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Numero do processo: 16561.000127/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS.
Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE.
As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade.
EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE.
Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares.
Numero da decisão: 1402-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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MÉTODOS. Após o início do processo de fiscalização, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. A fiscalização não esta obrigada a testar todos os métodos facultados ao contribuinte. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 27 /2 00 7- 98 Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.532 2 Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá, que votaram por dar provimento. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.533 3 Relatório Clariant S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima qualificada foi autuada e notificada, em 29/11/2007, a recolher crédito tributário no valor de R$ 24.563.684,20, relativo ao IRPJ, e CSLL referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 1819 a 1839, a fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada teve a finalidade de verificar a correta apuração dos preços de transferência nas operações de importação e exportação com pessoas vinculadas no anocalendário de 2002. IMPORTAÇÕES O contribuinte foi intimado a apresentar o método adotado, relação de pessoas vinculadas, memórias de cálculos, arquivos magnéticos e demais papéis de trabalho, para a comprovação dos preços de transferência em suas operações de importações. Da análise das informações prestadas, verificouse que o contribuinte utilizou dois métodos, para os cálculos dos preços parâmetros em suas operações de importações para o período fiscalizado: PRL(20) e PRL(60). PREÇO PRATICADO Da análise das planilhas de fls. 318 a 395, a fiscalização constatou que o contribuinte calculou o preço praticado em R$/unidade com base no valor FOB (free on board), contrariando o disposto no parágrafo § 4º da IN SRF n° 243/2002, segundo o qual o contribuinte deveria ter calculado o preço praticado em R$/unidade com base no valor CIF + II, ou seja, custo mais seguro internacional + fretes internacionais + imposto de importação. PREÇO PARÂMETRO No tocante ao cálculo do preço parâmetro a fiscalização aceitou os valores apurados pelo contribuinte nas operações sujeitas ao PRL(20). O mesmo não ocorreu em relação as operações sujeitas ao PRL(60). O autuante afirma que os cálculos não estão de acordo com o disposto no item "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF n° 243/2003. Cita dois exemplos: O primeiro, trata de matériaprima utilizada na produção de um único produto para venda. Neste caso demonstra que o contribuinte calculou o preço parâmetro mediante a aplicação da margem de lucro de 60% diretamente sobre o preço líquido de venda diminuído das "Despesas Gerais de Fabricação". Ressalta que a IN Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.534 4 243/2002 não menciona a exclusão das despesas em tela e que também não foi levado em consideração o percentual da matériaprima no custo da produção. O segundo, trata de matéria prima utilizada na produção de mais de um produto para venda. Neste caso o autuante destaca que o contribuinte calculou o preço parâmetro de cada um dos produtos fabricados e, determinou um preço parâmetro final mediante o cálculo da média aritmética simples dos valores apurados produto a produto. O autuante, entende, que no caso especifico, o correto seria calcular a média ponderada. AJUSTES APURADOS Em face das irregularidades apontadas o autuante demonstra a metodologia de cálculo prevista na IN SRF n° 243/2002 e apura o montante passível de ajuste no LALUR, já deduzidos os valores declarados, como segue: Método Valor de Ajuste em R$ PRL 20% 1.876.396,36 PRL 60% 17.513.489,73 TOTAL 19.389.886,09 EXPORTAÇÕES A fiscalização não concorda com a posição firmada pelo contribuinte em não realizar os cálculos do preço de transferência, em suas operações de exportações, sob o argumento de que se enquadra no artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Argumenta que o artigo 35 é abrangente quanto à comprovação da margem de lucratividade líquida sobre as receitas de exportação para pessoas vinculadas. Considera não apenas a margem de lucro do ano fiscalizado como considera a margem de lucro líquido sobre as exportações para pessoas vinculadas dos dois anos precedentes e que conforme o disposto no artigo 37 incisos I e II, a questão da lucratividade não se aplica as exportações efetuadas para países com tributação favorecida (inciso I) e que o fato de o contribuinte enquadrarse dentro dos limites estabelecidos pelo artigo 35 da referida IN, não implica a aceitação definitiva pela autoridade fiscal (inciso II). Destaca que o contribuinte demonstrou a sua lucratividade somente para o período fiscalizado que foi de 12,7%, considerando as vendas de exportações consolidadas para pessoas vinculadas e países com tributação favorecida. Por este motivo a fiscalização impugnou a receita reconhecida com base no preço praticado, e de oficio determinou o ajuste da receita de exportação com base nos métodos PEVx e CAP, como segue: Método Valor de Ajuste em R$ PVEx 15.631.725,76 CAP 5.001.574,37 TOTAL 20.633.300,13 DOS LANÇAMENTOS Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.535 5 IRPJ (fls. 1.804 A 1.809), com base: no inciso I e IV do § 3º do artigo 240 do RIR/99, combinado com os artigos 23 e 26 da IN SRF n° 243/2002; e, alínea "d" do inciso II do artigo 241 do RIR199 combinado com o artigo 2° da Lei n° 9.959/2000, constituindo um crédito tributário no valor total R$ 21.643.119,09; CSLL (fls. 1.810 a 1.814), com base no artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei 9.430/96 e artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições, constituindo um crédito tributário no valor total de R$ 2.920.565,11. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 29/11/2007, a empresa interessada, por meio de seus procuradores regularmente constituídos (fls. 2.048 e 2.049), apresentou em 28/12/2007 a impugnação de fls. 2.056 a 2.118, acompanhada dos documentos as fls. 2.119 a 2.168 e 56 (cinquenta e seis) Anexos. A peça impugnatória foi assim sintetizada pela requerente: Da possibilidade de utilização de qualquer um dos métodos previstos nos artigos 18 e 19 da Lei nº 9.430/96 (i) os artigos 18 e 19 da Lei n° 9.430/96 determinam a possibilidade de o contribuinte utilizar simultaneamente os métodos ali previstos, não havendo o que se falar, portanto, na escolha de um destes métodos; (ii) a única exigência feita pelos citados dispositivos é a de que seja utilizado o método mais favorável ao contribuinte, constituindo esta exigência uma obrigação aos agentes da Administração Tributária; PARTE A: Das Operações de Importação PRL 60% Da ilegalidade da nova sistemática introduzida pela IN n° 243/02 e da observância ao principio da irretroatividade (iii) quanto ao PRL 60%, não pode prosperar a exigência feita com base na sistemática instituída Instrução Normativa no 243/2002, tendo em vista que o citado dispositivo, além de extrapolar os limites da lei, sendo, portanto, ilegal, não pode ser validamente aplicado ao anocalendário de 2002; PRL 20% Da indevida inclusão dos valores relativos ao frete, seguro e tributos no cálculo do preço praticado (CF x FOB) (iv) quanto ao PRL 20%, a inclusão do frete, seguro e tributos incidentes na importação não pode ser mantida, tendo em vista que a Impugnante comprovou que isto acarretaria diversas distorções nos cálculos dos preços de transferência; PIC Subsidiariamente, caso sejam rejeitados os cálculos feitos pela a Impugnante com base no método PRL, a D. Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o PIC (v) quanto às operações de importação, a Impugnante demonstrou diversas vezes durante a fiscalização que havia efetuado os cálculos dos preços de transferência também pelo método PIC, apresentando suas memórias de cálculo (doc. 4, "IMP." I ao "IMP." 220), devendo este método ser aceito, tendo em vista tratarse do método o mais favorável do que o método PRL na forma como aplicado pela D. Autoridade Fiscal; Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.536 6 PARTE B: Das Operações de Exportação Safe Harbour da lucratividade nova exigência do art. 35, da IN n° 243/02 (vi) no caso das operações de exportação, não pode ser mantida a rejeição da aplicação do safe harbour da lucratividade (artigo 35 da IN nº 243/2002), tendo em vista que a D. Autoridade Fiscal pretendeu aplicar o cálculo da lucratividade não apenas para o período fiscalizado, mas também para os dois anos anteriores, exigência esta não vigente à época da ocorrência do fato gerador, introduzida somente em 30/12/2003, através da Instrução Normativa n° 382; (vii) contudo, mesmo que se mantivesse o posicionamento fiscal de que o cálculo da lucratividade deveria ter sido feito relativamente ao período fiscalizado e os dois anos precedentes, a Impugnante também estaria amparada pelo safe harbour, conforme restou demonstrado na planilha denominada "EXP." I ; Safe Harbour da lucratividade Paraísos Fiscais (viii) as operações de exportação para empresas vinculadas localizadas em paraísos fiscais devem ser consideradas para o cálculo da lucratividade a que se refere o artigo 35 da IN n° 243/2002, devendo apenas estas operações sofrerem o controle dos preços de transferência mesmo que seja atingido o percentual mínimo exigido pelo citado dispositivo; (ix) subsidiariamente, caso seja mantido o entendimento da D. Autoridade Fiscalizadora, a Impugnante também demonstra que, até mesmo excluindose do cálculo as operações de exportação realizadas para paraísos fiscais, tanto para o período de apuração, como somado aos dois anos precedentes, ainda assim não se afastaria o safe harbour da lucratividade, visto que o lucro líquido destas operações continuaria superior a 5% (cinco por cento) do valor total destas receitas, mesmo levandose em consideração a atual redação do art. 35 da IN n° 243/2002("EXP." 6); Safe Harbour Da adequação das operações da empresa ao disposto no artigo 19, "caput", da Lei n° 9.430/96 (x) ainda que tais operações não estivessem acobertadas pelo referido artigo, estariam acobertadas pelo safe harbour previsto no caput do art. 19 da Lei n° 9.430/96 e no art. 14 da IN n° 243/2002, pois os preços médios praticados nas operações de exportação correspondem a, no mínimo, 90% do preço praticado na venda dos mesmos bens no mercado brasileiro (conforme demonstrado pelos cálculos das planilhas denominadas "EXP." 2 e "EXP." 3 e notas fiscais relacionados no doc. "EXP." 4, juntadas dos volumes 2 ao 51), fato desconsiderado pela D. Autoridade Fiscal; e; CAP Subsidiariamente, a D. Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o PVEx e o CAP para todos os produtos, o que a faria concluir que o CAP é o método mais vantajoso Impugnante (xi) por fim, caso não se considerasse quaisquer dos argumentos relativos às operações de exportação, a D. Autoridade Fiscal deveria ter aplicado o método CAP, como ela mesma afirmou que faria, tendo em vista tratarse do método mais favorável à Impugnante, conforme demonstrado pela planilha denominada "EXP." 5, do anexo I. DA DILIGÊNCIA Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.537 7 Em face das alegações da Impugnante, esta autoridade julgadora entendeu por bem encaminhar os autos ao autuante a fim de que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 1) Esclarecer os motivos pelos quais não foram considerados os ajustes calculados pelo contribuinte pelo método PIC colocados à disposição da fiscalização (fls. 1.112 e 1.228/1.229); 2) Analisar os ajustes calculados pelo método PIC (Anexos 52 ao 56), e recalcular, se for o caso, o ajuste apurado considerando produto a produto o método mais favorável ao contribuinte; 3) Verificar a necessidade de arbitramento das receitas de exportação em função do disposto no artigo 14 da IN SRF n° 243/2002; 4) Observado o item anterior e com base nos métodos utilizados no procedimento de fiscalização, elaborar planilha de cálculo dos ajustes decorrentes das operações de exportações efetuadas para país ou dependência com tributação favorecida, ou cuja legislação interna oponha sigilo. Em atendimento ao solicitado a autoridade lançadora e elaborou o relatório de fls. 2.180 a 2.183 no qual expõe em apertada síntese o seguinte: No tocante às operações de importação (itens 1 e 2), adotou o método utilizado pelo contribuinte na DIPJ, conforme determina o artigo 40 da IN 243/2002. Entende que o solicitado no item 2 ficou prejudicado em face da resposta da questão n° 1. Em relação às operações de exportação (itens 3 e 4), que não procede a reclamação do contribuinte referente à não aplicação do artigo 14 da IN SRF n° 243/2002, por parte do fisco, visto que, o contribuinte foi taxativo, claro e objetivo em sua resposta contida às fls. 405 e 1.228, no sentido de que não houve aplicação de qualquer método no anocalendário de 2002 em face do disposto no artigo 35 da IN SRF nº 243/2002. Argumenta que "o legislador concedeu o benefício ao contribuinte para que efetuasse os cálculos do preço de transferência, em suas operações de exportações, somente para aqueles produtos que apresentasse um índice "menor ou igual a 90%", isto é, o índice que deveria ser calculado e demonstrado pelo CONTRIBUINTE pela relação "preço médio praticado nas exportações dividido pelo preço médio praticado no mercado brasileiro", em conformidade com o artigo 14 e seus parágrafos da Instrução Normativa n° 243/2002." (destaques do original) Afirma que antes de adotar os métodos PVEx e CAP, calculou por amostragem (16 itens) a relação dos Preços médios na exportação/Preços médios no mercado brasileiro e, que somente após constatar que os itens calculados apresentavam índices inferiores a 90% arbitrou o ajuste pelos citados métodos. Para atender o item 4 apresenta o demonstrativo de fls. 2.191 e 2.192. A impugnante foi regularmente notificada do resultado da diligência e apresentou a manifestação de fls. 2.197 e 2.198 assim sintetizada pela requerente: Quesito 1 Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.538 8 (i) a Autoridade Fiscal não respondeu adequadamente este quesito. Ignorando a requisição da D. DRJ, ela deixou de justificar a desconsideração dos Cálculos PIC, referindose tão somente à aplicação do método PIC a um único produto, a qual se encontra registrada da DIPJ da Impugnante; (ii) nos termos do artigo 18, § 4°, da Lei n° 9.430/96, é possível a aplicação de mais de um método para a apuração de preços de transferência nas importações, e, isso ocorrendo, deve prevalecer o método mais favorável ao contribuinte. No caso vertente, na hipótese de prevalecer a aplicação do método PRL com base na IN 243, os ajustes decorrentes dos cálculos PIC passariam a ser mais favoráveis ao contribuinte, e, portanto, deveriam ser considerados para fins de dedutibilidade; (iii) o artigo 40 da IN 243, invocado pela Autoridade Fiscal na tentativa de afastar a sua obrigação fazer valer o método mais favorável ao contribuinte, não é aplicável ao caso em tela; mesmo que fosse, não contradiria o artigo 18, § 4° da Lei n° 9.430/96; e mesmo que contradissesse, sucumbiria ao comando legal, por força do principio da legalidade; Quesito 2 (iv) esse quesito deixou de ser atendido pela Autoridade Fiscal. Nada obstante, o silêncio do Relatório Conclusivo é suprido pelo fato de que os ajustes decorrentes dos Cálculos PIC foram devidamente demonstrados pela Impugnante. Tais ajustes remontam a R$ 540.029,35, e, na hipótese de não ser reconhecida a ilegalidade do cálculo do método PRL consoante a IN 243 (pretendido pela Autoridade Lançadora), tem a D. DRJ plenas condições de substituir o ajuste de R$ 15.499.956,71, registrado no auto de infração, por aquele montante; (v) seria inadmissível uma nova fiscalização dos resultados decorrentes dos Cálculos PIC, pois isso corresponderia ao reexame de fatos já atingidos pela decadência; Quesito 3 (vi) na hipótese de não ser aplicado o artigo 35 da IN 243, deve ser assegurada a eficácia do artigo 19 da lei n° 9.430/96. Não procede a afirmação da Autoridade Fiscal de que a Impugnante teria "abdicado" ao safe harbour descrito neste artigo. A improcedência dessa alegação decorre não apenas da literalidade do artigo 19 da Lei no 9.430/96, como também da impossibilidade técnica de existir uma tal renúncia. (vii) os cálculos apresentados pela Autoridade Fiscal, também na tentativa de desqualificar a aplicação do artigo 19 da Lei n° 9.430/96, devem ser desconsiderados, pois estão incorretos. Ao invés de aferir a razão entre as receitas de exportação e os preços médios praticados no mercado brasileiro, a Autoridade Fiscal utilizou como divisor os preços médios das exportações realizadas para partes nãorelacionadas Quesito 4 (viii) esse quesito não foi adequadamente atendido. A Autoridade Fiscal limitouse, por meio do anexo 02 do Relatório Conclusivo, segregar, 24 dentre os cálculos relativos às exportações que lastrearam a autuação (1694 e ss), aqueles atinentes a exportações realizadas para paraísos fiscais. Assim, não foi atendido o escopo do quesito, segundo o qual deveria a Autoridade Fiscal, à luz do quesito 3, redimensionar o montante da autuação, de acordo com a correta interpretação da Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.539 9 legislação pertinente aos safe harbours, também para as exportações destinadas a paraísos fiscais.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 20.306 (fls. 2.2272.246) de 03/02/2009, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, mantendoo no que concerne aos ajustes nas operações de importação e reformandoo quanto aos ajustes nas operações de exportação, reduzindo tal ajuste de R$ 20.546.286,35 para R$ 87.013,78. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODOS. Após o inicio do processo de fiscalização, não cabe mais ao contribuinte, alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. A fiscalização não esta obrigada a testar todos os métodos facultados ao contribuinte. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. IMPORTAÇÕES. MÉTODO PRL. PREÇO PRATICADO. INCLUSÃO DE FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração do preço praticado segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. EXPORTAÇÕES. SAFE HARBOUR DA LUCRATIVIDADE. As operações de exportações, para empresa vinculada ou não, domiciliada em pais com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo, integra a base de cálculo do safe harbour da lucratividade. EXPORTAÇÕES. NECESSIDADE DE AJUSTE. Somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.540 10 DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 29/04/2009 (A.R. de fl. 2.252) a interessada interpôs recurso voluntário em 29/05/2009 (fls. 2.2692.325) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Da decisão a DRJ recorreu de ofício a este Carf por ter o crédito tributário exonerado excedido o limite previsto na legislação. É o relatório. Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.541 11 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Os recursos de ofício e voluntário reúnem os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Deles, portanto, tomo conhecimento. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 688 a 837, a contribuinte foi autuada, pelas seguintes irregularidades, observadas no anocalendário de 2002: Quanto às importações: i) cálculo do preço praticado (método PRL) com base no valor FOB e não pelo valor CIF + II, como determina o § 4º da IN SRF nº 243/2002 e, ii) cálculo do preço parâmetro (PRL 60) em desacordo com o artigo 12 da citada IN; Quanto às exportações: utilização indevida do Safe Harbour da lucratividade previsto no artigo 35, da IN SRF n° 243/2002. A decisão de primeira instância manteve os lançamentos no que concerne aos ajustes nas operações de importação (objeto do recurso voluntário) e os reformou quanto aos ajustes nas operações de exportação (objeto do recurso de ofício). Do Recurso Voluntário Da escolha dos métodos pelo Fisco Alega a Recorrente que a Autoridade Fiscal, ao interpretar o § 2º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, e concluir que o mandamento nele veiculado não constitui uma imposição à fiscalização, interpretou de forma incorreta a norma jurídica, uma vez que totalmente dissociada da Lei 9.430/96, cujo § 4º do artigo 18 assim dispõe: "...na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado". Com efeito, entendo descabida a argumentação da Recorrente quanto a esse ponto. Vejase o comando legal citado. Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.542 12 adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. [...] (grifei) Da leitura acima depreendese que o escopo do artigo 4º é dirigido tão somente a pessoa jurídica importadora. É nesse sentido que o comando trata do preço parâmetro “a ser” utilizado nas importações de empresa vinculada. Ou seja, o momento procedimental o qual a norma pretende balizar é aquele anterior à importação dos bens, serviços ou direitos. Não há, naquele momento, procedimento de fiscalização ao qual estaria submetida a empresa, uma vez que os fatos relacionados à importação ainda estavam em desenvolvimento. Nessa esteira, é clara a orientação no caput do citado artigo 4o de que a opção por um dos métodos de apuração do preçoparâmetro é prerrogativa da pessoa jurídica importadora. Noutro giro, a situação que se analisa nos autos decorre de procedimento de fiscalização das ações já levadas a termo pela interessada, cuja orientação consta do artigo 40, § único, daquela IN SRF nº 243/2002, in verbis: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa" (grifei). Assim, caso proceda à desqualificação dos cálculos efetuados pela Contribuinte (o que se analisará mais a frente neste voto), tem a fiscalização a opção de determinar o preçoparâmetro, aplicando um dos métodos referidos na IN SRF nº 243/2002. No caso em análise, o método adotado pela Autuada nas operações de importação (PRL) foi informado na ficha 34 da DIPJ/2003, transmitida via internet, em 04/07/2003 (fls. 136 a 185). Ressaltese que a Autuada informou à fiscalização que havia apurado o ajuste por mais de um método (quando possível) apenas quando constatou que a metodologia de Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.543 13 cálculo adotada pelo Autuante implicava na majoração do preço praticado calculado com base no método PRL. Entendo, dessa forma, correto o procedimento da fiscalização em auditar os cálculos efetuados pelo contribuinte com base no método PRL em detrimento do método PIC, pleiteado pela Autuada como menos gravoso. Do emprego do método PRL 60% com a utilização da IN SRF nº 243/2002 para o ano calendário de 2002 Alega a Recorrente que as disposições da IN SRF nº 243/2002 incluiriam a instituição do método PRL 60% e que somente poderiam ser aplicadas a partir do ano calendário de 2003. Argumenta que o período de abrangência do auto de infração é o ano calendário de 2002, e que as disposições da IN SRF nº 243/2002, “que inclui a instituição do método PRL 60% sem respaldo em Lei”, devem ser aplicadas apenas em relação às importações realizadas a partir do anocalendário de 2003. Com efeito, entendo descabido o argumento da Recorrente. Isso porque o método PRL 60% tem como supedâneo legal o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada, vigente à época dos fatos geradores, pela Lei nº 9.959/2000), conforme consta da fundamentação legal do auto de infração. Vejase o teor do citado artigo: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: [...] d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) [...] Vêse, portanto, que a instituição do método PRL 60% não se deu, como alegado pela Recorrente, com a IN SRF nº 243/2002, que, por sua vez, é meramente Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.544 14 interpretativa e procedimental, quanto à aplicação dos métodos de obtenção do preço parâmetro. Tanto é assim que a Solução de Consulta Cosit nº 2, de 23/01/2008, ao esclarecer que, na determinação do preço parâmetro pelo método PRL 60%, com a vigência da IN SRF nº 243/2002, “devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%,...”, nada mais fez do que repisar aquilo que artigo 18 da Lei nº 9.430/96, em seu inciso II, letra d1, já preconizava. Descabidos, pois os argumentos da Recorrente quanto a esse ponto. Da inclusão das despesas de frete, seguro e II no preço praticado Contesta a Recorrente a inclusão dos valores dos fretes, seguros e impostos não recuperáveis nos custos da importação. Argumenta que tais despesas acarretam diversas distorções nos cálculos dos preços de transferência. A interpretação dada pela Recorrente ao artigo 18 da Lei n° 9.430/1996 não é a correta. Uma leitura mais atenta do caput da citada norma, juntamente com seu parágrafo 6°, demonstra que os encargos em comento devem integrar o custo da importação para fins de dedutibilidade, vejamos: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (grifos nossos) (...) § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação." Como se vê a redação do caput não limita o cálculo da dedutibilidade somente a operação efetuada diretamente com a pessoa vinculada. Cita textualmente "os custos, despesas e encargos constantes dos documentos de importação ou de aquisição". Dito de outra maneira, deve ser considerado o "custo total" de colocação do bem no mercado nacional. O disposto no parágrafo 6° apenas reforça a tese de que todas as despesas da colocação do bem no mercado nacional devem ser consideradas, visto que o frete o seguro e os impostos incidentes na importação se enquadram na categoria de despesas e encargos e estão presentes na documentação de importação do bem. Assim, a utilização do valor CIF + II, na apuração do preço de transferência pelo método PRL, obedece a seguinte lógica: o método parte do preço de revenda praticado pelo importador (média aritmética), excluindo alguns valores (como os descontos incondicionais concedidos, impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, comissões e corretagens pagas, e margem de lucro, nos termos do artigo 18, item II, da Lei n° 9.430/96, supra transcrita) para se chegar ao preçoparâmetro, que será comparado ao preço considerado pela contribuinte como custo. Como, o importador considera, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro por ele assumidos, e os tributos Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.545 15 incidentes na importação, o preçoparâmetro, formado a partir do preço de revenda, também deverá ter nele embutidos tais custos. Assim, para que não ocorram distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela Contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais custos. Comparar nada mais é do que subtrair um do outro, de modo que o efeito de tais custos na apuração de eventual ajuste a ser feito no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL será nulo. É justamente dessa forma que se elimina a influência das parcelas do custo de aquisição que não têm qualquer relação de vinculação entre as empresas importadora e exportadora. Dessa forma, há que se manter o lançamento de IRPJ no que concerne aos ajustes nas operações de importação. Da tributação correlata Tendo em vista a estreita relação entre o lançamento do IRPJ ora analisado e aquele relativo à CSLL, por decorrerem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável, estendo o aqui decidido para aquele lançamento. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. Do recurso de ofício Do safe harbour da lucratividade Contesta a Recorrente o procedimento adotado pelo Autuante na aplicação dos artigos 35 e 37 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: (destaques acrescidos) Art. 35. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, considerando a média anual do período de apuração e dos dois anos precedentes, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nas exportações, do período de apuração, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. A redação do caput deste artigo foi dada pelo artigo 1º da Instrução Normativa n° 382 de 30.12.2003. Redação Antiga: "Art. 35. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro liquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação." § 1° Para efeito deste artigo, o lucro líquido correspondente as exportações para empresas vinculadas será apurado segundo o disposto no art. 187 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e na legislação do imposto de renda. Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.546 16 § 2o Na apuração do lucro liquido correspondente a essas exportações, os custos e despesas comuns as vendas serão rateados em função das respectivas receitas liquidas. § 3° Não devem ser computadas, para fins de determinação do percentual estabelecido no caput, as operações de venda de bens, serviços ou direitos cujas margens de lucro, previstas nos arts. 24, 25 e 26, tenham sido alteradas nos termos dos arts. 32, 33 e 34. Esse parágrafo foi inserido pelo artigo 1° da Instrução Normativa n° 321 de 14.04.2003. Art. 37. O disposto nos arts. 35 e 36: I não se aplica em relação às vendas efetuadas para empresa, vinculada ou não, domiciliada em pais ou dependência com tributação favorecida, ou cuja ligislação interna oponha sigilo, conforme definido no art. 39; II não implica a aceitação definitiva do valor da receita reconhecida com base no preço praticado, o qual poderá ser impugnado, se inadequado, em procedimento de oficio, pela SRF. Conforme relatado, a Recorrente informou à fiscalização que não houve aplicação de qualquer método no anocalendário de 2002 em face do disposto no artigo 35 acima reproduzido. O procedimento em tela não foi aceito pela fiscalização por dois motivos: i) o contribuinte não comprovou a lucratividade dos dois anoscalendário anteriores e, ii) no cálculo da lucratividade do período fiscalizado a Autuada considerou as vendas de exportações consolidadas para pessoas vinculadas e países com tributação favorecida. Sobre os fatos apontados pela fiscalização para impugnar a aplicação do artigo 35 da IN SRF nº 243/2002, cumpre observar que, como bem alega a defesa, a comprovação da lucratividade dos dois anoscalendário anteriores não se aplica ao período fiscalizado (2002), visto que a exigência em tela só foi introduzida pela IN SRF n° 382 de 30/12/2003, publicada em 05/01/2004. Também não reputo correta a interpretação dada pela fiscalização ao artigo 37 da IN SRF n° 243/2002. O texto é claro, a comprovação da adequação dos preços praticados nas exportações, com os documentos relacionados com a própria operação (artigo 35) "não se aplica em relação às vendas efetuadas para empresa, vinculada ou não, domiciliada em pais ou dependência com tributação favorecida, ou cuja legislação interna oponha sigilo, conforme definido no art. 39". Como se vê, o artigo 37 não interfere no cálculo da lucratividade, ressalva apenas que as citadas operações não estão dispensadas do controle dos preços de transferência na forma do artigo 19 da Lei n° 9.430/1996. Destarte, reputo por correta a decisão recorrida quando exclui da matéria tributável apurada o ajuste decorrente das operações não atingidas pelo artigo 37 da IN SRF n° 243/2002. Do cálculo dos ajustes Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.547 17 Assim dispõe o artigo 14 da IN SRF n° 243/2002: Art. 14. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada, ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. § 1o O preço médio a que se refere o caput deste artigo será obtido pela multiplicação dos preços praticados, pelas quantidades relativas a cada operação e os resultados apurados serão somados e divididos pela quantidade total, determinando se, assim, o preço médio ponderado. § 2° Caso a pessoa jurídica não efetue operações de venda no mercado interno, a determinação dos preços médios a que se refere o caput será efetuada com dados de outras empresas que pratiquem a venda de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no mercado brasileiro. § 3° Para efeito do disposto neste artigo, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas, no mercado brasileiro, entre compradores e vendedores não vinculados. § 4° Para efeito de comparação, o preço de venda: I no mercado brasileiro, deverá ser considerado liquido dos descontos incondicionais concedidos, do ICMS, do ISS, das contribuições Cofins e PIS/Pasep, de outros encargos cobrados pelo Poder Público, do frete e do seguro, suportados pela empresa vendedora; II nas exportações, será tomado pelo valor depois de diminuído dos encargos de frete e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa exportadora. (grifei) O Autuante menciona no relatório da diligência que antes de adotar os métodos PVEx e CAP, calculou por amostragem (16 itens) a relação dos preços médios na exportação/preços médios no mercado brasileiro. A meu ver tal procedimento não corresponde à melhor interpretação da norma. A aplicação do artigo 14 da IN SRF n° 243/2002 precede o cálculo dos ajustes com base nos métodos previstos nos incisos I a IV, §3° do artigo 19 da Lei n° 9.430/1996, visto que somente estão sujeitas ao arbitramento as operações cuja relação entre o preço médio das operações de exportações, efetuadas durante o respectivo período de apuração Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000127/200798 Acórdão n.º 1402001.863 S1C4T2 Fl. 4.548 18 da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado no mercado brasileiro em operações idênticas ou similares. Ademais, como bem observou a Recorrente em sua Impugnação, o cálculo efetuado pela Autoridade Fiscal não está correto, tendo em conta que o índice apurado corresponde à relação entre o preço médio praticado na exportação para vinculadas/preço médio praticado na exportação para não vinculadas. Destarte, temse que, no caso em tela, o Autuante não comprova a necessidade do arbitramento dos preços de transferência nas operações de exportação. Assim, no tocante às exportações, deve ser mantida tãosomente a matéria tributária apurada pelo próprio contribuinte no "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO VALOR DE AJUSTE — VENDAS PARAÍSO FISCAL 2002" (doc. "EXP." 3 — fls. 45 e 46 do Anexo I), conforme demonstrado na decisão recorrida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10580.721981/2008-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 392.605,57, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 21 98 1/ 20 08 -6 8 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 261 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Uma parte destes rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Tais diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Uma segunda parcela dos rendimentos classificados indevidamente pelo contribuinte como isentos ou não tributáveis foram recebidos a título de aposentadoria no período de janeiro de 2003 a outubro de 2005, com base no Mandado de Segurança nº 1999.33.000070074, onde se pretendia a isenção do imposto sobre a integralidade dos proventos de aposentadoria recebidos pelos maiores de 65 anos. A segurança concedida foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região em 16/04/2002, e transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, contestando apenas a infração relativa à diferença de URV. Foi, alegado, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 262 3 recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Em razão da impugnação parcial, a parcela do crédito não impugnada foi transferida para o processo nº 10580720040/200998, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, às fls. 126. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 263 4 Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2008, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente nos anoscalendários 2003, 2004, 2005 e 2006. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10580.721981/200868 Resolução nº 2801000.138 S2TE01 Fl. 264 5 “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720348/2008-48
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Conclui-se que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência.
ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR.
Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois trata-se de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Conclui-se que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR. Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois trata-se de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O RECURSO. PRECLUSÃO X BUSCA DA VERDADE MATERIAL. CABIMENTO DE DILIGÊNCIA. CONHECIMENTO DOS DOCUMENTOS COM ALTERNATIVA À DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Diante da necessidade de busca de esclarecimentos sobre a existência física do imóvel rural, há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento. A informação do recorrente de que juntou documento dessa natureza exige uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Concluise que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. ITR. FAZENDA SOBREPOSTA. INEXISTÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO PARA EXIGÊNCIA DO ITR. Comprovado nos autos que o imóvel declarado na DITR não existe, pois tratase de área rural sobreposta a imóvel rural de terceiro, deve ser cancelada a exigência tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 03 48 /2 00 8- 48 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto Territorial Rural ITR do exercício 2004 relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Curralinho II, cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil sob o nº 5.430.3710, com área declarada de 3.985,5ha, localizado no Município de Riachão das Neves/BA. A autuação decorreu de alteração do Valor da Terra Nua de R$1.050,00 para R$724.524,05. Na impugnação, o contribuinte alegou o seguinte a) atua como comerciante e, em função dessa atividade, recebeu terras em pagamento de créditos, entre as quais o imóvel em questão e, não tendo a agricultura como atividade principal, não conferiu as divisas, confiando na idoneidade dos vendedores; b) em novembro de 2007, para cumprir determinação legal de georreferenciar e certificar o imóvel junto ao INCRA, contratou engenheiro civil credenciado junto a essa autarquia, o qual concluiu que a área física do imóvel não existia, em razão disso e por força da evicção, exigiu o desfazimento do negócio, o que se deu com escritura de distrato, lavrada em 07/12/2007, averbada sob nº AV6470, em 14/12/2007; e c) foi vítima do denominado golpe das fazenda de segundo andar, infelizmente comum na região e noticiado na mídia. O acórdão recorrido declarou que não foi impugnada a alteração do VTN e indeferiu a impugnação, em resumo, pelos fundamentos abaixo: a) a impugnação baseouse na ilegitimidade passiva e na inexistência da propriedade, todavia, o distrato mencionado pelo impugnante indicou expressamente que havia dúvidas sobre as divisas e não a inexistência do imóvel; b) não havendo cancelamento do registro, o mesmo permanece válido; e c) de janeiro de 1996 a 07/12/2007, o contribuinte enquadrouse como sujeito passivo do ITR na condição de proprietário ou possuidor a qualquer título. A ciência do acórdão ocorreu em 15/03/2011 (fls. 57) e o Recurso Voluntário foi interposto na mesma data (fls. 62), contendo as seguintes alegações: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720348/200848 Acórdão n.º 2802003.322 S2TE02 Fl. 131 3 1) o distrato foi averbado na matrícula do imóvel, dando publicidade do ato perante terceiros, inclusive o Fisco; 2) o distrato produziu efeitos ex tunc; o Fisco não pode considerar o recorrente sujeito passivo do ITR nos termos do art. 31 do CTN, pois não existe a propriedade e o negócio jurídico foi desfeito e transcrito na matrícula do imóvel; 3) não se pode exigir o ITR unicamente em razão de o recorrente ter declarado o imóvel na DITR, posto que se trata de obrigação acessória que cumpriu de forma equivocada; e 4) o acórdão recorrido exigiu o cancelamento da matrícula, porém se trata de uma prova impossível para o recorrente, uma vez que não é proprietário, nem possuidor nem titular do domínio útil, face ao efeito ex tunc do distrato. Em 29/11/2013, o contribuinte (a) peticionou pela juntada de novos documentos (fls. 76/123), (b) reiterou parte das alegações do recurso voluntário, (c) afirmou que, em diligência, o INCRA constatou que a área do imóvel existe, mas é totalmente sobreposta pela Fazenda Curralinho, de propriedade de Celeste Agropecuária Ltda, e que isto comprova sua ilegitimidade passiva perante o ITR e a indevida inscrição no CAFIR, sob o número 5.430.3710, pois já existe registro para a mesma área, de propriedade da citada empresa; e (d) informou que fez o pedido de baixa do NIRF, conforme DIAC – Cancelamento anexo, relativo ao processo 10530.722092/201451. Cientificada da juntada desses documentos, a Fazenda Nacional ressaltou que os mesmos foram apresentados quase dois anos e meio após o recurso voluntário e requereu o respectivo desentranhamento dos autos, em virtude da preclusão temporal e pelo fato de o contribuinte não ter comprovado, ou sequer aduzido, a impossibilidade de apresentação oportuna da documentação ora acostada, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto n° 70.235/1972 (fls. 125/127). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Essencialmente o litígio centrase no aspecto material da relação jurídico tributária relativa à exigência do ITR, qual seja a existência ou não da Fazenda Curralinho II. A discussão sobre a legitimidade passiva somente faz sentido se se concluir que existe o imóvel. Até a decisão de primeira instância não havia um documento que inequivocamente comprovasse a inexistência do imóvel, pois tanto o laudo de avaliação negativa de imóvel rural (fls. 27) como o distrato (fls.33) apenas servem para demonstrar dúvidas sobre a demarcação do imóvel. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Na petição apresentada após o recurso voluntário é alegado que o INCRA constatou que o imóvel (Fazenda Curralinho II) é uma área sobreposta à área denominada Fazenda Curralinho, de propriedade de Celeste Agropecuária. Por outro lado, a Fazenda Nacional postula pelo reconhecimento da preclusão relativa à juntada desses documentos. Essa questão processual deve ser analisada sob o prisma da busca da verdade material, no contexto dos autos, há razão suficiente para que o Julgador busque esclarecimentos sobre a existência física da propriedade sobre a qual o Estado está legitimado a exigir o ITR. Há previsão legal para a conversão do julgamento em diligência a fim de que se obtenha do INCRA o desejado esclarecimento, por outro lado, o recorrente dá notícia de que juntou documento com essa natureza. Exigese uma interpretação sistemática dos dispositivos legais que tratam da diligência e da preclusão, com suporte nos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da eficiência administrativa e da razoabilidade. Concluise que os documentos devem ser conhecidos, como via substitutiva da conversão do julgamento em diligência. Quanto ao aspecto material, a exigência do ITR baseiase, exclusivamente, na informação constante da DITR apresentada, tempestivamente, pelo recorrente, todavia, a informação do INCRA (fls. 119/120) apresentada em atendimento ao requerimento do interessado (fls. 118) comprovam que esse na área correspondente ao imóvel em questão existe outro, a Fazenda Curralinho, de Celeste Agropecuária Ltda, que o imóvel objeto do lançamento tratase de imóvel sobreposto à Fazenda Curralinho de propriedade de terceiros. Em outras palavras, o imóvel Fazenda Curralinho II descrito na DITR não existe, o que existe é a Fazenda Curralinho, de propriedade da Celeste Agropecuária, conforme certificada pelo INCRA, portanto, não há o suporte fático necessário para exigência do ITR sobre a Fazenda Curralinho II. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002135/2010-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL.
São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. No caso, o recorrente limitou-se a apresentar balanços e balancetes sem comprovar a transcrição em Livro Diário, os quais também não foram apresentados.
IRPF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÓCIO E EMPRESA QUE COMUNGAM DE PRÁTICA DE RECEBIMENTO DE RECURSOS DIRETAMENTE NA CONTA DOS SÓCIOS COM OMISSÃO CONJUNTA DE VALOR DE TORNA IRRISÓRIO O QUE FOI DECLARADO NO PERÍODO DE APURAÇÃO APLICÁVEL A AMBOS. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA DA MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA.
A omissão de rendimentos realizada por sócio em conjunto com a pessoa jurídica por meio de recebimento em conta pessoal de recursos da sociedade com não oferecimento à tributação de valores que tornaram irrisório o valor declarado por sócios e sociedades no período de apuração não é mera omissão de rendimentos, pois caracteriza dolo e enseja o lançamento da multa qualificada.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 10/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. No caso, o recorrente limitou-se a apresentar balanços e balancetes sem comprovar a transcrição em Livro Diário, os quais também não foram apresentados. IRPF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÓCIO E EMPRESA QUE COMUNGAM DE PRÁTICA DE RECEBIMENTO DE RECURSOS DIRETAMENTE NA CONTA DOS SÓCIOS COM OMISSÃO CONJUNTA DE VALOR DE TORNA IRRISÓRIO O QUE FOI DECLARADO NO PERÍODO DE APURAÇÃO APLICÁVEL A AMBOS. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA DA MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A omissão de rendimentos realizada por sócio em conjunto com a pessoa jurídica por meio de recebimento em conta pessoal de recursos da sociedade com não oferecimento à tributação de valores que tornaram irrisório o valor declarado por sócios e sociedades no período de apuração não é mera omissão de rendimentos, pois caracteriza dolo e enseja o lançamento da multa qualificada. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. No caso, o recorrente limitouse a apresentar balanços e balancetes sem comprovar a transcrição em Livro Diário, os quais também não foram apresentados. IRPF. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÓCIO E EMPRESA QUE COMUNGAM DE PRÁTICA DE RECEBIMENTO DE RECURSOS DIRETAMENTE NA CONTA DOS SÓCIOS COM OMISSÃO CONJUNTA DE VALOR DE TORNA IRRISÓRIO O QUE FOI DECLARADO NO PERÍODO DE APURAÇÃO APLICÁVEL A AMBOS. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA DA MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. A omissão de rendimentos realizada por sócio em conjunto com a pessoa jurídica por meio de recebimento em conta pessoal de recursos da sociedade com não oferecimento à tributação de valores que tornaram irrisório o valor declarado por sócios e sociedades no período de apuração não é mera omissão de rendimentos, pois caracteriza dolo e enseja o lançamento da multa qualificada. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 35 /2 01 0- 18 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 10/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006, anocalendário 2005, por ter sido apurado o recebimento de rendimentos a sócio de empresa, excedentes ao lucro presumido, depois de deduzidos o IRPJ e a CSLL, uma vez que não demonstrado, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao lucro presumido. Citouse como enquadramento legal: Ato Declaratório Normativo COSIT n° 4/1996, inciso II; artigo 663 do Decreto n°3.000/1999 RIR/1999 e art. 1 ° da Lei n° 11.119/2005. O Termo de Verificação Fiscal consta às fls. 186 a 216. A multa de ofício foi qualificada (150%). Na impugnação, o contribuinte alegou decadência e inexistência de demonstração pela autoridade lançadora do dolo que justificasse a multa e sustentou que os rendimentos recebidos de Advocacia Husni – PaolilloCabariti S/C são isentos, pois tem condições de comprovar por meio de escrituração contábil (fls. 247/261) o montante do lucro distribuível aos sócios. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese: a) por ausência de qualquer causa de nulidade do lançamento; b) por inexistir apuração de decadência de forma mensal e sim anual, de o prazo decadencial ser contado na forma do inciso I do art. 173 do CTN em razão do dolo; c) porque os balanços, balancetes e demonstrativos de resultado de fls. 248/261 não são hábeis a comprovar a existência de escrituração contábil regular; o contribuinte deveria comprovar o ingresso dos recursos correspondentes à receita não oferecida à tributação na DIPJ registrados no Livro Diário e que o balanço teria sido transcrito no mesmo livro, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002135/201018 Acórdão n.º 2802003.256 S2TE02 Fl. 302 3 mantido com observância das formalidades estabelecidas no art. 258 do RIR1999; d) houve conduta dolosa, buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto no artigo 71 da Lei no 4.502/1964, a justificar a imposição da multa qualificada; a conduta dolosa foi descrita no item 2.46 do Termo de Verificação Fiscal , cujo excerto transcrito no acórdão recorrido é reproduzido adiante: 2.59) Após a verificação do Livro Caixa e da DIPJ constatamos que as Receitas da Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C depositadas nas contas pessoais das pessoas físicas sócias, NÃO haviam sido informadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no momenta oportuno, nem sobre elas haviam sido recolhidos os impostos e contribuições devidos. Conforme pode ser visto no Livro Caixa e DIPJ, para o Primeiro Trimestre de 2005, a Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C informou Receita de apenas RS 11.490,67, quando a soma de R$ 860.725,34, honorários depositados em 01/03/2005, mais R$ 1.125.832 (R$ 460.000,00 + R$ 665.832,00), honorários depositados em 19/01/2005, mais R$ 60.498,18, honorários depositados em 17/01/2005, totaliza R$ 2.047.082,52. Vêse, portanto, que a Receita declarada a Secretaria da Receita Federal do Brasil, é irrisória comparada a não declarada. Este fato evidencia que a omissão do contribuinte foi consciente. Não é admissível aceitar que alguém que deve declarar ao FISCO R$ 2.058.573,19 declare apenas R$ 11.490,67 e fique anos a fio sem perceber o engano. O fato está tipificado no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, como sonegação, pede representação fiscal para fins penais, cobrança de multa qualificada, nos termos do artigo 44 da Lei no 9.430/96 e artigo 957, inciso II, do RIR199 e constituição do crédito tributário fundamentada no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.(destaques do original) Ciência do acórdão em 24/10/2011. Recurso voluntário enviado por via postal em 21/11/2011 assentado nas seguintes alegações: 1. decadência apurada mensalmente, em decorrência dos art. 9º e 10 da Lei 8.134/1990, art. 2º da Lei 7.713/1988 e art. 43 do CTN, cita precedentes do CARF; 2. não há prova de conduta dolosa, a comparação da receita apurada pelo Fisco baseouse apenas no 1° trimestre do ano, a fim de demonstrar de forma distorcida o total declarado no ano, cita precedentes do CARF e a Súmula CARF nº 14, enfatizando que o valor dos rendimentos omitidos não é razão para qualificação da multa de ofício; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 3. a existência de balancete, balanços e demonstrativos é prova suficiente de que os registros contábeis foram feitos regularmente, o que leva à distribuição de lucros isentos, conforme determina a IN SRF 93/1997. É o que se tinha a relatar. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da decadência A tese da decadência apurada mês a mês está, há muito, superada no CARF, posto que o IRPF tem fato complexivo, que é considerado consumado no dia 31 de dezembro. Como se trata do anocalendário 2005, a contagem na forma do §4º do art. 150 do CTN – a mais vantajosa ao recorrente, porém dependente de haver pagamento antecipado e inexistir dolo –, caso viesse a ser adotada, teria como prazo final o dia 31/12/2010. O contribuinte foi notificado do lançamento em 28 de julho de 2010 (fl. 226), de forma que não há decadência, quer seja pela contagem com amparo no §4º do art. 150 do Código, ou – com mais razão ainda, contandose com fundamento no inciso I do art. 173 do Código, conforme feito no lançamento. Preliminar rejeitada. Da omissão de rendimentos A tese do recorrente depende da comprovação, com suporte na escrituração contábil feita com base na lei comercial, de que a empresa Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C apurou lucros acima do valor do lucro presumido deduzido dos pagamentos de IRPJ e CSLL, como previsto no art. 48 da IN SRF nº 93/1997. Como o recurso voluntário é desacompanhado de documentos, a análise baseiase nos mesmos documentos apreciados pela instância a quo (fls. 247/261). Esta comprovação se faz por meio do Livro Diário, todavia, o contribuinte omite receitas da DIPJ e apresenta somente Balanços e Balancetes. A documentação trazida pelo recorrente compõese de Balancetes Trimestrais do ano 2005, balanço encerrado em dezembro de 2005 e demonstrações de resultados trimestrais e anual do mesmo período. É muito pouco. Neste caso, tem relevância o fato de a pessoa jurídica ter omitido da tributação (DIPJ) os rendimentos que ocasionaram o lançamento (fls. 193, item 2.50 do Termo de Verificação Fiscal). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002135/201018 Acórdão n.º 2802003.256 S2TE02 Fl. 303 5 Com razão, o acórdão recorrido anotou que a documentação não é hábil para o fim almejado pelo recorrente. Assim, deveria o contribuinte comprovar que o ingresso dos recursos correspondentes à receita não oferecida à tributação na DIPJ teria sido registrado no Livro Diário e que o balanço teria sido transcrito no mesmo livro, mantido com observância das formalidades estabelecidas no dispositivo acima citado. Não atendidos os requisitos previstos na legislação tributária para a isenção em relação aos valores distribuídos que excederam o lucro presumido, não merece reparos o lançamento do imposto. O valor apurado pela fiscalização não foi contestado. Da multa qualificada O acórdão recorrido consignou que a fundamentação utilizada para a qualificação da multa correspondente à infração constatada na pessoa jurídica também se aplica à irregularidade apurada em relação à pessoa física dos sócios, por ser esta decorrente daquela. A empresa declara parte irrisória de suas receitas e faz pagamentos substanciais a seus sócios à margem da escrituração e o sócio – ora recorrente – declara como rendimentos isentos. Com base nessa premissa, concluiuse que houve conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a justificar a imposição da multa qualificada. Um dos trechos do Termo de Verificação Fiscal que trata dessa questão. 2.59) Após a verificacdo do Livro Caixa e da DIPJ constatamos que as Receitas da Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C depositadas nas contas pessoais das pessoas físicas sócias, não haviam sido informadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no momento oportuno, nem sobre elas haviam sido recolhidos os impostos e contribuições devidos. Conforme pode ser visto no Livro Caixa e DIPJ, para o Primeiro Trimestre de 2005, a Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C informou Receita de apenas R$11.490,67, quando a soma de R$ 860.725,34, honorários depositados em 01/03/2005, mais R$ 1.125.832 (R$ 460.000,00 + R$ 665.832,00), honorários depositados em 19/01/2005, mais R$ 60.498,18, honorários depositados em 17/01/2005, totaliza R$ 2.047.082,52. Vêse, portanto, que a Receita declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, é irrisória comparada à não declarada. Este fato evidencia que a omissão do contribuinte foi consciente. Não é admissível aceitar que alguém que deve declarar ao FISCO R$ 2.058.573,19 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 declare apenas R$ 11.490,67 e fique anos a fio sem perceber o engano. O fato está tipificado no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, como sonegação, pede representação fiscal para fins penais, cobrança de multa qualificada, nos termos do artigo 44 da Lei no 9.430/96 e artigo 957, inciso II, do RIR199 e constituição do crédito tributário fundamentada no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O recorrente declarou a título de rendimentos isentos somente R$20.000,00 (fls. 58). Durante a fiscalização buscou fazer crer que os valores que recebeu eram da empresa, porém não conseguiu provar a devolução à empresa. Verificase uma similar conduta evasiva à adotada pela pessoa jurídica, uma omissão de rendimentos expressivos, tornando irrisórios os valores declarados. Omitese a receita na pessoa jurídica e os sócios fazem o mesmo. Comprovada a omissão, iniciase o esforço para fazer o Fisco crer que foram lucros da sociedade acima do que o Fisco admitiu a título de lucro presumido. Não se trata de qualificação de multa em razão de mera omissão de rendimentos. A questão deve ter a mesma solução dada ao julgamento da conduta da pessoa jurídica: Além disso, a conduta dolosa da recorrente e de seus sócios é incontestável, pois: o uso de contas bancárias dos sócios para movimentar receitas da recorrente; a nãodeclaração de receitas; e o não oferecimento à tributação de receitas que totalizaram R$ 2.047.082,52 constitui em uma conduta adrede concebida para afastar ou mesmo retardar do conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador. Desse modo, ainda que houvesse prova de antecipação de pagamento nos autos, a conduta dolosa da recorrente está plenamente demonstrada nos autos, razão pela qual a regra de decadência aplicável é a do art. 173, I, do CTN, por força do disposto no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Por sua vez, não se aplica ao caso a Súmula CARF nº 25, pois o dolo da contribuinte não está suportado na presunção de omissão de receitas, mas, como já dito, pela conduta adrede concebida de fazer com que as receitas da recorrente fossem desviadas para as contas de seus sócios com a finalidade de sonegálas da tributação. Tanto é verdade, que nem a recorrente nem mesmo os seus sócios a ofereceram à tributação.(Processo nº 19515.002234/201008, Acórdão n.º 1302001.115). Nestes autos, cuidase de situação em que as ações adotadas pela pessoa jurídica e seus sócios são indissociáveis para fins de apuração do dolo. O caráter irrisório do valor declarado comparado com a receita omitida no primeiro trimestre dispensa comparar outros períodos de apuração, notadamente quando a Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19515.002135/201018 Acórdão n.º 2802003.256 S2TE02 Fl. 304 7 pessoa jurídica declara pelo lucro presumido, que é de periodicidade trimestral (Lei 9.430/1996, artigos 1° e 25). Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 10 /12/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13056.000141/2007-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA
Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve-se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 22-1 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício.
REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO
O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2007 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve-se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 22-1 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB. Recurso Voluntário Negado
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DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. REGULARIDADE DE SITUAÇÃO FISCAL.PROVA Nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa deve se reportar e efetuar o exame da situação fiscal no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal (redução da alíquota do IPI, previstos na NC 221 da TIPI). Logo, se constatar a existência de algum débito no momento da concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. RECONHECIMENTO O benefício da redução de alíquota do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI incidente sobre refrigerantes somente pode ser reconhecida após a apresentação do pleito na RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 01 41 /2 00 7- 11 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ em Porto Alegre RS (fls. 417/420 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 PRODUTOS DO CÓDIGO 2202.10.00 DA TIPI. PEDIDO DE REDUÇÃO DE CINQUENTA POR CENTO DA ALÍQUOTA DO IPI.EXISTÊNCIA DE DÉBITOS EM ABERTO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. INDEFERIMENTO. A existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, a irregularidade em relação ao FGTS e a existência de registros no Cadin, em relação à pessoa jurídica interessada, impedem a concessão e o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, como é o caso da redução de alíquota do IPI, prevista na Nota Complementar 221 da Tabela de Incidência do referido imposto. Manifestação de Incorfomidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Para melhor compreensão de meus pares acerca dos fatos, transcrevo o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a seguir transcrito: Conforme petição da fl. 1 e anexos, o estabelecimento industrial acima requereu a redução de alíquota do IPI, de que trata a Nota Complementar (NC) 221 da Tabela de Incidência do referido imposto, para o produto “Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, Marca Skinka Frutas Cítricas”, registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sob nº RS 10969 000381. Segundo a referida NC 221, ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA e estejam registrados no órgão competente do referido Ministério. O interessado requereu ainda que o reconhecimento da redução retroagisse à data do registro do produto no MAPA. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 452 3 Em cumprimento às normas complementares baixadas pela Portaria Interministerial n. 113, de 4 de março de 1977, dos Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura, publicada no Diário Oficial da União de 10 de março de 1977, com retificação em 5 de abril de 1977, este processo foi encaminhado ao MAPA, segundo a informação das fls. 32 e 33 (vol. I), em razão do que foi emitido por aquele Ministério o Parecer DBEB/CGVB/DIPOV da fl. 34 (vol. I), informando que a bebida em questão enquadrase nos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA. Com o retorno do processo ao órgão de origem, foi elaborado, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO), o Parecer DRF/NHO/Seort nº 022/2010, das fls. 213 a 216 (vol. II), que propôs o indeferimento do pedido, pela existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, pela irregularidade em relação ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e pela existência de registros no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), citando o art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 27 da Lei ng 8.036, de 11 de maio de 1990, e art. 6g da Lei ng 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido parecer assentou ainda que, se fosse possível o deferimento, essa medida não retroagiria à data do registro do produto no MAPA, porquanto a redução de alíquota em causa não é auto aplicável, sendo imprescindível o reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A proposição referida no item precedente foi acolhida pelo Despacho Decisório DRF/NHO/Seort n. 127/2010, da fl. 217 (vol. ll), que indeferiu o pleito do interessado. A ciência do referido despacho ocorreu em 19 de fevereiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) da fl. 241 (vol. II). Na sequência, o interessado manifestou inconformidade, tempestivamente, em 23 de março de 2010, conforme arrazoado das fls. 242 a 253 (vol. II), firmado por advogada, credenciada pelo mandato e cópia do documento de identidade das fls. 268 a 271 (vol. II), alegando, em síntese, o que segue. Diz que o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, aplicase nas hipóteses de pedido de concessão de benefício fiscal, situação em que não se enquadra o pleito de redução de alíquota do IPI. O interessado argumenta que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG) já decidiu pelo deferimento do benefício da redução da alíquota do IPI, diante da comprovação de que o produto atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo MAPA, independentemente da apresentação de certidão de regularidade fiscal, conforme Acórdão DRJ/JFA nº 021.563, de 13 de novembro de 2008, proferido no Processo nº13738.000189/200157, em parte transcrito na manifestação de inconformidade. O entendimento expendido no precedente citado, segue o requerente, é no sentido de que a redução de alíquota de que trata a NC 221 da TIPI não Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 seria propriamente um benefício fiscal, mas um tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preencha certos requisitos estabelecidos na legislação, natureza objetiva que diferenciaria os pleitos da espécie dos benefícios fiscais subjetivos, sendo dados como exemplos as isenções do IPI concedidas aos taxistas e aos deficientes físicos, estas sim sujeitas ã comprovação referida no art. 60 da Lei nº9.069, de 1995. Na sequência, o interessado acrescenta que o indeferimento do pleito foi desmotivado, porquanto, mesmo que a regularidade fiscal fosse requisito para o deferimento do pedido de redução de alíquota do IPI, houve, no caso, a apresentação de certidões de regularidade perante a RFB, PGFN, INSS e FGTS, argumentando que a RFB não reconhece suas próprias certidões, que valeriam apenas perante órgãos externos, citando e transcrevendo artigos da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº3, de 22 de novembro de 2005, e da Instrução Normativa SRF ng 574, de 23 de novembro de 2005, para dizer que a regularidade fiscal foi comprovada e deve ser aceita para fins de reconhecimento da redução. Mais adiante, o manifestante alega que o Certificado de Regularidade do FGTS foi expedido apenas para o Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) da matriz e da filial requerente, considerando que o FGTS é calculado e recolhido individualmente pelos estabelecimentos da pessoa jurídica. Além disso, o interessado ressalta que a redução da alíquota do IPI favorecerá o produto Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, Marca Skinka Frutas Cítricas, fabricado no estabelecimento requerente, motivo pelo qual discorda da exigência de comprovação de regularidade de estabelecimentos que não serão beneficiados por essa redução. Por último, o requerente pede a reforma do despacho decisório contestado, para que seja reconhecido o direito à redução da alíquota do IPI, nos termos do pleito. É o Relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2010 (fl. 422). Inconformada, a Recorrente apresentou, em 11/08/2010 (fl. 423), o recurso voluntário de fls. 423/444, onde ressalta o seguintes tópicos: 1 condição para concessão do benefício fiscal da regularidade fiscal a) que a solicitação foi indeferida, por ter entendido a DRJ, que o pedido de redução de alíquota de IPI (Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, Marca Skinka Frutas Cítricas”, registro no MAPA: RS – 10969.000381), encontrase em desacordo com a legislação de regência, uma vez que foi formulado sem que a contribuinte atentasse à condição essencial a concessão, que seria a regularidade fiscal e que são infundadas as alegações do fisco de que há necessidade de comprovação da regularidade fiscal para autorizar o reconhecimento de redução de alíquota do IPI e que a recorrente não está irregular perante à RFB/PGFN, INSS e FGTS. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 453 5 b) aduz da desnecessidade de comprovação da regularidade fiscal da recorrente a autorizar o reconhecimento de redução de alíquota de IPI; que é cediço que os requisitos para a concessão da redução da alíquota do IPI, previstos na NC 221 da TIPI, consta no art. 4º do Decreto nº 84.637/80; verificase que a redução da alíquota do IPI vinculase, exclusivamente, aos elementos objetivos do produto, quais sejam: o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como o regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;Cita várias julgados administrativos e arremata ressaltando que a concessão do benefício da redução da alíquota do IPI é direito da recorrente, independente da comprovação de sua regularidade fiscal. 2.1 – Da regularidade fiscal da recorrente c) argumenta que, mesmo que se admita que a regularidade fiscal seja requisito para o indeferimento do Pedido de Redução da Alíquota do IPI, haveria que se reconhecer que a recorrente encontrase regular perante os diversos órgãos da administração pública, conforme se comprova através das inclusas Certidões de Regularidade Fiscal junto à RFB/PGFN, INSS e FGTS; que o fato da Certidão de Regularidade Fiscal junto à RFB/PGFN e INSS apresentarem créditos tributários com exigibilidade suspensa (Certidão positiva com efeito de negativa), por ter a recorrente discordado com tal exigência, não a toma inábil a produzir exatamente os mesmos efeitos da certidão negativa, que a recorrente não está irregular perante o fisco; d) ressalta que o que foi exposto acima, está em consonância com as regras estabelecidas no artigo 3° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n°. 3 de 2 de maio de 2007, e o artigo 3° da Instrução Normativa SRF n°. 734 de 02 de maio de 2007, não sendo verdade a afirmação do fisco de que a recorrente está irregular em relação do FGTS, conforme demonstram os Certificados de Regularidade do FGTS CRF, expedidos no CNPJ da matriz e da filial, considerandose que o FGTS é calculado e recolhido, independentemente, por cada estabelecimento. 2 Da aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI. a) a Recorrente alega que a redução em discussão deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação do produto aos requisitos previstos em lei, isto é, em 10 de maio de 2007, uma vez que a norma que concede a redução de alíquota não faz menção à publicação de ato declaratório como requisito à redução da alíquota do IPI na situação em tela; b) cita trecho do voto da relatora Ana Zulmira Chaves de Souza, no acórdão n° 0928.677, sob contestação parcial no presente recurso, onde este posicionamento é declinado expressamente, entretanto, está expresso em todos os textos de lei citados que a função precípua do ato declaratório da RFB é a declaração de uma situação jurídicotributária préexistente. Vêse que o legislador utilizou o verbo “declarar” em vez de “conceder”, demonstrando claramente que o intuito da expedição do ato declaratório é declaratório e não constitutivo do direito do contribuinte; c) que o Ato Declaratório mencionado no artigo 65 do decreto 4.544/02, não constitui um direito, mas sim declara publicamente a sua utilização; que a declaração da utilização do beneficio não é elemento necessário para que o direito o benefício possa ser exercido. O direito à aplicação da alíquota reduzida decorre apenas e tão somente do reconhecimento dos critérios objetivos vinculados ao PRODUTO (REFRIGERANTE DE Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 GUARANÁ); que este reconhecimento consumouse com a concessão do registro do produto junto ao MAPA, em 10/05/2007. Cita jurisprudência administrativa. 3 Dos pedidos Ao final, a Recorrente requer seja julgado totalmente procedente o presente Recurso Voluntário, a fim de seja reconhecido seu direito à aplicação do benefício da redução da alíquota do IPI, a partir da data da concessão do registro (10/05/2007) do produto SKINKA FRUTAS CÍTRICAS, perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Reitera o pedido para que todas as intimações sejam levadas a efeito no seu estabelecimento matriz, sito em Itu/SP, na Av. Primo Schincariol, n° 2300, Itaim, CEP 13312 250 e postula, por fim, que seu procurador, seja também intimado em seu escritório situado na Av. Barão de Tatuí, n° 540, 3° andar, município de Sorocaba, Estado de São Paulo, CEP 18030000. Solicita a sustentação oral de suas razões, requerendo sua intimação pessoal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A matéria é da competência da 3ª Seção de Julgamento e o valor está dentro do limite de alçada das turmas especiais. Logo, deve ser conhecido. Tratase o presente processo de pedido de reconhecimento e declaração de redução de alíquota do IPI – exercício de 2007(fls. 2/3), incidente sobre a produção de refrigerantes, com base no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI de 2002), mais precisamente nos termos da Norma Complementar “NC 221” da TIPI, que restou indeferido pela Delegacia da Receita Federal de origem (Parecer fls. 345/353) em razão de o contribuinte se encontrar em situação irregular com relação a tributos e contribuições federais. A solicitação foi indeferida pela DRF de Novo Hamburgo/RS e referendada pela DRJ de Porto Alegre (RS), por ter entendido, em suma, que o pedido de redução de alíquota de IPI, encontrase em desacordo com a legislação de regência, uma vez que a solicitação foi formulada sem que a contribuinte atentasse à condição essencial a concessão, que seria a regularidade fiscal. Da mesma forma, indeferiu a aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI à data do Registro do Produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Observase que o pedido da Recorrente encontrase fundamentado no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 cumulado com a Norma Complementar “NC 221” da TIPI, que assim dispõe: “Art. 65. Haverá redução: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 454 7 I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio;” “NC (221)Ficam reduzidas de cinquenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério." Em consonância com o teor da norma acima, apresentou a Recorrente às fl. 04 o “Certificado de Registro do Produto” exarado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, que atesta as características do produto do qual se requer a redução da alíquota da seguinte forma: “O Produto: BEBIDA MISTA DE LARANJA, LIMÃO E TANGERINA COM AROMA DE FRUTAS CÍTRICAS, marca: “SKINKA FRUTAS CÍTRICAS, Registro nº RS – 10969 00381, protocolo nº 21042.785/0789, concedido em 10/05/2007, atendidos que foram os dispositivos regulamentares em vigor.” No entanto, a DRF de origem, nos termos do despacho de fls. 345/352, entendeu por “indeferir o pedido de redução de 50% da alíquota de IPI incidente sobre o produto denominado Bebida Mista de Laranja, Limão e Tangerina, com Aroma de Frutas Cítricas, da Marca Skinka Frutas Cítricas, em face ao disposto no art. 60 da Lei n° 9.069/1995, no art. 27 da Lei n° 8.036/1990 e no art. 6° da Lei n° 10.522/2002”, ou seja, o contribuinte deveria comprovar, para a fruição de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, a quitação de tributos e contribuições federais, nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, assim disposto: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” É importante considerar que o IPI é um imposto indireto, vale dizer, o encargo financeiro da exação é transferido pelo contribuinte de direito (industrial), ao contribuinte de fato (adquirente do produto). Nesse contexto, a redução da alíquota ad valorem normal de 27%, estabelecida na TIPI para o código 2202.10.00, em função da essencialidade dos produtos, constitui sim um benefício fiscal. O acórdão recorrido, por sua vez, a despeito de também velar pelo indeferimento do pleito do contribuinte, se valeu, em síntese, do disposto no art. 60 da Lei nº 9.069/95, bem como na Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, cumprindo destacar o “item 3” da referida norma: “(...) 3. O Órgão local da Secretaria da Receita Federal formalizará o processo (1ª via), informando acerca dos Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 antecedentes fiscais do requerente e o encaminhará, através da respectiva Delegacia Federal, ao órgão local do Ministério da Agricultura, GEACO – Grupo Executivo de Economia Agrícola e Comercialização Responsável pela análise do(s) produto(s) (...)” Notase que as próprias normas complementares baixadas pela citada Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 1977, cujo item 3 acima transcrito, em parte, explicitam a necessidade de verificação dos antecedentes fiscais do requerente, verificação que deve necessariamente ter consequências práticas, por não ser razoável admitir que as normas jurídicas contenham comandos inúteis. E mais, destacase ainda abaixo reproduzido, trechos com informações importantes do acórdão recorrido: (...) Tendo como certa a necessidade de comprovação da regularidade fiscal do fabricante da bebida objeto de pedido de reconhecimento de redução de alíquota de que trata a NC 221 da TIPI, cabem, ainda, mais duas observações importantes. Em primeiro lugar, o art.60 da Lei nº 9.069, de 1995, é claro ao exigir a comprovação da regularidade pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, o que abrange todos os estabelecimentos, e não apenas o estabelecimento fabricante do produto objeto do pedido de redução de alíquota. Em segundo lugar, a emissão de certidão negativa ou de certidão positiva com efeito de negativa, pela RFB,não exclui o direito da Fazenda Nacional de cobrar quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo, que vierem a ser apuradas, aliás, como está expresso no próprio documento. Vejase na seqüência toda legislação que rege essa matéria, a começar como reza a Constituição Federal em seu art. l95, parágrafo 3°: Art 195. (...) § 3º A pessoa jurídica com débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei não poderá contratar com o poder público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. " Deve ser considerado também o que preceitua a Lei n° 8.036, de l1 de maio de l990, em seu art. 27, alinea “c”: Art 27 A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória, nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o F G T S; " Com relação à regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, assim determina a Circular Caixa Econômica Federal n° 392, de 25 de outubro de 2006: "4.2 A verificação da regularidade do FGTS e procedida pela CAIXA somente para empregadores cadastrados no Sistema do FGTS, (...). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 455 9 4.3 A regularidade das empresas com filiais está condicionada à regularidade de todos os seus estabelecimentos. 4.3.1 A regularidade da filial esta condicionada à regularidade da matriz e dos demais estabelecimentos da empresa. " E, ainda, não deve ser olvidado o que estabelece o inciso II, do art. 6° da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: “Art. 6” É obrigatória u consulta prévia ao Cadin, pelos Órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta e indireta, para: II concessão de incentivos fiscais e financeiros; " Consequentemente, resta correto o indeferimento do pedido de reconhecimento de redução de alíquota do IPI, prevista na NC 221 da Tabela de Incidência do referido imposto, pela existência de débitos em aberto de tributos e contribuições federais, pela constatada irregularidade em relação ao FGTS e pela existência de registros no Cadin, em relação à pessoa jurídica interessada (grifouse). Conforme verificase nos autos, a Recorrente não apresentou no início do procedimento (junto com o Requerimento inicial, protocolado em 01/2007), as suas certidões de regularidades, tendo a administração a tarefa de demonstrar a que se deve a alegada irregularidade (documentos juntados aos autos), atendendo ao disposto no item 3 da Portaria Interministerial n° 113, de 04/03/77, dos Ministros de Estado da Fazenda e da Agricultura, publicada no DOU de 10/03/77 (com retificação no DOU de 05/04/77). Vejase a Informação Fiscal à fl. 34: (...) Assim, tendo instruído o presente processo com os antecedentes fiscais do requerente (fls. 23 a 31), proponho a remessa do presente processo à Delegacia Federal de Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul, à Av. Loureiro da Silva, 515, 7° andar, S/701 Porto Alegre, com a solicitação de fazêlo chegar ao DIPOV/Departamento de Inspeção dc Produtos de Origem Vegetal (Órgão do MAPA a quem atualmente compete executar as atividade de fiscalização, inspeção e classificação de produtos de origem vegetal) para os fins previstos na referida Portaria Interministerial em seu item 4. Como é cediço, o artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração federal, dispõe que: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. E com base nessas premissas, em fevereiro/2008, a DRF de Novo Hamburgo (RS), quando da análise do pedido da Recorrente, e verificando irregularidades fiscais apresentadas nas Certidões, tomou o cuidada de INTIMAR a Recorrente a regularizar sua situação fiscal e apresentar, dentre outros, os seguintes documentos (fls. 54/55), sob pena de arquivamento do processo, conforme o art. 40 da Lei n° 9.784/99: Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 2 Tendo em visto o que dispõe o art. 60, caput, da Lei 9.069/95, de 29 de junho de 1995, Certidão Negativa de Débito CND (ou Positiva com Efeitos de Negativa), fornecida conjuntamente pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN e pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, em conformidade com o artigo 62 do DecretoLei n° 147, de 03 de fevereiro de 1967 em relação à Matriz. Para isso, a empresa deverá regularizar sua situação fiscal junto à PGFN/RFB; 3) De acordo com o art. 6°, II, da Lei 10.522/02, de 19 de julho de 2002, regularizar sua situação fiscal junto ao CADIN Cadastro Informativa de Créditos não Quitados do Setor Público Federal, visto que o contribuinte possui registro lançado neste cadastro. Mais adiante, em setembro/2009, foi emitido novas intimações à Recorrente, solicitando novamente a regularizar sua situação fiscal junto a RFB bem como outras comprovações, quais sejam, certidão em relação as contribuições Previdenciárias e Certificado de regularidade do FGTS, conforme documento fls. 216/217, bem como em novembro/2009, repisando regularizar sua situação junto ao CADIN Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal. (intimação fl. 221). Diante de todas essas informações e documentos requeridos pela autoridade fazendária e apresentadas pela Recorrente, foi procedidas as análises pela fiscalização, resultando as informações, onde destacase trechos do referido Parecer DRF/NHO/Seort nº 022 de 04/02/2010 (fls. 345/352): (...) Relativamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, incluindo as inscrições em Divida Ativa do INSS, o contribuinte apresentou as Certidões Positivas com Efeitos de Negativas de Débitos, presentes à folha 169 (verso e anverso). Em consulta à Prévia de CND Relatório de Restrições , no sistema Plenus, constatouse que não há restrições para a obtenção de uma nova Certidão Negativa de Débitos (fl. 178), comprovando que o contribuinte efetivou a regularização das pendências anteriormente verificadas. Quanto à regularidade junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o interessado acostou ao processo os Certificados de Regularidade do FGTS CRF referentes aos estabelecimentos 50.221.019/000136 e 50.221.019/003828 (fl. 170, verso e anverso). Desconsiderou, assim, os termos da intimação n° 649/2009 (fl. 138), que em seu item 4 solicitava especificamente a prova de regularidade quantos às filiais 50.221.019/001612, 50.221.019/0023 4l, 50.221.019/003313, 50.221.019/003909, 50.221.019/004808 e 50.221.019/004980. A Circular Caixa Econômica Federal n° 392/2006, já transcrita, é clara ao condicionar a regularidade de uma filial à regularidade da matriz e dos demais estabelecimentos da empresa, bem como afirma não proceder à verificação da regularidade do FGTS para empregadores não cadastrados no sistema do FGTS. Em nova consulta ao sitio da Caixa Econômica Federal CEF f na internet (fls. 202 a 204, verso e anverso), verificouse que a situação não havia se alterado quanto àqueles estabelecimentos. Ademais, observouse que Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 456 11 neste ínterim foram abertas sete novas filiais, nenhuma delas cadastrada junto ao FGTS (fls. 205 a 208 e 210, verso e anverso, 211 e 212. No tocante à sua situação junto ao CADIN, não obstante o Termo de Intimação n° 812/2009 (fl. 142), o contribuinte nada aduziu. Em nova pesquisa no sistema (fl. 209), resta ainda um registro como inadimplente. É fato que a Recorrente apresentou junto com seu recurso voluntário, cópias das seguintes Certidões: a) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, b) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias c) às de Terceiros Certificado de Regularidade do FGTS CRF (Matriz) e Certificado de Regularidade do FGTS CRF (Filial recorrente), todas emitidas durante o período de abril a agosto de 2010 e todas com prazo de validade para o ano de 2010 – fls. 446/449. No entanto, para atender os termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, a autoridade administrativa devese reportar e efetuar o exame da situação fiscal, verificando sua regularidade, no momento em que vai conceder ou reconhecer o beneficio fiscal e não com base em documentação apresentada, com data de validade para período posterior. Logo, se constatar a existência de algum débito no momento do exame para a concessão, independentemente da data de seu fato gerador, estará impedida de reconhecer o benefício. Cabe ainda salientar que havia, nos Termos de Intimação emitidos, observação explicita quanto ao momento da análise da regularidade fiscal, , assinados e datados pela DRF de Novo Hamburgo (RS), conforme abaixo transcrito (fls. 216/217 e 221): “ (...) Cabe salientar que a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é feita no momento da análise do Pedido e da emissão do Despacho Decisório que reconhece o direito à fruição do beneficio pleiteado”. Desta forma, no meu entender, os débitos apontados pela Receita Federal, no Parecer DRF/NHO/Seort nº 022, de 04/02/2010 (fls. 345/352), e pelo todo exposto neste voto, são impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado (reconhecimento do Direito à Redução de 50% na Alíquota do IPI incidente sobre o produto denominado Refrigerante de Guaraná, da marca Mini Skin Guaraná), objeto deste processo. 2 Da aplicação retroativa da redução da alíquota do IPI. A recorrente alega que a redução em discussão deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente (MAPA), realizou o reconhecimento da adequação do produto aos requisitos previstos em lei, isto é, em 10 de maio de 2007, uma vez que a norma que concede a redução de alíquota não faz menção à publicação de ato declaratório como requisito à redução da alíquota do IPI. Notese que o art. 65, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002) Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 estabelece alguns requisitos para a fruição do beneficio previsto naquela nota complementar: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 “Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (21 I ) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do Órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficia; " (grifei) A questão acima referese ao momento que se autoriza a redução de alíquota do IPI incidente sobre a produção de refrigerantes e refrescos. Conforme a legislação, somente a partir da formalização do pleito perante a própria RFB ou a partir do registro do produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. A norma não informa que a Administração Tributária pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo Ato Declaratório emitido pela RFB, porque a norma estabelece que cabe a RFB declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controladora para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Por tratarse de um benefício fiscal, sua utilização é opcional, sendo que apenas a partir da formalização do pleito perante a administração tributária fica consignada a vontade do contribuinte de usufruir a redução. Desta forma, não vejo como retroagir o direito à redução de alíquota à data de registro do refrigerante no Ministério da Agricultura. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal do Brasil e como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na RFB, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só poderia ocorrer a partir do protocolo do seu pleito. 3 Sustentação Oral e Intimações Quanto a intimação pessoal ou postal e para apresentação de sustentação oral e memoriais, não encontra previsão no Regimento Interno deste Conselho, devendo o contribuinte interessado e/ou seu representante legal acompanharem a publicação da pauta de julgamentos no Diário Oficial da União para, querendo, se fazerem presentes. (Arts. 55 e 58 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13056.000141/200711 Acórdão n.º 3802004.049 S3TE02 Fl. 457 13 Da conclusão Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO mantendo, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 03/02/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15563.000686/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO, DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA LEGISLAÇÃO. A obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei n° 8.212/91 deve ser observada pelas cooperativas, pois é nela que serão indicadas as informações referentes aos cooperados.
GANHOS EVENTUAIS. VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Pela própria definição de contribuinte individual prevista no art. 12, V, g, da Lei n° 8.212/91, como aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, não há que se falar que sua remuneração, por mais que seja eventual, estaria isenta das contribuições, nos termos do art. 28, § 9°, e, 7, da Lei n° 8.212/91.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS - REPLEG. CARÁTER INFORMATIVO. A indicação de pessoas físicas no Relatório de Representantes Legais - REPLEG não representa ofensa ao art. 135 do CTN, por se tratar de peça de instrução do processo com função meramente indicativa daqueles que possuíam poder de direção à época dos fatos geradores, consoante Súmula nº 88 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO, DE ACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA LEGISLAÇÃO. A obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei n° 8.212/91 deve ser observada pelas cooperativas, pois é nela que serão indicadas as informações referentes aos cooperados. GANHOS EVENTUAIS. VALORES PAGOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Pela própria definição de contribuinte individual prevista no art. 12, V, “g”, da Lei n° 8.212/91, como aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, não há que se falar que sua remuneração, por mais que seja eventual, estaria isenta das contribuições, nos termos do art. 28, § 9°, “e”, 7, da Lei n° 8.212/91. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG. CARÁTER INFORMATIVO. A indicação de pessoas físicas no Relatório de Representantes Legais REPLEG não representa ofensa ao art. 135 do CTN, por se tratar de peça de instrução do processo com função meramente indicativa daqueles que possuíam poder de direção à época dos fatos geradores, consoante Súmula nº 88 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 06 86 /2 00 7- 15 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15563.000686/200715 Acórdão n.º 2402004.580 S2C4T2 Fl. 690 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 16/11/2007, para exigência de multa por deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação, bem como por deixar de incluir nas folhas de pagamento os segurados contribuintes individuais (autônomos), no período de 04/2003 a 04/2005, conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 47/53). O Recorrente apresentou Impugnação ao lançamento (fls. 95/187), requerendo o cancelamento o auto de infração ante a sua insubsistência. A d. DRJ do Rio de Janeiro II/RJ julgou o lançamento procedente (fls. 195/213), sob os argumentos de que: (i) inexiste irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal, pelo fato de ter sido expirado o seu prazo e não ter ocorrido a constituição de qualquer crédito, não havendo que se falar em violação ao art. 587, § 1°, da Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005; (ii) a não inclusão no relatório de eventos, da qualificação das funções dos segurados, a discriminação dos valores descontados e dos serviços prestados implica em descumprimento dos requisitos previstos no § 9°, do art. 225, RPS; (iii) a omissão em folha de pagamento dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à cooperativa contraria o disposto no art. 32, I, da Lei n° 8.212/91 c/c art. 225, I, § 9°, do RPS; e (iv) a indicação de pessoas físicas como corresponsáveis pelo débito tem caráter meramente informativo, não tendo o condão de atribuir responsabilidade solidária nos termos do art. 135, do CTN. Intimado da decisão em 06/08/2008 (fl. 223), o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/08/2008 (fls. 227/337) argumentando que: (i) nos termos do art. 4°, Lei n° 5.764/71, a cooperativa é quem presta serviços aos cooperados, sendo absurda a ideia de que os sócios cooperados prestariam serviços a ela, motivo pelo qual o art. 32, I, da Lei n° 8.212/91 não é aplicável ao caso; (ii) os valores pagos a contribuintes individuais representam ganhos eventuais, e, portanto, isentos de contribuição previdenciária conforme disposição do art. 28, § 9°, “e”, 7, da Lei n° 8.212/91; (iii) a impossibilidade de inclusão de pessoas físicas como corresponsáveis, ante a inobservância dos requisitos estabelecidos no art. 135 do CTN; e (iv) com a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal sem a respectiva lavratura do Auto de Infração, considerase homologado o lançamento tributário efetivado pelo contribuinte, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, motivo pelo qual o crédito ora exigido estaria extinto conforme previsão do art. 156, V, do CTN. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 47/53), o Recorrente deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação, bem como deixou de incluir nas folhas de pagamento os segurados contribuintes individuais (autônomos), no período de 04/2003 a 04/2005. Ficou consignado que a Recorrente não cumpriu as exigências previstas no art. 32, inc. I da Lei n° 8.212/91 e art. 225, inc. I e § 9° do RPS, que assim dispõem: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social;” “Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso.” Assim, foi imposta multa com base nos arts. 92 e 102, da Lei n° 8.212/91, e art. 283, I, “a” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social c/c Portaria MPS n° 142/07. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15563.000686/200715 Acórdão n.º 2402004.580 S2C4T2 Fl. 691 5 O Recorrente defende em seu recurso que não há suporte legal para que fosse obrigada a incluir os seus cooperados na folha de salários, pois, nos termos do art. 4°, Lei n° 5.764/71, a cooperativa é quem presta serviços aos cooperados, sendo absurda a ideia de que os sócios cooperados prestariam serviços a ela, motivo pelo qual o art. 32, I, da Lei n° 8.212/91 não é aplicável ao caso. Contudo, cumpre destacar que o parágrafo único do art. 15 da Lei n° 8.212/91 equipara as cooperativas às empresas para fins da legislação previdenciária. Sendo assim, é inquestionável que as cooperativas devem observar as mesmas obrigações principais e obrigações acessórias que são impostas às empresas. “Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Nesse sentido, importante destacar o teor do artigo 4°, §§ 1° e 2°, da Lei n° 10.666/03, que atribui às cooperativas a obrigação de arrecadar e recolher o valor da contribuição social dos seus associados como contribuinte individual. Vejase: “Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao de competência a que se referir, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. § 2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos.” Assim, a obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei n° 8.212/91, deve ser observada pelas cooperativas, pois é nela que serão indicadas as informações referentes aos nomes dos cooperados, número de inscrição no INSS, valores das bases de cálculo e os descontos de contribuição previdenciária. Não tendo sido indicado no relatório de eventos destinado a cooperados, a qualificação das funções dos segurados, a discriminação dos valores descontados e dos serviços prestados, resta comprovada o descumprimento dos requisitos previstos no § 9°, do art. 225, RPS, motivo pelo qual o pleito do Recorrente não deve ser acatado neste ponto. O Recorrente menciona que ficou consignado na NFLD nº 37.085.1846 que os serviços prestados por autônomos teriam natureza eventual. Destacase trecho mencionado no recurso voluntário (fl. 229): "Foi verificada remunerações às pessoas físicas, não associadas à cooperativa COOPER SERVICE e sem vínculo empregatício com a mesma, efetuando serviço de natureza eventual. Nesta situação a mesma fica obrigada ao recolhimento de contribuições previdenciárias (...)” Por este motivo, defende o Recorrente que os valores pagos a contribuintes individuais representam ganhos eventuais e, portanto, isentos de contribuição previdenciária conforme disposição do art. 28, § 9°, alínea “e”, item 7, da Lei n° 8.212/91. Contudo, a tese apresentada em seu recurso vai de encontro com a própria definição de contribuinte individual, previsto no art. 12, V, “g”, da Lei n° 8.212/911, definido como aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Vejase que o disposto no art. 28, § 9°, “e”, 7, da Lei n° 8.212/91, tem como destinatário aqueles segurados que auferem ganhos em caráter não eventual, o que, como visto, não é o caso dos contribuintes individuais, motivo pelo qual não procede a alegação de que a Recorrente estaria desobrigada a efetuar o recolhimento das contribuições incidentes sobre tais valores. Ademais, quanto à indicação de pessoas físicas no Relatório de Representantes Legais – REPLEG, temse que isto não representa ofensa ao art. 135 do CTN, por se tratar de peça de instrução do processo com função meramente indicativa daqueles que possuíam poder de direção à época dos fatos geradores, mas que não tem o condão de atribuir a responsabilidade tributária de terceiros prevista no art. 135 do CTN. Nesse sentido, destacase a Súmula nº 88 do CARF: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa 1 “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego;” Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15563.000686/200715 Acórdão n.º 2402004.580 S2C4T2 Fl. 692 7 jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Não há, assim, que se falar na atribuição indevida de responsabilidade aos sócios e, consequentemente, na infração ao disposto no art. 135 do CTN. Por fim, sustenta a Recorrente que o lançamento foi realizado quando já se encontrava expirado o Mandado de Procedimento Fiscal, o que seria incabível, posto que a expedição de MPF sem a respectiva lavratura do Auto de Infração configura homologação do lançamento, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, motivo pelo qual o crédito ora exigido estaria extinto conforme previsão do art. 156, V, do CTN. Contudo, conforme se verifica à fl. 33, houve a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal até o dia 30/12/07, abarcado assim a data de constituição do presente auto de infração, que ocorreu em 16/11/07. Ademais, não há qualquer lógica em se buscar o reconhecimento da homologação do lançamento pela expiração do prazo do MPF, mormente quando se está diante de um lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória, que sequer se sujeita ao disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Destarte, não há razão no argumento da Recorrente. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909713/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 13 /2 00 9- 10 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909713/200910 Acórdão n.º 3202001.572 S3C2T2 Fl. 379 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 19679.006330/2003-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO - FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO - FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem à autuação, elemento obrigatório do auto de infração, é incabível a manutenção do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 63 30 /2 00 3- 15 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.006330/200315 Acórdão n.º 3301002.614 S3C3T1 Fl. 202 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de São Paulo (SPI), assim expresso: Em auditoria fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi constatado “Proc jud não comprovado” da Contribuição para o PIS/Pasep dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/1998 a 12/1998 e declarados nas DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fl s. 7 e 8 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de ofício e juros de mora com cálculos válidos até 30/06/2003 perfazendo o total de R$ 309.255,62 (trezentos e nove mil, duzentos e cinqüenta e cinco reais e sessenta e dois centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1°, L 9249/95; A rt . 2 e inc. I e par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8, inc. I MP 1623/9727 e reed.; art. 2° e inc. I, par 1, e a rts. 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1676/9834 e reed; Art. 2 e inc. I e par 1, e a rts. 3, 5, 6 e 8, inc. I L 9715/98. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada, a contribuinte protocolizou, em 05/09/2003 a impugnação de fls. 1 a 4 acompanhada dos documentos de fls. 5 72, na qual alega em resumo: 2.1. A importância de R$ 115.380,47 referentes ao primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestre de 1998 foi compensada através do processo n° 94.03.394145 (doc. anexo) cuja sentença foi proferida em sessão Plenária realizada em 19/12/90 e Apelação Cível n° 177620 julgada em 18/09/95, que alicerçou a compensação efetuada nos trimestres em epígrafe. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação informando que em seu entendimento a compensação não foi autorizada judicialmente e que ante a edição da MP n.º 135/2003, convertida na Lei n.º 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa de ofício, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. A compensação não foi autorizada na execução judicial. Assim não cabe a sua reapreciação via administrativa, restando procedente o lançamento no Auto de Infração. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.006330/200315 Acórdão n.º 3301002.614 S3C3T1 Fl. 203 3 Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face dessa decisão a Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, além dos pontos apresentados na Manifestação de Inconformidade que, nos termos da sentença exarada pela 21ª Vara Federal de São Paulo no processo n.º 91.074.11448 (1ª instância) e n.º 94.03.0394145 (Apelação) afastouse a aplicação dos DecretosLeis n.º 2.445/88 e 2.449/88 e se autorizou a compensação dos valores objeto do auto, o referido processo transitou em julgado em 20/11/1995, nada mais tendo a se discutir, requerendo, desse modo, pela procedência do Recurso. É o que importa relatar. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.006330/200315 Acórdão n.º 3301002.614 S3C3T1 Fl. 204 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Pelo que pode ser visto o presente auto de infração foi lançado, segundo a descrição dos fatos e o demonstrativo de créditos vinculados não confirmados, pela a falta de recolhimento da contribuição para a PIS, decorrente de declaração inexata, não se comprovando a participação da Recorrente no processo judicial informado, vinculado a compensações – termo comumente grafado como “Proc. jud não comprovado”, ou seja, processo judicial não comprovado. Nos autos consta cópia dos processos na qual a Recorrente figura como autora e que foi fundamento para a autuação, processo n.º 91.074.11448 e Apelação Cível n.º 94.03.0394145, o que implica em contrapor o fundamento do Auto de Infração. No ordenamento pátrio a motivação dos atos administrativos sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade, ex vi do artigo 50 da Lei n.º 9.784/1999 e alterações posteriores. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” 1. Basicamente, presumese que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que a referida ação judicial não existia, nada mais. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da .fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, por força do que determina o § 3º do artigo 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei n.º 8,748, de 1993. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do .fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito 1 Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.006330/200315 Acórdão n.º 3301002.614 S3C3T1 Fl. 205 5 descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o .fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”... Se a autuação tomou como pressuposto o fato que a Recorrente não era parte do processo judicial, e a contribuinte demonstrou a existência da ação e a sua participação na mesma, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Ora, uma vez notificado do lançamento e demonstrado a existência de processo judicial a autuação não justifica. Não procede, portanto, o lançamento, por não se comprovar a fundamentação fática que o originou, ressaltandose que não integra o objeto deste voto a correção, ou não, do procedimento adotado pelo contribuinte em relação aos créditos tributários objeto do lançamento, em função da decisão judicial obtida, uma vez que tal questão não foi analisada quando da realização do lançamento. Da única imputação que lhe foi feita na autuação – processo judicial de não comprovado – a contribuinte defendeuse, informando que efetivamente integrava a ação judicial por ele relacionada, não constando do lançamento qualquer outra alegação que fundamentasse a exigência. Por todo o exposto, no mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose improcedente o presente lançamento. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19679.006330/200315 Acórdão n.º 3301002.614 S3C3T1 Fl. 206 6 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13856.000016/2003-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009.
A adesão parcial ao parcelamento retira o interesse recursal nessa medida.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ART. 62-A DO RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS, nas aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial n.º 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do art. 62-A do RICARF.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarou-se impedido. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº. 153.881.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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LEI Nº 9363/96. Recorrente AÇUCAREIRA CORONA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009. A adesão parcial ao parcelamento retira o interesse recursal nessa medida. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. ART. 62A DO RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96, é possível apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS/COFINS, nas aquisições de pessoas físicas ou cooperativas. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial n.º 993.164/MG), aplicado ao caso, nos termos do art. 62A do RICARF. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarouse impedido. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP nº. 153.881. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 00 16 /2 00 3- 54 Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI e compensações, os quais o Despacho Decisório deferiu parcialmente, homologando apenas parte das compensações declaradas. Isso se deu pela retificação do cálculo do referido crédito, na qual foram excluídas aquisições que a fiscalização entendeu não se incluírem no conceito de matérias primas, produtos intermediários e/ou materiais de embalagem dado pela legislação aplicável. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, conforme legislação e julgados que cita, a inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando que a instrução normativa não pode limitar o que o texto legal não limita, sendo que, os combustíveis, energia elétrica e insumos aplicados no plantio da canadeaçúcar enquadramse no conceito de insumos, e, por isso, devem ser incluídos no cálculo do beneficio. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ a julgou improcedente, conforme resume a ementa desse julgado (fls. 1.273/ss.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os valores referentes as aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os valores relativos a entradas de canadeaçúcar produzida pela própria requerente devem ser excluídos da apuração do beneficio porque não se referem a aquisição de insumos. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13856.000016/200354 Acórdão n.º 3202001.460 S3C2T2 Fl. 1.679 3 Solicitação Indeferida Não conformada com o acórdão acima transcrito, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 1.293/ss.), postulando o reconhecimento do direito ao crédito sobre o valor da aquisição de matériaprima, adquirida de pessoa física, e sobre o dispêndio com energia, combustíveis e adubo, utilizados na produção agroindustrial. Posteriormente, a empresa pediu desistência parcial do recurso interposto, em razão da inclusão dos débitos compensados com parte dos créditos presumidos, no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, remanescendo, apenas, a discussão acerca das compensações com créditos presumidos, vinculados à aquisição de canadeaçúcar de pessoa física. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Em primeiro lugar, homologo o pedido de desistência parcial do recurso interposto, em razão da inclusão dos débitos compensados com parte dos créditos presumidos, no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, não conhecendo o recurso voluntário nessa medida. De acordo com a recorrente, somente remanesce discussão acerca das compensações com créditos presumidos, vinculados à aquisição de canadeaçúcar de pessoa física. Quanto à possibilidade de incluir na apuração de crédito presumido, previsto na Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos de pessoas físicas, o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP Assim, com base no art. 62A do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas. Ante o exposto, CONHEÇO EM PARTE o recurso voluntário; na parte conhecida, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas, a serem apurados pela autoridade preparadora, com a consequente homologação das compensações nessa medida. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10730.009863/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1997 a 28/02/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO ANTERIOR. LIQUIDAÇÃO. DIVERGÊNCIAS DE VALORES. RITO PROCESSUAL.
Se a decisão anterior, transitada em julgado, apenas reconheceu o direito ao indébito, cuja liquidação efetivamente depende de atividade privativa da Administração, em emergindo divergências quanto aos critérios, métodos, documentos e respectivos valores dos créditos, que não compuseram o litígio anterior, deve ser resguardado o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, sendo que os meios e recursos cabíveis são aqueles previstos no Decreto n° 70.235/72 que disciplina o Processo Administrativo Tributário.
REFORMA PARCIAL DA DECISÃO A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO.
Afastada a prejudicial de mérito, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição, sua certeza, liquidez e exigibilidade, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa do administrado.
Recurso Parcialmente Provido.
Decisão Anulada.
Numero da decisão: 3402-002.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Redator Designado
Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz Da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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BRAUN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1997 a 28/02/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO ANTERIOR. LIQUIDAÇÃO. DIVERGÊNCIAS DE VALORES. RITO PROCESSUAL. Se a decisão anterior, transitada em julgado, apenas reconheceu o direito ao indébito, cuja liquidação efetivamente depende de atividade privativa da Administração, em emergindo divergências quanto aos critérios, métodos, documentos e respectivos valores dos créditos, que não compuseram o litígio anterior, deve ser resguardado o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, sendo que os meios e recursos cabíveis são aqueles previstos no Decreto n° 70.235/72 que disciplina o Processo Administrativo Tributário. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a prejudicial de mérito, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição, sua certeza, liquidez e exigibilidade, evitandose a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa do administrado. Recurso Parcialmente Provido. Decisão Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, nos termos do voto do redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 98 63 /2 00 8- 17 Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 designado. Vencido o Relator e a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Redator Designado Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz Da Gama Lobo D’Eça. Relatório A DRF Niterói formulou representação para a cobrança de débitos do PIS, declarados em DCTF com vinculação a Ação Judicial nº 9500001381. Informase, em fls. 577 e 578, que o crédito pretendido, decorrente da decisão judicial, foi analisado no processo 13739.000627/9611, cuja decisão definitiva (Acórdão nº 20181.042, de 9 de abril de 2008) findou por reconhecer a tese da semestralidade do PIS e o direito à compensação de débitos dos períodos de outubro a dezembro de 1995. Na fase de execução dessa decisão, apurouse crédito em montante insuficiente para a quitação da totalidade dos débitos informados em DCTF como compensados, razão pela qual o Despacho Decisório homologou a compensação da totalidade dos débitos dos PA's 09/1997 a 05/2001 e parte do débito referente ao PA 06/2001. Ato contínuo, determinou o prosseguimento da cobrança dos débitos remanescentes. Sobreveio reclamação (fls. 617 a 640), por meio da qual o interessado argüiu descumprimento de ordem judicial e erros nos cálculos (não foram demonstrados os percentuais de correção monetária adotados, nem se comprovou a adoção dos expurgos inflacionários). Acrescenta que as planilhas de cálculo ocultam a correção monetária aplicada sobre os valores pagos. Apresenta exemplo referente à compensação do débito de PIS do período de janeiro de 1995. Contrapõe planilha com os cálculos analíticos (com variações oficiais mensais, conforme Conselho da Justiça Federal). Aduz que, inexplicavelmente, a variação da UFIR relativa ao período de janeiro de 1996 até janeiro de 2000 deixou de ser aplicada nos cálculos da SRF e que o "Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas" apresenta divergências nos saldos atualizados relativos aos PA's de Novembro/1994 e Dezembro/1994 em relação aos critérios de atualização monetária fixados por decisão judicial. Acusa ainda a ocorrência de divergências entre os valores de faturamento de julho/1988 a dezembro/1994 informados pela requerente com aqueles considerados pela SRF. Relativamente aos valores compensados, o "Demonstrativo de Apuração de Débitos" originado pela SRF encontrase majorado, uma vez que, nos PA's 10/2001 a 01/2002, deixou de observar que o débito total informado na DCTF utiliza — como compensação — saldos de valores oriundos de 2 ações judiciais (Liminar em Medida Cautelar 95.00001381 e Liminar em Mandado de Segurança 99.02009336); Postula pela realização de perícia, indicando assistente técnico e formulando quesitos. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.009863/200817 Acórdão n.º 3402002.611 S3C4T2 Fl. 1.064 3 A reclamação, autointitulada de Manifestação de Inconformidade, foi cursada sob o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1072. Todavia, não foi conhecida pela 17ª Turma da DRJ/RJ1, sob o fundamento de inexistência de competência para tanto. O Acórdão nº 1250.575, de 8 de novembro de 2012, fls. 297 a 803, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1997 a 28/02/2002 CARTA DE COBRANÇA. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Manifestação de Inconformidade em relação à carta de cobrança não instaura litígio no processo administrativofiscal. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 807 a 820, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa a ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Diz que o cálculo da execução do Acórdão nº 20181.042 representa fato novo, a ensejar o cabimento de manifestação de inconformidade, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 3 de agosto de 2012. Pede provimento do recurso para que se determine a apreciação da reclamação sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 807 a 820 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ17ª Turma da DRJ/RJ1 nº 12 50.575, de 8 de novembro de 2012. Conforme relatado, o presente processo trata de representação formulada para cobrança de débitos de PIS de PA 07/01 a 02/02 e parte do PA 06/01, que emergiram inadimplidos após a execução do Acórdão nº 20181.042, de 09/04/2008 (processo administrativo 13739.000627/9611). Não tenho dúvidas, inexiste previsão legal ou infralegal para que se curse reclamações contra a cobrança de débitos sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. Este é o entendimento da segunda instância de julgamento administrativo. Ilustro: Acórdão nº 3202001.331, de 14/10/2014, Rel. Cons. GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, unânime: Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CARTA COBRANÇA. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Matéria alheia ao processo administrativo fiscal. Recurso do qual não se toma conhecimento, por falta de objeto. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITO. Glosamse os créditos do imposto escriturados nos livros fiscais e alusivos a documentos fiscais reputados inidôneos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado documentalmente que as mercadorias foram efetivamente exportadas. PIS. COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. É inconstitucional a incidência da contribuição para PIS e COFINS sobre os valores recebidos em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Os artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003 vedam a correção monetária e juros sobre créditos de PIS e COFINS. Entretanto, existe a necessidade de conferir tratamento distinto aos créditos objeto de pedido de ressarcimento/restituição, pois deixam de ser escriturais porque não estão mais acumulados na escrita fiscal dos contribuintes (STJ, Embargos de Divergência em Agravo n° 1.220.942). Nada mais correto, ademais, que incidir a correção monetária no momento em que o Fisco passa a estar em mora, ou seja, a partir do pedido de ressarcimento/restituição, até mesmo porque se fosse diferente não haveria tratamento isonômico ao contribuinte que, quando em mora, é obrigado a recolher os tributos em atraso acrescidos da correção pela taxa SELIC. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, recurso voluntário provido em parte. Acórdão nº 3202001.287, de 20/08/2014, Rel. Cons. LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, unânime: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.009863/200817 Acórdão n.º 3402002.611 S3C4T2 Fl. 1.065 5 Período de apuração: 01/01/1993 a 31/08/1996 REVISÃO DE OFÍCIO. CARTA COBRANÇA. INCOMPETÊNCIA. DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a revisão de ofício de Carta Cobrança de crédito tributário, nos termos do que prescreve o art. 145, III, c/c art. 149, ambos do CTN. Processo anulado, a partir da decisão recorrida. Acórdão nº 3302002.372, de 27/11/2013, Rel. Cons. MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACO, unânime: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CARTA COBRANÇA SALDO DEVEDOR DO TRIBUTO COMPENSADO A possível inconsistência em saldo devedor de tributo compensado e cuja carta cobrança emitida decorreu da decisão de não homologação da compensação pleiteada deve ser solucionada junto à unidade preparadora de sua jurisdição, não sendo de competência desse colegiado tal análise, por fugir totalmente da matéria sob litígio. CRÉDITOS VALORES ESCRITURADOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. ÔNUS DA CONTRIBUINTE Os créditos decorrentes de entradas de supostas matériaprima, produto intermediário e material de embalagens empregados na industrialização que se enquadram na descrição constante do artigo 11 da Lei n.° 9779/99, para serem considerados, além de ter os seus valores escriturados, devem ser devidamente provados por documentos hábeis, cabendo à contribuinte o ônus de provar as suas alegações. Recurso Voluntário Negado. Acórdão nº 340200227, de 14/08/2009, Rel. Cons. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, unânime quanto à matéria: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. VALOR INSERTO EM CARTA COBRANÇA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. A carta de cobrança expedida pela autoridade administrativa para exigir débito tributário cuja compensação não foi homologada diz respeito à execução da decisão proferida e não integra a lide alcançada pelo processo administrativo de compensação, não podendo ser conhecida a matéria. Recurso não conhecido NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Inexistente o indébito tributário que se aponta, não se pode homologar compensação comunicada em Declaração de Compensação entregue. PIS BASE DE CÁLCULO. VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo do PIS definida na Lei 9.715/98 a receita decorrente da venda de bens a empresas situadas na Zona Franca de Manaus, visto que a norma que isentou as receitas de exportações MP 2.158/35, art. 14 não a contemplou. COFINS BASE DE CÁLCULO. VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo da COFINS definida na Lei 9.718/98 a receita decorrente da venda de bens a empresas situadas na Zona Franca de Manaus, visto que a norma que isentou as receitas de exportações MP 2.158/35, art. 14 não a contemplou. Recurso negado. Esse entendimento também vinha sendo sufragado pelo antigo Conselho de Contribuintes: Acórdão 20209652, de 19/11/97: Ementa: NORMAS PROCESSUAIS – AVISO DE COBRANÇA – Matéria alheia ao processo administrativo fiscal. Recurso do qual não se toma conhecimento, por falta de objeto Acórdão. 20300023, de 18/11/92: Ementa: FINSOCIAL – Simples aviso de cobrança (. . .), lastreado em dados da DCTF, apresentada pelo próprio contribuinte, não formaliza o lançamento e, assim, é insuficiente para instaurar o contencioso administrativo fiscal, eis que ausentes os pressupostos dos artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Recurso improvido. Acórdão 20402853, de 18/10/2007: PIS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO ACERCA DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA CARTA DE COBRANÇA EMITIDA PELA DRF DE ORIGEM. Falece competência a este Conselho e às Delegacias de Julgamento da Secretaria da Receita Federal para se manifestarem acerca manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte contra carta cobrança emitida pela DRF de origem. Nula, portanto a decisão proferida pela DRJ ao se manifestar sobre a matéria. Processo anulado. Acórdão 20401639, de 21/08/2006: NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA NA ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. JUROS E MULTA DE MORA. CARTA Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.009863/200817 Acórdão n.º 3402002.611 S3C4T2 Fl. 1.066 7 COBRANÇA. As instâncias julgadoras administrativas não tem competência para se manifestar sobre acréscimos moratórios exigidos em cartacobrança. Recurso negado. A competência regimental das turmas de julgamento das DRJ cingese aos processos administrativos fiscais de (i) determinação e exigência de créditos tributários; (ii) relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; (iii) de manifestação de inconformidade contra despachos decisórios em processos de restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Como se vê, a Intimação para recolhimento dos débitos em aberto constante dos autos (fls. 581) não se insere no rol de atos cuja resistência deva ser apreciada pelas DRJ, pois não é meio formal de constituição de crédito tributário. Tal documento apenas traz a informação da existência dos créditos tributários em aberto, declarados pelo contribuinte em DCTF, sem darlhes qualquer fundamentação legal. Nesse sentido, a reclamação do ora recorrente, insurgindose contra a cobrança de débitos declarados em DCTF, não se insere no âmbito das manifestações de inconformidade, propriamente ditas, aludidas nos §§ 9º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estas sim passíveis de apreciação pelas DRJ. Entendo que a Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, invocada no recurso voluntário, vai de encontro ao disposto no referido diapositivo da Lei nº 9.430, de 1996, e afronta o próprio Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 RIRFB. A propósito da exigência em questão, pretendida pela Administração, veiculada pela cartacobrança, o artigo 243 do atual RIRFB atribui às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário das unidades descentralizadas as atividades de cobrança do crédito tributário. Por decorrência, as eventuais insubordinações de contribuintes contra esses expedientes também se inserem no âmbito da competência das unidades descentralizadas, e os recursos respectivos devem ser cursados pelo rito do art. 56 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso, sugerindo à autoridade preparadora que analise a admissibilidade do recurso no rito da Lei nº 9.784, de 1999. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015 Voto Vencedor Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, Redator Designado. Apesar de compreender perfeitamente as razões que levaram o Ilustre Relator, Conselheiro Alexandre Kern, a concluir pelo não conhecimento do recurso, minha convicção caminha em sentido contrário, sendo que me foi designada a desafiadora e honrosa tarefa de expressar o entendimento majoritário, que entendeu pela necessidade de conhecimento do recurso, e, consequentemente, para se evitar supressão de instância, pela anulação da decisão recorrida, para que venha a ser analisadas as matérias de mérito alinhadas no processo. Com efeito, para centralização da controvérsia, adoto as bem lançadas razões de fato que extraído do Relatório lançado pelo Conselheiro Relator original: “A DRF Niterói formulou representação para a cobrança de débitos do PIS, declarados em DCTF com vinculação a Ação Judicial nº 9500001381. Informase, em fls. 577 e 578, que o crédito pretendido, decorrente da decisão judicial, foi analisado no processo 13739.000627/9611, cuja decisão definitiva (Acórdão nº 20181.042, de 9 de abril de 2008) findou por reconhecer a tese da semestralidade do PIS e o direito à compensação de débitos dos períodos de outubro a dezembro de 1995. Na fase de execução dessa decisão, apurouse crédito em montante insuficiente para a quitação da totalidade dos débitos informados em DCTF como compensados, razão pela qual o Despacho Decisório homologou a compensação da totalidade dos débitos dos PA's 09/1997 a 05/2001 e parte do débito referente ao PA 06/2001. Ato contínuo, determinou o prosseguimento da cobrança dos débitos remanescentes. Sobreveio reclamação (fls. 617 a 640), por meio da qual o interessado argüiu descumprimento de ordem judicial e erros nos cálculos (não foram demonstrados os percentuais de correção monetária adotados, nem se comprovou a adoção dos expurgos inflacionários). Acrescenta que as planilhas de cálculo ocultam a correção monetária aplicada sobre os valores pagos. Apresenta exemplo referente à compensação do débito de PIS do período de janeiro de 1995. Contrapõe planilha com os cálculos analíticos (com variações oficiais mensais, conforme Conselho da Justiça Federal).” (grifouse) Conforme se extrai do Relatório cuja parte restou transcrita, na realidade o contribuinte, como detentor de decisão judicial que lhe concedera o indébito sobre recolhimentos a maior a título de PIS, inclusive levandose em consideração o direito a semestralidade do PIS, efetivou compensações através de DCTF´s (em períodos em que tal procedimento era permitido, pois que ainda não prevista a necessidade de Declaração de Compensação). Ao serem analisadas as compensações procedidas pelo contribuinte, entendeu a administração que os créditos opostos à Administração não seriam suficientes a dar guarida as compensações efetivadas, de modo que homologou apenas parcialmente as compensações e determinou o envio diretamente para cobrança, das diferenças não homologadas. Concordo plenamente que os valores informados em DCTF não seriam passíveis de novo lançamento, pois que está Declaração possui atributos de confissão de dívida, além de constituir em autolançamento realizado pelo contribuinte. Concordo também que a simples carta de cobrança de valores não homologados em compensação, não se Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730.009863/200817 Acórdão n.º 3402002.611 S3C4T2 Fl. 1.067 9 submetem ao rito do PAF. Porém, tenho que no caso em análise, o que se está discutindo, é efetivamente a liquidação dos créditos do contribuinte, fundados em decisão anterior. Portanto, entendo que é, sim, um pleito de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, inserindose dentre as competências do CARF, submetendose ao rito do Decreto n° 770.235/72. O próprio relator, aos destacar as competências das Turmas de Julgamentos, cita o seguinte: “(iii) de manifestação de inconformidade contra despachos decisórios em processos de restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais” Ao meu sentir, é exatamente o caso dos autos, em que se pleiteia a restituição de pagamento supostamente indevidos, e ato contínuo a homologação de compensações levadas a cabo pelo contribuinte, e, neste sentido, merece trânsito a análise do processo pelo rito do citado Decreto n° 70.235/72. Cabe aqui invocar o conteúdo da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 3 de agosto de 2012, que tem a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NO VO. Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores r eivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o C arf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Tributário Nacional CTN), art. 151, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a rt. 66. Embora tenha sido proferida a Solução de Consulta Interna para referirse a liquidação de decisão administrativa sobre direito de crédito, após decisão transitada em julgado do CARF, e, no caso em concreto, estarmos diante de liquidação de créditos após decisão judicial, tenho que o fundamento jurídico contido na referida Solução aplicase perfeitamente ao caso em análise, pois que aqui se discute efetivamente o crédito restituiendo e sua consequente suficiência, legitimidade e capacidade de oposição à Fazenda Pública para compensação, sendo que, em momento algum se decidiu controvérsias em torno dos cálculos elaborados pelo contribuinte, e aqueles firmados pela Administração. Apenas foi entregue o direito, pela decisão judicial transitada em julgado, sendo que sua liquidação efetiva depende de atividade privativa da Administração, e, surgindo possível divergência quanto aos critérios, métodos, documentos e respectivos valores dos créditos, deve ser resguardado o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, sendo que os meios e recursos cabíveis, são, sem dúvidas, aqueles previstos no Decreto n° 70.235/72, que disciplina o Processo Administrativo Tributário. Considerando que a decisão de piso não enfrentou as matérias contidas na defesa ofertada pelo contribuinte, não pode este Conselho sobre elas se manifestar, pois que em assim agindo, estaria suprimindo uma das instâncias de julgamento, e, consequemente, cerceando o direito do contribuinte ao duplo grau de jurisdição, com prejuízo a defesa de seus interesses. Por tal fundamento, o caminho a ser seguido é anulação da decisão recorrida, para que se manifeste sobre as matérias controvertidas, ficando igualmente prejudicado o requerimento de diligência, pois que essa apenas seria cabível se a DRJ entender pertinente ao deslinde do julgamento que deverá realizar. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para anular a decisão da DRJ, determinando o retorno dos autos a regional para prolação de novo julgamento na sua boa e devida forma. Sala de sessões, em 29 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnior – redator designado Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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