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Numero do processo: 10120.000372/90-71
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTO - LANÇAMENTO COM BASE
EXCLUSIVAMENTE EM DEPÓSITO BANCÁRIO -CANCELAMENTO - Estão
cancelados, pelo artigo 9°, inciso VII, do Decreto-lei n° 2.471, de 1988, os débitos de imposto de renda que tenham por base a renda presumida através de arbitramento sobre os valores de extratos ou de comprovantes bancários, exclusivamente.
Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento.
SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LEI N° 8.021, DE 1990 - APLICAÇÃO
- No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósito bancário, nos termos do parágrafo 50 do artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza.
IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 8.021, DE 1990- A lei tributária que torna mais gravosa a tributação somente entra em vigor e tem eficácia, a partir do exercício financeiro seguinte àquele em que for publicada. O § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021, de 12/04/90 (D.O de 13/04/90), por ensejar aumento de
imposto não tem aplicação ao ano-base de 1990."
Recurso provido.
Numero da decisão: CSRF/01-02.391
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: leila Maria Scherrer Leitão
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Os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimento. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LEI N° 8.021, DE 1990 - APLICAÇÃO - No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósito bancário, nos termos do parágrafo 50 do artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 8.021, DE 1990- A lei tributária que torna mais gravosa a tributação somente entra em vigor e tem eficácia, a partir do exercício financeiro seguinte àquele em que for publicada. O § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021, de 12/04/90 (D.O de 13/04/90), por ensejar aumento de imposto não tem aplicação ao ano-base de 1990." Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto ALBERTO RASSI. MINISTÉRIO DA FAZENDA: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS \t¡W;-:', / PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. EtÍÍSON --A;-lk'-j)DRIGUES 7- PRESIDENTE LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO RELATORA FORMALIZADO EM: 2 9 ABR 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, FRANCISCO DE PAULA CORREA CARNEIRO GIFFONI, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, AFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO, DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS E LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 Recurso n°. : RD/106-0.200 Recorrente : ALBERTO RASSI Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformada com o decidido no Acórdão n° 106-6.891, de 07.11.94 (fls. 89/96), prolatado pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o contribuinte ALBETO RASSI, recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, objetivando a reforma do referido Acórdão em relação à matéria consubstanciada, na seguinte ementa: "NORMAS GERAIS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A partir da edição da Medida Provisória n° 165, de 15.03.90, convalidada pela Lei n° 8.021, de 12.04.90, ficou revogado, por incompatível com o art. 6 0 , parágrafo 5° da nova lei, o art. 9 0 , VII do ato legal anterior (DL 2.471/88), pois o novo dispositivo autoriza o arbitramento por sinais exteriores de riqueza, com base na análise de extratos bancários." Assevera a recorrente que esta decisão diverge do entendimento manifesto nos Acórdãos 106-05.279 e 102-29.883, que espelham as ementas transcritas a seguir, respectivamente: "NORMAS GERAIS - CANCELAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Por determinação legal. Foram cancelados os débitos para com a Fazenda Nacional, que tiveram origem em rendimento arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, a teor do disposto no artigo 9°, inciso VII, do DL n° 2.471/88." "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - O artigo 6° da Lei n° 8.021/90 autoriza o arbitramento dos rendimentos com base 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAISs),%! PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações e o Fisco demonstrar indícios de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível." Argumenta a recorrente que, embora a fiscalização tenha se iniciado após a publicação do Decreto-lei n° 2.471/88, não afasta a possibilidade de sua aplicação, uma vez que o fato gerador do tributo questionado refere-se ao ano-base de 1987 e mesmo com a vigência do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990, não houve derrogação da Súmula 182 do extinto TFR, que considera ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, que é o caso dos autos. Pede provimento ao recurso especial alegando ser matéria prequestionada, desde a defesa inicial. O recurso especial de divergência foi admitido, segundo despacho de fls. 129/130, do ilustre presidente da Colenda Sexta Câmara, que caracterizou a divergência tão somente quanto ao Acórdão 102-29.883, não conhecendo do Acórdão 106-05.279 por se tratar de decisão proferida pela mesma Câmara, nos termos do inciso II, do art. 30 do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes. Contra-razões da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 131, argumentando que o acórdão recorrido não se encontra no campo de invalidade apontado pelo contribuinte mas sim amparado em sólida base legal e documental, requerendo a improcedência do recurso especial e a manutenção do "decisum a quo". ...- É o Relatório 4 2.. MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 VOTO Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, Relatora Presentes os pressupostos legais de admissibilidade estatuídos no Decreto n° 83.304/76, o recurso especial deve ser conhecido. A questão trazida ao deslinde deste Colegiado refere-se a lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários. A afirmação contida no Acórdão recorrido de que o § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021, de 1990 "autoriza o arbitramento por sinais exteriores de riqueza, com base na análise de extratos de depósitos bancários", data vênia, improcede, posto que não se trouxe aos autos nenhuma prova ou sequer fortes indícios de que o autuado realizara operações cujos resultados omitira ao fisco, depositando-os em sua conta corrente bancária. Tudo não passou de presunção. E, no campo tributário, não cabe presunção de omissão de rendimentos sem que texto de lei expressamente a estabeleça. Nesse sentido, bem firmado o entendimento constante no Acórdão paradigma (102-29.883) ao analisar o § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021, a seguir transcrito: "Verifica-se, pois que a própria lei veio a definir que o montante dos depósitos bancários ou aplicações junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não consegue provar a origem dos recursos utilizados nessas operações, podem, servir como medida de quantificação para arbitramento 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 da renda presumida e para que haja renda presumida, o Fisco deve mostrar, de forma inequívoca, que o contribuinte revela sinais exteriores de riqueza. ... e, não restando comprovados nos presentes autos sinais exteriores de riqueza caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, Voto no sentido de dar-se provimento ao recurso." (Grifou-se). No caso, compulsada a legislação que rege a matéria, não vislumbro qualquer ato legal que autorize o fisco a presumir que os valores depositados em instituição financeira constituem, por si só, rendimentos passíveis de tributação. Para maior objetividade e clareza, passarei à análise da matéria sob dois aspectos, ou seja, antes e após a vigência da Lei n°8.021, de 1990. E de notório saber que a omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários, vem merecendo sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no Judiciário. Comungo com o entendimento do contribuinte ao afirmar ser ilegítimo o lançamento de imposto de renda com base exclusivamente em extratos ou depósitos bancários. Aliás, essa é a orientação emanada do Colendo Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula n° 182, já citada pelo contribuinte em sua defesa inicial e ratificada em seu recurso voluntário. Atento ao reiterado entendimento daquela Corte, o legislador ordinário, através do inciso VII do artigo 9° do Decreto-lei n° 2.471, de 1988, determinou o cancelamento de débitos tributários constituídos exclusivamente com base em depósitos bancários. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS \=14.4•`:.--4-' PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 O Poder Executivo, na Exposição de Motivos n° 292, de 1988, que originou o DL 2.471, é bastante elucidativo em seu posicionamento: "A medida preconizada no art. 9° do projeto pretende concretizar o princípio constitucional da colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, outrossim, para o desafogo do Poder Judiciário, ao determinar o cancelamento dos processos administrativos e das correspondentes execuções fiscais em hipótese que, à luz da reiterada Jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Federal de Recursos, não são passíveis da menor perspectiva de êxito, o que, S.M.J., evita dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus de sucumbência." Este Colegiado em diversas oportunidades já se manifestou a respeito, tendo firmado pacífica jurisprudência, podendo-se citar os Acórdãos CSRF/01-1.898 e 01- 1.911, tendo por Relator o ilustre Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Reporto- me aos brilhantes fundamentos do voto em que se baseou o referido Conselheiro, a quem peço vênia para reproduzi-lo nesta assentada: "Inicialmente, cabe consignar que o Direito Tributário Brasileiro consagra o princípio da reserva legal CTN, arts. 3°, 97 e 142, de modo que descabe o lançamento de imposto com base em presunção que não seja expressamente autorizada por lei. Por outro lado, o mesmo código estabelece em seu artigo 43 que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Ora, o depósito bancário em si mesmo não é fato gerador do imposto, sendo necessário que o fisco demonstre a existência da renda auferida pelo contribuinte. A prova da aquisição de renda não declarada pelo contribuinte cabe, portanto, ao fisco, salvo quando por expressa disposição, a lei 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 impuser ao contribuinte a comprovação de um determinado fato sem o que a autoridade administrativa poderá presumir a percepção do rendimento. Neste caso, o artigo 39 do RIR/80 que autorizava o arbitramento dos rendimentos com base em sinais exteriores de riqueza. Por longo tempo, a Administração recorreu a esse dispositivo para lançar o imposto. Todavia, não raro, utilizava os depósitos bancários como prova bastante de omissão de rendimentos e não apenas como um indício a ser devidamente investigado e corroborado com outros elementos probatórios que autorizassem, em seu conjunto, a formação dessa convicção. Dessa forma, inúmeros foram os lançamentos feitos com base exclusivamente em depósitos bancários, infringindo princípios e regras do direito tributário, fato que levou o Poder Judiciário e também a jurisprudência administrativa a pronunciar-se contra o procedimento, manifestações essas que culminaram na Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, citada e transcrita ao final do relatório. Em resumo, a administração estava lançando imposto com base em presunção não autorizada em lei. E foi exatamente por reconhecer a inexistência da obrigação tributária, que autorizaria o fisco a lançar o imposto, que o Poder Executivo, valendo-se da prerrogativa constitucional de baixar decretos-leis, cancelou os débitos para com a Fazenda Nacional a esse título, através do art. 90 e seu inciso VII, do Decreto-Lei n°. 2.471, de 1/09/88, assim redigidos: "Art. 90• - Ficam cancelados, arquivando-se, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: 8 oie MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘Ns CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -g;• ; PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 VII - do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de débitos bancários." O Poder Executivo assim motivou a expedição desse dispositivo: "A medida preconizada no art. 9°. do projeto, pretende concretizar o princípio constitucional da colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, outrossim, para o desafogo do Poder Judiciário, ao determinar o cancelamento dos processos administrativos e das correspondentes execuções fiscais em hipótese que, à luz da reiterada Jurisprudência do Colendo Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Federal de Recursos, não são passíveis da menor perspectiva de êxito, o que, s.m.j., evita dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus de sucumbência." Abra-se parêntese para realçar que a vontade do legislador era por cobro a pretensões fiscais que não tinham a menor chance de sucesso, dentre elas as arbitradas com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de débitos bancários; evitar dispêndio de recursos do Tesouro Nacional, à conta de custas processuais e do ônus da sucumbência, e colaboração e harmonia dos Poderes, contribuindo, também, para o desafogo do Poder Judiciário. Resta saber, à luz das regras de interpretação da lei, se alcançou o seu objetivo, ou seja, se essa é a vontade da lei. É verdade que a lei tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente (CTN, art. 111, inciso I). Mas é ledo engano supor que, por isso, estejam afastadas as demais regras de hermenêutica e aplicação do direito, dentre as quais a interpretação teleológica. É preciso ter em vista os fins sociais a que a lei se destina (Lei de Introdução ao Código Civil, art. 5°.). E não se esquecer, tampouco, que ela deve ser interpretada dentro da sistemática em que se insere, com destaque para as normas constitucionais. 9 2 .. ;ri_ MINISTÉRIO DA FAZENDA `".R'- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 Fechando parêntese, e voltando ao pensamento interrompido, o ilustre Conselheiro KAZUKI SHIOBARA alertou, com muita propriedade, para o fato de que subjacente em todo crédito tributário está a obrigação tributária que lhe dá suporte e razão de existência. O crédito tributário tem lugar com o lançamento, tornando exigível o débito do contribuinte conseqüente da materialização da hipótese em abstrato prevista na lei tributária. De modo que, a prevalecer o entendimento de que apenas os débitos objetos de cobrança e, portanto, de lançamento estariam alcançados pelo cancelamento, a finalidade da lei estaria profundamente comprometida pelos absurdos que geraria, como exemplifica o voto vencedor. E o que é pior, configurando uma interpretação contrária a princípio da isonomia estabelecendo no inciso II do art. 150, da Constituição Federal de 1988, como limitação do poder de tributar, assim expresso: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - "omissis" II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos:" Haveria tratamento desigual entre iguais, na medida em que contribuintes na mesma situação tivessem tratamentos antagônicos em função da época do lançamento. Quem fosse alvo de lançamento anterior ao referido decreto-lei, teria o seu débito cancelado; quem sofressem lançamento após esse mandamento legal, não. Por outro lado, pergunta-se, passaria a ter mais êxito o lançamento com base nos mesmos fundamentos que o Poder Judiciário proclamava improcedentes, só pelo fato de ter sido efetuada após o referido decreto-lei? E estar-se-ia contribuindo, assim, para o desafogo do Poder Judiciário e das próprias repartições fiscais, ao se io MINISTÉRIO DA FAZENDA tN" • CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 lançar imposto sabidamente indevido? E os custos por acaso deixaram de ser desnecessários, onerando os contribuintes de um modo geral? É certo que não, pois o que se pretende é cancelar o débito que o fisco entendia existir como decorrência da presunção de omissão de rendimentos, adotada sem autorização legal, procedimento que não pode ser repetido. Digo o débito que o fisco entendia haver, porque, a rigor, nem existia, posto que a obrigação tributária tem origem na lei e na ocorrência do fato gerador nela previsto. Estando a pretensão em desacordo com o disposto no art. 43 do CTN, pois não houve percepção de disponibilidade econômica ou jurídica, nem se pode afirmar a existência desse débito. Se o próprio débito era ilícito porque a lei iria cancelar apenas os débitos lançados? No voto condutor do Acórdão n°. 101-86.129, de 22/02/94, aprovado por unanimidade, a ilustre Conselheira Mariam Seif, relatora do Recurso n°. 105-343, tratou com muito acerto essa questão, merecendo atenção especial os seguintes excertos: "Como se vê dos autos, dois dos exercícios objeto da autuação (1988 e 1989) estão alcançados pelo cancelamento estabelecido no mencionado dispositivo legal, e o terceiro, isto é, 1990, refere-se a período-base (1989) no qual inexistia autoridade legal para arbitrar-se o imposto de renda com base em depósito bancário, uma vez que tal autorização só veio a ser restabelecida em abril de 1990, com o advento da Lei n°. 8.021/90. Nem se argumente que o cancelamento só alcançou os débitos cujos lançamentos tenham ocorrido até setembro de 1989, data da edição do Decreto-lei n°. 2.471/88, pois tanto a doutrina como a jurisprudência são uníssonas no entendimento de que o lançamento tributário é de natureza declaratório: NÃO CRIA DIREITO. Assim seus efeitos retroagem à data do fato gerador. Professor RUBEN GOMES DE SOUSA, sem dúvida o maior pilar do Direito Tributário Brasileiro, no conhecido COMPÊNDIO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, consignou que as fontes da OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA são: 21; 1.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CAMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 - a lei, o fato gerador e o lançamento, os quais segundo ele correspondem às fases da: - soberania, direito objetivo e direito subjetivo, sendo obrigação nessas fases: - abstrata, concreta e individualizada, e, referindo-se a cada uma delas, vale recordar o que ele escreveu, verbis: "A Lei é a fonte da obrigação tributária no sentido de que, para que possa surgir tal obrigação em um caso concreto, é preciso que haja lei criando um tributo e definido as hipóteses em que é devido ... O fato gerador, é justamente a hipótese prevista na Lei tributária em abstrato, isto é, origem à obrigação de pagar o tributo. A função do lançamento é individualizar a obrigação prevista em abstrato pela lei e surgida em concreto com a ocorrência do fato gerador." (grifamos) Igualmente outro jurista festejado e estudioso da matéria, o Sr. AA CONTREIRAS DE CARVALHO, na obra Doutrina da Aplicação do Direito Tributário, conceitua essas três fases do tributo como: previsto, devido ou exigível." Conceituando-se, diz que se "configura a primeira hipótese, quanto, instituindo-o lhe atribui a lei existência jurídica, isto é, estabelece apenas, a sua previsão" "Dá-se a segunda, isto é, é devido o tributo, desde o momento em que ocorre o pressuposto de fato" ... "Verifica-se a terceira hipótese, quando promove a autoridade administrativa o seu lançamento e, dele dá ciência ao contribuinte, notificando-o." Do mesmo modo, também o Professor FABIO FANUCCHI, em seu "Curso de Direito Tributário Brasileiro" Ed. Resenha Tributária, S.P. , escreveu: "O lançamento, de fato constitui o crédito, mas através da declaração da existência de um direito anterior de cobrança tributária. Então, em relação ao crédito, o lançamento é constitutivo, porém, em 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 relação ao direito creditício, ele é declaratório. E é em relação ao direito, apenas, que se deve estabelecer os efeitos de um ato jurídico". Portanto, o débito já existe desde o momento da ocorrência do pressuposto fato, previsto em abstrato na lei, o lançamento acrescenta-lhe apenas o atributo da exigibilidade, isto é, todos os efeitos se reportam à ocorrência daquele pressuposto fático, que a doutrina intitula de fato gerador, como se depreende do texto do próprio Código Tributário Nacional, quanto o artigo 144 estabelece: "O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." Quer dizer, o direito da Fazenda Pública surge com a prática do ato previsto em lei para a sua ocorrência e não do ato administrativo de lançamento. Da teoria dualista adotada pelo nosso Código Tributário Nacional, retira-se uma conseqüência inafastável, que nem precisava estar expressamente regulada (mas está no transcrito art. 144): a de que a referência a débito deve entender-se a estrutura (montante, base de cálculo, alíquota, sujeito passivo, data do vencimento, conseqüências do seu inadimplernento) constante da legislação vigente à data do seu nascimento. Assim, quando o artigo 9, inciso VII, do Decreto-lei no. 2.471/88 cancela os débitos com o imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos e comprovantes bancários, ele o faz independentemente do imposto estar lançado ou não. A estrutura do imposto está configurada com a prática da infração, e qualquer anistia, cancelamento ou outro efeito dado pela lei tributária anterior atinge a todos os fatos já ocorridos, sendo irrelevantes ter havido ou ter deixado de haver lançamento do imposto correspondente a esses fatos." Salienta-se que o legislador do Decreto-lei no. 2.471/88, a exemplo do que fizera em outros diplomas legais, utilizou o termo "cancelamento" abrangendo, assim, duas figuras jurídicas: 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 a) A Remissão, prevista no CTN, nos artigos 156, IV, e 172, que extingue o crédito tributário, portanto, pressupõe a existência de um lançamento, e; b) a Anistia, prevista no mesmo CTN, nos artigos 175 e 180, que a exemplo da isenção, exclui o crédito tributário, isto é, exclui a possibilidade do próprio lançamento. Sem dúvida, em todos os casos que o legislador utiliza a expressão "cancelamento de débitos, tem querido abranger os débitos com atributo da exigibilidade (lançados) e sem esse atributo, ou seja, o que o nosso legislador conceitua como obrigação tributária e o débito não individualizado pelo lançamento." Por todo o exposto, conclui-se que o legislador, apesar da redação dada ao art. 9°. e seu inciso VII, que gerou interpretações contraditórias, não deixou de atingir os objetivos a que se propusera. Daí, ter razão o sujeito passivo quando afirmou no final de suas contra razões que "A lei ao determinar o arquivamento dos processos administrativos em andamento, contém implícita uma determinação de não abrir novos processos sobre a mesma matéria." Pelo menos, enquanto o legislador não autorizasse o arbitramento de rendimentos com base na renda presumida mediante utilização de depósitos bancários, o que somente veio a acontecer com o advento da Lei 8.021/90, nas condições nela previstas. A edição desta lei veio confirmar o entendimento de que não havia previsão legal que justificasse a incidência do imposto de renda com base em arbitramento de rendimentos sobre os valores de extratos e de comprovantes bancários, exclusivamente." Por isso, mandou cancelar os débitos, lançados ou não. Em síntese: Estão cancelados, pelo artigo 9°., inciso VII, do Decreto-lei no. 2.471/88, os débitos de imposto de renda que tenham por base a renda presumida através de arbitramento sobre os valores de extratos ou de comprovantes bancários, exclusivamente. /;" 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 Resta agora examinar a licitude da aplicação do art. 6°., parágrafo 5°., da Lei no. 8.021, de 12/04/90 (DOU 13/04/90), ao caso sob julgamento, pois, como já se disse anteriormente, embora sem se manifestar expressamente nesse sentido, o relator do acórdão guerreado deixou implícito esse juízo. E também porque a ilustre Procuradoria, em suas contra-razões (fls. 104), sem aprofundar-se no exame da questão, segue os passos do relator, por cento, pela mesma razão (fragilidade do fundamento legal invocado no lançamento para lastrear a exigência), ao asseverar que, em se tratando de lei posterior o referido dispositivo (art. 6°., parágrafo 5°., da Lei no. 8.021, de 12/04/90) tinha efeitos derrogatórios ao Decreto-lei no. 2.471/88. Concorda este relator que houve essa derrogação. Só que os seus efeitos são "ex nunc" ( de agora). Na verdade, nem a referida lei teve pretensão contrária, posto que, em seu artigo 12, declara entrar em vigor na data da sua publicação, o que ocorreu em 13/04/90. Ora, como já se disse anteriormente, não foi provada pelo fisco a existência de renda a tributar. E, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, a percepção de disponibilidade econômica ou jurídica é essencial à cobrança do imposto de renda, seu fato gerador, e não havia previsão legal para que o rendimento fosse considerado presumido. Somente após o advento da Lei no. 8.021/90, através de seu art. 6°. e parágrafos, é que foi legalmente autorizada a tributação com base na renda presumida, mediante sinais exteriores de riqueza, através de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessa operação. O emprego dessa presunção legal, enseja em relação ao tratamento anterior, aumento da carga tributária. Em sendo assim, essa lei somente produz efeitos sobre ao fatos geradores ocorridos a partir de primeiro de janeiro de 1991, por força de vedação inserta no artigo 150, inciso III, "a", da Constituição Federal de 1988, que tem o seguinte teor; "Art. 150 - Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, Estados, Distrito Federal e aos Municípios (grifei). 15 -9, MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS .":44=-,:c:f.' PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 I - "omissis" III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado." (grifei). O Código Tributário Nacional, complementa essa norma constitucional, ao dispor: "Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: I - que instituem ou majoram tais impostos;" "Art. 105 - A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do art. 116." "Art. 144. O lançamento reporta-se à data do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada." A Súmula n° 584, do Supremo Tribunal Federal, foi erigida sobre legislação que considerava a renda auferida no ano-base tão-somente um "padrão de estimativa" da renda ganha no exercício financeiro, ao passo que, com o Código Tributário Nacional, a renda auferida no período-base passou a ser o próprio fato gerador do tributo. Nesse sentido, esclarece José Luiz Bulhões Pedreira, em sua consagrada obra Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, Justec- Editora Ltda., 1979, pág. 110: "Antes do CTN, o regime legal do imposto anual das pessoas jurídicas e físicas baseava-se na idéia de que os contribuintes eram tributados, em cada exercício financeiro da União pela renda ganha no 16 // MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIME IRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 próprio exercício da tributação; e, para poder cobrar o imposto em função da renda do exercício em curso, a lei presumia que o contribuinte auferia, em cada exercício financeiro, renda em montante igual à percebia no ano anterior. Daí a noção de ano-base do imposto. A renda ganha no ano anterior não era um fato gerador nem base de cálculo (segundo os conceitos do CTN), mas base para estimativa da renda que a lei presumia como ganha no exercício em que o imposto era devido. Essa noção foi expressamente enunciada no art. 42 do RIR de 1926 (Dec. 17.390, de 26.7.1926): (o grifo não é do original). O imposto devido em um exercício será calculado tomando- se por base de avaliação rendimentos ou renda global no ano anterior, supostos iguais aos do exercício em que tiver de ser feito o lançamento." Coerente com esse princípio, a lei não tributava a renda auferida pelas pessoas físicas no ano em que transferiam residência para o exterior nem o lucro das pessoas jurídicas no ano da extinção. Além disso, até 1939 o imposto das companhias tinha como "base de avaliação" o lucro apurado em balanço encerrado até 30 de junho do mesmo exercício financeiro em que o imposto era devido. 7. Legislação aplicável no Lançamento do Crédito Tributário. - A definição de fato gerador do imposto adotada pelo CTN tornou insustentável a idéia original de que a renda auferida no ano-base é apenas "padrão de estimativa" da renda ganha no exercício ...". Esses ensinamentos foram acolhidos pela nossa Jurisprudência, como se verifica da decisão unânime da 5a• Turma do Tribunal Federal de Recursos, Ap. 82.686-PR, D.J.U. de 3/05/84. Portanto, a referida lei (Lei n°. 8.021/90), que fundamenta o lançamento do imposto exigido e questionado, por força do dispositivo constitucional e da lei complementar, somente passou a ter eficácia, para efeito de majoração do tributo, no exercício financeiro da União iniciado em 1° de janeiro de 1991, alcançando o exercício social das empresas principiado nessa data. Em outras palavras, alcançando os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/91, nos termos do artigo 144 do Código Tributário Nacional. 2:2 17 „ 4i le , .04 MINISTÉRIO DA FAZENDA''17 • . , ,, \,---1,-:n :1- CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n°. : 10120.000372/90-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.391 Em resumo: A lei tributária que torna mais gravosa a tributação somente entra em vigor e tem eficácia, a partir do exercício financeiro seguinte àquele em que for publicada. O § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021, de 12/04/90 (D.O. de 13/04/90), por ensejar aumento de imposto, não tem aplicação ao ano-base do 1990.” Em face do exposto, voto no sentido de se prover o recurso especial, cancelando-se o lançamento, com base no artigo 9°, inciso VII, do Decreto-lei n° 2.471, de 1988, uma vez constituído com base exclusivamente em extratos de depósitos bancários, não tendo sido provado os efetivos gastos do contribuinte que pudessem evidenciar sinais exteriores de riqueza.. É o meu voto. Brasília - DF, em 16 de março de 1998 oi----' LE A MAR A SCHERRER LEITÃO 18 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10920.000436/2008-36
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/10/2005
DECADÊNCIA
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, e à multa moratória prevista no artigo 35 da mesma Lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar erro material relativo ao período decadencial. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as competências anteriores a janeiro de 2003, pela decadência exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Presidente Substituta da Turma
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Adriana Sato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/10/2005 DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, e à multa moratória prevista no artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Provido em Parte
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JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, e à multa moratória prevista no artigo 35 da mesma Lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar erro material relativo ao período decadencial. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as competências anteriores a janeiro de 2003, pela decadência exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi Presidente Substituta da Turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 36 /2 00 8- 36 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Adriana Sato. Relatório Período de apuração: 01/05/1999 a 31/10/2005 Data da lavratura da NFLD: 30/01/2008. Data da Ciência da NFLD: 30/01/2008. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cuja ciência do recorrente ocorreu em 30/01/2008 (fls.01). De acordo com o Relatório Fiscal de fls.47/48, a presente NFLD trata de contribuições devidas: à Seguridade Social, não recolhidas a Secretaria da Receita Federal do Brasil, correspondentes à contribuições retidas dos segurados empregados e Contribuintes Individuais, na Folha de Pagamento e declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. A presente Notificação referese ao período de 05/1999; 05/2000 a 07/2000; 10/2000 a 13/2000; 09/2001; 02/2002 a 04/2002; 09/2002; 10/2002; 04/2003; 05/2003; 11/2003 a 13/2003; 02/2004 a 06/2004; 09/2004; 1012004 è'4212004 a 10/2005. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as retenções para a Previdência Social das remunerações pagas aos segurados empregados e Contribuintes Individuais, discriminadas nas Folhas de Pagamento declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, cujos valores encontramse no Relatório de Lançamentos, no levantamento "FG — FOLHA PAGTO DECLARADA EM GFIP". Os documentos examinados foram os seguintes: Folha de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, Rescisão de Contrato de Trabalho, Recibos de Pagamento e Guia da Previdência Social. As importâncias pagas a título de salário família, na conformidade da lei, foram deduzidas das contribuições apuradas, cujos valores encontramse no Discriminativo Analítico de Débito DAD. O recorrente apresentou impugnação e a 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Florianópolis julgou o lançamento procedente. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.000436/200836 Acórdão n.º 2302002.573 S2‐C3T2 Fl. 204 3 Inconformado o recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese: inconstitucionalidade da Selic; Multa confiscatória. Na sessão de julgamento realizada em 17 de outubro de 2012, esta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, no termos do Acórdão n° 230202.151 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de outubro de 2012, a fls. 185/189. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, a fls. 194/200, em face do Acórdão n° 230202.151 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 17 de outubro de 2012, ao fundamento de existência de contradição entre o seu Dispositivo e a sua Conclusão. Os embargos acima referidos foram acolhidos em parte, exclusivamente para que se promovesse a devida correção do erro por inexatidão material de que padecia a Decisão Embargada, nos exatos termos propostos no Despacho 230200.037 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 24/06/2013, a fls. 199/202. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo à análise das questões suscitadas. No que tange à decadência, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro Subscritor de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.000436/200836 Acórdão n.º 2302002.573 S2‐C3T2 Fl. 205 5 Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. De fato, o lançamento tributário aviado na NFLD ora em julgamento foi levado à ciência do Sujeito Passivo em 30 de janeiro de 2008, conforme consignado na folha de rosto da NFLD a fl. 01 dos autos. A questão referente ao regime jurídico atávico à decadência pode ser examinada segundo duas teses predominantes: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 a) Pelo art. 173, I do CTN, o lançamento em questão alcançaria com a mesma eficácia constitutiva todos os fatos geradores ocorridos a contar da competência dezembro/2002, inclusive. b) Pelo art. 150, §4º do CTN, o lançamento em questão alcançaria com a mesma eficácia constitutiva todos os fatos geradores ocorridos a contar da competência janeiro/2003, inclusive. Como visto, a incidência da norma jurídica assentada em um ou em outro dispositivo legal fará diferença, tão somente, em relação aos fatos geradores ocorridos na competência dezembro/2002. Para as demais competências, será irrelevante. Segundo o entendimento dominante nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, a sujeição ao regime inscrito no art. 150, §4º ou no art. 173, I, ambos do CTN depende, visceralmente, da existência ou não de recolhimentos antecipados relativos à competência dezembro/2002. De fato, compulsando os autos, verificamos que o Relatório de Documentos Apresentados RDA, a fls. 21/24, registra a ocorrência de recolhimento antecipado de contribuições previdenciárias, referente à competência dezembro/2002, realizado mediante GPS, código 2100, em 15/01/2003, assim como em diversas outras competências do período de apuração. A verificação da existência de recolhimento antecipado na competência dezembro/2002 importa, de acordo com o entendimento majoritário esposado pela Turma, na sujeição ao regime jurídico encartado no §4º do art. 150 do CTN, sendo vencido nessa questão este Conselheiro Subscritor. No que se refere à ilegalidade na aplicação da multa por ser confiscatória, contrariando o disposto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, temse que a multa em apreço está prevista nos artigos 3º e 4º da Lei nº 8.620/93 e no art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. As multas moratórias são simples reposições de prejuízos causados ao erário público e decorrem de atrasos no cumprimento da obrigação tributária, sendo de caráter irrelevável. A fase contenciosa administrativa não se configura como o forum competente para discussões acerca da constitucionalidade ou inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, na medida em que já nascem com presunção de constitucionalidade, somente elidida pelo Poder Judiciário. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10920.000436/200836 Acórdão n.º 2302002.573 S2‐C3T2 Fl. 206 7 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a janeiro/2003, exclusive, em atenção ao preceito inscrito no §4º do art. 150 do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10467.901201/2009-49
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: Alexandre Kern
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 12 01 /2 00 9- 49 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por A LEXANDRE KERN 2 PARAUTO DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA. transmitiu, em 13/10/2006, a Declaração de Compensação (DComp) nº 25253.87495.131006.1.3.044268, por meio da qual pretendeu extinguir débitos próprios pela via da sua compensação com crédito de Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$ 4.790,81. A DRF/João Pessoa não homologou a compensação porque, nos termos do Decisório eletrônico nº de Rastreamento 831242162, o DARF informado na DComp foi encontrado nos sistemas informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante afirmou ter o direito à redução de alíquota de incidência da Cofins prevista na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, em seu art. 3º, §2º, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista com as vendas dos produtos de que trata o seu inciso I. Aduziu que, em levantamento efetuado nas suas saídas de mercadorias verificou que, no ano calendário 2003, pagou a contribuições, apurandoas com base na alíquota de 3% sobre receita bruta mensal, sem considerar a redução a que tem direito. Informou ainda que retificou a sua DIPJ 2004, do ano calendário de 2003, e a DCTF respectiva. A DRJ/REC2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob o fundamento de inexistirem provas nos autos do direito creditório invocado. O Acórdão nº 11034.960, de 26 de setembro de 2011, fls. 26 de setembro de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 43 a 64, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre a Súmula Vinculante STF nº 8 para requerer a anulação de qualquer débito a anulação da cobrança de todos os débitos vinculados ao presente processo, posto que já teriam decaído. No mérito, retoma a explicação sobre a gênese do indébito: redução a zero da alíquota de incidência das contribuições sociais sobre a receita bruta decorrente da venda das dos produtos Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10467.901201/200949 Acórdão n.º 3803003.354 S3TE03 Fl. 67 3 relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Invoca diversas solução de consulta da Receita Federal que corroborariam o direito à apuração das contribuições sociais, empregando a alíquota zero. Disserta sobre o instituto da compensação tributária, referindo os arts. 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN e 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 e jurisprudência do STJ. Pede que se releve a necessidade de formalismos exacerbados. Aduz que “...toda a prova fornecida foi sobejamente suficiente para comprovar a presença do direito à compensação...” Pede provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 64 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC2ª Turma nº 11034.960, de 26 de setembro de 2011. Preliminarmente, não se conhecerá da argüição de decadência do direito de constituição de crédito posto que disso não trata a matéria vertente no presente processo. Incidentalmente, lembro ao recorrente que, nos termos da Súmula STJ nº 436, “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.” Assim, se algum prazo corre contra a Fazenda Pública, este não será o do § 4º do art. 150, nem o do inc. I do art. 173, todos do CTN. No mérito, como já bem frisado na decisão recorrida, para refutar a conclusão atingida pelo Despacho Decisório nº 831242162, o interessado limitouse a dizerse enquadrado na hipótese prevista no §2º do art. 3º da Lei nº 10.485, de 2002, a qual dispõe sobre incidência da Cofins com alíquota zero relativamente à receita bruta auferida por comerciante varejista de peças para veículos. È verdade que, além da alegação, providenciou a juntada de DCTF retificadora e da folha inicial da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2003. Tais argumentos e provas juntadas, todavia, não evidenciam o direito ao pretendido indébito. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por A LEXANDRE KERN 4 "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10467.901201/200949 Acórdão n.º 3803003.354 S3TE03 Fl. 68 5 escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da Cofins do período de apuração de interesse (01/12/2003 a 31/12/2003) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e na DIPJ retificadora, de caráter meramente informativo. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Nada a reparar na decisão recorrida. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2012 Alexandre Kern Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10120.001888/2002-65
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/08/1997
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE RECOLHIMENTO
Reclassificação fiscal de mercadorias. O Fisco tem o direito/dever de efetuar a correta reclassificação fiscal das mercadorias importadas.
Na aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, comprova-se o acerto da reclassificação efetuada pela fiscalização.
Não havendo recurso sobre o IPI na importação, o mesmo fundamento do julgamento do II aplica-se ao IPI.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF)
Participaram do presente julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria Regina Godinho de Carvalho, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Cláudio Farina Ventrilo. Ausentes os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/08/1997 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE RECOLHIMENTO Reclassificação fiscal de mercadorias. O Fisco tem o direito/dever de efetuar a correta reclassificação fiscal das mercadorias importadas. Na aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, comprovase o acerto da reclassificação efetuada pela fiscalização. Não havendo recurso sobre o IPI na importação, o mesmo fundamento do julgamento do II aplicase ao IPI. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 18 88 /2 00 2- 65 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Maria Regina Godinho de Carvalho, Maria de Fátima Oliveira Silva, Adélcio Salvalágio, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Cláudio Farina Ventrilo. Ausentes os conselheiros José Fernandes do Nascimento e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. Relatório Preliminarmente, ressalto que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado como redator ad hoc (fls. 132/133), para formalização do respectivo Acórdão, considerando a inexistência de relatório ou de qualquer outra memória concernente ao julgamento em tela. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ de Fortaleza – CE (fls. 73/82, do processo eletrônico), que por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedentes os lançamentos, conforme formalizados às fls. 02/12, mantendose o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fls.01/05 e 06/10, respectivamente, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado nos valores totais de R$ 7.203,00 e RS 2.007,67, inclusive encargos legais e multa proporcional. As infrações apuradas pela fiscalização e relatadas na Descriçao dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02/03 (II) e 07/10 (IPI), foram, em síntese, as seguintes: SIMPLES DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA O autuado importou diversas espécies de mercadorias através da Declaração de Importação (DI) n° 97/06770577, registrada no dia 01/08/1997, a qual possui somente adição, cuja classificação tarifária NCM adotada foi o subitem 8409.10.00, cujas quotas do Imposto de Importação (II) e do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) à época eram zero (0%) e cinco (5%) por cento, respectivamente. O importador considerou que todas as mercadorias descritas na adição mencionada classificavamse naquela posição, pois seriam partes de motores para aviação. Ocorre que alguns dos produtos descritos na DI e que tiveram outras de suas características esclarecidas pelo importador em resposta a intimação por nós efetuada têm classificação específica em itens NCM diversos, em decorrência do que determina o item 3a das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado ("A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas"), o que implica alíquotas do II e do IPI diferentes da utilizada pelo importador. Dos produtos acobertados pela DI, os seguintes possuem classificações tarifarias distintas da utilizada na DI (descrição do produto, classificação, alíquota do II, alíquota do IPI): Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10120.001888/200265 Acórdão n.º 3802000.121 S3TE02 Fl. 135 3 1) Anel de vedação e junta, 4016.93.00, 16%, 0%; 2) Parafuso e pino, 731',8.`15.00, 16%, 0%; 3) Mola Helicoidal, 7320Í20.90, 16%, 15%; 4) Porca, 7318.16.00, 16%,10%; 5) Rolamento, 8482.10.90, 16%, 12%; 6) Eixo e engrenagem, 8483.40.90, 17%, 12%; 7) Válvula, 8409.91.14, 16%, 5%. Obs.: as alíquotas acima referidas eram as vigentes na data de registro da DI (alíquotas do II: Decretos n° 1.767/95 e n° 1.848/96 ; alíquotas do IPI: Decreto n° 2.092/96). Há de se informar como foi calculada a base de cálculo do II (valor aduaneiro),estoque ela resulta da soma do valor da mercadoria, frete internacional e seguro. Como este último item inexiste na DI e o valor da mercadoria é obtido diretamente da adição, resta saber como foi feito o cálculo do frete relativo a cada produto. Como não há forma direta de se obter este valor, buscouse uma forma alternativa determinálo sem trazer prejuízos ao contribuinte. O art.97 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, determina que o cálculo do valor do frete correspondente a cada adição será feito tomandose por base o peso líquido de cada uma como há somente uma adição, tentou se determinar o peso líquido de cada produto afim de aplicar, por analogia ao caso em tela o disposto no art. 97 retrocitado, pois produtos com classificação fiscal distinta devem ser informados em adições distintas (IN/SRF n° 69/96 e seus anexos). Para tanto, o contribuinte foi intimado a informar o peso líquido de cada produto acobertado pela Dl em tela. Como o contribuinte atendeu esta intimação e nos informou 0 peso líquido dos produtos, bastou aplicar a regra já citada (Planilha de Apoio). Destarte, obtido o frete relativo aos produtos de cada classificação fiscal somouse a este o valor da mercadoria, obtendose, assim, o valor aduaneiro, que é a e de cálculo do II. IMPOSTO DE 1MPORRTAÇÃ0(II) Assim, este auto de infração constitui o crédito tributário decorrente da aplicação das alíquotas do II acima especificadas sobre o valor aduaneiro de cada uma das mercadorias, mais multa (20% ADN/COSIT n° 10/97) e juros de mora, conforme demonstrativos em anexo. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ANO/DI/ADIÇAO Valor Tributável II 97/06770577/001 R$1.871,64 97/06770577/001 R$1 1.579,42 97/06770577/001 R$1.259,02 97/06770577/001 R$138,29 97/06770577/001 ' R$187,18 97/06770577/001 z R$2.116,11 97/06770577/001 R$3.133,31 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 1°, 77, inciso I, 80, inciso I, alínea "a", 83, 86, 87, inciso I, 89, inciso II, 99, 100, caput e parágrafo único, 103, 111, 112, 411 a 413, 416, 418, 455, 456, 499, 500, incisos I e IV, S01, inciso III, 542, do RA, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. ' Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado: Decreto n° 1.767/95 e Decreto n° 97.409/88. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS(IPI) Como houve recolhimento de IPI na DI, o valor deste imposto foi rateado proporcionalmente ao valor aduaneiro de cada uma das mercadorias aqui relacionadas, produzindo a parcela de IPI já paga pelo contribuinte. Como alguns destes produtos possuem alíquota do IPI igual a zero, _o valor já pago deste foi deduzido do valor a pagar dos eixos e engrenagens, de forma a não ser prejudicar o autuado. Assim, este auto de infração constitui o crédito tributário decorrente da aplicação das alíquotas do IPI acima especificadas sobre a base de cálculo do IPI de cada uma das mercadorias, mais multa (20% ADN/COSIT n' 10/97) e juros de mora, conforme demonstrativos em anexo. ANO/DI/ADIÇÃQ valor Tributável IPI 97/06770577/001 R$2.171,10 97/06770577/001 R$13.547,92 97/06770577/001 R$1.460,46 97/06770577/001 R$160,41 97/06770577/001 R$217,12 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 2 O , 15, 16, 17, 20, inciso I, 23, inciso I, 28, 32, inciso I, 109, 110, inciso I, alínea “a” e inciso II, alínea “a”, 111, parágrafo único, inciso II, 112, inciso III, 114, 117, 118, inciso I, alínea 'a', 183, inciso I, 185, inciso I, 438 e 439, do RIPI/98, aprovado pelo Decreto n° 2.367/98. Inconformado com a autuação acima descrita, cuja ciência ocorreu em 07/05/2002 (fls. 31), o contribuinte, através de seus Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10120.001888/200265 Acórdão n.º 3802000.121 S3TE02 Fl. 136 5 representantes legais, em 06/06/2002, apresenta impugnação (fls. 34/35), alegando o seguinte: “(...) 02 O Autor Fiscal alega que as mercadorias importadas através da Declaração de importação (DI) n° 97/06770577, registrada no dia O1 de agosto de 1.997, possui alguns produtos com classificação tarifária NCM e NBM diferentes da constante na Declaração de Importação, ou seja, diferentes das NCM 8409.10.00 e NBM 8409.10.00 que se refere aos seguintes produtos: partes de motores para aviação. 03 Isso não é verdade, pois todas as mercadorias constantes na referida DI são realmente partes de motores para aviação a serem utilizadas exclusivamente na manutenção de aeronaves. E de conformidade com o Decreto n° 2.092 de 10.12.1996, capítulo 84, o código da NCM específico para esses produtos é 8409.10.00 conforme V.Sas. poderão comprovar com a cópia anexa do referido capítulo. '. 04 O Auditor Fiscal alega também: nos Autos que, o motivo que o levou a considerar que alguns produtos descritos na DI teria classificação tarifária específica, ou seja, diferentes da informada na DI, foi a observância do que determina o subitem 3 “a” das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (“A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”). 05 Isso também não é verdade, pois todos os produtos descritos na DI, como já foi dito no item 03, todas as mercadorias importadas são realmente partes de motores para aviação. E esses produtos constam claramente de forma específica na NCM 8409.10.00, não deixando nenhuma dúvida de que os mesmos possam ser interpretados de forma genérica. Portanto não há outra posição mais específica que possa prevalecer sobre a que foi declarada, pois o fim a que se destina tais peças é a sua utilização em aeronaves. 06 Informamos ainda que a atividade exclusiva de nossa empresa é a manutenção e reposição de peças em aeronaves, conforme V.S.as. podem comprovar com as cópias de nosso contrato social e CNPJ. 07 Portanto, como ficou comprovado e esclarecido que não houve nenhuma Divergência de Classificação de Mercadoria, consequentemente não há nenhuma Reconstituição da Base de Cálculo, pois as alíquotas do II (imposto de importação) e IPI (imposto sobre Produtos Industrializados) desses produtos é a constante na DI, não havendo então, nenhuma diferença de impostos apurada na presente operação. 08 Segue anexo cópias: Declaração de Importação; capítulo 84, pag. 378 do Decreto 2092/96; CNPJ; Contrato Social e Autos de Infração constantes no referido processo. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram conhecidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/08/1997 REVISÃO DE OFÍCIO. Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu poder/dever, deve proceder a revisão de oficio e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião do registro da declaração de importação e do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. A exigência de tributos por iniciativa do fisco, mediante lançamento de ofício, em virtude de simples divergência de classificação fiscal nos documentos de importação, torna aplicável a multa de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/08/1997 IPI NA IMPORTAÇÃO. Não havendo impugnação especifica relativamente a esse imposto as mesmas fundamentações postas no julgamento do II aplicamse mutatis mutandis ao lançamento do IPI. Lançamento Procedente Cientificada da referida decisão em 21/02/2008 (fl. 88), a Recorrente, tempestivamente, conforme despacho da unidade de origem de fls. 129/130, apresentou o recurso voluntário de fls. 92/94, com as alegações abaixo transcritas: que a decisão recorrida mantém o lançamento sob o argumento de que alguns itens da Declaração de Importação não se enquadram nos casos de isenção, haja vista que a classificação tarifária NCM adotada (8803.10.00) não estaria correta; sustenta a decisão que as peças não são destinadas exclusivamente ao reparo de aeronaves, portanto, deveriam estar classificadas diversamente, com incidência do referido imposto, e ressalta que o artigo 2º, letra “j” da Lei 8.032/90, define os casos de isenção; que a legislação que regula o benefício exige que as peças sejam destinadas exclusivamente ao reparo de aeronaves e este e o ponto a ser esclarecido e que para fazer jus ao favor legal, o contribuinte deve comprovar as características e função de cada item vergastado; segundo o relatório técnico anexo, todos os itens têm destinação exclusiva ao reparo de aeronaves, não sendo possível sua aplicação em equipamento, que comprova o alegado, inclusive, com especificações do fabricante, que indica a exclusividade; aduz que não restam dúvidas quanto ao direito da isenção, que, segundo a legislação, deve estar comprovada a destinação. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10120.001888/200265 Acórdão n.º 3802000.121 S3TE02 Fl. 137 7 Ao final, conclui, solicitando a reforma da decisão de primeira instância, requerendo a improcedência da autuação e o cancelamento do lançamento. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fls. 132/133), uma vez que a conselheira relatora, Maria de Fátima Oliveira Silva, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. 1) Admissibilidade do recurso O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão pela qual, dele conheço. Verificase que no caso, não possui questões preliminares a ser analisadas. 2) Do mérito O litígio referese ao fato de que, foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fls. 02/07 e 08/12, respectivamente, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado. As infrações apuradas pela fiscalização e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (II e IPI – AI de fls. 02/12), foram, em síntese, as seguintes: Simples divergência de Classificação de Mercadoria e Reconstituição da Base de Cálculo, uma vez que o Recorrente importou diversas espécies de mercadorias através da Declaração de Importação (DI) n° 97/06770577, registrada no dia 01/08/1997, a qual possui somente adição, cuja classificação tarifária NCM adotada foi o subitem 8409.10.00, cujas alíquotas do Imposto de Importação (II) e do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) à época eram zero (0%) e cinco (5%) por cento, respectivamente. No caso, foram importadas diversas mercadorias, que o recorrente alega ser de peças de reposição destinada a aeronaves, que estão relacionadas no Termo de Intimação (fl. 31), que o recorrente declarou ter alíquota 0%. Porém, ocorre que a fiscalização verificou que tais mercadorias importadas, possuem alíquotas em percentuais diferenciados, conforme pode ser verificado no demonstrativo de fl. 75. Notese que, tendo sido regularmente intimado, o recorrente apresentou em seu documento, o peso de cada produto importado, servindo de base para obtenção do valor aduaneiro para o perfeito cálculo do I.I (fls. 31 e 32). Em seu sintético recurso voluntário (fls. 92/94) a recorrente apenas diz que as peças tem destinação “exclusiva ao reparo de aeronaves” devendo, portanto, ser isentas. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Como se sabe, a Lei 8.032/90 delimita a possibilidade de isenção e redução do I.I para partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações, não definindo somente “casos de isenção”, como assevera o recorrente às fl. 93. A autoridade a quo, indeferiu às fls.73/82, a solicitação da Recorrente, lastreado em dois fundamentos: a) que está correta a reclassificação fiscal dos bens importados, apontado pelo fisco, e b) em não havendo impugnação específica relativa ao IPI as mesmas fundamentações do II são aplicadas. E por muito bem demonstrar e fundamentar os fatos, destacamos abaixo, trecho da decisão recorrida: (...) Resta plenamente demonstrado, portanto, que a destinação específica dos produtos é irrelevante para determinar as respectivas classificações fiscais nas Tabelas de Incidência do imposto. A defesa em sua argumentação ignorou a existência das notas de seção e de capítulo. Caso prevalecesse o equivocado entendimento do impugnante, seria inútil a existência de uma posição própria ou específica para os produtos apontados no auto de infração, pois aquelas peças tanto poderiam classificarse como partes de motores para aviação, partes de máquinas para tecelagem, partes de automóveis de passeio, partes de navios, partes de locomotivas e vagões ferroviários e de turbinas hidrelétricas e etc., o que não se coaduna com o objetivo de padronização que norteou a criação do Sistema Harmonizado. Neste ponto, vale esclarecer que em momento algum a fiscalização contestou o fato de os produtos apontados no auto de infração serem destinados exclusivamente à motores para aviação, como utilizados pelo impugnante, pelo contrário, aquela destinação é óbvia; o fato relevante e que deve ser ressaltado é que aquela destinação não é critério determinante para decidir a classificação fiscal. Assim, pela aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, comprovase o acerto da reclassificação efetuada pela fiscalização (g.n). Analisando o recurso voluntário endereçado a este egrégio Conselho (fls. 92/94), notase que o recorrente diz que os produtos importados eram genericamente destinados ao reparo de aeronaves, citando a legislação específica e anexando os catálogos técnicos (manual de manutenção, no idioma inglês). Contudo, não assiste razão à recorrente, pois foram importados mercadorias descritas às fls.75, que estão sujeitas à alíquotas específicas do II, conforme ficou bem detalhado pelo fisco e pela decisão recorrida. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10120.001888/200265 Acórdão n.º 3802000.121 S3TE02 Fl. 138 9 Observo que a própria recorrente em suas razões recursais, anexou aos autos os catálogos técnicos das peças (manual de manutenção, em inglês – fls. 96/128), no entanto deixou de juntar provas, como os laudos técnicos respectivos, que corrobore suas alegações de que tais peças eram exclusivas para reparo de aeronaves. Desta forma, como bem asseverado pela decisão a quo, temos que pela aplicação da Regra Geral de Interpretação n° 1, comprovase o acerto da reclassificação efetuada pela fiscalização, conforme demonstrativo de fl. 78. Neste sentido, comprovase o impedimento a embasar a não restituição do II. Por final, em face da correlação do Imposto de Importação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, bem como, não tendo o recorrente apresentado quaisquer alegações específicas quanto ao citado tributo, mantémse a exigência fiscal referente ao IPI. Conclusão Posto isto, no mérito propriamente dito, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO, confirmando a decisão de primeira instância administrativa e considerar procedente o lançamento de fls. 02/12. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc Fl. 142DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10675.003562/2002-04
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA
Consoante confirmado pelo e. STJ no julgamento do recurso especial 973.733, a contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação de que cuida o art. 150 do CTN rege-se pela disposição do art. 173 quando ausente o recolhimento do tributo ou contribuição.
Numero da decisão: 9303-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 08/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarou-se impedida.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
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DECADÊNCIA Consoante confirmado pelo e. STJ no julgamento do recurso especial 973.733, a contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação de que cuida o art. 150 do CTN regese pela disposição do art. 173 quando ausente o recolhimento do tributo ou contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 35 62 /2 00 2- 04 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann declarouse impedida. Relatório A sociedade empresária acima qualificada foi autuada pela SRF, em 2002, com respeito à COFINS não declarada nem recolhida no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2000 sobre as “outras receitas” não provenientes da venda de bens ou prestação de serviços. O lançamento foi realizado para prevenir a decadência em face de ação judicial em que a sociedade questiona a constitucionalidade do chamado alargamento da base de cálculo. Na ação fora inicialmente deferida liminar suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual no lançamento efetuado não se incluiu a multa de ofício. Por ocasião do julgamento da impugnação apresentada, a DRJ constatou que a liminar fora cassada por sentença proferida antes da lavratura do auto de infração, o que levaria à inexistência de causa impeditiva à exigência da multa de ofício. Em vista disso, determinou diligência à DRF para verificação daquela circunstância e eventual lavratura de auto de infração complementar, o que foi feito, tendo sido dada ciência à autuada já em 25 de fevereiro de 2005. Como conseqüência, vem a autuada se defendendo, desde a nova impugnação apresentada contra o agravamento, no sentido de se ter operado a decadência com respeito à multa lançada, contado o prazo pelo artigo 150, § 4º do CTN. Nos julgamentos de primeiro e segundo graus entendeuse que o prazo seria aquele definido para o tributo, o qual se defendeu ser o previsto no art. 45 da Lei 8.212/91 e que se operara, quanto ao principal, a renúncia à instância administrativa em virtude da ação judicial impetrada. É contra esse entendimento que se volta o recurso em julgamento por este colegiado, no qual se reitera a necessidade de contagem do prazo decadencial na forma definida no art. 150, § 4º do CTN, independentemente da verificação da existência ou não de pagamentos. Também se postula o reconhecimento da improcedência da autuação em vista do trânsito em julgado da decisão favorável proferida na ação impetrada; subsidiariamente, que, em cumprimento daquela decisão, se determine a verificação dos valores lançados para deles extrair o que foi expurgado por aquela decisão. Como comprovação da divergência, apontou a recorrente o acórdão 101 138.386 em que a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 26 de março de 2007, afastou a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/91 à COFINS e entendeu serlhe aplicável, com exclusividade, o art. 150, § 4º do CTN. Em tempestivas contrarazões, a Fazenda Nacional reconhece a inaplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91 em face da edição da Súmula Vinculante nº 08 do STF, mas pede, quanto à decadência, a observância do art. 173 do CTN porque, em seu entender, não teriam ocorrido recolhimentos da contribuição. Isso faz com que todo o lançamento esteja hígido. Apesar dessa peremptória afirmação da Fazenda Nacional, encontramse nos autos comprovantes de recolhimento da contribuição quanto aos meses de maio a novembro de Fl. 416DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10675.003562/200204 Acórdão n.º 9303002.307 CSRFT3 Fl. 7 3 1999 (fls. 124/127), bem como a informação de que fora feita compensação dos débitos relativos aos meses de março e abril daquele ano, que veio acompanhada de cópias de pedidos de perdimento e compensação (fls. 128/131). Nenhuma informação consta quanto aos meses de fevereiro de 1999 e dezembro de 1999. No demais, postula a Fazenda a continuidade do reconhecimento da renúncia à instância administrativa mesmo já tendo havido o trânsito em julgado da decisão favorável. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Entendo que o recurso foi bem admitido na medida em que efetivamente comprovada a divergência. Assim penso porque as decisões entenderam aplicável a lançamento de multa o mesmo prazo decadencial previsto para o tributo, de sorte que a comprovação de que a este apenas se aplicaria o art. 150 do CTN basta. Dele conheço. Aceita essa premissa, o que temos de dirimir é tãosomente se o prazo é sempre contado a partir do fato gerador, como quer a recorrente, ou se este é aplicável apenas quando há recolhimentos. E essa definição já está dada hoje em razão da necessidade de observância das decisões proferidas pelos tribunais superiores na sistemática do art. 543B e 543C do CTN, na medida em que o STJ já definiu que é o segundo entendimento o correto. Tratase do julgamento do recurso especial nº 973.733, em que o relator, Ministro Luiz Fux, assim se pronunciou: “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente a contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” Destarte, afastado o art. 45 da Lei 8.212/91, devese aplicar ao caso o art. 150 relativamente aos meses em que, comprovadamente, houve o recolhimento, ainda que parcial, da exação. Como dito no relatório, há comprovação nos autos de que tal se deu com respeito aos meses de maio a novembro de 1999, o que determina o fim do prazo fatal à Fazenda em maio a novembro de 2004. E como a ciência do lançamento da multa relativa a tais meses somente ocorreu em fevereiro de 2005, estava já decaído o direito da Fazenda nessa ocasião. Devese dar provimento ao recurso do contribuinte quanto a eles, e é nesse sentido que encaminho o meu voto. No que tange, porém, aos demais meses incluídos no lançamento, voto pela rejeição do recurso. É que, com respeito aos meses de fevereiro e dezembro de 1999, e todos do ano de 2000, como disse, não prestou o contribuinte qualquer informação à fiscalização, seja sobre a existência de recolhimento ou mesmo de compensação. Já no concernente aos meses de março e abril de 1999, em que, comprovadamente, a empresa postulou administrativamente a compensação dos valores que ela reconhecia como corretos com direito creditório oriundo do IPI, considero que a compensação não equivale ao pagamento exigido pelo art. 150 do CTN para início da contagem do prazo decadencial. Assim penso por força da natureza completamente distinta que ostenta a “comunicação” promovida no caso de compensação daquela que é própria da comunicação prevista no art. 150. Em primeiro lugar, nesta última comunicase a efetiva transferência ao sujeito ativo de recursos financeiros (numerário) plenamente livres para utilização por este último. Em segundo lugar, dadas as disposições do artigo, permitem ao sujeito ativo pressupor que o sujeito passivo realizou as etapas anteriores de apuração do montante a recolher e, portanto, que aquele é o montante que o sujeito passivo considera devido naquele período de apuração. Nenhuma dessas duas características é partilhada pela Dcomp. Nesta o que se “transfere” é um suposto direito creditório cujas liquidez e certeza ainda precisam ser apuradas em procedimento próprio que demanda tempo. Ademais, nada indica que aquele seja o montante que o sujeito passivo considera devido no período de apuração respectivo. Com efeito, não há obrigatoriedade de compensar o total devido no mês, sendo, ao contrário, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10675.003562/200204 Acórdão n.º 9303002.307 CSRFT3 Fl. 8 5 bastante comum que o valor do débito indicado na Dcomp seja inferior àquele que o próprio sujeito passivo apurou e reconhece como devido, até porque fica ele limitado ao montante do direito que acredita possuir. Essas diferenças me fazem distinguir mesmo a compensação formalizada após o advento do art. 49 da Lei 10.637 para a qual não há dúvida de que se trata de confissão de dívida e que extingue o débito nela confessado sob condição resolutória de sua ulterior homologação. No caso presente, sequer se trata de tal compensação. Deveras, todas as compensações efetuadas o foram ainda sob a vigência da redação original da Lei 9.430, regulamentada pela IN SRF 21/97, isto é, tratase de pedidos de ressarcimento/compensação cujo deferimento dependia do exame pela SRF. Tenho entendimento de que a elas não se aplica o prazo homologatório somente definido pela Lei 10.833 até porque o contrário implicaria que inúmeras declarações (todas as entregues em 1997) já estivessem homologadas quando o prazo foi estabelecido em 2003. Assim, em meu entender, a fluência do prazo de cinco anos previsto no art. 17 da Lei 10.833 fulmina apenas a exigibilidade do montante declarado na Dcomp, não eventual diferença, não declarada, verificável em ação fiscal própria. Em conseqüência, nego provimento ao recurso também com relação aos períodos de março e abril de 1999. Quanto ao período de apuração relativo ao mês de dezembro de 1999, com respeito ao qual tampouco comprovou a autuada sequer a ocorrência de compensação, muito menos de efetivo recolhimento, aplicase também o art. 173. E dado que ele somente pode ser exigido a partir de 2000, iniciase o prazo de cinco anos somente em 1º de janeiro de 2001 findandose em 31 de dezembro de 2005. Sobre esse ponto, revejo entendimento anteriormente esposado em que defendi, em estrita aplicação da decisão do Ministro Luiz Fux, que o prazo começaria sempre no exercício seguinte ao do fato gerador mesmo em relação a dezembro. Façoo em vista da comprovação, já efetuada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, de que aquele julgado foi embargado quanto a esse ponto, e que em outros julgados também realizados na sistemática do art. 543C aquele tribunal aplicou o entendimento que volto aqui a aplicar. Portanto, tendo sido efetuado o lançamento em fevereiro de 2005, também quanto a ele não estava decaído o direito da Fazenda Nacional a sua constituição sendo de rigor negar provimento ao recurso do contribuinte também quanto a ele. Por fim, para os meses de janeiro e fevereiro do ano de 2000, aplicado o art. 173 pela falta de comprovação de recolhimento, não há que se falar em decadência. E para os meses posteriores nem mesmo com a aplicação do art. 150 ela ocorreria. No tocante ao pedido do recorrente para que se dê imediata aplicação à decisão final proferida em sua ação judicial, entendoo impossível em casos como este. É que isso demandaria a realização de diligência que apurasse adequadamente quais parcelas restaram afastadas pela decisão, o que não se tem deferido nessa esfera de julgamento. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 Voto, por isso, por dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência com respeito aos meses de março a novembro de 1999. FRISO QUE ISSO IMPLICA O CANCELAMENTO APENAS DA MULTA APLICADA NO AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR EM NADA AFETANDO O PRINCIPAL, CUJO LANÇAMENTO SE DERA EM 2002. Naturalmente, deve a instância preparadora, na execução deste acórdão, respeitar o quanto decidido pelo e. Poder Judiciário na ação própria do contribuinte. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 420DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 10882.002039/2003-98
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O “erro de proibição” ou erro sobre a ilicitude do fato não exclui o dolo, mas atua tão somente na dosimetria da pena, podendo isentá-la ou diminuíla. Inaplicável no âmbito das sanções administrativas fiscais.
Numero da decisão: 9101-000.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer a exigência da multa qualificada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Karen Jureidini Dias (Relatora), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Suzy Gomes Hoffman. Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. ERRO DE PROIBIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O “erro de proibição” ou erro sobre a ilicitude do fato não exclui o dolo, mas atua tão somente na dosimetria da pena, podendo isentála ou diminuíla. Inaplicável no âmbito das sanções administrativas fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer a exigência da multa qualificada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Karen Jureidini Dias (Relatora), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Suzy Gomes Hoffman. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 2 2 Claudemir Rodrigues Malaquias Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias, Susy Gomes Hoffman, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional (526/536) apresentado em 18/07/2007, com fundamento no artigo 15, §1º, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o Acórdão n° 10195.552, proferido pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração (fls. 147/158) para a exigência de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2000 e cuja ciência foi dada ao contribuinte em 10/07/2003 (fls. 147). O lançamento principal contém as seguintes infrações: Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real. Exclusões indevidas do lucro real – ganho de capital na alienação de participação societária. Falta de recolhimento da CSLL. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 162 e 265), a qualificação de multa em 150% foi feita em razão da prática do ato de sonegação, nos termos estabelecidos no caput e no inciso I do artigo 71 da Lei nº 4502/64. Impugnado o lançamento (fls. 265/288), sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 372/390), julgando o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário (fls. 395/419), e o Acórdão nº 101 95.552 (fls. 480/522), o qual deu parcial provimento ao recurso, reduzindo a multa de ofício para 75%. A decisão restou assim ementada: IRPJ – ATO NEGOCIAL – ABUSO DE FORMA – A ação do contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário. Porém, tendo o Fisco demonstrado à evidência o abuso de forma, bem como a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabível a desqualificação do negócio jurídico original, exclusivamente para efeitos fiscais, requalificandoo segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 3 3 instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 526/535), insurgindose quanto à redução da multa para o percentual de 75%. Argumentou, em suma, que (i) há no processo provas de simulação e também de fraude à lei; (ii) ocorreu no caso a simulação relativa, e nela as partes possuem todo o interesse em mostrar amplamente, a todo o público, o negócio jurídico simulado, até mesmo de forma a chamar a atenção ao negócio declarado e a manter o verdadeiro segredo, assim, o fato do Contribuinte ter registrado e tornado públicas todas as operações não afasta o intuito de fraude; (iii) se o Contribuinte simulou operações societárias para acobertar uma compra e venda, não há que se falar em erro de tipo ou de proibição; e concluiu que (iv) “diante das provas constantes dos autos, que demonstram que o Recorrido praticou negócios jurídicos simulados de molde a impedir que o Fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador de tributos, há que se concluir pela incidência, no caso, do artigo 44, I, §1º da Lei nº. 9430/96, com redação dada pela Lei nº. 11.488/2007, combinado com o artigo 71 da Lei nº. 4.502/64. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho de fls. 537. O contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 548/558) e, em seguida Recurso Especial (fls. 560/580), ao qual foi negado seguimento (fls. 617/618), razão pela qual apresentou Agravo, que foram rejeitados conforme despacho de fls. 642. Neste passo, os autos foram encaminhados a esta Relatora em 02/10/2009 para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias Relatora O Recurso é tempestivo e foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade, pelo que dele conheço. Antes de analisar as situações fáticas do caso, cumpre verificar a natureza da sanção tributária, em especial da multa qualificada. O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 4 4 diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcularse o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classificaas como repressivas ou repressivocompensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigálo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivocompensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 5 5 intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato, ou seja, há que se distinguir a fraude da mera intenção do contribuinte de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas que não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Afirmase que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: “Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.” Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 6 6 penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Já a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Concluise, assim, que a qualificação pressupõe a existência de fraude ou sonegação. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separado, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. A operação está relatada no Termo de Verificação Fiscal, especialmente Às fls. 137 a 139. Tratase, em verdade, de planejamento fiscal visando a entrega da “Molicar Sistemas”, para a “Audatex”, por meio de retirada da “Molicar Serviços” da “Molicar Sistemas”, levando a “Molicar Serviços” sua parte do capital que corresponde a 80% da participação societária. De se ressaltar que não existe nenhuma acusação nos autos de falsidade de documento ou de existência de documento ante datado, pós datado ou divergentes. Concluindo, a fiscalização considerou que a empresa “Molicar Serviços” utilizouse de institutos jurídicos que divergem da verdadeira intenção das partes e, assim, ocultou a ocorrência do fato gerador do imposto relativo ao bem obtido na alienação de sua participação social, com o seu principal ativo: Sistema Molicar. Termos como a simulação, bem como a dissimulação, fraude, negócio indireto, abuso de forma, frequentemente utilizados no âmbito do planejamento fiscal, são dotados de vagueza e ambigüidade. Isto porque, não há regras definidas para sua aplicação, pois os critérios existentes não permitem precisar sua conotação, ao mesmo passo que veiculam propriedades aplicáveis a âmbitos denotativos distintos. As incertezas significativas dos termos usualmente aplicáveis para os planejamentos fiscais, em grande medida são decorrentes do próprio contexto em que se inserem, considerando que estão na fronteira da licitude. Além disso, tratase de um campo fecundo para as interferências do sistema econômico, que geram ruídos nas comunicações com o sistema jurídico4. 4 Nas palavras de Eurico Marcos Diniz de Santi “O planejamento tributário instalase nos limites do direito: nas difíceis, intrincadas e quase sempre inexploradas áreas de penumbra do direito, entre o direito e o nãodireito, entre a moralsocial e a letra da lei – retratando os limites da forma no direito, entre a legalidade e a insegurança, entre a validade e a não validade dos negócios jurídicos, entre os interesses privado e público, entre a incidência e a não –incidência, entre o lícito e o ilícito. Em razão de tudo isso, não por acaso, toda terminologia empregada nessa seara é vaga e imprecisa, não há consenso sobre o sentido e alcance dos termos e expressões como ‘simulação, ‘dissimulação’, ‘negócio jurídico indireto’, ‘fraude a lei’, encobrindo as distinções entre ‘evasão’ e a ‘elisão’, entre a ‘elusão’ e a efetiva ‘economia de opção’.” (Planejamento Tributário e Estado de Direito: Fraude à Lei, Reconstruindo Conceitos, p.229, in Interpretação e Estado de Direito, São Paulo: Noeses, 2006). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 7 7 A interpretação deve levar em conta aspectos econômicos e políticos subjacentes à relação jurídica tributária, analisando a intenção dos sujeitos envolvidos em detrimento da forma jurídica que assumiu, o que certamente causa obstáculos à construção da significação, ainda mais no contexto de um sistema jurídico informado pela legalidade, tipicidade e formalismo, como é o sistema jurídico brasileiro. Todavia, alguns conceitos devem ser abordados, ainda que sem a pretensão de alcançar uma única conotação, na medida em que projetam reflexos na aplicação de sanções, especificamente da “multa qualificada”, tal como ocorre no presente caso. Nesse contexto, a simulação corresponde à intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada pelas partes, com o propósito de iludir terceiros. A simulação é a falsa aparência jurídica que se manifesta pela criação de ato jurídico que, de fato, não existe. Por exemplo, as partes querem realizar operação de compra e venda, mas simulam uma doação, ocultando o pagamento do preço. Na dissimulação ou simulação relativa, praticase um fato jurídico com o intuito de encobrir a ocorrência de outro fato jurídico. O fato jurídico surge vertido em linguagem jurídica competente, observando todos os requisitos prescritos pelo sistema, porém vem à luz para gerar efeitos diversos daqueles usualmente esperados para o fato jurídico que se apresenta. No caso de planejamento fiscal, o fato jurídico que se apresenta não tem por finalidade aquela usualmente esperada na operação lícita que se apresenta, mas tão somente a diminuição da carga tributária, ocultando a ocorrência de um evento que se subsumiria à hipótese de incidência tributária. A base empírica nos conduz à conclusão de que as normas individuais e concretas referentes a planejamento fiscal no âmbito federal, atualmente introduzidas no sistema jurídico brasileiro, seguem a tendência mundial que é de preservar os negócios efetuados entre as partes, considerando a sua substância efetiva em detrimento da forma dos atos jurídicos. Quando se verifica dissimulação no âmbito tributário é porque existe norma imperativa de tributação, à qual o contribuinte não quer se submeter (“norma contornada”) e há outra norma ou simplesmente ausência de previsão legislativa, da qual o contribuinte se vale para evitar a norma contornada. Nesses casos, o trabalho fiscal corresponde usualmente a um raciocínio lógico presuntivo para alcançar o evento dissimulado pelo contribuinte e, portanto, constituir o fato jurídico. A partir da descrição do evento e respectiva constituição do fato jurídico ocorre a subsunção deste à norma geral e abstrata de incidência tributária, por meio do lançamento de ofício. Em decorrência da constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício, cumpre ao agente fiscal a expedição de norma que estipula sanção. Tal sanção pode ser aplicada em razão do não pagamento de tributo lançado de ofício e tem por pressuposto exatamente o lançamento de ofício, sendo no percentual normal de setenta e cinco por cento, ou em razão da identificação de específicas condições subjetivas, consubstanciadas na existência de situações de fraude, sonegação e/ou conluio, aplicada em dobro. Se a motivação para a qualificação da penalidade é necessariamente a ocorrência de fraude ou sonegação, e, se a fraude ou sonegação são condições subjetivas e não objetivas como a obrigação tributária, elas devem estar devidamente motivadas e comprovadas. Entendo que a imposição de multa qualificada em lançamento de ofício é possível, inclusive Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 8 8 nos casos em que são desconsideradas operações de planejamento fiscal, desde que se verifique a existência de fraude ou sonegação. Mas neste ponto, a qualificação da penalidade deverá ser motivada em prova contundente e precisa (sem ensejar dúvida plausível) de fato que não se confunde com a motivação para a constituição do crédito tributário. O simples fato de se tratar de planejamento fiscal não autoriza a qualificação da penalidade. No presente caso, entendo que não há como atribuir à Recorrente a mesma penalidade aplicável a casos como de utilização de conta de interposta pessoa, nota fiscal inidônea, dentre outras comprovações de ato doloso. O vício de vontade não pode ser equiparado à fraude. A simulação relativa ou dissimulação, vinculase, via de regra, a indícios e presunções para a constituição do fato jurídico, não correspondendo jamais, à materialidade dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/69. Como ensina Marco Aurélio Greco5, nos casos de fraude à Lei, os quais não se confundem com a fraude criminal, não há como constatar o evidente intuito de enganar já que, pelo contrário, o contribuinte age de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária. Vale registrar que a própria Medida Provisória nº 66/2002, nos artigos 13 a 19, exigia apenas a penalidade moratória após a requalificação dos fatos nos casos de identificação de “dissimulação” com fins de planejamento fiscal. Ainda, importante salientar que, em se tratando de raciocínio presuntivo, aplicase o disposto no artigo 112: A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: à capitulação legal do fato;à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;à autoria, imputabilidade ou punibilidade;à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Desta forma, em face das diretrizes estabelecidas pelo art. 112 do Código Tributário Nacional, acima transcrito, e ante as circunstâncias apontadas, a meu ver não está configurado o intuito de fraude, exigência legal para a qualificação da penalidade, pelo que entendo não merece reparos o acórdão recorrido, que reduziu a penalidade para o patamar normal de 75% (setenta e cinco por cento). Este também tem sido o entendimento demonstrado no acórdão nº 10809.037 e Acórdão nº 101–95.537, dentre outros: “PENALIDADE QUALIFICADA – INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE – ERRO DE PROIBIÇÃO – ARTIGO 112 DO CTN – SIMULAÇÃO RELATIVA FRAUDE À LEI – Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudências contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e 5 In Planejamento Tributário, Dialética, São Paulo, p. 230 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 9 9 assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal.”(Acórdão nº 101 – 95.537 – Relator Mario Junqueira Franco Junior – Sessão de 24/05/06) OPERAÇÃO ÁGIO – SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO – VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO – Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. PENALIDADE QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – INOCORRÊNCIA – SIMULAÇÃO RELATIVA A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos.(Acórdão nº 10809.037 – Relator Ivete Malaquias Peixoto Monteiro – Sessão de 18/10/2006) Ademais, assim como no citado Acórdão nº 10195.537, no presente caso também pode ser aplicado o “erro de proibição”, entendido como instituto de direito penal hábil a excluir o dolo, pois o sujeito, a despeito de conhecer elementos constitutivos de determinado tipo, entende que não há subsunção do evento ou conduta praticada à norma jurídica. No erro de proibição, o agente mantém o entendimento sobre a licitude da sua conduta, corroborado pela interpretação doutrinária e jurisprudencial da norma, o que torna o seu erro escusável ou ao menos excludente do dolo. Mesmo para aqueles que entendem não se tratar de erro de proibição, o qual poderia implicar, inclusive, na exoneração do principal, de se ressaltar que não há qualquer má fé do contribuinte, que àquela época promoveu planejamento fiscal . Isto porque, além de estar tudo registrado e declarado, o contribuinte se pautou no entendimento jurisprudencial e doutrinária majoritário, o que conferiu direito subjetivo de praticar tal ato. Desta forma, no presente caso, o contribuinte, ao efetuar o planejamento fiscal, entendeu não estar praticando conduta ilícita, razão pela qual a ele não pode ser atribuído dolo em lesar o fisco. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 10 10 Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Voto Vencedor Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir quanto à redução da multa de ofício do patamar de 150% para 75%, conforme decidido no acórdão recorrido. Verificandose os autos, notase que a autoridade lançadora constatou, pela análise da causa jurídica das operações, a ocorrência de simulação. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 136/146) descreve a sequência dos negócios jurídicos que foram requalificados para fins fiscais e que resultaram no lançamento do IRPJ e da CSLL sob exame. Peço licença para transcrever excertos do relatório fiscal: “CONCLUSÃO FINAL: SIMULAÇÃO PARA OCULTAR VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA — EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO Analisando as operações envolvendo a M. SERVIÇOS, a M. SISTEMAS e a AUDATEX respectivamente, fica evidente a tentativa do contribuinte M. SERVIÇOS de valerse de procedimentos visando utilizar artifícios para permitir a venda da M. SISTEMAS, que tem como principal ativo o SISTEMA MOLICAR, sem sofrer a tributação devida na operação. Entretanto, esta fiscalização entende que a série de operações realizadas em 9 e 20 de junho de 2000 constantes das Atas de Assembléia da M. SISTEMAS, caracterizam fraude por abuso de formas de direito privado, mediante simulação, conforme previsto no então vigente Código Civil: Inciso I do art. 102: "Haverá simulação nos negócios jurídicos quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou transmitem". A indevida distribuição social, que concedia 80% de participação à M. SERVIÇOS, prestouse tãosomente a permitir que a mesma efetuasse a avaliação de seu investimento na M. SISTEMAS pelo Método da Equivalência Patrimonial. Em suma, a Equivalência Patrimonial realizada na M. SERVIÇOS é indevida, uma vez que a participação de 80% na M. SISTEMAS foi apenas simulada, inexistindo de fato. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 11 11 As empresas M.SERVIÇOS e AUDATEX valeramse de instrumentos jurídicos para simular a ocorrência de uma composição social que não ocorreu de fato na M. SISTEMAS. Através da equivalência patrimonial, indevidamente realizada, a M. SERVIÇOS obteve o ganho em participações societárias de R$ 7.115.102,39, excluído na apuração do lucro real para efeito de tributação pelo IRPJ, mediante amparo do disposto no § 1° do art. 225 do RIR/99. Concluise, portanto, que os atos simulatórios praticados pela M. SERVIÇOS visaram ocultar o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro no ganho auferido com a venda de sua participação social na M. SISTEMAS. (...) OUTRAS CONCLUSÕES: PRÁTICA DE SONEGAÇÃO E MULTA AGRAVADA Os atos simulatórios praticados pela M. SERVIÇOS visaram ocultar o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho auferido com a venda de sua participação social na M SISTEMAS. Deste fato, concluise que o contribuinte praticou "sonegação", nos termos do inciso I do artigo 71 da Lei n° 4.502/94, a seguir transcrito (...)” (destaques acrescentados) A fiscalização entendeu que a contribuinte praticou atos simulatórios com a finalidade de ocultar a venda de participação societária, deixando de oferecer os ganhos auferidos na operação. Como bem destacou a Ilustre Relatora, tratase de planejamento fiscal visando a entrega da “Molicar Sistemas”, para a “Audatex”, por meio de retirada da “Molicar Serviços” da “Molicar Sistemas”, levando a “Molicar Serviços” sua parte do capital correspondente a 80% da participação societária. Segundo a fiscalização, a empresa “Molicar Serviços” utilizouse de institutos jurídicos que divergiram da verdadeira intenção das partes, qualificandoos como atos simulatórios, cuja finalidade foi a de ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto relativo à alienação de sua participação societária. Estes fatos subsumemse ao disposto no art. 71 da Lei 4.520, de 30 de novembro de 1964, verbis: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. “ (destaques acrescentados) Com efeito, o conjunto probatório carreado aos autos atestam que as operações engendradas pelas empresas caracterizam a sonegação fiscal nos termos da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 12 12 legislação vigente. Uma vez tipificada a conduta evasiva, restou constituído o suporte fático que embasa a aplicação da sanção pertinente, qual seja, a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430/96, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) “ (destaques acrescentados) Entretanto, a multa qualificada de 150% aplicada pela fiscalização foi afastada pela decisão recorrida. Segundo o colegiado, “a evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos.” Em síntese, a decisão a quo afastou a aplicação da multa qualificada tendo em conta que as solicitações do Fisco foram atendidas, foi observada a legislação societária e atendidas todas as formalidades devidas junto à Receita Federal e que, portanto, não houve má fé da contribuinte. Esta posição foi seguida pela Ilustre Relatora, que entendeu que o acórdão recorrido não merece reparo, devendose a multa ser mantida no patamar de 75%. Com todas as vênias, entendo que este entendimento não deve prosperar e a multa de ofício qualificada deve ser restabelecida ao percentual de 150%. Com efeito, a subsunção dos fatos à conduta tipificada no art. 71, inciso I da Lei nº 4.502/1964 prescinde de qualquer verificação de cunho subjetivo. É suficiente a caracterização do dolo e não se perquire se houve ou não máfé. O fato da contribuinte atender às intimações do fisco e realizar seus negócios jurídicos em observância à legislação societária não são suficientes para afastar o caráter doloso de sua conduta simulatória, porquanto o dolo não é sinônimo de máfé, na forma como entendeu o acórdão recorrido. Os elementos trazidos aos autos permitem concluir pela ocorrência de prática simulatória, tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto incidente sobre o ganho de capital auferido. Acerca da simulação, considerada um instituto do direito civil, fazse necessário tecer algumas considerações sobre sua aplicação no âmbito do direito tributário. Etimologicamente, a palavra simulação significa fingir, negar a verdade, designar algo como um conceito contrário à representação mental de um determinado objeto, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 13 13 uma dissociação entre o real e o aparente. São simulados os atos ou negócios jurídicos realizados através de forma prescrita ou não defesa em lei, nos casos em que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Para Clóvis Beviláqua6, numa visão tradicional, ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Definise, portanto, negócio simulado como aquele que não traduz a realidade, porque não existe realmente e é diverso daquele que aparenta ser, verificandose, sempre, a intenção de que o ato produza efeito diverso do indicado na sua feitura. Hodiernamente, entretanto, nos casos de planejamento tributário, o aplicador da lei deve analisar a existência efetiva de um propósito negocial, compreendido como a vontade objetiva final do negócio jurídico. Por outras palavras, o critério jurídico adotado para verificar a legitimidade do planejamento tributário implica em analisar a causa objetiva do negócio jurídico. Tal análise, baseada na doutrina causalista, consiste em examinar o conteúdo típico do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade, no sentido de verificar a necessária correspondência com sua causa objetiva, ou seja, com sua finalidade econômico social, própria de cada modalidade de ato negocial reconhecido pelo direito. Sob este enfoque, a simulação não é mais vista como um vício de consentimento ou da vontade, mas como um vício social. Isto por que as partes efetivamente desejam o resultado que a declaração pretende realizar, porém, há uma desconformidade entre esse resultado e a sua realização ou a ordem legal. Nesta linha de raciocínio, ocorre a simulação quando as partes de um negócio bilateral estabelecem um regulamento diverso daquele que efetivamente pretendem observar em suas relações, visando atingir um objetivo dissimulado, divergente de sua causa típica do negócio jurídico efetivamente realizado7. Entendo, portanto, que no âmbito tributário a simulação pode ser tomada sob a ótica causalista. Assim, a simulação fiscal implicaria em um “vício na causa objetiva do negócio jurídico”, que caracterizase pela divergência entre a intenção prática aferida objetivamente e a causa típica do negócio jurídico, estando, nesta acepção, o elemento de identificação formal do negócio, fundado na sua respectiva causa, e o elemento subjetivo determinado pela intenção prática8. No presente caso, verificouse esta discrepância entre os negócios jurídicos celebrados (reoganização societária) e a intenção prática querida pelas partes (alienação de participação societária). Portanto, entendo não restar dúvidas de que tratase da realização de atos simulados com a finalidade de reduzir a incidência de tributos, o que de pronto enseja a qualificação da multa de ofício. 6 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001. 7 Neste sentido, FREITAS, Rodrigo de. É legítimo Economizar Tributos? Propósito Negocial, Causa do Negócio Jurídico e Análise das Decisões do Antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo. (coord.); FREITAS, Rodrigo de. (org.). Planejamento Tributário e o “Propósito Negocial”: Mapeamento das Decisões do Conselho de Contribuintes de 2002 a 2008. São Paulo: Quartier Lantin, 2010. 8 Neste sentido, TORRÊS, Heleno. Direito tributário e direito privado: autonomia privada, simulação e durão tributária. Sào Paulo: Revista dos Tribunais, 2003. p. 285. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 14 14 No campo tributário, a realização de atos simulados configura a conduta tipificada na legislação vigente como sonegação, entendida como a ação dolosa tendente a impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 71, inciso I da Lei n. 4.502/1964). Assim, correta a fiscalização que qualificou os atos e negócios da reorganização societária como ação dolosa, cuja finalidade foi impedir ou retardar conhecimento pelo fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aqui, entende se por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos da conduta que se quer adjetivar como dolosa. Ou seja, o dolo é “saber e querer a realização da conduta” e não exige, portanto, a consciência da ilicitude, que é elemento da culpabilidade. Basta que estejam presentes seus elementos, aferidos objetivamente, sem perquirir o estado anímico do agente, quais sejam: o i) elemento cognitivo ou intelectual: consciência atual da realização dos elementos objetivos da conduta; e o ii) elemento volitivo: vontade incondicionada de realização da conduta. Este entendimento está fulcrado na teoria finalista acolhida em nosso direito, segundo a qual, “a ação humana consiste no exercício de uma atividade finalista. A finalidade ou o caráter final da ação se baseia em que o homem, graças ao seu saber causal, pode prever, dentro de certos limites, as conseqüências possíveis de sua atividade, conforme um plano endereçado à realização desses fins”. Assim, a conduta compreende a etapa a) subjetiva: i) antecipação do fim que o agente quer realizar (objetivo pretendido); ii) seleção dos meios apropriados para a consecução do fim (meios de execução); iii) consideração dos efeitos concomitantes relacionados à utilização dos meios e o propósito a ser alcançado (consequências da relação meiofim); e a etapa b) objetiva: execução da ação real ou material.9 No caso dos presentes autos, aplicandose estes conceitos teóricos, temse o quadro seguinte: ELEMENTOS DA AÇÃO DOLOSA CONDUTA i) antecipação do fim que o agente quer realizar (objetivo pretendido) A contribuinte vislumbra a possibilidade de alienar participação societária sem oferecer à tributação o ganho de capital correspondente; A “economia” de imposto é significativa. Se proceder a operação usual de compra e venda, o imposto a pagar representa um montante considerável; A operação de compra e venda deve, portanto, ser descaracterizada, de forma que o fisco dela não tome conhecimento; ii) seleção dos meios apropriados para a consecução do fim (meios de execução) A reorganização societária promovida de forma a ocultar a operação de compra e venda de participação deve ser feita por meio de operações e negócios lícitos, segundo a legislação vigente; Devem ser observadas todas as formalidades legais necessárias às mutações societárias estruturadas; 9 PRADO, Luis Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro Volume I, São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 2002, pg. 251/252. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 15 15 Ao Fisco devem ser prestadas todas as informações e não deverá haver documentos falsos, antedatados ou posdatados; Em resumo, ocorreria a entrega da “Molicar Sistemas”, para a “Audatex”, por meio de retirada da “Molicar Serviços” da “Molicar Sistemas”, levando a “Molicar Serviços” sua parte do capital correspondente a 80% da participação societária. iii) consideração dos efeitos concomitantes relacionados à utilização dos meios e o propósito a ser alcançado (consequências da relação meiofim) A realização destas operações impediria o fisco de detectar a ocorrência da operação de compra e venda de participação societária e dos ganhos obtidos na operação Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte celebrou atos societários formais que aparentemente teriam por escopo uma associação e uma simultânea reorganização das empresas envolvidas. Porém, a intenção subjacente a essas operações era a de efetuar uma simples operação de compra e venda de participação societária. Entretanto, esta geraria ganho de capital tributável, daí a simulação para tentar ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto. Esta conclusão é respaldada pelos detalhes expostos na autuação e no acórdão de primeira instância, onde constatase a premeditação dos atos realizados, o que deixa patente que a intenção das partes era diferente daquela ostentada nos atos celebrados. No caso em questão, restou claro que as operações realizadas não tinham objetivos autônomos, já que não existe qualquer lógica em, premeditadamente, efetuarse uma associação empresarial em uma semana e desfazêla em duas semanas seguintes. Ora, presentes estes elementos, a conduta deve ser tipificada como ação dolosa, subsumida ao art. 71 da Lei n. 4.502/1964 e sujeita, portanto, à multa de ofício qualificada, nos exatos termos do art. 44, inciso II da Lei n. 9.430/1996. A fiscalização, acertadamente, identificou tais elementos e concluiu que a sequência das operações tiveram o objetivo de ocultar a alienação da participação societária e o consequente ganho de capital tributável, configurando a prática de sonegação prevista no art. 71 da referida Lei n. 4.502/1964. Ademais, devese asseverar que na hipótese de sonegação tipificada como ação dolosa está implícito o evidente intuito de fraudar o fisco. Segundo o referido art. 44, inciso II, a multa qualificada deverá ser aplicada “nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. A Ilustre Relatora, porém, destaca em seu voto: “em face das diretrizes estabelecidas pelo art. 112 do Código Tributário Nacional, acima transcrito, e ante as circunstâncias apontadas, a meu ver não está configurado o intuito de fraude, exigência legal para a qualificação da penalidade (...).” Dispõe o mencionado artigo, verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 16 16 I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” No presente caso, não se trata da hipótese de afastar a multa qualificada, conferindose interpretação mais favorável ao contribuinte, porquanto não há dúvidas quanto às circunstâncias apontadas. Tampouco há que se falar em graduação, uma vez que não há previsão legal para o fracionamento da multa. Com o devido respeito pela interpretação dada pela Ilustre Relatora, a hipótese dos autos é de sonegação, mediante a prática de atos simulatórios com o intuito de fraudar o fisco, corretamente comprovada pela fiscalização. Com efeito, nos casos de realização das hipóteses de sonegação, fraude e conluio e, por decorrência da natureza característica dessas figuras, o legislador tributário admitiu estar presente o intuito de fraude. Ao definir sonegação, fraude ou conluio, como ações/omissões dolosas, quis o legislador deixar implícito o elemento subjetivo, em que o agente realiza a conduta com vontade (intuito) de fraudar o fisco. Por outras palavras, presentes a consciência e a vontade de realizar a conduta com o fim de atingir determinado resultado, revelase o seu intuito em realizar a ação. Já restou pacificado neste Conselho que a multa qualificada somente será aplicada quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, uma vez que o evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Entretanto, devese destacar que quando a lei se reporta a evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento (estado anímico), pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, ao contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir e que é exteriorizado pelas ações realizadas. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, etc. Porém, além da fraude em sentido estrito tal como exemplificado, a fraude também está presente nas demais condutas dolosas descritas nos arts. 71 (sonegação) e 73 (conluio), da referida Lei nº 4.502/1964. Assim, quando o legislador se refere à figura jurídica da sonegação temse em conta que está presente nesta conduta a intenção de fraudar o fisco. Uma vez provada a ação dolosa tendente a ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador do imposto, resta caracterizado também o intuito de fraude, exigido para a aplicação da multa de ofício qualificada. Dito isso, entendo que está correta a aplicação da multa qualificada de 150%, com base no art. 44, inciso II, da Lei n. 9.430/1996, segundo a jurisprudência que se vem se firmando nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 17 17 Por fim, resta tecer algumas considerações quanto à possibilidade da caracterização do erro de proibição com a finalidade de afastar a aplicação da multa qualificada. A Ilustre Relatora em suas razões finais aduz que: “no presente caso também pode ser aplicado o “erro de proibição”, entendido como instituto de direito penal hábil a excluir o dolo, pois o sujeito, a despeito de conhecer elementos constitutivos de determinado tipo, entende que não há subsunção do evento ou conduta praticada à norma jurídica. No erro de proibição, o agente mantém o entendimento sobre a licitude da sua conduta, corroborado pela interpretação doutrinária e jurisprudencial da norma, o que torna o seu erro escusável ou ao menos excludente do dolo. Mesmo para aqueles que entendem não se tratar de erro de proibição, o qual poderia implicar, inclusive, na exoneração do principal, de se ressaltar que não há qualquer má fé do contribuinte, que àquela época promoveu planejamento fiscal . Isto porque, além de estar tudo registrado e declarado, o contribuinte se pautou no entendimento jurisprudencial e doutrinária majoritário, o que conferiu direito subjetivo de praticar tal ato.”(destaques acrescentados) Com a devida vênia, mantenho entendimento diverso quanto à possibilidade de aplicação no campo tributário do chamado “erro de proibição”, instituto do direito penal previsto no art. 21 do DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, verbis: Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) “Art. 21 O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuíla de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único Considerase evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)” (destaques acrescentados) Com efeito, da simples leitura do dispositivo transcrito, desumese que o “erro de proibição” ou erro sobre a ilicitude do fato não exclui o dolo, mas atua tão somente na dosimetria da pena, podendo isentála ou diminuíla de um sexto a um terço. Ipsu facto, não prospera o entendimento de que se o contribuinte incorreu em erro quanto à ilicitude da conduta, estaria afastado o dolo e, por conseguinte, a multa qualificada. De modo contrário ao proposto pela I. Relatora, a teoria penal acolhida pelo ordenamento brasileiro prevê que o erro sobre a ilicitude do fato pode excluir a pena ou diminuíla, atuando somente no âmbito da culpabilidade e não da tipicidade da conduta, afastando o dolo. Equivale a dizer que, mesmo o contribuinte valendose do entendimento doutrinário e jurisprudencial sobre a licitude da conduta, incorrendo assim, em um possível erro escusável, por si só isto não seria suficiente para afastar o dolo e consequentemente a multa qualificada. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10882.002039/200398 Acórdão n.º 910100.528 CSRFT1 Fl. 18 18 Ademais, o “erro de proibição” está insculpido no sistema sacionatório penal, distinto, portanto, do regime de sanções aplicáveis no âmbito administrativo. Apesar dos ilícitos tributários qualificados estarem sujeitos tanto a sanções administrativas (multas pecuniárias), como a sanções penais (privação de liberdade e multa), sua aplicação envolve critérios distintos, não sendo possível integrar de forma direta este instituto do direito penal ao direito tributário. O “erro de proibição” está expresso no código penal e deve ser observado pelo aplicador na dosimetria da pena. Já no campo tributário, não há previsão para o fracionamento ou redução da multa nestas hipóteses. Ao contrário, o percentual de 150% deve ser aplicado a todas as hipóteses previstas na lei, não estando o agente fiscal autorizado a isentála ou diminuíla conforme circunstâncias específicas. No entanto, é mister reconhecer que a alegação de que o contribuinte se pautou no entendimento jurisprudencial e doutrinário majoritário pode perfeitamente ser apresentada em sua defesa junto ao Poder Judiciário. Quando este apreciar a denúncia oferecida relativa ao ilícito penal tributário decorrente, deverá considerar a hipótese de erro escusável e quantificar a pena na medida da culpabilidade atribuída ao contribuinte. No entanto, este julgamento é privativo do Poder Judiciário na apreciação do ilícito penal e, portanto, não é passível de ser transferido para a esfera administrativa, onde o exame devese se ater ao regime das sanções administrativas que, apesar de incidirem cumulativamente com as sanções penais, delas se distinguem quanto aos pressupostos jurídicos para sua aplicação. Com essas considerações, e mais uma vez pedindo vênia à ilustre Conselheira Relatora, voto no sentido de DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a multa de ofício ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias, Redator designado. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 11/03/2011 por KAREM JUREIDI NI DIAS, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017926/87-65
Data da sessão: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 1989
Ementa: Nulidade da Decisão de 1° Grau - Preterido
o direito de defesa por falta de apreciação
de pedido do contribuinte, declara-se nula
a Decisão recorrida, com fundamento nos
arts. 59. II, §§ 19 e 29, e 61 do Decreto
n9 70.235/72.
Numero da decisão: 103-09.205
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeiro grau
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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Numero do processo: 10166.004279/88-59
Data da sessão: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IRPJ - NOTAS CALÇADAS - OMISSÃO DE RECEITAS
Comprovado nos autos e admitido pelo contribuinte a
utilização do expediente denominado por "notas calçadas",
configurada está a omissão de receitas, quan
tificada pela diferença entre o valor contabilizado
e o valor real da transação.
Reduzido o montante tributado aos valores efetivamente
desviados da contabilidade, após a correção
dos erros de processamento.
Correta a aplicação da multa de 150%, prevista no
art. 728, Item III, do RIR/80, por estar caracterizado
o evidente intuito de fraude.
IRPJ - EXERCÍCIO DE 1987 (ANO-BASE 1986)
A cobrança do imposto de renda em OTN, no exercício
de 1987, perdeu sua validade a partir da declaração
de inconstitucionalidade do art. 18 do Decreto-
lei n9 2323/87.
-
Recurso provido parcialmente.
Numero da decisão: 103-11.558
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro
Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a
preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as quantias de
Cr$ 76.567.512,50 e Cz$ 2.878.945,03 respectivamente nos , exercício
de 1986 e 1987, devendo o imposto deste exercício ser apurada
em cruzados.
Nome do relator: Márcio Machado Caldeira
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ementa_s : IRPJ - NOTAS CALÇADAS - OMISSÃO DE RECEITAS Comprovado nos autos e admitido pelo contribuinte a utilização do expediente denominado por "notas calçadas", configurada está a omissão de receitas, quan tificada pela diferença entre o valor contabilizado e o valor real da transação. Reduzido o montante tributado aos valores efetivamente desviados da contabilidade, após a correção dos erros de processamento. Correta a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 728, Item III, do RIR/80, por estar caracterizado o evidente intuito de fraude. IRPJ - EXERCÍCIO DE 1987 (ANO-BASE 1986) A cobrança do imposto de renda em OTN, no exercício de 1987, perdeu sua validade a partir da declaração de inconstitucionalidade do art. 18 do Decreto- lei n9 2323/87. - Recurso provido parcialmente.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as quantias de Cr$ 76.567.512,50 e Cz$ 2.878.945,03 respectivamente nos , exercício de 1986 e 1987, devendo o imposto deste exercício ser apurada em cruzados.
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Is SI_ ACORDÃO N9 103-11-558 %curso n9: 95.197 - IRPJ - EXS: DE 1985 a 1988 Recorrem.: PRODUTOS DA BORRACHA RECORD LTDA Recmodo: DRF em BRASILIA - DF • IRPJ - NOTAS CALÇADAS - OMISSÃO DE RECEITAS Comprovado nos autos e admitido pelo contribuinte a utilização do expediente denominado por "notas cal- çadas", configurada está a omissão de receitas, quan tificada pela diferença entre o valor contabilizado e o valor real da transação. Reduzido o montante tributado aos valores efetiva- mente desviados da contabilidade, após a correção dos erros de processamento. Correta a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 728, Item III, do RIR/80, por estar caracteri- zado o evidente intuito de fraude. IRPJ - EXERCÍCIO DE 1987 (ANO-BASE 1986) A cobrança do imposto de renda em OTN, no exercí- cio de 1987, perdeu sua validade a partir da decla- ração de inconstitucionalidade do art. 18 do Decre- to-lei n9 2323/87. - Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PRODUTOS DA BORRACHA RECORD LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar a. preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, dar provi mento parcial ao recurso para excluir da tributação as quantias de Cr$ 76.567.512,50 e Cz$ 2.878.945,03 respectivamente nos , exercí- cio de 1986 e 1987, devendo o imposto deste exercício ser apurada em cruzados. Sala das Sessões-DF., em 09 de setembro de l99' DAMEFP/DF- SECOS N E 064/110 'ali. !i IO MAC . . 4 • B EIRA - PRESIDENTE E RELATOR P VISTO EM ZAI O HO f• 0A BRAGA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIk SESSÃO DE: NAL - .1 .11MUT n91 ,• Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheir ros: MARIA DE FATIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, DICLER DE ASSUNÇÃO, IL CENIL FRANCO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, LUIZ HENRIQUE BARROS DE ;5.11.,. RUDA e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. Ausente por motivo justificado o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA. . • _ _ • SERVIÇO púnico FEDERAL PROCESSO N° 10166/004.279/88-59 RECURSONO: 95.197 ACORDA° NP: 103-11.558 RECORRENTE: PRODUTOS DA BORRACHA RECORD LTDA RELATÓRIO Produtos da Borracha Record Ltda., CGC n9 00.845.479/0001-67, com sede em Brasília-.DF., recorre a este Con- selho de Contribuintes da decisão do Delegado da Receita Federal em Brasília, que indeferiu sua impugnação ao Auto de Infração de fls. 02. Este processo mereceu apreciação desta Câmara, na sessão de 10/10/89, que por unanimidade de votos converteu o jul gamento em diligência, conforme consta da Resolução n9 103-0995, de fls. 744/748. Inicialmente o processo foi assim relatado: "O presente feito surgiu com a impugnação ao lançamento de fls. 02, motivado por omissão de re ceita relativa aos anos-base de 1984 a 1987, exeF cicios financeiros de 1984 a 1988, apurada em de- corrência de ntoas fiscais "calçadas", emitidasçe la ora recorrente, com intuito evidente de frauae. Na impugnação reclamou a empresa contra os trabalhos da fiscalização, no sentido de ter sido mantida à margem de qualquer consulta e sem a me- nor participação nas conclusões a que chegou o fisco. Os registros contAbeis, no entanto, fazem prova a respeito da veracidade de suas demonstra- ções financeiras. No caso, os valores constantes do auto não foram em momento algum aferidos pela empresa. Alem disso, o valor da exigência fisc DANCFP/OF MO* N/ 0115/ /0 amn Processo n9 10166/004.279/88-59 Acórdão n9 103-11.558 supera sua capacidade financeira e economica, M se verificar que o auto de infração fixou a mui 150%. • As fls. 728/729 foi inserida a informação cal. O Delegado da Receita Federal se pronunciou ia inexistência de cerceamento do direito de deff e pela realização de perícia. A fiscalização pod com base legal, verificar documentos, escrituraç. e consultar terceiros que tenham tido relação com fiscalizado. "Durante a fiscalização as empresas fi calizadas não têm o direito de acompanhar os fiscal: ou opinar sobre documentos alheios. A impugnação é o momento adequado para isto. Durante a fiscalização as empresas tomadoras dos serviços, intimadas pelos fiscais, apresentaram as notas fiscais (las vias) emi tidas pela interessada (16 volumes) o que torna in- dispensável a diligência solicitada. No mérito, man- teve a exigência, uma vez que os fiscais fizeram o lançamento com base na diferença existente entre a la: e 8a. vias das notas fiscais. Não ocorreu lança- mento baseado em presunção, pois a omissão se deu de forma diretailastreada em documentos emitidos pela própria interessada. Manteve a multa agravada, por se tratar de infração relacionada com notas calçadas. No recurso voluntário a autuada arguiu que a ad ministração, ao consignar os valores que serviram de base de cálculo para a incidência dos tributos e en- cargos ora exigidos, o fez utilizando-se de números inteiramente distorcidos da realidade. E acrescen- tou: "Assim é que a Recorrente determinou ao seu de- partamento de contabilidade que aferisse as somas das receitas consideradas omitidas, pela fiscaliza- ção, e o resultado foi outro, muito aquem dos valo- res encontrados pelo fisco, a saber: 19) em 1984, Cr$ 52.954.043,00; 29) em 1985, Cr$ 446.127.202,10; 39) em 1986, Cz$ 629.912,42 e 49) em 1987, Cz$ 702.026,30." Na realidade, ester_números contrastam com os da exigência fiscal, que eram os seguintes: Cr$ 405.125.430,00, para 1984; Cr$ 6.254.920.785,11 para 1985; Cz$ 8.834.197,56,para1986,e Cz$ 10.748.207,14 para 1987. Isto sem contar com outra irregularidade da autuação, que foi o fato de o fisco ter calculado o IRP3 com base em OTN para o exercício de 1987; o que fere o disposto no Decreto-lei n9 2.471/88. Assim sendo, solicitou: - seja recebido e processado o presente apelo em seus devidos termos para que o Colegiado declare nu- lo de pleno direito o.lançamento feito; ou - válido pelos valores de base de cálculo reais, apurados pela recorrente; ou - caso entender necessário, seja convertido o jul gamento em diligência, para verificação do que acab -a- de dizer." SOMO PUBLICO mima Processo n9 10166/004.279/88-59 3. Acórdão n9 103-11.558 O ilustre relabm:Dr. Antonio da Silva Cabral, ex-con- selheiro e ex-Presidente desta Câmara, proferiu na oportunidade o seguinte voto: "A recorrente cometeu dois equívocos que poderiam levar esta Câmara, de pronto, a negar provimento ao recurso: 19 - de um lado, faltou prequestionamento da ma- téria levantada, pois só agora é que mencionou núme- ros, que atingem o aspecto quantitativo do fato gera- dor do tributo, quando este argumento deveria ter si- do invocado na impugnação; 29 - de outro lado, mencionou apenas números, a esmo, sem qualquer demonstração de sua veracidade. Acontece, no entanto, que alguns Conselheiros, no 19 Conselho de Contribuites, entendem que a impug- nação feita em termos gerais, como a apresentada pela Recorrente, importaria, na realidade, em não admitir, inclusive, o quantum do tributo. A fim de evitar, no futuro, a acusação de cerceamento do direito de defe- sa, por parte deste Colegiado, voto no sentido de que se converta o presente julgamento em diligência a fim de que: 19 - a recorrente aponte, de uma vez por todas, os motivos e provas de toda e qualquer irregularidade verificada no presente processo, -pintando as provas respectivas; 29 - demonstre como chegou aos números da omis- são de receitas apontadas às fls. 740 e junte os doou. mentos comprobatórios desses cálculos, demonstrando como foi que os seus contadores chegaram a resultados tão diferentes dos números apontados pela fiscaliza- çao, sem deixar de juntar a documentação respectiva; 39 - aponte de uma vez por todas todo e qualquer motivo que justifique a sua acusação de ter havidocer ceamento do direito de defesa; 49 - à recorrente seja dada a oportunidade para aditar as razões que julgar necessirias ao recurso, na forma dos itens 19, 29 e 39; 59 - remetam-se os autos, após o pronunciamento da interessada, à fiscalização para que esta elabore. parecer conclusivo e proceda a diligências, se assim o desejar." Efetivada a devolução dos autos a esta Câmara após cumpridas as exigências determinadas, apresentou o sujeito passivo re latório assinado pelos auditores por ela indicados, relatório este que mereceu apreciação dos auditores fiscais autuantes. 442-: .. SERVIÇO MUCO FEDERAL Processo n9 10166/004.279/88-59 4. Acórdão n9 103-11.558 ' Neste relatório (fls. ) os auditores da 'recor- rente informam da existência de divergência de valores na digitação das diversas vias das Notas Piscais, tanto nas 1Qs vias/clientelquan to nas 8Q vias/contabilidade. Concluem, apos demonstrarem, documen- to por documento, as divergências apresetadas (item 01.4), serem os seguintes os valores tributáveis, ou sejam, os valores não contabili zados (item 06): • Exercício de 1985 - Cr$ 405.125.430 Exercício de 1986 - Cr$ 6.045.828.173 Exercício de 1987 - Cz$ 5.743.321,14 Exercício de 1988 - Cz$10.817.637,40 Ainda, nos termos do item 04 da pré citada resolução ao acrescentar razões ao seu recurso, o contribuinte concorda com o levantamento dos auditores por ela contratados, solicita o recãlculo das importâncias devidas, mas alega a nulidade do procedimento em fun ção dos erros na apuração dos valores levantados pela fiscalização. Reitera, também, a inconstitucionalidade do art. 18 do Decreto-lein9 2323/87, já reconhecida pelo proprio Governo através do Decreto-Lei n9 2471/88. Na apreciação deste relatório e das razões aduzidas, os autuantes elaboraram os quadros demonstrativos I e II(fls. ), tomando como base as divergências apontadas pelos auditores do sujei to passivo no item 01.4 do mencionado relatório, concluindo e reco- nhecendo a existência de erros na base de cálculo do imposto, que fi_ cou a maior nos exercícios de 1986 e 1987 respectivamente nos valo- res de Cr$ 76.567.512,50 e Cz$ 2.878.945,03 e a menor no exercício de 1988 em Cz$ 1.452,90, não havendo divergência quanto ao exercício de 1985. Esclarecem, ainda, os autuantes, que as diferenças . apontadas no item 01.4 do relatório dos auditores da recorrente não coincidem com os valores apresentados no item 06 deste mesmo relató- rio, que se traduz na conclusão dos valores tributáveis. 4C-1---- g o relatório. • SCRVICO MOUCO FEDEltiL Processo n9 10166/004.279/88-59 5. Acórdão n9 103-11.558 VOTO Conselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, Relator. • O recurso é tempestivo e dele conheço Como se depreende do relatório, trata-se de autuação por omissão de receita, relativa aos exercícios de 1985 a 1988, de- corrente da verificação de utilização, pelo recorrente, do expedien te denominado por "notas fiscais calçadas", cuja primeira via/clien te era emitida por valor superior ã oitava via/contabilidade. Deste procedimento apurou a fiscalização que o .con- tribuinte contabilizou receitas a menor, nos seguintes valores: • Ex. 1985 (ano-base 1984) - Cr$ 405.125.430 Ex. 1986 (ano-base 1985) - Cr$ 6.254.920.785 Ex. 1987 (ano-base 1986) - Cr$ 8.834.197,56 Ex. 1988 (ano-base 1987) - Cz$ 10.748.207,14 Discordando destes valores, tanto na impugnação quan to no recurso, o sujeito passivo alega a nulidade do lançamento por conter valores inteiramente distorcidos da realidade, como tambêm por ter consignado no Auto de Infração os valores do exercício de 1987 expressos em OTN, quando o Supremo Tribunal Federal declarouin constitucional o art. 18 do Decreto-Lei n9 2323/87. Caso não prospe re esta preliminar, requer que os valores tributáveis sejam os que apresenta em seu recurso ou que seja determinada diligência para apurar os reais valores omitidos. Após a conversão do julgamento em diligência, nós ter mos da Resolução n9 103-0995, os peritos do recorrente concluiram que os valores omitidos foram de: • Ex. 1985 (ano-base 1984) - Cr$ 405.125.430 Ex. 1986 (ano-base 1985) - Cr$ 6.045.828.173 Ex. 1987 (ano-base 1986) - Cr$ 5.743.321,14 Ex. 1988 (ano-base 1987) - Cr$ 10.817.637,40 A conclusão destes valores tributáveis, constantes StRVIÇO PvitICO FEDERAL Processo n9 10166/004.279/88-59 Acórdão n9 103-11.558 do item 06 do Relatório dos Peritos (f 1. ) foi decorrente do exa- me dos dezesseis volumes de Notas Fiscais anexas ao processo, onde se constatou erros de transcrição de valores de algumas vias de No- tas Fiscais que foram relacionadas no item 01.4 do mencionado relata rio. Os autuantes, ao apreciarem este relatório pericial, concordaram com os peritos quanto aos erros de transcrição dos valo- res das notas fiscais relacionadas no item 01.4 do relatório, mas discordaram dos valores remanescentes a serem tributados, tendo efe- tuado os quadros 1 e II de fls. / , onde, com base. nas divergên- cias apontadas pelos peritos concluem pela exclusão da quantia de Cr$ 76.567.512,50 no exercício de 1986 e Cz$ 2.878.945,03 no exerci- - cio de 1987. Cabe observar que no exercício de 1985 não houve di- vergência dos valores constantes do Auto de Infração com o apurado pelos peritos da recorrente, como também no exercício de 1988 os no- vos valores, tanto o do laudo pericial, quanto o apurado pela fisca- lização em decorrência das divergências apontadas pelos peritos, são superiores aos valores tributados na peça inicial. De plano é de se rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, arguida pelo recorrente, uma vez que cerro no cálculo do valor tributável,e o cálculo do montante do tributo devido, em OTN, no exercício de 1987, não podem configurar hipóteses de nulida- de nem estão previstas no Decreto n9 70.235/72, que regula o proces- so administrativo fiscal. Tratam-se de matérias de fato e de direito que devem ser analisadas em função das provas apresentadas nos autor e pela adequada aplicação do direito ã causa. Ainda, como se vê do relatório, não discorda o conti buinte da irregularidade a ele imputada pela 'fiscalização. Discort sim do montante tributável, motivo pelo qual contratou" auditori Analisando-se o resultado desta auditoria, juntamente com o parec dos autuantes, verifica-se que tem razão o sujeito passivo quanto erros de digitação de diversas Notas Fiscais, que relaciona no i 01.4 do mencionado relatório. sane mouco rem Processo n9 10166/004.279/88-59 Acórdão n9 103-11.558 No entanto, quando da conclusão, no item 6 ainda de ta mesma peça, existe erro no montante que constitui a receita n. contabilizada. O somatório das diferenças apuradas, como erro transcrição e constante do item 01.4 do relatório não coincide amo novos valores apresentados no referido item 6. Este fato se confirma com a análise do parecer dos fiscais autuantes que, partindo das mesmas diferenças apontadas no relatório dos peritos (item 01.4) elaboraram os quadros I e II (fls: ) onde os valores a serem excluídos da tributação são de Cr$ 76.567.512,50 no exercício de 1986 e Cz$ 2.878.945;03 no exercí- cio de 1987. • Quanto ã aplicação da multa de 150%, correto faio pro cedimento fiscal e a decisão monocrática, uma vez que a emissão de notas fiscais com valores diferenciados na via do cliente e naquela que dá suporte ã contabilidade (nota calçada), reduzindo o montante da receita auferida, constitui falsidade material e caracteriza o evidente intuido fraude. Por fim, nos diz respeito à cobrança do Imposto de renda do exercício de 1987, ano-base 1986, em OTN, por força do dis- posto no Decreto-Lei n9 2323/87, art. 18, este instrumento foi consi. derado inconstitucional e, o art. 99 do Decreto-Lei n9 2471/88 deter mina a sua cobrança em cruzados. A vista do exposto e do mais que dos autos consta, vo to no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infra- ção e, no mérito, por excluir da tributação as quantias de Cr$ ... 76.567.512,50 no exercício de 1986 e Cz$ 2.878.945,03, no exercício de 1987, devendo ainda, ser considerado o imposto do exercício de 1987 em cruzados. • Brasília-DF., em 09 de setembro de 1991 IQ MACHADO CALDEIRA RELATOR Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050800.PDF Page 1 _0051000.PDF Page 1 _0051200.PDF Page 1 _0051400.PDF Page 1 _0051600.PDF Page 1 _0051800.PDF Page 1 _0052000.PDF Page 1
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Numero do processo: 11075.003389/92-80
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Multa 532, inciso I do RA/85. Não restando inequivocamente comprovado o cometimento de fraude, não cabe a aplicação da multa.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.574
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Judith Amaral Marcondes Armando
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-01-20T17:32:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-01-20T17:26:48Z; Last-Modified: 2015-01-20T17:32:56Z; dcterms:modified: 2015-01-20T17:32:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c00c638b-9b8b-4858-9ea9-4595052d6c54; Last-Save-Date: 2015-01-20T17:32:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-01-20T17:32:56Z; meta:save-date: 2015-01-20T17:32:56Z; pdf:encrypted: false; modified: 2015-01-20T17:32:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-01-20T17:26:48Z; created: 2015-01-20T17:26:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2015-01-20T17:26:48Z; pdf:charsPerPage: 1255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; pdf:docinfo:created: 2015-01-20T17:26:48Z | Conteúdo => • MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS toP--* TERCEIRA TURMA 4 . k'-te 1 r kir '':'". t ;‘'.!. 4°°fr Processo n° : 11075.003389/92-80 . Recurso n° : 301-118704 Matéria : INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : UNICAFÉ CIA DE COMÉRCIO EXTERIOR Sessão de : 25 de fevereiro de 2008 . Acórdão n° : CSRF/03-05.574 Multa 532, inciso I do RA/85. Não restando inequivocamente comprovado o cometimento de fraude, não cabe a aplicação da multa. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANT e n iii m411/ 0 GA - residente JUDIT r D 1 AMARAL MARCONDES ARMANO - Relatora FORMALIZADO EM: 05 OUT 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice-presidente) e Antônio Praga(Presidente). , mas Processo n° : 11075.003389/92-80 Acórdão n° : CSRF/03-05.574 RELATÓRIO Versa o presente processo sobre exigência da multa prevista no artigo 532, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, motivado pelo entendimento da Fiscalização de ter havido fraude inequívoca na exportação, pela divergência na qualidade da mercadoria exportada através das GEs nos. 1950-91/402-0 E 1950-91/3743-4. Intimado, o Contribuinte apresentou defesa e solicitação de realização de contraprova, deferida e realizada. Após, a ação fiscal foi considerada procedente em parte (fls. 113/123). O contribuinte recorreu ao Conselho de Contribuintes, alegando cerceamento do direito de defesa, em preliminar. Tal preliminar foi acatada em decisão dos membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho, conforme Acórdão 301-28.582, fls. 146/149. Em cumprimento ao Acórdão acima mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Santa Maria/RS, após procedimentos e diligências, em nova decisão, fls. 206/216, julgou o lançamento procedente em parte, excluindo tão-somente a multa relativa à GE 1950- 91/3267-9, uma vez que a divergência constatada em relação ao TIPO seria insuficiente para que se considerasse alterada a qualidade do café exportado. A decisão de Primeira Instância considerou que quanto à GE 1950-91/402-0, a definição da especificação "bebida" se mostrou divergente, vez que declarada "dura/nada" e apurada ser "fiada"; quanto a GE 1950-91/3743-4, ficou comprovada a divergência quanto a peneira, tendo sido declarada corno 14/15/16 e na contra-prova apurado que 25% seriam peneiras 17 e 24% serem peneiras 18. Recorrendo ao Conselho de Contribuintes, o Contribuinte insistiu nas preliminares de nulidade do lançamento, por alteração do enquadramento dos fatos e na decadência. No mérito, destacou que os atributos "bebida" e "peneira" não interferem no preço da mercadoria e que não foi feita prova de que a divergência teria acarretado qualquer prejuízo ao erário federal. Aduziu, ainda, a ilegalidade na utilização da Taxa Selic como taxa de juros moratórios. A Primeira Câmara do Terceiro Cons'elho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, conforme Acórdão 302-30.638, fls. 381/386, em decisão assim ementada: "A simples constatação de divergência quanto a qualidade do produto exportado, no caso em exame, não acarretou a inequívoca assertiva de ter havido fraude na exportação. Para vingar a imputação da prática de atos ilícitos, são necessários mais que meros indícios e presunções, mas provas cabais e irrefutáveis do cometimento da fraude ao erário para beneficio próprio ou de terceiros, ou caracterizadoras de evasão de receitas tributárias. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA." A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, Recurso Especial de Divergência, fls. 388/399, irresignada com o teor da Decisão estampada no Acórdão 2 Processo n° : 11075.003389/92-80 Acórdão n° : CSRF/03-05.574 acima citado, alegando que a infração constante do artigo 532, inciso I do RA está tipificada e, por isso, a desoneração do contribuinte implica contrariedade à lei. Reporta-se ao paradigma oriundo da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 302-33.022, cuja ementa transcrevo: "FRAUDE INEQUÍVOCA NA EXPORTAÇÃO. 1. A EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, CUJA QUALIDADE É INFERIOR AO DECLARADO NO RESPECTIVO DOCUMENTÁRIO FISCAL, CONSTITUI FRAUDE RELATIVA À QUALIDADE E ENSEJA A PENALIZAÇÃO COM A MULTA CAPITULADA NO ARTIGO 532, I, DO RA. 2. RECURSO NEGADO." Devidamente cientificado do acórdão do Conselho de Contribuintes, do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e do Despacho que admitiu o presente recurso, o Contribuinte apresentou Contra-Razões Recursais, tempestivamente, conforme documentos de fls. 406 a 418. Em suma, alega o Contribuinte a inadmissibilidade do recurso especial por falta de fundamentação, em vista do contido no inciso I do art. 50 do então RICSRF; reiterada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e também dos Tribunais Superiores, confirmando o entendimento do acórdão recorrido; ausência de demonstração da divergência, pois deixou a Procuradoria da Fazenda Nacional de apontar as questões antagônicas entre acórdão recorrido e paradigma e, no mérito, a manutenção da Decisão proferida pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho. Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 20/02/2006, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta Conselheira para relato, conforme despacho de fl. 424. É o relatório. VOTO Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Relatora Aprecio o Recurso Especial interposto em nome da Fazenda Nacional e Contra-Razões da Contribuinte, ambos em boa forma. A Decisão recorrida foi proferida pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementada: "A simples constatação de divergência quanto a qualidade do produto exportado, no caso em exame, não acarretou a inequívoca assertiva de ter havido fraude na exportação. Para vingar a imputação da prática de atos ilícitos, são necessários mais que meros indícios e presunções, mas provas 3 Processo n° : 11075.003389/92-80 Acórdão n° : CSRF/03-05.574 cabais e irrefutáveis do cometimento da fraude ao erário para beneficio próprio ou de terceiros, ou caracterizadoras de evasão de receitas tributárias. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA." Em seu recurso especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional alega que a infração constante do artigo 532, inciso I do RA está tipificada e, por isso, a desoneração do contribuinte implica contrariedade à lei. Reporta-se ao paradigma oriundo da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Acórdão 302-33.022, cuja ementa transcrevo: "FRAUDE INEQUÍVOCA NA EXPORTAÇÃO. 3. A EXPORTAÇÃO DE CAFÉ, CUJA QUALIDADE É INFERIOR AO DECLARADO NO RESPECTIVO DOCUMENTÁRIO FISCAL, CONSTITUI FRAUDE RELATIVA À QUALIDADE E ENSEJA A PENALIZAÇÃO COM A MULTA CAPITULADA NO ARTIGO 532, I, DO RA. 4. RECURSO NEGADO." Nas Contra-Razões, em síntese, a Contribuintes alega a inadmissibilidade do recurso especial por falta de fundamentação, em vista do contido no inciso I do art. 5° do então RICSRF; reiterada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e também dos Tribunais Superiores, confirmando o entendimento do acórdão recorrido; ausência de demonstração da divergência, pois deixou a Procuradoria da Fazenda Nacional de apontar as questões antagônicas entre acórdão recorrido e paradigma e, no mérito, a manutenção da Decisão proferida pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho. A admissibilidade do recurso já foi tratada no âmbito deste processo e assim, considero que o que me resta para analisar é a questão da fraude caracterizada de forma inequívoca. Diferentemente do que propõe a Fazenda Nacional, não entendo que esteja tipificado o fato que determinaria a aplicação da penalidade do art. 532, inciso I do Regulamento Aduaneiro de 1985. Além do art. 532, Inciso I, já mencionado outras normas, mais atualizadas, tratam da matéria fraude, do seguinte modo: Lei n.° 9.430/96, antes da alteração promovida pela MP n.° 303/2006: Art. 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão dplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 4 • Processo n° : 11075.003389/92-80 -Acórdão n° : CSRF/03-05.574 II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art. 45. O art. 80 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de oficio: 1- setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II - cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qiralificada.' Para a aplicação da multa de oficio de 150% é indispensável comprovar tratar-se de casos de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64: Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo 'a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. • Temos acordado neste Conselho de Contribuintes que para caracterização da fraude inequívoca deve a administração tributária oferecer provas cabais da presença do dolo na ccinduta do operador de comércio exterior, ou outro. Isto quer dizer, o dolo não pode ser presumido. (P)S? Processo n° : 11075.003389/92-80 Acórdão n° : C SRF/03 -05.574 No presente caso, entendeu a administração tributária que: "A decisão de Primeira Instância considerou que quanto à GE 1950-91/402-0, a definição da especificação "bebida" se mostrou divergente, vez que declarada "dura/nada" e apurada ser "nada"; quanto a GE 1950-91/3743-4, ficou comprovada a divergência quanto a peneira, tendo sido declarada como 14/15/16 e na contra-prova apurado que 25% seriam peneiras 17 e 24% serem peneiras 18." Este Conselho de Contribuintes discordou da decisão a quo, prolatando outra, com o seguinte teor: "A simples constatação de divergência quanto a qualidade do produto exportado, no caso em exame, não acarretou a inequívoca assertiva de ter havido fraude na exportação. Para vingar a imputação da prática de atos ilícitos, são necessários mais que meros indícios e presunções, mas provas cabais e irrefutáveis do cometimento da fraude ao erário para beneficio próprio ou de terceiros, ou caracterizadoras de evasão de receitas Na realidade, em nenhuma das ocasiões foi abordada, salvo melhor entendimento, a questão das provas inequívocas que deveriam constar sobre razões que motivariam o exportador a proceder na exportação da forma como o fez. Assim sendo, ainda que as peneiras tenham tido diâmetros de furos diferentes em praticamente 50% do total de uma das exportações, e bebida "dura/nada" possa ser diferente de "nada", posto que nada é uma das deformações do grãO que pode ocorrer em cafés moles ou duros, nenhuma burla proposital ao sistema de exportação foi associada pela administração tributária a esses fatos, tendo sido referido apenas que os dados não conferiam com as exportações efetivamente realizadas. Ademais, não foi aventado qualquer beneficio escuso que pudesse ter tido o exportador Em face das razões apresentadas, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2008 9 JUDITH D? 1L-C."-S--)-_,n. e A b AL MARCONDES ARMAN be- Relatora 1. 6
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000243/2006-01
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRPF. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS.
Na impossibilidade de discriminar a natureza e os respectivos montantes de cada verba recebida no bojo de acordo trabalhista, para identificar a natureza indenizatória ou não, ou hipótese de isenção, a incidência do Imposto de Renda ocorre sobre o valor total recebido. Precedente do STJ.
MULTA DE OFICIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Aplicação da Súmula CARF nº. 73.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 Ementa: IRPF. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE PASSIVA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS. Na impossibilidade de discriminar a natureza e os respectivos montantes de cada verba recebida no bojo de acordo trabalhista, para identificar a natureza indenizatória ou não, ou hipótese de isenção, a incidência do Imposto de Renda ocorre sobre o valor total recebido. Precedente do STJ. MULTA DE OFICIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Aplicação da Súmula CARF nº. 73. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
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NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. LEGITIMIDADE PASSIVA. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Aplicação da Súmula CARF nº 12. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. ACORDO TRABALHISTA. NATUREZA DAS VERBAS. Na impossibilidade de discriminar a natureza e os respectivos montantes de cada verba recebida no bojo de acordo trabalhista, para identificar a natureza indenizatória ou não, ou hipótese de isenção, a incidência do Imposto de Renda ocorre sobre o valor total recebido. Precedente do STJ. MULTA DE OFICIO. CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Aplicação da Súmula CARF nº. 73. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 02 43 /2 00 6- 01 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem resumir a matéria discutida nos presentes autos, abaixo se transcreve o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 1126.197, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE): “Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Auto de Infração, relativamente ao anocalendário de 2001, decorrente de classificação indevida de rendimentos na DIRPF. 2. De acordo com a descrição dos fatos, os rendimentos foram declarados indevidamente como isentos e não tributáveis, em face da decisão da Juíza do Trabalho, nos termos do Provimento CG/TST 01/96 (fls. 28 a 29), onde consta no item 01 "a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de valores eventualmente devidos pelos autores das reclamações trabalhistas ao Imposto de Renda, em virtude da liquidação de sentenças condenatórias". Tendo em vista este contraditório, foi encaminhado relatório para a Procuradoria da Fazenda Nacional (13 a 17), para que fosse emitido parecer jurídico. De acordo com o Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006, a decisão acerca da não incidência do imposto de Renda não tem fundamento jurídico, assim sendo, caberá lançamento dos rendimentos classificados indevidamente com os devidos acréscimos legais, conforme Parecer da Fazenda Nacional constante de fls. 30 a 32. 3. Em sua impugnação, o contribuinte discorre a respeito do direito de apresentação da impugnação e transcreve o Auto de Infração, alegando em síntese que: 3.1. Dos Fatos 3.1.1.0 impugnante, juntamente com mais 70 empregados da Caixa Econômica Federal recebeu desta o valor mencionado pela Receita Federal, por força de acordo judicial homologado pela Juíza da 1ª Vara do Trabalho de Mossoró/RN, mencionando expressamente que não Fl. 162DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000243/200601 Acórdão n.º 2802002.565 S2TE02 Fl. 3 3 havia incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida e a Caixa Econômica Federal informou, para fins de declaração de ajuste anual, que o valor pago ao impugnante era isento e não tributável; 3.1.2. em abril de 2002, a DRF/Mossoró instou a Caixa Econômica Federal a apresentar cópia do DARF referente ao recolhimento do IRPF, alertando que os comprovantes emitidos estavam errados, em vista disso, diversos empregados da Caixa solicitaram a emissão dos comprovantes de rendimentos de forma correta, tendo recebido a resposta de que os comprovantes estavam corretos e de que "não existe imposto de renda sobre conciliação, nos termos do Provimentos CG/TST 01/96", com a orientação para, caso fossem notificados, apresentarem os documentos recebidos no momento da liquidação da causa trabalhista; 3.1.3. a Caixa Econômica Federal encaminhou à Receita Federal o ofício 63/2002, informando que ficou desobrigada de recolher o imposto de renda na fonte em virtude da decisão judicial homologatória estabelecer que não havia incidência de imposto de renda, tendo a Receita Federal resolvido efetuar o lançamento do crédito tributário em desfavor do impugnante e demais empregados da Caixa favorecidos com o acordo. 3.2. Preliminar 3.2.1. o impugnante discorre sobre transferência, substituição e responsabilidade tributária, concluindo que a Caixa Econômica Federal é a substituta tributária do contribuinte, portanto, o procedimento fiscal não poderia jamais ter sido voltado contra a pessoa do impugnante e sim contra aquela instituição financeira; 3.2.2. observase que em 2002 a Receita Federal chegou a iniciar um procedimento contra a Caixa Econômica Federal, porém deuse por satisfeita com a simples informação de que o imposto não fora retido em virtude de decisão judicial, passando a atacar o acerto da decisão judicial, que disse não ser devido o imposto, arguindo, até mesmo, a ineficácia do julgado frente à Fazenda Nacional, uma vez que esta não foi parte no processo trabalhista onde houve a prolação da sentença; 3.2.3. a Receita Federal contaminou o procedimento fiscal com a eiva da nulidade, pois, se a decisão judicial não pode ser imposta à Fazenda Nacional, em atenção aos limites subjetivos da coisa julgada, a consequência lógica é que a Receita Federal pode exigir da Caixa Econômica Federal o recolhimento do tributo que entende devido, pois, o impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo do aludido procedimento; 3.2.3. o impugnante transcreve parte do Parecer PFN/RN/RWSA n° 001/2006, proferido no processo 11598.000552/200584, no qual o Procurador entende que "a Fazenda não fica obrigada a cumprir qualquer comando da decisão homologada entre a Caixa Econômica Federal e os reclamantes, uma vez que tal decisão só produz efeitos inter partes", nada havendo para justificar o redirecionamento do procedimento fiscal, antes instaurado contra a Caixa por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.2.02.002002000931, datado de 22/04/2002, sendo utilizado "dois pesos e duas medidas"; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 3.2.4. cumpriu a mesma decisão judicial e preencheu a declaração de ajuste anual com base no comprovante de rendimentos fornecido pela Caixa Econômica Federal, onde a verba relativa ao fato gerador foi indicada como rendimento isento e não tributável, conforme orientação do Manual de Preenchimento da Declaração de Ajuste Anual; 3.2.5. cita farta doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte. 3.3. Do Mérito 3.3.1. ajuizou reclamação trabalhista contra a Caixa Econômica Federal, juntamente com mais 70 empregados, pleiteando o recebimento do índice de 26,05%, relativo à URP de fevereiro de 1989, e a integração destes valores às verbas salariais vencidas e vincendas e ao FGTS, férias, gratificação natalina e anuênios; 3.3.2. após dez anos de "peleja judicial", a reclamada foi condenada, em última instância, nos termos da petição inicial, tendo ingressado com uma ação rescisória, que poderia protelar por mais cinco anos o pagamento do débito reconhecido judicialmente, porém, não vislumbrado a possibilidade de reverter a decisão, a Caixa Econômica Federal propôs um acordo, no qual ela pagaria os valores depositados em juízo, desde que os reclamantes renunciassem expressamente à incorporação inicialmente pleiteada, tendo sido aceito pelos reclamantes; 3.3.3. portanto, a quantia recebida teve o escopo de compensálo pela renúncia ao direito subjetivo de incorporação, tendo a natureza de indenização, não se configurando como renda na definição legal, mas um simples ressarcimento de um dano; 3.3.4. na sentença homologatória do acordo, restou consignado que não incide imposto de renda sobre a conciliação, nos termos do Provimento CG/TST 01/96, porém a DRF/Natal enviou relatório à PFN/RN, solicitando orientação sobre a possibilidade de efetuar o lançamento com ou sem multa de ofício, tendo em vista a incongruência no Provimento CG/TST 01/96, no qual o item 01 afirma a incompetência da Justiça do Trabalho para deliberar acerca de imposto de renda incidente em reclamações trabalhistas em virtude de sentenças condenatórias enquanto o item 03 afirma não incidir imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo na Justiça do Trabalho; 3.3.5 em resposta, foi emitido o Parecer n° 001/2005, concluindo que apenas as verbas de natureza salarial podem sofrer incidência de IRPF, ficando a base de cálculo do imposto, portanto, a depender da discriminação das verbas, porém, o procurador não endossou a aplicação da multa de ofício, tendo em vista que a culpa da retenção do imposto não poderia ser atribuída aos reclamantes beneficiados pela decisão; 3.3.6. acontece que não existe a contradição apontada, uma vez que está dito que a Justiça do Trabalho é incompetente para deliberar acerca de valores eventualmente devidos em virtude de liquidação de sentenças condenatórias, porém o item 03 afirma a não incidência de imposto de renda sobre quantias pagas a título de acordo, no qual houve renúncia a direitos de ambas as partes, portanto, o que se recebe tem natureza indenizatória, pois Fl. 164DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000243/200601 Acórdão n.º 2802002.565 S2TE02 Fl. 4 5 visa tornar indene ou recompor o patrimônio de dano sofrido em virtude da renúncia a direitos patrimoniais; 3.3.5. o Supremo Tribunal Federal — STF posicionouse no sentido de que a Justiça do Trabalho tem competência para definir a incidência ou não de descontos previdenciários e de imposto de renda; 3.3.6. se a Receita Federal aceitou a justificativa da Caixa Econômica Federal de que não fez o recolhimento em virtude da sentença da juíza do trabalho, única razão apresentada, deve aceitar as justificativas do contribuinte, alheias a sua vontade, para não ter recolhido o imposto de renda: obediência à sentença da juíza, o fato de a fonte pagadora não ter retido o imposto de renda na fonte e ter emitido o comprovante de rendimentos e o fato de o contribuinte ter feito sua declaração de acordo com o referido comprovante; 3.3.7. nenhum centavo do valor recebido tem natureza salarial, requerendo uma perícia contábil, sendo certo que, se não conseguir discriminar as verbas de natureza salarial, a Receita Federal não poderá, por mera presunção, submeter todo o valor recebido à tributação, contrariando o disposto pela PFN/RN; 3.3.8. cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes a respeito da natureza indenizatória dos rendimentos. 3.4. Do Pedido 3.4.1. que seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do impugnante, e, portanto, a nulidade do procedimento fiscal; 3.4.2 caso a preliminar não seja acolhida, que se reconheça a não incidência de imposto de renda sobre a quantia recebida, seja por sua natureza indenizatória, seja por tratarse de valor recebido a título de acordo homologado pela Justiça do Trabalho; 3.4.3. se nenhuma das hipóteses anteriores for acolhida, que seja determinada a realização de perícia contábil, a fim de apurar o montante das verbas de natureza salarial, para servir como base de cálculo do imposto de renda; 3.4.4. que seja afastada a incidência de juros de mora e multa, uma vez que a culpa pela não retenção do imposto não pode ser atribuída ao impugnante. 4. Anexa documentos pertinentes à questão A DRJ/REC (PE), julgou a impugnação improcedente, fls. 92 e ss. por considerar serem tributáveis, na fonte e na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença condenatória ou acordo, e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado. “... Fl. 165DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Postada a intimação para a ciência de tal julgamento em 10/06/2009, fls. 110, o interessado ingressou recurso voluntário em 09/07/2009, fls. 111 e seguintes, onde invoca as seguintes preliminares: nulidade da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, tendo em vista que a mesma teria cerceado seu direito à ampla defesa em virtude dos julgadores não se manifestaram nem a favor nem contrariamente a alegação formulada na peça inicial em relação a matéria de relevância que se refere ao "REAJUSTAMENTO DA BASE DE CALCULO". ilegitimidade passiva; e ofensa ao “princípio da capacidade contributiva da contribuinte e a progressividade tributária atingindo níveis de confisco ou de cerceamento de outros direito constitucionais, já que dentro desse raciocínio lógico e usando o bom senso em termos de capacidade contributiva a Caixa Econômica Federal é quem deveria se responsabilizar pelo recolhimento desse imposto” . No mérito, o recurso voluntário amparase na alegação de que os rendimentos recebidos seriam isentos, por terem natureza indenizatória, tal como disposto na própria decisão proferida nos autos do processo trabalhista e no informe de rendimentos enviado pela fonte pagadora, requerendo, subsidiariamente, o cancelamento da cobrança da multa e dos juros de mora em razão da inexistência de culpa do sujeito passivo. O julgamento do recurso voluntário foi sobrestado em 9 de junho de 2011 pelo despacho, de fls. 176, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto à matéria objeto dos autos, cujo mérito será julgado no Recurso Extraordinário nº 614.406, ainda pendentes de julgamento. Posteriormente foi editada a Portaria CARF nº 01/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, razão pela qual o processo é incluído na pauta de julgamento para apreciação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Em nova análise dos elementos constantes dos autos verifico que, apesar de tratar de rendimentos recebidos em razão de ação trabalhista, a matéria em discussão não se refere à incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente, mas à classificação dos rendimentos, quando decorrentes de acordo judicial. Entendo não ser o caso de sobrestamento, estando a causa madura para julgamento. Passo, portanto, à análise das preliminares suscitadas no recurso voluntário. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000243/200601 Acórdão n.º 2802002.565 S2TE02 Fl. 5 7 Em relação à alegação de nulidade da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento, tendo em vista que a mesma teria cerceado o direito à ampla defesa em virtude dos julgadores não se manifestaram nem a favor nem contrariamente a alegação formulada na peça inicial em relação a matéria de relevância que se refere ao "REAJUSTAMENTO DA BASE DE CALCULO", entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que, da leitura da ementa e da íntegra do voto da decisão proferida pela DRJ verificase que o julgador destacou que no caso em tela não há embasamento legal para se considerar os rendimentos em causa como isentos ou nãotributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis, devendo a autoridade administrativa basearse na legislação tributária vigente, à qual deve obedecer, de acordo com o princípio da estrita legalidade estabelecido na Constituição Federal para a Administração Pública. Assim também, não merece acolhimento a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que o recorrente foi o beneficiário dos rendimentos pagos e, portanto, é contribuinte do imposto de renda incidente sobre os mesmos. O assunto é objeto da Súmula CARF nº 12: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção." Finalmente, melhor sorte não assiste à alegação de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco. A cobrança de multa e de juros de mora decorre de estrita previsão legal. Assim, uma vez descumprida a obrigação principal, o contribuinte deve arcar com a condenação acessória de pagamento de multa e os juros, quando cabíveis. Ademais, é vedado ao CARF afastar imposição fiscal sob a alegação de ofensa ao princípio da capacidade contributiva ou da vedação ao confisco, tal como consta da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminares rejeitadas, passo a examinar o mérito. A discussão travada nos autos tem seu ponto central na definição da forma de tributação dos valores que compuseram recebimento decorrente do acordo trabalhista. Embora o recorrente sustente que as verbas têm caráter indenizatório em razão da renúncia de parte do direito em que se fundava a ação trabalhista proposta, não há, nos autos, elementos que corroborem tal alegação. Com efeito, tanto a certidão emitida pelo Juízo da 1ª Vara Trabalhista de Mossoró, às fls. 82/87, quanto o Termo de Conciliação juntado às fls. 75/81 carecem de discriminação da natureza das verbas pagas em virtude do acordo e sequer mencionam tratarse de indenização. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Por outro lado, a competência para fiscalizar e cobrar o imposto de renda é da União (inciso I do art. 153 da Constituição de 1988 c/c art. 142 do CTN) que a exerce por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que não é prejudicado por decisão em âmbito de ação trabalhista onde a União sequer foi parte. É certo que o acordo possui natureza jurídica de transação e seus efeitos restringemse às partes nele envolvidas, não sendo oponível a terceiros, como é o caso da União. Desta forma, não havendo prova em contrário, deve ser tributado o valor integral quando de seu recebimento. Nesse mesmo sentido é o precedente do Superior Tribunal de Justiça, o qual vem servindo de fundamentação em outros julgados semelhantes proferidos por essa Turma sobre o mesmo tema: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO SOBRE A RENDA IRPF.RECLAMAÇÃO TRABALHISTA.CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE VERBAS DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AUSÊNCIA DE LIQUIDAÇÃO DOS VALORES. ACORDO FIRMADO ENTRE AS PARTES. IMPROCEDÊNCIA DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. ACORDO DAS PARTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. A isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente e, a fortiori , restritivamente (CTN, art. 111, II), não comportando exegese extensiva. 2. O Imposto sobre a Renda incide sobre o produto da atividade que implique o auferimento de renda ou proventos de qualquer natureza, que constitua riqueza nova agregada ao patrimônio do contribuinte e deve se pautar pelos princípios da progressividade, generalidade, universalidade e capacidade contributiva, nos termos do arts. 153, III e § 2º, I e 145, § 1º da CF. 3. O conceito do art. 43 do CTN de renda e proventos, sob o viés da matriz constitucional, contém em si uma conotação de contraprestação pela atividade exercida pelo contribuinte, verbis: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. 4. A norma isentiva do Imposto de Renda, por sua vez, insculpida no art. 6º, inc. V, da Lei n.º 7.713/88,assim dispõe: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13433.000243/200601 Acórdão n.º 2802002.565 S2TE02 Fl. 6 9 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; 5. A regra, portanto, aponta no sentido de que advinda disponibilidade econômica ou jurídica, incide, sobre a renda ou provento, o tributo correspectivo, sendo certo que qualquer exceção deve decorrer de lei, que por seu turno reclama interpretação literal. 6. In casu, em reclamação trabalhista, houve condenação da ex empregadora ao pagamento de verbas rescisórias de contrato de trabalho, em que parte das parcelas era passível de incidência do imposto de renda e outras não, porquanto abrangidas pela norma isentiva. Não obstante, supervenientemente, as partes homologaram acordo na Justiça do Trabalho, em um "montante global", que incorporou as diversas verbas devidas, houve recolhimento do imposto de renda, que o autor pretende restituir. 7. Na impossibilidade de separar os valores no tocante a cada verba, para aferir o caráter indenizatório ou não, impõe a incidência do Imposto de Renda sobre o todo, porquanto a isenção decorre da lei expressa, vedada a sua instituição por vontade das partes, através de negócio jurídico. 8. Inteligência, ademais, do art. 123, do Código Tributário Nacional, no sentido de que "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes" . (...) 11. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (RECURSO ESPECIAL Nº 958.736 S, Relator :Ministro Luiz Fux, Julgado em 06 de maio de 2010). Finalmente, no que tange à aplicação da multa de ofício entendo, que sua imposição não é possível, visto que a recorrente foi induzida ao erro pela fonte pagadora. Com efeito, verificase pelos documentos de fls. 12 que a fonte pagadora, de fato, classificou o rendimento pago a título do acordo trabalhista firmado como sendo isento e não tributável. Assim, o recorrente de posse dos referidos documentos apresentou sua declaração informando a verba como isenta, acreditando estar agindo de forma correta. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Portanto, se houve erro no apontamento da natureza do rendimento tributável, este erro é escusável e não foi provocado pelo recorrente, devendo ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e darlhe parcial provimento para determinar a exclusão da multa de ofício no valor de R$37.835,01, aplicada no auto de infração. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 170DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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