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Numero do processo: 13609.000334/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ENCERRAMENTO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal pode ser encerrado parcialmente, desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Verificada a omissão de receita, o montante apurado deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1201-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores não contabilizados, creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o montante apurado deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, autoridade fiscal deve proceder ao lançamento de ofício, cujo prazo decadencial de cinco anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ENCERRAMENTO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 03 34 /2 00 9- 22 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 3 2 O Mandado de Procedimento Fiscal pode ser encerrado parcialmente, desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, multa de oficio e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2004. Neste processo cuidase dos lançamentos relativos ao primeiro trimestre de 2004, enquanto que no processo n. 13609.001092/200994 são analisados e julgados os lançamentos referentes ao terceiro e quarto trimestres do mesmo exercício. O lançamento tem como fundamento a presunção de omissão de receita, com base no art. 42 da Lei n. 9.430/96, decorrente da identificação de vários lançamentos a crédito não contabilizados, recebidos na conta bancária da Recorrente. A fiscalização foi motivada por seleção interna para verificação da escrituração contábil dos depósitos bancários. O procedimento fiscal foi iniciado com base no Mandado de Procedimento Fiscal MPF de n° 06.1.13.002008003662, no qual foi apurado crédito tributário do Imposto Fl. 798DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 4 3 de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, no valor total, com os acréscimos legais, de R$ 15.228.643,48. Em 15 de outubro de 2008 o Contribuinte foi intimado a apresentar o Livro Diário, o Livro Razão e os extratos bancários da empresa relativos ao anocalendário de 2004. O contribuinte entregou os documentos, conforme atesta a autoridade fiscal, em 29 de outubro de 2008. Em 11 de dezembro de 2008, após a análise da documentação entregue, a autoridade lançadora determinou que o contribuinte apresentasse documentação apta a comprovar a origem dos créditos constantes dos extratos bancários analisados, posto que não haviam sido identificadas as contrapartidas contábeis nos respectivos livros. Para tanto, a autoridade lançadora relacionou, individualmente, todos os cheques, depósitos e transferências que careciam de comprovação e, ainda, ressaltou que a ausência de origem implicaria na aplicação do disposto no artigo 42 da Lei n. 9.430/96. Em resposta datada de 29 de dezembro de 2008 o Contribuinte alegou, em síntese, que os depósitos e cheques seriam relativos a descontos que os produtores e transportadores da região fariam no próprio Posto, com ou sem o fornecimento de combustível, conforme o caso. Em 20 de janeiro de 2009 a autoridade fiscal, por meio de nova intimação, solicitou a apresentação dos documentos que comprovassem a origem dos depósitos, ressaltando que: 1. Os documentos que podem ser usados para comprovação são as cópias dos cheques depositados, cópias dos documentos de créditos, DOC, recibos, e outros. Ressaltase que a apresentação de cópia dos comprovantes de depósitos bancários referentes ao 1° trimestre de 2004, enviados a fiscalização em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 01 não comprovam sua origem. 2. O contribuinte deveria apresentar uma planilha relacionando os dados de cada cheque ou documento referente aos créditos (banco, agência, conta, emitente, CPF/CNPJ, valor e data) com a nota fiscal e data do abastecimento, nome completo do cliente, valor da diferença recebida em dinheiro e outros dados disponíveis. Deveria, ainda, apresentar cópias (frente e verso) dos cheques emitidos em 2004 pelo POSTO N & REIS LTDA. referentes à conta corrente n° 6.4785, agência 03956, do Banco do Brasil. No mesmo termo de intimação a autoridade fiscal elaborou uma relação detalhada dos créditos não escriturados nos Livros Diário e Razão apresentados e relativos ao ano de 2004, que indicavam a movimentação na conta corrente n. 6.4785, agência 03956, do Banco do Brasil. Em 12 de março de 2009 o Contribuinte entregou parcialmente os documentos, que foram recebidos pela autoridade fiscal, sob a alegação de que o banco não Fl. 799DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 5 4 possuía a relação de cheques depositados, por impossibilidade de sistema, conforme informação do gerente responsável. Em 16 de março de 2009 o Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal, relativo ao primeiro trimestre do anocalendário de 2004, que considerou omissão de receita os valores não escriturados, para os quais, segundo mencionado no “Relatório de Auditoria Fiscal”, não houve comprovação de origem. No mencionado relatório a autoridade lançadora destaca, verbis: 1. Existem no período diversos depósitos de cheques em valores superiores a R$ 50.000,00, que pela descrição do extrato presumese ser um único cheque. 2. É no mínimo incomum um estabelecimento comercial devolver como troco em um abastecimento de veículo valores expressivos como os alegados no presente caso. 3. Considerando um abastecimento na ordem de R$ 1.000,00 (500 litros de óleo diesel ao preço de R$ 2,00 o litro) pagos com um cheque de R$ 50.000,00, isto acarretaria um custo de R$ 190,00 apenas com a Contribuição Provisória Sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF. 4. No 1° trimestre de 2004 os valores referentes aos cheques depositados não escriturados totalizam R$ 15.117.425,47, o que geraria um custo de CPMF de R$ 57.446,22 nos alegados saques em dinheiro destes valores. 5. Os valores da CPMF sobre as vendas escrituradas nos livros contábeis, também, estão contabilizados como despesas. Entretanto, os valores da CPMF debitados da conta corrente referentes aos alegados saques não estão registrados nos livros Diário e Razão. O Recorrente apresentou impugnação em 08 de abril de 2009, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Para aumentar as vendas, o impugnante efetua descontos de cheques apresentados por caminhoneiros e clientes do posto; 2. Esses cheques são recebidos em pagamento de serviços de transporte realizados; 3. A fiscalização desconsiderou a informação do impugnante, quando atendeu a 1ª Intimação, informando que os cheques descontados pelo Posto se originavam de pagamentos efetuados pelas usinas siderúrgicas a fornecedores de carvão vegetal, quase sempre, produtores/transportadores. 4. Houve uma segunda intimação de 20/01/2009, atendida em 12/03/2009, quando o contribuinte foi intimado a apresentar cópia dos cheques emitidos referente à conta corrente n° 6.478 5, agência 03956, do Banco do Brasil; Fl. 800DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 6 5 5. Que tais documentos não foram examinados, já que, quando ocorreu a entrega dos documentos, os autos de infração já estavam emitidos; 6. O lançamento fica no campo da "praesumptio hominis", já que os extratos bancários representam simplesmente uma conta corrente, onde existem débitos (saques) e créditos (depósitos); 7. Utiliza o método de escrituração de suprimento de caixa, mediante compensação de cheques emitidos, debitandose a conta caixa e creditandose a conta bancos; 8. Os depósitos identificados, apesar de não contabilizados, não representam nenhuma omissão de receitas, já que se anulam pela contabilização dos cheques, máxime, sendo a escrituração contábil indivisível nos termos do art. 380 do CPC; 9. A documentação juntada comprova tudo que foi dito ao longo da impugnação e esclarece que os valores depositados fecham com os valores sacados, mediante pequenas somas em dinheiro acrescidas aos valores dos cheques descontados pelo posto de gasolina. Em sessão realizada no dia 26 de maio de 2009, a 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento para manter integralmente as exigências do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS consubstanciadas nos autos de infração, acrescidas de multa de ofício de 75% e dos juros de mora. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores não contabilizados, creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A opção do contribuinte por movimentar expressivas somas de numerário, em supostas operações de "descontos de cheques", por sua inteira responsabilidade, não o exime de comprovar a origem de cada um dos depósitos nos limites e na forma determinados pela legislação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. O Contribuinte foi intimado da decisão da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte em 09 de junho de 2009 e, em 07 de julho de 2009, interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: Fl. 801DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 7 6 1. O objeto de sua atividade é a venda a varejo de combustíveis e lubrificantes e com o objetivo de incremento do negócio jurídico realiza descontos de cheques apresentados por caminhoneiros e clientes do posto, que, na maciça maioria, adquirem mercadorias que lhes são necessárias, efetuam o pagamento com os cheques, recebendo do posto, em dinheiro, a diferença entre o valor do cheque e o preço da mercadoria adquirida. Outras vezes, em menor escala, simplesmente efetuam a troca dos cheques em moeda corrente (grifamos). 2. Mantém numerário em banco para suprir a necessidade destas operações financeiras e efetua saques bancários com o fito de promover as trocas de cheques. 3. Contabilmente, credita a "conta bancos" e posteriormente, pelo mesmo valor, debita, em contrapartida, a "conta caixa". Esgotados os recursos no banco, os cheques recebidos são depositados no mesmo estabelecimento bancário, a título de reposição, repetindose, continuamente, as operações saques e depósitos; 4. A fiscalização somente considerou os primeiros lançamentos e não considerou os saques; 5. A autoridade lançadora apóiase somente em extratos bancários; 6. Depósitos bancários não caracterizam fato gerador do IR, porque não traduzem disponibilidade econômica de renda e proventos; 7. Se fosse analisada a "conta caixa" da empresa, constatarse ia numerário suficiente para cobrir todos os depósitos, com plena correspondência de datas e valores; 8. Ao contrário do que ressalta o lançamento, o Recorrente, justificou, à saciedade, a origem dos depósitos efetivados. 9. Utiliza o método de escrituração de "suprimento de caixa", mediante compensação dos cheques emitidos, debitandose a "conta caixa" e creditandose a "conta bancos”; 10. Os cheques emitidos pelo contribuinte, compensados por instituição bancária, lançados a débito da "conta caixa" como recurso, têm seu correspondente registro a crédito desta mesma conta, pela saída de caixa para pagamento dos gastos incorridos; 11. Se de um lado é fato que a ora recorrente não contabilizou os depósitos em questão, necessário realçar que também não contabilizou os cheques sacados da mesma conta. Estes cheques foram relacionados na impugnação e foram emitidos para suprimento de caixa, com as seguintes características: (i) emissão feita pelo Posto N & Reis Ltda, nominais a ele próprio; (ii) em todos os cheques consta aposto carimbo com os dizeres: Fl. 802DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 8 7 "este cheque destinase ao suprimento de caixa e troco de cheques" (grifamos). 12. Todos estes esclarecimentos foram prestados à fiscalização na fase investigatória; 13. O não cumprimento de uma obrigação acessória não tem o condão de inferir, por simples indução, a ideia de omissão de receitas, que implica na venda de mercadoria sem nota fiscal (grifamos). 14. Se contabilizar os depósitos e, também os cheques emitidos, nenhuma diferença restará constatada, o que afasta a presunção de omissão de receita; 15. As provas produzidas são idôneas, hábeis e capazes para desfazer a presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96; 16. O Fisco parte da falsa premissa de que cada depósito representa um valor omisso; 17. O capital movimentado envolvendo a "conta caixa" e a "conta bancos" é o mesmo, gerando em torno de R$ 230.000,00 a R$ 450.000,00, e não a quantia apurada no lançamento de R$ 15.117.425,47; 18. O lançamento tributário alicerçase somente nos depósitos bancários colacionados no relatório fiscal; 19. O Fisco não reuniu outro indício para confirmar o crédito tributário; 20. A decisão recorrida confere ao artigo 42 da Lei 9.430/96, interpretação dissociada do princípio da estrita legalidade, hospedado nos artigos 150, I, da CF e 142 do CTN, bem como ofende os artigos 153, III, da CF e 43 do CTN; 21. O IR há de ser cobrado sobre o acréscimo patrimonial e não sobre o próprio patrimônio; 22. Os depósitos bancários não sofrem incidência do IR, mas, sim, o acréscimo patrimonial. Atestar a ocorrência do fato gerador é um dever de prova imposto à autoridade lançadora (grifamos). 23. Para caracterizar a omissão de receita, o artigo 42 da Lei 9.430/96, não exige que se comprove a origem individualizada dos depósitos (grifamos) 24. A decisão recorrida ultrapassou os limites do artigo 42 e desrespeitou aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada ao exigir que o Recorrente demonstrasse a origem de cada depósito; 25. A documentação juntada comprova o que consta alegado nos autos e esclarece que os valores depositados fecham com os valores sacados, mediante pequenas somas em dinheiro Fl. 803DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 9 8 acrescidas aos valores dos cheques descontados pelo posto de gasolina; 26. Os cheques emitidos pelo Recorrente nominal à sua própria pessoa foram emitidos para suprimento de caixa; 27. Na fase de intimações, o Recorrente atendeu as solicitações exibindo documentos que atestam a origem dos depósitos, mas que a fiscalização os desconsiderou (grifamos); 28. Os depósitos bancários não contabilizados se anulam em compensação com os cheques emitidos para suprimento da "conta caixa", também não contabilizados (grifamos); 29. Os depósitos identificados, apesar de não contabilizados, não representam nenhuma omissão de receitas, já que se anulam pela contabilização dos cheques, máxime sendo a escrituração contábil indivisível nos termos do art. 380 do CPC (grifamos); 30. Salta aos olhos a impropriedade do procedimento, já que o regramento em relevo prevê comando determinando forma de apuração do imposto, pela suposta omissão de receita, segundo o regime de tributação a que estiver sujeito o contribuinte; 31. Com efeito, apuração e tributação não se confundem com constituição do crédito tributário, mediante formalização de lançamento, que deve focarse necessariamente no MPF, que, no caso em testilha, é único e o período fiscalizado, também, previamente determinado. 32. Conforme se divisa dos autos o Fisco, na contramão das normas procedimentais, optou por efetuar lançamentos englobando períodos trimestrais, apesar do MPF estabelecer o período de janeiro a dezembro de 2004. 33. O Recorrente não contabilizou os depósitos por mero equívoco contábil (grifamos). 34. Sendo assim, inegável que o lançamento pretende transformar uma simples omissão contábil, ausência de registro, em venda de combustível desacobertada de nota fiscal (grifamos); 35. Fez a recorrente a retificação de sua contabilidade no ano de 2004, após a não aceitação das provas como origem dos recursos, retificação esta representada pela contabilização de todos os cheques emitidos para suprimento de caixa, assim como efetuou a contabilização de todos os depósitos indicados pela fiscalização, conforme se comprova pelo documentos anexos; 36. Neste diapasão, sendo os documentos contabilizados hábeis e idôneos, mesmo registrados a destempo para retificação da contabilidade, e, encerrando esta valor probante por si só, fica elidida a presunção legal, e, em consequência, insubsistente de pleno direito, o lançamento fiscal. Donde o desacerto da r. decisão recorrida (grifamos). Fl. 804DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 10 9 Requereu a reforma da decisão recorrida e o sobrestamento do julgamento, até que se estabeleça a reunião de todos os processos conexos. Posteriormente, a Recorrente endereçou ao Ilustríssimo Senhor Presidente desta Turma, pedido adicional de reconhecimento da decadência em razão dos valores de PIS e COFINS lançados e referentes aos meses de janeiro a março de 2004. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tendo em vista os longos argumentos expendidos pela Recorrente, entendo ser conveniente a separação por tópicos, no intuito de enfrentar todos os pontos relevantes apresentados no recurso. 1. Da arguição de decadência em relação ao PIS e à COFINS Alega a Recorrente, em pedido formulado em 14 de fevereiro de 2011, que, em razão de o lançamento efetuado pela autoridade tributária ter sido realizado em 16 de março de 2009, restariam decaídos os débitos relativos ao PIS e à COFINS, para os meses de janeiro e fevereiro de 2004. O argumento da Recorrente utiliza como lastro a aplicação do artigo 150, §4o, do CTN. Todavia, com a alteração do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 586, de 22/12/2010, e a consequente inclusão do artigo 62A, a seguir transcrito, os colegiados deverão adotar a tese definida pelo STJ na sistemática do recurso repetitivo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos Fl. 805DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 11 10 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifamos) Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria encontrase definida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 806DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 12 11 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) No caso dos autos tratase de lançamento por omissão de receitas, no qual entendo que não há, por parte da autoridade fiscal, o que homologar, de modo que o dies a quo do prazo decadencial deve ser deslocado para a regra geral do artigo 173, I, do CTN. Nesse sentido já se posicionava a jurisprudência do STJ antes mesmo do acórdão supracitado, conforme ementa da lavra do Ministro Castro Meira, que reproduzo: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No lançamento por homologação, o contribuinte, ou o responsável tributário, deve realizar o pagamento antecipado do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, ficando a extinção do crédito condicionada à futura homologação expressa ou tácita pela autoridade fiscal competente. Havendo pagamento antecipado, o Fisco dispõe do prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o que foi pago ou lançar a diferença acaso existente (art.150, § 4°, do CTN). Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, não há o que homologar, nem se pode falar em lançamento por homologação. Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, cujo prazo decadencial se rege pela regra geral do art. 173, 1, do CTN: cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o pagamento antecipado deveria ter sido realizado. (grifamos) A tese segundo a qual a regra do art. 150, § 4°, do CTN deve ser aplicada cumulativamente com a do art. 173, I, do CTN, resultando em prazo decadencial dez anos, já não encontra guarida nesta Corte. Precedentes. Recurso especial do autor provido, prejudicado o da municipalidade.(REsp 1024092/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2008, DJe 04.09.2008) Fl. 807DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 13 12 Conquanto me pareça que os Acórdãos retrocitados sejam mais do que suficientes para elucidar a questão, no intuito de que não pairem dúvidas sobre a aplicação da regra neles prevista para as hipóteses de omissão de receita, como ocorre no caso em tela, trago à colação recente decisão do próprio STJ, que expressamente consagra a regra do artigo 173, I, do CTN, para as hipóteses de omissão relativas ao PIS, nos exatos moldes do que se discute nestes autos: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. (grifamos) (EDcl no REsp 1162055 SP 2009/00655845, Relator Ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, Julgamento em 07/12/2010 e Publicação no DJe de 14/02/2001). Ante o exposto, voto pelo afastamento da decadência em relação aos períodos suscitados pela Recorrente. 2. Da divisão dos autos de infração por período A recorrente alega que a divisão do MPF, com a lavratura de autos de infração com encerramento parcial, feriria a legislação de regência. Entendo que o MPF, como ordem específica que instaura o procedimento fiscal e emitido pela autoridade competente, pode ser encerrado parcialmente, desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte. Como no presente caso o contribuinte apura o IRPJ e a CSLL trimestralmente, conforme se depreende da DIPJ trazida aos autos, não vislumbro qualquer problema em relação aos procedimentos adotados pela fiscalização e, nesse sentido, rechaço os argumentos da Recorrente. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 14 13 Não há na legislação de regência, consubstanciada na Portaria RFB n. 11.371/2007, qualquer óbice aos procedimentos levados a cabo pela autoridade fiscal. 3. Da omissão de receita e dos procedimentos adotados pela fiscalização A fiscalização intimou o contribuinte a apresentar diversos livros e documentos, entre os quais os livros contábeis da empresa e os extratos de depósito bancário, conforme já demonstrado no relatório. De posse de tais informações e ante a incapacidade do contribuinte em comprovar a origem dos valores depositados em conta corrente de sua titularidade, a autoridade fiscal efetuou a conciliação desses elementos e detectou que diversos lançamentos não foram escriturados, o que ensejou a presente autuação do IRPJ e reflexos. A base legal do auto de infração é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 15 14 Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. E, no caso em tela, a autoridade fiscal, ao contrário do alegado no Recurso, se mostrou bastante diligente durante os procedimentos, pois nas intimações feitas ao Contribuinte relacionou pormenorizadamente os cheques não contabilizados e exigiu a comprovação das respectivas origens, com o alerta sobre as implicações legais em caso negativo. É fato que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos valores, pois, ao tempo da fiscalização, apenas apresentou as cópias dos depósitos bancários, o que simplesmente confirma o ingresso dos recursos na sua conta corrente. Mais adiante, no término da fiscalização, entregou, parcialmente, cópias de cheques diversos, sem, contudo atender à determinação fiscal, que o intimou a apresentar planilhas, notas fiscais, recibos e documentos de crédito. O que me parece cabal, incontroverso e determinante para o deslinde das questões discutidas nos autos é o fato de que a Recorrente não apresentou, em todo o processo, um documento fiscal sequer de sua emissão, ou seja, em nenhum momento – e não faltaram oportunidades – produziu provas adequadas sobre as origens do numerário depositado ou, alternativamente, dos negócios jurídicos que as ensejaram. Limitouse a apresentar algumas notas fiscais de terceiros, quando da impugnação, mas absolutamente nenhuma de sua lavra, ao mesmo tempo em que repetidamente argumenta que os cheques eram descontados em troca de vendas de mercadorias. As palavras são da Recorrente: O objeto de sua atividade é a venda a varejo de combustíveis e lubrificantes e com o objetivo de incremento do negócio jurídico realiza descontos de cheques apresentados por caminhoneiros e clientes do posto, que, na maciça maioria, adquirem mercadorias que lhes são necessárias, efetuam o pagamento com os cheques, recebendo do posto, em dinheiro, a diferença entre o valor do cheque e o preço da mercadoria adquirida. (grifamos) Neste ponto caberia a indagação: Quais mercadorias? Para quem e com que valores? Nada disso pode ser respondido à luz dos documentos acostados nos autos. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 16 15 Aliás, a Recorrente claramente opta por uma linha argumentativa extenuante e repetitiva, como se a reprodução das palavras tivesse o condão de transformálas em provas concretas. A Recorrente argumenta textualmente que mantém numerário em banco para suprir a necessidade dessas operações financeiras e efetua saques bancários com o fito de promover as trocas de cheque (...). Contabilmente, credita a “conta bancos” e posteriormente, pelo mesmo valor, debita, em contrapartida, a “conta caixa”. Sobre tais afirmações convém ressaltar que, de acordo com planilhas e declarações bancárias apresentadas pela própria Recorrente, a empresa fazia, quase que diariamente, saques vultosos em dinheiro (na média, algo entre R$ 230.000,00 e R$ 350.000,00), ou seja, um montante aproximado de dezesseis milhões de reais em apenas três meses, conforme reconhecido pela Recorrente. Ocorre que os livros fiscais apresentados pela Recorrente simplesmente desconsideram tais operações, como ela própria reconhece, verbis: Se de um lado é fato que a ora recorrente não contabilizou os depósitos em questão, necessário realçar que também não contabilizou os cheques sacados da mesma conta. A Recorrente pugna pelo argumento da neutralidade, ou seja, como não contabilizou os depósitos também não contabilizou os saques, o que não geraria, segundo o seu raciocínio, qualquer efeito tributário! Afirma textualmente que a não contabilização dos montantes se deu por “mero equívoco contábil”. Equívoco da ordem de 16 milhões de reais, num único trimestre, para uma empresa que declarou na DIPJ do período receitas totais de R$ 2.439.776,86. A tese principal defendida pela Recorrente é a de que suas operações se baseiam no conceito de “suprimento de caixa”, mediante compensação dos cheques emitidos, debitandose a “conta caixa” e creditandose a “conta bancos”. Como não há registros contábeis das operações nem tampouco provas suficientes para comprovar as operações, entendo que a tese não deve ser acolhida. Nesse sentido já se manifestou este Conselho, em brilhante acórdão proferido no processo n. 10925.001480/0002, sessão de 11 de novembro de 2004, Relator(a) Neicyr de Almeida, cuja ementa, pela pertinência temática, reproduzimos: IRPJ E OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS – INDÍCIOS COM BASE NA ESCRITURAÇÃO – ÔNUS DA PROVA MERO SUPRIMENTO COMO ELEMENTO INDICIÁRIO – INSUBSISTÊNCIA – CONSTATAÇÃO DE SALDO CREDOR NÃO DIVULGADO – O suprimento de caixa – ainda que materializado por moeda manual – por si só não constitui elemento indiciário com aptidão de inverter o ônus da prova. É um ato administrativo usual que denota tão somente uma crise de liquidez ou revela a necessidade de recursos próprios voltados para a grade de investimentos empresarial. A Fl. 811DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 17 16 associação, não excludente, desse ativo monetário a um acobertado saldo credor de caixa de valor coincidente ou não – atual ou iminente –, é que terá o fôlego de inverter o ônus da prova. A infração, por sua vez, se tipificará sob a égide de omissão de receitas se restarem não coincidentes a origem e a efetiva entrega dos respectivos valores ao caixa da empresa. IRPJ PRESUNÇÃO JURIS TANTUM OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA OCULTADO POR SUPRIMENTOS FICTÍCIOS EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE Os suprimentos fictícios alocados a débito da conta caixa e posteriormente impugnados, exibem sempre um véu tênue acobertador do saldo negativo de caixa por omissão de receita pretérita. IRPJ E OUTROS – SUPRIMENTO DE CAIXA PRESUNÇÃO LEGAL – ÔNUS DA PROVA – INVERSÃO – COMPROVAÇÃO – NECESSIDADE MERAS ALEGAÇÕES – INSUBSISTÊNCIA – A presunção legal exige esgotantes meios de prova e não alegações esgotantes. IRPJ E OUTROS – SUPRIMENTO DE CAIXA – PROVA DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA – INEXISTÊNCIA – CONTABILIZAÇÃO DO INGRESSO DOS RECURSOS – ARGUIÇÃO RECURSAL – INSUFICIÊNCIA DE PROVA – LANÇAMENTO SUBSISTENTE – O suprimento de caixa, quando há prova evidente de que despesas ou custos foram solvidos com recursos de igual monta ou de valores próximos, tão somente confirma e demonstra o ingresso efetivo de recursos marginais que se alojaram no caixa da empresa, oriundos, salvo prova em contrário, de pretéritas receitas omitidas ou não levadas ao resultado do período. (grifamos) Outra tese defendida pela Recorrente é a de que o lançamento se deu com base na venda de mercadorias sem emissão de notas fiscais. Conquanto realmente não exista no processo qualquer documento fiscal de emissão do Contribuinte, como já salientamos, a autoridade lançadora em nenhum momento faz tal afirmação, até porque o que interessava, no caso, era a comprovação das origens dos depósitos. A Recorrente afirma, textualmente, que é impossível vender combustível desacobertado de nota fiscal, mas não apresenta sequer uma nota fiscal de sua emissão em todo o processo. Devemos levar em conta que não são apenas combustíveis que a Recorrente vende, mas também mercadorias, como ela própria afirma textualmente. Daí porque a irrelevância, quando tomadas isoladamente, das planilhas anexas ao Recurso. Na verdade, conheço das planilhas apresentadas nos termos colocados pela própria Recorrente, de que não trazem novas provas, mas apenas desdobramentos dos fatos já demonstrados. Nesse sentido, permanece o problema: elaborar e apresentar planilhas, anos depois da autuação, sem documentos suficientes que as subsidiem (notas fiscais, por exemplo), é insuficiente para comprovar a origem dos recursos. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 18 17 Assim, qualquer demonstração de capacidade de armazenamento, número de litros armazenáveis ou ilações dessa natureza, sobre serem desnecessárias, só podem ser entendidas como informações parciais e são inaptas para provar a pretensão da Recorrente. A Recorrente também apresentou “provas” de suas operações, relativas ao ano de 2009 (!), como fundamento para os fatos praticados em 2004, conforme segue: Para atestar este procedimento, tomando o procedimento até o presente praticado, a ora recorrente, com base em dados atuais, mas retratando a mesma prática, elaborou espelho demonstrativo, indicando que os cheques sacados e depositados têm plena vinculação, a despeito de seus registros contábeis. Neste ponto, a Recorrente apresenta operações de 2009 como justificativa do modus operandi adotado em 2004, e afirma que tais provas são “incontestáveis” para elucidar a atividade da empresa naquele período. Com a devida vênia, o argumento é absurdo e desprovido de qualquer sentido, visto que a sua adoção implicaria a criação de figura jurídica inédita, qual seja, a de prova futura com efeitos retroativos! Por força disso, devese simplesmente desconsiderar as informações apresentadas, por absoluta impertinência quanto aos fatos debatidos. No que tange à atividade financeira que deu ensejo ao lançamento, ao aceitar os argumentos da Recorrente seríamos forçados a reconhecer que a empresa, embora vendedora de combustíveis (atividade de posto de gasolina) atuava como verdadeiro “Banco 24 Horas”, realizando o desconto de inúmeros cheques entregues por seus clientes, que tanto serviam como pagamento de mercadorias adquiridas como também possibilitavam a entrega de “troco” pela diferença, conforme textualmente afirma. Todavia, ao contrário das instituições financeiras tradicionais, o contribuinte realizava tais operações, segundo declara, sem qualquer fim lucrativo, assumindo, inclusive, o ônus da CPMF (que à época vigorava), em montante superior a R$ 50.000,00 para um único trimestre. Ressaltese que, no que tange ao tema, o Contribuinte afirma que tinha “procedimentos próprios, um custo planejado e administrado operacionalmente” para a amortização e escrituração da CPMF, embora tais informações não constem dos livros contábeis, circunstância agravada pelo fato de que na DIPJ o valor da CPMF informado para o período é de singelos R$ 227,93. Ainda que o Contribuinte quisesse realizar operações estranhas à sua atividade, de modo informal e no intuito de alavancar seus negócios, jamais poderia fazêlo sem o atendimento dos requisitos legais. Como bem observa a decisão de primeira instância: (...) Ou seja, um posto de combustíveis, como é o caso do impugnante, pode até pretender funcionar como uma espécie de instituição financeira sem fins lucrativos, mas não pode por isso deixar de observar as normas vigentes, em especial aquelas que Fl. 813DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.000334/200922 Acórdão n.º 1201000.883 S1C2T1 Fl. 19 18 tratam da movimentação bancária, que exigem do contribuinte, em relação aos depósitos realizados em suas contas correntes, um rígido controle, necessário para fazer face a eventuais questionamentos da autoridade fiscal. Nesse particular, cumpre salientar que a opção do contribuinte por movimentar expressivas somas de numerário, precisamente R$ 15.117.425,47, em um único trimestre de 2004, em supostas operações de "descontos de cheques", por sua conta e risco, não o exime de comprovar a origem de cada um dos depósitos nos limites e na forma determinados pelo art. 42 da Lei n. 9430/96. E aqui também não pode prosperar o argumento da Recorrente de que não seria necessário individualizar as operações, em contraponto ao que se decidiu na primeira instância, até porque o § 3º, do aludido artigo 42, não deixa margem para dúvidas: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados (...): Por derradeiro, em relação à pendência de distribuição de julgamento suscitada e resolvida pelo Despacho de Saneamento exarado em 26 de março de 2012, pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, informo que o processo referente aos lançamentos do terceiro e quarto trimestre, que versam basicamente sobre os mesmos fatos aqui narrados e decididos foi relatado e colocado em pauta, para julgamento, nesta 2ª Câmara. Ante todo o exposto e em razão da não comprovação efetiva da origem dos recursos depositados em conta corrente, entendo que os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devam ser mantidos, até porque a autoridade fiscal se pautou pela diligência no curso dos trabalhos e seguiu os preceitos normativos. Portanto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 814DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904488/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 88 /2 01 2- 41 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904488/201241 Acórdão n.º 3803004.838 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904488/201241 Acórdão n.º 3803004.838 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904488/201241 Acórdão n.º 3803004.838 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 12897.000186/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Demonstrado que, no período objeto dos lançamentos em discussão, a recorrente encontrava-se sob o amparo de Solução de Consulta eficaz, e que esta reconheceu seu direito ao crédito do IPI decorrente de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de óleos lubrificantes derivados de petróleo, correta a exoneração dos créditos tributários.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3101-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo declarou-se impedido de votar. O Conselheiro José Paulo Puiatti participou do julgamento em substituição ao Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 25/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Paulo Puiatti (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO Demonstrado que, no período objeto dos lançamentos em discussão, a recorrente encontravase sob o amparo de Solução de Consulta eficaz, e que esta reconheceu seu direito ao crédito do IPI decorrente de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de óleos lubrificantes derivados de petróleo, correta a exoneração dos créditos tributários. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo declarouse impedido de votar. O Conselheiro José Paulo Puiatti participou do julgamento em substituição ao Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 25/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 86 /2 00 9- 85 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Paulo Puiatti (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (Fls.335 337): Em julgamento o auto de infração de fls. 163 a 176, lavrado em decorrência da constatação de recolhimento a menor de IPI lançado, em virtude da utilização de créditos básicos indevidos (créditos relativos a aquisições de insumos empregados na fabricação de lubrificantes, produtos nãotributados). A fiscalização entendeu que os óleos lubrificantes fabricados pela autuada não são abrangidos pela imunidade constitucional conferida aos derivados de petróleo pelo artigo 155, § 3°, da Constituição Federal de 1988, o que os tornaria nãotributados, segundo consta da TIPI, por outras razões que não a mencionada imunidade. A infração, relatada pelos auditores no Termo de Constatação de fls. 139 a 162, parte integrante do Auto de Infração, pode ser assim resumida: i) com a finalidade de examinar a natureza dos óleos lubrificantes produzidos, a empresa foi intimada a informar se industrializou algum produto através de operações de refino ou refinação (fl. 68), ao que a empresa respondeu informando que não realiza operações de refino de petróleo, segundo documento de fls. 69/70, do qual também consta a descrição sumária de seu processo de fabricação; ii) como só podem ser enquadrados como derivados de petróleo, para fins de reconhecimento da imunidade prevista no art. 155, § 3°, da CF, os produtos originados da transformação do petróleo mediante as operações de refino, nos termos das disposições do art. 18, .§ 3°, do RIPI/2002 e conceitos dados pelo art. 6° da Lei 9.478/97, e como a empresa não atua no refino de petróleo, a fiscalização concluiu que os óleos lubrificantes produzidos pela interessada não estão alcançados pela imunidade citada; iii) os óleos lubrificantes produzidos pela autuada, classificados sob os códigos 2710.1931 e 2710.1932, apesar de possuírem a notação NT da TIPI, não são abrangidos pela imunidade constitucional em foco, sendo a notação NT decorre de decisão do estado de excluir tais produtos do campo de incidência, por motivos outros que não a imunidade; iv) por não estarem alcançados pela imunidade, os auditores concluíram que a empresa não pode ser socorrida pela Solução de Consulta SRRF/7 5 RF/DISIT N° 394/2003, da própria interessada (cópia às fls. 55 a 61), que reconheceu, a partir da publicação do art. 11 da Lei 9.779/99, o direito ao creditamento e à utilização (para compensar com tributos Fl. 465DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12897.000186/200985 Acórdão n.º 3101001.575 S3C1T1 Fl. 4 3 administrados pela então SRF) dos créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos imunes; v) os créditos glosados, relativos a aquisições de insumos aplicados na fabricação dos produtos NT (nãoimunes), foram relacionados, nota a nota, as fls. 122 a 131, e os valores das glosas foram consolidados as fls. 134 e 138, valores que, após reconstituição da escrita fiscal (fl. 175), resultaram nos montantes exigidos na presente autuação (fls. 169/170). Em 13/04/2009 a autuada apresentou a impugnação de fls. 180 a 215, por intermédio da qual discorda do lançamento. Em resumo, a Impugnante apresenta as seguintes alegações: a) que "a Impugnante comercializa óleo lubrificante derivado do petróleo cuja operação de saída é desonerada do IPI em decorrência da Imunidade Constitucional, e, óleo lubrificante não derivado do petróleo em que a operação de saída é normalmente tributada pelo aludido imposto"; b) que a redação do art. 11 da Lei 9.779/99 e do art. 4° da IN SRF n° 33/99 permitiram a utilização do crédito do IPI decorrente das aquisições de insumos aplicados na fabricação dos produtos imunes, isentos, ou tributados à aliquota zero; c) que, apesar da clareza da redação dos dispositivos mencionados, a empresa formalizou, em 15/10/2003, processo de Consulta à Legislação Tributária perante a 7a Regido Fiscal (processo 13707.002630/200364 — fls. 55 a 70), consulta essa que foi decidida favoravelmente à interessada em 10/12/2003, sendolhe afirmado o direito ao creditamento do IPI, a partir de 01/01/1999, nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes; d) que a Impugnante adquire óleos lubrificantes de refinarias, que os produzem através da transformação do petróleo definida pelo inciso III do artigo 6° da Lei n° 9.478/97 e, tanto os revende, sem adicionar aditivos (classificandoos sob o código 2710.1931), como adiciona entre 10% a 15% de aditivos aos óleos adquiridos (classificandoos sob o código 2710.1932); e) que o entendimento da Impugnante encontra amparo em pareceres técnicos proferidos pelo Conselho Nacional do Petróleo, documentos de fls. 237 a 246; f) que não há como concordar com o entendimento dos fiscais autuantes quando afirmam que a notação NT conferida na TIPI aos óleos lubrificantes das posições 2710.1931 e 2710.1932 decorre de motivos outros que não a imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da CF/88, pois se esses óleos lubrificantes não são derivados do petróleo, seriam derivados do que? g) que todas as informações que constam do Termo de Constatação elaborado pelos auditores não são relevantes para o deslinde deste Fl. 466DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 litígio, cujo mérito consiste em reconhecer se a inconstitucionalidade do ADI SRF 05/2006, adotado como amparo do lançamento em debate, ou, ainda, na impossibilidade de sua aplicação retroativa, em razão de a Impugnante encontrarse protegida por solução de consulta decidida em seu favor; h) que, em razão da Impugnante ter impetrado Mandado de Segurança objetivando a suspensão dos efeitos do ADI SRF 05/2006, com liminar deferida em sede de Agravo de Instrumento, a empresa não poderia ser penalizada com a imposição da multa de oficio. A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, em sessão de julgamento realizada em 9 de novembro de 2009, por maioria de votos, julgou procedente a impugnação apresentada para eximir a contribuinte do recolhimento do imposto no valor de R$ 1.102.017,19, mais multa de oficio e juros de mora correspondentes. O acórdão 0926.987 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. LUBRIFICANTES. São imunes da incidência do IPI os derivados de petróleo, assim entendidos os produtos decorrentes da transformação do petróleo por meio do conjunto de processos genericamente denominado refino ou refinação. Tais produtos, dentre os quais os óleos lubrificantes derivados de petróleo classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, possuem a notação de nãotributados (NT) na TIPI em vigor, aprovada pelo Decreto no 4.542/2002. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. É de se cancelar o lançamento de oficio em relação a períodos de apuração nos quais a contribuinte agiu seguindo orientação dada em solução de consulta eficaz, apresentada pela própria contribuinte. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Foi interposto recurso de ofício em virtude de o credito tributário exonerado ultrapassar o limite estabelecido pelo artigo 1° da Portaria MF n° 3/2008. A empresa autuada requereu a juntada de Parecer emitido pelo Jurista Dr. José Eduardo Soares de Melo, sobre a questão tratada nos autos (fls.381434). A Repartição de origem encaminhou os autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Fl. 467DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12897.000186/200985 Acórdão n.º 3101001.575 S3C1T1 Fl. 5 5 Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A exoneração do crédito tributário, por parte da autoridade julgadora a quo, teve como fundamentos o reconhecimento de imunidade do IPI dos óleos lubrificantes derivados de petróleo classificados nos códigos 2710.1931 e 2710.1932, e dos efeitos da Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT N° 394/2003, que reconheceu o direito ao crédito do IPI incidente nas aquisições de matérias prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, aplicados na fabricação dos óleos lubrificantes produzidos por ela e comercializados no período, objeto dos lançamentos em discussão. Conforme demonstrado no acórdão embargado (fls.337341), os óleos lubrificantes industrializados pela interessada, objeto da presente autuação, enquadramse no conceito de derivados de petróleo, e são alcançados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da Constituição Federal de 1988. Nesse ponto, nenhuma ressalva deve ser feito ao decidido no acórdão 0926.987. Quanto ao reconhecimento ao direito a créditos de IPI decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na fabricação de produtos imunes, importanos analisar os efeitos da Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT N° 394/2003, favorável à interessada, que dispôs expressamente: 12. Isto posto, soluciono a presente consulta de forma favorável à consulente para esclarecer que as indústrias de produtos imunes, pelas entradas de insumos ocorridas a partir de 10 de janeiro de 1999, passaram a ter direito ao creditamento do IPI. O saldo de créditos excedentes pode, em cada trimestre, ser utilizado para compensação de dividas próprias relativas a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A compensação é efetuada pelo próprio contribuinte em sua escrita e formalizada mediante declaração, seja por meio eletrônico nas hipóteses do art. 2°, V, da IN 230/2003; seja por formulário nas demais. A questão foi muito bem avaliada no acórdão recorrido. Por bem expressar também meu entendimento sobre a questão, reproduzo trecho do voto vencedor da lavra da Julgadora Mônica Monteiro Garcia de los Rios, que em nada tendo a acrescentar ao seu voto e em sua homenagem, vou aqui repetilo como razões do meu decidir: Uma vez reconhecido que os óleos lubrificantes fabricados pela autuada são albergados pela imunidade conferida aos derivados de petróleo, necessário verificar os efeitos da Solução de Consulta SRRF/7a RF/DISIT N° 394/2003, da própria interessada (cópia às fls. 55 a 61 à época da apresentação, Esso Brasileira de Petróleo S/A, posteriormente, em virtude de alteração da denominação social, Cosan Combustíveis e Lubrificantes S/A — fl. 304). Importa observar que o processo de consulta foi apresentado pela matriz, o que, nos termos da disposição do § 3° do art. 14 da IN SRF 230/2002, vigente à época da formalização da consulta (hoje, art. 14, § 3°, da IN RFB 740/2007), alcança suas filiais (§3° Os efeitos da consulta Fl. 468DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 formulada pela matriz da pessoa jurídica estendemse aos demais estabelecimentos). Com isso, cai por terra a alegação dos auditores de que, em razão da autonomia dos estabelecimentos conferida pela legislação do IPI, a consulta formulada pela matriz não se aplicaria à filial objeto da presente autuação. Merece transcrição o item 12 da Solução de Consulta em comento (fl. 61): "12. Isto posto, soluciono a presente consulta de forma favorável consulente para esclarecer que as indústrias de produtos imunes, pelas entradas de insumos ocorridas a partir de 10 de janeiro de 1999, passaram a ter direito ao creditamento do IPI. 0 saldo de créditos excedentes pode, em cada trimestre, ser utilizado para compensação de dividas próprias relativas a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. A compensação é efetuada pelo próprio contribuinte em sua escrita e formalizada mediante declaração, seja por meio eletrônico nas hipóteses do art. 2°, V, da 1N 230/2003; seja por formulário nas demais." A leitura do item acima transcrito, bem como do inteiro teor da SC de fls. 55 a 61, não deixa margem a dúvidas: a resposta dada pela administração foi no sentido de reconhecer o direito aos créditos do IPI, a partir de 01/01/1999, oriundos de aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes. Notese que não há, no corpo da aludida solução, qualquer menção ao fato de que os imunes tratados pela IN SRF 33/99 seriam aqueles relativos à imunidade decorrente da exportação para o exterior de produtos tributados. Desta forma, é nítido o confronto entre o entendimento adotado pela SC da DISIT da 7 e o adotado pelo ADI SRF 05/2006, o que caracteriza alteração de entendimento, nos termos do §2º do art. 48 da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis: §° 12. Se, após a resposta da consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. 0 texto é claro: em ocorrendo alteração de entendimento, como no caso em exame, essa alteração produzirá efeitos, somente, sobre os fatos geradores ocorridos após a ciência da nova orientação ou a sua publicação na imprensa oficial. No caso, temos: i. a consulta foi apresentada em 15/10/2003 (fl. 62); ii. a solução de consulta foi proferida em 10/12/2003 (fl. 55); iii. os fatos geradores desta autuação ocorreram em 2004 (fl. 168); iv. não houve revisão, pela DISIT/7ªRF, no processo de consulta da interessada (fl. 305); v. o ADI SRF 05/2006 foi publicado em 18/04/2006. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 12897.000186/200985 Acórdão n.º 3101001.575 S3C1T1 Fl. 6 7 Nessa hipótese, não resta a menor dúvida de que, para os períodos abrangidos no presente lançamento, a contribuinte encontravase sob a proteção da mencionada solução de consulta, não podendo sofrer autuação, com a conseqüente imposição de multa de oficio, por ter agido seguindo orientação dada pela própria administração. Ressaltese que o entendimento adotado na Solução de Consulta formulada pela recorrente não corresponde necessariamente ao deste Relator. Portanto, demonstrado que, no período objeto dos lançamentos em discussão, a recorrente encontravase sob o amparo da referida solução de consulta e que esta reconheceu seu direito ao crédito do IPI decorrente de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de óleos lubrificantes derivados de petróleo, correta a exoneração dos créditos tributários, por parte da autoridade julgadora de primeira instância. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Sala das sessões, em 25 de fevereiro de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10875.903616/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 3803-005.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante na primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 16 /2 00 9- 45 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alega: O fundamento, decisão e enquadramento legal são apenas fática, sob a alegação de que o darf embora localizado registra um ou mais pagamentos, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não consignando crédito disponível. Do pagamento indevido ou a maior Do Darf localizado... foi detectado um pagamento indevido ou a maior... que corrigido pela taxa Selic acumulada ...importou em ... 0 referido crédito, foi compensado com o débitos de COFINS... Desta forma, do DARF identificado pela Inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior..., que após corrigido ficou apto a compensar o débito de COFINS na forma como realizado. 0 procedimento da Inconformada portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade. Do pedido Assim, o DARF então identificado tendo registrado pagamento indevido ou a maior de tributo, resta legitimada a compensação realizada pela Inconformada, devendo ser homologada na forma da legislação de regência. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903616/200945 Acórdão n.º 3803005.990 S3TE03 Fl. 3 3 ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde invoca novos argumentos para identificar a origem do seu crédito: i) o alargamento indevido da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento e consequente declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do disposto no § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98; ii) exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis (art. 4º, LC 70/91; art. 6º, Lei 9.715/98; art. 4º e parágrafo único, Lei 9.718/98); e iii) exclusão da incidência do PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas. Ao final requer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida, bem como o reconhecimento do direito creditório. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho, Administrativo de Recursos Fiscais. Relatado. Passase ao Voto. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Apreciação não significa conhecimento, porquanto para se conhecer do recurso fazse necessária a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, etc., mas também, e fundamentalmente, a manutenção dos motivos de fato e direito que sustentam o pedido de reforma do decidido, sob pena de preclusão do recurso manejado por inovação dos argumentos de defesa. O caso destes autos reflete situação análoga, da mesma recorrente, bastante discutida em reunião deste Colegiado, em agosto do ano passado, que teve por relatoria o eminente conselheiro Belchior Melo de Sousa, processo nº 10875.903590/200935, em que por unanimidade de votos foi reconhecida a inovação dos argumentos de defesa do recurso Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 voluntário. Vale destacar trecho do relator daquele acórdão que merece aplicação neste momento: (...) Na manifestação de inconformidade a Defesa nada referiu acerca das razões de direito que respaldariam a formação do crédito decorrente de pagamento indevido, nem tampouco juntou elementos de prova material com a finalidade de demonstrar a existência de saldo credor no montante correspondente aos débitos já informados à Receita Federal do Brasil, sendo esta a razão da não homologação da compensação declarada. As questões atinentes ao alargamento da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, da exclusão de valores da base de cálculo do PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, bem assim da exclusão da incidência do(a) PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, que se constituíram nas razões de defesa, somente vieram a lume por ocasião do recurso voluntário, não tendo sido apreciadas pelo juízo da instância a quo. Tais matérias não podem ser objeto de pronunciamento por este colegiado, por estranhas ao que fora decidido pela Delegacia de Julgamento. Não bastasse a inovação inaugurada no recurso, a Recorrente não carreou aos autos nenhum elemento de prova para sustentar suas razões de defesa, deixando de demonstrar a liquidez e certeza do crédito alegado. Não logrou, também, demonstrar a ilegalidade da decisão recorrida, ante o que se deve assentar que a mesma não merece reparo. (...) Ante o exposto, voto pelo DESCONHECIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16095.720001/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
IPI. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO.
A multa de oficio em seu percentual duplicado prevista no art. 80, §6, inciso II, da Lei n°4.502/64 exige a comprovação de ocorrência de reincidência específica, mais de uma circunstância agravante ou ainda a presença de sonegação, fraude ou conluio.
IPI. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
Justifica-se o agravamento da multa de ofício previsto no §7º do artigo 80 da Lei nº 4.502/64 nos casos em que o sujeito passivo deixe de atender intimação fiscal para apresentação de livros, documentos, esclarecimentos ou arquivos magnéticos obrigatórios.
Numero da decisão: 3201-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IPI. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A multa de oficio em seu percentual duplicado prevista no art. 80, §6, inciso II, da Lei n°4.502/64 exige a comprovação de ocorrência de reincidência específica, mais de uma circunstância agravante ou ainda a presença de sonegação, fraude ou conluio. IPI. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Justifica-se o agravamento da multa de ofício previsto no §7º do artigo 80 da Lei nº 4.502/64 nos casos em que o sujeito passivo deixe de atender intimação fiscal para apresentação de livros, documentos, esclarecimentos ou arquivos magnéticos obrigatórios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IPI. MULTA DE OFÍCIO DUPLICADA. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. MAIS DE UMA CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. A multa de oficio em seu percentual duplicado prevista no art. 80, §6, inciso II, da Lei n°4.502/64 exige a comprovação de ocorrência de reincidência específica, mais de uma circunstância agravante ou ainda a presença de sonegação, fraude ou conluio. IPI. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Justificase o agravamento da multa de ofício previsto no §7º do artigo 80 da Lei nº 4.502/64 nos casos em que o sujeito passivo deixe de atender intimação fiscal para apresentação de livros, documentos, esclarecimentos ou arquivos magnéticos obrigatórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 01 /2 01 1- 63 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 266 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 110/122 por falta de declaração e recolhimento do IPI, pelo utilização de créditos indevidos. Segundo o Termo de Verificação e Constatação de fls. 106/109, o contribuinte foi reiteradamente intimado a comprovar a origem de valores lançados a título de “Outros Créditos” no Livro de Registro de Apuração do IPI, contudo, a empresa nada apresentou. Diante disso, tais créditos foram glosados e foi reconstituída a escrita, disto resultando saldos devedores. Além disso, a fiscalização concluiu que o contribuinte, por sua forma de agir, visava suprimir ou reduzir tributo devido, cabendo a aplicação da multa qualificada, que também foi agravada pelo não atendimento às intimações. Assim, foi constituído o crédito tributário montante em R$ 3.826.898,45, nele inclusos os juros moratórios e a multa de ofício, conforme capitulação legal de fls. 115 e 119. Tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento alegando, em síntese, que: 1 O lançamento não pode prevalecer porque foi feito contra tributo cuja exigibilidade encontravase e encontrase suspensa pela liminar concedida no MS nº 2004.61.19.0041785, qual seja: Diante dessas razões expostas, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido inicial e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para determinar que a autoridade impetrada abstenhase de agir no sentido de cobrar ou punir a impetrante por proceder ao aproveitamento do IPI presumido, mediante compensação por creditamento em conta gráfica, decorrente, tão somente, das aquisições de produtos isentos e tributados à alíquota zero, dentro do prazo prescricional qüinqüenal contado da propositura deste feito, com as futuras operações de aquisição.” Fl. 266DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 267 3 2 Diante disso, ainda que se pudesse fazer o lançamento de ofício para evitar a decadência, não caberia o lançamento da multa, a qual jamais poderia ter sido qualificada, tanto em razão do contribuinte estar sob a égide de uma autorização judicial, como por não ter incorrido em nenhuma situação ou conduta capaz de ser tipificada como dolosa. 3 Tampouco se justificaria o agravamento da multa por ter a fiscalização tido acesso aos elementos necessários ao seu trabalho e porque não foi descrita e especificada qual das situações previstas no § 7º do art. 80 da Lei nº 4.502/64 teria a empresa infringido e nem se sabe com o auditor teria chegado no percentual de 225%, assim incorrendo em nulidade. Após apresentar sua impugnação, a defesa requereu a juntada da planilha de fl. 208, a qual demonstraria o controle da compensações dos créditos extemporâneos. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DIREITO AO CRÉDITO DO IPI. ÔNUS DA PROVA. Ainda que o contribuinte obtenha ordem judicial para se creditar de aquisições isentas do imposto, ou tributadas pela alíquota zero, cabe ao estabelecimento provar, mediante documentação hábil e idônea, que os valores escriturados correspondem ao permitido pela legislação e pela liminar concedida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Sempre cabível quando a conduta do sujeito passivo consiste em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. MULTA AGRAVADA. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 268 4 Evidenciado nos autos que a contribuinte deixou de atender a diversas intimações fiscais para apresentar documentos, além de também não prestar os esclarecimentos solicitados nessas intimações, é correto o agravamento da multa em 50%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural, bem como incluiu novos questionamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Inicialmente, constatase que a recorrente, em seu recurso voluntário, apresenta considerações que não foram suscitadas em sua peça impugnatória, quais sejam: que o relatório fiscal é nulo devido a falta de documentos probatórios que comprovassem a glosa de créditos; que a administração deve apreciar os argumentos de inconstitucionalidade posto que suscitados para contestar o relatório fiscal; que a multa não deve ser aplicada devido à inocorrência de prejuízo a fiscalização, bem como devido à ser excessiva, ultrapassando o razoável, configurando hipótese vedada pelo art. 150, IV, da CF/88; a ilegalidade na instituição da taxa SELIC a título de juros moratórios; A este respeito, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, em seus artigos 16, III, e 17 dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Do exposto, extraise que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 269 5 possuir. A matéria que não for expressamente impugnada não faz parte do litígio, precluindo o direito a impugnação em momento posterior, em sede de recurso. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento da instância a quo, representaria negativa de vigência a regra estabelecida pelo art. 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como a configuração de supressão de instância. Desta forma, em não fazendo parte da lide, tais alegações não serão conhecidas por este órgão colegiado. Tendo em vista o exposto, e presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente, nestes termos. A recorrente alega ser indevida a multa de ofício tendo em vista a existência de decisão judicial que lhe permitiria o aproveitamento de crédito presumido de IPI decorrente das aquisições de produtos isentos, tributados à alíquota zero ou não tributados Observase, contudo, que a recorrente, regularmente intimada por duas oportunidades para apresentar documentos que comprovassem a origem dos valores escriturados em seu Livro Registro de Apuração do IPI sob o título “outros créditos”, preferiu omitirse, não trazendo qualquer documento ou mesmo esclarecimento sobre os créditos pleiteados. Apenas após a autuação, em sede de contencioso administrativo, a recorrente alega que tais créditos correspondem ao seu pleito judicial. A contribuinte, entretanto, não carreou aos autos nenhum documento capaz de atestar que, de fato, os valores escriturados como “outros créditos” correspondem a crédito presumido de IPI decorrente de aquisições de produtos isentos, tributados à alíquota zero ou não tributados. Desta forma, tendo em vista a regra geral referente ao ônus probatório, qual seja a que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito, em não tendo a recorrente apresentado documentos capazes de comprovar que os valores escriturados como “outros créditos” correspondem a aquisições de produtos isentos, tributados à alíquota zero ou não tributados, não é possível excluir a aplicação da multa de ofício nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96. Em relação à multa de ofício qualificada, esta penalidade foi aplicada com base no art. 80, caput e § 6o , inciso II, da Lei n°4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 270 6 II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Do dispositivo acima citado, extraise ser devida a multa de ofício no percentual duplicado quando constatada a ocorrência de reincidência específica, mais de uma circunstância agravante ou ainda os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 Lei n°4.502/64, quais sejam sonegação, fraude ou conluio: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Esclarecese ainda que as circunstâncias agravantes encontramse previstas no §1º do artigo 68 da Lei n°4.502/64: Art. 68. [...] § 1º São circunstâncias agravantes: (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) I a reincidência; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) II o fato de o impôsto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; (Redação dada pelo Decreto Lei nº 34, de 1966) III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sôbre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 271 7 conhecimento pela autoridade fazendária. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Consta do Termo de Verificação Fiscal o lançamento teve origem na falta de comprovação pela recorrente dos valores declarados em seu Livro Registro de Apuração do IPI sob a rubrica “outros créditos” referentes aos períodos de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2007, que totalizaram R$ 1.059.046,14. A recorrente, intimada em duas oportunidades para apresentar os documentos, omitiuse, não respondendo as intimações. Verificase ainda que a recorrente, devidamente intimada a apresentar a documentação comprobatória de pagamento do IPI devido nestes períodos, não apresentou nenhum comprovante de recolhimento. A autoridade fiscal motiva a exigência da multa de ofício qualificada com as seguintes considerações: 2 DA MULTA QUALIFICADA Com a utilização de créditos indevidos visando suprimir ou reduzir o tributo devido, a Contribuinte incorre, em tese, na situação prevista no inciso I, do art. 2º, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Além disso, pela falta de recolhimento/declaração do imposto em DCTF e/ou recolhimento/dec1aração a menor do imposto em DCTF, a Contribuinte incorreu em falta mais grave, ou seja, cobrou o imposto dos adquirentes de seus produtos, mas o deixou de recolher ao Tesouro Nacional, configurando, em tese, na situação prevista no inciso II, do art. 2º, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Diante disso, a Contribuinte encontrase na situação prevista pelo art. 80, caput e § 6º, inciso II, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Medida Provisória n° 351/07 (posteriormente, art. 80, caput e § 6o , inciso II, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007). Do exposto, constatase que a recorrente, ao não comprovar a existência dos créditos escriturados em seus livros fiscais, teve os mesmos devidamente glosados, resultando na falta de recolhimento do IPI devido, e por consequência, incorrendo na conduta prescrita no caput do artigo 80 da Lei n°4.502/64. Devida, portanto, a multa de ofício no percentual de 75% incidente sobre o valor do tributo devido. Observase, contudo, que os fatos descritos no relatório fiscal não correspondem a nenhuma das hipóteses previstas para a aplicação da multa estabelecida pelo art. 80, §6º, inciso II, da Lei n°4.502/64, quais sejam a ocorrência de reincidência específica, mais de uma circunstância agravante ou ainda a presença de sonegação, fraude ou conluio. Desta forma, diante da falta de comprovação por parte da autoridade fiscal das circunstâncias que ensejariam a duplicação da multa de ofício, deve ser modificada a decisão recorrida, com o cancelamento da exigência. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16095.720001/201163 Acórdão n.º 3201001.596 S3C2T1 Fl. 272 8 No tocante a exigência da multa de ofício agravada, a mesma encontrase fundamentada no §7º do artigo 80 da Lei nº 4.502/64, que assim dispõe: Art. 80.[...] § 7o Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6o deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Como já exposto, a recorrente, intimada em duas oportunidades para apresentar os documentos comprobatórios de seus créditos fiscais, preferiu omitirse, não respondendo as intimações nem ao menos para justificar sua conduta. Em sendo esta a situação constante dos autos, resta configurada a conduta prescrita no dispositivo acima transcrito, mostrandose correta a aplicação da penalidade. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, cancelando a exigência da multa de ofício qualificada e mantendo a exigência da multa de ofício no percentual de 112,5%. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10380.900774/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
RELATÓRIO
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior de PIS que pretende utilizar para compensar com débito de IRPJ. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 77 4/ 20 09 -1 3 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 4 2 pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 PIS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração do PIS, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivocada a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 6 4 A incidência nãocumulativa das contribuições de que trata a lei n° 10.637/2002 e a lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...]§2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 7 5 nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como conseqüência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, na Resolução 3101000.169 que determinou a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 8 6 sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento através da Resolução 3101000.169, foi dividido em duas partes: a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 9 7 O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). Apresentou os seguintes preços dos insumos: INSUMO PREÇO DATA REFERÊNCIA BASE NORMATIVA GÁS NATURAL 0,304 R$/m³ junho/2001 Portaria Interministerial MME, MF 176/2001 (2,581 U$/MBTU, câmbio 2,3436 R$/U$) TUST Pecém 0,831 R$/kW Julho/2002 Anexo I, Resolução ANEEL 358/2002 Foram apresentados os seguintes valores corrigidos dos insumos e do preço praticado na venda da CGTF para a COELCE: DATA GÁS (R$/m³) TUST (R$/Kw) CGTFCOELCE (R$/MWh) ago/02 0,30400 0,831 122,36 dez/03 0,40298 3,431 159,82 jan/04 0,40298 3,431 159,82 fev/04 0,40298 3,431 159,82 mar/04 0,40298 3,431 159,82 abr/04 0,40504 3,431 163,96 mai/04 0,40504 3,431 163,96 jun/04 0,40504 3,431 163,96 jul/04 0,40504 3,431 163,96 ago/04 0,40504 2,675 163,96 set/04 0,40504 2,675 163,96 out/04 0,40504 2,675 163,96 nov/04 0,40504 2,675 163,96 dez/04 0,40504 2,869 163,96 jan/05 0,40504 2,869 163,96 fev/05 0,40504 2,869 163,96 mar/05 0,40504 2,869 163,96 abr/05 0,40632 2,869 163,55 mai/05 0,40632 2,869 163,55 jun/05 0,40632 2,869 163,55 jul/05 0,40632 3,385 163,55 ago/05 0,40632 3,385 163,55 set/05 0,40632 3,385 163,55 out/05 0,40632 3,385 163,55 nov/05 0,40632 3,385 163,55 dez/05 0,40632 3,385 163,55 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900774/200913 Resolução nº 3101000.342 S3C1T1 Fl. 10 8 O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. Entretanto, para análise das variações do preço final praticado no contrato de fornecimento para a COELCE em contrapartida com a variação do preço dos insumos, tornase necessário conhecer a composição final do preço com base nesses insumos, ou seja, o fator de ponderação de cada insumo (gás natural e TUST) na composição do preço final da energia vendida. Apenas com base no preço dos insumos ponderados (custo total dos insumos indicados), na mesma base do preço de venda de energia (R$/MWh), é possível confirmar a afirmação dos peritos que “a variação de preço de venda não foi superior à dos insumos”. Diante dos fatos apurados nos presente autos, voto no sentido converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime novamente a recorrente, para trazer aos autos complemento do laudo pericial com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Sala das sessões, em 30 de janeiro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
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Numero do processo: 10950.002897/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é constituída mediante lançamento de ofício, e por isso obedece à regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Aaaaaaa
aaaaaaaa
ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE.
Incide a multa de ofício de 50% sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado.
Essa penalidade pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado no final do exercício e não pago, não sendo possível afastá-la com o argumento de utilização da mesma base de cálculo ou com o princípio penal da consunção.
LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA
Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Negado.
Não é nula a decisão que não apreciou a parte da impugnação relativa ao crédito tributário parcelado e que motivou o indeferimento de diligência considerada desnecessária.
NULIDADE. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que descreve corretamente a infração lançada, bem como indica o correto enquadramento legal.
NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil - AFRB é competente para atribuir responsabilidade solidária a terceiros, por se tratar de identificação do sujeito passivo e assim compor a atividade do lançamento.
Dessa forma, não é nulo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por AFRB.
Inexiste cerceamento de defesa pela não cientificação de todos os documentos do processo, quando não se comprova qualquer restrição de acesso aos autos ou dificuldade de compreensão da acusação feita.
ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste previsão legal de prescrição para atribuição de responsabilidade solidária a terceiros.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 1102-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/2011-04 e 18208.115300/2011-92), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. Vencido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer que a sujeição passiva tributária imposta ao responsável tenha caráter subsidiário, e não solidário, em relação à Contribuinte.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é constituída mediante lançamento de ofício, e por isso obedece à regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aaaaaaa aaaaaaaa ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE. Incide a multa de ofício de 50% sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado. Essa penalidade pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado no final do exercício e não pago, não sendo possível afastá-la com o argumento de utilização da mesma base de cálculo ou com o princípio penal da consunção. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplica-se ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Não é nula a decisão que não apreciou a parte da impugnação relativa ao crédito tributário parcelado e que motivou o indeferimento de diligência considerada desnecessária. NULIDADE. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que descreve corretamente a infração lançada, bem como indica o correto enquadramento legal. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil - AFRB é competente para atribuir responsabilidade solidária a terceiros, por se tratar de identificação do sujeito passivo e assim compor a atividade do lançamento. Dessa forma, não é nulo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por AFRB. Inexiste cerceamento de defesa pela não cientificação de todos os documentos do processo, quando não se comprova qualquer restrição de acesso aos autos ou dificuldade de compreensão da acusação feita. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inexiste previsão legal de prescrição para atribuição de responsabilidade solidária a terceiros. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/2011-04 e 18208.115300/2011-92), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. Vencido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer que a sujeição passiva tributária imposta ao responsável tenha caráter subsidiário, e não solidário, em relação à Contribuinte. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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FALTA DE CIÊNCIA DE RESPONSÁVEL. VÍCIO SANADO PELA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. Todos os sujeitos passivos devem ser cientificados do acórdão de primeira instância. Contudo, o vício de falta de cientificação do responsável tributário considera se sanado com apresentação de recurso voluntário por ele. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS. RECURSO APRESENTADO POR UM DOS DEVEDORES. PEREMPÇÃO. INEXISTÊNCIA. O recurso apresentado pelo responsável tributário suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação ao contribuinte que deixa de recorrer, quando, além de questionar o vínculo de responsabilidade, enfrenta o mérito da autuação. RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO PARCIAL POR UM DOS DEVEDORES. LIMITES DE CONHECIMENTO. Caso um dos sujeitos passivos parcele parte do crédito tributário lançado, não é possível o conhecimento dos recursos voluntários sobre essa matéria de nenhuma das partes. Para aquele que parcelou e, portanto, confessou a dívida, a rescisão do parcelamento não permitirá o prosseguimento do recurso. Para o sujeito passivo solidário que não parcelou a dívida, a quitação definitiva do parcelamento lhe aproveitará. Contudo, caso ocorra a rescisão do benefício fiscal, será possível a retomada do curso do julgamento com relação à parte parcelada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 28 97 /2 01 0- 19 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 588 2 Hipótese em que apenas se conheceu os argumentos do recurso voluntário que versavam sobre as infrações de multa isolada e sobre o vínculo de responsabilidade do sócio de fato, pois o crédito tributário relativo às demais infrações lançadas havia sido parcelado pelo sujeito passivo principal. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão que não apreciou a parte da impugnação relativa ao crédito tributário parcelado e que motivou o indeferimento de diligência considerada desnecessária. NULIDADE. LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que descreve corretamente a infração lançada, bem como indica o correto enquadramento legal. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRB é competente para atribuir responsabilidade solidária a terceiros, por se tratar de identificação do sujeito passivo e assim compor a atividade do lançamento. Dessa forma, não é nulo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado por AFRB. Inexiste cerceamento de defesa pela não cientificação de todos os documentos do processo, quando não se comprova qualquer restrição de acesso aos autos ou dificuldade de compreensão da acusação feita. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Inexiste previsão legal de prescrição para atribuição de responsabilidade solidária a terceiros. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas é constituída mediante lançamento de ofício, e por isso obedece à regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aaaaaaa aaaaaaaa Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 589 3 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. POSSIBILIDADE. Incide a multa de ofício de 50% sobre o valor do pagamento mensal de estimativas que deixar de ser efetuado. Essa penalidade pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado no final do exercício e não pago, não sendo possível afastála com o argumento de utilização da mesma base de cálculo ou com o princípio penal da consunção. LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o decidido em relação ao lançamento do tributo principal, por decorrer da mesma matéria fática. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/201104 e 18208.115300/201192), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. Vencido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer que a sujeição passiva tributária imposta ao responsável tenha caráter subsidiário, e não solidário, em relação à Contribuinte. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 590 4 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foram lavrados (i) o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, que exigiu o imposto suplementar no valor de R$ 176.808,00, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 150%, bem como multa isolada no valor de R$ 17.362,64 (fls. 5 a 22); e (ii) o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que lançou contribuição no valor de R$ 72.290,88, acrescida de juros de mora e multa de ofício de 150%, bem como multa isolada no valor de R$ 9.997,88 (fls. 114 a 131). Foi atribuída a responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Remes, CPF nº 325.305.95968, por ser o considerado o administrador e proprietário de fato desta e de outras duas empresas, nos termos do Relatório Fiscal de Responsabilidade Solidária de fls. 48 a 65 e 157 a 174. A infração principal lançada decorreu de diferenças entre os tributos informados na DIPJ e aqueles efetivamente recolhidos ou declarados em DCTF. As multas isoladas se relacionam às estimativas informadas na DIPJ e não recolhidas. A multa qualificada foi motivada pelo uso de interpostas pessoas. IMPUGNAÇÕES DA EMPRESA Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou as impugnações de fls. 96 a 104 IRPJ e 208 a 215 CSLL, com o mesmo conteúdo, acatadas como tempestivas. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos dos recursos da seguinte maneira (fl. 483): 8. Advoga a nulidade dos autos, afirmando que a deficiente descrição dos fatos e do enquadramento legal não permite a identificação da efetiva imputação fiscal, se é falta de recolhimento, se é declaração com insuficiência de recolhimento ou de declaração e por isso não há certeza nem segurança sobre qual infração lhe está sendo imputada. 9. Afirma que se trata de tributo declarado o que será comprovado por prova pericial, a qual requer; aduz que há erro brutal na contabilidade do contribuinte, que também não foi apurado pelos fiscais. 10. O erro brutal seria que suas despesas operacionais foram R$272.987,00 e as quebras resultaram em prejuízo de R$126.988,12, o que provará mediante a perícia que requer; que o resultado operacional tributável foi de R$403.256,85, o que torna a autuação improcedente. 11. Reclama de ilegalidade das multas aplicadas. 12. Em relação ao percentual de 150% da multa de ofício, afirma ser ilegal, pois o tributo foi devidamente declarado na DIPJ, cabendo portanto, apenas a multa de mora limitada a 20%; também taxa a multa qualificada de confiscatória, transcrevendo jurisprudência. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 591 5 13. Em relação à multa isolada,que afirma ter sido de 10%, reclama de duplicidade porque, sobre a mesma base de incidência se exigem duas multas, caracterizando dupla penalização, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; afirma que, havendo dupla incidência da multa, somente é cabível a multa isolada. 14. Requer o cancelamento da multa de ofício, mantendo apenas a multa isolada, se vencidos os pleitos de nulidade e de improcedência das autuações. 15. Às págs. 226 e 231, em 23/11/2011, outros advogados a quem Arquimedes Moreti concedeu procuração em 21/11/2011, págs. 227/228 e 232/233, peticionaram que as notificações e intimações de despachos e decisões sejam endereçadas e enviadas ao escritório deles, cujo endereço fornecem; na mesma data, Arquimedes Moreti revoga a procuração anteriormente concedida a Paulo Morelli, págs. 229 e 234. DETERMINAÇÃO DA DRJ, IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL E PARCELAMENTO PARCIAL A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) observou que, no Termo de Verificação Fiscal, constava o Sr. Paulo Remes como responsável solidário e coresponsável pela empresa, e que este havia sido cientificado dos autos de infração. Contudo, notou que não havia sido lavrado Termo de Responsabilidade Solidária e se dado prazo de 30 dias para impugnação do responsável. Dessa forma, retornaramse os autos para a DRF para saneamento (fls 237 e 238). Nesse sentido, lavrouse o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Paulo Remes (fls. 240 a 241), intimandoo a pagar ou impugnar o feito, com ciência por via postal em 14/5/2012 (fl. 242). Em 1o/6/2012, o Sr. Paulo Remes apresentou a impugnação de fls. 245 a 293. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância, que assim descreveu esse recurso (fls. 484 a 486): 19. Informa que os débitos objetos dos processos nº 10950.002897/201019 e 10950.002895/201011, em relação aos quais foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, foram, parcelados no Refis – Lei nº 11.941, de 2009, devendo ser julgada insubsistente e descaracterizada a injusta sujeição passiva. 20. Afirma que prescreveu a imputação de responsabilidade passiva solidária quanto aos lançamentos dos meses de 01 a 04/2007, dado que a notificação foi dada em 04/05/2012, após decorridos mais de 5 (cinco) anos. 21. Advoga que possui legitimidade para apresentar impugnação e contestar tanto o lançamento fiscal, como a imputação de sua sujeição passiva solidária. 22. Argui a nulidade formal do Termo de Sujeição Passiva, argumentando que compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, nos casos de responsabilidade prevista nos arts. 124 a 138 do CTN, imputar a responsabilidade Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 592 6 pelo crédito tributário, a terceiro; portanto, o Termo de que foi objeto foi lavrado por agente incompetente, desobedecendo formalidade legal do Direito Administrativo, incorrendo com isso em vício de forma. 23. Aduz que o art. 135 do CTN só deve ser aplicado depois de esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributário do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança do crédito tributário, que é de competência da PFN. 24. Reclama de ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, ao argumento de que o Termo deveria lhe ter sido notificado, não só acompanhado dos autos de infração e do relatório fiscal, mas de cópia de todos os documentos que compõem o processo, o que não foi feito; aduz que não foi fundamentada e tipificada nitidamente a sujeição passiva solidária e, restringindo o direito de defesa, no momento da constatação da suposta infração, o interessado não pode se defender a contento e não soube quais documentos foram elencados no processo. 25. Acusa que o Termo ofende o princípio da legalidade e afrontaram princípios básicos constitucionais, pois falta base legal e de provas cabais da tipificação adotada, para que o Fisco o responsabilize solidariamente e destaca que a Administração está submetida ao princípio da legalidade; transcreve textos de autores em apoio à sua tese; assevera que não foi comprovada a situação jurídica da sua condição de sócio “de fato” da empresa, com a caracterização do agir doloso e de máfé, ou prática de atos com excesso de poderes (art. 135 do CTN, atos em virtude das quais a pessoa jurídica se torne insolvente) e tampouco foi demonstrado o interesse pessoal na situação que constitui o fato gerador, a teor do art. 124, I do CTN; afirma que os documentos da Junta Comercial possuem força probante e demonstram claramente que o impugnante nunca figurou como sóciogerente e a manutenção da referida responsabilidade fere o art. 135 do CTN; que o mero inadimplemento das obrigações tributárias das pessoas jurídicas não é infração à lei suficiente para imputar a responsabilidade do art. 135, III do CTN. 26. Resume que o Termo de Sujeição Passiva deve ser declarado nulo, porque sequer comprovado que o impugnante seria sócio de fato da empresa autuada. 27. No que tange aos autos de infração, afirma que foram lavrados com base em presunções e supostos indícios, carecendo de provas idôneas a comprovar a suposta infração, cabendo ao fisco provar a ocorrência da constituição do crédito tributário em sua forma de sujeição passiva solidária, isto é, cabelhe o ônus da prova, pois tanto o lançamento de termo de sujeição passiva solidária, assim como do tributo, devem ser com base na lei; mas que, nestes autos, o suposto fato que deu origem à exigência não foi devidamente provado por meio de provas idôneas, e nem poderia, uma vez que não ocorreu, sendo que, quando formalizados, já devem conter todos os elementos de prova coletados na fase de procedimento fiscal; que o fisco se baseou meramente em aparências, infringindo, inclusive o art. 142 do CTN. 28. Também em função dessas deficiências, invoca a ser favor o art. 112, II do CTN, pois em caso de dúvida, como na presente autuação, a regra é a interpretação benigna a favor do réu, em matéria de infrações e de penalidades. 29. Afirma que impugna os argumentos e documentos acostados pelo fisco, no que diz respeito a ser o litigante sócio “de fato” da empresa; para provar que nunca foi sócio, junta o contrato social e alterações, bem como certidão simplificada, todos registrados na Junta Comercial do Paraná – Jucepar; afirma que as constatações do fiscal não são provas; que o litigante é pessoa conhecida e de tradição na região e que, para ocupar seu tempo e utilizar sua experiência no ramo, empregouse na cafeeira, de cujo armazém é proprietário, posto que o arrendou ao Sr. Arquimedes Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 593 7 Moreti, passando a ajudar este último a angariar clientes e a estreitar laços com os cafeicultores da região; eis que não se pode confundir um empregado e arrendante, com sócio/proprietário, que foi o erro no qual incorreu a fiscalização. 30. Justifica sua presença no endereço da empresa pois, além de arrendar a máquina de beneficiamento, também prestava serviços à empresa no ramo do café; aduz que a sede da empresa, quando do início do procedimento fiscal, era em outro local; e complementa que presta serviços para várias empresas do ramo do café, devido à sua experiência no ramo. 31. Quanto à sua boa situação financeira e social, nada provam pois se trata do trabalho de toda sua vida e de seu pai. 32. Quanto aos depoimentos prestados por Sebastião Rodrigues Gomes, Conceição Gordo Marques Dias (que afirma nunca esteve na sede da empresa, nem conhece o quadro societário), Sérgio Bolonhezi e Pedro Reginaldo da Silva, são subjetivos e desprovidos de validade jurídica como provas, necessitando de contraprovas para esclarecimento. 33. Que, em relação à empresa A. Moretti, firma individual, o responsável é o Sr. Arquimedes Moretti, fato já constatado pelo fiscal e, em relação às constatações sobre a vida particular do Sr. Arquimedes Moretti, entende que cada um tem a liberdade de fazer o que bem entender e ter a ocupação adicional que lhe convier. 34. Quanto à empresa Com de Café e Cereais AMB Ltda, iniciou como sócio em 22/10/2002, até 10/04/2007, quando se retirou, tendo apenas arrendado o imóvel, o que não é ilegal. 35. Pugna pela anulação de ofício do ato, porque eivado de vícios que os tornam ilegais, a teor da Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal – STF. 36. Requer que decisão que venha a ser proferida, referente à presente impugnação, seja devidamente fundamentada, a fim de garantir o devido processo legal e a ampla defesa assegurados constitucionalmente. 37. Requer as seguintes diligências, sob pena no cerceamento de defesa, se indeferidas: coleta de novas declarações por Sebastião Rodrigues Gomes, Sérgio Bolonhezi e Pedro Reginaldo da Silva, a fim de que sejam esclarecidos pontos subjetivos e para que confirmem se o impugnante é comerciante de café. 38. Acerca do auto de infração referente ao auto de infração de CSLL, objeto do processo apensado ao presente, e acerca do auto de infração de IRPJ, repete a reclamação de que a defesa restou prejudicada porque não lhe foram cientificados todos os documentos que compuseram os referidos processos e, em seguida, repete as contestações já apresentadas nas impugnações aos mesmos: requer a nulidade destes autos, por falta de clareza e objetividade entre os fatos descritos como contrários à lei e o enquadramento legal e ilegalidade da cumulação de multas e de multa confiscatória, requerendo sucessivamente, caso sejam indeferidos os pedidos anteriores, que seja aplicada somente a multa isolada. 39. Conclui requerendo a apreciação e julgamento da impugnação, que seja resguardado e assegurado o direito à ampla defesa, contraditório e devido processo legal; sejam acatados os pedidos de prescrição parcial dos supostos débitos; seja acatado o pedido de nulidade formal por competência exclusiva da PFN; nulidade por cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, pela falta de ciência de documentos dos processos e ofensa ao princípio da legalidade; nulidade do Termo Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 594 8 de Sujeição Passiva, por ausência de provas idôneas, nulidade dos autos de infração, ilegalidade da cumulação de multas e de multa confiscatória e, se indeferidos, aplicação somente da multa isolada. E que sejam julgados todos improcedentes, extintos e arquivados. Na petição de fls. 294 a 299, a empresa informa que parcelou os débitos de IRPJ e CSLL no parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Posteriormente, verificouse que o parcelamento incluía apenas o lançamento relativo às diferenças entre a DIPJ e os recolhimentos, mas não as multas isoladas por falta de pagamento das estimativas (fls. 465 a 478). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 479 a 499): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IRPJ. CSLL. MULTA QUALIFICADA. PARCELAMENTO CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DE DÍVIDA. O pedido de parcelamento constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, implicando na extinção do litígio administrativo. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CAPITULAÇÃO LEGAL. Descabida a reclamação de que a descrição dos fatos e o enquadramento legal seriam deficientes a ponto de não permitir a identificação da efetiva imputação fiscal, se os fatos estão claramente descritos, apoiados pela documentação anexada aos autos e a capitulação legal está completa. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado pedido de diligência ou perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações. DILIGÊNCIA. PRESCINDÍVEL Fl. 594DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 595 9 Indeferese pedido de diligência considerado indevido e, portanto, prescindível, pois cabe ao litigante obter e apresentar a prova de suas contestações, na impugnação. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA DO AFRFB. A competência privativa do AFRFB de constituir crédito tributário mediante lançamento de ofício se completa com a identificação do sujeito passivo, o que inclui a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária de terceiro, quando caracterizada tal situação. NULIDADE. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Descabe a argüição de nulidade de Termo de Sujeição Passiva Solidária, ao argumento de que foi somente cientificado dos autos de infração e descrições dos fatos e não de toda a documentação do processo se, além de ter sido cientificado do Termo de Início de Fiscalização, poderia ter solicitado cópia ou vistas da documentação do processo, o que é facultado pela legislação, porém não o fez. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. INCLUSÃO DE SÓCIO DE FATO NO PÓLO PASSIVO . Cabe a responsabilização solidária passiva se há provas suficientes de que o sujeito era o sócioadministrador de fato da empresa, com simulação, por se utilizar de interposta pessoa, sem patrimônio compatível para adquirir cotas da mesma, para figurar como responsável meramente formal da pessoa jurídica. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ACESSO A DOCUMENTOS NOS AUTOS. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 596 10 Não há cerceamento do direito de defesa se o interessado não exerceu o direito de vistas ou solicitação de cópias de demais documentos do processo, sendo que foi cientificado do Termo de Início da Ação Fiscal e dos Autos de Infração e Termos de Verificação Fiscal que descreveram os fatos, estes junto com a ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. DECADÊNCIA. A Sujeição Passiva Solidária formalmente cientificada depois de 5 (cinco) anos transcorridos em relação a alguns dos fatos geradores não foi atingida nem mesmo em parte pela decadência, se o interessado já havia sido cientificado, em data anterior ao prazo decadencial, dos autos de infração lavrados nos quais a sua responsabilidade estava caracterizada. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Tendo sido caracterizado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, aplicase a regra de decadência do art. 173, I do CTN. RESPONSÁVEL PASSIVO SOLIDÁRIO. LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR AUTUAÇÃO. A pessoa apontada como Sujeito Passivo Solidário tem legitimidade para impugnar a autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. FUNDAMENTO DIVERSO DAQUELE DETERMINANTE DA MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. A imposição de multa devido ao não recolhimento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual tem causa diversa e não se confunde com a imposição de multa pela falta do recolhimento/declaração de estimativas mensais; portanto, nada obsta que ambas sejam aplicadas em relação ao mesmo ano calendário, se ocorrerem as respectivas causas determinantes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: Fl. 596DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 597 11 a) o parcelamento significou a desistência parcial do recurso relativo à parte parcelada. Assim, considerouse que continuavam em litígio apenas as multas isoladas e a responsabilidade solidária por elas; b) rejeitouse a preliminar de nulidade por deficiência na descrição dos fatos e no enquadramento legal, por não se verificarem as hipóteses dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF); c) não se conheceu do pedido de perícia por não atender aos requisitos mínimos definidos no art. 16, IV e § 1º , do PAF; d) a multa isolada atendeu aos requisitos legais, não havendo problema na aplicação em conjunto com a multa de ofício, por se tratarem de exigências distintas; e) o Termo de Responsabilidade Solidária foi lavrado por autoridade competente; f) não há cerceamento de defesa por se ter dado ciência apenas dos autos de infração e dos Termos de Verificação Fiscal, mas não de todos os documentos do processo, pois o responsável solidário poderia ter acesso aos autos e solicitar cópias; g) as provas dos autos comprovam que o Sr. Paulo Remes é o efetivo e real sóciogerente, tendo se utilizado de interpostas pessoas, sendo sua responsabilidade solidária decorrente dos arts. 124 e 135 do CTN; h) Não ocorreu a prescrição da imputação de responsabilidade do período de janeiro a abril de 2007, pois, apesar de cientificado do Termo de Responsabilidade Solidária em 4/5/2012, o Sr. Paulo Remes já havia sido cientificado dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal em 24/4/2010. Além disso, caracterizado o dolo, bem como no caso de não recolhimento dos valores do tributo/contribuição, aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, nenhuma parte do lançamento, cujo fato gerador mais antigo foi em 31/01/2007, e tampouco o Termo de Sujeição Passiva Solidária foi atingida pela decadência, devido à constatação de sonegação e dolo; i) diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, por conseguinte, não há que se falar em interpretação mais favorável, nos termos do art. 112, II do CTN, pois o lançamento é ato administrativo vinculado; j) indeferiuse o pedido de diligências por se considerar ser do litigante a apresentação de contraprovas; l) esclareceuse que as intimações devem ser dirigidas ao sujeito passivo e não ao seu procurador. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 598 12 RECURSO AO CARF Consta dos autos a ciência da decisão de primeira instância apenas do contribuinte, que ocorreu em 17/10/2002 (fls. 500 a 501). Em 13/11/2012, o Sr. Paulo Remes apresentou recurso ao Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 503 a 583), onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula por cerceamento do direito de defesa, na medida em que deixou de apreciar argumentos fundamentais do recurso sob a alegação de que o parcelamento implicou a desistência parcial da impugnação; b) tratase de nulidade insanável, visto que tem o direito de que suas razões e seus argumentos sejam objeto de análise no mérito em virtude da impugnação tempestivamente apresentada. Com a impugnação do Termo de Sujeição Passiva Solidária, estabeleceuse uma lide relativa a elemento intrínseco do lançamento em todos os seus termos, inclusive para apreciar e julgar as razões da impugnação dos valores das exigências tributárias de ofício de IRPJ e CSLL, respectivas multas de ofício de 150% e juros de mora e que deve ser obrigatoriamente conhecida e julgada pelos órgãos da Administração Tributária judicante. Não é razoável cercear seu direito de se defender do Termo de Sujeição Passiva em todos os seus termos, inclusive quanto ao mérito quando relacionado à sua condição de sujeito passivo, inclusive tendo a sua legitimidade já reconhecida para contestar tanto o lançamento quanto a imputação de sua sujeição passiva solidária, devendolhe ser assegurado os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; c) não desistiu de forma alguma de sua impugnação, seja parcialmente ou não, visto que apenas informou uma situação fiscal administrativa com a ocorrência de parcelamento efetivada pelo CONTRIBUINTE DEVEDOR PRINCIPAL, requerendo, inclusive que, tendo em vista o parcelamento pela empresa devedora, o procedimento administrativo de sujeição passiva solidária deveria ter sido julgado insubsistente quanto ao próprio impugnante e descaracterizado a injusta sujeição passiva por ser medida da mais lídima justiça; d) a decisão recorrida também é nula por cerceamento do direito de defesa por ter indeferido seu pedido de diligência para nova inquirição das testemunhas; e) repete os argumentos de sua impugnação a respeito do Termo de Sujeição Passiva, em especial a prescrição do período de janeiro a abril de 2007; a incompetência do agente que o lavrou; a violação aos princípios da ampla defesa e contraditório por falta de cientificação de todo o processo; a ofensa ao princípio da legalidade por falta de comprovação da tipicidade do fato, visto que não pode figurar como responsável solidário, pois os documentos da Junta Comercial registrados possuem força probante, havendo violação ao art. 135 do CTN; a ausência de provas de que era o sócioadministrador de fato da pessoa jurídica devedora principal; a inexistência de provas idôneas para comprovar a suposta infração com base em presunções e supostos indícios; e a necessidade de interpretação benigna da lei por falta de provas inequívocas; f) repete os argumentos de sua impugnação a respeito do auto de infração, como a nulidade por falta de clareza e objetividade entre os fatos descritos como contrários à lei e o enquadramento legal dado pelo agente fiscal para caracterizar a infração, a ilegalidade das multas e a impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 599 13 Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em setembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 586. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. O processo foi incluído em pauta pela primeira vez na sessão de 13 de fevereiro de 2014, mas não foi apreciado em função de pedido de vistas. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator 1 CONHECIMENTO DO RECURSO Tratase de lançamento contra a empresa Comércio de Café e Cereais R A Ltda e o Sr. Paulo Remes, responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário lançado por ter sido considerado sócio de fato. Assim, ambos os sujeitos passivos deveriam ter sido cientificados do acórdão de primeira instância e intimados a pagar ou a apresentar recurso. Contudo, apenas consta nos autos ciência da decisão a quo para a pessoa jurídica (fls. 500 a 501). Apesar disso, foi apenas o responsável solidário que apresentou recurso voluntário, não tendo havido irresignação expressa da empresa. Diante desse quadro, composto pela ausência de ciência obrigatória de uma das partes e contestação apenas do sujeito passivo não cientificado, entendo que: a) o vício de falta de cientificação do responsável tributário foi sanado pela apresentação de recurso voluntário por ele, que deve ser considerado tempestivo; b) não se deve declarar a perempção com relação ao sujeito passivo que, apesar de intimado, não apresentou recurso voluntário, pois o apelo do devedor solidário lhe aproveita, nos termos do art. 7o da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010. Quanto ao item “b”, há que se acrescentar que o recurso apresentado pelo responsável tributário se insurge tanto contra o vínculo de responsabilidade que lhe foi imputado quanto contra as infrações lançadas, persistindo a suspensão da exigibilidade para todos os sujeitos passivos. Dessa forma, entendo que o recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, e portanto merece ser conhecido. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 600 14 2 – LIMITES DO CONHECIMENTO E ARGUMENTOS DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Como a empresa aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e nele incluiu o crédito tributário decorrente das infrações relativas às diferenças entre os valores declarados e os efetivamente recolhidos, a decisão recorrida entendeu que houve desistência parcial do recurso por confissão irretratável de dívida, e somente conheceu as alegações relativas aos valores não parcelados, que se referiam às infrações de multa isolada por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL. Contudo, no voluntário, o responsável tributário pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, que teria deixado de apreciar seus argumentos contra todas as infrações. Acrescenta que não desistiu do recurso voluntário, pois quem apresentou o parcelamento foi o contribuinte principal, e não ele. Assim, a discussão que se põe é saber se a confissão de dívida por um dos devedores solidário se impõe aos demais. O art. 125 do Código Tributário Nacional – CTN define quais os efeitos da solidariedade, nos seguintes termos: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Assim, caso o parcelamento seja quitado, o pagamento definitivo do crédito lançado pela pessoa jurídica aproveitará ao responsável tributário. Contudo, caso o parcelamento seja rescindido, a confissão de dívida somente pode atingir quem expressamente a fez. No caso, a pessoa jurídica não teria mais direito a recurso, sendolhe imediatamente exigido o crédito tributário não adimplido, mas o mesmo não se aplicaria ao sócio solidário. De qualquer modo, no curso do parcelamento, não é possível se conhecer de qualquer impugnação quanto ao crédito parcelado, que se encontra com a exigibilidade suspensa e, se for regularmente adimplido, resultará na perda do objeto de qualquer apelo contra ele interposto. A Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB disciplinou a matéria no art. 5o da Portaria RFB nº 2.284, de 2010, abaixo transcrito: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 601 15 Art. 5 º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7 º . Desse modo, não se deve conhecer os argumentos dirigidos contra o crédito tributário parcelado. Caso ocorra a rescisão do parcelamento, poderá o responsável tributário prosseguir com a impugnação contra essa parte, direito que não poderá ser estendido à pessoa jurídica, que confessou a dívida e desistiu expressamente do recurso, nos termos da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Por outro lado, a discussão sobre o vínculo de responsabilidade deve atingir todo o crédito lançado. Assim, caso se entenda que o Sr. Paulo Remes não é responsável solidário, ele também deixará de responder pelo crédito parcelado, em caso de rescisão do parcelamento. O recorrente também defende que a decisão recorrida é nula por cerceamento do direito de defesa por ter indeferido seu pedido de diligência para nova inquirição das testemunhas. Contudo, enganase o contribuinte quando pensa que a realização de diligência é direito subjetivo da parte. Ao contrário, o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, prevê que a autoridade julgadora determine a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, não está obrigado o julgador a deferir o pedido de diligência quando entendêlo desnecessário, devendo apenas motivar a decisão. No caso, a autoridade julgadora motivou o indeferimento da diligência para nova inquirição das testemunhas por entendêla prescindível, pois, como o Fisco apresentou os depoimentos como prova de que o Sr. Paulo Remes era o proprietário de fato da empresa, seria ônus do fiscalizado trazer contraprovas em sentido contrário, e não simplesmente exigir novas investigações. Desse modo, entendo que não existe a nulidade apontada, pois a decisão recorrida motivou devidamente a desnecessidade da diligência pugnada. Do mesmo modo, concordo com o motivo do indeferimento, por não ser necessário que o Fisco repita a prova já produzida, quando não foram trazidos quaisquer motivos consistentes para a ela não se dar fé. Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade da decisão recorrida, que corretamente não apreciou as impugnações relativas ao crédito tributário parcelado e motivou o indeferimento da diligência, e somente conheço os argumentos do recurso Fl. 601DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 602 16 voluntário que versem sobre as infrações de multa isolada e sobre o vínculo de responsabilidade do Sr. Paulo Remes, desconhecendo os demais. 3 – NULIDADE DO LANÇAMENTO Como acima exposto, as únicas infrações em discussão são aquelas relativas às multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, que foram informadas na DIPJ (fls. 29 a 32 e 34 a 37), mas não pagas. Assim, devese analisar os argumentos de nulidade por falta de clareza e objetividade entre os fatos descritos como contrários à lei e o enquadramento legal dado pelo agente fiscal apenas com relação a essas infrações. Verifico que os autos de infração descreveram corretamente que os lançamentos decorriam da falta de pagamento das estimativas, e indicaram apropriadamente, como enquadramento legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, inexistindo a nulidade apontada, pelo que rejeito a preliminar suscitada. 4 – MÉRITO: MULTAS ISOLADAS O recorrente discorda da cobrança das multas isoladas pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, por considerar não ser possível a aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, o que resultaria na dupla penalização sobre o mesmo fato. Discordo do argumento. Isso porque a imposição dessas penalidades é consequência direta da lei, que não pode ter sua aplicação afastada pelos membros do CARF, sob pena de se estar, por vias transversas, declarando a inconstitucionalidade do ato legal, afrontando diretamente o conteúdo da Súmula CARF nº 2 e do art. 62 do anexo II do Regimento Interno do CARF. As multas aplicadas estão previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 602DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 603 17 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Isto é, a multa de ofício isolada de 50% incide sobre a estimativa não paga e convive com a penalidade de 75% sobre o tributo não pago, exigida em conjunto com este. O fundamento da defesa é a impossibilidade de cobrança concomitante das multas de ofício e isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo. Entretanto, se esse argumento possui algum sentido nas fiscalizações das pessoas físicas, onde o mesmo rendimento é usado no cálculo do imposto devido e do carnê leão, ele não se aplica ao imposto de renda das pessoas jurídicas calculado na modalidade do lucro real. Isso porque as bases de cálculo das estimativas mensais e do tributo devido no final do exercício são absolutamente diversas. Enquanto as estimativas mensais são calculadas pela aplicação de um percentual sobre a receita bruta mensal, nos termos do art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, o imposto devido no final do exercício é calculado sobre o lucro real, que consiste no lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária, nos termos do art. 6o do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Mesmo nos casos em que se tributam receitas omitidas, apesar dos mesmos valores entrarem no cômputo das receitas brutas mensais e do lucro real do exercício, em nenhuma hipótese estarseá tributando a mesma base de cálculo. De qualquer modo, no caso em tela, as estimativas foram calculadas pelo próprio contribuinte antes do início da ação fiscal, não sendo possível se falar em tributação de valores repetidos. Além disso, não encontro no ordenamento qualquer vedação à utilização da mesma base de cálculo para multas diversas. No âmbito do Direito Tributário, existe a vedação constitucional de a União criar, no uso de sua competência residual, impostos com a mesma base de cálculo de outros impostos discriminados na Constituição (art. 154, inciso I), e de as taxas terem base de cálculo própria de impostos (art. 145, §2o). E só. No âmbito do Direito Penal, o princípio do ne bis in idem proíbe que alguém seja punido duas vezes pelo mesmo fato. No caso, como se verá mais abaixo, as condutas apenadas são totalmente diferentes, e por isso merecem reprimendas diversas, que podem ser calculadas sob a mesma base de cálculo (mas que, como já dito, não é a situação que se analisa). Outro argumento que usualmente se utiliza para afastar a imposição concomitante de multas é o da aplicação do princípio penal da consunção, pois o não Fl. 603DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 604 18 recolhimento da estimativa mensal poderia ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, consistindo em simples meio de execução do resultado final. Entretanto, há que se admitir que a conduta que enseja a aplicação da multa isolada a falta de recolhimento das antecipações mensais com base na receita bruta – é totalmente diversa e independente daquela que resulta na multa de ofício sobre o imposto devido – a falta de recolhimento do imposto calculado a partir do lucro líquido contábil ajustado no final do exercício. Ora, tenho imensa dificuldade em entender como a falta de execução de uma tarefa – o não recolhimento de estimativas – pode ser visto como meio de execução ou ato preparatório de outro ilícito decorrente de inação – o não pagamento do tributo devido. Não é necessário deixar de antecipar o tributo para não recolhêlo na ocasião em que se torna definitivo. Tais atividades são absolutamente independentes, sem qualquer relação de causa e efeito. Na verdade, as duas condutas são exigidas pelo ordenamento, que prevê sanções diversas pelo seu não cumprimento. Não existe a possibilidade de diferenciar a gravidade entre as infrações, conceito ínsito ao princípio da consunção. A não punição pela falta de antecipação do imposto enfraquece todo o ordenamento, transformando a obrigação legal em mera opção do contribuinte. Existem ainda aqueles afirmam não ser a estimativa devida após o encerramento do exercício. Essa interpretação se escorava na antiga redação da lei, que determinava que a multa fosse calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, afirmando que as estimativas não tinham a natureza de tributo, que somente existiria no final do exercício, mas de simples antecipação. Discordo do argumento. O art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, define a estimativa como imposto, que é uma das espécies de tributo, e a ela se aplica, na íntegra, o conceito de tributo do art. 3o do Código Tributário Nacional prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. O fato de a legislação facultar a redução ou o não recolhimento das estimativas com base em balanços ou balancetes mensais não desnatura sua natureza de prestação compulsória, trazendo apenas hipótese onde é possível suspender ou reduzir sua incidência. Isto é, comprovado que o valor já recolhido excede o imposto a ser pago no mês, a lei afasta a incidência compulsória da norma, ou reduz o seu alcance até o limite do tributo devido. O raciocínio empregado consiste em verdadeira petição de princípio, utilizandose a conclusão como premissa: a estimativa não é compulsória o que comprova que não possui natureza de tributo, que é compulsório. Ora, tanto as estimativas são compulsórias que existe punição específica pelo seu não recolhimento, mesmo se o principal já tiver sido absorvido pelo imposto devido do exercício. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 605 19 Confirmam a natureza tributária das estimativas a sua cobrança por meio de auto de infração no decorrer do exercício, e sua restituição ou compensação como tributo (Súmula CARF no 84). Além disso, esse entendimento violava diretamente o conteúdo da lei, que era explícito em aplicar a penalidade ainda que se tivesse apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. A explicação de que essa parte da norma somente se aplicaria se a fiscalização se desse no mesmo anocalendário em que se apuram os lucros fere a lógica, pois, tratandose de lucro real anual, o prejuízo e a base de cálculo negativa só são apurados no último dia do ano, em especial porque o contribuinte não elaborou balancetes mensais (pois senão poderia suspender as estimativas). De qualquer modo, com a nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, essa interpretação não pode prosperar, pois a base de cálculo da multa por falta de recolhimento da estimativa deixou de ser “a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”, passando a ser “o valor do pagamento mensal”. O que se observa é que as diversas interpretações que afastavam a aplicação da multa isolada sobre estimativas se escoravam na idéia de que seu valor era desproporcional à gravidade da infração, pois a base de cálculo era mal calibrada. Contudo, esse argumento não serve ao intérprete, que não pode escolher deixar de aplicar as leis que lhe desagradam, mas deve nortear o legislador na confecção da norma. Vejase que o legislador teve a oportunidade de alterar a sistemática de penalidades por falta de recolhimento das estimativas, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 2007, mas manteve, em essência, o mesmo procedimento. As modificações efetuadas se deram como resposta às críticas recebidas, diferenciandose as alíquotas e se alterando a redação para bem distinguir as bases de cálculo. Mas a essência da tributação restou inalterada. Assim, devese respeitar a opção expressa do legislador, afastandose interpretações que, na prática, esvaziam o conteúdo de norma cogente, negando vigência à lei federal. Para auxiliar a decisão dos conselheiros que possuem entendimento diverso sobre a matéria, informo que, na DIPJ 2008, as estimativas mensais de IRPJ apuradas totalizaram R$ 34.725,28 (fls. 29 a 32), enquanto o imposto devido no final do exercício foi de R$ 176.808,00 (R$120.484,80 de principal e R$56.323,20 de adicional – fl. 33), e as estimativas mensais de CSLL apuradas totalizaram R$ 19.995,76 (fls. 34 a 37), enquanto a contribuição devida no final do exercício foi de R$ 72.290,88 (fl. 38). Dessa forma, mantenho o lançamento das multas. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 606 20 5 – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A Fiscalização atribuiu a responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Remes, CPF nº 325.305.95968, por considerálo o administrador e proprietário de fato desta e de outras duas empresas. Inicialmente, a atribuição da responsabilidade se deu pela informação no Termo de Verificação Fiscal (fls. 21 e 130) e pelo detalhamento no Relatório Fiscal de Responsabilidade Solidária de fls. 48 a 65 e 157 a 174, tendo o lançamento sido cientificado tanto ao contribuinte quanto ao responsável solidário em 24/6/2010. Entretanto, a DRJ baixou os autos em diligência recomendando a lavratura de Termo de Responsabilidade Solidária em nome do terceiro responsabilizado, concedendo a ele prazo de 30 dias para impugnação (fls 237 e 238). A autoridade fiscal atendeu a diligência, e lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Paulo Remes (fls. 240 a 241), que foi cientificado por via postal em 14/5/2012. 5.1 Preliminar de Decadência/Prescrição O responsável solidário afirma que, como teve ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 14/5/2012, teria ocorrido a prescrição dos período de janeiro a abril de 2007, pela superação do prazo de cinco anos. Entretanto, o ordenamento não prevê a modalidade de prescrição apontada. O que existe é a decadência do direito de lançar o crédito tributário. No caso de multas isoladas, sujeitas ao lançamento de ofício, o prazo decadencial é o do art. 173, inciso I, do CTN, que inicia a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para o ano de 2007, o prazo se iniciou em 1º/1/2008 e se encerrou em 31/12/2012. Assim, independentemente de se considerar a ciência do responsável tributário em 24/6/2010, com a ciência do lançamento, ou em 14/5/2012, com a ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, permanecia intocável o direito ao lançamento. De qualquer modo, registro minha opinião de que, no caso, a ciência do responsável tributário se deu em 24/6/2010, pois o lançamento imputava sua responsabilidade de forma precisa e clara, e a ele foi dada a devida ciência da autuação. Entendo ter sido prudente o retorno dos autos para a lavratura de termo específico de sujeição passiva, em especial porque o terceiro alçado à condição de sujeito passivo não havia apresentado impugnação, e não havia sido intimado para tanto. Mas tratouse de procedimento para evitar futuras alegações de cerceamento de defesa, que apenas repetiu a ciência que já havia sido dada. Assim, rejeito a preliminar de prescrição/decadência suscitada. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 607 21 5.2 Preliminares de Nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária O recorrente ainda aponta duas nulidades do Termo de Sujeição Passiva Solidária: a incompetência do agente e o cerceamento de defesa por falta de cientificação de todo o processo. Quanto à competência, afirma que somente a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN poderia atribuir responsabilidade a terceiros, e somente na fase de cobrança do crédito tributário. Entretanto, corretos os argumentos da decisão recorrida de que a responsabilização solidária faz parte da identificação do sujeito passivo, e compõe a atividade do lançamento prevista no art. 142 do CTN, que é privativa do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRB, nos termos do art. 6o, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Assim, o AFRB que lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária possuía competência para tanto. Já o cerceamento de defesa decorreria de ter recebido apenas cópias dos autos de infração e dos termos de verificação fiscal e sujeição passiva, mas não de todos os documentos do processo. Entretanto, o responsável solidário não explicou como a suposta falta de conhecimento de todos os termos dos autos prejudicou sua defesa. Ao contrário, os conteúdos de sua impugnação e recurso voluntário demonstram uma compreensão total das acusações que lhe foram imputadas e o pleno exercício do direito de defesa. Além disso, como bem indicado pela decisão recorrida, a Administração Tributária garante pleno acesso aos autos, não havendo qualquer indicação de que tal direito lhe foi negado. O recurso traz ainda uma terceira preliminar de nulidade relativa à ofensa ao princípio da legalidade por falta de comprovação da tipicidade do fato, que entendo se confundir com o mérito, e com ele será analisada. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. 5.3 Inexistência de Provas de Responsabilidade No mérito, o recorrente afirma que não há provas concretas de que era o administrador de fato da empresa, o que tornaria o Termo de Sujeição Passiva Solidária nulo. Acrescenta que, de modo contrário, o contrato social demonstraria que não é, nem nunca foi, sóciogerente da pessoa jurídica. E que, se dúvidas persistem sobre sua participação, devese utilizar a interpretação benigna do art. 112 do CTN. Contudo, após análise da acusação fiscal, entendo que restou devidamente demonstrado que o Sr. Paulo Remes era o proprietário de fato da fiscalizada, pois se comportava como tal, era assim conhecido pelos terceiros que negociavam com a empresa, e os Fl. 607DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 608 22 fatos apurados indicam que comercializava café com o uso de diversas empresas em nome de terceiros, que estavam instaladas em suas propriedades, muitas no mesmo endereço, e em regra atuando sob a denominação Cafeeira Borrazópolis. Entendo que a decisão recorrida analisou os fatos com profundidade, e aqui os repito, adotandoos como razão de decidir (fls. 493 a 495): 91. O Termo de Sujeição Passiva Solidária foi lavrado com base nos arts. 124 e 135 do CTN, conforme constatações contidas no Relatório Fiscal, Responsabilidade Solidária de págs. 48/65 e 157/174. 92. O autuante descreve que foram emitidos MPFF para três empresas: A Moreti – Café, Comércio de Café e Cereais AR Ltda e Comércio de Café e Cereais AMB Ltda; ao se dirigirem ao domicílio fiscal comum das duas primeiras, págs. 454/460 (Rod. PR 274, km 01, Aviação, Borrazópolis/PR, imóvel de propriedade de Paulo Remes), local de funcionamento da “Cafeeira Borrazópolis”, visando entregar o Termo de Início de Fiscalização, os auditores foram recebidos por Paulo Remes, apontado na recepção como o responsável pela empresa, o que também foi evidenciado pela forma de relacionamento deste com os demais funcionários presentes e visível diferença de status social e econômico entre aquele e estes. 93. Os auditores não obtiveram sua assinatura no Termo de Início, mas o alertaram quanto à denúncia de interposta pessoa; e relatam que, no dia seguinte, em 12/05/2009 foi registrada alteração do contrato social da Comércio de Café e Cereais A. S. Ltda, CNPJ 10.676.118/000198, sita em Lidinópolis (“Cafeeira Lidinópolis”, CNPJ 10.676.118/000198), criando uma filial no endereço da “Cafeeira Borrazópolis” e incluindo Paulo Remes no quadro social como sócioadministrador, pág. 462. 94. Em apoio à constatação de que Paulo Remes é e era o sócioadministrador da autuada, os fiscais obtiveram os depoimentos de págs. 175/178, firmados pelas seguintes testemunhas: o Sr. Sebastião Rodrigues Gomes, CPF 325.291.55968, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Município de Borrazópolis/PR que o identificou como administrador e proprietário "de fato" da "Cafeeira Borrazópolis”; Sra. Conceição Gordo Marques Dias, CPF 894.923.23915, produtora rural, que atestou comercializar periodicamente sua produção rural com a "Cafeeira Borrazópolis" (informação esta corroborada por extratos do LivrosRazão de 2005, 2006 e 2007), negociando diretamente com o Sr. Paulo Remes, a quem reconhece como proprietário da cafeeira; Sr. Sérgio Bolonhezi, CPF 174.024.509 10, produtor rural, que atestou comercializar periodicamente sua produção rural com a "Cafeeira Borrazópolis" (informação esta corroborada por extratos do Livros Razão 2006 e 2007), negociando diretamente com o Sr. Paulo Remes, a quem reconhece como proprietário da cafeeira. 95. Destaquese que “Cafeeira Borrazópolis” consta dos registros da RFB como nome fantasia da A MoretiCafé, mas também consta do histórico da autuada, sendo nome fantasia estampado à época dos fatos, na fachada do imóvel onde atuavam as três empresas citadas, pág. 157. 96. Paulo Remes foi registrado: a. de 01/06/2001 a 30/07/2005, como o único empregado na A Moreti – Café, empresa cujo objeto social era beneficiamento, moagem e preparação de produtos de origem vegetal, o que exige trabalhadores para movimentar as mercadorias e operar os equipamentos; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 609 23 b. de 01/01/2006 a 31/05/2009, na Comércio de Café e Cereais AR Ltda.. 97. Essas empresas empregadoras não informaram em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, as remunerações a ele pagas, e os auditores, ao confrontarem os valores das remunerações declarados em GFIP, com as DIPF de Paulo Remes, constataram as omissões detalhadas à pag. 160, item 14. 98. Também constataram que as empresas não recolhiam as contribuições previdenciárias; conforme págs. 299 e 337/365 e 385/398, foram lavrados auto de infração referentes às contribuições previdenciárias devidas, omitidas, que o contribuinte também parcelou no Refis, Lei nº 11.941, de 2009. 99. Da leitura do Relatório Fiscal, Responsabilidade Solidária se evidencia que Paulo Remes atuou nas três empresas: os endereços são em imóveis de sua propriedade, sua irmã o substituiu em 10/04/2007, na Comércio de Café e Cerais AMB Ltda, ele e Arquimedes Moreti eram informados como contribuinte individual até 2009 e empregado até 2005, respectivamente, pela A Moreti – Café, a qual, no entanto, vem declarando como inativa a partir do anocalendário 2004 e não efetuou qualquer recolhimento previdenciário no período; a A MoretiCafé, consta do CNPJ como nome fantasia “Cafeeira Borrazópolis”, no entanto estava “inativa” em 2007 e o sr. Paulo Remes lá atuava no comércio e beneficiamento de café e cereais, operando as demais empresas; por outro lado,tanto a autuada (Com de Café e Cereais R A Ltda) como a Comercio de Café e Cereais A M B Ltda, (que usou o nome fantasia de Cafeeira Borrazopolis até, 29/05/2009 quando o alterou para Cerealista Bonfim, tiveram como sede o mesmo endereço, Rodovia PR 274, km 01, Aviação, Borrazópolis/PR e seus CNAEF são os mesmos, págs. 454/460: a. A Moreti –Café CNAE: 1069400 Moagem e fabricação de produtos de origem vegetal não especificados anteriormente; b. Comercio de Cafe e Cereais A M B Ltda – CNAEF 5121703 Comércio atacadista de café em e 4621400 Comércio atacadista de café em c. Com de Café e Cereais R A Ltda, que é a autuada, CNAEF – 5121703 Comércio atacadista de café em e CNAEF 4621400 Comércio atacadista de café . 100. E ainda, págs. 461/462: a. CNPJ: 10.676.118/000198, Comercio de Cafe e Cereais Manossoler Ltda, nome fantasia Cafeeira Lidianopolis, data de abertura em 06/03/2009 e CNAE: 4621400 Comércio atacadista de café em grã; e da qual Paulo Remes, CPF 325.305.95968 foi sócio administrador desde 25/05/2009 (tendo sido criada filial desta no mesmo imóvel), tendo sido excluído em 13/04/2011; 101. Destaquese que, pesquisando nos sistemas da RFB, localizouse, págs. 463/464: a. CNPJ 13.367.447/000145, P. REMESCAFÉ, nome fantasia Cafeeira Remes, data de abertura em 02/03/2011, CNAE: 4621400 Comércio atacadista de café em grão, cujo domicílio fiscal é aquele mesmo, Rodovia PR 274, km 01, Aviação, Borrazópolis/PR. 102. As conclusões dos autuantes foram resumidas na pág. 169, que se reproduz: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 610 24 Pelas informações acima, concluímos que o Sr. Paulo Remes é o legitimo proprietário e único beneficiado pelo empreendimento conhecido como “Cafeeira Borrazópolis", adotando o seguinte procedimento operacional: • Declarase como empregado das próprias empresas, com a finalidade de obter benefícios previdenciários, não declarando a renda declarada em sua declaração anual de imposto de renda; • Substitui o quadro social com interposição de pessoas sem capacidade econômica de forma a proteger o seu patrimônio, seja na abertura das empresas, seja quando as empresas acumulam dividas e são descartadas; • É a única pessoa dentre as relacionadas nos quadros sociais das diversas empresas com capacidade econômica para dar suporte às atividades empresariais/comerciais desenvolvidas, sendo reconhecido na localidade como comerciante e empresário, inclusive com depoimentos em anexo de parceiros comerciais; • As empresas são instaladas nos seus imóveis, sendo que o Sr. Paulo Remes nunca declarou qualquer rendimento de aluguel; • Utiliza o seu próprio patrimônio imobiliário como garantia de empréstimos bancários conforme demonstrado nos casos das empresas Comércio de Café e Cereais R A Ltda, Comércio de Café e Cereais A M B Ltda e Comércio de Café e Cereais A S Ltda, figurando ainda como avalista, juntamente com sua esposa, em tais financiamentos. 103. Do descrito e relatado, evidenciase o dolo ao interpor pessoas como sócios das empresas da quais é o efetivo e real sóciogerente (no caso específico da autuada, Arquimedes Moreti descrito à pág. 162, item21; Rogério Moreti, descrito á pág. 165, item 36. 2; José Aparecido Silva, descrito à pág. 166, item 36. 3; Jair Neres Cardoso, descrito à pág. 164, nenhum deles com poder aquisitivo para comprar cotas da empresa) o interesse pessoal na gerência das empresas e em ser beneficiado com previdência social sem qualquer gasto e formação de patrimônio sem declarar e oferecer à tributação os recursos. 104. À vista do exposto, procedente a responsabilização solidária, cujo Termo não é nulo, tendo sido lavrado por agente competente para tal, e perfeitamente legal, com base na legislação vigente, arts. 124 e 135 do CTN. Diante de tão fortes provas, são inconsistentes os argumentos do responsável tributário de que não era sócio simplesmente porque não constava do contrato social e que negociava em nome da empresa porque era pessoa conhecida na região e tinha facilidade de intermediar negócios. Ora, por evidente, se o esquema revelado visava à administração de empresas em nome de terceiros, o nome do proprietário oculto não constaria do contrato social. E os diversos fatos trazidos aos autos, devidamente analisados no trecho do acórdão de primeira instância acima transcrito, demonstram que a relação com a empresa fiscalizada não era apenas de simples vendedor, mas de verdadeiro proprietário. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 611 25 Acrescentese que a própria interposição do recurso voluntário sob análise demonstra a intrínseca relação do Sr. Paulo Remes com a pessoa jurídica autuada: apesar de a intimação para recorrer ter sido dirigida apenas para o endereço da autuado, foi somente o responsável tributário que apresentou recurso. Finalmente, também não procedem os argumentos contra a violação ao art. 135 do CTN, por não ter sido comprovado sua condição de sóciogerente. De fato, o Termo de Sujeição Passiva Solidária atribuiu a responsabilidade tributária com base nos arts. 124 e 135 do CTN, abaixo transcritos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso, entendo que restaram demonstrados tanto o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, quanto a gerência do negócio pelo terceiro responsabilizado, pelo que mantenho o Sr. Paulo Remes como responsável solidário por todo o crédito tributário lançado. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10950.002897/201019 Acórdão n.º 1102001.044 S1C1T2 Fl. 612 26 6 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por (i) não conhecer do recurso voluntário na parte em que se insurge contra as infrações de diferenças entre os valores declarados e aqueles efetivamente pagos e multas de ofício qualificadas sobre elas aplicadas; (ii) na parte conhecida, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso; (iii) determinar à autoridade administrativa que extraia cópia da presente decisão e a anexe aos autos dos processos de parcelamento (18208.115299/201104 e 18208.115300/201192), para que as razões de mérito do responsável tributário relativas ao crédito objeto de parcelamento sejam apreciadas, na hipótese de eventual rescisão dos referidos parcelamentos. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 612DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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Numero do processo: 19515.001982/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO.
Não há direito adquirido a regime jurídico-fiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 06-11-2013 PUBLIC 07-11-2013).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa aplicada, que deve ser mantida como lançada, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Ainda, quanto ao mérito, foram vencidas as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. Não há direito adquirido a regime jurídicofiscal, motivo pelo qual as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Precendentes e Súmula n° 352 do STJ (AgRg no AREsp 357.985/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe 18/09/2013) e do STF (RMS 27382 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 08/10/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe220 DIVULG 06112013 PUBLIC 07112013). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à multa aplicada, que deve ser mantida como lançada, vencidos os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). Ainda, quanto ao mérito, foram vencidas as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 82 /2 01 0- 65 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 511 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 438 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.261.6062, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, relativo a contribuições devidas a Outras Entidades – Terceiros (FNDE, INCRA, SESC, e SEBRAE), incidentes sobre remunerações de segurados empregados, não recolhidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 1.1 O montante lançado, incluindo juros e multa, é de R$ 888.120,80 (oitocentos e oitenta e oito mil e cento e vinte reais e oitenta centavos), abrangendo, abrangendo o período de 01/2006 a 13/2006, e 01/2007 a 13/2007, consolidado em 19/07/2010. 1.2 O Relatório Fiscal, de fls. 146 a 148, informa que • O Contribuinte entregou GFIP´s utilizando código FPAS 639 correspondente às Entidades Beneficentes de Assistência Social, e recolheu as contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais em Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS sob o código de pagamento 2305, correspondente a Entidades Filantrópicas com Isenção CNPJ/MF; • Este procedimento está em desacordo com a situação do Contribuinte que teve cancelada a isenção concedida anteriormente, conforme Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais nº 001/2001, de 17/12/2001, vigente a partir de 01/01/1995, com base no disposto no artigo 207 do RPS RPS— Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, por ter infringido o disposto no inciso II do artigo 55 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 407 do Regulamento da Organização e Custeio da Seguridade Social — ROCSS (cópia do Ato Cancelatório no Anexo l); • O Contribuinte obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social na forma do artigo 37 da MP 446/2008, para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 (processo nº 71010.002865/200397, D.O.U. 04/02/2009), e para o período de 01/01/2007 a 31/12/2009 (processo nº 71010.004007/200623, D.O.U. 26/01/2009), conforme cópia juntada no Anexo II; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 • Entretanto, tal fato não configura condição suficiente para enquadramento como entidade com direito à isenção de contribuições previdenciárias. Para tal, o Contribuinte deveria ter formalizado novo requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, além de atender, cumulativamente, todos os requisitos legais; • Uma vez que não foi feito novo requerimento, o Contribuinte permaneceu obrigado ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais, previstas nos incisos I, II, e III, do artigo 22 da Lei nº 8212/91, incidentes sobre as remunerações efetuadas a segurados empregados a seu serviço; • O Contribuinte recebeu a Intimação nº 19/2010 da Divisão de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo — DERAT/DIORT, onde é orientado a corrigir as GFIP's, bem como a regularizar as respectivas contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive alertada quanto ao fato de que o código FPAS 639 é de uso exclusivo das entidades regularmente isentas. A referida Intimação foi recebida em 21/05/2010, conforme Aviso de Recebimento do Correio — AR (cópias da Intimação e do AR no Anexo III); • Os salários de contribuição foram apurados através das massas salariais constantes nas GFIP´s entregues em meio digital pelo Contribuinte, confirmadas nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil. O conteúdo do arquivo digital foi autenticado no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos SVA (Anexo IV); • O item 4.2 do Relatório Fiscal relaciona os estabelecimentos com movimentação de segurados empregados. As alíquotas aplicadas estão discriminadas nos itens 4.3; • O item 7 relaciona os demais Autos de Infração lavrados na ação fiscal, além da Representação Fiscal para Fins Penais, por ter ocorrido, em tese, crime contra a ordem tributária; • A fiscalização foi atendida pelo Sr. Dailton Rodrigues Vieira, contados, e pela Irmã Luzia Conceição de Oliveira, diretora presidente, a quem foram prestados os esclarecimentos sobre a origem do débito. 1.3 Complementam o Relatório Fiscal, e encontramse anexos ao Auto de Infração de fl. 04: Mandado de Procedimento Fiscal, fl. 02; IPC – Instruções para o Contribuinte, fls. 05 a 06; DD – Discriminativo do Débito, fls. 07 a 40; RDA – Relatório de Documentos Apresentados, fls. 41 a 57; RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, de fls. 58 a 99; FLD – Fundamentos Legais do Débito, fls. 100 a 101; Relatório de Vínculos, fl. 102; Termos de Início de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal, fls. 139 a 141; Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, fl. 145; ANEXO I – Cópia do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 001/2001, fls. 149 a 150; ANEXO II –Cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fls. 151 a 154; ANEXO III – Cópia da Intimação nº 19/2010 da DERAT/DIORT e de AR, fls. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 512 5 155/157; ANEXO IV –Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, fls. 158/164. 1.4 Também foram juntados, pela Fiscalização: Estatuto e Atas de Assembléia, fls. 105 a 138; Procurações, fls. 142 a 144. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 463 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * Aduz que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único requisito que não preenchia à época dos fatos geradores era o Certificado de Entidade Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos; * Aduz que não teve renovada sua Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que, em o fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001, referente ao referido período. Acrescenta que, em virtude da morosidade do CNAS, os pedidos de renovação do certificado relativamente a períodos posteriores a 1997 não teriam sido julgados até 2008, quando do avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente seria portadora do certificado no período de 1998 a 2009. Como o certificado foi emitido somente em 2009, a recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento da imunidade/isenção; * Afirma que continuou a apresentar os Relatórios de Atividade ao fisco comprovaria a sua boafé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício; * Aduz que mesmo se tivesse apresentado o pedido após o deferimento dos certificados, ou seja, no ano de 2009, referido pleito somente retroagiria à data do protocolo, o que não influiria em nada nos fatos geradores da autuação, conforme o § 2° do art. 208 do RPS. Acrescenta que apresentou Plano de Ação e Relatório Circunstanciado de suas atividades. * A imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Requerimento da Isenção. Art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91. Alega a recorrente que, já na defesa, havia demonstrado e comprovado documentalmente que o único requisito que não preenchia à época dos fatos geradores era o Certificado de Entidade Filantrópica, posteriormente emitido pelo CNAS, com efeitos retroativos. Acrescenta que Aduz que não teve renovada sua Certidão do Conselho Nacional de Assistência Social quanto ao período compreendido entre os anos de 1994 e 1997, sendo que, em o fisco editou o Ato Cancelatório n° 001/2001, referente ao referido período. Acrescenta que, em virtude da morosidade do CNAS, os pedidos de renovação do certificado relativamente a períodos posteriores a 1997 não teriam sido julgados até 2008, quando do avento da MP n° 446, que teria concedido, automaticamente, todos os certificados que estavam pendentes de análise e julgamento. Por tal razão, somente em 2009 teria havido a publicação, com efeitos retroativos, dos certificados de entidade beneficente de assistência social relativos aos períodos de 1998 a 2009. Assim, conforme certidão já anexada à impugnação, a recorrente seria portadora do certificado no período de 1998 a 2009. Como o certificado foi emitido somente em 2009, a recorrente esteve impossibilitada, fática e juridicamente, de requerer à RFB o reconhecimento da imunidade/isenção. Em que pese a afirmação da recorrente de que continuou a apresentar os Relatórios de Atividade ao fisco, o que comprovaria a sua boafé e a total ausência de motivos para a negativa do benefício, é fato que a Lei n° 8.212/91, dispôs sobre a necessidade de requerimento do benefício fiscal ao INSS (art. 55, § 1°). Assim, mesmo ausente o certificado de entidade beneficente, a partir do Ato Cancelatório n° 001/2001, deveria a recorrente ter cumprido o requisito legal a fim de resguardar os seus direitos. Nessa hipótese, mesmo com a negativa do órgão fazendário, restaria assegurada a retroação caso houvesse posterior obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), como de fato ocorreu. Com efeito, dispõe a Súmula 352 do STJ que “a obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais supervenientes”. O STJ já decidiu caso semelhante: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE FILANTRÓPICA. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. CONDICIONAMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. RECURSO ESPECIAL. 1. Se o contribuinte não deu cumprimento ao comando do artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91 em relação aos exercícios de 1997/1998 não reveste a qualidade de "isento" devendo, pois, pagar as contribuições sociais inadimplidas. 2. Às entidades cabe o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para que possam usufruir da isenção pleiteada. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 513 7 É do conhecimento médio de quem trilha a seara do direito tributário que, relativamente às regras de isenção, a interpretação deve ser literal nos termos do artigo 111 do CTN. Salientese, outrossim, a precariedade da "isenção" sob comento, ou seja, a entidade encontrase sujeita à verificação pelo INSS, do cumprimento de todas as condições legais necessárias à outorga ou permanência no gozo da isenção. 3. In casu, a recorrida, no período em que as contribuições lhe foram cobradas, não se encontrava amparada pela isenção em face do nãocumprimento do requisito inserto no artigo 55, § 1º, da Lei 8.212/91. 4. Recurso especial provido. (REsp 463.335/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2003, DJ 17/12/2004, p. 419) (destaques nossos) Imunidade/Isenção. Art. 14 do CTN. A imunidade estabelecida no § 7° do art. 195 somente poderia estar condicionada a requisitos estabelecidos em lei complementar (artigo 146, II, da CF), no caso, teria incidência apenas as condições estabelecidas no artigo 14 do CTN, que é lei complementar no sentido “material”. Quanto a tal argumentação, pedimos vênia para seguir a orientação adotada pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire, relator do Recurso Especial 255.559, acórdão 9202 002.420 (processo 13016.000954/200770, Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 07 de novembro de 2012). Dispõe o Código Tributário Nacional que: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II – aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Como se vê, o regramento invocado pela recorrente referese à imunidade de impostos. Para as entidades beneficentes de assistência social, a Constituição concedeu imunidade/isenção das contribuições para a seguridade social desde que atendidas as exigências estabelecidas em lei. Não é verdade que o § 7º do art. 195 da Constituição, por se tratar de uma limitação constitucional ao poder de tributar, deve ser regulamentado por lei complementar (art. 14 do Código Tributário Nacional). Conforme nos ensina Leandro Paulsen, “é rígida a posição do STF do sentido de que, quando a Constituição remete à lei, sem qualificála, cuida se de lei ordinária, pois a lei complementar é sempre requerida expressamente” (Contribuições – Custeio da Seguridade Social. Livraria do Advogado Editora, 2007, p. 145) É verdade que, quanto à matéria, houve o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n° 566.622 (tema 32), o que demonstra que não se trata de questão fechada: Recurso REPERCUSSÃO GERAL ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ARTIGO 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Admissão pelo Colegiado Maior. (RE 566622 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 21/02/2008, DJe074 DIVULG 24042008 PUBLIC 2504 2008 EMENT VOL0231609 PP01919 ) Tema 32 Reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.001982/201065 Acórdão n.º 2302003.066 S2C3T2 Fl. 514 9 No entanto, alinhase o presente voto com a posição adotada pelo próprio STF por ocasião do julgamento do Ag. Reg. no RE n° 428.8150, no qual decidiuse que os requisitos formais para a constituição e funcionamento das entidades beneficentes de assistência social são matérias que podem ser tratadas por lei ordinária: EMENTA: I. Imunidade tributária: entidade filantrópica: CF, arts. 146, II e 195, § 7º: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária (ADIMC 1802, 27.8.1998, Pertence, DJ 13.2.2004;RE 93.770, 17.3.81, Soares Muñoz, RTJ 102/304). A Constituição reduz a reserva de lei complementar da regra constitucional ao que diga respeito "aos lindes da imunidade", à demarcação do objeto material da vedação constitucional de tributar; mas remete à lei ordinária "as normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune". II. Imunidade tributária: entidade declarada de fins filantrópicos e de utilidade pública: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos: exigência de renovação periódica (L. 8.212, de 1991, art. 55). Sendo o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos mero reconhecimento, pelo Poder Público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento, que devem ser atendidas para que a entidade receba o benefício constitucional, não ofende os arts. 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal a exigência de emissão e renovação periódica prevista no art. 55, II, da Lei 8.212/91. (RE 428815 AgR, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Primeira Turma, julgado em 07/06/2005, DJ 24062005 PP 00040 EMENT VOL0219707 PP01247 RDDT n. 120, 2005, p. 150153) Nada impede que a Constituição crie uma regra geral (lei complementar regula as limitações constitucionais ao poder de tributar) e estabeleça exceções (como a regulamentação do art. 195, § 7°, por lei ordinária). Desta forma, impõese às entidades beneficentes de assistência social que cumpram os requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei n.º 8.212/91, a fim de que possam ser consideradas isentas/imunes das contribuições para a seguridade social. Portanto, a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c” não se confunde com a imunidade prevista no art. 195, § 7º , ambos da Constituição Federal. Esta incide sobre contribuições sociais para a seguridade social e aquela sobre impostos. Além disso, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, pode ser regulamentada por lei ordinária, como no caso, pela Lei 8.212/91, não havendo necessidade, nesta hipótese, de regulamentação por meio de lei complementar. Destarte, as entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam – à época dos fatos geradores atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 523DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10073.001621/99-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 70. INAPLICABILIDADE.
A isenção da COFINS versada no art. 6º, III da Lei Complementar 70/91 não se aplica às instituições de ensino superior que cobram pelos serviços prestados, visto que aí se cuida de entidades beneficentes de assistência social.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9303-002.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Nanci Gama, que negavam provimento.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente Substituto.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 20/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOBEU SOCIEDADE BARRAMANSENSE DE ENSINO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 70. INAPLICABILIDADE. A isenção da COFINS versada no art. 6º, III da Lei Complementar 70/91 não se aplica às instituições de ensino superior que cobram pelos serviços prestados, visto que aí se cuida de entidades beneficentes de assistência social. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Fabíola Cassiano Keramidas e Nanci Gama, que negavam provimento. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente Substituto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 20/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 16 21 /9 9- 88 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e Fabíola Cassiano Keramidas (em substituição à Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da Primeira Seção, em substituição ao Presidente Otacílio Cartaxo). Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso da Fazenda Nacional contra decisão proferida, ainda no ano de 2005, pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. O processo havia sido assim relatado por ocasião do julgamento ora sob recurso: Versam os autos lançamento de ofício de COFINS relativo aos períodos de apuração janeiro de 1995 a dezembro de 1998, com base no entendimento do Fisco (fls. 08/09 e 234) de que o contribuinte deixou de atender requisitos que condicionavam a isenção de COFINS, sendo eles a concessão de vantagens e benefícios a sócios fundadores através de licença sem prejuízo de suas remunerações, o que infringiria o inciso IV do artigo 55 da Lei n° 8.212, e a não destinação de, no mínimo, 60% da receita com mensalidades cobradas, contrariando o previsto no artigo 2º, VI, do Decreto n° 2.306, de 19/08/97. Tendo a 4ª Turma da DRJII no Rio de Janeiro RJ julgado procedente o lançamento (fls. 408/415), contra ela foi interposto o presente recurso voluntário, no qual, em síntese, alega em preliminar que a r. decisão não levou em consideração as manifestações de inconformidade apresentadas contra os atos declaratórios suspensivos de sua imunidade nos processos administrativos 10073.000587/9914 e 13727.000533/9905, ainda não definitivamente julgadas, e que por essa razão estaria a fiscalização impedida de efetuar o lançamento eis que ainda incertos esses atos. No mérito, pugna que as exigências para o reconhecimento da imunidade dada pelo artigo 195 da Constituição Federal encontramse no artigo 14 do CTN, em relação ao qual não houve prova de infringência pelo fiscal autuante. Mesmo se tal não tivesse ocorrido, não foi comprovado pela fiscalização que a instituição não destina sessenta por cento da receita de suas mensalidades com despesas de pessoal docente e técnico administrativo. Isso porque muitos alunos atrasam o pagamento das mensalidades, o que gera uma distorção nos valores verificados pelo agente fiscal, e que deveriam ter sido analisados os valores das mensalidades até a data de seu vencimento. Como se vê, o nobre relator, Conselheiro Jorge Freire, menciona apenas “isenção”, sem enfatizar com clareza a base legal de tal instituto. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10073.001621/9988 Acórdão n.º 9303002.886 CSRFT3 Fl. 9 3 No voto condutor do acórdão, assim se expressou o Relator: Em síntese, a controvérsia gira em torno da aplicação à defendente da imunidade estatuída no artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, ou não. E tal norma está assim positivada: São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em lei. Assim, dúvida não há que a lide gira em torno da aplicação de imunidade e, de forma alguma, como incorretamente inserto no texto constitucional, de isenção. E a marcação de tal distinção é fulcral para o deslinde do litígio. A partir daí, o voto examina os requisitos para validade da imunidade de que cuida o art. 195 e conclui que não houve o descumprimento porquanto aplicáveis apenas as disposições do CTN, dado que a regulamentação constitucional requer lei complementar. Ele foi acolhido por maioria, vencidos o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres e a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Mas o lançamento questiona o cumprimento dos requisitos relativos à isenção versada no art. 6º da Lei Complementar 70, em nenhum momento se referindo a imunidade, nem mesmo sob o “epíteto” de isenção como entendeu o dr. Jorge. O acórdão foi objeto de embargos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, rejeitados pelo relator. O especial da Fazenda Nacional foi interposto por “contrariedade à lei”, apontando o representante da Fazenda Nacional ofensa ao art. 77 da Lei 9.430, na medida em que, por via transversa, o acórdão acabou por declarar a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei 8.212. Em contrarrazões, a recorrida informa que a “cassação” de sua imunidade para o ano de 1997, objeto de processo julgado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, foi ali revista, o que, entende, afetaria o julgamento deste e reitera a aplicabilidade exclusiva do art. 14 do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 583DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 O recurso foi bem admitido na medida em que aponta com clareza o dispositivo que teria sido, na opinião da Fazenda Nacional, contrariado pelo decisum. Dele conheço. Começo sua análise pelo registro de que foi o primeiro julgamento da matéria de que participei ainda na época dos Conselhos de Contribuintes e acompanhei o n. relator, douto Conselheiro Jorge Freire. De lá para cá, porém, após ter aprofundado o exame da matéria, concluí pela total impropriedade de aplicação da imunidade de que trata o art. 195 às instituições de ensino superior, uma vez que aí, diferentemente do quanto previsto no art. 150, que veicula imunidade a impostos, de instituições de educação não se tratou. Sobre o ponto, comungo, in totum, as considerações expendidas no voto condutor do acórdão na primeira instância, que peço vênia para transcrever aqui: 7. A isenção concedida pelo inciso 1II do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991, referese às entidades beneficentes de assistência social. Esse dispositivo dispõe: (...) 8 Primeiramente, temos que a impugnante, ao contrário do que alega, não é uma entidade beneficente de assistência social, como a seguir se demonstrará. 9. A Constituição Federal de 1988, traçando os contornos da assistência social, informa, em seu artigo 203, que será ela prestada "a quem dela necessitar". A assistência social há muito tempo tem o caráter de socorro aos desprotegidos. O professor J. M. de Carvalho Santos, em sua obra Repertório Enciclopédico de Direito Brasileiro, vol. 4, pág. 364, assim a definia: Assistência Social Compreende o conjunto de serviços destinados a socorrer as classes menos favorecidas da sociedade, que, pelo seu estado de pobreza, não contam com recursos para suas necessidades mais essenciais. 10 Nessa mesma acepção a toma De Plácido e Silva, em seu Vocabulário Jurídico, entendendo que assistência social, em linguagem jurídica: É o auxilio facultativo que se presta às pessoas menos favorecidas da fortuna, seja de forma individual ou seja por intermédio de instituições públicas ou particulares. Hodiernamente, referindose à nova Carta Política, o jurista Celso Ribeiro Bastos, em sua obra Curso de Direito Constitucional, 17ª edição, ed. Saraiva, delimita a assistência social como existente para: atender àqueles que nem possuem a condição de ex trabalhadores, isto é, pessoas marginalizadas, sem vinculo empregatício, mas que precisam, de alguma forma, de amparo por parte do Estado. 12. Por sua vez, o acórdão da 3ª Turma do TRF da 3ª R AMS 160.797, relatado pela Juíza Annamaria Pimentel, publicado no Guia IOB sob número 1 — 11328, deixou assentado que: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10073.001621/9988 Acórdão n.º 9303002.886 CSRFT3 Fl. 10 5 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ENTIDADE DE: ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 150, INCISO VI, ALÍNEA "C ", DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE. 1988. IMUNIDADE.. Conforme análise do disposto no artigo 150, inciso VI alínea "c", da Constituição da República de 1988, verificase a atribuição de imunidade quanto aos impostos, às entidades de assistência social, sem fins lucrativos, objetivando, assim, auxiliar e incentivar a realização destas atividades. Não se confunde entidade de previdência social com entidade de assistência social, sem fins lucrativos, visto que a primeira confere benefícios somente a seus associados e a segunda, a todos os necessitadas, independentemente de contraprestação . Exclusão do campo da imunidade, quanto aos impostos, das entidades de previdência social. Apelação improvida. (destaque acrescido) 13. No mesmo sentido, no âmbito administrativo, a relatora do Acórdão 30232.863 da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, embora não tenha chegado a decidir o mérito, expressa com clareza sua posição sobre a questão, afirmando que: As instituições de assistência social, a meu ver, estão essencialmente ligadas ao principio de solidariedade humana, em função do qual se organizam. Resumidamente, a Assistência Social se propõe a socorrer a todos, desde que não tenham outra proteção. Predomina ali o interesse público, de ordem humanitária, filantrópica ou de solidariedade ao próximo. 14. Dessa forma, somente se pode entender a atividade de assistência social como aquela que visa ao atendimento desinteressado e gratuito da sociedade, ou de parcela dela. A gratuidade é condição essencial para que se considere qualquer entidade como de assistência social, podendo, é bem verdade, as instituições benemerentes delimitarem seu nicho de atuação, verbi gratia: auxílio à infância, drogados, velhice, etc. Contudo, deverá sempre visar aos desamparados. Essa gratuidade, entretanto, não se constitui em camisa de força, toldando a movimentação e o exercício da instituição. Pode essa se remunerar dos serviços prestados aos mais abastados, revertendo o ganho obtido ao encargo assistencial. 15. Entretanto, não é esse o caso da impugnante, pois tem ela o fim de propiciar a educação para um grupo privilegiado que pode bancar as mensalidades, denotandose, então, uma contraprestação por vínculo contratual, sem nenhum caráter assistencial. 16. Ressaltese que a Constituição também distingue os conceitos de instituição de educação e entidade de assistência social ao dar a eles tratamento distinto. Em seu citado artigo 150, inciso VI, alínea "c", ela enumera tais conceitos um após o Fl. 585DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 outro, deixando claro que não são coincidentes. Além disso, no Título VI, Capítulo H, da Seguridade Social, Seção IV, a Carta Magna dispôs sobre a assistência social, enquanto a educação consta do Título VIII, Capítulo III, Da Educação, Da Cultura e do Desporto, Seção I. 17. Outrossim, não se pode concluir que apenas por não ter fins lucrativos a instituição de educação é entidade de assistência social. Realmente, nada impede que a atividade educacional faça parte da assistência social. No entanto, é uma falácia deduzir dessa possibilidade que toda atividade educacional é assistência social. Nesse sentido, citase o Acórdão do Superior Tribunal de Justiça, no Mandado de Segurança 5.859 — DF, de 25 de novembro de 1998, ministro relator o MM. Juiz Ari Pargendler: PREVIDÊNCIA SOCIAL CERTIFICADO DE FINS FILANTRóPICOS, CENTRO CULTURAL VOLTADO PARA O ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não há como confundir instituição dedicada à educação com entidade de assistência educacional; a ênfase do caráter filantrópico está na assistência, e não na educação. Mandado de segurança denegado. (destaque acrescido) 18. Por outro lado, o simples fato de a contribuinte cumprir as exigências previstas no artigo 14 do CTN, não é suficiente para lhe conceder a imunidade prevista no § 7° do art. I95 da Constituição Federal ou a isenção dada pelo inciso III do art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991, haja vista estar descumprida a condição essencial para enquadramento nesses dispositivos, ou seja, tratarse de entidade beneficente de assistência social. 19. Com isso, tornarseia desnecessário apreciar as alegações da autuada que dizem respeito aos requisitos exigidos das entidades beneficentes de assistência social para gozo da isenção/imunidade, uma vez que a contribuinte não se enquadra entre elas. Entretanto, ainda, assim o faremos para impossibilitar qualquer alegação de cerceamento do direito de defesa. Em votos posteriores envolvendo instituições de ensino superior, mais de uma vez deixei registrado que, a meu ver, a elas se aplica, com exclusividade, a isenção instituída pela Medida Provisória 2.15835/2001 a partir de fevereiro de 1999. Mas aqui todos os períodos de apuração constantes do lançamento são anteriores, e a acusação fiscal é de descumprimento de requisitos aplicáveis à isenção de que cuida o art. 6º da Lei Complementar 70/91. Em nenhuma passagem da acusação se faz qualquer referência à imunidade prevista no art. 195, motivo pelo qual, aliás, o julgador de primeira instância deixa consignado que apenas examinaria a imunidade para evitar acusação de cerceamento de direito de defesa visto que a impugnação apresentada apenas sobre ela se debruçara. É somente quanto a esse ponto que divirjo do voto original: não haveria cerceamento de defesa algum se a decisão considerasse procedente o lançamento sem enfrentar o argumento aposto, dado que não fora essa a acusação fiscal. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 10073.001621/9988 Acórdão n.º 9303002.886 CSRFT3 Fl. 11 7 De todo modo, tendo sido sobre ela que – erradamente – nos pronunciamos no colegiado recorrido, aplico os elementos de convicção transcritos acima para reiterar não se cuidar de imunidade e dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional uma vez que, pelo mesmo motivo, também a elas não se direciona a isenção do citado art. 6º da LC 70, que a seguir transcrevo: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. E três são as razões para essa minha conclusão: a) o dispositivo, igualmente ao que prevê o art. 195 da Constituição, apenas se dirige a instituições de assistência social; b) elas hão de ser beneficentes e c) a regulamentação se fará por lei. Obviamente que, prevista a isenção em lei complementar, sua regulamentação pode, e deve, se dar por meio de Lei. Disso decorre que, mesmo que eventualmente se conclua que o art. 55 não disciplina o art. 195 da CF porque necessária para tanto lei complementar, como entendeu, fundamentadamente, o dr. Jorge, o mesmo não se pode dizer do “disciplinamento” da Lei Complementar 70. E essa conclusão se vê reforçada pelo próprio texto do art. 13 da Medida Provisória 2.15835: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Como se vê, aí se elencam, lado a lado – como, aliás, já o faz o art. 150 da CF – instituições de assistência social e instituições de educação. Para os que as equiparam, resta responder por que a lei os mencionou separadamente. Com tais considerações, é o meu voto pelo provimento do recurso especial. É como voto. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 588DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 16832.000686/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXAME DE MATÉRIA DE FATO NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS ADMITIDOS. EFEITOS INFRINGENTES.
Havendo preclusão quanto à impugnação de matéria de fato, tal questão não pode ser levantada em recurso voluntário. Embargos admitidos e acolhidos para excluir da apreciação do acórdão embargado da questão relacionada ao imposto de renda retido na fonte - IRRF, não contestada quando da impugnação.
Embargos Admitidos e Providos.
Numero da decisão: 1402-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, admitir os Embargos de Declaração para, no mérito, dar-lhes provimento e reformar o Acórdão 1402-001.482, uma vez que abarcou matéria referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte que não foi objeto de impugnação, tornando-se preclusa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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EXAME DE MATÉRIA DE FATO NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO QUANDO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EMBARGOS ADMITIDOS. EFEITOS INFRINGENTES. Havendo preclusão quanto à impugnação de matéria de fato, tal questão não pode ser levantada em recurso voluntário. Embargos admitidos e acolhidos para excluir da apreciação do acórdão embargado da questão relacionada ao imposto de renda retido na fonte IRRF, não contestada quando da impugnação. Embargos Admitidos e Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, admitir os Embargos de Declaração para, no mérito, darlhes provimento e reformar o Acórdão 1402001.482, uma vez que abarcou matéria referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte que não foi objeto de impugnação, tornandose preclusa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 86 /2 00 9- 22 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 7 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 8 3 Relatório A empresa embargada foi autuada por omissão de receita (passivo não comprovado), glosa de despesas, glosa de prejuízos compensados indevidamente e Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamento a beneficiários não identificado/sem causa. Cientificada do lançamento, a parte interessada apresentou a impugnação de fls.503/513, acompanhada dos documentos de fls.514/623, alegando, em síntese, que não prevalece a autuação com base no passivo fictício. Juntou documentos relacionados aos fatos correspondente à autuação como pagamento sem causa, sem fazer referência aos mesmos na peça impugnatória. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 595 e seguintes, deu parcial provimento para excluir da presunção de omissão de receita o valor de R$ 13.590,00 Nota fiscal nº 881071 (item 33 do acórdão fl. 703). O Acórdão da DRJ possui a seguinte ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS QUANTO AO SEU PROCESSAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO CARACTERIZAM NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em instrumento de controle da Administração que tem por objetivo conferir transparência ao Fiscalizado. É por meio do MPF que o contribuinte tem condições de conferir se quem se apresenta em nome da Administração, como auditor fiscal, efetivamente detém tal função e está autorizado a fiscalizálo. Assim, eventuais falhas quanto à prorrogação do MPF, desde que não resultem na obtenção de prova ilícita, não constitui em nulidade do lançamento feito em conformidade com o artigo 142 do CTN. PAGAMENTO SEM CAUSA. EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROVANDO QUE OS PAGAMENTOS REFERIAMSE AO RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESA DO GRUPO. EXIGÊNCIA INSUBSISTENTE Identificada a beneficiária dos pagamentos e estando demonstrado, com os documentos de fls. 102 a 354, que os pagamentos foram feitos a título de rateio das despesas, o fato de conterem imprecisões quanto à especificação detalhada, tais como a demonstração de que os beneficiários do plano de saúde, que gerou parte das as despesas pagas, eram funcionários e ou diretores das empresas do grupo empresarial é causa que enseja a glosa das despesas, mas não caracteriza pagamento sem causa. A causa está comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 9 4 Da decisão recorrida a parte interessada foi intimada em 20/7/2012 (fl. 723 sextafeira) e em 20/8/2012 ingressou com o recurso de fls. 723 e seguintes, suscitando várias questões, inclusive as relacionadas a pagamento sem causa. Examinando o recurso e os documentos existentes nos autos, ao relatar o processo entendi que não podia prevalecer a exigência do pagamento sem causa, no que fui acompanhado pelos demais membros do colegiado. Intimada do acórdão, de forma tempestiva a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou os embargos de fls. 799 e seguintes, alegando omissão na medida em que o colegiado tinha enfrentado a questão relativa ao IRRF, que não tinha sido impugnada. É o relatório. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 10 5 Voto No caso dos autos, não se trata de omissão propriamente dita, mas sim de julgamento extra petita, situação excepcional que admite embargos para correção de erro, qual seja, limitar o julgado ao objeto da matéria em litígio. Esta Turma Julgadora deu parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência do IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado/sem causa. No entanto, esta matéria não foi objeto de impugnação pelo sujeito passivo, conforme anota a DRJ em sua decisão, aqui transcrita: “38. Do lançamento de IRRF. Do pagamento sem causa. 39. Tratase de matéria não expressamente impugnada, considerada consolidada administrativamente, nos termos do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação determinada pela Lei nº 9.532/1997.” Com base nisso, deixou o Colegiado de ter o poder de apreciar tal questão, por conta do princípio da adstrição do julgador ao pedido do autor. Portanto, verificase, que houve omissão do acórdão do recurso voluntário, ao não apreciar, ou ao não afastar expressamente, a inexistência de pressupostos a permitirem a apreciação dessa matéria. É que se afigura ausente requisito para que essa questão fosse apreciada por esta Turma, visto que não foi levantada em grau de impugnação, tratandoSe, portanto, de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto n.º 70.235/72: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Com isso, mostrase aplicável ao caso o disposto no art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, o qual impede a apresentação de novas razões de fato, após a apresentação de impugnação. Este comando encontrase refletido no art. 300 c/c art. 302 do Código de Processo Civil, aplicáveis, subsidiariamente, ao processo administrativo fiscal, que cuidam do princípio da eventualidade e do ônus processual, atribuído ao Réu, da impugnação específica das questões de fato e de direito levantadas pelo autor em seu pedido. Art. 300. Compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito, com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. Art. 303. Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Fl. 855DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.594 S1C4T2 Fl. 11 6 I relativas a direito superveniente; II competir ao juiz conhecer delas de ofício; III por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo. ISSO POSTO, voto no sentido de admitir os Embargos de Declaração para, no mérito, darlhes provimento e reformar o Acórdão 1402001.482, uma vez que abarcou matéria referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte que não foi objeto de impugnação, tornandose preclusa. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 856DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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