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Numero do processo: 10980.005516/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 15/03/1999 a 15/02/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO
O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, aplica-se aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ.
No caso, formalizada a solicitação em 13/06/2005, aplica-se o prazo de cinco anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011).
COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUMENTO DA ALÍQUOTA DE 2% PARA 3%. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Incabível a restituição de indébito relativo ao acréscimo de alíquota de 2% para 3%, já declarado constitucional pelo E. Supremo Tribunal Federal. Precedentes..
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 15/03/1999 a 15/02/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. PRESCRIÇÃO O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, aplica-se aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 13/06/2005, aplica-se o prazo de cinco anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUMENTO DA ALÍQUOTA DE 2% PARA 3%. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Incabível a restituição de indébito relativo ao acréscimo de alíquota de 2% para 3%, já declarado constitucional pelo E. Supremo Tribunal Federal. Precedentes.. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO. PRESCRIÇÃO O regramento estabelecido pela Lei Complementar 118/2005, de 09/02/2005, aplicase aos pedidos de restituição formalizados após o decurso do vacatio legis, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para solicitações formalizadas em data anterior, a contagem do prazo prescricional segue a regra decenal com termo inicial na data do fato gerador, conforme entendimento consolidado no STJ. No caso, formalizada a solicitação em 13/06/2005, aplicase o prazo de cinco anos. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUMENTO DA ALÍQUOTA DE 2% PARA 3%. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Incabível a restituição de indébito relativo ao acréscimo de alíquota de 2% para 3%, já declarado constitucional pelo E. Supremo Tribunal Federal. Precedentes.. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 55 16 /2 00 5- 21 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.005516/200521 Acórdão n.º 3302001.761 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do Acórdão recorrido, por bem refletir a contenda. Trata o processo de Pedido de Restituição de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, protocolizado em 13/06/2005, em relação aos pagamentos efetuados, entre 15/03/1999 e 15/02/2004, para os períodos de apuração 02/1999 e 01/2004, totalizando R$ 215.597,49, tendo como motivo do pedido a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98. Em 12/07/2005, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, conforme Despacho Decisório as fls. 17/19, em razão da prescrição, a teor do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999, quanto aos recolhimentos havidos antes da data de protocolização do pedido, ou seja, antes de 13/06/2000. Em relação aos pagamentos efetuados após essa data, considerouse não formulado o pedido, por ter sido formalizado em desacordo com as normas de regência. Cientificada do Despacho em 08/07/2005 (fl. 21) e inconformada com a decisão proferida, a interessada, por intermédio de procurador habilitado, interpôs, em 04/08/2005, a tempestiva Manifestação de Inconformidade (fls. 22/46), defendendo, inicialmente, o direito a restituição da COFINS recolhida nos últimos 10 anos, pelo fato de o tributo estar sujeito ao lançamento por homologação. Discorre, também, sobre as razões impeditivas à realização de pedido de restituição através do programa PER/DCOMP, salientado que o presente caso enquadrase dentre as exceções do art. 2o da IN SRF 414, de 2004 e que, por esse motivo, apresentou o pedido via formulário. No mérito, aduz que é indevida a COFINS exigida nos moldes da Lei n° 9.718/98, tendo em vista a sua ilegalidade e inconstitucionalidade para revogar a Lei Complementar n° 70/91, uma vez que a redação do art. 195 da Constituição Federal somente foi modificada, posteriormente a sua publicação, pela edição da Emenda Constitucional n° 20/98. Os membros da Terceira Turma de Julgamento da DRJ de origem, por unanimidade de votos, decidiram não acolher a manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de restituição de contribuição feita a titulo de COFINS, até 13/06/2000, por haver ocorrido a decadência do direito em relação aos recolhimentos efetuados e, após 13/06/2000, por considerar não formulado o pedido. Intimada do acórdão supra, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 31/07/2009. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.005516/200521 Acórdão n.º 3302001.761 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O contribuinte apresentou, em 13/06/2005, Pedido de Restituição em formulário impresso, relativo a pagamentos efetuados a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS no período entre 15/03/1999 a 15/02/2004, com base na Lei 9.718/98. Da Prescrição Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado, conforme previsto no do inciso I, do art. 168, do CTN. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. O STF recentemente decidiu através do recurso extraordinário nº 566.621/RS acerca da questão do prazo prescricional para pleitear restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.005516/200521 Acórdão n.º 3302001.761 S3C3T2 Fl. 5 4 como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF/RE 566621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). (grifos nossos) Considerando que ao Acórdão em comento aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC; o entendimento nele esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62ª do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Assim, a regra a ser utilizada sob esse prisma é aquela definida pela data em que foi interposta a ação ou, no caso, o pedido administrativo de restituição. Sendo o pleito formalizado após 09/06/2005, a LC 118/2005 é aplicável em sua plenitude. Na presente situação o pedido foi formalizado em 13/06/2005, data posterior a 09/06/2005. Aplicarseá, portanto, o prazo qüinqüenal nos termos do julgado supracitado. Sob esse prisma, considerando que tratase de créditos de Cofins apurados no período compreendido entre 15/03/1999 a 15/02/2004, temos que no período anterior a 15/06/2000 caracterizouse a prescrição. Neste particular considero prescrito o direito à restituição dos valores anteriores a 15/06/2000. Pedido de Restituição. Formulário Impresso. Superada a questão da prescrição, passaremos a analisar o mérito da questão, aplicável ao período não prescrito. Quanto ao mérito, não assiste razão à Recorrente. Não exclusivamente pelas razões da decisão recorrida. Esta adotara como fundamento a necessidade de apresentação do pedido de restituição por formulário eletrônico, outrossim, se fosse o caso do pedido referirse a pagamento indevido ou a maior de PIS e COFINS em razão da inconstitucionalidade do art. 3o Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.005516/200521 Acórdão n.º 3302001.761 S3C3T2 Fl. 6 5 § 1o, que ocorrera em junho desse mesmo ano, ainda que à época não se lhe fosse conferido o efeito erga omnes. Senão vejamos o que diz a alínea C, do inciso IV, do artigo 2º da IN supra: Art. 2º O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF ou ser restituído ou ressarcido desses valores deverá encaminhar à SRF, respectivamente, Declaração de Compensação, Pedido Eletrônico de Restituição ou Pedido Eletrônico de Ressarcimento gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.3, nas seguintes hipóteses: (...) IV – tratandose de Pedido de Restituição formulado por pessoa jurídica, em todos os casos em que o crédito tenha sido reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, bem como naqueles em que o crédito do sujeito passivo se refira a: (...) c) pagamento indevido ou a maior de IRPJ, Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), IPI, Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), ITR, Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) ou Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) efetuado há menos de cinco anos mediante qualquer código de receita do respectivo imposto ou contribuição, inclusive multa moratória e juros moratórios do IRPJ, IRRF, IPI, IOF, ITR, Simples, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, CPMF ou Cide; (Grifei) Entretanto, verifico às fls. 7 do pedido que o contribuinte requereu exlcusivamente o diferencial de alíquota de 2% para 3%, de resto julgado constitucional, não tendo em qualquer momento apresentado provas do seu suposto indébito referirse ao aumento da base de cálculo do art. 3o § 1o, motivo pelo qual entendo que o contribuinte não faz jus ao próprio indébito tributário requerido no pedido de restituição. Neste sentido, conheço do presente recurso, e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.005516/200521 Acórdão n.º 3302001.761 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ANTONIO HELIO DA SILVA FREIRE, Assinado digitalmente em 2 6/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 13884.001498/2010-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da decisão de primeiro grau.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão só cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior, Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da decisão de primeiro grau. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido em parte.
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NÃO OCORRÊNCIA. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da decisão de primeiro grau. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 14 98 /2 01 0- 51 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão só cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior, Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 68), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada, em 20/09/2010, a notificação de lançamento de fls. 10 a 13, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2007, que apurou a seguinte infração: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$39.833,14. Fonte pagadora: Caixa Econômica Federal, CNPJ n.º 00.360.305/000104. Cientificado do lançamento em 27/09/2010 (fl. 66), o contribuinte apresentou, em 14/10/2010, a impugnação de fl. 02, alegando que os rendimentos são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria de declarante com 65 anos ou mais. Complementando a impugnação de fl. 02, o contribuinte apresentou a petição de fls. 04/08, alegando em síntese que o cálculo do IRPF deve ser efetuado com a observância das tabelas e alíquotas vigentes nos meses em que as parcelas deveriam ter sido pagas. Cita decisões judiciais sobre o tema. Requer ainda, a devolução em dobro dos valores já retidos. Solicita prioridade na análise de sua impugnação, com base no Estatuto do Idoso. ” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em São Paulo/II julgou a impugnação improcedente (fls. 67 a 73), por entender que o Contribuinte auferiu rendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social, já deduzidos da parcela isenta relativa aos maiores de sessenta e cinco anos e que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo regime de caixa. Confirase abaixo a ementa do respectivo acórdão: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13884.001498/201051 Acórdão n.º 2802002.873 S2TE02 Fl. 91 3 Anocalendário: 2007 IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no ano calendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial para obtenção de benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 10/11/2011, fls. 77, o Interessado interpôs, em 12/12/2011, o recurso de fls. 78 e 79, na qual requer, preliminarmente, a anulação da decisão recorrida, e, no mérito alega, em suma, que recebeu pagamento de prestações de benefícios previdenciários com atraso e que este fato não pode caracterizar omissão dolosa. Sustenta, ainda, que o pagamento de tais valores de forma acumulada resultou em tributação diferenciada em relação àqueles que tiveram o pagamento de seus benefícios em época própria e de maneira correta, em afronta ao princípio da isonomia tributária. Diante do exposto acima postula pela anulação do acórdão recorrido e pela consequente exclusão do lançamento. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 18 de abril de 2013, tendo a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2201000.149, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 86 a 89. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o Relatório Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recorrente requer a nulidade da decisão de primeira instância. A respeito do assunto, cumpre notar que não se verifica nesses autos e tampouco na decisão recorrida qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972, a seguir transcrito: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade da decisão de primeiro grau. Por corresponder a benefícios previdenciários recebidas de forma acumulada, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13884.001498/201051 Acórdão n.º 2802002.873 S2TE02 Fl. 92 5 O contribuinte instruiu os autos com os elementos extraídos do processo judicial, dos quais se observa tratarse, de fato, de benefício previdenciário recebido acumuladamente, fls. 18 a 41. Seguindose a decisão do Superior Tribunal de Justiça, para se proceder os cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, necessário que o contribuinte tivesse instruído os autos com elementos que evidenciem os valores originalmente declarados nos anoscalendário de 2003 a 2005, o que não ocorreu no presente caso. Por outro lado, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto que deveria ter sido aplicada sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Diante dessas circunstâncias, entendo que se aplica ao caso as disposições expressas no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, cabendo o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure hipótese de mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário1, uma das hipóteses de mudança de critério jurídico acontece “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. Outra hipótese mencionada pelo renomado autor está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a revisão de ofício prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, não importa em prejuízo ao contribuinte, haja vista que a existência de determinação expressa no sentido de que a alteração do crédito tributário deverá ser procedida “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque, entendo que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte. Identificada essas tabelas, o próximo passo deve ser dado em direção à verificação da alíquota aplicável em função do resultado obtido a partir do somatório desses rendimentos com aqueles efetivamente auferidos nessa mesma época. Cumprida essa etapa, basta aplicar o percentual correspondente sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. 1 Machado, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 12ª /edução, Malheiros, 1997, p 123 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13884.001498/201051 Acórdão n.º 2802002.873 S2TE02 Fl. 93 7 Fica evidente que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco, haja vista que a operação de apuração do somatório dos rendimentos efetivamente auferidos com os rendimentos omitidos se presta apenas para a identificação da faixa de rendimentos prevista na tabela progressiva e, por via de consequência, da alíquota a ser aplicada tão somente sobre a base de cálculo representada pelo rendimento considerado omitido. Em outras palavras, não se exigirá na revisão de ofício o tributo por ventura apurado em função da alteração da alíquota que deveria ter sido aplicada sobre os rendimentos originalmente declarados. Daí a razão pela qual a revisão de ofício comentada não interfere na base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta, em procedimento de revisão de ofício, aplique sobre a matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que os valores dos rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o muito bem estruturado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação à espécie de provimento a ser dada ao caso, como conseqüência da definição da forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente. Explico com base no entendimento que tenho exposto nos demais julgados que trataram da mesma questão. O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 8 Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. A solução proposta pela Relator não somente reduz a questão à correção da alíquota como também utiliza uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da Receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 13884.001498/201051 Acórdão n.º 2802002.873 S2TE02 Fl. 94 9 Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 10 tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) O Relator amparase em entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN2 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderse – à guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. O Relator defende a revisão de ofício do lançamento. Todavia, a possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. Nos demais pontos, acompanho integralmente o relator. A única infração autuada foi a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Não há fundamento legal que autorize restituição em dobro. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão só cancelar o lançamento. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso 2 São exemplos da referida divergência na doutrina: CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário 17 ed. Saraiva, São Paulo, 2005. p. 427; AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13 ed. Saraiva, São Paulo, 2007, p. 351 e ss. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
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Numero do processo: 16327.002121/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002
COFINS. DECADÊNCIA.
Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante n° 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo.
COFINS. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA.
A DEINF/SP detém a competência subjetiva para efetuar a fiscalização e o lançamento em relação As entidades previdência privada, bem como, a competência territorial que abarca o domicilio fiscal da interessada.
INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA.
Não cabe A autoridade administrativa pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto A validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição federal é dirigida ao legislador, cabendo A autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DECADÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante n° 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. COFINS. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. A DEINF/SP detém a competência subjetiva para efetuar a fiscalização e o lançamento em relação As entidades previdência privada, bem como, a competência territorial que abarca o domicilio fiscal da interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. Não cabe A autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O julgador administrativo não pode afastar a aplicação da multa prevista em lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto A validade da legislação tributária. A vedação ao confisco pela Constituição federal é dirigida ao legislador, cabendo A autoridade administrativa apenas cumprir a determinação legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 21 /2 00 7- 28 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES RELATOR Relator. EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em face da decisão exarada no Acórdão nº 1622.131, da 8ª Turma da DRJ/SPOI, que por unanimidade de votos, decidiu por julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada, referente a COFINS, no período de janeiro de 2002 a novembro de 2002. Adoto, por bem retratar o caso dos autos, o relatório usado no acórdão de impugnação: (...) 2. De acordo com o disposto nas folhas de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 531, 540), a infração apurada refere se a "FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO" das contribuições PIS e COFINS. "INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO". 2.1. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 504 a 529), o autuante inicialmente qualifica a contribuinte, elenca a Legislação Tributária sobre Previdência Privada, sobre COFINS e sobre a Contribuição para o PIS, para então a explanar a respeito da ação fiscal que foi motivada por ações judiciais que a contribuinte impetrou contra a Fazenda Pública relativamente às contribuições PIS e COFINS. Passa a relatar sobre as ações judiciais referentes h COFINS e A. contribuição para o PIS e sobre as matérias tributáveis referentes às duas contribuições. 2.2. No tópico "DO RECOLHIMENTO EFETIVADO PELO CONTRIBUINTE" consignou o autuante que a então fiscalizada declarou na DIPJ 2003 (anocalendário 2002) e DIPJ 2004 (anocalendário 2003) valor zerado para a COFINS e que não declarou a COFINS em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Quanto à contribuição para o PIS o autuante informou que houve recolhimento de 1% sobre a Fl. 617DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16327.002121/200728 Acórdão n.º 3302002.231 S3C3T2 Fl. 617 3 folha de salários, conforme Tabela à fl. 526 (fatos geradores de janeiro/2002 a dezembro/2003). 2.3. Quanto ao Lançamento de Oficio, o autuante assim expôs: 31. Foram solicitados e devidamente atendidos em 16 de fevereiro de demonstrativos da base de cálculo do PIS e COFINS em consonância com legislação vigente. Os valores da COFINS apresentados estão a seguir discriminados: 2002 COFINS DEVIDO 2003 CONFINS DEVIDO JAN 80.031,53 JAN 124.772,85 FEV 154.508,70 FEV 68.928,09 MAR 69.378,13 MAR 85.243,17 ABR 98.820,11 ABR 56.875,94 MAI 65.784,63 MAI 58.301,55 JUN 117.156,19 JUN 87.487,19 JUL 164.876,79 JUL 77.161,18 AGO 160.980,85 AGO 101.324,24 SET 119.396,63 SET 131.893,68 OUT 133.826,44 OUT 75.065,56 NOV 125.327,62 NOV 77.250,69 DEZ 137.648,70 DEZ 219.657,38 32. No item 18 acima há um resumo da sentença referente aos processos 2001.61.00.0215836 e 2002.61.00.011933 5 julgados simultaneamente. No item 20 (v) a sentença é favorável ao contribuinte reconhecendo que faturamento corresponde tão somente ao resultado de venda de bens e serviços não procedendo ao alargamento da base de cálculo previsto na Lei 9.718/98 ao prever que faturamento corresponde à receita bruta que é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido e concedeuse em parte a segurança para o fim de reconhecer a inexigibilidade da COFINS no que se refere ao alargamento da base de cálculo levada a efeito pelo art. 3°, sç 1°, da Lei 9.718/98 e, conseqüente, determinar a exclusão de tais valores dos autos de infração nos mandados de segurança. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 33. Uma vez que a ação judicial foi julgada sendo favorável aos interesses do contribuinte no que tange ao auto de infração já lavrado, mas sem menção aos procedimentos futuros é cabível o lançamento de oficio com multa de oficio e juros. 34. 0 presente lançamento se dará com a cobrança de multa de oficio de 75% em conformidade com o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 e juros de mora de acordo com o art. 61, 3°, da Lei n°9.430/96. 35. No item 10 acima observamos que o Mandado de Segurança autuado sobre número 2001.61.00.0215848 foi julgado improcedente sem julgamento do mérito e no que tange ao que restou decidir que o contribuinte não detinha o direito de recolher o PIS no versa sobre folha de salários. 0 contribuinte opôs Embargos de Declaração e está aguardando julgamento. 36. Uma vez que a ação judicial foi julgada sendo contrária aos interesses do contribuinte resta ao presente procedimento fiscal o lançamento de oficio com multa de oficio e juros. 37. 0 presente lançamento se dará com a cobrança de multa de oficio de 75% em conformidade com o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 e juros de mora de acordo com o art. 61, 3°, da Lei n°9.430/96. No mérito, o acórdão de impugnação decidiu por julgar procedente o lançamento da COFINS, e improcedente o lançamento de PIS, por entender que somente neste caso deve ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco proceder o lançamento. O ponto levado em consideração para aplicar ou não a decadência foi a existência de pagamento pelo contribuinte, por isso entendeuse somente pela decadência de PIS. Irresignado com o teor do acórdão de impugnação, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, aduzindo em síntese que: a) preliminarmente, a DEFIN/SP não possui legitimidade para lavrar auto de infração, o que torna nulo o acórdão ora recorrido; b) está decaído o direito de lançar tributo, por força do art. 150 §4º do CTN; c) não há condições de cobrar COFINS pois é isenta da contribuição, bem como não há receita ou faturamento passível de tributação nas atividades da Recorrente; d) a multa aplicada afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como não deve incidir SELIC pela natureza não fiscal do débito. É o relatório. Voto Fl. 619DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16327.002121/200728 Acórdão n.º 3302002.231 S3C3T2 Fl. 618 5 Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe delimitar a presente lide, tendo em vista o resultado da decisão exarada pela DRJ, que reconheceu a decadência dos lançamentos de PIS, bem como os recolhimentos e parcelamentos informados pela Recorrente. Diante destes fatos, mantenho o julgamento em relação à COFINS nos meses de janeiro a novembro de 2012. Dito isto, analiso a preliminar de ilegitimidade da DEFIN/SP. O acórdão recorrido assim consignou como razão de decidir: “No Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, vigente A época do lançamento, a competência da Deinf baseiase no critério da qualidade do contribuinte, ou seja, nas atividades por ele desenvolvidas: Art. 169. As Delegacias Especiais de Instituições Financeiras – Deinf, quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, excetuandose os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de controle e auditoria dos serviços prestados por agente arrecadador e ainda, em relação aos contribuintes definidos por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, desenvolver as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e atendimento ao contribuinte, as atividades de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas e, especificamente: (Redação dada a partir de 2 de janeiro de 2008 pela Portaria MF nº 23, de 30 de janeiro de 2008) (grifo nosso) III processar lançamentos de oficio, imposição de multas e outras penas aplicáveis ás infrações a legislação tributária, e as correspondentes representações fiscais; (Renumerado a partir de 2 de janeiro de 2008 pela Portaria MF n2 23, de 30 de janeiro de 2008)” Anexo V da Portaria RFB n°10.166, de 11 de maio de 2007 Atividades de Contribuintes jurisdicionados pelas Delegacias Especiais de Instituições Financeiras — (Deinf). (…) 7.3. Diante do que foi exposto até agora, podemos extrair as seguintes conclusões: • A competência territorial da Deinf/SP é a do Estado de São Paulo. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 • A Deinf tem competência subjetiva para efetuar a fiscalização e o lançamento em relação aos contribuintes que desenvolvem as atividades discriminadas no Anexo V da Portaria RFB n° 10.166, de 11 de maio de 2007. Sendo a impugnante, uma Entidade Fechada de Previdência Complementar, conforme consignado no Termo de Verificação fiscal à fl. 504 e no Estatuto Social da Fundação CESP (fls. 279 a 304), esta se enquadra no item XXV do Anexo V da Portaria RFB no 10.166, de 11 de maio de 2007, então vigente (hoje alterada pela Portaria RFB n° 2.143, de 4 de dezembro de 2008, que mantém o mesmo teor no item XXV). Por estas razões, coaduno com o entendimento esposado no acórdão de impugnação, não havendo se falar em ilegitimidade ou nulidade do auto de infração, pois não resta dúvida alguma de que a interessada encontrase no rol das pessoas que estão sob a jurisdição da DEINF/SP. Passo a analisar a alegação de decadência. Via de regra, o CTN estabelece que o lançamento tributário deve observar o art. 173 do Código Tributário Nacional, que determina: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Referida regra, no entanto, comporta exceções para os casos em que os tributos estão sujeitos ao pagamento através do regime de homologação, como é o caso das contribuições discutidas nestes autos. Nestes casos, aplicável o prazo estabelecido pela redação do art. 150 do Código Tributário, senão vejamos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16327.002121/200728 Acórdão n.º 3302002.231 S3C3T2 Fl. 619 7 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifouse) A jurisprudência do E. STJ, com a interpretação que vem sendo dada ao Resp 973.733 – SC de relatório do Ministro Luiz Fux, acabou por decidir, no rito do art. 543 C, que se deve aplicar o art. 150, § 4º do CTN , quando tenha havido pagamento parcial e o 173, I do CTN, nos casos em que não houve pagamento, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Da análise dos lançamentos efetuados, verificase que não houve pagamento a título de COFINS em relação às competências compreendidas entre 01/2002 a 11/2002 Conforme se depreende dos autos, os lançamentos efetuados são decorrentes de ausência de recolhimento da Cofins, ou seja, no período deste lançamento não foram efetuados recolhimentos, sendolhes aplicável o disposto no art. 173, I do CTN, o que afasta as alegações de decadência. Tendo a decisão proferida no Resp 973.733/SC seguido o rito do Recurso Repetitivo, tal entendimento se torna de aplicação obrigatório pelos membros do CARF, nos termos do que determina o Art. 62 A do RICARF. Cabe analisar agora a exigência da COFINS neste caso. A Contribuinte alega que é isenta da contribuição, bem como não há receita ou faturamento passível de tributação nas suas atividades. De fato, a Lei Complementar nº 70/91 excluía do pagamento da COFINS as entidades descritas no § 1º do art. 23 da Lei nº 8.212/91, senão vejamos: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 221 da mesma lei, 1 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16327.002121/200728 Acórdão n.º 3302002.231 S3C3T2 Fl. 620 9 mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Ocorre que com o advento da Lei nº 9.718 passou a tratar deste tema da seguinte forma: A rt. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica (...) § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (...) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; Portanto, as entidades fechadas de previdência privada estão sujeitas à incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS desde o advento da Lei nº 9.718/98 que expressamente revogou o disposto no art 11 da Lei Complementar nº 70/91. É importante destacar que a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para efetuar os lançamentos aqui discutidos foi fornecida e calculada pela própria Recorrente (fls. 193 a 205) e também basearam os recolhimentos que foram efetuados em relação as competências de12/2002 a 12/2003. Assim, todas as exclusões previstas na legislação foram utilizadas pela Recorrente. Cumpre destacar que, em relação às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade, falece competência ao julgador administrativa para afastar dispositivo de lei ou decreto em pleno vigor. A matéria encontrase inclusive sumulada no âmbito do CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 Nunca é demais lembrar que as sumulas do CARF são de aplicação obrigatória, conforme determina o art. 722 do Regimento Interno deste órgão colegiado. Também devem ser considerados improcedentes os argumentos relativos a multa de oficio aplicada, posto que estando devidamente prevista em lei em vigor (art. 44, I da Lei 9.430/96), não pode o julgador administrativo afastala. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso, no termos do voto acima transcrito, em complemento aos argumentos já exposto no acórdão recorrido aos quais faço remissão nos termos do art. 50 da Lei 9.784/993. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observa ncia obrigatória pelos membros do CARF. 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas desistiu de apresentar sua declaração de voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 625DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13707.001269/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL.
As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente.
Numero da decisão: 3401-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mérito relativa à matéria de prescrição, aventada pelo Conselheiro Eloy Nogueira, que ficou vencido. No mérito, também por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Robson Bayerl e Eloy Nogueira.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO CONTRADITÓRIO À DECISÃO JUDICIAL. As esferas administrativas devem cumprir as decisões judiciais. Por essa razão, não cabe às esferas administrativas julgarem indevido o aproveitamento de crédito, cujo direito já foi reconhecido judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mérito relativa à matéria de prescrição, aventada pelo Conselheiro Eloy Nogueira, que ficou vencido. No mérito, também por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Votaram pelas conclusões os Conselheiro Robson Bayerl e Eloy Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 12 69 /2 00 7- 82 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação do PIS e da COFINS nãocumulativo, de março de 2007, de débitos da empresa Globex Utilidades S/A (ora Recorrente) com créditos da empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio (terceiro). A Declaração de Compensação foi protocolada em 17/04/2007 (fls. 04/08). O crédito tem origem em decisão judicial no Mandado de Segurança nº 98.00166580, que tramitou junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciário de São João do Meriti – RJ e transitou em julgado em 18/04/2001, conforme informação de fl. 205. O direito ao ressarcimento foi reconhecido administrativamente no Processo nº 10735.000001/9918 (fls.93/97). Contudo, a PFN entrou com ação rescisória para desconstituir a decisão judicial do MS nº 98.00166580, questionando o prazo decadencial para o reconhecimento do crédito. Além disso, a declaração de compensação foi protocolada após a alteração do texto do caput do art. 74, da Lei nº 9.430/96, que impede a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Por essas razões, a autoridade fiscal entendeu que o reconhecimento administrativo do crédito deixou de ser válido e considerou as compensações como não declaradas (fls.205/208). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.212/241), mas a DRJ em Juiz de Fora/MG a julgou improcedente ao prolatar acórdão (fls. 445/462) com a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívocas disposições legais MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 e na Lei nº 11.041, de 2004 impeditivas de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com crédito de terceiros, declaradas após 1º de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. (...) PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãocumulatividade Fl. 917DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13707.001269/200782 Acórdão n.º 3401002.594 S3C4T1 Fl. 917 3 ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 26/03/2013 e interpôs recurso voluntário em 25/04/2013 (fls.471/487), com as alegações resumidas abaixo: 1 A Nitriflex impetrou o MS preventivo nº 2001.51.10.0010250, visando assegurar o direito de compensação de seus créditos com o débito de terceiros. A segurança foi concedida e o MS transitou em julgado em 26/08/2003. 2 O TRF da 2ª Região reconheceu que o crédito da Nitriflex é passível de compensação com débitos de terceiros, em conformidade com o art. 170, do CTN, e arts. 73 e 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação original e com expressa aplicação do princípio da irretroatividade das leis, pelo qual a legislação posterior que viesse a limitar o pleno direito à compensação não poderia retroagir; 3 Em 25/02/2010, a Ministra Cármen Lúcia, do STF, proferiu decisão nos autos da Reclamação Constitucional nº 9.790, suspendendo a Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758; 4 Com a suspensão da ação rescisória, caiu por terra a fundamentação do despacho decisório de que faltam liquidez e certeza no crédito. Ao fim, a Recorrente pediu que fosse dado provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer a extinção dos créditos pela homologação das compensações. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Fl. 918DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende compensar seus débitos com créditos de terceiros, todavia a Fazenda entende ser impossível o aproveitamento desses créditos em razão de vedação legal e a falta de liquidez e certeza do crédito. O cerne da questão consiste em saber se há possibilidade de compensação de débito próprio com crédito de terceiro e se a ação rescisória manejada pela Fazenda afastou a liquidez e certeza do crédito. 1. Da possibilidade de compensação com crédito de terceiro Até o dia 30 de setembro de 2002, o art. 74, da Lei nº 9.430/96, tinha o seguinte texto: “ Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração”. A partir de 1º de outubro de 2002, passou a vigorar o novo texto do art. 74, da Lei nº 9.430/96, o qual foi alterado pela Lei nº 10.637/02, com o seguinte teor: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”.(grifo nosso) A partir da nova redação, os contribuintes passaram a poder compensar seus débitos somente com crédito próprio. Ocorre que, no presente caso, a declaração de compensação foi protocolada em 17/04/2007 (fls. 04/08), depois da modificação do texto legal. Mas antes mesmo do novo texto da lei, a instrução normativa nº 41, de 2000, vedava a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Vejamos: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13707.001269/200782 Acórdão n.º 3401002.594 S3C4T1 Fl. 918 5 Ocorre que a empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, originariamente proprietária dos créditos, tinha garantido, via Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0352326, o direito ao aproveitamento dos seus créditos para compensar débitos de terceiros. O acórdão encontrase na fl. 644 dos autos da seguinte forma: “(...) acordam os Membros da Quarta Turma do Egrégio Tribunal Regional da 2ª Região, por unanimidade, nos termos do voto do Relator, acompanhado pelo Eminente Desembargador Federal DR. BENEDITO GONÇALVES e pelo Eminente Desembargador Federal DR. FRANCISCO PIZZOLANTE, em dar provimento ao recurso, para, sanando a omissão do v. acórdão de fls. 189, declarar que o efetivo aprimoramento da prestação jurisdicional, no caso, implica em aplicação da regra, de conteúdo interpretativo, constante do parágrafo 3º do art. 515 do CPC, e, em consequência, atribuindo efeitos modificativos ao v. acórdão de fls. 154, dar integral provimento ao apela invalidando a limitação prevista na IN SRF 41/00, à compensação de créditos da Impetrante, reconhecido às fls. 63, com débitos de terceiros”. (grifo nosso) Dessa decisão, a União interpôs Recurso Especial, o qual não foi conhecido (fls.645/646), tendo o processo transitado em julgado em 12/09/2003, conforme fl.648. Portanto, apesar da alteração legislava, que passou a vedar a compensação de débitos com crédito de terceiro, existia uma decisão judicial que embasava o direito de compensação pleiteado pela Recorrente. Nesse caso, deve a administração se submeter à decisão judicial e reconhecer o direito à compensação. 2. Da liquidez e certeza do crédito Conforme consignado no relatório, o crédito tem origem em decisão judicial de Mandado de Segurança, o qual transitou em julgado. Posteriormente, a Fazenda ingressou com uma ação rescisória a fim de desconstituir a decisão da ação mandamental. Todavia, a ação rescisória foi extinta sem julgamento do mérito. Sobreveio outra decisão judicial, nos autos da Reclamação Constitucional nº 9.790, suspendendo a Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758. A Reclamação Constitucional foi julgada procedente e a ação rescisória transitou em julgado sem resolução do mérito. Diante desse contexto, não há dúvida da validade da decisão judicial do Mandado de Segurança nº 98.00166580, o qual tramitou junto à 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de São João do Meriti – RJ e transitou em julgado em 18/04/2001 e, portanto, também não resta dúvida da liquidez e certeza do crédito. Levando em consideração que as esferas administrativas são submetidas às decisões judiciais, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que, em cumprimento à decisão judicial que reconheceu a existência do crédito, seja apurado o quantum do crédito existente e sejam efetuadas as compensações até o valor apurado. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ, de modo que os autos devem retornar à delegacia de origem para que seja cumprida a decisão judicial. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 921DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10384.722435/2012-47
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
IRPJ. CSLL. CMV. SUPER-AVALIAÇÃO DO ESTOQUE.
Havendo prova nos autos da super-avaliação do estoque do contribuinte, é legítima a glosa do custo com a venda de mercadorias e, por conseguinte, a exigência tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Diante da presunção legal instituída pelo art. 40, da Lei nº 9.430/96, é dever do contribuinte provar que as receitas tidas como omitidas, foram oferecidas à tributação. A sua inércia implica na manutenção da exigência tributária.
OMISSÃO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Diante da presunção legal instituída pelo art. 42, da Lei nº 9.430/96, é dever do contribuinte provar que as receitas tidas como omitidas, foram oferecidas à tributação. A sua inércia implica na manutenção da exigência tributária.
PIS. COFINS. VEÍCULOS. REGIME MONOFÁSICO. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA.
Diante da presunção legal instituída pelo art. 42, da Lei nº 9.430/96, é dever do contribuinte provar que as receitas tidas, no trabalho fiscal, preenchem a hipótese da Lei nº 10.485/02. Inexistindo prova neste sentido, não como considerar que a operação fora tributada em etapa anterior da cadeia produtiva. Exigência tributária que deve ser mantida.
MULTA QUALIFICADA.
Deve ser aplicada a hipótese do art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96, quando a conduta do contribuinte se subsumi à hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964.
JUROS SOBRE A MULTA.
Conforme o Código Tributário Nacional (art. 139) o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Estão compreendidos no conceito de crédito tributário o tributo e a penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Assim, é legítima a exigência pela Lei nº 9.430/96, que, fundamentada no Código Tributário Nacional, impõe a incidência de juros de mora à Taxa Selic, sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual a multa de ofício é espécie.
TAXA SELIC.
O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic.
Numero da decisão: 1103-001.065
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, por maioria. Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que votaram pela exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Assinado digitalmente
Eduardo Martins Neiva Monteiro No exercício da presidência.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro (no exercício da presidência).
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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CSLL. CMV. SUPERAVALIAÇÃO DO ESTOQUE. Havendo prova nos autos da superavaliação do estoque do contribuinte, é legítima a glosa do custo com a venda de mercadorias e, por conseguinte, a exigência tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Diante da presunção legal instituída pelo art. 40, da Lei nº 9.430/96, é dever do contribuinte provar que as receitas tidas como omitidas, foram oferecidas à tributação. A sua inércia implica na manutenção da exigência tributária. OMISSÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. Diante da presunção legal instituída pelo art. 42, da Lei nº 9.430/96, é dever do contribuinte provar que as receitas tidas como omitidas, foram oferecidas à tributação. A sua inércia implica na manutenção da exigência tributária. PIS. COFINS. VEÍCULOS. REGIME MONOFÁSICO. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. Diante da presunção legal instituída pelo art. 42, da Lei nº 9.430/96, é dever do contribuinte provar que as receitas tidas, no trabalho fiscal, preenchem a hipótese da Lei nº 10.485/02. Inexistindo prova neste sentido, não como considerar que a operação fora tributada em etapa anterior da cadeia produtiva. Exigência tributária que deve ser mantida. MULTA QUALIFICADA. Deve ser aplicada a hipótese do art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96, quando a conduta do contribuinte se subsumi à hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. JUROS SOBRE A MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 24 35 /2 01 2- 47 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 835 2 Conforme o Código Tributário Nacional (art. 139) o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Estão compreendidos no conceito de crédito tributário o tributo e a penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Assim, é legítima a exigência pela Lei nº 9.430/96, que, fundamentada no Código Tributário Nacional, impõe a incidência de juros de mora à Taxa Selic, sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual a multa de ofício é espécie. TAXA SELIC. O Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, determina a legalidade, neste Conselho, da exigência da Taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, por maioria. Vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que votaram pela exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Martins Neiva Monteiro – No exercício da presidência. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro (no exercício da presidência). Fl. 835DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 836 3 Relatório A recorrente foi autua pela prática das seguintes infrações, conforme RELATÓRIO FISCAL: “No exercício do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, atendendo ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF de n° 03.301.00.2011.00266, efetuamos a verificação de regularidade fiscal junto ao contribuinte acima identificado e apuramos os fatos a seguir relatados. A presente ação fiscal foi iniciada em 27/09/2011, com a ciência pessoal do fiscalizado do mandado de procedimento fiscal. Nessa mesma data, ele foi também cientificado do Termo de Inicio da Ação Fiscal o qual o intimava a apresentar, com relação ao anocalendário de 2008, no prazo de 5 dias úteis, a documentação nele relacionada. Em 04/10/2011, o fiscalizado solicitou a prorrogação desse prazo e ele foi estendido até o dia 20/10/2011. Após a disponibilização da documentação requerida, efetuamos a sua análise e verificamos a existência das irregularidades e infrações à legislação tributária abaixo relacionadas. INFRAÇÃO 1: SUPERAVALIAÇÃO DO ESTOQUE INICIAL. 4.Inicialmente, para o entendimento do lançamento efetuado esclarecemos que, na contabilidade do fiscalizado, não há lançamentos individualizados em conta de estoque, os lançamentos ocorrem mensalmente pelos seus valores inicial e final e não há conta auxiliar com esses lançamentos individualizados. 5. Constatamos que o valor do estoque inicial de mercadorias registrado na contabilidade importa em R$ 8.437.362,16 enquanto que o valor declarado em DIPJ foi de R$ 2.407.765,44, uma diferença de R$ 6.029.596,72 (ilustrações 1 e 2, abaixo). (...) 6. Com o objetivo de esclarecer a origem da divergência constatada, intimamos o fiscalizado a apresentar a relação de veículos novos em estoque em 31/12/2007, com a identificação da nota fiscal correspondente à venda de cada um deles (Termo de Intimação Fiscal n° 1). Fl. 836DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 837 4 7. Com base nessa listagem, identificamos os veículos vendidos em 2007 e que não foram deduzidas do estoque (anexo 1 e cópia das notas fiscais, também em anexo). O montante dessas vendas correspondem ao valor de R$ 3.369.596,72. 8.Intimamos novamente o fiscalizado (Termo de intimação Fiscal n° 2) a justificar a diferença apurada entre o valor contabilizado e o valor do estoque apurado com a dedução das vendas ocorridas no ano de 2007 e não excluídas do estoque final de 2007/inicial de 2008. Em sua resposta, o fiscalizado, mesmo confrontado com as provas por ele mesmo produzidas (relação de vendas dos veículos existentes no estoque em 31/12/2007), afirma que o valor correto do estoque inicial é o valor escriturado: R$ 8.437.362,16. 9. À vista dos elementos levantados, comprovamos que o estoque inicial de 2008, está registrado na contabilidade em um valor de R$ 3.369.596,72 acima do correto. Efetuamos o lançamento de oficio dessa infração. 10. A conduta do fiscalizado consistente em manter em sua contabilidade mercadorias já vendidas, não pode ser atribuída a erro, falha ou mero acaso, pois conforme se vê na listagem anexa .anexo 1), a quantidade de veículos que deixou de ser deduzida do estoque final de 2007/inicial de 2008 é significativa em quantidade e valor. 11. Essa conduta, é, na verdade, um artifício que busca criar para o ano de 2008 uma indevida majoração no cálculo do custo das mercadorias vendidas CMV, e com isso obter uma redução, também indevida, do lucro tributável. 12. Reforça esta percepção (de que se trata de um artifício) a forma com que o fiscalizado efetua, na sua contabilidade, os lançamentos atinentes ao controle dos estoques: pelos valores iniciais e finais em cada mês, sem qualquer detalhamento da movimentação ocorrida em cada período. Esta forma de contabilização oculta com perfeição o artifício usado pelo fiscalizado para majorar seus custos. 13. Considerando que essa conduta consistente em inserir elementos inexatos nos livros contábeis com a intenção de exonerarse do pagamento de tributos à Fazenda Pública é conduta tipificada pela legislação com crime de sonegação fiscal, o lançamento correspondente será efetuado com a multa qualificada de 150% e se procederá a correspondente representação fiscal para fins penais. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 838 5 14. Poderia o fiscalizado argumentar em sua defesa (se isso não fosse o próprio reconhecimento de que registrava conscientemente o valor do estoque de forma incorreta em sua contabilidade) que apesar da diferença encontrada pela fiscalização, no estoque, ele teria corrigido tal diferença por ocasião da entrega da DIPJ quando teria informado ao Fisco, para fins de apuração do lucro tributável, um valor de estoque inicial inferior ao contabilizado (item 5, acima). Todavia, o fiscalizado só aparentemente corrigiu a distorção na DIPJ, pois ao tempo em que reduz seu estoque inicial (diminuindo o CMV) ele aumenta, indevidamente, o valor das devoluções de vendas (reduzindo as receitas) em R$ 5.034.021,70, anulando com isso os efeitos "benéficos" de sua redução no CMV. Ou seja, não podemos considerar esses valores informados em DIPJ, pois estão inconsistentes com os escriturados. INFRAÇÃO 2: OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA. 15. Preliminarmente cumpre ressaltar que constatamos que o fiscalizado utiliza a prática de efetuar lançamentos sintéticos com o total da movimentação mensal sem que exista no livro RAZÃO a escrituração de conta auxiliar com o detalhamento desses lançamentos diários. Essa prática é recorrente na conta CAIXA onde as receitas auferidas são contabilizadas, em lançamentos mensais únicos, no inicio de cada mês, a débito dessa conta e a crédito da conta de receitas. 16. A citada forma de contabilizar as receitas na conta CAIXA é indicio da existência de saldo credor nessa conta. Em razão disso, analisamos os lançamentos efetuados e encontramos na contabilização da conta CAIXA a existência de saldo credor em 30/11/2008, no valor de R$ 929.922,11, conforme ilustração abaixo e anexo n° 4 . (...) 17. Esse saldo credor na conta caixa é, por presunção legal, considerado como omissão na contabilização de receitas. Efetuamos o lançamento de oficio da infração constatada. 18. Relatamos, também, a seguir, fato observado que tangencia a apuração dessa infração de saldo credor na conta caixa, sem contudo, contribuir para a sua determinação. 19. Efetuamos, em paralelo ao presente procedimento fiscal, outro procedimento. Desta feita, junto ao contribuinte ALEMANHA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ Fl. 838DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 839 6 0 7.877.344/000122, cujos titulares são os mesmos do fiscalizado. E, neste contribuinte verificamos a existência de contas correntes bancárias que, mantidas em nome de ALEMANHA PARTICIPAÇÕES LTDA, movimentação de valores pertencentes ao fiscalizado. 20. constatamos, porém, que os ingressos e dispêndios constantes dessas contas já estavam devidamente contabilizados na contabilização do fiscalizado (Termo de intimação fiscal n° 7 e sua resposta) e que, portanto, o saldo credor existente nesta conta não era alterado pela existência daquelas. INFRAÇÃO 3: OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS 21. Constatamos a existência de empréstimos concedidos às empresas AUTOSHOP e ALDEBARAM sem a devida contabilização de receitas financeiras. 22. Intimamos o fiscalizado a efetuar comprovação dos empréstimos tomados e concedidos (Termo de intimação Fiscal n° 1), bem como apresentar o fluxo de caixa dos recursos emprestados/recebidos, demonstrando os valores recebidos e/ou pagos a titulo de juros e a sua devida escrituração (Termo de Intimação Fiscal n° 2 , item 1). 23. Em sua resposta o fiscalizado apresentou cópia do livro RAZÃO com a contabilização dos empréstimos concedidos em 2008 à empresa AUTOSHOP, conforme planilha abaixo. 24. Intimamos o fiscalizado a apresentar (Termos de Intimação Fiscal n° 5 e 6), também, os contratos relativos aos empréstimos concedidos em anos anteriores às empresas AUTO SHOP e ALDEBARAN, vigentes em 2008, relativos aos saldos existentes em 31/12/2007 quadro abaixo. O fiscalizado apresentou contratos formalizados em 02 de setembro de 2007 e 02 de setembro de 2006. 25. Constatamos que em TODOS os contratos apresentados as empresas tomadoras do empréstimo se comprometem a o capital do mutuante a uma taxa de juros de 1% (UM POR mês mais a variação do IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 26. O fiscalizado não contabilizou as receitas decorrentes da variação monetária e dos juros incorridos. Efetuamos a apuração destes e procedemos ao lançamento das receitas não reconhecidas, conforme a planilha em anexo (anexo 2). INFRAÇÃO 4: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IOF Fl. 839DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 840 7 27. Verificamos que, relativamente aos empréstimos referidos na infração 3, acima, o fiscalizado não efetuou o recolhimento do IOF devido nas operações realizadas. 28. Em todos os contratos de mútuo pactuados pelo fiscalizado o objetivo era in verbis "o suprimento de numerário à MUTUÁRIA, de valor indeterminado". E, neste caso, a base de cálculo para a apuração do IOF é o somatório dos saldos devedores diários da operação de empréstimo apurado no último dia de cada mês, e sobre tal somatório se aplica a alíquota de 0,0041% (Art. 7, I, "a" do Decreto n° 6.306, de 14 de dezembro de 2007). Isso se aplica a todos os empréstimos concedidos pelo fiscalizado: os existentes em 31/12/2007 e os pactuados durante o ano de 2008. 29. Ao IOF apurado em conformidade com o parágrafo anterior, a legislação tributária prevê, ainda, a cobrança adicional do IOF à alíquota de 0,38% incidente sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores para as operações de empréstimos efetivadas a partir de 03/01/2008 (Art. Io do Decreto n° 6.339, de 3 de janeiro de 2008). 30. Efetuamos a apuração do IOF (anexo 3) e procedemos o seu lançamento de ofício para a exigência do tributo. 31. Este relatório fiscal, com os seus anexos, é parte integrante do auto de infração lavrado para a exigência dos tributos nele apurado, relativos ao anocalendário de 2008.” O recorrente, inconformado, ofertou Impugnação, julgada improcedente, conforme ementa abaixo colacionada: O recorrente interpôs Recurso Voluntário, aduzindo, em síntese: a) regime monofásico das contribuições PIS e COFINS; b) erro na constituição do crédito tributário. da inexistência de devolução de vendas não comprovadas. aplicação dos artigos 923 e 924; c) inexistência de saldo credor de caixa; d) falta de motivação para tributação de omissão de receitas financeiras; d) ilegalidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; d) ilegalidade da multa fiscal agravada. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira Fl. 840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 841 8 Inicio por assentar que o item 4 do lançamento de ofício não será objeto de análise, pois é exigido nos autos do Processo nº 10384.722.436/201291 (fls. 38). Quanto aos demais itens, aduz o recorrente que os bens por ele vendidos estão submetidos ao regime monofásico de incidência de PIS e COFINS e, por essa razão, não poderia serlhe exigidas essas contribuições. A Lei nº 10.485/02, estabelece o regime de incidência monofásica do PIS e COFINS para veículos, classificados nas posições 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI. Verificase do Auto de Infração (fls. 626) que a exigência dessas contribuições é calcada na omissão de receitas, oriundas de saldo credor de caixa, conforme RELATÓRIO FISCAL (fls. 36 e 43). Cabe acrescentar que a recorrente (fls. 36) “utiliza a prática de efetuar lançamentos sintéticos com o total da movimentação mensal sem que exista no livro RAZÃO a escrituração de conta auxiliar com o detalhamento desses lançamentos diários.” Acrescentese, ainda, que na Consolidação do Contrato Social da Empresa (fls. 708) consta a aptidão para outras atividades econômicas que não apenas a venda de veículos (“compra e venda de veículos automotores novos e usados, peças e acessórios, prestação de serviços de mecânica e funilaria em geral, corretagem de veículos novos e usados, corretagem de seguros, alugueis de veículos de passeio, comerciais.”). Logo, não há como saber se as receitas omitidas pela recorrente, sobre as quais incidiram as contribuições, são decorrentes da venda de veículos. Por essa razão, é improcedente o pedido da recorrente. No que tange à incidência do IRPJ e CSLL sobre o CMV, a recorrente alega afronta ao princípio da verdade material e nulidade do v. acórdão recorrido, por inovação do lançamento fiscal. Diz o Relatório Fiscal, que o mérito do ato administrativo consiste: “INFRAÇÃO 1: SUPERAVALIAÇÃO DO ESTOQUE INICIAL. 4. Inicialmente, para o entendimento do lançamento efetuado esclarecemos que, na contabilidade do fiscalizado, não há lançamentos individualizados em conta de estoque, os lançamentos ocorrem mensalmente pelos seus valores inicial e final e não há conta auxiliar com esses lançamentos individualizados. 5. Constatamos que o valor do estoque inicial de mercadorias registrado na contabilidade importa em R$ 8.437.362,16 enquanto que o valor declarado em DIPJ foi de R$ 2.407.765,44, uma diferença de R$ 6.029.596,72 (ilustrações 1 e 2, abaixo). Fl. 841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 842 9 (...) 6. Com o objetivo de esclarecer a origem da divergência constatada, intimamos o fiscalizado a apresentar a relação de veículos novos em estoque em 31/12/2007, com a identificação da nota fiscal correspondente à venda de cada um deles (Termo de Intimação Fiscal n° 1). 7. Com base nessa listagem, identificamos os veículos vendidos em 2007 e que não foram deduzidas do estoque (anexo 1 e cópia das notas fiscais, também em anexo). O montante dessas vendas correspondem ao valor de R$ 3.369.596,72. 8.Intimamos novamente o fiscalizado (Termo de intimação Fiscal n° 2) a justificar a diferença apurada entre o valor contabilizado e o valor do estoque apurado com a dedução das vendas ocorridas no ano de 2007 e não excluídas do estoque final de 2007/inicial de 2008. Em sua resposta, o fiscalizado, mesmo confrontado com as provas por ele mesmo produzidas (relação de vendas dos veículos existentes no estoque em 31/12/2007), afirma que o valor correto do estoque inicial é o valor escriturado: R$ 8.437.362,16. 9. À vista dos elementos levantados, comprovamos que o estoque inicial de 2008, está registrado na contabilidade em um valor de R$ 3.369.596,72 acima do correto. Efetuamos o lançamento de oficio dessa infração. 10. A conduta do fiscalizado consistente em manter em sua contabilidade mercadorias já vendidas, não pode ser atribuída a erro, falha ou mero acaso, pois conforme se vê na listagem anexa .anexo 1), a quantidade de veículos que deixou de ser deduzida do estoque final de 2007/inicial de 2008 é significativa em quantidade e valor. 11. Essa conduta, é, na verdade, um artifício que busca criar para o ano de 2008 uma indevida majoração no cálculo do custo das mercadorias vendidas CMV, e com isso obter uma redução, também indevida, do lucro tributável. 12. Reforça esta percepção (de que se trata de um artifício) a forma com que o fiscalizado efetua, na sua contabilidade, os lançamentos atinentes ao controle dos estoques: pelos valores iniciais e finais em cada mês, sem qualquer detalhamento da movimentação ocorrida em cada período. Esta forma de contabilização oculta com perfeição o artifício usado pelo fiscalizado para majorar seus custo. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 843 10 13. Considerando que essa conduta consistente em inserir elementos inexatos nos livros contábeis com a intenção de exonerarse do pagamento de tributos à Fazenda Pública é conduta tipificada pela legislação com crime de sonegação fiscal, o lançamento correspondente será efetuado com a multa qualificada de 150% e se procederá a correspondente representação fiscal para fins penais. 14. Poderia o fiscalizado argumentar em sua defesa (se isso não fosse o próprio reconhecimento de que registrava conscientemente o valor do estoque de forma incorreta em sua contabilidade) que apesar da diferença encontrada pela fiscalização, no estoque , ele teria corrigido tal diferença por ocasião da entrega da DIPJ quando teria informado ao Fisco, para fins de apuração do lucro tributável, um valor de estoque inicial inferior ao contabilizado (item 5, acima). Todavia, o fiscalizado só aparentemente corrigiu a distorção na DIPJ, pois ao tempo em que reduz seu estoque inicial (diminuindo o CMV) ele aumenta, indevidamente, o valor das devoluções de vendas (reduzindo as receitas) em R$ 5.034.021,70, anulando com isso os efeitos "benéficos" de sua redução no CMV. Ou seja, não podemos considerar esses valores informados em DIPJ, pois estão inconsistentes com os escriturados.” Consta do Relatório Fiscal que o valor do estoque inicial de mercadorias registrado na contabilidade de R$ 8.437.362,16. Porém, consta do aludido documento que foram vendidos em 2007 e não deduzidos do estoque contabilizado, ou seja, R$ 8.437.362,16, o montante de R$ 3.369.596,72. Portanto, teria sido utilizado custo de CMV, ilegalmente, de R$ 3.369.596,72, resultando em recolhimento a menor de CSLL e IRPJ. Todavia, verificase na DIPJ de fls. 265, ficha 4A, linha 22, relativa ao ano calendário 2007, que o valor final do estoque final foi de R$ 2.407.765,44 e na DIPJ referente ao anocalendário de 2008, linha 20, que no estoque inicial está registrado o mesmo valor. Ora, como o valor do estoque declarado na DIPJ não foi de R$ 8.437.362,16, mas de R$ 2.407.765,44, poderseia concluir que o montante não registrado de venda de mercadorias vendidas, não contabilizadas, não teria sido considerado pelo contribuinte na apuração do IRPJ e da CSLL. Porém, como ressalta o Sr. Agente Fiscal: “14. Poderia o fiscalizado argumentar em sua defesa (se isso não fosse o próprio reconhecimento de que registrava conscientemente o valor do estoque de forma incorreta em sua contabilidade) que apesar da diferença encontrada pela fiscalização, no estoque, ele teria corrigido tal diferença por ocasião da entrega da DIPJ quando teria Fl. 843DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 844 11 informado ao Fisco, para fins de apuração do lucro tributável, um valor de estoque inicial inferior ao contabilizado (item 5, acima). Todavia, o fiscalizado só aparentemente corrigiu a distorção na DIPJ, pois ao tempo em que reduz seu estoque inicial (diminuindo o CMV) ele aumenta, indevidamente, o valor das devoluções de vendas (reduzindo as receitas) em R$ 5.034.021,70, anulando com isso os efeitos "benéficos" de sua redução no CMV. Ou seja, não podemos considerar esses valores informados em DIPJ, pois estão inconsistentes com os escriturados.” O motivo do ato administrativo foi reafirmado pelo v. acórdão recorrido: “17. Portanto, a informação em DIPJ do estoque inicial no valor de R$2.407.765,44 (e não a quantia de R$8.437.362,16, escriturada na contabilidade) ter acarretado em redução do custo em R$6.029.596,72 é irrelevante por não ser objeto da infração ora julgada, já que a infração sob comento diz respeito a superavaliação de estoque por manutenção do registro, nessa conta, de veículos vendidos em 2007. Outrossim, tal informação não acarretou efeito tributário, pois o contribuinte concomitantemente aumentou o valor da devolução/cancelamento de venda e das despesas financeiras, consoante Tabela 1, retro. 18. Em suma, era ônus do contribuinte comprovar seus custos e, como não o fez, devem ser glosados. Ante a ausência de censura ao trabalho fiscal, afastase a pretensão de nulidade dos lançamentos tributários.” Portanto, o v. acórdão não inovou o lançamento de ofício. Quanto à afronta ao princípio da verdade material, a recorrente confessou que o estoque registrado na sua contabilidade difere do declarado na DIPJ: “8. Intimamos novamente o fiscalizado (Termo de intimação Fiscal n° 2) a justificar a diferença apurada entre o valor contabilizado e o valor do estoque apurado com a dedução das vendas ocorridas no ano de 2007 e não excluídas do estoque final de 2007/inicial de 2008. Em sua resposta, o fiscalizado, mesmo confrontado com as provas por ele mesmo produzidas (relação de vendas dos veículos existentes no estoque em 31/12/2007), afirma que o valor correto do estoque inicial é o valor escriturado: R$ 8.437.362,16.” Além disso, não produziu prova apta a demonstrar a inconsistência apontada no trabalho fiscal, realizado sobre os documentos fiscais exibidos à fiscalização pela recorrente. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 845 12 Portanto, há que se manter o lançamento neste ponto. O mesmo caminho sigo quanto à omissão de receitas, em decorrência de saldo credor de caixa. O mesmo está comprovado nos autos, como se verifica do RELATÓRIO FISCAL e constitui presunção, relativa (art. 281, RIR/99), de omissão de receitas, sendo ônus do recorrente produzir prova em contrário, o que não o fez, devendo ser mantida a autuação neste ponto. Isto porque, conforme “Relatório Fiscal”: “INFRAÇÃO 2: OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA. 15. Preliminarmente cumpre ressaltar que constatamos que o fiscalizado utiliza a prática de efetuar lançamentos sintéticos com o total da movimentação mensal sem que exista no livro RAZÃO a escrituração de conta auxiliar com o detalhamento desses lançamentos diários. Essa prática é recorrente na conta CAIXA onde as receitas auferidas são contabilizadas, em lançamentos mensais únicos, no inicio de cada mês, a débito dessa conta e a crédito da conta de receitas. 16. A citada forma de contabilizar as receitas na conta CAIXA é indicio da existência de saldo credor nessa conta. Em razão disso, analisamos os lançamentos efetuados e encontramos na contabilização da conta CAIXA a existência de saldo credor. 17. Esse saldo credor na conta caixa é, por presunção legal, considerado como omissão na contabilização de receitas. Efetuamos o lançamento de oficio da infração constatada.” Em sua defesa, consta do v. acórdão recorrido, alega a recorrente: “a) Consoante o relatório fiscal o lançamento efetuado na contabilidade do contribuinte constase que a fiscalização alterou a data de sua contabilização para buscar a justificativa do saldo credor de caixa. Ora, se na contabilidade a data do lançamento é 30/11/2008 é essa que deve ser observada pela fiscalização; b) A fiscalização buscou alterar indevidamente a data do lançamento contábil efetuado pelo contribuinte a crédito da conta caixa nos dias 28, 29 e 30/11/2008, aumentando o seu valor, a fim de se estabelecer uma presunção de omissão de receita com base em saldo credor de caixa sem nenhuma motivação legal para justificar a alteração da data dos lançamentos contábeis efetuados pelo contribuinte, estipulando assim uma presunção simples, fixando uma base de cálculo encontrada a partir de critérios não previstos em lei, contrariando o devido procedimento de confecção da norma individual e concreta;” Sobre o tema, o v. acórdão recorrido: Fl. 845DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 846 13 “29. Como se vê da explicação fiscal, o saldo credor de R$929.922,11, de 30/11/2008, foi obtido da própria escrituração da pessoa jurídica (página 34 do Livro Razão – fl. 380 dos autos), sem que nenhuma data de registro contábil tenha sido alterada. 30. O sujeito passivo também argumentou que ‘o refazimento da conta caixa encontrase equivocada haja vista que ele olvidouse de realizar a soma dos lançamentos efetuados em data posterior ao pagamento, devendo tais valores ser lançados a débito na conta caixa’ (fl. 674). Repitase aqui que não houve recomposição da conta Caixa, pois os dados foram extraídos daquela conta tal e qual se encontravam registrados. Outrossim, estranhase o argumento do contribuinte, pois fatos contábeis posteriores não têm o condão de alterar o passado contábil de uma pessoa jurídica. Demais disso, apenas para argumentar, se houve esquecimento de considerar lançamentos contábeis efetuados em data posterior ao pagamento, tal esquecimento só pode ser imputado ao próprio contribuinte. Por fim, ressaltese que o administrado sequer indicou quais seriam esses ‘lançamentos efetuados em data posterior ao pagamento’, com datas e valores.” Ora, como demonstrado no v. acórdão recorrido, está provado o saldo credor de caixa. Caberia, por outro lado, ao contribuinte, fazer a prova constitutiva de seu direito (artigo 12, § 2º, do DecretoLei n º 1.598, de 1977), com a finalidade de fragilizar a presunção estampada no lançamento de ofício. Dessa maneira, não cabe razão à recorrente Também no que se refere à omissão de receitas financeiras, não há razão à recorrente. Conforme Relatório Fiscal verificouse que: “INFRAÇÃO 3: OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS 21. Constatamos a existência de empréstimos concedidos às empresas AUTOSHOP e ALDEBARAM sem a devida contabilização de receitas financeiras. 22. Intimamos o fiscalizado a efetuar comprovação dos empréstimos tomados e concedidos (Termo de intimação Fiscal n° 1), bem como apresentar o fluxo de caixa dos recursos emprestados/recebidos, demonstrando os valores recebidos e/ou pagos a titulo de juros e a sua devida escrituração (Termo de Intimação Fiscal n° 2 , item 1). 23. Em sua resposta o fiscalizado apresentou cópia do livro RAZÃO com a contabilização dos empréstimos concedidos Fl. 846DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 847 14 em 2008 à empresa AUTOSHOP, conforme planilha abaixo. 24. Intimamos o fiscalizado a apresentar (Termos de Intimação Fiscal n° 5 e 6), também, os contratos relativos aos empréstimos concedidos em anos anteriores às empresas AUTO SHOP e ALDEBARAN, vigentes em 2008, relativos aos saldos existentes em 31/12/2007 quadro abaixo. O fiscalizado apresentou contratos formalizados em 02 de setembro de 2007 e 02 de setembro de 2006. 25. Constatamos que em TODOS os contratos apresentados as empresas tomadoras do empréstimo se comprometem a o capital do mutuante a uma taxa de juros de 1% (UM POR mês mais a variação do IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 26. O fiscalizado não contabilizou as receitas decorrentes da variação monetária e dos juros incorridos. Efetuamos a apuração destes e procedemos ao lançamento das receitas não reconhecidas, conforme a planilha em anexo (anexo 2).” O fato está provado, seja pelos contratos de mútuo juntados aos autos (fls. 359/374), ou pela confissão da recorrente no Recurso Voluntário (fls. 798): “Data máxima vênia Ilustre Relator, as receitas financeiras decorrentes dos mútuos aludidos pela fiscalização não ocorrem mês a mês como afirma a fiscalização, mas sim no instante do pagamento dos mesmos. Todos os contratos de mútuo tem prazo de carência para pagamento, logo os juros eram apropriados no instante o término desse prazo.” Acrescentase que os lançamentos foram realizados conforme a contabilidade da recorrente e a prova contrária do lançamento de ofício cabia à ela, razão pela qual deve ser mantido o trabalho fiscal. No que tange a penalidade qualificada, diz o art. 44, §1o, da Lei nº 9.430/96, que a penalidade de ofício (75%) será duplicada em caso de sonegação fiscal. Os fato presentes nos autos, narrados no v. acórdão recorrido, demonstram a caracterização de conduta ilegal, com a finalidade de diminuir a incidência da carga tributária: “No que se refere à existência de dolo, há que se conferir os requisitos vontade e consciência voltados para a prática do delito. Quanto à vontade de cometêlo, tal elemento fica demonstrado pela manutenção no estoque de 01/01/2008 de noventa e um veículos, no valor total de R$3.369.596,72, quando a pessoa jurídica tinha consciência de sua venda no ano de 2007, tendo em vista as notas fiscais emitidas pelo próprio administrado. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 848 15 43. Quanto à questão de a majoração de custo representar 1/33 avos da receita auferida, tal fato não influencia na existência de dolo. O valor adulterado na contabilidade (R$3.369.596,72) é relevante por si só, prescindindose de comparação com outros campos da declaração, pois implica sonegação de IRPJ na ordem de quinhentos mil reais e de CSLL em aproximadamente trezentos mil reais, fora os acréscimos legais de multa de ofício e juros de mora. 44. Nesse passo, a ação comissiva do sujeito passivo no sentido de aumentar o estoque inicial em R$3.369.596,72 (e, consequentemente, elevar o custo, reduzindo assim o lucro) denota a intenção de subtrair (ou retardar) o conhecimento, pela autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador, precisamente o delito de sonegação descrito no artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964.” Por isso, nada há que se reparar na r. decisão recorrida. Quanto aos juros sobre a multa de ofício, o mesmo deve ser mantido, conforme jurisprudência deste Tribunal, Proc. 16327.000989/200793, Rel. Cons. André Mendes de Moura: “Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, questionados pelo Recorrente, o Código Tributário Nacional (CTN) autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139 do CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113 do CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 849 16 ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 9202 01.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa Fl. 849DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 850 17 de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 04 00.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Fl. 850DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10384.722435/201247 Acórdão n.º 1103001.065 S1C1T3 Fl. 851 18 Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicados com base na taxa SELIC.” Diante do exposto, recebo o recurso da recorrente, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 851DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 20/07/201 4 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 10980.726434/2011-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 01/01/2008
LANÇAMENTO VÍCIOS NA CONSTITUIÇÃO. ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO REGULAR. REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. RESPEITADOS. LEGISLAÇÃO ATENDIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação dada pelas leis 9.528/97 e 9.876/99 que estava em vigor na data da ocorrência do fato gerador, caso mais benéfica a recorrente, tudo a ser apurado no momento do pagamento parcelamento ou execução, ficando esta multa limitada a setenta e cinco por cento como estabelecido no artigo 35-A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente POTENCIAL PETRÓLEO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 01/01/2008 LANÇAMENTO VÍCIOS NA CONSTITUIÇÃO. ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E TIPIFICAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO REGULAR. REQUISITOS MATERIAIS E FORMAIS. RESPEITADOS. LEGISLAÇÃO ATENDIDA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação dada pelas leis 9.528/97 e 9.876/99 que estava em vigor na data da ocorrência do fato gerador, caso mais benéfica a recorrente, tudo a ser apurado no momento do pagamento parcelamento ou execução, ficando esta multa limitada a setenta e cinco por cento como estabelecido no artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 34 /2 01 1- 61 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 173 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 174 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.349.4572, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente do pagamento de cota de patrocínio a entidade desportiva, que possui equipe de futebol profissional, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 11 a 14, com período de apuração de 09/2006 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 19 e 20. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 21/12/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 77 a 87, estando acompanhada dos documentos, de fls. 88 a 144. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 146. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0641.720 5ª, Turma DRJ/BHE, em 26/06/2013, fls. 148 a 156. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 28/07/2013, conforme AR, de fls. 158. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 160 a 168, recebida, em 19/08/2013, desacompanhado de qualquer documento, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Preliminar. · que em meados de 2006/2007 a impugnante recebeu a oferta de ser patrocinadora de um clube de futebol, sendo induzida a erro por este, pois não sabia e não foi cientificada da necessidade de promover a retenção da contribuição sobre o valor do patrocínio, abocanhando o clube o valor total do patrocínio, tendo a empresa ciência que o desconhecimento da lei não a escusa de cumprir seu dever legal; · que a recorrente demonstrou em sua defesa primitiva que o auto está cheio de falhas e irregularidades, havendo erro na capitulação legal do auto e dissonância com a realidade; · que o auto no fundamento legais do débito traz legislação que nada tem a ver com a matéria, tais como: artigo 7, 1 e 2, da Lei 8.620/93 e art. 4º, §1º, da Lei 10.666/2003, que, respectivamente, tratam de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 175 4 décimo terceiro salário e contribuição social dos associados de cooperativas de trabalho; · que é uma irresponsabilidade admitir a validade de auto de infração que não contenha requisitos mínimos de validade, pois patrocínio tem uma legislação especifica nada tendo a ver com décimo terceiro salário e contribuição social dos associados de cooperativas, sendo a recorrente obrigada a se defender de auto confuso e eivado de vícios, o que afeta seu exercício de ampla defesa e contraditório, pois a confusão nos dispositivos legais a impede de exercer a plenitude do direito de defesa; · que o lançamento deve atender aos requisitos formais do artigo 142, do CTN, sendo nulo pela ausência ou inconsistência dos requisitos, conforme jurisprudência do Conselho e da Câmara Superior, não sabendo a recorrente do que se defender, pois os dispositivos legais citados não são relacionados como o patrocínio, não tendo a recorrente realizada retenção de décima terceira contribuição e foi considerada associada a cooperativa; · que além de tudo que foi dito o auto equivocase ao exigir penalidade diferente da estipulada em lei, uma vez que a infração seria a do artigo 283, II, letra “m”, c/c o artigo 292, ambos, Decreto 3.048/99, estando viciada a base legal do auto, bem como não se coaduna com a previsão legal; · que não pode o agente fiscal “despejar” um rol de legislação ao seu bel prazer, para fundamentar o auto, especialmente quando esta nada tem a ver com a atuação, haja vista que a atividade fiscal deve ser exercida com responsabilidade, de forma criteriosa, sob pena de nulidade, por violação ao princípio da estrita legalidade; · que a autuação carece de validade, pois não permite ao contribuinte conhecer os dispositivos legais que a embasam, visando a produção de sua defesa, pois há verdadeira confusão e omissão nos dispositivos, inviabilizando a defesa, sendo nulo em razão dos graves erros; · que deve ser reconhecida preliminarmente a nulidade absoluta da autuação, devidos ao erro insanável na tipificação em sua materialidade e na capitulação legal da punição, cita jurisprudência do antigo CC e do TJAP; · Dos pedidos e requerimentos: a) reforma integral do acórdão de primeiro grau; b) preliminarmente que seja reconhecida a nulidade absoluta em razão dos vícios e erros materiais na capitulação legal da infração e da multa; c) sendo a correta capitulação da multa o artigo 283, II, letra “m”, c/c o artigo 292, ambos, Decreto 3.048/99, que sequer foram citados no auto; d) reconhecendose a INÉPCIA do auto de infração. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 176 5 A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 170. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despachos de fls. 170. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 23/01/2014, fls. 171, pelo Lote 3. É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 177 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminares. A recorrente diz que entende que não pode alegar o desconhecimento da lei para deixar de cumprir com suas obrigações legais, tendo em vista que diz que foi ofertada a ela a possibilidade de ser patrocinadora de clube de futebol, aceitando de boa fé, mas sem saber da obrigação legal da retenção da cota de patrocínio, a qual o clube abocanhou de forma integral. Desta feita, fica ultrapassada a questão da responsabilidade tributária, uma vez que o artigo 22, parágrafos 6º, 7º e 9º, da Lei 8.212/91 atribuem de forma expressa a empresa ou entidade que disponibiliza o recurso a obrigação da retenção. Equivocase a recorrente o auto de infração não carrega e não contém as falhas de capitulação, que ela recorrente alega existirem. Uma simples leitura do Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 07 e 08, elucidam a questão. O citado relatório é divido em partes e cada parte traz a legislação do assunto ou rubrica a que se refere, e assim está ele dividido: na rubrica 041 ATRIBUIÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR, ARRECADAR E COBRAR, e a subdivisão 041.02 nesta parte do relatório estão discriminadas as normas que dão competência à RFB para promover as ações indicadas. Na rubrica 218 CONTRIBUIÇÃO EMPRESARIAL DOS CLUBES DE FUTEBOL SOBRE RECURSOS DE PATROCÍNIO, PUBLICIDADE, ETC (PELA ENTIDADE PATROCINADORA/OUTROS) e sua subdivisão 218.03 – estão indicadas a normas que atribuem a responsabilidade tributária da retenção e seu percentual a empresa que disponibiliza o recurso ao clube de futebol. Na situação acima fica demonstrado o dever da recorrente em promover a retenção e recolhimento da obrigação tributária principal, ou seja, a retenção, arrecadação e recolhimento da contribuição social previdenciária substitutiva. Na rubrica 800 PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EMPRESAS EM GERAL e sua subdivisão 800.10, onde a recorrente alega ocorrer a falha, vício, erro, incongruência e dissonância da capitulação legal do auto com a realidade, em verdade esta não ocorre e o motivo é muito simples. Como o próprio título da rubrica informa e demonstra se está a falar das EMPRESAS EM GERAL, ou seja, todo e qualquer tipo de empresa, pois todas essas tem o Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 178 7 dever de em determinado momento recolher a sua contribuição a Seguridade Social e no caso da recorrente em se falando de recolhimento a determinação legal está contida na alínea “b”, do inciso I, do artigo 30, da Lei 8.212/91. Aliás, como consta do parágrafo 9º, do artigo 22, da citada lei e que, também, consta do FLD ora debulhado, assim como as empresas e as entidades a elas equiparadas se organizam de diversas formas jurídicas consta da rubrica a obrigação das empresas em geral, pois o prazo e a obrigação de recolhimento é comum e geral a todas. A legislação especifica para o tipo de contribuição arrecada nestes autos de infração é a primeira da lista, não havendo irregularidade alguma na citação das demais determinações legais, ainda, que não voltadas especificamente a recorrente, pois a rubrica discrimina obrigação genérica de todas as empresas quanto ao prazo e obrigação de recolher, uma vez que a capitulação legal do dever de contribuir está descrito e determinado de forma inequívoca na rubrica anterior e denominada 218 CONTRIBUIÇÃO EMPRESARIAL DOS CLUBES DE FUTEBOL SOBRE RECURSOS DE PATROCÍNIO, PUBLICIDADE, ETC (PELA ENTIDADE PATROCINADORA/OUTROS) e sua subdivisão 218.03 e que foi devidamente elucidada. A referência ao décimo terceiro salário na citada rubrica 800 PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EMPRESAS EM GERAL e sua subdivisão 800.10, advém do período fiscalizado, ou seja, 09/2006 a 12/2007, uma vez que esse período incorpora o décimo terceiro do ano de 2006, e por se tratar de obrigação geral da empresas e entidades equiparadas, também, faz parte da rubrica EMPRESAS EM GERAL, porém referindose, exclusivamente, ao prazo e obrigação de recolher e não a capitulação legal da contribuição. A questão do décimo terceiro vem esclarecido no item (8) oito do Instruções para o Contribuinte – IPC, de fls. 09 e 10, veja a transcrição. 8 Competência 13 A competência 13 (treze), quando existente, significa apuração de débito referente ao 13o. salário. Assim sendo, a alegação de que o auto de infração contém vícios, falhas, incongruências na capitulação legal é dissonante da realidade e totalmente descabida e improcedente, pois como demonstrada acima a obrigação legal foi apontada de forma clara e objetiva e a citação da necessidade da observação do prazo e da obrigação de recolhimento das empresas em geral, ainda, que cite o décimo terceiro e outras rubricas, tais como os cooperados não interferem na capitulação do tributo a recolher, pois a obrigação principal tributária tem outro fundamento como demonstrado. Todos os requisitos do artigo 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 10, do Decreto 70.235/72 foram atendidos de forma clara, simples e objetiva, basta ver o que a seguir discrimino. Art. 142 – da Lei 5.172/66. · Ocorrência do fato gerador – contrato de patrocínio, fls. 32 a 43; · Ocorrência do fato gerador – aditamento ao contrato, fls. 44 e 45; · Ocorrência do fato gerador – cópia das folhas do livro Razão conta contábil 30302020014 – PROP, PUBLICIDADE E DIVULGAÇÃO Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 179 8 MATRIZ e conta 30301010033 – PROPAGANDA, PUBLICIDADE E DIVULGAÇÃO – onde consta o patrocínio ao Clube Coritiba, fls. 47 a 49; · Ocorrência do fato gerador – recibo emitidos pelo clube de futebol Coritiba, dando quitação da cota de patrocínio, fls. 50 a 56; · Determinação da material tributável – Fundamento Legais do Débito rubrica 218 e 218.03, fls. 07; · Cálculo do montante do tributo Discriminativo de Débito DD fls. 04 a 06, e Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03; · Determinação do sujeito passivo – todo o Auto de Infração e documentos comprobatórios que o acompanham; · Penalidade aplicável – tendo em vista que a obrigação principal não foi adimplida a tempo e a forma foi aplicado 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS e 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA; Art. 10, do Decreto 70.235/72. · Lavratura por servidor competente – Agente fiscal devidamente investido na função, folhas 03; 11 a 14; 18 a 20; · Local de verificação da falta – Curitiba – PR, fls. 03; 11 a 14; 18 a 20; · Qualificação do autuado todo o Auto de Infração e documentos comprobatórios que o acompanham; · Local, data e hora da lavratura – fls. 03; · Descrição do fato – REFISC, de fls. 11 , item 3; · Disposição legal infringida e penalidade aplicável 218 CONTRIBUIÇÃO EMPRESARIAL DOS CLUBES DE FUTEBOL SOBRE RECURSOS DE PATROCÍNIO, PUBLICIDADE, ETC (PELA ENTIDADE PATROCINADORA/OUTROS) e sua subdivisão 218.03 e 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS e 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA, fls. 07; · A determinação da exigência – Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03; · A intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias – item 1; 3; 4 , do Instruções para o Contribuinte – IPC, de fls. 09; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 180 9 · Assinatura do autuante e indicação do cargo ou função e o número de matrícula Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03. Verificase do que acima explanado que todos os requisitos legais exigidos para a validade do lançamento estão presentes no auto sob vergasta. Devese observar, também, que o lançamento referese, exclusivamente, a contribuição previdenciária decorrente do patrocínio de clube de futebol, para as competências 09/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 03/2007, conforme consta no Discriminativo de Débito – DD, de fls. 05 e 06. Desta forma, não esta presente neste crédito nem a exigência de décimo terceiro, pois como esclarecido pode ou não ser existente e muito menos foi considerada a recorrente como associada a cooperativa, mas apenas e tão somente ficou demonstrado alhures no FLD na rubrica PRAZO E OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EMPRESAS EM GERAL, consta a legislação referente as obrigações de todas as empresas, porém a qualificação e capitulação do lançamento desta empresa está na rubrica 218 CONTRIBUIÇÃO EMPRESARIAL DOS CLUBES DE FUTEBOL SOBRE RECURSOS DE PATROCÍNIO, PUBLICIDADE, ETC (PELA ENTIDADE PATROCINADORA/OUTROS) e sua subdivisão 218.03, o que é muito clara, se a recorrente não entendeu, o que esclarecido no auto, a responsabilidade é toda da recorrente e não do fisco. Quem, novamente, equivocase é a recorrente no presente lançamento está sendo exigido o tributo em espécie, ou seja, a contribuição previdenciária, isto é, a obrigação principal. Ao se tratar de obrigação principal as penalidades cabíveis são determinadas e prescritas em lei. No caso em análise a lei como consta do Fundamentos Legais do Débitos – FLD rubricas 602 e 602.07 e 701 e 701.01 trazem todos os fundamentos da penalidade aplicada, juros e multa de ofício. A legislação é invocada pela recorrente de forma equivocada, pois o artigo 283, inciso II, alínea “m” c/c o artigo 292, referese apenas a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória ou o chamado dever instrumental, nada tendo a ver com o tributo propriamente dito. A agente fiscal como demonstrado e esclarecido não despejou ao seu bel prazer um rol de legislação e muito menos de legislação que não se coaduna com a infração, estando todos elas relacionadas ao lançamento, tendo exercido suas atribuições legais respeitando todas as normas sobre a matéria, agindo de forma responsável, criteriosa e desenvolvendo todos os princípios do artigo 37, caput, da CRFB/88 e respeitando as determinações do 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 10, do Decreto 70.235/72. Ausentes dos autos todos os vícios alegados pela recorrente, não vislumbro prejuízo a ampla defesa e ao contraditório, que está sendo exercido dentro do devido processo legal. A jurisprudência suscitada pela recorrente não se aplica ao caso em análise, pois não há nos autos os vícios, falhas, defeitos, máculas e demais irregularidades apontadas. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 181 10 No presente caso a decisão judicial, do TJAP não há similitude com o presente caso, pois na decisão judicial a legislação que embasou o lançamento foi revogada por legislação posterior, o que não é o caso do presente lançamento e, ainda, que fosse seria irrelevante, pois se aplica ao lançamento a legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador, ainda, que posteriormente modificada ou revogada, artigo 144, da Lei 5.172/66. No tocante a multa de ofício de setenta e cinco por cento aplicada na maioria dos levantamentos a mesma não é adequada, uma vez que está foi introduzida pela MP 449/2008 e assim não pode ser aplicada para competências anteriores, ainda, que o lançamento se dê depois da edição da citada MP, em razão do artigo 144, da Lei 5.172/66. O presente crédito foi constituído, em 20/12/2011, nesta ocasião já estava em vigor a Lei 11.941/2009, oriunda da conversão da MP 449/2008, ou seja, vigorava a multa de ofício de 75%, artigo 35 A, da Lei 8.212/91, introduzido pelo diploma legal, anteriormente, citado. Porém o presente crédito encerra contribuições do período de 09/2006 a 12/2007,Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 19 e 20. Desta forma, para o período de 09/2006 a 12/2007, nos termos do artigo 144, caput, da Lei 5.172/66 a regra a ser aplicada e a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, ou seja, a multa sobre a contribuição exigida variaria de 24% a 100% a depender da fase do processo administrativo. Este deve ser o patamar de multa a ser aplicado, no período suscitado, salvo se a multa chegar a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento, uma vez que nesta situação a multa do artigo 35 – A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, passa a ser mais benéfica, hipótese que esta deve ser aplicada, nos termos do artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10980.726434/201161 Acórdão n.º 2803003.392 S2TE03 Fl. 182 11 Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para determinar a aplicação da multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação dada pelas leis 9.528/97 e 9.876/99 que estava em vigor na data da ocorrência do fato gerador, caso mais benéfica a recorrente, tudo a ser apurado no momento do pagamento parcelamento ou execução, ficando esta multa limitada a setenta e cinco por cento como estabelecido no artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11065.724220/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724220/201236 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.404 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2014 Assunto COFINS Recorrente UNIMED VALE DOS SINOS SOC. COOP DE TRABALHO MÉDICO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 5.283.936,83, referente a fatos geradores entre 31/01/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 03/10/2012 (Termo de Ciência de Auto de Infração e Entrega de Documentos); RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 24 22 0/ 20 12 -3 6 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 3 2 b) o segundo formalizou a exigência de PIS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.144.852,99, referente a fatos geradores entre 31/01/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 03/10/2012 (Termo de Ciência de Auto de Infração e Entrega de Documentos). Foi produzido Relatório do Procedimento Fiscal, onde ficou registrado (excertos): No curso da ação fiscal detectamos irregularidades com repercussão sob o aspecto tributário no que tange à redução dos valores devidos das contribuições, em desacordo com as determinações legais. A contribuinte deduziu da base de calculo das contribuições para o PIS e da COFINS devidas nos anoscalendário de 2008 e 2009 todos os custos relativos aos atendimentos de seus segurados e não somente os custos com outras operadoras de planos de saúde referentes a transferência de responsabilidade, conforme determinação legal (...). O disposto no (...) inciso III do § 9º do art. 3º da referida Lei nº 9.718, de 1998, não autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo das citadas contribuições todos os valores dos custos operacionais incorridos (depois de abatidos dos valores das transferências de responsabilidades recebidas) que são próprios do exercício da atividade de prestação de serviços de assistência à saúde aos beneficiários (clientes) dos respectivos planos de saúde. São exemplos desta espécie de serviços: consultas médicas; exames radiológicos e laboratoriais; internação em hospitais e clínicas; terapias e demais despesas afins. (...) a legislação citada não autoriza também o abatimento de despesas com salários, despesas com ambulatório e hospital próprio, bem como para atendimento a seus contratantes de plano de saúde, conforme a fiscalizada alega e efetivamente deduziu de suas bases de cálculo para as contribuições para o PIS e a COFINS. Pela exclusão indevida de tais custos de sua base de cálculo a fiscalizada apurou valores devidos para as contribuições a menor, mensalmente, nos meses sob fiscalização de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. No demonstrativo apresentado à fiscalização em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, estão demonstrados que foram deduzidos das receitas auferidas valores correspondentes ao reembolso de despesas com consultas médicas; exames radiológicos e laboratoriais; internação em hospitais e clínicas; terapias, custos com seus ambulatórios próprios e demais despesas afins (...). Adicionalmente, (...) a fiscalizada anexa documentos para comprovar supostos descontos incondicionados concedidos pela mesma, conforme alegou em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 265 a 327), com resposta protocolada em 06/08/2012, onde argumenta que os valores constantes dos lançamentos contábeis efetuados nas contas contábeis do grupo 3119 referemse a descontos incondicionados. A verificar os históricos dos respectivos lançamentos contábeis e os documentos apresentados constatase que tais valores referemse a comissões pagas e não a descontos incondicionais. Os valores lançados na escrituração contábil nas contas contábeis do grupo 3119 (razão fls. 240 a 250) e deduzidos da receita auferida pela contribuinte nas planilhas, apresentadas à fiscalização como “outras deduções das Contraprestações AP”, referemse, em Fl. 782DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 4 3 realidade, a comissões pagas aos clubes de diretores lojistas ou sindicados conforme os próprios históricos contábeis registram. (...) não se tratam de descontos incondicionais concedidos, mas simples comissões por “prestação de serviços de orientação, assessoramento e informações”, conforme resposta da própria fiscalizada. Percebese que CDL recebe comissão de 10% ao intermediar os contratos de planos de saúde entre seus associados e Unimed. Os reais tomadores dos serviços de saúde, os associados da CDL, pagam fatura individual com o valor integral da mensalidade à CDL, pois para estes a contratada (UNIMED) emitiu cobrança individual, sem qualquer desconto. Apesar de a fiscalizada alegar que efetuou as deduções de acordo com as determinações legais, ratificamos que a maior parte das deduções realizadas pela fiscalizada não possuem legislação que lhes dê amparo. Em 30/10/2012 a contribuinte apresentou, através de procurador, arrazoados impugnatórios referentes à COFINS e ao PIS. Em relação ao lançamento da COFINS, referiu: Preliminar de nulidade • a autuação não é clara ao ponto de saber a cooperativa exatamente o motivo de sua lavratura. O relatório não foi preciso, aparentemente albergando o valor da receita bruta da cooperativa, envolvendo atos cooperativos principais e auxiliares, além de receita não operacional. Também não contempla ação judicial que debate a tributação dos atos cooperativos; • a defesa está prejudicada, eis que terá de alegar tudo o que pode, em face de não saber o que realmente pretende a autuação: se a tributação do ato principal, do auxiliar, de ambos, bem como o motivo da tributação; • a autuação fala que deduções de usuários próprios não podem ser realizadas, com base na Lei n° 9.718/1998 (art. 3º, § 9°), afirmando que somente usuários de intercâmbio (atendidos por outras operadoras de planos) permitem tais abatimentos, porém, não prova a restrição do ponto de vista legal; • postula, em preliminar, pela nulidade da autuação, porquanto em muito ficou dificultada a defesa da autuada, violando o princípio da ampla defesa e do contraditório, princípios estes consagrados constitucionalmente. Mérito • pelo teor da documentação acostada, conclui que o objeto da exigência fiscal decorre de ter a cooperativa excluído da base de cálculo da COFINS os eventos ocorrido e efetivamente pagos na forma da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.158 35, de 2001; • a partir da vigência daquela MP, a cooperativa, por ser uma operadora de planos de saúde, pode abater da base de cálculo os valores decorrentes dos pagamentos que realiza, por conta da utilização dos planos de saúde pelos usuários. Incluemse aí os pagamentos de hospitais, laboratórios, clínicas, médicos, etc, todos relacionados com o atendimento coberto pelo contrato de plano de saúde; • no ponto em questão, o Fisco entende que somente poderiam ser deduzidos da base de cálculo da contribuição os valores decorrentes de pagamentos a outros cooperados de Fl. 783DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 5 4 outra operadora de planos. Isso contraria a letra da lei, eis que a norma não restringe a utilização do benefício; • a nomenclatura adotada pelo legislador tributário, no que tange às parcelas que podem ser abatidas da base de cálculo da COFINS (e do PIS) pelas operadoras de planos de assistência à saúde, partiu das definições utilizadas nos contratos de seguro. Entendese por co responsabilidade cedida, expressão utilizada no inciso I, § 9º, do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, o repasse total ou parcial do risco contratado e da mensalidade do contrato respectivo de uma operadora para outra. O inciso II da norma legal refere que a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas (ou reservas técnicas) podem ser deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS (Provisão de Risco, PEONA); • quanto ao inciso III, motivador da autuação, indenização é o pagamento das despesas decorrentes dos eventos ocorridos. Evento, por sua vez, é sinônimo de sinistro. Sinistro, na linguagem securitária, é a ocorrência do acontecimento previsto no contrato de seguro. Ou seja, evento é todo o procedimento relacionado à assistência à saúde adimplido pela Operadora de Planos de Saúde; • os pagamentos de despesas com prestadores credenciados, como hospitais, laboratórios, clínicas, bem como com médicos, enfim, todos as despesas com o atendimento cuja cobertura contratual esteja prevista, são eventos; • as operadoras de planos de saúde, com a impugnante, podem ofertar aos seus consumidores coberturas adicionais ao contrato de assistência à saúde, ligadas ao objeto principal da contratação, qual seja, a preservação da saúde. A regulamentação da Lei n° 9.656, de 1998, permite a comercialização de serviços opcionais, definindoos como coberturas ou serviços adicionais; • quando a norma tributária diz que pode ser abatido da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, quer dizer, em consonância com o primeiro inciso, que o montante pago em decorrência da utilização do plano pelo usuário (cliente), poderá ser abatido da base de cálculo das referidas contribuições, deduzido do valor eventualmente recebido de outra operadora em decorrência da transferência de responsabilidade pelo atendimento deste beneficiário; • os valores deduzidos são, todos eles, decorrentes dos pagamentos que fez a impugnante aos prestadores médicos sócios e a credenciados ou mesmo outros, sempre em decorrência da utilização do plano pelo beneficiário; • seja porque são atos cooperativos principais, seja porque são eventos, as deduções foram legítimas, donde descabida a autuação. Atos cooperativos • quando nega os repasses aos sócios, a autuação acaba por tributar os atos cooperativos, cuja discussão é objeto dos processos judiciais. Por meio da ação declaratória n° 2001.71.00.0169039, debate a incidência do PIS sobre os atos cooperativos. O processo aguarda decisão do STF, em face da repercussão geral reconhecida pelo STF no RE n° 598.095/RS; • por meio da ação declaratória n° 2001.71.00.0067449, debate a COFINS, também sobre os atos cooperativos. A ação também aguarda a decisão do STF; Fl. 784DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 6 5 • não há concomitância, entre esse expediente e as ações, dado que nelas não se debateu a questão sob o aspecto legal das deduções dos eventos, mas o resultado daquelas ações implicará no deslinde deste contencioso, já que a autuação albergou a receita bruta da cooperativa. Descontos incondicionados • quanto à negativa dos descontos financeiros incondicionados realizados pela cooperativa em razão do contrato com o CDL, também não prospera a autuação. A cooperativa aduziu que, por conta do contrato, concedia desconto financeiro ao contratante, devolvendolhe valores e não lhe remunerando serviços. Em vista disto, não comparece receita operacional na cooperativa, para fins tributários, já que não decorre de prestação de serviço da própria cooperativa. Ademais, também não houve identificação de outros descontos glosados, o que torna nula a autuação, por impossibilidade de defesa. Só receita de serviços • é público e notório que o STF julgou inconstitucional o § 1° do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998. Em face disto, todas as receitas que não sejam de prestação de serviço devem ser excluídas da base de cálculo dos tributos objetos deste contencioso administrativo; • a receita da prestação de serviço, numa cooperativa operadora de planos de saúde, corresponde ao preço que se cobra para administrar os planos de saúde. Não integram, por corolário, os valores arrecadados e repassados aos prestadores de serviços credenciados ou mesmo cooperados. Só a taxa de administração, ou a comissão, pela administração e intermediação realizada em face dos planos de saúde é que servem de base de cálculo; • se o preço do serviço foi definido como sendo a taxa de administração, para efeitos do ISS, bem como se o faturamento decorrente da prestação do serviço, para efeitos de PIS e COFINS (art. 2º da LC n° 70/1991), é a base de cálculo, consoante definido pelo STF, evidente que todo o valor recebido pela cooperativa não pode ser alcançado pelas contribuições, mas, somente, o que efetivamente cobra para administrar os planos; • devem ser excluídas da base de cálculo tudo o que não for receita de prestação de serviço, que aqui é considerada apenas a taxa de administração ou o resultado deixado nos contratos. Diligência • a cooperativa entende necessário que o Fisco esclareça quais repasses não poderiam ser realizados, e para quem, na medida em que, se os destinatários forem os médicos sócios, ato cooperativo principal será (como também são eventos); se forem os prestadores de serviços credenciados (hospitais, laboratórios, clínicas, etc), eventos serão, merecendo, em face disto, ser realizada diligência; • por outro lado, há menção de descontos incondicionais que não foram identificados, mas glosados, merecendo esse detalhamento também. Também há diferenças encontradas pela cooperativa acerca da base de cálculo, cotejada com aquela efetivamente válida e a montada pelo Fisco, merecendo ser revista e ajustada. Conclusão • a cooperativa postula, em preliminar, pela nulidade da autuação, porquanto ausentes os requisitos previstos no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; • requer a procedência de sua defesa, para efeitos de que seja integralmente cancelado o auto de infração lavrado, em face dos argumentos que expôs; Fl. 785DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 7 6 • pede a realização de diligência, a fim de que seja cabalmente comprovado que as deduções realizadas foram feitas de acordo com as normas legais vigentes. Em relação ao auto de infração do PIS, reprisa os argumentos contrários ao lançamento da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida e julgar improcedentes as impugnações apresentadas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimada do acórdão supra, em 26.12.2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22.01.2013. É o relatório. Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A insurgência do contribuinte se dá quanto à caracterização e tributação do ato cooperativo e quanto ao conteúdo da dedução prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98. No caso concreto, a base de cálculo dessas contribuições é a receita proveniente das mensalidades pagas pelos beneficiários dos planos de saúde comercializados pela cooperativa, que nada mais é do que receita oriunda da prestação de serviço. A Lei nº 5.764/71 (Lei das Cooperativas) assim dispõe a respeito dos atos cooperativos: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, Nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 8 7 Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/ 2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” O PIS e Cofins são contribuições que incidem sobre o faturamento ou receita bruta, de maneira que apenas se o ato cooperado se referisse a uma receita é que haveria implicação direta em relação à incidência de PIS/Cofins. As deduções legais que a operadora pode abater da base de cálculo, estão previstas no art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, com a redação que lhe foi dada pela MP nº 2.158 35/ 01, in verbis: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Ocorreu no entanto, que houve recentemente uma alteração substancial na legislação de regência desse subsegmento econômico. Foi inserido pelo Congresso Nacional o parágrafo 9oA, nos seguintes termos: § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9oentendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.(Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 787DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11065.724220/201236 Resolução nº 3302000.404 S3C3T2 Fl. 9 8 Ora, apesar desse dispositivo convalidar o que anteriormente era interpretação no sentido de ser possível a dedução dos custos assistenciais da própria operadora, não restou claro quais seriam os custos que a recorrente pretende sejam deduzidos, à luz da nova legislação. Se, por exemplo, seriam aqueles da realização dos procedimentos ou se nesses custos estariam também compreendidos a totalidade das despesas incorridas na rede própria, como as despesas com seu próprio pessoal (folha de salários). Nesse sentido, opto por converter o presente recurso em diligência, para que a recorrente esclareça especificamente quais contas e qual a natureza das despesas contabilizadas em cada uma dessas contas que pretende deduzir para que posteriormente, quando da apreciação do mérito, saibamos em específico a natureza das contas que poderão ou não ser dedutíveis. Adicionalmente, que o recorrente apresente, se houver, as principais peças processuais de eventuais lides judiciais que versem sobre a mesma matéria, sobre as deduções ou em que se discuta a natureza dos atos cooperativos, e que não estejam nos autos; Finalmente, esclareça se nas contas de “descontos incondicionais” que se pretende deduzir da base de cálculo estão inclusas as despesas a título de “Comissões ao CDL”, e que apresente a esse respeito os respectivos contratos que as suportam. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014. GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 788DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 16641.000069/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL.
Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos, a contar do pagamento, para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, 09/06/2005.
PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DAS PARCELAS COMPENSADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Não tendo o sujeito passivo comprovado que incluiu em parcelamento as quantias supostamente recolhidas indevidamente que pretende compensar, deve-se glosas os valores correspondentes.
PEDIDO DE CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Não devem ser conhecidos os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, posto que é matéria não incluída na competência do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do pedido de emissão de certidão negativa; II) declarar a prescrição para os créditos relativos ao período de 02/1998 a 08/2004; e III) no mérito, por negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos, a contar do pagamento, para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, 09/06/2005. PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DAS PARCELAS COMPENSADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo comprovado que incluiu em parcelamento as quantias supostamente recolhidas indevidamente que pretende compensar, deve-se glosas os valores correspondentes. PEDIDO DE CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, posto que é matéria não incluída na competência do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do pedido de emissão de certidão negativa; II) declarar a prescrição para os créditos relativos ao período de 02/1998 a 08/2004; e III) no mérito, por negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos, a contar do pagamento, para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, 09/06/2005. PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DAS PARCELAS COMPENSADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo comprovado que incluiu em parcelamento as quantias supostamente recolhidas indevidamente que pretende compensar, devese glosas os valores correspondentes. PEDIDO DE CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, posto que é matéria não incluída na competência do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 69 /2 01 0- 16 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) não conhecer do pedido de emissão de certidão negativa; II) declarar a prescrição para os créditos relativos ao período de 02/1998 a 08/2004; e III) no mérito, por negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16641.000069/201016 Acórdão n.º 2401003.385 S2C4T1 Fl. 299 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 37.112 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n. 37.238.2274. O crédito em questão referente a glosas de valores que teriam sido indevidamente compensados pelo Município nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Acerca das glosas, o fisco afirma que decorreram de contribuições indevidamente recolhidas sobre subsídios dos exercentes de mandato eletivo, no período de 02/1998 a 09/2004, em razão da declaração de inconstitucionalidade da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991. Todavia, o fisco aponta, fls. 20/23, as seguintes irregularidades no processo compensatório: a) ocorreu prescrição para compensação das contribuições relativas às competências anteriores a 09/2004, posto que as compensações foram declaradas nas GFIP de 09 a 12/2009; b) para a competência 09/2004, afirmase que o ente público não recolheu as contribuições devidas integralmente, assim, não haveria créditos a compensar; c) não houve a retificação nas GFIP para excluir os exercentes de mandatos eletivos; d) inexiste legitimidade da Prefeitura para compensar valores decorrentes de recolhimentos indevidos de contribuições incidentes sobre a remuneração dos vereadores. Cientificado da lavratura, o sujeito passivo ofertou defesa, fls. 43/57, cujas razões foram acatadas parcialmente pela DRJ. Foi excluído da apuração o valor de R$ 318.218,07, em razão de divergência entre o valor constante no Discriminativo do Débito e aquele registrado no Demonstrativo das Compensações Efetuadas na competência 12/2009, ver fls. 73/82. Inconformado, o Município interpôs recurso voluntário, fls. 91/101, no qual, em síntese apertada, afirmou que: a) não há o que se falar em prescrição do direito de compensar, posto que as contribuições objeto da compensação foram parceladas e os contratos de parcelamento encontramse regulares; b) o Município detém legitimidade para pleitear a compensação dos valores recolhidos indevidamente sobre os subsídios dos vereadores, posto que efetivamente assumiu o encargo do pagamento; Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 c) a falta de retificação das GFIP não pode ser óbice à compensação, sob pena de enriquecimento sem causa da União; Ao final, requereu a improcedência da lavratura e a imediata emissão da Certidão Negativa de Débito. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16641.000069/201016 Acórdão n.º 2401003.385 S2C4T1 Fl. 300 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Prescrição O Supremo Tribunal Federal sedimentou a tese de que para as ações ajuizadas após a entrada em vigência da Lei Complementar n. 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para repetição do indébito, também aplicável aos processos de compensação, é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” É esse entendimento tem sido adotado pelo CARF, como se observa da ementa do Acórdão 9303002.401 da 3.ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Considerandose que o primeiro pedido de compensação ocorreu na data de apresentação da GFIP da competência 09/2009, que certamente não se deu antes do vencimento da obrigação (07/10/2009), o prazo de prescrição é de cinco anos, conforme o posicionamento firmado pelo STF. Assim, considerandose que o período dos recolhimentos indevidos foi de 02/1998 a 09/2004, a Municipalidade teria direito a compensar apenas os valores relativos à competência 09/2004. Ocorre que nessa competência a Prefeitura não recolheu integralmente as contribuições devidas, conforme o pronunciamento do fisco, que reproduzimos: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16641.000069/201016 Acórdão n.º 2401003.385 S2C4T1 Fl. 301 7 “10. Considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos e como as compensações foram efetivadas em GFIP das competências 09/2009 a 12/2009, concluise que o contribuinte só teria direito a compensar as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos exercentes de mandato eletivo em valor proporcional ao período de 01 a 18 da competência setembro de 2004, desde que efetivamente recolhidas em Guia da Previdência Social GPS desta competência, cujo vencimento ocorreu em 02/10/2004. 11. Ocorre que as contribuições referentes à competência setembro de 2004 não foram integralmente recolhidas, logo, não existe, em relação a tais contribuições, crédito a favor do contribuinte a ser compensado. 12. O não recolhimento integral das contribuições da competência setembro de 2004, inclusive, motivou a cobrança administrativa do débito lançado em GFIP, através do documento (LDC) cadastrado sob n. 36.422.0880, o qual será objeto de revisão administrativa para de exclusão da parcela de contribuições referentes aos mandatos eletivos reconhecidas como inconstitucionais, conforme determina o art. 2° da Portaria MPS n. 133, de 02/05/2006.” Vêse, portanto, que para a única competência em que não se operou a prescrição (09/2004), o sujeito passivo não dispõe de sobras de recolhimento que possibilite a compensação pretendida, posto que as contribuições devidas foram objeto de parcelamento, o qual inclusive deverá ser retificado para exclusão das parcelas decorrentes da remuneração paga aos detentores de mandato eletivo, em razão da declaração de inconstitucionalidade acima mencionada. Ressaltese que o sujeito passivo não questionou essa afirmação do fisco, restando incontroverso que na competência 09/2004 não houve o integral recolhimento das contribuições devidas e, por conseguinte, inexiste direito à compensação. Não deve, portanto, ser reformada a decisão da DRJ quanto a esse ponto. Parcelamento e suspensão da prescrição Não concordamos com a tese apresentada no recurso de que a inclusão das contribuições em parcelamento teria suspendido o prazo prescricional para requerer a compensação. Primeiramente há de se ter em conta que o sujeito passivo não trouxe aos autos elementos hábeis a demonstrar que teria incluído em parcelamento as quantias que pretende compensar. Valhome dos argumentos lançados na decisão recorrida para afastar essa tese. Vejamos o que disse a DRJ: “Inicialmente devese observar que o artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, na redação da Lei nº 11.941/2009, estabelece que somente poderão ser compensadas contribuições nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido. O parcelamento não é hipótese de extinção do crédito tributário; apenas suspende sua exigibilidade, conforme previsão do inciso VI do artigo 151 do CTN. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 É impossível a compensação de contribuições incluídas em parcelamento não liquidado, visto que as mesmas não foram efetivamente recolhidas aos cofres públicos. O Município não discrimina os parcelamentos a que se refere, não deixa claro se estariam liquidados ou se ainda estariam sendo pagos, e tampouco comprova que valores referentes às contribuições previdenciárias dos agentes políticos capituladas na alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei nº 8.212/1991 estariam neles incluídos. Não traz aos autos qualquer prova material, com a apresentação de documentos que pudessem comprovar suas alegações, não se desincumbindo, portanto, de demonstrar o efetivo recolhimento indevido das referidas contribuições.” De fato, para que haja compensação é necessária a existência de um crédito líquido e certo do sujeito passivo para com a Fazenda. Não havendo a demonstração de que houve a inclusão dos valores em parcelamento, inexiste a liquidez necessária à compensação. Tendo sido reconhecida a prescrição dos créditos relativos ao período de 02/1998 a 08/2004, além de se concluir pela inexistência de créditos compensáveis na competência 09/2004, restam prejudicados os demais argumentos de mérito, quais sejam o aproveitamento de recolhimentos indevidos incidentes sobre a remuneração dos vereadores e o impedimento à compensação decorrente da falta de retificação das GFIP do período. Não conheço do pedido para emissão de CND, posto que não está na esfera de competência desse colegiado a apreciação desse tipo de demanda. Conclusão Voto por não conhecer do pedido de emissão de certidão negativa, por declarar a prescrição para os créditos relativos ao período de 02/1998 a 08/2004 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10320.004200/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 04 20 0/ 20 09 -1 9 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004200/200919 Resolução nº 2402000.441 S2C4T2 Fl. 111 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por RECANTO DA ILHA REFEIÇÕES E DIVERSOES LTDA, em face do acórdão que manteve integralmente o AI n. 37.255.0860, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a TERCEIROS e incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. Consta do relatório fiscal que a recorrente fora excluída do SIMPLES em 30/06/2007, todavia, continuou informando referida opção em GFIP o que ensejou o recolhimento a menor das contribuições objeto do presente lançamento. O lançamento compreende o período de 07/2007 e 11/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 21/12/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o valor de Que a empresa Recanto da Ilha possui um processo em trâmite na Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Fortaleza/CE, sob o n° 10320.003088/2007 37 e que até a presente data não houve julgamento do mérito do mesmo. Este processo é relativo à adesão ao SIMPLES NACIONAL; 2. Que a situação da empresa em relação ao Simples Nacional está pendente, faltando julgamento de mérito; 3. Requer o sobrestamento do presente auto de infração, até que haja decisão de mérito no processo n° 10320.003088/200737. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004200/200919 Resolução nº 2402000.441 S2C4T2 Fl. 112 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme já relatado, tratase de lançamento que se refere ao fato de o contribuinte ter informado em GFIP ser optante do SIMPLES NACIONAL, quando em verdade não o era. Em sua defesa argumenta, tão somente, que o presente processo tem correlação direta com o processo administrativo n. 10320.003088/200737, o qual trata de sua exclusão do SIMPLES. Sobre o assunto esta Turma tem se posicionado sobre a necessidade de que antes do julgamento do recurso voluntário, há de se perquerir sobre o resultado do julgamento do processo relativo à exclusão do SIMPLES NACIONAL. Ao fazer a consulta no sistema COMPROT, verifiquei que o processo supra indicado encontrase arquivado desde 19/12/2013, ao que tudo indica, já tendo sido definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos a origem e o ilustre fiscal autuante informe (i) se o processo 10320.003088/200737 foi definitivamente julgado e realmente se trata do processo de exclusão da recorrente do SIMPLES, (ii) juntando aos autos cópia da última decisão/acórdão que transitou em julgado administrativamente. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13637.000867/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SEGUNDA SEÇÃO DO CARF.
A competência para julgamento de recurso em processo administrativo de IRPF ( no caso, despesas médicas). Competência que se declina à Segunda Seção deste CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3802-003.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declinar competência à Segunda Seção.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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SEGUNDA SEÇÃO DO CARF. A competência para julgamento de recurso em processo administrativo de IRPF ( no caso, despesas médicas). Competência que se declina à Segunda Seção deste CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declinar competência à Segunda Seção. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 67 /2 00 8- 96 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Para Elisete Aparecida Sfredo dos Santos e Reis, já qualificada nos autos, foi lavrada a Notificação de Lançamento, às fls. 19 a 23, exigindo R$ 8.255,50 de imposto de renda pessoa física – suplementar, R$ 6.191,62 de multa de ofício de 75% (passível de redução) e R$ 3.696,81 de juros de mora (atualizados até 29/08/2008). Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2005 (fls. 79 a 82). Conforme informações, às fls. 20/21, houve dedução indevida de despesas médicas. Destacou a autoridade autuante que: “1.Intimada a comprovar a efetividade da prestação dos serviços informados em sua declaração a título de despesas médicas ..., bem como a efetividade da entrega dos recursos despendidos para esse fim ..., declarados como pagos a: Maria da Glória Moreira, psicóloga (R$ 12.000,00), Inácia Aparecida Ribeiro de Carvalho, fonoaudióloga (R$ 13.920,00) e Márcio Leite de Carvalho, dentista (R$ 4.100,00), a contribuinte apresentou declarações lavradas pelos referidos profissionais que lhe prestaram serviços no Anocalendário de 2004, embora tais documentos tenham o mesmo valor probatório dos recibos por ela apresentados. 2.Apresentou também extratos bancários ..., cujos saques não guardam compatibilidade de datas e valores com as despesas médicas declaradas. 3.Diante do exposto, por falta de comprovação do efetivo pagamento, as despesas declaradas como pagas aos referidos profissionais no valor de R$ 30.020,00 foram glosadas ...” Cientificada da notificação em 16/09/2008 (fl. 78), a contribuinte, através de seus representantes (fls. 11 a 14), apresentou a impugnação de fls. 02 a 10, em 16/10/2008, instruída pelos elementos de fls. 15 a 77, na qual contesta o lançamento, nos termos a seguir: No caso, houve glosa de R$ 30.020,00, referente às deduções com despesas médicas da Impugnante e de seus dependentes, por falta de previsão legal para sua dedução; Em fevereiro/2008, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 2005/606106802691106, fora intimada a apresentar comprovantes de dependência, de despesas com instrução, de pagamento de contribuições à previdência privada e fapi, das despesas médicas e, também, prestar esclarecimentos relativos à DIRPF/2005. Tais exigências foram prontamente atendidas; Já em junho/2008, recebera outra intimação (nº 203/2008), novamente relativa à DIRPF/2005, solicitando a comprovação da efetividade da prestação dos serviços, bem como a efetividade da entrega dos recursos aos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13637.000867/200896 Acórdão n.º 3802003.141 S3TE02 Fl. 111 3 profissionais Maria da Glória Moreira, psicóloga, Inácia Aparecida Ribeiro de Carvalho, fonoaudióloga, e Márcio Leite de Carvalho, dentista. Em resposta, a contribuinte apresentou declarações firmadas pelos profissionais e extratos bancários (Caixa e Banco do Brasil), além de afirmar que os pagamentos foram em dinheiro. Contudo, os documentos não foram aceitos, acarretando a glosa das despesas médicas vinculadas aos citados profissionais, com imputação de multa e juros; Relata o Auditor que a glosa encontra guarida no art. 73, § 1º, do RIR/99, no entanto, essa glosa não tem fundamento já que a impugnante cumpriu todas as exigências previstas em lei e solicitadas pela Receita Federal. Os recibos servem como prova de pagamento dos serviços médicos, estando em conformidade com a legislação (art. 46 da IN SRF 15/2001, art. 8º, II, a, § 2º, II, da Lei 9.250/95 e art. 80, § 1º, III, do RIR/99). Ressaltese que todas as normas citadas “somente fazem menção que a comprovação do pagamento poderá ser feita com indicação do cheque nominativo, claro, na falta dos recibos. Ocorre que não é somente através de cheque que se faz pagamento e a Impugnante prefere não utilizar cheques devido às altas tarifas bancárias cobradas pela utilização destes. O próprio Código Tributário Nacional estabelece e aceita o pagamento em dinheiro...(arts. 162, I, e 869)”; “... não há que se exigir que a mesma (contribuinte) tenha sacado exatamente a mesma quantia que foi paga ao profissional que lhe prestou o serviço, no mesmo valor do recibo, pois a mesma tinha na maioria das vezes, quantias de dinheiro em mãos.”; Sem terem sido consideradas as informações devidamente prestadas no prazo que lhe foi assinalado, além dos documentos já apresentados, traz ficha, prontuário e declaração do dentista Márcio Leite de Carvalho, provando o tratamento de sua filha, bem como relatório do pediatra de sua filha, atestando as condições de saúde da criança, que geraram a necessidade de “tratamento multiprofissional”; “Indubitavelmente, não se pode conceber como válida a notificação de lançamento e com imposição de pagamento de multa e juros legais como penalidade por alegada infração da qual a ora Impugnante não cometeu, além disso, esta apresentou todos os documentos comprobatórios das despesas médicas dedutíveis do imposto de renda, em cumprimento às normas, bem como atendeu às determinações do auditor fiscal ... A interpretação da alegação acima esplanada deve ser efetuada favoravelmente à Impugnante, como preceitua o Art. 112 do Código Tributário Nacional ... ” “Diante do exposto, verificase que a Impugnante atendeu a todas as exigências das normas legais e do Ilmo. Auditor e conseguiu provar a efetividade da prestação dos serviços e a efetividade da entrega dos recursos despendidos. Da interpretação do texto legal, concluise que é arbitrária a glosa, com a aplicação da multa e juros, na forma em que foi levada a feito pelo Ilmo. Auditor, posto que a ora Impugnante apresentou os recibos, encaminhamentos, fichas, declarações e relatórios dos profissionais, também Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 juntou os extratos das contas onde efetuava alguns saques para complementar as quantias que tinha em mãos a fim de pagar os profissionais de saúde que atenderam a Impugnante, ou seu marido ou sua filha. Os recibos continham todos elementos de identificação exigidos nas normas. Não havendo que se falar nesse caso, em uso da analogia – que é vedada expressamente para a aplicação de penalidades.” Para ratificar suas argumentações cita doutrina e jurisprudência, solicitando, à vista de todo o exposto, que a impugnação seja aceita e que a notificação seja decretada arbitrária e ilegal, desconstituindose a multa e os juros ora guerreados. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0935.831, de 07/07/2011, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de ofício e a incidência de juros de mora sobre a parcela do tributo não paga no vencimento, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi considerado como procedente em parte, no sentido de eximir a contribuinte do pagamento do IRPF suplementar, no valor de R$ 220,00 (duzentos e vinte reais) e respectivos acréscimos legais e exigir da contribuinte o pagamento do IRPF suplementar de R$ 8.035,50 (oito mil e trinta e cinco reais e cinquenta centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e dos juros de mora. A Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente processo discute a glosa de despesas médicas em lançamento da revisão na Declaração de Ajuste Anual. Entretanto, da análise dos autos, observei que o processo referido tratase de IRPF. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13637.000867/200896 Acórdão n.º 3802003.141 S3TE02 Fl. 112 5 Em assim sendo, o recurso em exame referese ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), matéria esta que não se encontra na competência deste Colegiado, mas da Segunda Seção deste CARF, na forma do artigo 3°, inc. I, Anexo II do seu Regimento Interno (Portaria n° 256, de 22/06/2009), verbis: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); ............................ Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência para seu julgamento a uma das Câmaras da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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