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Numero do processo: 11020.723105/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. REGIME PROGRESSIVO TRIBUTAÇÃO.
Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e de Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, também, ser declarados como rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, onde o respectivo IRRF será compensado.
Numero da decisão: 2301-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. REGIME PROGRESSIVO TRIBUTAÇÃO. Os resgates de Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e de Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) com opção pelo regime progressivo de tributação estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15%, devendo, também, ser declarados como rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, onde o respectivo IRRF será compensado.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.906196/2013-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.979
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa parcialmente transcrita abaixo: (...) CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 06 19 6/ 20 13 -4 4 Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 3 2 CRÉDITO. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA OU EM OPERAÇÕES NÃO VENDAS. Inexiste previsão legal para apuração de crédito sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ou de transferências de produtos que não se enquadram em operações de venda CRÉDITO. LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM. Paletes e contentores correspondem a embalagem de transporte caracterizando dispêndio com acessórios utilizados em etapas posteriores à fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumo e, portanto, não conferindo direito a crédito a título de armazenagem, nem como locação de máquinas e equipamentos. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE BENS À ALÍQUOTA ZERO E SUJEITOS A CRÉDITO PRESUMIDO. É incabível desconto de crédito em relação aos dispêndios com frete suportados pelo adquirente na compra de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens. E a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. CRÉDITO NA DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. NÃO CABIMENTO. É passível a utilização do crédito sobre devoluções de venda apenas no desconto de débitos, desde que a receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tributada conforme a Lei. RATEIO PROPORCIONAL. Feita a opção pelo rateio proporcional, aplicamse aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O rateio deve ser aplicado quando a pessoa jurídica auferir receitas tributadas concomitantemente com receitas não tributadas no mercado interno e/ou com exportação, para se determinar quais são os créditos passíveis de ressarcimento ou compensados com outros tributos. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: Da Preliminar i Do erro material do Acórdão pela inclusão de glosas estranhas ao processo ii Do erro material do Despacho Decisório por ausência de fundamentação iii Da nulidade da decisão face à contradição envolvendo o rateio proporcional Do Direito I Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos II Combustíveis e Lubrificantes Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 4 3 III Materiais auxiliares de consumo IV Produtos de Limpeza V Das despesas de locação de paletes e contentores (despesas de armazenagem e embalagem de mercadoria) VI Despesas com fretes na compra de insumos tributados com alíquota zero e de insumos com crédito presumido VII Despesas com fretes de transferência de matériaprima e de embalagens VIII Despesas com fretes de devoluções IX Do crédito das devoluções de mercadorias tributadas X Do rateio proporcional dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins XI Da correção monetária pela taxa Selic aos créditos não reconhecidos pelo despacho decisório É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.975, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.906181/201386. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.975): "1. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 2. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 5 4 caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 3. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 6 5 Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 4. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 5. Assim, retornando aos autos e acompanhado por maioria expressiva do Colegiado, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. 6. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 7. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 8. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 7 6 9. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 10. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 12. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. Ato contínuo, deverá a fiscalização 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 8 7 (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 11080.906196/201344 Resolução nº 3402001.979 S3C4T2 Fl. 9 8 (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900562/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados
Numero da decisão: 2401-006.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 62 /2 01 4- 54 Fl. 70DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitouse a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.900562/201454 Acórdão n.º 2401006.246 S2C4T1 Fl. 3 3 b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogálos (quando inconvenientes) seja para anulálos (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação DCOMP. Fl. 72DF CARF MF 4 Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da nãohomologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculálo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.900562/201454 Acórdão n.º 2401006.246 S2C4T1 Fl. 4 5 Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificouse que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utilizase do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001606/2005-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL.
Cabe ao contribuinte a comprovação de recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS.
Nos casos de contas bancárias em conjunto, é necessária a regular e prévia intimação de todos os titulares, para comprovar a origem dos recursos depositados, e a infração de omissão de rendimentos deverá ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto ou existam elementos que apontem em sentido diverso.
CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
O prazo de trinta dias para impugnação é legal e não é dada a autoridade fiscal o poder de dilata-lo.
Numero da decisão: 2002-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL. Cabe ao contribuinte a comprovação de recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. Nos casos de contas bancárias em conjunto, é necessária a regular e prévia intimação de todos os titulares, para comprovar a origem dos recursos depositados, e a infração de omissão de rendimentos deverá ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto ou existam elementos que apontem em sentido diverso. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. O prazo de trinta dias para impugnação é legal e não é dada a autoridade fiscal o poder de dilata-lo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Cabe ao contribuinte a comprovação de recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. Nos casos de contas bancárias em conjunto, é necessária a regular e prévia intimação de todos os titulares, para comprovar a origem dos recursos depositados, e a infração de omissão de rendimentos deverá ser imputada, em proporções iguais, entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto ou existam elementos que apontem em sentido diverso. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. O prazo de trinta dias para impugnação é legal e não é dada a autoridade fiscal o poder de dilatalo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe negou provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 06 /2 00 5- 02 Fl. 792DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 793 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 663/729) contra decisão de primeira instância (fls. 625/649), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 138 a 146 em virtude da apuração das seguintes infrações: a) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL — de acordo com o descrito As fls. 139 e 140. Os fatos geradores são relativos aos meses de janeiro, fevereiro e outubro do ano de 2001; b) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA — conforme exposto As fls. 141 a 143 do presente processo. A infração tributária referese ao anocalendário 2001. O enquadramento legal consta As fls. 140, 143 e 146. Sobre o imposto apurado, no montante de R$ 20.261,84, foi aplicada multa de 75%, 10% e juros de mora regulamentares, alcançando um total de R$ 44.069,01. Após cientificada do Auto de Infração em referência, em 11/11/05 (fl. 264), a interessada apresentou a impugnação de fls. 162 a 176, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) o lançamento seria nulo pelo cerceamento do direito de defesa da contribuinte, dada a ausência dos documentos que fundamentaram a autuação; 2) também pelo exíguo prazo para a apresentação de impugnação, diante dos mais de dois anos que levou a autuante para concluir o seu levantamento; Fl. 793DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 794 3 3) nulo devido A irregular quebra do sigilo bancário da impugnante e do falecido marido; 4) o auto de infração deveria ser anulado, pois seria inadmissível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco na ótica do Conselho de Contribuintes; 5) o lançamento seria nulo pelo cerceamento do direito de defesa, no que se refere ao ganho de capital, eis que seria impossível conferir os cálculos elaborados pela fiscalização; 6) em relação à omissão de rendimentos, o auto de infração seria improcedente tendo em vista o erro na identificação do sujeito passivo (as contas bancárias seriam de seu marido), pela não observação do limite imposto pelo inciso II do parágrafo 2° do art. 849 do RIR e pelo argumento de que seria impossível concluir uma omissão de receita a partir exclusivamente de depósitos bancários efetuados em contas bancárias; 7) aduz também a improcedência da aplicação da taxa Selic; 8) pede o cancelamento do auto de infração. Inconformada, a contribuinte apresentou extenso Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e juntando documentos, e ao final, resume em conclusão os cinco pontos atacados no recurso (fls. 727 e 729). É o relatório. Passo ao voto. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 795 4 Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 27/03/2008 (fl. 661); Recurso Voluntário protocolado em 25/04/2008 (fl. 663), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 731). Inicialmente, e em resposta satisfativa a indignação do procurador que assina o Recurso Voluntário, ainda que este julgador reconheça a dificuldade da contribuinte, que na data deste julgamento contar com mais de 92 anos de idade, em atender às demandas e comprovações que o Fisco requereu, tal fato não a torna inimputável ou irresponsável com relação as obrigações tributárias. Registrese, por relevante, que o subscritor do apelo é filho da contribuinte e mostrou total condição de apresentar defesa, com argumentação e conhecimento profundo da legislação tributária e constitucional, de sorte que a contribuinte ficou deveras assistida desde o início da ação fiscal. A preliminar de cerceamento de defesa é de plano afastada pois desde o início é dado à contribuinte o direito de acesso aos autos, tendo a recorrente informado em seu recurso, sem contudo ter produzido prova a respeito, que o fato de lhe ter sido exigido o pagamento de taxa para extração de cópias, a impediu de ter acesso a todos os documentos, termos, demonstrativos e anexos que constam dos autos. Com relação ao prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação, não é dada a autoridade fiscal, tampouco a este Conselho, o poder de dilatar o prazo previsto no artigo 15, do Decreto nº 70.235/72. Registrese, que durante a fase preliminar ao lançamento, a administração tributária concedeu, não apenas uma vez, a dilação de prazo para que a contribuinte pudesse diligenciar em busca dos documentos que se exigiam, de sorte que não houve cerceamento de defesa ou disparidade de armas em defesa do direito. Não cabe ao Fisco diligenciar em busca de documentos que são de obrigação do contribuinte a sua apresentação, em especial extratos bancários, para a comprovação dos fatos alegados em sua defesa. Quanto a alegação de ilegal quebra do sigilo bancário da autora, a recorrente aponta os mesmos argumentos lançados na inicial, sendo certo que a decisão da DRJ em extensa e pormenorizada fundamentação já espancou a tese defendida pela contribuinte, não tendo sido feito ao final pedido de nulidade da decisão por este motivo. Assim, adoto como razão de decidir os fundamentos constantes da decisão primeira sobre o tema, ressaltando que o artigo 918 do RIR/99, vigente à época, autorizava o Auditor Fiscal a solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras. O auto de infração de fls. 282/298 é detalhista e minudente no cálculo do imposto de renda decorrente da omissão de rendimento por ganho de capital, de sorte que sempre foi possível ao contribuinte conferir de que forma se chegou a apuração do quanto devido. Assim, ficam afastadas as preliminares de cerceamento de defesa. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 796 5 No mérito, melhor sorte não socorre a recorrente. O fato da conta corrente, conjunta entre a contribuinte e seu finado marido, ser administrada, segundo a sua alegação, apenas por aquele último, não afasta a responsabilidade da recorrente de provar a origem dos depósitos na conta em seu nome, ainda que referente à sua meação, assim, não há erro na identificação do sujeito passivo. A cabeça do artigo 849 do RIR/99 aponta que “Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”, assim não há falarse em impossibilidade de conclusão de omissão a partir de depósitos não comprovados em conta junto a instituição financeira, por expressa previsão legal. A exceção prevista no inciso II, do § 2º, do artigo suso citado não se aplica ao caso em comento, pois o somatório dos depósitos não comprovados, dentro do anocalendário, ultrapassou o valor de oitenta mil reais. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, afasto as preliminares suscitadas, e no mérito nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 796DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 797 6 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do relator quanto à manutenção da infração relativa à omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada. Primeiro ponto é quanto à titularidade da conta. A autuação consigna: A Sra Yvette Abreu Gongalves(CPF n° 030.010.20709) não apresentou Declaração de Rendimentos, sob a alegação de não ter auferido renda própria, e ser dependente econômica do cônjuge. Não obstante, o Sr. Agostinho Gonçalves Filho apresentou a Declaração de Rendimentos, no referido ano calendário, no modelo completo, mas não incluiu a esposa como dependente. Esta fiscalização optou por tributar apenas os depósitos de origem não comprovada, efetuados nas contas de titularidade da Sra Yvette Abreu Gonçalves, por entender que a legislação concernente a depósitos bancários(artigo n° 42 da Lei n° 9.430/96), elegeu como sujeito passivo desta infração tributária, o efetivo titular das contas de depósito. Os depósitos de origem não comprovada, efetuados nas contas de titularidade do Sr.Agostinho Gonçalves Filho, não foram alcançados pela tributação, pelo fato do contribuinte ter falecido em novembro de 2001, e esta ação fiscal se desenvolver nos anos de 2004 e 2005, não sendo possível, portanto, cumprir a determinação legal, de intimar o efetivo titular das contas bancárias, para justificar a movimentação, em razão de falecimento. Adotando esta orientação, o sujeito passivo da infração depósitos bancários não comprovados, quanto à origem dos recursos, é a Sra Yvette Abreu Gonçalves, e a multa de lançamento de oficio é 75%. Os depósitos não comprovados, alcançados pela tributação, nesta ótica, foram aqueles de origem não justificada, relativamente às contas de titularidade da contribuinte, junto à CEF, no ano 2001. Portanto, somente foram objeto de tributação, os depósitos de origem não comprovada, efetuados nas contas n° Fl. 797DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 798 7 1247.001.134672 e 1247.013.134676, de titularidade da Sra Yvette Abreu Gonçalves, no ano 2001, junto à CEF, no montante total de R$ 48.064,20. Ocorre que as contas indicadas eram de titularidade conjunta, com o senhor Agostinho Gonçalves Filho (fls. 334 e 344). Nesse sentido, a decisão recorrida cancelou parte da exigência, mantendo a tributação de 50% dos depósitos de origem não comprovada. Segue trecho da decisão: É imperativo destacar que conforme consta na ficha de abertura de conta da CEF, à fl. 166, as contas 134672 e 134676 eram conjuntas entre a contribuinte em epígrafe e o seu marido Agostinho Gonçalves Filho. Desse modo, em respeito a legislação tributária, os valores relativos a esta infração tributária deveriam ter sido lançados apenas no percentual de cinqüenta por cento na contribuinte em questão. (destaques acrescidos) Ora, com a maxima venia, tal procedimento não pode prevalecer. Vejamos. O lançamento da infração está fundamentado no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 798DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 799 8 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Nos termos do §6o do artigo 42, acima reproduzido, no caso de conta conjunta, os créditos de origem não comprovada devem ser divididos entre os titulares. Notese que a presunção de que os valores dos depósitos bancários pertencem em iguais quinhões aos titulares é relativa, podendo ser desconsiderada caso existam elementos que apontem em sentido diverso. A presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos créditos realizados em sua conta bancária. No entanto, para que se valide a presunção de omissão de rendimentos, o lançamento deve se conformar aos moldes da lei. A intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares da conta mantida em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. É o que reza o caput do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. A falta de intimação para a justificação da origem dos depósitos bancários enseja não apenas cerceamento do direito de defesa, mas é causa, em si, da não caracterização da omissão de rendimentos, haja vista que a autoridade fiscal não cumpriu o rito que o já transcrito art. 42 lhe atribuiu para que se estabelecesse a presunção legal. Sobre esse assunto, foram emitidas as Súmulas CARF os 29 e 120: Súmula CARF nº 29: Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do Fl. 799DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 800 9 lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. Súmula CARF nº 120 Não é válida a intimação para comprovar a origem de depósitos bancários em cumprimento ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando dirigida ao espólio, relativamente aos fatos geradores ocorridos antes do falecimento do titular da conta bancária. Conforme se extrai dos autos, o senhor Agostinho faleceu em 26/11/2001 e o procedimento fiscal foi levado a efeito em 2004. Logo não houve intimação de um dos co titulares das contas bancárias. Ressalto que os depósitos lançados são anteriores ao falecimento do cotitular e que a autuação consigna que não foi apresentada declaração em conjunto pelos cotitulares, conforme trecho da autuação reproduzido acima. Não se pense que, numa situação dessas, os valores nunca poderiam ser alcançados pela tributação. O que defendo aqui é que não se poderia ter utilizado a presunção legal de omissão de rendimentos, devendo a autoridade fiscal ter se utilizado de outros meios para demonstrar a ocorrência da omissão. Segundo ponto a ser destacado é quanto aos valores lançados. A autuação apontou os seguintes depósitos (fl.298): 19/2 R$1.000,00 23/7 R$13.500,00 27/7 R$1.000,00 10/8 R$2.000,00 13/8 R$2.000,00 3/9 R$1.564,20 6/11 R$27.000,00 O §3º acima transcrito determina que, para efeito da renda omitida, os créditos sejam analisados individualizadamente, o que leva a conclusão que os limites estabelecidos no dispositivo são aplicados somente em relação aos créditos cuja origem não foi comprovada. Ora, a soma dos depósitos de origem não comprovada de valores abaixo de R$12.000,00 perfaz R$7.564,20, abaixo dos R$80.000,00 estipulado e, portanto, deveriam ter sido excluídos de tributação. Restariam apenas dois depósitos acima de R$12.000,00, que, tratandose de conta conjunta, caberia imputar à recorrente somente a metade de cada um deles. Não obstante, como já defendi mais acima, no caso desses autos, é de se afastar a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 18471.001606/200502 Acórdão n.º 2002000.923 S2C0T2 Fl. 801 10 Pelo exposto, quanto à infração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, é de se dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 801DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919179/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 91 79 /2 01 5- 51 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.919179/201551 Acórdão n.º 3301005.902 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.953, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.919179/201551 Acórdão n.º 3301005.902 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.919179/201551 Acórdão n.º 3301005.902 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.919179/201551 Acórdão n.º 3301005.902 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.900044/2008-07
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1998
PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. NÃO SUPRIMENTO.
Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior.
Numero da decisão: 1002-000.691
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
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ÔNUS DA PROVA. NÃO SUPRIMENTO. Cabe ao recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações nos autos, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 00 44 /2 00 8- 07 Fl. 335DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 114 e 115) interposto contra o Acórdão n° 1235.874, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (efls. 109 à 111), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o não reconhecimento do direito creditório. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Santa Cruz do Sul, através do Despacho Decisório n° 754352985 (fl. 7), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$2.283,85 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 01/04/2008 (fl. 99), apresentou, em 29/04/2008, manifestação de inconformidade (fls. 1/5). Nesta peça, alega, em síntese, que, em conformidade com o Termo de Intimação, apresentou DIPJ retificadora em 24/09/2007. A fl. 101, houve o encaminhamento para esta DRJ, em face da Portaria n° 2.132/2010 É o relatório Nessa ocasião, a DRJ negou provimento com base nos seguintes aspectos: As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero). Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13005.900044/200807 Acórdão n.º 1002000.691 S1C0T2 Fl. 336 3 Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que, em conformidade com o Termo de Intimação, apresentou DIPJ retificadora em 24/09/2007. O interessado foi cientificado das inconsistências apuradas pela DRF e intimado, através do Termo de Intimação n° 697577577, com ciência em 12/09/2007, fls. 96/98, a retificar a DIPJ correspondente ou o PER/DCOMP. O interessado junta recibo de DIPJ retificadora transmitida em 24/09/2007(fl. 23). Do exame da referida DIPJ retificadora, verificase que o CNPJ não coincide com o do interessado. De acordo com a consulta ora juntada à fl. 102/103, a DIPJ/1999 ativa não apresenta saldo negativo, conforme apontado no Despacho Decisório. Os recolhimentos antecipados (estimativas) e as retenções na fonte constituem antecipações. Somente após encerrado o período de apuração e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL, é que pode restar caracterizado direito líquido e certo, passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. O ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo, em sede de análise, pela DRF de origem, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, podendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Cabe à DRF de origem a análise do crédito pleiteado e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação (artigos 57 e 63 da Instrução Normativa RFB 900/2008). A ausência de informação na DIPJ, declaração própria para este fim, fez com que não houvesse a análise, pela DRF, de eventual saldo negativo (posto que não restou configurado o direito creditório pleiteado saldo negativo). Tratase, o julgamento pela DRJ, de uma instância revisional. A matéria a ser apreciada pela DRJ é tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso. Assim, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título. O Despacho Decisório deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. O Recurso Voluntário, por seu turno, reitera os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, pugnando pelo reconhecimento da composição de saldo negativo, passível de compensação, verbis: 02.01.01 Conforme Acórdão já mencionado anteriormente constatamos que ao digitar o CNPJ da empresa em epigrafe na Fl. 337DF CARF MF 4 declaração retificadora do dia 24/09/2007 recibo n° 35.18.26.87.54 foi digitado errado o CNPJ n° 87.004.423/0001 68 quando o correto é n° 87.044.236/000108 da ESTAÇÃO RODOVIÁRIA DE RIO PARDO LTDA., por esse erro a Ia Turma de Julgamento da DRJ/RJ01 não encontrou a referida declaração mantendo despacho decisório 754352985 de 13/03/2008. 02.01.02 Quando informados da decisão da Ia Turma de Julgamento da DRJ/RJ01, descobrimos o erro de digitação deste CNPJ em analise. Também em pesquisa na página de Solicitação de Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral de Pessoa Jurídica da Receita Federal em 29/03/2011 às 10:44:54 (anexo 5) constatamos que NÃO EXISTE EMPRESA CADASTRADA COM O CNPJ 87.004.423/000108 ATÉ ESTA DATA. Tendo em vista o cima, respeitosamente solicitamos reconsiderar o Acórdão n° 1235.874 da 1a Turma da DRJ/RJ01, visto que por um lapso houve a digitação errada do CNPJ em epigrafe. Postulamos que seja considerado na DIPJ retificadora de 24/09/2007 recibo n° 35.18.26.87.54 o CNPJ correto n° 87.044.236/000108 da ESTAÇÃO RODOVIÁRIA DE RIO PARDO LTDA. Não há interesse de fraude, e sim se utilizar créditos que realmente temos direitos. Como lastro probatório, o Contribuinte acosta aos autos a cópia da DIPJ e contrato social; cumpre destacar que não foram colacionadas quaisquer provas inéditas adicionais em sede recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, opino por seu conhecimento. Da prova do direito creditório Por primeiro, impende ressaltar que, após a apresentação da DIPJ retificadora, a Autoridade Fiscal procedeu com a devida verificação da composição do Saldo Negativo, conforme se extrai da consulta exposta às efls. 107 e 108; nesta, por sua vez, ficou evidenciado que, de fato, o Saldo Negativo se encontrava "zerado": Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13005.900044/200807 Acórdão n.º 1002000.691 S1C0T2 Fl. 337 5 Tal aspecto contábil é de extrema relevância, pois, para que se tenha a compensação, é necessário que o contribuinte comprove que a suficiência de seu crédito seja líquida e certa. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer. Como bem ressaltado pela DRJ, o ônus probatório do direito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. No entanto, o Recorrente não adimpliu tal mister documental. Nesse espeque, anoto que apenas foram juntadas cópias do contrato social e da DIPJ Retificadora do anocalendário de 1998 (efls. 200 à 330), as quais, por si só, são insuficientes para demonstrar a edificação do crédito pleiteado. Portanto, deveria o Contribuinte ter apresentado coletânea documental apta a confirmar seu pleito ou a rechaçar os aspectos abordados na decisão de piso; contudo, não o fez. Ademais, aponto que não há indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Reforço, ainda, que a DIPJ representa, per se, uma declaração estritamente unilateral, que deve ser cotejada com outros documentos contábeis aptos a permitirem ao julgador uma direta análise da composição do saldo negativo. Portanto, ainda que ausentes o "interesse fraudulento" e a ocorrência de erro de digitação como bem aduz o Contribuinte em sua peça defensiva , o direito compensatório precisa ser demonstrado de forma clara, por intermédio de acervo probatório digno de tanto. Ad argumentandum, esta Turma Extraordinária já firmou entendimento que não cumpre ao Julgador proceder com uma análise contábil ou de auditoria nos pleitos efetuados pelo Recorrente, de modo que este deve apresentar seu direito de forma clara, objetiva e precisa, e com lastro probatório. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento Fl. 339DF CARF MF 6 indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13005.900044/200807 Acórdão n.º 1002000.691 S1C0T2 Fl. 338 7 Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912511/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhecese a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 11 /2 00 9- 64 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.912511/200964 Acórdão n.º 1301003.857 S1C3T1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestaçã de Inconformidade A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.912511/200964 Acórdão n.º 1301003.857 S1C3T1 Fl. 4 3 embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade; vale lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do PL de Conversão, quer pelo decurso do prazo, caso seja o referido PL vetado; na conclusão, destacou a manifestante que a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame, ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; a mais, a imposição de comportamento tributário, por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é admitida pela legislação tributária brasileira, desde a Constituição, passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97); em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que o crédito, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Transcrevese ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Do Recurso Voluntário Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.912511/200964 Acórdão n.º 1301003.857 S1C3T1 Fl. 5 4 Em 14/12/2011, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Ainda inconformada, em 12/01/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 5072), no qual: Declara que apura IRPJ e CSLL pelo lucro real e, recolhe os valores de estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa; Acrescenta que nem o Despacho Decisório, nem o acórdão recorrido, discutem ou põem em dúvida o acerto dos excedentes compensados e que limitamse a justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc. IX da Lei n.9.784/96; Em seguida, destaca que os limites da lide dizem respeito à questão de direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/200997, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.853): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade reiterando seu direito à compensação de estimativas mensais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera que em razão de pagamentos indevidos de estimativa mensal, conforme apuração em balancetes mensais, teria direito à compensação dos valores pagos em excesso. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.912511/200964 Acórdão n.º 1301003.857 S1C3T1 Fl. 6 5 No presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal. A Unidade de Origem sequer analisou o mérito do direito creditório, tampouco deu oportunidade ao contribuinte para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo ao final do anocalendário, daquele pagamento efetuado em valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de estimativa mensal. Com efeito, entendo ser possível a compensação/restituição de recolhimento a título de estimativa mensal, desde que caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que, tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.912511/200964 Acórdão n.º 1301003.857 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720500/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. PRAZO CONTÍNUO. TRINTA DIAS
O prazo para apresentação de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância é contínuo e de trinta dias da ciência da decisão, restando intempestiva a sua apresentação além desse prazo.
Numero da decisão: 2402-007.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, e não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. PRAZO CONTÍNUO. TRINTA DIAS O prazo para apresentação de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância é contínuo e de trinta dias da ciência da decisão, restando intempestiva a sua apresentação além desse prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, e não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.531 1 1.530 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.720500/201381 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402007.184 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de abril de 2019 Matéria IRPF Depósito bancário de origem não comprovada Recorrentes ROSELI COUTO GEMELLI FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa somente se impõe nos casos em que o limite de alçada supera o montante previsto em portaria do Ministério da Fazenda, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. PRAZO CONTÍNUO. TRINTA DIAS O prazo para apresentação de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância é contínuo e de trinta dias da ciência da decisão, restando intempestiva a sua apresentação além desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada, e não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 05 00 /2 01 3- 81 Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 13227.720500/201381 Acórdão n.º 2402007.184 S2C4T2 Fl. 1.532 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1533.870, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Salvador/BA, fls. 1.406 a 1.413: A interessada impugna auto de infração do anocalendário 2009, em que foram tributados lucros de R$ 1.926.534,59, distribuídos em montante excedente ao lucro escriturado, rendimentos da atividade rural, de R$ 346.645,61, e depósitos bancários de origem não comprovada que somaram R$ 2.761.362,63. O imposto resultante foi de R$ 1.380.973,48. Com a multa de ofício (75%) e os juros de mora, a exigência total sobe para R$ 2.729.355,99. De acordo com o relatório fiscal, os depósitos de origem não comprovada haviam sido realizados em contas da contribuinte no Banco Basa (R$ 52.284,84), no Banco do Brasil (R$ 434.126,35), e nas contas 4642 (R$ 40.300,00) e 0167 (R$ 4.533.968,19) da Cooperativa de Crédito Rural Colorado Oeste Ltda. Como esta última conta (0167) era compartilhada com Antônio José Gemelli, seu cônjuge, os rendimentos foram repartidos em 50% para cada um, em lançamentos distintos. Quantos aos lucros distribuídos, a contribuinte havia informado a este título em sua declaração rendimentos isentos de R$ 3.434.583,73, pagos pela Ajucel Informática Ltda. A empresa declarara haver distribuído à sócia R$ 2.998.000,00, enquanto ao outro sócio, Antônio José Gemelli, cônjuge da autuada, teria distribuído apenas R$ 18.098,28. O autuante desqualifica a repartição destes rendimentos. Considerando que cada sócio participava com 50% do capital da empresa, o lucro somente poderia ser distribuído nesta proporção, cabendo a cada sócio não mais nem menos que R$ 1.508.049,14. A parcela declarada pela contribuinte que excedeu a este montante, ou seja, R$ 1.926.534,59, foi considerada rendimentos tributáveis omitidos. As receitas da atividade rural omitidas, de R$ 346.645,61, foram apuradas pelo confronto entre as notas fiscais de produtor apresentadas pela contribuinte, os valores registrados no livro Caixa, e a receita declarada. A impugnante argumenta, em síntese, que todos os créditos em sua conta bancária se justificam pelos rendimentos e recursos declarados: saldo em caixa em 31/12/2009 R$ 1.981.500,00, lucros distribuídos (R$ 3.434.583,73), receita da atividade rural (R$ 5.567.342,50) e empréstimos (R$ 2.990.000,00). Nem todo depósito significa rendimento. Em suas diversas atividades comerciais e agrícolas, inúmeras são as movimentações financeiras relativas à compra de equipamentos e insumos, empréstimos de particulares, venda de produtos da atividade Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 13227.720500/201381 Acórdão n.º 2402007.184 S2C4T2 Fl. 1.533 3 rural. Relaciona os depósitos em questão e procura demonstrar com argumentos e provas a sua origem. Depósitos comprovados com notas fiscais teriam sido incluídos como depósitos de origem não comprovada na conta Banco do Brasil e computados ao mesmo tempo como rendimentos da atividade rural. Quanto aos lucros distribuídos, argumenta que até 19/10/2009 detinha 99% do capital da empresa. Apresenta cópias de alterações do contrato social, para demonstrar que em 2009 somente na 11ª alteração, datada de 08/10/2009, saíra o sócio minoritário, Jorge Alberto Muraro Tonel, para dar lugar a Antônio José Gemelli, que passou a deter 50% do capital. Até esta data afirma que teria recebido adiantamentos de lucro a realizar proporcionais à sua participação de 99% (R$ 2.404.975,09), mais saldo de lucros acumulados de outros exercícios (R$ 519.462,40); depois, passou a receber 50% do lucro (R$ 242.926,77). Acrescenta que todos os contratos de negócios que geraram estes lucros teriam sido firmados antes da entrada do novo sócio, o qual por isso havia expressamente concordado que a totalidade do lucro do exercício caberia à impugnante, como ele próprio declara (fls. 1361). No caso dos rendimentos omitidos da atividade rural (R$ 346.645,61), alega que teria sido incluída nota fiscal de R$ 91.191,45, de 10/11/2009 (fls. 936), que fora cancelada. Enumera notas fiscais relativas a dois contratos com a Cargill S/A, que teriam sido classificadas de acordo com a qualidade do produto, e que posteriormente teriam sido objeto de "contranotas" emitidas pela compradora, a Cargill S/A. No fechamento dos respectivos contratos teriam sido emitidas notas fiscais complementares, complementando o preço e fechando com o valor recebido. Não houve, portanto, omissão, e mesmo que houvesse, o resultado tributável seria negativo, considerando que havia incorrido em prejuízo de R$ 1.418.418,69 na atividade rural, conforme declarara (fls. 34). Ao julgar a impugnação, em 30/10/13, a 3ª Turma da DRJ de Salvador/BA, por unanimidade de votos, conclui pela sua procedência parcial, excluindo do lançamento o montante de R$ 761.119,43, conforme demonstrado no quadro a seguir e na conclusão que constaram do decisum: Por estas razões, voto pela procedência parcial da impugnação, para manter a exigência do imposto de R$ 619.854,05, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora, e para reduzir o prejuízo acumulado da atividade rural, declarado para o ano Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 13227.720500/201381 Acórdão n.º 2402007.184 S2C4T2 Fl. 1.534 4 calendário 2009 como R$ 18.443.778,02, para R$ 18.188.323,86. Em razão do crédito exonerado e do limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, o órgão julgador de primeiro grau interpôs recurso de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância, em 31/3/14, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.423, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1.425 a 1.454, em 2/5/14, alegando, em síntese, o que segue: É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Do conhecimento do recurso de ofício Como visto no relatório acima, a DRJ de Salvador/BA interpôs recurso de ofício, nos termos do art. 1º, da Portaria MF nº 3, de 3/1/08, uma vez que a decisão por ela proferida resultou na exoneração de Imposto de Renda e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Pois bem, segundo se extrai da decisão recorrida, o montante exonerado corresponde à R$ 1.331.959,00 (um milhão, trezentos e trinta e um mil e novecentos e cinquenta e nove reais), da seguinte forma: Principal 761.119,43 Multa (75%) 570.839,57 Total 1.331.959,00 Acontece que o limite de alçada atual para a interposição de recurso de ofício corresponde a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), segundo definido pela Portaria MF nº 63, de 9/2/17. Vejamos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Ademais, nos termos da Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso, em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 13227.720500/201381 Acórdão n.º 2402007.184 S2C4T2 Fl. 1.535 5 Portanto, tendo em vista que o crédito exonerado de R$ 1.331.959,00 se encontra abaixo do limite de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 2017, não cabe o conhecimento do presente recurso de ofício. Do conhecimento do recurso voluntário A Contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 31/3/14, segundo o AR de fl. 1.423, e apresentou seu recurso voluntário em 2/5/14, conforme carimbo postado na primeira página do recurso, ou seja, no 32º dia após a ciência. Todavia, o prazo para apresentação de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância é contínuo e de trinta dias da sua ciência, nos termos do que dispõem os arts. 5º e 33 do Decreto 70.235, de 6/3/72, restando intempestiva a sua apresentação além desse prazo. Portanto, em face da intempestividade, não conheceremos do presente recurso voluntário. Ademais, importa salientar que a Contribuinte também renunciou à discussão administrativa do crédito mantido pela decisão de primeira instância (imposto mais multa), uma vez que solicitou a sua inclusão no parcelamento da Lei 12.996, de 18/6/14, conforme se observa no requerimento de fl. 1.497. Conclusão Isso posto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, por não atingimento do limite de alçada, e por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1535DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900147/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
COFINS. INSUMOS. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Nesse contexto, são exemplos de insumo, no processo produtivo de acrilonitrila: nitrogênio (gasoso e líquido) e peróxido de hidrogênio.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-006.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas em relação a nitrogênio (gasoso e líquido) e peróxido de hidrogênio; e (b) por maioria de votos, para manter o lançamento em relação aos demais itens, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi, que reconheciam os créditos em relação a energia elétrica e a vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada (demanda).
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 COFINS. INSUMOS. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Nesse contexto, são exemplos de insumo, no processo produtivo de acrilonitrila: nitrogênio (gasoso e líquido) e peróxido de hidrogênio. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 COFINS. INSUMOS. CONCEITO. STJ. RESP. 1.221.170/PR. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Conforme estabelecido de forma vinculante pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Nesse contexto, são exemplos de insumo, no processo produtivo de acrilonitrila: nitrogênio (gasoso e líquido) e peróxido de hidrogênio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reverter as glosas em relação a nitrogênio (gasoso e líquido) e peróxido de hidrogênio; e (b) por maioria de votos, para manter o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 01 47 /2 01 5- 87 Fl. 582DF CARF MF 2 lançamento em relação aos demais itens, vencidos os Conselheiros Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi, que reconheciam os créditos em relação a energia elétrica e a vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada (demanda). (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o PER/DCOMP de fls. 176 a 1791, transmitido em 16/06/2012, buscando o ressarcimento de COFINS, referente ao quarto trimestre de 2011, no valor de R$ 618.788,09, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF), que trata deste e de outros pedidos. O pedido tratado no presente processo foi integralmente indeferido no Despacho Decisório de fl. 174, conforme análise efetuada no TVF, e cientificado à empresa em 16/02/2016 (fl. 176). No TVF de fls. 181 a 322, narra a fiscalização que: (a) a verificação fiscal decorre da análise de pedidos de ressarcimento das contribuições nãocumulativas (Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS) efetuados em relação ao quarto trimestre de 2010 e aos quatro trimestres de 2011 (12 processos de ressarcimento, inclusive o presente, relacionados à fl. 182, estando o terceiro e o quarto trimestres de 2011 sob apreciação da turma nesta mesma sessão de julgamento); (b) após diversas intimações, nem sempre integralmente atendidas, para detalhar os créditos, e com base nas declarações e nos documentos apresentados, a fiscalização analisou, por categoria, os créditos postulados, identificando aqueles a que fazia jus a empresa, e as glosas cabíveis, detalhadas no quadro a seguir (e às fls. 206 a 255 do TVF), em conjunto com as razões de defesa, detalhando ainda a forma de cálculo (e rateio) às fls. 255 a 270; (d) houve divergências entre as bases de cálculo constantes em DACON e na Escrituração Fiscal Digital, em relação às notas descritas às fls. 259 a 260, não tendo a empresa justificado a contento o fundamento das divergências (v.g., a referente a tomada de crédito de empresa coligada, em outubro de 2011); e (e) após os cálculos e os rateios, chegase aos valores constantes nas tabelas de fls. 270 a 322. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 09/03/2016 (fls. 2 a 28), alegando, em síntese, que: (a) as glosas efetuadas ofendem o disposto nas leis de regência das contribuições nãocumulativas (no 10.637/2002 e no 10.833/2003) e a jurisprudência consolidada do CARF acerca do alcance do conceito de insumos, que afasta taxativamente as Instruções Normativas no 247/2002 e no 404/2004, defendendo que “os valores despendidos na produção de bens e serviços postos à venda (custos de produção) e as 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 573 3 despesas com vendas (despesas) devem ser efetivamente abatidos da base de cálculo do PIS/COFINS”, defendendose especificamente em relação às glosas às fls. 12 a 33 (transplantadas, para fins didáticos, à tabela a seguir); (b) alternativamente, caso ainda existam dúvidas em relação às glosas, demanda diligência ou perícia técnica, indicando assistente e quesitos à fl. 17; e (c) que há conexão entre o presente processo e o de no 13502.721598/2015 50, solicitando julgamento conjunto. Protesta, ao final, a defesa, pela juntada de novos documentos e de manifestação complementar. GLOSAS DEFESA FICHA 06A (PIS) e 16A (COFINS) LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 206/210) a) nitrogênio (gasoso e líquido) utilizado como elemento inertizante em espaços vazios de tanques, para evitar explosões, não se adequa ao conceito legal de insumo, que não abrange qualquer produto gasto no contexto genérico da instalação industrial; b) peróxido de hidrogênio usado em tratamento de efluentes, para abatimento de cianetos por oxidação, antes de enviar água à companhia, para tratamento biológico, e não se adequa ao conceito legal de insumo, que não abrange qualquer produto gasto no contexto genérico da instalação industrial; c) lacres de segurança utilizado nas carretas, para garantir a inviolabilidade da carga transportada, e para amostras enviadas a clientes e a laboratório, não se adequa ao conceito legal de insumo, pois é empregado após o processo produtivo; d) vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada (“demanda”) aplicados em equipamentos relacionados a etapas do processo produtivo, mas com fundamento em cobertura de custos fixos e remuneração de capital investido; e) pallet de madeira utilizado em manuseio, movimentação, carga e transporte de produto acabado, em etapa posterior ao processo produtivo; “III.2 – Dos créditos de bens/serviços utilizados como insumos” (fls. 12/18) a) nitrogênio (gasoso e líquido) a própria fiscalização reconhece a essencialidade do nitrogênio como elemento inertizante, sendo tal produto imprescindível como medida de segurança, e sua ausência torna impossível a produção da acrilonitrila, afirmando que os laudos técnicos apresentados atestam a importância do nitrogênio como insumo em todas as etapas do processo produtivo da empresa; b) peróxido de hidrogênio conforme se depreende dos laudos técnicos apresentados, o produto é essencial para a reação com outras substâncias e posterior envio para o sistema de tratamento de efluentes orgânicos, já tendo o CARF apreciado a questão no Acórdão n. 3403003.052; c) lacres de segurança sem sua utilização a atividade da empresa se torna inviável, e, alternativamente, o inciso IX das leis de regência garante créditos em despesas com “armazenagem de mercadoria; d) vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada (“demanda”) o contrato firmado junto à COPENE prevê a disponibilização de determinada quantidade, sendo o excedente cobrado em separado com preço unitário diferenciado, tal como ocorreu nas operações autuadas, cabendo registrar que houve efetivo consumo da parcela “demanda”; e) pallet de madeira são essenciais para o manuseio e movimentação do produto, sendo elemento de otimização logística e custo da atividade empresarial, havendo precedentes do CARF pelo creditamento; Fl. 584DF CARF MF 4 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 06A (PIS) e 16A (COFINS) LINHA 04 Despesas de Energia Elétrica (fls. 215/220) f) “Energia Elétrica (consumo)” e “Energia Elétrica 13,8KV Demanda” em função de haver diferença entre “demanda contratada” e “demanda consumida” de energia elétrica, e da Solução de Consulta SRRF06/Disit n. 14/2013, é vedada a apropriação de créditos com base na potência garantida contratada, cabendo a tomada de créditos apenas em relação à energia consumida, conforme o texto expresso nas leis de regência; “III.3 – Dos créditos relativos a energia elétrica” (fls. 18/21) f) “Energia Elétrica (consumo)” e “Energia Elétrica 13,8KV Demanda” por ser a empresa produtora de grande porte, possui contratos de fornecimento de energia elétrica (“demanda contratada”) junto à COPENE, sendo a “reserva de capacidade” (cf. Resolução Normativa ANEEL n. 414/2010) a demanda de potência ativa obrigatória e continuamente disponibilizada pela concessionária no ponto de entrega, e que deve ser integralmente paga, e complementada, se houver excedente, e não houve comprovação e que a empresa não tenha consumido a demanda contratada. Cita ainda precedentes do CARF sobre o tema. FICHA 06A (PIS) e 16A (COFINS) LINHA 06 Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica (fls. 221/227) h) “débito direto”, “serviços de manutenção predial”, “serviços de montagem, pintura, isolamento e revestimento”, “serviço de manutenção preventiva e corretiva nos aparelhos de ar condicionado”, “Inspetor de Equipamento Pleno”, “Serviços de Projetos de Desenhos Industriais”, “Arquivista técnico”, “Prestação de serviços de assessoria pertinentes à função segurança industrial”, “Prestação de serviços de elaboração e distribuição de refeições”, e “Locação de Sanitários Químicos” não se enquadram como aluguel de equipamentos nem podem gerar créditos como serviços; “III.4 – Dos créditos sobre Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos” (fls. 21/24) h) as glosas foram efetuadas nas contas 442250, 442150 e 444199 do “Livro Diário Auxiliar”, por não indicarem a procedência do crédito ou não se enquadrarem como “aluguel de máquinas e equipamentos”, cabendo mencionar que a empresa trabalha com a estrutura contábil de centro de custos, sendo que as contas que iniciam com os números 3 e 4 estão diretamente vinculadas a seu processo produtivo, ainda que não estejam vinculadas a aluguel de máquinas e equipamentos. A fiscalização, no caso, desconsiderou o Princípio da Verdade Material. Para demonstrar que o trabalho fiscal foi deficiente, a defesa exemplifica (fl. 23), em relação ao período autuado, com: serviços de inspeção de equipamento, destacando que faz jus ao crédito, ainda que a classificação contábil esteja incorreta. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 574 5 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 06A (PIS) e 16A (COFINS) LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 227/248) i) serviços de armazenagem de insumo importado, despesas portuárias, serviços portuários, utilização de infraestrutura marítima (glosados com base em planilha apresentada pela empresa) não encontram previsão legal para apropriação de créditos (em relação a insumos importados, mencionando as Soluções de Consulta SRRF08/Disit n. 313/2011 e a SRRF10/Disit n. 92/2012); j) serviços de locação de estação de rádio, aluguel de rádios, serviços de pintura, isolamento e revestimento, material elétrico de uso geral, Inspetor de Equipamento Pleno, “argamassa para aplicação de piso e azulejo no sanitário masculino ADM 06” e materiais para sanitários, serviços de recuperação de vidrarias, serviços de inspeção, “talha pneumática com corrente (60 metros)”, materiais de pintura de uso geral, cano para instalação de duchas e chuveiros, serviços de manutenção e reforma; serviços lavagem industrial, serviços gerais, materiais de manutenção, “rateio de despesas com transporte de funcionários no mês”, “rateio de despesas com alimentação de funcionários”, conserto de bicicletas da produção, contratação de aux. técnico de segurança, e itens não identificados (glosados com base em “Diário auxiliar do estoque” e “Razão”) não encontram previsão legal para apropriação de créditos; “III.5 – Dos créditos sobre Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda” (fls. 24/27) i) as glosas foram efetuadas, entre outros, em relação a despesas portuárias, despesa de frete e armazenagem de insumos importados e despesas “administrativas”. O frete é necessário à atividade empresarial, e as empresas Concórdia, Flumar e Breyner são transportadoras, não podendo ser glosadas despesas de suas notas como despesas portuárias, e todos os valores de transporte em qualquer etapa do processo produtivo geram créditos. Sobre as despesas portuárias, serviços portuários, não podem ser compreendidos como parte da importação, mas sim como custo da atividade empresarial, gerando créditos. E o direito ao crédito, nas leis de regência das contribuições, não está restrito a bem adquiridos no mercado interno. j) as glosas efetuadas com base em “Diário auxiliar do estoque” e “Razão”, em contas de número 442210, 442220, 442120 e 442230, entre outras, referemse a aquisições de bens e serviços essenciais à atividade da empresa. A decisão de primeira instância (fls. 325 a 386), proferida em 12/04/2017, foi, por unanimidade de votos, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) a alegação de que as Instruções Normativas da Receita Federal descumpriram ou alteraram o conceito legal de insumo não pode ser enfrentada pela DRJ, devendo o conceito de insumos ser compreendido dentro do contexto de tais normas infralegais; (b) não é a essencialidade do bem que dá direito ao crédito, mas o enquadramento nas referidas Instruções Normativas; (c) a jurisprudência do CARF não vincula o julgamento pelas DRJ; (d) em relação a energia elétrica, a análise das notas fiscais demonstra a insubsistência das alegações da empresa (exemplificando com a nota 46001), aclarando a definição de demanda contratada na mesma norma da ANEEL citada pela empresa; (e) a glosa em relação a “vapor 42 kgf/cm2” e a “água desmineralizada” não se refere a esses bens, mas às rubricas a eles atrelada como “demanda”, que se referem a tarifas para disponibilização, aplicandose entendimento equivalente ao externado em relação a energia elétrica; (f) as glosas em relação a “despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos” não se deveram somente à contabilização em conta errada, como demonstrado no TVF, mas a inadequação ao conceito de insumo; (g) despesas portuárias não geram créditos sendo irrelevante o tipo de empresa que as pagou; (h) apenas operações de venda (e as importações não são vendas efetuadas, mas compras de insumos) geram crédito, segundo as leis de regência, citando a Solução de Consulta SRRF08/Disit no 186/2010; (i) não houve contraposição específica em relação às demais glosas; e (j) não há a necessidade de diligência ou perícia. Fl. 586DF CARF MF 6 Ciente da decisão de piso em 26/04/2017 (Termo à fl. 390), a empresa interpôs Recurso Voluntário em 25/05/2017 (fls. 394 a 433), reiterando o argumentado na manifestação de inconformidade em relação ao conceito de insumo (juntando jurisprudência do CARF) e às glosas (endossando genericamente a demanda por diligência), e acrescentando que a DRJ utilizou conceito de insumos inadequado, vinculado às citadas Instruções Normativas da Receita Federal. O processo foi enviado ao CARF em 29/05/2017 (fl. 570) e distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2019. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Cabe, já de início, informar que o processo de no 13502.721598/201550, referente à autuação lavrada para período comum ao do crédito demandado, em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS, está sendo analisado nesta mesma sessão de julgamento. Restam contenciosos, no presente processo, os seguintes temas: (a) conceito de insumos na legislação que rege as contribuições e sua aplicação no que se refere a: (a.1) aquisição de bens (nitrogênio gasoso e líquido; peróxido de hidrogênio; lacres de segurança; vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada “demanda”; e pallet de madeira); (a.2) “Energia Elétrica (consumo)” e “Energia Elétrica 13,8KV Demanda”; (a.3) despesas não enquadradas como “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”; e (a.4) despesas não enquadradas como “Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda”. Entretanto, cabe, preliminarmente, analisar a demanda da empresa por diligência, especificada na manifestação de inconformidade e reiterada no recurso voluntário. 1. Da verdade material e da demanda por diligência/perícia Em sua manifestação de inconformidade, a empresa defende que restou demonstrado o direito creditório em relação aos bens desenquadrados do conceito de insumos pela fiscalização (nitrogênio gasoso e líquido; peróxido de hidrogênio; lacres de segurança; vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada “demanda”; e pallet de madeira), mas requereu a realização e diligência, em caso de a autoridade julgadora necessitar de esclarecimentos adicionais, indicando assistente e quesitos (fl. 17), nos quais, basicamente, se indaga se tais bens são “utilizados ou aplicados no processo produtivo”, e de que forma, adicionando questões específicas sobre “vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada” (se são contratados e efetivamente consumidos no processo produtivo) e “pallet de madeira” (se é possível a Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 575 7 manipulação da produção industrial sem sua utilização). Em relação a energia elétrica, indaga ainda se é possível afirmar que a energia não foi consumida (fl. 21). Ao final da manifestação de inconformidade, a empresa protesta pela juntada de novos documentos e de manifestação complementar, apesar de não ter carreado aos autos elementos adicionais. A demanda por diligência e a produção de provas complementar são rechaçadas pelo julgador de piso, que entendem serem os elementos que figuram no processo aptos à formação de convicção. Em sede recursal, as menções a demanda por diligência são mantidas, com acusação de que a fiscalização foi fundada em documentos, sem verificações in loco, afrontandose a verdade material, e que, a partir de defesa por amostragem em relação alguns itens incorretamente enquadrados pela própria empresa (fls. 426/427), deveriam ser apuradas todas as notas glosadas, dandose oportunidade à recorrente para “especificação/detalhamento dos serviços a ela relacionados” (fl. 427), e deveria ser realizada diligência em todas as notas relacionadas aos créditos para glosas do Diário Auxiliar do Estoque e do Razão, em observância ao princípio da verdade material (fl. 432). Pelo que se percebe na argumentação de defesa, as demandas por diligência são atreladas ao princípio da verdade material, com demanda que corresponde a verdadeira dilação probatória, para que a empresa apresente detalhamentos que não logrou trazer aos autos ao longo do contencioso. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 O que se percebe é que busca a empresa ancorarse em suposto alargamento da chamada “verdade material” para carrear ao processo elementos que já poderia ter apresentado desde o início do contencioso, ou ainda antes, durante o procedimento fiscal, do qual foi regularmente cientificada. Entendo que o contencioso fiscal administrativo contempla a verdade material não como autorização alargada para produção de prova pelas partes, inclusive fora dos prazos processuais, mas como garantia de que o julgador, na dúvida sobre algum elemento de fato do processo possa buscar o esclarecimento necessário à correta solução da lide. No caso em análise, entendo que as demandas por diligência reiteradas em sede recursal não se amoldam a tal função outorgada à verdade material, e representam basicamente solicitação para que a fiscalização verifique elementos que a parte já poderia ter carreado aos autos (e, em alguns casos, o fez, permitindo a análise que faremos, nos tópicos específicos deste voto). 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 588DF CARF MF 8 Aliás, os documentos que a empresa traz aos autos às fls. 468 a 569, sem qualquer explicação de conteúdo, ou de como estariam a lastrear os demandados créditos, já estavam disponíveis à fiscalização e constantes no processo referente ao lançamento, não contribuindo em nada para complementar o acervo probatório a cargo da postulante. Pelo exposto, rechaço as demandas recursais por diligência, entendendo que o processo está apto a julgamento. 2. Do conceito de insumos na legislação que rege as contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS) O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se concluir que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo este CARF: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 576 9 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (na mesma linha os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; no 3403.002.783 e 784, e no 3401.003.097) Ademais, tal conceito, já corrente no âmbito do CARF, foi recentemente endossado pelo STJ, no REsp no 1.221.170/PR: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas Fl. 590DF CARF MF 10 da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018)” (grifo nosso) A RFB, inclusive, já passou a adotar tal conceito em processos mais recentes, e sobre ele se manifestou no Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018, fruto da decisão vinculante no REsp no 1.221.170/PR. “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. (Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II)” (grifo nosso) Portanto, apesar de o conceito de insumos não ser tão alargado como demanda a defesa (a ponto de abranger despesas administrativas, como alimentação e transporte de funcionários), é imperioso destacar que também não é tão restritivo quanto entenderam a fiscalização e o julgador de piso nestes autos (exigindo contato físico com o produto), com fundamento em Instruções Normativas de alcance que não foi integralmente chancelado pelo Poder Judiciário, sendo posteriormente restrito de forma vinculante pelo STJ. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 577 11 Deve, então, ser aplicado ao caso concreto, para as contribuições, o conceito de insumo vinculante editado pelo STJ, e que acompanha o que já vinha adotando este tribunal administrativo, em função da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica (atividades econômicas desenvolvidas pela empresa). Afinal de contas, não se pode distanciar a leitura efetuada pelo STJ (nossa corte de controle de legalidade) do próprio texto legal, que assegura créditos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso). Assim vem decidindo este CARF, inclusive em seu colegiado uniformizador de jurisprudência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. À luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, o conceito de insumos passa a ser apreciado em função dos critérios da relevância e da essencialidade, sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços.” (Acórdão n. 9303008.216, Rel. Cons. Andrada Marcio Canuto Natal, unânime em relação ao conceito, sessão de 20.fev.2019) (grifo nosso) “CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. (Acórdão n. 9303 008.213, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, unânime em relação ao conceito, sessão de 20.fev.2019) (grifo nosso) À luz de tal conceito, analisase, a seguir, cada uma das glosas efetuadas que foram objeto de contestação, restando, em decorrência, mantidas as glosas que não foram especificamente questionadas pela defesa, em função de preclusão consumativa. 2.1. Dos bens utilizados como insumos As glosas em relação a bens utilizados como insumos, como relatado, resumemse a “nitrogênio gasoso e líquido”; “peróxido de hidrogênio”; “lacres de segurança”; “vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada demanda”; e “pallet de madeira”. Fl. 592DF CARF MF 12 2.1.a) Em relação ao nitrogênio (gasoso e líquido), reconhece a fiscalização que é utilizado como elemento inertizante em espaços vazios de tanques, para evitar explosões, afirmando que não se adequaria ao conceito legal de insumo, por ser produto gasto no contexto genérico da instalação industrial. Em sua defesa, a empresa afirma que a própria fiscalização reconhece a essencialidade do nitrogênio como elemento inertizante, sendo tal produto imprescindível como medida de segurança, e que sua ausência torna impossível a produção da acrilonitrila, afirmando que os laudos técnicos apresentados atestam a importância do nitrogênio como insumo em todas as etapas do processo produtivo da empresa. Entre os documentos apresentados na manifestação de inconformidade, encontramse os laudos técnicos de fls. 127 a 133, nos quais se afirma que o processo produtivo de acrilonitrila é dividido em três etapas: reação, recuperação e purificação, sendo o nitrogênio utilizado em todas (para estabilização do produto, evitando sua polimerização). Não consta que a fiscalização de divirja que o nitrogênio seja efetivamente utilizado em todas as três etapas de produção. Aliás, afirma a fiscalização textualmente que (fls. 207/208): “Tendo em vista a volatilidade da acrilonitrila e de seus subprodutos, há a possibilidade dos produtos fabricados geraram vapores, os quais ao ocuparem os espaços vazios dos vasos e tanques de estocagem propiciariam a formação de uma atmosfera explosiva. Assim, o nitrogênio (gasoso ou líquido) é utilizado para inertizar os referidos espaços vazios. Entretanto, em que pese a necessidade de utilização do nitrogênio como elemento inertizante, aplicação essa que presumese (sic) envolver, essencialmente, medida de segurança, nem todo produto consumido ou gasto no contexto genérico da Instalação Industrial se insere no conceito legal de “insumo”, como partícipe direto do processo produtivo. Nesses termos, as aquisições de nitrogênio (gasoso e líquido) não serão admitidas para fins de creditamento.”(grifo nosso) No texto descrito pela própria fiscalização, não vejo como excluir o nitrogênio do conceito de insumo na legislação que rege a s contribuições, ainda mais diante da uniformização jurisprudencial vinculante promovida pelo STJ, no citado REsp no 1.221.170/PR. Vejase que a DRJ, ao apreciar a matéria, descartou o critério da essencialidade, posteriormente consagrado pelo STJ (fl. 374): “A manifestante alega que o nitrogênio seria essencial em todas as etapas de produção da empresa, apresentando laudo técnico que comprovaria sua alegação. O laudo, que está juntado às fls. 132/133, assim descreve o citado produto: Nitrogênio Gasoso – utilizado nos tangues de estocagem para estabilização do produto, evitando sua polimerização. Nitrogênio Líquido – idem ao nitrogênio gasoso. Só é usado na falta deste. Aqui vale ressaltar que, como visto, não é a essencialidade de um bem que o caracteriza como insumo, mas o fato de ele sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 578 13 No caso, o nitrogênio é utilizado apenas para inertizar os espaços vazios, ou seja, apenas como medida de segurança, não tendo ação direta exercida sobre o produto em fabricação, razão pela qual está correta a glosa efetuada pelo autuante.” (grifo nosso) Entendo, de forma diversa, e à luz do critério da essencialidade, que a própria RFB detalhou no Parecer Normativo COSIT/RFB no 5, de 17/12/2018, como relativo a item do qual “dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”, “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço... ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”, que o nitrogênio, no caso em análise, é necessário à obtenção do produto final, cuja produção restaria comprometida, em termos de segurança, ou mesmo qualidade, em sua ausência. Em caso semelhante, este CARF reverteu glosas em relação a gás nitrogênio igualmente utilizado em inertização, de forma unânime: “CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter a glosa sobre gás nitrogênio, e (...), vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que dava provimento parcial em menor extensão para reverter a glosa apenas sobre o crédito na aquisição de gás nitrogênio.” (Acórdão n. 3302005.548, Rel. Cons. Paulo Guilherme Déroulède, unânime em relação ao gás nitrogênio, sessão de 19.jun.2018) (grifo nosso) (o mesmo colegiado, no Acórdão n. 3302006.556, de 26.fev.2019, unanimemente reconheceu créditos em relação a gás nitrogênio e nitrogênio líquido) (a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão n. 9303008.047, de 20.fev.2019, também reconheceu, de forma unânime, em função de essencialidade, créditos em relação a hidrogênio destinado, v.g., a mistura que garante atmosfera adequada em interior de forno, para processo de recozimento). Pelo exposto, reverto as glosas em relação a nitrogênio (gasoso e líquido). 2.1.b) Em relação ao peróxido de hidrogênio, a fiscalização reconhece que é usado em tratamento de efluentes, para abatimento de cianetos por oxidação, antes de enviar água à companhia, para tratamento biológico, entendendo que não se adequa ao conceito legal de insumo, que não abrange qualquer produto gasto no contexto genérico da instalação industrial. Em sua defesa, a empresa afirma que, conforme se depreende dos laudos técnicos Fl. 594DF CARF MF 14 apresentados, o produto é essencial para a reação com outras substâncias e posterior envio para o sistema de tratamento de efluentes orgânicos, já tendo o CARF apreciado a questão no Acórdão n. 3403003.052. Aqui se repete a argumentação do tópico anterior. A fiscalização afirma (fl. 208) que “dúvidas não há de que tal etapa reportase (sic) a fase preliminar de ‘tratamento de efluentes’ (adequação do descarte), para posterior envio à Central de Tratamento de Efluentes Líquidos CETREL, Unidade de Camaçari/BA”, e que “parte da água gerada no processo é extraída com pequena quantidade de cianetos que, por se apresentar com baixa toxicidade, é tratada com peróxido de hidrogênio para abatimentos dos cianetos por oxidação e daí, enviada à Cetrel para tratamento biológico”. Por seu turno, a defesa concorda com a afirmação sobre o emprego do peróxido de hidrogênio, mas não com o conceito de insumo utilizado pela fiscalização, que aqui já se apurou ser demasiadamente restritivo, em face de precedente vinculante do STJ. E a DRJ entende (fl. 374) que “[n]ovamente cabe dizer que não é a essencialidade de um bem que dá direito a crédito, mas esse bem se enquadrar no conceito de insumo determinado pela legislação vigente”, e que “o peróxido de hidrogênio não pode ser considerado insumo porque também não age diretamente sobre o produto em fabricação, mas é utilizado em fase preliminar de tratamento de efluentes”. Sobre o acórdão do CARF citado pela defesa, de no 3403003.052, no qual se decidiu unanimemente (com minha participação) que é possível a tomada de crédito das contribuições sobre processamento de resíduos, cabe aqui endosso a seu teor. Aliás, esse é o entendimento que tem prosperado também unanimemente neste colegiado: “INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esses itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para ... (h) reconhecer a apropriação de créditos em relação a tratamento dos efluentes emitidos e do lixo produzido no processo de industrialização; (...)” (Acórdão n. 3401004.477, Rel. Cons. Tiago Guerra Machado, unânime, de 18.abr.2018) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos n. 3403815 a 821, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime, 27.fev.2014) (Ainda em tal sentido os Acórdãos 3402003.519 e 521, Rel. Cons. Maysa de Sá Pittondo Deligne, maioria, vencido o Cons. Jorge Freire, sessão de 01.dez.2016) Não me parece que o tratamento de efluentes decorra de opção comercial da empresa, mas sim de estrito atendimento à legislação vigente. Daí sua essencialidade ao processo produtivo, pois não se tem dúvidas de que a ausência de tratamento inviabilizaria a continuidade da atividade produtiva da empresa. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 579 15 Aliás, foi exatamente o que decidiu, em mais de uma oportunidade, de forma unânime, a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “DESPESAS. EFLUENTES INDUSTRIAIS. TRATAMENTO/DESTINO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com tratamento e destino de efluentes decorrentes do processo de industrialização dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor.” (Acórdão n. 9303008.400, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, unânime, sessão de 20.mar.2019) (grifo nosso) “PRODUÇÃO DE COBRE ELETROLÍTICO. CAL VIRGEM E CAL HIDRATADA. POSSIBILIDADE. A cal virgem e a cal hidratada devem ser consideradas como insumos pois guardam caráter de necessidade e essencialidade ao processo produtivo do cobre eletrolítico, ou seja, há relação de pertinência com o processo produtivo. Além disso, serão também considerados como insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS não cumulativos mesmo pelo critério de integrarem o processo de produção, pois empregados diretamente na fabricação dos bens destinados à venda no tratamento da água que ingressa na cadeia produtiva e nos efluentes que são originados do referido processo.” (Acórdão n. 9303005.813, Rel. Cons. Vanessa Marini Cecconello, unânime em relação ao tema, sessão de 17.out.2017) (grifo nosso) Pelo exposto, e endossando a jurisprudência deste tribunal, reverto as glosas em relação a peróxido de hidrogênio. 2.1.c) Em relação aos lacres de segurança, a fiscalização narra que são utilizados nas carretas, para garantir a inviolabilidade da carga transportada, e para amostras enviadas a clientes e a laboratório, não se adequando ao conceito legal de insumo, pois empregados após o processo produtivo. Em sua defesa, a empresa afirma que, sem a utilização dos lacres de segurança, a atividade da empresa se torna inviável, e, alternativamente, que o inciso IX das leis de regência garante créditos em despesas com “armazenagem de mercadoria”. Nesse caso, acordamos com a fiscalização (e com o julgador de piso) no sentido de que os lacres não guardam relação com o processo produtivo da empresa, sendo incabível sua classificação como insumo, antes ou após a decisão vinculante do STJ, pois os lacres não são nem essenciais nem relevantes ao processo produtivo de acrilonitrila, a nosso ver. Ao contrário do que sugere a empresa, não vislumbro na ausência do lacre de segurança a inviabilidade da produção de acrilonitrila. E, quanto à demanda alternativa de aplicação do inciso IX das leis de regência das contribuições, cabe destacar que trata de serviços de armazenagem, como já havia salientado a DRJ, sem contraposição específica na peça recursal. Pelo exposto, mantenho a glosa em relação a lacres de segurança. Fl. 596DF CARF MF 16 2.1.d) Em relação a vapor 42Kgf/cm2 e água desmineralizada (“demanda”), a fiscalização informa que são aplicados em equipamentos relacionados a etapas do processo produtivo, mas com fundamento em cobertura de custos fixos e remuneração de capital investido. Em sua defesa, a empresa alega que o contrato firmado junto à COPENE prevê a disponibilização de determinada quantidade, sendo o excedente cobrado em separado com preço unitário diferenciado, tal como ocorreu nas operações autuadas, cabendo registrar que houve efetivo consumo da parcela “demanda”. Para detalhar a imputação fiscal (glosas das parcelas referentes a “demanda”), menciona o autuante o “Contrato de Fornecimento de Utilidades entre Copene Petroquímica do Nordeste S/A (antiga denominação da Braskem S.A.) e Acrinor Acrilonitrila do Nordeste S.A.” (Contrato CV1.044/99, fornecido pela empresa em atendimento a intimação fiscal). Em tal contrato (cláusula segunda), é previsto que a COPENE cede à ACRINOR o direito de uso de dutos de transmissão, e se obriga a realizar, às suas expensas, manutenção da tubulação de interligação à ACRINOR, e diferencia (cláusula quarta) “demanda” (calculada por fórmula prevista na cláusula nona) de “consumo” (o totalizado nos medidores). Disso conclui a fiscalização (fls. 209/210): “Assim sendo, em que pese o “Vapor 42 kgf/cm2” e a “Água Desmineralizada” possam ser admitidos como “insumos” geradores de créditos, uma vez que aplicados em equipamentos relacionados a etapas do processo produtivo, a partir das prescrições contidas no “Contrato de Fornecimento de Utilidades”, e das informações extraídas da Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas pelos fornecedores desses produtos, esta Fiscalização firmou entendimento no sentido de que no preço final de aquisição existe uma componente, qual seja, “demanda”, cuja exigência não decorre de um consumo específico, efetivo, do insumo, tendo, sim, a respectiva cobrança fundada na garantia das especificações técnicas e condições de fornecimento firmadas em contrato. Noutras palavras, poderseia afirmar que a cobrança da parcela intitulada “demanda” tem como fundamento a cobertura de custos fixos e a remuneração do capital investido.” (grifo nosso) A DRJ endossa o posicionamento da fiscalização, que não glosou a quantia consumida de vapor 42Kgf/cm2 e de água desmineralizada, mas apenas a parcela de tais rubricas referentes a “demanda”, que se refere a tarifa para disponibilização, e não efetivo consumo. No recurso voluntário, a empresa simplesmente reproduz a argumentação que já havia externado na manifestação de inconformidade, de que o contrato prevê a disponibilização a preço reduzido dentro de quantidade préestabelecida, e que a demanda excedente é cobrada em separado, o que seria exemplificado por documento juntado ainda na manifestação de inconformidade, e que a parcela “demanda” representa efetivo consumo. Analisando o referido contrato, na cláusula referente ao faturamento (nona), para os dois produtos em discussão, temse (fl. 209): “09.2 – Para fins cálculo (sic) dos valores a serem faturados, a COPENE adotará os seguintes procedimentos: Fl. 597DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 580 17 ÁGUA DESMINERALIZADA, ... nos dois pontos de entrega e VAPOR para ACRINOR SUL – a maior demanda apurada na forma prevista em 04.2 acima, será multiplicada pela parcela da tarifa referente a demanda, mais o consumo real registrado no período do faturamento, multiplicado pela parcela da tarifa referente ao consumo. VAPOR DE 42 KG para o ponto ACRINOR – a COPENE adotará a fórmula abaixo para faturar a demanda do vapor no período autorizado de consumo: Fatur. Vapor = [(Da x dA / 30) x Pd + (Cr x Pc)] x 1,2, onde: Da = demanda acordada entre as partes com 30 dias de antecedência. dA = nº de dias acordado entre as partes em que haverá demanda de vapor. Pd = parcela do preço de lista praticado pela COPENE, referente a demanda. Cr = consumo real do mês. Pc = preço da parcela de consumo.” (grifo nosso) Claro, no texto do contrato, que a parcela referente à “demanda” não guarda identidade com o consumo efetivo, mas a ele é agregada, como “tarifa” diferenciada. As demandas contratadas de utilidade/mês podem ser encontradas no Anexo “A” do contrato, e os preços das utilidades para os mesmos itens constam no Anexo “C”. Os valores consumidos (consumo real) são apurados por meio de medidores (cláusula quarta, item 04.6, e cláusula quinta), sendo previstas penalizações para o atingimento de limites máximos sem autorização prévia da COPENE (item 04.7 da cláusula quarta). A empresa apresenta notas fiscais (fls. 134 a 168), com o intuito de demonstrar que a parcela “demanda” representa efetivo consumo, sendo a “demanda excedente” cobrada em separado. Verificando as citadas notas, percebese que estão longe de comprovar o alegado pela defesa, de modo a afastar a imputação fiscal de distinção entre consumo e demanda (endossada pelas cláusulas contratuais). Percebese que há, nas notas, parte da cobrança, v.g., em relação a “U073água desmineralizada” e parte em relação a “água desmineralizada demanda”, ou parte em relação a “U014vapor 42 Kg/cm2” e parte para “vapor 42 Kg/cm2 demanda”, mas não há vestígios de que ambas as rubricas se refiram a efetivo consumo, como alega a defesa. Aliás, nas notas sequer há preenchimento dos campos “período de fornecimento” e “data da leitura”. Ademais, não move o mínimo esforço a defesa, para, afastando a alegação fiscal fundada nos contratos, calcular, a partir dos valores e quantidades expressos nas citadas notas, se os montantes se refeririam a penalizações (por atingimento de limites máximos), ou a valores que independem do consumo efetivo. Fl. 598DF CARF MF 18 Recordese que a fiscalização não glosou créditos de “vapor 42Kgf/cm2” e “água desmineralizada” efetivamente consumidos, entendendo (a nosso ver, corretamente), que constituem insumos segundo a legislação que rege as contribuições. As parcelas glosadas são exclusivamente aquelas que foram discriminadas nas notas como “demanda”. Por ser consistente o argumento da fiscalização, verificado nos contratos, e não afastado pela defesa, mantenho a glosa em relação a “vapor 42Kgf/cm2 demanda” e “água desmineralizada demanda”. 2.1.e) Em relação a pallets de madeira, a fiscalização adverte que são utilizados em manuseio, movimentação, carga e transporte de produto acabado, em etapa posterior ao processo produtivo. Em sua defesa, a empresa sustenta que são essenciais para o manuseio e movimentação do produto, sendo elemento de otimização logística e custo da atividade empresarial, havendo precedentes do CARF pelo creditamento (Acórdãos n. 3802 001.621 e 3802001.633). A DRJ ressaltou que tais precedentes do CARF não vinculam seu entendimento, e que os pallets de madeira são utilizados apenas em produtos que já estão prontos, não havendo inovação em relação ao tema, por parte da defesa, no recurso voluntário. Neste colegiado, é recorrente a análise de contenciosos sobre as contribuições não cumulativas que abrangem pallets. Com apenas dois dos membros da atual formação do colegiado, decidiuse, em fevereiro de 2016, unanimemente, negar o crédito em relação a pallets e caixas, em acórdão de minha relatoria (Acórdão n. 3401003.096). Em janeiro de 2017, em três processos de minha relatoria (Acórdãos n. 3401 003.400), o crédito em relação a pallets foi concedido, por maioria (vencidos o relator e os Cons. Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi). Na ocasião, redigiu o voto vencedor o Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, e apresentou declaração de voto sobre pallets o Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, mencionando precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n. 9303003.478). No julgado mais recente desta turma encontrado no sítio web do CARF, buscandose a palavra “pallet” (Acórdão n. 3401004.362, de janeiro de 2018), o crédito em relação a “frete de pallets” e “porta pallets” foi negado, por voto de qualidade, vencidos os Cons. Augusto Fel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sendo designada para redigir o voto vencedor a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Apesar de serem distintas as alegações de defesa nos citados processos (no presente processo, v.g., não alega a defesa que o pallet decorre de cumprimento de norma sanitária, nem sustenta a fiscalização que deveria haver ativação do bem), tais precedentes revelam que o tema ainda não é devidamente assentado no CARF. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais, por exemplo, há precedentes reconhecendo créditos para pallets (Acórdãos n. 9303008.216, n. 9303008.048 e n. 9303006.068) ou rechaçando o crédito (Acórdãos n. 9303006.107 e n. 9303005.813), dependendo da situação concreta (v.g., serem os pallets do tipo one way, ou ativados, ou usados por razões sanitárias na indústria de alimentos), e das razões de defesa e da imputação fiscal. Também cabe destacar que não guarda vínculo necessário com a presente discussão a alegação inaugural de defesa (quer se refira a pallets ou lacres), em sede recursal, sobre ser pretensamente pacífica a jurisprudência do CARF sobre embalagens. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 581 19 No presente processo, a imputação fiscal restringese à acusação e que os pallets são utilizados para produtos acabados, e que, por essa razão, não podem ser classificados como insumos. Não há, por nenhuma das partes, considerações sobre ativação ou normas sanitárias. E a acusação de que o uso dos pallets é restrito a produtos acabados não é contestada pela defesa. Pelo contrário, a defesa sustenta que os custos de produção devem abranger até o momento em que o “produto está pronto para venda”, invocando dois precedentes de turma especial do CARF (precedentes estes que fazem referência a questão sanitária na área de alimentos). Assim, a discussão travada no presente processo se resume a serem ou não enquadrados como insumos pallets usados inequivocamente em etapa posterior ao processo produtivo. E, em relação a essa questão não temos dúvida pela manutenção da glosa, visto que tais bens, presentes em etapa posterior ao processo produtivo, não podem ser enquadrados como insumos. Portanto, diante da peculiaridade do caso concreto, os precedentes citados são apenas ilustrativos, pois não se amoldam ao aqui analisado, havendo coincidência apenas do item (pallets), mas não das condições fáticas analisadas (à exceção do Acórdão n. 9303 006.107, no qual a razão pela negativa de crédito foi exatamente o fato de que os pallets são empregados em período posterior ao encerramento do processo produtivo). Pelo exposto, deve ser mantida a glosa sobre pallets de madeira. 2.2. Da energia elétrica Em relação a “Energia Elétrica (consumo)” e a “Energia Elétrica 13,8KV Demanda”, entendeu a fiscalização que, em função de haver diferença entre “demanda contratada” e “demanda consumida” de energia elétrica, e da Solução de Consulta SRRF06/Disit n. 14/2013, é vedada a apropriação de créditos com base na potência garantida contratada, cabendo a tomada de créditos apenas em relação à energia consumida, conforme o texto expresso nas leis de regência. Em análise do contrato de fornecimento de energia, vigente para 2010/2011, com a COPENE (atual “BRASKEM”), percebeu a fiscalização que havia na composição do custo total de energia elétrica uma parcela relacionada a “reserva de carga contratada” (ou, ainda, “demanda contratada”, ou “potência garantida” de energia elétrica), cuja cobrança independe do consumo efetivo medido no período de faturamento. Como se depreende do contrato (fl. 218): “07.5 A ACRINOR se compromete a pagar à COPENE, como valor mínimo devido no período do faturamento, a importância resultante da aplicação da parcela de demanda dos preços estabelecidos no Anexo A para cada um dos dois pontos de entrega, vigente na época do fornecimento, sobre as correspondentes demandas faturáveis. ….................. 07.6 Em adição à parcela de que trata o item 07.5, a ACRINOR pagará à COPENE a importância resultante da Fl. 600DF CARF MF 20 aplicação da parcela de consumo dos preços estabelecidos no Anexo A, vigente na época do fornecimento, sobre o consumo de ENERGIA ELÉTRICA medido no período de faturamento.” (grifos no original) Em sua defesa, a empresa arguiu que, por ser de grande porte, possui contratos de fornecimento de energia elétrica (“demanda contratada”) junto à COPENE, sendo a “reserva de capacidade” (cf. Resolução Normativa ANEEL n. 414/2010) a demanda de potência ativa obrigatória e continuamente disponibilizada pela concessionária no ponto de entrega, e que deve ser integralmente paga, e complementada, se houver excedente, e não houve comprovação e que a empresa não tenha consumido a demanda contratada. Mas, ainda que parte não tenha sido efetivamente consumida, há direito ao crédito, pois o custo não deixa de ser necessário ao desenvolvimento da atividade econômica. Cita ainda precedentes da turma especial do CARF sobre o tema (Acórdãos n. 3803003.595 e n. 3802004.256). Percebeu o julgador de piso que a afirmação de defesa encontra contraposição no próprio texto do contrato, e que a simples análise das notas fiscais demonstra a insubsistência das alegações da empresa. Nas palavras do julgador da DRJ (fl. 377): “Tomese, como exemplo, a nota fiscal eletrônica nº 000046001, anexada à fl. 581 do processo administrativo nº 13502.721698/201550, com cópia anexada por este julgador à fl. 324 deste processo administrativo. O valor total dessa nota fiscal é de R$ 139.418,21. Desse montante, R$ 121.689,59 corresponde a "energia elétrica" e R$ 17.728,62 corresponde a "energia elétrica 13,8 KV demanda". Não tem sentido alegar que a demanda seria um consumo mínimo contratado e o excedente seria pago, quando na verdade esse consumo mínimo é quase sete vezes menor do que o valor excedente. Na verdade, de acordo com o art. 2º, inciso XXI, da Resolução Normativa Aneel nº 414, de 2010, citado pela própria manifestante, a definição de demanda contratada é a seguinte: XXI – demanda contratada: demanda de potência ativa a ser obrigatória e continuamente disponibilizada pela distribuidora, no ponto de entrega, conforme valor e período de vigência fixados em contrato, e que deve ser integralmente paga, seja ou não utilizada durante o período de faturamento, expressa em quilowatts (kW); [grifo acrescido] Por esse dispositivo, resta claro que a demanda contratada é a demanda de potência ativa disponibilizada pela distribuidora. Logo, não se trata de energia consumida” (na sequência, o julgador de piso traz considerações sobre a definição de potência e a distinção entre “demanda de potência” e “consumo mínimo”) Após as considerações da instância julgadora de piso, a defesa simplesmente reproduz o teor da manifestação de inconformidade, sem nada agregar. O recurso voluntário, então, não contrapõe os argumentos externados pela DRJ, mas simplesmente os ignora, reiterando in totum a manifestação de inconformidade já analisada. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 582 21 É de se recordar que se está aqui a tratar de tomada de crédito demandada com fundamento no inciso III/IX do art. 3o das leis de regência das contribuições não cumulativas, que versam sobre energia elétrica “consumida no estabelecimento da pessoa jurídica”, e que nenhum dos precedentes citados, das turmas especiais do CARF, versa exatamente sobre o assunto. Aliás, ao tratar exatamente do tema da “demanda contratada”, turma especial deste CARF recentemente negou o direito ao crédito: “INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço, aferidos em face da sua estreita relação com o processo produtivo ou de prestação de serviços realizados pelo contribuinte. Em outras palavras, o conceito de insumos pressupõe o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo salvo exceções legais explícitas.” Acordam os membros do colegiado ... II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Müller Nonato Cavalcanti Silva e Márcio Robson Costa que reconheciam o direito aos créditos em relação aos gastos com energia elétrica com demanda contratada, ...” (Acórdão n. 3003000.038, Rel. Cons. Muller Nonato Cavalcanti Silva, qualidade, vencidos o relator e o Cons. Márcio Robson Costa, sessão de 12.dez.2018) (grifo nosso) Sobre o tema, espelho o entendimento da decisão de piso, sequer enfrentado especificamente pela defesa, que insistiu na tese inaugural (enfrentada a contento pelo julgador a quo) de que a demanda de potência se referiria a item efetivamente consumido, e de que não haveria prova de que parte da energia não tenha sido efetivamente consumida, ou, alternativamente, de que ainda que não fosse consumida, haveria direito ao crédito. Como exposto, cada um desses argumentos ruiu por terra após a decisão de piso, e sequer foi objeto de tentativa de reconstrução pela defesa, que entendia pela manutenção de sua higidez. Recordo, por fim, que não estão sendo glosados pela fiscalização valores referentes a energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, mas apenas os valores referentes a “demanda”, que, reiterese, independe das medições de consumo, como se lê no próprio contrato anexado aos autos. Em face do exposto, e do comando do citado texto legal da legislação de regência das contribuições, deve ser mantida a glosa em relação a “Energia Elétrica (consumo)” e a “Energia Elétrica 13,8KV Demanda”. 2.3. Das “Despesas de Aluguel de Máquinas e Equipamentos” As glosas em relação a itens incluídos pela empresa como “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica” agrupam dezenas de itens Fl. 602DF CARF MF 22 que sequer se relacionam a aluguel: “débito direto”, “serviços de manutenção predial”, “serviços de montagem, pintura, isolamento e revestimento”, “serviço de manutenção preventiva e corretiva nos aparelhos de ar condicionado”, “Inspetor de Equipamento Pleno”, “Serviços de Projetos de Desenhos Industriais”, “Arquivista técnico”, “Prestação de serviços de assessoria pertinentes à função segurança industrial”, “Prestação de serviços de elaboração e distribuição de refeições”, e “Locação de Sanitários Químicos”. Sobre tais itens sustentou a fiscalização que não se enquadram como aluguel de equipamentos e nem podem gerar créditos como serviços (detalhamento às fls. 222 a 227). Em sua defesa, a empresa alegou, na manifestação de inconformidade, que as glosas foram efetuadas nas contas 442250, 442150 e 444199 do “Livro Diário Auxiliar”, por não indicarem a procedência do crédito ou não se enquadrarem como “aluguel de máquinas e equipamentos”, cabendo mencionar que a empresa trabalha com a estrutura contábil de centro de custos, sendo que as contas que iniciam com os números 3 e 4 estão diretamente vinculadas a seu processo produtivo, ainda que não estejam vinculadas a aluguel de máquinas e equipamentos, e que a fiscalização, no caso, desconsiderou o Princípio da Verdade Material. Para demonstrar que o trabalho fiscal foi deficiente, a defesa exemplifica (fl. 23), em relação ao período autuado, com serviços de inspeção de equipamento, destacando que faz jus ao crédito, ainda que a classificação contábil esteja incorreta. A simples leitura dos itens glosados deixa patente que não se tratam (digase, nenhum deles) de “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”. E a defesa o reconhece, afirmando que “alguns serviços contratados e utilizados para fins de creditamento do PIS e da COFINS não se encaixam no conceito de ‘aluguel de máquinas e equipamentos’, sendo, contudo, serviços essenciais ao desenvolvimento da atividade comercial da manifestante”. Apesar de usar o termo “alguns”, a defesa não aponta nenhuma situação em que tenha sido glosado algo que efetivamente corresponde a “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”, limitandose a relacionar serviços que gerariam créditos à fl. 23. Ao invés de se defender especificamente das glosas, a manifestação de inconformidade questiona créditos fora do período analisado (quarto trimestre de 2011), salvo um item, identificado como “Inspetor de equipamento pleno”, e justificado como “serviço de inspeção de equipamento e, portanto, essencial do processo de produção de Acrilonitrila”. E, mesmo em relação a tal item, a alegação vem desacompanhada de qualquer documentação de amparo. Reparese que os serviços indicados como computados fora do período analisado padecem da mesma descrição genérica, inviabilizadora da tomada de créditos, ao desamparo de documentos comprobatórios. Parece a empresa, ao final da manifestação de inconformidade deste tema (fl. 24) entender que a diligência se presta a complementação posterior da defesa, ao demandar “a realização de diligência fiscal, com o objetivo de apurar todas as notas glosadas, bem como para que seja dada à Manifestante a oportunidade de especificação/detalhamento dos serviços a ela relacionados”. Vejase que a apuração das notas glosadas foi feita pela fiscalização, e resultou no indeferimento do crédito consubstanciado em despacho decisório, e que foi dada à empresa a oportunidade de especificação/detalhamento dos serviços, exatamente no trintídio destinado à manifestação de inconformidade. Correto, assim, o julgador de piso, que reconheceu, inclusive, a aplicação da verdade material pela própria fiscalização, que aceitou créditos que estavam incorretamente Fl. 603DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 583 23 contabilizados, quando a legislação que rege as contribuições não cumulativas o permitia (fl. 380), limitandose a glosar o não justificado ou em desconformidade com a referida legislação. E, também aqui, o recurso voluntário limitase a endossar a manifestação de inconformidade, cujo teor já foi objeto de análise, resultando na superação da tese de defesa. Pelo exposto, voto por manter as glosas referentes a este tópico 2.3. 2.4. Das “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda” As glosas de “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda” abrangem serviços de armazenagem de insumo importado, despesas portuárias, serviços portuários, utilização de infraestrutura marítima (glosados com base em planilha apresentada pela empresa – detalhes às fls. 227 a 235), por não encontrarem previsão legal para apropriação de créditos (em relação a insumos importados, mencionando as Soluções de Consulta SRRF08/Disit n. 313/2011 e a SRRF10/Disit n. 92/2012). A fiscalização efetua ainda várias glosas com base em “Diário auxiliar do estoque” e “Razão”): serviços de locação de estação de rádio, aluguel de rádios, serviços de pintura, isolamento e revestimento, material elétrico de uso geral, Inspetor de Equipamento Pleno, “argamassa para aplicação de piso e azulejo no sanitário masculino ADM 06” e materiais para sanitários, serviços de recuperação de vidrarias, serviços de inspeção, “talha pneumática com corrente (60 metros)”, materiais de pintura de uso geral, cano para instalação de duchas e chuveiros, serviços de manutenção e reforma; serviços lavagem industrial, serviços gerais, materiais de manutenção, “rateio de despesas com transporte de funcionários no mês”, “rateio de despesas com alimentação de funcionários”, conserto de bicicletas da produção, contratação de aux. técnico de segurança, e itens não identificados, sob o fundamento de que não encontram previsão legal para apropriação de créditos (detalhamento individualizado às fls. 235 a 245). Em sua defesa, a empresa afirma que as glosas foram efetuadas, entre outros, em relação a despesas portuárias, despesa de frete e armazenagem de insumos importados e despesas “administrativas”, alegando que o frete é necessário à atividade empresarial, não podendo ser glosadas despesas de notas de empresas transportadoras (Concórdia, Flumar e Breyner) como despesas portuárias, e que todos os valores de transporte em qualquer etapa do processo produtivo geram créditos. Sobre as despesas portuárias e serviços portuários, sustenta que não podem ser compreendidos como parte da importação, mas sim como custo da atividade empresarial, gerando créditos. E defende, ainda, que o direito ao crédito, nas leis de regência das contribuições, não está restrito a bem adquiridos no mercado interno. Sobre as glosas efetuadas com base em “Diário auxiliar do estoque” e “Razão”, em contas de número 442210, 442220, 442120 e 442230, entre outras, a defesa alega que se referem a aquisições de bens e serviços essenciais à atividade da empresa. A DRJ afasta, de plano, da classificação como insumos, as chamadas “despesas administrativas”, para as quais não houve defesa específica, e, em relação aos serviços portuários, expressa que as notas emitidas pelas empresas, apesar de transportadoras, destacavam a existência de “despesas portuárias”, que não constituem fretes, na dicção do inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003. Quanto à alegação que despesas portuárias constituiriam insumos, também é rechaçada pela DRJ, pois não se referem a serviços aplicados Fl. 604DF CARF MF 24 na produção ou fabricação do produto. No mais, o julgador de piso destaca que o comando legal é restrito a “armazenagem de frete na operação de venda”, sendo que a importação é uma operação de aquisição, e que “[n]o caso de insumo importado, não há geração de crédito porque, conforme § 3º, inciso I, do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o direito ao crédito se aplica exclusivamente aos bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país” (com menção ainda à Soluções de Consulta SRRF08/Disit n. 186/2010). Por fim, no que se refere às glosas do Diário Auxiliar do Estoque e do Razão, as glosas se devem a: (i) não enquadramento como insumo, por não haver relação direta com o processo produtivo; (ii) descrição genérica, não permitindo aferir se há ou não relação direta com o processo produtivo; e (iii) itens que devem ser incorporados ao ativo imobilizado, exemplificando cada um dos itens às fls. 384/385, e concluindo que a empresa não contrapôs especificamente as glosas, limitandose a afirmar genericamente que os itens eram essenciais a seu processo produtivo. No Recurso Voluntário, a empresa, inicialmente, reitera o argumento (diga se, já superado pelo julgador de piso) de que o simples fato de as notas serem emitidas por transportadores atestaria o caráter de frete, ainda que a descrição fosse “despesas portuárias”, e que o frete constitui “insumo de sua atividade empresarial, pois, sem o deslocamento físico do insumo para fábrica ou do produto acabado para os pontos de revenda, não haveria atividade empresarial em si” (fl. 429). Nesse aspecto, parece a recorrente demandar um conceito de insumo mais afeto ao imposto de renda (aliás, a empresa expressamente cita, nesse item, a legislação do IR), que não é o aqui adotado, nem o apregoado de forma vinculante pelo STJ, que não perde o norte da legislação das contribuições não cumulativas, ligadas à produção de bens e à prestação de serviços da empresa, e não a quaisquer atividades da empresa (como as “despesas administrativas”, em geral, e as posteriores à produção, tanto que para os fretes de venda a previsão legal se encontra em inciso diverso do referente a insumos). O conceito de insumos, como aqui já destacado, não é tão amplo como deseja a defesa, e a previsão legal referente a fretes e armazenagem (inciso IX do art. 3o da Lei no 10.833/2003) não inclui rubrica descrita como “despesas portuárias”, indicadas nos conhecimentos de transporte, e não justificadas detalhadamente pela recorrente, que se limita a entendêlas como “insumos” em sentido lato. Seja em relação a despesas portuárias, ou despesas administrativas, esta turma de julgamento, bem assim outras, inclusive a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), já se manifestaram pela impossibilidade de tomada de crédito: “CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso, nos seguintes termos: ... x) Despesas portuárias, despesas com armazenagem e despesas com documentação e estadias, nas operações de exportação por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso;” (Acórdão n. 3401 003.060 a 069, Rel. Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, unânime – em relação ao tema, sessão de 26.jan.2016) “DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À Fl. 605DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 584 25 EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processos de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias.” (Acórdão n. 3401003.030, Rel. Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, unânime – em relação ao tema, sessão de 25.jan.2016) “DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS DIVERSOS. NÃO SUBSUNÇÃO AO CONCEITO DE INSUMOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. A jurisprudência majoritária do CARF sustenta que o conceito de insumos, no âmbito das contribuições nãocumulativas, pressupõe a relação de pertinência entre os gastos com bens e serviços e o limite espaçotemporal do processo produtivo. Em outras palavras, não podem ser considerados insumos aqueles bens ou serviços que venham a ser consumidos antes de iniciado o processo ou depois que ele tenha se consumado. Despesas portuárias não se subsumem ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições nãocumulativas, uma vez que tais gastos, inconfundíveis com os gastos com frete e armazenagem nas operações de comercialização para os quais há expressa previsão normativa para seu creditamento , são atinentes a serviços ocorridos após o fim do ciclo de produção, não gerando, portanto, direito a crédito.” (Acórdão n. 3302 005.648, Rel. Cons. Walker Araújo, qualidade, vencidos o relator e os Cons. José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad, sessão de 24.jul.2018) (grifo nosso) (No mesmo sentido o Acórdão n. 3302005.646, 647 e 649 “PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS ACABADOS. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte paga de maneira global para execução de diversas despesas de movimentação portuária aí incluída a despesa de armazenagem do produto acabado. Como não há a individualização das despesas de armazenagem das demais despesas, não há possibilidade de seu creditamento. Nem são insumos da atividade fabril e nem compreendem como despesas de armazenagem propriamente dita.” (CSRF, Acórdão n. 9303 006.718 a 729, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, maioria, vencidos em relação ao tema as Cons. Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 15.mai.2018) (grifo nosso) “NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Na legislação do Pis e da Cofins nãocumulativos, os insumos que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito.” (Acórdão n. 3201 Fl. 606DF CARF MF 26 004.298, Rel. Cons. Marcelo Giovani Vieira, unânime em relação ao tema, sessão de 23.out.2018) (grifo nosso) “PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS ADMINISTRATIVAS E COMERCIAIS. IMPOSSIBILIDADE. Conforme decidiu o STJ no julgamento do Resp nº 1.221.170/PR, na sistemática dos recursos repetitivos, não há previsão legal para a apropriação de créditos de PIS, no regime da nãocumulatividade, sobre as despesas de cunho administrativo e comercial, sobretudo quando não demonstradas qualquer vínculo de sua relevância com o processo produtivo da empresa.” (CSRF, Acórdão n. 9303008.398, Rel. Cons. Andrada Márcio Canuto Natal, unânime, sessão de 20.mar.2019) (grifo nosso) No que se refere a créditos demandados em relação a despesas de frete e armazenagem de insumos importados, a confusão é patente por parte da defesa, pois tais despesas não se enquadram nem no inciso referente a insumos (por força de disposição legal expressa, referida no julgamento de piso – § 3o, inciso I, do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) nem no referente a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, como destacou a DRJ (ou seja, ao contrário do que afirma a recorrente, o inciso IX é restrito à venda por parte da empresa, não tratando de importação – que corresponde a uma compra pela empresa). No mais, a jurisprudência colacionada pela defesa trata de situação distinta da especificamente analisada nestes autos. Sobre as glosas efetuadas em relação a Diário Auxiliar do Estoque e Razão, a única alegação da empresa, em sua manifestação de inconformidade, como destaca o julgador de piso, é de que se referem a valores que estariam relacionados à aquisição de bens e serviços essenciais ao desenvolvimento da sua atividade, pois vinculados a contas que englobariam custos relacionados ao seu processo produtivo. Embora a manifestação de inconformidade de quatro parágrafos (fl. 27 aos quais agrega o recurso voluntário um parágrafo geral) não questione sequer um item glosado, especificamente, e se limite a demandar diligência (quiçá para dilação probatória), a DRJ, em homenagem à verdade material, minucia itens à fl. 384/385, dividindoos nas três categorias aqui já referidas: (i) não enquadramento como insumo, por não haver relação direta com o processo produtivo; (ii) descrição genérica, não permitindo aferir se há ou não relação direta com o processo produtivo; e (iii) itens que devem ser incorporados ao ativo imobilizado. Examinando a lista (i), e adotando o conceito de insumos aqui fixado, mais amplo que o albergado pelo julgador de piso, ainda assim mantenho o teor da decisão da DRJ, em relação aos 20 itens ali mencionados como desenquadrados do conceito de insumos (recordese, nenhum deles questionado especificamente pela recorrente), por não verificar o preenchimento dos critérios de essencialidade e relevância restritos ao processo produtivo (atividade econômica da empresa): 1. material elétrico de uso geral, tais como lâmpadas, conectores, abraçadeiras, relés de proteção, reatores de tensão, suporte para lâmpada, fita isolante, barra borne, grampos, cabo de energia, tampa defletora, fusíveis, plugs, cordoalha; 2. serviço de manutenção preventiva e corretiva do sistema de ar condicionado central; 3. galão de tinta Rethane; Fl. 607DF CARF MF Processo nº 13502.900147/201587 Acórdão n.º 3401006.213 S3C4T1 Fl. 585 27 4. cimento Portland; 5. rateio de despesas com alimentação dos funcionários fábrica no mês; 6. rateio de despesas com transporte de funcionários no mês; 7. serviço de manutenção automotiva – Autoelétrica DJ (manutenção saveiro, manutenção caminhão bombeiro); 8. serviço de locação de materiais e mão de obra (andaimes); 9. serviço de recapeamento asfáltico das pistas de entra e internas da Acrinor; 10. serviço de locação de estação de rádio na sala de controle; 11. materiais de pintura de uso geral: pincéis, rolo de lã, tinta epoxi; 12. molas automáticas para uso em portas; 13. bateria automotiva para veículo de combate a incêndio; 14. cadeados; 15. resistência para chuveiro Lorenzetti; 16. argamassa para aplicação de piso e azulejo no sanitário masculino no ADM 06; 17. super cano branco para instalação de duchas e chuveiros; 18. acessório Astra, entrada hidráulica, ref. HE 263/N, para uso vaso sanitário com descarga acoplada (para ser utilizado na descarga do sanitário feminino do ADM 06); 19. válvula tipo bóia para ser utilizada na caixa d'água do prédio ADM 02 e ADM 07; e 20. aluguel de 20 rádios para Parada e de baterias (lition) para rádios EP450 a serem utilizados durante a Parada. Na lista (ii), referente a itens com descrição genérica, entendo que a ausência de colaboração da recorrente menoscaba igualmente a verdade material, nos moldes descritos ao início deste voto, não cabendo ao julgador, ainda que em nome da verdade material, suprir a falta de especificidade das razões de defesa, que, sabendo que a DRJ havia confirmado a negativa de crédito por falta de detalhamento (que, digase, vinha desde o procedimento fiscal), sequer moveu esforços para promover o demandado detalhamento, confiando em pretensa diligência a lhe devolver prazo processual que teve oportunidade de fruir por duas vezes, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Por fim, no que se refere à lista (iii), acordase com a decisão de piso no sentido de que os bens constituem ativo imobilizado. Assim, devem ser mantidas as glosas em relação a este tópico 2.4. Fl. 608DF CARF MF 28 Das Considerações Finais Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para reverter as glosas em relação a nitrogênio (gasoso e líquido) e peróxido de hidrogênio. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 609DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902402/2014-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 02 /2 01 4- 24 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.510. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.902402/201424 Acórdão n.º 3401005.836 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 202DF CARF MF
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