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5781093 #
Numero do processo: 11634.720819/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 2007, 2008 CSLL. COFINS. PIS. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. OMISSÃO DE RECEITAS. MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é de caráter relativa, ou seja, o contribuinte pode realizar prova em contrário. No entanto, caso o contribuinte não realize comprovação em contrário, a presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, consolida-se para o caso em discussão. INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. ARBITRAMENTO DE LUCRO Para a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, faz-se necessário a comprovação do intuito de fraude. Nos casos de aplicação da multa apenas pela falta de escrituração da movimentação bancária, esta circunstância é suprida pelo arbitramento do lucro do contribuinte, sendo indevida a multa qualificada. O sujeito passivo da obrigação tributária principal é aquele que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, nos termos do art. 121, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Vencido o Conselheiro Eduardo Andrade que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Alberto Pinto e Waldir Rocha acompanharam o Relator pelas conclusões no ponto relativo ao afastamento da qualificação da multa. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2 ERRO  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  ARBITRAMENTO DO LUCRO.  Arbitra­se o lucro quando a escrituração da contribuinte contiver vícios, erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação financeira, inclusive bancária.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  MOVIMENTAÇÕES  BANCÁRIAS.  PRESUNÇÃO LEGAL.  A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de  origem  não  comprovada,  prevista  no  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/96,  é  de  caráter relativa, ou seja, o contribuinte pode realizar prova em contrário.   No  entanto,  caso  o  contribuinte  não  realize  comprovação  em  contrário,  a  presunção disposta no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, consolida­se para o caso  em discussão.  INAPLICABILIDADE  DE  MULTA  QUALIFICADA.  ARBITRAMENTO  DE LUCRO  Para  a  aplicação  da  multa  disposta  no  art.  44,  inciso  I,  e  §  1°,  da  Lei  n.  9.430/1996, faz­se necessário a comprovação do intuito de fraude.   Nos  casos  de  aplicação  da  multa  apenas  pela  falta  de  escrituração  da  movimentação  bancária,  esta  circunstância  é  suprida  pelo  arbitramento  do  lucro do contribuinte, sendo indevida a multa qualificada.  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Exercício: 2007, 2008  CSLL. COFINS. PIS.  Subsistindo  o  lançamento  principal  sobre  determinados  fatos  que  restaram  constituídos  ou  caracterizados,  acompanham  a  mesma  sorte  os  demais  lançamentos decorrentes dos mesmos fatos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  proferido  pelo  relator.  Vencido  o  Conselheiro  Eduardo  Andrade  que  negava  provimento  ao  recurso.  Os  Conselheiros  Alberto  Pinto  e  Waldir  Rocha  acompanharam  o  Relator  pelas  conclusões  no  ponto  relativo  ao  afastamento da qualificação da multa.  (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Helio  Eduardo de Paiva Araujo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.  Fl. 909DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 909          3   Relatório  Trata­se de recurso voluntário.  Na origem foi  lavrado Auto de Infração (fls. 675/790), em razão da suposta  omissão  de  receitas  por  parte  da  recorrente,  fato  que  motivou  a  constituição  dos  seguintes  créditos tributários:  a)  com  relação  ao  período  de  01/01/2007  a  30/06/2007,  IRPJ  –  SIMPLES  (R$  51.156,42),  IPI­SIMPLES  (R$  36.682,44),  PIS  –  SIMPLES  (R$  37.640,96),  CSLL­SIMPLES  (R$  52.943,20),  COFINS­SIMPLES  (R$  156.661,41) e INSS­SIMPLES    (R$ 447.512,57);   b)  quanto  ao  período  de  01/07/2007  a  31/12/2008,  IPI  (R$  3.836.539,31),  IRPJ  (R$  817.843,97),  CSLL(R$  412.927,60),  PIS  (R$  249.374,65),  COFINS (R$ 1.150.961,54).  Dessa  forma,  o  total  do  crédito  tributário  constituído  neste  Processo  Administrativo Fiscal perfazia a quantia de R$ 7.250.244,07, já com multa (150%) e juros, de  acordo com o constante no Auto de Infração (fls. 675/790).   Posteriormente  houve  o  desmembramento  do  presente  processo  administrativo fiscal (fls. 833) a fim de separar o Auto de Infração de IPI    (R$ 3.836.539,32),  restando  constituído  definitivamente  nestes  autos  o  crédito  tributário  de R$  3.413.704,16,  já  com multa (150%) e juros, de acordo com o Demonstrativo Consolidado (fls. 831/832).  Em  resumo,  na  origem  do  presente  processo  administrativo,  o  AFRFB  convenceu­se pela ocorrência dos  seguintes  fatos,  consoante narra o Termo de Verificação e  Encerramento da Ação Fiscal (fls. 664/674):  (i)  Que  a  recorrente  demonstrou  movimentação  financeira  em  suas  contas  bancárias incompatível com a sua receita operacional, e em decorrência disso  fora intimada para que apresentasse extratos e demais documentos relativos à  sua movimentação bancária (fls. 02 a 04) referente aos períodos fiscalizados  (2007 e 2008);  (ii)  Que,  na  mesma  oportunidade,  ficou  a  recorrente  intimada  para  que  apresentasse diversos documentos constitutivos, contábeis e fiscais, o que foi  atendido apenas quanto a estes documentos, não com relação aos documentos  bancários;  (iii)  Que,  como  não  houve  entrega  dos  extratos  bancários,  houve  nova  intimação  à  recorrente  (fls.  06/08)  para  apresentação  destes  e  demais  documentos correlatos, mas esta também não foi atendida;  (iv) Que, ante a ausência de apresentação dos documentos bancários exigidos  pela DRJ, foi expedida Solicitação de Emissão de Requisição de Informação  Fl. 910DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 sobre  Movimentação  Financeira  (RMF)  (fls.  180/183),  para  diversas  instituições bancárias, com fulcro no art. 6º da Lei Complementar 105/01;  (v)  Que  após  análise  dos  extratos  bancários  da  recorrente  (fls.  184  e  ss.)  constatou­se  que  a  movimentação  bancária  apresenta  um  montante  de  receitas superior àquela contabilizada, verificando­se que não houve registro  contábil de nenhuma conta bancária relativa aos bancos apontados na Tabela  01 (TVF – fls. 665);   (vi) Que foi elaborada a Tabela 02, na qual foram excluídas as transferências  entre contas de mesma  titularidade e valores  cuja entrega e origem ficaram  demonstradas,  sendo  cientificada  a  recorrente  (fls.  590/612)  para  que  justificasse e comprovasse a origem dos recursos apontados. Mais uma vez,  mesmo reintimada (fls. 618/621), manteve­se inerte a recorrente;  (vii)  Que  diante  de  movimentação  bancária  de  origem  não  comprovada  e  consequente  presunção  legal  de  omissão  de  receitas,  foi  lavrado  auto  de  infração  para  exigir  os  tributos  devidos  (IRPJ,  PIS,  Cofins,  CSLL,  IPI  e  INSS);  (viii) Que no 1º semestre de 2007 a recorrente estava incluída no SIMPLES  Federal,  sendo  constituído  o  crédito  tributário  (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS,  IPI  e  INSS)  sobre  a  diferença  entre  o  que  foi  regularmente  declarado  (R$  574.475,86) e a receita omitida (R$ 2.251.902,51);   (ix)  Que  a  recorrente  era  optante  do  SIMPLES  Nacional  no  período  de  01/07/2007  a  31/08/2008  (no  entanto,  não  houve  recolhimento  nesse  período).  E  entre  01/09/2008  e  31/12/2008,  a  recorrente  optou  pelo  lucro  presumido, período em que entregou DIPJ com receita zerada;  (x) Que, dessa  forma,  a  recorrente  foi  excluída do Simples Nacional  (ADE  nº. 069 – fls. 656), com efeitos a partir de 01/07/2007, sendo intimada para  escolher o regime de tributação a ser adotado entre 01/07/2007 e 31/08/2007  (fls. 661/663). Não houve, contudo, opção de regime;  (xi) Que  foi  então  arbitrado  o  lucro  da  recorrente  no  segundo  semestre  de  2007  e  no  ano­calendário  de  2008,  uma  vez  que  sua  contabilidade  foi  considerada  “imprópria”  (ausência  de  contabilização  de  contas  bancárias,  recusa  em  oferecer  informações  sobre  movimentação  financeira)  para  utilizar­se do regime presumido;  (xii)  Que,  considerando  que  a  recorrente  tem  como  atividade  a  industrialização  de móveis  de madeira,  esta  foi  intimada  (fls.  622  a 626)  a  apresentar  os  livros  de  apuração  de  IPI,  contudo,  ante  a  inexistência  de  respostas, foram estas receitas tributadas como operação de industrialização.  Todavia a cobrança do IPI do período de mês de julho de 2007 a dezembro  de 2008 fora transferida deste PAF para o processo de n° 11634.72053/2012­ 13, conforme documentos de fls. 838 e 839, estando atualmente tal processo  também em trâmite perante este CARF;  (xiii) Que, nessa esteira, houve a lavratura de Auto de Infração para exigir os  seguintes  créditos  tributários,  referente  ao  principal,  juros  e  multa  (75%  e  150%) (fls. 675/790; 831/832):  Fl. 911DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 910          5 a.  No  período  do  Simples  Federal:  R$  782.597,00  (IRPJ,  CSLL,  PIS/COFINS, IPI E INSS);   b.  De 01/07/2007 até 31/12/2008: R$ 2.631.107,76 (IRPJ, PIS, COFINS e  CSLL);  (xii) Que foi feita a representação fiscal para fins penais em face de Antônio  Sebastião  Ferrari  e Valdemir Rigieri,  bem  como  o  arrolamento  de  bens  da  recorrente (PAF 11634720860/2011­94);  Encerrada  a  fiscalização,  a  recorrente  teve  ciência do Auto  de  Infração  em  22/12/2011  (fls.  793  e  795).  Na  sequência,  a  empresa  autuada  apresentou  impugnação  em  23/01/2012  (fls.  798/816  e  documentos  de  fls.  818/823),  a  qual  foi  julgada  totalmente  improcedente, nos termos da ementa do Acórdão nº. 14­38.646, proferido em 20/09/2012 pela  3ª Turma da Delegacia da Receita Federal  de Julgamento em Ribeirão Preto/SP  (DRJ/RPO),  que adiante segue transcrita (fl. 842/860):  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2007  OMISSÃO DE RECEITAS. SIMPLES.  Tendo  a  contribuinte  declarado  valores  de  receita  bruta  inferiores  aos  apurados  em  procedimento  de  ofício,  procede  a  cobrança dos impostos e contribuições componentes do Simples  calculados sobre a diferença não declarada.  SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.  É  cabível  a  exigência  das  diferenças  apuradas  relativas  a  recolhimentos  efetuados  a  menor  em  face  de  utilização  de  alíquota inferior.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008  DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados  em  conta  de  depósito  mantida  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove, mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A  presunção  legal  tem  o  condão  de  inverter  o  ônus  da  prova,  transferindo o para a contribuinte, que pode refutá­la mediante  oferta de provas hábeis e idôneas.  Fl. 912DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     6 ARBITRAMENTO DO LUCRO.  Arbitra­se  o  lucro  quando  a  escrituração  da  contribuinte  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007, 2008  PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas em absoluta observância das normas de regência e  ao  amparo  da  lei,  sendo  desnecessária  prévia  autorização  judicial.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.  Às  instâncias  administrativas  não  compete  apreciar  vícios  de  ilegalidade  ou  de  inconstitucionalidade  das  normas  tributárias,  cabendo­lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação  da multa no percentual de 150%.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007, 2008  SIMPLES. EXCLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se  definitiva,  na  esfera  administrativa,  a  exigência  relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada.  NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  do  lançamento  quando  observados  os  requisitos  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo administrativo fiscal.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.  Aplica­se  à  tributação  reflexa  idêntica  solução  dada  ao  lançamento  principal  em  face  da  estreita  relação  de  causa  e  efeito.  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.  A  juntada  posterior  de  documentação  só  é  possível  em  casos  especificados na lei.  INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL.  Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa,  as  notificações  e  intimações  devem  ser  endereçadas  ao  sujeito  passivo no domicílio fiscal eleito por ele.  Impugnação Improcedente  Fl. 913DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 911          7 Crédito Tributário Mantido  Intimada  da  decisão  supratranscrita  em  22/10/2012  (fl.  875),  a  recorrente  apresentou, então, tempestivamente, recurso voluntário em 21/11/2012 (fls. 876/894), no qual  ventila as seguintes razões, em resumo:   (i) Que a  recorrente foi autuada apenas com base em presunção de omissão  de receitas;  (ii) Que o auto de infração é nulo em decorrência de violação ao sigilo fiscal  da empresa;  (iii) Que é inconstitucional a Lei Complementar n. 105/2001, que autorizou a  quebra do sigilo fiscal por meio de simples pedido administrativo de agente  da RFB às instituições financeiras;  (iv) Que a expedição do RMF foi imotivada, uma vez que a legislação exige  que  fique  demonstrado  com  precisão  e  clareza  a  indispensabilidade  da  medida, o que não ocorre no caso em tela. Logo, conclui­se pela violação ao  principio  do  contraditório  e  ampla  defesa,  com  a  consequente  nulidade  do  auto de infração;  (v) Que a RMF fora expedida imotivadamente, em decorrência de imposição  legal  prevista  nas  hipóteses  do  art.  33  da  Lei  9.430/96  e  em  decorrência  disso,  prejudica  a  sua  impugnação,  caracterizando violação  ao  principio  do  contraditório e ampla defesa;  (vi)  Que  a  recorrente  justificou  o  motivo  de  não  ter  apresentado  os  documentos exigidos em intimação fiscal em razão dos mesmos estarem em  posse do contador (fls. 13 e 14), inclusive carreando processo administrativo  denúncia  por  apropriação  indébita  em  face  do  mesmo  (fls.  803),  o  que  desautorizaria a expedição da RMF com fundamento nas hipóteses do art. 33  da Lei 9.430/96;  (vii)  Que  a  RMF  é  nula  em  detrimento  de  não  haver  o  preenchimento  de  requisitos  mínimos  que  autorizem  sua  expedição,  neste  caso  o  código  de  acesso à internet;  (viii) Que a base de cálculo utilizada é nula,  já que o AFRFB considerou a  integralidade  dos  depósitos  como  receitas  omitidas,  considerando­os  como  renda da recorrente. Assim, deveria o AFRFB considerar que a recorrente era  optante do lucro presumido e aplicar a alíquota legal correspondente (art. 15  e 24 da Lei 9.249/95);  (ix) Que é  inválida a presunção de omissão de  receitas,  pois o  contribuinte  informou que os  recursos são provenientes de financiamento de produção e  indicou  as  empresas  de  fomento  mercantil  que  realizaram  os  referidos  empréstimos, havendo, portanto origem dos recursos depositados, o que não  foi levado em consideração pela autoridade fiscal;  Fl. 914DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     8 (x) Que o auto de  infração  foi  lavrado pelo AFRFB  levando­se em conta  a  presunção de omissão de receitas, fato que não condiz com a realidade, uma  vez que a movimentação bancária corresponde a empréstimos feitos junto a  terceiros, com cheques próprios, entre a recorrente e demais empresas cujos  sócios se confundem;  (xi)  Que  existem  erros  na  fiscalização,  pois  é  de  obrigação  do  fisco  especificar  qual  movimentação  financeira  que  caracterizou  a  omissão  de  receitas, o que não ocorreu no caso em tela;  (xii)  Reafirma  que  inexiste  renda  tributável,  uma  vez  em  que  os  valores  auferidos foram provenientes de empréstimos para pagamentos das despesas  operacionais;  (xiii) Que,  com  fundamento no princípio da  capacidade  contributiva,  não  é  possível de que tais recursos sejam considerados como omissão de receitas já  que dissonante com a realidade fática acerca de seus bens e rendas;  (xiv)  Que  a multa  qualificada  de  150%  fora  aplicada  equivocadamente  no  Auto  de  Infração,  vez  em  que  a  mera  omissão  de  receita  por  si  só  não  justifica  a  penalidade,  pois  deve  ser  comprovada  a  intenção  de  fraudar  o  Fisco.  Os autos foram remetidos ao CARF, distribuídos a este relator, oportunidade  em  que  foi  proferida  a  Resolução  nº.  1302­000.232,  na  Sessão  de  08/05/2013,  que,  por  unanimidade, sobrestou o julgamento deste PAF, nos termos do art. 62­A, § 1º, do Anexo II do  Regimento Interno do CARF, c/c art. 2º, § 2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001/2012.  Entretanto,  com  o  advento  da  Portaria  nº.  545/2013,  do  Ministério  da  Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 20/11/2013, que revogou os § 1º e 2º do art.  62­A  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  vieram­me  novamente  os  autos  para  julgamento do mérito.  É o relatório.      Fl. 915DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 912          9 Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.  1. Da alegação de inconstitucionalidade de dispositivo legal  Alega  a  recorrente  a  nulidade  do  auto  de  infração  por  ter­se  o  AFRFB  utilizado de prova ilícita para embasar a investigação fiscal, qual seja, a utilização de extratos  de  movimentação  bancária  solicitados  por  RMF,  com  fundamento  no  art.  6º,  da  Lei  Complementar nº. 105/2001, protegidos por sigilo bancário.  Contudo,  em  que  pese  todo  o  arrazoado  pela  recorrente,  é  certo  que  a  autoridade fazendária está adstrita à aplicação do comando legal sob pena de responsabilidade  funcional.  Neste  sentir,  a  Lei  Complementar  n.º  105/2001,  em  seu  art.  6º,  possui  o  seguinte texto:  Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.   Tal dispositivo legal foi regulamentado pelo Decreto n.º 3.724/2001, que em  seu art. 4º, §1º, define o instrumento formal por meio do qual poderá a autoridade fiscal exercer  sua  prerrogativa,  qual  seja,  a  Requisição  de  Informação  sobre  Movimentações  Financeiras  (RMF), trazendo o art. 3º e os demais parágrafos do mesmo art. 4º várias disposições atinentes  aos requisitos formais da Requisição.  Analisando  os  autos,  verifico  estarem  preenchidos  os  requisitos  legais  nas  RMFs  expedidas,  razão  pela  qual  não  há  que  se  falar  em  ilegalidade  na  obtenção  das  informações de movimentações bancárias da recorrente.  A constitucionalidade do dispositivo legal é discutível, sendo inclusive objeto  de  análise  em  ADI  no  Supremo  Tribunal  Federal,  entretanto,  até  que  haja  a  manifestação  definitiva daquele tribunal quanto a matéria, não compete a esse Conselho se manifestar sobre  tal desiderato, em respeito ao entendimento já sumulado transcrito abaixo:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Fl. 916DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     10 No mesmo sentido, é incabível a análise de constitucionalidade de dispositivo  legal, por previsão expressa do art. 26­A do Decreto n.º 70.235/72, senão vejamos:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  A  decisão  proferida  no  RE  n.º  389.808/PR,  utilizada  na  argumentação  da  recorrente, ainda não preenche o requisito da definitividade exigido pelo art. 62­A do RICARF  (Portaria MF n.º 256/2009):  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Dessa  forma,  tem­se  a  impossibilidade deste Conselho  de  realizar  qualquer  juízo de valor sobre a constitucionalidade do tema, razão pela qual voto pelo desprovimento do  recurso neste ponto.  2. Da inexistência de nulidade do procedimento fiscal por se embasar em  informações advindas de RMF  A  recorrente  argumenta  a  nulidade  do  lançamento  tributário,  pois  este  se  fundamentou  em  extratos  bancários  requisitados  às  instituições  financeiras  através  de  RMF  sem que houvesse o preenchimento dos requisitos necessários para tanto.  Analisando os autos e os procedimentos seguidos pelo AFRFB, concluo que  se  encontram  presentes  todos  os  requisitos  legais  exigidos  para  solicitação  de  expedição  de  RMF (fls. 180/183, 184/582), razão pela qual não há que se falar em ilegalidade na obtenção  das informações de movimentações bancárias da recorrente.  Esclareço.  Em  primeiro  lugar,  saliento  que  a  recorrente  foi  diversas  vezes  intimada  a  apresentar sua documental contábil, fiscal e bancária (fls. 02/14), sendo que se manteve inerte  quanto  à  apresentação  de  seus  extratos  bancários  e  documentos  correlatos.  Ou  seja,  mesmo  intimada e reintimada, não apresentou quaisquer documentos relacionados a sua movimentação  financeira.   O  fato de que  supostamente os documentos  estariam em posse do  contador  não pode ser arguido como impeditivo e justificativa para não apresentação de documentação  bancária, mormente porque bastaria ter pessoalmente requisitado às instituições financeiras.  Além disso,  na Solicitação  de Emissão  de Requisição  de  Informação  sobre  Movimentação Financeira (fls. 180/183), houve o enquadramento de sua fundamentação legal  no  inciso  VII,  do  art.  3º,  do  Decreto  n.º  3.724/2001,  ante  a  ausência  de  apresentação  dos  extratos bancários solicitados pelo AFRFB de origem, que assim versa:  Art.  2º. (...)  5º.  A  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil,  por  intermédio de  servidor ocupante do cargo de Auditor­Fiscal da  Receita  Federal  do  Brasil,  somente  poderá  examinar  Fl. 917DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 913          11 informações  relativas  a  terceiros,  constantes  de  documentos,  livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas  equiparadas,  inclusive os  referentes a  contas de depósitos  e de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis.  Art. 3º. Os  exames  referidos  no  §5º do  art.  2º somente  serão  considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...)  VII ­ previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996;  O art. 33, da Lei nº. 9.430/96, utilizado como fundamento da  expedição da  RMF, assim preceitua em seu inciso I:  Art. 33. (...)  I ­ embaraço  à  fiscalização,  caracterizado  pela  negativa não justificada de exibição de  livros e documentos em  que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo,  bem  como  pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de  terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a  requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da  Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; (...). (grifo não original).  Assim, vê­se que no presente caso houve configuração do exposto no inciso  I, do art. 33, da Lei nº. 9.430/96, pois mesmo depois de diversas vezes intimado a apresentar  seus extratos bancários, a empresa recorrente permaneceu inerte.  Outrossim, houve cumprimento pelo AFRFB quanto ao disposto no art. 4º, §  5º, do mesmo Decreto n.º 3.724/2001, que determina o seguinte:  Art.  4º.  (...)  §5º.  A  RMF  será  expedida  com  base  em  relatório  circunstanciado,  elaborado  pelo Auditor­Fiscal  da Receita Federal  do  Brasil  encarregado  da  execução  do  procedimento  fiscal  ou  pela  chefia  imediata. (grifo não original).   Logo,  verifico  que  na  Requisição  (fls.  180/183)  feita  pelo  AFRFB  existiu  identificação  das  instituições  financeiras  destinatárias  das  RMFs,  bem  como  quais  as  informações seriam requisitadas, e o relatório no qual foram expostas as razões para expedição  da RMF,  cujo  seguinte  trecho merece destaque  (fl.  183):Demos  início  a  ação  fiscal,  através  do  Termo de Início da Ação Fiscal, cientificado ao contribuinte em  05  de  novembro  de  2010,  para  apresentação  dentre  outros  elementos,  dos  extratos  e  demais  documentos  relativos  à  movimentação bancária.  Decorrido  o  prazo  o  contribuinte  apresentou,  em  25  de  novembro  de  2010,  parte  dos  documentos  solicitados,  sem  apresentar quaisquer documentos relativos a sua movimentação  bancária,  o  que  ocasionou  nova  intimação  recebida  em  28  de  janeiro de 2011, não atendida pelo contribuinte até a presente  data,  que  não  encaminhou  quaisquer  extratos  ou  documentos  bancários.  Fl. 918DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     12 Tendo em vista a necessidade de se efetuar circularização para  obter,  diretamente  nas  instituições  financeiras  detentoras  das  contas bancárias,  a  identificação da origem dos  recursos e de  sua  destinação,  imprescindível  para  o  prosseguimento  da  ação  fiscal, vez que a quantificação da matéria tributável porventura  existente  e  a  correta  identificação  do  sujeito  passivo  apenas  serão possíveis com a obtenção dos comprovantes de  saques e  depósitos bancários, requer o acesso as suas contas bancárias e  demais documentos correlatos, nos termos da Lei Complementar  nº. 105/2001, regulamentada pelo Decreto nº. 3.724/2001. (grifo  não original).  Dessa  forma,  tem­se que  foi  devidamente  exposta pela origem a motivação  necessária para a expedição de RMF no caso, bem como explicada por ele a utilização do art.  33,  da  Lei  nº.  9.430/96,  no  relatório  acima  colacionado,  encontrando­se  presente  todos  os  requisitos legais para a requisição das informações bancárias da recorrente.  Ademais,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  dos  RFMs  pois  não  contém  o  código de acesso à internet. Muito embora tal previsão tenha por objetivo permitir à instituição  financeira  a  possibilidade  de  verificar  a  autenticidade  e  conteúdo  da  requisição  no  sítio  eletrônico da RFB, ou seja, mesmo que não houvesse tal informação pouco impacto haveria no  procedimento  fiscal  uma  vez  confirmada  a  autenticidade  dos  documentos,  as  alegações  da  recorrente não sustentam.  Basta  observar  que  em  cada  RMF  emitida  (fls.  184/582)  tem  ao  final  um  código denominado  ‘código da RMF’, o qual permite a verificação e consulta do documento  pela internet.  Ademais,  incabível  a  arguição  de  violação  ao  princípio  do  contraditório  da  ampla  defesa,  pois  a  recorrente  foi  intimada  diversas  vezes  a  apresentar  seus  extratos  bancários,  bem  como  a  apresentar  documentos  que  comprovassem  a  origem  das  receitas  verificadas  em  suas  contas  correntes  após  a  expedição  da  RMF  discutida  (fls.  583/585,  590/611, 618/620 622/624, 639/640).  No  entanto,  mesmo  cumprindo  algumas  dessas  intimações,  a  empresa  recorrente  permaneceu  inerte  quanto  à  comprovação  cabal,  por  meio  de  apresentação  documental, da origem das receitas verificadas em suas contas bancárias.  Outrossim, não fossem tais fatos suficientes, é reconhecido por este Conselho  que  a  fase  de  fiscalização  que  se  desenrola  até  a  lavratura  do  auto  de  infração  constitui  procedimento inquisitorial, de forma que não há de se falar em contraditório ou ampla defesa  antes da apresentação de impugnação. Vejamos:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  As  garantias  constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  só  se  manifestam  com  o  processo  administrativo,  iniciado  com  a  impugnação  do  auto  de  infração.  Não  existe  cerceamento  do  direito  de  defesa  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  procedimento inquisitório que não admite contraditório. LEI Nº  10.174/2001. APLICAÇÃO RETROATIVA. O art. 11, § 3º, da Lei  nº 9.311/96,  com a  redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que  autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do  crédito  tributário  de  outros  tributos,  aplica­se  retroativamente  (Súmula  CARF  nº  35).  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  Fl. 919DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 914          13 JUSTIFICADOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  ELEMENTOS  CARACTERIZADORES  DO  FATO  GERADOR.  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos,  prevista  no  art.  42,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de  imposto  de  renda  com  base  em  depósitos  bancários  não  justificados,  o  fato  gerador  não  se  dá  pela  constatação  de  depósitos  bancários  creditados  em  conta  corrente  do  contribuinte,  mas  pela  falta  de  comprovação  da  origem  dos  valores  ingressados no sistema  financeiro  .(CARF. Acórdão n°.  2201­002.402,  processo  n°.  10640.001765/2002­55.  Relator:  FRANCISCO MARCONI  DE  OLIVEIRA.  Data  da  Publicação:  17/07/2014). (grifo não original).  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA ETAPA QUE  ANTECEDE  LAVRATURA  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  Só  se  discute  cerceamento  do  direito  de  defesa a partir do momento em que tal direito pode ser exercido.  Ou  seja,  a  partir  da  etapa  de  impugnação.  Não  se  fala  em  violação aos direitos A ampla defesa e ao contraditório na fase  de  investigação  que  antecede A  lavratura  do  auto  de  infração.  (...)  (CARF.  Acórdão  n°.  3302­002.291,  processo  n°.  11968.000793/2007­30.  Relator:  ALEXANDRE  GOMES.  Data  da Publicação: 16/07/2014). (grifo não original).  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  As  garantias  constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  só  se  manifestam  com  o  processo  administrativo,  iniciado  com  a  impugnação  do  auto  de  infração.  Não  existe  cerceamento  do  direito  de  defesa  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  procedimento  inquisitório  que  não  admite  contraditório.  (...).  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  JUSTIFICADOS.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  ELEMENTOS  CARACTERIZADORES  DO  FATO  GERADOR.  DESNECESSIDADE  DE  O  FISCO  COMPROVAR  RENDA  CONSUMIDA.  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos,  prevista  no  art.  42,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de  renda com base em depósitos bancários não justificados, o  fato  gerador  não  se  dá  pela  constatação  de  depósitos  bancários  creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de  comprovação  da  origem  dos  valores  ingressados  no  sistema  financeiro.  A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada. (Súmula CARF nº 26).  (CARF. Acórdão n°. 2201­ 002.395,  processo  n°.  10215.720627/2009­65.  Relator:  LUCIVALDO  MOURAO  CAVALCANTE.  Data  da  Publicação:  30/07/2014). (grifo não original).  Logo,  não  há  que  se  falar  em  qualquer  prejudicialidade  em  desfavor  da  recorrente  neste  ponto,  pois  esta  foi  reiteradamente  intimada  a  apresentar  a  documentação  Fl. 920DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     14 necessária ao deslinde do procedimento fiscal, sendo­lhe concedido por mais de uma vez prazo  complementar.   Destaco, ainda, que analisando os autos, não se pode dizer que foi tolhido à  recorrente  o  direito  de  exercer  sua  ampla  defesa  e  o  contraditório,  pois  todos  os  fatos  que  motivaram o lançamento tributário, bem como toda a fundamentação do auto de infração, lhe  foram cientificados, oportunizando­lhe a apresentação de impugnação e recurso voluntário nos  prazos legais, não existindo qualquer vício neste sentido que possa ser arguido.  Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto a este  argumento, pois não há vício ou nulidade no lançamento tributário por ter o AFRFB utilizado  de RMF durante o procedimento fiscalizatório.  3. Da  inexistência de nulidade do procedimento  fiscal por erro na base  de cálculo  A  recorrente  alegou  nulidade  do  presente  processo  administrativo  fiscal  decorrente  de  erro  na  base  de  cálculo  do  lançamento  tributário,  pois  o  AFRFB  teria  considerado  os  depósitos  nas  instituições  financeiras  como  sua  renda,  não  levando  em  consideração a opção da contribuinte pelo lucro presumido e a aplicação do art. 15, da Lei n.º  9.249/95, que assim prescreve:  Art.  15.  A  base  de  cálculo  do  imposto,  em  cada  mês,  será  determinada  mediante  a  aplicação  do  percentual  de  oito  por  cento  sobre a  receita bruta auferida mensalmente,  observado o  disposto nos art.s 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995.  Vale lembrar que, após ter conhecimento de toda a movimentação financeira  da  recorrente,  o  AFRFB  a  intimou  diversas  vezes  para  apresentar  documentos  que  comprovassem cabalmente  a  origem dos  recursos  que  ingressaram  em  suas  contas  bancárias  (fls. 583/585, 590/611, 618/620 622/624, 639/640).   A recorrente nada esclareceu.  Portanto, com fundamento no art. 42, da Lei n.º 9.430/96, as receitas que não  tiveram sua origem comprovada foram consideras omissão de receitas, conforme a presunção  legal prevista.  Dessa  forma,  foi  apresentada a Representação Fiscal para Fins de Exclusão  do Simples Nacional (fls. 653/655) contra a empresa contribuinte, a qual foi efetivada pelo Ato  Declaratório Executivo nº. 69/2011 (fl. 656), que excluiu a contribuinte do Simples Nacional,  com efeitos a partir de 01/07/2007, sendo­lhe concedido o prazo de trinta dias, a contar da data  da ciência, para contestar a citada exclusão.   A  ciência  do  referido  ato  foi  dada  em  30/11/2011  (fl.  657)  e  não  foi  apresentada qualquer defesa pela recorrente, razão pela qual a exclusão tornou­se definitiva.   Em seguida a recorrente foi  intimada (fls. 661/663) para que, em 05 (cinco)  dias, comunicasse qual o regime de tributação para o período de 01/07/2007 a 30/08/2008.  Assim,  não  tendo  se manifestado  quanto  ao  regime de  tributação  que  seria  adotado  devido  sua  exclusão  do  SIMPLES,  e  tendo  em  vista  a  ausência  do  registro  e  contabilização das contas bancárias (fls. 57/179 – Livros Razão), a contabilidade da recorrente  Fl. 921DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 915          15 foi  declarada  imprestável  para  apuração  do  Lucro Real  e  imprópria  para  apuração  do  Lucro  Presumido,  enquadrando­se  na  hipótese  prevista  no  art.  530,  II,  “a”,  do  RIR/1999,  que  transcrevo a seguir:  Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano­ calendário,  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado, quando: (...)  II ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou  Ressalto  que  a  recorrente  não  se  insurgiu  expressamente  contra  o  arbitramento do seu lucro, mas contra suposto erro na base de cálculo do lançamento, uma vez  que os depósitos bancários não deveriam ser considerados renda para fins de apuração do seu  lucro, bem como não teria sido levado em conta sua opção pelo regime do lucro presumido.  Lembro  que  não  houve  qualquer  manifestação  quanto  ao  regime  a  ser  tributado  com  relação  ao  período  em  que  foi  excluída  do  SIMPLES  e,  ainda,  quanto  aos  períodos de setembro a dezembro de 2008, declarou­se imprestável sua contabilidade, contra o  que não se recorreu.   Resta consignar, ainda, não ser possível considerar a alegação da recorrente  de que houve  confusão  com os  conceitos de  renda  e  receita,  uma vez que ao  considerar  sua  movimentação  bancária  estar­se­ia  se  considerando  receitas  de  terceiros  que  apenas  transitavam em sua conta.  Isto pois, a recorrente meramente argumenta de forma genérica, além de não  instruir devidamente seu recurso a fim de demonstrar de maneira cabal quais seriam as receitas  consideradas  como  base  de  cálculo  do  lançamento  tributária  que  não  lhe  pertenciam,  possibilitando os devidos ajustes acaso fosse possível.  Portanto, quanto às alegações da recorrente, entendo correto o entendimento  emitido no r. Acórdão nº. 14­38.646, proferido em 20/09/2012 pela 3ª Turma da Delegacia da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  (DRJ/RPO),  cujos  fundamentos  transcrevo abaixo (fl. 858):  Assim, correto o arbitramento do lucro, no qual o IRPJ e a CSLL  não  incidem  diretamente  sobre  o  total  da  receita  omitida, mas  sobre o valor resultante da aplicação do coeficiente de apuração  do lucro arbitrado sobre a receita bruta.  Já  a  base  de  incidência  da  Cofins  e  do  PIS  é  o  montante  de  receita  omitida,  não  se  constatando  qualquer  erro  na  sua  apuração.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  desprover  o  recurso  voluntário  neste  ponto. Dessa  forma,  restam prejudicas as alegações da  recorrente quanto ao ponto de mérito  (fls. 891/893) de redução da base de cálculo para aferição da renda pelo lucro presumido, nos  termos do acima fundamentado.  Fl. 922DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     16 4.  Da  inexistência  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  quanto  à  presunção  de  omissão  de  receitas.  Depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada.  A  recorrente  alega  no  recurso  voluntário  (fls.  876/894)  que  a presunção  de  omissão de receitas não é valida pois os referidos recursos seriam relativos a financiamento de  produção,  tendo  indicado  as  empresas  de  fomento  mercantil  que  fizeram  os  referidos  empréstimos disfarçados de operação de fomento.  Alegou  ainda  que  não  tinha  em  sua  posse  documentos  para  comprovar  a  origem e razão dos recursos depositados junto a suas contas­corrente, não existindo, inclusive,  tempo hábil ou mesmo recursos humanos disponíveis para averiguar os depósitos identificados  pela Receita Federal, devendo ser desconsiderada a presunção de omissão de receita.   A presunção de omissão de receitas, atacada pela recorrente, tem como base a  aplicação do art. 42, da Lei nº. 9.430/1996, in verbis:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  (grifo  não  original)  No  caso,  trata­se  de  presunção  legal  que  provoca  a  inversão  do  ônus  da  prova,  cabendo  então,  à  contribuinte  comprovar  o  engano  ou  equívoco  da  RFB  quanto  ao  contido no Auto de Infração lavrado.  Ora, verifica­se nos autos que houve movimentação financeira da recorrente à  margem de sua contabilidade, sendo que mesmo intimada diversas vezes (conforme termos de  intimação de  fls. 583/585, 590/611, 618/620 622/624, 639/640), não  logrou em comprovar  a  origem daqueles recursos.   Logo, há presunção legal quanto à omissão de receita de tais valores que não  têm origem comprovada.   Posteriormente, em sede de sua impugnação, e também no recurso voluntário,  arguiu  a  recorrente  que  obteve  recursos  através  de  supostos  empréstimos  com  empresas  de  fomento mercantil e empresas cujos sócios se confundem com os seus, juntando planilha onde  aponta os supostos repasses referidos (fls. 818/823).  Entretanto,  não  é  possível  que  se  considere  suas  alegações  apenas  com  respaldo na planilha apresentada, pois esta não está acompanhada de nenhum documento hábil  e  idôneo  capaz  de  corroborar  seus  lançamentos  e  a  efetividade  das  operações,  tais  como  contratos,  documentos  contábeis  das  empresas  que  demonstrassem  a  contabilização  e  declaração das operações à RFB, e outros.  Em outras  palavras,  a  planilha  por  si  só  não  é  documento  hábil  e  idôneo  a  corroborar  e  comprovar  que  as  receitas  ali  apontadas  tiveram  como  origem  os  empréstimos  alegados pela recorrente.  Foi exatamente neste sentido que decidiu o r. Acórdão proferido pela DRJ de  origem, nos seguintes termos (fls. 856/857):  Fl. 923DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 916          17 A  comprovação  da  origem  dos  valores  depositados  em  conta  corrente  bancária  deve  ser  detalhada,  coincidente  em  data  e  valores.  Deve  ficar  claro  que  o  numerário  teve  origem  em  valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis  ou tributáveis exclusivamente na fonte.  No caso presente, a fiscalização analisou os extratos bancários e  excluiu  os  valores  relativos  a  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  empréstimos  e  suprimentos,  depósitos  e  desconto  de  duplicatas  estornados  em  face  de  sua  devolução  e  não  efetivação,  empréstimos  em  conta  garantida  e  financiamentos  concedidos  pelas  instituições  bancárias,  depósitos e créditos inferiores a R$ 1.000,00 e, ainda, descontos  de cheques de emissão da própria fiscalizada. Depois, intimou a  empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos  recursos depositados  em suas contas­correntes  e a contribuinte  não  comprovou  os  valores  questionados  pelo  fisco.  Na  fase  impugnatória  não  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  a  origem  dos  depósitos  bancários  tributados.  O  demonstrativo  de  fls.  818 a  823 não é  hábil  para  comprovar  a  origem dos depósitos tributados.  Ficou  bastante  claro  no  processo  que  não  restou  comprovada  essa origem durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do  fato gerador ficou evidenciada.  Assim  descabido  qualquer  questionamento  acerca  da  possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base  de cálculo dos tributos lançados.  Resta, dessa forma, prejudicada a sua alegação quanto à suposta inexistência  de  renda  tributável nas  suas contas bancárias devido empréstimos para  financiamento de sua  produção, haja vista não existir comprovação documental nos autos que a suporte.  Outrossim,  não  se  pode  dizer  que  o  AFRFB  não  especificou  na  movimentação  financeira  da  recorrente  quais  os  lançamentos  realizados  em  suas  contas  bancárias foram considerados como receitas omitidas, pois houve a elaboração de planilha na  qual se detalhou todos os lançamentos que deveriam ter sua origem justificada e comprovada  (fls. 590/612).  Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário no ponto  relativo  à  alegação  de  nulidade  do  procedimento  fiscal  quanto  à  presunção  de  omissão  de  receitas,  bem  como  quanto  à  inexistência  de  renda  tributável,  conforme  termos  acima  delineado.  5.  Da  alegação  de  falta  de  capacidade  contributiva  subjetiva  da  recorrente  Aduziu  a  recorrente,  ainda,  que  tendo  em  vista  o  princípio  da  capacidade  contributiva, não seria possível considerar a omissão de receitas que lhe é imputada, pois não  se coaduna com a realidade fática acerca de seus bens e rendas.  Fl. 924DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     18 Essa  alegação  não  merece  provimento,  até  porque  o  sujeito  passivo  da  obrigação tributária é aquele vinculado ao fato gerador, conforme dita o art. 121, do CTN,  in  verbis:  Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  Logo, muito embora eventualmente seus bens não demonstrem exteriorização  de riqueza na proporção da receita omitida, é incontroverso que a recorrente recebeu recursos  em suas contas bancárias que não tiveram sua origem comprovada.  Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar o recurso voluntário neste ponto,  existindo capacidade tributária do sujeito passivo neste caso.  6. Da multa qualificada de ofício  Segundo  o  TVF  (fl.  673),  houve  a  aplicação  da  multa  qualificada  sobre  o  lançamento tributário, nos seguintes termos:  a) (...).  b)  da multa  agravada  de  150%  (cento  e  cinquenta  por  cento),  prevista  no  §  1º  do  art.  44,  da  Lei  nº.  9.430/96,  e  artigo  957,  inciso II, do Decreto nº. 3.000/99 (RIR/99).  O §1º, do art. 44, da Lei n.º 9.430/96, aplicado ao caso em análise, prevê o  agravamento da multa, nos seguintes termos:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (...)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da  Lei  no 4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais cabíveis. (...) (grifo não original)  Ainda, como fundamento do agravamento da multa neste caso, foi aplicado o  contido no inciso II, do art. 957 do RIR/99, in verbis:  Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): [...]  Fl. 925DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 917          19 II ­ de cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito  de  fraude,  definido  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  nº 4.502,  de  1964,  independentemente de outras penalidades administrativas  ou criminais cabíveis.  O AFRFB entendeu que “a omissão de receitas apurada nos anos­calendário  de  2007  e  2008,  nos moldes  em  que  foi  realizada,  ou  seja declaração  ao  fisco  federal  de  somente  parte  da  receita  operacional  do  contribuinte,  ora  fiscalizado,  para  elidir  o  recolhimento dos tributos federais devidos sobre tal omissão, em tese, caracteriza crime contra  a ordem tributária (...)” (fls. 673) (grifo não original).  Logo, é conclusão lógica de que o AFRFB qualificou a multa de ofício, com  fundamento  no  art.  44,  §1º,  da  Lei  n.º  9.430/96,  pois  a  recorrente  não  escriturou  toda  sua  movimentação bancária, bem como não justificou a origem dos recursos que ingressaram em  suas contas bancárias, mesmo reiteradamente intimada.  Entretanto, em que pese a fundamentação do AFRFB, entendo que não deve  ser mantida a multa qualificada pois, como se denota dos autos, houve o arbitramento do lucro  da recorrente sobre o mesmo fundamento da multa qualificada, qual seja, falta de escrituração  da movimentação  bancária  e  comprovação  da  origem dos  recursos  ali  verificados,  conforme  consta do TVF (fls. 670/671):  Por outro lado, as irregularidades na escrituração contábil com  a  falta  de  registro  das  operações  bancárias  e  a  recusa  do  contribuinte  em  fornecer  informações  sobre  a  movimentação  financeira,  embora  devidamente  intimado  e  reintimado  a  apresentar,  evidenciam  claramente  sua  subsunção  à  luz  do  disposto no artigo 29, incisos II, V e VIII, da Lei Complementar  nº.  123/2006,  determinadores  da  exclusão do  Simples Nacional  pela  inobservância  da  obrigatoriedade  de  escrituração  das  contas bancárias (...).  Face  ao  exposto,  o  Sr. Delegado da Receita Federal  do Brasil  em  Londrina,  expediu  o  ADE­Ato  Declaratório  Executivo  nº.  069,  de  fls.  656  a  657,  cientificado  ao  contribuinte  em  30  de  novembro de 2011, que  impôs a  exclusão de ofício da  empresa  em tela do SIMPLES NACIONAL (...).  Considerando a exclusão do regime de tributação do SIMPLES  NACIONAL,  conforme  descrito  no  parágrafo  anterior,  o  contribuinte foi intimado em 09 de dezembro de 2011, às fls. 661  a 663, a informar o regime de  tributação a ser adotado para o  período  de  01  de  julho  de  2007  a  31  de  agosto  de  2008,  haja  vista  que  para  o  período  de  01  setembro  de  2008  a  31  de  dezembro  de  2008  a  empresa  optou  pelo  regime  do  Lucro  Presumido (...).  Ocorre,  porém,  que  decorrido  o  prazo  de  05  (cinco)  dias  para  que o contribuinte se manifestasse sobre o regime de tributação  para  o  período  em  que  foi  excluído  do  regime  do  SIMPLES  NACIONAL,  nos  termos  do  ADE  069  acima  descrito,  tal  manifestação  não  ocorreu,  e  considerando  que  embora  o  contribuinte tenha optado pelo regime de lucro presumido para  o período de setembro de 2008 a dezembro de 2008,  tal regime  Fl. 926DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     20 não  pode  ser  aplicado,  pois  sua  escrituração  contábil  está  imprópria,  conforme  se  deflue  da  análise  dos  livros  razão  contábeis, de fls. 57 a 179, onde se verifica a completa ausência  do registro e da contabilização das contas bancárias, bem como  a  recusa  do  contribuinte  em  fornecer  informações  sobre  a  movimentação  financeira,  embora  devidamente  intimado  e  reintimado a apresentar.   Assim  sendo,  não  resta  outra  alternativa  para  a  fiscalização  senão  a  de  desclassificar  a  escritura  contábil  e  tributar  o  contribuinte no período de 01 de julho de 2007 a 31 de dezembro  de 2008, pelo regime de Lucro Arbitrado,  tributação esta que é  concretizada  pela  emissão  de  Auto  de  Infração.  (grifos  não  originais).  Dessa forma, é incontroverso que existiu o arbitramento do lucro neste caso  pela ausência do registro e da contabilização das contas bancárias em nome da recorrente.  Tem­se que  a  tributação pelo  regime do Lucro Arbitrado, por  si mesmo,  já  pune de certa forma o contribuinte, justamente por arbitrar um lucro que a empresa obteve em  determinado período, o que costuma ser maior do que se verificaria pelo regime de tributação  do Lucro Real ou do Lucro Presumido.  Com efeito, o cálculo do lançamento tributário feito sobre o lucro arbitrado é  deveras superior do que se fosse feito em relação ao lucro real da empresa, cuja aferição não  foi possível pela declaração de imprestabilidade da contabilidade da recorrente.   Logo,  aplicar  a  multa  qualificada  em  caso  de  lucro  arbitrado  é,  de  certa  forma, punir o  contribuinte em duplicidade, pelo que  esta não deve persistir  por  ser caso de  incidência de lucro arbitrado.  Em sentido paralelo ao entendimento ora esposado está a Súmula nº. 96, do  CARF, segundo a qual a falta de apresentação de documentação contábil não justifica, por si  só, o agravamento da multa na situação de arbitramento dos lucros da recorrente quando essa  omissão motivou o arbitramento. Vejamos o conteúdo da referida Súmula:  Súmula  CARF  nº  96:  A  falta  de  apresentação  de  livros  e  documentos  da  escrituração  não  justifica,  por  si  só,  o  agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o  arbitramento dos lucros.  Isto  pois,  segundo  as  decisões  que  levaram  a  sumular  tal  entendimento,  a  falta de  apresentação de  livros  e documentos da  escrituração  justificariam o  arbitramento do  lucro  do  contribuinte  e,  portanto,  por  si  só,  não  poderiam  servir  ao  mesmo  tempo  para  a  qualificação da multa de ofício, ou do contrário, estar­se­ia punindo o contribuinte duas vezes  pelo mesmo fato.  Ou  seja,  no  presente  caso,  uma  vez  que  a  falta  de  escrituração  da  movimentação  financeira  e  comprovação  da  origem  dos  depósitos  em  conta  bancária  pela  recorrente motivou  o  arbitramento  dos  seus  lucros,  estes mesmos  fatos  não  podem  servir  de  fundamento para qualificação da multa de ofício aplicada, ou haveria do mesmo modo dupla  penalização do contribuinte, uma vez que a tributação pelo lucro arbitrado já aumenta a carga  tributária.  Fl. 927DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11634.720819/2011­18  Acórdão n.º 1302­001.536  S1­C3T2  Fl. 918          21 Dessa  forma, voto no sentido de dar provimento ao  recurso voluntário para  afastar  a multa  qualificada,  a  fim de  incidir  apenas  a multa  de  ofício  no  percentual  de  75%  (setenta e cinco por cento) sobre todo o lançamento tributário.    6.1. Da Inexistência de Fundamentação para Qualificação da Multa  Mesmo já sendo suficientes os fundamentos lançados acima a fim de afastar a  qualificação da multa de ofício, é relevante observar que no item 4 do TVF (fls. 673) o AFRFB  apenas apresenta de forma sucinta que a omissão de receitas verificada nos autos configuraria  crime contra a ordem tributária, nos moldes da Lei n.º 8.137/90.  Entretanto,  não  restaram  demonstrados  quais  os  fatos  aos  quais  o  fiscal  se  referia, ou seja, quais foram as ações realizadas pela recorrente que caracterizaram os ilícitos  previstos nos art. 1º, I, e art. 2º, I, ambos da Lei n.º 8.137/90.  Deveria  a  autoridade  fazendária  ter  sido  mais  diligente  apontando  expressamente os fatos verificados e que lhe levaram a conclusão da existência da prática de  crime contra a ordem tributária.  Portanto,  como  não  houve  a  descrição  dos  fatos  que  no  entender  do  Fisco  caracterizariam  a  prática  de  crime  contra  a  ordem  tributária  prevista  na  Lei  n.º  8.137/90,  entendo que inexistem fundamentos para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada.  Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para afastar a  multa qualificada, a  fim de  incidir apenas a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e  cinco por cento) sobre todo o lançamento tributário   7. Da conclusão  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  interposto  para  afastar  a  incidência  da multa  de ofício  de  150%,  incidido  em  seu  lugar  a multa  de  75% em  relação  ao  crédito  tributário  constituído  nos  autos,  nos  termos  do  relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Marcio Rodrigo Frizzo ­ Relator                                Fl. 928DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 07/01/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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Numero do processo: 10945.012323/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes declarou-se impedido. Henrique Pinheiro Torres- Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. EDITADO EM: 07/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 252          1 251  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10945.012323/2003­91  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3101­000.389  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  16 de outubro de 2014  Assunto  Multa Aduaneira  Recorrente  MUNDIAL ATACADISTA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  O  Conselheiro  Rodrigo  Mineiro  Fernandes  declarou­se impedido.    Henrique Pinheiro Torres­ Presidente.     Luiz Roberto Domingo ­ Relator.  EDITADO EM: 07/11/2014   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Valdete  Aparecida  Marinheiro,  José  Henrique  Mauri  (Suplente),  Demes  Brito  (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  da  DRJ  de  Florianópolis – SC, que, por unanimidade, julgou procedente a aplicação da multa equivalente  ao valor aduaneiro da mercadoria não foi localizada, nos termos do art. 23, § 3º do Decreto­lei  nº 1.455/1976, determinando que a exigência fique suspensa, até o julgamento final do PAF nº  13603.000988/2003­11, conforme determinação judicial.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 12 32 3/ 20 03 -9 1 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10945.012323/2003­91  Resolução nº  3101­000.389  S3­C1T1  Fl. 253          2 Os fundamentos da decisão estão consubstanciados na seguinte ementa:  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do  fato gerador:  11/02/2005  Ementa:  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO  Medidas  judiciais  suspensivas  da  exigência  do  crédito  tributário  não  impedem  sua  constituição,  haja  vista  que  esse  ato  (constituição  do  crédito  tributário)  é  privativo  da  autoridade  fiscal  e  não  pode  ser  substituída ou suprida judicialmente, além do que a decadência não se  suspende ou interrompe a não ser no único caso que é a anulação do  lançamento por vício formal.  AFASTAMENTO  DA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA  POR  ILEGALIDADE E/OUINCONSTITUCIONAL1DADE.  Não  compete  aos  funcionários  do  Poder  Executivo,ainda  que  na  incumbência de julgar processos administrativos fiscais, o afastamento  da  legislação  tributária  por  ilegalidade  /  inconstitucionalidade.  Essa  competência é exclusiva do Poder Judiciário.  Lançamento  Procedente  O  resultado  do  julgamento  decorreu  da  análise dos fatos que foram assim descritos pela decisão recorrida:  ‘Trata o presente processo do Auto de  Infração de  fls. 112 a 116, por meio do  qual  é  feita  a  exigência  de  R$  26.015,80  (vinte  e  seis  mil  e  quinze  reais  e  oitenta  centavos)  de  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  que  não  seja  localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida, nos termos do art. 23,  § 3º do Decreto­lei nº 1.455 de07/04/1976 ­ DOU 08/04/1976 ret. em 13/04/1976 (§ 3°  acrescido pela Lei n° 10.637, de30/12/2002 (DOU de 31/12/2002 ­ Ed. Extra ­ em vigor  desde a publicação).  Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls.113/114  a  autuada  teve o  seu CNPJ declarado  inapto,  além de haver cometido  irregularidades  que sujeitaram as mercadorias importadas através da DI ri2 03/0585174­2, que haviam  sido entregues à firma por determinação judicial, à pena de perdimento.  Intimada a apresentar a SRF as mercadorias em questão (Termo de Intimação nº  162/2004 de fl. 59) a autuada considerou essa intimação sem respaldo (fls. 64/65) não a  atendendo,  ou  seja,  não  apresentou  referidas mercadorias  ficando,  portanto,  sujeita  à  multa aplicada neste processo.  Lavrado o auto de infração em tela e intimada a autuada, em 22/02/2005 (fl.118),  em 21/03/2005 (fl. 120) ela ingressou com a impugnação de fls. 120 a 146 por meio da  qual,  após  traçar  um  breve  histórico  da  firma,  da  operação  que  resultou  na  presente  exação, de dissertar a respeito do procedimento do despacho aduaneiro de importação e  descrever as medidas judiciais que interpôs para obter a liberação da mercadoria, alega  em síntese:  ­  é  o  desembaraço  aduaneiro  que  autoriza  a  efetiva  entrega  da mercadoria  ao  importador sendo o último ato de procedimento do despacho aduaneiro. Como ele foi  determinado por ordem judicial não há que se falar em qualquer irregularidade;  ­ de se observar que a apuração da origem da disponibilidade ou da efetiva transferência  dos  recursos  necessários  à  prática  do  comércio  exterior  encontra­se  na  fase  de  conferência  aduaneira,  etapa  que  antecede  o  desembaraço  aduaneiro  e  se  esse  foi  implementado é porque, efetivamente,  todos os  requisitos das etapas anteriores  foram  inexoravelmente preenchidos corretamente;  Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10945.012323/2003­91  Resolução nº  3101­000.389  S3­C1T1  Fl. 254          3 ­ assim, não cabe a  fiscalização,  sem  trazer elementos consistentes e provas de  suas  suspeitas  desconsiderar  uma  decisão  judicial  e  impingir  uma  multa  arbitrária  e  totalmente  desarrazoada  (apresenta  tese  a  respeito  de  presunções,  provas  indiciárias,  ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do  não confisco às fls. 131 a 139);  Pede  o  cancelamento  da  multa  aplicada  e  alternativamente  (vários  pedidos  alternativos não são passíveis de serem analisados em sede administrativa, conforme se  demonstrará na fundamentação e, por esse motivo não são aqui relatados) a redução da  pena.  Inconformada  com  a  decisão,  a Recorrente  interpôs Recurso Voluntário,  onde  reiterou os argumentos expostos na impugnação.  É o Relatório.   Voto  Conselheiro Luiz Roberto Domingo  Como se vê, o presente processo decorre da interpretação dos fatos narrados nos  autos  do  processo  administrativo  fiscal  nº  13603.000988/2003­11,  de  modo  que  os  fatos  e  procedimentos  tratados  naqueles  autos  são  motivo  do  ato  administrativo  de  lançamento  e,  portanto,  estão  submetidos  à  apreciação  da  administração  e  aos  juízos  necessários  para  verificação da procedência da aplicação da penalidade discutida nestes autos.  Diante  do  exposto,  converto  o  julgamento  em  diligência  a  fim  de  que  a  integralidade  dos  autos  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  13603.000998/2003­11  seja  juntada nestes autos para apreciação no âmbito do julgamento da presente lide, inclusive para  que se verifique a adequação da suspensão do julgamento deste feito.    Luiz Roberto Domingo ­ Relator  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 10660.724803/2011-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2011 ISENÇÃO. TÁXI. VEÍCULOS VENDIDOS. FALTA DE TRANSFERÊNCIA. Comprovado que o interessado dispõe de um único veículo utilizado na categoria de aluguel (táxi), é de se reconhecer o direito à aquisição de um veículo novo, para este mesmo fim, com a isenção do IPI, ainda que conste registrado no Detran a propriedade, em seu nome, de outros veículos já vendidos, mas ainda não transferidos, desde que comprovado o atendimento dos demais requisitos normativos. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Demes Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 57          1 56  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10660.724803/2011­02  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­004.726  –  1ª Turma Especial   Sessão de  11 de dezembro de 2014  Matéria  ISENÇÃO ­ IPI  Recorrente  LUIZ ROBERTO CAMILO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Exercício: 2011  ISENÇÃO.  TÁXI.  VEÍCULOS  VENDIDOS.  FALTA  DE  TRANSFERÊNCIA.  Comprovado  que  o  interessado  dispõe  de  um  único  veículo utilizado na categoria de aluguel (táxi), é de se reconhecer o direito à  aquisição de um veículo novo, para este mesmo fim, com a isenção do  IPI,  ainda que conste registrado no Detran a propriedade, em seu nome, de outros  veículos  já  vendidos, mas  ainda  não  transferidos,  desde  que  comprovado  o  atendimento dos demais requisitos normativos.  Recurso Voluntário Provido       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.  O  Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes Presidente.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes  (Presidente),  Paulo  Sérgio  Celani,  Cassio  Schappo, Marcos  Antonio  Borges,  Demes  Brito e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 48 03 /2 01 1- 02 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.724803/2011­02  Acórdão n.º 3801­004.726  S3­TE01  Fl. 58          2   Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida,  que  transcrevo a seguir:  Trata  o  presente  processo  de  solicitação  do  interessado,  por  meio do documento de fl. 02, protocolado na Receita Federal do  Brasil  em  08/11/2011,  para  o  reconhecimento  do  direito  à  isenção  do  IPI  prevista  na  Lei  nº  8.989,  de  24  de  fevereiro  de  1995, e alterações, relativa à aquisição de automóvel destinado  ao transporte autônomo de passageiros na categoria de táxi.  Em análise de  legitimidade, a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  (DRF)  em  VarginhaMG,  com  base  no  parecer  de  fls.  24/25  e  por  meio  do  despacho  decisório  de  fl.  26,  indeferiu  o  pleito de isenção do IPI sob o fundamento de que:  “Da análise dos documentos que instruem os autos, constata­se  que o requerente não faz jus à isenção, visto que possui mais de  um  automóvel  na  categoria  de  aluguel,  conforme  telas  de  consulta  ao  sistema  RENAVAM  (fls.  19  ,  20  e  22)  e  DETRANNET  MG  (fls.  21  e  23)  descaracterizando­o  como  condutor autônomo.”  Cientificado  pela  via  postal  em 03/02/2012  (conforme o AR de  cópia  juntada  às  fls.  28/29),  o  interessado  apresentou  em  27/02/2012  sua  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  30/33,  instruída pelos elementos de fl. 34, alegando, em síntese, que não  era proprietário de dois veículos de aluguel, porquanto o veículo  de  placa  GUX7114  havia  sido  transferido  para  outra  pessoa,  chamada  o  Sr.  Hudson  Leandro  Moreira  da  Cunha,  em  23/02/2006, pelo que fazia jus à isenção do IPI requerida.  Cientificado do indeferimento em pela via postal em 24/02/2012  (conforme  o  AR  de  cópia  juntada  à  fl.  23),  o  interessado,  por  meio de procurador constituído pelo instrumento de mandato de  fl.  04,  protocolou  em  02/03/2012  a  sua  manifestação  de  inconformidade de fls. 30/33, instruída pelo documento de fl. 34,  alegando o que segue:  “Embora  conste  em  nome  do  recorrente  dois  automóveis  na  modalidade de aluguel, hoje, o recorrente apenas possui apenas  um automóvel na modalidade de aluguel, sendo o veículo FIAT  UNO MILLE WAY ECONOMY, RENAVAM 210061057, e outro  cujo  consta  no  cadastro  do  Detram/MG,  sendo  um  automóvel  FORD/DEL  REY  GLX  COR  DOURADA  ANO/MOD  1986  RENAVAM  519422910  CHASSI  9BFCXXLB2CGT78I65,  já  foi  vendido  no  ano  de  1999  em  uma  revendedora  de  veículos  na  cidade vizinha de Itapira/SP, e por razões desconhecidas o atual  proprietário  não  transferiu  o  referido  veículo  para  seu  nome  conforme preceitua o art. 123, § 1° do CBT, e por essa razão, o  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.724803/2011­02  Acórdão n.º 3801­004.726  S3­TE01  Fl. 59          3 recorrente fez  impedimento administrativo junto ao Detram/MG  na data de 27/07/2003 por falta de transferência (doc. anexo).  (...)  Como já se sabe, sendo o automóvel um bem segundo o art. 1226  do  CC/02,  a  propriedade  dos  bens  móveis  se  transferem  pela  tradição;  (...)  Embora  conste  no  cadastro  do  Detram/MG  o  veículo  FORD/DEL  REY  GLX  como  atual  proprietário  o  recorrente,  trata­se de mera irregularidade administrativa, pois propriedade  já foi  transferida para o comprador no momento da entrega do  veículo,  requisito  totalmente  notável  no  relatório  ora  anexado,  onde  consta  impedimento  do  referido  veículo  por  falta  de  transferência, embora alguns anos após a venda. Por outro lado  Dr.  Delegado,  o  art.  123,  §  1º  do  CBT  diz  que  é  da  responsabilidade do novo adquirente a transferência do veículo  e  imputar  essa  responsabilidade  para  o  recorrente,  para  que  mesmo  proceda  essa  transferência  ao  órgão  competente  para  que depois adquira o direito a isenção do IPI para Taxista, seria  um  ato  de  extrema  injustiça,  primeiro,  porque  trata­se  de  uma  mera  irregularidade  administrativa  junto  ao  Detran/MG  a  propriedade  ao  veiculo  FORD/DEL  REY  GLX  em  nome  do  recorrente,  segundo,  porque  a  propriedade  se  transferiu  no  momento  da  venda  juntamente  com  todos  os  ônus  sobre  o  mesmo.”  A Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  (MG) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano calendário: 2011  IPI. ISENÇÃO. TÁXI.  Não  comprovado  o  preenchimento  dos  requisitos  exigidos  pela  legislação  de  regência  para  a  fruição  da  isenção  do  IPI  na  aquisição de táxi, indefere­se o benefício.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Sem Crédito em Litígio  Inconformado,  o  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  repisando  os  argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.724803/2011­02  Acórdão n.º 3801­004.726  S3­TE01  Fl. 60          4   Voto             Conselheiro Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  A  legislação  que  trata  da  isenção  pleiteada  concedida  aos  taxistas  para  aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis:  Art.  1o  Ficam  isentos  do  Imposto  Sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  os  automóveis  de  passageiros  de  fabricação  nacional,  equipados  com  motor  de  cilindrada  não  superior  a  dois  mil  centímetros  cúbicos,  de  no  mínimo  quatro  portas  inclusive  a  de  acesso  ao  bagageiro,  movidos  a  combustíveis  de  origem  renovável  ou  sistema  reversível  de  combustão, quando adquiridos por:  (Redação dada pela Lei nº  10.690, de 16.6.2003)  I – motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em  veículo de  sua propriedade atividade de condutor autônomo de  passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou  concessão  do  Poder  Público  e  que  destinam  o  automóvel  à  utilização  na  categoria  de  aluguel  (táxi);  (Redação  dada  pela  Lei n ° 9.317, de 5 de dezembro de 1996)  II – motoristas profissionais autônomos titulares de autorização,  permissão  ou  concessão  para  exploração  do  serviço  de  transporte  individual  de  passageiros  (táxi),  impedidos  de  continuar  exercendo  essa  atividade  em  virtude  de  destruição  completa,  furto  ou  roubo  do  veículo,  desde  que  destinem  o  veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi);  A regulamentação da norma pela  Instrução Normativa (IN) RFB nº 987, de  2009, assim dispõe:  Art. 2 º Poderão adquirir, com isenção do IPI, para utilização na  atividade de  transporte  individual de passageiros,  na  categoria  de  aluguel  (táxi),  automóvel  de  passageiros,  incluído  o  veículo  de  uso  misto,  de  fabricação  nacional,  equipado  com motor  de  cilindrada  não  superior  a  2.000cm  3  (dois  mil  centímetros  cúbicos), de no mínimo 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso  ao  bagageiro,  movido  a  combustível  de  origem  renovável,  ou  sistema  reversível  de  combustão,  classificado na  posição 87.03  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (Tipi):  I ­ o motorista profissional que:    Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.724803/2011­02  Acórdão n.º 3801­004.726  S3­TE01  Fl. 61          5 a) exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a  atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de  titular  de  autorização,  permissão  ou  concessão  do  Poder  Público; ou  b)  seja  titular  de  autorização,  permissão  ou  concessão  para  exploração  do  serviço  de  transporte  individual  de  passageiros  (táxi)  e  esteja  impedido  de  continuar  exercendo  essa  atividade  em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo; e  (...)  § 3 º Para efeito de reconhecimento da isenção entende­se como  condutor  autônomo  de  passageiros  o  motorista  que  seja  proprietário  de  apenas  um  automóvel  utilizado  como  táxi,  admitida  a  propriedade  de  outros  veículos,  mesmo  que  para  aluguel, desde que não utilizados como táxi.  Verifica­se  que  o  ato  normativo  regulamentador  autoriza  a  concessão  do  benefício  ao  condutor  autônomo  de  passageiros  que  seja  proprietário  de  outros  veículos,  mesmo que para aluguel, desde que não utilizados como táxi.  Alega o recorrente que o outro veículo cadastrado como de aluguel registrado  em seu nome, sendo este um automóvel FORD/DEL REY GLX COR DOURADA ANO/MOD  1986, havia sido vendido no ano de 1999 em uma revendedora de veículos na cidade vizinha  de Itapira/SP, e por razões desconhecidas o atual proprietário não transferiu o referido veículo  para seu nome. Apresenta ainda documento do DETRAN/MG, registrado em 25/07/2003, no  qual consta impedimento do referido veículo por falta de transferência.   No  caso  em  tela,  em  vista  do  conjunto  probatório  e  das  circunstancias  materiais, ainda que conste registrado no Detran a propriedade, em seu nome, de outro veículo  na categoria aluguel já vendido mas ainda não transferido, veículo esse que possui quase trinta  anos de fabricação e que dificilmente estaria sendo utilizado como táxi, como não se encontra  mais  sob  sua  posse,  logicamente  este  não  pode  ser  utilizado  pelo  recorrente  como  taxi,  não  constituindo­se  assim  óbice  para  a  concessão  do  benefício,  desde  que  comprovado  o  atendimento dos demais requisitos normativos.  Diante  do  exposto  e  do  que  consta  nos  autos,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso voluntário.  É assim que voto.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges                             Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.724803/2011­02  Acórdão n.º 3801­004.726  S3­TE01  Fl. 62          6     Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 11634.000896/2007-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003 DIRPF. REVISÃO INTERNA. MULTA PELA INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ERRADA NA DECLARAÇÃO. RIR/1999. A falta de informação de pagamentos efetuados, na forma do art. 930 do RIR/1999, sujeitará o infrator à multa de vinte por cento do valor não declarado ou de eventual insuficiência. As multas tributárias, tanto as vinculadas ou proporcionais como as isoladas, prescindem, para sua aplicação, da demonstração da vontade do agente, e são aplicadas objetivamente, pela constatação da infração à legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre, José Valdemir da Silva e Flavio Araujo Rodrigues Torres que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2003 DIRPF. REVISÃO INTERNA. MULTA PELA INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ERRADA NA DECLARAÇÃO. RIR/1999. A falta de informação de pagamentos efetuados, na forma do art. 930 do RIR/1999, sujeitará o infrator à multa de vinte por cento do valor não declarado ou de eventual insuficiência. As multas tributárias, tanto as vinculadas ou proporcionais como as isoladas, prescindem, para sua aplicação, da demonstração da vontade do agente, e são aplicadas objetivamente, pela constatação da infração à legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11634.000896/2007­71  Acórdão n.º 2801­003.806  S2­TE01  Fl. 68          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.   Relatório  Contra o contribuinte identificado foi lavrado Auto de Infração constante das  fls. 37   e  seguintes,  onde  se  verifica  a  constituição  de  crédito  tributário  no  valor  de  R$  3.840,00 a  título de multa regulamentar. Na descrição dos  fatos,  relata  a Autoridade Fiscal  que constatou a seguinte infração:  O  contribuinte  deixou  de  informar  na  declaração  de  ajuste  anual, no quadro Relação de Pagamentos e doações efetuadas,  pagamento(s)  efetuados  a  Jorge  Aidar  e  Associados  S/C  Ltda.  CNPJ 01.024.166/0001­00 no valor de R$ 19.200,00,  conforme  Termo de Encerramento  E no referido Termo, complementa explicando que:  Tais honorários foram ACEITOS como redução dos rendimentos  tributáveis,  na  revisão  de  sua Declaração  de Ajuste Anual ND  18.409.148  (Fls.  06/10)  incidente  em  Malha  Fiscal/IRPF,  mediante a apresentação da nota fiscal n° 0339 (cópia à Fl. 17)  emitida  na  data  de  24/01/2002,  no  valor  de  R$  19.200,00,  contendo  a  seguinte  DISCRIMINAÇÃO  DOS  SERVIÇOS:  "honorários advocatícios por serviços prestados na RT 6719/97  da Iªa VT de Londrina, promovida contra o Banco Itaú SA".  Cabe  salientar que o  contribuinte  informou no quadro Relação  de Pagamentos  e  doações  efetuadas,  pagamento(s)  efetuados  a  ADVOCACIA  EDERALDO  SOARES  S/C  LTDA,  sem  a  informação  do  CNPJ  (Fl.  08),  no  valor  de  R$  19.200,01,  tal  pagamento  sugere  que  os  honorários  advocatícios  em  questão  foram  suportados  pela  fonte  pagadora,  por  tratar­se  dos  Procuradores/Advogados da fonte pagadora.  Aplicou  então  a  multa  de  20%  sobre  o  valor  dos  honorários  em  causa,  fundamentando­se nos artigos 930 e 967, do RIR/1999.  Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de  folha  45,  onde  diz  que,  por  equívoco,  informou  o  valor  do  pagamento  como  efetuado  ao  "advogado  do  Banco",  quando  o  correto  seria  Jorge  Aidar  e  Associados,  CNPJ  01.024.166/0001­00.  Conhecida pela DRJ em Curitiba/PR, sua manifestação foi assim tratada, em  resumo:  ­  a  infração  refere­se  à  inobservância de  obrigação  acessória  de  informar  à  RFB  os  rendimentos  que  pagou  no  ano  anterior,  quer  constituam  ou  não  dedução,  com  indicação  do  nome,  endereço  e  número  do  CPF  ou  CNPJ  das  pessoas  que  receberam.  Transcreve artigos do Decreto­lei nº 2.396, de 1987 e do RIR/1999.  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11634.000896/2007­71  Acórdão n.º 2801­003.806  S2­TE01  Fl. 69          3 ­ o contribuinte reconheceu o erro e o campo "CNPJ" restou não preenchido,  o que já configuraria a infração em tela, sendo irrelevante a indicação equivocada do nome do  recebedor.  A  decisão  não  foi  unânime  pela  improcedência  da  impugnação  e  manutenção do lançamento, existindo o voto vencido do Relator, que assim se posicionou (fl.  52), em resumo:  Segundo  se  infere  da  defesa  apresentada,  o  Impugnante  reconhece  que  não  informou,  em  sua  DAA,  o  nome  do  beneficiário  dos  honorários  advocatícios,  porém,  alega  que  cometeu  um  equívoco,  pois  informou  o  valor  pago,  mas  declarando como beneficiário o advogado do reclamado.  (...)  Dessa  forma,  não  visualizamos  outra  razão  para  a  troca  dos  nomes  que  não  seja  um  claro  erro  no  preenchimento  da  declaração.  Assim, com base no princípio da verdade material, no conjunto  probatório  e  tendo  em  vista  a  ocorrência  de  erro  material  no  preenchimento da DAA do exercício de 2003, ano­calendário de  2002, devem ser admitidas as razões do Impugnante cancelando­ se a multa ora imposta.  Cientificado dessa decisão, conforme Aviso de Recebimento em 28/02/2011  (folha 58), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/03/2011 (protocolo na folha 59),  em suma pedindo que suas razões já expostas sejam analisadas novamente, equivocadamente  citando  o  Relator  do  voto  vencido  como  "relator  do  Acórdão"  recorrido,  para  invocar  a  "verdade material". Pede o cancelamento da multa.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  conforme  relatado  e,  atendidas  as  demais  formalidades, dele tomo conhecimento.  Bem,  a obrigação  tributária  é principal  ou  acessória. A obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas, no  interesse da arrecadação ou da  fiscalização dos  tributos. Essas obrigações, ditas  "acessórias",  existem  independentemente  do  surgimento  efetivo  da  obrigação  tributária  principal, que é o pagamento de tributo.  A obrigação acessória visa a tornar possível a realização da principal, ou seja,  mira a fiscalização de tributos, objetivando o pagamento desses.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11634.000896/2007­71  Acórdão n.º 2801­003.806  S2­TE01  Fl. 70          4 Assim,  havendo  disciplina  para  seu  cumprimento  na  legislação  tributária,  esse regramento deve ser observado. De contrário, a obrigação acessória, pelo simples fato da  sua inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.  Não  existe  divergência  aqui  em  relação  ao  fato  dos  pagamentos  a  terceiros  terem sido erroneamente informados na DIRPF/2003. Como já assentado no julgamento a quo,  o  contribuinte  reconheceu  a  situação.  O  que  se  discute  é  se  isso  é  um  "erro  de  fato"  no  preenchimento  da  declaração,  que  justificaria  a  não  aplicação  da  multa,  em  face  de  se  demonstrar documentalmente a origem da informação errada.  Ou seja, o contribuinte, parte em ação judicial, ao informar o pagamento de  honorários advocatícios, ao invés de preencher com o nome e CPF/CNPJ de seus advogados,  preencheu com o nome dos advogados da outra parte, sem informar CPF/CNPJ.  A fundamentação legal para a aplicação desta multa foi evidenciada no Auto  de  Infração  e  transcrita  na  decisão  recorrida.  Observo  que  a  falta  da  informação  ou  a  informação incorreta inviabiliza a fiscalização do tributo, haja vista que não se pode identificar  o recebedor correto dos rendimentos, que são deduzidos na base de cálculo do tributo devido  pelo pagador.  Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999­RIR/99  Art.  930.  As  pessoas  físicas  deverão  informar  à  Secretaria  da  Receita Federal,  juntamente  com a  declaração,  os  rendimentos  que pagaram no ano anterior, por si ou como representantes de  terceiros,  constituam ou não dedução,  com indicação do nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no  CPF  ou  no  CNPJ,  das  pessoas  que  os  receberam  (Decreto­Lei  n°2.396,  de  21  de  dezembro de 1987, art. 13).  Art.  967.  A  falta  de  informação  de  pagamentos  efetuados  na  forma do art. 930 sujeitará o infrator à multa de vinte por cento  do valor não declarado ou de eventual insuficiência (Decreto­Lei  n° 2.396, de 1987, art. 13, § 2º).(sublinhei)  As multas tributárias, tanto as vinculadas ou proporcionais como as isoladas,  prescindem,  para  sua  aplicação,  da  demonstração  da  vontade  do  agente,  e  são  aplicadas  objetivamente, pela constatação da infração à legislação.  Entendo que aqui restou demonstrada a informação indevida na DIRPF e que  existe fundamento legal para a aplicação da multa, conforme realizado.  Assim, face ao exposto, voto por negar provimento ao presente Recurso.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada.                Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 11634.000896/2007­71  Acórdão n.º 2801­003.806  S2­TE01  Fl. 71          5                 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09 /12/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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Numero do processo: 11080.735931/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2011 IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na saída dos produtos do estabelecimento, independentemente de ter havido ou não qualquer processo de industrialização. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente-substituto. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 4.844          1 4.843  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.735931/2012­48  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  3202­001.385  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de novembro de 2014  Matéria  IPI.MULTA  Recorrente  COMPANHIA ZAFFARI COMÉRCIO E INDÚSTRIA            Recorrida  FAZENDA PÚBLICA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2011  IMPORTAÇÃO.  EQUIPARAÇÃO  A  INDUSTRIAL.  SAÍDA  DOS  PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI.  A  empresa  que  importar  produtos  tributados  é  equiparada  a  industrial  e  é  contribuinte  do  IPI,  devendo  destacar  o  imposto  na  saída  dos  produtos  do  estabelecimento, independentemente de ter havido ou não qualquer processo  de industrialização.  Recurso de ofício negado.  Recurso voluntário negado.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício.  Por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário;  vencidos  os  Conselheiros Gilberto  de Castro Moreira  Junior  e Thiago Moura  de  Albuquerque Alves. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.  Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente­substituto.     Charles Mayer de Castro Souza ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 59 31 /2 01 2- 48 Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luis  Eduardo  Garrossino Barbieri (presidente­substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer  de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves.  Relatório  Trata o presente processo de auto de  infração  lavrado contra  a  contribuinte  acima  identificada,  constituindo  crédito  tributário  decorrente  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI,  referente  a  períodos  de  apuração  compreendidos  nos  anos  de  2008  a  2011, no valor de R$ 6.758.606,46, incluídos multas de ofício proporcional e isolada e juros de  mora.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  transcrevo  o  Relatório  da  decisão de primeira instância administrativa, in verbis:  Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a  empresa  acima  identificada,  no  valor  total  de R$  6.758.606,46  (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional,  juros de  mora e multa isolada). Segundo Relatório de Ação Fiscal de fls.  4737/4763 a  empresa  tem por objeto a exploração do  ramo de  supermercados,  revendendo mercadorias  de  importação  direta,  tendo  declarado,  conforme  documento  e  fl.  08,  não  ser  contribuinte do IPI.  2. Ocorre que, segundo entende a fiscalização, por dar saída a  produtos  de  importação  direta,  a  empresa  é  contribuinte  do  imposto por  equiparação,  tendo  sido  efetuado o  lançamento de  ofício  do  IPI  não  destacado  nas  saídas  dos  produtos,  3.  Nos  casos  de  transferências  para  os  estabelecimentos  da  mesma  empresa,  a  fiscalização  informa  haver  utilizado  o  valor  tributável mínimo, conforme inciso I do § único do artigo 196 de  RIPI/2010 para fatos geradores a partir de junho/2010 e inciso I  do  §  único  do  artigo  137  do  RIPI/2002  nos  demais  fatos  geradores. Acrescenta: “Sendo assim o valor tributável mínimo  é  o  valor  que  serviu  de  base  ao  Imposto  de  Importação,  acrescido  desse  tributo  e  demais  elementos  componentes  do  custo do produto, inclusive a margem de lucro normal.”.  4.  Para  o  cálculo  do  imposto  devido  foram  concedidos  os  créditos das notas  fiscais de entrada não escrituradas e, diante  das diferentes classificações utilizadas para produtos iguais pela  importadora,  foram  classificados  os  itens  conforme  tabelas  constantes do relatório.  5.  Cientificada  em  11.03.2013,  a  interessada  apresentou,  tempestivamente,  em  27.03.2013,  impugnação  (fls.  4767/4778)  na qual apresenta as seguintes alegações, abaixo sintetizadas:  a)  “Como  já  referido,  os  produtos  importados  pela  Impetrante  não sofrem qualquer tipo de processo de industrialização no seu  estabelecimento,  já  se  encontrando  MONTADOS  E  EMBALADOS.  Assim,  conforme  a  melhor  interpretação  do  Código  Tributário  Nacional  CTN,  a  Impugnante  está  sujeita  apenas  ao  recolhimento  do  IPI  quando  do  desembaraço  aduaneiro, na qualidade de importadora.”;  Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.735931/2012­48  Acórdão n.º 3202­001.385  S3­C2T2  Fl. 4.845          3 b) “Note­se que a Lei Complementar de Normas Gerais (CTN),  em  momento  algum  definiu  a  cumulação  dos  fatos  geradores,  muito menos identificou um sujeito passivo que integre a relação  duas  vezes,  como  se  fosse  ora  um  ‘tipo  de  contribuinte’,  ora  outro.  Em  outras  palavras,  e  em  homenagem  ao  sistema  como  será  demonstrado  a  seguir,  não  há  como  um  contribuinte,  em  determinado  momento  recolher  o  IPI  como  importador,  e,  em  outro,  como  se  fosse  indústria  (o  chamado  ‘equiparado  a  indústria’).”;  c)  “Apenas  para  que  fique  claro,  o  importador  não  é  "equiparado  a  indústria";  o  "importador"  é  o  importador.  Equiparado  a  indústria  é  aquele  estabelecimento  que  adquire  matéria prima, material de embalagem e produto intermediário,  arca com o ônus do IPI nestes produtos, e manda industrializar  fora  de  seu  estabelecimento  a  chamada  industrialização  por  encomenda.”;  d) “Qualquer conclusão diferentemente do antes anotado, como  tem  sugerido  a  Autoridade  Fiscal,  não  bastasse  a  ausência  de  previsão expressa no CTN, termina por violar a igualdade como  relação  entre  os  contribuintes  nacionais  a  indústria,  e  os  que  importam produtos estrangeiros os importadores.  Quando a Impugnante compra no mercado nacional, ela compra  da fábrica com IPI. Neste caso, o IPI é calculado sobre o preço  fábrica; o preço de aquisição da mercadoria nunca sobre o seu  preço de revenda, para o consumidor.  Quando  a  Impugnante  importa,  ou  seja,  compra  no  mercado  internacional,  ela  compra  sem  IPI,  mas  ao  desembaraçar,  recolhe o IPI, sobre o valor da importação em outras palavras,  ela arca com o IPI da mesma forma, ou seja, igualmente sobre o  preço de aquisição da mercadoria.”  e) “Logo, é legal e constitucional que o IPI incida, tanto sobre o  produto  industrializado  nacional,  quanto  sobre  o  produto  industrializado  estrangeiro.  O  problema,  todavia,  é  que  a  Autoridade Fiscal pretende que o IPI incida de uma forma sobre  o  produto  nacional,  e  de  outra  sobre  o  estrangeiro.  E  esta  exigência  diferente  é  que  termina  por  violar,  por  exemplo,  as  regras  mundiais  de  comércio  fixadas  pela  OMC,  entidade  que  tem  como  um  dos  pilares  a  igualdade  de  tratamento  tributário  com  exceção  do  Imposto  de  Importação  entre  mercadorias  nacionais e importadas.”;  f) “E não se diga, grifa­se, que a  regra da não cumulatividade  existe  exatamente  para  que  situações  como  esta  tenham  um  caráter de legalidade. Nenhum outro Imposto presente no nosso  sistema incide duas vezes sobre o mesmo contribuinte como aqui  pretende a Autoridade; (...)”;  g)  “Pois  tudo  isso  nos  leva  a  duas  conclusões:  a  primeira,  de  que não há, nem na Constituição, nem no CTN, uma regra que  autorize a incidência do mesmo imposto (IPI, que não é sobre a  circulação  de  mercadorias,  como  o  ICMS)  duas  vezes.  A  Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA     4 segunda, de que a forma de agir da Autoridade Fiscal, exigindo  a  incidência  em  duplicidade,  viola  o  art.  153,  IV,  bem  como  o  princípio  da  igualdade  previsto  no  art.  5o,  ambos  da  CF/88,  normas  cuja  eficácia  não  pode  ser  negada  pela  Autoridade  Administrativa apta ao julgamento da presente impugnação.”;  h) “A impossibilidade de cumulação de multas em face de uma  única  infração  (lançada)  é questão que  também não é nova no  cenário tributário. No caso, portanto, em caráter subsidiário, em  não  sendo  anulado  integralmente  o  lançamento,  deve  ser  cancelada uma das multas aplicadas, ou readequada uma delas  em  razão  dos  períodos  lançados,  para  que  ambas  não  sejam  exigidas cumuladamente.”;  i) “(...) a legislação utilizada para o lançamento da multa prevê  apenas a aplicação de uma penalidade: multa de 75% calculada  sobre  o  valor  que  deixou  de  ser  lançado  ou  sobre  o  valor  que  deixou  de  ser  recolhido. Ou  seja,  o  artigo  utilizado  como base  para o lançamento sequer prevê a cominação de duas multas; a  regra traz alternativas: ou é sobre um valor (não lançado), ou é  sobre outro (o valor não recolhido).”;  j)  “Em  segundo  lugar,  a  ausência  de  lançamento  na  escrita  fiscal  dever  instrumental/acessório  decorre  do  próprio  não  recolhimento do  Imposto. Logo, a  infração é apenas uma cujos  reflexos,  estes  sim,  foram  variados.  Neste  ponto,  igualmente,  ainda  que  houvesse  dúvida  sobre  qual  a  melhor  forma  de  se  interpretar a legislação, seria inconcebível que fossem aplicadas  duas  multas  sobre  a  mesma  conduta,  e  isso,  inclusive,  em  homenagem ao próprio CTN, norma geral de Direito Tributário  que  vincula,  não  só  a  atuação  do  legislador  ordinário,  como  também a dos agentes da administração.”;  k)  “Ante  o  exposto,  REQUER,  o  provimento  da  impugnação  para que, em atenção a legislação constitucional e ao CTN, seja  cancelado  o  auto  de  infração  pelo  fato  da  Impugnante  já  ter  recolhido o IPI, como contribuinte, no desembaraço aduaneiro.  Subsidiariamente,  em  não  sendo  cancelado  integralmente  o  lançamento, requer seja afastada a multa isolada lançada, face a  sua  cominação  com  a  multa  de  mora  (75%)  sobre  o  valor  do  crédito  constituindo  hipóteses  em  que  terminaram,  ambas  as  sanções, sendo calculadas sobre a mesma base”.    A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou  procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01­28.447, de 4/2/2014  (fls. 54798 e ss.), assim ementado:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2011  FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A  INDUSTRIAL.  Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.735931/2012­48  Acórdão n.º 3202­001.385  S3­C2T2  Fl. 4.846          5 São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto  de  procedência  estrangeira  e  a  saída  de  produto  do  estabelecimento  industrial,  ou  equiparado  a  industrial.  Assim,  sendo equiparado a estabelecimento  industrial o  importador de  produtos  de  procedência  estrangeira  que  der  saída  a  esses  produtos,  fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois  momentos  distintos,  relativos  aos  dois  fatos  geradores  acima  citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte    Em  face  da  exoneração  de  parte  do  crédito  tributário,  a  DRJ  recorreu  de  ofício  (aplicara­se multa de ofício  sobre a  totalidade do  imposto não destacado, deixando de  descontar a parcela do IPI lançado e sobre a qual já incidira a multa proporcional).  Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo  legal,  recurso voluntário de  fls.  4821/4831,  por  meio  do  qual  renova  os  mesmo  argumentos  já  delineados  em  sua  impugnação. Nada falou, no entanto, sobre a multa de ofício aplicada.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  O  recurso  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  em  lei,  razão pela qual dele se conhece.  Sustenta a fiscalização que a Recorrente, uma supermercadista, promoveu a  saída, do seu estabelecimento, de produtos de sua importação direta, mas não recolheu o IPI na  qualidade de equiparado a industrial.  A cobrança, no entanto, é contestada pela Recorrente, ao fundamento de que  se  afigura  ilegal  e  mesmo  inconstitucional,  porquanto  não  haveria,  quer  no  CTN,  quer  na  Constituição Federal, regra que autorizasse a incidência dupla do IPI – quando do desembaraço  e quando da venda pelo importador no mercado interno.  A razão está com o Fisco.  É que o Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002, com  matriz  legal na Lei nº 4.502, de 30/11/1964, – vigente à época de parte dos  fatos geradores,  mas cujos dispositivos foram mantidos no novo Regulamento, aprovado pelo Decreto 7.212, de  2010  –,  prescrevia  a  obrigação  de  recolhimento  do  IPI  na  saída  dos  produtos  do  estabelecimento do importador:    “Art.  2º  O  imposto  incide  sobre  produtos  industrializados,  nacionais  e  estrangeiros,  obedecidas  as  especificações  constantes da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados – TIPI.  Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA     6 Parágrafo  único.  O  campo  de  incidência  do  imposto  abrange  todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na  TIPI,  observadas  as  disposições  contidas  nas  respectivas  notas  complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação  ‘NT’ (não tributado)  [...].  Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das  operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado,  ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art.  3º).  Art. 9º Equiparam­se a estabelecimento industrial:  I  –  os  estabelecimentos  importadores  de  produtos  de  procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei  nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I);  II  –  os  estabelecimentos,  ainda  que  varejistas,  que  receberem,  para comercialização, diretamente da repartição que os liberou,  produtos importados por outro estabelecimento da mesma firma;  III  –  as  filiais  e  demais  estabelecimentos  que  exercerem  o  comércio de produtos importados, industrializados ou mandados  industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte,  salvo  se  aqueles  operarem exclusivamente  na  venda a  varejo  e  não  estiverem  enquadrados  na  hipótese  do  inciso  II  (Lei  nº  4.502,  de  1964,  art.  4º,  inciso  II,  e  §  2º,  Decreto­lei  nº  34,  de  1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de  1997, art. 37, inciso I);  [...].  Art.  24.  São  obrigados  ao  pagamento  do  imposto  como  contribuinte:  I  –  o  importador,  em  relação  ao  fato  gerador  decorrente  do  desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira  (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea b);  [...].  III – o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato  gerador  relativo  aos  produtos  que  dele  saírem,  bem  assim  quanto  aos  demais  fatos  geradores  decorrentes  de  atos  que  praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a); e  [...].  Art. 34. Fato gerador do imposto é  (Lei nº 4.502, de 1964, art.  2º):  I  –  o  desembaraço  aduaneiro  de  produto  de  procedência  estrangeira; ou   II  –  a  saída  de  produto  do  estabelecimento  industrial,  ou  equiparado a industrial.”    Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 11080.735931/2012­48  Acórdão n.º 3202­001.385  S3­C2T2  Fl. 4.847          7 Portanto, ainda que tenha havido o pagamento do IPI vinculado à importação,  há a incidência do mesmo imposto na posterior revenda, pelo importador, no mercado interno,  malgrado nenhuma modificação tenha havido no produto.  Essa exigência não significa dupla incidência sobre o mesmo fato, mas sobre  fatos  diversos.  Em  face  do  princípio  da  não  cumulatividade,  contudo,  o  valor  pago  na  importação  será  escriturado  como  crédito  e  deduzido  do  valor  apurado  sobre  a  venda  no  mercado interno.  Cabe ressaltar que o  IPI  incide sobre o produto  industrializado, não sobre a  operação de industriaização. A nosso ver, reside aí o motivo pelo qual algun ainda sustentam a  impossibilidade de exigência deste imposto na saída do estabelecimento importador.  Por  fim,  esclareça­se  que  os  dispositivos  acima  reproduzidos  apenas  regulamentaram o que a própria matriz legal do IPI estabelece, cuja incompatibilidade vertical  com  a  Constituição  Federal  não  pode  ser  apreciada  por  esta  Corte  Administrativa  (Súmula  CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei  tributária).  Esse  é  o  entendimento  que  esta  Corte  Administrativa  vem  adotando.  Exemplificamos:    PRODUTOS  DE  PROCEDÊNCIA  ESTRANGEIRA.  IMPORTAÇÃO.  SAÍDA.  ESTABELECIMENTO  COMERCIAL.  EQUIPARAÇÃO. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.  A importação direta de produtos de procedência estrangeira por  estabelecimento comercial e suas saídas (revendas) deste, ainda  que não tenham sofrido quaisquer modificações, equiparam­no a  estabelecimento  industrial e,  consequentemente, contribuinte do  IPI. (CARF/3ª Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, n.º 3301­ 001.843, de 21/05/2013).  IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS  PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI.  A  empresa  que  importar  produtos  tributados  é  equiparada  a  industrial e é contribuinte do IPI, devendo destacar o imposto na  saída  dos  produtos  do  estabelecimento,  independente  de  haver  ou  não  qualquer  processo  de  industrialização.  (CARF/3ª  Seção/3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária,  n.º  3302­01.279,  de  09/11/2009).    Por fim, cumpre ressaltar que a exoneração de parte do crédito lançado pela  instância de piso encontra­se absolutamente correta, uma vez que a fiscalização aplicou a multa  de ofício sobre a totalidade do imposto não destacado, deixando de descontar a parcela do IPI  lançado  sem  cobertura  de  crédito  e  sobre  a  qual  já  incidira  a  multa  proporcional  (a  multa  isolada só poderia incidir sobre o valor do IPI não recolhido em face da cobertura de crédito).  Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntário e de ofício  É como voto.  Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA     8 Charles Mayer de Castro Souza                                  Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA

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Numero do processo: 17883.000465/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 VÍCIO MATERIAL E FORMAL. DISTINÇÃO. Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada - exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental. No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário,  mantendo  a  anulação  do  lançamento  por  vício  formal,  conforme declarado pela decisão de primeira instância.     (assinado digitalmente)  LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente        (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente),  Wilson  Antonio  de  Souza  Correa,  Arlindo  da  Costa  e  Silva,  Leo  Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.    Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000465/2008­31  Acórdão n.º 2302­003.435  S2­C3T2  Fl. 181          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância  que  julgou  nulo  o  lançamento,  em  razão  do  reconhecimento  de  erro  na  classificação  do  lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela  ocorrência de vício formal.  Adota­se o  relatório do  acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto  consta dos autos:  Trata­se  de  crédito  tributário  lançado  pela  Fiscalização  (DEBCAD  no  37.187.694­0),  apurado  com  base  nos  elementos  indicados  no  Relatório  Fiscal,  pertinente  às  contribuições  previdenciárias  devidas  pelos  segurados  empregados  à  Previdência  Social,  arrecadadas  pela  empresa.  O  valor  do  presente  lançamento  é  de  R$  924,47,  consolidado  em  25  de  novembro de 2008.  2. O Relatório Fiscal de fls. 20/23 informa que as contribuições  lançadas referem­se a valores apurados relativos pagamento de  férias e de rescisões trabalhistas. Os valores lançados, apurados  nas rescisões e nos recibos de  férias, não  foram declarados em  GFIP, conforme itens 04 e 17 do referido Relatório Fiscal..  3.  Dentro  do  prazo  regulamentar,  a  Notificada  contestou  o  lançamento através do instrumento de fls. 46 assinada pela sócia  da  Notificada,  alegando  que  corrigiu  a  GFIP,  em  função  de  terem sido recolhidos valores a maior em relação aos avisos de  férias,  bem  como  estando os  valores  corrigidos  conforme  estes  recibos.  Afirma  ainda  estar  encaminhando  novas  GFIP's  para  regularizar  as  declarações  relativas  às  diferenças  de  rescisões  trabalhistas, tendo sido também encaminhadas as novas GPS's.    Como afirmado, a primeira instância julgou nulo o lançamento, em razão do  reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos  de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Cientificada da decisão, a  recorrente apresentou, tempestivamente, recurso no qual alega, em apertada síntese:  * a decisão recorrida constatou que o autuante aplicou o inciso II do artigo 35  da Lei n° 8.212/91 antes da modificação ali introduzida pela Lei n° 9.876/99, pela qual a multa  a ser aplicada ao caso presente seria maior que aquela lançada no auto de infração. Ocorre que  não trata o caso presente de vício formal, mas sim capitulação legal equivocada do lançamento  e tal fato não pode ser considerado como vício formal.   É o relatório.  Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     4 Voto             Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi    Vício  Formal  e  Material.  Distinção.  A  controvérsia  cinge­se  ao  reconhecimento  da  natureza  do  vício:  se  formal  ou  material.  Tal  questão  importa  em  reconhecimento de interesse recursal ante a sua repercussão em termos de definição do prazo  para constituição de novo crédito, na medida em que, no Código Tributário Nacional, há regra  expressa  de  decadência  quando  da  reconstituição  de  lançamento  declarado  nulo  por  vício  formal:   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  (...)  II  ­  da data  em que  se  tornar definitiva a decisão que houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento  anteriormente  efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.  (destaques nossos)  Ou  seja,  somente  reinicia  o  prazo  decadencial  quando  a  anulação  do  lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; o que implica reconhecer que não  há  reinício  do  prazo  quando  a  anulação  se  dá  por  outras  causas,  pois  a  regra  geral  é  a  ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto,  identificando­se o conceito de  vício  formal,  por  exclusão,  pode­se  reconhecer  que  a  regra  especial  trazida  pelo  CTN  não  alcança os demais casos.  Código Civil:  Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à  decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem  a prescrição.  Ainda  que  o  Código  Civil  estabeleça  efeitos  para  os  vícios  formais  dos  negócios  jurídicos, artigo 166, quando se  tratam de atos administrativos, como o  lançamento  tributário  por  exemplo,  é  no Direito Administrativo  que  encontramos  as  regras  especiais  de  validade  dos  atos  praticados  pela  Administração  Pública:  competência,  motivo,  conteúdo,  forma e finalidade.   É  formal  o  vício  que  contamina  o  ato  administrativo  em  seu  elemento  “forma”;  por  toda  a  doutrina,  citamos  a  Professora  Maria  Sylvia  Zanella  Di  Pietro  (DI  PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição,  páginas 187 a 192). Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções:  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000465/2008­31  Acórdão n.º 2302­003.435  S2­C3T2  Fl. 182          5 uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo:  Auto  de  Infração)  e  outra  ampla,  que  inclui  todas  as  demais  formalidades  (por  exemplo:  precedido  de  MPF,  ciência  obrigatória  do  sujeito  passivo,  oportunidade  de  impugnação  no  prazo legal, etc).   Portanto,  qualquer  que  seja  a  concepção,  “forma”  não  se  confunde  com  o  “conteúdo”  material  ou  objeto.  A  forma  é  um  requisito  de  validade  através  do  qual  o  ato  administrativo,  praticado  porque  o  motivo  que  o  deflagra  ocorreu,  é  exteriorizado  para  a  realização  da  finalidade  determinada  pela  lei.  E  quando  se  diz  “exteriorização”  devemos  concebê­la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento.   Daí  temos  que  conteúdo  e  forma  não  se  confundem:  um mesmo  conteúdo  pode  ser  veiculado  através  de  vários  instrumentos,  mas  somente  será  válido  nas  relações  jurídicas  entre  a  Administração  Pública  e  os  administrados  aquele  prescrito  em  lei.  Sem  se  estender muito,  nas  relações  de  direito  público,  a  forma  confere  segurança  ao  administrado  contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos  ou  de  império  são  quase  sempre  gravosos  para  os  administrados,  daí  a  exigência  legal  de  formalidades ou ritos.  No caso do lançamento administrativo, o Auto de Infração com todos os seus  relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua  lavratura  se  dá  em  razão  da  ocorrência  do  fato  descrito  pela  regra­matriz  como  gerador  de  obrigação tributária. Ao verificar algum vício no lançamento, nem sempre é fácil distinguir se  esta relacionado à mera forma ou se atinge a sua substância (vício material).   Antes  de buscar  um  critério  adequado  a  distingui­los,  cumpre  ressaltar  que  somente implicam em nulidade do lançamento quando for comprovado o prejuízo à defesa. Ou  seja, não havendo a demonstração de prejuízo,  incide o brocardo  jurídico pas de nullité sans  grief.  Nesse  sentido  vide  REsp  533.082/PR  (Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  04/09/2007,  DJ  18/09/2007,  p.  281)  e  Acórdão  CARF  9202­003.228  (sessão de 08 de maio de 2014, Relator Elias Sampaio Freire).   Voltando à distinção entre a natureza dos vícios, entendemos que são três as  possibilidades de ocorrência de vícios formais:   (i) quando se relacione à exteriorização do lançamento, sendo corrigido como  o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada – exteriorização;  (ii)  quando  se  relacione  à  formalização  da  fundamentação  (motivação)  de  fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada.  Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente  formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos;  (iii) quando decorra da não observação de um iter procedimental;  Em todas estas situações, a substância permanece inatacada. Havendo algum  esclarecimento, este se dará pela mesma fundamentação (motivação) de fato e de direito, que  não  é  alterada  e  tampouco  é  apurada  após  o  lançamento.  Ela  preexiste,  mas  não  foi  transformada em linguagem adequada nos autos. Transposto este limite, passa­se da forma para  atingir a substância, implicando em vício material.   Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     6 Como espécime de o vício restrito à exteriorização do lançamento, podemos  citar  a  falta  de  indicação  e  de  assinatura  da  autoridade  fiscal.  Apesar  de  não  constar  esta  conclusão  na  ementa,  é  o  que  se  extrai  do  voto  contido  no REsp 690.382/PE  (Rel. Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  20/10/2009,  DJe  04/11/2009).  Para citar uma situação de correção de formalização do lançamento, ou seja,  de aperfeiçoamento da fundamentação (motivação) de fato e de direito, temos as hipóteses de  retificação do lançamento ou de emissão de relatório fiscal complementar, desde que não haja  necessidade  de  alteração  substancial,  apenas  de  aclaramento  ou  depuração,  jamais  inovação.  Em tais casos, como mencionado, poderá haver convalidação do ato mediante seu refazimento  no curso do próprio processo administrativo (art. 59, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) ou mesmo  a  anulação  do  lançamento,  se  o  vício  for  de  origem  e  impossível  de  ser  convalidado.  Em  sentido próximo do que se propõe:  (...)  2.  Nos  casos  em  que  há  lançamento  original  e  lançamento  complementar  proveniente  da  fase  de  diligências  no  curso  do  processo administrativo (art. 18, § 3º, do Decreto n. 70.235/72), o  lançamento  originalmente  efetuado,  mesmo  que  eivado  de  vício  formal,  constitui  o  crédito  tributário  e  interrompe  o  prazo  decadencial  para  a  notificação  de  lançamento  complementar. Interpretação do art. 173, I, II, e parágrafo único,  do  CTN.  Precedente  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos:  AC N.  0050216/RS,  Quinta  Turma,  Rel. Min.  Justino  Ribeiro,  julgado em 16.3.1981.  (...)  (REsp  1212658/RS,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe  15/03/2011)    Por  fim,  exemplo  de  vício  de  formal  relacionado  ao  iter  processual  ou  procedimental são as “aberturas” de prazo para manifestação ou as “cientificações” legalmente  exigidas ou que decorram da garantia da ampla defesa e do contraditório:  (...)  3. Se  a DCTF apresentada pelo  contribuinte  é  acompanhada da  informação de ocorrência de compensação, e tal procedimento é  rejeitado pelo Fisco,  a  inscrição  imediata do  valor  em dívida  ativa mostra­se  ilegítima,  por  vício  formal  no  procedimento  estabelecido,  que  determina  a  abertura  de  prazo  para  o  sujeito passivo impugnar a sua negativa. A existência de vício  formal na constituição do crédito tributário atrai a incidência do  prazo decadencial disposto no art. 173, II, do CTN.  4. "O prazo a Fazenda pública proceder ao lançamento do crédito  tributário, quando houver eventual decisão anulatória judicial ou  administrativa  relativo  ao  respectivo  lançamento,  em virtude da  ocorrência de vício  formal,  inicia­se na data em que  tal decisão  tornar­se  definitiva,  na  forma  do  art.  173,  II,  do  CTN"  (REsp  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000465/2008­31  Acórdão n.º 2302­003.435  S2­C3T2  Fl. 183          7 1174144/CE,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 27/4/2010, DJe 13/5/2010).  Agravo regimental improvido.  (AgRg  no  REsp  1221146/SC,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS, SEGUNDA TURMA,  julgado  em 03/09/2013, DJe  11/09/2013)    Assim,  somente  ocorrerá  vício  material  se  houver  necessidade  de  modificação  das  razões  de  fato  e  de  direito  ou  mesmo  sua  posterior  elaboração  ou  descobrimento  pela  autoridade  fiscal.  Para o  seu  suprimento,  há  necessidade de mudança  de  compreensão, de entendimento e não um mero reforço argumentativo ou a transformação em  linguagem daquelas razões de fato e de direito que deram ensejo ao lançamento. Diz respeito  ao  conteúdo  do  ato  administrativo,  pressupostos  intrínsecos  do  lançamento. Daí,  concluir­se  que  restará  configurado  o vício material  quando há equívocos na  construção do  lançamento,  artigo 142 do CTN:  O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche  aos  requisitos  constantes  do  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional,  havendo  equívoco  na  construção  do  lançamento  quanto à verificação das condições legais para a exigência do  tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o  vício  formal  ocorre  quando  o  lançamento  contiver  omissão  ou  inobservância de formalidades essenciais, de normas que  regem  o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua  realização...   (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma  Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes)    AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO  DO  LANÇAMENTO  E  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  GERADORES.  IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL.  A  falta  de  indicação  suficiente  dos  fatos  que  motivaram  o  lançamento  e  da  origem  do  crédito  tributário  fulmina  o  lançamento por vício material.  (Acórdão  9202­003.285,  sessão  de  30  de  julho  de  2014,  2ª  Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad)    RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO –  VÍCIO FORMAL.   A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a  determinação  da matéria  tributável,  o  cálculo  do montante  do  tributo  devido  e  a  identificação  do  sujeito  passivo,  definidos  no  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional  –  CTN,  são  elementos  fundamentais,  intrínsecos,  do  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     8 lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a  existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento  e  observância  desses  elementos  básicos  antecedem  e  são  preparatórios  à  sua  formalização,  a  qual  se  dá  no  momento  seguinte,  mediante  a  lavratura  do  auto  de  infração,  seguida  da  notificação  ao  sujeito  passivo,  quando,  aí  sim,  deverão  estar  presentes  os  seus  requisitos  formais,  extrínsecos,  como,  por  exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo  ou  função  e  o  número  de  matrícula;  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor  ou  de  outro  servidor  autorizado,  com  a  indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.  (7ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes  –  Recurso  nº  129.310, Sessão de 09/07/2002)    PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  NULIDADE  VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO  ERRO  DE  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  – INEXISTÊNCIA  –  Os  vícios  formais  são  aqueles  que  não  interferem  no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão dos  fatos que baseiam as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais  para  garantia  da  integridade  do  lançamento  como  ato  de  ofício,  mas  não  pertencem  ao  seu  conteúdo  material.  O  suposto  erro  na  identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial,  uma  nulidade  absoluta,  não  permitindo  a  contagem  do  prazo  especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN.   (Acórdão n° 10808.174  IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara  do Primeiro Conselho de Contribuintes).    TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL  –  ALÍNEA  "C"  –  NÃO­CONHECIMENTO – VIOLAÇÃO DO ART. 173, II, DO  CTN – INTELIGÊNCIA – VÍCIO FORMAL – OCORRÊNCIA  DE DECADÊNCIA.  1.  O  recurso  não  pode  ser  conhecido  pela  alínea  "c"  do  permissivo  constitucional,  pois  não  foi  realizado  o  necessário  cotejo analítico, bem como não foi apresentado, adequadamente,  o  dissídio  jurisprudencial.  Apesar  da  transcrição  de  ementa,  deixou­se  de  demonstrar  as  circunstâncias  identificadoras  da  divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma.  2.  O  Tribunal  de  Origem  assinalou  que  a  anulação  do  lançamento ocorreu por vício material; qual seja, majoração  ilegal  dos  valores  venais  dos  imóveis  objeto  do  processo  e  aplicação de alíquotas progressivas.  3.  O  art.  173,  II,  do  CTN  afirma  que  o  lançamento  somente  ocorre  na  hipótese  de  vício  formal,  ocorrendo,  assim,  a  decadência.  Recurso especial improvido.  Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000465/2008­31  Acórdão n.º 2302­003.435  S2­C3T2  Fl. 184          9 (REsp  964.018/PR,  Rel.  Ministro  HUMBERTO  MARTINS,  SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2007, DJ 19/11/2007, p.  225)    Em suma, no vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito  (motivação)  do  lançamento  ou  mesmo  (ii)  posterior  elaboração  ou  descobrimento  pela  autoridade  fiscal  da  fundamentação  (motivação).  Portanto,  para  que  seja  suprido,  há  necessidade  de mudança  de  compreensão,  de  entendimento  ou  até mesmo  a  criação  de  um  novo  fundamento  para  o  lançamento  anteriormente  efetuado,  não  se  restringido  a  um mero  reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de  direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento.  De  fato,  a  forma  não  pode  ter  a mesma  relevância  da matéria  que  dela  se  utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, pode­se assegurar que o fato  gerador  da  obrigação  existiu  e  continua  existindo,  diferentemente  da  nulidade  por  vício  material. Não se duvida da  forma como  instrumento de proteção do particular, mas nem por  isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança  jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus  requisitos  de  validade;  o  segundo,  defende  a  atividade  estatal  de  obtenção  de  recursos  para  financiamento das realizações públicas.  No  presente  caso,  constou  do  Relatório  Fiscal  (itens  4  e  17)  que  as  importâncias não foram declaradas em GFIP, e, no item 13 do mesmo relatório, é  informado  que os percentuais referentes às multas estão relacionados no Anexo “IPC – Instruções para o  Contribuinte”. Este, por sua vez, relaciona percentuais de multa de mora que variam de 12% a  25% para pagamento e 14,4% a 30% para parcelamento, de acordo com tabela progressiva a  partir da data de autuação. No entanto, de acordo com o que dispunha o § 4° do artigo 35, da  Lei  8.212/91,  a  multa  de  mora  aplicada  às  contribuições  previdenciárias  não  recolhidas  oportunamente pode sofrer uma redução no seu valor caso as mesmas tenham sido declaradas  em GFIP, sendo que a não declaração em GFIP implica na aplicação da multa de mora em seu  valor integral, ou seja, aqueles previsto no inciso II do citado artigo.  Como  destacado  na  decisão  de  origem,  a  discrepância  entre  o  texto  legal  vigente  e  as  informações  repassadas  ao  contribuinte  se  deve  ao  fato  de  que  o  DAD  —  Discriminativo  Analítico  de  Débito  declara  que  o  período  do  levantamento  é  anterior  à  implantação da GFIP, descrição  evidentemente  equivocada,  tendo em vista que a mesma  foi  implantada  em  novembro  de  1999,  sendo  exigível  a  partir  de  01/99,  portanto  bem  antes  do  período do débito.  A  inserção  desta  classificação  do  crédito  no  sistema originou  um Relatório  IPC,  bem  como  um  cálculo  de multa  compatível  com  a  redação  da  Lei  8.212/91  que  vigia  anteriormente à edição da Lei 9.876/99. Tal circunstância gerou não só prejuízo à recorrente,  mas também impossibilidade de correção por incompatibilidade do sistema, conforme relatado  nos autos.   Aqui nos importa, no entanto, apenas definir a natureza do referido vício.  Em  análise  aos  autos,  constata­se  que  a  fundamentação  legal  e  fática  está  correta, constando tanto do Relatório Fiscal quanto do Anexo Fundamentos Legais do Débito – Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI     10 FLD  a  legislação  e  o  enquadramento  correto.  Apenas  na  formalização  do  débito  houve  a  classificação errônea, que repercutiu nos anexos DAD — Discriminativo Analítico de Débito e  IPC – Instruções para o Contribuinte.  Ou seja, não se pretende que a autoridade fiscal altere qualquer fundamento  de  fato  ou  de  direito  do  lançamento,  mas  apenas  que  corrija  a  sua  forma  (classificação  do  lançamento), razão pela qual entendo se tratar de vício formal.  Pelas  razões  ora  expendidas,  CONHEÇO  do  recurso  para,  no  mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator                              Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI

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Numero do processo: 10850.907651/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. A contribuição instituída pela Lei nº 9.718/1998 incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, não alcançando as demais receitas auferidas. O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição instituído anteriormente à Emenda Constitucional nº 20/1998.
Numero da decisão: 3803-006.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907651/2011­36  Acórdão n.º 3803­006.770  S3­TE03  Fl. 414          2  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.  Relatório  Trata­se de retorno dos autos da repartição de origem com os resultados da  diligência  determinada  por  esta  3ª  Turma  Especial  quando  da  apreciação  do  Recurso  Voluntário  interposto  para  se  contrapor  à  decisão  da  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  manejada  em  decorrência  do  não  reconhecimento do direito  creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição  (PER),  pelo  fato  de  que  o  pagamento  informado  já  havia  sido  integralmente  utilizado  na  quitação de débitos da titularidade do contribuinte.  Em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  contribuinte  requereu  a  plena  restituição, alegando tratar­se de indébito decorrente da inconstitucionalidade já declarada pelo  Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que  promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento.  A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, considerando a  inexistência de saldo credor, a inocorrência de retificação da DCTF, a ausência de efeitos erga  omnes da decisão do STF e a falta de prova do alegado recolhimento a maior.  Cientificado  da  decisão,  o  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  e  requereu  o  reconhecimento  do  direito  à  plena  restituição  da  contribuição  calculada  sobre  receitas  estranhas  ao  conceito  de  faturamento,  argüindo  que  a  retificação  de  declaração  não  podia  se  sobrepor  ao  direito  substantivo,  direito  esse  devidamente  comprovado  por meio  de  documentação idônea, e que as decisões de inconstitucionalidade proferidas em sessão plenária  do Supremo Tribunal Federal deviam ser observadas pelo Fisco.  Ao  apreciar  o  Recurso  Voluntário,  esta  3ª  Turma  Especial  decidiu  por  converter  o  julgamento  em  diligência  à  repartição  de  origem  para  que  a  autoridade  administrativa  auditasse  a  escrituração  contábil­fiscal  da  pessoa  jurídica,  assim  como  os  documentos  fiscais  que  a  lastreiam,  com  vistas  a  se  apurarem  o  faturamento  e  as  demais  receitas  auferidas  no  período,  bem  como  a  contribuição  devida,  tendo­se  em  conta  a  inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição.  Cumprida  a  diligência,  concluiu  a  repartição  de  origem  que  as  receitas  escrituradas pelo Recorrente não eram decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação  de  serviços,  tratando­se,  em  sua  totalidade,  de  receitas  de  origem  financeira,  receitas  essas  estranhas ao objeto social da pessoa jurídica.  Ressaltou a autoridade administrativa que caso o crédito objeto do presente  Pedido de Restituição (PER) viesse a ser deferido, dever­se­ia considerar que ele já havia sido  parcialmente  utilizado  na  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  nº  30242.08264.281108.1.3.04­8611,  conforme  demonstrava  o  cálculo  efetuado  no  Sistema  de  Apoio Operacional (SAPO).  Foi apensado ao presente o processo nº 10850.906255/2011­91, que cuida da  Declaração  de  Compensação  do  respectivo  crédito,  processo  esse  apensado  ao  presente  e  Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907651/2011­36  Acórdão n.º 3803­006.770  S3­TE03  Fl. 415          3  também  apreciado  pela  Turma  na  mesma  data,  cujo  deslinde  ficou  na  dependência  dos  resultados da diligência então determinada.  Cientificado  dos  resultados  da  diligência,  o  Recorrente  destacou  o  reconhecimento  do  crédito  pela  própria  Fiscalização,  o  que,  segundo  ele,  viabilizava  a  homologação da compensação declarada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme  acima  relatado,  controverte­se  nos  autos  acerca  do  pedido  de  restituição e de declaração de compensação relativos à contribuição apurada sobre receitas que  extrapolam  o  conceito  de  faturamento,  com  fundamento  na  inconstitucionalidade  declarada  pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo promovido pelo art.  3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  A  referida  inconstitucionalidade  foi  proferida  pelo  STF1  em  julgamento  definitivo  submetido  à  sistemática  da  repercussão  geral  (art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil ­ CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do  contido no art. 62­A do Anexo II do Regimento Interno do CARF.  A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de  29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original  do  art.  195,  I,  “b”,  da  Constituição  Federal,  em  que  se  previa  apenas  o  faturamento  como  hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras  receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo  ano por meio da Emenda Constitucional n° 20.  De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de  cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da  Emenda Constitucional n°  20/1998,  não  teve o  condão  de  convalidar  legislação  anterior  que  previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das  receitas da  pessoa jurídica.  Não  se  pode  olvidar  que  o  termo  faturamento  refere­se  ao  somatório  das  receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido  no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis:                                                              1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário  nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou,  desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF.  2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros.  Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907651/2011­36  Acórdão n.º 3803­006.770  S3­TE03  Fl. 416          4  Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois  por  cento  e  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas  de  mercadorias,  de  mercadorias  e  serviços  e  de  serviço  de  qualquer  natureza.  (grifei)  Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo,  para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição,  o valor:  a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado  em separado no documento fiscal;  b)  das  vendas  canceladas,  das  devolvidas  e  dos  descontos  a  qualquer título concedidos incondicionalmente.  O  fato  de  o  Supremo  Tribunal  Federal  ter  considerado  o  conceito  de  faturamento  equivalente  ao  de  “receita  bruta”  não  pode  ser  interpretado  como  dilatação  autorizada  do  alcance  de  tais  institutos,  pois  o  termo  “receita  bruta”  foi  considerado  como  coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de  mercadorias e serviços.  A  possibilidade  de  se  tributarem  outras  receitas  somente  passou  a  vigorar  após  a  vigência  da  Emenda  Constitucional  n°  20,  de  1998,  quando  se  incluiu,  dentre  as  hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada.  Dessa  forma, por  força do contido no art. 62­A do Anexo  II  do Regimento  Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da  repercussão  geral  devem  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  de  recursos  no  âmbito  do  CARF,  conclui­se  pelo  direito  do  contribuinte  de  obter  a  restituição  de  recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito  de faturamento.  Tendo  a  repartição  de  origem  confirmado,  em  sede  de  diligência,  que  a  totalidade  do  valor  do  crédito  pleiteado  neste  processo  decorria  da  apuração  da  contribuição  sobre receitas  financeiras,  receitas essas estranhas ao objeto social da pessoa jurídica,  tem­se  por comprovado o direito creditório pleiteado.  Destaque­se que referido crédito já foi parcialmente utilizado na Declaração  de Compensação identificada na planilha de cálculo efetuado no Sistema de Apoio Operacional  (fls.  388  a  390),  declaração  essa  controvertida  no  âmbito  do  processo  administrativo  nº  10850.906255/2011­91, processo  esse apensado ao presente e  também apreciado pela Turma  na  mesma  data,  cujo  deslinde  ficou  na  dependência  dos  resultados  da  diligência  então  determinada.  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  reconhecer o direito creditório decorrente da inconstitucionalidade do alargamento da base de  cálculo da contribuição promovido pela art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907651/2011­36  Acórdão n.º 3803­006.770  S3­TE03  Fl. 417          5  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                              Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS

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Numero do processo: 18471.000530/2005-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITA. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. PRECATÓRIO. PAGAMENTO SUSPENSO. EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A UNIÃO QUESTIONADA EM AÇÃO RESCISÓRIA. As receitas variáveis que dependem de evento futuro, por sua natureza aleatória, deverão ser contabilizadas no período-base de sua disponibilidade jurídica, dada a impossibilidade de, previamente, serem determinados ou fixados seus valores e por não se encontrarem juridicamente disponíveis antes daquele momento.
Numero da decisão: 1301-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausentes justificadamente os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 352          1 351  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.000530/2005­90  Recurso nº               De Ofício  Acórdão nº  1301­001.739  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de novembro de 2014  Matéria  Variação Monetária Ativa  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DELTA CONSTRUÇÕES SA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000, 2001, 2002, 2003  OMISSÃO  DE  RECEITA.  VARIAÇÃO  MONETÁRIA  ATIVA.  PRECATÓRIO.  PAGAMENTO  SUSPENSO.  EXECUÇÃO  DE  SENTENÇA  CONTRA  A  UNIÃO  QUESTIONADA  EM  AÇÃO  RESCISÓRIA.  As  receitas  variáveis  que  dependem  de  evento  futuro,  por  sua  natureza  aleatória, deverão ser contabilizadas no período­base de sua disponibilidade  jurídica,  dada  a  impossibilidade  de,  previamente,  serem  determinados  ou  fixados  seus  valores  e  por  não  se  encontrarem  juridicamente  disponíveis  antes daquele momento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício.  (assinado digitalmente)  WILSON FERNANDES GUIMARÃES ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros: Wilson  Fernandes Guimarães,  Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu  Matosinho  Machado.  Ausentes  justificadamente  os  Conselheiros  Edwal  Casoni  de  Paula  Fernandes  Júnior  e  Valmar  Fonsêca  de  Menezes  (Presidente).  Presidiu  o  julgamento  o  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 30 /2 00 5- 90 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 353          2 Relatório  DELTA  CONSTRUÇÕES  SA,  já  qualificada  nestes  autos,  foi  autuada  e  intimada  a  recolher  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  4.759.607,05,  discriminado  no  Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 4 do e­processo.  O lançamento foi efetuado por ter a fiscalização apurado omissão de variação  monetária  ativa,  caracterizada  pela  falta  de  atualização  monetária  dos  valores  relativos  ao  Precatório  n°  1999.01.00.050.591­3/DF  contabilizado  na  conta  1.1.204.0001  –  Clientes/Precatório  à  Receber  ­  D.N.E.R.,  conforme  descrito  no  Termo  de  Constatação  dos  Fatos" (fls. 229/231).  Cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, na qual trouxe  as seguintes alegações, sintetizadas no acórdão recorrido, verbis:  O interessado apresentou, em 18/05/2005, a impugnação de fls. 277/285. Em  sua defesa, alega, em síntese, que:  ­ o Precatório n° 1999.01.00.050.591­3/DF tem sua origem em ação judicial  do Sindicato Nacional da Indústria da Construção, que lhe representava, em face do  DNER  pelo  não  pagamento  de  serviços  prestados  decorrentes  de  contratos  com  entidades governamentais;  ­  o  precatório  é  objeto  de  ação  rescisória  por  parte  da Advocacia Geral  da  União que discute em juízo o valor efetivamente devido;  ­  em  22/07/2002,  recebeu  a  parcela  de  R$1.794.095,35,  valor  julgado  incontroverso  no  processo  judicial,  que  foi  oferecido  à  tributação,  conforme  constatou a Fiscalização;  ­ o restante do saldo do valor a receber do precatório até a presente data não  foi julgado e/ou recebido;  ­  em  decorrência  da  ação  rescisória,  com  base  no  princípio  contábil  do  conservadorismo  e  no  artigo  409  e  parágrafo  3º  do  RIR/1999,  decidiu  pela  não  atualização  monetária  da  parcela  controvertida  até  a  decisão  final  transitar  em  julgado,  posto  que,  no  caso  do  precatório  DNER,  não  se  aplica  o  artigo  375  do  RIR/1999;  ­  a  emissão  de  precatório  (titulo  de  crédito)  oriundo  de  oriundo  de  ação  judicial  de  cobrança  de  contas  a  receber  do  DNER  por  serviços  prestados  lhe  conferiu  o  direito  de  diferir  a  tributação  das  atualizações  até  a  data  do  efetivo  recebimento (Regime de Caixa);  ­ a decisão de consulta n° 265/1998, da 8ª Região Fiscal, que transcreve, tem  o mesmo entendimento;  ­ se  tivesse a segurança jurídica da parcela controvertida do precatório,  teria  reconhecido contabilmente a receita da atualização monetária e diferido a tributação  até a data do recebimento, conforme entende a jurisprudência;   Fl. 380DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 354          3 ­ em relação ao PIS e a COFINS, o artigo 7°, da Lei n° 9.718/1998 assegurou  o mesmo direito do diferimento da tributação concernente ao Regime de Caixa para  os contratos com entidades governamentais já existentes para o IRPJ e CSLL.  A 3ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro ­ I analisou a impugnação apresentada  pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 12­18.955, de 17/03/2008, considerou improcedente  o lançamento com a seguinte ementa:  MONETÁRIA. PRECATÓRIO A RECEBER.  As  receitas  variáveis  que  dependem  de  evento  futuro,  por  sua  natureza  aleatória,  deverão  ser  contabilizadas  no  período­base  de sua disponibilidade jurídica.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS.  Aplica­se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado  ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito  que os vincula.  Lançamento Improcedente  O acórdão recorrido trouxe o entendimento de que as receitas variáveis, que  dependem de  evento  futuro,  deverão  ser  escrituradas  no  período­base de  sua  disponibilidade  jurídica,  conforme  dispõe  o  art.  116  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  o  que  não  se  verificaria em relação à variação monetária incidente sobre os valores constantes do precatório  antes de seu pagamento pela União.   Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada a Turma  Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado  É o Relatório.  Fl. 381DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 355          4 Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado  Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, verifico que o valor exonerado  ultrapassa o limite fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU  de 07/01/2008, a seguir transcrito:  Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  recorrerá  de  ofício  sempre  que  a  decisão  exonerar  o  sujeito  passivo  do  pagamento  de  tributo  e  encargos  de  multa,  em  valor  total  superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  Portanto, dele conheço.  Quanto ao mérito, reexamino os argumentos da recorrente e os fundamentos  do  acórdão  recorrido,  que  decidiu  cancelar  o  lançamento.  O  voto  condutor  do  acórdão  de  primeiro grau sustenta, verbis:  Em  22/07/2002,  o  interessado  recebeu  a  parcela  de  R$  1.794.095,35  (fls.  203/204),  valor  incontroverso  do  precatório,  que  foi  oferecido  à  tributação,  conforme a própria fiscalização reconheceu.  O Código Tributário Nacional ( Lei n° 5.176, de 1966) dispõe:  Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  I ­ tratando­se de situação de fato, desde o momento em que o se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  a  que  produza os efeitos que normalmente lhe são próprios;  II  ­  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito  aplicável.   Seção  IV  ­  Imposto  sobre  a  renda  e  proventos  de  qualquer  natureza  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;  II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  (...)  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 356          5 Na presente questão, trata­se de definir se já existe a disponibilidade jurídica a  que se refere o Código Tributário Nacional a partir do momento em que transitou em  julgado  a  decisão  favorável  ao  contribuinte,  reconhecendo­lhe  um direito  contra  a  União.  Com  efeito,  a  legislação  do  Imposto  de  Renda,  incorporando  norma  da  legislação  empresarial,  elegeu,  como  regra  geral,  o  regime  de  competência  para  apuração do resultado das empresas, segundo o qual as receitas e as despesas devem  ser  reconhecidas  contabilmente  quando  auferidas  e  incorridas,  respectivamente,  independentemente  do  efetivo  recebimento  ou  pagamento  (artigo  177  da  Lei  n°  6.404/1976 e artigos 247, 248 e 274 do RIR de 1999).  Porém,  as  receitas  variáveis  que  dependem  de  evento  futuro  deverão  ser  escrituradas no período­base de sua disponibilidade jurídica, conforme dispõe o art.  116 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25/10/1996).  Esse o entendimento expedido no Parecer Normativo CST n.° 11/1976:  4.1 — As receitas variáveis que dependem de evento futuro,  por  sua  natureza  aleatória,  deverão  ser  contabilizadas  no  período­base de sua disponibilidade jurídica. Outra maneira de  se  proceder  não  seria  viável,  tendo  em  vista  a  impossibilidade  de,  previamente,  serem determinados  ou  fixados  seus  valores e  por  não  se  encontrarem  juridicamente  disponíveis  em  tal  momento.  A  Solução  de  Consulta  n°  206  de  24  de  novembro  de  2003,  da  Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, tratando do tema,  assim se posicionou:  EMENTA:  RECEITAS  TRIBUTÁVEIS.  Os  valores  correspondentes a créditos contra a União, relativos a tributos e  contribuições  pagos,  que  tenham  sido  considerados  inconstitucionais  ou  ilegais  por  força  de  sentença  judicial,  constituem  receita  tributável  pelo  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica.  Se  o  exercício  do  direito  de  crédito  se  fizer  mediante  ação de execução promovida contra a Fazenda Pública, somente  quando findo esse processo ocorre a disponibilidade jurídica ou  econômica da renda, visto que a ação de execução está seita a  contestação  por  parte  da  União  e  o  precatório  representa  um  crédito sujeito a termo. No caso em que o exercício do direito de  credito  se  faça  pela  compensação  dos  valores,  essa  disponibilidade ocorre no momento em que surgirem os débitos  a serem compensados.  Conforme a Solução de Consulta, os créditos contra a União devem apresentar  a  certeza  e  a  liquidez  suficientes  à  configuração  do  fato  gerador  dos  tributos  e  contribuições, o que não ocorre com o simples trânsito em julgado da sentença.  O precatório é uma ordem judicial em que a autoridade forense determina o  pagamento  ao  credor  de  importância  liquida  e  certa  em  razão  de  sentença  condenatória transitada em julgado imposta a pessoa jurídica de direito público, que  deverá  incluí­lo  na  lei  orçamentária  anual.  Portanto,  configura  um  titulo  judicial  representativo  de  um  crédito  de  titularidade  da  pessoa  física  ou  jurídica  que  estabeleceu a lide contra o poder público.  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 357          6 Se  o  exercício  do  direito  de  crédito  se  fizer  mediante  ação  de  execução  promovida contra a Fazenda Pública, com a expedição de precatório para pagamento  futuro,  somente  quando  findo  esse  processo,  com  o  efetivo  pagamento,  é  que  se  pode dizer da disponibilidade da renda, visto que a ação de execução está sujeita a  contestação por parte da União c o pagamento se acha sujeito a termo.  Os valores correspondentes a créditos contra a União (exigidos mediante ação  judicial)  constituem,  de  fato,  receita  tributável  pelo  imposto  de  renda  da  pessoa  jurídica. A  receita  (referente  ao valor do principal e das  atualizações), no  entanto,  deve ser tributada quando efetivamente recebido os valores.  Acrescente­se  que,  em  relação  à  parcela  de  R$1.794.095,35  (fls.  203/204),  valor  incontroverso  do  precatório,  a  fiscalização  não  questionou  o  oferecimento  à  tributação  pelo  Regime  de  Caixa.  Se  em  relação  ao  principal  a  fiscalização  considerou correta a tributação pelo Regime de Caixa, em relação ao acessório não  cabe exigir tributação pelo Regime de Competência.  Ademais,  do  exame  do  documento  de  fls.  203/204,  observa­se  que  o  valor  incontroverso é composto de principal e atualização. Nas planilhas de fls. 225/228  elaboradas  pela  fiscalização,  não  se  encontra  demonstrado  o  montante  correspondente ao principal – o saldo inicial no ano calendário de 2000, ao que tudo  indica, já contém parcelas de atualizações.   O lançamento deve, então, ser cancelado.  PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTO REFLEXO.  Aplica­se  ao  lançamento  reflexo  o  mesmo  tratamento  dispensado  ao  lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.  Corno  o  lançamento  de  IRPJ  foi  considerado  improcedente,  os  lançamentos  reflexos são, também, improcedentes  Entendo que está correto o acórdão de primeiro grau.  Com  efeito,  em  que  pese  tenha  a  interessada  obtido  decisão  favorável  em  processo de execução contra a União, em face do que ficou decidido em ação ajuizada contra a  União  Federal,  promovida  pelo  Sindicato  Nacional  da  Indústria  de  Construção  Pesada  –  SINICON,  inclusive  com a expedição de precatório,  a União Federal  ajuizou ação  rescisória  (n.º  2000.01.00.097056­1)1,  distribuída  em  04/08/2000,  e  Ação  Cautelar  (nº  2000.01.00.097645­6)  2, distribuída em 07/08/2000, conforme consulta ao sítio do TRF da 1a.  Região, cuja medida cautelar foi parcialmente deferida em 15/12/2009.  Em 22/07/2002,  a  recorrente  recebeu  a  parcela  de R$ 1.794.095,35,  valor  julgado  incontroverso no processo judicial, que foi devidamente oferecido à tributação.  A  recorrente  alega  que  em  decorrência  da  ação  rescisória,  com  base  no  princípio  contábil  do  conservadorismo  e  no  artigo  409  e  parágrafo  3º  do RIR/1999,  decidiu  pela não atualização monetária da parcela controvertida até a decisão final transitar em julgado,  posto que, no caso do precatório DNER, não se aplica o artigo 375 do RIR/1999.                                                              1  http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?trf1_captcha_id=d24d3e3c2c93e18648bff64e5c5524 8a&trf1_captcha=zrgc&enviar=Pesquisar&proc=200001000970561&secao=TRF1  2 http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 358          7 O acórdão recorrido trouxe o entendimento de que as receitas variáveis, que  dependem de  evento  futuro,  deverão  ser  escrituradas  no  período­base de  sua  disponibilidade  jurídica,  conforme  dispõe  o  art.  116  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  o  que  não  se  verificaria em relação à variação monetária incidente sobre os valores constantes do precatório  antes de seu pagamento pela União.   Me  parece  acertada  a  decisão  recorrida,  mormente  tendo  a  União  Federal  interposto  ação  rescisória  visando  desconstituir  o  quanto  foi  decidido  na  ação  ordinária  que  reconheceu o direito da interessada a diferenças decorrentes da execução de contratos perante o  DNER.  Por  ora,  a  interessada  recebeu  tão  somente  a  parte  incontroversa,  reconhecida  pela  parte devedora, consoante se extrai do documento de fls. 202 a 205 do e­processo.  Ora, se a União ainda discute em juízo o valor devido em face do processo de  execução contra ela ajuizado pela interessada, ausente se encontra o requisito da existência de,  ao menos,  disponibilidade  jurídica da  renda, de  forma a  torná­la  suscetível de  se  submeter  à  tributação, nos termos dos arts. 43 e 116 do CTN.  A própria administração tributária reconhece, por meio do Parecer Normativo  CST  n.°  11/1976  e  da  Solução  de  Consulta  n°  206  de  24  de  novembro  de  2003,  da  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  6ª  Região  Fiscal,  citados  pelo  acórdão  recorrido,  que  “as  receitas  variáveis  que  dependem  de  evento  futuro,  por  sua  natureza  aleatória, deverão ser contabilizadas no período­base de sua disponibilidade jurídica, dada “a  impossibilidade  de,  previamente,  serem  determinados  ou  fixados  seus  valores  e  por  não  se  encontrarem juridicamente disponíveis em tal momento”.  É  exatamente  este  o  caso  dos  autos,  pois  se  ainda  não  reconhecido  judicialmente o valor final a que a exequente, ora recorrente, teria direito a receber no processo  de  execução,  como  exigir  da  mesma  o  reconhecimento  antecipado  de  variações  monetárias  sobre o crédito pleiteado, do qual tem somente, por ora, a expectativa de receber.  Por fim, não sendo causa de tributação da dita variação monetária em face do  IRPJ, correta a decisão de excluí­la,  também da  tributação em face das  contribuições  sociais  (CSLL, PIS e Cofins).  Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício.  Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2014.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator.                              Fl. 385DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 18471.000530/2005­90  Acórdão n.º 1301­001.739  S1­C3T1  Fl. 359          8     Fl. 386DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03 /02/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES

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Numero do processo: 10680.013731/96-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório: Trata-se de recurso de ofício e de recurso voluntário. Na origem foram lavrados Autos de Infração (fls. 6/14, 87/92, 93, 94/97 e 98/101) em desfavor da empresa contribuinte Transportes Sol S/A (CNPJ 13.403.399/0001-01), em razão de suposta omissão de receitas e glosa de despesas não comprovadas nos anos-calendário de 1991 e 1992, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/29). A contribuinte tem como objeto social a prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros. A omissão de receitas foi verificada com base em Receitas não Contabilizadas – Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela insuficiência na declaração de receitas com a venda de passagens. Outrossim, quanto à glosa de despesas, o lançamento refere-se ao valor apropriado a título de correção monetária passiva i) pós-fixada sobre dívida contraída com a Prefeitura Municipal de Salvador e, também, ii) sobre empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico S/A. Tais fatos motivaram a constituição de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (3.060.842,39 UFIR) e seus reflexos: CSLL (717.241,98 UFIR), PIS (6.877,20 UFIR) e COFINS (710,09 UFIR), todos já acrescidos da multa e juros de mora, totalizando o valor de 3.790.078,92 UFIR (cf. fl. 04/05). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceu-se pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 15/17): (i) A empresa contribuinte foi intimada a apresentar os mapas da receita da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros fornecido pelo Órgão competente, entretanto, em carta resposta, apresentou o Auto de Infração municipal nº. 04007 lavrado em 20/02/1992, informando verbalmente que não possuía os mapas da receita solicitada; (ii) Ao examinar o referido Auto de Infração municipal e o Termo de Fiscalização correlato, verificou-se que a empresa declarou receita a menor do que a apurada, no período de fevereiro de 1991 a janeiro de 1992. Com fundamento no Quadro Demonstrativo nº 01 (fls. 18), onde se encontram discriminados os valores tributados pela fiscalização municipal, realizou-se o presente lançamento tributário de IRPJ e reflexos; (iii) Quanto ao auto de infração municipal, observa-se que a fiscalizada foi declarada revel pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de Salvador, tendo em vista que não o impugnou ou o pagou. O débito foi inscrito na dívida ativa municipal e é objeto de processo de execução, no qual a fiscalizada interpôs embargos à referida execução e cuja decisão definitiva, segundo informações apresentadas nos autos, ainda não foi prolatada; (iv) A empresa, também, apropriou a titulo de correção monetária pós-fixada, diversas despesas referente aos períodos-base de 1991, período de janeiro a junho de 1992 e de julho a dezembro de 1992. (v) Intimada a comprovar as referidas despesas, a recorrente apresentou planilha com a composição dos valores que constavam em sua Declaração de Rendimentos dos respectivos exercícios como variações monetárias passivas. (vi) Analisando a planilha apresentada, verificou-se que os valores citados foram apropriados como despesas em decorrência de um empréstimo que teria sido contraído junto à Prefeitura Municipal de Salvador, em virtude de este órgão ter assumido dívida que a fiscalizada tinha com os Bancos Safra, Nacional e Banorte, passando, consequentemente, a ser credor da fiscalizada; (vii) A referida dívida fora contratada através do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida (fls. 147/149), em 31/12/87; (viii) De acordo com a cláusula VI do referido contrato, a amortização do débito seria na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa da passagem do transporte coletivo, e a Câmara de Compensação ficou autorizada a repassar, mensalmente, a quantia equivalente àquele percentual a Secretaria de Finanças do Município até o pagamento integral da dívida; (ix) Intimada a informar os pagamentos efetuados a titulo de amortização da dívida, através do TIF n° 01 de 21/10/96 (fls. 77/80), a fiscalizada informou que até aquela data não houvera efetuado qualquer pagamento; (x) Quanto à correção monetária do empréstimo, não houve pactuação de Índice especifico, apenas constando na cláusula quarta que a empresa se comprometia a pagar à Prefeitura as quantias estabelecidas nos contratos com as instituições financeiras credoras. A fiscalizada não apresentou à fiscalização os contratos de empréstimos junto às instituições financeiras mencionadas; (xi) De acordo com a representação fiscal efetuada pela DRF-Salvador, que realizou diligências na Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Salvador, a Prefeitura realmente assumiu a dívida (principal, correção monetária e juros), mas quando intimada a apresentar os registros individualizados das operações constantes na contabilidade do órgão, não respondeu; (xii) De acordo ainda com a comunicação da DRF-Salvador, analisando a contabilidade da Prefeitura de Salvador, foram encontrados registros dos débitos referente à dívida assumida, sem identificação das empresas, os quais foram lançados como variações patrimoniais (conta 280.000), significando apropriação dos valores como custos ou despesas pela Prefeitura, portanto, os referidos empréstimos teriam sido considerados como perdas, tendo a Prefeitura perdoado a dívida; (xiii) Que recorrente não comprovou o pagamento de qualquer ônus junto a Prefeitura Municipal de Salvador a título de correção monetária do empréstimo, não cabendo, desta forma, a apropriação dos valores a titulo de correção monetária pós-fixada; (xiv) Que a dívida foi perdoada pela Prefeitura, pois até aquela data, não houve qualquer amortização, nem cobrança por parte da Prefeitura e ainda, de acordo com a informação fiscal enviada pela DRF-Salvador, o valor da dívida teria sido apropriado como custos/despesas na contabilidade da Prefeitura; (xv) Que a empresa não comprovou que realmente deve os valores apropriados a titulo de despesa de correção monetária, tampouco que os índices utilizados para correção monetária do referido empréstimo foram os pactuados com a Prefeitura para a correção do mesmo; (xvi) Que nunca foi exigido da autuada qualquer pagamento do principal muito menos da correção; (xvii) A empresa, também, apropriou despesas a titulo de correção monetária passiva sobre os empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico S/A. (xviii) Intimada a comprovar os valores deduzidos como despesas, a empresa apresentou planilhas elaboradas pelos citados Bancos, demonstrativo mensal das contas onde foram contabilizados os valores e demonstrativo em UR dos referidos empréstimos. (xix) Examinando os documentos apresentados pela fiscalizada, verificou-se que a mesma havia apropriado valores a maior, pois além de lançar como despesa os valores de amortização do principal da dívida, ainda considerou valores de variação monetária sobre saldos devedores calculados com base em UR a maior. (xx) Diante do exposto, a fiscalização elaborou os quadros demonstrativos de nºs. 02 a 12 (fls. 19/29), onde calculou os valores das variações monetárias passivas com base nos documentos apresentados pela fiscalizada e glosou a diferença que fora apropriada indevidamente como despesa de correção monetária. Encerrada a fiscalização, a empresa contribuinte teve ciência dos Autos de Infração em 27/12/1996 (fls. 06, 17, 30, 93, 124), por meio de seu gerente administrativo financeiro Sr. Herte Antônio Vilaça. Na sequência, a contribuinte tempestivamente apresentou Impugnação em 28/01/1997 (fls. 126/134, 175/192, 261/269, 310/318 e 359/376), requerendo, em suma, a anulação dos Autos de Infração. Remetida tal Impugnação para a 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG em 30/07/1997 (fl. 445/448), seu julgamento foi convertido em diligência pela DRJ, tendo sido determinado o retorno dos autos à repartição lançadora para desincumbir-se das providências a seu cargo. Em seguida, foi lavrado Termo de Diligência Fiscal pela origem (fls. 450/452) em atendimento ao decidido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG. Intimada do Termo de Diligência Fiscal em 27/03/2006 (fl. 453), a contribuinte juntou os documentos solicitados às fls. 457/502, prestou esclarecimentos às fls. 504/517 e juntou outros documentos (fls. 519/592). Novamente os autos foram remetidos para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG. Considerando a juntada dos documentos complementares, a impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 126/134, 175/192, 261/269, 310/318 e 359/376) foi julgada parcialmente procedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, que segue adiante transcrita (fls. 594/678): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991, 01/01/1992 a 30/06/1992, 01/07/1992 a 31/12/1992 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Comprovado que os valores tributáveis apurados decorrem de insuficiências na receita declarada pela empresa quando esta é cotejada com a receita apurada com base nos mapas quantitativos de passageiros transportados fornecidos por órgão competente da administração municipal, cabível o lançamento de oficio da receita subtraída à tributação. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Mantém-se a glosa a título de despesas incomprovadas se a contabilidade indica apropriação de variação monetária passiva sobre determinado valor mutuado e a obrigação em questão não foi comprovada, bem como nenhum documento formal hábil e idôneo, foi apresentado com a estipulação legal ou contratual de correção monetária. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS. O reconhecimento da variação monetária passiva de contratos de financiamentos FINAME deve restringir-se ao valor nominal das Unidades de Referência do BNDES - "UR" dos meses de encerramento do período de apuração, sob pena de os cálculos afigurarem-se majorados. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL – FINSOCIAL CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Dada a relação que existe entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às exigências dessas contribuições, estende-se à estas a orientação decisória adotada. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Em se tratando de empresa que auferiu receita exclusivamente da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, o PIS correspondente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 30/06/1992 deve ser apurado pela modalidade PIS/Repique, à alíquota de 5% sobre o Imposto de Renda devido ou como se devido fosse. Destarte, não subsiste lançamento da contribuição para o PIS, relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 30/06/1992, cujo fundamento legal tenha sido o art. 2º da Medida Provisória ri° 1.212, de 28 de novembro de 1995. Lançamento Procedente em Parte. O mencionado acórdão, por unanimidade, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou procedente em parte os lançamentos para (fl. 595/596): (i) Em relação ao IRPJ, manter parcialmente a exigência fiscal, no valor de 439.874,98 UFIR (Quatrocentos e trinta e nove mil, oitocentos e setenta e quatro inteiros e noventa e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; (ii) Em relação à CSLL, manter parcialmente a exigência fiscal, no valor de 260.394,94 UFIR (Duzentos e sessenta mil, trezentos e noventa e quatro inteiros e noventa e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; (iii) Em relação ao PIS, exonerar a exigência fiscal, no valor de 2.668,04 UFIR (Duas mil, seiscentos e sessenta e oito inteiros e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), e respectivos acréscimos legais (auto de infração de fis. 90/93); (iv) Em relação ao Finsocial, manter a exigência fiscal, no valor de 1.708,24 UFIR (Um mil, setecentos e oito inteiros e vinte e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; (v) Em relação a Cofins, manter a exigência fiscal, no valor de 281,78 UFIR (Duzentos e oitenta e um inteiros e setenta e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; e (vi) REDUZIR o percentual da multa de oficio aplicada nos períodos de apuração de 1991, 30/06/1992 e 31/12/1992, para 75% (setenta e cinco por cento), em face do que determina o art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e ADN-COSIT nº 01, de 07 de janeiro de 1997. O Presidente da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos do Estado de Minas Gerais recorreu de ofício da decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por ter o julgamento singular exonerado a impugnante de parte dos lançamentos do IRPJ e da CSLL e da integralidade do PIS nos exercícios de 1992 e 1993, conforme fl. 596. Intimada da decisão supratranscrita em 22/02/2007 (fl. 683), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 26/03/2007 (fl. 689/735), no qual ventila as seguintes razões, já resumidas pela Decisão do CARF de fls. 828/840 (especificamente às fls. 833/838), que transcrevo a seguir: (i) Que o auto de infração lavrado pela Prefeitura de Salvador não representa um entendimento definitivo de que houve omissão de receitas, pois ainda é objeto de discussão judicial perante a Justiça Estadual de Salvador, por meio de Embargos a Execução Fiscal acostado aos autos quando do atendimento à diligência fiscal efetuada; (ii) Que na ação judicial em tramite na Justiça Estadual da Bahia foi proferida sentença de 1ª Instancia em 02 de fevereiro de 2006, a qual julgou procedentes os pedidos para cancelar a exigência fiscal da Prefeitura de Salvador; (iii) Que a sentença favorável está plenamente vigente e os autos estão atualmente no Tribunal de Justiça da Bahia em função de remessa oficial; (iv) Que a Fazenda Municipal de Salvador, ao lavrar o Auto de Infração de ISSQN que deu substrato ao presente Processo Administrativo Fiscal Federal, equivocou-se ao apurar a receita tributável, pois desprezou as meias passagens pagas por determinados clientes e a variação do preço da tarifa no próprio mês; (v) Que não foi considerado pelo Fisco Municipal que a própria legislação municipal cuidava, a época, de um sistema de compensação tarifária, por meio do qual eram definidas as receitas reais decorrentes da prestação dos serviços pelas empresas concessionárias dos serviços de transporte público intramunicipal, levando em conta quais empresas operavam com uma tarifa defasada e quais operavam com tarifas acima da média; (vi) Que num primeiro momento, quando da lavratura do Auto de Infração ora em debate, a prova emprestada utilizada pela Fiscalização se baseava em um Auto de Infração não impugnado administrativamente pelo contribuinte, em relação ao qual se tinha presunção de certeza e de liquidez; (vii) Que posteriormente o Poder Judiciário declarou a ilegalidade da suposta base de cálculo do débito de ISSQN exigido pela Fazenda Municipal de Salvador e, consequentemente, a inexistência da suposta de omissão de receitas ao Fisco Baiano; (viii) Que a prova emprestada no caso concreto não mais dá substrato a autuação de tributos federais, por não ser mais suficiente para embasar o entendimento de que houve omissão de receitas no período autuado, pois não está mais apta a embasar o Auto de Infração discutido nesses autos; (ix) Que tendo em vista que o único e exclusivo embasamento do qual se utilizou a Fiscalização para a referida autuação encontra-se pendente de julgamento definitivo pelo Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável à empresa; (x) Que não pode a existência da autuação Municipal ter o condão de imputar à Recorrente conduta ilícita, tal como a omissão de receita, com reflexos no IRPJ e demais tributos federais, visto que, atualmente, está vigente decisão judicial que determinou a extinção da cobrança do ISSQN; (xi) Que o único e exclusivo embasamento do qual se utilizou a Fiscalização para a referida autuação encontra-se pendente de julgamento definitivo pelo Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável à Recorrente; (xii) Que a glosa de despesas com variação monetária passiva é indevida, pois se depreende notadamente do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida, firmado entre a Prefeitura Municipal de Salvador e a autuada, que o mútuo foi concedido para cobertura de custos com transporte urbano não repassados para as tarifas em virtude do congelamento de preços determinado pelo Plano Cruzado; (xiii) Que de acordo com esse Instrumento, ficou acordado que a transferência dos recursos às concessionárias de serviço de transporte seria a titulo de mútuo, e que sua amortização seria realizada na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa; (xiv) Que a amortização do empréstimo ocorreria a partir do momento que as empresas de transportes conseguissem recuperar, mediante repasse no preço da tarifa, as perdas ocorridas com o Plano Cruzado; (xv) Que os contratos em tela são antigos, tendo sido firmados nos anos de 1987 e 1988, o que praticamente inviabiliza a recuperação das vias originais. Ademais, o próprio instrumento de confissão de dívidas, firmado entre as empresas que prestavam serviço de transporte coletivo em Salvador e a respectiva Prefeitura, já dá substrato fático suficiente para que a Fiscalização reconhecesse a existência da dívida, tendo em vista ser copia de um documento oficial, assinado pelo Prefeito de Salvador à época; (xvi) Que, para provar a existência da dívida original entre as empresas e os Bancos mencionados na cláusula 3ª do Instrumento Particular de Confissão de Dívidas, junta a empresa os seguintes documentos: cópia do Contrato de Confissão/Assunção de dívidas celebrado entre o Banco do Brasil e o Banco Safra e a Prefeitura de Salvador em 31 de dezembro de 1987, registrado em cartório, o qual faz expressa referencia à dívida da Transol, letra h da cláusula primeira; cópia do Instrumento particular de confissão de dívidas firmado pelas empresas de transporte coletivo de Salvador e o Banco Safra de Investimentos, o qual faz remissão aos contratos de mútuo firmados; cópia da escritura pública confeccionada no Cartório do 12° Oficio de Notas de Salvador, relativa à confissão da dívida das empresas com o Banorte, um dos bancos envolvidos credores da dívida assumida pela prefeitura de Salvador; (xvii) Que todos os documentos colacionados pela recorrente devem ser analisados em conjunto, afastando-se quaisquer dúvidas que poderiam remanescer sobre a existência da dívida em relação à qual a empresa deduziu os encargos correspondentes, em respeito ao principio da verdade material; (xvii) Que a decisão da DRJ concluiu que não importa qual tenha sido o destino da dívida, prescrição ou perdão, que as variações monetárias apropriadas foram indevidas, já que a implementação da condição pela qual a dívida deveria ser paga, reajuste de tarifas, não ocorreu; (xix) Que o fato de o contrato firmado com a Prefeitura ter sido pactuado sob determinadas condições não significa que ele é inexistente; (xx) Que não cabe à fiscalização presumir como inexigíveis a dívida da recorrente com a prefeitura de Salvador, sob pena de se cobrar o IRPJ sem a materialização de sua hipótese de incidência, a não ser que o fizesse com base de provas inequívocas de que o contrato de assunção de dívidas tinha como objetivo apenas a redução de tributo; (xxi) Que não há na legislação civil brasileira disposição no sentido de que os contratos de mútuo devem ser pagos ou realizados pelo devedor em determinado período, sob pena de serem considerados inexistentes ou inexigíveis; (xxii) Que não existe na legislação tributária norma que imponha a indedutibilidade de despesas de empréstimos não pagos ou realizados, existindo apenas a regra geral de indedutibilidade das despesas que não reúnam os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade em relação ás atividades da empresa; (xxiii) Que a fiscalização não tem em seu favor embasamento legal para considerar indedutíveis as despesas de variação monetária de um contrato de mútuo, ao argumento de que ele nunca foi pago; (xxiv) Que à época de contabilização da variação monetária passiva, a dívida era devida, pois o contrato entre Prefeitura e Recorrente estava em pleno vigor; (xxvii) Que o fato de haver uma condição para que a dívida fosse cobrada, não afasta sua exigibilidade, mas apenas a condicionava a evento futuro; (xxv) Que a dívida não foi paga por um fato superveniente, que foi o lapso do prazo prescricional nos termos do Código Civil, mas essa situação é superveniente, e por si só não significa que as despesas com variação passiva eram indevidas na época em que foram incorridas; (xxvi) Que quem dá causa a prescrição é o tempo, e o fato de não ter sido implementada a condição prevista em contrato não depende da vontade da recorrente, que contabilizou as despesas com variação monetária em época que a dívida era plenamente exigível; (xxvii) Que não há que se falar em perdão de dívida por parte da Prefeitura, pois nesse caso deve haver a desoneração do devedor por força de ato voluntário, de liberalidade, não oneroso, expresso na vontade do credor que admite a extinção da obrigação e renuncia as garantias do crédito; (xxviii) Que em nenhum momento a Prefeitura expressou qualquer ato volitivo no sentido de perdoar a assunção da dívida com os Bancos, apenas não exigiu a dívida no prazo que a legislação civil assinala; (xxix) Que a dívida da recorrente com a Prefeitura de Salvador foi realmente contraída, e era plenamente exigível à época da contabilização das despesas com variação monetária passiva, não tendo sido cobrada por fatos alheios a sua vontade; (xxx) Que o fato relatado não trouxe prejuízo ao Fisco, já que posteriormente, no ano de 1999, ocorreu a reversão integral da dívida assumida com a Prefeitura Municipal de Salvador; (xxxi) Que ainda que a recorrente tivesse deduzido indevidamente os encargos com correção monetária no período de 1991 e 1992, o prejuízo causado ao Fisco Federal teria se limitado aos efeitos da postergação, a exigência dos juros de mora, pois o principal, IRPJ e CSLL, foi pago quando da reversão do passivo; (xxxii) Que junta aos autos cópia da DIPJ do ano-base de 2000 na qual consta na página 05, linha 29, outras receitas operacionais, o valor de variação monetária passiva que foi revertido pela empresa, em razão da prescrição da dívida com a Prefeitura de Salvador, no valor de R$ 557.982,22; (xxxiii) Que o fato de ter sido apurado prejuízo fiscal no ano de 1999 não impede a aplicação da postergação prevista no Parecer Normativo COSIT n° 02/96; (xxxiv) Que a fiscalização fez uma interpretação distorcida do parecer normativo, pois nele não consta o requisito do pagamento do imposto para que haja o reconhecimento da postergação; (xxxv) Que caso a recorrente não tivesse feito a reversão do valor da variação monetária passiva da dívida prescrita, o saldo de prejuízos seria maior, o que consequentemente representaria menos tributo a recolher nos períodos posteriores; (xxxvi) Que não há qualquer razão para que se diferencie as situações de pagamento e de redução dos prejuízos fiscais, pois nos dois casos o contribuinte retifica seu comportamento e reconhece ser devido o tributo; (xxxvii) Que a multa de oficio não pode ser aplicada, considerando que o instituto da postergação do imposto somente se opera em procedimento de denúncia espontânea, conforme disposto no Parecer Normativo Cosit, aplicar-se-ia o artigo 138 do CTN para excluir a responsabilidade tributária pelo fato de a recorrente se antecipado a qualquer procedimento fiscal e realizado o pagamento do tributo devido; (xxxviii) Que deve ser utilizado no mínimo o INPC como índice de correção monetária, reconhecido pela Lei n° 8.200/91, os encargos da dívida calculados com base em índice oficial, praticado no mercado financeiro, porque as obrigações devem ser corrigidas para refletir o valor real dos empréstimos; (xxxix) Que o reconhecimento da correção monetária sobre ativos e passivos dispensava disposição contratual expressa, já que a simples atualização não representava remuneração ou majoração da obrigação assumida, mas simples preservação do substrato econômico da dívida reconhecida; (xl) Que, rebatendo o argumento da DRJ de que "é indispensável que a atualização da obrigação decorra de variação de índices ou de coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual", não se pode olvidar que a própria fazenda por meio do Parecer Normativo CST n° 10/85, admitia a dedutibilidade das despesas com variação monetária sobre contratos de mútuos com pessoas jurídicas ligadas, desde que calculados por meio de índices praticados pelo mercado financeiro; (xli) Que, se para os contratos de mútuo entre empresas ligadas, sem previsão especifica, seria devido, ao menos, o valor correspondente à correção monetária, com mais propriedade dever-se-ia admitir a dedutibilidade de despesas com correção monetária incidente sobre contratos de empréstimos realizados com pessoas jurídicas não ligadas; (xlii) Que por força do art. 586 do Novo Código Civil, a obrigatoriedade do reconhecimento da correção monetária sobre os empréstimos em épocas de inflação elevada se dá justamente pela necessidade de restituição do numerário emprestado (coisa fungível) em mesmo gênero, qualidade e quantidade; (xliii) Que caso se entenda pela inexistência de provas da relação contratual entre a recorrente e o Município de Salvador, deve se considerar pelo menos que a empresa buscou preservar suas demonstrações financeiras aplicando o INPC sobre a obrigação, por se tratar de numerário exposto aos efeitos inflacionários da época; (xliv) Que a glosa de despesas com variação monetária passiva decorrente de contratos FINAME — Bancos Mercantil e Econômico não pode ser acatada, pois a empresa apropriou a despesa levando em conta a UR, Unidade de Referência, índice de correção do BNDES; (xlv) Que essa atualização foi realizada com base no valor nominal da UR do mês subsequente ao do período-base encerrado, e não da UR do próprio mês como entende o Fisco; (xlvi) Que por se tratar de índice de correção monetária, a UR era calculada com base nos índices oficiais de inflação divulgados mensalmente. A composição do índice pretendia computar a variação dos preços ocorrida entre o dia 1º e o último dia do mês de referência, de forma que o efeito inflacionário de um mês determinasse o valor do índice do mês seguinte; (xlvii) para o correto cálculo da correção monetária de dezembro, a Recorrente utilizou o índice de inflação divulgado no primeiro dia de janeiro (período imediatamente subsequente ao de referencia) e não a do próprio mês, como defende a DRJ. O procedimento adotado pela fiscalização não contemplou o efeito inflacionário ocorrido no mês de referencia, mas sim o do anterior. Por fim requereu a procedência dos pedidos formulados no Recurso Voluntário. Apresentou documentos (fls. 737 e seguintes). Remetidos os autos para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento dos Recursos de Ofício e Voluntário foi convertido em diligência (fls. 828/840), sob o argumento de que os documentos juntados aos autos não permitiam o julgamento dos recursos, visto ser necessária a análise de “informações disponíveis, constantes dos arquivos da Prefeitura de Salvador, para confirmar a existência do empréstimo questionado pelo Fisco, além da situação do julgamento do processo judicial quanto ao auto de infração lavrado pela fiscalização municipal” (fls. 840). Dessa forma, remeteram-se os autos à repartição de origem para que fosse proferido parecer conclusivo a respeito das alegações apresentadas pela recorrente, principalmente em relação à existência de empréstimo entre a prefeitura de Salvador e a contribuinte fiscalizada, bem como sobre a alegação de prova emprestada (fl. 840). Foram, então, juntadas aos autos informações relativas aos Embargos à Execução Fiscal nº. 0054465-73.2002.805.0001, em trâmite perante a 4ª Vara da Fazenda Pública de Salvador/BA, conforme fls. 845/849, ação esta que discute o Auto de Infração municipal nº. 04007, lavrado em 20/02/1992, e a Execução Fiscal nº. 0114026-62.2001.805.0001, em trâmite no mesmo Juízo. Ademais, foram igualmente juntadas neste processo administrativo fiscal informações a respeito dos contratos firmados entre a contribuinte e a Prefeitura do Município de Salvador/BA, especificamente os firmados entre a empresa e os bancos Safra, Nacional e Banorte, nos anos de 1987 e 1988, por empréstimos obtidos junto às instituições bancárias, cujas dívidas pretensamente teriam sido assumidas posteriormente pela Prefeitura de Salvador (fls. 850/859). Outrossim, foi lavrado o respectivo Termo de Diligência Fiscal pela origem (fls. 863/864), em atendimento à Decisão da 2ª Turma do CARF, informando o cumprimento das diligências e a conclusão, em síntese, dos seguintes fatos: (i) Que da análise dos autos nº. 0054465-73.2002.805.0001 (numeração única dos autos de Embargos à Execução Fiscal, movido pela empresa fiscalizada contra a Fazenda Pública do Município de Salvador), constatou que em 12/08/2002 foram distribuídos os Embargos em face da Execução Fiscal em curso, que foram impugnados pela Fazenda Municipal, estando o processo em fase de intimação das partes da realização de perícia quanto ao débito tributário lá executado; (ii) Que em relação à necessidade de instrução desta diligência com os contratos de financiamento firmados entre a Transportes Sol S/A e os bancos Safra, Nacional e Banorte e aqueles firmados entre aquele e a Prefeitura Municipal de Salvador em 06/07/2011, o Secretário Municipal competente não apresentou cópias de tais documentos. No entanto, a Subsecretária competente informou que a empresa contribuinte fora permissionária dos serviços públicos de transporte coletivo daquele município, juntando apenas cópia dos Termos de Permissão mencionados (fls. 858/859). A empresa fiscalizada se manifestou nos autos (fls. 869/871) quanto ao contido no Termo de Diligência Fiscal, aduzindo que os contratos firmados entre ela e a prefeitura foram assinados pela Secretaria de Finanças e pela Secretaria de Transportes, com o acompanhamento da procuradoria Geral do Município de Salvador. Requereu então a intimação de tais secretarias para que fornecessem cópias dos referidos contratos. Quanto ao processo judicial que discute o ISS da Prefeitura de Salvador, se manifestou a empresa contribuinte (fls. 870/871) afirmando que o número correto do processo de primeira instância é o nº. 140.93.369906-2, que foi julgado procedente em primeira instância e aguarda julgamento pelo E. Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, conforme documentos de fls. 875/885. A empresa Transporte Sol S/A apresentou nova manifestação às fls. 884/885, informando que a Secretaria da Fazenda do Município de Salvador apresentou cópia do Contrato firmado entre a Prefeitura e o Banco do Brasil, no qual há menção ao Contrato de Confissões de Dívida entre a Prefeitura e aquele banco (juntado às fls. 889/896 deste processo administrativo fiscal), bem como Escritura Pública de confissão de dívidas, às fls. 897/911 e Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida entre a Transol (além de outras empresas) e o Município de Salvador, conforme fls. 912/915. Juntou documentos às fls. 916/933. É o relatório. Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Trata-se de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário em face da decisão da DRJ que exonerou parcialmente o crédito tributário objeto do presente processo administrativo. O Recurso de ofício atende o requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço. O Recurso Voluntário apresentado pela empresa recorrente é tempestivo e encontram-se presentes seus requisitos de admissibilidade, o qual merece ser conhecido. O presente lançamento tributário se fundamentou em omissão de receitas e glosas de despesas não comprovadas referentes aos anos-calendário de 1991 e 1992, as quais foram apropriadas na contabilidade da recorrente a título de correção monetária passiva de dívida contraída com a Prefeitura Municipal de Salvador por assunção de dívida. Analisando os autos, verifica-se que Prefeitura de Salvador assumiu dívidas da recorrente junto a Instituições Financeiras, sendo que a recorrente se comprometeu a adimplir sua dívida com a Prefeitura nas mesmas condições estabelecidas nos contratos firmados entre esta e os Bancos credores, segundo previsto na cláusula quarta do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas destacada abaixo (fls. 912/914): CLÁUSULA QUARTA – No entanto, pelo presente instrumento as EMPRESAS reconhecem ser de sua inteira responsabilidade as dívidas assumidas que foram pelo MUNICÍPIO DE SALVADOR, mencionadas na cláusula anterior, e por isso mesmo delas se confessam devedoras, comprometendo-se a pagar as quantias estabelecidas nos citados contratos. (grifo não original) Ou seja, toda e qualquer despesa correlata a juros e correção monetária despendida pela Prefeitura de Salvador nas assunções de dívidas, a recorrente se comprometeu a pagar pelos mesmos índices. Portanto, entendo pertinente realizar a análise dos contratos ou compromissos de assunção de dívidas celebrados pela Prefeitura de Salvador para fins de verificar seus termos específicos, em especial quanto ao valor respectivo da correção monetária de cada um deles. O Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas em análise (fls. 912/914) dá conta que a dívida da recorrente assumida pela Prefeitura de Salvador era à época equivalente a Cr$ 39.053.147,00, oriundas de empréstimos tomados com os seguintes bancos, como demonstra a planilha de fls. 915: i) BANORTE - Cr$ 7.210.212,00; ii) Safra - Cr$ 23.560.524,00; iii) Nacional - Cr$ 8.282.411,00. A recorrente juntou aos autos o Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A. e a Prefeitura de Salvador, no qual a Prefeitura renegocia os prazos de pagamento do Contrato de Confissão e Assunção de Dívida n.º 87/00754-1 (fls. 889/896). Destaca-se que no Contrato de Confissão e Assunção n.º 87/00754-1 (fls. 889/896), a recorrente confessa ser devedora do Banco Safra a quantia Cr$ 26.334.313,00 (cláusula primeira, alínea h), a qual seria por acordo naquele instrumento adimplida pela Prefeitura de Salvador. Logo, em vista da cláusula quarta do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas (fls. 912/914), todas as despesas financeiras do Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A e a Prefeitura de Salvador, referente ao valor do Contrato de Confissão e Assunção n.º 87/00754-1 (assunção da dívida do banco Safra), deveriam posteriormente ser pagas pela recorrente. Não se encontrou nos autos nenhum instrumento de assunção da dívida celebrado pela Prefeitura de Salvador com o Banco BANORTE e Nacional, não sendo possível verificar quais as despesas financeiras que teria que incorrer quanto a estas outras duas assunções de dívidas (BANORTE e Banco Nacional). Desta forma, para a melhor solução do presente caso, entendo necessário converter o julgamento em diligência a fim de que se possa conhecer o valor correto de correção monetária paga pela Prefeitura de Salvador em cada uma das assunções de dívidas da recorrente, devendo a DRF de origem tomar as seguintes providências: a) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o BANORTE, o qual fez parte integrante da escritura pública de confissão de dívida (fls. 897/911), como previsto na cláusula décima primeira (fls. 900); b) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o Banco Nacional; c) Após este prazo, que o agente fiscal analise o Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A. e a Prefeitura de Salvador, bem como os demais contratos e documentos que apresentados pela recorrente, efetue a conferência das despesas que eles originaram e se manifeste expressamente se os índices de correção monetária utilizados pela recorrente são condizentes com os contratados, emitindo parecer conclusivo de qual o valor correto da correção monetária a ser dedutível. Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifeste-se da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgá-lo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório: Trata-se de recurso de ofício e de recurso voluntário. Na origem foram lavrados Autos de Infração (fls. 6/14, 87/92, 93, 94/97 e 98/101) em desfavor da empresa contribuinte Transportes Sol S/A (CNPJ 13.403.399/0001-01), em razão de suposta omissão de receitas e glosa de despesas não comprovadas nos anos-calendário de 1991 e 1992, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/29). A contribuinte tem como objeto social a prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros. A omissão de receitas foi verificada com base em Receitas não Contabilizadas – Omissão de Receita Operacional, caracterizada pela insuficiência na declaração de receitas com a venda de passagens. Outrossim, quanto à glosa de despesas, o lançamento refere-se ao valor apropriado a título de correção monetária passiva i) pós-fixada sobre dívida contraída com a Prefeitura Municipal de Salvador e, também, ii) sobre empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico S/A. Tais fatos motivaram a constituição de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (3.060.842,39 UFIR) e seus reflexos: CSLL (717.241,98 UFIR), PIS (6.877,20 UFIR) e COFINS (710,09 UFIR), todos já acrescidos da multa e juros de mora, totalizando o valor de 3.790.078,92 UFIR (cf. fl. 04/05). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceu-se pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 15/17): (i) A empresa contribuinte foi intimada a apresentar os mapas da receita da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros fornecido pelo Órgão competente, entretanto, em carta resposta, apresentou o Auto de Infração municipal nº. 04007 lavrado em 20/02/1992, informando verbalmente que não possuía os mapas da receita solicitada; (ii) Ao examinar o referido Auto de Infração municipal e o Termo de Fiscalização correlato, verificou-se que a empresa declarou receita a menor do que a apurada, no período de fevereiro de 1991 a janeiro de 1992. Com fundamento no Quadro Demonstrativo nº 01 (fls. 18), onde se encontram discriminados os valores tributados pela fiscalização municipal, realizou-se o presente lançamento tributário de IRPJ e reflexos; (iii) Quanto ao auto de infração municipal, observa-se que a fiscalizada foi declarada revel pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de Salvador, tendo em vista que não o impugnou ou o pagou. O débito foi inscrito na dívida ativa municipal e é objeto de processo de execução, no qual a fiscalizada interpôs embargos à referida execução e cuja decisão definitiva, segundo informações apresentadas nos autos, ainda não foi prolatada; (iv) A empresa, também, apropriou a titulo de correção monetária pós-fixada, diversas despesas referente aos períodos-base de 1991, período de janeiro a junho de 1992 e de julho a dezembro de 1992. (v) Intimada a comprovar as referidas despesas, a recorrente apresentou planilha com a composição dos valores que constavam em sua Declaração de Rendimentos dos respectivos exercícios como variações monetárias passivas. (vi) Analisando a planilha apresentada, verificou-se que os valores citados foram apropriados como despesas em decorrência de um empréstimo que teria sido contraído junto à Prefeitura Municipal de Salvador, em virtude de este órgão ter assumido dívida que a fiscalizada tinha com os Bancos Safra, Nacional e Banorte, passando, consequentemente, a ser credor da fiscalizada; (vii) A referida dívida fora contratada através do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida (fls. 147/149), em 31/12/87; (viii) De acordo com a cláusula VI do referido contrato, a amortização do débito seria na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa da passagem do transporte coletivo, e a Câmara de Compensação ficou autorizada a repassar, mensalmente, a quantia equivalente àquele percentual a Secretaria de Finanças do Município até o pagamento integral da dívida; (ix) Intimada a informar os pagamentos efetuados a titulo de amortização da dívida, através do TIF n° 01 de 21/10/96 (fls. 77/80), a fiscalizada informou que até aquela data não houvera efetuado qualquer pagamento; (x) Quanto à correção monetária do empréstimo, não houve pactuação de Índice especifico, apenas constando na cláusula quarta que a empresa se comprometia a pagar à Prefeitura as quantias estabelecidas nos contratos com as instituições financeiras credoras. A fiscalizada não apresentou à fiscalização os contratos de empréstimos junto às instituições financeiras mencionadas; (xi) De acordo com a representação fiscal efetuada pela DRF-Salvador, que realizou diligências na Secretaria de Finanças da Prefeitura Municipal de Salvador, a Prefeitura realmente assumiu a dívida (principal, correção monetária e juros), mas quando intimada a apresentar os registros individualizados das operações constantes na contabilidade do órgão, não respondeu; (xii) De acordo ainda com a comunicação da DRF-Salvador, analisando a contabilidade da Prefeitura de Salvador, foram encontrados registros dos débitos referente à dívida assumida, sem identificação das empresas, os quais foram lançados como variações patrimoniais (conta 280.000), significando apropriação dos valores como custos ou despesas pela Prefeitura, portanto, os referidos empréstimos teriam sido considerados como perdas, tendo a Prefeitura perdoado a dívida; (xiii) Que recorrente não comprovou o pagamento de qualquer ônus junto a Prefeitura Municipal de Salvador a título de correção monetária do empréstimo, não cabendo, desta forma, a apropriação dos valores a titulo de correção monetária pós-fixada; (xiv) Que a dívida foi perdoada pela Prefeitura, pois até aquela data, não houve qualquer amortização, nem cobrança por parte da Prefeitura e ainda, de acordo com a informação fiscal enviada pela DRF-Salvador, o valor da dívida teria sido apropriado como custos/despesas na contabilidade da Prefeitura; (xv) Que a empresa não comprovou que realmente deve os valores apropriados a titulo de despesa de correção monetária, tampouco que os índices utilizados para correção monetária do referido empréstimo foram os pactuados com a Prefeitura para a correção do mesmo; (xvi) Que nunca foi exigido da autuada qualquer pagamento do principal muito menos da correção; (xvii) A empresa, também, apropriou despesas a titulo de correção monetária passiva sobre os empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico S/A. (xviii) Intimada a comprovar os valores deduzidos como despesas, a empresa apresentou planilhas elaboradas pelos citados Bancos, demonstrativo mensal das contas onde foram contabilizados os valores e demonstrativo em UR dos referidos empréstimos. (xix) Examinando os documentos apresentados pela fiscalizada, verificou-se que a mesma havia apropriado valores a maior, pois além de lançar como despesa os valores de amortização do principal da dívida, ainda considerou valores de variação monetária sobre saldos devedores calculados com base em UR a maior. (xx) Diante do exposto, a fiscalização elaborou os quadros demonstrativos de nºs. 02 a 12 (fls. 19/29), onde calculou os valores das variações monetárias passivas com base nos documentos apresentados pela fiscalizada e glosou a diferença que fora apropriada indevidamente como despesa de correção monetária. Encerrada a fiscalização, a empresa contribuinte teve ciência dos Autos de Infração em 27/12/1996 (fls. 06, 17, 30, 93, 124), por meio de seu gerente administrativo financeiro Sr. Herte Antônio Vilaça. Na sequência, a contribuinte tempestivamente apresentou Impugnação em 28/01/1997 (fls. 126/134, 175/192, 261/269, 310/318 e 359/376), requerendo, em suma, a anulação dos Autos de Infração. Remetida tal Impugnação para a 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG em 30/07/1997 (fl. 445/448), seu julgamento foi convertido em diligência pela DRJ, tendo sido determinado o retorno dos autos à repartição lançadora para desincumbir-se das providências a seu cargo. Em seguida, foi lavrado Termo de Diligência Fiscal pela origem (fls. 450/452) em atendimento ao decidido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG. Intimada do Termo de Diligência Fiscal em 27/03/2006 (fl. 453), a contribuinte juntou os documentos solicitados às fls. 457/502, prestou esclarecimentos às fls. 504/517 e juntou outros documentos (fls. 519/592). Novamente os autos foram remetidos para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG. Considerando a juntada dos documentos complementares, a impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 126/134, 175/192, 261/269, 310/318 e 359/376) foi julgada parcialmente procedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, que segue adiante transcrita (fls. 594/678): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991, 01/01/1992 a 30/06/1992, 01/07/1992 a 31/12/1992 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Comprovado que os valores tributáveis apurados decorrem de insuficiências na receita declarada pela empresa quando esta é cotejada com a receita apurada com base nos mapas quantitativos de passageiros transportados fornecidos por órgão competente da administração municipal, cabível o lançamento de oficio da receita subtraída à tributação. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Mantém-se a glosa a título de despesas incomprovadas se a contabilidade indica apropriação de variação monetária passiva sobre determinado valor mutuado e a obrigação em questão não foi comprovada, bem como nenhum documento formal hábil e idôneo, foi apresentado com a estipulação legal ou contratual de correção monetária. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS. O reconhecimento da variação monetária passiva de contratos de financiamentos FINAME deve restringir-se ao valor nominal das Unidades de Referência do BNDES - "UR" dos meses de encerramento do período de apuração, sob pena de os cálculos afigurarem-se majorados. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO – CSLL OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE INVESTIMENTO SOCIAL – FINSOCIAL CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Dada a relação que existe entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos às exigências dessas contribuições, estende-se à estas a orientação decisória adotada. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Em se tratando de empresa que auferiu receita exclusivamente da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, o PIS correspondente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 30/06/1992 deve ser apurado pela modalidade PIS/Repique, à alíquota de 5% sobre o Imposto de Renda devido ou como se devido fosse. Destarte, não subsiste lançamento da contribuição para o PIS, relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/1991 e 30/06/1992, cujo fundamento legal tenha sido o art. 2º da Medida Provisória ri° 1.212, de 28 de novembro de 1995. Lançamento Procedente em Parte. O mencionado acórdão, por unanimidade, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou procedente em parte os lançamentos para (fl. 595/596): (i) Em relação ao IRPJ, manter parcialmente a exigência fiscal, no valor de 439.874,98 UFIR (Quatrocentos e trinta e nove mil, oitocentos e setenta e quatro inteiros e noventa e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; (ii) Em relação à CSLL, manter parcialmente a exigência fiscal, no valor de 260.394,94 UFIR (Duzentos e sessenta mil, trezentos e noventa e quatro inteiros e noventa e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; (iii) Em relação ao PIS, exonerar a exigência fiscal, no valor de 2.668,04 UFIR (Duas mil, seiscentos e sessenta e oito inteiros e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), e respectivos acréscimos legais (auto de infração de fis. 90/93); (iv) Em relação ao Finsocial, manter a exigência fiscal, no valor de 1.708,24 UFIR (Um mil, setecentos e oito inteiros e vinte e quatro centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; (v) Em relação a Cofins, manter a exigência fiscal, no valor de 281,78 UFIR (Duzentos e oitenta e um inteiros e setenta e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais; e (vi) REDUZIR o percentual da multa de oficio aplicada nos períodos de apuração de 1991, 30/06/1992 e 31/12/1992, para 75% (setenta e cinco por cento), em face do que determina o art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e ADN-COSIT nº 01, de 07 de janeiro de 1997. O Presidente da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos do Estado de Minas Gerais recorreu de ofício da decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por ter o julgamento singular exonerado a impugnante de parte dos lançamentos do IRPJ e da CSLL e da integralidade do PIS nos exercícios de 1992 e 1993, conforme fl. 596. Intimada da decisão supratranscrita em 22/02/2007 (fl. 683), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 26/03/2007 (fl. 689/735), no qual ventila as seguintes razões, já resumidas pela Decisão do CARF de fls. 828/840 (especificamente às fls. 833/838), que transcrevo a seguir: (i) Que o auto de infração lavrado pela Prefeitura de Salvador não representa um entendimento definitivo de que houve omissão de receitas, pois ainda é objeto de discussão judicial perante a Justiça Estadual de Salvador, por meio de Embargos a Execução Fiscal acostado aos autos quando do atendimento à diligência fiscal efetuada; (ii) Que na ação judicial em tramite na Justiça Estadual da Bahia foi proferida sentença de 1ª Instancia em 02 de fevereiro de 2006, a qual julgou procedentes os pedidos para cancelar a exigência fiscal da Prefeitura de Salvador; (iii) Que a sentença favorável está plenamente vigente e os autos estão atualmente no Tribunal de Justiça da Bahia em função de remessa oficial; (iv) Que a Fazenda Municipal de Salvador, ao lavrar o Auto de Infração de ISSQN que deu substrato ao presente Processo Administrativo Fiscal Federal, equivocou-se ao apurar a receita tributável, pois desprezou as meias passagens pagas por determinados clientes e a variação do preço da tarifa no próprio mês; (v) Que não foi considerado pelo Fisco Municipal que a própria legislação municipal cuidava, a época, de um sistema de compensação tarifária, por meio do qual eram definidas as receitas reais decorrentes da prestação dos serviços pelas empresas concessionárias dos serviços de transporte público intramunicipal, levando em conta quais empresas operavam com uma tarifa defasada e quais operavam com tarifas acima da média; (vi) Que num primeiro momento, quando da lavratura do Auto de Infração ora em debate, a prova emprestada utilizada pela Fiscalização se baseava em um Auto de Infração não impugnado administrativamente pelo contribuinte, em relação ao qual se tinha presunção de certeza e de liquidez; (vii) Que posteriormente o Poder Judiciário declarou a ilegalidade da suposta base de cálculo do débito de ISSQN exigido pela Fazenda Municipal de Salvador e, consequentemente, a inexistência da suposta de omissão de receitas ao Fisco Baiano; (viii) Que a prova emprestada no caso concreto não mais dá substrato a autuação de tributos federais, por não ser mais suficiente para embasar o entendimento de que houve omissão de receitas no período autuado, pois não está mais apta a embasar o Auto de Infração discutido nesses autos; (ix) Que tendo em vista que o único e exclusivo embasamento do qual se utilizou a Fiscalização para a referida autuação encontra-se pendente de julgamento definitivo pelo Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável à empresa; (x) Que não pode a existência da autuação Municipal ter o condão de imputar à Recorrente conduta ilícita, tal como a omissão de receita, com reflexos no IRPJ e demais tributos federais, visto que, atualmente, está vigente decisão judicial que determinou a extinção da cobrança do ISSQN; (xi) Que o único e exclusivo embasamento do qual se utilizou a Fiscalização para a referida autuação encontra-se pendente de julgamento definitivo pelo Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável à Recorrente; (xii) Que a glosa de despesas com variação monetária passiva é indevida, pois se depreende notadamente do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida, firmado entre a Prefeitura Municipal de Salvador e a autuada, que o mútuo foi concedido para cobertura de custos com transporte urbano não repassados para as tarifas em virtude do congelamento de preços determinado pelo Plano Cruzado; (xiii) Que de acordo com esse Instrumento, ficou acordado que a transferência dos recursos às concessionárias de serviço de transporte seria a titulo de mútuo, e que sua amortização seria realizada na proporção de 50% do valor da remuneração do capital embutido na tarifa; (xiv) Que a amortização do empréstimo ocorreria a partir do momento que as empresas de transportes conseguissem recuperar, mediante repasse no preço da tarifa, as perdas ocorridas com o Plano Cruzado; (xv) Que os contratos em tela são antigos, tendo sido firmados nos anos de 1987 e 1988, o que praticamente inviabiliza a recuperação das vias originais. Ademais, o próprio instrumento de confissão de dívidas, firmado entre as empresas que prestavam serviço de transporte coletivo em Salvador e a respectiva Prefeitura, já dá substrato fático suficiente para que a Fiscalização reconhecesse a existência da dívida, tendo em vista ser copia de um documento oficial, assinado pelo Prefeito de Salvador à época; (xvi) Que, para provar a existência da dívida original entre as empresas e os Bancos mencionados na cláusula 3ª do Instrumento Particular de Confissão de Dívidas, junta a empresa os seguintes documentos: cópia do Contrato de Confissão/Assunção de dívidas celebrado entre o Banco do Brasil e o Banco Safra e a Prefeitura de Salvador em 31 de dezembro de 1987, registrado em cartório, o qual faz expressa referencia à dívida da Transol, letra h da cláusula primeira; cópia do Instrumento particular de confissão de dívidas firmado pelas empresas de transporte coletivo de Salvador e o Banco Safra de Investimentos, o qual faz remissão aos contratos de mútuo firmados; cópia da escritura pública confeccionada no Cartório do 12° Oficio de Notas de Salvador, relativa à confissão da dívida das empresas com o Banorte, um dos bancos envolvidos credores da dívida assumida pela prefeitura de Salvador; (xvii) Que todos os documentos colacionados pela recorrente devem ser analisados em conjunto, afastando-se quaisquer dúvidas que poderiam remanescer sobre a existência da dívida em relação à qual a empresa deduziu os encargos correspondentes, em respeito ao principio da verdade material; (xvii) Que a decisão da DRJ concluiu que não importa qual tenha sido o destino da dívida, prescrição ou perdão, que as variações monetárias apropriadas foram indevidas, já que a implementação da condição pela qual a dívida deveria ser paga, reajuste de tarifas, não ocorreu; (xix) Que o fato de o contrato firmado com a Prefeitura ter sido pactuado sob determinadas condições não significa que ele é inexistente; (xx) Que não cabe à fiscalização presumir como inexigíveis a dívida da recorrente com a prefeitura de Salvador, sob pena de se cobrar o IRPJ sem a materialização de sua hipótese de incidência, a não ser que o fizesse com base de provas inequívocas de que o contrato de assunção de dívidas tinha como objetivo apenas a redução de tributo; (xxi) Que não há na legislação civil brasileira disposição no sentido de que os contratos de mútuo devem ser pagos ou realizados pelo devedor em determinado período, sob pena de serem considerados inexistentes ou inexigíveis; (xxii) Que não existe na legislação tributária norma que imponha a indedutibilidade de despesas de empréstimos não pagos ou realizados, existindo apenas a regra geral de indedutibilidade das despesas que não reúnam os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade em relação ás atividades da empresa; (xxiii) Que a fiscalização não tem em seu favor embasamento legal para considerar indedutíveis as despesas de variação monetária de um contrato de mútuo, ao argumento de que ele nunca foi pago; (xxiv) Que à época de contabilização da variação monetária passiva, a dívida era devida, pois o contrato entre Prefeitura e Recorrente estava em pleno vigor; (xxvii) Que o fato de haver uma condição para que a dívida fosse cobrada, não afasta sua exigibilidade, mas apenas a condicionava a evento futuro; (xxv) Que a dívida não foi paga por um fato superveniente, que foi o lapso do prazo prescricional nos termos do Código Civil, mas essa situação é superveniente, e por si só não significa que as despesas com variação passiva eram indevidas na época em que foram incorridas; (xxvi) Que quem dá causa a prescrição é o tempo, e o fato de não ter sido implementada a condição prevista em contrato não depende da vontade da recorrente, que contabilizou as despesas com variação monetária em época que a dívida era plenamente exigível; (xxvii) Que não há que se falar em perdão de dívida por parte da Prefeitura, pois nesse caso deve haver a desoneração do devedor por força de ato voluntário, de liberalidade, não oneroso, expresso na vontade do credor que admite a extinção da obrigação e renuncia as garantias do crédito; (xxviii) Que em nenhum momento a Prefeitura expressou qualquer ato volitivo no sentido de perdoar a assunção da dívida com os Bancos, apenas não exigiu a dívida no prazo que a legislação civil assinala; (xxix) Que a dívida da recorrente com a Prefeitura de Salvador foi realmente contraída, e era plenamente exigível à época da contabilização das despesas com variação monetária passiva, não tendo sido cobrada por fatos alheios a sua vontade; (xxx) Que o fato relatado não trouxe prejuízo ao Fisco, já que posteriormente, no ano de 1999, ocorreu a reversão integral da dívida assumida com a Prefeitura Municipal de Salvador; (xxxi) Que ainda que a recorrente tivesse deduzido indevidamente os encargos com correção monetária no período de 1991 e 1992, o prejuízo causado ao Fisco Federal teria se limitado aos efeitos da postergação, a exigência dos juros de mora, pois o principal, IRPJ e CSLL, foi pago quando da reversão do passivo; (xxxii) Que junta aos autos cópia da DIPJ do ano-base de 2000 na qual consta na página 05, linha 29, outras receitas operacionais, o valor de variação monetária passiva que foi revertido pela empresa, em razão da prescrição da dívida com a Prefeitura de Salvador, no valor de R$ 557.982,22; (xxxiii) Que o fato de ter sido apurado prejuízo fiscal no ano de 1999 não impede a aplicação da postergação prevista no Parecer Normativo COSIT n° 02/96; (xxxiv) Que a fiscalização fez uma interpretação distorcida do parecer normativo, pois nele não consta o requisito do pagamento do imposto para que haja o reconhecimento da postergação; (xxxv) Que caso a recorrente não tivesse feito a reversão do valor da variação monetária passiva da dívida prescrita, o saldo de prejuízos seria maior, o que consequentemente representaria menos tributo a recolher nos períodos posteriores; (xxxvi) Que não há qualquer razão para que se diferencie as situações de pagamento e de redução dos prejuízos fiscais, pois nos dois casos o contribuinte retifica seu comportamento e reconhece ser devido o tributo; (xxxvii) Que a multa de oficio não pode ser aplicada, considerando que o instituto da postergação do imposto somente se opera em procedimento de denúncia espontânea, conforme disposto no Parecer Normativo Cosit, aplicar-se-ia o artigo 138 do CTN para excluir a responsabilidade tributária pelo fato de a recorrente se antecipado a qualquer procedimento fiscal e realizado o pagamento do tributo devido; (xxxviii) Que deve ser utilizado no mínimo o INPC como índice de correção monetária, reconhecido pela Lei n° 8.200/91, os encargos da dívida calculados com base em índice oficial, praticado no mercado financeiro, porque as obrigações devem ser corrigidas para refletir o valor real dos empréstimos; (xxxix) Que o reconhecimento da correção monetária sobre ativos e passivos dispensava disposição contratual expressa, já que a simples atualização não representava remuneração ou majoração da obrigação assumida, mas simples preservação do substrato econômico da dívida reconhecida; (xl) Que, rebatendo o argumento da DRJ de que "é indispensável que a atualização da obrigação decorra de variação de índices ou de coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual", não se pode olvidar que a própria fazenda por meio do Parecer Normativo CST n° 10/85, admitia a dedutibilidade das despesas com variação monetária sobre contratos de mútuos com pessoas jurídicas ligadas, desde que calculados por meio de índices praticados pelo mercado financeiro; (xli) Que, se para os contratos de mútuo entre empresas ligadas, sem previsão especifica, seria devido, ao menos, o valor correspondente à correção monetária, com mais propriedade dever-se-ia admitir a dedutibilidade de despesas com correção monetária incidente sobre contratos de empréstimos realizados com pessoas jurídicas não ligadas; (xlii) Que por força do art. 586 do Novo Código Civil, a obrigatoriedade do reconhecimento da correção monetária sobre os empréstimos em épocas de inflação elevada se dá justamente pela necessidade de restituição do numerário emprestado (coisa fungível) em mesmo gênero, qualidade e quantidade; (xliii) Que caso se entenda pela inexistência de provas da relação contratual entre a recorrente e o Município de Salvador, deve se considerar pelo menos que a empresa buscou preservar suas demonstrações financeiras aplicando o INPC sobre a obrigação, por se tratar de numerário exposto aos efeitos inflacionários da época; (xliv) Que a glosa de despesas com variação monetária passiva decorrente de contratos FINAME — Bancos Mercantil e Econômico não pode ser acatada, pois a empresa apropriou a despesa levando em conta a UR, Unidade de Referência, índice de correção do BNDES; (xlv) Que essa atualização foi realizada com base no valor nominal da UR do mês subsequente ao do período-base encerrado, e não da UR do próprio mês como entende o Fisco; (xlvi) Que por se tratar de índice de correção monetária, a UR era calculada com base nos índices oficiais de inflação divulgados mensalmente. A composição do índice pretendia computar a variação dos preços ocorrida entre o dia 1º e o último dia do mês de referência, de forma que o efeito inflacionário de um mês determinasse o valor do índice do mês seguinte; (xlvii) para o correto cálculo da correção monetária de dezembro, a Recorrente utilizou o índice de inflação divulgado no primeiro dia de janeiro (período imediatamente subsequente ao de referencia) e não a do próprio mês, como defende a DRJ. O procedimento adotado pela fiscalização não contemplou o efeito inflacionário ocorrido no mês de referencia, mas sim o do anterior. Por fim requereu a procedência dos pedidos formulados no Recurso Voluntário. Apresentou documentos (fls. 737 e seguintes). Remetidos os autos para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento dos Recursos de Ofício e Voluntário foi convertido em diligência (fls. 828/840), sob o argumento de que os documentos juntados aos autos não permitiam o julgamento dos recursos, visto ser necessária a análise de “informações disponíveis, constantes dos arquivos da Prefeitura de Salvador, para confirmar a existência do empréstimo questionado pelo Fisco, além da situação do julgamento do processo judicial quanto ao auto de infração lavrado pela fiscalização municipal” (fls. 840). Dessa forma, remeteram-se os autos à repartição de origem para que fosse proferido parecer conclusivo a respeito das alegações apresentadas pela recorrente, principalmente em relação à existência de empréstimo entre a prefeitura de Salvador e a contribuinte fiscalizada, bem como sobre a alegação de prova emprestada (fl. 840). Foram, então, juntadas aos autos informações relativas aos Embargos à Execução Fiscal nº. 0054465-73.2002.805.0001, em trâmite perante a 4ª Vara da Fazenda Pública de Salvador/BA, conforme fls. 845/849, ação esta que discute o Auto de Infração municipal nº. 04007, lavrado em 20/02/1992, e a Execução Fiscal nº. 0114026-62.2001.805.0001, em trâmite no mesmo Juízo. Ademais, foram igualmente juntadas neste processo administrativo fiscal informações a respeito dos contratos firmados entre a contribuinte e a Prefeitura do Município de Salvador/BA, especificamente os firmados entre a empresa e os bancos Safra, Nacional e Banorte, nos anos de 1987 e 1988, por empréstimos obtidos junto às instituições bancárias, cujas dívidas pretensamente teriam sido assumidas posteriormente pela Prefeitura de Salvador (fls. 850/859). Outrossim, foi lavrado o respectivo Termo de Diligência Fiscal pela origem (fls. 863/864), em atendimento à Decisão da 2ª Turma do CARF, informando o cumprimento das diligências e a conclusão, em síntese, dos seguintes fatos: (i) Que da análise dos autos nº. 0054465-73.2002.805.0001 (numeração única dos autos de Embargos à Execução Fiscal, movido pela empresa fiscalizada contra a Fazenda Pública do Município de Salvador), constatou que em 12/08/2002 foram distribuídos os Embargos em face da Execução Fiscal em curso, que foram impugnados pela Fazenda Municipal, estando o processo em fase de intimação das partes da realização de perícia quanto ao débito tributário lá executado; (ii) Que em relação à necessidade de instrução desta diligência com os contratos de financiamento firmados entre a Transportes Sol S/A e os bancos Safra, Nacional e Banorte e aqueles firmados entre aquele e a Prefeitura Municipal de Salvador em 06/07/2011, o Secretário Municipal competente não apresentou cópias de tais documentos. No entanto, a Subsecretária competente informou que a empresa contribuinte fora permissionária dos serviços públicos de transporte coletivo daquele município, juntando apenas cópia dos Termos de Permissão mencionados (fls. 858/859). A empresa fiscalizada se manifestou nos autos (fls. 869/871) quanto ao contido no Termo de Diligência Fiscal, aduzindo que os contratos firmados entre ela e a prefeitura foram assinados pela Secretaria de Finanças e pela Secretaria de Transportes, com o acompanhamento da procuradoria Geral do Município de Salvador. Requereu então a intimação de tais secretarias para que fornecessem cópias dos referidos contratos. Quanto ao processo judicial que discute o ISS da Prefeitura de Salvador, se manifestou a empresa contribuinte (fls. 870/871) afirmando que o número correto do processo de primeira instância é o nº. 140.93.369906-2, que foi julgado procedente em primeira instância e aguarda julgamento pelo E. Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, conforme documentos de fls. 875/885. A empresa Transporte Sol S/A apresentou nova manifestação às fls. 884/885, informando que a Secretaria da Fazenda do Município de Salvador apresentou cópia do Contrato firmado entre a Prefeitura e o Banco do Brasil, no qual há menção ao Contrato de Confissões de Dívida entre a Prefeitura e aquele banco (juntado às fls. 889/896 deste processo administrativo fiscal), bem como Escritura Pública de confissão de dívidas, às fls. 897/911 e Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívida entre a Transol (além de outras empresas) e o Município de Salvador, conforme fls. 912/915. Juntou documentos às fls. 916/933. É o relatório. Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. Trata-se de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário em face da decisão da DRJ que exonerou parcialmente o crédito tributário objeto do presente processo administrativo. O Recurso de ofício atende o requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço. O Recurso Voluntário apresentado pela empresa recorrente é tempestivo e encontram-se presentes seus requisitos de admissibilidade, o qual merece ser conhecido. O presente lançamento tributário se fundamentou em omissão de receitas e glosas de despesas não comprovadas referentes aos anos-calendário de 1991 e 1992, as quais foram apropriadas na contabilidade da recorrente a título de correção monetária passiva de dívida contraída com a Prefeitura Municipal de Salvador por assunção de dívida. Analisando os autos, verifica-se que Prefeitura de Salvador assumiu dívidas da recorrente junto a Instituições Financeiras, sendo que a recorrente se comprometeu a adimplir sua dívida com a Prefeitura nas mesmas condições estabelecidas nos contratos firmados entre esta e os Bancos credores, segundo previsto na cláusula quarta do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas destacada abaixo (fls. 912/914): CLÁUSULA QUARTA – No entanto, pelo presente instrumento as EMPRESAS reconhecem ser de sua inteira responsabilidade as dívidas assumidas que foram pelo MUNICÍPIO DE SALVADOR, mencionadas na cláusula anterior, e por isso mesmo delas se confessam devedoras, comprometendo-se a pagar as quantias estabelecidas nos citados contratos. (grifo não original) Ou seja, toda e qualquer despesa correlata a juros e correção monetária despendida pela Prefeitura de Salvador nas assunções de dívidas, a recorrente se comprometeu a pagar pelos mesmos índices. Portanto, entendo pertinente realizar a análise dos contratos ou compromissos de assunção de dívidas celebrados pela Prefeitura de Salvador para fins de verificar seus termos específicos, em especial quanto ao valor respectivo da correção monetária de cada um deles. O Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas em análise (fls. 912/914) dá conta que a dívida da recorrente assumida pela Prefeitura de Salvador era à época equivalente a Cr$ 39.053.147,00, oriundas de empréstimos tomados com os seguintes bancos, como demonstra a planilha de fls. 915: i) BANORTE - Cr$ 7.210.212,00; ii) Safra - Cr$ 23.560.524,00; iii) Nacional - Cr$ 8.282.411,00. A recorrente juntou aos autos o Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A. e a Prefeitura de Salvador, no qual a Prefeitura renegocia os prazos de pagamento do Contrato de Confissão e Assunção de Dívida n.º 87/00754-1 (fls. 889/896). Destaca-se que no Contrato de Confissão e Assunção n.º 87/00754-1 (fls. 889/896), a recorrente confessa ser devedora do Banco Safra a quantia Cr$ 26.334.313,00 (cláusula primeira, alínea h), a qual seria por acordo naquele instrumento adimplida pela Prefeitura de Salvador. Logo, em vista da cláusula quarta do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas (fls. 912/914), todas as despesas financeiras do Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A e a Prefeitura de Salvador, referente ao valor do Contrato de Confissão e Assunção n.º 87/00754-1 (assunção da dívida do banco Safra), deveriam posteriormente ser pagas pela recorrente. Não se encontrou nos autos nenhum instrumento de assunção da dívida celebrado pela Prefeitura de Salvador com o Banco BANORTE e Nacional, não sendo possível verificar quais as despesas financeiras que teria que incorrer quanto a estas outras duas assunções de dívidas (BANORTE e Banco Nacional). Desta forma, para a melhor solução do presente caso, entendo necessário converter o julgamento em diligência a fim de que se possa conhecer o valor correto de correção monetária paga pela Prefeitura de Salvador em cada uma das assunções de dívidas da recorrente, devendo a DRF de origem tomar as seguintes providências: a) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o BANORTE, o qual fez parte integrante da escritura pública de confissão de dívida (fls. 897/911), como previsto na cláusula décima primeira (fls. 900); b) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o Banco Nacional; c) Após este prazo, que o agente fiscal analise o Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A. e a Prefeitura de Salvador, bem como os demais contratos e documentos que apresentados pela recorrente, efetue a conferência das despesas que eles originaram e se manifeste expressamente se os índices de correção monetária utilizados pela recorrente são condizentes com os contratados, emitindo parecer conclusivo de qual o valor correto da correção monetária a ser dedutível. Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifeste-se da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgá-lo incontinenti. Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 938          2 Relatório:  Trata­se de recurso de ofício e de recurso voluntário.  Na  origem  foram  lavrados  Autos  de  Infração  (fls.  6/14,  87/92,  93,  94/97  e  98/101)  em  desfavor  da  empresa  contribuinte  Transportes  Sol  S/A  (CNPJ  13.403.399/0001­ 01), em razão de suposta omissão de receitas e glosa de despesas não comprovadas nos anos­ calendário de 1991 e 1992, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/29).  A  contribuinte  tem  como  objeto  social  a  prestação  de  serviços  de  transporte  coletivo de passageiros.  A omissão de receitas foi verificada com base em Receitas não Contabilizadas –  Omissão  de  Receita  Operacional,  caracterizada  pela  insuficiência  na  declaração  de  receitas  com a venda de passagens.  Outrossim,  quanto  à  glosa  de  despesas,  o  lançamento  refere­se  ao  valor  apropriado a  título de correção monetária passiva  i) pós­fixada sobre dívida contraída  com a  Prefeitura  Municipal  de  Salvador  e,  também,  ii)  sobre  empréstimos  FINAME  contraídos  através dos Bancos Mercantil S/A e Econômico S/A.  Tais  fatos motivaram  a  constituição  de  Imposto  de Renda  de  Pessoa  Jurídica  (3.060.842,39  UFIR)  e  seus  reflexos:  CSLL  (717.241,98  UFIR),  PIS  (6.877,20  UFIR)  e  COFINS (710,09 UFIR), todos já acrescidos da multa e juros de mora, totalizando o valor de  3.790.078,92 UFIR (cf. fl. 04/05).  Em  resumo,  na  origem  do  presente  processo  administrativo,  o  AFRFB  convenceu­se  pela  ocorrência  dos  seguintes  fatos,  consoante  narra  o  Termo  de  Verificação  Fiscal (fl. 15/17):  (i)  A  empresa  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  os  mapas  da  receita  da  prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros fornecido pelo Órgão  competente,  entretanto,  em  carta  resposta,  apresentou  o  Auto  de  Infração  municipal nº.  04007  lavrado em 20/02/1992,  informando verbalmente que não  possuía os mapas da receita solicitada;  (ii)  Ao  examinar  o  referido  Auto  de  Infração  municipal  e  o  Termo  de  Fiscalização correlato, verificou­se que a empresa declarou  receita a menor do  que  a  apurada,  no  período  de  fevereiro  de  1991  a  janeiro  de  1992.  Com  fundamento  no  Quadro  Demonstrativo  nº  01  (fls.  18),  onde  se  encontram  discriminados  os  valores  tributados  pela  fiscalização  municipal,  realizou­se  o  presente lançamento tributário de IRPJ e reflexos;  (iii)  Quanto  ao  auto  de  infração  municipal,  observa­se  que  a  fiscalizada  foi  declarada revel pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de Salvador, tendo em  vista  que  não  o  impugnou  ou  o  pagou.  O  débito  foi  inscrito  na  dívida  ativa  municipal  e  é  objeto  de  processo  de  execução,  no  qual  a  fiscalizada  interpôs  embargos  à  referida  execução  e  cuja  decisão  definitiva,  segundo  informações  apresentadas nos autos, ainda não foi prolatada;  Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 939          3 (iv) A  empresa,  também,  apropriou  a  titulo  de  correção monetária  pós­fixada,  diversas  despesas  referente  aos  períodos­base  de  1991,  período  de  janeiro  a  junho de 1992 e de julho a dezembro de 1992.   (v) Intimada a comprovar as referidas despesas, a recorrente apresentou planilha  com  a  composição  dos  valores  que  constavam  em  sua  Declaração  de  Rendimentos dos respectivos exercícios como variações monetárias passivas.  (vi) Analisando a planilha apresentada, verificou­se que os valores citados foram  apropriados  como  despesas  em  decorrência  de  um  empréstimo  que  teria  sido  contraído junto à Prefeitura Municipal de Salvador, em virtude de este órgão ter  assumido  dívida  que  a  fiscalizada  tinha  com  os  Bancos  Safra,  Nacional  e  Banorte, passando, consequentemente, a ser credor da fiscalizada;  (vii)  A  referida  dívida  fora  contratada  através  do  Instrumento  Particular  de  Confissão e Liquidação de Dívida (fls. 147/149), em 31/12/87;  (viii) De acordo com a cláusula VI do referido contrato, a amortização do débito  seria  na  proporção  de  50%  do  valor  da  remuneração  do  capital  embutido  na  tarifa  da  passagem  do  transporte  coletivo,  e  a  Câmara  de Compensação  ficou  autorizada  a  repassar, mensalmente,  a  quantia  equivalente  àquele  percentual  a  Secretaria de Finanças do Município até o pagamento integral da dívida;  (ix)  Intimada  a  informar  os  pagamentos  efetuados  a  titulo  de  amortização  da  dívida, através do TIF n° 01 de 21/10/96 (fls. 77/80), a fiscalizada informou que  até aquela data não houvera efetuado qualquer pagamento;  (x) Quanto à correção monetária do empréstimo, não houve pactuação de Índice  especifico, apenas constando na cláusula quarta que a empresa se comprometia a  pagar  à  Prefeitura  as  quantias  estabelecidas  nos  contratos  com  as  instituições  financeiras credoras. A fiscalizada não apresentou à fiscalização os contratos de  empréstimos junto às instituições financeiras mencionadas;  (xi)  De  acordo  com  a  representação  fiscal  efetuada  pela  DRF­Salvador,  que  realizou  diligências  na  Secretaria  de  Finanças  da  Prefeitura  Municipal  de  Salvador, a Prefeitura realmente assumiu a dívida (principal, correção monetária  e  juros),  mas  quando  intimada  a  apresentar  os  registros  individualizados  das  operações constantes na contabilidade do órgão, não respondeu;  (xii)  De  acordo  ainda  com  a  comunicação  da  DRF­Salvador,  analisando  a  contabilidade da Prefeitura de Salvador, foram encontrados registros dos débitos  referente  à  dívida  assumida,  sem  identificação  das  empresas,  os  quais  foram  lançados como variações patrimoniais (conta 280.000), significando apropriação  dos  valores  como  custos  ou  despesas  pela  Prefeitura,  portanto,  os  referidos  empréstimos teriam sido considerados como perdas, tendo a Prefeitura perdoado  a dívida;  (xiii)  Que  recorrente  não  comprovou  o  pagamento  de  qualquer  ônus  junto  a  Prefeitura Municipal de Salvador a título de correção monetária do empréstimo,  não  cabendo,  desta  forma,  a  apropriação  dos  valores  a  titulo  de  correção  monetária pós­fixada;  Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 940          4 (xiv) Que a dívida foi perdoada pela Prefeitura, pois até aquela data, não houve  qualquer amortização, nem cobrança por parte da Prefeitura e ainda, de acordo  com a informação fiscal enviada pela DRF­Salvador, o valor da dívida teria sido  apropriado como custos/despesas na contabilidade da Prefeitura;  (xv) Que a empresa não comprovou que realmente deve os valores apropriados a  titulo de despesa de correção monetária, tampouco que os índices utilizados para  correção monetária do referido empréstimo foram os pactuados com a Prefeitura  para a correção do mesmo;   (xvi) Que nunca foi exigido da autuada qualquer pagamento do principal muito  menos da correção;  (xvii) A  empresa,  também,  apropriou  despesas  a  titulo  de  correção monetária  passiva sobre os empréstimos FINAME contraídos através dos Bancos Mercantil  S/A e Econômico S/A.  (xviii)  Intimada  a  comprovar  os  valores  deduzidos  como  despesas,  a  empresa  apresentou planilhas elaboradas pelos citados Bancos, demonstrativo mensal das  contas  onde  foram  contabilizados  os  valores  e  demonstrativo  em  UR  dos  referidos empréstimos.  (xix) Examinando os documentos apresentados pela fiscalizada, verificou­se que  a mesma havia apropriado valores a maior, pois além de lançar como despesa os  valores  de  amortização  do  principal  da  dívida,  ainda  considerou  valores  de  variação monetária sobre saldos devedores calculados com base em UR a maior.  (xx) Diante  do  exposto,  a  fiscalização  elaborou  os  quadros  demonstrativos  de  nºs.  02  a  12  (fls.  19/29),  onde  calculou  os  valores  das  variações  monetárias  passivas  com  base  nos  documentos  apresentados  pela  fiscalizada  e  glosou  a  diferença  que  fora  apropriada  indevidamente  como  despesa  de  correção  monetária.  Encerrada  a  fiscalização,  a  empresa  contribuinte  teve  ciência  dos  Autos  de  Infração  em  27/12/1996  (fls.  06,  17,  30,  93,  124),  por  meio  de  seu  gerente  administrativo  financeiro Sr. Herte Antônio Vilaça. Na sequência, a contribuinte tempestivamente apresentou  Impugnação em 28/01/1997 (fls. 126/134, 175/192, 261/269, 310/318 e 359/376), requerendo,  em suma, a anulação dos Autos de Infração.  Remetida  tal  Impugnação  para  a  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  de  Belo  Horizonte/MG em 30/07/1997 (fl. 445/448), seu julgamento foi convertido em diligência pela  DRJ,  tendo sido determinado o  retorno dos autos à  repartição  lançadora para desincumbir­se  das providências a seu cargo.  Em seguida, foi  lavrado Termo de Diligência Fiscal pela origem (fls. 450/452)  em  atendimento  ao  decidido  pela  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  de  Belo  Horizonte/MG.  Intimada  do  Termo  de  Diligência  Fiscal  em  27/03/2006  (fl.  453),  a  contribuinte  juntou  os  documentos solicitados às fls. 457/502, prestou esclarecimentos às fls. 504/517 e juntou outros  documentos (fls. 519/592).  Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 941          5 Novamente  os  autos  foram  remetidos  para  a Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento de Belo Horizonte/MG. Considerando a juntada dos documentos complementares,  a  impugnação  apresentada  pelo  contribuinte  (fls.  126/134,  175/192,  261/269,  310/318  e  359/376) foi julgada parcialmente procedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  de  Belo  Horizonte/MG,  que  segue  adiante  transcrita  (fls.  594/678):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE A  RENDA DE PESSOA  JURÍDICA  –  IRPJ  Período  de  apuração:  01/01/1991  a  31/12/1991,  01/01/1992  a  30/06/1992,  01/07/1992  a  31/12/1992  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS.  Comprovado  que  os  valores  tributáveis  apurados  decorrem  de  insuficiências  na  receita  declarada  pela  empresa  quando  esta  é  cotejada com a receita apurada com base nos mapas quantitativos de  passageiros  transportados  fornecidos  por  órgão  competente  da  administração  municipal,  cabível  o  lançamento  de  oficio  da  receita  subtraída à tributação.  CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU  DESPESAS NÃO COMPROVADAS.  Mantém­se  a  glosa  a  título  de  despesas  incomprovadas  se  a  contabilidade indica apropriação de variação monetária passiva sobre  determinado  valor  mutuado  e  a  obrigação  em  questão  não  foi  comprovada, bem como nenhum documento formal hábil e  idôneo,  foi  apresentado  com  a  estipulação  legal  ou  contratual  de  correção  monetária.  CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. CUSTOS OU  DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS.  O  reconhecimento  da  variação  monetária  passiva  de  contratos  de  financiamentos  FINAME  deve  restringir­se  ao  valor  nominal  das  Unidades de Referência do BNDES ­ "UR" dos meses de encerramento  do  período  de  apuração,  sob  pena  de  os  cálculos  afigurarem­se  majorados.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LIQUIDO  –  CSLL  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  ­  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FUNDO  DE  INVESTIMENTO  SOCIAL  –  FINSOCIAL  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Dada  a  relação  que  existe  entre  os  fatos  motivadores  da  exigência  do  IRPJ  e  aqueles  relativos  às  exigências  dessas  contribuições,  estende­se  à  estas  a  orientação  decisória  adotada.  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Em se tratando de empresa que  auferiu receita exclusivamente da prestação de serviços de  transporte  coletivo  de  passageiros,  o  PIS  correspondente  aos  fatos  geradores  ocorridos  em  31/12/1991  e  30/06/1992  deve  ser  apurado  pela  modalidade PIS/Repique, à alíquota de 5% sobre o Imposto de Renda  devido ou como se devido fosse. Destarte, não subsiste lançamento da  contribuição  para  o  PIS,  relativo  a  fatos  geradores  ocorridos  em  Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 942          6 31/12/1991 e 30/06/1992, cujo fundamento legal tenha sido o art. 2º da  Medida Provisória ri° 1.212, de 28 de novembro de 1995.  Lançamento Procedente em Parte.  O mencionado acórdão, por unanimidade, rejeitou as preliminares suscitadas e,  no mérito, julgou procedente em parte os lançamentos para (fl. 595/596):  (i)  Em  relação  ao  IRPJ,  manter  parcialmente  a  exigência  fiscal,  no  valor  de  439.874,98 UFIR (Quatrocentos e trinta e nove mil, oitocentos e setenta e quatro  inteiros e noventa e oito centésimos de Unidades Fiscais de Referência), com os  acréscimos  legais;  (ii)  Em  relação  à  CSLL,  manter  parcialmente  a  exigência  fiscal,  no  valor  de  260.394,94  UFIR  (Duzentos  e  sessenta  mil,  trezentos  e  noventa e quatro inteiros e noventa e quatro centésimos de Unidades Fiscais de  Referência), com os acréscimos legais;  (iii) Em relação ao PIS, exonerar a exigência fiscal, no valor de 2.668,04 UFIR  (Duas mil, seiscentos e sessenta e oito inteiros e quatro centésimos de Unidades  Fiscais de Referência), e respectivos acréscimos legais (auto de infração de fis.  90/93);  (iv)  Em  relação  ao  Finsocial, manter  a  exigência  fiscal,  no  valor  de  1.708,24  UFIR  (Um  mil,  setecentos  e  oito  inteiros  e  vinte  e  quatro  centésimos  de  Unidades Fiscais de Referência), com os acréscimos legais;  (v) Em  relação  a Cofins, manter  a  exigência  fiscal,  no  valor  de  281,78 UFIR  (Duzentos e oitenta e um inteiros e setenta e oito centésimos de Unidades Fiscais  de  Referência),  com  os  acréscimos  legais;  e  (vi) REDUZIR  o  percentual  da  multa  de  oficio  aplicada  nos  períodos  de  apuração  de  1991,  30/06/1992  e  31/12/1992, para 75% (setenta e cinco por cento), em face do que determina o  art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e ADN­COSIT nº 01, de 07  de janeiro de 1997.  O Presidente da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal  de Julgamentos do  Estado  de  Minas  Gerais  recorreu  de  ofício  da  decisão  a  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais – CARF, por ter o julgamento singular exonerado a impugnante de parte dos  lançamentos  do  IRPJ  e  da CSLL  e  da  integralidade  do  PIS  nos  exercícios  de  1992  e  1993,  conforme fl. 596.  Intimada  da  decisão  supratranscrita  em  22/02/2007  (fl.  683),  a  recorrente  apresentou, então, recurso voluntário em 26/03/2007 (fl. 689/735), no qual ventila as seguintes  razões, já resumidas pela Decisão do CARF de fls. 828/840 (especificamente às fls. 833/838),  que transcrevo a seguir:   (i) Que o auto de infração lavrado pela Prefeitura de Salvador não representa um  entendimento definitivo de que houve omissão de receitas, pois ainda é objeto de  discussão judicial perante a Justiça Estadual de Salvador, por meio de Embargos  a Execução Fiscal acostado aos autos quando do atendimento à diligência fiscal  efetuada;  Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 943          7 (ii) Que na ação  judicial em tramite na Justiça Estadual da Bahia foi proferida  sentença de 1ª Instancia em 02 de fevereiro de 2006, a qual julgou procedentes  os pedidos para cancelar a exigência fiscal da Prefeitura de Salvador;  (iii)  Que  a  sentença  favorável  está  plenamente  vigente  e  os  autos  estão  atualmente no Tribunal de Justiça da Bahia em função de remessa oficial;  (iv)  Que  a  Fazenda Municipal  de  Salvador,  ao  lavrar  o  Auto  de  Infração  de  ISSQN que  deu  substrato  ao  presente  Processo Administrativo  Fiscal  Federal,  equivocou­se ao apurar a  receita  tributável, pois desprezou as meias passagens  pagas por determinados clientes e a variação do preço da tarifa no próprio mês;  (v)  Que  não  foi  considerado  pelo  Fisco  Municipal  que  a  própria  legislação  municipal cuidava, a época, de um sistema de compensação tarifária, por meio  do  qual  eram  definidas  as  receitas  reais  decorrentes  da  prestação  dos  serviços  pelas  empresas  concessionárias  dos  serviços  de  transporte  público  intramunicipal,  levando  em  conta  quais  empresas  operavam  com  uma  tarifa  defasada e quais operavam com tarifas acima da média;  (vi) Que num primeiro momento, quando da lavratura do Auto de Infração ora  em  debate,  a  prova  emprestada  utilizada  pela  Fiscalização  se  baseava  em  um  Auto  de  Infração  não  impugnado  administrativamente  pelo  contribuinte,  em  relação ao qual se tinha presunção de certeza e de liquidez;  (vii) Que  posteriormente  o  Poder  Judiciário  declarou  a  ilegalidade  da  suposta  base  de  cálculo  do  débito  de  ISSQN  exigido  pela  Fazenda  Municipal  de  Salvador e, consequentemente, a inexistência da suposta de omissão de receitas  ao Fisco Baiano;  (viii) Que a prova emprestada no caso concreto não mais dá substrato a autuação  de tributos federais, por não ser mais suficiente para embasar o entendimento de  que  houve  omissão  de  receitas  no  período  autuado,  pois  não  está mais  apta  a  embasar o Auto de Infração discutido nesses autos;  (ix)  Que  tendo  em  vista  que  o  único  e  exclusivo  embasamento  do  qual  se  utilizou  a  Fiscalização  para  a  referida  autuação  encontra­se  pendente  de  julgamento  definitivo  pelo  Poder  Judiciário,  sendo  que  a  decisão  judicial  atualmente em vigor é favorável à empresa;  (x) Que não pode a existência da autuação Municipal ter o condão de imputar à  Recorrente conduta ilícita, tal como a omissão de receita, com reflexos no IRPJ  e  demais  tributos  federais,  visto  que,  atualmente,  está  vigente  decisão  judicial  que determinou a extinção da cobrança do ISSQN;  (xi) Que o único  e  exclusivo  embasamento  do  qual  se  utilizou  a Fiscalização  para  a  referida  autuação  encontra­se  pendente  de  julgamento  definitivo  pelo  Poder Judiciário, sendo que a decisão judicial atualmente em vigor é favorável à  Recorrente;  (xii) Que a glosa de despesas com variação monetária passiva é indevida, pois se  depreende notadamente do Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de  Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 944          8 Dívida,  firmado  entre  a  Prefeitura Municipal  de  Salvador  e  a  autuada,  que  o  mútuo  foi  concedido  para  cobertura  de  custos  com  transporte  urbano  não  repassados  para  as  tarifas  em virtude  do  congelamento  de  preços  determinado  pelo Plano Cruzado;  (xiii) Que de acordo com esse  Instrumento,  ficou acordado que a  transferência  dos recursos às concessionárias de serviço de transporte seria a titulo de mútuo,  e  que  sua  amortização  seria  realizada  na  proporção  de  50%  do  valor  da  remuneração do capital embutido na tarifa;  (xiv) Que a  amortização do empréstimo ocorreria  a partir  do momento que  as  empresas de transportes conseguissem recuperar, mediante repasse no preço da  tarifa, as perdas ocorridas com o Plano Cruzado;  (xv) Que os contratos em tela são antigos, tendo sido firmados nos anos de 1987  e  1988,  o  que  praticamente  inviabiliza  a  recuperação  das  vias  originais.  Ademais,  o  próprio  instrumento  de  confissão  de  dívidas,  firmado  entre  as  empresas  que  prestavam  serviço  de  transporte  coletivo  em  Salvador  e  a  respectiva  Prefeitura,  já  dá  substrato  fático  suficiente  para  que  a  Fiscalização  reconhecesse a existência da dívida, tendo em vista ser copia de um documento  oficial, assinado pelo Prefeito de Salvador à época;  (xvi)  Que,  para  provar  a  existência  da  dívida  original  entre  as  empresas  e  os  Bancos mencionados na cláusula 3ª do  Instrumento Particular de Confissão de  Dívidas,  junta  a  empresa  os  seguintes  documentos:  cópia  do  Contrato  de  Confissão/Assunção  de  dívidas  celebrado  entre  o  Banco  do  Brasil  e  o  Banco  Safra  e  a  Prefeitura  de  Salvador  em  31  de  dezembro  de  1987,  registrado  em  cartório, o qual  faz expressa referencia à dívida da Transol,  letra h da cláusula  primeira; cópia do Instrumento particular de confissão de dívidas firmado pelas  empresas de transporte coletivo de Salvador e o Banco Safra de Investimentos, o  qual  faz  remissão  aos  contratos de mútuo  firmados;  cópia da  escritura pública  confeccionada  no  Cartório  do  12°  Oficio  de  Notas  de  Salvador,  relativa  à  confissão  da  dívida  das  empresas  com  o  Banorte,  um  dos  bancos  envolvidos  credores da dívida assumida pela prefeitura de Salvador;  (xvii)  Que  todos  os  documentos  colacionados  pela  recorrente  devem  ser  analisados  em  conjunto,  afastando­se  quaisquer  dúvidas  que  poderiam  remanescer sobre a existência da dívida em relação à qual a empresa deduziu os  encargos correspondentes, em respeito ao principio da verdade material;  (xvii) Que a decisão da DRJ concluiu que não importa qual tenha sido o destino  da dívida, prescrição ou perdão, que as variações monetárias apropriadas foram  indevidas,  já  que  a  implementação  da  condição  pela  qual  a  dívida  deveria  ser  paga, reajuste de tarifas, não ocorreu;  (xix) Que o fato de o contrato firmado com a Prefeitura ter sido pactuado sob  determinadas condições não significa que ele é inexistente;  (xx)  Que  não  cabe  à  fiscalização  presumir  como  inexigíveis  a  dívida  da  recorrente  com  a  prefeitura  de Salvador,  sob  pena  de  se  cobrar  o  IRPJ  sem  a  materialização de sua hipótese de incidência, a não ser que o fizesse com base de  Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 945          9 provas  inequívocas  de  que  o  contrato  de  assunção  de  dívidas  tinha  como  objetivo apenas a redução de tributo;  (xxi) Que não há na  legislação civil brasileira disposição no sentido de que os  contratos de mútuo devem ser pagos ou realizados pelo devedor em determinado  período, sob pena de serem considerados inexistentes ou inexigíveis;  (xxii)  Que  não  existe  na  legislação  tributária  norma  que  imponha  a  indedutibilidade de despesas de empréstimos não pagos ou realizados, existindo  apenas  a  regra  geral  de  indedutibilidade  das  despesas  que  não  reúnam  os  requisitos de necessidade, usualidade e normalidade em relação ás atividades da  empresa;  (xxiii)  Que  a  fiscalização  não  tem  em  seu  favor  embasamento  legal  para  considerar  indedutíveis  as  despesas  de  variação  monetária  de  um  contrato  de  mútuo, ao argumento de que ele nunca foi pago;  (xxiv) Que à época de contabilização da variação monetária passiva, a dívida era  devida, pois o contrato entre Prefeitura e Recorrente estava em pleno vigor;  (xxvii) Que o fato de haver uma condição para que a dívida fosse cobrada, não  afasta sua exigibilidade, mas apenas a condicionava a evento futuro;  (xxv) Que a dívida não foi paga por um fato superveniente, que foi o lapso do  prazo  prescricional  nos  termos  do  Código  Civil,  mas  essa  situação  é  superveniente,  e por  si  só  não  significa que  as  despesas  com variação  passiva  eram indevidas na época em que foram incorridas;  (xxvi)  Que  quem  dá  causa  a  prescrição  é  o  tempo,  e  o  fato  de  não  ter  sido  implementada  a  condição  prevista  em  contrato  não  depende  da  vontade  da  recorrente, que contabilizou as despesas com variação monetária em época que a  dívida era plenamente exigível;  (xxvii) Que não há que se falar em perdão de dívida por parte da Prefeitura, pois  nesse caso deve haver a desoneração do devedor por força de ato voluntário, de  liberalidade, não oneroso, expresso na vontade do credor que admite a extinção  da obrigação e renuncia as garantias do crédito;  (xxviii) Que em nenhum momento a Prefeitura expressou qualquer ato volitivo  no sentido de perdoar a assunção da dívida com os Bancos, apenas não exigiu a  dívida no prazo que a legislação civil assinala;  (xxix) Que  a  dívida  da  recorrente  com  a  Prefeitura  de Salvador  foi  realmente  contraída, e era plenamente exigível à época da contabilização das despesas com  variação  monetária  passiva,  não  tendo  sido  cobrada  por  fatos  alheios  a  sua  vontade;  (xxx) Que o fato  relatado não  trouxe prejuízo ao Fisco,  já que posteriormente,  no ano de 1999, ocorreu a reversão integral da dívida assumida com a Prefeitura  Municipal de Salvador;  Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 946          10 (xxxi) Que ainda que a recorrente tivesse deduzido indevidamente os encargos  com correção monetária no período de 1991 e 1992, o prejuízo causado ao Fisco  Federal  teria  se  limitado  aos  efeitos  da  postergação,  a  exigência  dos  juros  de  mora, pois o principal, IRPJ e CSLL, foi pago quando da reversão do passivo;  (xxxii) Que junta aos autos cópia da DIPJ do ano­base de 2000 na qual consta na  página 05, linha 29, outras receitas operacionais, o valor de variação monetária  passiva que foi revertido pela empresa, em razão da prescrição da dívida com a  Prefeitura de Salvador, no valor de R$ 557.982,22;  (xxxiii)  Que  o  fato  de  ter  sido  apurado  prejuízo  fiscal  no  ano  de  1999  não  impede  a  aplicação  da  postergação  prevista  no  Parecer  Normativo  COSIT  n°  02/96;  (xxxiv)  Que  a  fiscalização  fez  uma  interpretação  distorcida  do  parecer  normativo, pois nele não consta o requisito do pagamento do imposto para que  haja o reconhecimento da postergação;  (xxxv) Que caso a  recorrente não  tivesse  feito a  reversão do valor da variação  monetária  passiva  da  dívida  prescrita,  o  saldo  de  prejuízos  seria maior,  o  que  consequentemente  representaria  menos  tributo  a  recolher  nos  períodos  posteriores;  (xxxvi)  Que  não  há  qualquer  razão  para  que  se  diferencie  as  situações  de  pagamento e de redução dos prejuízos fiscais, pois nos dois casos o contribuinte  retifica seu comportamento e reconhece ser devido o tributo;  (xxxvii)  Que  a  multa  de  oficio  não  pode  ser  aplicada,  considerando  que  o  instituto  da  postergação  do  imposto  somente  se  opera  em  procedimento  de  denúncia espontânea, conforme disposto no Parecer Normativo Cosit, aplicar­se­ ia o artigo 138 do CTN para excluir a responsabilidade tributária pelo fato de a  recorrente se antecipado a qualquer procedimento fiscal e realizado o pagamento  do tributo devido;  (xxxviii) Que  deve  ser  utilizado  no mínimo  o  INPC  como  índice  de  correção  monetária,  reconhecido pela Lei n° 8.200/91, os encargos da dívida calculados  com  base  em  índice  oficial,  praticado  no  mercado  financeiro,  porque  as  obrigações devem ser corrigidas para refletir o valor real dos empréstimos;  (xxxix) Que  o  reconhecimento  da  correção monetária  sobre  ativos  e  passivos  dispensava  disposição  contratual  expressa,  já  que  a  simples  atualização  não  representava  remuneração  ou  majoração  da  obrigação  assumida,  mas  simples  preservação do substrato econômico da dívida reconhecida;  (xl)  Que,  rebatendo  o  argumento  da  DRJ  de  que  "é  indispensável  que  a  atualização  da  obrigação  decorra  de  variação  de  índices  ou  de  coeficientes  aplicáveis por disposição legal ou contratual", não se pode olvidar que a própria  fazenda por meio do Parecer Normativo CST n° 10/85, admitia a dedutibilidade  das  despesas  com  variação monetária  sobre  contratos  de mútuos  com  pessoas  jurídicas  ligadas,  desde  que  calculados  por  meio  de  índices  praticados  pelo  mercado financeiro;  Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 947          11 (xli) Que,  se para os  contratos de mútuo entre empresas  ligadas,  sem previsão  especifica, seria devido, ao menos, o valor correspondente à correção monetária,  com  mais  propriedade  dever­se­ia  admitir  a  dedutibilidade  de  despesas  com  correção  monetária  incidente  sobre  contratos  de  empréstimos  realizados  com  pessoas jurídicas não ligadas;  (xlii)  Que  por  força  do  art.  586  do Novo  Código  Civil,  a  obrigatoriedade  do  reconhecimento  da  correção  monetária  sobre  os  empréstimos  em  épocas  de  inflação elevada se dá justamente pela necessidade de restituição do numerário  emprestado (coisa fungível) em mesmo gênero, qualidade e quantidade;  (xliii)  Que  caso  se  entenda  pela  inexistência  de  provas  da  relação  contratual  entre a recorrente e o Município de Salvador, deve se considerar pelo menos que  a  empresa buscou preservar  suas  demonstrações  financeiras  aplicando o  INPC  sobre a obrigação, por se tratar de numerário exposto aos efeitos inflacionários  da época;  (xliv) Que  a  glosa  de  despesas  com  variação monetária  passiva  decorrente  de  contratos  FINAME —  Bancos Mercantil  e  Econômico  não  pode  ser  acatada,  pois  a  empresa  apropriou  a  despesa  levando  em  conta  a  UR,  Unidade  de  Referência, índice de correção do BNDES;  (xlv) Que essa atualização  foi  realizada com base no valor nominal da UR do  mês  subsequente  ao  do  período­base  encerrado,  e  não  da UR  do  próprio mês  como entende o Fisco;  (xlvi) Que por se tratar de índice de correção monetária, a UR era calculada com  base nos índices oficiais de inflação divulgados mensalmente. A composição do  índice  pretendia  computar  a  variação  dos  preços  ocorrida  entre  o  dia  1º  e  o  último dia do mês de referência, de forma que o efeito inflacionário de um mês  determinasse o valor do índice do mês seguinte;  (xlvii) para o correto cálculo da correção monetária de dezembro, a Recorrente  utilizou  o  índice  de  inflação  divulgado  no  primeiro  dia  de  janeiro  (período  imediatamente  subsequente  ao  de  referencia)  e  não  a  do  próprio  mês,  como  defende  a  DRJ.  O  procedimento  adotado  pela  fiscalização  não  contemplou  o  efeito inflacionário ocorrido no mês de referencia, mas sim o do anterior.  Por fim requereu a procedência dos pedidos formulados no Recurso Voluntário.  Apresentou documentos (fls. 737 e seguintes).  Remetidos  os  autos  para  a  Primeira  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  o  julgamento  dos  Recursos  de  Ofício  e  Voluntário  foi  convertido em diligência (fls. 828/840), sob o argumento de que os documentos juntados aos  autos não permitiam o julgamento dos recursos, visto ser necessária a análise de “informações  disponíveis, constantes dos arquivos da Prefeitura de Salvador, para confirmar a existência do  empréstimo  questionado  pelo  Fisco,  além  da  situação  do  julgamento  do  processo  judicial  quanto ao auto de infração lavrado pela fiscalização municipal” (fls. 840).    Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 948          12 Dessa  forma,  remeteram­se  os  autos  à  repartição  de  origem  para  que  fosse  proferido  parecer  conclusivo  a  respeito  das  alegações  apresentadas  pela  recorrente,  principalmente  em  relação  à  existência  de  empréstimo  entre  a  prefeitura  de  Salvador  e  a  contribuinte fiscalizada, bem como sobre a alegação de prova emprestada (fl. 840).  Foram,  então,  juntadas  aos  autos  informações  relativas  aos  Embargos  à  Execução  Fiscal  nº.  0054465­73.2002.805.0001,  em  trâmite  perante  a  4ª  Vara  da  Fazenda  Pública  de  Salvador/BA,  conforme  fls.  845/849,  ação  esta  que  discute  o  Auto  de  Infração  municipal  nº.  04007,  lavrado  em  20/02/1992,  e  a  Execução  Fiscal  nº.  0114026­ 62.2001.805.0001, em trâmite no mesmo Juízo.  Ademais,  foram  igualmente  juntadas  neste  processo  administrativo  fiscal  informações a respeito dos contratos firmados entre a contribuinte e a Prefeitura do Município  de Salvador/BA, especificamente os  firmados  entre a empresa e os bancos Safra, Nacional e  Banorte,  nos  anos  de  1987  e  1988,  por  empréstimos  obtidos  junto  às  instituições  bancárias,  cujas dívidas pretensamente teriam sido assumidas posteriormente pela Prefeitura de Salvador  (fls. 850/859).   Outrossim, foi lavrado o respectivo Termo de Diligência Fiscal pela origem (fls.  863/864), em atendimento à Decisão da 2ª Turma do CARF,  informando o cumprimento das  diligências e a conclusão, em síntese, dos seguintes fatos:  (i) Que  da  análise  dos  autos  nº.  0054465­73.2002.805.0001  (numeração  única  dos  autos  de  Embargos  à  Execução  Fiscal,  movido  pela  empresa  fiscalizada  contra  a  Fazenda  Pública  do  Município  de  Salvador),  constatou  que  em  12/08/2002  foram  distribuídos  os  Embargos  em  face  da  Execução  Fiscal  em  curso,  que  foram  impugnados pela Fazenda Municipal,  estando o processo  em  fase de intimação das partes da realização de perícia quanto ao débito tributário  lá executado;  (ii) Que em relação à necessidade de instrução desta diligência com os contratos  de  financiamento  firmados  entre  a  Transportes  Sol  S/A  e  os  bancos  Safra,  Nacional e Banorte e aqueles firmados entre aquele e a Prefeitura Municipal de  Salvador  em  06/07/2011,  o  Secretário  Municipal  competente  não  apresentou  cópias  de  tais  documentos.  No  entanto,  a  Subsecretária  competente  informou  que  a  empresa  contribuinte  fora  permissionária  dos  serviços  públicos  de  transporte  coletivo  daquele  município,  juntando  apenas  cópia  dos  Termos  de  Permissão mencionados (fls. 858/859).  A empresa fiscalizada se manifestou nos autos (fls. 869/871) quanto ao contido  no  Termo  de Diligência  Fiscal,  aduzindo  que  os  contratos  firmados  entre  ela  e  a  prefeitura  foram  assinados  pela  Secretaria  de  Finanças  e  pela  Secretaria  de  Transportes,  com  o  acompanhamento  da  procuradoria  Geral  do  Município  de  Salvador.  Requereu  então  a  intimação de tais secretarias para que fornecessem cópias dos referidos contratos.  Quanto  ao  processo  judicial  que  discute  o  ISS  da  Prefeitura  de  Salvador,  se  manifestou a empresa contribuinte (fls. 870/871) afirmando que o número correto do processo  de  primeira  instância  é  o  nº.  140.93.369906­2,  que  foi  julgado  procedente  em  primeira  instância  e  aguarda  julgamento  pelo  E.  Tribunal  de  Justiça  do  Estado  da  Bahia,  conforme  documentos de fls. 875/885.  Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 949          13 A  empresa Transporte  Sol  S/A  apresentou  nova manifestação  às  fls.  884/885,  informando  que  a  Secretaria  da  Fazenda  do  Município  de  Salvador  apresentou  cópia  do  Contrato  firmado entre  a Prefeitura  e o Banco do Brasil,  no qual há menção ao Contrato de  Confissões de Dívida entre a Prefeitura e aquele banco (juntado às fls. 889/896 deste processo  administrativo fiscal), bem como Escritura Pública de confissão de dívidas, às  fls. 897/911 e  Instrumento Particular de Confissão  e Liquidação de Dívida  entre  a Transol  (além de outras  empresas) e o Município de Salvador, conforme fls. 912/915.  Juntou documentos às fls. 916/933.  É o relatório.  Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 950          14 Voto:  Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  Trata­se de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário em face da decisão da DRJ  que exonerou parcialmente o crédito tributário objeto do presente processo administrativo.   O Recurso de ofício atende o requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF  n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço.   O  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  empresa  recorrente  é  tempestivo  e  encontram­se presentes seus requisitos de admissibilidade, o qual merece ser conhecido.  O  presente  lançamento  tributário  se  fundamentou  em  omissão  de  receitas  e  glosas de despesas não comprovadas referentes aos anos­calendário de 1991 e 1992, as quais  foram  apropriadas  na  contabilidade  da  recorrente  a  título  de  correção  monetária  passiva  de  dívida contraída com a Prefeitura Municipal de Salvador por assunção de dívida.   Analisando os autos, verifica­se que Prefeitura de Salvador assumiu dívidas da  recorrente junto a Instituições Financeiras, sendo que a recorrente se comprometeu a adimplir  sua dívida com a Prefeitura nas mesmas condições estabelecidas nos contratos firmados entre  esta  e os Bancos  credores,  segundo previsto na  cláusula quarta do  Instrumento Particular de  Confissão e Liquidação de Dívidas destacada abaixo (fls. 912/914):   CLÁUSULA QUARTA – No entanto, pelo presente instrumento as EMPRESAS  reconhecem  ser  de  sua  inteira  responsabilidade  as  dívidas  assumidas  que  foram  pelo  MUNICÍPIO DE  SALVADOR, mencionadas  na  cláusula  anterior,  e  por  isso mesmo  delas se confessam devedoras, comprometendo­se a pagar as quantias estabelecidas nos  citados contratos. (grifo não original)  Ou  seja,  toda  e  qualquer  despesa  correlata  a  juros  e  correção  monetária  despendida pela Prefeitura de Salvador nas assunções de dívidas, a recorrente se comprometeu  a pagar pelos mesmos índices.   Portanto, entendo pertinente realizar a análise dos contratos ou compromissos de  assunção de dívidas celebrados pela Prefeitura de Salvador para fins de verificar seus termos  específicos, em especial quanto ao valor respectivo da correção monetária de cada um deles.   O Instrumento Particular de Confissão e Liquidação de Dívidas em análise (fls.  912/914) dá conta que a dívida da recorrente assumida pela Prefeitura de Salvador era à época  equivalente a Cr$ 39.053.147,00, oriundas de empréstimos tomados com os seguintes bancos,  como demonstra a planilha de fls. 915:    i) BANORTE ­ Cr$ 7.210.212,00;   ii) Safra ­ Cr$ 23.560.524,00;   iii) Nacional ­ Cr$ 8.282.411,00.    Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 951          15   A recorrente juntou aos autos o Contrato de Confissão de Dívida (fls. 927/933)  celebrado  entre  o  Banco  do  Brasil  S.A.  e  a  Prefeitura  de  Salvador,  no  qual  a  Prefeitura  renegocia  os  prazos  de  pagamento  do  Contrato  de  Confissão  e  Assunção  de  Dívida  n.º  87/00754­1 (fls. 889/896).   Destaca­se  que  no  Contrato  de  Confissão  e  Assunção  n.º  87/00754­1  (fls.  889/896),  a  recorrente  confessa  ser  devedora  do  Banco  Safra  a  quantia  Cr$  26.334.313,00  (cláusula  primeira,  alínea  h),  a  qual  seria  por  acordo  naquele  instrumento  adimplida  pela  Prefeitura de Salvador.  Logo,  em  vista  da  cláusula  quarta  do  Instrumento  Particular  de  Confissão  e  Liquidação de Dívidas (fls. 912/914), todas as despesas financeiras do Contrato de Confissão  de Dívida  (fls.  927/933)  celebrado  entre  o  Banco  do Brasil  S.A  e  a  Prefeitura  de  Salvador,  referente ao valor do Contrato de Confissão e Assunção n.º 87/00754­1 (assunção da dívida do  banco Safra), deveriam posteriormente ser pagas pela recorrente.   Não  se  encontrou  nos  autos  nenhum  instrumento  de  assunção  da  dívida  celebrado pela Prefeitura de Salvador com o Banco BANORTE e Nacional, não sendo possível  verificar  quais  as  despesas  financeiras  que  teria  que  incorrer  quanto  a  estas  outras  duas  assunções de dívidas (BANORTE e Banco Nacional).  Desta  forma,  para  a  melhor  solução  do  presente  caso,  entendo  necessário  converter  o  julgamento  em  diligência  a  fim  de  que  se  possa  conhecer  o  valor  correto  de  correção monetária paga pela Prefeitura de Salvador em cada uma das assunções de dívidas da  recorrente, devendo a DRF de origem tomar as seguintes providências:  a) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato  de assunção de dívida celebrado entre a Prefeitura de Salvador e o BANORTE,  o  qual  fez  parte  integrante  da  escritura  pública  de  confissão  de  dívida  (fls.  897/911), como previsto na cláusula décima primeira (fls. 900);  b) Intime a recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias apresente o contrato  de  assunção  de  dívida  celebrado  entre  a  Prefeitura  de  Salvador  e  o  Banco  Nacional;  c)  Após  este  prazo,  que  o  agente  fiscal  analise  o  Contrato  de  Confissão  de  Dívida  (fls. 927/933) celebrado entre o Banco do Brasil S.A. e a Prefeitura de  Salvador,  bem como os  demais  contratos  e documentos que apresentados  pela  recorrente, efetue a conferência das despesas que eles originaram e se manifeste  expressamente se os índices de correção monetária utilizados pela recorrente são  condizentes  com  os  contratados,  emitindo  parecer  conclusivo  de  qual  o  valor  correto da correção monetária a ser dedutível.  Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para  que, em sendo de seu interesse, manifeste­se da forma que entender adequada, no prazo de 30  (trinta)  dias.  Após,  com  ou  sem  manifestação,  seja  o  feito  devolvido  a  este  Conselho,  que  deverá julgá­lo incontinenti.  Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.013731/96­55  Resolução nº  1302­000.335  S1­C3T2  Fl. 952          16 Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos  do relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator      Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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Numero do processo: 10611.721697/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 05/11/2009 a 26/01/2011 IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. CABIMENTO. A falta da comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação, configura interposição fraudulenta presumida na importação. Nos termos do art. 23, inciso V e § 2º, do Decreto-lei n. 1455/76, a conduta constitui-se em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO GERENTE. ART. 135, III, DO CTN. A responsabilização do art. 135, III, do CTN é de natureza pessoal e não pode ser utilizada como fundamento para incluir o sócio administrador solidariamente à empresa autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade da pessoa física pelo crédito tributário lançado. Os Conselheiros José Paulo Puiatti e Ricardo Paulo Rosa votaram pelas conclusões em relação à decisão que afastou a responsabilidade. Ricardo Paulo Rosa - Presidente Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama, e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2110; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 536          1 535  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10611.721697/2011­82  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­002.295  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  II  Recorrente  MCM COMÉRCIO LTDA. ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Período de apuração: 05/11/2009 a 26/01/2011  IMPORTAÇÃO.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA  PRESUMIDA.  DANO  AO  ERÁRIO.  CONVERSÃO  DA  PENA DE  PERDIMENTO  EM  MULTA.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  RECURSOS  APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. CABIMENTO.  A  falta  da  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados  na  operação,  configura  interposição  fraudulenta  presumida na importação. Nos termos do art. 23, inciso V e § 2º, do Decreto­ lei  n.  1455/76,  a  conduta  constitui­se  em  dano  ao  erário,  sancionada  com  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria,  se  impossibilitada  a  aplicação da pena de perdimento.  DISSOLUÇÃO  IRREGULAR  DA  SOCIEDADE.  RESPONSABILIDADE  DO SÓCIO GERENTE. ART. 135, III, DO CTN.  A responsabilização do art. 135, III, do CTN é de natureza pessoal e não pode  ser  utilizada  como  fundamento  para  incluir  o  sócio  administrador  solidariamente à empresa autuada.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade da pessoa física pelo  crédito  tributário  lançado. Os Conselheiros  José Paulo Puiatti  e Ricardo Paulo Rosa votaram  pelas conclusões em relação à decisão que afastou a responsabilidade.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 16 97 /2 01 1- 82 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 537          2 Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente    Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz ­ Relatora    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  José  Fernandes  do  Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz,  Nanci Gama, e Ricardo Paulo Rosa.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário apresentado por MCM COMÉRCIO LTDA.  –  EPP,  CNPJ  09.501.737/0001­62  e  RUDAH  BOAVENTURA  MARCÍLIO,  CPF  060.646.786­66,  na  qualidade  de  sócio­gerente  da  empresa  responsável,  em  face  de  auto  de  infração por dano ao erário na importação, nos termos do art. 23, V, do DL 1455/76, em face  de interposição fraudulenta de terceiros.  Reproduz­se, por economia processual o relatório apresentado no julgamento  de primeiro grau (Acórdão 08­23.117 – 7ª Turma da DRJ/FOR):  “Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata­sede  lançamento  de  aplicação  de  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  pela  impossibilidade  de  sua  apreensão, nos termos do inciso V e §§1º, 2º e 3º do artigo 23 do  Decreto­Lei1.455/1976,  com  redação  dada  pelas  Leis  10.637/2002,de  30/12/2002  e  Lei  12.350/2010,  de  20  de  dezembro de 2010, relativamente às Declarações de Importação  cujos  extratos  estão  às  fls.  239/253,  face  à  presunção  de  interposição  fraudulenta,perfazendo,  na  data  da  autuação,  crédito tributário no valor total de R$ 264.722,08, conforme auto  de infração às fls. 03/07 e relatório de ação fiscal de fls. 10/23.  A  fiscalização  justifica  a  conversão  do  perdimento  em  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  em  face  da  impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas.  DOS PROCEDIMENTOS DA FISCALIZAÇÃO  A fiscalização relata que foi expedido Mandado de Procedimento  Fiscal  em  face  da  empresa  fiscalizada  por  existirem  fundados  indícios  de  interposição  fraudulenta  nas  importações  efetuadas  no  período  de  05/11/2009  a  26/01/2011  e  que  o  procedimento  atendeu  ao  disposto  no  inciso  II  do  artigo  80  da  Medida  Provisória  nº  2.158­35/01,  disciplinado  pela  Instrução  Normativa SRF 228/2002.  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 538          3 Consta do relatório fiscal que, em 15/04/2011, o Auditor Fiscal  MARCELO  PEREIRA  CARNEIRO  DA  MOTA  compareceu  na  sede  da  empresa MCM COMÉRCIO  LTDA  com  o  objetivo  de  dar  ciência  do  termo  de  início  de  ação  fiscal  de  fls.258/262.  Entretanto, o fiscal constatou que a empresa não funcionava no  endereço  informado,constante  dos  dados  cadastrais  da  RFB  –  CNPJ, assim, lavrou o Termo de Diligência Fiscal(fls. 263/265).  Neste  termo  de  diligência,  a  autoridade  fiscal  faz  as  seguintes  afirmações:que  no  endereço  indicado  não  existe  qualquer  atividade  empresarial;  que  no  local  existia  uma  loja  vazia  e  fechada;  que  nenhuma  pessoa  respondeu  aos  chamados  feitos  quando  da  diligência.Informa,  ainda,  que  se  dirigiu  ao  estabelecimento  vizinho  a  fim  de  obter  informações  sobre  as  atividades  exercidas  no  endereço  da  empresa  autuada.  O  funcionário  da  loja  vizinha  que  lhe  atendeu,  que  não  quis  se  identificar, disse que desconhecia a empresa MCM COMÉRCIO  LTDA.  No  Anexo  do  termo  de  diligência  fiscal  (fls.  264/265),  a  fiscalização  junta  duas  fotos  da  fachada  frontal  do  local  indicado pela autuada como endereço da empresa.  Em 19/04/2011, a fiscalização expediu edital com a finalidade de  intimar o contribuinte a cumprir as exigências contidas no termo  de  início  de  fiscalização.Em  04/05/2011,  a  fiscalização  considerou  a  empresa  autuada  cientificadado  início  do  procedimento  especial  de  fiscalização  previsto  na  Instrução  Normativa  SRF228/2002,  ficando  intimada  a  apresentar,  no  prazo  de  20  dias,  a  documentação  especificada  e  aprestar  maiores  esclarecimentos  a  respeito  das  operações  de  importação.  A  autoridade  lançadora  acrescenta  dizendo  que  não  houve  nenhuma resposta do contribuinte, uma vez que o mesmo não foi  encontrado  nem  atendeu  às  intimações  lavradas  pela  fiscalização.  DA DOCUMENTAÇÃO EXAMINADA  Aduz a fiscalização que a análise das operações de importação  empreendidas  pela  contribuinte  limitou­se  aos  sistemas  de  informação da RFB, haja vista o não atendimento ao  termo de  intimação.  DA EMPRESA FISCALIZADA  Segundo  a  fiscalização,  a  empresa  MCM  Comércio  Ltda.  foi  constituída em 25/03/2008, no município de Belo Horizonte/MG,  apresentando  um  quadro  social  composto  pelos  sócios­ administradores,Rudah Boaventura Marcílio, CPF 060.646.786­ 66(99%)  e  Amaranta  Boaventura  Marcílio,  CPF  105.060.006­ 13(1%).  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 539          4 Às  fls.  16/17,  a  fiscalização  elabora  duas  tabelas,  uma  com  o  quadro  societário  no  período  de  27/03/2008  a  22/07/2009  e  outra com o quadro social a partir de22/07/2000.  Nas referidas tabelas é feita uma comparação, nos anos de 2008  a  2010,dos  rendimentos  declarados,  movimentação  financeira  dos sócios da empresa.  Mais  adiante,  fls.  16/17,  há  outra  tabela  onde  estão  discriminadas  as  DIs,com  data  de  registro,  data  de  desembaraço,  canal  de  conferência,  valores  CIF  dólar  e  CIF  real.  DAS  IRREGULARIDADES  APONTADAS  PELA  FISCALIZAÇÃO  Segundo a fiscalização constatou­se a inexistência de quaisquer  atividades comerciais sendo exercidas no endereço informado à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  e  constante  do  CNPJ,  além  disso,  a  empresa  está  omissa  em  relação  à  entrega  das  seguintes declarações obrigatórias:  ­ Guia de Recolhimentos do FGTS e Declaração à Previdência  Social –GFIP: Competências 03/2008 a 08/2011;  ­  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica,  anos  calendários 2009e 2010;  ­  DACON2008  –  outubro/novembro/dezembro,  2009,  2010  e  2011;  ­ DCTF 2009, 2010 e 1º semestre 2011  Com  base  nas  constatações,  a  fiscalização  entendeu  ser  aplicável  a  pena  de  perdimento  nas  mercadorias  importadas  pela  empresa  no  período  compreendido  entre05/11/2009  e  26/01/2011 por presunção  legal de  interposição  fraudulenta de  terceiro,  em  decorrência  de  não  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recurso  empregados  nas  operações de  importação. Considerando que as mercadorias  já  haviam  sido  consumidas,  converteu  o  perdimento  em  multa  equivalente ao valor aduaneiro, fundamentando a autuação com  base  no  inciso  V,  §§  1º,  2º  e  3º  do  artigo  23  do  Decreto­ Lei1.455/1976,  com  redação  dada  pelas  Leis  10.637/2002,  de  30/12/2002 e Lei 12.350/2010, de 20 de dezembro de2010.  DA REPRESENTAÇÃO PARA FINS DE INAPTIDÃO  A fiscalização  lavrou, ainda, representação administrativa para  instauraçã  ode  processo  de  inaptidão  do  CNPJ  da  empresa  autuada  com  fundamento  no  §  1º,  inciso  I  do  artigo  80  combinado  com  o  artigo  81,  caput  e  §§  1º  e  5º,  da  Lei  9.430/1996,  de  27/12/1996,com  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009,  de  27/05/2009,  disciplinada  pelos  artigos  27,  inciso II combinado com o artigo 37, incisos I, II e III, e artigo  39, inciso II, da IN RFB nº 1.183/2001,de 19/08/2011.  Fl. 539DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 540          5 DA SUJEIÇÃO PASSIVA  A fiscalização incluiu na condição de devedor solidário o sócio­ gerente RUDAH BOAVENTURA MARCÍLIO (Termo de Sujeição  Passiva  Solidária  fl.35),  comfulcro  no artigo 135,  III,  do CTN,  por entender que houve dissolução  irregular da sociedade haja  vista  que  ficou  constatada  a  não  localização  da  empresa  no  endereço constante dos registros comercial e fiscal.  Trecho relatado pela fiscalização:  “Esta  fiscalização apurou  indícios  concretos de que a  empresa  foi  dissolvida  irregularmente,  pois  foi  constatada  a  não  localização da  empresa  nos  endereços  constantes  dos  registros  comercial  e  fiscal.  Desta  maneira,  entende  ser  cabível  a  imputação  da  responsabilidade  pessoal  contra  os  sócios  gerentes, nos termos do artigo 135, Inciso III do CTN – Código  Tributário Nacional”.  “A  dissolução  irregular  da  empresa  se  dá  exatamente  nas  hipóteses  em  que  o  gerente  deixa  de  cumprir  as  formalidades  legais exigidas para o caso de extinção do empreendimento, em  especial aquelas relativas ao registro empresarial”.  O argumento da  fiscalização para a  solidariedade passiva  teve  como  fundamento  também  a  Súmula  435  do  STJ  –  Superior  Tribunal de Justiça.  A  empresa  autuada  tomou  ciência  do  auto  de  infração  no  dia  04/10/2011,conforme “AR” de  fl.  268;  o  responsável  solidário,  RUDAH BOAVENTURA MARCÍLIO tomou ciência da  infração  no  dia  05/10/2011,  conforme “AR” de  fls.  270.Em 01/11/2011,  os  autuados,  em uma única  petição,  apresentaram  impugnação  (fls.  273/294),  assinada  pelo  responsável  solidário.  Alegaram,  em síntese, o seguinte:  1 PRELIMINARES  ILEGITIMIDADE PASSIVA  Os  impugnantes arguem a  ilegitimidade passiva do responsável  solidário  RUDAH  BOA  VENTURA  MARCÍLIO,  com  a  argumentação  de  que  a  infração  imposta  não  tem  natureza  jurídica de crédito tributário, portanto não se poderia aplicar ao  caso  os  artigos124,  I,  e  135,  III,  do  CTN.  Argumenta,  ainda,  subsidiariamente, mesmo que se pudesse aplicar ao caso o CTN,  não  se  pode  verificar  a  ocorrência  da  responsabilidade  da  pessoa física, como corresponsável com base no artigo 124, I, do  Codex  tributário,  porque  não  ficou  configurado  o  interesse  comum. Da mesma forma, entende, que não restou comprovada  a  solidariedade  com  base  no  artigo  135,  III,  do  CTN.  Ainda  nesta  linha  de  argumentação,  atesta  que  não  há  como  juridicamente  se  configurar  a  dissolução  irregular  da  impugnante  que  continua  funcionando  no  mesmo  endereço  do  cadastro  na  RFB,  inclusive  sendo  este  o  endereço  em  que  recebeu o próprio auto de infração ora questionado;  Fl. 540DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 541          6 NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  FACE  À  AUSÊNCIA  DE REQUISITO OBRIGATÓRIO  Argumenta  a  impugnante  que  o  auto  de  infração  deve  ser  anulado em razão da ausência de requisito obrigatório previsto  no  artigo  10,  inciso  IV,  do  Decreto70.235/1972,  ou  seja,  é  exigência  obrigatória  que  o  auto  de  infração  conste  expressamente  a  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável.  VIOLAÇÃO  DO  PRINCÍPIO  DA  AMPLA  DEFESA  E  DO  CONTRADITÓRIO  Arguem  os  impugnantes  que  houve  violação  ao  princípio  da  ampla defesa no que pertine a  forma adotada pela  fiscalização  para  a  intimação  da  empresa,  que  se  deu  através  de  edital,  ferindo o disposto no § 1º e alínea “b” do inciso III do artigo 23  do  Decreto70.235/1972  (PAF).  Sustentam  que  no  caso  em  comento não foram observadas as condições da legislação para  a intimação da impugnante por edital, tendo em vista que não se  tentou a intimação postal antes de utilizar essa via excepcional,  apenas tendo ocorrido uma diligência ao endereço da autuada.  2 MÉRITO  Em  sede  de  mérito,  argúem  os  impugnantes  que  não  há  elementos  suficientes  para  comprovar  que  a  empresa  autuada  não  possuía  recursos  suficientes  para  operar  no  comércio  exterior; argúem também que para a imputação de ocultação do  real  importador,através  de  interposição  fraudulenta,  é  indispensável  que  haja  demonstração  dos  indícios  dos  reais  responsáveis pelas operações.  No que tange à existência de recursos financeiros para suportar  as operações de comércio exterior, os impugnantes argumentam  que  o  procedimento  utilizado  pelo  fisco  não  tem  o  condão  de  justificar  juridicamente  a  presunção  de  que  trata  o  artigo  23,  §2º,  do  Decreto­Lei1.455/76.  Neste  aspecto,  alegam  que  o  procedimento  adotado  foi  de  apuraras  condições  financeiras  para  a  realização  das  operações  de  importação  focando  as  pessoas  físicas,  sem  realizar  qualquer  procedimento  específico  na própria empresa autuada.  Sustentam, também, que a pena de perdimento somente pode ser  aplicada  quando  há  dano  ao  Erário,  o  que  não  se  verifica  no  caso em comento, haja vista que todos os tributos incidentes nas  operações de importação foram recolhidos.”  Julgada  improcedente  a  impugnação  lançada,  insurgem­se  os  recorrentes  repisando, basicamente, as teses já ventiladas na peça impugnatória. Em preliminares, acusam  a  ilegitimidade  passiva  do  sócio­gerente  e  a  nulidade  do  auto  de  infração  por  ausência  de  requisito  obrigatório  relativo  à  descrição  expressa  da  disposição  legal  infringida  e  da  penalidade aplicável. No mérito, insurgem­se quanto à alegação de interposição fraudulenta e  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  para  a  operação  de  importação,  bem  como  Fl. 541DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 542          7 apontam inocorrência da dissolução irregular, com nulidade da intimação, além de inexistência  de dano ao erário.    Voto             Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora  I – PRELIMINARES  I.1. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO SÓCIO ADMINISTRADOR  Quanto  à  ilegitimidade  passiva  do  sócio  administrador,RUDAH  BOAVENTURA MARCÍLIO, a fundamentação utilizada pelo Fisco para sua inclusão no polo  passivo da obrigação tributária, o art. 135, III, do CTN, é equivocada.  Luciano  Amaro,  ao  dispor  sobre  o  referido  dispositivo  em  sua  celebrada  doutrina, assim se pronuncia:  “No  art.  135,  o  Código  Tributário  Nacional  volta  a  falar  de  pessoalidade da responsabilidade de terceiros (a exemplo do que  dissera no art. 131):   Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatuto: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II  –  os  mandatários,  prepostos  e  empregados;  III  –  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado.”  Em  confronto  com  o  artigo  anterior,  verifica­se  que  esse  dispositivo  exclui  do  polo  passivo  da  obrigação  a  figura  do  contribuinte  (que, em princípio,  seria a pessoa em cujo nome e  por cuja conta agiria o terceiro), ao mandar que o executor do  ato responda pessoalmente. A responsabilidade pessoal deve ter  aí o sentido (que já se adivinhava no art. 131) de que ela não é  compartilhada com o devedor “original” ou “natural”.  Não  se  trata,  portanto,  de  responsabilidade  subsidiária  do  terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o  terceiro  responde, “pessoalmente”.”  (AMARO,  Luciano. Direito  Tributário  Brasileiro  –  15ª  ed.  São  Paulo: Saraiva. P. 327).  Verifica­se,  com  o  excerto  acima,  ser  incompatível  dirigir­se,  ao  mesmo  tempo,  o  auto  de  infração  contra  a  empresa  e  contra  o  sócio  administrador,  visto  que,  com  fundamento no art. 135, III, do CTN, somente a este caberia responder pelo ato cometido com  infração à lei ou ao estatuto. A empresa, na hipótese de aplicação da responsabilidade tributária  do citado dispositivo é vítima, assim como o Fisco, da ilicitude praticada pelo administrador.  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 543          8 Além disso, o fato de terem sido recebidas no endereço cadastrado junto ao  Fisco  (e  respondidas)  as  intimações  relativas  ao  auto  de  infração,  com  a  apresentação  de  documentação  que  atesta  a  sua  existência  sob  o  ponto  de  vista  formal  (como  reconhece  o  julgamento de 1º grau às fls. 478), lança dúvidas sobre a aplicação da hipótese da Súmula 435,  do STJ, no caso em tela.  Isto posto, deve ser acolhida esta preliminar para  retirar do pólo passivo do  auto de infração o sócio RUDAH BOAVENTURA MARCÍLIO.  I.2.  AUSÊNCIA  DE  REQUISITO  OBRIGATÓRIO  NO  AUTO  DE  INFRAÇÃO – NULIDADE  Não há qualquer outro vício que macule  a  fundamentação  legal do  auto  de  infração,  visto  estar  escudado  por  Relatório  Fiscal,  que  expressamente  o  integra,  e  que  de  forma clara e objetiva expõe a penalidade aplicável, bem como a disposição legal infringida.  O inciso IV do Decreto 70.235/1972 assim dispõe:  "Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  ...  IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;"  Neste aspecto, a fiscalização, no Relatório de Ação Fiscal, se pronunciou nos  seguintes termos:  (...)  “O Artigo 23, parágrafo 2º, da Lei 1.455/76, incluído pela Lei nº  10.637,  de30/12/2002,  define:§  2º  Presume­se  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio  exterior  a  não  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados.(Incluído  pela  Lei  nº  10.637,  de  30.12.2002) (grifamos e negritamos).  Dos  dispositivos  legais  citados,  conclui­seque  é  prevista  a  aplicação  da  pena  de  perdimento,  por  presunção  legal  de  interposição fraudulenta de terceiras pessoas, em decorrência da  não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos  recursos  empregados,  em  virtude  do  não  atendimento  das  intimações pela empresa, decorrido o prazo de 60 dias.  (...)  Os  valores  lançados  no  presente  AI  decorrem  da  Multa  Equivalente  ao  Valor  Aduaneiro  da  Mercadoria  prevista  no  artigo 23, Inciso V, §§ 1°, 2º e 3° do Decreto­lei n° 1.455/1976,  com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de30/12/2002.”  12. Nesse sentido, rejeita­se a preliminar suscitada.  II – MÉRITO  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 544          9 Quanto  ao  mérito,  visto  ser  a  peça  de  recurso  voluntário  idêntica  à  impugnação apresentada, adota­se, como razões de decidir, os seguintes excertos da decisão de  1ª instância:  “Não procede o pleito dos  impugnantes de que houve  violação  ao  princípio  da  ampla  defesa  e  do  contraditório.  Consta  dos  autos que a fiscalização expediu edital para ciência do termo de  início  de  ação  fiscal  somente  após  a  tentativa  infrutífera  de  intimação na forma pessoal, conforme se depreende do termo de  diligência  fiscal  (fls.  236/265).  O  procedimento  adotado  pela  fiscalização está em consonância com o disposto no artigo 23 do  Decreto  70.235/1972  (PAF),  com  redação  dada  pelas  Leis  nº  9.532/1997, 11.196/2005 e11.941/2009, in verbis:  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I  ­  pessoal,pelo  autor  do  procedimento  ou  por  agente  do  órgão  preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura  do  sujeito  passivo,  seu mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa, com declaração escrita de quem o intimar;  II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;  III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo  §  1o  Quando  resultar  improfícuo  um  dos  meios  previstos  no  caput  deste  artigo  ou  quando  o  sujeito  passivo  tiver  sua  inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a  intimação  poderá ser feita por edital publicado:  I – no endereço da administração tributária na internet;  II  –  em  dependência,  franqueada  ao  público,  do  órgão  encarregado da intimação; ou  III  uma  única  vez,  em  órgão  da  imprensa  oficial  local.  (destaquei)  Conforme se extrai da norma acima, para a intimação por edital  basta  apenas  que  tenha  sido  infrutífera  uma  das  formas  de  intimação  (pessoal,  postal,  por  meio  eletrônico).  No  caso,  a  fiscalização tentou a via pessoal, entretanto, não logrou êxito na  ciência por encontrar a empresa fechada.  Some­se  a  isso  o  fato  de  que  os  argumentos  trazidos  pelos  impugnantes empeça defensória demonstram total conhecimento  acerca da matéria que está sendo tratada no auto de infração, o  que leva a conclusão, portanto, de que houve a oportunidade de  defesa e do contraditório por ocasião da impugnação.  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 545          10 (...)  MÉRITO  Depreende­se dos autos que o cerne posto em litígio diz respeito  ao  tema  interposição  fraudulenta,  com  suas  consequências  legais.  A fiscalização aduaneira, após adotado o procedimento previsto  na  IN  SRF228/2002,  ao  presumir  que  houve  interposição  fraudulenta, ante a falta de comprovação da regular origem de  recursos  aplicados  em  operação  de  comércio  exterior,  relativamente  à  operações  de  importação  realizadas  pela  autuada durante o período de 05/11/2009 e26/01/2011, entendeu  ser aplicável a pena de perdimento das mercadorias importadas,  e,  por  não  dispor  de  tais mercadorias,  efetuou  a  conversão  do  perdimento  em  multa  equivalente  a100%  do  valor  aduaneiro,  com base no inciso V e §§ 1º, 2º e 3º do artigo 23 do Decreto­ Lei1.455/1976,  com  redação  dada  pelas  Leis  10.637/2002,  de  30/12/2002 e Lei 12.350/2010, de20 de dezembro de 2010.  A  autuada,  por  ocasião  da  impugnação,  em  sede  de  mérito,  defende  a  tese  de  que  não  há  nos  autos  elementos  que  possam  levar à conclusão da autoridade lançadora.  Para o deslinde do  caso  será necessária a análise do  conjunto  probatório  juntado  nos  autos  pela  fiscalização,  que  deve  ser  interpretado à  luz das normas que regem a matéria, bem como  dos argumentos dos autuados.  DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA  A legislação que trata da matéria foi introduzida pelo artigo 59  da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº  10.637, de 30/12/2002, alterou o texto do artigo 23 do Decreto­ leinº 1.455, de 07/04/1976, passando a constar o seguinte:  Decreto­Lei1.455/1976,  com  redação  dada  pela  Lei  10.637/2002:  (...)  Art  23.  Consideram­se  dano  ao  Erário  as  infrações  relativas  às  mercadorias:  (...)  V – estrangeiras ou nacionais, na  importação ou na exportação,  na  hipótese  de  ocultação  do  sujeito  passivo,  do  real  vendedor,  comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou  simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.  § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput  deste  artigo  será  punido  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 546          11 §  2º  Presume­se  interposição  fraudulenta  na  operação  de  comércio exterior a não­comprovação da origem, disponibilidade  e transferência dos recurso empregados.  § 3o A pena prevista no § 1o converte­se em multa equivalente  ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que  tenha sido consumida. (destaquei)  Na  seara  infralegal,  a  então  Secretaria  da  Receita  Federal  editou  a  Instrução  Normativa  nº  228/2002  para  disciplinar  o  procedimento  a  ser  adotado  em  caso  de  investigação  de  interposição fraudulenta.  A inclusão de tais dispositivos no corpo do artigo 23 do Decreto­ leinº1455/76, conforme acima  transcrito,  tipifica como dano ao  erário  as  infrações  relativas  às  mercadorias  estrangeiras  ou  nacionais,  na  importação  ou  na  exportação,  na  hipótese  de  ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de  responsável  pela  operação,mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros,  punível,  da  mesma  forma,  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias  importadas, sendo que, caso já tenham sido consumidas ou não  forem  localizadas,  o  perdimento  se  converterá  em  multa  equivalente ao seu valor aduaneiro.  A  inserção  desta  norma  do  ordenamento  jurídico  teve  como  objetivo  evitar  práticas  reiteradas  de  fraudes,  onde  empresas,  com o  fito principalmente de  sonegação e de blindagem contra  eventual ação do  fisco,  operavam no comércio  exterior através  de empresas denominadas “laranjas”.  As  empresas  “laranjas”,  normalmente  constituídas  com  o  objetivo único de se travestir na condição de real importadoras,  não possuíam bens capazes de suportar uma eventual execução  fiscal  e  o  patrimônio  da  real  operadora  no  comércio  exterior  ficava  totalmente  protegido,  fatos  que,  sem  dúvida,  causavam  grandes prejuízos ao erário.  A  norma  legal  em  comento  que  trata  desta  matéria  traz  duas  possibilidades de caracterização do dano ao erário, que  leva à  aplicação da pena de perdimento. A primeira se  for constatado  que a empresa não possui  recursos  financeiros para operar no  comércio  exterior;a  segunda  traz  uma  presunção  legal,  na  modalidade juris tantum, de que, caso a empresa seja intimada e  não  apresente  documentos  que  comprovem  a  capacidade  financeira, presume­se a  interposição  fraudulenta. Do ponto de  vista processual, na segunda hipótese, com base § 2º,V do art. 23  do  Decreto­leinº  1.455/76,  há  á  inversão  do  ônus  da  prova,  cabendo  à  autuada  o  dever  de  comprovar  a  origem  lícita  dos  recursos empregados nas operações de importação.  No caso sub examine, não tendo sido apresentados, por parte da  empresa autuada, elementos que comprovem a disponibilidade e  a  origem  dos  recursos  empregados  na  importação  de  bens  estrangeiros,  a  presunção  de  interposição  fraudulenta  de  Fl. 546DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 547          12 terceiros é legalmente prevista, conforme o disposto no § 2º, V,  do art. 23 do Decreto­leinº 1.455/76.  Frise­se,ainda,  ao  contrário  do  que  argumentam  os  impugnantes, o dano ao erário, como requisito para a infração,  está previsto na própria norma, não tendo nenhuma relação com  o  pagamento  dos  tributos  que  incidem  nas  operações  de  importação. Ademais,  o bem  jurídico  tutelado, além do  regular  pagamento  dos  tributos  internos  que  incidem  em  operações  mercantis após a importação, é o controle sobre as atividades de  comércio exterior.  Aliado a tais fatos, destaque­se,também que, nem por ocasião da  impugnação,  a  empresa  apresentou  elementos  que  comprovassem a capacidade financeira para atuar no comércio  exterior,  quedando­se  inerte  neste  aspecto,  fato  que  ratifica  a  presunção  prevista  na  norma  legal,  embora  tenham,  os  impugnantes, ventilado a hipótese de que a origem dos recursos  poderia advir de empréstimos. Os documentos apresentados por  ocasião da impugnação (fls. 304/322) em nada contribuem para  demonstrar a capacidade financeira da empresa.  É irrelevante também o argumento de que não se pode presumir  a  interposição  fraudulenta  caso  não  seja  indicado  o  real  importador, por falta de embasamento legal.  Portanto,  ante  a  falta  de  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados  na  importação  de mercadorias,  é  plenamente  cabível  a  presunção  legal de interposição fraudulenta de terceiros.”  Sem  dúvida,  a  aplicação  da  presunção  de  interposição  fraudulenta  neste  processo  advém  fortemente  da  inexistência  de  comprovação  de  capacidade  financeira  da  importadora, mesmo após a documentação acostada aos autos com a sua impugnação.  É certo que não se fez prova da existência de um real e oculto adquirente das  mercadorias. Porém, como se retira do Acórdão 3403­002.746 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan,  sessão  de  30/01/2014):  “A  interposição,  em  uma  operação  de  comércio  exterior,  pode  ser  comprovada  ou  presumida.  A  interposição  presumida  é  aquela  na  qual  se  identifica  que  a  empresa  que  está  importando  não  o  faz  para  ela  própria,  pois  não  consegue  comprovar  a  origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com  base  em  presunção  legalmente  estabelecida  (art.  23,  §  2º,  do  Decreto­Lei  n.  1.455/1976),  configura­se a interposição e aplica­se o perdimento.”  São  insuficientes  os  documentos  colacionados  aos  autos  para  demonstrar  a  capacidade financeira da  importadora e elidir a presunção  legal. A situação demonstrada nos  autos pela recorrente, por sua debilidade probatória, deu azo, inclusive, à presunção do FISCO  de sua inexistência e dissolução irregular.  Com base nos fundamentos acima expostos, VOTO no sentido de dar parcial  provimento ao Recurso Voluntário para:  I  –  em  preliminar,  excluir  do  polo  passivo  do  auto  de  infração  o  sócio  RUDAH BOAVENTURA MARCÍLIO; e  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10611.721697/2011­82  Acórdão n.º 3102­002.295  S3­C1T2  Fl. 548          13 II  –  no  mérito,  manter  o  crédito  tributário  lançado  contra  a  MCM  COMÉRCIO LTDA ­ EPP.    Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz                                  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA

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