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Numero do processo: 15586.001582/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO.
Indefere-se o pedido genérico para produção posterior de provas e diligência e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.
A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do protesto genérico de produção de provas e diligência/perícia técnico-contábil considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV e § 4º, do Decreto n° 70.235/72.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário atinente a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas que tenham interesse em comum com a situação que constitui o fato gerador.
Numero da decisão: 1301-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DE PAULO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 PROTESTO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO REJEITADO. Indeferese o pedido genérico para produção posterior de provas e diligência e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide e quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do protesto genérico de produção de provas e diligência/perícia técnicocontábil considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV e § 4º, do Decreto n° 70.235/72. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário atinente a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas que tenham interesse em comum com a situação que constitui o fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 82 /2 00 9- 21 Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.285 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.286 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário contra o Acórdão da 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que julgou a impugnação improcedente: a) ao manter os autos infração do Simples Federal do anocalendário 2005; e, b) ao manter a sujeição passiva solidária do Sr. Antônio Lúcio Caliman. Quanto aos fatos, consta dos autos: Em 09/12/2009, a fiscalização da DRF/Vitória lavrou autos de infração do Simples Federal (IRPJSimples, PISSimples, CSLLSimples, CofinsSimples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples), anocalendário 2005, imputando a seguinte infração com multa qualificada de 150% (efls. 1183/1227): (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alinea "a", 5º, 7º , § 1", 18, da Lei n° 9.317/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. (...) Os fatos apurados pela fiscalização estão narrados no Termo de Verificação de Infração, parte integrante dos autos de infração (efls. 1168/1182) e, ainda, do referido Termo extraímos o seguinte demonstrativo dos valores tributáveis, objeto do lançamento fiscal, anocalendário 2005: (...) MÊS RECEITA OMITIDA (R$) Abril 432.561,26 Maio Junho 73.174,27 Julho 160.453,17 Agosto 877.621,54 Setembro 450.322,69 Outubro 192.000,06 Novembro 302.577,58 Dezembro 212.315,71 Total 2.701.026,28 Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.287 4 (...) Imputação de multa qualificada de 150%; Imputação de sujeição passiva solidária ao Sr. Antônio Lúcio Caliman, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária (arts. 124 e 135, III, do CTN) (efl. 1228). O crédito tributário lançado de ofício, anocalendário 2005, na data da lavratura dos autos de infração do Simples Federal, perfaz o montante de R$ 725.442,60, assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de mora calculados até 30/11/2009 Multa de 150% Total IRPJSimples 17.820,23 8.768,96 26.730,32 53.319,51 PISSimples 17.820,23 8.768,96 26.730,32 53.319,51 CSLL Simples 30.012,30 14.952,98 45.018,42 89.983,70 Cofins Simples 60.024,64 29.906,03 90.036,95 179.967,62 Contrib. Seg. Social INSS Simples 116.576,27 57.411,62 174.864,37 348.852,26 Total 725.442,60 Ainda, quanto aos fatos e razões da defesa . impugnação apresentada na primeira instância de julgamento apenas pelo Sr. Antônio Lúcio Caliman, onde se defende tão somente da sujeição passiva solidária que lhe fora imputada pelo fisco (a pessoa jurídica T.C. de Paulo não apresentou defesa) , transcrevo o relatório da decisão recorrida, no que pertinente (efls. 1253/1266), por resumir os principais aspectos da lide, até então, in verbis: (...) 3. No "Termo de Verificação de Infração" (fls.1139/1 ï53), lê se que: a) a fiscalização decorreu de seleção interna, que revelou inconsistência entre as informações prestadas pelo interessado (na declaração do Simples, anocalendário 2005, inexistiam valores de receitas) e as prestadas por terceiros, que informavam "elevadas compras realizadas na TC de Paulo ME"; b) intimada, a empresa Siderúrgica Ibiraçu Ltda (doravante Siderúrgica), que fez diversas operações de compra do interessado, apresentou notas fiscais de entrada, comprovantes Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.288 5 de pagamentos, ficha cadastral do fornecedor e procurações outorgadas a Antonio Lucio Caliman; c) a Siderúrgica informou que o Sr. Antonio Lucio Caliman, além de representar o interessado, representava, também, as empresas Cachuana Carvão Ltda (doravante Cachuana) e Eucaliptus Ind. Com . Carvão M. Serv. Flor Ltda — Me (doravante Eucaliptus); d) a fiscalização verificou que os cheques emitidos pela Siderúrgica para pagamento das compras ao interessado ora eram nominais a este, ora a Euclapitus, ora a Antonio Lucio Caliman, bem como, "que todos os cheques haviam sido descontados na boca do caixa pelo Sr. Antonio Lucio Caliman"; e) o Sr. Antonio Lucio Caliman possuía amplos poderes para representar o interessado, sendo "o recebedor de todos os cheques de pagamento das vendas de carvão analisados" e "o único sacador destes cheques, chegando mesmo a fazer depósito de valores em contacorrente de sua titularidade"; f) O Sr. Antonio Lucio Caliman prestou depoimento à fiscalização, conforme Termo de Depoimento às fls.1095/1096, de 11.08.2008, informando, entre outros, que há três anos e meio montou a empresa Agrosel Ind.de Produtos Florestais e Serviços Ltda, pela qual vendia carvão de eucalipto para a Siderúrgica, e, também, para a empresa CBNF Indústria de Gusa; que "não se recorda do nome da empresa TC de Paulo; que foi amigo de infância de Thiago de Paulo, mas que com ele não tem mais contato"; g) com relação a documentos que lhe foram apresentados o Sr. Antonio Lucio Caliman informou que não se recorda da procuração; que o próprio Thiago de Paulo lhe emprestava notas fiscais para acobertar suas vendas à Siderúrgica, pelo que lhe pagava comissão, de cujo valor não se recorda; que, a pedido de Thiago de Paulo, ia à Siderúrgica "apanhar cheques do interessado", e os sacava, na maioria das vezes, ou depositava; que o endereço constante no cadastro desta Secretaria pertence à sua exesposa. 4 A fiscalização conclui que, "pelo procedimento de circularização a clientes do interessado, constatamos, com juntada de robusta documentação, que, no aludido período auditado, a empresa TC DE PAULO ME revelou plena atividade comercial e, conseqüentemente, que a mesma auferiu receitas da atividade de vendas de carvão". 5 A fiscalização conclui também que "restou caracterizada a intenção fraudulenta do contribuinte de se eximir dos tributos devidos pela omissão reiterada de receitas e pela apresentação da declaração sem preenchimento de valores, razão da qualificação da multa (150%)". Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.289 6 6 O demonstrativo das receitas omitidas consta às fls.1126/1137. 7 Foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais (processo 15586.0015831200976). 8 Lavrouse, também, o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls.1199), contra Antonio Lucio Caliman, porque "constatada a intervenção de terceira pessoa alheia ao quadro societário, mas que se beneficiou das operações realizadas pela empresa", e "apesar de não manter relação formal com o quadro societário da empresa, manteve com ela vinculação econômica e agiu com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social (arts. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional CTN)". 9 A Ação Fiscal veio instruída com os documentos (cópias de notas fiscais, recibos, cheques, procurações, intimações, etc.) de fls.2/1132, tendo sido encerrada em 09.12.2009 (fls.1196). 10 Em petição às fls. 1207/1212, Antonio Lucio Caliman requer que "o processo seja processado e julgado em Linhares", dizendo, também: a) que nos autos não há documentação de que os autuantes "são realmente auditores fiscais e estão no gozo de suas funções"; b) que é impossível ser elencado no art.135, inciso III, do CTN, porque nunca "efetuou transações comerciais em nome da empresa TC de Paulo ME; nunca emitiu notas fiscais no período em apreço e nunca fez parte da empresa TC de Paulo_ ME, quando da ocorrência do fato gerador; c) que, segundo Hugo de Brito Machado, o não pagamento de tributo não configura infração de lei capaz de ensejar tal responsabilidade; d) que não possui nem praticou atos administrativos, nem efetuou negócios em nome da empresa TC de Paulo ME e não emitiu notas fiscais no período em questão no processo administrativo, além de desconhecer tais movimentações; e) desconhece qualquer suposta omissão de receitas oriunda de vendas realizadas constantes dos blocos de notas fiscais de saídas, ou decorrente de vendas à empresa CBF Indústria de Gusa S/A ou empresa Siderúrgica Ibiraçu ltda. 11 Protesta por todos os meios de prova (documental, testemunhal, pericial e depoimento pessoal acompanhado de advogado, por se sentir coagido e indefeso") e pede: a) a exclusão do Sr. Antonio Lucio Caliman do pólo passivo; b) que o processo seja julgado totalmente improcedente; c) que seja aplicada a equidade para mitigação das penalidades, excluindo os "acréscimos (...)"; Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.290 7 d) "o trancamento da representação fiscal para fins penais do Ministério Público, por não haver indícios e prova da autoria"; e) "o trancamento da representação para inaptidão do contribuinte, nos termos do art. 41 da IN RFB 748, de 28.06.2007"; f) "a não imposição da responsabilidade penal, pelos possíveis tributos, ao Sr. Antonio Lucio Caliman". (...) Na sessão de 27/05/2010, a 3ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou a impugnação improcedente, conforme Acórdão (efls. 1253/1265): a) ao manter integralmente o lançamento fiscal, ou seja, os autos de infração do Simples Federal, anocalendário 2005; b) ao manter a sujeição passiva solidária do Sr. Antonio Lucio Caliman. Aqui, transcrevo a ementa, o dispositivo do citado acórdão e voto, no que pertinente, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. As alegações sem provas não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido para a realização de diligências, quando concernente a provas que a lei determina sejam apresentadas com a impugnação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Não elididos os fatos que lhe deram causa, o termo de sujeição passiva solidária deve ser mantido. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.291 8 Anocalendário: 2005 MATÉRIA EXPRESSAMENTE NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. MULTA DE OFÍCIO. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Os membros desta Turma acordam, por unanimidade de votos: a) manter a exigência de crédito tributário, no valor de R$ 725.442,60 (item 1), declarandoo definitivamente constituído na esfera administrativa, em face de não ter sido expressamente impugnado; b) manter o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Antonio Lucio Caliman. (...) Voto (...) 15 Não obstante isso, o interessado, T. C. DE PAULO ME, não apresentou impugnação. (...) 29 O interessado não apresentou impugnação. Quanto ao impugnante, na petição que apresenta, não traz qualquer manifestação acerca da omissão de receitas. (...) 31 Assim, precluiu o direito de ambos se manifestarem sobre a omissão apurada, que, ante a isso, reputase matéria definitivamente constituída na esfera administrativa. (...) Conclusão 66 Ante o exposto, a autuação não merece reparos, devendo: a) ser declarado definitivamente constituído na esfera administrativa, por não ter sido expressamente impugnado, o crédito tributário exigido, no valor total de R$ 725.442,60 (ver item 1); b) ser mantido o termo de sujeição passiva solidária em nome de Antonio Lucio Caliman (fls.1199). Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.292 9 (...) A pessoa jurídica T.C. DE PAULO ME, embora revel, foi intimada desse decisum por Edital. Edital afixado em 07/07/2010 e desafixado em 22/07/2010 (efl. 1277). Antes disso, o fisco tentara intimação da pessoa jurídica por AR, mas a correspondência retornou, com a informação "não procurado" (fls. 1240/1244 e fl. 1252). Ciente da decisão a quo em 12/06/2010, por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 1276), o responsável sujeito passivo solidário Sr. Antonio Lucio Caliman apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2010 (efls. 1278/1281), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão recorrida manteve o termo de sujeição passiva solidária em nome do Sr. Antonio Lucio Caliman, porém o mesmo era apenas um contato do interessado, ou seja, da empresa T.C. DE PAULO ME junto à Siderúrgica; que não se pode conferir a "presunção de certeza", acreditando que efetivamente concretizouse uma das ilegalidades do supramencionado auto de infração, sem que haja uma efetiva comprovação dos fatos pelo fisco; que o Sr. Antonio Lucio Caliman, nunca fez parte da empresa TC de Paulo ME, quando da ocorrência do fato gerador; além de tal imputação ao mesmo ser improcedente, tendo em vista que nunca efetuou transações comerciais em nome da empresa TC de Paulo ME, nunca emitiu notas fiscais no período em questão; que consta no auto de infração depoimento prestado à fiscalização em 11/08/2008 (fls. 1095/1096), conforme decisão de primeira instância, que o Sr. Antonio Lucio Caliman reconhecera as rubricas em cheques nominais de pagamentos feitos pela Siderúrgica. Além de que a autuada lhe emprestava notas ficais para acobertar suas vendas à Siderúrgica Ibiraçu, por cujo empréstimo pagava ao interessado uma certa "comissão"; que, porém, não consta que o Sr. Antonio Lucio Caliman compareceu espontaneamente, após ser intimado pelo telefone, no qual foi marcada a data e hora; que dessa intimação não constava do que se tratava. Pois bem, ao chegar na RFB, pra prestar o depoimento, foilhe apresentada uma enorme quantidade de documentos, muitos deles com textos enormes e muitas tabelas com numerários, impossibilitando, restringindo, cerceando sua defesa garantida pela Constituição Federal 1988; que lhe foi apresentada uma enorme quantidade de documentos, sem saber se eram legítimos, ou do que se tratava, sem lhe proporcionar condições mínimas de análise; foi imposto sobre o mesmo um bombardeio de perguntas, sempre com intimidações/coagindo, desrespeitando o devido processo legal; que já havia solicitado na impugnação na primeira instância de julgamento, ou seja, prestar depoimento pessoal acompanhado de um advogado e volta a pedir (reitera), tendo em vista se sentir coagido e indefeso. que, por fim, em resumo, o recorrente Sr. Antonio Lucio Caliman pediu: Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.293 10 a) sua exclusão do pólo passivo, ou seja, pediu a reforma da decisão recorrida na parte em que restou mantido o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome do Sr. Antonio Lucio Caliman; b) que em relação ao crédito tributário o Sr. Antonio Lucio Caliman desconhece, por ter sido gerado através de uma relação entre a Siderúrgica e a TC de Paulo ME que tem como proprietário Thiago Costa de Paulo e que nunca participou de tais transações. No mais reitera os argumentos apresentados na primeira instância de julgamento. c) protesta por todos os meios de provas em direito admitidos. É o relatório. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.294 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, apresentado pelo responsável sujeito passivo solidário Sr. Antonio Lucio Caliman, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, tomo conhecimento dele. Conforme relatado, a lide versa, apenas, acerca da imputação pelo fisco da sujeição passiva solidária ao Sr. Antonio Lucio Caliman, ora recorrente, quanto ao crédito tributário objeto dos autos. Quanto ao crédito tributário, lançado de ofício (autos do Simples Federal), anocalendário 2005 , a matéria está preclusa, definitivamente julgada nesta esfera administrativa, não mais cabe discussão na órbita administrativa, pois não foi impugnada na primeira instância de julgamento. Nesse sentido, inclusive consta expressamente consignado na ementa e na parte dispositiva do acórdão recorrido, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 MATÉRIA EXPRESSAMENTE NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. MULTA DE OFÍCIO. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. (...) Os membros desta Turma acordam, por unanimidade de votos: a) manter a exigência de crédito tributário, no valor de R$ 725.442,60 (item 1), declarandoo definitivamente constituído na esfera administrativa, em face de não ter sido expressamente impugnado; (...) Passo a analisar o recurso manejado nesta instância recursal. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.295 12 PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO Inicialmente, o recorrente, responsável solidário (art. 135, III, do CTN), protestou por todo os meios de prova admitidos em direito, nesta instância recursal, bem como o direito de se manifestar, esclarecer pessoalmente na sessão de julgamento acerca dos fatos. Vale dizer, o recorrente pediu para prestar depoimento pessoal acompanhado de um advogado na primeira instância de julgamento, e voltou a pedir (reiterou), tendo em vista se sentir coagido e indefeso; Entretanto, o recorrente não compareceu à sessão de julgamento para fazer sua manifestação, nem compareceu advogado para fazer sustentação oral, embora efetuada a publicação da Pauta de Julgamento dos Recursos, com a devida antecedência, no Diário Oficial, na forma regimental. Pauta Publicada no DOU nº 84, de 03/05/2018 Seção 1, págs. 34 a 36. Obs: Nos debates orais, durante a sessão de julgamento, o recorrente poderia ter utilizado a Tribuna para apresentar sua manifestação, no tempo destinado à sustentação oral, sozinho e/ou juntamente com seu advogado. Não há óbice algum, nesta instância administrativa de julgamento para tanto, pois o Regimento Interno do CARF não exige que a defesa seja efetuada apenas por profissional com formação jurídica. Entretanto, o recorrente e advogado não compareceram e nem justificaram ausência. Ainda, quanto ao protesto genérico pela produção de todas provas admitidas em direito, nesta instância recursal, indefiro o pedido por ser desnecessários para resolução da lide, pois : a) as provas diretas da infração e da sujeição passiva solidária, constantes dos autos, são suficientes para formação da convicção do julgador e para resolução da lide; b) o pedido foi formulado em desacordo com o art. 16, IV, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. A perícia técnica não é meio de prova para comprovação de fato que possa ser feito mediante a mera apresentação ou juntada de documentos cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do protesto genérico e do pedido de diligência/perícia contábil considerado desnecessário, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV e § 4º, do Decreto n° 70.235/72, segundo os precedentes deste CARF que transcrevo, in verbis: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.296 13 necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 206.01.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão nº 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão nº 193.00.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem.(Acórdão nº 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/72.(Acórdão nº 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA.DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão nº 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Franciso). Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.297 14 PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quandoa apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. nº1802001.006, sessãode17/10/2011). ASSUNTO:PERÍCIA/DILIGÊNCIA– PRESCINDIBILIDADE – A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 10705.810, Relatora Karem Jureidini Dias). PROTESTO GENÉRICO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA.INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência e/ou perícia, quando a documentação constante dos autos revelase suficiente para formação da convicção do julgador e consequente solução do litígio, e quando visa à produção de provas cujo ônus é do contribuinte. (Acórdão nº 280101.866, sessão de 28/09/2011, Relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães). IMPUGNAÇÃO.PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30239.633, sessão de 08/07/2008, Relatora Judith Amaral Marcondes Armando). PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. É inadmissível o pleito genérico para produção posterior de provas ou perícias.(Acórdão nº 303–34.568, sessão de 15/08/2007, Relator Sílvio Marcos Barcelos Fiúza). IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo AdministrativoFiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto 70.235/72, Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.298 15 não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. (Acórdão nº 30334.397, sessão de 12/06/2007, Relatora Anelise Daudt Prieto) Portanto, rejeito o protesto genérico de produção de provas nesta instância recursal. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O recorrente, Sr. Antônio Lucio Caliman, responsável solidário (arts. 124 e 135, III, do CTN), rebelase contra a imputação da sujeição passiva solidária, argumentando, em síntese, nas razões do seu recurso: que nunca fez parte da empresa TC de Paulo ME, quando da ocorrência do fato gerador; além de tal imputação ao mesmo ser improcedente, tendo em vista que nunca efetuou transações comerciais em nome da empresa TC de Paulo ME, nunca emitiu notas fiscais no período em questão. A irresignação do recorrente não merece prosperar. Primeiro, a empresa individual T.C. DE PAULO ME foi constituída por THIAGO COSTA DE PAULO em 10/11/2004, conforme declaração assinada pelo próprio, registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, em 19/11/2004 (efl 1140). A empresa a apresentou a declaração do Simples 2006, anocalendário 2005, sem movimento (campos zerados). Entretanto, clientes da empresa declararam em suas declarações ao fisco aquisições de carvão vegetal, ou seja, 676 notas fiscais, valor total do faturamento R$ 2.701.026,28, demonstrativo relação das notas fiscais (efls. 1155/1167) e que, por fim, via cicularização desses clientes da autuada foram juntadas cópias aos autos, bem comprovantes de pagamentos (recibos) e cópias dos cheques nominais Demonstrativo da omissão de receitas, anocalendário 2005: MENSAL DE RECEITAS MÊS VALOR (R$) Abril 432.561,26 Maio ‐ Junho 73.174,27 Julho 160.453,17 Agosto 877.621,54 Setembro 450.322,69 Outubro 192.000,06 Novembro 302.577,58 Dezembro 212.315,71 Total 2.701.026,28 Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.299 16 O fisco envidou esforços, porém não conseguiu localizar THIAGO COSTA DE PAULO, conforme consta consignado no Termo de Verificação de Infração (efls. 1168/1182): (...) 2. DA FISCALIZAÇÃO EMPREENDIDA NA AUDITADA 2.1 DA LOCALIZAÇÃO DO CONTRIBUINTE (...) Não encontrando a empresa no domicílio informado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, partimos para intimação para intimação do proprietário da empresa, Sr. Thiago Costa de Paulo (...). Esta correspondência também retornou dos Correios sem que fosse entregue, (...), "mudouse, fls. 09. Em diligência realizada pela fiscalização no endereço do Sr. Thiago, em 12/03/2008, constatamos que no local reside a Sra. Zenira Caran Barbosa que desconhece o Sr. Thiago Costa de Paulo, fl. 10. Até o encerramento da presente ação fiscal o contribuinte Thiago Costa de Paulo não atualizou o seu endereço junto à Receita Federal do Brasil. Como foram infrutíferas as tentativas de localização da; empresa e dos seus sócios, comparecemos ao escritório de contabilidade, (...), que, segundo informação constante da declaração da Pessoa Jurídica (PJSI 2006 Simples) da empresa em análise, seria o escritório responsável pela contabilidade da mesma. Neste escritório contatamos com o Sr. Josimar Elias Barbosa que disse ter sido o responsável pela entrega da citada declaração PJSI e que a mesma fora entregue sem movimento por nunca ter sido apresentado qualquer documentos que comprovassem o faturamento da empresa.Afirmou ainda que não possuía mais contato com o Sr. Thiago (...). (...) 2.2 DA CIRCULARIZAÇÃO DOS CLIENTES DA FISCALIZADA (...) A fiscalizada declarou, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES 2006, referente anocalendário 2005, fls. 1112/1117, que durante o período de 01/01/2005 a 31/12/2005, não auferiu receitas de qualquer natureza. Por outro lado a empresa SIDERÚRGICA IBIRAÇU, CNPJ: 01.319.693/000142, informou na sua Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica inúmeras compras realizadas na Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.300 17 empresa TC DE PAULO ME, o que levou a intimála para que apresentasse as seguintes informações, fl.48. (...) A empresa respondeu a intimação, apresentando as notas fiscais de entrada de mercadorias, comprovantes de pagamentos, NF recebidas e depósitos bancários, ficha cadastral do fornecedor e procurações outorgadas ao Sr. Antônio Lucio Calimanfls. 49 a 991. Na resposta apresentada, foi informado ainda que quem representava a empresa TC DE PAULO ME, através de procuração, era o Sr. Antonio Lucio Caliman, (...), CPF nº 862.794.40753, o qual representava também através de procuração as empresas CACHUANA CARVÃO LTDA, (...) e EUCALIPTUS IND. COM. CARVÃO M. SERVIÇOS FLOR LTDA ME (...). Analisando os documentos apresentados, verificamos que todos os pagamentos feitos pela empresa SIDERÚRGIcA IBiRAÇU LTADA referentes às aquisições de produtos da empresa TC DE PAULO ME foram feitos através de cheques nominais, sendo que estes cheques às vezes eram nominais à própria empresa TC DE PAULO ME, outras vezes nominais à empreSa EUCALIPTUS, ou ainda nominal ao Sr. Antonio Lucio Caliman, fls. 55 a 991. Visando maiores esclarecimentos das operações entre as empresas SIDERÚRGICA IBIRAÇU LTDA e a TC DE PAULO ME, intimamos a primeira para que apresentasse as cópias frente e verso dos microfilmes de alguns cheques e, para cada um destes cheques, informar qual (is) transação (ções) comercial (is)o mesmo acobertou, encaminhando cópias autenticadas do livro Razão/Diário referente à escrituração, das notas fiscais correspondentes à operação e dos recibos emitidos pelos forncedores, fl. 992. Os documentos solicitados foram apresentados pela SIDERÚRGICA IBIRAÇU LTDA e da sua análise verificamos que todos os cheques haviam sido descontados na boa do caixa pelo Sr. Antonio Lucio Caliman, conforme comprova a sua assinatura no verso dos mesmos, exceto o cheque de nº 28255, no valor de R$ 25.619,63, que foi depositado na conta 92401, Agência nº 1493 do Banco Bradesco, de titularidade do Sr. Antonio Lucio Caliman, fls. 994 a 10922. Como se verifica, o Sr. Antonio Lucio Caliman, era não só o contato da TC DE PAULO ME junto à SIDERÚRGICA IBIRAÇU LTDA, possuindo procuração com amplos poderes para representá la, como também a recebedor de todos os cheques de pagamentos das vendas de carvão analisadas.Também foi o único sacados destes cheques, chegando mesmo a fazer depósitos de valores em contacorrente de sua titularidade. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.301 18 Devido à estreita relação entre o Sr. Antonio Lucio Caliman e a empresa TC DE PAULO ME, como descrito acima, intimamos o Sr. Antonio Lucio Caliman para que comparece à Delegacia da Receita Federal em Vitória em data e hora certa para prestar esclarecimentos, fls. 1093/1094. O Sr. Antonio Lucio Caliman atendeu a intimação e prestou o seguinte depoimento à fiscalização, fls. 1095 a 1096. Que tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal 07.2.01.002008015651, que pode ser consultado no endereço www.receita.fazenda.gov.br , com o código de acesso ao MPF 27407753; Que possui o segundo grau completo como escolaridade; Que há, aproximadamente 03 anos e meio se desligou como funcionário de uma casa de peças e passou a trabalhar com o comercio de carvão; Que para tal atividade montou a empresa Agrosel Industria de Produtos Florestais e Serviços Ltda; Que esta empresa funcionou por aproximadamente um ano e meio; Que, através desta empresa vendia carvão de eucalipto para a empresa Siderúrgica Ibiraçu, tendo, por algumas vezes, vendido também carvão de eucalipto para a empresa CBF Industria de Gusa; Que não teve outra empresa além da Agrosel; Que não se recorda do nome dá empresa TC de Paulo; Que conhece Thiago de Paulo, que foi seu amigo de infância; Que não tem mais contato com o Thiago de Paulo, pois ele anda sumido da cidade de Linhares; Que não se recorda se efetuou operações comerciais com o Thiago; Que todo o carvão que vendia era guiado com notas fiscais da Agrosel; Que não se recorda se efetuou venda de carvão para a Siderúrgica Ibiraçu com a utilização de notas fiscais de outra empresa. Neste momento esta fiscalização apresentou ao depoente notas fiscais de emissão da empresa TC de Paulo com destino à Siderúrgica Ibiraçu Ltda, sendo que vários pagamentos por tais operações foram em cheques nominais ao próprio depoente. Esta fiscalização apresentou também ao depoente instrumento de procuração outorgada pela empresa TC de Paulo tendo como outorgado o próprio depoente e que conferia ao mesmo Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.302 19 amplos poderes para representála junto à Siderúrgica Ibiraçu Ltda. Sobre tais documentos e fatos assim o depoente se manifestou: Que não se recorda da citada procuração, mas alega que ela pode ter existido; Que no inicio de suas atividades como comerciante de carvão utilizou Notas fiscais da empresa do Thiago de Paulo; Que foi o próprio Thiago, proprietário da TC de Paulo, quem emprestava as notas fiscais da TC de Paulo para o depoente acobertar suas vendas de carvão para a Siderúrgica Ibiraçu; Que, para cada nota "emprestada" pelo Thiago ao depoente o depoente pagava uma certa quantia pelo "empréstimo"; Que não se recorda o valor da comissão paga ao Thiago pelo "empréstimo" das notas; Que também comparecia à Siderúrgica Ibiraçu para pegar cheques da empresa TC de Paulo a pedido do Thiago; Que, na maioria das vezes não depositava os cheques, sacando então os valores em dinheiro na "boca do caixa"; levando o dinheiro em espécie ou pagando duplicatas que não se recorda quais; Quando não sacava, deposita o dinheiro em conta corrente; Que reconhece como sua as rubricas apostas nos versos dos cheques de emissão da Siderúrgica Ibíraçu (As cópias dos cheques foram apresentados ao depoente no presente ato); Que tinha uma pequena carvoaria, mas a maioria do carvão vendido para as Siderúrgicas eram adquiridos de pequenos produtores rurais e serrarias; Que raramente eram emitidas notas fiscais do produtor rural ou das serrarias para o depoente; Que não possui nenhuma das notas fiscais de entrada emitidas; Que o endereço constante no cadastro da Receita Federal ( R. Mario Quintana, 329, Palmital, Linhares, ES) é o endereço da sua exesposa; Que solicita que as intimações deverão ser encaminhadas para a Rua Altamir Marchiori, S/N, Bairro Planalto, Linhares, ES. Dada a palavra ao depoente, nada quis acrescentar. (...) Assim verificase que o Sr. Antonio Lucio Caliman representava de fato a fiscalizada junto a Siderúrgica Ibiraçu Ltda, além de se utilizar de documentos da mesma, com anuência do Sr. Thiago de Paulo, para acobertar negócios próprios, sendo que para tal Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.303 20 pagava uma comissão, pelo empréstimos dos aludidos documentos. (...) Por fim, após intimação, recebemos da Siderúrgica Ibiraçu Ltda a procuração original outorgada pela fiscalizada para o Sr. Antonio Lucio Caliman a representasse, fls. 1097/1099. (...) 6. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A solidariedade passiva tributária está calcada nos arts. 124 e 135 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, (...). Assim, com vistas a garantir o credito tributário, arrolamos como responsável solidário o Sr. Antônio Lucio Caliman, que, além de representante, contato, procurador e recebedor de valores da fiscalizada junto à Siderúrgica Ibiraçu Ltda, também utilizou se utilizou da emprea TC de Paulo em proveito próprio, conforme se verifica do seu depoimento à fiscalização quando admitiu que usava notas fiscais da empresa auditada para acobertar operações de vendas de carvão que lhe pertencia, pagando valores ao proprietário da empresa pela cessão destas notas fiscais. Logo, apesar de não manter relação formal com o quadro societário da fiscalizada, manteve com ela vinculação econômica. Isto por força do agir com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social. Assim, restou evidentemente comprovado, à luz da farta documentação, a utilização da empresa em análise por esta pessoa física para acobertar negócios próprios, angariando recursos financeiros com objetivo de ocultálos da tributação. Assim, será arrolada a pessoa física abaixo qualificada, a qual possuía efetivo poder de gestão sobre os negócios entre a TC DE PAULO ME e a SIDERÚRGICA IBIRAÇU LTDA. 6.1DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Com efeito concluímos que Antonio Lucio Caliman manteve contatos comerciais em nome da TC DE PAULO ME, realizando venda de mercadorias junto à empresa SIDERÚRGICA IBIRAÇU LTDA, ficando à frente de todas as transações com esta empresa, utilizandose, inclusive, de documentos da fiscalizada para acobertar negócios próprios, conforme seu próprio depoimento, fls. 1095. Era também o único responsável pelo recebimento de valores e descontos dos respectivos cheques na boca do caixa, sendo que algumas ocasiões chegou mesmo a depositálos em conta de sua titularidade (Exemplo: depósito em sua conta corrente referente às notas fiscais 140 e 142, fls.279/282 e notas fiscais 163 e 165, Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.304 21 fls.316/319, ou seja, comprovadamente se beneficiando destes recursos em proveito próprio. Deste modo, arrolamos Antonio Lucio Caliman, (...). como responsável solidário pelo crédito tributário apurado. (...) O recorrente, nas razões do recurso, ainda alegou que o depoimento que prestara à fiscalização não teria sido prestado espontaneamente; que ao chegar na RFB, para prestar o depoimento, foilhe apresentada uma enorme quantidade de documentos, muitos deles com textos enormes e muitas tabelas com numerários, impossibilitando, restringindo, cerceando sua defesa garantida pela Constituição Federal 1988; que lhe foi apresentada uma enorme quantidade de documentos, sem saber se eram legítimos, ou do que se tratava, sem lhe proporcionar condições mínimas de análise; foi imposto sobre o mesmo um bombardeio de perguntas, sempre com intimidações/coagindo, desrespeitando o devido processo legal. Como visto, quando da oitiva do recorrente, as provas diretas, que embasam a infração imputada e a sujeição passiva solidária, já estavam de posse da fiscalização, em face de anterior circularização de clientes da autuada, provas diretas dos fatos e colhidas antes da oitiva do Sr. Antônio Lucio Caliman. Assim, no depoimento dado à fiscalização da RFB pelo recorrente, a o fisco restringise a exibirlhe os documentos colhidos na circularização de clientes (procuração com amplos poderes passada ao depoente pela T.C. DE PAULO ME, cópia de notas fiscais, cópias de cheques etc). Fatos conhecidos pelo Sr. Antônio Lucio Caliman, pois ele era no período objeto da fiscalização o representante legal da empresa, o administrador de fato. Logo, não é crível que desconhecesse os fatos que lhe foram perguntados pela fiscalização, pois inclusive deu resposta às perguntas com riqueza de detalhes. Portanto, a oitiva do Sr. Antônio Lucio Caliman realizada pela fiscalização restringiuse a perguntas relacionadas aos fatos e provas colhidas na circulação de clientes da pessoa jurídica autuada, quanto anocalendário 2005. Não cabe objetar contra a fiscalização a inobservância dos princípios da ampla defesa e do contraditório no âmbito do procedimento de investigação fiscal, fase pré processual, pois citado procedimento é realizado no interesse exclusivo do fisco, tem natureza inquisitorial, procedimento voltado à colheita de provas para comprovação, demomstração, dos indícios da prática de infração tributária. Na fase de investigação fiscal ainda inexiste imputação de infração, ainda não há acusação formal de infração, não há lide, não há processo. Logo, não há que se falar em inobservância dos princípios do contraditório e ampla defesa na fase inquisitorial, fase pré processual, realizada no interesse exclusivo do fisco, fase de colheita de provas. Os princípios do contraditório e da defesa são garantias constitucionais do devido processo legal. E na fase processual, desde o início, estão sendo assegurados ao recorrente o devido processo legal administrativo, a ampla defesa e o contraditório, a partir da ciência da acusação formal. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.305 22 O responsável solidário, então, apresentou impugnação na primeira instância de julgamento e o recurso nesta instância recursal, exercendo o contraditório e a ampla defesa contra os fatos que lhe foram imputados. Não obstante, as provas colhidas pela fiscalização, na circularização de clientes, provas diretas dos fatos imputados, são contundentes e confirmam os fatos imputados no auto de infração e no termo de sujeição passiva solidária, conforme já demonstrado acima. Ainda, como razão de decidir, adoto a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida, pois muito bem enfrentou a questão da sujeição passiva solidária, in verbis: (...) 32 Pois bem. A fiscalização lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária contra Antonio Lucio Caliman, com fulcro nos arts. 124 e 135 do CTN. 33 O sobredito Termo resultou da conjugação de vários fatos, apurados em sede de procedimento fiscal. 34 O interessado, Thiago Costa de Paulo, que, segundo documentação enviada pela Junta Comercial do Espírito Santo, é empresário individual, adotando o nome empresarial T C DE PAULO — ME, iniciou atividades em 10.11.2004, com Capital Social de R$ 2.000,00, no comércio varejista de carvão, fabricação de produtos diversos (carvão) e serviços de poda de árvores (fIs.1110/ 1111). 35 Nos anoscalendário de 2004 e de 2005, o interessado apresentou declaração debaixo do regime do Simples — Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (fls.1216). 36 E, de fato, na declaração do Simples (DSPJ) do ano calendário de 2005, ano a que a autuação se refere, não foi informada a apuração de qualquer receita no anocalendário de 2005 (fls.1113/1117). 36 E, de fato, na declaração do Simples (DSPJ) do ano calendário de 2005, ano a que a autuação se refere, não foi informada a apuração de qualquer receita no anocalendário de 2005 (fls.1113/1117). 37 Uma vez que o Termo de Início de Fiscalização foi devolvido pelos Correios sob o título de "não procurado', o autuante fez, então, diligência no endereço do interessado, onde encontrou o Sr. João Carlos Gama do Sacramento (que se disse um dos herdeiros da fazenda), que informou que arrendara 1 hectare para o interessado, mas que, este, após instalar uma carvoaria, que funcionou apenas um mês, desapareceu sem sequer pagar o valor do arrendamento. 38 Em razão de a correspondência enviada ao endereço residencial do interessado também ter sido devolvida, sob o título de "mudouse", a fiscalização, em diligência de Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.306 23 12.03.2008, apurou que, no dito endereço, morava outra pessoa, que também afirmou não conhecer o interessado. 39 Em diligência ao escritório apontado na declaração do interessado como o responsável pela contabilidade, foi informado que o faturamento da empresa nunca foi apresentado pelo interessado, cujo paradeiro, também era desconhecido. 40 Pois bem. Embora a DSPJ constasse sem informações sobre receitas, o interessado efetuou inúmeras vendas para a Siderúrgica, que, intimada, apresentou notas fiscais de entrada, comprovantes de pagamentos, ficha cadastral do fornecedor e procurações outorgadas ao impugnante Antonio Lucio Caliman. 41 A Siderúrgica informou que Antonio Lucio Caliman representava não só o interessado, como as empresas Cachuana Carvão Ltda e Eucaliptus Inc. Com . Carvão M. Serv. Flor, Toda. 42 Da análise dos documentos fornecidos pela Siderúrgica, a fiscalização concluiu que "todos os cheques haviam sido descontados na boca do caixa pelo Sr. Antonio Lucio Caliman". 43 Concluiu, também, que o Sr. Antonio Lucio Caliman era não só o contato do interessado junto à Siderúrgica, "possuindo procuração com amplos poderes para representála, como também, que era o recebedor de todos os cheques de pagamentos dos vendas de carvão analisados, como o único sacador destes cheques, chegando mesmo a fazer depósito de valores em conta corrente de sua titularidade". 44 Em depoimento prestado à fiscalização, em 11.08.2008 (fls.1095/1096), o Sr. Antonio Lucio Caliman informou que, há três anos e meio, havia montado a empresa "Agrosel Indústria de Produtos Florestais e Serviços", pela qual vendia carvão de eucalipto à Siderúrgica Ibiraçu, e, algumas vezes, à empresa CBF Indústria de Gusa. 45 Informou, também, que nunca teve outra empresa, e que "não se recorda do nome da empresa "TC de Paulo" e "nem se lembra de ter efetuado operações comerciais com o Thiago", que foi seu amigo de infância, e que "anda sumido da cidade de Linhares". 46 Ao lhe serem apresentadas notas fiscais do interessado, emitidas para a Siderúrgica, e vários pagamentos destas operações através de cheques nominais ao próprio depoente (cujas rubricas apostas reconheceu como suas), e procurações do interessado concedendolhe poderes, o Sr. Antonio Lucio Caliman disse que não se recordava da dita procuração. 47 Afirmou, ainda, que possuía uma "pequena carvoaria", e que, no início de suas atividades, o interessado lhe emprestava notas fiscais para acobertar suas vendas à Siderúrgica Ibiraçu, por cujo empréstimo pagava ao interessado uma certa "comissão", cujo valor não soube precisar. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.307 24 48 Ainda, em depoimento, o Sr. Antonio Lucio Caliman informou que comparecia à Siderúrgica para "pegar cheques da empresa TC de Paulo, a pedido do Thiago", e que, na maioria das vezes, sacava o cheque, e, em outras, ou levava o dinheiro em espécie ou pagava duplicatas ou depositava o dinheiro em conta corrente. 49 Pois bem. Os sobreditos fatos estão comprovados por documentação juntada aos autos (fls.6/1138), entre eles, todas as notas fiscais que o interessado emitiu para Siderúrgica, e que compõem a base de cálculo da autuação, resumidas às fls.1126/1138. 50 Em sua defesa, o interessado não contesta um único dos fatos acima. 51 Na forma do inciso I do art. 124 do CTN, as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. Os fatos acima convergem para a conclusão de que o interessado e impugnante tinham interesse comum nos fatos que deram causa à exigência. 52 Aqui, tal interesse comum está manifestado no fato de que ambos vendiam à Siderúrgica Ibiraçu e ambos recebiam o produto de tais vendas, sendo que, em alguns atos, ainda que não figurando na composição societária, o impugnante se comporta como o verdadeiro — e único dono do empreendimento (nossos itens 42 a 48). 53 Relativamente ao art. 135 do CTN, que também foi incluído na base legal do Termo de Sujeição Passiva, o impugnante alega que não se lhe aplica porque não agiu com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, e que nunca fez parte da empresa TC de Paulo ME, quando da ocorrência do fato gerador. 54 Para o autuante, "apesar de não manter relação formal com o quadro societário da fiscalizada", o impugnante manteve com ela vinculação econômica, agindo com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social". 55 Para o autuante, também "restou evidentemente comprovado, à luz de farta documentação, que o impugnante se utilizou da empresa "para acobertar negócios próprios, angariando recursos financeiros, com objetivo de ocultálos da tributação". 56 Segundo o art. 135 do CTN, além das pessoas referidas no art. 134 do mesmo CTN, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, os mandatários, prepostos e empregados, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, desde que tais atos sejam praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.308 25 57 O próprio impugnante, em depoimento, informou que fez uso de notas fiscais do interessado. A fiscalização também apurou que os depósitos de valores pagos ao interessado foram depositados em conta do próprio impugnante. 58 Tais fatos, que não foram elididos, assumem o caráter de pessoalidade, e, por si sós, além de contrários à lei, a mandatos e a contratos sociais, revelam atuação em beneficio próprio, de sorte que não há como acolher a solicitação para que a responsabilidade pessoal seja afastada. (..): O Sr. Antonio Lucio Caliman, no anocalendário 2004, era o representante legal da empresa autuada, e o administrador de fato, conforme fatos narrados. Os precedentes do CARF, também, são pela manutenção da sujeição passiva solidária, in verbis: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA.Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.309 26 na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1301001.525 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/05/2014, Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Relator). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. (Acórdão nº 1102001.320–1ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 24/03/2015, Relator João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc). SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro societário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controlador, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3401003.809 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/06/2017, Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº 3301003.159–3ªCâmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado) Não cabe fazer reparo à decisão recorrida. Deve ser mantida a decisão recorrida que manteve a sujeição passiva solidária imputada pelo fisco. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 15586.001582/200921 Acórdão n.º 1301003.065 S1C3T1 Fl. 1.310 27 Por tudo que foi exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1310DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000331/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OPERAÇÕES COMERCIAIS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES.
Caracteriza-se omissão de receita a falta de escrituração das operações comerciais da pessoa jurídica que, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao lançamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração, comprovados através das notas fiscais obtidas mediante circularização junto aos parceiros comerciais da fiscalizada, via procedimento fiscal regular.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS.
Apurada omissão de receitas, alteram-se, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL.
Tendo havido pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que parcial, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN).
MULTA. LEGALIDADE. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO DIRECIONADO AO LEGISLADOR.
A vedação ao confisco e o respeito à capacidade contributiva determinados pela Constituição Federal são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A multa é devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária.
A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 1402-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 OPERAÇÕES COMERCIAIS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES. Caracteriza-se omissão de receita a falta de escrituração das operações comerciais da pessoa jurídica que, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao lançamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração, comprovados através das notas fiscais obtidas mediante circularização junto aos parceiros comerciais da fiscalizada, via procedimento fiscal regular. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteram-se, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Tendo havido pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que parcial, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). MULTA. LEGALIDADE. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO DIRECIONADO AO LEGISLADOR. A vedação ao confisco e o respeito à capacidade contributiva determinados pela Constituição Federal são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A multa é devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento.
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OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES. Caracterizase omissão de receita a falta de escrituração das operações comerciais da pessoa jurídica que, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao lançamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração, comprovados através das notas fiscais obtidas mediante circularização junto aos parceiros comerciais da fiscalizada, via procedimento fiscal regular. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 31 /2 01 0- 58 Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.901 2 percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Tendo havido pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que parcial, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). MULTA. LEGALIDADE. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO DIRECIONADO AO LEGISLADOR. A vedação ao confisco e o respeito à capacidade contributiva determinados pela Constituição Federal são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A multa é devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.902 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.903 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OPERAÇÕES COMERCIAIS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME DO SIMPLES. Caracterizase omissão de receita a falta de escrituração das operações comerciais da pessoa jurídica que, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao lançamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração, comprovados através das notas fiscais obtidas mediante circularização junto aos parceiros comerciais da fiscalizada, via procedimento fiscal regular. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. INAPLICABILIDADE. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.904 5 Não se cogita acerca de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. IRREGULARIDADES. NÃO INFLUÊNCIA NO LITÍGIO. Nos termos do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das previstas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o Auto de Infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, inexiste cerceamento do direito de defesa. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Consoante entendimento da Administração Tributária, expressado por intermédio do Parecer PGFN/CAT n° 1617/2008, aliado a posicionamento recentemente sumulado no âmbito do CARF, tendo havido pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que parcial, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). MULTA. LEGALIDADE. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO DIRECIONADO AO LEGISLADOR. A vedação ao confisco e o respeito à capacidade contributiva determinados pela Constituição Federal são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.905 6 instituiu. A multa é devida em decorrência de pagamento extemporâneo e cobrada em virtude de determinação legal, de caráter irrelevável. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi relatado pela instância a quo, in verbis: “1. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 311/314, datado de 22/02/2010, tratase de crédito lançado pela Fiscalização em face do contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), relativo ao anocalendário de 2005, vez que no procedimento fiscal foram constatados pagamentos a fornecedores com recursos estranhos à contabilidade, o que configura omissão de receitas (referente ao faturamento originário de transações comerciais) e resultou na lavratura de Autos de Infração em 22/02/2010 (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais multa e juros), fls. 330/379. O sujeito passivo teve ciência da autuação, pela via postal, em 23/02/2010 consoante comprova o "AR" juntado às fls. 383. 1.1. O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 02, registra o montante de R$ R$ 1.090.410,04 (Um milhão, noventa mil, quatrocentos e dez reais e quatro centavos). Do Auto de Infração 2. Do conteúdo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 311/314) e demais elementos que compõe o processo intimações, documentos e informações destacase: 2.1. Em 20/08/2008 o contribuinte recebeu o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 05) através de sua Procuradora na Repartição Pública conforme ajustado por telefone, uma vez que a Autoridade Fiscal, ao diligenciar pessoalmente, constatou que a empresa não estava em funcionamento no endereço constante de seu cadastro na RFB. Em 11/09/2008 a fiscalizada solicitou prorrogação do prazo para apresentação da documentação solicitada no Termo de Início, petição esta acompanhada de procuração e cópia do contrato social. Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.906 7 2.2. Adicionalmente, a Autoridade Fiscal verificou nos sistemas informatizados da Receita que na Declaração PJSI2006, ano calendário 2005, a Pessoa Jurídica informou compras anuais no valor total de R$ 59.274,40 enquanto que, no mesmo período, de acordo com as informações de compras DIPJTerceiros dos fornecedores do contribuinte, o somatório das compras totalizou o montante de R$ 4.612.010,03. 2.3. Em razão de tais diferenças, com amparo por "MPFExtensivo", foram circularizados os principais fornecedores da então fiscalizada com a finalidade de serem obtidas informações sobre o total das vendas efetuadas e respectivos pagamentos ocorridos em 2005. 2.4. As informações solicitadas e obtidas, tabuladas em planilhas por cada uma das empresas intimadas, questionadas durante o procedimento fiscal e juntadas ao processo, contém os dados relativos às vendas dos fornecedores ao contribuinte fiscalizado e discriminam as datas da venda, o CFOP, as datas de emissão das notas fiscais, bem como as datas do efetivo pagamento, parcela e modalidade. 2.5. A Autoridade Fiscal, anotou que a fim de se observar o regime de caixa, considerou apenas os pagamentos efetivamente ocorridos dentro do período de 01/01/2005 a 31/12/2005, ou seja, foram expurgados todos os pagamentos/parcelas eventualmente realizados pela fiscalizada no anocalendário de 2006, ainda que as compras tivessem sido feitas em 2005. 2.6. Considerando que a fiscalizada não atendeu ao Termo de Início de Fiscalização, nem mesmo com a prorrogação de prazo concedido e encerrado em 01/10/2008, emitido em 22/01/2010 o Termo de Intimação Fiscal em reiteração, no qual constou intimação para que, além da apresentação dos livros, documentos e comprovantes, fosse apresentada documentação hábil e idônea para comprovar a origem dos recursos utilizados para o pagamento das compras relacionadas nos anexos I a X integrantes do referido Termo (anexos estes referenciados na tabela infra). O Termo foi enviado ao sujeito Passivo e recebido pela sócia responsável, Carmem Alfar Montero, em 27/01/2010 ("AR" às fls. 275). 2.7. Abaixo, relação dos Fornecedores circularizados e planilhas obtidas: EXCELLENCE Fornecedores C i rcu lar izados/CNPJ MPF/ INT PET/PLANILHA NF ANEXO ‐ Fls. Fls. Fls. FLS. DIAGEO BRASIL LTDA 41; 42; 43 44; 45/51;52 I ‐ 276/285 62.166.848/0003‐04 PERNOID RICARD BR IND E COM LTDA 53 54; 55/56; 57/95 II ‐ 286/288 33.856.394/0013‐77 MOET HENESSY DO BR VINHOS DEST LTDA 96; 97; 98 99; 100/101; III ‐ 289/291 43.993.591/0004‐09 102/117 AURORA BEBIDAS E ALIMENTOS FINOS LTD 118;119 121; 122/128; IV ‐ 292/297 61.296.646/0001‐52 129/134 BACARDI MARTINI DO BR IND E COM LTDA 135; 138; 139/140; V ‐ 298/299 59.104.737/0034‐65 136/137 141; 142/152 INDÚSTRIA AGRÍCOLA TOZAN LTDA 153; 154; 155; VI ‐ 300/301 Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.907 8 61.153.169/0001‐76 160/163 156/159 DISTILLERIE STOCK DO BR LTDA 164; 167; 168/205 VII ‐ 302/303 60.606.449/0001‐20 165/166 206/221 VINÍCOLA MIOLO LTDA 222; 223/4 225; 226/227 VIII‐ 304/305 92.528.058/0001‐20 228/246 BEBIDAS DA SERRA S/A 247; 248 250; 251; 252; IX ‐ 306/307 04.478.072/0001‐08 253/267 ALF LAS H DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA 268; 271; 272/273 X – 308/09 06.296.011/0001‐47 269/270 Planilha com totalização dos anexos I a X : Fls. 315 2.8. O Termo de Verificação Fiscal faz referência e detalha o conteúdo dos anexos acima mencionados; esclarece os valores considerados e expurgados, o regime de caixa adotado, o período em questão (01/01/2005 a 31/12/2005) e ressalta que o sujeito passivo deixou transcorrer in albis o prazo concedido, sem qualquer manifestação ou justificativa, razão pela qual foi elaborado o Termo e a planilha de totalização (fls. 315), acrescentando que os valores consignados foram considerados omissão de receitas (receitas/pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade) e ensejaram lançamento de ofício de Impostos e Contribuições pelo SIMPLES, com a lavratura de Auto de Infração, nos termos do inciso II do art. 281 do Decreto 3.000/99, c/c arts. 186, 188 e 199 do mesmo Diploma Legal, o RIR. Colacionada jurisprudência administrativa. 2.9. Ainda, consta do Termo de Verificação Fiscal a informação da recomposição das receitas brutas mensais, originadas pelas Omissões de Receitas apuradas conforme anteriormente descritas, que ensejou as alterações dos percentuais progressivos fixados em relação à receita bruta acumulada, gerando insuficiências de recolhimentos nos meses de março de 2005 a dezembro de 2005, conforme demonstrado na tabela apresentada no referido Termo. 2.10. O presente processo contém, ainda, o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 316/317), o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 318/324), assim como o demonstrativo de apuração dos imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, fls. 325/329, com Multa de 75%. 2.11. Em 22/02/2010 foram lavrados os seguintes Autos de Infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 81.911,42; Auto de Infração, fls. 335/339 e demonstrativos às fls. 330/334; Contribuição para o PIS/PASEP SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 81.911,42; Auto de Infração, fls. 345/349 e demonstrativos às fls. 340/344; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 130.803,97; Auto de Infração, fls. 355/359 e demonstrativos às fls. 350/354; Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.908 9 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 261.608,09; Auto de Infração, fls. 365/369 e demonstrativos às fls. 360/364; Contribuição para Seguridade Social INSS SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 534.175,14; Auto de Infração, fls. 375/379 e demonstrativos às fls. 370/374. 2.12. Ao final de cada Auto de Infração consta a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). O Termo de Encerramento, datado de 22/02/2010 foi juntado às fls. 380/1. 2.13. Enviado ao sujeito passivo, na pessoa da sóciaresponsável Carmem Alfar Montero, o Termo de Verificação Fiscal, os Autos de Infrações e o Termo de Encerramento, todos recebidos em 23/02/2010, consoante "AR" juntado às fls. 383. Da Representação Fiscal para exclusão do SIMPLES 3. Ainda, às fls. 384 foi juntado o Termo de Ciência, cuja cópia foi enviada e recebida pela referida sóciaresponsável, em 25/02/2010 (fls. 385), no qual foi informado, em suma, o encerramento da ação fiscal com a verificação de que o contribuinte excedeu, no ano calendário 2005, o limite de receita bruta permitida para a permanência no SIMPLES, razão da Representação Fiscal para Exclusão do Simples, conforme legislação pertinente ali mencionada e reproduzida. 3.1. A Representação Fiscal para exclusão do Simples encontrase às fls. 386/8. Da Impugnação 4. O contribuinte interpôs, tempestivamente (fls.529), impugnação a cada um dos Autos de Infração (razões: fls. 390/406 IRPJ; fls. 416/432 PIS; fls. 445/461 CSLL; fls. 471/487; fls. 497/513 INSS), sendo todas subscritas pela sócia Carmem Alfar Montero e cada uma das defesas acompanhada da cópia do contrato social e do respectivo Auto de Infração. Os argumentos impugnativos de igual teor para todos os Autos, após resumo do lançamento, em síntese, são: 4.1. Preliminarmente, "insubsistência do auto de infração por manifesta iliquidez e presunção'". 4.1.1. Alega que a imposição tributária não foi clara e corretamente embasada, faltando a perfeita descrição dos fatos, o que caracteriza cerceamento de defesa, tendo sido deficiente a descrição da matéria tributável, vulnerando o art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sendo ilegal e nulo o ato administrativo impugnado. Colaciona doutrina. 4.1.2. Acrescenta que o Auditor Fiscal apenas arrolou uma série de dispositivos legais, dificultando a compreensão da capitulação e a defesa da Impugnante. Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.909 10 4.1.3. Conclui pelo cerceamento de defesa e espera acolhimento da preliminar de nulidade arguida. 4.2. No mérito, afirma que os valores relativos aos pagamentos das compras da impugnante são meros indícios de omissão de receitas, uma presunção simples insuficiente para ensejar tributação. 4.2.1. Discorre sobre apuração dos fatos (abstratamente), presunções e ônus da prova, colacionando doutrina. Conclui que a imputada existência de omissão de receitas não induz a presunção da ocorrência do fato gerador de imposto e afirma que "a existência de pagamento de compras não escrituradas não caracteriza fato gerador de tributo", nem autoriza a suposição de omissão de receitas. 4.2.2. Alega que o lançamento deveria ter sido embasado em auditoria de produção, prevista no art. 286 do RIR, consistente no confronto entre estoques iniciais e finais , nas compras e saídas de produtos, para comprovação da imputada omissão de receitas e não na mera presunção, como realizado. Reproduz julgados do Conselho de Contribuintes e do TRF. Conclui que não há que se falar em omissão de rendimentos com base em meros indícios. 4.3. Em adição, afirma que o critério utilizado para "o cálculo do débito é irregular, inexato e arbitrário" 4.3.1. Defende que a penalidade imposta pelo inadimplemento da obrigação é arbitrária e excessiva, desproporcional à infração e que o art. 150, IV da Constituição Federal veda o confisco, discorrendo sobre a natureza e finalidade da penalidade, entendendo que o valor exigido a título de multa é inconstitucional, haja vista seu caráter confiscatório. Menciona Adin do STF, doutrina e jurisprudência. 4.4. Quanto aos juros, discorre sobre sua natureza de penalidade e que constitui obrigação acessória, contestando sua aplicação sobre outra obrigação acessória, qual seja, a multa, por entender que deste modo haveria violação do art. 110 e 161 do CTN. Nestas condições defende a incidência dos juros de mora somente sobre o valor principal supostamente devido. 4.5. Afirma que o pagamento de compras foi considerado isoladamente e, nas condições do lançamento, conforme anteriormente articulado, entende necessária e requer a realização de perícia para apuração de eventuais diferenças. 4.6. Por tudo quanto expôs requer a decretação da nulidade e, caso não seja este o entendimento, no mérito requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. Do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES 5. O Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQPIR n° 025/2010, de exclusão do contribuinte do Simples com efeitos da exclusão a partir do dia 01/01/2006, em Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.910 11 virtude da receita bruta no anocalendário de 2005 ter ultrapassado o limite legal estabelecido para a permanência no sistema diferenciado, foi juntado às fls. 530 e a respectiva Notificação às fls. 531, a qual, encaminhada pela via postal, restou de alcance infrutífero quanto à devida ciência (anotado no "AR", às fls. 532, que o destinatário mudouse). Em conseqüência, a ciência foi efetivada através do edital n° 05/2010, fls. 534. 5.1. Conforme consignado às fls. 540, o ADE n° 25/2010 não foi contestado pelo contribuinte. Da Diligência Fiscal 6. Concluídas as alterações cadastrais e demais providências (fls. 535/539), o presente processo foi encaminhado para esta DRJ (fls. 540) que, após a análise preliminar ao julgamento quanto aos documentos acostados e alegações apresentadas pela impugnante entendeu pela necessidade de diligência fiscal. 6.1. Assim, conforme articulado no Despacho n° 08/2013, fls. 541/545, a diligência teve lugar uma vez que, tendo sido considerado que apesar do contribuinte não ter apresentado seus livros e documentos durante o procedimento fiscal ou mesmo quando de sua impugnação, as planilhas elaboradas pelos fornecedores da autuada são indícios válidos, mas ensejavam aprofundamento probatório. 6.2. Entendeuse necessários esclarecimentos da Autoridade Fiscal e juntada de documentos que corroborassem com as informações constantes das planilhas dos fornecedores (fls. 45/51; 55/56; 100/101; 122/128; 139/140; 155; 226/227; 251; 271) e daquelas decorrentes, elaboradas pelo Auditor Fiscal, fls. 276/309. 6.3. Enfatizado que os documentos a serem acostados deveriam ser comprobatórios dos registros declarados em cada uma das citadas planilhas. 6.4. A diligência fiscal foi efetivamente cumprida, fls. 550/1812. O Termo de início de diligência fiscal, fls. 564, foi recebido pela sócia em 28/08/2013 conforme "AR" juntado às fls. 555/566. 6.5.Restou comprovada a realização de procedimento fiscal em cada um dos fornecedores, com exceção de diligência no fornecedor Distillerie Stock do Brasil Ltda, pois os documentos já se encontravam no processo, vide informação de fls. 567 do AuditorFiscal e documentos às fls. 167/205. Quanto ao resultado obtido junto às demais empresas fornecedoras diligenciadas, destacase: 6.5.1. Diageo Brasil Ltda., fls. 574/1030. Notas Fiscais, fls. 608/872; livro de registros de saídas, fls. 873/1028; Termo de Encerramento, fls. 1029/1030. 6.5.2. Pernod Ricard Brasil Indústria e Comércio Ltda, fls. 1031/1237. Livro de registro de saídas e Notas Fiscais, fls. 1054/1235; Termo de Encerramento, fls. 1236/1237. 6.5.3. Moet Hennessy do Brasil Vinhos e Destilados Ltda., fls. 1238/1315. Notas Fiscais, fls. 1252/1287; livro de registro de saídas, fls. 1288/1313; Termo de Encerramento, fls. 12314/1315. Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.911 12 6.5.4. Aurora Bebidas e Alimentos Finos Ltda., fls. 1316/1452. Livro de registro de saídas, fls. 1333/1355 e 1433/1442; Notas Fiscais, fls. 1356/1432 e 1443/1450; Termo de Encerramento, fls. 1451/1452. 6.5.5. Bacardi Martini do Brasil Indústria e Comércio Ltda., fls. 1453/1532. Notas Fiscais, fls. 1477/1501; livro de registro de saídas, fls. 1504/1530; Termo de Encerramento, fls. 1531/1532. 6.5.6. Indústria Agrícola Tozan Ltda., fls. 1533/1633. Notas Fiscais, fls. 1552/1556; fls. 1564/1568; fls. 1576/1580; fls. 1588/1593; fls. 1602/1608; fls. 1618/1623; livro de registro de saídas, fls. 1557/1563; fls. 1569/1575; fls. 1581/1587; fls. 1594/1601; fls. 1609/1617; fls. 1624/1631; Termo de Encerramento, fls. 1632/1633. 6.5.7. Vinícola Miolo Ltda., fls. 1634/1707. Notas fiscais, fls. 1660/1662 e fls. 1669/1685; livro de registro de saída, fls. 1663/1667 e fls. 1686/1705; Termo de Encerramento, fls. 1706/1707. 6.5.8. Bebidas da Serra S/A , fls. 1708/1756. Notas Fiscais, fls. 1729/1740; livro de registro de saídas, fls. 1741/1750; Termo de Encerramento, fls. 1753/1756. 6.5.9. Alflash Distribuidora de Bebidas Ltda., fls. 1757/1801. Notas Fiscais e livro de registro de saídas, fls. 1775/1799; Termo de Encerramento, fls. 1800/1801. 6.6. O Relatório Fiscal de Diligência, fls. 1802/1803 apresenta um quadro resumo demonstrativo da comprovação requerida através do Despacho n° 08/2013 e informa que foram circularizados novamente todos os fornecedores à época dos fatos, com amparo em Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, com exceção daquele que já tinha fornecido cópias das Notas Fiscais (Distillerie Stock); acrescenta que todos atenderam às intimações e entregaram os documentos. Estes estão devidamente autenticados, digitalizados e ora integrantes do processo. 6.7. O contribuinte foi intimado e recebeu cópia dos documentos (Termo de Intimação Fiscal às fls. 1804 e "AR" às fls. 1805/06, o qual acusa recebimento em 14/04/2014). Ainda, o Termo de Encerramento de Diligência foi juntado às fls. 1809/10 e encaminhado/recebido pela sócia em 05/05/2014 ("AR" às fls. 1811/12). Da Manifestação quanto à Diligência Fiscal 7. Por sua vez, o interessado, dentro do prazo apresentou sua manifestação, fls. 1816/1820 nos seguintes termos, em suma: 7.1. Inicialmente alega que a diligência não tem razão de ser porque a presente demanda está tramitando na Delegacia de Julgamento e com a exigibilidade do crédito suspensa, art. 151, III do CTN. 7.2. Afirma que "está encontrando dificuldades em encontrar os documentos requeridos', em decorrência do tempo decorrido. 7.3. Acrescenta que apesar de estar enquadrada como ME, sem qualquer intimação pessoal, foi excluída como empresa ME e passou para o lucro real. Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.912 13 Ressalta que não estava em local incerto e não sabido, vez que vinha sendo intimada, não se justificando a citação por edital. 7.4. Articula que ao ser passada para o regime de lucro real houve a modificação de suas demonstrações e que não tem como contabilizar essa exigência, anotando que em razão disto houve incidência do IR, PIS/Pasep, CSLL, CFSC e INSS, elevando o total do débito e sendo, assim, difícil a solução. 7.5. No que diz ser mérito, reproduz o art. 27 do PAF, (julgamento do processo em 30 dias) e afirmar que o longo decurso de prazo (de responsabilidade do Fisco) e as novas diligências, além da Representação Fiscal para exclusão do Simples da qual não foi devidamente intimada, estão causando dano de difícil reparo e, ainda, tendo em vista que os fatos geradores são de 2005, considera impossível o cumprimento "dessa obrigação". 7.6. Ainda, entende que está prescrita a exigência, com fundamento no art. 173 do CTN. 7.7. Lado outro argumenta que a situação atual, com os acréscimos decorrentes da incidência dos juros, da correção monetária e da multa moratória, inclusive "oriundos da morosidade da autoridade fiscal" conduzem a uma onerosidade excessiva, impagável para uma microempresa. Colaciona doutrina. 7.8. Reforça que está impossibilitada de apresentar os documentos requeridos e que a documentação obtida por fiscalização indireta não condiz com a realidade nem com os princípios do direito. 7.9. Assim, nega a existência do débito em questão, por não espelhar a realidade dos fatos e reafirma que, com os consectários, o pretenso total aleatório é impagável. 7.10. Por fim, requer seja julgada procedente a impugnação ao Auto de Infração e julgado improcedente os dados obtidos de forma indireta e aleatória, por não espelhar a realidade dos fatos. Em acréscimo, no caso de serem superadas suas argumentações, requer o arquivamento do procedimento fiscal em decorrência da prescrição intercorrente. 7.11. O contribuinte apresentou, em acompanhamento de suas razões, as seguintes cópias: Termo de Intimação Fiscal; Relatório Fiscal de Diligência e Despacho n° 8/2013 (fls. 1821/1828). É o relatório.” Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.913 14 Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, em que apresenta as seguintes razões de fato e de direito para a reforma do Acórdão de 1º Instância: Da Prescrição Intercorrente 1. O levantamento do período fiscalizado feito a partir do dia 01.01.2005 a 30.12.2005, foi feito sem que a recorrente tomasse conhecimento efetivo do TERMO DE CIÊNCIA, trinta dias antes de interpor defesa , ou seja, no dia 15 de março de 2010, conforme consta do protocolo da defesa. 2. Dessumese desse fato, que mais de dez anos se passaram desde o início da fiscalização ocorrida no período base de 2005, culminando com a exclusão da recorrente do Simples Nacional. 3. Diante desse procedimento, temos, portanto, a prescrição intercorrente, com a fruição do prazo legal para intimar o contribuinte, por ter se passado mais de dez anos do fato gerador. 4. Tampouco se alegue que a empresa estava em lugar incerto e não sabido, pois a mesma vem sendo intimada de todos os atos, não se justificando a citação por edital, causando dificuldades à recorrente para atender os requisitos da Fazenda. 5. Por outro lado, ao passar a recorrente para o regime de lucro real, houve a modificação de suas demonstrações, uma vez que não tem como contabilizar essa exigência, sem falar que no novo regime houve a incidência do Imposto de Renda, Pis/Pasep, CSLL e INSS, o que eleva o total do débito, ocasionando uma obrigação de difícil solução. 6. Portanto, o auto de infração deve ser julgado improcedente, por absoluta nulidade e por não de atender os preceitos legais. Da Ausência de Liquidez e Certeza do Auto de Infração 7. A autoridade fiscal desconsiderou os valores lançados e em procedimento fiscal indireto e imparcial, efetuou diligências em determinadas empresas, para justificar o fato gerador de incidência de tributo, e mediante essa aferição indireta, efetuou a exclusão da recorrente do Simples Nacional, bem como, sobre esses pretensos valores, efetuou o lançamento pelo Lucro Real com notas fiscais inidônea, sem que efetivamente correspondesse aos valores reais, sem falar que parte da pretensa mercadoria sequer foi vendida, ocorrendo, portanto, nulidade na base de cálculo. 8. Ocorre que nessas notas fiscais poderia haver devolução de produtos e a existência de estoques, pois grande parte dos produtos sequer foram Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.914 15 vendidos, estando, portanto, a recorrente sendo tributada sobre dados fictícios, sobre estoques e sem qualquer respaldo na legislação tributária. 9. Pela disposição legal prevista no Decreto nº. 70235/72, esse procedimento de obtenção de valores por presunção, ao obter dados parciais e por levantamento indireto, torna deficiente a descrição da matéria tributável, contida no art. 10 desse dispositivo. 10. Compulsando o Auto de Infração, notamos que a utilização de notas fiscais de compra, obtidas aleatoriamente, não tem qualquer conotação com os fatos, não sendo base para cálculo de tributos, pela ausência do fato gerador. 11. Isto porque a utilização dessas notas não tem qualquer vínculo com o fato gerador a justificar o lançamento por presunção, pois esse procedimento gera valores incongruentes, ferindo o disposto no art. 142 e seguintes do CTN, mais precisamente nos preceitos do art. 150. 12. Presunção não é conceito de lançamento tributário. Cita doutrina. 13. O lançamento por homologação não é a mesma coisa que levantamento por presunção, onde não existe o fato gerador, por se tratar de notas fiscais parciais de compra, onde não ocorreu venda efetiva, não foram descontados as devoluções e a existência de estoque de produtos, etc. Portanto, estamos diante da expectativa de direito, sem proteção legal no mundo jurídico, o que ocasiona a nulidade absoluta "iuris tantum" de todo o lançamento fiscal, por falta do fato gerador. 14. A utilização de notas fiscais de compra, sem qualquer outra conotação ou confrontação com dados contábeis, não passa de mera ficção, pela falta do fato gerador de tributo. 15. "A presunção gerada pelo art. 42 da Lei 9430/96 está levando a distorções do conceito do termo "receita" e considerando entrada de valores como "receita" o que na verdade não é na acepção técnica. Contrariando outrossim, a verdade material, o art. 142 do CTN, bem como o postulado da razoabilidade. 16. Em decorrência da ausência do fato gerador, temos a nulidade de todo o ato e todos os seus consectários. uma vez que notas fiscais de compra obtidas de forma indireta, não é fato gerador de tributo. 17. Decorre de todo o exposto, que o relatório contido no venerando acórdão, em nada modifica a nulidade de todo o processo, pois o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário obtida de forma indireta, não pode ser sustentado, pois notas fiscais de compra não é fato gerador de tributos. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.915 16 18. O demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 316/317), o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 318/324), assim como o demonstrativo de apuração dos imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, fls. 325/329, com Multa de 75%, não possui liquidez e certeza a embasar o auto de infração. 19. Decorre de todo o exposto, que os valores indicados no item 2.11. obtidos de forma indireta, não torna válido o auto de infração, pois o acessório segue o principal, estando nulo todo o procedimento. Dos Argumentos Finais Diante de todo o exposto, passa a recorrente a impugnar todos os argumentos do v. acórdão. 1. OPERAÇÕES COMERCIAS NÃO ESCRITURADAS. OMISSÃO DE RECEITAS. As notas fiscais de compra não são base para obter o fato gerador, pois não correspondem com as operações comerciais, não gerando tributos. 2. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Conforme já aludido, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação, mas não calculado sobre notas fiscais inidôneas, sem qualquer caracterização com o fato gerador. 3. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COF1NS, CSLL e INSS. Sendo empresa atuando no regime do Simples, o recolhimento é feito com base em alíquota fixa, não sendo aplicável o regime adotado pela fiscalização; principalmente com base em nota fiscal inedônea. 4. IRREGULARIDADES. NÃO INFLUÊNCIA NO LITÍGIO. Conforme fartamente exposto, no que tange ao art. 60 e 59 do PAF, as nulidades apontadas não tem o condão de dar eficácia aos referidos artigos, pois estamos "data vénia", dentro da nulidade "iuri et de iuri", intransponível, devendo ser anulado o auto de infração por medida de justiça. 5. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcede as alegações do v. acórdão, pois a recorrente somente foi intimada do auto de infração após cinco anos do pretenso fato gerador ocorrido no ano de 2005, obtido apenas em notas fiscais parciais de compra, o que gerou o referido cerceamento de defesa. 6. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. O v. acórdão é omisso quanto a isso, pois deixou de apreciar o argumento de inconstitucionalidade, uma vez que a defesa apontou a inconstitucionalidade dos atos praticados contra preceitos legais, e Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.916 17 não quanto à lei inconstitucional em si, cabendo essa providência apenas ao Poder Judiciário. Não se aponta leis inconstitucionais, mas procedimento "contra lege", o que causa a inconstitucionalidade, devendo ser apreciado pelo Tribunal, que está obrigado conforme fartamente exposto. 7. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Improcede os argumentos do Auto de Infração, pois a intimação da recorrente somente se deu a partir de 2010, e não de forma parcial abrangendo o mês de janeiro de 2005, que não houve movimento e também o mês de fevereiro do mesmo ano. Dessumese desse fato, que todo o procedimento está prescrito. 8. MULTA. LEGALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO DIRECIONADO AO LEGISLADOR. O acessório segue o principal. Sendo declarado nulo o principal, igualmente se aplica ao acessório. 9. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Igualmente inaplicável esse argumento, pois sendo nulo o principal, não há como falar em juros de mora. Do Pedido 1. Diante do exposto e diante da negação de todos os procedimentos do Auto de Infração, e em decorrência da nulidade dos atos praticados, pois os valores obtidos como falsa pretensão do fato gerador, não concede à Fazenda validade e eficácia a seus atos, motivo pelo qual requer seja julgado improcedente e insubsistente todo o Auto de Infração, por medida de justiça. 2. Requer também a nulidade do auto, pois a incidência do fato gerador sobre notas inidôneas está causando confisco dos bens da recorrente, haja vista que não temos fato gerador a ensejar a presente autuação, tornando nulo todo o procedimento, pois notas fiscais de compra não é conceito de fato gerador. 3. Finalmente requer o arquivamento de todo o procedimento, por medida de justiça. É o relatório. Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.917 18 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Preliminares Preliminar de prescrição intercorrente A recorrente alega a prescrição intercorrente no processo administrativo, contudo conforme Súmula Carf nº 11, in verbis: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal." Em prestígio ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, bem assim à isonomia na relação jurídicotributária não é admissível a prescrição intercorrente no Processo Administrativo Fiscal. Havendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não ocorre a prescrição. O prazo prescricional começa a fluir a partir da constituição definitiva da crédito tributário, que ocorre quando não cabe recurso ou ainda pelo transcurso do prazo. Portanto deve ser afastada a preliminar de nulidade do autor por prescrição intercorrente. Preliminar de decadência Quanto à decadência do crédito tributário, tendo havido o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, ainda que parcial, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, aplicandose, assim, regra especial (art. 150, § 4º). Tendo em vista que vista a data que a autuada tomou ciência dos lançamentos (23/02/2010) e o período dos fatos geradores em questão (01/2005 a 12/2005), verificase que somente o período de 01/2005 foi atingindo por esse instituto, como acertadamente julgou a decisão de 1ª Instância. Deve ser afastado portanto a alegação de decadência dos demais fatos geradores do anocalendário de 2005. Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.918 19 Preliminar de nulidade por falta de liquidez e certeza no lançamento por presunção A questão primordial do presente lançamento tratase da caracterização da omissão de receitas pela falta de apresentação da contabilidade, documentos e esclarecimentos comprobatórios da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras efetivadas pelo recorrente que não constaram da PJSI e foram verificadas nas informações das DIPJ Terceiros dos fornecedores do recorrente. Os valores despendidos sem comprovação de recursos pela autuada demonstrados nas planilhas (contendo informações sobre a data da venda, CFOP, data de emissão, data do efetivo pagamento/parcela e a modalidade de pagamento) foram comprovados pelas Notas Fiscais e livros de registro de saída de mercadorias dos fornecedores que foram circularizados através de fiscalização para a obtenção das informações e documentos não prestados pelo recorrente durante o procedimento fiscal. Verificase que a Autoridade Fiscal descreveu perfeitamente os fatos que conduziram à convicção da omissão de receita, tendo em vista o descompasso entre os valores declarados pelo recorrente e o montante dos pagamentos aos seus fornecedores, aliado à falta de justificativa da origem dos recursos utilizados para tais pagamentos de compras comprovadamente efetivadas e quitadas, o que conduz à presunção de omissão de rendimentos e ao arbitramento de acordo com as informações/documentos obtidos junto aos fornecedores, em razão da falta de apresentação da contabilidade e dos esclarecimentos. A Autoridade Fiscal fundamentou o lançamento nos arts. 281, inciso II; 186; 188 e 199 do referido Regulamento do Imposto de Renda RIR e também foi amparado no art. 288 do RIR, transcritos a seguir: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Art. 186. Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (Lei n° 9.317, de 1996, art. 2°, § 2o). Art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5°, e seus parágrafos, da Lei n° 9.317, de 1996, observado, quando for o caso, o disposto nos arts. 204 e 205. Art. 199. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições referidos na Lei n° 9.317, de 1996, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas (Lei n° 9.317, de 1996, art. 18). Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.919 20 Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24). Notase que a caracterização da ocorrência do fato gerador em discussão não se dá pela mera constatação de pagamentos de compras realizadas pelo contribuinte considerados isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de apresentação da escrituração e de esclarecimentos/comprovação da origem dos recursos para as referidas operações comerciais e o oferecimento de sua receita à tributação. A tributação com base em valores aferidos/arbitrados revestese de certeza relativa (juris tantum), já que o recorrente tem o direito da fazer prova em contrário, demonstrando a real base de cálculo do tributo. Contudo, o recorrente nem apresentou documentos que comprovassem a improcedência da presunção nem demonstrou que o lançamento por arbitramento foi praticado em desacordo com o que previram as normas que lhe serviram de fundamento. Tendo o recorrente não apresentado a documentação solicitada durante o procedimento fiscal, demonstraramse presentes os pressupostos ensejadores do lançamento de ofício, arbitrado, restando, ainda, invertido o ônus da prova pois que cabia, então, à empresa, o ônus de desconstituir o lançamento efetuado. O recorrente também desperdiçou a oportunidade de infirmar o lançamento mediante a apresentação de documentação quando da sua manifestação após a diligência. Caracterizado a omissão de receitas pela falta de apresentação da contabilidade, documentos e esclarecimentos comprobatórios da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras efetivadas pelo recorrente, devem ser afastados todos os argumentos trazidos pelo recorrente sob o assunto e por conseqüência a preliminar de nulidade por falta de liquidez e certeza do lançamento. Mérito O recorrente alega que as notas fiscais não são base para obter o fato gerador, que o imposto a ser lançado de ofício não pode ser calculado sobre notas fiscais inidôneas, que não é aplicável o regime adotado pela fiscalização, principalmente com base em nota fiscal inidônea. Estas alegações não se aplicam ao presente lançamento, pois como já relatado, os autos de infração utilizaram como base de cálculo a omissão de receitas caracterizada pela falta de apresentação da contabilidade, documentos e esclarecimentos comprobatórios da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das compras efetivadas pelo recorrente. Verificase que o lançamento foi efetuado de acordo com o SIMPLES, que tratase de um sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições. A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguinte impostos e contribuições, conforme §1º e alíneas do Art. 3º da Lei 9.317/1996: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.920 21 no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Logo o recorrente estava sujeito ao pagamento de impostos e contribuições no anocalendário que eram recolhidos através de um recolhimento mensal no SIMPLES. Caracterizada a omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos, cabe o lançamento individualizado dos impostos e contribuições devidos. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. Da aplicabilidade da multa e dos juros de mora Pleiteia o recorrente quanto à multa e aos juros de mora, que "sendo declarado nulo o principal, igualmente se aplica ao acessório". Contudo no presente caso foi caracterizado a omissão de receitas pela falta de comprovação da origem dos recurso utilizados para o pagamento das compras, portanto devem ser mantido o valor do crédito apurado (Imposto/Contribuições, juros de mora e multa). Quanto à penalidade aplicada, o inciso I, do artigo 44, da Lei 9.430/96 determina que a aplicação de multa de 75%, nas hipóteses que enumera. Sendo tal exação prevista em lei, os argumentos relacionados à impossibilidade de se cobrar o percentual aplicadas em face dos princípios da vedação ao confisco e da razoabilidade demandariam uma análise da sua constitucionalidade, o que é vedado a este Conselho, nos termos da Súmula CARF nº2: Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 19515.000331/201058 Acórdão n.º 1402002.975 S1C4T2 Fl. 1.921 22 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A discussão da utilização da taxa SELIC para correção de débitos tributários encontrase pacificado no Conselho de Recursos Fiscal, através de edição de súmula, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto afasto todos os argumentos colacionados pela recorrente quanto à inaplicabilidade da multa e dos juros de mora. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1921DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001007/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003
Ementa:
DECADÊNCIA. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991.
DECADÊNCIA. CONTAGEM.
"Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99)
Numero da decisão: 2202-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2803-004.187, de 11/03/2015, alterar a decisão original para reconhecer a decadência dos períodos 03/1999 a 11/2001.
(assinado digitalmente)
WALTIR DE CARVALHO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003 Ementa: DECADÊNCIA. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Aplica-se ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. CONTAGEM. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99)
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STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Aplicase ao processo administrativo fiscal a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que estabeleceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. CONTAGEM. "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." (Súmula CARF nº 99) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2803004.187, de 11/03/2015, alterar a decisão original para reconhecer a decadência dos períodos 03/1999 a 11/2001. (assinado digitalmente) WALTIR DE CARVALHO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 07 /2 00 7- 69 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 17546.001007/200769 Acórdão n.º 2202004.346 S2C2T2 Fl. 407 2 (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal visando aclarar o resultado da decisão proferida no Acórdão CARF nº 2803004.187, DE 11/03/2015 (fls. 330/368). O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Seção (fl. 403/404), e foi determinada a redistribuição dos autos no âmbito da Seção ante à extinção da 2ª TO da 3ª CÂM, e do fim do mandato do Cons. Relator original. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Tratase de lançamento de ofício do AI DEBCAD Nº 37.044.2776 (fls. 2/39) em função da identificação de remuneração a segurados empregados declaradas em GFIP. Também houve responsabilização de outras pessoas jurídicas em função da identificação de grupo econômico. O Relatório Fiscal consta às fls. 86/95. Foram apresentadas impugnações ao lançamento (fls. 140/146, 148/153, 182/185, 187/191, 193/196, 198/202), a DRJ proferiu o acórdão nº 0519.357, de 20/09/2007 (fls. 232/269), julgando procedente o lançamento, mas entendendo pela exclusão de um dos sujeitos passivos solidários. Foram apresentados então recursos voluntário (fls. 292/295, 303/306, 315/318), que foram julgados improcedentes, mantendo o lançamento, pelo acórdão CARF nº 2803004.187, de 11/03/2015 (fls. 330/368). Este acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/2003 GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. INCRA É devida a contribuição ao INCRA das empresas urbanas ou rurais, não havendo que se falar em necessária vinculação da atividade empresarial às atividades rurais. Recurso Voluntário Negado Retornando os autos à DRF, esta opôs Embargos de Declaração (fl. 401), buscando sanear a decisão quanto à aplicabilidade da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Os Fl. 407DF CARF MF Processo nº 17546.001007/200769 Acórdão n.º 2202004.346 S2C2T2 Fl. 408 3 embargos foram admitidos pela presidência da 2ª Seção em 08/08/2017 (fls. 403/404) nos seguintes termos: Compulsando os autos, verificase que a possibilidade de aplicação da Súmula 08 ao lançamento não foi suscitada pelo sujeito passivo em seu recurso voluntário. Entretanto, a decisão ora embargada é posterior à sumula e o conteúdo da súmula é, em tese, aplicável aos fatos em litígio. Portanto, resta configurada a omissão alegada quanto à questão em tela. Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração e, consequentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto deles conheço. De outro lado, constatase que a lide devolvida se limita à aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Pois bem. Em primeiro lugar, o art. 62, § 1º, II, 'a', do Anexo II ao RICARF, determina a possibilidade de ser afastada a aplicação de Lei quando houver Súmula Vinculante do STF. A esse comando, somase aquele contido no art. 45, VI, do mesmo diploma, segundo o qual perderá o mandato o conselheiro que deixar de respeitar as normas contidas no supra referido art. 62. Ainda, e principalmente, o art. 103A, da CF/1988, determina que a Súmula Vinculante tem aplicação também na administração pública direta e indireta. Em suma, percebese que a Súmula Vinculante é de aplicação obrigatória perante este e.CARF. Em segundo lugar, em que pese o período de apuração seja 03/1999 a 03/2003, o lançamento só foi formalizado em 2006. Especificamente, a Contribuinte só foi intimada do lançamento em 15/12/2006 (fl. 2). Em terceiro lugar, o presente auto de infração versa sobre Contribuições Previdenciárias complementares, e foi lançado tendo como fundamentação as informações constantes na GFIP. Mais, no lançamento se observa que foram deduzidos os valores pagos espontaneamente pelo contribuinte (fls. 23/25). Diante desses fatos, constatase que o lançamento encontrase parcialmente caduco. Efetivamente, não sendo aplicável o prazo de dez anos estipulado pelos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 em função da Súmula Vinculante nº 08, então deve ser aplicada a regra geral de decadência para os tributos sujeitos ao autolançamento, que é de cinco anos contados da data do fato gerador, cf. art. 150, § 4º, do CTN. Conforme, inclusive, a Súmula CARF nº 99. Em outras palavras, devem ser excluídas da base de cálculo os períodos até novembro de 2001. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 17546.001007/200769 Acórdão n.º 2202004.346 S2C2T2 Fl. 409 4 Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2803004.187, de 11/03/2015, alterar a decisão original para reconhecer a decadência dos períodos 03/1999 a 11/2001. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003339/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO
O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
Numero da decisão: 1302-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias.
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ME Recorrida Fazeda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO O Recurso Voluntário, nos termos da legislação vigente, deve ser apresentado no prazo de 30 dias, contados da data de recebimento da intimação da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A apresentação após transcorrido aquele prazo, impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 33 39 /2 00 7- 55 Fl. 288DF CARF MF 2 Tratase o presente processo administrativo de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte, Pegasus Indústria e Comércio de Peças para Motos Ltda ME, ora Recorrente, optante do Simples, através do qual foram constituídos créditos tributários de IRPJSimples, PISSimples, CofinsSimples, CSLLSimples, IPISimples e INSSSimples. Nos termos do TVF de fls. 19, restou consignado que, "em auditoria fiscal para verificar o correto cumprimento das obrigações tributárias por parte da investigada, constatamos que o contribuinte acima deixou de declarar a Receita Federal os valores de sua receitas registradas em seus livros fiscais (Fls. 10 a 17), e conseqüentemente deixou de efetuar os devidos recolhimentos." Devidamente intimado da autuação lavrada, o Recorrente apresentou Impugnação Administrativa, na qual trouxe diversas alegações, apontando nulidades do Auto de Infração, de forma preliminar, e, no mérito, apresentou alegações de direito que, a princípio, seriam suficientes para desconstruir as afirmações do agente autuante. Contudo, ao analisar a Impugnação do contribuinte, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente, mantendo, na totalidade, o crédito tributário exigido. Eis a ementa da julgado: ASSUNTO: NORMAS I›I‹: ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NULIDADE. ATOS PRIVATIVOS DE CONTADOR OU DE AUDITORCONTÁBIL. AUDITORFISCAL. COMPETÊNCIA. A competência do AuditorFiscal para o lançamento incluí O exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício das profissões de contador ou de auditorcontábil, cujas atribuições estão especificadas em legislação federal própria. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA. NOTIFICAÇÃO PESSOAL. SÓCIO ADMINISTRADOR Legal e eficaz a intimação relativa a auto de infração, efetuada da forma pessoal, provada com a assinatura da Sócia administradora da empresa autuada. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falta, que pode ser O estabelecimento do infrator, a repartição fiscal, ou outro local, não ensejando, por conseguinte, a nulidade do lançamento ex Oƒicío lavratura de auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. VENDAS ESCRITURADAS NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇAO DO ICMS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. Constitui prova direta de omissão de receita a constatação de vendas escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e não declaradas à Receita Federal. RECEITAS Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10935.003339/200755 Acórdão n.º 1302002.764 S1C3T2 Fl. 289 3 ESCRITURADOS. LIVRO REGISTRO DE APURAÇAO DO ICMS. PROVA Os valores registrados e atestados como verídicos ao fisco estadual, mediante declaração firmada no Livro Registro de Apuração do ICMS, fazem prova de receitas da empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE DEMONSTRAÇAO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Inexiste cerceamento do direito de defesa nem se encontra inquinado de vício O feito, se o crédito tributário lançado foi apurado em conformidade com a legislação de regência e os pressupostos de fato que ensejaram o lançamento, além de haver no processo todas as informações necessárias ao exercício do contraditório. LEGISLACAO. EXAME DA VALIDADE, LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONALIDADE. COMPETENCIA O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconfonnismos relativos à sua validade, legalidade ou constitucionalidade. SUSPENSÃO DOS AUTOS E ENVIO PARA O PODER JUDICIÁRIO Não há previsão legal para que O julgador administrativo, por não possuir competência para julgar ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação, suspenda por esse motivo o curso do processo e o encaminhe ao Poder Judiciário para decisao, sendo prerrogativa do contribuinte socorrerse junto a este último. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Inexistindo a necessidade de realizaçao de perícia face à clareza das provas contidas nos autos, é de se denegar o pedido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 MULTA DE OFICIO. APLICAÇAO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes â taxa Selic por expressa previsão legal AssUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E I)As EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 DEVOLUÇÕES E CANCELAMENTO DE, VENDAS. RECEITAS FINANCEIRAS. DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO. A base de cálculo do Simples foi corretamente apurada a partir do livro de Registro e Apuração do ICMS e sem considerar as devoluções e cancelamentos de vendas e não incluiu receitas financeiras que não constam do referido livro fiscal. Fl. 290DF CARF MF 4 ICMS. IPI. RECEITAS FINANCEIRAS. FATURAMENTO VS. RECEITA BRUTA BASE DE CALCULO. APURAÇAO DO SIMPLES. DISCUSSÃO NÃO PERTINENTE. A reclamação que de que as bases de cálculo em relação às quais se apuraram os valores lançados não correspondem às verdadeiras receitas da contribuinte, baseada em legislação relativa ao PIS e à Cofins das empresas em outros regimes de apuração, não se aplica às empresas que recolhem pelo Simples. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PISSimples, CSLLSimples, COFINSSimples, IPISimples e INSS Simples. Dada a íntima relaçao de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos, o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado do acórdão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando, em síntese, os argumentos lançados em sua impugnação administrativa. Posteriormente, tendo em vista a declaração de apresentação de forma intempestiva do Recurso Voluntário e o recebimento de carta de cobrança, o Recorrente apresentou petição nos autos, afirmando que é de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise do Recuso Voluntário e, também, da sua tempestividade. Assim, os autos foram remetidos para o CARF e distribuídos a este julgador. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se depreende dos autos, o Recorrente foi intimado, via AR, nos termos do comprovante de fls. 273/274, no dia 21/10/2009, quartafeira, sendo o dia 20/11/2009 o último dia para o manejo do Recurso Voluntário, uma vez que não houve, no período, nenhum feriado que pudesse postergar a data limite para apresentação do apelo. Entretanto, nos termos do comprovante de fl. 209, o Recurso Voluntário só foi protocolizado no dia 26/11/2009, ou seja, após extrapolado o prazo de 30 dias estipulado pela legislação para apresentação do referido recurso. A intempestividade, inclusive, foi certificada pelo auditor da Receita Federal do Brasil, nos termos da informação fiscal acostadas aos autos (fl. 276). Como é sabido, o art. 33 do Decreto 70.235/72 determina que o contribuinte deverá apresentar Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, contados do recebimento da intimação do acórdão proferido pela DRJ. Confirase a redação do dispositivo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10935.003339/200755 Acórdão n.º 1302002.764 S1C3T2 Fl. 290 5 Por outro lado, o Decreto 70.235/72, assim estipula a forma de contagem dos prazos no âmbito do contencioso administrativo fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso em apreço, é incontroverso que o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário depois de transcorridos 30 dias, contados do recebimento da intimação do Acórdão proferido pela DRJ de Curitiba (PR). Desta feita, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que intempestivo, à luz do que determina os preceitos do citado artigo 33 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, nãoconheço do Recurso Voluntário.. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.914395/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.454
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 43 95 /2 01 1- 80 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.771, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de COFINS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.914395/201180 Acórdão n.º 3301004.454 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002184/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/1996
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/03/1996 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 84 /2 01 0- 51 Fl. 125DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 126DF CARF MF Processo nº 19515.002184/201051 Acórdão n.º 2201004.194 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 127DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 19515.002184/201051 Acórdão n.º 2201004.194 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 129DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900894/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.933
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 08 94 /2 00 8- 49 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13884.900894/200849 Acórdão n.º 3401004.933 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.594, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13884.900894/200849 Acórdão n.º 3401004.933 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.900894/200849 Acórdão n.º 3401004.933 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.900894/200849 Acórdão n.º 3401004.933 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.900894/200849 Acórdão n.º 3401004.933 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 14367.000210/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
A menos que se destinem a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo aqueles suscitados em momento posterior.
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO.
Integram o auto de infração o relatório fiscal e todos os demais documentos que lhe são anexos, não havendo que se falar em ausência de motivação ou fundamentação para o lançamento quando os dispositivos legais que dão suporte ao auto de infração estão exaustivamente elencados no relatório denominado FLD - Fundamentos Legais do Débito.
ARBITRAMENTO. SISTEMÁTICA A SER ADOTADA. NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO.
A sistemática a ser adotada para o cálculo das contribuições previdenciárias por arbitramento é aquela constante de atos normativos em vigor por ocasião da lavratura do auto de infração.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E RETIFICADO COM BASE EM NORMATIVOS VIGENTES. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não há que se falar em ausência dos requisitos de liquidez e certeza quando o lançamento é efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite a partir de permissivo legal que o ampara.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REGISTRO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INOBSERVÂNCIA. ARBITRAMENTO.
Sujeita-se ao lançamento pela via do arbitramento o contribuinte que deixa de registrar, em contas individualizadas dos livros contábeis, todos os fatos geradores das contribuições sociais, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
Numero da decisão: 2402-006.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. A menos que se destinem a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo aqueles suscitados em momento posterior. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO. Integram o auto de infração o relatório fiscal e todos os demais documentos que lhe são anexos, não havendo que se falar em ausência de motivação ou fundamentação para o lançamento quando os dispositivos legais que dão suporte ao auto de infração estão exaustivamente elencados no relatório denominado FLD - Fundamentos Legais do Débito. ARBITRAMENTO. SISTEMÁTICA A SER ADOTADA. NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A sistemática a ser adotada para o cálculo das contribuições previdenciárias por arbitramento é aquela constante de atos normativos em vigor por ocasião da lavratura do auto de infração. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E RETIFICADO COM BASE EM NORMATIVOS VIGENTES. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não há que se falar em ausência dos requisitos de liquidez e certeza quando o lançamento é efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite a partir de permissivo legal que o ampara. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REGISTRO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INOBSERVÂNCIA. ARBITRAMENTO. Sujeita-se ao lançamento pela via do arbitramento o contribuinte que deixa de registrar, em contas individualizadas dos livros contábeis, todos os fatos geradores das contribuições sociais, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
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NÃO CONHECIMENTO. A menos que se destinem a contrapor fatos novos ou questões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação, não se conhecendo aqueles suscitados em momento posterior. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO. Integram o auto de infração o relatório fiscal e todos os demais documentos que lhe são anexos, não havendo que se falar em ausência de motivação ou fundamentação para o lançamento quando os dispositivos legais que dão suporte ao auto de infração estão exaustivamente elencados no relatório denominado “FLD Fundamentos Legais do Débito”. ARBITRAMENTO. SISTEMÁTICA A SER ADOTADA. NORMA VIGENTE À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. A sistemática a ser adotada para o cálculo das contribuições previdenciárias por arbitramento é aquela constante de atos normativos em vigor por ocasião da lavratura do auto de infração. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO E RETIFICADO COM BASE EM NORMATIVOS VIGENTES. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não há que se falar em ausência dos requisitos de liquidez e certeza quando o lançamento é efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo contribuite a partir de permissivo legal que o ampara. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REGISTRO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INOBSERVÂNCIA. ARBITRAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 10 /2 01 0- 33 Fl. 3127DF CARF MF 2 Sujeitase ao lançamento pela via do arbitramento o contribuinte que deixa de registrar, em contas individualizadas dos livros contábeis, todos os fatos geradores das contribuições sociais, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0125.069 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL) que julgou procedente em parte impugnação apresentada em face de Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.271.9970 para a apuração de contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, relativas às competências 05/2007 a 11/2008. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 2782/2798): Relatório Fiscal Conforme noticia o Relatório Fiscal de fls. 45/49 do Volume – V1, o lançamento referese a remunerações apuradas por arbitramento, com base na legislação da aferição indireta, prevista no art. 33, § 3º da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com redação dada pela MP n° 449,de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, e no art. 233 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, pela falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obras de construção civil sob matrículas n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75 e n° 41.590.01505/77, tendo sido arbitrado o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aplicandose o percentual de 40% (quarenta por cento) do valor dos contratos de prestação de serviços firmados com o Município de Nhamundá e o Município de Parintins, da seguinte forma: Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 3 3 a) Obra sob matrícula n° 31.430.00506/72: Dividiuse o valor do contrato n° 005/2007 (execução de melhorias sanitárias domiciliares), firmado em 10/05/2007 com a Prefeitura Municipal de Nhamundá, no valor de R$ 335.741,20, por 5 (cinco). O resultado de 40% (quarenta por cento) de R$ 67.148,24 (R$ 335.741,20 : 5 = R$ 67.148,24) foi lançado no período de 05/2007 a 09/2007, conforme competências em que as guias de previdência social GPS foram recolhidas. Constam os levantamentos não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP, AF – REMUNERAÇÃO ARBITRADA (05/2007, 07/2007 e 09/2007), AF1 REMUNERAÇÃO ARBITRADA (08/2007) e “DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (03/2008 e 04/2008); b) Obra sob matrícula n° 41.590.01504/75: Dividiuse o valor do contrato n° C004/2006PMPCML (construção da Praça Cristo Redentor, na cidade de Parintins), firmado em 22/12/2006 com a Prefeitura Municipal de Parintins, no valor de R$ 2.398.088,45, por 11 (onze). O resultado de 40% (quarenta por cento) de R$ 218.008,04 (R$ 2.398.088,45 : 11 = R$ 218.008,04) foi lançado no período de 10/2007 a 08/2008, conforme competências em que as guias de previdência social GPS foram recolhidas. Constam os levantamentos não declarados em GFIP, AF – REMUNERAÇÃO ARBITRADA (10/2007 a 08/2008), e DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (02/2008); c) Obra sob matrícula n° 41.590.01505/77: Dividiuse o valor do contrato n° C007/2006PMPCML (construção de uma escola padrão com 12 salas de aulas e ginásio poliesportivo coberto, na Comunidade do Mocambo, no município de Parintins), firmado em 12/12/2006 com a Prefeitura Municipal de Parintins, no valor de R$ 2.360.602,08, por 14(quatorze). O resultado de 40% (quarenta por cento) de R$ 168.614,43 (R$ 2.360.602,08 : 14 = R$ 168.614,43) foi lançado no período de 10/2007 a 11/2008, conforme competências em que as guias de previdência social GPS foram recolhidas. Constam os levantamentos não declarados em GFIP, AF – REMUNERAÇÃO ARBITRADA (10/2007 a 11/2008), e DAL DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (02/2008, 06/2008 e 10/2008). Entre outras informações, destaco ainda, conforme o referido Relatório Fiscal de fls. 45/49 do Volume – V1, que: a) Foram utilizados os valores dos contratos de execução para aferição indireta, em razão da constatação de que as duas formas de arbitramento da mãode obra da construção civil, previstas na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13.11.2009, no artigo 336 (com base na nota fiscal de prestação de serviços) e nos artigos 338 a 363 (com base na área construída e no padrão de construção) não são aplicáveis. A primeira, pela falta de apresentação de notas fiscais, faturas ou recibos; e a segunda, pela falta de apresentação de documentos comprobatórios das áreas cadastradas no Sistema da Receita Federal, enquadramento das obras, tipos de edificações; b) A empresa não apresentou livros contábeis durante a ação fiscal. Impugnação Às fls. 91/98 do Volume – V1, em 20/09/2010, acompanhada de seus anexos, a empresa interessada apresenta impugnação, mediante a os argumentos que a seguir transcrevo a síntese. Da Preliminar Fl. 3129DF CARF MF 4 Inicialmente faz um resumo dos fatos para em seguida, quanto a preliminar arguir a nulidade do auto de infração. Postula pela nulidade por erro essencial no lançamento, com fulcro no artigo 37 da Constituição Federal e no art. 2º da Lei Federal n° 9.784/1999, alegando que teria ocorrido cerceamento de defesa, quando do lançamento, vez que o agente fiscal teria autuado matéria não constante do termo de início da ação fiscal, requerendo apenas a documentação relativa às obras de construção civil sob as matrículas n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75, não requisitando nenhum documento referente à obra matriculada sob o número n° 41.590.01505/77. Deste modo, aduz a impugnante que não teria tido conhecimento de tal exigência e, portanto, não seria lícito a autoridade fiscal alegar a omissão na GFIP e a falta da GPS Guia da Previdência Social de obra em que não teria solicitado a documentação pertinente por meio hábil. Argumenta ainda, quanto ao pedido de nulidade do lançamento, que seria inaplicável o seu arbitramento, vez que a autoridade fiscal teria procedido de forma ilegal, considerando que, após a entrega, no domicílio tributário do impugnante, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, datado de 23/02/2010, solicitando a documentação das obras de construção civil sob matrículas n° 31.430.00506/72 e n° 41.590.01504/75, teria retornado a empresa, obtendo cópias das Guias e após não mais comparecendo ao estabelecimento da notificada, que por sua vez veio a receber, pelos Correios, via AR, em 19/08/2010, o auto de infração ora impugnado. Alega que o arbitramento seria medida extrema, somente aplicável nas condições estabelecidas em lei, conforme prevê o § 3°, do art. 33 da Lei 8.212/91, nos casos em que ocorrer recusa ou sonegação de qualquer informação ou sua apresentação deficiente à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que segundo a defendente, não teria ocorrido, no caso em questão. Informa outrossim, que em virtude de ação judicial de busca e apreensão realizada na sede da empresa, teria havido retenção de vários documentos, inclusive os de objeto da referida ação fiscal, conforme Certidão da Justiça Federal de 1º grau, Seção Judiciária do Estado do Amazonas, 2°Vara Criminal, em anexo. Esclarece a defendente que teria buscado junto aos órgãos contratantes das referidas obras toda a documentação pertinente e necessária para a aferição e comprovação do pagamento das Contribuições devidas à Seguridade Social, carreandoas aos autos. Do Mérito Quanto ao mérito, alega que as informações consideradas pela autoridade fiscal omissas na GFIP das obras de construção civil, matrículas n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75 e n° 41.590.01505/77, estariam constando na GFIP da empresa (matriz e filial), em razão de que esses empregados não informados em documentos específicos de cada obra, realizariam tarefas em várias obras da empresa, alternadamente, não sendo possível individualizar o valor que receberiam a título de cada tarefa realizada, de acordo com artigo 162, caput e parágrafo único da IN MPS/ SRP n° 03/2005 e solução de consulta n° 333/2009. Argumenta que teria recolhido em duplicidade a contribuição social previdenciária, conforme guias em anexo, tendo em vista que ao elaborar GFIP para as referidas obras teria incluído trabalhadores constantes da GFIP do CNPJ. Argui que a fiscalização ao realizar o arbitramento não teria utilizado para a apuração da base de cálculo da mãodeobra, a aplicação de 50% (cinqüenta por cento) do valor dos contratos, os quais foram realizados sob o regime de empreitada total com o fornecimento de material, onde estariam incluídos não só o custo referente à utilização de mãodeobra, como também o custo dos materiais utilizados Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 4 5 nas construções, de acordo com o estabelecido nos §§ 1º e 3º , do artigo 451 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009, agindo dessa forma em contrário a lei. Entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal requer: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração pelas razões de fato e de direito expostas; b) caso não acatada, seja acolhida a presente impugnação, em seu caráter suspensivo, e julgados improcedentes todos os termos do referido auto de infração, declarandose por via de consequência a insubsistência do Processo Administrativo, finalizando com o consequente arquivamento do mesmo; c) seja permitido provar o acima alegado, por todos os meios em direito admitidos, inclusive prova pericial e documental. Carreia aos autos os seguintes documentos: a) Contrato Social e Alterações; b) GFIP da matriz, das obras e da filial em Parintins; c) GPS da matriz e das obras; d) Contratos das obras; e) Notas Fiscais de serviços das obras; f) Folhas de Pagamento; g) RAIS Relação Anual de Informações Sociais dos anos calendário 2007 e 2008; h) GPS de retenções na fonte das referidas obras; i) Certidão da Justiça Federal de 1º grau, Seção do Amazonas. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/BEL julgou a impugnação procedente em parte, conforme se pode verificar da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 30/11/2008 AFERIÇÃO INDIRETA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão deobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando, não houver apresentação de escrituração contábil. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 450 RFB nº 971, de 13/11/2009. A verificação de elementos capazes de alterar a base de cálculo do lançamento do crédito previdenciário, obriga a Administração Pública a promover sua retificação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário Fl. 3131DF CARF MF 6 Em sede de recurso voluntário o sujeito passivo alega, em síntese, que: Ausência de Motivação para o Arbitramento: desde o recebimento do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal o Auditor foi cientificado que os livros fiscais, livros contábeis, contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas, dentre outros documentos, haviam sido retidos/apreendidos pela Justiça Federal; procurou em quatro oportunidades, entregar a documentação que havia recuperado tanto da justiça quanto junto aos seus contratantes, haja vista, que o AuditorFiscal não mais compareceu ao estabelecimento da autuada; não obteve sucesso na entrega dos documentos porque em nenhuma das oportunidades encontrou a autoridade autuante no endereço informado no Termo de Intimação Fiscal – TIF e os servidores do Setor SEFIS recusaram se a recebêlos; juntou referidos documentos à impugnação na esperança de que estes fossem analisados quando do julgamento. Infere que os livros Diário ainda não haviam sido devolvidos pela Justiça Federal por ocasião da impugnação; os livros Diário, por cópia, anexados a este recurso, demonstram que estes foram devolvidos à recorrente em 05/02/2011 e, portanto, não havia como apresentalos no decorrer do procedimento fiscal ou anexálos à impugnação. Aduz que a apresentação extemporânea dos livros fiscais está respaldada pelo § 4º art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; a Fiscalização e DRJBEL, pelo menos, deveria haver confirmado se realmente os documentos Fiscais e Contábeis encontravamse sob a custodia da Justiça Federal. Cita o art. 37, da Lei nº 9.784/1999, o qual indicaria a adoção do procedimento aventado; a autoridade administrativa pode rever de ofício seus atos e decisões sempre que surgirem fatos novos que acarretem a alteração do lançamento tributário, mediante aplicação dos princípios da verdade material e da legalidade, que impõem a revisão do ato administrativo, a qualquer tempo, sempre que verificada sua desconformidade com o ordenamento jurídico; não se vislumbra no Relatório Fiscal que a recorrente deliberadamente e intencionalmente tenha deixado de apresentar os documentos solicitados e, se assim o fez, foi porque os livros e documentos estavam custodiados na Justiça Federal; motivar não é simplesmente reproduzir o texto da Lei, devese explicitar o fundamento normativo, o fundamento fático e as razões técnicas e jurídicas que dão respaldo aos atos do agente público, somente dessa forma podese avaliar a procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Cita arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999; tivesse a fiscalização confirmado junto a Justiça Federal que os livros e documentos fiscais e contábeis estavam sob sua custodia, evidentemente seria afastada a aplicação da aferição indireta por força do que determina os incisos “a”, “b” e “c”, do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/1972; Ausência de Fundamentação Legal para Arbitrar: a DRJBEL informa no Relatório do Julgamento que as hipóteses que autorizam a aferição indireta estão tratadas nos §§ 3º, 4º e 6º, do Art. 33, da Lei 8.212/1991; Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 5 7 Entretanto, consta no item 5 do Relatório Fiscal, taxativamente, que o arbitramento da BC da contribuição para o INSS foi aplicada com respaldo no § 3º, do art. 33, da Lei nº 8.212/91, sendo que os §§ 4º e 6º não poderiam ser invocado porque a escrituração contábil não foi examinada pela fiscalização; os §§ 4° e 6º não constam no Relatório Fiscal e foram incluídos no relatório de julgamento pela DRJBEL; Ausência de Fundamentação Infralegal para Arbitrar: o instrumento infralegal para aferir a base de cálculo da contribuição previdenciária vigente à época dos fatos é a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14/07/2005; não consta no Relatório Fiscal nenhum dispositivo infralegal justificando a adoção do arbitramento; Verificase no relatório de julgamento que a douta 5ª Turma da DRJBEL, buscando suprir essa ausência, tanto no Relatório Fiscal RF quanto no relatório “Fundamentos Legais do Debito – FLD”, invocou e lastreou sua decisão em regras contidas na Instrução Normativa nº 971/2009, comprovando vício na origem do lançamento; pode ser observado no relatório do acórdão de primeira instância que ora é invocada a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005, ora a “Instrução Normativa RFB nº 971/2009”, conforme a conveniência do julgador. esse artifício foi utilizado porque a norma de regência à época dos fatos, Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 (anos de 2007 e 2008), não permitia o arbitramento com base na suposta irregularidade suscitada pela DRJBEL (descumprimento do estabelecido no item II, do art. 381, c/c com o art. 47, da IN 971/2009); o art. 597 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 é taxativo, impondo o arbitramento somente nos casos de omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados ou, ainda, se ocorrer recusa de apresentação de qualquer documento ou informação, ou apresentação deficiente ou a tentativa de sonegálos; a suposta irregularidade de deixar de escriturar em títulos próprios ou não escriturar por obra de construção civil e por tomador de serviço não se configurava em motivo para o arbitramento da base de cálculo da contribuição para o INSS, sendo, tão somente, o descumprimento de uma obrigação acessória. Reproduz doutrina que diz corroborar a ilegalidade do arbitramento adotado pela fiscalização; a motivação é indispensável para possibilitar o exercício das garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório conforme preceitua o art. 5º, LV, da CF/88, essa regra da Carta Magna, impõe à Administração Pública o dever de justificar seus atos, apontar os fundamentos de fato e de direito, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada; Ausência de Liquidez e Certeza do Credito: não foram observadas as determinações do art. 2o da Lei 9.784/99, onde verificase o dever de a Administração Pública obedecer, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 3133DF CARF MF 8 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência; a adoção de critérios ilegais, parciais e injustos na determinação do valor da base de cálculo (100% do valor do contrato) que multiplicou o valor do credito, a ausência da busca pela verdade material (os livros e documentos estavam ou não sob a custodia da Justiça) aliado a ausência de fundamentação legal tanto no Relatório Fiscal quanto no FLD, constituemse em vícios que comprometem a hiqidez da garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário e o exercício do direito de defesa da recorrente, devendo o lançamento fiscal ser julgado nulo por vício material a teor do art. 661 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005. Requer, por fim, o acolhimento das provas trazidas aos autos no recurso voluntário, a anulação do auto de infração por falta de motivação legal e a realização de diligência para verificação de eventuais diferenças de recolhimento das contribuições, à luz da documentação e livros fiscais e contábeis. Diligência O julgamento foi convertido em diligência (fls. 3097/3100) com vistas ao exame da escrita fiscal apresentada e elaboração de parecer conclusivo acerca da confirmação ou não dos valores presentes na autuação. Informação Fiscal Em resposta à diligência demandada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fiscalização emitiu Informação Fiscal (3113/3117), onde concluiu que os elementos trazidos aos autos não traduzem ocorrência nova apta a alterar a autuação. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto dele conheço parcialmente haja vista a superveniência de alegações que não foram suscitadas na impugnação e não se destinam a contrapor razões expostas no recurso voluntário. Motivação para o Arbitramento No início do tópico do recurso voluntário onde o sujeito passivo discute a motivação para o arbitramento, há parágrafo em que, ao reiterar que teve livros fiscais, livros contábeis, contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas, dentre outros documentos, retidos/apreendidos pela Justiça Federal, a contribuinte infere ter procurado, sem sucesso, a autoridade responsável pelo procedimento fiscal em quatro oportunidade para entregar a documentação que havia recuperado tanto da justiça quanto junto aos seus contratantes. Informa ainda que os servidores do Serviço de Fiscalização teriam se recusado a receber tais documentos. Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 6 9 Embora não seja demais informar que as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil dispõem de serviço de protocolo onde os contribuintes podem apresentar documentos solicitados por ocasião de procedimentos fiscalizatórios realizados por aquele órgão, há ainda que se esclarecer que as alegações acima mencionadas não vieram acompanhadas por qualquer elemento probatório. Ademais, o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, norma que regula o Processo Administrativo Fiscal – PAF em âmbito federal, é expresso no sentido de que, a menos que se destinem a contrapor razões trazidas na decisão recorrida, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o contribuinte devem ser apresentados na impugnação. Contudo, não há qualquer registro na peça impugnatória da ocorrência do fato narrado no recurso voluntário razão pela qual não se conhece de tais argumentos. Sobre o argumento recursal de que o Fisco ou a DRJ/BEL poderiam se valer do art. 37 da Lei nº 9.784/1999 para confirmar junto a Justiça Federal que parte dos documentos do sujeito passivo estavam sob custódia judicial e que isso afastaria o arbitramento das contribuições previdenciárias lançadas, asseverase que o referido art. 37 trata de fatos e dados registrados em documentos “existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo”. No caso, os citados documentos não estavam a disposição da Administração, mas sim do Poder Judiciário, o que afasta a incidência do dispositivo legal em questão. Além do que, o conteúdo desses documentos, apresentados em conjunto com recurso voluntário, e que foram levados a análise do Fisco em diligência demandada por esse órgão julgador, será oportunamente examinado. Fundamentação Legal para Arbitrar Ao revés do que afirma a recorrente, o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito (fls. 27/29) traz relação com todas as disposições legais que dão fundamento à apuração das contribuições previdenciárias por aferição indireta, dentre elas os §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991: 061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA – CONSTRUCAO CIVIL 061.05 Competências : 05/2007, 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 11/2008 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação da Lei n. 10.256, de 09.07.2001 e alteração da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.09), parágrafos 3. e 4. (com as alterações da MP n. 449, de 03.12.08, convertida na Lei n. 11.942, de 27.05.09) e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. O fato de não haver menção expressa a determinado dispositivo legal no Relatório Fiscal de Infração não significa que esse não tenha servido de base para a autuação, ainda mais quando referido dispositivo encontrase elencado no FLD que, além de integrar o Auto de Infração, é citado é expressamente no referido relatório como sendo o documento que discrimina a legislação de regência da ocorrência do fato gerador. Vejamos a referência feita no Relatório Fiscal ao FLD: Fl. 3135DF CARF MF 10 20. As informações relativas aos fundamentos legais correspondentes ao lançamento de crédito, abrangendo todos os fatos geradores estão discriminadas no documento FLD Fundamentos Legais do Débito, anexo deste AI Auto de Infração. 21. Foi observada a legislação de regência da ocorrência do fato gerador, conforme discriminado no documento FLD Fundamentos Legais do Débito, anexo deste AI Auto de Infração. Acerca da suscitada impossibilidade de se invocar na decisão fustigada o § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 como fundamento para a manutenção parcial do lançamento, visto que os livros contábeis não foram apresentados em razão de situação acima retratada (retenção/apreensão pela Justiça Federal), convém atentar que referido dispositivo embora tenha sido reproduzido no acórdão recorrido, não serviu de fundamento para a decisão da DRJ/BEL, mas sim os §§ 3º e 4º do referido art. 33, conforme se pode constatar da excerto do voto condutor do julgado a quo: Destarte, considero motivado o arbitramento, pelo método da aferição indireta da base de cálculo de contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil, constantes do presente Auto de Infração, com base nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991 e art. 381 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. (Grifei) Sem razão a recorrente neste ponto. Fundamentação Infralegal para Arbitrar e Liquidez e Certeza do Crédito Lançado Retomandose a discussão acerca da possibilidade de se efetuar lançamento de crédito tributário por meio de arbitramento, destacase que essa modalidade de lançamento encontra previsão no art. 148 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Amparado na pressuposto encerrado no Codex Tributário, o legislador ordinário orienta o arbitramento das contribuições previdenciárias a partir dos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 7 11 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Em primeiro lugar, impende deixar claro que o lançamento das contribuições previdenciárias encontra suporte no CTN e na Lei nº 8.212/1991 e não em atos infralegais. E ainda, as disposições normativas transcritas acima autorizam, ressalvado o ônus da prova em contrário pelo contribuinte, o arbitramento nas seguintes circunstâncias: a) sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou por terceiro legalmente obrigado; b) ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; c) se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. No caso da construção civil, constatada a inexistência de prova regular e formalizada, a lei autoriza que o valor da mãodeobra empregada na execução dos serviços seja obtido mediante cálculo efetuado de forma proporcional à área construída, e de acordo com critérios definidos pela Secretaria da Receita Federal. É certo que, também nesse caso, caberá ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A sistemática estabelecida nos atos infralegais editados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil têm por objetivo orientar a Fiscalização no cálculo das contribuições previdenciárias pela metodologia da aferição indireta e, portanto, a norma aplicável a determinado caso é aquela vigente à época da realização do procedimento fiscal. Todavia, ainda que não o fosse, temse que as disposições contidas na Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005 e na Instrução Normativa RFB nº 971/2009 são absolutamente idênticas no que se refere à aferição indireta da remuneração empregada em obras de construção civil, o que joga por terra a argumentação recursal segundo a qual a norma infralegal de regência à época dos fatos (INSS/SRP nº 03/2005) não permitia o arbitramento nas situações apuradas pelo Fisco. Fl. 3137DF CARF MF 12 Ademais, o art. 597 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, que o sujeito passivo diz vedar o arbitramento na situação ora analisada, foi transcrita em termos semelhantes termos no art. 447 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Confirase: INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/SRP Nº 03/2005 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971/2009 Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentá los deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusarse a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentá los deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para fins do disposto no inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme disposto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 47 desta Instrução Normativa. Com base no art. 597 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005, infere a recorrente que, à época da ocorrência dos fatos geradores: Verificase que a Instrução Normativa é taxativa, impondo o arbitramento somente nos casos de omissão de qualquer Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 8 13 lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados ou, ainda, se ocorrer recusa de apresentação de qualquer documento ou informação, ou apresentação deficiente ou a tentativa de sonegálos. Dessa forma a suposta irregularidade de deixar de escriturar em títulos próprios ou não escriturar por obra de construção civil e por tomador de serviço não se configurava em motivo para o arbitramento da base de cálculo da contribuição para o INSS, sendo, tão somente, o descumprimento de uma obrigação acessória. Dessa forma, fica evidente a falta de motivação para o arbitramento com base nas normas infralegais, considerando a comprovação da existência dos livros fiscais e contábeis e que estes, juntos com outros documentos fiscais e contábeis, estavam custodiados na Justiça Federal. (Grifos do Original) Ocorre que o arbitramento não teve por base omissão de lançamento contábil ou ainda a falta de registro, em demonstrativos contábeis, do movimento real da remuneração de segurados da Previdência Social. Tampouco a aferição foi efetuada por deixar a empresa de escriturar em títulos próprios, por obra de construção civil e por tomador de serviço, a remuneração dos segurados envolvidos na execução dessas obras. Asseverese que as demonstrações contábeis sequer foram disponibilizadas ao Fisco quando do procedimento fiscal, razão pela qual o lançamento não foi motivado por erros ou omissões havidas na contabilidade. A motivação para o arbitramento foi a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, consoante previsão contida nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, reproduzida no inciso III do art. art. 597 da Instrução Normativa INSS/SRP nº 03/2005 (inciso III do art. 447 Instrução Normativa RFB nº 971/2009), conforme se pode verificar dos trechos do Relatório Fiscal que abaixo se transcreve: 7. A Empresa não apresentou livros contábeis (livros diário, razão, caixa e registro de inventário, balancetes contábeis e balanços patrimoniais) durante a ação fiscal, resultando na lavratura do Auto de Infração n° 37.272.0005 por descumprimento da obrigação acessória prevista no código de fundamentação legal 38 (deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social); deixou ainda de prestar todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Receita Federal do Brasil, na forma por ela estabelecida: como comprovante de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT; comprovante de fornecimento de vale transporte; comprovantes de matrícula de obras de construção civil; notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados; alvarás de licença e habitese para construção; e projetos aprovados de obra de construção civil, infringindo a obrigação acessória prevista no código de fundamentação legal 35 (deixar a empresa de prestar à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização), resultando na lavratura do Auto de Infração n° 37.272.0013. Fl. 3139DF CARF MF 14 8. A Empresa não preparou folhas de pagamento específicas para as obras de construção civil matrículas CEI n° 31.430.00506/72, n° 41.590.01504/75 e n° 41.590.01505/77, não discriminando separadamente a mãodeobra alocada para os empreendimentos da construção civil. Por descumprimento dessa obrigação acessória prevista no Código de Fundamentação Legal 30, é lavrado o Auto de Infração n° 37.272.0021. No caso concreto, e nos Termos do Relatório Fiscal, a autoridade autuante aferiu o custo da mãodeobra a partir do procedimento a seguir relatado: em razão da constatação de que as duas formas de arbitramento da mãodeobra da construção civil, previstas na Instrução Normativa RFB n° 971, de 13.11.2009, no artigo 336 (com base na nota fiscal de prestação de serviços) e nos artigos 338 a 3631 (com base na área construída e no padrão de construção) não são aplicáveis. A primeira, pela falta de apresentação de notas fiscais, faturas ou recibos; e a segunda, pela falta de apresentação de documentos comprobatórios das áreas cadastradas no Sistema da Receita Federal, enquadramento das obras, tipos de edificações. Apercebase que em razão da não apresentação de notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, referidos no art. 336 e 451 da Instrução Normativa nº 971/2009, optou a o Fisco por a considerar que o custo da mãodeobra empregada nas obras de construção civil em questão equivalia a 40% (quarenta por cento) do valor dos contratos examinados. Esse procedimento encontra amparo no inciso III do § 1º do art. 3812 da supracitada Instrução normativa, cuja transcrição fazse imperiosa: Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse da RFB; V quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de forma deficiente. 1 Os artigos da IN RFB nº 971/2009 correspondem respectivamente aos arts. 427, 429 e 455 da IN INSS/SRP nº 03/2005. 2 Art. 473 da IN INSS/SRP nº 03/2005. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 9 15 § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 336, 451 e 455, sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. [...] (Grifei) Antes de prosseguir a presente análise, importa ressalvar que não assiste razão ao sujeito passivo quando esse afirma inexistir norma infralegal para o arbitramento levado a efeito no procedimento fiscal, eis que a norma a ser considerada para esse fim é aquela vigente à época do lançamento, no caso a IN RFB nº 971/2009. Porém, cabe reiterar que os procedimento utilizados pelo Fisco já constavam da IN INSS/SRP nº 03/2005, que vigorava quando da ocorrência dos fatos geradores que aqui se discute. Além do que, essa indagação não foi ao menos suscitada na impugnação e, à luz do inciso III do art. 16 e do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, não nos cabe conhecer de razões trazidas somente em sede de recurso voluntário. De outra parte, conquanto se arvore contra os fundamentos aventados no acórdão recorrido, os quais representariam inadequada complementação do Relatório Fiscal, vale ressaltar que essa fundamentação foi trazida a baila pelo Colegiado a quo por demanda apresentada pela recorrente no intuito de reduzir o valor o valor do tributo indiretamente aferido. Senão vejamos o que consta da impugnação: Importante ressaltar, que os contratos acima mencionados foram realizados no regime de empreitada total com o fornecimento de material, de modo que no montante dos contratos estão incluídos não só o custo referente à utilização de mãodeobra, como também o custo dos materiais utilizados nas construções [...]. O que inclusive vem discriminado nas notas fiscais de serviços da obra n° 31.430.00506/72, em anexo, que determinam que 50% (cinqüenta por cento) do valor total recebido referemse à mão deobra. Diante destas informações, vale lembrar o que dispõem os parágrafos 1º e 3, do artigo 451 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009: [...] Portanto, ao realizar o arbitramento a autoridade fiscal deveria ter utilizado como base de cálculo 50% (cinqüenta por cento) do valor dos contratos, referentes à mãodeobra, e não o valor Fl. 3141DF CARF MF 16 total, como de fato o fez, agindo em clara contrariedade a lei. (Grifei) Ademais, somente por ocasião da impugnação foram acostados aos autos as notas fiscais relativas aos contratos que deram azo ao presente Auto de Infração, sendo que referidas notas não discriminam os materiais empregados na obra. O quadro a seguir informa as folhas do processo em que se encontram tais notas: Matrícula da Obra Notas Fiscais (fls) 31.430.00506/72 597, 606, 1283 41.590.01504/75 784, 792, 814, 837, 873 41.590.01505/77 900, 932, 956, 989, 1014, 1043, 1082, 1108, 1150, 1180, 1210 Com base em referidos documentos, e à luz do disposto nos arts. 336, 337, 381, 450, I e 451, § 1º da Instrução Normativa nº IN RFB nº 971/2009, DRJ/BEL retificou o lançamento, aplicandolhe um redutor de 50%, consoante reclamado na impugnação. Abaixo a redação dos dispositivos que deram suporte à decisão de primeira instância administrativa e que ainda não foram reproduzidos no presente voto: Art. 336. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Art. 337. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados, o valor dos serviços contido na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 451, observado o disposto no art. 455. Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de: I 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; [...] Art. 451. Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, para a execução dos serviços, se os valores de material ou equipamento estiverem estabelecidos no contrato, ainda que não discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços será apurado na forma do art. 450. § 1º Caso haja previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, e os valores de material ou de utilização de equipamento não estiverem estabelecidos no contrato, nem discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o valor do serviço corresponde, no mínimo, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 10 17 fiscal, fatura ou recibo, aplicandose para fins de aferição da remuneração da mãodeobra utilizada o disposto no art. 450. [...] Reiterese que o arbitramento está fundamentado tanto no art. 148 do CTN quanto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei 8.212/1991 e os procedimentos adotados para a determinação do valor do tributo encontramse detalhados na IN RFB nº 971/2009 e na IN INSS/SRP nº 03/2009. Do mesmo modo, a DRJ/BEL, ao retificar o lançamento, também lançou mão de disposições insertas em citados atos normativos, sendo que a recorrente não apresentou até a impugnação elementos que pudessem ser considerados aptos ao pleno atendimento de seus pleitos. Em vista disso, além de não se verificar a suscitada falta de motivação, não se vislumbra qualquer ofensa ao princípio da legalidade e ampla defesa ou a inúmeros outros princípios indiscriminadamente referidos no recurso voluntário. Em virtude disso, não há nenhum indício de que a autoridade autuante ou mesmo o Colegiado Recorrido tenham descumprido o art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Na mesma linha, não assiste razão ao sujeito passivo quando esse faz referência a ausência de liquidez e certeza do crédito, pois o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente e retificado a partir de informações posteriormente trazidas aos autos pelo próprio contribuinte, com base no permissivo legal que lhe atribui o ônus da prova em contrário. Assim, afasto a preliminar de nulidade. Demonstrações Contábeis Apresentadas no Recurso Voluntário A respeito das demonstrações contábeis apresentadas somente por ocasião do Recurso Voluntário, o inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, estabelece: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Com base no imperativo legal, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 trouxe a seguinte disciplina: Art.225. A empresa é também obrigada a: [...] II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; [...] Fl. 3143DF CARF MF 18 § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (Grifei) No mesmo sentido é a IN INSS/SRP nº 3/2005: Art. 60. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: [...] IV lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções e os totais recolhidos, observado o disposto nos §§ 4º, 5º e 7ºe ressalvado o previsto no § 6º, todos deste artigo; [...] § 4º Os lançamentos de que trata o inciso IV do caput, escriturados nos Livros Diário e Razão, são exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições sociais, devendo: [...] II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as nãointegrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (Grifei) Não obstante o disposto, dentre outros, no inciso II do § 4º do art. 60 IN INSS/SRP nº 3/2005, as demonstrações contábeis acostadas aos autos não discriminam de forma minimamente adequada as obras executadas pela empresa, e isso restou claramente evidenciado na Informação Fiscal decorrente da diligência demandada por este Conselho, no que não foi contestada pela recorrente. Observese o relato da autoridade autuante a esse respeito: Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 14367.000210/201033 Acórdão n.º 2402006.157 S2C4T2 Fl. 11 19 13. Pelas interpretações das instruções normativas discriminadas, constatase que a obra de construção civil recebe tratamento similar a um estabelecimento da empresa, principalmente ao que se refere à contabilização de fatos geradores e de contribuições relacionados. O entendimento é que movimentação contábil da obra de construção civil deve ser lançada em contas individualizadas, formando um centro de custo para cada obra. 14. A contabilização de uma forma genérica, sem especificar os elementos relativos à obra de construção civil, descaracteriza a situação. Pela auditoria dos livros apresentados posteriormente ao encerramento do procedimento fiscal, verificase que não há escrituração de fatos geradores, dos custos, das contribuições e de outros elementos, relacionados às obras, e que não há formação de centro de custo para cada obra executada, e adicionase que a Empresa, por não atender ao Termo Inicial, não acrescenta fato novo à matéria. 15. Os livros contábeis em anexo ao Processo, e os apresentados durante a diligência, com lançamentos não individualizados e não identificados, associados à omissão da Empresa ao TIPF — Termo de Início de Procedimento Fiscal, são essenciais para definição de que os fatos geradores e as contribuições foram lançados em desacordo com o que determinam as instruções normativas, prejudicando a regularização das obras pelo exame da escrita contábil. Ao contrário do que imagina a recorrente, que o fato de deixar a empresa de escriturar em títulos próprios ou não escriturar por obra de construção civil e por tomador de serviço os fatos geradores das contribuições sociais objeto do lançamento não se traduzia em motivo para o arbitramento da base de cálculo de tais contribuições, mas tãosomente em descumprimento de uma obrigação acessória, posto que inexistiria norma infralegal a amparar a conduta adotada pelo Fisco, em verdade, a IN INSS/SRP nº 3/2005 e outros atos normativos que lhe antecederam já previam a hipótese de aferição indireta em situações em que a escrituração contábil fosse elaborada em desacordo com o especificado em legislação própria. Sobre o tema, dispõe o inciso II do art. 473 da norma: Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: [...] II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 4ºdo art. 60; Desse modo, considerandose que os fatos geradores das obras de construção civil foram contabilizados de uma forma genérica, sem que houvesse a especificação dos elementos relativos a essas obras, vêse que os livros contábeis apresentados no recurso voluntário não acodem a apelante, pois não se mostram aptos a infirmar o arbitramento das contribuições sociais que remanesceram no Auto de Infração. Fl. 3145DF CARF MF 20 Quanto à decisão administrativa reproduzida no apelo recursal, além de não vincular o julgador administrativo, foi proferida em contexto diverso do retratado nos autos e, por esses motivos, não socorrem a suplicante. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 3146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002584/2007-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/02/2006
MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor.
Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3002-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que rejeitou a preliminar e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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MULTA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Recorrente EUCLIDES MACHADO DOS REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. MULTA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A multa prevista no DI nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, deverá ser aplicada aos casos em que a importação tenha sido realizada após a sua entrada em vigor. Não sendo possível verificar do auto de infração a data do ato punível, há de ser cancelado o auto de infração por nulidade material. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que rejeitou a preliminar e, no mérito, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 25 84 /2 00 7- 53 Fl. 70DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 71 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ: Este processo trata da aplicação de penalidade pecuniária regulamentar lavrada contra EUCLIDES MACHADO DOS REIS. Em cumprimento a Mandado Judicial de Busca e Apreensão, no âmbito do processo 2005.38.03.0087918, 2ª VF/Uberlândia/MG, em operação conjunta da Polícia Federal e Receita Federal, foi apreendida em poder do interessado, identificado em epígrafe, 01 (uma) placa (eletrônica) para máquina “CaçaNíqueis”, encontrada no estabelecimento comercial localizado no imóvel identificado no AUTO CIRCUNSTANCIADO V/204 (fls.8), de propriedade do interessado. A referida mercadoria foi encaminhada ao Depósito de Mercadorias Apreendidas da DRF/Uberlândia/MG (fls.7). Em seguida foi formalmente lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento da(s) mercadoria(s) apreendida(s) nas condições mencionadas, através do processo nº 10675.000984200643. No presente processo cuidase especificamente da multa pecuniária aplicada, de R$1.000,00, com base no Dl 37/66, art.107, VII, b, c/a redação dada pelo art.77 da Lei nº 10.833/03, nos termos constantes no ato de lançamento (fls.01/03). O lançamento foi cientificado à interessada em 25/08/2007 (fls.13), e, em 17/09/2007, tempestivamente, a interessada, por meio de seu advogado constituído, protocolou na DRF/Uberlândia/MG, a sua impugnação ao lançamento da multa referida (fls.18/19), cujas razões essenciais de contestação são as seguintes: 1. Que foi autuado por suposta importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde pública, identificada como placa para máquina “caça níquel”, apreendida pela Polícia Federal; e por tal razão lhe foi aplicada a multa pecuniária de R$ 1.000,00, com a base legal descrita no auto de infração; 2. Mas, o ora requerente não é “importador”, e também “não importou” as referidas mercadorias, bem como não é, nem nunca foi, proprietário das mesmas. 3. O requerente desconhecia a existência de placa(s) estrangeira(s) dentro da(s) máquina(s) caçaníquel, porque não era proprietário dela(s), porque nunca a(s) abriu para olhar o que tinha dentro, porque, se olhasse, não saberia distinguir, por falta de mínimo conhecimento técnico para tanto. Se olhasse, não saberia se a placa seria, ou não, estrangeira, e muito menos se sua importação era proibida ou não. 4. O requerente apenas alugou um pequeno espaço em seu comércio para colocação da máquina caçaníquel, por modesto aluguel fixo, como é praxe geral na cidade, e do conhecimento geral dos agentes públicos. 5. Conforme Nota Fiscal e Laudo de Assistência Técnica anexos, o importador é Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e o destinatário Games Line Ltda. 6. A multa pecuniária aplicada (...) passou a vigorar a partir de 29/12/2003, e a importação ocorreu em data anterior, conforme Nota Fiscal anexa, portanto não Fl. 72DF CARF MF 4 pode ser aplicada ao fato. E, mesmo que, hipoteticamente, se desconsidere a Nota Fiscal, ainda assim é inaplicável a multa porque a Receita Federal não pode afirmar que tal importação tenha ocorrido em data posterior à Lei nº 10.833/03, de 29/12/03, que deu nova redação ao art.107, VII, b, do Dl 37/66. Pelo exposto, o requerente/autuado pede a improcedência da autuação, para que seja arquivado o presente processo; requer, ainda, produção de provas documental e testemunhal com rol oportuno. Por força da Portaria RFB nº 453, de 11/04/2013(DOU 17/04/2013), c/c o disposto na Portaria RFB nº 1.006, de 24/07/2013(DOU 25/07/2013), este processo foi encaminhado para julgamento pela DRJ/REC. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, à unanimidade de votos, por julgar improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário exigido, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/02/2006 MERCADORIA ATENTATÓRIA À MORAL, AOS BONS COSTUMES, À SAÚDE OU À ORDEM PÚBLICA. INTRODUÇÃO CLANDESTINA NO PAÍS. POSSE ILEGAL. MULTA ADMINISTRATIVA. Responde pela infração ao controle aduaneiro, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. O responsável pelo estabelecimento comercial onde se explorava a máquina caçaníqueis, cuja placa eletrônica para seu funcionamento foi contrabandeada, se sujeita à multa prevista no Dl nº 37/66, art.107, VII, b, com a redação dada pelo art.77 da Lei 10.833/2003, independentemente de quem a tenha introduzido clandestinamente no país ou venha a ser seu proprietário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi intimada acerca desta decisão em 13/11/2013 (vide AR à fl. 50 dos autos) e, insatisfeita com o seu teor, interpôs, em 28/11/2013, Recurso Voluntário (fls. 53/65), através do qual repisou, em síntese, as razões apresentadas em sua impugnação, acrescentando o pedido de reconhecimento de nulidade do auto de infração por vício material. Trouxe, ainda, em seu recurso, votos proferidos em outros processos, que acolhem a tese apresentada em suas razões recursais. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pela contribuinte. É o breve relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 72 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a presente demanda versa sobre a aplicação de penalidade pecuniária (multa administrativa) motivada pela apreensão de uma placa eletrônica para máquina caçaníquel encontrada em poder da autuada através de operação da Polícia Federal, conforme descrito no Auto de Apresentação e Apreensão de 22/02/2006. A penalidade aplicada encontra previsão no art. 107, inciso VII, alínea b do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105; O auto de infração embasouse, ainda, nos seguintes dispositivos legais, constantes do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (artigos 490, 602, 603, I, e 604, IV, 618, XIX): Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex. *** Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). *** Fl. 74DF CARF MF 6 Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; *** Art. 604. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis separada ou cumulativamente (Decretolei no 37, de 1966, art. 96; Decretolei nº 1.455, de 1976, arts. 23, § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59, e 24; e Lei no 9.069, de 1995, art. 65, § 3o): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I perdimento do veículo; II perdimento da mercadoria; III perdimento de moeda; e IV multa. *** Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 105, e Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) ... XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública; (Grifos apostos). O contribuinte apresentou impugnação administrativa através da qual alegou, resumidamente, que: (i) não é importadora nem proprietária das mercadorias em comento e que não poderia ser responsabilizada apenas por ser proprietária do estabelecimento onde as mercadorias foram encontradas (defende que, conforme nota fiscal e laudo de assistência técnica anexados aos autos, o importador das mercadorias é a Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, e a destinatária é a Games Line Ltda.); (ii) desconhecia a existência de "placas estrangeiras" dentro das máquinas caçaníqueis, e que não possui conhecimento técnico, razão pela qual, ainda que tivesse aberto as máquinas, não poderia identificálas nem saber da proibição de sua importação e que apenas alugou um espaço dentro de seu estabelecimento comercial para colocação das máquinas, como de praxe em sua cidade e de conhecimento das autoridades públicas; (iii) da referida nota fiscal, extraise que a importação ocorreu em data anterior à vigência da Lei nº 10.833/03, a partir de quando passou a vigorar a penalidade, e mesmo que se desconsidere a data inserta na referida nota fiscal, que a Receita Federal não poderia afirmar que as importações se deram posteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03. A DRJ entendeu por manter o auto de infração combatido com fulcro nos seguintes fundamentos: (i) que não poderia ser afastada a responsabilidade do contribuinte no presente caso, visto que o objetivo do legislador não foi inibir e punir apenas o importador, mas todo aquele que contribui para configuração do ilícito e que as convenções entre particulares acerca das responsabilidades decorrentes de obrigações tributárias não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar o sujeito passivo; (ii) afastou o argumento de desconhecimento Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 73 7 técnico da contribuinte acerca das placas, e de que apenas alugou por pequeno valor o espaço de seu estabelecimento no qual as máquinas funcionavam, por entender que a conduta infratora é a utilização das mesmas, na qual teria se enquadrado a impugnante quando alugou espaço em seu estabelecimento visando obter vantagem de sua exploração; (iii) quanto à alegação de que os fatos ocorreram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03, o acórdão manifestouse no sentido de que aos documentos referidos (nota fiscal e laudo técnico) não possuem ligação com as mercadorias em consideração neste processo, razão pela qual não haveria de se considerar as datas constantes de tais documentos, mas sim a da apreensão, ocorrida em 22/02/2006. Insatisfeita com o teor da referida decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, através do qual reproduziu os argumentos trazidos em sua impugnação administrativa, acrescentando o pedido de reconhecimento de nulidade do auto de infração por vício material. Trouxe, ainda, em seu recurso, votos proferidos em outros processos, que acolhem a tese apresentada em suas razões recursais. Passo, então, à análise do caso. Consoante acima indicado, verificase que a multa aplicada in casu foi introduzida no ordenamento jurídico em 29/12/2003, e decorre da "importação" de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública. No caso em comento, a fiscalização não embasou a autuação no fato de a autuada ter "importado" as mercadorias em questão, mas entendeu que deveria responsabilizála em razão do disposto no inciso I do art. 603 do Regulamento Aduaneiro, que determina que todos aqueles que, de qualquer forma, concorra para a prática ou dela se beneficie, responde pela infração. De fato, é cediço que o Regulamento Aduaneiro estende a responsabilidade pela prática de infração aduaneiras àqueles que concorram para a sua prática ou dela se beneficiem. Para que possa imputar tal responsabilidade, contudo, é imprescindível que demonstre o vínculo existente entre o contribuinte responsabilizado e a infração apontada. Em sua defesa, o contribuinte defendeu que a importação teria se dado anteriormente à entrada em vigor da Lei nº 10.833/03, tendo anexado aos autos nota fiscal e parecer técnico que suportariam o seu argumento. A DRJ, por seu turno, entendeu que não havia relação regular possível entre a máquina regularmente importada, descrita no laudo anexado, com as máquinas nas quais foram encontradas as placas eletrônicas contrabandeadas, tendo afastado tal documentação como apta a comprovar que as importações se deram anteriormente à vigência da Lei nº 10.833/03. De outro norte, entendeu que, tratandose de apreensão de mercadorias contrabandeadas, seria na data da apreensão, ocorrida em 22/02/2006, que ocorre o fato infracional punível, com constatação da infração pela autoridade fiscal competente. Da análise da documentação acostada pelo contribuinte aos autos, concordo com a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que não há como se fazer uma correlação entre as mercadorias ali importadas e as mercadorias apreendidas pela Polícia Federal, objeto do presente auto de infração. Contudo, discordo da conclusão ali apresentada no sentido de que a ocorrência do ato infracional punível se dá na data da apreensão das mercadorias. Consoante se extrai da leitura da alínea b do inciso VII do art. 107 do DI nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, o ato infracional encontrase expressamente descrito como sendo Fl. 76DF CARF MF 8 a "importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública". Entendo, portanto, que a interpretação realizada pela fiscalização vai de encontro à previsão expressa disposta na própria norma que instituiu a penalidade em referência. Nesse contexto, considerando que a penalidade aqui analisada foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro em 2003, tendo indicado como ato punível a "importação", entendo que tal penalidade apenas poderia ser aplicada no que concerne às importações realizadas posteriormente à sua entrada em vigor, pois não há que se falar em retroatividade de norma que impõe penalidade outrora inexistente. Acontece que, da análise do auto de infração combatido, não há como se identificar a data em que as importações foram realizadas, não se sabendo se ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, que instituiu a penalidade aqui analisada. Logo, entendo que não se desincumbiu a fiscalização do seu ônus probatório quanto à constituição do crédito tributário exigido, tornando o auto de infração combatido nulo de pleno direito. Nesse mesmo sentido já manifestou o Julgador da DRJ Joaquim Jerônimo da Silva Filho (vide decisão proferida nos autos do Proc. nº 10675.003264/200630), cujo entendimento restou vencido naquela oportunidade pelo voto de qualidade. Por concordar com as razões de decidir ali apresentadas, transcrevo a seguir o seu teor: Da nulidade O art. 59, do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Já o art. 142, do CTN, já referido neste voto, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, a imposição do dever de a Administração motivar sua decisão para demonstrar a adequação do ato às suas exigências legais, pressupostos necessários de sua existência e validade são encontrados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 50 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, esta aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72 PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 74 9 [...] Lei nº 9.784/99 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Os dispositivos legais, acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, conforme já dito. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a idéia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. Vêse, por outro giro, que todos os dispositivos legais acima referidos se correlacionam, não podendo ser considerados isoladamente. No presente caso, estabelecendo uma relação entre eles, podese afirmar que a falha na descrição dos fatos (art. 10, inc. III, do PAF), ocasionou a ausência de motivação “explícita, clara e congruente” (art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/99) que, por seu turno, inviabilizou a verificação da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei (se houve a aplicação da penalidade cabível – art. 142, do CTN). Conforme afirmado no tópico precedente, não há como se saber, pelo que se fez constar neste processo, quais os motivos que levaram o autuante a concluir que o Sr. Manoel Beijo Sobrinho seria a pessoa que promovera a “importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública”. O fato de ser ele o proprietário do estabelecimento comercial onde a mercadoria irregular foi apreendida não é suficiente, por si só, para caracterizar a conduta gizada pela lei. Acrescentese, ainda, que a inércia da fiscalização em proceder investigações acerca da importação, como a identificação do importador, a propriedade da máquina e a época em que houve a importação, fragiliza a atuação, afetando sua higidez. Por outro lado, a documentação trazida pelo impugnante, fls. 30/35, não traz elementos suficientes para provar que a máquina “caçaníqueis” apreendida está contemplada na importação a que se refere a aludida documentação. Fl. 78DF CARF MF 10 De modo que, sou por considerar o presente lançamento nulo, acatando as ponderações trazidas pela defesa. Cumpre registrar que não se observa natureza formal, mas sim material na falha apontada, pois o vício detectado repercute na essência do lançamento que, em sendo refeito, poderá trazer modificações em mais de um requisito essencial previsto no art. 142, do CTN, inclusive, naquele que se refere à identificação do sujeito passivo. Indeferese o pedido de intimação para o endereço do advogado da autuada. A intimação deve ser enviada para o domicilio fiscal do sujeito passivo, constante dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em obediência ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelas Leis nos 9.532/1997, 11.196/2005, 11.457/2007 e 11.941/2009. CONCLUSÃO Diante do exposto e tudo mais que consta nos autos, voto no sentido de: I preliminarmente, a) REJEITAR o pedido de protesto genérico de provas; b) DECLARAR a NULIDADE do lançamento, por vício material, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 1.000,00. Nesta mesma decisão, o Julgador Ricardo Serra Rocha apresentou declaração de voto, através da qual trouxe outros fundamentos que reforçam o entendimento acerca da nulidade do auto de infração combatido. É o que se infere da passagem a seguir transcrita: É cediço que ao autor cabe a prova do fato constitutivo de seu direito, e ao réu, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, não sendo suficiente a simples alegação, tudo em consonância com o art. 333 do Código de Processo Civil – CPC, in verbis: Civil – CPC, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Acerca desse dispositivo, assim leciona Humberto Theodoro Júnior 1: “Cada parte, portanto, tem o ônus de provar os pressupostos fáticos do direito que pretenda seja aplicado pelo juiz na solução do litígio. Quando o réu contesta apenas negando o fato em que se baseia a pretensão do autor, todo o ônus probatório recai sobre este. Mesmo sem nenhuma iniciativa de prova, o réu ganhará a causa, se o autor não demonstrar a veracidade do fato constitutivo do seu pretenso direito (...)”.(grifei) Atualmente, não mais se admite que o lançamento possua caráter de prova pré constituída e nem que a sua presunção de legitimidade tenha o condão de inverter o ônus da prova, eximindo a Administração Tributária do dever de provar os fatos que alega. O art. 9º do Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, textualiza que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os elementos indispensáveis à comprovação do fato, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 75 11 Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, vigente à época) Nesse sentido, Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martínez López se manifestam: “No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar prova de sua ocorrência.(...)” (grifei) Ademais, no PAF (art. 29 do Decreto nº 70.235/1972) a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, in verbis: Decreto nº 70.235/1972 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, prevalece o princípio da livre convicção racional, pelo qual a autoridade é livre para decidir conforme a convicção que a prova lhe produzir, devendo, no entanto, fundamentar sua decisão. O próprio Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente ao PAF, também admite que, na análise das provas, a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção, não estando adstrita sequer a laudos periciais, podendo formar sua convicção por outros elementos contidos nos autos, in verbis: Lei nº 5.869/1973 (CPC) Art. 436. O juiz não está adstrito ao laudo pericial, podendo formar a sua convicção com outros elementos ou fatos provados nos autos. No caso em concreto, tenho que as provas trazidas aos autos se sustentam de forma primordial em Auto Circunstanciado, o qual relata que: Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do processo 2005.38.03.0087918, 2° VF/UBERLANDIA/MG, Foi apreendida pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal em 22/02/2006, 01 (uma) placa para máquina “CaçaNíquel”, no estabelecimento comercial denominado “BAR DO CESAR”, localizado na Rua Bueno Brandão, 1241 – Bairro Martins UberlândiaMG, de propriedade do Sr CÉSAR ODILON DE FARIA, conforme AUTO CIRCUNSTANCIADO K/88, assinado pelo Agente da Polícia Federal e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, responsáveis pelo cumprimento do mandado, a qual foi entregue ao responsável pelo Depósito de mercadorias Apreendidas da Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, conforme Termo de Recebimento DRF/UBE/SAPOL/DMA n° 96/2006, de 22/02/2006. Em 23/03/2006, foi lavrado o Auto de Infração para aplicação da pena de perdimento das referidas placas, processo 10675.000926/200610. Todavia, o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decreto lei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Fl. 80DF CARF MF 12 Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Sobre o tema, também já se manifestaram Conselheiros do CARF, a exemplo do trecho voto a seguir colacionado, proferido pelo Conselheiro Gileno Gurjão Barreto no Acórdão nº 3302002.362, oportunidade em que foi acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede: Conforme exposto, a multa ora questionada foi inserida no ordenamento jurídico através da Lei nº 10.833/03, sendo que os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal em fiscalização realizada em 22.02.2006, ou seja, posteriormente à entrada em vigor da referida norma. Ocorre, no entanto, que, se por um lado o contribuinte apresenta documentos de outras máquinas cuja importação ocorrera em data anterior (1999) à vigência do dispositivo punitivo, por outro a fiscalização aplicoulhe a multa sem também provar que aquela máquina teria sido importada posteriormente. Ademais, conforme brilhantemente exposto no voto do i. julgador Ricardo Serra Rocha, em nenhum momento a i. fiscalização comprovou se as referidas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 76 13 importações ocorreram antes ou depois da entrada em vigor da norma em questão. E uma vez que o tipo penal da norma recai sobre o ato de “importar”, importante essa análise. Por esse motivo, perfilome da declaração de voto proferida pelo i. julgador Ricardo Serra Rocha, que assim prescreve: “...o que aqui está se tratando é a aplicação de penalidade específica pela importação de mercadorias estrangeiras tidas pela autoridade fiscal como atentatórias à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, tudo amparado no art. 107, Inciso VII, “b”, do Decretolei 37/1966 (na redação dada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003). Nesse ponto, tenho que a fiscalização não cuidou em apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem a praticou ou de qualquer forma haja concorrido para sua prática ou dela tenha se beneficiado. Assim, especificamente se falando no âmago da penalidade aqui em discussão, percebese a fragilidade das provas apresentadas contra a impugnante. Pois bem. Reza o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN que a constituição do crédito se dá pelo lançamento, de competência privativa da autoridade fiscal, compreendido como o procedimento administrativo, vinculado e obrigatório, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, apurar o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifei) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dessa forma, como se verifica no caso, não logrou êxito a autoridade lançadora em demonstrar inequivocamente a ocorrência do fato típico. Como na atividade do lançamento cabe à Administração Tributária empregar todos os meios disponíveis de informação para conhecer e comprovar o fato jurídico, permanecendose no processo administrativo o estado de incerteza quanto aos elementos constitutivos do lançamento, a regra é que a decisão deva ser pela não exigência da exação ou penalidade. Dessa forma, privilegiandose a garantia constitucional da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/1988), aplicável tanto no âmbito judicial quanto no administrativo, e, considerandose que já fora dada à autoridade lançadora, por ocasião da constituição do crédito, oportunidade de trazer aos autos os necessários elementos probatórios, bem como, o princípio da interpretação benigna ao acusado, prescrito pelo art. 112 do CTN, devido remanescer dúvida quanto à subsunção dos fatos à norma, estou pela insubsistência do lançamento em discussão. Fl. 82DF CARF MF 14 CF/1988 Art. 5º (...) LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de2004) Lei 5.172/1966 (CTN) Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; (...) Assim, com a devida vênia, entendo que não restaram configurados todos os elementos nucleares da relação jurídicotributária em pauta. Dessarte, uma vez ocorrida violação a quaisquer dos requisitos essenciais do lançamento, consubstanciase o chamado vício material; vício este que não se coaduna com a contagem de prazo decadencial prescrita pelo inciso II do artigo 173 do CTN, aplicável apenas na ocorrência de nulidade por vício de natureza formal, ou seja, não vinculado à parte substancial do ato. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ex positis, voto pela nulidade desta autuação pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento, não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN. Por derradeiro, anotese que ao considerar insubsistente o lançamento, não estou a asseverar que a defendente não cometeu a infração em litígio, mas sim que, conforme os elementos probatórios trazidos aos autos, a autoridade lançadora não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do fato gerador desta penalidade, qual seja, importação de mercadorias estrangeiras de cunho atentatório à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, vez que não se preocupou em demonstrar minimamente a data de sua ocorrência e quem a praticou, haja concorrido, ou dela se beneficiado, estando assim, maculado o lançamento em apreço, por vício de nulidade material”. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe provimento. Por concordar com as razões acima apresentadas, as quais se adequam com perfeição à presente contenda, adotoas como razão de decidir. Em resumo, há de ser reconhecida a nulidade do auto de infração combatido em razão da ausência de elementos suficientes à confirmação acerca da aplicabilidade no tempo da penalidade aplicada ao caso concreto analisado, ou seja, se a norma já se encontrava em vigor à época da infração ali indicada (importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública). É importante que se ressalte que a conclusão a que se chega nesta oportunidade esbarra na identificação da nulidade do auto de infração combatido. Em outras palavras, não se está aqui dispondo que inexistiu a infração combatida, mas apenas que não é Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10675.002584/200753 Acórdão n.º 3002000.104 S3C0T2 Fl. 77 15 possível se aferir, da análise do auto de infração, se a norma que instituiu a penalidade encontravase vigente quanto aos fatos geradores aqui analisados. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de determinar o cancelamento do auto de infração em comento, em razão da nulidade por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 12963.000814/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. AUTARQUIA. EXIGIBILIDADE.
As contribuições previdenciárias também são devidas pela administração pública, exceto em relação aos servidores titulares de cargos efetivos, contratados mediante concurso público, conforme determina o art. 40, e § 13, da Constituição Federal.
COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL.
Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e a decadência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2008 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. AUTARQUIA. EXIGIBILIDADE. As contribuições previdenciárias também são devidas pela administração pública, exceto em relação aos servidores titulares de cargos efetivos, contratados mediante concurso público, conforme determina o art. 40, e § 13, da Constituição Federal. COMPARAÇÃO DE PENALIDADES. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MP 449/2008. PENALIDADES COM MESMA NATUREZA MATERIAL. Na comparação de penalidades realizada em observância ao princípio da retroatividade benigna e em decorrência das mudanças promovidas pela Medida Provisória nº 449/08, independente da denominação legal, devem ser comparadas as penalidades que tenham a mesma natureza material, ou seja, aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Dessa forma, não cabe a comparação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, com multa aplicável no caso de lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 08 14 /2 00 9- 91 Fl. 984DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 985 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e a decadência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 986 3 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.262.0191, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados e da empresa, incluindo a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, nas competências 07/2004, 07/2005, 07/2006, 07/2007 e 07/2008, apuradas no levantamento PPR PRÊMIO PRODUTIVIDADE. Os valores pagos pela empresa não constariam das GFIP, o que ensejou a lavratura de Auto de Infração com CFL 68, que compõe outro PAF. Foi efetuado o comparativo da multa mais benéfica, considerandose a entrada em vigência da Lei 11941/09. Por fim, o agente fiscal relata que o sujeito passivo, muito embora fosse uma autarquia, estaria sujeito ao regime jurídico das empresas privadas para o cálculo das contribuições. As alíquotas aplicadas foram de: (a) 8% contribuição dos segurados; (b) 20% contribuição patronal; (c) 3% adicional GILRAT. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, na qual suscitou: (a) a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; (b) a decadência das contribuições lançadas (competências 07/2004 a 11/2004); (c) a sua inexigibilidade por razões de mérito, questionando, ainda, o percentual da multa aplicada neste lançamento. Em 20/04/2010, os autos foram baixados em diligência, através do Despacho nº 538, para que fossem juntados os anexos citados no Relatório Fiscal, e para que a autoridade fiscal se pronunciasse sobre as alegações do autuado, relativas às incorreções das competências objeto do lançamento, verificando a documentação por ele juntada e esclarecendo se os valores mencionados foram ou não declarados em GFIP e devidamente recolhidos. Em 25/06/2014, foi emitida Informação Fiscal, em que a autoridade esclareceu o que segue: 4. Durante a fiscalização realizada em 2009 foi constatado que as parcelas pagas a titulo de PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE, que na "Tabela deRubricas" fornecida pela empresa e anexada a esta Informação Fiscal aparece com os números 82 (PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE 2005) e 85 (PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE), anexo I, não constam das respectivas Folhas de Pagamento. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 987 4 5. A falta das rubricas acima citadas pode ser confirmada, por exemplo, pela documentação anexada pela própria empresa em sua impugnação e que consta das folhas 509 a 558 deste processo 12963.000814/200991, volume 3. 6. Esclarecemos ainda que os valores lançados para os anos de 2004, 2007 e 2008 foram fornecidos pelo próprio Sr. Rulemar Pessoa Silva, Diretor Administrativo financeiro do Departamento Municipal de Eletricidade de Poços de Caldas através do documento n° DAF 025/2009 cuja cópia anexamos a esta Informação Fiscal e que os valores lançados para os anos de 2005 e 2006 foram retirados das informações entregues pela empresa em mídia digital também anexada a esta informação fiscal, anexo II. 7. Quanto ao argumento de cerceamento do seu direito ao contraditório e à ampla defesa, em razão da inexistência de demonstrativo individualizado dos funcionários que receberam as verbas de Prêmio de Produtividade esses podem ser encontrados a partir da página 139 deste processo, volume I, e foram fornecidos pela própria empresa. 8. Quanto à alegação de que é errônea a cobrança do Prêmio de Produtividade de 2005 e de 2006 em julho de 2006 e em julho de 2007 temos o que determina o Código Tributário Nacional. 9. O Código Tributário Nacional, Lei 5.172 de 27 de outubro de 1966, estabelece em seu art. 52 a ocorrência do Fato Gerador da Obrigação Tributária, abaixo descrita, e determina que ele ocorrerá em tais circunstâncias, salvo disposição de lei em contrário, e como veremos a seguir o Departamento Municipal de Eletricidade de Poços de Caldas DME tem lei que estabelece outro prazo para ocorrência do Fato Gerador. ... 10. No que diz respeito aos exercidos de 2006, referente ao pagamento do ano base de 2005 e subseqüentes, foi instituído o benefício do Prêmio de Produtividade pela Lei Complementar Municipal n° 89/2007 abaixo: ... 11. Ocorre que a empresa não observou o que determina a Lei Complementar n° 89, acima transcrita, e fez o pagamento dos PRÊMIOS DE PRODUTIVIDADE de 2005 e 2006 apenas em dezembro de 2007. O mesmo aconteceu com os PRÊMIOS DE PRODUTIVIDADE que deveriam ter sido pagos até 31/07/2007 e 31/07/2008, a empresa, mais uma vez, não observou a Lei Complementar n° 89 e fez os pagamentos em maio de 2008 e maio de 2009. Não há dúvida de que o Fato Gerador ocorreu no mês de julho de cada ano independentemente da data do pagamento. 12. Já para os pagamentos ocorridos em 16/04/2004 e 12/07/2005 anexamos a esta Informação Fiscal a PLANILHA Fl. 987DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 988 5 COM OS VALORES PAGOS a título de PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE, anexo IV, e suas respectivas FOLHAS DE PAGAMENTO, entregues pela própria empresa, acrescidas de uma coluna demonstrativa dos valores declarados nas GFIP's, anexo V, nas quais fica evidente valores pagos a título de PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE não estão nas Folhas de Pagamento e não foram declarados nas GFIP's. 13. Não custa frisar que em sua declaração o Sr. Rulemar Pessoa Silva afirma que "... os valores pagos aos .funcionários do Departamento Municipal de eletricidade de Poços de Caldas DMEPC referentes ao Prêmio de Produtividade nos anos de 2004, 2007 e 2008 são os seguintes: ..." 14. Diante do exposto sugerimos que o débito permaneça como está. A ciência da Informação Fiscal se deu em 18/08/2014 e não houve manifestação do interessado. Nova diligência foi requerida em 20/11/2014, através do Despacho nº 79, para que a autoridade fiscal, considerando o disposto no art. 66 da IN SRP 3/2005, a data da ocorrência dos fatos geradores considerados na autuação, a legislação municipal citada, bem como sua vigência, se pronunciasse acerca da correção das bases de cálculo e das competências incluídas no lançamento. Nova Informação Fiscal foi emitida em 09/09/2015, nos seguintes termos: 2. A Ação Fiscal realizada em 2009 e que culminou com o lançamento em questão foi pautada pela NÃO APRESENTAÇÃO ou APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DOS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. 2.2.1. Os arquivos digitais no formato MANAD (arquivos que devem conter as FOLHAS DE PAGAMENTO e a CONTABILIDADE da empresa) intimados pela fiscalização em vários TIF's (TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL), abaixo mencionados, foram fornecidos com ERROS, o que impossibilitou o uso. 12.4 Em 17 de agosto de 2009 foi emitido o TIF Termo de Intimação Fiscal n° 04 que intimava o DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE ELETRICIDADE DE POÇOS DE CALDAS DMEPC a corrigir as Folhas de Pagamento incluindo todas as Rubricas, inclusive a 208, valores descontados dos empregados para a Previdência Social; incluir nas Folhas de Pagamento os Contribuintes Individuais; Entregar em meio digital o arquivo com as Folhas corrigidas deixando na empresa, em meio papel, as Folhas originais à disposição desta fiscalização; Corrigir as GFIP's de acordo com as Folhas de Pagamento incluindo os demais Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária. Correção essa que não foi feita até a presente data. ANEXO II. 12.5 A empresa apresentou um "RESUMO DA FOLHA DE PAGAMENTO" no qual há várias "FOLHAS DE Fl. 988DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 989 6 PAGAMENTO", o que vai de encontro à Lei 8.212 que determina que a Folha de Pagamento deverá conter todas as rubricas, de proventos e de descontos, pagas, devidas ou creditadas aos empregados e deverá ser totalizada ao final, no Resumo Geral. 12.6 Cabe observar que individualmente em nenhuma delas consta a TOTALIZAÇÃO DA FOLHA. Tal procedimento torna impossível a verificação final dos valores. Como exemplo citamos o RESUMO DA FOLHA DE PAGAMENTO apresentado a seguir que foi entregue pela empresa a esta fiscalização e está no ANEXO III: SP2 2a FOLHA DE 2a PARCELA DE 13° SALÁRIO; SP1 FOLHA DE SEGUNDA PARCELA DE 13° SALÁRIO; PL1 PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE 2006; FP1 PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE 2005; FN12FOLHA NORMAL DEZEMBRO 2007; FF12FOLHA DE FÉRIAS DEZEMBRO 2007; FE12FOLHA DE EXONERAÇÃO DEZEMBRO 2007; FC7ABONO DE NATAL; FA12FOLHA DE ADIANTAMENTO DEZEMBRO 2007. 12.7 A empresa não corrigiu as Folhas de Pagamento o que resultou na emissão do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, debcad n°37.272.6186 código 30 no valor de R$1.410,79 (Hum mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) em 12/03/2010. (...) 12.8 Tal Auto de Infração em momento algum foi contestado pela empresa. 13. No mesmo período foi pedido, por várias vezes, conforme cópias dos Termos anexados aos Processos, arquivos digitais no formato MANAD ou outro exigido pela lei à época do período fiscalizado. Tais arquivos são (deveriam ser) cópias fiéis da Contabilidade e das Folhas de Pagamento da empresa. A entrega dos Arquivos Digitais é obrigatória e está prevista na Instrução Normativa abaixo transcrita... 14. Como já foi dito os arquivos digitais entregues pela empresa continham ERROS que os inutilizavam, então na tentativa de resolver o problema usamos outro sistema, o AUDIG, que era o Sistema usado na Receita Previdenciária. No AUDIG conseguimos "importar" os arquivos, porém com muitas críticas e divergências. Também não foi possível fazer a concatenação. Nos arquivos não concatenados fica impossível fazer a análise dos dados. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 990 7 15. Fazse importante salientar que durante a fiscalização e diante da insistência da auditoria em conseguir junto a empresa informações sobre as parcelas pagas aos colaboradores da empresa a fiscalização acabou por receber informações divergentes como abaixo demonstrado: 16. De acordo com o ofício entregue pelo Sr. Rulemar Pessoa Silva, Diretor Administrativo Financeiro do Departamento Municipal de Eletricidade de.focos de Caldas através do documento n° DAF 025/2009 os valores PAGOS a título de prêmio de produtividade são os seguintes: 2004 R$672.846,42; 2007 R$533.815,44; 2008 R$278.875,49; E no Resumo das Folhas de Pagamento, também em anexo, aparecem os seguintes valores: 2005 R$367.557,96; 2006 R$452.465,40. Já a empresa entregou uma planilha para o mesmo período e a mesma rubrica com a seguinte informação: 2004 R$407.259,39 2005 R$672.935,64 2007 R$444.441,00 R$424.064,63; 2008 R$533.815,44; 2009 R$282.052,56 (período fora da ação fiscal) Apesar da enorme dificuldade acima relatada, o lançamento foi feito, claro, pelos valores totais sem a possibilidade de individualizálo por empregado e especificamente em relação a este processo cuja rubrica é PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE a auditoria utilizou os valores declarados como pagos em 2004, 2007 e 2008 fornecidos pelo próprio Sr. Rulemar e que os valores lançados para os anos de 2005 e 2006 foram retirados das informações entregues pela empresa em mídia digital também anexada a esta informação fiscal, ANEXO IV. A autoridade fiscal relatou ainda que, quando os autos retornaram em diligência, o contribuinte, mais uma vez, foi intimado a apresentar os arquivos digitais, para se verificar a correção de seus argumentos. Informou que os referidos arquivos foram novamente apresentados com erros, o que inviabilizou a sua análise pelos sistemas da fiscalização, tendo sido lavrada autuação por descumprimento de obrigação acessória, o AI DEBCAD 51.029.593 2. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 991 8 Esclareceu que, diante da deficiência dos documentos apresentados, o lançamento foi efetuado por meio de aferição indireta, nos termos dos artigos 446 e 447, II, §2º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, e que, diante das informações desencontradas fornecidas pela empresa, a fiscalização utilizou, para efetuar o lançamento, as informações fornecidas pelo então Diretor Administrativo Financeiro do DME. O contribuinte foi cientificado da nova informação fiscal em 14/09/2015 e não apresentou manifestação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme decisão assim ementada: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido pagamento antecipado, o prazo decadencial é contado a partir da ocorrência do fato gerador. AUTARQUIA MUNICIPAL. EMPRESA PÚBLICA. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Para fins de cumprimento da legislação previdenciária, consideramse empresa, entre outros, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o salário de contribuição as verbas pagas a título de prêmio de produtividade. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI MUNICIPAL. ABRANGÊNCIA. Lei municipal não tem o condão de excluir verbas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, instituída pela lei de custeio do Regime Geral de Previdência Social. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Diante do montante exonerado, não houve a interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 08/12/2015, através de aviso de recebimento (fl. 964), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/01/2016, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, sustentou o seguinte: Nulidade do lançamento por cerceamento de defesa (a) o lançamento é nulo por inexistência de demonstrativo individualizado dos pagamentos realizados, o que vai de encontro aos princípios do contraditório e da ampla defesa, pois a autuada não tem como entender de que forma a auditoria chegou aos valores das bases de cálculo lançadas; Fl. 991DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 992 9 Decadência (b) o prazo de decadência é quinquenal e sua contagem se dá na forma do art. 150, § 4º, do CTN, e não na forma do art. 173, I, do Código; Mérito Da natureza jurídica do autuado (c) o recorrente foi constituído como entidade autárquica para a prestação de serviço público exploração do serviço essencial de energia elétrica em favor dos munícipes de Poços de Caldas; (d) quem está fazendo a exploração é o próprio Ente Público através de sua administração indireta; (e) o recorrente tem caráter não lucrativo; Das contribuições (f) por ser uma autarquia legalmente constituída, o recorrente enquadrase no código FPAS 582, que não está sujeito ao pagamento das contribuições devidas a outras entidades e fundos; (g) cita decisões da justiça do trabalho em processos de que é parte e parecer da Procuradoria do INSS; (h) cita decisão do TJMG, que lhe concedeu a imunidade tributária recíproca em processo relativo ao IPVA; Da natureza jurídica do prêmio produtividade (i) o prêmio produtividade foi instituído pela Lei Municipal 8146/2005, que lhe atribuiu natureza jurídica não salarial; Da multa aplicada (j) questiona a multa de 24%, sob o argumento de que a Lei 11941/09 teria revogado os incs. I a III do art. 35 da Lei 8212/91, de forma que a multa aplicável seria de no máximo 20%, conforme o art. 61 da Lei 9430/96. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 992DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 993 10 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade do lançamento A recorrente afirma que o lançamento é nulo por inexistência de demonstrativo individualizado dos pagamentos realizados, o que vai de encontro aos princípios do contraditório e da ampla defesa, pois a autuada não teria como entender de que forma a auditoria teria chegado aos valores das bases de cálculo lançadas. Ocorre que a fiscalização relatou e demonstrou que a inexistência de demonstrativo individualizado se deu por fato atribuível ao próprio sujeito passivo, que descumpriu as obrigações acessórias impostas pela legislação tributária não apresentação ou apresentação deficiente dos documentos exigidos pela fiscalização , mesmo depois de re intimado em sede de diligência. Ainda assim, na Informação Fiscal de 25/06/2014, o agente autuante afirmou que a relação dos funcionários que teriam recebido o prêmio produtividade poderia ser encontrada a partir da página 139, tendo sido fornecida pela própria empresa, informação esta não elidida pelo recorrente. Logo, não houve cerceamento aos direitos de defesa e do contraditório, inexistindo a alegada nulidade do lançamento. 3 Da decadência A própria DRJ decotou do lançamento as contribuições relativas à competência 07/2004, diante da ocorrência do prazo decadencial. Vejase: No caso, considerando a ciência do lançamento em 21/12/2009 e a existência de recolhimentos de contribuições previdenciárias da competência 07/2004, verificados no sistema ÁGUIA/CCOR, é forçoso reconhecer a decadência do lançamento relativo à referida competência 07/2004, cujo valor deve ser excluído da autuação. O montante exonerado não implicou a interposição de recurso de ofício e, portanto, tal circunstância jurídica já não é mais controvertida neste PAF. Inconformado, o sujeito passivo novamente suscita a decadência das competências 07/2004 a 11/2004. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 994 11 Quanto à competência 07/2004, ela já foi excluída da autuação, como visto acima. Já no tocante às competências 08/2004 a 11/2004, o recurso não deve ser provido, já que não houve lançamento nesses períodos de apuração, conforme se observa no relatório fiscal de fls. 20 e seguintes, bem como no discriminativo do débito de fl. 5. Concluindose, deve ser rejeitada a preliminar de decadência. 4 Da natureza jurídica do recorrente Com relação a esse ponto controvertido, vejase que este relator entendeu, no PAF conexo 12963.000810/200911, "que o sujeito passivo, entidade autárquica sem fins lucrativos, e obviamente integrante da administração pública indireta, presta os serviços públicos de energia elétrica mediante concessão da União, fazendolhe às vezes, sob um regime jurídico administrativo, e não sob um regime privado", de sorte que "não está sujeito ao recolhimento das contribuições devidas a outras entidades e fundos, cujo recolhimento é próprio das empresas privadas". Neste PAF, contudo, não houve o lançamento das contribuições de terceiros, mas sim das contribuições previdenciárias que também são devidas pela administração pública (contribuições dos segurados, patronal e adicional GILRAT), exceto em relação aos servidores titulares de cargos efetivos, contratados mediante concurso público, conforme determina o art. 40, e § 13, da Constituição Federal: Art. 40. [...] § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Vejase que aos servidores não ocupantes de cargos efetivos aplicase o regime geral de previdência social, o mesmo ocorrendo em relação aos empregados contratados sob o regime da CLT, de forma que o recorrente se equivocou neste ponto. 5 Da natureza jurídica do prêmio produtividade No entender do recorrente, o prêmio produtividade foi instituído pela Lei Municipal 8146/2005, que lhe atribuiu natureza jurídica não salarial. A DRJ discorda dessa tese, ao entendimento de que a lei municipal assume relevância unicamente para os efeitos trabalhistas e que a competência para instituir contribuições sociais é exclusiva da União, de sorte que somente a ela competiria legislar sobre a matéria. O acórdão de impugnação, no ponto relativo à competência para legislar sobre a matéria, parece ter toda a razão. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 995 12 Todavia, acolhêlo significaria declarar a inconstitucionalidade da lei municipal (vício de competência na edição de ato normativo), o que é defeso em grau administrativo, diante do óbice retratado na Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A presunção de constitucionalidade só pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente1, o que não é o caso do CARF; e afirmar que o município não teria competência para legislar sobre a matéria é o mesmo que deixar de aplicar a lei municipal sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que não pode ser admitido na esfera administrativa. A lei em questão, em seus arts. 1º e 3º, estabelecia o seguinte: Como se vê, a lei previa que a denominada Gratificação Especial de Produtividade, devida como prêmio e incentivo, deveria ser paga em parcela única e não seria incorporada ao salário do beneficiado. Ao assim estabelecer, a lei retirou a natureza remuneratória da verba, que, ademais, e por ser paga em parcela única, assumiria a natureza de ganho eventual, igualmente desvinculado do salário do trabalhador. Vejase o que dispõe o art. 28 da Lei 8212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: Saraiva, 1998, p. 164 – 165. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 996 13 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias:(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Em sendo assim, a gratificação paga em relação à competência 2005 deve ser excluída do lançamento, por não se constituir, nos termos da lei instituidora, em verba destinada a retribuir o trabalho prestado ou colocado à disposição do empregador. Apenas a título de argumentação, cabe observar que a situação é análoga ao Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, devido em função da Lei 13464/2017: Art. 14. O valor do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira não integrará o vencimento básico, não servirá de base de cálculo para adicionais, gratificações ou qualquer outra vantagem pecuniária e não constituirá base de cálculo de contribuição previdenciária. Entretanto, e por outro lado, o recorrente não demonstrou a existência de lei autorizadora do pagamento do prêmio para as demais competências objeto de lançamento. Pelo contrário, relatou que, com a alteração da Lei 8146/2005 pela LC 89/2007, teria passado a efetuar os recolhimentos das contribuições. Logo, o recurso deve ser parcialmente provido, para exclusão do valor correspondente à competência 2005. 6 Da retroatividade benigna A recorrente alega que a multa aplicável seria de no máximo 20%, conforme o art. 61 da Lei 9430/96. Ocorre que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando à presente discussão as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/09, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 996DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 997 14 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Isto é, no entender da CSRF, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35 A da Lei 8212/91. Vejase: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Este relator vinha discordando das conclusões da citada Portaria, mas as decisões da CSRF têm sido tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do STJ tomada em sede de recurso repetitivo. Logo, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste ponto, uma vez que a autoridade fiscal aplicou as mesmas conclusões acima, conforme demonstrativo de fls. 17/19. Cabe ressaltar que a autoridade executora do presente julgado deverá observar, na liquidação, as conclusões do Parecer retro mencionado. 7 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para: (a) REJEITAR as PRELIMINARES de nulidade e decadência; (b) e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os pagamentos correspondentes à competência 2005. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 997DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 998 15 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à exclusão das contribuições lançadas sobre a verba paga a título de “prêmio produtividade”, no ano de 2005. Em sua impugnação, fls. 34 a 62, o Recorrente alegou que tal prêmio foi pago com base na Lei Municipal 8.146/05, a qual lhe conferiu natureza não salarial e não foi declarada inconstitucional. O órgão julgador de primeiro grau, por sua vez, no Acórdão 0958.613, fls. 945 a 961, concluiu que o município não teria competência para legislar sobre contribuições sociais e que a matéria em foco não estaria incluída entre as parcelas não integrantes do salário de contribuição, segundo dispõe a Lei 8.212/91, mantendo, assim, o lançamento fiscal. O Relator, então, deduziu que que a decisão a quo, ao apontar a falta de competência do município para legislar sobre a matéria, teria deixado “de aplicar a lei municipal sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que não pode ser admitido na esfera administrativa”, razão pela qual concluiu pela exclusão das contribuições lançadas em relação ao ano de 2005. De fato, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235, de 26/3/72, é vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, porém, no caso em tela, não entendemos que a decisão de primeira instância tenha afastado a aplicação da lei municipal com base em inconstitucionalidade. Vide o seguinte trecho da decisão em comento: A alegação do impugnante quanto à natureza não salarial do prêmio de produtividade, conforme previsão em lei municipal, também não pode prosperar. A este respeito, cabe esclarecer que, em se tratando de ente da federação desprovido de regime próprio de previdência social, a lei municipal em comento assume relevância unicamente para os efeitos trabalhistas advindos da relação jurídica laboral entre o ente público e seus servidores (em sentido lato), mas não tem o condão de afastar a verba do conceito de salário de contribuição. Conforme preceitua o art. 149 da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, a competência para instituir contribuições sociais é exclusiva da União, de sorte que apenas a ela compete legislar sobre a matéria, não podendo fazêlo outro ente da federação. A estes cabe tão somente instituir contribuições – e, portanto, legislar sobre a matéria – para o custeio de seus regimes próprios de previdência (art. 149 , §1º, da CRFB/88). Assim, considerando que o crédito em questão referese à contribuição para o Regime Geral de Previdência Social, deve Fl. 998DF CARF MF Processo nº 12963.000814/200991 Acórdão n.º 2402006.170 S2C4T2 Fl. 999 16 se observar as regras previstas na Lei Federal nº 8.212, de 1991, a qual, no art. 28, I, estabelece que o salário de contribuição, para o empregado, é composto pela sua remuneração, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; O §9º do mesmo art. 28 da referida Lei nº 8.212, de 1991, relaciona as parcelas não integrantes do salário de contribuição, dentre as quais não está previsto o prêmio de produtividade. Conforme se infere da transcrição a cima, a decisão de primeira instância deixa clara a validade da lei municipal e aponta que a sua aplicação se limita aos “efeitos trabalhistas advindos da relação jurídica laboral entre o ente público e seus servidores”, asseverando, ainda, que tal diploma legal não afasta a verba em questão (“prêmio produtividade”) do conceito de salário de contribuição. Ademais, quando a decisão a quo diz que “a competência para instituir contribuições sociais é exclusiva da União” e que aos demais Entes “cabe tão somente instituir contribuições para o custeio de seus regimes próprios de previdência”, está buscando demonstrar que a lei municipal não está tratando das contribuições sociais, mas sim da relação trabalhista entre o município os seus servidores, pois, para as contribuições referentes ao Regime Geral de Previdência Social, devese aplicar as regras previstas na Lei 8.212/91, a qual não exclui o “prêmio produtividade” do salário de contribuição. Portanto, em nenhum momento a decisão recorrida afastou a aplicação da lei municipal sob o fundamento de inconstitucionalidade, mas apenas apontou que as contribuições sociais são tratadas pela Lei 8.212/91 e que a Lei 8.146/05, do Município de Poços de Caldas, trata da relação trabalhista, razão pela qual esta não poderia ser invocada para afastar o “prêmio produtividade” da incidência das contribuições. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 999DF CARF MF
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