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Numero do processo: 10675.901947/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 47 /2 01 4- 64 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10675.901947/201464 Acórdão n.º 1201002.747 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.030, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 346,21 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2011 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10675.901947/201464 Acórdão n.º 1201002.747 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10675.901947/201464 Acórdão n.º 1201002.747 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000902/2006-71
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
Numero da decisão: 2001-001.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 12.903,32, restabelecer a dedução das pensões alimentícias no valor de R$ 24.500,87 e excluir do Lançamento a omissão de rendimentos, para a determinação, por consequência, do crédito tributário remanescente.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 12.903,32, restabelecer a dedução das pensões alimentícias no valor de R$ 24.500,87 e excluir do Lançamento a omissão de rendimentos, para a determinação, por consequência, do crédito tributário remanescente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 09 02 /2 00 6- 71 Fl. 142DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Honório Albuquerque de Brito, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual – DAA, dedução de Pensão Alimentícia e Omissão de Rendimentos. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 19.610,19, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2002. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido comprovado adequadamente as despesas médicas, dedução de pensão alimentícia e omissão de rendimentos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação outra e além dos recibos apresentados no momento da verificação fiscal e juntados aos autos, e pensão alimentícia, como segue: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (fls. 13/19), para a cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar do exercício de 2003, anocalendário de 2002, no valor de R$ 19.610,19 mais multa de ofício e juros Selic. O montante cobrado foi de R$ 43.326,75. A declaração original do contribuinte apresentava um saldo do imposto a pagar de R$ 12.698,54. O lançamento e' decorrente de: (i) omissão de rendimentos tributáveis, passando de R$ 109.359,55 para R$ 133.053,58; (ii) glosa de despesas médicas, passando de R$ 21.223,92 para R$ 0,00 e (iii) glosa da pensão alimentícia, passando de R$ 26.391,85 para R$ 0,00, conforme quadro às fls. 16. Preliminarmente, cabe esclarecer que as declarações de ajuste apresentadas anualmente pelos contribuintes estão sujeitas à revisão pela autoridade administrativa, conforme está previsto no art. 835 do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1 999). Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a autoridade fiscal considerou ter havido omissão de parte dos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal (RS 12.264,03) e Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 143 3 da Caixa Seguradora S/A (R$ 11.429,85), 'conforme descrição às fls. 14. O contribuinte se insurge, afirmando que declarou a totalidade dos rendimentos tributáveis recebidos, conforme disposto nos seguintes comprovantes de rendimentos: Caixa Seguradora S/A CNPJ 34.020.354/000110 (fls. 20): rendimentos Caixa Seguros somados aos rendimentos INSS resultando no valor total de R$ 99.482,02; Caixa Econômica Federal CNPJ 00.360.305/000104 (fls. 21): rendimentos Caixa somados aos rendimentos INSS resultando no valor total de R$ 9.877,53. Comparando tais valores de rendimentos tributáveis informados nos comprovantes de rendimentos com telas da DIRF atualizada, ora anexadas aos autos pela autoridade julgadora, temse: Caixa Seguradora S/A CNPJ 34.020.354/000110 (fls. 84): rendimento bruto no valor total de RS 99.482,02; Caixa Econômica Federal CNPJ 00.360.305/000104 (fls. 85): rendimento bruto no valor total de R$ 9.877,53. Concluise, portanto, que o contribuinte havia declarado, corretamente, o total dos rendimentos tributáveis recebidos no valor de R$ 109.359,55, devendo ser desconsiderada a inclusão de valores a título de omissão de rendimentos efetuada pela autoridade lançadora. Quanto à glosa da pensão alimentícia, o contribuinte se insurge apresentando os seguintes documentos comprobatórios: comprovante de rendimentos da Caixa Seguradora S/A (fls. 20) que especifica pensão judicial alimentícia em nome de Bruna Maria de Almeida Cabral no valor de R$ 12.000,87; sentença judicial, recibo e DIRPF/2003 (fls. 36/46) para comprovação de pagamento de pensão alimentícia a Bruno Muniz de Almeida Cabral no valor de R$ 12.500,00. Ocorre que o recibo emitido por Bruno M. de Almeida Cabral referese à pensão alimentícia recebida no ano calendário de 2001 (fls. 42), ou seja, a período anterior ao ora em julgamento, restando não comprovado o recebimento de valores no anocalendário 2002. Dessa forma, concluise que se encontra comprovada apenas a pensão judicial alimentícia em nome de Bruna Maria de Almeida Cabral no valor de R$ 12.000,87. Quanto à dedução de despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual, a Lei n° 9.250, de 1995, em seu art. 8°, estabelece: (...) Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à Fl. 144DF CARF MF 4 comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. A lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprovalas ou justificalas, deslocando para ele o ônus probatório. Tal dispositivo está em sintonia com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem o alega. O artigo 333, do Código de Processo Civil, prevê que o ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato, impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, ANTÔNIO DA SILVA CABRAL, in Processo Administrativo Fiscal, sustenta, p.302, que: a) a autoridade lançadora deve provar ter o sujeito passivo omitido rendimentos; b) cabe ao sujeito passivo provar abatimentos, deduções e isenções. Salientase que, ante o valor das deduções pleiteadas, cabe ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n9 5.844, de I943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. No presente caso, o Impugnante anexou, para comprovar as prestações de serviço os seguintes documentos: CASSI cópia de comprovante com informações para declaração de imposto de renda, relativo a mensalidades de plano de saúde no valor total de R$ 2.533,92, no ano de 2002 (fls. 22). Considerase comprovada essa despesa médica; Centro de Neuropsicologia Aplicada Ltda. cópia de nota fiscal de serviço (fls. 24), referente à avaliação neuropsicológica no valor de R$ 720,00, no ano de 2002. Documento hábil à comprovação por ser emitido pela pessoa jurídica. Considerase comprovada essa despesa médica; Dr. Carlos Alberto Vieira Fonseca cópias de recibo e de 04 cheques nominais no valor de R$ 150,00 cada em favor do profissional, resultando no valor total de R$ 600,00 (fls. 25/29). Por atender aos requisitos da Lei n° 9.250/95, considerase comprovada essa despesa médica; Dra. Ruth Fernanda de Almeida Sá Cardoso cópia de recibo e de cheque nominal no valor de R$ 320,00 em favor da profissional (fls. 30/31). Por atender aos requisitos da Lei n° 9.250/95, considerase comprovada essa despesa médica; Dra. Maria Vieira Lima cópias de declaração e recibo no valor total de R$ 4.000,00, referentes à psicoterapia no ano de 2002 (fls. 32/33). Nos recibo, não está identificado a quem foram prestados os serviços, elemento essencial para considerar as despesas como Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 144 5 dedutíveis, pois somente podem ser considerados serviços prestados ao próprio contribuinte e seus dependentes, caso confirmado o vínculo de dependência, conforme exige o art. 8°, § 2°, II da Lei n° 9.250/95. A declaração afirma que o tratamento seria do próprio Impugnante, além de informar o endereço do consultório. Todavia, não houve demonstração do efetivo pagamento, mediante comprovação da transferência de numerário. Considerase não comprovada essa despesa médica; Dra. Sheila A. Moura cópias de dois recibos no valor total de R$ 4.000,00, referentes a tratamento odontológico no ano de 2002 (fls. 34/35). Nos recibos, não está identificado a quem foram prestados os serviços, elemento essencial para considerar as despesas como dedutíveis, pois somente podem ser considerados serviços prestados ao próprio contribuinte e seus dependentes, caso confirmado o vínculo de dependência, conforme exige o art. 8°, § 2°, II da Lei n° 9.250/95. Não houve, também, demonstração do efetivo pagamento, mediante comprovação da transferência de numerário. Considerase não comprovada essa despesa médica; AMI ASSISTÊNCIA MÉDICA INFANTIL cópias de recibo e extrato no valor total de R$ 729,40, relativo a plano de saúde. O contribuinte não informou esta despesa em sua DIRPF/2003, mas se irá apreciar a documentação. O recibo foi assinado por pessoa não identificada como profissional médico, sem informar CRM ou CPF. Além disso, por ser uma pessoa jurídica, a forma adequada de comprovação deveria ser mediante nota fiscal de serviço. Considera se não comprovada essa despesa médica. Devese observar que o Impugnante não apresentou documentos comprobatórios das despesas médicas relacionadas a Ivanice Cavalcanti Ayres do Nascimento no valor total de R$ 9.200,00. Esta profissional se encontrava sob investigação por emissão de recibos sem a devida contraprestação de pagamento; compareceu à SRF e não reconheceu emissão de recibos ou prestação de serviços para este contribuinte, conforme relato da autoridade fiscal às fls. 14. Após realização de análise das declarações apresentadas, constatou se que se deve informar ao Impugnante que para que sejam aceitas as deduções de despesas médicas não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, sobretudo quando se tratam de despesas na declaração que totalizam valores expressivos, no caso R$ 21.223,92 (o valor total de todas as deduções declaradas alcançou o montante de R$ 54.434,21), enquanto os rendimentos tributáveis foram no valor de R$ 120.974,95. Caberia ao contribuinte apresentar demais elementos de prova com o intuito de demonstrar a efetiva prestação dos serviços. Nesse sentido, o art. 80, inciso III, do RIR/1999, também prevê que a dedutibilidade das despesas médicas está condicionada à especificação e comprovação dos pagamentos efetuados: (...) Fl. 146DF CARF MF 6 Portanto, revelase equivocado o entendimento de que os recibos são suficientes e hábeis para comprovação dos pagamentos e das deduções pleiteadas. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação de que o recibo deve conter o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço referese apenas aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. A tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos, e isso também o autuado não demonstrou com relação aos recibos apontados em sua defesa. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. A necessidade de comprovação da efetiva prestação dos serviços, bem como do efetivo desembolso dos valores mostramse necessárias em face das circunstâncias presentes nos autos. Entretanto, a não comprovação à autoridade tributária da efetividade do gasto, e na falta das provas de saída do recurso, cuja destinação deve ser coincidente com o fim utilizado, as despesas foram corretamente glosadas. Aliás, nem por ocasião da defesa, tais provas foram trazidas aos autos. Assim, após análise dos documentos anexados pelo Impugnante, consideramse comprovadas despesas médicas no valor total de R$ 4.173,92, julgandose correta a glosa das outras despesas realizadas pela autoridade fiscal. Tendo em vista a análise procedida anteriormente, voto no sentido de considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE para ALTERAR o valor do IRPF suplementar do Auto de Infração da fl. 13 de R$ 19.610,19 para o valor de RS 8.646,27. O valor mantido deverá ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros calculados conforme a legislação pertinente. Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 8.646,27, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Primeiramente, devo registrar que o Sr. Auditor Fiscal, alegando “Alto Valor”, bem como a não indicação do beneficiário, orientou o Requerente para que obtivesse junto àquela e aos demais profissionais, declarações que contivessem os seguintes elementos: Nome do beneficiário dos serviços; Tempo de duração da terapia; Número de sessões semanais; Valor cobrado por cada sessão; Valor mensal e Valor total. Obtido tais documentos, estes foram entregues àquele Auditor, conforme consta nas razões de Impugnação do Requerente. Não Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 145 7 obstante, denega aquele Colegiado a referida Impugnação, insistindo que “o recibo não está identificando a quem foram prestados os serviços”. Ora, o Requerente juntou, conforme acima mencionado, documento suplementar (Declaração da prestação do serviço) no qual constam todos os elementos previstos em Lei, conforme orientação do citado Auditor. Ademais, não há como o Recorrente atender à exigência do Colegiado no sentido de “demonstrar o efetivo pagamento mediante comprovação da transferência de numerário”, mesmo porque, tais pagamentos são fracionados e pagos a cada sessão de R$ 50,00 cada. Por tais razões, e por ser de justiça, requerse a esse Conselheiro a reformulação de tal decisão. Dra. Sheila R Moura – tratamento odontológico – R$ 4.000,00. No que tange a est glosa, o Colegiado insiste na afirmativa de que falta a indicação e a demonstração do efetivo pagamento, mediante comprovação de transferência de numerário. O Recorrente, não tendo conseguido localizar a referida profissional (Mudou de endereço), fica impossibilitado de apresentar, como o fez nos demais casos, documento suplementar ao recibo, como orientou o Senhor Auditor. Não obstante, apela o Recorrente a esse Conselho, preiteando o acatamento do recibo e reformando a negativa daquele Colegiado. Pensão alimentícia – Bruno Muniz de Almeida Cabral R$ 12.500,00. Neste caso, a confirmação da glosa pelo Colegiado fundamentase, tão somente, na afirmativa de que o recibo apresentado referese ao ano de 2001 e não 2002. Aqui, Egrégio Conselho, o Requerente cometeu erro de grafia ao elaborar o recibo, e apor a referência ao ano de 2001 quando o correto seria 2002. E para comprovar o equívoco, foi juntada cópia da DIRF – 2002/2003, do beneficiário, na qual ele inclui os valores recebidos e sobre os quais foi tributado. Juntase, ainda, desta feita, declaração do beneficiário, comprovante, também de que os valores alusivos à pensão alimentícia judicial referemse ao ano 2002 e não 2001. Por tais razões, requerse a esse Egrégio Conselho, a reformulação do decisório em tela. AMI Plano de Saúde Suplementar – R$ 729,40. Data vênia, há equivoco quanto a esta glosa, pois, tratase de pagamento de mensalidades a Plano de Saúde Suplementar, conforme recibo e boletos bancários (anexos), pelos quais se comprova tratar se de Plano de Saúde, cujo recibo não requer assinatura de profissional médico como quer o Senhor Relator do Colegiado de Julgadores. Tratase de declaração firmada por funcionário administrativo do referido plano de saúde que, tão somente, coleta nos registros contábeis da empresa e relaciona em recibo à parte os Fl. 148DF CARF MF 8 valores coletados. Acrescentese que, em seu somatório, o funcionário registrou a quantia de R$ 729,40 quando o correto seria R$ 796.02 que corresponde a soma das parcelas pagas durante o ano de 2002, conforme comprovantes anexos. Também, por outro lado, com a decisão que ora se contesta, pratica se data vênia, julgamento diverso para iguais causas, pois, na mesma impugnação, aquele Colegiado de Julgadores, decidindo sobre a impugnação constante do item 5.1 – Plano de Saúde Cassi, acata, corretamente, como comprovante do pagamento àquele Plano, cópia de comprovante com informações para declaração de imposto de renda, sem qualquer assinatura. Por esta e demais razões, deve esse Egrégio Conselho reformular a decisão do Colegiado de Julgadores e mandar computar, como dedução de despesas médicas, a quantia em tela de R$ 796,02 que não foi, por equívoco, incluída na DIRPF2002 do Requerente. Dra. Ivanise Cavalcanti Ayres do Nascimento – Psicoterapia – R$ 9.200,00. Relativamente a este item, a negativa à impugnação, data máxima vênia, não está em conformidade com os princípios de justiça fiscal que, hodiernamente, devem nortear os julgamentos do Fisco em situações correlatas. Não pode o Requerente ser confrontado coma condição jurídicofiscal em que, segundo aquele Colegiado, encontravase a prestadora dos serviços, sob investigação pela emissão de recibos sem a prestação do serviço, muito menos com a sua negativa em reconhecer como sua a assinatura constante no recibo por ela fornecido ao Recorrente, fato que poderia ter sido esclarecido mediante exame grafológico daquele documento. A este Requerente cabe, como fez nos demais casos glosados, buscar a obtenção, junto aos respectivos profissionais, de adicionais comprobatórios dos serviços prestados. Aliás, no presente caso, e por ocasião da glosa inicial, pelo Senhor Auditor Fiscal, tendo o Requerente procurado a prestadora dos serviços para esclarecer o seu inusitado comportamento quanto às negativas asseveradas pelo Colegiado de Julgadores, a mesma apresentouse em estado depressivo e de forma quase desconexa, aduziu disse que estava em dificílima situação perante a Receita Federal e que, por tal razão, iria àquela repartição e declararia não reconhecer o recibo e os serviços prestados, pois, não tinha a mínima condição de arcar com os tributos que a ela estavam sendo imputados pela Receita Federal. Contestada e cobrada pelo Requerente, a mesma caiu em incontrolável e compulsivo choro, parecendo haver perdido o controle das suas faculdades mentais, o que gerou uma situação que impossibilitou qualquer diálogo com a mesma. Em decorrência, deixou o Requerente o assunto em suspenso, dando prosseguimento à coleta dos outros elementos probatórios junto aos demais profissionais e não mais procurando aquela profissional. Por estas razões, também pleiteia o Requerente o beneplácito desse Egrégio Conselho para considerar o recibo apresentado como suficiente e reformando a decisão do Colegiado, considerar como dedutível a despesa médica impugnada. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 146 9 Por todo o exposto, preiteiase a esse Egrégio Conselho, a reforma das decisões adotadas pelos Ilustres Julgadores da 4ª Turma da DRJ/REC que foram desfavoráveis ao requerente, esperando por justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. OMISSÃO DE RECEITA NÃO VERIFICADA A decisão do Acórdão da DRJ contempla a demanda do Contribuinte no que se refere à omissão de rendimentos, considerando correto o valor informado na Declaração de Ajuste Anual, no que se confirma o provimento do pedido do Recorrente neste item, conforme decisão de primeira instância, como segue: Concluise, portanto, que o contribuinte havia declarado, corretamente, o total dos rendimentos tributáveis recebidos no valor de R$ 109.359,55, devendo ser desconsiderada a inclusão de valores a título de omissão de rendimentos efetuada pela autoridade lançadora. PENSÃO ALIMENTÍCIA COMPROVADA A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda do Contribuinte no que se refere à pensão alimentícia ao aceitar parte da comprovação trazida aos autos pelo Recorrente, como segue: Quanto à glosa da pensão alimentícia, o contribuinte se insurge apresentando os seguintes documentos comprobatórios: comprovante de rendimentos da Caixa Seguradora S/A (fls. 20) que especifica pensão judicial alimentícia em nome de Bruna Maria de Almeida Cabral no valor de R$ 12.000,87; sentença judicial, recibo e DIRPF/2003 (fls. 36/46) para comprovação de pagamento de pensão alimentícia a Bruno Muniz de Almeida Cabral no valor de R$ 12.500,00. Ocorre que o recibo emitido por Bruno M. de Almeida Cabral referese à pensão alimentícia recebida no ano calendário de 2001 (fls. 42), ou seja, a Fl. 150DF CARF MF 10 período anterior ao ora em julgamento, restando não comprovado o recebimento de valores no anocalendário 2002. Dessa forma, concluise que se encontra comprovada apenas a pensão judicial alimentícia em nome de Bruna Maria de Almeida Cabral no valor de R$ 12.000,87. Pela decisão do Acórdão vergastado a motivação de negar a pensão alimentícia para o filho Bruno Muniz de Almeida Cabral prendeuse ao fato do recibo assinado pelo alimentado referirse a período diverso do anocalendário examinado, o que realmente se constata. Contudo, já naquela oportunidade o Recorrente juntou cópia da sentença judicial que respalda legalmente o pagamento, fls. 43/49, e anexou aos autos cópia da Declaração do Imposto sobre a Renda do filho alimentado em que consta o recebimento do valor declarado, fls. 51/54. Em sede de Recurso voluntário o Recorrente fez juntar ao processo declaração do filho alimentado Bruno Muniz de Almeida Cabral ratificando ter recebido o valor declarado de R$ 12.500,00, e retificando o período a que se referia a pensão alimentícia referente ao anocalendário de 2002. Assim, recepcionase a prova trazida em sede de Recurso Voluntário e considerase comprovado também o valor de 12.500,00 (Bruno) a título de pensão alimentícia, dandose provimento ao valor informado, juntamente com o valor aceito pela decisão da DRJ de R$ 12.000,87 (Bruna), extinguindose a glosa neste item no valor total de R$ 24.500,87. DESPESAS MÉDICAS ACEITAS PELA DRJ A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda do Contribuinte no que se refere à despesas médicas ao aceitar parte da comprovação trazida aos autos pelo Recorrente, no que se confirma o provimento, conforme decisão de primeira instância, como segue: No presente caso, o Impugnante anexou, para comprovar as prestações de serviço os seguintes documentos: CASSI cópia de comprovante com informações para declaração de imposto de renda, relativo a mensalidades de plano de saúde no valor total de R$ 2.533,92, no ano de 2002 (fls. 22). Considerase comprovada essa despesa médica; Centro de Neuropsicologia Aplicada Ltda. cópia de nota fiscal de serviço (fls. 24), referente à avaliação neuropsicológica no valor de R$ 720,00, no ano de 2002. Documento hábil à comprovação por ser emitido pela pessoa jurídica. Considerase comprovada essa despesa médica; Dr. Carlos Alberto Vieira Fonseca cópias de recibo e de 04 cheques nominais no valor de R$ 150,00 cada em favor do profissional, resultando no valor total de R$ 600,00 (fls. 25/29). Por atender aos requisitos da Lei n° 9.250/95, considerase comprovada essa despesa médica; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 147 11 Dra. Ruth Fernanda de Almeida Sá Cardoso cópia de recibo e de cheque nominal no valor de R$ 320,00 em favor da profissional (fls. 30/31). Por atender aos requisitos da Lei n° 9.250/95, considerase comprovada essa despesa médica; DESPESAS MÉDICAS NÃO ACEITAS PELA DRJ Dra. Maria Vieira Lima cópias de declaração e recibo no valor total de R$ 4.000,00, referentes à psicoterapia no ano de 2002 (fls. 32/33). Nos recibo, não está identificado a quem foram prestados os serviços, elemento essencial para considerar as despesas como dedutíveis, pois somente podem ser considerados serviços prestados ao próprio contribuinte e seus dependentes, caso confirmado o vínculo de dependência, conforme exige o art. 8°, § 2°, II da Lei n° 9.250/95. A declaração afirma que o tratamento seria do próprio Impugnante, além de informar o endereço do consultório. Todavia, não houve demonstração do efetivo pagamento, mediante comprovação da transferência de numerário. Considerase não comprovada essa despesa médica; Dra. Sheila A. Moura cópias de dois recibos no valor total de R$ 4.000,00, referentes a tratamento odontológico no ano de 2002 (fls. 34/35). Nos recibos, não está identificado a quem foram prestados os serviços, elemento essencial para considerar as despesas como dedutíveis, pois somente podem ser considerados serviços prestados ao próprio contribuinte e seus dependentes, caso confirmado o vínculo de dependência, conforme exige o art. 8°, § 2°, II da Lei n° 9.250/95. Não houve, também, demonstração do efetivo pagamento, mediante comprovação da transferência de numerário. Considerase não comprovada essa despesa médica; Quanto à afirmação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa “o nome da pessoa beneficiária”, é oportuno dizer que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente deve ser especificado outro nome de paciente quando é o caso de atendimento a dependentes, o que é destacado na INRFB nº 1.500/2014, art. 97, inciso II, como se vê: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; grifei A divergência de fundamental importância no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade Fl. 152DF CARF MF 12 tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 148 13 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências Fl. 154DF CARF MF 14 fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10410.000902/200671 Acórdão n.º 2001001.277 S2C0T1 Fl. 149 15 De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. Do processo, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante documentos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Assim, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa realizada, correspondendo à comprovação do pagamento de profissionais e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. Assim que pelo acima exposto considerase comprovada as despesas médicas com a profissional Dra. Maria Vieira Lima no valor de R$ 4.000,00 e Dra. Sheila A. Moura no valor de R$ 4.000,00. A despesa com o plano de saúde cuja despesa, uma vez acolhida para apreciação pela DRJ, a análise neste momento conclui por considerar válido o documento de vez que tal recibo não poderia ser assinado por profissional de medicina porque este ato se refere à rotina do setor financeiro da entidade, não se constituindo em atendimento médico individual. Acrescentese ainda que o fato de ter sido emitido recibo e não nota fiscal por se tratar de pessoa jurídica, não torna inválida a comprovação de vez que a irregularidade é da emitente do comprovante e não do Recorrente. Além disso, é comum a emissão de recibo num primeiro momento e posteriormente, como se trata de obrigação fiscal da pessoa jurídica, emitir a nota fiscal para efeitos legais e de rotina administrativacontável. Neste sentido, considerase comprovada a despesa com plano de saúde no valor de R$ 729,40. RESUMO Assim, após análise dos documentos juntados aos autos, consideramse comprovadas as despesas médicas no valor total de R$ 4.173,92, aceitas pela decisão da DRJ, mais as despesas no valor de R$ 8.729,40, pelas razões acima expostas, totalizando uma exclusão da glosa neste item no valor total de R$ 12.903,32. Da mesma forma, consideramse comprovada a dedução da pensão alimentícia paga à Bruna Maria de Almeida Cabral no valor de R$ 12.000,87 e ao Bruno Muniz de Almeida Cabral no valor de R$ 12.500,00, que em concordância com a parcial decisão da DRJ soma uma exclusão da glosa neste item no valor total de R$ 24.500,87. Também exclui do Lançamento o valor referente à omissão de rendimentos, em concordância com a decisão da DRJ. Fl. 156DF CARF MF 16 Por fim, fica mantida a glosa das despesas médicas no valor de R$ 9.200,00, por insuficiência de comprovação, considerandose o exposto da decisão de primeira instância administrativa, como segue: Devese observar que o Impugnante não apresentou documentos comprobatórios das despesas médicas relacionadas a Ivanice Cavalcanti Ayres do Nascimento no valor total de R$ 9.200,00. Esta profissional se encontrava sob investigação por emissão de recibos sem a devida contraprestação de pagamento; compareceu à SRF e não reconheceu emissão de recibos ou prestação de serviços para este contribuinte, conforme relato da autoridade fiscal às fls. 14. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 12.903,32, restabelecendose a dedução das pensões alimentícias no valor de R$ 24.500,87 e excluindose do Lançamento a omissão de rendimentos, para a determinação, por consequência, do crédito tributário remanescente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.003459/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. NECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel na época do fato gerador. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nº 9.393/96 e nº 4.771/65 (Código Florestal).
Numero da decisão: 2301-005.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, afastar a alegação de decadência e, no mérito, dar parcial provimento para excluir do lançamento a área de preservação permanente.
(Assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente).
Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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Não há cerceamento do direito de defesa se a notificação de lançamento não apresenta quaisquer falhas ou inconsistências, sendo análoga às que são julgadas ordinariamente por este Colegiado, apresentado todos os requisitos determinados pelo art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972 e pelo art. 142 do CTN. A apresentação de minuciosa defesa, abordando todos os tópicos do lançamento, é prova inconteste de que a recorrente bem compreendeu a matéria tributada e pôde apresentar sua defesa pelos meios inerentes ao processo administrativo fiscal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SÚMULA CARF Nº 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. NECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel na época do fato gerador. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nº 9.393/96 e nº 4.771/65 (Código Florestal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 34 59 /2 00 6- 80 Fl. 549DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, afastar a alegação de decadência e, no mérito, dar parcial provimento para excluir do lançamento a área de preservação permanente. (Assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 468/529) interposto em face do Acórdão nº 0326.768 (efls 431/461) prolatado pela 1ª Turma da DRJ Brasília, em sessão de julgamento realizada em 10 de setembro de 2008. 2. Para propiciar a compreensão do litígio devolvido a este Colegiado, fazse a transcrição do relatório contido na decisão de primeira instância: início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 0326.768 Pelo Auto de Infração – Complementar, de fls. 211/2171, emitido em 18/02/2008, o contribuinte/espólio em referência foi intimado a recolher o crédito tributário no montante de R$ 187.950,84, correspondente ao lançamento do ITR/1999, referente ao imóvel rural denominado “Fazenda Posses e Furados Óleo”, cadastrado na RFB, sob o nº 4.064.3824, localizado no Município de Grupiara MG. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$60.733,14 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 31/01/2008 (R$81.667,85) e da multa proporcional (R$45.549,85), perfaz o montante de R$187.950,84. Esse lançamento foi constituído para correção do lançamento consubstanciado no Auto de Infração, de fls. 71/782, emitido em 13/12/2006. Por sua vez, esse lançamento substituto, autorizado através do Registro de Procedimento Fiscal – Revisão Interna nº 06.1.09.002006004278 (às fls. 013), foi motivado pela nulidade, por vício formal, do lançamento original, decidida, por unanimidade de votos, pelos membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sob o entendimento de que o correspondente auto de infração foi lavrado em desacordo com o estabelecido no inciso VI do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, nos 1 Efls. 282/288. 2 Efls. 140/147. 3 Efls. 02. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 550 3 termos do Acórdão 30237.528, Sessão de 25/05/2006, proferido no processo nº 10675.003563/200321 (apensado), às fls. 312/316 desse processo, anulado ab initio. No caso, esse auto de infração complementar se fez necessário apenas para correção do ano do fato gerador do imposto, de 1º/01/2000 para 1º/01/1999, e dos juros de mora então calculados, face o entendimento de que esse erro, constante do auto de infração revisor, de fls. 71/78, poderia ser perfeitamente sanável nos termos do art. 60, do Decreto nº 70.235/72, no entendimento dos julgadores desta mesma Turma desta DRJ, manifestado na Resolução DRJ/BSA nº 184, de 12/12/2007, de fls. 205/2094. Com base nos documentos acostados ao processo anulado, cujas cópias foram utilizadas para instruir o este novo processo (às fls. 03/695), a autoridade fiscal realizou, primeiro, o lançamento substituto consubstanciado no auto de infração de fls. 71/78 e depois, para a devida correção do fato gerador do imposto, o lançamento consubstanciado no auto de infração complementar, de fls. 211/217. Nessas duas oportunidades, a exemplo do ocorrido no lançamento original, foi alterada a área total declarada, de 783,5 ha para 1.091,1 ha, integralmente glosadas as áreas declaradas como de preservação permanente, de utilização limitada, utilizada na produção vegetal e para pastagens, respectivamente, de 190,0 ha, 140,0 ha, 20,0 ha e 400,0 ha, além de rejeitar o VTN declarado de R$ 300.000,00, que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 709.228,00 (R$ 650,00/ha), com base no SIPT, com conseqüentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando o imposto suplementar de R$ 60.733,14, conforme demonstrado às fls. 76 e 215. No auto de infração complementar a descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 212/214 e 216. Após cientificado do lançamento substituto (AI de fls. 71/78), em 23/01/2007, conforme informado no despacho da Unidade Preparadora, ingressou o espólio interessado em 15/02/2007 (carimbo recepção às fls. 83), por meio de seu representante legal, com a impugnação de fls. 83/126 e anexos de fls. 127/199, e após ter sido cientificado, em 21/02/2008 (AR de fls. 224), dos termos da Resolução DRJ/BSA nº 0184/2007, de fls. 205/209, bem como do Auto de Infração Complementar Consolidado, de fls. 211/217, protocolou, em 06/03/2008, a impugnação de fls. 228/2896, acompanhada dos documentos de fls. 290/3137. Nessa última impugnação alegou, em síntese, o seguinte: · diz que o imóvel, com área total escriturada de 1.091,12 ha, foi havido por compra feita a João Rodrigues da Cunha e sua esposa, com área desapropriada pela CEMIG, em 25/07/1980 (AV112.276), cuja área medida correspondia ao total de 743,5 ha, conforme declarado até 1996, fazendo referência ao processo nº 13686.000013/9700, julgado pela DRJ em Belo Horizonte. Nesse julgamento foram consideradas as reservas preservacionistas; · acrescenta que somente a partir do exercício de 1998, por lapso, passou a declarar a área total de 783,59 ha e que, para fins de encerramento do inventário, ao se medir novamente o imóvel, verificouse que área total realmente é de 743,5 ha, 4 Efls. 276/280. 5 Efls 04/139. 6 Efls. 300/361. 7 Efls. 362/385. Fl. 551DF CARF MF 4 conforme documentos anexos, invocando o disposto no art. 13, inciso I, da IN/SRF nº 344/2003; · diz da forma de declaração do imóvel, em nome do espólio de Luiz Pires Galante, tendo como condôminos os herdeiros legais, devidamente identificados, fazendo referência novamente ao processo nº 13686.000013/9700; solicitando, desde já, o seu desarquivamento, para melhor exame e aproveitamento neste julgamento, invocando o disposto nos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784, de 1999; · apresenta os dados informados na sua DITR/1999, com apuração de um imposto no valor de R$ 260,46, devidamente quitado em setembro de 1999; · nessa declaração, foi informada a existência de 550 (quinhentas e cinqüenta) cabeças de animais de grande porte (gado), de propriedade da herdeira Luiza Helena Galante de Moraes, conforme Declaração de Produtor Rural, relativa ao ano de 1998 e Notas Fiscais de vacinas; · após trazer informações sobre o andamento do processo de inventário, diz que os valores constantes do DIAT retratam os valores de terras praticados na região em 1999, além de considerar os valores constantes do processo de inventário e os valores declarados nas DITR de anos anteriores e subseqüentes; ressaltando que: “Até porque não tinha sido instalado em 1999 o SIPT, o que veio acontecer em 2002, pela Portaria nº 447, de 28 de março de 2002”; · após medição da área do imóvel, para fins de término do processo de inventário, e tendo em vista a proporção da área total do imóvel e da reserva legal (20% da área total), de acordo com o art. 13, inciso I, da IN/SRF 344/2003, o impugnante promoveu junto ao IBAMA o Ato Declaratório Ambiental – ADA, referente a área de reserva legal e de preservação permanente; · insiste que essas áreas ambientais, bem como a área total de 743,5 ha, foram reconhecidas por ocasião do julgamento do processo nº 13686.000013/9700; · conforme Norma de Execução COFIS nº 0001, de 07/05/2003, o Laudo Técnico ainda é procedimento para se provar a realidade do imóvel. Nesse sentido, transcreve o disposto no art. 8º, inciso VI, da Instrução Normativa nº 09, de 13/11/2002, aprovada pela Resolução/CD nº 037/02 – DOU de 18/11/02; · a área total de 743,5 ha e também as reservas permanentes e legal foram comprovadas através de laudo técnico acostado ao citado processo nº 13686.000013/9700, arquivado no órgão lançador do tributo; · não se concebe que o órgão administrador do tributo tenha mudado o critério jurídico do entendimento sobre o ITR, até porque o Código Florestal já estava em vigor. Assim, em 1997, a área do imóvel foi aceita através de Competente Laudo, com apresentação das suas áreas ambientais e o valor do VTNm; · não merece acolhida o argumento de que a partir de 1997, com o advento da Lei 9.393/96, em substituição à Lei 8.847/94, teria havido inovações na abordagem do referido tributo, pois é o Código Florestal que resguardou em seus dispositivos a isenção dessas áreas ambientais; · a favor do desarquivamento do citado processo administrativo, cita ementa proferida no Acórdão CSRF/0105.035; · registra os fatos relacionados com a constituição dos três autos de infração, originário, substituto e complementar; alegando que a autoridade lançadora do tributo, no segundo auto de infração, lavrado em 13/12/2006, mais uma vez cerceou o contribuinte em seu direito de defesa, ao inovar no lançamento ao trazer como fato Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 551 5 gerador 01/01/2000, e descrições não constantes no primeiro auto de infração de 11/11/03; · no primeiro auto de infração, processo nº 10675.003563/200321, o Fiscal autuante registra como fato gerador 01/01/1999, e assim o contribuinte trouxe ao processo documentos referentes ao ano de 1998, e transcreve os art. 1º, 6º, 8º e 10 da Lei nº 9.393/1996, no que diz respeito ao fato gerador do imposto, informações prestadas pelo contribuinte referentes às atividades do imóvel, valor da terra nua a área utilizada no ano anterior, e o valor do imóvel em 1º de janeiro de cada ano, e apuração do imposto; · solicitou na primeira impugnação a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72. Cita ementa do Acórdão nº 10322419, da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e, nesse mesmo sentido, julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0100.002), bem como da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0303.314, CSRF/0303.360, CSRF/0303.452, CSRF/03 03305 e CSRF/0303.331); · o terceiro auto de infração, lavrado em 18 e 17 de fevereiro de 2008, deveria se ater aos Procedimentos da Portaria nº 11.371, de 12/12/2007, em vigor; · aponta divergências nas datas de encerramento (domingo, 17 de fevereiro) e lavratura (segundafeira, 18 de fevereiro de 2008) desse terceiro auto de infração. Essa divergência demonstra a negligência do Fiscal autuante, acarretando a nulidade do auto de infração, em face dos artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72. O contribuinte não poderia ser cientificado em 17 de fevereiro (domingo). A notificação de lançamento registra a data de 18 de fevereiro e não consigna a exigência fiscal. Houve cerceamento de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto 70.235/72; · a notificação do lançamento não contém qual o órgão expedidor, nem a assinatura do chefe do órgão expedidor, ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo e o número de matrícula, a disposição legal infringida e seu cálculo, o que acarreta também a nulidade do auto de infração, como dispõe o art. 11 do Decreto nº 70.235/1972; · a Diligência Fiscal solicitada pela DRJ/BSA não foi realizada através de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – D; · apesar de a revisão sistemática de malha, por ser um procedimento interno, não exigir o MPF, o procedimento de ofício, com lavratura de auto de infração o exige. É a nova sistemática da Portaria RFB nº 11.371 de 2007; · frisese que o período de apuração do crédito tributário estava se realizando pela terceira vez. Exigiase autorização da autoridade competente de acordo com a nova Portaria RFB nº 11.371 de 2007, e artigos do RIR, art. 906 do RIR/99 e 951 do RIR/94; · nesse sentido, cita Acórdão proferido pela Terceira Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, de nº 10322419; · o primeiro lançamento ocorreu em virtude de a DITR/1999 ter sido retida em parâmetro de malha em razão de discrepância da área de reserva legal declarada em relação à área total do imóvel (Código M142), e não ter sido considerada a área total de 743,5 ha, declarada em 1997. Considerandose que às fls. 64 espelha o Fl. 553DF CARF MF 6 sistema de malha, cancelando declaração do ano de 1998. Ora, não era o ano a ser fiscalizado. Tal procedimento constitui cerceamento, pois o primeiro auto de infração foi iniciado em 11/11/2003, e era referente ao ano de 1999. A retificação da DITR de 1998 foi feita em 23/10/2003; · é deveras patente os cerceamentos feitos ao contribuinte, cujos autos são merecedores de nulidade, art. 59, II do Decreto 70.235/72; · a incorreta descrição do fato gerador, com a não indicação do valor, datas divergentes, dificulta a defesa do contribuinte, ficando prejudicado os itens I, II, III e IV do art. 10, do Decreto 70.235/72; · notese na Notificação de Lançamento a falta de cálculo do imposto, que não poderá corresponder ao montante lançado (data, descrição do fato, disposição legal infringida), e transcreve ementa do Acórdão nº 10515.119 para referendar seus argumentos; · tornase visível a nulidade referente a não indicação do MPF e ao nº do processo, conforme manifestação do Fiscal autuante, que ora transcreve; · por lealdade à verdade, que a intimação de 23 de setembro de 2003, referida pelo Fiscal, solicitava documentos do ano de 1998, e o auto de infração, lavrado pela terceira vez, não estava sendo expedido em função da anulação por vicio formal pelo Conselho de Contribuintes, no Acórdão 30237.528, prolatado em 25/05/2006, no processo nº 10675.003563/200321, mas sim, por determinação da DRJ, em Brasília – DF, no processo nº 10675.003.459/200680, que determinou que o processo fosse saneado em vista de que o fato gerador estava designado incorretamente, ano de 2000; · em decisão de primeira instância, a DRJ/BSA restabeleceu as áreas de pastagens e benfeitorias (sic) glosadas pela fiscalização em dezembro de 2003; · se é um novo exame, necessário que houvesse uma autorização da autoridade superior para tal ato, sob pena de nulidade, citando, nesse sentido, jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 10194262). Nos autos não se verifica a ordem escrita da autoridade competente para cumprimento do reexame e do novo auto de infração, até porque faltou a assinatura dos chefes de equipe de fiscalização e do Supervisor e do próprio Delegado da Receita Federal para tal reexame, e assim o impugnante solicita a nulidade do processo, art. 10 e 11 e 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, a notificação de lançamento é falha nesse sentido; · a peça denominada “Notificação de Lançamento” não obedeceu ao disposto no “Protocolo Formador de Processo”, com número de identificação, apesar do Auto de Infração conter todas as peças, inclusive “Termo de Encerramento”, art. 3º da Portaria MF 531/93 e art. 9º, parágrafo 1º. Registrese que o contribuinte é intimado a cientificar do número do processo para pagamento, e por isso solicita nulidade do auto de infração em face do cerceamento do direito de defesa, art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972; · a Receita Federal ao proceder o Auto de Infração, no terceiro processo assim manifestou sem falar em processo de revisão. Logo, é lançamento de ofício, que requer MPF. · transcreve parte dos termos da exigência fiscal descrita no processo nº 10675.003563/200321 e no terceiro auto de infração, alegando que houve mudança do critério jurídico; · o fato de terem sido lavrados três autos de infração prejudica a defesa do contribuinte; questionando qual é o verdadeiro auto de infração? Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 552 7 · tratase de lançamento de ofício, com exigência de ordem escrita para tal e do MPF, realizado por ordem da DRJ/BSA, em face do segundo auto de infração ter constado como fato gerador o ano de 2000; · insiste na juntada do processo 13686.000013/9700, solicitação que se faz de acordo com os artigos 36 e 37 da Lei 9.784, de 1999; · pede a nulidade do auto de infração, por erro no enquadramento legal da exigência de averbação da área de reserva legal (art. 16 do Código Florestal, Lei 4771/65, já tem a sua alteração pela MP 2.16667, de 2001 e não pela Lei 7.803/89). É o Código Florestal que prevê a averbação e não a Lei do ITR; · as áreas utilizadas para pastagens e com produtos vegetais foram restabelecidas pela DRJ/BSA no primeiro julgamento; · junta nesta fase a DITR/2000 recebida em processo de retificação pela SRF, em que foi observada a área de 743,5 ha; · alega que não procedem os fatos e enquadramentos legais e que a descrição dos fatos deixa entender que o contribuinte não cumpriu o inteiro teor das intimações que, entretanto, foram cumpridas, que no entender do contribuinte eram as necessárias; · ressalta que a IN/SRF nº 043/1997 e a IN/SRF nº 067/1997, citadas na descrição dos fatos, encontramse revogadas pela IN/SRF nº 73/2000; · caso fosse observado o prazo final fixado no § 4º do art. 10, da IN/SRF nº 42/1999, e caso a mesma não tivesse também sido revogada pela IN/SRF nº 75/2000, o ADA deveria ter sido protocolado até 31 de março de 2000, e não em 01 de janeiro de 1999, como diz a fiscalização; · é imprescindível esclarecer que a IN/SRF nº 085, de 18/08/2000, ao dar publicidade às Instruções Normativas que se encontravam total ou parcialmente em vigor, esclareceu que somente estava em vigor as INs/SRF sobre o ITR, as de nºs 33/97, 73/2000, 75/2000, 76/2000 e 77/2000; · desta forma, fica por demais comprovado que para os exercícios de 1998 e 1999, não havia orientação da SRF para a apresentação do Ato Ambiental; · relaciona as Instruções Normativas expedidas pela Secretaria da Receita Federal, em 1999; acrescentando que a IN/SRF nº 73, de 18/07/2000, foi revogada pela IN/SRF nº 060, de 06/06/2001; bem como as IN/SRF nº 75, de 20/07/2000 e a IN/SRF nº 77, de 20/07/2000, foram revogadas pela IN/SRF nº 061, de 06/06/2001; · em 11/12/2002, a SRF expediu a IN/SRF nº 0256, tendo como embasamento legal a Lei nº 10.165/2000 e o Decreto regulamentador da Lei: Decreto nº 4.382/2002; · após transcrever o disposto nos §§ 2º e 3º, art. 10, desse decreto, bem como o disposto no art. 17O, da Lei nº 6.938/81, com redação dada pela Lei nº 10.165/2000, ressalta que: “Somente após a regulamentação da lei nº 10.165 de 2000, pelo Decreto nº 4.382, de 19 de dezembro de 2002, é que se poderá fixar as condições de apresentação do ADA”; · exigiuse a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, quando o mesmo, desde 1987, estava em processo de inventário, não tendo Fl. 555DF CARF MF 8 até o momento sido desmembrado. Registrese, mais uma vez que a Lei que introduziu tal averbação é de 1989: Lei 7.803/89, alterada pela MP 2.16667, atualmente de 2001. Outrossim, a fiscalização especifica que relatórios técnicos que atestam a existência das Reservas Preservacionistas não foram exigidos, entretanto excluiu totalmente tais áreas e não considerou o mapa efetuado por agrimensor, ou seja relatório técnico, ou não trouxe aos presentes autos cópias do processo nº 13686.000013/9700, que conforme dispositivos da Lei nº 9.784, de 1999, estaria obrigado; · ao contrário do alegado pela fiscalização para justificar a glosa da área utilizada para pastagem declarada, foi apresentado Cadastro de Produtor Rural, Notas de Vacina e Financiamento Rural, com gado no imóvel em garantia. Conclui se, ao glosar tal área, que houve presunção do ato administrativo; · a jurisprudência dos CC caminha no sentido de entender que a presunção juris tantum não tem o condão de transferir para o contribuinte o ônus de provar de que forma ocorrera a presumida omissão dos fatos declarados. Ao fisco cabe, de forma indelegável, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e, à luz da legislação vigente, constituir definitivamente o lançamento, considerandose, de forma inequívoca, a data do adimplemento da obrigação como a da ocorrência do fato gerador da obrigação principal; · apesar do mapa apresentado, foi glosada a área utilizada na produção vegetal declarada, embasando o auto de infração em presunções, ao citar atos administrativos revogados e assim o foram por não atender à Lei, transcrevendo relato da autoridade fiscal; · ressalta que: “O contribuinte não diz em hora alguma que parte da propriedade foi utilizada. O impugnante afirma que a área utilizada com produtos vegetais era de 20,0 ha”; · a utilização do SIPT para arbitramento do VTN, implica em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, pois a Portaria que aprovou esse Sistema de Preços de Terras é de 2002 – Portaria SRF nº 0447, de 28/03/2002, e o auto de infração referese ao ITR referente ao ano de 1999, com preços de terras avaliadas pelo mercado. Assim, a fiscalização feriu o princípio da irretroatividade das leis. Ela não tinha competência para tal lançamento, pois em 1999, não havia ainda sido instalado o SIPT, a ser instalado a partir de 15/04/2002; · desta forma, o princípio da verdade material foi maculado. Não se pode efetuar glosas totais quando se afirma que há subutilização. É necessário provar, então, o grau de utilização. E ao presumilas, desconsiderar o grau de utilização do imóvel. Quanto ao valor do VTN, o mesmo foi informado em 1999, pelo preço de mercado, não havendo Sistema de Preços de Terras Instituído pela SRF, que veio a elaborálo em 2002, conforme § 2º do art. 8º da Lei 9.393/96; · insiste que a aplicação da Portaria SRF nº 447/2002, para arbitramento do VTN do imóvel, para efeito de apuração do ITR/1999, cerceia o direito do contribuinte; · vem solicitar diligência e perícia para apuração dos fatos, em observância ao princípio da verdade material; · faz uma síntese das suas alegações anteriores, que justificam a diligência pleiteada para apuração da matéria de fato, já discutida perante o mesmo órgão fiscalizador em 1997. Não se admite que o órgão aplicador da lei mude os parâmetros de entendimento da legislação, com cerceamento de defesa ao Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 553 9 contribuinte, acarretando NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72; · em relação às áreas de produção vegetal acrescenta que o imóvel dedicase exclusivamente, desde 1998, à atividade pecuária. E para este objetivo foram plantadas cana de açúcar e capim próprio para atividade rural e feitas diversas estradas, assim como galpão, cercas, currais e balanças de peso de gado. O bom senso caminha no sentido de que as cabeças de gado da herdeira Luiza Helena Galante de Moraes estariam empastadas. E onde?; · assim, nos termos do art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72, indica o seu perito, devidamente identificado e o endereço do seu escritório profissional, e apresenta os quesitos referentes aos exames desejados; · também, da leitura dos artigos 7º, 9º, 10, 11 e 14, citados como embasamento legal do infração, constatase um cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, face à descrição dos fatos, e ao demonstrativo de apuração do ITR, não se vislumbrando na legislação citada no enquadramento legal, qualquer descumprimento da mesma pelo contribuinte. A utilização do imóvel foi comprovada por documentos de provas robustas e constituem matérias de fato, não podendo a d. fiscalização, de acordo com o art. 145 do CTN, efetuar tal lançamento; · discorre sobre as glosas das áreas de reserva legal e reserva permanente, à luz da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal) e suas alterações, Lei nº 7.803, e da Lei 9.393/96, sobre o cálculo do VTN tributado e da área aproveitável do imóvel; · invoca o disposto no § 7º, art. 10, da Lei 9.393/96, introduzido pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, dispensando a prévia comprovação das áreas ambientais declaradas; · além de ter sido agora apresentada a averbação da área reserva legal (art. 13, I, da IN/SRF nº 344/2003), o Ato Declaratório Ambiental foi devidamente protocolado no IBAMA; · a lei que assegurou a isenção do ITR incidente sobre área com reserva permanente, reserva legal, reservas florestais não foi à legislação do ITR, nem nela se contém qualquer referência a mencionada isenção. Oportuno dizer que foi a MP nº 2.16667/2001, que trouxe em seu art. 3º nova redação ao art. 10 da Lei 9.393/1996; · invoca e dá o seu entendimento do disposto no transcrito art. 111, e seu inciso II, do CTN, · a favor do seu entendimento, cita acórdão CSRF/03.05.539, que confirmou acórdão proferido pela 2ª Câmara do Conselho de Contribuintes, 30235.928; transcrevendo entendimento manifestado no voto vencedor; · a isenção discutida na impugnação ao lançamento e na decisão sobre a impugnação é a isenção para reserva legal e permanente e encontrase transcrita no Código Florestal, Lei nº 4.771/65, alterada pela Lei nº 7.803/89. Referida isenção foi criada pelo Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15/09/1969, alterado pela Lei nº 7.803, de 18/07/1989, com as alterações introduzidas pela MP nº 2.16667; · como se depreende da legislação citada, em nenhum momento se vislumbra o marco temporal para o Ato Declaratório Ambiental; Fl. 557DF CARF MF 10 · novamente diz que o condomínio indiviso pertencente ao espólio de Luiz Pires Galante já estava em processo de inventário em 1989, detalhando os fatos até a edição da Lei 9.393, de 19/12/1996. Ressalta, novamente, que tal lei não dispôs sobre o marco temporal do Ato Declaratório Ambiental e da averbação da reserva legal; · também não se vislumbra na Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001 (especificamente no transcrito § 4º do art. 16), o marco temporal do Ato Declaratório Ambiental para a aprovação da reserva legal; · é de ressaltar que o art. 19 do Código Florestal especifica o IBAMA como órgão responsável para aprovação da exploração de Florestas de Domínio Público e Privado, não se referindo à reserva legal e permanente; citando o disposto no art. 24 da Constituição Federal de 1988; · do exame dos dispositivos do Código Florestal e suas alterações não há qualquer restrição, no tempo, às isenções decorrentes da constituição da reserva legal, cabendo aquele que a constitui, estritamente, só a obrigação de registrála no Registro de Imóveis. Não há nos dispositivos da lei tributária que instituiu a isenção, qualquer restrição a esse direito e, conseqüentemente, restrinja o direito à isenção; · a favor da sua tese, cita jurisprudência dos nossos tribunais (AMS 1999.01.00.0732833/TO, Relator: Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, Sétima Turma, DJ 19/12/2005, p. 115; AMS 2002.38.00.0524690/MG, Relatora: Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, Oitava Turma, DJ 25/02/2005, p. 171), bem como jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes (Acórdão 30232.577, Acórdão 30327.815, Acórdão 30127.920, Acórdão 301 30486, Acórdão 20301723, Acórdão 20305127, Acórdão 20173528, Acórdão 20303250 e Acórdão 20172353); · dessas decisões se depreende que a isenção é a dispensa legal do tributo devido. Conseqüentemente, essa dispensa legal pode ser posterior à ocorrência do fato gerador e da legislação do crédito tributário. Discorre sobre o tratamento dispensado pelo poder público às questões ambientais, em razão da necessidade de preservar e proteger as florestas naturais, concluindo que: “A isenção não pode ser objeto de interpretação restritiva no que diz respeito à sua própria outorga: se assim ocorrer, se estará transformando o poder discricionário em poder arbitrário, indo de encontro ao Código Florestal e à própria Constituição Federal (art. 225)”; · ao invocar o disposto no art. 111 do CTN para manter a glosa de tais áreas, a autoridade julgadora se excede sobre a lei, confirmando, destarte, a arbitrariedade, que é a ação contrária à Constituição Federal, ao Código Tributário Nacional e à Lei; · não é possível pelo próprio princípio da restritividade da interpretação, ampliar ou reduzir o art. 111 do CTN, como fez a decisão recorrida. No Resp nº 10215000.092/200155, encontrase entendimento que confronta com a decisão ora recorrida, ao afirmar que o início da isenção não tem que coincidir com o fato gerador, com o vencimento ou com a vigência da lei; · se restringido o direito de isenção em relação às áreas de preservação permanente e reserva legal, estará comprometida a política ambiental do Brasil; · com efeito, quem constituir uma reserva legal em um exercício só terá direito à isenção nos exercícios seguintes, o que constitui uma violação frontal ao disposto no Código Florestal, sem considerar sequer a isenção parcial ou proporcional ao tempo da constituição da reserva legal declarada; Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 554 11 · acrescenta que os atos administrativos complementares devem complementar as leis, inseridos em plena consonância com o espírito da lei, citando, nesse sentido, jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes (Acórdão 20207403, Acórdão 20307454, Acórdão 20175618, Acórdão 20175599 e Acórdão 203 07457); · relata os termos das IN/SRF nºs 043, de 07/05/1997, 067 de 01/09/1997, 056, de 02/06/1998, 073, de 18/07/2000, 079, de 01/08/2000, no que diz respeito aos prazos para protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA; ressaltando que não havia critério da administração fiscalizadora do tributo a respeito do ADA. Registre ainda que a IN/SRF nº 033, de 14/04/1997 foi revogada pela IN/SRF nº 060, de 06/06/2001, e a IN/SRF nº 100, de 30/12/1997, foi revogada pela IN/SRF nº 088, de 20/07/1999; · novamente, em razão da revogação das citadas IN/SRF nºs 043/1997 e 067/1997, insiste que para os exercícios de 1998 e 1999, não havia orientação da Secretaria da Receita Federal para apresentação do ADA; · após se referir às IN/SRF nºs 60 e 61, ambas de 06/06/2001, diz, novamente, que somente através da IN/SRF 256, de 11/12/2002, foi expedido Ato Administrativo pela SRF em obediência ao Decreto nº 4.382/2002 e Lei nº 10.165/2000. Aqui convém também registrar que tais Atos Administrativos confrontavam com o comando trazido pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24/08/2001, § 4º do art. 16; · após citar essa legislação, conclui que somente após 19/09/2002 e por ato administrativo baixado pela SRF é que se poderá fixar as condições de apresentação do ADA; · não se vislumbra na MP nº 2.16667, de 2001 (art. 16, ao acrescentar dispositivos à Lei nº 4.771/65 e à Lei nº 7.803/89), o marco temporal para protocolização do ADA. Ressalta que os Atos Administrativos não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. Até porque a IN/SRF nº 060, de 06/06/2001, foi revogada pela IN/SRF nº 0256, de 11/12/2002. Isto em obediência à MP nº 2.16667 de agosto de 2001; · após transcrever dispositivos das IN/SRF nºs 0256/2002 e 0344/2003, informa que apresentou a DITR relativa ao ano de 1998, devidamente retificada, assim como o Ato Declaratório Ambiental – ADA; · também a favor das suas alegações, no que diz respeito à dispensa de prévia comprovação de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel, traz à colação o Aviso nº 030/GACOR/2003 sobre a decisão do Acórdão do Mandado de Segurança de Minas Gerais de nº 279.4774/000 julgado pela egrégia Corte Superior do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, e · por fim, após fazer uma síntese das suas alegações, tanto no que diz respeito às nulidades quanto às matérias de mérito, com solicitação para que possa emitir aditamentos as presentes razões de impugnação, requer que sejam acolhidas as razões da presente impugnação, dandolhe integral provimento para anular o lançamento de ITR. Fl. 559DF CARF MF 12 Em 24/06/2008, protocolou o requerimento de fls. 319/3358, com as seguintes razões aditivas à sua impugnação: · ratifica as razões apresentadas na peça de impugnação; · novamente, insiste que o imóvel possui uma área medida de 743,59 ha, faz referência ao processo nº 13686.000013/9700, julgado pela DRJ em Belo Horizonte, oportunidade em que foram consideradas as reservas preservacionistas, justifica a entrega do ADA, invocando o disposto no art. 13, inciso I, da IN/SRF nº 344/2003, fala da situação do imóvel, que se encontra em processo de inventário, para efeito de apresentação das declarações do ITR, defende que o Laudo Técnico ainda é procedimento para se provar a realidade do imóvel e cita Acórdão da CSRF/0105.035, a favor do desarquivamento do citado processo administrativo. · em 13/12/2006, quando se lavrou o segundo auto de infração com alteração do critério jurídico, considerando o fato gerador 1º de janeiro de 2000, ocorreu a decadência e, por conseqüência, a nulidade do terceiro auto de infração; · se o fato gerador era referente ao ITR/1999, em 13/12/2006, o lançamento já tinha decaído, art. 150, § 4º do CTN. Não foi obedecido no lançamento efetuado o critério do vício formal; · a favor da sua tese cita Acórdão do Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 10322.419); · nesse caso, não se pode buscar abrigo na norma do art. 173, II, do CTN, cuja interpretação contempla apenas as retificações de vícios de ordem formal, por disposição expressa. Tratandose de situação diversa da regulada pelo art. 173, II, do CTN, o direito de constituição do crédito tributário já houvera decaído, haja vista o decurso do prazo qüinqüenal fixado pelo art. 150, § 4º do mesmo CTN, que regula em relação aos tributos submetidos à sistemática de homologação, também chamada de “autolançamento”, como é o caso do regime tributário de apuração e pagamento do ITR após o advento da Lei 9.383/96; citando, nesse sentido, jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 10322.282); · portanto, o lançamento relativo a fato gerador ano de 1999 já estava alcançado pela decadência quando da sua realização em dezembro de 2006; · no segundo auto de infração, lavrado em 13/12/2006, a autoridade lançadora mais uma vez cerceou o contribuinte em seu direito de defesa. Inovou no lançamento ao trazer como fato gerador 01/01/2000, e descrições não constantes no primeiro auto de infração de 11/11/2003; · após transcrever o disposto nos artigos 1º, 6º, 8º e 10 da Lei 9.393/1996, diz que no segundo auto de infração, lavrado em 13/12/2006, o lançamento ao alterar o conteúdo jurídico, o fez decair, não se aplicando ao mesmo a regra do artigo 173, II do CTN; citando novamente o Acórdão 10322.419; · solicitou a nulidade do segundo auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Assim, o terceiro auto de infração é nulo, pois não pode se reviver o que estava morto. O lançamento efetuado em 17 e 18 de fevereiro de 2008 é nulo por direito; · a impugnante sempre solicitou a nulidade do mesmo. E a matéria decadência estava explícita ao trazer a ementa do Acórdão 10322.418. Quando fez retornar o processo para a DRF de Uberlândia – MG, a Turma de Julgamento da 8 Efls 391/407. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 555 13 DRJ/BSA deveria ter decretado a decadência do lançamento efetuado em dezembro de 2006, em relação ao ITR/99, quando não foi obedecido o art. 173, II do CTN; · no presente processo, não há que se falar em preclusão, pois a decadência é matéria de direito público e cabe ser reconhecida de ofício, nos termos do art. 210 do Código Civil; · mais uma vez o contribuinte foi cerceado no seu direito de defesa, em face de que os documentos trazidos ao processo referemse ao ano de 2000, como registra o auto de infração em comento, lavrado em 13/12/2006, · diz que eram estas as razões a serem aditadas à impugnação do espólio de Luiz Pires Galante, pedindo deferimento. final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 0326.768 2.1. A decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente o lançamento. Transcrevese o teor do dispositivo: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de decadência e nulidade e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento contestado, consubstanciado no Auto de Infração – Complementar Consolidado, de fls. 211/217, para alterar a área total, de 1.091,1 ha para 743,5 ha, restabelecer as áreas utilizadas na produção vegetal (20,0 ha) e, parcialmente, a área servida de pastagem (373,5 ha), bem como a tributação do imóvel com base no VTN declarado de R$ 300.000,00 ou R$ 403,50/ha, e demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$60.733,14 para R$5.439,54, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 2.2. Reproduzse também o inteiro teor da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL DO PRAZO DECADENCIAL. Quando o lançamento substituto não implicar em agravamento da exigência, inovação de matéria tributável ou qualquer outra espécie de mudança de critério jurídico, em relação ao lançamento primitivo, anulado por vício formal, é de se observar o prazo decadencial previsto no art. 173, II, do CTN. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado de conformidade com a legislação vigente ressaltandose que o procedimento fiscal de revisão sistemática da declaração, por meio de malhas fiscais, não exige a prévia emissão de Mandado de Procedimento Fiscal e considerando que o interessado rebateu as acusações que lhe foram imputadas e apresentou os documentos de provas respectivos, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Constando dos autos documentos hábeis e suficientes para comprovar a real dimensão do imóvel, cabe acatar a pretensão do requerente, de se reduzir a Fl. 561DF CARF MF 14 área total declarada, admitindose a hipótese de erro de fato na informação desse dado cadastral. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA, bem como a averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis competente, resta incabível a exclusão de tributação de qualquer área ambiental do imóvel, seja as declaradas ou mesmo as pretendidas áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Cabe restabelecer a tributação do imóvel com base no VTN Declarado, quando restar afastada a hipótese de subavaliação e o “Laudo de Avaliação” apresentado não demonstrar, de maneira inequívoca, a hipótese de erro de fato. DA ÁREA DE PASTAGENS. ÁREA DE PASTAGENS. Comprovada, através de documentação hábil, a existência de rebanho compatível com o informado na DITR/99, cabe restabelecer parte da área de pastagens originariamente declarada, compatível com a nova área total acatada. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. Comprovada, através de documentação hábil, a existência da área de produtos vegetais declarada, cabe a mesma ser restabelecida. 3. Ao interpor o recurso voluntário (efls 468), repisa nas razões recursais (efls 469/529) as mesmas alegações deduzidas na impugnação, de que se pode destacar a preliminar de cerceamento de defesa, a prejudicial (decadência) e no mérito, o pedido para que sejam restabelecidas as áreas de APP e reserva legal consignadas na DITR/1999. 3.1. Concernente à alegação de cerceamento de defesa, sustenta ter havido falta de clareza nos fundamentos legais, a falta de menção específica a dispositivo da legislação do ITR, e a citação de atos normativos revogados/alterados. 3.2. Sobre a alegação de decadência, diz que "o lançamento relativo ao fato gerador ano de 1999 já estava alcançado pela decadência quando da sua realização em dezembro de 2006, com alteração do critério jurídico do lançamento efetuado em 2003: fato gerador de 01/01/1999 para 01/01/2000" (efls 498). 3.3. Em março de 2018, faz anexar requerimento (efls 535/539) para pedir a aplicação do disposto na Súmula CARF nº 41. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. DDAA PPRREELLIIMMIINNAARR DDEE NNUULLIIDDAADDEE PPOORR CCEERRCCEEAAMMEENNTTOO DDEE DDEEFFEESSAA Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 556 15 DDAA AALLEEGGAAÇÇÃÃOO SSOOBBRREE AA DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA 5. Em vista da coincidência entre as alegações deduzidas no recurso e aquelas ofertadas na impugnação, e por concordar com a análise feita pela decisão de primeira instância na rejeição de tais questões da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e da prejudicial de decadência, fazse uso da prerrogativa conferida pelo artigo 57, § 3º do Regimento Interno do CARF, com a transcrição do trecho extraído do voto contido acórdão recorrido, que guarda pertinência com a matéria. início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 0326.768 Da Decadência Da análise do presente processo, verificase que o requerente contesta o fato de esta Turma de Julgamento da DRJ/BSA, através da Resolução nº 0184, de 12 de dezembro de 2007 (às fls. 205/209), ter decidido, por unanimidade de votos, pelo retorno do presente processo à DRF de origem para correção da data do fato gerador constante do respectivo lançamento substituto, constituído em 13/12/2006 (às fls. 71/78), de 1º/01/2000 para 1º/01/1999. No caso, entende o requerente que esse fato (erro na data do fato gerador do imposto) e sob a alegação de ter também havido, nesse lançamento substituto, alteração do seu conteúdo jurídico, o prazo decadencial de 05 (cinco) anos deveria ser contado a partir de 1º/01/1999 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), não se aplicando o disposto no art. 173, II, do mesmo CTN. Desta forma, o lançamento substituto teria sido constituído após o prazo decadencial legalmente previsto, ou seja, após 31/12/2004. Entretanto, naquela oportunidade prevaleceu o entendimento de que a hipótese era de erro de fato cometido pela autoridade fiscal, que fez constar, por um lapso, como data do fato gerador do imposto 1º/01/2000 e não 1º/01/1999 como seria correto. A ocorrência de erro de fato ficou evidente quando se verificou que foram mantidos todos os elementos do lançamento original, anulado por vício formal, por decisão unânime dos membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 30237.528, Sessão de 25/05/2006, proferido no processo nº 10675.003563/200321). No caso, além de as matérias tributadas continuarem as mesmas (alteração da área total declarada, de 783,5 ha para 1.091,1 ha, glosa das áreas de preservação permanente, utilização limitada/reserva legal, utilizadas na produção vegetal e para pastagens, respectivamente, de 190,0 ha, 140,0 ha, 20,0 ha e 400,0 ha, e arbitramento, com base no SIPT, de novo VTN, de R$ 709.228,00), o valor do imposto suplementar apurado nos dois lançamentos, como não poderia ser diferente, também continuou o mesmo, de R$ 60.733,14. Além de não ter ocorrido agravamento da exigência, verificouse, também, que as justificativas e os respectivos enquadramentos legais apresentados pela autoridade fiscal para essas glosas/alterações foram os mesmos nos dois lançamentos, não sendo verdade que tenha ocorrido qualquer alteração do conteúdo jurídico ou de critérios que pudessem caracterizar uma inovação no lançamento constituído em substituição ao lançamento primitivo. Assim, o erro na data do fato gerador do imposto, constatado no lançamento substituto, não pode ser considerado como inovação e, muito menos, uma nova ação fiscal, abrangendo a DITR do exercício de 2000, limitandose a autoridade fiscal a refazer o lançamento anulado por vício formal, levandose em conta os mesmos documentos de prova apresentados pelo contribuinte para comprovação dos dados Fl. 563DF CARF MF 16 informados na sua DITR/1999 (anobase de 1998), constantes do processo nº 10675.003563/200321 (apensado). Também houve o entendimento de que esse erro não implicou em qualquer prejuízo à defesa do requerente, não se enquadrando na hipótese prevista no art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72, principalmente quando se sabe que, após sanado o erro, mediante a lavratura do competente auto de infração complementar, o contribuinte/espólio poderia apresentar impugnação complementar, refazendo os termos da impugnação apresentada para contestar o lançamento substituto a ser corrigido. Portanto, considerandose o disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, o presente processo foi devolvido à DRF em Uberlândia – MG, para fins de correção do lançamento substituto, para fazer constar a correta determinação do fato gerador do imposto, respectivo vencimento e cálculo dos juros de mora, com a devida ciência das retificações ao represente legal do contribuinte/espólio, para fins de impugnação. Desta forma, constatado que a hipótese era de erro de fato, que não poderia implicar na nulidade do lançamento constituído para substituir o lançamento anulado por vício formal, por eventual cerceamento do direito de defesa, além de não ter ocorrido agravamento da exigência fiscal, nem alteração do conteúdo jurídico ou de critérios que pudessem caracterizar inovação das matérias tributadas em relação ao lançamento primitivo, entendo que não há que se falar em decadência, pois tanto esse lançamento substituto quanto o lançamento efetuado para sua correção foram realizados dentro do prazo de 05 (cinco) anos, a contar da data em que a decisão declaratória da nulidade se tornou definitiva na esfera administrativa, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN. Das Nulidades e do Cerceamento do Direito de Defesa Também, em sentido inverso à pretensão do impugnante, não há que se falar em nulidade do auto de infração complementar, lavrado para correção do auto de infração substituto, seja por cerceamento do direito de defesa ou mesmo por motivo da ocorrência de eventual vício formal. Em que pese a lavratura de três autos de infração, não se vislumbra que tenha ocorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, que pudesse justificar a nulidade do auto de infração complementar consolidado, lavrado em 17/02/2008, às fls. 211/217 do presente processo, para correção da data do fato gerador constante do auto de infração substituto, de fls. 71/78, este, lavrado em 13/12/2006, para substituir o primeiro auto de infração, lavrado em 07/11/2003, às fls. 01/08 do processo nº 10675.003563/200321 (apensado), anulado por vício formal, por decisão unânime da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sob o entendimento de que o correspondente auto de infração foi lavrado em desacordo com o estabelecido no inciso VI do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, nos termos do Acórdão 30237.528, Sessão de 25/05/2006. Ao contrário, nessas três oportunidades, após cientificado dos respectivos autos de infração, o contribuinte pôde se defender plenamente das mesmas irregularidades apuradas pela autoridade fiscal, mantidas inalteradas nos três autos de infração, que resultaram no imposto suplementar de igual valor, de R$ 60.733,14. Portanto, nesses três autos de infração (primitivo, substituto e complementar) as glosas/alterações efetuadas pela autoridade fiscal, em relação aos dados informados pelo contribuinte na sua DITR/1999, se mantiveram as mesmas, mesmo porque a rigor há que se falar na existência de apenas uma ação fiscal, que resultou na lavratura do auto de infração primitivo, anulado por vício formal, fazendose necessários os dois outros autos de infração apenas para correção de vício formal e Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 557 17 de erro de fato, sendo preservadas as matérias tributadas, o critério jurídico e os critérios utilizados pela autoridade fiscal no lançamento primitivo, por ocasião da apreciação dos documentos de prova então apresentados pelo contribuinte, em atendimento à intimação de fls. 12 do processo apensado. Também entendo que não se aplica no presente caso os procedimentos previstos na Portaria nº 11.371, de 12/12/2007, para constituição do auto de infração complementar em questão, pois o lançamento anulado por vício formal, foi constituído sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, que dispunha que a revisão sistemática das declarações retidas em malha fiscal não exigia prévia emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, inserindose na hipótese prevista no inciso IV, do art. 11, da Portaria SRF nº 3.007, de 2001. No caso, não há que falar em uma nova ação fiscal, relativa ao ITR/1999, mas simplesmente na lavratura de auto de infração complementar para correção da data do fato gerador constante do auto de infração substituto, providência esta que dispensava até mesmo a emissão prévia de MPF – D. Assim, não houve um novo exame da correspondente DITR/1999 e dos documentos de prova apresentados pelo Contribuinte na primeira oportunidade, que pudesse justificar as formalidades hierárquicas apontadas pelo requerente, mas apenas a lavratura de auto de infração substituto, que foi, aliás, objeto do Registro de Procedimento Fiscal – Revisão Interna: 06.1.09.0020006004278, e de auto de infração complementar, para correção do aludido erro de fato, nos termos da citada Resolução DRJ/BSA nº 184, de 12/12/2007. Vejase que não obstante constar das fls. 211, que o referido Auto de Infração Complementar teria sido lavrado no dia 17/02/2008 (domingo), às 12h:25min, na cópia encaminhado ao Contribuinte às fls. 307, consta que o mesmo, na realidade, foi encerrado nessa data e lavrado em 18/02/2008, às 09h37min, atendendo ao disposto no art. 10, inciso II, do Decreto nº 70.235/72. De qualquer forma, essa divergência não pode implicar em nulidade por cerceamento do direito de defesa do impugnante, nos termos do art. 59, II do citado Decreto nº 70.235/72, mas, quando muito, em erro de fato, sanável através da lavratura de um novo auto de infração, o que iria postergar ainda mais a solução do litígio, no que diz respeito às matérias de mérito. Da mesma forma, o fato de na dita “Notificação / Informações de Interesse do Contribuinte”, não ter constado o número do correspondente processo administrativo, mas procedimentos padrões comuns a todos os autos de infração, não pode implicar em nulidade do referido Auto de Infração Complementar, pois isso em nada prejudicou a defesa do Contribuinte, principalmente quando se sabe que o mesmo já tinha conhecimento desse número, por ocasião da impugnação apresentada para contestar o referido lançamento substituto. Por outro lado, o Auto de Infração Complementar Consolidado, de fls. 211/217, também atende aos requisitos legais, de natureza geral, estabelecidos no art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, identificando as irregularidades apuradas e enquadrandoas de conformidade com a legislação vigente à época do fato gerador do imposto, como se observa na parte atinente à descrição dos fatos e enquadramento legal (fls. 212/214), trazendo, ainda, as informações necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa. Tanto é verdade, que o impugnante, além das preliminares de decadência e nulidade, abordadas sob vários aspectos, também refutou, de forma clara e minuciosa, as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal, que, frisese novamente, são as mesmas, nos três autos de infração. Fl. 565DF CARF MF 18 Notase, ainda, que o cálculo do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal, de R$ 60.733,14, a exemplo dos dois primeiros autos de infração, está devidamente demonstrado às fls. 215 do referido auto de infração complementar. Especificamente, no que tange ao enquadramento legal das irregularidades apontadas pelo autuante, vêse que a capitulação relativa à Lei 9.393/96 (Arts. 1º, 7º, 9º, 10, 11 e 14) não teve, obviamente, por objetivo imputar ao autuado o cometimento de todas as irregularidades porventura previstas nesses artigos, tratandose apenas de parte introdutória, comum a todos aos autos de infração lavrados com fundamento nessa Lei. Portanto, a rigor, a menção a todos esses dispositivos legais não implicou em prejuízo à defesa do requerente, já que entre os dispositivos citados pelo autuante estão aqueles especificamente utilizados para fundamentar a autuação fiscal, juntamente com os dispositivos do Código Florestal (Lei 4.771/65, com redação da Lei 7.803/89) e Instruções Normativas / SRF aplicáveis ao lançamento do ITR/1999, possibilitando ao mesmo rebater, de forma plena, as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal, bem como apresentar a sua versão dos fatos e juntar os elementos comprobatórios pertinentes. Ademais, na sua impugnação, de fls. 228/288 com as razões aditivas de fls. 319/335, o requerente discutiu não só o mérito das alterações efetuadas pela autoridade fiscal, mas também argüiu as preliminares de decadência e, por vários motivos, de nulidade do lançamento, demonstrando ter entendido perfeitamente as matérias em discussão nos autos, bem como um profundo conhecimento das normas tributárias em geral, da legislação aplicada ao ITR/1999, da jurisprudência administrativa /judicial e de toda legislação ambiental. Quanto à alegada mudança de parâmetros de entendimento da legislação há que se esclarecer que, a partir do exercício de 1997, aplicase ao ITR a Lei nº 9.393/96, em substituição à Lei nº 8.847, de 1994, fato este que trouxe inovações na abordagem do referido tributo. Por exemplo, o ADA, para fins de exclusão das áreas ambientais da incidência do ITR, somente passou a ser exigido a partir do exercício de 1997. Assim, não se trata de mudança de entendimento da legislação, mas da própria legislação em si, não havendo como transportar, sem a devida previsão legal, situações fáticas e jurídicas verificadas em determinado exercício para outro exercício distinto. (...) Desta forma, também não prosperam as alegações de nulidade do auto de infração complementar consolidado, de fls. 211/217, seja por cerceamento do direito de defesa ou mesmo por eventual existência de vício formal. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 0326.768 MMÉÉRRIITTOO DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀSS ÁÁRREEAASS DDEE AAPPPP EE RREESSEERRVVAA LLEEGGAALL 6. Esclareçase que, nos termos da decisão de primeira instância, a parte mantida no lançamento diz respeito à pretensa exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal em função de não terem sido apresentados o ADA e averbação no seu devido tempo. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 558 19 6.1. O trecho inaugural do tópico intitulado "Das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada / Reserva Legal" (efls 449/450) bem sintetiza a matéria devolvida ao Colegiado: A autoridade autuante exigiu o cumprimento de duas obrigações para fins de acatar a exclusão dessas áreas ambientais da incidência do ITR, no caso, uma área de preservação permanente de 190,0 ha e uma área de utilização limitada/reserva legal de 140,0 ha. A primeira consiste na averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra seria a informação de tais áreas, tanto a de preservação permanente quanto a de utilização limitada, no requerimento do ADA – Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, como descrito às fls. 213/214. Por considerar que essas duas exigências não foram cumpridas tempestivamente, isto é, dentro dos prazos estabelecidos nas legislações de regência das matérias, efetuouse a glosa dessas áreas ambientais. 7. No recurso voluntário é formulado pedido para excluir do lançamento do ITR/1999, área de preservação permanente de 170,0 ha, bem como área de utilização limitada/reserva legal de 150,0 ha, nos termos do Laudo Técnico de Avaliação (efls 240/256), de que se pode extrair a visão que se segue (efls 251): DDoo ppeeddiiddoo rreellaacciioonnaaddoo àà eexxcclluussããoo ddaa áárreeaa ddee pprreesseerrvvaaççããoo ppeerrmmaanneennttee 8. O Recorrente sustenta a aplicabilidade da Súmula CARF nº 41 (efls 539) e entendo que lhe assiste razão, ao menos na parte do pedido circunscrita à exclusão da Área de Preservação Permanente (170,0 ha). 8.1. Passo a explicar. A exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para fins de redução do imposto, somente se tornou legítima a partir da previsão em lei, por meio da alteração da redação do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, efetivada pela Lei nº 10.165/2000. Fl. 567DF CARF MF 20 8.2. Ao tempo do fato gerador do ITR/1999, não havia obrigação de apresentação do ADA, para comprovar a não incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente. 8.3. A falta de informação das áreas do imóvel rural em ADA protocolado junto ao Ibama, ou órgão conveniado, ou mesmo a sua entrega a destempo do prazo estabelecido na legislação, não tem o condão de autorizar o lançamento de ofício relativo a fato gerador ocorrido no exercício de 1999. 8.4. Com a edição da Súmula CARF nº 41 pacificouse tal entendimento. Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. 8.5. Assim, considerando que esta parte do lançamento tem por fundamento a falta de apresentação tempestiva do ADA, aplicase o enunciado da Súmula CARF nº 41, e impõese acolher o pedido relativo à dedução da Área de Preservação Permanente (170,0 ha). DDoo ppeeddiiddoo rreellaacciioonnaaddoo àà eexxcclluussããoo ddaa áárreeaa ddee rreesseerrvvaa lleeggaall 9. No que respeita à área de reserva legal, há uma distinção, pois a situação fática dos autos não se amolda com perfeição ao enunciado da Súmula CARF nº 41. Nesta parte, o lançamento fiscal não está motivado unicamente na falta de apresentação tempestiva do ADA, mas também lastreado no descumprimento de exigência legal relacionada à necessidade de averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. 9.1. Afigurase correta, portanto, a análise feita pela decisão de primeira instância. Com isso, adoto como razões de decidir os fundamentos extraídos do voto inserto no acórdão recorrido que guardam pertinência com a matéria sob exame: início da transcrição do voto contido no Acórdão nº 0326.768 Essa obrigação está prevista originariamente em lei, qual seja, na Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803/1.989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei nº 9.393/1.996 está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência – averbação à margem da matrícula do imóvel. (...) A Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.803/1989, determinava, no § 2º do art. 16, transcrito abaixo, que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. "Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10675.003459/200680 Acórdão n.º 2301005.982 S2C3T1 Fl. 559 21 vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." (sublinhouse) Inclusive, a legislação superveniente à Lei nº 4.771/1.965 (Código Florestal), com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.803/1989, manteve a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, como se depreende do art. 1º da Medida Provisória nº 2.166/2001, que, entre outros, deu nova redação ao art. 16 da Lei nº 4.771/65, assim dispondo: "Art. 16 (...) § 8.º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código." (sublinhouse) (...) Por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no já referido art. 144 do CTN, enquanto o art. 1º, caput, da Lei nº. 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1º de janeiro de cada ano. Na realidade, a averbação da área de reserva legal constitui um compromisso público firmado pelo proprietário do imóvel, de que aquela área será devidamente conservada, dando maiores garantias à preservação de uma área necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos sistemas ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e à proteção de fauna e flora nativas. (...) Assim, as áreas de utilização limitada/reserva legal somente serão excluídas de tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. (...) Dessa forma, a averbação da área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, do exercício de 1999, deveria ocorrer até 01/01/1999, data do respectivo fato gerador, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393/1996. Do exame da Certidão expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis da Comarca da Estrela do Sul, juntada às fls. 24, verificase que a averbação da área de reserva legal pretendida (150,0 ha) à margem da matrícula do imóvel, somente ocorreu em 28/10/2003, quatro dias após a celebração do Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas (ver fl. 25 dos autos), disto se podendo concluir que a providência de que se trata foi intempestiva para o exercício em questão. final da transcrição do voto contido no Acórdão nº 0326.768 CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Fl. 569DF CARF MF 22 10. Ante o exposto, VOTO por rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, a prejudicial de decadência, e no mérito, dar parcial provimento para excluir do lançamento a área de preservação permanente pleiteada (170,0 ha). (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 570DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.690835/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2002
MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE.
As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2002
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
Numero da decisão: 3201-005.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2002 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 08 35 /2 00 9- 80 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio, pela qual pretendeu quitar os débitos próprio, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido de Cofins. Apreciando o pedido formulado, a unidade de origem emitiu Despacho Decisório, no qual se pronunciou pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. Cientificada da solução dada à declaração de compensação apresentada, a insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Inicialmente, com base no art. 151, III, do CTN, assevera que o débito constante da não homologação da compensação está suspenso. Preliminarmente, alega que o despacho decisório foi recebido e assinado, via postal, por pessoa não credenciada e não habilitada (balconista) para receber qualquer correspondência da Insurgente. Ademais, articula que somente o representante legal, sócio gerente, poderia ter recebido tal correspondência, ainda mais por tratarse de intimação para pagamento. Corrobora seu entendimento citando o art. 215 do CPC e jurisprudência. Ademais, entendendo que a ciência do DD em tela assemelhase à intimação processual, e que a partir desta é que resta possibilitado o exercício do contraditório, não observados os lindes estabelecidos para tal ato foi cerceada a defesa da Manifestante e, assim, seria nulo o ato processual praticado. Tratando dos fatos, após longo relato acerca das normas e normativos envolvidos com o PER/DCOMP, ataca o mecanismo eletrônico denominado PER/DCOMP que sustenta ser verdadeiro empecilho para o fim de aproveitamento de crédito tributário decorrente de discussão judicial. Quanto à matéria de direito, aduz que a majoração de alíquota da COFINS decorrente Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 3 da Lei nº 9.718/98 é manifestamente inconstitucional e ilegal, contrariando, inclusive, princípios assegurados em sede constitucional, decorrendo de tal vício o crédito ora pleiteado pela Insurgente. Em complemento, sustenta que a Emenda Constitucional nº 20/98, posterior à supracitada lei, não teve o condão de validar os dispositivos desta que, ao tempo de sua entrada em vigor, eram desconformes à Constituição. De outra banda, escorandose na tese dos “cinco mais cinco”, sustenta que a Manifestante efetuou a repetição do indébito da COFINS dentro do prazo prescricional, atacando, pois, a interpretação introduzida pela Lei Complementar nº 118/05. Ante o que expõe, requer o provimento da Manifestação intentada para o fim de reformar o DD. Requer, por fim, observância da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consoante previsto no art. 151, III, do CTN. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16035.479. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta: que o crédito é liquído e certo, pela inconstitucionalidade dos dispositivos legais apontados; que o prazo para o pedido de restituição não teria sido ultrapassado, considerandose 5 anos para homologação, mais 5 anos para a prescrição do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.184, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.690838/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.184): "O recurso é tempestivo, cf envelope de postagem à fl. 56, e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 Delimitação do litígio Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 4 O fundamento do Despacho Decisório foi a ausência de disponibilidade do Darf apontado pelo contribuinte como crédito. Não se aplicou a prescrição do pedido, e portanto, não há interesse de agir nesta matéria. Embora a decisão recorrida tenha discorrido sobre a questão, também não a utilizou como fundamento, conforme o seguinte excerto (fl. 46): 5.3. Com isso, ainda que desimportante para o caso sub examine, tendo em vista que o presente PER/DCOMP foi apresentado dentro do prazo legal, tal entendimento não pode prosperar vez que, hodiernamente, revelase cabalmente superado. Assim, não conheço da matéria. 2 – Preliminar Ciência a pessoa não sócia A recorrente pede a nulidade da ciência do Despacho Decisório, por ter sido feita a balconista da empresa, e não a seus sócios. Tal matéria já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. As Turmas do Carf devem acompanhar as súmulas, cf. art. 72 do regimento interno. Desse modo, o pedido deve ser negado. 3 – Inconstitucionalidade da legislação pertinente O alegado crédito da recorrente teria duas origens: a a inconstitucionalidade da majoração de alíquota da Cofins, de 2% para 3% (art. 8º da Lei 9.718/98), por necessidade de Lei Complementar, e a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, cf. §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. É consabido que a ampliação da base de cálculo, no §1º do art. 3º, foi efetivamente afastada do arcabouço legal brasileiro, por decisão do Supremo Tributnal Federal (RE 346.084 e outros), por resolução do Senado, e revogada pela Lei 11.941/2009. A majoração das alíquotas, por outro lado, não foi considerada inconstitucional. As turmas do Carf não podem afastar previsão legal por inconstitucionalidade, cf. súmula: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 5 As exceções são previstas no artigo 62, as quais não se configuram para esta matéria. Pelo contrário, a majoração da alíquota foi considerada constitucional pelo STFno RE 527602, julgado no regime de repercussão geral (art. 543B do CPC/73). Copio a parte da ementa que é pertinenbte: PIS E COFINS – LEI Nº 9.718/98 – ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Portanto, não assiste razão à recorrente neste ponto. 4 – Certeza e liquidez do crédito A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Confirase a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Instruções Normativas posteriores mantém o mesmo teor. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 6 não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 7 compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. No presente caso, não houve retificação da DCTF, mas a recorrente invoca a certeza do crédito apenas brandindo as alegadas inconstitucionalidades. A recorrente não apresenta nenhuma comprovação material do crédito, mesmo depois de cientificada dessa exigência pela decisão recorrida. Desse modo, não há materialidade para o crédito, ainda que a tese da ampliação da base de cálculo, perpetrada pelo §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja inaplicável. Portanto, ausente a certeza e liquidez do crédito, conforme exigível pelo artigo 170 do CTN, o pedido deve ser negado. 5 Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria relativa à prescrição, e da parte conhecida, por negar provimento ao recurso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.690835/200980 Acórdão n.º 3201005.185 S3C2T1 Fl. 0 8 Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914793/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.886
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DILIGÊNCIA. Recorrente BLUE ANGELS SEGURANCA PRIVADA E TRANSPOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual a empresa declara a existência de crédito de PIS recolhido a maior. Uma vez que o valor do crédito declarado teria sido utilizado para quitar o valor do PIS do período, foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, em conformidade com a DIPJ do período, o valor devido de PIS para o período em análise foi inferior ao valor recolhido em DARF. A defesa apresentada foi negada por ausência de provas do crédito. Intimada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual complementaria as informações apresentadas com documentos que respaldariam seu direito ao crédito e os valores declarados na DIPJ, que estariam corretos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 79 3/ 20 08 -0 5 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.914793/200805 Resolução nº 3402001.886 S3C4T2 Fl. 3 2 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.875, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907293/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.874): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Considerando as informações acostadas aos autos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, entendo que há elementos que apontam para uma possível existência de direito creditório em favor do contribuinte sendo necessário, contudo, levantamento documental adicional para confirmar os fatos depreendidos destes autos. Senão vejamos. Como se depreende do Pedido de Compensação formulado, o crédito seria decorrente do pagamento a maior em DARF de PIS, de R$ 15.395,32 que, como indicado no pedido, seria relativo ao código de receita 6912 (PIS NÃO CUMULATIVO LEI 10.637/02). Contudo, observase que o DARF anexado aos autos, à efl. 101, do valor indicado no PER/DCOMP, tem o código de receita 8109 (PIS FATURAMENTO): Vejamse que o DARF traz como informação o valor da base de cálculo de R$ 931.231,75, alcançando um valor de PIS devido de R$ 15.365,32 pela aplicação de uma alíquota de 1,65%. Contudo, como indicado em seu contrato social, anexado aos autos (efl. 15) e na DIPJ 2003 retificadora (efl. 111), a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica a atividade de transporte de valores, vigilância e segurança privada. Vejamos pela cláusula terceira do contrato social da pessoa jurídica (efl. 15): Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.914793/200805 Resolução nº 3402001.886 S3C4T2 Fl. 4 3 Essas atividades são referenciadas no art. 10 da Lei n.º 7.102/1983 e expressamente excepcionadas da apuração do PIS pela sistemática não cumulativa, na forma do art. 8º, I, da Lei n.º 10.637/2002: Lei n.º 10.637/2002 "Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;" (grifei) Lei n.º 7.102/1983 "Art. 10. São considerados como segurança privada as atividades desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de: (Redação dada pela Lei nº 8.863, de 1994) I proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras e de outros estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança de pessoas físicas; (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994) II realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de carga. (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994)" (grifei) A manutenção do regime cumulativo para as pessoas jurídicas que se dedicam ao menos a uma das atividade identificadas na Lei n.º 7.102/1983 é indicada na solução de consulta COSIT n.º 345/2017: "14. Em face do exposto, concluise que: • a pessoa jurídica que realizar ao menos uma das atividades referidas na Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, estará excluída do regime não cumulativo e terá todas as suas receitas sujeitas a cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, submetendose às alíquotas de 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente; • considerase serviço de segurança, conforme o art. 10, II, da Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, o monitoramento à distância de veículos de carga." Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.914793/200805 Resolução nº 3402001.886 S3C4T2 Fl. 5 4 Portanto, a Recorrente, como empresa de segurança privada e vigilância está sujeita ao recolhimento do PIS na sistemática cumulativa (DARF no código de receita 8109) e não na sistemática não cumulativa da Lei n.º 10.637/2002 (DARF no código de receita 6912). Pela planilha acostada aos autos às efl. 100, a empresa busca evidenciar que a sistemática que teria adotado para apurar o valor de PIS devido em dezembro/2002 de R$ 15.395,32, na base de cálculo informada no DARF de R$ 931.231,75, foi a sistemática não cumulativa, ainda que tenha recolhido com o código DARF correto (8109). Vejamos o teor da planilha da efl. 100. Cumpre vislumbrar que o valor de faturamento indicado na planilha é o mesmo indicado na DIPJ retificadora apresentada. A empresa procedeu com as exclusões previstas para a sistemática não cumulativa e aplicou a alíquota de 1,65%. Contudo, sujeita à sistemática cumulativa, bastaria aplicar a alíquota de 0,65% sobre a receita bruta aferida, em conformidade com a Lei n.º 9.718/98. E essa foi a sistemática adotada na DIPJ 2003, na qual a Recorrente informa as receitas aferidas no campo "BASE DE CÁLCULO DA Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.914793/200805 Resolução nº 3402001.886 S3C4T2 Fl. 6 5 CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP FATURAMENTO", alcançando um valor de PIS devido de R$ 6.146,95 pela aplicação da alíquota da sistemática Cumulativa (0,65%), sobre a base de cálculo por ela informada (R$ 945.683,97). Vejamos o teor da DIPJ 2003 retificadora do mês de dezembro/2002 (efl. 139) Assim, vislumbrase que a documentação acostada pela empresa aos autos aponta uma possível existência de equívoco cometido quando da edificação do valor de PIS devido na competência de dezembro/2002, apurando pela sistemática não cumulativa (com a aplicação da alíquota de 1,65%) e não pela sistemática cumulativa a qual se sujeita. Em seu pedido de compensação, a empresa aparentemente buscou evidenciar o equívoco cometido ao indicar que o crédito seria decorrente de DARF com o código de receita da sistemática não cumulativa (6912). Contudo, observase que constam dos autos apenas planilha elaborada pela empresa e a DIPJ retificadora apresentada após o recebimento do despacho decisório. Não obstante esteja claro o equívoco cometido, não é possível identificar se o valor de PIS a pagar indicado na DIPJ retificadora está correto, sendo certo que não constam dos autos DACON do período, DCTF do período e documentos contábeis que respaldam os valores declarados. Ora, como bem salientado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034 "este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original". No presente caso, o erro cometido pelo sujeito passivo pode ser evidenciado pela planilha e pelo DARF acostado aos autos não sendo possível, contudo, atestar o direito creditório sem o respaldo das informações na documentação fiscal e contábil. Para confirmar a efetiva existência de recolhimento à maior, essencial que seja confirmado se o valor indicado de PIS devido na DIPJ retificadora (R$ 6.146,95) está correto para que seja confirmada o pagamento indevido originário de R$ 9.248,37, informado na DCOMP objeto do presente processo (R$ 9.218,37 efl. 8). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.914793/200805 Resolução nº 3402001.886 S3C4T2 Fl. 7 6 Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (DERAT São Paulo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.914793/200805 Resolução nº 3402001.886 S3C4T2 Fl. 8 7 Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.902907/2012-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA
Não se configurando as preliminares suscitadas pelo contribuinte, não há se falar em nulidade do auto de infração.
IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.
A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários.
Numero da decisão: 1003-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR AS PRELIMINARES arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se configurando as preliminares suscitadas pelo contribuinte, não há se falar em nulidade do auto de infração. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR AS PRELIMINARES arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.902907/201235 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.701 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 09 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente AIDA ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se configurando as preliminares suscitadas pelo contribuinte, não há se falar em nulidade do auto de infração. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal que se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo à compensação e/ou restituição do indébito fiscal. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratarse de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 29 07 /2 01 2- 35 Fl. 100DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR AS PRELIMINARES arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva –Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça –Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1263.196, proferido pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não conhecendo do direito creditório. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: "O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº de rastreamento 020784951 emitido eletronicamente em 03/04/2012, fl.5, referente à declaração de compensação Dcomp nº 23242.02928.210809.1.3.049000 transmitida com o objetivo de compensar o (s) débito (s) discriminado (s) na referida Dcomp com crédito de imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ, código 3373, do 3º trimestre de 2005, no valor original na data de transmissão de R$ 1.675,33, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/10/2005 (R$ 3.489,33). 2. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Assim, diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. 3. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 17/04/2012, conforme documento de fl.6, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls.2/4, em 16/05/2012, alegando, em síntese, que: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11020.902907/201235 Acórdão n.º 1003000.701 S1C0T3 Fl. 3 3 4.1. após análise criteriosa do IRPJ, com base no LALUR, constatou que o valor correto de imposto referente ao 3º trimestre de 2005, apurado pelo lucro real trimestral, era de R$ 2.002,00; 4.2. como o Darf pago fora de R$ 3.489,33, a diferença de R$ 1.858,75 foi objeto de compensação com débito de COFINS de junho de 2009; 4.3. na ocasião da transmissão da Dcomp foram atendidos a todos os critérios constantes na Instrução Normativa nº 900/2008, motivo pelo qual não há qualquer razão para que seu pedido não seja homologado. 5. É o relatório". Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por bem julgála improcedente e manteve o Despacho Decisório, cuja ementa da decisão segue transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando visa a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRPJ.CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Ante a falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório,não se homologa a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, com o objetivo de reforma da decisão, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, cujos argumentos, em síntese, foram: a) deve ser reconhecida a nulidade do lançamento, ante a suposta ausência de fundamentação jurídica e motivação, bem como a ocorrência de desvio de finalidade do despacho decisório, b) não foram respeitados os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; c) os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos é ilegal e inconstitucional por ofender os princípios constitucionais do nãoconfisco, razoabilidade e proporcionalidade, e, que, Fl. 102DF CARF MF 4 d) não houve observância do princípio da verdade material e da distribuição equitativa do ônus da prova. Por fim, a Recorrente requereu (trecho copiado de seu Recurso Voluntário): É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. I PRELIMINARMENTE Em suas razões recursais, a Recorrente lançou argumentos genéricos em sede de preliminar e afirmaóu que a decisão merece ser revista por, supostamente, ter o procedimento fiscalizatório ofendido diversos princípios constitucionais. Contudo, entendo que tais alegações são equivocadas e não merecem prosperar, conforme explicado a seguir. 1.1. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA E MOTIVAÇÃO Inicialmente, a Recorrente levanta a preliminar de nulidade do auto de infração ante a suposta ausência de fundamentação jurídica e motivação do despacho decisório. Ora, de acordo com o Despacho Decisório, a motivação está ali expressa, pois consta que, a partir das características do DARF descrito na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Assim, diante da inexistência comprovada do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Ademais, como enquadramento legal citouse os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também, não há se falar em falta de fundamentação jurídica. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11020.902907/201235 Acórdão n.º 1003000.701 S1C0T3 Fl. 4 5 Para que não paire dúvidas, segue copiado trecho do referido despacho decisório: Rejeitada, destarte, referida preliminar de nulidade do auto de infração ante a suposta ausência de fundamentação jurídica e motivação do despacho decisório. 1.2. DESVIO DE FINALIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Em seguida, a Recorrente, deixando claro o cunho protelatório de sua peça recursal, levanta a preliminar de ocorrência de desvio de finalidade do despacho decisório. Isso porque, de acordo com a Recorrente, tal despacho foi prolatado tão somente com o intuito de interromper a contagem do prazo decadencial do direito do Fisco de lançar o crédito tributário. Ocorre que, como bem se extrai do acórdão de piso, é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigando a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo, e, após, proferir despacho decisório homologando integral ou parcialmente a compensação declarada, ou ainda, não homologála, como aconteceu no caso analisado. Outrossim, conforme entendimento exarado pela Administração Tributária na Solução de Consulta Interna SCI nº 16 Cosit, de 18.07.2012, Despacho de Aprovação Cosit nº 20, publicada no D.O.U., de 03.08.2012, cujo trecho da ementa abaixo reproduzo, não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentada. Senão vejase: Fl. 104DF CARF MF 6 (...) "A homologação tácita de declaração de compensação, tal qual a homologação tácita do lançamento, extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período, a menos que, no caso da compensação de débitos próprios vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Todavia, não há previsão legal de homologação tácita de saldos negativos ou pagamentos a maior, devendo a repetição de indébito por meio de declaração de compensação obedecer aos dispositivos legais pertinentes. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito."(Grifouse) Assim, não acolho preliminar de ocorrência de desvio de finalidade do despacho decisório. 1.3. DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL Preliminarmente, é de se afastar as alegações de cerceamento de defesa em decorrência de suposto desrespeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Ao revés, vêse que tais princípios foram rigorosamente observados. No procedimento fiscal, embora singelo do ponto de vista procedimental, a descrição dos fatos ocorridos e a aplicação da norma de regência foram claros o suficiente para possibilitar à contribuinte a perfeita compreensão do ato administrativo. Podese constatar pelo simples fato da contribuinte ter sido capaz de identificar que a inconsistência localizavase na contradição entre o pleito repetitório e o débito declarado em DCTF. Da mesma forma, a decisão da instância de piso enfrentou os argumentos trazidos pela Recorrente. A DRJ, diante dos elementos trazidos aos autos, decidiu de forma fundamentada, aplicando a norma conforme exposto anteriormente, nos moldes dos incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal e determinações constantes no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Não se vislumbra no processo qualquer lesão ao contraditório, ampla defesa ou prejuízo ao direito de defesa da Recorrente. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11020.902907/201235 Acórdão n.º 1003000.701 S1C0T3 Fl. 5 7 1.4. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA APLICADA POR OFENDER OS PRINCÍPIOS DO NÃOCONFISCO, RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Recorrente questiona também, como preliminar, a constitucionalidade e legalidade da multa aplicada ante a alegação de ofensa aos princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade Porém, à autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou atos infralegais vigentes, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos a sua validade. No que se refere à valoração, em regra, o termo inicial da incidência dos juros de mora incidente sobre o valor do crédito referente ao pagamento indevido ou a maior é o mês subsequente ao do recolhimento. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica sofrem a incidência de acréscimos legais até a data de entrega do Per/DComp, na forma da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que determina: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Esta previsão legal consta no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, no art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, no art. 53 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, no art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e no art. 70 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 106DF CARF MF 8 Os direitos creditórios pleiteados foram integralmente utilizados para quitação dos débitos ali confessados e valorados nos termos da legislação de regência. Ademais, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa aplicada1, razão pela qual voto por não acatar a preliminar de que princípios constitucionais do nãoconfisco, razoabilidade e proporcionalidade foram inobservados. 1.5. NÃO OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA DISTRIBUIÇÃO DA VERDADE MATERIAL E DA DISTRIBUIÇÃO EQUITATIVA DO ÔNUS DA PROVA Ao contrário do afirmado pela Recorrente o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal foi obedecido e a juntada de documentos, mesmo após a apresentação da manifestação de inconformidade de forma a comprovar a existência do direito creditório alegado (art. 16 e art. 29 do Decreto. 70.236, de 06 de março de 1972). Porém, a Recorrente não o fez por sua própria opção. Quanto ao ônus da prova, entendo que na verdade, é do contribuinte a obrigação de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas (art. 170 do Código Tributário Nacional). A autoridade administrativa profere julgamento analisando os documentos carreados aos autos pela Recorrente. Nesse sentido, também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". Portanto, nesse aspecto, não há como prosperar o argumento da Recorrente. Assim, VOTO pela REJEIÇÃO de todas as PRELIMINARES arguidas, ante os fundamentos já expostos. II NO MÉRITO No mérito, ad argumentandum tantum, também não há razão para reforma do acórdão de piso. Conforme já relatado, o presente processo versa sobre a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. De fato, por meio do Despacho Decisório nº rastreamento 020784951, emitido eletronicamente em 03/04/2012, fl.5, não homologou a declaração de compensação Dcomp nº 23242.02928.210809.1..3.049000 transmitida com o objetivo de compensar o (s) débito (s) discriminado (s) na referida Dcomp com crédito de imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ, código 3373, do 3º trimestre de 2005, no valor original na data de transmissão de R$ 1.675,33, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/10/2005 (R$ 3.489,33). 1 Fundamentação: Art. 26 A do Decreto n° 70.235/72 e Súmula CARF n° 2. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11020.902907/201235 Acórdão n.º 1003000.701 S1C0T3 Fl. 6 9 Ora, pela análise dos autos, está claro que a Recorrente não acostou aos autos conjunto probatório robusto que comprovasse existência do crédito alegado, bem como possibilidade a retificação de suas declarações após proferido o Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada, apesar de ser dela o ônus probatório consoante já explicado anteriormente. Em verdade, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar documentalmente a existência de suposto erro de fato que desse guarida à retificação das declarações apresentadas, conforme já dito, pois a DIPJ juntada não é suficiente para tanto, por ser uma declaração meramente informativa, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF serão encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. Portanto, a DIPJ como elemento probatório que não supre a inércia da contribuinte em apresentar a escrituração contábil e fiscal, por ser uma prestação de informações unilateral que sequer está sujeita à revisão por parte da Administração Tributária Conforme inteligência da Súmula CARF nº 92, a DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário. De fato, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, incumbindolhe, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Nesta senda, a compensação válida pressupõe o encontro de valores líquidos e certos, inclusive, harmônicos com todos os registros e declarações do interessado, não podendo estar presentes incertezas e dúvidas para o cotejo de contas. Logo, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN2), concluise que não deve haver homologação da compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pela própria Recorrente. Que fique claro: o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN, naquele momento, o que não se deu aqui antes as divergências apontadas e não corrigidas, impossibilitando a comprovação de crédito informado nos PER/DCOMP. Lado outro, ainda que se tratasse de erro de fato, aquele erro, por exemplo, que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos, é certo que cabe à Recorrente o ônus de sua prova. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de 2 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 108DF CARF MF 10 ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, desde que devidamente comprovadas, e, como já foi dito, isso não ocorreu Tal ausência de comprovação, também, é incompatível com a retificação das declarações apresentadas pela Recorrente após a prolação do Despacho Decisório. Afinal, conforme dito, é importante registrar que a DCTF é confissão de dívida, que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. Ora, qualquer alteração da DCTF após o despacho decisório deve ser realizada com amparo de documentos fiscais suficientes para comprovar eventual erro anterior (Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015). Ademais, a determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A comprovação, portanto, é conditio sine qua non para admissão da retificação realizada, quando essa, como no caso dos autos, reduz tributos, sedo que em grau de recurso voluntário, a jurisprudência do CARF, na qual me filio, tem aceitado a juntada de documentos posteriormente à manifestação de inconformidade, desde que esclareça pontos fundamentais na ação. Contudo, a Recorrente não juntou nenhum documento ao recurso voluntário. No presente caso, observase que o interessado não trouxe à colação qualquer documentação, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que evidencie o suposto erro na apuração da base de cálculo do IRPJ, o que justificaria o recolhimento do imposto em valor superior ao declarado. Outrossim, é em razão do princípio da verdade material que a Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábilfiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter efetuado a homologação de ofício, uma vez identificada a correição das retificações realizadas. O contrário homologar a compensação sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações da DIPJ e DCTF não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como validar os créditos, e, por conseguinte, não pode ser identificada a liquidez e certeza dos créditos em discussão nestes autos (art. 170 CTN). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11020.902907/201235 Acórdão n.º 1003000.701 S1C0T3 Fl. 7 11 Ressaltase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados e a conclusão a que se chega e que não foram produzidos, no processo, elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciassem liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR AS PRELIMINARES arguidas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904123/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/COFINS. CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.534
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CRÉDITOS. RECEITAS DE VENDAS NÃO TRIBUTADAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EQUIPARAÇÃO. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, cabendo também o ressarcimento ou a compensação do saldo credor acumulado no trimestre nessas condições. No entanto, no caso das sociedades cooperativas, as exclusões da base de cálculo dessas contribuições previstas art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835 não representam a isenção sobre as vendas correspondentes, mas somente a redução no montante a recolher da contribuição. É incabível o ressarcimento de saldo credor das contribuições com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 na hipótese de receita de venda no mercado interno tributada. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 41 23 /2 01 1- 05 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre o Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativa vinculado à receita não tributada no mercado interno. Mediante o Despacho Decisório decidiuse pela homologação parcial da compensação declarada, não restando valor a ser ressarcido, sob os seguintes fatos e fundamentos, constantes no Relatório Fiscal: Ao contrário do crédito vinculado à Receita não Tributada no Mercado Interno, para o qual existe disposição expressa de autorização de ressarcimento (art. 17 da Lei nº 11.033, de 2005 e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2006), não existe qualquer previsão legal para a realização de ressarcimento de crédito (de PIS e Cofins) vinculado à Receita Tributada no Mercado Interno. A receita tributável (venda de fécula), mesmo após as deduções legais (no caso, repasses aos cooperados e custos agregados), não pode se enquadrar no conceito de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência, motivo pelo qual os créditos vinculados a essa receita só estão sujeitas ao desconto corrente ou manutenção para uso futuro em abatimento (art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/2003). As bases de cálculo negativas, geradas quando a soma dos valores de repasse aos cooperados (compra de raiz de mandioca) com os demais custos agregados são superiores aos valores das vendas tributadas (venda de fécula), não podem ser carreadas para os meses seguintes, de forma a reduzir as bases de cálculos futuras. O crédito presumido, calculado sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação do produto fécula de mandioca, está limitado à contribuição do mês e serve somente para dedução do valor devido de cada contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. De todos os custos, despesas e encargos informados pela cooperativa em seus Dacons os únicos que estariam vinculados tanto às Receitas Não Tributadas no Mercado Interno quanto às Receitas Tributadas no Mercado Interno seriam os relativos às Despesas de Energia Elétrica. Foi procedido ao recálculo dos créditos da não cumulatividade das contribuições dos períodos fiscalizados, dividindo as despesas de energia elétrica entre os tipos de crédito (vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno e às Receitas Não Tributadas no Mercado Interno), com base no rateio proporcional, cuja previsão consta dos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e alocando todos os outros custos, despesas e encargos integralmente para o crédito vinculado às Receitas Tributadas no Mercado Interno. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 4 3 A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório, alegando, em síntese: a) Na tributação do PIS e da Cofins o ato cooperativo é caso de não incidência e as exclusões das bases de cálculo dessas contribuições (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e art 17 da Lei nº 10.684/2003) decorrem logicamente da não tributação do ato cooperativo. b) O art. 16 da Lei nº 11.116/2005 assegura o direito ao ressarcimento dos créditos acumulados em relação às operações não tributadas (previstas no art. 17 da Lei nº 11.033/2004). O órgão fiscal deve também considerar (para efeito de aproveitamento desses créditos) as exclusões das bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. A Delegacia de Julgamento não acolheu as razões da manifestante, sob os seguintes argumentos principais: A requerente apura créditos vinculados a receitas tributadas/não tributadas no mercado interno. Assim, seus créditos objetos de pedidos de ressarcimento referemse às aquisições vinculadas a vendas de produtos sujeitos à alíquota zero no mercado interno, já que esses créditos são compensáveis e ressarcíveis. Por sua vez, os créditos vinculados a vendas tributáveis no mercado interno são apenas dedutíveis das contribuições a pagar, devendo ser mantidos na escrituração da contribuinte. A empresa só pode beneficiarse da norma do art. 16 da Lei nº 11.116/2004 se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). As receitas relativas à atividade de venda de amido/fécula estão sujeitas à tributação normal das contribuições, já as receitas relativas aos insumos agropecuários são tributados à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Assim, somente o saldo credor relativo às aquisições dos produtos agropecuários é que poderia ser ressarcido ou compensado com outros tributos, pois somente essa atividade (revenda de produtos agropecuários) subsomese à hipótese constante do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Assim é que inexiste reparo no entendimento aplicado pela fiscalização quanto à alocação dos créditos informados pela cooperativa nos Dacon. Os dispêndios relativos aos Bens Utilizados como Insumos estão diretamente ligados à Receita Tributada no Mercado Interno, já que se referem às aquisições dos bens/produtos utilizados como insumo no processo produtivo da fécula/amido. Já quanto aos outros dispêndios, é evidente a não vinculação com a revenda de produtos agropecuários para os associados da cooperativa, pois a própria denominação das rubricas (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda e Despesas com Encargos de Depreciação) deixa claro que esses custos, despesas e encargos referemse a equipamentos/serviços utilizados na atividade tributada (venda de amido/fécula). A contribuinte não contestou a forma de rateio das despesas de energia elétrica realizada pela fiscalização, sendo forçoso concluir que houve concordância tácita quanto a esse ponto. As sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência da Cofins como as pessoas jurídicas em geral nos termos da Lei nº 9.718/98, ou seja, as sociedades cooperativas passaram, também, a pagar a Cofins com base nas receitas provenientes de Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 5 4 operações com associados. Desse modo, como regra geral para a tributação das cooperativas, não é mais relevante a distinção entre receitas decorrentes de atos cooperados e de atos não cooperados, visto que a classificação não afeta a base imponível definida por lei. Refutase, dessa forma, a argumentação da interessada de que o ato cooperativo é caso de não incidência tributária. A efetivação das deduções legais (exclusões) das bases de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) não tem o condão de transformar uma receita de venda que era tributada em uma receita não tributada. Lendose o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158/35, de 2001, verificase que dentre as possibilidades legais de exclusão da base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) não se encontra prevista a de exclusão de base de cálculo negativa de meses anteriores. O simples fato de não haver restrição na legislação para o procedimento de transferência da base de cálculo negativa para ser descontada em meses subsequentes não autoriza que o mesmo seja realizado, posto que a fixação da base de cálculo de um tributo somente pode ser estabelecida pela Lei. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário, sustentando, em síntese: i) O ato cooperativo configura hipótese de não incidência tributária para fins de aproveitamento de créditos nos termos do que prescreve o art. 17 da Lei n° 11.033 de 2004. É assegurado às Sociedades Cooperativas o direito de manutenção dos créditos de PIS e COFINS, igualmente as demais empresas. O órgão fiscal também deve compreender as exclusões da base de cálculo da MP n° 2.15835/2001 e do art. 17 da Lei n° 10.684/2003 como autorizativas do aproveitamento de créditos. A exclusão, diferentemente, do ato cooperativo, deve ser analisada como isenção, mesmo que parcial. ii) São importantes para o julgamento os princípios da proporcionalidade e da moralidade administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.530, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10950.904119/201139. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.530): "A recorrente apenas repisa os argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, sem contestar especificamente os fundamentos utilizados pela decisão recorrida para refutálos, o que já seria suficiente para não Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 6 5 acolher a defesa da recorrente. Não obstante isso, a fim de se evitar futuras alegações de cerceamento do direito de defesa, passase a analisar a matéria abordada no recurso voluntário. O pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa sob análise está vinculado à receita não tributada no mercado interno e tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem, respectivamente: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Dessa forma, interessa ao pedido de ressarcimento sob tal fundamento somente os créditos vinculados às receitas do mercado interno de "vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência" da contribuição", devendo ser desconsiderados os créditos vinculados a receitas tributadas que podem apenas ser deduzidos das contribuições a pagar do período, eis que inexiste previsão legal de ressarcimento para estes últimos. No caso específico da recorrente, conforme decidido no despacho decisório e mantido na decisão recorrida, as receitas relativas às vendas de amido/fécula seriam tributadas, razão pela qual os créditos vinculados a elas não poderiam ser objeto do ressarcimento pleiteado. Por outro lado, no caso das receitas de venda no mercado interno de produtos agropecuários sujeitas à alíquota zero (art. 1º da Lei nº 10.925/2004) não houve tal Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 7 6 óbice quanto ao ressarcimento/compensação do saldo credor do trimestre dos créditos vinculados a essas receitas. Conforme entendimento constante na Solução de Divergência nº 1 Cosit1, de 21 de janeiro de 2019, as exclusões da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep tratadas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/20012 e no art. 11 da IN SRF nº 635/2006 1 Solução de Divergência nº 1 Cosit Data 21 de janeiro de 2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE DESCONTO DE CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.IMPOSSIBILIDADE. A exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, desde que previsto no art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006. Esses créditos não são passíveis de compensação com outros tributos ou de ressarcimento, exceto em caso de previsão legal específica. Dispositivos legais: MP nº 2.15835, de 2001 art. 15; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.684, de 2003 art. 17; Lei nº 11.033, de 2004, art.17; Lei nº 11.116, de 2005, art. 16; e IN SRF nº 635, de 2006, art. 23. (...) 11. Assim, cabe, primeiramente, examinar se as exclusões da base de cálculo aludidas nos incisos II e V do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, são compatíveis com a apuração de créditos de que tratam os incisos II e III do art. 23 da mesma IN. 12. Como se vê, a própria IN SRF nº 635, de 2006, ao mesmo tempo em que admite a exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado, bem como dos custos agregados a esse produto quando da sua comercialização, também autoriza o desconto de crédito em relação às aquisições de não associados de bens ou serviços utilizados como insumo e às despesas com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 13. Ao exame da questão mencionada, cumpre ressaltar que, conforme explicitado nos itens 8 e 9, os dispositivos em análise, apesar de elencados em uma Instrução Normativa, são derivados de Lei, possuindo base legal que fundamentam a sua existência. Também cabe ressaltar que não haveria lógica jurídica na reprodução na Instrução Normativa de dispositivos incompatíveis entre si. 14. Impende mencionar ainda que não há qualquer disposição na legislação vedando o creditamento após o ajuste da base de cálculo das contribuições com as exclusões legais permitidas. A vedação ao desconto de créditos somente pode ser feita nas hipóteses expressamente previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, no caso de pagamento de mão de obra a pessoa física e no caso da aquisição de bens que não sejam sujeitos ao pagamento das contribuições. 15. Importante registrar que o art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, admite o crédito em relação a bens adquiridos como insumos de não associados e não autoriza o crédito em relação à aquisição dos mesmos bens de associados. 16. É que a aquisição de bens de não associados é sujeita ao pagamento das contribuições pelos não associados na ocasião da venda do bem, enquanto a entrega do produto de associado à cooperativa não corresponde sequer a uma aquisição, eis que a propriedade do bem permanece na esfera do associado. Daí se concluir que não é cabível o crédito em relação à entrega do produto à cooperativa por associado. 17. Em suma, a exclusão de base de cálculo das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização do produto do associado não inibe a possibilidade do desconto de crédito em relação aos insumos dessas atividades, uma vez que a lei não traz nenhuma restrição à aplicação simultânea desses dois institutos, bem como que a própria IN SRF nº 635, de 2006, detalha, sem restrição, os créditos que podem ser descontados e as hipóteses de exclusão de base de cálculo das contribuições. 18. Resolvido o primeiro ponto e admitindose a possibilidade de desconto de créditos em relação a despesas utilizadas como exclusão da base de cálculo, resta definir se esse créditos podem ou não ser objeto de compensação com outros tributos e de ressarcimento. (...) 2 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 8 7 não são, em si, um obstáculo ao desconto de créditos em relação aos insumos dessas atividades, o qual poderá ocorrer nas hipóteses previstas na legislação. Da mesma forma a possibilidade de ressarcimento ou compensação de créditos acumulados pela cooperativa está condicionada à previsão na legislação, a qual pode, inclusive, beneficiarse no disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, como as demais pessoas jurídicas, em relação aos créditos vinculados às vendas não tributadas. A questão que interessa aos autos é que a recorrente quer que se considere como receitas isentas, ainda que parcialmente, para fins do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, as receitas relativas às vendas de amido/fécula, em face das exclusões da base de cálculo das contribuições (art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835), de forma a ser autorizado o ressarcimento/compensação em relação aos créditos vinculados a tais receitas. No entanto, as exclusões na base de cálculo das contribuições não acarretam a isenção das receitas dessas vendas. Diante da ausência de previsão legal específica em contrário, tais receitas de vendas são tributadas normalmente, não obstante, em face dessas exclusões, poderá o contribuinte ter um valor a recolher da contribuição menor do que o valor integral, que seria devido sem nenhuma exclusão. O que muda em face das exclusões é o valor a recolher da contribuição. É certo que a isenção somente ocorrerá com a previsão legal para determinado tipo de receita de venda, independentemente de eventuais valores excluídos da base de cálculo das contribuições e do valor a recolher para a contribuição. Nem há que se olvidar que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 referese expressamente às "vendas efetuadas com (...) isenção", razão pela qual pouco importa se o valor a recolher da contribuição no período resultar zero ou menor do que o valor integral. Nesse sentido foi o tratamento dado pela questão na Solução de Consulta n° 383 Cosit, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017, proferida nos seguintes termos: III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 9 8 Solução de Consulta Cosit n° 383/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, o art. 1° da Lei n° 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei n° 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Dispositivos Legais: Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 15; Lei n° 10.676, de 2003, art. 1°; Lei n° 10.684, de 2003, art. 17; Lei n° 11.033, de 2004, art. 17; e IN RFB n° 635, de 2006, art. 15. (...) 12. Em suma, a cooperativa, ao efetuar a venda de produtos a terceiros, aufere receita que compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No entanto, essa base de cálculo é ajustada mediante as exclusões previstas em lei. Em razão disso, exsurge a dúvida se tais exclusões permitem a manutenção, o ressarcimento e a compensação dos créditos apurados com fundamento no art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a tais operações. 13. Para o deslinde da questão, releva entender a natureza jurídica dessas exclusões da base de cálculo. Notese que tais exclusões não correspondem a uma retirada de parte da base de cálculo, que deixa de ser tributada. Na verdade, as referidas exclusões não correspondem a parte das receitas das cooperativas. A título de exemplo, tomemos a exclusão do valor repassado ao associado. Esse valor não corresponde ao valor de venda das mercadorias pela cooperativa; corresponde sim ao valor de aquisição dessas mercadorias (valor que o associado recebe). Não se está, portanto, retirando parte da receita das cooperativas do campo de incidência das contribuições. A receita continua no campo de incidência. O que se retira, na verdade, está na categoria de despesas, como o valor repassado ao associado. 14. Em outras palavras, toda a receita é tributada. O que se tem, na realidade, é uma redução do quantum debeatur do tributo, que não corresponde nem a isenção, nem a suspensão, nem a alíquota zero e nem a não incidência. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 10 9 15. Não se admite, portanto, que os créditos vinculados a essas operações das cooperativas possam ser mantidos e, consequentemente, ser compensados ou ressarcidos nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005. 16. Esclareçase, contudo, que nada obsta que a cooperativa, ao vender produtos sujeitos a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência não possa utilizar os créditos do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, vinculados a essas vendas, para fins de compensação ou ressarcimento. (...) Também a já mencionada Solução de Divergência Cosit nº 1/2019, ratifica esse entendimento: (...) 21. A questão que exsurge é se as exclusões da base de cálculo das cooperativas podem ser comparadas a isenção ou a outra forma de não tributação favorecida pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, de modo a permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos vinculados a essas receitas. 22. Tal questão foi pormenorizadamente examinada na Solução de Consulta Cosit nº 387, de 30 de agosto de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 12/09/2017 (disponível na íntegra no sítio eletrônico da RFB <http://idg.receita.fazenda.gov.br/>), o que vincula, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, o entendimento da RFB acerca da matéria. (...) 24. Resta, portanto, claro que as exclusões de base de cálculo realizadas pelas cooperativas não correspondem a isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, de modo que os créditos vinculados à receita de venda de cooperativas não podem, em regra, ser aproveitados para fins de compensação ou de ressarcimento. A exceção a essa regra seriam os créditos vinculados a receitas de exportação, a receitas decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ou a outras receitas a que a legislação especificamente autorize a compensação e o ressarcimento. (...) Por fim, quanto aos princípios e aos subprincípios mencionados pela recorrente, há que se esclarecer que, desde que legítima, como é o caso, a aplicação e a interpretação da legislação que acaba por acarretar menor valor de créditos a ressarcir à contribuinte do que o Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10950.904123/201105 Acórdão n.º 3402006.534 S3C4T2 Fl. 11 10 pretendido não representa lesão aos princípios da proporcionalidade ou da moralidade administrativa. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914110/2009-92
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade de Origem verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de CSLL, código 2372, do quarto trimestre do ano-calendário de 2001 no valor de R$9.410,31 contido no DARF de R$11.625,38 recolhido em 31.01.2002 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade de Origem verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de CSLL, código 2372, do quarto trimestre do anocalendário de 2001 no valor de R$9.410,31 contido no DARF de R$11.625,38 recolhido em 31.01.2002 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 21547.05536.290405.1.3.040205, em 29.04.2005, fls. 01 03, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2372, do quarto trimestre do anocalendário de 2001 no valor de R$9.410,31 contido no DARF de R$11.625,38 recolhido em 31.01.2002 apurado pelo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 11 0/ 20 09 -9 2 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 233 2 regime de tributação com base no lucro presumido, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 9.410,31 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.[...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada [...] Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 1628.131, de 01.12.2010, fls. 109113: PAGAMENTO INDEVIDO NÃO COMPROVADO. ALTERAÇÃO DE DCTF E/OU DIPJ APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF e/ou DIPJ retificadoras, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos 'declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF ou DIPJ deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF OU DIPJ, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 12.01.2011, fl. 114, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.02.2011, fls. 115128, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 234 3 A RECORRENTE é empresa atuante no ramo de construção civil, tendo como objetivo social as seguintes atividades: i) prestação de serviços diversos, na área da construção civil (projetos, planejamento, gerenciamento, administração e execução de obras), dentre eles, por exemplo: (5) pavimentação, terraplanagem, topografia, limpeza pública, sistemas de transporte, sinalização'viária/urbana/rodoviária, paisagismo, jardinagem; (b) sistemas de controle, operação e manutenção de trânsito e transportes urbanos, rodoviários, metroviários,ferroviário, estacionamentos, etc; (c) iluminação pública; (d) sistemas de fiscalização eletrônica, radares, monitoramento e processamento; ii) comércio de materiais necessários a suas atividades, que sejam afins, derivados e correlatos ao objeto social; iii) industrialização de materiais para sinalização, por terceiros, bem como podendo consorciarse com outras empresas em atividades definidas e isoladas, com objetivo de troca de tecnologia, comercial, industrial ou técnica. No exercício de suas atividades, boa parte das receitas auferidas pela RECORRENTE advém da prestação de serviços de construção civil à Administração Pública, contratados mediante processo licitatório. Em regra, por força desses contratos administrativos, a RECORRENTE é obrigada a fornecer materiais juntamente com a prestação desses serviços. Além desses contratos públicos (administrativos), a RECORRENTE também é contratada por particulares para a prestação dessa mesma espécie de serviços. No anocalendário 2001 a RECORRENTE apurou IRPJ trimestral pelo LUCRO PRESUMIDO. Para tanto, em relação à tributação dos serviços de construção civil, a RECORRENTE utilizou a presunção de 32% da respectiva receita para apurar o IRPJ devido em cada trimestre, o que foi declarado em sua DIPJ apresentada em 27/06/2002. Ocorre que, a RECORRENTE tomou conhecimento de diversas soluções de consulta proferidas pela RFB no sentido de que, quando houver fornecimento^ (emprego) de materiais na prestação dos referidos serviços, o contribuinte tem o direito de utilizar a presunção de apenas 8% da respectiva receita para apurar o IRPJ devido. Diante desse entendimento manifestado pela RFB em diversas consultas, em 0110412009 a RECORRENTE retificou sua DIPJ 2001/2002 [...], alterando o percentual de presunção do lucro presumido de 32% para 8% sobre as receitas que auferiu em 2001 na prestação de serviços de construção civil com fornecimento (emprego) de materiais. Com isso, no 4° trimestre do anocalendário 2001, a RECORRENTE apurou um crédito decorrente de IRPJ pago a maior apurado no valor total de R$ 117.270,15, da seguinte forma: . Uma vez apurado esse crédito, a RECORRENTE pleiteou o ressarcimento, mediante .compensação para a quitação de outros débitos tributários.(indicados›.a seguir), o que fez através de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMPS N n°s 21547.05536.290405.1.3.040205) apresentada à RFB em 29/04/2005, que instaurou o presente processo administrativo. [...] Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 235 4 II DAS RAZÕES RECURSAIS a) Da prova do fornecimento de materiais Segundo alegações da autoridade julgadora, que achou por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a empresa teria retificado DCTF e DIPJ após o recebimento do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas, que se deu em 03/03/09, o que não é verdade. Conforme se verifica da DIPJ retificadora e DCTF retificadora anexas, ambas foram retificadas antes do recebimento do mencionado despacho decisório, tendo sido remetidas em Janeiro de 2009, respectivamente, ou seja, quase dois meses antes da decisão que não homologou as compensações. [...] Esta verificação documental, se não realizada pela pessoa competente para análise da DCOMP, deveria ter sido exigida pela própria DRJ, a quem competia buscar comprovar a existência ou não do débito. Tal entendimento, sem dúvida, guarda amparo no princípio da busca pela verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal., Segundo esse, princípio, o julgador administrativo deve buscar incessantemente colher todos os elementos e/ou informações relacionadas com o fato gerador do tributo, para adequar o lançamento à verdade material. [...] Esse princípio decorre do caráter inquisitório do processo administrativo fiscal, que revela o poderdever que recai sobre os agentes da Administração Pública de efetuar o correto controle da legalidade de seus atos, devendo buscar a verdade dos fatos, uma vez que a obrigação tributária somente “surge com a ocorrência do fato gerador" (§ 1° do art. 113 do CTN). Como já destacado, ao prestar seus serviços de construção civil, a RECORRENTE forneceu materiais, especialmente em relação aos contratos firmados com a Administração Pública, contratados mediante processo licitatório. É o que se pode verificar da simples análise dos documentos ora acostados,»juntados por amostragem, [...] Por isso, a RECORRENTE faz jus à referida presunção de 8%, que inclusive foi constata por meio do anexo Laudo Contábil [...] elaborado pelos auditores contratados pela empresa. Assim, lhe deve ser dada a oportunidade para comprovar o fornecimento de materiais na prestação dos serviços de construção civil, seja por perícia contábil, seja por simples diligência. Assim, a RECORRENTE requer sejam feitas todas as diligências necessárias para a confirmação do ora alegado, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa, contraditório e busca da verdade real na hipótese de lhe ser negado esse direito. II. b) Da retificação das DCTF's Ao contrário do que afirma a r. decisão recorrida, a RECORRENTE retificou sim suas DCTF's referentes ao período de origem do crédito em questão, conforme comprovam as suas cópias anexas [...]. Vejase que a última DCTF retificadora foi apresentada à RFB em 29.01.2009, o que foi regularmente noticiado nos presentes autos. E nem se alegue que a retificação ocorreu apenas após a decisão indeferitória da DCOMP, o que impediria sua análise, pois a retificação da DCTF não interfere na Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 236 5 existência real do crédito. Nunca uma obrigação acessória pode determinar que existe ou não um tributo ou um crédito, pois quem dá nascimento a isso são os fatos e não as declarações.[...] II. c) Da homologação tácita (decadência) do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ Não bastasse o já exposto, cumpre ainda lembrar que, como é sabido, O fisco deve analisar os recolhimentos efetuados e as informações declaradas (créditos e débitos) pelo contribuinte no prazo legal, sob pena de homologação tácita do lançamento, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, [...] No presente caso, as informações declaradas pela RECORRENTE em sua DIRPJ original (em 29.06.2001) foram retificadas em 18.06.2003. Desse modo, fica evidente que já havia se operado a homologação tácita (decadência do direito do fisco) dessas informações (créditos e débitos) quando sobreveio o DESPACHO DECISÓRIO (em 03.03.09), diante do transcurso do prazo qüinqüenal, (i) seja contandose do fato gerador (mês a mês), (ii) ou do 1° dia do exercício seguinte (art. 173 do CTN), (iii) ou da entrega da DIPJ original, (iv) ou mesmo da entrega da DIPJ retificadora. [...] Desse modo, tendo em vista que a RFB se omitiu, ao deixar de investigar se as informações prestadas pela RECORRENTE em sua DIPJ (original e/ou retificadora) estão corretas no período de cinco anos, o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ encontrase tacitamente homologado. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: IV DOS PEDIDOS Por todo o exposto, a RECORRENTE requer o seguinte: i) preliminarmente, a realização de perícia contábil e/ou simples conversão do julgamento em diligência para confirmar o fornecimento de materiais na prestação dos serviços de construção civil em 1999, indicando neste momento como seu assistente técnico o Sr. EDUARDO JORGE DOS SANTOS, contador, inscrito no CRC sob o n° 1SP201851/07, com endereço profissional na Rua Alferes Magalhães, 92, Santana, São Paulo (SP), CEP: 02034006; ii) a intimação dos patronos da RECORRENTE para que lhes sejam facultada a sustentação oral das razões recursais; iii) que o presente RECURSO VOLUNTÁRIO seja conhecido e provido, a fim de reformar a r. decisão recorrida, que julgou improcedente a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE da RECORRENTE para fins de reconhecer os créditos em questão e homologar a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO apresentada pela REcoRRENTE; iv) por fim, requer que todas as intimações referentes ao processo em tela sejam feitas via postal e enviadas ao endereço da sede da empresa, na Rua Taguá, 206/2008, São Paulo (SP). Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 237 6 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. A previsão legal é de que o sujeito passivo seja intimado validamente no domicílio tributário por ele eleito (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 127 do Código Tributário Nacional e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nesse sentido determina a Súmula CARF nº 110 que "no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo", que é de aplicação obrigatória (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Logo, a pretensão aduzida pela Recorrente não está contemplada nas formalidades legais. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 238 7 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Sobre a atividade de construção por empreitada, a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, determina: Art. 2º O imposto de renda das pessoas jurídicas e a contribuição social sobre o lucro líquido serão determinados segundo as normas da legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, [...]; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 239 8 de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). [...] A legislação específica que subsumese ao caso concreto tratado nos autos, que é o exercício da atividade de construção por empreitada, inclui o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, que disciplina da matéria com base na legislação em vigor à época, da seguinte forma: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Posteriormente, foi editada a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que veio disciplinar de forma diferenciada o regime de tributação das pessoas jurídicas no seguinte sentido: Art.14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) I cuja receita total no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 2013) (Vigência) II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 240 9 III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). VII que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) [...] Art.17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] II em relação aos arts. 9° e 12 a 15, a partir de 1° de janeiro de 1999. A RFB interpretando toda a legislação tributária pertinente emitiu o seguinte entendimento no Manual de Perguntas e Respostas, Capítulo XIII – IRPJ – Lucro Presumido 20131, cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Nesse sentido, é cristalino que a partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido, tendo em vista a supressão legislativa da vedação. Por via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. 1 Disponível em : <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2013/Capitulo_XIII_IRPJLucroPresumido_2013.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2014. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 241 10 Especificamente em relação à atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal deve ser de (a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra ou de (b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais, conhecida como empreitada de lavor 2. É imprescindível discorrer ainda sobre o contrato de empreitada para o deslinde da questão controvertida. O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. É um contrato em que não há subordinação entre as partes e a remuneração é proporcional ao serviço executado. Esse não se confunde com o contrato de prestação de serviços, em que há uma parcela de subordinação entre o prestador e tomador e a remuneração corresponde ao tempo trabalhado. Do contrato de empreitada decorre a obrigação de resultado, cujos elementos são: (a) a prestação de serviços, relativa ao resultado remunerado, (b) o objeto, que é e obra concluída ou sua parcela, e (c) o consenso, em que as partes expressam sua vontade livremente, sem qualquer obstáculo. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O contrato para elaboração de um projeto não implica a obrigação de executálo, ou de fiscalizarlhe a execução. No caso em que o empreiteiro fornece os materiais, correm por sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a contento de quem a encomendou, se este não estiver em mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrão os riscos. Se a obra constar de partes distintas, ou for de natureza das que se determinam por medida, o empreiteiro terá direito a que também se verifique por medida, ou segundo as partes em que se dividir, podendo exigir o pagamento na proporção da obra executada. Tudo o que se pagou presumese verificado. O que se mediu presumese verificado se, em trinta dias, a contar da medição, não forem denunciados os vícios ou defeitos pelo dono da obra ou por quem estiver incumbido da sua fiscalização. Concluída a obra de acordo com o ajuste, ou o costume do lugar, o dono é obrigado a recebêla. Poderá, porém, rejeitála, se o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados, ou das regras técnicas em trabalhos de tal natureza 3. A partir de 01.01.1999 a pessoa jurídica que se dedica à execução de obras da construção civil a contratação por empreitada pode optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido e o coeficiente para determinação com fornecimento unicamente de mão de obra exclusivamente é de 32% para IRPJ e CSLL e na modalidade total com fornecimento de mão de obra e todos os materiais indispensáveis à sua execução que ali são incorporados é de 8% para IRPJ e 12% para CSLL (art. 15 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 14 da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998). 2 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 5º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. 3 Fundamento legal: arts. 610 a 626 do Código Civil. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 242 11 No que se refere a possibilidade de retificação da DCTF depois da transmissão do Per/DComp e da ciência do despacho decisório, o Parecer Normativo Cosit n° 2, de 28 de agosto de 2015, prevê: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF original ou retificadora que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6o do art. 9º da IN RFB n°1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação,respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n° 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9°A da IN RFB n° 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n° 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 243 12 f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo n° 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 244 13 comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Temse que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, cujo efeito é a preclusão. Diferentemente em relação a juntada de conjunto probatório em sede de segunda instância de julgamento há que ser observado que na apreciação da prova, a autoridade julgadora forma livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, conforme o princípio da persuasão racional (art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a integral alocação integralmente para quitação de débito da Recorrente, não restando crédito disponível para restituição. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados de plano, pois os elementos de prova produzidos no processo, tais como memórias de cálculo e cópias de Notas Fiscais e do Contrato de Constituição de Consórcio que fazem entre si Meng Engenharia Comércio e Indústria Ltda., Sinalizadora Rodoviária Ltda. Sinarodo e Sintran Sinalização de Trânsito Industrial Ltda. não evidenciam de forma categórica a liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de CSLL, código 2372, do quarto trimestre do anocalendário de 2001 no valor de R$9.410,31 contido no DARF de R$11.625,38 recolhido em 31.01.2002 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das informações constantes no Per/DComp, do valor correto indicado na DIPJ em cotejo com a DCTF retificadora (Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015), com as Demonstrações de Resultados do período e com a identificação da inexatidão material contida nas declarações originais referentes ao período objeto de exame, cujas cópias devem ser juntadas aos presentes autos. Ainda os autos devem ser instruídos, se houver, com a relação dos pagamentos efetuados no período e o Per/DComp em que foi utilizado o direito creditório pleiteado em outro processo administrativo, se for o caso. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de CSLL código 2372, do quarto trimestre do anocalendário de 2001 no valor de R$9.410,31 contido no DARF de R$11.625,38 recolhido em 31.01.2002 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.914110/200992 Resolução nº 1003000.049 S1C0T3 Fl. 245 14 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes4 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.900267/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13971.900250/2008-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13971.900250/200871, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 02 67 /2 00 8- 29 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP nº 17362.43220.180504.1.3.040318,. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de PIS no montante de R$ 5.131,92. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no montante original na data de transmissão de R$ 2.792,79, decorrente de DARF (Cód. 2484) recolhido em 30/07/1999. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, concluiu que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que na DIPJ/2000 foi apurado saldo negativo de IRPJ e, portanto, o recolhimento do DARF, declarado no PER/DCOMP, a título de estimativa mensal de IRPJ foi indevido. No mais, a contribuinte afirma que se equivocou ao preencher o PER/DCOMP, tendo em vista que declarou seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando, na realidade, deveria ter declarado saldo negativo. Em sessão de 20 de abril, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0728.438. Em vista do disposto na Portaria SRF nº 1.364/2004, vigente à época, o acórdão ficou dispensado de conter ementa. A DRJ/FNS não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) diante das informações constantes da DIPJ, inferese que o crédito da interessada corresponde a saldo negativo de IRPJ, entretanto a apuração de prejuízo ao final do ano calendário não torna inexigíveis, retroativamente, os débitos de estimativa mensal de IRPJ; (ii) caberia à interessada apresentar regularmente uma nova DCOMP informando corretamente a natureza do crédito. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e reforçou suas razões de defesa no sentido de que, como a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 1999 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 4 3 era negativa, não há imposto a pagar. Logo, o valor recolhido a título de estimativa mensal representa crédito de tributo em favor da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.824, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº13971.900250/200871, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.824): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte indicou a existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 5 4 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 6 5 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado No presente caso, a Recorrente afirma ter apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999 e que, portanto, os pagamentos efetuados a título de IRPJ ao longo do ano de 1999 seriam indevidos. Alega que se equivocou no preenchimento do PER/DCOMP ao declarar seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando se tratava de saldo negativo. A DRJ, por sua vez, apesar de ter constatado que houve apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL na DIPJ/2000, concluiu que a Recorrente deveria ter apresentado uma nova declaração de compensação informando corretamente a natureza do crédito. Contudo, entendo que tal conclusão não merece prosperar. Cumpre consignar que a questão sobre a possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 1999 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 1999, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante ao presente: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 8 7 de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017). Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 10 a 15 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13971.900267/200829 Acórdão n.º 1201002.828 S1C2T1 Fl. 9 8 Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000216/2005-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Considerando que no acórdão recorrido e no acórdão paradigma consignou-se que houve o pagamento incentivado (DARF), há similitude fática para conhecimento do recurso especial.
LUCRO IN FLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI N° 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA.
Comprovado que o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei n° 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, a partir daquela data, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada.
Numero da decisão: 9101-004.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Considerando que no acórdão recorrido e no acórdão paradigma consignou-se que houve o pagamento incentivado (DARF), há similitude fática para conhecimento do recurso especial. LUCRO IN FLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI N° 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei n° 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, a partir daquela data, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada.
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RECURSO ESPECIAL. Considerando que no acórdão recorrido e no acórdão paradigma consignouse que houve o pagamento incentivado (DARF), há similitude fática para conhecimento do recurso especial. LUCRO IN FLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI N° 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei n° 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, a partir daquela data, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 02 16 /2 00 5- 47 Fl. 303DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo julgado pela 3ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte (acórdão 180301.136). Destacase a ementa deste acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada. Recurso Provido. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 03/02/2012 (fls. 254) que opôs embargos de declaração sustentando omissão no acórdão da Turma a quo. Em acórdão (1803001.503, fls. 261), a 3ª Turma Especial rejeitou os embargos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Devem ser rejeitados, os embargos declaratórios quando inexistente no Acórdão omissão apontada pela Embargante no acórdão alvejado (Art. 65 do RICARF), que deve permanecer tal como foi lavrado, e o inconformismo da parte embargante deve ser manifestado pela via recursal própria conforme determina o Processo Administrativo Fiscal. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 9101004.100 CSRFT1 Fl. 304 3 Os autos foram remetidos à Procuradoria em 30/11/2012 (fls. 265/266), que interpôs recurso especial em 04/12/2012 (fls. 267). Em citado recurso, sustenta a divergência na interpretação da lei tributária a respeito da realização integral da cota única do lucro inflacionário, para fins de constatação da decadência, sendo apresentado um único acórdão paradigma (acórdão nº 10808114). O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção (conselheiro André Mendes de Moura) decidiu pelo conhecimento do recurso especial (fls. 279). O contribuinte foi intimado quanto ao acórdão recorrido, recurso especial e decisão sobre a admissibilidade do recurso em 06/08/2015 (fls. 288), apresentando contrarrazões ao recurso em 20/08/2015. Em síntese, pede a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Na reunião de março de 2019, esta Turma da CSRF julgou caso muito semelhante, tratando da decadência para lançamento diante da realização incentivada do lucro inflacionário, quanto ao mesmo contribuinte. O acórdão ainda não foi formalizado, mas será com a numeração 9101004.080, tendo sido relator o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1999 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI N° 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei n° 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada. Na oportunidade, esta Turma entendeu por “conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento.” Esclareço que a situação é idêntica, tendo inclusive o recurso da Procuradoria adotado o mesmo acórdão paradigma (10808114) e o acórdão recorrido nos presentes autos adotado as razões de decidir que fundamentaram o processo 10140.00002/200490. Nesse sentido, extraise do voto condutor (fls. 249): Fl. 305DF CARF MF 4 E, para o deslinde da questão peço vênia para trazer a colação julgamento do processo nº. 10140.000002/200490, que também tem a Recorrente como sujeito passivo, proferido pela 1ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF na sessão de 04/08/2011, que teve como relator o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro e que proferiu o Acórdão nº 140100.643 entendendo “por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1999 LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INCENTIVADA INTEGRAL EM QUOTA ÚNICA. ART.31, V, DA LEI Nº 8.541/92. DECADÊNCIA RECONHECIDA. Comprovado que em 29/12/1994 o contribuinte optou pela realização incentivada do lucro inflacionário acumulado até 31/12/92, mediante recolhimento em quota única à alíquota de cinco por cento, nos termos do artigo 31, V, da Lei nº 8.541/92, caberia ao Fisco, no prazo decadencial de cinco anos, constituir o crédito tributário relativo à diferença supostamente apurada.” O assunto da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF é exatamente igual ao dos presentes autos e demonstra que a Recorrente manteve a mesma linha de conduta em relação a não oferecer o saldo de lucro inflacionário à tributação agora para os anos calendário de 2000 e 2001. Diante disso, reproduzo a seguir o voto do Conselheiro Demetrius Nichele Macei, reiterando o meu entendimento manifestado à ocasião, para conhecer o recurso especial e negarlhe provimento: Conhecimento Adoto as precisas razões do Conselheiro Demetrius Nichele Macei para conhecimento do recurso (acórdao nº 9101004.080) Conforme o despacho de admissibilidade atestou (p. 190/191), o recurso especial da Procuradoria (p. 183/186) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, não havendo, inclusive, questionamento pela parte recorrida em contrarrazões (p. 199/205) no tocante à admissibilidade do recurso, motivo pelo qual concordo e adoto as razões do i. Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Ademais, compulsando o teor do acórdão paradigma, em cotejo ao recorrido, verifico que são situações praticamente idênticas. No recorrido, conforme relatório acima, a origem da autuação se deu de forma automática, mediante revisão interna da RFB, com base no SAPLI. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 9101004.100 CSRFT1 Fl. 305 5 Também no paradigma, o contribuinte apresenta posteriormente a Guia DARF de recolhimento, que serve para consumar a opção pela cota única de realização do lucro inflacionário, opção esta fundamental para estabelecer o marco inicial do prazo decadencial em discussão: (...) Deste cotejo, a meu ver, no entendimento do Acórdão Recorrido, os registros do SAPLI seriam suficientes para constatar que o contribuinte optou pela realização incentivada e a manifestação prévia do contribuinte seria mandatória. Por outro lado, aplicado o entendimento do Acórdão Paradigma, o SAPLI por si só é hábil para a autuação, devendo o contribuinte provar o contrário, se quiser. Lembro sendo o tema central do Recurso a Decadência, a discussão da prova é inevitável para verificar se a mesma ocorreu ou não. Mesmo assim, não acredito que estejamos aqui realizando propriamente reexame de matéria probatória, mas sim verificando a valoração que os acórdãos (recorrido e paradigma, respectivamente) deram à prova apresentada. Desta forma, entendo que os acórdãos são divergentes na solução data a cada caso, e cabe a esta Turma definir qual das soluções é a mais adequada, frente à legislação e aos seus próprios precedentes. Mérito Tendo conhecido o recurso especial, voto por lhe negar provimento, nos termos da jurisprudência desta Turma. Nesse sentido, é o acórdão 9101003.252, relatado pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 LUCRO INFLACIONÁRIO. ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO ANTECIPADA PELA CONTRIBUINTE, COM ALÍQUOTA INCENTIVADA. REFLEXOS QUANTO À DECADÊNCIA. 1 Apesar da possibilidade de haver decisões diferentes sobre decadência diante de uma base fática comum, o acórdão recorrido acertou ao decretar a decadência para o crédito tributário exigido nos presentes autos. Há duas razões para esse acerto. 2 A tributação não recaiu sobre o lucro inflacionário que foi apurado pela própria contribuinte. A Fiscalização promoveu alterações no cálculo do lucro inflacionário, e, nesse caso, a contagem da decadência não tem início apenas no período em que o lucro inflacionário deveria ter sido realizado (1997, 1998 Fl. 307DF CARF MF 6 e 1999). As alterações na apuração do lucro inflacionário são relativas ao anocalendário de 1993, e não mais poderiam ser feitas nem no anocalendário 2000 (lançamento contido no processo nº 10845.003663/9948), e nem em 2003 (lançamento sob exame). 3 – a contribuinte fez opção pela realização antecipada do lucro inflacionário em janeiro de 1993, com a alíquota incentivada de 5% (Lei 8.541/1992, art. 31), para a quitação em cota única de todo o saldo de lucro inflacionário que ela entendia ter acumulado em períodos anteriores. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Súmula CARF nº 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Nesse sentido, também se manifestou este Colegiado, no acórdão 9101 004.080, reproduzindose o voto condutor, do Conselheiro Demetrius Nichele Macei, tratando do mesmo contribuinte, em julgamento realizado em reunião de março de 2019: Vejamos, portanto, a legislação que rege a realização do lucro inflacionário no período objeto do auto de infração em discussão art. 31, da Lei nº 8.541/92: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do períodobase. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 9101004.100 CSRFT1 Fl. 306 7 § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subsequente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. (grifei) O dispositivo legal, acima transcrito, é muito claro: a realização do lucro inflacionário diferido ocorrerá à opção do contribuinte: se optar por uma fração para a realização do lucro inflacionário diferido (incisos I a IV, do art. 31), mensalmente deverá apontar o lucro inflacionário realizado e aplicar a respectiva alíquota, conforme a opção, para apurar o tributo devido; poderá, contudo, optar pela cota única e, desta forma, realizar todo o lucro inflacionário em uma única oportunidade. Importante ressaltar que os §§ 1º e 2º tratam apenas da correção pela Ufir; já o § 3º está afirmando que a tributação do lucro inflacionário será considerado como de tributação exclusiva e, por fim, e, por fim, o § 4º assevera que a opção do contribuinte é irretratável e se aperfeiçoara com o pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado. O contribuinte, em mais de uma oportunidade, inclusive na apresentação de suas contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria, anexou parte do Lalur, Parte B (p. 64, 125,164 e 206) onde apurou o IR a pagar, bem como do DARF de pagamento (p. 63, 123, 165 e 207), código 3320 – IRPJ – Lucro Inflacionário, pago em 29.12.1994, para demonstrar que sua opção era realizar e pagar o imposto sobre o lucro inflacionário em quota única, à alíquota de cinco por cento, em 31 de dezembro de 1994. A fiscalização desconsiderou essas informações e, em 2003, por ocasião da lavratura do auto de infração, partindo do SAPLI, na parte de controle do lucro inflacionário, apontou a existência de diferença de lucro inflacionário em relação aos controles do contribuinte. Consequentemente, entendeu pelo não oferecimento à tributação, pelo contribuinte, de lucro inflacionário ainda existente, diferido e, portanto, pendente de tributação, o que justificaria a lavratura do auto de infração. No v. acórdão da DRJ, de p. 141/144, extraise a seguinte constatação: Fl. 309DF CARF MF 8 Segundo o Demonstrativo do Lucro Inflacionário extraído do SAPLI (f. 02 a 06), sistema que, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil controla o diferimento e as realizações do lucro inflacionário, a partir dos valores informados nas declarações de imposto de renda (DIRPJ/DIPJ), eventualmente alterados pelas malhas fiscais, o lucro inflacionário acumulado objeto da autuação é oriundo de saldo de 1979. Como visto nesse demonstrativo, em 1994 houve, de fato, realização incentivada de R$ 603.822,00, segundo a Lei n. 8.541/1992. Ocorre que tal realização (de apenas 62,9085%) não fez com que o saldo do lucro inflacionário fosse “zerado” como alegou a contribuinte. Restou, inda, um saldo de lucro inflacionário a realizar de R$ 356.020,00 que, corrigido, montou em R$ 435.982,09 em 31 de dezembro de 1995, motivo da autuação (realização mínima de 10% desse saldo nos anos subsequentes). Ou seja, a própria DRJ constatou que o contribuinte teve a intenção de realizar todo o saldo de lucro inflacionário, mas tal realização limitouse a “62,9085%”. Posta a questão, com a devida vênia, correto o v. acórdão recorrido ao reformar a decisão de piso e cancelar o auto de infração. Se, em 1994 o contribuinte fez a opção pelo pagamento integral do IR devido sobre lucro inflacionário diferido, controlado no LALUR e, admitindose que, por um lapso, restou uma diferença não oferecida à tributação, não é possível admitir que, em 2003, o Fisco use o SAPLI em relação ao saldo existente em 31.12.1994 e, à vista dessa diferença de lucro inflacionário diferido, possa fazer a tributação pelo IRPJ, referente ano ano calendário 99, exercício 2000, sem observar a regra geral de decadência em matéria tributária – art. 173, I do CTN, notadamente porque já em 1995 teve ciência da intenção do contribuinte de pagar todo o IR devido sobre lucro inflacionário diferido em quota única. Vejase constatação feita no v. acórdão recorrido: No entanto, nesta análise não se pode olvidar que no demonstrativo SAPLI cosnta informação explícita sob o título “Realização incentivada – Lei 8541/92”, o que leva à conclusão de que o Fisco federal tinha conhecimento de que o contribuinte optara por alguma das formas de realização estabelecidas na Lei nº 8.541/92, que poderia, inclusive, ter sido aquela prevista no art. 31, V, da Lei nº 8.541/92. Assim, mesmo considerando que o contribuinte poderia ao longo dos anos realizar percentual acima do mínimo estabelecido na legislação, é inegável, à luz das informação do SAPLI, que a Receita Federal identificou que o contribuinte havia optado pela realização incentivada. Logo, até mesmo em razão da possbilidade da realização integral, deveria no mínimo, caso a declaração de rendimetnos da época não permittisse extrair tal informação, ter intimado o contribuinte a prestar so devidos esclarecimentos. Caso constatasse que de fato a opção, Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10140.000216/200547 Acórdão n.º 9101004.100 CSRFT1 Fl. 307 9 irretratável nos termos do parágrafo quarto da Lei nº 8.541/92, houvesse sido realmente a integral á base de cinco por cento, caberia no prazo decadencial proceder à constituição do crédito tibutário relativo à suposta diferença do saldo do lucro inflacionário. O período de apuração da efetiva realização do lucro inflacionário do contribuinte deuse em 31.12.1994 (termo a quo), momento em que efetivamente optou pelo pagamento em quota única, demonstrado pelo Lalur, Parte B e pelo DARF de pagamento (efls 49 e 50), estando, portanto, correto o v. acórdão recorrido ao reconhecer a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário. Adotando as razões do acórdão acima referido, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusão Diante destas razões, voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 311DF CARF MF
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