Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10120.004811/2003-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO.
Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE nº 8, do STF.
Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional.
FALTA DE PAGAMENTO. DÉBITOS INFORMADOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
A inexistência de processo que assegure ao contribuinte a utilização de suposto crédito informado enseja a lavratura de auto de infração para a cobrança dos valores devidos.
Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE nº 8, do STF. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional. FALTA DE PAGAMENTO. DÉBITOS INFORMADOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A inexistência de processo que assegure ao contribuinte a utilização de suposto crédito informado enseja a lavratura de auto de infração para a cobrança dos valores devidos. Embargos de Declaração acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.004811/2003-28
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739987
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.920
nome_arquivo_s : Decisao_10120004811200328.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 10120004811200328_5739987.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6847161
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214397710336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 164 1 163 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.004811/200328 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301003.920 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria COFINS Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE GOIÂNIA Interessado CRISTAL CONSTRUÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. Cabem os Embargos de Declaração quando caracterizada a omissão, contradição ou obscuridade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE nº 8, do STF. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional. FALTA DE PAGAMENTO. DÉBITOS INFORMADOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A inexistência de processo que assegure ao contribuinte a utilização de suposto crédito informado enseja a lavratura de auto de infração para a cobrança dos valores devidos. Embargos de Declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 48 11 /2 00 3- 28 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10120.004811/200328 Acórdão n.º 3301003.920 S3C3T1 Fl. 165 2 Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 156 a 160) interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3202001.458 (fls. 144 a 147), de 27 de janeiro de 2015, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que deu provimento parcial, por unanimidade de votos, ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: O presente litígio decorre de Auto de Infração eletrônico nº 0005025, lavrado em 11/06/2003 (efls. 14/ss) e com ciência em 09/07/2003 (efl. 39), para a cobrança da Cofins em decorrência de alegada falta de pagamento do tributo apurados no ano calendário 1997, relacionados ao 1º trimestre/2007 (efl. 16), 2º trimestre/2007 (efl. 17), 3º trimestre/2007 (efl. 18) e 4º trimestre de 1997 (efl. 18). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Cofins/1997 (fl. 14), formalizado nos procedimentos de auditoria interna de pagamentos vinculados a débitos tributários confessados nas DCTF do 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário 1997, no qual está sendo exigido da contribuinte, acima identificada, crédito tributário no valor total de R$218.224,48, cujos fundamentos e demonstrativos constam às folhas 15 a 23. A contribuinte foi notificada do lançamento em 09/07/2003 (AR – fl. 39). Inconformada apresentou impugnação (fls. 2 a 4) em 07/08/2003, na qual alega, em síntese, que a autuação é indevida, porque ocorreu em razão declarações entregues à sua revelia, gerando duplicidade de tributos lançados e contestados. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10120.004811/200328 Acórdão n.º 3301003.920 S3C3T1 Fl. 166 3 Diante do argumento da impugnante, o processo foi baixado em diligência (fl. 41) para a Fiscalização verificar entrega de DCTF em duplicidade e informar quais valores devem ser desconsiderados da exigência fiscal, cujo relatório consta às folhas 61 a 63. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília julgou a impugnação procedente em parte, proferindo o Acórdão nº 0352.437 em 29 de maio de 2013 (efls. 76/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DCTF – Falta de pagamentos – Processo inexistente – Débitos declarados em duplicidade. Constatado mediante diligência parte de pagamentos vinculados a débitos tributários confessados em DCTF, bem como débitos declarados em duplicidade e a inexistência do processo ali informado, é de cancelar parte dos valores lançados no auto de infração e manter os demais valores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como pode ser verificado no voto constante da decisão recorrida, foram cancelados os débitos de Cofins do 4º trimestre/1997 (que haviam sido informados em DCTF em duplicidade), do mês de fevereiro/1997 e parcialmente dos meses de janeiro, março e abril; foram mantidos os débitos dos meses de maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997 (vide Demonstrativo anexado à e fls. 79). A interessada foi cientificada do Acórdão em 16/08/2013 (efolha 100) e apresentou Recurso Voluntário (efls. 103/ss), onde alega em apertada síntese: cerceamento do direito de defesa, uma vez que a decisão recorrida cita informação fiscal prestada em diligência sem, contudo, anexála aos autos; a extinção do crédito tributário pela decadência, pelo fato de a autoridade fiscal ter efetuado o lançamento em 09/07/2003 referente aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro, marçodezembro/ 1997; a impossibilidade de efetuar lançamento de ofício pelo motivo de que foi apresentada DCTF pela Recorrente; no mérito, alega “nem sequer saber ao certo do que recorrer por falta da intimação completa dos documentos e demonstrativos unilaterais da Receita Federal e ainda escondidos do contribuinte, ou seja, não apresentação ao mesmo, embora mencionados na decisão cujas cópias também não foram enviadas na Intimação nº 713/2013, (...)”; por fim, requer o provimento do recurso com o consequente cancelamento do lançamento tributário. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Tendo em vista a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada no Acórdão nº 3202001.458, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia ingressou com Embargos de Declaração (fls. 156 a 160), em 26 de junho de 2015, visando sanar alegada omissão do referido Acórdão. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10120.004811/200328 Acórdão n.º 3301003.920 S3C3T1 Fl. 167 4 A admissibilidade dos Embargos de Declaração foi proferida em 13 de setembro de 2016 por intermédio do Despacho S/Nº da 2a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia, em face ao Acórdão nº 3202001.458, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – são tempestivos e cumprem os requisitos necessários para sua admissibilidade. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Os embargos ora analisados visam sanar alegada omissão presente no Acórdão nº 3202001.458 (fls. 144 a 1 47) que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE nº 8, do STF. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional. FALTA DE PAGAMENTO. DÉBITOS INFORMADOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A inexistência de processo que assegure ao contribuinte a utilização de suposto crédito informado enseja a lavratura de auto de infração para a cobrança dos valores devidos. Recurso Voluntário provido em parte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia vem, por meio dos Embargos apresentados, alegar que o ora analisado Acórdão está eivado de vício de omissão referente à ausência de menção do período de apuração de julho de 1997, conforme se extrai da parte final do voto do ora embargado Acórdão (fl. 146 e 147): A decisão recorrida manteve os valores lançados no auto de infração apenas em Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.004811/200328 Acórdão n.º 3301003.920 S3C3T1 Fl. 168 5 relação aos meses de maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1997 (vide Demonstrativo anexado à efls. 79). Pois bem. Independente de qualquer outro assunto que esteja sendo tratado no presente processo é indiscutível que o auto de infração não pode subsistir em relação aos meses de maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1997, posto encontrarse fulminado pela decadência considerandose o que prescreve o artigo 173, inciso I, do CTN (uma vez que não houve antecipação de pagamentos). Estamos, portanto, diante de uma das hipóteses de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso V, do CTN). Mesmo admitindose que, ao tempo da lavratura do auto de infração, vigia o disposto no art. 45 da Lei n.o 8.212/91, que dispunha sobre o prazo decadencial de 10 anos para constituição das contribuições destinadas a financiar a Seguridade Social, o Supremo Tribunal Federal (STF), examinando o disposto no referido art. 45, no exercício do controle difuso da constitucionalidade de normas, concluiu que tal dispositivo violava o disposto na alínea "h" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal de 1988 (CF/88). É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários no 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante no 8 (publicada no DOU de 20/06/2008), in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do Decretolei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento total do presente auto de infração. Não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Desta forma, não há meios de se manter a exigência para os meses de maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1997, uma vez que todos os fatos geradores ocorreram em meses anteriores a 5 anos da ciência do auto de infração lavrado. Em relação ao mês de dezembro/1997, quando da lavratura e ciência da autuação fiscal ainda não havia operado a decadência. Isto porque para este mês de apuração a data do vencimento era 09/01/1998 (vide efl. 18), logo a contagem do prazo decadencial iniciouse no dia 01/01/1999 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia der sido efetuado – inciso I, art. 173, CTN), com término no dia 31/12/2003. A ciência do auto de infração ocorreu em 09/07/2003, portanto, anteriormente à decadência. Como bem destacou a decisão recorrida, a origem do crédito informado na DCTF foi um processo de ressarcimento de IPI de outra empresa – a Goiás Editorial e Industrial Ltda. (proc. no 10120.005033/200122). De modo que a empresa autuada não possui processo que lhe assegure o direito de utilizar o crédito informado e vinculado aos débitos lançados no auto de infração objeto de análise, em relação ao mês de dezembro de 1997, ainda não alcançado pela decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar os débitos lançados em relação aos meses de maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1997 e manter o débito lançado em relação ao mês de dezembro de 1997. (grifouse) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10120.004811/200328 Acórdão n.º 3301003.920 S3C3T1 Fl. 169 6 Ao analisar os autos do processo e, mais especificamente, o voto consubstanciado no Acórdão ora embargado, percebese que, de fato, houve omissão ao não incluir dentre os cancelamentos de débitos lançados ocorridos no mês de julho de 1997, o que deve ser providenciado. Constatase que além dessa omissão no que tange a não inclusão do mês de julho de 1997, ocorreu equívoco na construção da ementa do Acórdão nº 3202001.458 referente ao anocalendário que constou como 2007, sendo o correto “Anocalendário: 1997”. Portanto, restando clara a omissão e tendo em vista a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de conhecer dos Embargos de Declaração ora analisados, para corrigir o anocalendário para 1997 e manter o provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar os débitos lançados em relação aos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro de 1997 e manter o débito lançado em relação ao mês de dezembro de 1997, incluindose assim o mês de julho de 1997. Valcir Gassen Relator Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003927/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
EXCLUSÃO DO LUCRO DE EXPORTAÇÕES INCENTIVADAS NO
ÂMBITO DO BEFIEX. CSLL.
A aplicação literal, e mesmo histórica e sistemática, do art. 451 do RIR/94 conduz a conclusão de que não deve ser abatida do lucro tributável a parcela correspondente à exportação de produtos manufaturados, validando, assim, a incidência inequívoca da CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 EXCLUSÃO DO LUCRO DE EXPORTAÇÕES INCENTIVADAS NO ÂMBITO DO BEFIEX. CSLL. A aplicação literal, e mesmo histórica e sistemática, do art. 451 do RIR/94 conduz a conclusão de que não deve ser abatida do lucro tributável a parcela correspondente à exportação de produtos manufaturados, validando, assim, a incidência inequívoca da CSLL.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10920.003927/2003-24
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728325
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.621
nome_arquivo_s : Decisao_10920003927200324.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 10920003927200324_5728325.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6779159
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049214474256384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.003927/200324 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.621 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2017 Matéria CSLL Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A EMBRACO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 EXCLUSÃO DO LUCRO DE EXPORTAÇÕES INCENTIVADAS NO ÂMBITO DO BEFIEX. CSLL. A aplicação literal, e mesmo histórica e sistemática, do art. 451 do RIR/94 conduz a conclusão de que não deve ser abatida do lucro tributável a parcela correspondente à exportação de produtos manufaturados, validando, assim, a incidência inequívoca da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 39 27 /2 00 3- 24 Fl. 975DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição, protocolado em 30/12/2003, relativo a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997. A este processo encontrase apensado o de nº 10920.000826/200563, ao qual foram acostadas as Declarações de Compensação nº 13940.74422.291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539, em que a Contribuinte pretendeu utilizar o referido saldo negativo como direito creditório. Como resultado da análise do pedido de restituição, em março de 2013, foi expedido o Despacho Decisório de fls. 303 a 306 indeferindo o pleito da Contribuinte, motivando a interposição da Manifestação de Inconformidade de fls. 402 a 437. Além disso, por conta da apensação do processo nº 10920.000826/200563, em dezembro de 2014, foi proferido o Despacho Decisório Complementar de fls. 749 a 751, contra o qual a Contribuinte interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 759 a 776. O presente processo já tramitou pelas várias instâncias do contencioso administrativo e, para os fins de resumir a a situação, cumpre reproduzir passagens do relatório contido no Despacho Decisório de fls. 303 a 306: “(...) A Empresa Brasileira de Compressores S/A – Embraco – solicitou a restituição do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1997, no montante de R$ 3.327.058,72, através do pedido de restituição protocolado em 30/12/2003. Motiva seu pedido no entendimento extraído da decisão da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes junto ao processo nº 10920.002291/200131, recurso nº 133.858, no qual o contribuinte é parte. Tal decisão determinou o afastamento da tributação do IRPJ sobre o Lucro da Exploração, tendo em vista que o contribuinte ao ser admitido como cosolidário em Programa Especial de exportação – BEFIEX – já existente, figura na mesma condição jurídica do beneficiário original, seja quanto a responsabilidade dos tributos devidos desde o início do programa (1988), seja pelos benefícios que possam auferir (isenção do IRPJ sobre o Lucro da Exploração). (...) 3. Em análise do pedido de restituição em 07/01/2004, a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC indeferiu o pleito com base na afirmação de que à época do pedido já havia transcorrido o prazo decadencial previsto para a repetição do indébito (fls. 57/60). O contribuinte tomou ciência desta decisão em 09/01/2004 via AR (fl. 61). (...) Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 3 3 8. Tendo percorrido todas as instâncias administrativas e não conseguido manter sua tese de prazo decadencial de dez anos, o contribuinte interpôs mandado de segurança (nº 0018352 68.2010.403.6100) na Justiça Federal de São Paulo para tentar ter sua tese acolhida. Em 12/04/2012, em decisão do Tribunal Regional Federal que transitou em julgado, foi decidido que o pedido de restituição do contribuinte é tempestivo e deve ser analisado na esfera administrativa (fls. 258/302). (...)” Em cumprimento à decisão judicial, o pedido formulado em 30/12/2003 foi apreciado pela Autoridade competente da Derat/SP em março de 2013, culminando na expedição do Despacho Decisório ora impugnado. No referido Despacho, restou assim decidido: “(...) 12. No caso em testilha o contribuinte pleiteia a restituição do valor correspondente à contribuição social sobre o lucro líquido que não pagaria caso tivesse procedido à exclusão do lucro da exploração da base de cálculo do tributo. É exatamente a permissão presente no §2º do art. 10 do DecretoLei 1.219/72, só que a lei autoriza para IRPJ e o contribuinte pleiteia para CSLL. 13. No âmbito do Befiex, benefício fiscal de IRPJ não é válido para a CSLL. As normas relativas à concessão de benefícios fiscais devem ser interpretadas literalmente, conforme mandamento do art. 111 do CTN. [...] 14. Considerando todo o exposto, PROPONHO o INDEFERIMENTO do pedido de restituição do contribuinte.(...)” Em consequência, por insuficiência de crédito, as Declarações de Compensação nº 13940.74422.291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539 não foram homologadas (fls. 749 a 751). Manifestação de Inconformidade Do Despacho proferido em março de 2013, a Contribuinte foi cientificada em 27/03/2013. Em 26/04/2013, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 402 a 437, por meio da qual alega o seguinte: “(...) Fl. 977DF CARF MF 4 o resultado das exportações estava abrangido pela isenção da CSLL, nos termos do art. 2º, § 1°, "c", item 3 da Lei 7689/88 e do art. 10 do Decretolei n. 1219/72; a fiscalização não atentou para o fato de que a isenção em questão não decorre apenas do Decretolei n. 1219/72, mas também de disposição específica relativa à CSLL (o art. 2º, § 1°, "c", item 3 da Lei 7689/88); considerando que a Lei n. 7689/88 entrou em vigor no momento em que já estava em andamento o Programa BEFIEX, devese concluir que a norma de exclusão da base de cálculo prevista no art. 2º, § 1°, alínea "c", item 3 da Lei 7689/88, era inteiramente aplicável à Requerente; ainda que o referido dispositivo tenha sido revogado pela Lei 7856, de 24/10/1989, tal fato não prejudicou o direito da Requerente, haja vista que o pedido de inclusão no BEFIEX foi formulado em 27/09/1989, quando ainda se encontrava vigente o art. 2º, § 1°, alínea "c", item 3 da Lei 7689/88; além disso, o ato da autoridade fiscal que aprova o Programa BEFIEX tem natureza meramente declaratória do direito ao benefício fiscal já incorporado ao patrimônio do Contribuinte; desse modo, a lei aplicável ao presente caso é aquela vigente à época da apresentação do requerimento de inclusão no Programa, em 27/09/1989; ademais, nos termos do art. 178 do CTN, não se faz possível a revogação de isenção condicionada, como no caso do BEFIEX, atribuindo ao contribuinte que tiver adquirido o direito a não pagar um tributo por um determinado período de tempo – em contrapartida ao cumprimento de determinadas condições impostas pela lei – a segurança de que tal direito não será prejudicado por lei superveniente; sem prejuízo de tudo o que foi dito acima, é importante destacar que a isenção ora pleiteada também decorre do art. 10 do Decreto lei n. 1219/72, haja vista que a CSLL é um tributo que incide sobre o lucro; nem mesmo o art. 111 do CTN seria fundamento suficiente para indeferir seu pedido, pois ele veda a interpretação ampliativa, mas não impede a utilização dos demais métodos hermenêuticos; não se trata de ampliar o tratamento legal, mas apenas de manter a situação de não incidência de qualquer tributo sobre a renda gerada no programa incentivado. (...)” E referindose ao Despacho Complementar de que foi cientificada em 17/12/2014 (fl. 756), por meio do qual decidiuse pela não homologação das Declarações de Compensação nº 13940.74422.291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539, em sua Manifestação de Inconformidade apresentada em 12/01/2015 (fls. 759 a 776), a Contribuinte alega o seguinte: Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 4 5 “(...) preliminarmente, aponta o erro na identificação do processo nº 10920.000826/200563, que no Despacho de fls. 749 a 751, restou grafado como sendo nº 10920.000826/200663; ainda em preliminar, requer o julgamento conjunto de suas Manifestações de Inconformidade relativas aos Despachos de fls. 402 a 437 e de fls. 749 a 751; ainda em preliminar, requer o reconhecimento da suspensão do crédito tributário que lhe é cobrado em decorrência da não homologação das Declarações de Compensação nº 13940.74422. 291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539; ainda em preliminar, requer o cancelamento da referida exigência fiscal em razão da inexistência do lançamento fiscal exigido pelo art. 142 do CTN; no mérito, praticamente recupera os argumentos apresentados em sua defesa contra o indeferimento de seu pedido de restituição, acima discriminados neste mesmo relatório; a improcedência da cobrança de multa e juros de mora, haja vista que somente estaria em atraso caso houvesse transcorrido o prazo de 30 dias contados da data em que teve ciência da decisão que não homologou suas declarações de compensação; a impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício; (...)” Acórdão nº 0737.631 3ª Turma da DRJ/FNS A decisão fora segregada em tópicos, os quais serão devidamente pormenorizados a seguir. Requerimento de Juntada Posterior de Provas Entendeuse não constar que a Contribuinte tenha efetivamente apresentado requerimento de juntada de outros documentos. Assim, a menos que sejam atendidos os requisitos do Decreto nº 70.235, de 1972, seria de se indeferir o requerimento da Contribuinte. Requerimento de realização de diligência Fl. 979DF CARF MF 6 Considerando o caráter genérico do requerimento de realização de diligência formulado pela Contribuinte, fora indeferido o referido pedido, à luz do art.16 do Decreto nº 70.235, 1972. Do erro na identificação do processo apensado Decidiuse no sentido de que por conta da validação do dígito verificador dos números de processos gerados no âmbito do Ministério da Fazenda, a Contribuinte pode ter a certeza de que tal imprecisão não lhe trará maiores consequências. Do julgamento conjunto das Manifestações de Inconformidade O pedido para que as Manifestações de Inconformidade fossem julgadas em conjunto é atendido neste Acórdão único, viabilizado pela apensação do processo nº 10920.000826/200563 ao presente. Do reconhecimento de suspensão da exigibilidade À luz do que dispõe o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade de fls. 759 a 776, entendeuse encontrar suspensa a exigibilidade do crédito tributário exigido da Contribuinte em decorrência da não homologação das Declarações de Compensação nº 13940.74422. 291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539, até a data da ciência deste Acórdão. Do cancelamento da cobrança em razão da falta de lançamento tributário Considerando que o § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, expressamente dispõe que "a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados", tal requerimento fora reputado improcedente. Ademais, colacionouse a jurisprudência do STJ firmando o entendimento no sentido de que "a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providencia por parte do Fisco", nos termos da Súmula STJ nº 436. Das questões de mérito Quanto ao mérito, a autoridade julgadora fundamentou sua decisão em um ponto central: a ora Recorrente teria apresentado o seu pedido de admissão no BEFIEX apenas em 27.9.1989. Como consequência, (I) não lhe seria aplicável a isenção de CSL prevista na Lei nº 7.689/88, pois tal benefício já estaria revogado no ano de 1989; (II) em tese lhe seria Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 5 7 aplicável apenas o benefício de isenção do IRPJ, mas apenas se o programa tivesse sido aprovado até 31.12.1987, nos termos do RIR/94 e RIR/99. Da cobrança de Multa e Juros de Mora No presente caso, como as declarações de compensação não foram homologadas, os acréscimos moratórios encontramse corretamente computados desde a data de vencimento dos débitos confessados, sendo devidos até a data em que for realizado o pagamento, a prevalecer o entendimento que restou consignado neste voto quanto à matéria principal. Conclusão Ante o exposto, votouse no sentido de manter a decisão que indeferiu o pedido de restituição formulado em 30/12/2003, proferida em março de 2012, bem como a decisão pela não homologação das Declarações de Compensação nº 13940.74422.291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539, proferida em dezembro de 2014. Recurso Voluntário Peço vênia para reproduzir a exposição sintética dos argumentos trazidos em sede de recurso voluntário: “(...) (i) No presente processo discutese exclusivamente o direito da recorrente à isenção de CSL relacionada ao lucro de exportações no âmbito do programa BEFIEX. Não há qualquer dúvida ou discussão a respeito do direito em si da Recorrente à fruição dos benefícios concedidos no Programa BEFIEX; (ii) Em relação à empresa EMBRACO (sucedido pela Recorrente), essa sociedade foi incluída como coparticipante e cosolidária no Programa BEFIEX da empresa CONSUL, solicitada em 11.11.1987. Portanto, para todos os fins de direitos, a legislação aplicável aos benefícios da EMBRACO é a mesma aplicável ao programa CONSUL; (iii) Em relação ao tratamento pela CSL, essa contribuição foi originalmente instituída pela Lei nº 7.689/89, que trouxe uma isenção expressa para lucros de exportações no âmbito do Programa BEFIEX; (iv) A isenção introduzida pela Lei nº 7.689/89 é plenamente aplicável à Recorrente, uma vez que a Recorrente já possuía todos os direitos e obrigações desde a sua instituição, inclusive Fl. 981DF CARF MF 8 em função da sua adesão na condição de coparticipação e co solidariedade no programa BEFIEX concedido à CONSUL; (v) Embora a isenção da CSL tenha sido posteriormente revogada pela Lei 7.856/89, essa revogação não alcançou o Programa BEFIEX da Recorrente, concedido sob condição onerosa e prazo certo, em respeito ao artigo 178 do CTN; (vi) Ademais, mesmo que se considere que a EMBRACO aderiu ao BEFIEX apenas em 27.9.1989 (data do se pedido de adesão como coparticipante e cosolidária e que foi considerada pelo v. Acórdão recorrido), o que se admitiria apenas para argumentar, ainda assim a revogação da CSL não lhe seria aplicável, uma vez que tal norma revogadora somente produziu efeitos a partir de 1.1.1990, nos termos do art. 104, inciso III, do CTN; (vii) Por tudo isso, a Recorrente faz jus ao crédito de CSL do anocalendário 1997, por conta da isenção da tributação pela CSL dos resultados decorrentes de exportações no âmbito do Programa BEFIEX como determinado pelo art. 2º, §1º, alínea “c” da Lei nº 7.689/89.(...)” Subsidiariamente o ora recorrente requer seja reconhecida a improcedência da aplicação da multa em face da não homologação das suas compensações e aplicação de juros de mora de qualquer natureza sobre a multa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Mérito A fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância concluem que o lucro decorrente de exportações incentivadas não seria excluído da base de cálculo da contribuição social, ou seja, não aproveitaria os benefícios da Lei nº 7689/88, nos termos do art. 451 do RIR/94 (ou 474 do RIR/99). Referido dispositivo e/ou referida assertiva devem prestarse como norte à presente análise, tendo como utensílios todos os pressupostos legais que a sucederam e as situações fáticas delineadas pelo recorrente em seu Recurso Voluntário. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 6 9 Em síntese, as alegações do recorrente podem ser divididas em três vertentes principais: i) o momento de gozo do benefício fiscal pela empresa CONSUL; ii) a legitimidade da ora recorrente na coparticipação ou cosolidariedade e os efeitos concretos deste ato; iii) a suposta impossibilidade de revogação ou modificação, da isenção, por lei, a qualquer tempo, quando concedida por prazo certo e em determinadas condições. Quanto ao primeiro ponto (“i) o momento de gozo do benefício fiscal pela empresa CONSUL”), a necessidade se restringe à menção a uma linha do tempo que leve em conta todos os atos que levaram a empresa CONSUL fazer jus à isenção: 1. Exatamente em 11.11.1987 a empresa CONSUL protocolou o pedido de aprovação de seu Programa BEFIEX; 2. Em 25.2.1988, a Comissão BEFIEX, em Reunião Plenária, submeteu parecer conclusivo ao MDIC no sentido de reconhecimento do direito da CONSUL; 3. Em 14.7.1988, foi publicada a Portaria 62 do MDIC, aprovando efetivamente o Programa BEFIEX da CONSUL; 4. Em 15.7.1988, foi emitido o Certificado nº 479/88, estabelecendo as condições para o Programa BEFIEX da Consul, sendo concedido por prazo determinado para a fruição do benefício do DL 1219/72. A aprovação do Programa BEFIEX se deu de fato na data de publicação da Portaria 62 do MDIC, inclusive segundo trechos do Certificado nº 479/88: “(...) O Programa aprovado, a ser cumprido no período de 10 (dez) anos, contados a partir de 14 de julho de 1988, assegura à EMPRESA BENEFICIÁRIA, conforme TERMO DE APROVAÇÃO BEFIEX/Nº 479/88, firmado na mesma data os seguintes benefícios (...) A efetivação dos benefícios fiscais concedidos farseá mediante declaração emitida pela Secretaria Executiva da BEFIEX nos documentos de importação dos bens amparados pelo Programa aprovado. (...)” Devese salientar, incialmente, que o Código Tributário Nacional estabelece especificamente a obrigatoriedade de intepretação literal da legislação que trata da concessão de isenção, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; Fl. 983DF CARF MF 10 (...)” Desta feita, cumprenos destacar os dispositivos que instrumentalização a outorga do benefício fiscal, dispostos no DecretoLei nº 1219/72, e delimitam as condições para o seu usufruto: “Art. 1º As empresas fabricantes de produtos manufaturados que tiverem Programa Especial de Exportação gozarão, na forma deste Decretolei, de isenção dos impostos sobre a importação e sobre produtos industrializados bem como dos demais benefícios previstos neste DecretoIei. (...) § 2º As importações realizadas com isenção nos termos deste Decretolei não estão sujeitas às normas previstas nos artigos 17 e 18 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, ficando porém restritas a itens a serem aprovados: I Pelo Ministro da Indústria e do Comércio no caso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramental, novos ou usados, bem como conjuntos, partes, peças e acessórios; Il Pelo Conselho de Política Aduaneira, no caso de matérias primas e produtos intermediários. Art. 2º Para habilitação aos estímulos previstos neste Decreto lei, as empresas submeterão ao Ministério da Indústria e do Comércio e ao Conselho de Política Aduaneira o seu programa de exportação, acompanhado da relação que discrimine os bens a importar com a estimativa de suas quantidades e valores. Parágrafo único. Após o exame e aprovação competentes, o Ministério da Indústria e do Comércio ou o Conselho de Política Aduaneira encaminharão as relações de mercadorias que poderão ser importadas à Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação (BEFIEX), a que se refere o artigo 6º deste Decretolei. (...) Art. 6º Fica criada, junto ao Ministério da Fazenda, a Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais e Programas Especiais de Exportação BEFIEX, com a finalidade de opinar conclusivamente concessão dos benefícios que trata este Decretolei. (...)” Através da observância dos normativos supracitados resta claro que a habilitação à concessão do benefício está condicionada ao exame e aprovação das autoridades competentes. Não há qualquer menção à solicitação da concessão do benefício, de modo totalmente unilateral, como o ato que habilitaria de pronto o contribuinte ao usufruto do benefício. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 7 11 Mesmo que se amplie o foco da interpretação, não há como se subsumir da lei e da sistemática que respalda a concessão do benefício, que a simples solicitação por parte do beneficiário possa caracterizar a constituição e aquisição de um direito, como quer fazer crer o recorrente. A própria natureza jurídica de uma isenção, lato sensu, pressupõe a efetivação mediante despacho da autoridade administrativa. Vejamos: “Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão.” O despacho, por si, não gera direito adquirido extensivo a todo o prazo delimitado, uma vez que se estabelece cenário em que o contribuinte deve a todo momento satisfazer as condições impostas para o gozo do benefício, de forma gradativa e contínua. No entanto relativo despacho é suficiente para resguardar paulatinamente e durante a vigência periódica da isenção, o direito do contribuinte. Ora, quando nem o próprio despacho administrativo gera o direito adquirido de forma definitiva e perpétua (dentro do prazo delimitado) ao contribuinte, não há que se cogitar a possibilidade da simples solicitação unilateral o fazer. Quando estamos a falar de isenção por prazo certo, há uma origem contratual. Existe um pacto entre o sujeito passivo e o sujeito ativo no sentido de o primeiro desenvolver determinadas atividades no território do segundo, objetivando a expansão da economia local ou regional. Essas isenções têm feição contratual à medida que a lei específica deverá detalhar as condições para sua fruição, discriminando os tributos por elas abrangidas, bem como assinalando o prazo de sua duração, nos termos do art. 176 do CTN. Em uma relação contratual como a ora delineada há um acordo de vontades bilateral, do qual presumese: a vontade da beneficiária como o acréscimo patrimonial, o benefício econômico e financeiro propriamente dito; e a vontade do Estado é o interesse público, a positivação concreta de direitos sociais. A existência do benefício depende de ação das duas partes. O Estado concede o benefício, se, e somente se, o contribuinte cumprir as exigências e condições para o usufruto e se o Poder Público julgar que o cumprimento dos requisitos por aquele contribuinte particular e peculiar irá de encontro ao interesse da coletividade. O simples preenchimento dos requisitos no momento da solicitação da isenção não basta. As individualidades de cada caso devem ser observáveis pelo Estado e submetidas ao seu crivo, para que a sistemática não se baseie em um cumprimento unilateral. Do contrário, colocarseia em risco o atendimento ao interesse público e o pátrio ordenamento jurídico deve fazer imperar o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, sendo esta a diretriz que rege a outorga da isenção. Fl. 985DF CARF MF 12 A concessão do benefício atinge diretamente a atividade do contribuinte, em termos financeiros e econômicos, mas visa de fato, como finalidade única e exclusiva, a contribuição indireta à sociedade, promovendo meios que ultimem o bemestar e a paz social (diretrizes da CF/88). Além do mais, os chamados programas especiais de exportação foram concebidos com o propósito de estimular a geração de divisas. O comércio de bens e serviços está em equilíbrio quando as exportações geram divisas suficientes para pagar pelas importações. O atrativo básico é que uma empresa que exporte um montante determinado pode importar com redução ou isenção de impostos insumos que compõem sua linha de produção destinada ao mercado interno, em valor correspondente a uma percentagem do montante exportado. Com base nessas informações, a Secretaria Executiva prepara seu parecer, que é submetido ao Plenário. Nos casos favoráveis, o Plenário recomenda sua aprovação ao ministro da Indústria e do Comércio. Em caso de aprovação, a data de início da operação do programa passa a ser a mesma da Portaria do ministro. No entanto, também compete à BEFIEX, dentre outros (art. 7º do DL 1219/72): estabelecer as rotinas a serem seguidas em cada caso, podendo acompanhar a execução do programa de exportação e importação; realizar as diligências necessárias ao bom cumprimento de suas atribuições e sugerir as providências necessárias para melhor amparar a execução de cada programa; aprovar o preço de venda na transferência de bens importados, com os benefícios do artigo 1º do DL 1219/72 entre as empresas integrantes de um mesmo programa de exportação; recomendar ao Ministro da Fazenda a suspensão do direito de importar os bens indicados no artigo 1º, uma vez verificado o não cumprimento do compromisso de exportar assumido pela empresa por ocasião da aprovação do programa. A simples exportação, mesmo que cumpridos todos os requisitos, não pode supor automaticamente a isenção no lucro tributável. É necessário que o órgão competente estabeleça os parâmetros para o efetivo gozo do benefício. A aprovação, então, revela não só o consentimento, mas a consequente atuação ótima dos órgãos competentes no atendimento ao interesse público. A restrição ao contribuinte não está adstrita apenas aos condicionantes da lei, mas também aos condicionantes fáticos particulares de cada contribuinte definidos pelos órgãos competentes. Neste caso concreto soa totalmente incabível que a solicitação teria caráter constitutivo do direito e a aprovação por órgão competente, por outro lado, caráter meramente declaratório. A situação é diametralmente oposta. A solicitação, quando em consonância com os requisitos legais, tem caráter declaratório unilateral, sendo que a constituição gradativa do benefício se dá com o cumprimento gradativo dos requisitos ao longo do prazo de isenção e de acordo com as diretrizes gradativamente impostas pelo Poder Público (programa BEFIEX), de acordo com os interesses da coletividade. Concluise, portanto, quanto a este ponto, que a data de concessão do benefício à empresa CONSUL, se deu em 14.7.1988, com a publicação da Portaria 62 do MDIC, aprovando efetivamente o Programa BEFIEX. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 8 13 Quanto à outra ideia destacada em momento inicial deste voto (“ii) a legitimidade da ora recorrente atuar como coparticipante ou cosolidária e os efeitos concretos deste ato”), não se pode esvair a aplicação sempre essencial de que a lei deve ser interpretada literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN. Neste albor, o Dl nº 1219/72, em seu art. 5º, §2º possibilita de forma expressa a coparticipação: “(...) Art. 5º Poderá ser admitida a participação de mais de uma empresa na proposição, implementação e execução do programa de exportação, ficando, neste caso, facultada, mediante comunicação prévia à BEFIEX e, a preços por esta fixados, a transferência, a título oneroso, entre as empresas integrantes do mesmo programa, dos bens importados com os benefícios previstos no artigo 1º deste Decretolei. (...) § 2º A participação de mais de uma empresa no programa de exportação implica na responsabilidade solidária das empresas pelas obrigações tributárias, inclusive penalidades, previstas neste Decretolei e nas demais normas destinadas a complementálo. (...)” O aditamento ao Certificado nº 479/88 realizado em 27.9.1989 incluiu a ora recorrente como participante do Programa BEFIEX e, assim, compulsionou a sua reponsabilidade por obrigações tributárias passadas, presentes e futuras no mesmo passo em que concedeulhe a possibilidade de gozo da isenção de forma retroativa, desde a data da aprovação da empresa CONSUL. Tornase irretorquível, desta forma, a aplicação do art. 125 do CTN. Eis a dicção legal do referido dispositivo legal: “Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: (...) II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo;" O ora recorrente, como participante, passa a ser obrigado e, assim, é passível de exoneração mediante a isenção. Neste momento essencial que se regrida ao histórico da construção legislativa para atingirse o mote da controvérsia. Fl. 987DF CARF MF 14 A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foi instituída pela Lei 7.689/1988, passando a vigorar exatamente na data de sua publicação, em 16/12/1988. Referida lei, especificamente em seu item 3, da alínea “c”, § 1º, do artigo 2º, manteve intacta a aplicação do art. 10 do DL nº 1279/72, no intuito de discriminar exatamente a tratativa conferida a parcela correspondente à exportação de produtos manufaturados no lucro tributável, para fins de não incidência da CSLL. A redação dos seguintes normativos é a seguinte: “Art. 10. As empresas poderão abater do lucro tributável a parcela correspondente à exportação de produtos manufaturados.” “Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) 3 exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1°, § 1°, do Decretolei n° 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores;(...)” No entanto, a Lei nº 7.856, de 24/10/89, revogou o item que concedia o benefício fiscal e autorizava a pretendida exclusão da base de cálculo: “Art. 7° Revogamse o n° 3 da alínea c do § 1° do artigo 2° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, e demais disposições em contrário.” Além disso, a Lei nº 7.988, de 28/12/1989, expressamente vedou a exclusão do lucro de exportações incentivadas da base de cálculo da CSLL, nos seguintes termos: “Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989: (...) II o lucro decorrente de exportações incentivadas não será excluído da base de cálculo da contribuição social, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988.” Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 9 15 De todas as alterações legislativas e do aditamento ao Certificado nº 479/88 apenas uma conclusão é possível: o ora recorrente fez jus ao benefício especificamente relativo a isenção de CSLL, de 16.12.1988, data da instituição do tributo, (posterior a aprovação da empresa CONSUL), até 24.10.1989, data da revogação expressa do benefício fiscal extensivo ao tributo em tela. Cumprenos destacar ainda que a extensão da isenção a outros tributos, instituídos posteriormente, não é uma regra. Ao contrário, é uma exceção que se concretiza caso haja disposição de lei conferindo e delimitando expressamente a abrangência do benefício. Neste sentido é a disposição contida no Código Tributário Nacional: “Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: (...) II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.” Conforme delineado, havia normativo que de forma cristalina dispunha a extensão dos efeitos do benefício incialmente aplicáveis ao IRPJ, também à CSLL. Superado este ponto cumprenos analisar a última questão (“iii) a alegação de que a isenção não poderia ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, quando concedida por prazo certo e em determinadas condições”), no entanto, dando ênfase primeiramente a evolução legislativa do instrumento revogador da isenção. Veja, o Decretolei nº 2.397/87, entra em vigor em 22.12.1987, revogando o benefício fiscal especificamente em seu art. 11, parágrafo único. Pouco tempo depois, no entanto, exatamente em 12.2.1988, tal dispositivo legal é revogado por meio do Decreto nº 2.413/88, restabelecendo a legalidade da isenção. Neste sentido não são afetadas as conclusões atingidas no último ponto destacado (“ii)”). O benefício estava em plena vigência tanto para o IRPJ quanto para a CSLL de 16.12.1988 até 24.10.1989. Ocorre que o saldo negativo de CSLL aqui discutido se consumou em 1997 e é sob este período que recai o suposto crédito para a compensação. Ora, em 1997 vigia a redação do RIR/94 (Decreto nº 1.041/94), que efetivava novamente a revogação do benefício, trazendo à tona a disposição do decreto nº 2.397/87, art. 11, parágrafo único. Tratase da redação do art. 451 (RIR/94): “Art. 451. A empresa fabricante de produtos manufaturados, que tiver Programa Especial de Exportação aprovado até 31 de dezembro de 1987 pela Comissão – BEFIEX, continuará percebendo os benefícios previstos no Decretolei nº 1.219, de 15 de maio de 1972, e modificações posteriores, durante o prazo de vigência do mesmo Programa (Decretolei nº 2.397/87, art. 11, parágrafo único).” Fl. 989DF CARF MF 16 Neste ponto é possível a conciliação dos três pontos neste voto destacados para concluir pela inexistência do crédito de CSLL neste período específico. Apesar de toda a evolução legislativa e o surgimento da CSLL neste contexto, no período do suposto crédito vigia a aplicação do RIR/94. Este definia de modo inequívoco que o benefício só seria aplicável para os Programas BEFIEX aprovados até 31 de dezembro de 1987. Como vimos no ponto “i)” restou inequívoco que a aprovação do Projeto se deu em 14.7.1988 e que, apesar do ora recorrente fazer jus ao benefício diante da solidariedade que se instaura, como explicitado no ponto “ii)”, a lei isentiva, no caso o art. 451 do RIR/94, deve ser aplicada de modo literal. Desta forma, como a aprovação se deu posteriormente à 31.12.1987, há que aplicar referido normativo, o qual revoga o permissivo de exclusão da parcela correspondente à exportação de produtos manufaturados do lucro tributável. Neste contexto, a alegação do contribuinte de que a isenção em tela não poderia ser modicada ou revogada a qualquer tempo não merece prosperar. Como já salientado, a essência de uma isenção se vincula ao interesse público. Tratase uma medida de cunho extrafiscal que visa a concretização de diretrizes e finalidades consagradas na Carta Constitucional. Isto não dá direito ao Estado de agir de modo arbitrário e unilateral, mas guarda a questão da prevalência do interesse público sobre o privado. Neste sentido, a revogação ou modificação pode sim ser realizada a qualquer tempo pelo Poder Público, uma vez respaldado pelo interesse da coletividade e pela busca de materialização de direitos constitucionalmente consagrados, desde que este último compense o prejuízo iminente ao patrimônio do contribuinte, que deveras se planeja esperando o cumprimento do contrato de isenção de acordo com as suas condições iniciais, notadamente no que diz respeito ao prazo e as condições preestabelecidas. É um dever do Estado manter a relação de confiança que se instaura contratualmente. Mas quando falamos do interesse público e da intenção de alcance ao bem estar e paz social, tal confiança pode ser relativizada, desde que procedida de devida indenização ao contribuinte prejudicado. Assim entende Paulo de Barros de Carvalho (apud AMARO, 2009, p. 288) asseverando que, ainda que determinado contribuinte cumpra as condições estabelecidas pela lei que concede a isenção, esta poderá ser revogada, caso em que deverá ser concedida justa indenização em razão dos prejuízos causados. Esse entendimento é compartilhado por TORRES (2012), que ressalta o compromisso da boa administração, bem como seu dever de moralidade e eficiência. Professora o autor: “(...) As isenções legais condicionadas, concedidas individualmente e por prazo certo, são compromissos de políticas públicas que vinculam o Estado à sua manutenção, pela confiança gerada sobre o aproveitamento do direito, como signo de direito a uma boa administração, uma vez que toda isenção deve cumprir um objetivo de Estado, ainda que seja a redução de desigualdades. (...) Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10920.003927/200324 Acórdão n.º 1201001.621 S1C2T1 Fl. 10 17 Quando editada lei que define todos os seus contornos, e o contribuinte, confiante na continuidade do plano legal, realiza investimentos e acomodase às condições exigidas, exsurge daí a confiança na manutenção da isenção na forma como prevista na lei concedente. (...) A preservação dessa confiança é um dever de moralidade e eficiência administrativas, as quais devem vir amparadas pela garantia da segurança jurídica e pela proteção do direito adquirido, ex vis do art. 5º, XXXVI, da CF. (...)” A aplicação literal, e mesmo histórica e sistemática, do art. 451 do RIR/94 conduzemnos a conclusão de que a CSLL, neste caso, é devida e não deve perfazer crédito para fins de compensação. Razão pela qual mantenho a decisão que indeferiu o pedido de restituição formulado em 30/12/2003, proferida em março de 2012, bem como a decisão pela não homologação das Declarações de Compensação nº 13940.74422.291004.1.3.032528 e nº 25147.15854.301104.1.3.039539, proferida em dezembro de 2014. Ademais, quanto a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, reproduzo a necessidade de aplicação do §11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (em referência específica ao §10), com a apresentação tempestiva do Recurso Voluntário, para efetivar a disposição do inciso III do art. 151 do CTN. Por fim, reputo as provas constantes dos autos plenamente hábeis e idôneas à resolução da lide no que coube ao direito exposto pelo presente julgador. Da Incidência de Juros sobre a Multa Em relação à incidência de juros sobre a multa, tenho que a corrente dominante neste Conselho com a qual me alinho, vai no sentido de que a multa de ofício uma vez devida, passa a fazer parte do crédito tributário e, portanto, sujeito à incidência mensal dos juros Selic. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 991DF CARF MF 18 Fl. 992DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987793/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10880.987793/2012-01
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794775
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.975
nome_arquivo_s : Decisao_10880987793201201.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10880987793201201_5794775.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6994370
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049730864381952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.987793/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.975 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria Restituição Recorrente CAMARGO & VARGAS G4 CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 93 /2 01 2- 01 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.987793/201201 Acórdão n.º 1401001.975 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987793/201201 Acórdão n.º 1401001.975 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987793/201201 Acórdão n.º 1401001.975 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720027/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 13/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.720027/2011-71
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801212
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.894
nome_arquivo_s : Decisao_10120720027201171.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10120720027201171_5801212.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7024049
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049730943025152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720027/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.894 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/PASEP Recorrente CAMPO ALEGRE DE GOIÁS MUNICÍPIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. Inexistindo efetiva comprovação das transferências realizadas aos entes públicos, não poderão os Municípios deduzir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP eventuais repasses. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 27 /2 01 1- 71 Fl. 864DF CARF MF 2 EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 812818: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência de Pasep – Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, relativo aos períodos de apuração 01/2006 a 12/2008 (fls. 473/487) totalizando o valor de R$ 238.625,71, com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/12/2010. VERIFICAÇÃO FISCAL: No Relatório Fiscal (fls. 489/490) a autoridade lançadora informa, em resumo, que: O Procedimento Fiscal teve como escopo verificar a correta apuração de Pasep no período acima citado. O Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF) foi emitido em 13 de setembro de 2010, conforme documento integrante do presente processo fls. 2 . A ciência por meio dos Correios (AR Aviso de Recebimento) ocorreu em 15 de setembro de 2010 fls. 3. Foram solicitados para desenvolvimento dos trabalhos fiscais os seguintes documentos: Balancetes Mensais Consolidados Comparativos da Receita Prevista com a Arrecadada, DCTF (fotocópias) e DARF (fotocópias). Os documentos foram apresentados de forma incompleta, já que trouxeram apenas os comparativos relativos aos meses de dezembro de cada ano fls. 06 a 35. Além destes foram apresentados também os documentos relativos aos DARF fls. 37 a 129. Após várias solicitações verbais, os comparativos mensais foram devidamente apresentados (fls.130/297). As DCTF relativas ao exercício de 2006 foram entregues com valores de débito declarado, enquanto que as demais (2007 e 2008) foram entregues sem declaração de débitos. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10120.720027/201171 Acórdão n.º 3302004.894 S3C3T2 Fl. 3 3 Da análise dos documentos apresentados, esta fiscalização emitiu o Termo de Constatação n° 0001 em 03/12/2010 (fls.298), no qual foi registrado o valor originário de R$ 114.603,47 relativo a contribuições não recolhidas, acompanhado do Demonstrativo de Apuração do Pasep fls. 300/301. O referido termo foi encaminhado pelos Correios e a ciência ocorreu em 07/12/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) constante às fls. 302. Em 16 de dezembro de 2010, fora do prazo concedido, a prefeitura apresentou manifestação sobre o referido Termo de Constatação, conforme documento fls. 304. Por intermédio deste documento o contribuinte solicita "mais esclarecimentos referente ao Termo de Constatação Fiscal n° 0001/2010, uma vez que discorda dos valores apurados na auditoria". O contribuinte não define ou detalha quais esclarecimentos necessita nem tão pouco apresenta qualquer dado relativo a sua contestação, apenas manifesta que discorda dos valores apurados. Também reapresenta todos Balancetes Mensais Consolidados Comparativos da Receita Prevista com a Arrecadada, esclarecendo que os anteriormente entregues possuíam divergências, solicitando uma nova auditoria. O auditor esclareceu que o Demonstrativo de Apuração do Pasep anexo ao referido Termo de Constatação é auto explicativo e além da planilha que detalha o cálculo das diferenças apuradas de forma prática (fls.300) , possui um conjunto de Notas (fls.301) que explica individualmente cada coluna componente do demonstrativo. Pela falta de objeto do pedido e transparência no cálculo das diferenças apresentadas, não houve condições de atender a solicitação constante da manifestação. Com base nestes novos documentos apresentados (comparativos) fls. 305 a 472, foi elaborado novo demonstrativo que serviu de base para a presente autuação. O crédito tributário foi apurado com base na contribuição equivalente ao percentual de 1% (um por cento) e teve como base de cálculo os valores constantes da planilha Demonstrativo de Apuração do Pasep anexa a este relatório fiscal, integrante do Auto de Infração fls. 473/488. As receitas tributadas na fonte e excluídas da base de cálculo do demonstrativo, constam dos relatórios extraídos do SISBB (Sistema de Informações do Banco do Brasil) DARF Distribuição de Arrecadação Federal, documentos fls. 495 a 600. Os valores recolhidos, bem como os declarados em DCTF antes do início da ação fiscal, foram considerados no levantamento e constam dos sistemas DETALHA DCTF e PAGAMENTOS, anexos ao presente processo fls. 602 a 609. O valor Fl. 866DF CARF MF 4 consolidado do crédito tributário é de R$ 238.625,71 (Duzentos e trinta e oito mil seiscentos e vinte e cinco reais e setenta e um centavos). O Auto de Infração, seus demonstrativos e relatório fiscal encontramse às fls. 447/ 488 deste processo. Todos os dados foram extraídos dos Comparativos da Receita Prevista com a Arrecadada, do período objeto da ação fiscal, fornecidos pelo sujeito passivo. O enquadramento legal, as instruções para o contribuinte, o demonstrativo de apuração e o demonstrativo de multas e juros de mora fazem parte dos demonstrativos anexos ao auto de infração. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 17/01/2011, conforme AR – Aviso de Recebimento às fls.620/621. IMPUGNAÇÃO: O contribuinte ingressou com Impugnação em 16/02/2011 (fls.627), nos seguintes Termos: Que foram excluídos da base de cálculo dos valores correspondentes aos recursos oriundos de transferências da união, quais sejam: SUS, Pab Fixo, Vigilância Sanitária, PACS, ECDDeng, PSF, Saúde Bucal, Farmácia Básica, Hipertens, recursos estes administrados pelo Fundo Municipal de Saúde, órgão este com autonomia própria. Foram excluídos também da base de cálculo os recursos provenientes de transferências PAC/Creche, Programa Sentinela, Bolsa Família, Salário Educação, Penat, Peti, e outros destinados ao transporte escolar, alem de recursos de governo específicos. Os recursos acima mencionados são destinados a programas específicos do Governo Federal e Estadual, sendo o município apenas o órgão recebedor e com obrigações de executar as metas pré estabelecidas, portanto, os mesmos não devem ser considerados como receitas próprias do município, receitas estas que estão sujeitas a tributações de contribuições ao PASEP. Para comprovação dos débitos, estamos encaminhando relatório descriminando mensalmente os valores das receitas próprias, inclusive aquelas que já retém na fonte a contribuição devida, demonstrando ainda os valores dos recursos que não devem compor a base de calculo das referidas contribuições fls.629/630. Em 12 de novembro de 2014, houve por bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/RJ1), por unanimidade de votos, negar provimento a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10120.720027/201171 Acórdão n.º 3302004.894 S3C3T2 Fl. 4 5 PASEP PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PASEP devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é a totalidade das receitas correntes arrecadadas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, e das transferências correntes e de capital recebidas. Intimada da decisão de piso em 22.04.2015 (fls.822), a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls.827832, alegando, além das matérias suscitadas na impugnação que, a multa é confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 22.04.2015 (fls.822) e protocolou Recurso Voluntário carreado às fls.827839. Contudo, por inexistir registro do protocolo relativo a correta data do recebimento, a unidade de origem emitiu o despacho de fls. 848 e certificou a tempestividade do recurso, a saber: O contribuinte acima identificado teve ciência, em 22/04/2015, do ACÓRDÃO de fls. 812/818, conforme AR (fls. 822). Através da peça de fls. 827/839, interpôs Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Não foi possível determinar a tempestividade do recurso tendo em vista que o protocolo não registrou a data de recebimento. Mas, observandose a data de assinatura do recurso, seria intempestivo. Contudo, informei como tempestivo no SIEFProcessos. Assim, encaminhese o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de apreciação. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de mérito II.1 Base de Cálculo do PIS/PASEP A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep foi instituída pela Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970. Nos termos desse diploma, são contribuintes do Pasep a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios, bem como suas autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações. O artigo 2º da LC nº 08/70 assim dispõe: Fl. 868DF CARF MF 6 Art. 2º. A União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os territórios contribuirão para o Programa, mediante recolhimento mensal ao Banco do Brasil das seguintes parcelas: I – União: 1% (um por cento) das receitas correntes efetivamente arrecadadas, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971; 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subsequentes. II Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios: a) 1% (um por cento) das receitas correntes próprias, deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública, a partir de 1º de julho de 1971, 1,5% (um e meio por cento) em 1972 e 2º (dois por cento) no ano de 1973 e subseqüentes; b) 2% (dois por cento) das transferências recebidas do Governo, da União, dos Estados, através do Fundo de Participações dos Estados, Distrito Federal e Municípios, a partir de 1º de julho de 1971. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora discutidos, 2006 a 2008, a incidência de tal contribuição se efetivou em consonância com as inovações introduzidas pela Lei nº 9.715/98, com alterações promovidas pela MP nº 2.15835/01, que assim dispõe: Lei nº 9.715/98 Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III – pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7º Para efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (Grifouse) Decreto nº 4.524/2002 Art. 70. As pessoas jurídicas de direito público interno, observado o disposto nos arts. 71 e 72, devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas (Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, inciso III, § 3º e art. 7º). § 1º Não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. § 2º Para os efeitos deste artigo, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno. (...) Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10120.720027/201171 Acórdão n.º 3302004.894 S3C3T2 Fl. 5 7 No caso da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, portanto, a base de cálculo do Pasep é composta pelas receitas correntes arrecadadas, transferências correntes destinadas à manutenção e funcionamento de serviços e transferências de capital destinadas a investimentos, recebidas de outras entidades da Administração Pública. Além disso, poderão ser deduzidas da base de cálculo as transferências que tais contribuintes destinarem a outras entidades da Administração Pública, evitandose, com isso, a dupla tributação. No presente caso e, por concordar com os argumentos da turma "a quo", afasto o direito da Recorrente com base nas mesmas razões de decidir contida na decisão recorrida, a saber: Assim ao analisar a planilha de apuração elaborada pela fiscalização (fls. 491/492) observase que a mesma seguiu os ditames legais acima citados. Foram incluídas as Receitas Correntes e as Receitas de Transferências de Capital, excluídos os valores retidos pela União sobre o repasse do FPM. Não tendo o Município efetuado qualquer repasse à outras entidades públicas, nada mais havia para ser excluído. Assim, as exclusões efetuadas pelo Município da sua base de cálculo na coluna dedução Receita de Convênio (fls.629) não encontra respaldo na legislação de regência. Quanto à alegação de que o Fundo Municipal de Saúde possui autonomia, a mesma não o transforma em entidade da administração pública. Malgrado a inscrição dos Fundos Municipais de Saúde ser no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, esta inscrição é de natureza meramente contábil, ou seja, o Fundo Municipal de Saúde não terá personalidade jurídica própria, nesse sentido não realizará contratos e tão pouco participará de eventuais demandas judiciais. O FMS não terá funcionários, não celebrará contratos de prestação de serviços e nem participará dos pólos de eventual relação jurídica processual, devendo, nesses casos, figurar o ente federativo, no caso o Município Pessoa Jurídica de Direito Público interno. Este entendimento se justifica, pois em análise ao regulamento do CNPJ fica claro que o cadastramento das entidades equiparadas visa tão somente o rastreamento do recurso. Assim, a apuração do autuante às fls. 491/492 obedeceu a legislação de regência não restando razão ao contribuinte. Neste cenário, razão não assiste ao Recorrente quanto a dedução da base de cálculo dos valores que sequer foram repassados àqueles entes públicos. II.2 Da Não cobrança das multas Alega a Recorrente que, caso não seja cancelado no lançamentos fiscal, deve se expurgar do Auto de Infração a multa, posto tratarse de penalidade com efeito confiscatório. Referida matéria somente foi arguida pela Recorrente em sede recursal, ensejando, assim, a determinação contida no artigo 17, do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 870DF CARF MF 8 Com base na norma anteriormente citada, resta prejudicada a análise dos argumentos suscitados pela Recorrente. III Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento.. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 871DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721151/2013-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO.
I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento.
II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação.
IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento.
REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA.
Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995.
Numero da decisão: 9101-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flavio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I - Construção empreendida pelo Decreto-lei nº 1.598, de 1977, encontra-se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizando-se a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II - O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinou-se que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizando-se a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III - A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV - Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16682.721151/2013-36
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794040
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.005
nome_arquivo_s : Decisao_16682721151201336.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16682721151201336_5794040.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flavio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6992565
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731051028480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2402; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.022 1 1.021 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16682.721151/201336 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.005 – 1ª Turma Sessão de 8 de agosto de 2017 Matéria CSLL ADIÇÃO DE DESPESA DE ÁGIO NA BASE DE CÁLCULO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BBBANCO DE INVESTIMENTO S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I Construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. II O segundo momento operacionalizou sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. De um lado, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. De outro, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida, viabilizandose a neutralidade do sistema e a convergência para fins fiscais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. III A mesma premissa deve ser considerada para o primeiro (aquisição) e terceiro (desfazimento) momentos. No desfazimento, o ágio deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 51 /2 01 3- 36 Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.023 2 considerado na apuração da base de cálculo do ganho de capital. Na aquisição, o sobrepreço contabilizado só poderá ser objeto da amortização se ocorridas as hipóteses de aproveitamento previstas expressamente na legislação. IV Nítida e transparente a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos, em seus diferentes momentos: aquisição, desenvolvimento e desfazimento. REGRAS GERAIS DE DEDUTIBILIDADE. ÁGIO. DESPESA. Ágio é despesa, submetida a amortização, submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, e com repercussão tanto na apuração do IRPJ quando da CSLL, conforme art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luis Flavio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Ausente, justificadamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.024 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrido BB Banco de Investimentos S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1201 001.237 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas de amortização de ágio, na ausência de absorção do patrimônio entre as empresas investida e investidora. A autuação adotou como fundamento especialmente o art. 57 da Lei n. 8.981/1995, aplicando, então, a mesma regra de dedutibilidade de despesas de ágio destinadas ao IRPJ. Nesse sentido, assim se expressou o i. agente fiscal: “Desde logo, destacamos que as normas de apuração e de pagamento do Imposto de Renda aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, salvo disposição legal expressa em contrário. Esta é a regra fundamental, princípio básico emanado da Lei 8.981/1995, e reproduzido em atos normativos: (...)” O acórdão recorrido Conforme se colhe do acórdão recorrido, esses são os fatos presentes neste caso (efls. 698 e seg.): “No curso do período fiscalizado ocorreu a cisão parcial da contribuinte, em Setembro/2009, com a versão de parte de seu patrimônio para empresas do mesmo grupo econômico, BB SEGUROS PARTICIPAÇÕES S/A e BB ALIANÇA PARTICIPAÇÕES S/A” (efls. 698). “Destacamos que o presente auto de infração trata da nãoadição das despesas de amortização de ágio, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL” (efls. 699). “Verificase que o ágio amortizado nos anoscalendários 2009 e 2010 deriva de aquisições de participações nas seguintes empresas controladas/coligadas: CIA. DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL – aquisição em 29/08/2008 – ágio amortizado em 2009 no valor de R$ 70.454.700,00) parcelas relativas ao período de Janeiro/2009 a Setembro/2009) – em Setembro/2009, ocorreu a cisão parcial da fiscalizada, na qual este investimento foi transferido para o patrimônio de outra empresa; BRASILPREV – aquisição em 17/08/1999 – ágio amortizado em 2009 no valor de R$ 381.589,60 (parcelas relativas ao período de Janeiro/2009 a Julho/2009, ao fim do qual o ágio resultou inteiramente amortizado) – em Setembro/2009, ocorreu a cisão parcial da fiscalizada, na qual este investimento foi transferido para o patrimônio de outra empresa; CIA. BRASILEIRA DE MEIO DE PAGAMENTO (CBMP) – aquisição em 12/07/2010 – ágio amortizado em 2010 no valor de R$ 35.707.815,00 (parcelas relativas ao período de Julho/2010 a Dezembro/2010); CIA BRASILEIRA DE SOLUÇÕES E SERVIÇOS (CBSS) – aquisição em 12/07/2010 – valor do ágio amortizado em 2010 no valor de R$ 2.152.471,98 (parcelas relativas ao período de Julho/2010 a Dezembro/2010)” (efls. 701). “A Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 30/09/2009 contém as seguintes deliberações: Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.025 4 a) cisão parcial do BB BANCO DE INVESTIMENTO S/A, com versão parcela cindida para BB SEGUROS PARTICIPAÇÕES S/A (BB SEGUROS) e para BB ALIANÇA PARTICIPAÇÕES S/A (BB ALIANÇA), com database em 30/06/2009; b) o patrimônio vertido para BB SEGUROS e BB ALIANÇA foi no valor de R$ 1.543.547.902,35, equivalente a 109.388.544 ações, sendo esta a redução inicialmente operada no capital de BB BANCO DE INVESTIMENTO; c) após cisão, promoveuse o aumento do capital de BB BANCO DE INVESTIMENTO, com capitalização integral da Reserva Legal, no valor de R$ 314.549.698.575,37, sem emissão de novas ações; d) portanto, após a cisão e a capitalização da Reserva Legal, o capital social do BB BANCO DE INVESTIMENTO passou a ser de R$ 360.549.537,26, divididos em 3.249.378 ações ordinárias, sem valor nominal; e) determinouse a realização de nova Assembleia em até 90 dias, para deliberar sobre eventuais ajustes decorrentes da variação patrimonial dos investimentos cindidos, desde a data base (30/06/2009) até a data da cisão (30/09/2009), e consequente adequação do capital social, do número de ações e do Estatuto Social” (efls. 703704). “As DIPJ relativas aos anoscalendários 2009 e 2010 incluem expressamente, entre as adições a serem efetuadas para apuração da base de cálculo da CSLL, a despesa com amortização de ágio pago na aquisição de investimentos avaliados pelo PL” (efls. 711). A DRJ julgou a impugnação administrativa procedente, anulando o lançamento integralmente (fls. 920 e seg. do eprocesso). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO SURGIDO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO EM SOCIEDADES COLIGADAS OU CONTROLADAS AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Não existe norma legal que obrigue o contribuinte a não computar na determinação da Base de Cálculo da CSLL as contrapartidas da amortização do ágio surgido na aquisição de investimento em sociedades coligadas ou controladas avaliado pelo patrimônio líquido. Ou seja, estas despesas de amortização de ágio são dedutíveis para efeitos de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Na decisão recorrida, a Turma a quo decidiu, por unanimidade dos votos, negar provimento ao recurso de ofício (fls. 955 e seg. do eprocesso). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 ÁGIO. PARTICIPAÇÃO MANTIDA NA INVESTIDORA. Excetuada a hipótese de absorção do patrimônio da investida pela investidora, ou viceversa (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97), não há na legislação que regula a contribuição social sobre o lucro norma que determine a adição ao lucro líquido, para fins de determinação de sua base de cálculo, das despesas com amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado com base na equivalência patrimonial. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.026 5 Nos exatos termos do art. 108, I, do CTN, a norma que prescreve a adição da referida despesa com amortização de ágio para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ (art. 25 do Decretolei nº 1.598/77) não pode ser empregada, por analogia, para exigirse a mesma adição na determinação da base de cálculo CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade A PFN interpôs recurso especial (efls. 960 e seg.), o qual foi admitido integralmente por despacho (efls. 972 e seg.). Em breve síntese, alega a PFN em seu recurso: “(...) os ajustes no resultado, decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial, não geram nenhum efeito na base de cálculo da CSLL, tanto porque essa neutralidade dos efeitos é expressamente prevista no art. 2º, § 1º, alínea “c”, itens 1 e 4, quanto por uma interpretação sistemática da legislação que dá fundamento a esse tributo. Dessa forma, se a amortização do ágio decorre do método da equivalência patrimonial, e os resultados decorrentes da aplicação desse método não possuem efeitos fiscais, não é possível admitir então que o contribuinte deduza da base de cálculo da CSLL a amortização de ágio na aquisição de investimento” (efls. 966); “Também não seria necessário um comando legal que autorizasse excluir do lucro líquido os resultados positivos de participação societária e de amortização de ágio, na determinação da base de cálculo da CSLL, exatamente por adoção do mesmo art. 57 da Lei nº 8.981/95. Tal exclusão, no caso, seria decorrente da própria lógica contábil da metodologia de escrituração daqueles investimentos, construída pela legislação comercial e fiscal, buscando a manutenção dos referidos ganhos e perdas decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial à margem da incidência tributária” (efls. 967). “Salientese que as Instruções Normativas SRF n° 93/97 e 390/2004 consolidaram as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL, repetindo em seus artigos 49 e 3º, respectivamente, o mesmo comando da referida lei. Frisese também que o art.44 da IN SRF 390/2004 especificou a obrigatoriedade de aplicar à CSLL as normas previstas na legislação do IRPJ relativas à amortização. No mesmo sentido a Decisão SRRF/8ªRF/Disit n° 333/2000, transcrita no Termo de Verificação Fiscal” (efls. 968). “A amortização de ágio na aquisição de investimentos revestese das características de provisão, pois não configura obrigação efetivamente constituída, que se traduza em uma despesa efetivamente incorrida. Como provisão, não é dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, consoante disposto nos art. 2º e 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95” (efls. 968). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 981 e seg.), nas quais argumenta, em breve síntese: “O recurso fazendário sequer deveria ser conhecido pela divergência, pois o que fez a instância ordinária foi aplicar o direito à espécie, e não dar interpretação diversa à norma jurídica”; O art. 25 do Decreto lei n. 1598/1977 preveria, à época, que “as contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computados na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33”; Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.027 6 O art. 57 da Lei n. 8981/1995 não teria previsto que a base de cálculo da CSLL seria idêntica do IRPJ, mas apenas que teriam os mesmos mecanismos de apuração, o que seria corroborado pelo art. 3º da IN SRF 390/2004; A Lei 12.973/2013 teria estipulado o mesmo tratando para a CSLL e para o IRPJ com relação ao ágio. Contudo, antes dessa lei, o tratamento entre tais tributos seriam distintos; O Fisco teria extrapolado os limites legais na atuação, pois, teria se baseado unicamente em normas infralegais. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Embora o contribuinte se oponha ao conhecimento do recurso especial, compreendo que a recorrente realizou o cotejo analítico do acórdão indicado como paradigma e a decisão recorrida, evidenciando a divergência de entendimento entre Turmas julgadores deste Conselho. O despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto pela PFN, razão pela qual não merece reparo. Quanto ao mérito do recurso, é fundamental constatar que o legislador, ao instituir a CSLL, não adotou como fórmula a remissão imediata aos instrumentos legais que delimitam a base de cálculo do IRPJ. Por uma ou outra razão, a decisão do legislador competente foi detalhar os elementos próprios da base de cálculo da CSLL, ainda que na maior parte das vezes coincidentes com o IRPJ. Destacase o art. 2o da Lei n. 7.689/88, que instituiu a CSLL (com as alterações da Lei n. 8.034/90): Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.028 7 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. § 2o No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1o janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. A base de cálculo da CSLL, portanto, parte do resultado do exercício apurado pela contabilidade conforme as normas societárias, com os ajustes previstos expressamente pelo legislador. O legislador se valeu da remissão legislativa às normas do IRPJ apenas para algumas questões, como se observa do art. 6o da Lei n. 7.689/88: Art. 6o A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. A Lei n. 8.981/95 também prevê remissão apenas para questões operacionais específicas. O legislador expressamente delimitou a remissão às normas pertinentes ao IRPJ, ressalvando a independência das regras legais que delimitam a base de cálculo e as alíquotas da CSLL: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei no 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei no 9.065, de 1995). A ressalva expressa do legislador no art. 57 da Lei n. 8.981/95 deixa claro que, assim como a CSLL tem suas “alíquotas” estabelecidas por regras próprias (a alíquota da CSLL em geral é 9%, sem adicional, e não 15% com adicional de 10%, como se dá com o IRPJ, em geral), também para a “base de cálculo” da CSLL não há remissão necessária aos dispositivos que cuidam do IRPJ. A base de cálculo da CSLL é regulada por enunciados específicos ou, ainda, que cumulam a tutela dessa contribuição e do IRPJ. Em relação ao ágio, é relevante observar que, nos idos de 1976, a Lei 6.404 (“Lei das SAs”) regulou a adoção do MEP, especialmente em seu art. 248: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: (...) A legislação brasileira passou a prever que as pessoas jurídicas que detivessem investimentos em controladas ou coligadas deveriam, ao realizar sua escrituração pelo MEP, desdobrar o custo destas (i) no valor do patrimônio líquido existente no momento da aquisição da respectiva empresa investida e (ii) no ágio ou deságio eventualmente suportado para a sua aquisição: Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.029 8 Decretolei n. 1.598/77 Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1o O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2o O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3o O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2o deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Avaliação do Investimento no Balanço Art 21 Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda. II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de 2 meses de que trata o item I aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades, de que trata o § 4o do artigo 20, de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente. V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os números anteriores, da porcentagem da participação do contribuinte na coligada ou controlada. Contabilmente, na empresa investidora, o ágio seria lançado no ativo permanente, na conta de investimento, como ativo diferido, e já passaria a ser amortizado mediante débito ao seu lucro líquido. As referidas amortizações contábeis, para fins de apuração do IRPJ, foram neutralizadas pelo art. Decretolei 1.598/77 em seu art. 25, que prevê a adição de tais valores à base de cálculo do imposto: Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.030 9 Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. Contudo, inclusive porque apenas o IRPJ existia à época, o Decretolei 1.598/77 não fez referência à CSLL. A questão controversa neste processo administrativo consiste em saber se, no período pertinente aos autos, haveria exigência legal de adição, à base de cálculo da CSLL, da amortização do ágio conduzida pela contabilidade, de forma a neutralizálo complemente para fins fiscais. Na sessão de 03/05/2016, este Colegiado da CSRF proferiu o acórdão n. 9101002.310, o qual, essencialmente com base nos enunciados prescritivos acima analisados, compreendeu que as normas que determinavam a adição da amortização contábil do ágio para fins de IRPJ não poderiam ser imediatamente transplantadas para a CSLL. A decisão restou assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido. Conforme voto manifestado naquele julgamento, compreendo correta a interpretação adotada pela maioria do Colegiado. Não há fundamento legal para a exigência de adições à base de cálculo da CSLL por remissão plena às regras do IRPJ. Tendo em vista os enunciados prescritivos que motivaram a ação fiscal, há vício no ato administrativo que não pode ser admitido. No presente caso, a autuação fiscal embasouse precisamente nesse expediente, como restou expressamente consignado do TVF (efls. 711 e seg.): Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.031 10 “Desde logo, destacamos que as normas de apuração e de pagamento do Imposto de Renda aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, salvo disposição legal expressa em contrário. Esta é a regra fundamental, princípio básico emanado da Lei 8.981/1995, e reproduzido em atos normativos: (...)” Nesse seguir, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Peço vênia para discordar o i. Relator, sempre didático e claro em seus votos, em relação ao mérito. A discussão é se deveria ou não ter sido realizada a adição na Base de Cálculo da CSLL de ágio contabilizado na aquisição de investimento, vez que a participação societária que deu causa ao ágio não foi objeto de alienação, e tampouco esteve envolvida em eventos de absorção de patrimônio (cisão, fusão ou incorporação). Assim, a regra da adição ao Lucro Real, visando a neutralidade do lançamento contábil de amortização de ágio, também teria repercussão na Base de Cálculo da CSLL? Há que se buscar a interpretação sistêmica da legislação tributária, sob pena de incorrer em contradições. Toda a construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontra se em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram tratados três momentos cruciais para o investidor, nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, respectivamente delineados: (1) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, e (2) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3) e desfazimento do investimento. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.032 11 Em relação ao segundo momento (desenvolvimento do investimento), a interpretação integrada dos dois diplomas normativos consolidou a construção de sistema no qual os resultados de investimentos em participações societárias pudessem ser devidamente refletidos no investidor, por meio do MEP, e ao mesmo tempo, não fossem objeto de bitributação. Isso porque, em se considerando estritamente os lançamentos contábeis, os resultados da investida seriam refletidos no investidor, fazendo com que tanto na investida quando no investidor fossem apuradas receitas operacionais que, em tese, integrariam o lucro líquido e a base de cálculo tributável. Por isso, determinouse que o investidor poderia efetuar ajuste, no sentido de excluir da base de cálculo tributável os resultados positivos auferidos pela investida. É o que prescreve o art. 22 do Decretolei nº 1.598, de 1977, quando determina o procedimento a ser adotado pelo investidor ao final de cada exercício: o valor do investimento na data do balanço (...), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Caso tenha apurado resultado positivo, lançamento a débito na conta de investimento e a crédito em conta de resultado (receitas de equivalência patrimonial), com repercussão na base tributável. Tal repercussão é neutralizada logo no artigo seguinte (art. 23), ao predicar que a contrapartida do ajuste por aumento do valor de patrimônio líquido do investimento não será computada no lucro real (...). Assim, o crédito em conta de resultado seria excluído na apuração do lucro real. Com a criação da CSLL, a Lei nº 7.689, de 1988, discorreu sobre ajuste na base de cálculo para fins fiscais, e determinou pela exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido (art. 2º, § 1º, alínea "c", item 1). Restou, nesse momento, nítida, clara e transparente, a convergência entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, no que concerne às operações decorrentes de participações societárias e os correspondentes resultados auferidos. A preocupação do legislador em compatibilizar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante a operacionalização de ajustes no lucro líquido, é evidente. Portanto, não há nenhum sentido entender que, para as operações societárias relativas ao primeiro momento (aquisição do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), poderseia aplicar um entendimento diferente daquele relativo ao segundo momento (desenvolvimento do investimento). Em relação ao terceiro momento (desfazimento do investimento), predica a norma que na alienação do investimento, o valor do ágio deverá ser considerado, na apuração da base de cálculo tributável (art. 25 e 33 do Decretolei nº 1.598, de 1977). E, em conexão indissociável com o segundo momento (desenvolvimento do investimento) e o terceiro momento (desfazimento do investimento), o primeiro momento (nascimento do investimento) trata da aquisição do investimento que, se for realizada com sobrepreço, implica na contabilização desse valor a maior em conta específica. É o que diz o art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ao determinar nos incisos I e II que o custo de aquisição deveria ser desdobrado em (I) valor do patrimônio líquido na época da aquisição e (II) ágio ou deságio na aquisição. Por isso que, apesar da disposição no art. 25 do Decretolei Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.033 12 nº 1.598, de 1977, ser no sentido de que as contrapartidas da amortização do ágio não seriam computadas na determinação do lucro real, não há nenhum sentido em se considerar que tal ajuste não se aplica para fins de apuração da Base de Cálculo da CSLL. Vale destacar que abraçar a tese da Contribuinte de que para a CSLL a amortização contábil, realizada a qualquer momento, sem nenhum critério, poderia ser realizada, e sem nenhum ajuste na base de cálculo da contribuição social, carrega insustentáveis incoerências. Primeiro: ora, se o Decretolei nº 1.598, de 1977, foi editado em época em que não existia a CSLL, só poderia ser aplicado para o imposto de renda. Então, a contabilização do ágio, na aquisição do investimento, só poderia surtir efeitos para fins de apuração do IRPJ. Para a CSLL, sequer existiria ágio na aquisição do investimento. Por consequência, não haveria de se falar na amortização do sobrepreço pago. Segundo, admitindose que a redação do art. 25 do Decretolei nº 1.598, de 1977, teria deixado grande margem de discricionariedade, e que a amortização poderia ser efetuada sem nenhum critério, é fato incontestável que tal cenário alterouse completamente com a edição da edição Lei nº 9.532, de 1997. Com o novel diploma, restou claro que a amortização do ágio não se daria sem qualquer critério. Os arts. 7º e 8º discorrem, não por acaso, que a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá amortizar o valor do ágio no prazo mínimo de sessenta meses. E no que concerne ao deságio a determinação é ainda mais incisiva, vez que o comando é que a empresa deverá amortizar o valor do deságio. Ora, a partir do momento em que o legislador determina que a amortização do ágio poderá ser realizada sob determinada condição, fica claro que a amortização do ágio a critério exclusivo da pessoa jurídica não pode ser realizada. Não há que se falar em amortização do ágio sem motivação. Ou seja, se contabilmente o Contribuinte decidir amortizar o ágio, tal medida não terá efeito para fins fiscais, porque a legislação fiscal expressamente estipulou condição no qual o ágio poderia ser amortizado: eventos societários previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, incorporação, fusão e cisão envolvendo investidora e investida. Assim, se a Contribuinte resolveu amortizar o ágio contabilmente, sem a ocorrência dos eventos expressos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, tratase de ato de liberalidade não oponível ao Fisco, cuja contabilização não terá repercussão no Lucro Real ou na Base de Cálculo da CSLL. E a discussão sobre compatibilidade entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL tem ainda outros contornos. Isso porque o ágio é despesa, submetida a amortização. Logo, encontrase a despesa do ágio submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 47, da Lei nº 4.506, de 1964, base legal para o art. 299 do RIR/99: Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.034 13 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Por sua vez, o art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Grifei) (...) A interpretação dada ao dispositivo pelo Conselheiro Marcos Pereira Valadão, no Acórdão nº 9101002.396, é didática e esclarecedora: Assim, o texto legal acima transcrito evidencia claramente o vínculo entre a apuração da base cálculo da CSLL e os referidos requisitos para a dedutibilidade de despesas, do contrário não faria nenhum sentido a ressalva contida no texto. Com efeito, se o texto diz que para uma determinada situação deve se aplicar "A" independentemente de "B", é porque "B" também é aplicável àquela mesma situação. Nessa perspectiva, as regras de dedutibilidade de despesas previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964, aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL. A redação do art. 13 da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe claramente sobre hipóteses de despesas indedutíveis tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, incluindo expressamente as situações previstas no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964. Sendo a despesa de amortização de ágio submetida ao regramento geral das despesas operacionais, não há que se falar em ausência de previsão normativa para a sua adição à Base de Cálculo da CSLL. No mesmo contexto, encontrase a redação do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, mencionada pela autoridade fiscal: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 16682.721151/201336 Acórdão n.º 9101003.005 CSRFT1 Fl. 1.035 14 Pela expressão normas de apuração entendese o cômputo do quantum tributável, o procedimento consistente em determinar a base de cálculo do tributo, mediante operações de soma e diminuição de valores. Ou seja, precisamente a discussão dos presentes autos. Pelo dispositivo, resta mais evidente que repercussão dos ajustes efetuados para apuração da base de cálculo do IRPJ para a CSLL. Portanto, não há que se amparar o procedimento adotado pela Contribuinte, efetuado sem base legal e em completa dissonância com o sistema tributário. Enfim, tendo a decisão recorrida dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, não apreciou a matéria relativa à multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais do anocalendário de 2007. Cabe, nesse sentido, o retorno dos autos para a turma a quo apreciar a matéria. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.017889/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa: ACÓRDÃO. NÃO APRECIAÇÃO DA LIDE. NULIDADE.
É nulo o Acórdão que não aprecia os fatos e argumentos em relação aos quais se estabeleceu o litígio.
Numero da decisão: 1401-000.250
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201005
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: ACÓRDÃO. NÃO APRECIAÇÃO DA LIDE. NULIDADE. É nulo o Acórdão que não aprecia os fatos e argumentos em relação aos quais se estabeleceu o litígio.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19679.017889/2003-71
conteudo_id_s : 5811788
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.250
nome_arquivo_s : Decisao_19679017889200371.pdf
nome_relator_s : Fernando Luiz Gomes de Mattos
nome_arquivo_pdf_s : 19679017889200371_5811788.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
id : 7074391
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731219849216
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T17:01:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T17:01:30Z; Last-Modified: 2010-09-02T17:01:30Z; dcterms:modified: 2010-09-02T17:01:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2af81b22-41ee-4752-a7e0-669359f8ad99; Last-Save-Date: 2010-09-02T17:01:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T17:01:30Z; meta:save-date: 2010-09-02T17:01:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T17:01:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T17:01:30Z; created: 2010-09-02T17:01:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-09-02T17:01:30Z; pdf:charsPerPage: 1116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T17:01:30Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl 1 r MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO .'-i- 4-it'-" \ .1\ -'l- Processo n" 19679.017889/2003-71 Recurso n" 341.684 Voluntário Acórdão n° 1401-00.250 — 4n Câmara / 1u Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente LEADER TECH COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: PIOCeSSO Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: ACÓRDÃO. NÃO APRECIAÇÃO DA LIDE. NULIDADE. É nulo o Acórdão que não aprecia os fatos e argumentos em relação aos quais se estabeleceu o litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto integram o presente julgado. ------... .... •.,, _ Viviane Vidal Wagner - Presidente , iL Pst Femanuo L., i.k.6 „.,. ,-,,i,, no i,j Gome.,&e attos - Relator EDITADO EM: 09/07/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Allc.mim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Dias Nunes 1 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo parte do Despacho Decisório DRF/AQA/SACAT n° 19679.017889/2003-71, de 11/06/2007, fls. 80-81 (grifado no original): Relatório Leader Tech Comércio e Serviços Ltda. é sociedade empresária limitada constituída em 30 04.1996. Neste processo a empresa solicita o enquadramento no Simples com data retroativa a 01. 01. 1999. Fundamentos A empresa está cadastrada como optante do Simples a partir de 01/01/2004. Consta como atividade económica principal da empresa no cadastro CNPJ o "Comércio varejista de ferragens e ferramentas" e como atividade registrada na Junta Comercial o "comércio de suprimentos de produtos técnicos, como ferramentas, aços, metais não .ferrosos e similares, e prestação de serviços de planejamento para desenvolvimento de projetos de terceirização". Ocorre, todavia, que nas notas fiscais anexadas a este processo constatou-se a prestação de serviços profissionais de "assessoria comercial" desde 1999. A prestação desses serviços impede o enquadramento no Simples por ser serviço assemelhado ao de consuhoria O impedimento está disposto no artigo 9", inciso XIII da Lei 9317/96 e altera çôes posteriores. Em se tratando de atividade de prestação de serviços, analisa-se o alcance das vedaçôes previstas no art, 9", inciso XIII, da Lei n" 9,317, de 1996: Art, 9" Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica. ) XJIl — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator; empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador; auditor, consultor; estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor; . jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. (grife°. A expressão assemelhados, a que se refere o inciso, deve ser. entendida como qualquer atividade de prestação de serviço que tenha semelhança com as ali enumeradas, significando que a lista das atividades não é exaustiva,. - Sobre a atividade de assessoria, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), através do Boletim Central n" 2 Processo e 19679 017889/2003-71 SI-C4T1 Acól dão n 1401-00150 F1. 2 5.5 (SIMPLES — Perguntas e Respostas, de 24.03 1997, questão n" 32, pronunciou-se da seguinte forma: "32) PJ que presta serviços na área de assessoria na compra de peças e equipamentos pode optar pelo SIMPLES? Não. Qualquer serviço de assessoria é assemelhado ao de consultoria, atividade vedada no sistema„" Conclusão Diante do exposto, proponho que seja indeferido o pedido da empresa e excluída do Simples a partir de 01.01.2004, tendo em vista que a empresa exerce atividade impeditiva ao Simples, conforme consta nas cópias das notas fi scais anexadas a este processo. A exclusão do Simples surtirá efeitos a partir de 01.01.2004, conforme artigo 24, inciso IX da Instrução Normativa SRF n" 608, de 09.01,2006 Em decorrência deste despacho, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 16, de 11 de junho de 2007 (fls. 82), por meio do qual a interessada foi excluída do Simples, a partir de 01,01.2004. Em 13/06/2007 (v. fls. 8.3-84), a interessada foi cientificada do Despacho Decisório DRF/AQA/SACAT n° 19679.017889/2003-71, de 11/06/2007 (que indeferiu o seu pedido de inclusão retroativa no Simples, a partir de 01.01.1999) e do Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 16, de 11/06/2007 (que excluiu a interessada do Simples, a partir de 01.012004). Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 86-108), que foi postada nos Correios em 04/07/2007 (v. fls. 85). Por meio da retrocitada manifestação de inconformidade, a interessada se insurgiu apenas contra o Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 16, de 11/06/2007, que a excluiu do Simples, a partir de 01/01/2004. Na referida peça, a interessada não se manifestou sobre o indeferimento do seu pedido de inclusão retroativa no Simples, a partir de 01/01/1999 (objeto do Despacho Decisório DRF/AQA/SACAT n° 19679,017889/2003-71, de 11/06/2007). A DRJ Ribeirão Preto, ao analisar a manifestação de inconformidade da interessada, proferiu o Acórdão n.° 14-17,954, de 18/12/2007 (v. fls. 121-125), que recebeu a seguinte ementa: Ano-calendário' 1999 SIMPLES INCLUSÃO COM EFEITO RETROATIVO. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de assessoria estão impedidas de optar pelo Simples, por ser assemelhada a de consultor 3 A interessada foi cientificada desse Acórdão em 29/01/2008, conforme AR de fls. 127. Itresignada, em 27/02/2008 interpôs o Recurso Voluntário de fls. 128-159, alegando, basicamente, que sua atividade não é impeditiva à opção pelo Simples. Questionou a aplicabilidade da expressão "assemelhados", constante do inciso XII, do artigo 9 0 da Lei n° 9.317/96, conforme precedentes judiciais que transcreveu (fls. 131-132). Questionou a utilização de analogia, em desacorda com o disposto no art. 108, § 1" do CTN. Mencionou precedentes judiciais e administrativos neste sentido (fls. 133-136). Alegou ofensa ao aut. 179 da Constituição Federal e ofensa ao principio da isonomia. Por fim, arguiu a impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão do Simples, por afrontar o princípio da segurança jurídica. Mencionou precedentes judiciais em favor de sua teses (fls. 156-157). É o sucinto relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Relator O presente processo teve início em 04/12/2003, quando a interessada requereu sua inclusão no Simples, com efeitos retroativos a 01/01/1999 (v. requerimento, fls. 01). Na época da apresentação deste requerimento, a interessada ainda não era optante pelo Simples. Conforme se constata pelos documentos juntados aos autos, sua adesão ao Simples se deu a partir de 01/01/2004. Em 13/06/2007 a interessada foi cientificada do Despacho Decisório DR.F/AQA/SACAT n° 19679,017889/2003-71, de 11/06/2007, que indeferiu o seu pedido de inclusão retroativa no Simples, a partir de 01.01.1999, Nesta mesma data, a interessada foi cientificada do Ato Declaratório Executivo DRIVAQA n° 16, de 11/06/2007, que a excluiu do Simples, a partir de 01,01,2004. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 86-108) em 04/07/2007, insurgindo-se apenas contra o Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n" 16, de 11/06/2007, que a excluiu do Simples, a partir de (11/01/2004. Inadvertidamente, a DR' Ribeirão Preto proferiu o Acórdão de fls. 121-125, analisando apenas a negativa de inclusão retroativa da interessada no Simples, com efeitos a partir de 1999. Pelo teor do referido Acórdão, constata-se que o Relator não se deu conta de que o presente processo tratava de dois atos administrativos distintos: a) Despacho Decisório DRF/AQA/SACAT n° 19679.017889/2003-71, de 11/06/2007, que indeferiu o pedido de inclusão retroativa no Simples, a partir de 01,01,1999; b) Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 16, de 11/06/2007, que excluiu a interessada do Simples, a partir de 01,01,2004. 4 Processo if 19679 017889/2003-71 S1-C4TI Acórdão o.° 1401-00.250 F1 3 Por esta razão, o Relator nada decidiu acerca da validade do Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 16, de 11/06/2007, que foi o único ato administrativo contestado pela interessada. É verdade que a matéria de fundo é a mesma para os dois atos administrativos: a discussão acerca da possibilidade de a interessada optar pelo Simples, em razão de exercer atividade assemelhada à de consultor. No entanto, a discussão relativa ao Ato Declaratório Executivo DRF/AQA n° 16, de 11/06/2007 exigiria a análise de algumas questões que não foram contempladas na discussão relativa ao Despacho Decisório DRF/AQAJSACAT n° 19679.017889/2003-71. Uma dessas questões diz respeito à possibilidade de retroação dos efeitos da exclusão do Simples. O Relator do Acórdão recorrido simplesmente se absteve de analisar esta questão, conforme se percebe por meio do seguinte trecho do seu voto (v. fls. 124): Quanto à alegação de que a exclusão não pode ter efeito retroativo cabe mais uma vez ressaltar que não se trata de exclusão. Pelo que consta dos autos a interessada nunca esteve no Simples, embora venha apresentando declarações e recolhendo os tributos por essa modalidade. Diante deste equivoco cometido pelo colegiado a quo, impõe-se a declaração de nulidade do Acórdão recorrido, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente,. 11 - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Conclusão Por todos o exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão recorrido, determinando o retomo do processo à DRJ Ribeirão Preto (SP), para que outra decisão seja proferida em boa e devida forma. LIO P--) uk rli r:i FERNANDO LUIZ tOMES DE MATTOS 5
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900657/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2004
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2004
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.190
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.900657/2010-14
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5806343
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-004.190
nome_arquivo_s : Decisao_16327900657201014.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16327900657201014_5806343.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7054878
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731542810624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900657/201014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.190 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (sucessora por incorporação de ABN AMRO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 57 /2 01 0- 14 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.900657/201014 Acórdão n.º 3401004.190 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando compensar débitos declarados com suposto crédito oriundo de pagamento a maior de 61 PIS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débitos da requerente, não restando saldo a ser utilizado. Irresignado com o indeferimento de seu pedido, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alega, em síntese que: (a) não havia considerado na base de cálculo da contribuição as regras do Decreto nº 5.164/2004, revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, que em seu artigo 1º reduziu a zero as alíquotas da contribuição sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas a incidência nãocumulativa; (b) face ao alegado no item anterior, procedeu aos ajustes na base de cálculo das contribuições, evidenciando assim o recolhimento a maior; (c) os valores na DIPJ estão corretos, acordes com a nova apuração; (d) olvidouse de proceder à retificação na DCTF, solicitando que esta seja retificada de ofício. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindose que as receitas contabilizadas como “Rendas de Garantias Prestadas” não se caracterizam como receitas financeiras, sujeitas a redução à zero das alíquotas, nos termos do Decreto nº 5.164/2004, e não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apurada pelo contribuinte, indeferindo a solicitação do interessado, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário onde essencialmente reitera a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.187, de Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.900657/201014 Acórdão n.º 3401004.190 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.900662/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.187): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, visando a compensar débitos nele declarados, com créditos oriundos de pagamentos a maior de contribuições sociais nãocumulativas. A ora recorrente, impugnou o não reconhecimento o direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por não haver considerado nas bases de cálculo os ditames do art. 1º, do Decreto n° 5.164/04, que reduziu à zero a alíquota das contribuições sociais nãocumulativas, incidentes sobre receitas financeiras, conforme planilha (doc n° 4) apontando a conta COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) e cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida que os valores contabilizados como “Rendas de Garantias Prestadas” não poderiam ser considerados receitas financeiras, pelas empresas prestadoras de serviços de administração de cartões de créditos, mas sim receitas provenientes da prestação de serviços. Destaca a recorrente, somente agora em recurso voluntário, que o crédito pleiteado é oriundo da reclassificação de valores das contas COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) para 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), informação inserida na planilha (doc n° 4), apresentada junto com a impugnação, porém, não constando a conta 7.1.1.05.006, destino da reclassificação contábil alegada, na cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5), também, apresentada junto com a impugnação. Pois bem, entendo, sejam RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS ou RENDAS DE EMPRÉSTIMOS, as receitas em discussão fazem parte do objeto social da recorrente, empresa administradora de cartões de créditos, em razão disso, não enquadrandose como receita financeira e não fazendo jus à redução à zero das alíquotas ou à exclusão das bases de cálculo das contribuições sociais. Seguindo a mesma linha de abordagem da decisão recorrida, cujo voto condutor promoveu minuciosa analise da conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), segundo o Cosif, a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), que faz parte do subgrupo 7.1.1.00.001 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.900657/201014 Acórdão n.º 3401004.190 S3C4T1 Fl. 5 4 Rendas de Operações de Crédito, o qual pertence ao grupo 7.1.0.00.008 Receitas Operacionais, tem como função “Registrar as rendas de empréstimos, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Base Normativa: (Circular BCB 1273)”. Notar que a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), a qual alegase ter sido reclassificados os valores originalmente registrados na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), vinculase diretamente ao objeto social da recorrente, ambas, fazendo parte do bojo das suas receitas operacionais, subagrupadas em rendas de operações de crédito e outras receitas operacionais, respectivamente, constituindo receitas decorrentes do exercício da atividade empresarial das administradoras de cartões de crédito, que não se confundem com as oriundas de remuneração do capital nas operações financeiras. A incidência das contribuições sociais sobre as RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS foi mantida, por entender a decisão recorrida que, sendo cobrado do cliente da ora recorrente determinada importância, em contrapartida pela fiança/aval prestado, estaria caracterizada prestação de serviço próprio das administradoras de cartões de crédito. Ainda que seja feita uma divisão das receitas provenientes da atividade desempenhada pela recorrente, entre a prestação de fiança/aval e à concessão de empréstimos correlatos, ambas atividades, sujeitamse à incidência das contribuições sociais, mesmo que, na segunda hipótese, possa ser considerada uma atividade financeira, exclusivamente sujeita ao IOF, para fins de não ser tributável pelo ISS. Portanto, ainda que reclassificadas as rendas de empréstimos para a subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF), estamos nitidamente diante de receitas provenientes de operações de crédito, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da recorrente, que não se confundem com as receitas de remuneração do capital em operações financeiras dissociadas do objeto social da empresa. Ressaltase que essas operações são consideradas autônomas e possuem regras próprias de contabilização no Cosif. As rendas das garantias prestadas são contabilizadas na subconta 7.1.9.70.004 (sujeita ao ISS), e as rendas de empréstimos são lançadas na subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF). Determinante no presente caso, se da contabilização na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) o resultado foi a inclusão das receitas de empréstimos, fato timidamente ressaltado pela interessada e somente agora em recurso voluntário, é certo que deveria haver a demonstração destas ocorrências, acompanhada da documentação comprobatória pertinente, o que não foi o caso, nem no momento oportuno da manifestação de inconformidade (art. 16, do PAF), Fl. 111DF CARF MF Processo nº 16327.900657/201014 Acórdão n.º 3401004.190 S3C4T1 Fl. 6 5 nem agora em recurso voluntário, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, ainda mais, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Por certo, a conta de RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS, abarca prestação de serviços tributáveis pelas contribuições sociais nãocumulativas, em discussão, incidência demonstrada pela fiscalização, mantida pela decisão recorrida e ora convalidada, pelos mesmos fundamentos, não havendo, por parte do interessado, demonstração adequada, apenas, simples planilha apresentada (doc n° 4), além da inexistência de documento de prova no sentido da inclusão de RENDAS DE EMPRÉSTIMOS nesta conta, cabendo ao contribuinte segregar e provar a possível natureza distinta de tais receitas, não constando nem mesmo a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS) na cópia da página do balancete mensal, onde estariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o não reconhecendo do direito creditório pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720803/2013-79
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS TÊM QUE SE REFERIR AO ANO-CALENDÁRIO PRÓPRIO.
Os comprovantes de despesas médicas têm que se referir ao período do ajuste anual, não cabendo dedução em exercício diverso daquele em que foi incorrida a despesa.
DESPESAS MÉDICAS REMBOLSADAS.
Despesas médicas reembolsadas não são permitidas para efeito de dedução no ajuste anual do imposto sobre renda.
PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal.
Numero da decisão: 2001-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa das deduções que foram reembolsadas e aquelas referentes a períodos diverso do ano-calendário examinado, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS TÊM QUE SE REFERIR AO ANO-CALENDÁRIO PRÓPRIO. Os comprovantes de despesas médicas têm que se referir ao período do ajuste anual, não cabendo dedução em exercício diverso daquele em que foi incorrida a despesa. DESPESAS MÉDICAS REMBOLSADAS. Despesas médicas reembolsadas não são permitidas para efeito de dedução no ajuste anual do imposto sobre renda. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.720803/2013-79
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5827896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.054
nome_arquivo_s : Decisao_10840720803201379.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10840720803201379_5827896.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa das deduções que foram reembolsadas e aquelas referentes a períodos diverso do ano-calendário examinado, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
id : 7107082
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731555393536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720803/201379 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.054 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 31 de outubro de 2017 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente ALDO DESTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS TÊM QUE SE REFERIR AO ANO CALENDÁRIO PRÓPRIO. Os comprovantes de despesas médicas têm que se referir ao período do ajuste anual, não cabendo dedução em exercício diverso daquele em que foi incorrida a despesa. DESPESAS MÉDICAS REMBOLSADAS. Despesas médicas reembolsadas não são permitidas para efeito de dedução no ajuste anual do imposto sobre renda. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 08 03 /2 01 3- 79 Fl. 105DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa das deduções que foram reembolsadas e aquelas referentes a períodos diverso do anocalendário examinado, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 6.564,55, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. DA PRELIMINAR DE MULTA DE OFÍCIO. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não sendo sua competência discutir alegações de constitucionalidade do lançamento, se este fere ou não os princípios da igualdade, isonomia e capacidade contributiva. Nos termos da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, arts. 97 e 102, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. As alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa, por ultrapassar os limites da sua competência legal, conforme orientação contida no Parecer Normativo CST nº 329/1970, que assim está ementado: Não cabimento da apreciação sobre inconstitucionalidade argüida na esfera administrativa. Incompetência dos agentes da Administração para apreciação de ato ministerial. Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10840.720803/201379 Acórdão n.º 2001000.054 S2C0T1 Fl. 3 3 juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. A seguir, o contribuinte alegou a improcedência da aplicação da multa de ofício de 75%, sob o argumento de ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco. Como visto anteriormente, a instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio. No entanto, esclarecese ao impugnante que à época da lavratura dos lançamentos, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que comina as multas para o caso de lançamento de ofício de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, com a redação estabelecida pela Lei nº 11.488, de 2007, era: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) No presente caso, a multa de ofício aplicada foi de 75%. (...) Sendo assim, a multa de ofício, em se tratando de penalidade e não de tributo, não possui caráter confiscatório, já que não visa arrecadar mais tributo ou contribuição, mas sim desestimular a prática da ilicitude fiscal. A garantia constitucional prevista no art. 150, IV, da Constituição Federal, diz respeito apenas a tributos, que na definição do próprio texto constitucional, são os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria (art. 14, incisos I, II e III da CF). As multas, portanto, não são tributos, como aliás já define o CTN (art. 3º), determinando inclusive que estes não se constituem em sanção de ato ilícito, distinguindoos assim exatamente das multas, que visam punir uma conduta ilegal. DA PRELIMINAR DE JUROS DE MORA. Fl. 107DF CARF MF 4 Quanto ao percentual de juros de mora da mesma forma que as multas, não pode ser dispensado ou reduzido por estar definido no caput do art. 161 e seu § 1º do CTN, in verbis: Art. 161. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1º (um por cento) ao mês. (grifouse) O dispositivo retro transcrito autoriza o legislador ordinário a fixar taxa de juros em percentual diverso do de 1% (por cento) ao mês, vale dizer, a lei ordinária pode fixar taxas de juros superiores ou inferiores a esse percentual. A inteligência do preceito contido no § 1º do art. 161 do CTN é no sentido de que, em caso da falta da fixação, pelo legislador ordinário, da taxa de juros aplicável ao crédito tributário não pago no vencimento, ela será de 1% (por cento) ao mês. Ocorre que o legislador ordinário federal, fazendo uso da autorização conferida no CTN, fixou, em diversos diplomas legais, taxa de juros diversa da estabelecida no dispositivo acima reproduzido. De modo que, hoje os juros são cobrados em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), não havendo ilegitimidade alguma nesta exigência. Desse modo, não se pode alegar que a cobrança de juros de mora contraria dispositivos contidos na Constituição Federal (arts. 150, IV, 192, § 3º), e no CTN (art. 161, § 1º), para justificar a não aplicação dos juros de mora com base na Selic. DO MÉRITO A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotada na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à afirmação de que foram glosados os valores que foram reembolsados e as despesas correspondentes a exercício diverso daquele a que foram declarados no ajuste anual, como segue: Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (f. 26), foi glosado o montante de R$ 29.932,78 de despesas médicas, por falta de comprovação ou falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo: (quadro demonstrativo) E na Folha de Continuação da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (f.27), a Fiscalização esclareceu que as despesas com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileiro Hospital Albert Einstein e Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio Libanês não foram aceitos por falta de comprovação do efetivo pagamento, através de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira. Os valores Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10840.720803/201379 Acórdão n.º 2001000.054 S2C0T1 Fl. 4 5 referentes ao Hospital de Plástica de Ribeirão Preto S/S e de Nélson Hamerschlak foram alterados conforme documentação apresentada pelo contribuinte. Passo a analisar as alegações e documentos trazidos aos autos. As glosas parciais das despesas com o Hospital da Plástica de Ribeirão Preto S/S e Nélson Hamerschlak, nos valores de R$ 140,00 e 750,00, respectivamente, devem ser mantidas, pois o contribuinte nada alegou em sua impugnação e não logrou comprovar documentalmente a improcedência destes itens do lançamento. Quanto à glosa das despesas com a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio Libanês, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos, ela deve ser mantida, pois, conforme Demonstrativo de Reembolso emitido pela Sul América Companhia de Seguro Saúde (f. 3132), a data de atendimento e prestação dos serviços teria ocorrido em 25/04/2009. Logo, essas despesas se referem ao anocalendário 2009, e não ao anocalendário 2010, tratado neste processo. Quanto à glosa das despesas com a Sociedade Beneficente Israelita brasileiro Hospital Albert Einstein, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos, ela deve ser mantida, pois, conforme Demonstrativo de Reembolso emitido pela Sul América Companhia de Seguro Saúde (f. 33), a data de atendimento e prestação dos serviços teria ocorrido em 25/04/2009. Logo, essas despesas se referem ao anocalendário 2009, e não ao anocalendário 2010, tratado neste processo. É de se esclarecer ainda a obrigatoriedade de se oferecer à tributação o reembolso da despesa médica recebido em ano calendário posterior ao de sua dedução, cabendo esclarecer que aquele que arcou com a despesa e foi reembolsado, é quem deve tributar tal valor, pois se beneficiou anteriormente da dedução da despesa reembolsada. Pelas razões expostas e considerando tudo mais que consta dos autos, voto no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, julgar procedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Conclui, assim, o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa no valor total referente às despesas médicas. Por sua vez, irresignada com a decisão do acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Foi explicado ao D. Agente fiscal, que o plano de saúde do Recorrente junto à Sul América Companhia de Seguros Saúde, lhe permitia o pagamento pelo Segurado (Recorrente de todos os Fl. 109DF CARF MF 6 procedimentos médicos, como internações, exames, consultas, etc., sendo posteriormente reembolsado. Assim, o Recorrente, de forma lícita, cristalina e atendendo à legislação de regência, utilizou como dedução apenas os valores que efetivamente desembolsou, descontando os reembolsos efetuados pelo plano de saúde. (...) Logo, permissa máxima vênia, o D. Auditor Fiscal simplesmente preocupouse em cobrar, cobrar e cobrar, sem fazer corretamente a sua função, ou seja, diligenciar para aferir a validade dos recibos apresentados, o que seria muito fácil, uma vez que a prestação de serviços foi feita por pessoa jurídica, tanto pelo convênio médico, tanto pelos hospitais. Com relação às despesas médicas decorrentes dos recibos, emitidos pelos hospitais acima relacionados, a Recorrente tem direito à dedução das despesas declaradas e comprovadas, sendo de indevida a glosa existente. (...) Sendo assim, sendo assim, resta evidente a veracidade dos documentos ora apresentados como prova da dedução de despesas médicas, sendo legítima a conduta do Recorrente, não podendo o Fisco glosar os valores, mediante presunção, sem apresentar prova em contrário. Nem se queira argumentar que o recorrente não comprovou através de extratos bancários, cópias de cheques, etc., a efetividade dos pagamentos. De plano, asseverase que, de acordo com a sua declaração de imposto de renda o mesmo dispunha de numerário em espécie para efetuar o pagamento. Em tais condições, forçosa a insubsistência do auto de infração lavrado, pelo que desde já requerse a sua improcedência, sendo nula a autuação eis que: a) O auto está baseado em meras presunções; b) O contribuinte sempre atendeu à fiscalização e apresentou a documentação que lhe competia (art. 80 do RIR III, § 1º); c) Ignorouse a boafé do contribuinte; d) Houve a juntada de todos os comprovantes de pagamento e da efetividade dos serviços. Pelo exposto, requer o Recorrente sejam acolhidos seus argumentos, julgandose precedente o presente recurso, a fim de que seja cancelado lançamento tributário. É o relatório Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10840.720803/201379 Acórdão n.º 2001000.054 S2C0T1 Fl. 5 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE MULTA DE 75% Improcedente a alegação de que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% teria caráter confiscatório porque prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, e inciso I, do art. 957, do Decreto nº 3.000/99, e não ofende qualquer dispositivo constitucional tributário. Ressaltese tratar de matéria pacificada neste Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula 2, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeito a preliminar da Multa de 75%. DA PRELIMINAR DA TAXA SELIC Improcedente a contestação da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, porque prevista na legislação. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Rejeito a preliminar da Taxa Selic. DO MÉRITO O conteúdo do presente caso aborda aspectos de cunho jurídico, mas também enfoca a questão de matéria de fato, cujas circunstâncias probantes se fazem necessárias para a solução da lide, tanto no oferecimento da prova pelo Fisco quanto na apresentação da contraprova pelo Recorrente. A questão aqui tratada é natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decreto lei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. Fl. 111DF CARF MF 8 O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados â cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10840.720803/201379 Acórdão n.º 2001000.054 S2C0T1 Fl. 6 9 sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. Ressaltese que o termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) Fl. 113DF CARF MF 10 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos contidos na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebida do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10840.720803/201379 Acórdão n.º 2001000.054 S2C0T1 Fl. 7 11 do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissionais teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” Fl. 115DF CARF MF 12 No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, da art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que existe a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10840.720803/201379 Acórdão n.º 2001000.054 S2C0T1 Fl. 8 13 independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). De entenderse que os registros do Livro Caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória apresentada, se respaldados em escrituração contábil ou livro caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória, mantidos de acordo com as normas legais e, fundados em documentos hábeis, serão validos para todos os efeitos e fazem prova verdadeira em favor do cliente/paciente. Em caso de dúvida da inveracidade dos fatos registrados cabe à Autoridade Fiscalizadora auditálos. Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já comprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Ressaltese que a Recorrente apresentou declarações assinadas pelos profissionais que afirmam ter prestado os serviços, em quantidades bastante elevadas naquele exercício e, em alguns casos, consta a informação de que o atendimento médico foi efetuado a domicílio. Assim, no que se refere à comprovação da despesa realizada pela apresentação de documentação hábil esta deve ser acolhida e aceita como despesa dedutível, em consonância com o que foi exposto acima. Contudo, há nesse caso, reembolso de despesas médicas cujos valores devem ser descontados das dedutibilidades. Também imprópria a utilização de documentos dedutíveis em anocalendário diverso daquele que foi realizado efetivamente. Fl. 117DF CARF MF 14 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO, para manter a glosa das deduções que foram reembolsadas e aquelas referentes a período diverso do anocalendário examinado. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910566/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 06/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.477
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 06/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910566/2011-60
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789277
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.477
nome_arquivo_s : Decisao_16327910566201160.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910566201160_5789277.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986499
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731560636416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910566/201160 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.477 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 06/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 66 /2 01 1- 60 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910566/201160 Acórdão n.º 3402004.477 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.572, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 06/03/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910566/201160 Acórdão n.º 3402004.477 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910566/201160 Acórdão n.º 3402004.477 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910566/201160 Acórdão n.º 3402004.477 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000099/2006-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. APRESENTAÇÃO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou - se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural em relação as áreas de preservação permanente, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 - O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A não apresentação de ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA com informação sobre a área de Preservação Permanente - APP antes do início da ação fiscal, impossibilita a exclusão da referida área da base de cálculo do ITR
Numero da decisão: 9202-005.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento e, ainda, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, para reconhecer a APP - Área de preservação Permanente. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. APRESENTAÇÃO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou - se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural em relação as áreas de preservação permanente, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 - O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A não apresentação de ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA com informação sobre a área de Preservação Permanente - APP antes do início da ação fiscal, impossibilita a exclusão da referida área da base de cálculo do ITR
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13984.000099/2006-69
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5814611
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-005.350
nome_arquivo_s : Decisao_13984000099200669.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri
nome_arquivo_pdf_s : 13984000099200669_5814611.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento e, ainda, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, para reconhecer a APP - Área de preservação Permanente. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
id : 7077481
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731866820608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 180 1 179 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13984.000099/200669 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.350 – 2ª Turma Sessão de 30 de março de 2017 Matéria ITR ÁREAS DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE Recorrente INDUSTRIA DE MOLDURAS MOLDURANTE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. AVERBAÇÃO EM DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA ÁREA. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor como Reserva Legal é ato constitutivo, e somente após a sua prática, é que o sujeito passivo poderá suprimiIa da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. APRESENTAÇÃO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural em relação as áreas de preservação permanente, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17 O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A não apresentação de ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA com informação sobre a área de Preservação Permanente APP antes do início da ação fiscal, impossibilita a exclusão da referida área da base de cálculo do ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 00 99 /2 00 6- 69 Fl. 255DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento e, ainda, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, para reconhecer a APP Área de preservação Permanente. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2801002.437, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Auto de Infração de fls. 18/26, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2002, no montante de R$ 279.347,38, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Moldurante”, com Número na Receita Federal – NIRF 8919410, decorrente da glosa total das áreas de preservação permanente APP e de reserva legal ARL, em decorrência da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo de seis meses, contados do prazo final para entrega da respectiva DITR, sendo que, em relação à área de reserva legal foi ressaltado que não consta a averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, 01/01/02, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 25/26. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 29/50, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância, fl. 99, que, o Auto de Infração é nulo de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 181 3 pleno direito, haja vista que tributa áreas de preservação permanente e de utilização limitada, isentas do ITR. Aduziu que não haver previsão legal para a exigência do ADA. Sustenta que as áreas são isentas pelo simples efeito da Lei (Código Florestal) e que podem ser provadas por outros meios. Afirmou que a MP 2.166 dispensou os contribuintes de comprovação prévia das áreas isentas. Insurgiuse contra os acréscimos legais aplicados na autuação, argumentando que a multa de 75% viola o princípio constitucional da vedação ao confisco. A 1ª Turma da DRJ/Campo Grande/MS julgou o lançamento procedente, fls. 98/105, destacando, inicialmente, que não cabe a apreciação, na esfera administrativa, de arguição de inconstitucionalidade de lei tributária. Rejeitou o pedido de realização de perícias por entender que teria utilidade somente para para levantar provas a favor da contribuinte, que poderiam ser por ela produzidas por outros meios. Quanto ao mérito, corroborou o entendimento exposto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 25/26, ressaltando que a apresentação tempestiva do ADA e averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel constituem requisitos indispensáveis para a exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. Por fim afirmou que a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora com base na taxa de juros SELIC decorrem de disposição legal, sendo assim, não há como afastar a incidência de tais acréscimos legais. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 65/76, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 156/163, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, resultando sua decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. Incabível o pedido de realização de perícia e diligência para produção de provas, quando se tratar de matéria de direito. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE 75%. EXIGÊNCIA. Fl. 257DF CARF MF 4 Comprovada a falta ou insuficiência de recolhimento do imposto, correta a lavratura de auto de infração para a exigência do tributo, aplicandose a multa de ofício de 75%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. Pedido de Perícia e Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Negado. O Contribuinte interpôs recurso especial, fls. 169/182, objetivando fossem consideradas na DITR do exercício de 2002 as áreas de preservação permanente e de reserva legal informadas em ADA de 2004, com suporte em cópia atualizada da matrícula do imóvel, cópia dos mapas da propriedade e laudo com ART, declaradas em sua DITR do exercício de 2002 (Doc. 05, 06, 07 e 08 da Impugnação). Em sede de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 233/237, DEU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, verificando a divergência, tendo em vista que o acórdão paradigma admite a dedução das áreas de preservação permanente sem apresentação tempestiva do ADA e de reserva legal não averbada à margem da matrícula do correspondente imóvel previamente ao fato gerador do imposto, enquanto que o acórdão recorrido manifesta o entendimento de que é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, exigindo, ainda, para a área de reserva legal a respectiva averbação desta na matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 239/253, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 182 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Auto de Infração de fls. 18/26, para exigir crédito tributário sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2002, no montante de R$ 279.347,38, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Moldurante”, com Número na Receita Federal – NIRF 8919410, decorrente da glosa total das áreas de preservação permanente APP e de reserva legal ARL, em decorrência da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo de seis meses, contados do prazo final para entrega da respectiva DITR, sendo que, em relação à área de reserva legal foi ressaltado que não consta a averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, 01/01/02, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 25/26. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a divergência em relação à necessidade de apresentação tempestiva do ADA e de reserva legal não averbada à margem da matrícula do correspondente imóvel previamente ao fato gerador do imposto. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelA Contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; Fl. 259DF CARF MF 6 c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação A Contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região CentroOeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. O acórdão recorrido assim dispôs: QUANTO A AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 183 7 Assim, como no presente caso não foi apresentado o ADA tempestivo relativo ao exercício 2002, não se encontra atendida uma das condições previstas na legislação para a exclusão da APP e da ARL da base de cálculo do ITR. Entendo que a dispensa da exigência da protocolização tempestiva do ADA somente poderia ocorrer se a APP e ARL em questão tivessem sido reconhecidas como tais pelos órgãos ambientais competentes, à época do fato gerador. E nos autos não há prova de tais fatos. QUANTA A ÁREA DE RESERVA LEGAL Como a averbação da ARL correspondente a 375,89 ha, foi efetuada somente em 12/07/04, conforme certidão de fls. 12/16, este requisito também não se encontra preenchido para fins de exclusão da citada área da base de cálculo do ITR/2002. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito da Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas anexadas aos autos: Ato Declaratório Ambiental ADA 2004, cópia autenticada da matrícula do imóvel, cópia dos mapas da propriedade e laudos do técnico com Anotação de Responsabilidade Técnica ART (Doc. 05, 06, 07 e 08 da Impugnação). Sendo assim, considerando a existência de ADA, e da respectiva Averbação a margem da matrícula (cópia autenticada da matrícula do imóvel, averbação AV 3 7.863, Fl. 261DF CARF MF 8 uma área de Reserva Legal de 375,89 ha, datada de 21/07/2004, remetendo ao Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal de 28/06/2004.) documentos estes que adoto como hábeis a comprovação requerida em lei para isenção do ITR, tanto para Área de Preservação Permanente quanto para Área de Reserva Legal, mesmo para o exercício de 2002, pois no meu entendimento não exijo apresentação antes do fato gerador para ARL, nem antes do início da ação fiscal para APP como entende a maioria do colegiado. Assim entendo deva ser reformado o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é fato impeditivo à concessão de isenção de ITR, pois houve a comunicação por outros meios. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 184 9 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Peço licença a ilustre conselheira, para divergir do seu entendimento com relação ao prazo para averbação das áreas de reserva legal na matrícula do imóvel, bem como a necessidade de existência de ADA para exclusão das áreas de preservação permamente para fins de apuração do ITR. Da análise dos autos, vêse que a discussão trata da necessidade a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Ibama no prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, além da averbação tempestiva (OU SEJA, ANTES DO FATO GERADOR) no registro de imóvel para fins dedução de área de Reserva Legal, quando da apuração da base de cálculo do ITR. Área de Reserva Legal ARL É sabido que a legislação sobre a matéria Reserva Legal tem por requisito formal, ou seja, condição para sua consideração tributária, e conseqüente dedução da área para apuração do ITR, a existência dos seguintes procedimentos: (a) apresentação tempestiva de requerimento ao IBAMA de Ato Declaratório Ambiental (ADA), no qual é informada a metragem da área destinada à Reserva Legal que, de acordo com a localização, corresponde a um percentual da área do imóvel; e, (b) a averbação dessa área na matrícula da propriedade rural no Registro de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador, em 1º de janeiro do ano calendário. Salientese que o ADA somente passou a ser requisito com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, e a averbação, com o advento da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 Vejamse os seguintes dispositivos extraídos da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) Fl. 263DF CARF MF 10 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. O artigo 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Percebese que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo próprio contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que possuem algum interesse ecológico. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 185 11 Tenho que o § 1º do art. 17O instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Quanto aos documentos necessários para comprovação da ARL área de Reserva Legal podemos concluir que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de reserva legal, podendo ser levando em conta, dentre outros, ∙ Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal, , que especifique e discrimine a área de interesse ambiental desde que sua declaração seja antecedente a ocorrência do fato gerador. Fica evidente que a finalidade da averbação da reserva legal na matricula do imóvel é a de atribuirlhe publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações, para que possam cumprir sua função instituidora. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservação de tais áreas, face o interesse público de manutenção. Citese entendimento do Superior Tribunal de Justiça, relatado pelo Ministro João Otávio de Noronha, que corrobora tal assertiva: "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultando na degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, leva a conscientização dc que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras. O que se tem presente é o interesse público prevalecendo sobre o privado, interesse coletivo este que inclusive afeta o proprietário da terra reservada, no sentido de que também será beneficiado com um meio ambiente estável e equilibrado. Assim, a reserva legal compõe parte de terras de domínio privado e constitui verdadeira restrição do direito de propriedade." Estando delimitado na lei a ÁREA DE RESERVA LEGAL, os limites para sua exploração, e, finalmente, a OBRIGATORIEDADE DE SE AVERBAR A MARGEM DA MATRICULA DO IMÓVEL, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, cm contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio, ou seja, a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96, transcrito acima). Ditas áreas de reserva legal são definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal, não bastam apenas "existir" no mundo fático, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel. O art. 16 da Lei n° 4.771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as áreas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas. Fl. 265DF CARF MF 12 A respeito da questão, não é a mera declaração de existência fática da área de reserva legal que permite atender os requisitos da legislação pátria vigente para excluíla quando da apuração do ITR. Para que se possa valer do beneficio, a área deve estar devidamente averbada A margem da matricula do imóvel à época do fato gerador do tributo. Portanto, ainda que se prove a existência material das áreas de reserva legal, como não se atendeu ao fim real da norma (art. 161), assim como suas disposições complementares, incidirá o imposto se a averbação não tiver sido providenciada no prazo legal. No exame do caso concreto, se faz necessário investigar se a área de utilização limitada reserva legal pleiteadas, foi devidamente averbava no registro, e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Conforme consta dos autos a averbação no registro de imóveis, deuse em 28/6/2004, com a indicação de 375,89 ha como destinados à reserva legal, fls. 15; ou seja, em período posterior ao da ocorrência do fato gerador 2002, razão pela qual entendo que não há como excluir referida área para fins de cálculo do ITR. Neste sentido, é o entendimento do seguinte julgado: Acórdão nº 210101.862, sessão de 12 de março de 2012 (excerto de ementa) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis – CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 ( O início do procedimento excluía a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 186 13 legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Acórdão nº 210201.815, sessão de 8 de fevereiro de 2012 (excerto). Dessa forma, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte em RELAÇÃO À ÁREA DE RESERVA LEGAL. Área de Preservação Permanente Inicialmente convém fazer considerações acerca da incidência do ITR, e das hipóteses de sua isenção. O imposto sobre a propriedade territorial rural ITR, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." Em consonância com disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município". No caso, muito embora para as áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5° da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5°, XIII, da CF). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 267DF CARF MF 14 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989". No que pertine a chamada "área de preservação permanente" (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.° 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 187 15 b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Destacase que até o exercício de 2000, não existia para área de preservação permanente, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.° 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n.9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Em relação ao período até 2000, inexistindo fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, foi aprovada súmula nos seguintes termos: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Já para o período do lançamento ora sob análise, devese ter em mente que com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (... ) Fl. 269DF CARF MF 16 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ao apreciarmos a mudança da lei fica clara a possibilidade de exigência de apresentação do ADA, como requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Em relação ao prazo para apresentação do ADA, trago a baila trecho do voto do Dr. Heitor de Souza Lima Júnior, , Acórdão nº 9202003.620 de 04 de março de 2015, onde o mesmo analisa os aspectos legislativos sobre o tema, chegando a conclusão que mais me parece acertada acerca da interpretação da lei sobre a matéria, razão pela qual adota seu posicionamento como razões de decidir: No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha). O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 188 17 compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior à data da ocorrência do fato gerador, no caso que ora se trata. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais Fl. 271DF CARF MF 18 especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/ 01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Adotando o posicionamento do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, considerando que a entrega do ADA no caso da área de Preservação Permanente é obrigatória para redução da área a ser tributada, porém considerando a inexistência de expressa previsão legal acerca do prazo para sua entrega, entendo que a entrega de ADA até o início do procedimento fiscal se presta a demonstrar a comprovação de sua existência, corroborada com o presente de laudo técnico. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o contribuinte, até o início do procedimento fiscal – 21/11/2005 (fl. 05), data da ciência da intimação, já havia informado ao órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de preservação permanente informadas em sua declaração, e se tais áreas estão devidamente Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13984.000099/200669 Acórdão n.º 9202005.350 CSRFT2 Fl. 189 19 identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Compulsando o voto da ilustre conselheira não restou consignado existência de ADA antes do início da ação fiscal relativo ao exercício de 2002, razão pela qual devese negar provimento ao recurso também em relação a exclusão da APP. Conclusão Face todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
