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Numero do processo: 11817.000157/2003-16
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001, 2002
Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos.
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, insere-se no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido.
Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3102-001.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar exclusivamente a multa por falta de licença de importação.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2001, 2002 Erro de Classificação. Licenciamento. Efeitos. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Parcialmente Provido A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, insere-se no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. Tratando-se de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 EXCLUSIVO ERRO DE CAPITULAÇÃO. A imperfeição na capitulação legal do lançamento, decorrente de erro do preenchimento do campo destinado a tal finalidade, por si só, não anula o auto de infração, máxime quando, em outro campo, o lançamento traz a correta indicação da capitulação legal e, o que é mais importante, a acusação fiscal está claramente descrita, propiciando ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional, máxime quando a classificação fiscal não foi alvo de verificação no curso do despacho. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2001, 2002 Sistema GE Digital, Modelo Senographe 2000D Aparelho de raios X, para diagnóstico de patologias da mama, comercialmente denominado Sistema de Raios X Senographe 2000D classificase no subitem 9022.14.11 da Nomenclatura Comum do Mercosul AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 57 /2 00 3- 16 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 231 2 MULTA DE OFÍCIO DE 75% EM RAZÃO DE INEXATIDÃO NA DECLARAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CABIMENTO. A inexatidão da classificação fiscal, principalmente quando acompanhada da descrição equivocada e insuficiente da mercadoria, inserese no universo das condutas puníveis com a multa de 75% sobre o imposto que deixou de ser recolhido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001, 2002 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LICENCIAMENTO. EFEITOS. O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação. É indispensável que a falha na indicação da classificação caracterize prejuízo ao controle administrativo das importações. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar exclusivamente a multa por falta de licença de importação. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Leonardo Mussi, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em desfavor do Acórdão 0812.936, da 3º Turma da DRJ/Fortaleza. A exigência fiscal está embasada na acusação de erro na indicação da classificação fiscal quando da importação de: a) um sistema para mamografia digital, modelo Senographe 2000D, para o qual foi indicado o código 9022.14.90 quando, segundo a autoridade autuante, deveria ter sido indicado o 9022.14.11; e b) aparelho de estereotaxia digital, para uso exclusivo em equipamento de mamografia modelo Senographe DMR, classificado no código 9022.90.19, quando, na opinião do Fisco, deveria ter sido classificado no código 9022.90.90. Consta ainda do relatório fiscal que a autuada formulara consulta perante a Superintendência da Secretaria da Receita Federal na 1ª Região Fiscal e, em resposta, teria sido apontado como correto o código tarifário apontado no auto de infração litigioso. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 232 3 Como consequência, formalizouse a cobrança da diferença de impostos decorrentes, acrescidos de multa de ofício agravada, além da multa por falta de licença de importação e de multa regulamentar de 1%, decorrente de erro de classificação. Devidamente intimada, comparece autuada ao processo para, sinteticamente, arguir: 1. Violação ao art. 146 do Código Tributário de Nacional Sustenta a impugnate que submetera o produto descrito à fiscalização juntamente com os documentos necessários e após a verificação de tais informações, a Administração ratificara o critério jurídico empregado na elaboração da DI, pois promovera o desembaraço aduaneiro sem exigir nenhuma retificação ou o pagamento de diferença de tributo Consequentemente, não se poderia, passados aproximadamente dois anos do despacho, alterar o critério jurídico empregado, para efeito de cobrar tributos e multas, sob pena de violação ao dispositivo codificado e ao princípio da segurança jurídica. Cita doutrina e jurisprudência. 2 Exatidão da Classificação Com relação ao produto descrito como aparelho de estereotaxia digital, para uso exclusivo em equipamento de mamografia modelo Senographe DMR, despachado com base na DI 01/01725374, argumenta que o subitem 9022.90.19 (outros aparelhos), utilizado pelo sujeito passivo, preveria um “Ex”tarifário com descrição semelhante à do produto alvo de litígio1. Tal subitem, ademais, seria mais específico do que a pretendida pelo Fisco: 9022.90.90 (Partes e acessórios de aparelhos de raios X). Acrescenta, nessa esteira, que o raciocínio exposto no relatório fiscal conteria uma contradição entre premissa e conclusão, pois a NESH da posição 9022 apoiaria o enquadramento do produto na subposição 9022.90.19. Transcreve o texto da Nota. Já com relação à exatidão da classificação do sistema para mamografia digital, modelo Senographe 2000D, para o qual foi indicado o código 9022.14.90, argumenta o sujeito passivo que a evolução tecnológica afastaria a subposição apontada pelo Fisco. Afirma, nessa linha, que, inobstante se destinar à detecção de câncer de mama, tal e qual seu “ancestral” mamógrafo, o produto apresenta inovações que o distanciariam do mamógrafo convencional. Enumera tais características. Aduz que, tal e qual outros equipamentos, dificuldades na interpretação do idioma poderiam conduzir a equívocos. Cita exemplos. Defende que, em homenagem ao princípio da legalidade, a ausência de descrição exata na NCM, o produto não poderia ser alvo de tributação. 1 "Ex' 001 Aparelhos para serem acoplados em mamógrafos visando a realização de biopsias, em estereotaxia (localização espacial de tumores e nódulos em mama)" Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 233 4 Ademais, em razão da alegada imprecisão, formulara consulta tributária, mas o resultado de tal consulta, ao invés de esclarecer, lançara mais dúvidas, dada a ausência de fundamentação da decisão que o solucionara. 3 Inaplicabilidade das Multas Impostas Após expor sua convicção de que, na espécie, o que se verificaria seria uma mudança de classificação tarifária, sustenta que não caberia aplicar a multa de 75% ou 150% em razão de que tal hipótese não se subsumiria ao inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nem a nenhum dos incisos do art. 149 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. Acrescenta que a autoridade fiscal não contestou a descrição do produto e que não se identificou nenhuma das circunstâncias qualificadoras. A mera diferença de tributos daria ensejo exclusivamente à multa de mora de 20%, ex vi do art. 112 do CTN. Igualmente carente de tipicidade seria a imputação da penalidade de 30%, por falta de Licença de Importação, pois, diferentemente do alegado, a autuada promoveu as importações devidamente amparadas em licença. A conduta descrita: imprecisão na descrição não se subsume ao texto da norma que impõe a penalidade. Cita doutrina e jurisprudência. Mais uma vez, defende que descreveu as mercadorias com precisão. Finalmente, argúi que a multa regulamentar de 1% não poderia se sustentar em razão do evidente erro de capitulação, materializado na indicação de dispositivos que não guardariam qualquer relação com a falha apontada. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2001, 2002 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. APARELHOS DE "RAIO X" PARA DIAGNÓSTICO DE PATOLOGIAS DA MAMA. Enquadramse no código NCM 9022.14.11 os aparelhos de raios X para usos médicos, cirúrgicos, odontológicos ou veterinários, incluídos os aparelhos de radiofotografia ou de radioterapia utilizados para diagnósticos de patologias da mama, mesmo tendo como outra finalidade o emprego em intervenções Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 234 5 cirúrgicas, comercialmente denominado "SISTEMA DE RAIO X SENOGRAPHE 2000D". APARELHO DE ESTEREOTAXIA DIGITAL. À vista de "EX TARIFÁRIO", enquadramse no código NCM 9022.90.19 os aparelhos para serem acoplados em mamógrafos visando a realização de biopsias, em esterotaxia (localização espacial de tumores e nódulos em mama). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Anocalendário: 2001, 2002 PAF. EFEITOS DA CONSULTA. É obrigatória às DRJ a observância do entendimento da SRF expresso em atos tributários e aduaneiros. Atos tributários e aduaneiros são gênero do qual é espécie a solução de consulta. REVISÃO DE OFÍCIO. Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu poder/dever, deve proceder a revisão de ofício e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da declaração de importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. REVISÃO ADUANEIRA. AUTORIDADE FISCAL. DEVER DE OFÍCIO. No curso do procedimento de revisão, constatado que o contribuinte agiu em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, por dever de oficio, deverá exigir, por meio do lançamento, o tributo que deixou de ser pago, acrescidos das penalidades cabíveis. MULTAS DE OFÍCIO E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.PENALIDADES. Constatado em procedimento de revisão aduaneira a falta de recolhimento do imposto de importação, erros e divergências de classificação de mercadorias, cabível na espécie a aplicação da multa de 75% do II, além da multa do controle administrativo da importação relativamente ao erro de classificação fiscal. Somente é cabível a multa qualificada de 150% na hipótese de ser caracterizado o "evidente intuito defraude" referido pela legislação. MULTA DO ARTIGO 84,1 DA MP 215835/01. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 235 6 Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DO ARTIGO 633, II DO RA, DECRETO 4.543/02. Aplicase a multa por falta de Guia de Importação ou documento equivalente, por declaração inexata. Cabível a aplicação da penalidade quando o contribuinte não declara corretamente a mercadoria, com todos os elementos necessários para sua perfeita classificação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001, 2002 IPI NA IMPORTAÇÃO. Não havendo impugnação especifica relativamente a esse imposto as mesmas fundamentações postas no julgamento do II aplicamse mutatis mutandis ao lançamento do IPI Lançamento Procedente em Parte Como é possível perceber, reduziuse o percentual da multa de ofício, outrora apontado como de 150%, a 75% e acatou a classificação do aparelho de aparelho de estereotaxia digital . Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Considerando que o montante exonerado é inferior ao limite de alçada, não foi formulado recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais cabe a este Colegiado se manifestar. 1. Violação ao art. 146 do CTN Aduz o sujeito passivo que a classificação empregada não poderia ser revista. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 236 7 Tal insurreição está concentrada na alegação de que o lançamento promovido, decorrente da reclassificação de ofício da mercadoria, representaria alteração de critério jurídico e, consequentemente, violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional2. Invocase, para tanto, a dicção da Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos3. Penso que tal pleito não pode prosperar. Antes de se analisar os aspectos jurídicos envolvidos, há que se registrar que a classificação informada pelo sujeito passivo, pelo menos no despachos de importação alvo do presente litígio, não foi referendada pelo Fisco. De fato, como é possível extrair da leitura do campo “Dados Complementares” da declaração de importação nº 02/008746024, .o sujeito passivo informa que apresentou consulta acerca da classificação fiscal, por meio do processo administrativo nº 10166.00137/200296. Assim, em observância à regra insculpida nos arts. 48 e 49 do Decreto nº 70.235, de 19725, não poderia a autoridade fiscal promover qualquer questionamento acerca da classificação. Outro aspecto relevante, que afasta a alegação de que a mercadoria teria sido identificada e a classificação fiscal aprovada é a natureza das verificações realizadas. Com efeito, a declaração de importação 02/008746026 foi desembaraçada no canal verde de conferência. Ora, nos termos da Instrução Normativa nº 69, de 1996, na versão que vigia no momento dos despachos de importação litigiosos, quando uma declaração era encaminhada para os canais verde e amarelo de conferência as informações relativas à classificação fiscal não eram alvo de verificação. Confirase o que dizia o art. 19, caput e §§ do ato administrativo: Art. 19. Após o registro da declaração de importação, a mesma será submetida a procedimento de seleção para controle do valor aduaneiro, por meio do SISCOMEX, de acordo com critério previamente estabelecido pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA. (Redação dada pela IN SRF nº 111/98, de 17/09/1998) (Vide art. 6º, da IN SRF nº 111/98) 2 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 3 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". 4 Doc. à fl. 128. 5 Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. 6 Comprovante de importação à fl. 126. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 237 8 § 1º Na hipótese de seleção para controle do valor aduaneiro, a declaração será conduzida para o canal cinza de conferência aduaneira, pelo qual o desembaraço somente será realizado após o exame documental, a verificação da mercadoria e o exame preliminar do valor aduaneiro e desde que observados os demais requisitos estabelecidos na norma específica. (Redação dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) § 2º Caso não ocorra a situação prevista no parágrafo anterior, a declaração será selecionada para um dos demais canais de conferência aduaneira, conforme segue: (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) I verde, pelo qual o sistema registrará o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria; (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) II amarelo, pelo qual será realizado o exame documental, e, não sendo constatada irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação da mercadoria; ou (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) III vermelho, pelo qual a mercadoria somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria. (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) § 3º Para os efeitos deste artigo, entendese por: (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) I exame documental, o procedimento destinado a constatar: (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) a. a integridade dos documentos apresentados; (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) b. a exatidão e correspondência das informações prestadas na declaração em relação àquelas constantes dos documentos que a instruem; (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) c. o cumprimento dos requisitos de ordem legal ou regulamentar correspondentes aos regimes aduaneiro e de tributação solicitados; (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) d. o cumprimento de formalidades referentes a mercadoria sujeita a controle especial; e (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) (Revogada pela IN SRF nº 114/98, de 24/09/1998) (Vide art. 7º da IN SRF nº 114/98) e. o mérito de benefício fiscal pleiteado. (Incluída dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) II verificação da mercadoria, o procedimento destinado a identificar e quantificar a mercadoria, bem como a determinar sua origem e classificação fiscal; e (Incluído dada pela IN SRF nº 16/98, de 16/02/1998) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 238 9 De fato, como é possível concluir, o procedimento de “verificação da mercadoria”, por meio do qual é verificada higidez da classificação fiscal indicada, só é realizado em despachos direcionados para o canal vermelho de conferência. Consequentemente, repitase, o Fisco jamais ratificou a classificação fiscal informada. De qualquer forma, há que se reconhecer que o lançamento dos tributos devidos na importação, principalmente após o advento do Sistema Integrado do Comércio Exterior, se insere na modalidade “por homologação”, onde todas as informações são transmitidas pelo sujeito passivo e homologadas tacitamente por decurso de prazo ou expressamente, após a realização da competente revisão aduaneira. Com efeito, a partir desse novo ambiente informatizado, o sujeito passivo, independentemente de qualquer intervenção do Fisco, preenche a declaração de importação e transmite eletronicamente, mediante o pagamento dos tributos calculados, ex vi do art. 6º do Decreto nº 660, de 19927 e dos atos administrativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinam a tramitação do despacho de importação, a teor da Instrução Normativa SRF nº 69, de 1996 e das que as que a revogaram. Para que não pairem dúvidas, vejase o que restou elencado no Anexo I de tal administrativo, destinado a relacionar as informações a serem prestadas pelo importador8: 33 Classificação fiscal da mercadoria Classificação da mercadoria, segundo a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) e Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM), conforme tabelas administradas pela SRF. Ou seja, diferentemente do que se verifica quando o lançamento se opera na modalidade “por declaração” onde, nos termos do art. 147 do CTN9 o sujeito passivo fornece informações ao Fisco e este promove o lançamento, a partir desse novo contexto, o sujeito passivo passa a ser responsável pela formulação do lançamento e antecipação do recolhimento. Nessa linha, tornase evidente que a classificação fiscal se situa no plano das informações capazes de dar ensejo à revisão do lançamento, ex vi do art. 149, V do Código Tributário Nacional10, em razão do que se convencionou denominar “erro de fato”. Vejase, acerca do tema, recente manifestação da Segunda Turma do E. Superior Tribunal de Justiça nos autos do AgRg no REsp 942539/SP11: 7 Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. 8 Redação e numeração semelhante às que constaram dos atos administrativos posteriores. 9 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 10 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. 11 Ministro HUMBERTO MARTINS, Julgado em 02/09/2010 (DJe de 13/10/2010) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 239 10 TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. Também não se pode confundir desembaraço aduaneiro com homologação, tal homologação, só ocorre após o ato de revisão aduaneira ou por decurso de prazo. Confirase a redação da Seção II, do Capítulo II, do Título II, do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988: Seção II Conclusão do Despacho Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. Ora, o título da Seção que trata da revisão aduaneira é claro: Conclusão do Despacho. Até este momento, portanto, o despacho não está concluído. Consequentemente, as informações ali prestadas não estão homologadas. Ausente qualquer homologação, não se poderia validamente defender que o Fisco, ao desembaraçar a mercadoria, ratificou os critérios jurídicos eleitos pelo contribuinte. 2 Classificação Não há dissenso acerca da classificação do produto sobre o qual remanesce litígio (Sistema de Raios X Senographe 2000D) na subposição 9022.14 da Nomenclatura Comum do Mercosul, assim redigida: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 240 11 9022 APARELHOS DE RAIOS X E APARELHOS QUE UTILIZEM RADIAÇÕES ALFA, BETA OU GAMA, MESMO PARA USOS MÉDICOS, CIRÚRGICOS, ODONTOLÓGICOS OU VETERINÁRIOS, INCLUÍDOS OS APARELHOS DE RADIOFOTOGRAFIA OU DE RADIOTERAPIA, OS TUBOS DE RAIOS X E OUTROS DISPOSITIVOS GERADORES DE RAIOS X, OS GERADORES DE TENSÃO, AS MESAS DE COMANDO, AS TELAS DE VISUALIZAÇÃO, AS MESAS, POLTRONAS E SUPORTES SEMELHANTES PARA EXAME OU TRATAMENTO (...) 9022.14 Outros, para usos médicos, cirúrgicos ou veterinários A discussão é travada no nível do item. O Fisco defende que deve ser levado em consideração o item 9022.14.1 (De diagnóstico) e a Contribuinte, o 9022.14.90 (Outros) Pois bem. O produto litigioso, importado por meio da Declaração de Importação nº 02/00874602 foi descrito nos seguintes termos12: SISTEMA GE DIGITAL, MODELO:SENOGRAPHE 2000D, COMPOSTO POR GERADOR, TUBO DE RAIOSX, DETECTORES, GRADE REMOVÍVEL, DETECTOR DE CONTRASTE, PROGRAMAS APLICATIVOS, INSITE MODEM, PEDAIS DE COMPRESSÃO, MANUAL DE OPERAÇÃO, MANUAL QAP, PRATO PLEXIGLASS E CONTROLE REMOTO, ESTAÇÃO DE TRABALHO COMPOSTO DE DISCO RÍGIDO, MONITOR 21", PLACA DE VÍDEO CDROM, MOUSE, INTERFACE DIGITAL E PROGRAMAS APLICATIVOS. Antes de passar adiante na presente análise, é importante relembrar o que diz a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado Complementar (RGC) nº 1: REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1.AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR DENTRO DE CADA POSIÇÃO OU SUBPOSIÇÃO, O ITEM APLICÁVEL E, DENTRO DESTE ÚLTIMO, O SUBITEM CORRESPONDENTE, ENTENDENDO SE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS DESDOBRAMENTOS REGIONAIS (ITENS E SUBITENS) DO MESMO NÍVEL. Outro comando relevante que se extrai da RGC é o que determina que a definição do item correto é obtida a partir do emprego das Regras Gerais de Interpretação do SH (RGI) nº 1 a 5. Pois bem, como é cediço, a RGI nº 1, que tem precedência sobre as demais, está assim redigida: 12 Extrato de DI à fl. 45 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 241 12 OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. (destaquei) Em homenagem a essa regra, partindo da premissa de que o produto em análise é, conforme informações prestadas no processo de consulta, um sistema utilizado para diagnóstico de patologias da mama, bem assim de que não há nota de seção ou capítulo em sentido contrário, forçoso é concluir que o item que corretamente classifica o produto é 9022.14.1, próprio para a classificação de aparelhos empregados em mamografia. Com efeito, o texto da nomenclatura não faz qualquer restrição às tecnologias incorporadas. A classificação dos equipamentos é fixada em razão da finalidade do aparelho. De se esclarecer, finalmente, que, dentre os desdobramentos do item 9022.14.1, o que enquadra o produto em questão é o 9022.14.11, que cita expressamente os produtos destinados a mamografia. Confirase: 9022.14.1 De diagnóstico 9022.14.11 Para mamografia 9022.14.12 Para angiografia 9022.14.13 Para densitometria óssea, computadorizados 9022.14.19 Outros Nessa linha, resta evidente que o subitem que melhor enquadra o produto é o 9022.14.11 3. Multas 3.1 Multa por Ausência de Licença de Importação Sendo certo que não se ventilou, nem no auto de infração nem na decisão de 1ª instância, a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte da importadora, a meu ver, a solução do presente litígio exige que se avalie: 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do 169 do Decretolei nº 37, de 1966 às hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento; e Em nome da clareza, analiso cada um desses aspectos separadamente. 3.1.1 Legalidade da Penalidade e Hipótese da sua Imposição Antes de discutir a aplicabilidade das hipóteses excludentes trazidas pela recorrente, em respeito ao princípio da legalidade, entendo prudente fazer algumas Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 242 13 considerações acerca da legalidade da multa ora debatida que tem como matriz legal o art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas as exigências inerentes ao processo de nacionalização13, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, 13 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 243 14 onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. Penso, entretanto que, para a avaliação da equivalência entre a Guia de Importação e a Licença de Importação, para efeito da aplicação da penalidade em questão, devese ir além desse plano meramente semiótico e buscar, na legislação inerente àquele documento textualmente previsto no art. 526, II do RA de 1985, quais eram os interesses por ele resguardados e, conseqüentemente, avaliar se o documento que o substituiu alcançou esses mesmos interesses. Finalmente, antes de avaliar a correspondência entre a LI e a GI sob o aspecto finalístico, é importante esclarecer que, apesar do nome homônimo, o documento cuja falta foi apontada pela autoridade fiscal não é o mesmo que foi criado pelo Decreto nº 42.914, de 1957: Guia de Importação para fins estatísticos, extinta pelo art. 17314 do Decretolei nº 37, de 1966 que, em seu artigo 169, também instituiu a matriz legal da penalidade em discussão. 3.1.2.Regime de Licenciamento Os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram, ao menos parcialmente, tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que, tanto do ponto de vista conceitual, quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, a meu ver, tornase possível o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/2002 14 Art. 173 Serão reunidas num só documento a atual nota de importação, a guia de importação a que se refere o Decreto nº 42.914, de 27 de dezembro de 1957, e a guia de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 244 15 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Ocorre que, a meu ver, o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 245 16 importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual, relembrese, segundo o art. 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 246 17 a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI15 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, na égide da Portaria Secex nº 21, de 1996 e seguintes, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrassenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. 3.1.3 Classificação Fiscal e Licenciamento Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de que o exclusivo erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Desta feita, se ficar demonstrado erro na indicação da classificação tarifária e o item tarifário apontado como correto estiver sujeito a controle administrativo não previsto 15Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 247 18 para a classificação original (v.g. o código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática), forçosamente, mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento. Conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Pois bem. Analisando a argumentação do Fisco, não se identifica em que dimensão o alegado erro de classificação teria prejudicado o exercício dos controles nãotarifários, o que afasta, a meu ver, a imposição da multa correspondente. De fato, conforme se lê nos extratos de declaração16, as mercadoria foram licenciadas e não se esclarece em que dimensão o erro de classificação prejudicou o exercício dos controles administrativos. 3.1.4 Alcance do ADN nº 12, de 1997 Importa esclarecer, finalmente, que não consigo extrair do ADN nº 12, de 1997 a interpretação que orientou a lavratura do auto de infração litigioso. Vejamse redação do dispositivo: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de Licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado...” A meu ver, a aplicação do ADN 12 tem como antecedente lógico a caracterização da ausência de licença de importação. Ou seja, em primeiro lugar há que se caracterizar a infração para, em seguida, discutirse a tal conduta deixa de ser apenada em razão da exatidão da descrição. Nessa linha, não vejo como pretender, por meio de raciocínio a contrário senso, apenar qualquer hipótese de descrição inexata, ainda que, como se verifica no presente litígio, não se demonstre falha no licenciamento. 3.2 Multa de Ofício de 75% Não vejo como afastar a imposição de multa de 75% sobre o valor dos impostos que deixaram de ser recolhidos em função de erro na indicação da classificação. 16 Fls. 125 e 129. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 248 19 Em primeiro lugar, a multa em questão não reclama a presença de dolo ou máfé para sua imposição. Confirase o texto legal, na versão que vigia quando dos fatos geradores litigiosos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dita infração, portanto, se insere no plano da responsabilidade objetiva, delineada pelo art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, há que se ter em mente que o erro de classificação incide no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 em razão de que representa uma modalidade de “declaração inexata”. Não há espaço, ademais, para aplicar o ADN Cosit nº 10, de 1997, onde se lia: “... não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Com efeito, a descrição levada a efeito na Declaração de Importação omite ponto essencial para a definição da classificação, no caso, a aplicação do equipamento para a realização de mamografia. 3.3 Multa de 1% Consta do Campo Enquadramento Legal do auto de infração 17: “003 Multa de 1% por erro de Classificação Fiscal 17 Trecho à fl. 08. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11817.000157/200316 Acórdão n.º 3102001.649 S3C1T2 Fl. 249 20 Em virtude de classificação incorreta na Nomenclatura Comum Mercosul, aplicase a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, conforme art. 84 da Medida Provisória 215635, sendo de 500,00 reais o valor da multa mínima” De fato, em seguida, existe outro campo “Enquadramento Legal” que menciona dispositivos que não guardariam qualquer relação com as acusações do Fisco. Mas tal erro de capitulação, por si só, não é suficiente para determinar a nulidade da cobrança. Além da citação da capitulação correta, o relatório às fls. 15 a 19 descreve conduta imputada e que, nos termos do art. 84 da MP nº 2.158, acarreta a aplicação da multa de 1%. 4 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar exclusivamente a aplicação da multa de 30%, por falta de licença de importação. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 249DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos Fi- cais, por unanimidade de votos ',dar provimento ao recurso espe ' 1 Sala das Se-- esi e de março de 1983. - AO / i ‘ AMADOR OUT • F 'i NDEZ - PRESIDENTE . ".0 NTO D ir-AVOS c á fON - RELATOR Af I, 44'' LUIZ .4 r' . 1 De ri ,i1 ,'" RA r ' •RAES - PROCURADOR DA FAZENDA ., NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: RAUL PIMENTEL, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, URGEL PEREIRA LOPES, PEDRO MARTINS FERNANDES, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, FRANCISCO AMARAL MANSO v.v _ • e OSWALDO SANT ANNA. ".., . .------4. .. - ' SERVIÇO POBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1030/050.259/8-1-28 RECURSO N9: RP/102-0.084 ACÓRDÃO N9: CSRF/01-0.294 RECORRENTEN9: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: VERDI DE CESARO RELATÓRIO O Dr. Procurador da Fazenda Nacional junto ã 2a. Cã mara do 19 Conselho de Contribuintes recorre para esta Câmara de decisão consubstanciada no Acórdão n9 102-19.078, de 13 de maio de 1982, que deu provimento parcial a recurso voluntário inter- posto por VERDI DE CESARO contra lançamento suplementar relativo ao exercício financeiro de 1980 para "excluir da exigência os ju ros de mora". Justificando a tese acolhida pela maioria dos mem- bros da Câmara recorrida, ressalta o voto vencedor, subscrito pe- lo ilustre conselheiro Dr. Francisco de Assis Praxedes, que o pa- rágrafo 29 do artigo 623 do RIR/80 "e claro ao estabelecer que da revisão sumária, resultando diferença de imposto, a cobrança suplementar e efetuada unicamente com a correção monetária", e que "inocorre na hipótese, mora no pagamento da obrigação, ain_ da que por ficção", "tanto que só na decisão recorrida se impôs a exigência dos juros". No recurso especial, lido em plenário, o erudito Dr. Procurador que o subscreve alega, em síntese: a) que o artigo 623 do RIR/80, ao determinar que a cobrança suplementar e efetua_ da unicamente com a correção monetária não exclui os juros de mora; b) que o artigo 726 do RIR/80, consolidando em seu e o ir5 DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 i • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 1030/050.259/81-28 -2- • Acórdão n9 CSRF/01-0.294 • • • artigo 59 do Decreto-lei n9 1.736/79 determina "a incidência dos • juros de mora, inclusive durante o período em que a respectiva co- brança houver sido suspensa por decisão administrativa judicial"; c) que esta instância especial já deu solução à questão nos acórdãos que menciona. É o relatório. VOTO DO CONSELHEIRO JACINTO DE MEDEIROS CALMON - RELATOR A discussão trazida a esta instância especial se res- tringe, exclusivamente, à exigência de juros de mora. Trata-se, portanto, de matéria amplamente debatida e • decidida por esta Câmara Superior, como bem ressalta o ilustre signa tário do recurso especial. Mencionem-se, entre outros, os Acórdãos CSRF/01-0.155, de 24 de outubro de 1980, e CSRF/01-0.183, de 26 de novembro de 1981, que examinam, meticulosamente, a fundamentação jurídica da exigência de juros de mora. No caso em exame, a solução torna-se mais simples pois a cobrança se refere ao exercício financeiro de 1980, quando em ple- na vigência o Decreto-lei n9 1.736/79, cujo artigo 29 dispõe: "Art. 29 - Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrati va ou judicial, de juros de mora, contados do dia se-1 quinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, e calculado sobre o valor originária." Nem mesmo a suspensão da exigibilidade, por força de impugnação ou recurso, obsta a fluência de tais juros de mora, co- mo determina o artigo 59 do referido Decreto-lei n9 1736. O ilustre relator da decisão recorrida lastreou a ex- clusão dos juros de mora com a remissão ao artigo 623, 29 do RIR/80, que prescreve: "Art. 623 - As declarações de rendimentos esta- rão sujeitas a revisão das repartiOes lançadoras, que exigirão os comprovares --ssários (Decreto-lei n9 5.844/43, art. 74). §19 2 Processo n9 1030/050.259/81-28 -3- SER VIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9 CSRF/01-0.294 § 29 - Enquanto não for instituida a autonitifi cação de lançamento da pessoa física, sempre que dã- revisão sumária da declaração resultar diferença de imposto, decorrente de reclassificação de rendimentos, ou de glosa de deduções e abatimentos incabíveis, a- purada mediante simples conferência dos elementos que a integrem, a cobranp suplementar será efetuada uni- camente com a correçao monetária prevista no parágra- fo 39 do artigo 704, ressalvado o disposto no artigo 676." A leitura atenta deste dispositivo evidencia, entre- tanto, que o legislador apenas dispensou a multa de lançamento de oficio mas manteve a exigência da correção monetária, reconhecendo implicitamente a necessidade de atualizar o credito tributário exigido fora 'da época própria. - Como bem ressalta o ilustre Procurador recorrente, "es se comando legal não excluiu, em hipótese alguma a incidência dos juros, porquanto esse 'ónus encontra disciplina em sede própria, pa- ra onde deve ser remetido o intérprete (artigo 726 do RIR vigente)". Ademais a correção monetária diz respeito a atualiza ção do crédito tributário, enquanto os juros de mora pressupõem o vencimento do crédito tributário, ainda que suspensa a sua exigibi- lidadef circunstãncia de que não cogita, nem poderia cogitar, a nor- ma legal contida no artigo 623 do RIR/80, que se limita a discipli- nar a constituição do crédito tributário na hipótese de revisão su- mária de declaração de que resulte reclassificação de rendimentos, glosa de deduções e abatimentos incabíveis. Merece, pois, reforma a decisão recorrida, ante o disposto nõ artigo 726, §§ 19 e 39 do RIR/80, que consolidam os artigos 39 e 59 do Decreto-lei n9 1.736/79 e ante a jurisprudên- cia desta Cãmara Superior. Voto, pois, pelo provimento do recurso especi 7_ Brasília - DF., 07 de março de 1983. 4,',7 _ (,.. . yi.,- c,i() 1724.1,-,:5 al, -: JNTO DE MEDEIROS CALMON 7 - ATOR. rI" :,,- Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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ACORDÃON°-CSRF/01-0.549 Recumon° - RP/104-0.152 Recorrente - FAZENDA NACIONAL Recorrido - QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JOÃO ADOLPHO MAZZEO IRPF - BASE DE CALCULO - OMISSÃO DE RE CEITA - Quando apurada, na pessoa jurl= dica, através de "Suprimento de Caixa de Origem não Comprovada", "Passivo Fic ticio" e "Saldo Credor de Caixa ,, qual: quer outro tipo de omissão de receita 7 estã sujeita, em sua totalidade, ao im posto incidente sobre o lucro distribui do e auferido pelos sOcios ou titula-E de firma individual, face â disponibili dade econômica que antecede o créditS ou reingresso dos recursos na pessoa ju ridica. Vis-È'os, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, s termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente jlik:;do pIr Sala das )1s Ár âJV(DF) 20 de setembro de A '8 < t /Á!» AMADOR O i 12wwildelitANDEZ - PRESIDENTE ,4411MEMMWIEWII/ ------ der ..., 1~1~1~~- -41 IMENTEL- RELATOR //gi LUIZ FERNANDO( EIA DE MORAES- PROCURADOR DA FAZEN DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguihtes Conselheiros: JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, ANTONIO DA SILVA CA- BRAL, CARLOS ROBERTO MONTEIRO BERTAZI, PEDRO MARTINS FERNANDES, , SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, CARLOS AGOSTI NHO ALÉSSIO OLIVETO. Ausente iustificadamente o Conse- lheiro JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVALHO. • 2 ioiew , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845-002.011/82-11 RECURSO N9: RP /104-0.152 ACORDAON9: CSRF/01-0.549 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: JOÃO ADOLPHO MAZZEO RELATÓRIO O Procurador da Fazenda Nacional junto a 4Q. Cã mara do E. 19 Conselho de Contribuintes, vem a esta Câmara Supe- rior de Recursos Fiscais, com fundamento no artigo 39, inciso I, do Decreto n9 83.304/79, recorrer do Acórdão n9 104-4.776de 08/1,0/84, através do qual foi parcialmente provido o Recurso. Voluntário in- terposto com fulcro no artigo 33 do Decreto n9 70.235/72 pelo con- tribuinte JOÃO ADOLPHO MAZZEO ao ficar estabelecido, por maioria jJ de Votos, que, nos casos de arbitramento de lucros ou na apuração' de omissão de receita na pessoa jurídica, que cause a tributação reflexa nos sócios ou no titular de empresa individual, soba Cédu la "f" de suas declarações de rendimentos, o montante tributável se rã a diferença encontrada entre o lucro então atribuído à pessoa jurídica e a incidência do tributo por ela suportada. Sem fazer distinção entre lucro arbitrado ou da parcela tida por receita omitida na pessoa jurídica, o Aresto sob exame está assim ementado: "CÉDULA "F" - RENDIMENTOS - LUCRO - TRI- BUTAÇÃO REFLEXA - A legislação fiscal de regência considera distribuído ao(s) só- cio(s) da pessoa jurídica ou ao titular' da empresa individual o lucro que lhe for imputado em processo regular. Tratan do-se, contudo, de quantia cuja dis buição à pessoa física seja apena74es DMF - DF/19C-f e graf -160'0 . . , . SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845-002.011/82-11 3 Acórdão n9 CSRF/01-0.549 mida, o montante a ser incluído na Cédu- la "F" será a diferença entre o lucro da pessoa jurídica e a parcela corresponden te ao valor do imposto de renda exigido' no processo matriz." É lida em Plenário a peça recursal, que se se- gue às fls. 104/107. O Recurso Especial foi admitido pelo Ilustre Pre sidente da Câmara Recorrida, por despacho e fls 108, não tendo o sujeito passivo apresentado contra-razõesk . .._ É o relatório. Jr) , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0845-002.011/82-11 4 Acórdãq_n9 CSRF/01-0.549 VOTO - - - - Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: Ao ser reconhecida, no aresto recorrido, a pos- sibilidade de o sócio da pessoa jurídica que sofreu o lançamento ex officio ver-se tributado reflexivamente pela diferença encontrada entre a receita sonegada pela empresa e o imposto por ela suportado no lançamento, como sendo esse o lucro presumidamente distribuído a seus sócios, pretendeu a E. 4 Câmara estender aos casos de omissão de receita, a jurisprudência recentemente firmada por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais para os casos em que, por inexistência ou desclassificação da escrita a pessoa jurídica tem seu lucro arbi trado. A impossibilidade de ser aplicado o mesmo trata mento tributário às duas espécies de distribuição de lucros já foi exaustivamente examinada por esta Câmara, ao ensejo do julgamento' do Recurso n9 RP/104-0.082, como faz certo o Acórdão CSRF/01-0.284, baseado no magnífico voto do Eminente Conselheiro, Presidente .deste Colegiado, Dr. AMADOR OUTERELO FERNANDEZ, cujos fundamentos adoto como razão de decidir, como se aqui transcrito fora, solicitando à Secretaria a sua juntada aos autos. Por essas raz:- dou provimento ao Recuso onsweinffier,- _ - Ri. .kTEL - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.006934/84-11
Data da sessão: Fri May 09 00:00:00 UTC 1986
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: II ´NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA - ALTERAÇÃO DE ALìQUOTAS POR RESOLUÇÃO DA C.P.A. - Se em caráter geral não pode ser considerado benefício governamental, sendo inaplicável à espécie o disposto no art. 29 do D.L. nº 666/69
Numero da decisão: CSRF/03-01.318
Decisão: ACORDAM os Membros da amara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento.ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente jul gado. Vencidos os Conselheiros Hélio Loyolla de Alencastro (Relator) e Jose Façanha Mamede. Designdo Relator para o acórdão o Conselheiro Amador Outerelo Fernandez.
Nome do relator: Helio Loyolla de Alencastro
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ACORDÃO N.° —CW1E102-01.318 Recurso n.° — RP/301-0.103 Recorrente - FAZENDA NACIONAL • Recorrid - PRIMEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: HENKEL S.A. INDOSTRIAS QUIMICAS - NAVIO DE BANDEIRA BRASILEIRA - ALTERAÇÃO DE ALIQUOTAS POR RESOLU ÇÃO DA C.P.A. - Se em caráter geral • não pode ser considerado benefício • governamental, sendo inaplicável ã espécie o disposto no art. 29 do D.L. n9 666/69. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto Pela, FAZENDA NACIONAL. • ACORDAM os Membros da amara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento.ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente jul gado. Vencidos ' os Conselheiros Hélio Loyolla de Alencastro (Rela- tor) e Jose Façanha Mamede. Design o Relator para o acórdão o Con- selheiro Amador Outerelo Fernánd- Sala das '-ds...74,9 , em 09 de maio de 1986 PÁ • 2, // / AMADOR 0 ' 1, 'R DEZ - PRESIDENTE E RELA TOR DESIGNADO tf/ LUIZ FEB,. he • IV IRA DE MORAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do pr sente julgamento, os seguintes Conselhei ros: WILFRIDO AUGUSTO -MARQUEST -HAMILTON -DE-SA-DANTAS, EDWALDO REI DA SILVA, PAULO CÉSAR DE AVILA E SILVA E SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • 11.by PROCESSO N2 0845-006.934/84-11 SERVIÇO FLUO FEDERAL RECURSO N 2 RP/30I-0.103 1%;. RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Jyr.";'..41 RECORRIDA : PRIMEIRA CAMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: HENKEL S.A. • INDÚSTRIAS QUIMICAS RELATÓRIO Pelo acOrdão •n 2 301.25.139/85 (fls. 52/56),a eg. Câmara recorrida deu provimento, por maioria de votos, ao recurso HENKEL S.A. - INDÚSTRIAS QUIMICAS, para fins de -- tendo por inaplicavel a exigencia do transporte obrigatorio em navios de bandeira brasileira, nos termos do art. 2 2 do Dl. n2 666/69, de mercadorias importadas sob o regime tributário de reduçâo de im- posto de importação, conseqBente de Res. da CPA e pela qual foi instituldo um "ex" para o produto l da posição 34.04.01.99 — ex- , aluir a responsabilidade da recorrente de pagar o credito constan- te do A.I. de fls. 1 e lv., a saber, diferença do I.I. e do I.P.I., acrescimos legais e multa do inc. II, art. 364, do Dec. 87.981/82. O acordo recorrido esta assim ementado: "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. A alteração • do imposto de importação incidente sobre produto consistente na redu- e çao de aliquota, de carater geral, . . e ." no e considerada beneficio fiscal. Inaplicabilidade ao caso do art. 2g do Decreto-Lei n2 666/69. Recurso • provido. Com guardo do prazo, a Fazenda Nacional,polo dou • to Procurador-Representante junto à Câmara referida, recorre da decisão em causa, pedindo a reforma do atesto, e decorrente manu- tença.° do julgado de 12 instância. ' O sujeito passivo ofereceu contra-razoes tempes- tivas (fls. 63/72), questionando, em resumo, o seguinte: I - que recolheu os impostos de acordo com as vigentes aliquotas da TAS e da TIPI para o produto importado (ál- cool graxa de sebo); II - que as reduçSes de aliquota decorrentes de resoluçSes da CPA tem carater geral, não se constituindo em bone- _____facio_f_iscalre l: porkantul -inapLicave-1,-na-h i ro l-ese o m exornar-e-o- art. 22 do Dl. 666/69, escudando-se, inclusive, em justificativa (41n? S/4. , 1 SM% ti SERVIÇO ~CO FEDERAL PROCESSO N9 0045 -006.934/04 Acerdão n 9 -CSRF/03 -01.318 ri 1 de voto do Conselheiro Helvio Escovado Barcellos e tece srtdO-sci.' iti- cas aos votos vencidos dos ilustres Conselheiros Jose Façanha Ma- medo e João Holanda Costa; i III que o Dl. 666/69 não e auto -aplicevel nem estatui penalidade pela inobservância do transporte dos bens em navio de bandeira brasileira; IV - que a legislação isentiva, total ou par-. cial, interpreta-se literalmente, não comportando, assim, inter-. proteção extrensiva ou restrita; V - que a revisão do lançamento não tem res- paldo legal. Por fim, pede a manutenç3o do aresta recorrido. É o relatOrio, • • • • SERVIÇO PÚBLICO FEDEM PROCESSO N9 10845/006.934/84-11 st. Acórdão n9-CSRF/03-01.318 ÇO. i4 V O T_ ÇA1 Conselheiro AMADOR OUTERELO FERNANDEZ, Presidente, designado Re lator para o Acórdão — Discute-se nos presentes autos, se nos casos em que a Comissão de Política Aduaneira, no exercício da atribui- ção que lhe foi conferida pelo art. 29 do Decrete-lei n9 1.364, de 28/11/74, prorrogado pelo Decreto-lei n9 1.977, de 20/12/82, e na forma do art. 79 do Decreto-lei n9 63, de 21/11/66, alte- rar para menos, isto é, reduzir temporariamente, em caráter ge- ral, as alíquotas estabelecidas na TAS, estará ou não o importa dor obrigado a contratar o transporte da mercadoria em navio de bandeira brasileira, em face do que estabelece o art. 29 e 69 do Decreto-lei n9666, de 2/7/69,'com alteração do Decreto- -lei n9 687, de 18/7/69. " Preliminarmente, 6 de observar-se que o ato da Comissão de Política Aduaneira que altera temporariamente as a- li:quotas da TAS por delegação de lei, embora condicionado é um ato administrativo coM força de lei, sendo a delegação justifi- cada pelas peculiaridades e objetivos dos tributos que incidem sobre o comércio exterior, quais sejam a necessidade de constan tes alterações e a proteção à indústria nacional. Em principio, a alteração tarifária poderá ser: a) para mais, quando vise, por qualquer razão proteger o produ- to nacional da concorrência (desleal ou não) do estrangeiro; b) para menos (redução das alíquotas) (b-1), em caráter . geral, quando a indústria nacional não consiga, por qualquer motivo, suprir adequadamente o mercado; (b-2), em caráter particular quando o Estado julgue conveniente socorrer determinada indús- tria, concedendo-lhe favores fiscais -- reduções de caráter sub jetivo -- em a,pynção ao caso particular da beneficiária da redu ção tarifária SERVIÇO PUDIM rEDERAI. PROCEgS0 N9 10845/006.934/84-11 \1/4„,,,. ‘4. • Acórdão n9-CSRF/03-01.318 SI. • Dito isto, vejamos o que dispõem os di2P2S -i'U-. vos em comento, ipsis litteris: • "Art. 29 - Será feito, obrigatoria mente, em navios de bandeira bra= • sileira, respeitado o princípio da reciprocidade, o transporte de . mercadorias importadas ... com quaisquer favores governamentais, ..." (grifos da transcrição) "Art. 69- Entendem-se por favores •• governamentais os benefícios de • • ordem fiscal, cambial ou financei ra concedidos pelo Governo Fe= deral." Ora, sendo certo que O ônus estabelecido no art. 29 (e dizemos o ônus porque se foese benefício dele não • cogitaria o legislador em forma impositiva) tem como contra- •partida CI favor governamental, isto é, o beneficio de ordem • • fiscal, cambial ou financeiro, cumulativos ou não, concedidos pelo Governo Federal, é evidente que somente-dele se poderá cogitar quando a Comissão de Política Aduaneira reduzir as . aliquotas para determinada (s) importação (Oes)efetuadd(s)por importadora (s) deVidamente individualizada (s),à qual ou aos quais é concedido o favor governamental. . , Quando a Comissão de Política Aduaneira no in- • teresse da política de controle indireto de preços minora a aliquotadé determinada subposição ou item em caráter geral,ou seja quando voltada para a política do mercado, não se pode• cogitar de tratar-se de favor governamental, eis que inexiste favor concedido em caráter geral, :se. . isto ocorre, o inte- ressado maior, na realidade, é o próprio Estado e não o desti natário da norma. O ato foi baixado para fazer face à conver- gência da conveniência e oportunidade do principal beneficiá- rio, que é o Poder Público. que se possa cogitar de favor governamen- tal,mister se fará que simultaneamente possam ser realizada • 37"" libe\ •SERVIÇO PÚDLICO FEDERAL PROCESSO N9 10845/006.934/84-11% 4,. . 'S Acórdão n9-CSRF/03-01.318 • W r , importações: umas ao abrigo do favor e outras não, ou seja, é' necessário que, paralelamente, subsistam dois regimes. No ca- soaa existência de duas alíquotas: uma para quem embarcasse a • mercadoria em navio de bandeira nacional e outra para o que não atendesse àquela condição, o que na hipótese inocorre. Também os seguintes fatos são prova materialin • discutível do que afirmamos: 19) Tendo em vista que a redução não foi concedida em caráter individual, mas em caráter geral sendo uma só a ali:quota vigorante para o produto na TAB na da ta do registro da DI teria de sor .e foi ela aplicada; 29) Tam •1)6'y/bando da expedição da Guia de Importação e, respectivo aditivo, não foi nelas indicada a obrigatoriedade de o trans porte fazer-se em navio de bandeira brasileira, como reza o if Comunicado Cacex n9 07, em seu item 116) . 39) Se quando hou- iy ver alteração da alíquota para mais, em caráter geral, não se pode falar em penalização do importador, assim também não se' • pode cogitar em favorecimento com a redução em iguais condi- ções e, finalmente; 49) Se de favor governamental se tratasse, quando concedido, se o destinatário atendesse às condições int postas pela lei (no caso o transporte em navio de bandeira bra sileira) ele não poderia ser revogado, todavia, no caso dos autos, como não se tratava de favor fiscal, mesmo que a merca _ dona houvesse sido transportada anr navio.de bandeira brasi--: • leira, se a C.P.A. tivesse baixado resolução com vigência an- terior ao embarque da mercadoria no exterior mas, antes de a • mercadoria aqui aportar, resolvesse revogã-la, o • importador / nada poderia questionar, devendo pagar o tributo pela alíquo- . .ta vigente na data do registro da D.I. Com estas considerações, concluo por divergir • do voto do Relator do Recurso e, em conseqüência, nego provi- mento ao recurso especialvti-ntado-pela Fazenda Nacional. • AMADOR OUTER RNANDEZ - Presidente e Rela- tor designa.. para redigir o Acórdão
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T22:46:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T22:46:20Z; Last-Modified: 2009-07-06T22:46:21Z; dcterms:modified: 2009-07-06T22:46:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T22:46:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T22:46:21Z; meta:save-date: 2009-07-06T22:46:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T22:46:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T22:46:20Z; created: 2009-07-06T22:46:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2009-07-06T22:46:20Z; pdf:charsPerPage: 1196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T22:46:20Z | Conteúdo => PROCESSO N9 0814/057.031/77 4I‘=à lWW ;killk~ MINISTÉRIO DA FAZENDA WEF Sessão de 03 fevereiro de 19 81 ACORDÃONc-CSRF/03-0.190 Recurson° RP/302-0.130 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: COMPANHIA NACIONAL DE ARMAZÉNS GERAIS ALFANDEGADOS Falta de mercadoria estrangeira consta tada em conferência física para entre pastagem - Volumes entregues à deposit-g ria cintados e sinetados, encontrado-s- nas mesmas condiçOes em ato de Vistoria Aduaneira, sem indicio de violação. Não se mantém a exigência de I.I. e multa do art. 106, II, "d", do DL n9 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso espe- cial. Vendi os os Conselheiros, PAULO DE ALMEIDA e AMADOR OUTERELO FERNANDE (117) Lik sn»Sala das SOSs, ip e -ii (DF), em 03 de fevereiro de 1981 1 -7: //,/ ,, , / AMADOR O "-04/ ARN.4 1 DEZ PRESIDENTE 1 . o' ENILA LEIr p. f rREITAS , /iG'S RELATORAií wo, / - n c„, ADHEMILSON EAS aS DEIC , RV Á LHO PROCURADOR DA FA J i / ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julg.meito, os seguintes Conselhei v.v. ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, RANDOL FO HENRIQUE DE SOUZA NETO, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RO DRIGUES CABRAL. , sii.• '9I lhãO SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0814/057.031/77 RECURSO N.° : RP/302-0.130 ACÓRDÃO N.°: CSRF/03-0.190 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrido: SEGUNDA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: COMPANHIA NACIONAL DE ARMAZÉNS GERAIS ALFANDEUEOS RELATÓRIO Recorre o Procurador da Fazenda Nacional junto à Segunda Câmara do 39 Conselho de Contribuintes de decisão que deu provimento ao recurso voluntário n9 94.130, interposto por COMPANHIA NACIONAL DE ARMAZÉNS GERAIS ALFANDEGADOS. O acórdão n9 24.757, de 28/02/80, teve a seguinte ementa: "Entreposto aduaneiro de importação: responsabi lidade por falta ou extravio de mercadoria e-s- trangeira. Diferença de peso para menos em volU mes que, antes da admissão, e conforme consigna dos em Termo de Vistoria, se apresentavam inta-5 tos, ou seja, sem qualquer vestígio de avaria. Evidenciado que a diminuição de peso e conse quente falta de mercadoria preexistia à entrada dos volumes no entreposto, descaracteriza-se a responsabilidade imputada a este, desobrigado que fica das providências estabelecidas pelos arts. 59 e 69 do Decreto n9 63.431/68, que regulamen ta a vistoria de mercadoria estrangeira." Em síntese, trata-se de falta de mercadoria a ser admitida nos armazéns da depositária sob o regime de entre — — posto aduaneiro. Leio de inteiro teor o relatório e votos do jul gado. n i 4Ç-'(7 O recurso especial ora sob exame fundamenta-s '- , ) DM F - RJ/1.° C - C - Secgraf - , 2. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0814/057.031/77 Aceirdão n9-CSRF/03-0.190 no único voto vencido, do ilustre Conselheiro Salvio Medeiros . Costa. Interpretanto os vários itens da Portaria SRF n9 1.038/69, que regulamenta a remoção de mercadoria da Zona Primária para os armazéns habilitados a entrepostar, entende que os volumes apre sentavam significativa diferença de peso. Esta irregularidade de _ veria ter sido apontada pela depositária, com o fin de ressalvar sua responsabilidade. É no mesmo sentido o Parecer do Sr. Procurador do Contencioso Administrativo, que se reporta à decisão da ins tância"a quo", solicitando seu restabelecimento. Leio de inteiro teor as peças citadas, assim co mo as razOes recursórias dirigidas pelo sujeito passivo à Segun da Câmara do 39 Conselho de Contribuintes. É o relatOrio. VOTO_. .... Conselheira ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, Relatora: Discute-se a responsabilidade da COMPANHIA NA CIONAL DE ARMAZÉNS GERAIS ALFANDEGADOS por I.I. e multa decorren _ tes da falta de mercadoria estrangeira recebida para entreposta gem. Entende o douto recorrente que os volumes apre sentavam diferença de peso que deveria ter sido acusada pela de positária. A época, regia a matéria a Portaria SRF n9 1.038/69, fundamento do voto vencido que embasou o recurso especial. O ato especifica as condiçOes em que a depositária recebe a mercado ria. Reproduzo, "in verbis", o item III: "III- Havendo expressa solicitação do importa dor, no corpo da 'Declaração de Importação' o711- à parte, para que a conferência seja feita em seu deposito, na zona secundária, e desde que o peso bruto, quantidade e as caracteristicas ex- ternas (marca, números, espécie) dos volumes e k " , .. 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0814/057.031/77 Acórdão n9-CSRF/03-0.190 tejam conformes com os documentos instrutivos do despacho (conhecimento de carga, Fatura co mercial e cópia da licença ou guia de importa ção) o Agente Fiscal a quem for distribuída -a- "Declaração" dará saída aos volumes, fazendo dis so registro na mesma e na Guia de Remoção, emE duas vias, cujo modelo acha-se anexo à presen te Portaria." (grifo nosso). Conforme se depreende do texto citado, no momen to da remoção da mercadoria da zona primária para a secundária se verifica o recebimento pela depositária, que passa a ser respon sável por sua boa guarda. Entretanto, é a fiscalização que exami na os volumes, em todos os seus aspectos exteriores, e, conside rando-os íntegros, procede à sua cintagem e sinetagem, além de outras cautelas fiscais que julgar necessárias (item V da mesma Portaria). Foi o que ocorreu no caso "sub judice", em que houve a entrega dos volumes à depositária, que os transportou para seu armazém. Dias depois, ao proceder a conferencia física da merca dona, constatou a fiscalização falta de mercadoria e espaço in terno vazio nos volumes. O exame do Termo de Vistoria Aduaneira revela que os volumes não haviam sido violados, nem apresentavam sinais externos de qualquer irregularidade. Nessas condiçOes, e forçoso concluir que entre o momento da remoção dos volumes da zona primária, quando a depo sitária assumiu a responsabilidade por sua guarda, e o momento da conferência física da mercadoria, quando foi constatada a fal ta, os volumes não foram abertos. Trata-se de presunção que não e desmentida por qualquer elemento dos autos, concluindo-se que a concessionária do armazém manteve a carga em boa guarda. Diante desse fato, não se sustenta a tese levan tada pela Proc .., dor da Fazenda Nacional. Nego provimento ao re curso especia , Brasília - DF., em 03 de fevereiro de 1981 ENILA LEITE DE FITAS CHAGAS - RELATORA. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.031/77 4, RP/302-0.130 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO PAULO DE ALMEIDA Concordo integralmente com o voto vencido de fls. 57/59. Ademais, inaceitável qualquer argumentação sobre estar ou não o depositário obrigado a pesar os volumes, na ausen_ cia de avaria visível, ao receber os volumes. Legalmente obriga do ou não, tem de o fazer, deve faze-10 e e de seu interesse as_ sim proceder, pois como fiel depositário, responsável pela inte_ gridade do que receber, incumbe-lhe assegurar-se dela no momento de assumir essa responsabilidade, verificando a exata correspon dencia de todos os dados que identifiquem e caracterizem o depósi_ to recebido. Tentar transferir para o Agente do Fisco que ofi- ciou na operação de remoção a res ponsabilidade por omissão que ca be, cumpre e interessa a outrem evitar, e, alem de legalmente de samparado e, portanto, inócuo, simplesmente abusivo. A intervenção do funcionário fiscal na referida operação visa, é evidente, ao resguardo dos interesses tributários que representa. No caso, não havendo razOes que o exigissem, pois os volumes apresentavam-se intactos, não pesou os volumes, nem ha_ via por que o fazer. Mas o depositário não estava adstrito a esse de_ sinteresse fiscal por maiores cautelas que as julgadas necessárias na ocasião, pois a natureza de sua responsabilidade, naquela qua lidade, impae-lhe providencias minuciosas e precisas. Ora! A pesagem de volumes é cautela elementar de controle de sua identidade, em qualquer operação que os envolva, mormente no recebimento para transporte ou depósito, sendo injus tificável sua omissão por parte de quem por eles responde. No caso do processo, especialmente, a diferença ,- de peso e tão grande, em relação ao manifestado, que dificilmente deixaria de s rnotada, se efetivamente existente, antes da entra da no depOsi 71-)-,'- N 1 , k \ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.031/77 5. RP/302-0.130 Mas mesmo que ocorrente, tal circunstância não exclui a responsabilidade do depositário desatento às providen cias correntes, usuais e obrigatórias para ele, não no sentido de imposição legal, mas de necessidade imprescindível para o res guardo daquela. Omisso, responde..> Dou, pois, provimento ao recurso especial. 1Rrasilia, DF,-3—dê fevereiro de 1981 PAItO 15É-ALMEr/DA SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.031/77 6. RP/302-0.130 DECLARAÇÃO DE VOTO DO CONSELHEIRO EDWALDO REIS DA SILVA Pela Declaração de Importação n9 00197/77, de fls. 1/5, a firma CHAMCO - Imp. e Com. Ltda., estabelecida na Capital de São Paulo, submeteu a despacho de admissão em regi me de "entreposto aduaneiro", 28 caixas de "rolamentos de ro los esféricos, marca DKF, sem similar nacional", sendo 2.000 ref. 1205, 2.000 ref. 1205K, 3.000 ref. 1206 e 3.000 ref. 1206K, vindas pelo navio "Cap San Lorenzo", de bandeira alemã, entra do no porto de Santos a 19.01.77, volumes esses que, segundo o documento de fls. 7, pesavam 2.144 kg brutos e 1.866 kg líqui dos. A Guia de Remoção (f is. 11) atesta a chegada das 28 caixas ao depOsito da Companhia Nacional de Armazéns Ge_ rais Alfandegados, conforme recibo passado por seu preposto e "visto" de F.T.F. da Inspetoria de Congonhas (SP), ambos data_ dos de 18 de fevereiro de 1977. No dia 19 de março seguinte, o F.T.F. encarre_ gado da conferencia solicita, às fls. 12, a realização de "vis tona oficial", por ter verificado "a existência de falta de mercadoria". A vistoria foi efetivada em 29.03.77, conforme "termo" de fls. 14/16, do qual consta o seguinte: Indícios externos de violação - Não hã; Cintamento ou Sinetagem - Sim; Termo de avaria - Inexiste; Sinais externos de avaria - Não; Adequação da embalagem - Sim; Causas da avaria ou extravio - outras; Volumes com extravio - 12 caixas, com peso manifestado de 1002 kg e na visto_ ria 521 kg; Responsabilidade pelo extravio - O depositãrio. Consta, ainda, do mesmo Termo de Vistoria, cam po 16, em "Obse j açOes", o seguinte esclarecimento da Comissão , de Vistoria:E- diN c . ///2 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.031/77 3. RP/302-0.130 "Os volumes se encontravam intactos, sem qual quer vestígio de avaria. Entretanto, havia uma dif rença de peso de 481,000 kg entre o declarado no Conhecimento de Carga e o encontrado nos volumes, havendo espaço nas caixas para se colocar qualquer outra mercadoria". Na mesma data (29.03.77), a F.T.F. relatora da Comissão de Vistoria lavrou o Auto de Infração de fls. 17, con tra a importadora, auto esse posteriormente cancelado por des pacho do Inspetor (fls. 20-V), por ter sido lavrado com "erro" de sujeito passivo (v. fls. 20). Assim, novo Auto de Infração foi lavrado (f is. 19), já agora contra a depositária - Cia. Nac. de Arms. Gerais Alfandegados, para dela exigir o Imposto de Importação e o Im posto sobre Produtos Industrializados, além da multa prevista no art. 106, inciso II, alínea "d", do Decreto-lei n9 37/66 - "pelo extravio ou falta de mercadoria, inclusive apurado em ato de vistoria aduaneira". A exigência foi tempestivamente impugnada ás fls. 24/27 e a ação fiscal julgada parcialmente procedente, pa ra dela excluir-se o valor referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Ora, conforme se vê da Guia n9 0611, de fls.11, a remoção dos volumes, do porto de Santos para o aeroporto de Congonhas, em SP, se processou nos termos da Portaria no 1.038/69 e I.N. n9 37/70, ambas do Secretário da Receita Fede ral. Para não mencionar outras exigências contidas na aludida Portaria n9 1.038, importa transcrever seu inciso V, "verbis": "V - Na remoção serão observadas as seguintes cautelas: a) cintagem e sinetagem dos volumes; h) outras julgadas necessárias pela autoridade fiscal do portO de descarga" (os grifos são nossos). Verifica-se mais dos autos que a entrega das caixas no armazém da depositária foi acompanhada por Fiscal de Tribu — ) tos Federais, por sinal a própria relatora da Comissão de Vis 40 f SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.031/77 8. RP/302-0.130 tona, cujo termo atesta, como vimos antes, não haver sinais de violação, não haver sinais externos de avaria, existência de cintamento e sinetagem, e, ainda: "Os volumes se encontra-- vam intactos, sem qualquer vestígio de avaria" (f is. 14/17). A conclusão lógica a tirar do processo é a da não responsabilidade da depositária pelas faltas apuradas. Então, de quem a responsabilidade pela indenização do prejuízo sofri do pela Fazenda? A nosso ver, o primeiro auto de infração la vrado estava com endereço certo, face ao disposto no art. 95, item IV, do Decreto-lei n9 37/66. Todavia, disp6e ainda o Or gão aduaneiro local de tempo para agir, já que está ainda lon ge o termino do prazo de caducidade do direito da Fazenda Naci onal, 4- constituir o credito tributário em causa (art. 173 do CTN). fl //Isto posto, nego provimento ao Recurso Especial. Brasília, DF, em 03 de fevereiro de 1981 WATJDO REIS ' DA '',ILVA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re_ curso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial, no termps do relatório e voto/lque passam a integrar o presente julga degp '14 li Sala das Ors=;e1- 12 de dezembro de 1985 - AMADOR O i ` ' • F'RNÁNDEZ - PRESIDENTE . í , à1/ 1 roiY à/ ol!,; — RELATOR \ , LUIZ FERNANDO OI.,/,Ád,.: DE (áRAES- PROCURADOR DA FAZENDA 0 NACIONAL v.v Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Consèlhei ros: RAUL PIMENTEL, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, URGEL PEREIRA LO- PES, LUIZ MIRANDA, ANTONIO DA SILVA CABRAL,CARLOS RDBERTOMONTEIROBERTA ZI, PEDRO MARTINS FERNANDES, JOSÉ AUGUSTO SALLES DE CARVALHO, CAR- LOS AGOSTINHO ALÊSSIO OLIVETO, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. -ti , Xil?,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0768/053.788/80 RECURSO N9: RD/104-0.219 ACÓRDÃON9: CSRF/01-0.597 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: JOSÉ FERNANDES RIBEIRO I , IRELATÓRIO I O Procurador da Fazenda Nacional junto ã “ Câmara 1 do 19 Conselho de Contribuintes recorre para esta Câmara Superior ' de decisão consubstanciada no Acórdão n9 104-3.992, de 16 de setem_ bro de 1983, que, por unanimidade de votos deu provimento ao re- curso voluntário interposto por José Fernandes Ribeiro, restabele- cendo, em consequência, a redução de imposto, no valor de Cr$... 180.000 do total de Cr$194.125, pleiteada na declaração de rendi- mentos do exercício financeiro de 1980, ano base de 1979, corres- I1 1 pondente à subscrição e integralização de 400.000 ações de RACHID ABDALLA S.A., e glosada pela repartição fiscal por ter sido suspen so o registro da respectiva emissão pela Comissão de Valores Mobi_ liários. I 1 1 O Acórdão recorrido restabeleceu a aludida glosa com i 1 a seguinte justificativa: "Através da documentação de fls. 33/36, ou seja através da Portaria/CVM/SGE/n9 15, de 03.12.79, ane- xada pela própria Repartição Fiscal, a CVM esclarece que as 25.000.000 (das quais fazem parte as 400.000 adquiridas pelo recorrente) ações emitidas pela Ra- chid Abdalla foram registradas em 11.06.79, conforme RegistroC~P/GERMEM/79/002. Aliás essa informação é também ratificada pelo expediente SEP/GER/REM-79/023. de 11.06.79 (f is. 62), motivo pelo qual esse número de registro co I a no Boletim de subscrição de ações de fls. 05. /A ... DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/053.788/80 3. Acórdão n9 CSRF/01-0.597 Como se evidencia, o recorrente fez investi mento em ação que estava registrada na CVM, ou se_ ja: a) data do registro de emissão 11.06.79 (fls.35 e 62);b)data do investimento 13.x1.79 (fie. 5 e 64); i c) data da suspensão: 03.12.79 (fls. 33). Estou em pleno ac8rdo com o recorrente quan do declara "que a Portaria da suspensão ou cassa ção do registro tem efeito "ex-nunc". Não poderia.- alcançar, até por proibição constitucional, o di- reito adquirido do investidor". Face ao exposto, tendo o recorrente compro- vado que, no exercício de 1980, ano base de 1979, preencheu os requisitos do art. 82, I do RIR/75 (art. 82, IV do RIR/80) para subscrever ações da empresa Rachid Abdalla S/A, sediada na área da SUDENE, dou provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida." O recurso especial, alicerçado no artigo 39, inciso II, do Decreto n9 83.304, de 28.03.1979, argúi divergência de julgado da 2Q-. Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, expresso no Acórdão n9 102-18.237, de 01 de junho de 1981, cuja ementa, anexada a fls. 130, tem a seguinte redação: "REDUÇÃO DE IMPOSTO POR INVESTIMENTO - ' A efetiva aplicação, sob rigorosa observância da lei, em investimentos declaradamente do interesse do Governo incentivar é o pressuposto essencial ao gozo do benefício. A declaração oficial de situa ção irregular,emanada de autoridade competente 1- no caso a CVM - em relação à beneficiária da apli cação, tem efeito ex tune, por "culpa aquiliana" do contribuinte na redução do tributo." O recurso especial ressalta em síntese: a) que,con soante o voto que fundamentou a decisão recorrida, a Portariada CVM que suspendeu a distribuição de ações da empresa RACHID AB- DALLA S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO tem efeito "ex-nunc" e não pode_ ria alcançar o direito adquirido do investidor; b) que o julga- mento da 2Q- Câmara do 19 Conselho de Contribuintes, trazido à - colacão, firma-se em que a declaração oficial da situação irre- gular da emissão,emanalda da CVM, tem efeito "ex tune por culpa aquiliana do contribuinte; c) que realmente o ato da CVM téraLep 4 e/d-1 r., J i 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/053.788/80 Acórdão n9 CSRF/01-0.597 efeito meramente declaratório, e não constitutivo, exprimindo uma situação irregular já existente em um tempo anterior e que foi objeto de apuração; d) que a culpa aquiliana do contribuinte afio ra principalmente na escolha da corretora intermediária, de pou- ca ou nenhuma idoneidade, sem contrato registrado na CVM (fls. 5,68 e 99), e que não teria efetivado o seu investimento (f is. 112/113 e 117); e) que ao processo está referto de informaçõesso bre irregularidades praticadas pela empresa, das quais enumera algumas. De fls. 131 a 133 o ilustre Presidente da Câmara recorrida, reconheceu a ocorrência de dissídio jurisprudêncial, dando seguimento ao Recurso Especial. De fls. 136 a 138, o sujeito passivo of- eceu con- tra-razões sustentando o acerto da decisão recorrida dl É o relatório. ,4), SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/053,788/80 5. Acórdão n9 CSRF/01-0.597 • VOTO DO CONSELHEIRO 'JACINTO DE 'MEDEIROS CALMON - "RELATOR: O Acórdão recorrido colide frontalmente como AcOr • dão paradigma em dois sentidos: primeiramente, quanto á afirma- ção deste último de que o pressuposto essencial ao gozo do be- neficio da redução é a "efetiva aplicação, sob rigorosa obser- vância da lei, em investimentos declaradamente de interesse do Governo incentivar", e, em segundo lugar, quanto ã assertiva feita na ementa desse Acórdão parâmetro de que "a declaração ofi cial da situação irregular, emanada de autoridade competente - no caso a CVM - em relação á beneficiário da aplicação, tem efei to ex tune por-"culpa aquiliana" do contribuinte na redução in- devida do tributo. Na verdade, a indagação prioritária em processos fiscais que envolvem redução de imposto por investimento há de ser sempre a da ocorrência de efetiva aplicação na aquisição de ações, circunstância aliás que a ementa do Acórdão rec=rido,con • traditoriamente, põe em destaque ao enunciar que admissivel a redução do imposto correspondente ao valor aplicado em ações". • Mas se a ementa do Acórdão recorrido parte de tal premissa para aferir a legalidade da redução, a justificativa da decisão fez tabula rasa das provas e fatos que evidenciam á sa- ciedade que o suposto investimento do sujeito passivo jamais se concretizou como tal, pois não ingressou na empresa como subs- crição de capital, não se configurando, portanto, a participa- ção acionária, condição sine qua 'non da redução permitida pela lei. De fato, esclarece expressamente, a fls. 117, a empresa RACHID ABDALLA S.A. Indústria e Comercio, suposta bene ficiária do investimento que originou a redução pleiteada atra- vês de carta subscrita pelo seu Diretor Comercial, ALBERTO AB- DALLA, dirigida ao Chefe da Fiscalização da Delegacia da Recei ta Federal em S. Luiz: "Respondendo a V.Sa. a solicitação contida em vosso oficio n9 006/83-DT de 17.05.83, cumpre-nos informar: • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/053.788/80 6. Acórdão n9 CSRF/01-0.597 1 - Que o Sr. José Fernandes Ribeiro, não é acionista de nossa empresa, visto que a Corretora Araguaia, não nos enviou a documentação de compra de ações; 2 - Não aos enviou a importância correspon- dente ao investimento alegado Pelo supra citado Sr. José Fernandes Ribeiro; 3 - Que os recibos passados em documentos a nós apresentados não foram assinados por nenhum de nossos diretores e nem por procurador; 4 - Não reconhecemos as assinaturas apostas sobre carimbos em boletins de subscrição e em cer tificado de indisponibilidade. Por tudo isso, consideramos que não houve o investimento em nossa empresa, alegado pelo Sr. José Fernandes Ribeiro." Por outro lado, a CENTRO-OESTE ADMUSTRADORAEASSES SORAYENTO DE EMPRESAS LTDA, na qualidade de sucessora da CORRETO RA ARAGUAIA DE TITULOS MOBILIÁRIOS LTDA., suposta captadora do investimento do sujeito passivo, em carta a fls. 112, dirigida ao Delegado da Receita Federal no Distrito Federal, não reconhe ceu, como de seu titular, ou de qualquer preposto seu, a rubri- ca aposta no "boletim de subscrição, nem a assinatura aposta sobre a expressão "agente autorizado", no mesmo "boletim de subs crição", como também afirma que a assinatura aposta sob o carim bo da RACHID ABDALLA S.A. Indústria e Comércio, no certificado de indisponibilidade de ações, não é do diretor da mencionada em presa ALBERTO ABDALLA, sendo impossível a sua identificação. R, portanto, presumível, ante tais documentos, corro bem enfatizou o signatário do Recurso Especial, a falsidade da subscrição, de assinaturas, carimbos e termo de indisponibilida de. E tal falsidade se acentua com as declarações-da própria em presa, supostamente beneficiada pela inversão de que o contri- buinte não é seu acionista, de que não recebeu o valor da subs- criçãor de que os recibos não são de seus diretores ouprocurador, e, ainda, de que não reconhece as assinaturas em boletins e cer- fincado de indisponibilidade. Assim sendo, se jamais o numerário correspondente ao suposto investimento ingressou na empresa a que se destinava, não há como cogitar da aplicação retroativa ou não da Porta ia , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/053,788/80 7. Acórdão n9 CSRF/01-0.597 da CVM que suspendeu a distribuição de ^ações emitidas por RACHID ABDALLA, porque simplesmente não houve a efetiva aquisição das ações a que aludiu a referida Portaria, mas apenas a simulação de tal subscrição, ainda que, provavelmente, sem a conivência do contribuinte. Mas ainda que se admitisse, apenas para argumentar; que as ações tivessem sido efetivamente adquiridas, tal circuns- tãncia, na hipótese dos autos, não seria suficiente para justifi_ car a redução do imposto de renda, pois, como já decidiu esta Cã mara Superiora suspensão da circulação de ações pela CVM, é ato declaratório que, identificando irregularidades na emissão de ações, retroage ã data de tal emissão. Vale, aliás, transcrever a ementa do recente Acór- dão CSRF/01-0.590, de 25 de outubro de 1985, desta Instância Es- pecial, que teve como relator o ilustre Conselheiro Dr. Urgel Pe_ reita Lopes, nos seguintes termos: "IRPF - REDUÇA0 POR INVESTIMENTO. A redução de im- posto das pessoas físicas pela subscrição - de ações de empresas do Nordeste e da Amazônia não pode Ser desfrutada em razão de -"investimentos" não constan tes da escrituração da sociedade beneficiária, nem por investidor cujo nome - não figura na relação de acionistas subscritores. 0 - fato de ter havidó re- gistro de emissão na CVM (depois suspensa a distri buição pela Autarquia), não é oponível à Fazendj. Pública pelo contribuinte - para lhe assegurar o di- reito ã redução," Por todo o exposto, dou provimento ao recurso espe cial _ Brasília - DF., 12 de dezembro de 1985. Je 4g1,4;._r CI t I J N O DE MEDEIROS CALMOk r- RELATOR \, Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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FAZENDA NACIONAL Recorrida - SEXTA CÃMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JOSg IGNÃCIO IRPF. NORMAS GERAIS. COMPENSA CÃO DO IMPOSTO. ONUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. Deve ser considerado como liquido o valor con signado_ no comprovante de rendimentos pagos 7 ser tributado, como rendimento bruto, o valor reajustado de acordo com ,ejrmula aprovada pe- la IN-SRF 004/80, compensando-se o imposto de renda na fonte, ainda que não retido, com o devido na declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Camara Superior de Recursos Eis_ cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relat5rio e voto que passam a integrar o presente julgado. Venci dos os Cons. Carlos Walberto Chaves Rosas (Relator), Iríneu Símia- ner, Cãndido Rodrigues Neuber, Juarez de Morais e Mariam Seif, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor° Cons. E- vandro Pedro Pinto. ciss Sessões-DF, em 28 de agosto de 1992. MARI A -I - PRESIDENTE , // o / EVANDRO PEDRO TINTO ; , 7 - RELATOR DESIGNADO - LUIZ FERNANDO OL. 4odif RAfMORAES- PROCURADOR DA FA- - , , ZENDA NACIONAL v.v _i Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, D1CLER DE AS- SUNÇÃO, AFONSO CELSO MATTOS LOURENCO e MÁRIO ALBERTINO NUNES (Suplente Convocado). Ausentes justificadamente os Cons. Aquiles Rodrigues de O- liveira (Substituido por Wilfrido Augusto Marques) e o Procurador, Dr. Iran de Lima (Substituido pelo Dr. Luiz Fernando Oliveira de Moraes). Jori 1 , ...*k.f -1 ; ic • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO 14? 1070/002.586/90-95 RECURSO N9: RP/106-0.225 ACORMÃOW: CS7?F/01-01.357 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: SEXTA CÂMARA DO PRIME TRO CO PI9ELPO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: JOSÉ IGNÃCIO RELATõRI O 1 i Trata-se de recurso apresentado a esta Camara Supe- rior pelo digno Procurador da Fazenda Nacional com assunto na 6a. , Camara do 19 Conselho de Contribuintes. 1 O relat5rio oferecido ao ac5rdão objeto do presente recurso está assim vazado e aqui o leio para o fim de faz j-lo par- te integrante do presente, por retratar com fidedignidade a mata- ria aqui discutida. 11 Inconformado com a decisão proferida na segunda ins 1_ táncia, o douto Procurador da Fazenda Nacional dela recorre, apre- sentando as razoes de fls. que agora leio para integrá-las ao pre- sente relat5rio. O contribuinte, embora regularmente intimado, não a presentou suas contra-razões. Ë o relat5rio. 319() A. N. , _ sERvtco Pueuco FEDERAL Processo n(210730/002.586/90-95 3. Acárdão n9-CSRE/01-01.357 VOTO VENCEDOR Conselheiro EVANDRO PEDRO PINTO, Relator O recurso -é tempestivo, motivo por que dele tomo conhecimento. Com efeito, não unanime a decisão recorrida, o úni co requisito exigido para a admissibilidade do recurso é a tem- pestividade de sua interposição. No mérito, adoto como razão de decidir o voto cons tante do Acárdão de fls., proferido pelo digno relator do proces co, quando do julgamento pela 6a. Camara do lO Conselho de Con- tribuintes, acrescendo, ainda, as seguintes consideraçjes. O art. 128 do CTN atribui à lei a faculdade de al terar a relação juridico-tributária atribuindo a Terceiros a res ponsabilidade pelo pagamento do tributo. Assim, a relação origi- nal prevista na lei do fato gerador, em seu aspecto subjetivo,en tre o poder tributante e a pessoa que pratica o fato econamico tributável, pode vir a se estabelecer alcançando terceiros vincu lados àquele fato gerador. E essa lei de atribuição de responsa- bilidade poderá faz j-lo, inclusive, excluindo a responsabilidade do sujeito passivo original, o chamado contribuinte. No caso concreto, a lei aue atribui à fonte paga- dora dos rendimentos tributáveis a responsabilidade pela retençEo e recolhimento do imposto de renda incidente excluiu da relaçao o beneficiário desses rendimentos, ao atribuir unicamente à fon- te aquela responsabilidade. Eis porque voto no sentido de negar provimento ao recurso para o fim de manter a decisão recorrida. g como voto. Rrasilia-DP, em 28 de agosto de 1992. o Ptíí' EVANDRO PEDRO PO- RELATOR DESIGNADO , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730/002.586/90-95 4. AcOrdão n9-CSRF/01-01.357 • 'VOTO VENCI'D 0 Conselheiro CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, relator. Conheço do recurso especial interposto porque se acham atendidos os pressupostos de admissibilidade contidos na legislação de regência. No mérito entendo que merece reforma a r- decisão de , , primeiro grau, que admitiu a compensação de imposto não retido nem 1 recolhido pela fonte pagadora, como de resto tenho me manifestado em 1 i casos análogos ao presente. ,,,,, Não obstante as judiciosas raz8es contidas no voto ' prevalecente proferido por ocasião do julgamento do feito na Egrégia , Sexta Câmara, entendo que as consideraçOes e fundamentos alinhadospe lo ilustre Conselheiro Benedicto Onofre Evangelista em votos proferi.._ dos em precedentes da mesma Câmara melhor dirimem a controvérsia. 1 A matéria em debate já é conhecida deste Conselho que sobre ela pronunciou-se inúmeras vezes, entendendo a maioria desta Câmara Superior, à qual me incluo, ser legítima a exigência do impos to do contribuinte, tendo em vista que não houve a retenção e muito , menos o recolhimento do mesmo pela fonte pagadora, como requer a lei 1 tributària. 9 Apreciando recursos interpostos pela Fazenda Nacional,A em casos em que a compensação fora admitida aos servidores demitidos da Fundação EDUCAR, este colegiado, por maioria de votos,provetuaque I, les apelos, por entender aplicável à hipOtese a regra do art. 123 do COdigo Tributário Nacional, a qual preceitua que as convençOes parti_ culares, relativas 'à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição le- - gal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. p4 4H , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730/002.586/90-95 5. Acórdão n9-CSRF/01-01.357 A alegação de que não se trata de convenção parti:- cular oposta à Fazenda, mas de um contrato que passou posteriormen- te pelo crivo do Judiciário, não tem relevância no caso. Primeiro, porque ainda que chancelado por sentença, tal acordo não desnatura uma convenção entre particulares e, segun- do, porque sujeito passivo da obrigação tributária & aquele determi_ nado em lei, ou seja, a pessoa que adquire a disponibilidade econô- mica ou jurídica da renda, rendimentos ou proventos de qualquer na- tureza. - Por outro lado, parece-me acertado o entendimento de que não pode prevalecer a compensação em face do que dispõe o art. 89, § 19, alínea a do RIR/80, cuja matriz legal acha-se no art. 99,_ do Decreto-lei n9 94, de 1966, que reza: "Art. 99. No cálculo do imposto de renda devido pelas pessoas física, e para os fins de restituição ." ou cobrança de diferença do ttibuto, será. abatida do total apurado a importância que houver sido desconta , da nas fontes correspondentes a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declara- ção, revogadas as disposições especiais em sentido contrario." Ora, diante de tão peremptOrio preceito, evidencia- -se o intimo vinculo existente entre o valor a abater e aquele efe- tivamente retido pela fonte pagadora. •Ad.emais, como jã ficou registrado, estou convicto de que a norma contida no art. 123 do Código Tributário Nacional nãodá ensejo a outra solução para litígio senão a de se rejeitar a substi tuição pretendida pelo interessado. trN Alinhando-me á corrente majoritária nesta Cámara,que 4111• 4 ,, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10730/002.586/90-95 e. AcOrdão n9-CSRF/01-01.357 entende ser ilegítima a compensação do imposto não retido e muito menos recolhido pela fonte pagadora, conheço do recurso especial e lhe dou provimento. Brasília - D.F., 28 de. agosto de 1992. CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS - RELATOR VENCIDO nin 4,5r • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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ACORDÃOW-r.CSRF/a3m1.043 Recurso n° RP/303-0.743 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ELETROLUX S.A. "Infração administrativa ao controle das importações. Caracterizada a divergencia entre a mercadoria licenciada e a que foi desembaraçada. Aplicação da multa prevista no art. 169 do D.L. 37/66. Recurso provido." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Cãmara Superior de Recursos 3„s- cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso espe lati") Sala das iál s 1-et- (DF), em 18 de março de 198 /7- F/i y / AMADOR O ' G " RNÂNDEZ - PRESIDENTE HINDEMBURGe D0'4/Á aEI-IRA - RELATOR 'I . LUIZ FERNANDO/( VEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei ros: ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, PAULO DE ALEMIDA, EDWALDO REIS DA SILVA, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL e AGOSTINHO SERRANO DE ANDRADE ( Su- v.v. plente Convocado). Ausente justificadamente o Cons. PAULO CÉSAR DE AVI LA E SILVA. ,_( ,;n -....= 't'nI,O SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0711/004.087/80 RECURSO N.° : RP/303-0.743 ACÓRDÃO N.°: CSRF/03-1.043 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CASARA CO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: ELETROLUX S.A. RELATÓRIO f O Sr. Procurador da Fazenda Nacional junto à Terceira„. Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes pleitea a reforma do acOrdão n9 22406 daquela Câmara, que adotou a seguinte ementa: "Infração administrativa ao controle das importações. Nas importações que se carac terizaram por unidades autônomas, no citi tange ao seu controle o que interessa e a quantidade importada. Acréscimo de letras ao número do modelo da mercadoria importa da não caracteriza a infração, constituiFI do-se em mera "previdência administrativa interna", por parte do importador. Desti- pificada a infração, anula-se o auto, com provimento do recurso." Alega-se no recurso, em resumo, que a infração capitu- lada no inciso III letra "d" do art. 29 da Lei n9 6562/78 está ca- , racterizada uma vez que a G.I. esta estreitamente relacionada com a mercadoria a que dá cobertura e no caso o descumprimento dos requi- sitos se verifica quanto ao modelo 2100 CD ao invés de 2100, bem como pelo fato de terem as moto-serras vindo incompletas, em desa- i cordo com a autorização da Cacex, que se refere a moto-serrafs ,cod i; / ,,---'7 D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 162P75 V.V. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0711/004.087/80 2. Acórdão n9-CSRF/03-1.043 pletas. Lembra ainda o Sr. Procurador que a decisão unãnime da Pri- meira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes sobre a classi- ficação da mercadoria demostra que deve ser reformada a •-cisão s ei judice. 1 , É o Relatório. 1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0711/004.087/80 3. AcOrdão n9-CSRF/03-1.043 VOTO _ _ 1 Conselheiro HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, Relator. O voto vencido do Cons. Jose Façanha Mamede, na Tercei ra Cãmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, esclarece perfeita- ' mente o assunto: a Primeira Câmara considerou que a mercadoria impor tadae diferente da que foi descrita nos documentos de importação. Confirmada, portanto, por essa decisão definitiva, a divergência en- tre o material licenciado e o verificado por ocasião do desembaraço, e indiscutível a aplicabilidade da multa proposta no auto de infra- ção e imposta na decisão de primeira instância, com base no art. 169 citado. Com base no exposto, dou provimento ao rec 9 -* ' Brasília, 18 de março de 1983. -44 /7 HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL , FALTA DE MERCADORIA, apurada em conferen cia final de manifesto (art. 19, parágrã_ fo único, combinado com o art. 23, pará- grafo único, do Decreto-lei n9 37/66). Aplicação da ai:à:quota negociada na ALALC (atual ALADI) ã mercadoria originária e procedente de pais signatáriodo Tratado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Recurso interposto por AGÊNCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMANN S/A. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Sala das -is-i õe il (DF), em 03 de agosto de 1984. kif, AMADOR O -' O r RNANDEZ - PRESIDENTE Á/ 't j - — _ / , c,0 df) DWALDO R .- S DA : / A - RELATOR - °49 LUIZ FERNANDO/e, ,EIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, JOSÊ FAÇANHA MAMEDE, SEBASTIÃO RODRI GUES CABRAL e os Suplentes Convocados Cons. PAULO SÉRGIO VIEIRA LIMA e PAULO CÉSAR DE ÃVILA E SILVA. ,, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 9 0711/001.586/82-88 RECURSO N.° : RD/ 303-0 . 028 ACÓRDÃO N.° : CSRF/0 3-1.225 RECORRENTE: AGENCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMANN S /A . RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO_ AaNCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMANN S/A. recorre a esta Câmara Superior, com fundamento no art. 39, inc. II, do De- creto n9 83.304, de 28.03.79, visando à reforma do Acórdão n9 303-23.547/84 (fls. 170/172), da 3 Câmara do Egrégio 39 Conselho de Contribuintes, na parte divergente do entendimento adotado pe- la 2Q. Câmara do mesmo 39 Conselho, através dos Acórdãos n9s 28.550/82 (cópia às fls. 180/182), 28.411, 28.012, 27.591e 27.588, e, ainda, por esta Câmara Superior, no Acórdão n9 CSRF/03-1.029/$2. Trata-se de responsabilidade_ :Lr ibUtária imputada ao transpor tador, em razão de extravio ou falta de mercadoria importada da Argentina (feijão branco), deixando, todavia, a douta Câmara recor rida de atender à pretensão da transportadora e ora recorrente, no sentido da aplicação, no cálculo do imposto de importação corres- Dondente, da alíquota negociada na ALADI - Associação Latino-Ame- ricana de Integração. As razões da recorrente vêm expostas na petição de fls. 176/178, que são lidas em plenário (lê), e de que destaco os seguintes tópicos:" g/ D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0711/001.586/82-88 2. Acórdão n9 CSRF/03-1.225 "7 - Não resta dúvida, no caso dos autos, de que a mercadoria é originária da ARGENTINA pa is integrante da ALADI 8 - O fato de não haver o Importador invocado, em sua Declaração de Importação, os benefí- cios concedidos através da tarifa especifica da "ALADI", não implica o cancelamento de tal benefício. 9 - O Importador assim agiu, naturalmente, por que lhe foi mais conveniente utilizar os bene- fícios concedidos pela Resolução da CPA de nc-;-; 3371, como afirmado no Acórdão ora recorrido. 10 - Certo é, no presente caso, que incidem dois benefícios fiscais sobre a importação em causa, ou seja, a Resolução CPA antes citada e a aliquota específica dá ALADI, sendo que uma não prejudica a outra. 11 - No caso, o Importador pleiteou o benefi- cio da Resolução CPA que talvez, não aprovei- te ao Transportador. E este, por sua vez, pléi teia o beneficio da ALADI, que independe da qualidade do importador ou da finalidade da mercadoria, mas tão somente o seu local de origem." Por despacho de fls. 179, o Sr. Presidente da Cáma ra recorrida reconheceu a divergência é deu seguimento ao recurso especial, sendo ouvido o Sr. Procurador da Fazenda Nacional,que,em tempo hábil, contra-arrazoouàs fls. 183/185, assim argumentando: "3. Como se vê a fls. 180/182 o Acórdão, tra zido a confronto, com efeito adota, para o cá' Cul° do imposto, a alíquota negociada através de acordo internacional. 4. Os casos, todavia, são diferentes. No caso citado pela recorrente, o importador, ao despachar a mercadoria estrangeira, recolheu os gravames fiscais utilizando a alíquota fa- vorecida, e houve, no julgamento, equiparação da mercadoria faltante àquela que chegou, pa- ra efeito de cálculo. 5. No caso dos autos, como bem acentuou o voto vencedor, o importador não se valeu do beneficio da alíquota privilegiada, e, neste caso, muito menos dela se poderá beneficia o transportador, responsável pela falta.# Á :: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0711/001.586/82-88 "",. Acórdão n9 CSRF/03-1.225 6. Não podemos nos esquecer de que a respon sabilidade tributária, pela falta de mercado- ria, corresponde a uma indenização, ã Fazenda Nacional, do valor dos tributos que deixam de ser recolhidos, em consequência da falta-(art. 60, parágrafo único do Dec.-lei n9 37/66). 7. Se o contribuinte é o importador¡que não invocou seu benefício a alíquota privilegiada, segue-se que a indenização devida há de ser calculada pela tarifa comum. 8. Sendo, assim, dispares os dois casos, ou seja, havendo num deles o despacho da mercado ria com uso da alíquota negociada, o que não ocorre no outro, não se pode aplicar a ambos o mesmo princípio. . 9. Quanto ao acórdão posto em contraste, em seu voto, acompanhado pela maioria de seus pa . res, o ilustrado Relator diz que os dispositi , vos que determinam o cálculo do tributo e d-a- multa, sem considerar isenção ou redução que beneficie a importação, isto é,o art. 106 ("caput, in fine") dó Dec.-lei n9 37/66 e § 39 do art. 30 do Decreto n9 63.431/68, não se aplicam a este caso, porque não e "redução a : negociação tarifária objeto dé acordos ou con_ vênios internacionais". , 10. "Data venia", discordo deste ponto de vista. Na realidade, o Decreto-lei n9 37, em seu Capítulo III, que trata das Isenção e Re- . duções, dispõe expressamente sobre aquelas e- manadas de ato internacional, de que o Brasil participe (arts. 89 e 99). 11. Considerando-se que tal dispositivo foi regulamento pelo §. 39 do art. 30 do Decreton9 63.431/68, não se pode levar em conta redução ou isenção tarifária resultante de ato interna cional, quando foi responsabir , ado o trans- portador por falta ou avaria. jy --1 É o relatório. )9-11.\\1( , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0711/001.586/82-88 4. Acórdão n9 CSRF/03-1.225 VOTO_ _ Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: Trata-se de aplicação da alíquota negociada em Tra tado Internacional firmado pelo Brasil (ALALC, atual ALADI), no caso de falta ou extravio de mercadoria importada de país signatá rio. O entendimento dominante no âmbito do 39 Conselho de Contribuintes, por suas 1Q. e 2Q. Câmaras, bem como nesta Câmara Superior, é no sentido de que, na hipótese em exame, não se trata de mera redução ou isenção unilateral de alíquotas tarifárias, ex- cluída, portanto, a hipótese de aplicação do disposto no art. 30, § 39, do Decreto n9 63.431/68. Consoante esse entendimento, aliás já apreciado e mantido, em grau de recurso hierárquico, pela antiga Instância Es pecial, a pretensão da recorrente merece acolhida, com amparo, es pecialmente, no art. 98 do CTN, visto tratar-se de Tarifa decor- rente de Acordo Internacional, que subsiste paralelamente ã TAB. Isto posto, e considerando que a documentação inte grante do despacho aduaneiro respectivo (fls. 91/103) confirma que a mercadoria em causa é originária e procedente de país membro da ALADI (Argentina), dou provimento ao recurso especialde divergênci ; Brasília, DF, em 03 de agosto de 1984. / EDWAIXO REIS DA Si',VA - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13736.000089/88-67
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
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Recorrida gSEGUNDA CAMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE UNIFUBUINTES Interessada g FAZENDA NACIONAL P...1J...—PgQi2LJA1.)....22.g.......IR --- .PE.çfJESEN.f.... :::le. - TratandD- se de lançamento refle .;:ivo, a decisão prol:e-- ri da no processo mial.....riz é aplicável ao pra- cesso decorr , ite, em razão da relação de cay sa e efeito que vincula um ao outro. Recurso provido parcialmente:, Vist(.....)s, relatados. e discutidos os presentes autos de rec.urso inLerpos. to por . posm DE COMBUSTIVEIS SALINAS LTDA. ACORDAM os Membros . da Câmara Superic.Jr. de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar . provimento parcjal aorec.....urso para ajustar . a e .;.:igôncia ao decidido no processo principal, aLl'.a- yes do Acórdão nr. C.;3RF/("i1.-1.815, de 20/02/95, nos .1.....::.....rmos do re- latôrio e voto que passam a i..11 .1 .....egrar o prem ....:te julgado. Vencido o Conselheiro 1Áz Alberto Cava Maceira, que provia integralmente o recurso. Sala das Sessejes, em 18 de março de 1996 (ry,„<(..).,,..,.'„,.,..440Prol.:,.....:...,.. ,,......., ...,...,F.c.:TnFmTr.. ,......ul ,.. nuN rr,..;;Ocll,..;-' hy-ro.U.fics - rn......-,---,-. /../ / o11 ullir...,y......... DA SILVA .- RELATOR Fdrmalizado em:0 2ABR 1H6 ,. Partiç.j.paraM !, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros Antônio de Freitas Dutra, Maria Clelia Pereira de Andra de (Suplente Convocada), Cândido Rodrigues 3.... 3. Victor luís de Saltes. Freire, Leila Maria Scherrer Leitão, Remis Almeida EStol, Afonso Celso Mattos Lourenço, Wilfrido Augu ,..t-o Ma y ques, Mario Ai- berlino Nunes (Suplente Convocado), Maria Ilca de Castro Lemos Dinie, Carlos Alberto Gonçalves Nunes ii2 Manoel Antônio Gadelha Dias. Ausentes. , justificadamente, OE Conselheiros. Celso Alves Feilosa 2 Wm1devam Alves de Oliveira. ... PRUCESSO 1::::736/000,089/88 RECURSH NR. RD/102"0.58 • CORDMO NR. CSRF/0.1 1.950 RE(2.1.MUW:NiE POSIO DE: flOMBUSIIVETS E;( f.0 1NAS LIDA Dt.J g BE: !1\1DA I;ANIC:11";:P5 1::;!.: t :11\18E1 ! !ri V.I.)1‘.1 :et E ts; 1: .1\1 E RE 1::: :11\1A I RELATORIO Inconformado com o decicido no Acórdão nr. 7 „ „ d 7 t1:3 ci E: 1 i d e.2 dE tos negou prov .imento ao recurso voluntário de nr. 70,183 por ele C) 11 C.)55 p 1: t t „ (.: " 1. ; 3E3 r :(‘)E... J 1- VE. 8 8 (.71:1 r I \J ( 1) ; r.).(:) 1:3 r h'fit r r*::..11 tpEr"; F:1".;Eff.:". t : eals p loiteando a sua reforma. Trata se de lançamento decorrente de fiscaliza ção do imposto de renda (pessoa juridica), na qual foi anurda omssào de receita, caracterizada por naver contributnte deixa- do de escrilurar receitas de vendas, também objeto de reuurso es- pccial (RD nr. 102 0.559). As razbes do recurso estão elenuadas às f1s. 30 e são li.das EM Sessão. Em homenagem ao princípio da decorrOncia, o Oes 1C; C.; . a ti fr; .1. t r ec. t •:::“.3 E r ; C2:4)".; 1-C.) monlo tnterno desta Egrégta CâMara Superior de Recursos Fiscais, já em cf.pntra razbes (fls. a 35), Sr, Procu rador da Fazenda Nacional junto à Sogunda Câmara requereu a manu • 1 E C....4 r 11.".; 1.. j id f 1! el , 3. PROCESSO NR. 13736/000.089/8S-67 ACORDMO.NR. N C3RF/01---.1.950 VOTO Conselheiro '....31E....;f:111ALDO HENRIQUE DA SILVA, RETATIf;:. O recurso especial .irl .h2i -posto pelo e.... .,.:....mt......:[...ili.illte 'E: pr....E:.?ne.....l...le os pressupostos 'legais de admissibilidade, merecendo ser . ',, conhecido. No mérito, conforme consignado no relatório, o ',. pn.:',::.:(..ii!....lte procedimento fiscal decorre do que foi ..is ..:ss ..jLÀmÁrado contra. :.1 o rf,........-.c.31-1,..ente parã cobrança do imposto de renda na pessoa jurídi- da:, bEAmbém objeto de recurso especial (RD/102-0.5 59 - Processo nr... 15736/000.081/88-31). Esta CSRF, em Sessão reali?.ada no dia 20 de fe•••- . ',.„ vereiro de 1995, decj..diii, f.....3c.'nr..... maioria de votos, dar provimento '. parcial ao rei:JAY - 50 ::.1.411:.5.:'1:-:3C.)*:Stfl nos autos do processo matriz, para excluti.r. - da base de cálculo da exigOncia a iinpf.. .:.:trtânci a que exceder . ',.., à base estabelecido na Norma de Execução nr. 002/89 (matéria que conferiu sup( t ..e fático a esta exigOncia), nos 1. ..(,,..r...mos da decisão 1 consubstanciado no Acórdão CSRF/01-1.81 5 , que está assim emento-- ,,.,. do IRP;J.............::,........,C.Y.E.I.'..-...i1).£1...1g....,Q1....g'Iflil.?..r,iL,E -- "M '''..:-::- i Pq. 4'1 ra DMiSãO de receita a partiJ'..... do cotcjo das I compras e vendas efetuadas, o valor . Ir....:•-ihuta-- vel deve ser apurado com base na NE: nr. 002/ '1 89,p....:....ti...- se l.....) -atar de ato normativo expedido pela Receita Federal, com finalidade especi-•-• fica (13p...,Y:1-ação Fisgás). Recurso provido par.c...i..és,k1..f.mite." Em conseqMOncio, guardando coeriância com o voto ri o naquele processo, e na medida em que não há fatos ou ai' ... gnmelitos a ensejar conclusão diversa, aqui, igualmente, dou provimento parc....iál. ao presente apelo para ajustar a exigOnuia ao decidido no processo matriz UT',If.'....f.'....Yrdão C8RF/01---13.1!.5::1,: BrasIlia • -DF, 18 de março de 1996 1,,t'-.-± . - . • . . ....L..ii.i.iii -- - - '. VER.Irq ffV....D0 lIE-.1'...?._.ÃNEW DA SILVA • - RELATOR_ - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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