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Numero do processo: 10880.010322/2002-22
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1990, 1992
ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação
de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL, exigido das sociedades anônimas, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, em 19/11/1996, que
atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daquele dispositivo legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1990, 1992 ILL. SOCIEDADE ANÔNIMA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL, exigido das sociedades anônimas, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, em 19/11/1996, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, suspendendo a execução daquele dispositivo legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento. 'Y : oP CARLOS ALB • 1 EITAS B • • RETO- Presidente RYCARDO HEM) AGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator EDITADO EM: 14 MAIO 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório DROGARIA SÃO PAULO S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL, em 18 de julho de 2002, em relação aos anos-calendário 1989, 1990 e 1992, conforme Petição Inicial, às fls. 01/15, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da l a Turma da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão n° 7.518/2005, às fls. 132/138, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 6' Câmara, em 08/11/2007, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 106-16.623, sintetizados na seguinte ementa: "ILL — SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA — RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS — DECADÊNCIA. O marco inicial do prazo decadencial de cinco anos para os pedidos de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o lucro liquido, pago por sociedades por quotas de responsabilidade limitada, se dá em 25.07.1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n°63. Decadência afastada." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 262/271, com arrimo no artigo 7°, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos 2 Processo n° 10880.010322/2002-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.790 Fl. 2 nos artigos 168, caput, e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, bem como divergido do entendimento de outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, consoante se infere do Acórdão n° 302-35.782. Assevera que a Instrução Normativa n° 63/1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL exigido das sociedades por quotas, com base no artigo 35 da Lei nO 7.713/88, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência. Infere que o entendimento da Câmara recorrida somente pode prevalecer se afastar a aplicabilidade do disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, o que, em observância ao artigo 49 do RICC, c/c a Súmula n° 2 do 1° Conselho de Contribuintes, é defeso ao julgador administrativo. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, além de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal, consonantes com o entendimento acima esposado. Contrapõe-se ao Acórdão atacado, alegando que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório n° 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial/prescricional. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6a Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho n° DEF 106151781_125/2008, às fls. 272/273. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 277/289, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. 3 Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6' Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a refoinia do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos nos artigos 168, capta e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: " Art.165 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ,sç 40 do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;" "Art.168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário," Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto a existência do indébito, tendo em vista tratar-se de pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL exigido das sociedades anônimas, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995. Nesse sentido, a discussão centra-se tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a qz,to de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional/decadencial em comento é a data do pagamento do tributo indevido. 4 Processo n° 10880.010322/2002-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.790 Fl. 3 Por sua vez, a Câmara recorrida, à sua maioria, detenninou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (ILL) inicia-se na data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, em 19/11/1996, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o ILL, cobrado com arrimo no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, só passou a ser indevido quando da definitiva exclusão de tal dispositivo legal do ordenamento jurídico, ou seja, a partir da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, em 19/11/1996, atribuindo efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte exarada em sede de Recurso Extraordinário, com efeito inter partes. Em outras palavras, antes da Resolução do Senado Federal n° 82, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Resolução, a qual suspendeu a execução do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, com base na decisão do STF nos autos do RE n° 172.058/SC. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos do malfadado dispositivo legal. Mais a mais, repita-se, à época dos pagamentos do ILL exigido pelo artigo 35 da Lei n° 7.713/88, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando da suspensão da execução daquela norma, mediante Resolução do Senado Federal. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao principio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, é o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister transcrever excerto da obra de Leandro Paulsen, que assim preleciona: " O STJ, contudo, tem se pronunciado reiteradamente no sentido de que, em se tratando de tributo declarado inconstitucional, o prazo qüinqüenal conta-se da publicação da decisão do STF em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado, havendo precedente no sentido da contagem a partir da publicação da decisão do recurso extraordinário. [..] - Procuramos identificar a origem da posição do STJ no sentido de que o prazo para repetição contar-se-ia da decisão do STF. A 5 1" Seção firmou tal entendimento por ocasião do julgamento dos Embargos de Div. no Recurso Especial n° 43.502 e também no 44.952. Houve transcrição, pelo Min. Américo Luz, de voto anteriormente proferido pelo MM. Pádua Ribeiro no Resp 44.221/PR, em que resgatava voto proferido por Hugo de Brito Machado na AC 44.403-3, na T. do TRF%, em abril de 1994, sendo que também Hugo valera-se da lição alheia (de Ricardo Lobo Torres), conforme segue de seu voto: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade, em ação direta. Ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. RICARDO LOBO TORRES, ensina: 'Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF pmferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF." ("DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Leandro Paulsen — 5 a edição, pág. 991) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo oferece proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: "DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter parte em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido da exação tributária." (l a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 104-03.304, Acórdão n° CSRF/01-03.239) " DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente, inicia-se na data da publicação de ato legal ou administrativo que reconhece indevida a exação tributária. Recurso especial negado." (4' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 103-128.397, Acórdão n° CSRF/04-00.039 — Sessão de 21/06/2005) No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito da contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição/compensação em 18 de julho de 2002, 6 Processo n° 10880.010322/2002-22 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.790 Fl. 4 dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contados da publicação da publicação da Resolução do Senado Federal n°82, em 19/11/1996. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 6 Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, que afastou a decadência suscitada e determinou o retorno dos autos à DRJ de origem para enfrentamento do mérito, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo He 'q e agalhães 7
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Numero do processo: 13433.000265/90-16
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 1996
Ementa: FINSOCIAL - FATURAMENTO - É devida a contribuição para o
Finsocial, na hipótese de omissão de receita operacional, constatada e comprovada pela fiscalização.
Numero da decisão: 102-30.919
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ramiro Heise
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ementa_s : FINSOCIAL - FATURAMENTO - É devida a contribuição para o Finsocial, na hipótese de omissão de receita operacional, constatada e comprovada pela fiscalização.
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FINSOCIAL/FATURAMENTO - EXS.- 1988 e 1989 RECORRENTE NICEAS ALVES FERREIRA (FIRMA INDIVIDUAL) RECORRIDA DRF - NATAL - RN SESSÃO DE 16 DE ABRIL DE 1996 ACÓRDÃO N°. : 102-30.919 FINSOCIAL - FATURAMENTO - É devida a contribuição para o Finsocial, na hipótese de omissão de receita operacional, constatada e comprovada pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NICEAS ALVES FERREIRA (FIRMA INDIVIDUAL) ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado N?' "...e_ ONIO 17IE RÀ'AS DUTRA * ' 1 ', O HEISE ---------- -RELATO '. --------- FORMALIZADO EM: -4 A ír INJ 4noe: '9 U k-itn k771,; Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. IJRSULA HANSEN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA — NCA '±tS '14_ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 13433/000265/90-16 ACÓRDÃO N° 102-30 919 RECURSO N°. 00.991 RECORRENTE NICEAS ALVES FERREIRA (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO NICEAS ALVES FERREIRA (FIRMA INDIVIDUAL), com sede em Mossoro - RN, por Auto de Infração lavrado em 22/11/90 (fls.. 08) foi notificada em 22/11/90 a pagar 478,18 BTN fiscais, a título de FINSOCIAL por omissão de receita operacional, apurada através do processo IRPJ N° 13433/000.262/90-10 Apresentou impugnação (fls. 11) que foi julgada procedente em parte pela DRF - RN para excluir o crédito tributário relativo ao exercício de 1989, mantendo-se o relativo ao exercício de 1988, com os acréscimos legais(fls 25 a 27). Notificada da decisão em 11/06/91 (fls 30) recorreu tempestivamente ao Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, tecendo as mesmas argumentações que expendera no processo IRPJ acima referido, resultando o presente feito como decorrência daquele. Houve diligência, que foi cumprida (fls. 40 a 46) Todas as formalidades legais foram satisfeitas, restando apto o processo para ser apreciado em grau de recurso É o Relatório 2 rk MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NG : 13433/000265/90-16 ACÓRDÃO N°. . 102-30.919 VOTO CONSELHEIRO RAMIRO HEISE, RELATOR Trata-se de recurso contra exigência do F1NSOCIAL por omissão de receita operacional, apresentado tempestivamente O Acórdão de fls. 43 a 47 ao apreciar os fatos quanto a incidência do IRPJ, reconheceu a existência de tal omissão, por restar comprovado nos autos a materialização do passivo fictício não ilidido pelo sujeito passivo com provas robustas Excluiu-se, no entanto, da matéria tributável a parcela de Cz$ 1 728.331,79, relativa ao exercício de 1988. Não trouxe o contribuinte aos presentes autos relativos a exigência do FINSOCIAL qualquer fato novo, argumento ou prova que me fizessem concluir de forma diferente. Pelo contrário, limitou-se a apresentar, como razões de recurso, cópia dos termos do seu apelo quanto ao processo do IRPJ. Destarte e na ausência de outros argumentos, tenho também como caracterizada a omissão de receita operacional por parte do contribuinte do montante a época de Cz$ 1.472.914,55 e devida a exação, por se harmonizar essa circunstância jurídica com a sua hipótese de incidência — d 3 , -#"k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. 13433/000265/90-16 ACÓRDÃO N°, 102-30,919 Em vista do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir do valor tributável a parcela de Cz$ 1 728 331,79 relativa ao exercício de 1988. Sessões - F, em 16 de abril de 1996 'yr 1V1Wi : I 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 13808.001217/99-42
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Simples Notas Fiscais não são suficientes para a demonstração da efetividade dos serviços pretensamente tomados. O contribuinte não traz aos autos qualquer contrato ou demonstração inequívoca de que pagou pelos serviços à alegada prestadora/beneficiária, sendo de rigor a manutenção da glosa.
DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. Somente é dedutível a contrapartida de provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária. In casu, assevera o contribuinte que a provisão constituída foi estornada, com a contrapartida em conta de resultado. Contudo, intimado, não demonstrou que tanto as despesas glosadas quanto as supostas receitas do estorno foram levadas a resultado.
JUROS DE MORA E MULTA. A taxa SELIC é a taxa usada para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre créditos tributários a partir de 1o de abril de 1995. Inteligência da Súmula n. 4/CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
DECORRÊNCIA. CSLL. A procedência do lançamento principal implica manutenção da exigência dele decorrente.
Numero da decisão: 1101-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de serviços com notas fiscais emitidas pela OSW Serviços S/C Ltda; à glosa de provisão de fretes e carretos; à aplicação da taxa Selic e à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Simples Notas Fiscais não são suficientes para a demonstração da efetividade dos serviços pretensamente tomados. O contribuinte não traz aos autos qualquer contrato ou demonstração inequívoca de que pagou pelos serviços à alegada prestadora/beneficiária, sendo de rigor a manutenção da glosa. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. Somente é dedutível a contrapartida de provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária. In casu, assevera o contribuinte que a provisão constituída foi estornada, com a contrapartida em conta de resultado. Contudo, intimado, não demonstrou que tanto as despesas glosadas quanto as supostas receitas do estorno foram levadas a resultado. JUROS DE MORA E MULTA. A taxa SELIC é a taxa usada para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre créditos tributários a partir de 1o de abril de 1995. Inteligência da Súmula n. 4/CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. DECORRÊNCIA. CSLL. A procedência do lançamento principal implica manutenção da exigência dele decorrente.
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Simples Notas Fiscais não são suficientes para a demonstração da efetividade dos serviços pretensamente tomados. O contribuinte não traz aos autos qualquer contrato ou demonstração inequívoca de que pagou pelos serviços à alegada prestadora/beneficiária, sendo de rigor a manutenção da glosa. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. Somente é dedutível a contrapartida de provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária. In casu, assevera o contribuinte que a provisão constituída foi estornada, com a contrapartida em conta de resultado. Contudo, intimado, não demonstrou que tanto as despesas glosadas quanto as supostas receitas do estorno foram levadas a resultado. JUROS DE MORA E MULTA. A taxa SELIC é a taxa usada para o cômputo dos juros de mora incidentes sobre créditos tributários a partir de 1o de abril de 1995. Inteligência da Súmula n. 4/CARF. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. DECORRÊNCIA. CSLL. A procedência do lançamento principal implica manutenção da exigência dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas de serviços com notas fiscais emitidas pela OSW Serviços S/C Ltda; à glosa de provisão de fretes e carretos; à aplicação da taxa Selic e à multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 12 17 /9 9- 42 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. Relatório Tratase de Autos de Infração que carreiam exigências de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tributos esses concernentes ao anocalendário 1995. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fl. 95), a autoridade autuante teria constatado três infrações, a saber, verbis: 1 – CUSTOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS SUBAVALIAÇÃO DE ESTOQUE FINAL Valores encontrados, conforme MAPA DE APURAÇÃO DO CUSTO DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS (anexo), comparando os livros fiscais (inventário), comerciais e demonstrativo do resultado; 2 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS O contribuinte deixou de comprovar, quando intimado, a necessidade e a sua efetiva prestação dos serviços, referente às notas fiscais emitidas pela empresa O S W Serviços S/C Ltda. CGC: 97.370.381/000132; 3 – CUSTOS DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS PROVISÕES PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS Constituição de Provisões de despesas com fretes e carretos, sem a devida permissão legal. A partir de tais irregularidades, foram constituídos créditos tributários de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – relacionados a todas as infrações supracitadas – e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – apenas no que tange às infrações de n. 1 e 3. É importante asseverar que, anteriormente à Verificação a que se refere o parcialmente transcrito TVF, a empresa foi intimada a apresentar à fiscalização os seus registros contábeis atinentes ao anocalendário 1995 e os documentos que davam esteio a tais lançamentos. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.001217/9942 Acórdão n.º 1101000.924 S1C1T1 Fl. 3 3 Posteriormente, ainda no curso da fiscalização, foi a empresa intimada (fl. 75) a comprovar a necessidade e a efetiva prestação de serviços, das notas fiscais emitidas pela empresa O S W Serviços S/C Ltda., CGC: 97.370.381/000132, que deram causa as despesas operacionais abaixo relacionadas: DATA DIÁRIO CONTA VALOR (R$) 14/07/95 04/93 PROPAGANDA E PUBLICIDADE 93.000,00 14/07/95 04/93 PROPAGANDA E PUBLICIDADE 30.000,00 18/08/95 04/319 PROPAGANDA E PUBLICIDADE 75.600,00 25/09/95 05/59 PROPAGANDA E PUBLICIDADE 295.500,00 27/10/95 05/263 PROPAGANDA E PUBLICIDADE 300.000,00 30/11/95 05/498 PROPAGANDA E PUBLICIDADE 300.000,00 Diante dessa intimação, a contribuinte limitouse a apresentar as Notas Fiscais de que se cuida (fls. 7782) e a trazer aos autos excertos do seu Livro Diário – nos quais se verifica a efetiva existência de lançamentos contábeis para o pagamento das Notas Fiscais n. 201 (R$ 30.000,00, em julho/1995, fl. 87), 202 (R$ 93.000,00, em julho/1995, fl. 87), 211 (R$ 75.600,00, em agosto/95, fl. 88), 219 (R$ 300.000,00, em setembro/95, fl. 91) e 231 (R$ 300.000,00, em novembro/95, fl. 93). Em face de tais lançamentos, a contribuinte apresentou tempestivas impugnações – contra o lançamento de IRPJ: fl. 114 e ss; contra o de CSLL: fl. 154 e ss) –, nas quais asseverou o seguinte: No que respeita à Subavaliação do Estoque Final (Infração n. 1), a autuada concorda que teria incorrido em equívoco na apuração do custo de bens e serviços vendidos, de modo que pleiteou o parcelamento dos valores correspondentes a esse tópico do lançamento, sendo que trouxe à balha os recolhimentos que demonstrariam a adesão a essa forma de extinção do crédito tributário; Acerca da Infração n. 2, temse que tais despesas seriam relacionadas a imprescindíveis serviços de publicidade, prestados por empresa que tem essa atividade inserta em seu contrato social (contrato esse que não consta dos autos) e comprovados pelas Notas Fiscais supracitadas (fls. 7782) e pelos extratos bancários anexos, que dão conta do depósito de cheques para a quitação de tais obrigações; Em relação à Infração n. 3, assevera que as provisões em apreço teriam sido constituídas em decorrência da contratação de serviços futuros de fretes e carretos que a empresa contratara, serviços esses que foram cancelados no dia seguinte à contratação e à constituição de provisão. Assim, as despesas em contrapartida às provisões não teriam acarretado qualquer impacto no lucro líquido, eis que o cancelamento do serviço ensejou o estorno de tais lançamentos, com a contrapartida do mesmo montante em receitas, de modo que o resultado de tais operações seria zero. Traz aos autos excertos do Livro Diário (fls. 150151), em que se lê que os lançamentos correspondentes aos fretes e carretos, de 28 de fevereiro de 1995, são estornados no dia seguinte (1o de março de 1995). Aduz que, quando muito, poderia o Fisco ter procedido ao lançamento para exigir os tributos sobre a atualização de 1 (um) dia dos valores em questão. A contribuinte também se irresigna contra a aplicação da taxa SELIC sobre os valores tidos como devidos e tece considerações acerca do caráter confiscatório da multa proporcional de 75%. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 A respeito dos extratos das contas correntes trazidos aos autos com o fito de demonstrar os pagamentos que teriam sido feitos à empresa O S W Serviços S/C Ltda, é possível constatar as compensações dos cheques de n. 697864 (R$ 75.600,00, em 21/08/95, fl. 141), n. 265873 (R$ 295.500,00, em 28/09/95, fl. 142), n. 266604 (R$ 300.000,00, em 27/10/95, fl. 143) e n. 162054 (R$ 300.000,00, em 14/12/95, fl. 144). Não há nos autos, contudo, cópia de tais cheques ou qualquer elemento que inquestionavelmente ligue esses cheques ao pretenso beneficiário. A Colenda DRJ/SPO 1 converteu o julgamento do feito em diligência consoante despacho assim lavrado, litteris: Quanto à infração mencionada no item 3 do mesmo termo (provisões não autorizadas), cujos valores tributáveis constam do Título C Da Base de Cálculo, integrante do citado termo, a impugnante afirma que os valores lançados em 28/02/1995 foram estornados em 01/03/1995, por ter sido cancelado o contrato correspondente, e anexa cópia do Diário Geral (fl. 89), no intuito de comprovar o alegado. Ante o exposto, proponho o encaminhamento do presente à DEFIC/SPO/SAPAF, para a realização de diligência nos livros e documentos contábeis e fiscais da autuada com vistas às seguintes verificações, elaborandose relatório conclusivo: a) foi efetivamente realizado o aludido estorno? b) tal estorno está refletido na Demonstração do Lucro Líquido? Esta foi corretamente reproduzida na Ficha 06 da declaração de rendimentos? (fl. 181) Em conseqüência desse despacho, a contribuinte foi intimada a apresentar o seguinte: 1) Livro Diário n° 0002 (período 01/02/95 a 28/04/95), em original, onde constam os lançamentos dos aludidos estornos; 2) Documentação contábil/fiscal ; correspondente aos estornos, descrita no histórico dos lançamentos; ou seja, lote 026; 3) Demonstrativos de Resultados analíticos dos meses de fevereiro e março de 1995, identificando os códigos das contas envolvidas, comprovando o reflexo destes estornos; ou seja, despesas no mês de fevereiro/95 e receita (ou recuperação de despesas) no mês de março/95; 4) Comprovar a repercussão dos aludidos demonstrativos na Ficha 06 da Declaração de Rendimentos (Demonstração do Lucro Líquido) apresentando cópias do recibo de entrega da referida declaração assim como da citada ficha; (fl. 186) Entretanto, a contribuinte jamais atendeu a essa intimação, o que se constata pela leitura do fólio n. 187. Assim, a DRJ/SPO 1 procedeu ao julgamento das impugnações em tela, ocasião em que os lançamentos foram mantidos em sua integralidade em acórdão (fls. assim ementado, verbis: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.001217/9942 Acórdão n.º 1101000.924 S1C1T1 Fl. 4 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica IRPJ Data do fato gerador: 28/02/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 31/10/1995, 30/11/1995 Ementa: DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Não comprovados com documentos hábeis a contratação, o pagamento e a efetividade da prestação de serviços, tampouco a sua necessidade para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, impõese a manutenção da glosa. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÕES. Somente é dedutível a contrapartida de provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária. JUROS DE MORA E MULTA. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. DECORRÊNCIA. CSLL. A procedência do lançamento principal implica manutenção da exigência dele decorrente. Lançamento Procedente As seguintes passagens, concernentes às Infrações n. 2 e 3, são extraídas desse julgado, verbis: Sobre a Infração 2: 19. No curso da ação fiscal, a empresa foi intimada (fl. 17) a comprovar a necessidade e a efetiva prestação de serviços, correspondentes às notas fiscais emitidas pela empresa 0 S W Serviços S/C Ltda. Em resposta, limitouse a autuada a apresentar as aludidas notas fiscais (fls. 19 a 24). Por ocasião da impugnação, anexou cópias de extratos bancários, no intuito de comprovar o pagamento dos referidos serviços. 20. As notas fiscais anexadas (fls. 19 e 20) mencionam a existência de um contrato, que sequer foi juntado aos autos. A compensação de cheques com o mesmo valor das supostas despesas não é prova cabal de que o pagamento foi efetuado à empresa prestadora dos serviços. 21. Ademais, mesmo que houvesse a prova da contratação e do pagamento, ainda assim deveria ser demonstrada a efetividade da prestação dos serviços e a sua necessidade para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. (fl. 197; sem grifos no original) Sobre a Infração 3: 24. Afirma a empresa que as provisões de fretes, contabilizadas em 28/02/1995, foram objeto de estorno em 01/03/1995, em razão do cancelamento do contrato. Anexa cópia simples do Livro Diário (fls. 87 a 94). 25. Ocorre que a diligência solicitada por esta DRJ, no intuito de confirmar a efetividade do estorno, foi infrutífera, pela inércia do sujeito passivo, conforme ficou caracterizado no relatório de fl. 128, da Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Divisão de Fiscalização/Comércio da Delegacia de Fiscalização de São Paulo. (fl. 197) O crédito tributário correspondente à Infração n. 1 – Subavaliação do Estoque Final – foi objeto de parcelamento, tendo sido destacado do vertente processo, sendo que passou a ser controlado nos autos do Processo Administrativo n. 10880.035416/9984. Intimado desse decisum da douta instância a qua em 24 de setembro de 2004, o contribuinte, no dia 25 de outubro de 2004 (uma segundafeira) interpôs o vertente Recurso Voluntário (fls. 4 – pela numeração do eprocesso, o segundo volume dos autos foi numerado como se o primeiro fosse, o que explica a diminuta numeração do fólio em que repousa a primeira lauda do Recurso Voluntário), em que repete ipsis litteris as suas razões de impugnação. É preciso consignar que o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n. 2004.61.00.0296412 com o fito exclusivo de fazer com que o Recurso Voluntário tivesse tramitação regular a despeito do arrolamento de bens no montante de 30% do valor dos créditos tributários discutidos no feito. Esse mandamus foi extinto sem julgamento de mérito (art. 267, III do Código de Processo Civil; fl. 24), sendo que o crédito tributário aqui controvertido foi incluído em Dívida Ativa (fls. 37 e 45) e objeto da Execução Fiscal n. 2007.61.82.0061963. Contudo, com fulcro na Súmula Vinculante n. 21 do Supremo Tribunal, a Certidão de Dívida Ativa foi cancelada (fl. 51) em 19 de outubro de 2012, de modo que os autos foram submetidos a esse Colegiado para julgamento da irresignação do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo – tendo em vista que o contribuinte foi intimado em 24/09/2004 e o inconformismo foi manejado em 25/10/2004, uma segundafeira – , de modo que dele tomo conhecimento. Tendo em vista que os créditos tributários atinentes à Subavaliação do Estoque Final (Infração n. 1) foram destacados do vertente feito, passando a compor o objeto Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.001217/9942 Acórdão n.º 1101000.924 S1C1T1 Fl. 5 7 do Processo Administrativo n. 10880.035416/9984, temse que existem duas questões a serem dirimidas por esse Egrégio Tribunal Administrativo, quais sejam, a glosa das despesas relacionadas às Notas Fiscais emitidas pela O S W Serviços S/C Ltda. (Infração n. 2) e a glosa das despesas lançadas em contrapartida a provisões (Infração n. 3). Para mais didaticamente resolver as questões submetidas à apreciação, a análise dessas questões darseá de forma separada. Das Despesas atinentes às Notas Fiscais emitidas pela O S W Serviços Ltda. No que tange ao ponto em destaque, entendo que não há reparos a serem feitos na decisão da Colenda instância a qua. Com efeito, o contribuinte foi intimado a comprovar a necessidade e a efetividade dos serviços alegadamente tomados com espeque nas Notas Fiscais emitidas pela sociedade empresária O S W Serviços Ltda. Nada obstante, limitouse o sujeito passivo a declarar que as Notas Fiscais em destaque representariam a tomada de serviços de publicidade, que seriam imprescindíveis às atividades da empresa, sendo prática usual dos seus concorrentes, de modo que a inexistência de dispêndios a esse título poderia levála a uma posição enfraquecida em face de outros agentes do mercado relevante em referência. O contribuinte trouxe aos autos, ainda, lançamentos contábeis embasados em algumas dessas Notas Fiscais – não se vislumbrou o lançamento concernente à Nota Fiscal n. 230, que deveria ter ocorrido em outubro/95, no importe de R$ 300.000,00 – e extratos bancários que alegadamente demonstrariam que cheques foram compensados para quitação de ditas obrigações. É hialino que o contribuinte não logrou demonstrar que os serviços em destaque foram prestados pela O S W Serviços S/C Ltda., de modo que a glosa deve prevalecer. Com efeito, não há nos autos qualquer contrato a ligar a autuada e a O S W Serviços Ltda., assim como inexiste qualquer declaração da pretensa prestadora de serviços a comprovar que os serviços efetivamente foram prestados. Em relação aos extratos bancários, é possível constatar, consoante dito no Relatório, as compensações dos cheques de n. 697864 (R$ 75.600,00, em 21/08/95, fl. 141), n. 265873 (R$ 295.500,00, em 28/09/95, fl. 142), n. 266604 (R$ 300.000,00, em 27/10/95, fl. 143) e n. 162054 (R$ 300.000,00, em 14/12/95, fl. 144). Nada obstante, em primeiro lugar, tais compensações não perfazem o total da glosa levada a efeito pela fiscalização, eis que não foi possível localizar qualquer compensação de cheque no montante de R$ 93.000,00 (noventa e três mil reais), valor de face da Nota Fiscal n. 202, de 11 de julho de 1995. Ademais, não há qualquer Nota Fiscal emitida pela O S W Serviços S/C Ltda. no valor de R$ 295.500,00, de modo que a vinculação do cheque n. 265873 à prestação de serviços de publicidade encontrase rigorosamente prejudicada. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 Em segundo lugar, constam dos autos meros extratos de contas correntes da autuada, documentos esses que não indicam o real beneficiário dos discutidos cheques compensados, beneficiário esse que não pode ser identificado simplesmente a partir do exame da documentação acostada aos autos. Nessa senda, entendo que fez bem a DRJ/SPO 1 ao negar provimento à postulação do sujeito passivo neste ponto, eis que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a efetividade dos serviços. Ora, o contribuinte poderia muito bem ter trazido aos autos os contratos que deram esteio às malsinadas Notas Fiscais – que, somadas, perfazem a nada desprezível monta de R$ 1.093.600 (um milhão, noventa e três mil e seiscentos reais) –, bem como as microfilmagens dos cheques compensados, o que teria o condão de demonstrar que a O S W Serviços S/C Ltda, emissora das Notas Fiscais controvertidas, efetivamente auferiu os valores constantes das Notas Fiscais. Nada disso, contudo, foi feito pelo sujeito passivo, sendo cediça a jurisprudência desse Colegiado no sentido de que a mera apresentação de Notas Fiscais não é suficiente para comprovar a dedutibilidade de despesas operacionais. O seguinte julgado perfilha justamente esse entendimento, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 IRPJ – GLOSA DE DESPESA OU CUSTO Uma vez não comprovada a efetividade das operações relativamente aos documentos fiscais contabilizados, procede a glosa realizada. DESPESAS OPERACIONAIS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Somente são admitidas as despesas de prestação de serviços quando for efetivamente comprovada a sua realização, não bastando como elementos probantes a apresentação de notas fiscais. (...) (Processo n. 10680.013411/200619; Cons. Rel. Valéria Cabral Géo Verçoza; j. 4.2.2009; sem grifos no original) Mantenho, portanto, a decisão da douta DRJ/SPO 1 neste ponto. Provisões para fretes e carretos Também é irreprochável a decisão da DRJ/SPO 1 neste ponto. Com efeito, assevera o contribuinte que a despesa lançada como contrapartida da constituição da provisão (levada a cabo em 28 de fevereiro de 1995) teria sido aniquilada com a receita lançada como contrapartida do estorno dessa provisão, o que teria tido lugar no dia imediatamente subsequente. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.001217/9942 Acórdão n.º 1101000.924 S1C1T1 Fl. 6 9 De fato, o Livro Diário da contribuinte indica tais lançamentos em fins de fevereiro de 1995, sendo que o correspondente estorno se deu no primeiro dia de março do mesmo ano. Nada obstante, apesar dos discutidos lançamentos contábeis, entendo que a glosa da despesa registrada como contrapartida da provisão constituída pelo contribuinte deve prevalecer. Deveras, a despesa lançada em contrapartida da provisão em discussão – constituída pela contratação de serviços futuros de frete e carretos, nos termos do que assevera o próprio contribuinte – não é dedutível para fins de aferição do lucro real, o que se depreende da leitura dos arts. 276 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda de 1994, vigente à época dos fatos. Nada obstante, a tese do contribuinte – de que a despesa lançada teria sido fulminada pela receita resultante do correspondente estorno – deveria ser acatada caso o sujeito passivo demonstrasse que o resultado contábil do exercício levou em conta tanto a despesa quanto a receita discutidas. Foi com vistas a verificar esse dado – é dizer, o reflexo, no resultado do exercício, tanto da despesa lançada com a constituição da provisão quanto da receita registrada após o estorno – que a Colenda DRJ/SPO 1 converteu o julgamento do feito em diligência, intimando o contribuinte a apresentar a documentação que daria respaldo à sua tese. O sujeito passivo, contudo, quedouse inerte, o que se depreende da leitura dos seguintes excertos, litteris: 1 A fim de atender o despacho da DRJJULGAMENTO/SPO1/SP de fls. 122, compareci na empresa acima identificada, no dia 20/09/2002 e, intimeia a apresentar livros e documentos necessários para a análise proposta por aquele órgão. 2 Tratase de auto de infração lavrado por AFRF que não mais exerce função nesta delegacia e para dirimir dúvidas foram solicitados os referidos elementos, dando um prazo de 10(dez) dias para que a empresa atendesse a referida intimação. 3 Em 15/10/2002 compareci na empresa para finalizar trabalho de fiscalização que estava sendo executado em relação a PIS e COFINS e, naquela ocasião foi cobrado da mesma, a documentação exigida na intimação de 20/09/2002. Através do seu contador Mauro Bernardes Junior, CPF 288.036.20672, fui informado que tal documentação me seria entregue no dia 23/10/2002. 4 No dia 23/10/2002 compareci novamente na empresa, para análise da documentação solicitada, e o citado contador além de não se encontrar no local, também não deixou qualquer documento. Na ocasião fui atendido por uma funcionária do departamento contábil, Renata Medagha, CPF 220.913.52810 a qual não soube dizer exatamente onde o mesmo se encontrava, alegando que este não estava na empresa e que não teria nenhuma outra pessoa para atender a fiscalização. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 5 Assim sendo, considerando que durante todo o trabalho desenvolvido para fiscalização de PIS e COFINS citado anteriormente, houve também uma dificuldade muito grande por parte da empresa em atender a fiscalização, atrasando entrega de documentos e, por conseguinte o término do trabalho, inclusive por diversas vezes foi combinado com o fiscal a entrega de documentos e nenhum representante da empresa prontificouse a atender a fiscalização, não cumprindo o prometido no dia marcado, acarretando perda de tempo ao fiscal; entendo que em relação a documentação solicitada na intimação da presente diligência, para cumprimento do despacho da DRJ, não houve interesse por parte da empresa em atendêla, razão pela qual proponho o retomo do presente processo à DRJ JULGAMENTO/SPO1/SP para prosseguimento. (fl. 187; sem grifos no original) Percebese, assim, que o contribuinte teve todas as oportunidades para trazer aos autos a prova do seu direito, e, apesar disso, não se desincumbiu do seu ônus probatório. Assim, não sendo possível constatar que o resultado contábil efetivamente contempla a receita derivada do estorno do provisão – que alegadamente teve lugar em 1o de março de 1995 – e tendo em vista que a despesa registrada como contrapartida da provisão não é, em si, dedutível para fins de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, temse que é correto o lançamento quanto ao ponto, de modo que deve ser rechaçado o Recurso Voluntário, com a manutenção do lançamento e da decisão da instância a qua que o chancelou. Por fim, no que tange à aplicabilidade da taxa SELIC, temse que esse Egrégio CARF já consolidou o seu entendimento na Súmula CARF n. 4 – que prevê a incidência dessa taxa para o cômputo dos juros de mora que recaem sobre créditos tributários a partir de 1o de abril de 1995 –, enunciado sumular esse que, despiciendo dizer, é de aplicação mandatória. Sobre a inconstitucionalidade da aplicação dessa taxa e sobre o caráter confiscatório da multa de ofício de 75%, temse que não é dado a esse Colegiado afastar a aplicação de leis vigentes ante o fundamento da inconstitucionalidade da norma correlata, o que inviabiliza o conhecimento de tais questões no seio do processo administrativo fiscal. Uma vez que o lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorre dos mesmos pressupostos fáticos do lançamento principal – de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica –, o decidido em relação a este aplicase àquele. Por todo o exposto, conheço em parte do Recurso Voluntário – eis que não conheço das questões relacionadas à inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC e ao caráter confiscatório da penalidade proporcional – e, nesta fração, NEGOLHE PROVIMENTO. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 316DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.001217/9942 Acórdão n.º 1101000.924 S1C1T1 Fl. 7 11 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 02/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003651/99-36
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/04/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre os argumentos e a conclusão ou entre as partes dispositivas e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão ou constatação de que a decisão foi omissa no tocante às alegações do recurso, não se prestando para a rediscussão sobre a matéria objeto de lide.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício após o seu vencimento, a partir de 1o/1/97, está prevista nos arts. 43 e 61, § 3o, da Lei 9.430/96. A multa de ofício tem prazo para pagamento de 30 dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, ficando sujeita aos juros moratórios se não houver pagamento nesse prazo.
Embargos acolhidos em parte para, nessa parte, negar provimento ao recurso voluntário, de forma a rerratificar o Acórdão no 301-34.528.
Numero da decisão: 3202-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos, e nesta parte, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Luiz Novo Rossari - Presidente e Relator à época
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente atual
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Heroldes Bahr Neto e Susy Gomes Hoffmann. Ausente justificadamente o conselheiro João Luiz Fregonazzi.
Nome do relator: JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/04/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre os argumentos e a conclusão ou entre as partes dispositivas e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão ou constatação de que a decisão foi omissa no tocante às alegações do recurso, não se prestando para a rediscussão sobre a matéria objeto de lide. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício após o seu vencimento, a partir de 1o/1/97, está prevista nos arts. 43 e 61, § 3o, da Lei 9.430/96. A multa de ofício tem prazo para pagamento de 30 dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, ficando sujeita aos juros moratórios se não houver pagamento nesse prazo. Embargos acolhidos em parte para, nessa parte, negar provimento ao recurso voluntário, de forma a rerratificar o Acórdão no 301-34.528.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/04/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre os argumentos e a conclusão ou entre as partes dispositivas e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão ou constatação de que a decisão foi omissa no tocante às alegações do recurso, não se prestando para a rediscussão sobre a matéria objeto de lide. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício após o seu vencimento, a partir de 1o/1/97, está prevista nos arts. 43 e 61, § 3o, da Lei 9.430/96. A multa de ofício tem prazo para pagamento de 30 dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, ficando sujeita aos juros moratórios se não houver pagamento nesse prazo. Embargos acolhidos em parte para, nessa parte, negar provimento ao recurso voluntário, de forma a rerratificar o Acórdão no 30134.528. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos, e nesta parte, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Luiz Novo Rossari Presidente e Relator à época Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente atual Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 36 51 /9 9- 36 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 3202000.072 S3C2T2 Fl. 728 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Heroldes Bahr Neto e Susy Gomes Hoffmann. Ausente justificadamente o conselheiro João Luiz Fregonazzi. Relatório O Relator do presente processo foi o Conselheiro José Luiz Novo Rossari que já se aposentou. Desse modo, a Sra. Presidente nomeoume redator ad hoc para a formalização do presente acórdão de embargos. Tratase de embargos de declaração ao Acórdão no 30134.528, de 18/6/2008, da 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes (fls. 550/570), apresentados tempestivamente pela empresa interessada (fls. 575/585), com fundamento no art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (sic), cabendo observar que à época de sua protocolização já vigia o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF no 147, de 2007, que previa os referidos embargos em seu art. 57. A embargante afirma que o Acórdão foi omisso em relação a duas matérias e alega: a) que não obstante o debate travado por ocasião do julgamento, omitiuse o relator no seu voto quanto às razões que levaram a concluir pela validade do lançamento que tomou como premissa tratarse o bem importado de guindaste, utilizando inclusive a classificação fiscal de tal mercadoria, mesmo entendendo tratarse a mercadoria de um pórtico, segundo concluiu; solicita esclarecimento sobre os fundamentos pelos quais discorda do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, entendendo possível a manutenção do lançamento efetuado para um guindaste mesmo após a sua conclusão de que a mercadoria é, em verdade, um pórtico com classificação fiscal específica; b) que o relator equivocouse ao mencionar que a embargante teria requerido o ex tarifário e que lhe teria sido negado pedido específico nesse sentido, citando um fax que teria sido encaminhado à empresa e que constaria à fl. 147 dos autos, no sentido de existir a possibilidade de produção nacional do equipamento relativamente ao qual fora requerido o ex tarifário; aduz que a questão ficou explicitada na segunda diligência realizada por Resolução da 1ª Câmara, conforme se constata do quesito “f” à fl. 511, o que confirma o direito da embargante; e c) que o Acórdão foi omisso quanto à alegação de impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, por falta de fundamentação legal para tanto; esclarece que essa questão só não foi objeto de impugnação em primeira instância administrativa porque tais juros não foram lançados no Auto de Infração, tendo a embargante tomado conhecimento da exigência somente quando da intimação da decisão proferida pela DRJ, ao conferir os cálculos relativos ao crédito tributário constituído, para efeitos de arrolamento de bens para prosseguimento do recurso voluntário. Pelo exposto, pede e espera que sejam acolhidos os embargos, a fim de que sejam sanadas as omissões e reconhecida a insubsistência do lançamento ou, quando menos, a insubsistência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. É o relatório. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 3202000.072 S3C2T2 Fl. 729 3 Voto Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator ad hoc Os embargos têm como fundamento a existência de omissões no Acórdão, pelos motivos expostos pela embargante. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, conheço dos embargos. De observarse, preliminarmente, que o motivo concludente da validade do lançamento, mesmo entendendose que se trata de pórticos de descarga, conforme laudo técnico, foi que o fato de que a lide não envolve classificação tarifária, e sim, o não enquadramento da mercadoria no ex 002 da Portaria MF no 202/98, que previa redução tarifária para 5% de alíquota de Imposto de Importação. A classificação adotada pela contribuinte não foi repelida pelo Fisco, que questionou apenas o uso indevido de um ex tarifário para a classificação adotada pela contribuinte, razão pela qual aceitou aquela utilizada no despacho de importação, mesmo porque todos os equipamentos da posição 8426 tinham a mesma alíquota de imposto. Destarte, o acórdão foi claro ao justificar e explicitar, de forma metódica e como argumento essencial, que os bens importados não preenchiam as condições estabelecidas pelo ex tarifário para o gozo da redução prevista na Portaria Ministerial. Aliás, conforme inclusive admitido pela embargante, a matéria já foi objeto de debates por ocasião do julgamento, sendo descabidos, por falta de previsão legal, embargos de declaração para contrapor ou apresentar fundamentos de discordância em relação ao entendimento de outros Conselheiros a respeito da matéria. Quanto ao segundo tópico, verifico tratarse de pretensa alegação de equívoco e que diz respeito à matéria superada, visto que já foi devida e minuciosamente examinada e justificada, e em relação à qual não cabe discussão em sede de embargos por não ter ocorrido omissão, contrariedade ou obscuridade, cumprindo ressaltar que o quesito “f” a que se apega a embargante também esteve entre os argumentos que justificaram o desprovimento do recurso voluntário. De mais, ainda que viesse a se caracterizar a ocorrência de equívoco, não se trataria de hipótese de embargos, por não estar tal recurso previsto para situações de equívocos, matéria típica de erro de direito. A última questão respeita à alegação de omissão no Acórdão quanto à matéria pertinente à cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em relação à qual a embargante alega falta de fundamentação legal. Em relação a essa matéria vejo que, efetivamente, houve omissão no Acórdão, visto que o recurso voluntário abordava especificamente esse ponto (fls. 229/234). Por essa razão entendo devam ser acolhidos em parte os embargos, para que haja a devida apreciação. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 3202000.072 S3C2T2 Fl. 730 4 Por ocasião do recurso voluntário, a contribuinte alegou que a Portaria MF no 370/88 que dispõe sobre a exigência de juros sobre multa não tem suporte legal, visto ter se baseado nas disposições dos §§ 4o e 9o do art. 5o do Decretolei no 1.704/79, do art. 16 do Decretolei no 2.323/87, do art. 6o do Decretolei no 2.331/87, do art. 11 do Decretolei no 2.470/88, do art. 2o do Decretolei no 2.477/88 e dos arts. 2o e 3o da Lei no 7.683/88, que não autorizam o cálculo de juros sobre o valor das multas. Aduziu também que o art. 59 da Lei no 8.383/91 determina que os juros de mora devem ser calculados apenas sobre o valor do tributo ou contribuição, devidamente corrigido. E acrescenta que da mesma forma dispõe o art. 61 da Lei no 9.430/96, entendendo que os débitos, exceto as multas, estão sujeitos aos juros moratórios. A base legal contida no Auto de Infração para a exigência dos juros de mora foi o art. 61 da Lei no 9.430/96, não estando, pois, em discussão, por estranha aos autos, a legislação anterior pertinente a acréscimos legais citada pela recorrente. A questão não comporta maiores discussões. Vêse que a exigência de juros moratórios sobre débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, nesses incluídas as multas, é matéria já prevista em lei antes da vigência do art. 61 da Lei no 9.430/96. Com efeito, o § 5o do art. 84 da Lei no 8.981/95 já estabelecia que, verbis: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1o de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) § 5o Em relação aos débitos referidos no art. 5o desta Lei incidirão, a partir de 1o de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração.” (destaquei) O art. 5o a que se refere essa norma tinha a seguinte redação, verbis: “Art. 5o Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores ocorrerem até 31 de dezembro de 1994, inclusive os que foram objeto de parcelamento, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real com base no valor desta fixado para o trimestre do pagamento.” (destaquei) Como visto acima, o caput do art. 84 da Lei no 8.981/95 estabeleceu a exigência de juros de mora apenas sobre os tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos, relativamente a fatos geradores que viessem a ocorrer a partir de 1o/1/95. No entanto, o § 5o desse mesmo artigo determinou a cobrança dos juros de mora a partir de 1o/1/95, no percentual de 1% ao mêscalendário ou fração sobre débitos de qualquer natureza para com a Fazendas Nacional – aqui compreendidas as multas – para os fatos geradores ocorridos até 31/12/94. Para esses mesmos fatos geradores sobreveio o art. 30 da Lei no 10.522/2002 (decorrente da Medida Provisória no 1.62131/98), que determinou a Fl. 730DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 3202000.072 S3C2T2 Fl. 731 5 incidência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic a partir de 1o/1/97, quando não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31/8/951. Para os fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1995 e 1996 não houve previsão legal para a cobrança dos juros moratórios sobre multas de ofício. Nesse período, os juros de mora incidem somente sobre os tributos e contribuições pagos a destempo. A exigência dos juros sobre multas veio a ser consagrada definitivamente com a superveniência do art. 61 da Lei no 9.430/96, que estabeleceu, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (destaquei) (...) § 3o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Esse dispositivo de lei foi abrangente ao dispor sobre a exigência de juros de mora sobre os débitos para com a União, diferentemente do que previa a lei anterior, que estabelecia a exigência dos juros moratórios sobre os tributos e contribuições. E ao se referir sobre a cobrança desses acréscimos sobre os débitos para com a União, a norma estabeleceu a obrigatoriedade da exigência desses gravames sobre quaisquer débitos, do que decorre, por óbvio, a sua exigência sobre multas de ofício. Dispondo sobre a matéria o Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002) foi taxativo em seu art. 663 ao destacar a exigência dos juros moratórios sobre as multas de ofício (ratificado no art. 748 do vigente Regulamento Aduaneiro – Decreto no 6.759/2009), verbis: “Art. 663. Os débitos, inclusive as multas de ofício, decorrentes dos tributos e contribuições de que trata este Decreto, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de juros de mora, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Lei no 9.430, de 1996, arts. 5o, § 3o e 61, § 3o). Parágrafo único. Aplicamse, a partir de 1o de janeiro de 1997, os juros de mora calculados na forma do caput, aos débitos de qualquer natureza, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, e que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, inclusive os 1 “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 3202000.072 S3C2T2 Fl. 732 6 inscritos em Dívida Ativa da União (Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, art. 30).” De outra parte, a exigência de juros sobre crédito tributário correspondente a multa isolada está expressamente prevista no parágrafo único do art. 43 da Lei no 9.430/96. A legislação é clara e inequívoca quanto à existência de normas legais que estabelecem a exigência dos juros moratórios sobre as multas componentes de débitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de 1o/1/97 e a fatos geradores ocorridos até 31/12/94, estes nos termos ali indicados. E tal entendimento está estribado no princípio da razoabilidade preconizado pelo art. 2o da Lei no 9.784/99 e em regras básicas de relacionamento da União com os contribuintes, visto que: a um, em obediência ao disposto no art. 167 do CTN, nas restituições de tributos cabem juros de mora inclusive sobre as multas pagas indevidamente; e a dois, para evitar o locupletamento ilícito decorrente da falta de pagamento de juros moratórios durante o decurso do processo fiscal administrativo. Ao final, cumpre ressaltar que a matéria já foi objeto do Parecer MFSRF/Cosit/Coope/Senog no 28, de 2/4/98, que concluiu exatamente no sentido de que desde 1o/1/97 as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial Selic, desde que estejam associadas: a) a fatos geradores ocorridos a partir de 1o/1/97 e b) a fatos geradores que tenham ocorrido até 31/12/94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31/8/95. Por isso que, em tendo o fato gerador de que trata este processo ocorrido em 20/4/99, data do registro da correspondente declaração de importação, as multas decorrentes dessa importação estão sujeitas aos juros moratórios previstos na legislação citada. Diante de todo o exposto, acolho em parte os embargos para, em relação à parte acolhida, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 11/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10070.002567/90-15
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 1992
Ementa: REFLEXO - Estende-se ao processo de reflexo a decisão no processo matriz do qual decorre.
Numero da decisão: 103-12.460
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR Provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Sonia Nacinovic
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Recorrida : DELEGADOv DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO - RJ REFLEXO - Estende-se ao proces so de reflexo a decisão no pro cesso matriz do qual decorre. Vistos, relatados e discutidos'os preséntès autós de recurso interposto por CABRAL E CALVANO COMÉRCIO DE FRUTAS LTDA., ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Cal selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR Provi - mento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em 25 de junho de 1992 D R : ' OD' 01"-\EUBER -- PRESIDENTE a, • aciarn- — ONIA AiINOVIi - RELATORA • w VISTO EM ZA HOLAND BRAG - PROCURADOR DA FAZENDA-,NA SESSÃO DE: 23 JU1 1992 CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, ILCENIL FRANCO e DíCLER DE ASSUNÇÃO. Ig? À DAMEFP/DF- SECO& N t 064/90 , A.AMN. 47:10."1- SERVIÇO P1:111LICO FEDERAL pRocceso lew 10070/002.567/90-15 RECURSON9: 65.289 ACORDAONE : 103-12.460 RECORRENTE: CABRAL E CALVANO COMÉRCIO DE FRUTAS LTDA. RELATÓRIO O presente processo é reflexo do Auto de Infração la vrado contra a mesma empresa protocolado sob o n2 10070/002.564/90-16 cujo recurso recebeu neste Conselho o n2 99.982, e foi objeto de aprovação por esta Câmara na sessão de 23 de junho de 1992 tendo lhe sido dado provimento tudo conforme o Acórdão n 2 103-12.388 juntado por cópia A fls. Decorre o presente Recurso do Auto de Infração lavra do contra a emrpesa, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídi- ca, onde foi verificado e apurado omissão de receitas operacio - nais, compensaçáo indevida de prejuízos apurados em 1984, exerci cio de 1985, ocasião quando a Contribuinte tinha optado pela tri butação na base do lucro presumido, ocasionando, assim ,redução' do lucro liquido, caracterizado como distribuição de valores aos sOcios, e, desta forma, consoante o art. 8 2 do Decreto 2.065/83, tributado exclusivamente na fonte, tendo sido intimado a reco- lher 25% de IRF de acordo com o supracitado artigo. A empresa impugnou a exigência à fls. 08, dizendo des conhecer •..as notas fiscais de compras relacionadas em termo de di ligencia, que não foram tais compras por ela efetuadas, solici .1 DARAEFP/Df - !ECOEI N e 043/110 SEfIVIÇO PUBUCO FEDERAL Processo n 2 10070/002.567/90-15 03. Acórdão n 2 103-12.460 tando que se julgue o auto de infração Matriz e os decorrentes,co mo improcedentes. Informado A fls. 12 e 14, subiu o processo A apreciação da Autoridade Singular que indeferiu a impugnação apresentada, acom panhando o que decidira no processo Matriz, conforme Decisão à fls. 17 e 18. Notificada desta decisão em 05.03.1991 conforme AR às fls. 19 verso, em 19.03.1991, a empresa interpôs contra ela o re.- curso de fls. 20 a 21, requerendo fosse o processo apreciado em con formidade com as razões de defesas apresentadas no processo matriz, que terá seu recurso provido, e julgado o processo insubsistente,tor nandó-o extinto, tornando desnecessária a discussão do presnte, por se tratar de tributação reflexa. É o relatório. 1J-4-91-1);15LArnerth° 'minium ~coai . . SERVIÇO PUSLICO FEDERAL Processo n 2 10070/002.567/90-15 04. Acórdão n 2 103-12.460 VOTO Conselheira SONIA NACINOVIC, Relatora O recurso foi interposto com guarda do prazo regulamen- tar. Trata-se de processo de reflexo. No processo matriz,foi dado provimento total, conforme o Acórdão n 2 103-12.388 juntado por cópia A fls. A referida decisão reflete-se também neste processo der, corrente. À vista do exposto, e do mais que do processo consta,co nheço o recurso, por tempestivo.e, no mérito, nego provimento para' manter a tributação deste lançamento assim como a pelnalidade agra- vada. É meu voto. Brasília-DF, 25 de junho de 1992 — ONIA g áNOVIC - RELATORA Imprensa Nacional • e. Page 1 _0046700.PDF Page 1 _0046900.PDF Page 1 _0047100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.006392/2005-09
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADES DE PUBLICIDADE E DE PROPAGANDA. REPOSIÇÃO DE MERCADORIAS EM SUPERMERCADOS.
Comprovado que a recorrente é sociedade que se dedica a atividades relacionadas à reposição de mercadorias em gôndolas e prateleiras de supermercados - executando, dentre outras, ações de colocação de material de merchandising produzido por terceiros -, não cabe falar em seu desenquadramento junto ao Simples Federal, sob argumento de que seu objeto é subsumível ao ramo de publicidade e propaganda, exercido pelas agências de publicidade e de propaganda (inclusive ramo de criação), vedado aos optantes pelo regime simplificado.
Numero da decisão: 1101-000.724
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR
Relator
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADES DE PUBLICIDADE E DE PROPAGANDA. REPOSIÇÃO DE MERCADORIAS EM SUPERMERCADOS. Comprovado que a recorrente é sociedade que se dedica a atividades relacionadas à reposição de mercadorias em gôndolas e prateleiras de supermercados executando, dentre outras, ações de colocação de material de merchandising produzido por terceiros , não cabe falar em seu desenquadramento junto ao Simples Federal, sob argumento de que seu objeto é subsumível ao ramo de “publicidade e propaganda”, exercido pelas agências de publicidade e de propaganda (inclusive ramo de criação), vedado aos optantes pelo regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 63 92 /2 00 5- 09 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório O contribuinte acima qualificado, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 027, de 01.02.2008 (fl. 12), foi excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Federal, com efeitos a partir de 01.07.2005, por incorrer, supostamente, na vedação prevista pelo artigo 9º, incisos XII e XIII, da Lei n° 9.317/96 – ou seja, por alegadamente realizar operações relativas a propaganda e publicidade, e por prestar serviços profissionais de produtor de espetáculos, administrador, publicitário ou assemelhados. A exclusão do Simples Federal foi fundamentada no artigo 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96, com a redação dada pelo artigo 33 da Lei n° 11.196/05, combinado com o art. 50, XXXVI, da Constituição Federal. Regularmente intimada por via postal (AR recebido em 27.02.2008, à fl. 14), a interessada, por intermédio de seu representante legal (instrumento de mandato à fl. 15), apresentou, tempestivamente, em 24.03.2008, a manifestação de inconformidade de fls. 19/28, instruída com os documentos de fls. 29/66, cujo teor é sintetizado a seguir: conquanto do exame de seu contrato social (fls. 05/07) se constate a existência de um rol de atividades, somente aquela preponderante há de ser relevada, para efeitos de enquadramento no regime do Simples Federal. A atuação do contribuinte se cinge a serviços de reposição de produtos em supermercados e estabelecimentos comerciais, modalidade esta discriminada no CNAE sob a rubrica 82997/99 (atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente). Nos contratos firmados com seus clientes, constam as atividades efetivamente exercidas, de reposição dos produtos nas gôndolas, limpeza e arrumação dos produtos e posicionamento dos produtos em linha com número de frentes permitidas pela loja ou conforme acordado com seus clientes. Constam das notas explicativas da Comissão Nacional de Classificação – Concla que, no CNAE 82997/99, estão compreendidas as Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10980.006392/200509 Acórdão n.º 1101000.724 S1C1T1 Fl. 3 3 atividades de apoio à empresas e excluídas aquelas de mãodeobra, o que reitera a compatibilidade da atividade preponderante com o regime das microempresas; os contratos e as notas fiscais atinentes aos serviços prestados corroboram tal entendimento, eis que discriminam serviços de reposição de mercadorias. A exclusão operada sustentouse em presunção do Fisco, resultante da análise abstrata do objeto social e dos comandos normativos pertinentes. Não pode a empresa ser penalizada em virtude de imperfeições formais, cujo efeito prático é, tãosomente, dissociar sua realidade fática do objeto social registrado na Junta Comercial. Não se cuida de exercício que extrapola as finalidades ali definidas, mas, ao revés, da prática de atividades mais restritas do que aquelas inicialmente previstas. A existência, no objeto social, de atividades não exercidas no cotidiano da empresa já se encontra regularizada perante a Junta Comercial do Paraná, conforme faz prova o contrato social que junta aos autos; eventual exclusão perante o Simples Federal afrontaria os objetivos das alterações legislativas operadas no país desde o final da década de 70. A Constituição de 1988 conferiu à União, aos Estados e aos Municípios o dever de estabelecer regime jurídico diferenciado, de forma a incentivar as microempresas, simplificando obrigações de diferentes naturezas, notadamente as tributárias. A reconsideração do ato que determinou a exclusão do Simples Federal é condição sine qua non para a continuidade da sua atividade empresarial. A imensidão de exigências e, sobremaneira, de tributos, a que passaria a se sujeitar o contribuinte, dispensa maiores digressões. É sabido o aperfeiçoamento da capacidade arrecadatória lograda pelo Fisco nos últimos tempos, mas tais resultados não podem ser vislumbrados como objetivos primordiais, sob pena de inviabilizar a atividade produtiva e redundar em efeitos diametralmente opostos àqueles que inspiraram o legislador; a atuação da empresa se limita à reposição de produtos em supermercados e estabelecimentos comerciais, atividade esta que, ao contrário das demais, foi mantida no objeto social da pessoa jurídica, vez que se coaduna com o regime do Simples Federal; sequer se permite cogitar que a colocação de cartazes junto aos produtos, quando da reposição, poderia ser interpretada como atividade publicitária, eis que tais expedientes não se dissociam da atividade de reposição dos produtos. É cada vez mais presente entre os fabricantes a preocupação com a exposição dos produtos, o que além de embelezar em si, contempla também a disposição dos mesmos, a forma como são organizados e apresentados ao consumidor final. Tal atenção, contudo, não pode ser considerada como atividade publicitária em essência, pois é parte integrante da reposição de produtos; tampouco é possível enquadrar a atividade empresarial do sujeito passivo com a produção de espetáculos, pois estas envolvem a organização de eventos voltados à divulgação de produtos, o que em nada se relaciona com as atividades da empresa. Não há administração ou gestão de mãodeobra de terceiros, pois todos os envolvidos na atividade são funcionários próprios, que não exercem poderes de mando e gestão em relação aos empregados dos contratantes. De igual sorte, não se trata de cessão ou locação de mãodeobra, tendo em vista que a atuação do corpo de agentes da empresa não sofre qualquer interferência por parte dos contratantes. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 A manifestação de inconformidade apresentada foi indeferida pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba / PR, consoante entendimento assim ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTESIMPLES Anocalendário: 2005 ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade realização de operações de merchandising, por assemelharse à profissão de publicitário, estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida.” Cientificada do aresto em 15.06.2009 (fl. 77), a recorrente interpôs Recurso Voluntário a este colegiado (fls. 80 e ss.), em 14.07.2009, reiterando os argumentos de primeira instância e focando: i) na impossibilidade de o Fisco presumir que o sujeito passivo praticou atividades incompatíveis com o Simples Federal, já que as provas acostadas aos autos denotam exercício exclusivo de reposição de produtos em supermercados; e ii) na inviabilidade de a empresa da recorrente ser caracterizada como atividade de “publicidade e propaganda”, dado que o material de merchandising acondicionado nos pontos de venda era produzido por terceiros. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O contribuinte insurgente foi desenquadrado do Simples Federal, a partir de 01.07.2005, por intermédio do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 027, de 01.02.2008 (fl. 12), em virtude de, aventadamente, exercer atividades passíveis de subsunção ao tipo das “operações relativas a publicidade e propaganda e assemelhados” – objeto este vedado aos optantes pelo regime simplificado, a teor do artigo 9º, inciso XII, alínea “d”, e inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, verbis: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10980.006392/200509 Acórdão n.º 1101000.724 S1C1T1 Fl. 4 5 “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XII que realize operações relativas a: (...) d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)” (g.n.) A fim de descaracterizar as atividades que desempenha, in concreto, como serviços publicitários ou similares, o contribuinte juntou aos autos instrumentos contratuais celebrados com seus clientes, por meio dos quais restavam arroladas as atividades prestadas no âmbito dessas relações prestacionais – todas elas, no que se dessume da redação dos documentos, atreladas apenas à reposição de produtos em gôndolas e prateleiras de supermercados e de outros estabelecimentos varejistas. Pois bem. Consoante a melhor jurisprudência, a verificação da prática de atividades proibidas ao enquadramento na sistemática do Simples Federal demanda o estudo, caso a caso, dos reais e efetivos préstimos desenvolvidos pela sociedade. Para fins de exclusão do contribuinte, não basta, portanto, a superficial leitura da descrição do objeto social encartada aos atos constitutivos da requerente, eis ser possível que a fórmula redacional adotada não cerre, necessariamente, correspondência com a realidade fática. A perscrutação dos contratos celebrados entre a peticionária e seus clientes deixa evidente que os serviços prestados por aquela não são, de fato, típicos do trabalho intelectual de publicidade e propaganda. Atividades como as de “reposição dos produtos nas gôndolas”, “limpeza e arrumação dos produtos”, “posicionamento dos produtos em linha com número de frentes permitidas pela loja”, “retirada dos produtos danificados” e “verificação das datas de validade dos produtos expostos nas prateleiras e retirada dos produtos vencidos” não são, claramente, ínsitas aos objeto das agências publicitárias e propagandistas. A “colocação de material de merchandising, como cartazes e faixas de gôndolas, com aprovação prévia dos clientes e dos supermercados”, por sua vez, só poderia ser interpretada como de natureza publicitária, para fins de desenquadramento do contribuinte perante o Simples Federal, se a própria recorrente desempenhasse o labor criativo inerente à profissão telada – o que, no caso, não está demonstrado, por qualquer forma, pelo Fisco. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 Decerto, segundo bem dispôs o aresto recorrido, parece que a contratação de repositores de mercadorias em gôndolas e prateleiras se justifica somente sob certas condições. Não se pode afastar, da equação, algum escopo de promoção das mercadorias junto aos consumidores finais, mediante emprego de ações e técnicas de merchandising – inclusive aposição de material promocional. Isso não significa, no entanto, que os préstimos realizados pela interessada possam ser equiparados àqueles desenvolvidos pelos publicitários, voltados a criar e a gerir estratégias mais ou menos complexas de direcionamento de demanda e de incremento do valor percebido dos produtos pelo mercado consumidor. Reiterese: inexistem provas de que a autuada realize atividade outra que não a da mera reposição de mercadorias em gôndolas e prateleiras de estabelecimentos varejistas. Não há motivos para se imaginar que as reles “ações de marketing” executadas pela excluída – em verdade, segundo constante dos contratos cotejados aos autos, adstritas somente à “colocação de material de merchandising, como cartazes e faixas de gôndolas, com aprovação prévia dos clientes e dos supermercados”, no momento da reposição das mercadorias – não sejam, na verdade, fruto de serviço intelectual de propaganda e de publicidade desempenhado por terceiros (estes, sim, promotores das mercadorias nos respectivos pontos de venda). Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para nulificar o ADE que determinou a exclusão da recorrente junto ao Simples Federal. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 10930.002910/2003-31
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Data do fato gerador: 16/04/1998
SIMPLES. EXCLUSÃO.ATIVIDADE VEDADA. INEXISTÊNCIA.
Comprovado que a recorrente não pratica atividade típica ou assemelhada às de engenheiro e de técnico, cujas profissões dependem de habilitação profissional legalmente exigida, deve ser incluída no SIMPLES.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.018
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do veto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 16/04/1998 SIMPLES. EXCLUSÃO.ATIVIDADE VEDADA. INEXISTÊNCIA. Comprovado que a recorrente não pratica atividade típica ou assemelhada às de engenheiro e de técnico, cujas profissões dependem de habilitação profissional legalmente exigida, deve ser incluída no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:12:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:12:44Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:12:44Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:12:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:12:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:12:44Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:12:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:12:44Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:12:44Z; created: 2009-09-30T11:12:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-30T11:12:44Z; pdf:charsPerPage: 1378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:12:44Z | Conteúdo => S3-C1T2 • Fl. 222 • MINISTÉRIO DA FAZENDA 51' • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10930.002910/2003-31 Recurso n° 137.154 Voluntário Acórdão n° 3102-00.018 — 1" Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2009 Matéria SIMPLES - INCLUSÃO Recorrente JAIME DE LIMA GERALDO JUNIOR ME Recorrida DRJ - CURITIBA/PR ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 16/04/1998 SIMPLES. EXCLUSÃO.ATIVIDADE VEDADA. INEXISTÊNCIA. Comprovado que a recorrente não pratica atividade típica ou assemelhada às de engenheiro e de técnico, cujas profissões dependem de habilitação profissional legalmente exigida, deve ser incluída no SIMPLES. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do veto do relator. _ M R IA H LE ' AJANO DAMORIM - Presidente LUCIANO LOPE*. BE EIDA MORAES — R -lator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o processo de pedido da empresa, protocolizado em 28/05/2003, fl. 1, de inclusão retroativa da empresa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, a partir de 16/04/1998, data da sua constituição. 2.A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário - Sacat da DRF em Londrina/PR, emitiu o Despacho decisório, fls. 20/21, e indeferiu o pedido, porque urna das atividades da requerente, consultoria, enquadra-se em hipótese de vedação à opção pelo Simples, art. 9', XIII da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996. Cientificada em 01/07/2003, fl. 23, a interessada, em 14/07/2003, tempestivamente, interpôs a manifestação de inconformidade de fl. 24, em que alega que o termo consultoria utilizado para definir a atividade desenvolvida seria no sentido de manutenção, reparação e instalação de máquinas de informática, que realmente executa; afirma que o objetivo social da empresa correto é: comércio varejista e manutenção e reparação e instalação de máquinas de informática, sendo que está providenciando a devida alteração na Junta Comercial. À vista dos argumentos, foi solicitada a diligência de fl. 33, realizada pela DRF em Londrina/PR às fls. 35/56. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 12.349, de 29/09/06, fls. 64/68, assim ementada: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador.. 16/04/1998 ATIVIDADE VEDADA. A pessoa jurídica que exerce atividades típicas ou assemelhadas às de engenheiro e de técnico, cujas profissões dependem de habilitação profissional legalmente exigida, tais como elaboração de projetos de infra estrutura de lógica, telefonia, comunicação e segurança e respectiva instalação em edificações, com ou sem fornecimento de materiais, é impedida de ingressar no Simples. Solicitação Indeferida. Às fls. 70 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 72, tendo sido dado seguimento ao recurso interposto. 2 Processo n° 10930.002910/2003-31 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.018 Fl. 223 Iniciado o julgamento, este foi convertido em diligência, para fins de apurar a atividade exercida pela recorrente, fls. 75/78. Realizada a diligência, fls. 82/219, retornam os autos para julgamento. É o Relatório. 3 . , Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator Dos autos se verifica estar em discussão gira em torno da possibilidade do recorrente estar no SIMPLES. O contribuinte alega que sua atividade não é vedada, juntando notas fiscais que comprovam sua alegação, mas também algumas que deixam margem à dúvida. A fiscalização primeiro negou o ingresso no SIMPLES sob alegação de que a atividade exercida seria de consultoria. Após, a DRJ nega a inclusão alegando que a atividade exercida seria de analista de sistemas, atividade dependente de profissão legalmente habilitada. A diligência realizada comprova que o recorrente não pratica qualquer atividade vedada para ingresso no SIMPLES, motivo pelo qual é de ser dado provimento ao recurso interposto. Neste sentido, fls. 218: Nas diligências efetuadas no domicilio do contribuinte, contata- se que se trata de uma pequena empresa, não sendo encontrado funcionário trabalhando, somente o proprietário. Também não havia instalações (mesas, equipamentos, instrumentos, etc) comuns em empresas que desenvolvem projetos. Antes o exposto, voto por • ar provimento ao recurso interposto para fins de afastar a atividade realizada como impedii va de ingresso no SIMPLES, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOPES 'IDA MORAES 4
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Numero do processo: 15983.000109/2005-11
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/01/2004
DECADÊNCIA. PRAZO.
A decadência conta pelas regras do parágrafo quarto do art. 150 e do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. Existindo pagamento aplica-se o 4º do art. 150 do CTN, inexistindo incide a regra do art. 173 do CTN. No caso presente afastou-se a decadência com base em ambas as regras em razão da constatação de pagamentos para os fatos geradores do período de apuração de 03/1999 a 10/1999 e 12/1999 a 08/2000, e, quanto ao período de apuração de 01.11.1999 a 30.11.1999, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 15.09.2005, quando já exaurido o prazo fixado pelo art. 173.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3403-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/01/2004 DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência conta pelas regras do parágrafo quarto do art. 150 e do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. Existindo pagamento aplica-se o 4º do art. 150 do CTN, inexistindo incide a regra do art. 173 do CTN. No caso presente afastou-se a decadência com base em ambas as regras em razão da constatação de pagamentos para os fatos geradores do período de apuração de 03/1999 a 10/1999 e 12/1999 a 08/2000, e, quanto ao período de apuração de 01.11.1999 a 30.11.1999, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 15.09.2005, quando já exaurido o prazo fixado pelo art. 173. Recurso de Ofício Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/01/2004 DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência conta pelas regras do parágrafo quarto do art. 150 e do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional. Existindo pagamento aplicase o 4º do art. 150 do CTN, inexistindo incide a regra do art. 173 do CTN. No caso presente afastouse a decadência com base em ambas as regras em razão da constatação de pagamentos para os fatos geradores do período de apuração de 03/1999 a 10/1999 e 12/1999 a 08/2000, e, quanto ao período de apuração de 01.11.1999 a 30.11.1999, considerando que a ciência do auto de infração ocorreu em 15.09.2005, quando já exaurido o prazo fixado pelo art. 173. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 09 /2 00 5- 11 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício em decorrência do reconhecimento da perda do direito da constituição do crédito tributário dos fatos geradores do período de apuração de 01.03.1999 a 31.08.2000. Não há interposição de Recurso Voluntário, às fls. 413/414 o contribuinte fez juntar cópia de DARF indicando tratarse de pagamento com os benefícios da Lei nº 9.941/2009. Em sendo assim, a matéria trazida no bojo deste caderno se restringe ao reconhecimento da decadência do direito quanto aos fatos geradores do período de apuração de 01.03.1999 a 31.08.2000. É o relatório Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. O Acórdão não merece qualquer reparo. Andou bem a Autoridade Julgadora de Piso ao aplicar ao caso concreto as duas regras da decadência codificada no CTN, a primeira quanto aplicação do parágrafo quarto do art. 150 e a segunda do art. 173 do mesmo Diploma Legal. Constatase do sistema “SINAL08” (fls. 352/371 e 380) existência de pagamento relativo aos fatos geradores do período de apuração de 03/1999 a 10/1999 e 12/1999 a 08/2000, inexistindo acusação de dolo, fraude ou simulação, correta aplicação da regra do § 4º, do Art. 150 do CTN. Em relação ao débito do período de apuração 01.11.1999 a 30/11/1999, tendo a contribuinte ciência auto de infração em 15 de setembro de 2005, constatada a perda do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito pela norma do art. 173 do CTN. O julgado de piso encontra em consonância com a jurisprudência forense norteadora do deslinde da questão, o relevante aqui é que, por força do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, seus órgãos de julgamento estão adstritos ao que o E. Superior Tribunal de Justiça decidir em sede de recurso especial representativo de controvérsia. Pois este é exatamente o caso. Aplicando a sistemática do artigo 543C, do CPC, ao recurso especial no 973.733, o E. STJ fixou orientação segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial de que o Fisco dispõe para constituir créditos adicionais aos reconhecidos pelo sujeito passivo regese pelo disposto no artigo 150, §4o do CTN somente nas hipóteses em que houve pagamento antecipado. Confira se: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15983.000109/200511 Acórdão n.º 3403002.478 S3C4T3 Fl. 4 3 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).”(REsp nº 973.733, 1ª Seção, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 12.08.2009) Com essas considerações, impõe aplicação da orientação do STJ. Diante do exposto, conheço do Recurso de Ofício e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13971.901882/2010-77
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
Ementa:
RESULTADO DE JULGAMENTO - ERRO - RETIFICAÇÃO
O resultado de julgamento deve refletir os termos da decisão proferida na sessão de julgamento. Constatado erro na formalização do resultado de julgamento, o mesmo deve ser retificado. Caso o erro traga dúvida quanto aos termos do julgamento proferido pelo Colegiado, o mérito deve ser novamente analisado. Matéria discutível em sede de embargos de declaração.
FORNECEDOR OPTANTE DO SIMPLES. IPI. DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA
Impossível ao adquirente creditar-se de IPI quando de aquisição de insumos fornecidos por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIPI/2002 (Decreto 4.544/02).
PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ.
Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta.
Embargos de Declaração Acolhidos e Providos
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3302-002.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento,pelo voto de qualidade, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que reconheciam o direito ao crédito nas aquisições de óleo lubrificante. Designado a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Redatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE JULGAMENTO - ERRO - RETIFICAÇÃO O resultado de julgamento deve refletir os termos da decisão proferida na sessão de julgamento. Constatado erro na formalização do resultado de julgamento, o mesmo deve ser retificado. Caso o erro traga dúvida quanto aos termos do julgamento proferido pelo Colegiado, o mérito deve ser novamente analisado. Matéria discutível em sede de embargos de declaração. FORNECEDOR OPTANTE DO SIMPLES. IPI. DIREITO AO CRÉDITO - INEXISTÊNCIA Impossível ao adquirente creditar-se de IPI quando de aquisição de insumos fornecidos por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIPI/2002 (Decreto 4.544/02). PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento,pelo voto de qualidade, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que reconheciam o direito ao crédito nas aquisições de óleo lubrificante. Designado a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Redatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: RESULTADO DE JULGAMENTO ERRO RETIFICAÇÃO O resultado de julgamento deve refletir os termos da decisão proferida na sessão de julgamento. Constatado erro na formalização do resultado de julgamento, o mesmo deve ser retificado. Caso o erro traga dúvida quanto aos termos do julgamento proferido pelo Colegiado, o mérito deve ser novamente analisado. Matéria discutível em sede de embargos de declaração. FORNECEDOR OPTANTE DO SIMPLES. IPI. DIREITO AO CRÉDITO INEXISTÊNCIA Impossível ao adquirente creditarse de IPI quando de aquisição de insumos fornecidos por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIPI/2002 (Decreto 4.544/02). PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos Recurso Voluntário negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 18 82 /2 01 0- 77 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento,pelo voto de qualidade, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto que reconheciam o direito ao crédito nas aquisições de óleo lubrificante. Designado a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, nos termos do artigo 11 da Lei no 9.779/99, recolhido no 4o Trimestre de 2007, cumulado com pedidos de compensação, deferidos parcialmente. Em resumo, a glosa dos crédito se deu em virtude de a fiscalização concluir (i) pela impossibilidade de crédito no caso de compras de empresas situadas no SIMPLES e (ii) pelo entendimento de que peças e lubrificantes não se enquadram no conceito de MP, PI e ME por não integrarem o produto final e não serem consumidos no processo produtivo. Por retratar a realidade dos fatos transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de fls. 49/50 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 204.656,44 referente ao 4º trimestre de 2007, pertencente à filial 0003, reconheceu a parcela de R$ 201.037,08, e, conseqüentemente, homologou as compensações vinculadas ao presente processo até o limite do crédito deferido. Conforme Informação Fiscal de fls. 51/53, o pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa, em razão de ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos, referentes a aquisições de matérias primas junto a fornecedores optantes pelo Simples e de mercadorias que não integram o produto final e nem se consomem no processo produtivo. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 188 3 Inconformada com a decisão administrativa, a requerente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 02/14, instruída com os documentos de fls. 15/53, alegando, em síntese, que: 1. Apesar das empresas optantes do Simples não poderem destacar o imposto na nota fiscal, conforme cópia em anexo, na nota fiscal indicada pela fiscalização constou o valor do IPI, o qual foi incluído normalmente no custo das mercadorias. Quem arcou com o ônus financeiro do IPI destacado indevidamente foi a Teka, assim, nos termos da art. 166 do CTN, a ela compete a restituição de referidos valores. Além do mais, a empresa não teria como saber que tal empresa se enquadrava na condição de optante pelo Simples, não podendo ser penalizada pelo imposto não repassado à Fazenda; 2. A partir do momento em que o IPI é um tributo sujeito ao princípio da não cumulatividade, surge para o contribuinte o direito de pagar este imposto apenas sobre o valor acrescido em cada etapa da cadeia de industrialização, e não sobre o valor dos próprios insumos, bens, produtos e serviços por ele adquiridos e utilizados; 3. Notase que, ao contrário do ICMS, o legislador constitucional não estipulou as restrições ao crédito em se tratando de produto isento. Assim sendo, mesmo que, de fato, não incidisse qualquer IPI no presente caso, ainda assim o crédito seria possível; 4. O lubrificante e as peças de máquinas utilizados na industrialização (pente, óleo molikote, fita recartilhada, guarnição e esteira fibra) estão abrangidos no conceito de produto intermediário, porque, embora não se integrem ao novo produto, foram consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização destes, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, devendo ser incluídos no cômputo dos créditos do IPI; 5. Sem o óleo utilizado para lubrificar as máquinas, simplesmente não há como fabricar os produtos a serem comercializados, pois o maquinário não funciona. Ou seja, as atividades produtivas da empresa restam inviabilizadas sem a utilização deste produto; 6. Com relação às peças de máquinas (pente, fita recartilhada, guarnição e esteira fibra), a fiscalização não acatou o crédito mesmo tendo tais produtos contato direto com os insumos e produto final. As peças e partes de máquinas são consumidas pelo desgaste na produção, e sem os mesmos as atividades industriais da empresa não poderiam ser levadas a efeito; 7. Inclusive, este posicionamento de glosa do fisco mostrase contrário à orientação do STF, na qual conclui que o IPI, por exigência do princípio da não cumulatividade, é imposto que somente deve incidir sobre o valor agregado em cada nova operação industrial. Significa dizer, a condição à fruição do Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 crédito é, não a utilização direta do insumo na industrialização do bem produzido pelo contribuinte, mas sim a agregação de valor aos insumos adquiridos pela empresa; 8. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em situações relativas a crédito presumido do IPI, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreço, já reconheceu o direito ao crédito do IPI considerando como produtos intermediários, aqueles que forem consumidos no processo de industrialização. Por fim, requer a reforma do despacho decisório proferido.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente em sua impugnação, a 8a Turma da DRJ/RPO, proferiu o acórdão no 1434.912 (fls. 126/135), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos (insumos) de empresas optantes pelo Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. INSUMOS NÃO APLICADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO. De acordo com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, somente os créditos decorrentes de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, podem ser objeto de ressarcimento. CRÉDITO GLOSADO. MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS. É correta a redução do valor de crédito de IPI, quando se constata créditos indevidos relativos a produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem no decorrer do processo de industrialização, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Irresignada, a Recorrente entendeu por bem apresentar recurso voluntário (fls. 138/170). Em 25 de julho de 2013, esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara analisou o recurso voluntário apresentado e proferiu o acórdão no 3302002.240 (fls. 174/181), o qual restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 189 5 Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Ementa: SIMPLES IPI DIREITO AO CRÉDITO INEXISTÊNCIA Não gera direito a crédito os insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Inteligência do §5o, artigo 5o da Lei 9.317/96 e artigo 118 do RIP/2002 (Decreto 4.544/02). PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CONCEITO. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, conceituamse como sendo aqueles que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Recurso Voluntário Negado.” – destaquei. Ao executar o acórdão a autoridade administrativa competente constatou a existência de contradição entre o voto desta Conselheira Relatora e o resultado de julgamento. Enquanto o primeiro entendia pelo provimento parcial para conceder crédito sobre o “óleo” utilizado como insumo, o segundo concluía pelo improvimento total do pleito do contribuinte. Em virtude da patente contradição entre o voto e o resultado do julgamento, o presidente desta turma acolheu os Embargos de Declaração e encaminhou a esta Relatora para análise e julgamento. É o relatório. Voto Vencido O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado o processo em análise trata de pedido de ressarcimento de IPI glosado em razão (i) de ter sido aproveitado crédito de compra da empresa Rafthel Industria e Comercio Ltda, CNPJ 85.371.243/000199, optante pelo SIMPLES bem como o custo com (ii) peças (pente, fita recartilhada, guarnições, esteira de fibra) e óleo molikote, que no entender da fiscalização não se enquadrariam no conceito de MP, PI e ME por não integrarem o produto final e não serem consumidos no processo produtivo. No resultado de julgamento consta que o recurso voluntário foi improvido “nos termos do voto da relatora”, todavia o voto da relatora foi para dar provimento parcial. A questão posta acaba por colocar em dúvida qual foi efetivamente o resultado do julgamento, razão pela qual coloco novamente as matérias objeto da lide em julgamento. (i) Dos Insumos Adquiridos de Empresas Optantes do SIMPLES Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 No tocante aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, não assiste razão à Recorrente. É cediço que a sistemática do SIMPLES é espécie de benefício fiscal por meio do qual os contribuinte sujeitamse a uma menor carga tributária. O recolhimento dos tributos é realizado por meio de alíquota única, e a receita repartida, por meio de determinados critérios, entre os entes tributantes. É hipótese de exceção de tributação. Por ser exceção, e do fato de os optantes do SIMPLES estarem fora do sistema ordinário de tributação, não se permite a concessão de crédito nos regimes regulares. Para exemplificar cito a Lei nº 9.317/96, que proíbe a transferência do crédito de IPI por empresa optante pelo SIMPLES, verbis: “Art. 5º... § 5º A inscrição no SIMPLES veda a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS”. A compreensão desta limitação é fácil, em troca do benefício fiscal de redução de alíquota, vedase o benefício fiscal. Além do fato de que as empresas do SIMPLES recolhem valores diferenciados a título de tributos federais e não possuem os livros contábeis de registro de créditos regulares. Neste aspecto também percebemos o Regulamento do IPI, implementado pelo Decreto nº 4.544/2002, que traz expressa vedação em seu artigo 118, vejamos: “Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto.” É de sumária nitidez que a empresa mencionada no autos, por estar sujeita à carga tributária diferenciada e privilegiada à época da venda para a Recorrente, está impedida de transferir qualquer tipo de crédito de IPI. Registro, ainda, que, a meu sentir, é irrelevante para esta conclusão, se a Recorrente entendia que a empresa não era optante do SIMPLES. Claramente não houve fraude ou má fé por parte da vendedora, no máximo poderseia alegar um mal entendido, e não há “direito adquirido” a crédito de ressarcimento. O que existe é o direito ao crédito em razão do preenchimento dos critérios objetivos previstos na lei. Logo, não é possível aproveitar o crédito decorrente dos insumos adquiridos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Registro que a avaliação da constitucionalidade dos dispositivos normativos citados não é de competência deste tribunal administrativo, razão pela qual deixo de apreciar alegações neste sentido. (ii) Dos Insumos Dos termos dos autos constatase a intenção da Recorrente em aproveitar crédito de IPI pelo uso de óleo molikote/ pente/ fita recartilhada/ guarnições/ esteira de fibra. Em relação a este assunto, insumos que conferem crédito no sistema não cumulativo de IPI, vale lembrar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 190 7 “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Pareceme que a conceituação é clara. O produto intermediário, para ser insumo na sistemática não cumulativa do IPI, tem que ser consumido no processo de industrialização, mas não precisa se integrar ao produto final. De qualquer forma, resta clara a impossibilidade de compor o ativo permanente. No caso em análise, pela sua própria utilização, não tenho dúvidas de que: o pente/ a fita recartilhada/ as guarnições/ a esteira de fibra, como dito pela própria Recorrente, compõe o maquinário da empresa e, conseqüentemente, seu ativo permanente. Logo, não é possível concederlhes crédito. Por outro giro, temse o óleo molikote. Cristalino que é totalmente consumido no processo produtivo do produto final e que não compõe o ativo permanente. Assim e, uma vez que o Recurso Repetitivo do STJ prevê que o insumo que não integra o produto final deve gerar crédito, entendo pela possibilidade de crédito neste particular. Ante o exposto, acolho os presentes Embargos de Declaração para o fim ratificar a decisão proferida no âmbito do Recurso Voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para conceder crédito sobre o “óleo” adquirido pela Recorrente, reformando assim o v. acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Voto Vencedor Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Redatora Tratase, na verdade, de Embargos de Declaração da DRF/BLU/SC (art. 65, § 1º, inciso V, do RICARF), acolhidos pelo presidente desta Turma, em face de constatação de existência de contradição entre a decisão proferida pela Turma de Julgamento no Acórdão nº 330202.240– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 25 de Julho de 2013, e a parte dispositiva do voto condutor do referido acórdão e por aquele encaminhados para análise e julgamento pela turma. A decisão do acórdão embargado foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, enquanto o voto condutor do acórdão embargado foi no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. Na impossibilidade de se saber qual foi efetivamente o resultado do julgamento realizado na sessão de 25 de Julho de 2013, devese acolher os embargos e Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 191 9 novamente colocar em pauta o recurso voluntário para nova apreciação das matérias objeto da lide. Como ressaltado no voto vencido, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual deve ser conhecido. Verificase que foram duas as matérias em lide trazidas para julgamento neste colegiado, a saber: (i) Glosa de Insumo Adquirido de Empresa Optante pelo SIMPLES (ii) Glosa de créditos básicos de IPI atinentes à peças (pente/ fita recartilhada/ guarnições/ esteira de fibra) e óleo molikote, que no entender da fiscalização não se enquadrariam no conceito de MP, PI e ME por não integrarem o produto final e não serem consumidos no processo produtivo. Passase à análise. (i) Insumo Adquirido de Empresa Optante pelo SIMPLES No tocante ao crédito decorrente da compra de insumo de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, concordo com a relatora no sentido de que não assiste crédito à Recorrente, pelos fundamentos aduzidos no voto vencido, os quais adoto e ratifico, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. (ii) Dos créditos básicos de IPI atinentes à peças (pente/ fita recartilhada/ guarnições/ esteira de fibra) e óleo molikote Relativamente aos créditos básicos decorrentes da aquisição de peças (pente/ fita recartilhada/ guarnições/ esteira de fibra) e óleo molikote, ouso discordar da relatora acerca de sua decisão em relação ao óleo molikote, concluindo pela impossibilidade desses créditos, consoante fundamentos postos a seguir. Sabese que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, conforme autorização legal contida no art. 164, inciso I, do RIPI/2002, repetido nos demais regulamentos, podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. A regra do art. 164, I do Regulamento do IPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) revela a expressa vedação à utilização de créditos do IPI oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa. De modo que, quanto à esta questão não resta maiores dúvidas. Neste sentido, relativamente à glosa do crédito decorrente da aquisição de peças (pente/ fita recartilhada/ guarnições/ esteira de fibra), concordo com a relatora quando assim decidiu: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 “No caso em análise, pela sua própria utilização, não tenho dúvidas de que: o pente/ a fita recartilhada/ as guarnições/ a esteira de fibra, como dito pela própria Recorrente, compõe o maquinário da empresa e, conseqüentemente, seu ativo permanente. Logo, não é possível concederlhes crédito” Entretanto, divirjo acerca da decisão da relatora no que atine ao crédito de IPI quando da aquisição de óleo molikote. Vejamos: De acordo com os esclarecimentos contidos no Parecer Normativo CST n° 65, de 1979: “4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. (...) 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos 'que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização', para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em 'incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários `stricto sensu', semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 192 11 função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida (...).”. Assim, diante da legislação tributária acima mencionada, é de se concluir que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos bens de uso e consumo que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo. É o que ocorre com os óleo molikote utilizado pela recorrente. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62 A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais , RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010), que assim prescreve: “Art. 62 A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. (Portaria MF nº 586/2010) O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias (artigo 543C, do CPC), apresenta a seguinte ementa: “EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De início, ressaltese que a matéria tratada em tal recurso repetitivo é idêntica à tratado no presente item da autuação, conforme se constata pela identificação feita pelo o relator em seu voto, o Sr. Ministro Luiz Fux : “O ponto nodal da atual controvérsia cingese à possibilidade de creditamento, a título de IPI, dos valores decorrentes da aquisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o produto final nem se desgastarem por ação direta física ou química , sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final”.(grifei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: “(...) A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: ‘... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização. Notese que a doutrina e a jurisprudência também adotam o conceito de crédito físico para reconhecer o direito ao creditamento’. (...). Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 193 13 o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. (...).”(grifei). Para fundamentar o posicionamento adotado em seu voto, o Min. Relator do Resp 1075508, Sr. Luiz Fux, faz transcrições e referências à diversos precedentes da Corte, dos quais, escolhese dois deles para se transcrever as ementas a seguir, inclusive um de sua própria autoria, visando melhor compreensão do que foi decidido no Resp 1075508, representativo de controvérsia: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. DECRETO 2.637/98. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 49, DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. 1. É vedada a utilização de créditos do IPI, oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização, consoante a ratio essendi do artigo 147, inciso I, do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que estabelecia que, entre as matérias primas e produtos intermediários, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluíamse "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 2. In casu, pretende a recorrente o creditamento de IPI relativo à aquisição de bens de uso e consumo, tais como material de expediente, uniformes e alimentação, conservação e manutenção, bens duráveis de pequeno valor etc, além das máquinas e equipamentos que serão incorporados ao seu ativo permanente , que, segundo incontroversa inferência da instância ordinária, apesar de não integrarem fisicamente o produto final, nem se desgastarem por ação direta (física ou química), sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrandose financeiramente ao produto final. 3. Precedentes desta Corte: REsp 608181 / SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ de 27/03/2006; RESP 500076/PR, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ de 15.03.2004; RESP 497187/SC, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 08.09.2003). 4. Recurso especial desprovido." (REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007).(grifei). "TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO DE VALORES PAGOS NA AQUISIÇÃO DE BENS DE USO E CONSUMO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. DESGASTE INDIRETO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 1. ‘A dedução do IPI pago anteriormente somente poderá ocorrer se se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou, não se incorporando, são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral’. (RESP 30.938/PR, Rel. Min. Humberto Gomes De Barros, DJ de 07.03.1994; RESP 500.076/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, 1ª Turma, DJ de 15.03.2004). 2. No caso dos autos, ficou assentado que os bens de uso e consumo sofreram desgaste indireto no processo produtivo, não sendo cabível o creditamento do IPI pago na sua aquisição. 3. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006).(grifei) Também, no voto do Resp 1075508 para bem demonstrar os seus fundamentos, igualmente fez referência ao votovista que proferiu no Recurso Especial 608.181/SC, no qual destacou que: “O Ministro Teori Albino Zavascki negou provimento ao recurso especial, por entender que, 'no caso concreto, o Tribunal de origem considerou que os bens de uso e consumo sofreram apenas desgaste indireto no processo produtivo' , inexistindo, assim, direito ao creditamento do IPI pago na sua aquisição.” E, ainda atinente ao referido votovista mencionado, transcreveu excerto do votocondutor, cujo trecho a seguir se destaca, por ser pertinente ao caso ora sob análise: “Assim, o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. Portanto, não há como reconhecer o direito ao creditamento de IPI dos bens de uso e consumo que sofrem apenas desgaste indireto no processo produtivo, tais como fitas, roldanas, correias, óleos lubrificantes, etc. (...) Dessarte, a impossibilidade de creditamento do IPI referente a produtos intermediários que se exaurem gradualmente durante o processo produtivo, agregandose apenas indiretamente ao produto final, não viola o princípio da nãocumulatividade do IPI.”(grifei). O Min. Relator do Resp 1075508 , Sr. Luiz Fux, ainda na transcrição do seu voto vista acima mencionado, também citou o Parecer Normativo CST n° 181/74 do qual destaca os produtos que não geram crédito de IPI: “Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.901882/201077 Acórdão n.º 3302002.576 S3C3T2 Fl. 194 15 produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: lima, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.” (grifei) Portanto, em face do que foi acima exposto e tendo em vista que o Superior Tribunal de Justiça, já decidiu em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) ser incabível o creditamento de IPI oriundos da aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de produtos de uso e consumo que sofreram desgaste indireto no processo produtivo, devese também nesta questão negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida, e consequentemente manter a glosa dos créditos de IPI atinentes à aquisição dos produtos: peças (pente/ fita recartilhada/ guarnições/ esteira de fibra) e óleo molikote, pelo o fato de os mesmos, respectivamente, comporem o maquinário da empresa (bem do ativo permanente) e apenas terem se desgastados de forma indireta no processo produtivo. CONCLUSÃO Diante da fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão 3302002.240– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária proferida na Sessão de 25 de julho de 2013 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a decisão da autoridade julgadora de 1ª instância, cujos fundamentos ratifico, com fulcro. no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000005/2008-69
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO
Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo.
FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS
Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa.
EXTRAÇÃO
Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas.
FRETES E COMBUSTÍVEIS
Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito.
PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL.
O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização.
SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL
Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo.
CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3102-01.144
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração, bem assim com a aquisição das partes de máquinas denominadas contra-faca dos picadores Demuth, Klockner e Camura. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 386 1 385 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10247.000005/200869 Recurso nº 868.567 Voluntário Acórdão nº 310201.144 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2011 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente JARI CELULOSE SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não abrange qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica da empresa. Nesse contexto, o termo “insumo” alcança exclusivamente o conjunto de bens ou serviços diretamente empregados no processo produtivo. Por outro lado, a destinação da mercadoria, à exportação ou ao mercado interno, não estende o conceito de insumo a bens e serviços diversos dos diretamente empregados no processo produtivo. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos inerentes ao plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativas. FRETES E COMBUSTÍVEIS Os fretes comprovadamente atrelados ao transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao seu custo e devem ser considerados para efeito de cálculo. Pelo mesmo raciocínio, os combustíveis comprovadamente empregados em tal finalidade devem receber o mesmo tratamento. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 387 2 Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova de que as despesas guardam relação com o processo produtivo, não há como se reconhecer o direito a crédito. PARTES DE MÁQUINAS. TEMPO DE VIDA ÚTIL. O tempo de vida útil de partes e peças de máquinas atreladas ao processo produtivo é essencial para a definição da metodologia de cálculo do crédito: se restar demonstrado que possuem vida útil inferior a um ano, o dispêndio associado à sua aquisição deverá ser considerado como insumo e, consequentemente, gerará direito a crédito. Em sentido oposto, se não for trazida ao processo prova do seu tempo de vida útil, não há como se reconhecer o direito a crédito, independentemente da metodologia empregada para sua contabilização. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração, bem assim com a aquisição das partes de máquinas denominadas contrafaca dos picadores Demuth, Klockner e Camura. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção das máquinas e do parque fabril e a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp, além do Conselheiro Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção das máquinas e do parque fabril. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Fl. 410DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 388 3 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de PIS NãoCumulativo, apurados no segundo trimestre de 2007, no montante de R$ 690.253,10. A Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Monte Dourado, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 196/210, deferiu parcialmente o pleito, indicando às fls. 207/209 os bens e serviços que cujo ingresso na base de cálculo dos créditos em questão não foi reconhecido. Irresignada com a decisão, de que tomou ciência em 01.10.2008 (fl. 211), a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, em 30.10.2008 (fls. 221/235), a qual exibe o conteúdo que segue resumido: a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada, não só em virtude de uma interpretação sistemática da Lei n° 10.637/2002, como também pelo dispositivo contido no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. b) Apresenta síntese do seu processo produtivo e ressalta que, ao contrário de outras empresas do setor de celulose, em virtude de necessidades específicas e de estratégias de mercado, utiliza para sua produção matériasprimas produzidas por ela própria, eliminando assim uma etapa da cadeia básica do seu setor. Deste modo, ao invés de adquirir a madeira de terceiros, investiu e investe muito em sua floresta. Ocorre que, por isso, incorre em despesas de elevada monta para a sua manutenção, que se consubstanciam inegavelmente em insumos imprescindíveis à sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose. c) Entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços na sua atividade florestal enquadramse claramente no conceito de insumos para a produção da celulose que comercializa, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da contribuição social em comento. A legislação permite que o contribuinte aproveite como créditos os valores de bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes. A celulose é obtida através da decomposição da madeira, por um processo físico químico. A madeira é a própria matériaprima essencial da celulose. A glosa dos produtos e serviços utilizados no plantio da madeira viola claramente o princípio da nãocumulatividade. Questiona se sua opção em produzir a própria matériaprima é fato que autoriza a sua discriminação. Conclui que o fato de ser uma empresa agroindustrial, de ter uma cadeia de produção maior que a maioria das demais empresas do setor, não autoriza a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada do seu faturamento. Portanto, geram direito a crédito os custos Fl. 411DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 389 4 havidos com os serviços e insumos florestais, sob pena de afronta às disposições contidas na Lei n° 10.637/2002 e violação aos princípios da igualdade e da nãocumulatividade. Refere entendimento recente exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. d) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição calculado sobre serviços de transporte, na aquisição de combustível utilizado em sua própria frota de veículos, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. e) A contratação de empresa que presta serviços de transporte é essencial às suas atividades, de maneira que podem ser considerados como insumos ensejadores da apuração dos créditos em pauta. Também o combustível utilizado para movimentar sua frota de veículos deve ser considerado na apuração dos créditos. f) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril, resta claro que sem a realização de tal manutenção, as atividades relacionadas à produção de celulose ficam seriamente prejudicadas. À medida que os serviços de manutenção são essenciais à atividade de produção realizada pela defendente, possuindo assim estrita relação com o processo produtivo da pasta de celulose, os créditos apurados da contribuição social sobre os respectivos custos incorridos devem também ser reconhecidos. Refere solução de consulta. g) Também não merece prosperar a glosa de valores relativos à aquisição de base de contrafaca, placas de desgaste, carimbos, lâminas de facas, pente inferior de picador, bigorna para picador, quebrador de cavaco e dos respectivos custos de frete. Tratamse de insumos utilizados diretamente na produção de celulose, que não foram incorporados ao ativo permanente e cuja vida útil não ultrapassa um ano. A recorrente sequer realiza a depreciação dos bens em questão. A IN SRF nº 404/2004 assegura o direito ao crédito sobre o custo de bens que se desgastam durante o processo produtivo. Por sua vez, a glosa dos créditos sobre o custo do frete relacionado a estes bens não se justifica pelas razões já expostas. h) A nãoaplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5° da Carta Magna, uma vez que a RFB faz uso de tal taxa para a atualização de seus créditos. Refere julgados administrativos. i) Ratificando todos os argumentos até aqui apresentados, junta parecer jurídico elaborado pelo advogado Marco Aurélio Greco, que corrobora o entendimento da defendente sobre a questão jurídica em exame e encontrase às fls. 192/244. Em complementação ao laudo do processo produtivo florestal apresentado anteriormente, apresenta laudo complementar, no Fl. 412DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 390 5 qual é realizada a discriminação detalhada deste processo e a utilização dos denominados insumos silviculturais (fls. 264/314). j) Abre mão do questionamento acerca do indeferimento dos créditos relacionados às operações de venda de água e energia elétrica aos habitantes da Vila de Monte Dourado. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo contribuinte, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do CTN. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição para o PIS as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Fl. 413DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 391 6 Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. Não há questão preliminar a ser enfrentada. No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados na pesquisa, plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) aquisições de partes e peças com vida útil inferior a um ano, empregadas em máquinas incorporadas à linha de produção; e) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril. Pleiteiase, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou à repartição do ônus da prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 392 7 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 415DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 393 8 matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas daquele processo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 394 9 Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência (ou inerência, segundo o parecer juntado aos autos) com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos trazidos ao processo. Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais acórdãos, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de todo e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase, preambularmente, a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem a leitura demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 395 10 deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas. 2.3 Plantio e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como insumo, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 396 11 Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos. Ou seja, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido ao desgaste do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, a Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte rodoviário, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Própria Frota. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 397 12 Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Em sentido diverso, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em razão do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota. 2.6 Partes e Peças Como é possível extrair do trecho do despacho decisório à fl. 207, a autoridade de jurisdição acatou expressamente os créditos atrelados a bens que considerou possuir vida útil inferior a um ano. Confirase: A planilha anexa ao processo mostra os insumos que foram reconhecidos no conceito de insumo aceito para que se tenha direito ao crédito: (...) Partes integrantes de máquinas inseridas nas linhas industriais cujo tempo de vida seja inferior a um ano: facas, contrafacas, feltros para secagem da celulose, feltro úmido agulhado, grampos de sustentação de facas e contrafacas, lâminas de facas, telas, tela plástica, além dos respectivos custos de fretes destes produtos; Mais adiante, esclarece a autoridade de jurisdição que, em face dos argumentos já expendidos quando da análise dos gastos na manutenção de florestas, foram glosados os créditos decorrentes das aquisições de partes de máquinas que julgou possuir vida útil superior a um ano. Com efeito, conforme já mencionado, penso que, em se tratando de dispêndios classificáveis no ativo permanente, o valor do crédito deverá ser calculado proporcionalmente ao montante depreciado. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 398 13 Até certo ponto corroborando com essa linha de argumentação, postula o sujeito passivo o reconhecimento do direito ao crédito com base na alegação de que, diferentemente do que concluíra o Fisco, os bens alvo de glosa possuiriam vida útil inferior a um ano. No intuito de demonstrar tal fato, aduz que os gastos correspondentes não foram contabilizados no ativo permanente e traz ao processo declaração do fornecedor que ratifica a informação de que parte dos bens, quando empregados na fabricação de celulose, possui vida útil inferior a um ano. Sem dúvida, a declaração do fornecedor7 é elemento apto a ratificar as alegações da recorrente. Consequentemente os produtos por ela contemplados, no caso as bases da contrafaca dos picadores “Demuth”, “Klockner” e “Camura”, devem ser consideradas como desgastáveis em prazo inferior. Em sentido diverso, não vejo como considerar que, isoladamente, a classificação contábil dos gastos seja meio de prova das alegações da Recorrente. Para cumprir tal desiderato a contabilização deveria estar amparada em elementos capazes de demonstrar a sua higidez. Quanto a esse aspecto, relembrese o que dispõe o art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Ante ao exposto, acato os créditos fundados na aquisição de partes de máquinas com vida útil comprovadamente inferior a um ano, bem assim ao valor do frete incorrido quando da sua aquisição. 7 Doc. à fl. 236. Fl. 421DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 399 14 2.7 Manutenção do Parque Fabril Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. 2.8 Taxa Selic. Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente tal possibilidade: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Fl. 422DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000005/200869 Acórdão n.º 310201.144 S3C1T2 Fl. 400 15 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais8, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.779, de 1999, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração, bem assim com a aquisição das partes de máquinas denominadas contrafaca dos picadores “Demuth”, “Klockner” e “Camura”. Sala das Sessões, em 9 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 9/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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