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Numero do processo: 16408.001139/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1102-000.119
Decisão: Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório I – DA AUTUAÇÃO Tratase de lançamento do IRPJ e contribuições (CSLL, PIS e COFINS), dos anoscalendário de 2002 a 2005 em razão da infração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com exigência da multa de ofício de 75%. O lucro foi arbitrado tendo em vista que a escrituração mantida pela contribuinte foi considerada imprestável para a determinação do lucro real, em virtude de erros e falhas descritos no relatório de ação fiscal, com fundamento no art. 530, II, do RIR/99. Consta no Relatório de ação fiscal que a fiscalização foi motivada por requisição da Justiça Federal, em razão de movimentação financeira incompatível com a receita declarada para o período de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, sendo que o crédito tributário do ano calendário de 2001 foi objeto de outro auto de infração (16408.001140/200656). Pelo AD Executivo DRF/PTG nº 7, DE 07.11.2006, a contribuinte foi declarada excluída do SIMPLES (fls. 1263), com efeitos a partir de 01.01.2002, por ter ultrapassado o limite da receita bruta, conforme inciso II do art. 9º da Lei 9.317/96, cuja publicação no DOU se deu em 09.11.2006 (fls. 1264), por meio do processo 16408.001113/200683 (786/788). Por meio do Termo de início de fiscalização (fls. 6/7) foram solicitados documentos à fiscalizada, entre eles, o Livro caixa e o Livro Registro de Inventário todos do período de 2001 a 2005. Alternativamente ao livro caixa foi permitido à fiscalizada apresentar os livros Diário e Razão do mesmo período. Em resposta, a fiscalizada apresentou (fl. 9), os livros Razão referentes aos anos de 2001 a 2005, o livro diário de 2005 e uma declaração afirmando que não possui Livro de Registro de Inventário, uma vez que seu ramo de atividade é exclusivamente de transporte de cargas (fl. 67). Também foi apresentado o livro Diário referente aos anoscalendário de 2001 a 2004, embora este não conste da relação assinada pela fiscalizada (fl. 9). Em 27.03.2006 foram solicitados ao Banco Bradesco, por meio de RMF (fls 73/75), extratos de aplicações financeiras e de movimentação de contas correntes à fiscalizada durante o período em análise. A cópia integral dos livros Diário se encontra às fls. 361 a 468. Afirma o autuante que não há qualquer compatibilidade entre os livros e os extratos de movimentação financeira da fiscalizada. Posteriormente, em 11.07.2006, a fiscalizada sabendo que os livros apresentados não correspondiam à realidade, apresentou novos livros Diário e Razão (fl. 470), objetivando substituir os entregues anteriormente. Com base nas movimentação apresentadas pelo Bradesco, a contribuinte foi intimada a justificar a origem dos recursos para cada operação de crédito em suas contas correntes, assim como a apresentar a correspondente documentação comprobatória hábil e idônea. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 3 3 A resposta encontrase à fl. 513. Reproduzo o trecho transcrito no Relatório de ação fiscal: “os referidos lançamentos encontramse conciliados junto a [sic] livro Dário e razão da empresa contribuinte, sendo que referidos recursos provêem de venda de ativo, financiamentos bancários (leasing, em especial), transferência de valores entre contas, e a comercialização de veículos cujos lançamentos encontramse todos contabilizados junto aos livros indicados. A origem dos recursos e a documentação exigida pelo fisco, [sic] encontramse escrituradas, sendo desnecessária nova apresentação de documentos, ainda mais no prazo estipulado”. Analisando os novos livros que foram reapresentados pela fiscalizada, o autuante observou que estes foram readequados de acordo com os lançamentos nas contas correntes. Os depósitos nas contas 4.1718 e 163120 da agência 2106 do Banco Bradesco foram apresentados, na sua maior parte, como se fossem provenientes do caixa da empresa. A título de exemplo, elaborouse uma tabela (anexo I), retirada dos extratos fornecidos por esse banco. Ela apresenta alguns depósitos nas contas correntes mencionadas e sua respectiva representação contábil no livro Diário. A coluna “Diário folhas” indica em qual folha deste livro foi escriturado cada lançamento. As cópias destas folhas do livro Diário se encontram às fls. 514 a 637. Verificase que os depósitos foram escriturados a crédito da conta Caixa Geral e a débito da conta Bco. Bradesco S/A –x/c 4.1718 (nº. 1110200025) ou da conta Bco Bradesco S/A – c/c 16.3120 (nº. 1110200011). Da mesma forma, os valores sacados das contas correntes mencionadas, em sua grande maioria, foram escriturados como se tivessem sido direcionados ao caixa da empresa. Tal como a tabela anterior, a tabela do Anexo II apresenta alguns saques nas contascorrentes mencionadas e sua respectiva escrituração contábil no livro Diário. Observase que estes lançamentos foram escriturados a débito da conta Caixa Geral (nº. 1110100018) e a crédito da conta Bco Bradesco S/A c/c 16.3120 (nº. 1110200011). Segundo o autuante, em síntese, a fiscalizada apresenta a justificativa de que sua intensa movimentação financeira por meio de simples trocas de valores entre seu caixa e suas contas correntes; considera que tal procedimento não apresenta qualquer sentido econômico, além de gerar gastos desnecessários com o pagamento de CPMF. A única explicação possível para tal artifício é mascarar os reais depósitos os quais a fiscalizada não consegue justificar. A fim de averiguar a versão da fiscalizada para sua movimentação financeira a autoridade fiscal solicitou ao Bradesco, cópia dos cheques compensados com valores superiores a R$ 5.000,00 durante o período em análise; e em resposta, o Bradesco apresentou parte dos cheques solicitados, contudo, suficientes para a autoridade fiscal concluir que os lançamentos efetuados pela fiscalizada não correspondem à realidade. No Anexo III estão presentes os lançamentos referentes aos cheques que o Bradesco apresentou. Conforme pode ser visto nas respectivas folhas do livro Diário, estes estão escriturados a debito da conta caixa geral (nº. 1110100018) e a crédito da conta Bco Bradesco S/A c/c 4.1718 (nº. 1110200025). O que significaria que estes valores teriam saído da contacorrente e entraram no caixa da empresa. De acordo com a autoridade fiscal, contudo, conforme cópias dos cheques (fls. 645/737), estes foram depositados em contas de outros bancos, estando nominais a outras Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 4 4 pessoas jurídicas ou físicas que não a fiscalizada. Não tiveram como destino, como está escriturado no livro Diário, o caixa da empresa. Concluise que a nova escrituração apresentada não corresponde à realidade, sendo, portanto, imprestável. Salienta a autoridade fiscal, que considerando que os livros apresentados pela fiscalizada, tanto os entregues em 30.01.2006, como os entregues em 11.07.2006, não correspondem à realidade contábil, toda a escrituração é considerada imprestável. Conseqüentemente, a fiscalizada não justificou os depósitos nas contas correntes mencionadas. Assim, de acordo com o disposto no art. 42 da Lei 9.430/96, esses depósitos foram caracterizados como omissão de receita, uma vez que a fiscalizada foi regularmente intimada, mas não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recurso utilizados nessas operações. Na tabela de fls. 741 a 744, a fiscalização indicou as transferências da mesma titularidade, que totalizam R$ 1.408.254,00. Assim o valor omitido passa a ser R$ 11.831.928,38, que corresponde ao somatório dos depósitos efetuados nas contas correntes mencionadas e não justificadas. Como justificativa para o arbitramento, cita o art. 47 da Lei 8.981/95, incisos II, letra “a”. Os recolhimentos do simples foram deduzidos dos valores lançados. Não foram deduzidas as contribuições de que tratam a alínea “f” do § 1º do art. 3º da lei 9.317/96, porque não eram administradas pela SRF. II – DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A contribuinte apresentou impugnação contra o auto de infração, onde também se insurge contra a exclusão do Simples. Consta às fls. 1269/1285, cópia da decisão da 2ª Turma Julgadora da DRJ em Curitiba, relativa ao processo 16408.001140/200656, que considerou o lançamento do ano calendário de 2001 procedente. Às fls. 1286/1304, consta decisão da mesma Turma Julgadora relativa a este processo, por meio da qual, se julgou procedente o ato de exclusão e quanto ao auto de infração, o lançamento foi considerado procedente. Transcrevo algumas das ementas: EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Mantémse a exclusão da empresa do Simples, uma vez confirmado o excesso de receita bruta em relação ao limite admitido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO MACULADA. Restando comprovado que a escrituração contábil e fiscal continha máculas e que mesmo tendo sido ofertado ao sujeito passivo refazer a escrita ele o fez sem demonstrar o nexo causal entre os lançamentos e sua movimentação bancária, justificado está o arbitramento do lucro. DESENQUADRAMENTO AO SIMPLES. PRESSUPOSTOS. MOTIVAÇÃO. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 5 5 Descabe a alegação de falta de motivação, desvio de finalidade e abuso de poder na edição do ato que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples, quando a autoridade fiscal o faz indicando os pressupostos de fato e de direito em que se fundamenta. A motivação fática está contida na representação propondo a exclusão que descreve os atos praticados pelo autuado que violaram a legislação tributária. EXCLUSÃO DO SIMPLES. VALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. Uma vez obedecidos os critérios de legalidade e estabelecido o nexo entre o resultado do ato e a norma jurídica, não há que se falar em nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Sobre os documentos apresentados com a impugnação, a Turma Julgadora decidiu o seguinte: a) O sujeito passivo, embora tenha trazido aos autos alguns documentos, não fez qualquer menção e nem tentou estabelecer qualquer relação aos fatos apurados na ação fiscal, limitandose a apresentálos; b) Sobre as notas fiscais juntadas às fls. 881 a 940, sendo 48 delas datadas de 2002 e 12 emitidas em 2005, tendo como destinatário da mercadoria o impugnante, as mesmas em nada auxiliam a contribuinte já que se referem a despesas de combustível, e não ajudam a esclarecer a origem dos depósitos bancários; c) Em relação aos contratos de crédito ao consumidor, o primeiro tendo como favorecido, a empresa CVL Automóveis Comercial de Veículos, o mesmo é datado de 06.02.2002 e referese a aquisição de um veículo, cujo valor de financiamento é de R$ 11.640,30, para pagar em 24 meses, entretanto, no mês de fevereiro de 2002 não existe nenhuma entrada de valor igual ou próximo; o segundo contrato referese a tomada de crédito de R$ 105.300,00 e segundo o contrato os valores seriam repassados diretamente à vendedora, sem transitar pelas contas da empresa; idem em relação ao contrato de fls. 965/967. A ciência da decisão foi dada em 31.05.2007 e o recurso foi apresentado em 02.07.2007. Segundo a autoridade administrativa, o recurso é tempestivo (fls. 1319). III – DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente alega que foi excluída indevidamente do Simples, uma vez que o art. 15, IV da Lei 9.317/96 estabelece que o desenquadramento do Simples surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente ao que incorrida a situação excludente na hipótese de que trata o art. 9º, I, da mesma Lei. Argumenta que a retroatividade pretendida pelo fisco não é permitida conforme art. 150, III, da CF. Postula pelo acolhimento da manutenção da nulidade do ato administrativo em razão do vício formal apontado e da falta de motivação do mesmo ato, bem como a inconstitucionalidade do desenquadramento retroativo nos termos do dispositivo mencionado, devendo ser mantida a recorrente no regime simplificado até 31.12.2006. Aduz que conforme informa o relatório anexo ao auto de infração, a ação fiscal deuse por ordem da Justiça Federal. Protesta, pela apresentação da requisição de Justiça Federal, de modo a tornar possível o prosseguimento da lide. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 6 6 Aduz que o autuante de forma simplista, colecionou toda a movimentação bancária da recorrente junto aos bancos, transmutandoa em receita bruta e declinando anodinamente que a recorrente pretendia mascarar os reais depósitos que não conseguiu justificar. Mas, que apesar de apresentados todos os livros fiscais requeridos, teve sua escrituração considerada imprestável, por não corresponder à realidade, o que seria um abuso da autoridade fiscalizadora. Argumenta que foi esquecido que só pode ser considerada imprestável a escrituração que revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências, que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, a teor do que dispõe o art. 530, II, do RIR/99, o que não seria o caso da recorrente. Conclui que a autoridade fiscal não comprovou que os fatos relatados se subsumem à norma aplicada. Ressalta que o PAF é regido pelo princípio da verdade material, conforme art. 9º do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, e que conforme se depreende na parte final do caput do art. 9º do Decreto mencionado, os autos de infração e notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, sob pena de, assim não sendo, restar comprometida a possibilidade concreta e constitucionalmente assegurada pela CF no inciso LV do art. 5º, de a contribuinte, na fase litigiosa do procedimento fiscal, contraditar os argumentos e meios utilizados pelo fisco para embasar o lançamento. Argumenta que por ocasião da impugnação foram juntados documentos que entende que comprovam os pagamentos realizados pela recorrente, bem como a existência de financiamentos bancários em quantidade e qualidade suficientes para comprovar a origem do dinheiro, documentos que atestariam a venda do ativo, operações de leasing, transferência entre contas, comercialização de veículos, cujos lançamentos se encontrariam devidamente contabilizados, pagamentos a fornecedores, que uma vez examinados, se concluiria pela improcedência do lançamento. Também discute a aplicação dos juros calculados pela taxa Selic. Requer, em síntese: a) seja acatada a preliminar de impossibilidade de exclusão do simples; b) a insubsistência e improcedência do lançamento; c) a nulidade do ato administrativo por vício formal e falta de motivação do ato praticado, a inconstitucionalidade do desenquadramento retroativo nos termos dos mandamentos constitucionais, mantendose a recorrente como optante do Simples até 31.12.2006; d) a exclusão dos juros Selic. IV – DA RESOLUÇÃO 140200.036 E MANIFESTAÇÃO DA INTERESSADA Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 7 7 Em, 28.01.2011, o julgamento foi convertido em diligência, em razão da recorrente ter argumentado que pelo fato da ação fiscal ter se dado por ordem da Justiça Federal, deveria ter sido apresentada pelo fisco, a requisição da Justiça Federal. No voto condutor do acórdão consignouse que a instauração de procedimento fiscal por parte da Receita Federal não depende da requisição de qualquer órgão da esfera administrativa ou judicial, mas para que não se alegasse, cerceamento do direito de defesa, decidiuse converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade administrativa juntasse aos autos a requisição da Justiça Federal. Por meio do documento reativo aos autos 2004.70.00.0261551, conforme doc. de fls. 1326, o juízo Federal da 3ª Vara Criminal em Curitiba, da Seção Judiciária do Paraná, em 26.07.2004, acolheu pedido ministerial para decretar a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa Transavião Transportes Rodoviários e Cargas Ltda e requisitou à Receita Federal que procedesse a ampla ação fiscal, a partir do ano de 1995 e fixou o prazo de 60 dias para conclusão dos trabalhos e encaminhamento dos resultados obtidos àquele Juízo. A seguir, a 2ª Vara e Juizado Especial Federal Cível de Ponta Grossa, por meio do ofício 561/2004Crime, de 14.12.2004, solicitou que o Delegado da Receita Federal de Ponta Grossa procedesse a ampla ação fiscal na recorrente, para instruir os autos de procedimento criminal diversos 2004.70.09.0052865, daquele Juízo. Pediu o Chefe da Fiscalização, em 20.01.2005, doc. de fls. 1328/1329, a revogação da ordem de abertura da fiscalização, conforme justificativa dada. Em 25.07.2006, o chefe da Seção de Fiscalização, conforme ofício de fls. 1330, informou ao Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Ponta Grossa, em resposta ao ofício, 816075, de 26.06.2006, referente ao procedimento criminal diverso 2004.70.09.0052865/PR, de 26.06.2006, informou estar em curso ação fiscal em nome da recorrente. Essa documentação foi encaminhada à recorrente, por meio da intimação nº 347/2001, de fls. 1332, a qual se manifestou. Alegou a recorrente que a determinação do procedimento fiscal se deu por juízo incompetente, haja vista que a empresa não possui sede ou vínculo com a Comarca de Curitiba, que teria se utilizado de procedimento indevido, porque a CPI visava a apuração de crimes de narcotráfico e que teria desvirtuado o motivo pelo qual foi criada a fim de apurar eventuais crimes tributários, em prazo superior ao concedido, posto que o sigilo bancário e fiscal deveria ter sido quebrado por sessenta dias, sendo que a ação fiscal foi iniciada após mais de um ano da determinação judicial. A contribuinte discute ainda na manifestação, em síntese, que é ilegítima a cobrança de tributo com base em depósitos bancários, ante a sólida jurisprudência e doutrina que repelem a incidência fiscal nesses casos. Acrescenta que a quebra de sigilo não poderia ocorrer, ad eternumm, e que seria evidente o juízo incompetente de Curitiba, autorizou a quebra por 60 dias, não cabendo ao fisco a manutenção da quebra por prazo indeterminado. Discute ainda a qualificação da multa de ofício. Afirma não ter havido ação dolosa e nem evidente intuito de sonegação, tal qual exige a Lei 4.502/64, e que ademais, são Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 8 8 inúmeras as decisões do Conselho de Contribuintes que decidiram não ser cabível a aplicação de multa qualificada nas hipóteses de tributação lastreadas em depósitos bancários. Cita como exemplo, o acórdão 10322.627, de 20.09.2006. Requer ainda, que seja declarada a nulidade do auto de infração com base no art. 59, II, do Decreto 70.235/72, que teria sido lavrado com preterição do direito de defesa, e por ausência de dispositivo legal que fundamenta o lançamento, com violação ao disposto no art. 10, IV, do mesmo Decreto. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e contribuições (CSLL, PIS e COFINS), dos anoscalendário de 2002 a 2005 em razão da infração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O lucro foi arbitrado, em razão da escrituração ter sido considerada imprestável. Exigiuse a multa de ofício de 75%. Constatase que a fiscalização obteve as informações bancárias mediante a emissão do documento Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF. Ocorre que em relação à possibilidade das autoridades fiscais acessarem informações bancárias e as utilizarem para efeito de lançamentos, o STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 542B. Na sessão de 12 de junho de 2012, este colegiado se pronunciou em relação ao sobrestamento do julgamento de recurso, relacionado com idêntica matéria, conforme Resolução nº 110200.088, de 12.06.2012, tendo sido acatado o sobrestamento, por maioria de votos. Na sessão de 08.08.2012 desta Turma, por unanimidade de votos, foram sobrestados os julgamentos dos recursos relativos aos processos: 10640.001930/201089 e 10640.001929/201054, Resoluções 110200.100 e e 110200.099, posto que uma das matérias discutidas no recurso se refere à legalidade do acesso à movimentação financeira, por meio de RIMF. Nessa mesma sessão, também foi determinado, de ofício, o sobrestamento do julgamento de recurso em que se discute a mesma matéria, conforme Resolução nº. 1102 00.097. Portanto, não houvesse a discussão sobre a autorização do acesso aos dados bancários dada pela Justiça Federal, teríamos que também sobrestar o julgamento do presente recurso, constituindose essa a primeira preliminar. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 9 9 Assim, temos que decidir se a autorização dada pela Justiça Federal do acesso às informações sobre a movimentação financeira aplicase ao presente lançamento. Conforme se verifica da documentação obtida com a diligência, o Juízo Federal da 3ª Vara Criminal em Curitiba, da Seção Judiciária do Paraná, acolheu pedido do Ministério Público, para decretar a quebra de sigilo bancário e fiscal da recorrente, e requisitou à Receita Federal para que procedesse ampla ação fiscal, a partir do ano de 1995, e fixou o prazo de 60 dias para conclusão dos trabalhos e encaminhamento dos resultados obtidos àquele Juízo. A ação fiscal não foi realizada de imediato conforme justificativa dada àquele Juízo. A seguir, a 2ª Vara e Juizado Especial Federal Cível de Ponta Grossa, também requisitou que se procedesse ampla ação fiscal na recorrente, que também não foi realizada de imediato. Finalmente, em 25.07.2006, o Chefe da Seção de Fiscalização da DRF em Ponta Grossa, informou estar em curso ação fiscal. Consultandose no sítio da Justiça Federal na internet, www.jfpr.gov.br o número de processo 2004.70.00.0261551, da 3ª Vara Criminal em Curitiba, constatase que, em 28.10.2004, foi recebido do Juiz, despacho determinando a remessa dos autos à Justiça Federal de Ponta Grossa, e a seguir foi expedido ofício 3865/04 ao Juízo Distribuidor da Justiça Federal de Ponta Grossa que encaminhou aquele PCD e sete apensos e a seguir o processo foi baixado. Verificase também no mesmo sítio, que o número de processo 2004.70.09.0052865 está relacionado com o processo 2004.70.00.0261551. Consultando essas movimentações e disponibilização de documentos nesse sítio, constatase o seguinte despacho, de 26.02.2007, da Juíza Federal Substituta na Titularidade Plena, Marize Cecília Winkler, nos autos de Representação Criminal nº 2004.70.09.005285 5/PR, do qual transcrevo em parte: 2. Considerando que a apuração de eventual delito de ordem tributária, cujos dados constam deste procecmento criminal diverso, dependerá da conclusão dos processos administrativos no tocante à constituição dos débitos tributários, determino o trancamento do presente feito, até que se comunique nos autos a conclusão dos processos administrativos nº 10940.00853/200689 e nº 16408.001139/200621. (...) Ademais, como salientado pelo representante do Ministério Público Federal, não há que se falar em decurso do prazo prescricional, haja vista que, como bem argumentado pelo Ministro Celso Mello, no voto proferido nos autos acima citados, enquanto não se constituir, definitivamente, em sede administrativa, o crédito tributário, sem que se caracterize, portanto, no plano da tipicidade penal, o crime contra a ordem tributária, tal como previsto no art. 1º da Lei nº 8.137/90, sequer será lícito cogitarse da fluência da prescrição penal, que somente se iniciará com a consumação do delito (CP, art. 111, I). 3. Oficiese à Receita Federal a fim de que informe acerca da constituição definitiva dos créditos tributários decorrentes dos Fl. 16DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 10 10 processos administrativos mencionados no ofício nº 25/2007 FIANA (nº 10940.00853/200689 e nº 16408.001139/200621), conforme solicitado pelo Ministério Público Federal. Um dos processos citados nesse despacho judicial referese exatamente aos presentes autos: 16408.001139/200621. Conforme já consignado na Resolução, a instauração de procedimento fiscal por parte da Receita Federal não depende da requisição de qualquer órgão da esfera administrativa ou judicial. Pelas movimentações do processo judicial disponibilizadas no sítio, e pelo contido no ofício dirigido àquele Juízo pelo Chefe da Seção de Fiscalização, concluise que a determinação da realização da ação fiscal com acesso às informações bancárias foi transferida para o controle do Juízo Federal de Ponta Grossa, e consequentemente, a autoridade fiscal iniciou a ação fiscal por requisição judicial, e foi autorizada a acessar as informações bancárias relativas à movimentação financeira da contribuinte, razão pela qual, não é o caso de sobrestamento do julgamento, uma vez que o que for decidido pelo STF, no Recurso Extraordinário, 601314RG/SP, não repercutirá nos presentes autos. A contribuinte foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01.01.2002, por ter ultrapassado o limite da receita bruta, conforme auto de infração consubstanciado no processo 16408.001140/200656. A exclusão do simples é tratada no processo 16408.001113/200683 que encontrase juntado a este processo, portanto, a exclusão do simples faz parte do litígio. Este processo demorou para ser incluído em pauta, porque seu deslinde dependia do julgamento do processo 16408.001140/200656, que à época do sorteio, se encontrava no 3º Conselho de Contribuintes e que foi julgado em 31.08.2010, pela 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF. O resultado do julgamento naquele processo é o seguinte: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as nulidades suscitadas, declarar a decadência das exigências relativas ao PIS e a COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Portanto, a 1ª Turma Especial de Julgamento considerou procedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL, e concluiu pela decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir a contribuição para o PIS e COFINS, de janeiro a outubro de 2001. Logo, ficou caracterizado que nesse anocalendário a contribuinte ultrapassou o limite da receita bruta para permanecer no regime do Simples. Referido processo encontrase no CARF, em razão da Procuradoria da Fazenda Nacional ter interposto recurso especial, cujo exame de admissibilidade ainda não ocorreu. Como se discute a exclusão do Regime do Simples nestes autos, e o lançamento foi efetuado no regime do lucro arbitrado, entendo ser mais prudente, que o processo retorne à Unidade de origem para aguardar a decisão final administrativa relativa ao processo 16408.001140/200656, cuja decisão final administrativa repercute neste processo. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.001139/200621 Resolução n.º 110200.119 S1C4T2 Fl. 11 11 Do exposto, oriento meu voto para converter o julgamento do recurso em diligência nos termos acima expressos. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Fl. 18DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000890/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1102-000.022
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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Recorrida 7ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJI NO RIO DE JANEIRORJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. (documento assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente. (documento assinado digitalmente) José Sérgio Gomes – Relator. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (Presidente à época), JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR (Vice Presidente), JOSÉ SÉRGIO GOMES (Relator), SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO, JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ e MANOEL MOTA FONSECA. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJI no Rio de Janeiro/RJ que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório do Delegado da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro/RJ que, por sua vez, não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2002 e, consequentemente, deixou de homologar compensação com débito desse mesmo tributo devido pelo regime do lucro presumido, vencido em 31/03/2003. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10070.000890/200331 Resolução n.º 1102000.022 S1C1T2 Fl. 210 2 A declaração de compensação (Dcomp) originária se deu em meio físico (papel) e foi protocolada em 12/05/2003, fls. 01/02, na qual apontase a existência de crédito na ordem de R$ 371.888,16. Analisandoa, concluiu a Delegacia da da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro/RJ que inexiste os apontado saldo credor em razão de 3 (três) motivos: i) a ficha nº 12A da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) aponta saldo negativo de tão somente R$ 176.294,40; ii) a contribuinte não teria ofertado à tributação toda a receita financeira que originou o imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que fez constar na DIPJ cifra inferior àquela informada por fontes pagadoras em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF); iii) a interessa deixou de apresentar os comprovantes de retenção do IRRF. Ressaltou, também, que houve equívoco na indicação do débito a ser compensado, já que consta na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a vinculação desta compensação com dívida de IRPJ de código de receita diverso (estimativa). Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade aduzindo que o crédito pretendido compõese de três parcelas, sendo R$ 62.083,48 de saldo negativo do anocalendário anterior (2001), mais os R$ 176.294,40 constantes na DIPJ e que resultam do imposto apurado no anocalendário de 2002 subtraído das retenções de fonte e, finalmente, R$ 133.598,01 decorrentes de dois recolhimentos de antecipações (estimativas) efetuados em 05/07/2002 e 16/07/2002. Aduziu, também, que o fato dessas discriminações não virem em separado por ocasião da apresentação da Declaração de Compensação (Dcomp) não é causa ou motivo para se negar o direito à restituição, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Nacional, bem assim, que o valor das receitas financeiras informado na DIPJ já se encontra deduzido das despesas financeiras, daí a razão de se encontrar inferior à informada pelas DIRFs. Embora não tenha tecido maiores comentários sobre a divergência em relação ao código de receita do débito de IRPJ pretendido na compensação, se quota de lucro presumido (2089) ou estimativa (2362), noticiou que a pretensão diz respeito ao trazido “Documento 02”, o qual se encontra encartado à fl. 85 e espelha DCTF do primeiro trimestre de 2003 indicando débito de estimativa do mês de fevereiro de 2003, apurada com base em balanço de suspensão. Aquela 2ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal, registrando que o pedido da agora noticiada parcela de R$ 62.083,48 está fora do objeto da lide e que cumpre à Administração verificar o crédito caracterizado na petição inicial, a par da eventual análise da procedência ou não do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 importaria em supressão de instância. Relativamente à parcela de R$ 176.294,40 disse que a correta apuração do lucro líquido implica na escrituração de todas as receitas e despesas financeiras, devidamente comprovadas pela apresentação de toda documentação que suporte os lançamentos registrados, e não por valores já consolidados como pretendido pela contribuinte, os quais, inclusive, apresentam inconsistências. Por fim, negou validade à parcela de R$ 133.598,01, afeta aos dois recolhimentos de estimativa, ao pressuposto de que a apuração do IRPJ restou comprometida e, por conseqüência, a determinação do apontado saldo negativo. Ciente do decisório em 16 de março de 2009, fl. 174v., a contribuinte apresentou em 13 do mês seguinte o recurso voluntário de fls. 175/207 aduzindo que o Acórdão recorrido deixou de aplicar matéria de ordem pública, isto é, não reconheceu a decadência do direito da Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10070.000890/200331 Resolução n.º 1102000.022 S1C1T2 Fl. 211 3 União em razão do decurso do prazo de 5 (cinco) anos para analisar a Dcomp, assim fixado pelo artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, eis que a mesma foi protocolada em 12 de maio de 2003 e a ciência da não homologação da compensação só ocorreu em 12 de maio de 2008, quando o prazo legal já havia se exaurido em 09 de maio anterior. Quanto ao mérito, reafirma suas razões apresentadas na manifestação de inconformidade, acrescendo que a Turma recorrida se pautou em formalismos e ilações para não homologar a compensação, sem proceder a uma análise mais acurada, e que eventuais equívocos na formulação do pedido ou elaboração de alguns documentos não podem afastar o direito creditório efetivamente existente, sendo a busca da verdade material o corolário do processo administrativo fiscal. Ao final, requer o reconhecimento da fluência do prazo decadencial bem assim do direito da compensação, sem prejuízo da realização de diligência fiscal em suas dependências, se necessário. É o relatório, em apertada síntese. Voto vencido Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, entendo desnecessária a realização de diligências, eis que em tema de repetição tributária direta (restituição) ou indireta (compensação) recai sobre a contribuinte (peticionária) o ônus da prova na constituição do direito que alega possuir, qual seja, a demonstração de que pagou tributo indevido ou a maior que o devido, assim consubstanciada no dever de trazer aos autos todos os elementos necessários à formação do juízo pretendido. Por sua vez, o princípio da verdade material que governa o processo administrativo não vai a ponto de obrigar o Fisco na produção de provas a favor da Requerente, salvo aquelas que for do conhecimento da Administração e conste de seus registros. No que toca à aventada ocorrência da homologação tácita de que fala o artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não observo a ocorrência do fenômeno porquanto o tempo contado entre o aviamento da declaração de compensação, ocorrida em em 12 de maio de 2003, e a ciência do despacho decisório que não a homologou, havida em 12 de maio de 2008, não ultrapassou o prazo de 5 (cinco) anos. Aplicandose as regras de contagem insertas no artigo 210 do CTN e artigo 66, § 3º, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, quais sejam, que se exclui o dia de início e inclui se o dia final, bem como, que na fixação de prazo em meses e anos contase data a data, apercebese que em 12 de maio de 2008, quando se ultimou o ato administrativo, não se encontrava perecido o direito fiscal em decretar a não homologação do encontro de contas. No que diz respeito ao invocado crédito de saldo negativo do IRPJ de ano calendário anterior, entendo acertado o entendimento esposado pela decisão recorrida no sentido da impossibilidade de sua apreciação nestes autos. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10070.000890/200331 Resolução n.º 1102000.022 S1C1T2 Fl. 212 4 Com efeito, o pedido de restituição deve ser certo no tocante à sua natureza, bem assim em relação ao seu quantum, não sendo de se admitir, ao menos até a decisão da primeira autoridade que dele conhecer, que esses parâmetros sejam alterados, ou na melhor hipótese adequados, ambas segundo as respostas apresentadas pela Administração. No caso dos autos a Requerente deduziu que o saldo negativo de IRPJ pretendido referiase ao anocalendário de 2002. Assim, suficientemente delimitada a natureza do indébito, não há espaço para que o litígio desborde para questões afetas a outros tributos ou, como no caso dos autos, atraiam períodos de apuração diversos, porque igualmente diversas serão as circunstâncias ou elementos que cercam ou formam o novo e eventual indébito fiscal. Esses requisitos igualmente se aplicam ao Fisco quando a relação é oposta, na prática do ato administrativo tendente a exigência de crédito tributário, é dizer, não é dado à Administração modificar, ao longo do processo fiscal, a natureza, quantum e período de apuração do tributo exigido, incumbindolhe o dever de, em casos tais, proceder a um novo lançamento ou lançamento suplementar. Não se trata, pois, de mero erro de fato no preenchimento da declaração de compensação, mas sim de verdadeira inovação no decorrer do processado, cuja apreciação pelas instâncias julgadoras implicaria em patente supressão da autoridade fiscal competente para apreciar o pedido originariamente. Noutras palavras: as instâncias julgadoras apreciam a negativa ou a concessão (recurso de ofício) entregues pela autoridade fiscal competente ao Administrado, falecendolhes competência legal para fazer as vezes desta. Ultrapassada estas questões, não há maiores entraves na compreensão de que a regra de apuração do IRPJ com base no lucro real deva se realiza nos trimestres civis do ano calendário mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, consoante dispõe o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Há, também, a alternativa concedida pelos artigos 222 e 223 do RIR/99 para que o tributo seja apurado anualmente, em balanço patrimonial levantado em 31 de dezembro, cujo exercício se dá com recolhimentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo certo que em determinados tipos de atividade econômica dito percentual poderá ser de um inteiro e seis décimos por cento; dezesseis por cento ou trinta e dois por cento. Apurado o imposto devido no trimestre ou no ano, mediante o levantamento do balanço patrimonial, permitese deduzir, entre outros elementos, as antecipações efetuadas, quais sejam, as parcelas do imposto de renda retido por fontes pagadoras de rendimentos e as estimativas, estas no caso de empresas optantes pelo lucro real anual. Acaso a somatória dessas quantias ultrapassar o valor do tributo devido estará exteriorizada a figura do saldo de imposto a ser compensado (RIR, art. 231), também chamado de saldo negativo de IRPJ, este sim passível de restituição ou compensação com o próprio IRPJ ou outros tributos e sobre o qual incidirão juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados entre o mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que for restituído ou em que foi entregue a declaração de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10070.000890/200331 Resolução n.º 1102000.022 S1C1T2 Fl. 213 5 compensação. Inversamente, é dizer, em sendo o valor das antecipações inferior ao do tributo apurado no balanço, afigurase o saldo de imposto a pagar. Por sua vez, a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), por si só, não têm o condão de formatar crédito contra a Fazenda Nacional, pois, embora provada a declaração não assim os fatos nela consignados. Significa dizer, então, que o indébito postulado há de repousar em provas de sua efetiva existência, revestindose a DIPJ de simples elemento de composição. No caso presente, tenho que a negativa no reconhecimento do direito postulado ante a inexistência dos informes de retenção na fonte não há de ser levada em conta, já que o próprio Fisco detém esta informação nas DIRFs, fls. 21/23, as quais indicam o valor do IRRF suportado pela contribuinte, cuja expressão é idêntica àquela feita constar na linha 13 da ficha 12A da DIPJ/2003. Por sua vez, é certo que há inconsistência no valor das receitas financeiras que geraram essas retenções, na medida em que a contribuinte declarou a cifra de R$ 4.871.888,59 e as DIRFs indicam a quantia de R$ 5.561.135,32. Em casos tais costumam as discussões desbordarem para o fato do reconhecimento da receita ter se operado pelo regime contábil de competência, de forma que a parcela correspondente à diferença, declarada a menor, já teria constado em declarações de períodos anteriores. Aqui, diversamente, disse a Recorrente que a insuficiência se prende ao fato da importância apresentada já se encontrar deduzida de despesas financeiras, o que, a propósito, contraria regras de contabilidade e também a metodologia ofertada pela DIPJ, a qual reserva campos próprios para a indicação de despesas (ficha 06A, linhas 31 e seguintes). Fato é que, tanto numa como noutra hipótese, a solução se dá pela análise de provas. Entrementes, impõese reconhecer que na data em que ultimado o despacho decisório, em 12/05/2008, já tinham decorridos 5 (cinco) anos contados do fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica, de sorte que o lucro real apurado em 31 de dezembro de 2002 e informado pela contribuinte em sua DIPJ não mais comportava imputações fiscais de inexatidão, salvo a existência de declaração retificadora em que se aumentou o saldo negativo anteriormente informado, hipótese de reinício do prazo de análise. Noutras palavras: assim como revelarseia ineficaz eventual lançamento, em face da decadência do direito de lançar a que alude o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, não mais surte qualquer efeito a declaração Fiscal de que o lucro declarado é inverídico e o imposto de que lhe decorreu revela se aquém do devido. Nesta circunstância, penso que o exame de identificação de saldo negativo restringese à apuração da efetividade e quantificação das antecipações, seguindose a contraposição destas com o imposto (antes das deduções) declarado. Em conseqüência, prospera a pretensão creditória pelas parcelas de R$ 176.294,40 e R$ 133.598,01 correspondentes, respectivamente, ao saldo negativo expressado na DIPJ, fruto da contraposição entre o valor do IRPJ devido em 31/12/2002 e a quantia do IRRF alinhavada anteriormente, e aos dois recolhimentos de estimativa, cujos comprovantes encontramse às fls. 163/164, nada obstante não terem sido originariamente indicados na DIPJ. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10070.000890/200331 Resolução n.º 1102000.022 S1C1T2 Fl. 214 6 Finalmente, e levandose em conta que a Dcomp em comento não constitui confissão de dívida, vez que aviada anteriormente a 31 de outubro de 2003, data da Medida Provisória nº 135, acatase que o débito visado no encontro de contas diz respeito à estimativa do mês de fevereiro de 2003, código de receita nº 2362, eis que a DCTF de fl. 85 expressamente registra vinculação ao este processo administrativo. Com tais razões, VOTO pela rejeição da preliminar de homologação tácita e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer o direito creditório contra a Fazenda Nacional, relativo a saldo credor de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 309.892,41, seguindose a homologação da compensação que lhe decorrer. José Sérgio Gomes Voto vencedor No tocante à necessidade de realização de diligência fiscal para comprovação do crédito tributário no montante de R$ 62.083,48 (sessenta e dois mil e oitenta e três reais e quarenta e oito centavos), referente ao saldo negativo do ano calendário de 2001, peço vênia para discordar do voto proferido pelo ilustre Relator. O presente caso trata de Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte com o intuito de compensar débitos com crédito de saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 371.888,16 (trezentos e setenta e um mil e oitocentos e oitenta e oito reais e dezesseis centavos). Entretanto, foi emitido despacho decisório pela DERAT/DIORT não reconhecendo o direito creditório e, portanto, não homologando as compensações sob o fundamento de que: (i) não foi oferecida à tributação a totalidade da receita financeira apurada com base na DIRF e (ii) não foram apresentados comprovantes da retenção do imposto de renda. A contribuinte, ora Recorrente, apresentou manifestação de inconformidade, na qual informou que o crédito de R$ 371.888,16 é decorrente de outros créditos: (i) R$ 62.083,48 decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001, oriundo de recolhimento de IRRF, (ii) R$ 176.294,40 decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002 e (iii) R$ 133.598,01 decorrente de dois recolhimentos IRPJ – estimativa, realizados no exercício de 2002. Ocorre que, a DRJ do Rio de Janeiro deixou de analisar o crédito correspondente a R$ 62.083,48 sob a alegação de que o erro no preenchimento da Declaração de Compensação impossibilitava a verificação do pleito, bem como porque entendeu que a informação de que o saldo negativo se referia a ano calendário anterior configurou inovação no pedido da contribuinte e a análise caracterizaria supressão de instância. Entendo que não merece prevalecer o entendimento da DRJ quanto ao crédito relativo ao saldo negativo do ano calendário de 2001 e, isto porque, a contribuinte não alterou o valor do crédito a ser compensado, mas apenas esclareceu a origem dos créditos, bem como trouxe aos autos indícios que corroboram com suas alegações, principalmente, com a apresentação da DIPJ 2002 (fls. 112). Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10070.000890/200331 Resolução n.º 1102000.022 S1C1T2 Fl. 215 7 Portanto, no caso dos autos, entendo pela necessidade da realização de diligência fiscal para confirmação da existência do crédito relativo ao saldo negativo (ano calendário 2001) no montante de R$ 62.083,48 e, no caso da confirmação da existência do crédito, para que se verifique se este não foi utilizado em outros períodos. Desta feita, voto no sentido de converter o julgamento em diligência. João Carlos de Lima Junior – Redator Designado. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/02/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 2/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE SERGIO GOMES , Assinado digitalmente em 10/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10930.908062/2016-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Dec 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.
É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas situações em que bens e serviços são adquiridos em operações beneficiadas: (i) com não incidência, incidência com alíquota zero ou com suspensão das contribuições; (ii) com isenção das contribuições e posteriormente: (ii.1) revendidos; ou (ii.2) utilizados como insumo na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que sejam vendidos ou prestados em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS SOBRE VALE-PEDÁGIO.
Não havendo incidência das contribuições sociais não-cumulativas sobre o valor do valepedágio, conforme determina o art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3402-009.412
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.407, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10930.908052/2016-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: Lázaro Antônio Souza Soares
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INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas situações em que bens e serviços são adquiridos em operações beneficiadas: (i) com não incidência, incidência com alíquota zero ou com suspensão das contribuições; (ii) com isenção das contribuições e posteriormente: (ii.1) revendidos; ou (ii.2) utilizados como insumo na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que sejam vendidos ou prestados em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS SOBRE VALE-PEDÁGIO. Não havendo incidência das contribuições sociais não-cumulativas sobre o valor do vale-pedágio, conforme determina o art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-009.407, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10930.908052/2016-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Cynthia Elena de Campos, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luís Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 80 62 /2 01 6- 90 Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS Não- Cumulativa – Mercado Interno, n° 28938.34255.300115.1.1.11-9986, relativo ao 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 405.557,56.. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: (1) No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, aplica-se o conceito de insumo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, o qual tem efeito vinculante para a Receita Federal do Brasil - RFB (§§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002; art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014; Nota Explicativa PGFN nº 63/2018; e Parecer Normativo COSIT nº 05/2018); No referido julgado, restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte; O critério da essencialidade refere-se ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; O critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal; (2) As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições, seja a título de despesas com armazenagem e frete na operação de venda, seja a título de despesas com aquisição de bens para revenda ou de insumos da produção; (3) É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos bens e serviços adquiridos em operações beneficiadas com não incidência, incidência com alíquota zero ou com suspensão das contribuições. O mesmo ocorre em relação aos bens adquiridos em operações beneficiadas com isenção das contribuições e posteriormente revendidos ou utilizados como insumo na elaboração de produtos vendidos em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ, apresentou Recurso Voluntário basicamente repisando os argumentos já expostos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Inicialmente, tendo em vista que parte do presente processo tem por objeto verificar se determinadas aquisições do sujeito passivo se enquadram no conceito de insumos para fins de creditamento de PIS e de COFINS no regime não-cumulativo, deve-se determinar qual o conceito de insumos a ser utilizado e quais as condições para analisar a subsunção de cada produto a este conceito. A matéria foi levada ao Poder Judiciário e, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos, datado de 22/02/2018, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o conceito de insumos no âmbito do PIS e da COFINS deve se pautar pelos critérios da essencialidade e relevância dos produtos adquiridos em face à atividade econômica desenvolvida pela empresa, nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, (...). DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. (...). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. O conceito de essencialidade e de relevância pode ser extraído do voto da Min. Regina Helena Costa, no julgamento deste mesmo REsp nº 1.221.170/PR, cujos fundamentos foram adotados pelo Relator em sua decisão: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência. (...) Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. (...) Todavia, a aferição da essencialidade ou da relevância daqueles elementos na cadeia produtiva impõe análise casuística, porquanto sensivelmente dependente de instrução probatória, providência essa, como sabido, incompatível com a via especial. A partir do quanto decidido pelo STJ, observa-se que toda a análise sobre os bens que podem gerar crédito se refere à essencialidade e relevância destes dentro do processo produtivo, como indicam os trechos acima destacados em negrito. Imaginar que dispêndios fora deste possam gerar crédito significaria admitir que as aquisições para setores administrativos, que também são essenciais e relevantes para qualquer empresa, igualmente gerariam créditos. I - DAS GLOSAS REALIZADAS PELA FISCALIZAÇÃO I.1 AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO Conforme a Informação Fiscal às fls. 232/233, a empresa requerente efetuou a aquisição de mercadorias (calcário – NCM 25309090) para revenda aos seus associados no período, tendo aproveitado normalmente o crédito das contribuições ao PIS e Cofins. Referido produto está sujeito à alíquota zero, conforme art. 1º, IV, da Lei nº Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 10.925/2004, e assim procedeu o vendedor (CYSY Mineração Ltda), de acordo com consulta efetuada em notas fiscais por ele emitidas. Seguindo o que determina o artigo 3º, da Lei 10.637/2002, parágrafo 2º, que dispõe que não dará direito ao crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, os valores foram desconsiderados no demonstrativo elaborado pela fiscalização. A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade, mantendo as glosas, com base nos fundamentos levantados pela Autoridade Fiscal. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: Ocorre, caros julgadores, que a decisão em primeira instância não levou em consideração a natureza substancial do item mencionado, retratando-o como bem para mera revenda; quando, na realidade, constituí ato do processo produtivo da empresa, de modo a efetivamente qualificar-se como matéria prima – ou, em outras palavras, insumo. Vale ressaltar que o próprio acordão ora combatido destaca a importância e o novo conceito adotado para classificação dos insumos (critérios da essencialidade ou relevância), mas esqueceu-se, no entanto, de aplicá-lo ao caso concreto. Se analisada a essência da atividade social da Recorrente (Cooperativa Agroindustrial) junto ao item glosado (calcário), percebe-se que a glosa sobre os valores gastos com esse produto é nítido flagrante aos direitos creditórios pleiteados. (...) Ademais, essa matéria prima está sob a incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o contribuinte mesmo quando adquire tributo a alíquota zero, paga embutido no preço o tributo indiretamente para empregar no respectivo processo produtivo. Por esta razão, a Recorrente tem direito ao creditamento de PIS e de Cofins sujeitos a alíquota zero, uma vez que estes foram sujeitos a incidência em cascata nas etapas anteriores a circulação. Neste sentido, segue entendimento proferido pelo CARF, vejamos: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Mesmo as aquisições de insumos, de não contribuintes das contribuições em causa (PIS/PASEP e COFINS) dão direito ao credito presumido, considerando- se que em etapas anteriores, tais contribuições oneram, em cascata, o custo do produto a ser exportado e te sua incidência embutida nas operações anteriores. (Recurso n° 129856-Terceira Câmara Processo n° 13527.000092/200120 - Sessão de 10/08/2005) Desta forma, a operação - ora em discussão- não se trata de operação não sujeita ao pagamento das contribuições, pois são sujeitas ao pagamento, mas à alíquota zero, e por esta razão não se alinham a vedação mencionada. Contudo, resta equivocado o entendimento do Recorrente. Com efeito, como bem observado pela decisão de piso, as leis que regem o regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS – Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 – são extremamente claras ao estabelecer que a aquisição de bens ou serviços não Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 sujeitos ao pagamento da contribuição (situação que abrange as hipóteses de imunidade, não incidência, alíquota zero e isenção), em regra, não dão direito a crédito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (…) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (…) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) A única exceção, ou seja, a única hipótese de aquisição de bens não sujeitos ao pagamento de contribuição que permite a apuração de créditos, segundo se depreende de interpretação contrario sensu da parte final do dispositivo, é o caso de aquisição de bens alcançados por isenção, apenas quando utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos ao pagamento de contribuição. A DRJ cita o entendimento da Receita Federal sobre a matéria e conclui pela impossibilidade de creditamento: Nesse sentido, cumpre mencionar o entendimento constante da Solução de Consulta COSIT nº 227, de 12/05/2017, publicada no DOU em 18/05/2017 (a qual tem efeito vinculante no âmbito da RFB, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa n° 1.396/2013): (...) 9.1. Como o não pagamento das contribuições abrange as hipóteses de não incidência, incidência com alíquota zero, suspensão ou isenção, esse texto legal determina que, nessas situações, como regra geral, a aquisição dos bens ou serviços decorrentes dessas operações não gera direito à apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, independentemente da destinação dada pelo adquirente a esses bens. 10. A segunda parte desse dispositivo (inclusive no caso de isenção, esse último [...] pela contribuição) destaca que a isenção é uma dessas operações de fornecimento não sujeitas ao pagamento das contribuições e determina que, nos casos de aquisição de bens ou serviços cuja operação foi contemplada com isenção das contribuições (apenas neles), a regra geral de não apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica restrita às situações em que os bens ou serviços fornecidos sejam: a) revendidos (em qualquer hipótese); ou b) utilizados como insumos na elaboração de produtos ou serviços que sejam vendidos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com isenção dessas contribuições. 10.1 Assim, a contrario sensu, a vedação à apropriação de créditos da Contribuição do PIS/Pasep e da Cofins em caso de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não se aplica às situações em que Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 bens e serviços sejam adquiridos com isenção e, posteriormente sejam utilizados como insumos na elaboração de produtos ou serviços que sejam vendidos em operações sujeitas ao pagamento da Contribuição do PIS/Pasep e da Cofins. 11. Sistematizando o que foi dito anteriormente, tem-se que é vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas situações em que bens e serviços são adquiridos em operações beneficiadas: a) com não incidência, incidência com alíquota zero ou com suspensão das contribuições; b) com isenção das contribuições e posteriormente: b.1) revendidos; ou b.2) utilizados como insumo na elaboração de produtos ou na prestação de serviços que sejam vendidos ou prestados em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. Portanto, mostra-se correta a glosa efetuada pela autoridade fiscal, em relação às aquisições de bens sujeitos à alíquota zero destinados à revenda para os associados do contribuinte. Trata-se de aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, portanto não há direito a créditos, nos termos do dispositivo legal e da Solução de Consulta acima mencionados, aos quais esta instância de julgamento encontra-se vinculada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido. I.2 CUSTOS COM VALE PEDÁGIO Alega o Recorrente que os custos com “vale pedágio” devem compor a base de cálculo dos créditos, com base nos seguintes fundamentos: Já quanto à natureza das despesas com vale pedágio, reforça-se a necessidade de compreensão da atividade social da Recorrente (Cooperativa Agroindustrial) e de seus atos perante seus associados (cooperados). (...) Tendo os elementos “cooperação” e “dimensão territorial” em vista, fica fácil perceber como as Cooperativas Agroindustriais apresentam um modus operandi distinto de uma Sociedade Empresarial – e, por consequência, devem ser reconhecidas possibilidades de despesa de maneira distintas entre Cooperativas e Sociedades Empresariais. Dentro desse cenário, encontram-se as despesas com vale pedágio, usualmente utilizadas para locomoção entre a propriedade de um cooperado para a propriedade de outro, facilitando a interação entre os agentes e, sobretudo, proporcionando a produção de cada unidade cooperada. Sobre o tema, vale destacar a Solução de Consulta COSIT nº 228/2019, que autoriza o creditamento sobre as despesas com pedágio e seguros, quando suportados pelo contratante do serviço de frete, vejamos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. RASTREAMENTO DE CARGAS E DE VEÍCULOS. Geram direito ao desconto de crédito da não cumulatividade da COFINS, na modalidade aquisição de insumos, os valores despendidos com pagamentos a pessoas jurídicas com segurança automotiva de Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 veículos de transporte de cargas (rastreamento/monitoramento), por se coadunarem com os critérios da essencialidade e relevância trazidos pelo Superior Tribunal de Justiça. VALE-PEDÁGIO OBRIGATÓRIO. TRANSPORTE DE CARGAS. Em se tratando de pessoa jurídica que tenha como atividade o transporte rodoviário de cargas e que esteja submetida ao regime de apuração não cumulativa da COFINS, os gastos com vale-pedágio obrigatório suportados pela própria transportadora podem ser considerados insumos para a prestação do serviço de transporte de cargas, permitindo a apuração do crédito previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Nesta hipótese, é vedada a exclusão da base de cálculo da contribuição apurada pela transportadora dos valores relativos à aquisição de vale-pedágio, pois não se amoldam à previsão do art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001. (...) Outro ponto a ser levantado é que, diverso do que indicado pelo r. acórdão combatido, os custos com vale pedágio não são utilizados meramente para revenda, mas compõem as despesas para aquisição dos produtos que serão utilizados no desenvolvimento agroindustrial da Recorrente. Em todos os setores, o transporte de insumos é parte essencial do processo produtivo da empresa. Em sociedades empresariais, devido à qualidade e natureza da contratação do serviço de transporte, as despesas com vale pedágio despontam como custos acessórios do custo principal do transporte – e por essa razão, não são percebidos como insumos propriamente ditos. Entretanto, não assiste razão ao Recorrente. Com efeito, o art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001, dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete e nem constitui base de incidência de contribuições sociais: Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Tendo em vista a vedação acima, deve ser aplicado ao caso o disposto no art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.637, de 2002, segundo o qual não dará direito ao crédito a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Este foi o entendimento da Autoridade Fiscal, mantido pela decisão do órgão a quo. Trata-se de disposição literal de lei. Neste sentido, trago precedente deste Conselho, em decisão unânime, no Acórdão nº 3403-002.959, sessão de 25/04/2014: Quantos aos dispêndios com pedágios, atente-se para o fato de que a exploração de rodovia mediante cobrança de preço ou pedágio dos usuários, envolvendo execução de serviços de conservação, manutenção, Fl. 560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 melhoramentos para adequação de capacidade e segurança de trânsito, operação, monitoração, assistência aos usuários e outros serviços definidos em contratos, atos de concessão ou de permissão ou em normas oficiais, consta do item 22-01 da lista anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003, configurando-se como prestação de serviço. A Administração Tributária Federal admite a tomada de crédito sobre o valor dos pedágios pagos por sociedades prestadoras de serviços de transporte rodoviário de cargas, quando o transportador não utilizar o benefício do art. 2° da Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001. Nesse sentido (negritei): (...) Portanto, quanto à tomada de crédito sobre pedágios, dê-se provimento ao recurso, para admitir a dedução das contribuições devidas com créditos calculados sobre o valor dos pedágios pagos, desde que não tenha havido o prévio ressarcimento com vales-pedágios. Já quanto ao vale-pedágio, a Lei nº 10.209, de 2001, que o criou, previu expressamente, em seu art. 10, que seu valor não integra o do frete e não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem consituirá base de cálculo de contribuições sociais: A Instrução Normativa SRF nº 247 de 21 de novembro de 2002, regulamentou o dispositivo: Confira-se o art. 2°: (...) Ora, não havendo incidência das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor do vale-pedágio, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Quanto à Solução de Consulta COSIT nº 228/2019, verifico que este diploma normativo estabelece que, em se tratando de pessoa jurídica que tenha como atividade o transporte rodoviário de cargas e que esteja submetida ao regime de apuração não cumulativa da COFINS, os gastos com vale-pedágio obrigatório suportados pela própria transportadora podem ser considerados insumos, ao contrário do que afirma o Recorrente ao alegar que autoriza o creditamento quando suportados pelo contratante do serviço de frete. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.412 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908062/2016-90 Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 562DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13830.001143/2002-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 1999
CSLL. COMPENSAÇÃO COM 1/3 DA COFINS.
Não tendo havido o efetivo pagamento da Cofins, incabível a compensação de 1/3 de seu valor com a CSLL devida no mesmo período.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1999
ANULAÇÃO DE ATO ILEGAL. MULTA ISOLADA. COMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUNAL ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE LEGALIDADE.
O CARF não pode anular de ofício atos considerados ilegais com base no art. 53 da Lei nº 9.784/99 por não atuar como Administração Tributária, mas como seu órgão de controle. Além disso, não pode o CARF aplicar enunciado de súmula sobre matéria não ventilada pelo contribuinte em impugnação, face à preclusão.
Numero da decisão: 1302-005.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto (Relator), Flávio Machado Vilhena Dias e Cleucio Santos Nunes, que votaram por dar provimento ao recurso, para afastar a exigência da multa isolada imposta pela falta de pagamento da estimativa de CSLL do mês de março de 1999. A Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert ficou designada como Redatora do voto vencedor em relação à matéria em que o Relator foi vencido.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
(documento assinado digitalmente)
Fabiana Okchstein Kelbert - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lucia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 1999 CSLL. COMPENSAÇÃO COM 1/3 DA COFINS. Não tendo havido o efetivo pagamento da Cofins, incabível a compensação de 1/3 de seu valor com a CSLL devida no mesmo período. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1999 ANULAÇÃO DE ATO ILEGAL. MULTA ISOLADA. COMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUNAL ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE LEGALIDADE. O CARF não pode anular de ofício atos considerados ilegais com base no art. 53 da Lei nº 9.784/99 por não atuar como Administração Tributária, mas como seu órgão de controle. Além disso, não pode o CARF aplicar enunciado de súmula sobre matéria não ventilada pelo contribuinte em impugnação, face à preclusão.
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(SUCESSORA DE USINA NOVA AMÉRICA S/A) IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 1999 CSLL. COMPENSAÇÃO COM 1/3 DA COFINS. Não tendo havido o efetivo pagamento da Cofins, incabível a compensação de 1/3 de seu valor com a CSLL devida no mesmo período. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1999 ANULAÇÃO DE ATO ILEGAL. MULTA ISOLADA. COMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUNAL ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE LEGALIDADE. O CARF não pode anular de ofício atos considerados ilegais com base no art. 53 da Lei nº 9.784/99 por não atuar como Administração Tributária, mas como seu órgão de controle. Além disso, não pode o CARF aplicar enunciado de súmula sobre matéria não ventilada pelo contribuinte em impugnação, face à preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcelo Cuba Netto (Relator), Flávio Machado Vilhena Dias e Cleucio Santos Nunes, que votaram por dar provimento ao recurso, para afastar a exigência da multa isolada imposta pela falta de pagamento da estimativa de CSLL do mês de março de 1999. A Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert ficou designada como Redatora do voto vencedor em relação à matéria em que o Relator foi vencido. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 11 43 /2 00 2- 88 Fl. 447DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.997 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13830.001143/2002-88 (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregorio, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lucia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert, e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, com amparo no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. O litígio tem por objeto lançamento de ofício da CSLL relativa ao fato gerador ocorrido em 31/12/1999, bem como de multa isolada imposta por falta de pagamento da estimativa da CSLL do mês de março de 1999. Conforme relatado no auto de infração (e-fl. 7 e ss.), as exigências acima referidas têm origem em revisão interna da DCTF por meio da qual constatou-se que o sujeito passivo compensou parte da CSLL devida no ano-calendário de 1999 com 1/3 da Cofins, conforme autorizado pelo art. 8º da Lei nº 9.718/98. Todavia, restou também constatado que a Cofins utilizada nessa compensação não havia sido "efetivamente paga", mas sim compensada com direito creditório oriundo de pedidos de restituição referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IPI, os quais haviam sido indeferidos no âmbito dos processos n os 13826.000383/98-87, 13826.000412/98-83 e 13826.000460/98-26, razão pela qual não poderiam ter sido utilizados na compensação com a CSLL ora sob exame. Em face dessa exigência o sujeito passivo propôs impugnação ao lançamento (e- fl. 53 e ss.) onde alega, em síntese, que interpôs recurso voluntário contra as decisões de 1º grau proferidas nos processos n os 13826.000383/98-87, 13826.000412/98-83 e 13826.000460/98-26, que negaram os pedidos de restituição do IPI, razão pela qual o curso do presente processo deve ser sobrestado até que sobrevenham decisões definitivas nos 3 (três) processos antes referidos. Levados aos autos a julgamento, a DRJ de origem resolveu sobrestar o curso do presente processo até que os pedidos de restituição do IPI fossem julgados "pelo Segundo Conselho de Contribuintes nos processos administrativos n° 13826.000383/98-87, 13826.000412/98-83, 13826.000460/98-26" (e-fl. 156 e ss.). Julgados os 3 (três) recursos voluntários pelo Segundo Conselho de Contribuintes, os presentes autos retornaram à DRJ que, então, decidiu por manter o lançamento, ao argumento de que os 3 (três) pedidos de restituição de IPI haviam sido indeferidos (e-fl. 211 e ss.). Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (e-fl. 227 e ss.) onde alega, em síntese, que não há decisão definitiva nos 3 (três) processos antes referidos, pois opôs embargos de declaração, ainda não julgados, em face das decisões de 2º grau ali proferidas, e que ainda cabe a interposição de recurso especial. Nesse sentido, pede que (i) seja dado provimento ao presente recurso voluntário, haja vista que a jurisprudência da CSRF lhe é favorável quanto ao pedidos de restituição de IPI, ou que, caso assim não se entenda, (ii) seja declarada a nulidade da decisão de 1º grau, para que Fl. 448DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.997 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13830.001143/2002-88 aguarde decisão definitiva nos 3 (três) processos de restituição de IPI, ou ainda, subsidiariamente, (iii) seja cancelada a multa isolada. Apreciado o recurso voluntário, a Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu "pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo fique sobrestado até a decisão final dos processos n os 13826.000383/98-87, 13826.000412/98-83 e 13826.000460/98-26" (e-fl. 297 e ss.). Em razão do trânsito em julgado dos 3 (três) processos antes referidos, os autos retornaram ao CARF para julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais previstos nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, logo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, quanto à preliminar de nulidade do acórdão recorrido suscitada no recurso voluntário, tal pedido deve ser indeferido, haja vista que a recorrente não demonstrou que lhe tenha causado prejuízo o fato de a DRJ de origem não ter aguardado a superveniência de decisão definitiva nos autos dos processos n os 13826.000383/98-87, 13826.000412/98-83 e 13826.000460/98-26, para só então proferir a sua decisão (pas de nullité sans grief). Quanto ao mérito, inicialmente deve-se ressaltar que, conforme se verifica nas cópias de peças processuais acostadas às e-fls. 367/445, não mais há possibilidade de interposição de qualquer recurso no âmbito dos processos n os 13826.000383/98-87, 13826.000412/98-83 e 13826.000460/98-26, daí porque tornaram-se definitivas as decisões contidas nos respectivos acórdãos n os 202-15.141 (e-fl. 367 e ss.), 202-15.306 (e-fl. 394 e ss.) e 202-15.139 (e-fl. 422 e ss.), todas no sentido de que decaiu o direito de o sujeito passivo pedir a restituição do IPI pago a maior ou indevidamente. Isso posto, uma vez que a Administração não reconheceu, em caráter definitivo, o alegado direito creditório do IPI empregado pelo sujeito passivo na compensação da Cofins, é de se concluir, também, que o valor correspondente a 1/3 dessa Cofins não poderia ter sido empregado pelo sujeito passivo para extinguir, por compensação, o débito da CSLL de que cuidam os presentes autos. Deve-se, portanto, manter o lançamento da CSLL referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1999. Quanto ao lançamento da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa de CSLL do mês de março de 1999, é de se dizer que a ora recorrente não se manifestou sobre essa matéria em sua impugnação ao lançamento, o que ensejou a aplicação do a seguir transcrito art. 17 do Decreto nº 70.235/72 pela DRJ de origem. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ocorre o CARF, por meio de sua Súmula nº 105, de observância obrigatória por parte da Administração Tributária, decidiu que, relativamente a fatos geradores ocorridos até Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.997 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13830.001143/2002-88 31/12/2006, é incabível a exigência da multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ/CSLL na hipótese em que também for exigida a multa de ofício pela falta de pagamento do IRPJ/CSLL devido ao final do respectivo ano-calendário, tal como se verifica nos presentes autos. Vejamos: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Isso posto ainda que o lançamento da multa isolada não tenha sido objeto da impugnação ao lançamento, entendo que, assentada a ilegalidade de sua exigência no caso dos presentes autos, deve ela ser afastada de ofício, nos termos do art. 53 da Lei nº 9.784/99, in verbis: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (g.n.) Tendo em vista todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência da multa isolada imposta pela falta de pagamento da estimativa de CSLL do mês de março de 1999. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Voto Vencedor Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Redatora designada. Em que pese a boa conduta adotada e a proposta de eficiência que se extrai do voto proferido pelo destacado Relator, concordou o colegiado, por maioria, com a impossibilidade de o CARF aplicar os enunciados de suas súmulas de ofício, no tocante à matéria que jamais fora invocada pelo contribuinte, nem em sua impugnação e tampouco no recurso voluntário. Invocou o relator para justificar seu voto o art. 53 da Lei nº 9.784/99, supra transcrito. Entendo que o mencionado dispositivo legal trata, contudo, de hipótese diversa dos autos. Isso porque partimos da premissa de que os tribunais administrativos, como é o caso deste CARF, representam órgãos de controle da legalidade dos atos da própria administração tributária, mas não atuam como tal. Tanto é assim, que o CARF não pode promover o cumprimento de suas decisões. Acresço que não é demais recordar que, embora enunciada formalmente como princípio, a legalidade no âmbito administrativo atua, em verdade, como regra (posto que não comporta qualquer tipo de ponderação com outros princípios), que se desdobra em outras duas regras materiais, a saber: não se admite ação administrativa contra a lei (supremacia da lei) e a administração só pode agir mediante autorização da lei (reserva legal ou legalidade estrita, em Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.997 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13830.001143/2002-88 matéria tributária). Assim, se à Administração Pública é dado anular os próprios atos maculados de ilegalidade (STF - Súmula 473), com mais razão deverá praticá-los em conformidade com a lei. Isso posto, a possibilidade, que se revela em dever de cancelar a multa isolada é conferida aos verdadeiros agentes da administração tributária. No caso, tanto a DRF quanto a DRJ podem determinar essa exclusão, por expressa determinação legal. O CARF, contudo, não dispõe dessa competência. Poderia o CARF, isso sim, reconhecer sem a provocação do recorrente, matérias conhecíveis de ofício, as quais por sua natureza podem e devem ser conhecidas em qualquer instância e grau, seja no âmbito judicial, seja no âmbito administrativo. Relembre-se, ademais, que o CARF é composto de forma paritária entre representantes da Receita Federal (agentes da administração pública) e representantes dos contribuintes (particulares). Conforme ensina Adamy: Uma das finalidades essenciais na conformação do procedimento administrativo em um Estado de Direito, consiste na participação de todos os indivíduos que tenham seus direitos afetados pela decisão. Essa participação deve consistir, no mínimo, na abertura a que o administrado possa tomar parte de forma efetiva e substancial, ou seja, para que possa participar e defender sua posição, com igual consideração pelos julgadores administrativos. 1 Esse é mais um argumento que aponta para a impossibilidade de o julgamento administrativo aplicar, de ofício, entendimento sumulado no CARF com a pretensão de rever ou anular ato ilegal. Além de faltar competência ao CARF para determinar de ofício o afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL, o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da eventualidade, expresso no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, o qual indica que matéria que não foi objeto de contestação na impugnação torna-se preclusa: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se infere, o Decreto nº 70.235/72 ao adotar o princípio da eventualidade, determinou que toda matéria litigiosa, de fato e de direito, deve ser arguida na impugnação. É o que se observa em decisão da lavra do ex-Presidente deste Colegiado, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: Numero do processo: 10980.013028/2006-78 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 BRT 2013 Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 BRT 2013 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Devem ser conhecidos os embargos relativamente à matéria suscitada no recurso voluntário e não apreciada pelo acórdão embargado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Face ao princípio da eventualidade, toda a matéria de defesa, seja de fato, seja de direito, deve ser 1 ADAMY, Pedro. O CARF como Tribunal paritário. In: Tributação federal: jurisprudência do CARF em debate. Coordenadores: BEVILACQUA, Lucas; CECCONELLO, Vanessa. Organizador: Michell Przepiorka. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020. p. 07-08. Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.997 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13830.001143/2002-88 suscitada na impugnação, sob pena de não poder ser conhecida na fase processual posterior. Não tendo sido impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal, pois esta fase processual visa ao atendimento do duplo grau de cognição, como corolário do princípio da ampla defesa. Preclusão caracterizada. [Grifo nosso] Numero da decisão: 1302-001.103 Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Não tendo sido aventada a ilegalidade da multa isolada em sede de impugnação, esta alegação terminou por precluir. Diga-se, por fim, que o processo administrativo também se sujeita à necessária dialeticidade recursal, que pressupõe o enfrentamento da decisão recorrida por meio de razões destinadas a rebater os fundamentos da decisão recorrida que justificam a sua reforma. Nas palavras de Araken de Assis, “é preciso que haja simetria entre o decidido e o alegado no recurso.” 2 Essa simetria é igualmente necessária por força da vinculação ao pedido, e invocar matéria não alegada pelo recorrente geraria, ademais, decisão extra petita (exceção feita àquelas matérias conhecíveis de ofício). Pelo exposto, com o devido respeito à posição do relator, entendo que o recurso não merece provimento. (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert 2 ASSIS, Araken de. Manual dos recursos. 9. ed. São Paulo: RT, 2017. p. 127. Fl. 452DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13888.000758/2005-74
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3801-000.012
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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MINISTÉRIO DA FAZENDA§ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO N,„,,i'000too ' Processo n° 13888.000758/2005-74 Recurso n° 139.869 Resolução te 3801-00.012 — l a Turma Especial Data 15 de junho de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TIAGO TEIXEIRA MARCONI - EPP Recorrida DRJ-Ribeirão Preto/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem nos termos do voto do relator. # 41.......9.0.....e ig~".(41•Np HENRIQUE PINHEIRO T5tRrS' - Presidente , HÉLCIO LAFETÁ R IS - Relator EDITADO EM: 10/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro 1 Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetá Reis. Relatório Em 2 de agosto de 2004, foi expedido pela DRF Piracicaba/SP o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/PCA n° 566.278 (fl. 11), que excluiu do Simples o interessado supra-identificado a partir de 1°/1/2004 por prestar serviços de "manutenção e reparação de aparelhos e utensílios para usos médico-hospitalares, odontológicos e de laboratório", com fundamento no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. ã 1 Processo n° 13888.000758/2005-74 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.012 Fl. 109 Não se conformando com a referida exclusão, o contribuinte apresentou "Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples" (fl. 10), que foi indeferida pela administração tributária (fl. 10 - verso) em face do exercício de atividades vedadas: "serviços de montagem de equipamentos industriais", considerado próprio de profissional de engenharia ou assemelhados. Inconformado com a decisão, apresentou impugnação (fls. 1 a 4), alegando, em síntese, que sua atividade é (...) Indústria e Comércio de Equipamentos para Laboratórios, CNAE 33103/02, dentro das quais também desenvolvendo industrialização para terceiros, recebendo as remessas dos produtos, consequentemente transformando, montando, aperfeiçoando, ou alterando o funcionamento dos equipamentos, com posterior devolução ao encomendante que por sua vez, fará a sua comercialização (fl. 2). A DRJ Ribeirão Preto/SP decidiu pelo indeferimento da solicitação (fls. 49 a 52), nos seguintes termos: As empresas que desenvolvem atividades de montagem industrial, manutenção, instalação de equipamentos, presta serviços de usina gem e assistência técnica no seguimento (sic), por ser atividades específicas de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples (fl. 49). Não resignado com a decisão de 1' instância administrativa, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 59 a 77) e requer o cancelamento da sua exclusão do Simples, repisando os mesmos argumentos. Ressalta, ainda, que tanto a Lei n° 9.317/1996, que instituiu o Simples, quanto a Lei Complementar n° 123/2006, que criou o Simples Nacional, não vedam a opção à sistemática simplificada de pagamento de tributos por parte de empresas que prestam serviços de manutenção em equipamentos industriais. Insurge-se, também, contra a retroação dos efeitos da exclusão operada por meio do Ato Declaratório Executivo n° 566.278, de 2 de agosto de 2004, tendo em vista que a opção ao Simples e os respectivos pagamentos não contestados consubstanciaram-se em ato jurídico perfeito, insuscetíveis de alteração com base em alterações legislativas supervenientes. É o Relatório. 2 Processo n° 13888.000758/2005-74 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.012 Fl. 110 Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETÁ REIS, Relator O recurso é tempestivo e reúne as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A exclusão da Recorrente do Simples ocorreu devido ao exercício de atividade de "manutenção e reparação de aparelhos e utensílios para usos médico-hospitalares, odontológicos e de laboratório", que, segundo a autoridade administrativa, se refere a serviço profissional de engenharia ou assemelhados, cujo fundamento legal é o art. 9 0, XIII, da Lei n° 9.317/96, in verbis: Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei) A Recorrente alega que opera nos setores de indústria e comércio de equipamentos para laboratórios, atividades essas que não seriam assemelhadas às próprias do profissional de engenharia, o que afastaria a aplicação do dispositivo legal acima transcrito. Como elementos de prova, a Recorrente traz aos autos cópia do Requerimento de Empresário (fl. 8) e da Declaração de Firma Individual (fl. 15), constando como objeto da firma individual as atividades de indústria/montagem e comércio de equipamentos para laboratórios. Não foram apresentadas cópias de notas fiscais de emissão da Recorrente ou outros documentos hábeis a esclarecer e comprovar a real atividade desempenhada, não sendo possível, portanto, com base tão-somente nos elementos presentes nos autos, concluir taxativamente pelo afastamento ou não da vedação prevista no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/96. Diante disso e considerando que a autoridade administrativa deve buscar a realidade dos fatos independentemente do alegado pelo contribuinte, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, com vistas a se obterem informações adicionais que possam esclarecer o real objeto da sociedade, com análise de sua escrituração contábil e fiscal, das notas fiscais emitidas a partir de janeiro de 2004, de contratos celebrados no mesmo período, bem como de quaisquer outros elementos que possam demonstrar a natureza dos serviços prestados pela Recorrente, se impeditivos ou não à opção pelo Simples. t4 mp HÉLCIO LAFETÁ REIS 3 Processo n° 13888.000758/2005-74 S2-C2T1 Resolução n.° 3801-00.012 Fl. 111 4
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Numero do processo: 19647.013203/2004-21
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1201-000.025
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência para atestar a validade dos documentos acostados aos autos juntamente com o recurso, nos termos do relatório e voto. Vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não o conhecia na parte relativa aos anos-calendários 1999 e 2000. Ausente justificadamente os conselheiros Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares Queiroz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19647.013203/2004-21 Recurso n° 157.627 Resolução n° 1201-00.025 — 2 Camara / la Turma Ordinária Data 09 de julho de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência para atestar a validade dos documentos acostados aos autos juntamente com o recurso, nos termos do relatório e voto. Vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que não o conhecia na parte relativa aos anos- calendários 1999 e 2000. Ausente *ustificadamente os conselheiros Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares as - Presidente. S. Antonio Carlo Gui oni F lho - Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmir Sandri, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Flávio Vilela Campos, Antonio Carlos Guidoni Filho,' Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz. i Processo n° 19647.013203/2004-21 S1-C2T1 Resolução n.° 1201-00.025 Fl. 2 Relatório Com base no permissivo do art. 33 do Decreto n. 70.235/72, HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S.A., sucessora por incorporação de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTA() DE CRÉDITO LTDA., interpõe recurso voluntário em face de acórdão proferido pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), assim ementado, verbis: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o ato administrativo de lançamento revestido de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. 0 não-recolhimento ou recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica et multa de oficio isolada prevista no art. 44, § 1", inciso IV, da Lei 9.430/96. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais, concomitantemente com a multa proporcional referente ao CSLL devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRRI Ano -calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO PELA INCORPORADORA. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, não permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja visa que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado. 0 ágio pago com fundamento em expectativa futura de lucro pode ser amortizado pela investidora, quando esta absorve o patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão desta última, a teor do disposto no inciso III do art. 386 do RIR, de 1999. Também a investida pode amortizar o referido ágio quando absorver o patrimônio da investidora (incorporação às avessas), a teor do inciso II do § 6° do mesmo artigo. Processo n° 19647.013203/2004-21 S1 -C2T1 Resolução n.° 1201 -000.25 Fl. 3 EFICÁCIA DOS ATOS JURÍDICOS. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. PROCEDÊNCIA. Carecem de eficácia os atos jurídicos em que a real intenção das partes não épor eles espelhada. Lançamento procedente." 0 caso foi assim relatado pela Turma da DRJ/REC recorrida, verbis: "Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o auto de infração das fls. 21 a 24, formalizando-se um crédito no montante de R$ 8.595.988,82, em virtude da constatação de recolhimentos a menor de estimativas mensais da CSLL. Os detalhes da ação fiscal estão descritos no Termo de Verificação Fiscal, ás fls. 32 a 51. Por agora, basta assinalar que o autuante elaborou o demonstrativo das fls. 51/52, considerando os valores apurados pela interessada, relativos et base de cálculo, incentivos fiscais, imposto de renda retido na fonte, e o IRPJ pago ou declarado em DCTF, ajustados pelos valores das infrações apontadas nos itens 1.2.1, 1.2.2, 2.3.1, 2.3.2, 2.4 e 4.2 do mencionado Termo, as quais, em apertada síntese, descrevemos a seguir: 1.1 — no ano-calendário de 2001, exclusão de R$ 62.155.035,13 no cálculo do lucro real apurado em 31/12/2001, a titulo de ágio já amortizado na empresa Comercial o Balaio S/A, decorrente de investimento efetuado por esta na empresa BR Participa cães e Empreendimentos S/A (item 1.2.1 do Termo de Verificação Fiscal); 1.2 — nos anos-calendário de 2002 e 2003, amortizações de ágio, decorrentes do investimento citado no item anterior, com a contrapartida em conta de (outras) despesas operacionais, no montante de R$ 64.261.985,27 (item 1.2.2 do Termo de Verificaça o Fiscal); 1.3 — no ano-calendário de 2002, exclusão de R$ 8.077.164,21 no cálculo do lucro real, apurado na DIPJ de 25/09/2002, a titulo de ágio já amortizado na empresa BPBR Empreendimentos Ltda., decorrente de investimento efetuado por esta na empresa Bomprego NA Supermercados do Nordeste (item 2.3.1 do Termo de Verificaceio Fiscal); 1.4 — nos periodos de maio a agosto e setembro a dezembro do ano- calendário de 2002, e no ano-calendário de 2003, amortizações de ágio, nos montantes de R$ 2.398.673,01, R$ 2.398.673,03 e R$ 7.196.019,04, respectivamente, decorrentes do investimento citado no item anterior (item 2.3.2 do Termo de Verificação Fiscal); 1.5 — dedução de despesas financeiras (variação cambial passiva e juros), nos montantes de R$ 169.247.693,34 e R$ 73.436.222,09, no período de abril a setembro do ano- calendário de 2002 (item 2.4 do Termo de Verificagão Fiscal). 1.6 —não-adição ao lucro liquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, de provisões do Pis e Cofins, com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, Processo no 19647.013203/2004-21 S1-C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 4 de 25 de outubro de 1966 (item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal). 2. Em virtude de as sobreditas infrações terem absorvido os prejuízos fiscais, apurados pela interessada nos anos-calendário de 2001 a 2002, ele glosou as compensações de prejuízos efetuadas nas DIPJs de 31/03/02 e 31/12/03, nos montantes de R$ 2.189.333,33 e R$ 15.751.048,50, respectivamente (item 2,5 do Termo de Verificação Fiscal). Da mesma forma, glosou as compensações de bases negativas de CSLL apuradas nos períodos encerrados em 31/08/2002 e 31/12/2002 (DIPJs de 25/09/2002 e 31/12/2002), em face das infrações descritas nos itens 1.2.2, 2.3.2 e 2.4 (item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal). 3, Devidamente intimada, a interessada apresentou impugnação, ets 181 a 226, contrapondo, inicialmente, como preliminar de nulidade, que o procedimento fiscal padeceria de vicio insanável, pois, no seu entender, não teria sido "aplicada a legislação pertinente, ocorrendo no caso vertente a existência de bitributação no tocante ás multas isoladas, bem como o procedimento fiscal referente à cisão não observou os requisitos formais expressos na Lei 6.404/76 (Lei de Sociedades por ações), Instrução CVM n° 247/96, §2° do art. 243, art. 386, inc. III, § 6°, inc. II e art. 426 do RIR/99, art. 36 da Lei 8.934/94." (sic) 4. Acrescentou ainda que teria sido violado o disposto no (sic) "art. 59, I, do CTN c/c Portaria MF n°3007/2001" (antes, contudo, reportou-se ao art. 7°, inciso I, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, art. 100 do CTN e art. 2° da Portaria SRF 1.265, de 22 de novembro de 1999, este transcrito el fl. 117); 5. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: 5.1 — o autuante teria se equivocado no tocante ao conceito de empresa controladora/controlada, ao conceito de ágio e a eficácia, para fins tributários, dos eventos de reestruturação societária. Nesse sentido, discorreu, didaticamente, sobre tais conceitos, verberando o autuante por ele ter afirmado que a Hipercard era indiretamente controlada pela Comercial o Balaio S/A, (sic) "como se tal fato pudesse descaracterizar a relação controladora/controlada então existente, bem não reconheceu ser a Hipercard coligada da BRPart"; e por ele ter, na sua intelecção, querido vincular os montantes dos ágios vertidos para ela, escriturados em contas do ativo da Comercial o Balaio S/A e da BPBR Empreendimentos ltda, com o valor pago por estas a titulo de ágio, por ação (quota), quando da aquisição dos respectivos investimentos na BR Participações e Empreendimentos S/A e BPSN — Bompreço Supermercados do Nordeste, sem considera as possíveis mutações nos Patrimônios Líquidos das investidas; 5.2 — não seria verdade que apenas a Comercial o Balaio S/A e a BR Participações e Empreendimentos S/A (1' evento), bem assim a BPBR Empreendimentos Ltda. E a BPSN (2 0 evento), poderiam beneficiar-se do disposto no caput do art. 386 do RIR, de 1999, ou seja, escrituração do ágio em conta do ativo diferido e sua posterior amortização, à razão de 1/60 avos ao mês, vez que, no seu entender (sic) "não é essa a interpretação que se deve extrair desse normativo, quando feita de 4 Processo n° 19647.013203/2004-21 SI-C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 5 forma sistemática, dentro do conjunto da legislação fiscal e societária que rege os eventos de reestruturação societária"; 5.3 — nas reestruturações societárias, por fusão, incorporação ou cisão, a pessoa jurídica sucessora assumiria os direitos e obrigações decorrentes, ou seja, a parcela do patrimônio dar-se-ia (sic) "a titulo universal, sendo assim transferidos valores ativos e passivos ", o que afirmou ter ocorrido em relação aos bens, direitos e responsabilidades recebidos por ela por conta dos eventos cisão parcial da Comercial o Balaio S/A e da BPBR Empreendimentos Ltda., a luz do previsto nos §§ 1 0 e 3° do art. 229 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, c/c o art. 21 da Lei n°9.249, de dezembro de 1995; 5.4 — o ágio pago pela Comercial o Balaio SIA, quando da aquisição do investimento na BR Participações e Empreendimentos Ltda., teria tido como fundamento econômico a expectativa de resultados futuros dela própria (Hipercard), por conta disso, no seu entender, deveria tal ágio ter o mesmo tratamento dado àqueles pagos em virtude de investimentos diretos. "Ademais, enquadrando-se a Balaio S/A, relativamente à Hipercard, no disciplinado pelo inciso II do § 6° do art. 386 do RIR/99 e sendo a Hipercard sucessora dos direitos e obrigações contidos na parcela cindida da Balaio SIA e por ela incorporada, não há como, in casu, querer afastar a aplicação do caput desse normativo, reconhecendo como legal a amortização do referido ágio, como fez a impugnante nos anos calendários de 2002 e 2003" (sic). Este mesmo argumento apresentou com relação ao ágio vertido da BPBR Empreendimentos Ltda, amortizado nos anos-calendário de 2002 e 2003. 5.5 — os valores dos ágios por ela excluídos na apuração do lucro real, amortizados na Comercial o Balaio e na BPBR Empreendimentos Ltda, já teriam sido oferecidos à tributação pelas empresas cindidas; que o inciso II do Parágrafo 6° do art. 386 do Decreto 3000, de 1999, reconhecer-lhe-ia o direito de deduzir como despesa o ágio não amortizado, e que o autuante não (sic) "poderia diferençar parcela já amortizada conta bilmente na sucedida da parcela ainda a ser amortizada contabilmente na sucessora." Ressaltou que o referido art. 386 determinaria a forma do tratamento fiscal ao ágio pago na aquisição do investimento, não devendo ser confundido "com o conceito de amortização do ágio" (sic), e que a legislação relacionada aos eventos de incorporação, fusão ou cisão trataria apenas e tão- somente do ágio na aquisição de investimento, sem levar ern consideração o tratamento contábil; 5.6 — por ter, na sua intelecção, observado todos os preceptivos legais concernentes aos atos de cisão, como antes explicado, inexistiria qualquer irregularidade quanto as compensações de prejuízo por ela realizadas; 5.7— teria protocolizado em tempo hábil, nos termos do art. 36 da Lei n° 8.934, de 18 de novembro de 1994, todas Suas alterações contratuais, consoante certidão da JUCEPE, às fls. 1.441 e 1.442 do Processo n° 19647.013200/2004-97, não havendo falar, portanto, no seu entender, em descaracterização dos eventos societários envolvendo 5 Processo n° 19647.013203/2004-21 SI-C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 6 a Hipercard, a BPBR Empreendimentos Ltda. e a BR Participagões e Empreendimentos S/A; 5.8— sobressairia da leitura do caput e § 10 e 7° do art. 235 do RIR, de 1999, nas reestruturações societárias os atos praticados passam a ter efeito fiscal a partir da data do evento, considerada como sendo a da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão, não havendo (sic) "na legislação tributária nenhuma alusão à data do protocolo ou registro dos atos societcirios no órgão público competente"; 5.9 — teriam sido observados todos os preceitos legais estabelecidos pela Lei n° 6.404, de 1976, de modo que não caberia (sic) "ao legislador fiscal, muito menos ao fisco, definir, nos casos de cisão, quais ativos e passivos devem compor a parcela do patrimônio da sociedade cindida a ser vertida para a sucessora." Tal decisão dependeria, no seu entender, exclusivamente da vontade das partes, como afirmou ter ocorrido no caso em questão. 5.10 — a exigência da multa em questão seria incabível, vez que os ajustes das bases de cálculo do IRPJ, motivo de seu lançamento, também ensejaram o lançamento de multa de oficio prevista no inicio I do art, 44 da Lei n°9.430 de 27 de dezembro de 1996, caracterizando- se tal exigência, portanto, no dizer de suas palavras, "como excesso de exação". Em seu apoio, trouxe à colação diversas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, as fls. 223 a 225. 6. Ante o exposto, solicitou o cancelamento da referida multa. 7. É o que importa relatar" A DRJ/REC, apreciando a impugnação da Autuada, sucedida pela Recorrente, houve por bem negar-lhe provimento. As preliminares de nulidade do processo administrativo foram afastadas sob a premissa de inexistência de bitributação, vez que multa isolada (aplicada nestes autos) e multa de oficio (aplicada no lançamento do crédito tributário, em autos apartados) tern por fundamento situações jurídicas distintas, sendo que ambas foram verificadas no caso dos autos; e, ademais, despropositada a alegação de nulidade da autuação pelo contribuinte, com fundamento em referido tema, posto que "os casos de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal são aqueles previstos nos incisos do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972", No mérito, entendeu não impugnadas as multas relativas aos anos-calendário de 1999 e 2000, posto que a irresignação da Autuada se limitou As multas relativas As glosas de IRPJ levadas a cabo pela Fiscalização. Particularmente quanto A glosa das exclusões e deduções relativas ao aproveitamento de ágio nas incorporações de patrimônios cindidos de Comercial 0 Balaio S.A. e BPBR Empreendimentos LTDA., a insurgencia da Autuada, sucedida pela Recorrente, foi afastada pela DRJ/REC com fulcro nos seguintes argumentos: (i) a possibilidade de amortização do ágio na apuração do lucro real nos termos do art. 386, III, do RIR/99 (art. 7°, III, da Lei n. 9.532/97) ocorre no caso em que "a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária 6 Processo n° 19647.013203/2004-21 S 1 -C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 7 adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada corn base em previsão dos resultados de exercícios futuros"; (ii) ademais, de acordo com o disposto no § 6°, inciso II, em consonância com o caput e inciso III de referido art. 386 do RIR199, apenas a investidora ou a investida poderiam beneficiar-se da possibilidade de amortização do ágio na apuração do lucro real, não sendo possível a amortização de ágio relativo a investimento em terceira empresa, detentora de participação na incorporadora (ágio da incorporada relativo a investimento indireto na incorporadora). A insurgência da Autuada, sucedida pela Recorrente, quanto As glosas de despesas financeiras, por sua vez, foi afastada pela Turma da DRJ/REC a quo sob o fundamento de que todos os atos de reestruturação adotados pela Autuada e respectivo grupo societário, não tinham propósito económico, pois tiveram por única finalidade transferir Aquela o ágio que, acreditava-se, poderia ser aproveitado, e vultosa divida, a qual deu origem As despesas financeiras incorridas pela Autuada e glosadas pelo autuante. As multas relativas As demais infrações foram mantidas por entender a DRJ/REC tratarem-se de reflexos dos demais lançamentos. Por fim, entendeu a DRJ/REC que a concomitância entre multa isolada e multa decorrente do lançamento de oficio não seria suficiente para o cancelamento das multas lançadas nestes autos. Em 04/05/2006 foi postada intimação ao endereço da Autuada constante do registro no CNPJ. Referida intimação foi devolvida A. Delegacia de jurisdição da Autuada, em razão de endereço desconhecido (conforme carimbos apostos ao envelope juntado à fl. 266). fl. 272 dos autos há termo de ciência do contribuinte, o qual registra que procurador da empresa veio aos autos e lhe foi dada ciência da decisão da 3a Turma da DRJ/REC em 14/09/2006. Em 16/10/2006 a Recorrente protocolizou seu recurso voluntário, no qual sustenta: (i) impossibilidade de concomitância das multas dos incisos I e IV do art. 44 da Lei n. 9.430/96; (ii) impossibilidade de exigência de multa isolada após encerrado o ano- base, sem a falta de pagamento de imposto; (iii) erro de fato na apuração da matéria tributável, posto que a Fiscalização apurou recolhimentos a menor inclusive nos anos-calendário de 1999 e 2000, em meses nos quais não se efetuou qualquer ajuste em relação ao IRPJ e, também, nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos quais as diferenças apuradas para fins de cálculo da multa são maiores do que os ajustes de IRPJ efetuados, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal; (iv) admitindo-se que fosse possível a aplicação da multa isolada no caso dos autos, sustenta da Recorrente a prejudicialidade do julgamento dos 7 Processo n° 19647.013203/2004-21 S 1 -C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 8 recursos voluntários interpostos nos Processos n. 19647.013200/2004-97 e 19647.013201/2004-31; e (v) por fim, a imprestabilidade da SELIC para efeitos de cômputo dos juros de mora. As fls. 605/606, parecer do Titular da Delegacia da Receita Federal em Recife dando conta de que o contribuinte não haveria atendido todos os requisitos para o arrolamento de bens. As fls. 615/736, pedido de reconsideração e documentos. As fls. 738/739, noticia de que a incorporação da Autuada pela Recorrente fora autorizada pelo Banco Central. A fl. 746, despacho informando a regularidade do arrolamento, em vista da autorização do Banco Central para a incorporação referida. a síntese do necessário. Processo n° 19647.013203/2004-21 S 1-C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 9 Voto Conselheiro Relator, Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legitima, pelo que dele tomo conhecimento em sua integralidade. Estão superadas as razões da d. Autoridade Preparadora relativas A. alegada impossibilidade do conhecimento do recurso por insuficiência do arrolamento de bens, porquanto tal arrolamento deixou de ser pressuposto de admissibilidade de recurso voluntário em vista da declaração de inconstitucionalidade da exigência respectiva, com efeitos retroativos. Outro ponto que merece destaque sobre o conhecimento do recurso relaciona-se à multa isolada relativa aos anos-calendário de 1999 e 2000, porquanto o recurso voluntário inova em parte os fundamentos de defesa da Contribuinte contra tais exigências. Tenho assente que as normas processuais que regem o processo administrativo fiscal devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatória e instrutória do procedimento. E de interesse da própria Administração proceder adequadamente ao controle da legalidade dos atos administrativos, pelo que é salutar que sejam flexibilizadas as regras que impeçam as partes (por razões temporais) trazer ao conhecimento do julgador elementos de fato e de direito que permitam melhor exame da controvérsia. Seguindo citada linha de interpretação, entendo que a preclusdo de que trata o art. 17 do Decreto n. 70.235/72 deve ser aplicada apenas nas hipóteses em que o contribuinte deixa de contestar a própria tributação (ou melhor, infração) em impugnação e pretende fazê-lo apenas via recurso ordinário (voluntário). "Matéria não impugnada" significa, em outros termos, "exigência/infração não contestada": e é apenas essa a falta que não inicia o contencioso administrativo. A contrario sensu, impugnada a exigência, iniciado está o contencioso administrativo, no qual devem ser apreciados todos os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte em quaisquer de suas instancias, ainda que não tenham sido suscitados originariamente em impugnação. A preclusgo em referência não atinge os "fundamentos de defesa", mas sim a "defesa" contra determinada exigência ou infração legislação tributária caso esta não tenha sido feita em primeira instância administrativa. Trata- se de aplicação dos princípios da instrumentalidade das formas e do formalismo moderado que informam o procedimento administrativo fiscal. Há precedentes desta Corte Administrativa nesse sentido. Veja-se, a titulo ilustrativo, além do próprio acórdão paradigma colacionado neste recurso, ementa de acórdão proferido pela extinta Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FISCAL - LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE Pi?EfUtZ0 FISCAL - ALEGAÇÃO DE POSTERGAÇÃO NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO - APRECIAÇÃO NO JULGAMENTO DO RECURSO - Não se sujeitam preclusão as questões que envolvem a observância de procedimentos que vinculam a apuração de tributos pela autoridade 9 Processo n° 19647.013203/2004-21 S 1 -C2T1 Resolução n.° 1201-000.25 Fl. 10 fiscal, estabelecidos em atos normativos regularmente expedidos, porquanto atinentes a materialidade da exigência fiscal. LIMITAÇÃO A COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS FISCAIS - POSTERGAÇÃO - A inobservância da limitação à compensa cão de prejuízos fiscais, pode gerar não só a falta de pagamento do imposto, mas também, em determinadas hipóteses, a simples postergaçào, cujos efeitos devem ser observados pela autoridade lançadora, nos termos do Parecer Normativo COSIT n. 2/96, sob pena de faltar materialidade ao lançamento. Precedentes. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso." (Ac. 105-15907, Rel.: Eduardo da Rocha Schirnidt, DOU 24.05.2007 — grifos nossos) Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário também no tocante as razões da Contribuinte de "impossibilidade de exigência da multa isolada após encerrado o ano-base sem falta de pagamento do imposto" (item 1.2 do recurso) e "erro de fato na apuração da matéria tributável; necessidade de revisão (até de oficio) do lançamento" (item II do recurso), notadamente no que se refere à alegada insubsistência das multas isoladas relativas aos anos-calendário de 1999 e 2000. Para exame de tais questões, contudo, parece-me indispensável a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a d. Autoridade Fiscal (i) ateste a autenticidade dos documentos acostados ao recurso voluntário em confronto com as vias originais e escrita contábil da Contribuinte (notadamente fls. 406/493); (ii) ateste a existência (ou inexistência) de resultado positivo (ajuste) nos anos-calendário de 1999 e 2000, e, em caso afirmativo, informar o montante correspondente; (iii) informar o montante da base de cálculo da multa isolada aplicada caso sejam consideradas as alegadas compensações realizadas pela Contribuinte (fls. 52/53 e fls. 303/305), cuja existência também deverá ser atestada na diligência. Das verifica 6es efet das, deverá ser lavrado Relatório de Diligencia circunstanciado e dele ser 4 a ienc o contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, quer i Filho Antom
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Numero do processo: 13706.003991/2001-76
Data da sessão: Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1103-000.006
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiada por unanimidade de votos,
CONVERTER o Julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida 7' TURMA DA DRIIRIO DE JANEIRO I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiada por unanimidade de votos, CONVERTER o Julgamento em diligência nos termos do voto do relator. O.— ALBERTINA SILVA NTOS 13 LIMA - Presidente MARC e IÕUE0 TAKATA - Relator EDITADO EM: 29 j A /.4 201 u Participaram da presente sessão de Julgamento os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima (Presidente), Hugo Correia Sotero (vice-presidente), Decio Lima Jardim (suplente convocado), Marcos Shig,ueo Takata (Relator), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (de outra câm.ara) e Eric Moraes de Castro e Silva. Processo ri I 3706.003991/2001-76 SI-C1T3 Resolução n.° 1103-00.006 Fl. 2 Relatório DO LANÇAMENTO No presente processo, a recorrente, por meio de pedido de restituição, de 27/12/2001 (fl. 01), pleiteia a restituição do valor de R$ 166.543,67, alegando que teriam sido efetuados recolhimentos de IR9.1 indevidamente, nos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998, em face de seu direito de isenção de IRPJ (beneficio fiscal) que não teria sido aproveitado. Apesar de juntar pedido de compensação (fl. 02), não informou os débitos. . Em 15/03/2002, a recorrente juntou aos autos o pedido de compensação (fl. 17), no qual solicita a compensação de crédito no valor de R$ 112.615,67, relativo ao IRPJ de código 2362, com débitos de códigos 2172 e 8109. Segundo petição da recorrente, juntada às fls. 20 e 21, a razão dos supostos recolhimentos indevidos seria a seguinte: • A recorrente teria requerido e teria sido concedida uma redução no IRPJ de 100% (isenção) incidente sobre o lucro de exploração. A Portaria DAYITE — 0094, de 21/06/2000 da Sudenc reconheceu a redução de 100% (iSenção) mediante retificação da portaria anterior (Portaria DAI/ITE n° 0257/1996, de 10/12/1996), que reconhecia uma redução de 50%. • A Portaria DAI/ITE — 0094/2000 só foi baixada em 21/06/2000, com aplicação para todo o período do prazo de isenção de 10 anos, a partir de 1996 com ténnino no ano-calendário de 2005 (fls. 22 e 23). Sendo assim, a recorrente teria recolhido, nos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998, IRPJ incidente sobre o lucro de exploração com a redução que tinha sido reconhecida que era de 50%. Contudo, tais pagamentos de IRPJ, tendo em vista a Portaria DALITE — 0094/2000, restaram indevidos, dai o pedido de restituição, conforme a seguinte planilha: Ano Imposto de Renda a Compensar 1996 R$ 88.004,85 1997 R$ 59.601,54 1998 R$ 48.937,28 Às fls. 25 a 32 constam planilhas demonstrando a compensação do 1RPJ pleiteado. Segundo petição, à fl. 235, a recorrente requereu a modificação do valor total apresentado do Pedido de Restituição de RS 166.543,67 para R$ 196.543,67. Segundo petição, à fl. 242, a recorrente, novamente, requereu a modificação do valor total apresentado do Pedido de Restituição de R$ 196.543,67 para R$ 310.195,35, em virtude de, segundo ele, ter utilizado o valor histórico em vez do valor corrigido. 2 • O' Processo ri" 13706.003991/2001-76 Fls. Resoluçào n." 1103-00.006 FI. 3 lo Em 15/04/2002, a recorrente juntou aos autos outro pedido de compensação (fl. 243), no qual solicita a compensação de crédito acima mencionado (R$ 310.195,35), relativo ao IR.PJ de código 2362, com débitos de códigos 2172 e 8109. O Despacho Decisório da Diort/Derat do Rio de Janeiro (RJ), à E. 397, datado de 06/03/2007, proferido com base no Parecer Conclusivo n° 2912007 (fls. 388 a 396), dos quais a recorrente tomou ciência em 07/03/2007 (fl. 414), não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações solicitadas. • A seguir, transcrevem-se trechos extraídos do Parecer Conclusivo n° 29/2007 (fls. 388 a 396): "Os pedidos de compensação acima mencionados Abram convertidos em DCOMP por força do disposto no parágrafo 4' do art. 74 da Lei n° 9430 de 27/12/1996, com a redação alterada, sucessivamente, pelos art. 49 da Lei n" 10.637 de 30/12/2002, art. 17 da Lei n°10.833 de 29/12/2003 e art. 4' da Lei n°11.051 de 29/12/2004." ----; "Iniciando-se a análise pelo AC 1997, do exame dos autos, observa-se o seguinte: • Após pesquisa "Relação de Processos por CNP!" U. 350/354) constata-se que a interessada protocolizou treze processos no período de 01/01/1999 a 31/12/2002 e seis processos no perlado de 01/02/2003 a 31/12/2005 Lendo-se o assunto de cada um deles verifica-se que o procésso n" 15374.002218/2001-17 refere-se a auto de infração de redução de IRPJ (fl. 351), tendo sido solicitado o clesarquivamento desse processo à GRA/RJ, conforme doc. de fl. 377 (cópia de]?. 101 do processo n" 15374002218/2001-17). Examinando-se os docs. de]?. 372, 373, 374, 375 e 376 deste processo observa-se que o ARRE autuante indicou corno descrição dos fatos "dedução irregular do imposto devido" tendo em vista que a interessada, em sua DIRPJ AC 1997, havia registrado RS 107.606,07 na rubrica "Redução c/ou Isenção do Imposto" (linha 10) da ficha 08, quando, na realidade, deveria ter sido lançado nesse campo RS 50.474,10, confbnne apurado na linha 07 da ficha 15 da referida DIRPJ, sendo a diferença entre os valores acima citados correspondente a R$ 57.131,98 objeto de glosa efetuada por meio da lavratura de auto de infração_ Deve ser considerado que o autuante efetuou a revisão dos valores relativos à "redução do HUG" objeto do processo n° 15374.0022187200147 em 20/06/2001, conforme ciência da interessada à ff 374, e, portanto, posteriormente à data constante na cópia da Portaria DAUITE — 0094, 21/06/2000 (fls. 22/23). Além disso, o processo foi arquivado na GRA/RJ em 02/08/2001, sem que a interessada alegasse a aplicação da mencionada portaria para • Processo n" 13706.003991;2001-76 Sl-C1T3 Resolução It° 1103-0G.006 Fl. 4 refazimento dos cálculos referentes à redução do IRPJ a ser efetivamente considerada na apuração do saldo de IRRI. Desta maneira, não há que se falar em alteração do saldo negativo de IRPJ referente ao AC 1997, não havendo, portanto, direito creilitório a reconhecer relativo a esse AC." "Relativamente ao AC 1996 verifica-se o seguinte: A interessada entregou uma única DIRPJ relativa ao AC 1996, a qual foi processada pela SRF sob o n°8073452 (fl. 293). • Na referida DIRPJ consta a indicação de alteração (F) nos campos 10, 18, 19 e 21 da ficha 21, correspondentes a despesas não operacionais, lucro da exploração, parcela correspondente a atividade isenta e parcela correspondente a atividade com redução de 50%, indicando a existência de lançamento suplementar relativo a esse AC. Ao efetuar o preenchimento de sua DIN°. I AC 1996 a interessada não indicou nenhum valor nos campos da 'ficha 22 - Cálculo da Redução e Isenção do Imposto", conforme fl. 310, não constando, também, nenhum valor na mesma ficha já mochficada pelos "dados alterados para lançamento suplementar" constante na tela defl. 298." Na tela cio sistema SINCOR/TRAWECONSULTANI no "Resumo do estabelecimento por grupo de tributo no CONTACORPJ" consta débito relativo ao IRPJ Normal -j7. 355. Na tela "Relação de débitos do -contribuinte" consta debito de código 2362 correspondente ao "RFT normal, referente ao período de apuração de dezembro de 1996 e vencimento 31/01/1997, no valor de R$ 66.271,04, o qual encontra-se na situação "Enviado à PEN- (fl. 356/357 e 360). Na "Relação de Processos no Sistema Divida Ativa" (fl. 358) consta processo protocolizado sob o n° 107681237641/99-11, cujo código de receita -3551 - corresponde a Receita de Divida Ativa do 1RPJ... Desta maneira, considerando que a interessada, ao efetuar o preenchimento de sua DIRPI AC 1996, não indicou nenhum valor nos campos da 'ficha 22 - Cálculo da Redução e Isenção do Imposto", conforme fl. 310, que não consta, também, nenhum valor na mesma ficha já modificada pelos "dados alterados para lançamento suplementar" (tela de fl. 298), ... não há que se falar em pagamento a maior ou indevido relativamente ao 11?PJ, nem alteração do saldo de IRPJ referente ao AC 1996, não havendo, portanto, direito creclitório a reconhecer relativo a esse AC." "Relativamente ao AC 1998 verifica-se o seguinte: A interessada, ao efetuar o preenchimento de sua D1PJ AC 1998, processada na Secretaria da Receita Federal sob o 71° 1241093, somente preencheu os campos 01 e 09 da 'ficha 09-Demonstração do Lucro da Exploração", correspondentes a "receita liquida da atividade 7i !I e((7 isenta" e "receita líquida das demais atividades", deixando de Processo n" 13706.00399112001-76 SlIC1T3 Resolução n.° 1103-00.006 ' 4" EL 5 ‘•\t,t preencher, portanto, os demais campos referentes à reduções de 75%, 70%, 50%, 37,5°% 33,33% e "atividades com redução por reinvestimento" (fl. 304). Ademais, a interessada apurou lucro da exploração negativo, conforme ficha 09 da citada DIPJ, não tendo indicado nenhum valor nos campos 25 a 33 dessa ficha fl. 305/306), nem nos campos da ficha 11 dessa DIPJ— "Cálculo da Redução e Isenção do Imposto" (t1. 307/309). Além das razões acima, cabem as mesmas considerações já expostas por ocasião da análise do AC 1997, não havendo, portanto, direito creditório a reconhecer relativo a esse AC." "Diante do exposto, proponho o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório solicitado pela interessada por meio do pedido de restituição de fi 01, complementado pelos pedidos de 17. 17 e41. 243 e, conseqüentemente, a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações solicitadas por meio das DCOMP defl. 17 e 243." DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformado com o referido Despacho Decisório, a recorrente apresentou, em 09/04/2007, a manifestação de inconformidade (fls. 420 a 424), requerendo que seja revisto o Despacho Decisório, que seja conhecido o direito creditório e que seja homologada a compensação solicitada, alegando, em síntese, o seguinte: • que, com relação aos argumentos da administração sobre os anos- calendário de 1996 e 1998, sobre o descumprimento da obrigação acessória de informar sobre a isenção nos campos adequados nas declarações de rendimentos, alega que não tinha como fazê-lo, pois, quando do envio das respectivas declarações, a isenção ainda não existia, já que a Portaria DAI/ITE 0094/2000, que reconheceu a redução de 100% do IRPJ, a partir de 1996 até 2005, só foi publicada em 21/06/2000. Tal fato não pode ser empecilho para o aproveitamento do crédito, visto que o pagamento em nenhum momento foi tido corno devido pelo próprio relatório que embasou a decisão. • que, ainda no ano-calendário de 1998, como se demonstra na DIPJ e nas planilhas juntadas, apesar do prejuízo no exercício de 1998, foi apurado, como imposto de renda retido na fonte, o valor de R$ 48.937,28; tal retenção, somada à isenção de 100% do IRPJ, acaba por gerar um direito de credito no mesmo valor. • que, com relação ao ano-calendário de 1997, o auto de infração de que trata o processo administrativo n° 15374.002218/2001-17, foi gerado por uma diferença entre os valores registrados pela requerente como isenção e o declarado na DIPI. Como nos casos das DIPIs dos anos de 1996 e 1998 não havia como declarar o valor da isenção de 100% concedido retroativamente pela Portaria DAVITE — 0094/2000, acabou ocorrendo a discrepância dos valores7 mencionados. r ) L5 Processo n° 13706.003991/2001-76 S1-0223 Resoluçào n." 1103-00.006 Fl. 6 • que, quanto à ausência de PER/DCOMP, informa que quando da elaboração do pedido de compensação em 2001, o programa ainda não havia sido criado, o que só ocorreu com IN 320/2003. DA DECISÃO DA DRJ e DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 28/06/07 foi julgada a manifestação de inconformidade pela 7 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento — Rio de Janeiro, que, por unanimidade de votos, decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório, visto que cabe à recorrente a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e cei to, que alega possuirjunto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). No que tange ao beneficio fiscal de redução/isenção do IRPJ, a DEU salienta que, como as declarações de rendimentos apresentadas revelam que a recorrente já se beneficiou da isenção no cálculo dos 114.13J originados do lucro da exploração, não está comprovado que tenha havido pagamento indevido. E, por fim, a recorrente não comprovou os saldos negativos de IRPJ (créditos) apurados no final dos períodos. Assim, não restando documentalmente comprovada pela recorrente, a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, não deve ser reconhecido o direito creditório. Em 9/07/07, a recorrente C intimada da referida decisão da DRJ e em 8/08/07 interpõe o recurso voluntário (fls. 465 a 474), no qual fundamentalmente reitera as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. 11 1 es ress‘, Processo ri 13706.003991/2001-76 SV11T3 Resolução n.° 1103-00.006 < Fl. 7 %a S. . Voto Conselheiro MARCOS SHIGGEO TAKATA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Trata-se de controvérsia instaurada em sede de processo de compensação relativo a supostos direitos creditórios correspondentes a saldos negativos de IRPJ dos anos- calendário de 1996, 1997 e 1998. Principio com o exame da controvérsia sobre o saldo negativo de IRRI do ano- calendário de 1998. No referido ano-calendário a recorrente apurara prejuízo fiscal de RS 2.408.971,43 e lucro da exploração negativo de R$ 2.613.027,32, conforme as Fichas 10 e 9, respectivamente, da DIPJ/99 (fls. 107 e 108). O saldo negativo de IRPS seria conseqüente a 1RRF no valor de R$ 48.937,28, como consta na Ficha 13 da DIPS/99 (11. 116). A recorrente não carreara aos autos o documento hábil à utilização do valor do„ IRRF, vale dizer, o informe de renditnent6s, na conformidade do art. 943, § 2°, do RIR199. Lembro que se trata de processo que veicula pretensão da recorrente e não da Fazenda. Ainda que soe o óbvio, o ônus da prova é do titular da pretensão, ou seja, da recorrente. Ademais o princípio do formalismo moderado não é absoluto, ilimitado, a inverter ônus da prova, ou a transformar o juízo em atividade de auditoria de , "iniciativa" do órgão julgador, que é incompatível com a finalidade de não etemização do processo. Por outro lado, para o juízo sobre o direito creditório em dissídio, cabe ao fisco a verificação da DIRE apresentada pela fonte pagadora da recorrente. Muita vez, o valor informada na DIRF discrepa e é inferior ao preconizado pelo contribuinte. Aí entra a matéria probatória a cargo daquele, identificada no informe de rendimentos, o qual é documento hábil para a pretensão do contribuinte. Mas, sem a verificação da DII11, cuja apresentação é feita ao fisco, não cabe extrair juízo negativo. Outrossim, na questão relativa ao saldo negativo de JAPI do ano-calendário de 1998, voto por baixar o processo em diligência, para que seja verificado se houve a retenção de IRF da recorrente e em que valor, segundo a DIRF da fonte pagadora da recorrente correspondente ao ano-calendário de 1998. Após, reabrir prazo de 30 (trinta) dias para que a recorrente, se quiser, se manifeste acerca do relatório de diligência. É o meu voto. MA C/0 SHIGUEO TAKATA 7
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004863/2001-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1102-000.025
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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Recorrida 1ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM CURITIBA-PR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Presidente. José Sérgio Gomes - Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), João Otávio Opperman Thomé, José Sérgio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba-/PR que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório do Delegado da Receita Federal em Curitiba-PR que, por sua vez, reconheceu em parte o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontados saldos negativos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos anos- calendário de 1995 a 1998 e, consequentemente, deixou de homologar compensações com Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES, 24/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10980.004863/2001-11 Resolução n.º 1102-0025 S1-C1T2 Fl. 1.394 2 débitos desses mesmos tributos afetos a antecipações (estimativas) e quotas devidas pelo regime de tributação pelo lucro presumido, bem assim, de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), apurados nos períodos de fevereiro de 2002 a julho de 2005. O pedido de restituição originário se deu em meio físico (papel) e foi protocolado em 17/07/2001 buscando a repetição do valor originário de R$ 252.301,35 sendo R$ 246.795,86 de imposto de renda pago em DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais); R$ 43.370,77 de imposto de renda retido na fonte atinente a receitas de comissões, aluguéis e aplicações financeiras e R$ 72.898,14 de contribuição social sobre o lucro paga em DARF, a serem deduzidos das quantias de R$ 89.607,25 (IRPJ) e R$ 21.156,27 (CSLL) por conta de compensações já efetuadas e acrescidos de juros de mora na importância de R$ 303.928,89, fl. 01. Seguiram-se, ainda, os pedidos de compensação e declarações de compensação igualmente apresentados em meio físico, fls. 552/574, bem assim, outras declarações de compensação transmitidas pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, fls. 755 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba-PR houve por intimar a Requerente para prestação de esclarecimentos, fls. 575/581, vindo aos autos a resposta e documentos de fls. 594/750, em razão da qual interpretou, logo de plano, que a restituição postulada também envolve créditos de empresa sucedida, no caso Confeitaria Lancaster Ltda e especificamente nos anos-calendário de 1995 e 1996. Analisando-o, inclusive asseverando que descabe falar em repetição de estimativas e de imposto retido na fonte apartadamente, motivo pelo qual adotou a premissa de saldo negativo e desnaturou o período quadrienal apresentado pela Requerente para alocá-lo em periodicidade anual concluiu pela existência de efetivos créditos a favor da Requerente, a título de saldo negativo, na ordem de R$ 1.247,65 e R$ 4.599,08 (CSLL da sucesora em 1996 e 1998, respectivamente), R$ 28.584,21 (IRPJ da sucessora em 1998) e R$ 286,28 (CSLL da sucedida em 1996) e, em consequência, deferiu/homologou as compensações com débitos de PIS e COFINS dos períodos de dezembro de 2001 e janeiro, fevereiro e março de 2002, fls. 1.098/1.105. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade aduzindo, entre outros motivadores, que diversos foram os bancos que efetuaram retenções de IRRF e que alguns comprovantes seguem em anexo, porém, tendo em vista a omissão dessas fontes pagadoras cabem diligências junto às mesmas. A Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal e, entre outros fundamentos, consignou que recai sobre a contribuinte o ônus de comprovar o indébito fiscal alegado, sendo que os informes de rendimentos trazidos com a manifestação de inconformidade já haviam sido considerados pela autoridade fiscal por fazerem parte dos valores constantes das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras. Ciente do decisório em 07 de agosto de 2008, fl. 1.231, a contribuinte postou nos correios em 05 do mês seguinte o recurso voluntário de fls. 1.232/1.256 reafirmando suas razões apresentadas na manifestação de inconformidade e acrescendo que a sistemática de retenção do imposto de renda na fonte, embora eficiente como meio de combate à sonegação na medida em que transfere a obrigação do recolhimento para a fonte pagadora do rendimento, representa riscos para a administração e contribuintes, em especial quando a retentora deixa de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES, 24/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10980.004863/2001-11 Resolução n.º 1102-0025 S1-C1T2 Fl. 1.395 3 declarar a DIRF e fornecer os respectivos comprovantes anuais de rendimentos, hipótese ocorrente no caso e daí a necessidade de diligências, não podendo a Recorrente pagar pela falta cometida por outras empresas. Ainda, que a conduta da administração, em matéria tributária, não pode ignorar os créditos existentes em favor do contribuinte, ou se já, deve conduzir seus procedimentos para apurar justamente o que é de direito, em respeito ao princípio da legalidade e da verdade real, sob pena de enriquecimento ilícito o Estado, asseverando que não está tentando inverter o ônus da prova, mas sim que a Receita Federal utilize seu poder fiscalizador obtendo informações cujo atendimento cabia às fontes pagadoras. Também, que também foram incorporadas as empresas Hotel Savoy e Hotel Lancaster, sendo que a autoridade fiscal não teve o cuidado de apurar os créditos dessas, derivados de retenções na fonte. Ao final, requer o provimento do recurso e a exclusão de penalidades em face do princípio da boa-fé, bem assim, a baixa do processo para diligências e perícias e realização de intimações no endereço dos patronos. Posteriormente, ingressou com a petição de fls. 1.329/1.334 requerendo a juntada das cópias dos requerimentos endereçados a instituições financeiras, bem assim, dos informes de rendimentos de fls. 1.335/1.382, pela qual noticia que ditos informes somente estão sendo apresentados nesta oportunidade em vista de que apenas neste momento foram disponibilizados pelas fontes retentoras, invocando, ainda, o artigo 397 do Código de Processo Civil que dispõe ser lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados, ou para contrapô-los ao que foram produzidos nos autos. Requer, por fim, o deferimento da juntada desta prova. É o relatório, em apertada síntese. Voto O recurso é tempestivo. Relativamente aos informes juntados com o recurso, bem assim, aqueles suplementados na petição posterior, incumbe trazer à lume as excludentes previstas no § 4º do artigo 16 do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 16 ....................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES, 24/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 10980.004863/2001-11 Resolução n.º 1102-0025 S1-C1T2 Fl. 1.396 4 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. ..................................................................................................” Por sua vez, observam-se correspondências endereçadas às instituições financeiras com datas posteriores às negativas fiscais, o que induz pensar que milita a favor da Recorrente a presunção de ocorrência das hipóteses de exceção insertas nas alíneas “a” ou “c” da norma processual. Em decorrência das considerações acima sou pela conversão do julgamento em diligência, seguindo-se a baixa dos autos à autoridade preparadora com rogativas de correlacionar os dados insertos nesses informes de rendimentos com as DIRFs, exceto, por óbvio, aqueles relativos aos anos-calendário de 1999 e seguintes, por estranhos aos períodos tratados nos autos, e informar se existem valores de retenções não abrigadas nos dados da Receita Federal e já considerados no despacho decisório, bem assim, para registrar o que entender de direito, querendo. O resultado desse trabalho deverá ser cientificado à Recorrente. JOSÉ SÉRGIO GOMES - Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 20/12/2010 por JOSE SERGIO GOMES, 24/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000219/2007-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/03/2006
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção.
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
RESPONSABILIDADE – SUCESSÃO
O sucessor responde integralmente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e anteriormente à data da ocorrência da sucessão se esta cessar as atividades
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2004 a 31/03/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara RESPONSABILIDADE – SUCESSÃO O sucessor responde integralmente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e anteriormente à data da ocorrência da sucessão se esta cessar as atividades Recurso Voluntário Negado.
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Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara RESPONSABILIDADE – SUCESSÃO O sucessor responde integralmente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e anteriormente à data da ocorrência da sucessão se esta cessar as atividades Recurso Voluntário Negado Fl. 412DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11176.000219/200706 Acórdão n.º 2402002.290 S2C4T2 Fl. 288 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 50/57), o presente lançamento teve como origem as remunerações dos empregados registrados na empresa Instituto São Marcos de Biotecnologia e Diagnóstico e foi lançado por sucessão na empresa Laboratório de Patologia Santo Antonio Ltda, onde o procedimento fiscal determinado através do Mandado de Procedimento Fiscal n°. 09315073F00 emitido em 28/06/2006 e assinado pelo contribuinte em 030706 pela sócia — gerente Flavia Roseli Baptista Giacomelli (que fazia parte também da diretoria da empresa sucedida). A auditoria fiscal informa que as razões consideradas determinantes para a caracterização da sucessão são as que se seguem. Funcionamento no mesmo local (Endereço) Foi detectada a existência no local da matriz da empresa Instituto São Marcos (sucedida), sito à Av. Curitiba, 321 — Zona 04 — Maringá —PR, o funcionamento da empresa sucessora. Tal constatação se deu quando a auditoria fiscal se dirigiu ao referido endereço para cientificação do inicio da fiscalização junta à sucedida, através do MPF Mandado de Procedimento Fiscal e TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. A empresa Laboratório Santo Antonio, através. de sua filial CNPJ 75.317.4951000933, ocupa o endereço anteriormente ocupado pela matriz da sucedida, motivo pelo qual não mais se encontra a sucedida em atividade de fato, assim como alguns endereços ocupados pelas filiais da empresa Instituo São Marcos, atualmente seriam filiais do Laboratório Santo Antonio, conforme 14ª alteração contratual. Mesma Atividade O ramo de atividade explorado pelas empresas é exatamente o mesmo, qual seja, Laboratório de Análises Clínica. Dos Funcionários A empresa sucessora (Laboratório de Patologia Santo Antonio Ltda) assumiu os funcionários da sucedida (Instituto São Marcos de Biotecnologia e Diagnóstico), dando continuidade ao contrato de trabalho dos funcionários e assumindo os direitos trabalhistas conquistados pelo empregados, como por exemplo Ricardo Galeto — Bioquímico, transferido para o Laboratório Santo Antonio em abril/2006 e em julho/2006, ( com 03 meses de trabalho) recebe férias normais com 1/3 de adicional (anexo folha de pagamento ). A auditoria fiscal relaciona os empregados que estavam trabalhando na empresa sucedida, constavam da folha de pagamento em março 2006, cujos contatos não foram Fl. 414DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 rescindidos, mas que foram transferidos para a empresa sucessora, de acordo com a folha de pagamento abril 2006 e CAGED de entrada por transferência (cópias anexas ). Treze empregados da matriz do Instituo São Marcos teriam sido transferidos para empresa Sallus Associação de Assistência Social , CNPJ 07.515.2861000197, que funciona na dependências do Laboratório Santo Antonio. Como o período do lançamento é anterior à data de transferência destes treze empregados, as contribuições relativas a estes foram lançadas por sucessão, pois de fato forma já assumidos pelo Laboratório Santo Antonio, em sua escrituração contábil, (fotocópia da conta contábil 1.1.04.50.001 com lançamentos deste 06/05). Dos sócios São sóciosgerentes da empresa sucessora (Laboratório Santo Antonio ) conforme comprova o contrato social da empresa em sua 13ª. Alteração contratual, cláusula 12, as mesmas pessoas que eram diretores da empresa sucedida Instituto São Marcos (anexo Ata de Posse ), no caso, Luiz Roberto Bigão Giacomelli e Flavia Roseli Baptista Giacomelli. Do Ativo Fixo Por serem empresas prestadoras de serviços não se pode falar em Fundo de Estoque como numa empresa comercial, no entanto, constatamos na escrituração contábil da empresa Laboratório Santo Antonio do ano de 2005, desde a competência junho/2005 até dezembro/2005 a conta do Ativo 1.1.04.50.001 — LUIZ ROBERTO BIGÃO(INS) onde transitam valores , inclusive de folha de pagamento da outra empresa sucedida (Instituto São Marcos). No caso, a Pessoa Física contrai a dívida e a quita através de transferência bancária da conta da empresa sucessora, assim como os lançamentos da conta contábil 1.1.04.50.005 ADIANTAMENTO A LUIZ ROBERTO B. GIACOMELLI, onde o Laboratório Santo Antonio esta pagando dívidas contraídas pelo Instituto S Marcos conforme exemplos. Por outro lado, na empresa sucedida Instituto S Marcos a Escrituração Contábil do ano de 2005, Livro Razão / Diário registram a conta do Passivo 2.1.20.03.007 LUIZ ROBERTO BICÃO, onde transitam valores a crédito que a empresa deve à pessoa física e o débito é lançado a crédito da c/c bancária Unicred do Lab. Santo Antonio, assim como a conta do passivo 2.1.20.03.008 com a nomenclatura — Laboratório Santo Antonio, onde esta empresa sucessora tem crédito de valores das folhas de pagamento pagos aos funcionários da sucedida. A empresa sucedida Instituto São Marcos não possuía bens do Imobilizado em seu nome, os maquinários eram alugados conforme Balanço Patrimonial e recibo de alugueis pagos. O prédio da matriz que era alugado através da imobiliária 2001 — conforme contrato de locação ( anexos ), com validade de 2004 a 2008 , foi assinado pelo presidente tendo como fiadores os Srs. LUIZ ROBERTO BIGÃO GIACOMELLI e FLÁVIA R B GIACOMELLI. Por outro .lado, a empresa sucessora Laboratório Santo Antonio que ocupa o mesmo local da sucedida firmou contrato de locação com a mesma Imobiliária 2001, através dos seus sóciosgerentes as mesmas pessoas Srs. LUIZ ROBERTO BIGÃO GIACOMELLI e FLAVIA R B GIACOMELLI , desde fevereiro de 2005. Fl. 415DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11176.000219/200706 Acórdão n.º 2402002.290 S2C4T2 Fl. 289 5 A auditoria fiscal informa que a empresa sucedida nada recolheu em todo período fiscalizado e que tratase de débito normal sobre folha de pagamento para as competências 07/2004 a 03/2006. A notificada teve ciência do lançamento em 29/08/2006 e apresentou defesa (fls. 222/224) onde alega que a notificação seria nula por não ter preenchido os requisitos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional. A NFLD seria nula por lhe faltar elemento indispensável, qual seja, a identificação dos antecessores. Argumenta a recorrente que de acordo com o art. 321 da OIMPS/SRP N° 11/2005, a NFLD será lavrada em nome do sucessor, identificandose a seguir o antecessor, se houver débito relativo ao tempo destes, registrandose no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão, se por fusão; incorporação ou transformação, dentre outros). Portanto, a notificação também seria nula pela falta da indicação de como se deu a sucessão. Aduz que não bastassem tais nulidades já existentes na NFLD em questão; esta também seria nula pela inexistência de notificação válida do suposto sucedido, posto que é empresa que ainda existe e não teve suas atividades encerradas e seria a única que poderia exercer o contraditório e ampla defesa das supostas inadimplências. Diante das argumentações da notificada, a DRJ Curitiba (PR) solicitou à auditoria fiscal a elaboração de relatório fiscal complementar contendo a indicação dos dispositivos legais que amparam o levantamento do débito na empresa sucessora e a demonstração de que os fatos apurados se amoldariam ao dispositivo legal indicado. Atendendo à determinação da DRJ, a auditoria fiscal elaborou Relatório Fiscal Complementar (fls. 237/242) onde informa que a sucessão foi caracterizada com amparo no art. 133, incisos I e II do CTN e art. 751 e § único da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Esclarece a auditoria fiscal que presumese que houve a aquisição de fundo de comércio ou de estabelecimento comercial, industrial ou profissional, configurando se a sucessão, apesar de não formalizada, e PRINCIPALMENTE a transferência da responsabilidade tributária, conforme estabelece o art. 133 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN, quando uma pessoa ou uma empresa adquirir de outra os bens do ativo fixo e continuar a explorar o negócio, ainda que com outro nome empresarial. A notificada foi intimada do Relatório Fiscal Complementar, porém não se manifestou. Pelo Acórdão nº 0621.007 (fls. 247/255) a 5ª Turma da DRJ/Curitiba (PR) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 263/281) onde alega nulidade da decisão de primeira instância que não teria apreciado todas as argumentações trazidas na defesa, especificamente a que trata da ausência de identificação do antecessor e da indicação da forma como se deu a sucessão. Mantém a alegação de nulidade pela ausência de fundamentação legal caracterizadora da sucessão, vez que o Relatório Fiscal Complementar veio somente informar de forma genérica o art. 133 e incisos do CTN sem esclarecer qual dos incisos especificamente serviria para embasar o lançamento. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11176.000219/200706 Acórdão n.º 2402002.290 S2C4T2 Fl. 290 7 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente concentra sua argumentação no sentido de tentar demonstrar a existência de nulidades diversas. Inicialmente alega nulidade da decisão recorrida que não teria apreciado todos os pontos apresentados na defesa. Segundo a recorrente, na decisão recorrida não teria sido enfrentada a alegação de nulidade pelo não cumprimento do disposto no art. 321 da OI MPS/SRP nº 11/2005, a qual determinaria expressamente que no caso de sucessão a NLFD seria lavrada em nome do sucessor, identificandose a seguir o antecessor ou os antecessores. Não assiste razão à recorrente. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 Fl. 418DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” Além disso, a nulidade apontada não se verifica. A recorrente menciona a OI MPS/SRP nº 11/2005 que se trata de uma normativa interna cujo objetivo era estabelecer alguns procedimentos a serem adotados pela auditoria fiscal. No entanto, eventual não observância das instruções contidas na citada normativa não é razão para nulidade do lançamento. Esclareçase que no caso em tela, a autuação se deu contra a sucessora relativamente a contribuições incidentes sobre fatos geradores ocorridos no âmbito da sucedida e o sujeito passivo, no caso, a sucessora, foi perfeitamente identificado pela auditoria fiscal, sendo irrelevante a menção ou não do nome da sucedida, após a identificação da sucessora. A recorrente também considera que houve nulidade sob o argumento de que não teria sido registrado no Relatório fiscal a forma como se deu a sucessão, se por fusão, incorporação ou transformação dentre outros. Relativamente a essa alegação também apresentada na defesa, a DRJ Curitiba (PR) entendeu por solicitar à auditoria fiscal a elaboração de Relatório Fiscal Complementar para melhor clareza da questão. A auditoria fiscal elaborou o Relatório Fiscal Complementar onde afirmou que presumese que houve a aquisição de fundo de comércio ou de estabelecimento comercial, industrial ou profissional, configurando se a sucessão, apesar de não formalizada. Diante da informação apresentada pela auditoria fiscal, resta claro que a sucessão se deu de fato, logo, não haveria que se informar quaisquer das modalidades mencionadas pela recorrente, em razão destas se referirem a sucessões de direito, o que não é o caso tratado nos presentes autos. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11176.000219/200706 Acórdão n.º 2402002.290 S2C4T2 Fl. 291 9 De igual forma, há que se afastar a alegação de nulidade pela falta de indicação do fundamento legal da sucessão. Tal questão também foi tratada pela auditoria fiscal que informou que o dispositivo legal que trataria da sucessão seria o art. 133 e incisos do Código Tributário Nacional. Ora, a alegação da recorrente de que o lançamento seria nulo pelo fato de não haver a indicação do inciso é meramente protelativa e não deve ser acolhida, uma vez que a auditoria fiscal já havia informado a sucessora passou a funcionar nos mesmos locais em que funcionava a sucedida e na mesma atividade que esta. Ainda é apresentada alegação de nulidade sob o argumento de que o lançamento não teria sido notificado à sucedida que é empresa que ainda existe e não teve suas atividades encerradas. Asseverese que a recorrente não traz qualquer prova de que a sucedida teria continuado com suas atividades. O Relatório Fiscal por sua vez é claro ao afirmar que nos locais onde funcionavam a sucedida e suas filiais, agora funcionariam a sucessora e suas filiais deixando claro que tratouse de sucessão integral. Além disso, os empregados da sucedida foram transferidos para a sucessora e esta passou a ser locatária do mesmo imóvel locado pela sucedida para o funcionamento de seu estabelecimento, o que reforça a convicção de que a sucedida que, frisese, não efetuava qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias, efetivamente, encerrou suas atividades. Quanto à responsabilidade pelos tributos na sucessão, o art. 133 e incisos do CTN dispõe o seguinte: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão Como a sucedida encerrou suas atividades, a responsabilidade da sucessora é integral e não subsidiária, razão pela qual não há que se intimar a sucedida que não integra o pólo passivo da obrigação. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Corroborando tal entendimento, citase julgado do Superior Tribunal de Justiça no mesmo sentido. TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL SUCESSÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ART. 133, INC. I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Segundo o disposto no art. 133, inc. I, do Código Tributário Nacional, uma vez já ocorrido o lançamento definitivo na época da sucessão, o sucessor deverá responder integralmente pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade. Recurso especial improvido. 1 TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. ART. 133, CTN. CONCLUSÃO DO TRIBUNAL A QUO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. CITAÇÃO. INTERRUPÇÃO 1. A sucessão de empresas para fins tributários, caracterizados por fatos inequívocos, bem como a prescrição afastada pelas datas do lançamento, do ajuizamento e da citação para a ação, encerram matérias insindicáveis pelo E. STJ. 2. É que, in casu, o Tribunal a quo assentou que: a)"(a) duas empresas com o mesmo objeto social; (b) localizadas no mesmo endereço; (c) pertencentes à mesma família; e (d) enquanto uma vai morrendo gradativamente (rectius, sendo programadamente desativada), por causa das elevadas dívidas, a outra vai nascendo e crescendo, inclusive para dentro dela migrando o quadro de funcionários e os próprios maquinários, erigese situação de fato que afirma, estreme de dúvida, a ocorrência de sucessão tributária integral.” b) " o lançamento ocorreu em 15493, o ajuizamento em 165 94 e a citação da sucedida em 14694 (fls. 26v., autos da execução), sendo que o processo executório jamais ficou paralisado por mais de cinco anos, a ponto de ensejar prescrição intercorrente.". 3. Recurso especial não conhecido. 2 1 Resp 330683/SC DJe 08/04/2002 2 Resp 1042893/RS Dje 17/11/2009 Fl. 421DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11176.000219/200706 Acórdão n.º 2402002.290 S2C4T2 Fl. 292 11 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 422DF CARF MF Emitido em 14/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 10/12/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 35373.000749/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
DECLARAÇÃO EM GFIP. CONFISSÃO.
As informações prestadas em GFIP constituem-se em confissão de divida, no caso de ausência de recolhimento, conforme previsto no §1° do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. LEGALIDADE.
O Decreto 3.048, ao tratar da atividade econômica preponderante e do grau de risco acidentário, delimitou conceitos necessários aplicação concreta da Lei n° 8.212, de 1991, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem ferindo o principio da legalidade.
CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. INCRA. SESC. SENAC. SEBRAE.
Os dispositivos legais que fundamentam a exação das contribuições para o INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE estão em plena vigência, portanto, correto o lançamento efetuado, sob o comando do art. 94 da Lei 8.212, de 1991.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.224
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. DECLARAÇÃO EM GFIP. CONFISSÃO. As informações prestadas em GFIP constituem-se em confissão de divida, no caso de ausência de recolhimento, conforme previsto no §1° do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. LEGALIDADE. O Decreto 3.048, ao tratar da atividade econômica preponderante e do grau de risco acidentário, delimitou conceitos necessários aplicação concreta da Lei n° 8.212, de 1991, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem ferindo o principio da legalidade. CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. INCRA. SESC. SENAC. SEBRAE. Os dispositivos legais que fundamentam a exação das contribuições para o INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE estão em plena vigência, portanto, correto o lançamento efetuado, sob o comando do art. 94 da Lei 8.212, de 1991. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2031; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 361 1 360 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35373.000749/200788 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402002.224 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de Outubro de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente CENTRO EDUCACIONAL ARARAQUARA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. DECLARAÇÃO EM GFIP. CONFISSÃO. As informações prestadas em GFIP constituemse em confissão de divida, no caso de ausência de recolhimento, conforme previsto no §1° do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO. LEGALIDADE. O Decreto 3.048, ao tratar da atividade econômica preponderante e do grau de risco acidentário, delimitou conceitos necessários aplicação concreta da Lei n° 8.212, de 1991, não exorbitando o poder regulamentar conferido pela norma, nem ferindo o principio da legalidade. CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. INCRA. SESC. SENAC. SEBRAE. Os dispositivos legais que fundamentam a exação das contribuições para o INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE estão em plena vigência, portanto, correto o lançamento efetuado, sob o comando do art. 94 da Lei 8.212, de 1991. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 370DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 362 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado, nos termos do artigo 173, I do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Walter Murilo Melo Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal datado 30/03/2007 com base nos valores informados em folhas de pagamento e GFIP, conforme relatório fiscal e acórdão recorrido: O lançamento fiscal engloba contribuições previdenciárias a cargo da empresa, estabelecida no artigo 22 da lei 8212, de 24 de julho de 1991; contribuições previdenciárias devidas para financiamento do beneficio de incapacidade laborativa (Sat/Rat); contribuições devidas a terceiros; contribuições devidas sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos e dirigentes). Não existe lançamento de contribuições retidas dos segurados empregados, já que as mesmas foram recolhidas, e estão devidamente identificadas no relatório "DAD Discriminativo Analítico de Débito, citado no item 7 (sete) alínea "h" deste relatório fiscal. ... Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao lançamento por homologação, tendo o ente tributante, no mínimo, dez anos, desde a ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instancia administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO SAT O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, apenas explicita os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se dá por lei. SALÁRIO EDUCAÇÃO CONSTITUCIONAL A contribuição para o SalárioEducação foi recepcionada pela Carta Constitucional de 1998, de acordo com a Súmula n° 732 do STF. DA TAXA SELIC LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o CódigoTributárioNacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 363 5 PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO O pedido de perícia formulado sem os requisitos do art. 9°, inciso IV da portaria 520/04 considerarseá não formulado. Lançamento Procedente ... Acrescenta ainda que foram utilizados os seguintes levantamento fiscais: • Levantamento 001 — Remunerações a Empregados e Contribuintes Individuais (período anterior a GFIP). • Levantamento 002 Remunerações a Empregados e Contribuintes Individuais (Declarados em GFIP). • Levantamento 003 Salário de contribuições apurados nas Reclamatórias Trabalhistas. • DAL Diferenças de Acréscimos Legais. Competências 01/1998; 02/1998 e 09/1998. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 1) que aplicase decadência de 05 anos para os lançamentos por homologação. 2) que é inconstitucional e ilegal a cobrança do Seguro de Acidente do Trabalho; 3) que é. inconstitucional e ilegal alíquota do Salário Educação; 4) que é inconstitucional e ilegal a cobrança da Taxa SELIC; 5) protesta por todos os meios de provas em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e perícia. É o Relatório. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 374DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 364 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios de procedimento capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 375DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. ... Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ... Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, Fl. 376DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 365 9 independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando o presente caso, em que não houve pagamento de parte das contribuições devidas, deve ser aplicado o artigo 173, I do CTN. Resultando daí o reconhecimento da decadência até o mês 11/2001, inclusive. No mérito Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros de mora por meio da taxa SELIC. Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO Fl. 377DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Fl. 378DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 366 11 Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento, como aquelas relativas ao SAT, INCRA e demais entidades. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos o pagamento das parcelas remuneratórias, inclusive em GFIP, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por fim, as GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e Fl. 379DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Multa de Mora A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 367 13 Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual Fl. 381DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 382DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 368 15 Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; Fl. 383DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem Fl. 384DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 369 17 comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 385DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a Fl. 386DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 370 19 retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Nesse sentido, em reforço dessa diferença conceitual entre multas de ofício e de mora, transcrevo trechos do meu voto no acórdão n° 2402001.874, de 28/07/2011 que decidiu também pela inaplicabilidade do artigo 44 da Lei 9.430/96 nos autosdeinfração pelo descumprimento da obrigação acessória de declaração em GFIP dos fatos geradores: Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Fl. 387DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 ... Ainda quanto à multa aplicada, deve ser aplicada, com fundamento no artigo 106 do Código Tributário Nacional, a regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 388DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 371 21 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda Fl. 389DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de Fl. 390DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 372 23 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Fl. 391DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 392DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 373 25 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32 A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 393DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autode infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. Fl. 394DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35373.000749/200788 Acórdão n.º 2402002.224 S2C4T2 Fl. 374 27 E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso apenas para reconhecer o direito de retroatividade do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Por tudo, considerando que houve declaração em GFIP de parte dos fatos geradores, conforme consignado no relatório fiscal e no acórdão recorrido, aplicarseia o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para limitação da multa de mora ao percentual de 20% do tributo devido, conforme artigo 61 da Lei nº 9.430/96; entretanto, observo que a multa de mora lançada, por força do mesmo fato, já fora reduzida de forma mais benéfica do que a atual regra aplicável, assim a retroatividade seria in pejus. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso apenas para reconhecimento da decadência até o mês 11/2001, inclusive. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 395DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Fl. 396DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 03/11/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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