Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,202)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,251)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,808)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,693)
- Segunda Turma Ordinária d (15,666)
- Segunda Turma Ordinária d (14,180)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,226)
- Segunda Turma Ordinária d (12,209)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,266)
- Quarta Câmara (83,707)
- Terceira Câmara (65,729)
- Segunda Câmara (54,282)
- Primeira Câmara (18,795)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,479)
- Segunda Seção de Julgamen (112,370)
- Primeira Seção de Julgame (74,807)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,896)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,675)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,599)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,199)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,980)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 15578.000321/2008-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-006.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), que lhe deram provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos gastos com serviços técnicos de engenharia de projetos industriais e aos serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15578.000321/2008-11
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829621
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.106
nome_arquivo_s : Decisao_15578000321200811.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 15578000321200811_5829621.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), que lhe deram provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos gastos com serviços técnicos de engenharia de projetos industriais e aos serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7113142
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011619557376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15578.000321/200811 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.106 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria PIS/PASEP CONCEITO DE INSUMOS Recorrente COMPANHIA COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), que lhe deram provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos gastos com serviços técnicos de engenharia de projetos industriais e aos serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 21 /2 00 8- 11 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte COMPANHIA COREANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO KOBRASCO (fls. 835 a 871) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3202000.778 (fls. 797 a 822) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 25/06/2013, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. Recurso Voluntário parcialmente provido. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 4 3 No julgamento do mérito do recurso voluntário, com relação ao conceito de insumos para fins de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS foi decidido que não é todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas apenas aqueles diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. Por conseguinte, não foram considerados como insumos os serviços técnicos de engenharia de projetos industriais, a coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos e os serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 835 a 871), alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de geração de créditos do PIS e da COFINS. Colacionou como paradigmas os acórdãos 202 18.711 e 320200.226. Nas razões recursais, a KOBRASCO sustenta, em síntese, que: (a) deve ser compreendido como fato gerador do crédito, todo aquele que demonstre que o exercício da atividade empresarial está sendo onerado pela incidência cumulativa do tributo, aplicandose o conceito de insumo da legislação do IRPJ; (b) a Solução de Consulta nº 30/2010 prevê que os serviços aplicados sobre o produto em transformação, as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos; (c) também devem ser incluídos na base de cálculo do crédito referente ao PIS e COFINS as despesas relativas à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da Kobrasco (Fatores C, K e Y do contrato de arrendamento); (d) cabe à VALE S.A. prestar os serviços de operação de toda a planta industrial da Recorrente, sendo lavradas as notas fiscais da prestação desses serviços; (e) aduz serem improcedentes todas as glosas relativas aos serviços constantes das tabelas do presente processo administrativo; e(f) por fim, requer seja dado provimento ao recurso. Foi admitido o recurso especial da Contribuinte por meio do despacho s/nº , de 30 de novembro de 2015 (fls. 966 a 968), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 971 a 980) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 984DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação do que pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e de COFINS, em especial com relação aos serviços contratados pela Recorrente: serviços técnicos de engenharia de projetos industriais, a coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos e os serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental. Preambularmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do Fl. 985DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 6 5 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nesse viés, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 986DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 7 6 da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende Fl. 987DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 8 7 analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 988DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 9 8 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 10 9 De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que tem como objeto societário a produção e venda de pelotas de minério de ferro, além de exercer outras atividades direta ou indiretamente relacionadas à produção e venda de pelotas de minério de ferro. Consoante descrito na peça da manifestação de inconformidade e o que se verifica dos autos (fls. 125 a 151 Contrato para a Operação da Usina de Pelotização), a KOBRASCO adquire minério de ferro bruto ("pellet feed") da Companhia Vale do Rio Doce CVRD e, no seu estabelecimento fabril usina de pelotização , transforma esse minério em pelotas de ferro destinadas à venda no mercado externo. Além disso, a KOBRASCO mantém com a CVRD contrato de administração, ficando a primeira obrigada a adquirir mensalmente determinado montante de minério bruto, enquanto esta última, detentora do "knowhow", presta serviços de operação da planta industrial da Recorrente. Nessa relação contratual, estão englobados diversos serviços, cujo pedido de aproveitamento de crédito restou glosado pela Fiscalização, conforme trecho do acórdão recorrido, in verbis: [...] Conforme já ressaltado pela instância a quo, a fiscalização acostou, à fl. 150 (processo eletrônico), uma tabela intitulada “Tabela dos Serviços Contratados Diretos – Serviços Excluídos”, na qual relaciona os serviços excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar: serviços topográficos, serviços técnicos de engenharia de projetos industriais, manutenção e monitoramento da qualidade do ar, serviços de manutenção nos equipamentos de monitoramento ambiental, locação de sanitários portáteis, serviços de monitoramento ambiental, coleta de dados para análise de vibrações e monitoramento em equipamentos e serviços de auditoria. Alguns serviços contratados da própria CVRD também não foram aceitos pela fiscalização. Aqui, cabe ressaltar que a CVRD operou as usinas de pelotização da Recorrente, por isso fazendo jus a uma compensação calculada a partir de certa equação composta por fatores, entre os quais a fiscalização entendeu não se enquadrarem no conceito de insumo os Fatores Y e K. O primeiro relacionase a despesas gerais; o segundo corresponde à remuneração de capital de giro provido pela CVRD para operar as usinas pertencentes à Recorrente. Por tudo o que já se expôs aqui, os serviços glosados pela fiscalização não integram o conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS/Cofins apurados na sistemática não cumulativa, porquanto não diretamente aplicados ou consumidos na fabricação das pelotas de minério de ferro. [...] Fl. 990DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 11 10 Tendo em vista a atividade econômica da Recorrente, dentre os serviços constantes na “Tabela dos Serviços Contratados Diretos”, entendese constituíremse como insumos os serviços técnicos de engenharia de projetos industriais e os serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental, pois tem relação de pertinência/essencialidade com o processo produtivo das pelotas de minério de ferro. Tratase de serviços aplicados diretamente sobre o produto, o que lhes confere a característica de insumo. Nesse sentido é a Solução de Consulta nº 30/2010 da Receita Federal, citada na peça do recurso especial e de cuja interpretação extraise a mesma conclusão externada pela Recorrente. A Solução de Consulta foi assim ementada: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 30, DE 26 DE JANEIRO DE 2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AQUISIÇÃO DE FERRAMENTAS. MÃODEOBRA PARA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DA PRODUÇÃO. SERVIÇOS APLICADOS SOBRE O PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORMES, EPI'S, PAT, TRANSPORTE DE PESSOAL, VIGILÂNCIA, JARDINAGEM, MANUTENÇÃO DA REDE ELÉTRICA E DE PRÉDIOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Revisa a Solução de Consulta SRRF/9ª RF/Disit nº 377, de 9 de novembro de 2006. As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP. Todavia não são considerados insumos a aquisição de uniformes e de Equipamentos de Proteção Individual, os dispêndios com o Programa de Alimentação do Trabalhador, a contratação dos serviços de transporte de pessoal, de limpeza, vigilância e jardinagem e de manutenção da rede elétrica e de prédios administrativos e de produção. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3º, II, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004; Dec. nº 3.000/1999, art. 346, §§ 1º e 2º; IN SRF nº 247/2002, art. 66, § 5º, I, incluído pela IN SRF nº 358/2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AQUISIÇÃO DE FERRAMENTAS. MÃO DEOBRA PARA OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DA PRODUÇÃO. SERVIÇOS APLICADOS SOBRE O PRODUTO. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORMES, EPI'S, PAT, TRANSPORTE DE PESSOAL, VIGILÂNCIA, JARDINAGEM, MANUTENÇÃO DA REDE ELÉTRICA E DE PRÉDIOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Revisa a Solução de Consulta SRRF/9ª RF/Disit nº 377, de 9 de novembro de 2006. As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Fl. 991DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 12 11 COFINS. Todavia não são considerados insumos a aquisição de uniformes e de Equipamentos de Proteção Individual, os dispêndios com o Programa de Alimentação do Trabalhador, a contratação dos serviços de transporte de pessoal, de limpeza, vigilância e jardinagem e de manutenção da rede elétrica e de prédios administrativos e de produção. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2002, art. 3º, II, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004; Dec. nº 3.000/1999, art. 346, §§ 1º e 2º; IN SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º, I. Lei nº 10.833/2002, art. 3º, II, com a redação dada pela Lei nº 10.865/2004; Dec. nº 3.000/1999, art. 346, §§ 1º e 2º; IN SRF nº 404/2004, art. 8º, § 4º, I. [...] Há, ainda, de se examinar as rubricas dos Fatores Y e K quanto à sua caracterização como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep e COFINS. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que: (a) o fator Y corresponde à remuneração do capital de giro fornecido pela CVRD – reembolso dos custos financeiros do capital de giro que a CVRD proverá para a operação e manutenção do projeto através de estoques de peças sobressalentes e materiais de consumo; e (b) o fator K “consiste em todas as despesas incorridas pela CVRD em Vitória, Rio de Janeiro, ou outros lugares, na prestação dos serviços necessários ou úteis a administração regular da KOBRASCO incluindo, entre outros, os seguintes itens: telex ou outra comunicação, elaboração e processamento de dados, treinamento de pessoal, departamento de pessoal, comercial e compras, assistência jurídica e fiscal estatística, serviços contábeis e de custo, etc,[...]” Concluise trataremse as despesas englobadas pelos fatores Y e K, de despesas administrativas, sem que tenham relação de pertinência/essencialidade com o processo produtivo, não podendo serem consideradas como insumos. De encontro a isso , estarseia admitindo a aplicação do critério de insumo segundo a legislação do IRPJ, segundo a qual todos os gastos incorridos pela empresa na produção da Contribiuinte. Diante do exposto, dáse parcial provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer o direito ao crédito com relação aos gastos com serviços técnicos de engenharia de projetos industriais e os serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 992DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre serviços técnicos de engenharia de projetos industriais e os serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental, além das despesas referentes aos fatores Y e K. Quanto aos últimos, fatores Y e K, nenhuma discordância em relação ao voto da relatora. Porém, a relatora entendeu por reconhecer os créditos relativos aos serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental por entender que são essenciais ao processo produtivo da recorrente. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 993DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 14 13 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último Fl. 994DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 15 14 quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão da relatora de que os gastos com aqueles serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos não é possível tal creditamento. O próprio recurso especial apresentado pelo contribuinte não defende que estes serviços são usados diretamente no processo de produção, mas ressalta a sua essencialidade às atividades empresariais da recorrente. O próprio nome dos serviços prestados já delimita que o seu uso não é diretamente no chão da fábrica da empresa. Os itens glosados referemse a "serviços técnicos de engenharia de projetos industriais" e "serviços de manutenção dos equipamentos de monitoramento ambiental". Por fim, não tenho qualquer discordância com o disposto na Solução de Consulta nº 30/2010, citada no recurso e transcrita no voto da relatora. Somente deixar claro que ela trata de serviços utilizados diretamente no processo produtivo, o que não é o caso da presente situação em análise. Assim, por se tratar de gastos com serviços que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas em outros setores da atividade empresarial, devem ser mantidas as glosas sobre as referidas despesas. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 15578.000321/200811 Acórdão n.º 9303006.106 CSRFT3 Fl. 16 15 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.904199/2009-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencidos os conselheiros Cleber Magalhães que lhe negou provimento e Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.904199/2009-82
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832035
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.122
nome_arquivo_s : Decisao_13839904199200982.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 13839904199200982_5832035.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencidos os conselheiros Cleber Magalhães que lhe negou provimento e Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7128782
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011663597568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1722; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.904199/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.122 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de janeiro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ANCONA & ANCONA LTDA E.P.P Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno dos autos à Unidade de Origem para análise da DCTF retificadora, vencidos os conselheiros Cleber Magalhães que lhe negou provimento e Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 41 99 /2 00 9- 82 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13839.904199/200982 Acórdão n.º 3001000.122 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 15/12/2005, transmitiu PER/DCOMP nº 30030.52523.151205.1.3.045207 declarando a compensação de débito de COFINS do período 11/2005 no valor de R$ 486,53, com crédito de COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF na data de 15/08/2005, da competência 07/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Jundiaí/SP, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.8), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado da contribuinte. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.3), justificando que ocorreu erro no preenchimento da DCTF do período (2º Trimestre/2005) e que na data de 26/05/2009 foi procedida a retificação da mesma, fazendo a juntada nos autos (efls.5). Demonstrada a existência do crédito, aguarda pela compensação requerida. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BSB, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 Compensação Pagamento indevido Cofins A compensação de débitos tributários somente poderá ser autorizada com crédito liquido e certo do sujeito passivo quando comprovado nos autos, mediante registros contábeis e fiscais, acompanhados da documentação hábil, o pagamento indevido ou a maior. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme reza a legislação tributária e entendimento já pacificado nas esferas administrativa e judicial, a manifestante para ter direito ao crédito compensado, antes de transmissão do Per/Dcomp, nas Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13839.904199/200982 Acórdão n.º 3001000.122 S3C0T1 Fl. 4 3 hipóteses em que admitidas, deveria ter retificado a DCTF, na qual utilizou o pagamento para quitar débito ali confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 39) contra a decisão singular, com o intuito de ver seu pedido atendido, sustentando que: "Segundo o artigo 11 e parágrafo 1º da IN da RFB nº 903 de 30122008, e alterações posteriores, a DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados". Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através de PER/DCOMP nº 30030.52523.151205.1.3.04 5207, transmitida na data de 15 de dezembro de 2005, a compensação de débito de COFINS no valor de R$ 486,53 da competência 11/2005, em razão do recolhimento a maior que o devido na data de 15/08/2005 no valor de R$ 1.348,42 de COFINS, da competência 07/2005. Contudo, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório desfavorável ao seu pedido, constatou que havia incorrido em erro quando da transmissão da DCTF para o período do 2º Trimestre de 2005. Imediatamente, na data de 26/10/2009, transmitiu DCTF retificadora corrigindo o valor devido de COFINS para o período de apuração 31/07/2005, de forma a evidenciar o valor de seu pagamento a maior que o devido, resultando daí o crédito utilizado para a compensação requerida. A DRJ/BSB fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, no fato de que a análise do crédito é feita com base na DCTF inicialmente apresentada e não em DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório. Tal iniciativa não evidencia o direito ao pretendido indébito, "...sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, para ter direito ao crédito pleiteado, a manifestante antes de transmissão do Per/Dcomp, nas hipóteses em que admitidas, deveria ter retificado a DCTF, na qual utilizou o pagamento para quitar débito ali confessado, cuja competência para apreciar é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo". O primeiro passo para regularização da divergência apontada entre a DCTF original e a PER/DCOMP foi o de retificar a DCTF, indicando qual o débito efetivamente Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13839.904199/200982 Acórdão n.º 3001000.122 S3C0T1 Fl. 5 4 devido para o período de referência. As demais provas que a contribuinte deve dispor para atender a necessária auditoria fiscal de homologação dos débitos declarados, dependerá de critérios próprios que o fisco julgar apropriadas. Cito aqui julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmou decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, “em síntese, que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13839.904199/200982 Acórdão n.º 3001000.122 S3C0T1 Fl. 6 5 do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis e outras declarações da recorrente, que de acordo com as razões recursais poderão ser solicitados pelo fisco conforme sua necessidade. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13642.000424/2008-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL
Caracterizada opção efetivada fora do prazo previsto na legislação, deve ser indeferido o pedido de inclusão retroativa.
Numero da decisão: 1001-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL Caracterizada opção efetivada fora do prazo previsto na legislação, deve ser indeferido o pedido de inclusão retroativa.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13642.000424/2008-26
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5834159
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.267
nome_arquivo_s : Decisao_13642000424200826.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13642000424200826_5834159.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7136741
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011667791872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13642.000424/200826 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.267 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2018 Matéria Indeferimento de Opção SIMPLES Recorrente DAVIM & SILVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL Caracterizada opção efetivada fora do prazo previsto na legislação, deve ser indeferido o pedido de inclusão retroativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 00 04 24 /2 00 8- 26 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13642.000424/200826 Acórdão n.º 1001000.267 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 67 e 68) interposto contra o Acórdão nº 0939.943, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 57 a 60), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL Caracterizada opção efetivada fora do prazo previsto na legislação, deve ser indeferido o pedido de inclusão retroativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o processo de pedido de enquadramento no Simples com efeitos retroativos a 01/07/2007. A unidade preparadora indeferiu a solicitação, em razão da empresa não ter solicitado sua inclusão no Simples Nacional (SN), em conformidade com a legislação. Cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que: • Era do Simples Minas Lucro Presumido e não Débito e Crédito; • Fez pedido de inclusão no Simples Nacional na SRF de SJDR que gerou o processo de inclusão. Foi orientada a proceder como se estivesse no Simples Nacional; • Os impostos de saída de 07/2007 a 02/2010 foram pagos no Simples Nacional e as declarações entregues nessa sistemática; • O CNPJ foi emitido em 12/09/2007; • Desde 01/03/2010 está sem movimento." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário repetindo os exatos mesmos termos exarados por ocasião da Impugnação. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13642.000424/200826 Acórdão n.º 1001000.267 S1C0T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Importa esclarecer que, no primeiro semestre de 2007, vigoravam as disposições legais pertinentes ao Simples Federal (Lei 9.317/1996) e, no segundo, já estavam em vigor aquelas determinantes para o Simples Nacional (LC 123/2006). Portanto, com relação ao anocalendário 2007, a contribuinte optante pelo Simples Federal estava obrigada a apresentação de declaração para o período de apuração compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007. Já para o período de apuração compreendido entre 01/07/2007 a 31/12/2007, a empresa, antes enquadrada no Simples Federal, poderia fazer opção pelo Simples Nacional ou apresentar DIPJ na sistemática do lucro real ou presumido ou ainda declaração de inatividade, se fosse esse o seu caso. No processo em apreço, o litígio se prende a inclusão no Simples Nacional, a partir de 01/07/2007. Sobre a matéria, a LC 123/2006 determina que: Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. §1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerar seá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. §2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo. §4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (grifo não original) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13642.000424/200826 Acórdão n.º 1001000.267 S1C0T1 Fl. 5 4 §5º O Comitê Gestor regulamentará a opção automática prevista no §4º deste artigo. Art.79C. A microempresa e a empresa de pequeno porte que, em 30 de junho de 2007, se enquadravam no regime previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e que não ingressaram no regime previsto no art. 12 desta Lei Complementar sujeitarseão, a partir de 1º de julho de 2007, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, por sua vez, assim dispõe: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7o poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN no 19, de 13 de agosto de 2007). (grifo não original) A empresa não migrou automaticamente para o Simples Nacional, porque, como salientado no seu pedido inicial, à fl. 03 do processo virtual, havia débito com a exigibilidade não suspensa relativo ao ano 2004, que impedia sua opção pelo Simples Nacional. Assim, restava à contribuinte, de acordo com a legislação pertinente, regularizar sua pendência e, até 20/08/2007, realizar opção pelo Simples Nacional por meio da internet. Resta comprovado no processo que a empresa só realizou pedido de inclusão em 11/09/2008 e, ainda assim, em papel. Portanto, conforme a legislação vigente àquela época acima transcrita, a empresa tinha até 20/08/2007 para efetuar sua opção pelo Simples Nacional, retroativa à 01/07/2007. Como sua opção pelo Simples Nacional só foi requerida em 11/09/2008 deve persistir o indeferimento proferido pela autoridade preparadora." Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13642.000424/200826 Acórdão n.º 1001000.267 S1C0T1 Fl. 6 5 É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001320/2005-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/02/2003
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3001-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que conheceu do Recurso.Votou pelas conclusões o conselheiro Cássio Shappo.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/02/2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.001320/2005-83
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5839649
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.176
nome_arquivo_s : Decisao_10865001320200583.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBER MAGALHAES
nome_arquivo_pdf_s : 10865001320200583_5839649.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que conheceu do Recurso.Votou pelas conclusões o conselheiro Cássio Shappo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7155665
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011716026368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.001320/200583 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.176 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria Cancelamento de DCOMP Recorrente ENTRE CORES COMERCIO DE TINTAS LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/02/2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Orlando Rutigliani Berri que conheceu do Recurso.Votou pelas conclusões o conselheiro Cássio Shappo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 13 20 /2 00 5- 83 Fl. 121DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (efl. 110 e ss): Em virtude de documento apresentado pelo interessado, onde se contestou a cobrança de vários débitos com a alegação que foram compensados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba baixou para tratamento manual no presente processo as PER/DCOMP n 11122.65608, no 25802.15373, n° 33946.67896, no 15959.60525, n° 39476.89711, n° 15893.01194, n° 33416.44903, n° 26008.03418, n° 21013.63435, n° 08813.66585, no 33676.88073, e n° 36418.78651, cujas cópias foram juntadas As fls. 17/76. No referido documento de contestação, o interessado alegou que possuía créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior de PIS, cujo reconhecimento pleiteou judicialmente através de Ação Ordinária Declaratória n° 2000.61.09.002557 0. Analisando as PER/DCOMP, a DRF prolatou Despacho Decisório não homologando as compensações declaradas pela inexistência de crédito do interessado, ressaltando que "Não obstante a alegação de compensação judicial relativa a recolhimentos a maior do PIS, as Declarações de Compensação, cujas cópias foram juntadas ao Pedido de Revisão, indicam como origem do crédito um recolhimento indevido do próprio SIMPLES, no valor devido e na data de vencimento do débito a compensar...". No referido despacho, também se constatou que, na data do Despacho Decisório não havia transito em julgado da ação, o que impede a utilização de créditos em discussão judicial para compensação, nos termos do disposto no art. 170A, do Código Tributário Nacional — CTN. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em breve síntese, a ilegalidade da limitação à compensação em face da inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o principio da irretroatividade da lei, especificamente do art. 170A do Código Tributário Nacional — CTN, que autorizou a compensação de créditos reconhecidos judicialmente somente após o transito em julgado da ação judicial. Solicitou, ao final, a homologação das compensações uma vez que os créditos nela compensados são advindos de tributos julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e porque os valores foram recolhidos antes das exigências criadas pelo art. 170A, do CTN, sendo, assim, indevida a sua aplicação. É o relatório. A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10865.001320/200583 Acórdão n.º 3001000.176 S3C0T1 Fl. 3 3 Data do fato gerador: 10/02/2003, 10/03/2003, 10/04/2003, 12/05/2003, 10/06/2003, 10/07/2003, 11/08/2003, 10/09/2003, 10/10/2003, 10/11/2003, 10/12/2003, 12/01/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FORMALIDADES LEGAIS. A manifestação de inconformidade obedece ao rito processual do PAF, que prevê em seu artigo 17 que a matéria não expressamente contestada pelo impugnante considerase não impugnada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 117 e ss), além do já argumentado na Manifestação de Inconformidade, destaca que estaria “prescrito o direito da Fazenda Pública impugnar os valores compensados, haja vista que estes foram compensados e declarados há mais de cinco anos”. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães – Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 39.324,32 (efl. 81), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Inicialmente, quanto à alegada “prescrição do direito da Fazenda Pública impugnar os valores compensados, haja vista que estes foram compensados e declarados há mais de cinco anos”, verificase que essa é uma argumentação nova, que não foi apresentada na Manifestação de Inconformidade. Fl. 123DF CARF MF 4 Verificando os autos deste processo, não localizei, nas impugnações apresentadas, qualquer menção a tal questão, o que prejudica o conhecimento da matéria exclusivamente em segunda instância, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Uma vez que a matéria não foi expressa e especificamente contestada em impugnação, configurouse a preclusão consumativa em relação às questões agora trazidas ao processo. Quanto ao restante da argumentação da Recorrente em seu Recurso Voluntário, não há como fugir das conclusões já apresentados pelo tribunal a quo, quando do julgamento do caso. Lá já havia sido informado que a motivação da não homologação do pedido da Recorrente foi a inexistência de créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior do SIMPLES, conforme constou nas PER/DCOMP por ela apresentadas. No Recurso Voluntário não consta qualquer contestação ao motivo da não homologação das compensações. A Recorrente, além de discorrer sobre a alegada prescrição do direito da Fazenda Pública (assunto já enfrentado acima), apenas alegou a ilegalidade dos Decretoslei 2.445 e 2.448, ambos de 1988, e da não retroatividade do disposto no art. 170A do CTN, assuntos que não têm relação com o motivo da não homologação das compensações. Assim, entendo que não há como dar razão à Recorrente, haja vista que ela não trouxe argumentação que se contrapusesse aos motivos do Fisco expostos no Despacho decisório. O Recurso Voluntário segue o rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), por força do disposto no § 11, do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996: Art. 74. ... § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam aos §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10865.001320/200583 Acórdão n.º 3001000.176 S3C0T1 Fl. 4 5 n° 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso II do artigo 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Por sua vez, da seguinte forma dispõem os arts. 17 e 21 do Decreto n°70.235, de 1972 (PAF): Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não for expressamente contestada pelo impugnante (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997). Assim, pelo exposto, voto por NÃO CONHECER o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15943.000108/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002.
O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-004.256
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15943.000108/2009-76
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840353
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.256
nome_arquivo_s : Decisao_15943000108200976.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 15943000108200976_5840353.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7166492
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011750629376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15943.000108/200976 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.256 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CRÉDITOS. FORNECEDORES INIDÔNEOS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. Recorrente VITAPELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, “A”, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 01 08 /2 00 9- 76 Fl. 31387DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 3 2 julgamento do processo 15943.000105/200932. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de Cofins não cumulativa. Esse pedido foi indeferido e as compensações transmitidas não homologadas, sob a justificativa de que a apuração da Cofins, calculado sobre o faturamento mensal, não estaria correta, pois o contribuinte teria deixado de incluir determinadas receitas e considerado determinados créditos, de forma indevida. De acordo com a Fiscalização, os itens questionados e que acabaram por gerar o indeferimento do pedido de ressarcimento de saldo credor podem ser agrupados da seguinte forma pela: (i) receitas de insubsistência de passivo; (ii) receitas de descontos obtidos; e (iii) utilização de créditos sobre operações comerciais irregulares . Após ter sido cientificada da decisão de indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1460.650. Cientificado desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, no qual requer a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto de pedido de ressarcimento, pelas seguintes alegações: (i) a Recorrente defende a regularidade das operações de aquisições de insumos que foram glosadas e a necessidade de aplicação do entendimento firmado no Acórdão proferido pela Primeira Seção nos autos do processo nº 10835.721527/201254, por ser o processo em questão, segundo a Recorrente, reflexo do processo que já foi julgado; (ii) com relação aos descontos obtidos, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matéria prima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim; constatado algum problema relacionado a matériaprima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005; (iii) com relação à acusação de omissão de receita por insubsistência de passivo, a Recorrente explica a formação do passivo, que vem do ano de 2000, e defende a inocorrência de fato gerador; e (iv) por último, a Recorrente pede a aplicação da Taxa Selic sobre os valores objeto do pedido de ressarcimento. Fl. 31388DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 4 3 Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e, em 07/11/2017, a Recorrente apresentou petição informando que havia ingressado com medida judicial e obtido decisão que deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 500048412.2017.4.03.0000, para determinar à parte agravada, a União, que "aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como o faça com observância do decidido pelo E. STJ no Resp repetitivo nº 1.148.444/MG". É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.248, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 15943.000105/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.248): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recorrente ingressou com medida judicial e obteve decisão a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. Quanto à primeira determinação, observase seu cumprimento com a colocação em pauta do Recurso Voluntário na primeira oportunidade e o seu julgamento nesta sessão. Quanto à segunda determinação, o entendimento firmado no STJ é relativo à legitimidade do direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos. No julgamento em questão, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, o e. STJ afirmou que "o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" e que "a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora Fl. 31389DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 5 4 efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS". Este Colegiado já está vinculado ao entendimento em referência, assim como outros expressos em decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e em decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça, em outros julgados realizados sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força de dispositivo regimental (artigo 62, inciso II, alínea "b", do Regimento Interno do CARF), de modo que, seja por observação ao Regimento Interno deste orgão, sob pena, inclusive de perda de mandato, conforme artigo 45, inciso VI, do Regimento Interno, seja por observação à determinação judicial, o julgamento aqui ora realizado seguirá o entendimento firmado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.148.444/MG. De toda sorte, essa afirmação não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01, que prevê: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Glosas relativas às aquisições de fornecedores Sobre essa primeira matéria, a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas de nove fornecedores, quais sejam: (1) Curtama Indústria e Comércio Ltda.; (2) Frigorífico Altamira Ltda.; (3) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (4) J A Comércio de Couros Ltda.; (5) José de Carvalho Lima Junior; (6) Lacerda Couros Ltda., (7) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (8) Vanderlei João de Oliveira; e (9) Volmir Sofiatti ME, pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida após exame dos fundamentos de cada glosa e da constatação de que o Recorrente não teria apresentado documentação "comprovando que as referidas pessoas jurídicas (empresas) realmente realizaram atividades econômicas e financeiras, nos períodos de competência objetos do ressarcimento pleiteado. Também não apresentaram as respectivas DIPJs, DCTFs e Dacons, comprovando que operaram regularmente e de conformidade com a legislação tributária vigente, que dispunham de capacidade econômica e financeira e de instalações capazes de suportar as operações de armazenagem e comercialização de couro cru, no volume de operações representadas pelas notas fiscais emitidas no período, objeto do ressarcimento pleiteado". Entretanto, o conjunto probatório exigido na decisão recorrida parece ser além do razóavel para que a Recorrente pudesse fazer jus ao direito Fl. 31390DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 6 5 de crédito, pois demandaria da Recorrente a obtenção de um conjunto de informações que está sob o domínio do seu fornecedor e não da Recorrente, sendo certo que cabe ao Fisco e não à Recorrente a fiscalização de toda a situação econômica e fiscal da fornecedora. Diante disso, sobre a matéria, o parâmetro que deve ser observado é o parâmetro legal, disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços". Logo, em regra, a declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito, mas esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. Em decorrência, a jurisprudência das Turmas de Direito Público do STJ se firmou no sentido de que "o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação"1. Fixadas essas idéias, examinamse os fundamentos apresentados pela Fiscalização para não aceitar o direito de crédito e os argumentos do contribuinte para defender esse direito. Com relação a um grupo de 5 (cinco) fornecedores, composto por Curtama Indústria e Comércio Ltda., J A Comércio de Couros Ltda.; Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida, amparada nas conclusões da Fiscalização, apresenta os seguintes fundamentos para a manutenção da glosa. Em relação a Curtama Indústria e Comércio Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, considerando a omissão na entrega a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do ano calendário de 2008, ausência de registro contábil e fiscal de pagamentos aos transportadores autônomos, transporte este que teria sido suportado pelo fornecedor, e incompatibilidade entre veículo utilizado, mini van Asia Topic, com a carga e peso transportados. 1 AgRg no AREsp 260.278/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 18/06/2014. Fl. 31391DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 7 6 Em relação a J A Comércio de Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, por ter a empresa apresentado para o anocalendário de 2008 a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) na situação inativa, ausência de comprovação de pagamento por parte do Recorrente e incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Lacerda Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, pois a DIPJ do ano calendário de 2008 informava que não teria sido realizada nenhuma operação e por incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Vanderlei João de Oliveira, a decisão recorrida manteve a glosa apenas com base na incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados. Por último, em relação a Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida aponta omissão na entrega de DIPJ do ano calendário de 2008, que o pagamento pelas aquisições teria sido feito por cessão de crédito bancário e que a empresa foi inabilitada a partir de 21/07/2010, portanto, quase dois anos depois do período das aquisições tratadas nos autos deste processo. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de uma lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, um conjunto maior de fornecedores foi analisado, reportandose o julgador para análise dos 5 (cinco) fornecedores aqui examinados as conclusões a que já havia chegado em relação aos fornecedores "11. A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda" e "13. Aracouro Comercial Ltda". Nesse sentido, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram. A incompatibilidade entre veículo e carga e peso, por exemplo, é explicada pela colocação de forma equivocada de informações na nota fiscal, como lá demonstrado. Fl. 31392DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 8 7 Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade. Além disso, apesar de indícios levantados, não há informação de que o Fisco tenha declarado a inaptidão dos fornecedores em referência. Apenas um deles, Volmir Sofiatti ME, teve a inaptidão declarada, mas em período posterior ao ano de 2008. Diante disso, naquele processo, os julgadores afirmaram que: "Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%". Para o presente processo, as informações levantadas pelo Fisco e que foram acolhidas pela decisão recorrida não me parecem suficientes para afastar a idoneidade das notas fiscais emitidas e a regularidade das operações em relação a todos os fornecedores, com exceção do fornecedor "J A Comércio de Couros Ltda." em relação ao qual a Fiscalização solicitou a apresentação dos comprovantes de pagamentos, que não foram oferecidos pela Recorrente. Diante disso, proponho ao Colegiado afastar todos as glosas do primeiro grupo, com exceção da relativa ao fornecedor a "J A Comércio de Couros Ltda.". Com relação ao fornecedor "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.", a acusação é dividida em dois motivos: com relação às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, embora intimada, a Recorrente não teria apresentado a comprovação do pagamento; e, com relação às notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055, haveria incompatibilidade entre veículo utilizado e carga e peso transportados. Com relação a esse fornecedor, a Recorrente defende que a única acusação é a questão da incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados, trazendo entendimento da Primeira Seção no processo já referenciado, no sentido de que não poderia haver lançamento em relação a esse fornecedor, conforme a seguir: "De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 419420) restringese ao fato de que, com relação a algumas notas fiscais, o suposto transporte das mercadorias teria sido efetuado em veículo incompatível para o transporte de cargas, e, com relação a outras, que o contribuinte teria deixado de apresentar o comprovante de pagamento. Fl. 31393DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 9 8 Estas questões já foram anteriormente abordadas, pelo que pedese vênia para não repetir os argumentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Realmente, como já afirmado, a acusação de incompatibilidade de veículo e carga/peso transportados não importa concluir, no caso, pela inidoneidade das operações, tendo em vista a possibilidade de colocação errônea de dados nas notas fiscais, como narra a decisão da Primeira Seção. Todavia, de forma diferente do que fora lá decidido, entendo que em processo que decorre de indeferimento de pedido de ressarcimento, no qual há intimação para comprovação de pagamento, para fins de demonstração da idoneidade e regularidade da operação, caberia à Recorrente fazer essa prova. Como não há prova do pagamento nas operações relativas às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, proponho ao Colegiado manter a sua glosa, afastando em relação às demais operações desse fornecedor. Com relação ao fornecedor "Henriques Comércio de Couros Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pela acusação de ausência de pagamento por transporte e incompatibilidade entre veículo e carga/peso transportados, elemento que já se afirmou acima não é suficiente para a conclusão pela inidoneidade. Especificamente em relação às notas fiscais 367 e 369, a decisão recorrida manteve a glosa pois os cheques foram sustados, em razão de desacordo comercial entre as partes. Já as notas fiscais 310; 311; 416; 417; 418; e 419 os pagamentos foram efetuados por terceiros, mediante cessão de crédito bancário. A Recorrente, no que se refere a esse fornecedor, defende a superficialidade da Fiscalização, ausência de acusação de inidoneidade e que as cessões de crédito são operações regulares, citando a decisão da Primeira Seção que assim afirmou: 44. Henriques Comércio de Couros Ltda. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 402404) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Com relação a duas notas fiscais (367, no valor de R$ 5.400,00, e 369, no valor de R$ 14.850,00), destacara o fisco que o cheque 151871 do Banco do Brasil S/A fora, por ordem do emitente, “sustado” em 17/03/2009, em face de “desacordo comercial”. Entretanto, já em sede de impugnação, o contribuinte trouxera aos autos o comprovante da transferência bancária posteriormente efetuada, em 01/04/2009, pelo valor total de R$ 20.250,00, em nome do citado fornecedor (fls. 25510). Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Fl. 31394DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 10 9 Como se verifica, a matéria foi tratada na sua integralidade naquela decisão e, diante dos fatos e análises ali colocados, proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Com relação ao fornecedor "José de Carvalho Lima Junior", a decisão recorrida manteve a glosa, por inabilitação do fornecedor junto a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, por incompatibilidade de veículo com carga/peso transportados, ausência de registros de pagamentos aos transportadores e ausência de declaração de receitas na DIPJ pelo fornecedor do ano de 2008. A Recorrente defende que esse fornecedor só foi declarado não habilitado a partir de 26/03/2010, data posterior às operações realizadas pela Recorrente, afirmando que, mesmo após o falecimento do Sr. José de Carvalho Lima Junior, a empresa continuou funcionando, sendo administrada pelo Sr. Reginaldo de Carvalho Siqueira, amparandose novamente no que restou decidido no Processo Administrativo nº 10835.721527/201254. Naquele processo, restou decidido que a Recorrente era um típico adquirente de boafé tratado pela doutrina e jurisprudência, pelos motivos a seguir: "De todo o exposto, dúvidas não restam quanto à inidoneidade dos documentos emitidos em nome de José de Carvalho Lima Júnior após o seu falecimento. Contudo, as diligências efetuadas não demonstraram que não houvesse comercialização de couro, antes ao contrário. O Sr. Reginaldo declarou que fazia a administração da empresa de José de Carvalho Lima Júnior, comprando e vendendo couros, e administrando o pessoal. Perguntado sobre seus clientes em 2009, respondeu que “quase 100% Vitapelli”, e que as vendas eram todas a prazo, de até 120 dias. E que, com relação à forma de recebimento pelas vendas, os pagamentos, pela Vitapelli, eram feitos em cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Nos autos há fotos do couro na salgadeira do Sr. Reginaldo, tiradas pelo fisco. A empresa pode até não ter registrado seus funcionários, mas o fisco constatou que havia funcionários no local. Nos documentos anexados pelo fisco relativos ao fornecedor José de Carvalho Lima Júnior (fls. 67697993) e ao fornecedor Reginaldo de Carvalho Siqueira (fls. 1475914871), constam cópias de diversos cheques emitidos nominalmente a ambos (muitos com a aposição da expressão “bom para ...”, indicando uma data bem posterior à de sua emissão), bem como de documentos de cobrança bancária em favor de ambos fornecedores, a confirmar as alegações do Sr. Reginaldo quanto à forma de pagamento. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa / sucessão fraudulenta. Aliás, nem mesmo o contador, que estava mais próximo dos fatos, tinha conhecimento, de acordo com as declarações que prestou ao fisco. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do Fl. 31395DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 11 10 adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Sem procedência, portanto, o lançamento fiscal relativo a este fornecedor". Portanto, por já ter sido demonstrada a regularidade das operações realizadas por esse fornecedor com a Recorrente, devem ser afastadas as acusações que amparam a glosa do direito de crédito da Recorrente, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Por último, com relação ao fornecedor "Frigorífico Altamira Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pelo seguinte motivo: "Intimado a comprovar os pagamentos das notas fiscais referentes as suposta aquisições dos insumos (couro cru), recebida a intimação, o interessado não a atendeu. Também, intimado, não apresentou a planilha de movimentação das mercadorias discriminadas nas notas fiscais". A Recorrente faz referência à decisão da Primeira Seção e que teria juntado no Recurso Voluntário documentação comprobatória dos pagamentos, com a juntada de razão mensal. Embora o conjunto dos elementos não tenha sido suficiente para sustentar o lançamento, no presente processo, entendo que caberia à Recorrente fazer prova do pagamento, que continuou sem amparo. Às fls. 7.339 dos autos, no parecer da fiscalização, há a informação de que foi glosado em relação ao 4ª Trimestre de 2008 a quantia de R$270.000,00. Contudo, não há na documentação contábil oferecida pela Recorrente o registro de pagamentos realizados em favor desse fornecedor. Há, na realidade, pagamentos em favor de outro fornecedor, "Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda.". Além disso, mesmo que existissem pagamentos em favor do fornecedor correto, seria oportuno e necessário, para fins de demonstração do direito pleiteado, que o Recorrente fizesse o cotejo entre valores glosados, notas fiscais e transferências realizadas, a fim de evidenciar e atestar a regularidade do direito de crédito pleiteado. Dessa forma, por carência probatória nesse item, proponho ao Colegiado manter a glosa realizada. Glosas relativas a descontos Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a glosa, pois "os descontos (abatimentos), segundo consta do Parecer às fls. 7.377/7.400, parte integrante do despacho decisório recorrido, não decorreram de antecipações de pagamentos, mas de ato liberatório dos fornecedores a favor do interessado". Assim, a decisão recorrida entendeu que tais abatimentos constituiriam outras receitas operacionais sujeitas à contribuição para o PIS sob o regime não cumulativo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Em sua defesa, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que Fl. 31396DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 12 11 adquire de fornecedores sua principal matériaprima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim, constatado algum problema relacionado a matéria prima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005. Com razão a decisão recorrida, pois o abatimento ou desconto obtido pela Recorrente não possui natureza jurídica de desconto incondicional, passível de exclusão da base de cálculo das contribuições nos termos do artigo 1o, parágrafo 3o, inciso V, “a”, da Lei no 10.637/2002, portanto, não é mero redutor do preço pago pelos seus insumos. Além disso, não possui natureza de receita financeira. Primeiro, pela própria narrativa da Recorrente fica clara a natureza de desconto condicional dos valores por ela recebidos, pois o gatilho para que a Recorrente receba tais valores é justamente evento futuro e incerto a verificação de que existem inconsistências nos produtos entregues , o que configura uma condição, nos termos do artigo 121 do Código Civil. Assim, tais valores não podem ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Isso porque a condição superveniente à realização da compra e venda ou prestação de serviços não é capaz de alterar o valor da operação ou preço do serviço já ajustado pelas partes para o negócio jurídico já ocorrido, quando já incidiu a norma de tributação, estabelecendo a relação entre o sujeito passivo e o Estado credor. Segundo, não se verifica a natureza de receita financeira, para fins de reconhecimento de aplicação de alíquota zero, pois os valores recebidos não se qualificam como nenhuma das formas de receita financeira prevista no artigo 373 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo qualquer elemento de aproximação que pudesse permitir uma equiparação. Ante o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Glosas relativas ao passivo insubsistente Na decisão recorrida, a glosa relativa a esse item foi mantida, pelos seguintes motivos: "A insubsistência do passivo configura omissão de receitas, mediante simulação de uma suposta aquisição de quotas ou ações do interessado, por parte da Siro Invest S.A., e com isto lograr transferir para o patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado, valores que estavam registrados no seu passivo contábil. Este mesmo interessado (impugnante) foi autuado, em relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sobre esta mesma matéria, ou seja, por omissão de receita decorrente da insubsistência do passivo. Fl. 31397DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 13 12 Os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram formalizados por meio do processo administrativo nº 10835.721527/201254. No julgamento da impugnação interposta pelo interessado contra estes tributos, a 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo suas exigências. Assim, levandose em conta que esta matéria (insubsistência de passivo) já foi objeto de julgamento por parte desta DRJ e, ainda, por economia processual e celeridade do processo, adoto o mesmo voto proferido, naquele processo, pelo Ilustre Julgador Antônio Carlos Trevisan, transcrito a seguir: (...)" Como se verifica, a matéria já havia sido julgada de forma contrária à Recorrente naquele mesmo processo, da Primeira Seção, por ela citado, para afastar as glosas deste processo. Em sua defesa, a Recorrente explica a operação societária por ela realizada, informando que acumulou dívidas com uma sociedade denominada Rebel Import and Export Company que, por sua vez, celebrou uma cessão desse crédito com a sociedade denominada Siro Invest S/A. Após, a Recorrente e a Siro Invest S/A decidiram transformar esse passivo em participação societária, mediante a transformação da Recorrente em sociedade por ações e a subscrição, pela Siro Invest S/A, de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil ações) pelo valor de R$ 35.240.000,00. Em seguida, a Recorrente argumenta que em nenhum momento os valores da operação transitaram pelo resultado em 2008, "pois ainda que prevalecesse o entendimento de que o referido montante não tem subsidio para ser registrado como ágio, o valor deveria recompor o passivo originário, nos anos de 2000 a 2007, uma vez que o passivo de fato existe". Com isso, a Recorrente afirma que a liquidação desse passivo no ano de 2008 não constituiu base de cálculo da contribuição e não é fato gerador da contribuição. Contudo, a matéria já foi decidida pelo CARF, tendo efeitos meramente reflexos no pedido de ressarcimento. Naquela oportunidade, a Primeira Seção entendeu que: "Ora, tudo o quanto acima relatado dá pleno respaldo à acusação fiscal de omissão de receitas. Demonstrou o fisco de forma contundente que toda a operação de suposta aquisição de quotas ou ações da fiscalizada pela Siro Invest não passou de mera simulação, bem como que a suposta dívida para com a Siro Invest também não era real, tratandose, portanto, de passivo inexistente. A alegação da recorrente no sentido de que os fatos narrados não se enquadrariam em nenhuma das situações previstas pelo art. 281 do RIR/99, que trata dos casos de “Passivo Fictício” e “Insubsistência do Passivo”, porque não seria possível presumir a existência de obrigações já pagas ou inexistentes, não pode prosperar. O fisco não presumiu a inexistência do passivo, senão antes reuniu um forte conjunto de indícios sérios, graves e convergentes, que Fl. 31398DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 14 13 apontam para a conclusão quanto à inexistência do alegado passivo. Incumbia à recorrente trazer elementos igualmente fortes e suficientes para infirmar a acusação fiscal, o que não fez". Dessa forma, considerando que a Seção competente para julgar a omissão de receitas de IRPJ e CSLL já apreciou a matéria e os efeitos daquela decisão são reflexos ao pedido de ressarcimento que deu origem ao processo ora em julgamento tendo em vista que uma vez decidido que houve simulação e omissão de receitas, a conseqüência é o lançamento das quantias a título de IRPJ e CSLL e a não aceitação da base de cálculo considerada pela Recorrente para fins de PIS/COFINS diante do reconhecimento da omissão de receitas no processo administrativo nº 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Por último, com relação à aplicação da taxa SELIC ao pedido de ressarcimento, entendo pela sua impossibilidade, tendo em vista a expressa vedação legal, prevista nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: "Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15 . Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei." Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas relativas aos seguintes fornecedores: Curtama Indústria e Comércio Ltda., Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME; "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda." (apenas notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055); "Henriques Comércio de Couros Ltda."; e "José de Carvalho Lima Junior". " Importante observar que, na solução do presente litígio, serão aplicados os mesmos critérios adotados na decisão do paradigma, que acatou as conclusões a que chegou a Primeira Seção do CARF no julgamento do processo 10835.721527/201254 (Acórdão 1102 001.075), para: afastar as glosas que tiveram por fundamento a realização de pagamentos mediante cessão de créditos; afastar as glosas que tiveram por fundamento a incompatibilidade entre veículo, carga e peso transportado. Todavia, no caso do paradigma, por tratarse de pleito de ressarcimento/compensação, o colegiado decidiu manter as glosas motivadas pela falta de comprovação dos pagamentos. No presente processo as glosas relativas às aquisições de fornecedores englobaram as seguintes empresas: (1) Brasilco Brasileira de Couros Ltda.; (2) Comercial Brasiliano Ltda.; (3) Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda.; (4) Comercial de Couros Lafaiete Ltda.; (5) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda.; (6) Frigorífico Better Beef Ltda.; (7) Frigorífico Irapuru Ltda.; (8) Frigorífico Altamira Ltda.; (9) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (10) J A Comércio de Couros Ltda.; (11) José de Carvalho Lima Junior; (12) Kripton Comércio e Transportes Ltda.; (13) Lacerda Couros Ltda., (14) Leatherpar Comércio e Fl. 31399DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 15 14 Representação de Couros Ltda.; (15) Litoral Couros Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (16) Manos Couro Ltda ME; (17) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (18) Raposo Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (19) Sergicouros Comercial de Couros Ltda.; (20) Vanderlei João de Oliveria; e, (21) Volmir Sofiatti ME, conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVeCF) às fls. 7.295/7.377, Parecer às fls. 7.381/7.409, e Despacho Decisório às fls. 7.410, de cujas ciências o interessado foi intimado em 10/11/2010. O presente pleito é relativo ao 1º trimestre de 2009 (01/01/2009 a 31/03/2009). Observandose as planilhas das glosas efetuadas pelo Fisco para cada um dos fornecedores, com as respectivas motivações indicadas em cada uma das planilhas (fls. 7093 a 7166 do processo digital), constatase que, para os fornecedores relacionados a seguir, não houve glosa motivada por falta de comprovação de pagamento. Frisese: não houve glosa, sob essa motivação, de notas fiscais escrituradas no período de apuração do presente pleito. Desta forma, no presente processo, devem ser afastadas as glosas das aquisições efetuadas em relação aos seguintes fornecedores: Brasilco Brasileira de Couros Ltda; Comercial Brasiliano Ltda Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda Comercial de Couros Lafaiete Ltda Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frigorífico Irapuru Ltda; Henriques Comércio de Couros Ltda.; JA Comércio de Couros Ltda José de Carvalho Lima Junior; Kripton Comércio e Transportes Ltda Lacerda Couros Ltda. ME; Leatherpar Comércio e Representação de Couros Ltda Litoral Couros Comércio Atacadista de Couros Ltda Manos Couro Ltda ME Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda Raposo Comércio Atacadista de Couros Ltda Vanderlei João de Oliveria Volmir Sofiatti ME Por outro lado, da mesma forma que no julgamento do paradigma, serão mantidas as glosas motivadas pela falta de comprovação de pagamento em relação às notas fiscais listadas a seguir (escrituradas no período de apuração deste processo): a) Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda. Nota Fiscal 37 (fl. 7106, do processo digital); b) Comercial de Couros Lafaiete Ltda. Nota Fiscal 188 (fl. 7107 do processo digital); c) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda Notas Fiscais nº 416, 422, 427 e 428 (fl. 7111 do processo digital); Fl. 31400DF CARF MF Processo nº 15943.000108/200976 Acórdão n.º 3401004.256 S3C4T1 Fl. 16 15 d) Frigorífico Altamira Ltda Notas Fiscais nº 1449, 1450, 1451, 247329, 247330 e 247332 (fl.7112 do processo digital); e) Frigorífico Better Beef Ltda Notas Fiscais nº 19580, 19739 e 19825 (fl. 7116 do processo digital); f) JA Comércio de Couros Ltda Notas Fiscais nº 6 e 7 (fl. 7124 do processo digital); g) Manos Couro Ltda ME Notas Fiscais nº 464 e 466 (fl. 7154 do processo digital); h) Sergicouros Comercial de Couros Ltda Notas Fiscais nº 1069, 1087, 1095 e 1096 (fl. 7161 do processo digital); i) Volmir Sofiatti ME Nota Fiscal nº 7234 (fl. 7166 do processo digital). Em resumo, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário nas matérias dos descontos obtidos após a realização da operação comercial, do passivo insubsistente, e da aplicação da taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento, e dar parcial provimento quanto às glosas relativas às aquisições de fornecedores, nos seguintes termos: 1) afastar as glosas relativas aos fornecedores: Brasilco Brasileira de Couros Ltda; Comercial Brasiliano Ltda, Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda, Comercial de Couros Lafaiete Ltda, Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frigorífico Irapuru Ltda; Henriques Comércio de Couros Ltda.; JA Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Junior; Kripton Comércio e Transportes Ltda, Lacerda Couros Ltda. ME; Leatherpar Comércio e Representação de Couros Ltda, Litoral Couros Comércio Atacadista de Couros Ltda, Manos Couro Ltda ME, Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda, Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda, Raposo Comércio Atacadista de Couros Ltda, Vanderlei João de Oliveria, Volmir Sofiatti ME. 2) manter as glosas, apenas, em relação às notas fiscais 37 (de Comércio de Couros Vale do Caeté Ltda.), 188 (de Comercial de Couros Lafaiete Ltda), 416, 422, 427 e 428 (Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda), 1449, 1450, 1451, 247329, 247330 e 247332 (de Frigorífico Altamira Ltda), 19580, 19739 e 19825 (de Frigorífico Better Beef Ltda), 6 e 7 (de JA Comércio de Couros Ltda), 464 e 466 (de Manos Couro Ltda ME), 1069, 1087, 1095 e 1096 (de Sergicouros Comercial de Couros Ltda) e 7234 (de Volmir Sofiatti ME). assinado digitalmente Rosaldo Trevisan Fl. 31401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726134/2009-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para afastar a isenção da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada).
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.726134/2009-71
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829630
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.292
nome_arquivo_s : Decisao_10580726134200971.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10580726134200971_5829630.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para afastar a isenção da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7113254
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011757969408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.726134/200971 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.292 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FERNANDO WELLINGTON MARQUES TEIXEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento para afastar a isenção da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 34 /2 00 9- 71 Fl. 283DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102002.960, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 143.407,97, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: que o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; que, caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; que nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; que as parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 9202006.292 CSRFT2 Fl. 10 3 imposto lançado; que, ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; que mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 129/134, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 137/227, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 235/239, DETERMINOU O SOBRESTAMENTO DO RECURSO ESPECIAL para até decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS. Em nova sessão, às fls. 242/250, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Às fls. 252/266, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da Fl. 285DF CARF MF 4 verba de abono variável recebidas pelo membros do Ministério Público Estadual para fins de incidência de IRPF. De um lado, o acórdão recorrido entendeu que sobre o abono variável previsto pela Lei 10.447 de 2002 pagos aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia não incide o Imposto de Renda Pessoa Física em razão de uma interpretação extensiva de decisão do STF que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da magistratura federal; já os acórdãos paradigmas, em sentido oposto, consideraram que sobre abono variável pago aos membros do Ministério Público baiano incide Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista a vedação a extensão com base em analogia em sede de incidência tributária. Às fls. 272/273, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à natureza da verba de abono variável recebidas pelo membros do Ministério Público Estadual. Intimado à fl. 276, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 143.407,97, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba de abono variável recebidas pelo membros do Ministério Público Estadual para fins de incidência de IRPF. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 9202006.292 CSRFT2 Fl. 11 5 Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Fl. 287DF CARF MF 6 Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 9202006.292 CSRFT2 Fl. 12 7 Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Fl. 289DF CARF MF 8 Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 9202006.292 CSRFT2 Fl. 13 9 Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Especial do Procurador para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV) e dos respectivos juros de mora. Argumenta o Recorrente a incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV e sobre os juros de mora, considerando a natureza salarial da verba principal, bem como dos juros de mora, por conseqüência (o acessório segue o principal). Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Fl. 291DF CARF MF 10 Ao meu ver, embora seja menos relevante a natureza indenizatória da verba para a análise da incidência do imposto de renda, entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pelos recorrentes, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.726134/200971 Acórdão n.º 9202006.292 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000083/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/08/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES
Acolhe-se Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, quando se constata omissão acerca de Recurso de Ofício interposto.
RECURSO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Inexistindo qualquer controvérsia de direito e tampouco litígio instaurado relativamente aos cálculos realizados pela Fiscalização em decorrência de diligência solicitada pela DRJ, deve ser mantida integralmente a decisão proferida.
Numero da decisão: 3201-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar provimento ao recurso de ofício.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: Tatiana Josefovicz Belisário
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2004 a 31/08/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES Acolhe-se Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, quando se constata omissão acerca de Recurso de Ofício interposto. RECURSO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Inexistindo qualquer controvérsia de direito e tampouco litígio instaurado relativamente aos cálculos realizados pela Fiscalização em decorrência de diligência solicitada pela DRJ, deve ser mantida integralmente a decisão proferida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15540.000083/2009-43
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851442
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.453
nome_arquivo_s : Decisao_15540000083200943.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Tatiana Josefovicz Belisário
nome_arquivo_pdf_s : 15540000083200943_5851442.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar provimento ao recurso de ofício. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7200512
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011762163712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 9.103 1 9.102 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000083/200943 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.453 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria Processo Administrativo Embargante O S SERVIÇOS DE INFRA ESTRUTURA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2004 a 31/08/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES Acolhese Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, quando se constata omissão acerca de Recurso de Ofício interposto. RECURSO DE OFÍCIO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Inexistindo qualquer controvérsia de direito e tampouco litígio instaurado relativamente aos cálculos realizados pela Fiscalização em decorrência de diligência solicitada pela DRJ, deve ser mantida integralmente a decisão proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar provimento ao recurso de ofício. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 83 /2 00 9- 43 Fl. 9103DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos por esta Relatora em face de do Acórdão nº 3201003.247, de 26 de outubro de 2017, uma vez que identificouse a ausência de manifestação acerca de Recurso de Ofício interposto em face do acórdão nº 1723.497, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP). Os Embargos foram assim opostos: Com fulcro no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, venho apresentar os presentes embargos em face do Acórdão nº 3201003.247, em razão do lapso manifesto no julgamento do feito, conforme exposto a seguir: O Acórdão ora embargado teve por objeto, tãosomente, o julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte. Contudo, muito embora tal informação não tenha constado no Acórdão recorrido, proferido pela DRJ, houve interposição de Recurso de Ofício em face do valor exonerado, como se verifica pelo Despacho de fl. 9.018 (Intimação de Resultado de Julgamento), sendo que o referido recurso não foi objeto de apreciação pela Turma Julgadora. Assim, existindo o lapso manifesto acarretando em evidente omissão, fazse necessário que os presentes embargos sejam conhecidos e acolhidos para correção/complementação do Acórdão. Os Embargos foram admitidos pelo Presidente desta Turma para correção da omissão apontada. O feito foi assim relatado no acórdão embargado: Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1723.497, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração de PIS (fls. 66/97) e de Cofins (fls. 7/15 e 42/65), nos regimes da cumulatividade e da não cumulatividade. As contribuições apuradas no regime da cumulatividade referemse ao período de 03/2004 a 08/2008 e aquelas apuradas no regime da não cumulatividade referemse ao período de 04/2004 a 08/2008. Foram lançados os seguintes valores: Fl. 9104DF CARF MF Processo nº 15540.000083/200943 Acórdão n.º 3201003.453 S3C2T1 Fl. 9.104 3 A fiscalizada tomou ciência do Termo de Início de Ação Fiscal em 10/03/2008. A fiscalização constatou que diversos débitos de PIS e COFINS escriturados nos livros são maiores do que os declarados/recolhidos e intimou a interessada a esclarecer em 23/09/2008 as divergências apontadas. A fiscalizada informou que a escrituração estava correta. Diante disso, foi lavrado o auto de infração relativo as diferenças apuradas no cotejamento dos valores de PIS e COFINS lançados nos livros com os valores declarados em DCTF e os valores pagos por meio de DARF. As diferenças lançadas compõem o QUADRO 1 (fls. 27/31). A interessada foi cientificada em 06/03/2009 e apresentou impugnação (fls. 921/947) em 06/04/2009 alegando em síntese que não foram consideradas as compensações efetuadas. Cita o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Junto com a impugnação, o contribuinte apresenta ainda planilha informando valores com a observação parcelamento, contudo, não informa qual o processo de parcelamento ou se aderiu a algum parcelamento especial. Juntou a documentação contida nos ANEXOS VI a LIV (fls. 1.981 até 8.771). Analisando os sistemas da RFB não foram localizadas compensações ou parcelamentos dos valores informados pela interessada, entretanto, comparando os valores apurados no DACON antes da dedução das contribuições retidas na fonte e do desconto do crédito apurado no regime da não cumulatividade com aquele informado pela fiscalização na coluna “débito escriturado” da planilha Fl. 9105DF CARF MF 4 de fls. 27/31 verificouse coincidências de valores em quase todos os períodos de apuração. A interessada não apresenta o comprovante de rendimentos e retenções na fonte, apenas apresenta as Notas Fiscais que teriam originado o pretenso crédito. Diante disso, os autos foram baixados em diligência por meio da Resolução nº 12000.116 de 06/06/2012, para a unidade de origem: 1. Informar se foram consideradas pela fiscalização a dedução relativa a retenções na fonte e a dedução do crédito relativo a não cumulatividade; 2. Mediante a documentação contábil/fiscal e demais elementos comprobatórios que lastrearam a escrituração fiscal do contribuinte atestar os valores de crédito de PIS e de COFINS do Regime nãoCumulativo informado nas DACON do período de 03/2004 a 08/2008. 3. Intimar a interessada para comprovar o parcelamento alegado na impugnação; 4. Intimar a interessada a apresentar os comprovantes de rendimentos e retenções efetuados relativos ao períodos de 03/2004 a 08/2008. Após, reabrir o prazo de 30 dias para nova manifestação da contribuinte, e retornar os autos à Turma para prosseguimento. A fiscalização por meio da informação fiscal fls. 8.983/8.984 informa que intimou o contribuinte a comprovar o parcelamento alegado na impugnação e a apresentar os comprovantes de rendimentos e retenções na fonte que utilizou nos DACONs. Contudo, a interessada não respondeu. A interessada foi reintimada e também não apresentou resposta. Diante disso, a fiscalização apurou o valor da contribuição retida com base na DIRF. Quanto ao crédito da não cumulatividade, foram apurados com base nas Notas Fiscais de entrada juntadas nos anexos XXVI a LIV. Não foram consideradas as notas ilegíveis. A fiscalização refez os demonstrativos de apuração, informando os valores de créditos de PIS e COFINS e os valores de contribuição retida informadas na DIRF dos mesmos períodos. A interessada foi cientificada dos novos valores de PIS e COFINS em 27/11/2012 e não apresentou impugnação complementar. É o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 9106DF CARF MF Processo nº 15540.000083/200943 Acórdão n.º 3201003.453 S3C2T1 Fl. 9.105 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2004 a 31/08/2008 Ementa: RETENÇÃO FONTE. DEDUÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser deduzida se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Não apresentados os comprovantes é plausível a apuração do valor retido mediante pesquisa em DIRF. DEDUÇÃO. CRÉDITO. NÃOCUMULATIVIDADE. É permitida a dedução do crédito da não cumulatividade até o limite do crédito comprovado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente aduz a (i) nulidade do auto de infração, pois as normas legais ditas por infringidas teriam sido omitidas, assim como os fatos não teriam sido adequadamente descritos; (ii) pede a exclusão da multa por entender ser esta meramente punitiva e pela inexistência de dolo; (iii) arbitrariedade da cobrança, pugnando pela realização de prova pericial; e (iv) inaplicabilidade da Taxa SELIC Em primeira assentada, esta Turma Julgadora negou provimento ao Recurso Voluntário, tendo sido o acórdão embargado assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2004 a 31/08/2008 PRECLUSÃO. Não tendo sido apresentadas em impugnação qualquer das razões recursais aduzidas, deve se reconhecer a preclusão. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. A apresentação de alegações genéricas, sem a impugnação específica dos termos da decisão, não enseja a apreciação das razões recursais. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Admitidos os Embargos de Declaração para saneamento da omissão incorrida pelo acórdão embargado, qual seja, a não apreciação de Recurso de Ofício interposto pela Autoridade Julgadora, passase ao seu exame. Fl. 9107DF CARF MF 6 Muito embora a Autoridade Julgadora ou mesmo a Autoridade Lançadora não tenham, como de praxe, efetuado o cálculo dos valores exonerados no presente lançamento, a partir dos dados lançados na decisão recorrida a título de valores lançados e valores mantidos, efetuei manualmente os cálculos correspondentes, concluído que o valor total exonerado, a título de principal, corresponde exatamente a R$2.772.773,92. COFINS CUMULATIVA VALORES LANÇADOS CONTRIBUIÇÃO R$ 1.388.859,11 JUROS DE MORA R$ 532.454,96 MULTA PROPORCIONAL R$ 1.041.644,16 VALOR DO CREDITO TRIBUTARIO APURADO R$ 2.962.958,23 COFINS CUMULATIVO VALORES MANTIDOS PERÍODO 2004 2005 2006 2007 2008 JANEIRO R$ 0,00 R$ 11.050,02 R$ 435,67 R$ 9.036,30 R$ 25.538,86 FEVEREIRO R$ 0,00 R$ 7.157,91 R$ 10.808,59 R$ 6.192,07 R$ 43.993,75 MARÇO R$ 0,00 R$ 6.115,46 R$ 17.689,70 R$ 4.875,64 R$ 38.218,46 ABRIL R$ 2.257,33 R$ 6.028,21 R$ 34.994,04 R$ 38.058,30 R$ 23.105,71 MAIO R$ 10.395,74 R$ 4.038,89 R$ 7.629,52 R$ 18.161,51 R$ 30.934,57 JUNHO R$ 6.432,83 R$ 10.148,71 R$ 40.033,26 R$ 21.838,48 R$ 9.704,43 JULHO R$ 11.956,72 R$ 13.452,96 R$ 28.661,66 R$ 16.238,75 R$ 10.221,67 AGOSTO R$ 10.035,12 R$ 13.153,79 R$ 23.438,83 R$ 0,00 R$ 90.196,99 SETEMBRO R$ 13.343,03 R$ 10.620,62 R$ 63.328,80 R$ 36.941,63 R$ 0,00 OUTUBRO R$ 7.429,66 R$ 14.760,93 R$ 40.578,42 R$ 23.964,42 R$ 0,00 NOVEMBRO R$ 9.530,48 R$ 8.661,20 R$ 5.329,67 R$ 12.047,69 R$ 0,00 DEZEMBRO R$ 20.432,63 R$ 3.984,30 R$ 1.149,02 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 91.813,54 R$ 109.173,00 R$ 274.077,18 R$ 187.354,79 R$ 271.914,44 R$ 934.332,95 COFINS CUMULATIVO LANÇADA R$ 1.388.859,11 COFINS CUMULATIVO MANTIDA R$ 934.332,95 VALOR EXONERADO R$ 454.526,16 COFINS NÃO CUMULATIVA VALORES LANÇADOS CONTRIBUIÇÃO R$ 2.370.844,70 JUROS DE MORA R$ 795.205,85 MULTA PROPORCIONAL R$ 1.778.133,31 VALOR DO CREDITO TRIBUTARIO APURADO R$ 4.944.183,96 COFINS NÃO CUMULATIVO VALORES MANTIDOS PERÍODO 2004 2005 2006 2007 2008 JANEIRO R$ 0,00 R$ 2.164,33 R$ 18.133,31 R$ 30.694,88 R$ 0,00 FEVEREIRO R$ 0,00 R$ 7.193,01 R$ 15.776,92 R$ 48.508,24 R$ 0,00 MARÇO R$ 0,00 R$ 2.162,37 R$ 7.274,50 R$ 50.883,82 R$ 0,00 ABRIL R$ 73.214,91 R$ 17.730,42 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 621,68 Fl. 9108DF CARF MF Processo nº 15540.000083/200943 Acórdão n.º 3201003.453 S3C2T1 Fl. 9.106 7 MAIO R$ 1.902,97 R$ 21.325,93 R$ 27.621,47 R$ 0,00 R$ 0,00 JUNHO R$ 5.104,11 R$ 20.442,39 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 JULHO R$ 823,35 R$ 21.871,72 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 AGOSTO R$ 4.692,63 R$ 3.741,48 R$ 0,00 R$ 16.236,64 R$ 0,00 SETEMBRO R$ 3.722,29 R$ 22.628,81 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 OUTUBRO R$ 10.145,47 R$ 14.303,76 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 NOVEMBRO R$ 3.602,30 R$ 10.945,43 R$ 22.589,62 R$ 0,00 R$ 0,00 DEZEMBRO R$ 6.090,35 R$ 28.800,54 R$ 23.754,29 R$ 45.705,64 R$ 0,00 R$ 109.298,38 R$ 173.310,19 R$ 115.150,11 R$ 192.029,22 R$ 621,68 R$ 590.409,58 COFINS NÃO CUMULATIVO LANÇADA R$ 2.370.844,70 COFINS NÃO CUMULATIVO MANTIDA R$ 590.409,58 VALOR EXONERADO R$ 1.780.435,12 PIS CUMULATIVO VALORES LANÇADOS CONTRIBUIÇÃO R$ 237.724,43 JUROS DE MORA R$ 105.613,06 MULTA PROPORCIONAL R$ 178.293,14 VALOR DO CREDITO TRIBUTARIO APURADO R$ 521.630,63 PIS CUMULATIVO VALORES MANTIDOS PERÍODO 2004 2005 2006 2007 2008 JANEIRO R$ 0,00 R$ 2.394,18 R$ 94,40 R$ 1.957,87 R$ 1.991,91 FEVEREIRO R$ 0,00 R$ 1.550,89 R$ 2.341,86 R$ 1.341,62 R$ 2.033,21 MARÇO R$ 0,00 R$ 1.325,01 R$ 2.717,15 R$ 1.056,39 R$ 1.736,78 ABRIL R$ 0,00 R$ 1.306,11 R$ 499,84 R$ 3.992,45 R$ 2.033,57 MAIO R$ 2.252,42 R$ 1.351,46 R$ 3.969,36 R$ 2.062,31 R$ 3.289,19 JUNHO R$ 1.393,77 R$ 1.722,53 R$ 1.665,46 R$ 2.011,39 R$ 2.102,63 JULHO R$ 2.590,62 R$ 2.917,80 R$ 1.381,71 R$ 2.118,00 R$ 2.214,69 AGOSTO R$ 2.174,28 R$ 2.849,99 R$ 2.299,19 R$ 0,00 R$ 1.996,58 SETEMBRO R$ 2.890,99 R$ 2.301,13 R$ 1.810,59 R$ 5.271,95 R$ 0,00 OUTUBRO R$ 1.609,76 R$ 2.926,68 R$ 3.552,50 R$ 2.771,26 R$ 0,00 NOVEMBRO R$ 2.064,93 R$ 1.876,60 R$ 1.154,76 R$ 2.679,75 R$ 0,00 DEZEMBRO R$ 4.427,05 R$ 863,27 R$ 3.848,20 R$ 15.020,88 R$ 0,00 R$ 19.403,82 R$ 23.385,65 R$ 25.335,02 R$ 40.283,87 R$ 17.398,56 R$ 125.806,92 PIS CUMULATIVO LANÇADA R$ 237.724,43 PIS CUMULATIVO MANTIDA R$ 125.806,92 VALOR EXONERADO R$ 111.917,51 Fl. 9109DF CARF MF 8 PIS NÃO CUMULATIVO VALORES LANÇADOS CONTRIBUIÇÃO R$ 597.260,84 JUROS DE MORA R$ 203.966,16 MULTA PROPORCIONAL R$ 447.945,45 VALOR DO CREDITO TRIBUTARIO APURADO R$ 1.249.172,45 PIS NÃO CUMULATIVO VALORES MANTIDOS PERÍODO 2004 2005 2006 2007 2008 JANEIRO R$ 0,00 R$ 421,08 R$ 3.736,86 R$ 6.664,02 R$ 0,00 FEVEREIRO R$ 0,00 R$ 1.561,64 R$ 3.418,39 R$ 10.531,40 R$ 0,00 MARÇO R$ 0,00 R$ 469,46 R$ 3.269,04 R$ 11.037,80 R$ 0,00 ABRIL R$ 46.257,51 R$ 3.895,92 R$ 6.736,70 R$ 4.273,37 R$ 3.117,77 MAIO R$ 412,32 R$ 4.839,54 R$ 4.403,23 R$ 0,00 R$ 0,00 JUNHO R$ 1.096,91 R$ 4.214,66 R$ 6.141,13 R$ 0,00 R$ 0,00 JULHO R$ 147,71 R$ 4.741,60 R$ 4.005,44 R$ 0,00 R$ 0,00 AGOSTO R$ 1.018,79 R$ 810,66 R$ 1.551,00 R$ 0,00 R$ 0,00 SETEMBRO R$ 808,13 R$ 6.481,26 R$ 4.044,56 R$ 0,00 R$ 0,00 OUTUBRO R$ 2.202,64 R$ 2.348,90 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 NOVEMBRO R$ 782,09 R$ 2.361,69 R$ 4.894,92 R$ 0,00 R$ 0,00 DEZEMBRO R$ 1.307,69 R$ 5.362,79 R$ 1.997,09 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 54.033,79 R$ 37.509,20 R$ 44.198,36 R$ 32.506,59 R$ 3.117,77 R$ 171.365,71 PIS NÃO CUMULATIVO LANÇADA R$ 597.260,84 PIS NÃO CUMULATIVO MANTIDA R$ 171.365,71 VALOR EXONERADO R$ 425.895,13 EXONERADO COFINS CUMULATIVA R$ 454.526,16 EXONERADO COFINS NÃO CUMULATIVA R$ 1.780.435,12 EXONERADO PIS CUMULATIVA R$ 111.917,51 EXONERADO PIS NÃO CUMULATIVA R$ 425.895,13 R$ 2.772.773,92 Desse modo, cabível o presente Recurso de Ofício. Pois bem. Conforme relatado, o presente lançamento decorre de divergências apuradas entre os valores de débitos de PIS e COFINS escriturados nos livros e aqueles declarados/recolhidos. A Contribuinte alegou em sua defesa que a Fiscalização não considerou as compensações efetuadas. Fl. 9110DF CARF MF Processo nº 15540.000083/200943 Acórdão n.º 3201003.453 S3C2T1 Fl. 9.107 9 A Autoridade Lançadora, de ofício, identificou que não houve compensações declaradas no período. Contudo, identificou que os valores apontados pela Contribuinte como decorrentes de compensação coincidiam com a diferença apurada, nas DACONS, entre os valores apurados antes da dedução das contribuições retidas na fonte e do desconto do crédito apurado no regime da não cumulatividade e o valor final recolhido. A Contribuinte não apresentou comprovantes de retenções na fonte, mas apenas algumas Notas Fiscais que teriam originado o crédito informado. Por meio de diligência determinada pela DRJ, a Autoridade Lançadora intimou a Contribuinte para "comprovar o parcelamento alegado na impugnação e a apresentar os comprovantes de rendimentos e retenções na fonte que utilizou nos DACONs". Contudo, a Contribuinte não se manifestou. Por conseguinte, a Autoridade Lançadora refez os cálculos apurados com base nos valores das contribuições retidas informadas em DIRF dos mesmos períodos, chegando, justamente, às diferenças de valores anteriormente informadas. A Contribuinte foi cientificada dos novos valores de PIS e COFINS em 27/11/2012 e não apresentou impugnação complementar. Diante do narrado, temse que os valores exonerados pela DRJ são incontroversos. Ademais, a revisão do lançamento efetuado fundase exclusivamente em matéria fática, acatando integralmente os cálculos apresentados pela própria Autoridade Lançadora. Portanto, considerando que não há qualquer controvérsia de direito, tampouco litígio instaurado relativamente aos cálculos realizados pela Fiscalização em decorrência de diligência solicitada pela DRJ, deve ser mantida integralmente a decisão proferida. Pelo exposto, ACOLHER os Embargos para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 9111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.000395/2005-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo apenas a glosa de despesas de não dependentes, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e, também, a conselheira Fernanda Melo Leal, que lhe deu provimento integral.
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13609.000395/2005-66
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832849
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.137
nome_arquivo_s : Decisao_13609000395200566.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 13609000395200566_5832849.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo apenas a glosa de despesas de não dependentes, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e, também, a conselheira Fernanda Melo Leal, que lhe deu provimento integral. Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
id : 7131248
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011765309440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.000395/200566 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.137 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente GERALDO MAGELA DE REZENDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, mantendo apenas a glosa de despesas de não dependentes, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento e, também, a conselheira Fernanda Melo Leal, que lhe deu provimento integral. Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 95 /2 00 5- 66 Fl. 199DF CARF MF 2 Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os de que os gastos seriam elevados e que não teria sido comprovada a efetividade do pagamento, assim expressos: No Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em apertada síntese, se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Em relação aos 4 recibos de dentista, que somam R$ 23.300,00, não foram indicados impropriedades nos documentos apresentados. Falta de endereço não é vicio que torne o documento inidôneo. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. O contribuinte trouxe várias descrições dos serviços médicos ocorridos, com declarações de vários profissionais: No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos são de valores elevados e que não comprovam a efetividade do pagamento de despesas médicas. No entanto, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13609.000395/200566 Acórdão n.º 2001000.137 S2C0T1 Fl. 3 3 apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os Fl. 201DF CARF MF 4 atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13609.000395/200566 Acórdão n.º 2001000.137 S2C0T1 Fl. 4 5 “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Em relação às despesas médicas de irmãos, observase que não existe previsão legal para dedução de pessoas que não são dependentes na declaração de imposto de renda, e tampouco para dedução como dependente de irmãos. As multas e juros, foram aplicados conforme a legislação, como já foi explicado no acórdão de impugnação, assim como as questões anteriormente mencionadas. Concordamos com os argumentos já apresentados pela Delegacia de Julgamento, no acórdão de impugnação, que se aplicam as argumentações do presente recurso voluntário. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário, devendo ser reestabelecida a dedução de despesas médicas do próprio contribuinte no valor de de R$ 23.330,00. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 203DF CARF MF 6 Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730139/2015-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
EXCLUSÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS.
Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 EXCLUSÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.730139/2015-40
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854863
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.146
nome_arquivo_s : Decisao_11080730139201540.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 11080730139201540_5854863.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7234241
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011781038080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 48 1 47 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730139/201540 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.146 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 5 de abril de 2018 Matéria Simples Nacional Exclusão por Débitos Recorrente FILAFIL COMERCIO EIRELI EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 EXCLUSÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 01 39 /2 01 5- 40 Fl. 48DF CARF MF 2 Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 40) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 31/35), proferida em sessão de 13/04/2017, consubstanciada no Acórdão n.º 0374.150, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efls. 2/3) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/POA n.º 1629925, de 1 de setembro de 2015 (efl. 4), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2016, na forma do inciso IV do art. 31 da Lei Complementar n.º 123, de 2006, e inciso I do art. 76 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) n.º 94, de 2011, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2016 EXCLUSÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. PEDIDO DE PARCELAMENTO. FALTA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL DAS DRJs PARA APRECIAÇÃO. Foge à área de competência regimental das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a apreciação de pedidos de parcelamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio O ADE DRF/POA n.º 1629925, de 1 de setembro de 2015, lavrado na DRF – Porto Alegre, subscrito por Delegado da Receita Federal do Brasil, sumariou, em síntese, que a contribuinte estava excluída do Simples Nacional em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa (Períodos de Apuração 02/2015 a 06/2015), aplicandose o disposto no inciso V do art. 17, inciso I do art. 20, inciso II do caput e § 2.º do art. 30 da Lei Complementar n.º 123, de 2006, e no inciso XV do art. 15 e alínea "d" do inciso II do art. 73 da Resolução CGSN n.º 94, de 2011. No mesmo ato foi informado que poderia se tornar sem efeitos a exclusão, caso a totalidade dos débitos fossem regularizados no prazo de trinta dias. A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tendo alegado, em suma, que fornece produtos para o Poder Público, após processos licitatórios, tendo efetuado entrega para o Município de Guarulhos, porém não recebeu o pagamento, de forma que entrou em dificuldades financeiras e não honrou com os seus débitos. Informa que chegou a parcelar o Simples e, mais a frente, diz que o parcelamento é de R$ 202.059,41, o qual estaria em dia. De qualquer sorte, reconhece débitos, ainda, em aberto para os períodos de 02/2015 a 08/2015 e que tentou parcelálos, embora assevere que o sistema da Receita Federal do Brasil não permite um segundo parcelamento. Ao final da impugnação requereu que todo o débito (o já parcelado e aquele em aberto) fosse consolidado num único parcelamento, o qual deveria ter o maior número de parcelas possíveis. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 11080.730139/201540 Acórdão n.º 1002000.146 S1C0T2 Fl. 49 3 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, especialmente por não ter sido o débito regularizado no prazo concedido no próprio ADE. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, pondera que teria apresentado pedido de parcelamento dentro do prazo concedido no ADE, a fim de objetivar tornar sem efeito a exclusão, inclusive originando o Processo n.º 1108070.139/201540, o qual estava em trâmite no aguardo de resposta, quando, no decorrer de sua análise, surgiu o parcelamento extraordinário de 120 meses, o qual teria sido aderido pela contribuinte, colocando a situação fiscal em dia. O dito parcelamento abrangeria as competências de 09/2014 a 05/2016. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (efls. 37, 45 e 40), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, apesar de tratar de exclusão do Simples Nacional, por existência de débito com exigibilidade não suspensa, o crédito tributário não é exigido nestes autos, a vinculação a ele é indireta. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples Nacional, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão a recorrente. É que o sujeito passivo confessa na impugnação que estava em mora e que as exações previstas no ADE eram pertinentes, também aduz que não conseguiu parcelar o débito por já ter outro parcelamento em curso. No recurso voluntário se contradiz e afirma que apresentou pedido de parcelamento (Processo 1108070.139/201540), no prazo concedido no ADE, no entanto não colaciona quaisquer documentos comprobatórios sobre esse pleito e processo, demais disto afirma, outrossim, que, enquanto aguardava resposta, teria surgido um parcelamento extraordinário e teria aderido ao mesmo, embora, novamente, não junte nenhum documento sobre o alegado fato. Fl. 50DF CARF MF 4 Por sua vez, as telas do SISVEX (Sistema de Vedações e Exclusões do Simples Nacional), conforme colacionada nos autos (efl. 19), apresenta como informação armazenada nos bancos de dados da Receita Federal do Brasil que os débitos geradores do ADE permaneceram em aberto após o prazo concedido para a regularização. Sendo assim, não vejo reparos na decisão recorrida. Observese que à luz da documentação constante nos autos e conforme afirmativas da contribuinte resta demonstrado que o sujeito passivo, por ocasião de sua exclusão, na forma do ADE em referência, de fato encontravase com débitos sem exigibilidade suspensa, circunstância que resulta na correta exclusão, para os fins do inciso V do art. 17, inciso I do art. 29, inciso II do caput e § 2.º do art. 30 todos da Lei Complementar n.º 123, de 2006; e inciso XV do art. 15, primeira parte da alínea "d" do inciso II do art. 73, inciso I do caput e § 1.º do art. 75 todos da Resolução CGSN n.º 94, de 2011. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001591/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE- BRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE- BRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18471.001591/2008-17
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841123
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.083
nome_arquivo_s : Decisao_18471001591200817.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 18471001591200817_5841123.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7169932
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011812495360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 577 1 576 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001591/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.083 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria contribuição previdenciária Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE BRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 91 /2 00 8- 17 Fl. 626DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 578 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.605.9324 (fls. 3/14) no valor de R$ 37.761,70 com data de cientificação do contribuinte em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 447/462) por sua clareza e precisão: “De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 26/29), tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a sociedade empresária identificada, consolidado em 05/09/2003, referente à competência de janeiro de 1999, detalhados a seguir: Debcad nº 35.605.9324, valor original de R$ 18.831,89; acrescido de juros e multa de mora; que trata das contribuições previdenciárias, parte patronal e parte segurados, não recolhidas à época própria. 2. Informa o AuditorFiscal que: 2.1. A sociedade empresária identificada acima contratou com a empresa Perbras Empresa Brasileira de Perfurações Ltda., CNPJ: 15.126.451/000147, mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao contrato n° 110.2.055.971, cujo objeto era a execução dos serviços de completação simples e múltipla, avaliação, Fl. 627DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 579 3 estimulação, restauração, limpeza, recuperação de revestimento, pescaria, abandono e aprofundamento de poços, descida e retirada de "liners"e outras intervenções em poços de óleo, gás e ainda em poços dos sistemas de combustão "in situ", injeção de vapor ou gás carbônico, mediante a utilização de sondas de produção terrestre e seus equipamentos auxiliares, fornecidas pela contratada. 2.2. A cláusula 2a, subitem 2.5, do contrato previa a colocação de equipamentos, materiais e pessoal à disposição da Contratante. 2.3. Regularmente intimada a Contratante não comprovou o cumprimento das obrigações da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados no serviço, notas fiscais e tampouco GFIPs. 2.4. Isto constatado, apurou e lançou o crédito devido contra a Contratante, com fulcro no instituto da solidariedade; tomando por base de cálculo o Contrato e os Boletins de Medição. DAS IMPUGNAÇÕES 3. A Petrobras tomou ciência da lavratura do auto de infração em 29/09/2003; a Perbras Empresa Brasileira de Perfurações Ltda., em 22/10/2003. Ambas apresentam impugnações, alegando, em síntese, que: Petrobrás (às fls. 47/52) 3.1. A impugnação é tempestiva. 3.2. A Autoridade Autuante parte da presunção do não recolhimento das Contribuições Previdenciárias por parte da Contratada. 3.3. Junta documentos que comprovam que a Contratada cumpriu integralmente sua obrigação, afastando assim a responsabilidade solidária da Petrobras. 3.4. A inexistência da cessão de mãodeobra, posto que não havia o pressuposto para caracterização da cessão de mão de obra, qual seja, a existência do serviço contínuo. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 580 4 3.5. Para a cobrança por solidariedade fazse necessária a efetiva comprovação do crédito, ou seja, antes da cobrança do devedor solidário, deverá existir o lançamento contra o devedor original. 3.6. Refuta a base de cálculo utilizada na apuração do crédito, pois equivocadamente, o AuditorFiscal considerou o valor das notas fiscais como a base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante dos salários. 3.7. Requer o cancelamento do auto de infração lavrado. 3.8. Protesta pela juntada posterior de provas. Perbras Empresa Brasileira de Perfurações (às fls. 57/62) 3.9. No caso dos serviços prestados à Petrobras, o pagamento das respectivas faturas só é feito mediante a apresentação do comprovante de quitação das contribuições previdenciárias, conforme previsto na Cláusula Sétima do contrato de n° 110.2.055.971. 3.10. Toda a documentação exigida pelo contrato foi entregue à Contratante. 3.11. Junta guias GRPS e as respectivas folhas de salários (docs. 04 e 05), demonstrando que o valor relativo à competência de janeiro de 1999, foi totalmente recolhido aos cofres públicos. 3.12. Requer a declaração de improcedência do auto de infração lavrado. Da Diligência pedida pelo Análise 4. O Serviço de Análise de Defesas e Recurso do INSS devolve os autos ao Auditor Fiscal pedindo que o mesmo se manifestasse acerca das razões apresentadas nas peças de defesa. 4.1. O Serviço de Fiscalização responde informando às fls. 109/110 que: 4.1. O Contrato que embasou o crédito lavrado foi o de no 110.2.055.971. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 581 5 4.2. Algumas das guias GRPS apresentadas pela Contratada, na competência 01/1999, referemse a contratos diversos do objeto deste processo. 4.3. As guias GRPS apresentadas pela Contratada, na competência 01/1999, vinculada ao Contrato no 110.2.055.971, está, simultaneamente, vinculada a outro contrato, o de n° 110.2.053.976. Ou seja, a GRPS está vinculada a dois contratos. 4.4. Os resumos das folhas de pagamento apresentados pela Contratada não demonstram qualquer vinculação com a tomadora Petrobras ou com o Contrato no 110.2.055.971. 4.5. O Serviço de Fiscalização ainda informa que a Petrobras apresentou documentação comprovando a escrituração contábil regular da empresa prestadora, para os exercícios de 1998 e 1999. 4.6. Uma vez que as folhas de pagamento apresentadas foram elaboradas de forma genérica, sem individualizar a tomadora ou o contrato, em desacordo com o disposto na Ordem de Serviço 176, de 05 de dezembro de 1997, não foi possível identificar qual a parcela do salário de contribuição contido na GRPS correspondente, que se refere às notas fiscais oriundas do Contrato n° 110.2.055.971. 4.7. Concluí que os valores lançados são procedentes, não cabendo qualquer retificação. Da Decisão Notificação n° 17.401.4/0658/2004 5. A Gerência Executiva Centro RJ apreciou os argumentos apresentados pela Autuada e pela Solidária e que a contratada não atendeu ao que determinam os itens 9 e 10 da Ordem de Serviço INSS/DAF no 176, de 05/12/1997, portanto, entendeu que a NFLD foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, decidindo pela manutenção do crédito lavrado. Dos Recursos Voluntários Fl. 630DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 582 6 6. A Petrobras (fls. 126/131) e a Perbras Empresa Brasileira de Perfurações (fls. 134/149) apresentam Recurso Voluntário reafirmando as teses apresentadas nas impugnações. Das ContraRazões do MPS 7. A Delegacia de Receita Previdenciária apresenta suas contrarrazões às fls. 163/166, alegando, em síntese, que não foram apresentados elementos novos capazes de alterar o crédito lavrado. Do Acórdão no 501/2005, da 2a CaJ do CRPS 8. Acórdão no 501, de 13/05/2005, da 2a CaJ do CRPS, (fls. 203/207) decide pela anulação da Decisão Notificação DN n° 17.401.4/0658/2004, informando que fazse necessária a constatação da existência do crédito previdenciário junto ao prestador de serviço. Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente pelo prestador de serviços da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Do Pedido de Revisão de Acórdão 9. A Delegacia de Receita Previdenciária apresenta Pedido de Revisão de Acórdão (fls. 173/177) reiterando a inocorrência de vício insanável e que o entendimento do CRPS estaria conflitante com a legislação previdenciária. Das ContraRazões de Petrobras e Perbras Empresa Brasileira de Perfurações 10. A Petrobras (fls. 220/223) e Perbras Empresa Brasileira de Perfurações (fls. 226/245 ) também se manifestam apresentando suas contrarazões, pedindo, em síntese, o não conhecimento do pedido de revisão do acórdão impetrado pelo INSS e protestando pelo cumprimento da decisão exarada no Acórdão no 501, de 13/05/2005, da 2a CaJ do CRPS. Do novo Acórdão no 1.532/2005, da 2a CaJ do CRPS Fl. 631DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 583 7 11. Novo Acórdão CRPS 2a CaJ no 1.532, de 25/11/2005 (fls. 269/271) é lavrado decidindo pelo não conhecimento do pedido de revisão. Do Reinício do Contencioso Administrativo 12. Em face da decisão da 2a CaJ do CRPS, expressa no Acórdão no 1.532/2005, os autos foram devolvidos ao Serviço de Fiscalização para cumprimento das diligências determinadas pelo CRPS. 13. A Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro DEFIS RJ informa, em 23 de janeiro de 2008, que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da RFB e constatou que não houve fiscalização com exame de contabilidade na contratada englobando parte do período referente ao lançamento, janeiro de 1999. 14. Constatou ainda que a Contratada não aderiu ao parcelamento especial da Lei no 9.964/2000 REFIS tampouco ao parcelamento especial da Lei no 10.684/2003 PAES referente ao período fiscalizado. 15. As contribuintes Petrobras e Perbras Empresa Brasileira de Perfurações foram cientificadas pela via postal do resultado da diligência em 15/06/2012 e 20/06/2012, respectivamente, conforme documentos acostados às fls. 307/310. 16. Não houve novas manifestações por parte da Petrobras e Perbras Empresa Brasileira de Perfurações.” 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 CESSÃO DE MÃODEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 584 8 A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mãodeobra. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. VALIDADE. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, é cabível a apuração da base de cálculo das contribuições devidas por meio de aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras e a Perbrás Empresa Brasileira de Perfurações Ltda., apresentaram respectivamente Recurso Voluntário às fls. 474/490 e às fls. 538/562 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 585 9 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 Os recurso voluntário são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. 7 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 8 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual peço vênia para que suas razões incorporar como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Fl. 634DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 586 10 Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): Fl. 635DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 587 11 "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE Fl. 636DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 588 12 PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Fl. 637DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 589 13 Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195. 09 – Às fls. 301 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 638DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 590 14 10 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência Fl. 639DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 591 15 do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira Fl. 640DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 592 16 de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Fl. 641DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 593 17 Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 594 18 A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 595 19 Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” 11 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão Fl. 644DF CARF MF Processo nº 18471.001591/200817 Acórdão n.º 2201004.083 S2C2T1 Fl. 596 20 12 Diante do exposto, conheço dos recursos e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 645DF CARF MF
score : 1.0
