Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10670.001272/2006-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Trata-se de vicio material e não mero erro formal.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: 9101-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e, João Carlos de Lima Júnior. Ausente momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Trata-se de vicio material e não mero erro formal. Recurso Especial Negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10670.001272/2006-91
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351509
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.705
nome_arquivo_s : Decisao_10670001272200691.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10670001272200691_5351509.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e, João Carlos de Lima Júnior. Ausente momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5476326
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815072321536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2097; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10670.001272/200691 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.705 – 1ª Turma Sessão de 18 de julho de 2013 Matéria LANÇAMENTO DE OFICIO. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EMPRESA REGULARMENTE EXTINTA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TERRA INSUMOS AGROPECUARIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO CONTRA EMPRESA EXTINTA REGULARMENTE. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A extinção regular da pessoa jurídica, e o cancelamento anterior de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Tratase de vicio material e não mero erro formal. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima e, João Carlos de Lima Júnior. Ausente momentaneamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 12 72 /2 00 6- 91 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, cientificada do Acórdão 140100.377, que negou provimento ao recurso de oficio em processo de interesse da empresa TERRA INSUMOS AGROPECUARIOS LTDA., proferido na sessão de 11/11/2010 da Primeira Turma da Quarta Câmara da Primeiro Seção deste Conselho, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno da CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. O Recurso Especial teve seguimento conforme Despacho 140100.394, às fls. 270 e seguintes, assim redigido (verbis): O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: “ILEGITIMIDADE PASSIVA. LANÇAMENTO NULO. É materialmente nulo, por erro na identificação do sujeito passivo, o lançamento efetuado contra pessoa jurídica extinta por liquidação voluntária ocorrida e comunicada à RFB antes da lavratura do auto de infração. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Deve ser excluída a sujeição passiva dos sócios, na condição de responsáveis, diante da ausência de demonstração do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal e da ausência de prova da atuação dolosa dos sócios, que com seus procedimentos teriam agido com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto.” Como a própria ementa anuncia, o lançamento foi declarado nulo em razão de a sociedade encontrarse à época regularmente extinta. Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, consubstanciada no seguinte julgado: “CSLL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS LIMITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Não configura erro na eleição do sujeito passivo da obrigação principal, a formalização da exigência em nome da sociedade extinta, ainda que a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação tributária principal seja atribuída ao sócio, nos termos do inciso VII, do artigo 134, do CTN. A partir de 01/01/1995, a parcela da base de cálculo negativa da contribuição apurada pelo contribuinte poderá ser utilizada nos períodos seguintes, obedecido o limite de 30%, calculado sobre a base positiva do período da compensação. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10514.234, de 16/10/03)” Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 4 3 Do respectivo voto vencedor do acórdão paradigma, confirmase a divergência de interpretação suscitada, haja vista a tese firmada no sentido de que a liquidação não retira da sociedade a condição de contribuinte, devendo os tributos serem dela exigidos. “(...) Apesar de distintos os contextos em que foram lavrados os autos de infração de que cuidaram os acórdãos em confronto, o que importa na presente análise é verificar se há divergência entre teses jurídicas. Da leitura das decisões é possível, neste juízo de cognição sumária, concluir afirmativamente. Enquanto, diante de erro na identificação do sujeito passivo, pelo acórdão recorrido declarouse a nulidade, pura e simplesmente; nos acórdãos paradigmas, a nulidade foi qualificada como sendo oriunda de vício formal, o que à luz do CTN produz consequências outras. Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e 4.3 da Ordem de Serviço CARF nº 01, de 22/10/09, seja ADMITIDO o recurso especial interposto. (...)” (Grifei). Cientificado, fls. 275 e seguintes, o Representante do contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. Os autos foram encaminhados à CSRF e o processo distribuído, a este Relator. É o breve relatório. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva – Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de Recurso Especial em face de Acórdão que negou provimento a recurso de oficio, confirmando a nulidade de auto de infração lavrado contra pessoa jurídica extinta, uma vez que os responsáveis já haviam regularmente comunicado à Receita Federal essa a extinção voluntária antes do início da ação fiscal. A decisão de primeira instância já havia constatado a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, por isso cancelou o lançamento de oficio. Pois bem. A partir da análise distrato social de sociedade limitada, de fls. 80/81, devidamente arquivado na Junta Comercial de Minas Gerais em 14/06/2005 (fl. 81), constatase, que na data de formalização do lançamento em 25/09/2006 (AR da ciência do auto de infração, fls. 173), a empresa indicada como sujeito passivo do lançamento estava efetivamente liquidada e extinta naquele momento. Observase, também, que desde 23/08/2006, quando a fiscalização recebeu os documentos de fl. 79/82 enviados pela contribuinte, em resposta ao "Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento", encaminhado para o sócio Antônio Carlos Feres Barbosa, acima qualificado, o Fisco manifestouse expressamente ciente do fato de que a autuada tratavase de empresa regularmente extinta, porque seu representante legal apresentou a "Certidão de Baixa de Inscrição no CNPJ", com data da baixa em 14/06/2005. Portanto, a extinção da empresa e o encerramento das suas atividades não foram questionados em momento algum pela fiscalização. Logo, tal qual asseverado desde a decisão de 1a. instância, a autoridade fiscal não poderia formular o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, fazendo constar como sujeito passivo uma empresa extinta, que subsistiu somente até o final da liquidação, em 14/06/2005, data anterior ao lançamento, formulado em 25/09/2006, sem fazer prova da responsabilidade do representante da pessoa jurídica nos casos decorrente da incidência no artigo 124 e 135 do CTN. Em conseqüência, os lançamentos formalizados contra essa pessoa jurídica após a sua extinção de fato e de direito e a responsabilização do sócio sem a prova necessária, configuramse vícios insanáveis, por inexistir o pólo passivo da relação jurídicotributária. Nesse sentido é majoritário o entendimento dos colegiados, conforme se verifica nas ementas abaixo transcritas: “LANÇAMENTO FORMALIZAÇÃO CONTRA EMPRESA EXTINTA ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A extinção da pessoa jurídica, por qualquer forma que seja (incorporação, cisão ou distrato, para exemplificar) e o Fl. 289DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10670.001272/200691 Acórdão n.º 9101001.705 CSRFT1 Fl. 6 5 cancelamento de sua inscrição no CNPJ tornam inábil lançamento sobrevindo a tal ato por evidente erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária dada como ocorrida "(Acórdão n° 10321.959, Sessão de 18/05/2005, Relator:Victor Luis de Salles Freire. Unânime) DISSOLUÇÃO RREGULAR DE PESSOA JURÍDICA ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Anulamse os lançamentos efetuados em nome de pessoa jurídica que se encontrava extinta, desde o início da ação fiscal, inclusive. Processo anulado. (Acórdão 2° Conselho de Contribuintes. 3° Câmara. 20312.440, Sessão de 21/09/2007, Relator Odassi Guerzoni Filho. Aprovado por unanimidade). SOCIEDADE EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. A pessoa jurídica dissolvida por deliberação social não é titular de direitos, nem sujeito de obrigação. Os direitos se transmitem aos seus membros de acordo com a vontade expressa no contrato de dissolução e as obrigações, inclusive as tributárias., por força de lei. Recurso de oficio a que se nega provimento. (Acórdão 1° CC. 3° Câmara, n° 10322.779, Sessão de 06/12/2006, aprovado por maioria de votos).” Outrossim, entendo que ao contrário do que alega a douta PFN o erro na identificação do sujeito passivo no presente caso não pode ser tratado como erro formal e sim vício material. Vicio formal, à luz do art. 10 do Decreto 70.235/1972 ocorreria na hipótese de simples erro na transcrição do nome do sujeito passivo. Na situação versada nos autos o que ocorreu foi mesmo equivoco na interpretação das normas tributárias por parte da autoridade fiscal. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 290DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003229/2010-80
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO PACIENTE ATENDIDA. DEDUÇÃO ADMITIDA..
Deve-se restabelecer a dedução de despesas médicas que foram glosadas por falta de identificação dos pacientes quando o conjunto de documentos apresentados pelo recorrente sana a falta apontada no lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO PACIENTE ATENDIDA. DEDUÇÃO ADMITIDA.. Deve-se restabelecer a dedução de despesas médicas que foram glosadas por falta de identificação dos pacientes quando o conjunto de documentos apresentados pelo recorrente sana a falta apontada no lançamento. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10510.003229/2010-80
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363418
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.991
nome_arquivo_s : Decisao_10510003229201080.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10510003229201080_5363418.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5544878
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815074418688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 82 1 81 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.003229/201080 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.991 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente JOSE DAS NEVES DOREA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO PACIENTE ATENDIDA. DEDUÇÃO ADMITIDA.. Devese restabelecer a dedução de despesas médicas que foram glosadas por falta de identificação dos pacientes quando o conjunto de documentos apresentados pelo recorrente sana a falta apontada no lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 32 29 /2 01 0- 80 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente de glosa de despesas médicas no valor de R$4.430,00, assim motivada: Somente são dedutíveis as despesas médicas efetuadas com o próprio contribuinte e/ou com os dependentes declarados. Portanto se faz necessário que no recibo médico seja informado o nome, além de quem pagou, do paciente do serviço médico ou do beneficiário do plano de saúde. Na impugnação foram apresentados: duas notas fiscais, recibos e prontuário no qual foram registrados procedimentos odontológicos e plano de tratamento. A impugnação foi indeferida, essencialmente, porque os documentos não sanaram a falta de identificação de quem foi o paciente. A ciência do acórdão ocorreu em 15/10/2013 e interposição de recurso voluntário foi interposto no dia 08/11/2013. Na peça recursal é alegado que as despesas odontológicas (R$3.050,00) referemse a tratamento com a Drª Jussara Cervigni Martinelli, de 28/02/2008 a 09/06/2008, conforme declaração da profissional, anotada no rodapé do prontuário, datado de 26/02/2008; e as despesas de R$1.380,00 com Instituto de Olhos e Microcirurgia de Brasília são relativas à cirurgia de cataratas que realizou com o Dr. Henrique Cesar Magalhães , conforme duas notas fiscais apresentadas, por engano informou na DIRPF o CNPJ da Grafia que confeccionou as notas fiscais. O recorrente afirma que, para melhor esclarecer, junta originiais do prontuário referente aos serviços odontológicos, notas fiscais do Instituto de Olhos, Relatório médico do cardiologista, feito a pedido do Dr. Henrique Cesar Magalhães e originais das receitas de óculos e medicamentos comprados naquela ocasião. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Na parte final do prontuário odontológico há declaração da odontóloga Jussara Cervigni Martinelli que não deixa dúvidas de que a despesa de R$3.050,00 referiuse ao recorrente. As prescrições médicas e demais documentos juntados com o recurso, em conjunto, comprovam que a despesa de R$1.380,00 referiuse ao próprio recorrente: exame (R$50,00) e cirurgia de olhos no Instituto de Olhos – INOB. Nas circunstâncias dos autos, o fato de não constar nas notas fiscais a indicação de que o recorrente foi o paciente não pode ser motivo suficiente para manter a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10510.003229/201080 Acórdão n.º 2802002.991 S2TE02 Fl. 83 3 glosa, notadamente porque notas fiscais tem por natureza atestar a prestação de um serviço a quem nela é identificado, nesse quesito tem sutil diferença em relação aos recibos, os quais atestam que a pessoa identificada é o pagador. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000096/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/04/2002 a 20/04/2002, 11/05/2002 a 20/05/2002, 21/07/2002 a 31/07/2002
IPI. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA APRESENTADAS POSTERIORMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS APROVEITADOS. Não havendo comprovação dos créditos extemporâneos de IPI, correta a decisão que manteve auto de infração lavrado em decorrência da respectiva glosa.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Cristiano Maciel, OAB/SP 206639.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/04/2002 a 20/04/2002, 11/05/2002 a 20/05/2002, 21/07/2002 a 31/07/2002 IPI. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA APRESENTADAS POSTERIORMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS APROVEITADOS. Não havendo comprovação dos créditos extemporâneos de IPI, correta a decisão que manteve auto de infração lavrado em decorrência da respectiva glosa. Recurso Improvido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16095.000096/2007-19
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5356210
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3301-002.062
nome_arquivo_s : Decisao_16095000096200719.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 16095000096200719_5356210.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Cristiano Maciel, OAB/SP 206639. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5503933
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815098535936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 409 1 408 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000096/200719 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301002.062 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2013 Matéria IPI Recorrente CASTROL BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/04/2002 a 20/04/2002, 11/05/2002 a 20/05/2002, 21/07/2002 a 31/07/2002 IPI. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA APRESENTADAS POSTERIORMENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS APROVEITADOS. Não havendo comprovação dos créditos extemporâneos de IPI, correta a decisão que manteve auto de infração lavrado em decorrência da respectiva glosa. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Cristiano Maciel, OAB/SP 206639. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 96 /2 00 7- 19 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16095.000096/200719 Acórdão n.º 3301002.062 S3C3T1 Fl. 410 2 Cuidase de recurso em face do Acórdão nº 0123.420 3ª Turma da DRJ/BEL, prolatado na sessão de 01/11/2011, sintetizado na ementa a seguir reproduzida: Sessão de 01 de novembro de 2011 Processo 16095.000096/200719 Interessado CASTROL BRASIL LTDA CNPJ/CPF 33.194.978/000352 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/04/2002 a 20/04/2002, 11/05/2002 a 20/05/2002, 21/07/2002 a 31/07/2002 CRÉDITO. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 PROVAS NA IMPUGNAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido De acordo com a decisão recorrida o auto de infração é decorrente da glosa de créditos escriturados pela empresa tificada, considerados indevidos pela fiscalização porque a empresa fora intimada em duas oportunidades para a apresentação de seus documentos contábeis e fiscais e outras informações acerca do ano calendário de 2002(cópias dos Termos nas fls. 16/25), tendo limitadose a apresentar parcialmente os elementos solicitados, sem conseguir justificar a escrituração referente a “outros créditos”. Também não informara se estava sob amparo de ação judicial, que lhe permitisse a utilização de créditos de transferências e extemporâneos. Diante do quadro, concluiu a fiscalização terem ocorrido irregularidades“relativas a valores indevidamente creditados de IPI, no tocante a créditos extemporâneos, nos seguintes períodos 2º dec. de abril, 2º dec. de maio e 3º dec. de julho de 2.002, cujas cópias referentes ao período foram extraídas do livro Registro de Apuração de IPI parte integrante deste trabalho de fiscalização, doc. de fls. 31 a 46, sendo seus valores compatíveis com os declarados ficha 22 da DIPJ Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, doc. de fls.39 a 41.” . Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16095.000096/200719 Acórdão n.º 3301002.062 S3C3T1 Fl. 411 3 Glosados créditos referentes aos períodos de apuração encerrados em 20.04.2002, 20.05.2002 e 31.07.2002, foi feita a reconstituição da escrita fiscal (fl 51) e apurados saldos devedores a lançar nos períodos de apuração finalizados em 20.04.2002 e 20.05.2002. Cientificada em 18.04.2007 (AR fl. 62), a interessada postou, tempestivamente, em 18.05.2007 (fl. 64), impugnação (fls. 65/75) na qual apresenta as seguintes alegações, em síntese: a) A ação fiscal foi precária pois, “embora o Sr. Auditor Fiscal, quando da realização da fiscalização no estabelecimento da Impugnante, tenha tido acesso irrestrito ato dos os seus documentos e livros fiscais, por meio dos quais pôde constatar toda a regularidade no procedimento adotado pela empresa, bem como foram prestadas todas as informações solicitadas e entregues os documentos requeridos, por equívoco, optou pela lavratura do presente auto de infração ora impugnado.”; b) O lançamento está baseado em análise superficial, não tendo a fiscalização usado da prerrogativa que é investida de perquirir os fatos em busca da verdade material, em afronta ao artigo 142 do CTN, que regula a atividade do lançamento do crédito tributário; c) Aponta nulidade no fato de não haver sido demonstrada a “precisa descrição da infração que está sendo imputada à Impugnante” (vício de motivação); d) “Se não é possível identificar a exata medida da violação à norma pelo auto de infração, nem tampouco pelos dispositivos invocados como supostamente infringidos,é de se concluir que não há infração, ou, minimamente, concluir que, por esta não ser passível de ser desvendada nem mesmo com base nos dispositivos em que foi capitulada, há cerceamento do direito de defesa da Impugnante, além de incerteza e iliquidez do lançamento.”; e) No mérito, tece comentários acerca da não cumulatividade do IPI, defendendo seu direito ao crédito nas aquisições de mercadorias utilizadas em seu processo produtivo; f) Protesta pela produção de provas que comprovariam seu direito; g) “No caso destes autos, é evidente que diversos fatos deixaram de ser considerados ou foram considerados de forma equivocada pela douta representação fiscal, refugindo da verdade material, o que enseja não só a revisão do lançamento efetuado, como também sua retificação, de modo a possibilitar aos nobres Julgadores a visualização de que a Impugnante nada deve a titulo de IPI.” h) Ao final, requer a procedência de seus argumentos. AR às fls. 389, recebido em 30/11/2011, interposto o recurso voluntário às fls. 392 e seguintes em 27/12/2011, reiterando as alegações constantes de sua impugnação, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido pelos motivos já apontados, bem como por cerceamento do direito de defesa, pelo fato de não terem sido analisadas as Notas Fiscais juntadas aos autos em 14/06/2007 (fls. 110/368) (após a impugnação, que foi apresentada em 18/05/2007). É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16095.000096/200719 Acórdão n.º 3301002.062 S3C3T1 Fl. 412 4 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, devendo o recurso ser conhecido. Inicialmente deve ser afastada a nulidade da decisão recorrida, porquanto a mesma foi proferida em conformidade com a legislação tributária em vigor, especialmente pelo fato de não terem sido analisados os documentos (notas fiscais) a destempo. De acordo com a decisão recorrida foram glosados os créditos de IPI não comprovados pela Recorrente, “relativas a valores indevidamente creditados de IPI, no tocante a créditos extemporâneos, nos seguintes períodos 2º dec. de abril, 2º dec. de maio e 3º dec. de julho de 2.002, cujas cópias referentes ao período foram extraídas do livro Registro de Apuração de IPI parte integrante deste trabalho de fiscalização, doc. de fls. 31 a 46, sendo seus valores compatíveis com os declarados ficha 22 da DIPJ Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, doc. de fls. 39 a 41.” . Analisando os os Termos de Intimação/Reintimação Fiscal de fls. 16/18, a Recorrente foi instada a comprovar os créditos extemporâneos de IPI, que a Recorrente não logrou comprovar, nem mesmo através das notas fiscais apresentadas após a impugnação, o que confirma a acertiva fiscal. Em caso contrário, isto é, se ao menos existisse uma mínima chance de comprovação dos créditos de IPI glosados da escrita fiscal da Recorrente, mesmo que através de documentos apresentados posteriormente à impugnação, estava tendente a converter o julgamento em diligência para que a fiscalização pudesse analisar os referidos documentos, mas no caso, não há qualquer comprovação dos referidos créditos, ensejando por conseqüência a manutenção do auto de infração guerreado no presente processo. Em face do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, e quanto ao mérito negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 412DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002428/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.002428/2009-17
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366652
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.611
nome_arquivo_s : Decisao_10882002428200917.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10882002428200917_5366652.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Mara Eugenia Buonanno Caramico. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5559899
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815101681664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1694; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 214 1 213 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002428/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.611 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARA SOLANGE BONATTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Mara Eugenia Buonanno Caramico. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 24 28 /2 00 9- 17 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002428/200917 Acórdão n.º 2801003.611 S2TE01 Fl. 215 2 Trata o presente processo das seguintes notificações de lançamento: · N° 2006/608451155904095 relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, que exige crédito tributário no montante de R$ 6.817,22, sendo R$ 3.173,02 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 2.379,76 à multa de ofício e R$ 1.264,44 aos juros de mora calculados até 30/09/2009 (fls. 11 a 13). · N° 2007/608450717564090 relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, que exige crédito tributário no montante de R$ 7.971,32, sendo R$ 3.948,94 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 2.961,70 à multa de ofício e R$ 1.060,68 aos juros de mora calculados até 30/09/2009 (fls. 45 a 47). Os lançamentos são decorrentes da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, a Contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo:, 1. Na descrição dos fatos e enquadramento legal o auditor fiscal alega que houve glosa, do valor de R$ 12.550,00 (2006) e de R$ 17.650,00 (2007) pelo motivo da pretensa falta de comprovação a título de despesas médicas; 2. Tal alegação não pode prosperar, pois os valores lançados a título de despesas médicas são reais e os recibos que lhe dão suporte fático já estão em poder do Fisco desde quando foi intimada; 3. A Contribuinte apresentou comprovantes do efetivo pagamento dos valores deduzidos a título de despesas médicas junto à psicóloga Tereza Diniz, nos anoscalendário de 2005 e 2006; 4. No tocante à alegação de dedução indevida por não declarar dependentes, esta também não pode ser acolhida, pois a beneficiária do pagamento de R$ 1.600,00 (2006) e R$ 1.500,00 (2007) à "Assistência Médica São Paulo S/A" é a sua mãe, Santa Souza Bonatto. A 9ª Turma da DRJ/SP2/SP julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 89/93, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005,2006 GLOSA DE DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Mantida a glosa de despesas médicas, haja vista que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Impugnação Improcedente Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002428/200917 Acórdão n.º 2801003.611 S2TE01 Fl. 216 3 Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 01/04/2011 (fl. 95), a Interessada, representada por seu advogado (fl. 105), interpôs recurso voluntário de fls. 98/104, em 02/05/2011. Em sua defesa, alega que os referidos recibos apresentados com o fim de comprovar despesas médicas preenchem os requisitos formais definidos em lei como condição para a dedutibilidade das despesas de maneira que não cabe ao auditor fiscal/ilustre julgador desconsiderálos em virtude da ausência de descrições pormenorizadas ou pela ausência de outros comprovantes de pagamento. Aduz, ainda, que cabe ao auditor/fiscal a prova da pretensa falsidade dos documentos apresentados em caso de desconfiança da veracidade das informações neles consignadas. Diz que concorda em pagar a parcela referente à glosa das despesas médicas com sua mãe – não relacionada como dependente nas declarações em tela, informando que já sanou tal problema nas declarações de rendimentos recentes. Conforme Resolução 2801000.256, às fls. 129/131, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que se juntasse ao processo o(s) termo(s) de intimação para comprovação do efetivo pagamento e o(s) comprovante(s) de ciência da contribuinte. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 136/212, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese ao inconformismo da Recorrente quanto à glosa das despesas médicas lançadas nas DIRPF 2006 e 2007, referentes à profissional Tereza Diniz. Segundo descrição dos fatos constantes da notificações em apreço, às fls. 16 e 50, a Contribuinte, após ser regulamente intimada, não apresentou comprovantes do efetivo pagamento dos valores deduzidos a título de despesas médicas, relativos à profissional Tereza Diniz. Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou à Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas dos anoscalendários de 2005 e 2006, mas apenas as intimações de fls. 17 e 54, que solicitaram comprovantes originais e cópias das despesas médicas. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que se juntasse ao Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002428/200917 Acórdão n.º 2801003.611 S2TE01 Fl. 217 4 processo o(s) termo(s) de intimação para comprovação do efetivo pagamento e o(s) comprovante(s) de ciência da contribuinte. Em atendimento, foi juntado, às fls. 136/211, o dossiê com os documentos apresentados pela Contribuinte para fazer face ao atendimento do Termo de Intimação Fiscal datado de 21/07/2009 (fl. 141), com AR em 27/07/2009 (fl. 140), que solicitou a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas nos exercícios de 2006 e 2007, referentes à profissional Tereza Diniz. Por sua vez, a Interessada, desde a fase impugnatória, requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas que demonstram a efetividade dos correspondentes pagamentos. No caso sob exame, como a Recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela autoridade lançadora, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Salientese que não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo à Contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10882.002428/200917 Acórdão n.º 2801003.611 S2TE01 Fl. 218 5 Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente, ainda que o contribuinte demonstre disponibilidade de recursos para o pagamento das despesas glosadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722506/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.722506/2008-17
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364169
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.952
nome_arquivo_s : Decisao_10580722506200817.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580722506200817_5364169.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5546211
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815112167424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 132 1 131 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722506/200817 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.952 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente GESIVALDO NASCIMENTO BRITTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 06 /2 00 8- 17 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 2802002.952 S2TE02 Fl. 133 3 Por bem sintetizar os atos e procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão 1526.193, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 155.550,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” A DRJ/SDR, fls. 75 a 81, julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Extraemse da decisão de primeira instância os seguintes a argumentos: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 2802002.952 S2TE02 Fl. 134 5 b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; g) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN. Intimado da supramencionada decisão, em 06/04/2011, fls. 94, o interessado interpôs recurso voluntário, em 08/04/2011, fls. 85 a 123, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, para reafirmar a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer, que afirma vinculante, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração da contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para se apurar adequadamente suposto imposto a pagar; da mesma forma que não há incidência de imposto sobre a URV, por entender ser verba indenizatória, também não há incidência de imposto de renda sobre o rendimento recebido a título de juros moratórios; entende pela necessidade de extinção do crédito tributário exigidos nos presentes autos, tanto por considerar a União parte ilegítima para figurar no pólo Ativo da relação jurídicotributária, quanto por suposta violação ao princípio constitucional da isonomia. Em sessão de julgamento do dia 15 de agosto de 2012, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, determinou o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A,§1º, Regimento Interno do CARF, Portaria mf 256, de 2009 e na Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406/RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 20/10/2010, e que ainda se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi distribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O assunto tratado nos presentes autos possui diversos precedentes nesta 2ª Tuma Especial, dos quais convém reproduzir o inteiro teor do voto condutor do Acórdão nº 2802002.907, proferido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, em sessão realizada no dia 15 de maio de 2014, tendo em vista que expressa com propriedade o entendimento unânime firmado pelos membros participantes, dos quais este Relator integrou e que ora o adota como razões de decidir, na parte que interessa ao presente litígio: “Da legitimidade ativa da União O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa para cobrar o Imposto de Renda, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no Resp 874.759 não tem o efeito almejado pelo recorrente. Do natureza tributária das verbas (URV e juros de mora) Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 2802002.952 S2TE02 Fl. 135 7 a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões (fls. 16 a 21). Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 2802002.952 S2TE02 Fl. 136 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 106 16360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO – Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, aplicase a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722506/200817 Acórdão n.º 2802002.952 S2TE02 Fl. 137 11 Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Quanto à alegação de imprestabilidade da base de cálculo, anotase que o recorrente sustenta ser aplicável o entendimento segundo o qual o imposto deve ser calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias, entendimento consolidado no STJ no REsp 1.118.429∕SP. Analisandose o demonstrativo de apuração do imposto (fls. 07/09) verificase que o valor recebido em cada ano foi computado como rendimento omitido nesses anocalendário (2004, 2005, 2006), valores que foram acrescidos à base de cálculo declarada, logo as deduções contidas na Declaração de Ajuste Anual foram consideradas. Todavia, acima consta fundamentação para não se aplicar, neste caso concreto, o entendimento de tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP, de forma que a argumentação acerca de possível erro na base de cálculo fica prejudicada e que o lançamento não merece reparo. Ademais, o exemplo do recorrente de que, em 1995, o valor que deveria ter sido recebido de URV estaria na faixa de isenção demonstra uma premissa equivocada do recorrente qual seja: confundese o imposto retido na fonte – que é mera antecipação do imposto anual – com o imposto anual. Não é porque um rendimento isoladamente está abaixo da faixa de isenção (e portanto não haverá retenção na fonte) que o somatório anual será isento. Por fim, registrase que decisões administrativas e judiciais sem força vinculante, doutrina, pareceres de juristas, interpretações de Outros Órgãos públicos não constituem normas de direito tributário de aplicação obrigatória pelo CARF.” Nos termos acima expostos, concluise pela inexistência da suposta violação ao princípio da isonomia, pela legitimidade ativa da União para exigir o crédito tributário constituído, pela natureza tributável da verba trabalhista recebida pelo contribuinte, pela impossibilidade de aplicação do entendimento manifestado pelo STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP, bem como, pela necessidade de exclusão tão somente da multa de ofício imposta, haja vista, inclusive, que o assunto se encontra pacificado no âmbito do CARF, por meio da Sumula nº 73. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901873/2012-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.901873/2012-25
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354700
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-000.234
nome_arquivo_s : Decisao_10680901873201225.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10680901873201225_5354700.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5498787
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815126847488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1473; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.194 1 1.193 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.901873/201225 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.234 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de maio de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SAMARCO MINERAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 87 3/ 20 12 -2 5 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.195 2 Relatório A SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou recurso voluntário contra Acórdão nº 0246.025, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 906); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: (1) proceder à verificação dos pagamentos efetuados, relativos às glosas sobre as quais não houve litígio, conforme item 2 do aditamento apresentado pela reclamante, e efetuar os procedimentos necessários à extinção dos respectivos débitos; e (2) Proceder à recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando as DCOMPs apresentadas até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 3º trimestre de 2009, no valor de R$ 8.296.887,41, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 7.530.990,96, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.196 3 legais infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 990/1010). Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394313, emitido em 04.05.2012 (fl. 448), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 1012. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/447), contendo os elementos que se seguem.de fls. 02/60 (anexos às fls. 65/422), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.197 4 f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.198 5 base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.199 6 Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.200 7 considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.201 8 como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.202 9 versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.203 10 serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.204 11 Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.205 12 equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.206 13 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.207 14 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.208 15 recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.209 16 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.210 17 · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.211 18 a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.212 19 · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.213 20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.214 21 Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.215 22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.216 23 Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.217 24 Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.218 25 · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.219 26 de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.220 27 Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901873/201225 Resolução nº 3202000.234 S3C2T2 Fl. 1.221 28 · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.003682/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO.
O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais".
PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente.
Numero da decisão: 1401-001.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO. O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10245.003682/2008-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354614
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.114
nome_arquivo_s : Decisao_10245003682200859.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10245003682200859_5354614.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5498231
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815136284672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.127 1 1.126 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.003682/200859 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.114 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ /Reflexos e IRRF Recorrente CAMACÁCIA SILVOPASTORIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO. O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 36 82 /2 00 8- 59 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.128 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.129 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em BelémPA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Os créditos tributários exigidos neste processo são IRPJ: R$ 340.305,78; PIS: R$ 11.405,33; COFINS: R$ 52.643,19; CSLL: R$ 148.800,91; e IRRF, R$ 94.122,36. Acerca de irregularidades, alegou a fiscalização que a Impugnante teria realizado pagamentos sem causa, nos seguintes termos: A) PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO: DIMINUIÇÃO DO SALDO EM CAIXA ENTRE 01/01/2006 E 31/07/2007 (FL. 340). "...Pelo conjunto indissociável dos fatos relatados, a saída do caixa no valorde R$ 94.089,09, diferença entre o valor R$ 12.210,00, montante constante no caixa em 31/07/2007, conforme informação do contribuinte, e valor de R$ 106.299,09, escriturado no último Balanço Patrimonial da empresa (transcrito no Livro Diário do AC 2005 Anexo 11, fls. 121 a 122) teve destinação diversa, uma vez que não houve a comprovação da saída destes valores, resultando em pagamento sem causa, ou por operação não comprovada, com apuração de ofício do IRRF em 31/07/2007. ( fl. 340)." No tocante a esta primeira infração, temse que ela se fundamenta em um único dispositivo legal, qual seja, o art. 61, § 1° da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que assim dispõe: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o ~ 20, do art. 74. da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3° O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Houve outra infração caracterizada pela B) PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS EM RAZÃO DE SUPOSTOS SUPRIMENTOS DE CAIXA. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.130 4 Realizados por sócio, consistindo na integralização de capital, conforme texto abaixo extraído à fls. 340/343 do presente processo. "...Em atendimento às intimações, o contribuinte apresentou apenas a 5a Alteração Contratual da Sociedade Camacacia Silvopastoril Ltda, na qual apenas o Sr. Walter Vogel assina por todas as partes. Mais uma vez não há qualquer comprovante externo à sociedade de que efetivamente houve transferência financeira do sócio para a sociedade. Portanto, de acordo com o art. 282 do Decreto 3.000/1999, em que a autoridade tributária poderá arbitrar omissão de receita "com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas", presumese que a entrada no caixa da empresa na data 23/12/2005, no valor de R$ 51.000,00, tratase de receita omitida." SeçãoIV Omissão de Receita Falta de Escrituração de Pagamentos Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei 1.598, de 1977, art. 12, § 2°, e Lei 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa Houve, ainda, outra infração, caracterizada por: C) PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS EM RAZÃO DA EXTINÇÃO DE EXIGIBILIDADE DE JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS, CONFORME TEXTO ABAIXO EXTRAÍDO À FL. 343/347 DO PRESENTE PROCESSO. "...Intimada a comprovar o pagamento do principal e dos juros dos referidos empréstimos, a empresa ora fiscalizada informou em 12/11/2007 que "em relação aos recursos vindos do exterior, contabilizados no passivo em contrapartida dos empréstimos contraídos com a Caselli Consulting Limited, com previsão de pagamento do valor principal e dos juros em 2005, informamos que não houve pagamentos". Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.131 5 Por meio dos Ofícios Cofis/Difin2007/074, de 20/06/2007, e Cofis/Gab n° 2007/081, de 28/06/2007, foi solicitado ao Banco Central do Brasil (BCB) informações relativas aos empréstimos registrados naquela instituição. Em resposta, o referido órgão nos encaminhou documento no qual o credor DISPENSAVA o pagamento dos juros sobre os referidos empréstimos (fls. 125 a 128). Analisando a documentação encaminhada pelo BCB, constatamos que a empresa fiscalizada foi LIBERADA do pagamento dos juros mediante carta do credor datada de 21/05/2004. Esta, por sua vez, solicitou ao Banco Central a baixa dos referidos juros por meio de carta datada de 30/05/2006. Verificandose os Livros Razão, constatamos que os juros do empréstimo não foram provisionados no passivo da empresa e conseqüentemente, quando do perdão dos mesmos não houve a baixa do exigível relativo a esta obrigação e em contrapartida o lançamento de receitas financeiras. Quando da extinção da exigibilidade da obrigação de pagar os juros, ocorrida em 21/05/2004, a empresa deveria ter reconhecido como receitas financeiras os juros calculados até aquela data, e nos meses seguintes, os juros que seriam incorridos em cada período, o que não ocorreu. Como a dispensa dos juros constitui um acréscimo patrimonial a empresa, e representam receitas financeiras tributáveis que não foram oferecidas à tributação, os valores constantes nas tabelas a seguir, detalhadas por contrato, serão lançados como omissão de receita com os devidos acréscimos legais. " Foram exigidos IRPJ, CSLL, PIS. e COFINS sobre as quantias "presumidamente omitidas", nas duas infrações. Para ambas as infrações apuradas, a fiscalização aplicou a multa de ofício de 75%. Inconformada com as exigências que lhe foram impostas, a Impugnante: apresentou solicitação (fl. 356/358) à unidade de origem na qual solicita prazo de 90 (noventa) dias para apresentação de sua impugnação à vista da dificuldade de no prazo de 30(trinta) dias reunir as condições de defesa; A unidade de origem, através do ofício n° 0963/2008/DRF/BVT/ Sacat (fls.359/361) indeferiu o pedido por falta de previsão legal, apontando o prazo prescrito em lei. Indeferida a solicitação de prorrogação do prazo de defesa, a impugnante apresentou sua contestação aos Autos de Infração lavrados (fls. 364/415), onde: esclarece acerca do empreendimento Walter Vogel; as peculiaridades das operações societárias, entendendo desfazer as suspeitas que cercam a atividade da qual a impugnante faz parte, assim como procurando demonstrar que não se tratam de crimes as atividades realizadas pelo grupo Walter Vogel; argumenta, acerca do direito, que: a) em relação à autuação por "pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, por diminuição do saldo em caixa entre 01/01/2006 e 31/07/2007: Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.132 6 para que o fisco presuma a ocorrência do fato gerador (pagamentos) e cumpra o seu dever de formalizar a exigibilidade do crédito tributário, é necessário despertar um sentimento robusto de segurança; que é impossível comprovar a existência, ou não, dos pagamentos, ou para quem foram feitos, pois o Poder Público suprimiu a possibilidade de comprovação em contrário, "dando sumiço em documentos da impugnante", pois alega que nem todos os documentos apreendidos na operação foram devolvidos, havendo divergência na quantidade de documentos devolvidos; b) em relação à Omissão de Receitas Suprimento de Caixa pela integralização de Capital: que as alterações contratuais apresentadas são documentos hábeis e idôneos no sentido de provar a integralização do capital, pois são registradas na Junta Comercial de Roraima; que não há vedação legal à integralização efetivada; c) em relação à Omissão de Receitas Extinção da Exigibilidade de juros sobre empréstimos: a fiscalização não considerou o tipo tributário adotado pela impugnante (lucro presumido) e do regime de reconhecimento das receitas (caixa); se pudessem ser exigidas, as exações só poderiam ocorrer para os fatos geradores no exercício de 2004, a partir do mês de janeiro daquele ano; esta argumentação faz o impugnante crer que os juros até maio de 2004, quando houve o perdão, já estariam alcançados pela decadência. Ao final, requer: a) anulação do lançamento por terem sido notificados 17 (dezessete) autos de infração, pois teria violado a possibilidade de defesa do contribuinte, afrontando o princípio do contraditório, e da ampla defesa, em virtude da negativa de dilação do prazo recursal; b) anulação do lançamento do IRRF por pagamento a beneficiário não identificado, por conter vício insanável, decorrente de violação do devido processo legal; contraditório, e da ampla defesa, pois não foram permitidos acesso a todos os documentos colhidos na busca e apreensão realizada nas dependências da impugnante; c) improcedência do lançamento tributário relativo à Omissão de Receitas pela integralização de capital, por insubsistente fato gerador, lastreado em mera suposição; d) improcedência do lançamento tributário relativo à Omissão de Receitas pela extinção da exigibilidade de juros sobre empréstimos, por insubsistente o fato gerador, lastreado em mera suposição, ou caso esse argumento seja superado, por ferir o lapso temporal de ocorrência dos fatos. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.133 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004,2005,2006,2007 OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. POTENCIALIDADE DE SIMULAÇÃO. A potencialidade de simulação de operações entre empresas do mesmo grupo deve ser provada como efetiva para se caracterizar negócio jurídico simulado. RECIBOS E ESCRITURAS. ASSINATURA MESMA PESSOA NOS PÓLOS DA OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. Pessoas jurídicas são entidades diversas das de seus sócios ou diretores. Não há irregularidade em uma mesma pessoa figurar nos pólos passivo e ativo de uma obrigação, como diretor de pessoas jurídicas diversas, desde que os fatos descritos nos documentos existam e sejam provados no plano exterior à organização interessada. NEGÓCIO JURÍDICO. FORMA INCOMUM. Características incomuns de negócios jurídicos dependem da natureza de cada atividade. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VERDADE MATERIAL. A verdade material, salvo previsões legais, preside a condução processo tributário, desde a instauração do procedimento fiscal até o deslinde do contencioso administrativo tributário, em conseqüência o do fato gerador deve estar contido na realidade das atividades exercidas pelo fiscalizado. FATO GERADOR. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Não foi deferido pela legislação o instituto da "presunção legal" para o fato gerador do art. 61, § 1°, da lei 8.981; assim, deve ser provada a existência de"pagamentos", que não podem ser presumidos por mera redução de saldo da conta caixa ao final do exercício analisado. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. FATO INDICIÁRIO. PROVAS EM CONTRÁRIO. Havendo provas em contrário, em relação aos indícios que autorizam a presunção de Omissão de Receitas, não deve prevalecer a presunção legal, por não provado o fato indiciário. PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO. O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No caso, a DRJ cancelou a primeira e segunda infrações, ou seja, o IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e a omissão de receitas por suprimento de caixa. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.134 8 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, defendendose apenas da parte mantida e centrando toda sua defesa no seguinte raciocínio: No caso, em que se debate um mútuo, pelo qual são cobrados juros, o fato que gera, eventualmente, despesa ao mutuário, depende do implemento de condição, no caso, a data para o pagamento do juros que dele é decorrente. Antes do implemento dessa condição, que cria o direito de cobrar o juros, aí sim, podese dizer que o mutuário terá uma despesa com empréstimo. Antes disso, não obrigação perfeita, e acabada, porquanto não foi, definitivamente, constituída. Existe, apenas, enquanto obrigação, e não, direito! Esclarecido, como está, que o mutuante não tem direito de cobrar juros do mutuário antes do implemento da condição, não há como se concluir, então, que o mutuário tem um benefício, quando o mutuante deixa, unilateralmente, de cobrálos. Isso porque não gera benefício econômico algum a renúncia de um direito inexistente. Como dito, a condição resolutória impede a constituição definitiva do negócio jurídico até a sua resolução. Não se resolvendo o direito à cobrança dos juros, não há despesa que possa ser imputada ao mutuário. E, se, eventualmente, nesse ínterim, o mutuário é desobrigado do seu pagamento, ele não obteve benefício econômico algum! Afinal, qual o benefício que se obtém ao ser eximido de uma obrigação pela qual não se está mais obrigado? Se recorrente não obteve benefício econômico com a renúncia dos juros pelos mutuantes, não há que falar em acréscimo patrimonial de qualquer natureza. E, como conseqüência última, não ocorreu o fato gerador, estabelecido pelo art. 43, do CTN. É o relatório. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.135 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Mérito Como já relatado a única infração que restou referese à omissão de receitas em função da extinção da Exigibilidade de juros sobre empréstimos (“perdão dos juros”). A DRJ manteve o lançamento e nesse ponto foi muito percuciente em enfrentar a matéria e por essa razão adoto como razões complementares os fundamentos expostos a seguir extraídos da decisão de piso: (...) As perguntas que devem ser respondidas são: 1 a não escrituração do perdão dos juros que a impugnante deixou de realizar em sua escrituração, aliada à não figuração na base de cálculo dos tributos devidos é caso de Omissão de Receitas? 2 Em caso positivo, sendo Omissão de Receitas, a decadência teria atingido as exações pretendidas pela fiscalização? A despeito da impugnação realizada pelo contribuinte, a regra é clara no sentido de que os juros, e demais receitas financeiras são base de cálculo para os tributos devidos pela pessoa jurídica. A Omissão de Receita é flagrante! O segundo quesito, acerca da decadência dos tributos, nos traz a seguinte questão: a) qual o fato gerador dos tributos cobrados?; b) qual a data da ocorrência do fato gerador? O fato gerador está descrito nos arts. 373 e 521 do Decreto 3000/99, quando afirma que as receitas descritas serão levadas a compor a base de cálculo dos tributos. Assim, devemos nos perguntar: "quando ocorreram as receitas descritas nos art. 373 e 521 ( os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519) e que deveriam ser acrescidos à base de cálculo para efeito de incidência do imposto e do adicional " ? A receita em questão: o perdão dos juros pelo credor (as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519) ocorreu nas datas descritas pela fiscalização, conforme quadros descritos no auto de infração. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.136 10 Ainda acerca do tema: natureza jurídica do perdão dos juros devidos, e a data do fato gerador, podemos citar os trechos emblemáticos da Solução de Consulta da 6a Região Fiscal, a saber: SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL 6a REGIÃO FISCAL DECISÃO N° 297 de 21 de dezembro de 2000 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À baixa de valor registrado no passivo, por insubsistência da obrigação de pagar (insubsistência passiva) corresponde uma receita tributável, no momento desta baixa. (www.receita.fazenda.gov.br. Acesso em 08/06/2006) 11.8. Até então, não se discutia acerca da natureza jurídicocontábil tributária do perdão de dívida a fim de caracterizála como "receita financeira" ou como "outras receitas operacionais". Entretanto, na medida em que tal questão passa a importar tributariamente, uma vez que a receita financeira tem alíquota zero para fins de Cofins e de PIS, relativamente a empresas inseridas no regime de não cumulatividade destas contribuições (art. 1° do Decreto n° 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004), devese dissecar tal ato. 11.8.1. A remissão, segundo Maria Helena Diniz, é o perdão da dívida pelo credor, colocandose este na impossibilidade de reclamar o adimplemento da obrigação. A remissão das dívidas é a liberação graciosa do devedor pelo credor, que voluntariamente abre mão de seus direitos creditórios, com o escopo de extinguir a obrigação, mediante o consentimento inequívoco ou tácito, do devedor, desde que não haja prejuízo a direitos de terceiro (CC, art. 385). Para Carvalho de Mendonça (apud Clóvis Beviláqua, Código Civil Comentado, cit., p. 215) seria a "renúncia gratuita do crédito", incondicionalmente manifestada pelo credor em benefício do devedor. (...) a remissão é um direito exclusivo do credor de exonerar o devedor, visto ser a extinção dos direitos creditórios pela simples vontade do credor (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. V. 2: teoria geral das obrigações. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. pp. 377379). (grifos nossos) 12. Do exposto, concluise que o perdão de dívida pela credora é um ato jurídico que faz acrescer o patrimônio da devedora, de modo que revela capacidade contributiva (objetiva), que, por caracterizar uma receita operacional (diversa da receita financeira), implica receita tributável pela Cofins e pelo PIS, com a alíquota superior a zero (diversamente do que trata o art. 1° do Decreto n° 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004). 13. Não obstante o já exposto, o inciso II do art. 116 do CTN deixa claro que de uma situação jurídica exsurge uma obrigação tributária. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (... ) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.137 11 13.1. Tendo em vista o inciso II acima, não se pode olvidar da legislação aplicável. Observase que no contrato ou nos registro do Bacen, constantes dos autos, não há qualquer referência que o perdão da dívida em comento tivesse sido em função de uma doação. Mas, mesmo que fosse uma doação, também seria o caso de tributação a contrario sensu, por força do art. 443 do Decreto n°3.000, de 17/06/1999 (regulamento do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza RIR/99). Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 38, §2°, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. 13.2. A remissão de dívida, por representar um acréscimo patrimonial para o devedor remitido, é tributável tanto pelo IRPJ, quanto pela CSLL, pela Cofins e pelo PIS, uma vez que o lançamento contábil dáse forçosamente mediante crédito de receita operacional (distinta da receita financeira). Para que não fosse tributável haveria a necessidade de norma isentiva, a qual deve ser interpretada literalmente, segundo o art. 111, II, do CTN. Nesse diapasão, bem expõe Sacha Calmon ao dizer sucintamente que "interpretação literal não é interpretação mesquinha ou meramente gramatical. Interpretar estritamente é não utilizar interpretação extensiva" (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 576). (...) II outorga de isenção; 13.3. Tanto é assim que relativamente à doação recebida pelas pessoas físicas há uma norma isentiva no que se refere ao donatário, conforme o art. 39, XV, do RIR/99: "Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XV O valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos)"; o que não ocorre quando a pessoa jurídica é donatária, salvo o disposto no art. 443 do RIR/99 (já transcrito). 13.4. Também não se pode olvidar que a eqüidade não pode ser utilizada para elidir o pagamento do tributo, conforme dispõe o § 2° do art. 108 do CTN ("O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do tributo devido"). Sacha Calmon bem resume ao escrever que "a eqüidade é o sumo do bem e da compreensão na aplicação da lei (dura lex sed lex), mas não pode dispensar o pagamento do tributo devido" (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2002. p. 570). Conclusão Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.138 12 17. A vista do exposto, concluise que em decorrência da remissão de empréstimo com prazo de carência: 17.1. (...) 17.2. ii) A remissão de dívida referente ao capital importa para o devedor (remitido) receita operacional, diversa da receita financeira, o que implica fato imponível tributário da Cofins, do PIS, estas com alíquota superior a zero (diversamente do que trata o art. 1° do Decreto n° 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2° do art. 27 da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, do IRPJ e da CSLL, concretizado no momento do ato jurídico remitente, por ser uma insubsistência do passivo (ativa). A receita que compõe a base de cálculo dos tributos "é o perdão, e não os juros"; os juros tem seu prazo decadencial de cobrança pelo credor, junto ao devedor, e seu fato constitutivo é a fluência das datas de vencimento; ao passo que os tributos tem como fato gerador o "resultado positivo caracterizado pelo perdão dos juros passivos do devedor, no caso, o fiscalizado Camacácia Silvopastoril Ltda, que obteve resultado positivo ao deixar de dever juros já em atraso." De acordo com as regras contábeis, com base no regime de competência o perdão de dívida constitui uma receita. Pelo art. 9º, §3º, II, da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nº 750, de 1993, temse pelo princípio da competência que: Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. §1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. §2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. §3º As receitas consideramse realizadas: (...) II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior. (destaquei) (IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações (aplicável à demais sociedades). 6. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2003. p. 71) A legislação tributária também tratou dessa situação tornandoa tributável: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.139 13 I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; Não importa aqui se o perdão é total ou parcial como é o caso. Ainda estamos a falar de remissão de dívida, uma vez que os juros seguem o principal e se o principal é dívida, os juros também o são. O voto da DRJ esquadrinhou bem o percurso pelo qual a remissão de dívida tem natureza de outras receitas não operacionais, logo, não tem a natureza de receitas financeiras o que equivaleria ao enquadramento da isenção do PIS e da COFINS para as empresas que se utilizam da sistemática de apuração da não cumulatividade. A esse respeito tenho para mim que dispensável também seria a prova de que tais receitas não teriam natureza financeira, uma vez que instalada a omissão de receitas, o PIS e COFINS aqui cobrado tem natureza apenas reflexa, sendo considerada de plano na base de cálculo do IRPJ e da CSll, sem necessitar de nenhuma investigação adicional quanto à sua natureza. É o que reza o §1° do art. 24 da Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. §1° (...) §2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (Destaquei) A Recorrente, por sua vez, redireciona o ponto central de toda sua defesa e passa a construir o seguinte argumento: No caso, em que se debate um mútuo, pelo qual são cobrados juros, o fato que gera, eventualmente, despesa ao mutuário, depende do implemento de condição, no caso, a data para o pagamento do juros que dele é decorrente. Antes do implemento dessa condição, que cria o direito de cobrar o juros, aí sim, podese dizer que o mutuário terá uma despesa com empréstimo. Antes disso, não obrigação perfeita, e acabada, porquanto não foi, definitivamente, constituída. Existe, apenas, enquanto obrigação, e não, direito! Esclarecido, como está, que o mutuante não tem direito de cobrar juros do mutuário antes do implemento da condição, não há como se concluir, então, que o mutuário tem um benefício, quando o mutuante deixa, unilateralmente, de cobrálos. Isso porque não gera benefício econômico algum a renúncia de um direito inexistente. Como dito, a condição resolutória impede a constituição definitiva do negócio jurídico até a sua resolução. Não se resolvendo o direito à cobrança dos juros, não há despesa que possa ser imputada ao mutuário. E, se, eventualmente, nesse ínterim, o mutuário é desobrigado do seu pagamento, ele não obteve benefício econômico algum! Afinal, qual o benefício que se obtém ao ser eximido de uma obrigação pela qual não se está mais obrigado? Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.140 14 Se recorrente não obteve benefício econômico com a renúncia dos juros pelos mutuantes, não há que falar em acréscimo patrimonial de qualquer natureza. E, como conseqüência última, não ocorreu o fato gerador, estabelecido pelo art. 43, do CTN. Em primeiro lugar, é uma inverdade afirmar que não há benefício econômico algum a renúncia de juros vencidos ou vincendos, afinal a empresa recebeu um empréstimo e pagálo sem encargos financeiros algum é, sim, um benefício econômico. Bem se vê que seu discurso foi proferido com uma visão de grupo econômico onde uma empresa do grupo empresta a outra empresa do mesmo grupo e assim dentro do grupo econômico seus efeitos se anulariam. Porém, o ângulo a ser analisado a questão aqui é outro: é contábil/fiscal e não econômico no sentido largo desta palavra. Devese ver os fatos contábeis dentro de uma empresa particular, respeitando os princípios contábeis, principalmente o princípio da entidade. Feitas essas questões preliminares passemos para uma análise mais detida de sua argumentação. Bem se vê que a Recorrente parte de uma premissa falsa, logo sua conclusão não é válida, senão vejamos: Premissa Maior: “o mutuante não tem direito de cobrar juros do mutuário antes do implemento da condição” Premissa menor implícita: a condição não se implementou, pois os juros não foram incorridos. Conclusão: “não há como se concluir, então, que o mutuário tem um benefício, quando o mutuante deixa, unilateralmente, de cobrálos” Ela confunde condição com Termo. Termo é todo evento futuro e certo ao qual ficam subordinados os efeitos decorrentes do negócio jurídico. Aliás, a diferença básica entre termo e condição é justamente a certeza do acontecimento futuro que, no caso do termo, deve existir necessariamente. Nos negócios a termo é comum o aparecimento de um termo inicial, sendo o dia em que o negócio começará a produzir seus efeitos ordinários. Possui, portanto, características suspensivas, pois deixa os efeitos do ato suspensos até a chegada da data acordada pelas partes. Entretanto, o termo inicial não corresponde ao dia em que os direitos das partes serão adquiridos, e sim, ao marco inicial para a possibilidade do exercício destes direitos, estes existindo desde a formação do ato. É o que encontramos disciplinado no art. 123 do Código Civil. Também é comum o advento do chamado termo final, que nada mais é do que o dia marcado pelas partes para o rompimento dos efeitos jurídicos do negócio, possuindo, com efeito, características resolutivas. Prazo é o lapso de tempo existente entre o termo inicial e o final. Assim, quando alguém faz um mútuo e faz as amortizações ao longo do prazo, o termo inicial corresponderá ao dia acordado para o pagamento da primeira parcela e o termo final à data para a efetuação da última parcela (vencimento), sendo o prazo o tempo que decorrer entre a primeira prestação e a última. Ora, uma vez acordado o mútuo todos os seus parâmetros foram bem definidos: prazo para pagamento, juros etc. Não há incerteza quanto a fato futuro que possa se imputar a utilização de qualquer “condição”. Uma vez definido o início e o término do Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10245.003682/200859 Acórdão n.º 1401001.114 S1C4T1 Fl. 1.141 15 empréstimo, ou seja seus termos, o montante de juros a se despender já está previamente definido. No caso, de acordo com o Principio da Competência, considerase realizada a receita, entre outros, nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, como foi o caso. Sendo assim, quando ocorre o perdão da dívida, automaticamente aquele passivo que desaparece se transforma em um acréscimo patrimonial, motivo pelo qual deve ser acrescido como um todo (juros incorridos e a incorrer) como outras receitas não operacionais na base de cálculo do lucro presumido como Outrossim, apenas para argumentar a “condição” segundo os moldes seguidos pela Recorrente, se implementou em parte também, pois há que se considerar que há juros incorridos ou seja juros já vencidos; e esses juros já vencidos também compuseram a base de cálculo da referida omissão de receitas, conforme tabela de fls. 344/348. A fim de ratifica o acima apontado, observar as notas explicativas que acompanharam as tabelas do TVF: “NOTAS: 10 valor de US$ 63.556,13 corresponde aos juros incorridos da data do empréstimo (11/07/2000) até a data da liberação (21/05/2004), ou seja, 46 meses, a taxa de 1 % ao mês, sobre o principal. Tal valor deveria ter sido lançado como receita da empresa na competência maio/2004, na apuração do resultado.(...)” Por fim, não cabe aqui o argumento de que por estar no regime do lucro presumido não se apropriou as despesas com juros e, portanto, não faria sentido a apropriação de receita no perdão da dívida. Ora, no lucro presumido o lucro por ficção é presumido e por decorrência o custo é também presumido indiretamente. Sendo esse o caso, não há que se falar em falta de apropriação dessas despesas uma vez que ficticiamente elas já estariam, sim, apropriadas nesse regime de tributação. Portanto, não assiste razão à Recorrente e o perdão dos juros, no caso, compõe base de cálculo dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, posto que caracterizaremse como "outras receitas operacionais" e não foram oferecidas à tributação. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000314/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
NULIDADE. DADOS OBTIDOS FORA DA JURISDIÇÃO. JURISDIÇÃO DIVERSA DAQUELA DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL.
É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 27)
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FALTA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório.
NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. FORO NÃO COMPETENTE. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula nº 2)
SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL.
Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF.
O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos.
Especificamente, em relação à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, aplica-se a Súmula CARF nº 38.
SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS NA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÕES FICTÍCIAS. DOLO. RESPONSABILIDADE PESSOAL.
Na situação em que pessoas físicas realizam operações fictícias em nome da pessoa jurídica, prática dolosa configurada como de infração à lei, exclusivamente para acobertar rendimentos e transações, beneficiando-se diretamente dos valores envolvidos, cabe a responsabilidade pessoal aos terceiros envolvidos na ação, que interagiram na operação simulada e financeiramente se beneficiaram do seu resultado.
FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO NA PESSOA DO BENEFICIÁRIO.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
MULTA DE OFÍCIO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICADA.
Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovada, como no caso apurado, que o contribuinte adotou intencionalmente de informação falsa e operações fictícias para acobertar os rendimentos sujeitos a tributação.
A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não as multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA DE JUROS. SELIC. APLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2201-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia declarou-se impedida. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Magda Ribeiro, OAB/SP 195.075.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14098.000314/2009-21
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5359926
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.423
nome_arquivo_s : Decisao_14098000314200921.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14098000314200921_5359926.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Nathalia Mesquita Ceia declarou-se impedida. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Magda Ribeiro, OAB/SP 195.075. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5521858
ano_sessao_s : 2014
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 NULIDADE. DADOS OBTIDOS FORA DA JURISDIÇÃO. JURISDIÇÃO DIVERSA DAQUELA DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 27) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FALTA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. FORO NÃO COMPETENTE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula nº 2) SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no ano-calendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Especificamente, em relação à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, aplica-se a Súmula CARF nº 38. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS NA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÕES FICTÍCIAS. DOLO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Na situação em que pessoas físicas realizam operações fictícias em nome da pessoa jurídica, prática dolosa configurada como de infração à lei, exclusivamente para acobertar rendimentos e transações, beneficiando-se diretamente dos valores envolvidos, cabe a responsabilidade pessoal aos terceiros envolvidos na ação, que interagiram na operação simulada e financeiramente se beneficiaram do seu resultado. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO NA PESSOA DO BENEFICIÁRIO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICADA. Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovada, como no caso apurado, que o contribuinte adotou intencionalmente de informação falsa e operações fictícias para acobertar os rendimentos sujeitos a tributação. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não as multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. JUROS MORATÓRIOS. TAXA DE JUROS. SELIC. APLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815180324864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14098.000314/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.423 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ADAUTO KIYOTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 NULIDADE. DADOS OBTIDOS FORA DA JURISDIÇÃO. JURISDIÇÃO DIVERSA DAQUELA DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 27) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. FALTA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E DA INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Faltando nos autos a prova da violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, iniciado com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não admite contraditório. NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. FORO NÃO COMPETENTE. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula nº 2) SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Cabe ao fisco examinar as informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 03 14 /2 00 9- 21 Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. APURAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. NÃO APLICAÇÃO DA APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. O fato gerador do imposto de renda de pessoa física se sujeita ao ajuste anual, compreendendo os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Especificamente, em relação à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, aplicase a Súmula CARF nº 38. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS NA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÕES FICTÍCIAS. DOLO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Na situação em que pessoas físicas realizam operações fictícias em nome da pessoa jurídica, prática dolosa configurada como de infração à lei, exclusivamente para acobertar rendimentos e transações, beneficiandose diretamente dos valores envolvidos, cabe a responsabilidade pessoal aos terceiros envolvidos na ação, que interagiram na operação simulada e financeiramente se beneficiaram do seu resultado. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO NA PESSOA DO BENEFICIÁRIO. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada quando restar comprovada, como no caso apurado, que o contribuinte adotou intencionalmente de informação falsa e operações fictícias para acobertar os rendimentos sujeitos a tributação. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não as multas e dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. JUROS MORATÓRIOS. TAXA DE JUROS. SELIC. APLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. A Conselheira Nathalia Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 3 3 Mesquita Ceia declarouse impedida. Fez sustentação oral pelo Contribuinte a Dra. Magda Ribeiro, OAB/SP 195.075. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Relatório Trata o presente processo de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 e 2006, no valor de R$ 20.487.203,36, sobre o qual incide multa de ofício qualificada, de 150%, e juros de mora. Como disposto no Termo de Verificação fiscal (fls. 214/231), o Auto de Infração (fls. 208/213) foi lavrado contra o sujeito passivo “que com mais evidência aparece como beneficiário”, o contribuinte Adauto Kiyota, sendo lavrado, também, “os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os para perfeita identificação das demais pessoas que tiveram interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária (fls. 194 a 204)”, sendo elas: Adilson Luiz Rodrigues Perestrelo, Alessandra Kiyota Braga, Antônio Darcilio Rodrigues Perestrelo, Cristiano Giorgi Muller Carioba Arndt, Erika Kiyota Ayrosa, Evilásio Salustiano Batalha, Kiyota Incorporadora Ltda., Márcio Rogério Pinheiro e Milton Molinari Morete. O lançamento é decorrente de omissão de rendimentos, sendo parte dela caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira sem comprovação de origem. Os sujeitos passivos solidários foram identificados no procedimento de fiscalização contra SANTA CRUZ, consoante subitem "1.2.5" do Termo de Inicio (fl. 04), cujos valores levantados estão individualmente identificados no relatório de fls. 172 a 176. O auditor fiscal, no Termo de Verificação Fiscal, informa que a ação fiscal teve início no procedimento fiscal contra a SANTA CRUZ INDUSTRIAL, COMERCIAL, AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA., CNPJ 01.954.185/000136, no qual se apurou incapacidade operacional da empresa e a inexistência de documentação que comprovasse as operações a ela vinculadas. As fontes pagadoras que efetuaram os créditos nas contas bancárias da empresa também não teriam comprovado a existência das operações que deram causa a esses pagamentos, confirmado que todo o fluxo de operações foi fictício – compra de soja em grãos, industrialização efetuada por terceiros, exportações de produtos resultantes – com intuito de auferir créditos fiscais e eventualmente algum prejuízo operacional. A fiscalização apurou ainda que a empresa inexistia de fato, não tendo praticado nenhuma das operações relativas às vendas de soja e à prestação de serviço de logística a ela atribuídas, e que o expressivo montante de dinheiro transitado pelas contas bancárias da empresa, cuja origem não foi comprovada documentalmente, foi revertido em favor das pessoas autuadas, o fiscalizado e seus solidários, mentores e operadores do esquema fraudulento. Com a finalidade propiciar ao sujeito passivo e seus solidários do levantamento efetuado, a auditoria elaborou diversas planilhas, identificando as transações, discriminando os créditos e a possível natureza da tributação, por valor e tipo de saque, excluindo as transferências entre as empresas LÓGICA, AXIS e MASTER (fls. 154 180), conforme descrito no relatório da auditoria, parcialmente transcrito: Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 4 5 1.2 Com base nas provas autuadas no processo n° 14098.000141/200941, a Fiscalização elaborou as seguintes planilhas para subsidiar o lançamento de ofício e propiciar ao sujeito passivo e seus solidários o pleno conhecimento dos detalhes envolvidos: 1.2.1 ‘RENDIMENTOS RECEBIDOS NAS CONTAS BANCARIAS DA EMPRESA SANTA CRUZ’, Contendo três folhas (fls. 154 a 156), trata de discriminar todos os créditos, por dia, pelos quais a referida empresa foi intimada a comprovar as origens das operações, o que não fez, resultando acesso da Fiscalização aos documentos detidos por instituições financeiras nos termos do art. 60 da Lei Complementar n° 105/2001, a partir dos quais, bem assim de outras diligências, foram constituídas as provas contra o sujeito passivo ora intimado e seus solidários. Do valor que a referida empresa foi intimada a comprovar (R$ 74.631.027,52), constante do supradito processo, foram excluídas as transferências entre as empresas AXIS, LÓGICA e MASTER, resultando R$ 74.509.627,52 (setenta e quatro milhões, quinhentos e nove mil, seiscentos e sete reais e cinqüenta e dois centavos) como rendimentos tributáveis, sendo parte de natureza identificada, passível de tributação com base nos arts. 37, 38, 43 e 55, X, do RIR/99, e parte sem origem comprovada, que o sujeito passivo e seus solidários podem apresentar documentação hábil e idônea que descaracterize tais cifras da condição de rendimentos tributáveis: não ocorrendo essa apresentação, os aludidos valores são passíveis de tributação com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 1.2.2 ‘1 TIPIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS NAS CONTAS BANCARIAS DA EMPRESA SANTA CRUZ’, contendo três folhas (fls. 157 a 159), trata de separar os rendimentos tributáveis segundo sua natureza, de acordo com os textos legais citados no subitem anterior, onde se vê que parte dos valores auferidos nas contas bancárias da referida empresa como cobrança de títulos não foi identificada a partir dá documentação bancária entregue à Fiscalização, mas os valores correspondentes foram considerados como rendimentos da mesma natureza que as cobranças identificadas em nome das fontes pagadoras Adria Alimentos, Arthur Lundgren Tecidos, Beraca Sabará, Comercial Salter, Lua Nova, Pastifício Santa Anglia, Sucos Del Valle, Arc Sul e Tigre. A outra parte dos rendimentos não identificados, que o sujeito passivo e seus solidários podem apresentar documentação hábil e idônea que descaracterize tais cifras da condição de rendimentos tributáveis, como dito no subitem ‘1 1.2:1’, é composta por créditos nas contas bancárias por meio de depósitos, do subitem ‘1 1.2.1’. 1.2.3 ‘RENDIMENTOS IDENTIFICADOS NAS CONTAS BANCÁRIAS DA EMPRESA SANTA CRUZ’, contendo duas folhas (fls. 160 a 161), consolida os valores de cobranças recebidas das fontes pagadoras, bem assim dos valores recebidos por meio de TED e contrato, das aludidas fontes. Tal planilha difere da apurada no procedimento contra a referida empresa, pois lá deixaram de ser consignados valores identificados posteriormente como cobrança na documentação das fontes pagadoras, além de mais créditos bancários, sem falar que naquela apuração ainda constavam os créditos recebidos de LÓGICA, MASTER e AXIS. Assim, para melhor visualização do que foi alterado de uma planilha para outra, foram assinalados com uma esfera vermelha as inclusões e exclusões. 1.2.4 ‘RENDIMENTOS UTILIZADOS ABRANGIDOS PELA AMOSTRA (> R$ 50.000,00)’, contendo sete folhas (fls. 162 a 168), demonstra os valores pagos a terceiros e ao sujeito passivo e seus solidários, cujo resultado dos exames está no conjunto de documentos atinente ao procedimento de fiscalização contra a empresa SANTA CRUZ INDUSTRIAL, COMERCIAL, AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA. (‘RESULTADOS DAS INTIMAÇÕES PAGAMENTOS EFETUADOS’). Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 É possível verificar que na amostra de valores iguais ou maiores que R$ 50.000,00, foi totalizada a quantia de R$ 46.949.563,25, sendo R$ 31.701.171,72 destinados ao sujeito passivo ora intimado e seus solidários, diretamente aos mesmos, por intermédio das empresas utilizadas nas transações ilícitas (LÓGICA, AXIS e MASTER), por intermédio da KIYOTA INCORPORADORA LTDA. e em pagamentos na compra de bens em nome desta última para Helicópteros do Brasil S/A e RNK Empreendimentos Ltda. Já o saldo da quantia testada – R$ 15.248.391,53 – (fls. 169 a 171) foi destinado a uma série de pagamentos das mais variadas operações envolvendo terceiros, revelando que o sujeito passivo e seus solidários utilizaram os rendimentos auferidos a seu belprazer. Dessa forma, pelos exames efetuados, por amostragem, ficou demonstrada a forma com que R$ 61.431.206,37 foram utilizados pelo sujeito passivo e seus solidários, mas isso não significa afirmar que o saldo restante para completar os rendimentos tributáveis de R$ 74.509.627,52 não foi utilizado, à medida que o saldo na conta co BANCO ITAÚ em 31/12/2005 era de R$ 926,70 e que não havia saldo nas contas do UNIBANCO. 1.2.5 ‘RENDIMENTOS PAGOS AOS SUJEITOS PASSIVOS’, contendo cinco folhas (fls. 172 a 176) detalha a quantia de R$ 31.701.171,72. 1.2.6 ‘RENDIMENTOS SACADOS DAS CONTAS BANCARIAS DA EMPRESA SANTA CRUZ’, contendo quatro folhas (fls. 177 a 180), demonstra os valores sacados em espécie e em cheque pelo sujeito passivo e seus solidários. A Fiscalização informa, ainda, que: a) pós a cópia do processo nº 14098.000141/200941 à disposição do sujeito passivo e, atendendo ao pedido assinado por procuração, remeteu por via postar uma cópia em meio magnético (fls. 21 e 22, 23 a 28). b) comunicou a inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa SANTA CRUZ, tendo em vista a não comprovação do efetivo exercício da atividade social, a não disposição de patrimônio e a sua incapacidade operacional ao objetivo a que se propunha. c) a empresa Santa Cruz, cujos sócios seriam Antonio Darcilio Rodrigues Perestrelo e Márcio Rogério Pinheiro, teria entregue a DIPJ AC 2006 sem valores, as DCTFs do ano de 2004 sem débitos, as DACONs de 2003 e 2004 sem valores e não teria entregado as DCTFs de 2005. d) não havia correlação nem compatibilidade entre a movimentação financeira da empresa Santa Cruz e as supostas vendas/prestações de serviços. Em 2004 a movimentação financeira foi de R$ 60.947.928,94 contra R$ 9.750.182,24 de aquisição de serviços e R$ 407.017.779,96 de aquisição de mercadorias informadas pelos terceiros. e) intimados, os supostos compradores, grandes empresas de renome nacional que não teriam nenhuma relação com o ramo de atividade (comercialização, distribuição ou industrialização envolvendo produtos agrícolas), não conseguiram comprovar as aquisições das mercadorias. As empresas intimadas são: PASTIFÍCIO SANTA AMÁLIA S/A (R$ 100.050.789,00) [uma das remessas teria sido do endereço da sala comercial em Brasília]; TIGRE S/A (R$ 219.223,310,00) [as mercadorias ficavam no estabelecimento da representada], MEGAFORT DISTRIBUIDORA IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA. (R$ 42.583,37) [serviços de gerenciamento acompanhamento e armazenamento de soja], CASAS PERNAMBUCANAS (R$ 2.780.000,00) [delineou toda a operação e informou que lhe cabia apenas a emissão das notas, e que o valor de 2,78 milhões teria sido apenas a parte paga, pois o valor da operação foi de 25,5 milhões], COMERCIAL SALFER (serviços de R$ 1.379.764,13 Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 5 7 e mercadorias de R$ 40.451.323,96) [tomou conhecimento de que as operações que acreditava realizar eram fictícias e passou a exigir diretamente da SANTA CRUZ a comprovação das operações, não aceitando mais a interveniência da MASTER. Instalado o atrito, suspendeu os pagamentos A SANTA CRUZ o que resultou problemas judiciais. Foi autuada pela Receita Estadual e pela Receita Federal], ADRIA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. (serviços no valor de R$ 209.860,00 e de mercadorias no valor de R$ 17.307.110,00) [nada esclareceu, mas juntou documentos revelam operações em valores superiores ao pagos]. Além dessas, foram intimadas SUCO DEL VALLE, LUA NOVA IND. E COM. e BERACA SABARÁ. As provas nos autos da ocorrência de rendimentos não declarados pelos autuados são os extratos bancários e as conexões narradas pela auditoria, fundamentados em documentos, demonstrando que os créditos relacionados nesses extratos se referem à remuneração pela preparação e resultados do esquema "sojapapel". Destacamse do relatório: (i) a inexistência da referida empresa, a falta de capacidade operacional e de comprovação das operações; (ii) a inexistência de operações a ela atribuídas; (iii) o direcionamento dos recursos favorecendo empresas e pessoas físicas ligadas ao tal esquema; e (iv) a não comprovação das operações de compra de soja por parte das empresas que se beneficiariam dos créditos fiscais de PIS, COFINS e ICMS. Denominada de “sojapapel”, o esquema se apresentava na aparência como modalidade de planejamento tributário (assim também definida pelo autuado, fl. 113), por meio do qual empresas que não atuavam no ramo de exportação de derivados de soja, adquiriam o produto primário, remetendoo diretamente para industrialização. Posteriormente, simulase que a soja seria transformada em farelo ou em óleo e remetido pelo estabelecimento industrial, por conta e ordem da empresa contratante do beneficiamento, para uma comercial exportadora, que, encerrando o ciclo, remetia o produto para o exterior, gerandose créditos fiscais de tributos Federais e de ICMS em favor daquele por conta de quem a exportação havia sido feita. Em que pese ser possível tal operação, no caso específico, as operações eram fictícias: o produto não era adquirido, remetido para industrialização e nem exportado. A documentação relativa a tais operações era falsa e se destinava tãosomente a respaldar os registros fiscais e contábeis que ensejariam a apropriação de créditos instituídos pela legislação como estímulo ao exportador. Após o encerramento dos autos e a ciência do ato administrativo que os colocava no polo passivo da relação tributária, os autuados, a exceção de Evilásio Salustiano Batalha, apresentaram impugnações, nas quais essencialmente sustentam a ilegitimidade passiva. As impugnações foram assim sintetizadas no relatório do acórdão de primeira instância: ADAUTO KIYOTA Arguiu preliminarmente incompetência do AuditorFiscal para lavratura do auto de infração, já que este deve ser lavrado onde for verificada a falta, o que não aconteceu no caso. Alegou também, com fulcro no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN, decadência dos créditos tributários nascidos de fatos geradores ocorridos antes de outubro de 2004, já que o auto de infração foi lavrado em outubro de 2009. Teria ainda havido violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, porquanto não era possível A empresa Santa Cruz apresentar a documentação necessária à comprovação da origem dos depósitos, uma vez que os documentos se encontravam em poder do Fisco estadual, que arbitrariamente os apreendera. Não havendo como apresentar a documentação exigida, deve o auto de infração ser Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 anulado, por cerceamento do direito de defesa, pois o AuditorFiscal não considerou esse fato, impeditivo da efetiva comprovação documental. Também existe nulidade do auto de infração decorrente da afirmação de inexistência de fato da empresa Santa Cruz, pois a desconsideração da personalidade jurídica compete à autoridade judiciária. Por outro lado, é possível verificar que os produtos derivados da soja, fornecidos pela Santa Cruz às empresas esmagadoras, foram exportados. Existem registros no Siscomex, em nome das empresas exportadoras, comprovando a exportação. Por outro lado, a empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmasu Auditores Independentes atestara a regularidade das diversas fases do negócio jurídico. No que toca à capacidade operacional, a Santa Cruz não necessitava ter galpões para estocar soja, pois comprava diretamente do produtor através das comodities (sic). Afirmou que não houve qualquer diligência da Fiscalização no sentido de comprovar o efetivo funcionamento ou a inexistência da empresa. Disse que o AuditorFiscal não poderia decidir pela inexistência de fato da empresa Santa Cruz, pois não há na legislação tributária nada que atribua tal competência ao Fisco, sendo que a desconsideração da personalidade jurídica só pode ser decidida em processo judicial. Carece de fundamentação e de tipicidade a eleição do impugnante como sujeito passivo principal da obrigação tributária. A decisão administrativa só terá validade se trouxer seus próprios fundamentos, o que não ocorreu no caso concreto. O Auditor Fiscal não fundamentou a decisão de incluir o impugnante no polo passivo, não declinando os motivos que o levaram a faze1o, o que se caracteriza como cerceamento de direito de defesa. A ilação quanto à omissão de rendimentos baseouse exclusivamente em extratos bancários, mas a Santa Cruz não pode comprovar as origens dos valores depositados, já que os documentos estavam apreendidos. À mesma impossibilidade se via preso o impugnante, pois além de não dispor dos documentos, não era sócio, procurador ou mandatário da Santa Cruz, mas apenas advogado em alguns negócios jurídicos e processos, e sócio da Máster Consultoria Tributária Ltda., que prestava assessoria àquela empresa. Por todas essas razões o impugnante é parte ilegítima para figurar no polo passivo da obrigação tributária. Afirmou que a experiência cotidiana demonstra que não há correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos, sendo necessário, para considerarse o valor como receita omitida, saber a que título foram feitos os depósitos. Disse que o único valor recebido totaliza R$ 104.850,00, por prestação de serviços advocatícios e que, por esse fato, não pode responder por toda a movimentação bancária da Santa Cruz. Afirmou que outros valores foram pagos à empresa Máster, por serviços de consultoria, e que em relação a tais valores estaria havendo bitributação. Negou ainda a existência de contratos de mútuo sem a respectiva devolução do valor mutuado. Por outro lado, não pode ser tomada como algo extraordinário a participação do impugnante em negociações da Santa Cruz com seus clientes, já que prestara serviços de advocacia à empresa. O impugnante estranhou não terem sido incluídos no rol dos autuados a empresa Axis Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e seu sócio Pedro Paulo Puglisi de Assumpção. Quanto à multa, apontou a existência de efeito confiscatório. Com esses fundamentos, pugnou pela desconstituição do crédito tributário. Posteriormente, houve aditamento à impugnação, reiterando as mesmas alegações já articuladas. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 6 9 MILTON MOLINARI MORETE – Alegou ilegitimidade passiva. Disse que os pagamentos por ele recebidos da empresa Santa Cruz e os repasses financeiros destinados à sua conta bancária não se coadunam com o dispositivo legal invocado para estabelecer responsabilidade tributária solidária, na forma do art. 124, inciso I, do CTN. Ressaltou que o lançamento foi motivado por falta de comprovação da origem dos valores depositados nas contas bancárias da empresa Santa Cruz, e que a responsabilidade pelo pagamento dos tributos é da empresa e não do impugnante, não se confundindo a personalidade dos sócios ou representantes legais com a da pessoa jurídica. Afirmou que antes de serem repassados para suas contas bancárias, os valores sofreram desconto de Imposto de Renda pela empresa Santa Cruz, a quem competia fazer o respectivo recolhimento, pelo qual não pode o impugnante ser responsabilizado. A sua inclusão no polo passivo, por outro lado, carece de motivação, o que implica nulidade do lançamento. Declarou não ter conhecimento das atividades da empresa Santa Cruz, não tendo participado das operações por ela praticadas, nem interferido em suas atividades comerciais. Pediu, ao final, a exclusão de seu nome do rol dos autuados. ANTÔNIO DARCÍLIO RODRIGUES PERESTRELO – Afirmou ter sido sócio da empresa Santa Cruz, sem, entretanto, qualquer atuação em sua administração, não tendo poder decisório sobre as respectivas atividades. Apesar de sócio da Santa Cruz, não atuava na área comercial. Assim, não tem a pretensão de justificar ou comprovar o que não lhe compete, especialmente no tocante às operações com as empresas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal. Descreveu a forma de atuação da empresa Santa Cruz, bem como o papel desempenhado pelas empresas Globalbank e Deloitte, no contexto das operações envolvendo a compra, a venda e a industrialização de soja e a subsequente exportação do produto industrializado. Afirmou, quanto ao lançamento, que as conclusões do AuditorFiscal estão baseadas tãosomente em conjecturas e em sugestões de terceiros, carecendo de provas efetivas. Foi ele construído a partir de suposições, utilizandose da movimentação financeira da Santa Cruz. Esta, por sua vez, deixou de apresentar os documentos relativos As operações que originaram aos depósitos bancários, porque a documentação se achava apreendida pelo Fisco estadual. Impossível, pois, apresentar a escrita contábil e fiscal, bem como os documentos nos quais estavam baseadas. A inscrição no CNPJ foi considerada inapta por inexistência de fato, com o mesmo fundamento, ou seja, a falta de apresentação de documentos. Disse ainda que sua empresa, a Máster Consultoria Tributária Ltda., tinha uma atividade secundária, voltada basicamente para a organização e trâmite dos documentos, dentro do planejamento tributário. ADILSON LUIZ RODRIGUES PERESTRELO – Disse o impugnante que teve relação com a empresa Santa Cruz na condição de procurador, com "cláusulas especificas de representação não societária", nem comercial ou administrativa. Não participava de reuniões com clientes. No mais, reproduziu o mesmo teor da impugnação apresentada por Antônio Darcilio Rodrigues Perestrelo. MÁRCIO ROGÉRIO PINHEIRO – Afirmou o impugnante que foi sócio da Santa Cruz meramente para efeito de formação do quadro social. No mais, reproduziu os Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 mesmos termos e conteúdo da impugnação apresentada por Antônio Darcilio Rodrigues Perestrelo. CRISTIANO GIORGI MULLER CARIOBA ARNDT Alegou o impugnante que não pode prevalecer a responsabilidade solidária com base na suposta existência de interesse comum, diante da fragilidade da prova colhida pela Fiscalização. A circunstância tomada como liame entre a omissão de rendimentos imputada a Adauto Kiyota e o impugnante são os pagamentos por ele recebidos, relacionados às fls. 162 a 168 e 169 a 172. Tais valores foram pagos como remuneração pela prestação de serviço de consultoria à empresa Santa Cruz e, posteriormente, à empresa Axis. O impugnante é profissional do mercado de capitais, atuando com consultoria e análise financeira. Foi contratado para prestar serviços de consultoria à Santa Cruz, o que passou a ser feito por sua empresa, a Cariobá Commodities Ltda. As atividades do impugnante se restringiam ao fechamento de contratos de câmbio e de compra de operações de performance de exportação, que ele mesmo define como sendo aquela em que uma empresa que possui mercadorias para exportação, vende esses direitos de exportação sobre tais mercadorias para outras exportadoras. As atividades eram burocráticas e restritas as operações de cambio e as de performance, o que explica a existência de contratos por ele assinados. O impugnante, entretanto, jamais tomou conhecimento de qualquer operação sojapapel e tampouco esteve entre seus mentores. Rejeita a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN, afirmando ser necessário, para a incidência dessa norma, que a pessoa esteja na posição de contribuinte, realizando, portanto, o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum só estará presente se a pessoa, ao lado de outras, praticar a situação descrita na lei como fato gerador do tributo. No caso em tela, Adauto Kiyota foi autuado por omissão de rendimentos no montante de 74 milhões de reais. Ao impugnante está sendo imputada responsabilidade solidária por ter recebido da empresa Santa Cruz a quantia de 71 mil reais, por regular e comprovada prestação de serviço de consultoria. Além disso, os pagamentos recebidos não têm relação com a renda omitida por Adauto Kiyota. Os valores auferidos pela prestação de serviços foram corretamente declarados e oferecidos à tributação. Quanto à penalidade, alegou a impossibilidade de aplicação de multa qualificada sobre valores tidos como omissão de rendimentos apurados a partir de depósitos bancários, invocando em favor dessa tese a Súmula 14 do CARF. Alegou a inaplicabilidade da taxa Selic, dada a sua natureza remuneratória, violando o principio da segurança jurídica e o disposto no art. 161, §1°, do CTN, que estabelece como limite máximo a taxa de 1% ao mês. Sustentou ainda a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de oficio. Com esses fundamentos, pede que seja cancelado o termo de sujeição passiva solidária e, subsidiariamente, o afastamento da multa qualificada, a taxa Selic e a incidência de juros sobre a multa. ERIKA KIYOTA AYROSA – A impugnante, alegando ilegitimidade passiva, não adentrou a questão apontada pelo AuditorFiscal como fato gerador da obrigação tributária, ao argumento de que não podia justificar, nem comprovar o que não lhe competia. Disse que é sócia da empresa Kiyota Incorporadora Ltda., de quem recebeu rendimentos de prólabore e distribuição de lucros. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 7 11 Disse ainda que, para fazer frente a esses pagamentos, a Kiyota Incorporadora Ltda. recorrera a empréstimos junto a Master Consultoria, a qual era credora da Santa Cruz. Arguiu nulidade do lançamento por incompetência do AuditorFiscal, já que não foi observado o disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, que impõe ser o auto de infração lavrado por servidor competente, no local de verificação da falta. Porém, o ato foi praticado fora do domicilio da autuada e em local distinto daquele em que teria ocorrido a omissão de rendimentos. Além disso, falta fundamentação para incluir a impugnante no rol dos autuados. Violando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, não foram declinados os motivos pelos quais o auto de infração foi lavrado contra a impugnante. Por outro lado, não existe juridicamente presunção de solidariedade. Falta ao caso concreto tipicidade, já que a impugnante não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 124 do CTN. Ela apenas recebeu recursos através da empresa Santa Cruz, por conta e ordem da Master Consultoria, em razão de contrato de mútuo com a Kiyota Incorporadora Ltda. O interesse comum não se revela pelo interesse econômico ou pelo proveito extraído da situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, mas pelo interesse jurídico que consiste na realização do fato tributável. A impugnante jamais teve qualquer relação com o esquema relatado no Termo de Verificação Fiscal e foi autuada por ser filha de Adauto Kiyota. Não é cabível lançamento por omissão de receita baseado somente em extrato bancária, dada a ausência de correlação natural entre depósitos e rendimentos. Aponta por fim a existência de bitributação, pois os valores já teriam sofrido incidência do Imposto de Renda. Com esses fundamentos, pugnou pela desconstituição do crédito tributário. ALESSANDRA KIYOTA BRAGA – A impugnante reproduziu o mesmo conteúdo da impugnação apresentada por Erika Kiyota Ayrosa. KIYOTA INCORPORADORA LTDA – Afirmou ter prestado serviços à Santa Cruz, recebendo por eles os respectivos pagamentos, com emissão das notas fiscais e recolhimento dos tributos. Disse ainda ter tomado empréstimo junto à empresa Máster Consultoria. O restante da impugnação reproduz o teor das impugnações apresentadas por Erika e Alessandra Kiyota. Os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande (MS), por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares e, no mérito, julgaram improcedentes as impugnações, mantendo o crédito tributário em relação a todos os sujeitos passivos. Cientificadas (Adauto Kiyota, em 14/4/2011; Adilson Luiz Rodrigues Perestrelo, em 13/4/2011; Alessandra Kiyota Braga, em 14/4/2011; Antônio Darcilio Rodrigues Perestrelo, em 14/4/2011; Cristiano Giorgi Muller Carioba Arndt, em 13/4/2011; Erika Kiyota Ayrosa, em 14/4/2011; Evilásio Salustiano Batalha em 14/4/2011; Kiyota Incorporadora Ltda, em 13/4/2011; Márcio Rogério Pinheiro, em 15/4/20011; e Milton Molinari Morete, em 13/4/2011), as partes apresentaram os respectivos recursos voluntários, excetuandose o contribuinte Evilásio Salustiano Batalha que já não havia impugnado o lançamento. Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 Dos recursos voluntários tempestivamente interpostos, extraíse: ADAUTO KIYOTA Nulidade, por incompetência do auditor fiscal em efetuar o lançamento fora do local onde foi verificada a falta (omissão). Haveria nulidade por incompetência do AuditorFiscal para lavratura do auto de infração, pois este deveria ter sido lavrado onde foi verificada a falta. Como a verificação da falta teria se dado a partir de extratos bancários extraídos das contas correntes abertas em São Paulo, o fisco de Cuiabá não possuía qualquer elemento para a caracterização da infração e formalização do crédito tributário. E que a elaboração dos autos fora do local da verificação da peça seria um vício insanável. Nulidade, por violação aos princípios do contraditório e cerceamento do direito de defesa. Que teria ainda havido violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, porquanto não era possível à empresa Santa Cruz apresentar a documentação necessária para comprovar a origem dos depósitos, uma vez que os documentos se encontravam em poder do Fisco estadual, que arbitrariamente os apreendera. Diante disso, não havendo como apresentar a documentação exigida, o auto de infração deveria ser anulado. Nulidade, por desconsideração da personalidade jurídica da empresa Santa Cruz. Que existiria nulidade do auto de infração, por decorrência da afirmação de inexistência de fato da empresa Santa Cruz, pois a desconsideração da personalidade jurídica cometeria à autoridade judiciária; que seria possível verificar que os produtos derivados da soja, fornecidos pela Santa Cruz às empresas esmagadoras, foram exportados; que existem escambos e planilha de câmbio e registros no Siscomex, em nome das empresas exportadoras, comprovando a exportação; que a empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmasu Auditores Independentes atestara a regularidade das diversas fases do negócio jurídico, não sendo concebível que passe por ela o suposto esquema apontado; que haveria contradição no relatório fiscal ao apontar que a empresa não possuía patrimônio, já que cita a ocorrência de uma transação imobiliária de imóvel rural no município de Luanda (PR); que a Santa Cruz não necessitava ter galpões para estocar soja, pois comprava diretamente do produtor através das commodities; que não houve qualquer diligência da fiscalização para comprovar o efetivo funcionamento ou a inexistência da empresa; que o AuditorFiscal não poderia decidir pela inexistência de fato da empresa Santa Cruz, pois não há na legislação tributária nada que atribua tal competência ao Fisco, sendo que a desconsideração da personalidade jurídica só poderia ser decidida em processo judicial; e que jamais fora mandatário, preposto ou empregado da citada empresa. Falta de fundamentação para apontar o recorrente como sujeito passivo principal. Os autos não apresentam qualquer fundamentação para apontálo como sujeito passivo principal da obrigação tributária; que não teria qualquer vínculo pessoal com a citada empresa, para a qual apenas teria prestado serviços de assessoria Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 8 13 jurídica; e que teria juntando ao recurso voluntário cópia dos recibos referente aos pagamentos para quitação do contrato de mútuo firmado com a Santa Cruz. Lançamento baseado somente em extratos bancários. A omissão de rendimentos teria sido baseada exclusivamente em extratos bancários, porém a Santa Cruz não pode comprovar as origens dos valores depositados, já que os documentos estavam apreendidos pelo Fisco Estadual, e por consequência, também estava impedido, por força maior, de apresentar qualquer documentação, pois além de não dispor dos documentos, não era sócio, procurador ou mandatário da Santa Cruz, mas apenas advogado em alguns negócios jurídicos e processos, e sócio da Máster Consultoria Tributária Ltda., que prestava assessoria àquela empresa. Não procederia o lançamento por omissão de receitas com base em depósitos bancários, pois a fiscalização não teria demonstrado cabalmente a existência da omissão, e que não cabe a autuação baseada em mero indício, e sim na “evidência comprovada”. A quebra do sigilo bancário deveria ter sido precedida de autorização judicial, constituindo uma afronta à Constituição Federal, em especial ao direito à intimidade e à privacidade. Decadência do fato gerador. A decadência dos créditos tributários não estaria vinculada à antecipação de pagamento, e o seu prazo de contagem seria cinco anos depois de ocorrido o fato gerador. O recorrente não informa quais períodos estariam decadentes, apesar de, na impugnação, ter indicado que seriam aqueles ocorridos antes de outubro de 2004, já que o auto de infração foi lavrado em outubro de 2009. Multa confiscatória. Apontou a existência de efeito confiscatório. A multa superior a 20% do valor do tributo (principal) seria inconstitucional. Bitributação. Alega que, como prestou serviços à empresa fiscalizada, tendo recebido por isso, e na época própria recolhido os tributos, sendo compelido a pagar o mesmo tributo. ADILSON LUIZ RODRIGUES PERESTRELO Cerceamento do direito de defesa. Disse que, por ser irmão do sócio majoritário, recebeu procuração com "cláusulas representação, porém, sem qualquer poder decisório sobre suas atividades" comerciais ou administrativas. Que não haveria qualquer possibilidade de a empresa Santa Cruz apresentar a documentação apreendida, e que não caberia a autoridade julgadora em primeira instância se valer de suposições de que o Fisco Estadual entregaria cópias da documentação, nem existiria nenhuma norma obrigando o contribuinte manter cópia de documentos Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 apreendidos ou mesmo em buscálo em outro ente da federação, se exigido por outrem. Inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Alega que somente por meio de decisão judicial poderia ocorrer a quebra do sigilo bancário, que se encontra sob o manto do princípio da inviolabilidade da intimidade, esculpido no art. 5º da Constituição federal. Nulidade, por desconsideração da personalidade jurídica da empresa Santa Cruz. Que existiria nulidade do auto de infração, pois a desconsideração da personalidade jurídica compete à autoridade judiciária; que não teria havido diligências para verificação dos fatos in loco. ALESSANDRA KIYOTA BRAGA Disse que é sócia da empresa Kiyota Incorporadora Ltda., de quem recebeu rendimentos de prólabore e distribuição de lucros e que, por algumas vezes, para fazer frente a esses pagamentos, a empresa Kiyota Incorporadora Ltda. teria recorrido a empréstimos junto a Master Consultoria, a qual era credora da Santa Cruz, e alegou: Nulidade, por incompetência do auditor fiscal em efetuar o lançamento fora do local onde foi verificada a falta (omissão). Nesse tópico, repete os argumentos apresentados pelo senhor Adauto Kiyota, de que a elaboração dos autos fora do local da verificação da peça seria um vício passível de anulação do lançamento. Falta de fundamentação para apontar o recorrente como sujeito passivo principal. Os autos não apresentariam qualquer fundamentação para apontála como devedora solidária obrigação tributária, violando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, e que não foram declinados os motivos pelos quais o auto de infração foi lavrado. Ilegitimidade passiva. O acórdão recorrido não teria se manifestado expressamente sobre a legitimidade passiva da recorrente, fazendo um apanhado genérico do assunto e contraditório; que solidariedade jurídica se constitui pela “realização conjunta da situação que constitui o fato gerador”, e não do proveito da situação ou interesse econômico; que foi inserida como solidária apenas por presunção, já que não haveria qualquer envolvimento da recorrente no suposto esquema relatado pela auditoria; e que teria sido apontada apenas por ser filha do contribuinte Adauto Kiyota. Omissão de receitas. A presunção não reúne os requisitos básicos necessários, pois como se vê no relatório apresentado, a empresa Santa Cruz não tinha em mãos os documentos solicitados pela fiscalização, que haviam sido apreendidos pelo Fisco Estadual, e Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 9 15 se a empresa não teve como se explicar, quiçá a recorrente; que não restou comprovado que seria titular dos recursos da empresa investigada; que a movimentação financeira não corporificaria fato gerador do imposto de renda e que os meros indícios não servem para determinar a receita omitida, pois os créditos devem ser analisados individualmente. Bitributação. Alega que, como prestou serviços à empresa fiscalizada, tendo recebido por isso, e na época própria recolhido os tributos, estaria sendo compelido a pagar o mesmo tributo. ANTÔNIO DARCÍLIO RODRIGUES PERESTRELO Repete os argumentos já apresentados por Adilson Luiz Rodrigues Perestrelo, em relação à: Cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório e devido processo legal. Inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Nulidade, pela indevida desconsideração da personalidade jurídica da empresa Santa Cruz. Anexa cópia da decisão no processo nº 3.401/2005, para declarar nulo os atos de apreensão de documentos pela Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso e determinar a sua devolução à contribuinte. CRISTIANO GIORGI MULLER CARIOBA ARNDT Improcedência da responsabilidade imputada ao recorrente. Não poderia prevalecer a responsabilidade solidária ao recorrente com base na suposta existência de interesse comum, já que a única prova apresentada pela Fiscalização seriam os pagamentos por ele recebidos, relacionados às fls. 162 a 168 e 169 a 172, e que a única quantia recebida foi R$ 71.310,00 por regular e comprovada prestação de serviço de consultoria à empresa Santa Cruz e, posteriormente, à empresa Axis, corretamente declarados pela empresa Carioba Commodities Ltda., da qual é sócio, conforme demonstra a DIPJ anexada ao recurso. Que os recursos recebidos teriam sido oferecidos à tributação. Argui que seria profissional do mercado de capitais, atuando com consultoria e análise financeira, e que teria sido contratado para prestar serviços de consultoria à Santa Cruz, o que passou a ser feito por sua empresa, a Cariobá Commodities Ltda., e que o valor inicialmente ajustado para remuneração dos serviços prestados seria de R$ 12.000,00 mensais, elevados posteriormente para R$ 15.000,00. Suas atividades se restringiam ao fechamento de contratos de câmbio e de compra de operações de performance de exportação, comuns no mercado Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 16 financeiro e absolutamente legais. Jamais teria tomado conhecimento de qualquer operação sojapapel e tampouco esteve entre seus mentores. Alega que a responsabilidade solidária, nos termos do art. 264 do Código Civil, ocorre quando na mesma obrigação concorre mais de um credor ou mais de um devedor, cada um com um direito ou obrigado pela dívida total, e que ao seu caso não se aplicaria o previsto no art. 124, inciso I, do CTN, afirmando ser necessário, para a incidência dessa norma, que a pessoa esteja na posição de contribuinte, realizando, portanto, o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum só estaria presente se a pessoa, ao lado de outras, praticasse a situação descrita na lei como fato gerador do tributo. Impossibilidade de imputação de responsabilidade solidária sobre os valores decorrentes dos depostos bancários de origem não comprovada – aplicação da Súmula 29. Alega que não teria sido intimado a comprovar a origem de tais recursos referente à omissão caracterizada por depósitos bancários, como impõe a Súmula CARF nº 29, sendo nulo o lançamento. Impossibilidade de aplicação de multa qualificada sobre os valores tidos como omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à penalidade, alegou a impossibilidade de aplicação de multa qualificada sobre valores tidos como omissão de rendimentos apurados a partir de depósitos bancários, invocando em seu favor a Súmula 14 do CARF. Como o AFRFB não teria comprovado que esses pagamentos decorreram das operações enquadradas como fictícias, não se poderia aplicar a multa qualificada, cabida apenas nos casos de evidente intuito de fraude. Inaplicabilidade da taxa Selic. A taxa Selic, dada a sua natureza remuneratória, violaria o principio da segurança jurídica e o disposto no art. 161, §1°, do CTN, que estabelece como limite máximo a taxa de 1% ao mês. Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Sustentou a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de oficio, por absoluta falta de previsão legal, pois a multa não seria tributo, e sim penalidade pecuniária. ERIKA KIYOTA AYROSA Reproduziu o mesmo conteúdo do recurso apresentado por Alessandra Kiyota Braga, quanto á: nulidade, por incompetência do auditor fiscal em efetuar o lançamento fora do local onde foi verificada a falta (omissão); falta de fundamentação para apontar o recorrente como sujeito passivo principal; ilegitimidade passiva; omissão de receitas; e bitributação KIYOTA INCORPORADORA LTDA. Afirmou ter prestado serviços à Santa Cruz, recebendo por eles os respectivos pagamentos, com emissão das notas fiscais e recolhimento dos tributos, e que Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 10 17 teria tomado empréstimo, por meio de contrato de mútuo devidamente contabilizado, da empresa Máster Consultoria. Nos demais pontos, reproduziu o mesmo conteúdo do recurso apresentado por Alessandra Kiyota Braga, quanto à: nulidade, por incompetência do auditor fiscal em efetuar o lançamento fora do local onde foi verificada a falta (omissão); falta de fundamentação para apontar o recorrente como sujeito passivo principal; ilegitimidade passiva; omissão de receitas; e bitributação. MÁRCIO ROGÉRIO PINHEIRO Reproduziu o recurso apresentado por Antônio Darcilio Rodrigues Perestrelo e Adilson Luiz Rodrigues Perestrelo, no que diz respeito à: Cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório e devido processo legal; inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário; e nulidade, pela indevida desconsideração da personalidade jurídica da empresa Santa Cruz. MILTON MOLINARI MORETE Ilegitimidade passiva. Alegou que o mero ingresso de dinheiro ou patrimônio não poderia configurar renda, já que a regramatriz da incidência tributária exigiria um antecedente – critérios material, temporal e espacial – e um conseqüente – critério pessoal e quantitativo. Salienta a diferença entre pessoa jurídica e pessoa física – personalidade jurídica e patrimônio distintos – e seus representantes e que teria sido confundido pelo auditor fiscal com um dos sócios da empresa Santa Cruz. Argui que, se a responsabilidade dos sócios das LTDA, como é o caso da empresa Santa Cruz, limitase ao montante do capital social, como estabelece o código civil, muito menos o recorrente que jamais teria figurado nos quadros societários da empresa, e sim um mero prestador de serviço. E que os pagamentos recebidos da empresa Santa Cruz e os repasses financeiros destinados à sua conta bancária não se coadunariam com o dispositivo legal invocado para estabelecer responsabilidade tributária solidária, na forma do art. 124, inciso I, do CTN. Nulidade por ausência de motivação e afronta ao direito do contraditório e da ampla defesa. Teria sido incluído como sujeito passivo solidário sem a devida motivação para que o lançamento em seu desfavor. Discorda da natureza jurídica do ato, já que não se teria obedecido aos princípios constitucionais, o que torna nulo o lançamento. Responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRPF. Argui que a responsabilidade pelo pagamento seria da fonte pagadora, não cabendo a Fazenda Nacional cobrar o tributo diretamente do contribuinte, a quem caberia apenas a declaração e o acerto, quando necessário, e que em não havendo o recolhimento e havendo a retenção do tributo a seu tempo, não poderia esse tributo ser cobrado de quem auferiu os rendimentos; e que teria sido Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 18 descontado o Imposto de Renda pela empresa Santa Cruz, a quem competia fazer o respectivo recolhimento e pelo qual não pode ser responsabilizado. Inaplicabilidade da multa de 150%, pois teria caráter confiscatório. Apontou a existência de efeito confiscatório. A multa não poderia ser superior a 50% do valor do tributo, considerando o princípio da retroatividade da lei mais benéfica, introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007. Em 30 de setembro de 2013, foi anexado aos autos um memorial apresentado pelo Patrono do contribuinte Adauto Kiyota. Posteriormente, em fevereiro de 2014, a presidente da 1ª Turma Especial da 2ª Seção devolveu o processo para novo sorteio tendo em vista que extrapolaria o limite de alçada daquela Turma. É o relatório. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 11 19 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Os recursos voluntários são tempestivos e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e passo a discorrer sobre os pontos elencados. Nulidade, por incompetência do auditor fiscal em efetuar o lançamento fora do local onde foi verificada a falta (omissão): Essa alegação não tem fundamento. A infração pode ser verificada pela autoridade fiscal em uma localidade, mesmo que tenha ocorrido em outro lugar, como consolidado na Súmula CARF nº 27: “É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” Nulidade, por violação aos princípios do contraditório e cerceamento do direito de defesa: Os contribuintes alegam nulidade por cerceamento de defesa, uma vez que o auto foi lavrado sem que pudessem apresentar ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Ressaltase que o direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, ou seja, da fase litigiosa do procedimento fiscal, iniciado apenas com a impugnação, conforme dispõe o 14 do Decreto nº 70.235/1972. No procedimento que antecede a fase litigiosa, a participação do contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal, pois ainda não existe contraditório. As contestações quanto às informações contidas no auto de infração, aos documentos juntados ou das eventuais irregularidades somente podem ser realizadas no momento da impugnação, quando é iniciado o devido processo administrativo. Portanto, considerando que os autos contêm a descrição detalhada do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o fundamento legal, a identificação da matéria e do sujeito passivo, bem como estão presentes todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, e que aos contribuintes foi possibilitado a defesa por meio da impugnação e do recurso, não se verifica violação ao princípio da ampla defesa e contraditório. Em relação ao caso específico alegado pelos recorrentes, que dizem não ter sido possível entregar documentos da empresa Santa Cruz porque os documentos estavam apreendidos pela fiscalização estadual, observase nos autos que a documentação sequer foi solicitada ao Estado. Assim, sendo, não cabe acatar tal argumento. Nulidade, por desconsideração da personalidade jurídica Ao contrário do alegado na defesa, não consta dos autos a desconsideração da empresa Santa Cruz, mas sim a inaptidão da inscrição do CNPJ por sua inexistência de fato, assentada no processo n° 13151.000273/200838. E isso se deu não por uma razão isolada, mas Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 20 pelo conjunto das provas levantado pela auditoria, entre eles: não foi comprovado o efetivo exercício da atividade de comercial atacadista; os terceiros que informaram ter adquirido mercadorias e serviços da empresa não comprovaram a efetividade dessas operações; os recursos que transitaram nas contas bancárias da pessoa não tiveram origem em operações típicas de sua atividade, não são compatíveis com os valores declarados pelos adquirentes, nem apresentam correlação com as supostas vendas/prestações de serviços; a empresa não possui patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto (comércio atacadista de matériasprimas agrícolas com atividade de fracionamento e acondicionamento associada), não tinha empregados, não cumpria integralmente as obrigações tributárias, nem a principal, nem as acessórias; e os sócios nada sabiam informar sobre os detalhes da atividade exercida. Como relatou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, as ocorrências de entregas de declarações e outros atos perante a RFB se mostraram inócuos, pois foram realizados exclusivamente para acobertar rendimentos e transações de terceiros e não logrou comprovar o efetivo funcionamento da empresa na atividade informada à Receita Federal e as operações delas derivadas, praticadas com terceiros. No Termo de Verificação Fiscal a auditoria confirma que não houve desconsideração da pessoa jurídica, conforme se observa na transcrição a seguir: [...] como será delineado a seguir, os extratos foram apenas o ponto de partida e não existem conjecturas. Jamais ocorreu a desconsideração da pessoa jurídica SANTA CRUZ. Ocorreu que tal pessoa jurídica não operou, não comprovou ter capacidade operacional para ter operado, redundando situação cadastral INAPTA. Afora as comprovações de que os recursos entrados em suas contas bancárias foram destinados ao sujeito passivo e seus solidários. (grifos nossos). Assim, apesar de constituída formalmente e movimentar vultosas quantias, a empresa não dispunha de instalações compatíveis com semelhante movimentação, além de outras circunstâncias indicando que a pessoa jurídica serviu unicamente para burlar a lei e que os recursos em suas contas eram, de fato, pertencentes aos terceiros que dele se beneficiavam, lançados como solidários juntamente com o contribuinte principal. Lançamento baseado em extratos bancários Consta nas defesas apresentadas o argumento de que não procede o lançamento baseado em depósitos bancários quando a fiscalização não lograr demonstrar cabalmente a existência da omissão, pois não cabe a autuação em mero indício. O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 12 21 A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, verificado que os recursos da conta da pessoa jurídica eram de fato destinados os terceiros, não foram apresentas, mediante documentação hábil e idônea, provas da origem dos valores depositados/creditados não identificados pela auditoria, constante do Relatório de Ação Fiscal, caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996. Assim, não sendo provada a origem dos recursos, correta a aplicação da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996 na parte dos recursos de origem não identificada. Vale salientar que a parte dos rendimentos identificada teve como fundamento a Lei nº 7.713/1988. Inconstitucionalidade na quebra do sigilo bancário É desprovido de sustentação o questionamento sobre o acesso aos extratos bancários, pois, conforme está expresso no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, os agentes fiscais podem ter acesso à conta de depósito, quando tais exames sejam considerados indispensáveis: Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (grifos no recurso) Assim, quando a informação não é prestada pelo contribuinte, há a necessidade e a imprescindibilidade de acesso aos significativos valores movimentados em contas bancárias para levantamento do imposto de renda devido, como consolidado no RIR/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n° 4.595, de 1964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n° 8.021, de 1990, art. 8°). Vale a pena informar que no caso em questão não houve requisição de informações financeiras dos contribuintes, mas a apuração dos recursos redirecionados às partes relacionadas no auto da infração, sujeito passivo principal e solidários. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, resta observar que, de acordo com a Súmula nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, não cabe a apreciação por este colegiado. Irregularidade do procedimento fiscal no acesso aos dados bancários. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 22 Em relação à falta de procedimento fiscal em curso, observase que foram adotadas as medidas legais para seu inicio. As informações financeiras foram extraídas das contas da empresa Santa Cruz, em decorrência da ação fiscal aberta naquela empresa que resultou na identificação dos reais beneficiários dos valores movimentados, já que aquela pessoa jurídica apenas simulava as operações mercantis. Vale salientar que a movimentação bancária das pessoas jurídicas integra ou devem integrar, obrigatoriamente, a sua contabilidade. Assim, os valores apurados, tanto na parte da omissão baseada na Lei nº 7.713/88 (37, 38, 43, 55, inciso X, 56 e 83 do RIR/1999), quanto na parte não identificada, lançada com fundamento na Lei nº 9.430 (art. 849 do RIR/1999), decorreram da ação fiscal iniciada na empresa Santa Cruz, no processo nº 14098.000141/200941, cuja cópia foi posta a disposição do sujeito passivo e solidários, sendo, inclusive, remetida aos interessados atendendo ao pedido assinado por procuração. Pelas razões acima, não se verifica qualquer irregularidade no procedimento fiscal que apurou o imposto de renda. Decadência do fato gerador Constam das alegações que a decadência dos créditos tributários não estaria vinculada à antecipação de pagamento, e o seu prazo de contagem seria cinco anos depois de ocorrido o fato gerador. Apesar haver indicação na impugnação que seriam aqueles ocorridos antes de outubro de 2004, já que o auto de infração foi lavrado em outubro de 2009, não consta nos recursos voluntários quais os períodos que estariam decadentes. Entretanto, salientase que, embora apurado mensalmente, o IRPF se sujeita ao ajuste anual, apurandose o montante devido ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. A base de cálculo da declaração abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário, diminuídos das deduções pleiteadas. Para isso, há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que os rendimentos forem percebidos. Especificamente, em relação à apuração mensal do IRPF no caso de depósitos bancários não identificados, aplicase Súmula CARF nº 38, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 08 de dezembro de 2009, que encerrou a questão: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, superada a questão sobre a periodicidade do fato gerador do imposto de renda referente aos rendimentos sujeitos à colação na declaração de ajuste anual, já que, por qualquer forma que se calcule o prazo, não há decadência do lançamento. Ilegitimidade passiva, improcedência de responsabilidade e bitributação Os contribuintes relacionados nestes autos, em sua maioria, alegam que há improcedência de responsabilidade ou ilegitimidade passiva. Adauto Kiyota, Milton Molinari Morete, Cristiano Giorgi Muller Carioba, Adilson Luiz Rodrigues Perestrelo Arndt, Erika Kiyota Ayrosa e Alessandra Kiyota Ayrosa, Kiyota Incorporadora Ltda. rejeitam a responsabilidade tributária imputada, como principal e solidária com base na existência de Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 13 23 interesse comum, e alegam que à situação em tela não se aplica o art. 124 do inciso I do CTN, nem nos termos do art. 264 do Código Civil. Entretanto, não têm razão os recorrentes. A extensa descrição dos fatos apurados, contidos no Termo de Verificação fiscal (fls. 214/231), informa detalhadamente os rendimentos identificados ou não que o sujeito passivo e seus solidários não comprovaram, por meio de documentação hábil e idônea, que tais cifras não seriam a eles distribuídos ou que não entrariam no computo de rendimentos tributáveis. Os créditos nas contas bancárias efetuados por meio de depósitos, transferências e DOC foram documentalmente demonstrados com dados obtidos por meio de cruzamentos de informações e diligências e estão consolidados nas planilhas anexas ao Termo. No curso da ação fiscal na empresa Santa Cruz, a fiscalização já apontava nas planilhas não contestadas que parte dos recursos eram destinados para o sujeito passivo e seus solidários. A Santa Cruz não efetuou qualquer comprovação ou esclarecimento das providências tomadas, a fim de determinar a que se referiam tais transações. O mesmo ocorreu com o sujeito passivo e seus solidários, beneficiários dos valores movimentados naquelas contas bancárias. Diante disso, a fiscalização atribui o ônus tributário pelo conjunto de provas constantes do processo n° 14098.000141/200941, pelo fato do sujeito passivo e seus solidários serem os beneficiários dos recursos movimentados nas contas da empresa Santa Cruz, que teve seu nome e CNPJ utilizados para esses terceiros omitissem rendimentos sob o manto de operações comerciais e de prestação de serviços fictícias. As supostas atividades realizadas pela empresa Santa Cruz, como identificadas pela Auditoria, tiveram o objetivo de maximização da sonegação fiscal, que resultou da omissão, fraudulenta, de receitas oriundas de sua atividade comercial, correspondentes aos depósitos/créditos efetuados nas suas contascorrentes, cujas origens dos recursos não foram comprovadas, com o evidente fito de burlar o Fisco suprimindo o quantum de tributos e contribuições devidos. Nesses termos, considerando que as operações da empresa no esquema “soja papel” eram simuladas e os recursos destinados aos terceiros envolvidos, é evidente que as pessoas tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Ou seja, o esquema montado para assessoria do fictício planejamento tributário somente foi possível com a participação de todos os envolvidos, que se beneficiaram dos respectivos valores. A vantagem extraída da situação que configura fato gerador da obrigação tributária, decorrente das operações fictícias da operação sojapapel, vincula também os recorrentes em função do ganho comum obtido por todos os envolvidos na realização do fato e não apenas propriamente na realização direta do fato. Nesse sentido, o exame dos autos bem demonstra a existência do interesse comum, que se traduz no ganho consubstanciado pelas expressivas quantias de dinheiro vertidas para as contas dos recorrentes. Dinheiro esse, repitase, vindo de uma empresa que não tinha existência real. Em relação a Adauto Kiyota, os autos revelam que ele era quem efetivamente negociava em nome da Santa Cruz, fazendoo muitas vezes por meio da empresa Master Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 24 Consultoria, da qual era o proprietário. Isso fica demonstrado claramente pelos relatos das empresas que contrataram o pretenso planejamento tributário, do que são exemplos as declarações colhidas da sociedade empresária denominada Comercial Salfer Ltda. Os demais autuados eram cientes e também tiveram participação no esquema, cujo objetivo era lesar o Fisco, sendo que a maior parte dos recursos que transitaram nas contas bancárias da empresa foi transferida para os autuados. Essa circunstância revela o proveito extraídos por todos eles, deixando assim evidenciado o interesse comum que enseja a solidariedade tributária. Em relação ao argumento de que foram prestados serviços à empresa fiscalizada, tendo recebido por isso, e na época própria recolhido os tributos e, portanto, estariam os recorrentes compelidos a pagar o mesmo tributo, observase que tais alegações são genérica, pois não há no recurso especial as supostas bases de cálculo dos rendimentos sobre o quais se teria, eventualmente, cobrado o imposto. De qualquer forma, pelo que se observa no detalhamento das planilhas constantes do Termo de Verificação Fiscal, não houve tributação sobre os valores omitidos e levantados pela fiscalização. O fato de a responsabilidade pela retenção ser da fonte pagadora é questão superada no CARF, pois segundo a Súmula nº 12, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção, in verbis: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, não é possível ao contribuinte eximirse da exigência sob a alegação de que seria responsabilidade da fonte pagadora a retenção do imposto de renda. Multa confiscatória Nos argumentos de defesa há alegação de que a multa é confiscatória e de que não poderia ser superior a 20% (vinte por cento). Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o principio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de oficio). Ademais, o princípio constitucional que trata da vedação ao confisco, por força de exigência tributária, deve ser observado pelo legislador no momento da criação da lei, e não na sua aplicação. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros, além da já citada Súmula nº 1. Impossibilidade de aplicação de multa qualificada sobre os valores tidos como omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada Como já informado pela autoridade julgadora a impossibilidade de aplicação de multa qualificada nos casos de omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 14098.000314/200921 Acórdão n.º 2201002.423 S2C2T1 Fl. 14 25 bancários não existe quando se demonstra de forma clara o dolo na prática da infração, como no caso em apreço. O caso em julgamento trata de uma situação em que foram realizadas operações fictícias em nome da pessoa jurídica, exclusivamente para acobertar rendimentos e transações, cujos recursos beneficiavam os terceiros autuados. Assim, em razão da caracterização da fraude, a autoridade fiscal imputou responsabilidade pessoal àqueles que executavam a ação e claramente se beneficiavam do resultado da operação, utilizandose de prática dolosa configurada como de infração à lei. Portanto, correta a aplicação da multa qualificada. Inaplicabilidade da taxa Selic No que se refere à aplicação da taxa de juros Selic, alega o contribuinte ser “patente a ilegalidade da utilização dessa taxa para fins de determinação de juros, tendo em vista possuir a mesma caráter nitidamente remuneratório”. E ainda, que a taxa, “por embutir correção monetária, perfaz um percentual superior” ao estipulado no § 1º do art. 161 do CTN. Essa questão está superada no âmbito do CARF com a edição da Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000300/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA . AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens - e não a totalidade constante da DIPJ - apurando-se eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os
Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentam declaração de voto.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA . AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens - e não a totalidade constante da DIPJ - apurando-se eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16643.000300/2010-43
conteudo_id_s : 5351748
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.209
nome_arquivo_s : Decisao_16643000300201043.pdf
nome_relator_s : Antônio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 16643000300201043_5351748.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentam declaração de voto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
id : 5481464
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815200247808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 68; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000300/201043 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.209 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ E CSLL Recorrente SIEMENS ELETROELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA . AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens e não a totalidade constante da DIPJ apurandose eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentam declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 00 /2 01 0- 43 Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SIEMENS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 10571066, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 30.522.754,27, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 29/10/2010. Também integra os Autos de Infração o Termo de Constatação Fiscal de folhas 10331053. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição ao lucro líquido, da parcela de custos de bens importados que excede ao preço parâmetro de transferência. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 17/11/2010 (fls. 1060 e 1065) e apresentou sua impugnação em 16/12/2010 (fls. 10771107), na qual alegou em síntese que: Do erro na determinação do valor do ajuste Efetuou um ajuste relativo ao preço de transferência no valor de R$ 6.015.507,94, conforme DIPJ 2006, anocalendário 2005, que, no entanto, foi desconsiderado pela fiscalização; Da ilegalidade e inaplicabilidade da IN SRF 243/2002 A maior parte dos ajustes empreendidos de ofício diz respeito à metodologia de cálculo do PRL60, apurada pela fiscalização segundo as diretrizes da IN SRF nº 243/2002, e pelo contribuinte, segundo a IN 32/2001; Todavia, a IN SRF nº 243/2002 estabeleceu uma nova forma de cálculo do PRL60 não prevista na lei regulamentada (9.430/96), violando o princípio da estrita legalidade; Desta feita, tendo em vista a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, esta norma deve ser afastada, e o Auto de Infração, cancelado; A própria RFB reconheceu a ilegalidade da IN SRF 243/2002 ao não declarar seu caráter interpretativo, estendendo a fatos pretéritos; Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 3 A ilegalidade apontada ficou clara pela exposição de motivos da MP nº 478/2009, que tentou, entre outras coisas, alterar o art. 18 da Lei nº 9.430/96, a fim de suportar em termos jurídicos à sistemática de cálculo da IN 243/02; A incompatibilidade entre a IN 243/02 e a Lei nº 9.430/96 já possui jurisprudência judicial, conforme sentença do Juízo da 9ª Vara Federal Cível da Justiça Federal exarada no Processo 2003.61.00.0061258 e acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região exarado no Processo nº 2007.61.00.0340487/SP; Da inobservância dos tratados firmados Grande parte das importações dizem respeito ao comércio com paises com as quais o Brasil firmou tratado para evitar a dupla tributação (Decretos Legislativo nº 85/72 e 92/75); Esses tratados prevalecem sobre as normas de Direito Tributário, nos termos do art. 98 do CTN, de forma que os Estado Contratantes somente podem tributar fatos que não estiverem protegidos pelos tratados; Nos termos dos acordos firmados ente o Brasil e Alemanha e Brasil e China, é vedado o ajuste de preço de transferência sobre transações efetuadas em condições de um mercado normal aberto, ou seja, que não respeitem o princípio do arm´s lenght; Os ajustes propostos pela IN 243/2002 estão vedados pelo referidos acordos binacionais; Os acordos firmados não se interpretam segundo as legislação dos Estados Contratantes, mas segundo as regras consolidadas pela Convenção de Viena, incorporada ao Direito Brasileiro, através do Decreto nº 496/2009; No caso concreto, como a fiscalização não comprovou que os preços e métodos adotados pela Impugnante estariam em desacordo com o princípio do arm´s lenght, o lançamento é improcedente; Da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Eventual cobrança de juros de mora sobre a multa aplicada é ilegal, eis que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 somente admite acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. Nesse sentido as jurisprudências administrativas às folhas 1105; Da juntada de novos documentos Por fim, protesta pela juntada posterior de novos documentos. A decisão recorrida está assim ementada: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 4 INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1ª instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES ESPONTÂNEOS. Os ajustes de preço de transferência efetuados espontaneamente pela pessoa jurídica devem ser considerados no lançamento, na medida que possuam o mesmo objeto do ajuste de ofício. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições da Lei nº 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm’s length. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. CSLL. Aplicase à CSLL, no que couber, o que foi decido ao lançamento matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Nos fundamentos da decisão recorrida, destacamse os seguintes excertos: “Da apreciação de ilegalidade da Instrução Normativa A recorrente alega a ilegalidade da IN SRF 243/2002, utilizada pela autoridade lançadora para fundamentar o lançamento, mormente no que diz respeito à sistemática de cálculo do PRL60 estabelecida pelo mesmo expediente normativo. A alegação não pode ter seu mérito apreciado nesta instância do contencioso administrativo fiscal. As Instruções Normativas são atos normativos expedidos por autoridades administrativas, complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, que visam regulamentar ou implementar o que já está previsto. (...) Do valor do ajuste A recorrente aduz que efetuou um ajuste de preço de transferência, no valor de R$ 6.015.507,94, conforme DIPJ 2006, anocalendário 2005, que foi desconsiderado pela fiscalização. Para que o valor do ajuste espontâneo de preço de transferência seja considerado no ajuste de ofício, mister que haja correspondência entre as operações ajustadas Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 5 (item comercializado e espécie de operação). Do contrário, estaríamos compensando ajustes entre operações diversas. No caso concreto, a recorrente solicita a consideração da integralidade dos ajustes espontâneos de preço de transferência. Parece que a recorrente tenta induzir o julgador a erro pois, ao fazer a exigência, faz querer crer que a integralidade dos ajustes espontâneos estaria relacionada às mesmas operações ajustadas pelo fisco. O que, como se verá a seguir, não é verdade. A fiscalização levou as operações de 485 itens importados ao ajuste de preço de transferência (fls. 10411051), ao tempo que a quantidade de itens importados passíveis de controle do preço de transferência foi da ordem de 1.623 itens, sendo que, deste total, apenas 181 itens foram ajustados espontaneamente pelo sujeito passivo (ver Relação dos itens de materiais importados com cálculo de ajuste, CD à fl. 1073, fornecido pela recorrente). De efeito, é possível que certa quantidade de itens importados e ajustados pelo sujeito passivo não possua correspondência aos itens levados ao ajuste pela fiscalização. A fiscalização assevera que dentre os 485 itens selecionados para ajuste de preço de transferência na importação (Tabela 3 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 1042 1051), 5 itens foram ajustados, espontaneamente, pelo sujeito passivo (Tabela 4 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 1052). Tais ajustes que foram considerados no lançamento estão sintetizados na Tabela 1 abaixo. (...) A recorrente, por sua vez, não identifica quais itens levados ao ajuste por ambas as partes, deixaram de ser considerados pela fiscalização. O ônus da prova acabe a quem ela aproveita. A recorrente solicita a consideração de todos seus ajustes, mas não comprova o equivoco da fiscalização. Quer dizer, não demonstra quais operações ajustadas pelo fisco houveram sido ajustadas espontaneamente, ainda que parcialmente. O fato, per si, seria suficiente para afastar a tese do sujeito passivo. Entretanto, em nome do princípio da oficialidade e da verdade material, que norteiam o Processo Administrativo Fiscal, buscarseá investigar a ocorrência do erro suscitado pelo sujeito passivo. Os ajustes efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo foram indicados na planilha Relação dos itens de materiais importados com cálculo de ajuste (CD à fl. 1073). Os ajustes efetuados pela fiscalização são aqueles indicados na Tabela 3 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 10421051). Mediante confronto entre as duas tabelas (planilhas), verificase que somente os itens relacionados na Tabela 2, abaixo, tiveram a dedutibilidade de seu custo de importação ajustado por ambas as partes, dos quais, apenas aqueles relacionados na Tabela 3, a seguir, não foram considerados no momento do lançamento. (...) De efeito, deve ser deduzido da base do lançamento o valor de R$ 175.051,79, correspondente aos ajustes de custos itens efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo, indicados na Tabela 3, que não foram considerados pela fiscalização no momento do lançamento. Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 6 (...) Dos acordos internacionais para evitar a bitributação A recorrente alega que, ao não comprovar no caso concreto a ofensa ao princípio do arm´s lenght, o lançamento desrespeita os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados entre o Brasil e China e Brasil e Alemanha (Decretos Legislativos 92/75 e 85/92). (...) O dispositivo cuida da possibilidade de tributação dos preços praticados, entre vinculadas, em dissonância com o princípio do arm´s lenght. De efeito, os Estados Contratantes acordaram a faculdade de tributar a parcela do lucro que deixa de ser auferido nas operações transnacionais entre empresas vinculadas sediadas nos seus domínios territoriais, em razão da prática de preços favorecidos. Ocorre que o referido dispositivo não definiu, nem limitou, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas “preço de transferência”. Apenas, repito, possibilitou a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, o Acordo não dispôs sobre a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96 não colidem com a referida Convenção. (...)” Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto as parcelas mantidas, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento (verbis): “(...) II Do Direito II.1 Do Mérito Apuração do PRL 60 de acordo com a fórmula prevista na Lei n° 9.430/96 ilegalidade da IN 243 II.1.1 Comparação entre as sistemáticas para o PRL 60 (...) II.1.2 Do reconhecimento da ilegalidade da IN 243 pela Receita Federal do Brasil (...) II.1.3 Precedentes sobre a incompatibilidade entre Lei 9.430 e IN 243 (...) Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 7 II.1.4 Dos Tratados firmados entre o Brasil e os paises de onde a Recorrente importa os produtos que foram objeto de ajuste (...) II.1.5 Do dever do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de afastar a aplicação da IN n° 243/02 para aplicar a Lei n° 9.430/96 (...) II.2 Da ilegalidade da eventual incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa (...) III Do Pedido Em vista de todo o exposto, dada a precariedade do lançamento, requer a Recorrente que o mesmo seja cancelado. Por derradeiro, protesta, ainda, a Recorrente pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo o quanto foi alegado no presente Recurso. (...)” É o relatório. Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de lançamentos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2005, motivados pela falta de adição ao lucro líquido, para a determinação do lucro real, de parcela dos custos relativos a bens adquiridos no exterior de pessoa vinculada, ou seja, decorrentes da inobservância à legislação atinente ao controle dos preços de transferência especialmente da IN SRF 243/2002. Passo a apreciar as alegações recursais. Dos ajustes decorrentes da IN 243/2002 A meu ver, a fórmula prevista no art. 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002 simplesmente concretiza a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, a saber: apurar o preço parâmetro do bem importado, tendo em vista o controle dos preços das operações praticadas entre partes vinculadas. Desde logo, cumpre assinalar que a metodologia de cálculo defendida pela contribuinte não se presta a esse objetivo, isto é, não possibilita a apuração do preço parâmetro do bem importado aplicado na produção, o que inviabiliza o devido controle dos preços de transferência. Além disso, é importante deixar claro que a recorrente promove a fórmula de cálculo estabelecida pela IN SRF nº 32/01 à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. No entanto, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir do texto legal, que deve ser confirmada através do cotejo com a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96 – aspecto que, digase de passagem, foi completamente ignorado no recurso voluntário. Como se sabe, o preço de transferência é aquele praticado nas operações de transferência de bens, direitos ou serviços celebradas entre pessoas vinculadas, o qual pode ser estipulado de forma artificial, sem paralelo ao preço de mercado, em vista da relação de influência entre as partes ligadas. Os preços de transferência são utilizados amiúde como instrumento de alocação de lucros entre as pessoas relacionadas, notadamente através do superfaturamento das importações e do subfaturamento das exportações, o que gera a transferência do lucro da parte domiciliada no país com maior carga fiscal para a outra parte da operação. Em face dessa constatação, os países definem regras para controlar os preços de transferência e, assim, evitar a erosão de suas bases tributáveis. Desse modo, vislumbrase que a regulação dos preços de transferência consubstanciase em relevante instrumento de combate à elisão fiscal internacional, cuja finalidade precípua consiste em impedir a alocação artificial dos lucros entre as partes ligadas (“importação de prejuízos” e “exportação de lucros”), isto é, proteger a base de arrecadação tributária nacional. Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 9 No Brasil, a regulação dos preços de transferência foi inaugurada por intermédio dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96. A propósito, vale conferir a Exposição de Motivos do projeto que originou o referido diploma legal, no que concerne à matéria em exame: 12. As normas contidas nos arts. 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização, experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com regras adotadas nos países integrantes da OCDE, são propostas normas que possibilitam o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de resultados para o exterior, mediante a manipulação dos Preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. (grifos nossos) Como se percebe, a intenção do legislador foi exposta de forma nítida, inequívoca: evitar a transferência de lucros para o exterior através da manipulação dos preços praticados entre pessoas vinculadas. Logo, a interpretação dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96 deve ser norteada por essa diretriz. A legislação brasileira prevê métodos objetivos para a apuração do preço parâmetro, o qual traduz, nas importações, o custo máximo de aquisição de bens, direitos e serviços para fins de dedução na base de cálculo de IRPJ e CSLL; e, nas exportações, a receita mínima tributável. Caso o preço praticado pelas partes ligadas seja (i) superior ao preço parâmetro nas importações, ou (ii) inferior ao parâmetro nas exportações, a diferença (ajuste) deve ser adicionada ao lucro líquido para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No que concerne ao Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), a Lei nº 9.430/96 estabeleceu margens brutas de lucro para que os custos dos bens importados sejam deduzidos em sua integralidade: (i) vinte por cento, no caso de simples revenda; e (ii) sessenta por cento, na hipótese de agregação de valor ao bem importado, aplicado na produção local. Estabelecidas em nome da praticabilidade, as margens de lucro predeterminadas estão calcadas na presunção legal de que os terceiros independentes utilizariam tais margens de lucratividade ao praticar as operações referidas nos art. 18, II, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, caso as partes vinculadas observem esses percentuais de lucratividade, os preços de transferência não serão ajustados, admitindose a dedução integral dos custos dos bens importados. Tratase de presunção relativa, na medida em que as margens estabelecidas pelo legislador podem ser modificadas pelo Ministro da Fazenda ou a pedido do contribuinte, nos termos dos arts. 20 e 21 da Lei nº 9.430/96. Logo, as margens podem ser adaptadas à situação individual da pessoa jurídica ou à realidade dos diversos setores econômicos, em atenção ao princípio da capacidade contributiva.1 Cabe registrar que a margem bruta engloba o lucro e as despesas operacionais da empresa, o que justifica a majoração para 60% nos casos de aplicação do bem importado na 1 Atualmente, o procedimento de modificação das margens de lucro é regulamentado pela Portaria MF nº 222/2008. Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 10 produção local, tendo em vista que a margem de 20%, embora seja adequada para o comércio, é insuficiente para suportar as despesas operacionais e a remuneração da atividade industrial. Ao fixar margens de lucro mínimas nas revendas para controlar a dedutibilidade dos custos de aquisição dos bens importados, o legislador garante que o lucro da empresa brasileira seja mantido no País, dificulta a sua transferência artificial para pessoas vinculadas no exterior e, por inerência, impede a erosão da base tributável nacional. Por exemplo, caso determinado contribuinte pratique uma margem de lucro bruta de dez por cento sobre as revendas de bens produzidos com insumos importados de empresa ligada, e opte por controlar os preços de transferência pelo Método PRL 60, os custos de aquisição dos bens importados devem ser ajustados via adição ao lucro líquido, com o objetivo de assegurar a margem de lucro bruta de sessenta por cento sobre as revendas, em observância ao art. 18 da Lei nº 9.430/96. Cumpre salientar, por outro lado, que o Método PRL 60 tem o escopo de apurar o preço parâmetro do insumo importado aplicado na produção, ou seja, a parcela do preço de revenda do bem produzido que corresponde ao insumo importado. Para atingir esse objetivo, é necessário retirar todas as parcelas que foram agregadas ao bem importado na produção da mercadoria, vale dizer, o valor agregado no País deve ser expurgado para possibilitar a apuração do preço parâmetro do bem importado. Inferese, portanto, que para concretizar a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, a fórmula de cálculo do Método PRL 60 deve ser capaz de isolar o bem importado na apuração do preço parâmetro, respeitando a margem de lucro de sessenta por cento, como pressuposto pela Lei nº 9.430/96. Previamente ao exame da regulamentação administrativa do Método PRL 60, é importante ressaltar a falta de clareza na redação do texto legal, o que possibilita a construção de diferentes interpretações. A falta de clareza reside, especificamente, no art. 18, II, item 1, da Lei nº 9.430/96, que versa sobre o cálculo da margem de lucro de sessenta por cento: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Assim, uma possível interpretação consiste em entender que houve um mero erro gramatical na redação legal, e que o legislador quis dizer “o valor agregado”. Nessa ótica, o valor agregado deve integrar apenas o cálculo da margem de lucro, não representando mais uma parcela a ser diminuída do preço de revenda do produto. Essa é a interpretação que prevaleceu na IN SRF nº 32/01, sintetizada na fórmula abaixo: Preço Parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) Onde: PLV = preço líquido de revenda (preço de revenda após as deduções dos descontos incondicionais Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 11 concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas); ML 60% = margem de lucro de sessenta por cento; VA = valor agregado no País. Convém sublinhar, por oportuno, que a IN SRF nº 32/01 não se limitou a reproduzir as disposições legais. Com efeito, a regulamentação administrativa promoveu uma alteração significativa na estrutura gramatical do texto da lei, para permitir a concordância da expressão “do valor agregado” com a palavra “diminuídos”, ou seja, para viabilizar a inserção do valor agregado no cálculo da margem de lucro. A modificação pode ser visualizada a seguir: Lei nº 9.430/96 IN SRF nº 32/01 Art. 18. (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos nossos) § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. (grifos nossos) Logo, a IN SRF nº 32/01 acolheu a interpretação de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro, e, nesse sentido, modificou a construção gramatical do dispositivo regulamentado. Por consequência, não é correto afirmar que a fórmula prevista na IN SRF nº 32/01 corresponde à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. Na realidade, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir da Lei. É possível, de outro lado, assumir que a aludida falta de concordância não traduz um simples erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18. Nessa linha de raciocínio, a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (caput do inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d. Nessa leitura do texto legal, o valor agregado no País não é computado no cálculo da margem de lucro, consubstanciandose em mais uma parcela a ser subtraída do preço de revenda. Logo, o preço parâmetro seria obtido a partir da média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País. A Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 12 margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Essa metodologia pode ser representada na fórmula abaixo: Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) – VA Onde: PLV = preço líquido de revenda (preço de revenda após as deduções dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas); ML 60% = margem de lucro de sessenta por cento; VA = valor agregado no País. Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes metodologias de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como qualquer texto, o art. 18 da Lei nº 9.430/96 é plurívoco, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. A questão que coloca, portanto, é verificar qual interpretação está em harmonia com as disposições legais regulamentadas, o que será efetuado a seguir. Como visto, a recorrente aponta a suposta ilegalidade da fórmula de apuração do PRL 60 estabelecida pelo art. 12, § 11, da IN SRF nº 243/02. Na ótica da contribuinte, esse método de cálculo seria absolutamente distinto daquele previsto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, e acarretaria a majoração da tributação no que se refere ao ajuste dos preços dos bens importados aplicados à produção. A autuada sustenta, em suma, que a IN SRF nº 243/02 teria extrapolado o disposto na Lei nº 9.430/96, ao estabelecer que a margem de lucro de sessenta por cento deve ser calculada sobre o valor da participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço líquido de venda. Desse modo, a IN nº 243/02 seria desprovida de base legal, uma vez que não se limitou a repetir o texto da Lei nº 9.430/96. Na lógica da contribuinte, haveria apenas uma leitura possível do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96 (Lei nº 9.959/2000), isto é, aquela que considera que o valor agregado deve integrar o cálculo da margem de lucro, conforme a interpretação veiculada na IN SRF nº 32/01: Fórmula de cálculo do PRL 60, na interpretação da contribuinte (IN SRF nº 32/01): Preço Parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) Onde: PLV = preço líquido de revenda (preço de revenda após as deduções dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas); ML 60% = margem de lucro de sessenta por cento; VA = valor agregado no País. Como visto, o Método PRL 60 tem o objetivo de apurar o preço parâmetro do bem importado aplicado na produção local, considerado por si só. Em caráter ilustrativo, na importação de um escapamento aplicado na produção local de um automóvel, o PRL 60 busca apurar o preço parâmetro do escapamento, e não do automóvel como um todo, ou seja, é Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 13 necessário expurgar os valores agregados ao escapamento na produção do automóvel (i.e., o “valor agregado no País”), no intuito de calcular o preço parâmetro do bem importado. A sistemática do PRL 60 defendida pela contribuinte, entretanto, não é apta para alcançar esse objetivo, na medida em que não possibilita a exclusão do valor agregado no cálculo do preço parâmetro, vale dizer, não viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado, considerado de forma isolada. De fato, não é difícil constatar que a inclusão do valor agregado no cálculo da margem de lucro termina por distorcer a apuração do preço parâmetro. É que, ao se excluir do preço líquido de venda a margem de lucro calculada sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado [PLV – ML 60% (PLV – VA)], não se alcança o custo dedutível do bem importado, e sim o custo do insumo importado acrescido do próprio valor agregado no País, como demonstrado por Victor Polizelli2: Com bastante perspicácia, Victor Polizelli demonstrou que o valor agregado da fórmula prestigiada pelas instruções normativas (IN nº 113/00 e IN SRF nº 32/01) fará parte integral do preço parâmetro. Para melhor entendimento, reproduzse aqui seu procedimento simplificativo da fórmula: Sendo: PL = BI + VA + L PP = PL – 0,6 (PL – VA) Então: PP = (BI + VA + L) – 0,6 (BI + VA + L – VA) PP = BI + VA + L – 0,6 BI – 0,6 L PP = 0,4 BI + 0,4 L + VA3 Portanto, a conclusão é que quanto maior a agregação de valor no País, tanto maior será o preço parâmetro e, portanto, menor será a necessidade de ajuste fiscal. Logo, na metodologia defendida pela contribuinte, o preço parâmetro é influenciado pela flutuação do valor agregado, o que impossibilita o devido controle dos preços de transferência pelo Método PRL 60. Com o intuito de facilitar a compreensão do argumento, confirase o exemplo que segue, no qual a revenda é efetuada com margem de lucro de 60%, ou seja, exatamente no percentual de lucratividade definido pela Lei nº 9.430/96: Preço líquido de revenda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 60% (sobre o PLV) = 120 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 80 Custo do bem importado = 10 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 78 Cálculo do preço parâmetro na forma da IN SRF nº 32/01 2 Apud GREGORIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (Coord.). Tributos e Preços de Transferência. 3. vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 183. 3 Na fórmula citada, PL = Preço líquido de revenda do produto; BI = valor do bem importado; VA = valor agregado no País; L = lucro praticado na revenda; PP = preço parâmetro. Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 14 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 200 – 78 Preço parâmetro = 122 Como se verifica, o preço parâmetro (122) não mantém a mínima correspondência com o custo do bem importado (10). Isso porque o valor agregado foi excluído apenas no cálculo da margem de lucro, o que reduz artificialmente a margem de lucro praticada na revenda (120) e aumenta o limite de dedutibilidade do bem importado de forma indevida, em decorrência da inclusão do valor agregado (70) e de parcela da margem de lucro (42)4 no preço parâmetro. Dito por outro modo, o preço parâmetro é composto pelo custo do bem importado somado ao valor agregado no País e à parcela da margem de lucro (122 = 10 + 70 + 42). Dessa forma, na metodologia da IN SRF nº 32/01, o preço parâmetro é majorado em razão direta ao aumento do valor agregado no País, o que termina por inflar indevidamente o limite de dedutibilidade do custo do bem importado, conferindo ampla margem para a manipulação do seu preço pelas partes vinculadas e, assim, facilitando a transferência de lucros ao exterior, em contradição à finalidade da Lei nº 9.430/96. A distorção provocada no cálculo do PRL 60 pela IN SRF nº 32/01 também foi registrada por Luís Eduardo Schoueri5, in verbis: [...] a fórmula acima é contestada por quem entende que a parcela do valor agregado, no lugar de compor o cálculo da margem de lucro, deveria ser deduzida em separado [...] Segundo tais autores, a fórmula acima seria criticável, já que, ao incluir o valor agregado na parcela da margem, surge um encontro de subtrações, o que implica uma adição. Em outras palavras, quanto maior o valor agregado, maior será o preço parâmetro e, portanto, menor a necessidade de ajuste fiscal. Essa observação leva a uma aparente incongruência na aplicação do método. Afinal, se a margem de lucro deve ser suficiente para cobrir todos os custos locais, então lógico seria que quanto maior fosse o volume de custos locais, tanto maior fosse a margem; aplicandose a fórmula acima, chegase ao contrário: a margem de lucro diminui conforme se agrega valor no País. No limite, caso se agregasse enorme valor no País (e, portanto, caso se necessitasse de uma margem de lucro suficiente para remunerar tal agregação de valor), a margem resultante da aplicação da fórmula seria negativa. O argumento é forte e coerente e, de fato, não parece passível de contestação a partir da lógica dos preços de transferência. Seria de se esperar que tivesse o legislador o cuidado de ampliar a margem de lucro conforme houvesse maior agregação de valor, nunca o contrário. Entretanto, não se pode deixar de lado o argumento de que a fórmula acima, conquanto se afaste da lógica dos preços de transferência, acaba por premiar as empresas que agregam valor, no País, aos bens importados. Aqueles que agregam muito valor não sofrem qualquer ajuste. [...] 4 Resultado da diferença entre a margem de lucro praticada na revenda (120) e a margem de lucro calculada segundo a IN SRF nº 32/01 (78). 5 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2006. p.159160. Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 15 Apesar de reconhecer a incongruência da fórmula da IN SRF nº 32/01 para fins de controle dos preços de transferência, o ilustre autor procura defender tal metodologia com base no argumento de que a fórmula em questão induziria o comportamento dos contribuintes, no sentido de agregar valor no País aos bens importados. Nessa linha de raciocínio, embora seja inadequada na lógica dos preços de transferência, a interpretação do Método PRL 60 veiculada na IN SRF nº 32/01 se legitimaria como um incentivo à indústria nacional, consubstanciada no estímulo à agregação de valor aos bens importados, no lugar da simples importação de produtos acabados para revenda. À primeira vista, o argumento é sedutor. Ao ser analisado de forma detida, entretanto, apresenta inconsistências. Inicialmente, não se discute que o fomento à produção local consiste em um objetivo relevante; contudo, é evidente que o legislador dispõe de diversos instrumentos mais razoáveis (e eficazes) para atingir esse desiderato. Desse modo, não parece razoável supor que ao editar regras para controlar os preços de transferência, o legislador teria em mente “incentivar a indústria nacional”. Afinal, a mens legis foi registrada de forma clara na Exposição de Motivos dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96: evitar a transferência de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços de transferência. Inobstante essa constatação, a principal objeção ao argumento mencionado traduzse na manifesta irrazoabilidade de um benefício fiscal concedido nos moldes sugeridos. De fato, admitindose a tese de que a fórmula do PRL 60 teria sido definida para “estimular a produção local”, através da majoração do limite de dedutibilidade dos custos dos bens importados, estaríamos diante de um benefício fiscal claramente antiisonômico, dado que restrito às pessoas jurídicas submetidas ao controle dos preços de transferência – ou seja, um incentivo voltado precipuamente aos grupos multinacionais, em detrimento das empresas locais que negociam apenas com terceiros independentes. Assim, além de conferir benesse injustificada para contribuintes que já se encontram em situação vantajosa (as empresas integrantes das multinacionais), em total inversão do princípio da isonomia fiscal, a fórmula da IN SRF nº 32/01 afetaria negativamente a livre concorrência, ao reduzir o ônus tributário de um seleto grupo de contribuintes, em prejuízo daqueles contribuintes que também agregam valor aos bens importados, mas que transacionam somente com pessoas independentes, sempre em condições de mercado. Inferese, portanto, que a sistemática do PRL 60 estabelecida pela IN SRF nº 32/01 não se legitima como um incentivo fiscal à agregação de valor no País, tendo em vista o flagrante desrespeito aos princípios constitucionais da isonomia fiscal e da livre concorrência. Do ponto de vista dos preços de transferência, sobretudo, não há como justificar a interpretação veiculada na IN SRF nº 32/01. Em síntese, cuidase de metodologia que segue o caminho oposto à finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando que facilita a alocação de lucros no exterior, ao ampliar a margem para a manipulação dos preços entre as partes ligadas. Vamos aos exemplos práticos para comprovar a assertiva. Imaginese que determinada empresa brasileira realiza importações de certo insumo que é aplicado na produção local, junto a sua controladora sediada no exterior. Com a intenção de inflar os custos da empresa brasileira e reduzir o lucro tributável no país, as partes vinculadas decidem majorar artificialmente o Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 16 custo do bem importado e manipular a margem de lucro bruto nas revendas do bem produzido. A importadora adotou o Método PRL 60 para fins de controle dos preços de transferência; entretanto, por entender que a sistemática da IN SRF nº 243/02 seria ilegal, efetuou os cálculos com base na revogada IN SRF nº 32/01, nestes termos: 1ª Hipótese: revenda com margem de lucro efetiva de 60%, nos termos da Lei nº 9.430/96 Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 60% sobre o PLV = 120 Custo total (custo do bem importado + valor agregado no País) = 80 Bem importado (custo real) = 10 Valor agregado (VA) = 70 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 200 – 78 Preço parâmetro = 122 Conclusão: apesar de observada a margem de lucro de 60%, o preço parâmetro não mantém correlação com o custo do bem importado, o que confere ampla margem para manipulação do preço de transferência. 2ª Hipótese: operações manipuladas pelas partes vinculadas 1) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 20% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 40 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 160 Bem importado (custo manipulado) = 90 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 78 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 200 – 78 Preço parâmetro = 122 Ajuste = 0 (custo do bem importado < preço parâmetro) 2) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 10% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 10% sobre o PLV = 20 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 180 Bem importado (custo manipulado) = 110 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 78 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 200 – 78 Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 17 Preço parâmetro = 122 Ajuste = 0 (custo do bem importado < preço parâmetro) 3) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 5% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 5% sobre o PLV = 10 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 190 Bem importado (custo manipulado) = 120 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV – VA) = 78 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) PP = 200 – 78 Preço parâmetro = 122 Ajuste = 0 (custo do bem importado < preço parâmetro) Conclusão: apesar da inobservância da margem de lucro efetiva de 60% nas revendas e da forte manipulação do preço do bem importado, não haveria ajuste em nenhuma operação manipulada. Percebese, pelas razões já expostas, que o preço parâmetro obtido pela aplicação dessa fórmula não guarda qualquer correlação com o custo efetivo do bem importado. Ademais, a sistemática não é capaz de preservar uma margem de lucro mínima nas revendas, como exigido pela Lei nº 9.430/96. Com efeito, ainda que o produto seja revendido com margens de lucro irrisórias, é possível que a aplicação da fórmula não gere ajustes, como demonstra o exemplo acima. Dessa forma, o controle dos preços de transferência fica inviabilizado, e abrese caminho para a alocação artificial de lucros no exterior, em descompasso à motivação dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96. Efetivamente, a metodologia da IN SRF nº 32/01 confere às pessoas relacionadas ampla margem para abusos na determinação dos preços de transferência, em sentido oposto à finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Em última análise, o Método PRL 60 aplicado nesses moldes restaria esvaziado como instrumento de combate à elisão fiscal. Agora, confirase a aplicação da fórmula construída a partir da “segunda leitura” do art. 18 da Lei nº 9.430/96 ao exemplo sugerido ([PP = PLV – ML 60% (PLV) – VA]): 1ª Hipótese: revenda com margem de lucro efetiva de 60%, nos termos da Lei nº 9.430/96 Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 60% (sobre o PLV) = 120 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 80 Bem importado = 10 Valor agregado (VA) = 70 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) – VA PP = 200 – 120 – 70 Preço parâmetro = 10 Ajuste = 0 Fl. 4063DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 18 Conclusão: em face da observância à margem de lucro bruto exigida pela Lei nº 9.430/96, o custo do bem importado seria integralmente dedutível. 2ª Hipótese: operações manipuladas pelas partes vinculadas 1) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 20% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 40 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 160 Bem importado (custo manipulado) = 90 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 120 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) – VA PP = 200 – 120 – 70 Preço parâmetro = 10 Ajuste = 80 (custo do bem importado – preço parâmetro) 2) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 10% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 10% sobre o PLV = 20 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 180 Bem importado (custo manipulado) = 110 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 120 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) – VA PP = 200 – 120 – 70 Preço parâmetro = 10 Ajuste = 100 (custo do bem importado – preço parâmetro) 3) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 5% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 5% sobre o PLV = 10 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 190 Bem importado (custo manipulado) = 120 Valor agregado (VA) = 70 Margem de lucro 60% sobre (PLV) = 120 Preço parâmetro = PLV – ML 60% (PLV) – VA PP = 200 – 120 – 70 Preço parâmetro = 10 Ajuste = 110 (custo do bem importado – preço parâmetro) Conclusão: em face da inobservância da margem de lucro efetiva de 60% nas revendas e da forte Fl. 4064DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 19 manipulação do preço do bem importado, haveria ajustes em todas as operações manipuladas. Como esperado, haveria ajustes em todas as operações manipuladas, tendo em vista que a margem de lucro praticada nas revendas foi inferior à margem mínima estabelecida pela Lei nº 9.430/96. Logo, a adição ao lucro líquido é necessária para recompor o lucro tributável da empresa brasileira e, desse modo, impedir a transferência dos resultados positivos ao exterior. Enfim, a metodologia do PRL 60 defendida pela recorrente não é adequada para concretizar a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, visto que (i) não permite a apuração do preço parâmetro do bem importado aplicado na produção, considerado de forma isolada, (ii) não preserva a margem de lucro bruto pressuposta pela lei, (iii) amplia indevidamente o limite de dedutibilidade dos custos dos bens importados, em face da inclusão do valor agregado e de parcela da margem de lucro no preço parâmetro, e, dessa forma, (iv) facilita a evasão fiscal por intermédio da manipulação dos preços de transferência. Cumpre salientar, por oportuno, que a inadequação entre a metodologia da IN SRF nº 32/01 e a finalidade da Lei nº 9.430/96 foi reconhecida pela Sexta Turma do TRF da 3ª Região, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0061258/SP (ementa transcrita na sequência do memorial). Em face da irrazoabilidade da fórmula do PRL 60 prevista na IN SRF nº 32/01, a Secretaria da Receita Federal editou a IN nº 243/02, que revogou a interpretação anterior e definiu o seguinte método de cálculo do PRL 60: Art. 12. [...] § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Fl. 4065DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 20 No exame preliminar, constatase a utilização de termos que não estavam expressos na Lei nº 9.430/96, notadamente o conceito de “participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido”, além de uma sistemática de cálculo proporcionalizado. Essa aparente inovação levou muitos autores a concluírem pela ilegalidade da metodologia prevista na IN SRF nº 243/02, pois a regulamentação administrativa teria exorbitado os preceitos do texto legal. É importante acentuar, nesse ponto, que o raciocínio adotado pela maioria da doutrina parte da premissa de que haveria tãosomente uma leitura possível do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, a saber, aquela que inclui o valor agregado no cálculo da margem de lucro. Por essa razão, a metodologia definida pela IN SRF nº 32/01 é equiparada à “metodologia da lei” em diversos estudos, uma vez que consubstanciaria a única interpretação possível do texto legal. Não obstante, como já demonstrado, o texto legal possibilita mais de uma interpretação. A sistemática do PRL 60 estabelecida pela IN SRF nº 32/01 traduz uma dessas possibilidades interpretativas, que apesar de ser adequada no plano da literalidade textual, se mostrou incongruente em face do objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, cumpre verificar se a metodologia delineada pela IN SRF nº 243/02 pode ser reconduzida a uma das interpretações possíveis do texto legal, à luz da finalidade do controle dos preços de transferência. Por outro giro, as aparentes inovações no plano da expressão, por si só, não são suficientes para se concluir pela ilegalidade da IN SRF nº 243/02. Com efeito, é imprescindível analisar a lógica subjacente à nova sistemática do PRL 60, cotejandoa com a teleologia do art. 18 da Lei nº 9.430/96. O exame do artigo 12, § 11, da IN SRF nº 243/02 evidencia que a nova metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto e o valor agregado no País, mas sobre a parcela do preço líquido de venda que corresponde ao bem importado, i.e., a chamada “participação do bem importado no preço de venda do bem produzido”. O cálculo proporcionalizado tem o escopo de isolar o valor do bem importado aplicado na produção e, desse modo, permitir a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, sem a interferência do valor agregado no País. Percebese, assim, que a proporcionalização veio corrigir a distorção provocada pela metodologia da IN SRF nº 32/01, em consonância ao objetivo do Método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Deve ser ressaltado, nesse contexto, que a sistemática de cálculo proporcionalizado pode ser inferida diretamente da Lei nº 9.430/96, como esclarecido pela Conselheira Sandra Faroni em voto proferido no Acórdão nº 10194.888, referente ao período que antecedeu o Método PRL 60: Um ato normativo que estabelecesse a forma de apurar o preço de revenda, nos casos de o produto ser revendido com agregação de outros insumos, estaria cumprindo seu papel de regulamentar a lei, não padecendo de qualquer ilegalidade, pois não estaria limitando onde a lei não limitou. Na falta de ato normativo nesse sentido, caberia ao contribuinte demonstrar, segundo um critério razoável, a ser analisado pela fiscalização, que o preço de revenda por ele adotado para aplicação Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 21 do método PRL corresponde ao do insumo importado aplicado no produto industrializado. A meu ver, a única forma possível de determinar o preço de revenda de qualquer insumo é aplicando, sobre o preço de venda do produto final, a mesma proporção que o custo do insumo representa no custo total do produto. A utilização desse critério independe da existência de ato normativo prevendoo, porque está rigorosamente dentro da lei. A lei determina a aplicação de margem de lucro sobre o preço de revenda do produto importado. Inexistindo preço de revenda determinado sobre cada elemento integrante do produto final, cabe determinálo, a partir dos elementos conhecidos. Ora, os elementos conhecidos são os custos individuais dos insumos (inclusive mão de obra) aplicados na produção, o custo do produto final (somatório dos custos dos insumos) e o preço de venda do produto final. É elementar que a única forma de isolar o valor de venda de cada componente é ratear o valor total de venda entre todos os componentes do custo total do produto na mesma proporção em que participam desse custo. Existindo ou não ato normativo nesse sentido, se o contribuinte faz essa segregação, a fiscalização não tem como rejeitar o cálculo pelo PRL. Por outro lado, não feita a segregação, cabe à fiscalização intimar o contribuinte a refazer o cálculo a partir do valor assim segregado. (Processo administrativo nº 16327.004012/200231. Relatora: Sandra Maria Faroni. Sessão de 17/3/2005. Grifos nossos) Como exposto, o Método PRL 60 tem por objetivo apurar o preço parâmetro do bem importado aplicado na produção local, ou seja, o Método visa alcançar a parcela do preço de revenda do produto que corresponde ao insumo importado. De acordo com o voto da Conselheira, “a única forma possível de determinar o preço de revenda de qualquer insumo é aplicando, sobre o preço de venda do produto final, a mesma proporção que o custo do insumo representa no custo total do produto”. Esse é o critério da proporcionalização, que fundamenta a sistemática do PRL 60 estabelecida pela IN SRF nº 243/02, sintetizada na fórmula a seguir: Preço parâmetro = PBI no PLV – ML 60% (PBI no PLV) ou Preço parâmetro = 40% (PBI no PLV) Onde: PBI no PLV = participação do bem, serviço ou direito importado no preço líquido de venda do bem produzido, obtida a partir da aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II do § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/02, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I do § 11 do art. 12; ML 60% = margem de lucro de sessenta por cento. Demonstrado que o cálculo proporcional pode ser inferido diretamente da Lei nº 9.430/96, como forma de se determinar o preço parâmetro do bem importado aplicado no produto final, convém, então, verificar se a fórmula do PRL 60 prevista na IN SRF nº 243/02 está em sintonia à “segunda leitura” do art. 18 da Lei nº 9.430/96, calcada na premissa interpretativa de que o valor agregado consiste em mais uma dedução do preço líquido de venda. Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 22 Esse aspecto foi investigado de forma minuciosa por Ricardo Marozzi Gregorio6, razão pela qual vale registrar as suas conclusões: Mas, sendo assim, o que é necessário para que esta fórmula da IN SRF nº 243/02 possa se ajustar à fórmula do texto legal segundo a premissa interpretativa da técnica redacional inapropriada? Uma comparação visual dos dois diagramas responde a pergunta: a participação do componente importado no preço de revenda líquido, se somada ao valor agregado, deve resultar no preço de revenda líquido do produto final. Esta proposição seria então representada por: (%n x PL) + VA = PL Para sustentar a validade da proposição é necessário inquirir o possível sentido do conceito de valor agregado introduzido pela Lei nº 9.959/00. Convém então recorrer ao processo histórico. Como se relatou, antes da edição desta lei, o que vigia, pelo menos no sentido que o Governo pretendeu interpretar, era a possibilidade restrita de aplicação do método PRL aos casos de bens, serviços ou direitos exclusivamente revendidos, ou seja, sem produção local. Era a idéia da revenda associada ao comércio. Quando foi aberta a hipótese de utilização do método para os casos de produção local, a idéia de que o componente importado participa do produto final e, neste sentido, será (re)vendido permanece. Então, para que o método pudesse continuar refletindo essa idéia seria necessário isolar este componente de tudo mais que possa aparecer no produto final. Por isso, a necessidade de se introduzir um novo elemento na formulação do método. Para compreender tudo o que constar no produto final, exceto aquela parcela de participação do componente importado que se encontra sob análise. A esse elemento a nova lei chamou de valor agregado. Neste sentido, o valor agregado poderia então ser identificado como tudo o que não representar a participação do componente importado “n” no preço de revenda líquido ([1 –%n] x PL). Aplicando essa identidade à proposição supra: (%n x PL) + ([1 – %n] x PL) = PL %n x PL + PL %n x PL = PL PL = PL → Proposição Verdadeira Portanto, atribuindo tal sentido ao conceito de valor agregado é possível concluir que a fórmula depreendida da IN SRF nº 243/02 está em conformidade com o novo texto legal desde que assumida a premissa interpretativa da técnica redacional inapropriada. Como explicitado no trecho citado, a fórmula do PRL 60 delineada na IN SRF nº 243/02 pode ser reconduzida ao texto da Lei nº 9.430/96, desde que adotada a premissa de que o valor agregado não deve integrar o cálculo da margem de lucro, i.e., considerandose o valor agregado como mais uma parcela a ser diminuída do preço líquido de revenda. Portanto, resta analisar se a metodologia da IN SRF nº 243/02 é adequada para concretizar a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96: evitar a manipulação dos preços de transferência e, assim, impedir a alocação de lucros no exterior. Para proceder à análise, a fórmula da IN SRF nº 243/02 será aplicada ao mesmo exemplo prático supracitado, o que permite a comparação dos resultados obtidos pelas diferentes fórmulas do Método PRL 60: 1ª Hipótese: revenda com margem de lucro de 60%, nos termos da Lei nº 9.430/96 6 GREGORIO, Ricardo Marozzi. Op. cit. p. 189191. Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 23 Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 60% (sobre o PLV) = 120 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 80 Bem importado (custo efetivo) = 10 Valor agregado (VA) = 70 Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido: 12,5% Participação do bem importado no preço de venda do bem produzido (PBI no PLV) = 25 Preço parâmetro = PBI no PLV – ML 60% (PBI no PLV) = 40% (PBI no PLV) PP = 40% (25) Preço parâmetro = 10 Ajuste = 0 (preço parâmetro = custo do bem importado) Conclusão: em face da observância da margem de lucro efetiva de 60% na revenda, o custo do bem importado é integralmente dedutível, em conformidade à Lei nº 9.430/96. 2ª Hipótese: operações manipuladas pelas partes ligadas 1) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 20% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 20% sobre o PLV = 40 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 160 Bem importado (custo manipulado) = 90 Valor agregado (VA) = 70 Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido: 56,25% Participação do bem importado no preço de venda do bem produzido (PBI no PLV) = 112,50 Preço parâmetro = PBI no PLV – ML 60% (PBI no PLV) = 40% (PBI no PLV) PP = 40% (112,50) Preço parâmetro = 45 Ajuste = 45 (custo do bem importado – preço parâmetro) 2) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 10% (abaixo do mínimo legal) Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 10% sobre o PLV = 20 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 180 Bem importado (custo manipulado) = 110 Valor agregado (VA) = 70 Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido: 61,11% Participação do bem importado no preço de venda do bem produzido (PBI no PLV) = 122,22 Preço parâmetro = PBI no PLV – ML 60% (PBI no PLV) = 40% (PBI no PLV) PP = 40% (122,22) Preço parâmetro = 48,89 Ajuste = 61,11 (custo do bem importado – preço parâmetro) 3) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 5% (abaixo do mínimo legal) Fl. 4069DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 24 Preço líquido de venda (PLV) = 200 Margem de lucro efetiva de 5% sobre o PLV = 10 Custo total (custo do bem importado + valor agregado) = 190 Bem importado (custo manipulado) = 120 Valor agregado (VA) = 70 Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido: 63,16% Participação do bem importado no preço de venda do bem produzido (PBI no PLV) = 126,32 Preço parâmetro = PBI no PLV – ML 60% (PBI no PLV) = 40% (PBI no PLV) PP = 40% (126,32) Preço parâmetro = 50,53 Ajuste = 69,47 (custo do bem importado – preço parâmetro) Conclusão: haveria ajustes em todas as operações manipuladas, dada a inobservância da margem de lucro efetiva de 60% nas revendas. Constatase, de pronto, que essa fórmula de cálculo reduz significativamente a margem de manipulação dos preços que era conferida pela sistemática da IN SRF nº 32/01, o que dificulta a transferência de resultados entre as partes vinculadas. O cálculo proporcionalizado da IN SRF nº 243/02 permite, ainda, que o bem importado seja isolado na apuração do preço parâmetro, neutralizandose o valor agregado no País. Demais disso, a metodologia respeita a margem de lucro bruta de 60% nas revendas com agregação de valor ao bem importado, em harmonia ao disposto na Lei nº 9.430/96. Logo, caso o contribuinte observe a margem mínima de 60% nas revendas – ou a margem específica definida nos termos dos arts. 20 e 21 da Lei nº 9.430/96 –, os custos dos bens importados serão dedutíveis em sua totalidade. Podese alegar que a exigência da margem de lucro de 60% é elevada para a maioria dos setores econômicos, o que implicaria a desproporcionalidade da fórmula da IN SRF nº 243/02. Todavia, cabe lembrar que a margem de lucro de sessenta por cento foi estabelecida pela Lei nº 9.430/96, e não pela IN SRF nº 243/02, a qual se limita a implementar as disposições legais. Cumpre destacar, além disso, que a margem bruta de 60% pode ser reduzida por ato do Ministro da Fazenda, nos termos dos arts. 20 e 21 da Lei nº 9.430/96, adequandose à realidade individual do contribuinte ou dos diversos setores econômicos. Nessa hipótese, a metodologia da IN SRF nº 243/02 seria aplicada conforme a margem específica do setor, o que afasta o argumento da desproporcionalidade. Vale reiterar, nesse diapasão, que a disciplina dos preços de transferência visa impedir a alocação artificial de lucros entre pessoas relacionadas e, dessa forma, proteger a base tributável nacional. Portanto, a exegese dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96 deve ser norteada por essa finalidade, o que foi devidamente observado na interpretação administrativa veiculada na IN SRF nº 243/02. Interessante notar que a interpretação inicial da Receita Federal, consubstanciada na IN SRF nº 32/01, foi alterada mediante a IN nº 243/02, tendo em vista a sua manifesta Fl. 4070DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 25 irrazoabilidade. É muito importante perceber que a aplicação do artigo 18, II, da Lei nº 9.430/96 não é compatível com interpretações “literais”, considerando a finalidade pretendida pelo legislador: tratase de norma antielisiva, que pretende abarcar uma ampla gama de negociações entre particulares. Nesse contexto, sobressai a necessidade de verificar a razoabilidade da interpretação, cotejandoa, evidentemente, com o texto legal, e também com o resultado pretendido pelo legislador. É por essa razão que as aparentes “idas e vindas” da Receita Federal na regulamentação do método PRL 60 não podem ser condenadas, tampouco vistas como uma tentativa de, por ato infralegal, reformar a lei. Cuidase, na verdade, de conferir a melhor interpretação a uma legislação plurívoca, que procura implementar objetivo extremamente complexo, qual seja, encontrar o preço de mercado para importações entre empresas vinculadas. Nessa linha de raciocínio, inferese que a metodologia da IN SRF nº 243/02 confere efetividade ao disposto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, em coerência à intenção do legislador plasmada na Exposição de Motivos, o que demonstra a sua legalidade. Registrese, por oportuno, que essa foi a orientação adotada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 10/2/2011, por ocasião do julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP, no qual a Terceira Turma reviu seu entendimento anterior e decidiu pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/02, por unanimidade de votos: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011. Grifos nossos) No mesmo sentido, a Sexta Turma do TRF da 3ª Região também reconheceu a legalidade da IN SRF nº 243/02, em votação unânime. É importante destacar que a irrazoabilidade da metodologia definida pela IN nº 32/01 foi reconhecida expressamente no Acórdão, tendo em vista que a fórmula defendida pela contribuinte não reflete a mens legis do art. 18 da Lei nº 9.430/96, como se verifica na ementa do julgado: Fl. 4071DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 26 TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. [...] 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regramatriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. [...] 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance Fl. 4072DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 27 previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) No âmbito do CARF, a legalidade da IN SRF nº 243/02 foi reconhecida nos leading cases da matéria, julgados, respectivamente, pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção, em 30/3/2011 (processo nº 10283.721285/200814) e 23/11/2011 (processo nº 10283.721272/200837), e pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção, em 16/12/2010 (processo nº 10283.720853/200851) e 14/3/2012 (processo nº 16561.000175/200786). Cabe apontar, por fim, que a tese de que a fórmula da IN SRF nº 243/02 representaria agravamento da carga tributária também não se sustenta. É que o argumento parte da premissa de que a fórmula defendida pela contribuinte seria a única leitura possível do art. 18 da Lei nº 9.430, o que, como demonstrado, não procede. A rigor, os ajustes decorrentes da metodologia da IN SRF nº 243/02 são inferiores aos ajustes resultantes da aplicação da fórmula construída através da “segunda leitura” da Lei nº 9.430/96, o que pode ser visualizado mediante a comparação dos resultados obtidos nos exemplos mencionados: 1) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 20% (abaixo do mínimo legal) Ajuste da Lei nº 9.430/96, pela fórmula [PP = PLV – ML 60% (PLV) – VA] = 80 Ajuste da IN SRF nº 243/02 = 45 Ajuste da IN SRF nº 32/01 = 0 2) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 10% (abaixo do mínimo legal) Ajuste da Lei nº 9.430/96, pela fórmula [PP = PLV – ML 60% (PLV) – VA] = 100 Ajuste da IN SRF nº 243/02 = 61,11 Ajuste da IN SRF nº 32/01 = 0 3) Produto revendido com margem de lucro efetiva de 5% (abaixo do mínimo legal) Ajuste da Lei nº 9.430/96, pela fórmula [PP = PLV – ML 60% (PLV) – VA] = 110 Ajuste da IN SRF nº 243/02 = 69,47 Ajuste da IN SRF nº 32/01 = 0 Dessa forma, a depender da leitura que se faz do art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, a metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador. Não obstante essa constatação, o ponto central da controvérsia reside na irrazoabilidade da interpretação defendida pela contribuinte (IN SRF nº 32/01), que é totalmente divorciada do propósito do Método PRL 60 e do controle dos preços de transferência. Em última análise, a IN SRF nº 243/02 não majorou o ônus fiscal, mas corrigiu a distorção que a metodologia da IN SRF nº 32/01 provocava na apuração do PRL 60, de modo a conferir efetividade ao controle dos preços de transferência. Finalmente, também é desprovido de fundamento o argumento no sentido de que a sistemática do PRL 60 da IN SRF nº 243/02 representa “desestímulo à indústria nacional”, uma vez que causaria a diminuição do preço parâmetro na medida do aumento de valor agregado no País. Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 28 A metodologia do PRL 60 plasmada na IN SRF nº 243/2002 não traduz qualquer desestímulo à indústria local, pois simplesmente mantém o preço parâmetro constante, independentemente do nível de agregação de valor ao bem importado, como se verifica na tabela a seguir: Preço líquido de venda do bem produzido7 Valor do bem importado Valor agregado no País Custo total do bem produzido Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido Participação do bem importado no preço líquido de venda do bem produzido Preço parâmetro 162,50 60 5 65 92,31% 150 60 187,50 60 15 75 80% 150 60 212,50 60 25 85 70,59% 150 60 237,50 60 35 95 63,16% 150 60 262,50 60 45 105 57,14% 150 60 287,50 60 55 115 52,17% 150 60 312,50 60 65 125 48% 150 60 Verificase, assim, que a sistemática prevista na IN SRF nº 243/02 não encerra qualquer desestímulo à indústria nacional, uma vez que o preço parâmetro não é reduzido à medida em que aumenta o valor agregado ao bem importado. A rigor, nessa metodologia o preço parâmetro não é influenciado pela flutuação do valor agregado, o que permite o controle dos preços de transferência com maior exatidão. Afinal, não se pode olvidar que o Método PRL 60 é inconfundível com as medidas adotadas para fomentar o setor industrial do país, de sorte que o valor agregado não pode ser considerado como fator de majoração do preço parâmetro, sob pena de se inviabilizar o controle do preço de transferência do bem importado. Concluise, portanto, que a tese da ilegalidade não merece ser acolhida. A sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430/96, na medida em que (i) viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado aplicado na produção, considerado por si só, (ii) observa a margem de lucro bruta estabelecida pela lei, (iii) reduz a margem de manipulação dos preços que era conferida pela IN SRF nº 32/01 às partes vinculadas, e, por essas razões, (iv) dificulta a transferência de lucros ao exterior, consubstanciandose em instrumento eficaz para a proteção da base tributável nacional. Enfim, cuidase da metodologia que confere eficácia normativa ao dispositivo legal regulamentado. Com relação aos Tratados internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil com a Alemanha e a Itália, cumpre observar que não procede a alegação da impugnante de que a autuação teria violado seu artigo 9º (que autoriza a realização de ajustes apenas se restar demonstrado que as importações não se deram em condição de mercado). 7 Observandose a margem bruta de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda. Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 29 A autuação teve por base a legislação brasileira vigente à época dos fatos, a qual implementa exatamente a regra do artigo 9º do referido acordo, na medida em que se aferem os preços de mercado (com relação à importação, segundo os métodos PRL, PIC ou CPL – no caso, o PRL60) e se calculam os ajustes apenas se os preços praticados se afastarem acima de um certo percentual (margem de divergência) das condições de mercado, nos termos do caput do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 e dos artigos 5º e 38 da IN SRF nº 243/2002, in verbis: (Lei nº 9.430/96) “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...)”. (IN SRF nº 243/2002) “Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. § 1º Se o preço praticado na aquisição, pela empresa vinculada domiciliada no Brasil, for superior àquele utilizado como parâmetro, decorrente da diferença entre os preços comparados, o valor resultante do excesso de custo, despesas ou encargos, considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, será ajustado contabilmente por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados do patrimônio líquido e a crédito de: I conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou II conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição. (...) § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado”. “Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Parágrafo único. Nessa hipótese, nenhum ajuste será exigido da empresa na apuração do imposto de renda, e na base de cálculo da CSLL”. Em sintese: Aplicamse os ajustes previstos na Lei nº 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9º do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções , e os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, que Fl. 4075DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 30 inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei nº 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm’s length”. Demais questões em litígio. Vejamos os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido quando as demais questões em litígio: DO VALOR DO AJUSTE A recorrente aduz que efetuou um ajuste de preço de transferência, no valor de R$ 6.015.507,94, conforme DIPJ 2006, anocalendário 2005, que foi desconsiderado pela fiscalização. Para que o valor do ajuste espontâneo de preço de transferência seja considerado no ajuste de ofício, mister que haja correspondência entre as operações ajustadas (item comercializado e espécie de operação). Do contrário, estaríamos compensando ajustes entre operações diversas. No caso concreto, a recorrente solicita a consideração da integralidade dos ajustes espontâneos de preço de transferência. Parece que a recorrente tenta induzir o julgador a erro pois, ao fazer a exigência, faz querer crer que a integralidade dos ajustes espontâneos estaria relacionada às mesmas operações ajustadas pelo fisco. O que, como se verá a seguir, não é verdade. A fiscalização levou as operações de 485 itens importados ao ajuste de preço de transferência (fls. 10411051), ao tempo que a quantidade de itens importados passíveis de controle do preço de transferência foi da ordem de 1.623 itens, sendo que, deste total, apenas 181 itens foram ajustados espontaneamente pelo sujeito passivo (ver Relação dos itens de materiais importados com cálculo de ajuste, CD à fl. 1073, fornecido pela recorrente). De efeito, é possível que certa quantidade de itens importados e ajustados pelo sujeito passivo não possua correspondência aos itens levados ao ajuste pela fiscalização. A fiscalização assevera que dentre os 485 itens selecionados para ajuste de preço de transferência na importação (Tabela 3 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 1042 1051), 5 itens foram ajustados, espontaneamente, pelo sujeito passivo (Tabela 4 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 1052). Tais ajustes que foram considerados no lançamento estão sintetizados na Tabela 1 abaixo. Tabela 1 – Ajustes espontâneos, considerados pela fiscalização Código do produto Ajuste (R$) 220000285665 64.747,04 220000242571 1.415,96 220000232450 464,52 220000250244 750,87 220000232462 19,13 Total 67.397,52 Fl. 4076DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 31 A recorrente, por sua vez, não identifica quais itens levados ao ajuste por ambas as partes, deixaram de ser considerados pela fiscalização. O ônus da prova acabe a quem ela aproveita. A recorrente solicita a consideração de todos seus ajustes, mas não comprova o equivoco da fiscalização. Quer dizer, não demonstra quais operações ajustadas pelo fisco houveram sido ajustadas espontaneamente, ainda que parcialmente. O fato, per si, seria suficiente para afastar a tese do sujeito passivo. Entretanto, em nome do princípio da oficialidade e da verdade material, que norteiam o Processo Administrativo Fiscal, buscarseá investigar a ocorrência do erro suscitado pelo sujeito passivo. Os ajustes efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo foram indicados na planilha Relação dos itens de materiais importados com cálculo de ajuste (CD à fl. 1073). Os ajustes efetuados pela fiscalização são aqueles indicados na Tabela 3 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 10421051). Mediante confronto entre as duas tabelas (planilhas), verificase que somente os itens relacionados na Tabela 2, abaixo, tiveram a dedutibilidade de seu custo de importação ajustado por ambas as partes, dos quais, apenas aqueles relacionados na Tabela 3, a seguir, não foram considerados no momento do lançamento. Tabela 2 – Itens levados ao ajuste pelas partes. Código do Produto Descrição do Produto Ajuste do contribuinte Ajuste da fiscalização 150000268445 BATT CHARGER/C39280Z 4C407 1 164.205,14 93.950,03 150000310184 KEYPAD SSILVER CXT65 /C39158A 117B641 4 6.937,51 2.254,30 150000310183 BC SOFT SILVER CXT65 /C39158A 117A551 5 3.909,15 414,51 220000242571 0033551901 PLACA DE EIXO A362 1.415,96 3.486,13 220000250244 TRAVEL CHARGER ETC/L36880N5601A104 750,87 1.929,02 220000232450 CONECTOR ZIF/AM35XX40CN 464,52 3.009,10 220000232462 SIM CARD HOLDER /AOSIMH 19,13 585,06 Total 177.702,28 105.628,15 Tabela 3 – Itens ajustados espontaneamente, não considerados pela fiscalização Código doProduto Descrição do Produto Ajuste do contribuinte Ajuste da fiscalização 150000268445 BATT CHARGER/C39280Z 4C407 1 164.205,14 93.950,03 150000310184 KEYPAD SSILVER CXT65 /C39158A 117B641 4 6.937,51 2.254,30 150000310183 BC SOFT SILVER CXT65 /C39158A 117A551 5 3.909,15 414,51 Total 175.051,79 96.618,84 De efeito, deve ser deduzido da base do lançamento o valor de R$ 175.051,79, correspondente aos ajustes de custos itens efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo, indicados na Tabela 3, que não foram considerados pela fiscalização no momento do lançamento. a. DOS ACORDOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A BITRIBUTAÇÃO A recorrente alega que, ao não comprovar no caso concreto a ofensa ao princípio do arm´s lenght, o lançamento desrespeita os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados entre o Brasil e China e Brasil e Alemanha (Decretos Legislativos 92/75 e 85/92). Fl. 4077DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 32 Os referidos acordos trazem em seu artigo 9 a seguinte disposição. Empresas Associadas Quando: a) uma empresa de um Estado Contratante participar, direta ou indiretamente, da direção, do controle ou do capital de uma empresa do outro Estado Contratante, ou b) as mesmas pessoas participarem, direta ou indiretamente, da direção, do controle ou do capital de uma empresa de um Estado Contratante e de uma empresa do outro Estado Contratante, e, em ambos os casos, as duas empresas estiverem ligadas, nas suas relações comerciais ou financeiras, por condições aceitas ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, sem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e tributados como tais. O dispositivo cuida da possibilidade de tributação dos preços praticados, entre vinculadas, em dissonância com o princípio do arm´s lenght. De efeito, os Estados Contratantes acordaram a faculdade de tributar a parcela do lucro que deixa de ser auferido nas operações transnacionais entre empresas vinculadas sediadas nos seus domínios territoriais, em razão da prática de preços favorecidos. Ocorre que o referido dispositivo não definiu, nem limitou, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas “preço de transferência”. Apenas, repito, possibilitou a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, o Acordo não dispôs sobre a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96 não colidem com a referida Convenção. Nesse sentido a Solução de Consulta COSIT nº 6, de 23/11/2001, cuja ementa reproduzse abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei nº 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9º do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções , e os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei nº 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm’s length. Fl. 4078DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 33 b. DOS JUROS DE MORA Por fim, quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício, importa registrar que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. Os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Apesar disso, registrese que a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada nas disposições do art. 61, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [grifouse] A partir das disposições legais acima, tendo em conta que, em que pese a interpretação contrária pretendida pela defesa, a multa de ofício é débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Há inclusive jurisprudência do Conselho de Contribuintes referendando a exigência: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, §3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322290 Data da Sessão: 23/02/2006) JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO TAXA SELIC A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional”. (Acórdão 10515211 Data da Sessão: 07/07/2005) E isto porque, nos termos do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [grifouse] Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 34 Ora, na medida em que a penalidade aplicada ao sujeito passivo por inadimplência integra o objeto da relação obrigacional, ou seja, é parte do direito de crédito detido pela Fazenda contra o sujeito passivo, é cristalino que, em contrapartida, integra os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, nas palavras do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, de resto já transcrito acima. Com efeito, as duas condições de incidência sobre a multa de ofício estão cumpridas: é um débito para com a União e decorre de tributos e contribuições por força de seu inadimplemento. O vocábulo decorrente inserido no art. 61 tem a conotação de relacionado aos tributos, assim como é a multa decorrente da inadimplência (qualificada ou simples). Não cabe interpretálo como significando com a natureza de tributos e contribuições. Nessa segunda interpretação, a própria inserção do vocábulo decorrente no texto legal, seria dispensável. Nesse sentido, a lei ordinária nada mais fez do que repetir os termos do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. [grifouse] Por conta das definições veiculadas pelo CTN, a penalidade pecuniária decorrente da infração integra a obrigação principal e, por conseguinte, compartilha com o tributo também a natureza do crédito e do débito do sujeito passivo. Ora, como visto, sobre o débito vencido e não pago incidem juros de mora por força de lei, o que situa essa discussão fora do âmbito de competência administrativa. Observese, ainda, que por se tratar de questão recentemente surgida no âmbito do julgamento administrativo, o Poder Judiciário pouco se manifestou a respeito. Não obstante, no momento em que o fez, o fez no sentido de legitimar a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase [destaques acrescidos]: APELAÇÃO CÍVEL – 20066119008367 Espécie: AC APELAÇÃO CÍVEL 1346625 Relator(a): JUIZ ROBERTO JEUKEN Ementa: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. MULTA DE OFÍCIO. ART. 4º, INCISO I, DA LEINº 8.218/91. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO NA VIGÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ENCERRADO. DESISTÊNCIA DA AÇÃO JUDICIAL.RECOLHIMENTO INSUFICIENTE. SALDO REMANESCENTE. MULTA COM PERCENTUAL REDUZIDO. APLICAÇÃO DO ART. 63 DA LEI Nº 9.430/96 C/C ART. 106, II, "C", DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA QUE INCIDEM DESDE O VENCIMENTO. 1. A autora efetuou recolhimento a menor do IRPJ e da CSLL nos períodos de 07/94 e 08/94, quando acobertada por liminar concedida em 17.08.94, posteriormente cassada em 20.03.96. Lavrados os Autos de Infração em 06.09.95, com exigência de multa de ofício no percentual e 100% e juros de mora, considerou o fisco a referida decisão e manteve a suspensão da exigibilidade. Contra referidos autos, houve impugnação e recurso administrativo, de cuja decisão final mantendo a cobrança foi intimada a autora em 13.11.1996. Em fevereiro e março de 1999, promoveu o recolhimento insuficiente dos tributos, nos moldes da MP nº 1.807/99 e desistiu da ação judicial. Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 35 2. Os autos de infração foram lavrados segundo as disposições legais de regência vigentes à época, cabendo lembrar que o fisco está adstrito ao princípio da legalidade. 3. Não houve imposição de multa moratória, mas sim de multa decorrente do lançamento de ofício no percentual de 100% (art. 4º, da Lei nº 8.218/91 e art. 992 do RIR/94) e o saldo remanescente exigido já a fixou no patamar de 75%, consoante art. 44, da Lei nº9.430/96, donde que houve aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430/96c/c art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional. 4. A multa de ofício é devida desde o vencimento, pois já não havia suspensão da exigibilidade por força da liminar desde 03/96 e nem por força do recurso administrativo, decidido em 11/96, sequer houve seu recolhimento em 1999, mas tão somente dos tributos e em valores insuficientes para a quitação do débito principal. 5. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. Com o fim do procedimento administrativo, não há mais óbice à sua cobrança, ou seja, apenas deixa de haver causa para a suspensão da exigibilidade. Os encargos não desaparecem com a fase contenciosa, assim como não ocorre com os tributos, mas têm sua exigibilidade suspensa até decisão final. Uma vez mantido o lançamento, não há que se falar em exclusão dos juros de mora, aplicados desde o vencimento da dívida. 6. Apelo da autoria a que se nega provimento. Decisão: Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, por unanimidade, negar provimento ao apelo da autoria, nos termos do relatório e voto, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. O disposto no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 só veio espancar qualquer dúvida sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa isolada, vez que nessa condição a penalidade aplicada não decorre do lançamento de imposto ou contribuição, o que poderia dar margem a interpretações no sentido da inaplicabilidade do art. 61 ao caso. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [grifouse] Aos fundamentos acima transcritos, que reputo irretocáveis, nada merece ser acrescentado, pelo que peço vênia para adotálos como razões de decidir. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 36 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Tratase de autuação que visa a cobrança de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), anobase 2005, no valor total de R$ 30.522.754,27, em razão de ajustes relativos a preços de transferência. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), a contribuinte teria se equivocado na aplicação da normativa que regula os preços de transferência (Lei n° 9.430/96 "Lei 9430" e Instrução Normativa n° 243/2002 "IN 243"), o que teria ocasionado dedutibilidade indevida do custos de mercadorias importadas, quando empregado o método Preço de Revenda menos Lucro com margem de 60% ("PRL 60") em operações de importação de pessoa jurídica vinculada. Conforme defendido no Recurso Voluntário, a Recorrente, que aplicou o método PRL 60 de acordo com os preceitos da Lei 9430, não concorda com o procedimento da D. Fiscalização, que empregou variante do método inaugurada pela IN 243 ("PRL 60/IN 243"). A Procuradoria da Fazenda PFN sustenta que a forma de apuração do preço parâmetro estipulado pela IN 243 estaria de acordo com uma das interpretações possíveis da Lei 9.430/96. Assim, não haveria ilegalidade em seu teor, pois apenas explicita a racionalidade inserta no texto legal. Para chegar a esta conclusão, a douta PFN percorre, em síntese, o seguinte trajeto argumentativo: i. há duas interpretações possíveis do art. 18, II, da Lei 9430/1996, sendo que a fórmula da IN 243 melhor se alinha ao fundamento de que as regras sobre controle dos preços de transferência possuem como finalidade o combate à elisão fiscal internacional, impedindo a alocação artificial dos lucros entre as partes ligadas, protegendo a base de arrecadação tributária nacional. Para tanto, a Lei 9430 estabeleceu margens fixas de lucro bruto nas revendas; ii. não está na finalidade das regras de controle sobre os preços de transferência estabelecer incentivos a indústria nacional. Qualquer incentivo fiscal por esta via seria inconstitucional, pois beneficiaria as empresas multinacionais (que são as destinatárias destas regras) que poderiam evitar a tributação de seus lucros no Pafs em detrimento das empresas autenticamente brasileiras, que não são destinatárias destas regras; iii. a fórmula normalmente utilizada pelos contribuintes para calcular o preço parâmetro "PLV ML 60% (PLV VA)" é distorsiva, pois faz com que a margem de lucro (e, consequentemente, o preço parâmetro), seja influenciada pela flutuação do valor Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 37 agregado, impossibilitando o devido controle dos preços de transferência, fundamentado na prédefinição de margens de lucro bruto mínimas; iv. a fórmula aplicada pelo contribuinte leva a distorções, ao passo que a metodologia estabelecida pela IN 243 melhor se alinha a finalidade da lei, pois: (a) impede que a margem de lucro de 60%, a ser abatida do preço de venda, sofra oscilações em função do valor agregado no País; e (b) é menos complacente no tocante aos ajustes a serem efetivados, implicando maior recolhimento de IR e CSLL, de modo a evitar a evasão fiscal. v. mesmo uma interpretação literal do artigo 18 da Lei 9430 revela que a fórmula a ser adotada poderia ser outra, diferente da utilizada pelo contribuinte. Isto porque, ao observar a expressão "sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País" é possível interpretar que a obtenção do preço parâmetro será obtido a partir da "média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País"; vi. o legislador só não previu a "subtração do valor agregado no País" em alínea apartada deixando inequívoco o raciocínio da Fazenda (exclusão do valor agregado após a aplicação do percentual de 60% sobre o preço líquido de venda) pois quis ser "econômico com as palavras", eis que não poderia, ao introduzir o preceito referente ao PLR 60, alterar muito a estrutura do art. 18, II, da Lei 9430, pois prejudicaria a redação do preceito referente ao PLR 20; vii. Assim, utilizandose de interpretação que prestigia o "correto emprego" da contração da preposição "de" mais o artigo definido "o", a fórmula para o cálculo do preço parâmetro poderia ser a seguinte: "PLV ML 60% (PLV) VA". Esta fórmula representaria, inclusive, no mais dos casos, um ajuste ainda maior do que aquele proporcionado pela IN 243 sendo esta, na realidade, benéfica ao contribuinte; viii. A exclusão do valor agregado, para que se possa apurar o preço parâmetro em função do produto importado isoladamente considerado, é medida de rigor para evitar distorções. Antes mesmo da criação da IN 243, este CARF, em precedente de lavra da então conselheira Sandra Faroni, já externou o entendimento de que esta segregação dos componentes do produto seria a medida adequada, quando estivesse em foco a aplicação do PRL na presença de agregação de valor no país. Esta linha de argumentação não resiste a um exame mais cuidadoso, conforme irá se demonstrar. A Receita Federal parte da premissa de haver duas interpretações possíveis da Lei, reconhecendo, todavia, sem nenhum pudor, que a fórmula adotada pela IN 243 não reproduz nenhuma dessas duas possíveis interpretações. As duas interpretações seriam as seguintes: (i) uma que considera o Valor Agregado (VA) no País como redutor interno à base de cálculo da margem (interpretação que resulta num ajuste a menor, quando houver muito valor agregado no País); Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 38 (ii) outra que, ao fazer uma leitura possível da função sintática da expressão "do", considera o valor agregado no País como redutor externo à base de cálculo da margem (segunda interpretação, aventada pelo Fisco, cujo ajuste, no mais das vezes, será maior, pois a margem não sofre influência relativa ao valor agregado no País). A IN 243, nesta linha de argumentação, embora não reproduza nenhuma das duas possíveis interpretações da Lei, seria "mais razoável" e alinhada à "finalidade das regras de preços de transferência". Seria uma terceira possibilidade, inclusive, mais favorável ao contribuinte do que a segunda interpretação, por representar ajuste relativamente menor. Vejase que, nesta linha de raciocínio, o Fisco, a um só tempo reconhece que o cálculo empregado pelo contribuinte é uma das possíveis interpretações da Lei, e; atesta, com todas as letras, que a interpretação da IN 243 não reproduz nenhuma das interpretações das duas possíveis interpretações abstraídas da literalidade da lei. A simples assertiva de que o cálculo da IN 243 é "mais benéfico" do que uma possível segunda vertente interpretativa também não socorre à legalidade desse normativo. Isto porque, se é verdadeiro que não cabe à Instrução Normativa aumentar tributos também é verdadeiro que não lhe compete reduzir tributos (art. 97, II, do CTN). O fato de o Fisco de afirmar que a formulação da IN 243, embora dissociada de ambas as possibilidades interpretativas da literalidade da lei, cumpre seu papel, pois "estaria no meio das possibilidades", é falaciosa. Mesmo que, supostamente, represente desoneração (em função de uma das vertentes interpretativas), representaria, da mesma forma, afronta ao texto legal. Segundo o próprio Fisco, a IN 243 surge da possibilidade da existência de uma segunda interpretação possível e, diante dessa segunda interpretação, melhor adotar o disciplinamento. Em pese a falta de razoabilidade dessa leitura do texto legal, fato é que qualquer item deve ser interpretado à luz do comando do que contém o caput do artigo, seu inciso e alínea. Qualquer interpretação do item, fora de seu contexto, incorre em vício insanável. Nesse contexto, o artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, da Lei 9.430/1996, dispõe: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 39 c) das comissões e corretagens pagas; d) da mamem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;" (g.n.) Nos termos do inciso II, a média aritmética dos preços de renda dos bens ou direitos será diminuída da margem de lucro de 60% calculada sobre o preço de renda dos bens, após deduzidos os descontos incondicionais, impostos, comissões e o valor agregado no País. De forma matemática: PM (Preço parâmetro) = PLV 60% x PLV PLV (Preço líquido de venda) = Preço bruto de venda (PBV) descontos tributos sobre venda comissões valor agregado A margem de 60% é aplicada diretamente sobre o preço líquido de venda. O preço líquido de venda é o resultado da dedução do preço bruto de venda dos descontos, impostos, comissões e do valor agregado. A interpretação contextual não permite fazer como o Fisco fez, ou seja, considerar a dedução do Valor Agregado como se fosse uma dedução à parte, fora do comando da alínea "d". Se o legislador quisesse fazer o que a Procuradoria procura demonstrar, a redação do art. 18 seria outra. Em conclusão: a base da segunda interpretação proposta pela Procuradoria só é possível se for efetuado um corte metodológico, onde a alínea do item não participa da interpretação do próprio item/dispositivo. Essa possibilidade, por si só, sem maiores explicações, é incoerente e deve, portanto, ser afastada. Ademais, uma análise matemática da segunda vertente interpretativa comprova que se trata de uma tentativa retórica que pode ser facilmente desmentida. Isso porque, caso o produto tenha um alto valor agregado, pode resultar em preço parâmetro negativo. Essa certamente não era a intenção do legislado.! Em verdade, a IN 243 não serve para o propósito de aplicar a Lei 9.430/1996. Isso ocorre porque a sua sistemática não permite ao contribuinte apurar com consistência um valor de ajuste a ser efetuado no lucro real. Tendo em vista que a sistemática de cálculo da IN 243 é circular. Um texto de lei que explicita tantos elementos matemáticos, com o emprego de vocábulos como "média aritmética", "diminuídos de", "sessenta por cento calculada sobre", "após deduzidos", certamente vai além do usual, revela uma preocupação incomum com a determinação objetiva de uma técnica de cálculo (não de um princípio), cuja finalidade é a de evitar distorções ou equívocos no plano infralegal. Que há finalidades a serem perseguidas com as regras de preços de transferência não se duvida. Da mesma forma, não se refuta que há efeitos econômicos variados em função do modo em que se formata a regra. Todavia, o sopesamento dessas Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 40 finalidades e dos efeitos econômicos foi feito pelo legislador, em momento prélegislativo que presidiu à feitura da regra. Uma vez sopesados estes valores e objetivos e estabelecida uma precisa fórmula para alcançálos, só cabe ao administrador respeitála. Não é função do administrador modificar a sistemática traçada por lei, por meio da especulação acerca da melhor forma de se perseguir os supostos objetivos do PRL 60. Para se defender da constatação de que a margem de 60%, calculada nos termos da IN 243, é muito alta, o Fisco afirma que qualquer contribuinte pode solicitar a alteração dessa margem, nos termos do art. 20 da Lei 9.430/964. Essa possibilidade, prevista desde a introdução da legislação de preços de transferência, curiosamente, nunca foi autorizada pelo Senhor Ministro da Fazenda. Dito de outra forma, nenhum contribuinte, até hoje, teve as suas margens de lucro alteradas. Caso o cálculo da IN 243 prevaleça, certamente haverá um efeito devastador à economia brasileira. Estando sujeitas às regras de preços de transferência, as empresas brasileiras de capital e as empresas brasileiras de capital estrangeiro que possuem fábrica no País certamente irão reanalisar se é viável produzir no Brasil. O ilustre Patrono da Recorrente demonstrou em sustentação oral que é necessária uma margem de 150% sobre os custos totais do produto fabricado para evitar ajustes de preços de transferência na forma da IN 243. Observese que mesmo diante da variação do valor do custo do bem importado, o valor do preço líquido de venda não varia, o que comprova a necessidade de se ter uma margem fixa de 150% sobre o valor do custo total do produto fabricado, independentemente do montante do Valor Agregado no País, a fim de se evitar qualquer ajuste. Portanto, a sistemática da IN 243 não atinge o objetivo das regras de preço de transferência de presumir os preços de mercado dos bens importados, pois um contribuinte que manipula preços, tem vantagens nessa sistemática. Ainda que se parta da premissa de que a IN 243 não contraria o texto da Lei 9.430/96, não há como se extrair dessa premissa a conclusão de que seria ilegal a conduta do contribuinte, ao adotar método de apuração cuja fonte direta é a lei. Nessa linha, também não há como se sustentar a validade da autuação, pois deixou de demonstrar em que ponto a conduta do contribuinte afrontou a lei. E mais: no caso da regra de PLR 60 prevista na Lei, observase que, em nenhum momento, o legislador remete a uma integração posterior para que a norma possa ser plenamente aplicada; também não estabelece nenhuma autorização para que seus contornos sejam restringidos por regulamentação. Tratandose de eficácia plena, sempre foi juridicamente possível a sua aplicação direta, independentemente de qualquer integração por Instrução Normativa. A meu ver, não há dúvidas de que o entendimento empregado pelo contribuinte também configura uma das interpretações possíveis da Lei. Tanto é verdadeiro que Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 41 as Instruções Normativas anteriores (IN 113/00 e IN 32/01) a reproduziam com total fidelidade. Portanto, a metodologia empregada pela Recorrente reflete interpretação originária, diretamente decorrente da literalidade da lei, pelo que o procedimento adotado pela Recorrente está totalmente de acordo com o artigo 18 da Lei 9.430/96 e nunca poderia ser afastado sob o argumento de que uma Instrução Normativa melhor atende o espírito do Lei, ainda que se conclua pela validade da IN 243. Conclusão Pela análise da matéria em litigo, formei pleno convencimento que: (i) o texto da IN 243 não se presta a concretizar o método PRL 60, tendo extrapolado o disposto pela Lei 9430/1996; (ii) por sua vez, o procedimento adotado pela Recorrente se deu absolutamente conforme a norma legal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso cancelandose integralmente os autos de infração. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 42 Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva A presente declaração de voto tem por finalidade avaliar apenas a questão referente aos preços de transferência, no que diz respeito à controvérsia quanto ao alcance do artigo 18, II, letra “d”, item “1”, da Lei nº 9.430, de 1996. Do que se depreende do auto de infração, do acórdão recorrido, do recurso voluntário de fls. 1.391 a 1.432, das contrarazões de fls. 2.119 a 2.147, dos memoriais entregues pelas partes e das sustentações orais realizadas, o presente processo trata de lançamentos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2004, motivados pela falta de adição ao lucro líquido, para a determinação do lucro real, de parcela dos custos relativos a bens adquiridos no exterior de pessoa vinculada, ou seja, decorrentes da inobservância à legislação atinente ao controle dos preços de transferência. Dos memoriais apresentados pela recorrente depreendese que esta alega que nos termos do artigo 18, II, letra d, item 1, da Lei nº 9.430, de 1996, a margem de 60%, de que trata a Lei, é calculada sobre o Preço Bruto de Venda após deduzido os descontos incondicionais, os tributos, as comissões e o valor agregado no país. Diz a recorrente que a IN 243, de 2002, introduz novos elementos e não segue o texto da Lei nº 9.430, de 1996. Na tese da recorrente, “a margem de 60% é calculada sobre um novo conceito, chamado de Participação do Bem Importado no Preço de Venda do Bem Produzido (PBI). O PBI permite a dedução dos Descontos/impostos/Comissões, mas não deduz o Valor Agregado no País para o cálculo da margem de 60%.” A Procuradoria da Fazenda, por sua vez, conforme se depreende dos memoriais entregues, que se fizeram acompanhar de voto proferido pelo ilustre Conselheiro Leonardo Couto, já citado pelo relator, argumenta que a “a fórmula prevista no art. 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002 simplesmente concretiza a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, a saber: apurar o preço parâmetro do bem importado, tendo em vista o controle dos preços das operações praticadas entre partes vinculadas. Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional “a recorrente promove a fórmula de cálculo estabelecida pela IN SRF nº 32/01 à “fórmula da Lei nº 9.430/96”. No entanto, essa é apenas uma das possíveis interpretações construídas a partir do texto legal, que deve ser confirmada através do cotejo com a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96.” Para a recorrida, “o Método PRL 60 tem o escopo de apurar o preço parâmetro do insumo importado aplicado na produção, ou seja, a parcela do preço de revenda do bem produzido que corresponde ao insumo importado. Para atingir esse objetivo, é necessário retirar todas as parcelas que foram agregadas ao bem importado na produção da mercadoria, vale dizer, o valor agregado no País deve ser expurgado para possibilitar a apuração do preço parâmetro do bem importado. Inferese, portanto, que para concretizar a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, a fórmula de cálculo do Método PRL 60 deve ser capaz de isolar o bem importado na apuração do preço parâmetro, respeitando a margem de lucro de sessenta por cento, como pressuposto pela Lei nº 9.430/96.” Por fim, destaca a recorrida que a falta de clareza do artigo 18, II, item 1, da Lei nº 9.430, de 1996, possibilita a construção de diferentes interpretações, mas a que mais se reflete o espírito da Lei é a contida na instrução normativa nº 243, de 2002. Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 43 Alega, ainda, que A metodologia que era adotada pela IN SRF nº 32, desbordava do texto legal por majorar o preço parâmetro em razão direta ao aumento do valor agregado no País, o que termina por inflar indevidamente o limite de dedutibilidade do bem importado. Em síntese, pelo que se depreende dos autos, a controvérsia do presente recurso diz respeito ao alcance do item 1, da letra “d”, do inciso II, do artigo 18, da Lei nº 9.430, de 1996. É a breve colocação do tema, passo ao voto I – Dos destaques preliminares Em data anterior ao presente julgamento, com o objetivo de aprofundar o debate entre os pares e instigar reflexões acerca do tema, remeti por email as seguintes observações acerca do tema: Em conformidade com o disposto no artigo 22, incisos IV; XI e XIII, do Decreto nº 4.176, de 2002, que regulamenta a Lei Complementar nº 95, que estabelece normas e diretrizes para a elaboração e a redação das leis e dá outras providências. O artigo de uma lei desdobrase em parágrafos ou em incisos; Os parágrafos desdobramse em incisos; Os incisos desdobramse em alíneas e; As alíneas desdobramse em itens. Assim, quando se interpreta determinado dispositivo de lei é preciso ter presente que: a) os itens são analisados levando em consideração à alínea a que estão vinculados; b) as alíneas são interpretadas levando em consideração o inciso a que integram; c) os incisos são interpretados levando em consideração o parágrafo no qual estão inseridos e, finalmente, d) os parágrafos são interpretados levando em consideração o artigo a que estão vinculados. Não é possível considerar um parágrafo de forma isolada sem levar em consideração o artigo a que está vinculado. Igualmente, não é possível vincular um item a um inciso, sem considerar a letra à qual este item integra. A interpretação de dispositivo legal pode ser comparado a uma pirâmide. A norma menor, se assim pode ser dito em relação à alínea, sempre estará vinculada a uma norma que se encontra em patamar mais elevado. Neste sentido, considerando a interpretação literal, o item 1, da letra d, do inciso II, do artigo 18, da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito, deve ser interpretado Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 44 levando em consideração, obrigatoriamente, o que dispõe a respectiva letra e não ao que dispõe o inciso no qual a letra está inserida. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I .... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) Do que se depreende do inciso II, alínea d, item 1, do artigo 18, acima referido, a margem de 60% é aplicada “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas a, b e c, e do valor agregado no País”. Em outras palavras, a margem de 60% é aplicada sobre o preço de revenda líquido dos seguintes itens: (i) dos descontos incondicionais concedidos; (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; (iii) das comissões e corretagens pagas; (iv) valor agregado no país. Ao se interpretar a letra “d”, não é possível considerar apenas a primeira parte do item 1, como se não existissem as expressões “e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” O legislador previu que além dos descontos incondicionais, tributos, comissões e corretagens pagas também fosse deduzido o valor agregado no país. Do contrário, não teria razão de existir as expressões constantes na segunda parte do item 1 da letra “d”. O artigo 12, IV, da IN 243, admite que o valor agregado no país seja diminuído da margem de lucro. Contudo, estabeleceu que isto deve se dar de forma proporcional ao valor do bem produzido. Em outras palavras, enquanto o artigo 18, II, letra “d”, pela interpretação literal, não estabelece limite para dedução, a instrução normativa criou uma nova sistemática, qual seja, o da proporcionalidade. Penso que o colegiado deve debater e decidir é se este critério da proporcionalidade está contido ou não no artigo 18, II, letra “d”, item 1. II – Das reflexões e estudos subsequentes Fl. 4090DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 45 Após considerações acima, tive oportunidade de ouvir a proposta de voto do Conselheiro ilustre Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, lida quando do julgamento do processo nº 11643.000098/200916, cujo julgamento foi interrompido por pedido de vista do presidente da 1a. Turma da Quarta Câmara. Pelo profundidade do estudo, transcrevo na íntegra os fundamentos do ilustre Conselheiro: São duas as questões postas em julgamento perante esta Corte Administrativa: 1º) saber se, no curso do processo administrativo tributário, pode ser reconhecida a ilegalidade da instrução normativa editada pela Receita Federal do Brasil; 2º) em caso positivo, se existe compatibilidade entre o regime de apuração do método PRL60 adotado pela instrução normativa RFB nº 243/2002, com o regime adotado pela lei nº 9.430/96, com a alteração da lei nº 9.959/00. ... Feita essa delimitação, passo a decidir. INSTRUÇÃO NORMATIVA. RECONHECIMENTO DE ILEGALIDADE. Inicialmente, cabe saber se pode, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, deixar de aplicar uma instrução normativa editada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, por entender que a mesma não se coaduna com o dispositivo legal que lhe dá fundamento. Isso porque a decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento deixou de apreciar as razões de mérito apresentadas pela Recorrente, por entender que não cabe ao julgador, no curso do processo administrativo tributário, afastar a aplicação de instrução normativa sob o fundamento de ilegalidade. A questão não possui o sabor da novidade. Este Conselho, desde os tempos do 1º Conselho de Contribuinte, tem entendimento assente de que as instruções normativas não se equiparam à lei, e podem ser afastadas quando a elas não se ajustarem. O Código Tributário Nacional, em seu art. 96, define que “A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”. Disso se extrai que, na ordem jurídica devidamente estruturada, impõese a coordenação dos atos normativos através da verificação das competências decorrentes da Constituição da República e do fundamento de validade dos atos expedidos pelas respectivas autoridades. Leiase o escólio de Tércio Sampaio Ferraz Júnior, in verbis: Na dogmática analítica contemporânea, tem relevância especial, no que concerne às fontes, a noção de legislação. Isso ocorre sobretudo no direito de origem romanística, como é o caso do direito europeu continental e dos países latino Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 46 americanos de modo geral. Legislação, lato sensu, é modo de formação de normas jurídicas por meio de atos competentes. Esses atos são sacionadores no sentido de estabelecedores de normas soberanas (vejase a expressão: a lei foi sancionada pelo Presidente da República). Sendo a sanção um exercício de competência, a legislação é fonte de inúmeras normas que requerem procedimentos regulados por outras normas que, por sua vez, são também produto de atos competentes. Essa regressão tem um fim: a primeira competência estabelecida conforme normas primeiras, as normas constitucionais. Ou seja, o reconhecimento da legislação como fonte do direito baseiase necessariamente numa hipótese racionalizadora: um ato fundante que produz um conjunto de normas primárias, a Constituição8. Dentro dessa sistemática, cada ato normativo exerce uma função normativa, de acordo com a competência de quem a expede e o fundamento de validade para sua edição. Invocando Hans Kelsen, alguns incautos chamam essa relação de “hierarquia”, pelo que uma norma estaria “submetida” à outra, de nível superior, de onde extrai seu fundamento de validade. Para um enunciado ser considerado norma jurídica, devem ser obedecidos certos requisitos para sua criação. As normas não são postas de forma livre e desordenada no ordenamento jurídico. Ao contrário, devem as mesmas estar ligadas umas as outras, pelo que cada norma deve buscar o seu fundamento de validade em outra norma jurídica que confira o seu poder normativo. Um enunciado normativo, para ser considerado norma jurídica perante o sistema, deve estar sempre sustentado por uma outra norma que lhe confira validade. Apenas assim se tem formado um sistema jurídico na acepção própria da palavra. Segundo Diego Martin Farrell, in verbis: as normas jurídicas se consideram válidas quando concordam com o critério adotado pelo jurista. Podese dizer, então, que a validade não é uma propriedade das normas, senão uma relação entre a norma e o critério eleito quando a norma se ajusta ao critério, consolidasse a mesma válida9 Ressaltamos, todavia, que diante da vinculação entre uma norma a outra, não temos propriamente uma hierarquia normativa. Hierarquia normativa pede estruturação ordenada das normas, em que as normas constitucionais constituiriam fundamento de validade das normas complementares; e as normas complementares constituiriam fundamento de validade das normas ordinárias. Ao contrário, na ordem jurídica, a fundamentação buscada por uma norma jurídica em outra funciona como escalonamento, pelo que o enunciado irá buscar a sua fundamentação em outra norma, de acordo com a competência afeta ao conteúdo de sua disposição. A leitura da doutrina de Kelsen é didática ao afastar a hierarquização da lógica organizacional do sistema jurídico, pela qual cada norma jurídica tem fundamento de validade em uma outra norma, sem juízos de subordinação. Tratase, em verdade, de estruturação material do tratamento normativo a cada um dos veículos normativamente previstos, pelo que o fundamento de validade decorre da competência para o tratamento da matéria. O sistema 8 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito. Técnica, decisão, dominação. Atlas, São Paulo, 2001. 3 ed. p. 224. 9 Apud CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário. Fundamentos Jurídicos da Incidência. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1998. p. 49. Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 47 jurídico é, assim, para Kelsen, escalonado, pelo qual uma norma busca o seu fundamento de validade em outra norma; mas não, necessariamente, hierarquizado. Disso decorre o conceito de validade como relação de competência existente entre uma norma e outra. No direito tributário, o fundamento de toda a imposição obrigacional está estabelecido na Constituição da República. Cabe à lei complementar de normas gerais de direito tributário definir as estruturas de cada uma das espécies tributárias, assim como dirimir conflitos de competência impositiva; e às leis ordinárias, cabe a instituição dos tributos (na maioria dos casos). Aos atos executivos, apesar do seu poder normativo, atribuise o poder de regulamentar a funcionalidade na cobrança dos tributos – mas nunca, em momento algum, estabelecer obrigações tributárias novas ou alterar o comando na lei no que toca aos elementos essenciais da norma de tributação. De fato, segundo Misabel de Abreu Machado Derzi, “os tributos são objeto de enumeração legal exaustiva, de modo que aquilo que não está na lei, inexiste juridicamente. A diferenciação entre um tributo e outro se dá através de uma classificação legal, esgotante do conceito de tributo. Criamse, a rigor, espécies tributárias como conceitos determinados e fechados que se distinguem umas das outras por notas fixas irrenunciáveis. Não se admitem as ordens de estrutura flexível, graduável e de características renunciáveis que são os tipos. Esses, por sua vez, levariam à aceitação de formas mistas ou novas, deduzidas e descobertas, implicitamente, no ordenamento ou criadas, no tráfego jurídico, pela prática administrativa, segundo as necessidades do Tesouro, o que se chocaria com os princípios vigorantes no sistema tributário”10 Por certo, pois, que, apenas diante da prescrição exata de todos os critérios formadores da norma tributária, como bem demonstra Paulo Barros Carvalho11, é que se estará diante de uma norma jurídica tributária apta à instituição e cobrança de tributos. Essa função, na ordem jurídica brasileira, não pode ser exercida por meio de atos da Administração Pública, por força do disposto no art. 150, inciso I da Constituição da República. É o que diz, também, o art. 97 do Código Tributário Nacional, norma geral de direito tributário, in litteris: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; 10 DERZI, Misabel de Abreu Machado. Direito Tributário, Direito Penal e Tipo. Revista dos Tribunais, São Paulo, 1988. p. 248. 11 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário. Saraiva, São Paulo, 1995. 7 ed. Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 48 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades Quanto às instruções normativas, genericamente previstas no inciso I, art. 100 do CTN, as mesmas têm função de “normas complementares das leis”. E, especificamente no que toca às instruções, Tércio Sampaio Ferraz Júnior às classificam como “atos administrativos internos que vinculam no âmbito de órgãos”12. As instruções normativas da Receita Federal do Brasil, neste sentido, são atos normativos de interpretação e aplicação da lei tributária, vinculando a sua observância no âmbito da própria secretaria. Este é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, in verbis: As instruções normativas, editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídicoformal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias, a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, aditada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação da lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá por ilegalidade e não por inconstitucionalidade Por fim, Tércio Sampaio Ferraz Júnior, explica que, apesar de não existir a chamada hierarquia normativa no sistema jurídico, por vezes existem distinções verticais que induzem à hierarquização: “Não obstante, é preciso reconhecer que, ao lado dos limites horizontais (...) aparecem distinções verticais, pois, em alguns casos, nada obsta que a matéria própria para uma competência seja objeto de uma outra. Nesse momento a maiore ad minus: um decreto pode fazer as vezes de uma portaria, mas a recíproca não é verdadeira, um lei complementar por fazer as vezes de uma lei ordinária, mas a recíproca não é verdadeira” De todo o exposto, fixo duas premissas relevantes para o julgamento do presente feito: 1ª) as instruções normativas são atos normativos da administração que não podem instituir, alterar ou extinguir qualquer dos elementos constantes da norma tributária cuja competência seja atribuída à lei e que promova o aumento ou cobrança de tributo. Nesse particular, salvo quando a Constituição da República excepcionou, todos os elementos da regra matriz de incidência devem constar da lei, com relevo para a base de cálculo do tributo. 2ª) O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por força do decreto nº 70.235, recepcionado na ordem jurídica de 1988 com força de lei, tem, por competência, “julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial” (art. 25, inciso II), sendolhe vedado, no entanto, “afastar a aplicação 12 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito. Técnica, decisão, dominação. Atlas, São Paulo, 2001. 3 ed. p. 232. Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 49 ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” (art. 26A). Não existe, assim, por força competência outorgada ao CARF, vedação para reconhecer a ilegalidade de instrução normativa editada pela Receita Federal do Brasil. Ressaltese que como visto, a possibilidade de o CARF afastar a aplicação de uma instrução normativa da Receita Federal do Brasil NÃO decorre de o CARF ser hierarquicamente superior à Secretaria da Receita Federal do Brasil, ambos órgão do Ministério da Fazenda; mas sim da competência legalmente deferida a cada um desses órgão. Tratase de relação de escalonamento, e não de hierarquia. Diante do exposto, reconheço a competência do CARF para julgar os efeitos da aplicação IN RFB nº 243/2002, tendo em vista a alegação de sua ilegalidade. MÉRITO. INRFB Nº 243/2002 E LEI Nº 9.430 Trata, a questão em voga, das normas antielisivas instituídas pela lei nº 9.430/96, que tem por objetivo restringir os efeitos tributários da utilização dos preços de transferência como instrumento de economia fiscal. Segundo o International Tax Glossary, “o preço de transferência se refere à determinação dos preços a serem cobrados entre empresas relacionadas – particularmente pelas companhias multinacionais – relativamente a transações entre vários membros de seus grupo (venda de bens, prestação de serviços, transferência e uso de tecnologias e patentes, mútuos etc.). Como tais preços não são livremente negociados, os mesmos podem ser eventualmente diferentes daqueles determinados pelas forças livres de mercado, nas negociações entre partes não relacionadas”. Temse, assim, que o controle do preço de transferência objetiva evitar manipulação de preços, aplacando a elisão fiscal. Em uma definição mais ampla, o termo preço de transferência é freqüentemente utilizado, principalmente no direito norte americano13, para se referir a fixação de preços em todos os tipos de transações entre partes relacionadas. De uma maneira geral o preço de transferência é conceituado como o preço utilizado em operações comerciais envolvendo partes relacionadas, localizadas em jurisdições tributárias diversas, responsáveis pela percepção de renda. A manipulação dos preços de transferência pode ser benéfica às empresas relacionadas na medida em que permite a alocação da renda ou do patrimônio de maneira mais favorável ao contribuinte, de acordo com as pressões tributárias ou necessidades do mercado. Assim é que uma empresa produtora localizada em um pais com alta pressão tributária poderá exportar seus produtos por baixo preço para uma empresa coligada localizada em país de baixa pressão tributária, transferindolhe renda e evitando o imposto respectivo no país de origem. Ou então, pode uma empresa localizada em um país com baixa tributação prestar serviço superfaturado a uma empresa coligada localizada em um país com alta pressão tributária, causando uma ficção de perda de rendimento nesta empresa e, por conseguinte, ocasionando a 13 “The term “transfer pricing” is often used to refer to the setting of the prices on all types of transactions betwee related parties.” GUSTAFSON, Charles H., PERONI, Robert J., PUGH, Richard Crawford. Taxation of International Transactions. Materials, text and problems. West Publishing: St. Paul, 1.997. p. 499. Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 50 redução da base imponível do imposto reditório, enquanto a renda é transferida para a empresa localizada naquele primeiro país, que possui tributação mais favorável. Ressaltese que tal mecanismo não é tido como um ilícito praticado pelas empresas. Assim, o direito que se relaciona ao preço de transferência, de um modo geral, não busca traçar métodos de coação sobre as empresas que o praticam. Muito ao contrário, o direito busca conferir ao país prejudicado na alocação da renda a capacidade de determinar (authority to adjust) qual teria sido o preço utilizado na transação em mercado livre (arm’s lenth), obedecendo a determinados parâmetros préfixados pela lei, e cobrar os tributos sobre renda a eles correspondente. Preocupados com os efeitos que a livre fixação dos preços de transferência pode ter no poder de tributar dos estados de economia de mercado e de tributação normal (não considerados países com regime de tributação favorecida), a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE14 desenvolveu um modelo de legislação a ser adotado pelos estados membros e não membros, como forma de restringir os efeitos tributários dessa prática. Nesse modelo de legislação, a OCDE apresentou métodos que podem ser aplicados pelos Estados para restringir os efeitos dos planejamentos tributários realizados pelos contribuintes. A legislação brasileira passou a tratar da matéria a partir da edição da lei nº 9.430/96, não tendo adotado integralmente as orientações da OCDE quanto à fixação dos métodos. No entanto, dentre os métodos adotados pelo Brasil, encontrase o Resale Price Method, constante do modelo OCDE. Por meio do método de revenda, no direito brasileiro chamado de Preço de Revenda Menos Lucro PRL, o preço parâmetro deve ser encontrado pela decomposição do preço de venda do bem importado. Tomase o valor final de venda e promovese a sua decomposição, nos termos em que previsto na lei, até se aplicar a margem de lucro prevista na lei. Segundo a redação original da Lei nº 9.430/96, o PRL regiase da seguinte forma: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; 14 OECD – ORGANIZATION FOR ECONOMIC COOPERATION AND DEVELOPMENT. OECD Transfer Price Guidelines for Multinational Enterprises and Tax Administrations. OECD, Paris, 2010. 371 pp. Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 51 d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda;(sem grifos no original). Nesses termos, a lei, na fixação do método PRL, não fazia diferenciação entre os bens importados aplicados à produção, daqueles bens importados que eram revendidos diretamente no mercado interno. Diante dessa situação, a Secretaria da Receita Federal entendeu que seria inviável aplicarse o método PRL quando o bem integrasse ou fosse consumido no processo produtivo no Brasil. Isso porque, sem a dedução dos demais valores que integraram a produção do bem, ao lado do produto importado, não se teria um valor razoável para funcionar como parâmetro de preço de livre mercado. Com isso, a então SRF editou a instrução normativa nº 38/1997, que proibia a utilização do PRL quando o produto importado tivesse sido integrado em processo produtivo no Brasil. A questão suscitou inúmeros debates, tendo prevalecido entendimento de que a instrução normativa não poderia restringir a priori a utilização do método PRL. Esse foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes, de relatoria do Conselheiro José Clóvis Alves, in verbis: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei n°9.430/96. Não pode haver restrição a utilização de qualquer um dos métodos pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 40, do mesmo artigo.(processo nº 16327.004322/200255. Diante dessa situação, foi editada a Lei nº 9.959, de 2000, que alterou o art. 18 da Lei nº 9.430, passando a prever duas hipóteses de aplicação do PRL, de acordo com a destinação do bem importado: quando se tratar de mera revenda do bem importado, aplicase margem de lucro de 20% e quando o bem importado for utilizado como insumo na produção do bem final, aplicase margem de lucro de 60%. O cerne da divergência ora em julgamento diz respeito à aplicação do método PRL 60. Vejase o art. 18 da lei nº 9.430/96, in litteris: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; Fl. 4097DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 52 c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A divergência em julgamento referese ao disposto na IN 243/2002, que assim definiu a aplicação do método PRL 60, a saber: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; Fl. 4098DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 53 V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A questão em apreço é saber se a metodologia de cálculo descrita no parágrafo 11 do art. 12 da IN nº 243/2006 se adequa ao disposto no art. 18 da lei nº 9.430/96. Segundo a contribuinte, a sistemática adotada pela IN nº 243/2006 é mais onerosa que aquela adotada pelo lei nº 9.430/96, posto que na lei não estaria prevista a adoção de critério proporcional, ao passo que na instrução normativa, adotouse um critério de proporcionalidade não previsto na lei. A Recorrente aponta as divergências entre os dois instrumentos normativos da seguinte forma: (i) Cálculo da margem de lucro: A divergência decorre, em parte, porque a Lei 9.959/00, ao prescrever a fórmula de cálculo da margem de lucro, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço liquido de venda do produto, diminuído do valor agregado no pais. Já a IN 243/02, para o calculo da mesma margem de lucro, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço liquido de venda do produto referente participação dos bens importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. (ii) Cálculo do preço parâmetro: A expressão preçoparâmetro é utilizada pela legislação dos preços de transferência para denominar o valor obtido através do calculo de um dos métodos prescritos e com o qual se devera comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas. Enquanto na Lei 9.959/00 o preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço liquido de venda, a IN 243/02 pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço liquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador. A exemplificação da diferença entre as duas sistemáticas de cálculo foi assim apresentada pela Recorrente: Fl. 4099DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 54 Em sede de memorial, a Fazenda Nacional contrapõe os argumentos da Recorrente, e fundamenta que existe “falta de clareza na redação do texto legal, o que possibilita a construção de diferentes interpretações. A falta de clareza reside, especificamente, no art. 18, II, item 1, da Lei nº 9.430/96, que versa sobre o cálculo da margem de lucro de sessenta por cento” cuja interpretação pode albergar tanto a fórmula de cálculo adotada pela IN nº 32/2001 quanto pela IN nº 243/2002 Fl. 4100DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 55 Assim, segundo Fazenda Nacional, na leitura do art. 18 da lei nº 9.430/96, “a expressão “do valor agregado no País” não está em concordância com o termo “deduzidos” (deduzidos os valores... e do valor agregado no País)”. Isso porque, segunda a Fazenda Nacional, “valor agregado”, precedido da preposição + artigo “do”, não se pode referir à “deduzidos”. Com isso, “Assim, uma possível interpretação consiste em entender que houve um mero erro gramatical na redação legal, e que o legislador quis dizer “o valor agregado”. Nessa ótica, o valor agregado deve integrar apenas o cálculo da margem de lucro, não representando mais uma parcela a ser diminuída do preço de revenda do produto”. No entanto, ressalva que essa não seria a única interpretação possível do dispositivo: É possível, de outro lado, assumir que a aludida falta de concordância não traduz um simples erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18. Nessa linha de raciocínio, a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (caput do inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d), como identificado por Victor Polizelli15: Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no caput do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA16 Nessa “segunda leitura” do texto legal, o valor agregado no País não é computado no cálculo da margem de lucro, consubstanciandose em mais uma parcela a ser subtraída do preço de revenda. Logo, o preço parâmetro seria obtido a partir da média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País. A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. 15 Apud GREGORIO, Ricardo Marozzi. Op. cit. p. 187188. 16 Onde: PL = Preço líquido de revenda do produto; VA = valor agregado no País; PP = preço parâmetro. Fl. 4101DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 56 Superada a questão lingüística, aduz, a Fazenda Nacional, que a sistemática adotada pela IN nº 32/01 estava distorcida, pois o preço parâmetro variava de acordo com o nível de agregação de valor ocorrida no Brasil. Essa situação teria sido corrigida pela IN nº 243/2002, pois “mantém o preço parâmetro constante, independentemente do nível de agregação de valor ao bem importado”, atendendo aos propósitos específicos do controle de preços de transferência. Faz a demonstração dessa qualidade da IN nº 243/2002 por meio da seguinte tabela: Preço líquido de venda do bem produzido17 Valor do bem importado Valor agregado no País Custo total do bem produzido Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido Participação do bem importado no preço líquido de venda do bem produzido Preço parâmetro 162,50 60 5 65 92,31% 150 60 187,50 60 15 75 80% 150 60 212,50 60 25 85 70,59% 150 60 237,50 60 35 95 63,16% 150 60 262,50 60 45 105 57,14% 150 60 287,50 60 55 115 52,17% 150 60 312,50 60 65 125 48% 150 60 Contrapostos os argumentos, vejamos: Ambas as partes concordam que a sistemática de apuração do método PRL 60 definidos na IN nº 32/2001 (defendida pela Contribuinte) e IN nº 243/2002, defendida pela Fazenda, conduzem a resultados diversos. Segundo se extrai do memorial da Fazenda Nacional, o método PRL 60, aceito pela Recorrente, pode ser descrito pela seguinte fórmula: Fórmula de cálculo do PRL 60, na interpretação da contribuinte (IN SRF nº 32/01): Fórmula de cálculo do PRL 60, na interpretação da contribuinte (IN SRF nº 32/01): Preço Parâmetro = PLV – ML 60% (PLV – VA) Onde: PLV = preço líquido de revenda (preço de revenda após as deduções dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas); ML 60% = margem de lucro de sessenta por cento; 17 Observandose a margem bruta de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda. Fl. 4102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 57 VA = valor agregado no País. Por outro lado, o método PRL 60 extraído da sistemática de cálculo da IN nº 243/2002, pode ser descrito pela seguinte fórmula: Preço parâmetro = PBI no PLV – ML 60% (PBI no PLV) ou Preço parâmetro = 40% (PBI no PLV) Onde: PBI no PLV = participação do bem, serviço ou direito importado no preço líquido de venda do bem produzido, obtida a partir da aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II do § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/02, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I do § 11 do art. 12; ML 60% = margem de lucro de sessenta por cento. Não existem, pois, dúvidas de que a sistemática defendida pela Recorrente diverge da sistemática sustentada pela Fazenda Nacional. Por outro lado, também não há dúvidas de que a aplicação da IN SRF nº 32/2001 é mais favorável ao importador do que a IN SRF nº 243/2002. Vejase a explicação do prof. Luis Eduardo Schoueri, extraído do memorial da Fazenda Nacional, ao discorrer sobre a IN nº 32/2001, in verbis: [...] a fórmula acima é contestada por quem entende que a parcela do valor agregado, no lugar de compor o cálculo da margem de lucro, deveria ser deduzida em separado [...] Segundo tais autores, a fórmula acima seria criticável, já que, ao incluir o valor agregado na parcela da margem, surge um encontro de subtrações, o que implica uma adição. Em outras palavras, quanto maior o valor agregado, maior será o preço parâmetro e, portanto, menor a necessidade de ajuste fiscal. Essa observação leva a uma aparente incongruência na aplicação do método. Afinal, se a margem de lucro deve ser suficiente para cobrir todos os custos locais, então lógico seria que quanto maior fosse o volume de custos locais, tanto maior fosse a margem; aplicandose a fórmula acima, chegase ao contrário: a margem de lucro diminui conforme se agrega valor no País. No limite, caso se agregasse enorme valor no País (e, portanto, caso se necessitasse de uma margem de lucro Fl. 4103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 58 suficiente para remunerar tal agregação de valor), a margem resultante da aplicação da fórmula seria negativa. O argumento é forte e coerente e, de fato, não parece passível de contestação a partir da lógica dos preços de transferência. Seria de se esperar que tivesse o legislador o cuidado de ampliar a margem de lucro conforme houvesse maior agregação de valor, nunca o contrário. Entretanto, não se pode deixar de lado o argumento de que a fórmula acima, conquanto se afaste da lógica dos preços de transferência, acaba por premiar as empresas que agregam valor, no País, aos bens importados. Aqueles que agregam muito valor não sofrem qualquer ajuste. 18 [...] Sem dúvida alguma, a sistemática da IN nº 32/2001 favorece as empresas no Brasil que importam insumos e agregam grande valor à mercadoria antes de vendêla; ao passo que a IN SRF nº 243/2002 não possibilita esse incentivo. No entanto, a princípio, tenho entendimento sedimentado de que não cabe à este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF fazer política fiscal ou política industrial, posto que o Governo Federal possui os instrumentos e mecanismos corretos e eficazes para tanto. A tributação sempre impacta no setor produtivo, em especial quando se trata da aplicação de uma norma antielisiva ligada à importação de insumos do exterior. Todavia, o fio condutor da decisão não pode se atrelar aos efeitos positivos ou negativos que a tributação tem na vida econômica das empresas, posto que referida medida não está afeta aos estritos princípios que informam a aplicação da legislação tributária, forte no princípio da legalidade. Demais disso, conforme bem assevera a Fazenda Nacional, a sistemática da IN nº 243/2002 veio justamente expurgar referido efeito da IN SRF nº 32/2001, considerada como uma distorção enquanto norma antielisiva de combate ao preço de transferência. A demonstração, feita pela Fazenda Nacional, da funcionalidade da IN SRF nº 243/2002, como norma antielisiva, tornando estável o preço parâmetro é inegável. Reproduzo, novamente, o seu quadro explicativo, in litteris: Preço líquido de venda do bem produzido19 Valor do bem importado Valor agregado no País Custo total do bem produzido Percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido Participação do bem importado no preço líquido de venda do bem produzido Preço parâmetro 162,50 60 5 65 92,31% 150 60 187,50 60 15 75 80% 150 60 212,50 60 25 85 70,59% 150 60 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro. 2. ed. rev. e atual. São Paulo: Dialética, 2006. p.159160. 19 Observandose a margem bruta de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda. Fl. 4104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 59 237,50 60 35 95 63,16% 150 60 262,50 60 45 105 57,14% 150 60 287,50 60 55 115 52,17% 150 60 312,50 60 65 125 48% 150 60 Nessa sistemática, não importa qual o montante ou percentual do valor agregado no país. Em qualquer caso, o preço parâmetro será o mesmo. Enquanto norma de controle ao preço de transferência, a sistemática de cálculo da IN SRF nº 243/2002 parece ser, de fato, mais eficiente do que a sistemática de cálculo da IN SRF nº 32/2001. No entanto, pelo mesmo fundamento supra apontado, entendo que a IN SRF nº 243/2002, apesar de sua inegável qualidade enquanto método perene de fixação do preço parâmetro, somente poderá ser aceito se estiver respaldada na lei – questão essa que será tratada adiante. Por fim, argumenta, a Fazenda Nacional, que a sistemática da IN nº 32/2001 também não está totalmente de acordo com a fórmula legalmente prevista na lei nº 9.430, posto que permitiria a sua manipulação pelos contribuintes, ajustando o valor segundo a maior ou menor integração de bens, no Brasil, ao produto importado, sendo que “a inadequação entre a metodologia da IN SRF nº 32/01 e a finalidade da Lei nº 9.430/96 foi reconhecida pela Sexta Turma do TRF da 3ª Região, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0061258/SP” Permissa vênia, entendo que não está em julgamento, no presente processo, a legalidade da IN SRF nº 32/2001, mas apenas e tão somente a legalidade da IN SRF nº 243/2002. Isso porque é a IN SRF nº 243/2002 que fundamenta a lavratura do lançamento, cuja procedência é objeto de julgamento no presente feito, e não a IN SRF nº 32/2001. Demais disso, a IN SRF nº 32/2001 foi editada pela Secretaria da Receita Federal, não sendo razoável supor que a Fazenda Nacional venha contrapor se à aplicação de uma instrução normativa editada pela própria Receita Federal. Aplicável, aqui, o princípio do non venire contra factum próprio, assim como o princípio da confiança legítima, que impede que o Estado sancione o contribuinte pela aplicação das normas administrativas por ele mesmo editadas, ainda que eivadas de ilegalidade. Postas essas considerações, resta saber se a sistemática da IN SRF nº 243 encontra respaldo na lei nº 9.430/96. Segundo a Recorrente, a sistemática pretendida pela IN nº 243/2002 impõe restrições não previstas na lei nº 9.430/96, razão pela qual a mesma deve ser considerada ilegal. Lado reverso, argumenta a Fazenda Nacional que, por ocasião de um erro gramatical existente no art. 18 da lei nº 9.430/96, a sua leitura permitiria dupla interpretação: a expressão “do valor agregado” seria um erro gramatical, podendo (1) referirse ao termo “deduzidos”, se considerado o termo “do valor agregado” como “o Fl. 4105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 60 valor agregado” para corrigir a sentença gramatical, como (2) poderia referirse ao termo “diminuídos”, constante do inciso II do art. 18, consistindo em “técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18”. No presente caso, a lei nº 9.959, de 2000, decorreu da conversão da medida provisória nº 2.01304, originada da MP nº 1924, de 07 de outubro de 1999, pelo que é possível saber, da exposição de motivos da referida medida provisória, se tratase, realmente, de técnica redacional inapropriada. Isso porque, se a mens legislatoris ratificar a adoção de um método proporcional do preço líquido de venda para encontrase o preço parâmetro, a interpretação, nesse formato será possível. Consultando a exposição de motivos da MP nº 1924/99, publicada no Diário do Congresso Nacional em 29 de outubro de 1999, no que se refere à alteração do art. 18 da lei n 9.430/96, temos o seguinte: O artigo 2º admite, para fins de controle de preços de transferência, a utilização do método Preço de Revenda menos Lucro – PRL, nos casos de importação de bens, serviços ou direitos empregados, utilizados ou aplicados na produção de outros bens, serviços ou direitos, estabelecendose, para tanto, uma margem de lucro de sessenta por cento. Não se pode, pois, afirmar tratarse de técnica redacional inapropriada, posto que não existiu a intenção do legislador em atrelar o termo “do valor agregado” ao inciso II do art. 18 da lei nº 9.430/96. Saber a intenção do legislador, sem a referência expressa de sua pretensão na exposição de motivos, é mera especulação. De toda sorte, não sou adepto da doutrina subjetivista da interpretação jurídica, segundo a qual “sendo a ciência jurídica um saber dogmático (a noção de dogma enquanto um princípio arbitrário, derivado de vontade do emissor da norma que lhe é fundamental), é, basicamente, um compreensão do pensamento do legislador; portanto interpretação ex tunc (desde então, isto é, desde o aparecimento da norma pela positivação da vontade legislativa), ressaltando, em consonância, o papel preponderante do aspecto genético e das técnicas que lhe são apropriadas (método histórico)”20. Com relação ao argumento gramatical, confesso que tenho grande resistência à interpretação exclusivamente literal dos textos normativos. Estando a norma inserida em um sistema, procuro sempre por meio da lógica e numa leitura sistemática, buscar o sentido lógico e sistêmico de norma aplicável ao caso concreto. Resisto a aceitar que uma letra seja suficiente para alterar completamente uma norma jurídica, de forma a permitir o que, numa outra interpretação, não seria permitido. Isso porque a lei não se origina de um órgão técnico jurídico, mas sim de órgãos políticos, onde nem sempre 20 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito. Técnica, decisão, dominação. Atlas, São Paulo, 2001. 3 ed. p. 262/263. Fl. 4106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 61 estão presentes os elementos essenciais da boa técnica. E isso é reflexo de um Estado democrático, onde as pessoas elegem os seus representantes pelo voto direto. De fato, podem existir problemas hermenêuticos posto que,”ao valerse da língua natural, o legislador está sujeito a equivocidades que, por não existirem nessas línguas regras de rigor (como na ciência), produzem perplexidades”21. Todavia, “a chamada interpretação gramatical tem na análise léxica apenas um instrumento para mostrar e demonstrar o problema, não para resolvêlo. A letra da norma, assim, é apensa o ponto de partida da atividade hermenêutica. Como interpretar juridicamente é produzir uma paráfrase, a interpretação gramatical obriga o jurista a tomar consciência da letra da lei e estar atento às equivocidades proporcionadas pelo uso das línguas naturais e suas imperfeitas regras de conexão léxica”. No caso em apreço, acusa, a Fazenda Nacional, que o erro gramatical constante da redação do item 1 do inciso II do art. 18 da lei nº 9.430/96 estaria inserido nessa imperfeição léxica, permitindo a dupla interpretação do dispositivo. Leiase o dispositivo em debate: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; Segundo as regras gramaticais22, no item 1, o do só pode se referir a preço: preço de revenda e preço do valor agregado no país. É um princípio do paralelismo gramatical. Esse princípio prevê que termos coordenados devem manter estruturas sintáticas semelhantes. De fato, segundo Othon Garcia, in verbis: “Se coordenação é um processo de encadeamento de valores sintáticos idênticos, é justo presumir que quaisquer elementos da frase –sejam orações, sejam termos dela , coordenados entre si, devam, em princípio pelo menos – apresentar estrutura 21 FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito. Técnica, decisão, dominação. Atlas, São Paulo, 2001. 3 ed. p. 283. 22 Orientações gramaticais por Anya Campos. Fl. 4107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 62 gramatical idêntica, pois não se pode coordenar frases (ou termos) que não comportem constituintes do mesmo tipo. Isso é o que se costuma chamar paralelismo ou simetria de construção.” Ainda na leitura gramatical, diante da presença de um termo precedido da preposição de + artigo o, para sabermos a qual outro termo ele se refere (está coordenado) basta procurar qual expressão pede a preposição de e a única possibilidade em toda a expressão entre vírgulas é a palavra preço. O princípio do paralelismo, já explicado acima, justifica o fato de ser gramaticalmente incorreto ler o dispositivo como “deduzido do valor agregado” porque, se assim fosse, deveria ser “deduzidos dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção”. A se considerar do valor agregado, considerase, ao mesmo tempo, que há erro na lei quanto “deduzidos os valores referidos”. Existe, assim, de fato, um erro gramatical quando o item 1 diz “do valor agregado”, pois a expressão “preço do valor agregado” não conduz a uma leitura lógica do dispositivo, nem a um expressão passível de descrição de uma fórmula suficiente para o cálculo do preço parâmetro. Ressalto que, gramaticalmente, não existe outra interpretação possível. Isso porque, quanto à interpretação gramatical pretendida pela Fazenda Nacional, temse que o fato de a expressão “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” estar entre vírgulas é bastante significativo porque faz com que ela seja um bloco único e a coordenação esperada para do valor agregado deva estar presente dentro da expressão entre vírgulas e não fora dela. Para que fique clara a função sintática da oração entre vírgulas, é necessário que se faça uma decomposição do período em questão evidenciando os termos oracionais que foram omitidos. Decomposto, o período ficaria assim: “ O Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL é definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos da margem de lucro de sessenta por cento, que é calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” A oração que é calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País referese ao antecedente, de sentido amplo e genérico, margem de lucro e tem a função de explicálo, trazendo uma informação adicional que pode ser retirada sem que se comprometa o entendimento do restante do período. Notese que a informação é importante, mas, sintaticamente, forma um bloco único que pode ser transformado em uma oração independente, sendo que essa transformação não altera a compreensão do que restou do período. Observe: “O Método do Preço de Revenda menos Lucro – PRL é definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos da margem de lucro de sessenta por cento na hipótese de bens importados aplicados à produção. A margem de lucro é calculada sobre o Fl. 4108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 63 preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País.” Essas características fazem com que a oração que é calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País seja classificada como uma oração subordinada adjetiva explicativa, assim definida por grandes linguistas brasileiros, in verbis: “a [oração subordinada] adjetiva explicativa alude a uma particularidade que não modifica a referência do antecedente e que, por ser mero apêndice, pode ser dispensada sem prejuízo total da mensagem. Na língua falada, aparece marcada por pausa em relação ao antecedente e, na escrita, é assinalada por adequado sinal de pontuação, em geral, entre vírgulas”23 “Orações adjetivas restritivas explicativas modificam um termo de sentido amplo e genérico, enfatizando a sua maior característica ou uma de suas características. Vêm sempre entre vírgulas, que marcam a necessidade de pausa respiratória entre o termo modificado e o restante da oração principal”24. É muito importante deixar claro, no entanto, que, quando se diz que a oração explicativa é mero apêndice e pode ser dispensada, estáse falando de uma dispensabilidade apenas sintática, pois, em termos de semântica (sentido, significado) podese dizer que tem sim relevância e muitas vezes relevância crucial para a boa compreensão do enunciado, como é o caso da oração em comento. Superada, pois a interpretação gramatical, imprestável para a solução da controvérsia posta em julgamento, passo à interpretação sistemática da norma, em sua correlação com o ordenamento jurídico. Em se tratando de norma que tem por objetivo criar um sistema antielisivo para os preços de transferência, inegavelmente que a questão está afeta à composição da base de cálculo do imposto de renda apurado pelas empresas, no que toca à (hipótese I) formação da receita tributável (solucionada pelos métodos PVEx, PVA, PVV ou CAP), ou de dedução de despesas e/ou custos incorridos na formação da renda tributável (solucionada pelos métodos PIC, PRL ou CPL). A base de cálculo é um dos elementos essenciais da relação jurídico tributária, pois compõe o critério quantitativo constante do mandamento da norma, que descreve, hipoteticamente, os elementos que deverão formar o quantum do tributo devido na relação obrigacional concreta de tributação. Neste sentido, apenas e tão somente a lei pode definir os elementos formadores dessa relação, não se deferindo aos atos administrativos, inovar naquilo que a lei não previu – ainda que essa inovação seja indispensável para a funcionalidade da norma. Esse ponto é delicado e essencial para o julgamento do feito. 23 BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da Língua Portuguesa. Lucerna. Rio de Janeiro. 2006. 715p. 24 SACCONI, Luiz Antônio. Nossa Gramática Completa. 30 ed. Nova Geração. São Paulo. 2010. p. 406. Fl. 4109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 64 Tomando por referência a redação original da lei nº 9.430/96 – em que não estava prevista a dedução dos valores agregados ao produto importado na aplicação do método PRL, o próprio Fisco entendeu pela inaplicabilidade do método aos casos de utilização do bem importado na produção nacional. Isso porque não havia, na lei, a previsão dessa dedutibilidade. A lógica então adota foi correta em um sentido: se a lei não prevê a dedução de valores da base de formação do imposto de renda, no caso, os valores agregados ao bem importado na produção do produto final, não poderia referida dedução ser realizada, invalidando o método PRL. Puro princípio da legalidade. Noutro sentido, no entanto, como não havia restrição a priori para utilização do método PRL, esta restrição não poderia ser imposta por meio de instrução normativa. Nessas situações, o julgador fica na situação de “dizer o que não pode”, mas não de dizer “como fazer corretamente”. A Conselheira Sandra Maria Faroni, no entanto, na sapiência que lhe é peculiar, reconhecida em tantos anos dedicados a esse Conselho, deixou registrado seu entendimento de que, na redação original da lei nº 9.430/96, poderia a instrução normativa completar a lei, e retirar da tributação aquilo que não havia sido previsto pela norma legal de controle dos preços de transferência. E, ao fazêlo, sugeriu a adoção do método que somente veio a ser adotado pela IN nº 243/2002. Vejase seu entendimento, proferido no julgamento do processo nº 16327.004012/200231, in verbis: Na peça apresentada a título de contrarazões e recebida como memorial, o ilustre Procurador da Fazenda Nacional tece considerações relevantíssimas em torno dos precedentes da Câmara, que passo a abordar. Inicialmente, faz referência a exemplo numérico adotado por ilustres Auditores Fiscais da Receita Federal em estudo intitulado “ Nota preços de transferência. Posicionamento do Conselho de Contribuintes”, em que, a importação do insumo limpador de párabrisa, cujo preço no mercado atacadista seja da ordem de R$10,00, aplicado na produção de automóvel Honda Civic, com preço por volta de R$ 40.000,00, redundaria na admissibilidade de preçoparâmetro de R$32.000,00 para produto que vale R$10,00. Observo, de pronto, que o exemplo não é apropriado para evidenciar qualquer desvio em relação aos casos concretos analisados pela Câmara, que tratam de importação de princípios ativos para a indústria farmacêutica, em que o valor agregado ao insumo importado é relativamente insignificante. Por outro lado, a distorção apontada não decorre da interpretação, adotada pelo Conselho, de que a lei não veda a aplicação de qualquer dos métodos, mas sim, da determinação da base de cálculo para a aplicação do PRL. Nos casos em que o produto é revendido sem ser na forma em que foi adquirido, seu preço de revenda é aquele líquido dos valores agregados. Melhor dizendo, se o que está sendo revendido é um produto em que se encontram incorporados vários insumos, no preço de venda do produto estão compreendidos os preços de revenda dos vários insumos que o integram. A lei fala em preço de revenda, e, no exemplo erigido pelo Auditor e mencionado pelo Procurador, não se pode dizer que o limpador de párabrisa importado esteja sendo revendido por R$ 40.000,00. O que está sendo vendido por esse preço é o automóvel. Um ato normativo que estabelecesse a forma de apurar o preço de revenda, nos casos de o produto ser revendido com agregação de outros insumos, estaria cumprindo seu papel de regulamentar a lei, não padecendo de qualquer ilegalidade, pois não estaria limitando onde a lei não limitou. Na falta de ato normativo nesse sentido, caberia ao contribuinte demonstrar, segundo um critério razoável, a ser Fl. 4110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 65 analisado pela fiscalização, que o preço de revenda por ele adotado para aplicação do método PRL corresponde ao do insumo importado aplicado no produto industrializado. A meu ver, a única forma possível de determinar o preço de revenda de qualquer insumo é aplicando, sobre o preço de venda do produto final, a mesma proporção que o custo do insumo representa no custo total do produto. A utilização desse critério independe da existência de ato normativo prevendoo, porque está rigorosamente dentro da lei. A lei determina a aplicação de margem de lucro sobre o preço de revenda do produto importado. Inexistindo preço de revenda determinado sobre cada elemento integrante do produto final, cabe determinálo, a partir dos elementos conhecidos. Ora, os elementos conhecidos são os custos individuais dos insumos (inclusive mão de obra) aplicados na produção, o custo do produto final (somatório dos custos dos insumos) e o preço de venda do produto final. É elementar que a única forma de isolar o valor de venda de cada componente é ratear o valor total de venda entre todos os componentes do custo total do produto na mesma proporção em que participam desse custo. Existindo ou não ato normativo nesse sentido, se o contribuinte faz essa segregação, a fiscalização não tem como rejeitar o cálculo pelo PRL. Por outro lado, não feita a segregação, cabe à fiscalização intimar o contribuinte a refazer o cálculo a partir do valor assim segregado. Concordo plenamente com a Conselheira Sandra Maria Faroni: na ausência da lei, e por uma questão sistemática, lógica e até mesmo teleológica da lei, é dado ao Fisco, por instrução normativa, RETIRAR elementos da base de cálculo do tributo. Isso não ofende o princípio da legalidade, que veda, na ausência da lei, “instituir ou aumentar tributo”. Demais disso, a decisão comentada decidiu questão formal, qual seja, a impossibilidade imposta pela IN SRF nº 32/97 de se adotar o método PRL no caso de utilização do bem importado na formação de um produto final, no Brasil, com agregação de valor. No entanto, não é esta a hipótese dos autos: com a lei nº 9.959, de 2000, alterouse a redação da lei nº 9.430/96, para prever expressamente a possibilidade de o método PRL ser utilizado quando o bem importado for consumido na produção de um produto no Brasil. E a lei nº 9.959/00, bem ou mal, definiu a fórmula de cálculo do método PRL que, no meu entendimento, dada a divergência gramatical, deve ser a mais favorável ao contribuinte. Entre duas interpretações gramaticalmente impossíveis, ou seja, entre cometer um erro linguístico para majorar um tributo, atingindo diretamente o disposto no art. 150, inciso I da Constituição da República ou cometer um erro gramatical para majorar a base de incidência do imposto de renda, permissa venia, por viver em um Estado Democrático de Direito, sujeito ao princípio da legalidade formal e material, fico com a primeira opção. Dois fundamentos, sistemáticos e lógicos, me conduzem a essa convicção. PRIMEIRO FUNDAMENTO: da leitura da IN SRF nº 243/2002, a única hipótese de admitirse a sua conformação ao art. 18 da lei nº 9.430/96, é entender que Fl. 4111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 66 o disposto no item 1, do inciso II de referido artigo é um “tipo” tributário, nos exatos termos em que rechaçado por Misabel de Abreu Machado Derzi, entendido como “ordem fluida que aceita transições continuas e graduais (que) opõese a conceito determinado classificatório”, e não no sentido de tatbestand, entendidos como “conceitos rígidos ou somatórios, padrões numericamente definidos, com o que se almeja alcançar ora a segurança jurídica, ora a uniformidade ou a praticidade na aplicação da lei em massa” (p. 367), própria do direito tributário. No direito tributário, não se admitem, na formação dos elementos essenciais da norma tributária – também chamados de mínimo irredutível do deôntico por Paulo de Barros Carvalho – , conceitos abertos, que permitam a inserção ou retirada de elementos, de forma a exonerarse ou aplicarse a tributação. Diferentemente de outros países, o princípio da legalidade, no Brasil, foi estrita e precisamente disposto na Constituição da República, justamente como forma de resguardar o direito do contribuinte – e não o direito do Estado. Supor o contrário atenta à própria noção de República, inadmissível em tempos contemporâneos. Esse argumento me conduz diretamente ao SEGUNDO FUNDAMENTO: a União, sabedora da ilegalidade da instrução normativa que ela própria editou, tem tentado, por meio de medidas provisórias, legalizar o que a IN SRF nº 243/2002 antecipadamente previu. De fato, a MP 478/2009 e a MP 563/2012, em suas essências, legalizam a base de cálculo pretendida pela IN SRF nº 243/2002. Lamentase que não o tenha feito antes da instrução normativa, pois, como bem demonstrado pelo competente Procurador da Fazenda Nacional, traria estabilidade na aplicação do método PRL. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para, reconhecendo a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, cancelar o auto de infração que a toma como fundamento. O brilhantismo do voto do Conselheiro e Professor Alexandre Alkmim Teixeira reflete sua destacada trajetória acadêmica a quem não poderia deixar de registrar minha admiração e, ao mesmo tempo peço vênia ao amigo para discordar, o que farei em item apartado. Da interpretação da lei Quando do julgamento do processo nº 16561.000222/200872, durante os debates acerca da interpretação do artigo 20, § 2º, letras “b” e “c” do Decreto nº 1.598, de 1977, cujo texto encontrase repetido no artigo 385, § 2º, II e III, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, destaquei que a expressão “fundo de comércio” continha em si mesma as questões intangíveis tais como clientela, marca, pontos comerciais, recursos humanos e tecnológicos que se traduziam, em última análise, na expectativa de resultado futuro. Apontei, na ocasião, que da interpretação sistêmica da norma chegava a conclusão de que a expectativa de rentabilidade futura estava abarcada no fundo de comércio que contém em si mesmo elementos tais como marca, pontos comerciais, recursos humanos e tecnológicos, entre outros. Fl. 4112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 67 Noutra situação, cujo processo não lembro, quando busquei interpretação sistemática25 acerca de determinada norma ouvi dizer, não exatamente com estas palavras, a seguinte afirmação: “se o legislador quisesse dizer algo diferente, tendo percebido o erro, já teria mudado a norma.” O julgamento por colegiado tem o mérito de permitir mais de uma opinião acerca do tema. Ainda que a meu juízo a interpretação acima se traduza em equívoco, cabe a mim, como integrante do colegiado respeitála, pois do contrário teríamos julgamento monocrático ou imposto por um ou alguns dos membros do turma e seguido pelos outros. O caso dos autos, por exemplo, é uma situação em que se procurou mudar a norma por meio da Medida Provisória nº 478/2009 e nem por isto foi possível inserir na norma o texto contido na IN 242. Para os que se prendem ao texto da lei, sem se darem conta de que o Direito é um todo orgânico, não sendo lícito ao intérprete ou julgador apreciarlhe uma parte isolada, sem a largueza de vistas do conhecedor perfeito de uma ciência e das outras disciplinas propedêuticas e complementares, conforme cita Carlos Maximiliano26,27 destaco que a interpretação literal, em que pese ser a mais fácil, não raro, leva a soluções imperfeitas. Vale aqui mencionar dois exemplos, repetidamente citado pelos doutrinadores, que demonstram a relevância do que afirmo: 1. RECASÉNSSICHES descreve uma controvérsia surgida na Polônia no início do século XX. Um letreiro colocado à entrada de uma estação de trem proibia, com base em lei, o acesso às escadas externas de pessoas acompanhadas de um cachorro. Um camponês pretendeu chegar à escadaria acompanhado de um urso. O chefe da estação barrouo na entrada. Os adeptos da interpretação literal da lei certamente acusariam o funcionário de arbitrariedade. Mas seria razoável permitir a entrada do camponês, acompanhado de um urso, sob a argumentação de que “urso” não é “cachorro”? 2. Outro exemplo nos é dado por PERELMAN, em sentido oposto ao de RECASÉNSSICHES. Um letreiro, colocado na entrada de um parque público, proíbe a entrada de veículos. Um cidadão sofre um enfarte dentro do parque. Chamase uma ambulância. Seria razoável que o porteiro impedisse a entrada da ambulância, arriscando a vida do enfartado? Quando penso sobre o absurdo da interpretação literal, lembrome de um caso referido por JEAN CRUET, ao escrever, em 1908, “A vida do Direito e a Inutilidade das Leis”. Conta ele que se citava na Inglaterra uma anedota simbólica: a de um homem que tendo furtado dois carneiros foi absolvido, porque só era punível o furto de “um carneiro”. 25 Sistemática. Sistema é um conjunto de elementos relacionados entre si de modo a formar um todo coerente e unitário. Assim sendo, a interpretação sistemática é aquela feita confrontando o texto com outros de leis semelhantes ou diversos, mas de finalidade comum. É aquela que procura harmonizar a norma com o sistema jurídico com um todo. 26 Carlos Maximiliano. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 12a. Edição. Ed. Forense. 1992. pág. 195. 27 Por sinal, é de Carlos Maximiliano a frase: “Quem só atende à letra da lei, não merece o nome de jurisconsulto; é simples pragmático.” Fl. 4113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 1402001.209 S1C4T2 Fl. 0 68 Não tenho a menor dúvida de que seguindo somente a interpretação literal do artigo inciso II, alínea d, item 1, do artigo 18, da Lei nº 9.430, de 1996, a margem de 60% é aplicada sobre o preço de revenda líquido dos seguintes itens: (i) dos descontos incondicionais concedidos; (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; (iii) das comissões e corretagens pagas e (iv) valor agregado no país. Contudo, seguindo a interpretação literal transformaríamos a norma em questão a um todo sem razão de ser. Se a lei tem por finalidade controlar os preços dos produtos importados de empresas coligadas a única forma de se atingir tal propósito é segregando o valor destes bens dos demais custos adicionados no país. Em outras palavras, o valor agregado no país deve ser algo neutro em relação à margem de lucro nos casos de preços de transferência. Isto posto, acompanho o voto do ilustre relator. (assinado digitalmente) Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva . Fl. 4114DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/ 11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado di gitalmente em 26/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003911/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/04/2006
CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. REVENDA. POSSIBILIDADE.
A revenda da mercadoria, ainda que referendada por medida judicial, autoriza a conversão da pena de perdimento em multa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. GARANTIA À AMPLA DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Nas hipóteses em que o acórdão recorrido decide com base em questão prejudicial e que tal questão é afastada pela instância ad quem, é defeso à instância revisora adentrar nas demais questões de mérito, sob pena de caracterização da supressão de instância e, consequentemente, do cerceamento do direito de defesa.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/04/2006 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. REVENDA. POSSIBILIDADE. A revenda da mercadoria, ainda que referendada por medida judicial, autoriza a conversão da pena de perdimento em multa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. GARANTIA À AMPLA DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Nas hipóteses em que o acórdão recorrido decide com base em questão prejudicial e que tal questão é afastada pela instância ad quem, é defeso à instância revisora adentrar nas demais questões de mérito, sob pena de caracterização da supressão de instância e, consequentemente, do cerceamento do direito de defesa. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10314.003911/2006-11
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352436
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.892
nome_arquivo_s : Decisao_10314003911200611.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10314003911200611_5352436.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5483967
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815267356672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.286 1 1.285 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10314.003911/200611 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.892 – 3ª Turma Sessão de 08 de abril de 2014 Matéria MULTA DECORRENTE DA CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LVMH FASHION GROUP BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/04/2006 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. REVENDA. POSSIBILIDADE. A revenda da mercadoria, ainda que referendada por medida judicial, autoriza a conversão da pena de perdimento em multa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. GARANTIA À AMPLA DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Nas hipóteses em que o acórdão recorrido decide com base em questão prejudicial e que tal questão é afastada pela instância ad quem, é defeso à instância revisora adentrar nas demais questões de mérito, sob pena de caracterização da supressão de instância e, consequentemente, do cerceamento do direito de defesa. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que não conheciam; e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 39 11 /2 00 6- 11 Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.287 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na modalidade prevista no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais1, ou seja, por suposta contrariedade à lei ou à evidência das provas, em desfavor do Acórdão 310200.202, de 20 de maio de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/04/2006 Incabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, tendo em vista concessão de medida liminar em Mandado de Segurança. Recurso Voluntário Provido. O acórdão, esclareçase, foi alvo de embargos de declaração, por parte da Fazenda Nacional, que apontou erro material na anotação do resultado do julgamento, que, inicialmente, recebeu a seguinte redação: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo Ribeiro Nogueira que votaram pela conclusão, apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Segundo aponta a autoridade embargante, haveria erro material no resultado proclamado, pois, se os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Marcelo Ribeiro Nogueira teriam restado vencidos, não haveria que se cogitar na existência de votação pelas conclusões. Aponta que tal erro material poderia conduzir à conclusão de que o voto condutor teria sido acompanhado pela unanimidade dos membros do colegiado e, consequentemente, comprometer a futura admissibilidade de recurso especial. Acolhidos os embargos, restou saneada a contradição e consignado que o Conselheiro Corintho Oliveira Machado restou vencido e que o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira acompanhou a relatora pelas conclusões. Após tal saneamento, o resultado proclamado restou redigido nos seguintes termos: 1 Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.288 3 “Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava. O Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira votou pela conclusão, acompanhando a relatora. Apresentará declaração de voto no tocante ao mérito a Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro.” As balizas do litígio podem ser extraídas do relatório que orientou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência de multa relativa à Conversão do Perdimento em Multa – Impossibilidade de Apreensão da Mercadoria, prevista nos artigos 602 e 604, inciso IV, 618 e parágrafo primeiro do Dec. 4523/02 e art. 73, parágrafos primeiro e segundo da Lei 10833/03, § 3º do art. 23 do DecretoLei 1.455/76, acrescentado pela Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei 10.637, de 30/12/2002, perfazendo, na data de sua constituição, em 18/04/2006, um crédito tributário no valor de R$ 31.914.016,00, objeto do Auto de Infração e Relatório de Auditoria Fiscal, de fls. 02 a 72, da IRF/SP. De acordo com o relato da fiscalização e os documentos acostados aos autos, depreendese que a ação fiscal objetivou averiguar a interposição fraudulenta de terceiras pessoas, nos termos da Portaria MF nº 350, de 16/10/2002, e da IN SRF nº 228, de 21/10/2002. Os autuantes relatam (fl. 8) que o procedimento fiscal teve início em virtude do MPF 08.1.55.002005008689, tendo sido comprovado que a interessada vem se utilizando da empresa COTIA TRADING S/A como interposta pessoa, em um esquema fraudulento, visando à ocultação de sua condição de verdadeira responsável pelas operações de comércio exterior e de real adquirente das mercadorias importadas de sua sócia majoritária, a empresa francesa Louis Vuitton Malletier, visando eximirse do pagamento do imposto sobre produtos industrializados incidente na revenda de seus produtos, tendo sido, em razão disso, proposta a abertura de procedimento específico para a apreensão das mercadorias estrangeiras importadas irregularmente através deste esquema, com base no art. 23, inciso V e parágrafo 1o do Decretolei 1455/76 e posteriormente abertura de novo procedimento para aplicação das penalidades previstas no parágrafo 3o do mesmo ato. O DecretoLei 1.455/76 prevê a pena de perdimento das mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação, não tendo sido possível a apreensão da mercadoria face à concessão de medida liminar em mandado de segurança, impetrado pelo contribuinte. A Fiscalização concluiu por descaracterizar as importações efetuadas pela Cotia em razão da natureza da relação negocial entre ela e a interessada, evidenciando que uma opera por Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.289 4 encomenda da segunda, não arcando com os riscos cambiais ou comerciais, assumidos pela interessada. Constatouse ainda que há vínculo dos exportadores com a interessada, não existindo lucro no repasse da Cotia para a LVMH, mas sim prejuízo em todas as revendas das importações, além de a Cotia poder repassar somente à interessada a posse das mercadorias importadas a mando desta, tendo restado comprovado a ocultação do real comprador dos bens estrangeiros. Depreendese dos autos que a empresa impetrou Mandado de Segurança, perante a Nona Vara Federal Cível, sob número 2005.61.00.0265602, obtendo concessão de liminar em 25/11/2005 (fl. 187), impedindo que as mercadorias adquiridas pela impetrante da importadora COTIA TRADING, que já foram nacionalizadas, e que estão nos estabelecimentos da impetrante, relacionados na petição da emenda da inicial, não sejam apreendidas, até decisão contrária proferida nesta ação. Nota se, também (fl. 186), que a autoridade judiciária fez questão de frisar que não se discute nesta ação mandamental a regularidade ou não da importação. Em 21/12/2005, houve a cassação da liminar (fl. 191), tendo sido restabelecida em 26/12/2005 (fl. 194), motivada por haver indícios de que a agravante apenas objetivou usufruir, de modo economicamente mais favorável, de determinada sistemática fiscal, sem a intenção de burlar ou fraudar o Fisco. Regularmente notificada do Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação de fls. 581 a 640, alegando, em síntese, que: não há previsão legal para a aplicação da conversão da pena de perdimento em multa, em decorrência da impossibilidade da apreensão de mercadorias motivada por ordem judicial, sendo tal conversão somente autorizada pela legislação nos casos em que as mercadorias não são localizadas ou na hipótese de terem sido consumidas. a empresa Cotia é a importadora, pois realiza o desembaraço das mercadorias, efetua o fechamento do câmbio e recolhe regularmente todos os tributos incidentes nas importações, sendolhe as mercadorias, já nacionalizadas, posteriormente revendidas. a Cotia preenche todos os requisitos previstos no ADI SRF 7/2002 para caracterizar a aquisição da propriedade das mercadorias importadas, o que faz dele proprietária das mercadorias que importa, sendo uma importação direta. o acordo comercial entre a Cotia Trading e a Requerente foi celebrado com boafé, boavontade, transparência, seriedade e legitimidade de propósito, sendo lícitas as aquisições de produtos importados. Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.290 5 a operação de importação por intermédio de uma pessoa jurídica importadora não perdeu legitimidade e licitude devido à instituição da modalidade de importação por conta e ordem de terceiros. se for considerada encomendante das mercadorias importadas pela Cotia, essas importações não podem ser caracterizadas como importação por conta e ordem de terceiros, mas como uma importação por encomenda, não se confundindo as duas formas de importação. as acusações da fiscalização baseiamse em presunções e indícios, fato inadmissível em direito e que reforça a insubsistência do auto de infração. as importações realizadas pela Cotia, posteriormente vendidas para a interessada, não ocasionaram prejuízo algum aos cofres públicos, na medida em que todos os tributos incidentes foram regularmente recolhidos. a incidência do IPI nas operações de importação por encomenda, modalidade que foi efetivamente utilizada, teve início com a edição da lei 11281/2006, art. 13, sendo a requerente, a partir daí, contribuinte do imposto, procedendo regularmente ao seu recolhimento. não houve fraude, simulação ou elusão tributária nas importações realizadas pela Cotia para posterior revenda à interessada, não sendo possível atribuirlhe acusações tão graves. as pessoas jurídicas têm sua honra protegida por lei, tendo a presente defesa o condão de resguardar o seu bom nome, a sua dignidade e a sua honra. foi ao judiciário contra a apreensão de seus bens, tendolhe sido assegurada proteção judicial. pleiteia a improcedência da ação fiscal. Tendo em vista alegação da interessada, entendeu esta DRJ/SPOII, em razão de não constar nos autos a petição inicial da interessada junto ao judiciário, dentro do que preceitua o ordenamento do processo administrativo fiscal, em especial o princípio da ampla defesa, necessária a juntada desta petição, para que se procedesse ao julgamento. A repartição juntou a petição inicial da interessada ao judiciário (fls. 938 a 960), onde esta alega vários motivos para que não haja apreensão de suas mercadorias, dentre elas a greve da Receita Federal, o fato de se tratarem de artigos de moda, que mesmo posteriormente liberados perderiam seu valor e a demanda e a atração do consumo que causam quando ofertadas aos clientes no período previsto, deixando bastante claro (fl. 942) que o objeto da ação não diz respeito à validade das acusações constantes do relatório de fiscalização, mas da legalidade, legitimidade, oportunidade, conveniência e Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.291 6 necessidade da apreensão das mercadorias em questão e da decretação da pena de perdimento sem que tenha havido qualquer autuação nem processo administrativo com possibilidade de defesa, contraditório e produção de provas. Em consonância com a legislação vigente, foi dada ciência à interessada para que se manifestasse no prazo de dez dias, tendo havido apenas ciência, sem manifestação. Sobreveio recurso voluntário onde a então recorrente repisa os argumentos suscitados por ocasião da impugnação, reiterando que a concessão de ordem judicial não se confunde com a hipótese prevista na norma que instituiu a conversão da pena de perdimento em multa. Acatando tal fundamento, a e. 2ª TO da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF deu provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. Restou vencido o então Conselheiro Corintho de Oliveira Machado. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou o recurso especial que é alvo do presente julgamento, argumentando, em síntese, que restou devidamente caracterizada uma das hipóteses que determinaria a conversão do perdimento em multa: a mercadoria já havia sido entregue a consumo, conforme se depreenderia das peças carreadas ao processo, em especial da própria decisão judicial que concedera a liminar que obstaculizara a apreensão da mercadoria. Transcreve trecho da decisão. Segundo defende, de acordo com tal excerto, um dos fundamentos para a concessão da medida liminar seria (periculum in mora) seria justamente o fato das mercadorias terem sido revendidas no mercado interno. O outro seria a possibilidade de recomposição de eventual prejuízo ao Erário por meio da cobrança de impostos e multas. Conclui que o lançamento em litígio corresponderia, em última análise, ao estrito cumprimento da ordem judicial e da legislação que rege a matéria. Cita acórdãos dos Tribunais Regionais Federais da 3ª e da 4ª Região. Sustenta, outrossim, que, se o Fisco não tivesse tido o cuidado de proceder à lavratura do auto de infração haveria o risco de se concretizar a decadência do direito de constituir o crédito. Pleiteia, assim, que seja afastada a questão antecedente, que identificou como preliminar, e a devolução dos autos à instância a quo, para julgamento das demais questões de mérito do litígio. Ciente de tais fundamentos, a Contribuinte oferece contrarrazões nas quais, depois de sintetizar o que considera os fatos litigiosos, pugna pela manutenção do acórdão recorrido, defendendo, inicialmente, a correção do raciocínio adotado no voto condutor, arguindo, ademais, que, mesmo se superada a questão prejudicial reconhecida pela maioria dos votantes, como apontado na declaração de voto onde apresentada pela Conselheira Rosa Maria De Jesus de Castro, o lançamento seria improcedente. Sustenta, ainda, preliminarmente, que a regra de transição fixada art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009 não daria respaldo ao presente recurso especial, manejado com espeque no art. 7ª, I do Regimento da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.292 7 No seu sentir, o Acórdão nº 310200.202, de 20 de maio de 2009 só se tornara definitivo após a sua complementação pelo de nº 310200.445, de 30 de abril de 2010. Ou seja, após a data em que a Portaria MF nº 259, de 2009 entrou em vigor. Ainda em sede de preliminar, argumenta que, mesmo se reconhecida a possibilidade de se aplicar o antigo regimento da CSRF, não se poderia admitir o recurso, pois não teria sido demonstrada qualquer contrariedade à legislação federal. Diferentemente do alegado pela Fazenda Nacional, o acórdão recorrido tanto aplicara a legislação quanto ponderara corretamente as provas carreadas ao processo. No mérito, resumidamente, defende a correção do raciocínio sedimentado no voto condutor que, apoiado em parecer ofertado pelo Professor Heleno Tôrres, concluíra pela impossibilidade de apreensão em razão da concessão de medida liminar, sob pena de violação ao princípio da legalidade. Cita doutrina e jurisprudência acerca do tema, além do parecer referenciado no acórdão recorrido Outrossim, reitera as razões de impugnação e recursais acerca da higidez das operações. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Em primeiro lugar, como é cediço, os embargos de declaração apresentados, como a grande maioria dos casos em que tal modalidade recursal é manejada, não tiveram efeitos modificativos. Foram recebidos no exclusivo intuito de integrar uma decisão anterior, adotada quando ainda vigia o regimento dos extintos Conselhos de Contribuintes e da CSRF fixado pela Portaria MF nº 147, de 2007. Tanto é assim que o acórdão que julgou os embargos não traz qualquer consideração acerca das razões de decidir assentadas no acórdão embargado, que, àquela, altura, quanto a esses aspectos só poderia ser modificado por meio da apresentação do competente recurso especial. Naquele momento, portanto, já havia sido proferida a decisão alegadamente contrária às provas dos autos e à legislação. Em segundo, não vejo como discutir, como preliminar, as alegações acerca da higidez da decisão recorrida. Tal discussão deve ser travada quando da análise do mérito do recurso. À esta altura, cabe indagar exclusivamente se a recorrente apresentou os fundamentos do acórdão que, em tese, restariam equivocados, em face da legislação ou da provas carreadas aos autos e a resposta a tal indagação é positiva. Passo ao mérito. Embora tenha sido apresentada declaração de voto, defendendo a legalidade das operações que o Fisco reputou ilegais, o acórdão decidiu o mérito em questão antecedente: ainda que viesse a ser confirmada a irregularidade da importação (matéria acerca da qual não Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.293 8 houve manifestação no voto condutor), a concessão de medida liminar impedindo a apreensão não se enquadraria em uma das hipóteses previstas no art. 73 da Lei nº 10.833, de 2003. Confirase a redação do dispositivo: Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no§ 3odo art. 23 do DecretoLei n o1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A multa a que se refere o § 1oserá exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. Penso que tal decisão deve ser revista. A meu ver, com a devida licença às opiniões em contrário, inobstante a concessão de medida liminar não se inserir nas hipóteses descritas no dispositivo, os fatos carreados ao processo demonstram que, indiscutivelmente, a mercadoria foi revendida, hipótese que, a meu ver, se subsumiria perfeitamente ao dispositivo. Ou seja, a mercadoria foi comercializada e, consequentemente, dada a consumo. Essa questão relembrese, sempre fez parte da discussão que culminou com a concessão da medida judicial que obstaculizou a efetiva apreensão das mercadorias. Confirase seguinte excerto do julgado2: Não haveria, assim, ilegalidade ou abuso na apreensão das mercadorias, uma vez que há previsão no Regulamento Aduaneiro da pena de perdimento da mercadoria importada no caso de ocultação do real adquirente, mediante interposição fraudulenta de terceiros, por configurar dano ao Erário (art. 614, XXII). Mas, no caso dos autos, tais mercadorias já foram desembaraçadas e vendidas no mercado nacional. (destaque acrescido) Dessa forma, é necessário ao menos que se inicie regular processo administrativo, com a possibilidade de defesa e contraditório. No caso em exame, verifico que o relatório de fiscalização opina pela existência de indícios suficientes da ocorrência de fraude, após a interpretação da operação fundamentada na documentação apresentada pela própria empresa impetrante. Contudo, devem ser respeitados os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, eis que a impetrante, apesar. de cientificada dos atos 2 Trecho à fl. 1115 (numeração física) Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.294 9 praticados pela fiscalização até o momento, não foi intimada para se defender. Assim, não me parece razoável, neste momento processual, a apreensão de bens que já foram nacionalizados pela importadora e, a principio, regularmente adquiridos no mercado nacional e disponíveis nos estabelecimentos da impetrante para o comércio. Notar que tal premissa é reproduzida na parte dispositiva do julgado e como tal, não representa exclusivamente uma razão de decidir, faz parte da norma individual e concreta que disciplinará os fatos litigiosos: Pelo exposto, defiro o pedido liminar para impedir que as mercadorias adquiridas pela impetrante da importadora COTIA TRADING, que já foram nacionalizadas, e que estão nos estabelecimentos da impetrante relacionados na petição de emenda da inicial, não sejam apreendidas, até decisão contrária proferida nesta ação. (destaquei) Ou seja, o Poder Judiciário afirmou que as mercadorias revendidas (e, portanto, consumidas) não poderiam ser apreendidas. Aliás, mesmo que se considerasse que a comercialização operada no mercado atacadista não caracterizasse seu consumo, não se pode olvidar que a própria autuada compareceu perante o Poder Judiciário arguindo que pretendia revender os produtos a consumidores finais. Confirase o trecho da petição inicial que sintetiza os elementos que, na sua visão da Contribuinte, caracterizariam o periculum in mora3: 60. A necessidade da ordem judicial em caráter liminar justificase ao fundado receio de que a apreensão acarrete prejuízos irreparáveis. O "periculum in mora", no caso, decorre da possibilidade da apreensão das mercadorias, o que poderia acarretar prejuízos para a Impetrante, tendo em vista que o Natal se aproxima, sendo o período em que a demanda por produtos é a maior do ano. Sem as mercadorias a Impetrante poderia ficar impedida literalmente de exercer sua atividade. 61. Somese a isto o fato de que parte dos funcionários da Receita Federal estão em greve, e os processos de importação e liberação de mercadorias estão atrasados, fato esse notório, que a imprensa narra diariamente. Dificilmente receberia novas mercadorias. Essa situação acarretaria desabastecimento que se traduziria em grave prejuízo para a Impetrante, que ficaria privada de vender suas mercadorias e de auferir receita. Além disso, o Estado e a União Federal ficariam privados dos tributos incidentes nas vendas. Caso isto ocorra, não haveria como reaver o prejuízo sofrido. (destaquei) 62. Não bastasse isso, pela natureza dos produtos em questão, artigos de moda, mesmo que viessem a ser posteriormente liberadas, as mercadorias perderiam seu valor e a demanda e a atração de consumo que causam quando ofertadas aos clientes 3 Trecho à fl. 965 (numeração física). Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10314.003911/200611 Acórdão n.º 9303002.892 CSRFT3 Fl. 1.295 10 no período previsto, de acordo com as dispendiosas campanhas de marketing veiculadas e todo esforço feito pela empresa, deixariam de existir. Isso representaria prejuízo, também irrecuperável. De se registrar, finalmente, quanto a esse aspecto, que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstrasse que, apesar da liminar, na data da lavratura do auto de infração, as mercadorias não teriam sido revendidas a consumidor final. Assim, restando devidamente caracterizada uma das hipóteses previstas no art. 73 da Lei nº 10.833, de 2003, forçoso é concluir que o acórdão recorrido deve ser reformado, para o efeito de admitir a possibilidade de conversão do perdimento em multa. Ocorre, entretanto, que a primeira condição para a imposição da multa, ou seja, a caracterização de que as mercadorias se sujeitariam à pena de perdimento, com reconheceu a recorrente, não foi analisada pela instância a quo. Assim, enfrentar essas questões de mérito neste momento processual representaria, sem sombra de dúvidas, supressão de instância e, como tal, cerceamento do direito de defesa. Em face de tal obstáculo, entendo que este Colegiado não poderia adentrar nessa discussão. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo a possibilidade de se converter a pena de perdimento em pecúnia e de devolver o processo à instância de origem, para análise das demais questões aduzidas pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
