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Numero do processo: 11080.928464/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 64 /2 00 9- 01 Fl. 689DF CARF MF 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.274 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11080.928464/200901 Acórdão n.º 3402004.376 S3C4T2 Fl. 112 3 predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.274), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 691DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 577 a 588, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de abril de 2005, no total de R$ 4.836.396,02, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 590 a 612, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11080.928464/200901 Acórdão n.º 3402004.376 S3C4T2 Fl. 113 5 i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra que a Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vii) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifestassse acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 693DF CARF MF 6 contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 637 a 647, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11080.928464/200901 Acórdão n.º 3402004.376 S3C4T2 Fl. 114 7 Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 10) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 695DF CARF MF 8 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” Ementa: CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11080.928464/200901 Acórdão n.º 3402004.376 S3C4T2 Fl. 115 9 A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 577 a 588). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 590 a 612), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 697DF CARF MF 10 Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 577 a 588) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls fls 590 a 612), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 698DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720092/2012-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
MÁQUINAS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MP 2.159-70/2001.
Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 6º, da MP nº 2.159-70/2001.
ATIVIDADE RURAL. DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição.
DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE.
O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplica-se não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplica-se apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, cana-de-açúcar, eucalipto), aplica-se a exaustão.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-002.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram. No mérito, (i) quanto à depreciação da cana-de-açúcar, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto à depreciação das máquinas agrícolas, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento e (iii) quanto à multa isolada, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à depreciação da cana-de-açúcar e à multa isolada, o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MP 2.159 70/2001. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 6º, da MP nº 2.159 70/2001. ATIVIDADE RURAL. DISPÊNDIOS NA FORMAÇÃO DA LAVOURA CANAVIEIRA. EXAUSTÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à exaustão e não à depreciação. Portanto, não se beneficiam do incentivo da depreciação rural acelerada, razão pela qual não podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. DEPRECIAÇÃO. PROJETOS FLORESTAIS DESTINADOS AO APROVEITAMENTO DE FRUTOS. EXAUSTÃO. RECURSOS FLORESTAIS DESTINADOS A CORTE. O termo "florestais" presente nos artigos 307 (depreciação) e 334 (exaustão) do RIR/99 deve ser interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. A depreciação de bens aplicase apenas àqueles que produzem frutos, que consistem em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre do aproveitamento de frutos (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 92 /2 01 2- 78 Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.297 2 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram. No mérito, (i) quanto à depreciação da canadeaçúcar, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (ii) quanto à depreciação das máquinas agrícolas, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento e (iii) quanto à multa isolada, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à depreciação da canadeaçúcar e à multa isolada, o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.298 3 Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL quanto ao anocalendário de 2009, com a imposição de multa de ofício de 75%, além de multa pela falta de recolhimento das estimativas mensais no percentual de 50%, nos termos do artigo 44, da Lei nº 9.430, com redação conferida pelo artigo 14, da Lei nº 11.488/2007. Consta no Termo de Encerramento Fiscal (fls. 601/622). 2 A empresa PEDRA AGROINDUSTRIAL (...) é uma sociedade anônima aberta e seu objeto social no período fiscalizado é, de acordo com seu Estatuto Social (fls. 20), a industrialização e a comercialização do açúcar, do álcool e de seus derivados, entre outros. A fiscalizada apurou o IRPJ pelo regime de tributação do Lucro Real Anual, baseandose em balancetes de suspensão e redução, conforme demonstra a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2010 (...) 4 (...) a fiscalizada apresentou DIPJ na qual se constata que não houve lucro em qualquer mês do ano calendário de 2009 e que ao apurar a Demonstração do Lucro Real, transcrita abaixo, dentro das "Exclusões" há um montante de R$ 61.418.206,33 referente à rubrica "Depreciação / Amortização Acelerada Incentivada Demais Hipóteses" (...). 14.8 Tendo em vista que a fiscalizada afirma que efetivamente explora a atividade rural, conforme consta do item 14.1 acima, seria de se esperar que a atividade desempenhada por ela fosse a produção agrícola ou a transformação de produtos decorrentes da atividade rural. Mas a fiscalizada dedicase, preponderantemente, à venda de açúcar e álcool, o que é próprio das indústrias sucroalcooleiras, conforme descrito nos itens 14.4, 14.5 e 14.6 acima. 15 O inciso V, artigo 2º da Lei nº 8.023/90 reza que a transformação da produção agrícola exige as seguintes condições para se considerar como atividade rural: 1 que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura; 2 que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais; 3 que a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor ou criador; e 4 que seja utilizada matéria prima exclusivamente produzida na área rural. Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.299 4 15.1 (...) Consta inclusive no artigo 2º, inciso VIII, alínea "b" da Instrução Normativa nº 257/2002 que a transformação da canadeaçúcar permitida como atividade rural é a "moeagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura". (...) 15.2. (...) Para ter seus resultados tributados como atividade rural, a fiscalizada não poderia produzir açúcar e álcool, mas tão somente produtos que mantivessem as características e composição do derivado bruto da canadeaçúcar, tais como açúcar mascavo, melado e rapadura. 15.4. Quanto à exigência de quem sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, evidente é que em nada se assemelham as enormes moendas e caldeiras ou colunas de destilação encontradas no processo produtivo da usina para produzir açúcar e álcool com o moinho usado na atividade do produtor rural de açúcar mascavo. (...) 15.6. Outra condição imprescindível para que haja atividade rural é que o produtor utilizese somente de matériaprima na área rural de sua exploração. (...) no caso em tela, a fiscalizada não industrializa apenas o que planta. Também compra canade açúcar de terceiros (...). 16.3. No anocalendário de 200, consta no LALUR como exclusões os valores das aquisições ocorridas no período. Nesta rubrica aparecem os maquinários agrícolas para o trato da canadeaçúcar, bem como o valor dos custos da formação da lavoura de cana, conforme pode ser observado no item 10 deste Termo na abertura dos itens que compõe a rubrica "Depreciação / Amortização Acelerada Incentivada Demais Hipóteses" (...) A fiscalizada está utilizando este benefício não apenas para seu maquinário agrícola, mas também para as exclusões dos custos da cana em formação. (...). Neste processo produtivo os custos de formação da lavoura canavieira está sendo ativados, para depois serem depreciados. 16.4. Há de se mencionar que não há previsão legal para a dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, vez que a lei não permite a dedução integral do cultivo de florestas, bens sujeitos à exaustão. Além disso, a lei rural permite exclusivamente a dedução integral da depreciação, e no caso em tela deparase com quotas de exaustão. (...) 17. Quanto ao valor do imobilizado referente À cultura de cana deaçúcar que foi excluído da apuração do Lucro Real, a fiscalizada apresentou uma relação de lançamentos )...) apropriados ao longo do anocalendário de 2009, no montante de R$ 43.,073.122,77. Por todos os motivos expostos nos itens acima, esta fiscalização decidiu pela glosa de tais exclusões na apuração do Lucro Real do anocalendário de 2009. (...) 18 Em relação às aquisições de máquinas e veículos agrícolas realizadas no ano de 2009, a fiscalizada apresentou uma relação destes maqunários (...) que redundaram no montante de R$ Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.300 5 18.344.083,569, valor este excluído da apuração do Lucro Real pela fiscalizada por se tratar, conforme seu entendimento, de máquinas e veículos agrícolas sujeitos à depreciação acelerada incentivada. 18.1. Resumidamente, a fiscalizada está excluindo integralmente, nos ajustes do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, os custos da lavoura em formação e, em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 60 meses, ou seja, nos próximos 5 anos, nos ajustes do Lucro Líquido do período. Da mesma maneira procede no que diz respeito às máquinas e equipamentos agrícolas. (...) A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 630/690), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, conforme acórdão ementado da forma seguinte (1.069/1.083): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 AGROINDÚSTRIA. INCENTIVO FISCAL. A pessoa jurídica que explora a atividade rural e também desenvolve atividade industrial e deseja beneficiarse de incentivo fiscal concedido à atividade rural deve apurar o lucro real de conformidade com as leis comerciais e fiscais, inclusive com a manutenção do Lalur, segregando contabilmente as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. CANADE AÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos à exaustão e não à depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6º da Medida Provisória n° 2.15970, de 2001. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto relativa a determinado anocalendário somente quando efetiva e espontaneamente paga em período posterior, fato que deve ser comprovado e não apenas alegado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.301 6 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi dado provimento pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. MÁQUINAS AGRÍCOLAS. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99. Isso independe do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.302 7 dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Recurso Voluntário Provido Em 18/04/2016 foi proferido despacho de encaminhamento dos autos à PGFN para ciência do acórdão, sendo interposto recurso especial em 18/05/2016, no qual sustenta divergência quanto aos seguintes temas: (i) depreciação acelerada incentivada, nos termos do artigo 6º, da Medida Provisória nº 2159/2001, indicando como paradigma (i.a) a respeito dos equipamentos e veículos aplicados apenas na lavoura o acórdão nº 10513.579 (Processo Administrativo nº 13016.0000085/9840), no qual decidiuse que "O abate de aves para ser caracterizado como atividade rural deve ser feito pelo próprio produtor rural, com equipamento e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na unidade rural explorada, e não com utilização de equipamentos típicos da atividade industrial, conforme art. 2°, inc. V, da Lei n.o 8.023, de 1990". (i.b) quanto ao reconhecimento da depreciação acelerada incentivada na formação da lavoura de canadeaçúcar, os acórdãos (i.b.1) 110100.334 (Processo Administrativo nº 10850.001767/200511), no qual constou: "O beneficio fiscal da depreciação acelerada de bens do ativo imobilizado aplicados na atividade rural não alcança os elementos integrantes deste grupo patrimonial que se sujeitam a exaustão ou amortização" e "A diminuição de valor da lavoura canavieira, porque sujeita A. exploração mediante corte, é registrada em quotas de exaustão, na proporção do volume explorado " e (i.b.2) 10318.812 (Processo Administrativo nº 10469.004428/9298), do qual se extrai: "A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. " (ii) cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício proporcional, indicando como paradigmas os acórdãos (ii.a) 1301001.893, que expressa que "Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. " e (ii.b) 1301001.742, do qual consta "não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência, visto que resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas". Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.303 8 O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 1.214/1.221): Houve indicação de acórdãos paradigmas e as ementas dos acórdãos paradigmas foram transcritas no corpo das razões recursais. A legislação que está sendo interpretada de forma divergente também foi devidamente identificada. Passo ao exame das divergências. 1ª Divergência: depreciação acelerada incentivada de máquinas agrícolas. (...) Acórdão 10513.579 (...) Neste caso assentouse entendimento no sentido de que a atividade praticada pela contribuinte, de produção, industrialização, comércio nacional e internacional de produtos avícolas, vinícolas, suínos, rações, concentrados e suplementos, ingredientes para a alimentação animal, sabão industrial e demais subprodutos derivados, importação e exportação de cereais e de condimentos, e mais especificamente, a atividade de abate de aves, resfriamento, o congelamento, a elaboração de embutidos e a sua comercialização no mercado nacional e internacional, não se constitui atividade puramente rural, mas agroindustrial por demandarem o emprego de modernos equipamentos próprios do setor industrial e não envolver um processo meramente rudimentar. No caso do recorrido a acusação fiscal foi justamente a mesma. A de que a atividade da contribuinte se insere no segundo setor industrialização e não no primeiro setor atividade rural porque seus estatutos sociais prevêem a atividade de industrialização e comercialização de açúcar, álcool e seus derivados e porque mais de 98% de sua receita bruta advém da venda de açúcar e álcool e não a produção de canadeaçúcar, que seria mera etapa do processo produtivo para obtenção de álcool e canadeaçúcar. E no voto proferido o relator do voto condutor considerou que qualquer atividade agrícola, como preceituaria o inciso I do art. 58 do RIR/99, se incluiria no conceito de atividade rural e, nessas condições, ponderou, os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício, independentemente do fato de o produto agrícola, no caso, a canadeaçúcar, ser empregado como insumo na atividade industrial de produção de açúcar e álcool pelo mesmo contribuinte. Entendo, assim, que as situações analisadas pelo acórdão recorrido e pelo paradigma são muito semelhantes, mas as conclusões a que chegaram os colegiados foram opostas, razão pela qual resta caracterizada a divergência jurisprudencial. Assim, nesta matéria, o Recurso Especial deve ser admitido. Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.304 9 2ª Divergência: depreciação acelerada de cultura de canade açúcar. (...) Pronunciandose sobre o caso, o relator do voto vencedor assentou entendimento no sentido de que às lavouras de cana de açúcar deve ser aplicada a depreciação acelerada incentivada e não a exaustão, pois estas estariam sujeitas ao desgaste pelo uso ou pelo emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor, pela depreciação, a cada corte. A PFN aponta que a divergência diz respeito à aplicação da exaustão, e não da depreciação, às lavouras canavieiras. O primeiro paradigma oferecido pela recorrente nesta matéria recebeu a seguinte ementa: Acórdão nº 110100.334 (...) A tese deduzida neste paradigma se mostra contrária àquela manifestada no recorrido. Isto porque, neste caso, a turma entendeu que as lavouras canavieiras estão sujeitas à exaustão, pois suas plantas não se extinguem com o primeiro corte, voltando a produzir novos ramos ou troncos, permitindo um segundo ou terceiro corte. Dessa maneira, a lavoura deve ser classificada no grupo do ativo imobilizado para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão à medida e na proporção em que seus recursos forem sendo exauridos. E o segundo paradigma tem a ementa a seguir transcrita: Acórdão nº 10318.812 (...) O entendimento defendido neste segundo paradigma é análogo àquele deduzido no paradigma anterior, concluindo, o colegiado, que as lavouras canavieiras se sujeitam à exaustão e não à depreciação. A comparação entre as decisões caracteriza a divergência argüida. Dessa forma, nesta matéria, o Recurso Especial deve ter seguimento. 3ª Divergência. Possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais e da multa de ofício sobre a apuração final. (...) A mera comparação entre a ementa deste paradigma e a ementa do recorrido já demonstra a divergência de conclusões dos colegiados sobre a possibilidade de haver concomitância entre a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais e a multa de ofício incidente sobre o imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração. Com efeito, o acórdão recorrido vedou essa possibilidade, enquanto que este paradigma admite a concomitância. Verificase, assim, que os casos em tudo se assemelham, mas as conclusões a que chegaram as Turmas de Julgamento foram Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.305 10 totalmente opostas, o que caracteriza o dissenso jurisprudencial. (...) Tendo em vista o que foi acima exposto e examinado, e nos termos da competência que me foi atribuída pelo art. 68, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09/06/2015, e alterações posteriores, decido DAR SEGUIMENTO ao recurso, em face da caracterização de divergência jurisprudencial. A contribuinte foi intimada para contrarrazões em 02/06/2016 (fls. 1.225), apresentandoas em 15/06/2016 (fls. 1.228/1.280), em síntese, alegando: (i) ausência de indicação analítica da divergência, como exigiria o Regimento Interno do CARF (Portaria 343/2015, artigo 67); (ii) a impossibilidade de interposição de recurso em face da Súmula 105, do CARF, segundo a qual: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" (iii) no mérito, a legitimidade das exclusões na apuração do lucro real a título de depreciação acelerada; (iv) a impossibilidade de exigência de multa isolada concomitantemente à multa de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. Os temas tratados no recurso especial, devidamente admitidos, são os seguintes: (i) depreciação acelerada incentivada de máquinas agrícolas, na forma do artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.156/2001; (ii) o reconhecimento da depreciação acelerada incentivada na formação da lavoura de canadeaçúcar; e (iii) a cumulação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Como a contribuinte questiona o conhecimento do recurso especial, passo a tratar da divergência tratada em razões daquele recurso e sua admissibilidade, já esclarecendo que é tempestivo o recurso especial. Inicialmente, a contribuinte alega que não deveria ser conhecido o recurso especial por falta de demonstração analítica da divergência. Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.306 11 O Recurso Especial foi interposto quando já vigente o atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), que exige a demonstração analítica da divergência: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. O recurso especial da Procuradoria, de forma sintética, trata de demonstrar a divergência entre a interpretação adotada pelo acórdão recorrido e a dos acórdãos paradigmas (fls. 1.180). Alguns trechos desta demonstração de divergência foram colacionadas até pela Recorrida em suas razões recursais. Pondero que, em respeito à verdade material e ao formalismo moderado, são usualmente admitidos recursos que não cumpram rigorosamente a exigência de demonstração analítica dos pontos de divergência. De toda forma, exigese a demonstração da divergência pela recorrente em suas razões, mesmo que tal divergência seja demonstrada de forma sintética. Reitero meu posicionamento manifestado anteriormente, sobre a necessidade de mesmo que de forma sintética comparação nas razões do recurso especial entre a solução jurídica adotada pelo acórdão recorrido e aquela adotada pelo acórdão, para fins de demonstração analítica da divergência. Não cabe aos julgadores inferir qual seria a distinção entre os acórdãos recorrido e paradigma, sendo imprescindível a demonstração da divergência pela parte recorrente . Ocorre que no caso dos presentes autos entendo que está preenchida tal exigência, na medida em que enfrentada pela Recorrente a divergência na interpretação da lei tributária em suas razões recursais, mesmo que de forma sintética, como acima citado. Afasto também a preliminar de não conhecimento do recurso diante do Enunciado nº 105 da Súmula do CARF (multa isolada), porque os fatos em discussão neste processo ocorreram em 2009, portanto, posteriormente à alteração do artigo 44 pela Lei nº 11.488/2007. A despeito do meu entendimento pessoal sobre a aplicação das razões que originaram o Enunciado de Súmula (nº 105) aos fatos posteriores a 2007, o tema tem sido enfrentado de forma distinta pela maioria deste Colegiado, que conhece de recursos especiais da Procuradoria e lhes dá provimento. Curvome, portanto, à orientação do Colegiado para conhecimento do tema, até por reconhecer a dificuldade na aplicação automática do Enunciado de Súmula a casos como o presente. Quanto ao mérito (exigência de juros sobre a multa), será tratado ao final deste voto. Diante de tais razões, conheço do recurso especial da Procuradoria. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.307 12 A depreciação acelerada incentivada de máquinas agrícolas, na forma do artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159/2001 Como consta do TVF que "Para ter seus resultados tributados como atividade rural, a fiscalizada não poderia produzir açúcar e álcool, mas tão somente produtos que mantivessem as características e composição do derivado bruto da canadeaçúcar, tais como açúcar mascavo, melado e rapadura.(...)" e "No anocalendário de 2009, consta no LALUR como exclusões os valores das aquisições ocorridas no período. Nesta rubrica aparecem os maquinários agrícolas para o trato da canadeaçúcar". A depreciação foi definida pelo artigo 183, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.As.), que prescreve: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. A legislação fiscal delimitou as condições de depreciação, como se observa dos artigos 305 a 323 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999). A depreciação poderá, portanto, ser computada como custo ou encargo, em cada período de apuração, como explicita o artigo 305 do RIR: Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.308 13 § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Nesse contexto, foi editada a Medida Provisória nº 2.159/2001, que em seu artigo 6º prevê a depreciação acelerada incentivada quanto às pessoas jurídicas que explorem atividade rural: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O dispositivo legal foi reproduzido no Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999), nos seguintes termos: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Curioso que o RIR alterou a disposição apenas para mencionar o seu artigo 58, que prevê: Art. 58. Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.309 14 equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). O artigo 58 tem fundamento na Lei nº 8.023/1990, com redação alterada pela Lei nº 9.250/1995, que define a atividade rural: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) A depreciação acelerada incentivada dos equipamentos e veículos aplicados na lavoura, portanto, depende da definição do que seja atividade rural, à luz das normas acima relacionadas. Pondero que, diante da previsão da MP 2.159/2001 e da Lei n 8023/1990, a Instrução Normativa SRF nº 257/2002, também delimitou a atividade rural: Art. 2º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: I a agricultura; Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.310 15 VIII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: b) transformação de produtos agrícolas: (...) 2. moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura; A contribuinte questiona a interpretação adotada pela Secretaria da Receita Federal, sustentando ao longo do processo que exerce atividade rural e, portanto, seus maquinários fazem jus ao benefício fiscal tratado pelo artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159/2001; enquanto o auditor autuante menciona a citada Instrução Normativa, dentre outros fundamentos, para glosar as exclusões interpretadas como indevidas. Consta do acórdão recorrido decisão a respeito do tema da forma seguinte, conforme trecho da ementa: MÁQUINAS AGRÍCOLAS. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99. Isso independe do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. Neste ponto, o voto de lavra do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que quanto à depreciação acelerada de máquinas foi vencedor: Quanto à depreciação acelerada incentivada das máquinas agrícolas, minha posição é diferente. Isso porque, neste caso, o artigo 314 do RIR/99 faz remissão expressa ao artigo 58 daquele mesmo diploma normativo. (...) O inciso I do referido artigo 58, por sua vez, inclui qualquer atividade agrícola no conceito de atividade rural. (...) Portanto, os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício. Isso independe do fato de o produto agrícola (no caso, a canadeaçúcar) ser empregado como insumo na atividade industrial (produção de açúcar e álcool) pelo mesmo contribuinte. A exigência de que as receitas, custos e despesas da atividade rural sejam segregadas (artigo 8º da IN/SRF nº 257/02) é motivada pela necessidade de controle apartado dos resultados dessa atividade com vistas ao aproveitamento de prejuízos fiscais sem a imposição da trava dos trinta por cento (artigo 17, § 2º, da mesma IN). Não se pode inferir dessa exigência que a depreciação acelerada das máquinas agrícolas só possa ser feita na proporção das receitas auferidas exclusivamente com a Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.311 16 atividade agrícola, como fez a fiscalização concedendo o benefício em relação à receita da venda de mudas de cana, bagaço de cana, café, soja milho e sorgo. Adoto as razões de decidir do acórdão recorrido, entendendo que a depreciação acelerada é aplicável às máquinas agrícolas tratadas nestes autos, eis que "utilizados na agricultura". Até porque o artigo 58, da Lei nº 8.023/1990 não restringiu a agroindústria, como procedido pela IN SRF 257/2002 (limitou atividade à moagem "moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura"). Afinal, o conceito amplo de atividade rural prestigiado pela Lei nº 8.023/1990 contempla a "agricultura" (inciso I, do art. 2º) e, ainda, a "transformação de produtos decorrentes de atividade rural" (inciso V, do art. 2º). Este conceito amplo de atividade rural adequase às demais normas que regem esta atividade. A própria Constituição Federal, ao tratar da definição de política agrícola, inclui as atividades agropecuárias e as agroindustriais: Art. 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores rurais, bem como dos setores de comercialização, de armazenamento e de transportes, levando em conta, especialmente: § 1º Incluemse no planejamento agrícola as atividades agro industriais, agropecuárias, pesqueiras e florestais. No mesmo sentido, o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) regula "os direitos e obrigações concernentes aos bens imóveis rurais, para os fins de execução da Reforma Agrária e promoção da Política Agrícola", tratando em diversos dispositivos da atividade agroindustrial, sem limitação similar à trazida pela IN SRF 257/2002. Destaco, nesse sentido, a prescrição do artigo 4º do Estatuto da Terra: Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definemse: I "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; (...) VI "Empresa Rural" é o empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro de condição de rendimento econômico ...Vetado... da região em que se situe e que explore área mínima agricultável do imóvel segundo padrões fixados, pública e previamente, pelo Poder Executivo. Para esse fim, equiparamse às áreas cultivadas, as pastagens, as matas naturais e artificiais e as áreas ocupadas com benfeitorias; Em sentido similar, a Lei nº 5.889/1973, que trata das normas reguladoras do trabalho rural, define como empregador rural aquele que exerce atividade de "exploração industrial em estabelecimento agrário", verbis: Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.312 17 Art. 3º Considerase empregador, rural, para os efeitos desta Lei, a pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos e com auxílio de empregados. § 1º Incluise na atividade econômica, referida no "caput" deste artigo, a exploração industrial em estabelecimento agrário não compreendido na Consolidação das Leis do Trabalho. (redação vigente ao tempo dos fatos em discussão nestes autos). O Superior Tribunal de Justiça, em acórdão submetido ao artigo 543C, do anterior Código de PRocesso Civil (Lei nº 5.869/1973), tratou de usinas alcooleiras identificandoas o exercício de atividade rural. À ocasião, aquele E. STJ julgava outro tema (exigência de FGTS anteriormente à CF/1988, interpretando inclusive a Lei nº 5.889/1973). De toda forma, o julgamento traz à luz a relevância da identificação de atividade rural e industrial, de forma coerente para fins de aplicação da legislação federal. Destaco trecho do julgamento do E. Superior Tribunal de Justiça (...) 6. De acordo com a lei em referência, uma mesma empresa agroindustrial, poderia ser qualificada como empregadora rural relativamente aos seus empregados que realizava, atividades rurais, e como urbana no que tange às demais atividades desenvolvidas. 7. Sobre o tema, o Tribunal Superior do Trabalho firmou entendimento de que a atividade exercida pelo empregado é que define a condição deste como rural ou industriário, assentndo, inclusive que o cultivo da canadeaçúcar para usina alcooleira não constitui atividade agroindustrial, mas sim rural. 8. Assim, concluise que os empregados, que laboram no cultivo da canadeaçúcar para empresa agroindustrial ligada ao setor alcooleiro, detém a qualidade de rurícola, o que traz como consequência a isenção do FGTS desde a edição da Lei Complementar n. 11/71 até a promulgação da Constituição Federal de 1988. Precedente: EDRESP 952052 / PE, da relatoria da Ministra Eliana Calmon, DJ 12.3.2010. 9. Recursos especiais não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial nº 1.133.662, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 19/08/2010) O Decreto Lei 57/1966, ao tratar do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, impede a incidência de IPTU sobre imóveis destinados à exploração de agroindústria: Art 15. O disposto no art. 32 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não abrange o imóvel de que, comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial, incidindo assim, sôbre o mesmo, o ITR e demais tributos com o mesmo cobrados. (Revogação suspensa pela RSF nº 9, de 2005) Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.313 18 O tratamento conferido à agroindústria pela legislação federal, portanto, é similar àquela conferida à atividade rural, não sendo justificável a restrição estabelecida pela IN SRF 257/2002, em seu artigo 2º, inciso V. O reconhecimento da depreciação acelerada incentivada na formação da lavoura de canade açúcar A distinção entre depreciação e exaustão decorre inicialmente da interpretação do artigo 183, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.As.), que prescreve: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Destaco trechos do acórdão recorrido ao tratar da depreciação da lavoura de cana de açúcar, conforme voto vencedor, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da canadeaçúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. A principal discussão nos autos, quanto ao tópico relacionado à depreciação de canadeaçúcar, portanto, é se esta submetese à depreciação ou à exaustão. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.314 19 Modesto Carvalhosa trata de depreciação e exaustão da forma seguinte, em comentários ao artigo 183, da Lei das S.As.: Tanto a depreciação quanto a exaustão registram a diminuição do valor de bens físicos. A natureza desses bens é que distingue as duas modalidades de encargos: a) depreciase um ativo que é objeto de uso; b) constituise o fundo de exaustão para um ativo que se esgota à medida que ele o próprio ativo é transformado em matéria prima. (...) É interessante reiterar que tanto o item V deste art. 183 como o seu §2º consideram a amortização e a exaustão como diminuição do valor de elementos do ativo imobilizado. Isso significa dizer que a Lei inclui no imobilizado as florestas destinadas a corte e comercialização, assim como os direitos com prazo de utilização determinado. (...) Podem ser objeto de depreciação todos os bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade pelo uso, ação da natureza ou obsolecência. (...) O fundo de exaustão tem por objeto recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (...) O valor da quota de exaustão constituída no exercício variará em função do volume de minerais ou de madeira extraída no período, pois será determinado tendo em vista o volume da produção do ano e a sua relação com a possança conhecida da mina, ou a dimensão da floresta explorada, ou ainda em função do prazo de concessão ou do contrato de exploração. (Comentários à Lei das S.As., volume 3) Discorrendo sobre o tema, Misabeu Abreu Machado Derzi e Fernando Daniel de Moura Fonseca: Como no caso da canadeaçúcar a plantação não é extinta com o corte, mas permite sucessivas colheitas, a depreciação seria o instituto aplicável a este bem do ativo imobilizado. Com efeito, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz, de modo que não há que se falar em exaurimento do recurso, mas de perda de valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. (fls. 935) Em sentido similar, é o voto vencedor, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no acórdão recorrido: Tenho para mim que a posição adotada é a correta. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da canade açúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.315 20 reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação A respeito do tema, vale transcrever, ainda, Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995: “Soluciono a consulta com base nos atos normativos inicialmente mencionados, respondendo à consulente que os canaviais (recursos financeiros aplicados na formação desta cultura), uma vez que são classificados no ativo imobilizado e destinados à produção, poderão ser totalmente depreciados no ano em que integrarem o seu ativo imobilizado" A canadeaçúcar, portanto, está sujeita a diversas colheitas e, por isso, seus frutos não se esgotam em cada uma destas colheita. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido. A cumulação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Finalmente, trato da cumulação de multa isolada sobre estimativas não recolhidas e multa de ofício, última tema tratado em recurso especial admitido. À ocasião da ocorrência dos fatos geradores em discussão nestes autos (2009), a Lei n. 9.430 tratava da imposição de multa sobre estimativas mensais da forma seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Anteriormente, a redação do dispositivo era similar, prevendo a cobrança de multa isolada sobre estimativas não recolhidas em percentual de 75%, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.316 21 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) Como se verifica da disposição acima reproduzida, mesmo antes da alteração efetuada pela Lei nº 11.488, de 2007, autorizavase a exigência da multa de forma isolada sobre as estimativas mensais mesmo na hipótese de apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativo para a CSLL. O dispositivo legal não tratava expressamente da imposição concomitante da multa sobre estimativas mensais com a multa de ofício, na hipótese de apuração de lucro ao final do período de apuração pela pessoa jurídica. A remansosa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais à luz da anterior redação do artigo 44 entendia não ser possível a cobrança concomitante de multa sobre as estimativas mensais caso houvesse a imposição de multa de ofício. Exatamente por isso foi editada a Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A alteração da Lei. 9.430, pela Lei n. 11.488, de 2007 (aplicável ao caso dos autos), reduziu o percentual de multa a ser exigida isoladamente para 50%, além de prever expressamente a sua exigência também na hipótese em que seja “apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física”, conforme inciso II, alínea “a” incluída no artigo 44, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.317 22 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, dfe 2007) Portanto, persiste a omissão legal a respeito da exigência de multa isolada na hipótese de apuração de lucro pela pessoa jurídica, não sendo razoável a cobrança cumulada com a multa de ofício Lembro que nos presentes autos discutese a exigência de multa isolada por estimativas mensais concomitantemente à exigência de multa de ofício no que concerne ao ano calendário de 2009, como também houve lançamento de multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os mesmos fatos geradores. Diante disso, a conduta relacionada às estimativas mensais do ano calendário de 2009 foi consumida pela conduta atribuída ao contribuinte ao final do período, consistente na falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda. Na mesma medida, a punição que poderia se entender aplicável à falta de estimativas mensais foi consumida pela punição aplicada à falta de recolhimento dos tributos ao final do ano calendário, consistente na multa de ofício. Por tais razões, afasto a cobrança de multa sobre as estimativas quanto ao ano de 2009. Diante de tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial.. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Em relação à matéria depreciação das máquinas agrícolas, o Colegiado acompanhou as razões do voto vencido. Contudo, apesar do substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, peço vênia para discordar das outras duas matérias: (1) classificação dos dispêndios na formação da lavoura de cana de açúcar e (2) aplicação da multa isolada por Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.318 23 insuficiência de recolhimento de estimativa mensal em lançamento fiscal com principal e multa de ofício. Passo, portanto, ao exame, no mérito, das matérias nas quais apresentei divergência de entendimento. I Classificação dos Dispêndios de Formação na Lavoura de Cana de Açúcar. A matéria a ser decidida é se os dispêndios para a formação de lavoura de cana de açúcar podem ser objeto de depreciação acelerada da atividade rural ou se submetem ao regime de exaustão. O dispositivo normativo suscitado pela Contribuinte que permitiria a depreciação incentivada da lavoura de canadeaçúcar é o art. 6º da MP nº 2.15970/2001: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. (grifei) Por outro lado, entendeu a Fiscalização que os dispêndios na formação de lavoura de canadeaçúcar contabilizados no ativo imobilizado estariam sujeitos à exaustão, portanto, fora do alcance do benefício em debate. A princípio, entendo ter sido a questão bem delineada no voto proferido no Acórdão nº 1202000.794, de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner. Não obstante ter sido o voto vencido, discorre com precisão sobre a situação: Resta agora perquirir sobre a questão da sujeição da cultura canavieira à depreciação ou à exaustão. Depreciação e exaustão, ao lado da amortização, são conceitos distintos, não se confundindo, como se vê da legislação societária (Lei no 6.404/76) abaixo: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: [...] § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei n°11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder a perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.319 24 c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (destaquei) Dentre as Normas Brasileiras de Contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade, vale destacar o seguinte trecho da NBC T10 Atividades Agropecuárias, aprovada pela Resolução CFC 909, de 08.08.2001 (disponível em www.cfc.org.br): 0.14.4 — Entidades Agrícolas: Aspectos Gerais 10.14.4.1 As entidades agrícolas são aquelas que se destinam produção de bens, mediante o plantio, manutenção ou tratos culturais, colheita e comercialização de produtos agrícolas. 10.14.4.2 As culturas agrícolas dividemse em: a) temporárias: a que se extinguem pela colheita, sendo seguidas de um novo plantio; e b) permanentes: aquela de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem a necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. 10.14.5 Dos Registros Contábeis Das Entidades Agrícolas 10.14.5.1 Os bens originários de culturas temporárias e permanentes devem ser avaliados pelo seu valor original, por todos os custos integrantes do ciclo operacional, na medida de sua formação, incluindo os custos imputáveis, direta ou indiretamente, ao produto, tais como sementes, irrigações, adubos, fungicidas, herbicidas, inseticidas, mãodeobra e encargos sociais, combustíveis, energia elétrica, secagens, depreciações de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na produção, arrendamentos de máquinas, equipamentos e terras, seguros, serviços de terceiros, fretes e outros. 10.14.5.6 A exaustão dos componentes do Ativo Imobilizado relativos às culturas permanentes, formado por todos os custos ocorridos até o período imediatamente anterior ao inicio da primeira colheita, tais como preparação da terra, mudas ou sementes, mãodeobra, etc., deve ser calculada com base na expectativa de colheitas, de sua produtividade ou de sua vida útil, a partir da primeira colheita. 10.14.5.10 Os custos de produção agrícola devem ser classificados no Ativo da entidade, segundo a expectativa de realização: a) no Ativo Circulante, os custos com os estoques de produtos agrícolas e com tratos culturais ou de safra necessários para a colheita no exercício seguinte; e Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.320 25 b) no Ativo Permanente Imobilizado, os custos que beneficiarão mais de um exercício. (destaquei) Notase, assim, que a contabilidade agrícola segrega os lançamentos entre os tipos de cultura existentes: temporária ou permanente. Culturas temporárias são arrancadas do solo na colheita e depois feito novo plantio, como arroz, feijão e milho, e o custo da plantação é contabilizado no Ativo Circulante. Por outro lado, culturas permanentes duram mais de um ano e proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café e canadeaçúcar. Nestes casos, os custos para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado e devem ser avaliados pelo montante que efetivamente representam dentro do patrimônio total da pessoa jurídica. Com apoio nos estudos de José Sérgio Della Giustina na dissertação de mestrado "Um sistema de contabilidade analítica para apoio a decisões do produtor rural", apresentada à Universidade Federal de Santa Catarina, em 1995 (Disponível em http://www.eps.ufsc.br/disserta/giustina/indice/index.htm#index), podem ser referidos exemplos claros de cada um dos institutos na atividade rural: (i) por se tratar a depreciação da perda de eficiência ou capacidade produtiva de bens do Ativo Permanente que são úteis a mais de um ciclo de produção, estão sujeitos a ela a máquinas, tratores, animais reprodutores ou de trabalho, fruticultura, dentre outros; (ii) por outro lado, estarão sujeitos as quotas de amortização os direitos adquiridos sobre bens de terceiros, traduzidos em Ativos Intangíveis, como direito de extração de madeira em floresta de propriedade de terceiros ou de gastos que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício financeiro, incrementando o processo produtivo, registrados no Ativo Diferido, tais como: desmatamento, corretivos, etc.; (iii) finalmente, considerando que, enquanto as propriedades físicas se deterioram física ou economicamente, os recursos naturais exauríveis se esgotam, na proporção em que são extraídos os recursos naturais, registrase a exaustão deste recurso, uma vez que o esgotamento é a extinção dos recursos naturais e a exaustão é a extinção do custo ou do valor desses recursos naturais. Como esclarece o autor do estudo, in verbis: exemplos de culturas que têm seu custo de formação, apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos, de pinos, a canadeaçúcar, as pastagens artificiais etc. (destaquei) Sob esse aspecto, distinguemse claramente a cultura da cana deaçúcar da fruticultura, por exemplo, haja vista que, neste caso, o aproveitamento econômico do bem não compromete sua existência, por se limitar à extração dos frutos, enquanto na exploração canavieira, o resultado econômico apenas se verifica Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.321 26 com o sacrifício da própria planta, a qual se esgota e se torna imprestável após três ou quatro ciclos produtivos. Nesse caso, assim como nas florestas ou jazidas minerais, ocorre o esgotamento do próprio recurso natural com o passar do tempo. Como se pode observar, a cultura pode ser classificada como temporária ou permanente. A primeira é extinta pela colheita, demandando um novo plantio, como o arroz, feijão e milho, e o custo de plantação é escriturado no Ativo Circulante. O segundo caso trata de culturas que duram mais de um ano ou proporcionam mais de uma colheita, como árvores frutíferas, araucária, pinus, eucalipto, café, canadeaçúcar, pastagem artificial, dentre outros, situação na qual os dispêndios para sua formação são contabilizados no Ativo Permanente Imobilizado. As culturas contabilizadas no Ativo Permanente podem estar sujeitas à depreciação ou exaustão, a depender da sua natureza. Sujeitas à depreciação são aquelas frutíferas, do qual se pode extrair o fruto, como café ou uva, por exemplo. Por outro lado, aplicase à exaustão aquelas cuja extração demanda o sacrifício da planta em si, como a pastagem artificial, a canadeaçúcar, as florestas artificiais ou não (pinus, araucária, eucalipto, dentre outras). Vale investigar, com maior precisão, o conceito de fruto, que se mostra relevante para apreciação do caso concreto. Os arts. 307 e 334 tratam, respectivamente, dos bens objeto de depreciação e exaustão. Bens Depreciáveis Art. 307. Podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, inclusive: I edifícios e construções, observandose que (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 9º): a) a quota de depreciação é dedutível a partir da época da conclusão e inicio da utilização; b) o valor das edificações deve estar destacado do valor do custo de aquisição do terreno, admitindose o destaque baseado em laudo pericial; II projetos florestais destinados a exploração dos respectivos frutos (DecretoLei nº 1.483, de 6 de outubro de 1976, art. 6º, parágrafo único,). Parágrafo único. Não será admitida quota de depreciação referente a (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, §§ 10 e 13): IV bens para os quais seja registrada quota de exaustão. (...) Art. 334. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.322 27 diminuição do valor de recursos florestais, resultante de sua exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 59, e DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42). § 1º A quota de exaustão dos recursos florestais destinados a corte terá como base de cálculo o valor das florestas (Decreto Lei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 12). § 2º Para o cálculo do valor da quota de exaustão será observado o seguinte critério (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 22): I apurarseá, inicialmente, o percentual que o volume dos recursos florestais utilizados ou a quantidade de árvores extraídas durante o período de apuração representa em relação ao volume ou quantidade de árvores que no início do período de apuração compunham a floresta; II o percentual encontrado será aplicado sobre o valor contábil da floresta, registrado no ativo, e o resultado será considerado como custo dos recursos florestais extraídos. § 3º As disposições deste artigo aplicamse também as florestas objeto de direitos contratuais de exploração por prazo indeterminado, devendo as quotas de exaustão ser contabilizadas pelo adquirente desses direitos, que tomará como valor da floresta o do contrato (DecretoLei nº 1.483, de 1976, art. 42, § 3º). (grifei) Observase que há determinação expressa no art. 307 de que não será admitida quota de depreciação para os bens para os quais seja registrada quota de exaustão. Também que o termo "florestais" em ambos dispositivos é interpretado de forma abrangente, ou seja, aplicase não apenas a floresta no sentido estrito, mas a formações vegetais como plantações, tanto que os dispêndios para formação de cultura de café, uva, laranja, dentre outros, são sujeitos a depreciação. Vale recorrer novamente ao mencionado voto, que faz referência a doutrina especializada, do qual transcrevo na sequência. A doutrina especializada de José Carlos Marion (Contabilidade rural contabilidade agrícola, contabilidade da agropecuária, IRPJ, 4ª edição, São Paulo, Atlas, 1996, págs. 39, 41, 64, 65 e 71), corrobora o entendimento dado pelo Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação — CST n° 18/79, consoante trechos abaixo transcritos: Culturas permanentes são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam mais de unia colheita ou produção. Normalmente, atribuise ás culturas permanentes uma duração mínima de quatro anos. Do nosso ponto de vista basta apenas a cultura durar mais de uni ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. Exemplos: canadeaçúcar cafeicultura etc. (pg. 39; destaquei). Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.323 28 No caso de cultura permanente, os custos necessários para a formação da cultura serão considerados Ativo Permanente Imobilizado ... Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem, fungicidas, herbicidas, mãodeobra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes, mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc.... Há casos em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para cultura formada, pois, no momento de se considerar acabada, ela é ceifada. São, normalmente, a canadeaçúcar, o palmito, o eucalipto, o pinho e outras culturas extirpadas do solo ou cortadas para brotarem novamente. (ibidem, destaquei). Colheita ou produção (da cultura permanente): a partir desse momento a preocupação é com a primeira colheita ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo. A colheita caracterizase, portanto, como uni Estoque em Andamento, uma produção em formação, destinada a venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, podese criar uma conta de 'colheita em andamento', sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido. Essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da colheita: mãodeobra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida, desbrota, raleação ..), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos...), custo com irrigação (energia elétrica, transporte de água, depreciação dos motores ...), custo do combate a formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços de terceiros etc. Adicionase ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da "cultura permanente formada", sendo consideradas as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. (op. cit., pg. 41; destaquei). Alkíndar de Toledo Ramos, em sua tese de doutoramento (O Problema da Amortização dos Bens Depreciáveis e as Necessidades Administrativas das Empresas), sugere que "a amortização, em sentido amplo, seria aplicada a quaisquer tipos de bens do ativo fixo, com vida útil limitada. Depreciação seria sinônimo de amortização, em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos bens tangíveis, como máquinas, equipamentos, móveis, utensílios, edifícios etc. Exaustão seria sinônimo da amortização em sentido amplo, porém sendo aplicada somente aos recursos naturais exauríveis, como reservas florestais, petrolíferas etc. Amortização, em sentido restrito, se confundiria com o seu sentido amplo, mas somente quando aplicada aos bens intangíveis de duração limitada, como as patentes, as benfeitorias ern propriedades de terceiros etc". Entendimento fiscal (na Agropecuária): Conforme disposições contidas no Parecer Normativo CST n. 18/79, o fisco dá sua interpretação no caso especifico da agricultura, em nada contradizendo os conceitos expostos. No que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.324 29 menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva etc. Quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluído o solo) será objeto de quotas de exaustão, à medida que seus recursos forem exauridos (esgotados). Aqui, não se tem a extração de frutos, mas a própria árvore é ceifada, cortada ou extraída do solo: reflorestamento, canadeaçúcar, pastagem etc.) (pg. 64, op. cit.; destaquei). (pg. 65, op. cit.; destaquei). O que se observa com clareza, pelas conclusões doutrinárias e do citado Parecer Normativo CST nº 18, de 1979 (publicado no DOU em 17/04/1979), é que a depreciação dos recursos de origem florestal aplicase apenas àqueles que produzem frutos. Nesse contexto, é direta a assertiva no sentido de que, no que tange às culturas permanentes, as florestas ou árvores e a todos os vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Assim, o custo de aquisição ou formação da cultura é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Exemplo: café, laranja, uva. Percebese claramente que o conceito de fruto é aquele adotado pela biologia, no qual consiste em estrutura comestível que protege a semente e nascem a partir do ovário de uma flor. Precisamente a situação da cultura do café, laranja, uva, dentre outras. Para os demais casos, do qual o aproveitamento da cultura não decorre da retirada do fruto, mas da extração da formação vegetal em si (pastagem, canadeaçúcar, eucalipto), aplicase a exaustão prevista no art. 344 do RIR/99. A diferença é bem delineada pelo doutrinador: Conforme os conceitos apresentados, toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Por um lado, a árvore produtora não é extraída do solo; seu produto final é o fruto e não a própria arvore. Um cafeeiro produz grãos de café (frutos), mantendose a árvore intacta. Um canavial, por outro lado, tem sua parte externa extraída (cortada), mantendose a parte contida no solo para formar novas árvores. Segundo esse raciocínio, sobre o cafeeiro incidirá depreciação e sobre o canavial, exaustão. (Grifei) É incontroverso que a extração da canadeaçúcar demanda o corte do caule, não havendo em se falar em floração e formação do fruto. Ou seja, tratase de processo que guarda semelhança maior com o que ocorre em pastagens e florestas artificiais, como eucalipto, por exemplo, do que com árvores frutíferas. Impossível se falar em extração de frutos, elemento comestível originado do ovário de uma flor que protege a semente, de uma cultura de canadeaçúcar. Portanto, para a matéria, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.325 30 II Multa Isolada por Insuficiência no Recolhimento de Estimativas Mensais, no caso de Lançamento de Ofício com Principal e Multa de Ofício. A princípio, vale discorrer sobre o lucro real, um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.326 31 a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (grifei) A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A sanção tem base legal. Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.327 32 A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (o caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. A matéria foi tratada exaustivamente no mencionado Acórdão nº 9101 002.438. de relatoria da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que de maneira precisa e objetiva, apresentou uma interpretação histórica, teleológica e sistêmica do dispositivo normativo. Transcrevo excerto no qual trata da não aplicação do princípio da consunção, no qual menciona entendimento da exConselheira Karem Jureidini Dias. Há argumentos no sentido de que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Dizem seus adeptos que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do ano calendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.328 33 simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.329 34 respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.330 35 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.331 36 configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos e exigidas de forma isolada. Enfim, transcrevo parte de conclusão do didático voto: A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 15956.720092/201278 Acórdão n.º 9101002.801 CSRFT1 Fl. 1.332 37 registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Portanto, em relação à multa isolada sobre estimativa mensal, não há reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. III. Conclusão. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao Recurso Especial da PGFN, para (1) acompanhar a Relatora em relação à matéria depreciação das máquinas agrícolas, no qual se manteve o entendimento da decisão recorrida, e (2) restabelecer a autuação fiscal para as matérias (2.1) classificação dos dispêndios na formação da lavoura de cana de açúcar e (2.2) aplicação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal em lançamento fiscal com principal e multa de ofício. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1332DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.906664/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 66 64 /2 01 1- 11 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.906664/201111 Acórdão n.º 3302004.507 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.412. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.906664/201111 Acórdão n.º 3302004.507 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.906664/201111 Acórdão n.º 3302004.507 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.906664/201111 Acórdão n.º 3302004.507 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.906664/201111 Acórdão n.º 3302004.507 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.906664/201111 Acórdão n.º 3302004.507 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979307/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 07 /2 00 9- 77 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001185/2003-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.323
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 11 85 /2 00 3- 92 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.602, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 316DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720164/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. OCORRÊNCIA NA FRAUDE SIMULAÇÃO OU CONLUIO.
A consequência prevista pelo legislador para a simulação fraude ou conluio, devidamente comprovados pelo Fisco, é a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. OCORRÊNCIA NA FRAUDE SIMULAÇÃO OU CONLUIO. A consequência prevista pelo legislador para a simulação fraude ou conluio, devidamente comprovados pelo Fisco, é a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 64 /2 01 4- 38 Fl. 5151DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Belém/PA que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas, por subrogação, pelo adquirente de produto rural comercializado por produtor pessoa física, as devidas ao SENAR, contribuição patronal devida sobre valores pagos aos contribuinte individuais e descumprimento das obrigações acessórias correspondentes, tudo supostamente devido nos anoscalendários de 2010 a 2012 Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 3 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário dele constante, em valores consolidados em novembro de 2014. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas por subrogação no período de 2010 a 2012, ocorreu em 02 de dezembro de 2014 para o devedor principal, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 4220. Em 23 de dezembro de 2014, foi apresentada a impugnação ao lançamento. Em 18 de dezembro de 2015, a 5ª Turma da DRJ de Belém, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0132.490 (fls. 5001), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls.2386): DAS AUTUAÇÕES Tratase de créditos lançados pela Auditoria Fiscal em desfavor da Interessada acima qualificada, formalizados por intermédio da lavratura dos Autos de Infração abaixo relacionados: O Relatório Fiscal de fls. 49 a 165, informa em síntese que: Fl. 5152DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.152 3 1 Os lançamentos que deram origem ao presente, contemplam, além de outras, contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social por produtores rurais pessoas físicas sobre a receita bruta relativa à produção rural equivalente a: a) Comercialização de animais bovinos para abate pelo sujeito passivo que desenvolve atividade industrial frigorífica e como adquirente responsável está obrigado a arrecadar mediante desconto do valor da contribuição rural, destacandoa nos documentos fiscais para recolhêlas aos cofres públicos (sub rogação); b) Comercialização de lenha de eucalipto in natura consumida na produção industrial frigorífica donde o adquirente responsável está obrigado a arrecadar mediante desconto do valor da contribuição rural, destacandoa nos documentos fiscais para recolhêlas aos cofres públicos (subrogação). A apuração do crédito tributário deuse a partir dos lançamentos das contas 41101008 Compra de Gado para Abate e 41101011 Devolução de Mercadorias (bovinos) registrados na Escrituração Contábil Digital ECD do triênio 201020112012, armazenadas no Sistema Público de Escrituração Digital SPED CONTÁBIL e solicitadas através do programa ReceitanetBX da Receita Federal do Brasil, conforme requisições feitas; documentos DANFE's Documentos Auxiliares da Nota Fiscal Eletrônica e Notas Fiscais de Produtores Rurais disponibilizados de forma deficiente pelo sujeito passivo. 2 Foi apurado também, o seguintes crédito previdenciário: a) Correspondente aos serviços mensais prestados por Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, contabilizados na conta 42101013 ALUGUEIS, mediante exibição de contrato dissimulado de arrendamento de instalações industriais frigoríficas, além dos pagamentos lançados na conta 42101017 COMISSÕES DE VENDAS em favor de Miguel Sanches. b) Sobre a remuneração ao sócio João Cortes, contabilizada na conta 42102009 PRO LABORE, no dia 30/11/2010, porém, omitida da folha de pagamento e não foi informado em SEFIP/GFIP correspondente. c ) Referente à diferença de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho proveniente da inserção do índice incorreto a menor do FAP Fator Acidentário de Prevenção (art. 202A do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99) nas GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e das Informações à Previdência Social do ano de 2011. 3 Além da constituição dos créditos previdenciários principais, acima relatados, foram lavrados Autos de Infração pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas na Fl. 5153DF CARF MF 4 legislação em vigor com a aplicação das penalidades administrativas correspondentes. 4 Feitas na forma devida, diversas intimações, buscando os esclarecimentos das inconsistências verificadas ao exame da documentação apresentada e diante das respostas não satisfatórias, do sujeito passivo, a fiscalização assim procedeu: 4. 1 Solicitou em 04/07/2014 a emissão de Mandados de Procedimento Fiscais MPF de Diligências, a serem realizadas junto aos produtores rurais fornecedores, para comprovar a ocultação desses fatos geradores mediante essa simulação dolosa, confirmar a fraude em documentos fiscais com inserção de informações falsas e certificarse de quem é a responsabilidade tributária sobre a contribuição, porquanto, a escrituração contábil é omissa. 4.1.1 Os documentos que instruem as consultas junto aos produtores rurais e as respostas por eles enviadas à RFB sobre os questionamentos da fiscalização em busca da verdade material, sobre a contratação e o pagamento dos serviços de fretes no transporte dos bovinos comercializados com o frigorífico adquirente, compõem o Anexo I DILIGÊNCIAS FISCAIS que farão parte do processo. 4.2 Em função da não apresentação dos documentos de pagamentos dos serviços de fretes tomados de transportadores pessoas físicas, a fiscalização solicitou em 03/08/2014 a emissão de novos Mandados de Procedimento Fiscais MPF de Diligências, a serem realizadas junto aos produtores rurais fornecedores, para comprovar a fraude para ocultação desses fatos geradores mediante simulação e certificandose de quem é a responsabilidade tributária sobre a contribuição. 4.3 Os documentos que instruem as consultas junto aos produtores rurais e as respostas por eles enviadas à RFB sobre os questionamentos da fiscalização em busca da verdade material, sobre a contratação e o pagamento dos serviços de fretes no transporte dos bovinos comercializados com o frigorífico adquirente, compõem o Anexo I DILIGÊNCIAS FISCAIS que farão parte do REFISC. 4.4 – Em 13/08/201, foi pedido, pelo fiscalizado, dilação de prazo para juntada de documento e concomitantemente, protocolou sob n° 01137190/000295/2014 na ARF de Pereira Barreto SP, pedido de reserva especial de número de COMPROT para adesão ao parcelamento fixado na Lei n° 12.996 de 18.06.2014 (REFIS da CRISE), dos débitos previdenciários com a RFB, vencidos até 31/12/2013, relativos às rubricas que entender incontentável, ao que lhe foi informado que sobre as regras fixadas na Lei do "Refis da crise". 4.5 Sob a alegação que atendeu a "sugestões" dos representantes de classe (sindicatos e associações) e sob o pretexto de que a cobrança da contribuição rural é indevida, o sujeito passivo, no exercício pleno da sua atividade industrial conforme Boletins de Abate examinados, a partir da competência 02/2010 passou a sonegar intencionalmente as informações sobre o montante mensal da produção rural adquirida de Fl. 5154DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.153 5 produtores pessoas físicas (fato gerador previdenciário), deixando de declarálo em GFIP, impedindo dessa forma, que o programa SEFIP calculasse a contribuição legalmente exigida do produtor rural, arrecadada mediante desconto sobre o valor da compra e que deve ser destacado na nota fiscal e recolhido aos cofres públicos, na condição de adquirente subrogado. 4.5.1 A fiscalização solicitou no Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF recebido em 25/03/2014 pelo sujeito passivo a apresentação de cópia de tutela judicial com suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas e em resposta dada no dia 05/05/2014 afirmou (item 9°) que "o frigorífico não possui liminar na justiça suspendendo o recolhimento da contribuição previdenciária". 4.6. As informações constantes nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social tem caráter de confissão de dívida, quando não recolhidas as contribuições previdenciárias, por isso, o não lançamento nas GFIP's dos valores correspondentes à comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, jamais pode ser asseverado como simples esquecimento ou de obediência às "sugestões de representantes de classe", mas sim a intenção firme de sonegar, haja visto que essa omissão dolosa ocorreu, seguidamente, por mais de 35 (trinta e cinco) meses, a partir da competência 02/2010 até 12/2012 (ultima competência do MPF). A sonegação persiste até 08/2014, última competência consultada no modulo GFIP/Web. 4.6.1 Como se vê, o fato gerador em questão foi declarado nas GFIP's anteriores a 01/2010, inclusive, como está demonstrado no quadro anterior, por isso, o sujeito passivo tinha pleno conhecimento que os produtos rurais (bovinos) foram adquiridos de produtores rurais pessoas físicas conforme mostram as notas fiscais apresentadas, escrituradas nos Livros de Registros de Entradas de Mercadorias e contabilizadas nos livros DIÁRIOS escriturados de forma digital nas ECD's armazenadas no SPED Contábil, portanto, é patente que a omissão de informação desses montantes mensais correspondentes à comercialização da produção rural adquirida de produtores pessoas físicas (fatos geradores), não pode ser atribuída a "simples esquecimento' ou "erro de preenchimento da GFIP", na verdade, revela "animus sonegandi". 4.7 A fiscalização observou no período entre 01/01/2010 a 19/11/2010 que o sujeito passivo, registrou nos documentos fiscais eletrônicos DANFE's a identificação do motorista autônomo contratado para o transporte dos animais adquiridos para abate, com clausula FOB (" free on board") para o frete por conta do destinatário FRIGOILHA e agiu de forma intencional (dolosa) para sonegar as contribuições previdenciárias exigidas sobre a remuneração a título de fretes e carretos aos motoristas autônomos (contribuintes individuais), Fl. 5155DF CARF MF 6 não os informando, deliberadamente, nas GFIP/SEFIP's (código 15), como também não contabilizando em contas próprias dos Livros Diários, esses custos/despesas de fretes e carretos, alegando por escrito que os pagamentos foram efetuados em dinheiro pela conta CAIXA, contudo, para todo período determinado no procedimento fiscal NENHUM documento (recibos de pagamentos de fretes) foi apresentado ao fisco para comprovação do alegado. 4.7.1 A atitude omissa demonstra que agiu com dolo, de forma consciente e direcionada à finalidade de retardar ou impedir o conhecimento da autoridade fazendária sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, como descrito no inciso I, do artigo 71, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. 4.8 A fiscalização observou que além da sonegação por omissão dolosa da remuneração mensal paga a motoristas autônomos contratados para os serviços de transporte dos animais adquiridos para abate (fatos geradores previdenciários) não os informando em GFIP/SEFIP's, a partir de 20/11/2010 passou a fraudar dolosamente as informações no campo "Dados do Transporte" dos documentos auxiliares das notas fiscais DANFE's emitidos para o registro das entradas de animais adquiridos para abate, inserindo o nome e endereço do próprio pecuarista/produtor rural como se fosse o transportador e a informação do veículo com placa inexistente, por exemplo, placa "DDD0000". 4.8.2 Diante da constatação fiscal dessa fraude explícita, inserindo dados irreais nas DANFE's emitidas com intuito de obscurecer a ocorrência de fato gerador previdenciário e iludir o fisco, da absoluta omissão contábil dos pagamentos aos motoristas autônomos contratados para execução dos serviços de transporte de animais, cuja média mensal de transporte/abate é de 3.200 (três mil e duzentas) cabeças e da cabal sonegação das informações em GFIP/SEFIP sobre a remuneração a eles paga, causandolhes prejuízos na obtenção de futuros benefícios previdenciários administrados pelo INSS, restou inconcusso tratarse de omissão dolosa de fatos geradores previdenciários, mediante fraude nas notas fiscais eletrônicas, por inserção voluntária de dados irreais. 4.8.3 Esse procedimento impostor doloso para ocultar a ocorrência de fato gerador previdenciário, mediante informações dissimuladas e inverídicas nos documentos fiscais de entradas, visando impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação previdenciária, adulterando informações essenciais, deliberadamente, para ocultar o conhecimento da autoridade fazendária e não efetuar o pagamento devido, constituise em ilicitude definida no artigo 72, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Fundamentos da Impugnação. Notificado do lançamento em 02/12/2014 – AR de fl. 4.220 – o sujeito passivo interpôs impugnação aos autos lavrados, optando por apresentála de forma segmentada em diversas pastas, que Fl. 5156DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.154 7 se constituem das fls. 4.225 a 4.954, que estão assim sintetizadas: 1 –Impugnação aos Autos de Infração nº 51.048.3410 e 51.048.3429 (fls. 4.778 a 4.874) – Inicialmente alega que em apertada síntese a fiscalização diz tratar de auto de infração que averigua infração a legislação previdenciária no que toca a contribuição ao FUNRURAL e o SENAR, exigindo valores, cujo total considera uma exigência indevida, que além de ser inexigível, gerou imerecidamente o Termo de Arrolamento de Bens, já que essa exigência é indevida, conforme o que a seguir argui: Entende que as contribuições lançadas não podem ser exigidas pelo Fisco em razão de padecer de inconstitucionalidade, de acordo com decisões emanadas dos Tribunais e do CARF; Alega que, como ato administrativo de competência vinculada, o lançamento deve trazer explícito os elementos essenciais que lhe dão estrutura, vale dizer, o motivo, o agente competente, o objeto , a forma, e finalidade, daí, não poder o auto de infração limitarse à notícia da infração. Ressalva que na hipótese em que houver elipse para sanear eventuais equívocos, a falta de revisão do lançamento elaborado pelo fisco, poderá causar prejuízos irreparáveis ao contribuinte, pois o relatório aqui em questão é a peça vestibular deste procedimento administrativo, e é nele que o douto agente fiscal descreve as irregularidades e as cominações cabíveis com os respectivos fundamentos legais, que a nosso ver merece ser reavaliado por essa Divisão Julgadora, em visto a decisão proferida pelo CARF e a luz da Lei faz jus a reforma, ou ainda de seu sobrestamento dessa cobrança pela instância de julgamento administrativo. Justifica que a não retenção nas Notas Fiscais, como fora explicado à fiscalização, tratase de obrigação acessória proveniente objeto de Lei inconstitucional, dai a faculdade de sua exibição em GFIP, visto que tratando de preceito inconstitucional não caberia sua retenção, pois o recorrente é mero ""sub Rogado", e sendo assim não pode ser responsabilizado por "falta de declaração ou declaração inexata e falta de pagamento" e confirmando o sentido da jurisprudência, cita os ditames do art. 128 do CTN. Cita por analogia, o Parecer Normativo n° 1, da RFB de 2002, que prescreve que estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto de renda em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase para o contribuinte beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento em nome deste; e a IN SRF n° 450, de 2004, que previu para a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) não recolhida por força de decisão judicial o lançamento de ofício em nome do contribuinte. Fl. 5157DF CARF MF 8 Insurgese assim para a exigência fiscal do FUNRURAL e do SENAR e a Multa qualificada de 150 %, visto que a MULTA constante nestes AUTOS DE INFRAÇÃO/ DEBCAD, pois padece de ilegalidade tal exigência, e o contribuinte de fato e de direito é o produtor rural que no presente caso não efetuou a retenção para tal contribuição, e para confirmar seu entendimento busca guarida na jurisprudência que transcreve. Alega o efeito confiscatório que no âmbito tributário ocorre justamente quando a aplicação de uma norma tributária excede o limite racional, econômico e moral da fonte de arrecadação, a ponto de colocar a sobrevivência do cidadãocontribuinte em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica moralmente. Adverte que na dosimetria da penalidade aplicada a douta fiscalização não fora ressalvada na sua apreciação, os casos análogos como o do presente caso, "Repercussão Geral na Aplicação Multa Confiscatória, , visto que os dizeres da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1/2014 regulamenta o disposto nos §§ 4o, 5o e 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/2002 os quais prevêem a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) às decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) e despacho do digníssimo ministro da Fazenda da União . Conclui que a multa ora exigida por tratar de contribuição inconstitucional, é ilegal e não passa pelo crivo legal da doutrina e jurisprudência em nome do princípio da Legalidade e do não confisco é injustificada. Dos Pedidos 1) Por todo o exposto Requer que seja reavaliado os teores jurídicos expostos e argumentado na presente defesa administrativa, pois somente desta maneira, essa Divisão de Julgamento estabelecerá a aplicação da legislação tributária federal, em respeito à mais pura justiça! 2 Requer que seja admitida a presente impugnação, sobrestando sua exigência em razão do FUNRURAL/SENAR estar com repercussão geral no STF conforme determina o despacho ministerial acostados nos autos; 3 Requer a Invalidação das multas aplicadas nas presentes DEBCADS n°s 51.048.3410 e 51.048.3429 (Processo Administrativo n° 15868.720164/201438 ). Protestase, ainda, pela produção de outras provas admitidas em Direito, que confirmem os fatos narrados nesta Defesa. – Impugnação ao Auto de Infração nº 51.048.3437 (fls. 4.698 a 4.777) Inicialmente alega que em apertada síntese a fiscalização diz tratar de auto de infração que averigua infração a legislação previdenciária referente: a)remuneração de honorários dissimulados a membros da família dos sócios, a titulo de aluguéis das instalações frigoríficas ; b) omissões de Fl. 5158DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.155 9 remuneração de vendas a trabalhador autônomo; c) honorário de pro labore do sócio administrador escriturado na contabilidade e omisso na folha de pagamento e GFIP ; d)exigibilidade da contribuição patronal sobre essas rubricas; e) exigibilidade da contribuição para o financiamento do RAT na alíquota de 3%. Lançados e apurados assim; 1)Remuneração de honorários dissimulados a membros da família dos sócios, a titulo de aluguéis das instalações frigoríficas período de 01/2010 a 12/2012 ; 2) Omissões de remuneração de vendas a trabalhador autônomo período de 07/2010 a 11/2010); 3) Remuneração aferida / pagamentos sem comprovação período de 06/2010 a 12/2010 ; 4) Aplicação de alíquota a menor do FAP/ recolhimento menor do RAT período de 01/2011 a 13/2011 ; Argui que ao desdobrar as exigências fiscais acima verificou que parte dessa cobrança é controvertida, pois sua exigência é discutível na ensejada base de calculo da contribuição previdenciária para pagamento de beneficiário sem identificação (remuneração sem comprovação de pagamentos) cotejada pela douta fiscalização, que fazer jus a reforma, carecendo de ratificação pela instância de julgamento administrativo. Alega que, como ato administrativo de competência vinculada, o lançamento deve trazer explícito os elementos essenciais que lhe dão estrutura, vale dizer, o motivo, o agente competente, o objeto , a forma, e finalidade, daí, não poder o auto de infração limitarse à notícia da infração. Fundamentado nas considerações antes feitas, sustenta que é imerecida e controvertida a cobrança aferida como REMUNERAÇÃO AFERIDA SEM DOCS, que se encontra narrado as fls. 71 a 74 do presente relatório, pois sobre o tema, o CARF assim se decidiu, em relação ao IRRF pagamento a beneficiário não identificado, concluindo ser imerecida e desmotivada a referida autuação fiscal, pois a mera prova de pagamentos de recursos financeiros não é prova suficiente para incidir a contribuição previdenciária. Ressalva que na hipótese em que houver elipse para sanear eventuais equívocos, a falta de revisão do lançamento elaborado pelo fisco, poderá causar prejuízos irreparáveis ao contribuinte, pois o relatório aqui em questão é a peça vestibular deste procedimento administrativo, e é nele que o douto agente fiscal descreve as irregularidades e as cominações cabíveis com os respectivos fundamentos legais, que a nosso ver merece ser reavaliado por essa Divisão Julgadora, em visto a decisão proferida pelo CARF e a luz da Lei faz jus a reforma, ou ainda de seu sobrestamento dessa cobrança pela instância de julgamento administrativo. Fl. 5159DF CARF MF 10 Cita a Súmula 93 do CARF determina que a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal admissível para comprovar a suspensão ou redução da estimativa, bem como a referida Sumula, definindo que a simples falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Aduz que do exposto, percebese, de forma clara, que o fato jurídico que origina a multa punitiva não é a inadimplência, mas sim o descumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória), ou seja, é a não declaração da dívida tributária em documento específico que valida à incidência da multa de 75%, daí a incongruência da exigência de demasiadas multa imposta ao Recorrente, visto que é necessário observar que, a norma de estruturação da multa punitiva não está voltada para o adimplemento da obrigação principal, mas sim para o cumprimento de obrigação acessória, cujo dever consiste em declarar o valor do débito em documento específico. Apresenta um gráfico que entende demonstrar a diferença arguida e que ficam bem claro que o legislador responsável pela edição da Lei n° 9.430 e o próprio fisco na hora de elaborar seu relatório, olvidou se que o Direito Tributário restou estruturado em torno de duas obrigações distintas, as obrigações de dar não comportam multa punitiva, pois o não recolhimento do tributo enseja apenas dívida de valor, aspecto este que independe de evento doloso ou culposo. Que eventual dolo ou a culpa ocorre somente estão presentes nas obrigações de fazer, porquanto de supressão ou redução de tributo ocorreria no campo das obrigações acessórias, que ora estamos regularizando e retificando , já que aderimos ao REFIS da Crise (doe. em anexo) , na época da sua consolidação por conseguinte regularizando as obrigações acessórias ora apontadas no presente relatório. Alega o efeito confiscatório que no âmbito tributário ocorre justamente quando a aplicação de uma norma tributária excede o limite racional, econômico e moral da fonte de arrecadação, a ponto de colocar a sobrevivência do cidadãocontribuinte em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica moralmente. Adverte que na dosimetria da penalidade aplicada a douta fiscalização não fora ressalvada na sua apreciação, os casos análogos como o do presente caso, "Repercussão Geral na Aplicação Multa Confiscatória, , visto que os dizeres da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1/2014 regulamenta o disposto nos §§ 4o, 5o e 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/2002 os quais prevêem a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) às decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) e despacho do digníssimo ministro da Fazenda da União . Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.156 11 Conclui, que em nome do princípio do não confisco cumulados com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade é que deve se reduzir esse excessos de multas constante no relatório destes presentes auto de infrações ou seja; Nº: 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.3470 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e Debcad n° 51.048.3437, caso se mantenha a presente cobrança, já que se trata de excessivas multas isoladas provenientes de um único procedimento fiscal em apreço (Processo Administrativo n° 15868.720164/201438). Ainda que, nestes prismas exaustivamente controvertidos é que concluímos a multa ora exigida por tratar de contribuição inconstitucional , é ilegal e não passa pelo crivo legal da doutrina e jurisprudência em nome do princípio da Legalidade e do não confisco e injustificada. Dos Pedidos 1) Por todo o exposto Requer que seja reavaliado os teores jurídicos expostos e argumentado na presente defesa administrativa, pois somente desta maneira, essa Divisão de Julgamento estabelecerá a aplicação da legislação tributária federal, em respeito à mais pura JUSTIÇA! 2) Que seja deduzido do presente levantamento a exigência da rubrica. 3 Requer que seja ADMITIDA a presente impugnação, sobrestando sua exigência em razão da multa isolada cumulada com de ofício, e ainda por tratar de matéria controvertida com repercussão geral no STF conforme determina o despacho ministerial acostados nos autos; 4 Requer a parcial Invalidação do acumulo das multas excessivas presentes nos N°: 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.3470 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e n° 51.048.3437; caso se mantenha a presente cobrança; em prestigio as sumulas do CARF 93 e 96. 5) Requer ainda, que caso consista parcialmente a cobrança e mantida, seja incluída na consolidação do REFIS da Crise aderido em agosto de 2.014, por tratarse de débitos originados dos exercícios de 2.010, 2.011 e 2.012. Protestase, ainda, pela produção de outras provas admitidas em Direito, que confirmem os fatos narrados nesta Defesa. – Impugnação ao Auto de Infração nº 51.048.3453 (fls. 4.620 a 4.697) Relatando os fatos identifica os Autos de Infração lavrados na ação fiscal, com os respectivos valores e argui que em termos percentuais beira o confisco, pois representa 260,75 % do valor devido imposto, enquanto a doutrina administrativa consente em no máximo de 75% em cálculo raso o valor admissível para essa possível punição não poderia ser superior a monta de Fl. 5161DF CARF MF 12 219.974,04, perfazendo o excesso no valor de R$ 353.593,11 a seu ver é ilegítima, inconstitucional, excessiva e improcedente. Na seqüência, tece vasta consideração sobre diferença de multa moratória e a tida como punitiva, e cita a Súmula 93 do CARF determina que a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal admissível para comprovar a suspensão ou redução da estimativa, bem como a referida Sumula, definindo que a simples falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Aduz que do exposto, percebese, de forma clara, que o fato jurídico que origina a multa punitiva não é a inadimplência, mas sim o descumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória), ou seja, é a não declaração da dívida tributária em documento específico que valida à incidência da multa de 75%, daí a incongruência da exigência de demasiadas multa imposta ao Recorrente, visto que é necessário observar que, a norma de estruturação da multa punitiva não está voltada para o adimplemento da obrigação principal, mas sim para o cumprimento de obrigação acessória, cujo dever consiste em declarar o valor do débito em documento específico. Apresenta um gráfico que entende demonstrar a diferença arguida e que ficam bem claro que o legislador responsável pela edição da Lei n° 9.430 e o próprio fisco na hora de elaborar seu relatório, olvidou se que o Direito Tributário restou estruturado em torno de duas obrigações distintas, as obrigações de dar não comportam multa punitiva, pois o não recolhimento do tributo enseja apenas dívida de valor, aspecto este que independe de evento doloso ou culposo. Que eventual dolo ou a culpa ocorre somente estão presentes nas obrigações de fazer, porquanto de supressão ou redução de tributo ocorreria no campo das obrigações acessórias, que ora estamos regularizando e retificando , já que aderimos ao REFIS da Crise (doe. em anexo) , na época da sua consolidação por conseguinte regularizando as obrigações acessórias ora apontadas no presente relatório. Alega o efeito confiscatório que no âmbito tributário ocorre justamente quando a aplicação de uma norma tributária excede o limite racional, econômico e moral da fonte de arrecadação, a ponto de colocar a sobrevivência do cidadãocontribuinte em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica moralmente. Adverte que na dosimetria da penalidade aplicada a douta fiscalização não fora ressalvada na sua apreciação, os casos análogos como o do presente caso, "Repercussão Geral na Aplicação Multa Confiscatória, , visto que os dizeres da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1/2014 regulamenta o disposto nos §§ 4o, 5o e 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/2002 os quais prevêem a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.157 13 às decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) e despacho do digníssimo ministro da Fazenda da União . Conclui, que em nome do princípio do não confisco cumulados com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade é que deve se reduzir esse excessos de multas constante no relatório destes presentes auto de infrações ou seja; Nº: 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.3470 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e Debcad n° 51.048.3437, caso se mantenha a presente cobrança, já que se trata de excessivas multas isoladas provenientes de um único procedimento fiscal em apreço (Processo Administrativo n° 15868.720164/201438). Ainda que, nestes prismas exaustivamente controvertidos é que concluímos a multa ora exigida por tratar de contribuição inconstitucional , é ilegal e não passa pelo crivo legal da doutrina e jurisprudência em nome do princípio da Legalidade e do não confisco e injustificada. Dos Pedidos 1) Por todo o exposto Requer que seja reavaliado os teores jurídicos expostos e argumentado na presente defesa administrativa, pois somente desta maneira, essa Divisão de Julgamento estabelecerá a aplicação da legislação tributária federal, em respeito à mais pura JUSTIÇA!! 2 Requer que seja ADMITIDA a presente impugnação, sobrestando sua exigência em razão de tratar de matéria controvertida com repercussão geral no STF conforme determina o despacho ministerial acostados nos autos; 3 Requer ainda a juntada de documentos caso ocorra fatos novos e supervenientes a matéria dessa impugnação 4 Requer a parcial Invalidação do acumulo das multas excessivas presentes nos Nº 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.347 0 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e n° 51.048.3437; caso se mantenha a presente cobrança; em prestigio as sumulas do CARF 93 e 96. 5) Requer ainda, que caso consista parcialmente a cobrança e mantida, seja incluída na consolidação do REFIS da Crise aderido em agosto de 2.014, por tratarse de débitos originados dos exercícios de 2.010, 2.011 e 2.012. Protestase, ainda, pela produção de outras provas admitidas em Direito, que confirmem os fatos narrados nesta Defesa. – Impugnação aos Autos de Infração nº 51.048.3445 (fls. 4.225 a 4.304), 51.048.3461 ( fls.4.462 a 4.539), 51.048.3470 (fls. 4.540 a 4.619), 51.048.3488 ( fls. 4.875 a 4.954), 51.048.3496 ( fls, 4.305 a 4.382) e 51.048.5574 ( fls. 4.383 a 4.461). Fl. 5163DF CARF MF 14 O impugnante em relação aos Autos de Infração elencados, repete idêntico teor das alegações apresentadas ao AI nº 51.048.3453, na impugnação antes já relatada. Este é o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 03 de fevereiro de 2016, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 01 de março de 2016, recursos voluntários distintos. Às folhas 5040, consta apelo, relativo aos Debcad's 51.048.3437 e 51.048.3453, no qual o contribuinte se insurge contra o lançamento da multa de ofício aplicada, argumentando somente a nulidade da imposição fiscal em razão da mesma se fundar em presunção, posto que adotado como base de cálculo o lucro distribuído e necessidade de desqualificação da multa em razão da ausência de dolo ou prática de fraude praticados pelo sujeito passivo. Já às folhas 5084, consta recurso voluntário interposto em face dos Debcad's 51.048.3445, 51.048.3461, 51.048.347, 51.048.3488, 51.048.3496 e 51.069.5574. Os argumentos constantes dessa peça processual são a falta de razoabilidade da multa aplicada, a desqualificação da multa por falta da prática das condutas ensejadoras da aplicação da penalidade exacerbada e o sobrestamento do processos que contém os Debcad's 51048.3437 e 51.048.3453, em razão do julgamento do tema pelo STF pela sistemática da repercussão geral. Também o pedido de sobrestamento embasa o terceiro recurso apresentado (fls. 5119), referente aos débitos constantes dos documentos 51.048.3410 e 51.048.3429, posto que como consta no apelo o STF se debruçará sobre a questão de maneira definitiva. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a analisálo na ordem de suas alegações, recordando que as peças foram elaboradas por documento de crédito, o denominado DEBCAD. Antes, porém, mister algumas considerações sobre o pedido de sobrestamento do julgamento constante do apelo. São argumentos da Recorrente que embasam o pedido de sobrestamento (fls. 5124): Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.158 15 "23Como dito, isso aconteceu inicialmente com a edição da Lein° 8.540/92, que alterou o art. 25 da Lei n° 8.212/91, para aumentar indevidamente o campo de incidência tributária da contribuição destinada ao custeio da seguridade social, tendo em vista que, a teor do texto constitucional, somente o segurado especial é que deveria ter como base de cálculo desta contribuição o resultado bruto da sua comercialização, jamais o empregador rural. 24Tal constatação emerge do fato de que o empregador rural pessoa física não pode ter como base de cálculo de contribuições previdenciárias o resultado da comercialização da sua produção, pois já contribui com percentual sobre a folha de pagamento. 25Esse foi o entendimento do STF ao apreciar o RE363.852/MG, pronunciando pela inconstitucionalidade do art. Io da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n°8.212/91, com redação dada até a Lei n° 9.528/97, desobrigando os produtores rurais do recolhimento da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, senão vejamos: (...)" Porém, em recente sessão, ocorrida em 30 de março de 2017, o Pleno do STF em julgamento do mérito do RE 718874, de relatoria do Ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida, tomou a decisão abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017. Assim, consoante o pedido do próprio Recorrente, forçosa a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, que em seu artigo 62, preceitua: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Fl. 5165DF CARF MF 16 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...)" Recordemos o fundamento legal do crédito em discussão. Voltemos ao relatório fiscal (fls. 82): "DA PRODUÇÃO ADQUIRIDA E DAS ALÍQUOTAS APLICADAS 6.6. Os fatos geradores correspondem à comercialização da produção rural relativa a animais para abate e lenha in natura adquiridos de produtores rurais – pessoas físicas no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, com espeque nas informações extraídas da ECD – Escrituração Contábil Digital dos LIVROS DIÁRIOS n° 02, 03 e 04, disponibilizadas no SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e requisitadas pela RFB no arquivo ReceitanetBX, através do auditor fiscal designado para auditoria. (...) 6.7. Com o advento da Lei nº 10.256, de 09/07/2001, o caput do artigo 25, foi alterado com a seguinte redação e estabelece “in verbis”: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/7/2001) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho." Assentados, com base na decisão do STF, quanto a constitucionalidade da Lei nº 8.212/91, especialmente no que tange às disposições sobre a contribuição do produtor rural Fl. 5166DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.159 17 pessoa física, na redação dada pela Lei nº 10.256/01, quanto mais ao se recordar o pedido do Recorrente para que se aplique no processo administrativo as decisões judiciais pertinentes, despiciendo maiores considerações sobre o tema. Passemos agora a análise dos outros argumentos constantes dos voluntários, recordando que os apelos foram apresentados em três peças processuais, relativas aos documentos de crédito nelas referidos. DEBCAD'S 51048.3437 E 51.048.3453 Os créditos relativos aos 51048.3437 e 51.048.3453 se referem às contribuições devidas pela empresa referente aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais a seu serviço e pelo descumprimento da obrigação acessória de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Sobre esse ponto, assim se pronunciou a autoridade lançadora (fls. 49): "1.3. Foi apurado crédito previdenciário correspondente aos serviços mensais prestados por Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, contabilizados na conta 42101013 – ALUGUEIS, mediante exibição de contrato dissimulado de arrendamento de instalações industriais frigoríficas, além dos pagamentos lançados na conta 42101017 –COMISSÕES DE VENDAS em favor de Miguel Sanches. 1.4. Foi apurado crédito previdenciário sobre a remuneração ao sócio João Cortes, contabilizada na conta 42102009 – PRO LABORE, no dia 30/11/2010, porém, omitida da folha de pagamento e não foi informado em SEFIP/GFIP correspondente. 1.5. Foi apurado crédito previdenciário referente à diferença de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho proveniente da inserção do índice incorreto a menor do FAP – Fator Acidentário de Prevenção (art. 202A do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99) nas GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e das Informações à Previdência Social do ano de 2011. 1.6. Além da constituição dos créditos previdenciários principais, acima relatados, foram lavrados Autos de Infração pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação em vigor com a aplicação das penalidades administrativas correspondentes (...) 3.5. A fiscalização constatou a omissão de informação em SEFIP/GFIP de fatos geradores previdenciários relativos aos pagamentos de comissões sobre vendas e sobre a remuneração de serviços prestados no transporte de animais adquiridos para abate, em função da disparidade entre: a quantidade mensal de bovinos adquiridos para abate (x) a declaração formal que os transportes de animais são realizados em quase sua totalidade Fl. 5167DF CARF MF 18 pelos veículos do próprio frigorífico (x) e a relação de bens e direitos do ativo permanente (veículos) apresentada, que aponta oito caminhões com carroceria baú, impróprios para transporte de animais vivos e apenas um caminhão boiadeiro (gaiola), além de inúmeros lançamentos registrados na ECD sem clareza no histórico contábil, motivando a determinação do Sr.Delegado da Receita Federal em Araçatuba para, além da comercialização da produção rural adquirida com subrogação, a inclusão no procedimento fiscal dos fatos geradores relacionados à remuneração de empregados e contribuintes individuais. (...) 3.8. Nos documentos fiscais DANFE’s emitidos no ano calendário 2010 com operações de saídas de produtos acabados (vendas de carnes), constaram no campo de identificação do transportador a informação com nome de vários motoristas (pessoas físicas) que não pertencem ao seu quadro de pessoal. A fiscalização consultou o banco de dados da RFB (cadastro CPF) e da Previdência Social (CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais), com informações e vínculos desses trabalhadores, depurando àqueles sem vinculação empregatícia. Portanto, também, é falsa a informação prestada de que todo transporte é feito pelo frigorífico e pela coligada Ilha Solteira Ind.e Com de Sebos. (...)" Sobre o tema, se insurge a Recorrente, asseverando que um lançamento tributário não pode se fundar em presunções, somente noticiando a infração. Encontramos às folhas 5044, as seguintes alegações recursais: "12. Considerando que a alteração do Regulamento da Previdência Social ocorreu ao arrepio da lei, posto que o artigo 22, III, da Lei 8.212/91, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei 9.876/99, definiu que a contribuição previdenciária incidirá à aliquota de 20% (vinte por cento) sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais. Deste modo, pelo teor da Lei, não caberia à incidência de INSS sobre lucros." Perquirindo a imputação fiscal, encontramos no relatório da Autoridade Lançadora a seguinte constituição do crédito tributário lançado (fls.: 79): 5. DA CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS 5.1. A fiscalização concluiu o procedimento de auditoria fiscal com base nos elementos até então disponibilizados, confirmando várias irregularidades, dentre as quais: a omissão proposital do valor da comercialização da produção rural adquirida de produtores –pessoas físicas (animais para abate e lenha in natura) em GFIP; falta de escrituração contábil de documentos fiscais de compras de animais para abate; ausência intencional do destaque da contribuição rural devida pelo produtor rural – pessoa física nos documentos fiscais; omissão de registros contábeis da contribuição rural exigida dos produtores rurais – pessoas físicas, na condição de subrogado (substituto tributário); lançamentos contábeis de pagamentos de serviços Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.160 19 prestados por pessoas físicas dissimulados como alugueis; omissão em GFIP/SEFIP de remuneração a contribuintes individuais (prestação de serviços por pessoas físicas e pro labore), inserção incorreta do índice multiplicador do Fator Acidentário de Prevenção FAP nas GFIP’s de 2011, pagamentos escriturados de forma sintética sem histórico, não comprovados com documentos hábeis, cujo crédito previdenciário por descumprimento da obrigação principal foi constituído mediante lavratura dos Autos de Infrações – AI a seguir descritos, que compõem este Processo n° 158658.720.164/201438, além das infrações por descumprimento de obrigações acessórias, disciplinadas na legislação vigente." Especificamente sobre o tema da remuneração dos sócios, assim se pronunciou a Autoridade Fiscal (fls. 112): III AUTO DE INFRAÇÃO – AI DEBCAD N° 51.048.3437 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – COTA PATRONAL 8. DO FATO GERADOR E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 8.1. Na execução deste procedimento a fiscalização extraiu a ECD Escrituração Contábil Digital dos Livros Diários armazenados no banco de dados do SPED Contábil para analisar a contabilidade do sujeito passivo, confrontando com as informações registradas em SEFIP/GFIP/WEB, CNIS, DIRF e DIRPF, transmitidas à RFB e Dataprev e escassos documentos exibidos pelo sujeito passivo. No exame da contabilidade constatouse em alguns meses a remuneração de honorários a membros familiares dissimulados em pagamentos de alugueis das instalações frigoríficas; a omissão da remuneração de comissões de vendas a trabalhador autônomo em folha de pagamento e GFIP e de honorário pro labore do sócio administrador escriturado na contabilidade e omisso em folha de pagamento e GFIP correspondentes e a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias proveniente desses fatos geradores, a seguir descritos: REMUNERAÇÃO DE HONORÁRIOS DISSIMULADA EM ALUGUÉIS 8.2. A fiscalização examinou as informações armazenadas nos bancos de dados dos Sistemas da RFB enviadas pelo sujeito passivo através da DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte onde registra, para o período determinado no procedimento fiscal, a retenção do imposto de renda sobre pagamentos de rendimentos com código da receita 3208– Alugueis e Royalties pagos a pessoas físicas, a saber: (...) 8.3.7. Além disso, a fiscalização “ad cautelam” examinou as informações registradas nas Declarações de Bens e Direitos das Fl. 5169DF CARF MF 20 Declarações de Ajuste Anual da Pessoa Física –DIRPF AC 2010/2011/2012 transmitidas pelos “ARRENDADORES” à RFB e em nenhuma delas constou serem legítimos proprietários de ativos ligados à industria frigorífica, portanto, em nenhum momento ficou provado que sejam proprietários das instalações (bens moveis) e do imóvel objetos do contrato de arrendamento. Evidentemente, não se pode arrendar aquilo que não é dono ou não tem posse legal. Sem prova documental, não passam de devaneios esses "efetivos investimentos do imobilizado”. 8.3.8. Portanto, o contrato de arrendamento das instalações industriais é uma impostura para sonegar dolosamente, as contribuições previdenciárias exigidas sobre a remuneração mensal de honorários pagos a Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, dissimulados como rendimentos de alugueis através de contrato suspeitoso e fantasioso, pois em nenhum momento restou comprovado que os “arrendadores” sejam proprietários dos bens objetos do contrato exibido ao fisco. Ademais, qualquer alegação que o imposto de renda foi recolhido na fonte é improfícua porque o valor do tributo recolhido pela pessoa jurídica (frigorífico) reverterseá como imposto a compensar na declaração da pessoa física dos “supostos” arrendadores. 8.3.9. No confronto entre os valores mensais informados nas DIRF’s com código da receita 3208 e os lançamentos contábeis correspondentes, ora divergentes e ora omissos na conta 4.2.10.1013 ALUGUEIS da ECD armazenada no SPED Contábil do período deste procedimento e ante o arbítrio do sujeito passivo em não exibir ao fisco, os documentos recibos pagamentos de rendimentos mensais desses “alugueis” sob alegação que foram pagos pela “conta caixa”, a fiscalização considerou os valores mensais informados em DIRF’s como remuneração de honorários, dissimulados em alugueis, mediante inconsistente contrato de arrendamento. Os valores considerados como fatos geradores previdenciários estão listados na Planilha 6 RELAÇÃO DOS HONORÁRIOS DISSIMULADOS COMO PAGAMENTO DE ARRENDAMENTO, que faz parte do REFISC." (os destaques do penúltimo parágrafo não constam do relatório) A leitura do trecho destacado é claríssima em apontar a base de cálculo do lançamento tributário: remuneração dos dirigentes da Recorrente. Não se tributou o lucro, como quer fazer crer o recurso. Não há uma única prova que corrobore o negócio jurídico desconsiderado pelo Fisco. Ao reverso, o que se observa é que a imputação fiscal está corroborada por provas da impossibilidade jurídica do negócio entabulado pela Recorrente. Recurso voluntário negado nessa parte. DA VULTOSA MULTA APLICADA Se insurge a recorrente sobre a multa aplicada. Discorre sobre a finalidade das sanções tributárias, a abusividade da multa imposta no caso concreto e Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.161 21 desproporcionalidade entre a sanção e o valor do tributo, o que viola o princípio da razoabilidade e também o do não confisco. Por fim pugna pela desqualificação da multa aplicada, em face da não ocorrência da 'descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado" (fls. 5047/5050). Algumas considerações sobre o tema são necessárias, até pela argumentação da Recorrente. Vejamos. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ªed., Saraiva, pág. 790), ensina que sonegação, nos dizeres da Lei 4.502, pressupõe: "falsidade: nesses casos, o que se pune não é o não pagamento, mas a declaração falsa, a omissão de informação ou declaração, (...) No tocante à fraude, a lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: Fl. 5171DF CARF MF 22 "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. O Fisco descreve e comprova situações diversas no sentido das ações reprovadas com sanção majorada pela legislação tributária. Recordemos o conteúdo do relatório fiscal (fls 116): 8.4. O contrato de arrendamento das instalações industriais é uma impostura para sonegar as contribuições previdenciárias exigidas sobre a remuneração mensal paga a Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, dissimulados como rendimentos de alugueis através do documento contratual, pois em nenhum momento restou comprovado que os “arrendadores” sejam proprietários dos bens objetos desse documento exibido ao fisco, que alem de contradizer a certidão de matrícula do imóvel, foi elaborado dolosamente com fins de impedir e ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação previdenciária principal, para não recolhela na forma fixada na legislação, caracterizando situação tipificada no artigo 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 8.4.1. Ademais, a omissão de fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP constitui sonegação fiscal previdenciária. 8.4.2. Ante ao exposto, na constituição do crédito previdenciário, foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista na Lei n° 9.430 de 27/12/1996, artigo 44, inciso I, § 1°, na redação dada pela Lei n° 11.488 de 15/06/2007, observada a Lei n° 8.212 de 24/07/1991, artigo 35 A, na redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, por caracterizar omissão de fatos geradores previdenciários em documento GFIP, mediante apresentação de contrato de arrendamento dissimulado, confeccionado para ocultar o pagamento de remuneração que constitui fato gerador da obrigação principal. Sem número de situações foram comprovadas pelo Fisco quanto às condutas, as mais diversas, desde a utilização indevida de pessoas jurídicas como transportadora de animais para abate, até a simples omissão de bens e valores de suas declarações e de sua contabilidade, contribuíram para o convencimento deste julgador da ocorrência das condições legais ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Fl. 5172DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.162 23 Porém, mister ressaltar que, ausente a comprovação da conduta dolosa, soube a autoridade lançadora, aplicar a multa de ofício sem a qualificação. Vejamos as folhas 117 do relatório fiscal: "REMUNERAÇÃO A SÓCIO ADMINISTRADOR 8.6. Na verificação dos pagamentos lançados nas contas 2.1.10.3002 – PRO LABORE A PAGAR e 4.2.10.2009 – PRO LABORE da escrituração contábil digital do LIVRO DIÁRIO N° 02 enviada ao SPED Contábil, constouse no dia 30/11/2010 o lançamento no valor de R$1.200,00, sem a identificação do beneficiário no histórico contábil. Os períodos subseqüentes não registram estorno do lançamento contábil dessa remuneração. 8.6.1. Diante do menoscabo do sujeito passivo, NÃO apresentando os recibos comprovantes de pagamentos de pró labore do período determinado neste procedimento, solicitados no item 5.6 do TIF N° 2014/10, a fiscalização examinou a DIRF 2011/AC 2010 e GFIP do mês 11/2010, onde se verificou a total omissão dessa remuneração pro labore. A folha de pagamento do mês 11/2010 também é omissa e deixa de incluir a remuneração pro labore que foi atribuída pela fiscalização a JOÃO CORTES, sócio administrador em exercício, para exigir a contribuição previdenciária. MULTA 8.7. Nestes casos, por tratarse de contribuição previdenciária cujo fato gerador encontrase contabilizado em conta própria, sem prejuízo da aplicação das demais infrações acessórias, foi aplicada a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430 de 27/12/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007, observado o disposto no artigo 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, com redação da Lei n° 11.941/09" Por todo o exposto, não assiste razão ao autuado. A penalidade imposta pela Autoridade Fiscal se encontra perfeitamente ajustada ao comando legal. Recurso voluntário negado também nessa parte. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial acima identificado. DEBCAD'S 51.048.3445, 51.048.3461, 51048.347, 51048.3488, 51.048.3496 E 51.0695574 Prosseguindo na análise dos três recursos voluntários tempestivamente interposto, vejamos agora as razões constantes do apelo referente aos documentos acima mencionados (fls. 5084). Consta o apelo, 'in comento', as mesmas argumentações sobre as sanções aplicadas e acima analisadas. Observo que das folhas 5086 até 5090 as mesmas questões sobre finalidade das sanções tributárias, a abusividade da multa imposta no caso concreto e Fl. 5173DF CARF MF 24 desproporcionalidade entre a sanção e o valor do tributo, o que viola o princípio da razoabilidade e também o do não confisco. Por fim pugna pela desqualificação da multa aplicada, em face da não ocorrência da 'descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado" Considerando que todas as questões acima foram devidamente analisadas, e as razões da argumentação são 'mutatis mutantis' as mesmas, deixo de apreciálas, quanto mais ao se considerar as disposições do artigo 489, § 1º, inciso IV, do novo CPC. Aponto, ainda, que os pedidos constantes do apelo acima identificado, contém, além do pleito da relevação das multas, e subsidiariamente a desqualificação da multa de ofício, o pedido de sobrestamento das questões atinentes aos Debcad's 51.048.3437 e 51.048.3453 em face da repercussão geral do tema reconhecida no STF. Recordo que tal ponto foi acima analisado. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial acima identificado. DEBCAD'S 51.048.3410 E 51.048.3429. Especificamente quanto aos débitos acima identificados, relativos à contribuição previdenciária devida, por subrogação, pelo adquirente da produção de produtor rural pessoa física e contribuição ao SENAR, foi anexado recurso voluntário às folhas 5.119. Em preliminar, questiona que o julgador de piso não considerou a impossibilidade de julgamento do presente feito em razão da repercussão geral pendente de decisão pela Corte Suprema. Entendo que tais argumentos se encontram superados por tudo o acima exposto. Passando as alegações de mérito, a Recorrente explicita toda a judicialização da questão afeta à contribuição previdenciária devida pelo produtor rural pessoa física com base na comercialização de sua produção rural e também da subrogação prevista na Lei de Custeio da Previdência Social, inclusive com a reprodução de decisões do Supremo Tribunal Federal e do próprio CARF sobre o mérito da questão e também sobre o sobrestamento dos processos administrativos em casos similares. Por fim, pede afastamento da exação, inclusive quanto às obrigações acessórias decorrentes, em razão da repercussão geral noticiada. Como dito no intróito do presente voto, tal questão se encontra superada posto que o STF ao decidir a questão, reconheceu a constitucionalidade formal e material das disposições da Lei de Custeio da Previdência Social que embasam a exação que aqui se aprecia. Por todo o exposto, nego provimento ao voluntário. Fl. 5174DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.163 25 CONCLUSÃO Diante dos fatos e fundamentos apresentados, voto por negar provimento aos recursos voluntários interpostos, mantendo o lançamento tributário em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 5175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900304/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T18:23:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T18:23:54Z; Last-Modified: 2017-08-11T18:23:54Z; dcterms:modified: 2017-08-11T18:23:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T18:23:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T18:23:54Z; meta:save-date: 2017-08-11T18:23:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T18:23:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T18:23:54Z; created: 2017-08-11T18:23:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T18:23:54Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T18:23:54Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900304/201382 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.728 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 04 /2 01 3- 82 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.762, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.721012/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
OMISSÃO. INTEGRAÇÃO.
Deve ser corrigido o acórdão que apresente omissões em relação às matérias recorridas. Constatando-se a existência de matéria autônoma não estabelecida no acórdão, ainda que tratada do voto condutor, devem os autos retornar a julgamento em colegiado para que seja proferida decisão expressa.
MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DOLO. SÚMULA
"A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 14) e "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25).
Numero da decisão: 2202-004.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.828, de 09/05/2017: a) retificar o dispositivo do voto condutor para "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do ano-calendário 2004 e R$ 95.918,59 do ano-calendário 2005"; b) integrar a decisão embargada, para também desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a para o percentual de 75%; vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que acolheu os embargos com efeitos infringentes em menor extensão. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: OMISSÃO. INTEGRAÇÃO. Deve ser corrigido o acórdão que apresente omissões em relação às matérias recorridas. Constatando-se a existência de matéria autônoma não estabelecida no acórdão, ainda que tratada do voto condutor, devem os autos retornar a julgamento em colegiado para que seja proferida decisão expressa. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DOLO. SÚMULA "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 14) e "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25).
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OMISSÃO Embargante CONSELHEIRO DO COLEGIADO Interessado CLESIO CHAVES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: OMISSÃO. INTEGRAÇÃO. Deve ser corrigido o acórdão que apresente omissões em relação às matérias recorridas. Constatandose a existência de matéria autônoma não estabelecida no acórdão, ainda que tratada do voto condutor, devem os autos retornar a julgamento em colegiado para que seja proferida decisão expressa. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DOLO. SÚMULA "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 14) e "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.828, de 09/05/2017: a) retificar o dispositivo do voto condutor para "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do anocalendário 2004 e R$ 95.918,59 do anocalendário 2005"; b) integrar a decisão embargada, para também desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%; vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que acolheu os embargos com efeitos infringentes em menor extensão. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 10 12 /2 00 9- 55 Fl. 2315DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente para constituir IRPF, identificando como infração a omissão de rendimentos. Tendo o Contribuinte impugnado, a DRJ manteve parcialmente o crédito constituído. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário que levou o CARF a converter o julgamento em diligência e, após o retorno dos autor, a dar provimento parcial ao Recurso. Retornam os autos ao colegiado em função da apresentação de Embargos de Declaração. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Foi lavrado auto de infração (fls. fls. 4/14 e docs. fls. 15/32) e Relatório Fiscal (fls. 33/39) em desfavor do Contribuinte, ora recorrente, para constituir crédito referente a IRPF. O Contribuinte Impugnou (fls. 931/955 e docs. anexos fls. 1.021/2.234), levando a DRJ a proferir o acórdão nº 0928.702, de 19/03/2010 (fls. 960/987), que deu provimento parcial à defesa. Insatisfeito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 992/1.015 e doc. fls. 1.016/1.018), argumentando, em síntese: Preliminares: · Que a autoridade fiscalizadora extrapolou sua competência ao emitir RMF requisitando a identificação dos depositantes, e não apenas os extratos bancários; · Que a fiscalização foi feita de forma parcial, deixando de ser juntado aos autos diversos documentos importantes, tais como os ARs negativos, e que não foi garantido ao Contribuinte o efetivo direito de defesa; Mérito: · Que a tributação deveria ter sido realizada como pessoa jurídica, uma vez que o recorrente está cadastrado como microempresa, no CNPJ nº 71.349.013/000119; que mantém empregados registrados; que recolhe tributos municipais e estaduais; que exerce atividade de Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10630.721012/200955 Acórdão n.º 2202004.007 S2C2T2 Fl. 2.316 3 corretor de imóveis, administrador de imóveis e de compra e venda de gado, e ainda agenciava viagens de turismo; · Que, devendo ser equiparado a pessoa jurídica, e à falta de escrituração contábil, deve ser arbitrado o seu lucro para fins de IRPJ, não sendo possível tributar todos os valores depositados como rendimentos da pessoa física; · Ainda que não seja equiparado à pessoa jurídica, que não pode ser feito o lançamento sobre a integralidade dos recursos depositados, sendo necessário identificar o montante do numerário que se converteu em patrimônio ou que tenha sido consumido, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.021/1990; · Que o Contribuinte juntou à impugnação documentos comprobatórios de diversos depósitos, mas que foram considerados insuficientes pela DRJ. Insiste, entretanto, na idoneidade deles para comprovar a origem dos recursos, reclamando que seja efetivamente analisada a documentação acostada aos autos; · Que, subsidiariamente, deve ser reduzida a multa qualificada, uma vez que o Contribuinte não agiu com dolo; no máximo, que agiu desorganizadamente em sua atividade comercial." fls. 2.237/2.240 Em primeira análise, o CARF proferiu a Resolução nº 2202000.705, de 13/07/2016 (fls. 2.236/2.251), determinando a conversão do julgamento em diligência. Retornando os autos com manifestação da autoridade fiscal (fls. 2.253/2.265) e do Contribuinte (Fls. 2.274/2.289), este e.CARF proferiu o acórdão nº 2202003.828, de 09/05/2017 (fls. 2.296/2.304), que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário e restou assim ementado: NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é eminentemente inquisitorial, de sorte que não é obrigatório salvo nos casos específicos reservados em Lei reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. O direito de defesa se inaugura, propriamente dito, quando do início do processo administrativo, i.e., com a intimação do lançamento e a abertura do prazo para a Impugnação. IMPOSTO SOBRE A RENDA. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. REQUISITOS E VEDAÇÕES LEGAIS. Para fins tributários, independente de registro ou não, é possível equiparar a empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. Necessário, para tanto, a demonstração da atuação habitual e profissional, além de inexistência de vedação à atividade. Fl. 2317DF CARF MF 4 DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. Inaplicável, nesses casos, o art. 6º da Lei nº 8.021/1990. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do anocalendário 2004 e R$ 95.918,59 do ano calendário 2005. Em 07/06/2017 foram apresentados Embargos de Declaração (fl. 2.313/2.314), opostos por Conselheiro, em função da identificação de omissão no acórdão CARF nº 2202003.828, de 09/05/2017, uma vez que, "Examinandose o teor do acórdão, concluise que, de fato, ocorreu efetivamente uma omissão, pois, embora o Relator tenha se manifestado sobre a qualificação da multa, essa matéria não foi analisada pela Turma Julgadora, conforme se observa pela conclusão do voto do Relator e pelo dispositivo do acórdão. Também se verifica um erro no dispositivo do voto condutor, pois não foi especificado o valor a ser excluído no ano calendário 2004." fl. 2.314 Consta nos autos Despacho de Admissibilidade em Embargos (fls. 2.313/2.314), acolhendo os embargos e determinando a inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os Embargos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Analisando o acórdão Embargado, percebese que existem, efetivamente, as duas omissões indicadas pelo Embargante: (1) no dispositivo do voto condutor, não consta o valor a ser excluído no anocalendário 2004; e (2) a despeito de ser objeto de análise no voto condutor, não consta do dispositivo do acórdão a conclusão da turma acerca do pedido de afastar a qualificação da multa. Valor a ser excluído no anocalendário 2004: O dispositivo do voto condutor restou assim redigido: "Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo o montante de R$ a 2004 e R$ 91.834,45 referente a 2005." fl. 2.311; Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10630.721012/200955 Acórdão n.º 2202004.007 S2C2T2 Fl. 2.317 5 Observase que houve manifesto lapso de digitação. Os valores a ser excluídos constam na conclusão do tópico específico: "Entendo, portanto: · 2004 transferência de R$ R$ 94.302,16 para os locadores, e outros R$ 7.326,83 despendidos na administração dos imóveis, totalizando o valor de R$ 101.628,99 como recursos comprovados, que devem ser excluídos da base de cálculo; · 2005 transferência de R$ 91.834,45 para os locadores, e outros R$ 4.084,14 despendidos na administração dos imóveis, totalizando o valor de R$ 95.918,59 como recursos comprovados, que devem ser excluídos da base de cálculo." fl.2.310; Portanto, se trata de lapso manifesto na escrita, acolho os Embargos para integrar o dispositivo do voto condutor. O que é mais, devido até ao erro na digitação, registro que o dispositivo do voto condutor em relação a 2005 deve constar R$ 95.918,59 e não R$ 91.834,45, originalmente digitado. Da multa qualificada: Analisando o acórdão alcançado, assim como o dispositivo do voto condutor, percebese que não consta a conclusão alcançada em relação ao pedido de afastar a qualificação da multa de ofício. Conduto, percebese que, igualmente, tratase de manifesto lapso, vez que o voto condutor tratou expressamente da matéria. Impende, portanto, trazer novamente a matéria a julgamento, para que a turma julgadora se manifeste expressamente sobre a matéria. Transcrevo os termos do voto condutor do acórdão embargado, argumentos aos quais concordo: Argumenta o Recorrente, subsidiariamente, pela redução da multa qualificada, uma vez que não há comprovação de dolo mas, no máximo, de desorganização. Remontando ao TVF, percebese que, após transcrever o art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, e os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a autoridade lançadora esclareceu que: "No caso da fiscalização em curso, nos anoscalendário de 2004 e 2005, o sujeito passivo apresentou declarações de imposto de renda com rendimentos declarados incompatíveis com sua movimentação bancária. Intimado a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em suas contascorrentes, para justificais tais depósitos, citou diversas transações comerciais que ele teria realizado sem, no entanto, apresentar documentos hábeis e idôneos comprobatórios dessas transações. Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência em seus controles fiscais. Tratase de elevados valores depositados Fl. 2319DF CARF MF 6 em suas contascorrentes, de origem não comprovada, cujo montante superou a cifra de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Portanto, está claro que o fiscalizado, ao tentar omitir recursos de tal monta à Administração Tributária Federal, tinha consciência de que a conduta levaria ao resultado ilícito." fl. 39. Em outras palavras, o lançamento foi qualificado única e exclusivamente em função do seu valor, do montante identificado e presumido como renda omitida. A verdade é que a Lei criou a presunção de omissão de rendimentos quando da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada exatamente para facilitar o processo de fiscalização, invertendo o ônus probatório em desfavor do Contribuinte. Constatada a hipótese de presunção, configurase plausível o lançamento. Para aceitar a qualificação da multa, imputando verdadeiro crime ao sujeito passivo, necessário se faz um novo passo: a demonstração do dolo. Não basta a mera constatação da ocorrência de omissão do rendimento, ainda que por longo período ou, como no caso, de grande valor; é necessário que reste demonstrado, estreme de dúvidas, a conduta dolosa do Contribuinte. Nesse caminho já se consolidou a jurisprudência deste e.CARF, como se observa dos seguintes enunciados: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. In casu, uma vez que a qualificação da multa foi genérica, sem demonstrar especificamente a intenção dolosa por parte do Contribuinte, o que se comprova, inclusive, pela mera transcrição dos três artigos (71, 72 e 73) da Lei nº 4.502/1964, é necessário concordar com o Contribuinte e afastar a qualificação da multa de ofício. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios identificados, atribuirlhe efeitos infringentes para que o acórdão passe a constar da seguinte forma: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do anocalendário 2004 e R$ 95.918,59 do ano Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10630.721012/200955 Acórdão n.º 2202004.007 S2C2T2 Fl. 2.318 7 calendário 2005, bem como para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Declaração de Voto Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à desqualificação da multa. Antes de considerações outras, vejamos, primeiramente, o que dispõe a legislação de regência quanto à qualificação da multa em comento: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária p arincipal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2321DF CARF MF 8 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da exegese dos dispositivos acima, temse que no caso de conduta dolosa, voltada à prática de sonegação, fraude ou conluio, a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, será aplicada em dobro, ou seja, qualificada. Como se vê, o dolo é o fator determinante na qualificação da multa. Sendo assim, vejamos o que dispõe o Código Penal sobre o dolo: Art. 18 Dizse o crime: Crime doloso I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; Conforme se extrai dessa definição, a conduta dolosa é aquela praticada com intenção, com vontade de obter o resultado. Pois bem, no caso em análise, segundo consignado na tabela de fls. 37 e 38, não restou comprovada a origem de créditos/depósitos bancários na monta de R$ 3.486.196,98, no anocalendário de 2004, e R$ 2.231.529,27, no anocalendário de 2005, totalizando R$ 5.717.726,25 nesses dois anos. Por sua vez, comparando esses valores àqueles informados nas respectivas Declarações de Ajuste Anual (DAAs), termos uma visão muito clara da expressiva discrepância de valores: Rendimentos declarados em DAA Ano‐calendário Depósitos Bancários Atividade Rural Pró‐labore 2004 3.486.196,98 121.707,50 3.040,00 2005 2.231.529,27 81.293,07 3.440,00 Ora, em minha ótica, não é possível admitirmos que tal discrepância de valores seja produto de mero erro ou equívoco nas declarações, mas sim da vontade do contribuinte em reduzir, indevidamente, o montante de imposto a ser recolhido. Não vejo como chegarmos a outra conclusão. Sendo assim, entendo, também, que as Súmulas CARF nº 14 e 25 não sejam aplicáveis ao caso, pois, como visto, não se trata de mera omissão de rendimentos, mas sim de conduta praticada, em dois anos seguidos, com clara intenção omitir rendimentos. Conclusão Isso posto, voto no sentido de manter a multa qualificada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 2322DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.901852/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI- Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL contra Acórdão nº 1535.358, de 25 de abril de 2014, proferido pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 01 85 2/ 20 12 -6 0 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 377 2 4ª Turma da DRJ/SDR, que julgou, por unanimidade de votos, improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório Eletrônico proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul/RS que, com base no Parecer DRF/SCS/SAFIS nº 51/2012, anexado às folhas 192/210 e link no sítio da Receita Federal na internet (https://www32.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATRCE/SCC/detalhamentoCr edito.asp?nr=024926010), deferiu o crédito no valor de R$ 1.031.769,17 e homologou parcialmente a compensação declarada pela contribuinte no PER/DCOMP nº 01367.78809.260711.1.7.080704. O direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito do “PIS/PASEP não cumulativo – exportação” relativo ao 1º trimestre de 2011, no valor total de R$ 3.064.522,53, objeto do PER nº 35340.76860.300112.1.5.083093. Cientificada do despacho decisório em 16/07/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR à folha 229, em 15/08/2012 a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. Preliminarmente, o despacho decisório é nulo por ausência de fundamentação, pois não foram descritos com precisão os fatos entendidos como irregulares, não permitindo a ampla defesa e o contraditório à manifestante; 2. Ao glosar o cálculo sobre crédito presumido de agroindústria, a autoridade fiscal sustenta, em síntese, que a manifestante calculou equivocadamente créditos presumidos das contribuições ao PIS/COFINS, tendo utilizado o percentual de 60% para todos os insumos adquiridos, enquanto que, supostamente, deveria ter utilizado as alíquotas de 60% e 30%, dependendo da natureza do insumo adquirido; 3. Para tanto, o fiscal apresentou uma listagem contendo o código da mercadoria, o código NCM, CFOP e descrição das notas fiscais por ele utilizadas para chegar aos percentuais que entende como devidos, sem qualquer fundamentação legal que embasasse a redução do percentual utilizado pela manifestante, fato este que a impede de compreender como a fiscalização chegou a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 378 3 tal resultado (base de cálculo menor), o que implica na violação do direito ao devido processo legal; 4. Ao não especificar os motivos pelos quais entende que deve ser aplicada a alíquota de 30% (trinta por cento), o despacho combatido acabou maculado de nulidade, por não oportunizar à manifestante que se defenda da suposta irregularidade, com a amplitude e o contraditório garantidos pela Constituição da República; 5. Ainda, o relatório fiscal foi omisso ao não descrever a fundamentação da glosa, referente aos insumos, novamente baseandose apenas em arquivos magnéticos, inexistindo no presente caso qualquer análise física das notas fiscais e verificação de como são realizados os serviços glosados; 6. A afirmação de que os serviços glosados não são insumos baseouse em mera presunção da fiscalização, ao classificar os serviços constantes nos arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, sem fundamentar a razão pela qual entende que os serviços glosados não se tratam de insumos; 7. Assim, faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da manifestante e a possibilidade de defesa, o que fere frontalmente o Princípio Administrativo da Motivação estabelecido no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, o qual se refere à obrigatoriedade dos atos administrativos serem devidamente fundamentados, tanto em relação aos aspectos legais, quanto aos fatos a que se destinam, conforme doutrina transcrita; 8. A manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar, no item relativo às despesas de armazenagem, quais são os valores que supostamente não possuem os respectivos documentos comprobatórios, e qual a irregularidade do cálculo do rateio dos créditos, tendo a autoridade fazendária descumprido os dispositivos do Procedimento Tributário Administrativo, que no art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos, que devem obrigatoriamente ser motivados; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 379 4 9. No que tange à glosa de créditos sobre fretes de exportação (extemporâneos/preclusos), a legislação própria do PIS e da COFINS é cristalina no sentido da possibilidade do expediente utilizado pela autuada, de adjudicarse de créditos extemporâneos, no presente caso tão somente dos créditos originários dos 5 (cinco) anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; 10. Ademais, é cediço que na forma que está posta a não cumulatividade do PIS e da COFINS, os créditos mensais são proporcionalizados na Dacon de acordo com as características das receitas auferidas pelo contribuinte no mês do crédito (receita tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação), e no caso do crédito extemporâneo tal situação pode ser perfeitamente conciliada calculandose a proporcionalidade dos créditos tal como se fossem efetuados nos meses em que nasceu o direito de creditamento (ou mês de origem do crédito efetuado extemporanemente), materializando uma ficção que remonta perfeitamente a proporcionalidade do crédito; 11. A ausência de elementos para aferição dos citados créditos passíveis de ressarcimento não pode ser alegada pela fiscalização, eis que ela dispõe de todos os Dacon da manifestante, bem como poderia solicitar tais informações caso fossem necessárias; 12. O crédito sobre fretes marítimos na exportação foi glosado, primeiro, por supostamente terem sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior e, segundo, ainda que fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); 13. Porém, quanto à primeira alegação do Fisco, cumpre referir que todos os pagamentos de frete marítimo do período foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inscritas regulamente no CNPJ e contribuintes de PIS/COFINS, nos termos do art. 3°, § 3°, incisos I e II, da Lei n° 10.833, de 2003, e Lei n° 10.637, de 2002, conforme Conhecimentos de Embarque juntados por amostragem à Manifestação de Inconformidade (DOC. 05); Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 380 5 14. Portanto, sendo as despesas dos fretes internacionais suportados pela manifestante, cujos encargos foram pagos à pessoa jurídica domiciliada no Brasil, é medida de rigor que seja reconhecido o creditamento de tais despesas, em observação ao princípio da não cumulatividade consagrado, em relação ao PIS e à COFINS, no art. 195, § 12 da CRFB; 15. Também não merece prosperar o segundo argumento da fiscalização, de que os serviços de frete internacional não dariam direito a crédito por supostamente se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação), pois a base legal para o crédito da COFINS sobre fretes nas operações de venda está contida no inciso IX do artigo 3° da Lei 10.833, de 2003, aplicável ao PIS por força do art. 15 da mesma lei, observadas as exigências de que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no país, conforme previsão do inciso II do §3° do seu art. 3°; 16. A vedação ao direito ao crédito prevista no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, não é aplicável ao caso em tela justamente porque o serviço de frete internacional não é insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, como alegou a fiscalização, e sim uma despesa ocorrida na venda de mercadorias; 17. A Lei atribuiu especial tratamento ao caso de isenção, vedando a possibilidade de crédito sobre bens e serviços adquiridos com isenção de PIS e de COFINS apenas quando forem revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pelas contribuições, mas este não é caso da situação em tela, uma vez que o serviço de frete internacional não se enquadra no conceito de insumo previsto no artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, para o PIS, e no artigo 8º da Instrução Normativa SRF n° 404, de 12 de março de 2004, para a COFINS, e sim uma despesa ocorrida na venda de mercadorias; 18. Em relação à glosa sobre o cálculo de crédito presumido, se não for acatada a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação legal, como já alegado, no mérito verificase que o artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, somente passou a ser aplicado com o advento da Instrução Normativa nº 1.157, de Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 381 6 16 de maio de 2011, portanto não poderia ser aplicado ao período ora em litígio, o 1º trimestre de 2011; 19. Apesar de a referida IN prever em seu artigo 22 que produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 2011, não há como uma norma que veio para regulamentar a aplicação de um método de cálculo de crédito presumido determinar a aplicação a fatos geradores anteriores a sua vigência, tendo em vista que é justamente a partir do seu advento que foi possibilitado ao destinatário da norma utilizála; 20. Ademais, cumpre referir que a lei nova (Lei n° 12.350/2010) trouxe um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a autuada, não podendo, assim, retroagir; 21. De toda a sorte, independente do fato do artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, aplicarse apenas após o advento da IN RFB nº 1.157, de 2011, a manifestante observou estas regras para apuração do seu crédito presumido, somente aplicando de forma legal a alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos para a industrialização de produtos classificados nos Capítulos 02 a 04 (excluídos os produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), no capítulo 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM, conforme inciso I do § 3° do art. 8° da Lei nº 10.925, de 2004; 22. No entanto, ao analisar o crédito presumido apurado pela manifestante, a fiscalização, com base em um arquivo magnético, analisou as notas fiscais de aquisição de insumos e aplicou a alíquota de 30% prevista no artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010 – que é exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM – para praticamente todos os insumos adquiridos no período em análise, simplesmente desconsiderando o fato de que a manifestante fabrica e comercializa tanto produtos classificados no capítulo 2 da NCM, quanto produtos classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM; 23. Realizando uma leitura do artigo art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, depreendese que a utilização das alíquotas previstas nos incisos I, II e III tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 382 7 24. Destarte, considerando que a manifestante também fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 (não classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; 25. O entendimento esposado pela Fiscalização encontrase desprovido de razão, posto que, com a instituição do crédito presumido das contribuições ao PIS e à COFINS, o legislador visou beneficiar as atividades das empresas agroindustriais, dentre as quais se enquadra a empresa manifestante; 26. Assim, o critério eleito pelo legislador para a determinação da alíquota aplicável foi o produto fabricado pelo contribuinte, e não o insumo adquirido, haja vista que, no caso de a determinação da alíquota aplicável se dar pelo insumo adquirido, não resultaria benefício algum às empresas do setor agroindustrial, entendimento já manifestado pelo Conselho Administrativo e Recursos Fiscais – CARF; 27. Neste viés, de acordo com a legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal enquadradas nos códigos estipulados, e que sejam destinados à alimentação humana, estão autorizadas a deduzir das contribuições pagas ao PIS e à COFINS crédito presumido nas alíquotas de 60%, 50% e 35%; 28. Uma breve análise do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, permite constatar que as empresas produtoras de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 (não classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 devem observar a alíquota de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos aplicados no processo produtivo para cálculo do respectivo crédito presumido, enquanto que o percentual de 50% se aplica para a soja e seus derivados, e a alíquota de 35% para os demais produtos; 29. Assim, em estrita obediência aos preceitos estabelecidos pela Lei nº 10.925, de 2004, a empresa calculou o crédito presumido do PIS e da COFINS à alíquota de 60%, tendo em vista que os produtos por ela produzidos encontramse Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 383 8 classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3º do art. 8º do mencionado diploma legal; 30. Quanto à glosa sobre o cálculo de credito básico/reconhecimento crédito presumido, a fiscalização alega que a manifestante calcula crédito à alíquota integral para PIS/COFINS nas aquisições de preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de animais vivos classificados na posição 01.03 e 01.05, o que supostamente estaria em desacordo com a legislação pertinente à matéria, haja vista que o art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, determina a aplicação de percentual correspondente a 30% da alíquota integral, para cálculo do montante do crédito presumido, incidente sobre o valor das aquisições destes produtos; 31. No entanto, elucidase que a manifestante não adquire produtos classificados na NCM 2309.90, e, para chegar a esta classificação, a fiscalização se baseou nos arquivos da IN 86, os quais podem conter erro de cadastro na classificação da NCM; 32. Assim, para elucidar a questão, mister se faz que seja determinada a realização de diligência para seja verificado, através de notas fiscais e análise das mercadorias in loco, se realmente os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM, pois inexistiu qualquer análise física pelo Fiscal das notas fiscais e mercadorias adquiridas e mencionadas nas notas fiscais objeto da autuação, o que impossibilita a verificação quanto à efetiva classificação das mesmas no código 2309.90 da NCM; 33. Assim, a Fiscalização baseouse em mera presunção da classificação constante nos arquivos da IN 86, que podem conter erro, pois, como referido, a manifestante não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM; 34. Ademais, cumpre referir que com o advento da Lei nº 12.235, de 2010, nos termos do seu artigo 57, os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, deixaram de ser aplicados, exclusivamente, para as mercadorias ou produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 384 9 35. O crédito presumido para pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido nos termos do artigo 55 da referida Lei nº 12.235 de 20 de dezembro de 2010; 36. Desta forma, passaram a existir duas possibilidades para apuração do crédito presumido, quais sejam, o crédito presumido calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, definido pelo artigo 55 da Lei nº 12.235, de 2010 – cuja regulamentação, contudo, somente ocorreu com a IN RFB nº 1.157, de 2011 –, e o crédito presumido calculado sobre os demais produtos e mercadorias, que continuou a ser regulado pelo art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004; 37. O artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, não poderia ser aplicado ao período ora em análise, qual seja, 1º trimestre de 2011, ainda que o art. 22 da IN RFB n° 1.157, de 2011, preveja seus efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, pois a referida lei, ao estabelecer um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a manifestante, não pode retroagir; 38. Ademais, conforme referido anteriormente, a manifestante não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM, razão pela qual a glosa não pode subsistir; 39. Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido anterior, requerse com base no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, que seja reconhecida ao menos a alíquota de 60% (sessenta por cento) sobre as mercadorias adquiridas pela autuada, classificadas por equívoco no código 2309.90 da NCM, tendo em vista que, conforme explanado em item anterior, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas, e não dos insumos adquiridos; 40. No que concerne aos fretes referentes à remessa dos produtos em elaboração para outras unidades, não há dúvida de que, nesses casos, em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade da manifestante e tem o seu processamento final em outra, estamos diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa; Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 385 10 41. Para a remessa dos produtos em elaboração, é necessária a contratação de prestadoras de serviços de transporte, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade de propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade da manifestante; 42. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis n° 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo; 43. Ademais, em consonância com o recente entendimento do CARF e do TRF4 sobre o conceito de insumos para o PIS e a COFINS, verificase que as despesas de frete de produtos em elaboração são verdadeiros custos de produção e, como tais, se subsumem ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, na forma do art. 290 do RIR/99, bem como são essenciais ao processo produtivo da manifestante. 44. Como a prestação de serviço de frete em elaboração é tributada pelo PIS e pela COFINS, e se revela como um custo essencial à atividade produtiva, não há razão para persistir a referida glosa; 45. Para a exportação de carnes de aves, inteiras ou em cortes, e de produtos elaborados como empanados, embutidos e pratos prontos, por uma questão de logística e de racionalização da operação, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, precedida de vendas aos compradores estrangeiros; 46. Dessa forma, é hialino que estas operações de fretes de produtos acabados se enquadram no permissivo legal da Lei n° 10.833, de 2003, que garante o seu creditamento à COFINS, aplicável ao PIS nos termos do art. 15 da mesma lei; 47. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, as referidas despesas de frete poderão ser creditadas para efeitos de PIS e de COFINS, pois foram despendidas com o propósito de viabilizar a atividade econômica de exportação dos produtos da manifestante, e, como tal, são despesas que se consubstanciam no conceito de insumo do PIS e da COFINS, de modo que o Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 386 11 seu creditamento também pode ser reconhecido com base no art. 3º, II, § 3º, inciso II, das Leis n° 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, e nos art. 290 e 299 do RIR/99; 48. Ademais, conforme descrito no contrato social (doc. 02 em anexo), além da industrialização, a ora manifestante possui em seu objeto social a comercialização dos produtos fabricados, e nesse sentido todas as despesas com frete são maneiras de poder efetuar a comercialização/exportação dos produtos que fabrica; 49. A comercialização de produtos acabados é essencial para a consecução do objeto social da empresa, e é a comercialização que traz o elemento econômico para o ciclo produtivo, pois com a venda é que a empresa obtém receita; 50. A contrario sensu, se acaso a manifestante não comercializasse os produtos que fabrica, não haveria qualquer tipo de faturamento e, portanto, sequer deveria se falar em incidência de PIS/COFINS; 51. A Portaria n° 368, de 4 de setembro de 1997, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, traz o conceito de estabelecimento como sendo o local e a área que o circunda, onde se efetiva o conjunto de operações e processos que têm como finalidade a obtenção de um alimento elaborado, assim como o armazenamento e transporte de alimentos e/ou matéria prima, e em seguida determina que manipulação de alimentos são as operações que se efetuam sobre a matéria prima até o produto terminado, em qualquer etapa do seu processamento, armazenamento e transporte, conceituando que elaboração de alimentos é o conjunto de todas as operações e processos praticados para a obtenção de um alimento terminado; 52. Portanto, seja como frete na operação de venda, seja como despesa essencial à atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido para o fim de que seja observada a não cumulatividade do PIS e da COFINS; 53. Quanto à glosa sobre serviços não caracterizados como insumos, o autuante, realizando uma análise através de notas fiscais apresentadas em meio magnético, entendeu que diversos serviços não se caracterizam como insumos Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 387 12 conforme definido nos incisos II do arts. 3º das Leis n° 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, nem se enquadram em nenhuma hipótese geradora de crédito, mas a fiscalização foi feita de uma forma genérica, sem sequer tentar entender como são utilizados os referidos serviços glosados, sem realizar a devida análise in loco na indústria, verificando como tais serviços são empregados no processo produtivo; 54. Em suma, a ausência de tais serviços prejudica o processo produtivo da manifestante, razão pela qual deverá ser determinada a anulação parcial do despacho decisório, para que as autoridades fazendárias de origem reanalisem in loco a cadeia produtiva envolvida, desde a aquisição da matéria prima até a obtenção do produto acabado e sua posterior comercialização, para que, então, possam fundamentar os motivos pelos quais deferem os créditos ou os indeferem; 55. A forma utilizada pela fiscalização para realizar a glosa dos serviços impede a manifestante de realizar a sua identificação e conseqüentemente defendê la; 56. Apesar disso, cumpre referir que todos os insumos utilizados no creditamento de PIS/COFINS encontramse perfeitamente enquadrados na concepção de insumo e de custos e despesas essenciais ao processo produtivo, bem como estão plenamente de acordo com o conceito de insumo previsto na legislação, devendose atentar para a evolução da interpretação da jurisprudência administrativa, firmada no âmbito do CARF; 57. Apesar de o acórdão transcrito do CARF tratar especificamente de indumentárias, no referido julgamento os conselheiros entenderam que produtos e serviços inerentes à produção, em face da sua essencialidade na atividade econômica da empresa, geram créditos que podem reduzir o valor final a ser recolhido do PIS e da Cofins; 58. Assim, de acordo com este entendimento, temse que a conceituação de "insumos", para efeitos de PIS/COFINS, se identifica ao conceito de "Custos e Despesas Operacionais" utilizado na legislação do Imposto de Renda IR, desde que essenciais ao processo produtivo; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 388 13 59. Para fins de PIS/PASEP e COFINS, a essencialidade significa considerar todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes, e foi nesse contexto que foram apurados os créditos sobre os serviços glosados pela fiscalização; 60. Nesta ótica, insumos são os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento; 61. É correta tal interpretação, haja vista que o conceito de insumo para o PIS e COFINS, em face do seu critério material de "obter receita ou faturamento" contido na sua regra matriz de incidência tributária, não pode se limitar ao conceito de insumo para o IPI, e para que seja realizada a não cumulatividade das Contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; 62. Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS em análise na Manifestação de Inconformidade, devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica da empresa, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; 63. No caso dos autos, além das glosas efetuadas pela fiscalização estarem plenamente de acordo com as Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada levandose em consideração a sua essencialidade no processo produtivo, como foi proposto pela Câmara Superior da 3ª Seção do CARF, bem como o conceito de insumo de acordo com a legislação do Imposto de Renda, visto que também se enquadram como custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica e essenciais ao processo produtivo; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 389 14 64. Em seguida, a manifestante descreve, sinteticamente, a essencialidade de cada serviço ao seu processo produtivo, requerendo, ao final, que caso assim não se entenda a legitimidade dos créditos realizados, seja determinada a baixa em diligência para análise dos referidos insumos na sede da empresa; 65. Devido ao grande volume de documentos fiscais a que se refere o presente processo, instrui a Manifestação de Inconformidade com documentos por amostragem, mas protesta pela possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar a comprovação dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal, tudo para comprovar os fatos expostos acima ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas.” A DRJ não acolheu as alegações e por unanimidade de votos, considerou improcedentes a Manifestações de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2011 a 31/03/2011 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO.CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. FRETE INTERNACIONAL No regime de incidência não cumulativa, podem ser apurados créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao frete internacional, cujo ônus seja suportado pela vendedora, vinculado à exportação de seus produtos, desde que os serviços de transporte sejam adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 390 15 Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente de transportador domiciliado no exterior. FRETE. TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. O valor do frete contratado com pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de transferências de mercadorias entre estabelecimentos do sujeito passivo não pode ser utilizado como crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep devida sob a forma não cumulativa, por não integrar a operação de venda. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON E DCTF. RETIFICAÇÃO. No regime da não cumulatividade, o ressarcimento e a compensação de créditos não aproveitados à época própria devem ser precedidos da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, sendo exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadores. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 21 de maio de 2014, a DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL apresentou recurso voluntário em 4 de junho de 2014, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 391 16 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL teve ciência da decisão de primeira instância em 21 de maio de 2014, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentandoo em 4 de junho de 2014. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que a lide envolve valores relativos aos créditos de PIS não cumulativo referentes ao 1º trimestre de 2011. Para melhor elucidar as questões trazidas no recurso voluntário, importante trazer os fatos descritos pela recorrente, quais sejam, entre outros, que: · A recorrente transmitiu pedido eletrônico de ressarcimento (PER) de créditos de PIS não cumulativo referentes ao 1º trimestre de 2011, o valor de R$ 3.064.522,53; · No entanto, a Receita Federal de Santa Cruz do Sul procedeu à fiscalização na sede da empresa, através da qual decidiu em reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 1.031.769,17, conforme quadro abaixo: · O despacho decisório não reconheceu parte dos créditos pleiteados, fundamentandose na Lei 10.637/2002, art. 74 da Lei 9.430/1996 e art. 38 da IN 900/2008; · O que, por conseguinte, fez com que a recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade visando o deferimento integral do seu crédito, demonstrando a origem e legitimidade dos r. créditos; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 392 17 · Sobreveio Acórdão da 4ª Turma da DRJ que julgou improcedente a Manifestação mantendo as glosas sobre os mesmos argumentos despendidos no despacho decisório. Descritos os fatos, passo a discorrer sobre as argumentações trazidas pela recorrente sobre cada questão contemplada no recurso voluntário. Sendo assim, quanto à glosa de crédito sobre frete marítimo na exportação, traz a recorrente que: · A autoridade fazendária ao analisar a Manifestação de Inconformidade constatou que houve informação de créditos extemporâneos na DACON de janeiro/2011, adquiridos de janeiro/2010 a dezembro/2010, entendendo, por conseguinte, pela impossibilidade de conhecer os r. créditos, tendo em vista o que segue: o No âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, exigese segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos neste regime são possíveis de ressarcimento segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração; o O sujeito passivo somente poderá retificar os pedidos de ressarcimento pendentes de decisão administrativa, o que supostamente não ocorre com pedidos de ressarcimento dos períodos de apuração dos créditos extemporâneos (jan/10 a dez/10). · No entendimento do fisco, ainda que fossem superadas essas premissas iniciais, e realizada a análise do direito creditório relativa aos créditos extemporâneos informados, permaneceria a glosa destes valores, pois as aquisições de serviços isentos demonstradas nas planilhas da recorrente, como é o caso do frete internacional, não geram créditos, primeiro por supostamente terem sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior e, segundo, ainda que tais serviços fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 393 18 tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); · o acórdão recorrido entendeu que para apropriação de crédito extemporâneos é imprescindível a retificação tanto dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições (Dacon) quanto das Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) referentes a cada um dos meses em que haja modificação na apuração das contribuições, sendo que, como, supostamente, a ora recorrente assim não procedeu, não caberia à Receita Federal fazer a análise de qual o período em que o crédito foi originado, quais os valores das receitas tributadas e não tributadas no mercado interno e de exportação, além de calcular a proporcionalidade entre elas, ainda que disponha de todos os Dacon; · A autoridade fazendária manteve o entendimento de que no presente caso estes mesmos créditos extemporâneos já estão preclusos, haja vista que se referem a períodos de apuração objeto de pedidos de ressarcimentos específicos (janeiro a dezembro de 2010), com análise fiscal do direito creditório já efetuada, e emitidos os respectivos Despachos Decisórios; · Com relação a possibilidade da tomada de crédito de fretes marítimos, o acórdão recorrido afastou o entendimento da fiscalização de considerar que os fretes marítimos na exportação, ainda que prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, não geram créditos do PIS e da Cofins por serem as receitas decorrentes do serviço de transporte internacional de cargas e passageiros isentas das referidas contribuições; · No entanto, manteve o entendimento da fiscalização de que agentes são meros prepostos dos transportadores domiciliados no exterior, e apesar de o frete ser pago aos agentes, esse valor é apenas repassado ao transportador, efetivo responsável pela prestação do serviço e que não se trata de uma pessoa jurídica nacional; · Além disso, não aceitou os documentos anexados a título exemplificativo, alegando que se tratam de empresas de pequeno porte, que não realizam transportes marítimos; Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 394 19 · Uma vez que os créditos não estão preclusos é legítimo o aproveitamento de forma extemporânea, sendo que às aquisições de fretes nas operações de exportação tratase de uma despesa incorrida na venda de suas mercadorias (produtos) e, portanto, tendo direito ao crédito conforme previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei 10.833/03, sendo que os pagamentos destes serviços foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que efetivamente realizaram o frete marítimo. Quanto à glosa de crédito sobre fretes exportação, argumenta a recorrente que: · No período de apuração de janeiro de 2011 adjudicou créditos do PIS e da Cofins sobre frete marítimo que não haviam sido aproveitados em meses anteriores (jan/10 a dez/10); · Tais créditos foram tratados pela fiscalização como “extemporâneos”; · Os créditos dessa natureza tem a peculiaridade de terem sua origem em determinado mês (ou período de apuração) e serem adjudicados em mês ou meses subseqüentes, portanto, a destempo – ou de forma extemporânea; · A legislação própria do PIS e da Cofins contém no §4º, art. 3º, respectivamente, da Lei nº 10.637/02, e da Lei 10.833/03, dispositivo que é cristalino no sentido da possibilidade do expediente utilizado pela ora recorrente de adjudicarse de créditos extemporâneos, quando autoriza que o “crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê los nos meses subseqüentes”; · O § 2º, art. 66 da IN 247/02 e o § 2º, art. 8º da IN 404/04 contém idêntica redação aos dispositivos legais antes citados, portanto, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB) também está autorizada a prática pela recorrente; · O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º sobre o valor dos encargos de depreciação incorridos no mês; · Tal dispositivo versa sobre a base de cálculo dos créditos, que adiante, § 4º do mesmo art. 3º está dito que o “crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 395 20 · O legislador determinou a base de cálculo do crédito no § 1º do art. 3º, e posteriormente autorizou o crédito em períodos posteriores em caso de não aproveitamento no período em que o crédito teve origem; · Tanto o crédito extemporâneo é autorizado, que no EFD – Escrituração Fiscal Digital de PIS e Cofins está previsto bloco específico para sua escrituração; · Segundo o guia prático da escrituração fiscal digital, o bloco 1 serve para fins de: complemento da escrituração, controle de saldos de créditos e de retenções, operações extemporâneas e outras informações; · A Doux adjudicouse de forma extemporânea tão somente dos créditos originários dos 5 anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no art. 1º do Decreto 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que assim dispõe: as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; · É de solar clareza que é ilegal a decisão da fiscalização da RFB de vedar o aproveitamento dos créditos extemporâneos que seriam passíveis de adjudicação dos 5 anos anteriores; · A ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1º do Decreto 20.910/32 com os dispositivos legais e normativos – contidos nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 e nas IN 247/02 e 404/04 – que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes; · Destacase que apesar de serem pedidos de ressarcimento referentes a créditos de um mesmo período, tratamse de pedidos diferentes, sendo que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada e, por fim, como referido anteriormente enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior; · Ademais, especificamente em relação a retificação das DACONs e DCTFs, o CARF já se manifestou no sentido de que é desnecessária a retificação dos referidos documentos, sendo possível o aproveitamento Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 396 21 do crédito no período de apuração corrente, incluindoo na DACON, sem precisar retificar nenhuma declaração em relação ao passado, mas aproveitando o crédito pelo seu valor nominal, sem atualização. Continuando, quanto à glosa de crédito sobre fretes marítimos na exportação, discorre a recorrente que: · No entendimento do fisco, permaneceria a glosa destes valores, tendo em vista que supostamente os fretes marítimos foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior; · Ainda que tais serviços fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se tratarem de serviço isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); · Quanto à primeira alegação de que os serviços de frete internacional supostamente foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior, cumpre referir que conforme os conhecimento de embarque, juntados por amostragem na Manifestação de Inconformidade, a recorrente comprova que todos os pagamentos de frete marítimo do período foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inscritas no CNPJ e, portanto, contribuintes de PIS/Cofins, conforme prevê o art. 3º, § 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/03 e Lei 10.637/02; · Sendo as despesas dos fretes internacionais suportados pela recorrente, cujos encargos foram pagos à pessoa jurídica domiciliada no Brasil, é medida de rigor que seja reconhecido o creditamento das despesas de fretes marítimos, em observação ao princípio da não cumulatividade, consagrado, em relação ao PIS e a Cofins, no art. 195, § 12 da CF/88; · A alegação da fiscalização de que supostamente os serviços de frete internacional teriam sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode prosperar, pois, conforme comprovado, o pagamento destes serviços foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 397 22 · Conforme documentos juntados, os fretes marítimos foram pagos para a mesma pessoa jurídica responsável pela realização do frete, qual seja, a CCS – Central Cargo Ship International Transport; · Tanto nos comprovantes de pagamento como os Bill of Landing, que são os Conhecimento de embarque que compõe o manifesto de carga, emitidos pela própria empresa de transporte, constam a mesma empresa, restando comprovado que efetivamente o frete marítimo foi realizado pela mesma empresa que recebeu o pagamento; · Consultando o site da empresa CCS – Central Cargo Ship, facilmente podese verificar que a referida empresa realiza transporte marítimo, sendo que, se por acaso, tal atividade não consta em seu CNAE, tratase de uma falha da própria empresa ao realizar o seu cadastramento junto à Receita Federal do Brasil, e tal equívoco, não pode servir como motivação para glosar os créditos pleiteados pela ora recorrente; · Todos os fretes marítimos foram pagos para pessoas jurídicas nacionais, que realizaram o transporte marítimo, sendo que se por uma questão de organização interna, do grupo ao qual a empresa que realizou o transporte pertence, não consta cadastrado no CNAE da empresa o frete marítimo, tal fato não pode ser imputado a ora recorrente; · Quanto ao argumento da autoridade fazendária de que os serviços de frete internacional não dariam direito a crédito, por supostamente se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação), este também não merece prosperar. · Para negar o direito a crédito, a fiscalização parte do pressuposto que os serviços de frete internacional são utilizados pela recorrente como insumo em produtos isentos (produtos exportados pela contribuinte); nesse sentido, haveria vedação expressa para o direito a crédito sobre a aquisição de serviços n~soa sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso da isenção quando utilizado como insumo em produtos sujeito à alíquota zero ou não alcançados pela tributação; · No entanto, a base legal para crédito da Cofins sobre fretes nas operações de venda está contida no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03, observadas as exigências de que as despesas sejam pagas ou Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 398 23 creditadas a pessoa jurídica domiciliado no país, conforme previsão do inciso II, § 3º, art. 3º, também da lei 10.833/03; · Elucidase que serviço de frete internacional (frete marítimos de exportação) é uma despesa incorrida na venda das mercadorias da ora recorrente, não sendo aplicado ou consumido na fabricação ou produção delas, o que a descaracteriza como insumo para efeito de créditos das contribuições como pressupôs a fiscalização; · Dessa forma, em que pese o serviços de frete internacional enquadrarse na regra de isenção prevista no art. 14 da MP 2.15835, a restrição imposta pelo inciso II ao parágrafo 2º do art. 3º da Lei 10.637/02 e da lei 10.833/03 não se aplica às aquisições de fretes nas operações de exportação, pois, como demonstrado, tratamse de uma despesa incorrida na venda de suas mercadorias e, portanto, tendo direito ao crédito conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03, sendo que os pagamentos destes serviços foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que efetivamente realizaram o frete marítimo. Especificamente à glosa sobre cálculo de crédito presumido, traz, em síntese, a recorrente: · Conforme Manifestação de Inconformidade, tomou crédito de 60% com base na Lei nº 10.925/04, a qual definiu os critérios para gozo do benefício em comento nos termos do art. 8º dessa lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 399 24 período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 400 25 III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)” Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 401 26 · Pela leitura desse dispositivo, depreendese que a utilização das alíquotas tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; · O legislador “legislou” a Lei 12.865/13 que altera a Lei 10.925/04 reconhecendo que a correta interpretação do inciso I, do § 3º do art. 8º da lei 10.925/04 é de que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, 60% sobre todos os insumos utilizados para a elaboração do produto final; · Com o advento da Lei 12.350/2010, nos termos do art. 57, os arts.8º e 9º da Lei 10.925/04, deixaram de ser aplicados exclusivamente para as mercadorias ou aos produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM; · Dessa forma, o crédito presumido para pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, inclusive cooperativas, calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido nos termos do art. 55 da Lei 12.350/2010; · O que passaram a existir duas possibilidades para apuração do crédito presumido, quais sejam, o crédito presumido calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido pelo art. 55 da lei 12.350/2010 e, o crédito presumido calculado sobre os demais produtos e mercadorias continuou a ser regulado pelo art. 8º, da Lei 10.925/04; · De acordo com a redação do § 10 do art. 55 da Lei 12.350/2010, o crédito presumido de que trata o referido artigo somente “aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”; · A aplicação do crédito presumido prevista no art. 55 da Lei 12.350/2010, ficou pendente de regulamentação pela Receita Federal; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 402 27 · A regulamentação veio com a IN 1.157/2011; · O art. 55 da Lei 12.350/2010 somente passou a ser aplicado com o advento da IN 1.157/2011, portanto, não poderia ser aplicado ao período em análise no presente processo administrativo, qual seja 1º trimestre de 2011; · Apesar de a referida IN prever em seu art. 22 que produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, não há como uma norma que veio para regulamentar a aplicação de um método de cálculo de crédito presumido determinar a aplicação a fatos geradores anteriores a sua vigência, tendo em vista que é justamente a partir do seu advento que foi possibilitado ao destinatário da norma utilizar a mesma; · O acórdão recorrido alega que o julgamento deve ser feito à disposição da IN 1157, alegando que o dever de observância das normas abrange também os atos normativos editados pelo Poder Executivo e pelos órgãos a eles subordinados; · Cumpre referir que o CARF, em casos análogos reconheceu em diversas oportunidades que uma IN não pode retroagir, sob pena de afrontar norma constitucional, especificamente o princípio tributário da irretroatividade; · A lei 12.350/2010 trouxe um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a recorrente, não podendo retroagir; · A fiscalização realizou a análise das notas fiscais de aquisição de insumos e aplicou a alíquota de 30% prevista no art. 55 da Lei 12.350/2010, exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM para todos os insumos adquiridos pela recorrente no período em análise; · No entanto, ao realizar esse procedimento, a fiscalização simplesmente desconsiderou o fato de que a recorrente fabrica e comercializa tanto produtos classificados no capítulo 2 da NCM, quanto produtos classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM; · Considerando que a recorrente também fabrica produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 403 28 entende que se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; · Conforme atividade exercida pela recorrente, expressa nos atos constitutivos anexos ao processo, tem ela por objetivo social, entre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais que convier, observada a respectiva classificação nos Capítulos 2, 3, 4 , 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, como, por exemplo, nuggets de frango]; · Esclarece que os itens classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, não se aplica a Lei nº 12.350/2010 e sim a Lei 10.925/2004; · A interpretação da alíquota de 60% é aplicado em função da saída e tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; · Portanto, entende que a alíquota a ser aplicada para o 1º trimestre de 2011 é de 60 %, considerando que: 1) o art. 55 da lei 12.350/2010 somente passou a ser aplicado com o advento da IN 1.157/2011 e 2) a alíquota de 30% prevista no art. 55 da Lei 12.350/2010, exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00,0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1, não pode ser aplicada para os produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos Códigos 15.01 a 15.06, para os quais se aplica a Lei 10.925, a qual permite o crédito à alíquota de 60%; Por fim, a recorrente traz que, caso seja mantido o entendimento de que o disposto na IN pode retroagir para 1º de janeiro de 2011, pelo menos para os produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, devese obrigatoriamente aplicar a alíquota de 60%, pois a alíquota de 30% prevista no art. 55 da lei 12.350/2010 seria exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 Quanto à glosa sobre cálculo de crédito básico/reconhecimento – crédito presumido, alega a recorrente que: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 404 29 · a fiscalização considerou que a recorrente calcula crédito à alíquota integral para PIS/Cofins nas aquisições de preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de animais vivos classificados na posição 01.03 e 01.05, o que supostamente estaria em desacordo com a legislação pertinente à matéria, haja vista que o art. 55 da Lei 12.350/2010 determina a aplicação de percentual correspondente a 30% da alíquota integral para cálculo do montante do crédito presumido, incidentes sobre o valor das aquisições destes produtos; · Não adquire produtos classificados na NCM 2309.90, tal como expõe a fiscalização; · a fiscalização baseou esse entendimento nos arquivos da IN 86, os quais podem conter erro de cadastro na classificação da NCM; · Pede que seja baixada em diligência para se verificar através das notas fiscais e análise das mercadorias in loco se realmente os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM; · Verificase que inexistiu qualquer análise física, pelo Fiscal, das notas fiscais e mercadorias adquiridas e mencionadas nas notas fiscais objeto da autuação, o que impossibilita a verificação quanto à efetiva classificação das mesmas no código 2309.90 da NCM; · A recorrente não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM, desta forma, a glosa constante neste item não pode subsistir pois a legislação utilizada pela fiscalização não se enquadra na hipótese em tela, razão pela qual se requer o reconhecimento integral do crédito apropriado pela recorrente; · Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido anterior, requer com base no art. 8º da Lei 10.925/2004, seja reconhecido ao menos a alíquota de 60% sobre as mercadorias adquiridas pela recorrente classificadas por equívoco no código 2309.90 da NCM, tendo em vista que, conforme explanado no item anterior, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas e não dos insumos adquiridos. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 405 30 Quanto as despesas de frete de transferência de produtos acabados e em elaboração, a recorrente traz que especificamente aos: · Fretes de produtos em elaboração, quando o produto começa a ser elaborado em uma unidade da recorrente e tem o seu processamento final em outra unidade, estáse diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção; · Fretes de produtos acabados, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pela “montagem” da carga exportada no container – o que, dessa forma, as carnes de aves é remetida do frigorífico a outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos. Observa ainda que a remessa dos produtos acabados é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, os produtos já se destinam a serem entregues para os clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Quanto ao conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos, em síntese, a recorrente diz que: · As IN´s SRF 247/2002 e 404/2004 interpretaram o termo “insumos” em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI; · Os referidos atos normativos não oferecem a melhor interpretação ao art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tal conceito de insumo não se coaduna com a base econômica de PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita, vinculada à atividade fim da empresa; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 406 31 · Cumpre trazer a baila o recente entendimento do CARF, ao julgar o recurso voluntário interposto no âmbito do processo nº 11020.001952/200622, tendo em vista que nesse julgamento, a turma ampliou o conceito de insumo que gera o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa; · De acordo com o r. entendimento, o conceito de insumos seria mais amplo, devendose levar em conta o que é insumo segundo o Regulamento do Imposto de Renda, nos seus arts. 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nºs 247/02 e 404/04, as quais foram editadas com fundamento exclusivo na legislação do IPI; · Para que seja realizada a não cumulatividade das contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; · Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN´s, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; · Tal entendimento foi chancelado na esfera judicial, por meio do acórdão prolatado no julgamento da Apelação Cível nº 0029040 – 40.2008.404.7100/RS do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que, descreve, entre outros, que os critérios adotados pelo legislador para pautar o creditamento nos casos de IPI não são aplicáveis ao PIS e à COFINS; · No caso dos autos, além dos insumos glosados estarem plenamente de acordo com as INs SRF 247/02 e 404/04, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada, levando em consideração o conceito de insumo proposta pelo CARF e reconhecido pelo TRF da 4ª Região, visto que também existem custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica da recorrente, cujo creditamento deve ser Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 407 32 reconhecido com base nos arts. 290 e 299 do RIR/99, e conforme o conceito de essencialidade ao processo produtivo. Ademais, após a recorrente transparecer seu entendimento quanto ao conceito de “insumo” para fins de creditamento das r. contribuições, traz como exemplo apenas um dos insumos glosados – que possui maior valor, segundo ela, de que contratou a empresa Falkia para a manutenção de prédios e máquinas, para gestão energética do frio industrial, operação e manutenção das utilidades: frio industrial, ar comprimido e eletricidade e garantia de resultados. O que argumenta que tal serviço é essencial e diretamente aplicado para a manutenção do processo produtivo. Passa a recorrente, a ilustrar, em síntese, a essencialidade de cada serviço ao processo produtivo, vejamos: 1. Carga/Descarga com locação de mão de obra – utilizado na coleta da matéria prima, por exemplo, frangos e ovos, bem como na descarga no setor produtivo da empresa; 2. Licença atualização software – essencial para gerenciar as etapas produtivas da empresa, checando os procedimentos exigidos na elaboração do produto final; 3. Manutenção preventbens mov. CFE.contr – essencial para a manutenção de partes e peças das máquinas envolvidas no processo produtivo; 4. Transp. Pessoal Frigorífico – Intermunicipal – essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista; 5. Energiacapat. Containers export – despesas de armazenagem, essencial para fazer a recarga de frio indispensável à conservação dos produtos exportados; 6. Monitorcapataz CTNS Export – despesas de armazenagem, em face da utilização de guinchos nas mercadorias no porto e locais de embarque do navio que irá transportar as mercadorias; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 408 33 7. Movimentação CTNS Export – despesas de transporte interno do porto, em função do cais em que atracará o navio que irá fazer o transporte. 8. Alter. Informação Sistema/DOCS – despesas de alterações de documents em face de mudanças na carga para exportação; 9. Realocação CTNS Exportac – realocações de armazenagens, em face da necessidade e troca de containers “resfriados” para exportação; 10. Pesagem – capataz CTNS Export –d espesas necessárias para pesagem da carga a ser explorada, a fim de que seja observada a capacidade do container. 11. Forn. Energia Elétrica Armazém –d espesa de consumo de energia elétrica, necessária para manter a carga de frio adquirida, para manter o resfriamento do produto a ser exportado. 12. Saídas Paletizada – despesas de higienização de paletes e aquisições dos mesmos, que são integrados a embalagem dos produtos exportados; 13. Desova ParcCapataz CTNS Export – despesa realizada no processo de armazenagem no porto. 14. Serviços de Espirometria – serviço exigido pela Norma Regulamentadora nº 7 (NR7), do Ministério do Trabalho; 15. Serviços de Inspeção – Inpeção nas máquinas do processo produtivo e nos containers; 16. Recapagem/Recauch (Rodas, Pneus) – custos de manutenção de pneus consumidos nos caminhões da empresa, utilizados no transporte da matéria prima, produto em elaboração e acabados. 17. Txs. Segurança/Licença Portuária – despesa necessária para armazenagem da mercadoria a ser exportada no porto. 18. Calibração de equipamentos – manutenção de máquinas e contêineres. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 409 34 19. Recarga de Cilindro de ar autônomo – manutenção e contêineres. 20. Manutenção de veículos – manutenção da peças e caminhões utilizados nos transportes necessários os processo produtivo e na distribuição para venda. 21. Fretes e carretos intermunicipais – serviços de transportes tomados de terceiros, para transportes necessários os processo produtivo e na distribuição para venda. 22. Manut. Máquina (escritório) – essencial para proporcionar o gerenciamento das compras de vendas. 23. Manut. Sistemas Informat – gerenciamento na área produtiva e para logística de venda. 24. Desinsetiz/desratiz de imóveis – essencial para o controle de pragas, a fim de evitar a contaminação dos produtos produzidos, conforme normas da Anvisa e do Mapa. 25. Perfur Poços Artesianos – essencial para obtenção de água a ser utilizada no congelamento das carnes. 26. Confecção chaves/carimbos/placas – indispensável para identificação de procedência e qualidade do produto, conforme exigido pelo SIF/MAPA. 27. Serv. Isolamento Térmico – Instalação e manutenção de isolamento térmico em câmaras frigoríficas. 28. Analises Laboratoriais – necessário para o controle da sanidade da matéria prima e da qualidade produto acabado. 29. Assessoria/Consult. Técnica – assessoria/consultoria para as atividades administrativas/financeiras da empresa. 30. Vigilância e Segurança – despesa necessária em face da armazenagem da mercadoria. 31. Serv. Terraplanagem – despesa para ampliação de instalações produtivas. 32. Serviço de Concretagem – despesa para ampliação de instalações produtivas. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 410 35 33. Manutenção Prevent CFE Contrato – custos necessários para manutenção do processo produtivo. 34. Frete Transf. Matrizes Aves – despesas de transporte envolvendo a produção de matéria prima. 35. Frete resíduos incubatório – despesa em face da normas sanitárias. 36. Transp. Municip – Pessoal Granjas – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 37. Transp. Pessoal Incubat Munic – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 38. Transporte Intermunicipal Pessoal Granja – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 39. Destin. Final Resíduos Industr – despesas essenciais em face das exigências de normas sanitárias. 40. Lavanderia c/ locação mão de obra – para limpeza das indumentárias exigidas pela Anvisa, no contato com carne. 41. Remoc Resíduo Industriais – despesas essenciais em face das exigências de normas sanitárias. 42. Consertos em Geral – de máquinas de processo produtivo. 43. Serviço de aferição – equipamentos de pesagem dos produtos em razão das normas no Inmetro. 44. Serviço de programação – desenvolvimento de software para controle das atividades produtivas. 45. Serviço de engenharia – para execução de projetos na linha de produção. 46. Serv. Elabor de projetos – para desenvolvimento de projetos na linha d eprodução. 47. Serviços de auditoria – despesa com auditoria em razão de procedimentos contábeis e para comprovar aptidão financeira, para receber recursos para financiar o seu processo produtivo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 411 36 48. Serv Analises Técnicas – análises voltadas ao processo produtivo. 49. Serviços de Medicina – para monitoramento da sanidade da criação de aves e animais a serem abatidos. 50. Administração de bens – manutenção das suas dependências. 51. Manutenção/Conserv. Obras Civis – manutenção das suas dependências. 52. Assistência Técnica – Manutenção e reparos de máquinas do processo produtivo. 53. Transp pessoal frigorif Muni – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 54. Serviços de Lavanderia – para limpeza das indumentárias exigidas pela Anvisa, no contato com carne. 55. Conserto Indument. Trabalho – para reparos das indumentárias exigidas pela Anvisa, no contato com carne. 56. Conserto Maq/Motores/Equip – substituição de peças e reparos nas máquinas envolvidas no processo produtivo, bem como nos caminhões envolvidos nos fretes de aquisição, produtos em elaboração e venda de produtos acabados. 57. Inst. Maq/Motores/Equipam – instalação de peças e partes de máquinas e motores envolvidas no processo produtivo. 58. Serv. Empreit Constr Civil – ampliação das dependências de produção. 59. Conserto de veículos – reparação de veículos envolvidos nos fretes de aquisição, produtos em elaboração e venda de produtos acabados. 60. Remoc Resíduos c/ caçamba estacion – remoção de resíduos em razão de normas sanitárias. 61. Locação Uniformes – locação de indumentárias necessárias para o contato com a carne, conforme normas da Anvisa/Mapa. 62. Inst Elétricas/hidráulicas – ampliação das dependências do processo produtivo. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 412 37 63. Loc. Mão de obra – prep refeic – despesas no fornecimento no programa de alimentação dos trabalhadores, conforme normas trabalhistas. 64. Vale pedágio – serviço administração – decorrente dos fretes. 65. Montag/Desmontag móveis/Dividor – modificações nas dependências produtivas. 66. Servi. Fabricac/Confecção – vinculado ao processo produtivo. 67. Abate HalalLoc Mão de Obra – preparação especial para carnes destinadas ao mercado islâmico. 68. Fretes sobre trans de produtos – para proporcionar a continuidade do processo produtivo iniciado em filial, e exaurido na matriz, ou vice e versa. 69. Corte de lenha – para combustível da caldeira. 70. Movimentação Entradas/saída – carga e descarga de mate´ria prima e produtos acabados. 71. Seguro – vinculados a armazenagem e frete de matéria primas e produtos acabados. 72. Recup de frio por terc – necessário para o resfriamento da carne, quando o container/caminhão frigorífico estiver fora das dependências da empresa. 73. Plantio de Mudas – para reflorestamento do “mato produtor”. 74. Corte de matoprodutor – para obtenção de combustíveis na caldeira. 75. Galvanização de estruturas – dependências da produção 76. Serviço Jato de areia – aplicado em determinadas máquinas do processo produtivo. 77. Recarga Ext. Incêndio – despesas em razão de adequação do corpo de bombeiros, exigidas para o estabelecimentos industriais. 78. Lavagem/Desinfecção Caminhão – para garantir sanidade da carga transportada, normas da Anvisa; 79. Recarga Cilindro – recarga de oxigênio no processo produtivo da empresa. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 413 38 80. serv. Guincho/Munk – despesas necessárias para carregamento de containers no navio. 81. Serviço de pintura – manutenção das dependências produtivas. 82. Rebobinagem de Motor – troca de peças utilizadas nos motores de máquinas no processo produtivo e caminhões envolvidos nos fretes. 83. Serviço de desentupimento – em razão da lavagem das aves no processo produtivo. 84. Serviço de Jardinagem – para evitar proliferação de insetos. 85. Serv. Limpeza/Higiene – adequar as dependências produtivas as normas sanitárias de limpeza e higiene. 86. Serv. C/loc. Mão de obra – para carga e descarga. 87. Despesas Portuárias – envolvidas na rmazenagem dos containers utilizados na exportação de carnes e derivados. 88. Remoção resíduos e saúde – exigência de normas sanitárias. 89. Serv. Assit. Veterinária – controle da sanidade dos frangos e animais a serem abatidos. 90. Capataz s/exportBrak Bulk – guinchos utilizados na armazenagem. Após a descrição acima, aduz a recorrente que restam comprovadas as definições a legitimidade dos créditos realizados. No entanto, pede que seja feita diligência, caso não se entenda como tal. Por fim, quanto à discussão da Selic, a recorrente argumenta que, tendo em vista a Súmula 411 do STJ, o disposto no art. 62A do RICARF que vincula as decisões no STJ às decisões do CARF, a decisão do RESP 993.164 em sede de recurso repetitivo e, ainda considerando que houve vedação do Fisco ao ressarcimento tempestivo da parte do saldo credor do PIS/COFINS não cumulativa, apurado para o 1º trimestre de 2011, sobre o valor suplementar reconhecido incidirão juros compensatórios, a taxa Selic, a partir da data de protocolo/transmissão do pedido de ressarcimento (PER) em discussão até a data do seu efetivo ressarcimento. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 414 39 Em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produtos que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, ou perito credenciado junto a Receita Federal do Brasil, que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou vinculados ao processo produtivo e/ou ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o Demonstrar a função de cada bem e/ou evento que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável e essencial ao processo produtivo e/ou para fins de cumprimento do objeto social da empresa; o Esclarecer o teor de cada um dos eventos observados pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; o Quanto ao frete de produtos em elaboração, demonstrar as etapas contínuas da industrialização nas unidades diferentes da r. empresa. o Analisar se os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI
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Numero do processo: 11442.000199/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 01 99 /2 01 0- 73 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 3 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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