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Numero do processo: 13851.001926/2002-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO. ERRO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Restando comprovado que o contribuinte, embora efetivamente detenha direito creditório em montante superior ao reconhecido pela autoridade administrativa competente, cometeu erro ao promover compensação tributária, cabe, em homenagem ao princípio da verdade material, o reconhecimento do crédito em referência no valor definido pelos elementos postos à disposição da autoridade julgadora.
Numero da decisão: 1301-001.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO. ERRO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Restando comprovado que o contribuinte, embora efetivamente detenha direito creditório em montante superior ao reconhecido pela autoridade administrativa competente, cometeu erro ao promover compensação tributária, cabe, em homenagem ao princípio da verdade material, o reconhecimento do crédito em referência no valor definido pelos elementos postos à disposição da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 19 26 /2 00 2- 13 Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001926/200213 Acórdão n.º 1301001.753 S1C3T1 Fl. 1.073 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001926/200213 Acórdão n.º 1301001.753 S1C3T1 Fl. 1.074 3 Relatório BRASIL WARRANT ADMINISTRAÇÃO DE BENS E EMPRESAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que indeferiu pedido veiculado por meio de Manifestação de Inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de restituição referente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1999, cumulado com pedidos de compensação. A Delegacia da Receita Federal em Araraquara, também em São Paulo, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formalizados pela contribuinte, por meio do Despacho Decisório de fls. 702/712, reconheceu o direito creditório no montante R$ 2.237.042,18, que representou a diferença entre o saldo negativo apurado no anocalendário de 1999 (R$ 3.736.815,87) e o valor correspondente a compensações efetuadas anteriormente (R$ 1.499.773,69). Em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 745/750), a contribuinte solicitou a reforma do Despacho Decisório para que fosse reconhecido o direito creditório no montante de R$ 2.560.664,78. Na ocasião, alegou, em apertada síntese, que teria cometido erro escusável ao preencher o pedido restituição, razão pela qual elaborou planilha demonstrando o valor correto das compensações efetuadas anteriormente, esclarecendo que o valor a ser deduzido do saldo negativo seria de R$ 1.176.151,09. A já citada 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando a peça de contestação, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1419.832, de 25 de julho de 2008, pela improcedência do pedido ali veiculado. O referido julgado restou assim ementado: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. INCOMPETÊNCIA. Caracteriza novo do pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública formulado na manifestação de inconformidade. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 803/815, por meio do qual sustentou: que, se as autoridades julgadoras "a quo" entendem que ela deveria ter apresentado um novo pedido de restituição para reaver parte de seu saldo negativo do IRPJ não abrangida pelo pedido original, deveriam elas ter devolvido os autos à Fiscalização, para fins de manifestação sobre esse novo pedido; Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001926/200213 Acórdão n.º 1301001.753 S1C3T1 Fl. 1.075 4 que o que jamais poderiam ter feito é ignorar os fundamentos expostos na manifestação de inconformidade, os quais conduzem à conclusão de que ela possui o direito à restituição do valor de R$ 2.560.664,78, e indeferir a sua pretensão, negandolhe esse direito; que a jurisprudência administrativa reconhece que a impugnação, apresentada pelo contribuinte após a notificação do lançamento, é meio hábil para retificar os erros materiais constantes em suas declarações; que o acórdão recorrido não contradisse os elementos de prova trazidos por ela aos autos em sua manifestação de inconformidade, evidenciando que o indeferimento da restituição do saldo negativo do IRPJ decorre, exclusivamente, de equívoco cometido no preenchimento do respectivo pedido; que é incontestável que foi indevidamente apurado o saldo negativo do IRPJ, anocalendário 1999, objeto do pedido de restituição apresentado por ela, conforme demonstram e comprovam os documentos anexados à manifestação de inconformidade. Em sessão realizada em 03 de outubro de 2012, esta Primeira Turma Ordinária, entendendo que a argumentação expendida pela contribuinte não permitia uma decisão conclusiva acerca do suposto “erro” na utilização do saldo negativo do ano calendário de 1999 nas denominadas compensações espontâneas (para ela, R$ 1.176.151,09, ao invés de R$ 1.499.773,69, como estabelecido pelo Despacho Decisório de fls. 702/712), resolveu, por meio da Resolução nº 1.301000.093, converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem (Delegacia da Receita Federal em Araraquara) se pronunciasse sobre os documentos de fls. 756/795. Em atendimento, foi emitido o DESPACHO de fls. 1.038, no qual restou consignado: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil constato que o valor de R$1.499.773,69 compensado pelo interessado até 11/11/2002 data do pedido de restituição do IRPJ exercício 2000 (ano calendário 1999) referese ao valor bruto do débito compensado e equivale em termos monetários ao valor do crédito original utilizado de R$1.176.151,10 atualizado até a data das respectivas compensações escriturais, portanto indicando erro do interessado na formulação do pedido de restituição inicial (fl. digital 02) ao solicitar R$2.237.042,18 (=R$3.736.815,87 R$1.499.773,69, também errou e escreveu R$1.149.773,69), quando poderia solicitar R$2.560.664,77 (= R$3.736.815,87 R$1.176.151,10). Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte, discorrendo sobre os fatos abrigados pelos autos, requer o provimento integral do recurso voluntário interposto. É o Relatório. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001926/200213 Acórdão n.º 1301001.753 S1C3T1 Fl. 1.076 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Por meio do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de fls. 01, a contribuinte requereu reconhecimento de direito creditório no montante de R$ 2.237.042,18, relativo a saldo negativo do anocalendário de 1999, conforme demonstrativo abaixo. Saldo Negativo (DIPJ/2000) = R$ 3.736.815,87 Compensações Espontâneas = (R$ 1.149.773,69) Saldo a Restituir = R$ 2.237.042,18 Notase, pois, que o demonstrativo indica compensações espontâneas de R$ 1.149.773,69, valor que subtraído do montante de R$ 3.736.815,87 não corresponderia ao saldo de R$ 2.237.042,18. Explica o Despacho Decisório (fls. 711/712) que as compensações espontâneas totalizaram R$ 1.499.773,69, vez que às fls. 227/230 existe uma série de compensações espontâneas realizadas anteriormente ao pedido de restituição, que nele não haviam sido consideradas. Conclui o citado despacho pelo reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 2.237.042,18, conforme demonstrativo abaixo. Saldo Negativo = R$ 3.736.815,87 Compensações Espontâneas = (R$ 1.499.773,69) Direito Creditório = R$ 2.237.042,18 Em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que “a fiscalização considerou como compensações espontâneas o valor de R$ 1.499.773,69, correspondente à soma dos débitos objeto daquelas compensações, os quais foram extraídos das planilhas elaboradas pela própria requerente nestes autos.” Adiante afirmou que “os valores registrados estão corretos, porém não se prestam para ao (sic) cálculo do direito creditório em questão, porque incluem o valor dos juros selic incidentes sobre o saldo negativo.” A partir de demonstrativo anexado à defesa inicial, a contribuinte concluiu que o valor a ser deduzido do saldo negativo seria de R$ 1.176.151,09, resultando daí um saldo a restituir de R$ 2.560.664,78 (R$ 3.736.815,87 – R$ 1.176.151,09). Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001926/200213 Acórdão n.º 1301001.753 S1C3T1 Fl. 1.077 6 A autoridade julgadora de primeira instância, sem adentrar ao mérito dos argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, concluiu que a contribuinte, ao requerer reconhecimento de direito creditório em montante superior ao apontado na peça original, inovou no pedido, razão pela qual indeferiu o pedido ali veiculado. Diante da argumentação expendida pela contribuinte em sede de recurso, que apontava para a mera ocorrência de erro no preenchimento de instrumento declaratório, esta Primeira Turma resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem apreciasse os documentos aportados ao processo pela requerente para comprovar as suas alegações. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara, São Paulo, constatou que efetivamente houve erro no preenchimento do pedido de restituição de fls. 01, eis que o valor compensado espontaneamente pela contribuinte por meio de sua escrituração foi de R$ 1.176.151,10, de modo que o direito creditório passível de utilização no presente processo é de R$ 2.560.664,77, que corresponde à diferença entre o saldo negativo apurado em 1999 (R$ 3.736.815,87) e as citadas compensações espontâneas (R$ 1.176.151,10). Tratase, pois, de mero erro de preenchimento, sendo descabido, a meu ver, falar em inovação de pedido de restituição. Em vista do exposto, conduzo meu voto no sentido da DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a parcela adicional de crédito no montante de R$ 323.622,59, que corresponde à diferença entre o pleiteado pela contribuinte (R$ 2.560.664,77) e o reconhecido nas instâncias precedentes (R$ 2.237.042,18). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721581/2013-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL.
Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSULTA FISCAL. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. INAPLICABILIDADE.
A Consulta Fiscal eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta.
Numero da decisão: 2201-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL. Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSULTA FISCAL. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. INAPLICABILIDADE. A Consulta Fiscal eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
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GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL. Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSULTA FISCAL. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. INAPLICABILIDADE. A Consulta Fiscal eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 15 81 /2 01 3- 42 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 16/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Pelo Auto de Infração, de fls. 158 e seguintes, lavrado em 22/05/2013, exigese do Contribuinte ADRIANO SCHINCARIOL o montante de R$ 11.068.016,35 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 8.301.012,26 de multa de ofício e R$ 1.557.269,90 de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 20.926.298,51 (atualizado até a data da autuação) referente ao ano calendário 2011, decorrente de Omissão/Apuração Incorreta de Ganho de Capital em face de ter diminuído, indevidamente, do preço de venda/alienação e falta de Recolhimento do Imposto Sobre Ganhos de Capital, em face de ter recolhido fora do prazo o imposto devido. O Relatório Fiscal, de fls.147 e seguintes, relata: · O Contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual de Imposto Sobre a Renda Pessoa Física do exercício de 2012 (DIRPF 2012), ano calendário de 2011, e, nessa DIRPF 2012, informou a alienação da participação societária na pessoa jurídica ALEADRISCHINNI PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES S/A, CNPJ Nº 58.648.759/000165. · No dia 01/08/2011, o Contribuinte firmou Contrato de Compra e Venda de Ações com a KUSUGA PARTICIPAÇÕES S.A., atualmente denominada Kirín Holding Investments Brasil Participações S/A (“Kirin”), onde consta como valor de venda o montante de 1.969.041.000,00. · A cláusula 2.3 do contrato, de fls. 23, prevê que o preço de aquisição estaria sujeito a um ajuste, para cima ou para baixo, em face de apuração posterior da diferença positiva ou negativa da dívida líquida no fechamento da operação. · No dia 29/09/2011, o Contribuinte formalizou junto à Receita Federal, o processo de Consulta nº 13876.720432/201144, dando notícia da publicação, em 05/08/2011, no Diário Oficial do Estado de São Paulo, da decisão proferida pela Juíza da 1ª Vara da Comarca de Itu/SP, deferindo Medida Liminar em Medida Cautelar, movida pelos acionistas minoritários da Schincariol, para os fins de suspender a eficácia do Contrato de Compra e Venda firmado pelo Contribuinte. · Em face da medida liminar e, também, do processo de Consulta, o Contribuinte entendeu não estar obrigado a recolher, em 30/09/2011, o imposto devido sobre o ganho de capital apurado em relação à venda da participação societária ocorrida em 01/08/2011. · No dia 14/10/2011, o Contribuinte recolheu imposto incidente sobre o ganho de capital, código de receita 4600, pelo DARF, no valor de R$ 250.084.118,14, colocando como Data de Vencimento o dia 30/11/2011. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721581/201342 Acórdão n.º 2201002.659 S2C2T1 Fl. 3 3 · No dia 03/01/2012, a Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª RF proferiu decisão no processo de Consulta 13876.720432/201144 concluindo que: “a suspensão dos efeitos do contrato de compra e venda (negócio jurídico) indicada na petição da consulta não elide a ocorrência do fato gerador referente ao ganho de capital dele decorrente; vez que o art. 118, inciso II, do CTN expressamente determina a irrelevância dos efeitos ocorridos para a qualificação do fato gerador”. A decisão ainda dispõe que: “O fato imponível concretizou por ocasião da manifestação de vontade das partes no Contrato de Compra e Venda de Ações e recebimento do preço acordado pelo vendedor. Efeitos supervenientes a ocorrência do fato gerador, não tem o condão de alterálo” e “a suspensão dos efeitos do negócio jurídico tributável não faz desaparecer o fato gerador e sua correspondente obrigação tributária”. · A fiscalização apurou que há 03 (três) valores diferentes informados pelo Contribuinte como sendo o valor da venda/alienação e 02 (dois) valores do imposto devido sobre o ganho de capital, pois o apurado no Anexo de Apuração do Ganho de Capital é menor que o valor recolhido em 14/10/2011: (i) na ficha “Declaração de Bens e Direitos”: Discriminação da venda pelo valor de R$ 1.959.730.061,98; (ii) no Anexo de Apuração do Ganho de Capital: Valor de alienação de R$ 1.950.856.309,34; (iii) o valor recebido pelo contribuinte em 01/08/2011 foi de R$ 1.969.041.000,00; (iv) no Anexo de Apuração do Ganho de Capital: Apurado o Imposto Devido sobre o Ganho de Capital no valor de R$ 248.753.055,25 divergente do valor de R$ 250.084.118,14 pago em 14/10/2011. · O contribuinte esclareceu informando que o valor da venda em 01/08/2011 foi de R$ 1.974.041.000,00, tendo a compradora retido o valor de R$ 5.000.000,00 resultando um valor de depósito em favor do Contribuinte no montante de R$ 1.969.041.000,00. · Tendo em vista que a apuração posterior de diferença negativa da dívida líquida no fechamento, por força da cláusula 2.3 do contrato de fls. 23, o Contribuinte devolveu à compradora o valor de R$ 3.873.752,64 em 26/04/2012, resultando em um valor efetivo de venda no montante de R$ 1.965.167.247,36. Do presente montante, o Contribuinte abateu o custo da comissão no montante de R$14.310.938, resultando um montante de R$ 1.950.856.309,34 que foi confrontado com o custo de aquisição das participações acionárias alienadas no montante de R$ 292.502.607,67, apurandose um ganho de capital de 1.658.353.701,67 gerando IRPF (15%) de 248.753.055,24. · A Autoridade Lançadora compreendeu estar correto a dedução do valor pago a título de corretagem, todavia, em relação ao valor de R$ 3.873.752,64 pago à Kirin, em 26/04/2012, por força do estipulado na Cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda de Ações com a KUSUGA PARTICIPAÇÕES S.A., compreendeu não ser possível a sua diminuição do valor da alienação, uma vez que por força do art. 116, II do Código Tributário Nacional (CTN), a rescisão do contrato de alienação ou a redução de preço não importarão na restituição do imposto pago. Acrescenta que a referida conclusão já havia sido exposta na Solução de Consulta nº 1 – SRRF08/Disit, de 03 de janeiro de 2012, na qual o consulente/interessado é o Contribuinte. Assim apurouse um valor de venda líquido de comissão de R$ 1.954.730.061,98. · Em relação ao prazo de recolhimento (autuação 002 do Auto de Infração de fls. 158), os arts. 142 e 852 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) dispõem que o imposto devido sobre o ganho de Capital deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele em que os rendimentos ou ganhos forem percebidos. Como o Contribuinte recebeu o valor da venda em 01/08/2011, o prazo de recolhimento do imposto é até 30/09/2011, se dia útil. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Expõe que é defeso ao Contribuinte recolher o imposto devido, fora do prazo de recolhimento, sem os acréscimos legais (juros e multa de mora), baseandose nos efeitos do Processo de Consulta dispostos no caput do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº. 740/07, pois o § 5º do mesmo art. 14 dispõe claramente que a Consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo autolançado, que é o caso do imposto que está sendo fiscalizado. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 24/05/2013 (AR Postal fl. 167), tendo apresentado Impugnação, de fls. 170 e seguintes, em 24/06/2013, na qual trouxe as seguintes alegações: · Efetuou o recolhimento do imposto, em 14/10/2011, no valor de R$ 250.084.118,14, calculado com base no preço de venda conhecido em agosto de 2011, portanto, sem a redução do valor devolvido à empresa compradora, no montante de R$ 3.873.752,64, o que somente ocorrera em 26/04/2012. · A diferença entre o imposto recolhido, em 14/10/2011, no valor de R$ 250.084.118,14, e o efetivamente devido em decorrência do ajuste no preço de venda, no valor de R$ 248.753.055,24, gerou direito à realização de um pedido de restituição do imposto pago a maior, o que foi requerido mediante a apresentação do PER/DCOMP nº 27333.77209.291112.2.2.049361, em 29/11/2012. · O Auto de Infração seria nulo por afronta ao devido processo legal, vez que não poderia o auditor fiscal, por meio de auto de infração, contestar a apuração do imposto que se pretende ver restituído. A análise acerca do PER/DCOMP deveria seguir o rito processual previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, aplicável em caso de indeferimento pela autoridade competente, qual seja o titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio do contribuinte. · Desconsiderar o redutor do preço de venda previsto no contrato de compra e venda das ações, para fins de apuração do ganho de capital, desrespeita o art. 43 do CTN, vez que o fato gerador do imposto de renda, conforme definido no sistema tributário nacional, restringese, tão somente, ao acréscimo patrimonial. · O recolhimento do imposto realizado em 14/10/2011 não estaria sujeito a multa ou juros de mora, em razão da regularidade do processo de Consulta protocolado pelo Contribuinte antes do prazo de vencimento do tributo. Foram cumpridos todos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e na Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, e a Consulta foi recepcionada e apreciada pela Receita Federal do Brasil, não havendo dúvida de que se tratou de uma consulta eficaz. · Seria inaplicável ao presente caso o § 5º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, que prevê a não suspensão do prazo para recolhimento do tributo objeto de Consulta, quando se trata de imposto sujeito à retenção na fonte ou autolançamento. A referida norma somente se aplicaria a situações em que responsáveis tributários ou contribuintes de direito (e não de fato) pudessem se valer do instituto da Consulta para obter um benefício financeiro, quando o ônus do tributo já tivesse sido suportado pelo Contribuinte de fato, o que somente poderia ocorrer na sistemática de retenção na fonte, ou em relação a tributos chamados indiretos em que o ônus financeiro é repassado à pessoa seguinte na cadeia. Interpretar o § 5º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, de forma a ser aplicável ao presente caso, fere o § 2º do art. 161 do CTN, que confere ao contribuinte a garantia de não ser penalizado enquanto esteja pendente uma resposta definitiva do fisco a respeito da incidência ou não do tributo consultado. · O imposto foi recolhido na data em que o Contribuinte teve ciência sobre a revogação da medida liminar que suspendia os efeitos da alienação, em 14/10/2011, mas este Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721581/201342 Acórdão n.º 2201002.659 S2C2T1 Fl. 4 5 poderia ter aguardado 30 (trinta) dias da ciência da decisão administrativa do processo de Consulta para efetuar o recolhimento. Assim, resta demonstrada a inexistência de mora e a ausência de prejuízo ao Fisco. · Mesmo que não fossem considerados os efeitos da consulta administrativa, o fato gerador do tributo somente se materializara, nos termos do art. 3º da Lei nº 7.713/88, no dia 14/10/2011, com a revogação da liminar que suspendera os efeitos da alienação. Assim, o prazo para recolhimento do imposto seria 30/11/2011. A 3ª Turma da DRJ/SDR, na sessão de 29/08/2013, pelo Acórdão nº 1533212, de fls. 307 e seguintes, julgou a Impugnação procedente em parte concluindo que a devolução, em 26/04/2012, de parte do pagamento recebido quando da assinatura do contrato de compra e venda, em 01/08/2011, não decorreu de um fato superveniente à ocorrência do fato gerador, mas sim da quantificação do valor de venda das ações, que estava vinculado ao valor da “Divida Líquida no Fechamento”, excluindo o montante de R$ 581.062,90, juntamente com os acréscimo legais, nos seguintes termos: GANHO DE CAPITAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES. PREÇO DETERMINÁVEL. Em se tratando de contrato de compra e venda de ações com preço determinável, o valor de venda para efeito de apuração do ganho de capital decorrente da alienação é o valor de venda estabelecido no contrato, com os ajustes contratuais, sejam eles positivos ou negativos. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA PARA DESCARACTERIZAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A suspensão dos efeitos do negócio jurídico tributável não faz desaparecer o fato gerador e sua correspondente obrigação tributária, nascida na celebração de situação jurídica definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável. O Contribuinte foi notificado do Acórdão, pelo AR de fls. 319, em 01/10/2013, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 321 e seguintes, em 29/10/2013, aduzindo: · Preliminar de inovação de pela DRJ. A Autoridade Lançadora fundamentou o Auto de Infração no fato de ter havido no presente caso um autorecolhimento não sendo aplicável o caput do art. 14 da IN RFB nº. 740/07, enquanto a 3ª Turma da DRJ/SDR julgou improcedente a impugnação com base no argumento de ter havido no presente caso um autolançamento, aplicando §5º do art. 14 da IN RFB nº. 740/07. · Reafirma nos moldes da Impugnação a regularidade da dedução do valor restituído pelo Contribuinte à compradora das ações, requerendo a manutenção da exclusão do crédito tributário excluído pelo Acórdão aquo. · Requer a não imposição de penalidades moratórias, pois o prazo de pagamento estaria suspenso na forma do art. 14 da IN RFB nº 740/07, uma vez que se trata de Consulta eficaz e protocolada antes do vencimento do prazo. · Não ocorrência do fato gerador diante da medida liminar proferida em sede de ação cautelar. Desta feita argumenta que em vista da decisão judicial proferida, não há que se falar em operação que caracteriza efetiva alienação, nos termos do art. 3º, §3º da Lei nº 7.713/88, pois que, embora o Contribuinte tenha recebido os respectivos recursos financeiros, manteve, por força da medida liminar, a titularidade jurídica sobre as ações Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 objeto do contrato de alienação, logo, o fato gerador só se aperfeiçoou em 14/10/2011 quando publicada decisão cassando a medida liminar. Com base no art. 1º da Portaria MF nº 03/08 e no art. 34 do Decreto nº 70.235/72, o crédito tributário excluído merece apreciação da presente instância administrativa em razão de Recurso de Ofício, para reexame necessário da matéria. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O Recurso de Ofício reúne os requisitos de admissibilidade, inclusive o requisito específico de admissibilidade previsto na Portaria MF nº 3/08. I. DO RECURSO VOLUNTÁRIO I.1. Preliminar de Nulidade em razão de Inovação do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido O Contribuinte argumenta haver ocorrido mudança de critério jurídico por parte da 3º Turma da DRJ/SDR, pois “conforme se percebe a partir do trecho acima em destaque, enquanto o Sr. Auditor Fiscal fundamentou o auto de infração no fato de ter havido no presente caso um autorecolhimento (que ocorreu como o recolhimento do IRPF pelo Recorrente), a Turma julgadora, por sua vez, julgou improcedente a Impugnação com base no argumento de que o disposto no art. 14 da IN 740/2007 não seria aplicável. Da argumentação do Contribuinte não se verifica o alegado, mesmo com base nas citações colacionadas à peça recursal. A fundamentação do Auto de Infração não está na existência de auto recolhimento do IRPF conforme sustentado pelo Contribuinte. A expressão empregada no Relatório Fiscal de fls. 147 é autolançamento, nomenclatura que corresponde ao lançamento por homologação, onde o próprio contribuinte apura e efetua o lançamento do tributo que será posteriormente homologado pela Autoridade Tributária. O parágrafo 23 do Relatório Fiscal expõe que tendo em vista a determinação do §5º do art. 14 da IN RFB nº 740/07, não suspensão do prazo de recolhimento do tributo, o contribuinte não pode efetuar o recolhimento do tributo após o prazo legal sem os acréscimos legais (juros e multa de mora) tendo por base o caput do próprio art. 14 do referido ato regulamentar. Já o acórdão aquo aponta que o recolhimento do tributo fora do prazo para o recolhimento previsto no art. 21, §1º da Lei nº 8.981/95, sem os encargos moratórios, acarreta a imputação proporcional do valor recolhido, conforme calculado no lançamento fiscal. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721581/201342 Acórdão n.º 2201002.659 S2C2T1 Fl. 5 7 O acórdão recorrido, quando da análise da argumentação do Contribuinte, sobre a aplicação do §5º do art. 14 da IN RFB nº 740/07 somente às situações onde o recolhimento é efetuado pelo responsável tributário ou contribuinte de direito, o acórdão recorrido afasta esta argumentação apontando que inexiste a restrição alegada, mas sim uma determinação quanto a não suspensão do prazo de recolhimento prevista no §5º do art. 14 da IN RFB nº 740/07. Verificase que ambas as manifestações das Autoridades Tributárias anteriores afirmam ao Contribuinte que diante da impossibilidade de suspensão do crédito tributário, o recolhimento do tributo fora do prazo acarreta, necessariamente, a incidência dos encargos moratórios. Diante do exposto, rejeito a preliminar nulidade pela existência de mudança de critério jurídico no acórdão recorrido. I.2. Da Incidência das Penalidades Moratórias O Contribuinte defende que teria o direito à suspensão do prazo para recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital diante da apresentação de Consulta eficaz protocolada antes do vencimento do prazo para pagamento do imposto, nos termos do art. 14 da IN RFB nº 740/07. Tanto a Autoridade Lançadora quanto a 3ª Turma da DRJ/SDR compreenderam que o prazo para recolhimento não se quedava suspenso, assim o pagamento após o termo do prazo acarreta a incidência dos encargos moratórios. A decisão da DRJ foi entendeu que: O impugnante questiona a aplicação ao presente caso do § 5º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, que prevê a não suspensão do prazo para recolhimento do tributo objeto de consulta, quando se trate de imposto sujeito à retenção na fonte ou autolançamento, conforme abaixo transcrito: Art. 14 A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. ... § 5º A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado, antes ou depois de sua apresentação, nem para entrega de declaração de rendimentos ou cumprimento de outras obrigações acessórias. ... Alega que a referida norma somente se aplicaria a situações em que responsáveis tributários ou contribuintes de direito (e não de fato) pudessem se valer do instituto da consulta para obterem um benefício financeiro, quando o ônus do tributo já tivesse sido suportado pelo contribuinte de fato, o que somente poderia ocorrer na sistemática de retenção na fonte, ou em relação a tributos chamados indiretos em que o ônus financeiro é repassado à pessoa seguinte na cadeia. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Contudo, inexiste a restrição alegada pelo impugnante, mas sim uma determinação normativa positivada tanto no § 5º do art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 2007, quanto no art. 48 do Decreto nº 70.235, de 1972, prevendo a não suspensão do prazo de recolhimento de impostos sujeitos ao autolançamento na pendência de consulta formulada pelo devedor, situação verificada no presente caso. Ainda, quanto ao questionamento de ilegalidade do referido dispositivo normativo frente ao disposto no § 2º do art. 161 do CTN, tratase de matéria reservada ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada na via administrativa. Ou seja, a DRJ entendeu que, o caso sob análise, tratase de autolançamento e, portanto, não haveria a suspensão do prazo para pagamento do tributo em razão de Consulta formulada à Receita Federal. Pois bem. Com toda vênia ao entendimento da DRJ, acredito que essa não seja a melhor interpretação a ser ofertada ao caso em comento. De fato, o disposto no § 5º do art. 14 da IN/RFB nº 740/07 aplicase aos casos autolançamento, porém entendo que deve ser compreendido como autolançamento para o presente fim, o imposto já declarado pelo contribuinte. Isso porque se o contribuinte já declarou o imposto, já identificou o mesmo como devido, não devendo a Consulta se valer como expediente para suspender o prazo do pagamento do tributo. Se há dúvida quanto à incidência ou não do tributo, a formulação da Consulta deve ser prévia a sua declaração (autolançamento), sob pena de não haver a suspensão do prazo de vencimento do tributo. No caso em questão, entendo que não houve autolançamento, o Contribuinte não declarou o imposto, pelo contrário, formulou a Consulta antes do prazo de vencimento do mesmo. Assim, entendo inaplicável o disposto no § 5º do art. 14 da IN/RFB nº 740/07. Assim, entendo que ao caso em questão deve ser aplicada a regra geral contida no caput do art. 14 da IN/RFB nº 740/07, qual seja: Art. 14 A consulta eficaz, formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Da leitura do referido dispositivo legal, verificase que a Consulta eficaz, protocolada antes do vencimento do tributo, afasta a aplicação de multa de mora e juros de mora em até trinta dias contados da data da ciência da Consulta pelo contribuinte. Neste diapasão, podese depreender que o contribuinte tem trinta dias para efetuar o pagamento do tributo sem multa e juros de mora em casos de Consulta eficaz e protocolada antes do prazo de vencimento do tributo. O § 2º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) afasta a incidência de juros de mora em caso de pendência de resposta a Consulta formulada antes de vencido o prazo para pagamento do tributo. Confirase: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721581/201342 Acórdão n.º 2201002.659 S2C2T1 Fl. 6 9 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A interpretação acima também se coaduna com os arts. 48 e 49 do Decreto nº 70.235/72, que determinam a impossibilidade de instauração de qualquer procedimento fiscal a partir da apresentação da Consulta, salvo nas hipóteses de tributo retido ou autolançamento: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. Inclusive, assim o entendimento exarado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 17, de 03 de julho de 2003. Confirase: 7. Tendo em vista que, no que se refere a essa questão, o ordenamento jurídico não sofreu alteração, conforme arts. 161, § 2o, do CTN, 48 e 49 do Decreto no 70.235, de 1972, e 14, § 5o, da IN SRF no 230, de 2002, cabe ratificar o teor do Parecer Normativo CST no 67, de 1977, para consagrar o entendimento de que, relativamente aos tributos que se refiram à matéria consultada cujo vencimento do prazo para pagamento ocorra após a apresentação da consulta na unidade preparadora do processo, não se exigem os encargos decorrentes da mora nos pagamentos efetuados até o trigésimo dia da ciência da decisão que solucionar a respectiva consulta ou até o seu vencimento, se superior a esse prazo. 8. Registrese todavia que tal entendimento não se aplica na hipótese de tributos cujo ônus financeiro é suportado por ou repassado a outrem – “contribuinte de fato” –, mas a responsabilidade pelo recolhimento aos cofres públicos é legalmente atribuída ao consulente – “contribuinte de direito” –, que é o caso dos tributos “retidos na fonte” e dos “autolançados”. Também não encontra abrigo jurídico a suspensão, em virtude de formalização de processo de consulta, de prazo de entrega de declaração de rendimentos e de prazo para cumprimento de outras obrigações acessórias, vencidos no curso do referido processo. 8.1 Nesse ponto, considerando que atualmente a maioria dos tributos enquadramse na modalidade de lançamento por homologação, impropriamente denominada de autolançamento, convém esclarecer que os tributos “autolançados”, que constituem exceção ao entendimento acima esposado, não se confundem com os tributos sujeitos a modalidade de lançamento aqui referida. “Autolançados” são os tributos que, por determinação normativa, em virtude de sua forma de apuração, devem ser destacados no documento fiscal que ampare as movimentações ou as operações de compra e venda de produtos sujeitos a esses tributos. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Neste sentido, compreendo que como o Contribuinte apresentou Consulta, tida como eficaz, antes de vencido o prazo de recolhimento do tributo, diante expressa determinação do caput do art. 14 da IN RFB nº 740/07, afasto a imposição de multa e juros moratórios, restando também afastada a autuação 0002 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e direitos/ Falta de Recolhimento do Imposto Sobre Ganhos de Capital, prevista no Auto de Infração, de fls. 158. II. DO RECURSO DE OFÍCIO O acórdão recorrido conclui que a devolução, em 26/04/2012, de parte do pagamento recebido quando da assinatura do contrato de compra e venda, em 01/08/2011, não decorreu de um fato superveniente à ocorrência do fato gerador, mas sim da quantificação do valor de venda das ações, que estava vinculado ao valor da “Dívida Líquida no Fechamento”, em 31/07/2011. Por esse motivo, o valor recebido a maior pelo alienante (Contribuinte) na data de ocorrência do fato gerador, no montante de R$ 3.873.752,64, posteriormente devolvido ao adquirente, não compõe o valor de venda das ações, e deve ser excluído do ganho de capital apurado pela autoridade fiscal. A cláusula 2.2 do Contrato de Compra e Venda de Ações, de fls. 23, determina o preço de aquisição das ações e a cláusula 2.3 determina que o referido preço poderá sofrer um ajuste tanto para mais quanto para menos conforme apuração futura da dívida líquida da Sociedade no fechamento. Confirase: Cláusula 2.3. Ajuste do Preço de Aquisição. O Preço de Aquisição estará sujeito a um ajuste, para acima ou para baixo, com base na diferença entre o Preço de Aquisição e o Preço de Aquisição Ajustado, conforme abaixo definido: (a) Para os fins desta Cláusula 2.3: "Preço de Aquisição Ajustado" significa o Preço de Aquisição ajustado de acordo com a diferença, positiva ou negativa, entre (i) R$742.642.666,50; e (ii) a Dívida Líquida no Fechamento. (...) O cálculo da Divida Líquida no Fechamento será final, conclusiva e vinculante a cada urna das Partes do presente Contrato. Os Vendedores, de um lado, e a Compradora, de outro lado, deverão pagar os honorários e as despesas dos Contadores, em parte iguais. (...) (d) Caso o Preço de Aquisição (incluindo a Retenção) exceda o Preço de Aquisição Ajustado, (x) os Vendedores deverão efetuar o pagamento à Compradora da diferença, se existente, entre a Retenção e o Preço de Aquisição Ajustado em até 20 (vinte) dias da data em que o Contador Informar às Partes o valor da Dívida Liquida no Fechamento e do Preço de Aquisição Ajustado; ou (y) a Compradora deverá pagar aos Vendedores, em até 20 (vinte) dias da data em que o Contador informar às Partes os valores do Preço de Aquisição Ajustado e da Dívida Líquida no Fechamento, o saldo da Retenção descontado de quaisquer valores correspondentes à diferença entre o Preço de Aquisição (incluindo a Retenção) e o Preço de Aquisição Ajustado. Em que pese a redação susomencionada, o Auditor Fiscal compreendeu que a devolução do valor de R$3.873.752,64 ao comprador das ações seria evento ocorrido após o fato gerador, não tendo o condão de alterálo. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.721581/201342 Acórdão n.º 2201002.659 S2C2T1 Fl. 7 11 Com a devida vênia ao entendimento da Autoridade Lançadora entendo não ser esta a melhor a melhor compreensão do tema. Conforme redação do contrato, o ajuste realizado entre as parte que acarretou a devolução de R$ 3.873.752,64 faz parte do cálculo do preço, logo afeta o elemento quantitativo do fato gerador – preço. Assim, o preço efetivo da operação de alienação das ações não inclui o valor devolvido. O ajuste do preço da operação de venda, ainda que após o fato gerador, mas previamente estipulada no contrato impacta a base de cálculo do ganho de capital, devendo o contribuinte ajustar o referido valor, seja para recolher a diferença na hipótese de aumento do valor da venda, seja para solicitar repetição ou compensação na hipótese de redução do valor da venda. Neste contexto, mantémse a exclusão da Autuação 0001 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas não negociadas em Bolsa de Valores. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e quanto ao Recurso Voluntário, rejeito a preliminar e, no mérito, dou provimento. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13971.720663/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS APURADAS EM RELAÇÃO AOS VALORES INFORMADOS AO FISCO ESTADUAL. Correta a exigência que toma por referência receitas reconhecidas na escrituração do sujeito passivo, mas não computadas nas declarações e no cálculo dos tributos devidos.
MULTA PROPORCIONAL. QUALIFICAÇÃO. A prática de informar ao Fisco, em todos os meses dos anos-calendário examinados, valores de receitas significativamente inferiores àqueles reconhecidos em sua escrituração e informados ao Fisco Estadual, caracteriza evidente intuito de fraude e autoriza a aplicação de multa de ofício qualificada. AGRAVAMENTO. Afasta-se a majoração da penalidade se há dúvidas quanto à capitulação legal do fato e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos.
MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Se depois de estendido o prazo para apresentação dos arquivos magnéticos, concedendo-se ao sujeito passivo mais de 45 (quarenta e cinco) dias para sua apresentação, a entrega ainda assim se verifica com atraso, subsiste a multa calculada dentro do limite de 1% da receita da bruta do ano-calendário.
Numero da decisão: 1101-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições nulidade do lançamento; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior; 6) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa por atraso na apresentação de arquivos magnéticos, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento parcial ao recurso; e 7) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à representação fiscal para fins penais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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TÊXTIL LTDA (responsáveis tributários: Julian Jantsch e Ambrósio Jantsch) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS APURADAS EM RELAÇÃO AOS VALORES INFORMADOS AO FISCO ESTADUAL. Correta a exigência que toma por referência receitas reconhecidas na escrituração do sujeito passivo, mas não computadas nas declarações e no cálculo dos tributos devidos. MULTA PROPORCIONAL. QUALIFICAÇÃO. A prática de informar ao Fisco, em todos os meses dos anoscalendário examinados, valores de receitas significativamente inferiores àqueles reconhecidos em sua escrituração e informados ao Fisco Estadual, caracteriza evidente intuito de fraude e autoriza a aplicação de multa de ofício qualificada. AGRAVAMENTO. Afastase a majoração da penalidade se há dúvidas quanto à capitulação legal do fato e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos. MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Se depois de estendido o prazo para apresentação dos arquivos magnéticos, concedendose ao sujeito passivo mais de 45 (quarenta e cinco) dias para sua apresentação, a entrega ainda assim se verifica com atraso, subsiste a multa calculada dentro do limite de 1% da receita da bruta do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições nulidade do lançamento; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 63 /2 01 2- 51 Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 3 2 exigidos; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, votando pelas conclusões o Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior; 6) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa por atraso na apresentação de arquivos magnéticos, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso, que davam provimento parcial ao recurso; e 7) por unanimidade de votos, NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário relativamente à representação fiscal para fins penais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório R.S.I. TÊXTIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 20/03/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.608.898,61. A autoridade lançadora identificou omissão de receitas da atividade nos anos calendário 2008 e 2009, apurada mediante confronto entre as receitas informadas em DIPJ (lucro presumido)/DACON e aquelas informadas ao Fisco Estadual. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 733/748 estão descritos os ajustes promovidos a partir das declarações entregues ao Fisco Estadual (DIME e SINTEGRA), bem como indicadas as notas fiscais de devolução admitidas pela Fiscalização. No mês de novembro/2009, a omissão de receitas foi apurada a partir do valor escriturado nos livros fiscais, abatido das notas fiscais de devolução apresentadas. Durante o procedimento fiscal constatouse a interposição de pessoas no quadro social da pessoa jurídica, indício que, inclusive, exigiu a expedição de Requisição de Movimentação Financeira RMF às instituições financeiras nas quais a contribuinte manteve contas bancárias. Os sócios de direito, Maria Jantsch e Wolfgango Frederico Rausch são parentes dos verdadeiros sócios (Julian Jantsch e Ambrósio Jantsch). Além disso, a Fiscalização constatou que o imóvel no qual funcionava a administração estava, aparentemente, esvaziado, e apurou que seus equipamentos foram deslocados para a sede de Inova Indústria Têxtil Ltda, de propriedade de Julian Jantsch. Consta do Termo de Verificação Fiscal que a multa proporcional de ofício cabível sobre os valores dos tributos é a de 225%, qualificada e agravada com base nos parágrafos primeiro e segundo do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, em razão do intuito de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 e da falta de entrega dos arquivos magnéticos de notas fiscais (SINTEGRA). Ficou comprovado durante a fiscalização que o contribuinte mantém interpostas pessoas (laranjas) no quadro societário e declarou ao Fisco federal reiteradamente rendimentos inferiores aos declarados ao Fisco estadual, apresentando livros fiscais contendo dados incompatíveis com os declarados aos Fiscos e mantendo a omisso de receita à margem de sua contabilidade. Fica caracterizada, assim, a vontade conscientemente dirigida com o fim de reduzir tributos a recolher. Além disso, a Fiscalização exigiu multa por atraso na entrega de arquivos magnéticos, dado que a apresentação destes se verificou em 13/02/2012, depois de vencido o prazo estipulado, em 08/11/2011. Considerando que a lei estipula multa de 0,02% da receita bruta anual por dia de atraso, a multa aplicada correspondeu a 1% da receita bruta (R$ 137.973,31 para 2008 e R$ 168.412,33 para 2009). A autoridade fiscal lavrou Termos de Sujeição Passiva contra Julian Jantsch e Ambrósio Jantsch, imputandolhes responsabilidade pelos créditos tributários aqui constituídos, com fundamento no art. 135 do CTN, considerando a atuação destes como real sócio e administrador da RSI TEXTIL LTDA, agindo em infração à lei ao utilizar interpostas Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 5 4 pessoas no quadro societário e ao omitir rendimentos para reduzir tributos mediante fraude (fls. 695/698). A contribuinte e os responsáveis tributários apresentaram impugnações. A autuada questionou a lavratura de um único Termo de Verificação Fiscal, disse que a Fiscalização fundamentou a penalidade sem mencionar a legislação aplicável, alegou que não lhe foi oportunizado momento para se manifestar acerca da incongruência entre os valores informados aos Fiscos Estadual e Federal, negou ter agido com dolo e afirmou estar procedendo a auditoria para apurar as diferenças existentes. Ainda, asseverou que a fraude não restou comprovada, apontou incompatibilidade entre a multa regulamentar e os dispositivos legais que a fundamenta, afirmou inconstitucional a requisição de informações financeiras diretamente às instituições financeiras, negou a existência de embaraços à fiscalização, classificou de equivocadas a conclusão de que seria constituída por interpostas pessoas, bem como a alegação de que teria ocorrido o esvaziamento da impugnante, discordou dos efeitos atribuídos à notas de devolução e apontou diferenças em sua quantificação, arguiu ofensa a diversos princípios constitucionais e legais, discordou da penalidade aplicada e a classificou de confiscatória, e afirmou indevida a representação fiscal para fins penais. Os responsáveis tributários alegaram que a imputação de responsabilidade é matéria afeta à execução fiscal, e que a acusação fiscal se funda em presunção, inexistindo interesse comum ou o dolo em infração de lei, contrato social ou estatuto. Julian Jantsch acrescentou que não possui assento na administração da autuada. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 MEIO DE PROVA. INTIMAÇÃO. ENTREGA ESPONTÂNEA DE EXTRATOS BANCÁRIOS. LICITUDE. Rejeitase a preliminar de ilicitude da prova, uma vez que, no curso de procedimento fiscal regularmente instauro, o sujeito passivo devidamente intimado entregou espontaneamente ao Fisco os extratos bancários contendo sua movimentação financeira e bancária. Para lançar, o Fisco não se valeu da presunção legal de depósitos bancários de origens não comprovadas, mas apurou omissão de receitas de forma direta. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, inclusive garantido ao sujeito passivo no curso do procedimento fiscal a ampla defesa e o direito ao contraditório. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelo crédito correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 6 5 Constatada a omissão de receitas, essa deve ser tributada, no caso, com base no lucro presumido, obedecida a opção do contribuinte. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA. É cabível, ao mesmo tempo, qualificar e agravar a multa de ofício, no percentual total de 225%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo agiu, dolosamente, no sentido de reduzir indevidamente os tributos devidos, e, devidamente intimado, não entregar arquivos magnéticos de notas fiscais. Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2008, 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O descumprimento ou a inobservância de obrigação acessória, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O atraso na entrega de arquivos eletrônicos/magnéticos solicitados por meio de intimação fiscal enseja a aplicação de multa, nos termos da lei Cientificada da decisão de primeira instância em 25/11/2013 (fl. 1434), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 19/12/2013, reproduzindo suas razões em peças separadas para cada tributo exigido (fls. 1436/1659). Inicia sua defesa relatando a acusação fiscal e apontando que a fiscalização se valeu de um só Termo de Verificação Fiscal, no qual relata todos os seus fundamentos aplicáveis aos 04 (quatro) Autos de Infração. Anota também que a Fiscalização teria suposto que Maria Schroeder seria "laranja" dos Srs. Julian Jantsch e Sr. Ambrósio Jantsch, solicitando diversos documentos à empresa, emitindo RMF e tomando declarações, com base nos quais apurou todos os créditos de origem supostamente não justificada e presumiu trataremse de receitas omitidas pela Recorrente, aplicando multa agravada e qualificada, além de exigir multa por atraso na entrega de arquivos magnéticos, esta fundamentada em artigos de lei sem, contudo, mencionar qual a legislação aplicável. Na sequência, argúi a nulidade da decisão recorrida por omissão quanto a pontos importantes da impugnação, anotando que invocou uma série de conclusões equivocadas da fiscalização registradas no relatório fiscal, bem como elencou várias conclusões errôneas e indevidas capazes de gerar a nulidade dos lançamentos, mas nenhuma explicação plausível foi apresentada neste sentido, limitandose a autoridade julgadora a aduzir que o procedimento fiscal realizado pautouse pela estrita legalidade. Entende claro o cerceamento ao seu direito de defesa, pois a decisão deve apresentar motivação completa e minudente, além de ter em consideração todas as provas apresentada. Reprisa as alegações de nulidade do lançamento: · por violação ao princípio do contraditório, porque não lhe foi oportunizada manifestação sobre as incongruências entre os valores informados aos Fiscos Estadual e Federal, e estas informações se Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 7 6 prestaram ao arbitramento dos valores tributados, desconsiderandose os livros contábeis apresentados, embora ausente dolo; · por ausência de comprovação de fraude e de dolo específico, já que eventuais irregularidades não servem para comprovar o intuito doloso ou fraudulento, e todas as intimações fiscais foram respondidas, com evidente boafé; · por inconstitucionalidade da requisição de movimentação financeira aos bancos, vez que o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 fere o art. 5º, incisos X e XII da Constituição Federal, e demais disso a requisição destas informações mostrouse desnecessária, porque o lançamento se baseou em informações prestadas ao Fisco Estadual; · por ausência de embaraços à Fiscalização, dado que toda documentação ao seu alcance foi entregue ao Fisco, que pode adotar todos os procedimentos previstos nos artigos 431 a 448, e ainda poderia se valer o disposto no artigo 445 para buscar informações em outros estabelecimentos, de modo que o arbitramento promovido resulta em tributação injusta contra a contribuinte que agiu às claras e colaborou com a fiscalização); · em virtude da equivocada conclusão de que a recorrente é constituída por interpostas pessoas: há justificativas para Maria Schroeder não ter comparecido à SRFB quando intimada, e sua ausência não autoriza a conclusão de que ela não é sócia da recorrente, como consta de seu contrato social. Ademais, a condição de Maria Schroeder como sócia seria temporária, até Julian Jantsch retomar as quotas da pessoa jurídica, ao fim do processo de separação judicial litigiosa, como esclarecido à Fiscalização, inclusive no que tange à atuação de Ambrósio, na movimentação de produtos e serviços de facção; · em virtude da equivocada conclusão da fiscalização ao afirmar que ocorreu o esvaziamento da recorrente: a transferência da sede administrativa da pessoa jurídica para outro endereço foi comunicada à Fiscalização, que preferiu se valer de presunção; · em virtude de equivocada conclusão da fiscalização de geração de efeito tributário de notas fiscais de venda posteriormente devolvidas à recorrente: a fiscalização computou como receitas de vendas notas fiscais que foram devolvidas, e assim não geram efeito tributário. Demais disso, a fiscalização não esclareceu a diferença entre a "soma do valor das notas fiscais de devolução constante do quadro de fls. 07/13, ou seja R$ 681.788,00" e o "valor da venda constante do quadro de fls. 08/13, ou seja, R$ 1.251.141,56", em que pese esta cifra coincidir com a soma das notas constantes do anexo 1, não existe compatibilidade com o quantum de fls. 07/13; Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 8 7 · por uso de presunções e inobservância da obrigação de busca da verdade material: a DRJ teria apenas negado sua alegação sem, contudo, comprovar. De qualquer modo, não conseguiria comprovar a apuração de omissões de receitas de forma direta, pois houve efetivamente o uso de presunções. Seria solução cômoda a lavratura de auto de infração baseado em presunções, mas neste caso, é contrária à realidade dos fatos e à justiça. · por ofensa aos princípios da legalidade tributária, segurança jurídica, proporcionalidade e razoabilidade: só a lei pode fixar a base de cálculo de tributos, e a autoridade fiscal pretende exigir tributo de forma indevida, vez que não prova a omissão de receitas, valendose de presunções com cerceamento à defesa, além de ofensa ao princípio da segurança jurídica, revelandose o procedimento fiscal absolutamente inconstitucional. · por infração à Lei nº 9.784/99: a ação fiscal na forma antes descrita ofendeu vários dos princípios estampados nesta lei, e especialmente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, porque para que a atuação do agente seja lícito, deve ele se valer de meios legítimos, almejar fins legítimos e utilizar meios adequados, não estando autorizado a agir arbitrariamente. No caso, não é razoável supor que a contribuinte agiu com intuito de fraude, sem provas neste sentido, nem arbitrar a base de cálculo dos tributos, sem descaracterizar, fundamentadamente, a contabilidade da empresa. Discorda do agravamento e da qualificação da multa de ofício, porque não comprovado o dolo. Não foi comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, e mesmo na hipótese de fraude aventada pela Fiscalização é indispensável a demonstração da vontade ou intenção do agente de praticar o ato previsto como ilícito. E, no presente caso, o dolo não está presente na conduta da Recorrente, devendo ser declarada a total nulidade do auto de infração. Acrescenta que a jurisprudência administrativa jamais reconheceu a ocorrência de fraude, justificadora da multa agravada, quando o procedimento é às claras, e especialmente quando o contribuinte se ampara em entendimento legal sobre a matéria, como no presente caso. Cita que, segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, apenas existe o injusto culpável com o inadimplemento fraudulento, e reportase a julgados administrativos que exigiriam a demonstração minuciosa dos fatos e provas que denotem o dolo do contribuinte para aplicação da penalidade. Ademais, decisões deste Conselho não constatam ação fraudulenta sequer em situações nas quais as receitas do contribuinte não foram oferecidas à tributação quando deveriam. Faz referência a julgado administrativo acerca do agravamento da multa de ofício, mas assevera que inexiste fraude ou sonegação quando disponibilizado à fiscalização e esta teve em seu poder todos os documentos e elementos necessários para o lançamento. Destaca que não deixou de fornecer qualquer documento ou elemento necessário às verificações fiscais. Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 9 8 Opõese à presunção de conduta fraudulenta, pois dolo não se presume, diz que diante da falta de produção segura e inequívoca de elementos que comprovem a fraude e a sonegação, seria justo não se aplicar a penalidade como feito pelo Fisco, mas além do afastamento da multa requer o reconhecimento da nulidade do auto de infração. Argumenta, ainda, que a Fiscalização não indicou em qual inciso fundamentou a aplicação do disposto no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, postura que prejudica sua defesa. Complementa que a aplicação de penalidade no percentual de 225% apresenta manifesto caráter confiscatório, na forma de doutrina e jurisprudência que cita, discorda da interpretação dada pela autoridade julgadora de 1ª instância à vedação constitucional de confisco, e pede a declaração de nulidade do lançamento. Afirma indevida a representação fiscal para fins penais, apontando erros na acusação fiscal, reafirmando a inexistência de dolo, como antes demonstrado e concluindo que resta caracterizada a falta de justa causa para qualquer enquadramento penal. Em exame preliminar dos autos esta Conselheira constatou que os responsáveis tributários não haviam sido cientificados da decisão de 1ª instância, e por meio do despacho de fls. 1668 devolveu os autos à origem para esta providência. Cientificados em 28/07/2014 (fls. 1674/1675), os responsáveis tributários não apresentaram recurso voluntário. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente cumpre apreciar a arguição de nulidade da decisão recorrida, e afastála, na medida em que não houve qualquer omissão e o inconformismo da recorrente resulta, em verdade, das manifestações desfavoráveis ao seu entendimento, ali consignadas. Diz a recorrente que invocou uma série de conclusões equivocadas da fiscalização registradas no relatório fiscal, bem como elencou várias conclusões errôneas e indevidas capazes de gerar a nulidade dos lançamentos, mas nenhuma explicação plausível foi apresentada neste sentido. Por sua vez, as alegações veiculadas em impugnação são idênticas àquelas deduzidas no recurso voluntário, a seguir sintetizadas e acompanhadas da resposta apresentada pela autoridade julgadora de 1ª instância: · por violação ao princípio do contraditório, porque não lhe foi oportunizada manifestação sobre as incongruências entre os valores informados aos Fiscos Estadual e Federal, e estas informações se prestaram ao arbitramento dos valores tributados, desconsiderandose os livros contábeis apresentados, embora ausente dolo: No caso vertente, de forma alguma houve qualquer violação às regras legais do Decreto nº 70.235/1972 PAF, seja quanto aos requisitos obrigatórios que norteiam a atividade de lançamento, seja quanto à descrição das infrações imputadas, seja quanto à capitulação legal das infrações, seja quanto à imputação de responsabilidade solidária às pessoas arroladas como tal nos correspondentes Termos de Sujeição Passiva, anteriormente já mencionados. Ao contrário, o que se percebe é que tanto a Impugnante como as demais pessoas arroladas como responsáveis tributário tinham pleno conhecimento de todos os fatos da autuação, seja no tocante à matéria tributável determinada nos autos de infração, seja quanto aos aspectos fáticos e legais que justificaram a imputação de responsabilidade. Ainda, ao longo do procedimento fiscal, foram feitas diversas intimações para que fossem apresentados documentos e esclarecidas as constatações fiscais. É completamente descabida a alegação que, no curso da marcha processual, seja o contribuinte, a empresa RSI Têxtil Ltda, sejam as pessoas arroladas como responsáveis tributários, Julian e Ambrósio Jantsch, tenham sido privados do contraditório ou da ampla defesa. Mais ainda, devidamente intimados dos autos de infração e respectivos termos e demonstrativos fiscais, foram apresentadas defesas onde o sujeito passivo e demais responsáveis tributários demonstraram pleno conhecimentos dos fatos e infrações que lhe foram impostas pelo Fisco. Ademais, vale ressaltar que os Autos de Infração contêm todos os requisitos legais necessários à sua validade, previstos tanto no art. 142, do CTN, como no art. 10, do Decreto nº 70.235/1972. Não há, pois, qualquer imperfeição que macule as exigências, nem qualquer ilegalidade na consecução do presente lançamento, nem Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 11 10 qualquer dificuldade para que o contribuinte e demais pessoas arroladas como responsáveis tributários exercessem o direito constitucional à ampla defesa. · por ausência de comprovação de fraude e de dolo específico, já que eventuais irregularidades não servem para comprovar o intuito doloso ou fraudulento, e todas as intimações fiscais foram respondidas, com evidente boafé: Primeiramente, diante dos fatos narrados no TVF, a Fiscalização entendeu presente, no caso concreto, os pressupostos definidos em lei e necessários à qualificação. À luz da legislação pertinente, constitui hipótese de qualificação da multa de ofício a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, nos seguintes termos: (i) sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; (ii) fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; (iii) e conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos anteriormente como sonegação ou fraude. Logo, as ações caracterizadas como sonegação ou fraude (o conluio é o ajuste que combina ambas), nos termos acima definidos, são as que autorizam a qualificação da multa. Ocorre que as irregularidades existentes que envolveram a empresa autuada, devidamente apontadas pela Fiscalização no TVF, indubitavelmente caracterizam a conduta dolosa perpetrada pela Impugnante, no intuito de reduzir indevidamente o pagamento de tributos, notadamente pela(s): (i) manutenção de interposta pessoa no seu quadro societário, (ii) reiteradas declarações ao Fisco Federal de receitas inferiores às declaradas ao Fisco Estadual, (iii) apresentação de livros fiscais contendo dados incompatíveis com os informados ao Fisco Estadual e (iv) manutenção de receitas à margem da contabilidade. Vislumbrase, nessa montagem, a sonegação ou a fraude, nos termos definidos na Lei 4.502, de 1964 (acima transcrita), fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%. · por inconstitucionalidade da requisição de movimentação financeira aos bancos, vez que o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 fere o art. 5º, incisos X e XII da Constituição Federal, e demais disso a requisição destas informações mostrouse desnecessária, porque o lançamento se baseou em informações prestadas ao Fisco Estadual: A Impugnante defendeu que é inconstitucional o acesso direto pela RFB aos dados bancários dos contribuintes, sem autorização judicial. Primeiramente, salientese que, afora a questão de ser constitucional ou não a utilização pelo Fisco de RMF para obter dados relativos às movimentações bancárias dos contribuintes e delas valerse para lançar, no presente lançamento as infrações impostas não se arrimam na movimentação financeira mantida pelo sujeito passivo junto às instituições bancárias. A Fiscalização não se valeu da presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origens não comprovadas (art. 42, da Lei nº 9.430/1996), mas apurou omissão de receitas de Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 12 11 forma direta em função das divergências levantadas nas declarações prestadas ao Fisco estadual quando comparadas com as informações existentes nas DIPJ, DACON, contabilidade e livros fiscais do contribuinte. No curso do procedimento fiscal, em 27/10/2011, o Fisco, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 01, solicitou ao Fiscalizado que listasse suas contas bancárias e respectivas instituições financeiras e fornecesse os correspondentes extratos. Tal solicitação foi atendida na resposta datada de 03/11/2011, item “8”, a saber: “8) Seguem em anexo extratos bancários de 2008. Também seguem os extratos bancários de 2009, sendo que os relativos aos bancos: Unibanco, HSBC e Real (para o período de fevereiro/2009 a dezembro/2009) foram requisitados aos mesmos, requerendose prazo para apresentação, estimado em 15 a 20 dias pelos bancos. As contas bancárias são as que constam dos extratos em anexo.” (Grifos do original) Como se vê, os extratos bancários foram obtidos pelo Fisco de forma lícita e legítima. Lícita porque sem contrariedade a qualquer dispositivo de lei material; e legítima, havia um procedimento fiscal instaurado em nome do contribuinte e o exame dos documentos bancários era necessário para a verificação da regularidade de sua situação fiscal. Posteriormente, dando prosseguimento à ação fiscal, a Fiscalização entendeu necessária a emissão de RMF para complementar os extratos já apresentados. Abaixo transcreve um trecho do TVF que relata o procedimento adotado: “Para confirmar a interposição de pessoa, ratificando informações constantes na lista telefônica interna da Fiscalizada, que registram Julian Jantsch e Ambrósio Jantsch como seus diretores, solicitamos a emissão de RMF, inclusive para complementar os extratos bancários apresentados. A emissão de RMF foi considerada imprescindível para a comprovação do uso de Maria Schroeder como laranja de Julian e Ambrósio Jantsch, inclusive para responsabilizar pessoalmente os reais detentores dos recursos por suas ações.” (Grifouse) Portanto, está claro que a emissão de RMF pelo Fisco o foi para complementar os extratos bancários que já haviam sido espontaneamente apresentados pelo contribuinte e no intuito apenas de obter dados cadastrais que confirmassem a utilização por Julian e Ambrósio Jantsch de Maria Schroeder como interposta pessoa. Por sua vez, a imputação de responsabilidade tributária a Julian e Ambrósio Jantsch se deu com base noutras provas produzidas pelo Fisco no curso do procedimento fiscal. Adiante a questão da responsabilidade tributária está devidamente apreciada. Enfim, as provas obtidas pelo Fisco para lançar e imputar responsabilidade tributária foram obtidas de forma lícita e legítima e em nada se ligam à discussão judicial estabelecida em torno da constitucionalidade ou não da emissão de RMF diretamente pelo Fisco. · por ausência de embaraços à Fiscalização, dado que toda documentação ao seu alcance foi entregue ao Fisco, que pode adotar todos os procedimentos previstos nos artigos 431 a 448, e ainda poderia se valer o disposto no artigo 445 para buscar informações em outros estabelecimentos, de modo que o arbitramento promovido resulta em tributação injusta contra a contribuinte que agiu às claras e colaborou com a fiscalização): A Fiscalização, para lançar, seguiu a opção do contribuinte pelo regime do lucro presumido nos períodos fiscalizados. Portanto, não houve nenhum arbitramento do lucro como em certos pontos da impugnação diz a defesa. Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 13 12 À luz da legislação fiscal pertinente, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, para as empresas optantes do regime de tributação com base no lucro presumido, são determinadas mediante a aplicação dos percentuais fixados, respectivamente, nos arts. 15 e 20, da Lei nº 9.249, de 1995 (com redação da Lei nº 10.684, de 2003), bem como pelas determinações dos arts. 25 e 29, da Lei nº 9.430, de 1996. No caso vertente, as bases do IRPJ e CSLL foram determinadas pela aplicação dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, incidentes sobre as omissões de receitas apuradas. No TVF, constam os demonstrativos fiscais que as especificam (Tabela 1 a 3). · em virtude da equivocada conclusão de que a recorrente é constituída por interpostas pessoas: há justificativas para Maria Schroeder não ter comparecido à SRFB quando intimada, e sua ausência não autoriza a conclusão de que ela não é sócia da recorrente, como consta de seu contrato social. Ademais, a condição de Maria Schroeder como sócia seria temporária, até Julian Jantsch retomar as quotas da pessoa jurídica, ao fim do processo de separação judicial litigiosa, como esclarecido à Fiscalização, inclusive no que tange à atuação de Ambrósio, na movimentação de produtos e serviços de facção: Como evidencia o TVF e a própria defesa, Julian e Ambrósio Jantsch exerciam funções importantes na empresa. Ambrósio, pai de Julian, cuidava da parte operacional e seu filho da administração. Embora a defesa alegue que eles não detinham poder de mando, não há como exercer tais funções sem possuir autonomia para tomar as decisões que se façam necessárias no diaadia das operações que acontecem na empresa. Mais ainda, Maria Schroeder (Jantsch, nome de solteira) e Wolfgango Frederico Rausch são parentes de Ambrósio e Julian (Maria é tia de Ambrósio que o criou). E não administravam a RSI. Mesmo porque, como diz a própria defesa, Maria tem idade avançada e sérios problemas de saúde, o que, por evidente, a impede de estar à frente dos negócios da RSI, que demandam uma razoável capacidade física e mental para gerenciar e administrar o empreendimento da RSI TEXTIL LTDA. Outro fato importante que demonstra o poder de mando de Julian Jantsch foi que ele transferiu para outro estabelecimento a administração da RSI, deslocando os equipamentos que permitiam tal atividade para a sede da pessoa jurídica INOVA INDUSTRIA TEXTIL LTDA, CNPJ 07.822.279/000138, de sua propriedade. Por óbvio, somente quem tem poder de mando e efetivamente é administrador pode tomar uma decisão dessa magnitude, considerando ainda que a escolha do novo local para sediar a administração da RSI recaiu onde já funcionava outro estabelecimento comercial de propriedade de Julian Jantsch. Também não se pode deixar de notar que a própria defesa disse que “a condição da Maria Schroeder (como sócia da RSI) é temporária, enquanto persiste a impossibilidade de Julian retomar a empresa, uma vez que este esteve em processo de separação judicial litigiosa, com repercussões patrimoniais”. Ao que parece a condição de sócia meramente formal de Maria Schroeder seria apenas para burlar um processo judicial de separação litigiosa, no intuito de esconder a real e verdadeira condição de Julian Jantsch na sociedade? Julian seria efetivamente sócio, mas precisa ocultar da justiça a propriedade das cotas da RSI TEXTIL, porque é parte litigante em processo judicial, no qual há repercussões patrimoniais? É evidente que a situação narrada pela própria defesa revestese de um forte indício que Julian Jantsch é um dos donos da RSI TEXTIL. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 14 13 · em virtude da equivocada conclusão da fiscalização ao afirmar que ocorreu o esvaziamento da recorrente: a transferência da sede administrativa da pessoa jurídica para outro endereço foi comunicada à Fiscalização, que preferiu se valer de presunção: Outro fato importante que demonstra o poder de mando de Julian Jantsch foi que ele transferiu para outro estabelecimento a administração da RSI, deslocando os equipamentos que permitiam tal atividade para a sede da pessoa jurídica INOVA INDUSTRIA TEXTIL LTDA, CNPJ 07.822.279/000138, de sua propriedade. Por óbvio, somente quem tem poder de mando e efetivamente é administrador pode tomar uma decisão dessa magnitude, considerando ainda que a escolha do novo local para sediar a administração da RSI recaiu onde já funcionava outro estabelecimento comercial de propriedade de Julian Jantsch. · em virtude de equivocada conclusão da fiscalização de geração de efeito tributário de notas fiscais de venda posteriormente devolvidas à recorrente: a fiscalização computou como receitas de vendas notas fiscais que foram devolvidas, e assim não geram efeito tributário. Demais disso, a fiscalização não esclareceu a diferença entre a "soma do valor das notas fiscais de devolução constante do quadro de fls. 07/13, ou seja R$ 681.788,00" e o "valor da venda constante do quadro de fls. 08/13, ou seja, R$ 1.251.141,56", em que pese esta cifra coincidir com a soma das notas constantes do anexo 1, não existe compatibilidade com o quantum de fls. 07/13: A defesa, por sua vez, diz que foi equivocada a conclusão do Fisco quanto aos efeitos tributários das notas fiscais de venda posteriormente devolvidas. Salienta que essas notas não geram efeitos tributários. Registra, ainda, que o Fisco não esclarece a diferença entre a soma da Tabela “1”, de R$681.788,00 (notas fiscais de devolução), com o valor constante da Tabela “2”, de R$1.251.141,56 (devoluções comprovadas). No entanto, não há nenhuma incoerência nos demonstrativos fiscais, consolidados nas Tabelas de “1” a “3”, devidamente explicadas no TVF. Nesse sentido, para determinação das omissões de receitas (consolidadas na Tabela “3”), foram utilizadas as informações constantes nas DIME (Fisco Estadual), salvo quanto às notas fiscais não declaradas, quando foram utilizadas as informações do SINTEGRA, corrigidos pela adição daquelas notas omitidas (Tabela “1”). Ilustrando, na Tabela “1” está indicada a nota de devolução nº 43034, no valor de R$32.752,80, emitida em 07/02/2008, cuja correspondente nota fiscal devolvida, emitida no mesmo valor, é a de nº 42779, de 17/01/2008 (nota esta não declarada na DIME). Para corrigir, na Tabela “2”, para o mês de janeiro/2008, o valor das vendas consideradas, de R$613.538,20 é igual ao valor das vendas do SINTEGRA, de R$580.785,40, mais o valor da nota fora do SINTEGRA, de R$32.752,80. Assim, foi corrigido o valor da base para o mês de janeiro de 2008. A seguir, no mês de fevereiro de 2008, foi deduzido do total das vendas consideradas, de R$1.178.232,07, o total das devoluções comprovadas, de R$205.433,40, o qual inclui naturalmente o valor de R$32.752,80, relativo à nota fiscal de devolução nº 43034, de 07/02/2008. E, como se vê, na Tabela “2”, o valor de R$1.178.232,07, é composto pelo valor das vendas SINTEGRA, de R$1.086.913,07, mais as notas fora do SINTEGRA, de R$91.319,00 (notas devolvidas – objeto de devolução no mesmo mês ou em mês posterior – emitidas em fevereiro/2008, devidamente relacionadas na Tabela “1”, cujos valores são: 7.475,00 + 21.012,00 + 17.880,00 + 44.952,00 = 91.319,00). E assim sucessivamente de março a dezembro de 2008, considerados os efetivos períodos, Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 15 14 que nem sempre são coincidentes, das notas de devolução com as correspondentes notas devolvidas. Resumindo, a Tabela “1” serve apenas para correção, na medida em que identifica as notas de devolução cujas respectivas notas devolvidas não foram declaradas ao Fisco Estadual. Nesses casos, para corrigir, observados os efetivos períodos de emissão dessas notas (de devolução e a respectiva devolvida), foram utilizados dados do SINTEGRA, e não da DIME. Na Tabela “2”, as devoluções comprovadas foram totalmente consideradas que somadas essas perfazem R$1.251.141,56, em 2008, e R$269.686,64, em 2009. E, finalmente, a Tabela “3” consolida as bases de cálculo consideradas no lançamento, levantada, em cada mês, pela diferença entre a receita de vendas menos devoluções (Tabela “2”) e a receita declarada em DIPJ/DACON. Em suma, as Tabelas de “1” a “3” consolidam as bases de cálculo levantadas, tomando, em cada mês, como vendas consideradas a soma dos valores de todas as notas fiscais emitidas (as devoluções acontecidas foram consideradas no efetivo mês de devolução da mercadoria) deduzidos de todos valores das notas de devoluções (acontecidas no mês de competência). · por uso de presunções e inobservância da obrigação de busca da verdade material: a DRJ teria apenas negado sua alegação sem, contudo, comprovar. De qualquer modo, não conseguiria comprovar a apuração de omissões de receitas de forma direta, pois houve efetivamente o uso de presunções. Seria solução cômoda a lavratura de auto de infração baseado em presunções, mas neste caso, é contrária à realidade dos fatos e à justiça: Primeiramente, salientese que, afora a questão de ser constitucional ou não a utilização pelo Fisco de RMF para obter dados relativos às movimentações bancárias dos contribuintes e delas valerse para lançar, no presente lançamento as infrações impostas não se arrimam na movimentação financeira mantida pelo sujeito passivo junto às instituições bancárias. A Fiscalização não se valeu da presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários de origens não comprovadas (art. 42, da Lei nº 9.430/1996), mas apurou omissão de receitas de forma direta em função das divergências levantadas nas declarações prestadas ao Fisco estadual quando comparadas com as informações existentes nas DIPJ, DACON, contabilidade e livros fiscais do contribuinte. · por ofensa aos princípios da legalidade tributária, segurança jurídica, proporcionalidade e razoabilidade: só a lei pode fixar a base de cálculo de tributos, e a autoridade fiscal pretende exigir tributo de forma indevida, vez que não prova a omissão de receitas, valendose de presunções com cerceamento à defesa, além de ofensa ao princípio da segurança jurídica, revelandose o procedimento fiscal absolutamente inconstitucional: O Impugnante argumentou ainda que a imposição da penalidade fere a princípios constitucionais, tais como, NãoConfisco, Proporcionalidade e Capacidade Contributiva. Entretanto, vale considerar que o princípio contido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Cumpre ressaltar ainda que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza. Vale esclarecer que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 16 15 excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). · por infração à Lei nº 9.784/99: a ação fiscal na forma antes descrita ofendeu vários dos princípios estampados nesta lei, e especialmente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, porque para que a atuação do agente seja lícito, deve ele se valer de meios legítimos, almejar fins legítimos e utilizar meios adequados, não estando autorizado a agir arbitrariamente. No caso, não é razoável supor que a contribuinte agiu com intuito de fraude, sem provas neste sentido, nem arbitrar a base de cálculo dos tributos, sem descaracterizar, fundamentadamente, a contabilidade da empresa: No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria, não há como negar efetividade à cobrança da multa de ofício lançada sob o argumento acerca de sua natureza confiscatória ou da violação aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e moralidade. Ainda com referência aos vícios indicados na impugnação, a autoridade julgadora de 1ª instância consignou que: A defesa alega irregularidade por ter sido elaborado um único TVF para todos os Autos de Infração. Contudo, tal argumento é completamente desprovido de fundamento jurídico e meramente protelatório. As omissões de receitas apuradas na ação fiscal geraram o Auto de Infração do IRPJ e seus respectivos reflexos da CSLL e das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. Foi elaborado, como de praxe, um único TVF, que não é senão uma extensão ou complemento da “descrição dos fatos” contida em cada auto de infração. As infrações fiscais foram devidamente apontadas e fundamentadas, o que assegura e garante o preceito constitucional do acusado à ampla defesa e ao contraditório. Quanto aos vícios no enquadramento legal da multa regulamentar aplicada, houve mero erro material caracterizado por uma simples falha na indicação ou na digitação do dispositivo legal pertinente (no enquadramento legal, citouse a Lei nº 8.291/91, em vez de 8.218/91; e no TVF, item 3.2, deixouse de indicar na transcrição dos arts. 11 e 12, que são da Lei nº 8.218/91), o que em nada prejudicou a defesa da interessada. O vício que caracteriza nulidade absoluta é aquele pertinente à própria descrição da infração. Pequenas falhas acontecidas por falta ou erro de digitação na menção do dispositivo legal pertinente em nada prejudicam a defesa do acusado. Contudo, os fatos que redundam na infração imposta devem ser corretamente narrados, pois são contra eles que o acusado deve defenderse e apresentar contraprovas. No caso vertente, no TVF, item 3.2, foram postos devidamente e com clareza os fundamentos para imputação de tal penalidade, “verbis”: “A entrega dos arquivos magnéticos contábeis aconteceu em 13/02/2012, sendo que o prazo da reintimação de 18/10/2011 venceu em 08/11/2011. O atraso na entrega foi de 96 (noventa e seis dias). A multa está estipulada em 0,02% da receita bruta anual por dia de atraso, limitada a 1% da receita bruta. Logo, a multa aplicável é de 1% da receita bruta.” Por último, ressaltese, no que tange aos diversos vícios formais apontados contra o presente lançamento, o que se percebe é que a defesa valeuse de argumentos meramente protelatórios. Em vez de concentrar o seu enfoque no ataque ao cerne do Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 17 16 lançamento, consubstanciado nas omissões de receitas levantadas pela Fiscalização, ficou na periferia, tentando apontar vícios formais inexistentes. Portanto, não prosperam as preliminares de nulidade argüidas pela defesa. Evidente, portanto, que a decisão apresenta motivação completa e minudente, e teve em conta todas as provas apresentadas, refutando as alegações da recorrente. Assim, deve ser REJEITADA a arguição de nulidade da decisão recorrida. E, tendo em conta a reiteração destas alegações em recurso voluntário, devem ser elas novamente rejeitadas com base nos mesmos fundamentos expostos na decisão recorrida. De fato, a lavratura de um único Termo de Verificação Fiscal decorre da comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, aspecto que também autoriza sua reunião em um único processo, na forma do art. 9º, §1º do Decreto nº 70.235/72, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005. Por sua vez, a omissão de receitas foi determinada a partir de declarações e da escrituração do sujeito passivo e sua apuração é consistente com a acusação fiscal, sendo certo que o procedimento fiscal tem natureza inquisitória e o direito de defesa se manifesta a partir da ciência do lançamento. No mais, a compatibilidade das exigências com a legislação tributária e a caracterização de fraude são aspectos que integram o mérito e serão, na sequência, apreciados. Por tais razões, devem ser REJEITADAS as arguições de nulidade do lançamento. Passando ao mérito, importa observar que a contribuinte apresentou à autoridade lançadora as informações de seu faturamento prestadas ao Fisco Estadual, bem como entregou à Fiscalização apenas cópia de seus livros fiscais, asseverando que os originais aguardavam autenticação no órgão competente. Identificadas divergências significativas entre os elementos apresentados, a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apontar qual das informações prestadas, DIME mensal, SINTEGRA ou livros fiscais, é a verdadeira, posto que todas são incompatíveis e que, por telefone, HERCÍLIO LUIZ VENTURI confirmou que a realidade estava representada pelos dados da DIME (fl. 527), mas não houve resposta, por escrito, a este questionamento. Frente a este contexto, a Fiscalização confrontou as declarações prestadas ao Fisco Federal com as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo (de vendas e de devolução), bem como verificou sua compatibilidade com os livros fiscais e, a partir dos ajustes detalhados na acusação fiscal, determinou a receita bruta de cada mês, e as correspondentes devoluções, assim consolidadas no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 18 17 Os quadros seguintes evidenciam o descompasso entre esta apuração e as informações prestadas ao Fisco Federal: Como se vê, as apurações estão suportadas por elementos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, e do seu confronto com as declarações prestadas ao Fisco Federal Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 19 18 resulta omissão evidenciada por prova direta, cujo conteúdo a recorrente sequer se esforça em infirmar, limitandose a falar em presunção e arbitramento, arguir prejuízo à sua defesa, invocar seu direito ao sigilo bancário e reiterar apenas uma questão fática, cuidadosamente esclarecida na decisão de primeira instância. Em tais circunstâncias, sua escrituração contábil não prevalece, porque provado seu descompasso com a documentação que lhe deveria ter dado suporte, quais sejam, suas notas fiscais de faturamento. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos créditos tributários principais exigidos. Quanto à comprovação da fraude, é suficiente para sua caracterização a vontade conscientemente dirigida com o fim de reduzir tributos a recolher evidenciada pelo pela declaração reiterada, ao Fisco Federal, de rendimentos inferiores aos declarados ao fisco estadual, apresentando livros fiscais contendo dados incompatíveis com os declarados aos fiscos e mantendo a omissão de receita à margem de sua contabilidade. De fato, ao contrário do que alega a recorrente, há muito os Colegiados desta instância administrativa, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitem a punição, com gravidade, daqueles que têm conhecimento da dimensão do fato gerador ocorrido, e optam reiteradamente por ocultálo, para ostentar aparente regularidade no cumprimento das obrigações acessórias e principais. Neste sentido os julgados cujas ementas são, a seguir, transcritas: Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, 1a Turma da CSRF MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Acórdão nº 910100.172, sessão de 15/06/2009, 1a Turma da CSRF MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos de forma reiterada e com valores significativamente menores do que o apurado, legitima a aplicação da multa qualificada. Acórdão nº 910100.320, sessão de 25/08/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de ofício qualificada de 150 %, naqueles casos em que restar constatado o evidente intuito de fraude. A conduta ilícita reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. Acórdão nº 910100.417, sessão de 03/11/2009, 1a Turma da CSRF MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. E, de fato, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, para os casos de falta de declaração ou de declaração inexata, e outros listados no inciso I, determina a aplicação da multa de 75%, a menos que o Fisco detecte e aponte o evidente intuito de fraude, ou seja, que se demonstre Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 20 19 tratarse de conduta dolosa. Por sua vez, evidente intuito de fraude é conceito amplo no qual se inserem aquelas condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei nº 4.502/64, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Não se olvide, também, que, pela Lei nº 8.137/90, no âmbito do Direito Penal, a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária, entre as quais merece relevo as abaixo citadas: Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; [...] Art. 2o Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; [...] Assim, no exame dos dois dispositivos legais supra transcritos verificase que, para caracterizarse como sonegação, a falta de pagamento sequer necessita vir acompanhada do falso material na escrituração, e contentase apenas com a omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito o contribuinte. É bem verdade que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, já está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurge da reiteração de atos que tenham por escopo, iniludivelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. De fato, a conduta ardilosa de declarar sistematicamente ao Fisco valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, ou mesmo afirmar que nada deve, sem que nenhuma justificativa plausível para tanto seja apresentada, além de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa, ainda faz essa supor, pelo Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 21 20 princípio da boafé, que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Distinta é a situação do sujeito passivo que sofre uma exigência por deixar de oferecer receita à tributação, mas assim o faz por erro de fato ou de direito. Em tais circunstâncias há, de fato, decisões deste Conselho que não admitem a imputação de multa qualificada, por não vislumbrar ação fraudulenta, como aventa a recorrente. Mas os fatos aqui constatados apresentam contorno distinto, e não permitem alcançar outra conclusão senão a de que o sujeito passivo tinha conhecimento das receitas auferidas, mas optou por suprimir significativa parcela delas, de forma reiteirada, ao informálas ao Fisco Federal e determinar os tributos que seriam devidos sobre o lucro e o faturamento. Quanto à prova do dolo, talvez a recorrente pretenda que se imponha ao Fisco o dever da prova direta da intenção de sonegar, subjacente às evidências reunidas nestes autos, desmerecendo a validade da prova presuntiva defendida com sólidos argumentos por Maria Rita Ferragut (in Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídica certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada “presumem” juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Mais à frente, abordando diretamente a questão da prova da fraude, a mesma autora acrescenta: As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfe em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 22 21 Em tais circunstâncias, é perfeitamente possível provar, por meio de presunção, que a conduta reiterada do sujeito passivo não poderia ser justificada por outra intenção, que não a de sonegar os tributos devidos em razão das receitas sabidamente auferidas nos dois anoscalendário fiscalizados. Irrelevante, assim, se a Fiscalização teve em seu poder a escrituração do sujeito passivo e pôde, por meio dela, determinar os valores devidos. Em verdade, o acesso a estas informações acabou por permitir a prova direta das infrações cometidas e evidenciou a intenção do sujeito passivo em praticálas em prejuízo ao Fisco Federal. Por tais razões, aliás, é irrelevante, no presente julgamento, a acusação de interposição de pessoas no quadro social, e de transferência de patrimônio para outra pessoa jurídica, até porque os responsáveis tributários não apresentaram recurso voluntário para questionar as imputações que lhe foram feitas. Em decorrência, também é inócua, aqui, qualquer discussão acerca das requisições dirigidas às instituições financeiras, vez que as informações assim obtidas não se prestaram como prova da exigência aqui em debate, e somente poderia repercutir nos aspectos antes mencionados, que são irrelevantes para a solução do litígio. Assim, com referência aos principais exigidos e à qualificação da penalidade, confirmase que os lançamentos estão em conformidade com a legislação de regência, circunstância em que se mostra imprópria qualquer discussão acerca de princípios constitucionais ou legais, porque a atividade administrativa de lançamento é vinculada à lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, e este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a forma da Súmula CARF nº 2. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos e à qualificação da penalidade. As exigências contemplam, ainda, o agravamento da penalidade e a aplicação de multa isolada por falta de apresentação de arquivos magnéticos, assim motivadas no Termo de Verificação Fiscal: A multa proporcional de ofício cabível sobre os valores dos tributos é a de 225%, qualificada e agravada com base nos parágrafos primeiro e segundo do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, em razão [...] da falta de entrega dos arquivos magnéticos de notas fiscais (SINTEGRA). Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 23 22 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ...omissis ... [...] 3.2. Multa pelo atraso na entrega dos arquivos magnéticos A entrega dos arquivos magnéticos contábeis aconteceu em 13/02/2012, sendo que o prazo da reintimação de 18/10/2011 venceu em 08/11/2011. O atraso na entrega foi de 96 (noventa e seis dias). A multa está estipulada em 0,02% da receita bruta anual por dia de atraso, limitada a 1% da receita bruta. Logo, a multa aplicável é a de 1% da receita bruta. Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) ... omissis... Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Assim, a multa lançada foi de 1% da receita bruta calculada na tabela 3, ou seja, R$ 137.973,31 para 2008 e R$ 168.412,33 para 2009. A recorrente menciona que não houve embaraços à Fiscalização e cita artigos de um dispositivo legal que não identifica, questionando arbitramento que não houve, como já consignado na análise de mérito. Aqui, cumpre apenas esclarecer que o agravamento da penalidade não decorreu da falta de atendimento a intimações para prestar esclarecimentos, mas sim da falta de entrega de arquivos de notas fiscais. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 24 23 Ocorre que a falta de apresentação destes arquivos não foi adequadamente circunstanciada na acusação fiscal. Constatase que a Fiscalização exigiu a apresentação de arquivos SINTEGRA, que a contribuinte aparentemente entregou arquivos que não corresponderiam aos apresentados ao Fisco Estadual, exigindose então os recibos desta entrega, que foram parcialmente fornecidos. De outro lado, os arquivos do SINTEGRA apresentados pela contribuinte foram analisados pela Fiscalização, que apontou incompatibilidades entre suas informações e aquelas consignadas em outra declaração apresentada ao Fisco Estadual e em declarações ao Fisco Federal, além da incompatibilidade entre os arquivos e os recibos de sua entrega. Ao final, a Fiscalização obteve, junto ao Fisco Estadual, os arquivos do SINTEGRA apresentados pela contribuinte, e no Termo de Verificação Fiscal está consignado que na resposta de 13/02/2012 a contribuinte apresentou os arquivos magnéticos contábeis em atraso, mas não entregou os arquivos magnéticos de notas fiscais SINTEGRA. Assim, há dúvida se os arquivos foram apresentados com irregularidade, ou se os arquivos antes entregues são distintos daqueles referentes a notas fiscaisSINTEGRA posteriormente referidos no Termo de Verificação Fiscal. Ainda, embora possivelmente este arquivo magnético se enquadre dentre aqueles tratados nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218/91, a autoridade lançadora também nada diz neste sentido. Tratandose de penalidade, o art. 112 do CTN determina sua interpretação mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto ao agravamento da multa proporcional, reduzindoa ao percentual de 150%. Por fim, no que tange à multa por atraso na entrega de arquivos magnéticos, a contribuinte aduz que a fiscalização fundamentou a referida multa em artigos de lei sem, contudo, mencionar qual a legislação aplicável. Contudo, embora no Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora tenha apenas feito referência aos termos do inciso III do art. 13 da Lei nº 8.212/91, sem indicálo especificamente como fundamento da exigência, esta referência consta do Auto de Infração à fl. 708, em que pese o erro material na indicação do número da Lei, superado por sua reprodução integral no Termo de Verificação Fiscal e pela referência correta às leis que alteraram aquele dispositivo, consoante bem demonstrado na decisão recorrida, antes reproduzida. No mais, a recorrente não contesta o atraso, e confirmase nos autos que a contribuinte foi intimada, desde o início do procedimento fiscal, a apresentar os arquivos magnéticos contábeis referentes aos períodos fiscalizados, na forma do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, concedendose inicialmente prazo de 20 (vinte) dias, ampliado para mais 20 (vinte) dias na reintimação de fls. 30. Considerando a data de lavratura das intimações, entre o termo de início formalizado em 22/09/2011 e o termo final da reintimação (08/11/2011), foi concedido à contribuinte prazo de 47 (quarenta e sete) dias para apresentação dos arquivos magnéticos, mas ainda assim a entrega somente ocorreu 96 (noventa e seis) dias depois de expirado o prazo alargado. Diante do exposto, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa por atraso na apresentação de arquivos magnéticos. Por fim, no que tange aos questionamentos dirigidos pela recorrente contra a representação fiscal para fins penais, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13971.720663/201251 Acórdão n.º 1101001.268 S1C1T1 Fl. 25 24 voluntário porque, nos termos da Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10783.720556/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 29/03/2005 a 10/11/2006
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes que davam provimento ao recurso voluntário da Massimex. Conselheiro Daniel Mariz Gudino fará declaração de voto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 29/03/2005 a 10/11/2006 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76. Recurso Voluntário Negado
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 05 56 /2 01 0- 90 Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes que davam provimento ao recurso voluntário da Massimex. Conselheiro Daniel Mariz Gudino fará declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de crédito tributário no valor de R$ 520.597,42 (quinhentos e vinte mil, quinhentos e noventa e sete reais e quarenta e dois centavos), correspondente à multa de 100% sobre o valor aduaneiro, substitutiva da pena de perdimento, lançado em virtude de ação fiscal que constatou interposição fraudulenta em importações registradas pela empresa acima no período de 29/03/2005 a 10/11/2006: De acordo com a fiscalização, a empresa autuada, Massimex Trading Ltda (doravante nomeada Massimex), operava como trading importando mercadoria para terceiros que antecipavam os recursos necessários às operações sem que esse fato fosse declarado à RFB (Aduana), contribuindo assim para a ocultar a verdadeira adquirente e/ou o real importador conforme esquema fraudulento abaixo. ... Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.649 3 A mercadoria nacionalizada seria repassada, logo após o desembaraço, para empresas identificadas como de "fachada". Tais empresas interpostas constavam à época da lavratura do auto de infração como inexistente de fato ou omissa não localizada e não pagavam tributo, conforme pesquisas nos sistemas da RFB (fls. 2124) e tabela abaixo. ... Descrição do fato Ainda de acordo com a descrição dos fatos e seus anexos, fls. 6159, a ação fiscal desenvolvida pela Alfândega do Porto de Vitória teve origem na chamada Operação XIV Bis, fl. 163165, realizada em conjunto com a Polícia Federal e Ministério Público, e diligências solicitadas por unidades da RFB localizadas no Rio de Janeiro e São Paulo para subsidiar fiscalizações também por elas realizadas sobre o mesmo esquema. Foram abertos processos diversos de acordo com os diferentes responsáveis solidários identificados nas respectivas importações. No caso presente foram encontradas 9 DI, conforme tabela a seguir, cujos exportadores eram a empresas IPTEL CO LTD, PANTEC CO LTD, TERAVON e PRINCE SPORTS INC: ... A fiscalização diz ter se baseado para sua convicção nos elementos resumidamente relatados abaixo, tendo em conta similar modus operandi verificado em outras operações e os particulares elementos relativos às DI da presente autuação: 1. Nas Operações do presente auto de Infração, parte do pagamento feito à autuada pelas empresas de fachadas ocorria antes do registro da DI, configurando antecipação de recursos e importação por conta e ordem não declarada à Aduana. Nos itens 6.3.1 a 6.3.9 da descrição dos fatos encontrase o fluxo de pagamento relativo a cada DI objeto da presente autuação; 2. Com exceção dos documentos fiscais e dos respectivos pagamentos, a Massimex não tinha correspondência comercial e documentos de negociação e cotação de preço tanto com clientes no Brasil quanto com seus fornecedores estrangeiros, todavia informou que as negociações ocorriam verbalmente ou por email (extraviado) através dos representantes dos Exportadores no Brasil que inclusive indicavam eventuais compradores dos seus produtos no mercado brasileiro. Não prestava garantia aos exportadores para as compras a prazo; 3. Os preços de saída das empresas de fachada eram majorados de forma a aumentar os custos para a empresa Alldix e consequentemente diminuir seu lucro e como aquelas não recolhiam nem declaravam nenhum tributo, o Fisco ficava "a ver navios" (item 3 da descrição dos fatos); Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 4. Toda mercadoria existente numa DI da Massimex era “vendida” para uma só empresa interposta logo após o desembaraço, conforme tabela 5 onde são mostradas as várias empresas interpostas e respectivas DI, destas “revendidas” para a empresa Alldix, que por sua vez revendia para empresa brasileira do mesmo grupo dos exportadores também no mesmo dia ou no dia seguinte (item 4.1.1 da descrição dos fatos); 5. Outras duas tradings também sediadas no Estado do Espírito Santo adotavam o mesmo modus operandi da autuada, inclusive utilizando a mesma interposta Techno Shop, a mesma real adquirente Alldix e o exportador Thomson Telecom, além da Palm One Inc (Tabelas 6 e 7), conforme apuração realizada pela IRF/RJA, assim resumida: 5.1. A empresa Thomson Multimídia Ltda forneceu à fiscalização da IRF/RJA invoices e purchase orders emitidas pelo exportador Thomson Telecom onde constava como adquirente a empresa Alldix com preços superiores aos declarados pela empresa Massimex, configurando o uso de documentos falsos. 5.2. A empresa ZTE do Brasil teria firmado contrato com a empresa Alldix cujo objeto seria processar pedidos de importação nos termos compactuados e declara que teria condições de realizar as operações de importação contando com empresas coligadas e/ou parceiras regularmente cadastradas junto ao SECEX e ao BANDES, portanto, continua a fiscalização, a empresa Alldix se apresentava no mercado como importadora sem sequer ser habilitada para operar no comércio exterior (RADAR); 5.3. A exportadora Palm One tinha como empresa brasileira vinculada a Palm Comércio de Aparelhos Eletrônicos que também apresentou à fiscalização da IRF/RJA invoices emitidas pelo exportador em nome da Alldix com preços superiores aos declarados pela empresa trading, configurando o uso de documentos falsos; 6. As Declarações de Importação: 05/05259030 (fls 932), 06/02973125 (fls 1513 e 1514), 06/03430427 (fls 1546 e 1547), 05/03183495 (fls 1805), 05/11623067 (fls 1840 a 1842), 05/12775480 (fls 1936 a 1938), 06/00088876 (fls 1980 a 1981) tem assinaturas iguais, porém, são documentos emitidos por exportadores diferentes, de diferentes países, conforme tabela abaixo: Impugnação Cientificada no próprio Auto de Infração em 13/12/2010, a empresa apresentou impugnação em 12 de janeiro de 2011 (fls. 2172 e seus anexo), onde alega em síntese que: a) A capitulação legal não é clara, causando cerceamento ao direito de defesa; b) Em momento algum a Impugnante deixou de comprovar a origem dos recursos utilizados em seu comércio, tampouco é obrigada a perquirir a origem dos recursos financeiros de quem compra suas mercadorias, essa obrigação é dos órgãos de fiscalização, não configurando, em momento algum o motivo que ensejaria a presunção legal, que será discutida no tópico sobre o direito. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.650 5 c) Em momento algum a Impugnante recebeu qualquer valor dos compradores das mercadorias que importou antes de realizada a venda, conforme demonstrado nesses autos, mesmo porque, apenas tinha conhecimento da demanda de mercado pelas mercadorias e não imaginava que os diversos compradores que se apresentavam poderiam ser uma mesma pessoa jurídica ou que tivessem entabulado qualquer tipo de ilegalidade. d) Não havia prédeterminação do adquirente da mercadoria, portanto, aquela empresa que se habilitava a comprar nas condições ofertadas pela impugnante poderia comprála; e) Muitas vezes as exportadoras já avisam quem eram os revendedores no varejo de suas marcas, para que a Impugnante pudesse fazer o contato e proceder a venda; f) Em momento algum o encarte relativo à Operação XIV Bis, fls. 163165, menciona o nome da autuada. Igualmente não a menciona o procedimento realizado no Rio de Janeiro, o que prova que a autuada não participava ativamente de nenhum esquema; g) Não houve demonstração da tipificação legal de simulação, fraude ou interposição fraudulenta, que exigem participação ativa da Autuada, o que não é o caso dos autos; h) Em momento algum foi demonstrado que agiu com dolo ou máfé, institutos jurídicos cuja existência não se presume, ou seja, dependem de prova cabal de sua existência; i) No esquema apontado pela fiscalização, a impugnante, no máximo, teria sido usada pelas outras empresas, sem sequer poder ter ciência do que acontecia, pois elas estavam devidamente cadastradas na Receita Federal como ativas e aptas; j) Até o surgimento da modalidade de importação por encomenda não havia proibição ou disciplina legal proibindo que o total da uma importação fosse vendido para um único adquirente; k) A diferença de diagramação das faturas da Thompson Telecom relativas às DI da impugnante e aquelas apresentadas em outras DI devese ao fato de terem sido expedidas em países diferentes, uma Hong Kong e outra provavelmente na França, e não foi apontado outro elemento que pudesse tornálas falsas (tópico 5.2 da descrição dos fatos); l) Não pode ser atribuída à impugnante a suposta falsidade de documentos em decorrência de assinatura semelhante em faturas de empresas diferentes ou de diagramação diferente; m) O fato de a ALLDIX ter contrato com a ZTE, ou com outras empresas, não implica a impugnante, pois são relações jurídicas distintas (tópicos 5.3, 5.4 e 6.1 da descrição dos fatos); n) O fato de constar o nome da Alldix como notify nos BL da ZTE destinados à Massimex em princípio não chamou a atenção, pois poderia ser um controle do próprio exportador para avisar seus representantes no Brasil que teria feito uma venda para o país; o) O recebimento das vendas era através da rede bancária, aparecendo na conta corrente da empresa apenas o valor e tipo de transação, não aparecendo o nome do remetente. A contabilidade destes valores vinculandoos aos respectivos Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 remetentes era feita pela identificação do valor, diferente para cada negociação, pois somente determinado comprador sabia o valor exato devido, além do mais este informava o depósito; (o nome do remetente só foi descoberto depois que o banco forneceu o documento de depósito); p) Não tem controle sobre a emissão de notas fiscais de outras empresas (a fiscalização demonstra que a mercadoria entrava e saia das empresas do fluxo logístico no mesmo dia) e emitia sua nota fiscal de venda destacando que o frete seria por conta do comprador; Finalmente, ante todo o exposto, requer: a) seja provida a presente Impugnação, declarandose a improcedência da ação fiscal em face da Impugnante, especialmente em decorrência das graves ilegalidades que o eivam, com destaque para o que tange a fundamentação do auto, que impossibilitou o contraditório e ampla defesa da Impugnante e a não demonstração dos elementos da tipificação legal tais como simulação e fraude e interposição fraudulenta; b) protesta pela juntada da documentação em anexo para comprovação de suas alegações; c) requer que todas as intimações sejam encaminhadas para o escritório do signatário desta, sito na Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 755/602, Enseada do Suá, Vitória/ES, como requisito de validade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 29/03/2005 a 10/11/2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ou, no caso de esta não ser localizada ou ter sido consumida, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real adquirente da mercadoria, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. FALTA DE HABILITAÇÃO DO ADQUIRENTE E SUA INDICAÇÃO NOS DOCUMENTOS DO DESPACHO. SIMULAÇÃO. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Nesta condição, a operação declarada como se fosse por conta e risco do próprio importador, sem habilitação do real adquirente no Siscomex e sua identificação nos documentos do despacho, denota simulação visando ocultálo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontram plenamente assegurados. Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.651 7 PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, porém, quando agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Impugnação Improcedente.” Cientificada, a empresa interpôs recursos voluntário repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requesitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações dos recursos. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Da aplicação da pena de perdimento para mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros A lide gira em torno da exigência de tributos devidos na importação de mercadorias, em razão de subfaturamento cominado com a aplicação de multa agravada e da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora Massimex teria realizado as operações em nome de empresas de fachada, sob o controle da Alldix, sendo este fato, ocultado dos controles legais pertinentes. As autuadas, em sua defesa, alegam a licitude dos recursos utilizados e a atuação de boafé nas operações, estando assim, sofrendo a imputação de uma fraude que não existe. É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da Massimex, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam ocorrido em razão de um esquema orquestrado pela Alldix para diminuir os tributos devidos e ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. No caminho para esclarecer os fatos faço um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.652 9 controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.653 11 Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Massimex e o envolvimento da empresa Alldix. A fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação da Massimex com empresas que orquestraram um esquema para ocultar das autoridades aduaneiras os reais adquirentes da mercadoria importada. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca o modo de operação. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a exigência fiscal, que corroboram o entendimento adotado pela Fiscalização Aduaneira para motivar a exigência fiscal. i) O esquema fraudulento que originou o lançamento controlado no presente processo foi apurado pela Operação XIV BIS, que foi objeto de atuação por diversos órgãos da administração pública. "No centro do esquema está a empresa ALLDIX COMERCIAL LTDA, CNPJ 05.010.453/000112, identificada como a real importadora do esquema. Essa empresa promovia a importação de mercadorias estrangeiras, negociando com os exportadores, sem nunca ter sido habilitada pela RFB para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). Isso significa dizer que a ALLDIX nunca pôde registrar Declarações de Importação no SISCOMEX. Para isso, se valia de trading companies domiciliadas no Estado do Espírito Santo, que registravam as operações como se fossem por conta e risco próprio, quando na verdade estavam ocultando os verdadeiros responsáveis pela operação." ii) O esquema fraudulento utilizado para a ocultação dos reais adquirentes e a redução indevida dos tributos devidos foi claramente identificada pela Fiscalização. "Nas investigações, foi identificado que a ALLDIX utilizava 03 (três) tradings capixabas, para pulverizar as operações e dificultar a identificação das irregularidades por parte do fisco. Uma dessas tradings é a empresa ora autuada. As outras duas Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 tradings não serão mencionadas neste Auto de Infração para preservar o sigilo. Essas tradings declaravam as importações em seu nome, logo, as demais empresas, de forma fraudulenta e simulada, afastavamse do pólo passivo da obrigação tributária constituída pela ocorrência do fato gerador do IPI, qual seja, o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Assim, essas empresas não de creditavam do IPI na entrada das mercadorias, porém também se eximiam do pagamento do IPI relativo à saída das mercadorias do seu estabelecimento. É o que se costuma chamar de "quebra da cadeia do IPI". Após a nacionalização, as tradings emitiam notas fiscais de saída em nome de uma série de empresas identificada como de "fachada". Essas empresas serviam para novamente pulverizar as operações, dando a impressão que se tratavam de operações normais no mercado interno, quando na verdade essas empresas foram posteriormente identificadas pela RFB como inexistentes de fato. Além disso, essas empresas intermediárias serviam para fornecer mais uma camada de ocultação, afastando ainda mais a ALLDIX da ocorrência do fato gerador e dificultando sua identificação como real importadora das mercadorias. Posteriormente eram emitidas notas fiscais de saída das empresas de "fachada" tendo como destinatária a ALLDIX. Importante destacar que o esquema não se limitava a causar dano ao erário relativo aos tributos incidentes nas importações subfaturadas e à quebra da cadeia do IPI. Também eram sonegados os tributos incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento, pois as notas fiscais de saída das empresas de "fachada" tinham preços majorados, próximos ao preço pelo qual posteriormente a ALLDIX repassava os produtos. Sendo assim, o lucro aparente da ALLDIX nessas operações era mínimo, e como as empresas de fachada não recolhiam nem declaravam nenhum tributo, o fisco ficava "a ver navios". Por fim, as mercadorias eram repassadas aos destinatários finais da cadeia fraudulenta. Algumas dessas empresas eram coligadas de grandes grupos multinacionais, sendo que os exportadores estrangeiros eram empresas do mesmo grupo, ou seja, o esquema de interposição, em grande parte, cuidava de nacionalizar mercadorias produzidas por ou cujas marcas pertenciam a grandes grupos multinacionais e repassálas às coligadas nacionais. As coligadas nacionais identificadas na presente ação fiscal são: THOMSON MULTIMÍDIA LTDA (CNPJ N° 02.773.531/000142) e ZTE DO BRASIL COMERCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ N° 05.216.804/000146)." iii) Pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal demonstram que as empresas de "fachada" constavam na situação de INAPTA ou BAIXADA. "As mercadorias nacionalizadas ao respaldo das Declarações de Importação investigadas pela presente ação fiscal foram repassadas, logo após o desembaraço, para empresas identificadas como de "fachada". Tais empresas constam atualmente com a situação INAPTA ou BAIXADA no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Tabela 3. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.654 13 ... Além da inexistência constada pela RFB, as provas que serão abordadas no decorrer deste Auto de Infração demonstraram que a atuação dessas empresas nas operações em tela foi como meras empresas de "fachada". Isso não bastasse, os indícios levantados em pesquisas realizadas nos sistemas de informação da RFB demonstram que a situação irregular dessas empresas perduram desde o início de suas operações." iv) Diligência na empresa Mmassimex comprova a venda dos produtos às empresas de "fachada" eram emitidas imediatamente após o desembaraço. "Ao final desta diligência, restou comprovado que as Notas Fiscais destinadas às empresas de "fachada" eram emitidas logo após o desembaraço, e que, para cada Declaração de Importação identificada, toda a carga foi "vendida" para uma só empresa, como pode ser visto na Tabela 5 abaixo. Portanto, ficou claro que as vendas eram todas prédeterminadas e exclusivas para as empresas de "fachada", principalmente para a TECHNO SHOP LTDA, constituindo um forte indício que as operações não eram por conta e risco próprio, como declarado nas Declarações de Importação, o que motivou a instauração do presente procedimento fiscal." v) Ações fiscais realizadas pela Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro, realizadas por força de requisição judicial advinda da 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, comprovam o modus operandi das empresas envolvidas no esquema apurado na operação XIV Bis. "A Alfândega do Porto de Vitória recebeu relatório elaborado na Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJ ( fls 308 ) sobre a conclusão de dois procedimentos fiscais instaurados naquela Inspetoria, ao respaldo dos MPF Regionais 0715400.2009.003019 (fls 355) e 0715400.2009.003000 (fls 417), em face de duas tradings sediadas no Estado do Espírito Santo. Acompanharam o relatório cópias dos elementos de prova e demais informações levantadas durante as ações fiscais. Os procedimentos fiscais foram instaurados em razão de requisição judicial (fls 364 e 419), proferida pelo juízo da Ia Vara Criminal Federal de Campinas Especializada em Crimes Contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Valores, em virtude de ação penal distribuída e recebida naquele juízo. Analisando o resultado dessas ações fiscais, verificouse que foram autuadas as mesmas operações de importação que foram Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 identificadas pelas diligências citadas no tópico 4.1.2 (Tabela 6 e Tabela 7) deste Auto de Infração, ou seja, importações que foram declaradas como por conta e risco próprios pelas trading companies e que depois foram repassadas para uma das empresas de "fachada" identificadas na Operação 14 Bis, a TECHNO SHOP LTDA. Os procedimentos fiscais evidenciaram infrações de duas naturezas: i) a fraude de valor, em razão da prática sistemática em reduzir a base tributável dos gravames aduaneiros; ii) a cessão de nome das empresas fiscalizadas, com o intuito fraudulento de ocultar o real adquirente das mercadorias, identificado como sendo a sociedade empresária ALLDIX COMERCIAL LTDA. Nessas ações ficais também foram obtidas faturas dos exportadores estrangeiros que comprovaram o subfaturamento dos valores declarados nas Declarações de Importação. As provas colhidas pela IRF/RJ motivaram a instauração da presente ação fiscal, haja vista as claras evidências de que a MASSIMEX se valia do mesmo modus operandi. Parte dessas provas, em tempo de obedecer ao principio do contraditório e da ampla defesa, também instruem o presente Auto de Infração, por demonstrarem de forma cabal a prática reiterada pelas empresas envolvidas dos ilícitos identificados, comprovando que se tratava de um verdadeiro esquema fraudulento do qual, conforme restou comprovado na presente ação fiscal, a MASSIMEX participou. Cada uma das ações fiscais empreendidas pela IRF/RJ identificou ilícitos nas importações de produtos proveniente de dois exportadores estrangeiros: a THOMSOM TELECOM e a PALM ONE INC." vi) A existência de contrato elaborado entre a empresa ZTE DO BRASIL e ALDIXX que tratava de acordo comercial para realização de importações. "Por fim, em 07/10/2010, a ZTE DO BRASIL compareceu novamente perante esta fiscalização e apresentou contratos (fls 657). Dentre os contratos apresentados, havia um contrato firmado com a ALLDIX COMERCIAL (fls 659), documento intitulado ACORDO COMERCIAL (Contrato n° 3.3.6). Nesse contrato, no item 2.1, a ALLDIX COMERCIAL declara ter condições legais para realizar as operações de importação e respectivo despacho aduaneiro das mercadorias, contando com empresas coligadas e/ou parceiras regularmente cadastradas junto ao SECEX e ao BANDES. No item 3.1 é estabelecido que o objeto do contrato é "processar pedidos de importação ... efetivando as importações nos termos e condições ora pactuados, compra e venda de mercadorias, admissão temporária ou entreposto aduaneiro". Resta claro que a ALLDIX atuou no mercado interno como importadora, sem nunca ter sido habilitada no SISCOMEX, portanto, estava impedida de registrar qualquer operação no comércio exterior. Na mesma situação se encontrava a ZTE DO BRASIL, que só foi habilitada em 08/08/2006, portanto, também não podia figurar como adquirente nas Declarações de Importação. Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.655 15 Sendo assim, só foi possível promover as importações das mercadorias posteriormente repassadas para a ZTE DO BRASIL através da interposição fraudulenta, onde a ALLDIX COMERCIAL e a ZTE DO BRASIL permaneceram ocultas na operação, não se apresentando, respectivamente, como importador e adquirente das mercadorias. As Declarações de Importação foram registradas como operações por conta e risco próprias pela Autuada, que cedeu o nome." Os exemplos aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas comprovam a existência de um esquema fraudulento, com objetivo de ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias e ainda, reduzir de forma indevida os tributos devidos. É inequívoco que as operações foram realizadas por encomenda. A Massimex atuava como uma intermediária junto à autoridade aduaneira, realizando importações previamente negociadas, com vendas vinculadas a empresas de "fachada" que completavam as operações revendendo as mercadorias a empresa Alldix, que determinava o destino final de acordo com os reais adquirentes das importações. Conclusão As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações das empresas Massimex com outras empresas são baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, não há como afastar após os relatos e informações obtidos, que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta da empresa Alldix, sendo a empresa Massimex. uma prestadora de serviços que viabilizava as operações de importação das mercadorias. Diante do conjunto de fatos e documentos trazidos aos autos é importante ressaltar, que a penalidade que esta sendo imputada diz respeito a ocultação dos reais adquirentes da operação de comércio exterior por meio de fraude e simulação. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A despeito do brilhante voto do relator, ouso dele discordar especificamente no tocante à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro sobre a Massimex. A referida multa está prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e resulta da impossibilidade de se aplicar o perdimento das mercadorias importadas de forma fraudulenta. Não discordo da análise de que a Massimex teria participado do esquema do qual a Alldix e a ZTE do Brasil se locupletaram. Minha divergência diz respeito ao destinatário da multa prevista no dispositivo legal supracitado. A meu ver, se a pena de perdimento é direcionada ao real adquirente das mercadorias importadas de forma fraudulenta, a multa resultante da conversão da pena de perdimento não pode ter outro destinatário. Isso porque é o real adquirente das mercadorias importadas que se beneficia da sua ocultação por terceiros. Obviamente o importador realizará uma operação de comércio exterior e ganhará algo por isso, mas tal ganho é residual se comparado ao ganho do real adquirente das mercadorias importadas fraudulentamente. Penso que o importador que cede o seu nome para o real adquirente ser acobertado pode sofrer duas sanções excludentes entre si, a saber: se tem capacidade econômica, é devida a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007; se não tem capacidade econômica, é declarada inapta a sua inscrição no CNPJ, nos termos do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. É verdade que o art. 727, § 3º, do Decreto nº 6.759, de 2009, prevê que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. Logicamente, também não poderia inibir a aplicação da multa resultante da conversão do perdimento. Disso não divirjo; a minha discordância reside na interpretação desse dispositivo. Isso porque, na minha visão, a multa por cessão de nome é devida exclusivamente pelo importador com capacidade econômica, ao passo que a pena de perdimento ou a multa correspondente é devida exclusivamente pelo real adquirente. Pensar de forma diversa acarreta injustiças. O importador pode ser penalizado com multas que, somadas, totalizam 110% do valor aduaneiro das mercadorias, ao passo que a penalidade máxima aplicável ao real adquirente é o perdimento das mercadorias ou uma única multa de 100% do seu valor aduaneiro. Em outras palavras, quem mais se beneficia da interposição fraudulenta na importação pode ter uma penalidade mais branda do que o importador que apenas cede o seu nome para acobertar o beneficiário da operação de comércio exterior. Também merece consideração o art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, que imputa responsabilidade conjunta ou isolada para quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Uma leitura apressada desse dispositivo poderia legitimar a interpretação de que a penalidade imposta ao real adquirente da mercadoria poderia ser cobrada conjunta ou isoladamente do importador. Não é disso que se trata. Quando o legislador quis estabelecer essa responsabilidade conjunta ou isolada para o adquirente da mercadoria e o importador, ele o fez Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10783.720556/201090 Acórdão n.º 3201001.851 S3C2T1 Fl. 2.656 17 expressamente. Isso fica muito claro nos incisos V e VI do art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, a saber: Art.95 Respondem pela infração: [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ( Incluído pela Medida Provisória n o 2.15835, de 2001 ) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. ( Incluído pela Lei n o 11.281, de 2006 ) Assim, com todas as vênias que merece o entendimento contrário, concluo que a única pena que poderia ser aplicada à Massimex é a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, uma vez que realizou importação por conta própria, cedendo, pois, o seu nome, em razão de a ZTE do Brasil não dispor de habilitação no RADAR. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11080.728759/2011-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.307
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 28 75 9/ 20 11 -9 5 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 589 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 10 38.837 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal: (i) AIOP nº 37.332.2127 parte Empresa R$ 24.542.911,19; (ii) AIOP nº 37.332.2135 Terceiros R$ 5.122.328,93; (iii) AIOA nº 37.332.2119 CFL 68 R$ 53.355,05. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, o fato gerador das obrigações previdenciárias tem por origem as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, contribuintes individuais e valores pagos a cooperativas de trabalho. Os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e referemse à: a) contribuições da empresa 20% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e pagamento à pessoas físicas contribuintes individuais. b) contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho 1%, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. c) contribuições da empresa 15% quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme disposto no inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91. d) Outras Entidades e Fundos (FNDE; INCRA; SENAC, SESC e SEBRAE), 5.8% sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. e) e ao descumprimento das obrigações acessórias. Segundo o Relatório Fiscal, os elementos que serviram de base para a apuração do crédito foram as folhas de pagamento apresentada em meio papel e digital, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs, enviadas e constantes no sistema GFIPWEB e notas fiscais de prestação de serviços de cooperativas de trabalho lançadas no Livro Diário. Em relação aos fundamentos do lançamento, dispõe unicamente o Relatório Fiscal: Fl. 589DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 590 3 7. No período da constituição de crédito de 01/2008 a 12/2008, conforme se verifica nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social –GFIPs entregues e exportadas para o sistema GFIPWEB conforme planilha 1 Modelo Analítico Dinâmico da Informações gerais da GFIP anexa, houve a informação indevida pelo contribuinte no FPAS 639 – FILANTRÓPICA COM ISENÇÃO TOTAL das contribuições patronais e sem código para terceiros, sendo que a empresa não possui isenção dessas contribuições junto à Receita Federal do Brasil, bem como não informou no campo próprio das GFIPs os valores pagos à cooperativa de trabalho fato gerador de contribuição previdenciária, dessa forma o contribuinte deixou de informar o total das contribuições devidas. 8. A empresa não efetuou recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os pagamentos de remuneração de empregados e contribuintes individuais e sobre pagamentos a cooperativas de trabalho, apenas há informação na GFIP do valor devido da contribuição previdenciária dos segurados, descontada das remunerações conforme folha de pagamento, e recolhidas através de Guias da Previdência Social (GPS), de código 2305. Em relação aos acréscimos legais, dispõe o Relatório Fiscal: 10. A Medida Provisória 449, de 03/12/2008, publicada no DOU de 04/12/2008 convertida na Lei nº 11941/09 provocou efeitos tributários a todos os fatos geradores ocorridos após a sua edição. Entretanto, o Código Tributário Nacional – CTN, prevê, em seu art. 106, inciso II, a retroatividade da aplicação da lei tributaria mais benéfica ao contribuinte, abrangendo a obrigação tributária principal e também a acessória. Deste modo, diferentes procedimentos, quanto à lavratura dos autos de infração, devem ser adotados, dependendo da data da ocorrência do fato gerador da infração relacionada à GFIP (não entrega, ou entrega com omissões/incorreções relacionadas e não relacionadas a fatos geradores). Para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP nº 449/2008, a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna, comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação atual. 10.1 Por essa razão, elaboramos o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos e pela atual, nas competências de 01/2008 a 11/2008, (período em que as GFIPs foram entregues antes da MP 449), a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte, para os créditos referentes às contribuições previdenciárias 10.2.1 Cálculo pela legislação à época dos fatos: a) Multa de mora prevista no inciso II do art. 35 da Lei 8212/91 (24%) incidente sobre o valor originário. b) Multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, § 5º da Lei 8212/91, acrescido pela Lei 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048. de 06/05/1999, art 284, inc II, e art. 373, código de Fl. 590DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 591 4 fundamentação legal – CFL 68, correspondente a multa de 100% por cento do valor da contribuição previdenciária não declarada, respeitando o limite máximo, por competência, correspondente a um multiplicador sobre e valor mínimo previsto no art.92, conforme quadro constante no parágrafo 4º do art. 32, da mesma lei, estabelecido em função do número de segurados que prestaram serviço à empresa em cada competência, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF Nº 568, DE 31/12/2010, publicada no Diário Oficial da União de 03/01/2011. d) Excepcionalmente, para período anterior a MP 449/2008, combinado com a multa da época de 24%, poderá ser lavrado auto de infração com multa pelo descumprimento de obrigação acessória, nas infrações ocorridas a partir de 04/12/2008, prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91, incluídos pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, (entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas ou não às contribuições CFL 78). 10.2.2 Cálculo a partir da Lei nº 11941/09, de 27.05.09: Nas competências em que ocorreu ausência de recolhimento e de informação da contribuição na GFIP a penalidade a ser aplicada é a multa de ofício estabelecida pelo art. 44, inciso I da Lei 9430/96 (75%). 10.3 Assim, comparadas as multas, de acordo com a Lei 8212/91, antes da alteração promovida pela Lei nº 11941/09, de 27.05.09 e a multa a ser aplicada a partir da edição dessa Lei, verificase que: a) Nas competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 a multa menos severa ao contribuinte é a multa de mora da legislação anterior (24%) e multa por descumprimento das obrigações acessórias das GFIPs entregues após a edição da MP 449/08 conforme AIOA CFL 78 DEBCAD 51.010.5165, conforme demonstrado na planilha 2 “SAFIS comparação de Multas”, em anexo. b) Na competência 10/2008 a multa menos severa ao contribuinte é a multa de mora da legislação anterior (24%) e multa por descumprimento das obrigações acessórias das GFIPs entregues antes da edição da MP 449/08 conforme AIOA CFL 68 DEBCAD 37.332.2119, conforme demonstrado na planilha 2“SAFIS comparação de Multas”, em anexo. c) As competências 12/2008 a 13/2008 são posteriores a edição da MP 448/08, estando ao abrigo da nova lei, cuja penalidade a ser aplicada é a multa de ofício de 75%. 10.4 A contribuição social devida a Outras Entidades e Fundos não entra no cálculo para a definição dos valores dos autos de Infração por descumprimento de obrigação acessória pela não entrega de GFIP. Por este motivo, no Auto de Infração DEBCAD 37.332.2135 será aplicada a multa de mora de 24% até a competência 11/2008 e a multa de ofício de 75%, a partir da competência 12/2008. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 592 5 O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD é de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente teve ciência das autuações em 29.09.2011, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Nulidade da Autuação Fiscal por cerceamento de defesa uma vez que a fiscalização aduz que a entidade não teria direito à imunidade das contribuições exigidas mas não apresenta os fundamentos legais ou fáticos pelos quais esta interpretação estaria correta (que critério a impugnante não preencheria para não ter direito à imunidade). Aponta o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/1972 onde está escrito que o auto de infração deve conter a descrição precisa dos fatos, isto é, se o AI afirma que não tem direito à isenção, deve descrever por qual razão e apresentar prova disto, assim como os fundamentos legais e jurídicos para tal conclusão. Que somente com a descrição efetiva dos fatos e fundamentos supostamente violados (identificação de qual ou quais requisitos não seriam atendidos, desde quando e até quando), nos termos do art. 14, parágrafo único do CTN (sic), é que poderá exercer seu direito ao contraditório e a ampla defesa, atacando especificamente as alegações do fisco. Que a falsidade da premissa referente à imunidade conduz à falsidade dos demais autos de infração, pois baseados nesta presunção equivocada. Que não é devedora de contribuições ao FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE pois só são devidas pelas entidades não imunes. Multa mais benéfica: que o auto de infração aplica “multa de mora”, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, mas, com base no art. 106, II, “c” do CTN, a multa que deveria ser aplicada é de no máximo 20%, nos termos do art. 61, § 2º da Lei nº 9.430/1996 (mesma utilizada para os créditos perante a Receita Federal e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional). Afirma ter apresentado sua declaração como imune porque preenche todos os requisitos fixados na legislação para o gozo da imunidade, competindo à fiscalização apontar por qual razão não seria legítimo. Ao final requer o reconhecimento da nulidade das autuações. Anexa Procuração, Resoluções do Conselho Administrativo com eleições da Diretoria da ASCAR e Estatutos. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1038.837 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 592DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 593 6 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.332.2127 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE/ISENÇÃO. MULTA. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.332.2135 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.IMUNIDADE/ISENÇÃO. MULTA. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 AI Debcad nº 37.332.2119 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES EM GFIP. IMUNIDADE/ISENÇÃO. MULTA. O direito à isenção das contribuições sociais, previsto no art. 195, § 7º da Constituição Federal está condicionado, até 29/11/2009, ao cumprimento cumulativo dos requisitos exigidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/1991. O contribuinte que não goza de isenção está obrigado a cumprir com todas as obrigações principais e acessórias previstas na legislação tributária para as empresas em geral. Não é excessiva a multa exigida nos estritos limites estabelecidos na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 06 de junho de 2012. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 594 7 Em relação à questão deduzida pelo sujeito passivo no sentido de falta de fundamentação da autuação fiscal para descaracterizar o direito à a isenção das contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo, a decisão de primeira instância, às fls. 351 e 352, afasta tal argumentação: A impugnante procura invalidar o lançamento fiscal ao argumento de que caberia à fiscalização comprovar os motivos por que não faz jus à isenção das contribuições sociais/previdenciárias no período de 01/01/2008 a 31/12/2008. Inicialmente há que se salientar que a isenção/imunidade não está em discussão no presente feito uma vez que não se trata de decisão acerca de pedido ou cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias nos moldes do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e sim de crédito apurado em relação à entidade não alcançada pelos benefícios da isenção. O cerne da questão posta pela impugnante é estabelecer se a ASCAR está albergada pela imunidade tributária prevista no art. 195, parágrafo 7º da CF e se tal imunidade abrange as contribuições previdenciárias patronais objeto do lançamento fiscal. (...) Consultando os sistemas informatizados desta instituição, constato que a entidade autuada foi detentora da isenção das contribuições sociais até 11/1991 e que é de seu pleno conhecimento a existência do procedimento administrativo de cancelamento da isenção, iniciado com o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº INSS/GRAF/041/92, de 17/11/1992, contra o qual foram apresentados Defesa e Recursos às instâncias então vigentes, sendo que os recursos não foram providos, restando definitivo o cancelamento da isenção com a ciência do último acórdão à entidade em 14/08/1995. Por força do art. 150, § 6º, da Constituição Federal, somente a Lei pode conceder anistia ou remissão relativa a impostos, taxas ou contribuições, e o art. 111, I, do CTN determina a interpretação literal da lei, ou dispositivos de lei, sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, sendo vedada interpretação extensiva ou por analogia. No período objeto desta autuação (janeiro à dezembro de 2008) o direito à isenção das contribuições sociais está restrito ao cumprimento dos requisitos legais, indispensáveis para tal, dispostos no então vigente art. 55 da Lei 8.212/1991 e nenhum direito pode persistir sem o atendimento de todos os requisitos exigidos para tanto. Ao deixar de cumprir as exigências legais para o benefício da isenção, o contribuinte não é reconhecido como entidade isenta, perdendo o benefício a partir da data do descumprimento dos requisitos. Conforme disposto no § 1º daquele diploma legal, vigente até 29/11/2009, uma vez cancelada a isenção, para ser novamente reconhecida como entidade isenta, deveria a interessada apresentar requerimento ao órgão competente da Previdência Social, comprovando preencher os requisitos legalmente exigidos. Não há nos autos qualquer prova neste sentido. Também não se tem notícia da isenção ter sido restabelecida por medida judicial. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 595 8 Como já explicitado anteriormente, enquanto vigente o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, se a interessada reunisse os requisitos exigidos para o benefício da isenção, deveria requerer o reconhecimento do direito. Não o fazendo não há que se falar em direito à isenção naquele período, não cabendo ao fisco, mais sim à interessada, comprovar que teve um requerimento de isenção formalmente deferido para o período em questão. Afasto, assim, a alegação de cerceamento de defesa pois a impugnante tem conhecimento dos motivos pelos quais não faz jus à isenção das contribuições ditas patronais, destinadas à seguridade social e a terceiros, perfeitamente exigíveis da autuada, conquanto no período objeto do lançamento fiscal a entidade não se encontrava em gozo de isenção. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância, em síntese: (i) Descumprimento da decisão liminar proferida na Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre A decisão recorrida dispôs que a Recorrente teve seu direito a imunidade (que denomina "isenção") cancelado, não tendo direito a usufruir da regra constitucional (chega ao ponto de afirmar que a Recorrente é entidade "não alcançada pelos benefícios da isenção"). No entanto, ao fazêlo, incorreu em erro! Erro porque foi ajuizada ação popular por inúmeros cidadãos gaúchos, na qual foi proferida decisão liminar pelo Dr. Juiz Federal Leandro Paulsen, nos seguintes termos (Ação Popular n. 5056953 04.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre): Ante o exposto, forte no art. 273 do CPC, DEFIRO A MEDIDA LIMINAR, com o que determino a suspensão dos efeitos dos atos administrativos que implicaram a cassação da imunidade e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da ASCAR e, por conseguinte, suspendo a exigibilidade de todos os créditos tributários (art. 151, V, do CTN) relativos a contribuições de seguridade social constituídos contra tal associação, com o que deverão cessar as cobranças administrativas e judiciais. Ou seja, há decisão judicial que: 1o) suspendeu os efeitos dos atos administrativos que implicaram na cassação da imunidade e do CEBAS da Recorrente; e, 2o ) suspendeu expressamente a exigibilidade, determinando a paralização de cobranças administrativas e judiciais. (ii) Inexistência de enfrentamento da impugnação no que tange a imunidade A decisão também deve ser reformada porque, não obstante o Auto de Infração tenha descrito que o Recorrente informou "indevidamente" que seria "isento/imune", não teria direito à imunidade porque: a) o art. 150, VI, "c", da CRFB, e art. 14 do CTN, não se aplica a Fl. 595DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 596 9 contribuições previdenciárias; b) os requisitos para o gozo de imunidade previdenciária são aqueles definidos pelo art. 195, §7°, da CRFB e pelo art. 55 da Lei 8.212/91; c) que a Recorrente teve seu direito "cancelado"; e, d) a Recorrente não teria demonstrado seu direito à imunidade, e que o Fisco não precisa demonstrar a inexistência deste direito. A decisão recorrida se esquiva de enfrentar a impugnação, confirmando a improcedência da mesma, e caindo em contradições insustentáveis. Em primeiro lugar, a impugnação sequer traz à baila o art. 150, VI, "c", da CRFB. Não há debate quanto a tal regra. Em segundo lugar, apesar de o art. 55 da Lei n. 8.212/91 conter requisitos supostamente necessários ao gozo da imunidade, o que foi exposto na impugnação é que os Autos de Infrações não demonstraram a inexistência do direito à imunidade, baseandose em mera "afirmação". Daí as alegações de que ocorreu violação ao Decreto 70.235/72, art. 10, III e IV, pelo qual o Auto de Infração deve conter a descrição precisa dos fatos, isto é, se o Al aduz que não tem direito a isenção, deve descrever por qual razão e apresentar prova disto, assim como os fundamentos legais e jurídicos pelos quais adotou tal premissa e chegou a conclusão. (...) Como no caso dos autos o lançamento diz que a Recorrente não tem direito a isenção, mas não esclarece a razão disso, simplesmente aduz, sem apontar fundamento legal, resta inequívoca a violação da legislação, pois a atividade fazendária é vinculada (art. 5o , II, 37, caput, e 150, I, da CRFB e arts. 3o e 142 do CTN), devendo observar os limites fixados pelo ordenamento jurídico na execução de suas funções arrecadatórias, dentre os quais buscar a verdade material (princípio da verdade material ou real decorrente do princípio da legalidade), identificando a verdade dos fatos. (iii) Inexistência de enfrentamento da impugnação no que tange a ilegalidade da multa de mora Em Sessão de Julgamento, esta Colenda Turma de Julgamento baixou o processo em Diligência Fiscal, Resolução n° 2403000205, nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a AuditoriaFiscal responsável pelo lançamento fiscal informe: (i) se havia Ato Cancelatório de Isenção de contribuições previdenciárias em desfavor da Recorrente e, em caso positivo, qual a data de emissão e qual o período abrangido; (ii) qual a fundamentação legal utilizada para considerar a Recorrente não isenta de contribuições sociais previdenciárias; Fl. 596DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 597 10 (iii) se a ciência do lançamento ocorreu em 29;09.2011 e o período objeto do lançamento foi de 01/2008 a 12/2008, se em 2006 e 2007 a Recorrente também não possuía direito à isenção de contribuição social previdenciária; (iv) se no período da autuação fiscal, 01/2008 a 12/2008, a Recorrente descumpriu o art. 55 da Lei 8.212/1991 e quais os fundamentos de tal descumprimento; (v) se no período da autuação fiscal, 01/2008 a 12/2008, a Recorrente descumpriu a Lei 12.101/2009 e quais os fundamentos de tal descumprimento; Em resposta à Resolução n° 2403000205 Diligência Fiscal, a Fiscalização assim se manifestou em Informação Fiscal às fls. 427: Em atenção a Resolução n° 2403000205 da 4a Câmara/3a Turma Ordinária de 17/10/2013 e aos quesitos solicitados fl. 483, temos a informar: Item (i) Há Ato Cancelatório de Isenção de contribuições previdenciárias em desfavor da recorrente, Ato n° INSS/GRAF/041/92 emitido em 17/11/1992, para o período a partir de 11/1991; Item (ii) A recorrente deixou de gozar o benefício da isenção, através do Ato Cancelatório citado, com base no Art. 55 caput e seu inciso IV: (remunerar diretores e não exercer atividade assistencial, educacional ou saúde); Item (iii) A recorrente não gozava do benefício da isenção das contribuições previdenciárias, no período de 2006 e 2007, (número do procedimento fiscal 09453692) encerrado em 16/04/2010; contribuinte individual). Itens (iv) e (v) No procedimento de auditoria fiscal, da qual originaram os autos de Infração em pauta, não teve o escopo de examinar aspectos formais de descumprimento do artigo 55 da Lei n° 8.212/1991 ou da Lei n° 12.101/2009, mas sim a finalidade de proceder ao lançamento do crédito tributário, em face da constatação da declaração indevida de isenção das contribuições previdenciárias pelo contribuinte, pois informa o código FPAS 639 nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF com Operação Autorizada para contribuições patronais para o período de 01/2008 a 12/2008 (86.602 Serviços Prestados Cooperativa de Trabalho L5%, 86.201 Contribuição de Empresa empregado e 86.202 Contribuição da Empresa contribuinte individual). O Recorrente devidamente cientificado da Informação Fiscal, atravessa Manifestação, em apertada síntese: Fl. 597DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 598 11 (i) Ilícitos praticados pela "Milícia Fiscal" contra a Recorrente A Recorrente, e, mais recentemente, a população gaúcha, litigam contra a União em função dos atos de "revogação da imunidade", bem como em virtude do ato que deu provimento à representação movida pelo INSS que revogou o certificado concedido para o triênio 2001,2002 e 2003. Em razão do litígio iniciado pela população gaúcha, dentre inúmeras circunstâncias, está a prática de atos ilícitos por membros do Ministério Público Federal, juntamente com auditores do então INSS, hoje integrantes da Receita Federal do Brasil, a exemplo do exposto nas petições anexas, protocoladas em sede de apelação na ação popular n. 505695304.2011.404.7100, ajuizada pela população em defesa da ASCAR. Tal documento não foi contestado, nem pela União, nem pelo MPF, nem pelo Senhor Luiz Cláudio de Lemos Tavares. Com isto há o reconhecimento de que a ASCAR foi vítima de vários atos ilícitos praticados por integrantes de tais órgãos. (ii) Ação Popular n. 505695304.2011.404.7100 Nesta data, 16/06/2014, o Tribunal Regional Federal da 4a Região restabeleceu a liminar concedida na ação popular. Salientamos que ainda não consta acórdão, nem o resultado do julgamento, mas Vossas Senhorias poderão obtêlos quando disponibilizados através do sitio www.trf4.jus.br, informando o número da ação popular/Apelação n. 505695304.2011.404.7100. Com isto todos os processos administrativos e judiciais contra a ASCAR devem ser suspensos. Um dos efeitos é reconhecimento da ilegalidade, abusividade e imoralidade da revogação da imunidade da Recorrente em 1992. A informação anexa comprova que o processo foi objeto da pauta de julgamento deste dia 16/06/2014 (iii) Reconhecimento da nulidade do ato cancelatório da imunidade no julgamento da Apelação n. 502092571.2010.404.7100 pelo TRF4 Há poucos dias, também a 1a Turma do TRF4, reconheceu a imunidade da ASCAR e o preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/91, no julgamento da apelação n. 502092571.2010.404.7100, conforme comprova o acórdão anexo Consta na página 11 no voto do Relator: De tudo o que foi exposto, evidenciase a conclusão de que a ASCAR preenche todos os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Portanto, a contribuição da empresa sobre a folha de salários deve ser expungida das NFLDs n° 32.528.8313, 32.528.8321 e 32.528.8348. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 599 12 (iv) Considerações quanto às respostas à Diligência Quanto ao ato cancelatório de isenção; Quanto ao fundamento legal para negar direito à imunidade ao Recorrente Se a Recorrente possuía direito a isenção em 2006 e 2007 Se a Recorrente violou o art. 55 da Lei 8.212/91 em 2008, e quais seriam os fundamentos fáticos e jurídicos Se a Recorrente violou a Lei 12.101/09 em 2008, e quais seriam os fundamentos fáticos e jurídicos Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 600 13 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso de Recurso Voluntário apresentados contra Acórdão nº 10 38.837 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou procedente o lançamento oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal: (i) AIOP nº 37.332.2127 parte Empresa R$ 24.542.911,19 (ii) AIOP nº 37.332.2135 Terceiros R$ 5.122.328,93 (iii) AIOA nº 37.332.2119 CFL 68 R$ 53.355,05 Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere às contribuições devidas à Seguridade Social, o fato gerador das obrigações previdenciárias tem por origem as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, contribuintes individuais e valores pagos a cooperativas de trabalho. Segundo o Relatório Fiscal, os elementos que serviram de base para a apuração do crédito foram as folhas de pagamento apresentada em meio papel e digital, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs, enviadas e constantes no sistema GFIPWEB e notas fiscais de prestação de serviços de cooperativas de trabalho lançadas no Livro Diário. Em relação aos fundamentos do lançamento, dispõe unicamente o Relatório Fiscal: 7. No período da constituição de crédito de 01/2008 a 12/2008, conforme se verifica nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social –GFIPs entregues e exportadas para o sistema GFIPWEB conforme planilha 1 Modelo Analítico Dinâmico da Informações gerais da GFIP anexa, houve a informação indevida pelo contribuinte no FPAS 639 – FILANTRÓPICA COM ISENÇÃO TOTAL das contribuições patronais e sem código para terceiros, sendo que a empresa não possui isenção dessas contribuições junto à Receita Federal do Brasil, bem como não informou no campo próprio das GFIPs os valores pagos à cooperativa Fl. 600DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 601 14 de trabalho fato gerador de contribuição previdenciária, dessa forma o contribuinte deixou de informar o total das contribuições devidas. 8. A empresa não efetuou recolhimento das contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os pagamentos de remuneração de empregados e contribuintes individuais e sobre pagamentos a cooperativas de trabalho, apenas há informação na GFIP do valor devido da contribuição previdenciária dos segurados, descontada das remunerações conforme folha de pagamento, e recolhidas através de Guias da Previdência Social (GPS), de código 2305. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, na qual, dentre outros pontos, questiona qual a fundamentação legal ou fático para a descaracterização da imunidade do sujeito passivo: Nulidade da Autuação Fiscal por cerceamento de defesa uma vez que a fiscalização aduz que a entidade não teria direito à imunidade das contribuições exigidas mas não apresenta os fundamentos legais ou fáticos pelos quais esta interpretação estaria correta (que critério a impugnante não preencheria para não ter direito à imunidade). Aponta o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/1972 onde está escrito que o auto de infração deve conter a descrição precisa dos fatos, isto é, se o AI afirma que não tem direito à isenção, deve descrever por qual razão e apresentar prova disto, assim como os fundamentos legais e jurídicos para tal conclusão. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa do Acórdão nº 1038.837 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente aduz que houve descumprimento de liminar proferida na Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre: (i) Descumprimento da decisão liminar proferida na Ação Popular nº 505695304.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre A decisão recorrida dispôs que a Recorrente teve seu direito a imunidade (que denomina "isenção") cancelado, não tendo direito a usufruir da regra constitucional (chega ao ponto de afirmar que a Recorrente é entidade "não alcançada pelos benefícios da isenção"). No entanto, ao fazêlo, incorreu em erro! Erro porque foi ajuizada ação popular por inúmeros cidadãos gaúchos, na qual foi proferida decisão liminar pelo Dr. Juiz Federal Leandro Paulsen, nos seguintes termos (Ação Popular n. 5056953 04.2011.404.7100, que tramita perante a 2a Vara Federal Tributária da Subseção Judiciária de Porto Alegre): Ante o exposto, forte no art. 273 do CPC, DEFIRO A MEDIDA LIMINAR, com o que determino a suspensão dos efeitos dos atos administrativos que implicaram a cassação da imunidade e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da ASCAR e, por conseguinte, suspendo a exigibilidade de todos os créditos Fl. 601DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 602 15 tributários (art. 151, V, do CTN) relativos a contribuições de seguridade social constituídos contra tal associação, com o que deverão cessar as cobranças administrativas e judiciais. Ou seja, há decisão judicial que: 1o) suspendeu os efeitos dos atos administrativos que implicaram na cassação da imunidade e do CEBAS da Recorrente; e, 2o ) suspendeu expressamente a exigibilidade, determinando a paralisação de cobranças administrativas e judiciais. Após ser cientificada da Informação Fiscal, resultante da Diligência Fiscal requerida por esta Colenda Turma de Julgamento, em sede de Manifestação a Recorrente traz a informação de que, em 16.06.2014, houve o restabelecimento da liminar anteriormente concedida em Ação Popular na qual se restabeleceria a imunidade e o direito à isenção pelo preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/1991: (ii) Ação Popular n. 505695304.2011.404.7100 Nesta data, 16/06/2014, o Tribunal Regional Federal da 4a Região restabeleceu a liminar concedida na ação popular. Salientamos que ainda não consta acórdão, nem o resultado do julgamento, mas Vossas Senhorias poderão obtêlos quando disponibilizados através do sitio www.trf4.jus.br, informando o número da ação popular/Apelação n. 505695304.2011.404.7100. Com isto todos os processos administrativos e judiciais contra a ASCAR devem ser suspensos. Um dos efeitos é reconhecimento da ilegalidade, abusividade e imoralidade da revogação da imunidade da Recorrente em 1992. A informação anexa comprova que o processo foi objeto da pauta de julgamento deste dia 16/06/2014. (iii) Reconhecimento da nulidade do ato cancelatório da imunidade no julgamento da Apelação n. 502092571.2010.404.7100 pelo TRF4 Há poucos dias, também a 1a Turma do TRF4, reconheceu a imunidade da ASCAR e o preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/91, no julgamento da apelação n. 502092571.2010.404.7100, conforme comprova o acórdão anexo Consta na página 11 no voto do Relator: De tudo o que foi exposto, evidenciase a conclusão de que a ASCAR preenche todos os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. Portanto, a contribuição da empresa sobre a folha de salários deve ser expungida das NFLDs n° 32.528.8313, 32.528.8321 e 32.528.8348. Em consulta ao trâmite processual da Apelação Cível n o.5020925 71.2010.404.7100, realizada em 06.03.2015, ao síte do TRF4 (http://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&t xtValor=50569530420114047100&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=&todasfases=S&se lForma=NU&todaspartes=&hdnRefId=&txtPalavraGerada=&txtChave=), temse o extrato da Fl. 602DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 603 16 sessão de 16.04.2014 na qual se reativou a tutela antecipada em relação à imunidade da Recorrente: EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 16/06/2014 APELAÇÃO CÍVEL Nº 505695304.2011.404.7100/RS ORIGEM: RS 50569530420114047100 RELATOR: Des. Federal MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE PRESIDENTE: MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE PROCURADOR: Dr CARMEM HESSEL SUSTENTAÇÃO ORAL: Drª Patrícia Grassi Osório representante da Procuradoria da Fazenda Nacional epedido de preferência pelo Dr. Rodrigo Dalcin Rodrigues representante da ASCAR APELANTE: .(...) Certifico que o(a) 1ª TURMA, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU A) DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO DA ASCAR DETERMINANDOSE O PROCESSAMENTO DA DEMANDA EM RELAÇÃO AO PRIMEIRO ATO ATACADO NA AÇÃO POPULAR (REVOGAÇÃO DA IMUNIDADE), COM A REATIVAÇÃO DA TUTELA ANTECIPADA DEFERIDA POR ESTE TRIBUNAL NOS AUTOS DO AI Nº 5000452 53.2012.404.0000; B) NÃO CONHECER DA APELAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. DETERMINADA A JUNTADA DE NOTAS TAQUIGRÁFICAS. Na continuação à consulta ao trâmite processual da Apelação Cível n o.5020925 71.2010.404.7100, realizada em 06.03.2015, observase que foi admitido o Recurso Especial da Advocacia Geral da União AGU em 04.02.2015: RECURSO ESPECIAL EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 5056953 04.2011.404.7100/RS RECORRENTE: UNIÃO ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO RECORRIDO: (...) Tratase de recurso especial interposto com apoio no art. 105, III,a e c,da Constituição Federal, contra acórdão proferido por Órgão Colegiado desta Corte. O recurso merece prosseguir, tendo em conta o devido prequestionamento da matéria relativa aos dispositivos supostamente Fl. 603DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 604 17 contrariados. Além disso, encontramse preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. Ante o exposto,admito o recurso especial. Intimemse. Porto Alegre/RS, 04 de fevereiro de 2015. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Temse que de um lado a Recorrente questiona, desde o Recurso Voluntário, o fato de que teve a tutela antecipada, em sede de Ação Popular, o restabelecimento da imunidade e o direito à isenção pelo preenchimento dos requisitos da Lei 8.212/1991. Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, para que esta Colenda Turma de Julgamento possa apreciar todos os aspectos da questão, surge a prejudicial de se determinar se o objeto da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/RS, em trâmite no TRF4 e com andamento processual de admissibilidade de Recurso Especial da AGU, indica que há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativofiscal. CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe: (i) Conclusivamente, se o objeto da Ação Popular no.5056953 04.2011.404.7100/RS, em trâmite no TRF4 e com andamento processual de admissibilidade de Recurso Especial da AGU, indica que há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal. (ii) O trânsito em julgado da Ação Popular no.505695304.2011.404.7100/RS, com a conseqüente decisão final na esfera judicial; Fl. 604DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.728759/201195 Resolução nº 2403000.307 S2C4T3 Fl. 605 18 (iii) Se, com o trânsito em julgado da Ação Popular no.5056953 04.2011.404.7100/RS, caso favorável ao contribuinte, há a perda de objeto do presente processo administrativofiscal; É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 605DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10283.909658/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 58 /2 00 9- 50 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909658/200950 Acórdão n.º 3202001.534 S3C2T2 Fl. 345 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721215/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo.
O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão ou mesmo sua ausência, não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). LANÇAMENTO REFLEXO.
É dispensável a emissão de novo MPF, ou de MPF complementar, quando as infrações apuradas, em relação ao tributo contido no MPFF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos. Hipótese em que estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
JUROS. CONTRATO DE MÚTUO. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO.
O auferimento de receitas de juros decorrentes da celebração de contratos de mútuo não guarda qualquer relação com a correção monetária que era aplicada às demonstrações financeiras antes da edição da Lei nº 9.249/95.
CONTRATOS DE MÚTUO. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. INFRAÇÕES DISTINTAS.
A falta de escrituração de receitas auferidas em decorrência de encargos estabelecidos em contrato de mútuo configura a omissão de receitas. Tal infração não se confunde com a glosa de despesas efetuadas na pessoa jurídica que capta recursos de terceiros se comprometendo a pagar encargos financeiros em valores superiores àqueles exigidos da pessoa interligada para a qual tais recursos foram repassados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO.
Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1301-001.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão ou mesmo sua ausência, não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). LANÇAMENTO REFLEXO. É dispensável a emissão de novo MPF, ou de MPF complementar, quando as infrações apuradas, em relação ao tributo contido no MPFF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos. Hipótese em que estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. JUROS. CONTRATO DE MÚTUO. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. O auferimento de receitas de juros decorrentes da celebração de contratos de mútuo não guarda qualquer relação com a correção monetária que era aplicada às demonstrações financeiras antes da edição da Lei nº 9.249/95. CONTRATOS DE MÚTUO. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. INFRAÇÕES DISTINTAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 15 /2 01 2- 67 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 A falta de escrituração de receitas auferidas em decorrência de encargos estabelecidos em contrato de mútuo configura a omissão de receitas. Tal infração não se confunde com a glosa de despesas efetuadas na pessoa jurídica que capta recursos de terceiros se comprometendo a pagar encargos financeiros em valores superiores àqueles exigidos da pessoa interligada para a qual tais recursos foram repassados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.721215/201267 Acórdão n.º 1301001.719 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 15/10/2012, o lançamento de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados nos autos de infração e demonstrativos de fls. 148 a 170, no valor total de R$ 13.294.098,23, a título de IRPJ e CSLL. No Termo de Verificação Fiscal, de fls. 136 a 147, a autoridade fiscal relata, em suma, o seguinte: 3.1 Em 2004, no intuito de aumentar o capital social de sua investida Banco Schahin S.A CNPJ 50.585.090/000106 (Banco Schahin), a HBF Participações Ltda (HBF Participações), CNPJ 06.113.657/000141 firmou 2 (dois) contratos de mútuo com empresa do mesmo grupo, Schain Participações Ltda (Schahin Participações), para obter parte dos recursos necessários para tal fim (Contratos de Mútuo n°01/2004 e n°02/2004). 3.1.1 O valor dos rendimentos referente aos contratos de mútuo em questão compôs o valor de outras despesas operacionais da HBF Participações nos anos 2007 e 2008, reduzindo seu Lucro Líquido e, conseqüentemente, o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL. Porém, em consulta às declarações da Schahin Participações, não foram encontradas informações em seu Ativo, referente ao montante da entrega de recursos à HBF Participações e também na Demonstração de Resultado quanto a receitas financeiras compatíveis com as operações de mútuo firmadas entre as empresas. 3.2 Em resposta ao Termo de Inicio de Diligência e Intimação n° 01, foram apresentados os contratos de mútuo em questão, bem como seus aditamentos. Cada contrato estabelecia que o valor do principal a ser emprestado pelo mutuante (Schahin Participações) a mutuária (HBF) seria de R$15.060.000,00. Estabelecia também que o valor da taxa de juros referente a estes mútuos seria de 2% ao mês. Esta reajustada para 2,2% ao mês após 01/01/2006 conforme aditamento dos contratos. Na sequência o contribuinte foi intimado a apresentar a contabilização das receitas financeiras auferidas nos anos calendário 2007 e 2008 referentes a estes contratos de mútuo. Na resposta o mesmo apresentou o razão contábil contendo lançamentos de Receitas Financeiras para o ano de 2007 no total de R$ 813.146,82 e para o ano de 2008 no total de R$ 433.220,15. Informa que as receitas oferecidas à tributação foram informadas na DIPJ (Ficha 06A (consta para o ano de 2007 zero e ano 2008 R$ 433,220,15). Já na mutuária, HBF Participações, a contabilização destes contratos foi realizada na Conta n°4.6.2.10.108 – em moeda nacional, onde foram contabilizados os principais e também a capitalização dos juros mês a mês, valores deduzidos como despesas ano 2007: R$ 11.968.491,32 e ano 2008: R$ 14.541.833,67. Constatase assim que houve a realização de créditos mantidos à margem da escrituração da empresa Schahin Participações, caracterizando a omissão de Receitas Financeiras acobertadas por contrato de mútuo realizado com empresa do mesmo grupo, HBF Participações, nos anos calendário 2007 e 2008. Ante tal fato efetuouse o lançamento dos Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 débitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) com o respectivo reflexo em Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Os artigos 251, 264 e 276 do RIR/99 dispõem sobre a necessidade de o contribuinte escriturar de forma correta a sua atividade e embasar tal escrituração em documentação idônea que de suporte aos lançamentos efetuados, mantendo esses registros e comprovantes enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, e quanto a sua verificação pela autoridade tributária. Já o artigo 730 do RIR/99 e o artigo 18 da IN SRF nº 25/2001 dispõem sobre o tratamento a ser dado às receitas financeiras omitidas no presente caso, as quais devem ser consideradas como rendimentos de aplicação financeira. O artigo 76, § 2º da Lei nº 8.981/95 determina que tais rendimentos passem a integrar o lucro real, no mesmo sentido se encontram os artigos 373, 247, 248 e 249, II do RIR/99. Os rendimentos auferidos devem seguir o que determina o princípio da competência, o qual determina que as transações devem ser reconhecidas nos períodos a que se referem. Neste sentido encontrase o artigo 274, § 1º do RIR/99 c/c artigo 177 e 187, § 1º da Lei nº 6.404/1976. Complementa a fundamentação legal do lançamento o artigo 43 do CTN que determina a tributação sobre a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos de qualquer natureza, sendo que as receitas de juros, nos contratos de mútuo, se encaixam em tal conceito, conforme trechos doutrinários colacionados. Como conseqüência do acima exposto, foram efetuados os lançamentos de IRPJ e CSLL sobre os valores especificados no quadro abaixo, tendo como conseqüência a apuração de IRPJ devidos de R$ 2.052.861,10 e R$ 2.443.803,67, em 2007 e 2008 respectivamente, bem como de CSLL devidas, nos mesmos períodos, de R$ 747.670,00 e R$ 888.409,42. Os autos de infração contemplam as compensações dos saldos acumulados de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, respectivamente, observado o limite máximo de 30% do respectivo lucro líquido ajustado permitido pela legislação. As Planilhas de Compensação que integram os autos de Infração gerados detalham os cálculos destas compensações. Assim, o sujeito passivo deverá realizar o ajuste adequado na parte B do LALUR para atualizar o saldo acumulado de prejuízos fiscais, e similarmente para a base de cálculo negativa da CSLL. Irresignado com as autuações efetuadas, o interessado supra qualificado apresentou, em 16/11/2012, a impugnação de fls. 177 a 184, informando e alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, que o lançamento seria nulo, visto que o MPF (Mandado de Procedmento Fiscal) expedido autorizou o procedimento de fiscalização somente para a apuração do IRPJ do período de 01/2007 a 12/2008, em nenhum momento houve a cobrança de recolhimento em relação à CSLL do mesmo período. O artigo 10 da Portaria SRF nº 4.066 de 2007, determina que seja expedido MPF complementar para a ampliação dos tributos a serem examinados. Tal exigência não constitui mero formalismo passível de ser relevado. O MPF constitui ato de efeito concreto que vincula as atividades de fiscalização desempenhadas por servidores subordinados a uma autoridade superior da Secretaria da Receita Federal. Tratase, assim, de garantia do administrado de que a atividade administrativa tributária é plenamente vinculada, consoante o artigo 3o do CTN, não se sujeitando, portanto, à discricionariedade do agente fiscal. Dessa forma, no caso vertente, como o MPF designou uma apuração no âmbito Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.721215/201267 Acórdão n.º 1301001.719 S1C3T1 Fl. 13 5 do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica supostamente devido pelo Impugnante, é nulo o presente auto de infração, eis que lavrado para exigência de mais tributos. O entendimento manifestado pela autoridade fiscal de que a receita financeira apurada pelo impugnante, decorrente do mútuo firmado com a HBF Participações, deveria compor o seu Lucro Real, não merece prevalecer uma vez que o artigo 4º da Lei nº 9.249/95 revogou a correção monetária das demonstrações financeiras, deixando de ser exigido, dessa forma, o reconhecimento, por parte da mutuante, das receitas financeiras decorrentes dos contratos de mútuo entre empresas controladoras e controladas e coligadas ou interligadas. Só poderia a Fiscalização exigir que tais receitas fossem reconhecidas se comprovasse que a mutuante teria tomado emprestado de terceiros os recursos que repassou à empresa interligada e o repasse tivesse sido feito sem a cobrança de encargos, ou com a cobrança de encargos inferiores aos pagos para a obtenção dos recursos repassados. Neste sentido o 1º Conselho de Contribuintes pelo ac. n° 10312.070/92 DOU de 18/08/92 decidiu que são indedutíveis, na determinação do Lucro Real, os valores correspondentes à diferença apurada entre os encargos financeiros pagos por financiamentos tomados no mercado e os recebidos por empréstimos concomitantemente concedidos às empresas controladoras. No mesmo sentido seguem os acórdãos n° 10179.646/90 DOU de 03/05/90, 10224.814/90 DOU de 13/07/90 e 10313.446/93 DOU de 28/03/95. Assim, não havendo provas de que o empréstimo concedido pela impugnante teria sido realizado com recursos obtidos no mercado financeiro, não se revela cabível a exigência de reconhecimento das receitas financeiras objeto do presente lançamento. "Ad Argumentandum", temse que o cálculo dos juros apresentado pela Autoridade Fiscal, no presente caso, encontrase totalmente em desencontro com a realidade, pois conforme se verifica nos contratos de mútuo firmados, a cláusula segunda prescreve que sobre o valor principal incidirá taxa de juros de 2% ao mês. Além disso, em 31.12.2005 e 30.11.2010, respectivamente, ocorreram os aditamentos aos contratos de mútuos elencados acima, alterando a taxa de juros para 2,2% ao mês. De acordo com os contratos supramencionados, há a prescrição de pagamento de juros mês a mês, mas referidos juros devem ser calculados de forma simples (linear) e não de forma composta (capitalizada) como ocorreu no cálculo realizado pela Autoridade Fiscal. Dessa forma o impugnante junta às fls. 245 e 246, planilha referente aos cálculos dos juros que deveriam ter sido cobrados, ou seja, com os valores calculados de forma linear, bem como também tabelas abaixo contendo o recálculo dos tributos, considerando os juros de forma linear. Dessa forma, na eventualidade de restar mantido o auto de infração em tela, requerse ao menos seja determinado o recalculo de todo o valor exigido a título de IRPJ e CSLL, baseandose o cálculo dos juros de forma simples e não capitalizada, como feito pela Autoridade Fiscal. Diante do exposto, requer preliminarmente, que seja acolhida a preliminar de nulidade, caso não seja este o entendimento requerse o provimento da Impugnação, a fim de reconhecer e julgar improcedente o Auto de Infração e na eventualidade do mesmo ser mantido requer ao menos seja a presente impugnação provida para determinar o recalculo do valor da autuação considerandose o cômputo dos juros decorrentes do contrato de mútuo de forma linear e não capitalizada. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 A DRJ/SÃO PAULO I, decidiu a matéria por meio do Acórdão 1647.326, de 06/06/2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). LANÇAMENTO REFLEXO. É dispensável a emissão de novo MPF, ou de MPF complementar, quando as infrações apuradas, em relação ao tributo contido no MPFF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos. Hipótese em que estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. JUROS. CONTRATO DE MÚTUO. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. O auferimento de receitas de juros decorrentes da celebração de contratos de mútuo não guarda qualquer relação com a correção monetária que era aplicada às demonstrações financeiras antes da edição da Lei nº 9.249/95. CONTRATOS DE MÚTUO. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSA DE DESPESAS. INFRAÇÕES DISTINTAS. A falta de escrituração de receitas auferidas em decorrência de encargos estabelecidos em contrato de mútuo configura a omissão de receitas. Tal infração não se confunde com a glosa de despesas efetuadas na pessoa jurídica que capta recursos de terceiros se comprometendo a pagar encargos financeiros em valores superiores àqueles exigidos da pessoa interligada para a qual tais recursos foram repassados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2007, 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.721215/201267 Acórdão n.º 1301001.719 S1C3T1 Fl. 14 7 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Esta segunda peça de defesa ratifica os argumentos trazidos na inicial (impugnação) os quais passamos a análise na mesma seqüência apresentada. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA PARA LANÇAR SUPOSTOS DÉBITOS REFERENTES À CSLL. Nesse item, em síntese, a recorrente pretende ver reconhecida a nulidade da autuação pretendendo limitar a atuação dos agentes da fiscalização exclusivamente ao IRPJ, tornando inválido o lançamento em relação a CSLL, visto que, o MPF autoriza a fiscalização somente com relação ao IRPJ. Essa primeira argumentação, com todas as vênias, não merece prosperar. De acordo com o que expressamente determina o Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A partir dessas disposições, verificase que, a rigor, às autoridades fiscais compete a efetivação do lançamento como atividade administrativa vinculada e obrigatória, não havendo, portanto, qualquer limitação a respeito da atuação dos agentes no desenvolvimento de seu mister. Ocorre que os atos infralegais que regulam o MPF não podem se sobrepor aos dispositivos do Código Tributário Nacional e da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração (especialmente seu art. 6º ). Ademais, o MPF é apenas uma medida interna, de controle administrativo e sua ausência não contamina a essência do lançamento quando levado a efeito por autoridade competente. Neste sentido vasta é a recente jurisprudência do CARF, a exemplo do Acórdão 110100.699, que contém a seguinte ementa (sobre o tema em comento: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FISCALIZAÇÃO. O mandado de procedimento fiscal (MPF) é apenas um instrumento de controle interno da Receita Federal, que não afeta a relação da fiscalização com contribuinte. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 No que tange ao contribuinte, o MPF é um documento neutro. Os trabalhos da fiscalização não são afetados por qualquer elemento do MPF, que nesse aspecto apenas serve para garantir ao contribuinte que a pessoa que se apresenta como fiscal, de fato o é. Frisese, não é o MPF que dá legitimidade ao Auditor da RFB para lançar tributos, mas a lei stricto sensu, e esta não restou violada. Com relação a alegada nulidade apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70.235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, com o respectivo detalhamento do cálculo dos tributos devidos e levados ao conhecimento da autuada e tendo a interessada se defendido através da peça impugnatória e recurso voluntário acostados aos autos. O Auto de Infração contém todos os requisitos elencados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e não restou comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, para declarar a nulidade do lançamento. Assim, rejeito as preliminares de nulidades suscitadas. DO NÃO RECONHECIMENTO DOS ENCARGOS FINANCEIROS PRATICADOS NOS CONTRATOS DE MÚTUO COMO RECEITA FINANCEIRA NA EMPRESA MUTUANTE. Aqui, por pertinente reproduzo os seguintes trechos extraídos do voto recorrido: "No mérito o impugnante alega que não reconheceu as receitas objeto das autuações porque a Lei nº 9.249/95 revogou a correção monetária das demonstrações financeiras, deixando de ser exigido, dessa forma, o reconhecimento, por parte do mutuante, das receitas financeiras decorrentes dos contratos de mútuo entre empresas controladoras e controladas, coligadas ou interligadas. Complementa ainda que a fiscalização só poderia exigir que tais receitas fossem reconhecidas se viesse a comprovar que o mutuante teria tomado emprestado de terceiros os recursos que repassou à empresa interligada e que o repasse tenha sido feito sem a cobrança de encargos ou com encargos inferiores aos pagos para a obtenção dos recursos repassados. 7.1 Antes de quaisquer considerações a serem feitas, é patente a falta de conexão entre o objeto das autuações e as alegações tecidas pelo impugnante. Ora, na descrição dos fatos o impugnante reconhece que a autuação se deu por conta da omissão de receitas decorrentes do auferimento das receitas de juros relativos aos contratos de mútuo firmados entre ele e a HPF Participações nos anos de 2007 e 2008, evidenciando assim que tal fato em nada se relaciona com a ausência de correção monetária das demonstrações financeiras e muito menos com a glosa de despesas decorrente do pagamento de encargos a terceiros em valores superiores Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.721215/201267 Acórdão n.º 1301001.719 S1C3T1 Fl. 15 9 àqueles que recebeu de empresas interligadas por conta do repasse dos valores mutuados. 7.2 A correção monetária das demonstrações financeiras tinha como finalidade a atualização do valor patrimonial de uma empresa frente à defasagem causada pelos altos índices de inflação vigentes no país antes da edição da Lei 9.249/95. Tais correções independiam de qualquer ato econômico realizado pela empresa. Já as receitas financeiras obtidas com os juros pagos pela HPF Participações ao impugnante, em função dos princípios da contabilidade e das disposições legais atinentes à escrituração contábil, já deviam ser contabilizados antes da edição da Lei 9.249/95 e continuam da mesma forma após a vigência da mesma, mormente por toda a fundamentação legal aposta pela autoridade autuante. Não vislumbro qualquer relação entre a falta cometida e a extinção da correção monetária das demonstrações financeiras disposta no artigo 4º da Lei nº 9.249/95. 7.3 Com relação à tomada de recursos de terceiros e posterior repasse à pessoa interligada com encargos inferiores, a glosa da diferença se dá por conta da desnecessidade de tal despesa, isto porque o tomador efetivo do empréstimo seria a pessoa interligada para quem os recursos foram repassados, devendo, portanto, ser desta as despesas com o encargo assumido, configurandose assim mera liberalidade da primeira contratante a assunção do ônus financeiro no pagamento dos referidos encargos, pelo menos no que tange à diferença a maior entre o assumido com terceiros e o exigido da pessoa interligada. Ademais, conforme destacado anteriormente, trata de uma situação de glosa de despesas e não tem nada a ver com a omissão de receitas praticada no presente caso." No meu entender não há reparos quanto à decisão de piso. Constatada a omissão de receitas financeiras acobertadas por contrato de mútuo entre empresas do mesmo grupo, conforme explicitada no relatório e TVF e, observada o que dispõe o art. 730, do RIR/1999, que equipara, para efeitos tributários, aos rendimentos de aplicações em renda fixa, os rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central. E mais, o art. 373 do RIR/1999, que trata das receitas financeiras, determina que estas deverão ser incluídas no lucro operacional, consequentemente o lucro líquido e lucro real. No caso em concreto, ao se agregar os juros ao principal, há a disponibilidade dos recursos à Schahin Participações, portanto, esta deverá contabilizálo e oferecêlo à tributação (art, 43 do CTN). DO EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DOS VALORES A TÍTULO DE JUROS. Neste ponto, aduz a recorrente: "Ad Argumentandum", temse que o cálculo dos juros apresentado pela Autoridade Fiscal, no presente caso, encontrase totalmente em desencontro com a realidade, pois conforme se verifica nos contratos de mútuo firmados, a cláusula segunda prescreve que sobre o valor principal incidirá taxa de juros de 2% ao mês. Além disso, em 31.12.2005 e 30.11.2010, respectivamente, ocorreram os aditamentos aos contratos de mútuos elencados acima, alterando a taxa de juros para 2,2% ao mês. De acordo com os contratos supramencionados, há a prescrição de pagamento de juros mês a mês, mas referidos juros devem ser calculados de forma simples (linear) e não de forma composta (capitalizada) como ocorreu no cálculo Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 realizado pela Autoridade Fiscal. Dessa forma o impugnante junta às fls. 245 e 246, planilha referente aos cálculos dos juros que deveriam ter sido cobrados, ou seja, com os valores calculados de forma linear, bem como também tabelas abaixo contendo o recálculo dos tributos, considerando os juros de forma linear. Aqui e da mesma forma que o item precedente para melhor elucidar a matéria transcrevo os seguintes trechos do voto recorrido. "O impugnante ainda contesta a apuração da base de cálculo da infração realizada pela autoridade fiscal. Neste ponto alega que a fiscalização teria calculado os juros de forma composta, enquanto que os contratos previam o cálculo na forma de juros simples. Mais uma vez carece de razão o autuado. Notase que a autoridade fiscal não realizou qualquer cálculo para a apuração dos juros, tendo simplesmente autuado as receitas na mesma monta dos valores deduzidos como despesas, a título de juros, pela mutuária (HPF Participações). Se houve o auferimento destes valores, pouco importa para o Fisco se eles foram acima do contratado ou não, pois a tributação se dá sobre as receitas auferidas e a contabilidade também deve refletir a alteração econômica decorrente de uma transação real e efetiva que provocou uma variação patrimonial positiva na mutuante, da mesma forma, e na mesma monta, que gerou despesas e variação patrimonial negativa da mutuária. Resta, portanto, correta a apuração da base de cálculo efetuada pela fiscalização, que detectou a omissão do registro das receitas de juros, reflexo da dedução de despesas efetuada por empresa do mesmo grupo econômico, tendo essa sim realizado o cálculo, conforme alegado, na forma de juros compostos. Ademais, o contrato não traz cláusula expressa informando a forma de cálculo (juros simples ou compostos), de forma que o cálculo realizado pela mutuária corrobora com o entendimento de que o pactuado seria a utilização de juros compostos, até porque nos contratos de mútuo e aditamentos firmados verificase pessoas comuns entre os signatários representantes da mutuante e da mutuária (fls. 240, 242, 243 e 244)." Ou seja, conforme se verifica as alegações da recorrente não lograram afastar as conclusões da decisão recorrida, cujos fundamentos adoto para decidir o decisium, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.721215/201267 Acórdão n.º 1301001.719 S1C3T1 Fl. 16 11 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 16306.000097/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Joselaine Boeira Zatorre, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
RELATÓRIO
ITAUSA INVESTIMENTOS ITAÚ S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP-I que, por unanimidade de votos de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas com o saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário 2003.
A contribuinte apresentou Declarações de Compensação DCOMP de 14/05/2004 a 13/08/2004 para utilização de saldo negativo de CSLL informado no valor original de R$ 10.276.132,40. A autoridade fiscal não admitiu a dedução de estimativas objeto de compensações não homologadas nos processos administrativos nº 11610.022154/2002-61 e 11610.000608/2003-23. Além disso, parte da estimativa de agosto/2003 foi informada em DCTF com exigibilidade suspensa em razão de liminar em mandado de segurança, já julgado improcedente em 1a instância, mas ainda pendente de apreciação no Tribunal Regional Federal da 3a Região. Em conseqüência, foi reconhecido à contribuinte saldo negativo de R$ 8.302.271,71, destinado à homologação das compensações declaradas.
Cientificada do despacho decisório em 06/04/2009, a contribuinte argüiu que a não-homologação de parte das estimativas foi questionada administrativamente, e como ainda não há decisão definitiva, a compensação efetuada extingue a antecipação sob condição resolutória de ulterior homologação. No mais, aduz que houve erro na declaração das antecipações devidas em janeiro e agosto/2003, diz que requereu retificação da DCTF, mas seu pedido ainda não foi apreciado, asseverando que estas divergências são a causa da parcela não homologada em agosto/2003.
A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, observando que as estimativas objeto de compensações não homologadas estão em discussão administrativa, o que retira a liquidez e certeza do crédito para fins de compensação, e asseverando que não compete à DRJ apreciar pedidos de retificação de DIPJ e DCTF.
Cientificada da decisão de primeira instância em 07/06/2010 (fl. 145), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 07/07/2010 (fls. 146/154).
Reitera que a não-homologação de parte das estimativas foi questionada administrativamente, e como ainda não há decisão definitiva, a compensação efetuada extingue a antecipação sob condição resolutória de ulterior homologação. Reporta-se a decisão neste sentido adotada pela DEINF/SP ao apreciar compensação em circunstâncias semelhantes.
Com referência à antecipação de agosto/2003, pede que, ante a impossibilidade de o órgão julgador se pronunciar sobre as retificações alegadas, sejam os autos devolvidos à DERAT/SP para que esta se manifeste sobre os pedidos de retificação de DIPJ e DCTF antes apresentados.
Os autos foram originalmente sorteados para relatoria do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, que se declarou impedido nos termos do despacho de fl. 193. Realizado novo sorteio, a relatoria do recurso voluntário foi atribuída a esta Conselheira.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Joselaine Boeira Zatorre, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RELATÓRIO ITAUSA INVESTIMENTOS ITAÚ S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP-I que, por unanimidade de votos de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas com o saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário 2003. A contribuinte apresentou Declarações de Compensação DCOMP de 14/05/2004 a 13/08/2004 para utilização de saldo negativo de CSLL informado no valor original de R$ 10.276.132,40. A autoridade fiscal não admitiu a dedução de estimativas objeto de compensações não homologadas nos processos administrativos nº 11610.022154/2002-61 e 11610.000608/2003-23. Além disso, parte da estimativa de agosto/2003 foi informada em DCTF com exigibilidade suspensa em razão de liminar em mandado de segurança, já julgado improcedente em 1a instância, mas ainda pendente de apreciação no Tribunal Regional Federal da 3a Região. Em conseqüência, foi reconhecido à contribuinte saldo negativo de R$ 8.302.271,71, destinado à homologação das compensações declaradas. Cientificada do despacho decisório em 06/04/2009, a contribuinte argüiu que a não-homologação de parte das estimativas foi questionada administrativamente, e como ainda não há decisão definitiva, a compensação efetuada extingue a antecipação sob condição resolutória de ulterior homologação. No mais, aduz que houve erro na declaração das antecipações devidas em janeiro e agosto/2003, diz que requereu retificação da DCTF, mas seu pedido ainda não foi apreciado, asseverando que estas divergências são a causa da parcela não homologada em agosto/2003. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, observando que as estimativas objeto de compensações não homologadas estão em discussão administrativa, o que retira a liquidez e certeza do crédito para fins de compensação, e asseverando que não compete à DRJ apreciar pedidos de retificação de DIPJ e DCTF. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/06/2010 (fl. 145), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 07/07/2010 (fls. 146/154). Reitera que a não-homologação de parte das estimativas foi questionada administrativamente, e como ainda não há decisão definitiva, a compensação efetuada extingue a antecipação sob condição resolutória de ulterior homologação. Reporta-se a decisão neste sentido adotada pela DEINF/SP ao apreciar compensação em circunstâncias semelhantes. Com referência à antecipação de agosto/2003, pede que, ante a impossibilidade de o órgão julgador se pronunciar sobre as retificações alegadas, sejam os autos devolvidos à DERAT/SP para que esta se manifeste sobre os pedidos de retificação de DIPJ e DCTF antes apresentados. Os autos foram originalmente sorteados para relatoria do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, que se declarou impedido nos termos do despacho de fl. 193. Realizado novo sorteio, a relatoria do recurso voluntário foi atribuída a esta Conselheira.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Joselaine Boeira Zatorre, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 09 7/ 20 09 -0 1 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000097/200901 Resolução nº 1101000.145 S1C1T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO ITAUSA INVESTIMENTOS ITAÚ S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – SPI que, por unanimidade de votos de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2003. A contribuinte apresentou Declarações de Compensação – DCOMP de 14/05/2004 a 13/08/2004 para utilização de saldo negativo de CSLL informado no valor original de R$ 10.276.132,40. A autoridade fiscal não admitiu a dedução de estimativas objeto de compensações não homologadas nos processos administrativos nº 11610.022154/200261 e 11610.000608/200323. Além disso, parte da estimativa de agosto/2003 foi informada em DCTF com exigibilidade suspensa em razão de liminar em mandado de segurança, já julgado improcedente em 1a instância, mas ainda pendente de apreciação no Tribunal Regional Federal da 3a Região. Em conseqüência, foi reconhecido à contribuinte saldo negativo de R$ 8.302.271,71, destinado à homologação das compensações declaradas. Cientificada do despacho decisório em 06/04/2009, a contribuinte argüiu que a nãohomologação de parte das estimativas foi questionada administrativamente, e como ainda não há decisão definitiva, a compensação efetuada extingue a antecipação sob condição resolutória de ulterior homologação. No mais, aduz que houve erro na declaração das antecipações devidas em janeiro e agosto/2003, diz que requereu retificação da DCTF, mas seu pedido ainda não foi apreciado, asseverando que estas divergências são a causa da parcela não homologada em agosto/2003. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, observando que as estimativas objeto de compensações não homologadas estão em discussão administrativa, o que retira a liquidez e certeza do crédito para fins de compensação, e asseverando que não compete à DRJ apreciar pedidos de retificação de DIPJ e DCTF. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/06/2010 (fl. 145), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 07/07/2010 (fls. 146/154). Reitera que a nãohomologação de parte das estimativas foi questionada administrativamente, e como ainda não há decisão definitiva, a compensação efetuada extingue a antecipação sob condição resolutória de ulterior homologação. Reportase a decisão neste sentido adotada pela DEINF/SP ao apreciar compensação em circunstâncias semelhantes. Com referência à antecipação de agosto/2003, pede que, ante a impossibilidade de o órgão julgador se pronunciar sobre as retificações alegadas, sejam os autos devolvidos à DERAT/SP para que esta se manifeste sobre os pedidos de retificação de DIPJ e DCTF antes apresentados. Os autos foram originalmente sorteados para relatoria do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, que se declarou impedido nos termos do despacho de fl. 193. Realizado novo sorteio, a relatoria do recurso voluntário foi atribuída a esta Conselheira. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000097/200901 Resolução nº 1101000.145 S1C1T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O quadro elaborado pela autoridade fiscal à fl. 39 sintetiza os motivos do reconhecimento parcial do direito creditório utilizado pela contribuinte em compensações: O processo administrativo nº 11610.022154/200261 já foi apreciado neste Conselho, do que resultou a edição do Acórdão nº 110200.002, sendo negado provimento ao recurso voluntário. Não foi possível identificar, nos sistemas informatizados de controle de processos, se referida decisão se tornou definitiva, mas na sessão de julgamento a recorrente reportouse a novos fatos consignados em petição juntada aos autos, indicando a propositura de ação anulatória contra a cobrança da estimativa de fevereiro/2003, da qual a contribuinte posteriormente desistiu, seguindose a conversão dos depósitos judiciais em renda da União, com as reduções previstas na Lei nº 11.941/2009. O processo administrativo nº 11610.000608/200323, por sua vez, foi apreciado por este Colegiado, e nos termos do Acórdão nº 1101001.236, foi reconhecido o direito creditório alegado pelo sujeito passivo, o qual deverá ser destinado às correspondentes compensações, dentre elas, aquela referente à estimativa de CSLL devida em abril/2003. Com referência à estimativa de agosto/2003, a recorrente reportase a pedido de retificação de DIPJ e DCTF apresentado à Receita Federal em 18/01/2008, no qual constatase a referência a intimação decorrente de análise do processo administrativo nº 11610.000608/200323 (fls. 87/88). A interessada menciona, também, petição protocolada em 16/04/2003, na qual teria requerido alteração de compensações vinculadas ao crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, também objeto do processo administrativo nº 11610.000608/200323 (fls. 89/93). Diante de tal contexto, o presente julgamento deve ser CONVERTIDO em diligência para que a autoridade fiscal da jurisdição da contribuinte: 1) confirme se a decisão proferida no processo administrativo nº 11610.022154/200261 e a estimativa de fevereiro/2003 foi liquidada; 2) caso se torne definitivo o Acórdão nº 1101001.236, promova Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16306.000097/200901 Resolução nº 1101000.145 S1C1T1 Fl. 5 4 sua liquidação, informando se o crédito reconhecido foi suficiente para liquidação da estimativa de abril/2003 a ele vinculada; e 3) informe as providências adotadas em face das petições de fls. 87/88 e 89/93, inclusive quanto a eventuais repercussões decorrentes do reconhecimento do direito creditório utilizado no processo administrativo nº 11610.000608/200323 e anexos. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900752/2013-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 245/1.372 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 245/1.372 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 245/1.372 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos da COFINS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 75 2/ 20 13 -9 6 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900752/201396 Resolução nº 3802000.384 S3TE02 Fl. 1.378 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 195/200, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 21292.74470.250210.1.3.045651, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415936). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 550.539,10 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/02/2006, sob o código 5856, no valor de R$ 1.536.188,96) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 802.575,90. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 21292.74470.250210.1.3.045651, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56415936). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 25/02/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 550.539,10 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 15/02/2006, sob o código 5856, no valor de R$ 1.536.188,96) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 802.575,90. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900752/201396 Resolução nº 3802000.384 S3TE02 Fl. 1.379 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 156 a 194, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 205 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 207), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 208/223), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de janeiro/2006. E, consequentemente, a constatação de que o montante devido para referido período de COFINS era de R$ 3.338.257,82 (5856) e não de R$ 3.888.796,92, conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 550.539,10 (R$ 3.888.796,92 R$ 3.338.257,82 = R$ 550.539,10). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900752/201396 Resolução nº 3802000.384 S3TE02 Fl. 1.380 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 32.791.689,04, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do I ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 245/1.372). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa Pricewaterhouse Coopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 362/384). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900752/201396 Resolução nº 3802000.384 S3TE02 Fl. 1.381 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 205 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 207 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 208/223). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 10 e 11), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de janeiro de 2006, a Recorrente transmitiu 03 declarações DCTF (em 07/03/2006, 15/10/2008 e 24/03/2010). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 3.667.085,62 para R$ 3.338.257,82. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 06/10/2006 e 22/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.10 e 11) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 22/02/2010 e 24/03/2010, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 156/194 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor da COFINS devida no período de apuração de janeiro de 2006. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900752/201396 Resolução nº 3802000.384 S3TE02 Fl. 1.382 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de COFINS relativa ao período de janeiro/2006. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 362/384), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900752/201396 Resolução nº 3802000.384 S3TE02 Fl. 1.383 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 245/1.372), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 245/1.372 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos da COFINS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 215 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13855.000225/2002-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
COFINS. SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO.
As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da COFINS. Por conseguinte, a contribuição paga no período é passível de restituição/compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 COFINS. SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da COFINS. Por conseguinte, a contribuição paga no período é passível de restituição/compensação. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 COFINS. SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da COFINS. Por conseguinte, a contribuição paga no período é passível de restituição/compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 02 25 /2 00 2- 27 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP (fls. 115/117), a qual, por unanimidade de votos, julgou por INDEFERIR o pedido de restituição e não homologar as compensações referente a COFINS, nos termos do Acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 Ementa: COFINS. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. Somente estavam isentas da Cofins as sociedades civis de prestação de serviços relativos a profissão legalmente regulamentada que concomitantemente tributassem o imposto de renda pelo regime previsto no DecretoLei n° 2.397, de 1987. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Por muito bem retratar os fatos, transcrevo, a seguir, o relatório objeto da decisão recorrida: (...)A contribuinte acima identificada solicitou restituição dos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) recolhidos no período de janeiro a março de 1997, por entender que fazia jus à isenção prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, dirigida às sociedades civis de prestação de serviços de profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, de que trata o DecretoLei (DL) n° 2.397, de 1987. Posteriormente, foram entregues Declarações de Compensação (Dcomp)utilizando o crédito ora pleiteado. Dando prosseguimento ao processo, a DRF/FrancaSP emitiu Despacho Decisório de fls. 78 a 84, indeferindo o pleito e não homologando as compensações, sob a alegação de que, de acordo com o Parecer Normativo (PN) Cosit n° 3, de 1994, a sociedade que optasse por um dos regimes de tributação do lucro (real ou presumido), previstos no art. 2° da Lei n° 8.541, de 1992, abrindo mão do regime de tributação previsto no DL n° 2.397, de 1987, também estaria sujeita à incidência da Cofins, como é o caso da impugnante, que optou pelo lucro presumido. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que o art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, revogou a isenção da Cofins das sociedades civis, regidas pelo DL n° 2.397, de 1987, apenas a partir de abril de 1997, portanto, até então estava amparada pela isenção prevista na LC n° 70, de 1991. Anexou também julgados nesse sentido do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13855.000225/200227 Acórdão n.º 3802004.269 S3TE02 Fl. 150 3 A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 28/09/2006 (fl. 119). Inconformada, a mesma apresentou, em 13/10/2006 (fl. 120), o recurso voluntário de fls. 120/123, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, conforme as razões abaixo sintetizadas: a) que a Lei 9.430/96, em seu artigo 56 e parágrafo único, revogou a isenção das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, a partir de abril de 1997, não sendo devido, portanto, os valores recolhidos indevidamente antes desta data, pois, estava amparada pela Lei Complementar 70/91, motivo pelo qual os valores pagos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1997, devem ser restituídos; b) que os membros da 4ª Turma de Julgamento (DRJ/RPO) através do acórdão n° 1413.521, de 25/08/ 2006, votaram pelo indeferimento do pedido de restituição e também pela não homologação do pedido de compensação, baseandose exclusivamente na forma de tributação adotada pela impugnante; c) que o entendimento sobre a matéria é pacifica na esfera administrativa pelo Conselho de Contribuintes, conforme EMENTAS que reproduz e invocando a Súmula n° 276, editada pelo Superior Tribunal de Justiça, publicada no Diário Oficial do dia 02/06/2003, com o seguinte enunciado: “Súmula nº 276 As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, irrelevante o regime tributário adotado”. À vista do exposto, requer que seja acolhido o presente RECURSO, com o deferimento da restituição e conseqüentemente homologação das declarações de compensação eletrônica. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 28/09/2006 (fl. 119). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 13/10/2006 (fl. 120), tempestivamente, portanto, dele conheço. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. O montante em litígio também está dentro do limite de alçada de Turma Especial. Do mérito A Recorrente, alega que foram recolhidos, nos meses de fevereiro, março e abril do ano de 1997, valores indevidos a título de COFINS (DARF referentes aos meses de Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 janeiro: R$ 3.921,12, fevereiro: R$15 2.488,73 e março: R$ 1.710,65), perfazendo o total de R$ 8.120,50. Assim, solicitou restituição desses valores recolhidos no período, por entender que fazia jus à isenção prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, dirigida às sociedades civis de prestação de serviços de profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, de que trata o DecretoLei (DL) n° 2.397, de 1987. Posteriormente, foram entregues as Declarações de Compensação (Dcomp), utilizandose o crédito ora pleiteado. Entretanto, no entendimento prolatado pelo Acórdão da DRJ/RPO, consubstanciado no PN Cosit n° 3, de 1994, é que somente tinham direito à isenção as pessoas jurídicas que utilizassem o regime de tributação do imposto de renda específico das sociedades civis de prestação de serviços relativos a profissão legalmente regulamentada, definido no DL n° 2.397, de 1987. Os contribuintes que optassem por um dos regimes de tributação do imposto de renda real ou presumido, previstos no art. 2° da Lei n° 8.541, de 1992, abdicando daquele regime especifico, estavam excluídos da isenção da Cofins. Em seu recurso a Recorrente alega que a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 56 e parágrafo único, revogou a isenção das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, a partir de abril de 1997, não sendo devido, portanto, os valores recolhidos indevidamente antes desta data, pois, estava amparada pela Lei Complementar 70/91, motivo pelo qual os valores pagos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1997 devem ser restituídos. Aduz que o entendimento sobre a matéria é pacifica na esfera administrativa pelo Conselho de Contribuintes. Ressalta a Súmula n° 276, editada pelo Superior Tribunal de Justiça, publicada no Diário Oficial do dia 02/06/2003. Pelo que se observa nos autos, a lide se restringe, a definir se a empresa naquele período (janeiro a março de 1997), estava ou não excluída da isenção da COFINS. Passo, então, a analise do ponto acima elencado. Conforme verificase nos autos, tratase de pedido de restituição de COFINS, pertinente à isenção conferida às sociedades civis a que se refere o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. A isenção da COFINS para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada estava prevista no inciso II, do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, que assim dispunha: "São isentas da contribuição: (...) II as sociedades civis de que trata o artigo 1º do DecretoLei n°2.397, de 21 de dezembro de 1987; (...) O artigo 1° do Decreto Lei n° 2.397/87 assim determinava: “A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada período base, pelas sociedades civis de prestação legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por Fl. 152DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13855.000225/200227 Acórdão n.º 3802004.269 S3TE02 Fl. 151 5 pessoas físicas domiciliadas no País”.de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão. Com referência a essa matéria, verificase como muito bem retratado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no seu voto vencedor, proferido no julgamento do Acórdão nº 9303002.244 (3ª Turma), que adoto como fundamentos para a razão de decidir. A COFINS, nos termos dos artigos 1º e 2º da lei supracitada, incide sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas e as a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda. Predito faturamento compreende a receita bruta de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Por outro lado, o artigo 6º dessa lei isentava de contribuição, dentre outras, às sociedades civis a que se refere o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, a seguir transcrito: “Art. 1º. A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada anobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País.” Ocorre que a referida isenção teve sua vigência até março de 1997, quando então foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispôs. “Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo único. Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997” (grifei). Analisandose os dispositivos legais aludidos, verificase que até o início da vigência do disposto nesse artigo 56, as condições para as pessoas jurídicas fazerem jus à isenção em comento são as previstas no art. 1º do DecretoLei nº 2.397/87, quais sejam: a) a pessoa jurídica deve ser sociedade civil prestadora de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; b) deve ser registrada no Registro Civil da Pessoa Jurídica; e c) deve ser constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. Os requisitos legais a serem preenchidos pelas sociedades civis são, tão somente, os elencados no artigo 1º do já citado DecretoLei, não sendo lícito acrescentarlhes outros não previstos em lei. Não se alegue que a opção pela apuração do imposto de renda com base no lucro presumido ou no lucro real, facultado às aludidas sociedades civis pelo art. 71 da Lei nº 8.383/1991, as excluem da isenção ora discutida. Entretanto, não houve restrição à isenção no art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, em virtude da forma de tributação do Imposto de Renda. Por isso, não podem outras Fl. 153DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 normas, de hierarquia inferior, ou ainda o aplicador, sob argumento de interpretar a lei, exigir outro requisito. Não se pode, com base nesta restrição, disciplinar de maneira diferente e restritiva, a isenção concedida pela lei complementar que instituiu a contribuição. A opção pelo pagamento do Imposto de Renda com base no lucro presumido somente reflete na tributação deste imposto. É de notarse que o art. 1º do DL nº 2.397/87 dispõe sobre a não incidência do Imposto de Renda sobre o lucro apurado dessas sociedades civis, o que não tem qualquer pertinência com a tributação da Cofins. Demais disso, o artigo 6º da citada lei complementar não condiciona a isenção dessa contribuição ao regime de tributação do Imposto de Renda adotado pela sociedade civil beneficiária da desoneração fiscal. Deves lembrar, ainda, que não é lícito ao intérprete ou ao aplicador da lei restringirlhe o alcance quando o legislador assim não o fez. Hugo de Brito Machado, comentando as isenções subjetivas assevera que elas são “concedidas em função de condições pessoais de seu destinatário”. Em assim sendo, as condições inerentes à beneficiária do favor fiscal devem circunscrever à sua natureza jurídica – se sociedade civil prestadora de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registrada no Registro Civil da Pessoa Jurídica e não ao regime de tributação a que estão sujeitas. Quanto ao Parecer Normativo Cosit nº 003/1994, citado na decisão de primeira instância, é oportuna a lição do professor Paulo de Barros Carvalho, citada pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lópes, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário 103.384 (Acórdão 20211.773): Pareceres normativos consistem em manifestações de agentes especializados na esfera federal, sobre matéria tributária submetida à sua apreciação, e que adquirem foros normativos, vinculando a interpretação entre funcionários. Mas o contribuinte, de forma alguma, está obrigado a obedecer as disposições constantes de parecer normativo, pois só é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei. O parecer normativo representa única e exclusivamente a opinião do Fisco sobre determinada disposição legal, tendo o mesmo valor jurídico que a opinião do contribuinte. Não pode ir além, nem ficar aquém das disposições legais, sob pena de fatal ilegalidade. Somente pode explicitar o que está implícito na lei e visando colaborar com o contribuinte, uma vez que não passam de subsídio interpretativo da norma legal. Ora, se Pareceres Normativos não podem ir além das disposições legais, obviamente, o citado Parecer Cosit, ao restringir o alcance da norma isencional, não se ateve à natureza meramente interpretativa, transfigurouse em ato constitutivo. Portanto ilegal. O mesmo entendimento, mutatis mutandis, aplicase à Instrução Normativa SRF nº 21/1992. Por derradeiro, cabe registrar que a isenção das sociedades civis já foi analisada pelo Superior Tribunal de Justiça, que assim se manifestou (REsp 156839/SP, julgado em 23/03/98, Relator Ministro José Delgado): TRIBUTÁRIO. COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13855.000225/200227 Acórdão n.º 3802004.269 S3TE02 Fl. 152 7 1 A Lei Complementar n. 70/91, de 30.12.1991, em seu art. 6º, II, isentou, expressamente, da contribuição do COFINS, as sociedades civis de que trata o artigo 1º DO DecretoLei n. 2.397, de 22.12.1987, sem exigir qualquer outra condição senão as decorrentes da natureza jurídica das mencionadas entidades. 2 Em conseqüência da mensagem concessiva de isenção contida no art. 6º, II, da LC n. 70/91, fixase o entendimento de que a interpretação do referido comando posto em lei complementar, consequentemente, com potencialidade hierárquica em patamar superior à legislação ordinária, revela que será abrangida pela isenção do COFINS as sociedades civis que, cumulativamente, apresentem os seguintes requisitos: seja sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil; tenha por objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; e esteja registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. 3 Outra condição não foi considerada pela Lei Complementar, no seu art. 6º, II, para o gozo da isenção, especialmente, o tipo de regime tributário adotado para fins de incidência ou não de Imposto de Renda. 4 Posto tal panorama, não há suporte jurídico para se acolher a tese da Fazenda Nacional de que há, também, ao lado dos requisitos acima elencados, um último, o do tipo de regime tributário adotado pela sociedade. A Lei Complementar não faz tal exigência, pelo que não cabe ao interprete criála. 5 É irrelevante o fato das recorridas terem optado pela tributação dos seus resultados com base no lucro presumido, conforme lhe permite o artigo 71 da Lei n. 8.383/91 e os artigos 1º e 2º da Lei n. 8.541/92. Essa opção terá reflexos para fins de pagamento do Imposto de Renda. Não afeta, porém, a isenção concedida pelo artigo 6º, II, da Lei Complementar n. 70/91, haja vista que esta, repitase, não colocou como pressuposto para o gozo da isenção o tipo de regime tributário seguido pela sociedade civil. 6 Recurso especial improvido. Conclusão Posto isto, e considerando tratarse a recorrente de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, e estar constituída por pessoas físicas domiciliadas no País, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário Fl. 155DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 para reconhecer a isenção alegada no período relativo a janeiro a março de 1997, devendo a Fazenda Nacional, reconhecida a isenção, verificar a higidez do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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