre submete-se, a qualquer tempo, à correção de falhas na aplicação das penas. Fl. 500DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Nesse contexto, a preclusão¸ que é um instituto processual, de cunho formal, o qual prestigia uma ótica ficcional sobre a verdade e a ontologia – que, na verdade, é típico do contencioso judicial – não pode obstar o reconhecimento espontâneo e fundamentado do Julgador competente das instâncias ordinárias, da majoração sancionatória indevida e equivocada. Afinal, não é interesse da Administração Pública e de toda a sociedade punir e limitar os direitos dos cidadãos sem a ocorrência do devido e correto motivo para tanto. Em acréscimo, ainda que a I. Relatora dos v. Acórdãos recorridos tenha invocado a Súmula CARF nº 96 como um dos fundamentos para o afastamento da multa de ofício – por analogia talvez, vez que não houve arbitramento neste presente feito – é certo que aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 133, editada após a prolatação do primeiro v. Acórdão nº 1201-002.979. Assim, como acréscimo argumentativo (obter dictum) entende ser pouco razoável, contrário à missão desse C. Tribunal Administrativo e antagônico à máxima efetividade do processo administrativo tributário, esta C. 1ª Turma da CSRF reformar v. Acórdão que - ainda que ex officio – cancelou sanção que contraria diretamente o texto de enunciado sumular, plenamente aplicável e vigente nesse momento. Diante do exposto, voto por reconhecer a possibilidade, a licitude e a correção do conhecimento da matéria de agravamento da multa de ofício, prevista no no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, de modo espontâneo, ex officio, pelo Julgador nas instâncias ordinárias do processo administrativo tributário federal, negando-se provimento ao Recurso Especial nessa matéria. Em razão de ter restado vencido o voto antes aduzido, fica prejudicada a matéria aplicação da multa majorada. (documento assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator Voto Vencedor Andréa Duek Simantob, Conselheira Ousei divergir do i. Relator, cuja tese que passarei a esposar restou vencedora, no âmbito deste julgado, pelo simples fato de, ao se observar o exposto no relatório contido no acórdão nº 1201-002.979, verifica-se que o contribuinte, nada questionou acerca da penalidade que lhe foi imputada no lançamento. Desde a impugnação, aliás, ele não traz qualquer questionamento quanto à multa agravada, tanto que a DRJ sequer menciona esse fato em sua decisão. Fl. 501DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Na verdade, o contribuinte arguiu na impugnação vícios no procedimento fiscal que teriam resultado em cerceamento ao seu direito de defesa, e a questionar pontos específicos da apuração dos valores lançados. Em consequência, a autoridade julgadora de 1ª instância, para declarar a parcial procedência do lançamento, refutou a arguição de nulidade do lançamento e reconheceu a existência de erro na determinação dos valores lançados em março/2004. Já o Colegiado a quo, manifestou-se acerca do agravamento da penalidade, quando, em nenhum momento, essa contestação, por meio da impugnação, que instaura a fase litigiosa do procedimento, foi aventada pelo contribuinte, e mais, repito, nem na impugnação ou mesmo no seu recurso voluntário. Fato é que esta matéria, portanto, estava fora dos limites da lide; ou seja, excluída do contraditório, desde o tempo da apresentação da impugnação. Mas mesmo assim, pronunciou-se o Colegiado “a quo”, in verbis II. Da Impossibilidade de Exigência da Multa Agravada 51. A douta autoridade fiscal fundamentou o agravamento da multa de acordo com as seguintes razões: “Tendo em vista o não atendimento ao TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL, lavramos, em 12/09/2006, o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL No 1 (cuja ciência se deu em 18/09/2006) reiterando o solicitado no referido TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. Neste período, chegou-nos correspondência expedida pelo contribuinte e datada de 25/08/2006, apresentando vários esclarecimentos solicitados, porém, sem colocar os referidos extratos bancários à disposição da fiscalização. Por mais uma vez, - TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 2, em 19/10/2006 — foi renovado o pedido de apresentação dos extratos. Finalmente, em 18/10/2006, foi recepcionada a documentação requerida. Entretanto, os extratos com a movimentação financeira continham irregularidades (TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL No 1), sem que o fiscalizado mencionasse qualquer justificativa. O atendimento insatisfatório diante do largo prazo dispensado para fazê-lo era injustificável.” 52. Por considerar que o atendimento parcial por si só já afasta a aplicação da multa agravada, acolho o pedido da Recorrente. A PGFN, porém, bem observou que não havia pedido neste sentido em recurso voluntário, e embargou o acórdão recorrido acerca da omissão quanto à inexistência de pressupostos a permitirem a apreciação do agravamento da multa. Em sede de embargos, a resposta da relatora à questão oposta nesta sede pela PGFN, foi no sentido de que a matéria imputação de penalidades seria de ordem pública e, portanto, não haveria necessidade segundo o artigo 342 do CPC 2015 de contestação, bastando, portanto, conhece-la de ofício. Quanto ao conhecimento, entendo restar caracterizado o dissídio jurisprudencial, pois o paradigma trata das mesmas matérias levantadas pela PGFN no seu especial, conforme exposto no acórdão 9303-008.207, apresentado como paradigma. Por seu turno, antes de ingressarmos na discussão acerca de o tema multa agravada ser ou não matéria de ordem pública, temos uma questão prévia, uma preliminar, processual, que se situa nos limites do Decreto 70.235/1972, acerca da instauração do litígio Fl. 502DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 quando da impugnação, o que, caso for constatado, nos impede de prosseguir no exame de mérito. Ora, a questão aqui não é avaliar documentos juntados pelo contribuinte após a impugnação, muito menos analisar argumentos deduzidos neste âmbito. O cerne da discussão é a ausência de defesa em relação à matéria objeto do lançamento. A preclusão persistiu desde a DRJ e continuou no percurso do processo para o CARF. O contribuinte permaneceu inerte por completo e este é o ponto. Adentrar na matéria se a penalidade agravada é ou não de ordem pública é secundário a esta preliminar que cunho processual acerca da não impugnação à DRJ e não interposição de recurso voluntário sobre a penalidade aplicada à exigência consubstanciada no auto de infração. Em recente acórdão de minha relatoria (9101-005.493) tratamos desta questão, cujo julgamento foi unânime e trechos do citado acórdão. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Nos termos do art. 18 da Lei nº 13.105/2015 (CPC), ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade, e, menos ainda, de ofício. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (responsabilidade solidária). O presente caso não trata de preclusão para a apresentação de provas, questão acerca da qual existe alguma controvérsia maior no âmbito administrativo, e sim sobre a preclusão quanto à contestação de matéria. Vale dizer que, a matéria que não foi objeto de impugnação nos autos do processo, em nenhum momento, é a atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. Márcio Brito Estevam. O Decreto nº 70.235/1972, diploma com status de lei, que rege o processo administrativo fiscal, é bastante claro a respeito do ponto aqui controverso: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ao não apresentar impugnação em seu nome, o Sr. Márcio Brito Estevam fez com que não se instaurasse o litígio com relação à atribuição de responsabilidade à sua pessoa. Fl. 503DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Assim, o litígio prosseguiu apenas no tocante ao crédito tributário em si (o que poderia eventualmente favorecer o Sr. Márcio Brito Estevam, na medida em que o crédito viesse a ser reduzido ou cancelado, o que não ocorreu) e à responsabilidade dos dois únicos sujeitos passivos solidários que apresentaram contestação. Ainda que alguma outra parte no processo tivesse intentado defender o afastamento da responsabilidade tributária do Sr. Márcio Brito Estevam (o que, ressalte-se, sequer de fato ocorreu nos autos), ainda assim esta parte da defesa eventualmente apresentada pelas outras partes não surtiria efeito algum, pois é cediço que, nos termos do art. 18 do Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 13.105/2015), “Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico”. Além de inexistir tal autorização no ordenamento jurídico para que o direito do Sr. Márcio Brito Estevam viesse a ser pleiteado, no caso dos autos, pelos demais sujeitos passivos, o fato é que, de qualquer sorte, conforme dito, tal fato sequer ocorreu, pois em momento algum o contribuinte ou os outros dois responsáveis solidários que recorreram fizeram qualquer menção, em suas defesas, à situação do Sr. Márcio Brito Estevam. Assim, por qualquer ótica que se analise a questão, fato é que tal matéria não foi, em momento algum, parte do litígio, de sorte que se deve tê-la por preclusa (não impugnada). Uma vez que não instaurado o litígio com relação à matéria em questão, incabível se mostra o pronunciamento, feito pelo colegiado a quo, a respeito do mérito quanto à imputação de responsabilidade tributária feita pelo fisco ao Sr. Márcio Brito Estevam. O acórdão recorrido, porém, claramente estendeu, à pessoa do Sr. Márcio Brito Estevam, os efeitos do recurso apresentado por outro dos sujeitos passivos solidários (no caso, o Sr. Silvio César Pregnaça), consoante se verifica pelo seguinte excerto do voto do seu relator, verbis: “Ademais, a despeito de apenas um dos solidários ter contestado administrativamente a questão da responsabilidade frente ao interesse comum, esse ato, na minha singela opinião aproveita ao outro solidário que se encontra na mesma e idêntica situação. Portanto, acolho de ofício a exclusão da responsabilidade do Sr. Márcio, por critério de identidade com os fundamentos que adota em relação ao Sr. Silvio, quanto à falta de prova da Fazenda em apontar de forma objetiva os atos praticados por esses dois cidadãos na movimentação de contas bancárias ou realização de vendas em nome da empresa autuada.” Tal postura, contudo, entendo que não pode ser admitida à luz da legislação processual administrativa acima transcrita (a qual se mostra em sintonia também com a legislação processual civil mencionada). O CARF possui sólida jurisprudência confirmando a preclusão das matérias não impugnadas, e a consequente impossibilidade de seu conhecimento em sede recursal. Neste sentido, relembro aqui, outro recente acórdão de minha relatoria sobre a matéria, apesar de o colegiado à época possuir outra composição, cuja ementa e dispositivo abaixo transcrevo (acórdão 9101-005.300, de 12 de janeiro de 2021): MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que Fl. 504DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão em relação ao tema (multa qualificada). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano, Luis Henrique Marotti Toselli e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por lhe negar provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Edeli Pereira Bessa e Caio Cesar Nader Quintella. Entretanto, dentro do prazo regimental, o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella deixou de apresentá-la, razão pela qual deve ser considerada não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). De outra feita, também deve ser mencionado o precedente desta CSRF 9101-005.261, com a transcrição da ementa e dispositivo. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. A PRECLUSÃO ESTÁ ATRELADA À QUESTÃO DE PROVA E NÃO RELATIVA À INSTITUTO PROCESSUAL. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido especificamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de questões probatórias e/ou matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Acordam os membros do colegiado em: (i) por maioria de votos, conhecer do recurso especial, vencida a Conselheira Andréa Duek Simantob que votou pelo não conhecimento; e (ii) no mérito, por maioria de votos, negar-lhe provimento, vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella que votou por lhe dar provimento para retorno dos autos à turma ordinária. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andréa Duek Simantob. Por seu turno, deve ser reformada a decisão recorrida, eis que, não deveria se pronunciar sobre matéria não impugnada a responsabilidade tributária do Sr. Márcio Brito Estevam, de sorte que, por se tratar de matéria preclusa, deve a sua responsabilidade solidária, imputada pelo fisco nos termos do art. 124, I, do CTN, ser restabelecida. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim, diante do fato de que houve a preclusão relativamente à matéria desde a DRJ e continuou em todo o percurso processual até o julgamento em 2ª instância no CARF, e sendo a preclusão um questão preliminar, processualmente anterior e que apenas depois de ultrapassada pode haver a discussão acerca do seguinte, qual seja: se a multa agravada seria ou não matéria de ordem pública, entendo que a caracterização deste evento preclusivo impede o Colegiado de continuar a discussão acerca da aplicabilidade ou não da multa agravada. De se notar que a preclusão, repito, persistiu desde a DRJ e continuou no percurso do processo para o CARF, permanecendo o contribuinte inerte por completo, quanto a esta matéria. Fl. 505DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Neste sentido, por entender que não mais deveria prosseguir no exame da matéria acerca da multa agravada, em face da preclusão, dou provimento ao recurso da PGFN. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem demonstrado pelo I. Relator, a PGFN suscita divergência quanto ao conhecimento de ofício da multa agravada, bem como quanto aos fundamentos adotados para sua exoneração no acórdão recorrido. Observa-se no relatório do acórdão nº 1201-002.979 que a Contribuinte nada questionou acerca da penalidade que lhe foi imputada no lançamento. Desde a impugnação a Contribuinte se limitou à arguir vícios no procedimento fiscal que teriam resultado em cerceamento ao seu direito de defesa, e a questionar pontos específicos da apuração dos valores lançados. Em consequência, a autoridade julgadora de 1ª instância, para declarar a parcial procedência do lançamento, refutou a arguição de nulidade do lançamento e reconheceu a existência de erro na determinação dos valores lançados em março/2004. Já o Colegiado a quo, endossou a rejeição da arguição de nulidade, afastou alegações de decadência e prescrição trazidas apenas em recurso voluntário, e reiterou a validade material dos tributos apurados pela autoridade fiscal, para, ao final, assim se manifestar acerca do agravamento da penalidade: II. Da Impossibilidade de Exigência da Multa Agravada 51. A douta autoridade fiscal fundamentou o agravamento da multa de acordo com as seguintes razões: “Tendo em vista o não atendimento ao TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL, lavramos, em 12/09/2006, o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL No 1 (cuja ciência se deu em 18/09/2006) reiterando o solicitado no referido TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. Neste período, chegou-nos correspondência expedida pelo contribuinte e datada de 25/08/2006, apresentando vários esclarecimentos solicitados, porém, sem colocar os referidos extratos bancários à disposição da fiscalização. Por mais uma vez, - TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 2, em 19/10/2006 — foi renovado o pedido de apresentação dos extratos. Finalmente, em 18/10/2006, foi recepcionada a documentação requerida. Entretanto, os extratos com a movimentação financeira continham irregularidades (TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL No 1), sem que o fiscalizado mencionasse qualquer justificativa. O atendimento insatisfatório diante do largo prazo dispensado para fazê-lo era injustificável.” 52. Por considerar que o atendimento parcial por si só já afasta a aplicação da multa agravada, acolho o pedido da Recorrente. A PGFN, porém, bem observou que não havia pedido neste sentido em recurso voluntário, e embargou o acórdão recorrido acerca da omissão quanto à inexistência de Fl. 506DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 pressupostos a permitirem a apreciação do agravamento da multa. Apreciando os embargos de declaração no Acórdão nº 1201-003.689, o Colegiado a quo acolheu, à unanimidade, o voto da Conselheira Relatora Gisele Barra Bossa, nos seguintes termos: 7. De fato, in casu, não houve contestação específica acerca do agravamento da multa. Contudo, essa relatoria considera, conforme manifestado em outras oportunidades, que a imputação de penalidades são matérias de ordem pública. E, assim sendo, podem ser reconhecidas de ofício pelo julgador administrativo, inclusive à luz do artigo 342, incisos II e III, do CPC/2015, verbis: Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I - relativas a direito ou a fato superveniente; II - competir ao juiz conhecer delas de ofício; III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. (Destaques acrescidos) 8. Quando da apreciação desse tópico, em homenagem ao princípio da verdade material, essa relatoria cuidou de verificar se estavam presentes os pressupostos legais para aplicação do agravamento da multa. Confira-se: [...] Contudo, essa relatoria equivocou-se ao registrar o acolhimento do pedido da então Recorrente ao invés de fundamentar o afastamento ex officio da penalidade, por tratar-se de matéria de ordem pública e diante da ausência de tal pleito. 10. Sobre a temática em questão, vale citar trechos do voto da Conselheira Relatora Semíramis de Oliveira Duro, constantes do r. Acórdão nº 3301004.787, de 23/07/2018: A rigor, a aplicação de penalidades tributárias são matérias de ordem pública, pois, o Estado não pode punir indevidamente os administrados, por imperativo do art. 37, caput, da CF/88 e art. 2º, parágrafo único, I, VI e IX da Lei nº 9.784/99. As questões de ordem pública são aquelas que condicionam a legitimidade do próprio exercício de atividade administrativa. Por isso, não precluem e podem, a qualquer tempo, ser objeto de exame, em qualquer fase do processo e em qualquer grau de jurisdição, sendo passíveis de reconhecimento de ofício pelo julgador, nos termos do art. 303, II e III do CPC/73 e, 342, II e III do CPC/2015. A aplicação de penalidade, sendo matéria de ordem pública, integra a lide de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo julgador, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão. O CARF já se manifestou nesse sentido, veja-se: “MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APLICAÇÃO DA MULTA DE PENALIDADE. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. As matérias de ordem pública podem ser suscitadas pelo colegiado e apreciadas de ofício, ou seja, mesmo que não tenha sido objeto do recurso voluntário. Isso se aplica à exigência de penalidades, dentre elas a multa de oficio isolada por falta de recolhimento do tributo por estimativa, que foi lançada em concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ano-calendário. Embargos conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão nº 1402000.246, julg. 04/08/2010.” (destaques acrescidos) Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 11. Não há dúvidas que tolerar a indevida aplicação de penalidades é o mesmo que ignorar os próprios princípios que regem a administração pública. 12. Vejam, não foi por acaso que a Constituição atribuiu grande importância ao princípio da moralidade administrativa. Além da sua aplicação residual quando nenhum outro princípio específico constante do artigo 37, da CF/88 1 for cabível, há várias situações que a lei maior se preocupou com padrões de conduta. 13. E, nesse sentido, vale citar a adoção de procedimentos capazes de afastar atos administrativos que destoem do padrão de conduta juridicamente desejado, bem como a instituição de mecanismos de controle da atividade administrativa, sendo certo que tais princípios não podem ser relativizados pelo Poder Executivo, tampouco por essa julgadora administrativa. 14. Ressalte-se que, também no âmbito infraconstitucional, o legislador cuidou de garantir o cumprimento de tais valores. Confira-se: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o Direito; [...] VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; [...] IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; (destaques acrescidos) 15. Por fim, essa relatoria, quando da redação da ementa, fez menção à inteligência da Súmula CARF nº 96 2 , que acaba por reforçar o não cabimento da multa agravada em concreto. (destaques do original) Os fundamentos do paradigma nº 9303-008.207, porém, bem demonstram que penalidades não constituem matéria de ordem pública: Do exame dos autos, mais especificamente da impugnação e do recurso voluntário, verifica-se que, em momento algum, o contribuinte questionou o lançamento e a exigência da multa de ofício. No entanto, o Colegiado da Câmara Baixa, tomou conhecimento, de ofício, do seu lançamento, sob o entendimento de que tal penalidade constitui matéria de ordem pública e, no mérito, decidiu pela sua exclusão do crédito tributário lançado e exigido, sob o fundamento de que "Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64". No presente caso, entendo que a aplicação da multa agravada no lançamento de ofício não constitui matéria de ordem pública. O conceito de ordem pública não está previsto em quaisquer diplomas legais. Assim, trata-se de um conceito subjetivo. Na esfera administrativa, as decisões sobre o lançamentos de multas de ofício, são no sentido de que tal matéria não constitui questão de ordem pública e deve ser expressamente questionada no respectivo recurso voluntário, conforme provam as ementas dos julgados reproduzidas, a seguir: - Acórdão n° 103-23.532: Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA AGRAVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindo-se definitivamente o crédito tributário a ela referente.(...)." - Acórdão nº 2301005.593; Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo fiscal instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido alegada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Assim, quando a matéria não for contestada, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão consumativa processual. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário naquilo que não foi expressamente alegado, que fica limitado à contrariedade dos demais pontos do recurso, salvo casos específicos a exemplo de matérias de ordem pública. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803003.906, de 03/12/2014, retificar o seu dispositivo, a fim de que conste o não conhecimento da matéria relativa à multa, não impugnada em sede de primeira instância, em face da preclusão consumativa, nos termos do voto do relator." (destaque não original). O julgamento de lançamento de multa de ofício, inclusive agravada, é rotina nesta fase recursal, conforme provam as ementas transcritas a seguir: - Acórdão nº 9303-006.930: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário:2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de atendimento, no prazo fixado, das intimações para prestar esclarecimentos e/ ou para apresentar os arquivos solicitados pela autoridade fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício agravada, no percentual de 112,0% do crédito tributário lançado e exigido." - Acórdão nº 9303-006.880: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS- IPI Período de apuração:01/01/2005a31/12/2008 MULTA AGRAVADA. 112,5%. ATRASO NO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES.CABIMENTO. Deve ser mantido o agravamento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente valese de conduta de procrastinação no cumprimento das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos." Também na esfera judicial, a jurisprudência moderna vem decidindo que as matérias, ainda que de ordem pública, para serem apreciadas e analisadas, em Juízo, devem Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 obrigatoriamente serem prequestionadas pelo autor, no respectivo recurso, conforme provam as ementas dos julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF): - STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL : AgRg no AREsp 95241 PR 2011/02398298: "Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITOS FISCAIS (ISS) JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO CONTRA O ACÓRDÃO A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284 DO STF. PRESCRIÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 131 E 436 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO, NO CASO CONCRETO, AFIRMADA PELA CORTE DE ORIGEM LASTREADA NA PROVA DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (...). 2. Não é possível, em Recurso Especial, analisar questões não debatidas pelo Tribunal de origem, por caracterizar inovação de fundamentos; lembrando que mesmo as chamadas questões de ordem pública, apreciáveis de ofício nas instâncias ordinárias, devem estar prequestionadas, a fim de viabilizar sua análise nesta Instância Especial. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EREsp. 1.253.389/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02.05.2013 e AgRg nos EAg 1.330.346/RJ, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJe 20.02.2013. 6. Agravo Regimental desprovido." Supremo Tribunal Federal STF AG. REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO : AI 601767 SC A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão nas razões recursais (art. 317, § 1º do RISTF), EMENTA: REPERCUSSÃO GERAL. VÍCIOS PROCESSUAIS E FORMAIS QUE IMPEDEM A REGULAR FORMAÇÃO E TRAMITAÇÃO DO RECURSO. PREJUÍZO DO EXAME DAS QUESTÕES DE FUNDO. INVOCAÇÃO DO DEVER DE CONHECIMENTO POR OFÍCIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA E SOCIAL. NÃO CABIMENTO NO EXAME DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE ANULAR A COBRANÇA DE CONTA DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INCONTÁVEIS ARGUMENTOS. ARGUMENTO PARCIAL RELATIVO AO ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RAZÕES DE AGRAVO QUE NÃO ATACAM FUNDAMENTO SUFICIENTE DA DECISÃO AGRAVADA. INÉPCIA. (...) 2. A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão do argumento nas razões recursais (art. 317 , § 1º do RISTF ). 3. As razões de agravo regimental não atacam um dos fundamentos suficientes em si para manter a decisão agravada, no sentido de que a relação mantida entre a cooperativa de eletrificação e o município resolvia-se no plano cível ou no plano administrativo, e não em termos tributários. Insistência na tese tributária da imunidade. Inépcia. Agravo regimental ao qual se nega provimento." Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Dessa forma, ainda que se considere que o lançamento da multa de oficio constitui matéria de ordem pública, seu julgamento na Câmara Baixa somente poderia ter sido realizado, se tivesse sido expressamente questionada no recurso voluntário. Como essa matéria não foi impugnada, ocorreu a preclusão temporal do direito do contribuinte. (destaques do original) Quanto à ofensa ao princípio da moralidade e desrespeito aos valores expressos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, indicados na resposta aos embargos de declaração aqui opostos pela PGFN, de modo a fundamentar a necessária ação da autoridade administrativa frente a atos administrativos que destoem do padrão de conduta juridicamente desejado, importa observa que no julgamento administrativo há dispositivos específicos definindo o âmbito da competência das autoridades julgadoras. Neste sentido foi o voto declarado por esta Conselheira no Acórdão nº 9101-005.300: Concordo com a I. Relatora quanto à impossibilidade de se apreciar, em sede de recurso voluntário, qualificação da penalidade que deixou de ser questionada em sede de impugnação. Apenas observo que, embora precluso o direito de defesa da Contribuinte contra esta matéria, na forma do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a exigibilidade desta parcela do crédito tributário permaneceria, ainda assim, suspensa. Isto porque, como acessório da exigência principal, o questionamento desta impede o destaque e cobrança da penalidade, pois se a exigência principal for cancelada, nada será devido a título de penalidade. Faço esta ressalva em reparo do que antes consignei no voto vencedor do Acórdão nº 9101-004.599 1 quando, distinguindo matéria e argumento, admiti a inovação deste em sede de recurso voluntário, no seguinte contexto: A Contribuinte manifestou sua inconformidade em 13/04/2010, defendendo a necessidade de prévia intimação para apresentação dos documentos faltantes ou para correção de eventual inconsistência na apuração, observando que, apesar de não intimada a tanto, apresentara a DIPJ, juntando naquele momento DIPJ retificadora entregue em 09/04/2010 (e-fls. 135/165). A autoridade julgadora de 1ª instância observou que as retenções na fonte não foram admitidas porque os rendimentos não foram oferecidos à tributação, e afirmou desnecessária a prévia intimação do sujeito passivo quando a autoridade fiscal entende suficientes as provas dos autos para formar sua convicção. Assim, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade porque correto o procedimento adotado, descabendo a anulação do despacho decisório para nova apreciação do pedido de restituição, até porque a Contribuinte se limitou a apresentar a DIPJ retificadora, desacompanhada de qualquer explicação acerca das razões de mérito postas pela autoridade fiscal. Em recurso voluntário, a Contribuinte esclareceu que as receitas auferidas no período eram inferiores às despesas pré-operacionais e, assim, registrou-as em Ativo Diferido. Por tais razões, pediu a reforma do despacho de indeferimento do Pedido de Restituição. O Colegiado a quo invocou o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 para afirmar não impugnada a matéria, e também observou que a Contribuinte não trouxe documentos que lastreassem suas alegações no recurso voluntário, documentos estes que deveriam ter sido juntados desde a impugnação, na forma do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Neste contexto importa observar, inicialmente, que o Colegiado a quo aplicou impropriamente o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: 1 Participaram do julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício), e divergiram na matéria os Conselheiros Andréa Duek Simantob (relatora), André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner. Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Referido dispositivo deve ser interpretado em conformidade com o art. 145 do Código Tributário Nacional - CTN, que estabelece as hipóteses de alteração de lançamento e, implicitamente, delimita a competência das autoridades administrativas em face dos diferentes contextos nos quais ela pode ser exercida: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Nestes termos, se a matéria não foi objeto de impugnação, a autoridade julgadora de 1ª instância não tem competência para avaliar o crédito tributário a ela vinculado e, eventualmente, alterá-lo, ainda que em favor do sujeito passivo. Matéria, assim, guarda correspondência com os motivos para exigência de parcela autônoma do crédito tributário, passível de ser destacada e destinada à cobrança, por não usufruir da suspensão da exigibilidade conferida pela interposição do recurso administrativo, na forma do art. 151, inciso III do CTN. Daí a impropriedade em se cogitar de matéria não impugnada quando o sujeito passivo, tendo controvertido o crédito tributário lançado – ou, no caso, o direito creditório não reconhecido – acrescenta, em seu recurso voluntário, argumentos antes não deduzidos em impugnação/manifestação de inconformidade. É certo que o art. 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72 determina que a impugnação mencione os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Todavia, os parágrafos seguintes do referido dispositivo apenas limitam a produção posterior de provas, nos seguintes termos: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Infere-se, daí, que, em relação à matéria impugnada, o sujeito passivo pode deduzir em recurso voluntário argumentos antes não veiculados em impugnação. Fl. 512DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Apenas não lhe é permitido iniciar a discussão acerca de matéria que não foi objeto de impugnação. E, quanto às provas que sustentam aquela argumentação, admite-se a juntada de novos elementos ao recurso voluntário caso destinados a contrapor fatos ou razões trazidos por ocasião da decisão de 1ª instância, ou se enquadrados nas demais ressalvas do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Mas o presente caso ainda apresenta um especificidade. Como antes relatado, a Contribuinte aponta, apenas em recurso voluntário, que se encontrava em fase pré-operacional e, assim, suas receitas teriam sido confrontadas com as despesas pré-operacionais registradas no Ativo Diferido. Mas, embora não deduzindo argumentação neste sentido em impugnação, a DIPJ retificadora apresentada naquela ocasião distinguia-se da original justamente por agora trazer as Fichas 36A e 37A, nas quais está reproduzido o Balanço Patrimonial e evidenciada a evolução positiva do Ativo Diferido entre 2007 e 2008, com aumento do saldo de “Despesas Pré-Operacionais ou Pré-Industriais” de R$ 4.802.015,32, em 2007, para R$ 31.793.384,20, em 2008. Para além disso, a Contribuinte consignou em recurso voluntário que: 4. Dessa forma nos formulários da D1PJ-2009 Calendário 2008 protocolo 18.10.33.26.71-81 enviados em 21 de setembro de 2009, foram assim preenchidos; consequentemente, o rendimento não foi aposto na linha 22 Ficha 06-A bem como o custo financeiro de igual período também não foi aposto na Ficha 06-A linha 40. 5. Após o recebimento do despacho decisório n° 16306.000305/2009-63, pelo qual a autoridade administrativa entendeu que, por não estarem classificados os rendimentos no computo do Lucro Real, não era procedente o pedido de restituição, a Recorrente, embora sem incorrer na modificação da Base de cálculo fiscal, promoveu a retificação daquela DIPJ sendo reenviada no dia 09 de abril de 2010 conforme protocolo de entrega 14.78.21.54.16-60 (anexo 1) dando assim cumprimento ao solicitado pela autoridade administrativa, ou seja, passamos a refletir na Ficha 06-A, os custos das despesas financeiras do período de competência do respectivo calendário, bem como todo o rendimento do período. (anexo 2). Em suma, em recurso voluntário a Contribuinte trouxe novas razões de direito, cujo prova documental produzira em manifestação de inconformidade, e que assim deixou de ser apreciada porque dissociada de qualquer argumentação neste sentido. Neste contexto, afastada a preclusão com fundamento no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, e não se verificando as demais vedações presentes no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, vez que a prova documental foi juntada com a manifestação de inconformidade, restam desconstituídas as justificativas do Colegiado a quo para não apreciar as alegações trazidas pela Contribuinte em recurso voluntário. A irregularidade cometida pela Contribuinte, ao deixar de situar a argumentação no mesmo momento da juntada da prova, apenas lhe suprime o direito de ver sua defesa também apreciada pela autoridade julgadora de 1ª instância. Esclareça-se que a Contribuinte pede em seu recurso especial que lhe seja reconhecido, em definitivo, o seu direito creditório, com base na prova já carreada aos autos, por meio da qual se identifica que, na fase pré-operacional, suportou retenções na fonte, em aplicações financeiras devidamente declaradas e que compõem saldo negativo plenamente restituível. Contudo, a solução do dissídio jurisprudencial posto resulta, apenas, na afirmação de que o Colegiado a quo deveria ter apreciado o argumento deduzido em recurso voluntário, especialmente porque vinculado a prova documental juntada à manifestação de inconformidade, não competindo a esta Turma da CSRF decidir sobre o direito creditório em litígio. Fl. 513DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado de Origem para apreciação da argumentação que foi declarada preclusa no acórdão recorrido. (destaquei) Naquela ocasião conclui que o Decreto nº 70.235/72 não veda a inovação de razões, em recurso voluntário, acerca de matéria impugnada, mas defini matéria não impugnada como a parcela do crédito tributário que, por ser exigida com fundamento em motivos não questionados, seria passível de ser destacada e destinada à cobrança, por não usufruir da suspensão da exigibilidade conferida pela interposição do recurso administrativo, na forma do art. 151, inciso III do CTN. O que o presente litígio ensina é que matéria, neste contexto, não representa, necessariamente, parcela de exigibilidade autônoma, mas sim parcela exigida com fundamentos autônomos, demandando confrontação específica, em impugnação, para ser estabelecida a competência do órgão julgador de alterar o lançamento naquele ponto. Esta é a interpretação que se extrai da disciplina expressa no art. 17 do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 145, inciso I do CTN, e também tendo em conta que o art. 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72 determina que a impugnação mencione os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, a exigir que ao menos algum fundamento autônomo da matéria autuada seja discutido em impugnação para evitar que a matéria seja considerada não impugnada. A qualificação da penalidade demanda fundamentação específica, vez que não decorre da mera falta de recolhimento e de declaração do tributo devido, e sim de circunstâncias que, no entender da autoridade fiscal, caracterizam o intuito de fraude expresso nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64 2 . Logo, se este é o requisito para formalização daquela exigência específica, também a sua caracterização como matéria impugnada demanda a apresentação de motivos de fato e de direito que infirmem este fundamento específico da acusação fiscal. Não basta, assim, que o lançamento tenha sido impugnado para que as autoridades julgadoras tenham competência para apreciar a integralidade do crédito tributário constituído. O sujeito passivo pode, de forma expressa, impugnar parcialmente o crédito tributário pretendendo a redução da penalidade 3 na liquidação ou parcelamento em 2 Lei nº 9.430, de 1996, alterada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 3 Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009: Art. 6º Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 9101-005.540 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10640.003272/2007-64 relação às matérias com as quais concorda, e sobre esta parcela a autoridade julgadora não poderá se manifestar. Mas o sujeito passivo também pode apresentar impugnação que não seja expressamente parcial, e esquecer de contestar alguma parcela exigida com fundamentação autônoma, caso em que perderá o direito de fazê-lo na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Nesta última circunstância, porém, o crédito tributário correspondente à matéria não impugnada poderá, ainda assim, permanecer com exigibilidade suspensa caso sua determinação dependa de outra matéria devidamente impugnada, quer em razão de a sistemática de apuração do tributo principal ser afetada por matéria impugnada, quer em razão de a matéria corresponder a acessórios cuja exigência é dependente da confirmação do principal lançado. Ou seja, ainda que a matéria seja autônoma e demande questionamento específico para restar impugnada, a suspensão da exigibilidade pode ser afetada pela forma como esta matéria se correlaciona com outras autuadas. Assim, tem razão o voto condutor do acórdão recorrido quando afirma que houve irresignação geral da recorrente, mas apenas para fins de definição da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, dependente da apreciação dos questionamentos dirigidos à totalidade do principal lançado. Já para definição da competência da autoridade julgadora de alterar o lançamento, é indispensável que exista impugnação e, impugnação, na forma do Decreto nº 70.235/72, é estruturação argumentativa para discordância em face da matéria lançada com fundamento autônomo. Se os fundamentos da multa qualificada não são enfrentados nessa peça recursal, a alteração desta parcela do lançamento no contencioso administrativo somente pode se dar por decorrência da decisão em face das demais matérias impugnadas. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN e, em consequência, restabelecer a qualificação da penalidade. Da mesma forma, o agravamento da penalidade pressupõe a apresentação de fundamentos específicos, distintos daqueles que motivam a exigência do crédito tributário principal e da multa de ofício básica de 75%. Indispensável, assim, que o sujeito passivo deduza motivos de fato e de direito que confrontem aquela acusação, para que a matéria seja tida por impugnada e as autoridades julgadoras tenham competência para analisar seu mérito. Esclareça-se, por fim, que esta interpretação não cede em favor da necessária aplicação de entendimentos sumulados por este Conselho, ainda que com eficácia vinculante da Administração Pública, conferida pelo Ministro da Economia. Como exposto, há um óbice antecedente à aplicação do direito ao caso concreto: não se estabeleceu a competência da autoridade administrativa de julgamento para tanto. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN para reconhecer a preclusão acerca do agravamento da penalidade, e reverter o acórdão recorrido na parte em que declarou sua improcedência. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 515DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917089/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2301-005.315, de 05/06/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifique-se da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
RELATÓRIO
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.917089/2009-11
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023861
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-000.775
nome_arquivo_s : Decisao_15374917089200911.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WESLEY ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 15374917089200911_6023861.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2301-005.315, de 05/06/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifique-se da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
id : 7798428
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610563995140096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917089/200911 Recurso nº Embargos Resolução nº 2301000.775 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de fevereiro de 2019 Assunto Compensação Embargante PRESIDENTE DA 1ª TURMA ORDINÁRIA DA 3ª CÂMARA DA 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Interessado CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2301005.315, de 05/06/2018, reconhecer a competência do Carf para a apreciação do litígio e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora certifiquese da ocorrência de: 1) retenções indevidas; e 2) recolhimentos a maior ou indevidos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 17 08 9/ 20 09 -1 1 Fl. 1618DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de embargos de declaração opostos pelo respeitado Conselheiro JOÃO João Bellini Júnior, do qual fez parte integrante como Presidente deste Colegiado (1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento), contra Acórdão de julgamento de Recurso Voluntário, no qual consta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN". Recurso Voluntário Não Conhecido". Nos embargos declaratórios opostos, está sendo questionada o não recebimento do Recurso Voluntário apresentado, quando foi declarada a incompetência do colegiado, em que o foi feito nos seguintes termos: "Como visto, o acórdão decidiu pela incompetência do Carf em conhecer do recurso voluntário, “isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF”. Em assim fazendo o acórdão entrou em contradição, pois, ao mesmo tempo em que se fundamenta no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, nega vigência ao §9º desse artigo, pelo qual “é facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação”. Ora, se é aplicável ao caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, também é o seu § 9º, que abre a via do processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto 70.235, de 1972, aos casos de não homologação da compensação. Sendo a manifestação de inconformidade julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), a competência para o julgamento do recurso voluntário que ataca tal decisão é dada pelo art. 1º do Anexo II do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf): Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (Grifouse.) Caso não seja aplicável ao caso o § 9º do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, o acórdão embargado incidiu em omissão, ao não motivar a decisão. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 4 3 Por tais razões, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, EMBARGO DE OFÍCIO o acórdão em questão, para que seja sanados os vícios apontados". Diante dos fatos, é o breve relatório. VOTO Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos declaratórios possuem previsão pelos os artigos 64, 65 e 66 do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015), que assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciar se a turma". Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão". Com isso, os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. No presente caso, entendo que guarda pertinência o questionamento apresentando. Senão vejamos. O embargante apresenta a seguinte contradição do julgado: "Em assim fazendo o acórdão entrou em contradição, pois, ao mesmo tempo em que se fundamenta no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, nega vigência ao §9º desse artigo, pelo qual “é facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação”. Ora, se é aplicável ao caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, também é o seu § 9º, que abre a via do processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto 70.235, de 1972, aos casos de não homologação da compensação". Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 5 4 Quanto a esse ponto específico, o pedido de compensação tem seu procedimento regulado pela Lei 9.430, de 1996. Nesse sentido, tenho que de fato, a decisão foi contraditória, pois o parágrafo 10º, da referida Lei, diz que da decisão que não homologar a compensação, cabe apresentar a devida Manifestação de Inconformidade, e posterior a isso, caso persista a irresignação, cabe então recurso ao Conselho de Contribuintes, ou seja, ao CARF, conforme transcrição in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Assim, a referida Lei abre caminho para que seja aplicado o rito processual do PAF (Decreto Nº 70.235, de 6 de março De 1972), a fim de que seja apreciado o recurso do contribuinte perante este Tribunal Administrativo. Nessas circunstâncias, devem ser acolhidos os embargos, nos limites de seu recebimento, tendo nesse caso efeitos modificativos, para sanar a contradição apontada, e oportunizando o aclaramento ao disposto do que já foi decidido. CONCLUSÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO aos embargos declaratórios, com efeitos infringentes, para sanar o vício da decisão proferida, em contradição no que diz respeito à decisão lançada que utilizou como fundamentação Lei que impõe o próprio conhecimento do recurso apresentado. Assim, acolhendo os embargos, passo os fundamentos do mérito do recurso. DO VOTO DE MÉRITO DO RECURSO RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, o qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 6 5 ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nessa ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses equívocos ocorreu também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo, decorrentes também por informações equivocadas quando do seu processamento em razão de um de seus milhares de participantes ter falecido ou por terem sido acometidos por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; ou, c) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento. vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 7 6 Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito pleiteado. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e da busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório do recurso voluntário. VOTO DE MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 8 7 No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações —Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor devido sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seria mais possível fazer por retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impedida a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outros casos por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios do possível crédito apresentado e que merecem análise aprofundada da questão, já que são indícios suficientemente fortes a embasar os créditos gerados, mas que ainda carece de total convicção. Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 9 8 Já nos casos em que houve possível erro material no preenchimento da DCTF, a contribuinte alega que foi feita a retificação, quando não estava em fiscalização. Nesse sentido, em análise dos documentos apresentados e do PER/DCOMP apresentado, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional, mas que, como já dito, os fatos narrados e os documentos juntados trazem relativas convicções do direito da recorrente. O art. 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas ,cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Ademais, o Parecer COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, alega que não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB 1.110, de 2010, revogado pela Instrução Normativa RFB n.º 1.599, de dezembro de 2015, conforme conclusão esposa no referido parecer, abaixo transcrito: "Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 15374.917089/200911 Resolução nº 2301000.775 S2C3T1 Fl. 10 9 d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Nesse sentido, entendo que a recorrente colacionou diversas provas que possam dar azo ao direito pleiteado, mas que precisa ser analisado na origem seu possível recolhimento a maior. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade preparadora certifique se de fato houve o recolhimento a maior, diante das provas apontadas pela recorrente, verificando, se for o caso, a consolidação do crédito gerado, pago e possível saldo, caso houver. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900617/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.598
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.900617/2009-21
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5914845
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.598
nome_arquivo_s : Decisao_16327900617200921.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 16327900617200921_5914845.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7463096
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564021354496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900617/200921 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.598 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 11 de abril de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente ITAÚ SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Adoto o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação [...] na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO CONTRIBUIÇÕES PAGT DE PJ A PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952) relativo ao período de apuração encerrado em 17/04/2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 61 7/ 20 09 -2 1 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 3 2 Pelo Despacho Decisório [...] o contribuinte foi cientificado [...]de que “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal”. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado [...]. Irresignado, o contribuinte apresentou [...] a Manifestação de Inconformidade [...] alegando, em apertada síntese, que: 1) seria nulo o Despacho Decisório, em razão da falta da demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que impediria o contribuinte de exercer o seu direito de defesa; que 2) preencheu incorretamente sua DCTF, uma vez que o recolhimento efetuado mediante o DARF de CSRF indicado foi vinculado integralmente para a quitação de um débito, quando na verdade tratase de pagamento a maior; 3) além de ter vinculado integralmente o valor pago, também equivocouse ao informar o código de receita na DCTF, onde constou o código 5979 (PIS) em vez do código 5952 (CSRF); e 4) que na DCTF em declarou o débito que pretende extinguir por compensação, o valor compensado é exatamente o valor do seu direito creditório com os acréscimos legais cabíveis. Requer, assim, seja alterada de ofício a informação contida em sua DCTF e reconhecido o seu direito à compensação em questão. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão negando provimento a impugnação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.626, de 11/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 16327.907217/20008 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.626): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Da nulidade do r. Despacho Decisório: Em relação a nulidade alegada pela Recorrente de que o r. Despacho Decisório é confuso, não determina claramente a matéria, bem como não fundamenta adequadamente a não homologação da compensação dos créditos, entendo que não merece ser acolhida. A Recorrente conseguiu entender perfeitamente os motivos pela qual seu pedido de compensação não foram homologados. Tanto foi assim, que apresentou manifestação de inconformidade e Recurso Voluntário apresentando argumentos de defesa contra a não homologação da compensação do crédito. Mérito: Conforme r. Despacho Decisório a compensação do crédito não foi homologada devido ao fato de o valor constante no DARF ter sido integralmente alocado para a quitação de outros débito do contribuinte. Após o oferecimento da manifestação de inconformidade, a Recorrente, alegou que a não homologação decorreu do preenchimento incorreto da DCTF, tendo sido o DARF totalmente vinculado a um débito, quando na verdade tratavase de pagamento a maior. Em seguida veio o v.acórdão recorrido que manteve a não homologação do crédito por entender que a Recorrente não teria comprovado nos autos a existência do indébito, pois no caso se trata de tributo retido por terceiro (no caso pela Recorrente) e, por tal motivo, não comprovou sua titularidade sobre o direito creditório retido em nome de terceiro (outra Pessoa Jurídica). Assim, insta esclarecer que no presente caso, não se trata da hipótese de se poder ou não retificar a DCTF após ter sido proferido o r. Despacho Decisório, mas trata da hipótese de não ter sido Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 5 4 comprovado por meio de documentos hábeis o erro no preenchimento da DCTF alegado pela Recorrente. Vejamos a parte do v. acórdão recorrido que apresenta a fundamentação da decisão no sentido de não aceitar a alegação de erro no preenchimento da DCTF e não homologar a compensação, devido a falta de comprovação do alegado por meio de documentos: Cumpre ressaltar que, em tese, se ficasse comprovado o erro alegado pelo contribuinte, não poderia o Fisco deixar de considerálo, por força do disposto no art. 165 do CTN, bem como em homenagem ao princípio da verdade material, que norteia o Processo Administrativo Fiscal (PAF) regulado pelo Decreto nº 70.235/72, desde que observados os demais preceitos da legislação aplicável. Contudo, a alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF somente poderia ser acolhida se viesse acompanhada de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro (demonstração do fato gerador em questão, apuração da base de cálculo correta, aplicação da alíquota devida, etc.), o que não ocorre no presente caso. O impugnante limitase a alegar o erro, tão somente indicando os valores que, no seu entendimento, seriam os corretos, requerendo a retificação da declaração. Não junta aos autos, porém, quaisquer elementos que corroborem tais valores. Sendo assim, resta improfícua a alegação de erro na declaração do débito, mormente porque, in casu, referido débito figura em DCTF entregue à RFB, o que constitui efetiva confissão de dívida, e porque não foram apresentados elementos que comprovem a incorreção alegada. Além disso, por se tratar de retenção de contribuições sociais por ocasião de pagamentos efetuados a pessoas jurídicas (CSRF) pretensamente retidas e recolhidas a maior, deve o interessado ainda comprovar que atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN para que o direito creditório lhe seja reconhecido. Segundo estabelece o aludido art. 166, “a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla”. O v. acórdão também utilizou para fundamentar sua decisão de não homologar a compensação devido ao fato de que não constam nos autos os documentos indicados na IN da RFB 900/08 para comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF, bem como o crédito originado pelas retenções a maior das Contribuições por parte da fonte pagadora, conforme o trecho abaixo colacionado: Hodiernamente, as normas infralegais de regência determinam que, para que o crédito possa ser utilizado na compensação, deve o interessado (fonte pagadora) tomar as Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 6 5 providências previstas no art. 8º, da IN RFB nº 900, de 30/12/2008, verbis: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. (grifos incluídos) As providências acima são importantes para que a Fazenda não corra o risco de efetuar em duplicidade a restituição do valor de CSRF pago indevidamente ou a maior, haja vista a possibilidade de o beneficiário do pagamento também requerer o direito creditório em comento. Constituem medidas que a fonte pagadora deve tomar para demonstrar claramente ao Fisco que é titular do direito creditório pleiteado. Contudo, não consta nos presentes autos que o valor retido indevidamente ou a maior foi devolvido ao beneficiário do pagamento, e tampouco que foram tomadas providências semelhantes às acima descritas. Portanto, não restou demonstrado que o interessado seja titular do crédito pleiteado. Pois bem. Em relação a discussão sobre a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, já entendimento da Receita Federal de que não existe óbice para se fazer tal procedimento. A título de exemplificativo, Vejamos a ementa abaixo. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2013 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. POSSIBILIDADE. Se não há óbice de outra natureza, admitese a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, porém, a referida Declaração, seja original ou retificadora, não faz prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Complementando o entendimento acima, no próprio v. acórdão recorrido nestes autos, consta em seu texto que por força do artigo 165 do CTN e em respeito ao princípio da busca da verdade material, existe a possibilidade de se aceitar a retificação da DCTF após ter sido proferido o r. Despacho Decisório, desde de que restar comprovado por meio de documentos o alegado erro de fato no preenchimento. Vejamos a parte pertinente da decisão. Cumpre ressaltar que, em tese, se ficasse comprovado o erro alegado pelo contribuinte, não poderia o Fisco deixar de considerálo, por força do disposto no art. 165 do CTN, bem como em homenagem ao princípio da verdade material, que norteia o Processo Administrativo Fiscal (PAF) regulado pelo Decreto nº 70.235/72, desde que observados os demais preceitos da legislação aplicável. Contudo, a alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF somente poderia ser acolhida se viesse acompanhada de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro (demonstração do fato gerador em questão, apuração da base de cálculo correta, aplicação da alíquota devida, etc.), o que não ocorre no presente caso. O impugnante limitase a alegar o erro, tão somente indicando os valores que, no seu entendimento, seriam os corretos, requerendo a retificação da declaração. Não junta aos autos, porém, quaisquer elementos que corroborem tais valores. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 8 7 Sendo assim, resta improfícua a alegação de erro na declaração do débito, mormente porque, in casu, referido débito figura em DCTF entregue à RFB, o que constitui efetiva confissão de dívida, e porque não foram apresentados elementos que comprovem a incorreção alegada. Sendo assim, como dito acima, a controversa restante nos autos se refere ao fato de estar ou não comprovado a certeza e liquidez do crédito proveniente do pagamento indevido ou a maior feito por meio da DARF, originado pelas retenções das contribuições feitas pela Recorrente e declarado equivocadamente na DCTF. A fundamentação do v. acórdão recorrido para não aceitar a alegação da Recorrente de que teria preenchido a DCTF de forma equivocada e por isso não teria comprovado o direito creditório que pretende compensar, se fundamentou principalmente na constatação de que não constam nos autos os documentos indicados no artigo 8 da IN 900/08. A Recorrente, por sua vez, as fls. 50/77, após a interposição do Recurso Voluntário, veio aos autos e juntou os documentos apontados na IN 900/08, indicada no v. acórdão. Desta forma, entendo que o julgamento do presente recurso deve ser convertido em diligência. Explico. O v. acórdão recorrido trouxe aos autos após o oferecimento da manifestação de inconformidade a discussão relativa a necessidade de apresentação de novos documentos indicados/listados na IN 900/08. Tais documentos não são de confecção exclusiva da Recorrente, mas também envolvem outras pessoas jurídicas (terceiras pessoas) que não são parte no presente processo, impedindo (ou dificultando) que a Recorrente consiga comprovar o alegado e, por conseqüência, o seu direito creditório. Os documentos cujas confecção são de obrigação da Recorrente, foram acostados aos autos as fls. 50/70. Estes documentos apresentam um panorama favorável a alegação da contribuinte de que realmente cometeu um erro de fato no preenchimento da DCTF e que tem direito ao crédito que pretende compensar. Sendo assim, para que seja possível se negar o requerimento de existência do direito creditório e o pedido de compensação pleiteado nestes autos, entendo ser necessário converter o julgamento do recurso em diligência para que o Auditor Fiscal da Unidade de Origem verifique no prazo de 30 dias se os documentos realmente comprovam as retenções feitas pela Recorrente, bem como são suficientes para comprovar o erro no preenchimento da DCTF alegado pela defendente e, por conseqüência, comprovar o direito creditório que se pretende compensar. Caso seja necessário, a fiscalização deve conceder prazo de 30 dias para que a Recorrente apresente todos os documentos indicados na IN 900/08, bem como intimar os beneficiários das retenções das contribuições (listados no documento de fls. 13/27 do andamento Complemento do Recurso) para se manifestar nos autos e, Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.900617/200921 Resolução nº 1402000.598 S1C4T2 Fl. 9 8 se for o caso, apresentem documentos que comprovem que não utilizaram o crédito retido a maior em seu nome. Ademais, complementando meu fundamento acima exposto, como a Unidade de Origem não teve acesso aos novos documentos juntados aos autos, e por conseqüência, não se contrarie o devido processo legal, entendo que tal fato é mais um motivo para se converter o julgamento do recurso em diligência, para que o Auditor Fiscal competente os analise devidamente e profira Relatório Circunstânciado. Por derradeiro, face os fundamentos acima, voto para que os autos sejam remetidos para a Unidade de Origem para que se manifeste sobre os documentos juntados aos autos pela Recorrente e elabore Relatório Circunstânciado definitivo informando se restou comprovado a liquidez e certeza do crédito, bem como que tal montante não foi utilizado em outro processo de compensação. Caso seja necessário intime os terceiros beneficiários das retenções das contribuições para que se manifestem nos autos e apresentem documentos de que não requerem restituição dos créditos retidos a maior pela Recorrente, evitando assim a restituição e compensação em duplicidade do crédito em discussão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001705/2010-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RETENÇÃO. CONSTRUÇÃO CIVIL.
Os serviços de construção civil obrigam a empresa tomadora à retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, quer tenham sido prestados através de cessão de mão de obra ou por empreitada.
Numero da decisão: 9202-009.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RETENÇÃO. CONSTRUÇÃO CIVIL. Os serviços de construção civil obrigam a empresa tomadora à retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, quer tenham sido prestados através de cessão de mão de obra ou por empreitada.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 15586.001705/2010-68
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6494620
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9202-009.712
nome_arquivo_s : Decisao_15586001705201068.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 15586001705201068_6494620.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
id : 9009068
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564026597376
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-28T20:18:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-28T20:18:49Z; Last-Modified: 2021-09-28T20:18:49Z; dcterms:modified: 2021-09-28T20:18:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-28T20:18:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-28T20:18:49Z; meta:save-date: 2021-09-28T20:18:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-28T20:18:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-28T20:18:49Z; created: 2021-09-28T20:18:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2021-09-28T20:18:49Z; pdf:charsPerPage: 1933; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-28T20:18:49Z | Conteúdo => CSRF-T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15586.001705/2010-68 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9202-009.712 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 23 de agosto de 2021 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRAFITUSA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RETENÇÃO. CONSTRUÇÃO CIVIL. Os serviços de construção civil obrigam a empresa tomadora à retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, quer tenham sido prestados através de cessão de mão de obra ou por empreitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração para aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória consistente em deixar a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e efetuar o recolhimento da contribuição retida, no nome da empresa cedente de mão de obra, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação outorgada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 17 05 /2 01 0- 68 Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 pela Lei 9.711/98, combinado com o art. 219 do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 50/53), o Contribuinte contratou e deixou de efetuar as retenções sobre os serviços prestados pelas seguintes empresas: 02.893.908/0001-05 – Fontouratec Prestação Serviços Ltda 03.033.601/0001-99 – Márcia Braga Soares – ME 04.518.954/0001-41 – Solid Construções e Serviços Ltda Verificou-se que para a empresa Solid Construções e Serviços Ltda, a retenção de 11% foi destacada nas Notas Fiscais, mas, não foram descontadas da empresa prestadora e nem recolhidas à Previdência Social. O Contribuinte apresentou à fiscalização o contrato de prestação de serviços assinado com a empresa Fontouratec Prestação de Serviços Ltda e verificou que o seu objeto é: fabricação e montagem de gradil metálico, fechamento, escadas metálicas, cobertura metálica guarita, portões em chapas galvanizadas, recuperação de prateleiras metálicas, suportes de ar condicionado e cobertura metálica sala gerador. Os pagamento efetuados à prestadora, comprovados pelas Notas Fiscais emitidas, foram escriturados na contabilidade do Contribuinte na conta contábil 13019600000000 denominada Construções & Incorporações. Quanto às Notas Fiscais emitidas pela empresa Márcia Braga Soares – ME, referem-se a serviços de jardinagem e paisagismo com fornecimento de material. Em sessão plenária de 15/05/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando- se o Acórdão nº 2301-003.511 (fls. 140/147), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Na presença de provas que demonstram que a prestação de serviços não se amolda aos requisitos da cessão de mão obra previstos no §3º do art. 31 da Lei 8.212/91, a presunção relativa fica afastada, retirando o fundamento da obrigação de realizar a retenção. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 Os autos foram remetidos à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional em 08/10/2013 (fl. 159 do processo 15586.001698/2010-02) e, em 13/11/2013 (fl. 193 do processo 15586.001698/2010-02), retornaram com Recurso Especial (fls. 148/156) objetivando rediscutir a matéria: Aplicação da retenção na contratação de serviços de construção civil na contratação por cessão de mão de obra e por empreitada. Pelo despacho datado de 30/01/2017 (fls. 181/183), considerou-se demonstrada a divergência jurisprudencial e deu-se seguimento ao Recurso especial da Fazenda Nacional. Na sequência, transcrevo ementa do acórdão apresentado como paradigma: Acórdão 2403-01.266 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. A empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada que tenha valores retidos poderá compensar essas importâncias quando do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. A contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Razões apresentadas pela Fazenda Nacional A Fazenda Nacional alega, em síntese, o que se segue: O acórdão recorrido afastou a exigência de retenção e recolhimento de 11% sobre a nota fiscal a título de contribuição previdenciária, diante da ausência dos elementos caracterizadores da cessão de mão de obra. O paradigma confirma claramente a obrigação de reter e recolher 11% sobre a nota fiscal de serviços de construção civil por empreitada, como é o caso dos autos, independentemente da caracterização de cessão de mão de obra. No entendimento do precedente apresentado, a contratação dos serviços de construção civil por empreitada, por si só, sujeita o contratante à retenção para fins de recolhimento das contribuições previdenciárias. A relação dos serviços sujeitos à retenção previdenciária de 11% encontra- se no art. 31 da Lei nº 8.212/91, em seu §4º, que também remeteu ao Regulamento a possibilidade de inclusão de outros serviços sujeitos à referida obrigação, além dos listados em seu próprio texto. O parágrafo 3º do art. 219 do RPS bem ressalta que os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção quando contratados mediante empreitada de mão‑de‑obra, ou seja, os contratos de prestação de serviços de limpeza, conservação e zeladoria; vigilância e segurança; construção civil; serviços rurais; e digitação e preparação de dados para processamento estão obrigados à retenção previdenciária de 11% tanto por empreitada quanto mediante cessão de mão de obra. Conforme anotado no relatório fiscal, tem-se que os serviços prestados enquadram-se no conceito de serviços de construção civil. Tais serviços, aliás, estão sujeitos à retenção, conforme disposto no § 4°do artigo 31 da Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, também, o § 3°do art. 219 do Decreto nº 3.048/99. No presente caso, por força dos dispositivos legais citados, a retenção prescinde de comprovação da cessão de mão de obra, já que ela é obrigatória mesmo quando os serviços são prestados mediante empreitada. Logo, por todo o exposto, merece reforma o acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento em sua integralidade. Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 Contrarrazões do Contribuinte O Contribuinte tomou ciência das decisões proferidas pelo CARF em 24/07/2017 (fl. 187) e ratificou e protocolizou em 26 de julho de 2017 Contrarrazões ao recurso especial interposto pela União, documentos estes que foram juntados pelo Contribuinte aos autos 15586.001698/2010-02 às folhas 225/239, em que se alega o que segue: A empresa recorrida não pode ser inserida na obrigação tributária, uma vez que diferentemente do alegado pela União Federal, os serviços prestados não são realizados mediante cessão de mão de obra. A mera prestação de serviços não caracteriza cessão de mão de obra, que é constituída mediante a colocação à disposição do contratante, em suas dependências u nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos. Outra consideração que merece destaque diz respeito ao pressuposto da continuidade. Como serviços contínuos devem ser entendidos aqueles dos quais a contratante necessita de forma permanente. Cumpre à Autoridade Fiscal demonstrar que o contribuinte contratou serviços do art. 219 do Decreto nº 3.048/1999, para que fique caracterizada a contratação de serviços por cessão de mão de obra, o que não ocorreu. Confirmada a inexistência de cessão de mão de obra, a Recorrente intenta imputar a obrigação de retenção de 11% ao aduzir que tal obrigação é devida em casos de empreitada. No entanto, o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 é claro ao limitar a referida obrigação às hipóteses de cessão de mão de obra e de empreitada de mão de obra. Empreitada de mão de obra é a contratação exclusiva de empresa construtora registrada no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – CREA que assume a responsabilidade direta na execução total da obra, nela incluindo o fornecimento de material. Somente na hipótese em que não se caracterize a empreitada global da obra ou repasse total deste tipo de contrato, aplicar-se-ia a retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/1991. No presente caso, não houve a exploração de mão de obra, mas a exploração da obra para a qual foi contratada a empresa, não se aplicando o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991. De acordo com o art. 176 da Instrução Normativa SRP nº 3/2005, a retenção não se aplica à empreitada global e ao contribuinte individual equiparado à empresa. Assim, a retenção não seria devida, eis que as empresas Solid Construções e Serviços Ltda e Fontauratec – Prestação de Serviços Ltda teriam sido contratadas por empreitada global, bem como a empresa Márcia Braga Soares – ME seria contribuinte individual equiparado a empresa, também não estaria sujeita à retenção. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos necessários à sua admissibilidade, portando dele conheço. A matéria devolvida à apreciação deste Colegiado, cinge-se à aplicação da retenção na contratação de serviços de construção civil na contratação por cessão de mão de obra e por empreitada. Ao julgar o Recurso Voluntário interposto pela Fazenda Nacional, o colegiado a quo, assim decidiu: Sabendo tratar-se de presunção legal de retenção, resta-nos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta. Como se sabe, uma presunção é o processo, que utiliza a lógica, no caso das presunções simples, ou a determinação legal, no caso das presunções legais, partindo do fato base, ou do indício, e resultando no fato presumido. Acrescente-se que as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tantum, sendo que as absolutas são insuscetíveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido.(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 136). O art. 33, §5º da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado “alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto” na mesma Lei. Tendo o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrário, concluímos tratar-se de presunção absoluta. Resulta dizer que, constatando a ocorrência de uma situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica “diretamente responsável”. No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 criou uma regra geral para determinarmos se a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mão de obra. Assim, “entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Trata-se de, como dissemos, uma regra geral, mas, em adição, quis a mesma lei criar outra presunção, agora relativa, em relação aos serviços que se enquadram com as características de cessão de mão de obra. No §4º do art. 31 da Lei 8.212/91, portanto, temos uma lista de serviços que, por presunção legal relativa, são considerados como executados por cessão de mão de obra. Além de listar alguns serviços, a lei permitiu ao regulamento aumentar a lista de serviços que, por presunção relativa, seriam considerados executados por meio de cessão de mão de obra. Digo que há uma presunção relativa, pois a lista dos serviços submete-se à regra geral do § 3º do art. 31. Significa dizer que a empresa contratante poderá demonstrar que, mesmo tendo contratado alguns dos serviços listados pela Lei ou pelo regulamento, a execução dos serviços não se deu de uma forma que caracterize a cessão de mão de obra, nos moldes do §3º do art. 31. Em suma, diante da existência de tal presunção relativa, cabe ao fisco demonstrar que houve a contratação de serviços relacionados na lei ou no regulamento para concluir que foi realizado por meio de cessão de obra, ao passo que, ao contratante, caberá o ônus de demonstrar que a prestação de serviços não se deu com características de cessão de mão de obra. Para compreendermos o que seria uma cessão de mão de obra, devemos lembrar que uma das principais características que distinguem a cessão de mão de obra Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 da empreitada é a existência de um resultado pretendido para a empreitada, ao passo que na cessão de mão de obra a contratada não se compromete com um resultado, apenas coloca trabalhadores à disposição da contratante. Concordamos com o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior quando este interpretou, no voto do Acórdão 2301- 00.444, o significado de “estar à disposição” como equivalente estar submetido ao poder de comando do contratante, sem, no entanto, ressalvamos, caracterizar uma subordinação jurídica. Logo, a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal apresentado pela recorrente, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante. A continuidade do serviço é outra característica exigida pela lei para caracterizar a cessão de mão de obra. Mas é a continuidade do serviço, não do prestador ou do trabalhador. Se mensalmente é trocado o prestador, mas o serviço mostra-se contínuo no tempo do ponto de vista da contratante, então, temos a continuidade exigida pela lei. Dessa maneira, nos casos que se enquadram no art. 31 da Lei 8.212/91, temos um encadeamento de duas presunções. A primeira, relativa, que trata da caracterização dos serviços que se consideram realizados com cessão de mão de obra. O fato base de tal presunção é a constatação de contratação de serviço relacionado pela lei ou pelo regulamento, sendo o fato presumido a realização do referido serviço com cessão de mão de obra. Cabe ao contratante, nesse caso, demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. A segunda presunção, esta absoluta, é a presunção de que, caracterizada a contratação de serviço por meio de cessão de mão obra, considera-se efetivada a retenção de 11% e, portanto, deve ser feito o recolhimento. O fato base de tal presunção absoluta é a contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra, sendo o fato presumido a retenção de 11%. A par disso, cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado a existência de contratação de serviços com cessão de mão de obra e, conseqüentemente, surja a obrigação de recolher ao fisco o valor presumidamente retido do contratado. Ao fiscalizado cabe demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 para afastar o fato presumido. Passemos às considerações sobre o caso dos autos. Conforme anotamos alhures, "a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal apresentado pela recorrente, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante". Como no caso presente em todas as três prestações de serviço temos a realização de um serviço determinado em nota fiscal, de acordo com o relato da própria fiscalização e conforme observamos nos documentos de fls. 67/74, não temos caracterizada a cessão de mão de obra, o que afasta a obrigação da empresa de realizar a retenção. (Grifou-se) O lançamento da obrigação principal, bem como da obrigação acessória pela não realização da retenção e do recolhimento das contribuições retidas, ocorreu em razão do que determina a Lei 8.212/91, art. 31, na redação vigente à época dos fatos geradores: Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5 o do art. 33 Também o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, estabelece: Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão- de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadram-se na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mão-de-obra: [...] III- construção civil; [...] §3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mão-de-obra. [...] (Grifou-se) Por sua vez, a Instrução Normativa - IN SRP nº 03/05 (que repete o conteúdo da IN INSS/DC nº 100/03), vigente à época dos fatos geradores, assim dispõe: IN SRP 03/05: Art. 143. Cessão de mão-de-obra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante entende-se a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. Art. 144. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. Art. 145. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: (...) III - construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou passeios, a colocação de grades ou de instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas; (grifou-se) (...) Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 De se observar que o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 c/c o caput e § 3º do art. 219 do Regulamento da Previdência Social é absolutamente claro no sentido de que, em se tratando de construção civil, o contratante está obrigado à retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal seja nos casos de cessão de mão de obra ou naqueles em que os serviços são prestados mediante empreitada. Em virtude disso, não há como atribuir razão ao Colegiado Ordinário de que a autoridade autuante deveria ter demonstrado a cessão de mão de obra para conferir validade ao lançamento. O fato de os serviços de construção civil terem sido prestados por empreitada, repise-se, é suficiente para fazer nascer a obrigação da contratante de efetuar a retenção. Ademais, segundo demonstrado no Relatório Fiscal (fls. 55/59), em relação à empresa Solid Construções e Serviços Ltda, as retenções de 11% foram inclusive destacadas nas notas fiscais de prestação de serviços, mas, não foram descontadas da empresa prestadora e nem recolhida à Previdência Social. Quanto à empresa Fontouratec Prestação de Serviços Ltda, verificou-se que o objeto do contrato é fabricação e montagem de gradil metálico, fechamento, escadas metálicas, cobertura metálica guarita, portões em chapas galvanizadas, recuperação de prateleiras metálicas, suportes de ar condicionado e cobertura metálica sala gerador. Nesse caso, os pagamento efetuados à prestadora, comprovados pelas Notas Fiscais emitidas, foram escriturados na contabilidade do Contribuinte na conta contábil 13019600000000 denominada Construções & Incorporações. No que tange as Notas Fiscais emitidas pela empresa Márcia Braga Soares – ME, referem-se a serviços de jardinagem e paisagismo com fornecimento de material que também se incluir no conceito de obra de construção civil. O Contribuinte, em contrarrazões, não questiona que os serviços prestados pela Solid Construções e Serviços Ltda e pela Fontouratec Prestação de Serviços Ltda sejam de construção civil, porém, argumenta que foram executados por empreitada global, razão pela qual prevaleceria a responsabilidade solidária entre tomadora e prestadora, não sendo devida a retenção, conforme prevê o inciso II, do art. 176 da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, que estabelece: Art. 176. Não se aplica o instituto da retenção: [...] II - à empreitada total, conforme definida na alínea “a” do inciso XXVIII do caput e no § 1º, ambas do art. 413, aplicando-se, nesse caso, o instituto da solidariedade, conforme disposições previstas na Seção III do Capítulo X deste Titulo, observado o disposto no art. 191 e no inciso IV do § 2º do art. 178; Ocorre que o dispositivo da Instrução Normativa SRP nº 3/2005 remete à alínea “a” do inciso XXVIII do caput e no § 1º, ambas do art. 413, que dispõem: Art. 413. Considera-se: [...] XXVIII - contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; [...] § 1º Será também considerada empreitada total: I - o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; II - a contratação de obra a ser realizada por consórcio, constituído de acordo com o disposto no art. 279 da Lei nº 6.404, de 1976, desde que pelo menos a empresa líder seja construtora, observados os conceitos dos incisos XX e XXVII do caput deste artigo; e [...] De se esclarecer que, diferentemente do que aduz o Sujeito Passivo, a Instrução Normativa SRP nº 3/2005 não faz referência a empreitada global, mas a empreitada total. Além do que, empreitada total é definida na referida norma como sendo o contrato de construção civil celebrado exclusivamente com empresa construtora que assuma a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes. Por certo, além de não fazer prova de que os serviços foram prestados por empreitada total, esses serviços, por sua própria natureza, não compreendem todos os projetos inerentes a uma obra de construção como exige a norma suscitada pelo Sujeito Passivo. Tratam- se de serviços complementares que estão sujeitos a retenção e não se submetem à responsabilidade solidária. Além disso, como dito no Relatório Fiscal, “O presente Auto de Infração é referente [...] à obra de matrícula CEI 50.018.13231/72”, ou seja, não há que se falar em empreitada total em se tratando de obra cuja realização foi executada por três empresas diferentes. Alega-se ainda em contrarrazões que não seria devida a retenção sobre as Notas Fiscais relativas à empresa Márcia Braga Soares – ME, por se tratar de contribuinte individual equiparado à empresa, buscando fundamento no inciso IV, do art. 176 da mesma normativa. No entanto, a prestadora dos serviços não se trata de contribuinte individual equiparado a empresa, eis que é microempresa com registro de CNPJ, ao passo que o contribuinte individual equiparado à empresa é a pessoa física, com cadastro específico no INSS – CEI, que mantém empregados registrados, como, por exemplo: dentistas, cabeleireiras, contador. A própria IN SRP 03/2005 tratava do assunto, conforme se verifica no trecho abaixo: Art. 18. Os cadastros do INSS são constituídos dos dados das empresas, dos equiparados a empresas e das pessoas físicas seguradas da Previdência Social. Art. 19. A inscrição ou a matrícula serão efetuadas, conforme o caso: I - no Cadastro Nacional de Informação Social - CNIS mediante atribuição de um NIT, para os trabalhadores em geral; II - simultaneamente com a inscrição no CNPJ, para as pessoas jurídicas ou equiparados; III - no Cadastro Específico do INSS (CEI), no prazo de trinta dias contados do inicio de suas atividades, para a empresa e equiparado, quando for o caso, e obra de construção civil, sendo responsável pela matrícula: a) o equiparado à empresa isenta de registro no CNPJ; (Grifou-se) Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-009.712 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.001705/2010-68 Além do que, como referida empresa também prestou serviços complementares de construção civil por meio de empreitada, deveria o Sujeito Passivo ter efetuado a retenção de 11% sobre as notas fiscais de serviços. Por todas essas razões, considero que a decisão recorrida deve ser reformada e o Auto de Infração restabelecido. Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10920.912282/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.769
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.766, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10920.912279/2011-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202107
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10920.912282/2011-22
anomes_publicacao_s : 202108
conteudo_id_s : 6458942
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3302-001.769
nome_arquivo_s : Decisao_10920912282201122.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10920912282201122_6458942.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.766, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10920.912279/2011-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
id : 8943215
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:39:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564045471744
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-26T17:51:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-26T17:51:44Z; Last-Modified: 2021-08-26T17:51:44Z; dcterms:modified: 2021-08-26T17:51:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-26T17:51:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-26T17:51:44Z; meta:save-date: 2021-08-26T17:51:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-26T17:51:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-26T17:51:44Z; created: 2021-08-26T17:51:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2021-08-26T17:51:44Z; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-26T17:51:44Z | Conteúdo => 0 S3-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10920.912282/2011-22 Recurso Voluntário Resolução nº 3302-001.769 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2021 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente TIGRE S.A. - TUBOS E CONEXOES Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3302-001.766, de 27 de julho de 2021, prolatada no julgamento do processo 10920.912279/2011-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao saldo credor do IPI apurado pelo estabelecimento de CNPJ 84.684.455/0069-51 ao final do 1º trimestre/2010. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 12 28 2/ 20 11 -2 2 Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.769 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.912282/2011-22 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (a) tendo os débitos de IPI apurados pela fiscalização sido analisados em processo de auto de infração próprio, há que se manter a coerência entre a análise ali efetuada e o julgamento da manifestação de inconformidade; mantido o auto de infração, há que se manter os débitos apurados; (b) é imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório; quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamento de uma solução que atenda ao pedido feito; (c) não se conhece da manifestação de inconformidade com relação às alegações a respeito de matéria não litigada nos autos; na verdade, a multa de ofício é objeto de outro processo, que trata de lançamento em auto de infração, devendo os pertinentes questionamentos serem ali discutidos. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, irresignada com a decisão “a quo”, reproduzindo, em síntese apertada, suas razões de defesa. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto em lei. Passa-se, assim, na sua análise. Conforme exposto anteriormente, constasse que a DRJ condicionou o direito creditório da Recorrente ao resultado do julgamento proferido nos autos do PA 10920.720161/2012-37 (ainda não julgado definitivamente). Aquele processo, resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente redução do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Como se vê, a decisão definitiva que será proferida no processo nº 10920.720161/2012- 37, por envolver questões conexas, caso seja parcial ou totalmente favorável ao contribuinte, validará parcial ou totalmente o crédito por ele apurado e modificará o despacho que não homologou os pedidos de compensação. Neste cenário, verifica-se que a decisão que será proferida no processo administrativo nº 10920.720161/2012-37 que, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte repercutirá nestes autos, sendo, necessário apurar o reflexo daquela decisão ao presente caso. Diante do exposto, voto por determinar o retorno dos autos a unidade de origem para: (i) sobrestar o julgamento deste processo até o julgamento definitivo do PA 10920.720161/2012-37 (ii) apurar os reflexos da decisão definitiva a ser proferida naquele processo com o presente caso, elaborando parecer conclusivo; (iii) intimar o contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias; e (iii) retornar os autos ao CARF para julgamento. Fl. 425DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.769 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.912282/2011-22 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de sobrestar o processo na Unidade de Origem até a decisão final do processo de compensação/crédito vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 426DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720993/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara cientifique a PGFN sobre a decisão prolatada no âmbito do Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.014403-5 (e-fls. 796/816), especialmente, em relação ao eventual efeito sobre a coisa julgada da decisão proferida nos autos da referida ação ordinária e à necessidade ou não de sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que seja prolatada a decisão judicial definitiva sobre a matéria.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.720993/2012-39
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801099
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-000.670
nome_arquivo_s : Decisao_16327720993201239.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720993201239_5801099.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara cientifique a PGFN sobre a decisão prolatada no âmbito do Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.014403-5 (e-fls. 796/816), especialmente, em relação ao eventual efeito sobre a coisa julgada da decisão proferida nos autos da referida ação ordinária e à necessidade ou não de sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que seja prolatada a decisão judicial definitiva sobre a matéria. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7023996
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564055957504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 836 1 835 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720993/201239 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.670 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de outubro de 2017 Assunto COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente BRADESCO LEASING S/A. ARREDAMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Secretaria da Câmara cientifique a PGFN sobre a decisão prolatada no âmbito do Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035 (efls. 796/816), especialmente, em relação ao eventual efeito sobre a coisa julgada da decisão proferida nos autos da referida ação ordinária e à necessidade ou não de sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que seja prolatada a decisão judicial definitiva sobre a matéria. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o presente processo de “Declarações de Compensação” de alegado crédito da COFINS recolhida sobre a receita bruta, conforme definido pela Lei nº 9.718/98, e a maior do que o devido nos termos da Lei Complementar nº 70/91, períodos de apuração Fev/01 a Set/04, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 99 3/ 20 12 -3 9 Fl. 836DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 837 2 assunto esse objeto de discussão judicial na ação nº 2006.61.00.0034220. Foi lançada multa de ofício isolada de 50% no processo 16327.721542/201308, apenso ao presente. O Despacho Decisório fls. 212/232 relata que: a interessada pleiteou a declaração de inexistência de relação jurídica pertinente à exigência da COFINS nos moldes do §1ª do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com o reconhecimento do direito de compensar ou restituir os valores excedentes ao devido com base no faturamento, este entendido como a receita bruta conforme definido pelo art. 2º da LC nº 70/91, acrescentando que neste conceito não se enquadram quaisquer outras receitas de natureza diversa, tais como as provenientes de locação de imóveis, receitas financeiras, etc. a União apresentou a competente Contestação, nela esgrimindo, com fulcro nas alíneas b e c do § 1º do art. 1º do DL nº 1.940/82 que instituiu o FINSOCIAL, com a redação dada pelo art. 22 do DL nº 2.397/87, a constitucionalidade da exigência da COFINS nos moldes da Lei nº 9.718/98, particularmente, a incidência sobre as receitas financeiras da autora, posto que integrantes da sua receita operacional (PAF nº 16327.720740/201184). em 13/07/06 o juízo singular a julgou procedente, declarando a inexistência relação jurídica no tocante à ampliação da base de cálculo da COFINS prevista na Lei nº 9.718/98 e o direito à compensação do indébito com quaisquer outros tributos administrados pela RFB; a interessada embargou requerendo ao juízo “a quo” esclarecimentos quanto (i) à exclusão das receitas financeiras da base de cálculo, como formulada no item “a” do pedido contido na inicial, com o reconhecimento do indébito da COFINS dos períodos Fev/01 a Set/05, e (ii) ao direito, por sua opção, à restituição do indébito em espécie, como referido no item “b” do pedido; em 14/08/06, o juízo singular os acolheu parcialmente, “tão somente para explicitar que a procedência da ação implicou o acolhimento dos pedidos formulados”. da apelação, extraise ter a Fazenda Nacional repisado os mesmos argumentos expendidos na contestação oferecida à inicial, mormente no que diz respeito à equivalência, para efeitos fiscais, dos conceitos Receita Bruta e Faturamento, consoante o já decidido pelo STF, e à constitucionalidade da exigência da COFINS com base na Lei nº 9.718/98, a qual estaria, inclusive, respaldada pela edição da EC nº 20/98; Por outro lado, em face da apelação interposta pela União, o interessado apresentou ContraRazões, nela então combatendo a identidade dos conceitos “faturamento” e “receita bruta”, esta última entendida como a soma das receitas decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras, e a suposta legalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por força da EC nº 20/98, como defendidas pela Fazenda Nacional, bem como reiterando o direito à devolução do Fl. 837DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 838 3 indébito mediante compensação ou restituição, acrescidos dos juros SELIC; No julgamento da apelação, Em sessão realizada em 29/08/07, houve por bem a Terceira Turma do 3º TRF, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação e à remessa oficial, cujo acórdão foi assim ementado, verbis: “EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. LEI 9.718/98. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPENSAÇÃO. CRITÉRIOS. 1. A matéria posta em discussão já mereceu apreciação pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários 357.590/RS, 390.840/MG e 358.273/RS, nos quais foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. 2. A prescrição para restituição de indébitos é quinquenal. 3. As parcelas podem ser compensadas, por iniciativa do contribuinte, somente com débitos da própria COFINS, nos termos da Lei 8.383/91. 4. Esta Turma não aplica à espécie a Lei 9.430/96, inclusive com a alteração promovida pela Lei 10.637/2002, sob o fundamento (i) da inaplicabilidade do direito superveniente e (ii) tendo em vista que a opção pelo pedido de compensação na via judicial exclui o direito previsto na Lei 9.430/96 restrito à via administrativa. 5. Incidirá a taxa SELIC, por força do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95, que determina sua aplicação à compensação tributária e que é, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ao mesmo tempo, índice de correção monetária e de juros de mora. 6. Apelação e remessa oficial providas em parte.” Compulsando o voto condutor do acórdão, constatase ter o relator reconhecido, em consonância com os precedentes do STF que declararam a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o direito do interessado, no tocante à base de calculo, de recolher a COFINS de acordo com a LC nº 70/91, ou seja, sobre o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e de serviços de qualquer natureza, silenciando, porém, quanto às exclusões indicadas no item a do pedido contido na inicial, este, relembrese, integralmente provido nos embargos opostos à sentença monocrática; No tocante ao direito à compensação ou restituição do indébito, por opção das autoras, o relator expressamente reformou a sentença monocrática, limitandoo ao primeiro pedido e alcançando tão somente os pagamentos efetuados a partir de 15/02/01, bem como, a teor do disciplinado pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91, com débitos da própria COFINS, afastando, ao menos no âmbito da esfera judicial, a aplicação da legislação superveniente, a saber, Lei nº 9.430/96 e Lei nº 10.637/02, resguardando, contudo, o direito do interessado de efetuar, por conta e risco, a compensação com outros tributos na via administrativa; Fl. 838DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 839 4 Sob a alegação da existência de omissão e obscuridade no aresto, na parte relativa às restrições à compensação do indébito da COFINS e, na hipótese de optarem pela restituição em espécie, aos critérios de atualização monetária aplicáveis, o interessado opôs Embargos de Declaração; Ainda dos Embargos de Declaração, vale ressaltar ter o interessado requerido esclarecimentos acerca da realização da compensação do indébito da COFINS com outros tributos na via administrativa, conforme previsto pela Lei nº 9.340/96, por sua conta e risco, exceto quanto à existência do crédito, ou seja, em nada podendo prejudicar o pedido formulado no item “ a ” da inicial e acolhido pela r. sentença de 1ª instância, sendo esta última a obscuridade a ser aclarada; Em julgamento ocorrido em 14/11/07, o 3º TRF acolheu parcialmente os embargos, mantendo o entendimento de que a compensação a que se refere a Lei nº 9.430/96 só se aplica a procedimento realizado na via administrativa e esclarecendo que no acórdão embargado restou reconhecida a existência do indébito (quanto à alteração promovida pela Lei 9.718/98 na base de cálculo da COFINS) a partir de 16 de fevereiro de 2001, restando para a Administração apenas a análise da possibilidade da compensação com outros tributos que não da COFINS, cuja ementa foi assim vazada, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. HIPÓTESE AFASTADA. OBSCURIDADE. ESCLARECIMNTO NECESSÁRIO. 1. Por meio do acórdão embargado, foi reconhecido um indébito (quanto à alteração promovida pela Lei 9.718/98 na base de cálculo da COFINS) a partir de 16 fevereiro de 2001 – já que, antes dessa data, houve prescrição – que deve ser atualizado pela taxa SELIC (que já é índice de correção monetária e de juros de mora), restando para apreciação da Administração apenas a análise da possibilidade de o indébito ser compensado como outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, diversos da COFINS. 2. Em relação às demais questões, as embargantes pretendem atribuir efeitos infringentes aos embargos de declaração, o que é inadmissível, devendo a parte valerse do recurso cabível para lograr tal intento. 3. Embargos de declaração conhecidos e parcialmente acolhidos.” Irresignadas com as decisões proferidas pelo tribunal “a quo” na apelação e nos embargos, porém, as partes recorreram às instâncias superiores. A União por meio de Recurso Extraordinário e o interessado, de Recurso Especial, além da apresentação de Contra Razões àquele; No Recurso Extraordinário, não admitido, a Fazenda Nacional cingiuse a defender a constitucionalidade das alterações perpetradas pela Lei nº 9.718/98, em especial que o conceito tributário de receita bruta não discrepa do de faturamento, e que abrange todas as receitas da pessoa jurídica; Fl. 839DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 840 5 No Recurso Especial, admitido e autuado junto ao STJ sob nº 1.083.122, houve por bem o interessado, sustentando ter o v. acórdão recorrido confirmado a existência do indébito, conforme formulado na inicial, e acolhido integralmente pela sentença monocrática, restando, portanto, para apreciação da Administração apenas a análise da possibilidade de sua compensação com outros tributos diversos da COFINS, atacou a contagem do prazo prescricional nele consignada e o não reconhecimento do seu direito à opção, incluindo também os juros SELIC, pela restituição em espécie ; Antes da manifestação do STJ, porém, o interessado formalizou pedido de desistência do Recurso Especial interposto, o qual foi homologado por meio de despacho proferido em 15/10/08. A decisão transitou em julgado em 12/11/08, com a baixa dos autos à origem; Posteriormente, em 13/05/11, atendendo exigência contida no art. 70, § 2º, da Instrução Normativa da RFB nº 900/08 e alterações, o interessado renunciou à execução do título judicial, pedido este deferido pelo juiz singular por meio de despacho proferido em 13/06/11; Com efeito, em respeito ao disciplinado pelo art. 71 da mesma IN RFB nº 900/08, o interessado protocolizou junto à DEINF/SPO “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial”, o qual foi formalizado no PAF nº 16327.720740/201184, já apensado, e onde se encontram acostadas as peças judiciais acima citadas; Tendo em vista, então, que o “Pedido de Habilitação” cumpriu os requisitos prescritos pelo § 4º do retro citado dispositivo, houve por bem a autoridade administrativa deferilo, tendo na decisão proferida, contudo, à luz do estabelecido pelo § 6º do mesmo art. 71, consignado que isso não implicava na homologação de nenhuma compensação efetuada pelo interessado, muito menos no reconhecimento da certeza e liquidez do direito creditório nele informado; Em face, portanto, do deferimento do “Pedido de Habilitação”, o interessado, em absoluto respeito ao disciplinado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, apresentou à RFB “Pedido de Restituição”, protocolizado sob nº 15246.60987.310811.1.2.579470, assunto tratado no PAF nº 16327.720993/201239, nele informando como crédito o montante de R$ 65.065.811,91, em valor atualizado até Ago/11, e “Declarações de Compensação” eletrônicas, as quais foram baixadas para tratamento manual neste processo (folhas 03 a 17); Por outro lado, embora não cabendo disceptação acerca do objeto discutido na Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, repitase, o afastamento do alargamento da base de cálculo da COFINS instituído pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, particularmente das receitas financeiras auferidas pelo interessado, e a apuração da COFINS sobre o faturamento, este correspondente à receita bruta da venda de mercadorias e/ou de serviços de qualquer natureza, consoante previsto na LC nº 70/91, houve por bem esta DEINF/SPO, em face da incerteza quanto aos limites e efeitos da coisa julgada material formada nos autos da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, formular Consulta à D. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 841 6 Procuradoria Regional da Fazenda Nacional (folhas 128 a 140); Sobrevindo a Solução de Consulta, a D. PRFN concluiu não ter a sentença vertida pelo 3º TRF nos embargos de declaração opostos pelo interessado, que restou transitada em julgado, afastado a incidência da COFINS sobre as receitas financeiras, cabendo, portanto, no caso concreto, a aplicação do entendimento já enunciado no Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, ou seja, a exclusão da base de cálculo da indigitada contribuição, por força da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, tão somente das receitas não operacionais (folhas 141 a 160); Inicialmente, vale lembrar que, tendo em vista tratarse o interessado de instituição financeira, cujas receitas operacionais, inclusive as estritamente financeiras, decorrem em sua quase totalidade das atividades típicas da pessoa jurídica, a consulta formulada pela DEINF/SPO à PRFN/SPO teve por escopo a solução de duas questões fundamentais: (a) a da definição dos limites e efeitos da coisa julgada material formada na Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220 e (b) a da própria conceituação do termo “ receitas financeiras ” constante da lide ; Por outro lado, antes de prosseguir, é de extrema importância aqui esclarecer que a Solução de Consulta, ainda que encaminhada em atendimento a caso concreto, qual seja, o objeto da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, a resposta elaborada pela PRFN/SPO não tem o condão de vincular a autoridade administrativa preparadora, visto não se enquadrar no disposto pelo art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, servindo, pois, para efeito do presente despacho, tão somente como orientação; Com efeito, como bem asseverou a PRFN/SPO no item 7 da Solução de Consulta, no recurso de apelação manejado pela Fazenda Nacional foi pleiteada a reforma integral da decisão monocrática, então favorável ao interessado, razão pela qual, a teor do disposto pelo art. 515, caput, do Código de Processo Civil, o seu efeito devolutivo operouse plenamente; Ademais, à luz do disciplinado pelo art. 512 do CPC, o julgamento proferido pelo 3º TRF na referida apelação, e que lhe deu parcial provimento, substituiu, na íntegra, a r. sentença, passando a ter eficácia plena, tornando, portanto, despicienda qualquer consideração acerca dos termos em que julgada aquela decisão monocrática; E vale lembrar que o v. acórdão exarado pelo 3º TRF em 29/08/07, já transcrito no item 11 do relatório e por meio do qual restou reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 conforme declarada pelo STF, não assegurou, ao menos nos termos em que formulado no pedido consignado na inicial, a certeza e liquidez do pretendido indébito da COFINS; E nem se queira agora, o que aqui se menciona por apego à argumentação, sustentar o contrário, visto ter o próprio interessado, sob alegação de existência de obscuridade no aresto, conforme descrito no item 15 do relatório, oposto Embargos de Declaração para fins de esclarecimento quanto ao reconhecimento, como acolhido pela Fl. 841DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 842 7 sentença monocrática, do direito creditório nos exatos termos do item a do pedido; Com efeito, tendo em vista o efeito substitutivo do provimento de mérito proferido pelo E. 3º TRF no recurso de apelação, cujo v. acórdão transitou em julgado na parte não reformada nos Embargos de Declaração, houve por bem a D. PRFN/SPO, para o deslinde do caso vertente, recorrer àquele decisum, nele buscando a relação jurídica acertada entre as partes, lembrando, ainda, ao amparo de doutrina colacionada na Solução de Consulta, que essa relação não se esgotaria na parte “dispositiva da sentença”, mas alcançando também os fundamentos de fato e de direito que lhe deram causa; Assim agindo, concluiu a D. PRFN/SPO, consoante expresso no item 26 da Solução de Consulta, ter a tutela judicial assegurado ao interessado o direito à apuração da COFINS com base na receita bruta, como definida pela LC nº 70/91, nela incluindose, conforme entendimento já firmado no Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007, as receitas decorrentes das atividades de intermediação financeira e de aplicação de recursos próprios e de terceiros, posto que pertinentes às atividades típicas da pessoa jurídica; Relativamente aos Embargos de Declaração opostos pelo interessado na apelação, do voto condutor do v. acórdão exarado pelo 3º TRF, bem como de sua ementa reproduzida no item 16 do relatório, sobressai que a relação jurídica material dele deduzida em nada elucidou a obscuridade suscitada pelo interessado, concernente ao reconhecimento do indébito da COFINS nos termos do pedido formulado no item “ a ” da inicial e acolhido pela r. sentença de 1ª instância; Por conseguinte, pelos mesmos fundamentos de fato e de direito aludidos nos itens 4 a 8 acima, mais o consubstanciado no item 25 da Solução de Consulta, dúvida não remanesce para esta autoridade administrativa de que, nos exatos termos em que proferida a decisão nos Embargos de Declaração retro e que transitou em julgado, no tocante à apuração do indébito como formulado na exordial o v. acórdão foi desfavorável ao interessado, como, deveras, confirmado pela PRFN/SPO em resposta ao quesito “a” da Consulta formulada pela DEINF/SPO, verbis: “Em face do exposto, concluise que a relação jurídica de direito material entre as parte está regrada inteiramente pelo v. acórdão do C. Tribunal Federal, o qual estabeleceu como base de cálculo da COFINS aquela prevista na Lei Complementar 70/91, de forma que não há fundamento para a pretendida exclusão da base de cálculo da COFINS, períodos de apuração Fev/2001 a Dez/2005, das receitas financeiras;” Considerando que nos embargos não restou resolvida a obscuridade nele suscitada pelo interessado, indiscutível a conclusão vazada na Solução de Consulta, de que, na parte relativa à materialidade do indébito da COFINS, a decisão embargada não sofreu nenhuma alteração, permanecendo incólume o r. acórdão, o qual tão somente autorizou o interessado a apurar a indigitada contribuição com base na “receita bruta” conforme definida pela LC nº 70/91 e, em Fl. 842DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 843 8 decorrência, da aplicação ao presente caso do preconizado pelo Parecer PGFN/CAT/ Nº 2773/2007; E nem poderia ser diferente, pois a exclusão da base de cálculo da COFINS, para as instituições financeiras, das receitas decorrentes de intermediação financeira e/ou da aplicação de recursos próprios e de terceiros, como suplicada pelo interessado na presente lide, encontra se pendente de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, em caráter de repercussão geral, no RE 609.096/RS; E para corroborar tal assertiva, bastaria aqui mencionar o fato de ter o interessado, com o mesmo propósito de afastar a incidência da COFINS sobre as discutidas rendas de intermediação e aplicações financeiras dos períodos de apuração Out/05 e subsequentes, ajuizado Mandado de Segurança, autuado sob nº 2005.61.00.0260148, ora com Recurso Extraordinário sobrestado por força do sobredito paradigma (folhas ) ; Da simples leitura do voto condutor do v. acórdão então exarado pelo 3º TRF na apelação interposta pela Fazenda Nacional, sobressai ter a E. Sexta Turma se debruçado sobre a definição de receita bruta a que alude o art. 3º, caput, da Lei nº 9.718/98, concluindo ser ela “aquela advinda das operações que constituem o objeto da empresa e, adaptandose este conceito às instituições financeiras, não podese outra ilação senão a que considera a receita de intermediação financeira como integrante da base de cálculo destas sociedades empresariais, vez que fazem parte de seu objeto social, expressamente delineado no art. 17 da Lei nº 4.595/64”; E para corroborar essa posição e fulminar qualquer dúvida acerca da interpretação dada por esta autoridade administrativa à sentença transitada em julgado na AO nº 2006.61.00.0034220, vale citar decisão administrativa proferida pela DEINF/SPO em caso análogo, a qual ensejou a interposição, por iniciativa da parte contrariada, do Agravo de Instrumento autuado sob nº 2009.03.00.0315036, cujo relator do voto indeferiu a tutela antecipada; Se por um lado, é indiscutível que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 alargou o conceito de faturamento, equiparandoo ao conjunto das receitas auferidas pela pessoa jurídica e tributando outras receitas, além daquelas provenientes da venda de mercadorias e de serviços, como os rendimentos de aplicações financeiras e as receitas não operacionais, de outro, a decisão vazada na AO nº 2006.61.00.003422 0, que afastou o referido dispositivo, deixou de analisar a extensão do termo “receitas financeiras” aplicável ao caso concreto; Nesse ponto, portanto, caberia discordar da afirmação de D. PRFN/SPO, de que o conceito de receitas financeiras alcança as receitas de intermediação ( spread ), bem como as receitas de aplicação de recursos próprios e de terceiros, como inserto na conclusão da Solução de Consulta; E a definição exata de cada um desses termos, e sua inclusão, para fins de exigência da COFINS, no conceito mais amplo de “receita bruta” das instituições financeiras, é de fundamental importância, não só para o presente caso, mas para todas as pessoas jurídicas assim Fl. 843DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 844 9 enquadradas, o que certamente caberá ao STF esclarecer por ocasião do julgamento do RE 609.096; Nesse sentido, ainda, vale lembrar o sustentado pelo festejado profº Geraldo Ataliba (in Revista de Direito Tributário, n. 35, jan/mar de 1986) acerca da apuração da base de cálculo do PIS, ou seja, o “faturamento”, para quem “o cerne ou consistência do fato traduzido financeiramente nestes faturamentos não pode deixar de ser o conjunto de negócios ou operações que a eles dá ensejo”; Ora, das palavras do insigne tributarista, podese deduzir que, embora todo faturamento (receita bruta) se traduz em receita financeira, para efeito de apuração da contribuição para o PIS, ou da COFINS, devida pela pessoa jurídica, importa à autoridade fiscal não se subsumir à simples classificação contábil que se dê às receitas da pessoa jurídica, mas sim identificar o negócio ou operação que lhe deu origem, e se ele(a) se enquadrada ou não na sua atividade típica; citando extensa discussão relativa à interpretação e equivalência dos conceitos de “receita bruta” e de “faturamento”, o parecer, ao delimitar o alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 proferida pelo STF, consagrou o entendimento de que a base de cálculo da COFINS/PIS é a receita bruta decorrente das atividades empresariais típicas desenvolvidas pela pessoa jurídica, Com efeito, com base nas informações prestadas pelo interessado a partir do “Termo de Intimação” de apuração do eventual indébito da COFINS do período Fev/01 a Set/04, deveria esta autoridade administrativa, após a exclusão da base de cálculo da COFINS tão somente das receitas não operacionais, conforme apontado no demonstrativo elaborados por esta DIORT/DEINF/SPO, deferir parcialmente o “Pedido de Restituição” nº 15246.60987.310811.1.2.579470, reconhecendo como direito creditório, visto atendido o que dispõe os art. 168, I, 156, I e X, do CTN, o montante de R$ 386.892,82, em valor original (folhas 195 a 197); A compensação foi homologada parcialmente e tendo vista o disposto no §1º, inciso I do art. 38 da IN RFB nº 900/08 foi lançada multa de ofício isolada de 50% no processo 16327.721542/201308, apenso ao presente. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório alegando que: Ajuizou ação ordinária para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídica que tenha por objeto o direito da Ré de exigir das Autoras e/ou suas incorporadas, o recolhimento da COFINS relativamente aos meses de competência de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, de acordo com a base de cálculo instituída pela Lei nº 9.718/98, e por consequência reconhecer como indevidos os pagamentos realizados a este título, naquilo que excederem ao que seria devido sobre seu efetivo faturamento ("receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços", conforme artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, à qual se reportam os arts. 1º e 2º da Lei nº, 9.718/98), neste conceito portanto não se enquadrando quaisquer outra Fl. 844DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 845 10 receitas de natureza diversa, tais como as provenientes de locação de imóveis, receitas financeiras, etc; A Fazenda contestou alegando que as receitas financeiras integram a receita operacional da pessoa jurídica; A sentença julgou procedente a ação; Foram opostos embargos alegando que não houve manifestação específica quanto a base de cálculo; Os embargos foram acolhidos para explicitar que a procedência da ação implicou o acolhimento dos pedidos formulados; Na apelação a Fazenda alegou que as receitas financeiras integram a receita operacional da pessoa jurídica. O Tribunal deu provimento à apelação para restringir a compensação a parcelas da COFINS e para reduzir o percentual de condenação imposta ao pagamento de honorários advocatícios para 1%; A decisão transitou em julgado em 14/07/2008; As autoras desistiram do Recurso Especial; Na consulta a PFN, o Delegado da DEINF; entendeu ser inquestionável o direito das autoras à exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas financeiras; contudo que tal decisão contraria o Parecer nº 2.773/2007; O parecer entendeu que o acórdão tem efeito substitutivo, portanto, regula inteiramente a relação anteriormente controvertida, que a parte dispositiva deve ser depreendida de todos os provimentos e que a motivação é imprescindível à correta exegese do julgado e cita o entendimento de Nelson Nery Junior e Humberto Theodoro Jr. O Parecer conclui que o acórdão ao seguir o entendimento do Pretório Excelso no tocante à declaração de inconstitucionalidade apenas do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e ao informar a base de cálculo da LC 70/91 quis efetivamente dispor que a COFINS deve incidir também sobre as receitas de prestação de serviços, tal como estabelecido naquela lei complementar; Em caso de decisão que não aprecie todos os pedidos, cumpre ao interessado interpor embargos; Somente transita em julgado a parcela do pedido efetivamente julgada pela decisão, nos termos da Nota PGFN/CRJ/Nº 178/2009; A decisão da Procuradoria leva a conclusões opostas às previstas na doutrina invocada, como de resto esclarecido pelos próprios Prof. Humberto Theodoro Jr. e Nelson Nery Jr. citados naquela consulta, em pareceres proferidos especificamente para o caso concreto; A distinção que pretendeu fazer o despacho decisório entre as diversas espécies de receitas financeiras afigurase irrelevante na Fl. 845DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 846 11 medida em que o pedido formulado na ação ajuizada, acolhido pela decisão judicial proferida, fez referência apenas ao gênero “receitas financeiras”, abrangendo, portanto, todas elas. O efeito substitutivo no campo material se dá com a ratificação da decisão recorrida naquilo em que não modificada e sua alteração ocorre apenas nos limites em que provido o recurso interposto. Considerando que a sentença deu provimento ao pedido da interessada, o fato do acórdão não ter se pronunciado quanto a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ratificou o decidido na sentença, portanto, somente a Fazenda teria interesse em opor embargos. Quanto aos embargos do acórdão, o objeto foi a possibilidade de compensação do indébito com outros tributos e o critério de atualização. Quanto ao fato do impugnante ter ajuizado outra medida judicial questionando a mesma exigência, relativamente a período distinto, (MS nº 2005.61.00.026014 8) em que o TRF apreciou a questão e entendeu estarem incluídas as receitas financeiras na base de cálculo da COFINS não corrobora os argumentos do despacho apenas evidencia que no caso caberia a Fazenda Nacional ter sido diligente e oposto embargos de declaração ou os recursos cabíveis visando a que decisão de teor semelhante fosse proferida também nos autos da ação ordinária nº 2006.61.00.00342200. O despacho decisório entendeu que a sentença quando acolheu o pedido do impugnante, afastou a incidência sobre a receita financeira proveniente da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, mas não incluiu a receita de intermediação financeira. Encerra a manifestação pleiteando a reforma do despacho decisório, com a consequente homologação de todas as declarações de compensação apresentadas. No processo 16327721542/201308,apenso a este, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 74/77) foi lançada multa isolada de 50%, totalizando R$ 32.203.651,06, por compensação não homologada com base no art. 74, §17 da Lei nº 9.430/96 na redação do art. 62 da Lei nº 12.249/2010 tendo como base de cálculo do valor do crédito objeto da declaração de compensação não homologada. A interessada foi cientificada em 11/12/2013 e apresentou impugnação (fls. 90/141) em 10/01/2014 alegando em síntese: 1) a multa não se aplica ao caso em que as compensações foram efetuadas com base em decisão transitada em julgado, não tendo o impugnante praticado qualquer ilicitude que pudesse ensejar a aplicação da multa; 2) a razão de ser da norma era a punição dos contribuintes que intencionalmente compensassem créditos sabidamente inexistentes para obter certidão negativa ou não pagar o crédito tributário devido, Fl. 846DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 847 12 conforme é possível depreender da exposição de motivos e do Parecer de Plenário a respeito do texto da MP 472; 3) por ser multa punitiva somente pode ser imposta em razão da ocorrência de um ilícito; 4) não houve ilicitude já que a interessada demonstrou sua boafé no pedido de habilitação; 5) Para caracterizar o ilícito deve estar presente o elemento subjetivo do tipo, ou seja, a consciência da ilicitude e a intenção de praticála; 6) A própria autoridade teve dúvidas sobre a legitimidade da compensação efetuada pelo impugnante, dúvida objetiva formalmente apresentada à PGFN, razão pela qual a multa não poderia ser aplicada ao caso concreto quando menos em decorrência do art. 112, inciso II do CTN; 7) Não é possível a imposição de multa antes da decisão administrativa definitiva que confirme a nãohomologação da compensação; 8) A exigibilidade da multa deve ficar suspensa até o julgamento final do processo de compensação, nos termos do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/96; A interessada reitera todas as alegações efetuadas no processo de compensação. Encerra a impugnação requerendo que os processos de compensação e o de multa sejam reunidos para julgamento simultâneo, ou quando menos sobrestado o feito até o final do julgamento do processo de compensação e que seja julgada procedente a impugnação para o fim de cancelar o lançamento da multa isolada imposta. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 693/715), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/09/2004 EFEITO SUBSTITUTIVO. ACORDÃO. COISA JULGADA. Por força do efeito substitutivo (art. 512 CPC) o julgamento do acórdão substituirá a decisão da sentença. Somente a parcela efetivamente julgada na decisão forma coisa julgada. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CALCULO. RECEITA BRUTA. RECEITA DA ATIVIDADE. A partir da entrada em vigor da Lei nº 9.718, de 1998, as instituições financeiras e as seguradoras passaram a ser tributadas com base no art. 2º da citada Lei, o qual estabelece como base de cálculo dessas contribuições o faturamento, conceituado pelo caput do art. 3º como sendo “a receita bruta da pessoa jurídica”. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 848 13 Para a COFINS o conceito de receita bruta é o contido no art. 2º da LC nº 70, de1991, isto é, as receitas advindas da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A base de cálculo da COFINS/PIS é a receita bruta decorrente das atividades empresariais típicas desenvolvidas pela pessoa jurídica. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Aplicase a multa de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2001 a 30/09/2004 MULTA. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE. Ocorrendo a não homologação, a multa deve ser lançada, contudo, sua exigibilidade deve ficar suspensa ainda que não impugnada, no caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 09/10/2014, a recorrente foi cientificada da decisão primeira. Inconformada, em 21/10/2014, protocolou o recurso voluntário de fls. 728/783, em que reafirmou as razões de defesa, suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, a recorrente alegou: a) em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que houve mudança de fundamento em relação ao despacho decisório, pois, enquanto este fora fundamentado no entendimento de que a decisão de segunda instância proferida pelo TRF da 3ª Região tinha efeito substitutivo em relação a decisão judicial de primeira instância, o fundamento da decisão recorrida fora baseada no entendimento de que a matéria concernente a base de cálculo da Cofins das instituições financeiras não fora apreciada por nenhuma das duas instâncias do Poder Judiciário; e b) no mérito, a improcedência da novo fundamento introduzido pela decisão recorrida, no sentido de que de que a matéria concernente a base de cálculo das instituições financeiras não fora apreciada por nenhuma das duas instâncias do Poder Judiciário. Em 20/10/2017, por meio da petição de fls. 789/793, a recorrente comunicou o teor da decisão proferida no dia 15/12/2016 pela Terceira Turma do TRF da 3ª Região no julgamento dos Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035 (fls. 796/816), em que, por unanimidade, determinou a cassação da decisão proferida no julgamento da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220 e avocou os autos da referida Ação Ordinária para complementação do julgamento do reexame necessário, conforme se infere do teor dispositivo do referido julgado que, para melhor compreensão, segue transcrito: Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, a) cassar a r. decisão agravada; b) avocar os autos n. 2006.61.00.0034220, que se encontram em primeiro grau Fl. 848DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 849 14 de jurisdição; b) determinar que, já nesta instância, seja aquele feito reativado como reexame necessário e venham à conclusão. A pretensão recursal deduzida pelo agravante fica, destarte, prejudicada, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Ainda segundo a recorrente, ao julgar referido agravo entendeu a Turma que, por conta do reexame necessário, o Tribunal, obrigatoriamente, deveria ter tratado expressamente questão da incidência da Cofins sobre as receitas financeiras havidas por instituições financeiras e “que não o tendo feito não teria ocorrido no caso ainda o trânsito em julgado, razão pela qual cassou a decisão agravada, julgou prejudicado o agravo de instrumento e determinou a avocação do processo principal para que seja refeito/completado o julgamento do recurso de ofício.” Em razão dessa nova decisão, alegou a recorrente que, a prevalecer tal entendimento, restaria totalmente alterado o substrato fático, que dera ensejo à discussão objeto dos presentes autos, ou seja, a "premissa da efetiva ocorrência no caso da coisa julgada, discutindo sua extensão e abrangência”, que foi adotada tanto no despacho decisório como a decisão recorrida. A recorrente ressaltou ainda que a coisa julgada ainda não fora formalmente desconstituída, o que somente ocorreria quando efetivamente refeito o reexame necessário no processo principal, sendo certo que, além dos recursos cabíveis contra tal decisão o TRF de qualquer modo, até por força dos embargos de declaração que foram opostos (fls. 824/835), ainda deveria se pronunciar quanto aos efeitos desta decisão relativamente às compensações realizadas pelos autores que acreditaram no trânsito em julgado certificado nos autos pelo Poder Judiciário. Assim, alegou a recorrente ser absolutamente impossível, no momento, o prosseguimento do julgamento do presente feito, posto que, na atualidade, “tornaramse incertos: (a) a existência ou não no caso de trânsito em julgado; e (b) quais as consequências da eventual concretização da desconstituição do trânsito em julgado certificado nos autos.” Para a recorrente, “somente quando definidas pelo Poder Judiciário estas premissas fáticas é que se saberá se e em que extensão a decisão proferida produzirá efeitos nos presentes autos.” Diante desses novos fatos, a recorrente pleiteou o sobrestamento do presente processo, até que fosse definitivamente julgado o citado processo judicial, um que estaria configurada a prejudicialidade do julgamento dos presente processo, nos termos do art. 12 da Portaria CARF nº 34, de 31 de agosto de 2015, e do art. 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido, asseverou a recorrente que, no julgamento do processo nº 16327.720994/201283, que trata de caso idêntico, já decidira a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Por fim, cabe esclarecer que o presente processo possui outros apensos, dentre os quais merecem ser mencionados (i) o processo nº 16327.720740/201184, que trata da habilitação do crédito, e (ii) o processo nº 16327.721542/201308, que trata do auto de infração, em que formalizado a cobrança da multa isolada em face da não homologação das compensações, nos termos nos termos do art. 74, § 17, da Lei 9.430/1996. É o relatório. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 850 15 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Após a elaboração do voto, no dia 20/10/2017, por meio da petição de fls. 796/816, a recorrente comunicou o teor e trouxe à colação dos autos (fls. 1189/1209) a cópia integral da decisão proferida no dia 15/12/2016 pela Terceira Turma do TRF da 3ª Região no julgamento dos Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035, em que, por unanimidade, determinou a cassação da decisão proferida no julgamento da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220 e avocou os autos da referida Ação Ordinária para complementação do julgamento do reexame necessário. Diante desse novo fato relevante para o deslinde da controvérsia, haja vista a possível alteração da coisa julgada certificada nos autos da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220, previamente, a qualquer decisão por parte deste Colegiado, em homenagem ao pleno exercício do direito de defesa e ao contraditório, revelase oportuno abrir vistas dos autos à douta PGFN, para se manifestar sobre o teor da novel decisão prolatada no âmbito do Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035 (fls. 796/816) e seus efeitos sobre a coisa julgada certificada na referida Ação Ordinária, bem como, sobre a necessidade de sobrestamento ou não do julgamento dos presentes autos até o desfecho do julgamento do citado processo judicial. Diante de todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a Secretaria da Câmara (Secam) cientifique a douta PGFN, para que, dentro do prazo de 15 dias, fixado no art. 437, § 1º, do CPC, manifestese sobre: (i) a novel decisão prolatada no âmbito do Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035, especialmente, em relação ao eventual efeito sobre a coisa julgada da decisão proferida nos autos da referida Ação Ordinária; e (ii) a necessidade ou não de sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que seja prolatada a decisão judicial definitiva sobre a matéria. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fases1 Data Descrição Documentos 24/04/2017 CONCLUSOS PARA VISTA / VOTOVISTA GUIA NR.: 2017073363 DESTINO: GAB.DES.FED. NERY JUNIOR 19/04/2017 APREGOADO O PROCESSO PEDIDO DE VISTA (DECISÃO: "APÓS O VOTO DO RELATOR NO SENTIDO DE REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, NO QUE FOI ACOMPANHADO PELO DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO CEDENHO, PEDIU VISTA O DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JÚNIOR.¶") (EM 19/04/2017) 1 Disponível em: <http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=201503000144035>. Acesso em 23 out. 2017. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 16327.720993/201239 Resolução nº 3302000.670 S3C3T2 Fl. 851 16 18/04/2017 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2017068954 ORIGEM : GAB.DES.FED. NELTON DOS SANTOS Fl. 851DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11845.000014/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 19/01/2009
INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO.
Por tratar de tema que não foi objeto de impugnação e sobre a qual não se instaurou o contencioso tributário, não se conhece do recurso imposto.
Numero da decisão: 2201-009.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/01/2009 INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Por tratar de tema que não foi objeto de impugnação e sobre a qual não se instaurou o contencioso tributário, não se conhece do recurso imposto.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 11845.000014/2009-54
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6480471
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2201-009.062
nome_arquivo_s : Decisao_11845000014200954.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 11845000014200954_6480471.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
id : 8983052
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:40:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564063297536
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-14T14:30:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-14T14:30:14Z; Last-Modified: 2021-09-14T14:30:14Z; dcterms:modified: 2021-09-14T14:30:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-14T14:30:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-14T14:30:14Z; meta:save-date: 2021-09-14T14:30:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-14T14:30:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-14T14:30:14Z; created: 2021-09-14T14:30:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-09-14T14:30:14Z; pdf:charsPerPage: 2333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-14T14:30:14Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11845.000014/2009-54 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.062 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2021 Recorrente ELETRO HIDRO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/01/2009 INOVAÇÃO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Por tratar de tema que não foi objeto de impugnação e sobre a qual não se instaurou o contencioso tributário, não se conhece do recurso imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por este tratar exclusivamente de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Savio Salomao de Almeida Nobrega (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, de fls. 53/59, a qual julgou procedente o lançamento de descumprimento de obrigações acessórias com data do fato gerador 19/01/2009 (CFL 35). Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: Trata-se de Auto de Infração-Al: 37.170.054-0, lavrado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil- RFB contra a empresa em epígrafe, consolidado em 19/0l/2009, em razão de infração ao dispositivo previsto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32. inc. III, com redação da MP n“449, de 04/l2/2008, combinado com o art. 225, inc. lll, do Regulamento da Previdência Social -RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, bem como ao dispositivo previsto na Lei n° 10.666, de 03.05.2003, art. 8°, combinados com o art. 225. inc. III e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09.06.03) do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 00 14 /2 00 9- 54 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.062 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000014/2009-54 Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, a partir de 01.07.03. A ação fiscal foi instituída pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF n°. 0150l00.2008.00310, de 01 de outubro de 2008, às fls.28/29. Segundo o Relatório Fiscal, de fl. 02, intimado, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal - TIPF, o contribuinte em epígrafe apresentou em meio magnético a contabilidade e folhas de pagamento, relativas ao período de 09/2006 a 06/2008. Porém, as informações não conferem com sua contabilidade meio papel (cópia anexa), infringindo os dispositivos acima citados. Ressalta o relatório fiscal que, em fiscalização anterior, foram lavrados contra a empresa os AI`s DEBCAD n“37.066.l57-5 e 37.066.158-3, sendo, dessa forma, o infrator reincidente. DA PENALlDADE Em decorrência do fato acima descrito, foi aplicada a multa cabível, partindo do valor mínimo de R$ 12.548,77 (doze mil, quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), elevada em duas vezes em face da ocorrência de agravantes genéricas, totalizando em R$25.097,54 (vinte e cinco mil, noventa c sete reais e cinqüenta e quatro centavos) conforme disposto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, arts. 92 e l02, Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, art. 283, inc. ll, alínea “b” e art. 373. Valores atualizados, pela Portaria lnterministerial MPS/MF n”.77, de 11/03/2008. Da Impugnação A empresa foi intimada e impugnou o auto de infração, e fazendo, em síntese, através das alegações a seguir descritas. Notificado do lançamento, o autuado impetrou defesa tempestiva, às fls. 38/4I, apresentando documentos de fls. 42/43, com as seguintes razões de defesa: - que, no tempo regulamentar, entregou os documentos, inclusive os arquivos magnéticos contendo dados solicitados. As informações magnéticas que abrigam os dados contábeis contêm os lançamentos obrigatórios, obedecendo regularmente os preceitos legais instituídos; - que, por não possuir software particular, contratou os serviços especializados da empresa PROSOFT de Tocantins, para dar suporte a sua contabilidade, inclusive no departamento de pessoal na elaboração da folha de pagamento e seus acessórios; - que, segundo o auditor, a controvérsia se deu única e exclusivamente, em função de as informações fornecidas por meio eletrônico não atenderem as necessidades da fiscalização; - instado a respeito das divergências das informações por meio eletrônico, procurou prontamente dar uma solução ao assunto, interpelando de imediato a empresa prestadora de serviços de processamento de dados-PROSOFT; - com base nas correções que a empresa contratada diz ter efetuado, as informações cm meio eletrônico foram enviadas novamente ao auditor. que as recusou, segundo ele, por falta de elementos necessários ao suporte de seu trabalho, lavrando a presente autuação, aplicando a multa em seu grau máximo, agravando em l00%, por entender ser a empresa reincidente; - o autuante fundamenta a lavratura do presente auto com base nos textos da Lei 8.2l2/91, art. 32, inciso III, combinado com o art. 225, inc. Ill, do Regulamento da Previdência Social -RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, bem como ao dispositivo previsto na Lei n° l0.66(›, de 08.05.2003, art. 8°. O artigo 225, III, diz que a empresa está obrigada a prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.062 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000014/2009-54 estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização (redação da MP n° 449, de 04/12/2008); - no entanto, há que se observar, no contexto do inciso III, que a empresa deverá prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida; ora, a legislação subsequente não trouxe e nem regulamentou de forma clara quais normas estabeleceriam esta obrigatoriedade contida no inciso; - teria que existir uma regulamentação do texto contida nesse artigo, em especial do inciso III, vez que a redação exige, quando diz, repito, na forma por ela estabelecida; - que o art. 8° da Lei n° l0.666/03 refere-se ao assunto, mas não de maneira incisiva, interpretativa, apenas veio para dizer que quem se utiliza de sistema eletrônico em sua contabilidade e demais procedimentos, tem de tê-los guardados por dez anos; - que a documentação que sustenta todos os lançamentos, tanto quanto as folhas de pagamentos e afins, também a contabilidade, devidamente impressa e encadernada, representa a realidade dos fatos, não ensejando qualquer procedimento que pudesse contribuir para distorção dos fatos; - que o ocorrido se deu quando o auditor confrontou os livros e documentos com os arquivos magnéticos e diz ter encontrado divergências. Porém, as possíveis divergências, que o auditor diz ter encontrado, sequer foram relacionadas na sua peça de autuação, apenas informando que a imposição da multa se deu em função de a empresa ter deixado de prestar informações, mas sequer constou qualquer termo relacionando o que foi deixado de apresentar; - ao final, pede que a impugnação seja recebida e conhecida para, no mérito, determinar o cancelamento da autuação, uma vez que não ficou materializada a ocorrência do fato gerador da obrigação reclamada. É o relatório. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 53): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 19/01/2009 INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO DE PRESTAR OS ESCLARECIMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO DE ARQUIVOS EM MEIO MAGNÉTICO. A empresa é obrigada a prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Por forca de lei, quando intimada pela fiscalização, a empresa tem o dever de apresentar em arquivo em meio magnético a documentação técnica completa e atualizada dos sistemas e arquivos solicitados. Se o arquivo digital não vier acompanhado de documento que certifique sua validação, através da verificação de inconsistências e da descrição detalhada do conteúdo do arquivo entregue. autenticado pelo contribuinte, o mesmo torna-se inepto como prova das informações cadastrais, financeiras e contábeis, não podendo ser acatado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ em, apresentou o recurso voluntário de fls. 69/73, inovando seus argumentos, questionando a reincidência e agravamento da multa imposta (argumentos novos). Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.062 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000014/2009-54 Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. Os presentes autos tratam da multa por descumprimento de obrigações acessórias que foi assim descrita (fundamento legal: 38), fl. 2: Nos termos dos arts. 2° e 3° da Lei 11.457 de 16/03/2007, e do art. 293 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, lavro o presente Auto de Infração por ter o autuado incorrido na seguinte infração: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, com redação da MP n. 449, de 04.12.2008, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdencia Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para empresa que utiliza sistema de processamento eletronico de dados, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 8., combinados com o art. 225, III e paragrafo 22 (acrescentado pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.2003) do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, a partir de 01/07/2003. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, II, “b” e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. VALOR DA MULTA: R$ 25.097,54 VINTE E CINCO MIL E NOVENTA E SETE REAIS E CINQÚENTA E QUATRO CENTAVOS. (...) Em açãos fiscal anterior , foram lavrados contra a empresa os AI's 37.066.157-5 e 37.066.158-3, sendo portanto, o infrator reiscidente. O contribuinte inova em suas razões recursais, trazendo a alegação de que não seria reinscidente e por isso não seria aplicada a ele a majoração da multa. Tendo em vista que esta questão não foi objeto de impugnação, nem mesmo constou da decisão recorrida, não se conhece do recurso, pois o mesmo tratou de tema sobre o qual não se instaurou o contencioso, nos termos do disposto no artigo 14 e 17 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Sendo assim, não prosperam as alegações do contribuinte. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.062 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000014/2009-54 Conclusão Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário por tratar exclusivamente de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento e sobre o qual não se instaurou o contencioso administrativo. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13830.721706/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
DO VTN ARBITRADO - Considera-se o VTN efetuado com base no SIPT, por aptidão agrícola, por não ter sido atendido os requisitos estabelecidos em lei.
DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL - As áreas utilizadas na produção vegetal cabem ser devidamente comprovadas com documentos hábeis.
Numero da decisão: 2301-009.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso .
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 DO VTN ARBITRADO - Considera-se o VTN efetuado com base no SIPT, por aptidão agrícola, por não ter sido atendido os requisitos estabelecidos em lei. DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL - As áreas utilizadas na produção vegetal cabem ser devidamente comprovadas com documentos hábeis.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 13830.721706/2011-49
anomes_publicacao_s : 202109
conteudo_id_s : 6466439
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2301-009.393
nome_arquivo_s : Decisao_13830721706201149.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 13830721706201149_6466439.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso . (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
id : 8964547
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:39:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564071686144
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-31T18:00:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-31T18:00:27Z; Last-Modified: 2021-08-31T18:00:27Z; dcterms:modified: 2021-08-31T18:00:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-31T18:00:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-31T18:00:27Z; meta:save-date: 2021-08-31T18:00:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-31T18:00:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-31T18:00:27Z; created: 2021-08-31T18:00:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2021-08-31T18:00:27Z; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-31T18:00:27Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13830.721706/2011-49 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-009.393 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2021 Recorrente ORGANIZAÇÃO MOFARREJ AGRÍCOLA E INDUSTRIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 DO VTN ARBITRADO - Considera-se o VTN efetuado com base no SIPT, por aptidão agrícola, por não ter sido atendido os requisitos estabelecidos em lei. DA ÁREA DE PRODUÇÃO VEGETAL - As áreas utilizadas na produção vegetal cabem ser devidamente comprovadas com documentos hábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso . (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 17 06 /2 01 1- 49 Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 Relatório Pela Notificação de Lançamento nº 08118/00003/2011, de fls. 03/07, emitida em 29/08/2011, o contribuinte acima identificado foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 2.699.791,45, resultante do lançamento suplementar do ITR/2007, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Reunida Santa Lúcia” (NIRF 0.240.2009), com área total declarada de 2.556,0 ha, localizado no município de Ourinhos – SP. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2007, incidente em malha valor, iniciou-se com o Termo de Intimação Fiscal Nº 08118/00007/2010 de fls. 12/13, entregue ao contribuinte em 20/05/2010 (fls. 14/15). Por meio do referido Termo, solicitou-se que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos a sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: => notas fiscais do produtor; notas fiscais de insumos, certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto), contratos ou cédulas de credito rural ou outros documentos comprobatórios, para comprovação da área ocupada com produtos vegetais no período de 01/01/2006 a 31/12/2006; => laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. Fora informado que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Foram apresentados os documentos de fls. 17/35. No procedimento de análise e verificação dos documentos apresentados e das informações constantes da DITR/2007, a autoridade fiscal glosou integralmente a área de produtos vegetais, de 2.397,8 ha, além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 125.933,00 (R$ 49,27/ha), arbitrando o valor de R$ 14.594.734,44 (R$ 5.709,99/ha), com base no Sistema de Preço de Terras SIPT da Receita Federal, com aumento do VTN tributável, resultando em um imposto suplementar de R$ 1.251.757,91, conforme demonstrativo de fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 04/05 e 07. Cientificado do lançamento, em 05/09/2011 (fls. 83/84), o Contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: => que a fiscalização desconsiderou a área de 2.397,8 hectares, alocada pela Impugnante como “Área de Produtos Vegetais” na apuração do ITR devido, em virtude da não comprovação da efetiva utilização do terreno àquele titulo; Foi intimada a apresentar notas fiscais como meio probante da área de produtos vegetais, entretanto não as possui, pois a exploração vegetal em referida área é realizada por terceiro através de contrato de comodato, que realiza as plantações, sendo a impugnante apenas proprietária do imóvel; Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 Ante a ausência das notas ficais, apresentou o Laudo Técnico de Ocupação do Imóvel, para demonstrar a área de produtos vegetais; O Laudo Técnico realizado "in loco" além de constatar a existência da Área de Produtos Vegetais, descreveu os tipos de agricultura realizada, a saber: • 97,05 hectares (4,38%) por pastagens; • 708,41 hectares (31,99%) por culturas anuais (soja e milho); • 1.240,74 hectares (56,02%) por cultura de cana de açúcar; • 123,00 hectares (5,55%) por cultura de café; • 45,30 hectares (2,06%) por cultura de eucalipto. O Laudo Técnico, por traduzir a verdade dos fatos, deveria ser considerado como fundamento para a retificação do lançamento, no que concerne à aceitação de área de produtos vegetais; O lançamento tributário, representativo de atividade vinculada (art. 142 do CTN), deve balizar-se em elementos seguros de prova, ou, ao menos, em indícios veementes; Não é dado ao agente tributário refutar, ao seu bel prazer e sem justificativas plausíveis, os elementos de prova angariados pelo Contribuinte apresenta jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para fundamentar seus argumentos quanto à comprovação da área de produtos vegetais por meio de laudo técnico; Cumpre destacar que no exercício anterior (ano de 2005) a área de Produtos Vegetais declaradas da Fazenda Reunida Santa Lucia era a mesma do exercício autuado, ou seja 2.397,8 ha; Em mesmo procedimento de malha fiscal, relativo àquele período, a auditoria recebeu laudo idêntico ao ora apresentado, e acabou por considerar a área de Produtos Vegetais declarada; Questiona por qual motivo a área de Produtos Vegetais apresentada foi aceita no exercício anterior e desconsiderada nesse exercício; Ante o exposto, carece sustentação à desconsideração das áreas de Produtos Vegetais procedida pela autoridade fiscal; Utilizando-se do SIPT, que considera valores padrões de acordo com o município de localização do imóvel rural, desconsiderando peculiaridades atinentes a terreno e condições particulares de exploração, a auditoria federal fixou, para fins de ITR, o valor venal da propriedade em R$ 15.494.734,44, e o VTN em exorbitantes R$ 14.559.707,07; Após visita física ao local e baseado nas condições particulares da propriedade, o Laudo Técnico, produzido por profissional competente e com ART, atribuiu à propriedade o valor venal de R$14.594.734,44; Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 O valor do imóvel a ser utilizado para fins de fixação do VTN é aquele atribuído pelo profissional competente, que em visita local apurou o tipo e as condições do solo, seu aproveitamento, bem como a topografia da área, sendo sua análise a única que espelha a verdade real propugnada pelo Direito Tributário; Para referendar seus argumentos, cita, novamente, jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF; As justificativas apresentadas pelo autuante para a não aceitação do laudo técnico repousam exclusivamente em exigência próprias da ABNT, as quais não guardam relação com a legislação própria do ITR; A fiscalização rejeita o laudo por terem sido utilizados quatro dados de mercado; O Laudo contempla, de forma suficientemente clara, os parâmetros utilizados para a aferição do VTN, consignando o tipo de solo e a topografia local; bem como esclarecendo o método utilizado para a fixação do valor, qual seja, método comparativo direto de dados de mercado, considerando a regressão temporal e a eficiência de aproveitamento do imóvel; Ao contrário do que alegou a autoridade fiscal, foram utilizados, no Laudo Técnico, cinco fontes de informações comerciais e, diante dos dados obtidos, efetuada a média aritmética para determinar o valor por hectare da terra nua; Afirma que o Laudo em questão é hábil e idôneo para comprovar o real valor da terra nua, e está em consonância com as normas da ABNT; A Câmara Superior de Recursos Fiscais, paulatinamente vem cancelando exigências calcadas em descaracterização de laudos técnicos por desrespeito às normas da ABNT; Em respeito à verdade material e à moralidade administrativa, é irrefutável a apuração do VTN da propriedade, levando-se em consideração a avaliação procedida por profissional qualificado e atestada no Laudo de Avaliação constante do presente processo; Por fim, baseado na argumentação oferecida, postula a exoneração da exigência questionada, o que constituirá homenagem à mais lídima justiça. A DRJ Brasília, depois da análise da impugnatória, documentos juntados e provas colacionadas, manifesta seu entendimento no sentido de que : => Da Área Utilizada com Produção Vegetal - No que tange a essa matéria, foi verificado que a autoridade fiscal efetuou glosa integral na área ocupada com produtos vegetais (2.397,8 ha), por entender que essa área não foi comprovada, uma vez que a Contribuinte não apresentou os documentos indicados no Termo de Intimação de fls. 12/13, conforme descrito às fls. 05. Em sua defesa, a requerente alega que é apenas proprietária do imóvel, e que a exploração vegetal do imóvel seria realizada por terceiro, por meio de contrato de comodato, razão pela qual não apresentou as notas fiscais, conforme solicitado. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 Tendo em vista a ausência das notas ficais, apresentou o Laudo Técnico de Ocupação do Imóvel, de fls. 22/25, acompanhado de ART, de fls. 32/33, para demonstrar a área de produtos vegetais, discriminando-a por dimensão e tipos de agricultura realizada, onde são indicadas áreas contendo pastagens, culturas de soja, milho, cana de açúcar, café e eucalipto. Ocorre que para a comprovação dessa área, além do laudo técnico, seria necessária a apresentação do aventado contrato de comodato, acompanhado dos documentos referentes à área plantada no período de 01.01.2006 a 31.12.2006, que dessem subsídio às informações constantes do referido laudo, tais como: notas fiscais do produtor; notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que comprovem a área. Em consulta aos autos, não foi verificado qualquer documento relacionado com esses retro mencionados, restando claro que não houve comprovação satisfatória da área ocupada com produtos vegetais, portanto cabe ser mantida a glosa da área declarada de produtos vegetais, de 2.397,8 ha. A requerente alega, ainda, que no exercício anterior, DITR/2006 (ano base 2005), a área de Produtos Vegetais declarada da “Fazenda Reunida Santa Lucia” seria a mesma do exercício autuado, ou seja 2.397,8 ha, e que para sua comprovação teria sido apresentado o mesmo laudo técnico, então considerado pela fiscalização. Em virtude disso, questiona o porquê de a área de Produtos Vegetais apresentada ter sido aceita no exercício anterior e desconsiderada nesse exercício. No que tange a esse argumento, de que no ano anterior, teria sido apresentado o mesmo laudo técnico para comprovação da área de produtos vegetais, de 2.397,8 ha, e que teria sido aceito pela fiscalização para aquele exercício, é necessário esclarecer que neste voto somente serão considerados e analisados os documentos constantes do processo nº 13830.721706/201149, que trata da Notificação de Lançamento nº 08118/00003/2011, de fls. 03/07, referente às alterações promovidas pela autoridade fiscal na DITR/2007, em virtude de falta de comprovação da área de produtos vegetais e de subavaliação do VTN. Portanto, não cabe neste julgamento argumento que se reporte a outro exercício. Ademais, com base no Termo de Intimação Fiscal nº 08118/00007/2010, fls. 12/13, pode-se inferir, para a DITR/2006, que a área de produtos vegetais não constituiu item de malha, pois não foram solicitados, no referido Termo, documentos para sua comprovação, conforme se constata às fls. 13. Não obstante a requerente ter carreado aos autos jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), favorável à sua tese de comprovação da área de produtos vegetais por meio somente de laudo técnico, tem-se que essas decisões, além de não terem qualquer relação com a situação tratada nos autos, se aplicam, exclusivamente, aos respectivos processos, não afetando o presente lançamento, uma vez que os julgados preferidos, em grau de recurso, não possuem efeito vinculante, nem constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo (PN CST 390/71). Dessa forma, não tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a área ocupada por produtos vegetais, de 2.397,8 ha, cabe ser mantida a glosa integral dessa área, conforme efetuada pela autoridade fiscal. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 => Do Valor da Terra Nua (VTN) Subavaliação - Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, a autoridade fiscal entendeu que houve subavaliação, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual alterou o VTN declarado de R$ 125.933,00 (R$ 49,27/ha), arbitrando o valor de R$ 14.594.734,44 (R$ 5.709,99/ha), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. O valor arbitrado de R$ 5.709,99/ha corresponde ao menor VTN/ha, por aptidão agrícola (terras de campos), para o exercício de 2007 (fls. 16) dos imóveis rurais localizados no município de Ourinhos-SP, com base nos valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996. Não há dúvidas de que o VTN declarado pela Contribuinte encontra-se, de fato, subavaliado, não podendo passar despercebido que o VTN por hectare declarado para o imóvel de R$ 49,27/ha corresponde a menos de 1% do menor VTN/ha, por aptidão agrícola, de R$ 5.709,99, para o exercício de 2007, valor apurado com base no SIPT, referente ao município de Ourinhos-SP. Pois bem, conforme descrito no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, constante das fls. 05, para a autoridade fiscal ficou caracterizada a subavaliação do VTN declarado, uma vez que não acatou o laudo de avaliação fornecido pela Contribuinte, por concluir que o mesmo não foi apresentado conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, pois foram utilizados apenas quatro dados de mercado, não havendo explicitação dos dados colhidos no mercado, e não sendo demonstrada a apresentação de fórmulas e parâmetros utilizados. Para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preço da época do fato gerador do imposto (01/01/2007, art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), a Contribuinte foi intimada a apresentar “Laudo Técnico de Avaliação”, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados (às fls. 12/13). Nesta fase, a requerente apresentou, às fls. 53/59, o mesmo Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART de fls. 32/33, já fornecido, às fls. 22/31, à autoridade fiscal, que rejeitou o VTN ali indicado, de R$ 5.433,33/ha (R$ 13.887.591,48), conforme esclarecido anteriormente. Ocorre que ao analisar esse “Laudo de Avaliação”, concluiu a DRJ que o mesmo não se mostra hábil para demonstrar, de forma convincente, o valor da terra nua (VTN) do imóvel avaliado, a preços de 01/01/2007. Registre-se que o item 7.4.3 da NBR 14.6533 dispõe sobre a necessidade de investigação do mercado, coleta de dados e informações confiáveis sobre negócios realizados e ofertas que sejam contemporâneos à data de referência e que as fontes devem ser diversificadas. Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 Quando as amostras forem objeto de homogeneização, deve-se observar o anexo “B” da Norma, onde os atributos devem ser o mais semelhante possível ao do imóvel avaliando (devem estar contidos entre 0,50 e 1,50), devem guardar semelhança quanto à sua localização, quanto à destinação e capacidade de uso, que os dados sejam contemporâneos, obtidos na mesma região geoeconômica, e ainda, caso os dados sejam fornecidos com opiniões subjetivas, que sejam visitados todos os imóveis que foram tomados como referência, dentre outros. Enfim, para atingir grau II de fundamentação e precisão, conforme exigido pela autoridade fiscal, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotando-se, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor de mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 1º/01/2007, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Quanto ao referido laudo, verifica-se que apesar de o autor do trabalho ter informado que utilizou o Método Comparativo Direto de Dados do Mercado e afirmado que o referido trabalho teria grau de fundamentação e precisão II, além de ter descrito as características positivas e negativas do imóvel avaliando, foi verificado que, inicialmente, foram utilizadas cinco amostras como fonte de pesquisa, entretanto, somente quatro foram consideradas como válidas, conforme descrição do próprio autor do trabalho, às fls. 55. Além disso, não há como verificar se a comparação foi feita entre imóveis que mantivessem características semelhantes as do imóvel avaliado, que guardassem semelhança quanto à sua localização, quanto à destinação e capacidade de uso, conforme determina a norma NBR 14.6533 da ABNT. Em se tratando do Valor da Terra Nua, é imprescindível a apresentação de “Laudo de Avaliação” emitido por profissional habilitado, acompanhado de ART, devidamente anotada no CREA, que atenda, ainda, aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que diz respeito à metodologia utilizada e às fontes eventualmente consultadas, de modo a demonstrar, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 01/01/2007, além da existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a utilização de um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT, informações estas que não foram explicitadas no referido laudo técnico. Ocorre que, mesmo ciente dos motivos que levaram a autoridade fiscal a rejeitar esse laudo, a requerente não providenciou a elaboração de um “Laudo de Avaliação – Complementar” ou mesmo de um novo “Laudo de Avaliação”, que atendesse às normas da ABNT (NBR 14.6533), com pontuação suficiente para enquadrá-lo com grau II de fundamentação e precisão, conforme exigido pela autoridade fiscal. Em síntese, não tendo sido apresentado “Laudo de Avaliação”, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de mercado, em 01/01/2007, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe acatá-lo. Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 Assim sendo, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN de R$ 14.594.734,44 (R$ 5.709,99/ha), para o exercício de 2007, arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada improcedente a impugnação referente ao lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 03/07, relativo ao exercício de 2007, mantendo-se a exigência. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte segue sustentando alguns dos mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e é tempestivo. Portanto, dele conheço. Quanto à glosa da área utilizada com produtos vegetais, verificou-se que a Recorrente apresentou o Laudo Técnico de Ocupação do Imóvel, de fls. 22/25, acompanhado de ART, de fls. 32/33, para demonstrar a área de produtos vegetais, discriminando-a por dimensão e tipos de agricultura realizada, onde são indicadas áreas contendo pastagens, culturas de soja, milho, cana de açúcar, café e eucalipto. Ocorre que para a comprovação dessa área, além do laudo técnico, solicitou-se que fosse apresentado o aventado contrato de comodato, acompanhado dos documentos referentes à área plantada no período de 01.01.2006 a 31.12.2006, que dessem subsídio às informações constantes do referido laudo, tais como: notas fiscais do produtor; notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que comprovem a área. Em consulta aos autos, não foi verificado qualquer documento relacionado com esses retro mencionados, restando claro que não houve comprovação satisfatória da área ocupada com produtos vegetais, portanto cabe ser mantida a glosa da área declarada de produtos vegetais, de 2.397,8 ha. Quanto ao VTN, ratifico e concordo que o impugnante deixou de apresentar laudo de avaliação com eficácia para provar o valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deveria ser mantida a avaliação fiscal realizada nos estritos temos do art. 14 da Lei 9.393/96. Saliente-se que há comprovação de que o SIPT foi lançado com base na aptidão agrícola conforme determinação legal, vide fls 16. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.393 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.721706/2011-49 Em que pese diversos argumentos do Contribuintes, contundentes, inclusive, no sentido de que o Laudo é vasto, completo e claro, fato é que não atendeu os requisitos exigidos em lei para a sua aceitação como documento válido para fins de consideração do VTN utilizado. Mesmo que esta relatora, pessoalmente, entenda que o laudo é vasto, completo e claro, e que foi feito por profissional competente para tal, fato é que não cumpriu todos os requisitos taxativamente estabelecidos na norma tributária rural. Sendo assim, não resta outra saída a não ser considerar o VTN lançado pela autoridade fiscal, com sabe no SIPT por aptidão agrícola. Para que não restem duvidas, ratifico que, como muito bem dito na decisão de piso, as DITRs anteriores terem sido homologadas não é justificativa para que sejam aceitas também as informações contidas nessa de 2007. Assim sendo, com base no exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720031/2016-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a PGFN tome ciência e se manifeste sobre os documentos e petição juntados pela recorrente após o processo ser indicado para a pauta, suscitando a aplicação do artigo 24, da Lei nº 13.655/2018 que incluiu princípios gerais na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Mon Oct 25 15:42:02 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720031/2016-31
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879852
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.663
nome_arquivo_s : Decisao_16561720031201631.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCO ROGERIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 16561720031201631_5879852.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a PGFN tome ciência e se manifeste sobre os documentos e petição juntados pela recorrente após o processo ser indicado para a pauta, suscitando a aplicação do artigo 24, da Lei nº 13.655/2018 que incluiu princípios gerais na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7362584
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Mon Oct 25 16:38:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714610564079026176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.692 1 2.691 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720031/201631 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1402000.663 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de junho de 2018 Assunto ÁGIO EMPRESA VEÍCULO Recorrentes COMPANHIA DE GÁS DE SÃO PAULO COMGÁS FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a PGFN tome ciência e se manifeste sobre os documentos e petição juntados pela recorrente após o processo ser indicado para a pauta, suscitando a aplicação do artigo 24, da Lei nº 13.655/2018 que incluiu princípios gerais na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 03 1/ 20 16 -3 1 Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.693 2 Relatório: Trata o presente de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, que julgou PROCEDENTE, em parte, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Em relação à autuação fiscal imputada a recorrente, foi exonerada a multa qualificada, mantidos os demais valores autuados. Da autuação: Trata o presente processo de Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes aos anos calendário de 2013 e de 2014. A Fiscalização apurou, no curso do procedimento fiscal, as seguintes infrações: 1. Despesas Financeiras Não Dedutíveis: pagamento de juros sobre o capital próprio em excesso; 2. Exclusões Indevidas: valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, relativo à amortização de ágio. Em decorrência das infrações, foram apurados os seguintes valores de crédito tributário constituído: Imposto/Cont. Juros Multa (150%) Total IRPJ 224.024.795,81 47.071.761,02 322.276.016,59 593.372.573,42 CSLL 81.088.374,74 17.032.644,33 116.678.538,34 214.799.557,41 Total 305.113.170,55 64.104.405,35 438.954.553,43 808.172.129,33 Valores em R$ 1,00 juros corrigidos até abril/2016 Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 2.142 e segs), a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: a) Que todos os atos societários que acarretaram o aproveitamento do ágio teriam se dado de forma lícita e adequada para atingir o objetivo de todas as partes e com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos; Fl. 2693DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.694 3 b) Que os atos societários não poderiam ser analisados de forma isolada, como teria feito a Fiscalização; c) Que seria necessária a busca pela verdade dos fatos, por meio da análise histórica e cronológica das operações praticadas para se compreender o propósito negocial e econômico das operações societárias efetivamente realizadas, as quais ensejaram a amortização do ágio; d) Que, em fevereiro de 2012, o Grupo Cosan teria demonstrado interesse em adquirir a participação que o Grupo BG detinha, por intermédio da Integral, na Impugnante, razão pela qual as partes teriam firmado um contrato de confidencialidade (“Memorandum of Intentions” ou “Carta de Intenções”), o qual teria permitido o início das negociações; e) Que o Grupo Cosan, ao aprofundar as análises do negócio em questão, teria concluído que a aquisição e incorporação da Impugnante diretamente pela Cosan era possível, mas não era a alternativa mais adequada, pois tal hipótese traria os seguintes riscos: (i) menor transparência ao negócio; (ii) punição pela Comissão de Valores (CVM); (iii) litígio com os demais acionistas da Impugnante; (iv) inviabilização dos demais negócios do Grupo; (v) majoração de custos sem qualquer justificativa; e (vi) perda da concessão do serviço público de distribuição de gás natural no Estado de São Paulo; f) Que, em razão do exposto no item anterior, o Grupo Cosan teria decidido que sua controlada Provence realizaria a aquisição; g) Que para demonstrar a licitude da operação realizada, quer sob o aspecto contábil/societário, quer sob o aspecto fiscal, seria necessário discorrer acerca: (i) da natureza jurídico/contábil do ágio na aquisição das participações societárias; (ii) da licitude da aquisição de participação societária com ágio; e (iii) do tratamento tributário dispensado ao ágio no ordenamento jurídico brasileiro; h) Que o ágio ou deságio gerado em operações, como as ocorridas no presente caso, decorreria da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio líquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial; i) Que a aquisição, pela Provence, de participação societária na Impugnante, (i) teria de dado entre partes e grupos econômicos independentes – Grupo BG e Grupo Cosan; e (ii) mediante o pagamento em dinheiro, decorrente do contrato celebrado entre as partes; j) Que a Provence, em respeito ao disposto na Instrução CVM nº 247/96, estava obrigada a registrar este investimento, desdobrando o seu custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio, em razão do método da equivalência patrimonial; k) Que, de acordo com as novas regras contábeis, após o registro do ágio na contabilidade como um ativo, este não mais seria amortizado contabilmente, mas sim avaliado com base em testes anuais de recuperabilidade (impairment test); l) Que, na seara fiscal, o ágio continuaria sendo lançado como uma despesa, dependendo a sua dedutibilidade (i) do fundamento econômico para o pagamento dessa diferença e (ii) da absorção do patrimônio de uma pessoa jurídica por outra na qual detenha participação adquirida com ágio; Fl. 2694DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.695 4 m) Que a Impugnante teria absorvido o patrimônio da Provence em virtude de sua incorporação, e que a Provence anteriormente tinha registrado ágio apurado com fundamento econômico na expectativa de resultados futuros da Impugnante, razão pela qual seria possível a dedução do ágio; n) Que a Autoridade Fiscal teria reconhecido ter havido o pagamento, entre partes independentes, de ágio nas operações ora examinadas, mas, ao mesmo tempo, teria afirmado equivocadamente que a aquisição, de fato, teria sido realizada pela Cosan, e não pela Provence, pois aquela empresa teria suportado o dispêndio financeiro da operação; o) Que a real adquirente das ações da Impugnante teria sido a Provence, com a subscrição e integralização do valor de R$3,4 bilhões pela Cosan, valor este que ingressou no patrimônio da Provence, e que, em razão disso, não pode ser confundido com o patrimônio da Cosan, em virtude do princípio da entidade; p) Que a realização pela Cosan de um aumento de capital na Provence não possuiria o condão de transferir os efeitos da aquisição à Cosan, visto que a efetiva aquisição teria sido realizada pela Provence, e seus efeitos deveriam ser nela registrados; q) Que a amortização do ágio teria se dado de forma legítima, pois (i) teriam sido atendidos todos os requisitos contábeis, societários e fiscais para o seu registro e amortização; (ii) as operações seriam lícitas; (iii) o ágio teria sido efetivamente pago; (iv) as operações teriam sido praticadas entre partes independentes; e (v) teria havido a unificação dos patrimônios da investidora (Provence) e da investida (Impugnante); r) Que a Fiscalização teria entendido que não haveria propósito negocial na participação da Provence no negócio examinado nestes autos; s) Que o CARF teria o entendimento de que o instituto do propósito negocial não possuiria previsão no ordenamento jurídico, motivo pelo qual deveria ser afastada sua aplicação em razão do princípio da legalidade; t) Que, apesar da alegação que consta do item anterior, todos os atos societários teriam sido praticados com finalidade negocial/econômica; u) Que, ao contrário do que teria alegado a Fiscalização, existiriam outras estruturas societárias, distintas da adotada no presente caso, que permitiriam o aproveitamento fiscal do ágio, razão pela qual, logicamente, os fatores que levaram à opção pela participação da Provence teriam cunho eminentemente negocial/econômico; v) Que o entendimento apresentado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal não poderia ser admitido, pois estaria fundamentado em três premissas equivocadas: (i) o ágio foi “transferido”; (ii) o aproveitamento do ágio depende da “extinção do investimento”; e (iii) a participação da Provence era a única forma de se aproveitar fiscalmente o ágio pago pelo controle da Impugnante; w) Que não teria havido “transferência” do ágio, pois este teria sido registrado na empresa que efetivamente o pagou (Provence), e teria passado à Impugnante em razão dos efeitos naturais de sucessão decorrentes de uma operação de incorporação de empresas, nos exatos termos do disposto no art. 227 da Lei das S/A; Fl. 2695DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.696 5 x) Que a premissa de que o investimento teria que ser extinto para que o ágio pudesse ser aproveitado para fins fiscais não mereceria prosperar, haja vista que o regramento trazido na alínea “b” do artigo 8º da Lei nº 9.532/97 autorizaria, de forma expressa, o reconhecimento fiscal do ágio quando a “empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária” (incorporação reversa); y) Que a terceira premissa estaria equivocada, pois existiriam outras estruturas societárias que permitiriam o reconhecimento desse ágio para fins fiscais; z) Que o ágio não precisaria, necessariamente, ser aproveitado fiscalmente pela Impugnante, eis que poderia ser aproveitado pela própria Cosan, na hipótese de uma “aquisição direta”, alternativa que foi descartada por fatores negociais/econômicos; aa) Que existiriam quatro estruturas societárias que poderiam ter sido adotadas pelo Grupo Cosan para que o ágio pudesse ser fiscalmente aproveitado caso a aquisição ocorresse diretamente pela Cosan; bb) Que não seria possível admitir a afirmação da Fiscalização no sentido de que a participação da Provence no negócio teve como única finalidade possibilitar o aproveitamento fiscal do ágio, já que essa amortização seria possível mesmo se a referida empresa não fosse criada; cc) Que a aquisição do controle da Impugnante por intermédio da Provence teria beneficiado o Fisco, na medida em que esta estrutura societária teria resultado em um recolhimento maior de IRPJ e CSLL nos anosbase de 2013 e 2014; dd) Que teriam existido diversos fatores que influenciaram na decisão negocial/econômica das partes; ee) Que um dos motivos que teriam levado o Grupo Cosan a contar com a participação da Provence na aquisição de seu controle teria sido possibilitar uma maior transparência para a operação, de forma que todos os valores relativos à aquisição teriam ficado registrados na Provence, que não possuía outras atividades e investimentos, motivo pelo qual não se confundiriam com os valores referentes aos demais negócios da Cosan; ff) Que a Impugnante, para figurar como Concessionária, estaria sujeita a uma série de regramentos específicos; gg) Que não havia qualquer vedação à incorporação da Impugnante pela Cosan, mas apenas a exigência de prévia autorização pelo Poder Concedente; hh) Que, se a Cosan incorporasse a Impugnante, além dos custos e desafios naturais e inerentes a uma incorporação realizada entre companhias de capital aberto, aquela teria que restringir sua atividade principal à concessão, manter somente as atividades que o Poder Concedente entendesse compatíveis com a referida concessão, bem como adotar o plano de contas e as demais exigências contábeis determinadas pelo Estado de São Paulo, dentre outras obrigações; ii) Que a implementação das alterações mencionadas no item anterior resultaria em despesas expressivas; Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.697 6 jj) Que, não obstante o resultado fiscal fosse o mesmo se a Cosan adquirisse diretamente a Impugnante, as despesas, perdas e riscos negociais/econômicos decorrentes de tal opção seriam imensos; kk) Que, se a Cosan tivesse adquirido a Impugnante diretamente e sido incorporada por ela, estaria configurado, em tese, um abuso de poder, na medida em que a Impugnante teria assumido o endividamento feito pela Cosan (acionista controladora), para a aquisição do seu próprio controle, o que prejudicaria, por exemplo, os demais acionistas que arcariam com uma dívida que não os teria beneficiado; ll) Que, da situação exposta no item anterior, as possíveis consequências para o Grupo Cosan seriam: (i) arcar com os custos e enfrentar um processo na CVM; (ii) sofrer as sanções da CVM; (iii) arcar com os custos e enfrentar um processo no judiciário; e (iv) pagar indenização aos lesados; mm) Que todos os riscos descritos nos itens anteriores teriam sido evitados pela participação da Provence na operação examinada nestes autos; nn) Que havia o risco de a ARSEP não aprovar o negócio caso entendesse que a estrutura societária apresentada pudesse ter algum tipo de implicação negativa; oo) Que, sem a autorização da ARSEP, somente dois desfechos seriam possíveis: (i) cancelamento do negócio; (ii) perda da concessão pela Impugnante; pp) Que teria ficado evidente que a Provence não poderia ser considerada uma mera “empresa veículo”; qq) Que o Fisco não poderia impor a utilização de uma determinada estrutura societárias aos Grupos BG e Cosan, como se tivesse poder de ingerência sobre as negociações particulares, adentrando à liberdade individual dos contribuintes; rr) Que a liberdade de autoorganização sempre teria sido tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais; ss) Que o planejamento tributário seria legítimo quando se valesse de meios não vedados expressamente em lei para produzir o efeito de economia fiscal, tal como teria ocorrido no presente caso; tt) Que a única norma que poderia ter sido aventada para a desconsideração de uma operação sem substância econômica, seria o parágrafo único do art. 116 do CTN, o qual dependeria de elaboração de lei ordinária, até o momento não editada; uu) Que, ainda que se entenda que a Provence era, de fato, uma empresa veículo”, e que não poderia ter sido utilizada, tal fato não seria motivo para tornar inválida a amortização fiscal do ágio, conforme entendimento do CARF; vv) Que teria sido elaborado um Laudo de Avaliação pela KPMG, com data de setembro de 2012, onde constaria a avaliação econômicofinanceira da Impugnante, de acordo com sua rentabilidade futura; ww) Que, no documento citado no item anterior, teria sido utilizado como critério de avaliação econômicofinanceira o método do fluxo de caixa descontado; Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.698 7 xx) Que o ágio pago pela Provence na aquisição do controle da Impugnante estaria respaldado por laudo de avaliação elaborado por empresa de auditoria independente e fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da adquirida, nos exatos termos do que determinavam os parágrafos 2º e 3º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/77 à época dos fatos; yy) Que a KPMG teria elaborado, posteriormente, um memorando onde apresentou um exercício de cálculo em que se conclui que o valor acumulado dos resultados antes dos impostos (“EBT”) superaria o valor do ágio pago pela Provence já em 2017; zz) Que não poderia prevalecer a multa agravada no percentual de 150%, pois não teria sido comprovada qualquer prática de conduta dolosa pela Impugnante ou pelo Grupo Cosan; aaa) Que todas as operações realizadas teriam sido contabilizadas e declaradas e jamais omitidas de nenhuma Autoridade; bbb) Que não existe prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; ccc) Que quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais, e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. E mais, adultera documentos, utilizase de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou “laranjas” e de documentos falsos e inidôneos; ddd) Que a multa de ofício aplicada teria caráter confiscatório, razão pela qual não poderia prevalecer; eee) Que, caso venhase a decidir pela manutenção dos lançamentos que deram origem a este processo, e tal decisão ocorra pelo voto de qualidade, seria razoável considerar que haveria, no mínimo, dúvida quanto à infração; fff) Que, em julgamento decidido pelo voto de qualidade, não seria possível aplicar a multa de ofício; ggg) Que o legislador, ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), não teria elencado, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; hhh) Que a Fiscalização teria comparado os montantes pagos pela Impugnante a título de Juros sobre Capital Próprio (JCP) em 2011 (R$69.798.202,83) e 2012 (R$71.066.970,70), períodos anteriores aos autuados, com aqueles distribuídos em 2013 (R$112.473.991,18) e 2014 (R$145.008.559,30), anoscalendário objeto da autuação; iii) Que, ao verificar que, no período autuado, a parcela de JCP distribuída foi superior àquela paga nos anos anteriores, teria concluído a Fiscalização que teria havido um excesso de distribuição de JCP, decorrente da incorporação da empresa veículo, a qual teve por efeito aumentar o patrimônio líquido da Impugnante em R$844.140.785,40; Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.699 8 jjj) Que a limitação do montante a ser pago a título de JCP teria por base o patrimônio líquido da empresa pagadora, sobre o qual se aplicaria a TJLP pro rata dia; kkk) Que a glosa da dedutibilidade fiscal do ágio não causaria impacto no registro contábil do ágio; lll) Que a aquisição de parte da Impugnante pela Provence, a existência e o registro contábil do ágio, e a incorporação da Provence pela Impugnante não seriam objeto de questionamentos pela Fiscalização; mmm) Que a Fiscalização teria promovido, na prática, a desconsideração da incorporação da Provence pela Impugnante, e, consequentemente, do registro da “Reserva Especial de Ágio” decorrente deste evento; nnn) Que, ainda que a glosa do ágio viesse a prosperar, os eventos societários que culminaram no registro da “Reserva Especial de Ágio” efetivamente teriam ocorrido, e não poderiam ser desconsiderados; ooo) Que a desconsideração das operações realizadas corresponderia a uma indevida aplicação do já mencionado art. 116 do CTN, o qual, além de não ter servido de fundamentação à autuação, não poderia ser invocado em razão da ausência de regulamentação por meio de lei ordinária; ppp) Que, se a Cosan tivesse adquirido a Impugnante e a incorporasse, o patrimônio líquido da Cosan seria aumentado em virtude da incorporação da Impugnante ao seu capital social, o que resultaria em um aumento do limite de JCP a serem pagos pela Cosan; qqq) Que em todas as hipóteses descritas no tópico II.3.1, o patrimônio líquido da Cosan teria sido incrementado pela incorporação da Impugnante, aumentandose o limite de JCP passível de distribuição; rrr) Que a Fiscalização teria utilizado, de ofício, prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL quando da recomposição da base de cálculo dos tributos; sss) Que, como as autuações seriam improcedentes, deveriam ser recompostos os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL; ttt) Que seria ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício lançada. Reproduzo, a seguir, o pedido do contribuinte: Diante de tudo o que foi exposto, requerse a esta E. Turma Julgadora o conhecimento e o provimento da presente Impugnação, para que sejam integralmente cancelados os autos de infração lavrados, extinguindose a totalidade dos créditos tributários exigidos, remetendose, como consequência, os autos ao arquivo. Caso não se entenda pelo cancelamento integral dos lançamentos originários do presente processo administrativo o que se alega a título meramente argumentativo requerse sejam cancelados ao menos (I) os valores correspondentes à glosa da CSLL, decorrentes da amortização do ágio; (II) os valores correspondentes à multa agravada no percentual de 150% lançada; (III) o montante referente aos JCP supostamente pagos Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.700 9 em excesso; e (IV) os valores referentes à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2013, 2014 PROPÓSITO NEGOCIAL. ORDENAMENTO JURÍDICO PÁTRIO. APLICABILIDADE. O instituto do propósito negocial possui previsão no ordenamento jurídico pátrio, devendo ser aplicado quando da verificação da regularidade das operações realizadas. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. SOCIEDADE VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, quando ausente o propósito negocial, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte. As operações levada a termo nesses moldes devem ser desqualificadas para fins tributários. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2013, 2014 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO VERIFICADO. DESCABIMENTO. Descabida a aplicação de multa qualificada quando não verificado o evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo. DECISÃO POR VOTO DE QUALIDADE. EXONERAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos em que a decisão colegiada se dá por voto de qualidade não é possível exonerar a penalidade aplicada. Todos os Julgadores possuem livre convicção, e votam conforme seu entendimento pessoal. A dúvida de que trata o art. 112 do CTN, portanto, deve ser aferida individualmente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.701 10 mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado pela unanimidade do colegiado de primeira instância administrativa quanto ao crédito tributário principal, e pela maioria em relação à desqualificação da multa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: adota os fundamentos do acórdão nº 1402001.404 para fundamentar e concluir pela a existência do propósito negocial. Neste acórdão há uma análise que o planejamento tributário não pode ser absoluto, devendo ter conformação entre os fatos realmente ocorridos e a respectiva existência do direito. Do contrário, teríamos uma elisão abusiva no campo tributário, que se configura um abuso de direito; no caso concreto, a participação da Provence nas operações não teria propósito negocial. Segundo o relator, fica claro nos Termo de Verificação Fiscal que o objetivo da Cosan, desde o início, era adquirir a participação na Comgás, de forma que pudesse exercer um controle direto sobre essa empresa. A Provence foi utilizada como empresa veículo, tendo sido tirada da condição de inativa apenas para realizar a compra da participação na Comgás e depois ser por esta incorporada; o caminho mais natural seria a Cosan comprar da Integral a participação na Comgás. No entanto, o que aconteceu é que a Provence, controlada da Cosan, adquiriu a participação societária na Comgás, e, posteriormente, foi por ela incorporada. A estrutura final com a empresa veículo foi a mesma se a Cosan adquirisse diretamente a participação na Comgás, só que neste, caso, o ágio seria registrado na Cosan, e não na Provence, e não seria possível a sua amortização; apesar das alegações da impugnante de que a aquisição e a incorporação da Comgás pela Cosan não ser a alternativa mais adequada, a mesma optou pela aquisição via empresa veículo para não alterar profundamente sua estrutura e nem da Comgás. As hipóteses outras de aquisição eram descartadas pela Cosan e levariam a resultados distintos. Assim, mais que comprovado a inexistência de propósito negocial na utilização da Provence; as alegações que a Provence não seria necessária para o aproveitamento do ágio ora em discussão não procedem. São 4 hipóteses levantadas na peça impugnatória que no entender da recorrente levariam aos mesmos efeitos tributários da utilizada, às quais foram analisadas no v. acórdão, e todas elas não levariam a situação desejada da Cosan: a mera aquisição do controle da Comgás. Em todas ocorreria uma alteração na estrutura da Cosan e/ou Comgás, com a extinção, total ou parcial, de uma ou de outra, por incorporação, o que não era o desejado; a alegação que se a Cosan tivesse adquirido diretamente a recorrente e a incorporada, o Fisco Federal deixaria de receber cerca de R$ 156 milhões não procede, pois é algo fictício e não era o objetivado; Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.702 11 os fatores negociais/econômicos que demonstrariam o propósito negocial na participação da Provence nas operações analisadas não são justificáveis, pois o intuito da Cosan era apenas adquirir o controle da Comgás. Os fatores apresentados foram: (I) a diminuição da transparência, pois todos os valores e registros ficariam concentrados na Provence, o que não é válido, pois a maior transparência seria a simples aquisição direta da participação na Comgás pela Cosan; (II) os demais negócios do Grupo Cosan, o que reforça que o objetivo da Cosan sempre foi a mera aquisição do controle da Comgás, o que só seria possível via empresa veículo Provence; (III) os processos CVM e Judiciário, o que reforça a ideia que nunca foi o objetivo mudar a configuração patrimonial ao adquirir a Comgás, por isso se valeu da Provence; e (IV) o negócio analisado e concessão, só demonstra que se houvesse a aquisição direta do controle da Comgás pela Cosan, o ágio seria registrado na Cosan e não seria amortizado, e além do mais, a autorização do órgão competente (CSPE/ARSESP) não se envolveria no modelo aplicado, e sim no seu resultado final; as alegações que a Lei das S/A possibilitaria uma sociedade com o objetivo de aproveitar incentivos fiscais (art. 2º, § 3º), o que não procede, pois há falta de propósito negocial na empresa veículo. O contribuinte pode estruturar seu negócio como quiser, não se permitindo que os atos e negócios praticados se fundamentem em uma aparente legalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial. O art. 116 do CTN não serviu de base para a autuação ocorreu na prática uma desqualificação e posterior requalificação dos atos realizados pela recorrente; já se demonstrou que, por ausência de propósito negocial, o conjunto de operações artificiais (compra da participação na Comgás pela Provence, e incorporação da Provence pela Comgás) deve ser entendido como uma compra direta, efetuada pela Cosan, da participação na Comgás; quanto a alegada inexistência de base legal para adição à base de cálculo da CSLL da despesa com ágio considerada indedutível, não procede, pois o caso é de inexistência do ágio na recorrente, e, consequentemente, de qualquer valor relativo à sua amortização. Ademais, a IN SRF nº 390/2004 aplica à CSLL o mesmo regime que consta da legislação do IRPJ quanto ao registro e tratamento dispensado ao ágio, inclusive no que tange à sua amortização; a glosa dos juros sobre capital próprio, o ágio inexiste na Comgás (recorrente), quando da desqualificação das operações artificiais que foram realizadas sem propósito negocial. Neste caso, não haveria ágio registrado na Comgás, tampouco haveria incorporação reversa, com a consequência de não haver registro da reserva especial de ágio e nem o aumento do seu patrimônio líquido; quanto à qualificação da multa, entendeu o relator do voto condutor da decisão a quo que não existem provas de que o contribuinte agiu com o dolo de fraudar, o que exonerou a qualificação da multa; quanto ao art. 112 do CTN, o artigo trata de norma de interpretação da legislação tributária, que somente deve ser aplicada em caso de dúvida quanto aos itens nela descritos, e não se confunde com o voto de qualidade ocorrida num colegiado administrativo; quanto a alegação de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa, o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem obrigação tributária. Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.703 12 Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos, repisando praticamente os mesmos elementos suscitados na sua peça impugnatória, e rebatendo alguns pontos suscitados no v. acórdão recorrido. Em síntese: 1) deveria ocorrer a suspensão do julgamento em virtude da Medida Provisória nº 765/16, que estabelece o bônus de eficiência e produtividade na atividade tributária aos auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil. Dada a composição do CARF com representantes da RFB, violaria a imparcialidade da administração pública, tal qual disposto no art. 37 da CF. De resto, seja suspenso o julgamento até o julgamento da (in)constitucionalidade deste Programa/Bônus; 2) a operação realizada foi lícita, bem como todos os seus atos societários, havendo o conhecimento de todos os órgãos competentes envolvidos. Não bastaria ver os fatos como descritos fotografia a fotografia, mas sim analisar o filme como um todo. Após, passa a analisar os envolvidos e justificar a operação ocorrida; 3) houve a nulidade do acórdão recorrido em razão de ausência de fundamentação. No seu entender, a turma julgadora a quo fez afirmações rasas, genéricas e desconexas dos argumentos de defesa trazidos na peça impugnatória. Igualmente, o v. acórdão recorrido limitouse em alguns momentos a reproduzir trechos de decisão proferida pelo CARF em outro processo; 4) houve nulidade do v. acórdão recorrido por conta de alteração do critério jurídico no seu julgamento em relação a autuação fiscal. Inovou e acrescentou argumentos; 5) as operações realizadas e o respectivo aproveitamento fiscal do ágio foram legítimos. Foram lícitos tanto no aspecto contábil/societário quanto no aspecto fiscal; 6) houve a demonstração do propósito negocial e da necessidade da sociedade "Provence", inexistindo a figura da empresa veículo; 7) houve possíveis estruturas alternativas para o aproveitamento do ágio, aos quais a autoridade fiscal disse no TVF o contrário, o que não se fundamenta. Fato é que a Recorrente demonstrou que havia estruturas alternativas para se realizar a operação em comento, que conduziriam ao mesmo resultado fiscal que foi obtido com as operações questionadas nestes autos para a Recorrente e o Grupo Cosan, mas que prejudicariam a arrecadação do Fisco Federal; 8) há fatores negociais/econômicos que comprovam o propósito negocial, o quais repete da sua peça impugnatória; 9) há jurisprudência administrativa acerca da existência de propósito negocial em face da demonstração de motivos extrafiscais; Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.704 13 10) está ocorrendo uma ingerência pela autoridade fiscal na atividade desenvolvida pela recorrente; 11) as supostas empresas veículo são válidas de acordo com a jurisprudência do CARF; 12) o demonstrativo do fundamento econômico do ágio existe e foi apresentado na peça impugnatória, que foi desconsiderado pela autoridade fiscal; 13) inexiste previsão legal para a adição na base de cálculo da CSLL da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela autoridade fiscal; 14) os juros sobre o capital próprio (JCP) pagos em 2013 e 2014 são dedutíveis integralmente, em virtude do regime jurídicotributário aplicável aos JCP, e a glosa da dedutibilidade fiscal do ágio não impacta o registro contábil do ágio; 15) há a necessidade do restabelecimento dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL compensados de ofício pela autoridade fiscal; 16) há ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; Encerra com o seguinte pedido: Por todo o exposto, resta evidente que o Programa de Produtividade da RFB e o Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária violam diversos dispositivos do ordenamento jurídico brasileiro, de modo que se requer a esse E. Conselho que determine a suspensão do julgamento administrativo nos presentes autos até que seja definitivamente julgada a (in)constitucionalidade deste Programa/Bônus. Na eventualidade de não ser acatada a preliminar supra, o que se admite por amor ao argumento, requerse sejam acolhidas as razões aqui tratadas, tanto preliminarmente quanto no mérito, com o provimento integral do Recurso Voluntário, o que levará à reforma parcial da decisão ora recorrida, e que se negue provimento ao Recurso de Ofício, com a consequente decretação da absoluta improcedência das autuações em questão, extinguindose totalmente os créditos tributários de IRPJ e CSLL lançados e arquivandose o respectivo processo administrativo. Das Contrarrazões da PGFN: A Procuradoriageral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, conforme consta de folha 2648 a 2679. É o relatório. Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.705 14 Voto: Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. O Recurso de Ofício atende os requisitos estabelecidos pela Portaria MF nº 13/2017. Cabe destacar que na primeira instância administrativa, foi mantida a autuação fiscal, sendo exonerada a multa qualificada aplicada. Durante a sessão de julgamento, da tribuna, o patrono da recorrente arguiu e evocou a aplicação da Lei nº 13.655/2018, publicada no Diário Oficial da União em 26/04/2018, que alterou, incluindo, dispositivos na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB1, principalmente no que tange ao seu artigo 24, que com o acréscimo redacional assim passa a dispor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. No transcorrer do mesmo dia, a recorrente apresentou e anexou aos autos petição sobre o tema (fls. 2.684 a 2.691), em que entende aplicável ao caso, nos termos do supracitado artigo, as orientações gerais da época, entendidas como "jurisprudência judicial ou administrativa majoritária". Para tanto, apresenta, além das evocações de aplicação ao caso, um demonstrativo da existência de jurisprudência majoritária em relação à matéria em litígio, com a tese em favor da recorrente, na época dos fatos anocalendário de 2012. Suscitouse durante a sessão dúvidas da aplicação desta nova regra ao caso, tanto de forma abstrata quanto concreta, ou seja, se a inovação legislação se aplica aos julgamento administrativo tributário em questão, e se sim, há realmente a jurisprudência favorável à tese da recorrente na época dos fatos. 1 DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 16561.720031/201631 Resolução nº 1402000.663 S1C4T2 Fl. 2.706 15 Os membros do colegiado entenderam por bem à discussão do tema, verificar e analisar melhor a aplicação das novas regras da LINDB aos temas tributários que tramitam neste órgão administrativo, e se for o caso, verificar a efetiva existência de jurisprudência majoritária em relação à tese da recorrente em litígio no presente processo. Assim, entendo que tal tema, prima facie, merece aprofundamento neste sentido, e que o mesmo precisa ser submetido ao conhecimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, parte nestes autos e que já havia acostado suas "contrarrazões" antes da inovação legislativa e da matéria ser suscitada na tribuna e juntada na mencionada petição aos autos. Destarte, PROPONHO A CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente processo, e encaminhálo à PGFN, a fim de que esse Órgão seja cientificado e se manifeste, exclusivamente, sobre o teor da petição acostada aos autos (fls. 2.684 a 2.691), que versa sobre a aplicação do artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/1942, com a inclusão redacional dada pela Lei nº 13.655/2018 ao caso em discussão. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 2706DF CARF MF
score : 1.0
